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O Papel da Contabilidade no Planejamento Financeiro de

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O Papel da Contabilidade no Planejamento Financeiro de
Pessoas Físicas
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O Papel da Contabilidade no Planejamento Financeiro de Pessoas Físicas ¹

Gisele Braga Silva ² Leonardo Nunes Ferreira ³

Resumo
Este trabalho propõe-se a estudar de que forma a contabilidade poderia auxiliar as pessoas físicas na elaboração e gestão de suas finanças pessoais. Através de Levantamento Bibliográfico e Pesquisa de Campo objetivou-se: discutir o papel da contabilidade neste processo, apresentar a importância do planejamento financeiro pessoal, enumerar as ferramentas que a contabilidade pode fornecer para auxiliar no planejamento financeiro e conhecer o cotidiano de um grupo de funcionários públicos da empresa Radiobrás – Empresa Brasileira de Comunicação S/A sobre o assunto. Os resultados mostram que a Contabilidade é fundamental na gestão das finanças pessoais principalmente no tocante ao acompanhamento e controle do planejamento financeiro elaborado, pois como nas empresas o uso de técnicas auxiliares e de suas demonstrações formam um sistema de informações altamente completo, mas também vêm suscitar-lhe alguns desafios: demonstrar o benefício de se fazer o acompanhamento das finanças, tirar o estigma do Imposto de Renda e a necessidade de os professores da área trabalharem esse assunto em suas salas de aula.

Palavras-chaves
Gestão das Finanças, Planejamento Financeiro Pessoal e Educação Financeira.

1. Introdução
Quando se toca no assunto “Contabilidade”, já somos automaticamente remetidos ao âmbito de empresas. Mas alguns autores chamam a atenção para outra vertente ainda pouco explorada no Brasil: a contabilidade em prol da administração das finanças pessoais. Com relação ao campo de atuação da contabilidade, o autor Iudícibus (1998, p.21) escreve:
A contabilidade, na qualidade de ciência aplicada, com metodologia especialmente concebida para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer ente, seja este pessoa física, empresa, União, etc.

Ressaltando as pessoas físicas, o mesmo autor escreve ainda:
_______________________________________________________________________________________ 1. Trabalho desenvolvido no curso de Graduação de Ciências Contábeis da UCB 2. Aluna da disciplina Trabalho Final 3. Professor orientador do trabalho

A contabilidade não deixa de desempenhar seu papel de ordem e controle das finanças também no caso dos patrimônios individuais. Freqüentemente, as pessoas esquecem-se de que alguns conhecimentos de Contabilidade e Orçamento muito as ajudariam no controle, ordem e equilíbrio de seus orçamentos domésticos.

Kiyosaki (2000, p.22), autor americano afirma que:
Assuntos como contabilidade e investimentos são importantes para pessoas, mas essas sabem muito pouco sobre o assunto, pois as concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais mas não nas financeiras. Isso explica porque médicos, gerentes de banco e inteligentes que tiveram ótimas notas quando estudantes terão financeiros durante toda a sua vida. a vida das escolas se habilidades contadores problemas

De acordo com o SERASA (2001) nos países desenvolvidos é crescente a preocupação com a educação financeira devido a dois fatores: os avanços da medicina, que apontam para uma expectativa de vida de 120 anos para as novas gerações e o crescimento das crianças de hoje numa cultura consumista. Essa preocupação levou alguns destes países, nos quais a escola já reforça a formação que o estudante recebe em casa, a um maior investimento na área. Em setembro de 2000, a Inglaterra instituiu como obrigatório o ensino de educação financeira da pré-escola até o ensino médio. Sousa e Torralvo (2003) relatam que a educação financeira é infelizmente muito pouco explorada no Brasil, sendo a literatura relacionada à gestão financeira pessoal restrita e o oferecimento de disciplinas correlatas a este tema em cursos regulares de escolas, universidades e MBA’s praticamente inexistentes, ou seja, ensinar sobre dinheiro é tarefa exclusiva dos pais, que tampouco receberam instrução sobre como lidar com dinheiro. Diante do exposto e com base na observação do cotidiano que expõe a dificuldade de grande parte das pessoas em controlar suas finanças, viu-se a necessidade de estudar como a contabilidade poderia estar auxiliando no Planejamento Financeiro Pessoal, que segundo The Financial Planning Association (2005), é um conjunto de objetivos e estratégias escritas e um “cronograma” do cumprimento dessas estratégias: compra da casa, poupança para pagar o curso superior dos filhos, pagamento de dívidas, etc, sendo então, um instrumento imprescindível para o uso mais eficiente dos recursos financeiros e para a manutenção da saúde financeira de uma pessoa. O problema de pesquisa foi formatado desta maneira: De que forma a contabilidade poderá auxiliar as pessoas físicas na elaboração e gestão de suas finanças pessoais? Cujo objetivo geral é discutir o papel da contabilidade na elaboração e gestão das finanças pessoais e os objetivos específicos são: Apresentar a importância do planejamento financeiro pessoal, enumerar as ferramentas que a contabilidade pode fornecer para auxiliar no planejamento financeiro pessoal e coletar e analisar dados de um grupo de Funcionários da empresa Radiobrás – Empresa Brasileira de Comunicação S/A sobre o assunto. Este trabalho não apresentará proposta de modelo para a gestão de finanças pessoais. Terá como propósito introduzir o assunto junto aos contabilistas. Será uma pesquisa básica em relação a sua natureza, e no âmbito de seus objetivos, exploratória, por ter como procedimentos técnicos: a Pesquisa Bibliográfica e o Levantamento.

