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Tq LIPPMANN ~Opiniao Publica ORO Nae CURE eal ere Myce C EOC TMK CMe LCM lt ( ory sobre o papel do individuo e do cidadao na COM nEee en trie mre ts dca Note Cem clan Tue unt (1889-1974) incorporou-se a este debate a TEAM OM osi om kee or BIE TIC dos comentaristas de sua obra a acusa¢ao de CCM MUTE Vicoal eit) ol eel uiee= Meo) LT} libertario simpatico ao socialismo, migrando ELM eee rele RoN el Cone LNT Reo AT (0lf e pessimista - em face de sua d capacidade de a democracia constituir um COC ETE Mies n eel (oe TCE eae ko creme Ist moderna, um papel ativo nos assuntos publicos. Na verd exclusivo. Acompanha-Ihe o passo um de seus ial ieee Tease LL Lo)' [oC formacdo, George Santayana. Ambos PERUeleMMe ata re ksettseinroe cad Pea ERETOeM acta ve Ra Ine RIS SSE Mees ele meme ieee) Serena EU) desilusdo ja estava presente no periodo socialista de Lippmann. Isso se deve, pelo Catena eae MTCC Le LE TEM Wallas, um lider decepcionado do Movimento Socialista Fabiano, inglés, ¢ H.G. Wells, que também havia se envolvido com este TACOS Opiniao publica Colegdo Classicos da Comunicagao Social Coordenador: Prof.-Dr. Antonio Hohlfeldt ~ Opiniao publica Walter Lippmann Dados Internacionais de Catalogacao na Publicagao (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lippmann, Walter, 1889-1974. Opinido pablica / Walter Lippmann ; traducao e prefacio de Jacques A. Wainberg, — Petrépolis, RJ : Vozes, 2008. ~ (Colecao Cléssicos da Comunicagao Social) ‘Titulo original: Public opinion. ISBN 978-85-326-3748-2 1, Estados Unidos ~ Politica e governo 2, Opiniao pablica 3. Opiniao publica - Estados Unidos 4. Psicologia social 5. Psicologia social ~ Estados Unidos I. Wainberg, Jacques A. IL. Titulo. III. Série. 08-08401 CDD-303.38 Indices para catdlogo sistematico: 1. Opiniao ptiblica : Controle social 303.38 Walter Lippmann BIBLIOTECA! ICSA/ SISBIN / UFOP OPINIAO PUBLICA Tradugao e prefacio de Jacques A. Wainberg Georonm iit VOZES Petrdpolis © 1922, Walter Lippmann Titulo original inglés: Public opinion Direitos de publicagdo em lingua portuguesa: 2008, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luis, 100 25689-900 Petrépolis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Brasil Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra podera ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletr6nico ou mecAnico, incluindo fotocépia ¢ gravagdo) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissao escrita da Editora. Diretor editorial Frei Anténio Moser Editores Ana Paula Santos Matos José Maria da Silva Lidio Peretti Marilac Loraine Oleniki Secretario executivo Joao Batista Kreuch Editoragdo: Fernando Sergio Olivetti da Rocha Projeto grafico: AG.SR Desenv. Grafico Capa: WM Design ISBN 978-85-326-3748-2 Este livro foi composto ¢ impresso pela Editora Vozes Ltda. Para Faye Lippmann, Wading River e Long Island. —Vede! Homens vivendo numa espécie de caverna subterrénea cuja entrada abre-se 4 luz que cobre o lugar em toda a extensdo; tém estado aqui desde a infancia, e tém suas pernas e pescocos algemados de modo que nao podem mover-se, podendo ver somente o que lhes estd a frente; pois as correntes foram colocadas de tal forma a impedir que virassem suas cabecas. Numa distancia acima e atrds deles a luz do fogo estd bri- lhando, ¢ entre o fogo e os cativos hd. um caminho escarpado; e vocé verd, se observar, um pequeno muro construido ao longo do caminho, como a cortina que encobre os manejadores de marionetes, atrds dos quais mos- tramt os bonecos. —Percebo, ele diz. ~E vocé vé, ex disse, homens que aparecem sobre o muro, passando ao longo do muro carregando vasilhas; também figuras de homens e animais feitos de madeira e pedra e varios materiais; e alguns dos prisioneiros, como vocé pode supor, estéo conversando, e alguns estao ent siléncio? —Esta é uma imagem estranba, diz ele, e eles sao prisioneiros estranhos. — Como nés mesmos, respondi; e eles véern somente suas proprias sombras, ou as sombras de seus companheiros, que o fogo projeta na pa- rede oposta da caverna? —E verdade, ele disse: como poderiam ver qualquer coisa que nao fos- sem as sombras se nunca puderam mover suas cabegas? —E os objetos que estéo sendo carregados de forma que podem ver so- mente as sombras? — Sim, ele disse. —Ese pudessem conversar uns com os outros, ndo suporiam que esta- vam nomeando algo que estivesse realmente a suas frentes? A repiiblica de Platio, Livro Sete Sumario Apresentagdo (Prof.-Dr. Antonio Hohlfeldt), 9 Prefdcio (Jacques A. Wainberg), 11 Parte I. Introdugao, 19 1. O mundo exterior e as imagens em nossas mentes, 21 Parte IL Abordagens ao mundo exterior, 43 2. Censura e privacidade, 45 3. Contato e oportunidade, 54 4. Tempo e atengio, 63 5. Velocidade, palavras e clareza, 69 Parte IIL. Esteredtipos, 81 6, Estereétipos, 83 7. Os esterestipos como defesa, 96 8. Os pontos fracos e seus valores, 103 9. Os cédigos e seus inimigos, 112 10. A descoberta dos estereétipos, 124 Parte IV. Interesses, 147 11. O recrutamento do interesse, 149 12. O interesse proprio reconsiderado, 158 Parte V. A criagdo do interesse comum, 175 13. A transferéncia do interesse, 177 14, Sim ou nao, 197 15. Os lideres e os liderados, 208 Parte VI. A imagem da democracia, 221 16. O homem egocéntrico, 223 17. A comunidade autocontida, 231 18. O papel da forga, patronagem e privilégio, 241 19. A velha imagem numa nova forma: o socialismo corporativo, 254 20. Uma nova imagem, 267 Parte VII. Jornais, 271 21. O ptblico consumidor, 273 22. O leitor habitual, 281 23. A natureza das noticias, 289 24, Noticias, verdade e uma conclusao, 304 Parte VIII. Inteligéncia organizada, 311 25. A cunha introduzida, 313 26. Trabalho de inteligéncia, 320 27. O apelo ao piblico, 334 28. O apelo a razio, 344 APRESENTACGAO A Editora Vozes tem tradigao, pelo menos desde a década de 1960, em editar livros sobre Comunicagao Social, ai compreendido 0 Jornalismo. Mais recentemente, criou colegdes especificas para discutir tais temas. Os volumes que 0 leitor comega a ter em maos, integrados nesta cole- io, formam uma série muito particular. $40, todos eles, livros traduzi- dos. Visam preencher uma lacuna fundamental: ou se trata de obras class cas de um passado ainda recente, mas ja distanciado, trabalhos pionciros que ajudaram a delimitar campos de estudo ou mesmo os desenvolveram; ou so obras recentes, mas que, por sua importancia, logo receberam o re- conhecimento e a valorizagao dos pesquisadores em todo o mundo. E evidente que uma obra no original é sempre o ideal. Mas, no Bra- sil, nossos estudantes e muitos de nossos pesquisadores ainda apresen- tam dificuldades ou em lidar com um idioma estrangeiro, ou em ter aces- so 4 bibliografia do exterior. Neste sentido, a Vozes criou esta colegio. Bla esta dedicada a traduzir obras de referéncia no campo do Jornalis- mo, especialmente, ou da Comunicagao Social, em geral, quando apro- priados pelos estudos de Jornalismo. A colegao se inicia com um texto pioneiro. Opiniao priblica foi es- crito em 1922, Seu autor, Walter Lippmann, era um jornalista. Ao longo de anos, escreveu para jornais, apresentou programas de televisio, fez, enfim, de sua profissao, seu dia a dia. Opinido pitblica se tornou rapidamente um classico. Muitas vezes, 0 leitor vai se surpreender ao ler o autor: temas por ele abordados pionei- ramente, hé quase um século, quando o fendmeno da opiniao publica emergia numa sociedade democratica e onde os meios de comunicagao cncontravam crescente espago, reaparecem, periodicamente, sob outras TD) cea varie eee stiles Henee + + Colegdo Clasicos da Comunicagao Social denominagées, vinculados a outros temas, mas que foram, pela primeira vez, detectados por Lippmann. E 0 caso, por exemplo, do conceito de esteredtipo. Ow a discuss4o em torno do que é um bom jornal e como se estabelecem as relag6es entre o jornal e seu leitor/assinante. Por incrivel que parega, ainda nao tinhamos, no Brasil, uma tradu- cao desta obra, 0 que agora se concretiza. O trabalho de Jacques Wain- berg, contudo, mais que ser uma tradugdo da obra, preocupou-se tam- bém em contextualizar o texto e, indo além de notas do tradutor, auxi- liar o leitor contemporanco nas possiveis intengdes do autor, ainda em meados do século XX. Boa leitura. A Vozes sente-se honrada em prestar mais este servico aos estudiosos do Jornalismo e ao ptiblico brasileiro em geral. Prof.-Dr. Antonio Hoblfeldt Coordenador da colegao PPG em Comunicagao Social da PUCRS ¢ presidente da Intercom PREFACIO Medo e desconfianga as massas e As pulsdes humanas irracionais, descrenga na democracia e fé ptiblica depositada em figuras carismaticas sio algumas das manifestagdes que autores variados passaram a fazer so- bre a organizagao social e politica a partir do fim do século XIX face as transformagées produzidas no mundo com a urbanizagao, a industriali- zagio, a massificacio, e a conflitos de natureza variada que culminariam por fim com as grandes guerras mundiais. O descalabro econémico dos anos 30 poria a pique ainda em muitos quadrantes a £6 no liberalismo e ho capitalismo, abrindo a guarda para o sonho socialista e a emergéncia de regimes totalitarios. Este embate teérico nao cessaria desde entao, assumindo uma di- mensio de crise profunda gracas as divisGes geradas na opiniao publica entre pacifistas, isolacionistas, internacionalistas, imperialistas, comu- nistas, democratas, ut6picos anarquistas, niilistas, socialistas, existencia- listas, nazistas e fascistas entre outras correntes que hoje incluem tam- bém neocomunistas, neoliberais, orientalistas e ocidentalistas, fundamen- tnlistas e tedlogos libertdrios. Desde 0 século XIX, alguns dos porta-vozes destas correntes envol- vidos nestes embates de idéias sobre o papel do individuo e do cidadio na sociedade de massas produziram obras de referéncia. Destacam-se, por exemplo, Gustave Le Bon (1841-1931) com Psicologia das multi- does (1895), que por sua vez influenciaria Psicologia de grupo e Andli- e do ego (1921) de §. Freud (1856-1939). Outros exemplos ainda sio Ortega y Gasset (1833-1955), com Rebeliao das massas (1930); Elias Canetti (1905-1994), com Massa e poder (1960) e Jacques Ellul (1912- 1994) com Propaganda (1962). Weve ee eee eee eee eae + + Colegio Clasicos da Comunicagéo Social Nos Estados Unidos, Walter Lippmann (1889-1974) incorporon-se aeste debate a partir dos anos 20. Ecoa nas andlises dos comentaristas de sua obra a acusagao de que é um autor instavel — comega como libertario simpatico ao socialismo, migrando aos poucos, a ponto de ser visto como conservador ~e pessimista em face de sua descrenga na capacidade da democracia constituir um cidadao suficientemente ilustrado e infor- mado, capaz de exercer, na sociedade moderna, um papel ativo nos as- suntos ptblicos. Na verdade, este traco nao lhe é exclusivo. Acompa- nha-lhe o passo um de seus mentores intelectuais em seu perfodo de for- magao, George Santayana. Ambos partilharam um profundo ceticismo sobre o poder da maioria na democracia e uma fé€ firme na necessidade das elites educadas liderarem a sociedade. Na verdade, tal desilusao ja estava presente no periodo socialista de Lippmann, Isso se deve pelo me- nos em parte a influéncia de Graham Wallas, um lider decepcionado do movimento socialista fabiano inglés, e H.G. Wells, que também havia se envolyido com este movimento. A semelhanga de outros pensadores do perfodo, como € 0 caso do economista e historiador canadense Harold Innis, ha nas palavras de Lippmann certa nostalgia pelo ambiente intimista dos vilarejos auténo- mos, a comunidade autocontida, no qual um individuo podia exercer ple- namente sua fungao politica. Na era das multidées e das grandes metrépo- les esta habilidade havia desaparecido para sempre. A esperanga cultivada por seu contemporaneo e interlocutor, John Dewey, no papel que a im- prensa do século XX passou a desempenhar no estabelecimento e consoli- dagao da democracia era, aos olhos de Lippmann, nao s6 um equivoco tedrico como uma alucinacao pratica. Como Platao em A repiblica, ele prega em Opiniao priblica, ¢ depois outra vez em ‘The Phantom Public (O publico fantasma), e em sua coluna Today and Tomorrow publicada em mais de 250 jornais do pais a partir de 1931, a “meritocracia”, a tecnocra- cia, ou ainda a timocracia, o governo dos homens de mérito, como expos- to por Santayana. A seu ver, a burocratizagao, a impessoalidade das relagées sociais na nova sociedade industrial e a complexidade dos problemas impedia que um individuo pudesse atuar ativa e conscientemente no cenario Opinido publica... ee RUMOR. et etal gh ore seat hiro eae ay eee politico e social como propunha a teoria democratica. Predominava jyora a influéncia de grupos poderosos na administragao da opiniao piiblica. Neste novo ambiente 0 que estava em jogo era o “pseu- do-ambiente”, ou seja, as imagens criadas indiretamente pela ago da midia e do noticidrio em nossos mapas mentais. Sao estas imagens este- yeotipadas da realidade que controlam os afetos € os rancores, e que determinam o humor do piblico. E elas resultam menos da capacidade copnitiva do individuo e mais da manipulagdo e administragao do con- senso social pelas partes interessadas. ‘Tal descrenca sobre a acéo da imprensa se expressou bem cedo, «uando, aos 30 anos de idade, ele inauguraria a contemporanea tradigao dle critica da midia com seu amplo estudo da cobertura do New York Ti- jnes sobre a revolugio comunista de outubro de 1917. Juntamente com Charles Merz publicaria, em agosto de 1920, A Test of the News. As 42 paginas do estudo foram publicadas como suplemento da revista New Republic, publicagao liberal que ele ajudara a fundar em 1913, e que re- fletia 4 época o espfrito reformista americano. A Test of the News mos- tvava empiricamente que a cobertura do prestigiado jornal nao estava haseada em fatos, e que era determinada pelas esperancas dos homens due constituiam aquela organizagao noticiosa. O jornal citou eventos que nao ocorreram e atrocidades que nao aconteceram. O estudo mos- fou que o New York Times anunciou em suas reportagens pelo menos poventa € uma vezes que o regime bolchevique estava prestes a sucumbir tum colapso, 0 que nao aconteceu como se sabe até 1991. “As noticias sobre a Réssia eram um caso de ver nao o que ocorria, mas 0 que os ho- mens gostariam de ter visto”, disseram os autores. Derivaria deste tipo de andlise sua afirmativa tedrica de que as pes- spas so incapazes de monitorar o mundo distante e por isso caem vitimas ficvis deste tipo de provedores de pistas, de seus estereétipos e preconcei- fos, Diria de forma pioneira que 0s jornalistas tém a tendéncia de generali- var sobre outras pessoas baseando-se para isso em idéias fixas. Destaca 0 papel que as “imagens em nossas cabecas” tém na formulagao deste tipo dle crengas preconcebidas. Os seres humanos condensam idéias em sfmbo- los, a seu ver o jornalismo € um meio ineficaz de educar 0 piblico. Ven- ilo através de esteredtipos submetemos as pessoas a meias verdades. + ++ + Golegdo Classicos da Comunicacéio Social Por decorréncia, conclui-se que os mapas mentais que resultam da exposicdo dos individuos a midia moderna jamais serao capazes de refle- tir a verdade. Sua dentincia tem um sabor critico e desesperancado, ao estilo dos autores marxistas reunidos no Instituto de Frankfurt a partir de 1923. Assinala que as distorgdes de percepgao pelas pessoas de mun- dos distantes e inacessiveis 4 experiéncia direta se devem a censura, as li- mitagées ao contato social, 4 insuficiéncia no tempo destinado pelos in- dividuos a estudar os assuntos ptiblicos, a necessidade dos comunicado- res de expressarem eventos complexos em Passagens curtas, diretas e compreensfveis a uma larga e difusa audiéncia, além dos ja referidos e inevitaveis preconceitos que todos nds temos e dos esteredtipos que to- dos nés cultivamos. Opiniao publica neste sentido é uma ilusio, pois fica claro que se torna impossivel as pessoas chegarem a um sentido comum das ocorrén- cias e dos fatos ¢ a um propésito unificado. Por isso mesmo, é preferivel falar menos em democracia como um regime do povo ¢ mais como um regime para 0 povo, Predomina neste regime a luta simbélica dos atores pelo controle do imaginario social. Por isso mesmo, neste