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Agrupamento de Escola Dr. Mário Sacramento

Disciplina de Educação Física

Lesões desportivas em jovens

Disciplina de Educação Física Lesões desportivas em jovens Filipe Martinho Ferreira Nº 11, 11º B Dezembro

Filipe Martinho Ferreira

Nº 11, 11º B

Dezembro 2015

Índice

Introdução

3

Lesões desportivas em jovens

4

Conceito de lesão desportiva

5

Classificação das lesões desportivas

6

Mecanismos da lesão desportiva

8

Fatores de risco associados à lesão desportiva em

12

Estratégias de prevenção

13

Lesão do Ligamento Cruzado Anterior em Adolescentes

14

Anatomia do joelho

14

Mecanismo da lesão do LCA

15

Classificação da lesão

16

Sintomatologia

16

Diagnóstico

17

Terapêutica

17

Reabilitação

18

Conclusão

20

Bibliografia/Webgrafia

22

17 Reabilitação 18 Conclusão 20 Bibliografia/Webgrafia 22 Lesões desportivas em jovens 2
17 Reabilitação 18 Conclusão 20 Bibliografia/Webgrafia 22 Lesões desportivas em jovens 2

Introdução

A prática regular de exercício físico promove a melhoria do estado geral de saúde e é fundamental para a prevenção de um grande número de patologias nomeadamente as patologias músculo-esqueléticas. Em crianças e jovens, para além dos efeitos benéficos que têm para a sua saúde, as atividades desportivas desempenham um papel fundamental na sua educação e formação através da transmissão de valores sociais e educativos, nomeadamente o espírito de equipa, a solidariedade, a tolerância e a competição leal e contribuem para desenvolver os conhecimentos, a motivação, as competências e a disponibilidade para fazer esforços pessoais. O incentivo à prática de desporto na infância e na adolescência é cada vez maior. O aumento do número de crianças e jovens envolvidos em atividades desportivas organizadas ou recreativas é muito significativo e, infelizmente, é acompanhado pelo aumento particularmente significativo do número de lesões relacionadas com a sua prática. Tendo em consideração que sistema músculo- esquelético das crianças e adolescentes se encontra ainda em desenvolvimento, a sobrecarga associada, em especial, à prática de modalidades desportivas de competição poderá ter reflexos de longo prazo para a sua saúde. As lesões desportivas em adolescentes variam com o tipo de desporto praticado, com o tempo despendido para a sua prática e com os níveis de exigência e competição. Fatores, como o treino técnico, a falta de estrutura, a organização desportiva e o sistema de competições, contribuem para o aumento do risco de lesões desportivas nos adolescentes. Desportos como o futebol, o voleibol e o basquetebol, que envolvem caminhada, corrida, saltos, movimentos rápidos e vigorosos, cargas elevadas de treino e grande contacto com o adversário, predispõem os atletas a níveis de lesões elevados. O principal objetivo deste trabalho é dar a conhecer de uma forma breve a problemática das lesões desportivas em jovens atletas. Por razões óbvias não poderia deixar de dar particular ênfase à lesão do Ligamento Cruzado Anterior por ser uma lesão que me afeta particularmente , mantendo-me afastado da prática desportiva.

uma lesão que me afeta particularmente , mantendo-me afastado da prática desportiva. Lesões desportivas em jovens
uma lesão que me afeta particularmente , mantendo-me afastado da prática desportiva. Lesões desportivas em jovens

Lesões desportivas em jovens

Para além de participarem cada vez mais cedo e mais intensamente na prática desportiva, os adolescentes, inseridos num ambiente psicossocial francamente competitivo e selectivo, estão num processo de crescimento/desenvolvimento (muito rápido no período do salto pubertário) e, consequentemente, são particularmente vulneráveis às lesões desportivas. Várias são as razões que explicam grande vulnerabilidade dos adolescentes às lesões desportivas (Oliveira, 2009):

As cartilagens de crescimento existentes nas extremidades dos ossos longos (epífises) são especialmente vulneráveis a lesões por sobrecarga mecânica (forças de compressão). Estas lesões ocorrem, quer em desportos de contacto (futebol, rugby, andebol, basquetebol, judo, luta, etc.),onde os macrotraumatismos são frequentes, quer nos desportos que exijam repetições exaustivas dos mesmos movimentos (voleibol, atletismo, ginástica, patinagem artística, ténis, natação, etc.) originando microtraumatismos repetidos cujos efeitos cumulativos excedem a capacidade de adaptação biológica da estrutura osteoarticular aos esforços solicitados;

