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a = HELIO OITICICA ASPIRO AO Ce LABIRINTO = con Rio de Janeiro — 1986 Dicgitos dete eis rscrvadosit EDITORA ROCCOLTDA, ea Visconge de Pia, s14-Ge. 1305, CEP 22410 Rlode laneto Tet 287-1895 Princ Bri peso no Beast ANA MARIA DUARTE WENDEL SETUBAL OSCAR GUILHERME LOPES HENRIQUE-TARNAPOL SRY "109,043 Odo, Pal. Calico na fone sins Neco or ores de en, ‘ica, Ho Onke Aapite 0 sine atiritn / Hilo Oi. — Rade cepp-ror.cset soonss Duna gsoatil Has. wee INTRODUCAO © Projeto Hiio Oiticica, dando seguimento 2 sus objetivos encanto preservardo e divalgacao da obra de Hilio Oitct 2, elaborou este volume, que ¢ formado de ume seeya0 de ‘elton buscos Go artite. correspondentes a gus prodgao snire.o8 anos de 1954-1969, "Acreditamos que & publicaseo destestexios pela prime raver, podera contibuie para um contato mals aprofundado Ao leiior eespectador com a obrado artista. ‘Ne traalgao moderna das Artes Platicas, temos exem- los de como fai importante, para alguns artistas, a elabo- Tapto de textos onde o procesio e universe criativos do arti ta'sdo demonstiados ein proposigdo teorcas e muias vers também poeticas, Desde os escritos dos consiruti manifestos das vanguardas do inicio do sécul Mondrian, Aip, Duchamp, «sic legado iebrico permanexe corr formlcko profuth de cia arta em reach» pris obra, e como visto de mundo. lio Oiticica é um dos casos raros na arte brasileira on- de artista labora teoras, conceit ae pensa a propria obre. Assim oles dendocs anos i prendizaoedeatoolvenuna forma propria comg sua potted, ao longo de toda a sua te Jeon, Para Unc, ctoever fot inceveate ent mete fiat’ quertbes eseenciak no campo da arte esto ext bem claro em seus primeiios textos, curtos e ainda sob a form oe diario. Oitcica participou ativamente de im dos periodes mais fortes da critica de arte no Brasil os anos neoconcreto., s ‘A propria producdo de obras nesse periodo demandou, por parte Ga critica de arte, uma conceituacdo inteiramente vo\- {ada para as questdes novas que as obras apresentavam. dis so resullando uma feliz impregnacéo entre obras ¢ icéias, ‘que instaurou uma nova maneira de ver e sentir a obra dear A Experitncia Neoconcreta estabetecen rigor eritco ja mais visto na arte brasileira, vendo surgido teorias e postula- ot préprios que a fundamentaram como 9 movimento que Superava questOes conflitantes na arte moderna: a tradi;go consirutivista sofreu aqut sua mais radical ransformacgo. ‘Finds a Experiéncia Neaconereta (enquanto movimnen- to), Oiticica, em crescente produgdo ¢ descobertas,ativa seu Dojencial teorico que ira visceralmente acompanhar cada obra'e invenglo, A partic de 1960, teoriza ¢ conceitun a propria obra: se durante o periodo Neoconcreto as obres no- Meadas por ele mesmo como Bulaterats e Relevos Espacials situavam.se dentro da conceituardo e teoria Nao Objeto de Ferreira Gullar, a produgdo seguinte inaugura “ordens de ‘manifestapbes amblentais". com a criagdo de Nucleos e Fe- ‘eirivels, acompanhados de textos especificos esztitos pelo proprio Oiticica. Nomeando cada descoberta ¢ dando the conceituardo esperifica, adquire dominio ¢ controle total sobre sua produdo. Intensilicando essa pratica, vai esenvolvendorse ¢ refinando-se como tebrico e, nessa pro- sresslo, escrever passa a ser uma forma a mais'em sua ex- 2 ponto de obra e texto caminharem juntos a par. ‘ir de entio. ‘Nomear caixas de madeira, vidros, garrafes com pig ‘mentos e tera, capas para serem colocadas no compo e es:an artes de Bode © Parangolé¢ eabelcer, na propria magia ido nome, 4 inquietagaa © pulkardo da obra. A palavra Fa- rangolé ro designa nada de imediato, nll ‘‘classifica”” « ‘Obra nao nos conduz.senao ao “lugar” no qual a obra se funda. O texto “Bases Fundamentais para uma Definigdo do Parangolé”” € uma explanaedo que em neahum momento pretende ‘“ilustrar” ow tornar a obra compresnsivel a nivel i+ ‘near, pelo contrario, distingue ¢ assinala sua inovacdo, ofe- recendo ao leitor miitiplas ramificaydes de significados. ‘Coniciente de que suas obras cida vez mais desencadea- vam questdes novas dentro da arte, sobre 0 que produz como estratégi 6 possivels tentativas de ‘elassifich-las"” ou reduzi-les a ‘itérios convencionais. Tropicdila é um exemplo claro disso, ‘Os textos que excreveu sobre esta obra s4o precisor quando definem sua génese e significado, més insisientemente aler- tam para o que Tropiatite nto. iio Oiticica pentava a propria obra ¢ 0 mundo. Através de seus textos discutis ¢ participava dos problemas da arte brasileira somo pensador ativista, visionando ques- {es inéditas, rebelando-te contra conformizmos loralistas € 4 estagnardo cultural dominante no meio das artes. No tex! Tnuultde“Esquema Geral da Nova Objetvedde" fez una espécie de" de toda expresso nova no’ Brasil € spontow-lhe possbilidadesuniversas Em 1968 prope e organiza Apocalipopotese (conceito de Rogério Duarte) como manifesiagloeoletva e afer a dda mais suas proposigbes de “manifestacdes ambientais™” ‘niciadas com 0 Parangoié. Em 1969 reallza em Londres seu ‘mais ousado e ambicioso projeto até entfo: uma exposiclo {que nfo chamava de exposiedo, mas de Whitechapel Expe. ‘ence, um experimento onde colocou toda a sua producio afé aquela data, um campus de experigncias que chamow de Eden. E 0 inicio de sua atuacdo internacional ¢ de extensa 0 de sua obra € Densamento no circuito Pans: Londres e Seguidamente (Nova lorque. Acompanha esta ‘digo uma fac-simile do catélogo da Whitechapel ‘ce, com icorografia € novos textos referentes a toda obra produzida até entao e 0 texto do critico Guy Brett, que presenta canalisa Zden em coniesto universal. Os textos que encerram este volume, escritos na I slaterra tragam percurso imporiante e prenunciam os novos ‘saminiis a serem percorridos no GRANDE LABIRINTO. LUCIANO FIGUEIREDO Riode Janciro, abril de 1986 ARTE AMBIENTAL, ARTE POS-MODERNA, HELIO OITICICA Hoje, em que chegames ao fim do que se chamou de “arte moderna” (inaugurada pelas Demonelles dAvignon, inspi ‘ada pela atte negra recem-descoberia), os crtérios de julzo Para a apreciacdo ja no s40 os mesmos que se formaram desde entho fundados na experiéncia do Cubismo, Estamos ‘outto ciclo, que ngo & mais puramente aristizo, ‘Was sulwah adieabhce eee anterior, e iniciado “Gigamos pela Pop-art. A esse novo ciclo de vocagao antiarte, chamaria de “arte modema’*. (De passagem, digamos que desta vez 0 Brasil participa dele nao como modesto sesuidor, ‘as como precursor. Os jovens do antigo Conerctismo ¢ 50. bretudo do Neoconcietismo, com Lygia Clark a frente, sob Muitos aspestos se anteciparam 20 movimento da Op ¢ mes. moda Pop. Hélio Oiticica era 0 mais jovem do grupo.) Na fase do aprendizado e do exercicio da “arte modcr- a’, anatural virtualidade, a extrema plasticiade da percep. fo, de novo explorada pelos artistas, era subordinada, disc Plinada, contida pela exaliacio, pela suprematizagdo dos vn lores propeiamenteplisticos” Agora, nessa fase de arte na tuapao, de arte antiarte, de “arte ps-modema’”, divse 0 \Vets0: 05 valores propriaiente plasticos tendem a ser absors Nidos na plasticidace das estruturas peresptivase situacion’ tas. E fendmeno psicolbgico perfeitamente destrinchado o fato de a plasticidade perceptiva aumentar sob a influenig as emocves e dos estados de afetividade, Os artistas vane Buardeir0s de hoje fogem dessa influzncia, como os elavsices 9 ddo modernismo, ¢ muito menos a procuram, deliberadamen- te, camo 0 fa nismo abstrato” ou “lirico”. Nao ¢ a expressividade em yu imcressa vanguarda de agora, AO coMiTanio, la ee sirmadeTude osubjtivismo individual henmeuco, Dal a ab “Telividade em si da Pop, a objetividade para si da Op (nos Es. tados Unidos). Mesmo’a “'nova figuracio””, onde os restos de subietvismo se aninharam, quer asima de tudo nerrar, Passar adiante uma mensegem, mitica ou coletiva, ¢ quando Individual, atraves do humor, © Jovem Oitiiea dem 1959, quando gelo mundo domi ‘ava a vaga romantica do informal edo tachismo, indiferen- te 4 moda, abandonara 0 quadro para armar seu