entendimen- to, a opinido piiblica nao emerge das pessoas naturalmente. E um pro- cesso de animagao social através do qual estes personagens interessados no controle social se envolvem. Esta formulagao sobre o papel da midia na formulagao da opiniao ptiblica est4 mais préxima do moderno conceito de propaganda do que propunha a classica teoria democratica. Diz 0 argumento de Lippmann que naturalmente as pessoas so egofstas, interessadas em seus propési- tos particulares, nado raro mesquinhos, e a imprensa simplesmente vai ao encontro desta necessidade do auto-interesse. Além disso, como com- provam as pesquisas contemporaneas sobre habitos de leitura, as pessoas tém enorme dificuldade de se informar de forma competente, marginali- zando contetidos decisivos 4 consolidagao de uma cidadania consciente. Dito de outra forma, a ansiedade da imprensa reside mais em con- quistar a atengao do ptiblico e vendé-la aos anunciantes do que servir com informagio privilegiada e relevante aos individuos. Para se assegu- tar que este esforgo de conquistar audiéncia nao seja frustrado, a im- Opinido publica... . eee ater prensa serve & comunidade uma dieta didria de informagao que vai ao encontro do leque dos desejos, expectativas e esteredtipos ja cultivados, privilegiando o noticiario local sobre 0 nacional, ¢ 0 nacional sobre o in- ternacional. A dieta é restrita. A cobertura é episddica, sem contexto simploria. Predomina a conveniéncia de hordrio, de custo, de estore ie le interesse imediato. Torna-se assim facil a agdo deletéria das relagées publicas disfargados de jornalistas desinteressados. Nao devemos, pois, confundir noticia com verdade, diz ele em Opini- fo pribica, Cabe a verdade jluminar fatos escondidos, relacionando-os com outros a fim de produzir uma imagem da realidade que permita as pessoas agirem. Ao jornalismo caberia simplesmente sinalizar os eventos. Onde esté a esperanga ent&o? Qual a solugao para a dificil missao de tocar em frente os assuntos publicos com eficiéncia e competéncia? Ser- vigo de inteligéncia capaz de apoiar os diversos setores da administragio publica € 0 que propée Lippmann, O executivo deyeria formar equipes iultidisciplinares constituidas de cientistas sociais capazes de fornecer jnformagao relevante aos tomadores de decisao. Poucos homens de acho, analistas e lideres politicos deveriam constituir 0 pee do poder deste regime para o povo. O que esta em jogo nao é mais o autogoverno ideal do povo pelo povo. O que importa agora é obter resultados, asse- jurando um grau maximo de eficiéncia a um governo que se dedica a ge- fenciar sistemas complexos. Ou seja, a acao politica deveria ser deixada a critério dos poucos hem-informados homens de agio. O papel do paiblico seria votar de jempos em tempos, e a periodos regulares, para escolher aqueles ue yeriam estar dentro e fora deste circulo do poder. O piblico é visto como um fantasma, pois a pessoa comum nao consegue ter opinido de qualidade sobre assuntos pablicos que a torne habilitada rotineiramente 4 exercer este papel. Nao ha método algum, nem a ciéncia nem a im- prensa, capaz de fornecer aos seres humanos um guia independente para conduzir os assuntos humanos. Como afirmado, este ceticismo em relagao a capacidade das massas em discernir com clareza a complexidade dos assuntos piiblicos nao foi exclusividade deste influente pensador. Foi de fato a marca de um largo Brea on ee Fives esses + + Colegdo Classics da Comunicacao Social tempo ea expressdo de uma escola de pensamento temerosa em especial da irracionalidade humana. Além de suas facetas de jornalista, critico da midia, colunista, ensaista e fildsofo politico, é necessario destacar ainda © papel de Walter Lippmann como assessor politico de intimeros presi- dentes americanos, especialmente em temas relativos a politica inter- nacional. A Primeira Guerra Mundial é 0 cendrio no qual atua junto a Woodrow Wilson, a quem ajuda a formular o plano dos Catorze Pon- tos para a pacificagao do mundo. Os eventos do perfodo Ihe servem também para refletir sobre o fendmeno da estereotipia mental, tema central de Opinido piiblica. E certamente esta € a maior ¢ a mais impor- tante contribuigéo teérica do livro, tornando-o referéncia constante e permanente dos estudos da comunicagéo humana. Como homem de agao, que atuou ainda nos esforcos de propaganda e persuasao do Comité de Informagao Publica instalado pelos america- nos na Primeira Guerra ¢ dirigido por George Creel, e como intelectual integrado ao nicleo do poder, romperia com W. Wilson ao fim do con- flito por sua discordancia sobre o polémico tema da autodeterminagio dos povos que, dizia ele, precipitaria o caos na Europa Central. A ascen- sio de governos totalitarios nos anos 30 o levaria por fim a desenvolver sua concepg4o de uma alianga ocidental baseada na solidariedade an- glo-americana. Tal previsio sobre conflitos nacionalistas e sua idealiza- ao de um projeto de seguranga coletiva seriam confirmados na Segunda Guerra Mundial. Criou com 0 conselheiro presidencial Bernard Baruch o conceito de Guerra-Fria para descrever a disputa emergente entre ame- ricanos € soviéticos apés a Segunda Guerra e afirmou 0 ponto de vista, impopular ao paladar dos estrategistas de seu pais no perfodo, que cabia aos Estados Unidos a necessidade de respeitar a area de influéncia geo- politica da ex-Uniao Soviética. A manufatura do consenso foi testemunhada de perto por Lipp- mann. Mas a responsabilidade por esta agao de engenharia social nao deveria cair exclusivamente nas costas do governo. Segundo sua visao, a imprensa partilhava deste 6nus ao promover a histeria nacionalista, 0 patriotismo ¢ a autocensura. O carreirismo dos jornalistas preocupados com a ascensao profissional, e utilizando o cinismo e o sensacionalismo pinion pablica ein suas coberturas, proyocou a ira deste autor. Tais praticas corrofam a liberdade de opiniao tornando-os agentes da intolerancia, que subvertia © sistema americano de autogoverno. O vigor desta critica conservadora acabaria nas maos de autores contemporaneos como Noam Chomsky, fosicionado no outro extremo do espectro ideolégico do pafs, que se spoderou deste conceito para titular um de seus mais conhecidos livros e fio qual expée sua teoria de jornalismo como propaganda. Jacques A. Wainberg 66 Parte I Introducao O mundo exterior e as imagens em nossas mentes 1 114 uma ilha no oceano onde em 1914 alguns ingleses, franceses e #iies viveram. Nenhum cabo telegrafico alcanga a ilha, e 0 barco a va- F inglés dos correios vem somente uma vez a cada sessenta dias. Em se- ibro ele ainda nao havia chegado, e os habitantes da ilha ainda esta- 4 falando sobre o tiltimo jornal, que noticiava sobre 0 iminente julga- ento de Madame Caillaux por seus disparos contra Gaston Calmette. i, portanto, com ansiedade maior do que a usual que a colénia inteira Feuniu na doca em um dia, em meados de setembro, para ouvir do ca- 0 o resultado do veredicto. Eles souberam que ha mais de seis sema- aqueles que dentre eles eram ingleses e os que eram franceses estive- lutando em defesa da santidade dos tratados contra aqueles que ive eles eram alemaes. Por seis estranhas semanas eles haviam agido iio amigos, quando de fato eram inimigos. Mas tal condig4o nao era tao diferente da condigao da maioria da pulagdo da Europa. Eles estiveram errados por seis semanas, no conti- jie o intervalo pode ter sido somente de seis dias ou seis horas. Houve im intervalo. Honve um momento quando a imagem da Europa, que as sous consideravam para conduzir normalmente seus negécios, nao jespondia em nada A Europa que estava prestes a tornar suas vidas 4 confusio. Houve um tempo no qual um individuo ainda estava uerado a um ambiente que nao mais existia. Até 25 de julho, ao redor mundo, pessoas estavam produzindo bens que nao poderiam ser en- gues, adquirindo bens que nao poderiam importar, carreiras estavam indo planejadas, negécios sendo idealizados, desejos e expectativas aca- + Colegio Clasicos da Comunicacéo Social “Hinih publica... ee eee Eh csahin ated ten aeeentt Te ear soa lentados, tudo na crenga de que o mundo como conheciam era o mundo $ le de Deus a restringe pela lei de sua vontade, que ela permanega esta- que de fato existia. Pessoas estavam escrevendo livros descrevendo aqueli | por sobre o instavel e 0 vazio”". mundo. Elas acreditavam na imagem em suas cabegas. Entdo, mais de qua Isso nao nos ajuda em nossa fé da vida vindoura. E suficiente saber 0 tro anos depois, na manha de uma quinta-feira, chegou a noticia de um ar ue as Escrituras afirmam. Por que entdo discutir? Mas um século e meio misticio, e as pessoas deram vaz4o ao seu indizivel alivio pelo fim da ma pois de Santo Ambrésio, a opiniao ainda era polémica, desta vez devi- tanga. Nos cinco dias anteriores ao armisticio real, no entanto, embora 0 ) a0 problema dos antfpodas. Um monge chamado Cosmas, famoso fim da guerra tenha sido celebrado, varios milhares de homens morre s seus feitos cientificos, foi apontado para escrever uma “Topografia ram nos campos de batalha. 1A”, ou “Uma opiniao crista a respeito do mundo”. E claro que ele Olhando para tras podemos ver 0 quao indiretamente conhecemos 4 Ja exatamente o que era esperado dele, pois bascou todas as suas con- ambiente no qual, todavia, vivemos, Podemos observar que as noticias ies nas Escrituras assim como ele as leu. Concluiu, entéo, que 0 bre ele nos chegam ora rapidamente, ora lentamente; mas o que acreditalggay minido é um paralelogramo plano, duas vezes mais amplo de leste a oes- mos ser uma imagem verdadeira, nds a tratamos como s¢ ela fosse 0 pré slo que o comprimento de norte a sul. No centro esta a terra cercada seeano, que por sua vez é cercado por outra terra, onde os homens vi- prio ambiente. Esta licio sobre as crengas resulta mais dificil record. i antes do dilavio, Esta outra terra era o porto de embarque de Noé. quando se trata daquelas nas quais baseamos nosso comportamentd i) norte hé uma grande montanha cénica ao redor da qual revolvem 0 atual, quando se trata das pertencentes a outras pessoas ou ¢pocas. No: © lua. Quando o sol esta atras da montanha é noite. O céu esté cola- insistimos, devido a nossa percep¢4o tardia, que o mundo que estas pes: soas deveriam ter conhecido, e o mundo que elas de fato conhecerai aos limites da terra exterior. Ele consiste de quatro paredes altas que Podemos tambéng eficontram em um teto céncayo, de modo que a terra € 0 piso do uni- =p, H4 um oceano do outro lado do céu, constituindo as “Aguas que eram muitas vezes duas coisas bastante contraditoria: perceber que, enquanto elas governavam ¢ lutavam, negociavam e refor: mavam 0 mundo como imaginavam devesse ser, elas produziam resulta ysobre o firmamento”. O espago entre 0 oceano celestial e 0 teto be eiiaitier sy emtoroaterGsrae cnunio chmo dearoo ransom TC CO. iuersa perience 20 seb 020) Oe cacaen ea ea chet tisca dali eealontdienit@Atieucl ids didguosteaven oe 1) é habitado por anjos. Finalmente, desde que S40 Paulo afirmou 3 7 Bos | 1S Sai s para vi a ici 2 ¢ enforcavam mulheres idosas. Elas pensavam poder enriquecer somenti eS criados para viverem ha superticie da terra”, como : i i Sileriam eles viver no verso onde os antipodas deveriam estar? “Com yendendo e nunca comprando. Um califa, obedecendo ao que acreditav4 ; ng " i e gepa one cede Ald cueiinones biblicreeemmAlexendeta passagem diante de seus olhos, um cristao, nos é narrado, nao deveria ) jnesmo mencionar os antipodas”’, Menos ainda deveria ele ir aos ‘Ao escrever sobre 0 ano 389, Santo Ambrésio referiu 0 caso do pri ; RM Me ees ; Wipodas; ¢ principe cristao algum deveria dar-lhe um nayio para ten- sioneiro na Caverna de Platao, que resolutamente nega-se a virar sua ¢: ee _ i nem marinheiro crente algum deveria desejar tentar. Para Cosmas beca. “Discutir a natureza ¢ a posigao da terra nao nos ajuda em nossa es! r fe 7 havia nada minimamente absurdo em seu mapa. Somente ao lem- peranga da vida vindoura. E suficiente saber o que a Escritura afirmal ; : i 4 (le sua absoluta convicgao de que este era o mapa do universo pode- le [...] e suspende a Terra sobre 0 nada’ (Jé 26,7). Por que entio discul : GIR Fs comecar a compreender como ele sentitia horror quanto a Magel- tir sobre se ele a levantou no ar ou sobre a agua, e levantar a controvérsi sobre como péde o fino ar sustentar a terra; ou por que, se por sobre a iE XAE MERON, I. cap. 6. Apud TAYLOR, H.O. The Mediaeval Mind. Vol. |, p. 73. sie ; ‘ TECKY. Rationalism in Europe. Vol. |, p. 276-278. como se suspensa num equilibrio balanceado, mas sim porque a majesii «jay Aguas, a terra no cai até ao fundo?... N&o por estar a terra no meio ean tees lan ou Peary ou ao aviador que arriscava uma colisio com os anjos ¢ a cipula celestial por voar a sete milhas de altura. Da mesma forma pode- mos entender melhor as fairias da guerra e da politica ao lembrar que quase todos os integrantes de um grupo acreditam absolutamente em sua imagem da oposigao, considerando-a como um fato, e néo 0 que & mas 0 que sup6em ser 0 fato. E que, portanto, como Hamlet, esfaquea- ro Polonius escondidos atras de uma cortina mofada, pensando ser ele o rei, e talvez como Hamlet acrescentar: E tu, miseravel, intrometido, louco; adeus. Te confundi com outra pessoa mais considerada; aceita teu destino. 2 Grandes homens, mesmo durante 0 perfodo de suas vidas, sao usu- almente conhecidos pelo piiblico somente através de uma personalidade ficticia. Eis a parcela de verdade no velho ditado de que nenhum homem € um her6i para seu criado. Ha nele somente uma parcela de verdade, posto que o criado, ¢ o secretério particular, freqtientemente estao imer- sos na ficgao. Personagens mondrquicos sAo, evidentemente, persona- gens fabricados. Se eles acreditam em suas imagens publicas, ou se mera- mente permitem que o camareiro as gerenciem, ha pelo menos dois seres distintos, o ser piblico e o régio, 0 privado eo humano. As biografias de grandes personalidades enquadram-se mais ou menos prontamente nas historias destes dois seres. O bidgrafo oficial reproduz a vida publica, e as memérias reveladoras 0 outro. © Charnwood Lincoln, por exemplo, € um nobre retrato, ndo de um ser humano de fato, mas de uma figura épica, repleta de significancia, que opera no mesmo nivel de realidade que Enéas ou Sao Jorge. O Oliver de Hamilton é uma abstragio majesto- sa, a escultura de uma idéia, “um ensaio” como o Senhor Oliver a cha- ma, “sobre a Unido americana”. E um monumento formal a criagao esta- tal do federalismo, mas difi mente pode ser considerada a biografia de uma pessoa. As vezes as pessoas criam suas prprias fachadas quando pensam estar revelando a cena interior. Os diarios de Repington c de Margot Asquith sao uma espécie de auto-retrato no qual detalhes fnti- 2 Fees ses + Colegio Clasicos da Comunicagao Social Hpinivio pablica i08 sao um indicador revelador de como os autores gostam de ver a si Mas 0 tipo de retrato mais interessante é aquele que surge esponta- «aimente na mente das pessoas. Quando Vitéria assumiu o trono, diz o enhor Strachey*: No publico 4 fora havia uma grande onda de entusiasmo. Sentimentalismo e romance estavam na moda; e 0 espetd- culo da pequena menina-rainha, inocente, modesta, de ca- belos claros e bochechas rosadas, percorrendo sua capital, encheram os coragées dos espectadores com arrebatamen- tos de lealdade afetuosa. O que, acima de tudo, comoveu a todos extraordinariamente foi o contraste entre a Rainha Vic- toria e seus tios. Os homens asquerosos, pervertidos e ego- {stas, cabegudos e ridiculos, com 0 perpétuo peso das divi- das, confusdes e ma reputagdo ~ eles desapareceram como as neves do inverno e por fim, coroada e radiante, chegou a primavera. M. Jean de Pierrefeu’ viu o culto a heréis em primeira mio, j4 que oficial sob o comando de Joffre no momento de maior fama daque- Por dois anos, o mundo inteiro rendeu homenagens quase divinas ao vencedor do Maine. O encarregado de suas baga- gens literalmente dobrou-se ante 0 peso das caixas, dos pa- cotes e cartas que pessoas desconhecidas Ihe mandaram como um frenético testemunho de sua admiragao. Penso que excetuando o General Joffre, nenhum outro comandan- te na guerra foi capaz de ter uma idéia comparavel do que éa gloria, Eles Ihe mandaram caixas de doces dos grandes con- feiteiros do mundo, caixas de champanhe, finos vinhos de diversas vindimas, frutas, jogos, ornamentos e utensilios, roupas, materiais de fumo, tinteiros, pesa-papéis. Cada terri- torio enviou sua especialidade. O pintor mandou seu retrato, 9 escultor sua estatueta, a doce senhora um acolchoado ou meias, 0 pastor em sua tenda esculpiu um cachimbo para seu usufruto. Todos os manufatureiros do mundo que eram hostis 4 Alemanha enviaram seus produtos, Havana seus FACHEY, L. Queen Victoria, p. 72. ANE EU, J. G.0.G.: trois ans au Grand Quartier General, p. 94-95. ets Bi gPRSP MRR ee Acero cncete eter here ercotan? 