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Roteiro de Leitura Os Lusiadas

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Roteiro de Leitura: “Os Lusíadas”

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Autor: Luís de Camões Obra: “Os Lusíadas” Edição: Editora: Nenhuma Local e data de publicação: Portugal, pela primeira vez, publicada em 1572

Pesquisa
Em meados do século XVI (não se sabe data nem local exatos) nasceu o genial Luís Vaz de Camões. Sua vida não é conhecida com exatidão Viveu em Coimbra, Vilar de Nantes, Lisboa, Alenquer e também visitou algumas localidades no Oriente. Camões é tido como um dos (o) maior escritor da língua portuguesa. Autor da épica “Os Lusíadas” e de inúmeros poemas. Sua lírica foi reunida em 1595 (15 anos após sua morte) e publicada neste mesmo ano pela primeira vez. Pelo teor de alguns poemas supõe-se que Camões teve uma grande amada. Camões se demonstra muito patriota em os lusíadas, obra que tem como as glorias de seu povo a sua temática. Outro fato importante foi o uso da língua portuguesa, exclusivamente, em uma obra pela primeira vez (no caso “Os Lusíadas”, 1572). Luís Vaz de Camões morreu no ano de 1580, pobre, no ano que a Espanha domina Portugal, em uma carta que escreveu antes de morrer, mostra todo seu desgosto por essa situação, e afirma morrer não na sua pátria, mas com sua pátria querida.

Estrutura da Obra
-Assunto: a obra traz como tema principal as glórias e as conquistas do povo português. Tendo como foco a expedição de Vasco da Gama rumo as Índias, a épica de camões relata os maiores feitos do povo português. -Mensagem: A principal mensagem que o texto deseja passar é a imagem do povo Lusitano e suas conquistas. A narração de alguns episódios da

história portuguesa passa ao leitor um aspecto glorioso deste povo, mas se olharmos também o contexto das grandes navegações, esta obra enaltece a superioridade dos povos cristãos e o domínio dos povos pagãos, que se opuseram, mas foram vencidos. -Enredo: A obra é iniciada após os portugueses deixarem sua terra natal em rumo as Índias, eles se encontram em Melinde. Enquanto isso, os deuses faziam um concílio para decidir o destino dos navegantes. Baco se opõe aos lusos, porém Vênus, deusa do amor, Marte, deus da guerra e Júpiter (divindade “superior”), colocam-se a favor dos portugueses. Mercúrio é enviado para garantir a segurança dos lusitanos em Melinde, pedindo ao povo local que sejam hospitaleiros aos portugueses. A pedido do rei de Melinde, o capitão e herói da epopeia, Vasco da Gama, narra a história de Portugal, composta de inúmeras passagens interessantes, algumas mesmo de sua viagem. Nesta narração, Vasco da Gama conta os (“ilustres”) episódios de Inês de Castro (e seu caso com D.Pedro I, uma história de amor puro e sacrifício), do Velho do Restelo (na saída da esquadra de Vasco da Gama este senhor critica veementemente a expedição) e do Gigante Adamastor (a passagem de Vasco da Gama pelo cabo das tormentas, após a expedição passa a ser chamado de cabo da boa esperança). A esquadra, então, segue viagem atravessando o oceano Índico. Durante esta travessia, Veloso (um dos marinheiros), narra aos demais o episódio dos Doze de Inglaterra, quando 12 cavaleiros portugueses à Inglaterra defender a honra das damas portuguesas que haviam sido “ofendidas” por doze cavaleiros britânicos. Após a luta os heróis lusos saem vitoriosos, após derramarem sangue dos ingleses. Enquanto os portugueses se encontram em alto mar, o deus Netuno, recebe Baco, esta reunião resulta em uma aliança contra os portugueses, Baco convence Netuno dizendo que o sucesso da viagem implicava em certo domínio dos mares, ou seja, os homens perderiam o temor de navegar (Netuno não “mandaria” mais no mar). Assim, Netuno “ataca” a embarcação, que defendida por Vênus e as nereidas, não naufraga. Contudo, a embarcação sofre danos e mesmo assim a Calicute, na Índia (destino final). Em Calecute, os portugueses são pegos em outra armadilha de Baco, que disfarçado de Maomé em um sonho de um sacerdote local, diz que os portugueses eram perigosos e deveriam ser destruídos . Então o líder local prende dois homens de Vasco da Gama, que retribui seqüestrando dois nobres locais. O rei liberta os homens de Vasco da Gama, que “devolve” seus reféns e agora ruma vitorioso a Portugal. Vênus, porém, tem uma surpresa aos lusos. Cria a ilha dos prazeres, paradisíacas e de recursos naturais abundantes. Na ilha, são colocadas ninfas (extremamente belas) que flechadas pelo cupido, ao avistarem os

