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Gestão de Instalações Desportivas.José Sarmento

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GESTÃO DE INSTALAÇÕES DESPORTIVAS: A "Interdependência" como factor de gestão

José Pedro Sarmento

A correcta, a nosso ver, passagem de competências e capacidade de intervenção do poder autárquico sobre o sistema desportivo nacional levanta-nos um conjunto de preocupações que urge debater e esclarecer: . Que abrangência atribuir ao desporto autárquico? . Que lógica seguir na implantação de novos equipamentos desportivos? . Como reduzir os custos de manutenção das instalações desportivas? Um esforço de síntese neste âmbito imporá reestruturações ao nível organizativo dos órgãos autárquicos. Com a ajuda de Covey S. (1992), reconhecemos alguns dos cenários existentes e a criar. O nível das organizações passou do estado anárquico, característico das organizações informais, para outros mais adequados com as estruturas formais, respeitando princípios de dependência e depois de independência. Neste momento parece-nos essencial avançar para um novo princípio, o da "interdependência", através do qual seja possível dar passos seguros em áreas como: . a integração das políticas desportivas autárquicas; . a ordenação territorial dos equipamentos; . a formação de equipas municipais de manutenção de instalações. Nos últimos tempos tenho dedicado alguma atenção á forma, quanto a mim desajustada, como as instalações desportivas proliferam no nosso país. A maioria das vezes apenas consigo discernir motivações muito longe das técnicas, para justificar o seu planeamento e construção. . Aonde nos levará este estado de coisas? . Será possível continuarmos todos a pensar apenas nas nossas necessidades e sonhos, sem ter em conta não só as dos nossos vizinhos, como o próprio mercado? . Que importância tem para quem planeia os níveis de utilização e os custos de manutenção e conservação dos equipamentos desportivos construídos? Por vezes mais parece que em termos de instalações desportivas não existe necessidade nem de corresponder a uma determinada procura, nem de justificar os investimentos, é suficiente

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construir, cortar fitas, festas de inauguração e preservar em frio bens que eventualmente numa situação “muito especial”, poderão vir a ser utilizados A passagem gradual das competências desportivas do poder central para o poder autárquico parece-me estar a ser um importante factor de desenvolvimento do sistema desportivo nacional, permitindo um reforço da ligação entre o cidadão e o poder. Facilitando inclusivamente a avaliação das carências e necessidades das populações e também o desempenho do exercício das funções políticas das classes dirigentes. No entanto, parece-me fundamental apostar de uma forma inequívoca numa clara definição do papel e funções que estão adstritas ao desporto autárquico. A ausência desta definição poderá permitir, que este a curto prazo, não só se transforme em mais um sub-sistema do desporto nacional, como até se possa vir a tornar no próprio sistema. Embora apenas querendo contribuir para um necessário e indispensável confronto de ideias, parece-me que o principal papel a desempenhar pelo desporto nas autarquias, deve ter a haver com uma actividade de coordenação e interligação entre os diferentes níveis de intervenção e a disponibilização de recursos (materiais, humanos e financeiros) que permitam o normal funcionamento das mais diversas instituições de carácter desportivo de cada concelho. Neste sentido, uma política de implantação de instalações desportivas tem acima de tudo de ir ao encontro dos anseios das populações, ou de práticas desportivas de reconhecido valor na formação dos jovens e na recreação e tempos livres da generalidade dos grupos sociais. Todos reconhecemos que os parâmetros da construção de equipamentos sociais ganhou nos últimos anos uma nova dimensão, tendo agora como principal vector, a qualidade e multifuncionalidade dos serviços e instalações disponibilizados. Esta situação exige investimentos fortíssimos, não apenas nas fases de projecto e de construção, mas também nas de manutenção e conservação, o que vai condicionar definitivamente a rentabilidade de exploração e funcionamento dos equipamentos, neste caso desportivos. Reduzir os custos de manutenção de instalações e equipamentos desportivos torna-se portanto um objectivo de grande interesse para a gestão dos municípios, o que obriga a que se invista na procura de soluções eficientes e integradas, capazes de diminuir o seu impacto financeiro nos orçamentos. Um esforço interventivo neste domínio exigirá sempre uma intervenção qualificada ao nível organizativo da gestão autárquica. Com a ajuda de Covey S. (1992), reconhecemos alguns dos cenários do passado, do presente e eventualmente a criar. O nível das organizações passou do estado anárquico, característico das organizações informais, para outros mais adequados com a formalização das estruturas, respeitando numa primeira fase o princípio da dependência. A passagem por este tipo de organização é facilmente reconhecível em situações como as detectadas por Teixeira Homem, que num trabalho sobre o movimento associativo do

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concelho de Aveiro de 1997, encontrou 32% de clubes sem sede, 48% sem telefone e 18% sem qualquer tipo de instalação. O que claramente demonstra, o que principalmente a fase da dependência criou em termos de desequilíbrios no movimento associativo. Numa outra fase, prevaleceram os princípios da independência, baseados num espírito de políticas de completo isolamento, procurando essencialmente afirmações de chauvinismo e superioridade, responsáveis pela existência em muitos casos de equipamentos desportivos perfeitamente desajustados da realidade desportiva nacional e que num futuro próximo poderão vir a constituir-se em factores de involução , contrariando a sua razão de ser. Neste momento parece-nos essencial avançar para um novo princípio, o da "interdependência", através do qual seja possível dar passos seguros em áreas como: . Ajustamento das políticas desportivas autárquicas a factores como: proximidade regional identificação desportiva tendências demográficas . Sujeição do ordenamento das instalações desportivas a factores como : necessidades das populações complementaridade rentabilidade . Formação de equipas municipais ou intermunicipais de manutenção e conservação de instalações e equipamentos desportivos equipas de tratamento de águas de piscinas equipas de conservação de pisos artificiais equipas de manutenção de pisos naturais O objectivo é permitir antever um futuro ordenado, em que a oferta desportiva esteja dimensionada à procura e onde os investimentos, estejam previamente acautelados, com garantias de efectiva utilização e rentabilidade económica. Passamos de uma situação tradicional portuguesa, em que se construam equipamentos desportivos em número e qualidade inferiores às necessidades, para outra em que se constróem com a correcta qualidade mas de forma quase totalmente desordenada, sem qualquer tipo de interacção e complementaridade, entre os diversos municípios de uma mesma região, o que leva que em alguns casos se construa em excesso.

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