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HOJE COMPREENDENDO OS LIMITES TRAGADOS PARA AS PESSOAS E PARA A SOCIEDADE ~ A LEI MORAL DE DEUS CONTEUDO Limites: Porque Té-los? v..sesssssesssssssssssseesesssseesssessesseesen 9 Capitulo 1 - Os Trés Aspectos Distintos da Lei Capitulo 2 - Os Dez Mandamentos e a Graga de Deus Capitulo 3 - O Cristao e os Dez Mandamentos Capitulo 4 - O Primeiro Mandamento Capitulo 5 - O Segundo Mandamento Capitulo 6 - O Terceiro Mandamento Capitulo 7 - O Quarto Mandamento . Capitulo 8 - O Quinto Mandamento . Capitulo 9 - O Sexto Mandament0 ......s.ssescesseesecsssseeessvenseesesees Capitulo 10 - O Sétimo Mandamento Capitulo 11 - O Oitavo Mandamento . Capitulo 12 - O Nono Mandamento .. we Capitulo 13 - O Décimo Mandament .......sssssessseessessseeseeeevess 159 Limites: Porque Té-los? Nao, nao e nao!!! Essa foi a chamada aos leitores, com letras vermelhas garrafais, colocada numa capa da revista semanal brasi- leira de maior circulagio. Com menos de quatro meses de interva- lo, dois artigos dessa revista — um de capa — foram escritos com intimeros depoimentos de especialistas, sobre a necessidade de imposigiio de limites, nio somente na educagio de filhos, da parte dos pais, como na sociedade como um todo.'! Num dos textos, salienta-se que um dos livros mais vendidos internacionalmente tem como titulo: “Dizer Nao — Por que isso é importante para vocé e seu filho”. Numa era em que temos nos acostumado a ler a defesa total da auséncia de limites, essa énfase chega a surpreender. Ser que descobrimos uma nova metodologia de educag&o e controle? O reencontro deste principio, conforme os artigos, “é 0 assunto do momento entre especialistas em educag&o no mundo inteiro”. Pais bem-intencionados estao descobrindo que nao basta apenas amar e explicar e orientar. E preciso “dizer niio”. Nas tiltimas trés décadas, muitas escolas encontraram-se na si- tuagdo de serem obrigadas a criar “servigos especiais para atendi- mento de alunos com problemas de disciplina e falta de parimetros de comportamento”. Instituigdes de ensino que se consideravam “modernas” e “liberais” por terem abolido as regras e as exigénci- ' Revista Veja. Artigo: Nao, Nao e Nao!!!! Por, Alice Granato, na edig&o de 16-06-1999; ¢ A Boa linha dura, de autoria de Thais Oyama, na edigdo de 13- 10-1999. 10 A Lei de Deus Hoje as, que acreditavam ser anti-educativas e repressoras, observam agora que os alunos nao estao “‘cooperando”. Deixados a seguirem a sua prépria vontade, tornam-se adultos sem as habilidades aca- démicas, artisticas ¢ sociais que as escolas pretendem lhes propor- cionar num ambiente livre, amoroso e descontrafdo. Muitos nem chegam a se formar e os que recebem o diploma, freqiientemente, so mais iletrados e mais inseguros emocionalmente do que seus pais. A conseqiiéncia dessa verificagao prdtica est4 sendo o retorno dos conceitos de “infragaéo” e “punigao” e as tio desdenhadas e abominadas “proibigdes”’. Nao cabule as aulas. - Nao fume nas dependéncias escolares. Nao fique ouvindo seu discman nas aulas. Niio desrespeite o professor. Nao chegue na classe sem ter feito o dever. N§o use roupas que estiio “fora dos parfimetros estabelecidos”’... Nesse sentido, coloca um dos artigos, os pais sao orientados a reforcar as proibigdes escolares e a criarem os seus préprios limi- tes: Niio fique acordado a noite toda. Nao quero saber de vocé participando de tal atividade em tal lugar... Nao fique grudado na Internet por .., horas em seguida. Nio infernize a vida dos seus familiares com o volume da sua misi- ca, com seu desrespeito, com sua falta de higiene... Surpreendentemente, discute-se agora “quando” e “como” se deve usar a palavra “nao”, e nao se ela deve fazer parte do voca- buldrio educativo — tanto no lar quanto na escola. Isso se aplica igualmente a muitas outras palavras que na era atual j4 estavam descartadas, abominadas e vituperadas. Esses artigos enfatizam que proibig6es, orientagdes e incentivos novamente devem conviver lado a lado — complementando-se. Um dos especialistas citados Limites: Por Que Té-los? i diz, “E preciso ser sempre muito claro e até intransigente quanto as regras e condutas que devem ser seguidas”. Nao, ndo e nao!!! Sera que j4 nao ouvimos isto antes? Hé mi- lénios atras, houve um outro pai, o Pai Supremo, que resumiu a sua vontade para o comportamento dos seus filhos com uma “im- posigio de limites” bem clara. Nao, néo e no!!! Nao ters outros deuses diante de mim... Nao matards.... Nao adulterards.... Nao furtards... Nao dirds fal- so testemunho... Nao .... Referimo-nos aos Dez Mandamentos— dados a Moisés e ao povo de Deus e repetidos em muitas ocasides e em diversas maneiras durante os séculos seguintes. Naesfera pessoal, a natureza humana pecaminosa nunca acei- tou de bom grado esses limites. Na esfera social, as sociedades constitufdas sempre apresentaram tendéncias de irem desviando os seus limites éticos e de controle desses referenciais tragados por Deus. Mas 0 ataque aos limites talvez nunca tenha sido tao intensos quanto na Ultima metade do século XX, quando o humanismo desenfreado encampou as grandes correntes filos6fi- cas e politicas, e a cultura popular foi sendo liderada cada vez mais para longe desses principios estabelecidos na Palavra de Deus. Um fildsofo e psicdlogo contemporaneo disse: “... a nogao de que existe uma verdade absoluta gravada nos céus eternos, como ensinaram a muitos de nés, nao é apenas uma falsidade, mas também uma ameaga ao desenvolvimento humano”.? Na re- alidade, esse conceito, esse afastamento de Deus e de seus prin- cipios é a verdadeira ameaga ao desenvolvimento harménico das pessoas e da sociedade. ? Herbert Arthur Tonne, The Human Dilemma: Finding the Meaning in Life (0 Dilema humano: encontrar significado na vida) citado por David A. Noebel, Understanding the Times (Colorado Springs: ACSI, 1992),395. 12 A Lei de Deus Hoje O mundo crist&o deveria ser 0 guardiao das verdades divinas, proclamando ao mundo e as sociedades decadentes os limites e a justiga de Deus, entretanto, vem sucumbindo a formas de pensar que minam a visio biblica da Lei de Deus. A fé crista j4 se encon- trava sob grandes ataques internos desde o século 18, com o surgimento do liberalismo, gerado nos grandes centros académi- cos cristéos da Europa. Com um racionalismo questionador da veracidade da Revelagao Divina, na Biblia, o liberalismo procura- va, em esséncia, criar uma teologia e uma pratica religiosa na qual o sobrenatural, nas Escrituras e na mensagem, fosse secundario ou, até, totalmente desnecessdrio. Esse ataque precedeu desvios, talvez até mais sérios ~ pela sua sutileza ~ encontrados mais tarde dentro do campo conservador. O novo ataque comegou no final do século 19 e no século 20, gerando também desprezo pela Lei de Deus. Tivemos a formagio de varias correntes teolégicas que fo- ram se distanciando da teologia reformada e da sua énfase na uni- dade do plano soberano de Deus, contida no Antigo e no Novo Testamento. Isso ocorreu no seio dos que eram, supostamente, “teologicamente conservadores”. Talvez muitos evangélicos contemporaneos nfo se apercebam disso, mas entre as correntes teol6gicas que passaram a fragmentar erroneamente a Palavra de Deus, destaca-se o dispensacionalismo*. Esse método teolégico foi, desde 0 inicio, marcado pela sua rejei- ¢4o do conceito de uma Igreja formada pelo Povo de Deus redimido, em todas as eras; pela sua distingio de varios “processos” de salva- ¢4o, ao longo da histéria; e pela sua divisdo confusa entre lei e 3 Corrente teolgica desenvolvida a partir dos conceitos de John Nelson Darby (1800-1882) e do seu trabalho, no Reino Unido, com os Plymouth Brethren (Os irmdos). O dispensacionalismo foi popularizado pela Biblia de Scofield em todo o mundo, que ensina a divisio da histéria da humanidade em etapas distintas e bem delineadas (geralmente, sete), nas quais Deus administra de forma diferenciada o plano de salvag&o e o seu relacionamento com o seu povo. Limites: Por Que Té-los? I3 graga, retirando toda a validade da Lei de Deus ao presente e colo- cando os crentes sob diretrizes totalmente subjetivas e fluidas. In- felizmente, o dispensacionalismo veio a servir de base e alicerce a grande parte do evangelicalismo em todo o século 20, até os dias de hoje. Nesse campo fértil dispensacionalista, desenvolveu-se também 0 movimento carismatico. Abragando o subjetivismo e o misticis- mo em sua teologia, rejeitando as ancoras e limites criados por Deus, os evangélicos foram, portanto, presa facil dos pensamentos humanistas contemporaneos, Juntamente com 0s fil6sofos, psicd- logos, pedagogos e outros especialistas da tiltima metade do Sécu- lo 20, muitos cristéos também sentiram-se traumatizados com o “negativismo” da Lei Moral de Deus. Num mundo pés-moderno e pluralista, dizia-se, ninguém mais tinha o direito de impor certas diretrizes. Os “parametros de com- portamento” se tornaram relativos. “A sua verdade pode nao ser a minha verdade”. “O que é certo para vocé, niio é necessariamente certo para mim”. “A vida é minha, vocé nao tem 0 direito de man- dar em mim”. Muitos ficaram achando que o nosso Pai celestial devia estar ainda “meio por fora” na época em que registrou a Sua Lei. Talvez Ele ainda estivesse aprendendo a lidar da maneira certa com seus filhos. Foi firmando-se 0 conceito de que Jesus, por outro lado, j4 sabia explicar bem melhor o que Deus tinha em men- te. Nao tinhamos muito mesmo que recorrer ao Antigo Testamen- to, pois estavamos na dispensacao da graga e do amor. Conforme anunciava uma célebre cangao dos Beatles — tudo que vocé precisa éoamor.. E os evangélicos, desprezando as bases dos limites divi- nos ea visdo global da justiga de Deus, passaram a ecoar somente essa mensagem. Essa passou a ser a t6nica do ensinamento nos anos 60 e€ 70. “Ficou-se sabendo que amor e s6 amor, era a formula infalivel para 14 A Lei de Deus Hoje que uma crianga crescesse feliz e emocionalmente estdvel.” Pare- cia encaixar direitinho com os ensinamentos de Jesus. E 14 fomos nés, reescrevendo 0 “espfrito” da lei moral de Deus e tirando os “negativos”. Falamos de “direitos humanos” e “respeito” mas pas- samos mais tempo ensinando como assegur4-los para si mesmo do que como ser instrumento deles. Os outros é que tinham as obriga- gGes, nds é que tinhamos os direitos. Os crentes ficaram tao empolgados com os conceitos dos espe- cialistas do mundo que também pararam de dizer “niio” aos filhos com medo de serem denominados “caretas”, “intolerantes”, “repressores”, “ditatoriais”... A tinica coisa que era proibido era “proibir’. Era proibido dizer nao. A tarefa dos pais era apenas a de orientar, esclarecer e AMAR. O resultado seria garantido. Logo comegamos a desconfiar que era “quase garantido”. Depois vimos que havia-se perdido a base tanto do comportamento e da ética pessoal, como dos limites impostos por Deus a sociedade. Os crentes, agora, sio envergonhados quando descrentes che- gam a conclusGes que eles j4 deviam saber h4 muito e deviam estar proclamando em alto e bom som: Nao, néo e néio!!! Mas, junta- mente com a vergonha, devem ter a percepgao de que os descren- tes tateiam, no escuro, pressionados pelas repetidas falhas de suas filosofias. Nao possuem a base para suas conclusées. Por exemplo, um outro artigo, de uma revista internacional de grande importén- cia, intitulado “Distinguindo o Certo do Errado”, comentando a onda de assassinatos infantis e juvenis nas escolas norte america- nas, diz que “os administradores das institui¢des e os pais, em to- dos os lugares, esto discutindo como fazer com que uma crianga saiba, em sua mente e sinta em seu corag&o que a mentira, o roubo, acola, o ferir alguém e — especialmente — 0 assassinato, sio agdes moralmente erradas”.* Mas o que é realmente errado? Como os 4 Revista Newsweek. Artigo: “Learning Right from Wrong”, por Sharon Begley and Claudia Kalb, edig&o de 13 de marco de 2000, pp. 30-33. Limites: Por Que Té-los? 15 descrentes vo poder definir 0 moraimente errado? E aquilo que é aceitdvel socialmente? E aquilo que me faz feliz? O artigo fala de consciéncia, culpa, vergonha, desenvolvimento moral, raciocinio moral, mas todos esses temas s6 fazem sentido quando relaciona- dos com a Lei Moral de Deus. Néo, néio e nao!!! Nao significa desprezo ao amor, mas a com- preensio correta de que o amor significa a aplicagao desses limites € 0 respeito por Deus e pelo préximo. Depois da sua ultima ceia, Jesus teve uma conversa muito especial com seus discipulos, regis- trada em grandes detalhes no evangelho de Joao, 0 “apéstolo do amor”. O relato de Joao (capitulos 13-17), se encerra com a ora- ¢&o sacerdotal de Jesus na qual ele orou nao apenas pelos discfpu- los que estavam presentes, mas também por aqueles que viriam a crer nele — entre os quais se encontram, esperamos, aqueles que agora pegam este livro para ler. Como vamos ver, a compreensio dos limites significa a maior demonstragio possivel de amor. Se amamos, cumprimos mandamentos. No Evangelho de Joao, 17.17-26, lemos, “Santifica-os na ver- dade; a tua palavra é a verdade... a fim de que todos seja um...: a fim de que sejam aperfeigoados na unidade...; a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja... para que 0 mundo creia que tu me enviaste...” O nosso Senhor Jesus pede por aperfeigoamento na unido e a presenga visfvel do amor. Unido amor. Esse € 0 sonho de todos os seres humanos. Esse sonho é preenchido somente pela mao poderosa de Deus, quando ele nos resgata da lama do pecado e nos dé uma nova vida e nova visio através de Cristo Jesus. Os limites das Escrituras devem ser conhecidos e proclamados pelos crentes. Nao podemos mais ignorar a Lei Moral de Deus, sob pena de enterrarmos nossa vida e de fragmentarmos mais a nossa sociedade. Ser sal da terra e luz do mundo envolve nao so- 16 A Lei de Deus Hoje mente o viver corretamente, mas a conviccio extrafda da biblia de que a Lei Moral de Deus é para nés, para a nossa era, para HOJE. E nesse sentido que escrevemos esse livro e oramos para que Deus ilumine 0 entendimento dos leitores, pela Sua Palavra, fazendo-os prezar, em agées de gragas, a preciosidade da Lei Mo- tal de Deus. A Lei de Deus Vax Os trés aspectos . 'S,Honnanksao distintos da lei “Entdo, falou Deus todas estas palavras..”. Bxodo 20.1 Os Mandamentos na Antiga e na Nova Alianca. A pergunta dos fariseus. Sl 119.73 — “As tuas mGos me fizeram e me afeigoaram; ensina-me para que aprenda os teus mandamentos”. A Lei de Deus é um dos temas mais presentes nas Escrituras e, possivelmente, um dos mais mal compreendidos pelo Povo de Deus. Mesmo com 0 extenso tratamento que Paulo dé ao assunto, nos primeiros 8 capitulos da carta aos Romanos, muitos crentes com- preendem a Lei apenas como uma expressao da atuagao de Deus no Antigo Testamento, com pouco significado para os nossos dias. Nio se disputa que a Lei de Deus contrasta com 0 pecado, mas existe uma atitude quase de desprezo, quanto a sua aplicagao con- temporanea. Precisamos dar a devida importancia a esse tema tio precioso. O salmista Davi 0 0 considerou tao importante que 0 colocou como pedra fundamental de todo o Salmo 119. Nesse sal- mo a Lei de Deus é mencionada sob varios sinénimos em pratica- mente todos os seus versiculos. Necessitamos encontrar 0 papel da Lei na nossa vida didria e descobrir nela a misericérdia e graca de Deus para cada um de nos. Ela aponta a trilha correta a ser segui- da, em nossa vida, e representa a expressao concreta do nosso amor para com ele. Somos todos pecadores. Mas pecadores redimidos pelo sangue do nosso Senhor Jesus Cristo devem reconhecer que a Lei de Deus 18 A Lei de Deus Hoje enfatiza tanto a sua santidade como a nossa insuficiéncia perante ele. Além disso, temos na Lei 0 caminho tragado por Deus para demonstrarmos amor a ele e ao nosso préximo. Nao podemos con- seguir a salvagao seguindo leis, mas no devemos desprezar essa dadiva graciosa de Deus para nossa instrugio. Ou seja, é verdade que no podemos conseguir a salvagao seguindo a Lei. E igual- mente verdade, entretanto, que demonstramos amor quando obe- decemos os mandamentos de Deus (Jo 14.15, 21). Uma das dificuldades no nosso entendimento desse assunto, é que a expressio “Lei de Deus” é bastante abrangente e pode ter varios significados e aspectos bfblicos. O nosso propésito, neste livro, é estudar especificamente aquilo que conhecemos como a Lei Moral de Deus. Mais precisamente, queremos examinar 0 re- sumo dessa Lei Moral apresentado pelo préprio Deus nos Dez Mandamentos e também por Jesus Cristo, na sua resposta aos Fariseus (Mt 22.34-40). Iniciaremos com um exame de como a Palavra de Deus nos apresenta os diversos aspectos da lei. Em seguida pesquisaremos 0 propésito e as limitagdes da Lei de Deus, nas nossas vidas. Depois, vamos estudar os Dez Mandamentos, mandamento por mandamen- to, verificando exemplos biblicos de obediéncia e desobediéncia a cada um deles. Finalmente, partindo da aplicagao das diretrizes da Palavra de Deus, queremos explorar a postura ética dos cristaos em varios assuntos contemporaneos que representam a diferenga entre um testemunho da fé crist& coerente e dinémico e uma postu- ra apatica e contraditéria. Os trés aspectos da Lei de Deus. Voltemos, portanto, 4 pergunta — o que é a Lei de Deus? Deus proferiu e revelou diversas determinagdes e deveres para o ho- mem, em diferente épocas na hist6ria da humanidade. Sua vontade Os Trés Aspectos Distintos da Lei 19 para o homem, constitui a sua Lei e ela representa o que é de me- lhor para os seus. Quando estudamos a Lei de Deus, mais detalha- damente, devemos, entretanto, discernir os diversos aspectos, apre- sentados na Biblia, desta lei. Como devemos classific4-la e entendé- la? Muitos mal-entendidos e doutrinas erradas podem ser evitadas, se compreendermos que a Palavra de Deus apresenta os seguintes aspectos da lei: 1. A Lei Civil ou Judicial — Representa a legislagao dada 4 sociedade ou ao estado de Israel, por ex.: os crimes contra a pro- priedade e suas respectivas punicées. 2. A Lei Religiosa ou Cerimonial — Esta representa a legisla- Go levitica do Velho Testamento, por ex.: os sacriffcios e todo aquele simbolismo cerimonial. 3. A Lei Moral—Representa a vontade de Deus para com 0 homem, no que diz respeito ao seu comportamento e seus deveres principais. Mas como devemos entender a validade desses aspectos da lei? Sao todos vdlidos aos nossos dias? Quanto 4 aplica¢4o da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensio: 1. A Lei Civil: Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocratico de Israel. Era temporal e necessdria para a época a qual foi concedida, mas foi especffica para aquele estado teocratico. Como tal, nao é aplicével normativamente em nossa sociedade. Um exemplo de erro de compreens&o é encontrado nos Sabatistas (Adventistas do Sétimo Dia). Eles erram em querer apli- car parte dela, ao nosso dia-a-dia, mas terminam em incoeréncia, pois nunca vao conseguir aplicd-la, nem fazé-la requerida, em sua totalidade. 