primeira objetivo insblito, ou relevo no espago, nim monocromismo Violentoe franco. Tendo partido naturalments da gratuidode dos valores plasticos, j& hoje rara entre os artistas vanguar- deitos atuais, se mantéma fiel Aqueles valores, pelo rigar es ttutural de seus objeto, o distiplinamento das formas, 2 sunluosidade das cores e eombinagdes de materials, pela pu: ‘reza em suma de suas confeccdes. Ele quer tudo belo, impe- cavelmente puro eintratavelmente precioso, como um Matis. fe nocesplendor de sia arte de "hizo, ealma e Voluptuosida de. Baudelaire dae Flores do. Mel é talvez 0. padvinho Tonginguo desse adolescentearitocritico, pesssta da Man {ucira Gem contudo o senso crsido do pecado do poeta mal- ‘ite)s aprendizado concretisia quase o impedia de aleencar ‘o'estégio primaveril, ingénuo da experiéncia primeira. Sua expressto toma um carater extremgmente individualista ¢, a mesmo tempo, vai até pura exaltarZo sensorial, sem al: cancar no entanto o sdlio propriamente psiquico, onde se dé fapasiagem imagem, ao signo, 4 emocao, beonscieneis. Ele brtou cerce essa passage. Mas seu comportamento subia ments mudou: um dia, deixa sua torre dz marfim, seu sitidio, cintegra-se na Estapdo Primeira, onde fee sua {ardo poplar dlorese caave 20% ps moro da Man gacira, mito cariOea_ AG encegi-e,ent40-2.um verdadero ‘lade niciacdo, carregou, entretanto, consigo para Osariba ia Mangueira ¢ adjacencias, onde a’ barra” € cotstante- ‘mente “pesada” seu impenitenteineonformismo esto, Deixara cm casa os Relevos © o> Nicleos no e3pa;0, prosseguimento de uma primcira experigncia de cor # que 10 chamou de pererével uma construe de madeira, com porta deslizante, em que sujeito se fechava em cor. Invadia-te de cor, sentia 0 contato fisico da cor, ponde- ava a cor, tocava, pisava, fexpirata cor. Coma na expersn- c Ginten so abc ouas op ls ota, Fae a cwas maguelas ¢ a sinultanadade (elemento We iT as cores ente media qUe © espectador rods ¢ ‘Dmolicem sun esrutra, Nolase,e72>, ge; de 0D ‘Siro nio-objetolancado 20 espaco, Jase 1 Seen vives da cor, ado toulmeate conterpia~ dencia pevalmente organic, mas eOsmics. O que vale nto (Widade matematicn Ga cor oueurritmica, ou medida por aes fisicos, rasa sua significado. Un laranje paro ¢ Pree tnas se colocado em felagd0 com Outras cores, cle larania. mas cho.taro ou amarelo-escurO, ou outro tom de rh 24 “et endo muda conforme a estrtura em gue este jareoinido, e sua sgniicaeao, masta Jo dislogo intuitive Ja con oma Obra, ha sua gees, varia intimamente de Ghrapure obra. A cor é, portato, sgaficagho, assim come Obra Rroe cementos de ebray veiculo de vivéncias de tod See inci, agul, HAM sentido englobatio « nko m= SSrr dl Malia do temo). A genese da obra de arte &de tl rode liga parca pale mia, que jhnioce pede Facer mutes de espirto, gob, come fsa Merieay-Ponts. Pare ne esprto S40 diaetcas de um s6 fendmeno. O ele rranocendalore criadot do artista a intuigho, , como di- wectena vet Kite, “ett (lta antlise a obra de arte &in- ‘isto. em itulgao nao poderd see superada’ 49 ATRANSICAO DA COR DO QUADRO PARA O ESPACO EO SENTIDO DE. CONSTRUTIVIDADE “ou a tnt transcio co quadro para 0 espaso co rego em 1959. Havia eu ent cheyudo a0 uso Ae houses ores, ao branco princpalmente, com duas sores deere: as, omate os trababon em qu wsava uma 30 son pads emiuma ou dua dite nt, 4 meu ver, nfo sinificavaso. imenté ume depuraego extrem, rasa vmnada deconsciéns 9 expaco como elemento ‘orient ato, insinuanderse, 3, conceit de tempo. Tue @ due cra ates urdo, Ob {ainbém suporte parn o ato e a'esitatuta dd plaeane, formate cm Cemeto Integra eabsouua nessa estrutna ase Adfana,fedeedi ae gacontro dos panos cia limitagio da propria cures so quadro. Paralelamentesequese a propria ropa da for ma retangalar do quacro, Ras fnvenedes, gue 80 lates quadrades¢agerem ao muto (0 em de lago)'a cor aparece Hum 30 tom. O problema exrtural da or apresentae por superposgbcs; seria a ver caldade da Sor ne espe, & oa sstrulurapio de superpesigdo. A cor expessé agus ato Snico, a duracdo que puss as exiemidades do sero, ae Dor sia vez feha-se am si mesmo ese cura’ percenes a6 Mo ou ase anstermaremraevo, Hi enlaore aes cr mada, aque est exports vsdo, una ues dar eames das postertores, que se sucdem por bale. Agu eto das lsc, pura iim, atenica que st transforma em epee S40, Inlesracdodasdhss.o que srs importante fwurcioen te, Vem eniaoo principio: “Toda arte vecdadcien sions so antificial yi wee = mesma.” F pois a técnica também de ordem fisica, ‘GenisiveTe transcendental. A cor, que comega a agit pelas suas ropriedades Fisicas, paso campode sarncl espns esac BOSE atte, ¢ por cia do artist fe Ocamt ‘eve aqui consettalmente, mas que se expresia; sua order, ode-se dizer entao, € puramente transcendental, O que digo, ‘ou chamo de “uma grande ordem da cor”, nio € a sua for: malacio analitica em bases puramente fisicas ou sia mas a inter-elapdo dessas duas com o que quer a cor expres: sar, pois tem cla que estar ligada oua uma dialética ou a um fio'de pensamenios ¢ iceias inwitivas, para atingir 0 seu Maximo objetivo, que € a expresso, Considero esta fase da maxima importincia em relacdo a0 que se segue, e sem tua compreensio creio que se torna dificil a compreensio da dialeice da experiencia que denomino como estruturas-Cor no espaco eno tempo. ‘A cheuadaii cor inica, a0 puro espaco, ao cemne do aus- Aro, me conduziv s0 proprio esparo tridimensional, j& aq ‘oom © echado do sentido ¢o tempo. Ji ndo qucro © suporie do quadro, um campo u priori onde se desenvolva 0 “ato de pintar”, mas que a propria estrutura desse ato se dé no es ‘Bago e no tempo. A mudanca nfo é s6 dos meios mas da Dropria concepsao da pintura como tal; & uma posicdo ra al em relacao & percepeao do quadro, &atitude contempla ‘va que 0 moliva, para uma percepgao de estruturas-cor no espaco € no tempo, muito mais ativa e compleia no seu seati- do envelvente. Dessa nove posisio e atitude Foi que nasce- ram os Niileos © 0s Penetrdveis, duas concepsces diferentes mas dentro de um mesmo desenvolvimento, Anies de cheger 40 Mucieo € 40 Feneiravel, compus uma serie que se const- tuia jf dos elementos desias das concencdes, mas ainda concentrados numa pega sé, suspensa no espago. Esta série & ndo $6 a primeira no espace, mas também a primeira a mani- fesar os Tundamentos conceituals, plsticos ¢ esprituals do ‘Niacleo © do Penetravel. ‘Miicleo, que em geral consiste numa vatiedade de pla- cas de cor que se Organizam no espaco tridimensional (és ve- zes até em nimero de 26), permitea visdo da obra no expaco SI ee (clemento) eno tempo (tambem elemento), O espectador gira ‘sua volta, penetra mesmo dentro de seu campo de 2¢40. A ‘isfo estitica da obra, de um ponto s6, nao a revelard em to- talidade; 6 uma visdo elelica. 14 nos Nucleos malt reoentes © espectador movimenta essas placas (penduradas no seu (10) ‘modificando a posigao das mesmas. A visio da cor, "vis20" ‘aqui no seu seatido compkto: fisico, psiquico e espiritual se desearola como um complexo fio (desenvolvimento nuclear ‘dacor), cheio de virtualidades. A primeira vistao que chamo de desenvolvimento nuclear da cor pode parecer, co € em. certo sentido, uma tentativa de wabalhar somente no sentido. da.cor tonal, mas na verdade situa-se em outro plano muito diferente do problema da cor, Pelo Fate de partir esse desen- volvimento de um determinado tom de cor e evoluir até ou- tro, sem pulos, a passagem de um tom para o outro se dé de mancira muito sutil, em nuansas. A pintura tonal, em todas as €pocas, tralava de reduzir a plastlcidade da cor para un. tom com pequenas variacdes; seria assim uma amenizario dos contrastes para integrar toda a estrutura num clima de ‘serenidade; nto se tratava propriamente dito de “*harmoni- zacdo da cor”, se bem que ndo.a exclulsse, & claro. O desen volvimento nuclear que procuro nao éa tentativa de “ameni- 2at’" 6s conirastes, se bem que 0 faca em certo sentido, mas de movimentar virtualmente a cor, em sua estrutura mesma, JH que para mim a dinamizapio da cor pelos contrastes se