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Atividade Física para Idosos GEPAFI

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princípios metodológicos para prescrição de exercícios para idosos utilizados no GEPAFI_UnB: Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Atividade Física para Idosos da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília.
princípios metodológicos para prescrição de exercícios para idosos utilizados no GEPAFI_UnB: Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Atividade Física para Idosos da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília.

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Princípios Metodológicos da Atividade Física para Idosos

Marisete Peralta Safons e Márcio de Moura Pereira

Faculdade de Educação Física – UnB

Marisete Peralta Safons e Márcio de Moura Pereira

Princípios Metodológicos da Atividade Física para Idosos

Faculdade de Educação Física – UnB

BRASÍLIA 2007

Conselho Regional de Educação Física da 7ª Região – CREF7 Endereço: SGAN 604 conjunto C – Clube de Vizinhança Norte CEP: 70840-040 - Brasília-DF Tel: (61)3321-1417 (61)3322-6351 Site: www.cref7.org.br

CONSELHEIROS: Alex Charles Rocha Alexander Martinovic Alexandre Fachetti Vaillant Moulin André Almeida Cunha Arantes Cristina Queiroz Mazzini Calegaro Elke Oliveira da Silva Geraldo Gama Andrade Guilherme Eckhard Molina João Alves do Nascimento Filho José Ricardo Carneiro Dias Gabriel Lúcio Rogério Gomes dos Santos Luiz Guilherme Grossi Porto Marcellus Rodrigues N. Fernandes Peixoto Marcelo Boarato Meneguim Márcia Ferreira Cardoso Carneiro Paulo Roberto da Silveira Lima Ramón Fabián Alonso López Ricardo Camargo Cordeiro Telma de Oliveira Pradera Waldir Delgado Assad Wylson Phillip Lima Souza Rêgo

DIRETORIA EXECUTIVA: Presidente Alexandre Fachetti Vaillant Moulin 1º Vice-presidente Paulo Roberto da Silveira Lima 2º Vice-presidente Marcellus R. N. Fernandes Peixoto 1º Secretário Marcelo Boarato Meneguim 2ª Secretária Elke Oliveira da Silva 1º Tesoureiro José Ricardo Carneiro Dias Gabriel 2º Tesoureiro Alex Charles Rocha

COMISSÃO EDITORIAL: Alexandre Fachetti Vaillant Moulin Cristina Quiroz Mazzini Calegaro Márcia Ferreira Cardoso Carneiro Márcio de Moura Pereira Telma de Oliveira Pradera

Universidade de Brasília – UnB Faculdade de Educação Física – FEF Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Atividade Física para Idosos – GEPAFI Endereço: Campus Universitário Darcy Ribeiro – Gleba B – Asa Norte CEP: 70910-970 Tel.: 3307 – 2252 Site FEF: www.unb.br/fef Blog GEPAFI: http://gepafi.blogspot.com

Diretor: Prof. Dr. Jônatas de França Barros Vice Diretor: Prof. Dr. Jake do Carmo Chefe do Centro Olímpico: Profa. Dra. Marisete Peralta Safons Coordenador de Graduação: Prof. Dr. Alexandre Rezende Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação: Profa. Dra. Ana Cristina de David Coordenador de Extensão e Atividades Comunitárias: Prof. Dr. André T. Reis. Coordenador de Prática Desportiva: Prof. William Passos

Editores CREF/DF e FEF/UnB/GEPAFI Autores Marisete Peralta Safons Doutora em Ciências da Saúde pela UnB Márcio de Moura Pereira Mestre em Educação Física pela UCB Editoração Eletrônica Aderson Peixoto Ulisses de Carvalho Revisão Fernando Borges Pereira Publicação CREF7

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Safons, Marisete Peralta. Princípios Metodológicos da Atividade Física para Idosos / Marisete Peralta Safons; Márcio de Moura Pereira - Brasília: CREF/DF- FEF/UnB/GEPAFI, 2007. 110 p.:il. ISBN 978-85-60259-02-1 1. Educação física para idosos. 2. Metodologia do ensino. 3. Esporte e educação. I. Pereira, Márcio de Moura. II. Título. CDU 796.4-053.9 Ficha Catalográfica elaborada pela bibliotecária Jeane Ramalho CRB1/1225

SUMÁRIO

UNIDADE 1 – NOÇÕES DE DIDÁTICA ................................................................................ 7 1.1. Planejar é Preciso ............................................................................................................ 8 1.2. Pilares do Planejamento................................................................................................. 13 1.3. Reflexões Finais ............................................................................................................ 16 UNIDADE 2 – O PAPEL DO PROFESSOR: QUEM ENSINA? ........................................... 17 2.1. Competências necessárias a um educador de idosos ..................................................... 18 2.2. Reflexões Finais ............................................................................................................ 26 UNIDADE 3 – OBJETIVOS: POR QUE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA IDOSOS?............... 27 3.1. Propostas pedagógicas de um programa para idosos..................................................... 28 3.2. Objetivos em um Plano de Curso para idosos ............................................................... 32 3.3. Reflexões Finais ............................................................................................................ 35 UNIDADE 4 – FISIOPATOLOGIA DO ENVELHECIMENTO: QUEM É O ALUNO IDOSO? .................................................................................................................................... 36 4.1. Epidemiologia do Envelhecimento................................................................................ 37 4.2. Fisiologia do Envelhecimento ....................................................................................... 41 4.2.1. Um novo paradigma para o envelhecimento .......................................................... 41 4.3. Fisiopatologia do envelhecimento: doenças prevalentes............................................... 43 4.3.1. Doenças Cardiovasculares...................................................................................... 44 4.3.2. Doenças Ortopédicas e Reumatológicas................................................................. 45 4.3.3. Doenças Metabólicas.............................................................................................. 47 4.3.4. Quedas: doença ou sintoma? .................................................................................. 49 4.4. Reflexões Finais ............................................................................................................ 52 UNIDADE 5 – FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: O QUÊ PRESCREVER PARA IDOSOS? 53 5.1. Prescrição do exercício para o idoso ............................................................................. 54 5.1.1. Princípios da prescrição.......................................................................................... 55 5.1.2. Orientações gerais para uma prescrição ................................................................. 57 5.1.3. Escala de Borg no controle da Intensidade do Exercício ....................................... 60 5.1.4. Orientações específicas para uma prescrição ......................................................... 62 5.2. Cuidados com as doenças prevalentes e riscos durante a aula ...................................... 82 5.3. Reflexões Finais ............................................................................................................ 83 UNIDADE 6 – METODOLOGIA DE TRABALHO .............................................................. 84 6.1. Estratégias ou métodos de trabalho ............................................................................... 85 6.2. Trabalhando a Aptidão Física com segurança............................................................... 87 6.3. Avaliando resultados de um programa .......................................................................... 88 6.4 Recursos ......................................................................................................................... 96 6.4.1. Espaço Físico.......................................................................................................... 96 6.4.2. Equipamentos e Materiais ...................................................................................... 96 6.4.3. Secretaria ................................................................................................................ 98 6.4.4. Parcerias ................................................................................................................. 99 6.5. Emergências: Primeiros Socorros.................................................................................. 99 6.6. Reflexões Finais .......................................................................................................... 102 7. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................ 103

SAFONS, M.P.; PEREIRA, M.M. Princípios Metodológicos da Atividade Física para Idosos.

UNIDADE 1 – NOÇÕES DE DIDÁTICA
Apresentação Nesta unidade demonstraremos que um professor eficaz

planeja, organiza e se mantém um passo à frente. Começaremos contextualizando a prática pedagógica de quem trabalha com atividade física para idosos dentro das dimensões históricas e sociais das quais estes alunos provêm. Depois passaremos à conceituação dos pilares do planejamento, identificando cada ator ou atividade do processo pedagógico.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de:

• Localizar o ensino de atividades físicas para idosos enquanto prática pedagógica, visando à educação e à saúde dos alunos; • Entender a importância do ato de planejar; • Reconhecer os pilares do planejamento.

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1.1. Planejar é Preciso
O professor que assume um grupo de idosos para orientar atividades físicas precisa saber que seu trabalho está inserido em uma realidade com fortes componentes históricos e sociais. Historicamente, seu aluno faz parte de uma população que nasceu na primeira metade do século XX. Ele faz parte da primeira geração industrial brasileira, que veio de um Brasil rural, agrícola, que se urbanizou e se modernizou a uma velocidade astronômica. Este aluno vem de um país com altas taxas de analfabetismo, alguns deles inclusive permaneceram analfabetos e tornaram-se parte do grupo de idosos, que hoje freqüenta os programas de atividades físicas comunitários. Nestes grupos também não é raro descobrir que, mesmo para quem tem formação superior, a escolarização foi um processo tão penoso quanto para a maioria: alguns não tinham escolas onde moravam, outros não tiveram dinheiro para manterem-se na escola, outros se mudaram tantas vezes acompanhando a família em busca de emprego que perderam anos de estudo, enquanto outros, por necessidade ou falta de oportunidade, ainda permaneceram na roça até a idade adulta e não puderam ir à escola. No aspecto social é preciso lembrar que enquanto o Brasil buscava seu desenvolvimento do ponto de vista global, individualmente também os cidadãos buscavam crescimento. Essa geração, hoje idosa, trabalhou muito: construiu as grandes fábricas, as grandes estradas, as grandes hidrelétricas, as grandes metrópoles deste país. Esta geração mudou a capital federal, transformou a
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agricultura em agroindústria. Essas pessoas trouxeram a televisão para o país e foram os primeiros a ver o Brasil ganhar uma copa do mundo de futebol. São filhos de uma guerra mundial e viveram a maior parte da vida em uma ditadura, mas também foram os primeiros a derrubar um presidente, a lutar por eleições diretas, defender o divórcio, lutar pela igualdade feminina e pelos direitos humanos, contra o racismo, contra a exclusão...a favor da natureza. Essa geração realmente trabalhou muito, lutou, mudou a cara do Brasil... e se aposentou. E o corpo destes indivíduos? O corpo desta geração foi excluído: “coisificado” pelas ciências da saúde, adestrado pela educação, alienado pela política, “demonizado” pela religião. Objeto de trabalho, instrumento de transporte e palco de conflitos. Este corpo não teve acesso à educação física escolar na infância e adolescência (nem no ensino noturno, que boa parte freqüentou, normalmente não foram ministradas aulas de educação física) e na idade adulta este corpo não teve tempo para se exercitar, nem para o jogo, o esporte ou o lazer. Este corpo aos sessenta anos espoliado, cansado, frágil e com um repertório pequeno de movimentos (só faz bem os movimentos relacionados ao trabalho). Muitas vezes este corpo apresenta-se com doenças associadas ao sedentarismo (obesidade, hipertensão, cardiopatias, colesterol alto, diabetes tipo II, “reumatismos”) e, normalmente, com dores no corpo, muita dor (na coluna, nas pernas, nos braços, na cabeça...). Isso sem contar outras dores, tais como a da solidão, do abandono, da pobreza, da falta de atendimento especializado, do desrespeito a direitos básicos ou da violência onipresente.

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O professor que assume um grupo de idosos para orientar na prática de exercícios físicos precisa ter essas realidades bem claras ao propor as atividades. É preciso saber que nenhum exercício proposto se reduz ao ato mecânico de mover um braço ou uma perna. É preciso ter claro que cada movimento é, na verdade, uma possibilidade de resgate da infância, redescoberta da corporeidade, liberação de afetos, superação de dores, permissão para o prazer de viver... A possibilidade de viver uma vida plena a partir dos sessenta anos já é hoje uma realidade. E ninguém sabe ainda onde isso termina: o número de idosos saudáveis, ativos e produtivos, muitos com mais de 100 anos, cresce na mesma proporção em que se fazem investimentos em atividade física, saúde, educação, segurança e inclusão. E aí começa uma nova história, uma história da qual você professor faz parte. Se o programa pode ser o espaço para inclusão social, educação para a saúde, autonomia e cidadania, a atividade física será o meio através do qual o processo educacional se dará em função desses objetivos. Portanto, precisa ser bem planejada sob pena de não atingir os resultados, desperdiçando recursos e frustrando expectativas. No caso do aluno idoso, falhas no planejamento podem acarretar efeitos adversos e, portanto, não é possível propor com segurança atividades baseadas em “boas intenções” ou na “fé de que tudo vai dar certo”. Desta forma, verifica-se que: • Se no planejamento não foi prevista a socialização é bem provável que os alunos venham ao programa por meses sem estreitarem os laços de amizade e camaradagem (entram mudos, saem calados);
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Se no planejamento a inclusão não for prevista é bem provável que em cada atividade proposta alguns alunos se sintam excluídos (ioga é para as mulheres, musculação é para homens, não sirvo para correr, branco não consegue sambar...);

Se no planejamento não for prevista a progressão é bem provável que os alunos não percebam vantagem alguma em investir seu tempo em algo que não apresenta resultados visíveis ou mensuráveis (a distância ou o tempo da caminhada são os mesmos há um ano, o peso que levanto é o mesmo há meses, o que ganhei com tanto trabalho, tempo e suor? Estas serão perguntas freqüentes na mente desses alunos.);

Se no planejamento não houver previsão de atividades que levem em conta a saúde é bem provável que nenhuma melhora seja verificada neste aspecto (o médico me disse que com exercício minha pressão - ou a glicose ou a dor melhoraria, mas já estou praticando há 5 anos e continuo na mesma!);

E, não havendo previsão de riscos é bem provável que os alunos venham a sofrer danos com a atividade proposta (desconforto psicológico, dor, lesão e até morte!). Você sabia que um infarto causado por exercícios mal planejados pode

acontecer até várias horas depois da prática, podendo levar à morte ou invalidez? Você sabia que uma hipoglicemia causada por exercícios mal planejados pode acontecer até várias horas depois da prática, muitas vezes à noite, caso em que o idoso pode morrer dormindo? Você sabia que uma crise de dor causada por exercícios mal planejados pode acontecer até várias horas depois da prática, quando passa o efeito do aquecimento

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e das endorfinas, levando o aluno muitas vezes ao leito durante semanas, sob medicação cara e pesada? Um professor que planeja levando em conta a realidade do aluno, procurando proporcionar o máximo de benefícios e ao mesmo tempo prevenir os riscos sabe que muito do progresso de cada aluno se deve às atividades propostas por ele. Um professor que planeja com seriedade também está seguro de que os agravos nas doenças prévias dos alunos e até mesmo a morte de algum aluno ao longo do ano podem ter qualquer causa (acaso, progressão natural da doença, acidente...), mas não a sua imperícia ou omissão. Já um professor que não se preparou e não planejou, jamais saberá porque um aluno progrediu e outro não. Da mesma forma que não poderá afirmar com segurança que uma morte não foi causada por imperícia de seu trabalho só porque ela não aconteceu durante a aula. Estas reflexões nos levam à conclusão de que Planejar é preciso, não só por motivos técnicos, mas também éticos: consciência tranqüila e certeza do dever cumprido não têm preço. Assim, um bom planejamento foca os recursos na direção da conquista dos objetivos; evita que o trabalho se torne rotineiro e repetitivo; previne os riscos do improviso e aumenta a segurança das práticas. Em seu planejamento, um professor bem preparado deixa claro QUEM faz O QUÊ e POR QUE, PARA QUEM e COMO, determinando ainda procedimentos de AVALIAÇÃO para acompanhar o processo. Este professor sabe que a parte mais importante de seu planejamento será a tarefa de executá-lo. Ele sabe também que o “Plano A” pode não funcionar na hora, mas como tem tudo planejado, tem sempre um “Plano B” preparado com antecedência. Assim nunca terá que improvisar e

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dedicar-se-á mais aos alunos e à tarefa pedagógica, trabalhando sempre próximo ao “ESTADO DA ARTE” profissional.