2. A Lei Religiosa: Tinha a finalidade de impressionar aos ho- mens a santidade de Deus e concentrar suas atengdes no Messias 20 A Lei de Deus Hoje prometido, Cristo, fora do qual nao ha esperanga. Como tal, foi cumprida com Sua vinda e nao se aplica aos nossos dias. Mais uma vez, como exemplo de falta de compreensiio desse aspecto da lei, temos os Adventistas, que erram em querer aplicar parte dela nos dias de hoje (como por exemplo as determinag6es dietéticas) e em misturé-la com a Lei Civil. 3. A Lei Moral: Tem a finalidade de deixar bem claro ao ho- mem os seus deveres, revelando suas caréncias e auxiliando-o a discernir o bem do mal. Como tal, é aplicdvel em todas as épocas e ocasides e assim foi apresentada por Jesus, que nunca a aboliu. Neste caso, os Adventistas acertam em considerd-la valida, po- rem erram em confundi-la e em mistura-la com as duas outras, prescrevendo uma aplicagao confusa e desconexa. O gr4fico a seguir apresenta este entendimento da Lei e pode nos auxiliar na visualizagao da aplicabilidade das Leis de Deus, ao periodo atual em que vivemos: TEL re 5 i Lei Moral —> | Lei Civil on Religiosa ou} (Resumida Intensidade Judicial nos Dez ff |i da Validade 1 Validad® Cerimonial | fandamentos) {| f HISTORICA = Como entender o eréfico? Note que os Dez Mandamentos, ou a Lei Moral de Deus, possui validade total, isto é: tanto histérica — esté entrelagada na histéria da revelagdo de Deus e da redengao Os Trés Aspectos Distintos da Lei 21 do seu Povo; como diddtica — ela nos ensina 0 respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes; como reveladora — ela nos revela o carter e a santidade de Deus, bem como a pecaminosidade das pessoas; como normativa — ela especifica com bastante clare- za 0 procedimento requerido por Deus a cada uma das pessoas que habitam a sua criagao, em todos os tempos. Por outro lado, a Lei Religiosa ou Cerimonial, no c6Omputo geral, possui validade parcial, isto é: A validade histérica é total — estd igualmente entrelacada na histéria da revelagao de Deus e da redengio do seu Povo; a validade didatica também é total — cada detalhe dela demonstra a insuficiéncia dos sacrificios repetitivos e a intensidade dos pecados individuais que nos separam de Deus; sua validade reveladora € também intensa (bastante), mas menor do que as duas precedentes — ela era mais reveladora para os santos do antigo testamento, apontando para o Messias, do que para nds, que contamos com a completa descrigdo histérica da vin- da do Messias prometido, Jesus Cristo; Sua validade normativa, entretanto, nado existe aos nossos dias — a Lei Cerimonial, tendo sido cumprida em Cristo, nao tem validade normativa para aqueles que existem em nossa era, apés a vinda do Messias prometido. Os Dez Mandamentos. Na dadiva das “Tabuas da Lei”, ou seja nos Dez Mandamentos (Ex. 20:1-13), Deus resumiu a sua Lei Moral apresentando-a for- malmente, e registrando-a, sucinta e objetivamente, para o benefi- cio do seu povo. E necessério atentarmos para 0 contexto histérico da ocasiao. Foi a primeira vez que Deus falou coletivamente ao Seu Povo. Existiram intmeras preparagGes necessarias para ouvi-lo. Essas es- tao todas relatadas em detalhes a partir do infcio do capftulo 19 do livro de Exodo. Quando nés lemos os dois capitulos (19 e 20) cuidadosamente, procurando nos colocar na situagdo atravessada 22 A Lei de Deus Hoje pelo Povo de Deus naquela ocasiao, verificamos como o texto trans- mite o temor do povo perante a santidade de Deus. Isso é impres- sionante! Apés ouvir ao Senhor e a Moisés, inicialmente, 0 povo suplicou a Moisés que intermediasse este contato com Deus, tama- nho era o temor (20.19), perante a majestade do Deus soberano. O incidente da dédiva da Lei, e os acontecimentos que se segui- ram, evidenciam a fragilidade do Povo de Deus e do Homem, em geral. Apés tal demonstragio de poder e santidade, logo se esque- ceram de suas obrigagées e, evidenciando ingratidao, cafram em idolatria, adorando o bezerro de ouro (Ex 32). Isto mostra o des- prezo do ser humano, caido, pela Lei. Os Dez Mandamentos estabelecem obrigagGes e limites para 0 Homem. O seu estudo aprofundado mostra a sabedoria infinita de Deus, bem assim como a harmonia reinante em Sua Palavra. Reve- la também nossa insignificancia perante Ele, nossa dependéncia e necessidade de redengio, em virtude do nosso pecado. O Homem pecou em Adio e desde entio é incapaz de cumprir a Lei de Deus. Os Dez Mandamentos, reforgam nossas obrigagdes para com 0 nosso Criador, e para com os nossos semelhantes, em todos os sentidos. Os Dez Mandamentos e o Amor — A Pergunta dos Fariseus. Um incidente bfblico reafirma a validade da Lei Moral de Deus em todos os tempos, tanto na antiga como na nova alianga, e refor- ¢a o relacionamento da lei com o amor. Referimo-nos ao trecho encontrado em Mt 22.34-40. Os Fariseus nao estavam inquirindo em sinceridade, mas queriam, como sempre, confundir a Jesus. Perguntaram a ele qual o maior dos mandamentos. Eles se entrega- vam a esse tipo de discussao continuamente e geravam grande con- trovérsia, com a defesa de um ou de outro mandamento. Nesse sentido, pensavam que qualquer que fosse a resposta de Jesus, iri- Os Trés Aspectos Distintos da Lei 23 am indisp6-lo, com um grupo ou com outro. Jesus, entretanto, nao cita nenhum mandamento especiffico do decdlogo, mas faz referén- cia, conjuntamente, a dois trechos conhecidos das Escrituras (Dt 6.5 e Lv 19.18), fornecendo um resumo dos dez mandamentos. Os dez mandamentos podem ser divididos da seguinte forma: V. 37 - Amards o Senhor teu Deus de todo o teu coragdo, Mandamentos 124 | “ Go toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. lV. 39 - Amaras 0 teu préximo| Mandamentos § a 10 como a ti mesmo. Jesus apresenta exatamente esse entendimento da Lei, em Mt 22.37-40: Nossas obrigagdes para Mandamantos 1 a4 com o nosso criador Deus Nossas obrigagdes para Mandamentos 510 | com o nossos semelhantes Jesus Cristo, portanto, nao descarta a lei. Ele foi o exemplo de cumprimento dela e aqui ele a resume, utilizando declaragdes do préprio Antigo Testamento. O seu ensino expande 0 entendimento anterior que se possuja da lei. Deus estd interessado nao apenas no cumprimento externo da lei — naquele evidenciado aos circuns- tantes, mas naquele cumprimento que procede de uma profunda convicgao interna: do amor tanto por Deus como pelo préximo. Esse é o cumprimento que surge de uma vida transformada, tocada e operada pelo Espirito Santo de Deus. Temos nos acostumado a considerar “amor” algo intangfvel, indescritivel, totalmente subjetivo, abstrato. Mas 0 conceito bibli- co do amor é bem diferente. Ele é tangfvel — somos recebedores e experimentamos o amor de Deus e temos a capacidade de amar a 24 A Lei de Deus Hoje Deus e aos nossos semelhantes; ele é descritivel (1 Co 13); ele é totalmente objetivo, mas, sobretudo, o verdadeiro amor se demons- traem ag6es concretas que agradam a Deus, pelo cumprimento de suas diretrizes (Jo 14.15 — “se me amais, guardareis os meus man- damentos”’). Assim o amor se relaciona com a lei. A forma de de- monstrarmos amor a Deus é pelo cumprimento de seus manda- mentos, principalmente dos primeiros quatro, que representam nossas obrigagées diretas para com ele. A forma de demonstrar- mos amor para com o nosso préximo € demonstramos respeito através do preenchimento de nossas obrigagGes para com os nos- sos semelhantes — ou seja, pelo cumprimento dos tltimos seis mandamentos. A Lei de Deus Hoje. Qual a nossa compreensio da lei de Deus? Estamos negligenci- ando o seu estudo? Estamos desprezando a sua validade, como um instrumento de direcionamento as nossas agdes? Seré que temos sentimentos de auto-justiga e estamos insens{fveis quanto 4 nossa pecaminosidade e quebra dos preceitos divinos? Vivemos numa era que despreza absolutos. Hoje em dia a filo- sofia “da hora” é dizer que nao existe uma verdade, mas miiltiplas “verdades”, algumas dessas contraditérias entre si. Podemos ver como esse pensamento é contrario ao Deus vivo e verdadeiro e a sua revelagio? Podemos ver que, na sua lei moral, ele indicou ver- dades absolutas que estabelecem a linha de demarcacao entre 0 certo e o errado? Podemos entender, quando Jesus Cristo se apre- senta como “o caminho, a verdade e a vida”, que o pluralismo de opinides, nas doutrinas cardeais da fé crista, € uma idéia nociva a igreja de Deus? Nosso grande desafio, em nossa era, é a apresentagao de uma filosofia de vida que é absoluta e exclusivista em sua esséncia. A fé crista verdadeira tem todas as suas premissas basicas estabelecidas Os Trés Aspectos Distintos da Lei 2s na objetiva palavra de Deus, escrita para 0 nosso conhecimento real e verdadeiro e para o direcionamento dos nossos passos. Lembremo-nos das afirmacées biblicas sobre Deus e nosso media- dor, Jesus Cristo: “Ouve, 6 Israel, o Senhor vosso Deus, € 0 tinico Deus...” ¢ “... ninguém vem ao pai, senao por mim...” O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (pergun- tas 91 a 98): Pergunta 91. Qual é o dever que Deus requer do homem? Resposta: O dever que Deus requer do homem é obediéncia 4 sua vontade revelada. Ref.: Dt 29.29; Mq 6.8; 1Sm 15.22 Pergunta 92. Que revelou Deus primeiramente ao homem como regra da sua obediéncia? Resposta: A regra de obediéncia revelada a Adio no estado de ino- céncia, ¢ a todo o género humano nele, além do mandamento especial de nao comer do fruto da arvore da ciéncia do bem e do mal, foi a lei moral. Ref.: Gn 1.27; Rm 10.5 e 2.14,15; Gn 2.17 Pergunta 93. Que é a lei moral? Resposta: A lei moral é a declaragao da vontade de Deus, feita ao género humano, dirigindo e obrigando todas as pessoas 4 conformida- de e obediéncia perfeita e perpétua a ela— nos apetites e disposigdes do homem inteiro, alma e corpo, ¢ no cumprimento de todos aqueles deve- res de santidade e retidaio que se devem a Deus e ao homem, prometen- do vida pela obediéncia e ameagando com a morte a violagio dela, Ref.: Dt 5.1, 31, 33; Le 10.26-28; Gl 3.10; 1Ts 5.23; Le 1.75;At 24.16; Rm 10.5 Pergunta 94, Ba lei moral de alguma utilidade ao homem depois da queda? Resposta: Embora nenhum homem, depois da queda, possa alcan- gar a retidao e a vida pela lei moral, todavia ela é de grande utilidade a todos os homens, tendo uma utilidade especial aos nao regenerados e outra aos regenerados, Ref.: Rm 8.3; Gl 2.16; 1Tm 1.8 26 A Lei de Deus Hoje Pergunta 95. De que utilidade é a lei moral a todos os homens? Resposta: A lei moral é de utilidade a todos os homens, para os instruir sobre a natureza e vontade de Deus e sobre os seus deveres para com ele, obrigando-os a andar conforme a essa vontade; para os con- vencer de que sao incapazes de a guardar e do estado poluto e pecami- noso da sua natureza, coragdes e vidas; para os humilhar, fazendo-os sentir 0 seu pecado e miséria, e assim ajudando-os a ver melhor como precisam de Cristo e da perfeigio da sua obediéncia, Ref.: Lv 20.7,8; Rm 7.12; Tg 2.10, 11; Mq 6.8; SI 19.11,12; Rm 3.9, 20, 23 e 7.7, 9, 13; Gl 3.21,22; Rm 10.4. Pergunta 96. De que utilidade especial é a lei moral aos homens ndio regenerados? Resposta: A lei moral é de utilidade aos homens nao regenerados para despertar as suas consciéncias a fim de fugirem da ira vindoura € forgd-los a recorrer a Cristo; ou para deix4-los inescusdveis e sob a maldig&o do pecado, se continuarem nesse estado e caminho. Ref.: 1Tm 1.9,10; G1 3.10, 24; Rm 1.20, 2.15. Pergunta 97. De que utilidade especial é a lei moral aos regene- rados? Resposta: Embora os que sao regenerados e crentes em Cristo se- jam libertados da lei moral, como pacto de obras, de modo que nem sio justificados, nem condenados por ela; contudo, além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a mal- digo dela, em lugar e para bem deles, e assim provoc4-los a uma gra- tid&o maior e a manifestar esta gratidio por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediéncia. Ref.: Rm 6.14 e 7.4, 6; Gl 4.4,5; Rm 3.20 e 8.1, 34 e 7.24,25; Gl 3.13,14; Rm 8.3,4; 2Co 5.21; Cl 1.12-14; Rm 7.22 e 12.2; Tt 2.11-14. Pergunta 98. Onde se acha a lei moral resumidamente compreen- dida? R. A lei moral acha-se resumidamente compreendida nos dez man- damentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por ele escritos em duas tabuas de pedra, e esto registrados no capitulo vigési- mo do Exodo. Os quatro primeiros mandamentos contém os nossos deveres para com Deus ¢ os outros seis os nossos deveres para com 0 homem. Ref.: Dt 10.4; Mt 22.37-40. A Lei de Deus VAX Os Dez Manda- S.Honnapds x0 Turnektue mentos e a Graga eu Git Marans, ‘7.Nko de Deus “Entao, falou Deus todas estas palavras...” Ex 20.1 SANTIFICAR, Porque Deus deu os Dez Mandamentos? A conversdo e 0 ensinamento de Paulo. SI 119.4 — “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos @ risca”. Os Dez Mandamentos representam a forma objetiva de Deus indicar o que espera de cada um de nés. Deus nao nos deu uma religiao subjetiva, cujas doutrinas dependem da cabega de cada um, mas ele nos escreveu objetivamente a sua palavra. Nessa pa- lavra, na Biblia, ele nos revelou a sua Lei Moral — sua vontade eterna as suas criaturas, refletindo a sua majestade e santidade. Nos Dez Mandamentos conhecemos nossos limites e nossas obrigagdes. Comparando nossa vida, nossos desejos e inclinagdes com a Lei Santa de Deus, compreendemos a extensiio de nossa pecaminosidade e verificamos que a salvacio procede sé de Jesus, pelo seu sacriffcio supremo na cruz do Calvario. J& vimos como Jesus resumiu os Dez Mandamentos em amar a Deus e ao préximo. Muitos tém procurado dissociar essa afirma- ¢o de Jesus do carater objetivo dos Dez Mandamentos. Afinal, dizem esses, Jesus est4 falando simplesmente de amor, um senti- mento subjetivo, e naio do simples cumprimento objetivo da lei. Um autor inglés, Joseph Fletcher, desenvolveu toda uma visio éti- ca construfda em cima do que poderiamos chamar de “casuismo cristéo” (tomou o nome de ética situacionista). Fletcher defendeu 28 A Lei de Deus Hoje que nao existem regras absolutas mas 0 comportamento certo ou errado depende da situag&o. Em sua filosofia, 0 tinico ponto de aferigao a ser seguido é — “aja de forma a demonstrar 0 m4ximo de amor possivel”. Essas palavras, que parecem boas e cristas, sao extremamente perigosas, pois cada um passa a ser juiz de suas préprias agGes e sempre poderé racionalizar comportamentos pe- caminosos apelando para uma ou outra suposta forma de amor demonstrado, nem que seja o amor por si préprio. Contrariando essa filosofia, 0 conceito bfblico de amor se ex- pressa em obediéncia e abnegagao. Essa obediéncia nao é a uma lei intangfvel, indescritivel, ou subjetiva, dependente da interpretagdo individual de cada um, mas & lei objetiva de Deus. E 0 proprio Jesus que esclarece e determina, em Joao 14.21: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é 0 que me ama...” Neste capitulo, vamos estudar 0 que aconteceu com Paulo e qual o seu ensinamento, conforme os relatos do livro de Atos (8.1- 3 e 9,1-22) e pelos seus pronunciamentos, no livro de Romanos (capitulos 3 e 7). A visdo de Paulo, antes da sua conversao. Do seu préprio ponto de vista, Paulo, antes de sua conversio (na ocasiao ainda chamado Saulo), acreditava que estava zelando pela lei de Deus, perseguindo os cristdos. Sua visdo da lei era uma visio distorcida, fruto de uma religiio equivocada. Sem ter sido ainda tocado pelo Espirito Santo de Deus ele estava cego, espiritu- almente. Atos 7.54-8.1 relata esse tempo conturbado da vida daquele que viria ser 0 apéstolo dos gentios e o grande expositor biblico. Sua visio anti-crista 0 levou a cometer muitos crimes. Ele partici- pou do apedrejamento de Estevao e foi um ativo perseguidor de muitos cristos, como lemos em Atos 8.3 e 9.1-2. Os Dez Mandamentos e a Graga de Deus 29 A compreensio da lei de Deus de todos aqueles que esto sob o dominio de Satands, envolvidos com falsas praticas religiosas, € uma visio distorcida. Ela serve de desculpas para as praticas mais absurdas, amorais e cruéis. O préprio Paulo escreveu, sobre as pessoas sem Deus, em Romanos 1.22 “...inculcando-se por sdbios, tornaram-se loucos”. Ele tinha convicgio disso na sua propria pele, havia experimentado quiao Satands é enganador e usurpador da légica espiritual. Convicto de exercitar zelo, havia perseguido inocentes, mulheres, criangas — aqueles devotados 4 adoragiio verdadeira, ao culto ao Deus soberano. Somente a gra- ¢a, 0 amor e a misericérdia de Deus poderia cobrir essa multidao de pecados e apagar a amargura profunda dessa lembranga. E assim ocorreu (Fl 3.13). A falta de visto de Paulo, durante a sua conversao. Deus arrancou Paulo do pecado através da experiéncia relatada no livro de Atos (9.3-19), a qual bem conhecemos. Durante trés dias ele, que havia sido cego, espiritualmente, foi acometido de cegueira fisica — talvez simbolizando o seu estado espiritual. Nes- se periado ele teve bastante oportunidade para meditar. Foi, poste- riormente, orientado por Ananias. Mas Deus transformou Saulo em Paulo. De um perseguidor, ele tornou-se 0 grande apéstolo, propagador e defensor do Evange- Iho, Podemos imaginar a confusaéo em sua cabega: todas as suas convicgées estavam sendo subvertidas. Todas as suas premissas estavam sendo demonstradas falsas. Todos os seus objetivos de vida estavam sendo modificados. O texto biblico nos diz que o Senhor enviou Ananias para que Paulo recuperasse a vista e ficasse cheio do Espirito Santo (9.17). Era o Espirito Santo, agora, que, além de recuperar a visdo de Paulo, iria coordenar todo 0 conhecimento que ele havia absorvido 30 A Lei de Deus Hoje ao longo das prioridades verdadeiras da vida. Era o Espirito Santo que 0 iria instruir, possivelmente utilizando os “dias com os disci- pulos” (9.19), nos detalhes da fé verdadeira que agora abracava. Era 0 Espirito Santo que o iria inspirar a escrever suas cartas, nas quais somos instrufdos sobre a compreensao correta da lei de Deus. A nova visio de Paulo, depois de sua conversdo. Se estuddssemos apenas 0 registro histérico da conversio de Paulo, nio chegarfamos a compreender a importancia da Lei de Deus, nesse processo e durante toda a sua vida. Entretanto, quan- do Jemos 0 que Paulo escreveu posteriormente, passamos a com- preender muito sobre qual era a visio paulina a respeito da Lei, visdo essa que enfatiza a validade da lei moral de Deus a todas as eras. Por exemplo, em Romanos 3.20, lemos “... ninguém serd justi- ficado diante dele por obras da lei, em razdo de que pela lei vem 0 pleno conhecimento do pecado”. A primeira validade da lei € for- necer 0 “pleno conhecimento do pecado”’, condig&o necessdria ao arrependimento verdadeiro. Em Romanos 7.7, Paulo reforga a va- lidade da Lei para nos levar 4 uma conscientizago plena do peca- do e de nossa dependéncia