fachi esgotada no momento, como a jusiaposigdo de disso- Mantes Ou a justaposigao de complemeatares. © desenvolvi- mento nuclear, antes de ser “dinamizardo da cor”, & a sua duracao no espaco ¢ no tempo. E a volta a0 mulled de eor, ‘que comeya nx procura da sua luminosidade intrinseca, vir tual, interior, alé o seu movimento mais estitico para a di ragao; como se ele pulsasse de dentro do seu nicleo e se de- senvoivesse. Ngo se trata, pois, de problema de cor tonal Dropriamente dito, mas, por seu carater de indeterminaclo (que também preside muitas vezes 0 problema de cor tonal), de uma busca dessa ‘‘dimensio infinita’” da cor, em inter” relajdo com @ estrutura, 0 espaco ¢ o tempo. O problema, além de nove no sentido plistico, procura também e princl= palmente se firmar no sentido puramente transcendental de simesmo, No Peneiravel, decicidamente, a relagto entre 0 espec- ador ¢ a estrutura-cor se dé numa intcgragdo completa, pois 2 oe ve virtualmente é ele colocado no centro da mes. Aaui a ‘iid ei do adcleo pote ser considerada come wna visgo [lbol Su ever, poo aus a cor se Gecnvolve cm panes Sertcals e horizontals, nd chao © no telo. O teoy due TO nicl ainda funciong como fal. apesig da cor tambern o tn, aul Eabsorvido pela esrutra,O flo dedesenvalv tment etuturalsor se desnrola au acreseida de novas Viaualidades, cto ms completo, en o sentido de enval- iment ating b seu augee a sua ustiieacdo, © semido de een oval queseinsmuou nas inveny@ee segs S°yon plenitude da valoriayao-de todos os Tecantos do Pe ‘etravel, inclusive o que € pisado pelo espectador, que’por sua vez ja s transformou no “eescobrigordu—obra”, ‘desvendando-a paric por paric, A mobilidade Gas placas de Ser smatore mas complea do que np nvleo move! ‘Aeriagao do penstrave permtigeme w invensao dos projons ee tio corgisioy de panei etrenencon rare chris tachindo ao de serido veel (poemes) Unde Bo puscey pion siete Ears process totes En’maguela Tara setem consiricos ao al livre © 3t0 Stes: a0 publico, emt forma de ards. No primeio frail Clside Cove) ak been sspecapars i cae sce ashie peuainiedic comnts onan eigenen Gisdeatmecinae cacpords opriee ara mim a lovengaodo Peneirdvelalem Ge gerar @ Gos pro: Jats. abre compe para ua ogi compleamenteiexplo- oie tre dace uriesnngal emearimer clea este Can yee aly ks datocs cause. 4 Hévein no setidg de remsfoumar 9 que hi de imediato na ‘Yylncia couldlane-em nao-imediato; em el tolls relagto ‘de representardo e conceituarlo que porventura haja carre- ‘gadoem sia arie.O sentido de arte puraatinge aqui sua jus- tifleagdo ldgica, Pelo fato de ndo admit 4 arte, no ponto a ‘que chegou seu desenvolvimento neste século, quaisquer gagbes extrasitticas 20 seu contedlo, chega-se ao sentido {de pureza, “Pureza"’ significa que ja no € possivel o concsi- to de arte pela arte", ou tampouco querer submeté-la a fins de ordem politica ou eligiosa. Como diria Kandinsky no Bs- Biritual na Arte, taisligaydes e conceitos 36 predominam em fase de decadéncia cultural ¢ espiritual, A arte € um dos Pindculos da realizaco espiritual do homem e # como tal que deve ser abordada, pois de outro modo os equivocas sto ite: 3 viliveis, Trata-se pois da tomada de conscigncia da pro- blemétiza essencil da arte endo de um enclausuramente em qualquer trama de concelios ov dogmas, icompativels que Sto com aprépriactieao. Enguanto para mim o> primeicos aécleos s8o a culal- nnincia da fase anterior das primeiras estruturas no espago, © Denetravel abre novas possiblidades ainda ndo exploradas Aeniro desse desenvolvimento, a que se pode ciamar cons tnutivo, da arte contemporines. Um exclarecimento se fa? Recessdrio aqui, sabre'o que considero como “‘construtivo™. Marie Pedrosa foto primeire a sugerc de que se tata ect experiéacia de um navo.construtirimo, ecitio sx esta urna enominay2o mals ideal ¢ importante ‘para 2 consideragao Atos problemas universais que desembocam aqui através dos Iitiplose sucessivos desenvclyimentos da rte contempora- tendéncia, porem. € a de abominar os tnecs"™ 0. is pederiam retomar como indicaglo 2 relaglo com cerics Wises” do passado imediato da arte moderna GCabenesse caso reconsiderar aqui que see consiruivismo, {que foi esse termo usado para a experience dos russos de ‘vanguarda em geral (Tatlin, Lissstky e mesmo Malevitch) ¢ para Pevsner e Gabo em particular. que publicaram inclusive © Manifesto do Construtiismo. Ore, apesar das ‘histtiam entre o que se far hoje eo Constr ‘lo ereio que ce jutificaria +6 por feo 0 tem" ivigmo". O fato real, porém, & que se toina Inadidvel ¢ ma reeomsidévaggo do Lermo "‘eonsuulvismo" ‘on “arte constrativa”™ dentro das novas pesquisas em todo 0 mundo. Seria pretensioso querer considerar, como o fazem tebticos eerticos puramente formslistas, come comsirutiva somente 2s obras que descendem dos Movimentos Constrit vista, Suprematisia e Neoplasicista, ou seja, a chamada ar te geoméurica™, Lermo horrivel« deploravel (al a superficial formulagio que o gerou, que indica claramente 0 seu sentido formalista, 4 of mais claros procuram substituir “arte asométrica” por ‘are construtiva”, que, creio eu, poderd abranger uma tendéncia mais ampls na arte contemporsnen, indicando no uma relacHo formalde idias e soligbes, ras uma iéenica estrutural dentro desse panorama. Consirutivo Seria uma aspiregdo visivel em toda a arte moderna, que apa- Tece onde nao esperam os formalisias, incapazes que s40 de fugir ds simples consideragSes formals. O seatdo de cons: st trugto esta estritamente ligado & nossa tpoca. E logico que 0 spirit de consrueo frutificou em todas as épocas, mas na fossa este espiito tem um carater especial; alo a sspeciali- ddade formalista que considera como "construtivo'’# forma Beomtirica nas ates, mas © espirito getal que desde © apare- Cimento do Cubismo e da arte abstrata (via Kandinsky) ani- mma 0s criaderes do nosso stculo. Do Cubismo sairam Male- vitch, Mondrian, Pevsner, Gabo etc: j& Kandinsky lancou. bases definitivas para a arte abstrata, bases estas puramenie construtivas. Houve o ponto de encontro entre’os que deriva- ram do Cubismo e as trorias Kandinskianas da arte abst tornando-se quase impossivel saber onde ym influenciou o ‘outro, tal a reciprocidade das influéncias. B esta sem davida 4 epoca da construeso do mundo do homem, tarefa a que se eniregam, por maxima contingéncia, os artistas. Considero, pois, construtives os artistas que fundam novas reiacdes es” {ruturais, na pintura (or) ¢ na escultura, e abrem novos sen- tidos de expago e tempo. Sto os consirutores, construtores da estrutura, da cor, do espago edo tempo, os que acreseen- tam aovas visdes emodificam a mancira de ver e sentir, por tanto os que abrem novos rumos na sensibilidade contempo- rnea, os que aspiram a uma hierarauia espritual da cons- trutividade da arte, A erte aqui nao sintoma de crise, ou da 4poca, mas funda o préprio sentido da thus acrcs copii baseando st nos diaisligados ao mando flsico, psiquico ¢ esp dda qual se compoea propria arte, Dentro dessa vis8o podem- se considerar como consirutivos artistas tao diversos no seu ‘modo formal, e:na maneira como concebemn a génest de sua obra, mas ligados por um liame de aspiracSes tho gerale uni- versal e por isso mesmo mais perene e vilido, como: Kan- dinsky ¢ Mondrian (os arquiconstrutores da arte moderna), Klee, Arp, Tauber-Arp, Schwitters, Malevitch, Calder, Kup- ka, Magnell, Jacobsen, David Smith, Brancusi, Picasso ¢ Braque (no Cubismo, que aparece como um dos movimentos mais importantes como forca construtiva, que getou movi- mentos como Supremafismo, Neoplasticismo etc.) tambem Juan Gris, Gabo e Pevsner, Boccioni (principslmente 1a es- cultura revelase hoje como’0 antecessor dos construtivistas € Max Bill), Max Bill, Baumelster, Dorazio, o escultor Etienne Martin; pode-se dizer que Woks fo\ “‘construtor do indeterminado" Pollock, o construtor da “hipera¢io”, ha 8s 98 artistas que usam os elementos do mundo mineral para senstruir (nfo os do “novo realismo”, pols estes, coms fez vet Matio Pedrosa, nio se revelam pela “coassragso