Nas regiões osteoarticulares de inserção músculo-tendinosa (normalmente apófises) e capsulo-ligamentar, as lesões ocorrem por forças de tracção repentinas exercidas por essas estruturas. Nos jovens, estas estruturas são mais fortes e resistentes que os locais de inserção, podendo originar a sua inflamação (entesopatias) e, em casos mais graves, lesões ósseas (fraturas) por arrancamento ou avulsão;

Nos jovens com idades entre 0s 10 e os 17 anos, a vulnerabilidade à lesão desportiva está intimamente relacionada com os diferentes ritmos de crescimento acelerado que existe entre os ossos e os músculos e ligamentos. O pico de crescimento ósseo está desfasado (antecede) do pico de crescimento dos tecidos moles. Este facto aumenta a

desfasado (antecede) do pico de crescimento dos tecidos moles. Este facto aumenta a Lesões desportivas em
desfasado (antecede) do pico de crescimento dos tecidos moles. Este facto aumenta a Lesões desportivas em

susceptibilidade de lesões nos locais de inserção óssea dos tendões e ligamentos;

Os ritmos de crescimento e maturação neurobiológica são individuais e determinados pela interacção entre factores genéticos e factores ambientais. Ora, como a divisão por escalões em todos os desportos se faz exclusivamente por idade cronológica, acontece que na maior parte das vezes o que se verifica é que os opositores têm maturações distintas. Nos desportos de contacto e nos desportos onde a força muscular é muito componente importante, o jovem com um perfil maturacional menos desenvolvido tem um risco acrescido de lesão acrescido de lesão.

O crescimento acelerado dos diferentes segmentos corporais pode não ser de imediato acompanhado por uma coordenação neuromuscular e um controle postural eficientes, originando um risco acrescido nalguns gestos desportivos mais complexos ou em situações imprevistas e bruscas que exigem respostas nem sempre eficazes.

Conceito de lesão desportiva

As lesões músculoesqueléticas (LME), geralmente definidas como um conjunto de patologias que afetam os músculos, tendões, ligamentos, articulações, nervos, discos vertebrais, cartilagem, vasos sanguíneos ou tecidos moles associados e que podem ser causadas ou agravadas pelas atividades físicas. As LME abrangem uma vasta gama de doenças inflamatórias e degenerativas do sistema músculo--esquelético e são caracterizadas pela dor e pela perda de função física do corpo que limitam as atividades dos indivíduos afectados assim como a sua participação na sociedade. Uma lesão desportiva é uma lesão física, contraída durante a participação em atividades desportivas de carácter competitivo ou recreativo, que pressupõe uma disfunção do organismo que produz dor e que tem uma das seguintes consequências:

Ser motivo direto para interromper a atividade desportiva (treinos e competições)

Ser motivo direto para interromper a atividade desportiva (treinos e competições) Lesões desportivas em jovens 5
Ser motivo direto para interromper a atividade desportiva (treinos e competições) Lesões desportivas em jovens 5

durante pelo menos 24 h; Não motivar a interrupção total da atividade desportiva, mas determinar a alteração da atividade quer quantitativamente (diminuição do número de horas de prática e diminuição da intensidade dos exercícios/esforços físicos) quer qualitativamente (alteração dos exercícios ou movimentos realizados); Procura, por parte do atleta, de profissionais de saúde para resolução do problema (Caine, D., Caine, C. & Lindener, K. 1996 cit. Oliveira, 2009).

Classificação das lesões desportivas

De acordo com o seu grau de gravidade, as lesões desportivas podem ser genericamente classificadas em lesões minor e lesões major (Oliveira, 2009). As lesões minor geralmente não obrigam a parar, podendo, contudo, condicioná-la ou aumentar o risco de ocorrência de uma lesão mais grave. As lesões major implicam quase sempre a paragem da actividade principal (devendo sempre manter-se alguma e tratamento adequado. As lesões desportivas podem ainda ser classificadas em lesões agudas e lesões crónicas (idem). As lesões agudas ocorrem imediatamente após um macrotraumatismo de lesão major com sinais e sintomas precoces. A fase inflamatória apresenta sintomas inequívoco,que surgem nas primeiras horas após a lesão e que incluem:

Calor (energia metabólica irradiada);

Rubor (vasodilatação e aumento da vascularização);

Edema e/ou hematoma locais (exsudado inflamatório e/ou hemorragia);

Dor (estimulação das terminações nervosas aferentes, por processos

natureza física, quer de natureza química sobre os nocioceptores, que ocorrem nas primeiras horas pós-lesão. Nesta fase, os procedimentos terapêuticos visam controlar a resposta inflamatória, melhorar a nutrição tecidular e a drenagem das substâncias indesejadas e reduzir a dor e o edema/hematoma locais. Os procedimentos terapêuticos (Figura 1)a

e reduzir a dor e o edema/hematoma locais. Os procedimentos terapêuticos (Figura 1)a Lesões desportivas em
e reduzir a dor e o edema/hematoma locais. Os procedimentos terapêuticos (Figura 1)a Lesões desportivas em

realizar, sob a orientação de um médico perito em lesões desportivas e/ou um fisioterapeuta, são:

Repouso selectivo do segmento afectado;

Frio ou gelo local (10 a 20 minutos. de 2 em 2 horas, nos primeiros 2 dias);

Compressão selectiva da zona lesada e Elevação do membro.

Evitar fazer calor local ou massagem ( a vasodilatação agrava a reacção inflamatória);

Evitar realizar actividade excessiva sobre estrutura lesada.

Evitar realizar actividade excessiva sobre estrutura lesada. Figura 1 – Procedimentos terapêuticos na fase

Figura 1 Procedimentos terapêuticos na fase inflamatória de uma lesão

aguda.

As lesões crónicas caracterizam-se pela manutençãor dos sinais e/ou sintomas por um período mínimo de 3 meses, sem ter havido alívio completo dos mesmos. Condicionam a actividade e podem sofrer períodos de agudização que desencadeiam uma resposta inflamatória impeditiva de qualquer tipo de treino. Entre as lesões

uma resposta inflamatória impeditiva de qualquer tipo de treino. Entre as lesões Lesões desportivas em jovens
uma resposta inflamatória impeditiva de qualquer tipo de treino. Entre as lesões Lesões desportivas em jovens

crónicas mais comuns estão as tendinopatias, as bursites, as apofisites ou entesopatias (lesões nos locais de inserção óssea das estruturas músculo-tendinosas e fracturas de fadiga.

Mecanismos da lesão desportiva

Os mecanismos básicos pelos quais um atleta pode sofrer lesão incluem (Torres, 2004):

Contacto (choque entre dois atletas, choque de um atleta com uma superfície);

Sobrecarga dinâmica. A sobrecarga do sistema músculo-esquelético é responsável por até 50% da totalidade das lesões observadas na medicina desportiva pediátrica (Dalton, 1992 cit. Pinho et al., 2013)). As lesões por sobrecarga são cada vez mais frequentes, como consequência dos microtraumatismos repetitivos durante os treinos provocados pela rotura dos mecanismos de reparação dos tecidos, e podem provocar a modificação permanente do crescimento ósseo e causar doença e incapacidade prolongadas.

Excesso de uso (Overuse) ou sobrecarga (resultante de um somatório de tensões ou pressões repetidas e não resolvidas em determinado tecido).

Vulnerabilidade estrutural (contribui para fadiga e eventual insuficiência/falha do tecido, secundária à sobrecarga focal, tensão ou stress excessivo.

Falta de flexibilidade (pode levar a desvios no contacto articular, iniciando um ciclo de degeneração articular. Um músculo encurtado, por exemplo, em pré-carga, fica mais vulnerável à tensão.);

Desequilíbrio muscular (relacionado com a falta de flexibilidade, advem do condicionamento e utilização musculares impróprios);

Crescimento rápido.

do condicionamento e utilização musculares impróprios);  Crescimento rápido . Lesões desportivas em jovens 8
do condicionamento e utilização musculares impróprios);  Crescimento rápido . Lesões desportivas em jovens 8