1.2. Pilares do Planejamento
O planejamento visa à ação. É um processo dinâmico de coordenação de esforços e recursos, dentro das atividades de ensino e aprendizagem, que permite ao professor prever e avaliar a direção da ação principal, determinando rumos de ações alternativas, servindo ainda para auxiliar o professor a tomar decisões racionais tecnicamente embasadas. Ao planejar uma aula ou projeto de atividades físicas para idosos é preciso especificar claramente: quem vai fazer o quê, para quem e por que, a fim de determinar o como fazer (a
AVALIAÇÃO Quem faz O quê faz

Como fazer (metodologia) Por que faz

Para quem faz

metodologia de trabalho). É preciso também especificar instrumentos de avaliação para acompanhamento e controle da atividade desde o início. No caso de um programa de atividades físicas para idosos cada item colocado acima corresponderia a: • • Quem faz é o profissional de educação física; Por que faz são as justificativas teóricas e os objetivos para o programa ou

para cada aula (saúde, educação, esporte, lazer, etc.); • Para quem faz é o aluno idoso;

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O quê faz são os conteúdos de Educação Física (atividade física, exercícios,

esporte, jogos, etc.); • Como faz é a metodologia de trabalho adaptada para idosos, são as aulas

propriamente ditas, prescritas e ministradas aos idosos. • Avaliação: instrumentos de acompanhamento e controle do aluno, da

atividade e do programa a fim de verificar questões como: quem é o aluno? Que atividades podem ser desenvolvidas com ele neste lugar? O treinamento atingiu os objetivos? Por quanto tempo serão mantidas as estratégias atuais? Serão necessários ajustes? Onde? Por ser dinâmico o planejamento não se resume ao plano de curso e aos planos de aula, metodicamente executados e jamais alterados. Na verdade ele se conclui por aproximações sucessivas, sofrendo influências o tempo todo da realidade à qual está sendo aplicado. Por isso a avaliação está presente o tempo todo, inclusive durante a execução das tarefas. O planejamento deve expressar os objetivos do programa de exercícios e antever os meios para alcançar os propósitos, racionalizando a utilização dos recursos e otimizando a tarefa principal da educação que é o processo ensinoaprendizagem. Isto deve ser feito por escrito, em um caderno, pasta de planos avulsos (em papel ou arquivadas em computador) ou em qualquer outro meio que o professor considere válido para escrever, guardar, recuperar, estudar e refazer seus planos. No exemplo do caderno, pode-se ter um caderno para cada disciplina que se pretenda ministrar. As páginas iniciais são reservadas para o plano de curso e as seguintes ficam destinadas aos planos de aula. O plano de curso é aquele mais geral, que resume os principais pontos que nortearão o desenvolvimento do
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programa e a confecção dos planos de aula. Já o plano de aula é mais específico e deve prever o que acontecerá em cada aula. Nas próximas unidades você aprenderá como estruturar o seu planejamento. Há vários modelos, você não precisará seguir exatamente o sugerido neste curso, mas há algumas informações que não podem faltar em um plano, independente do modelo. Lembre-se: planejar é muito importante, faz parte das atribuições de um professor. Além disso, pensar sobre cada aula é também uma forma de demonstrar seu afeto e sua atenção para com seus alunos.

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1.3. Reflexões Finais
Fim da primeira etapa! Após o contato com estas informações iniciais, é importante, neste momento, parar e tentar perceber qual foi o entendimento que você teve dos assuntos. A qual conclusão você chegou a respeito da visão da atividade física para idosos como prática pedagógica? Qual foi o seu entendimento a respeito da importância do ato de planejar? O que você aprendeu a respeito dos pilares do planejamento? Diante destas reflexões, como você tem pensado a sua prática com os idosos?

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UNIDADE 2 – O PAPEL DO PROFESSOR: QUEM ENSINA?
Apresentação Neste capítulo nos concentraremos no estudo das

competências necessárias a um professor que pretenda trabalhar com a educação para idosos gerando aprendizagem significativa e de qualidade, utilizando o movimento como instrumento pedagógico. Veremos também que a capacitação profissional não é definitiva, tendo um prazo de validade a partir do qual se torna obsoleta, sendo sempre necessário atualizar informações, conceitos, técnicas e materiais: só isso manterá o professor dentro da realidade.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de: • Reconhecer a importância da capacitação profissional para o trabalho com idosos; • Descrever as competências básicas necessárias a quem trabalha com atividades físicas com idosos; • Discutir questões relativas a aprofundamento técnico e teórico, atuação reflexiva, educação continuada, produção de conhecimento, e comunicação pedagógica.

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2.1. Competências necessárias a um educador de idosos
A formação do professor que trabalha com educação física deverá priorizar o desenvolvimento de certas competências importantes para o trabalho esportivo voltado para qualquer idade, mas que se tornam indispensáveis no caso do professor que atenda a idosos. Medeiros (2004) aponta seis competências necessárias ao profissional que orienta a prática de atividades físicas: 1. Conhecimento da educação física no contexto da educação e da sociedade 2. Conhecimento técnico-teórico-filosófico a respeito da pessoa humana 3. Capacidade reflexiva para analisar os diversos fenômenos que compõem a prática cotidiana 4. Capacidade de realizar sua formação continuada 5. Capacidade de produzir conhecimento 6. Capacidade de comunicar-se com seus interlocutores

Com o objetivo de prestar sempre o melhor atendimento no trabalho com idosos, cada uma dessas áreas de competência da proposta de Medeiros pode ser objeto permanente de estudo e aprofundamento por parte do professor.

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1. Conhecimento da Educação Física no contexto da Educação e da Sociedade

A Atividade Física realizada separadamente do processo maior de Educação do aluno acaba por se reduzir a uma prática alienada. A Educação Física é um elo na cadeia maior da Educação (outros conteúdos, outras disciplinas), da Saúde (outros serviços na área da saúde física, mental e social) e da Formação do Cidadão. Por isso é sempre bom ter em mente que embora o Exercício promova Educação e Saúde, ele sozinho, NÃO EDUCA TOTALMENTE, NEM CURA OU PREVINE TODOS OS MALES. O professor precisa ter conhecimentos mínimos das áreas relacionadas ao seu trabalho e das possibilidades de orientação e encaminhamento a fim de fazer de suas aulas um efetivo momento de educação. Sem tais conhecimentos sua prática se torna isolada, afastada da realidade, reduzindo-se ao papel de “distrair os idosos”, “tirá-los de casa”, “leva-los para tomar sol”. Sem saber onde a atividade física se insere no contexto da educação e da sociedade o professor não utiliza seu potencial, faz um trabalho alienado e ainda oferece à população idosa um serviço que não gera benefícios maiores de saúde em longo prazo, nem autonomia, inclusão social ou cidadania.

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2. Conhecimento Técnico-Teórico-Filosófico a respeito da pessoa humana

O professor que vai trabalhar Atividades Físicas com idosos precisa desenvolver um arsenal de conhecimentos para compreender questões relacionadas à corporeidade do idoso. Do ponto de vista técnico é necessário ter formação básica em educação física (anatomia, fisiologia geral e do exercício, didática, psicologia da

aprendizagem), conhecimentos de Saúde (epidemiologia, fisiopatologia, saúde pública), Domínio do Esporte ou Atividade que pretende ensinar, conhecimentos de Administração Esportiva, conhecimentos de Psicologia aplicada à atividade física ou esportiva, etc. Do ponto de vista teórico e filosófico é preciso ter uma compreensão mais ampla da realidade na qual seu trabalho está inserido. Daí serem necessários conhecimentos mínimos de história, sociologia, antropologia, filosofia, ética, política, etc. Tudo isso auxiliará o professor a entender os mecanismos da EXCLUSÃO DO IDOSO em nossa sociedade e a propor alternativas viáveis para reverter essa situação a partir do seu trabalho com exercícios físicos, auxiliando o idoso em seu trabalho de se encontrar como SER HUMANO IDOSO (cidadão, pai ou mãe de família, amigo, amante, profissional, consumidor, CIDADÃO).

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3. Capacidade Reflexiva para analisar os diversos fenômenos que compõem a prática cotidiana

O professor precisa ser capaz de contextualizar os conteúdos, levando em conta idade, sexo e condições físicas dos alunos; clima e outras características geográficas do local em que as atividades são desenvolvidas; os aspectos culturais, gostos regionais, etc. Deve também ser capaz de fazer referência a situações concretas ao ensinar um exercício (tal movimento melhora tal atividade da vida diária). Deve ainda ser capaz de evitar a fragmentação do conhecimento, mostrando que o exercício não é um fim em si, mas um meio, promovendo assim a interdisciplinaridade e trabalhando os temas transversais.

4. Capacidade para Realizar a Formação Continuada

O conhecimento não é definitivo, a cada 3 ou 4 anos o volume de conhecimento em todas as áreas de trabalho simplesmente DOBRA. Portanto, para manter-se atualizado é preciso fazer releituras e atualizações constantes. Para isso é preciso estudar sempre, ler muito (livros, revistas, jornais, da sua área e de outras), assistir criticamente a filmes e documentários (e até novelas de TV, pois para quem busca o conhecimento criticamente, qualquer “texto” pode iniciar uma discussão produtiva). Outra estratégia é conversar com outros professores, buscar supervisão ou coordenação de colegas mais experientes, fazer visitas técnicas para conhecer
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abordagens utilizadas pelos colegas, conversar com os alunos buscando ver a realidade a partir dos olhares de quem já é idoso a fim de propor novas ações focadas em suas necessidades.

5. Capacidade para Produzir Conhecimento

Estreitar a relação entre o ofício de ensinar e o hábito de pesquisar. Levar para a discussão profissional (fóruns, encontros, seminários, congressos, cursos, etc.) as dificuldades e soluções inovadoras observadas em sua prática pedagógica socializando o conhecimento ou ainda lançando questões-problema para futuros estudos. O resultado imediato desta atitude se reflete em toda a classe profissional, melhorando métodos e procedimentos, diminuindo riscos e contribuindo para o sucesso profissional na forma de um melhor serviço à população. Outros resultados na forma de publicação de artigos científicos e livros, apresentação de trabalhos em congressos e elaboração de cursos também poderão advir da introdução da atitude científica, curiosa, no ofício de ensinar.

6. Capacidade para Comunicar-se com seus interlocutores

É a utilização consciente e intencional dos recursos da FALA PEDAGÓGICA, que pode ser entendida como um conjunto de discursos orais e corporais ou “não verbais” (gestual, atitudinal, comportamental) colocado a serviço da dinamização dos conteúdos. O professor não deve resumir sua fala aos conteúdos cognitivos, nem apenas a comandos verbais: é preciso falar ao aluno por inteiro.
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No trabalho com idosos a atenção a esse “diálogo pedagógico” pode explicitar questões interessantes a respeito da formação do professor, gerando algumas situações problema. Há, por exemplo, o caso do professor desatualizado para o trabalho com idosos, mas carismático, com grande habilidade na utilização da fala oral sempre acompanhado por uma multidão de alunos entusiasmados. Considere que nesta situação o professor está feliz, satisfeito com seu desempenho e os alunos também, absolutamente satisfeitos com o trabalho do qual fazem parte. Onde está o problema? Do ponto de vista motivacional, do talento verbal do professor, absolutamente nenhum, boa parte dos professores do mundo trabalha para atingir este nível de desempenho na “fala oral”. O problema situa-se em outro aspecto do “discurso”, aquele denominado nãoverbal. É preciso lembrar que este professor é um professor de educação física, que o aluno matriculou-se em um programa de educação física e que, portanto, no “diálogo pedagógico” além de se “falar às emoções e ao intelecto” do aluno, não se pode esquecer de “falar ao corpo”, aos ossos, articulações e músculos, ao coração, artérias e sangue, aos hormônios e neurotransmissores. Se este diálogo falhar, todo o processo pedagógico falhará e no final o próprio corpo do aluno denuncia esta falha, este fracasso pedagógico, “falando” durante a avaliação. É nesta hora que, sem utilizar uma única palavra da fala oral, o aluno diz que não melhorou a flexibilidade, a força, a capacidade aeróbia, o equilíbrio, a coordenação, a pressão arterial ou o peso. Nesta hora o professor precisará ser muito bom na “fala oral” para explicar ao aluno por que, depois que ele veio a todas

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as aulas e participou de todas as atividades, os resultados prometidos não foram atingidos. No extremo oposto temos o professor extremamente capacitado tecnicamente para “falar” com todas as estruturas anatômicas e funcionais através do movimento, meticulosamente planejado e acompanhado, mas que “fala pouco” com o aluno do ponto de vista verbal. Considere que nesta situação o professor está feliz, plenamente satisfeito com seu desempenho e os alunos (normalmente 1 ou 2) também completamente satisfeitos com o atendimento que recebem. Onde está o problema? Do ponto de vista técnico, fisiológico, absolutamente nenhum, o aluno está mais forte, mais flexível, mais resistente ao esforço aeróbio, mais saudável. Boa parte dos professores do mundo trabalha e estuda muito até atingir este nível de competência para “falar com o corpo”. O problema situa-se em outro aspecto do “discurso”, aquele denominado verbal. É preciso lembrar que este professor é um professor de educação física, que o aluno matriculou-se em um programa de educação física e que, portanto, no “diálogo pedagógico” além de se “falar ao corpo” do aluno, não se pode esquecer de “falar às emoções e ao intelecto”, tornando a prática motivante, envolvente, lúdica, divertida, prazerosa, gregária, comunitária (lembre-se que a solidão, a depressão e o isolamento são problemas prevalentes em idosos, portanto, privar o idoso da oportunidade de participar de um grupo, de estreitar laços e de fazer amizades somente se justifica se suas condições de saúde exigirem isolamento ou atendimento individualizado). Se este diálogo falhar, todo o processo pedagógico falhará e no final o próprio corpo do aluno denuncia esta falha, este fracasso pedagógico, “falando” com sua

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ausência às aulas ou durante a avaliação, relatando que não melhorou nos aspectos psicossociais. Estes dois exemplos são situações fictícias extremas, mas que podem levar o professor que trabalha com idosos a reavaliar como tem explorado os diversos aspectos de sua “fala pedagógica”, levando-o também a refletir sobre a necessidade de investir parte dos esforços da educação continuada no desenvolvimento de competências relacionadas às diversas opções de comunicação com seus alunos.

“SE VOCÊ NÃO ESTIVER SEMPRE PREPARADO, SEUS ALUNOS SABERÃO!”

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2.2. Reflexões Finais
Ao terminar esta unidade é preciso parar e refletir sobre alguns dos temas abordados: 1 - o que você pensa a respeito da importância da capacitação profissional para o trabalho com idosos? 2 - Como você se vê com relação às competências básicas necessárias a quem trabalha com atividades físicas com idosos? 3 - Como você avalia os serviços prestados aos idosos em sua comunidade a partir dos conhecimentos que agora possui a respeito da preparação profissional para o exercício desta atividade?

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UNIDADE 3 – OBJETIVOS: POR QUE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA IDOSOS?
Apresentação Nesta unidade discutiremos algumas das questões teóricas

(pedagógicas, filosóficas e conceituais) relativas à proposição de atividades físicas para idosos. O convite é para a reflexão a respeito dos rumos que um professor pretende dar ao seu programa e às propostas educacionais que pretende defender perante o aluno e a sociedade.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de:

Situar sua prática pedagógica dentro do universo das políticas públicas, das recomendações de organizações de saúde e do conselho profissional; Refletir sobre os “por quês”, os objetivos maiores que fundamentam as suas propostas educacionais para os idosos; Discutir os possíveis entendimentos de questões como autonomia,

independência física e envelhecimento ativo; Redigir parte de um Plano de Curso para uma proposta de uma atividade física para idosos, justificando a proposta e especificando alguns objetivos.

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3.1. Propostas pedagógicas de um programa para idosos
Um dos grandes desafios da Educação Física hoje é atuar preventivamente na comunidade, combatendo o sedentarismo e melhorando a saúde da população (CONFEF, 2002). De acordo com a Carta Brasileira de Educação Física (CONFEF, 2000), o profissional da Educação Física deverá lançar mão de todos os meios formais e nãoformais (exercícios, ginásticas, esportes, danças, atividades de aventura,

relaxamento, etc.) para educar o ser humano para a saúde e um estilo de vida ativo. Este documento sugere que o trabalho educativo a partir do movimento deve estabelecer relações também com o Lazer, a Cultura, o Esporte, a Ciência e o Turismo e tem compromissos com as grandes questões contemporâneas da Humanidade como a inclusão dos idosos e das pessoas portadoras de necessidades especiais, o combate à exclusão social, a promoção da paz, a defesa do meio ambiente e a educação para a cidadania, democracia, convivência com a diversidade (étnica, sexual, cultural, religiosa, etc.). Também a Organização Pan-americana da Saúde (2005), através de sua representação no Brasil, divulgou o documento “Envelhecimento ativo: uma política” de saúde, no qual procura dar informações para a discussão e formulação de planos de ação que promovam um envelhecimento saudável e ativo, visando sensibilizar todos aqueles responsáveis pela formulação de políticas e programas ligados ao envelhecimento (governos, entidades não-governamentais, setor privado). Segundo este documento “manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é uma meta fundamental para indivíduos e governantes”. Alerta também que no conceito de envelhecimento ativo, a palavra ativo não se refere unicamente a manter o idoso fisicamente ativo e saudável.
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Embora estes também sejam objetivos a se perseguir, é preciso ter o entendimento de um idoso ativo no sentido mais amplo de ser participativo. Um programa deve se preocupar em preparar as pessoas idosas para a participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente para serem fisicamente ativas. É preciso educá-las para saber que podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e países - mesmo estando aposentadas, mesmo com alguma doença ou alguma necessidade especial. Na legislação brasileira há artigo específico com relação à atuação do poder público quanto "ao incentivo e à criação de programas de lazer, esporte e atividades físicas que proporcionem a melhoria da qualidade de vida do idoso e estimulem sua participação na comunidade" (Lei nº 8.842/1994 – art. 10 – inciso VII - alínea e). Estes posicionamentos de Conselho Profissional, Organização de Saúde e Estado brasileiro deixam claro que não há dúvida quanto à necessidade de se implantar programas de atividades físicas para idosos. Do ponto de vista acadêmico, entretanto, surgem questões a respeito das questões pedagógicas, levando diversos estudiosos a se debruçar sobre o problema de quais seriam as características destas atividades, que fundamentos teóricos e que objetivos específicos embasariam e justificariam uma proposta de programa de atividades físicas para idosos. Para OKUMA (2004) uma proposta pedagógica de atividades físicas para idosos deve situar seus objetivos para além das questões da aptidão física e da saúde, que são colocadas como meios e não como fins. O foco real da proposta deve ser “o desenvolvimento do ser idoso” e para este trabalho sugerem-se sete
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princípios que têm por base uma Educação que abra para o aluno idoso um leque de perspectivas para: 1. o autoconhecimento 2. a autonomia 3. o aprender contínuo e atualização 4. a descoberta de competências 5. ser responsável 6. usufruir do meio ambiente 7. a fruição e prazer Segundo esta pesquisadora a educação física é: “... processo educativo que ensina às pessoas os conhecimentos sobre movimento humano e os procedimentos/habilidades para melhorá-lo e/ou mantê-lo, de forma a otimizar suas potencialidades e possibilidades motoras de qualquer ordem e natureza, adaptando-se e interagindo com o meio ambiente, para ter qualidade de vida.” Numa outra abordagem, mas dentro de foco semelhante, MIRANDA, GEREZ e VELARDI (2004) sugerem ser importante superar o paradigma biomédico na hora de se propor um programa de exercícios visando autonomia para idosos. Dentro da visão biomédica, autonomia é sinônimo de independência física: basta um idoso manter-se fisicamente independente (cuidando de sua saúde biológica e treinando suas capacidades físicas) para ser considerado autônomo. Embora não neguem a importância da independência física para a autonomia, as autoras convidam o professor a refletir se uma prática centrada no paradigma biomédico não estaria limitando as possibilidades educacionais de um programa de atividades físicas para idosos. Levantam a questão de que, na hora de propor atividades para idosos, uma abordagem que conceba saúde de maneira mais abrangente possivelmente ajude o professor a ampliar os limites do que pode ser
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considerado ser autônomo, incluindo até mesmo o idoso fisicamente frágil e o idoso deficiente físico como passíveis de alcançar autonomia. Esta abordagem é baseada no conceito de Promoção da Saúde (biopsicossocial) e utiliza a educação física como uma das estratégias de Educação em Saúde. Esta visão estimula o professor a propor atividades que ajudem o aluno a descobrir recursos para ser autônomo e “continuar a manter o controle sobre vida, mesmo na presença de alguma limitação física... Neste caso a autonomia passa a ser concebida não só a partir da independência física, mas como algo que envolve reflexão, tomada de decisão e escolhas conscientes”.