da misericérdia do Deus Criador: “que diremos, pois? A lei € pecado? De modo nenhum. Mas eu nio teria conhecido 0 pecado, senio por intermédio da lei; pois niio teria eu conhecido a cobiga, se a lei no dissera: Nao cobigards”. Além da validade revelativa, sobre a nossa natureza pecamino- sae sobre a santidade de Deus, Paulo ensina que a lei nao é anula- da pela fé. A lei moral de Deus providenciava 0 rumo 4a vida de Paulo, e assim deve ser para nds. Em Romanos 3.31 ele antecipa as indagagées de seus leitores e faz a pergunta retérica: “Anulamos, pois, a lei pela fé?”; respondendo a seguir com uma negativa enfa- tica: “Nao, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei”. Os pre- Os Dez Mandamentos e a Graga de Deus 31 ceitos eternos de Deus, a sua lei moral, reflexo de sua santidade e infinita retidao, continua sendo a nossa biissola, a forma objetivae explicita de relacionar os nossos deveres para com Deus e para com 0 nosso préximo. Nao é de admirar que Paulo chegue a uma conclusio que difere bastante da falta de apreciacio da lei de Deus que encontramos na teologia de tantos movimentos contemporaneos. Em Romanos 7.12 ele fecha 0 que vem expondo e desenvolvendo desde o capitulo 3; “Por conseguinte; a lei é santa; e o mandamento, santo e justo ¢ bom”. Nao € descartando a validade da lei moral que vamos nos apro- ximar mais de Deus. Nao é substituindo a objetividade da lei por um subjetivismo nocivo e aleatério, supostamente fundamentado em um grau maior de espiritualidade, que vamos agradar a Deus. Estaremos compreendendo a visdo que Paulo, inspirado pelo Espi- rito Santo, quer transmitir, quando comegarmos a enxergar os pro- blemas em nés préprios e nao na santa lei de Deus. Assim podere- mos exclamar, como ele, em Romanos 7.14: “Porque bem sabe- mos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido a escra- vidio do pecado...” A Lei de Deus Hoje — Afinal, estamos sob a lei, ou sob a graca de Deus? Muitas interpretagdes erradas podem surgir de um falho enten- dimento das declaragdes biblicas sobre esta questéio. Com efeito, Paulo ensina que “néo estamos sob a Jei mas sob a graga” (Roma- nos 6:14). Mas o que quer dizer “nao estar sob a lei de Deus?” Perdeu ela a sua validade? E apenas um registro hist6rico? Estamos em uma situacio de total desobrigaco para com ela? Vamos ape- nas subjetivamente, “amar”, sem direcionamento ou agGes concre- tas que comprovem este amor? 32 A Lei de Deus Hoje Devemos relembrar os miltiplos aspectos da “lei de Deus”, con- forme jé estudamos no capitulo anterior: Lei Civil ou Judicial, Lei Religiosa ou Cerimonial e Lei Moral. Se considerarmos que os trés aspectos apresentados da lei de Deus sio distingdes biblicas, podemos afirmar: * No estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o periodo da Graga de Deus, em que 0 evangelho atinge todos os povos, ragas tribos e nagées. + Nao estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e ndo nos prende sob ne- nhuma de suas ordenangas cerimoniais, uma vez que estamos sob a gtaga do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espirito, sem a intermediagao dos sacerdotes. * Nao estamos sob a condenacao da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos acharmos cobertos por sua graga. * Nao estamos, portanto, sob a lei, mas sob a graga de Deus, nestes sentidos. Entretanto... + Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigagGes para com Deus e para com o nosso semelhante. « Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa a trilha tragada por Deus no processo de santificagao, efetivado pelo Espirito Santo em nossas pessoas (Joao 14:15). Nos dois tiltimos aspectos, a prépria Lei Moral de Deus é uma expresso de sua Graga, repre- sentando a objetiva e proposicional revelagao de Sua vontade. E verdade, portanto, que, nos sentidos acima, nado estamos sob a lei, mas sob a gracga de Deus, Devemos cuidar, entretanto, para Os Dez Mandamentos e a Graga de Deus 33 nunca entender essa expressao como algo que invalida a lei de Deus aos nossos dias. Mais importante, ainda, devemos cuidar para nao transmitir conceitos falsos e nao biblicos, estabelecendo um con- traste inveridico entre a lei e a graga, como se ambos nao proce- dessem de Deus. Teologicamente, chamamos de antinomianismo, a filosofia que expressa total independéncia das pessoas para com a lei de Deus; que declara a invalidade dela para os nossos dias. Muitos ensinamentos no campo evangélico sAo, na pratica e em esséncia, antin6mios e totalmente subjetivos — ou seja, desprezam a lei de Deus, negam a sua validade e colocam a interpretacao subjetiva de cada um acima das determinagées objetivas reveladas por Deus, na Biblia. Quando os reformadores defenderam a expresso Sola Scriptura — somente as escrituras — estavam reafirmando exata- mente isso, que devemos sempre nos prender a objetiva revelagao de Deus em sua palavra, e nao nas especulagées ou tradigdes dos homens. Quando examinamos a lei de Deus sob esses aspectos, muitas perguntas sao pertinentes e devem ser individualmente respondi- das, Sera que temos a percepgio correta de nossas obrigagGes para com Deus ¢ para com 0 nosso préximo? Sera que prezamos ade- quadamente a lei de Deus? Ser4 que estamos utilizando 0 fato de estarmos “sob a graga” como desculpa para desprezarmos a lei de Deus? Sera que a nossa compreensao é aquela abrigada pelos pa- drdes confessionais, como nas perguntas do Catecismo Maior, que temos estudado? O que diz o Catecismo Maior de Westminster (pergunta 99)? Pergunta 99. Que regras devem ser observadas para a boa com- preensGo dos dez mandamentos? Resposta: Para a boa compreensdo dos dez mandamentos as se- guintes regras devem ser observadas: 34 A Lei de Deus Hoje 1. Que a lei é perfeita e obriga a todos 4 plena conformidade do homem inteiro 4 retid&o dela e a inteira obediéncia para sempre; de modo que requer a sua perfeig&o em todos os deveres e profbe o minimo grau de todo o pecado. Ref.: SI 19.7, Tg 2.10; Mt 5.21,22 2. Que a lei é espiritual, e assim se estende tanto ao entendimento, & vontade, aos afetos ¢ a todas as outras poténcias da alma — como as palavras, as obras e ao procedimento. Ref.: Rm 7.14; Dt 6.5; Mt 22.37- 39 e 12.36,37. 3. Que uma e a mesma coisa, em respeitos diversos, € exigida ou proibida em diversos mandamentos. Ref.: Cl 3.5; 1Tm 6.10; Pv 1.19; Am 8.5. 4. Que onde um dever é prescrito, o pecado contrrio € proibido; e onde um pecado € proibido, o dever contrdrio é prescrito; assim como onde uma Promessa esta anexa, a ameaca contraria esté inclusa; e onde uma ameaga est4 anexa a promessa contréria estd inclusa. Ref.: Is 58.13; Mt 15.4-6; Ef 4.28; Ex 20.12; Pv 30.17; Jr 18.7-8; Ex 20.7. 5. Que o que Deus profbe nao se hd de fazer em tempo algum, e 0 que ele manda é sempre um dever; mas nem todo o dever especial é para se cumprir em todos os tempos. Ref.: Rm 3.8; Dt 4.9; Mt 12.7. 6. Que, sob um pecado ou um dever, todos os da mesma classe sio proibidos ou mandados, juntamente com todas as coisas, meios, ocasi- Ges e aparéncias deles e provocagées a eles. Ref.: Hb 10.24,25; 2Ts 5,22; G1 5.26; Cl 3.21; Jd 23. 7. Que aquilo que nos é proibido ou mandado temos a obrigagao, segundo o lugar que ocupamos, de procurar que seja evitado ou cum- prido por outros segundo o dever das suas posicdes. Ref.: Ex 20.10; Lv 19.17; Gn 18.19; Dt 6.6,7; Js 24.15. 8. Que, quanto ao que é mandado a outros, somos obrigados, segun- do a nossa posicao e vocagio, a ajudé-los, e a cuidar em nao participar com outros do que lhe é proibido. Ref.: 2Co 1.24; 1Tm 5.22; Ef 5.11. A Lei de Deus lAW VAX O Cristéo e os 1.1ko Tens B.Honnarsao ourros DEusES TEUPAIEATUR Dez Mandamentos “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidéo”. Bx 20.2 DIANTE DE MM. Posso obedecer os Dez Mandamentos? A pergunta do jovem rico. SI 119.2 — “Bem-aventurados os que guardam as suas prescri¢ées, e o buscam de todo o coragao”. Os Dez Mandamentos representam a vontade de Deus para mi- nha vida, o plano de comportamento tragado por ele. No entanto sei que sou pecador, que tenho a natureza pecaminosa herdada de Adao. Sei também que a lei nao salva, mas sou resgatado pela graga e misericérdia de Deus. Qual a importancia dessa lei, se sou incapaz de cumpri-la? Como posso obedecer os Dez Mandamen- tos? Que devo fazer para herdar a vida eterna? Essas s&o perguntas honestas e legitimas. A palavra de Deus responde a essas indaga¢ées de varias maneiras. A \iltima per- gunta — “que devo fazer para herdar a vida eterna?” — foi for- mulada diretamente pelo jovem rico, no incidente registrado em Mt 19.16-23. Em sua resposta, Jesus reafirma a validade da lei, ao mesmo tempo em que revela a impossibilidade do homem na- tural no seu cumprimento integral. Falando com Nicodemos (Joao 3), Jesus afirma a necessidade do novo nascimento. Em Cristo esto centralizadas todas as respostas: ele é 0 nosso elo com Deus, aquele que possibilita a aceitacgdo de pecadores por um Deus san- to, o exemplo de procedimento e de cumprimento dos manda- mentos a ser seguido. 36 A Lei de Deus Hoje Alguém ja obedeceu todos os Dez Mandamentos? A resposta biblica é um ébvio ndo! Desde 0 inicio temos o re- gistro da queda do homem em Adio pela qual a sua pecaminosidade passou para toda a sua descendéncia. Isso representa incapacidade no cumprimento pleno da lei. Pecado é toda transgressio da lei de Deus e, como pecadores que somos, desobedecemos a sua lei em pensamentos, palavras e agées. Romanos 3.9-18, é uma das passagens mais reveladoras dos efeitos do pecado no fntimo das pessoas. Note a extensao e abrangéncia do pecado — verdadeiramente nao hd parte nossa que nao seja por ele afetada: Que se conclui? Temos nés qualquer vantagem? Nao, de forma nenhuma; pois jd temos demonstrado que todos, tan- to judeus como gregos, esto debaixo do pecado; como esta escrito: Nao hd justo, nem um sequer, ndo hé quem entenda, nao hé quem busque a Deus; todos se extraviaram, &uma se fizeram intiteis; nao hé quem faca o bem, ndo ha nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a lingua, urdem engano, veneno de vibora esté nos seus labios, a boca, eles a tém cheia de maldigao e de amargura, so os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, hd des- truigdo e miséria; desconheceram o caminho da paz. Nao hd temor de Deus diante de seus olhos. Paulo realmente registra o estado catastrofico de nossas pesso- as e de nossa natureza. A nao ser pela misericérdia de Deus, temos ali um espelho no qual verfamos a nossa descrig&o. Semelhante- mente, 1 Joao 1.8-10 retira de nds qualquer pensamento ou senti- mento de auto justi¢a: Se dissermos que ndo temos pecado nenhum, a nds mesmos nos enganamos, e a verdade ndo estd em nés. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos per- O Cristéo e os Dez Mandamentos 37 doar os pecados e nos purificar de toda injustiga. Se dissermos que nao temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra nao estdé em nés. Realmente, nao podemos apelar as nossas préprias forgas ou & nossa natureza para nos adequarmos aos padrées de Deus, expres- sos em sua Lei. Somente Jesus Cristo obedeceu completamente a lei, em todos os seus aspectos. Ele obedeceu a Lei Civil, como judeu que era. Jesus obedeceu igualmente a Lei Cerimonial, pois viveu no perfodo em que ela ainda se encontrava em vigor, partici- pando de todos os seus requerimentos e cerim6nias que aponta- vam para Ele préprio. Jesus obedeceu a Lei Moral, pois é santo e justo em todas as suas ages e nunca quebrou qualquer um dos Dez Mandamentos. A sua obediéncia fez com que a sua morte na cruz fosse pelos pecados de sua Igreja e nao por qualquer trans- gressao sua. Sua obediéncia o qualificou para ser o nosso substitu- to — ato supremo de amor de Deus para conosco. Jesus Cristo e os Dez Mandamentos — O didlogo com o Jovem Rico. Nao é correto colocarmos a Cristo e sua Graga em contradi¢gao ou oposi¢ao com a Lei Moral de Deus. Jesus Cristo demonstra sua afirmagao de que nao veio para anular ou abolir a Lei, mas sim para cumpri-la, no incidente com o Jovem Rico, registrado em Mateus 19 e Marcos 10, Vemos, nesse incidente, que pessoas pe- cadoras em um mundo que é pecado, podem querer enganar aos outros e até a si préprias, dizendo que vivem uma vida sem peca- dos. Entretanto, por mais que o alvo 14 esteja e permanega valido e seguro, ninguém atinge o padrao de perfeigaio estabelecido por Deus. Todos necessitamos de sua graga, misericérdia e perdao, em Cristo Jesus, para a redengao de nossos pecados. Vejamos 0 didlogo travado entre Jesus e o jovem rico, registra- do em Mt 19.16-22, trecho no qual lemos: 38 A Lei de Deus Hoje 16 E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mes- tre, que bem farei, para conseguir a vida eterna? 17 E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Nao hd bom, sendo um sé que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os manda- mentos. 18 Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: No matards, ndo comete- rds adultério, nao furtards, nao dirds falso testemunho; 19 honra teu pai e tua mde, e amards o teu préximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? 21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dd-o aos pobres e terds um tesouro no céu; e vem e segue-me. 22 Eo jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste, porque pos- suia muitas propriedades. Desta passagem, podemos destacar os seguintes pontos, relaci- onados com 0 uso que Jesus Cristo faz da lei moral: a) O jovem apresentou-se chamando a Jesus de bom (16). A resposta intrigante de Jesus, mostra que ele nao tinha a consciéncia de quem realmente era Jesus. Bom, em toda a sua esséncia, somen- te Deus, e Jesus é Deus (17). Mas 0 jovem nao alcangava que a crenga no Messias, em Jesus como sendo Deus e Salvador era o caminho para a vida eterna. b) Jesus indica o cumprimento dos mandamentos, como 0 ca- minho 4 vida eterna (17). Outra colocag&o intrigante, da parte do Mestre! Estaria ele ensinando a salvacio pelas obras, ou reafirma- va a santidade da lei? Aonde estaria ele querendo chegar? c) O jovem também est intrigado e pergunta: “mas que manda- mentos”. Jesus responde com a mencio dos tiltimos 6 mandamen- tos (18 e 19), um a um... (nossas obrigagdes para com os nossos semelhantes). d) O jovem praticamente interrompe, respondendo que tudo aquilo havia cumprido; queria algo mais que pudesse realizar (20). O Cristéo e os Dez Mandamentos 39 e) Jesus, entretanto, nao chegou a enunciar o tiltimo manda- mento (Nao cobigarés...). f) Em vez disso colocou um teste pratico sobre a cobiga, man- dando que ele vendesse tudo o que tinha e distribufsse com os pobres (21). g) Nesse momento ele evidenciou a cobiga existente no seu co- ragao e “retirou-se triste” (22), mostrando que n4o cumprira nem o primeiro mandamento, pois amava algo, mais do que a Deus. h) Note que Jesus, nunca aventou a possibilidade de que aque- las obrigagdes eram hipotéticas ou superadas pela “nova dispensagao”, ou de que o Jovem Rico nao estava mais “sob a Lei Moral de Deus, mas sob a Graga.” Em vez disso, Cristo derrotou © argumento dentro da prépria obrigagao que o jovem possufa — ade cumprir a lei. Ao mesmo tempo em que reafirmava a validade de sua Lei, Jesus demonstrou que a alegagiio, do jovem, de cum- primento integral da lei, era falsa; comprovou que ele era, na reali- dade, um quebrador da lei no seu coragao, longe ainda da salvacao e da vida eterna — encontrada somente no Messias prometido, em Cristo Jesus. Quando observamos a forma como Jesus trata a Lei Moral de Deus, naio podemos fugir 4 conclusio de que ela é valida para nos- sa €poca. Os dez mandamentos especificam 0 padr&o de obedién- cia e comportamento que Deus deseja de cada um de nés. O para- doxo aparente é que, ao mesmo tempo, a lei esté continuamente revelando a nossa insuficiéncia e a nossa dependéncia de Cristo como nosso Salvador. Que temos de fazer para herdar a vida eter- na? Cumprir 0 que Deus nos comanda. Como pecadores que so- mos, erramos 0s alvo e caimos fora da Gléria de Deus (Rm 3.23). Esse alvo permanece firme, real e valido. Mas é quando considera- mos as palavras de Jesus a Nicodemos, que temos a viséo comple- tado caminho a salvagao. Jesus disse: “Necessario vos é nascer de 40 A Lei de Deus Hoje novo”. Temos que depositar a confianga total em Cristo e em sua justiga. Obedecemos os mandamentos em Cristo. Cristo demonstrou perfeita obediéncia ao Pai. Tinhamos neces- sidade de um perfeito sacerdote e mediador. Sendo perfeito e sem pecado ele foi morto, isto é: recebeu o salério do pecado, pelos pecados do seu povo e nao pelos seus préprios pecados, Com sua obediéncia perfeita ele adquiriu para nés e nos imputa sua justiga e obediéncia. Algumas vezes nao damos a devida im- portancia a esse aspecto da vida de Cristo, mas essa obediéncia € téo importante quanto a sua morte e ressurreigdo. Significa tam- bém que a resposta de Jesus ao jovem rico nao era apenas figura de ret6rica, mas um requerimento real — temos de cumprir os manda- mentos, mas somos incapazes de fazé-lo, como ficamos entéo? No que diz respeito a nossa salvagao, cumprimos eles em Cristo. Té-lo como tinico e suficiente salvador é a tinica forma biblica de obedi- éncia integral — confiamos, assim, na justiga dele e nao na nossa propria, como o fez 0 jovem rico. Procuramos obedecer os mandamentos por Cristo. Apesar de nossa inabilidade no cumprimento da lei, para nossa salvagao, ela é 0 alvo e diretriz fornecido por Deus para 0 nosso caminhar diério, para a nossa santificagao. Considere os seguintes pontos: a) Como ja vimos, Jesus nao revogou a lei, o que também se evidencia por Mt 5.17: “Nao penseis que vim revogar a lei ou os Profetas: ndo vim para revogar, vim para cumprir”. b) Na realidade ele reafirma a importancia do mandamentos, como temos em Jo 14.21: “Aquele que tem os meus mandamentos O Cristao e os Dez Mandamentos 41 e os guarda, esse é 0 que me ama; e aquele que me ama sera amado do meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a éle”. c) Semelhantemente, em Jo 15.10, Jesus se apresenta como 0 nosso exemplo e reafirma a importancia na guarda dos seus man- damentos: “Se guardardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os manda- mentos do meu Pai, e permanego no seu amor”. d) Esse ensinamento, registrado repetidamente no evangelho de Joao, deve ter impressionado 0 apéstolo. Sob a inspiragao do Espirito Santo, ele relembra e reafirma alertas semelhantes, em suas cartas. Em 1 Jo 2:3 e 4, ele mostra que o cumprimento aos manda- mentos é a grande evidéncia da nossa salvagio: “Ora, sabemos que o temos conhecido por isso: se guardamos os seus manda- mentos. Aquele que diz: Eu o conhego e ndo guarda os seus man- damentos, é mentiroso e nele ndo estd a verdade”. e) No capitulo 5, de sua primeira carta (5.2 e 3) Joao volta ao tema, mostrando que a prova do amor que temos por Deus vem de uma vida dedicada aos mandamentos de Deus: “...porque este é 0 amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora os seus mandamentos ndo so penosos...” Na segunda carta (1.4) ele ex- pressa alegria para com aqueles que “... andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos do Pai”. Devemos, portanto, ser agradecidos a Deus pois ele providen- ciou um mediador, Jesus Cristo, que nos resgatou da maldigao (pu- ni¢ao) da lei, fazendo-se pecado por nés e transferindo sua justiga para nossas pessoas, para que pudéssemos ser aceitos no seio do Pai. Ao mesmo tempo, ele nao nos deixa inseguros quanto ao que quer de nés. Pelo contrario, muito objetivamente, ele demonstra que a sua lei deve ser 0 nosso guia e padrao de vida. Reconhecemos, portanto, que estamos todos debaixo da maldi- go do pecado, pecadores que somos, desde Addo. Nossa incapa- 42 A Lei de Deus Hoje cidade de cumprimento da lei é superada pela graga e misericérdia de Deus, que enviou o seu filho, Jesus Cristo, nao somente para morrer por aqueles que compdem a sua igreja, mas igualmente para cumprir plenamente a lei de Deus. Jesus, demonstrando per- feita obediéncia, assegura 0 novo-nascimento dos seus ¢ torna-se oexemplo de devogao e lealdade a Deus, a ser seguido. O Messias Prometido, da mesma forma que recebeu sobre si os pecados do seu povo, imputou a ele a sua justiga. Nos Dez Mandamentos conhecemos nossos limites e nossas obrigagdes. Comparando nossa vida, nossos desejos e inclinagdes com a Lei Santa de Deus, compreendemos a extensio de nossa pecaminosidade e verificamos que a salvacao procede sé de Jesus, pelo seu sacrificio supremo na cruz do calvario. A Lei de Deus Hoje — O aspecto pragmdtico da lei de Deus. Vivemos em uma era de pragmatismo. Isso quer dizer que o importante para a maioria das pessoas é se uma coisa funciona, ou ndo, independentemente se existem princ{pios vdlidos que estaio por tras das ages, Essa idéia tem penetrado até nas igrejas e muito tem sido escrito combatendo 0 pragmatismo, pois € uma filosofia que nao é crista. O cristao vive por principios, na consciéncia de que os resultados pertencem ao Senhor. Ou seja, se vivemos o nosso dia-a-dia pelos preceitos de Deus, se as nossa agGes se en- quadram naquilo que Deus espera de cada um de nés, devemos ter paz e tranqililidade de que Deus, em sua providéncia, estaré “ope- tando todas as coisas” para 0 nosso bem. Por outro lado, no nosso esforgo em combater o pragmatismo e o casufsmo, nao podemos cair em outro erro: esquecer 0 que Joao, em sua primeira carta (5.3) nos instrui: “...os seus mandamentos ndo sGo penosos...”