27 raga! Ft neve s eves es» Colegdo Classicos da Comunicagao Social qi8e pablica . . : resect tieo, nenhum ataque, nenhuma obstrugao, nenhuma morte misterio- 4; conflagragéo misteriosa em algum lugar do mundo cujas causas fossem decorréncia destas fontes pessoais da maldade. charutos, Portugal seu vinho do Porto. Sei de um cabeleirei ro que nao tinha nada melhor para fazer do que um retrato do general feito com o cabelo pertencente a pessoas que Ihe eram queridas; um fabricante de canetas teve a mesma idéia, mas os detalhes eram milhares de pequenas frases em mi- nuisculos caracteres que homenageavam o general. Quanto oe Garfas/ cleles tnfia em lodcelcs elfabetosrde todos ca pad ) ses, escritas em todos os dialetos, cartas afetuosas, cheias de Concentragio mundial deste tipo em torno a uma personalidade gratidéo, amor e de adoragao. Elas o chamavam de Salvador Jica ¢ rara o suficiente para ser claramente notavel, ¢ todo autor do Mundo, Pai deste Pais, Agente de Deus, Benfeitor da Hu- manidade, etc., etc. E ndo somente franceses, mas também ima f i “ americanos, argentinos, australianos, etc., etc. Milhares de erra revela tais exemplos, mas nao os cria a partir do nada, Em uma criancinhas, sem o conhecimento de seus pais, pegaram 0 l4- pis e escreveram para contar sobre o seu amor por ele: a maioria delas o chamavam de Nosso Pai. E havia comogao em suas manifestagdes efusivas e sua adoracao nestes sinais de alivio que escaparam de milhares de coragdes no mo- mento da derrota do barbarismo, Para todas estas almas in- génuas, Joffre era como Séo Jorge derrotando o dragao. Certamente ele encarnou para a consciéncia da humanida- de a vitoria do bem sobre o mal, da luz sobre a escuridao. queza pelo exemplo impactante e irrefutavel. A vivissecgao piiblica mais normal, imagens simbélicas nao governam menos os iportamentos, mas cada simbolo é muito menos inclusivo porque ha ‘os deles competindo. Nao somente cada simbolo € carregado de « sentimento, porque na melhor das hipéteses representa tAo-so- parte de uma populacao, mas mesmo nesta parte hd infinitamente os supressao das diferengas pessoais. Os simbolos da opinido puibli- ©1 tempos de razodvel seguranga, estdo sujeitos a critica, compara- + debate. Eles vém e vio, coalescem e sao esquecidos, nunca organi- perfeitamente a emogio do grupo todo. Ha, portanto, somente atividade humana em que populag6es inteiras efetivam a sagrada | Fla se da nas fases intermediarias de uma guerra quando 0 medo, Fito de luta e o édio garantiram completo dominio do espirito, tan- Lunaticos, simplérios, os meio-loucos e os loucos comple- tos dirigiram seus cérebros escurecidos para ele como se fosse para a propria razao. Li a carta de uma pessoa em Sydney, que implorou ao general para que o salvasse de seus inimigos; em outra, um neozelandés pede-lhe que en- vie alguns soldados a casa de um senhor que lhe devia dez libras e nao 0 pagava. +4 derrotar qualquer outro instinto ou para alista-lo, e antes que o © seja sentido. Finalmente, algumas centenas de jovens meninas, superan- do a timidez de seu sexo, propunham envolvimento, e que suas familias nada soubessem a respeito disto; enquanto outras somente queriam Ihe servir. ii quase todos os outros momentos, € mesmo na guerra em seus ntos de impasse, uma gama suficientemente maior de sentimentos para estabelecer o conflito, escolha, hesitagao e compromisso. O Este Joffre surgiu da vitéria obtida por ele, seus soldados e suas tro- Jisno da opiniao pablica geralmente implica, como yeremos*, nes- pas, o desespero da guerra, das léstimas pessoais e da esperanga quanto Ilibrio de interesses. Pense, por exemplo, no quao rapidamente, vitoria vindoura. Mas além do culto ao heréi ha o exorcismo de demé- {} atmisticio, o precdrio e o bem-sucedido simbolo da Unido Aliada nios, Através do mesmo mecanismo pelo qual heréis sio encarnados, de- ac einer een nt eer eer mneeerene 4 da imagem simbélica que cada nagao tinha das outras: a Gra- iha, defensora da lei publica; a Franga, guardando a “Fronteira da ménios s4o criados. Se tudo de bom emanava de Joffre, Foch, Wilson ou Roosevelt, todo o mal emanava do Kaiser Wilhelm, Lenin e Trotsky. Eles eram tao onipotentes para o mal quanto os heréis eram onipotentes para o bem. Para muitas mentes simples e assustadas nao havia reverso BRP tar a cay alist + + Colegdo Classicos da Comunicagao Social Liberdade”; a América, 0 “Cruzado”. E pense entao sobre como em cada nagao a imagem simbélica de si mesma esmaeceu, enquanto conflitos partidarios ¢ de classe, assim como ambigdes pessoais, comegaram trazer A tona questes postergadas. E assim que as imagens simbolicas dos Ifde- res saiam de foco, um por um, Wilson, Clemenceau, Llyod George, ces- saram de ser a encarnagao da esperanga humana, e tornaram-se somente os negociadores ¢ administradores para um mundo desiludido. dirmos como um retorno a sanidade, obviamente isso est4 fora de ques- tao aqui. Nossa primeira preocupagdo com ficgées ¢ simbolos consiste em esquecer seu valor para a ordem social existente, e pensar neles sim- plesmente como uma parte importante do maquindrio da comunicagao humana. Em qualquer sociedade que nao esteja completamente voltada a si mesma € seus interesses nem tao pequena que todos possam saber sobre tudo o que se passa, idéias dizem respeito a eventos que estao fora da vista e do alcance. A Senhora Sherwin de Gopher Prairie’ é ciente de que uma guerra esta ocorrendo na Franga e tenta concebé-la. Ela nunca esteve na Franga, e certamente nunca esteve onde agora é 0 front. Ima- gens de soldados franceses e alemies ela havia visto, mas Ihe é impossivel imaginar trés milhdes de homens. Ninguém, de fato, pode imaginé-los, ¢ os profiss onais nem mesmo tentam, Eles pensam neles como, digamos, duzentas divisGes, Mas a Senhora Sherwin nao tem acesso aos mapas de batalha, de modo que se ela se puser a pensar sobre a guerra, se fixard em Joffre ¢ no Kaiser como se estivessem envolvidos em um duelo pessoal. Talvex, se vocé pudesse ver o que ela percebe mentalmente, a imagem provavelmente seria similar 4 de uma gravura do século XVIII de um grande soldado. Ele est 14 corajosamente calmo e num tamanho so- bre-humano, com um exército sombrio de pequenas figuras passando pelo terreno ao fundo. Aparentemente, tais expectativas nio esquecem nem mesmo os grandes homens. M. de Pierrefeu conta de uma visita de um fotégrafo a Joffre. O general estava em seu “escritério classe média, atrds de uma mesa de trabalho sem papéis, onde ele sentava para escre- 7. Ver LEWIS, S. Main Street. Se lamentarmos isto como um dos suaves maleficios da paz ou aplau- Bide publica. s\ia assinatura. Subitamente percebeu-se que nao havia mapas nas pa- Jes, Mas como de acordo com o imaginério popular nao era possivel jeeber um general sem mapas, alguns foram colocados em posicéo u 44 foto ¢ logo depois removidos 1D tinico sentimento que alguém pode ter acerca de um evento que ele » vivenciou € 0 sentimento provocado por sua imagem mental daquele ‘ito, E. por isto que, até sabermos 0 que os outros pensam que sabem, + poderemos verdadeiramente entender seus atos. Vi uma jovem meni- -rlada em uma cidade mineradora da Pensilvania, mergulhar subita- sie da mais completa alegria em um paroxismo de luto quando uma ra- «le yento quebrou a janela da cozinha. Por horas ela ficou inconsola- © para mim isso era incompreensivel. Mas quando foi capaz de falar, ‘sou transparecer que se uma janela se quebrava significava que um pa- fs proximo havia morrido. Ela estava, portanto, em luto por seu pai, 4 havia assustado fazendo-a fugir de casa. O pai estava, é dbvio, bas- » vivo, como um telegrama rapidamente comprovou. Mas, até a che- Jo telegrama, o vidro estilhacado era uma auténtica mensagem para ela garota. O que havia de auténtico somente uma prolongada investi- sp efetuada por um psiquiatra capacitado poderia demonstrar. Mas jo 0 observador mais casual poderia ver que aquela garota, enorme- ie abalada por seus problemas familiares, havia alucinado uma com- 4 fieglo a partir de um fato exterior, uma superstigao lembrada, e um hilhio de remorso, de medo e de amor por seu pai. Anormalidade nestas situagdes € somente uma questao de grau. «Jo um procurador-geral, assustado devido a explosao de uma bom- sila porta, se convence através da leitura da literatura revolucionaria jiie una revolugao ocorrerd em 1° de maio de 1920, nds reconhe- Hips que praticamente o mesmo mecanismo esta ocorrendo. A guerra, Jentemente, proporcionou muitos exemplos deste padrao: o fato ca- 1, d imaginacao criativa, o desejo de crer, e a partir destes trés elemen- juina falsificagao da realidade para a qual havia uma resposta muito yiolentamente instintiva. E claro o suficiente que sob determinadas Beil, p..99. Colegio Cléssicos da Comunicagao Social es as pessoas respondem tao fortemente a ficcdes quanto a reali- dades, e que em muitos casos elas ajudam a criar as préprias ficgdes as quais elas respondem. Que atire a primeira pedra aquele que nao acredi- tou no exército russo passando pela Inglaterra em agosto de 1914, ndo aceitou nenhuma estéria de atrocidades sem evidéncia direta, e nunca viu um golpe, um traidor, ou um espido onde nao havia nenhum. Que ati- re a primeira pedra quem nunca passou adiante como verdade aquilo que ouviu alguém dizer, sendo que quem o disse nao sabia mais do que ele. Em todas estas instancias devemos observar particularmente um fa- tor comum. a insergao entre os seres humanos e seu ambiente de um pseudo-ambiente. A este pseudo-ambiente é que seu comportamento é uma resposta. Mas porque é um comportamento, as conseqiiéncias, se eles sio fatos, operam nao no pseudo-ambiente onde o comportamento € estimulado, mas no ambiente real onde as agdes acontecem. Se 0 com- portamento nao é um ato pratico, o que chamamos aproximadamente de pensamento e emogao pode demorar um longo tempo até que se ob- serve uma quebra na textura do mundo da ficgao. Mas quando o estimu- lo dos pseudofatos resulta em agées, em coisas ou em outras pessoas, as contradig6es logo se desenvolvem. Vem ento a sensacao de bater a ca- beca de alguém contra um muro de pedra, de aprender pela experiéncia, e testemunhar a tragédia do assassinato, em Uma bela teoria pela gangue dos fatos brutais de Herbert Spencer, 0 desconforto de um desajuste. Pois certamente, no nivel da vida social, o que é chamado de adaptagao do ser humano ao seu ambiente se da através do meio das ficgdes. Por ficgées nao quero dizer mentiras. Quero dizer a representagdo do ambiente que em menor ou maior medida é feita pelo préprio ser hu- mano. A variedade da ficgao se estende desde a completa alucinacao até 0 uso perfeitamente consciente do modelo esquematico de cientistas, ou sua decisao de que para seu problema particular a exatidao além de certo mimero de casas decimais nao é importante. Um trabalho de ficgo pode ter quase qualquer grau de fidelidade, e desde que o grau de fidelidade possa ser levado em conta, a ficgdo nao é enganosa. De fato, a cultura humana é em grande medida a selecdo, 0 rearranjo, o tragado de pa- drées, e a estilizagéo daquilo que William James chamou de “as irradia- 3 ”°. A alternativa ao 40 acaso € 0 restabelecimento de nossas idéias' de ficcGes € a exposigao direta a ruina e ao fluxo da sensagao. E isso una alternativa real, muito embora seja refrescante enxergar de pp em tempo com um olhar, perfeitamente inocente, (0 fato de que) a ‘icia em si mesma nao é sabedoria, mas a fonte e a corregao da sabe- . Pois o ambiente real é excessivamente grande, por demais comple- iuito passageiro para se obter conhecimento direto. Nao estamos ados para tratar com tanta sutileza, tanta variedade, tantas modifica- + combinagées. E embora tenhamos que agir naquele ambiente, te- juice reconstruf-lo num modelo mais simples antes de poder mane- Para atravessar o mundo as pessoas precisam ter mapas do mundo. dificuldade persistente é apoderar-se de mapas nos quais suas pr6- necessidades, ou a necessidade de outro, nao tenham sido delinea- da Bohemia. Piutio o analista da opiniao publica precisa comegar reconhecendo a 4p triangular entre a cena da agio, a imagem humana daquela cena sposta humana aquela imagem atuando sobre a cena da agao. E lima pega teatral sugerida aos atores com base em suas proprias Hencias, em que a trama é transacionada na vida real dos atores, e eramente com base nas partes da cena. A cinematografia enfatiza ‘freqii@ncia com grande habilidade este duplo drama do motivo in- © o comportamento exterior. Dois homens estao brigando ostensi- site sobre dinheiro, mas suas paixdes sdo inexplicdveis. Entao a desaparece e 0 que um ou outro dos dois homens percebe é reapre- Ip, im torno da mesa estavam brigando por dinheiro. Na memoria am a suas juventudes, quando a moga tinha Ihe “trocado” por ou- oimem, O drama exterior é explicado: o her6i nao é ganancioso, ele enamorado. {ma cena nao muito diferente foi protagonizada no Senado dos os Unidos. No café da manha de 29 de setembro de 1919 leram IES, Principles of Psychology. Vol. I, p. 638. + + ++ + Colegdo Classicos da Comunicagéo Social BE bIGS a2. R RDA Rey ima d en yuadmee oie eet aeusghe ge 38) um despacho noticioso do Washington Post sobre o desembarque de ma- mick, de Hlinois, lembra a0 Senado que a administracdo Wilson é rines americanos na costa dalmata. O jornal afirmou: ensa a aventurar-se em pequenas guerras nao-autorizadas. Ele repe- Efacejo de Theodore Roosevelt sobre “apostar na paz”. Mais debate. a /hhor Brandegee observa que os marines atuaram “sob as ordens do Os fatos que ja se sabe ji 4 ts elho Supremo instalado em algum lugar”, mas ele nao consegue far quem representa os Estados Unidos naquele érgao. A Constitui- ins l'stados Unidos desconhece o Conselho Supremo. Portanto, o Certamente, os seguintes e importantes fatos ja sao sabidos. As ordens ao Contra-almirante Andrews no comando das forgas navais americanas no Adriatico vieram do almirantado britnico via Conselho de Guerra e 0 + New, de Indiana, submete a resolugio exigindo fatos. Contra-almirante Knapps em Londres. Nem a aprovagado nem a desapro- #€ 0 momento os senadores ainda reconhecem vagamente que es- vagao do Departamento Naval Americano foram solicitadas. lictindo um rumor. Sendo advogados ainda recordam algumas wins de evidéncia, Mas sendo homens vigorosos j4 experimenta- Sie e eA ula a indignagao que € apropriada ao fato de marines americanos sido ordenados a guerra por um governo estrangeiro e sem 0 con- O Sr. Daniel foi admitidamente colocado numa peculiar posi- ga0 quando telegramas nos chegaram afirmando que as for- gas sobre as quais presumivelmente deveria ter controle ex- clusivo estavam avangando, no que se tornou uma batalha lider democrata, Senhor Hitchcock, de Nebraska, Ele defende 0 naval sem seu conhecimento. Ficou claro que o almiranta~ ho Supremo: estava agindo sob as diretivas dos poderes de guer- do britanico poderia desejar dar ordens ao Contra-almirante Andrews para agir em nome da Gra-Bretanha e seus aliados, jd que a situagao exigia sacrificios de parte de alguma nacao se se quisesse desafiar de alguma maneira os seguidores de. ra que o relatério € verdadeiro, ¢ D’Annunzio. tito do Congresso. Emocionalmente eles querem acreditar nisso, fo republicanos lutando contra a Liga das Nagées. O fato pro- e niio foi ainda conclufda porque os republicanos a esto poster- Portanto, a ago foi necesséria e legal. Ambos os lados conside- as conclusées que tiram sao Gey de suas militancias partidérias. Esta extraordindria suposigao Higelne seg it elara nag sao nine dala lan nneins ag hate sobre a resolugao de investigar a verdade da suposigao. Re- estrangeiros ficariam em posigao de comandar as foreas na- E vais americanas em emergéncias com ou sem 0 consenti- mento do Departamento Naval Americano..." (marcacdes em italico sao minhas). io dificil é, mesmo para advogados experientes, suspender uma até que as informagées lhe cheguem. A resposta é instantanea. A fomada como verdadeira porque a ficgdo é um mal necessario. O primeiro senador a comentar é o Senhor Knox, da Pensilvania. nis clias depois um relatério oficial mostra que os marines nao de- Com indignagao ele exige investigagio. Para o Senhor Brandegee, de imam sob as ordens do governo britanico ou do Conselho Supre- flo estavam combatendo os italianos. Eles desembarcaram a pe- Connecticut, que falou a seguir, a indignagao j4 estimulou credulidade. Onde 0 Senhor Knox com indignagao gostaria de saber se o relato é ver- #overno italiano para proteger os italianos, e o comandante ame- dadeiro, o Senhor Brandegec, meio minuto mais tarde, gostaria de saber | oficialmente agradecido pelas autoridades italianas. Os marines Vail em guerra com a Italia. Agiram de acordo com a pratica in- jal estabelecida que nada tinha a ver com a Liga das Nagoes. 