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Cursos - Como usar o fluxo de caixa na gestão da sua empresa?

• Introdução
• Lucro e Caixa: existe diferença?
o Fatores que explicam a diferença
• Planejamento de caixa
o Não se esqueça do Lucro!
o Abordagem tática e estratégica
o Vantagens do uso na gestão
• Diminuindo a incerteza do plano de caixa
o Cuidados na aprovação do fluxo de caixa
o Previsto e Realizado?
• Questionário
• Glossário
• Fontes

Introdução

Um erro comum entre boa parte dos empresários é acreditar que Lucro e Caixa são a mesma coisa, e que o lucro da
empresa em um determinado período de tempo irá acarretar um aumento da mesma magnitude em seu caixa. Ainda
que em teoria isso possa acontecer, na prática o que se constata é que, na maioria dos casos, isso não ocorre.

A falta de entendimento sobre o que pode levar o Lucro e o Caixa de uma empresa a diferirem é que acaba fazendo
com que muitos empresários enfrentem dificuldades na gestão do caixa da sua empresa. Entender que existe uma
diferença entre os dois conceitos é o primeiro passo na direção de um planejamento eficiente do caixa da sua
empresa. Abaixo discutimos em maior detalhe as razões que podem levar o Lucro e o Caixa de uma empresa a
diferirem.
Lucro e Caixa: existe diferença?

Em primeiro lugar, vamos definir o que é Lucro e o que é Caixa. O Lucro de uma empresa pode ser visto como o
resultado econômico dela, ou seja, a diferença entre o que a empresa obteve com as vendas dos seus produtos e os
gastos que teve que incorrer para conseguir efetuar essas vendas (despesas operacionais, financeiras, impostos,
etc).

Por outro lado, o Caixa desta empresa reflete o que chamamos de resultado financeiro, o que ela efetivamente
recebeu em decorrência destas mesmas atividades. Existem muitos fatores que podem explicar porque,
invariavelmente, o Lucro de uma empresa difere do seu Caixa. Um exemplo deste tipo de situação ocorre quando o
pagamento de uma venda não é efetuado.

Vamos assumir, por exemplo, que a empresa X efetuou vendas de R$ 10.000,00 em um determinado mês, mas só
recebeu R$ 6.000,00. A diferença está relacionada com pagamentos não efetuados, ou seja, as vendas pagas com
atraso. Neste caso, os R$ 4.000,00 que a empresa não recebeu estarão incluídos no cálculo do lucro da empresa,
mas não aumentarão o seu caixa.

Fatores que explicam a diferença

O exemplo acima é apenas uma entre as muitas situações que podem fazer o lucro da empresa ser distinto do seu
caixa em um determinado período de tempo. Abaixo discutimos outras situações em que isso pode acontecer.

• Discrepância entre pagamentos e recebimentos

Esta é, sem dúvida, a maior razão para que o lucro e o caixa de uma empresa sejam distintos. O lucro de
uma empresa assume o total de recebimentos e pagamentos efetuados pela empresa em um determinado
período de tempo, mesmo que estes não tenham efetivamente sido desembolsados.

Já o caixa se concentra nos desembolsos. Portanto, fica fácil entender, por exemplo, que enquanto as
vendas a prazo fazem parte do lucro da empresa elas não implicam em aumento de caixa no mesmo
período. Neste caso é possível argumentar que se trata de uma diferença temporária, visto que, em um
dado momento, essas vendas vão ser recebidas e, portanto, farão parte também do caixa da empresa.

Contudo, na prática, o que se verifica é que, no momento em que essas vendas forem recebidas, outras
terão sido registradas, ou outros pagamentos terão sido efetuados, tornando o equilíbrio entre lucro e caixa
praticamente impossível.