. Isso significa que os mandamentos de Deus nao sao uma “‘camisa de forga”, como o mundo com tanta freqiién- O Cristdo e os Dez Mandamentos 43 cia os retrata. Deus nos deu suas determinagées ndo para nos afli- gir, mas porque elas funcionam na vida real! Os mandamentos nao sio uma mera proposig&o ou abstragio teérica. Sdo prescrigdes que emanam do Deus Todo-Poderoso, do criador do homem, daquele que sabe o que é melhor para ele. Quan- do seguimos a lei de Deus, vivemos melhor e em harmonia nao apenas com o nosso Deus, mas com os nossos semelhantes e com a propria natureza, que dele procede. O resultado dos mandamen- tos de Deus, s&o vidas honestas, ajustadas, paz e tranqiiilidade, familias fortes, pais com entendimento, sabedoria e amor, filhos obedientes, harmonia, auséncia de violéncia. O pragmatismo nao rege as nossas vidas, mas reconhecemos que a lei de Deus funcio- na! Proclamemos isso! Nesses trés primeiros capitulos procuramos introduzir 0 estudo da Lei de Deus e focalizar nossas atengdes em sua Lei Moral — nos Dez Mandamentos. Nos préximos capitulos (4 a 13) estare- mos analisando os mandamentos individualmente, um em cada ca- pftulo. Vamos citar exemplos do descaso pela Lei Moral de Deus, em nossa sociedade; vamos examinar o mandamento proprio e pro- curar compreender as li¢des transmitidas em registros biblicos de desobediéncia e de cumprimento de cada mandamento; vamos ter- minar cada capitulo com uma aplicagao contemporanea. O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (pergun- tas 100 a 102): Pergunta 100, Que pontos devemos considerar nos dez manda- mentos? Resposta: Devemos considerar nos dez mandamentos: o prefacio, o contetido dos mesmos mandamentos e as divinas razées anexas a al- guns deles para lhes dar maior forga. Pergunta 101. Qual é o prefacio dos dez mandamentos? 44 A Lei de Deus Hoje Resposta: O preficio dos dez mandamentos é: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidéo. Nestas pala- vras Deus manifesta a sua soberania como. JeovA (Senhor), 0 eterno, imutdvel e todo-poderoso Deus, existindo em si e por si, cumprindo todas as suas palavras e obras, manifestando que é um Deus em pacto, com todo o seu povo e como Israel antigo; que assim como tirou a estes da servidio do Egito, assim nos libertou do cativeiro espiritual, e que, portanto, é nosso dever aceitar s6 a ele por nosso Deus e guardar tados Os seus mandamentos. Ref.: Ex 20.2; 1s 44.6; Ex 3.14; 6.3; At 17.24, 28; Gn 17.7; Rm 3.29; Le 1.74-75; 1Pe 1.15-18. Pergunta 102. Qual é 0 resumo dos quatro mandamentos que contém o nosso dever para com Deus? Resposta: O resumo dos quatro mandamentos que contém o nosso dever para com Deus é amar ao Senhor nosso Deus de todo 0 nosso coracao, de toda a nossa alma, de todas as nossas forcas e de todo 0 nosso entendimento. Ref.: Le 10.27. O Primeiro Mandamento “Nao terds outros deuses diante de mim”. Ex 20.3 Desobediéncia — Acabe e 0 povo de Israel. Obediéncia — Daniel na cova dos Leées. Sl 119.7 “Render-te-ei gracgas com integridade de coracdao, quando tiver aprendido os teus retos juizos”. A quem devemos adorar? “Quando a gente se liga com a me terra, se liga ao mesmo tempo com todas as estrelas, com toda a criagdo, com o préprio espirito do Criador. E at, vocé nao precisa de religido alguma’’.' Essas palavras foram proferidas por um indio civilizado, de Sio Paulo, envolvido na pratica mistica de curas e que também aplica técnicas aprendidas no Candomblé — Kaka Werd, é 0 seu nome. Elas foram registradas pela jornalista Valéria Martins em um livro chamado Encontros com Deus. Esse livro nao é uma coletanea de idéias de pessoas exéticas. Na realidade, a autora transcreveu en- trevistas com 21 pessoas de destaque, de uma forma ou de outra, nos varios segmentos da sociedade, que relatam os seus “‘encon- tros com Deus”, Tirando dois depoimentos, de pessoas que se identificam como evangélicas, é intrigante como as palavras de Kaka Weré refletem algo comum, presente nas outras 18 entrevistas: o Deus verdadei- ro esté ausente do encontro com deus daquelas pessoas. Todos os ! Valéria Martins, Encontros com Deus (Rio de Janeiro: Mauad, 1997), 148. 46 A Lei de Deus Hoje entrevistados apelam a alguém ou algo que denominam de “deus”, mas nao hd identidade com o Deus revelado nas Sagradas Escritu- ras. A devogiio e até a sinceridade de culto nao é direcionada ao Criador Soberano. O conceito de Deus, de cada uma dessas pesso- as, é estranho as objetivas proposigées sobre a divindade, que sao encontradas na Biblia. Temos as palavras de um rabino. Contrariando a objetividade do Deus das Escrituras (Dt 6.4), ele afirma que “a dimensio do sagrado é subjetiva... Deus, é subjetivo”.? Temos também uma psi- quiatra, que nos informa ter sido levada a admitir a exist6ncia de Deus pelo processo de regressio Fisher-Hoffman.? Em suas con- clusdes, contradizendo a exclusividade do encontro com Deus na pessoa de Cristo (Joao 14.6) ela chega a afirmacio: “quando a busca de Deus é sincera, pode-se usar qualquer caminho”.* Temos o depoimento de uma artista plastica. Ela foi educada em étimos colégios evangélicos, peregrinou por igrejas liberais, pela renova- ¢40 carismatica catélica e diz ter encontrado Deus no caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Entretanto, indo de encon- tro as Escrituras, que nos ensinam que Deus se manifesta em Cris- to (1 Joao 1.4) — que é 0 pr6prio Deus — ela diz que “Deus se manifesta através dos sinais”. Hoje em dia, ela “reza sozinha e nao freqtienta mais qualquer igreja”.> Gente famosa estd entre as pessoas entrevistadas, como 0 co- nhecido escritor Paulo Coelho. Ele informa que foi ateu até os 17 ? Valéria Martins, 16. + Esse processo supostamente produz a limpeza de traumas infantis através de técnicas terapéuticas ocidentais e orientais, destinadas a restaurar o equilfbrio emocional e a “verdadeira espiritualidade”. EZ: mencionado por varios dos en- trevistados, Valéria Martins, Encontros com Deus (Rio de Janeiro: Mauad, 1997), 18. 4 Valéria Martins, 18. ° Valéria Martins, 29. O Primeiro Mandamento 47 anos de idade. Sempre envolvido com drogas, passou a participar de sociedades secretas e misticas, muitas claramente envolvidas com 0 culto 4 Satands. Seu encontro com Deus, conforme seu de- poimento, deu-se em uma ordem secreta da igreja catélica, a RAM (Rigor, Amor e Misericérdia), 4 qual ainda pertence. Demonstran- do rejeitar que Jesus Cristo é 0 tinico e exclusivo caminho, ele diz: “O caminho de Deus é um caminho individual. Cada um segue 0 seu caminho pessoal e ponto final”. Rejeitando as Escrituras como Unica fonte de conhecimento e pritica, ele diz que “as prticas que indico aos meus discipulos sao baseadas na minha intuigao”.’ O rosario de idéias estranhas e equivocadas continua na entre- vista de uma escritora e auto-intitulada terapeuta, amiga de Paulo Coelho e Shirley MacLaine. Ela afirma ter encontrado Deus na “inteligéncia césmica” e no Caminho de Santiago de Compostela. Contrariando as Escrituras, onde encontramos o registro de que em Deus temos a prépria fonte de nossa existéncia (Atos 17.28), formando ele os nossos destinos, ela afirma: “vejo-me como cria- dora de minha prépria vida através da lei de ag&o e reago... Dessa forma vou desenhando a minha histéria”.* Uma empresaria, evi- denciando o misticismo ja caracteristico de tantas entrevistas pré- vias, diz também ter encontrado a Deus através do método Fischer- Hoffman — uma afirmagio favorita dos misticos contemporaneos. Desconsiderando o officio de tinico mediador, de Nosso Senhor Jesus Cristo (1 Timéteo 2.5), ela aponta o ponto culminante de seu encontro com Deus como sendo a descoberta dos ensinamentos do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990). Suas deci- s6es, na vida, sio determinadas pela utilizagdo do I Ching? que hoje lhe “serve como uma biissola”. © Valéria Martins, 33. 7 Valéria Martins, 34. ® Valéria Martins, 44, ° I Ching — livro mistico e de pensamentos chineses escrito, supostamente, ha quatro milénios, alvo de varias tradugGes, versdes e comentarios. 48 A Lei de Deus Hoje O que tém em comum o rabino, os praticantes de cultos afro- brasileiros entrevistados, os misticos e esotéricos, os intelectuais e os empresdrios envolvidos com técnicas de regressao para desco- brir 0 sentido da vida? Projetando, cada um, sua idéia subjetiva do deus que querem adorar, quebram todos, conjuntamente, o primei- ro mandamento — Nao terds outros deuses diante de mim! A obrigacio primordial das pessoas para com o seu criador é 0 reconhecimento de que Ele é 0 tinico Deus. As pessoas, em seu estado natural de pecado, tém a tendéncia de adorar coisas visiveis em lugar do Criador. As Escrituras registram varias ocasides em que o povo de Deus caiu nesse pecado. Por outro lado, temos registros de fidelidade e adoragao verdadeira ao Deus Criador e de como essa lealdade foi reconhecida e recompensada por Deus. Deus levou Moisés a registrar a seguinte declaragao, em Deuteronémio 6.4: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é 0 tinico Senhor”. Essa passou a ser a expressio m4xima do monotefsmo do povo de Deus, um lembrete constante do reconhecimento de que so existe um tinico Deus verdadeiro. No Novo Testamento, quando Jesus Cristo reforga 0 nosso de- ver de amar a Deus acima de todas as coisas, ele cita Dt 6.5 (“Ama- rds, pois, oSENHOR, teu Deus, de todo o teu coracdo, de toda a tua alma e de toda a tua forga”). Na realidade, ele nao estava apresentando nada de novo, peculiar 4 Nova Alianca, mas sim rea- firmando a sua vontade, expressa desde o Antigo Testamento ao seu povo. Essa obrigagao, de amar a Deus somente a Deus, deve- ria ser transmitida geraciio apés geragao. Em sua palavra, Deus registrou exemplos e conseqtiéncias tan- to de desobediéncias como de obediéncias. Escolhemos para o nosso exame, como exemplo de desobediéncia, o incidente no qual Aca- be leva 0 povo a idolatria. Os falsos sacerdotes e a falsa religiaio O Primeiro Mandamento 49 sao confrontados por Elias. O poder de Deus se manifesta, pela acdo de Elias, e a verdadeira adoragéo é demonstrada em toda sua plenitude. Por outro lado, como exemplo de obediéncia, temos o testemu- nho de Daniel. Condenado por adorar ao Deus verdadeiro e forga- do a adorar a um falso Deus, ele resiste. Sua fidelidade é recom- pensada e torna-se um testemunho do poder de Deus para com os seus. A falsa religiosidade exposta e punida. O caréter impio do rei Acabe. Acabe foi um dos reis mais fmpios de Israel. O texto bibli- co repetidamente registra essa caracterfstica, como 1 Reis 16.33, que diz “...Acabe... co- meteu mais abominagées para irritar ao Senhor Deus de Is- rael do que todos os reis de Is- rael que foram antes dele”. A palavra de Deus também regis- tra a sua idolatria e como ele incentivou o culto ao deus pa- gao Baal. Sua mulher, Jezebel, © superava em maldade. Ela havia mandado matar os pro- fetas do Senhor (1 Rs 18.4). Ocardter ea missao de Elias. Elias significa: “Jeovd é Deus”. Um nome apropriado para uma época em que o cul- Baal: Nome do principal deus pagiio da terra de Canad, que foi dada por Deus aos israelitas. Deus havia comandado a cessacio do culto a qualquer outra divindade. Semelhantemente, toda lembranga dos cultos pagios deveria ter sido eliminada daquela terra, para nfo contaminar a pura religiio. Os israelitas desobedeceram e cafram repetidamente em idolatria, afetando o Teocentrismo e Monoteismo que deveria caracterizar 0 povo de Deus. A desobediéncia dos israelitas preservou vivo o culto ao deus Baal, que de tempos em tempos ressurgia, numa clara desobediéncia ao primeiro mandamento, como ocorreu aqui, no reinado de Acabe. 50 A Lei de Deus Hoje to a Baal ameagava extinguir 0 culto a Jeova, em Israel. Deus deu uma missao espinhosa a Elias. No meio de tanta oposicao ele seria 0 porta-voz de uma mensagem de castigo: “Deus faria cessar toda achuva e o orvalho da terra!” (1 Rs 17.1) Ele confrontou direta- mente o rei Acabe, em toda sua maldade e poder. Teve que fugir e foi sustentado por Deus, por intermédio de corvos, e por uma viti- va. Acabe o odiava tanto que o chamava de “perturbador de Isra- el(1 Rs 18.17). Trés anos depois do primeiro confronto, a fome era extrema, em Israel. Deus mandou Elias, mais uma vez, falar com Acabe. Desta vez ele é levado por Deus a uma demonstrago do poder de Jeova sobre os falsos deuses. Deus manifesta o seu poder através de Elias. Acabe estava explicitamente desobedecendo o 1° mandamento. Elias desafia 450 profetas do falso culto, dos que praticavam a adorac4o e invocac4o a Baal (1 Rs 18.22). Assim fazendo ele pro- voca um confronto direto com o Deus verdadeiro. Direcionado por Deus, conclama os falsos profetas a invocarem fogo do céu (v. 24). Em vio, eles tentam, se dilaceram e gritam durante seis horas seguidas, mas nao existe poder no falso deus. Deus manifesta o seu poder através da invocagao de Elias pe- rante o altar restaurado (vs. 30-37). Deus manda fogo do céu com uma intensidade tal que consome nao apenas 0 sacrificio colocado no altar encharcado, como também o préprio altar. O povo reco- nhece o poder de Deus (v. 39) e, sob a lideranga de Elias, elimina os falsos profetas (v. 40). Acabe e sua esposa Jezebel continuaram em sua vida de impie- dade, mas Deus mandou 0 castigo devido, que ficou registrado em 1 Reis 22.29-38. O Primeiro Mandamento JL Lig6es que extraimos desse incidente, Pelo menos trés ligdes podem ser tiradas das interagdes de Elias com os falsos profetas: 1) A impiedade e idolatria é punida por Deus, enquanto que a fidelidade ao seu nome é reconhecida e recompensada. 2) Deus opera maravilhas e manifesta o seu poder no meio do seu povo, no seu devido tempo. A grande maravilha operada hoje é que as “portas do inferno” nao tém prevalecido sobre a Igreja, cumprindo a promessa feita por Cristo Jesus. 3) As pessoas podem enganar-se a si préprias e adorar falsos deuses, na ilusao de que obterao deles a satisfago dos seus dese- jos e que neles alcangarao os seus objetivos, mas o Deus verdadei- ro subsistira. Ele reconhece e chama os seus para si. Somente Deus € o recebedor legitimo de nossa adoragiio. Daniel adora e dé testemunho ao Deus verdadeiro, Deus recompensa a fidelidade dos seus servos. Da mesma forma como Deus detesta a desobediéncia ele reco- nhece a obediéncia dos seus servos, apoiando as demonstragGes de fidelidade que recebe. Quando estudamos a histéria de Daniel, ve- rificamos que ele estava em terra estranha, mas manteve o seu tes- temunho. Ele havia sido escolhido de forma toda especial, junto com seus trés amigos, mas “resolveu firmemente nao se contami- nar” (1.8). Logo de inicio, Daniel percebeu que, naquelas circunstancias, aceitar os manjares do rei era 0 mesmo que indicar a aceitagdo dos deuses aos quais tais comidas haviam sido ofertadas. Em outras palavras, a aceitagao representava desobediéncia ao primeiro man- damento. 