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DICIONARIO BASICO DE FILOSOFIA HILTON JAPIASSU DANILO Des Mlle (ol Blt era a Msg AABREVIATURAS al. alemGo ¢. circa, por volta de esp. espanhol fr. francés gr. grego hebr. hebraico ingl. inglés it italiano lat. latim port. portugues séc, século yols. volumes NOTA GERAL Para facilitar a consulta deste dicio- nério, utilizamos um triplice sistema de remissdo: * no interior do verbete, sob a forma de um asterisco (*) precedendo uma palavra tratada em outro lugar (ef. ordem alfabética); © no final do verbete, sob a forma de Ver, remetendo a um yerbete cor- respondente, fornecendo informa- ges complementares ao assunto tratado no yerbete definido; © enfim, num indice complementar e alfabético com todos os termos tra- tados nos verbetes. Hitton Japiassl é doutor em filoso- fia pela Universidade de Grenoble, Franca. Professor adjunto do departa- mento de filosofia da Universidade Fe- deral do Rio de Janeiro, é responsd- vel pelas disciplinas de epistemologia e histéria das ciéncias nos cursos de graduagao e pds-graduacdo em filo- sofia. E autor de intimeras obras no campo da epistemologia e da histéria das ciéncias, dentre as quais desta- cam-se: Nascimento e morte das cién- cias humanas; O mito da neutralidade cientifica; Questées epistemolégicas; A pedagogia da incerteza; Psicandli- se: ciéncia ou contraciéncia?; Ciencia e destino humano; O eclipse das cién- cias humanas, e Desistir do pensar? Nem pensar DANILO MARCONDES DE SOUZA FILHO, doutor em filosofia pela Universidade de St. Andrews, GréBretanha, é pro fessor titular do Departamento de Filo- sofia da Pontificia Universidade Cato- lica do Rio de Janeiro (que dirigiu entre 1986 © 1989) e professor adjunto do Departamento de Filosofia da Univer- sidade Federal Fluminense, ministran- do cursos sobre filosofia da linquagem ¢ histéria da filosofia em niveis de gra- duagéio e de posgraduacdo. Tem pu: blicados, entre outros titulos, Iniciaggo. @ historia da filosofia; Textos basicos de filosofia (org); Filosofia analitica, € A pragmética na filosofia contem- pornea, lancades por essa editora, além de Filosofia, linguagem @ comu- nicagdo e Language and Action: a Reassessment of Speech and Theory. DICIONARIO BASICO DE FILOSOFIA HILTON JAPIASSU DANILO MARCONDES DICIONARIO BASICO DE FILOSOFIA QUARTA EDICGAO ATUALIZADA JORGE ZAHAR EDITOR RIO DE JANEIRO Copyright © 1989, 1996, Hilton Tnpiassti ¢ Danilo Marcondes Copyright desta edigio © 2006: Jorge Zahar Editor Ltda, tua México 31 sobreloja 20031-144 Rio de Janeito, RT tel: (21) 2108-0808 / fax: (21) 2108-0800 e-mail: jze@zahar.com.br site: waww.zahar.com.br Todos 0s diteitos reservados. A reprodugao nao-autorizada desta publicacio, no todo ou em parte, constitui violagao de diteitos autorais. (Lei 9.610/98) Reimprossées: 1991 (2* ed. rev.), 1993, 1995, 1996 (3* ed. rev. e amp), 1998, 1999 (2 reimp.), 2001 (2 reimp.), 2004, 2005. Capa: Gustavo Meyer CIP Brasil. Catulogagao-na- Fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livsos, RJ. Japiassa, Hilton, 1934- 3398 Dicionaio basico de filosofia / Hilton Japrassti e Danilo, 4.ed, Marcondes. — 4.¢d, atual. — Rio de Janeiro ; Jorge Zahar Ea., 2006 Inchui bibliografia ISBN 85-7110-095-0 |. Filosofia — Dicionérios. 1. Marcondes, Danilo, 1918- M1. Titulo. DD 103 06-1250. CDU 1(038) SUMARIO PREFACIOS BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ABREVIATURAS DICIONARIO INDICE DE NOMES EASSUNTOS PREFACIO A QUARTA EDICAO “Prefaciar” (do latim proefaari: dizer antes) pode significar adverténcia, aviso, introdu- 40, noticia, preambulo ou prolegémenos a uma obra ¢ a seu autor. Queremos apenas antecipar o que o presente Diciondrio contém de novo nesta quarta edig2o, revista e substancialmente ampliadae atualizada, o que se faz necessario apés os 15 anos da pri- meira edigdo. Neste sentido, varios verbetes foram enriquecidos com dados bibliogré- ficos, informagées biograficas foram atualizadas e mais de 250 novas entradas foram, acrescentadas, incluindo verbetes couceituais, sobre [ildsofos e sobre as principais obras que marcaram.o pensamento filoséfico. ‘Todo dicionario € criticavel. Hm especial quando se trata de filosofia. Afinal, em ver- betes necessariamente concisos, procura-se congregar os mais relevantes sistemas de pensamento; reunir os principais conceitos que dividiram o espago intelectual no curso. Ga hist6ria dos homens e das coisas; recensear as palavras que dizem as coisas e os homens. Cada filésofo utiliza um jargao espectfico, terminologias variam de um autor a outro. Por isso, preocupados com centros de interesse estritamente conceituais, esbo- ‘amos aqui um conjunto que nfo se ajusta voluntariamente a nenhum sistema filoséfico. ‘Nao fizemos uma escolha eclética ou dogmatica, mas quisemos manter uma tense vigi- lante entre os diferentes conceitos ¢ seus respectivos pdlos de pensamento. ‘Ao conirério da ciéncia fisica, que impée respeito, a filosofia freatientemente levanta suspeita. Notadamente porque seu /ogos ¢ fragmentado. Plato ja nos advertia: “O meio mais radical de abolir toda espécie de discurso consiste em isolar cada coisa de todas as outras, porque é a combinagtio recfproca das formas que dé origem, em nés, a0 nascimento do discurso” (Sofista, 259). Quem podera unificar 0 logos filoséfico? Um. diciondrio? Certamente que nao. Cada especialista ja sonhou em fazer o seu. Sentiu-se chamado a suplantar os outros pela exaustividade, pela profundezae pela exatidao. Um diciondrio real aparece sempre como um desmentido a um diciondrio imagindtio. Quanto a natureza do propésito filos6fico, quem poderd elucida-la ou fundé-la sem as proezas verbais de umaretorica falaciosac sem ocharme de uma persuasao ndoracio- nal? Quem poderé fund4-la sem o pedantismo de uma sapiéncia que fala por falar ou para se fazer admirar? Que cita sem discernimento para fazer de conta que prova coisas que s6 racionalmente seriam provadas? As palavras se “pdem” opondo-se. Mas, sobre- tudo, expondo-se. Nao se esconde o juizo por detras das citagSes. A filosofia tomao par- tido da linguagem contra a violencia. Prefere a discussdo ao argumento pomposo. Nao permite a ninguém reivindicar, para si, a raz4o a mais racional. Tampouco a verdade a mais verdadeira ou a experiéncia a mais experimental. E poss{vel que alguém venha a descobrir. nas paginas deste dicionatio, “verdades mais verdadeiras” que outras. Ouque venha a deplorar a persisténcia de “erros mais erréneos” que outros. E lamentével, mas compreensivel, Afinal, desde a Antigiiidade o ensino da filosotia existe sob diversas formas. Depois de Kant, praticamente (odos os grandes filésofos foram docentes, sendo seu ensino realizado em uma linguagem precisa e metédica. O sentido das palavras nao corresponde ao que cada um imagina ou deseja, embora seja necessdrio um rigor susce- tivel de impor-se a todos. Apesar de utilizar a Iingua de todo o mundo, a linguagem filo- s6fica confere as palavras um sentido mais preciso. E por vezes, a fim de garantir origor das andlises c demonstragdes, precisa inventar conceitos que lhe correspondam. Permanecem assim, nesta quatta edigdo, nossos propésitos essenciais: tornar o pen- samento filoséfico acessivel aos nfo-especialistas, oferecendo-Ihes um insirumento de trabalho capaz de ajudé-lo3 a terem um primeiro acesso aos conceitos fundamentals da filosofia e aos mais importantes pensadores que, de uma forma ou de outra, marearam nossa chamads “cultura ocidental”. Os Autores vil PREFACIO A PRIMEIRA EDIGAO Ao longo dos séculos, a reflexdo filoséfica vem tecendo uma historia apaixonante. E a descoberta progressiva das leis do pensamento humano constitui uma conquista cujo relato ainda nao terminou. Essa epopéia deixou marcas profundas em nossa cultura e em nossa lingua Inumeras so as palavras e as expressées que conhecemos bem, mas cuja fonte permanece subterranea. As palavras filoséficas abrem-nos