• Atraso no recebimento ou não reconhecimento de perda

Além da discrepância descrita acima, que ocorre porque o recebimento das vendas nem sempre acontece
na mesma data em que se efetuam os vários pagamentos da empresa (ex. aluguel, salários, etc.), o lucro e
o caixa também são afetados pelo atraso nos recebimentos, ou demora por parte da empresa, de
reconhecer um determinado prejuízo.

O atraso nos recebimentos é mais fácil de ser entendido, pois acontece quando um cliente não efetua o
pagamento de uma compra na data prevista, ou simplesmente não paga. Ou seja, estamos falando dos
casos de inadimplência nas vendas da empresa.

Neste tipo de situação, a diferença entre lucro e caixa, que acima era vista como apenas temporária, pode
rapidamente se transformar em permanente. Afinal, parte das vendas registradas nunca será recebida, o
que eventualmente pode forçar a empresa a efetuar provisões para essas vendas.

Mesmo que a empresa cobre juros por atraso, a diferença entre caixa e lucro tende a permanecer, pois
provavelmente o que a empresa receber em juros não será exatamente igual às perdas que incorrerão com
o atraso. Isso porque, ao não receber as vendas, ela pode ter que levantar empréstimo, que acarretará em
gastos distintos aos juros que irá receber pelo atraso.

Vale ressaltar, entretanto, que não são apenas os clientes que atrasam, ou não efetuam pagamentos. Em
alguns casos, a empresa pode decidir fazer o mesmo em relação aos seus funcionários, fornecedores,
etc. Esta decisão pode refletir uma dificuldade financeira ou, simplesmente, ser reflexo de um
questionamento, por parte da empresa, sobre a validade, ou não, desta cobrança. Neste caso, o caixa da
empresa não sofrerá nenhuma saída, mas seu lucro provavelmente será diminuído pelo valor do gasto que
será pago com atraso.

• Valores ativados

Para quem não está familiarizado com o conceito de valores ativados, vale uma explicação. O conceito se
aplica aos chamados ativos permanentes, ou seja, máquinas, equipamentos e imóveis de uma empresa.
Do ponto de vista contábil, o valor destes ativos deve ser reduzido anualmente, levando em conta a sua
vida útil.

Assumindo, por exemplo, que uma máquina tenha vida útil de 20 anos, isso significa que o valor da mesma
deve ser reduzido em 5% ao ano, de forma que, no final da sua vida útil (de 20 anos), seu valor será
anulado. A discrepância ocorre porque o valor dessa depreciação é incluído no cálculo do lucro da
empresa, mas não tem qualquer impacto no seu caixa.

Algumas pessoas argumentam que, na maioria dos casos, trata-se de uma diferença temporária, pois ao
final da vida útil do bem, em geral, as empresas tendem a trocá-lo por um mais novo. Porém, no limite, se a
empresa nunca trocar a máquina, o caixa da mesma nunca será afetado por esta depreciação.

• Provisões

Em alguns casos uma empresa opta por formar uma reserva, ou provisão, para o pagamento de despesas
futuras, que acredita poderá vir a ter. Estas provisões podem ter natureza distinta, e seus recursos podem
ser usados para futuro pagamento de imposto de renda, reconhecimento de perdas com a venda de um
determinado produto, ou pagamento de possíveis disputas trabalhistas.

Não importa a natureza, o fato é que essas provisões reduzem o lucro da empresa sem, contudo, ter um
impacto imediato no seu caixa. Impacto este que pode vir a ocorrer rapidamente, como é o caso das
provisões feitas no final do mês para pagamento de encargos no início do mês seguinte, ou demorar vários
anos, no caso de disputas judiciais, por exemplo.
• Diferimento de impostos

O termo diferimento significa adiar o pagamento de um valor devido. No caso, estamos falando das
situações em que a empresa deve pagar um certo montante em impostos, mas apenas uma parte desta
quantia é paga imediatamente, sendo o restante pago em uma outra data.