mis pelo “deslocamento transposto” dos objetos do mundo fisico pare o campo da expressao, enquanto que os comstcy, lores transformam esses elementos (peda, metal) em cle. ‘menios plasticos segundo a sua vontade de ordem construc a), ¢ entre ns, mesmo, hi o caso de Jackson Ribcico; ha os {gue constroem a cor-movimento como Tinguely, ou tae, formam aescultura numa estrutura dindmico-espacial, como Schoffer: Lygia Clark, caja experiencia pietérica contribul ccisivamente para a transtormacio do quadro, principal. ente quando descobre o que chamou *azio ples”, cra a estrutura transformavel (*Bichos”) pelo movimento gerade ‘elo prOpric espectador,sendo a pioncira de uma nova ett. {tara ligada ao sentido de tempo, que ndo so abre um novo, ‘ampo na escultura como que funda uma nova forma de ex Pressio, ou seia, aquela que se di na transformagio estrute- tal ena dialogacao temporal do espectador « da obra, numa Fara unido, qué a coloca no nivel dos grandes erisdore Louise Nevelson € a coasirutora dos espdeos muds dos sitesi Yves Klein, 0 construtor da cor-luz, que 10 se despojar a Policromia. milenar ca pintura chegou as “Monsco. las", obras fundamentsis na experiéncia da cor e com a5, ‘quais Restany observou relagdes com a minha experiencia {lige € previso considcrar que o despojamento do quadro até ‘hegar d um COr, OU quase@ 880. verifica-se em VArios ati ‘as, de varias maneiras: em Lygia Clark (Unidades) e nas mi has UnvencBes com um cardter estrutural, que Lente a0 ¢s- em Klein ha um meio-termo entre a avo tridimensional Yontade monosrdmica do espayo tridimensional. ¢€ presse potar que chiegou as famosas esponias de car dem arstas como Martin Barré ¢ Hércules Barsoti predomina a endén. sia que preside a transformaydo do "espaso brance”” que co. mesou com Makvitch, ¢ se ransformiou no campo de sel formal com 0s concrcios, ¢ pura apo plena, 1a chezade 20 braaeo-lua purificador, propondo eaminhox tentadores para 4 Sua evolusio: a posicgo de Aluieio Carvdo se assemelha d de Klein no que se refered alternncia entre o quade ¢a ce Pressio no espago, mus diferindo profundamente como ait fede ética tedrica — amen ver ‘ende a uma lactlidade da ‘cor quando s¢ lanca na fascinante déia de pintarUjolos ecie 36 peo ‘Vos, chegando intutivamente ao sentido de “compo da cor”, livrando'se da implicdncia da estrutura do quadro e chegan’ do a cor pura a que aspirava; em Dorazio hi a procura de ‘microestrutura-cor através da luminosidade cromaticaligade 4 fragmeniagdo micrométrica do plano do quadro em texlu- ‘a; € preciso notar que a luminosidade, ou melhor, o sentido de cor-luz é geral nessas experitncias, inclusive em Lygle Clark, quando usa o preio, que al no & “negasto da Iue"" ‘mas uma ‘luz eicura” em contraponto as lishas-liz em branco que regem 0 plano estruturalmente): ha certos artis. {as que constrocm esculturas que se relacionam de tal modo & iegrarem nela, como André Bloc i Willys de Castro, que propde um novo sentido de policromia nos seus “objet0s ativos”, dentro de problemas de refracao da luz que ataca de outro miodo em te- lagdo ao que ja fo feito, nex., por Victor Pasenore; enfim, ‘ilo quero caialogar historisamente nem dizer que eal ciel todos os construtores, pois falarei somente sobre os que inte Fessam ce uma maneira ou outra A transigao do quadro para ‘© cspavo ou a uma nova concepedo de estruturas no espace ¢ ‘HO tempo, OU Que conseguem sintetizar certos problemas que surgiram ‘na evolucdo da arte moderna; hé ainds, p.cr., Amilcar de Castro, que integra polaridades: estruturas rieo- osas @ uma matéria indeterminada, ou mals recentemente usa a cor no sentido esculidrico — forma com Lygia Clark ¢ Jackson Ribeiro o trio dos grandes escultores brasileicos de Vanguarda, tal o sentido altamente plistico das suas obras Gonsidero-o.0 metaescultor brasileiro, pois situa-se na fron: ‘onde se encontram escultura e Gor, rigor ¢ indetermi ‘havdo); que dizer de Auguste Herbin, 0 grande primitive da ‘consirugio, cujas teorias de cor revelam-se hoje importantes Dara os que querem desenvolver a policromia; ¢ Delaunay, ‘um dos mais puros srtisia: do século, campeao da cor, 4 ‘quem reverencio comovidamente — como ndo 0 considevar lum consirutor, no sentido mais rigoroso do terma? (foi, na Verdade, um grande construtor da cor, ou melhor, o grande arquiteto da cor no nosso século); Fontana, criador do Espa- ialismo, cujas teorias sdo importantes na dalética da trans Formagao do quadro, actescidas de uma rica e multiforme experitncia; Albers, que desenvolveu 0 espaco smibivalente do quatro na fase de homenagens a0 quadrado, pela super. osicio de planos de cor que possuem relagdo fundamental 7 como proprio quadrado do quadro,¢ nas gravuras em peto lanes (Cossinlordey tens wanepe pate corpo ba ‘xp dlemeton big aticio eeics daee txperéncian ra Bauhavs Ke for opera asa esis ce ‘mentos em certa face de (036° da qual o quadro mais inpar- tte oe pos lo Bn Sigg ain va ble tir ecpaca-eirutral, saneeacesenetote quadro t- apt ituamse at mas nova experince do Pte, term ‘ic wsado para uma divesficagaa de obra, tis como ae 4 Agten Glove cinttice: Tomi, Kebachi (Colbmi de Reever, Latders, Jacobsen, Toads, Lyi Clark. (Cont elevcr¢ Catulos), Di Teara; Vasarely eietimo petri), Vancongerbe sto noms imporantes ur me osorrems nos EUA cartor pintorercomagem realizar sites importa {es llc de Yalag ces peor de oor os out ‘rita Tas SIE pcclada diet contr cetrtare tore espero. No diet ds Dore Ashion © copaye honingls ‘ho prolongs vituniments para rds Ga cl tal a tendensie {oc poama a cxraviaris. As grandes pincladasconsroet™ pabelaefes tomes ea pepecn ceiaepeceres, igvande enta sltccar atruers'e sor epago ¢ esto Go lat — Magh Raibko, 20 comtrio de De Rooning, ato Tende o pte Oat co cero curio, mas 5 un Imgbibdade comemplatva, onde” semstidade a nudism equillrsrae comm pertarbedora snvualidade da or, Enguano Yves Kicin, pk, redus oquadre a moro mils amundando-te fm, Rotiko quasechega & monoco- Tai, ais pio oes es cn prc eeado Go cae troy A poo de Cavvao assemehase 4 de Rothko, spear di experiencia ds ilo; mas a reveréncia ao quadro © 0 Seniidodetartidade a cr os aproximam bastante. Rocko feng, no enanto, # monuenaldade da cor, ¢ 0 que 0 co: Ioce rum plano realmente nual €o sentido que da cor de “Socpo™, decor-cor'ayinde cana sa maxima lumino- sidade, asm ns babos tons. O-quadro € enzo também “Sornd dor Expagoeesruura sao subsiiios davon” tade Ge cor, de saa necesndade de incorporago. Mark To- tey ransforma em extra pisia tod a apt do pio. (Cor etruturasespago se concatename se expres aves Sec una verdndsraesrtura, que oa se spresnta Sb forma immeten,subgrwcingo ata em fragmenta ors cre ese ansionma em signo de epayo. Supera empreo que 58 sin nd pnt ei, sunt [Eewmo se fora sina planta, faz a perfeita unit de todas as et pela ep heme Sehr iaomemnnc mente, Speen te cee sa frerectee teen ieee gece Grace ote a epee rere ey Bade neccentus irs dager SPSnetmar vvnsas,atraves de impulsos quate resp an eee pa epg po Eley berms ot eee ieee eecereea cee ee oan eg Saat t mettre eee an teen eet Eo tae pears eeeer ag ncenamearasspoctcsagea = cen oremeatnen moderna. Se De ahd — ee de a a eee anraaae eee adeiro abalo sismico na propria estratura do quadro. & fa- pipet peg Sarwan aaice eae hima: Tastee trom ge Bicester i cons Seti ated serpasaia a Beate ancensoecresnios ies as end nha pada Sener incur moden Rpts See iriearmisaen amen iereciu arene sacea mee tee cai fame Soe serdar tera octe Seca etre te Rensianriteis nan lns mechepemst Seerian wave saeera re ira sore oe eee irene races fe sanntesieese ccna 9 inteiro. Reduz 0 quadro 20 “campo éa hiperagao”, primeira condicio para que ja seia uma arte do espaco, da estrutura, dda cor. sendo que 0 tempo nasce ai da dissonandia entre a ‘ago 2. sev campo de exprestAo (extensa do quadro). preciso accntuar que 0 clemenio de sintese, impor- taniissiio no momento presente, aparece em alguns desses artistas, mas em outros, mesmo que construtivos, apenas se insinua’ Hé os artistas que realizam uma sintese geral