0 que teria acontecido se marines tivessem sido mortos. O Senhor Knox, interessado na pergunta, esquece que tinha solicitado uma investigagao, e responde: “Se marines americanos fossem mortos, hayeria guerra”. O humor do debate ainda é condicional. O debate continua. O Senhor fia da agao era o Adriatico. A imagem daquela cena na cabega dos sem Washington foi fornecida, neste caso provavelmente com o . « Colegdo Clasicos da Comunicagéio Social BB pblices “AQ Wh RAMOS MWD V0. clhe Fes yr ntle Sel ete tetas 35 objetivo de enganar, por um homem que nao se importava em nada com 0. eiyem destes corpos politicos comandos, que pdem exércitos em mo- Adriético, mas muito em derrotar a liga. A esta imagem o Senado respon- deu com um fortalecimento das diferengas partidarias sobre a liga. jentos ou fazem a paz, demandam vida, impostos, exilam, aprisionam, sieyem a propriedade ou a confiscam, encorajam um tipo de empreen- jenito e desencorajam outro, facilitam a imigracdo ou a obstruem, me- yam a comunicagio ou a censuram, fundam escolas, constroem navios, 5 Se neste caso particular o Senado atuou melhor ou pior que o seu padrao habitual, nao € necessario decidir. Nem se o Senado comparati- yamente é mais ou menos eficaz do que a Camara, ou com outros parla- mentos. Neste momento, gostaria somente de refletir sobre o espetaculo mundial de pessoas atuando em seus ambientes, movidos pelo estimu- lo de seus pseudo-ambientes. Pois quando se dé total aprovagao a uma’ fraude deliberada, a ciéncia politica ainda tem que se defrontar com tais fatos de como duas nag6es atacando uma 4 outra, cada uma delas con- vencida de que esta atuando em autodefesa, ou duas classes sociais em liciam “politicas” e “rumos”, eliminam barreiras econdémicas, criam pricdades ou delas se desfazem, tornam uma pessoa subjugada a outra, Fyorecem uma classe ao inyés de outra. Para cada uma destas decisdes 14 visio dos fatos é concebida como conclusiva, certa visio das circuns- Jas ¢ aceita como base para inferéncia e como estimulo de sentimento. | € a visdo dos fatos, e por que precisamente este? B ainda isso mesmo néo comega a exautir areal complexidade. A es- va politica formal existe num ambiente social, onde ha inumerdveis Jes ¢ pequenas corporagées e instituigdes, associagdes voluntarias e guerra, cada uma delas certa de que fala pelo interesse comum. Eles vi- iiyoluntarias, nacionais, provinciais, urbanas e agrupamentos de bair- vem, gostamos de dizer, em mundos distintos. Mais precisamente, eles jie freqiientemente tomam decisdes que o drgio politico registra. vivem no mesmo mundo, mas pensam e sentem-se em diferentes. sie decis6es se baseiam? Hie fore BA soc Oe eng FB aestes mundos especiais, é a estes individuos ou grupos, ou clas- A sociedade moderna”, diz 0 Senhor Chesterton, “é intrinseca- ses, ou provincias, ou ocupagées, ou nacoes, ou artefatos sectarios, que 0 Je insegura porque esté baseada na nogao de que todos os seres hu- ajustamento politico da humanidade na “grande sociedade” ocorre. Sua variedade e complexidade so imposstveis de descrever. Mesmo assim as ficc6es determinam uma grande parte do comportamento politico dos: stinta pode estar esquecida na casa ou sob o chapéu de um funcio- suburbano qualquer. O primeiro homem pode ser um completo 4 {ardo a mesma coisa por raz6es distintas... E como na cabega de ondenado pode existir o inferno de um crime solitario, uma filoso- seres humanos. Precisamos pensar em talvez cingiienta parlamentos, so- beranos consistindo de pelo menos uma centena de entidades legislati- vas. A elas pertencem pelo menos cingiienta hierarquias de assembléias Flalista que sente seu préprio corpo como uma maquina horrivel ufaturando sua prépria mente. Ele pode ouvir seus pensamentos da provinciais ou municipais, com seus 6rgéos executivo, administrativo forma que ao enfadonho tilintar de um reldgio. O vizinho proxi- legislativo, constituido de autoridade formal na terra. Mas isso nao co- mega a revelar a complexidade da vida politica. Pois em cada um destes jnumerdveis centros de autoridade ha partidos que por sua vez sao cles préprios hierarquias com raizes em classes, segdes, cliques € clas; e den- tro destes esto os politicos individuais, cada um como centro de uma pode pertencer a cientologia e considera seu proprio corpo menos ancial do que sua sombra. Ele pode vir quase a considerar seus pr6- hragos e pernas como ilusdes como se fossem as serpentes movedi- 9 sonho de um delirium tremens. O terceiro homem na rua pode ser um cientologista, mas, ao contrario, um cristao. Ele pode viver rede de conexdes € meméria e medo e esperanga. 4 um conto de fadas como diriam seus vizinhos; um sonho de fadas Jo, mas sélido, cheio de faces ¢ presencas de amigos sobrenaturais. Desta ou daquela forma, por razes freqiiente e necessariamente obs- curas, como resultado da dominagio ou compromisso ou cambalacho, jiarto homem pode ser um tedsofo, e provavelmente também um ve- Bermceeaay ey Colegdo Clasicos da Comunicagao Social Bpiniao publica eset engi d tony Gauiey vauye eu 230 he investir num novo empreendimento, no publicitario, no leitor de aincios... Pense nos diferentes tipos de americanos pensando sobre no- ses como “O Império Britanico” ou “Franga” ou “México”. Nao é mui- getariano; e nao vejo por que nao deveria me gratificar coma fantasia de que o quinto homem é crente do diabo... Se este tipo de variedade é ou nao é valioso, este tipo de unidade é incerto. Esperar que todos os tipos A de seres humanos pensem todo o tempo coisas distintas, e ainda assim diferente dos quatro homens do Senhor Chesterton no poste ver- fazendo as mesmas coisas, é especulagao duvidosa. Nao se funda a socie- ilha, dade na comunhao, ou ainda na convengéo, mas sim na coincidéncia. Quatro homens encontram-se sob o mesmo poste de luz; um para pin- 6 1 antes que nos envolvamos na floresta das obscuridades sobre as di- gas inatas dos homens, seria adequado fixar nossa atengao nas dife- ta-lo de verde-ervilha como parte de uma grande reforma municipal; um para ler sob sua luz seu breviério; um para abrac4-lo com ardor acidental devido ao seu entusiasmo alcodlico; e o tiltimo porque o poste ver- age 4 4 heél 4 a i pore d P Me as extraordindrias do que as pessoas sabem do mundo". Nao tenho e-ervilha é lugar de encontro respeitavel com sua namorada...” A pea E P 2) ‘slay de que existem diferencas biolégicas importantes. Uma vez que Os quarto homens no poste luminoso representam os governos, os Wem é um animal, seria estranho que assim nao fosse. Mas como se- partidos, as corporagGes, as sociedades, os ambientes sociais, os comér- cios e as profiss6es, universidades, seitas e nacionalidades do mundo. Ficlonais seria pior que frivolo generalizar sobre comportamento sparacivo até que haja uma forma similar de medida entre os ambien- Pense no legislador votando um estatuto que afetaria povos distantes, um estadista chegando a uma decis4o. Pense na Conferéncia da Paz re- 5 quiais O comportamento € uma resposta. © valor pragmatico desta idéia é de que ela introduz um necessirio ee na acer ay {mento na antiga controvérsia sobre natureza e culturalismo, quali- iro tentando discernir as intengd épri : oe teas See Te ee eee ayo aco eoies jnata c ambientalismo, O pseudo-ambiente é um composto hibrido no estrangeiro, pum embrecndedar tentando Da concessao num pais tureza humana” e “condigées”. Para mim isso mostra a futili- atrasado, num editor exigindo a guerra, num clérigo chamando a policia para regular a diversao publica, numa agremiacdo tomando a decisao so- bre uma greve, num cfrculo de costura preparando a regulamentagao das ile pontificar sobre o que o homem é e sempre ser4 considerando 0 uervamos o homem fazendo, ou sobre quais so as condigdes ne- it cla sociedade. Pois ndo sabemos como os homens se comporta- eccolas, nove julzes decidindo se alews em ae lainlojee 2 leeisltura de Oseou pode colunis dg Bip osta aos fatve da grande sociedade, Tudo o que realmente sa: horas a a c i a decidi oras de trabalho das mulheres, num encontro do gabinete para decidir BE cies 6s Sama cane sents WaciaeN aes sobre o reconhecimento de um governo, numa convengao partidéria es- ae 5 8 VOR ie denominado como a mais inadequada imagem da grande so- colhendo um candidato e escrevendo uma plataforma, vinte e sete mi- = . a : _ Nenhuma conclusdo sobre 0 homem ou a grande sociedade lhé leitor i é 8: i rea Ges de eleitores votando, num irlandés em Cork pensando num irlandés) Restamente ser tirada com base em evidéncias deste tipo. em Belfast, na Terceira Internacional planejando reconstruir a sociedade ome state aa , portanto, seré a pista de nossa investigagio. Teremos que pre- humana inteira, no conselho de diretores confrontando uma série de de- e if ss : i P jue © que cada homem faz esta baseado nao em conhecimento di- manda dos empregados, num menino escolhendo uma carreira, num me! ‘ « . : e lpferminado, mas em imagens feitas por ele mesmo ou transmiti- cador estimando a demanda e a oferta da préxima estagao, num especula- : : Pi 4 a er lr. Se o seu atlas Ihe diz que o mundo é plano ele nao navegara dor prevendo as tendéncias do mercado, num banqueiro decidindo se hs en 9 a0 que imagina ser o limite de nosso planeta com medo de des- 10. CHESTERTON, G.K. The Mad Hatter and the Sane Householder. Vanity Fair, jan./1921, p. 54. JL.AS, Our Social Heritage, p. 77ss. Bee ctenas 2 ae = hear + Colego Clissicos da Comunicagao Social pencar. Se seu mapa inclui a fonte da eterna juventude, um Ponce de Leon ira buscé-la. Se alguém cavouca na poeira amarela que parece ouro, por um tempo agiré exatamente como se ouro tivesse encontrado. A forma como o mundo é imaginado determina num momento particular 0 que os homens farao, Nao determinar4 o que alcangarao. Este fato determina seus esforgos, seus sentimentos, suas esperangas, no suas realizagdes € re- sultados. Exatamente os homens que proclamam mais intensamente seu “materialismo” e seu desdém por “ideologias”, os comunistas marxistas, colocam sua inteira esperanga em qué? Na formacdo pela propaganda de uma consciéncia grupal de classe. Mas o que é a propaganda, senao o es- forgo de alterar a imagem a qual os homens respondem, substituindo um padrao social por outro? O que é a consciéncia de classe senao uma forma de percepcao do mundo? Um outro jeito de consciéncia nacional? O tipo de consciéncia do Professor Giddings, ou um processo de crenga que reconhecemos entre o sem ntimero de nossas crengas? Tente explicar a vida social como a busca do prazer evitando-se a dor. Voce logo estard dizendo que o hedonista evoca a questo, e mesmo supondo que o homem persiga estes fins, 0 problema ctucial de por que pensar de certa forma ao invés de outra € capaz de produzir prazer, é intocavel. A orientagdo da consciéncia humana explica? Como entio acontece de ele ter a consciéncia particular que tem? A teoria econdmica do interesse proprio? Mas como os homens acabam concebendo seus in- teresses de um jeito ao invés de outro? O desejo por seguranga, ou presti- gio, ou dominagéo, ou 0 que é vagamente denominado auto-realizagao? Como os homens concebem sua seguranga, 0 que cles consideram prestigio, como eles concebem os meios de dominagio, ou 0 que é a no- gio de ego que eles desejam realizar? Prazer, dor, consciéncia, aquisico, protecao, progresso, destreza, sao indiscutivelmente nomes para alguma das formas através das quais as pessoas agem. Mas nem a declaragao de finalidade, ou qualquer descrigao de tendéncias a buscar, pode explicar © comportamento resultante. O fato de que os homens teorizam é prova de que scus pseudo-ambientes, suas representag6es interiores do mun- do, séo um elemento determinante do pensamento, sentimento e agdo. E se a conex4o entre a realidade e a resposta humana fosse direta e imedia- \, em vez de ser indireta e inferida, indecisdo e falha seriam desconheci- ¢ (se cada um de nés se sentisse confortavel no mundo como a crian- fio titero) o Senhor Bernard Shaw ndo seria capaz de dizer que, exceto Jo primeiros nove meses de sua existéncia, nenhum ser humano ad- JHistra seus assuntos tao bem como uma planta. A principal dificuldade em adaptar o esquema psicanalitico ao pen- ento politico surge nesta conex4o. Os freudianos esto preocupados 4 inadaptagao de individuos distintos a outros individuos e a cir- etdincias concretas. Eles presumiram que os transtornos internos po- jam ser consertados, que haveria pouca ou nenhuma confusao sobre que é uma relacdo normal obvia, Mas a opiniao piiblica diz respeito fos indiretos, invisfveis e embaragosos, e nada ha de dbvio neles. As agOcs As quais a opiniao piiblica se refere sfo conhecidas somente He opinides. O psicanalista, por outro lado, quase sempre pressup6e © ambiente € conhecfvel, e se nao conhecfvel entao pelo menos su- fivel, a qualquer inteligéncia desanuviada. Esta pressuposigio € 0 ‘hlema da opiniao piblica. Ao invés de considerar como um fato dado ambiente que é facilmente conhecido, o analista social esté mais pre- do em estudar como o ambiente politico mais amplo é concebido, imo ele pode ser concebido com mais sucesso. O psicanalista exami- desajuste a um X, chamado por ele de ambiente, o analista social jina o X, chamado por ele de pseudo-ambiente. Fle esta, evidente, permanente ¢ constantemente em débito a nova Hlogia, ndo s6 porque quando corretamente aplicado ajuda as pes- 4 Ac crguerem em suas préprias pernas, mas também porque o estu- los sonhos, fantasia e racionalizagao jogou luz em como o pseudo-am- fe ¢ colocado junto. Mas ele nao pode pressupor como seu critério 0 * chamado uma “carreira biolégica normal”'? dentro da ordem so- existente, ou uma carreira “livre da supressao religiosa e convengdes viticas” fora". O que para um socidlogo é uma carreira social nor- / Ou alguém livre das dissimulagées e convengdes? Criticos conser- MPV, E.J. Psychopathology, p. 116. id, p. 161 Ae Sard ea et ye ea ee + + Colegdo Cidssicos da Comunicagéo Social mo pablicnstat ti. giro tite ot eve. sek cere nea ceea vadores pressupdem, certamente, o primeiro, e os romanticos o segun- en's em suas negociagdes com o mundo externo. Sob este titulo deve- do. Mas ao pressuporem a ambos eles consideram todo 6 mundo como 94 considerar primeiro os principais fatores que limitam 0 acesso aos um dado certo de realidade. Esto dizendo que efetivamente ou a socie- (0s. Sao eles as censuras artificiais, as limitagdes do contato social, a re- dade é um tipo de coisa que corresponde a sua idéia do que é normal, ou iva falta de tempo disponivel diariamente para prestar atengdo nos as- tipo de coisa que corresponde a sua idéia do que é livre. Ambas as tos publicos, a distorg4o emergente devido aos eventos que precisam idéias sao meramente opinides publicas, e enquanto o psicanalista e o mé- dico podem talvez pressupor a ambos, 0 sociélogo pode nao considerar os comprimidos em mensagens muito breves, a dificuldade em fazer um \ieno vocabulario expressar um mundo complicado, ¢ finalmente o produtos existentes da opinido publica como critério para estuda-la. ior de enfrentar aqueles fatos que parecem ameagar a rotina estabele- la das vidas humanas. A andlise entdo parte