um campo de acao praticamente infinito: o do pensamento dos homens e de tudo o que existe no universo. Porque a filosofia possui uma vocagao universal. Deixando as outras disciplinas do saber a preocupacao de designar 0 particular e 0 concreto, ela trabalha sobre aquilo que unifica a diversidade das aparéncias: o geral ou abstrato. Aos leigos ou profanos, ela parece falar uma lingua estrangeira. No entanto, mesmo em nossas conversas cotidiana sou em nossas leituras de jornais e revistas, deparamo-nos com termos forjados pela filosofia: conceito, gnose, maiéutica, hermenéutica, dialética, andlise, teoria etc. Nao falam de modo complicado os fildsofos o que poderiam dizer de maneira simples? Claro que a faculdade de abstrair nao constitui privilégio dos filésofos, mas da espécie humana. Mas como todos os saberes (da carpintaria a fisica atémica), a filosofia tem necessidade de palavras suscetiveis de designar com preciso os objetos de sua reflexdo. Ela precisa de termos técnicos. Nosso esforgo, neste Dicionario basico de filosofia, consistiu em dar a esses termos uma definigao acessivel a todos e, quase sempre, esclarecida pela etimologia. Muitas palavras da lingua filos6fica perderam seu carater erudito ao serem utilizadas pela lingua comum com um sentido por vezes bastante alterado. Algumas se tornaram tao familiares que sua origem filoséfica nem mesmo é suspeitada. Contudo, nem sempre os grandes fildsofos empregaram a linguagem de todo mundo. Mas a maioria de suas palavras pertence a linguagem universal. Por exemplo, as que possuem um sentido tecnico particular (ser, devir, duracao, extensdo etc.) e as que exprimem uma nocao constituindo 0 objeto de uma reflexdo aprofundada (causa, espaco, liberdade, verdade razao etc.) Certamente os especialistas vao criticar esta obra, tachando-a de incompleta. E terao toda a raz4o. Porque nosso objetivo nao foi o de recensear todas as palavras e expressées filosoficas utilizadas por todos os fildsofos. Tampouco foi o de dar conta da vida e do pensamento integral de todos os fildsofos. Nossa ambicao, bem mais modesta, foi a de ajudar o leitor nao- especializado a fazer um justo juizo da “utilidade" da filosofia e de seu impacto sobre nossa lingua e a identificar os mais importantes filosofos do passado e do presente. Palavras inocentes encerram, por vezes, abismos de questdes. O que é 0 acaso? O que é 0 destino? O que éa verdade?Convidamos os leitores a no temerem a vertigem. Porque a filosofia ai esta para explorar esses abismos e elucidar certos enigmas. A estrutura deste dicionario foi concebida tendo em vista permitir aos leitores, quaisquer que sejam seu objetivo de leitura e seu nivel de conhecimento, consultarem com relativa facilidade os mais variados “verbetes" da filosofia, desde a Antigliidade até os nossos dias. Clasificados alfabeticamente, sobre eles 0 leitor tanto pode praticar uma leitura continua de informagao geral quanto uma leitura seletiva de pesquisa. De qualquer modo, torna-se possivel detectar facilmente as ligagdes entre conceitos aparentemente distintos. embora interdependentes. Apesar de nao pretenderem sacrificar-se a uma vulgarizacdo deformante ou a simplificages abusivas, todos os verbetes foram redigidos para serem compreendidos e assimilados, sem grandes esforgos, por qualquer leitor dotado de uma cultura mediana e desprovido de conhecimentos filoséficos especificos, o que se justifica pelo carater basico desta obra. Neste sentido, destacamos a importancia de se compreender uni conceito filoséfico sempre em um contexto deter-minado. © mesmo vale para a obra de um autor, para uma corrente de pensamento ou para um periodo histérico. Por isso, procuramos. sempre que possivel, ilustrar nossas definigées com passagens de obras filos6ficas classicas especialmente relevantes no caso em questao. Nao foi nossa intengao omitira priori nenhum vocabulo e nenhum "pensador’, em fungao de critérios subjetivos. Todos os filésofos considerados o foram em razao de sua importancia histérica e de suas contribuigdes reais para o debate cultural. Nesse dominio, nem sempre se consegue evitar todo o arbitrario. Alguns pensadores, por exemplo, como Freud, Lacan e outros, que nao se consideram fildsofos. foram por nds levados em conta porque tiveram ura insercao, por vezes decisiva, na esfera da filosofia. Outros, notadamente os “orientais", por muitos considerados filésofos, nao foram por nés levados em conta. Porque no tomamos o termo “Yilosofia” em sua acepcdo ampla. Suscetivel de incluir o pensamento oriental. mas no sentido que adquiriu a partir de sua origem grega ocidental. Por outro lado, muitos dos filésofos contemporaneos nao se encontram em nosso repertério. Privilegiamos aqueles que. a nosso ver, mais vém se notabilizando por sua produgao filoséfica e que. de um modo ou de outro, vém dando uma importante contribuicao aos debates intelectuais de nosso tempo. Quanto aos “pensadores" ou filésofos nacionais (brasileiros) optamos por consagrar um verbete aqueles que, em condigdes téo adversas, exerceram no passado certa influéncia na formagao do pensa-mento brasileiro e ja se encontram dicionarizados, nao incluindo nenhum dos vivos. Afim de nao cometermos injustigas com os filsofos brasileiros da atualidade, em plena atividade intelectual e em processo constante de amadurecimento de seu pensamento evitamos dedicar-Ihes verbetes especificos, elaborando um verbete geral denominado “filosofia no Brasil" (cor a colaboragdo de Aquiles Guimaraes e Anténio. Rezende),tratando da formagao historica do pensamento brasileiro e do periodo contemporaneo,com suas principais correntes. Isso explica porque nomes da importancia de Marilena Chaui, José Arthur Giannotti. Sérgio Paulo Rouanet, Gerd Borheim, Emanuel Carneiro Ledo, Roland Corbisier, Henrique Claudio de Lima Vaz, dentre outros, nao se encontram neste dicionario. OS AUTORES Abelardo, Pedro (1079-1142) Filosofo medisval francés, destacou-se sobratudo nos cam-pos da ldgica e da teologia E ‘autor de diversos tratados de ldgica, dentre os quals @ Dialectiva e a Logica " ingredienthus ". de grands influéncia em sua época Escrevau também obras de teologa como o Sic et non (Pr e contra), em que sistematiza uma serie de controversias religiosas na forma caracteristica do metodo escolastico, @ a Introdu¢ao a teologa, depois condenada pela lgreja. Em relagao ao problema dos tniversass, manteve uma posi¢ao conhecida como *concetualismo. Foi dscipulo de *Roscelino, um dos principals defensores co *nominalismo nese period, o de Guilherme da Champoaux, defensor do "raalismo, contra 0 qual polemizou postariormente Para Abelardo, os universais sao concattos, “concep¢ées do asprrito”,realidades mentas quo do signfica-do aos termos gerais que dasignam propriedades da classes de abjetos E importante também a contribuicao de Abolardo @ légica e @ teoria da linguagem — a ciéncia sermocinalis — sobre-tudo quanto & sua discussée da nogo de sianificado; bem como & ética, considera a intengo do agente fundamental na avaliagéo de um ato como bom ou mau. Abelardo fo. uma pefsonalidade controvertida, que se envalveu em inuimeras polémicas durante sua vida, 2s quais narrou em sua Historia de minnes celamidades, sendo célebres suas, cesventuras amorosas com Heloisa. absoluto (lat. absolutas, de bsotvere: desligar de, absolver) |. Diz-se daquilo que no comporta nenhuma excecéo ou restni¢ao. Ex: poder absoluto, necassidade aosoluta 2. Diz-se do quo é om si @ por si, indapondentomants de qualquer cutra coisa, possuindo em si mesmo sua propria razao do ‘ser, no comporiando nenhum limita 9 senco considerado independentamante de toda relagéo com um aulro. Ex. Dous ¢ o Ser bsoluto da quam tudo depende_om relagao ao qual tudo é relative 3, Independente de tode e qualquer referéncia convencional. Assim, movimento absolute ¢ o que no pode ser referido @ nenhum ponto fixo no espago, espaco absolute é o que independe dos objetos que 0 preenchem. tempo absolute € o que indepence dos fendmenos que nele acontecem. Oposto a relativo. 