Neste caso, no cálculo do lucro da empresa, é descontado todo o valor do imposto devido. Mas, como
parte desta quantia não é paga imediatamente, na determinação do caixa apenas a parcela do imposto
efetivamente paga é considerada.

Como ficou claro pela discussão acima, são raras as situações em que o Lucro e o Caixa de uma empresa são
iguais. Assim, do ponto de vista do empresário, é importante acompanhar de perto não apenas a geração de lucro
da empresa, mas também sua geração de caixa.

Não há como negar que isso exige a adoção de um número maior de controles e processos na gestão da empresa,
o que pode parecer desnecessário para as empresas de menor porte. Contudo, como discutiremos a seguir, o uso
eficiente do fluxo de caixa como ferramenta de gestão pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma
empresa.

Planejamento de Caixa

Agora que a diferença entre Caixa e Lucro ficou mais clara iremos discutir como você pode usar o fluxo de caixa da
sua empresa como uma ferramenta de gestão. Porém, antes de discutir seu uso como ferramenta de gestão é
preciso entender melhor o que é e para que serve o fluxo de caixa de uma empresa.

O fluxo de caixa pode ser definido como um relatório gerencial, que tem como objetivo informar o empresário sobre
as entradas e saídas de caixa em um determinado período de tempo. Ao permitir o controle das entradas e saídas
de caixa o relatório de fluxo de caixa ajuda o empresário em sua tomada de decisão, sobre vários temas de
interesse para a empresa, como, por exemplo: a reposição de estoques, compra de maquinário, lançamento de
promoções de vendas, etc. Neste contexto, não há como negar a importância do planejamento de caixa na gestão
de uma empresa.

Não se esqueça de acompanhar o Lucro!

O grande problema é que muitas empresas só passam a usar o fluxo de caixa como uma ferramenta de gestão,
quando já é tarde demais. Ou seja, em geral as empresas tendem a se preocupar mais com a geração de caixa,
exatamente quando estão enfrentando mais dificuldades, de forma que o equilíbrio de caixa passa a ser a solução
de todos os problemas, quando na verdade não é bem assim.

É importante reforçar que o planejamento de caixa deve ser visto como uma ferramenta de gestão complementar à
elaboração de outros demonstrativos financeiros. Uma discussão mais detalhada sobre demonstrativos de
resultados pode ser obtida na sessão de Capacitação para Pequenas Empresas disponível no site do Banco do
Brasil. Assim, uma gestão eficiente da empresa deve acompanhar tanto o resultado financeiro (caixa), como o
resultado econômico (lucro).

Além disso, concentrar-se demais na geração de caixa pode dificultar a identificação de problemas estruturais nas
atividades da empresa como, por exemplo, a adoção de margens muito baixas. Pressionado pela necessidade de
gerar caixa, o empresário pode acabar tomando decisões precipitadas que prejudiquem ainda mais a saúde
financeira da empresa.

O correto seria acompanhar constantemente os dois resultados (lucro e caixa), pois, se a empresa auferir lucro, ela
possivelmente deverá registrar um crescimento de caixa. Caso isso não ocorra, é importante identificar a razão do
problema, de forma a resolvê-lo antes que a situação financeira da empresa seja ameaçada.

Abordagem tática e estratégica

De maneira geral, as empresas adotam duas posturas distintas no que refere ao uso do fluxo de caixa como
ferramenta de gestão, como discutido abaixo:

• Abordagem tática

Neste tipo de abordagem o fluxo de caixa é usado apenas como um instrumento de acompanhamento,
tendo, portanto, utilidade restrita. Aqui, a análise do fluxo de caixa é usada apenas para identificar
alternativas de antecipar recebimentos, ou adiar pagamentos. São exemplos deste tipo de situação:
reforçar esforço de venda à vista, reduzir volume de compra de matéria prima, negociar parcelamento com
fornecedor, etc. São, portanto, decisões bastante rápidas de se implementar, ou reverter, sem maior
impacto na estratégia da empresa.