destas limitagdes mais ou menos externas para jliest’io de como este “pinga-pinga” de mensagens do exterior é afeta- zi O mundo que temos que considerar esta politicamente fora de nos- i é i so alcance, fora de nossa visio e compreensao. Tem que ser explorado, pelas imagens arquivadas, 0s preconceitos € prejuizos que interpre- |, preenchem e dirigem poderosamente o transcurso de nossa aten- ¢ de nossa visdo. Daf cabe seguir no exame de como nos individuos imitadas mensagens do mundo exterior formam um padro de este- tipos, sao identificados com os interesses da pessoa 4 medida que ele relatado e imaginado. O homem n4o é um Deus aristotélico contem- plando a existéncia numa olhadela. E uma criatura da evolugdo que pode abarcar somente uma porcdo suficiente da realidade que adminis- tra para sua sobrevivéncia, e agarra o que na escala do tempo sdo alguns. i : . ' 4 . , serie e as concebe, Nas segGes que seguem se examina como as opi- momentos de discernimento e felicidade. E ainda assim esta mesma cria- is cee aa fore ; : 4 4 siio cristalizadas no que é chamado de opiniao ptblica, como a as- tura inventou formas de ver o que nenhum olho nu poderia ver, de ouvir 4 : im i p40 nacional, a mentalidade de grupo, 0 propésito social, ou como © que ouvido algum poderia ouvir, de considerar massas imensas assim ; pane a weaipd tu rete te jiiser chamar isso, é constitufdo. como infinitesimal , de contar e separar mais itens que ele pode individu- ; 3 s primeiras cinco partes constitem a secdo deseritiva do livro. Se- almente recordar. Est4 apreendendo a ver com sua mente vastas porgdes As P a secao desc {ima andlise da teoria democratica tradicional da opiniao publica. A Ancia do argumento é que a democracia em sua forma original nun frentou seriamente o problema que surge devido ao fato da imagem i na cabega das pessoas n&o corresponder automaticamente ao lo exterior. E entao, porque a teoria democratica esta sendo critica- do mundo que ele nao podia nunca ver, tocar, cheirar, ouvir ou recordar. Gradualmente ele cria para si pr6prio uma imagem credivel em sua cabe- ca do mundo que esté além de seu alcance. Aqueles aspectos do mundo exterior que tém a ver com 0 comporta- SE ee ee ee eg y pensadores sociais, segue um exame destas criticas mais avanga- eoerentes, como a realizada pela Associagao dos Socialistas Ingle- jel propédsito aqui é descobrir se estes pensadores reformistas leva- ein consideragao as principais dificuldades da opiniao publica. Mi- eonclusao é de que eles ignoram as dificuldades, tio completamente cruza com 0 nosso, que é dependente do nosso, ou que nos é interessan- te, podemos chamar rudemente de opiniao publica. As imagens na cabe- ¢a destes seres humanos, a imagem de si préprios, dos outros, de suas ne- cessidades, propésitos e relacionamento, sao suas opinides piblicas. Aquelas imagens que sao feitas por grupos de pessoas, ou por individuos agindo em nome dos grupos, é Opiniao Publica com letras maitisculas. E fizeram os democratas originais, porque eles, também, supuse- fuma civilizagdo muito mais complicada, que de alguma misteriosa assim nos capitulos que seguem devemos inquirir sobre algumas das ra- iva existe nos coragdes do homem um conhecimento do mundo fat fora de seu aleance. z6es de por que as imagens internas tao freqiientemente enganam os ho- AE ee eee ee eee eee ee + + Colegio Classicos da Comunicagéo Social Argumento que 0 governo representativo, seja no que é chamado usualmente politica, ou na indistria, nao pode funcionar adequadamen- te, seja qual for o processo de eleic4o, a menos que exista uma organiza- ao especializada independente que torne os fatos invisiveis inteligiveis Aqueles que tém que tomar as decis6es. Tento, portanto, argumentar que a séria aceitacao do principio da representagao pessoal precisa ser suplementada pela representagao dos fatos invisiveis, o que permitiria uma satisfat6ria descentralizacao, assim como escapar da ficgao intolera- vel ¢ invidvel de que cada um de nés precisa adquirir uma opinido com- petente sobre assuntos ptiblicos. Argumento que o problema da impren- sa € confuso porque os criticos e os apologistas esperam que a imprensa realize esta ficgdo, que ela faga tudo aquilo que nao esta previsto na teo- ria democratica, e que os leitores esperam que este milagre seja realizado sem custo ou problema para eles. Os jornais sio considerados pelos de- mocratas uma panacéia para seus préprios defeitos, enquanto a andlise da natureza das noticias e da base econdmica do jornalismo parece mos- trar que os jornais necessaria e inevitavelmente refletem, e, portanto, em grande ou menor medida, intensificam a defeituosa organizagdo da opi- niao pablica, Minha conclusao é que, para serem adequadas, as opinides ptiblicas precisam ser organizadas para a imprensa no pela imprensa, como € 0 caso hoje. Esta organizagao eu concebo como sendo em pri- meira instancia a fungao da ciéncia politica que ganhou seu prdprio lu- gar como formuladora, previamente a real decisdo, em vez de ser apolo- gista, critica, ou reportando apés a decisao ter sido tomada. Tento indi- car que as perplexidades do governo e da indtstria esto conspirando para dar a ciéncia politica esta enorme oportunidade para enriquecer-se e servir ao ptiblico, E, naturalmente, espero que estas paginas ajudem al- gumas pessoas a dar-se conta daquela oportunidade mais intensamente, e, portanto, persegui-la mais conscientemente. 66 Parte II Abordagens ao mundo exterior 9 Censura e privacidade imagem de um general presidindo uma coletiva de imprensa na jmais terrivel de uma das grandes batalhas da histéria parece mais ser cena do filme O soldado de chocolate do que uma pagina da vida. No ‘itv, ficamos sabendo primeiramente pelo oficial que editou os comu- lon franceses que estas coletivas foram parte regular do negécio da 44 que, nos piores momentos de Verdun, o General Joffre e seu gabi- encontraram-se e discutiram sobre substantivos, adjetivos e verbos deyeriam ser impressos nos jornais da manha seguinte. D comunicado da noite do dia 23 (fevereiro de 1916), diz M. de feu': Foi editado numa atmosfera dramatica. M. Berthelot, da sede do primeiro-ministro, tinha logo telefonado sob as or- dens do ministro pedindo ao General Pellé carregar nas tin- tas do relatério e realgar as proporgées do ataque inimigo. Era necessério preparar o ptiblico para o pior resultado no caso de o fato transformar-se numa catastrofe. Esta ansieda- de mostrou claramente que nem no quartel-general do mi- nistro da Guerra o governo tinha razOes para ter confianga. Assim, quando M. Berthelot falou, 0 General Pellé anotou. Ele passou-me o papel no qual havia anotado os desejos do governo, junto com a ordem do dia baixada pelo General von Deimling e encontrada com alguns prisioneiros, no qual se afirmava que este ataque era a ofensiva suprema para as- segurar a paz, Utilizado de forma eficiente, tudo isso de- monstrava que a Alemanha estava realizando um esforgo gi- gantesco, um esforgo sem precedente, e daquele esforgo esperava pelo fim da guerra. A logica disso era que ninguem 1B .., p, 126-128. Gta. Saleen eae + + + + + Colegio Clasicos da Comunicagéo Social Mo ‘piblica W=tieurwy) eyed) Gheslwac eee precisaria ficar surpreso pela nossa retirada. Quando, meia = hora apés, desci com meu manuscrito, encontrei reunidos : juntos na sala do Coronel Claude, estando ele ausente, o ma- jor-general, 0 General Janin, o Coronel Dupont e o Tenen- te-coronel Renouard. Temendo que eu no fosse bem-suce- dido em dar a impressao desejada, o General Pellé preparou ele mesmo uma proposta de comunicado. Li o que recém havia feito. Consideraram que era muito moderado. O Gene- ral Pellé, por outro lado, parecia muito alarmado. Omiti de propésito a ordem do dia de von Deimling, Para colocé-lo no comunicado teriamos que romper com a formula coma qual = © pliblico tinha se acostumado, seria transformé-la numa es- pécie de arrazoado. Iria parecer afirmando: “Como vocé su- pée que possamos resistir?” Havia razGes para temer que 0 piblico pudesse se distrair com esta mudanga de tom, acre- ditando que tudo estava perdido, Expliquei minhas raz6es e sugeri dar 0 texto de Deimling aos jornais na forma de uma nota separada. Shiv, mas no incomum. Agora, na verdade, o Comando Geral francés / sip estava plenamente preparado para a ofensiva alema. As trincheiras de Poin nao tinham sido escayadas, estradas alternativas nao tinham sido "onstruidas, faltava arame farpado. Para confessar isso as imagens produ- day na cabeca dos civis teriam tornado um revés num desastre. O Alto ‘amando poderia estar desapontado, mas ainda assim funcionando; as sapas em casa e no estrangeiro, cheias de incertezas, e com nenhum ob- yo profissional em comum, poderiam com base na est6ria completa ter idido a visdo da guerra na escaramuga entre uma fac¢4o e contrafacgao bie a competéncia dos oficiais. Portanto, ao invés de deixar o ptiblico sy com base em todos os fatos que os generais sabiam, as autoridadés Sreacntaram somente alguns fatos, e estes somente de maneira que muito vavelmente os levasse a acalmar as pessoas. | Neste caso os homens que tinham montado o pseudo-ambiente sa- §y qual era a realidade, Mas alguns dias depois um incidente sobre Hal o comando francés nao sabia a verdade aconteceu. Os alemaes “Estando as opinies divididas, o General Pellé pediu ao Ge- neral de Castelnau que viesse para decidir finalmente. O ge- s neral chegou sorrindo, quieto e bem-humorado, disse algu- mas palavras agradaveis sobre este novo tipo de conselho de guerra literario e olhou os textos. Escolheu o mais sim- ples, deu mais énfase primeira frase, inseriu as palavras ‘como haviamos antecipado’, que da uma qualidade de con- firmagao, e foi taxativamente contra inserir a ordem de von Deimling, mas aprovando-a para ser remetida como uma ! nota especial a imprensa...” uneiaram’ que na tarde anterior eles tinham tomado o Forte Douau- nt de assalto. No quartel-general francés em Chantilly ninguém po- entender estas noticias. Pois na manha do dia 21, apés o engajamen- dy Batalhao XX, se dizia que a batalha tinha se modificado para me- _ Os relatos do front nao comentavam nada sobre Douaumont. Mas J investigagao mostrou que o informe aleméo era verdadeiro, embo- singuém soubesse como o forte tinha sido tomado. Neste interim, o Aunicado alemao tinha sido espalhado por todo o mundo, e os fran- tinham que dizer algo. Em decorréncia, 0 quartel-general expli- | *No meio de um total desconhecimento em Chantily de como o Ne ocorreu, imaginamos, no comunicado da noite do dia 26, um Naquela noite o General Joffre leu cuidadosamente 0 comunicado e | © aprovou, = Dentro de poucas horas aquelas duzentas ou trezentas palavras se- = riam lidas em todo o mundo. Elas pintariam uma imagem na mente dos homens do que estava acontecendo nas encostas do Verdun, e com base ao dle ataque que certamente tinha uma em mil chances de ser verda- = naquela imagem as pessoas ficariam desesperadas. © lojista em Brest, o camponés em Lorraine, o deputado no Palécio Bourbon, 0 editor em Amster- dam ou Minneapolis tinham que manter a esperanga, e ainda ficaram pre- yn", O comunicado sobre esta batalha imagindria diziz Uma dura batalha esta ocorrendo em torno do Forte Douau- mont, que é um posto avangado da antiga organizacao de de- fesa de Verdun. A posigao conquistada esta manha pelo ini- : parados para accitar uma possivel derrota sem que isso produzisse panico. O que estava lhes sendo dito, portanto, era que perder terreno nao é uma surpresa ao comando francés. Era-lhes dito para considerar 0 caso como 28 de fovereiro de 1916. PIERREFEU. G.Q.G...., p. 133ss. #20) eee ee eee + + « ColegSo Clasicos da Comunicagéo Social ike pblicdentA cots orarcthy) Abate Ripe bahay cae bg ei iy oa ABE migo, apds intimeros assaltos malsucedidos que ihe custa- ram pesadas perdas, foi alcangado novamente e ultrapassa- do por nossas tropas que o inimigo néo conseguiu afastar’, {0 ortodoxa da guerra para todos os povos aliados era de que ela seria ‘idida por “atrito”. Ninguém acreditava numa guerra em movimento. jnsistia em afirmar que a estratégia nao contava, nem a diplomacia. O que de fato tinha acontecido diferia tanto do relato francés como 4 \implesmente uma questao de matar alemaes. O piiblico em geral dlo alemao, Ao trocar as tropas na linha de frente, a posigio tinha de al Brenig ctel ave nate deel uataohes quelaee conserares guma forma sido esquecida numa confusdo de ordens. Somente 0 co- mandante de uma bateria e alguns homens tinham permanecido no for- te. Alguns soldados alemaes, vendo a porta aberta, rastejaram para den- tro do forte, fazendo todos que estavam dentro dele prisioneiros. Pouco depois os franceses que estavam nas encostas da colina ficaram horrori- zados ao serem alyejados desde o forte. Nao houve batalha em Douau- mont nem perdas, Nem as tropas francesas avangaram além dele como os comunicados pareciam indicar. Eles estavam além dele em ambos os lados, é verdade, mas o forte estava em mios inimigas. Hite lembrado disso em face dos sucessos espetaculares dos alemaes. Quase nao passava dia sem um comunicado... apontando aos alemdes aparentemente pesadas e justas perdas, extre- mamente pesadas, descritas como de sacrificio sangrento, montdo de corpos, hecatombes. Da mesma os telegramas noticiosos constantemente utilizando as estatisticas do co- mité de inteligéncia em Verdun, cujo chefe, Major Cointet, ti- nha inventado um método de calcular as perdas alemas que obviamente produzia resultados maravilhosos. A cada quin- zena os nimeros aumentavam algo em torno de uma cente- na de milhar. Estas 300.000, 400.000, 500.000 vitimas divul- gadas, divididas em perdas didrias, semanais, mensais, re- petidas de todas as maneiras, produziram um efeito direto. Nossa formula variou pouco; “de acordo com prisioneiros, as perdas alemas no curso do ataque foram consideré- veis”... “esta comprovado que as perdas”... “o inimigo exa- urido pelas perdas nao renovou o ataque”... Certas formulas, depois abandonadas por terem sido excessivamente utiliza- das, foram utilizadas todos os dias: “sob 0 fogo de nossas metralhadoras e artilharia"... "posto a pique por nossa arti- Iharia e metralhadoras”... Repetigdo constante impressio- nou os paises neutros e a propria Alemanha, e ajudou a criar um panorama sangrento, apesar das negativas da Nauen (a agéncia telegréfica alema) que tentava em vao destruir o mau efeito desta repetigao perpétua®. Do comunicado todos tinham a impressio de que o forte ainda esta- va meio cercado. As palavras nao diziam isso, mas “a imprensa, como sempre, forcou a barra”. Os redatores militares conclufram que os ale- s iriam em breve se render. Em poucos dias eles comecaram a per- guntar por que a fortificagao, sem alimentos, nao tinha ainda se rendido. “Foi necessdrio pedir-lhes através do comité de imprensa que deixassem de tratar do tema do cerco”*. Z O editor do comunicado francés nos diz que, 3 medida que a batalha avangava, seus colegas e ele puseram-se a neutralizar a pertincia dos alemies através da insisténcia continua em suas perdas terriveis. E neces- 4 ‘ 4 i ert z tese do comando francés, que desejava firm4-la publicamente &s estes despachos, foi formulada da seguinte forma para a orien- sdrio lembrar que neste tempo, ¢ de fato até os tiltimos meses de 1917, a dos censores: Esta ofensiva engaja as forcas ativas de nosso oponente cujo poder de fogo esta declinando. Ficamos sabendo que a classe de 1916 ja estd no front. LA permanecerao os da clas- se de 1917 que jé foram chamados, e os recursos da terceira categoria (homens acima de 45 anos, ou convalescentes). 3. Esta é a minha tradugao. A traducao inglesa de Londres publicada no NVew York Times domini- cal de 27 de feversiro diz 0 seguinte: "Londres, 26 de fevereiro [1916]. Uma luta furiosa esta em andamento em torno do Forte de Douaumont, que 6 um posto avangado da antiga organizagao de defesa dos fortes de Verdun. A posigao capturada esta manha pelo inimigo apés varios assal- tos fracassados que Ihe custaram perdas extremamente pesadas [O texto francés diz “pertes tres elevees"; portanto, a traducao inglesa exagera o texto original), foi alcangada outra vez e ul- trapassada por nossas tropas, que todas as tentativas do inimigo nao foram capazes de fazer re- troceder”. 