A lesão desportiva por macrotraumatismos (Quadro I) ou por microtraumatismos (Oliveira, 2009). Independentemente dos mecanismos que estiveram na origem da lesão, a lesão de determinada estrutura pode ocorrer sem que haja queixas ou lesão anterior ou ser uma lesão recidiva de lesão anterior nessa estrutura com recuperação completa. Quando a lesão ocorre devido a macrotraumatismos, o atleta situa espácio- temporalmente o movimento/gesto que desencadeou os sintomas e ocorre incapacidade funcional imediata do segmento afectado, que é tanto maior quanto mais grave for a lesão. A lesão pode ser provocada por microtraumatismos repetidos resultantes da repetição exaustiva de elementos técnicos da modalidade sem os adequados períodos de recuperação/repouso ou da execução incorrecta de certos gestos. Os microtraumatismos estão na origem das lesões por sobrecarga ou lesões por esforços repetidos (overuse injuries) e adquirem uma importância particular nos atletas jovens, uma vez que o corpo está em mudança permanente, quando o volume e a intensidade do treino aumentam. As lesões de sobrecarga em jovens atletas devem-se a factores intrínsecos e a factores extrínsecos. Os principais factores extrínsecos incluem: Erros nos gestos técnicos e opções de treino inadequadas; Opções erradas no planeamento da época; Variações, nem controladas e nem graduais, da intensidade e do volume total de treino; Tempo e formas de recuperação do esforço não eficazes; Limitações técnicas e nível da habilidade das tarefas fundamentais vs tarefas de excelência; e, Calçado e equipamento de protecção inadequados. Entre os fatores intrínsecos destacam-se:

Lesões anteriores indevidamente resolvidas; Disfunções musculares (desequilíbrios na relação força/flexibilidade); Desequilíbrios entre grupos musculares; Disfunções articulares (hiperlaxidão ligamentar com instabilidade articular residual); Treino individual inadequado; Factores psicológicos (auto-estima, personalidade, personalidade, autoperceção do risco, etc.).

(auto-estima, personalidade, personalidade, autoperceção do risco, etc.). Lesões desportivas em jovens 9
(auto-estima, personalidade, personalidade, autoperceção do risco, etc.). Lesões desportivas em jovens 9

Quadro I Exemplos de lesões desportivas devidas a macrotraumatismos (adaptado de Oliveira, 2009)

Lesão

Entorses da articulação tíbio-társica (tornozelo) em flexão plantar e inversão na receção ao solo após um salto. Podem ocorrer lesões capsuloligamentares, fracturas e lesões nas cartilagens de crescimento no caso dos jovens.

salto. Podem ocorrer lesões capsuloligamentares, fracturas e lesões nas cartilagens de crescimento no caso dos jovens.

Entorses do joelho após uma mudança brusca de direcção envolvendo por exemplo um mecanismo de valgo e rotação externa do joelho (lesões capsulo-ligamentares e/ou meniscais, luxação da rótula).

um mecanismo de valgo e rotação externa do joelho (lesões capsulo-ligamentares e/ou meniscais, luxação da rótula).

Lesão dos adutores, devida a estiramento excessivo e descontrolado numa abertura das pernas; Lesão muscular dos isqueotibiais ou dos gémeos, causada por esforços explosivos, como um sprint.

abertura das pernas; Lesão muscular dos isqueotibiais ou dos gémeos , causada por esforços explosivos, como
dos isqueotibiais ou dos gémeos , causada por esforços explosivos, como um sprint. Lesões desportivas em
dos isqueotibiais ou dos gémeos , causada por esforços explosivos, como um sprint. Lesões desportivas em

Quadro I (continuação) Exemplos de lesões desportivas devidas a macrotraumatismos (adaptado de Oliveira, 2009).

Lesão

Lesão muscular dos isqueotibiais ou dos gémeos, que pode ser causada por:

Corridas, saltos ou arrancadas bruscas;

causada por:  Corridas, saltos ou arrancadas bruscas;  Desaceleração brusca da corrida;  Sobrecarga de

Desaceleração brusca da corrida;

Sobrecarga de atividade física;

Falta de aquecimento prévio na prática desportiva;

Desequilíbrios musculares;

Fraqueza muscular;

Pouca flexibilidade.