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3.2. Objetivos em um Plano de Curso para idosos
As reflexões que se fazem sobre educação e sobre a importância da atividade física como meio na educação de idosos autônomos precisam, no final, se articularem com as atividades que pretendemos desenvolver dentro de um programa e isto se faz através da confecção de um Plano de Curso. É durante a redação do Plano de Curso que o professor vai se questionar a respeito de como tornar importante e estimulante cada atividade e conteúdo para a vida diária de seu aluno, como dividir com eles a filosofia, a visão de mundo e concepção de envelhecimento que embasam a proposta pedagógica. É durante a redação deste Plano também que o professor vai se perguntar a respeito de que espaço físico, equipamentos materiais necessitará. Também é neste momento que ele vai se questionar a respeito de como avaliará se o programa está dando resultado ou não. Ao redigir o plano de curso, o professor muitas vezes se perde ou não articula os diversos componentes, esquecendo que o plano de curso resume e organiza os objetivos e as grandes ações para um período relativamente longo de tempo, como um semestre ou ano. Esta confusão pode ser evitada seguindo-se algumas regras simples. Primeiro é importante saber que, no Plano de Curso, a fundamentação teórica é o centro da redação. Portanto a justificativa, os objetivos gerais e os objetivos específicos devem estar explicitados claramente, enquanto que conteúdos, estratégias, avaliação, equipamentos, etc. precisam apenas ser sugeridos em linhas gerais (pois serão mais bem descritos nos planos de aula).

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A justificativa situa o programa, atividade ou modalidade proposta dentro de uma proposta pedagógica, de uma filosofia de trabalho, de uma visão de mundo e de envelhecimento que nortearão o trabalho. Os Objetivos Gerais referem-se às grandes alterações que se pretende implementar junto aos alunos ao longo de um período de treinamento (um trimestre, um semestre ou um ano). Já os Objetivos específicos apontam para alterações mais exatas, mais definidas (fisiológicas, psicológicas, sociais) que se quer verificar em cada aluno durante as aulas ou dentro de uma unidade do curso. O seu enunciado já deve levar o professor a pensar em conteúdos e estratégias, pois neles já se consegue divisar aspectos mais operacionais, instrucionais, do trabalho que se pretende realizar. Ao redigir os objetivos é preciso estar atento ao fato de que devem especificar os comportamentos esperados do aluno (e não do professor) e devem também especificar claramente a intenção do professor (não dando margem a muitas interpretações). Para redigir um Plano de Curso o professor deve conhecer bem o aluno (sua realidade, suas expectativas e necessidades), precisa estar bem

fundamentado teoricamente, para justificar e propor objetivos para o trabalho, e necessita estar bem fundamentado tecnicamente (para propor atividades, escolher estratégias, metodologias e avaliação, prever necessidades de espaço, equipamentos, materiais e ainda estar preparado para prevenir riscos e acidentes). O planejamento deve considerar ainda uma análise detalhada do espaço físico em que acontecerão as aulas. Conhecer previamente o espaço onde serão desenvolvidas as atividades é fundamental para um bom planejamento.

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MODELO DE PLANO DE CURSO

Embora existam modelos diferentes para redigir um Plano de Curso, observe na sua redação se foram contempladas as informações mínimas necessárias explicitadas no esquema abaixo:

PLANO DE CURSO Atividade proposta: Público alvo: Professor: Duração do treinamento: semanas, meses... Justificativa: defesa teórica na necessidade e viabilidade do programa dentro de uma proposta pedagógica Objetivos: gerais e específicos explicitando resultados que se pretenda observar Conteúdos a serem adquiridos e desenvolvidos pelos alunos para alcançarem os objetivos Metodologia e recursos que facilitem o processo de ensino e aprendizagem Avaliação: Instrumentos de que possibilitem verificar, de alguma forma, até que ponto os objetivos foram alcançados. CRONOGRAMA AULA Nº 1 2 3 4 5 Conteúdos DATA

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3.3. Reflexões Finais
Essa parte do curso trabalhou com algumas noções bem teóricas por um lado e outras diretamente ligadas à prática por outro e ambas serão importantes no ato de planejar. Talvez alguns conceitos que ainda não lhe sejam familiares, pois os tópicos relacionados a conteúdos, metodologia, recursos e avaliação serão objeto de estudo aprofundado nas próximas unidades, eles foram apresentados sumariamente nesta unidade com a finalidade de permitir que você já começasse a pensar em um esboço do seu Plano de Curso.

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UNIDADE 4 – FISIOPATOLOGIA DO ENVELHECIMENTO: QUEM É O ALUNO IDOSO?
Apresentação Nesta unidade conheceremos melhor o nosso aluno. Quem

é o idoso em nossa sociedade? Será verdade que o número de idosos está aumentando? Como é que uma pessoa envelhece? O indivíduo que envelhece é mais sujeito a doenças? Discutiremos essas questões a partir da epidemiologia, da fisiologia e da patologia, numa abordagem voltada para as questões do envelhecimento. Conhecer o aluno é fundamental para o planejamento. Sem esse conhecimento, corre-se o risco de pensar primeiro na atividade e depois procurar que tipo de idoso se encaixa nela: o que acaba por se tornar uma atividade de exclusão na prática. Portanto, é a partir do conhecimento do aluno, de sua realidade e de suas necessidades que se começa a traçar os objetivos de cada aula, e é a partir do aluno que se escolhe conteúdos e metodologia de trabalho.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de: Analisar a realidade na qual está inserido o seu aluno idoso, a partir das noções teóricas de epidemiologia aplicada ao envelhecimento; Compreender os mecanismos pelos quais o processo de envelhecimento atua sobre o seu aluno idoso, a partir das noções teóricas de fisiologia aplicada ao envelhecimento; Conhecer as principais doenças a que estão sujeitos seus alunos idosos, a partir das noções teóricas de patologia aplicada ao envelhecimento.

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4.1. Epidemiologia do Envelhecimento
No Brasil, os idosos representam 8,5% do total da população. Caso sejam mantidas as taxas atuais de crescimento, provavelmente até 2025 o país contabilize cerca de um quinto de sua população no grupo dos idosos. Isso gera, desde já, demandas para os Sistemas de Saúde, Previdenciário e também para toda a sociedade, devido às características e necessidades especiais desse segmento, mormente no que tange à atividade física (OLIVEIRA, 2002). Além das perdas sociais e cognitivas, ao envelhecimento está associada uma série de outras perdas nos níveis antropométrico, neuromotor e metabólico, capazes de comprometer seriamente a qualidade de vida do idoso (MAZZEO et al., 1998). Os efeitos dessas perdas começam a se fazer notar a partir dos 50 anos de idade, ocorrendo a uma taxa aproximada de 1% ao ano para a maior parte das variáveis da aptidão física. Na antropometria detecta-se aumento do peso corporal, diminuição da estatura e aumento da gordura corporal, em detrimento da massa muscular e da massa óssea. O envelhecimento é também acompanhado de menor desempenho neuromotor, explicado pela diminuição no número e no tamanho das fibras musculares, levando a uma perda gradativa da força muscular. Quanto às variáveis metabólicas, o principal efeito deletério é sobre a potência aeróbia que diminui mesmo nos idosos ativos (MATSUDO, MATSUDO e BARROS NETO, 2000). A fraqueza muscular pode diminuir a capacidade para realizar as atividades da vida diária, levando o idoso à dependência. Além disso, conforme se perde força aumenta-se o risco de traumas em conseqüência das quedas. Resultados semelhantes também são observados a partir de perdas significativas na flexibilidade (BAUMGARTNER, 1998; GUIMARÃES, 1999).
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As perdas na potência aeróbia também estão relacionadas à maior morbidade e mortalidade por doenças crônicas e degenerativas, doenças metabólicas, infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, demência, depressão, dentre outras (NIEMAN, 1999). Do ponto de vista epidemiológico, embora este quadro de perdas e sua associação ao desenvolvimento de doenças crônicas e incapacidades seja prevalente na população idosa de todo o mundo, isso não quer dizer que esta seja a única via pela qual esta população chega à velhice. Examinado sob a ótica puramente biológica, sabe-se que o envelhecimento é um processo natural e acontece com todas as espécies de forma semelhante. Entretanto, sabe-se também que, no caso do ser humano, este processo é fortemente influenciado pelos aspectos psicológicos, sociais, históricos, filosóficos, políticos, antropológicos, que fazem o ser humano ser quem ele é hoje, viver como vive hoje, envelhecer como envelhece hoje. Este modo de “ser humano” revela-se exteriormente como um conjunto de crenças, valores, atitudes, posturas e hábitos de vida que caracterizam cada grupo social e cada população humana. Já é evidente hoje que alguns grupos envelhecem seguindo uma via diferente daquela que termina em doença, incapacidade ou perda de autonomia. O diferencial entre as pessoas pertencentes a estes grupos é que, embora elas apresentem alguma perda, elas envelheceram de maneira saudável e apresentam níveis de autonomia significativamente superiores aos do que se esperava verificar em idosos antigamente (CANÇADO e HORTA, 2002). Uma explicação provável para esta realidade relaciona-se ao estilo de vida dessas pessoas. Verifica-se que esses idosos de alguma forma (consciente ou inconscientemente) fizeram algumas escolhas e promoveram algumas alterações no
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seu estilo de vida que correspondem exatamente àquilo que é preconizado atualmente, em todas as áreas da saúde, como fundamental para se viver muito e com qualidade. As alterações no estilo de vida, como a adoção de hábitos sadios tais como a inclusão de exercícios físicos e alimentação balanceada; ao lado da extinção de outros hábitos nocivos à saúde, tais como o estresse, o excesso de calorias, o tabagismo e o alcoolismo estão hoje entre as principais orientações para uma melhor qualidade de vida e maior longevidade. Essa prescrição fundamenta-se em um estudo realizado por PAFFENBARGER et al. (1993), comparando qual o peso dos hábitos de vida no adoecimento e morte de 17.000 universitários
20% 10%

acompanhados pelo tempo de 11 a 15
Hábitos 50% Genética Ambiente Sist. Saúde 20%

anos.

Verificou-se

que

50%

dos

adoecimentos e óbitos nesta população estiveram relacionados a alterações negativas nos hábitos de vida adotadas

após a saída da universidade (tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, obesidade). Este estudo foi repetido no mundo todo, avaliando boa parte das doenças conhecidas e a conclusão foi a mesma: os hábitos de vida têm um grande peso no processo que leva as pessoas a adoecerem e morrer. Dentre os novos hábitos a serem adquiridos, a participação em atividade física regular desempenha importante papel. Está estabelecido que a maior parte dos efeitos negativos atribuídos ao envelhecimento deve-se, na verdade, ao sedentarismo, que leva ao desuso das funções fisiológicas por imobilidade e má

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adaptação e não estão diretamente relacionados nem ao avançar dos anos ou com o desenvolvimento das doenças crônicas (OLIVEIRA et al., 2001). O envelhecimento favorece a implantação de um quadro de perdas e incapacidades no idoso sedentário, mas a atividade física contribui diretamente para a manutenção e incremento das funções do aparelho locomotor e cardiovascular, amenizando os efeitos do desuso, da má adaptação e das doenças crônicas, prevenindo parte dessas perdas e incapacidades (SINGH, 2002). Verifica-se, portanto, que do ponto de vista epidemiológico e da saúde pública, já existe consenso no reconhecimento dos benefícios advindos da prática regular de exercícios físicos pelos idosos, tanto nos aspectos fisiológicos como psicossociais, proporcionando melhorias significativas na auto-estima e na qualidade de vida dessas pessoas.

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4.2. Fisiologia do Envelhecimento

4.2.1. Um novo paradigma para o envelhecimento
Para que se entenda a ação da atividade física no organismo de pessoas na terceira idade, torna-se necessário compreender o quê, fisiologicamente, acontece com o corpo humano que envelhece. Autores como CANÇADO e HORTA (2002), consideram o sistema nervoso central (SNC) o sistema biológico mais comprometido no processo de

envelhecimento, sendo o responsável pelas sensações, movimentos, funções psíquicas entre outros, além das funções biológicas internas. O comprometimento deste sistema preocupa pelo fato de não dispor de capacidade reparadora eficiente, nem rápida, ficando este sistema sujeito ao processo de envelhecimento através de fatores intrínsecos (genéticos, sexo, circulatório, metabólico, radicais livres, etc.) e extrínsecos (ambiente, sedentarismo, hábitos de vida como, tabagismo, drogas, radiações, etc.). Estes fatores acabam exercendo uma ação deletéria no organismo ao longo do tempo. MATSUDO (2001) atribui à evolução etária e ao sedentarismo a diminuição da capacidade física das pessoas. Alterações psicológicas acompanham este processo, como sentimento de velhice, estresse, depressão. A redução das atividades físicas de vida diária também contribui para deteriorar o processo de envelhecimento. Para esta autora, o desuso das funções fisiológicas é o principal problema do envelhecimento. HAYFLICK (1996), alerta, que diminuições e perdas são coisas distintas porque dependem muito de como as percebemos:
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"Com a idade, nossa pele pode perder sua suavidade e adquirir rugas. Do ponto de vista da função da pele, que é encobrir nossos órgãos e nos proteger do meio ambiente, não importa muito se nossa pele é suave ou enrugada. O pessimista vê a mudança como negativa e a classifica como perda; o otimista vê a mudança como positiva e a chama de ganho. Da mesma forma o cabelo branco é uma mudança normal da idade que não afeta a saúde. Se é uma perda ou um ganho, depende do ponto de vista sob o qual este fato é vivenciado”. Estas colocações nos fazem lembrar do estereotipo de que homens de cabelos brancos são charmosos, enquanto que as mulheres, em sua grande maioria, costumam recorrer a técnicas diversas no sentido de esconder o branco passar do tempo sobre suas cabeças. É preciso que se entenda que o envelhecimento por si só não é uma doença e que a maior parte das pessoas idosas não tem uma saúde debilitada. O envelhecimento está acompanhado de mudanças físicas e assim aumenta a possibilidade de desenvolver enfermidades crônicas. Porém, a idéia de que tudo piora na velhice é uma imagem negativa e estereotipada (HAYFLICK, 1996). Na opinião de RAMOS (2002), o que está em jogo na velhice é a autonomia, a capacidade de determinar e executar seus próprios desejos. Para este autor, a capacidade funcional surge como um novo paradigma de saúde e passa a ser resultante da interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica. Qualquer uma dessas dimensões, se comprometida, pode afetar a capacidade funcional do idoso. O bem-estar na velhice, ou saúde num sentido amplo, seria o resultado do equilíbrio entre as várias dimensões da capacidade funcional do idoso, sem necessariamente significar ausência de problemas em todas as dimensões.

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A OMS define incapacidade como uma “restrição ou falta de capacidade para realizar uma atividade da maneira ou dentro da amplitude considerada normal para um ser humano”. Diversos estudos revelam que o idoso tem menos medo de morrer do que se tornar fisicamente dependente, conforme evidenciado por seu forte desejo de permanecer independente (BUCHNER et al., 1992).