2. Planejamento Financeiro Pessoal

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O Planejamento Financeiro Pessoal parte do pressuposto, levantado por Galvão et al (2004, p.3), que “cada consumidor tem uma renda limitada (finita), cada unidade consumidora tem desejos e necessidades ilimitadas (infinitas) e cada bem ou serviço capaz de satisfazer uma necessidade ou desejo (despesa) tem um custo diferente de zero”. Diante da necessidade de se harmonizar essas três vertentes que firma-se a importância do seu conhecimento e de sua aplicabilidade no dia a dia. De acordo com The Financial Planning Association (2005), o Planejamento Financeiro é o processo de alcançar seus objetivos de vida através da gerência apropriada de suas finanças. Objetivos de vida podem incluir a compra de uma casa, garantir a instrução do filho ou planejar sua aposentadoria. E quanto aos seus benefícios ressalta:
O Planejamento Financeiro fornece direção e sentido para suas decisões financeiras. Permite que você compreenda como cada decisão financeira afeta outras áreas. Por exemplo, comprando um produto específico de investimento pode ajudar-lhe a terminar de pagar a hipoteca mais rapidamente, ou pode atrasar sua aposentadoria significativamente. Vendo cada decisão financeira como parte do todo, você pode considerar seus efeitos de curto e longo prazo nos seus objetivos de vida. Você pode também adaptar-se mais facilmente às mudanças e sentir-se mais seguro por saber que seus objetivos estão na trilha.

Ainda sobre benefícios, Cerbasi (2004) afirma que o planejamento financeiro tem um objetivo muito maior do que simplesmente não ficar no vermelho, pois mais importante do que conquistar um padrão de vida é mantê-lo, e é para isso que devemos planejar. Os maiores benefícios dessa atitude serão notados alguns anos depois, quando a família estiver usufruindo a tranqüilidade de poder garantir a faculdade dos filhos ou a moradia no padrão desejado, por exemplo. BEI Comunicação (2004, p. 14) diz que:
Planejar é essencial para viver, e o planejamento financeiro é a base de todo planejamento. Ele independe da renda e permite que você otimize seus recursos para alcançar quaisquer objetivos de curto, médio e longo prazos, deixando o apto a aproveitar as oportunidades que surgem e a contornar eventuais dificuldades. Se for suficientemente preciso, ele garante sua manutenção no presente e “cria” sobras de dinheiro para o futuro.

Para Galvão et al (2004), é por meio do planejamento que se conhecem em detalhes os ganhos, aprende-se a poupar, gastar adequadamente e controlar as finanças para atingir os objetivos desejados. Para manter o planejamento financeiro, são necessários um pouco de tempo, esforço e, sobretudo, organização. Tudo tem que ser anotado e os cálculos precisam ser atualizados constantemente. Segundo Frankenberg (1999, p.31), Planejamento financeiro pessoal significa “estabelecer e seguir uma estratégia precisa, deliberada e dirigida para a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio de uma pessoa e sua família. Essa estratégia pode estar voltada para curto, médio ou longo prazo, e não é tarefa simples atingí-la.” O mesmo autor adverte que não significa que, depois de definidas, as metas não sofram alterações, faz parte do planejamento realizar revisões periódicas. Eid Junior e Garcia (2001, p. 8) enumeram em que um plano financeiro pode ajudar uma pessoa: Viver com seus recursos Identificar prioridades financeiras Utilizar adequadamente os recursos para cobrir as despesas 3

Cobrir emergências e reduzir o uso de crédito Reduzir conflitos e incertezas sobre dinheiro Torná-lo independente e com controle sobre suas finanças Poupar e investir para atingir seus objetivos Já The Financial Planning Association (2005) enumera as 10 melhores práticas ao se fazer o planejamento financeiro: 1) Ajustar metas mensuráveis, ou seja, metas que sejam possíveis de alcançar. 2) Compreender o efeito das decisões financeiras em outras áreas de sua vida. 3) Reavaliar seu plano financeiro periodicamente. 4) Começar agora – não supor que o planejamento financeiro é só para a velhice. 5) Começar com o que já tem, não supor que só os ricos podem planejar financeiramente. 6) Tomar a carga para si – você tem o controle do seu planejamento financeiro. 7) Olhar como para uma grande pintura – o planejamento financeiro é mais do que planejamento da aposentadoria ou planejamento de impostos. 8) Não confundir planejamento financeiro com investimento. 9) Não esperar retornos irreais em investimentos. 10) Não esperar uma crise financeira para começar o planejamento financeiro. Ewald (2003) explica que o Planejamento Financeiro é fundamental para uma família que pretende ter as contas em dia e com isso levar uma vida sem estresse. O orçamento é o principal instrumento para se fazer o planejamento financeiro para hoje, amanhã e dias futuros.

3. Orçamento Pessoal
3.1 Fluxo de Caixa: as despesas e as receitas Segundo Matarazzo (2003), o fluxo de caixa pode ser definido como movimento de caixa, ou seja, visa mostrar o confronto entre as entradas (receitas) e as saídas (despesas), e conseqüentemente se haverá sobras ou faltas, permitindo decidir se deve tomar recursos ou aplicá-los. Conforme quadro abaixo, no fluxo de caixa as Receitas devem incluir todos os rendimentos e as Despesas devem incluir todos os gastos e pagamentos mensais. Sendo que, as despesas estão divididas em 3 categorias: Despesas Fixas que são as que têm o mesmo montante mensalmente; Despesas Variáveis são as que são pagas todo mês, mas que geralmente tem valores diferenciados e as Despesas Arbitrárias que incluem as que não são necessárias mensalmente, conceitua Luquet (2000).