Traumatismo directo da coxa (contusão com hematoma intramuscular);

directo da coxa (contusão com hematoma intramuscular); Luxação da articulação glenoumeral , causada por gestos

Luxação da articulação glenoumeral, causada por gestos com amplitudes extremas de abdução e rotação externa do ombro.

extremas de abdução e rotação externa do ombro. Traumatismo ou luxação da articulação
extremas de abdução e rotação externa do ombro. Traumatismo ou luxação da articulação

Traumatismo ou luxação da articulação acrómio-clavicular, causada por um gesto de placagem do opositor (rugby).

acrómio-clavicular , causada por um gesto de placagem do opositor (rugby). Lesões desportivas em jovens 11
acrómio-clavicular , causada por um gesto de placagem do opositor (rugby). Lesões desportivas em jovens 11
acrómio-clavicular , causada por um gesto de placagem do opositor (rugby). Lesões desportivas em jovens 11

Fatores de risco associados à lesão desportiva em jovens.

Os factores de risco associados às lesões desportivas nos jovens na sua generalidade podem ser extrínsecos e intrínsecos (Quadro II), podendo ser modificáveis ou não modificáveis pelas estratégias de prevenção adotadas.

Quadro II - Factores de risco potencial associado às lesões nos jovens desportistas (adaptado de Oliveira, 2009)

Factores de risco extrínsecos

Factores de risco intrínseco

Não Modificáveis

Não Modificáveis

Tipo de desporto (individual/colectivo; contacto e não contacto):

História de lesões anteriores

Idade

Nível competitivo (recreativo, médio, elite)

Sexo

Predisposição constitucional

Posição e características especificas;

Índice Maturacional

Condições atmosféricas;

 

Altura de época/ altura do dia.

Potencialmente Modificáveis

 

Potencialmente Modificáveis

 

Condição física de base;

Respeito pelas regras da modalidade e ética desportiva;

Tempo de exposição ao risco (treinos e jogos);

Tipo de piso e condições materiais do “terreno de jogo”;

Participação anterior e nível de performance;

Treino/condicionamento de controle e coordenação neuromuscular, força muscular, flexibilidade e estabilidade articular funcional;

Calçado e equipamento de protecção;

Meio

social

e desportivo

Factores biomecânicos;

(comportamento e atitudes da família, pares, amigos, dos treinadores, árbitros,

Factores psicossociais-

dirigentes, adversários, etc.)

árbitros,  Factores psicossociais- dirigentes, adversários, etc.) Lesões desportivas em jovens 12
árbitros,  Factores psicossociais- dirigentes, adversários, etc.) Lesões desportivas em jovens 12

Estratégias de prevenção

O conhecimento factores de risco associados a cada modalidade desportiva e o cruzamento destes cruzá-los com as características individuais de cada jovem atleta é crucial para a implementação de estratégias de prevenção adequadas. Estas devem assentar nos factores de risco modificáveis. O treinador, como coordenador da equipa técnica e gestor de todo o processo de treino, deve planeando as actividades necessárias ao despiste precoce dos factores de risco. Como?

Tendo em conta que o tipo de piso, o calçado ( que deve ser adequado à modalidade e às características morfofuncionais do atleta) e o equipamento de protecção têm um impacto em termos biomecânicos diferente consoante o tempo de exposição ao risco, a história recente de lesões ou o índice maturacional dos jovens atletas;

Garantindo que o atleta ´´e incluído apenas no seu escalão;

Garantindo que planeamento da actividade incorpora formas de recuperação do esforço, aportes nutricionais adequados, alternância de treino das diferentes componentes da actividade, sempre que o aumento do tempo e intensidade do treino não é gradual.

Reconhecendo as necessidades individuais de cada jovem atleta, identificando em que fase do processo de crescimento e maturação ele se encontra, ao planear a atividade desportiva, sobretudo em modalidades coletivas.

ele se encontra, ao planear a atividade desportiva, sobretudo em modalidades coletivas. Lesões desportivas em jovens
ele se encontra, ao planear a atividade desportiva, sobretudo em modalidades coletivas. Lesões desportivas em jovens

Lesão do Ligamento Cruzado Anterior em Adolescentes

A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) assume particular importância em

crianças e adolescentes, dada a participação elevada destes grupos em atividades desportivas e a gravidade potencial da lesão. O grupo de crianças e adolescentes representa 0.5 a 3% de todas as lesões do LCA, valor que aumenta anualmente. Em atletas com idades entre 5 e 18 anos, e prática regular de futebol, 30.8% das lesões são referidas ao joelho e destas 6.7% diagnosticadas como lesões do LCA. A rotura do LCA em crianças e adolescentes é um problema complexo, tanto do ponto de vista terapêutico como no âmbito dos prognósticos funcionais e desportivos. A associação frequente com a lesão meniscal compromete ainda mais a integridade osteocondral da articulação (Pinheiro, 2015).