4.3. Fisiopatologia do envelhecimento: doenças prevalentes
De acordo com (NIEMAN, 1999), aproximadamente 85% das pessoas idosas apresentam uma ou mais das seguintes doenças ou problemas de saúde, que necessitam ser considerados no planejamento da atividade física para esta população: Artrite e Artrose (48%); Hipertensão arterial (36%); Cardiopatias (32%); Comprometimento da audição (32%); Comprometimentos ortopédicos (19%); Catarata (17%); Diabetes (11%); Comprometimento visual (9%); Alzheimer (de 4 a 11%).

60 50 40 30 20 10 0

artrite 48 36 32 32 19 17 11 hipertensão cardiopatias audição ortopédicas 9 4 catarata diabetes visuais alzheimer

prevalência (%)

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4.3.1. Doenças Cardiovasculares
Doença Cardiovascular é a designação genérica para diversas doenças que acometem o coração e os vasos sangüíneos. Dentro desta denominação se encontram: a hipertensão arterial; a doença coronariana (ou doença cardíaca coronariana), doenças cerebrovasculares, doenças vasculares periféricas, etc. Sabese hoje que o colesterol alto e o sedentarismo representam riscos maiores para o desenvolvimento dessas doenças que a obesidade e o tabagismo.

50 40 30 20 10 0

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Risco relativo: sedentarismo x cardiopatias

Perigos da hipertensão arterial

Dentre as doenças cardiovasculares, deve ser dado cuidado especial à Hipertensão Arterial devido à sua morbidade (capacidade para desencadear outras doenças). A Pressão Arterial normal é de 120X80 mmHg (popularmente dito 12 por 8), mas ela pode variar numa faixa que vai de 90X60 mmHg (ou 9 por 6) até 140X90 (ou

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14 por 9) mmHg e ainda ser considerada aceitável para aqueles sem outros fatores de risco para doenças cardiovasculares. O primeiro valor é denominado Pressão Arterial Sistólica (PAS ou pressão máxima), ele torna-se perigoso para desencadear problemas cardiovasculares quando está acima de 140 mmHg (acima de 14). O segundo valor é denominado Pressão Arterial Diastólica (PAD ou pressão mínima), ele torna-se perigoso quando está acima de 90 mmHg (acima de 9). Quando pelo menos um dos valores está elevado, o indivíduo apresenta hipertensão arterial (pressão alta).

4.3.2. Doenças Ortopédicas e Reumatológicas
As principais doenças ortopédicas e reumatológicas que atingem os idosos são: osteoartrite, osteoporose, lombalgia e dor crônica.

a) OSTEOARTRITE OU OSTEOARTROSE

A osteoartrose (AO) é a forma mais comum de artrite. É uma doença crônica que afeta as articulações, músculos e o tecido conjuntivo. Afeta mais pessoas do sexo feminino (2/3 dos casos relatados) e é prevalente em idosos (70% apresentam testes radiológicos positivos para a doença e, destes, pelo menos 50% desenvolverão os sintomas clínicos). Os sintomas mais comuns são: inflamação (dor, calor, rubor, edema), rigidez, limitação de movimentos (seqüelas de calcificações, atrofias, etc), incapacidades (diversos níveis). Tudo isso leva o idoso à:
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dor e rigidez por longos períodos; dificuldade para andar, subir escadas, levantar-se da cama ou cadeira, entrar e sair de carro, carregar objetos;

perda de independência e de qualidade de vida.

b) OSTEOPOROSE

A Osteoporose é definida como uma desordem esquelética que compromete a força óssea e aumenta do risco de fratura das áreas afetadas. A força óssea reflete a integração entre a densidade mineral óssea e a qualidade óssea. A diminuição da força óssea indica que os ossos estão mais porosos, mais frágeis e, portanto, mais fáceis de quebrar. Entretanto, até acontecer a primeira fratura a pessoa não sabe que é portadora da doença, por isto a osteoporose é considerada uma doença silenciosa. A massa óssea do adulto reflete o acúmulo de tecido ósseo ocorrido durante o crescimento. A massa óssea é avaliada através da densitometria óssea, um exame que compara a massa óssea do indivíduo examinado com a média da densidade mineral óssea de adultos jovens. O resultado é dado em T-Score que mostra o quanto o indivíduo se aproxima ou afasta daquela média. Segundo a OMS a osteoporose é definida quando o T-Score é igual ou inferior a -2,5, dentro dos escores possíveis: 1. normal: T-Score ≥ −1,0 2. osteopenia: T-Score < −1,0 e > −2,5 3. osteoporose: T-Score ≤ −2,5

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A doença progride lentamente e raramente apresenta sintomas. Se não for avaliada a massa óssea a osteoporose será percebida apenas quando surgirem as primeiras fraturas. Os locais mais comuns de fraturas são as vértebras. As fraturas que se correlacionam com maior mortalidade e perda da independência são as fraturas de quadril. Apesar de acometer mais as mulheres idosas, por volta de 13 % dos homens acima dos 50 anos podem apresentar algum tipo de fratura por osteoporose e as fraturas de quadril nos homens associam-se a maior mortalidade do que nas mulheres. Ou seja, as mulheres sofrem mais fraturas que os homens, mas os homens morrem mais em decorrência destas fraturas.

c) DOR CRÔNICA

Sabe-se que a dor crônica é prevalente em idosos, podendo atingir até 71,5% destas pessoas em algumas populações. Vários estudos têm demonstrado que o fenômeno da dor não depende apenas do grau de lesão, podendo ocorrer inclusive na ausência de lesão orgânica (BROCHET et al., 1998; PEREIRA e GOMES, 2004; HARTIKAINEN et al., 2005). Os pontos de dor mais comuns são: Ombro, Cotovelo, Punho, Mão e Coluna Lombar.

4.3.3. Doenças Metabólicas
Doença Metabólica é o termo genérico utilizado para as doenças causadas por algum processo metabólico anormal. Uma doença metabólica pode ser
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congênita (devido a alguma anormalidade genética herdada) ou pode ser adquirida (devido a alguma doença ou disfunção endócrina). As doenças metabólicas mais comuns em idosos são: • • • • dislipidemias (colesterol e triglicerídeos); hiperuricemia (gota e hipertensão); distúrbios do metabolismo do ferro (anemia e sobrecarga de ferro); desequilíbrio hidroeletrolítico (desidratação, desequilíbrio do sódio e do potássio); • • desequilíbrio ácido-básico (alcalose e acidose); transtornos do metabolismo da glicose (hipoglicemia, hiperglicemia e diabetes) e • síndrome metabólica.

As doenças metabólicas produzem sintomas diversos, que comprometem a qualidade de vida e o desempenho nas atividades da vida diária. Sem os devidos cuidados e tratamento, elas evoluem para estados mais graves e podem levar ao óbito. Durante o exercício, elas são as maiores responsáveis por tontura, formigamento, fraqueza, visão turva, náusea, síncope, queda, parada cardíaca e morte súbita. O controle dessas doenças necessita da combinação de tratamento médico, acompanhamento nutricional e da prática de exercícios físicos orientados.

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4.3.4. Quedas: doença ou sintoma?
As quedas e síncopes (desmaios) são muito comuns em idosos. As estatísticas mostram que 35% dos idosos acima de 65 anos sofrem pelo menos 1 queda por ano. Já entre idosos acima de 80 anos, 45% sofre pelo menos 1 queda por ano. Em pelo menos 10% dos casos, a queda resulta em FRATURA. É importante observar sintomas como mal-estar, vertigem, desequilíbrio e síncope em pessoas idosas porque eles podem resultar em queda e também porque podem significar presença de situações que necessitam de cuidados especiais, primeiros socorros ou encaminhamento para o médico: • • • • • • • Crise hipertensiva; Ataque cardíaco; Hipotensão postural; Labirintopatia e outros distúrbios do equilíbrio; Hipoglicemia e hiperglicemia; Comprometimentos ortopédicos/osteoporose; Demência senil (Doença de Alzheimer). Em idosos saudáveis as 4 principais causas de queda são as hipotensões posturais, perdas neuromotoras, perdas neurossensoriais e efeitos de medicações.

a) Hipotensão Postural

A hipotensão postural é a diminuição rápida da pressão arterial sistólica (pressão máxima) em valores superiores a 20 mmHg ou da pressão diastólica
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(pressão mínima) em valores superiores a 10 mmHg, acompanhada de sintomas de hipoperfusão cerebral (diminuição da irrigação sangüínea cerebral) levando a fraqueza, tontura, perturbações visuais síncope (desmaio). Não importa os valores iniciais da pressão arterial, basta uma redução rápida na pressão arterial nos níveis vistos acima para provocar os sintomas em pessoas de qualquer idade. É comum acontecer quando o idoso passa da posição sentada ou deitada rapidamente para a de pé. Acontece também quando se permanece muito tempo de pé em posições de pouco movimento. Em idosos é também comum apresentar estes sintomas após as refeições, mesmo os lanches rápidos. Deve-se esperar encontrar eventos de hipotensão postural e síncopes em idosos que apresentem dificuldade para caminhar, quedas freqüentes, histórico de infarto do miocárdio, de eventos isquêmicos transitórios e, particularmente, naqueles com a estenose das carótidas por aterosclerose (SGAMBATTI et al., 2000; FREITAS et al., 2002; RUTAN et al., 1992). visão turva, enevoada, escurecida - e

b) Perdas Neuromotoras

As perdas de massa e força muscular estão ligadas à maior incidência de doenças crônicas como a osteoporose, aos distúrbios de equilíbrio e da marcha e, também, à maior incidência de quedas. Verifica-se também que a degeneração progressiva dos proprioceptores, devido ao envelhecimento, faz com que o controle da própria posição no espaço seja bastante comprometido, prejudicando o equilíbrio e aumentando o risco de
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quedas (CASTILHO, 2002; MATSUDO, MATSUDO e BARROS NETO, 2000; MAZZEO et al., 1998).

c) Perdas Neurossensoriais

São as perdas relacionadas aos órgãos dos sentidos. Ao longo dos anos, uma compensação natural para as perdas de equilíbrio relacionadas às perdas neuromotoras é feita, transferindo-se os referenciais de equilíbrio e controle da própria posição no espaço cada vez mais para marcadores sensoriais,

principalmente a visão que, com a idade avançada, torna-se o recurso predominante para avaliar a posição do corpo no espaço. Entretanto, chega o momento em que também essa via torna-se obsoleta devido às perdas que também acometem os órgãos dos sentidos inclusive a visão. A partir daí o risco de queda aumenta, enquanto a perda de equilíbrio torna-se cada vez mais severa. (ALTER, 1999)

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d) Medicações que provocam hipotensão e quedas

Ocorre aumento na freqüência de quedas entre indivíduos que ingerem mais de um tipo de medicação. Os medicamentos que mais predispõem à queda são os que induzem hipotensão postural (remédios para cardiopatas, diuréticos, nitratos, anti-hipertensivos e antidepressivos tricíclicos), sonolência (hipnóticos) e confusão mental (cimetidina e digitais). Medicações para problemas psicológicos (depressão, etc.), Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson também predispõem a quedas (MACDONALD, 1985; MACDONALD e MACDONALD, 1977).

4.4. Reflexões Finais
Nesta parte do curso você estudou conteúdos que ajudaram a conhecer melhor a realidade do seu aluno. Procure certificar-se de que, a partir das noções teóricas a respeito de epidemiologia, fisiologia e patologia, você consegue identificar o quanto o seu aluno ou o seu grupo de alunos se enquadra nas características dos idosos retratados nos artigos científicos de todo o mundo.

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UNIDADE 5 – FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: O QUÊ PRESCREVER PARA IDOSOS?
Apresentação Nesta unidade estudaremos os fundamentos da fisiologia do

exercício com foco nos efeitos da atividade física sobre os diversos sistemas do idoso e sobre a sua saúde. Faremos uma revisão sobre as bases para a prescrição do exercício a partir dos princípios do treinamento esportivo também centrado no trabalho com idosos. E, finalmente, procuraremos conhecer alguns cuidados (indicações, contra-indicações e riscos) na prescrição do exercício para o idoso portador de algumas das patologias que estudamos na unidade anterior.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de: Reconhecer e aplicar os princípios do treinamento esportivo no

desenvolvimento de atividades físicas para idosos; Descrever os benefícios do exercício físico para os diversos sistemas e para a aptidão física dos idosos; Indicar e contra-indicar atividades e prever riscos durante a prática de exercícios por parte dos alunos idosos portadores de alguma das principais doenças prevalentes nesta faixa etária.

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5.1. Prescrição do exercício para o idoso
A prática segura de exercícios físicos sempre pressupõe: • prescrição (qual modalidade será praticada por qual aluno ou turma para

atingir que objetivo?), • orientação (presencial feita por um professor ou à distância feita por um

professor através de um manual, cartilha, folheto, vídeo, programa de televisão, etc.) e, preferencialmente, • supervisão (controle exercido por um professor presente, junto com o aluno

ou turma em uma situação pedagógica, facilitando o processo de ensino e aprendizagem: aula). A prescrição, orientação e supervisão são importantes porque neste tipo de atividade física (exercício) sempre existe alguma expectativa de benefício (físico, psicológico, social, etc.) que, para ser alcançado, sempre necessita de um mínimo de conhecimento técnico, pois sempre envolve alguma dose de risco (risco social de exclusão; risco psicológico de frustração e, principalmente, risco físico de lesão, fadiga e até morte). Para se discutir os princípios para a prescrição do exercício físico para que o idoso melhore sua aptidão física e saúde, primeiro é preciso ter bem claro o que se entende por Aptidão Física, Atividade Física e Exercício Físico dentro de fisiologia do exercício aplicada ao trabalho com idosos (ASSUMPÇÃO, 2002): APTIDÃO FÍSICA: é uma série de atributos físicos que possibilita a qualquer pessoa o desempenho satisfatório de suas atividades da vida diária, que vão desde o trabalho e cuidados pessoais até as recreativas, esportivas e de lazer. • ATIVIDADE FÍSICA: é qualquer atividade ou movimento que provoque um

gasto de energia acima do repouso. São exemplos de atividades físicas: tomar
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banho, dirigir, pintar, tocar um instrumento, andar, brincar, passear, fazer compras, trabalhar, dançar, jogar, varrer, jardinar e praticar exercícios físicos. • base EXERCÍCIO FÍSICO: é uma atividade física praticada regularmente com numa prescrição que visa o condicionamento físico ou o

desenvolvimento de habilidades esportivas ou a educação através do movimento. Todo exercício físico possui padrões característicos de cada modalidade e devem estar ligados aos objetivos propostos, mas alguns estão sempre presentes: freqüência semanal, duração, intensidade, progressão, dentre outros. Estes padrões são conhecidos em Fisiologia do Exercício como Princípios de Prescrição ou Princípios do Treinamento Esportivo.

5.1.1. Princípios da prescrição
De acordo com NUNES (2000) há sete princípios que norteiam o planejamento e a prescrição de exercícios físicos visando ao condicionamento físico e à saúde. Estes princípios são válidos desde o planejamento de simples atividades físicas no leito ou na cadeira de rodas para um idoso infartado até o planejamento de um treinamento para este mesmo idoso participar de uma maratona cinco anos depois. Estes princípios são denominados PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO:

1. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA: Um indivíduo é diferente do outro. Algumas pessoas são naturalmente mais flexíveis (talento natural para ioga, ginástica), outras são mais fortes (facilidade para musculação, escaladas) e outras
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têm maior potência aeróbia (predisposição para corridas, natação). Em um grupo, pessoas diferentes apresentam diferentes níveis iniciais de aptidão física (morfológica, cardiorrespiratória, muscular e articular), isto é característico de sua individualidade biológica e precisa ser levado em conta na hora de planejar as atividades de forma a valorizar os talentos naturais e, ao mesmo tempo, melhorar o condicionamento das áreas em que o indivíduo tenha maior dificuldade. 2. PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE: exercícios específicos produzem

incrementos específicos. Treinar flexibilidade melhora a flexibilidade, não a força. Treinar força de pernas não melhora a força dos braços. 3. PRINCÍPIO DA SOBRECARGA: para produzir melhoras é preciso aumentar a carga. A Carga de trabalho é o somatório da quantidade de trabalho (volume = duração + freqüência + repouso) com a qualidade do trabalho (Intensidade = tipo de esforço). Aumenta-se a carga diminuindo-se o repouso ou aumentando-se um ou mais dos seguintes componentes: INTENSIDADE, DURAÇÃO e FREQÜÊNCIA do exercício. A INTENSIDADE refere-se a quanto do máximo esforço se situa a prescrição. Exemplo: passar de 50% para 55% da Freqüência Cardíaca Máxima é fazer sobrecarga em um treino aeróbio. Passar de 30% para 40% de 1RM (Uma Repetição Máxima) é fazer sobrecarga em um treino de força. A DURAÇÃO referese a quanto tempo se submeterá o corpo ao esforço. Exemplo: aumentar o tempo da sessão de treinamento de 30 para 40 minutos é fazer sobrecarga a partir da duração. A FREQÜÊNCIA refere-se ao número de sessões semanais. Exemplo: aumentar o número de práticas de 3 para 4 vezes na semana é fazer sobrecarga a partir da freqüência. 4. PRINCÍPIO DA ADAPTABILIDADE: o corpo se adapta às cargas a que é constantemente submetido. Portanto, depois de algumas semanas levantando 10
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vezes um peso de 3 kg, o corpo se adapta e passa a levantar o mesmo peso 12, 15 ou mais vezes ou então passa a ser capaz de fazer as 10 repetições agora com 4 kg. Depois de algumas semanas caminhando 4 km em 1 hora, o corpo se adapta e já consegue percorrer os 4 km em 45 minutos ou então em 1 hora descobre que já consegue caminhar 5 km. Isso quer dizer que o corpo melhorou o condicionamento físico, mas significa também que a partir daí, se nada for mudado, ele pára de progredir, ficando em estado de manutenção do que já foi ganho. Para continuar progredindo será necessária uma sobrecarga. 5. PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE: a sobrecarga deve ser aplicada sem saltos, gradativamente, para garantir os benefícios e prevenir lesões ou acidentes. 6. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE: os benefícios decorrem da prática. Os resultados para o condicionamento são cumulativos, não ocorrem na prática intermitente. 7. PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE: se não houver continuidade perdemse os ganhos obtidos. O tempo para voltar ao estágio inicial é, em média, de 1/3 do tempo de treinamento. Exemplo: O aluno começou o programa aeróbio caminhando 4 km em 1 hora. Em 9 meses já estava caminhando 7 km em 1 hora. Parando o treinamento, aproximadamente em 3 meses ele volta à condição inicial.