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FLUXO DE CAIXA
Receita Salário R$ 3.500,00 Saldo Inicial do mês na C/C R$ 50,00 Total de Receitas (A) R$ 3.550,00 Aluguel R$ 300,00 Condomínio R$ 100,00 Prestação do Apto R$ 800,00 Prestação do Carro R$ 350,00 Colégio / Cursos R$ 300,00 Plano de Saúde R$ 230,00 Alimentação R$ 250,00 Luz / Gás R$ 90,00 Telefone Fixo / Celular R$ 100,00 Cartão de Crédito R$ 200,00 Gasolina R$ 500,00 Tarifas Bancárias R$ 30,00 Cinema / Teatro R$ 60,00 Restaurante R$ 80,00 Total de Despesas (B) R$ 3.390,00 Receitas – Despesas (A – B) R$ 160,00 Tabela 1 – Fluxo de Caixa Fonte: Luquet, 2000, p. 13 (Dados da autora)

Dezembro / 2005

Gastos Fixos

Gastos Variáveis

Gastos Arbitrários Saldo Total

100% 8% 3% 23% 10% 8% 6% 7% 3% 3% 6% 14% 1% 2% 2% 95% 5%

Com essa base de dados pronta, sempre primando para que seja fidedigna à realidade, discriminando o que foi recebido e principalmente com o que foi gasto, tem-se a matéria prima para análise através de uma técnica chamada Análise Vertical. A respeito desta técnica, Matarazzo (2003) explica que a Análise Vertical baseia-se em valores percentuais das demonstrações financeiras. O percentual de cada conta mostra sua real importância no conjunto. Para isso se calcula o percentual de cada conta em relação a um valor base. Trazendo para o caso específico deste trabalho, calcula-se o valor percentual de cada item, dividindo-se o valor da despesa pelo valor total da receita e multiplica-se por 100 e esse número indica a relação da despesa entre a receita. Von Sohsten (2004, p.145), explica ainda que “a partir do momento que você tem esse número percentual ele se torna um elemento de comparação que se mantém fixo, independente da variação da receita, ou seja, se a receita mensal aumentar ou diminuir ficará claro quanto esta comprometido com cada item da despesa”. Assim, essa técnica em muito auxilia o acompanhamento, principalmente das despesas pois torna visível as possíveis disparidades, facilitando assim os ajustes que se fizerem necessários para os próximos meses em relação à estratégia traçada, seja decisão de investimento ou novo endividamento. 3.2 Conciliação Bancária O Plano Real, em 1994, mudou radicalmente o cenário de atuação dos bancos no Brasil: fornecer melhores serviços ou produtos para garantir sua parcela de mercado. Adveio, então, o fenômeno da automação bancária que facilita a vida dos clientes e até do banco, dentre os serviços oferecidos destaca-se: Home banking, pagamentos de contas ou de compras 5

por débito automático, correspondentes bancários, phone banking, auto-atendimento em caixas eletrônicos, etc, relata BEI Comunicação (2004). Com isso, grande parte das receitas e despesas passam pela conta bancária, tornando assim, imprescindível o uso de um procedimento contábil chamado de Conciliação Bancária. Através deste procedimento contábil, têm-se como identificar cada valor debitado ou creditado na conta, além de controlar cheques pré-datados, débitos automáticos, tarifas bancárias e a suficiência ou não de saldo. Fazendo isso, além do controle, ter-se-á uma boa parte dos dados pronta para alimentação do fluxo de caixa, sendo que faz-se necessário que neste conste o saldo inicial bancário de cada mês, a fim de que quando no final do mês se fizer a conciliação do resultado do fluxo de caixa com o real, se verifique se realmente este retrata o saldo final bancário e em espécie, se houver do mês, abrindo assim a possibilidade de descoberta se houve algum furo no levantamento dos dados que constaram no fluxo de caixa naquele período . CONCILIAÇÃO BANCARIA
Data 01/12/05 05/12/05 07/12/05 08/12/05 08/12/05 09/12/05 10/12/05 10/12/05 10/12/05 15/12/05 25/12/05 30/12/05 30/12/05 Histórico Saldo Inicial Salário Pagto Boleto Pagto Boleto Pagto Boleto Cheque 01100 Déb. Automático Déb. Automático Déb. Automático Saque Tarifa CPMF Saldo Final Saldo 50,00 3.550,00 400,00 3.150,00 800,00 2.350,00 350,00 2.000,00 300,00 1.700,00 230,00 1.470,00 90,00 1.380,00 100,00 1.280,00 1.090,00 190,00 15,00 175,00 15,00 160,00 160,00 Tabela 2 – Conciliação Bancária Fonte: a autora Débito Crédito 50,00 3.500,00 Dezembro/05 Descrição Saldo remanescente nov/05 Salário Nov/05 Aluguel + Cond. Nov/05 Prestação Apto Prestação Carro Parcela Cursinho Plano de Saúde Luz + Gás Nov/05 Fixo + Celular Nov/05 Pagtos Diversos Manutenção conta CPMF

3.3 Investimentos Investir significa adiar um consumo presente para, no futuro, ter mais dinheiro para consumir, além de ser a melhor forma de proteger o dinheiro contra a desvalorização, ou seja, a inflação, esclarece Santos (2005). Para isso, existe o Mercado Financeiro, sobre o qual a BEI Comunicação (2004) explana: O mercado financeiro envolve todos os negócios com moedas e títulos, e também abrange as instituições que promovem tais operações, como o Banco Central de um país, os bancos oficiais, comerciais e de investimentos, administradoras de recursos, bolsas e corretoras de valores, distribuidoras de títulos, etc, além de facilitar, por meio da moeda, “estocar” recursos e facilitar também, a possibilidade de pedir emprestado, antecipando para o presente renda que se irá ter no futuro. Os principais participantes do mercado financeiro são: Investidores – aqueles que tem dinheiro para investir, Tomadores de recursos – são os que precisam de dinheiro emprestado; 6