52 A Lei de Deus Hoje Apés essa corajosa decisio, lemos (1.17) como Deus abengoou ¢ trouxe resultados positivos para a vida dos quatro jovens. Além do fortalecimento fisico, vemos que “... a esses quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligéncia em toda a cultura e sabedo- ria...” E nés? Estamos preparados para resistir as pressdes, ou vamos “com a multidéo?” Vamos confiar somente em Deus, cien- tes de que ele sabe o que é melhor para nds, ou vamos procurar atalhos nos nossos préprios caminhos? O maligno pressiona os fiéis a se desviarem dos caminhos de Deus. Satands niio desiste de exercitar suas pressdes sobre os servos de Deus. Anos mais tarde, em sua vida, Daniel foi coagido a adorar outro deus — dessa vez personificado na pessoa do préprio rei Dario. Contra Daniel pairavam ameagas sobre sua vida, mas a biblia diz que ele orou (6.10,11) e manteve sua posigio de lealdade a Deus. Sera que, como Daniel, terfamos coragem suficiente para mes- mo sob a pena de coagao fisica falar e agir como servos de Deus? Alguém colocou essa pergunta para um grupo de crentes: “Se vocé fosse preso por ser crente, haveria evidéncia suficiente para condend-lo?” Pense um pouco na resposta... Deus prova o seu poder ao mundo, na vida dos seus servos. Deus livrou Daniel. Mas observe a extensiio dos atos de Deus (6.26, 27), num testemunho ao mundo. O préprio rei, em seu de- creto, escreveu: “... em todo o dominio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre; 0 seu reino nao serd destrufdo, € 0 seu dominio ndo ter4 fim. Ele livra e salva, e faz maravilhas no céu e na terra...” Que testemunho impressionante. Deus realmente tinha os seus propésitos na afligéo tempordria pela qual passou Daniel! O Primeiro Mandamento 53 As palavras procedentes de um rei fmpio, deveriam nos enver- gonhar. Ele foi forgado a reconhecer a forga e poder do Deus todo- poderoso. Quantas vezes nds experimentamos esse mesmo poder em nossas vidas, na nossa salvagao e na nossa preservagao, mas com tanta freqiiéncia o desprezamos. Deverfamos reconhecer nos- sa irracionalidade quando procuramos nossa felicidade fora de Deus. A realidade é que a verdadeira felicidade vem de Deus. O Primeiro Mandamento Hoje — A Falsa Religiosidade. Estudamos, em | Reis 18.22-30 0 incidente no qual Elias con- fronta os profetas de Baal. Elias representava 0 lado do Deus vivo e verdadeiro, enquanto que os profetas de Baal representavam as forgas que agem contra o legitimo Povo de Deus. Naquela ocasiao o Povode Deus se identificava com os israelitas e hoje com a Igre- ja Crista. Uma anilise desse registro bfblico nos revela detalhes sobre a religiao falsa praticada pelos profetas de Baal que sao no minimo inquietantes, pois podemos identificar muita semelhanga coma si- tuag&o contempordnea na qual se acha situada a igreja fiel. 1, Similaridade — O primeiro dado que nos chama atengao é que a religio falsa pode ser bastante similar 4 verdadeira. Com efeito, a pratica religiosa dos profetas de Baal pouco diferia da religiao verdadeira de Israel. Eles nao estranharam quando foram convocados a erguer um altar. Semelhantemente, 0 povo infiel, quando adorou um bezerro de ouro, em Exodo 32.6, “madrugou e ofereceu holocausto e trouxe ofertas pacificas” ao altar que Arado, © lider, havia erguido. Agiram da forma como os verdadeiros adoradores agiam e assim confundiram a muitos. Isto é — a forma, as palavras de ordem, assemelhavam-se as da religiao verdadeira, concretizando 0 aviso que nos d4o préprio Cristo em Mateus 24.24, quando nos fala sobre o surgimento dos “falsos profetas”. 54 A Lei de Deus Hoje 2. Espetacularidade — Um segundo fato relevante €é que a religiao falsa pode ser bastante espetacular. Pensem bem: eram 450 profetas! 450 lideres do povo, todos a frente daquela espeta- cular manifestagao, contorcendo-se, golpeando-se e recorrendo a toda sorte de artimanhas para arrebanhar os incautos. Contraria- vam assim determinagGes divinas de pratica religiosa, como a en- contrada em Deuteronémio 14.1 e 2. Certamente toda aquela ma- nifestagao espetacular contrastava com a simplicidade da religiaio verdadeira encontrada no coragao do remanescente fiel. 3. Popularidade — Em terceiro lugar, notamos que a religiao falsa é bastante popular. Aparentemente, toda a nacio a seguia, ao ponto de Elias exclamar (1 Reis 18.22): “s6 eu fiquei dos profe- tas do Senhor”. Mesmo que nao houvesse 0 convencimento pleno de todos, era sempre mais facil seguir a multidio, procurar 0 con- forto da maioria, em vez de corajosamente identificar-se com os princfpios e determinagdes de Deus. 4. Sinceridade — Um quarto aspecto, que nao pode fugir a nossa atenc&o, é que os praticantes da religiao falsa sao since- ros. Obviamente existiam os charlatdes, os aproveitadores e os que se envolviam sem sinceridade, mas a impress&o obtida do rela- to biblico, € que a grande maioria sinceramente acreditava no erro que pregava. O desafio colocado por Elias foi aceito prontamente. Chegaram até a derramar o seu sangue por um deus que nio exis- tia, por uma religiao que os levaria 4 perdi¢ao (18.28). 5. Enganosidade — Por tiltimo, verificamos que a religiao falsa cega as pessoas. Aqueles praticantes estavam cegos de tal maneira que, deixando-se levar pela enganosidade supersticiosa, fecharam suas mentes e nao enxergavam mais nada a sua frente. Comegaram de manhi até o meio dia e seguiram clamando até o final do dia e nunca admitiram a derrota. Em toda histéria temos 0 registro daqueles que, cegos por suas religides, caminharam apressadamente O Primeiro Mandamento 55 para sua destruicao. Tristemente, temos também o registro daque- les que, em diversas ocasides, cegamente identificam o cristianis- mo com estranhas praticas religiosas e com doutrinas estranhas 4 simplicidade da adoracao “em espirito e em verdade” preceituada na Palavra de Deus. Sabemos da vitéria final de Elias, pelo poder de Deus. Ele zom- bou da religidio falsa (18.27), tamanha era a arrogancia e ignoran- cia deles perante o Deus soberano. Dessa maneira ele retratou a atitude do proprio Senhor, conforme registro do Salmo2.4. Mas é importante, igualmente, constatarmos que Elias dirige-se ao povo eos convoca de volta 4 verdadeira religiao dos seus pais (18.30- 39). Ele nao disse: “eu sei que vocés est&o enfadados das praticas antigas, vamos criar algo novo e mais interessante; vamos inovar, afinal estamos em uma outra era e temos que melhorar a nossa comunicacio...”; ele ora a Deus para que ele fizesse 0 coragao do povo retroceder a ele (18.37). Vamos estar alertas, ent&o, para aqueles que, mesmo com o linguajar bfblico, nada mais fazem do que demonstrar a tenacidade e cardter espetacular da religiao populista e falsa dos profetas de Baal. O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (pergun- tas 103 a 106): Pergunta 103. Qual o primeiro mandamento? Resposta: O primeiro mandamento é: Ndo terds outros deuses além de mim. Rel Pergunta 104. Quais sao os deveres exigidos no primeiro man- damento? Resposta: Os deveres exigidos no primeito mandamento sao — o conhecer e reconhecer Deus como sendo 0 tinico verdadeiro Deus e nosso Deus, e ador4-lo e glorificé-lo como tal; pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente aprecia-lo, honré-lo, adord-lo, escolhé-lo, amé-lo, deseja-lo e temé-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitan- do-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invoc4-lo, dando-lhe x 20.3 56 A Lei de Deus Hoje todo o louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda a obediéncia e a submissio do homem todo; ter cuidado de o agradar em tudo, e tristeza quando ele € ofendido em qualquer coisa, e andar humildemente com ele. Ref.: 1Cr 28.9; Dt 26.17; Is 43.10; SI 95.6-7; Ml 4.10; $129.2; Mt 3.16; S1 63.6; Ecl. 12.1; $171.19; MI 1.6; Is 45.23; Js 24.22; Dt 6.5; SI 73.25; Is 8.13; Bx 14.31; Is 26.4; SI 130.7; 37.4 € 32.11; Rm 12.11; Fp 4.6; Jr 7.23; Tg 4.7; 1Jo 3.22; Sl 119.136; Jr 31.18; Mq 6.8. Pergunta 105. Quais sio os pecados proibidos no primeiro man- damento? Resposta: Os pecados proibidos no primeiro mandamento, sio — 0 ate(smo, negar ou nao ter um Deus: a idolatria, ter ou adorar mais do que um Deus, ou qualquer outro juntamento com o verdadeiro Deus ou em lugar dele; o nao té-lo e nao confess4-lo como Deus, e nosso Deus; a omissio ou a negligéncia de qualquer coisa devida a ele, exigida neste mandamento; a ignorancia, 0 esquecimenta, as mds concepgées, as fal- sas opinides, os pensamentos indignos e fmpios quanto a ele; 0 pesquisar audaz e curioso dos seus segredos; toda a impiedade, todo 0 édio de Deus, egofsmo, espirito interesseiro e toda aplicagao desordenada e imaderada do nosso entendimento, vontade ou afetos a outras coisas eo desvio destes de Deus em tudo ou em parte; a vd credulidade, a incre- dulidade, a heresia, as crengas erréneas, a desconfian¢a, 0 desespero; a resisténcia obstinada e a insensibilidade sobre os jufzos de Deus; a dureza de coragdo; a soberba; a presungdo; a seguranga carnal; 0 ten- tar a Deus; 0 uso de meios ilicitos, a confianga nos licitos; os deleites e gozos carnais; um zelo corrupto, cego ¢ indiscreto; a tibieza e o amor- tecimento nas coisas de Deus; 0 alienar-nos e apostatar-nos de Deus; 0 orar ou prestar qualquer culto religioso aos santos, anjos ou qualquer outra criatura; todos os pactos com o diabo; 0 consultar com ele eo dar ouvidos as suas sugest6es; 0 fazer aos homens senhores da nossa fé e consciéncia; 0 fazer pouco caso e desprezar a Deus e aos mandamen- tos; 0 resistir e entristecer o seu Esptrito, 0 descontentamento e impa- ciéncia com as suas dispensagées; acusd-lo estultamente dos males com que ele nos aflige, e 0 atribuir o louvor de qualquer bem que somos, temos ou podemos fazer 4 fortuna, aos fdolos, a nés mesmos, ou a qualquer outra criatura. Ref.: S] 14.1; Ef 2,12; Jr 2.27-28; 1Ts 1.9; S1 81.11; Is 43.22-23; Jr 4.22; Os 4.1-6; Jr 2.32; At 17.23, 29; Is 40.18; SI. 50.21; Dt 29.29; Tt O Primeiro Mandamento 1.16; Hb 12.16; Rm 1.30; 2Tm 3.2; Fp 2.21; 1Jo 2.15-16; 4.1; Hb 3.12; GI 5.20; At 26.9; S1 78.22; Gn 4.13; Jr 5.3; Is 42.25; Rm 2.5; Jr 13.15; S1 19.13; Sf 1.12; Mt 4.7; Rm 3.8; Jr 17.5; 21m 3.4; Gl 4.17; Ap 3.1; 3.16; Ez 14.5; Is 1.4-5; Os 4.12; Ap 19.10; Cl 2.18; Rm 1.25; Lv 20.6; At 5.3; 2Co 1.24; Dt 32.15; Pv 13.13; At 7.51; Ef 4.30; SI 73.2-3; J6 1,22; Dn 5.23; Dt 8.17; He 1.16. Pergunta 106. Que se nos ensina especialmente pelas palavras “além de mim” (ou diante de mim) no primeiro mandamento? Resposta: As palavras “além de mim”, no primeiro mandamento, ensinam-nos que Deus, que tudo vé, nota especialmente e se ofende mui- to com o pecado de ter-se qualquer outro Deus, de maneira que elas sir- vam de argumento para nos dissuadir desse pecado e de agravé-lo com uma provocacao mui ousada; assim como para nos persuadir a fazer como diante dos olhos de Deus tudo 0 que fizermos no seu servigo. Ref. SI 44.20-21; 1Cr 28.9, 57 O Segundo Mandamento Néo fards para ti imagem de escultura, nem semelhanca alguma do que hd em cima nos céus, nem embaixo na ter- ra, nemnas Gguas debaixo da terra.Nao as adorards, nem lhes dards culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a inigilidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geragdo daqueles que me aborrecem e faco misericérdia até mil geracdes daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. Exodo 20.4-6 Desobediéncia — Israel e 0 bezerro de ouro. Obediéncia — Os amigos de Daniel na fornalha ardente. Sl 119.108 “Aceita, Senhor, a espontanea oferenda dos meus ldbios, e ensina-me os teus juizos””. Como devemos adorar? O pregador, no radio, esta gritando a plenos pulmées: — “Repitam comigo: Gloria a Deus! Gléria a Deus! Gl6ria a Deus! Gléria a Deus! Gléria a Deus! Gloria a Deus! Gléria a Deus! Gloria a Deus! Gl6ria a Deus! Gléria a Deus! Comparegam todos 4 campanha do sangue de Cristo, em nossa sede mundial, a partir do dia 24 deste més, Ld o Esptrito Santo vai se manifestar e os cegos verdo, os aleija- dos andaréo, os mudos falardo...” Varios pensamentos cruzam a minha mente: a adverténcia de Jesus, em Mateus 6.7 (“E, orando, nao useis de vas repetig6es, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serio ouvidos”); a forma como o Espirito Santo é mencionado e dirigi- do, como se estivesse a servigo do homem e nao como sendo 0 revelador de Cristo, por quem servimos a Deus (Joao 16.13-14: “... ele vos guiaré em toda a verdade, porque nfo falara de si 60 A Lei de Deus Hoje mesmo, mas dird tudo o que tiver ouvido e vos anunciaré 0 que hé de vir. Ele me glorificara, porque ha de receber do que é meue vo-lo hé de anunciar’’). Continuo a escutar... Tive interesse em ouvir aquela estagao, que irradia durante as 24 horas do dia os programas daquela igreja neo-pentecostal. Ela havia sido acusada, na noite anterior, pela televisao, de lavar di- nheiro e de envolvimento com o narcotrfico. Achei as acusagées exageradas e cheirando a perseguicdo religiosa. Sintonizei para ver se diriam alguma coisa, apresentando 0 ponto de vista da igreja, sobre as noticias veiculadas pela imprensa. Nada era mencionado sobre as acusacGes ¢ logo fui envolvido pela forma enfatica e in- tensa do discurso. Nao havia pregacdo nem exposi¢ao da palavra. Durante horas, apenas a sucessdo de testemunhos de curas, e gra- vagées de depoimentos, alguns de ressurreigdes, tudo isso entre- meados de oragGes, nas quais 0 nome e enderego preciso da igreja € mencionado, bem como de frases soltas com sons ininteligfveis, mas com uma rima que ja ouvi em outras pregagdes semelhantes. A prédica continua com um tom “santo” de voz, em staccato, apa- rentemente entrecortado de emogao. A influéncia daquela Igreja se estende a outros paises, principalmente da América Latina. O pregador, portanto, mescla portugués com espanhol, ou procura traduzir para o espanhol o que acaba de dizer ou 0 que lhe relatam 0s participantes daquele ajuntamento. A suposta presenga e acom- panhamento do Espirito parece deix4-lo, nesses momentos, pois 0 espanhol falado é cheio de erros. Volto a prestar atengao no contetido. O pregador agora volta a conclamar a presenga na campanha do sangue de Jesus Cristo, que ocorrer4 no més seguinte. A pressao sobre os ouvintes aumenta: “Todos devem comparecer! Quem ndo for batizado com o Esptri- to Santo até o dia 30 de junho tera o seu nome cortado do rol da igreja! Muitos me perguntam: Missiondrio, mas porque esse pra- z0 tio curto? Nao dé para estender mais o prazo? NAO! Assim me revelou Deus...” O Segundo Mandamento 61 Comego a me impressionar com as diferengas do que estou ou- vindo, quando confrontado com a fé crista encontrada na Biblia. Penso em 2 Corintios 11.3: “Mas receio que, assim como a ser- pente enganou a Eva com a sua asticia, assim também seja cor- rompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devi- das a Cristo”. Penso na facilidade com que nos afastamos dessa simplicidade e pureza. Como a mente humana é prédiga em gerar adig6es a forma de cultuar a Deus, a pratica de religido verdadeira. Penso nas adigdes que logo cedo foram adentrando o cristianismo, culminando com 0 culto as imagens, o prezar da tradigéio acima da Palavra revelada nas Escrituras, a hierarquia estranha a Biblia, le- vando até ao ensinamento da existéncia de infalibilidade de um homem, Continuo a escutar: “Na campanha do sangue de Cristo, te- nham a sua familia abengoada! Tragam uma pega de roupa da pessoa que vocé quer ver abencoada!” Constato que 0 afastamen- to das Escrituras é mesmo gritante. Geramos um tipo de fetichismo cristo. Fala-se de Deus, fala-se de Cristo, fala-se do seu sangue, fala-se do Espirito, mas tudo em contextos e contetidos estranhos a Palavra de Deus. Dentro do segmento crist&o, supostamente evan- gélico, que se orgulha de no ter e ndo cultuar imagens, a religiao est4 cheia de fdolos e adigdes. A forma de cultuar nunca foi assim prescrita pelas Escrituras. Nao é a aproximagao de Deus em espi- rito e em verdade, mas com uma diversidade de passos e até arte- fatos intermediarios. Adora-se a Deus da forma como as pessoas querem e nio como Ele determina, de forma ofensiva 4 sua majes- tade e, consequentemente, mesmo sem os idolos de barro ou me- tal, quebra-se continuamente o segundo mandamento: “Ndo fards para ti imagem de esculturas”. N&o existe forma mais odiosa de adoragao do que 0 envolvimento com idolatria. Utilizar objetos ou um {dolo inanimado para repre- 62 A Lei de Deus Hoje sentar ao Deus todo poderoso € um insulto 4 majestade de Deus e uma prova de quao irracional é o homem caido em seu pecado. A falsa adoragao toma, com freqiiéncia, a forma de idolatria. Muitos, a exemplo do povo de Israel no deserto, j4 cafram nesse pecado, esquecendo-se da onipresenga de Deus e de suas agdes no meio do seu povo. Outros, como Sadraque, Mesaque e Abed-nego, se man- tiveram fiéis e testemunharam ao mundo o poder e a soberania do Deus vivo. O primeiro mandamento, nosso assunto do tiltimo capitulo, in- dica a quem devemos adorar. A resposta biblica, como vimos, apon- ta para o Deus tinico e verdadeiro, o Deus de Israel, soberano, que nos amou de tal maneira que nos mandou 0 seu tinico filho, para a nossa salvaciio. Neste capitulo, vamos explorar como devemos adorar. Deus sabe que as pessoas, em seus pecados, distorcem tanto 0 objeto como a forma de adoracgio. Em Rm 1.25 lemos como o homem adora a criatura em vez do Criador, no maior dos insultos ao Deus vivo. Por essa razio, o segundo mandamento fala especificamente sobre 0 uso de imagens, proibindo a adoragio a elas e por meio delas. A igreja catélico-romana tenta esquecer e até “esconder” este mandamento pois ele se choca frontalmente com suas praticas. Nesse sentido, quando ela relaciona os dez mandamentos, omite o segundo, dizendo que ele esté englobado no primeiro, o qual ela apresenta de forma resumida. Como no final os dez mandamentos nao podem ser “nove”, e ela tem que terminar com dez, a igreja cat6lica divide o décimo mandamento em dois (0 nono passa a ser cobigar a mulher do préximo e 0 décimo, cobigar as demais pos- sessdes deste). O segundo mandamento expée e revela nossa inclinacao a ido- latria. A Palavra de Deus possui varias passagens que condenam o O Segundo Mandamento 63 uso dos idolos — nao podemos adorar a Deus utilizando um obje- to intermedidrio. Alguns dos trechos principais, que devemos Jer com atengio, sao: Lv 26.1; Dt 27.15; 1 Jo 5.21 e Ap 9.20. A idolatria do povo de Deus no deserto. Em Exodo 32, lemos como 0 Povo de Deus quebrou tanto o primeiro como o segundo mandamento, entregando-se a idolatria. Adoravam outros deuses por meio de fdolos. Tudo isso ocorreu quando Deus estava tao perto deles! Quando analisamos 0 que est ali registrado, notamos um fato interessante: os lideres dos Israelitas diziam o seguinte, enquanto adoravam 0 seu idolo: “...sao estes, 6 Israel, os teus deuses.,.” (EX. 32:4 € 8). Note que era uma imagem (singular) que adoravam, mas por intermédio dela eles adoravam deuses (plural). Certamente nao pretendiam que a ado- racdo terminasse na imagem. Ela era apenas um meio. Esse meio foi condenado, amaldigoado e abominado por Deus. A importancia deste ponto é grande, para nés. Estamos por demais acostumados a ouvir, daqueles que usam imagens, que eles nao as adoram, sé as veneram! Para Deus nio ha diferenga, como nao ha diferenga entre esta afirmagio de dissimulagio e 0 que ocor- reu com os Israelitas. Certamente os Israelitas, se tivessem tido a “chance”, diriam que nao estavam adorando aquela imagem, mas sim os deuses por ela representados. O pecado, permanece o mes- mo — sé Deus é 0 legitimo recebedor de nossa veneragao religio- sa e adoragiio. A utilizagdo de imagens estéticas que nao tém poder nem fala, contrasta intensamente com o Deus verdadeiro, que é pessoal, fala conosco, tem todo o poder, nos ama, ¢ nos adverte. Devemos fugir da idolatria! 