de cer~ {os movimentas conterspordneos da expressao plastica; ou ‘0; abrem novos caminhos, mas por iso mesmo ainda nao Fealizam ume sintese, nem das suas experigncias individuals, ‘nem dos caminhos da arte. O que criam, porém, é fermento ‘da arte fulura, que nada deve 20 passao imediato na sua {unia anticaltural. Ha outros, ainda, que nfo so procuram ‘uma nova maneira de se exprimir, mas que também as- iram a uma grande siatese que englobe 0s pensamentos, oF Conceltos e a6 aspitacdes mais getais da arte de hoje, Essa ‘grande siniese pode ser apenas ealrevsta em c2rios artistas € fm cetios movimentos, € serdo sempre os constritores que melhor a reaizardo, pois cue a época da destri dos de espaco, estrutura e tempo, relacionados & pereencd0 haturalista nas artes, ja passou. De poste de um manancial riquissimo de elementes plistico-criatives, que se renovam ¢ surpreendem cia a dia, os artistas que enirevéem um futuro desintese na arte de agora rejubilamse na sua fatra constru- tora, dando a esses elementos esparscs ¢ multformes 0 seu sent de forma. © conceito de forma, aqui, #4 possui outro Cardter, pois que os elementos que a constiiem 920 $40 05 Iradicionais, Tigados a uma concepeao analitica do espaco, do tempo c da estrutura, A coniradigdo sujcito-odjcto assu- me Outta posigdo nas relacoes entre © homem € a obra. Esse relagdo tends a superar 0 dialogo contemplativo entre espec- tador e obra, dialogo em que ela se consitula numa dualida- de: 0 espectador buscava ra “forma ideal”, fora desi, © que the emprestesse cocréncia interior, pela sua propria “‘ideali- dade", A forma cra entao buscada ¢ burlada numa dasia de encontrar 9 eterno, infinito ¢ imovel, no mundo dos fenome- ‘os, finite e camblante, © espectador situava-se entdo num ponto estatico de receptividade, para poder iniciar 0 estabe- Iecimento de um didloge, pela contemplagio das formas ex- pressivas ideais, om @ obra de arte, cujo universe sintéti osrente Ihe provia & tao Duscada asia de infinite. O “quay 60 BS ro seta, pos, o suporte de expressto contemplaiva onde Stxpectador,o homem,realiza asa vontade desintese ent 8 gue inelerminad © mutivel ( mundo dos objet) © Sd pirate de nfirto,alrvde da transpose tmagtica isscstuctinos ebjetos para. pace das formas eats Seria hide o quadro, eva concepydo ea sua englobecdo do mun- Foe clad sii, 40 se anspor park 9 c poardade em rlae40.20 s0, escten da caprenao através de inabens, ligne aa formas GEE? inaldes pelo. proprio exjeto, logrando assim, pelt sremtaarao de dualidndesujato-sbjco, & a resolu (ale iernancla), Neste seculoarevolued que se vetlicou o-cam- po ds art est inumamente lida As tansformapbes que Scontecen sess feagao fundamental daexienea humana. Sina quer osalsto(espectador) resolver sa contradicao gm relaito a0 objeto pela pura contemplacto, Os eampot dt Senaibiidadee daintaigdo se alargaram, sua visho domundo Se aeagou, tanto. dreqao de uma conceprao mictocesmica Somos de outta macrocosmuca, Ciencia Pslcologie evo- iniram vertiinosamentesuperasdo posed de alternancia Que caracetizava-o homem clic frente ao monde. Que & hide o mundo para o artista ciador? Com estabelece’re- {avdes comele? Duns poses bem dfinidasaparesem na - SOluqdo dese problema: aquela ha qual o artista pare crit mereulht no munco, fa sua microestrutura, ea sua reallda- | Hee determinads pelo movimento divinaterio microcesmico unui dent dese mundo; noutra a qual ais Mo desea dilirse ¢ entrar em copula com o mundo, mas uct car ese mundo, ca sua residade soria‘uma super fealdade baseada no conceito de absolto, que ndo exclu tambem um movimen’odivinatorio, que agu J poss ut Carder macrocovmico, Tanto numa quanto noiira haa ten- dtnda em superar a “alterranca’” entre aparéncia © Ea, fluc sc colocam aqui como nivels de um mesmo proceso den- tio da ealdade, Seria ino a rardo profunda que ext por | tris du formulagao de Herbert Read, de que enquante arte | antenor se consutuia nama representoao, « moderne terde \ a ser uma apresentagdo. Forma entdo uma sintese de ele- ‘enios tas como espayoe tempo, ctrutra cor, que serzo- bizam rexiprocamente, Quando ama ecallora come 1 Clark, pox’ aricula wiaegalos, culos, webs dence do uadtado, sua preocupagio, co que faz, ¢busar une ue 6 tura que se desenvalva no espaco ¢ no tempo, sendo que @ Jonna ¢ apreendida na medida em que esses clementos en tram em a6, ligados nesse caso & partcipaydo do especta do. Triangulos, clreulos e quadrades nao sto 0 “im for. mal” dessa escuitura, mas elementos que sriam a estrutura, gue ao se desetivalver no espago eno tempo se realiza Como forma. Jé umn pintor como Wels, pick cujos eementos S20 totalmente diferentes dos de Clark, aoplra tambem a criagao de uma estrutura; es uma declaragao sua: “Quantidade ¢ tatida JA nfo s8o a preocupagao central da maicmatica eda ncia..aestrutura emerge como a chave da nosta sabsdo tia e 0 controle do nosso mundo — esirutura mais do que medida quartitativa ¢ mais do que a relagdo entre causa ¢ éfeito."” A sua seria uma microestruturs em cua apreensd0 formal entram os elementos espaco-tempo e cor num didlozo élemamente moval éentro do quadro, © coneetto de forma, PO}s, (oma um sentido totalmente novo nas ctiasbts contem: yordbeas, seudo arealizagao formal conrequénca da criagdo de uma csirutura que se desenvelve no espayo € no tempo. Ese problema requer estudo mals longo e detalhado, que Bo pode ser feito aqui, principaimente sobre a evolugso do auadto, a sua transformagdo agora pars ume arte do es aco edo tempo. AS reconsideragdes sobre 0 “sentido de constrativida- e” et visto de uma nova sintese nos levam a achar perfeita- Mente aceidvel a proposta de Mario Pedrosa quanto's deno- minagio de ‘nova construtivismo" para essas erperéncas ¢ se “construtores” para os artistas nels empenhados. Pedro si € © grande critico, ¢ entre nds © mais autorzado em e- Jacto as criapdes de vanguarda, sendo sua posigio a mais ideal para julgi-las, pelo fato de ser esta nlorsestiria nio- dogmitica, fugindo 20 mesmo tempo do ecletismo pelo seu participador”. Ha como que a "insti: thigho"” ¢um "reconhecimento” de um esparo intercorporal ccfiado pela obra 20 ser desdobrada, A obra ¢ feita para esse ‘expigo, e nenhum sentido de totalidade pode-se dela exigir ‘como apencs uma obra situada num espage-tempo ideal de- Mrandando ou no a pattisipasdo do espectador. O ““vestit"'y ‘Semlid0 maior ¢ (otal da mesma, comirapdese a0. “assis- tr”, sentido secundario, fechando assim o cicio “"vestir- assist”, O vestirj& em ise constitui numa totalidade viven. ial cbra, pois a0 desdobi- tendo coma neo central ‘© seu proprio corpo, 0 expectaslor como que ja vivencia 2 transmutagio expacial que ai se dé: percebe cle, na sua con |digao de nucleo estrutural da obra, 0 desdobramento viven- [cial desse espaco intercorporel. Ha como que uma violagao- /do sea estar como “individvo” no mundo, diferenciado ¢a0 jesmo tempo “‘coletivo” para o de 'participar”” como cen- fo motor, nicleo, mas nio sé "motor”” como principalmen- |te “simbdlico”, dentro de estrutura-cbra. E esta obra a ver- ‘dadeira metamorfose que al se verifies na inter-relaglo ‘espectador-obra (ou partisipador-obra). O assist ji conduz © patticipador para 0 plato esplcio-temporal objetivo da ‘obra, enquanto que, no outro, esse plano ¢ dominado pelo sabjelivo-vivencial; ha al a completarao da vivencia iniclal do vestir. Como fase intermedidria poder-se-ia designar a do vestr-assisii, iso &, ao vestit uma obra v8 o parlicipador © que se desenrola em “outro”, que veste outra obra, é claro. ‘Aqui o espago-tempo ambiental transforma-se numa totali- dade “obre-ambiente’’; haa vivencia de uma “>participagto coletiva’” Purangolé, na qual a “tenda”, isto &, 0 "pe fetravel” Parangolé assume uma funcdo importante: € ele 0 Nabriga”” do participadar, convidandd-o a também nele pa ticipar, aciorando os elementos nele contidos (sempre mi rnutlmente ou com too o corpo, nuncs mecanicamente, co- ‘m0 seja: acionar botOes que pocin em movimento elementos ele. Quando para a ato corporal do espectador, péra o