Intermediários Financeiros – sãs as instituições que “ligam” os investidores e tomadores de recursos. Governo – O Banco Central faz o papel de árbitro do mercado e é o encarregado de manter saudável a economia do país. Só ele pode emitir papel moeda e também fiscalizar e controlar os outros bancos e as operações financeiras. No mercado financeiro existe um tripé dissociável: segurança, rentabilidade e liquidez, Martins (2004, p. 86-87), aborda o assunto da seguinte forma: Segurança diz respeito às garantias reais pedidas pela instituição financeira para realizar uma operação financeira; Rentabilidade são os ganhos de capital (juros e/ou dividendos) que o investidor receberá. Sendo que há uma correlação inversa entre segurança e rentabilidade: quanto mais segura a aplicação, menor a taxa de juros paga; quanto menos segura e mais arriscada a aplicação, maior a taxa de juros. Liquidez corresponde à capacidade de transformação do ativo em moeda. Feito o planejamento financeiro, considerando objetivos, analisando gastos e ao haver sobras urge a decisão de aplicá-las, mas para se fazer um bom investimento é preciso analisar cuidadosamente este tripé conjuntamente com as características pessoais de consumo, patrimônio e fluxo de caixa, além de conhecer as características dos mais usuais tipos de investimento, conforme quadro abaixo:
Indicado a quem assumiu compromissos atrelados ao valor do dólar Fundo Cambial ou planeja viajar para o exterior. É vantajoso num cenário de queda nas taxas de juros. Caso contrário, Fundo de Renda Fixa o investidor perde. As contas em dólar não são permitidas no Brasil. Há riscos de Dólar falsificação e restrições para negociar a moeda. Rende mais para grandes quantias, o que é uma limitação. Promessa CDB de retorno muito alto é sinal de perigo. Indicado em momentos de grande turbulência. São mais Fundos DI conservadores do que os fundos de renda fixa. O grande apelo é deduzir as aplicações do Imposto de Renda até o PGBL limite de 12% da renda total. Indicado a quem quer diversificar e assumir um risco moderado em Fundo Balanceado ações, além da renda fixa. Exige grande conhecimento do mercado. Pode ter custo elevado de Ações corretagem. Retorno de longa duração. A principal vantagem é a diversificação que o fundo possibilita, Fundo de Ações reduzindo o risco de oscilações. Garantida até R$ 20.000,00. Não paga Imposto de Renda. A Caderneta de Poupança rentabilidade é a menor entre os produtos de renda fixa. Há muito tempo tem cotação estável. Mas em tempo de crise, é um Ouro porto seguro para os mais cautelosos. Sua principal vantagem é a estabilidade, mas é o que apresenta a Imóvel menor liquidez entre todos. A rentabilidade esta diretamente associada à qualidade do Fundo Imobiliário empreendimento. Seu ponto fraco é a liquidez. Pode ser adquirido pelo chamado “Tesouro Direto”, que não tem taxa de administração, ou por corretora, arcando com os serviços de Títulos Públicos corretagem. É uma opção interessante, segura, de boa rentabilidade e alta liquidez. Tabela 3 – Tipos de Investimentos Fonte: Von Sohsten, 2004, p. 208-209 (com alterações da autora)

TIPO

CARACTERÍSTICAS

RISCO
Alto Baixo Alto Moderado Baixo Baixo Moderado Alto Alto Baixo Moderado Baixo Moderado Baixo

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3.4 Impostos “O brasileiro paga 59 tributos diferentes, sendo que a carga total de impostos atinge 33% do PIB (Produto Interno Bruto)” , coloca Eid Junior e Garcia (2001, p. 52). Os mesmos autores explicam ainda que a Constituição Brasileira estabelece 4 (quatro) categorias de tributos que podem ser cobrados de pessoas ou empresas: a) Impostos: cobrados independentemente de qualquer serviço prestado pelo governo. b) Taxas: cobradas por lei ou como pagamento de serviço público. c) Contribuições de Melhoria: devidas por donos de imóveis que foram beneficiados por serviços públicos. d) Contribuições Sociais: cobradas pelo sistema de seguridade social. Conforme Brasileiro (2005), foi publicado no site CorreioWeb do jornal Correio Braziliense, em 19 de Maio de 2005, uma reportagem, que abordava o assunto de forma muito clara e sucinta, cujo título dizia: “Brasileiro trabalha mais de 4 meses para o fisco. Para pagar impostos federais, estaduais e municipais, o trabalhador terá que entregar o equivalente aos salários recebidos até amanhã”, cujo conteúdo é subscrito abaixo:
Se guardasse todo o dinheiro que recebeu este ano só para pagar os impostos que deve, antes das demais despesas (inclusive alimentação), o trabalhador iria se livrar da conta amanhã. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), em 2005 os brasileiros trabalharão 4 meses e 20 dias apenas para quitar os tributos dos governos federal, estadual e municipal. Ou seja, é como se até dia 20 de Maio todos os salários saíssem do bolso do trabalhador e fossem direto para os cofres do governo. Em 1986, quando o IBPT inciou os levantamentos, para pagar os tributos o contribuinte trabalhava 2 meses e 22 dias. De acordo com a entidade, o pagamento de impostos e contribuições representou 37,81% da renda do contribuinte em 2004. Neste ano, chegará a 38,35%. O percentual inclui o Imposto de Renda, contribuição previdenciária, contribuição sindical, tributações sobre o consumo (PIS, Cofins, IPI, ISS), sobre o patrimônio (IPTU, IPVA, ITR), taxas (limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos) e contribuições (iluminação pública). O levantamento demonstra também que, para o cidadão de classe média, há ainda o gasto indireto. Além dos tributos, ele paga por serviços privados porque não encontra qualidade nos que são prestados pelo governo – tais como saúde, educação, segurança, previdência e infra-estrutura rodoviária, equivalentes a mais 112 dias de trabalho, ou 31% da renda. Somando os dois índices, o brasileiro de classe média trabalhará neste ano até o dia 10 de setembro, totalizando 252 dias (7 meses e 27 dias) para pagar tributos e serviços, contra 243 em 2004 e 237 em 2003.