4, PIERREFEU. Op. cit., p. 134-135, 5 fs 198-139, BON Acumeres «+ + Colegdo Clasicos da Comunicagao Soci Em poucas semanas, as exauridas forgas alemas por est esforgo, terao que enfrentar todas as forgas da coalizao (10 iho itra sete milhdes)! front, controla seus movimentos, lé e censura suas mensagens € opera milhdes contra sete milhdes)*. jelegrafia. Através do comando de telegramas e passaportes, correio Juana e bloqueios 0 governo atras do exército aumenta o controle. jatiza-o por poder legal sobre os editores, sobre os encontros puiblicos través de seu servico secreto. Mas no caso de um exército 0 controle 14 longe de ser perfeito. Ha sempre os comunicados do inimigo, cue sics dias de comunicagao radiof6nica nao conseguem ser impedidos chegar aos neutros. Acima de tudo ha 0 relato dos soldados, que che- de volta desde o front, e se espalham quando esto de folga’. Um Feito €algo ingovernavel. E por isso que a censura diplomatica e na- De acordo com M. de Pierrefeu, 0 comando francés passou a acred tar nisso. “Por uma extraordindria aberragao mental, somente o atrito do inimigo foi visto; parece que nossas forgas no estiveram sujeitas ao atrito O General Nivell partilhou destas idéias. Vimos 0 resultado em 1917”, Aprendemos a chamar isso de propaganda. Um grupo de homens, que pode impedir 0 acesso independente a este evento, manipula as nott cias sobre 0 mesmo para adequé-las a este propésito. Que o propésitol neste caso seja patridtico nao afeta absolutamente o argumento. Eles utili zaram seu poder para fazer os ptiblicos aliados verem os fatos da forma que eles desejavam que fossem vistos. O ntimero das vitimas do Major Cointet que foram espalhadas em todo 0 mundo sao da mesma ordem, Eles tinham a intengao de provocar um tipo particular de inferéncia, oul seja, de que a guerra de atrito estava indo a favor dos franceses. Mas a in: feréncia ndo foi tirada na forma de argumento. Resulta quase automatica: € quase sempre completa. Poucas pessoas sabem 0 que est4 aconte- ilo, ¢ seus atos s4o mais facilmente supervisionados. 5 Sem alguma forma de censura, propaganda no sentido estrito da pa- ‘4 ¢ impossivel. Para conduzir a propaganda deve haver alguma bar- entre 0 pablico € o evento. Acesso ao ambiente real precisa ser limi- , antes que alguém crie um pseudo-ambiente que imagine ser mais judo ou desejavel. Por certo tempo as pessoas que tém acesso direto mente da criagao de uma imagem mental de uma intermindvel chacina nas colinas de Verdun. Ao colocar os alemaes mortos no foco da imagem, omitindo a mengao dos franceses mortos, uma imagem muito especial di batalha foi elaborada, Foi uma visao destinada a neutralizar os efeitos do ae “4 len interpreté-lo mal, a menos que se possa decidir onde eles podem ayango territorial alemao e a impress4o do poder que a persisténcia d coe s : sejanas antes do ataque americano a S40 Mihiel ¢ Argonne-Meuse, "todo mundo”, na ela _vontava "para todo mundo” aquele grande segredo. tar egen Colegao Clasicos da Camunicado Sor je publica... do assunto privado, e cuidadosa proviso na lei de imposto de renda conversar, que jornais leram, e onde eles souberam o que eles disse- feita para manté-la tao privada quanto possivel. A venda de um peda # Vocé pode se perguntar estas questdes, mas vocé raramente as res- sje, Blas lhe fariam recordar, no entanto, da distancia que geralmen- para sua opiniao publica do evento que elas tratam. Ea recordagao é de terra nao é privada, mas o prego pode ser. Salarios sao geralmente tr: tados mais privados que ordenados, rendimentos como mais privad que herangas. Os lucros das grandes corporagées sio mais ptblicos di s| mesma uma protecdo. que o das pequenas firmas. Certos tipos de conversagao, como entre mi rido e mulher, advogado e cliente, doutor e paciente, sacerdote e cre te, sdo privilegiados. Os encontros de diretores sio geralmente privado E assim sao muitos encontros politicos, A maior parte do que é dito nui encontro do gabinete, ou por um embaixador ao ministro do Exterio1 ou em entrevistas particulares, ou em jantares, é privado. Muitas pesso: consideram 0 contrato entre o empregador e 0 empregado como priv. do, Houve um tempo quando os assuntos de todas as corporagées era considerados tao privados como a teologia de uma pessoa é para o dia d hoje. Houve um tempo passado que sua fé era considerada um tema ta piiblico como a cor de seus olhos. Mas doengas infecciosas, por outr lado, foram consideradas certa ver, tao privado como o processo de d gestao de um individuo. A histéria da nogao da privacidade seria um narrativa divertida. As vezes as nog6es conflitam violentamente, com aconteceu quando os bolcheviques publicaram os tratados secretos, 01 quando Senhor Hughes investigou as companhias de seguro de vid ou quando o escndalo de alguém exsuda das paginas de Town Topics 01 das primeiras paginas dos jornais do Senhor Hearst. Independentemente se as raz6es para a privacidade sao boas ou més, as barreiras existem. A privacidade é insistida em todos os lugares ni drea dos assuntos piiblicos. As vezes € muito esclarecedor, portanto, vocé se perguntar como obtém os fatos em que vocé baseia sua opiniao. Quem na verdade disse, ouviu, sentiu, contou, nomeou algo, sobre o qui voeé tem uma opiniao? Foi este o homem que lhe contou ou o homen que contou a ele, ou algum outro bem distante? E quanto ele foi autori+ zado a ver? Quando cle the informa que a Franga pensa isso ou aquilo que parte da Franga ele observou? Como ele conseguiu observa-la?) Onde ele estava quando a observou? Com que franceses ele foi autoriza- wib5) Mippiblica . Liner es Pee Uo Hibuiram cOpias anotadas dos discursos do Presidente Wilson dirigi- apn chefes de familia da América. Periddicos quinzenais foram en- os a seiscentos mil professores. Duzentos mil diapositivos foram for- J lios para palestras ilustradas. Um mil e quatrocentos e trinta e oito di- sites desenhos foram publicados em posters, cartes de janelas, antin- 5 : Contato e oportunidade publicitarios, cartuns, selos e botdes. As cAmaras de comércio, as igre- inrmandades, escolas, foram utilizados como canais de distribuigio. sforco do Senhor Creel, ao qual ainda nem comecei a fazer justica, Jneluiu a estupenda organizacéo do Senhor McAdoo para o Liberty s, nem a vasta propaganda sobre alimentos do Senhor Hoover, nem ypanhas da Cruz, Vermelha, da Associagéo Crista de Mogos, do Exér- hi Salvacao, dos Cavaleiros de Columbus, do Comité de Bem-Estar Jeo, sem mencionar o trabalho independente das sociedades patri6- como a Liga para a Implantacao da Paz, a Associagao da Liga das wes Livres, a Liga de Seguranga Nacional, nem a atividade dos es- fios de publicidade dos aliados e das nacionalidades sob cerco. Enquanto a censura e a privacidade interceptam muita informagal na fonte, um corpo muito maior de fatos nunca chega ao ptiblico em gf ral, ou entao o faz muito lentamente. Pois hé limites muito nitidos para circulagao das idéias Uma estimativa grosseira do esforgo que se faz para alcangar “todo. mundo” pode ser obtida ao se considerar a propaganda do governo di rante a guerra, Lembrando que a guerra tinha durado mais do que doi anos € meio antes que os Estados Unidos entrassem nela, que milhoes milhées de paginas impressas tinham circulado e discursos sem fim # nham sido feitos, retornemos ao relato do Senhor Creel de sua luta “peli mente dos homens, para a conquista de suas convicgGes” para que “ evangelho do americanismo possa set levado a cada canto do mundo” Provavelmente este é 0 mais amplo e mais intensivo esforgo de levar mente um conjunto razoavelmente uniforme de idéias a todas as sos la nagao. A forma antiga de proselitizar funcionava lentamente, 4 com mais certeza, mas nunca de forma tdo inclusiva. Se fossem slay agora medidas tao extremas para chegar a todos em tempo de oO el i 3s i Senhor Creel teve que montar uma maquinaria que incluiu um deh A As mentes dos homens? Divisio de Noticias que liberava, ele nos conta, mais de seiscentas notas teve que alistar setenta e cinco mil Homens de Quatro Minutos!® que le: varam a cabo pelo menos setecentos e cinqiienta mil, cento e noventi discursos para um agregado de mais trés milhdes de pessoas. Escoteiros , iio abertos estao os canais mais usuait jiistrac&o estava tentando, e enquanto a guerra estava em andamen- i argamente bem-sucedida, eu acredito, em criar algo que pudesse ‘hamado de opiniao piblica por toda a América. Mas imagine o tra- ho obstinado, a complicada criatividade, 0 dinheiro e 0 pessoal que pxigiu. Nada como isso existe em tempo de paz, e como corolario ha 8. George Creel (1876-195: imei da historia americana. SLE LE eT ee da propagandi las scces, hd vastos grupos, guetos, enclaves e classes que ouvem so- 4 la no perfodo da Primeira Gi Mundial. Sua missio era convencer a opiniao publi is di nee pinido publica do pais dividida sobre a intervenga u oat vicana no confito contra a Alemanha, Ele estebeleceu um sistoma voluntério de autocensurdl Masada de MEIER 0 Files vivem nas monétonas rotinas, esto envolvidos no meio de seus ete Gi @ estoria de atrocidades praticadag i las. Esoreveu trés livros em que slabore sobre a sua experiéncia a frente do Co. bate nfrmagso Eabie! Hoy Walder lcediavaee Ge aoontare Waning Wee can rios assuntos, excluidos es temas mais amplos, encontraln-s2 com }, € sua autobiografia, Rebe/ at Large (1947) {N.T.). cas pessoas diferentes de si mesmos, léem pouco. Viajam ¢ nego- 9. CREEL, G. How We Advertised America. Afe vagamente sobre muito do que esta acontecendo. 4, os correios, os telegramas, 0 rAdio, as linhas ferrovidrias, as estra- a - ‘ aoe Nas sessdes de cinema, emissdrios do governo discursavam aos prasentes por quatro mit futos elaborando sobre a guerra, visando desta forma elevar a moral da populagao do pais. havios, carros, ¢ nas préximas geragbes os avibes, sAo, naturalmen- Sou ja publica iftadnflue io de idéi , 5 s barreiras existirao mesmo te, da maxima influéncia na circulagao de idéias, Cada um deles afet «li por instalagdes exceder a oferta, as bi © suprimento ¢ a qualidade da informagao e opiniao numa forma d © monopélio. mais intrincadas. Cada um deles é afetado pelas condigGes técnicas, eco némicas e politicas. 2 O tamanho da renda de uma pessoa tem consideravel efeito Spe avesso ao mundo que esta distante de sua vizinhanga. Com ue pode superar quase todo obstaculo tangfvel de comunicagio, pode , comprar livros e periddicos, e pode trazer para a area de ae aten- juase todo fato conhecido do mundo. A renda de um Dee ea 4a da comunidade determinam a quantidade de comunicagao que € ivel. Mas as idéias dos homens determinam como aquela renda deve aula, 0 que por sua vez afeta no longo prazo a quantidade Oe aa eles terdo, Mas h& também limitagées, igualmente verdadeiras, ja ‘elas freqtientemente sao auto-impostas e auto-indulgentes. Cada vez que o governo facilita a liberacao do passaporte ou a int pegio da aduana, toda vez que uma nova via ferrovidtia ou um no porto é aberto, uma nova linha naval é estabelecida, toda vez que os pri 0s sobem ou descem, os correios viajam mais rapido ou mais lentame! te, os telegramas sao livres de censura e tornados mais baratos, rodovi: sao construfdas, ou alargadas, ou melhoradas, a circulagao das idéias ¢ influenciada. Os hordrios das tarifas e subsidios afetam a diregao do e1 preendimento comercial, e, portanto, a natureza dos contratos humai nos. E pode muito acontecer, como foi o caso de Salém, Massachul setts'!, que a modificagao na arte da construgdo naval reduzira uma cid: 114 porgdes de um povo soberano que gasta a maior parte do tempo do dinheiro disponivel em motores e comparando motores ab 4s, em ufste™ e em assitir a debates sobre esportes e politica, em fil- © trabalho artistico, conversando sempre com as mesmas pes ons 4 yariacdes minimas sobre os mesmos velhos temas. Nao sapes di- Jur esto sofrendo censura, ou de sigilo, ou alto custo de vida ou de Sildade de comunicacao. Sofrem de anemia, de falta de apetite e de cu- jude pela cena humana. Nao € deles o problema de acesso ao mun- terior. Mundos de coisas interessantes os esperam para serem ex- transito mais rapido nao sao necessariamente bons. £ dificil afirmar, pot exemplo, que 0 sistema ferrovidrio francés, tio centralizado em Paris, tenha sido uma indiscutivel béngSo ao povo francés. aspectos do programa da Liga das Nagées tem sido o estudo feito sobre @ transito das ferrovias e 0 acesso ao mar. O monopélio da cabodifusio™, dos portos, dos postos de gasolina, das Passagens montanhosas, canais, estreitos, leitos dos rios, terminais, mercados significam muito mais do que o enriquecimento de um grupo de negociantes, ou do prestigio de um governo. Significa uma barreira A troca de noticias e opiniao. Mas pidos, e eles nao entram. Files se movimentam, como se estivessem numa correia, num mesmo Jo de conhecidos de acordo com a lei ¢ o evangelho de seu marco al, Entre os homens, os cfrculos de conversacao no trabalho, no clu- yayoes de fumantes so mais amplos que o marco social ao qual a incom. Entre as mulheres, o marco social ¢ o circulo de conversagao monop6lio nfo é a tinica barreira. Preco ¢ abastecimento disponivel sio ainda maiores, pois o custo de viajar ou negociar é proibitivo, e se a dex Jreqlicntemente iguais. E no marco social que as idéias derivadas das JE a We eae ae se palestras e do circulo de conversacao convergem e s4o apresen- 11. A cidade de Salém tem cerca de 40 mil habitantes. Seu antigo porto foi assoreado, A local dade tornou-se conhecida pelo julgamento contra bruxas em 1692. O porto da cidade era um dos los do pais com a China. O comércio naval decaiu depois da guerra de 1812. 12. Aperfeigoa a capacidade de considerar a tagarelice seriamente. lets 6 um jogo de cartas de origem inglesa, jogado por duas duplas, sendo considerado o tral clo bridge (N.T.). + + « Coleco Cléssicos da Comunicagéio Bp piblice vaca ws Suveariod ee tadas, aceitas, rejeitadas, julgadas ¢ sancionadas. La € finalmente decid do em cada fase da discussdo que autoridades e que recursos de infor! do sio admissfveis, e quais nao. Aidrdulicos, motoristas, costureiras, subcontratados, ou estendgrafos, Jes cle um copeiro, dama de companhia, operador de cinema ou en- hieiro de locomotiva. E mesmo assim o retorno financeiro nao coinci- Nosso marco social consiste daqueles que figuram como pessoas Mecessariamente com estas classificagoes. frase “as pessoas estdo dizendo”; so as pessoas cuja aprovacéo nos if porta intimamente. Nas grandes cidades, entre os homens e mulheres d amplos interesses e com os meios para se movimentar, 0 marco socij nao € tao rigidamente definido. Mas mesmo nas grandes cidades, quarteirées ¢ ninhos de vilarejos contendo marcos sociais auto-s ficientes. Em comunidades menores pode existir uma circulagao mais li i Seja qual for o teste de admissdo, o marco social quando estabeleci- flo & meramente a classe econdmica, mas algo que se parece mais 41m cla biolégico. A admissao est4 intimamente conectada ao amor, mento ¢ filhos, ou, para afirmar com mais exatidao, com as atitudes «jos que esto envolvidos. No marco social, portanto, opinides en- fam os canones da tradicao familiar, propriedade, dignidade, gosto vre, uma amizade mais genuina do apés o café da manha e até antes di jantar. Mas poucas s4o as pessoas que nao sabem, no entanto, a que tip de marco social pertence, e a quais nao pertencem. Usualmente a mare distintiva de um marco social é 0 pressuposto de que as criangas deven yinia, que constituem a imagem do marco social de um ser, uma ima- ausiduamente implantada nas criangas. Nesta imagem, um largo es- + € tacitamente concedido a uma versio autorizada do que cada mar- casar-se entre si. Casar fora do grupo envolve, ao menos, um moment de diivida antes que o engajamento seja aprovado. Cada marco socia tem uma imagem bastante clara de sua posigao relativa na hierarquia dot marcos sociais. Entre os marcos no mesmo nivel, a associagao € facil, of individuos sao facilmente aceitos, a hospitalidade é normal e sem emba racos. Mas no contato entre os marcos que estio “acima” ou “abaixo” hi social é chamado a aceitar desde o exterior como 0 marco social dos 49s, Quanto mais vulgar for a pressao para a expressao externa da de- icin devida, os outros s4o decente e