4. Para Hegel, a filosofia kentiana representa 0 ponto extremo da separacdo entre o homem ¢ 0 absoluto. As formas que o ‘espirito assume (formas naturais, historicas @ religiosas) se recaptulam 6 se anulam no e pelo saber filesohico, que se identfica, com seu proprio objeto, consequentements, com o saber absoluto. Assim, 0 absoluto é ao mesmo tempo definide como ser & como resultado, como um racionalismo que unifica 0 mundo ¢ 0 pensamento, pois 0 universo é regido pela razao, sondo as mesmes as leis do pensamento racional e as leis da natureze: "O que é racional é real, o que é real é racionel" (Hegel) abstragdo (lat, tardio abstractio, da abstranere: separar de) 1. Operagao do espiito que isola, para consideré-lo & parte, um elemento de uma representagdo, o qual ndo Se encontra separado na realidade. Ex. « forma de um objeto independentemente de sua cor 2, Processo pelo qual o espite se desvincula das significagdes familiares do vvido @ do mundo das percepgdes pare construr *conceiios 3. Na flosofia hegeliana, o momento da abstracdo ou do "universal abstrato, por oposicéo ao universal concreto, constitul ¢ ‘etapa do entendimento no devir do espinto. A autude filosofica que Ihe corresponde ¢ @ do dogmatismo. 4. Na linuagem corrente, as palavras “abstrato” e “abstra¢do” possuem uma certa conotagS0 pejorativa. Assim, dkzemos de elguem qua “ele se oerde em abstracdo’, da preferéncia as "ideias abstratas’e no se atém aos “fatos concretos’. Notemos 0 sentido paradoxal da expressdo “fazer abstracdo de", que significa ‘afastar, nao se evar em conta", Ha a dela de separagao (algo 6 isolado do sou conjunto), mas com 0 objetivo de no se ocupar dele, No sentido filosctico, quando algo ¢ isolado por abstragao, 6 para se fxar nole 3 atencao abstrato (lat. abstvactus) 1. Diz-se daquile que & considerado como separado, independente de suas determinagées concretas © acidentais. Uma idea abst'ata 6 aquala que se aplica a esséncia considerada em si mesma e que ¢ retirada, por abstracao, dos Giversos sujaitos que a possuem Ex. a brancura, a sabaderia, o orguiho atc. Ela & tanto mais abstrata quanto maior for sua *axtansdo_o viventa 6 mais abstrate do que 0 znimal, pois comproande tambem 0 vegetal 2. Produto da abstra;o qua consiste am analisar o real mas cansiderando separadamante aquilo que nao 6 soparado ou separével. Oposte 8 concreto. absurdo (lat. absurdus discordante, incongruents) |. Aquilo que viola as leis da logica por ser totalmente contraditono E distinto 0 falso, que pode no ser contraditeria Ex. a existéncia do movimento perpetuo. A demonstracéo por absurda € aquela que ‘Gemonstra uma proposi¢do tentando prover que sua contraditonia conduz @ uma consequéncia menifestamente falsa ora, de das proposi¢ées contraditérias. se uma é verdadeira, @ outra sera necessariamente falsa, @ vice-versa. Ver Zendo de Elia 2G pai da filosofia do absurdo ¢ Kierkegaard. Em sua oposi¢ao a0 hegelianismo, ele afirma a impossibilidade de incluir totalments 0 "individuo (como subjetividade) numa sistematica racional 9 a necessidade de fundar uma ética religiosa fundada na cranga de uma transcondéncia inacessivel. O absurdo 6 a distancia da sub jebvidadorelativamente a razd0 considerada como uma tentativa para estabolacer um sistema racional do mundo: 6 a distancia entre ofinito © © infinito, isto &, o lugar do siléncio de Deus. 3. Na filosofia existencialista, mpossibiidade de se justificar racionalmente a existEncia das coisas e de thes conferir um. sentido, Sartre, ao ligar 0 absurdo e a existéncia de Deus, define-o como a impossibilidade, para o homem, de ser © fundamento de sua propria existéncia: o homem é "uma paixéo inutil", destinado a "exsistr’, a ser para além dele mesmo como nia consciéncia, como um para-si, isto é, um nada ele esta “condenado a ser livre", a ser responsavel por seu ser 8 por sua propria razao de ser 4, & partir das obras de Camus @ de Katka, fala-se muito do absurdo, notadamente no do-minio da moral au da metafisica, para esignar © “incampreensivel’, 0 “desprovido de senti-do" e 0 sem finaidade Academia 1 Escola filosctica tundada por Platéo em 388 a.C_nos arredoras de Atenas, assim chamada porque situava-so nos jardins do herdi ateniense Academos. Durou até o ano 529 da efa cristé, quando as escolas pagds foram fechadas por ordem do imperador romano Justiniano, © seu Ultimo lider, Demascio, emigrou para @ Pérsia, onde fundou um importante nucleo de ensamento grego. A longa axisténcia Ga Academia, emoora néo signfique uma continuidade de pensamento, ¢ responsavel, no fen-tanto, pela praservacé0 da obra de Platéo e pela formagao de uma tradi¢ao do pensamiento grego classic 2 Nova Academia é a escola filosdfica cética fundada por “Arcasilau (316-241 a.C.) e continuada por “Caméades (¢. 215-129 2C}), para os quais nao existe verdade, mas tao-somenta opiniGes diais ou manos provavais. Var Nova Academia 3. A pattr do sac XV, 0 termo “acadamia" passa a dasignar os diversos tipos do sociedades cientificas, filosdficas ou lterarias ‘As mais canhocidas @ influontes so a Royal Society of Sciences, de Londres (1662), @ a Academia des Sciences, de Paris (1606) ‘AGEO (Jat. actio) 1. Ofato de agir (oposto ao pensamento). Ex. a.a;ao de andar, um homem de agao. 2. Atividade de um individuo da qual ele é expressemente @ causa e pela qual modifica a si mesmo @ o meio fisico (opde-se a abséo, passividade) 3. Enquanto sindnimo de *pratica (oposto de especulagdo ou teoria), 0 termo "ago" designe © Conjunto de nossos atos, especialmente de nossos atos voluntarios suscetiveis de receberem urna qualiicagao moral. A acéo supée uma liberdade implcande o ultrapassamento da ordam da natureza. Contudo, 0 simplas quarer no prodiz a acé0 esta s6 se realiza pala mediacao de causas naturais. Ver prav's, caso (lat. casus) 1. 0 acaso aquilo que no podemos prever, o que permanece indetermina-do. Na filosofie antiga € Tonascentista, assomelha-se ao destino acidantal de criagao do mundo © & contingancia dos acontecimantos futuros. quer dizer, a sua nao-necessidade. Todo 0 asforco do homem consist am reduzir & possibilidade do acaso. Os mitos, a religide e a ciSncia tentam conté-lo nos limites da certeza e do coniecido. Num certo sentido, & aquilo que néo conhecemos ainda, é o nome que damos & nossa ignorancia: 4 caracteristica dos fendmenos fortutos & de que dependem de causas muito complexas que ignoramos ainda. Cournot deu uma definicdo célebre do acaso, fazendo Cele 0 resultado de duas series de acontecimantos in-dependentes que concorrem acidentalmente para produzir um fanémeno. ssaio de casa para vister um amigo e, na tua, um vaso de flores cal sobre mintta cabeca, Contudo, 0 acaso no é somente © produto de sénies totalmente independentes, como nos mostra todo jogo de azar. Hoje, depois que se comecou a matematzar o -2cas0, ele asta igado a nogao de probabilidade e a teoria dos jogos. Assim. conseguimos medir @ eventualidade do aparecimento de um acontecimento. Algm disso, 0 acaso sé tornou o principio de explicacao em fisica: principio de indetarminismo de Heisenberg tenda a reduzir @ causalidade dirata em microlisica também as tecrias da evolucao, om biologia molecular, submetem © acaso a uma carta Tinalidado" 2. Na linguagem corrente. a palavra acaso ¢ frequentemente utlizade para designer @ causa ficticia dequilo que acontece de modo imprevisto, melhor ainda, 0 nome que damos & auséncia de causa, aquilo que parece néo resultar nem de uma ecessidade inerente a natureza das coisas nem tampouco de um plano concebido pela inteligéncia: tudo 0 que nos parece indetermina-do ou. impravisivel aparace-nos como efeito do acaso. Var indeterminisma. acidente (lat accidens, de accidere’ acontecer) |. Tudo aquilo que nao pertence a *asséncia ou natureza de uma coisa, nao