mo- Yimento; allés, € importante notar os elementos "apa0” ¢ “pausa”' no desenrolar da participacdo como elementos da “apo total”: €24 a obra muito mais “obra-agdo”” do que a nm antige acidore painting, puramente plasmagao visual da agio g.afo a apo mesma iransformada em cleinento Obra o- Pérangolé revela entio 0 seu cardter fundamental de “estrutura ambienial”, possuinde am nicleo principal: © participador-obra, que se desmembra em “participacor”” quando assiste e'“obra” quando assistida de fora nese espago-tempo ambiental. Esses niicleos participador-obra, 40 se relacionarem num ambieate determinado (numa expo: sito, ett na Parangols que sta ver paderia ser “assistido!” por outros participadotes fore or particip ai para o estabelecimento perceptivo de relagoes entre ‘a estrutura Parangole, vivenciada pelo participador, e outras estruturas caracteristicas do mundo ambiental, suree o que cham de ‘vivéncia-total Parangolé”, que & sempre aciona dda pela participacto do sujelto nas cbra: ¢ langada no mun- do ambiental como que quetendo decifrar a sta verdadeira constituigao universal, transformando-o em “*percepedo riativa™™. Importa aqui, agora, procurar determinar tim fluencia de tal acdo no tomporiamento geral do. partic io ds estruturas perceptive eriati vas do mundo ambiental? Toda obra de arte, no fundo, o€; Testa saber aqui qual a especificidade caracteristica nessa con ‘cepgdo do que seja o Purungole. 12 denovembro de 1965 A danga na minha experiencia Antes de mais nada & preciso esclarecer que 0 meu inte- resse pela danca, pelo nrocira fundacho dele na mina arte, I erigncia da maior vitalidade, indispensivel, principalmente como demolidora de preconceitos, esteredtipacdes etc. CO- ‘mo veremos mais arde, houve uma convergéncia dessa expe~ n rineia com a forma que tomou a minha arte no Parangolé e tudo que a isto se relaciona (j4 que o Parangolé influenciou emudou 0 rumo de Nideleos, Penetrdveis ¢ Bolides). Nio so isso, como que fol o inicio de uma experiéncia social definiti- Yae quenem sei querumio tomar. ‘A danca é por exceléncia a busca do ato expressivo dire- ‘0, da imanéneia desse ato; nfo a danza de bale, que € exces- hd como que uma imersdo no ritmo, uma ideatificagao vit completa do gesto, do ato com 0 ritaD, uma fluencia onde imfelecto permanece como que obscurecido por uma fora, mica interna individual e coledva (em verdade na0 se pode A estabelecer a separagio). As imagens s10 moves, rapidas, inapreensiveis — s40 0 oposto. d© one, esttico © caras terstico das ertes ditas plasticas — em verdace a danga, 0 Tito, a0 0 proprio ato plastico na sua crudeza esvencial — sia apontada a direcao da descoberia da imanéncia. Esse 10, aimersto no ritmo, eum paro ato eriador, uma arte —€ a criagdo do proprio ato, da continuidade;&tarebem, como © sto todos 5 atos da expressdo criadora, um criador de imagens — alés, para mim, for como que uma nova desco- berta da imagem, uma reeriagao de imagem, abarcando,co- mo no podetia deisar de se, 2 expresso plasiea na minha ‘A derrubada de preconceitos seciais, das barreiras de ‘grupos, clases cts, seria inevitave! e essencial na realizageo dessa experiencia vital. Descobri al a conendo enire 0 coleti- Yo ea expressio indiiclual — o pass» mais importante para tal ou seja, odescoatecimentode nivel abstratos, de “ca madas™ socais, para uma compreensao de uma toialidade. ‘Gcondicionamento burgués a que estava eu submetido desde que nasci desferse come por encanio — deve dizer, als, ue o processo se via formando antes sem que eu 0 s01- Besse. 0 cesequiibrio que adveio dessedesiocamento social ddo continuo descrédito dus estruturas que regem nossa vida nessa sociedad, especiticamente aqii'a brasiers, fot ine- ‘Yitivelecarrepado de problemas, que longe de teem sido 12 B talmente superados, se renovam acads dia, Creio que adind- ‘ica das esirutures socials revelaramt-se agul para mim na sua crudeza, na sua expressdo mais imediata, advinda desee Drocesso de deserédito nas chamatlas “‘caniadas” socials: do que consicere eua sua existancia, mas sim que para mira se tormaram como que esquemticas, arificiais, como se, de Fepente, vise eu deuma altura superior 9 seu mapa, 0 sou ex ‘quema, “fora” delas — a marsinalizagho, jé que existe no artista nataralmente, tornou-se fundamental para iim ~—se- ria total “falta de lugar social”, ao mesmo tempo que a descoberta do meu “gar individual” como homent (otal nd ‘mundo, como “ser soeial” no seu sentido total e 120 int sluido numa deterininada camada ou “elite”, nem mesm> ‘a lite artista marginal mas existente (dos verdadeiros ar. Uistas, digo eu, endo dos habitués de are): nd, 0 processo si mais profundo: Gum processo na sociedad coma um todo, ‘a vida pritica, ro mundo abjedvo de cr, na vvdncla cubje tiva — seria a vontade de uma posisAo inteira, social no sea mais nobre sentido, lveee total O que meieteressa £0 ato ‘otal de ser” que experimento aqui em mim — ndo alos par- siais totais, mas um “ato total de vida’ ineversivel,o dese. auilibrio para o equllbrio do ser, ‘A anliga posigto frente 4 bra de arte J& ndo procede mais — mesmo nas obras que hoje nao euijani a participacdo do espectador, 0 que propoem Jo & uma eontemplacao transcendente mas am “estar” no mundo. A danca tambérn nao propoe uma “fuga” desse mundo imanente, mas reve. la.em toda a sua pleninide — o que ceria para Nietssche « “embriaguer dionsiaca” @na verdade uma “lucides expres, siva da imandncia do ato", ato esse qus nfo se caractcrca or pareialidade slguma esim por sua totalidade como tal — uma expresso otal do eu. Nao seria esta a pedra fundamen tal da arte? © Parangols, p.cx., quando exige a paticipacao pela dana, apenas uma adapiagso da mesina ta sua est, ‘ua ¢ vice-verst ada estrutura na danga —e sto apenas una ttansformagto desse “alo total do eu". O gesto, orto. 1o- ‘mam uma tlove forma determinada pela exjgencia da est tura do Parangole, endo a danca pura um inicio dessa ae Hpacdo estrutaral — ndo se trata de determinar nivels val. Tativos para uma outra expressao, pois tanta uma (a dares pura) como a outta (a danga no Barangole) sto expressbes totais. “ ie Sg Oe ee 0 aue se conyensionou chamar “interpretaeto” sofre também uma transformacio nos nossos dias — ndo se trata, tim alguns casos claro, de repetir uma chao (uma cane Fresh aldands he sor ou menor apres un 0 Iiidipcte Hoje ointcprte pode acsumic una al importin- Pe ae ene ey fi Inesprete, Nao se ata de “vedeeno” indildual, se Soh que eso também elsay mas de wma rel valorzagbo exc presiiva do mesmo, Anigamente o“vedelsaio" seria para Tortalizar determinedos lnterpretes segundo sua clayao Caleada em obras famosas (opetae tetra) Hoje o problema fiferentes mesmo. que as Obras nterpretadas no sejam frases criagBes, micas eens (90 campo da musica pO- Sula, pox); offtepretealeanca um allo grauexpressivo — Sm cantor, Nat King Cole, prox, era uma ‘estrtura exc iva vocals indcpendeste da qualidade dae mbslae Que rprete bi nina Clagto sua, nfo mais como dimples “Satepncte' mas comm ‘vocalist’ altamente expres rou Une atic Marlyn Monto pre patos prongs Semportando ado que Bde interprelarao", poss antes ae mals nada uma qualidade cratva, Bw é erutuia expressiva. A sua prvenca em certs limes medioces da a ctes filmes um ineresse ncomurs, crado pala sua ago co- no inteprete, Oave neresia aul’ a Vocaliasao de Nate a cdo inlroreitva de Mario, independent da quadace i misiea ou do texiofaterpetado. se bem fam, & claro, um valor que & ag relative cio abeO}N19 oo antes, 10 cde abril de 1966 (continuag0) experiéadia da denca (0 samba) deu-me portanto a eat dda do que soja 4 criaplo pelo 100 corporal, & continua transformabilidade. De outro lado, porém, revelou-me,o cue chango de “estar"” das cclsas, ou Seja, aex- [ressA0 estaticn dos objetos, sua imanéreia expressiva. que aqui o gesto da imantncia do ato corporal expressivo, que se traneforma sem cetcer.O oposto, a no.transformabilidade, info esté exatamente em “inlo-transformat-e no espago ¢ 10 tempo", mas na imangncia que revela na sua estrutura, fun- dando