sensitivamente silenciosos sobre ‘onhecimento de que tal deferéncia existe de forma invisivel. Mas Je conhecimento, tornando-se aberto quando ha um casamento, ou im social, € o nexo de um largo pacote de disposigdes classificadas otter! sobre o termo geral de instinto de bando. viduos movem-se de forma relativamente livre de um marco a outro, Nentro de cada marco social existem pressdgios como os feitos por ‘ley Luydens e a Senhora Manson Mingott em The Age of Ee sjuc Sio reconhecidos como os guardides e intérpretes de seu siste- ocial. Vocé existe, eles dizem, se os van der Luydens os considera. pecialmente onde nao existe barreira racial e onde a posigdo econdmi muda tao rapidamente. Posigéo econémica, no entanto, nao é medida pela quantidade d renda. Pois na primeira geracao, pelo menos, a renda nao é 0 que dete mina o padrao social, mas o cardter do trabalho de um homem, e pod levar uma geragio ou duas antes que ele desapareca da tradicao da fain lia. Assim o sistema financeiro, a lei, a medicina, o servigo piblico, o§ onvites para suas ceriménias € 0 sinal mais elevado de boas-vindas e «. As cleig6es as sociedades universitarias, cuidadosamente gradua- © coin classificag6es universalmente aceitas, determinam quem vocé jniversidade. Os lideres sociais, considerando as responsabilidades hicas mais elevadas, sdo peculiarmente sensiveis. Nao somente eles jornais, a Igreja, o atacado, as agéncias corretoras, a manufatura s40 clas: sificados com valores sociais diferentes de atividades como vendas, supe: rintendéncia, trabalho técnico especializado, enfermagem, docéncia es T/ER, W. dnstinets of the Herd in War and Peace. colar, balconista; ¢ estes, por sua vez, s40 classificados diferentemente ANTON, E. The Age of Innocence. Corer bess esse. +s. Colegio Clissicos da Comunicagéo Sod devem estar visivelmente conscientes, 0 que assegura a integridade ¢ fluentes do mundo, contendo o corpo diplomatico, as altas financas, seu marco, como precisam cultivar uma qualidade especial por conhee Tem 0 que outros marcos sociais esto fazendo. Agem como uma espécl de ministro de relagées exteriores. Onde a maioria dos membros de marco vive complacentemente dentro de seu marco, considerandos para todos os propésitos praticos do mundo, os Iideres sociais precisa combinar um conhecimento intimo da anatomia de seu préprio mare com 0 sentimento persistente de seu lugar na hierarquia dos marcos, A hierarquia, na realidade, é estabelecida pelos lideres sociais. Nut certo nivel hd algo que poderia ser chamado de marco social de lidere sociais. Mas verticalmente a unidade real da sociedade, se unida consi gue ficar pelo contato social, é realizada por aquelas pessoas excepcig nais, freqiientemente suspeitas, que como Julius Beaufort e Ellen Olen: ka em The Age of Innocence entram e saem. De forma que conseguem e§ tabelecer canais pessoais entre um marco ¢ outro, através dos quais a leis da imitagao de [Gabriel] Tarde operam. Mas para largas secdes populacao nao existem tais canais. Para eles as descrigdes patenteada da sociedade ¢ os filmes sobre a vida nas altas esferas tem que lhes servi ins grandes proprietarios de jornais, suas esposas € ages e a que letém o cetro da apresentagao. Foi certa vez wm See circulo a al ersagdio e realmente um marco social. Mas sua oc vem to ae » que aqui ao menos a distingao entre os assuntos publicos e pee los aticamente desapareceu. Os assuntos privados deste marco sao ca Ablicos, ¢ os temas publics lhe so privados, geralmente oe a jliares. Tanto os confinamentos de Margot Asquith’” como os confina- entos da realeza sao, como dizem os filésofos, muito aproximadatnen: © mesmo universo de discurso que trata tanto da tarifa de uma conta smo de um debate parlamentar. 2 Ha varias areas de governos nas quais este marco social nao esta in- Feasado, e na América, pelo menos, tem exercitado somente um ou; Jo fluruante do governo nacional. Mas seu poder nos assuntos ont; jos ¢ sempre muito grande, e em tempo de guerra seu Dreeueia sinemente estimulado. Isso é natural porque estes cosmopolitas a eontato com o mundo exterior que a maior parte das ie nao Podem desenvolver uma hierarquia social propriamente sua, quase im ssi. Eles tém jantado juntos nas capitais, ¢ seus sensos oe ve a perceptivel, como os negros ¢ os “elementos estrangeiros” fizeram, ma jal nao s40 meras abstragées; é uma experiéncia oe — nie entre as massas assimiladas, que sempre consideram a si mesmos a “ni Jp ou aprovado por seus amigos. Ao Dr. Kennicott le ‘ op 5 oo co”, existe, apesar da grande separagdo de marcos, uma variedade d evessa bem pouco o que Winston pensa emuito ee a oe Contatos pessoais através dos quais a circulagao de padrées acontece. nea, mas A Senhora Mingott, cuja filha esta casada com Earl de a syessa muito quando ela visita sua filha, ou entretém ela propria a ston. O Dr, Kennicott e a Senhora Mingott so ambos socialmente siveis, masa Senhora Mingott é sensivel a um mano social que gover- 5 mundo, enquanto o marco social do Dr. Kennicott governa Pare Hopher Prairie. Mas em quest6es que afetam as amplas relagées da ride sociedade”, o Dr. Kennicott sera visto defender 0 que pensa set Hehte sua opiniao, muito embora, na realidade, oe cad esta Ienidendo €a opiniao da alta sociedade, que foi se infiltrando até che- Alguns dos marcos esto tao bem posicionados que se tornam o qui 0 Professor Ross chamou de “pontos radiantes de convencionalidade”" Portanto, 0 ente social superior tende a ser imitado pelo ente social i ferior, o donatario do poder é imitado pelos subordinados, os mai: bem-sucedidos pelos menos bem-sucedidos, os ricos pelos pobres, a ci dade pelo interior. Mas a imitagdo nao para nas fronteiras. O poderoso, socialmente superior, bem-sucedido, rico, marco social urbano é fun mentalmente internacional em todo o hemisfério ocidental, e em muitos sentidos Londres é seu centro. Entre seus membros estao as. pessoas mail ein Alice Margaret “Margot” Asquith, Condessa de Oxford & Asquith oar pase a a [546), sutora anglo-escocesa. Ela e sua irma tornaram-se duas mulheres centrais num 9} +: " (N.T). 18. ROSS. Social Psychology, cap. IX, X, Xl. spatico de intelectuais conhecido como “The Souls” (N.7). + + + Colegio Clasicos da Comunicagéo So gar a Gopher Prairie, experimentando miltiplas transformacées em s Ppassagem pelos circulos provincianos. 4 Nao faz parte de nossa investigagdo uma anilise do tecido soci Precisamos somente fixar na mente quao grande é a parte representa pelo marco social em nosso contato espiritual com 0 mundo, como el tende a fixar 0 que ¢ admissivel, e determinar como deve ser julgad Cada marco determina para si préprio os assuntos dentro de sua comp. téncia imediata. Acima de tudo ele determina a administragao detalhad, dos jufzos. Mas o proprio julgamento é estabelecido por padrées"® qui podem ser herdados do passado, transmitido ou imitado de outros mai cos sociais. O mais alto marco social consiste daqueles que corporificat alideranga da grande sociedade. E ao contrério de quase todos os outr marcos sociais onde 0 montante de opinides é de primeira mao soment sobre assuntos locais, nesta alta sociedade as grandes decisées sobre paz e a guerra, de estratégia social e a distribuigdo definitiva do pode! politico séo experiéncias intimas dentro de um circulo que, potencial mente ao menos, sao de relagdes pessoais. Uma vez que posig3o e contato tem um papel tao importante em de terminar o que pode ser visto, ouvido, lido e experimentado, assim com © que € permissivel se ver, ouvir, ler e conhecer, nao surpreende que o jul gamento moral seja muito mais comum que 0 pensamento construtivo, Ainda assim no verdadeiro pensamento efetivo a primeira necessidade eliminar julgamentos, recuperar um olhar inocente, desembaracar os sen: timentos, ser curioso e de coragao aberto. A histéria do homem sendo o que é, a opiniao piblica na escala da grande sociedade demanda um volu- me de abnegacao equanime raramente atingivel por alguém em qualquer periodo de tempo. Estamos preocupados com os assuntos publicos, mas: imersos nos nossos privados. O tempo ea ateng4o sio limitados para se- rem gastos no trabalho de nao se considerar as opinides como um fato dado, sendo ainda submetidos a constante interrupgio. Mit AEG asin i Hincbet as gai 18. Cf, Parte Ill. é Tempo e atengaéo 1 Naturalmente € possivel fazer somente uma estimativa grosseira da f - i ‘ ae antidade de atengao que as pessoas dao cada dia para se informar © 0s assuntos publicos. Ainda assim é interessante que trés estimativas © examinei concordam razoavelmente bem entre si, muito embora te- am sido realizadas em perfodos distintos, em diferentes lugares, ¢ por todos variados””. Um questiondrio foi enviado por Hotchkiss e Franken a vee uni- feitirios homens e mulheres de Nova York, e algumas Ce ane letadas. Scott aplicou um questiondrio em 4.000 proeminentes ee ns de negécios e profissionais de Chicago € recebeu cots e 00, Entre 70 e 75% de todos os que responderam a qualquer S stiondrios disseram que gastavam diariamente um. jauatis de hora 6 jornais. Somente 4% do grupo de Chicago sugeriram ee si + 25% sugeriram mais. Entre nova-iorquinos, um pouco acima de calcularam sua leitura de jornal em menos de quinze minutos. ys ay Ga oe faeatacta Pouquissimas pessoas tém uma idéia muito exata do que sejam F inutos, de forma que nao podem ser considerados ao pé da letra. | disso, os homens de negécio, profissionais, estudantes universi- » esto propensos a um curioso viés de nao aparecer gastando muito po com jornais, e talvez também a uma débil suspeita de desejar se- \hv0, 1900. WILCOX, D.F. The American Newspaper: A Study in Social Rsvenoied Ames rican Academy of Political and Socia/ Science, Vol. XVI, p.56 (As tabe es settee eno hi ROGERS, J.E. The American Newspaper). + 1916 (?): SCOTT, W.D. The Psy i p. 226.248. Ver também ADAMS, H.F. Advertising and its pra taee ap: 1890, Newspaper Reading Habits of College Students, de Bias Sy pts cee zi ice © Richard B. Franken, publicado pela Association of National , GAN a hc ray gas ee Colegao Cléssicos da Comunicacao Sod ep Piblica SI adem) weer os ue Wi nle weteeeencaten sede rem conhecidos como leitores rapidos. Todos estes dados podem | considerados somente como significando que acima de trés quartos di liste foi um grupo universitario misto. As jovens afirmaram interesse jor que os rapazes em noticias gerais, noticias internacionais, noticid- selecionados nos grupos mostram um grau muito baixo de atengao dad as noticias impressas do mundo exterior. local, politica, editoriais, 0 teatro, musica, arte, estérias, cartuns, Hncios, e o “tom ético”. Os rapazes, por outro lado, ficaram mais ab- As estimativas deste tempo sao razoavelmente bem confirmadas pé Fviclos em finangas, esportes, a pagina de negécios, “exatidao” e “no- um teste que € menos subjetivo. Scott perguntou seus co-cidadaos d hreves”. Estas caracteristicas correspondem bem proximamente aos Chicago quantos liam jornais todos os dias, e foi informado que * 14% léem somente um jornal; in consideradas de falta de objetividade. is do que é cultivado e considerado moral, viril e decisivo, para nao Mesmo assim eles concordam razoavelmente bem com as respostas homens de negécios e profissionais do grupo de Chicago de Scott. * 46% léem dois jornais; * 21% léem trés jornai i ° foram questionados, nao o que os interessa mais, mas por que eles © 10% léem quatro jornais; ferem um jornal ao invés de outro, Quase 71% basearam sua prefe- * 3% léem cinco jornais; Ja consciente em noticias locais (17,8%), ou politica (15,8%) ou fi- 4» (11,3%), ou internacional (9,5%), ou noticidrio geral (7,2%), ou riais (9%). Os outros 30% decidiram com base em critérios nao re- * 2% léem seis jornais; * 3% léem todos 0s jornais (oito ao tempo desta investigacao). isnados com assuntos piblicos. Eles variavam de quase sete que deci- Os leitores de dois a trés jornais sto 67%, muito préximos dos 719 4 é ; im pelo tom ético, caindo para 1/12 de 1% dos que se interessavam do grupo de Scott que se classificaram em mais de 15 minutos didrios Os leitores avidos de quatro a oito jornais coincidem aproximadament com os 25% que se classificaram em mais de 15 minutos. com humor. “pmo estas preferéncias correspondem ao espaco dado aos jornais a ye assuntos? Infelizmente nao ha dados coletados neste ponto para hais lidos pelos grupos de Chicago e de Nova York no periodo que jiestionarios foram feitos. Mas ha uma anilise interessante feita ha E mais dificil suspeitar como o tempo € distribufdo. Os estudanté dle 20 anos atras por Wilcox. Ele estudou 110 jornais em 14 gran- universitarios foram questionados a dizer “os cinco assuntos que mais # interessam”. Somente menos de 20% votaram em “noticias gerais,” so mente quinze para editoriais, somente menos de doze para “politica um pouco acima de oito para finangas, e menos de dois anos apés 0 al a misticio um pouco acima de seis para noticias internacionais, trés e mei | Noticias, 55,3% para o noticidrio local, cerca de trés para economia, e 1/4 de 1% pa noticias “sindicais”. Uns distrafdos disseram que estavam mais interessa dos em esportes, artigos especiais, teatro, antincios, cartuns, critica lite raria, “precisao”, misica, “tom ético”, sociedade, notas breves, arte, torias, navegacao, educacio, “noticias correntes”, grafica. Desconside rando estes, cerca de 67,5% pegaram como assuntos mais interessante noticias e opiniao que tratavam de assuntos ptiblicos. lades, e classificou os assuntos em mais de 900 colunas. in média para todo o pais, os varios contetidos dos jornais encon- a) Noticidrio de guerra, 17,9% h) Noticidrio geral, 21,8% Internacional, 1,2% Politica, 6,4% Crime, 3,1% Variadas, 11,1% 665. + Colegio Clasicos da Comunicagao So Be pidblice et ahs ROOMMNRISE PIES se Resor y ia ae etch c) Noticiario especial, 15,6% II, Ilustragdes, -4,6% Comércio, 8,2% il, Literatura, +3,5% Esporte, 5,1% IV, Opiniao, -10,5% Sociedade, 2,3% a) Editoriais, -5,8% IL, Ilustragées, 3,19% b) Cartas, +4,7% IL Literatura, 2,4% Se vocé acrescenta a esta tabela revisada os itens que devem tratar de IV. Opiniao, 7,1% suios puiblicos, ou seja, como a guerra, internacional, politica, temas Jos, noticias de economia, e opiniao, vocé encontrara um total de ms 44) do total do espago destinado a edigao em 1900 ea 70,6% das ra- Dae ay slaclas pelos homens de negécio de Chicago em 1916 para preferir V. Publicidade, 32,1% jornal, e a cinco assuntos que mais interessam a 67,5% dos estu- (ea universitarios de Nova York em 1920. Isso significa que os gostos homens de negécio ¢ estudantes universitarios nas grandes cidades joie ainda corresponde mais ou menos ao julgamento médio dos edi- \Jos jornais nas grandes cidades vinte anos atras. Desde aquele tem- pioporgao de reportagens a noticias sem davida dobrou, eo mesmo aieceu com a circulagéo e o tamanho dos jornais. Portanto, se hoje puder obter respostas dos grupos mais tipicos que os obtidos com lantes universitarios ou do comércio e profissionais, vocé pode es- a) Editoriais, 3,9% A fim de trazer a este quadro uma comparagao adequada, é necesst rio excluir o espago dado aos antincios, e recalcular as percentagens. antincios ocuparam somente uma parte infinitesimal da preferéncia co: ciente do grupo de Chicago ou do grupo universitario. Penso que € just ficdvel aos nossos propésitos porque a imprensa publica os antincios qui consegue obter*”, enquanto o resto destina-se ao gosto de seus leitores. tabela mostrara entao: Eee eee encontrar uma menor porcentagem do tempo destinado aos as- a) Noticiario de guerra, -26,4% 4s publicos, assim como uma porcentagem menor de espago. Por b) Noticidrio geral, +32,0% Jado, vocé pode esperar descobrir que a média que o homem gasta Js do que um quarto de hora em seu jornal, e que enquanto a per- yem de espago dado aos assuntos piblicos é menor que 20 anos i quantidade Iiquida € maior. Internacional, -1,8% Politica, +9,4% Crime, -4,6% sducio claborada alguma pode ser tirada destes mimeros. Eles aju- Variadas, +16,3% jneramente a fazer nossas nogées do que esté acontecendo no dia-a~ sc adquirir informagao sobre nossas opinides um pouco mais con- Os jornais no sao, naturalmente, os tinicos meios, mas sAo certa- os principais. Magazines, o forum puiblico, a chatauqua”!, a Igre- c) Noticiario especial, -23% Comércio, -12,1% Esporte, +7,5% Sociedade, -3,3% = irr movimento de educagao de adultos muito popular no fim do século XIX ¢ até a meta- sipiilo XX nos Estados Unidos. As assembléias Chatauqua se expandiram e se espalha- 5 {avis lo interior do pais. O movimento trazia, as comunidade palestrantes, professores, 20. Com excegao dos que consideram inaceitéveis, e os que, excepcionalmente, sAo excessivos. =ss, progadores e especialistas famosos da época. 