existinde em si mesmo mas somente em outra coisa Ex. @ forma ou a cor partencem a uma coisa que subsiste em simesma € *substdncia, 2. E acidental tudo aquilo que pode ser mudado ou supresso sem que @ coisa mesma mude de natureza ou desapareca. Na Imetafisica classica, o acidente se ope a subsi&ncia © & esséncia todo acidente s0 existe na substéncia. acosmismo (al. Akosmismus, do gr. a: privagéo, e kosmos: mundo) Termo eriado por Hegel para designar a posicgo de Espinosa relative mente a Deus. Hegel nao aeetta que ale seja acusado de atsismo. porque. longs de negar Deus, confundindo-0 ‘com 0 mundo, faz 0 mundo panatrar em Deus, adequacao (lat. edaequatio) Correspondéncia exeta. Ex. na flosotiaescoléstica. © “verdade é definide como a adequacéo enlre a*inteigénciae acosa adequado lat. adaequatus, de adaequars: tomar igual) 1. Diz-se daquilo que corresponde exatamente a seu abjeto @ a0 fim visado 2. Aidbia adequada 6 aquela que possul todas es propriedades invinsecas de iddia verdedeira (Espinose) ad horninem, argumento Expressio latina para designar o argumento polémico que diigh-mos contra auela com quem discutimas, mas que tem apenas valor singular. admirag&o {lat at/iniratio. espanto. surprasa), Para Aristételas, a losotia comaca com a admiracéo Para Descartes, a admiragéo"é a primeira de todas es paix6es, dando forca a quase todas as coises ela "é uma slbitasurpresa da alma levando-a a considerar com atencéo os objetos que Ihe parecem raros e extraordinarios ela "ndo possui o hem ou o mal por objeto, mas somente 0 conecimento da coisa que admiramos" Adorno, Theodor Wiesegrund (1903-1969) Fildsofo alemso. fundador, juntamente com Horkheimer, em 1924, da famosa escola de Frankfurt, que orignou-se no Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Exllou-se por motwvos politicos na Inglaterra (1983) e depois nos Estados Unidos (1937), retornando am 1949 4 Alemanha, locionou na Univarsidade de Frankurt 9 reorganizeu 0 Institute de Pesquisas So-cials. Inicialmente dedicou-se ao astudo de Kierkegaard, sobretudo 4 sua nocdo de subjetividade, passando depois @ analisa da dialética em um sentide critico a formulacéo de Hagel Dasenvalvau urna “tecria critica de *ideologia de sociedade industrial e de sua cultura, que marca distintamente a posico da escola de Frankfurt. Formulou © conceito de "indistrie cultural” para caracterizer a explorac&o comercial e a vulaarizagéo ds cultura, principalmente através do radio e do cinema. Denunciou sobretudo ¢ ideologia da dominaeéo da natureza pela técnica, que trez como consequéncia 8 dominacao do proprio hamem. E famosa. nesse sentido, sua polémica com Popper » sua critica ao “positivismo. Adorno destacol-se também como musicélogo, tendo sido ligado a Alban Berg, um dos criadores da musica atonal, e escrevendo uma série de estudos sobre a musica desde Wagnar ate a musica popular 8 0 jazz Suas obras principals sao: Kierkegaard construgao do astatico (1933), Dialética do esclarecimento (1947. com Horkheimer), Filosofia da nova musica (1949). Dialetica, nogativa (1966), Teoria estetica (1966), Tras estudos scPre Hagel (1959). Jar Frankurt, escola do. adquirido/inato Na linguagem flosdfica, 0 inato e o adquirido se restringem estritamente ao dominio da teoria do Conhacimento, nada tonde a ver com uma diferenca qualquer entre os homens. Assim. as idéias inalzs, dafenidas por Descartes ‘fo as ideias de nosso espirte que ndo nos advém pela exporncia Ex. as idéias de Deus, de causa, de pensamento, As idelas dquiides, 20 contrério, do as que sto apreendidas pela experiéncia. as idéias de cor, de consisténcia, de saber etc. Trata-se de Uma di-tinedo essenciaimente [dqiea, do cronoldgica. Em termos modemos, psiclagos e bdlogos preferem falar de dsposigdes inates, por exemplo, ne homem, a faculdade de fel. Ver dia, inetismo. adventicio {Iat. adventicios. que vem de fora) Para Descartes, idéias adventicias so representagdes que provém dos senticos’ "Entre minhas idéias, umas parecem que nasceram co-migo (inatas); as outras me sao estranhas e vém de fora (acventicias): € as outras foram fettas & invantadas por mim mesmo (facticias)". Ver idsia afeigao (let. affectio. maneira de ser, disposi¢éo: simpatia, estima) No pensamento filosdfico, efeig, sionificando mais ou menos "sonti-mento terno”, esta ligado ao verbo afetar: co-mover, parturbar. Assim. afetar significa exercer uma agao sobre uma coisa ou sobre alguam, 8 afeicao € a modiicagao resultante dessa acao sobre aquele qua a sofre. Em psicologia, afeicao designa lm certo estado da sensibiidede, os sentimentos e as sensacdes S40 ateicdes, mas a ternura constitul apenas uma afeicéo entre coutras (de prazer. de dor, de colera etc ) aforismo (9°. aphonsmos’ dafinicéo) "Maxima que exprime de forma concisa um pensamento filosofico, geraimente de carater moral. Ex.. OS pensamentos de Marco Aurélio, € os aforismos de Schopenhauer. inttulados Parerga und paraliponiena (Acessérios e restos). 0 estilo aforismatico ¢ caracteristico de flldsofos © pensadores tao diversos quanto, por ex_, Nietzsche & Wittganstein, ¢ reflete, sobretudo na pensa-manto modarno @ contemporaneo, uma concep¢ao filoséfica mals questionadora, provocativa e sugestiva do que propriamente teorica 8 sistematica a fortiori (expresséo latina: com mais forte raz4o) Um raciocinio é considerado @ fortiori quando ele vai do "mais" ao "manos" do universal ao pariiculer, do geral ao especial Ex. na oposicéo das propasicSes subaltemas do lipa "Tad A é B", a fartiori izemos que "algum AGB. agnosticism (ing. agnosticism, do gr agnostos: desconhscido) 1. Termo criado por Tho-mas Henry Huxley, na segunda metade do século passado, pera desianar e ncapacidade de conhecimento de tudo o que extrapol 0s sentido. 2. Por extensdo, doutrina Segundo a quel é impossivel todo conhecimento que ultrapassa o campo de aplicacéo des ciéncias ou «que vai além da experiéncia sensivel. Em outras palavras, doutrina segundo a quel todo conhecimento mstafisico ¢ impossivel Diz David Hume: “Quando percorremos as bibictecas, o que devemos destruir? Se pegarmos um volume de teologia ou de mmotalisica escolastica, por exemplo, perguntamo-nos. contém ele raciocinios abstratos sobre a quantidade au o nlimaro? Nao CContém raciocinias experimentais sobre quastdes de fato ou de ex'stencia?” Nao. Eno, langa-o 20 fogo, po's s6 contém soismmas eilusdes 3. Em nossos alas, ¢ muto comum a confuséo entre agnosticismo e “atelsmo. No entanto. 0 agnostcismo néo pretende negar @ existéncia de Deus. mas somente reconhecer que néo po-demos airmé-la ou negé-la, ademas, ndo se lita ele a questéo da existéncia de Deus. Verte'smo. deismo agnéstico Diz-se do individuo que néo acre-dta no sobrenatural, em Deus ou no divino. Em outras pelavras, agnéstico & ~alguém que declara serincognoscivel tudo o que se encontra para além da experiéncia sensivel Agostinho, sto. (254.420) Aurélio Agostino, bispo de Hipona, nasceu em Tagaste, hoje Souk-Ahras, na Argdlia, e é um dos mais importantes iniciadores de tradicao platénica no surgimento da filosofia crist8, sendo um dos principals responsaveis pola sintese entra o pansa-mento fiosdfico classico © 0 cristianismo. Estudou om Cartago. © depois em Roma © Milo, tendo sido professor de retorica. Reconverteu-se ao cristianismo, que fora # religiéo de sua infancia, em 385, apds ter passado pelo aniqueismo pelo ceticisma Regressou entao & Africa (288) fundando ume comunidade religiosa. Suas obras mais contiecidas: so AS confissées (400), de carater autobiografico © A cidade de Deus, composta entre 412 ¢ 427, Sto. Agostihho sofreu grande influgncia do pensamento giego, sobre-tudo da tradic8o platdnica, através da escola de Alexandria ¢ do neoplatonismo, com sua interpratacéo espirtualista da Platdo. Sua filosofia tem como preocupacéo central a relagéo antre a fé e a razéo, mostrando que sem afé a razéo # incepaz de promover a salvagéo do homem e de