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Resenha - Introdução à Economia Solidária

Resenha - Introdução à Economia Solidária

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SINGER, Paul Israel. Introdução à Economia Solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002, p. 07-23.

Paul Israel Singer possui graduação em Economia e Administração pela Universidade de São Paulo (1959) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1964). Atualmente é professor titular da USP. Tem experiência na área de Sociologia. Atuando principalmente no seguinte tema: Demografia.

O autor inicia seu texto comparando solidariedade e competição na economia. Apresenta para esta duas vantagens: liberdade de escolha do produto que melhor nos atenda e uma competição para melhora do produto. Mas, para o autor, a competição acaba dando mais a quem tem mais e não dando nada a quem menos tem, acarretando em uma divisão social muito evidente onde estes, para manterem-se, vendem sua mão de obra àqueles. Essas vantagens e desvantagens acabam sendo herdadas pelas gerações futuras. E, segundo Singer, em uma sociedade mais igualitária predominaria uma economia solidária em vez da competição. Cada ator dessa sociedade deve desenvolver um papel fundamental e complementar ao de seus companheiros, que devem unir-se para produzir, comerciar, consumir ou poupar igualitariamente. “A chave dessa proposta é a associação entre iguais em vez do contrato entre desiguais” (Singer, p. 9). Para ele, a economia solidária é um modo de produção paralelo ao capitalismo e seus princípios básicos são: a propriedade coletiva ou associada do capital e o direito à liberdade individual (que vão de encontro aos princípios do capitalismo: propriedade privada e acumulo de capital). E o resultado natural disso é a igualdade e a solidariedade. No entanto, a produção precisa de um mecanismo estatal de distribuição solidária da renda. Em um segundo momento, o autor discorre sobre a repartição dos ganhos em empresas solidárias e em empresas capitalistas. Nestas o valor do salário de seus funcionários é compatível com a demanda e oferta do mercado de trabalho; cargos mais altos recebem mais do que os mais baixos. Naquelas existem várias formas de repartição do ganho. Em algumas empresas, os cooperativados, ou sócios, decidem dividir igualitariamente e em outras se mantêm algum escalonamento para que os que têm maior capacidade técnica possam ajudar no seu desenvolvimento, mesmo ganhando menos do que poderiam ganhar em uma empresa capitalista em um cargo parecido. Pode parecer não ser muito diferente no aspecto do escalonamento das empresas

capitalistas, em um primeiro momento. Mas há uma diferença bastante sutil: em uma empresa capitalista o escalonamento visa aumentar o lucro, tendo em mente que quem toma as decisões, diretores e acionistas, é que fazem parte dele; na solidária o escalonamento é decidido pelos sócios, que têm objetivos de retiradas boas para todos e, principalmente, para maioria que recebem as menores retiradas, além do crescimento da própria empresa. Quanto à repartição do excedente anual, da qual nas empresas capitalistas é decidido por acionistas que acumulam mais capitais; nas solidárias é decidido por uma assembléia de sócios, que os destinam aos fundos de educação e investimento, e o que resta é distribuído por igual, a partir de critérios, entre os sócios. O fundo de investimento pode ser divisível ou indivisível. Um último comparativo é feito sobre as formas de gerir a organização: heterogestão x autogestão. A heterogestão é utilizada por empresas capitalistas onde poucos mandam em muitos e não há participação de todos em decisões. O poder flui de cima para baixo. Algumas cooperativas, ou empresas solidárias, são geridas pelos princípios da autogestão. Em empresas de menor porte, as decisões são tomadas por todos os seus sócios, que decidem como devem ser organizados seus processos produtivos. Empresas de grandes dimensões não fogem da tomada de decisões conjuntamente, mas são eleitos representantes que se reúnem em assembléias para tomar essas decisões por eles e por quem representam. Em um sistema de autogestão, os níveis mais altos são delegados pelos mais baixos; impossibilitando uma hierarquia que impossibilite a opinião da maioria e, se não forem satisfatórios, podem ser substituídos a qualquer momento. Uma empresa solidária administra-se democraticamente, pratica autogestão. Todos os seus sócios devem estar a par do que ocorre nela, seus problemas e possíveis soluções. A autogestão exige um maior esforço de seus funcionários, que pode tornar-se desgastante em alguns casos. “O maior inimigo da autogestão é o desinteresse dos sócios, sua recusa ao esforço adicional que a prática democrática exige.” (SINGER, p. 19). Algumas vezes, muitos sócios estão inclinados a não participar de decisões e dão voto de confiança à direção. Acontece que grande parte dos trabalhadores se insere na economia solidária apenas como uma forma de escapar da pobreza, não apreciando suas potencialidades. As pessoas são inclinadas a não seguir nenhum dos dois modos, mas em sua própria formação sócio-cultural já são moldadas a hierarquia. Entretanto, essa formação

alienante pode ser abalada quando o indivíduo passa a envolver-se em lutas emancipatórias. Todo esse desafio às ordens vigentes, a emancipação democrática e etc., provavelmente estão por detrás do atual surto de autogestão em quase todos os campos de interação social. Ambos os modos, autogestão e heterogestão, apresentam suas dificuldades e vantagens, mas são modalidades de gestão econômica que servem a fins diferentes e não é válido compará-las.

O autor apresenta um modo de produção até então um pouco desconhecido para mim, mas que se mostra bastante útil em uma sociedade que pleiteia um desenvolvimento social para seus habitantes em vez de crescimento econômico apenas. Em teoria. Pois, como é citado no começo do texto, vivemos em um modo de produção capitalista tão sólido que já o tomamos como natural, faz parte do cotidiano. Uma mudança “radical”, uma troca total de paradigma de produção em um cenário tão dominado pelo capitalismo seria quase que uma utopia de um mundo melhor. O próprio autor diz a respeito da educação que recebemos e as inclinações que mantemos ao decorrer da vida. E o mais importante para a população atual talvez seja o desenvolvimento pessoal, crescimento econômico, subida na carreira, etc., e se isso resultar em um desenvolvimento também social foi uma conseqüência. Talvez, por também viver em um modelo capitalista e ter sido educado assim, ache que de imediato o modelo de economia solidária, como dominante, não passa de um sonho idealista. Mas como toda utopia é um horizonte que nos faz seguir em frente, esse pode ser um passo para um futuro mais igualitário.

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