64 A Lei de Deus Hoje Os amigos de Daniel séio langados na na fornalha. Os israelitas no deserto, sob a lideranga de Arado, desobedece- ram ao segundo mandamento e essa desobediéncia trouxe graves castigos. Mas um dos registros que a Palavra de Deus faz do cum- primento desse mandamento € 0 do incidente na vida dos amigos de Daniel — Sadraque, Mesaquee Abed-Nego, relatado em Dn 3. Os versiculos 1-18, deste capitulo, contam como eles se recusa- ram a adorar a imagem que o rei Nabucodonozor havia mandado erguer para ser adorada. Essa imagem era impressionante e grandi- osa — tinha mais de trinta metros de altura (pense em um prédio de 10 andares!) e trés de largura. Sua consagragio foi precedida de grande pompa (vs. 3 a 5), abrangendo todos os aspectos culturais e cerimoniais daquele povo. O texto registra que todas as autori- dades estavam conjuntamente presentes e apoiando a adoragao aquela imagem. Sadraque, Mesaque e Abed-Nego tinham que manter fidelidade ao Deus verdadeiro e dar testemunho de suas convicgdes nao ape- nas contra os seus amigos e circunstantes, mas contra todos os poderosos da terra. Eles € que acusaram os trés ao rei (v. 12). Ao serem interpelados pelo rei (vs. 14 e 15) respondem de uma forma corajosa e que nos fornece uma primeira ligdo de fé, confi- anca e submissao aos designios de Deus. Note, nos vs. 16 a 18: a. Fé — o rei pergunta: “quem é 0 Deus que pode livrar vocés?” Eles respondem: “Vocé ja sabe” (“...quanto a isso n&o necessita- mos de responder...”). Eles j4 haviam dado testemunho, anterior- mente, do Deus de Israel. Esse Deus j4 havia demonstrado 0 seu poder ao rei na propria vida desses israelitas. Eram os preceitos desse Deus que estavam sendo obedecidos — eles estavam guar- dando o segundo mandamento. b. Confianga — Era nesse Deus que a confianga de livramento era depositada, Eles nao tinham qualquer diivida que Deus era O Segundo Mandamento 65 poderoso para os guardar da ira e da penalidade imposta pelo de- creto idélatra daquele rei. c. SubmissGo — Apesar de nao terem dividas, estavam consci- entes de suas limitagdes. Nao sabiam o futuro, mas 0 colocavam nas maos de Deus, e estavam preparados para aceitar o resultado da providéncia divina, qualquer que fosse. Leia pausadamente 0 versiculo 15 e note a precedéncia dos preceitos de Deus sobre quais- quer que fossem as adversidades de vida. Que contraste com tan- tas oragdes ouvidas hoje em dia por livramento, por cura, por re- solugiio de problemas. Nos acostumamos a ouvir expressdes dita- toriais e determinativas a Deus, fazendo-o nosso criado. Ouvimos que se nfo formos ousados e até desrespeitosos, nesse sentido, € porque nao temos fé,.. Contrastando com isso, vemos 0 ensina- mento biblico na vida desses trés servos de Deus. Eles tém fé; eles tém confianga; eles expressam 0 desejo de seu corag&o; mas “se nio...”, se Deus nfo os quiser livrar, ainda assim estarao submissos a vontade divina. Ainda assim estaraio seguindo os seus preceitos. Ainda assim nao quebrarao o segundo mandamento, nao se entre- garo a idolatria. Na préxima vez que levarmos alguma petigao aos pés da cruz, vamos nos lembrar da atitude de Sadraque, Mesaque e Abed-Nego — abramos 0 nosso coragiio e, com toda fé e confi- anga, derramemos as nossas stiplicas (Fl 4.6) — mas estejamos preparados para aceitar a resposta ditada pela providéncia divina, do Deus que nos ama, nos conhece e sabe o que é melhor para nés e pode igualmente nos dar a paz necesséria (Fl 4.7; Jo 14.27) para suportar qualquer adversidade. Os versiculos 19-30 trazem a descrigaio de como eles foram jogados na fornalha e milagrosamente salvos por Deus. Note a pre- senga do filho de Deus (assim reconhecido pelo rei — v. 25) com Sadraque, Mesaque e Abed-Nego, caminhando com eles, em se- guranga, no meio das chamas devoradoras. O resultado da fideli- dade e coragem desses servos de Deus, obedecendo o segundo 66 A Lei de Deus Hoje mandamento, foi o grande testemunho proclamado no v. 29, pelo rei: “...ndo hd outro Deus que possa livrar como este...”. Idolatria — uma ameaga sempre presente. A idolatria sempre esteve rodeando o povo de Deus. Sempre foi um artificio utilizado por Satands para iludir os homens e para cauterizar as consciéncias. Praticando a idolatria, as pessoas dio vazio a religiosidade nata, achando que se relacionam com 0 seu conceito de divindade. Dessa maneira, ignoram as demandas do Deus verdadeiro. Notem os seguintes pontos importantes: a. Idolatria caracterizava as nag6es vizinhas a Israel (Jz 6.25- 32). Os israelitas foram comandados a destruir todos os fdolos (Dt 7.5). Conhecedor das fraquezas dos homens, Deus sabia como a religido verdadeira poderia rapidamente ser contaminada com pra- ticas religiosas pagas, determinando, assim, um remédio radical. A idolatria nao podia ser tolerada. b. Idolatria nao significa somente a adoracio a idolos e falsos deuses. A hist6ria de Mica, em Juizes 17 e 18, mostra um caso de idolatria no suposto culto ao Deus verdadeiro — Jeova. c. Alguns servos de Deus cafram nesse pecado, como, por exem- plo, Salomao (1 Reis 11.1-13). Podemos ver como a igreja neo-testamentdria, mesmo possuin- do a revelagao completa e com tantas adverténcias nos evangelhos e nas epistolas, foi progressivamente envolvida em idolatria, ao ponto em que a partir do quinto século o culto evangélico estava praticamente descaracterizado e as igrejas se enchendo de ima- gens. Essa situagHo, exceto por alguns movimentos esporddicos, perdurou até a Reforma do Século XVI. O Segundo Mandamento 67 O Segundo Mandamento Hoje — Vocé é culpado de idolatria? Idolatria representa uma corrup¢ao da religiao verdadeira, é 0 culto aos falsos deuses. A palavra significa aderagdo aos idolos.O idolo, de acordo com a definigiio biblica, é uma representagao, uma semelhanga, uma imagem de escultura que representa um Deus falso, e que é objeto, em si, de adorag&o da parte do homem. A palavra hebraica equivalente significa também vaidade, coisa va- zia. Por esta raz4o, Paulo classifica a idolatria, em Atos 14.15, como coisas vas. S6 porque nao temos imagens em nossas casas, nao devemos pensar que estamos imunes a este pecado. Colossenses 3.5 diz que a avareza, ou seja, um coracdo mesquinho, é idolatria! Efésios 5:5 define o idélatra como sendo a pessoa que tem na cobiga a sua caracterfstica de vida. Muitos servos de Deus cafram neste pecado, com drdsticas conseqiiéncias em suas vidas, como o exemplo que ja vimos, de Salomo (1 Rs 11.1-3). Em outra ocasiiio, Paulo, es- crevendo aos Corintios (1 Co 10.14), diz: “fugi da idolatria!” Ele nfo estava escrevendo aos descrentes, mas aos “‘amados irmios”. Existe um grande relacionamento entre idolatria e imoralidade.: idolatria é o pecado da mente contra Deus ¢ imoralidade 0 pecado da carne (Ef 2.3). A idolatria, na realidade, é designada na Biblia como adultério espiritual. Ela procede da falta de reconhecimento da existéncia do Deus verdadeiro ¢ de suas demandas, sendo con- trastada com o fruto do Espirito. 1 Pedro 4.3 nos avisa que idolatria deve ser coisa do nosso passado e nao do nosso presente. Ela nao deve estar presente no servo de Deus. Como vimos, varios servos de Deus, como os ami- gos de Daniel (Daniel 3) foram pressionados pela sociedade e pe- las circunstancias a adorar imagens, mas mesmo com as pressdes fisicas e com as intrigas eles permaneceram fiéis e corajosos, pelo poder de Deus. Deus recompensou a sua fidelidade e os livrou. 68 A Lei de Deus Hoje Vocé esta sendo fiel para com Deus? Esté colocando Ele em pri- meiro lugar? Ou tem algo mais importante em sua vida? Cuidado com a idolatria! O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (pergun- tas 107 a 109): Pergunta 107. Qual é 0 segundo mandamento? Resposta: O segundo mandamento é: “Nao fards para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo o que h4 em cima no céu, e do que h4 em baixo na terra, nem de coisa alguma que haja nas 4guas debaixo da terra, Nao as adorards nem lhes dards culto, porque eu sou 0 Senhor teu Deus, Deus forte e zeloso, que vinga a iniqilidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geragdo daqueles que me aborrecem, e que amam e que guardam os meus mandamentos. Ref.: Ex 20.4-6 Pergunta 108. Quais sdio os deveres exigidos no segundo manda- mento? Resposta: Os deveres exigidos no segundo mandamento sio: 0 re- ceber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenangas religiosas tais como Deus instituiu em sua Palavra, especi- almente a oragiio e agdes de graca em administragio e a recepgio dos sacramentos; 0 governo e a disciplina da igreja, o ministério e a sua manutengio; o jejum religioso; o jurar em nome de Deus e o fazer os votos a ele; bem assim 0 desaprovar, detestar e opor-se a todo culto falso, e, segundo a posigao e vocagao de cada um, o remover tal culto e todos os simbolos de idolatria. Ref: Dt 32.46; Mt 28.20; 1Tm 6.13,14; At 2.42; Fp 4.6; Dt 17.18,19; At 15.21; 2Tm 4.2; Tg 1.21,22; At 10.33; Mt 28.19; 1Co 11.23-30; Mt 16.19; Mt 18.17; 1Co 12.18; Ef 4.11,12; 1Tm 5.17,18; 1Co 9.1-15; JI 2.12; 1Co 7.5; Dt 6.13; S1 76.11; S1 116.14; At 17.16,17; Dt 7.5. Pergunta 109, Quais sao os pecados proibidos no segundo man- damento? Resposta: Os pecados proibidos no segundo mandamento sao: 0 estabelecer, aconselhar, mandar, usar e aprovar de qualquer maneira qualquer culto religioso nao institufdo por Deus mesmo; o fazer qual- quer representagiio de Deus, de todos ou de qualquer das trés Pessoas, O Segundo Mandamento quer interiormente em nosso espirito, quer exteriormente em qualquer forma de imagem ou semelhanga de alguma criatura; toda adoragéio dela, ou de Deus nela ou por meio dela; o fazer qualquer representagdo de deuses imagindrios e todo culto ou servico a eles pertencentes; todas as invengGes supersticiosas, corrompendo o culto de Deus, acrescen- tando ou tirando desse culto, quer sejam inventadas e adotadas por nés, quer recebidas por tradigao de outros, embora sob o titulo de antigilida- de, de costume, de devogio, de boa inteng&o, ou por qualquer outro pretexto; a sintonia, o sacrilégio, toda negligéncia, desprezo, impedi- mento e oposigao ao culto e ordenangas que Deus instituiu. Ref: Nm 15.39; Dt 13.6-8; Os 5.11; Mq 6.16; IRs 11.33; 1Rs 12.33; Dt 12,30-32; Dt 4.15,16; At 17.29; Rm 1.21-25; Gl 4.8; Ex 32.5; Bx 32.8; IRs 18.26,28; At 19.19; MI 1.7,8,14; Dt 4.2; Sl] 106.39; Mt 15.9; 1Pe 1.18; Jr 44.17; Is 65.3-5; GI 1.13,14; 1Sm 13.11; At 8.18,19,22; Rm 2.22; MI 3.8; Ex 4.24-26; Mt 22.5; Mt 1.7,12,13; Mt 23.13; At 13.45; 1Ts 2.14-16. Pergunta 110. Quais sdo as razdes anexas ao segundo manda- mento para lhe dar maior forga? Resposta: As razdes anexas ao segundo mandamento, para Ihe dar maior forga, contidas nestas palavras: “Porque eu sou o Senhor teu Deus, Deus forte e zeloso, que vinga a iniqliidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geragiio daqueles que me aborrecem, e que usa de misericérdia até mil geragdes com aqueles que me amam e que guar- dam os meus preceitos”, so, além da soberania de Deus e o seu direito de propriedade sobre nés, sua indignag&o vingadora contra todo culto falso, considerando-o uma prostituig&o espiritual, tendo por inimigos os violadores desse mandamento e ameagando puni-los por diversas geragGes, e tendo prazer naqueles que o amam e guardam os seus man- damentos, prometendo-thes misericérdia ao longo de muitas geragdes. Ref.: Bx 20.5,6; Bx 34.13,14; 1Co 10,20-22;Tg 4.4; Dt 32.16-19; Jr 7.18-20; Os 2.2-4; Dt 5.29. 69 O Terceiro VAX Mandamento ttl . 7 |S. HONRARAS AO “NGo tomarés o nome do marek SENHOR, teu Deus, em eee vao, porque o SENHOR ‘ Erie rurranas ndo ter por inocente o iPS hoorrss que tomar o seu nome Sieaowe — f} Tonto em vao”. Exodo 20.7 — Desobediéncia — Saul e a médium de En-Dor. Obediéncia — Pedro e Jodo usam o nome de Jesus. Sl 119.13 “Com os ldbios tenho narrado todos os juizos da tua boca”. Programas que falam sobre sexo, na TV, nao sao mais novida- de. A Revista IstoE' apresentou uma reportagem destacando os programas existentes, muitos desses apelando diretamente a ju- ventude: a Globo tem os “Altos Papos”, no Fantastico; a MTV tem o programa “Erética”; a SBT tem o “Programa Livre”; as ve- zes austera Rede Cultura, tem a “Turma da Cultura”; e a BAND tem a “Tiazinha”. O que nos impressiona agora so as integrantes dos meios de comunicag&o e que gravitam nesse campo, que ape- lam para o nome de Deus e se declaram “evangélicas”. Nesse propa- gagao e banalizacao do sexo existe uma tentativa de se “despecaminar’ a erotizacao fora do casamento e na vida dos ado- lescentes, trazendo coisas que sempre caracterizaram as pessoas sem Deus para dentro do campo evangélico. Na tealidade observamos a formacao de uma verdadeira “Gale- ria da Imoralidade Evangélica”. Por exemplo, sobre a “Tiazinha” temos relat6rios conflitantes. Uns indicam que a sua mae é evangé- lica, outros dizem que a evangélica’ é ela e que através dela € que ' Ne 1531, de 03.02.1999 ? Veja, de 19.08.1998, 140, registra: “Evangélica, Suzana freqiienta todo final de semana a Igreja Renascer”. 72 A Lei de Deus Hoje a sua mie se converteu. Aparentemente a fé professada nado tem nada a dizer com relagio as exibigdes de sexo gratuito, e as “princadeirinhas” que faz com perversées, utilizando abertamente 0 sado-masoquismo como entretenimento. Diariamente, nas tar- des, os jovens se divertem e passam a aceitar uma visdo atenuada de uma filosofia que se compraz em causar e experimentar a dor e o sofrimento. Quando entrevistada, entretanto, Suzana Alves® se diz temente ao nome de Deus. Onde estao as transformacées de vida? A dangarina Carla Perez identificou-se como evangélica, e apela ao nome de Deus, mas continuou dando o exemplo para as criancinhas e as adolescentes a rebolarem com trejeitos eréticos. Ecomo se nao existisse contras- te de vida antes e depois da conversdo. A “cantora” Gretchen, que esteve na crista da fama, na década de setenta— com seus grunhi- dos e gemidos, disse que havia se convertido. No final da década de noventa, retornou as apresentacées na televisdo, ndo com um reavivamento espiritual, mas reavivando suas dangas que antece- deram a Carla Perez, mas nao menos imorais do que as da tiltima. Para agravar a situagao, agora traz as suas jovens filhas para rebo- lar em suas apresentagdes. Parecem que querem modificar 0 con- ceito de imoralidade, ou retirar a palavra do nosso vocabulario. Procurando uma coexisténcia pacffica com a profissao de fé evan- gélica, distorcem todo 0 conceito de santidade contido no nome de Deus. Os exemplos se multiplicam: uma jovem de uma igreja crista, “casa-se” em uma ceriménia “evangélica” com um famoso jogador de futebol que havia acabado de abandonar publicamente sua mu- ther anterior ¢ filho. Outra ex-esposa de um jogador igualmente famoso, declarando-se evangélica, informa que vai posar despida para uma revista masculina. Todas professam publicamente o nome + Nome verdadeiro da “Tiazinha”. O Terceiro Mandamento 73 de Deus. O esforgo parece ser nao o de compatibilizar as vidas com a santidade do nome que professam, mas de explicar que a vida dissoluta €é compativel com uma profissdo de fé vazia. Obser- vando-se apenas esse aspecto da nossa sociedade contemporanea, de pessoas que professando-se crist&s, permanecem em uma vida de pecado, verificamos como cada vez mais se quebra 0 terceiro mandamento: “Nao tomards o nome do Senhor teu Deus em vao”. Existem muitas maneiras de quebrar 0 terceiro mandamento. A quebra nao é o simples pronunciar do nome de Deus, mas ocorre sempre que o nome do Senhor é utilizado de forma incorreta ou leviana. Por outro lado o nome de Deus é poder para os seus ser- vos, devendo ser reverentemente invocado e proclamado — essa visio do nome de Deus, representa a guarda e obediéncia ao ter- ceiro mandamento. Nao tomar o nome de Deus em vao & mais do que a utilizagado vazia e sem conscientizagao do nome do Criador Soberano. O terceiro mandamento requer o seguinte, de cada um de nés: Que o nome de Deus seja — © Objeto de nossa crenga (1 Jo 5.13); © Santificado por nossas palavras e atitudes (Mt 6.9); © Invocado em oragao (At 2.21; Rm 10.13); © Proclamado a todos (At 9.15; Rm 9.17); © Digno de sofrermos por ele (At 5.41; 1 Pe 4.14). Que o nome de Deus néo seja — @ Alvo de blasfémia (Lv 24.16; Mt 12.32); © Utilizado por nés para amaldigoar alguém (Nm 23.7- 24.10); 74 A Lei de Deus Hoje © Utilizado de forma vazia, ou em julgamentos frivolos (Lv 19.12; Mt 5.34 e 23.22); ® Utilizado em linguagem suja e desagraddvel a Deus (Ef 4.29); © Utilizado em declaragdes inconseqiientes (Pv 30.9); © Utilizado em adoragio que nao procede do coracao (M1 1.6; Mt 7.21); © Professado, quando a vida é incoerente com a santidade de Deus e nao o honra (Mt 24.5; Lc 6.46); © Utilizado de forma supersticiosa e mistica — diferente da forma verdadeira e objetiva apresentada na Palavra de Deus (Ir 14.14 e 23.25, 27; Mt 7.22). 1 Samuel 28 registra a polémica consulta feita por Saul 4 uma advinha. Nesse incidente temos um exemplo de desobediéncia — verificamos quantas vezes ele profanou o nome do Deus Santo. Somente com o fato de consultar aquela médium, a pitonisa de En- Dor, o rei Saul j estava contrariando os preceitos de Deus. Ocorre que ele agrava sua situagao utilizando o nome de Deus em um juramento vao. Mas, nas Escrituras, temos também exemplo de consagragiio e reveréncia ao nome de Deus. Nesse sentido, um exemplo que podemos destacar é 0 dos apéstolos Pedro e Joiio, nos registros de Atos 3 e 4. Os dois apéstolos utilizaram o nome de Jesus para trazer e propagar béngaos — devemos vigiar nossa lin- guagem e atitudes para que retratem reveréncia ao nosso Deus. Saul e a Médium de En-Dor. Esse incidente, na vida de Saul, é bastante controvertido e sujei- to a interpretagdes variadas, mas de uma forma genérica, a histéria registrada fornece ensinamentos precisos ao nosso caminhar. Note O Terceiro Mandamento 75 Qual o poder da Médium de En-Dor? Duas perguntas se destacam no controvertido episédio de En-Dor (1 Sm 8,19-20) — 1. Samuel realmente apareceu a Saul? 2, Existe uma explica- gao biblica para a mediunidade? N§o queremos nos envolver muito nesse aspecto da passagem, mas 0s se- guintes pontos sao basicos para um entendimento sobre 0 assunto: 1, At 16.16 e Dt 13 s&o passagens que mostram que a Bfblia reconhece que Satands utiliza pessoas com esse propésito. 2. Esse meio de suposta “aquisigo de conhecimento espiritual” é veda- do por Deus (Dt 18.9-14). Em Dt 13.2-5 maior importancia é dada a reve- lag&o prévia recebida (v, 4), como meio de comunicagao de Deus ao ho- mem, do que aos fenémenos e maravilhas porventura realizadas. A reve- lacao escriturada (a Palavra de Deus) se harmoniza com essa diretriz. 3, Is 819-20 mostra que o caminho certo é a consulta 4 Palavra de Deus (a Lei e o Testemunho), e nfo aos médiuns e advinhos. 4, Condenagiio adicional 4 consulta aos médiuns é encontrada em Lv 19.31; Ex 22.18 e Lv 20.6, 5. No episddio de En-Dor, pode ter existido uma manifestagio de Sata- nds (2 Co 11.14), como pode ter havido um embuste da parte daquela que se propunha a invocar os mortos, Nesse sentido, leia com atengio 1 Sm 28.14: “.., entendendo Saul que era Samuel...” No v. 13, a mulher disse “4. vejo um deus que sobe da terra...” 