Além de trazer perplexidade, todas essas informações divulgadas nesta reportagem vêm ratificar a importância de se conhecer os tipos de tributos cobrados no Brasil e suas respectivas alíquotas quando se organizar e planejar o orçamento. No quadro abaixo, estão discriminados os principais tributos e suas características e já divididos por competência, se são federais, municipais, estaduais ou contribuições sociais.

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Imposto de Renda

Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Imposto de Importação Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) Contribuição sobre Movimentações Financeiras (CPMF) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)

A União cobra esse imposto sobre a renda e ganhos de capital – Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) – e sobre os lucros de empresas – Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). A alíquota das empresas é de 15% sobre o lucro e mais um adicional de 10% sobre o que exceder a certo valor, que hoje é de R$ 240 mil. É cobrado sobre os produtos manufaturados, tanto os produtos manufaturados, tanto os produzidos por empresas nacionais quanto os importados. A base de cálculo incide sobre o preço do bem e varia de acordo com o produto. O IPI é não-cumulativo, porque se descontam do imposto a pagar os valores previamente recolhidos. O valor desse imposto varia conforme o produto, e sua base de tributação é o preço no país exportador somado ao frete e seguro. Tributo cobrado sobre operações de crédito, de câmbio e seguros. Sua alíquota varia conforme o tipo de operação. Incide sobre qualquer movimentação financeira, com alíquota de 0,38% sobre o valor total movimentado. Incide sobre propriedades rurais. Tributo incidente sobre serviços prestados por empresas e autônomos. Sua base de cálculo é o preço cobrado pelo serviço prestado. A alíquota do ISS depende do estabelecido pela cidade e varia de 2% a 5%. Incide sobre imóveis e sua alíquota varia conforme o município.

FEDERAIS

MUNICIPAIS

Imposto sobre Serviços (ISS) Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)

Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) Contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS)

Incide sobre a venda e a importação de bens, serviços de transporte, frete, energia e comunicações. Sua alíquota varia conforme o Estado. Trata-se de um imposto não-cumulativo, a exemplo do IPI. O ICMS é calculado “por dentro” porque o tributo incide sobre o valor total do produto ou serviço, acrescido da aplicação da alíquota do tributo. É aquele pago anualmente pelos proprietários de veículos.

ESTADUAIS

É a previdência oficial do Brasil. A alíquota para empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos varia de 7,65% a 11%, de acordo com o valor do salário. Incide sobre o lucro liquido das empresas com alíquota de 8%, sendo que para as instituições financeiras esse valor é de 18%. Incide sobre o faturamento bruto mensal de serviços prestados ou produtos vendidos pelas empresas. Essa alíquota é de 3% sobre o faturamento. É cobrado sobre o faturamento bruto mensal das empresas na base de 0,65%, sendo que para as instituições financeiras o valor é de 0,75%. Tabela 4 – Características dos Tributos Fonte: Eid Junior e Garcia, 2001, p. 53 (com alteração da autora)

CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS

4. Demonstrações Financeiras
Iudícibus (1998), ressalta que a Contabilidade está voltada para os interesses da entidade como distinta de seus proprietários, muito embora o que for útil para a empresa usualmente seja útil para os proprietários.

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Objetivando se fazer valer dessa utilidade é que neste trabalho serão abordados os conceitos de Balanço Patrimonial, Demonstração de Renda e de Análise através de Índices como ferramentas para medir e monitorar a evolução do patrimônio de uma pessoa física. 4.1 Balanço Patrimonial Para Iudícibus (1998), O Balanço Patrimonial é uma das mais importantes demonstrações contábeis, por meio do qual podemos apurar (atestar) a situação patrimonial e financeira de uma entidade (ou pessoa física) em determinado momento. Nessa demonstração, estão claramente evidenciados o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido da entidade (ou pessoa física). O Ativo compreende os bens e os direitos da entidade (ou pessoa física) expressos em moeda, e todos os elementos componentes do Ativo acham-se discriminados no lado esquerdo do Balanço Patrimonial O Passivo compreende basicamente as obrigações a pagar, isto é, as quantias que a empresa (ou pessoa física) deve a terceiros. Todos os elementos componentes do Passivo estão discriminados no lado direito do Balanço Patrimonial. E o Patrimônio Líquido (PL) é a diferença entre o valor do Ativo e do Passivo de uma entidade (ou pessoa física), ou seja corresponde a existência (PL > 0) ou inexistência ((PL = 0) ou (PL< 0)) de riqueza. BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO Ativo de Curto Prazo Saldo Conta Corrente R$ 1.000,00 Fundo de Renda Fixa DI R$ 22.000,00 PASSIVO Passivo de Curto Prazo Cartão de Crédito R$ 1.500,00 Saldo Devedor em financiamento de R$ 6.000,00 Automóvel Prestação de Imóvel a R$ 5.000,00 vencer Passivo de Longo Prazo Prestação de Imóvel a R$ 40.000,00 vencer Patrimônio Líquido Seu Patrimônio R$ 60.500,0000 R$ 113.000,00

Ativo de Longo Prazo Empréstimo concedido a Irmão FGTS R$ 2.000,00 R$ 17.000,00

Ativo Permanente Apartamento R$ 60.000,00 Automóvel R$ 11.000,00 Total do Ativo R$ 113.000,00 Total do Passivo Tabela 5 – Balanço Patrimonial Fonte: Halfeld, 2004, p. 133