Anatomia do joelho

O joelho é formado na sua parte superior pelo fémur (osso da coxa) que roda

sobre a tíbia (osso da perna). Na parte anterior, existe um osso arredondado, palpável chamado patela (rótula). A rótula desliza dentro de um sulco na porção anterior e inferior do fémur. Os ligamentos unem o fémur e a tíbia para promover estabilidade, 0s músculos dão força ao joelho. As superfícies articulares, onde estes ossos entram em contato, são cobertas de uma cartilagem especial, chamada de cartilagem articular. Esta cartilagem torna possível o movimento articular. As outras superfícies do joelho são cobertas por uma fina camada de tecido chamado de membrana sinovial. Esta membrana liberta um líquido que lubrifica a articulação e reduz o atrito normal. Anatomicamente, o LCA surge da região anterior do prato tibial (superfície superior da tíbia) e vai inserir-se na base inferior do fémur. Neste trajecto cruza-se com um outro ligamento, designado de ligamento cruzado posterior (LCP). Os outros dois ligamentos responsáveis pela estabilidade do joelho são o ligamento lateral interno (une a tíbia ao fémur do lado interno do joelho) e o ligamento lateral externo (une a tíbia ao fémur do lado externo do joelho) (Figura 2).

lateral externo (une a tíbia ao fémur do lado externo do joelho) (Figura 2). Lesões desportivas
lateral externo (une a tíbia ao fémur do lado externo do joelho) (Figura 2). Lesões desportivas
Figura 2 – Anatomia do joelho. Do ponto de vista da biomecânica, o LCA é

Figura 2 Anatomia do joelho.

Figura 2 – Anatomia do joelho. Do ponto de vista da biomecânica, o LCA é um

Do ponto de vista da biomecânica, o LCA é um dos ligamentos mais importantes na estabilidade do joelho, uma vez que, juntamente com outros ligamentos tem uma acção determinante na limitação ou controlo da translação / deslizamento anterior ou posterior entre o fémur e a tíbia. Auxiliado pelo LCP, o LCA mantém o contato das superfícies articulares do fémur e da tíbia, nos movimentos de flexo-extensão.

Mecanismo da lesão do LCA

O LCA é frequentemente lesado (estirado ou rupturado) quando o corpo roda sobre a perna que se encontra apoiado no chão durante a prática desportiva, nomeadamente no futebol, no rugby ou no ski. A lesão ocorre habitualmente sem contacto, particularmente na receção após o salto e nos movimentos de rotação e deslocação lateral.

na receção após o salto e nos movimentos de rotação e deslocação lateral. Lesões desportivas em
na receção após o salto e nos movimentos de rotação e deslocação lateral. Lesões desportivas em

Classificação da lesão

A rotura do LCA pode ser total (ou completa) ou, então, parcial. Estamos perante uma rotura parcial ligamento cruzado anterior quando apenas algumas fibras são lesadas, ficando as restantes integras. Pode ser tratada sem recurso a cirurgia. A rotura total do ligamento cruzado anterior (ou rotura completa) ocorre quando todas as fibras do LCA são lesadas, provocando instabilidade no joelho (Figura 3).

são lesadas, provocando instabilidade no joelho (Figura 3). Figura 3 – Rotura do LCA. Sintomatologia A

Figura 3 Rotura do LCA.

Sintomatologia

A sintomatologia da lesão do LCA é muito característica. O atleta ao sofrer a rotura do ligamento cruzado anterior refere, geralmente, um estalido e dor aguda no joelho. Um derrame articular hemático instala-se, rapidamente, e o doente sente dificuldade em caminhar sem o apoio de canadianas, durante alguns dias. Passada a fase aguda, um dos sintomas principais da rotura do LCA é a instabilidade, com sensação de que o “joelho falha”. O doente sente insegurança ao subir e descer escadas ou planos inclinados, assim como em praticar desportos.

ao subir e desce r escadas ou planos inclinados, assim como em praticar desportos. Lesões desportivas
ao subir e desce r escadas ou planos inclinados, assim como em praticar desportos. Lesões desportivas

Diagnóstico

Na fase aguda, o exame clínico do joelho pode ser dificultado pela presença de

dor e impossibilidade em fletir a articulação devido ao derrame. O teste da gaveta é uma forma simples de diagnosticar a lesão dos ligamentos

cruzados. A gaveta é positiva quando existe uma translação anterior da tíbia superior a 6-8 mm. A comparação com o joelho contra lateral poderá ajudar a reduzir as dúvidas

no diagnóstico clínico. A Ressonância Magnética (RM) é o exame de eleição escolha no diagnóstico de lesões ligamentares, pois apresenta um grau de certeza superior a 95% na rotura do LCA.