trazar-Ihe falicidade. & razao funciona assim como auxiliar da 18, pormitindo asclarecer, tornar intoligivel, aquilo que a revela de forma intuitiva. Este o sentido da célabre formula agostiniana Credo ut intaligam (Craio para que possa entender). Na Cidade de Deus, Sto. Agostinno interpreta a historia da humanidade como confiite entre @ Cidade de Deus, inspirada no amor a Deus @ nos valores cristaos, © @ Cidade Humana, bassada exclusivamente nos fins € interesses mundanas e imediatistas. Ao final do proceso histérico, a Cidade de Deus deveria tyiunfer. Devido @ esse tipo de andlise, Sto. Agostinho ¢ considerado um dos primeiros fildsofos da historia, um precursor da formulaco dos concetos de historicidade © de tempo histérico. A influ&ncia do pensamento agustiniano fol decisiva na formagéo e no desenvolvimento da flosofia cristS no periode medieval, sobretudo na linha {60 *platonismo. Tanto as Confissdes quanto as Retratacées (escrtas no final de sua vida) fazam dele um precursor de Descartes, (de Rousseau ¢ do existencialismo: "Se eu me en-gano, eu existo.” Ver pairistica. Agrippa, Heinrich Cornelius (1485-1525) 0 pensador cético Agrippa {nascido em Colénia, Alemanhe) desempenhou um papel importante nas primeiras décadas do século XIV nao so-mente com suas especulacdes taoscticas, hermeticas cabalisticas e gnosticas, que suscitaram vivas polémicas, mas scbretudo por ter-se con-vertida num dos grandes promotores do ceticismo, contre o qual iia contrapor-se Descartes. Num mundo onde nade é seguro, onde tuda é possival, nada é verdadero, proclama Agrippa, so ha lugar para 8 *divida Se nada é sequro, so a etro é certo Portanto, temos de aceiter a incertezae 8 vaidade das ciéncias e contentar-nos com a fé pura e simples em Deus. Obras principais. De occulta philosophia (1510) ¢ De incerttudine et vanitate scientiarum (1528). Ver celicismo, Alain. (1868-1951) Professor, jomnalista e defensor da liberdade individual. Emile-Auguste Chartier, mais conhecido pelo Pseudénimo de Alain (nasceu em Mortaone. Fran¢a),influencia-do por Mentaiane @ Comte, tornou-se um representants tipico d= um racionalismo catico @ de um “liberalismo paciista bastanta extremado, embora hostil ao marxismo © a psicanalisa. Obras principais: Systenie des beaux-aits (1926), Propos (entre 1920 @ 1935), Elements de philosophia (1941) Albert, Hans (1921. ) Filésoto © socidiogo alsmao. professor na Universidade de Mannheim. procurou dasenvolver um racionalismo critico inspirado em Popper, questionando a critics disléica e 0 métoda hermengutico, Segundo Alberto racionalismo critica deve ser aplicado no s6 @ uma proposta de fundamentacdo da cigncia, mas também a interpretacéo da prépria ago humana, Obras principais. Tratado da razdo critica (1968), Construgdo ¢ critica. ensaios pare a filosgfia do Tacionalismo crtico (1372), Desvarios transcendentais. os jogos linguisicos de KerOtto Ape/ e seu deus hermenéutico (1875) Alberto Magno, sto. (< 1200-1280) Homem de sabor enciclopédico, donde seu apelide Doctor Universalis, conhecida sobretudo porter sido mestre de Tomas de Aquino e um dos principais responsaveis pela inrodugdo e afusdo do pensamento de Aistoteles na tradi fiosdfic @ teol6gica medieval. Nasceu na Ale-manha e partenceu Ordem dos Dominicanos, tendo Sido professor na Alemenha © om Paris. Escrovou comentarios a praticamente todas as obras de Aristatelas, © divulgou as clncias grega eiskémica no Ceidante cnstao. Ver ascotastica legoria (or. alegone) 1. Representacéo de uma idaia por meio de imagens. Ex: uma alegora daustica. OMerentamente do Simbolo, a alogoria ¢ um simboismo concreto:°0 simbolo esta para o sontimonto assim como @ logon osta para 9 ponsamento (Alain), Ver metétore 2. Relato epresentando um problems filoséfice sob a forme de um simboismo, 5 a alegoria da ceverne de Piatto. A elegoria pode ser considerada um simboisrmo concrato, embora seu procedimento guards trequentemente algo de abstrato, enauanto 0 Simboio vale por si mesmo e pelos sentimentos que sugere, servindo para atinair o que @ razéo néo consegue alcancar. os personagens de uma alegoria sé0 percebidos mais como a personificazo de uma idéia do que como pessoas. Enquanto a iagona 6 clara, 0 simbolo guarda aigo de obScUro © do equivoco Alexandre de Afrodisias (sécs1l-1II 4.C.) Filosofo grego peripatético de Afrodisias, na Carie, que floresceu no séc. IT da era ctista, Foi discipulo do *Aristocles de Messena_ Notabilizou-se primarrarmante por sous comentarios sobre Anstotoles, mas no Renascimento gozeu de carto prastigia por seus proprias ascites flosdficos. Sobre o destino, Sobre 2 alma, ¢ alguns aulros Alexandria, escola de Nome pelo qual 8 conhecida uma importante corrantefilasefica neoplaténica que floresceu nos trés pimeiros séculos da era cristé om Alexandria, no Egito, um dos principals centros culturais da época, incluindo pensadores judeus € cristéos. Destacam-se dentre seus principais representantes 0 judeu Filon (c.20 a.C.-c.50 d.C.), @ os cristéos Origenes (¢.185- 25d) @ Clemente (séc. Il). Ver neoplatonismo algoritmo (de al:Korismi: matemético arabe do séc.1X) Em um sentido mais amplo e geral,trate-se de um procedimento ou sseqléncia de instrugées para a reaizayZo de uma operago de célculo em um nimere finto de passos alienagao (lat. alenatio, de alienare: transterir pare outrem; alucinar, perturbar) 1, Estado do individuo que néo mais se pertence, que no detém o controle de si mesmo ou que se vé prado de seus direitos fundamentas, passando 8 ser cansiderado lima coisa 2. Em Hegel, ado de se tomar outrem, seja se considerando como coisa, seia se tornando estrangeio a si mesmo 3. Sttuacdo econémica de dependéncie do proleterio relativamente ao capitalista, na qual o operério vende sua forca de trabalho come mercadoria, tormando-se escravo (Marx). Para Marx, a propriedade privada, com a diviséo do trabalho que insttul pretende permitir 20 homem sais fazer suas necessidades, na realidade, a0 separaio de seu trabalho e ao priva-lo do produto de Seu trabaino, ola o leva a perder @ sua esséncia, projetando-a em outrem, em Deus. A perda da essencia humana atinge 0 Conjunta do munda humane As alienacées rligosas, polticas etc so gorades pala alenagéo econdmica De modo particular, a lanagio politica ® exercids polo Estado, instrumento da classe dominante que submeta os trabalhadores a seus interesses A lisnagdio religiosa é aquela que impede o homem de reconhecer em si mesmo sua humenidade, pols ele a projeta para fora de si um ser que se define por tudo aquilo que o individu no possui: Deus, ela revala e esconde a esséncia do homem, transportande-a alhutas, no mundo invertido da civindads (Feuerbach) 40s tarmos “alisnado" @ "alienacao' ingrassam no vocabulario flosético gracas aHe-gal 9 @ Marx. Se, om Hegsl, a slienagao asigna o fato de um ser, a cada stapa de seu davir, aparecer coma outro distinto do que era antes, em Marx. ela significa a "despossesséo", sequi-da da idéta de escravidéo. Assim, quando dizemos hoje que o trabalho é um instrumento de alienacao na economia cepitalista, estamos re-conhecendo que 0 operario ¢ despossuldo do fruto de seu trabalho. Ver fetichismo, reificagdo. 