• Abordagem estratégica

Ao contrário da abordagem acima, aqui as decisões tomadas têm um impacto mais profundo, e afetam os
negócios da empresa, particularmente, no longo prazo. São exemplos deste tipo de abordagem o caso de
uma empresa que se apóia na projeção de caixa para estabelecer metas, como, por exemplo, decidir se
irá ou não comprar uma determinada máquina, levantar um financiamento, etc.

Entre as empresas de menor porte, o que se constata é que o planejamento de caixa é usado, sobretudo, do ponto
de vista "tático", até porque são poucas as empresas que elaboram projeções de caixa de forma a poder adotar uma
abordagem estratégica. Esse tipo de postura não é aceitável, pois coloca em risco a capacidade de sobrevivência da
empresa no longo prazo.

De nada adianta comprar uma máquina mais nova, que permita aumentar a produção, se a sua empresa não gera
caixa suficiente para arcar com o pagamento das prestações. Em pouco tempo, você corre o risco, por exemplo, de
ter que devolver a máquina perdendo as prestações já pagas! Pior ainda, o atraso no pagamento das prestações
pode implicar em encargos adicionais, que irão pressionar ainda mais a geração de caixa da sua empresa.

Vantagens do uso do Caixa na gestão

Ainda que se trate de uma ferramenta importante de gestão empresarial, a elaboração propriamente dita do fluxo de
caixa, muitas vezes fica a cargo de profissionais com pouca participação no processo decisório da empresa. Isso é
particularmente verdade nas empresas de menor porte, em que a elaboração deste documento em geral é
responsabilidade da secretária da empresa.

• Incentivo à pró-atividade.

Muitas vezes isso pode representar um obstáculo para a gestão eficiente do caixa da empresa, pois este
profissional não se sente envolvido no processo, e acaba não contribuindo nem mesmo para sugerir
melhorias táticas, como as que discutimos acima.

Ao adotar o fluxo de caixa como ferramenta de gestão, a empresa pode, por exemplo, avaliar o
desempenho deste profissional com base nas melhorias táticas que ele apresentar para a gestão do caixa.

Com isso, saem ganhando: a empresa, porque se beneficia de maior pró-atividade do responsável pela
elaboração do caixa, que passa a ser avaliado pela meta de otimizá-lo. O mesmo vale para o funcionário,
que se sente mais responsável e envolvido no processo de gestão do caixa.

• Integrando as áreas.

Outra vantagem de se usar o fluxo de caixa como ferramenta de gestão da empresa é que isso deve forçar
uma maior integração e cooperação entre as áreas da empresa. Em geral, o que ocorre nas empresas é
que cada área toma decisões isoladas, sem levar em conta o que isso irá implicar em termos do fluxo de
caixa da empresa.

Desta forma, a área comercial decide dar um prazo mais longo de pagamento para o cliente, ao mesmo
tempo em que a área administrativa concorda em pagar à vista uma determinada compra de materiais.
Quem perde com isso é o caixa da empresa, que sofre saques antecipados, e demora mais para receber
novas entradas.

Uma forma de evitar esse tipo de situação é estabelecer metas, tanto para os profissionais de vendas
como para os de compra, que envolvam não apenas o alcance de resultados, mas também o equilíbrio do
caixa. Na pior das hipóteses, mesmo que o cliente só possa pagar a prazo, será possível evitar que a área
de compras efetue pagamento à vista.

• Maior preocupação com eficiência.

Assim, se a área de vendas assumiu um determinado patamar de vendas à vista e o mesmo não foi
alcançado, ela deve ser cobrada por isso. De maneira análoga, se houver erro no planejamento de
compras, e for preciso incorrer em gastos extras no período, a área de compras também deve ser
responsabilizada.
Ao estabelecer metas com base em projeções das próprias áreas, o empresário garante um maior
empenho e dedicação no alcance das mesmas, o que contribui para a maior eficiência da empresa.

