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Instintos não existem.

Como é fácil a um cientista preguiçoso dar como resposta à causa de um comportamento


animal: “isto de deve ao instinto”. Mas, sem perguntar o que é instinto, podemos dar essa resposta?
Dizem que há instinto de reprodução, instinto materno, paterno, até instinto de avó, instinto ou
pulsão de vida, instinto ou pulsão de morte (duas criações de Freud), instinto destrutivo, instinto
construtivo, instinto de que Deus existe (uma sensação de que fazemos parte do infinito, aqui
novamente Freud), isto é, um “enxame” sem fim de instintos, como diria Sócrates, sem nos informar
o que é instinto?
Pergunto, desejando oferecer uma resposta:

(1) instinto é um conhecimento inato, que trazemos antes mesmo de nascermos?

(1.1) Se sim, como esses conhecimentos foram parar dentro de nós?

(1.1.1) Por Deus?


(1.1.1.1) há provas disso? John Locke (autor da tese de que a mente é uma folha em branco)
escreveu que os instintos de prazer e dor foram postos em nós por Deus, para nossa
preservação. Mas, e quando alguém, buscando prazer, bate seu automóvel em alta velocidade
e morre? Por que um Deus precisaria escrever esta “programação” em vez de construir um
mundo seguro e sem escassez? Para Empédocles, ou Deus não queria isso, ou não podia fazer
diferente. Outros dirão: há o livre-arbítrio, não se esqueça! Mas, como podemos perceber
duas ou mais alternativas ao mesmo tempo, de um modo que não pareçam uma mancha
misturada em nossa mente? Por instinto? Por favor!

(1.1.2) Por ancestrais? Mas, isso só adia uma resposta definitiva, pois quem os colocou
dentro de nós?
(1.1.2.1) O DNA tem a possibilidade de gravar comportamentos aprendidos pelos nossos
ancestrais?
(1.1.2.1.1) Até hoje, temos ouvido/lido que o DNA só funciona em um sentido, de dentro
para fora, isto é, ele constrói um indivíduo com certas caracteres e, o ambiente, selecionará
aqueles que tiverem mais aptos a vida no ambiente.

(1.2) Se não, de onde aprendemos certas respostas que parecem automáticas?


(1.2.1) da vida uterina? Quando fechamos os olhos diante de um objeto que se aproxima
deles, é uma resposta aprendida no útero? Os olhos pressionados pelo líquido amniótico
permaneceriam fechados? O desejo da fome surge quando há uma sensação interna de vazio
em nós, vazio que não experimentamos quando fetos?

Cientistas: esqueçam os instintos!


Leões vivem com leões porque reconhecem-se como semelhantes e porque nunca agrediriam
um ser que é tão parecido consigo mesmo ou com sua ‘mãe” (palavra humana, sei) ou, melhor,
aquela fêmea que o nutriu desde cedo!
Homens não espalham suas sementes por causa de um instinto, mas por causa de arrogância,
força física ou cultura social. Nem sabemos que temos sementes, nem como fazer sexo, até que por
aprendizado, erros e acertos, nos tornamos iniciados na matéria.
Não sabemos que vamos morrer até ver um parente morto em um caixão, achamo-nos
mortais, pois, tendemos a crer que o que existe continuara a existir, dada a repetição dos dias que
vivemos, como sol que nasceu e, pensamos, continuará a nascer, porque nos habituamos a essas
observações (tese de David Hume).
Os cientistas devem compreender que se não mudarem seus hábitos - errôneos - de pensar,
serão, como tudo na vida, extintos, porque o ambiente seleciona os mais aptos a enxergarem o que
realmente acontece lá fora... de nossas mentes.