5. Hoje em dia, pademos falar de outra forma de alienacdo. no se trata apenas de uma aienagéo do homem na técnica ou pela técnica, nem tampouco somente da alienago do Eu (como acredita Marx), mas de uma alienacéo em reiac0 ao proprio undo: o homem no somente se perde em sua produc4o, mas perde sau proprio mundo. que é ocultado, esteriizado, banalzado € desencantado pela técnica, com tudo 0 que implica de Sentimento da absurd, de privacéo de norma, de isolamento de si, d= falta de comunicagao etc. alma (let. anima. sopro vital) |. Por oposi¢8o a0 *corpo, a alma é um dos dois principios de composto humano. principio da sensibilidade © do pensamonto, fazendo do corpo vivo algo distinto da materia inerte ou da uma maquina, 2. Na filosofia aristetelco-ascolastca, a alma humana, que 6 uma aima pansante, consttul o principio mesmo do pensamento. Ela € um principio de vida: “ato primeiro de um corpo natural organizado" (Aristotoles) ou, entao, "forma de um corpo arganzado tendo a vida em poténcie 3. Para Descartes, alma sindnimo de pensamento ou de *espfrito: "Sou uma substincia cuja esséncia toda ou a natureza do ¢ outra sendo a de pensar.” Depois de institu 0 cogto como verdade primeira, Descartes conclu. "A proposi¢Bo ‘Eu existo’ & ecessariamente verdadeira todas as vezes que a pronuncio ou que @ concebo em meu espirito, De sorte que eu, quer dizer, a alma, pela qua! sou 0 que sou. € intaira_menta distinte do corpo " Mas quem sou eu, quando duvido? La coisa que pensa, uma res cogtans, uma manta (mens). Assim se funda a distingao da alma (imortal) € do corpo (parte da res extensa) 4, Para outros filésofos, Schelling, por exemplo, a alma ¢ o principio de unidade @ de movi.mento sustentando a continuidade do mundo (organico @ inorgénico) ¢ unindo toda a naturaza num organ'smo universal. Essa idaia da alma do rmundo ja 6 bastanto faquente nos sac’s XVI @ XVII 5, Observemes que, na filosofia antiga e classica, alma ¢ singnimo de espirito @ se opbe a corpo, Contudo, enquanto © corpo se dest seu principio oposto, a alma, ¢ indestrutivel: donde a “imortelidade da alma’, néo se fala da “imortelidade do espirito”. No vocabulario contemporéneo da flosofia, s6 se emprega o termo "espirito”. Alias. depois de Kent, os problemas concernentes & existéncia de Deus ou 8 imortaidade da alma ndo revelam mais da flosofia, 6. Hegel fala da "bela elma” para designar uma atitude existencial do individuo que procura preserver sua pureza moral, sem se engajar na acéo, refugando-se na pureza de seu coracéo Alquié, Ferdinand (1926-1935) Professor honorério ne Universidade de Paris-Sorbonne, o frencés Ferdinand Alquié PposSui uma obra bas-tanta fica Versanda tanto sobre os Thidsofos do saculo XVl| quanto sobre motafisica, poosia ¢ o sulreaismo Destacou-se por ter adtado as obras completas de Descartes na Franca e por estar publicando as de Kant. Sua preocupacao flosefice fundamental consiste em reletr sobre @ dualidade entre a consciéncia intelectual e a consciéncia aetiva. Acredte numa flosofia eterna, pois defende a tese Segundo & qual odos os grandes fdsofos, apesar de suas aferencas, praticamente disseram ‘@ mesma coisa, em nome do ser, fizeram uma critice do objeto. Obras principals: Le découverte métaphysique de I'homme chez Descartes (1950), La nostalgie de I'étre (1950), La critique kantienne de la méta-physique (1968), Signification de la philosophic (1971). Le cartésianisme de Malebranche (1974), Le ratonalisme de Spinoza (1981) Althusius, Johannes (1551-1638) importéncia do pensacor aleméo Althusius reside no fato de ter sido ele o fundador a doutrina do “airaito natural. Com sua obra principal, inttulada Poltica (1603), toma.se o primeira defensor dos direitos dos poves Coma huguanata (ou calvinista), no somante criticou as barbaridadas perpotradas pale catolicismo na horrivel noite da 'S4o Blartolomeu [todos os huguenotes foram mortes em Paris) como tambem deu uma intarpratacao racional do Estado 9 da Sociedade em geral. Surge a idéia de "povo”, tendo autoridade para desttuir 0 rei quando ele néo agit em su interesse. O Estado hada vais é do que 0 man-datério do "povo" (a burquesia), o verdadero soberano. Althusser, Louis (1918-1990) Fildsofo marxista francés. desenvolveu ume interpretacSo original do pensamento de Manx nna perspectiva estruturaista, combetendo 0 humanismo marxista € o marxismo-leninismo. Procurou analisar as bases tedricas co pensamento de Marx, estabelecendo diferentes etapas no desenvolvimento de sua argumenta¢do, que caracterizou recorren-do 20 conceito de "Bachelard de corte epistemolégico, privilegiando sobretudo 2 fase madura correspondents a O capital Buscou assim, desonvolver 3 teoria marxista 3 partir do concaito da ciéncia empregade por Marx, considerando entratanto a ciéncia nao penas como fendmono de *superestrutura, mas como produgao de conhecimento. chagando inclusive a propor uma teotia do proceso de producao do conhecimanto. O matenalismo dialético de Marx se caractenzaria assim como teoria filoséfica, procuran- do Althusser investigar as bases episterioldgicas dessa teoria, hem como seu papel politico. Obras principals. .1 favor de Adarx (1985), Ler’O capital", | 968. 968. com outros autores, dentre os quais Balibar, Establet, Ranciére), Lenin @ a filosofia (1963) e 0 influente Ideologia e apare-thos ideolbgicos de Estado (1970) altruismo Concaito astabelacido por Augusta Comte para designar o amor mais amplo possivel ao outro, vale dize” a inclinagéo natural que nos levaria a escolher o interesse geral de preferéncia @ nossos préprios interesses. Em seu sentido mais moral. or oposicéo a egoismo # a egocentrismo, alruismo designa a atitude gane-rosa qua consists em sacrticar efetivaments ‘seu interesse proprio em proveito do interesse do outro ou da comunidade. ambigitidade (iat. ambiauites cuplo senti-do) 1. Duplo sentido de uma palevra ou de uma expresso. 2. Condicao do ser humano que reside na impossibiidade de fixar. praviamente, um sen-tido para sua existéncia "Nao devemos confundir 2 nogao de ambiguidade com a de absurdo. Declarar existéncia absurda o negar que ela possa dar-se um sentido, dizer que ela ¢ ambiqua é afiimar que a sentido jamais ne & fxado. que ele deve incessantemente ser conquistada" (Si- mone de Beauvoir, Am6nio Sacas Filosofo arego (nascido em Alexandria) que floresceu na primeira metade do séc.11l da era cnsté.. endo ‘bandonado 0 Cristianismo. fundou 0 ‘neaplatonisme em Ale- xandria, onde Platine, Origenes e Longno fo-rain seus discipulos. amor (lat. amor: afei¢do, simpatia) 1. Tendéncia da sensibilidade suscetivel a transportar-nos para um ser ou um objeto reconhacido ou sentido Caria bom. Ex. 0 amor matoma, © amor da gloria 2. Sentimenta da inclinagéo a da atragéo ligando os homens uns aos outros. 2 Deus @ 20 mundo. mas também o invididuo a si mesmo. Error outres palavras. inclinagSo para ume pessoa. sob todas as suas formas e em todos os graus. desde o amor-desejo (inclinagéo sexual) até o amor-paixéo e o amar-sentimento. "0 amor é ume emocéo da alma causeda pelo movimento dos espfritos, levando-a a unir-se voluntariamente aos abjetos que lhe parecem ser convanientes" (Descartes) 3. Amor ahlativo é a tendéncia oposta ao egoismo. ao amor possessivo. pois se define pela doagdo e pelo devotamento ao outro. Ex.: 0 amor ao proximo 4.0 chamado amor puro 6 aqusle que se tem apenas para com Deus, na mais total e perteita gratuidade."O amore assa ateigao que nos faz encontrar prazer nas perfeigoes daquele que amamos. @ nada ha de mais perfeito que Deus. Para ama, basta considerarmos suas perfeices. As petfeicGes de Deus sdo as de nossas almas, mas Ele as possut sem limites." (Lebniz) 5, Amonpréprio € o santmenta da dignidade pessoal e do respetto por si 6. Amor platonico é aquele que prescinde de toda sensibiidade pars alegrar-se coin as belezas intelectuais ou espinita's & corn a esséncia mesma no belo, 7. Niatzsche retoma dos estéicos @ expresso "amor fat” teralmente "amor do destino” fimplicando tune idéia de fetalidade) para de-signar a alegia e o desejo do fldsofo por aquilo que deve acontecer. o futuro. amoral (gr. a: privecdo, ¢ lat. moralis) 1. Diz-se do que no é suscetivel de ser quelificado moralmente ou que se revel cestranho ou contrario a0 dominio da moral 2. Diz-se do que se apresenta como desprovido nao somente de moralidads, mas de todo © qualquer senso moral. Ex.” 0 individuo amoral 9 aquale que nem mesmo tem consciéncia dos juizos morass. amoralismo Doutrina cu atituda que rejeita ou desconhace o valor dos imperativos éticos © das praticas morais. Ver imoraismo. Amoroso Lima, Alceu (1893-1985) ensaista, professor universitario e