• Filosofia de gestão de caixa.

A maioria das empresas não possui regras claras no que refere à gestão de caixa. Por exemplo, o que
fazer quando um cliente atrasa o pagamento? São poucas as empresas que possuem regras claras de
como proceder. Nas pequenas, em geral, este tipo de decisão acaba ficando nas mãos do dono da
empresa, correndo o risco de ficar sujeita ao seu humor naquele dia.

Na maioria dos casos, contudo, a decisão foi fruto do relacionamento do cliente com a área comercial, o
que não é recomendável, pois evidencia a falta de uma postura sólida por parte da empresa, que acaba
ficando em uma situação frágil. Não estamos defendendo aqui a falta de flexibilidade, mas sim o
estabelecimento de diretrizes básicas que devem guiar a gestão de caixa da empresa e,
conseqüentemente, seu relacionamento com clientes e fornecedores.

A decisão de quais diretrizes devem ser formalizadas varia de empresa para empresa. O importante é criar
um ambiente onde as exceções sejam apresentadas ao cliente como tal, e como fruto da decisão dos
dirigentes da empresa, e não da boa vontade do vendedor.

• Causa e conseqüência.

Cabe ao empresário "pregar" a importância do uso do fluxo de caixa como ferramenta de gestão. Ainda
que isso pareça óbvio, na prática a maioria dos profissionais só se importa com aquilo que efetivamente
consegue entender como importante. E este é um obstáculo a ser vencido, pois muitas vezes não está
claro que uma determinada ação acarretará uma certa conseqüência.

Ainda que alguns conceitos de gestão de caixa pareçam fáceis à primeira vista, muitas vezes falta o
entendimento de todas as suas implicações. Por exemplo: todo mundo sabe que vender à vista é mais
interessante do que a prazo, mas o impacto efetivo da venda a prazo, no caixa, nem sempre está claro.
Cabe, portanto, ao empresário, deixar a relação causa e conseqüência bastante clara, de forma a
conseguir o apoio de todos os profissionais da empresa por uma gestão de caixa mais eficiente.

Diminuindo a incerteza do plano de caixa

Um dos maiores problemas no uso do planejamento de caixa como ferramenta de gestão reside no fato de que nele
existe um elemento de incerteza. Em outras palavras, existe o risco das previsões nele contidas não se
materializarem, o que pode colocar a empresa em dificuldades.

Assim, um dos objetivos principais de quem elabora o plano de caixa deve ser o de minimizar a incerteza a ele
associada. O termo "incerteza" aqui é usado em referência à variabilidade das entradas e saídas de caixa
projetadas.

Para tanto, além de muito cuidado na elaboração das previsões recomenda-se que sejam elaborados vários
cenários distintos, de forma que o empresário possa ter uma visão mais ampla do que pode acontecer com o caixa
da empresa em um determinado período. Em geral, o recomendável é elaborar três cenários diferentes: otimista,
pessimista e neutro.

É importante que seja dedicado um certo tempo no desenvolvimento dos cenários alternativos, de forma que os
mesmos sejam efetivamente possíveis. Caso contrário, corre-se o risco de que eles se transformem em apenas um
exercício teórico de pouca utilidade prática na definição da estratégia da empresa.

Ao trabalhar com cenários alternativos, o empresário acaba tendo uma percepção mais clara do risco de cada um
dos cenários, o que deve contribuir para a melhora do seu processo de tomada de decisão.

Cuidados na aprovação do fluxo de caixa

Agora que você já se convenceu das vantagens de se usar o planejamento de caixa no estabelecimento de metas
para a sua empresa, vale discutir quais os procedimentos que devem ser adotados na aprovação do fluxo de caixa.