5.1.2. Orientações gerais para uma prescrição
O idoso deve ter um nível de capacidade física suficiente para realizar as suas atividades diárias, tomar parte ativa em atividades recreativas e diminuir o risco de aumentar ou piorar as conseqüências do envelhecimento.

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Quem está sentado durante a maior parte do dia apresenta sinais evidentes de diminuição desta capacidade. Sente-se cansado durante a maior parte do tempo e incapaz de manter relações com outras pessoas da sua idade. Entra assim num ciclo vicioso que o leva a evitar a atividade porque se cansa demasiado rapidamente. As novas orientações de saúde apelam para 30 minutos ou mais de atividade física moderada, durante a maior parte dos dias da semana. Pode-se utilizar qualquer atividade que se provoque um esforço entre as intensidades baixa e moderadamente intensa. Nas atividades de baixa intensidade podem ser incluídas atividades físicas como a caminhada por puro prazer, a jardinagem, os trabalho domésticos, a automassagem e a dança recreativa. Não é necessário praticar todos os exercícios de uma só vez. Podendo-se fazer sessões de 5 a 10 minutos, várias vezes ao dia. O importante é cumprir os necessários 30 minutos quotidianos. A chave está no total de energia gasta, não na intensidade. É especialmente importante incluir exercícios de força como, por exemplo, o transporte de compras, pelo menos duas vezes por semana. Isso obriga os músculos a se exercitarem com mais freqüência, fortalecendo-os e combatendo, assim, as perdas provocadas pelo envelhecimento. E, dado que as calorias são queimadas durante todo tipo de atividade física, ela é um fator chave para manter um peso saudável. Este tipo de atividade deve ser complementado por atividades físicas moderadamente vigorosas durante 30 a 60 minutos, três ou mais vezes por semana. Entende-se por moderadamente intensos os exercícios físicos que ofereçam ao corpo uma carga maior que a da vida diária com objetivo de ir além da simples redução das perdas. Neste tipo de atividade o foco é o treinamento para
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aquisição, recuperação e incrementos na Aptidão Física, num processo educacional planejado que ajude o idoso a atingir e manter acessível o máximo de suas capacidades funcionais. É preciso lembrar que, se a atividade for suficiente para provocar alterações positivas na fisiologia do idoso, também pode oferecer alguns riscos em potencial, necessitando, portanto, ser planejada e prescrita dentro dos princípios do treinamento esportivo. Consideram-se exercícios de moderada intensidade aqueles como a caminhada rápida, o subir escadas, a dança aeróbica, a corrida, o ciclismo e a natação, que trabalham a capacidade aeróbia. Outras modalidades de exercícios tais como musculação, ginástica localizada, circuitos de treinamento, ioga, tai chi chuan, lian kung e os vários esportes também podem ser adaptados para o trabalho de moderada intensidade.

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5.1.3. Escala de Borg no controle da Intensidade do Exercício
Um método bastante seguro de se fazer o controle do esforço durante o exercício é a Escala de Percepção Subjetiva do Esforço (PSE). A mais utilizada em educação física é a Escala de PSE CR10 de Borg (BORG, 2000). Ela se aplica a toda situação em que se deseja levar em conta como a pessoa está se sentindo durante o exercício e é especialmente útil para aquelas pessoas em que a freqüência cardíaca não é um parâmetro confiável (cardiopatas, medicados, etc.). Também é útil quando se propõem atividades de grupo em que o controle individual fica quase impossível sem prejuízo dos aspectos pedagógicos e da dinâmica da modalidade. A Escala CR10 de Borg é uma escala numérica e visual, que classifica o esforço percebido em valores que vão de 0 (zero) a 10 (dez). Estes valores têm uma alta correlação com os valores da FCM, com as Freqüências de treinamento e com todo tipo de esforço. Paro os objetivos do trabalho com idosos estes valores podem ser adaptados da seguinte forma:
CR10 BORG 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 PSE ABSOLUTAMENTE NADA MUITO FRACO FRACO MODERADO UM POUCO FORTE FORTE MUITO FORTE FCM % 1RM FLEX Alongamento Alongamento Flexionamento Flexionamento Flexionamento Flexionamento Risco lesão Risco lesão Risco lesão Risco lesão

40% 50% 60% 70% 80%

40% 50% 60% 70% 80% 90%

EXTREMAMENTE FORTE

Fonte: BORG (2000). Adaptada por GEPAFI.

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Quando utilizar a escala em um grupo de idosos é importante lembrar de reproduzi-la em um tamanho que permita sua fácil utilização. Se for individual, usar fontes grandes para números e letras. Se for para uma turma o cartaz, quadro ou pôster deverá ser de um tamanho que permita ao aluno fazer a leitura de onde estiver na sala ou quadra. Um sinal externo de que o idoso já está em 4 na Escala CR10 de Borg (60% da FCM) é a aceleração da respiração. Até 3 na escala (50%) é possível fazer o exercício e conversar naturalmente. A partir de 4 na escala a fala já vai ficando entrecortada pela respiração, significando que o organismo já começa a acelerar a respiração para eliminar mais gás carbônico e evitar a acidose metabólica. Esta mudança na respiração deve ser considerada um indicador de que o trabalho já está próximo de 60%, mesmo que o idoso não esteja ainda reconhecendo isto através da percepção que o esforço já é UM POUCO FORTE. Por outro lado, a sudorese (presença de suor) não é um sinal confiável para avaliar o nível do esforço. A quantidade de suor é muito influenciada por características genéticas, climáticas e, também, por medicações. Isso faz com que algumas pessoas fiquem ensopadas de suor em pouco tempo e sob o mínimo esforço, enquanto outras permanecem totalmente livres de suor diante dos maiores esforços. Sabe-se que 1 em cada 10 idosos terá dificuldade em utilizar esta escala, portanto utilize-a de forma crítica: na Escala de Borg 10% dos idosos poderão apontar valores diferentes daquilo que realmente estão sentindo. Como é uma escala subjetiva, o desejo de parecer melhor, de agradar o professor, competir com os colegas pode levar o idoso a informar que está percebendo um esforço menor que o real - e você precisará ajudar esta pessoa a refrear sua pressa, sua ânsia por
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competir. Por outro lado, o medo de tentar algo novo, o medo de sofrer, o desejo de atenção extra, poderá levá-la a informar que está se esforçando mais que o real - e você precisará ajudar essa pessoa a aprender a lidar com seus medos e ansiedades, mostrando a ela que o que você planejou é seguro e que ela é capaz de cumprir o programa. Existem diversos modelos da Escala de Borg. Algumas foram adaptadas colocando desenhos no lugar da PSE, de forma a facilitar o entendimento do aluno a esta escala. Escolha sempre o modelo que melhor atenda às necessidades da sua turma de alunos.

5.1.4. Orientações específicas para uma prescrição
A melhor maneira de escolher uma atividade para se alcançar objetivos específicos do treinamento é classificá-la de acordo com sua atuação dentro dos Componentes da Aptidão Física. De acordo com Falls (1980) são 4 os componentes da Aptidão Física: o Morfológico, o Cardiorrespiratório, o Muscular e o Articular. O trabalho sobre cada componente da aptidão física exige o desenvolvimento de Qualidades Físicas específicas. Assim, para melhorar a Aptidão Física Morfológica é preciso trabalhar sobre as Qualidades Físicas Percentual de Gordura e Distribuição da Gordura Corporal. Para melhorar a Aptidão Física Cardiorrespiratória é preciso trabalhar sobre a Qualidade Física denominada Potência Aeróbia. Para melhorar a Aptidão Física Muscular é preciso trabalhar sobre as Qualidades Físicas denominadas Força e Resistência Muscular.
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E para melhorar a Aptidão Física Articular é preciso trabalhar sobre a Qualidade Física denominada Flexibilidade. Além disso, em um programa de condicionamento físico é necessário também acrescentar exercícios que desenvolvam outras habilidades físicas tais como equilíbrio, coordenação, agilidade, velocidade, tempo de reação e a potência.

Potência Aeróbia

As atividades físicas de natureza aeróbia são fundamentais para saúde do idoso, atuando como proteção contra diversos fatores de risco para as doenças cardiovasculares. A atividade física regular promove um aumento da capacidade aeróbia máxima, devido a um aumento da oferta de oxigênio para o trabalho muscular. Desta forma a freqüência cardíaca e a pressão arterial são proporcionalmente menores para executar uma determinada carga de trabalho. As descargas simpáticas e a resistência vascular periférica diminuem, por conseguinte o trabalho muscular é obtido através da extração do oxigênio na periferia e não pelo aumento do fluxo sanguíneo e da pressão arterial. Portanto os músculos ficam mais eficientes e as necessidades de oxigênio no miocárdio ficam reduzidas (Faro Jr. et al., 1996). As características básicas na prescrição de um treino aeróbio para
Intensidade: 40 a 80% da FCM (Freqüência Cardíaca Máxima) ou Esforço Percebido de 3 a 6 na Escala CR10 de Borg, tendo como metas valores de 50% a 60% da FCM e entre 3 e 4 na Escala CR10 de Borg. Obs: reabilitação 40%, ativos 50% a 60%; atletas 70%. • Duração: de 30 a 60 minutos por aula • Freqüência: mínimo de 3 e máximo de 5 aulas por semana • Repouso: mínimo de 6 horas a 24 horas entre sessões de treinamento. •

idosos são as mesmas da prescrição para o adulto jovem.

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Quando se fala em INTENSIDADE, a FCM (Freqüência Cardíaca Máxima) representa o máximo de esforço fisiologicamente possível, a partir dele o sistema cardiorrespiratório não consegue mais suportar o esforço. Jamais se treinará próximo a 100% da FCM com o idoso. Mesmo atletas jovens de alto rendimento não trabalham mais que alguns minutos nesta intensidade. Em um programa de treinamento para idosos atletas a intensidade será diferente em cada fase do treinamento, podendo chegar a valores próximos dos 85% da FCM. Para a maioria dos idosos ativos, com o objetivo de promoção de saúde e condicionamento físico a faixa de trabalho será de 50% até valores próximos dos 60% da FCM (um pouco mais para alguns, um pouco menos para outros). Para idosos em reabilitação cardíaca (depois de um infarto ou de uma internação por fratura, por exemplo) e para aqueles sedentários, em início de treinamento, a intensidade deve começar com FCM próxima de 40% em sessões de duração inferior a 20 minutos e gradualmente subir tendo como meta a intensidade de 50 a 60% em sessão com 30 a 60 minutos de duração, quando termina a fase terapêutica de reabilitação ou adaptação ao exercício e o idoso passa a treinar com prescrições semelhantes aos dos idosos ativos. Para se calcular a FCM podem-se utilizar vários recursos. O mais comum é a Equação de Karvonen: FCM = 220 – idade Por exemplo: Qual é a FCM de um indivíduo de 70 anos? Utilizando a fórmula FCM = 220 – idade é só substituir a idade por 70 e fazer a conta.
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Cálculo: FCM = 220 – 70 Resultado: 150 bpm (batimentos por minuto) Como jamais se trabalha na FCM, é importante calcular a Freqüência Cardíaca de Treinamento para este indivíduo. Suponhamos que este aluno, para quem calculamos a FCM de 150 bpm, é um idoso sedentário em início de treinamento ou é um cardíaco (ou hipertenso) em reabilitação. Sabendo que vamos trabalhar inicialmente com ele em uma faixa que deve começar a 40% da FCM e isto pode chegar a 60% da FCM. Qual será a faixa de treinamento para este idoso? Para isto, basta calcular quanto é 40% e 60% de 150 bpm. Cálculo: 40% de 150 = 60 bpm 60% de 150 = 90 bpm Portanto, com este aluno começaremos o treinamento a partir de uma freqüência cardíaca de 60 bpm que, ao longo do tempo, poderá chegar a 90 bpm. Se você analisa estes valores do ponto de vista do idoso saudável ou do adulto jovem, pode ser que os considere baixos demais para iniciar um treinamento. Entretanto, é preciso lembrar que o idoso sedentário e o cardíaco em reabilitação estão submetidos ao risco de evento cardiovascular (infarto, derrame, etc.) por sobrecarga de intensidade. Então, se ao ajustar a intensidade a essa freqüência cardíaca, o trabalho parecer leve para ele, aumente alguns minutos na duração, ou acrescente mais um dia de treino na freqüência semanal. Mas vá devagar com os aumentos na freqüência cardíaca. Outra observação que reforça a necessidade de começar com baixa intensidade é que boa parte dos idosos sedentários e todos os cardiopatas tomam alguma medicação (para controlar a pressão arterial, para diminuir a angina - dores

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no peito, para as arritmias, para a insuficiência cardíaca, etc.) e muitas delas alteram a freqüência cardíaca. Algumas medicações diminuem a freqüência cardíaca, de maneira que, em repouso, ela muitas vezes fica próxima de 50 bpm e em muitos casos, mesmo sob grande esforço, ela não ultrapassa os 100 ou 120 bpm, pois o objetivo da medicação é justamente evitar que o coração seja sobrecarregado. Outras medicações diminuem a pressão arterial, que tende a permanecer baixa até diante de grandes esforços. E há, ainda, aquelas medicações que diminuem a angina, com elas a pessoa é capaz de suportar grades esforços sem sintomas cardíacos dolorosos. O resultado em todos os casos é que o idoso, mesmo apresentando baixa freqüência cardíaca, pressão arterial normal e nenhuma dor, pode infartar e morrer durante o exercício ou até algumas horas depois. Portanto, quando você treina o idoso sedentário ou cardiopata, ajustando a intensidade para 60 ou 70 bpm, para este idoso pode ser já é um grande salto. Para pessoas que tomam medicação para a pressão e o coração (os betabloqueadores são os mais comuns, mas não são os únicos) aumentar 10 a 20 batimentos pode ser suficiente para representar um esforço classificado entre moderado e um pouco forte. Sabendo que, muitas vezes, a freqüência cardíaca está alterada em função da ingestão de medicamentos e que isto pode mascarar a real freqüência cardíaca do idoso durante o esforço, é preciso cuidado no que tange a utilizar a freqüência cardíaca como parâmetro para avaliação ou prescrição do treinamento.

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Com relação à FREQÜÊNCIA semanal para o treinamento aeróbio, de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) a freqüência ideal vai de 3 a 5 aulas semanais. Treinar menos de 3 sessões semanais aumenta o risco dos problemas ligados ao excesso de carga por intensidade de treinamento (“atleta de fim-de-semana”), sendo mais sérias as lesões do aparelho locomotor e os eventos cardiovasculares (infarto, derrame, morte súbita durante ou após o exercício). Já treinar 6 vezes, ou mais, aumenta o risco dos problemas ligados ao excesso de carga por volume de treinamento, que também causa lesões do aparelho locomotor e os eventos cardiovasculares (infarto, derrame, morte súbita durante ou após o exercício) e ainda acrescenta os distúrbios metabólicos, cujo resultado mais comum é a dor, a fadiga crônica e o estresse físico e mental. Há algumas exceções a essa regra, casos em que o idoso sob prescrição do médico vai precisar exercitar-se todos os dias (mesmo não tendo aula): são as situações em que a regularidade do exercício é muito importante para a manutenção da saúde e o controle de alguma doença. Os casos mais comuns são os distúrbios metabólicos, como diabetes e obesidade. Para evitar os riscos, na prescrição para essas pessoas que terão como freqüência o exercício diário será necessário ajustar a intensidade e a duração para evitar a fadiga e as lesões do sistema locomotor por excesso de treino. Com relação à seleção de atividades para o treinamento aeróbio é preciso separar as atividades de acordo com a maior ou menor possibilidade de controle sobre a intensidade do exercício que cada modalidade possibilita. Com grupos de iniciantes, sedentários e em reabilitação é melhor escolher atividades que permitam maior controle sobre a intensidade como caminhar, correr, pedalar, subir e descer escada, alguns tipos de dança aeróbia, alguns tipos de ginástica aeróbia e
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exercícios semelhantes, com pouca variabilidade de movimentos e pouca exigência de precisão e correção da posição a cada instante. Já com alunos mais treinados é possível utilizar modalidades mais dinâmicas e com maior exigência de controle motor, pois já estarão condicionados a perceberem a intensidade do esforço e educados para respeitarem seus limites. Como modalidades mais dinâmicas entendem-se todos os esportes de grupo e alguns individuais (futebol, voleibol, natação, peteca, tênis, etc), boa parte das danças e boa parte das ginásticas.