A diferenciação de Ativo de Curto Prazo para Ativo de Longo Prazo é a Liquidez, ou seja, Halfeld (2004) diz que o de curto são os bens e direitos que podem ser convertidos em espécie em menos de 1 (um) ano, já os de longo prazo serão os demais de prazo maior. No Passivo também são classificadas as obrigações (dívidas) em curto prazo as que vencem em menos de 1 (um) ano e as que vencem depois de 1 (um) ano em longo prazo. Kiyosaki (2000, p. 81) adverte que “a regra mais importante é conhecer a diferença entre um ativo e um passivo. Uma vez que você consiga entender a diferença concentre seus esforços na compra exclusiva de ativos geradores de renda”. 10

4.2 Demonstração de Renda A Demonstração de Renda, elaborada simultaneamente com o Balanço Patrimonial, constitui-se no relatório sucinto das transações realizadas por uma pessoa física durante determinado período de tempo. O fluxo de caixa já será a projeção da demonstração de renda, sendo que a diferença é que nesta demonstração não se tem a preocupação com o saldo remanescente do período anterior. DEMONSTRAÇÃO DE RENDA
RECEITAS Salário Líquido 3.500,00 DESPESAS Alimentação R$ 250,00 Moradia (aluguel, cond., tel., luz, gás) R$ 590,00 Prestação do Apartamento R$ 800,00 Automóvel (prestação e gasolina) R$ 850,00 Lazer R$ 140,00 Plano de Saúde R$ 230,00 Tarifa Bancária R$ 30,00 Cartão de Crédito R$ 200,00 Colégio/Curso R$ 300,00 R$ 110,00 RECEITAS - DESPESAS R$ 110,00 Resultado Disponível para Investir Tabela 6 – Demonstração de Renda Fonte: Halfeld, 2004, p. 137 (Dados da autora) Dezembro / 2005

Para a melhor visualização e o entendimento dos dados, o uso de um gráfico tipo pizza serve como grande elucidador, conforme abaixo:

Moradia 17%

Apartamento 23%

Alimentação 7% Investimento Lazer 3% 4% Cartão Crédito 6%

Automóvel 24% Tarifa Bancaria 1% Curso Plano de Saúde 7% 9%

Gráfico 1 – Proporção das Despesas e Sobras na Demonstração de Renda Fonte: a autora

Ainda, Kiyosaki (2000) usa vários diagramas para facilitar o entendimento da relação entre a Demonstração de Renda e o Balanço Patrimonial, assim sintetizados:

11

Receita Trabalha para o Patrão Despesa Trabalha para o Governo Ativo Passivo Trabalha para o Banco
Aumento/diminuição Movimento dinheiro

Figura 1 – Relação ente Demonstração de Renda e Balanço Fonte: Kiyosaki (2000) (com adaptações da autora)

4.3 Análise através de Índices Segundo Matarazzo (2003, p.147):
Um índice é como uma vela acesa num quarto escuro, pois é a relação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa (ou pessoa física). E a quantidade de índices que deve ser utilizada na análise depende exclusivamente da profundidade que se deseja da análise.

físicas: Nº
1

Sendo assim, Halfeld (2004) propõe 4 (quatro) índices a serem utilizados por pessoas NOME
Índice de Liquidez

CÁLCULO
Ativo de Curto Prazo Passivo de Curto Prazo Ativo de Curto Prazo Despesas Mensais Passivo Ativo

CARACTERÍSTICA
Indicará quanto que a pessoa possui de Ativo de Curto Prazo para cada R$ 1,00 de Passivo de Curto Prazo. Este índice tem a característica: quanto maior, melhor. Indicará quanto que a pessoa possui de Ativo de Curto Prazo para cada R$ 1,00 de Despesa Mensal. Também este índice é quanto maior, melhor. Sendo que o autor adverte que este se mantenha acima de 6. Indicará quanto que a pessoa contraiu de dívidas para financiar cada R$ 100,00 de Ativo. Já este índice quanto menor, melhor. Indicará quanto que a pessoa possui para aplicar em um investimento para cada R$ 100,00 de Receita auferida.

2

Índice de Cobertura de Despesas Mensais Índice de Endividamento Índice de Poupança

3 4

X 100

Resultado Disponível para Investir X 100 Receitas Tabela 7 – Os Índices e suas Características Fonte: Halfeld (2004) (características da autora)

5. Metodologia
5.1 Classificação da Pesquisa A Metodologia será definida segundo Gil (1991): Do ponto de vista da sua natureza a pesquisa será básica, pois objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. 12

Já do ponto de vista de seus objetivos será exploratória, pois visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas, análise de exemplos que estimulem a compreensão. Os procedimentos técnicos adotados serão: Pesquisa Bibliográfica, elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e material disponibilizado na Internet e Levantamento, que constitue-se de pesquisa que envolve a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. 5.2 Coleta dos Dados O objetivo da pesquisa de campo foi verificar a realidade do cotidiano de um grupo de pessoas no que diz respeito ao Planejamento Financeiro e peculiaridades da gestão de suas finanças. O questionário foi formulado com 10 (dez) questões objetivas, sendo que 3 (três) delas eram múltipla escolha. A coleta dos dados foi realizada pela autora deste artigo, pela facilidade de acesso, no seu local de trabalho: a Sede Administrativa em Brasília da empresa RADIOBRÁS – Empresa Brasileira de Comunicação S/A que é uma empresa pública de comunicação, cuja missão é buscar e veicular com objetividade informações sobre Estado, Governo e Vida Nacional e trabalhar para universalizar o acesso à informação, direito fundamental para o exercício da cidadania. 5.3 Procedimentos Adotados Para o desenvolvimento deste artigo foram adotados os seguintes procedimentos: Elaboração do questionário. Aplicação dos questionários aos Funcionários da Radiobrás dentre suas diversas Seções e Divisões onde é permitida a livre circulação, sendo distribuídos ao todo 170 (cento e setenta) questionários. A melhor estratégia encontrada foi deixá-los num dia e 48 h (quarenta e oito horas) depois recolher daqueles que se dispuseram a respondê-lo, totalizando 137 (cento e trinta e sete) respondidos. Isto feito entre os dias 27 a 31 de Março de 2006. Tabulação e análise dos dados coletados. O software Excel foi utilizado como suporte para tal.