Como discutimos acima, a elaboração do fluxo de caixa de uma empresa não pode nunca ser resultado do esforço
de um só profissional: é preciso envolver todas as áreas da empresa. Quando isso acontece, o processo de
aprovação do fluxo de caixa acaba por formalizar as metas da empresa. Exatamente por isso, o processo de
aprovação deve ser levado muito a sério por todos os envolvidos. Caso contrário, acaba por perder seu propósito,
que é o de ser usado como meta para a empresa.
Ainda que, nas empresas de menor porte, a aprovação em geral envolva apenas o dono, o recomendável é que
outros profissionais de nível mais alto sejam envolvidos. As discussões e debates decorrentes deste processo
beneficiam a empresa, na medida em que servem para questionar as metas e, eventualmente, revê-las, tornando-as
mais compatíveis com a realidade da empresa.

Previsto e realizado?

Uma vez aprovado o fluxo de caixa, isso significa que o mesmo foi discutido e acordado com meta da empresa.
Além de proporcionar maior transparência, a aprovação formal do fluxo de caixa permite que o empresário avalie, de
forma mais eficiente e profissional, o alcance, ou não, das metas acordadas.

Exatamente por isso é importante acompanhar a diferença entre o resultado previsto e o realizado. Quanto menor a
discrepância entre o resultado previsto e o realizado maior é a eficiência do fluxo de caixa como ferramenta de
gestão. Por outro lado, discrepâncias significativas sugerem falhas no planejamento de caixa e, portanto, sugere que
é preciso investir mais tempo no planejamento do fluxo de caixa, para que se torne um mecanismo mais eficiente de
controle da empresa.

Anexo I. Questionário.

Para facilitar o entendimento do conteúdo, o curso foi dividido em quatro módulos distintos, como ilustrado abaixo.
Ao final de cada módulo, propomos um rápido questionário, no qual você poderá avaliar o quanto absorveu do
material apresentado

1. Em um determinado mês, uma empresa registrou receita de R$ 10mil e despesas de R$ 4mil. Ignorando outras
despesas e receitas, e assumindo pagamento integral das despesas à vista e recebimento de apenas metade das
receitas à vista, qual impacto de caixa e lucro registrado?

a) Lucro de R$ 6mil e caixa de R$ 1mil.


b) Lucro de R$ 6mil e caixa de R$ 5mil.
c) Lucro e caixa de R$ 5mil.
d) Lucro foi de R$ 10 mil e caixa de R$ 6mil.

Resposta correta (a).

2. Quais fatores abaixo podem explicar diferença entre Lucro e Caixa?

a) Diferença entre data de pagamento e recebimento.


b) Inadimplência de clientes ou da própria empresa no pagamento de contas.
c) Depreciação e amortização de ativo permanente.
d) Todas estão corretas

Resposta correta (d).

3. Com relação aos atrasos nos pagamentos e recebimentos de uma empresa.

a) Só o lucro é afetado, pois o caixa que reflete apenas pagamentos e recebimentos à vista é afetado.
b) Só o caixa é afetado, pois reflete apenas pagamentos e recebimentos à vista.
c) Pode transformar diferenças temporárias entre caixa e lucro em diferenças permanentes.
d) Nenhuma das alternativas.

Resposta correta (c)

4. Na gestão de uma empresa deve-se concentrar mais na geração de caixa ou de lucro?

a) Na geração de caixa.
b) Na geração de lucro.
c) Ambas devem ser acompanhadas constantemente.
d) Quando houver problemas na geração de lucro, então é preciso rever a geração de caixa.

Resposta correta (c).

5. Como a maioria das empresas de pequeno porte usa o planejamento de caixa?

a) Enfatiza a abordagem tática, no qual o planejamento de caixa é visto como instrumento de acompanhamento das
atividades.
b) Enfatiza abordagem estratégica, pois é a mais importante e conta com recursos limitados.
c) Segue a abordagem tática e a estratégica.
d) Não segue nenhuma das abordagens.

Resposta correta (a).