Força Muscular

O treinamento da força muscular é importante para o idoso manter a sua capacidade para realizar as tarefas cotidianas, que normalmente necessitam muito mais de força muscular, resistência muscular e flexibilidade do que de capacidade aeróbia (Okuma, 1998; Santarém, 2000). O treinamento contra-resistência, também conhecido como treinamento de força, é uma forma de exercício que requer que a musculatura corporal se mova contra uma força oponente, geralmente oferecida por algum tipo de equipamento. O objetivo principal desta forma de trabalho é promover adaptações fisiológicas e morfológicas no músculo (Fleck e Kraemer, 1999). Nos exercícios contra-resistência os músculos se tornam mais fortes em resposta à sobrecarga imposta que causa um "estresse" benéfico de adaptação. O treinamento de força aumenta a capacidade oxidativa e promove algumas modificações estruturais do tecido muscular, revertendo o processo de perda de mitocôndrias, desenvolvendo a força e minimizando o ritmo da perda da massa
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muscular. Isso faz com que o treinamento contra-resistência seja o meio mais eficiente para aumentar a força muscular e a massa muscular de idosos, sendo especialmente importante incentivar a prática destes exercícios por parte da população idosa (Faro Jr. et al. 1996). A força muscular é definida como a quantidade máxima de força de tensão que um músculo ou grupamento muscular consegue exercer contra uma resistência em um esforço máximo (Fox et al. 1991; Foss e Keteyian, 1998). A partir desta definição são considerados dois tipos principais de contrações musculares: contração dinâmica ou isotônica: o músculo encurta-se com tensão variável ao deslocar uma carga constante; contração estática ou isométrica: desenvolve-se tensão, porém não existe mudança no comprimento do músculo (Weineck, 1999). Nas contrações dinâmicas observam-se dois tipos básicos de ações musculares ou fases: ação muscular concêntrica na qual o músculo se encurta ao deslocar uma carga e ação muscular excêntrica na qual o músculo se estende de uma forma controlada ao deslocar uma carga. Já nas contrações estáticas a ação muscular denomina-se ação muscular isométrica quando não ocorre movimento da articulação, o músculo desenvolve tensão, mas não existe alteração no comprimento do músculo (Fox e Matheus, 1983). Um programa de treinamento resistido, com ou sem pesos, planejado e adequado pode resultar em aumentos significativos na força, na densidade mineral óssea e na flexibilidade (McArdle et al. 1998), além de uma moderada hipertrofia muscular, acrescentam Rogers e Evans (1998). As características básicas na prescrição de um treino de força para idosos são as mesmas da prescrição para o adulto jovem.
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Kraemer et al. (1996) observaram que no protocolo de um programa de exercício com peso deve-se considerar a seleção do exercício, seqüência de exercícios, intensidade utilizada, número de séries, o tempo de repouso entre as séries e entre os exercícios, forma as
Intensidade: 50 a 80% de 1 RM ou Esforço Percebido de 3 a 6 na Escala CR10 de Borg. • Duração: de 50 min. (10-30-10). 6 a 12 rep./exercício X 1 a 3 séries (ou até 5 para os treinados) • Freqüência: mínimo de 2 e máximo de 5 aulas por semana • Repouso: 60 seg. entre séries (24 a 48 horas por grupo muscular). •

respeitando adaptações fisiológicos.

dessa dos

mecanismos

Os princípios fundamentais do planejamento de um programa de treinamento de força são os mesmos, não importa qual a idade dos participantes. O melhor programa é o individualizado, para atender as necessidades e as condições de saúde de cada pessoa (Fleck e Kraemer, 1999). Com relação ao aquecimento, ele pode ser feito utilizando-se os mesmos movimentos que serão utilizados durante o treinamento específico, só que sem a utilização de pesos. O objetivo é aumentar a circulação sanguínea de forma a se conseguir um pequeno aumento da temperatura nos músculos, facilitando o metabolismo, melhorando a resposta ao exercício e diminuindo os riscos. Uma outra estratégia é utilizar nesta fase movimentos de flexibilidade de curta duração, com várias repetições e dentro dos limites articulares usuais. Isto proporciona uma movimentação corporal geral que atinge o mesmo objetivo anterior de preparação para a atividade e redução de riscos. Alongamento passivo, com maior permanência é indicado para o final da atividade, na fase de relaxamento ou desaquecimento. Ele diminui a freqüência cardíaca, diminui o ritmo respiratório e libera alguns neurotransmissores nos músculos e articulações que promovem relaxamento muscular e indiretamente, relaxamento mental. Se este tipo de exercício for realizado antes do trabalho com
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pesos, a título de aquecimento, acaba-se por atingir o resultado oposto do esperado, pois a redução da freqüência cardíaca e o relaxamento muscular não são objetivos do aquecimento. Além do mais, este relaxamento aumenta o risco de lesões musculares. Com relação à intensidade, verifica-se que a alta intensidade provoca maior aumento na força muscular dos indivíduos idosos, quando comparados com os estudos utilizando treinamento com intensidade baixa e moderada (Fiatarone et al., 1990; Fleck e Kraemer, 1999). É preciso lembrar que, embora o treinamento de alta intensidade seja desejável, para que ele seja tolerado e traga resultados positivos para a pessoa idosa é necessário um período de treinamento inicial, de adaptação e aprendizagem dos movimentos, antes de treinar em um nível necessário para provocar adaptações no músculo, mais tarde, com a progressão do programa de treinamento. Embora exista uma grande variedade de testes e medidas que podem ser empregados para avaliar os efeitos de programas de exercícios com peso, o Teste de 1 RM (uma repetição máxima) tem sido amplamente aplicado como avaliação da força muscular na área de envelhecimento, sendo utilizado em pelo menos um de cada dois estudos científicos publicados (Raso, 2000). O Teste de 1 RM (Teste Isotônico de Uma Repetição Máxima), de acordo com as recomendações de procedimentos da Sociedade Americana de Fisiologia do Exercício (BROWN e WEIR, 2003), é o que mais se utiliza com objetivos científicos e é aplicado da seguinte forma: • Aquecimento: de 5 minutos, realizando movimentação do corpo todo e

aquecendo especificamente o grupo muscular que se pretende testar (podem ser

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utilizados pequenos pesos para esta parte específica, realizando poucos movimentos). • Teste: posicionar o corpo e membro a ser testado em relação ao peso.

Realizar um movimento completo, utilizando uma carga próxima de 100% da máxima carga estimada para o indivíduo. Aumentar ou diminuir a carga ao longo de, no máximo, 5 tentativas, registrando-se ao final o valor da carga para Uma Repetição Máxima (1 RM), que é a maior carga contra a qual o indivíduo conseguiu realizar uma única movimentação completa do grupo muscular. • Repouso entre as tentativas deve ser de 60 segundos. Ao encontrar o valor para 1RM, passa-se aos cálculos para encontrar com qual peso se fará o trabalho de força com a intensidade desejada. Suponhamos que aplicamos este teste a um aluno idoso, para quem carga de 1RM para o bíceps foi de 10 kg. Suponhamos ainda que este seja um idoso sedentário em início de treinamento. Sabendo que vamos trabalhar inicialmente com ele em uma faixa que deve começar em 50% de 1RM e que isto pode chegar a 60% de 1RM. Qual será a faixa de treinamento de força para este idoso? Para isto, basta calcular quanto é 50% e 60% de 10 kg. Cálculo: 50% de 10 kg = 5 kg 60% de 10 kg = 6 kg Portanto, com este aluno começaríamos o treinamento a partir de uma carga de 5 kg que, ao longo do tempo, poderia chegar a 6 kg. O único problema é que só conseguiríamos chegar a estes valores com o idoso ativo e saudável. Isto porque o objetivo do teste é justamente testar qual é a carga máxima que ele consegue suportar e isso jamais poderia ser feito com segurança para o idoso sedentário ou portador de alguma enfermidade. Mesmo em
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estudos científicos isto é feito em um laboratório, na presença de um médico e com equipamentos e metodologias adaptadas para as limitações do paciente. Fizemos os cálculos apenas para você relembrar a lógica do teste. Entretanto, para determinar a carga de treinamento de força para um aluno idoso real e para avaliarmos o progresso no quotidiano da prática pedagógica, precisaremos de outros métodos mais simples e seguros. O método mais simples, seguro e eficiente é o de Estimativa de Carga pelo número de repetições possíveis para uma determinada faixa de intensidade de treinamento. A Carga Estimada por este método é praticamente a mesma da Carga Calculada, com a diferença de que você chega a ela pelo caminho inverso: partindo de cargas mais leves, até chegar à carga de treinamento ao longo de alguns dias ajustando as cargas até que o aluno esteja trabalhando na intensidade que você prescreveu. Para estimar a carga por este método, você deverá encontrar junto com seu aluno uma carga com a qual ele consiga trabalhar o número de repetições que você sugeriu e nenhuma repetição a mais. Essa escolha se faz a partir da tabela ao lado que correlaciona o percentual de 1 RM Calculado com o número de repetições possíveis (e nenhuma mais) para uma carga dada.
Número de repetições conseguidas e nenhuma a mais 1 2 4 6 8 10 12 14 De 15 a 20 Faixa de treinamento em % de 1 RM 100% 95% 90% 85% 80% 75% 70% 65% 50% a 60% Fonte: NUNES (2000)

Suponhamos que você esteja recebendo um aluno idoso sedentário e pretenda trabalhar inicialmente com ele a uma intensidade de 50% a 60%. Na primeira aula, num trabalho de bíceps, você coloca nas mãos dele um bastão de 0,2 kg e pergunta se ele acha que consegue levantá-lo umas 15 ou 20 vezes
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flexionando os antebraços. Observe a execução quando for chegando aos valores estipulados. Se antes de chegar a 15 repetições, você notar que o trabalho começa a ficar pesado, que ele começa a reclamar ou apresentar dificuldades, isto significa que aquela carga de 0,2 kg está acima dos 50% ou 60% de intensidade e o exercício deverá ser interrompido e a carga diminuída na próxima série ou na próxima aula. Já se o seu aluno ultrapassou com tranqüilidade as 20 repetições, isto quer dizer que a carga está leve, abaixo dos 50% ou 60% de intensidade e o exercício será interrompido algumas repetições depois e a carga aumentada na próxima série ou na próxima aula. Este procedimento deverá ser repetido para cada exercício prescrito para cada grupo muscular. Observe que este método de trabalho só se aplica ao trabalho individual ou com pequenos grupos, normalmente é utilizado na reabilitação e em aulas particulares. Entretanto, como a realidade (e até mesmo a indicação) do trabalho com idosos é o exercício em grupos (médios ou grandes), torna-se impraticável comandar uma aula em circuito ou uma aula de ginástica localizada (e semelhantes) com cada aluno fazendo um número diferente de repetições para alcançar o alvo. Para estes casos, a Escala CR10 de Borg de Percepção Subjetiva do Esforço (PSE) é mais útil, pois permite ajustar a carga desejada para cada aluno individualmente, mas com todos trabalhando o mesmo número de repetições numa aula coletiva, permitindo inclusive a marcação dos tempos com a utilização de música. Para este tipo de prescrição você primeiro escolhe quantas repetições serão feitas para cada exercício em determinada aula. Depois solicita que os alunos escolham pesos (ou extensores, ou bastões, etc.) com os quais consigam executar
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aquele número de repetições, dosando a intensidade do trabalho através da PSE (Percepção Subjetiva do Esforço) apontada na Escala CR10 de Borg. Suponhamos que você esteja recebendo aquele mesmo aluno idoso sedentário em um grupo de treinamento de força e pretenda trabalhar inicialmente com ele a uma intensidade de 50% a 60%, numa aula em que a contagem do número de repetições foi padronizada em 10 repetições para cada exercício. Na primeira aula, num trabalho de bíceps, você pede ao aluno que escolha (dentre vários bastões de diversos pesos) um bastão com o qual consiga realizar as 10 repetições do movimento com um esforço que, de 0 a 10 na CR10 de Borg, poderia ser classificado como entre 3 e 4 (de moderado a um pouco forte). Realizando 10 repetições com aquele bastão dentro deste esforço percebido ele estaria trabalhando exatamente dentro da faixa dos 50% a 60% que você prescreveu. Caso ele aponte valores de 5 (forte) para cima ou se você notar que o trabalho começa a ficar pesado, que ele começa a reclamar ou apresentar dificuldades, isto significa que aquela carga daquele bastão está acima dos 50% ou 60% de intensidade e o exercício deverá ser interrompido (mesmo que os colegas continuem contando até 10) e a carga diminuída na próxima série ou na próxima aula. Já se ele aponta valores de 2 (fraco) para baixo, isto quer dizer que a carga está leve, abaixo dos 50% ou 60% de intensidade e a carga aumentada na próxima série ou na próxima aula. Este procedimento deverá ser repetido para cada exercício prescrito para cada grupo muscular. Em poucas aulas os alunos adquirem a dinâmica de ajustar suas cargas, passando a fazer isto rapidamente e de maneira autônoma.

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Desta forma você consegue ter numa mesma aula alunos de diversos níveis de treinamento, permitindo assim que o amigo novato pratique junto com o colega já mais treinado que o convidou. Isto reforça os laços, desenvolve o espírito colaborativo, dá oportunidade para as pessoas conviverem harmoniosamente com as diferenças, além de ser um bom exercício de inclusão (afinal, é muito mais difícil incluir pessoas separando-as por grupos de doenças, níveis de treinamento, sexo, etc). Quanto à seleção de atividades para o treinamento de força, estão incluídas nesta categoria todas as modalidades que trabalham contra-resistência, tanto em máquinas, quanto com pesos livres. As aulas na sala de musculação são as mais conhecidas. Também se encaixam nesta categoria trabalhos como o método pilates em aparelhos, exercícios com extensores (rubber band), atividades com medicine ball, circuitos ecológicos, esportes indígenas e esportes rurais de carga (os três envolvendo levantamento e movimentação de troncos, pedras, transporte de pequenos e médios animais ou volumes de cereais em gincanas, que facilmente podem ser adaptados ao trabalho com idosos). Não há diferença no resultado final para o desenvolvimento da força entre trabalhos que utilizam aparelhos fixos e aqueles que utilizam implementos móveis. Os cientistas apontam diferenças em relação a outras variáveis, como segurança e trabalho neuromotor. Com a relação à segurança, os aparelhos fixos (de musculação, pilates, etc.) são os mais indicados, mas eles oferecem menor estímulo neuromotor para desenvolvimento de habilidades como equilíbrio e coordenação, dentre outras. Já nas atividades com implementos móveis estes estímulos são mais evidentes, principalmente com relação ao equilíbrio, entretanto, o controle do

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exercício não é tão grande quanto nas máquinas, o que os contra-indica para situações que exijam controle total do risco. É preciso lembrar que existem, ainda, outras modalidades de exercício que trabalham a força utilizando o peso do próprio corpo ou contra a resistência imposta por outra pessoa em atividades grupais. Encaixam-se nesta categoria trabalhos como: ginástica localizada, pilates de solo, bioginástica, ginástica natural, tai chi chuan, lian kung e alguns tipos de hata ioga (Bikram, Power, Ashtanga, Swásthya, Viniyoga, etc.), além de técnicas mistas como o método iogalates (ioga + pilates). A vantagem destas técnicas sem implementos no trabalho com o idoso, primeiro está no seu custo (que é zero, pois só utiliza o corpo e, no máximo, o solo que pode ser forrado com uma toalha ou tapete macio). A outra vantagem é com relação ao aspecto pedagógico: é mais dinâmico, facilita a interação, o convívio, a participação e a integração, favorecendo os aspectos psicossociais do trabalho.

Flexibilidade

A flexibilidade é um termo geral que inclui a amplitude de movimento de uma articulação simples e múltipla e a habilidade para desempenhar tarefas específicas. A amplitude de movimento de uma dada articulação depende primariamente da estrutura e função do osso, músculo e tecido conectivo e de outros fatores tais como dor e habilidade para gerar força muscular suficiente. Os exercícios de flexibilidade são compostos por modalidades que geralmente não necessitam de preparo físico anterior (eles é que são, invariavelmente, utilizados tanto na preparação ou aquecimento, quanto na volta à calma ou relaxamento, dentro da prática das outras modalidades).
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A base da maioria das modalidades são as técnicas de Alongamento, Flexionamento, Relaxamento, Exercícios Respiratórios e de Consciência Corporal (ou Meditação). Os resultados deste trabalho abrangem o complexo biopsicossocial: • FÍSICO: os exercícios de alongamento e flexionamento - suaves - melhoram o

estado geral da musculatura, aumentam a eficiência mecânica e a coordenação motora, corrigem a postura e diminuem os riscos de lesões por acidentes ou por esforços repetitivos;

MENTAL: os movimentos lentos e fluidos, aliados ao relaxamento, controle

mental e exercícios respiratórios, incrementam a Consciência Corporal, promovem intensa descontração psíquica, combatendo o estresse ao mesmo tempo em que estimulam a criatividade e a disciplina; permitindo, assim, ao indivíduo um contato mais íntimo com seus estados emocionais e a administração mais eficiente de suas capacidades físicas, emocionais e intelectuais;

SOCIAL: normalmente as práticas são feitas em grupo, de maneira

descontraída e bastante lúdica, permitindo ao indivíduo aprimorar sua noção de participação em equipes, times e trabalhos coletivos, bem como desenvolver o respeito pelos ritmos e limitações próprios e das pessoas ao seu redor, trazendo a consciência de que é possível conviver com as diferenças. Isto estimula no indivíduo o sentimento de ser uma parte importante do equilíbrio social. Com isso se reduzem os níveis de ansiedade decorrentes da vida moderna. Isso permite ao praticante idoso tornar-se mais participante, cooperativo e integrado, tanto na família quanto na comunidade.
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As características básicas na prescrição flexibilidade de para um treino são de as

idosos

mesmas da prescrição para o adulto jovem.