navegantes, se apaixonam instantaneamente. Como se pode entender o banquete sacia todos os prazeres dos marinheiros. Depois do banquete a deusa Tétis leva Vasco da Gama ao cume de um monte e mostra a ele a máquina do mundo. Lá Tétis faz previsões sobre o futuro de Portugal, não muito animadoras (afinal, Camões vive esse futuro, logo podemos concluir que este final é uma crítica a sociedade Portuguesa contemporânea de Camões). Após esse último episódio, os heróis Portugueses retornam a pátria, salvos e vitoriosos. -Justificativa do Título: “Os Lusíadas” é um título que antes de tudo já faz referência a temática sobre a qual a obra se apóia o povo português (luso). Sendo assim este título, com viés até mesmo patriótico, já introduz ao leitor o tema da obra, que é uma épica baseada nas glórias e nos feitos do povo lusitano. -Personagens: Vasco da Gama é o capitão da esquadra lusitana que sai de Portugal com o rumo as Índias. O herói principal da épica, também assume a narração durante a história ao relatar os feitos portugueses ao rei de Melinde. É corajoso, exerce grande poder de liderança, é um cristão e português convicto. Paulo da Gama, primo de Vasco da Gama, seu auxiliar e braço direito. O segundo em comando da esquadra lusitana. Mostra-se fiel, prestativo, também português e cristão. Chega também a assumir a narração da história. Velho do Restelo, homem idoso e sábio que protagoniza um episódio inesperado na épica. Na saída dos portugueses em busca das terras da Índia, esse senhor condena a expedição, taxando a como vã, uma expedição focada apenas nos lucros, na busca pela fama e glória individuais, que iria trazer mortos e tristeza, seu protesto é importante, ele com toda sabedoria representa a prudência popular e a sabedoria. Baco “é o deus (na mitologia Greco-romana) do vinho, da ebriedade, dos excessos,
especialmente sexuais, e da natureza” (Wikipédia), na obra representa o paganismo na visão cristã. No concílio dos deuses Baco se mostra desde o início contrário a expedição de Vasco da Gama e tenta de todas as maneiras frustrá-la. Vênus “é a deusa (na mitologia Greco-romana) do Amor e da Beleza” (Wikipédia). Divindade que no concílio dos deuses mais apóia a expedição de Vasco da Gama, e ao longo da epopéia acompanha e protege, também com a ajuda de outros deuses, o herói português das armadilhas de Baco e de outros infortúnios que ocorrem. Tétis é uma ninfa, que recepciona Vasco da Gama na ilha dos prazeres. De beleza incrível (como as outras ninfas), está na ilha e mostra a Vasco da Gama a “máquina do mundo” que está em cima de um alto morro. Esta máquina permite a Vasco da Gama ver o futuro de Portugal, que é pessimista (já que Camões vive esse futuro essa passagem é na verdade uma crítica a Portugal que Camões vive).

O Gigante Adamastor é um titã, que se apresenta a Vasco da Gama durante uma terrível tempestade, na passagem pelo cabo das tormentas.

Adamastor conversa com Vasco da Gama, que corajosamente e sabiamente, perpassa mais uma situação delicada. Adamastor é considerado a personificação da África, que se levanta perante o povo lusitano e depois concede passagem, o que simboliza o domínio e a supremacia lusitana perante os novos povos (no caso a África). Inês de Castro é a protagonista de um episódio marcante da épica. Mulher da importante família castelhana Castro, Inês foi a Portugal como dama de companhia. Em Portugal se apaixonou e teve um caso com D.Pedro I, então príncipe, um amor puro que “rendeu” três filhos. D.Pedro I era casado e nobres portugueses contrários ao casamento tramaram e executaram Inês de Castro, que antes de morrer pediu que seus filhos fossem poupados. Seu pedido foi realizado, seus filhos após a morte do rei, passaram a ser os herdeiros do trono, D.Pedro seu amante, mandou matar aqueles que tramaram contra sua amada. Os filhos deste casal assumiram o poder e continuaram a gloriosa história portuguesa. Tida “metaforicamente” como mãe do povo português, Inês viveu um amor intenso e puro, morreu por seu amado, português, e por Portugal de certa forma, abdicando de sua nacionalidade pelo amor a um português. -Ambiente: A esquadra de Vasco da Gama passa após a saída do Rio Tejo (praia do restelo) por diversos locais: Mombaça, Melinde, Calicute (Índia), Cabo das Tormentas (boa esperança), a Ilha dos Amores, etc. Além destes a épica conta com os ambientes das diversas passagens da história portuguesa -Tempo: A épica camoniana se passa entre os anos 1497 a 1499 (período do início das grandes navegações). No entanto, a narração feita por Vasco da Gama relata eventos importantes da história de Portugal, que vão do século XII até o momento.

-Narrador: A épica camoniana apresenta três narradores que se revezam. - Vasco da Gama (1ª pessoa e em alguns momentos 3ªpessoa onisciente), narra feitos portugueses antigos ao rei de Melinde; - Paulo da Gama (1ª pessoa) narra um pequeno trecho, interpreta uma pintura a pedido de Catual; - Luís de Camões (3ª pessoa – onisciente intruso), narra a maior parte da épica. -Linguagem: O vocabulário e a pontuação são muito cultos e bem trabalhados por Camões. Fato notável da épica que há o desgarre do castelhano, ou seja, o texto é todo escrito em português. Os versos da épica são decassílabos, sendo o padrão de rima ABABABCC mantido em todos os 8816 versos. Camões faz uso de todas as figuras de linguagem.

-Estrutura da Obra: Camões nesta épica copia os moldes clássicos (“A Ilíada” e “A Odisséia” gregos e “A Eneida” romano). - Proposição; (“o poeta antecipa os temas que desenvolverá na narrativa: a viagem de Vasco da Gama as Índias e a História de Portugal.”) - Invocação; (“O poeta invoca as Tágides, musas, ninfas mitológicas que habitam o Rio Tejo, para que elas lhe forneçam inspiração para executar o poema.”) - Dedicatória; (“Camões oferece sua epopéia a D.Sebastião, Rei de Portugal) - Narração (X cantos) - Epílogo (“Esta é a parte formada pelas doze últimas estrofes da epopéia. Nela, o poeta mostra-se pessimista e desanimado com a mudança de espírito que testemunhava nos portugueses de seu tempo.”).

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