sio mundo, no espaco objetivo que ocupa, seu lugar 8 nico, & iso também uma estruture-Porangolé; nBo posso considerar hoje 0 Purangolé como uma’ estieiars tcansformavelcingticg pelo espectador, mas tambem @ seu {9P0sI0, ou Saja, as coisas, ou melhor, os objclon due osigo ‘eden ume clas dftste ro esraga objeto, us, locam’” © espago ambiental das relabeg Obvis Jd 20: das. Est al chave do que seta © que cham de -gmblental 0 eternarnente moved, iransfommavel- Que ‘cutura pelo ato do cspectador e 0 estatica, que ansformavel a seu modo, cependendo do ambieile ei aie ssa paricipando como curuturar sera necessria& crlaghe $e “ambientes" para essas obras — 0 proprio concello ce ‘exposiel0" no seu sersido iradicional ja mica, pols en a significa “expor” fais pevas Goria ai um inieresse pare ‘ienot), mas sia sriagao de eopacosesirturados, livres 20 ‘mesmo tempo & participario e Invengdo cratva do espet err pai, do» aus se usar Moy nosos das pa = als (como sdo bem mais interessantcs do que 48 antmicas exposigdecinhas de atte), seria 0 Neal pera tal nig oporlnidhde para uma verdadiraeefcar x- ia com 0 pov, jogantdo-o no seriido da partcipacao Silativa, longe das “nicstras para eile” to en moda hole em dia, Esa experitnia deverd ser deade 0 "dado" Ja prods to, os estares” que esiruluram como que arquitetcicimen: {es caminhos ou espagos a pereortet, 40s “Ua Iran: Formaveis” que exigem uma partiipapao inventiva qualquer do espectador (ou vestr « desdobrar, ou dana), at 08 "ase dos para fazer" isto € dar o material virgem para cada uh constnuir ou fuser © que quiver, j& que @ MOlvaglo, stimula, nasee do prbpho fo de “stata pamaqute’s ‘A execucio para tal plano 6 complexe, exigindo uma or- sanizagio prévia muito severa, de uma equipe,¢ elaro. Inch Sive as categorias a serem exploradas sao valiaves inal plas (em outra parte farei uma explanacdo da que considera ‘ome categorias estruturais nessa minha nova voncepeao de uma “arts ambiental”), podendo e devendo mesmo tet co. aborarao de varios artistas de idéias diferentes ¢ concentra, eral de uma “criagao total da partic. + @ que seriam actescentadas as obras ersades ipagdo andnima des espectadores, alias, melhor dizen. ‘participadores” Julho 1966 Posigdo e programe ‘Antiarie — compreensio e razao de ser 0 anista nao) mai som um efedor pra cotemplardo as come am motivador para a cria¢do — a eriapdo como val se completa pela participacao dindmica co “espectador", agora coaside rado “participador”. Anuiarte seria uma conipletacio da ne- ‘essidaile coletiva de uma atividade criadara latente, que se rie motivada de uma determinado modo. pelo artis‘: fica ortanto invalidadas as posipdes metalisca, intelectualista e ‘sieticista — ndo hi a proposicao de um ‘“elevar o especta- or a um nivel ge anal’ a ima metarrealidade®, cu de impor-Ihe uma “idéia” ou um “padrio exetico” correspon entes dqueles conceitos de arte, mas de dar-Ihe um simples ‘oportunidade de participasio para que ec" ‘Que queira realizar — é pois uma ‘realizagiio ropoc o artista, ealizagfo esta isenta de premissas fntelectuais ou esteticas — a antiarte esta isenta cisto — & ‘uma simples posigdo do homem nele mesmo ¢ nas suas possi= bilidades criatvas vitais, O “'nao-achar’” ¢tambem uma par Ucipagio importance pois define a oportunidade de "esco- tna" daquele a que se propoe a participardo — a obra do ar tista no que possuiria de fixa s6 toma sentido e se completa ane a atiiude de cada participador — esie € 0 que The em- Dresta os significados correspondzntes — algo é prevista pelo ariista, mas as significacdes emprestadas s40 possibilidades suscitadas pela obra ndo_previstas, incluindo a ndo- partcipagito nas suas indmeras possibilidades também. NO existe pois o problema de saber se arte i510 ow aquilo ou dei nade ser — nao ha definigao do que seja arve. Na minha cx- i 34 iniciel 0 que chamo de iho uM “objeto” ou “conjunto-0bjet0"” formado de partes ou nto, e dele tomo posse como algo que possul para mim am’ significado qualquer. slo €, fransformo-o em obra: uma lata contenco 6lz0, <0 qual & sto fogo (uma pica rudimentar, se 0 quisermos): deciaro-a obra, dela tomo poste: para mim adquiriu o objeto uma es- trutura auténoma — acho nele algo fixo, um significado que quero expor 4 participarto; esta obra vai adquirir depois a significados que se acrescentam. que se comam pela partic Pardo reral — essa compreensio da muleabilidatle significe tiva de cada obra é que cancela a pretensto Je querer dar & ‘mesma premissas de diversas ordens: morals, estlicas etc. A ‘caracteristica fundamental da criagio artistica & que imper ‘come algo fixo, inaliendvel: a propria criagio dada pelo ato |de-criar e sua consealléncia ao realizar-ie: propor uma ati }de também criadora. 86 isto basta para defini 0 propésito e |justifiear a razdo de ser de tals propasicoes. Programa ambientat ‘A posiego com referencia ¢ uma “‘ambientacto” © & ‘onsequente derrubada de todas as antigas modalidades dees pressio: pintura-quadro, escultura ele., propBe uma mani- fesiaedo ‘otal, integra, do artista nas sia erlagbes, que po- Geriam ser pronosigdes para a rarticipagio do expectador. Ambiental & para mim a reuniao indivisivel de todas as mo- dalidades em posse do artista a0 crisr — as jd conhecidas: cor, palavra, luz, agdo, construcéo etc., eas que a cada mo- ‘mento surgem na dasia inventive do mesmo ou do proprio pattieipado: ao tomar coniato com a obra. NO meu progr manasseram Nacleos, Penetrdvess, Bolides« Purangoles, ca da qual com sua caracteristica ambiental definida, mas de tal ‘maneira relacionados como que formando um todo orginico por escala, 14 uma tal iberdade de meios, que © proprio ato ‘de nao criar ja conta como uma manifestaczo criadora. Sur ‘ge ai uma necessidade clica de outra ordem de manifestacto, ue inciuo também dentro da ambiental ja que os seus meios se realizam através da palavra, escriia ou falada, e mais com- plexamente do discurso: €a manifestarao social, incluindo ai Tundamestalmente uma posi¢io ética (assim como ume politica) que se resume em manifestagSes do compertamento, Individual. Antes de mais nada devo logo esclarscer que tal osicio so poder ser aqui uma posigdo totalmente anrqui- ea, tal o grau de iberdade implicito nela. Tudo o que ha de ‘opressivo, social eindividualmente, estdem oposicao a ela — todas as formas fixas e decadentes Ge governo, ou estruturas cia vigentcs, cniram aqui em conflito — a posigio social-ambiental” ¢ partida para todas as modificagbes 0: sials € polticas, ao menos o fermento para tal — € incom. pativel com ela’ qualquer lei que nio seja determinada por ® uma necessidade interior definida, leis que se refazem cons- tantemento — ¢ s retomada da confiansa do individuo nas suas intuig8es eanscios mais caros. Politicarsents a posigdo € a de todas as autinticas es- querdas 10 nosso mundo, nfo as esquerdas opressivas (das uals osialinismo €exemplo), € claro. Jameis haveria a pos- sibilidade de ser de outro modo. Para mim a caracterstica mais completa de todo esse conceito de ambientacko fol a formalarko do que chamei Pa- rangoté. E isto muito mais do que um termo para definir tama série de obras caracteristicas: as capas, eStandartes € tenda: Parengoléé a formulacto definitiva do que seia a an- tiarte ambiental, justamente porque nessas obras foi-me da- da oportunicade, 2 idéia de fundir cor, estruturas, sentido, pottieo, danca, palavra, fotografia — foio compromisco de- Finitivo’com 0 que defino por tolalidade-cbra, s+ ¢ que de ‘compromises se possa falar nestas consideracdes. Chamarel, entdo, Parangolé, de agora em diante a todos os principio’ definltivos formulades aqui, inclusive © da ndlo-formulagso dde conceitos, que ¢ 0 mals importante. NAo quero ¢ nem pretendo crlar como que uma “nova exitica da antarte”, pois J8 seria isto uma posigao ultrapassada e conformista, Parangolé € a antiarte por exceléncia; inclusive pretendo estender © sentido de “apropriacio”” as coisas do mundo com que deparo nas ruas, terenos baldios, campos, 0 mun- do ambiente, enfim — coisas que ndo