6. Análise e Discussão
6.1 As pessoas e o Planejamento Financeiro Pessoal Os resultados apresentados nos gráficos abaixo estão tabulados com base nos 137 questionários respondidos. Questão 1: Você faz seu planejamento financeiro?

13

Sim 80% Não 20%

Gráfico 2 – Planejamento Financeiro Fonte: a autora

Observa-se, no resultado dessa tabulação que 80% (oitenta por cento) fazem seu planejamento financeiro enquanto 20% (vinte por cento) não o fazem. Questão 2: Você faz o acompanhamento do planejamento financeiro elaborado?

Sim 56% Não 44%

Gráfico 3 – Acompanhamento Fonte: a autora

O resultado da pesquisa revelou entretanto, que 56% (cinqüenta e seis por cento) dos entrevistados acompanham o planejamento elaborado enquanto 44% (quarenta e quatro por cento) não acompanham. Questão 2.1: Se não, qual o motivo?
Não acha necessá rio 36% Falta de tempo 43%

Outro 21%

Gráfico 4 – Motivo do Não Acompanhamento Fonte: a autora

14

Quando perguntado aos entrevistados o motivo do não acompanhamento do planejamento financeiro elaborado 43% (quarenta e três por cento) alegaram falta de tempo, 36% (trinta e seis por cento) não acham necessário e 21% (vinte e um por cento) alegaram outros motivos como desorganização, preguiça e falta de habilidade . Questão 3: Você entende que o Planejamento Financeiro pode lhe auxiliar no uso mais efetivo de sua renda.

Concordo totalmente 52% Discordo Discordo totalmente 1% 1%

Concordo 46%

Gráfico 5 – Uso Mais Efetivo da Renda Fonte: a autora

Em relação ao entendimento quanto ao auxílio que o Planejamento Financeiro dá para o uso mais efetivo da renda, 52% (cinqüenta e dois por cento) concordam totalmente, 46% (quarenta e seis por cento) concordam, 1% (um por cento) discorda e também 1% (um por cento) discorda totalmente. Questão 4: Qual o mecanismo que você utiliza para controlar suas finanças?
Programa tipo Money Planilha 1% Excel 31% Outros 12%

Anota Carderno 56%

Gráfico 6 – Mecanismos de Controle das Finanças Fonte: a autora

Quando perguntado aos entrevistados quais mecanismos utilizam para controle de suas finanças, 56% (cinqüenta e seis por cento) responderam que utilizam Anotações em Caderno ou Agenda, 31% (trinta e um por cento), utilizam Planilha de Excel, 12% (doze por cento) utilizam outros, foram citados: extrato de banco, cabeça e ordem de prioridade e 1% (um por cento) utilizam Programa Específico Tipo Money. Questão 5: A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou o Projeto de Lei 2.831/02, do Dep. Leonardo Prudente, que institui o programa de Educação Financeira nas escolas da rede pública do DF, voltado para os alunos de 1ª a 8ª séríes com o objetivo de ensiná-los a poupar e planejar seus gastos. O que você acha desse assunto ser introduzido desde a infância? 15

Concordo totalmente 48% Discordo totalmente 1%

Concordo 45% Discordo 6%

Gráfico 7 – Educação Financeira para Crianças Fonte: a autora

Quanto à introdução da educação financeira nas escolas da rede pública do DF, 48% (quarenta e oito por cento) concordam totalmente, 45% (quarenta e cinco por cento) concordam, 6% (seis por cento) discordam e 1% (um por cento) discorda totalmente. Questão 6: Você faz uma reserva financeira para emergências e imprevistos?

Não 56% Sim 44%

Gráfico 8 - Reserva Financeira Fonte: a autora

A pesquisa revelou que 56% (cinqüenta e seis por cento) dos entrevistados não fazem uma reserva financeira para emergências e imprevistos e 44% (quarenta e quatro por cento) fazem. Questão 7: Qual é o grau do seu endividamento com relação a sua renda?

Médio 47%

Baixo 37%

Alto 16%

Gráfico 9 – Grau de Endividamento Fonte: a autora

16

Em relação ao grau de endividamento, 47% (quarenta e sete por cento) têm um grau médio, 37% (trinta e sete por cento) um grau baixo e 16% (dezesseis por cento) um grau alto. Questão 8: Dentre os produtos de crédito citados, quais você mais utiliza?
50% 40% 30% 20% 10% 0%
CDC C a rt ã o de C ré dit o E m pre s t i mo C o ns igna do

C he que E s pe c ia l

P e nho ra de J ó ia s

O ut ro

Gráfico 10 – Produtos de Crédito Fonte: a autora

Quando perguntado aos entrevistados, dentre as opções, quais são os produtos de créditos mais utilizados, 45% (quarenta e cinco por cento) responderam cartão de crédito, 28% (vinte e oito por cento) cheque especial, 17% (dezessete por cento) empréstimo consignado, 5% (cinco por cento) outro como empréstimo de familiar, 4% (quatro por cento) crédito direto ao consumidor e 1% (um por cento) penhora de jóias. Questão 9: O mercado brasileiro possui uma variada gama de produtos para investimento. Marque dentre as opções, as que você tem conhecimento e que você investiria seu dinheiro?