6. Mesmo havendo a possibilidade dessa mulher ter sido enganada, ou de ter enganado a Saul, tudo ocorreu dentro da esfera de atuagiio de Satands, 7. Nio devemos ser indevidamente céticos, ou pseudo-racionais, afir- mando que esses fenédmenos nfo existem, pois tal posigao nao € biblica, mas devemos ter a consciéncia de que fraudes existem com freqtiéncia, 8. E improvavel que a aparigio fosse realmente de Samuel, servo de Deus, pela prépria afirmagiio de que o espfrito “subiu da terra...” e pela afirmagiio de Cristo (Lc 16,26), na parébola do Rico e Lazaro, de que os que com Deus estao nao podem passar “... de 14 para cd...” que Saul estava fazendo algo que era especificamente proibido por Deus, conforme as determinagdes encontradas em Deuteronémio 18.9-14, Ele procurou consultar uma advinha, em sua Ansia carnal de saber o futuro. 76 A Lei de Deus Hoje Mesmo tendo embarcado num curso contrario aos ensinamentos da Palavra, Saul nao teve escrtipulos em utilizar o nome de Deus em vao. Parece até que a médium tinha mais escrtipulos e temor a Deus, do que Saul. O rei prometeu 4 pitonisa, em nome do Se- nhor, que nenhum mal lhe sobreviria (1 Sm 28.10). Saul procurou conservar a aparéncia e terminologia da religiao verdadeira, mas estava envolvido em praticas religiosas condena- das por Deus. Vocé j4 pensou que a pratica da religiio sem a since- ridade de coragao e sem a crenga verdadeira, constitui quebra do terceiro mandamento — € utilizag4o do nome de Deus em vio (Mt 7.22, 23)? Seré que n&o estamos utilizando, em nossas vidas, 0 nome do Senhor também de forma inconseqiiente ¢ vazia? Temos que ser crentes vigilantes porque crescemos em uma cultura formada contrariamente aos ensinamentos de Deus. E mui- to facil absorvermos uma linguagem que no condiz com os pre- ceitos biblicos e tentarmos racionalizar 0 nosso pecado, com 0 ar- gumento: “todo mundo diz”, ou “todo mundo faz”... E facil, igual- mente, utilizar o nome de Deus em vio, em cangdes, em expres- sdes vazias, ou até em praticas religiosas ou supersticiosas, como, por exemplo, o “sinal da cruz”, ou até em hinos ou corinhos repe- tidos e recitados sem nos apercebermos das santas referéncias fei- tas ao nome de Deus? Temos sido sinceros na pratica da religiio verdadeira? Temos sido reverentes com 0 nome de Deus? Pedro e Joéo usam o nome de Jesus com reveréncia e poder. No livro de Atos (3.1 a 4.31) encontramos os apéstolos Pedro e Joao usando o nome do Senhor Jesus com toda seriedade e respei- to, para promover o testemunho do evangelho. Em repetidos tre- chos das Escrituras, aprendemos que o nome do Senhor é digno de louvores; como ele deve ser prezado, respeitado e como somos insignificantes perante ele. Essas caracteristicas devem sempre es- tar em nossa lembranga. O Terceiro Mandamento 77 Os Nomes de Deus No tempo antigo, principalmente entre 0 povo de Deus, os nomes das pessoas geralmente possufam significado, Isto é: os nomes préprios queri- am dizer alguma coisa. As vezes era uma palavra que se relacionava com as circunstincias do nascimento da crianga (Ex.: Pelegue — que significa divisdo, em Gn 10.25). As vezes 0 nome retratava alguma expectativa, na visio dos pais, das caracterfsticas que eles esperavam que estivessem pre- sentes na vida daquela crianga, quando adulta (Ex.: Josias — Jeovd o apoia); em outras ocasides, o nome rendia uma homenagem ou fazia referéncia a0 poder de Deus (Ex.: Daniel — Deus é meu juiz). Algumas vezes o nome era revelado por Deus préprio, enfatizando a caracterfstica daquela pessoa (Ex.: Salomao - Pacifico, 1 Cr 22.9; Emanuel — Deus conosco, Is 7.14). Deus possui nomes na Ifngua hebraica, na qual foi escrita o Antigo Testamento. Esses nomes tém significado e revelam caracterfsticas sobre a pessoa de Deus. Os trés nomes mais utilizados sio: 1, Jeové, ou Javé (on, ainda, Yaweh) - E 0 nome mais comum de Deus no Antigo Testamenta. Este nome € formado com as letras do verbo ser, em hebraico, significando eu sou. Ele aponta para a auto-existéncia de Deus e para a sua independéncia e transcendéncia, Esse nome inspirava tanta reveréncia que raramente era pronunciado. 2. Senhor (Adonai) - Significa possessio dominio, ¥ utilizado, em muitas ocasides, intercambiavelmente com o nome Jeovd. Caracteriza a soberania e poder divino, 3. El-Shadai (Gn 17.1) — Significa poder — Deus todo-poderoso, Com significado préximo temos El, Elohim e Elyon (El = Deus, o primeiro, 0 principal, 0 poderoso). Pedro e Joéo — pessoas bem diferentes entre si, O relato dos evangelhos nos ensinam que Pedro e Joao eram pessoas de personalidades bem diferentes. Pedro impetuoso, Joao amoroso, Pedro foi 0 tinico a negar a Jesus (Jo 18.17). Joao foi o Unico a ficar com Jesus até o fim (Jo 19.26). Provavelmente teste- munhou a infidelidade de Pedro. Ainda assim representam pecado- 78 A Lei de Deus Hoje res resgatados pela graga soberana de Deus, utilizados insepa- ravelmente, cada um com sua personalidade e individualidade, para 0 testemunho do evangelho. O relato do milagre. O texto diz que, caminhando juntos, se aproximaram do templo pela porta formosa, as quinze horas (hora nona). La encontraram um homem aleijado desde nascenga pedindo esmolas. Os dois pa- raram e foram abordados pelo pedinte. Pedro ordenou que o ho- mem olhasse para eles e disse ao homem — “nao possuo nem prata nem ouro, mas 0 que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (3.6). A decepg&o do coxo se transformou em juibilo quando Pedro o levantou pela mio direita. Os pés e artelhos se firmaram e ele pas- sou a andar, louvando a Deus enquanto entrava com eles no tem- plo. As pessoas ao redor ficaram admiradas e assombradas com relagio aos poderes demonstrados por Pedro e Joao. A explicagdao de Pedro. Junto ao pértico chamado de Salomio, Pedro sente a obrigagao de explicar o milagre. Pedro é um homem transformado. Devemos nos lembrar que a sua experiéncia com a multidao que participou da crucificagao de Jesus ainda é muito recente. Aquela mesma multidao havia testemunhado os milagres de Jesus ¢ ouvido a pre- gacao dele, mas ainda assim encorajou a sua morte na cruz. Pedro, entusiasmado, aproveita a oportunidade, falando com forga e fir- meza. Ele diz que a cura do coxo nao se deve a eles. Foi em nome de Jesus, que o milagre aconteceu. Destemidamente, ele relembra a todos que o ouvem a participagdo deles na morte de Cristo. O Terceiro Mandamento 79 O ponto central da mensagem de Pedro. A mensagem de Pedro e Joao aquelas pessoas (3.12-26) foi que elas: * Trairam a Jesus, 0 Filho do Deus de seus pais, de Abraao, Tsaque e Jacé. * Sabiam que Jesus e santo e justo mas negaram a vida para ele, libertando um assassino no seu lugar. * Mataram, consequentemente, o autor da vida. O Senhor Deus, porém, devolveu a vida a Jesus, conforme o que tinha sido revelado e prometido a Abraao, Moisés, Samuel e os outros profetas. O sofrimento e a morte de Jesus eram necessa- rias. Foi a fé no nome de Jesus que deu satide perfeita ao homem COXO, A conclusao de Pedro. Pedro fala, concluindo, com carinho 4 multidao. Ele entende que, naquele tempo, eles ainda eram ignorantes da verdadeira mis- sao de Cristo. Agora, entretanto, exorta a todos: “...arrependei- vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos peca- dos, a fim de que da presenga do Senhor venham tempos de refri- gério...” (3.19). O resultado da coragem de Pedro e Joao. O primeiro resultado foi perseguigao. Os sacerdotes, o capitio do templo e os saduceus chegam e colocam ambos na prisao du- rante uma noite. No dia seguinte ha um inquérito. A primeira per- gunta formulada é: “Com que poder, ou em nome de quem fizestes isto?” (4.7) Pedro responde, cheio do Espitito Santo: “... em nome de Jesus Cristo, o nazareno, a quem vés crucificastes, e a quem 80 A Lei de Deus Hoje Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este esté curado perante vdés”. (v. 10) Mais uma vez Pedro prega a Jesus como salvador. As autoridades ficam admiradas; nado podem negar nem a cura nem a modificagéio que hd nesses homens iletrados e incultos. No entanto ordenam que “...absolutamente nao falas- sem nem ensinassem em 0 nome de Jesus” (4.18). Pedro e Joiio respondem que isso é impossfvel — “... néio podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (4.20). Otestemunho do nome de Jesus produz o crescimento da Igreja. O texto registra que “... muitos dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o niimero de homens a quase cinco mil” (4.4). Compare este registro com At 2.41, que fala da conversio de trés mil pessoas. Com suas vidas, palavras e testemunho, Pedro e Joao nos ensi- nam nfo somente a guarda do terceiro mandamento, no sentido negativo, de nao proferi-lo em vao, mas no sentido positivo — ao estarem ativamente e corajosamente envolvidos no testemunho e propagagio do nome do nosso salvador soberano. Oterceiro mandamento Hoje—O que fazemos em nome de Deus? A meditagao no terceiro mandamento deve nos levar ao questionamento da leviandade, falta de respeito e como é que 0 nome de Deus é€ proferido nos nossos dias. Estamos sendo cuida- dosos em nosso linguajar? Estamos vigilantes para nao absorver- mos a forma de falar e a cultura anti-cristé que domina a nossa sociedade? A quebra do terceiro mandamento pode se dar, entretanto, até dentro de nossas igrejas. Até entoando hinos e cAnticos de louvor. Cantamos conscientemente? Damos a importancia que a Biblia da a santidade do nome de Deus. Estamos mais concentrados na mii- O Terceiro Mandamento 81 sica, ou no ritmo, do que na mensagem? As letras que cantamos, realmente honram a Deus, ou, as vezes possuem uma familiarizagaio e falta de respeito que beira a blasfémia? E 0 que dizer do nosso testemunho? Defendemos, realmente, com coragem e ousadia (como Pedro e Joao) o nome do nosso salvador? Temos um testemunho compatfvel com o nome que pro- fessamos, ou levamos o nome “cristéos” em vio? Somos verdadei- ramente “sal da terra e luz do mundo” ou envergonhamos 0 nome de Deus? Podemos deixar de falar das coisas “que vimos e ouvi- mos” em nossa vida crista? Os nossos vizinhos e conhecidos estao honrando ou desprezando o nome de Deus por nossa causa? (Rm 2.24; 1 Tm 6.1). Vale a pena sofrer presses e problemas pelo nome de Cristo? (At 5.41). O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (pergun- tas 111 a 114): Pergunta 111. Qual é 0 terceiro mandamento? Resposta: O terceiro mandamento é: “Nao tomards o nome do Se- nhor teu Deus em vio, porque o Senhor nfo terd por inocente aquele que tomar em vio o nome do Senhor seu Deus.” Ref.: Ex 20.7 Perguuta 112. O que se exige no terceiro mandamento? Resposta: No terceiro mandamento exige-se que o Nome de Deus, os seus titulos, atributos, ordenangas, a Palavra, os sacramentos, a ora- go, os juramentos, os votos, as sortes, suas obras e tudo quanto por meio do qué Deus se faz conhecido, sejam santa e reverentemente usa- dos em nossos pensamentos, meditagées, palavras e escritos, por uma 4 Uma reportagem no O Estado de Sado Paulo, 25.12.1999 (Caderno E, 1), sobre os Atletas de Cristo, mostra a importancia de levar o nome de Cristo perante o mundo, O texto registra que Jorginho (famoso jogador de futebol, um dos lfderes do movimento) “condena a agao dos maus seguidores da Palavra de Deus — para 0 jogador hd atletas que buscam uma imagem de ‘santo’ sem ter um comportamento digno”. 82 A Lei de Deus Hoje afirmagao santa de fé e um comportamento conveniente, para a gléria de Deus e para o nosso préprio bem e o de nosso préximo. Ref.: Mt 6.9; Dt 28.58; SI] 29.2; Ap 15.3,4; Mt 1.14; S1 138.2; 1Co 11.28,29; 1Tm 2.8; Jr 4.2; $176.11; At 1.24,26; SI 107.21,22; MI 3.16; SI 8; Sl 105.2,5; Cl 3.17;-S] 102.18; 1Pe 3.15; Mq 4.5; Fp 1.27; 1Co 10.31; Jr 32.39; 1Pe 2.12 Pergunta 113. Quais sao os pecados proibidos no terceiro manda- mento? Resposta: Os pecados proibidos no terceiro mandamento sao: o naio usar o nome de Deus como nos é requerido e 0 abuso no uso dele por uma mencio ignorante, va, irreverente, profana, supersticiosa ou fmpia, ou outro modo de usar os titulos, atributos, ordenangas, ou obras de Deus; a blasfémia, 0 perjurio, toda abominagio, juramentos, votos e sortes fmpios; a violag&o dos nossos juramentos e votos, quando Ifcitos, e o cumprimento deles, se por coisas ilfcitas; a murmuragio e as rixas, as consultas curiosas, e a m4 aplicag&o dos decretos e providéncia de Deus; a mé interpretagio, a m4 aplicag&o ou qualquer perversio da Palavra, ou de qualquer parte dela; as zombarias profanas, questdes curiosas e sem proveito, vas contendas ou a defesa de doutrinas falsas; o abuso das criaturas ou de qualquer coisa compreendida sob o nome de Deus, para encantamentos ou concupiscéncias e praticas pecaminosas; a difamagio, 0 escdrnio, vituperagio, ou qualquer oposigao A verdade, a graga e aos caminhos de Deus; a defesa da religido por hipocrisia ou para fins sinistros; 0 envergonhar-se da religifio ou o ser uma vergonha para ela, por meio de uma conduta inconveniente, imprudente, infruti- fera e ofensiva, ou por apostasia, Ref.: MI 2.2; At 17.23; Pv 30.9; MI 1.6,7,12; Jr 7.4; C12.20-22; Bx 5.2; SI 139.20; SI 50.16; Is 5.12; 2Rs 19.22; Le 24.11; Ze 5.4; Rm 12.14; 1Sm 17.43; 28m 16.5; Jr 5.7; Jr 23.10; Dt 23.18; At 23.12; Et 3.7; Et 9.24; $1 24.4; Ez 17.19; Mc 6.26; 1Sm 25,22,32-34; Rm 9.14,19,20; Dt 29.29; Rm 3.5,7; SI 73.12,13; Mt 5.21-48; Ez 13.22; 2Pe 3.16; Mt 22.29; Ef 5.4; 1Tm 6.4,5,20; 2Tm 2.14; Tt 3.9; Dt 18.10,11; At 19.13; 2Tm 4.3,45 Jd 4; Rm 13.13,14; IRs 21.9,10; At 13.45; 2Pe 3.3; SI 1.1; [Pe 4.4; At 13.50; At 4.18; At 19.9; 1Ts 2.16; Hb 10.29; 2Tm 3.5; Mt 23.14; Mt 6.1-3,5,16; Mc 8.38; Sl 73.14,15; Ef 5.15,17; 1Co 6.5,6; Is 5.4; 2Pe 1.8,9; Rm 2.23,34; G1 3.1,3; Hb 6.6. Pergunta 114. Quais sdo as razées anexas ao terceiro manda- mento? O Terceiro Mandamento Resposta: As raz6es anexas ao terceito mandamento, contidas nes- tas palavras: “O Senhor teu Deus”, e, “porque o Senhor nfo tera por inocente aquele que tomar em vao o seu nome”, sao porque ele é 0 Senhor e nosso Deus, portanto o seu Nome nfo deve ser profanado nem por forma alguma abusado por n6s; especialmente porque ele estard tao Jonge de absolver e poupar os transgressores deste mandamento, que nao os deixard escapar de seu justo juizo, embora muitos escapem das censuras e punigdes dos homens, Ref.: Ex 20.7; Lv 19.12; Dt 28.58,59; 1Sm 3.13; 18m 2.12,17,22. 83 O Quarto Mandamento Lembra-te do dia de sdbado, para o santificar. Seis dias tra- balhards e fards toda a tua obra. Mas o sétimo dia é 0 sdbado do SENHOR, teu Deus; néo fards nenhum tra- batho, nem tu, nem o teu fi- lho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles hée, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abengoou o dia de sdbado e o santificou. Exodo 20,8-11 Desobediéncia — Israel e o mand no deserto. Obediéncia — Paulo se revine com os irmdos no domingo. SI 119.48 “Para os teus mandamentos que amo, levantarei as minhas mdos, e meditarei nos teus decretos”. O ano era 1793. Paris e toda a Franga estavam atravessando um de seus perfodos mais turbulentos da histéria — a Revolugdo Fran- cesa. Idealistas, intelectuais, prisioneiros, aproveitadores, 0 povo comum — todos se uniam contra a decadente e corrupta monar- quia. No afa de ampliarem as oportunidades para todos, decidiram que deveriam destruir tudo que relembrasse a sociedade anterior. Nesse sentido, invadiram e destrufram paldcios, decapitaram os nobres e formaram uma nova classe regente, determinada a come- ¢ar tudo do zero. Mas nio foi somente a monarquia que atraiu a ira dos revoluciondrios, a igreja catdlica, com sua forte associagéio a monarquia, também foi desprezada e atacada. O extremismo rapi- damente tomou conta das agées, refletido nao somente nas perse- guigdes as pessoas, até da prépria organizagio interna da revolu- ¢&o, como também nas tentativas de apagar a historia passada até aquela ocasiao. 86 A Lei de Deus Hoje Uma das agdes da Revolugio Francesa, foi a reformulagio do calendério. Jogando fora a forma de se contar o tempo utilizada até aquela ocasiao, a qual, na opiniao dos revolucionérios, estava por demais associada com a igrejaeé o clero, criaram 0 Calendario Republicano. Nele os nomes dos meses e dos dias da semana fo- ram mudados, mas a modificagdo mais drastica foi a introdugao da semana decimal, ou seja, em vez de semana de sete dias, estipula- ram trés semanas de dez dias para cada més. Com isso modifica- ram algo que faz parte da estrutura dos habitantes da terra, desde a criagao. A tentativa de descristianizar 0 calendario atropelava as- sim a propria estrutura da criagao. Procurava-se institucionalizar a quebra generalizada do quarto mandamento. O calendario Repu- blicano nao funcionou e em I’ de janeiro de 1806 a Franga voltou a observar 0 calend4rio gregoriano, até os dias de hoje. Essa foi uma das muitas tentativas dos homens, de acabar com 0 dia de descanso por decreto. Em nossos dias podemos contar como uma béngao que a maior parte da sociedade ainda para um dia por semana, dando-nos a possibilidade de adorar a Deus e des- cansar, como ele nos determina. Mas a cada ano que passa as ativi- dades dominicais sao incentivadas. O jornal O Globo de 06 de ou- tubro de 1999, traz a noticia que os supermercados do Rio pode- rao agora abrir sem restrigao nos domingos. As tentativas de res- trig&o sao rapidamente contestadas. O mesmo O Globo, de 19.04.2000, anuncia que um projeto de lei da Camara Municipal de Belo Horizonte que profbe a abertura dos Shopping Centers nos domingos esta sendo imediatamente contestado na justiga pela Camara dos Dirigentes Lojistas daquela cidade. Como se nao bas- tasse o descaso que as pessoas, até mesmos 0s cristéios, mantém para com 0 descanso e a adoragiio semanal, caminhamos para uma sociedade que, por decreto, institucionaliza a quebra do quarto mandamento: Lembra-te do dia do sdbado (dia de descanso) para o santificar. O Quarto Mandamento 87 O dia de descanso foi instituido por Deus e nao pelo homem. O mandamento tem grande importancia na Palavra de Deus. Béngaios ocorreram, por sua guarda, e castigos severos, por sua quebra. Isso deveria provocar a nossa reflex&o sobre a aplicacao dos prin- cfpios biblicos relacionados com o quarto mandamento nos dias atuais, discernindo, em paralelo, a mudanga para o domingo, na era cristé. O povo de Deus sempre foi muito rebelde e desobedien- te com relacao a essa determinagio, e necessita convencimento da import&ncia do mandamento, bem como entendimento da visio neo-testamentaria, para a conseqliente modificagio do seu com- portamento atual. O quarto mandamento fala de um dia de descanso e de adora- ¢40 ao Senhor. Deus julgou essa questio tao importante que a inseriu em sua lei moral. O descanso requerido por Deus é uma prévia da redencao que ele assegurou para o seu povo (Dt 5.12- 15). Os israelitas foram levados em cativeiro (Jr 17.19-27) por haver repetidamente desrespeitado este mandamento. Neste capitulo, vamos examinar as bases desse conceito de des- canso e santificagio. Vamos estudar o incidente da desobediéncia do povo de Deus quando eles colheram o mand no deserto, fora dos limites tragados por Deus. Vamos, por fim, até o Novo Testa- mento verificar como os cristéos primitivos guardavam o dia do Senhor. Nao podemos, simplesmente, ignorar esse mandamento. Como povo resgatado por Deus, temos a responsabilidade de discernir como aplicar essa diretriz divina nas nossas vidas e nas de nossas familias. Por outro lado, nessa procura, nao devemos buscar tais diretrizes nos detalhamentos das leis religiosas ou civis de Israel, que dizem respeito ao sébado. Essas leis, como j4 vimos nos pri- meiros trés capitulos, eram temporais. Ao estudar o sabado, mui- tos tém se confundido com os preceitos da lei cerimonial e judicial 88 A Lei de Deus Hoje Qual o dia de descanso — sdbado ou domingo? Sempre que estudamos 0 quarto mandamento surge a pergunta: quem esta cer- to? Sao os Adventistas, que indicam o sdbado como 0 dia que ainda deverfamos estar observando, ou a teologia da Reforma, apresentada na Confisstio de Fé de Westminster, ¢ em outras confiss6es, que encontra aprovagio biblica ¢ histérica para a guarda do domingo? Alguns pontos podem nos ajudar a esclarecer a questo: 1, Os pontos centrais de cumprimento ao quarto mandamento so: 0 descanso, a questiio da separacdo de um dia para Deus, ¢ a sistematizagao, ou repetibilidade desse dia. O dia, em si, é uma questo temporal, principalmente por que depois de tantas e sucessivas modificagdes no calendério € impossivel qualquer seita ou reli- gito afirmar categoricamente que estamos observando exatamente o sétimo dia. Nés usamos 0 calendario Gregoriano, feito no século 16. Os judeus atuais usam 0 calendério ortodoxo, estabelecido no terceiro século, e assim por diante. 