• Intensidade: ângulo fisiológico - qualquer técnica (para alongamento, aquecimento): Borg até 2. • Maior que ângulo fisiológico, Técnicas Passivas e FNP (para flexionamento): Borg de 3 a 6. • Duração: alongamento e aquecimento 10 min. Flexionamento 50 min. (10-30-10). Repetições: 1 a 5 por exercício • Freqüência: mínimo de 2 e máximo de 5 aulas por semana • Repouso: tempo igual ou o dobro do tempo de permanência em cada articulação.

De acordo com DANTAS (1999), entende-se por alongamento o trabalho submáximo dos músculos e articulações com o objetivo da manutenção da amplitude articular e para aquecimento e volta à calma de outras modalidades. Neste sentido indica-se uma intensidade baixa de carga de trabalho, uma freqüência mínima de 2 vezes por semana, utilizando-se de 3 a 6 repetições por movimento, com 10 a 15 segundos de permanência em cada posição. A técnica mais conhecida é a série de Alongamento tradicionalmente utilizada em início e final das aulas de educação física. Já por flexionamento, entende-se o trabalho máximo dos músculos e articulações visando ao incremento da amplitude articular. Esta é a técnica que se utiliza em trabalhos específicos (aulas) de flexibilidade. Existem técnicas de flexionamento dinâmicas e estáticas. O flexionamento pode ser dinâmico, com exercícios que usam a inércia para levar o segmento corporal a um alongamento intenso, que vai além do arco articular. As aulas devem ter uma freqüência mínima de 2 vezes por semana, com 30 minutos de trabalho específico (mais 10 minutos de aquecimento e outros 10 de volta à calma). Indica-se realizar de 2 a 4 repetições por movimento, com 10 a 15 insistências para cada movimento, até o limite do desconforto muscular. As modalidades que mais se encaixam nestas características são as aulas de Alongamento Dinâmico ou Alongamento Balístico, o método pilates de solo (com ou
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sem implementos como bola, barras, etc.), as técnicas de hata ioga dinâmica (Bikram, Power, Ashtanga, Swásthya, Viniyoga, etc.), as técnicas de tai chi chuan dinâmico (estilos praticados dentro da filosofia mais esportiva do wushu ou kung fu) e o lian kung tradicional (praticado com número fixo de repetições e velocidade controlada por marcação chinesa). Todas as técnicas de flexionamento dinâmico devem ser utilizadas com parcimônia no trabalho com idosos, devido ao risco de lesões, que é alto em todas as modalidades. Com idosos o mais seguro é sempre trabalhar com flexionamento estático, que permite maior controle e, portanto, segurança. O flexionamento pode também ser estático, nele são utilizados movimentos suaves e permanência para levar o segmento corporal a um alongamento intenso, que vai além do arco articular. As aulas devem ocorrer com freqüência mínima de 2 vezes por semana, com 30 minutos de trabalho específico (mais 10 minutos de aquecimento e outros 10 de volta à calma). Indica-se trabalhar de 3 até 6 repetições por movimento, com 10 a 15 segundos de permanência em cada posição, acrescentando técnicas de respiração e consciência corporal. Grande número de estudos sugere que tempos maiores não oferecem vantagem extra nos ganhos de flexibilidade, portanto, se não houver outros motivos pedagógicos para manter o aluno na posição, não há vantagem alguma em permanecer 20, 30, 45 ou 120 segundos, como aparecem em algumas propostas. As modalidades que mais se encaixam nas características de flexionamento passivo são as aulas de Alongamento Dinâmico Passivo, Método FNP (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, também conhecido como 3S - Scientific Stretching for Sports), a técnicas de hata ioga passiva (Hatha, Purna, Iyengar, Ananda, Anusara, Tantra, Integral, Integrativa, Tibetana, Kundalini, Sivananda, etc.), as técnicas de tai
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chi chuan mais passivas (praticado dentro da filosofia taoísta, mais terapêutica) e o lian kung de forma crítica (praticado com foco no aluno, deixando de lado o tradicionalismo da modalidade). O tempo de descanso durante qualquer trabalho de flexibilidade deve ser de igual duração (ou de até o dobro) do tempo utilizado para realizar a série de repetições. O controle da intensidade é mais bem realizado utilizando-se a Escala CR10 de Borg, para o Esforço Percebido. Para o trabalho de Alongamento a percepção relatada será de no máximo 2 (Fraco), significando baixa intensidade. Já para o Flexionamento, a percepção do esforço deverá estar entre 3 e 6, sem a presença de dor ou desconforto. A partir do valor 7 na percepção relatada, o aluno já entra na faixa de risco de lesão por sobrecarga articular.

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5.2. Cuidados com as doenças prevalentes e riscos durante a aula
No planejamento também é aconselhável levar em conta exercícios específicos ou estratégias visando à prevenção ou ao auxílio na reabilitação das doenças prevalentes:
Doença Artrose e Dor crônica Cardiopatias Colesterol Diabetes Indicações de exercícios TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios e treinamento muscular para diminuir rigidez e dor. TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios. TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios. TODOS. Contínuos, aeróbios devem ser realizados 7 dias na semana. Contra-indicações Sobrecarga para articulações levantamentos de peso, corridas e práticas esportivas, ir devagar. Igual hipertensão e evitar longa permanência estática de pé (causa hipotensão postural) Nenhuma. Riscos MMII (varizes, pé diabético), risco hipoglicemia (importante comer antes, evitar fazer esportes solitários ou muito radicais: pode desmaiar quando só), evitar exercícios de média a alta intensidade quando glicemia ≥ 250 mg/dl (pode levar a cetose, coma e morte ou lesão cerebral). Controlar PA nos exercícios resistidos: pressão elevada pode acelerar problemas oftalmológicos, renais e cardíacos. Manobra de Valsalva durante esforço. Longa permanência de braços ou pernas elevados. Atividades após comer, mudança rápida das posições deitada ou sentada para de pé (principalmente pela manhã), permanência em pé por longo tempo, exercícios respiratórios forçados, mergulho em água fria, ducha fria, massagens no pescoço, verificação de freqüência cardíaca na artéria carótida. Sobrecarga para articulações dos MMII como nas corridas e cuidado com práticas esportivas competitivas. Riscos para quedas e fraturas. Atividades fatigantes. Irregularidade (≤ 2 vezes semana) + competitividade = síndrome do atleta de fimde-semana (infarto, morte). Isométricos de membros inferiores e longa permanência estática de pé (prejudica retorno venoso)

Hipertensão Hipotensão Síncopes (desmaios) e

TODOS. Priorizar aeróbios. TODOS. Priorizar aeróbios.

contínuos, contínuos,

Obesidade

TODOS. Priorizar aeróbios.

contínuos,

Osteoporose

Problemas respiratórios Sedentarismo

TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios ao sol e os de força para todos os sítios. TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios. Acrescentar Exercícios Respiratórios. TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios. TODOS. Priorizar contínuos, aeróbios. Fortalecer membros inferiores.

Varizes

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5.3. Reflexões Finais
Nesta parte do curso você estudou conteúdos que o ajudaram a conhecer melhor a fisiologia do exercício e os cuidados na prescrição da atividade física para os idosos. Procure certificar-se de que, a partir das noções teóricas a respeito de fisiologia e princípios de prescrição, você já consegue propor atividades visando ao desenvolvimento da Aptidão Física de seus alunos, atendendo às características individuais de doenças presentes e prevendo possíveis riscos.

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UNIDADE 6 – METODOLOGIA DE TRABALHO

Apresentação

Nesta unidade discutiremos os aspectos metodológicos do

planejamento e as estratégias para melhor desenvolver o trabalho. Os assuntos serão abordados de forma prática, procurando auxiliar o professor no processo de simplificar e de tornar eficiente o ato de planejar e ministrar suas aulas. O que se pretende aqui é abordar os aspectos essenciais à construção de um plano a partir da realidade do trabalho cotidiano com alunos idosos.

Ao término do estudo desta Unidade, você deverá ser capaz de:

Redigir um plano de curso e um plano de aula completos: • • • • Traçando objetivos claros Selecionando estratégias que correspondam aos objetivos Escolhendo recursos físicos e materiais adequados e Avaliando os resultados em cada fase do trabalho.

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6.1. Estratégias ou métodos de trabalho
Quando estudamos a prescrição da atividade física na Unidade 5 ficaram definidos alguns parâmetros mínimos para se preparar uma aula visando alcançar os efeitos e prevenir os riscos que também foram vistos naquela unidade. A partir de agora passaremos a estudar o como implementar, distribuir, organizar, controlar as atividades na prática para que a prescrição saia do papel e se transforme em aula. Para isso você precisará sempre pensar na modalidade escolhida dentro daquela perspectiva da promoção da Aptidão Física. Ao escolher um exercício (caminhada, ginástica, esportes, etc.) é necessário sempre perguntar: Qual é o principal componente da aptidão física que está sendo trabalhado com esta atividade? Que adaptações ou que outras atividades precisarei acrescentar para trabalhar os demais componentes e, assim, realmente, conseguir um trabalho sério de Condicionamento Físico? Lembre-se que os exercícios, além de trabalharem a aptidão física devem também ser agradáveis, prazerosos e integrativos. Por isso, em uma aula, deve-se procurar exercitar todas as estruturas móveis do corpo, dando preferência às atividades que abordem o corpo de forma global. Portanto, observe após planejar um programa se foram contemplados minimamente os seguintes aspectos nas atividades de condicionamento:
Potência aeróbia Educação postural Agilidade Lateralidade Força muscular Coordenação motora Tempo de reação Ritmo Flexibilidade Habilidades psicomotoras Mobilidade das articulações Reflexos Equilíbrio Imagem corporal Respiração

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O trabalho deverá ser metódico e estruturado, obedecendo a um planejamento bem fundamentado. De acordo com Yanguas et al., (1998), a um observador externo deverá ficar claro que houve: Explicação verbal dos exercícios: O tom de voz deve ser alto e as palavras devem ser bem vocalizadas, para assegurar a compreensão. Utilizando uma linguagem inteligível, clara, concisa e motivante, o professor informa que exercício será realizado, que materiais ou equipamentos serão utilizados e se o trabalho será individual ou grupal; Descrição passo a passo do exercício; Demonstração dos exercícios por parte do professor (ou com auxílio de um aluno experiente como modelo); Realização dos exercícios pelos alunos: É preciso estar atento ao que acontece a cada aluno, mas sem perder a noção do conjunto (nas atividades grupais); Estimulação (reforço) durante a execução, com observações e elogios sinceros. O professor deve desenvolver confiança, segurança e alegria. Deve respeitar os diferentes ritmos dos alunos, procurando estimulá-los, mas evitando a superproteção. Cuidado com a Infantilização do Idoso. Seu aluno tem uma mão, não uma mãozinha. Um pé e não um pezinho... Correção de forma discreta e preferencialmente grupal, evitar situações e linguagens que possam ferir ou humilhar quaisquer alunos; Descanso e recuperação; Teoria: análise, comentários, recomendações e sugestões a respeito dos exercícios e das experiências vivenciadas nas aulas e suas implicações na vida diária (temas transversais e conteúdos interdisciplinares).
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O professor deve demonstrar atenção e receptividade permanente às propostas e observações dos alunos utilizando essas informações em seu planejamento tanto para selecionar atividades, quanto para determinar a forma de executá-las.

6.2. Trabalhando a Aptidão Física com segurança
Ao prescrever um treinamento visando à Aptidão Física para idosos é preciso observar que o trabalho de desenvolvimento de cada qualidade física possui algumas especificações mínimas para que algum resultado possa ser atingido e os riscos evitados. Com o objetivo de aproveitar melhor “a função socializadora, vitalizadora, recreadora e também reabilitadora que a prática da atividade física” e aumentar a segurança na prescrição DIAS (2004) propôs a reorganização dos princípios de treinamento em apenas 5 grandes princípios onde os 4 primeiros incluem os fundamentos tradicionais e o 5º amplia o conceito do treinamento para uma abordagem integral do ser humano: 1º princípio: manutenção da atividade física – o professor deverá estimular os alunos a praticarem a atividade física de forma regular. 2º princípio: individualização na atividade física – a partir da avaliação física fazer prescrições que atendam às necessidades individuais de cada aluno. 3º princípio: continuidade da atividade física – levar em conta o aspecto cumulativo da atividade física, introduzindo, gradualmente, pequenas modificações que resultem em um melhor condicionamento físico.

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4º princípio: sobrecarga da atividade física – Aumentando gradativamente, a freqüência, a duração e a intensidade, pode-se dosar a atividade física. É importante lembrar que a intensidade é um princípio de treinamento delicado na prescrição do treinamento para idosos, pois tem o potencial de precipitar eventos que podem resultar em morte. Portanto, ao propor uma sobrecarga ao aluno idoso sempre é melhor começar fazendo maiores modificações no volume do treinamento (freqüência, duração, repouso) enquanto se fazem alterações mínimas na intensidade. 5º princípio: totalidade da atividade física - não basta só exercitar os músculos, é preciso também envolver todos os componentes do ser (físicos, psíquicos e espirituais) no exercício.

6.3. Avaliando resultados de um programa
O ideal em um programa de exercícios é que os alunos passem por uma avaliação prévia para conhecer suas condições iniciais de Condicionamento Físico e Saúde. Esta avaliação deverá ser reaplicada periodicamente para fins de acompanhamento e controle das atividades pelo professor e para mostrar a cada indivíduo o que ele melhorou ao longo de um determinado período de treinamento. A seguir vamos mostrar alguns testes simples, de fácil aplicação e com equipamentos baratos, desenvolvidos especificamente para avaliarem idosos e que permitem acompanhar alterações na antropometria, na aptidão física e em alguns aspectos psicossociais.

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a) AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA AVALIAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A CINTURA E O QUADRIL (RCQ) Objetivos: avaliar deposição central de gordura e risco para doenças crônicas Procedimentos: Registrar o resultado da divisão entre a medida da cintura em centímetros, tomada à altura da cicatriz umbilical, e a medida do quadril em centímetros, aferida à altura de sua maior circunferência. RCQ = CINTURA QUADRIL Valores de referência para gordura abdominal e risco para idosos:
BAIXO MODERADO < 0,91 0,91 a 0,98 MASCULINO < 0,76 0,76 a 0,83 FEMININO Fonte: Applied Body Composition Assessment (1996) ALTO 0,99 a 1,03 0,84 a 0,90 MUITO ALTO > 1,03 > 0,90

AVALIAÇÃO DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) Objetivos: avaliar obesidade e risco para doenças crônicas Procedimentos: Registrar o resultado da divisão entre o valor da massa corporal em quilogramas (kg) e o quadrado da altura medida em metros (m). IMC = massa/(altura)2. IMC como preditor de obesidade (OMS)
BAIXO ACEITÁVEL OU IDEAL OBESIDADE LEVE OBESIDADE MODERADA OBESIDADE SEVERA
Fonte: OMS in www.saudeemmovimento.com.br, 12/03/2005 às 16h45.

< 18,5 de 18,5 a 24,9 de 25,0 a 29,9 de 30,0 a 39,9 ≥ 40,0

IMC como preditor de riscos para a saúde
MASCULINO FEMININO 17,9 a 18,9 15,0 a 17,9 RISCO BAIXO 19,0 a 24,9 18,0 a 24,4 IDEAL 25,0 a 27,7 24,5 a 27,2 RISCO MODERADO > 27,8 > 27,3 RISCO ELEVADO Fonte: CORBIN e LINDEY, 1994 in www.saudeemmovimento.com.br, 12/03/2005 às 16h45.
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b) AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Protocolo resumido do Teste de Aptidão Física para Idosos de Rikli e Jones. RIKLI, R.E., 2004 in SAFONS e PEREIRA, 2004. Traduzido, adaptado e reproduzido com permissão dos organizadores.

Caminhada de 6 minutos adaptada: Resistência Aeróbia

Objetivo: Avaliar a resistência aeróbia - importante para andar longa distância, subir escadas, fazer compras, passear durante as férias, etc. Descrição: Número de metros que pode ser andado em 6 minutos em torno de um percurso de 50 metros, demarcado no solo ou pista, em 10 espaços de 5 metros.