6. Quais as vantagens de se usar o caixa na gestão da empresa?

a) Incentiva maior pró-atividade e eficiência.


b) Facilita a integração das várias áreas da empresa, que passam a compartilhar responsabilidades.
c) Ajuda no estabelecimento de uma filosofia de gestão da empresa.
d) Todas estão corretas.

Resposta correta (d).

7. Por que empresário deve pregar a importância do uso do caixa na gestão?

a) A maioria das pessoas só faz o que o chefe manda.


b) Reforça importância do planejamento de caixa.
c) Ajuda no estabelecimento da relação causa e conseqüência e incentiva uma gestão mais eficiente.
d) Todas estão corretas.

Resposta correta (c)

8. Quanto à aprovação do fluxo de caixa de uma empresa:

a) É importante que seja centralizada em um só profissional, para evitar discussões desnecessárias.


b) Deve servir para formalizar as metas da empresa.
c) É recomendável envolver todos os profissionais da empresa, pois só assim se obtém consenso.
d) O processo deve ser curto e rápido e não tomar muito tempo do empresário.

Resposta correta (b).

9. Em que o processo de aprovação do fluxo de caixa contribui para a gestão da empresa?

a) Confere maior transparência às metas estabelecidas para a empresa.


b) Permite uma avaliação mais clara e rápida dos resultados alcançados pela empresa.
c) Facilita a integração das várias áreas contribuindo para maior eficiência.
d) Todas estão corretas.

Resposta correta (d)

Glossário

Inclui apenas termos de interesse mencionados nesse Curso.

Cliente. É considerado cliente a pessoa física ou jurídica que compra e/ou utiliza o produto ou serviço prestado pela
empresa.

Controles. Métodos usados para verificar se os padrões de trabalho das práticas de gestão estão sendo cumpridos,
através do estabelecimento de prioridades e, quando necessário, pelo planejamento e implementação de ações de
correção ou prevenção.

Demonstrativos Financeiros. Termo que define uma série de relatórios que categorizam e quantificam as
principais contas de uma empresa. Dentre os demonstrativos financeiros mais utilizados estão o balanço patrimonial,
a demonstração de resultado, a demonstração das origens e aplicações de recursos, e as alterações do patrimônio
líquido, além das notas explicativas que acompanham os demonstrativos acima.

Depreciação. Termo usado para definir um débito que tem como objetivo reduzir o valor contábil de um determinado
ativo. Este lançamento busca representar contabilmente a perda de valor de algum ativo em decorrência do uso, da
ação do tempo, da obsolescência (redução da vida útil de um bem) tecnológica ou redução no preço de mercado.
Por ser um lançamento contábil, a depreciação não tem efeito direto no caixa da empresa.

Despesas. Em contabilidade determina a soma de todos os valores gastos por uma empresa em um determinado
período de tempo. Assim, reflete a soma das despesas variáveis e fixas que a empresa possa incorrer. Quando as
despesas estão relacionadas aos juros pagos pela empresa referente a empréstimos ou financiamentos levantados,
então estas despesas são denominadas Despesas Financeiras.

Estratégia. Conjunto de decisões que orientam a definição de ações que serão tomadas pela empresa para se
posicionar de forma competitiva e garantir sua continuidade no longo prazo. Essas ações podem envolver o
lançamento de novos produtos, entrada em novos mercados etc.

Ferramenta de Gestão. Atividades executadas regularmente com o objetivo de administrar uma empresa de acordo
com os padrões de trabalho. Também podem ser conhecidas como processo de gestão, métodos ou metodologia de
gestão e práticas de gestão.

Fornecedor. Qualquer organização que forneça bens e serviços, sendo que o uso destes pode acontecer em
qualquer estágio da produção. Podem ser incluídos como fornecedores os distribuidores, revendedores, bem com os
indivíduos que suprem a empresa com materiais e componentes.