2. Os principais eventos da era crist ocorreram no domingo: * Jesus ressuscitou (Jo 20.1) + Jesus apareceu aos dez discfpulos (Jo 20.19) * Jesus apareceu aos onze discfpulos (Jo 20.26) + O Espirito Santo desceu no dia de pentecostes, que eta um domingo (Ly 23.15, 16 —o dia imediato ao sdbado), e nesse mesmo domingo o primeiro sermao sobre a morte e ressurreigéio de Cristo foi pregado por Pedro (At 2.14) com 3000 novos convertidos. + Em Tr6ade os crentes se juntaram para adorar (At 20.7). * Paulo instruiu aos crentes para trazerem as suas contribuigdes (1 Cr 16.2). * Jesus apareceu e Jofio, em Patmos (Ap 1.10). 3. Os escritos da igreja primitiva, desde a Epfstola de Barnabé (ano 100 d.C.) até o historiador Eusébio (ano 324 d.C.) confirmam que a Igreja Cristi, inicial- mente formada por Judeus e Gentios, guardavam conjuntamente o sébado e 0 do- mingo. Essa pratica foi gradativamente mudando para a guarda especffica do do- mingo, na medida em que se entendia que o domingo era dia de descanso apropri- ado, em substituigio ao sfbado. Semelhantemente, a circuncisio e 0 batismo fo- ram conjuntamente inicialmente observados, existindo, depois, a preservagiio so- mente do batismo, na [greja Crista. O domingo no foi estabelecido pelo impera- dor Constantino, no 4° século, como afirmam os adventistas. Constantino apenas formalizou aquilo que ja era a prdtica da igreja. 4, Cl 2,16-17 mostra que 0 aspecto do sétimo dia era uma sombra do que haveria de vir, no devendo ser ponto de julgamento de um cristfio sobre outro. Para um estudo mais detalhado do assunto, sugerimos 0 livro de J. K. VanBaalen — O Caos das Seitas. O Quarto Mandamento 89 e terminado com uma série de preceitos contemporaneos que se constituem apenas em um legalismo anacr6nico, destrutivo e dita- torial. Devemos estudar este mandamento procurando discernir os princfpios da lei moral de Deus. Com esse objetivo em mente, va- mos realizar nosso estudo com a orac4o de que Deus seja glorifi- cado em nossa vida e por nosso testemunho. Um dia de descanso. Em nossas biblias o quarto mandamento esta redigido assim — “Lembra-te do dia de sdbado para o santificar..”. A palavra que foi traduzida “‘sdbado”, é a palavra hebraica shabat, que quer dizer descanso. & correto, portanto, entendermos o mandamento como “,.. lembra-te do dia de descanso para o santificar”. Esse “dia de descanso” era 0 sétimo dia no Antigo Testamento, ou seja, 0 nosso “sébado”. No Novo Testamento, logo na igreja primitiva, vemos o dia de ressurreig&o de Cristo marcando o dia de adoragio e descanso, Isso é: o domingo passa a ser o nosso “dia de descanso”. Os apédstolos acataram esse dia como apropriado a ce- lebragao da vitéria de Jesus sobre a morte (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). J4 enfatizamos que a questdo de um dia especial de descanso, de parada de nossas atividades didrias, de santificag&o ao Senhor, foi considerada tio importante por Deus que ele decidiu registrar esse requerimento em sua lei moral, nos dez mandamentos, Com certeza j4 ouvimos alguém dizer: “...ndo existe um dia especial, pois todo o dia é dia do Senhor...”. Essa afirmagio é, num certo sentido, verdadeira — tudo é do Senhor. Mas sempre tudo foi do Senhor, desde a criag&io e mesmo tude sendo dele, ele definiu de- signar um dia separado e santificado. Dizer que todos os dias sao do Senhor, como argumento para nao separar um dia especial e especifico, pode parecer um argumento piedoso e religioso, mas 90 A Lei de Deus Hoje nao esclarece a questo nem auxilia a Igreja de Cristo na aplicagiéo contemporanea do mandamento. Na realidade, isso confunde bas- tante os crentes e transforma o quarto mandamento, que é uma proposi¢g&o clara e objetiva e que integra a Lei Moral de Deus, em um conceito nebuloso e subjetivo, dependente da interpretagao in- dividual de cada pessoa. Nao devemos procurar modificar e “melhorar” aquilo que o préprio Deus especifica para o nosso beneficio e crescimento. Deus coloca objetivamente — da mesma forma que ele nos indica a sua pessoa como 0 objeto correto de adoragiio; da mesma forma que ele nos leva a honrar os nossos pais; da mesma forma que ele nos ensina o erro de roubar, o erro de matar, o erro de adulterar — que € seu desejo que venhamos a separar para ele um dia especifico, dos demais (Is 58.3). Um dia santificado, Devemos notar que 0 requerimento é que nés nos lembremos do dia de descanso, para o santificarmos. Santificar significa se- parar para um fim especifico. Isso quer dizer que além do des- canso e parada de nossa rotina diaria, Deus quer a dedicagiio desse dia para si. Nessa separagdo, o envolvimento de nossas pessoas em atividades de adoragao, ensino e aprendizado da Palavra de Deus, é legitimo e desejavel. A freqiiéncia aos trabalhos da igreja e as atividades de culto, nesse dia, nao é uma questo opcional, mas obrigatéria aos servos de Deus. O Salmo 92, que é de adoragao a Deus, tem 0 titulo em hebraico — “para o dia de descanso”. Uma instituigdo permanente. Um expressio, do quarto mandamento, nos chama a atencao. E que ele se inicia com “Lembra-te...”. Isso significa que a ques- t&o do dia de descanso transcende a lei mosaica, isto é: a insti- O Quarto Mandamento 91 tuigéo estava em evidéncia antes da lei de Moisés. Semelhantemente, estando enraizado na lei moral, permanece, como prinefpio, na Nova Alianga. O incidente biblico que estuda- mos neste capitulo — os requerimentos de Deus, para descanso e cessacao de trabalho durante a peregrinago no deserto, quando ele os alimentava com o man, ocorreu antes da dadiva dos dez mandamentos, que seriam recebidos por Moisés no monte Sinai (veja, especificamente, Ex 16.29, 30). A desobediéncia no deserto de Sinai. O povo de Deus foi extremamente rebelde, no incidente relata- do em Ex 16.11-29. A multidio que havia safdo do Egito era imen- sa! Pode ter chegado perto de dois milhdes de pessoas (Ex. 12.37), 0 que eqiiivale 4 populagio de cidades como Fortaleza, Porto Ale- gre, Belo Horizonte, Salvador, ou Campinas. Pensem no desloca- mento de todas as pessoas de qualquer uma dessas cidades, a pé, por uma regido sem qualquer estrutura de apoio. Foi isso que acon- teceu. Deus, entretanto, j4 havia providenciado 0 livramento da opres- sao no Egito e a lideranga capaz de Moisés para a longa jornada, providencia também as nuvens — para protegao, e a coluna de fogo — para direcionamento. Mesmo tendo testemunhado o ad- miravel poder de Deus, na abertura das 4guas do Mar Vermelho, o povo comega a mostrar a sua pecaminosidade em reclamagées. Reclamam de falta de 4gua — Deus providencia um local (Elim, Ex 15.27) com doze fontes de Aguas e setenta palmeiras! Recla- mam da falta de alimentagio (Ex 16.2). Cada reclamagio dessas eqiiivale também a um insulto a Deus, pois ficam resmungando que estariam muito bem no Egito, onde eram felizes (16.3). Deus, em toda sua longanimidade, providencia também a alimentacgio perfeita, o mand (16.4) que cafa do céu como umas escamas finas (16.14,15). 92 A Lei de Deus Hoje Com a alimentagao, foram dadas algumas diretrizes — a colhei- ta deveria ser didria durante seis dias — nao deveria ser guardada para o dia seguinte, pois se deterioraria e cheiraria mal (16.16-21); no sexto dia, deveria haver uma colheita em dobro, pois 0 dia se- guinte era 0 dia de descanso, santificado ao Senhor (16.25, 26). Muitos desobedeceram: tanto colheram mais do que deviam nos seis dias, como deixaram de colher em dobro para o dia de descan- so e safram procurando pelo mand (16.20, 27). Quebraram 0 man- damento de Deus, que lhes ordenava um dia de descanso. Isso provoca a ira de Deus que, por intermédio de Moisés, adverte du- ramente o povo, dizendo: “... até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?” (16.28, 29). Devemos notar a rebeldia do povo de Deus: em primeiro lugar, duvidaram da providéncia de Deus, nao confiando em sua palavra e recolhendo mais mand do que era necess4rio para um dia; em segundo lugar, duvidaram do poder de Deus, para preservar o mana, e quebraram o dia de descanso. Parece que 0 povo de Deus, apds a desobediéncia, deu ouvidos as adverténcias divinas, pois 0 v. 35 registra que foram alimenta- dos dessa maneira pelos quarenta anos da peregrinacgdo. E nds, estamos dando ouvidos as adverténcias contidas na palavra de Deus? Estamos desprezando sua providéncia e 0 seu poder? Estamos sendo rebeldes, como os israelitas, sempre reclamando e procurando os nossos préprios atalhos ao caminho certo designado por Deus? Paulo faz um culto de louvor e adoragao, no domingo, em Tréade. Paulo nos deixou, além das prescrig6es de suas cartas, um exem- plo pessoal — reuniu-se com os crentes no domingo (At 20.6-12), na cidade de Tréade, na Asia Menor. O versiculo 6 diz que a per- manéncia, naquele lugar, foi de apenas uma semana. Lucas, 0 narrador que estava com Paulo, registra, no v. 7: “... no primeiro O Quarto Mandamento 93 dia da semana, estando n6s reunidos com o fim de partir o pio...” Ele nos deixa a nitida impresso de que aquela reuniao nao era esporddica, aleatéria, mas sim a pratica sistematica dos cristios — reunido periddica no primeiro dia da semana, conjugada com a observancia da santa ceia do Senhor. Estamos h4 apenas 15 a 20 anos da morte de Cristo, mas a guarda do domingo ja estava enraizada no cristianismo. Paulo pronunciou um longo discurso, naquela noite. A meia noite, um jovem, vencido pelo cansago, adormece e cai de uma janela do terceiro andar, vindo a falecer (v. 9). Deus opera um milagre através de Paulo e 0 jovem volta a vida (v. 10). Paulo con- tinuou pregando naquele local até 0 alvorecer (v. 11). O entendimento da Reforma sobre o dia de descanso. A Confissio de Fé de Westminster captura o entendimento da teologia reformada sobre o dia de descanso ordenado por Deus. Nela nao encontramos desprezo pelas diretrizes divinas, nem uma visio dilufda da lei de Deus, mas um intenso desejo de aplicar as diretrizes divinas as nossas situagdes. O quarto mandamento tem uma consideragao semelhante aos demais registrados em Ex 20, todos aplicdveis aos nossos dias. Nas segdes VII e VIII, do capitu- lo 21, sob 0 titulo — “Do Culto Religioso e do Domingo” lemos 0 seguinte: Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporgado do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua palavra, por um preceito positive, moral e perpétuo, preceito que obriga a to- dos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sdbado (descanso) santificado por ele; desde o principio do mundo, até a ressurreigdo de Cristo, esse dia foi o tiltimo dia da semana; e desde a ressurreigdo de Cristo ja foi mudado parao primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de domingo, ou Dia do Senhor, e que hé de continuar até ao fim do mundo como o sdbado cristéo. 94 A Lei de Deus Hoje Este sdbado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo de- vidamente preparado os seus coragdes e de antemédio ordenado os seus negécios ordindrios, nao sé guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas préprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreagdes, mas também ocu- pam todo o tempo em exercicios piblicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericérdia, O Quarto Mandamento Hoje — Qual o nosso conceito do do- mingo? E necessdrio que tenhamos a convicgao de que o chamado a adoragio, 0 desejo de estar cultuando ao Senhor, e o descansar de nossas atividades didrias, por intermédio de um envolvimento com as atividades da igreja, encontra base e respaldo biblico. E mais do que uma questo de costumes, do que uma posigo opcional. E algo tao importante que faz parte da lei moral de Deus. Antes de nos perdermos no debate dos detalhes, estamos nos aprofundando no princfpio? Temos a postura de tornar realmente o domingo um dia diferente, santificado, dedicado ao Senhor e a nossa restauragio fisica? O ensino do Catecismo Maior de Westminster (perguntas 115 a 121): Pergunta 115. Qual é 0 quarto mandamento? Resposta: O quarto mandamento é: “Lembra-te de santificar 0 dia de sdbado. Trabalhards seis dias e farés neles tudo 0 que tens para fazer. O sétimo dia, porém, é 0 sbado do Senhor teu Deus. Nao fards nesse dia obra alguma, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro. Porque o Senhor fez em seis dias 0 céu, a terra, © mar e€ tudo o que neles hd, e descansou ao sétimo dia: por isso o Senhor abengoou o dia sétimo e 0 santificou.” Ref: Bx 20.8-11 Pergunta 116. Que se exige no quarto mandamento? O Quarto Mandamento Resposta: No quarto mandamento exige-se que todos os homens santifiquem ou guardem santos para Deus todos os tempos estabeleci- dos, que Deus designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em cada sete; que era 0 sétimo desde o principio do mundo até 4 ressur- reig&o de Cristo, e o primeiro dia da semana desde entao, e h4 de assim continuar até ao fim do mundo; 0 qual é 0 sabado cristao, e que no Novo Testamento se chama Dia do Senhor. Ref.;: Is 56.2,4,6,7; Gn 2.3; 1Co 16.2; At 20.7; Jo 2019-27; Ap 1.10. Pergunta 117, Como deve ser santificado 0 Sdbado ou Dia do Senhor (= Domingo)? Resposta: O Sabado, ou Dia do Senhor (= Domingo), deve ser san- tificado por meio de um santo descanso por todo aquele dia, nao so- mente de tudo quanto é sempre pecaminoso, mas até de todas as ocupa- Ges e recreios seculares que sao Ifcitos em outros dias; e em fazé-lo 0 nosso deleite, passando todo o tempo (exceto aquela parte que se deve empregar em obras de necessidade e misericérdia) nos exercicios pi- blicos e particulares do culto de Deus. Para este fim havemos de prepa- rat OS nossos coragGes, e, com toda previsiio, diligéncia e moderagio, dispor e convenientemente arranjar os nossos negécios seculares, para que sejamos mais livres e mais prontos para os deveres desse dia. Ref: Ex 20.8,10; Ex 16.25,26; Jr 17.21,22; Mt 12.1-14; Lv 23.3; Is 58.13,14; Le 4.16; At 20.7; Le 23.54-56; Ne 13.19. Pergunta 118. Por que é 0 mandamento de guardar o sdbado (= Dia do Senhor ou Domingo) mais especialmente dirigido aos chefes de familia e a outros superiores? Resposta: O mandamento de guardar o sdbado (= Dia do Senhor ou Domingo) é mais especialmente dirigido aos chefes de familia e a ou- tros superiores, porque estes sio obrigados nao somente a guardé-lo por si mesmos, mas também fazer que seja ele observado por todos os que esto sob 0 seu cuidado; e porque sao, As vezes, propensos e embaraga-los por meio de seus préprios trabalhos. Ref.: Ex 23.12. Pergunta 119. Quais séo os pecados proibidos no quarto manda- mento? Resposta: Os pecados proibidos no quarto mandamento sio: Toda omissao dos deveres exigidos, toda realizagio descuidadosa, negligen- te e sem proveito, ¢ o ficar cansado deles; toda profanagao desse dia por ociosidade e por fazer aquilo que é em si pecaminoso, e por todas as 95 96 A Lei de Deus Hoje obras, palavras e pensamentos desnecessdrios acerca de nossas ocupa- Ges e recreios seculares, Ref.: Ex 22.26; Ez 33.31,32; MI 1.13; Am 8.5; Ez 23.38; Jr 17.27; Ts 58.13,14. Pergunta 120. Quais sao as razdes anexas ao quarto mandamen- to, para the dar maior forca? Resposta: As razdes anexas ao quarto mandamento, para lhe dar maior forga, sao tiradas da eqilidade dele, concedendo-nos Deus seis dias de cada sete para os nossos afazeres, e reservando apenas um para si, nestas palavras: “Seis dias trabalhards e fards tudo 0 que tens para fazer”; de Deus exigir uma propriedade especial nesse dia: “O sétimo dia é 0 sabado do Senhor teu Deus”; do exemplo de Deus, que “em seis dias fez 0 céu ea terra, o mar e tudo o que neles h4, e descansou no dia sétimo”; ¢ da béng&o que Deus conferiu a esse dia, nao somente santifi- cando-o para ser um dia santo para o seu servigo, mas também determi- nando-o para ser um meio de béngdo para nés em santificé-lo: “portan- too Senhor abengoou 0 dia de sébado e o santificou.” Ref.: Ex 20.9; Bx 20.10; Bx 20.11. Pergunta 121. Por que a expressio “lembra-te” se acha colocada no principio do quarto mandamento? Resposta: A expressdo “lembra-te” se acha colocada no princfpio do quarto mandamento, em parte devido ao grande beneficio que ha em nos lembrarmos dele, sendo nés assim ajudados em nossa preparagao para guardé-lo; e porque, em o guardar, somos ajudados a guardar me- Jhor todos os mais mandamentos, e a manter uma grata recordagio dos dois grandes beneffcios da criagio e da redeng4o, que contém em si a breve stimula da religiaio; e em parte porque somos propensos a esque- cer-nos deste mandamento, visto haver menos luz da natureza para ele, ¢ restringir nossa liberdade natural quanto a coisas permitidas em ou- tros dias; porque este dia aparece somente uma vez em cada sete, ¢ muitos negécios seculares intervém e muitas vezes nos impedem de pensar nele, seja para nos prepararmos para ele, seja para o santificar- mos; e porque Satands, com os seus instrumentos, se esforga para apa- gar a gléria e até a meméria deste dia, para introduzir a irreligifio e a impiedade, Ref.: Ex 20,8; Bx 16.23; Le 23.54,56; Ne 13.19; Ez 20.12,20; Gn 2.2,3; SI 118.22,24; Hb 4.9; Nm 15.37,38,40; Bx 34.21; Nm 15.37,38,40; Lm 1,7; Ne 13,15-23; Jr 17.21-23,

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