pensador brasileiro (nascido no Rio de Janeiro}. Formado pela Faculdade de Ciéncias Juridicas Socials do Rio de Janeiro, foi catedratico de introdugdo 4 cigncia do direito, de ‘economia, da sociologia » de iteratura em varias escolas supenores do Rio até 1953. Exerceu a critica lterania em varios jonas, sob 0 pseuddnima de Tisto de Atside. Participou do movimento modermista de 1922. Convertida ao catolicismo em 1928. passou 8 exercer uma forte influéncia no meio intelectual brasileiro, sobretude por sua critica lteréria e por seus rlumerosos ensaios sobre diretto, pedagogia, saciologia ¢ a sittiagSo polilice nacional. No sendo propriamente um flésofo, dasenvolveu um pensamento bastante mercado pelos fildsofos cristéos preocupados com @ defesa de um “humanismo integral”. (Ver Jacques Maritain). Tornou-se, assim, um lider do catolicismo dito "progressista” no Brasi. Presid o Centro Dom Vital, de 1922 a 1962. Foi membro da Academia Brasileira de Letras. Seus livios mais importantes so. além de sua obra ficcional. Adeus 4 disponibilidade © outros adeuses (71926), Debates pedagogicos (1932), Pela re-fotma social (1933), Mitos de nosso tempo (1943), Humanismo pedagdgico (1944), 0 trabalno no mundo modemo (1958) ¢ Revolu¢ao, rea¢ao ou reforma (1964). Ver fiosoha no Brasil analise (gr analysis, de analyein: desiigar, decompor um todo em suas partes] 1. Divisdo ou decomposi¢éo de um todo ou d= um objato em suas partes, seja materialmente (analise quimica da um corpo), soja mentalmente (analise de concattos). Opde-sa 8 "sintese, ato de composi¢do que consiste em unir em um todo diversos elementos dados seperedamente. Alguém que possul lm espirito de sintese, por oposiego a quem possui um espirito analitico, 6 aquele que € epto para considerar as coisas em seu conjunto, 2. Procedimento pelo qual fomecemos a explicagdo sensata de um conjunto complexo. Ex. @ anélise de um romance, de um {ato histérico, 3. Método de conhecimento pelo qual um todo dividido em seus elementos constitutives. "O segundo pracelto (do método) consiste om dividir cada uma Gas aificuldades em tantas partes quantas possiveis @ quantas necessarias fossem para melhor resolvé-las" (Descartes) (Opée-se ao método da sintese, indo das proposicées mais simples as mais complexes: "Conduzir por ordem meus pensamentos 2 comecar polos objatos mais simples e mais faceis de sere canhecidos, para gelgar, pouco a pouce, como que por degraus, até ‘© conhecimento dos mais complexos" (Descartes) 4. "A operacéo que conduz do exame de uma totalidade T & proposigéo 'P faz parte de 7’ chama-se andlise.” (Bertrand Russell) analitico/analitica 1, Quo dz respaito & andlise ou a anaitica, ue se faz por meio de anise. Opasto a snttica 2, Oposto a juizo“sintético, d juizo analitico @ aquele cujo atributo pertence necesseriamante @ esséncia cu a definicdo do susite. Ex: 08 corpos séo extensos. 3, Ume praposigéo & analtica quando se pode validé-Ja ou invalidéle sem recorrer & observagéo, embora ela ndo fomeca nenfuma informacae scbro a raaided 4, Em Anstateles, a analitica 6 a parte da logica que trata da demonstraco; am Kant, 6 a parte da logica transcendental (analitica transcendental) que tem por objeto "a decomposic¢ao de nosso conhecimento a priori nos elementos do conhecimento puro do entendimento’, sto 8, das eategorias analogia (gr. anaogia propercao matemetica, crrespondéncia| 1. Paralolo entra coisas dferentes lavando-sa em conta seu aspecto aera 2. Identidade de rslag40 unindo dois a dois os termos da varios pares. E 0 caso da proporgéo matematica A.B eC, D, que se escreve "ABCD 8 se enuncia: "A esta para B como C esta para D”. Donde @ igualdade proporcional 3, Identidada de relacées antre sores @ fenémenos (analogia antre quada a gravitacdo, entra 0 boi @ a belaia) 4. Raciocinio por analogia 6 uma inferéncia fundada na definigao de caractoristicas comuns. Assim, um corpo que sofre na gua o chamado impulso de Arquimadas deve sofrer a mesme impulso no ar, pois as caracterisicas comuns a Agua (liquido) © 20 ar (gs) definem 0 fiuido. As descobertas cientificas frequentemente consistem na percepcéo de uma ansloga, ou seje, de 3, Identidada de relacdes antre sores @ fenémenos (analogia antre quada a gravitagao, entre o boi @ a baloia) 4. Raciocinio por anaioaia uma inferéncia fundada na definicéo de caracteristicas comuns. Assim, um corpo que sofre na ‘gua o chamado impulso de Arquimedes deve sofrer a mesma impulso no ar, pols as caracterisicas comuns 4 Aqua (quido) € 20 ar (945) definem o fluido. As descobertas cientificas frequentemente consistem na percep¢éo de uma analagia, ou Seja, de uma identidade entre dois fendmanos sob a diversidada de suas aparéncias. Ex. @ analogia do aio & da centalha eletrica descoberta por Franklin anamnese (gr. anamnésis: a¢40 de lembrar-se) Na filosotia platonic, a anamnese consiste no esforco progressivo pelo qual a Cconscigncia individual remonta, da experiéncia sensivel, para o mundo das idsias. Ver reminiscéncia, anarquia (gr enerchia auséncia de chefe, de comendo) 1. Estado de uma sociedade néo-organizada ou dasorganizada © clesprovida de “gaverno capaz de manter a ordem institucional 2. Desorganizagéo ou desordem, de fto cu voluntéra, num grupo social, por fata de uma autordade ou lideranca anarquismo Doutrins politica que repousa no postulado de que os homens so, por natureza, bons e socidweis, devendo corganizar-se em comunidades espontaneas, sam nenhuma necessidade do Estado ou de um governo Trata-se de uma concep¢ao politica que condena a propria oxistancia do Estado. "Rapudiames toda legislagao, toda autoridade 9 toda influsncia prvilegiada, patenteads, oficial e legal, mesmo onunda do suftagio universal, convencidos de que ja-mais poderd funcionar Sendo em proveite de uma minoria dominante e exploradora contra os interesses da imensa maioria submissa.” ("Bskunine) ‘Assim, como conjunto de teorias socisis possuindo em comum @ crenga no individuo @ a desconfianca relativamente aos poderes ‘que se exercem sobre ele. 0 anarquismo aprova o que dizia Proudhon. "Ser aovemado é ser vigiedo, inspecionado, espionado, Grigido, leaisferado. regulamentado 'énquadrado, doutrinado, prege-do, controlado, rotulado... por seres que no possuem nem @ ciéncia nem a vitude.” anarquista Partidéria do anarauismo, isto é, do individualism total e absolut, reeitande, sumariemente, toda autoridade individual ou co-etiva @ pedendo chegar, em alguns casos, a defander a ‘propaganda polo fat, caracteiza-da por alentados @ terrorismos polticos. Ver ibertaia Anaxagoras (499-428 2.C | Fidsofo da Asia Menor (nescido em Clazomenas}, consideredo o fundador de escole flosica de ‘Aanas, Amigo e partidano de Pericles, oi acusada de impieda- Gis 6 do alcismo por seus inimigos, pos se racusava a prestar culo aos deuses naciona\s. Sanido de Atenas em 434 a.C, morteu em Lémpsaco. Considerade por Diégenes Leércio “o primeiro que acrescentou a inteligéncia (nous) 4 matéria (hylé) , Anaxagoras: Sustentava que, para explicar tudo 6 que acontece © que muda, precisemas adotar a hipdrese de um nu-mera infinito de elementos, de germes ou ‘sementes’("omoiomerias”), que se diferenciam entre si qualitativamente. que possuem propriedades: irredutives, de cuja combinacéo nascem todes as coisas. Assim, o principio de todas os coisas séo essas “semmentes” que se mmisturam ¢'se seperem, Inciaimente, estevam “odes |untas", confundidas e sem ordem num primtvo caos. Mas foram ordenadas palo espinto, pelainteligéncia, pele mente ou “nous” Anaximandro (810-547 aC ) Fildsofo da escola *\énica, o grego (natural de Mileto e discipula de Tales) Anaximandro estabeleceu que 0 principio de todas as coisas ¢ 0 ilimitado (o apeiron). Para ele, tudo provém dessa substancia eterna @ indestutivel, nfinita @ invisivel que 6 © apeiron, 0 ilimitado, a incaterminado."o infinito é © principio" (anché), © a principio 8 0 fundamonto da geragao das coisas, funda