seriam transporiaveis, mas para as quais eu chamaria o piblico a participacdo — seria isto um golpe fatal ao conceito de museu, galeria de arte ete. a0 préprioconceito de 'exnosicto” — ou nds 0 fieamos ou continuames na mesma. Musen ¢ 0 mundo: experiéncis cotidiana: os grandes pavilhdes para mostras in- ustriais slo os que ainda servem para tals manifestacdes: para obras quenecessitem de abrigo, porque es que disso no ‘ecessitarem devem mesmo ficar nos parques terrenos bal dios da cidade (como s80 bem mais belos que os parcotes [po Aterro da Gléria no Rio) — a chamadsestética de jardins uma praga que deverta acabar — 0s parques sao tem mais bbelos quando abanidonados porque sao mais vitals (meu so- tho secreto, vou dizet aqui: gostaria de colocar uma obra perdida, solta, displicentemente, para ser “'achada"” pelos passantes,ficantes # descuidistas, no Campo de Santana, no entra do Rio de Janeiro — & esta a posicao ideal de uma 0 ‘obra — comio fazem falta os parques! — sio.uma espicie de alisio: server para passar 0 Tempo, paia malandienr nace amar, para cagur etc). Alias, a experiencia de obra cuje cle, mento é consumido: p.tx., 0 Bolide composto de ume serra held de ovos — estes sdo perecivels (ovos reais, logo tem ave Set consumidos para a substiuuicdo — e, digo eu sepuag Mario Pedrosa, um essirnio eo chamado comercio de nee Stlado elas galerias: aqui o clemesto que compoe a ose c vendido a prevo de custo, praga este acctasvel soa (ha ainda a si ‘um ov mais ovos a foz0 a que me referi esta om toda, paite servindo de sinal luminoso para « noite — ta obra que ‘eolel na anonimidade da sua origem — exis ai como que do a noite (0 fogo que nunca epaga) —- : da: 0 Fogo dura ede repente se apaga tum dia, mas enduanto dura Setcrno. pees .Tenho ¢m programa. para j&, ‘spropriegdes ambien- fais", ou seja, lugares ou obras transforméveis nas tren, Como, piex., & Obra-obra (aproptiatta de uum concerts pblico nas ras do Rio, onde no feltam, aliis — comocas ‘Epportanics como manifestacdo ¢ criaglo de “ambiente” & Jéque nde posso iransporté-las, aproprio-me delas ao menos presensee Sumas oras para que me perteneam ¢ déem aos esentes a descjada manifestaclo ambiental). Hi aqui uve disponibilidade enorme para quem chega; ninguém fe cone, {range diante da “arte!” — a anuiarte €a verdsdeta igaga> efinitiva entre manifestardo eriativac colctividade — Race © Ue uma exploraciio de algo desconnecico: chase ‘colsas*” que se veer todos os diss mas que‘ jamak pensévamos procurar. Ea procura de si mesma ta colse una especie de comunhao com o ambiente (ait como a dem 2 realiza iso bem! — o terceiro de ensaig da Mangueleae o S62 lendario boteco “*S0 para quem pode" foram para mis. $8 malores revelafoes dessa comunhdo entre disponibilidade feapbleate, catalisados aqui pelo samba: quem viver af sa: 9 que digol), Em programa tenho lambem algo cue 0 ccomiidero vital para o desenvolvimento do meu pensamento ‘ma sala de bilhar (quem sabe nio seria a notaga sala de ‘Van Gogh, a que Mario Pedrosa se refere quando descreve as ssensagDes Causadas pela cor na minkis manitestacao ambien- {el dos Niileos e Bdlides!), uma sale de tilhar, repo cu, dls a.cor dari o ambiente ¢ 03 participasies do jogo vestido ‘camisis coloridas (determinadas por mim) € joxardo bilhar normalmente: quero com iso fazer vir ona toda a plastic dade desse jogo tinico — plastieidade da pedpeia a¢do-cor- ambiente: todos se divertem com o bilha eimergem no am- beentecriado, Jé aqui a manifestacao esté no extremo oposio 4x outra da obra-obra: aqui eu ctiel o ambiente preconcebi- do que desejava —naoutra, acho algo que se evela aos pou 0s € que ndo preconcedo, ‘Tanto uma posigho como outta so da maxima importancia nesse setor de experiencia ami- Diental. Nesse mesmo teor plante)el um jogo de futebol, onde ‘05 22 jogadores vestindo camisas, shoris chuteiras de cor € jogario com bola colorida — a duragio e ago do jogo sto ‘elementos da manifestagdo ambiental Juragdo aqui sigul: ficando tempo cronologico e vido em sentido metalsico, & claro). Essas experigncias-do bilhar © do futebol serdo real zadas em sala e campo que serio ainda escolhidos — a sala de bilhar tera que ser pintada por mim. assim como as balls zs docampo. Pasigito éiice Jé afirmei ctorno a lembrar aqui: o meu programa am- biental a que chamo de mancira gerel Puvangole nao preten de estabelecer uma ‘‘nova moral” ou coisa semelhante, mas ‘‘derrubar todas as morais’', pols que estas tendem & um conformismo estagnizante, a ostercolipar opinides ¢ cflar 1, mas uma espécie de antimaral, € perigosa ¢ traz grandes infortiznias, mas ja- ‘Mais trai a quem a pratica: simplesmente dia cada um o « Proprio cncargo, a sua responsabilidade individual: esta aci ‘ma do bem, do mal etc, Deste modo estdo como que justifi- ‘cadas todas as revoltas inclividuais contra valores e padres esiabelecidos: desde as mes socialmente organizadas (revo- Tupoes, pcx.) até as mais viscerais ¢ individuals (a do margi- hal, como ¢ chamado aquicle que se revolts, rouba e mata), 81 $0 importantes tais manifestarces, pois ndo experam gr ficagdes, a ndo ser a de uma felicidade utdpica, mesmo que para isso ce condusa & autodesiruiclo. Como é verdadeira 2 imagem do marginal que sonia ganher dinheiro nura deter- minado plano de assalto, para dar casa 4 mae cu corstruir 2 sua num campo, numa roea qualquer (modo de voltar 80 snonimato), para ser feliz! Na verdade o crime & a busce desesperada da. felicidade auténtica, em contraposir#0 aos valores scciaisfalsos, estabelecidos, estagnados. que pregam fo hem-estar”, « “vida em familia”, mas que 16 funeionam para uma pequena minoria. Teda a grande aspiracao huma- | na de uma “‘vida feliz” sO vira A realizacdo através de prande revalta @ destruiclo: o¢ idlia de Creiazer, que leve sua primeira conflagragio com Cama Bélide ¢ corn 9s bblide-Areas,feitos desdo 1967 — na verdace, dentro da Cama-Bélide, pude conceber a semente na de tude © que se ergueu depois, no Eden, ¢ a realizagto do: meimona Whitechapel, em feverelro de 65. O Eden t80 et {abuso encanto uma forma acabada, as propo: sigdo permanente do Crelazer. As proposigdes nascem ¢ cres- ‘Sncelismesmase nut ieaticoneho do Bar: pecloas ere mai uns ve om wn peeabiade urpen< ter com a comeicaao de um pensemeno fore, espain drat doque chang Create. ha experinls whitcchapelia: tos sonctes do Léen propanham soe" oo Crlaear {mu bonds ondeae enlace deli ob a tutu de -concentragao do lazer, que se tende a fixar. O trajeto do pe Tursoore tars, que Selnfetrompe som ay suesiras en das nos penetriveis de agua, Jemania, de folhas, Lofotiana, de palha, Cannabiane. Ainda pela areia chega-se a arcia. Imiada en dreano bliedrea «a0 feno no boide-ren2, ado te dasa comb peepee doa netno, do inser ae Tiptenve: A tende peta culgndicnconceatia o exond: Sono un ove, ¢deato mines de Caeiano endo € itns imagem supeposta nas uta nova teayao do mundo tscondida, um cid’ que se ala sotato, mus em se e- there inngeatictes”comonepeneravel itt sescra fa“Tfopiale Gavin unm sere Ge ecmentos tices awe calminsvam pst trajeto 0 ecarorumo TY permanente: tmonts Ngad una sstte da ager quando Inter: ‘eclonavam) neon ends pts unm le munde sy Femtomory paeeu Ginter ersiaee en ioe GE i ecuo fuga mis como dplec dos deel umatos, SG tesmo dria ent ragio aoy feneraves— exbines Tie Gira, em cio ateror& luz vert criada poe itags0 da luz exterior através do plastico envolvente se mistura 20 fmeoutae os peteas tense eran cas Ursa onde se penetra girando a porta-parede ese encaixando: dentro das coberssece ¢ tear de nullon, dewandor 0 Spaje-can pepicem nye nuniotiur, Fam oft rece ‘dsl mtcioste act mo den, quen tncu vs evan pee tor mals avangador, dam uni favo mals incor 8) a trea aberta do mst. que se consi num cerca eroulat yedado por uma treli¢a de duratex (o plano inicial era 0 de obs ipeatae tee eet dee oe Hanes ote prota) sokin' iapee cojasenanto queate Boslsdato so au rscasineds bcc pes es {Pasko total dou epee signtcnvs “seu? te BA “peo us

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