40% 30% 20% 10% 0%
CDB

Im ó v e is P o upa nç a F undo s de Inv e s t i m e nt o A çõ es T í t ulo s do G o v e rno

RDB

Gráfico 11 – Produtos de Investimento Fonte: a autora

O resultado da pesquisa revelou que os entrevistados assim listaram suas opções de produtos de investimento de acordo com seu conhecimento e preferência, 33% (trinta e três por cento) Imóveis, 27% (vinte e sete por cento) Poupança, 19% (dezenove por cento) Fundos de Investimento, 11% (onze por cento) Ações, 6% (seis por cento) CDB, 3% (três por cento) Títulos do Governo e 2% (dois por cento) RDB. Questão 10: Você contrataria um Consultor para fazer seu Planejamento Financeiro? 17

Não 79% Sim 21%

Gráfico 12 – Contratação de Consultor Fonte: a autora

Em relação à contratação de um consultor, 79% (setenta e nove por cento) responderam que não contratariam, por diversos motivos como ser assalariado, formação na área de administração, economia ou contabilidade, preço do serviço e não achar necessário e 21% (vinte e um por cento) que sim, principalmente buscando técnicas eficazes de investimento e aprender sobre planejamento financeiro. 6.2 Fundamentação Teórica x Pesquisa de Campo Ao confrontarmos o referencial teórico com as respostas apresentadas na pesquisa, nos deparamos com alguns pontos muito salutares em relação ao tema, a teoria versus a prática: É notório que as pessoas não sabem o que é Planejamento Financeiro, cujo conceito é tão amplo, sendo resumido na prática a saber o que entra e o que sai durante o mês. No caso especifico deste estudo, a amostra é composta por servidores públicos que se servem de sua estabilidade e facilidade de crédito para não se preocupar com sua vida no longo prazo. No quesito acompanhamento e controle de suas finanças, se contentam em fazê-lo pelo meio mais antagônico ou nem fazê-lo alegando falta de tempo ou não necessidade, ficando à margem sem conhecer as facilidades tecnologias existentes e sem ter uma informação capaz de auxiliá-lo na tomada de decisão. A formação na área de Contabilidade, Economia e Administração traz uma certa segurança demasiada na gestão de suas finanças, fechando o leque para o aprendizado e abrindo para a auto-suficiência.

7. Considerações Finais
O presente trabalho demonstra que a Contabilidade é fundamental na gestão das finanças pessoais principalmente no tocante ao acompanhamento e controle do planejamento financeiro elaborado, pois como acontece nas empresas pode-se usar técnicas auxiliares como fluxo de caixa e conciliação bancária e as consagradas demonstrações financeiras e a análise através de índices extraídos destas demonstrações, que juntos formam um sistema de

18

informações altamente completo, capaz de subsidiar a tomada de decisão, a revisão do planejamento e o monitoramento da evolução do patrimônio. Ao mesmo tempo, isso traz para a Contabilidade alguns desafios como: demonstrar para as pessoas o benefício de se fazer o acompanhamento de suas finanças, tirar o estigma do Imposto de Renda e a necessidade de os profissionais da área que são professores trabalharem esse assunto em suas salas de aula. Como sugestão para trabalhos futuros, seria interessante realizar uma pesquisa de campo também com profissionais autônomos e/ou da iniciativa privada para verificarmos as principais diferenças e testar também qual o grau de conhecimento sobre o assunto das pessoas com formação em Contabilidade, Economia e Administração comparando com as outras áreas de formação.

8. Referências
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19

GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1999. HALFELD, Mauro. Investimentos: como administrar melhor seu dinheiro. 2. ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2004. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Introdutória. 9. ed. São Paulo: Atlas, 1998. KIYOSAKI, Roberto T. ; LECHTER, Sharon L. Pai Rico, Pai Pobre: O que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro. 36. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. LUQUET, Mara. Guia Valor Econômico de Finanças Pessoais. São Paulo: Globo, 2000. MARTINS, Jose Pio. Educação Financeira ao alcance de todos. São Paulo: Fundamento Educacional, 2004. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise Financeira de Balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. SANTOS, Giovana Lavínia da Cunha; SANTOS, César Sátiro dos. Rico ou Pobre: Uma Questão de Educação. São Paulo: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2005. SERASA (Centralização dos Serviços Bancários S/A). Saiba como evitar a inadimplência e garantir o seu futuro. Guia Serasa de Orientação ao Cidadão, 2001. SOUSA, Almir Ferreira de; TORRALVO, Caio Fragata. A gestão dos próprios recursos e a importância do Planejamento Financeiro Pessoal. São Paulo: FEA/USP, 2003. Disponível em:< http://www.ead.fea.usp.br/Semead/7semead/paginas/artigos%20recebidos/Finan%E7as/FIN0 1-_A_gest%E3o_dos_pr%F3prios_recursos.PDF >. Acesso em: 03 nov. 2005. THE FINANCIAL PLANNING ASSOCIATION (FPA). Follow this financial planning starter kit. Disponível em:< http://www.fpanet.org/public/tools/FPP070.htm >. Acesso em: 19 dez. 2005. _____________________________________________. What you Should Know About Financial Planning. Disponível em:< http://www.cfp.net/Upload/Publications/187.pdf#search=' what%20you%20should%20know %20about%20financial%20planning' Acesso em: 19 dez. 2005. >. VON SOHSTEN, Carlos. Como cuidar bem do seu dinheiro. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. 20

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