Geração de caixa. Capacidade de uma empresa, no decorrer de suas atividades operacionais, conseguir fazer com
que as entradas de caixa superem as saídas, em um determinado período de tempo.

Gestão de caixa. Termo usado para determinar procedimentos adotados pela empresa para garantir que seu caixa
da empresa esteja sempre positivo. Nesse processo a empresa tenta "casar" as entradas de caixa com as saída, de
forma que não seja preciso levantar financiamento ou atrasar algum pagamento.

Inadimplência. Situação em que não é possível efetuar o pagamento, ou transferência de fundos, como acordado.
Não reflete uma situação temporária, ou problemas operacionais, mas sim é resultado de dificuldades financeiras. A
pessoa que se encontra em situação de inadimplência é chamada inadimplente.

Juros. Ver definição de " taxa de juros".

Liquidez. Na análise das demonstrações financeiras de uma empresa é usado para definir a capacidade que esta
empresa tem de gerar recursos que podem ser rapidamente transformados em papel moeda. Assim, a liquidez de
uma empresa é função da sua disponibilidade de caixa, e dos títulos negociáveis e ativos circulantes que possui.

Margem. Existem vários tipos de margem na análise de empresas, todas elas denominam o percentual de cada R$
1 em vendas, que sobra depois de ser descontado um determinado grupo de despesas. Quando usado de maneira
genérica, refere-se ao quanto o empresário efetivamente ganha na venda de cada produto, depois de descontadas
todas as despesas.

Metas. Possibilidade de sucesso de uma empresa (ou projeto), através de um exame cuidadoso das características
e variáveis que possam afetar o êxito deste projeto. A análise de viabilidade é usada para ajudar uma empresa no
processo decisório, em geral referente à implementação ou não de um projeto.

Padrão de trabalho. Regras de funcionamento das práticas de gestão - que podem estar expressas na forma de
procedimentos e rotinas de trabalho, ou qualquer meio que possibilite orientar a execução destas práticas.

Processo: Conjunto de recursos e atividades relacionadas que transformam insumos (matéria prima) em produtos.
Esta transformação deve gerar valor para os clientes, sendo que, para que a transformação aconteça, são utilizados
alguns recursos (como mão de obra, máquinas, investimentos, etc).

Receitas. Em contabilidade, o termo define a soma de todos os valores recebidos por uma empresa em um
determinado período de tempo. Assim, receita reflete a soma das vendas à vista e a prazo e outros ganhos que a
empresa possa ter. Quando os valores recebidos estão relacionados aos juros de aplicações financeiras, ou outros
investimentos, eles são denominados Receita Financeira. Sazonalidade. Flutuação no volume de vendas ou
receitas que ocorre em uma determinada época do ano.

Solvência. Termo usado para indicar uma situação em que a empresa está em condições de arcar com o
pagamento de suas obrigações. Assim, uma empresa é considerada solvente se tem condições de pagar suas
dívidas.

Taxa de juros. Remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao proprietário do capital emprestado.
Pode ser definida, portanto, como a remuneração do capital. Uma taxa de juro, quando eficiente, deve remunerar:

• O risco envolvido no investimento. De investimentos mais arriscados deve-se exigir taxas de juros
proporcionalmente maiores;
• As expectativas inflacionárias, que representam a perda do poder aquisitivo;
• A compensação pela não aplicação do dinheiro em outro investimento;
• Os diversos custos administrativos envolvidos na operação

Fontes

• FREZATTI. F. Gestão de Fluxo de Caixa Diário. 1. ed. São Paulo: Editora Atlas, 1997. 124 p.

• GITMAN. L.J. Princípios de Administração Financeira. 3. ed. São Paulo: Harper & Row do Brasil -
HARBRA Ltda, 1987. 781 p.

• DE SANTI, A e OLINQUEVITCH, J.L. Análise de Balanços para Controle Gerencial. Ano 1993. São
Paulo: Atlas.