Valores de referência caminhada de 6 minutos (nº de metros percorridos)
Idade Feminino Masculino 60-64 498 - 604 578 - 672 65-69 457 - 581 512 - 640 70-74 439 - 562 498 - 622 75-79 393 - 535 430 - 585 80-84 352 - 494 407 - 553 85-89 311 - 466 348 - 521 90-94 251 - 402 279 - 457

Sentar e levantar em 30 s: Força de Membros Inferiores

Objetivo: Para avaliar a força dos MMII, necessária para reduzir possibilidade de queda e executar numerosas tarefas tais como subir escadas, fazer caminhadas, levantar de uma cadeira, sair de um carro. Descrição: Registrar o número de levantamentos completos realizados em 30 segundos com os braços cruzados ao peito. Altura da cadeira: 43 cm (altura normal de uma cadeira de bar: meça antes. Pode também ser banco de praça, mureta de jardim, etc. importante é estar firme).

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Valores de referência Sentar e Levantar (nº repetições)
Idade Feminino Masculino 60-64 12 - 17 14 - 19 65-69 11 - 16 12 - 18 70-74 10 - 15 12 - 17 75-79 10 - 15 11 - 17 80-84 9 - 14 10 - 15 85-89 8 - 13 8 - 14 90-94 4 - 11 7 - 12

Flexão de cotovelo com halteres em 30 s: Força de Membros Superiores

Objetivo: Avaliar a força dos MMSS, necessária para executar tarefas domésticas e outras atividades que envolvem levantar e carregar coisas tais como compras, malas e os netos. Descrição: Registrar o número de levantamentos completos realizados em 30 segundos com um peso na mão dominante: de 5 libras (2,27 kg) para mulheres; 8 libras (3,63 kg) para homens. Como ajustar o peso: em uma balança, pesar os halteres ou uma garrafa com areia ou um galão (ou balde pequeno) com água até obter o peso indicado.

Valores de referência flexão de cotovelo (nº repetições)
Idade Feminino Masculino 60-64 13 - 19 16 - 22 65-69 12 - 18 15 - 21 70-74 12 - 17 14 - 21 75-79 11 - 17 13 - 19 80-84 10 - 16 13 - 19 85-89 10 - 15 11 -17 90-94 8 - 13 10 - 14

Teste de equilíbrio unipodal 30 seg. olhos fechados: Equilíbrio

Objetivo: Testar o equilíbrio estático importante na marcha, na estabilidade postural e na prevenção de quedas. Descrição: permanecer o maior tempo possível na posição ortostática, com as mãos nos quadris, em apoio unipodal e com os olhos fechados. O tempo de permanência máximo é de 30 segundos. Fazer 3 tentativas para o MEMBRO

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DOMINANTE, anotando o valor quando o aluno abrir os olhos ou retornar ao apoio bipodal. Registrar o maior valor: este é o escore para equilíbrio em segundos. O avaliador permanece próximo do aluno para evitar qualquer risco de queda.

Valores de referência teste unipodal (tempo em segundos)
Idade Feminino Masculino 60-64 (ND) (ND) 65-69 (ND) (ND) 70-74 (ND) (ND) 75-79 (ND) (ND) 80-84 (ND) (ND) 85-89 (ND) (ND) 90-94 (ND) (ND)

ND = Não definido. Não foram ainda definidos valores de referência para idosos para este teste.

Sentar e alcançar na cadeira: Flexibilidade Membros Inferiores

Objetivo: Para avaliar a flexibilidade dos MMII, que é importante para manter uma boa postura e estabilidade postural, e para várias tarefas que exigem mobilidade tais como entrar e sair de uma banheira ou de um carro. Descrição: Sentar na parte dianteira de uma cadeira, uma das pernas estendida: com as mãos unidas realizar o movimento de alcançar os dedos do pé. Registrar o número de centímetros (cm) para mais ou para menos (+ ou -) entre as pontas dos dedos e a ponta do dedão do pé.

Valores de referência sentar e alcançar (cm)
Idade Feminino Masculino 60-64 -1 a +13 -6 a +10 65-69 -1 a +11 -8 a +8 70-74 -3 a +10 -9 a +6 75-79 -4 a +9 -10 a +5 80-84 -5 a +8 -14 a +4 85-89 -6 a +6 -14 a +1 90-94 -11 a +3 -17 a +1

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Alcançar mãos às costas: Flexibilidade Membros Superiores

Objetivo: Para avaliar a flexibilidade dos MMSS (ombro), que é importante nas tarefas tais como pentear o próprio cabelo, colocar adornos na cabeça, e colocar o cinto de segurança quando no carro. Descrição: Com a uma mão por cima do ombro, tentar alcançar a outra que veio por baixo no meio das costas. Registrar o número de centímetros (cm) entre as pontas dos dedos médios (+ ou -).

Valores de referência alcançar mãos às costas (cm)
Idade Feminino Masculino 60-64 -8 a +4 -17 a 0 65-69 -9 a +4 -19 a -3 70-74 -10 a +3 -20 a -3 75-79 -13 a +1 -23 a -5 80-84 -14 a 0 -24 a -5 85-89 -18 a -3 -25 a -8 90-94 -20 a -3 -27 a -10

Teste de agilidade: Agilidade

Objetivo: Para avaliar agilidade, importantes em tarefas que requerem movimentos rápidos como descer do ônibus no tempo, levantar para resolver alguma coisa na cozinha, ir ao banheiro, atender ao telefone. Descrição: Registrar o número de segundos requeridos para levantar-se de uma posição sentada, andar 2,44 metros, girar e retornar à posição sentada.

Valores de referência teste de agilidade (segundos)
Idade Feminino Masculino 60-64 6.0 - 4.4 5.6 - 3.8 65-69 6.4 - 4.8 5.7 - 4.3 70-74 7.1 - 4.9 6.0 - 4.2 75-79 7.4 - 5.2 7.2 - 4.6 80-84 8.7 - 5.7 7.6 - 5.2 85-89 9.6 - 6.2 8.9 - 5.3 90-94 11.5 - 7.3 10.0 - 6.2

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c) AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL: AUTOPERCEPÇÃO DE BEM-ESTAR

MODELO DA ESCALA DE AUTOPERCEPÇÃO DE BEM-ESTAR PAAF - GREPEFI NOME: IDADE: SEXO:

Esta escala destina-se a avaliar a percepção que você tem do seu bem-estar. Por favor, responda o questionário com máxima sinceridade. Para isto indique em cada item a letra que corresponde a como você vem se sentindo ultimamente. Coloque a sua resposta no quadrado ao lado de cada item, seguindo a seguinte classificação: (A) Não sinto isto (B) Sinto isto de vez em quando (C) Sinto isto sempre
QUESTÕES Medo de ficar sozinho(a) Medo de ter fraturas Medo de cair Medo de sair sozinho(a) Medo de estar doente em uma época que poderia estar curtindo a vida Sentir nervoso Mau humor Irritação Impaciência Depressão Dificuldade para me acalmar Insatisfação com a vida Sentir que tudo exige muito esforço Vergonha com a aparência Frustração Desistir facilmente das coisas Sentir que não vale a pena viver Solidão Desvalorização de si próprio Perda do controle da própria vida Pânico Preocupação com doenças Inquietação Pena de si mesmo Infelicidade Perda da independência Perda da autoconfiança Perda da concentração Perda da memória RESPOSTAS B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C B C

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29.

A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A

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Procedimento: 1. O avaliado deve ser encaminhado a um local bem iluminado e silencioso que lhe facilite a concentração, onde haja algum apoio para escrever (mesa, prancheta). Já no local, recebe o instrumento e uma caneta. 2. A seguir, o avaliador pede que ele indique a letra que corresponde a como vem se sentindo ultimamente. Para isto o idoso deverá fazer um círculo na letra escolhida em cada item. 3. Alguns exemplos devem ser dados antes de iniciar as respostas e dúvidas podem ser sanadas pelo aplicador durante o preenchimento. É necessário ressaltar que não existem respostas certas ou erradas, mas sim respostas que indicam como o idoso se sente de fato. 4. Se, por acaso, o idoso não tiver condições de ler ou escrever, o aplicador poderá anotar as respostas indicadas. Neste caso, deve-se evitar interferir nas respostas, tentando ser o mais isento possível. Resultado: A escala apresenta 29 itens. Cada item é avaliado segundo uma escala de 3 pontos, a saber: A - Não sinto isto = 2 pontos B - Sinto isto de vez em quando = 1 ponto C - Sinto isto sempre = O ponto O escore total é obtido somando-se os pontos dos 29 itens e pode variar de 0 a 58. Quanto mais elevado o escore, mais positiva é a percepção de bem-estar do idoso.

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6.4 Recursos

6.4.1. Espaço Físico
A escolha adequada do espaço físico para a realização das atividades garante 50% do sucesso de seu trabalho, portanto não descuide na escolha do local. O espaço deve ser adequado para o tamanho do grupo e as características da atividade. O local deve possuir boa iluminação, boa ventilação, temperatura agradável. O piso (da sala, quadra, pista) deve ser adequado à prevenção de quedas (antiderrapante, isento de buracos, livre de objetos em que se possa tropeçar). A utilização do espaço deve favorecer boa visibilidade do professor e audição dos comandos e orientações para as atividades.

6.4.2. Equipamentos e Materiais
É preciso lembrar sempre que o planejamento da atividade física para idosos tem seu centro na ação pedagógica (que ocorre entre professor e alunos), equipamentos e materiais são recursos que podem ou não estar disponíveis. Equipamentos de última geração nem sempre são sinônimos de atendimento de qualidade. Qualidade se obtém com um bom diagnóstico da população, escolha de um local adequado, prescrição correta das atividades e planejamento eficiente da execução das atividades prescritas. Caso, no planejamento, se opte pela utilização de equipamentos e materiais, estes deverão ser escolhidos de acordo com a atividade proposta.

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Em academias de educação física geralmente os equipamentos já estão alocados segundo as atividades em salas específicas: de musculação, de ginástica, de natação, etc. Já em projetos sociais e programas comunitários em campos, parques e praças o professor precisará utilizar seus conhecimentos técnicos e sua criatividade para desenvolver alternativas de exercícios com recursos existentes na própria comunidade. A utilização de materiais presentes na vida diária (sacolas de compras, rolos de jornais, toalhas, meias, bancos, cadeiras, escadas, etc.) pode ser uma excelente maneira de incrementar carga ao mesmo tempo em que se faz a ponte entre o exercício e sua utilização na vida diária. A confecção em grupo de materiais alternativos (cabos de vassoura = bastão; garrafas pet com água ou areia = anilhas; extensores elásticos; etc.) pode ser uma boa oportunidade para estreitar os laços entre os membros do grupo através de um projeto em comum. Assim, as idéias, experiências e talentos de cada um poderão ser colocados em evidência, criando espaço pedagógico no qual poderão ser trabalhadas algumas competências sociais tais como: liderança, participação, democracia, planejamento, organização, cidadania. Circuitos ou outros equipamentos fixos já instalados em parques, praças e outros espaços públicos também poderão ser utilizados dentro do planejamento de atividades para idosos. E salões de festa, sedes sociais de clubes, salões paroquiais, quadras cobertas, poderão transformar-se em salas de ginástica, danças, ioga, alongamento, jogos, etc. Dependendo da atividade, colchonetes poderão ser substituídos por toalhas grossas, esteiras, lonas ou outras opções para tornar confortáveis e seguras as atividades de solo.
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A música é sempre bem-vinda, pois além de ajudar a marcar ritmo, motivar e estimular para os exercícios, ela também proporciona benefícios psicológicos sobre o humor e cria espaço pedagógico para se trabalhar questões afetivas e emocionais (como lembranças, saudades, medos, perdas, amor, amizade, alegria, esperança, etc.) a partir do ritmo (que remete a uma época ou lugar) ou da letra (que explicita os conteúdos). Mas lembre-se a música nunca deve estar num volume acima da voz do professor, nem deve determinar ritmos que não são os ritmos estabelecidos pela atividade. O uso adequado do som nas aulas é de fundamental importância para o controle da atividade por parte do professor.

6.4.3. Secretaria
Mesmo que a secretaria se resuma a uma pasta ao lado do caderno de planos de aula na pasta do professor, há dados que precisam ser obtidos e necessitam estar sempre à mão. a. Agenda de endereços e telefones: da instituição responsável pela implantação do programa, de todos os alunos e de um parente para contato em caso de emergência. Telefones de emergência também é importante ter sempre à mão. b. Fichas de inscrição com a anamnese de todos os alunos, que fornecem informações úteis para o planejamento e em caso de emergência pode ajudar a tomar atitudes mais acertadas. c. Lista de chamada para controle de freqüência e outras anotações diárias relativas aos alunos.

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d. Fichas de avaliação: úteis na hora do planejamento para o grupo, importantíssimas na hora de orientar individualmente, além de permitir acompanhar com base em dados objetivos a evolução dos alunos. Discutir com os alunos as modificações nos valores de suas avaliações pode ser um instrumento muito útil para motivar a permanência na atividade.

6.4.4. Parcerias
Podem ser decisivas para o sucesso do programa as parcerias que se estabelecem com o poder público, instituições privadas, instituições religiosas, Organizações não governamentais, escolas, clubes e quaisquer outras organizações da sociedade, visando à aquisição e manutenção de espaço físico, equipamentos, materiais, divulgação, etc.

6.5. Emergências: Primeiros Socorros
O principal objetivo de um primeiro socorro é facilitar o atendimento médico, quando se precisa deste. Um primeiro socorro bem feito pode reduzir ou evitar totalmente os danos de um acidente e até mesmo salvar a vida da vítima. Os primeiros socorros terminam sempre com a entrega da vítima aos cuidados médicos. O tipo de primeiro socorro é determinado pelo acidente em cena, pois as situações são muito variadas. Você pode se defrontar com todo tipo de situação: ferimento, perda de sangue (hemorragia), queimaduras, choque elétrico, fratura, desmaios, convulsões, parada respiratória ou parada cardíaca...
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Em qualquer um dos casos, os princípios ou regras gerais devem ser rigorosamente seguidos para que se preste um primeiro socorro eficiente.

PRINCÍPIOS GERAIS NO ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS

Avalie a situação rapidamente, enquanto toma as primeiras medidas no socorro à vítima. O importante nesta hora é: • • • • BUSCAR AJUDA ESPECIALIZADA; EVITAR PÂNICO; INSPIRAR CONFIANÇA; TRANSPORTAR COM CUIDADO (e, na dúvida de fratura ou ferimento grave,

NÃO TRANSPORTAR, mas sim BUSCAR O MÉDICO, chamando um serviço de emergências).

Algumas dicas:

Pedir a alguém que busque o médico ou o serviço de emergência médica mais próximo do local do acidente;

• •

manter a calma, afastar os curiosos e agir com rapidez e segurança; colocar a vítima deitada de costas, com a cabeça no nível do corpo. Se o rosto começar a ficar congestionado (vermelho), elevar a cabeça, colocando um pano embaixo;

se tiver vômitos, virar a cabeça da vítima para um dos lados. Isso evita que o vômito chegue aos pulmões;

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se estiver inconsciente, retirar comida, lama ou outros objetos da boca e colocar a cabeça de lado, tudo com o objetivo de evitar sufocação;

desapertar a roupas e tirar os sapatos, cintos, gravata ou qualquer outra coisa que possa prejudicar a circulação;

não remover a vítima enquanto não tiver uma idéia precisa da natureza e extensão de seus ferimentos e sem antes prestar os primeiros socorros;

em caso de suspeita de fraturas ou luxações, não fazer massagens, nem mudar a posição da vítima: imobilize o local atingido na posição em que estiver e aguarde ajuda especializada chegar;

• •

evitar fazer a vítima sentar ou levantar; verificar o estado da vítima, se precisar remover a roupa faça-o da maneira mais prática possível e não hesite em rasgar ou cortar o que achar necessário;

• • •

não dar de beber à pessoa inconsciente; nunca dar bebidas alcoólicas a um acidentado; em caso de queimadura, não aplicar óleo, pasta de dente, algodão, tecidos felpudos ou qualquer outra coisa. Colocar pano limpo, úmido, sobre a área queimada e levar ao hospital;

• •

não mexer em ferimentos com sangue já coagulado; acalmar a vítima e desviar sua atenção dos ferimentos.

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6.6. Reflexões Finais
Chegamos ao final desta jornada. Nesta última unidade você estudou questões específicas relacionadas ao trabalho diário do professor. Como tarefa de auto-avaliação procure completar o plano de curso nos moldes estudados na Unidade 2, prevendo os conteúdos, estratégias, materiais e avaliação, tudo de acordo com o que você acaba de estudar. De posse deste Plano de Curso, elabore um plano de aula para o primeiro dia de aula de um grupo de idosos sob sua responsabilidade. Pense na situação real de primeiro dia: apresentação da atividade, aula inicial com o objetivo de conhecer os alunos e conquistar sua adesão, dinâmica de apresentação para que eles se conheçam, etc. Lembre-se de colocar o nome da atividade, intensidade, duração e freqüência com que pretende trabalhar. Escreva também um parágrafo a respeito dos riscos que você espera encontrar e como pretende preveni-los. Agora faça uma reflexão: você se sente um professor diferente ao final deste estudo? Parabéns pelo esforço, pela dedicação, pela persistência. É de gente assim que os idosos precisam para orientá-los. Se desejar, redija uma ou duas páginas, destacando os conteúdos que achou mais importantes para seu aperfeiçoamento no trabalho com idosos, e envie aos autores.

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