Terapêutica

Uma rotura do LCA não se resolve por si própria, uma vez que o ligamento não tem capacidade de reparação. Na rotura do ligamento cruzado anterior, o tratamento pode ser efetuado através de cirurgia (reconstrução do ligamento) ou fisioterapia. No atleta jovem, com altas exigências físicas, a reconstrução do ligamento é mandatória. Nos restantes casos, a opção de fazer cirurgia ou seguir terapêutica conservadora (com fisioterapia), deve ser discutida com o doente, ponderando a sua idade e nível de atividade desportiva, assim como as suas expectativas de recuperação.

A opção pela terapêutica conservadora é frequente, evitando o trauma

cirúrgico e o risco de perturbação no normal desenvolvimento do membro. A

terapêutica conservadora é longa e promove o controlo nocicetivo e uso de ortótese, o fortalecimento muscular e o condicionamento.

A cirurgia de ligamento cruzado anterior pode ser realizada em “cirurgia

aberta” ou por artroscopia. Atualmente, a técnica de eleição é a artroscopia por ser mais vantajosa. Recorrendo a esta técnica pouco invasiva, a dor no pós-operatório é

reduzida e a reabilitação é mais fácil e rápida, assim como melhora, significativamente,

a aparência das cicatrizes comparativamente com as da cirurgia aberta. As

complicações na cirurgia ligamento cruzado anterior são pouco frequentes

aberta. As complicações na cirurgia ligamento cruzado anterior são pouco frequentes Lesões desportivas em jovens 17
aberta. As complicações na cirurgia ligamento cruzado anterior são pouco frequentes Lesões desportivas em jovens 17

especialmente se o médico especialista do joelho adotar a técnica cirúrgica mais

adaptada ao doente. A designação de plastia do ligamento cruzado anterior (ou ligamentoplastia) refere-se à técnicas cirúrgica que permite “reconstruir” o ligamento. São diversas as técnicas de plastia utilizadas na reconstrução do LCA, mas todas passam pela colheita de um enxerto de tendão que vai ser colocado através de túneis ósseos que atravessam a tíbia e o fémur, de forma a substituir o ligamento cruzado primitivo que rompeu. Habitualmente, os locais de colheita do auto-enxerto são o tendão rotuliano,

os tendões isquiotibiais e o tendão quadricipital do próprio doente, mas é também

possível a utilização de enxerto de banco (aloenxerto). A reconstrução com enxertos

sintéticos apresenta ainda resultados pouco favoráveis. Avanços recentes no tratamento cirúrgico da rotura do ligamento cruzado anterior baseiam-se em três vertentes:

Posicionamento mais anatómico dos túneis, de forma a mimetizar a função do ligamento cruzado primitivo;

Melhoria dos sistemas de fixação do enxerto com recurso a implantes reabsorvíveis e cada vez mais biocompatíveis (substitutos ósseos);

Utilização de fatores biológicos, como fatores de crescimento e células estaminais, de forma a facilitar a integração do enxerto na interface enxerto osso.

Reabilitação

Os objectivos do programa de reabilitação (fisioterapia) adaptado ao atleta

lesado, no período pós-operatório, são indubitavelmente o retorno aos índices físicos e de nível de atividade desportiva anteriores à ocorrência à rotura do LCA devem ser os objetivos da reabilitação (fisioterapia). Geralmente, a reabilitação inicia-se antes da cirurgia de forma a reduzir a dor, a inflamação, recuperar a amplitude articular do joelho e habituar o quadricípite e isquiotibiais aos exercícios a efetuar posteriormente.