mente que as constitul e 2s abarca pelo incifaranciado, pelo indoterminada. A ordam do mundo surgu do cacs em virtude desse principio, dassa substancia unica qua @ 0 apeiron Anaximenes (588-524 aC.) Fildsofo da es.cola *jénica, 0 grago (natural de Mileto e discipulo de Anaximencro) Anaximenes ensinou que a substéncia originarta nao podaria ser a Aqua (como acreditava Tales) nem tampouco o apeiron (como dissera Anaximandro), mas o ar infinite (0 pneuma apeiron) que, através da rarefacdo e da condensacéo, forma todas as coisas. O af ecobre toda a ardem do universo camo um elemento vivo @ dinémico. Como a alma humena, ele & como um sopro, um halite que informa toda @ matéria: ‘Da mesma maneira que nossa alma. que ¢ af, nos mantém unidos, também 0 sopro € 0 er mantém 0 rmunde inteiro." Andrénico de Rodes Fildsotc arego peripatetico que tloresceu no séc. | a.C., em Roma. Organizou, catalogou # publicou 15 obras da *Aristételes. Foi o primeira que deu a conhecer aos romanos as doutrinas filosoticas de Arstoteles @ de *Teofastro Alribut-se @ ele 0 termo "metalisica’, com 0 qual denominou um con-junto de textos de Anistételes angustia (lat. angusta: estreiteza, ape, resti¢do) |. Malestar provocad por um sentimento de opresséo. seja de inquietude relative a um fulure certo, a iminéncia de Um perigo ndeterminado mas ameacador, a0 mado da mor-ta@ 2s incertezas de um presente ambiquo, seje dé inquietude sem abjeto claramente defnido ou determinade, mas frequentemente acompanhads de Bteracées Tsildaicas 2. Neurose caracterizada por ansiadade, agitacdo, fantasias, fobias e por um sentimento confuso de impoténcia dlante de um perigo eventual, real ou imaginario. 3. Em Kierkegaard, estado da inquistude do existente humano provocado pelo pressentimento do pecado 6 vinculado ao sontimento de sua liberdads. Em Heidegger, inseguranca do existente diante do nada’ o sentimanto de nossa situagao onginal Nos mostra quo fomos langados no mundo para nele momar. Em Sartre, cons-ciéncia da responsabilidade universal engajada por cada um de nossos atos "A angustia se distingue do medo, porque o meda € medo dos seres do mundo, enquanto a angustia € engistia diante de mim.” animal-maquina Teoria ciaborada por Des-cartes e desenvolvida por Malobranche segundo a qual os animals néo passam de auldmatos epefeigcados. desprovidos de sensibidade e de inteligencia. Quento aos homens, néo so mé-quinas, porale meles hao cogil. Contido, 0 corpo human, enquanto res extense isto €, enquento extenséo, funciona como uma méquina, le dizer, como um mecanismo analogo ao das maquinas feitas pelo homem (como um relégio, por exemplo). animal politico Expressao utizeda por Arstoteles ao definr o homem come "z0¢h politi” ("animel police"). Queria ézer {ue, por oposicéo as outros soras vivos, 0 homem 6 um animal destinado, por sua natureza, a wer na ‘cidade (na polis), o quo 130 mplice quo tenha um gosto natural pelaslutas eleforals ou pelas dscuSsoes poitcas no Santido que Ines damos hojs animismo (al anmismes, do lat. anima: alma) 1. Doutnina segundo a qual a alma cons. titi © principio da vida organica © do pensa-manto 2. Concepeo que consiste em atribuir elma as coisas. Em outras palavras, crenca segundo a qual a natureza ¢ reaida por ‘mas ou espirito enélogos a vontade humana 3._Em seu sentido estito, o animismo é uma teoria antropolégica que tem por objetivo explicer as crencas religiosas dos povos primitvos através de uma personificacéo dos fenémenos naturais, sob @ forma de vontades multiplas e contraditorias. Contudo, os fenémenos animistas se verificam também no chamado "homem civiizado’, especialmente nos doentes mentais ¢ nos que Sao Gominados por um pensamento infant aniquilamento (lat, ennihlare: reduzir a nada) Destruicéo total de um ser particuler ou de um ser gerel.Trate-se de uma Tedugéo 20 nada (nul). Assim, pera os materialistas, a morte conslitui o aniquilamento do ser humano, vale dizer, de sua indvidveldade, sé permanecendo a mataria de que seu corpo @ composto Annales, escola dos (écolo des Annales) Tambem chamada de Nova Historia (Nouvelle Histoira}, a oscola dos Anais 6 um movimento que, pretendendo ir alm da viséo positivista dos historiadores que vem 8 historia como crénica de ‘econtecimantos (histoire évanementiells), 2m como objetivo ranovar e ampliar 0 quadro das pesquisas historicas. Fundada na Franca por Lucian Febvre e Marc Bloch (1929), em toro da revista Annales: économies, sociétés, civilisations, essa corrente de ensamento abre 0 campo da histéria para o ostudo de atividades humanas até onto pouco invesbgadas. Substtu’o tompo breve a historia dos acontecimantos pola longa duracao (longue durds), capaz de tomar inteligiveis 0s fatos de civiizagao ou as "mentalidades’ Rompendo com a compartimentacao estanque das disciplinas socials (histeria, sociologia, psicologia, economia, geogrtia humana etc), priviegia, em suas inyestiga¢des, os métodos pluriiscipineres. Uma das principais obras representalivas Gesla corrente 6 0 Reditarréneo © o munda mediterranea no periods de Felipe , de Femand Braudel Anselmo, sto. (1033-1109) Considerado um dos iniciadores da tradigao escolastica, sto. Anselmo nasceu em Aosta, na Italia, ¢ foi arcebispo de Canterbury, na Inglaterra, Distinguiu-se sobretudo por ter formulado o célebre argumnento “ontoldgico para ‘cemonstrar a existéncia de Deus, em seu prosiogion, retornado depois por Descartes e criticado por Kant. E tambem autor d= Gialogos como De varitate e De grammatico, em que apresenta um tipo de andlise conceitual muito influente no desenvolvimento «a filosofia medieval. Em varias de suas obras, procurou conciliar @fé € a raz4o, na linha do pensamento de sto. Agostinno. Ver escolastica, antecedente (lat. aniecedens, de antecedere: precader) 1. Nas ciéncias experimentais, o ante-cedente é um fenémeno ou fato ‘ue precede outro fendmeno, estando ligado ao conseauente por uma relapse invarive! ot lei 2. Antecedentes (geralmente no plural) s4o particularidades hereditarias ou acontecimentos do passado pessoal de um individuo, servindo para explicar quer suas anomalias psiquicas do momento, quer certos comportamentos considerados ‘associados ou criminases no presente. antinomia (gr. antnomia: contradicao entre leis) Conflto da razdo consigo mesma diante de duas proposigdes contraditoras, cada uma podende sor demonstrada separadamente. inventa-das polos célicos gragos, as antinomias fazem prevalecer & Cantradicao de principio entre diferentes enunciados e, a pertir dai, a vaidade de tade conhecimenta. Na flasofia de Kent, & an= tinomia designa o fen6mano de oscilacéo da tase a antitese, a razdo se encontranda dante do enunciado de duas demonstacées, contrarias, mas cada uma sendo coerente consigo mesma, Por exemplo, quando a razéo pretende optar pela liberdade ou peld Geterminismo. A solucéo des-se Jogo de oposicées implica toda a filosofia transcendental, pela qual a razdo pode ser definida como o lugar de engendramanto de confitos, de oposicGes, de antinomias. As antinomias estéo na origem do ceticismo que, por sua vez. abala 0 dogmatism e prepara 0 crticismo. Sao quatro as antinomias da razdo pura: a) & 0 mundo limitado no tempo @ no {@5pa¢0? b) € 0 mundo divisivel cm partes simples ou indivisivel 20 infinite? c) existe uma liberdade moral ou somente um olerminisme hsico? d) existe um ser necessario ou somente seres contingentos? Antistenes (c.444.c.285 @.C.) Fildsofo rego (nascido em Atenas), foi discipulo de Sécrates © mestie de Didgen9s, 0 Cinico. Fundou a escola cinica ou o cinismo. Segundo @ sua doulrina filosofica, o bem supremo esta na virtude, que consiste em menosprazar ariqueza, a grandeza @ a volupia. Ver cinismo antitese (or antithasis: oposigao) 1. Oposigao de contrariedade entre dois termos ou duas proposicses 2. Em Kant, proposic4o contraria a “tase. Em Hegel, segundo momento da *dielétice entre 8 tese e a sintese que realiza 0