O treino proprioceptivo (treino de posição), para além do reforço muscular, são

essenciais para reabilitar o joelho após a plastia do cruzado anterior.

muscular, são essenciais para reabilitar o joelho após a plastia do cruzado anterior. Lesões desportivas em
muscular, são essenciais para reabilitar o joelho após a plastia do cruzado anterior. Lesões desportivas em

O tempo de recuperação, após cirurgia do LCA, depende do protocolo de fisioterapia a adotar. Existem protocolos acelerados, adotados habitualmente em atletas de alta competição, que permitem iniciar o treino desportivo por volta dos 2 a 3 meses, e protocolos, menos curtos, para o indivíduo com menores exigências físicas. O tempo de recuperação e de retorno à competição desportiva são, habitualmente, não inferiores a 4 a 6 meses, em especial quando se tratam de desportos de contacto.

não inferiores a 4 a 6 meses, em especial quando se tratam de desportos de contacto.
não inferiores a 4 a 6 meses, em especial quando se tratam de desportos de contacto.

Conclusão

Não obstante os incontestáveis benefícios da prática regular de exercício físico para a saúde das crianças e adolescentes, assiste-se a um aumento crescente da ocorrência de lesões associadas à sua prática que só pode ser combatido com programas incisivos e monitorizados de prevençao. Estando o sistema musculosquelético das crianças e adolescentes em constante desenvolvimento, a crescente especialização precoce numa única modalidade desportiva, associada a programas de treino intensivo durante longos períodos de tempo, sem os adequados períodos de repouso para recuperação da fadiga, podem conduzir a lesões irreversíveis, com reflexos para a vida adulta. Para além dos elevados custos socioeconómicos das LME em jovens desportistas, a prática de atividades desportivas que possam por em causa o seu crescimento normal e equilibrado levanta questões de natureza ética que devem ser consideradas. Crianças e jovens apresentam uma dinâmica fisiológica própria, e diferente da dos adultos, um controle neuro-endócrino e metabólico específicos, e vivem uma realidade psicológica única. O conhecimento dos padrões de crescimento e de maturação neurobiológica de cada jovem atleta, a avaliação das suas características físicas e psicossociais, o domínio dos factores de risco de lesão (extrínsecos e intrínsecos) associados à prática da cada modalidade devem constituir os pilares fundamentais da prevenção da ocorrência de lesões em crianças e adolescentes. A prevenção da ocorrência de lesões, que possam por em causa o crescimento normal e equilibrado das crianças e adolescentes, exige a adoção de medidas como:

Realização de um exame médico antes do início da atividade desportiva que comprove a capacidade da criança ou adolescente para o exercício da atividade em causa e vigilância médica periódica do seu estado de saúde e desenvolvimento físico e mental;

Supervisão adequada por parte dos pais, professores e treinadores;

Implementação de programas de treino interdisciplinares que tenham em conta o desenvolvimento físico e mental das crianças e adolescentes;

que tenham em conta o desenvolvimento físico e mental das crianças e adolescentes; Lesões desportivas em
que tenham em conta o desenvolvimento físico e mental das crianças e adolescentes; Lesões desportivas em

Educação dos pais, professores, treinadores e das próprias crianças e

adolescentes, não só sobre as vantagens da prática regular de exercício físico, mas também, e especialmente, sobre os riscos que esta tem para

a sua saúde e sobre as medidas que devem adotar de modo a usufruir

plenamente das vantagens que a atividade desportiva proporciona;

Formação dos profissionais de saúde que lhes permita, por um lado, fazer face à crescente tendência das LME e, por outro, proporcionar, aos professores e treinadores, informação clínica relevante que permita a

estes profissionais o planeamento adequado da atividade desportiva deste grupo populacional e, por outro lado, facultar um aconselhamento eficaz aos pais, crianças e adolescentes;

Promoção de acções públicas de consciencialização que visem promover

a prática regular de atividade física e elucidar a escolha das opções mais adequadas à proteção e promoção da saúde nesta faixa etária analisada, deve compreender um conjunto diversificado de atividades

físicas;

Utilização dos equipamentos de protecção adequados à prática de cada modalidade.

Utilização dos equipamentos de protecção adequados à prática de cada modalidade. Lesões desportivas em jovens 21
Utilização dos equipamentos de protecção adequados à prática de cada modalidade. Lesões desportivas em jovens 21

Bibliografia/Webgrafia

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Pinheiro, J. P. (2015). Programa de Reabilitação Após Reconstrução Ligamentar do Ligamento Cruzado Anterior do Joelho da Criança e do Adolescente Rev. Medicina Desportiva informa, 2015, 6 (5), pp. 2629

http://www.apfisio.pt/ (consultado em 30 de novembro de 2015

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