68 7 PEs oe hae . . Colegdo Classicas da Comunicacao Soc ja, as reunides politicas, as reunies sindicais, os clubes femininos e as sé ries noticiosas nas salas de cinema suplementam a imprensa. Mas consi; : Velocidade, palavras e clareza derando tudo isso numa estimativa favordvel, 0 tempo didrio é pequent : ” quando qualquer um de nés é diretamente exposto a informacdo de nog so ambiente invisivel. 1 O ambiente invisivel nos é relatado principalmente por intermédio palavras. Estas palavras s4o transmitidas por cabo ou por radio de re- drteres aos editores que as preparam para serem impressas. Telegrafia é |, ¢ 0S equipamentos sao freqiientemente limitados. O servigo das fncias de noticias, portanto, é freqiientemente codificado. Portanto Jespacho que diz Washinton, D.C., 1° de junho ~ Os Estados Unidos conside- ram a questo do confisco da navegagao alema neste pals na eclosdo das hostilidades como um incidente encerrado, ade ser transmitido nos despachos por cabo da seguinte forma: Washn 1. The Uni Stas rgds tq of Ger spg seized in ts cou att outbk 0 hox as a clod incident”. Um despacho noticioso dizendo: Berlim, 1° de junho — Ao explicar o programa de governo ante o Parlamento, o Chanceler Wirth disse hoje que a “re- construgéo e a reconciliagao constituirdo a chave da nova politica do executivo”. Acrescentou que o gabinete decidiu que o desarmamento nao se converteré numa oportunidade para que 0s aliados imponham sangées adicionais®, levia ter sido transmitido desta forma: Berlim, 1. Ao explicr 0 progrm do govno ao parlmento, o chnller Wirth disse hoje que com a “reconstao e a reconcliao constitiao a chve da nova pol do extivo”. Actou que o gbnet Eddigo de Phillip. O texto refere-se A mensagem em inglés: Washington, D.C. June 1. The latos regards the question of German shipping seized in this country at the outbreak of iiles as a closed incident (N.1), dlescrever hoje 0 programa do governo o Chanceler Wirth disse ao Reichstag que ‘a res- 40 © a reconolliagdo sero a tdnica da nova politica governamental’. Acrescantou que 0 sis estova determinado a levar a cabo loaimente o desarmamento e que o desarmamento Javerin ser a ocasiéo para penalidades adicionais pelos aliados” (N.T.) (See eRe eae +s s+ 44+ + Colegdo Classicos da Comunicacéo Social ihe publica decdiu que o desrmmto nao se convteré numa optudad " 7 ieee sje, entre todas as formas de cooperagao internacional, a investiga- para q os ados impham sangées adcionais. s cientifica € a mais efetiva. (0s homens tém dominio de menos palavras do que tém idéias para ex- sar, ¢ a linguagem, como disse Jean Paul, € um diciondrio de metafo- descoloradas**. O jornalista, dirigindo-se a meio milhao de leitores dos sui uma ténue idéia, e o orador, cujas palavras s4o despachadas a motos ¢ além-mar, nao podem esperar que algumas frases carre- Neste segundo despacho a substincia foi separada de um longo discu so numa lingua estrangeira, traduzido, codificado, e entao decodificado. O} operadores que recebem as mensagens as transcrevem a medida que as re cebem, e me informam que um bom operador pode escrever 15 mil pala: yras ou até mesmo mais palavras em oito horas didrias, com meia hora dé intervalo para o almogo e dois periodos de 10 minutos para descanso. sara dos Deputados®’, “pareciam dar aos pan-germanistas a idéia de que snpo havia chegado para comegar algo”. Um primeiro-ministro inglés, ido em inglés ao atento mundo inteiro, fala seu préprio significado em proprias palavras a todo o tipo de pessoas que vero seus significa- jaquelas palavras, Nao importa quao rica ou sutil - ou ainda quanto Js rica e mais sutil for o que ele tem a dizer —, mais seu significado so- #4 A medida que flua em diregao ao discurso padrao ¢ entao distribuido Z; Algumas poucas palavras podem freqiientemente representar toda w 10 de atos, pensamentos, sentimentos e conseqiiéncias. Nés lemos: Washington, 23 de dez. - Uma declaragao acusando as autori dades militares japonesas com proezas mais “terriveis e bar baras” do que qualquer outra coisa que jamais tenha se alega do tenha ocorrido na Bélgica durante a guerra foi liberada hoje aqui pela Comissdo Coreana, baseada, diz a comissao, em relatos auténticos recebidos por ela desde a Manchtria. iva vez entre as mentes forasteiras”®. Testemunhos locais, cuja precisio é desconhecida, reportam-se aos autores de “relatos auténticos”; estes por sua vez os transmitem a uma) comissao de cinco que esta a milhares de quilémetros de distancia. Ela prepara uma declaragio, provavelmente muito longa para publicagao de onde um correspondente separa um item de 10 centimetros de com icado tem que ser resumido de tal pud WHITE, Mechanisms of Character Formation. Jegrama especial a0 The New York Times, 25/05/1921, por Edwin L. James. fi Maio de 1921, as relagdes entre a Inglaterra ea Franga estavam: estremaecidas pela insurrei eM. Korfanty na Alta Silésia, O despacho de Londres do Manchester Guardian (20 de maio 487\) continha o seguinte texto: A troca de mensagens entre franceses e alemaes. Em meios firfixinos do jeito e caréter francés encontro a tendéncia de pensar que indevida sensibil Si jnostrada por nossa imprensa e opiniao publica na linguagem viva e por vezes: intempestiva iprensa francesa ao longo da presente crise. Este aspecto me foi colocado por um observa | sult bem informado da seguinte maneira. “Palavras, como o dinheiro, sao indicios de va~ “Flss ropresentam significado, portanto, e como o dinheiro, seu valor representado sobe © A palavra francesa etonnant foi utilizada por Bossuet com um peso terrivel que foi perdido ef , Algo similar pode ser observado na palavra inglesa awful. Algumas nagoes constitu- Jjijonte tendem a subestimar, outros a superestimar. O que o britanico Tommy chamou de # jocivo pode ser somente descrito por um soldado italiano por intermédio de um rico voca- {0 aunxillado por um exuberante mimetismo. Nagdes que falam com moderagao mantém es- ‘sun palavra-moada. Nagoes que exagaram sofrem de inflagéio om sua linguagem. Expres- & sumo a distinguished scholar, a clever writer ("cistinto académico", “escritor talentoso") sari) ser traduzidas ao francés como a great savant, an exquisite master (“um grande sabio", jiwstre esquisito”}. E uma questdo de troca, ¢ mesmo na Franga onde um pound paga 46 + +s, qualquer um sabe que isso nao faz seu valor aumentar no pais. Britanicos lendo a impren- ‘Jajicnsa precisam se esforcar em dar-se conta de fazer uma operagao mental similar ao ban- jf que transforma de volta o franco a pounds, sem esquecer ao assim agir que enquanto em ips niormais a troca era de 25, agora 6 de 46 por causa da guerra, Pois hé uma flutuagao nas =## dls palavras come nas trocas de dinheiro. "O argumento, espera-se, funciona em ambas as ieohes, 0s franceses nao deixarao de dar-se conta de que existe um valor atras das reticéncias lseae como atras de suas proprias express6es exuberantes”. primento para publicagio. O signi forma, a fim de permitir que o leitor julgue que peso deve dar as noticias, E duvidoso se um supremo mestre de estilo poderia empacotar to- dos os elementos de verdade que a completa justiga demanda de um relae to de 100 palavras do que aconteceu na Coréia ao longo de varios meses, Afinal, a linguagem é de forma alguma um vefculo perfeito de significas dos. Palavras, como a moeda, sio manipuladas uma e outra vez, par: evocar um conjunto de imagens do dia, ¢ outras do amanha. Nao h qualquer certeza de que a mesma palavra evocard exatamente a mesma idéia na mente do leitor como a produzida na do repérter. Teoricamen- te, se cada fato e cada relagao tém um nome que é tinico, e se cada um fosse concordar nos nomes, seria possivel comunicar sem engano. Nas ciéncias exatas h4 uma aproximagio a este ideal, ¢ isso é parte da razag Tec veces eneeeaseeee s+ Colegio Clasicos da Comunicagdo Soc Wao publica... ieeiage, oneness fae near Milhées dos que estado Ihe observando conseguem ler. Outros mi * “Uma pessoa contra 0 pais.” IhGes podem ler as palavras, mas nao conseguem entendé-las. Entre | . ane podem ler Gentendér,podems supoz queleercaide its Hat sy Mesmo assim a palavra alienigena é um termo excepcionalmente a no de meia hora didria . Para eles a : ' . nbam em torno di didtia de folga para o/assunto. Para’eley 10, bem mais exato que palavras como soberania, independéncia, alavras adquiridas sao pi idéi 6 i ig Soo eee ee eee ee ee eae ues Coe 4 nacional, direitos, defesa, agressao, imperialismo, capitalismo, so- ma inst4ncia um voto de conseqiiéncias imprevistas pode se basear. Ne limo, sobre os quais logo tomamos posigées “a favor” ou “contra”. cessariamente as idéias que nés autorizamos evocar as palavras que | mos formam a maior parte das informagées originais de nossas opinides, ? O poder de dissociar analogias superficiais, prestar atengao nas dife- O mundo € vasto, as situagdes que nos preocupam sao intrincadas, aj mensagens s4o poucas, e a maior parte da opiniao precisa ser construidi na imaginagao. pis apreciar a variedade é lucidez mental. E uma faculdade relativa. Quando usamos a palavra “México” que imagem ela evoca num re ino assim as diferengas de lucidez sao extensas, digamos como a que sidente de Nova York? Provavelmente, é algum composto de areia, ca¢ entre um recém-nascido e um botanico examinando uma flor. Ao to, pogos de dleo, graxa, indios bebedores de rum, petulantes e velho fe existe uma preciosa capacidade de apreciar uma pequena dife- cavaleiros de longas sufcas, ou talvez camponeses idflicos a la Jean Jac j entre seus dedos do pé, 0 relégio de seu pai, a lampada sobre a Giles aecaledey Hel ene tC errata toe tem 4, lua no céu, e uma bela edigo amarelo-brilhante de Guy de Mau- lutando pelos direitos humanos. © que a palavra “Japao” evoca? E ums iii, Para muitos membros da Union League Club nio existe diferen- vaga horda de homens amarelos de olhar rasgado, tomado pelo Peri areante entre um democrata, um socialista, um anarquista e um la- Amarelo”, fotos de noivas, leques, samurai, gritos de guerra, arte e fl enquanto que para um anarquista alramente sofisticado existe todo de cerejeira? Ou a palavra “alienfgena”? De acordo com um grupo dee tudantes universitérios da Nova Inglaterra, escrevendo em 1920, um all plos mostram como seria dificil assegurar uma opiniao piblica enigena era o seguinte™*; 4yel sobre Maupassant entre os bebés, ou sobre os democratas no * “Uma pessoa hostil a este pais.” ii League Club. + “Uma pessoa contra 0 governo.” 1 homem que simplesmente anda no automével dos outros talvez * “Uma pessoa que estd no lado oposto.” discrimine entre um Ford, um t4xi e um automdvel. Mas deixe ag - ) snivanesiti any le homem ter um carro e dirigi-lo, deixe-o, como um psicanalista * “Um nativo de um pais inimigo. a ki ‘ Projetar sua libido sobre os automéveis, € ele descreveria a diferen- De a eee jive os carburadores somente ao olhar a parte traseira de um carro * “Um estrangeiro que tenta prejudicar o pais em que vive.” 4 distancia de um quarteirao. E por isso que freqtientemente é um ¢ “Um inimigo de uma terra estrangeira.” 6 quando o assunto de uma conversa passa de “tépicos gerais” ao preferido de um individuo. £ como sair de um ambiente na sala de 4 terra arada la fora. E um retorno ao mundo tridimensional, depois 27.0 termo foi usado pejorativamente até o fim da Segunda Guerra Mundial para descrever 0 japoneses @ os imigrantes daquele pais que se instalavam na California (N.T.). 28. The New Republic, 29/12/1920, p. 142. passcio ao retrato feito por um pintor de sua resposta emocio- de sua propria memoria desatenta do que ele imagina ter visto. 74. Oe ne ++ + + + Colegdo Cléssicos da Comunicagao Si jib publica. . Nos identificamos facilmente, diz Ferenczi, somente duas cois Fou maiorias republicanas, mas pela luz do sol, misturas, graos, ferti- antes ¢ 0 cultivo®®. parcialmente similares”: a crianga mais facilmente que o adulto, a ment primitiva ou prisioneira mais rapidamente que a madura. Num primei momento, parece que na crianga a consciéncia parece ser uma mistu) de sensagGes ingovernaveis. A crianga nao tem a sensago do tempo, quase nenhuma de espago, ela alcanga 0 candelabro com a mesma co! déncia que alcanga o seio materno, e num primeiro momento com quai a mesma expectativa. Somente muito gradualmente a fungio se defin Autorizadas por seu valor puramente esquemiatico das categorias de renczi de resposta, a qualidade que observamos ser tao critica € 0 po- y de discriminar entre as percepgdes cruas € as analogias vagas. Este ler tem sido estudado sob condigées laboratoriais. A Associagao de tudos de Zurique indica claramente que uma leve fadiga mental, um Para uma completa inexperiéncia, este € um mundo coerent: a, ae Se ee ei oer : 5: ee pouco ecer” a qualidade da resposta. Um exemplo de um tipo “fraco” é a as- ferengavel, no qual, como alguém ja disse de uma escola de filésofos, t jngdo onomatopaica (gato-rato), uma reagao ao som € nao ao sentido dos os fatos nascem livres e iguais. Estes fatos que pertencem todos ju: tos ao mundo nao foram ainda separados daqueles que ainda estao lad a lado na corrente da consciéncia. palavra estimuladora. Um teste, por exemplo, mostra 9% de aumento ate tipo de associagéo na segunda série de uma centena de reagées. : ora a associagaéo é quase uma repetigao, uma forma muito primitiva Num primeiro momento, diz Ferenczi, o bebé consegue algumas col analogia. sas que deseja ao chorar por elas. Este é “um perfodo de magica alucin: cdo onipotente”. Em sua segunda fase a crianga aponta para coisas qui deseja, e elas lhe so dadas. “Onipoténcia com a ajuda de gestos mag cos”. Mais tarde, a crianga aprende a falar, a pedir o que deseja, e é pal cialmente bem-sucedida. “O perfodo de pensamentos magicos e pal 4 Se as condigdes comparavebmente simples de um laboratério podem tapidamente evitar a discriminagao, qual pode ser 0 efeito da vida ci- dina? No laboratério a fatiga é apenas o suficiente, a distragao bem tri |, Ambos sao balanceados na medida do interesse e autoconsciéncia jim sujeito. E ainda se o pulsar de um metr6nomo deprime a inteli- vras magicas”. Cada fase pode persistir para situagGes determinadas, e bora prostrada e visfvel s6 raramente, como, por exemplo, em supersti gGes inofensivas das quais poucos entre nds estao totalmente livres. Et cada fase, sucesso parcial tende a confirmar aquela forma de agir, en quanto o fracasso tende a estimular o desenvolvimento de outra. Muito: individuos, partidos e até mesmo nac6es, raramente parecem transcen der a magica organizagao da experiéncia. Mas em partes dos mais avan cados povos, tentativa e erro depois de repetidos fracassos levou a inven: gao de um novo principio. A lua, eles aprendem, nao se move pelo urr que lhe é dirigida. Sementes nao crescem do solo por festivais de prima Jcia, o que fazem oito ou doze horas de barulho, cheiro, e calor numa “conversa fiada” dos datilégrafos (sic) rica, dia apés dia no meio dz jus campainhas telefOnicas e portas batendo, fazendo julgamentos po- Jeos com base em jornais lidos nos bondes e metr6s? Pode alguma coi- Ferenczi, sendo um patologista, néo descrave este periodo de maturagao onde a experién- B o/qanizada como equagées, a fase do realismo com base na ciéncia. ‘Vs, por exemplo, Diagnostische Assoziation Studien, conduzido na Clinica Psiquiétrica Uni- jist n de Zurique sob a diregéo do Dr. C.G. Jung, Estes testes foram realizados principalmen- ‘Pam base na assim chamada classificagao de Krapelin-Aschaffenburg. Eles mostram o tempo feacio, classificam a resposta a palavra estimuladora como interna, externa e timida, mostra |\taclos separados para a primeira e ¢ segunda centenas de palevras para o tempo de reagéo ‘vislidade da reagéo quando o sujeito esté distraido por sustentar uma idéia na mente, ou ajuio ole responde enquanto controla o tempo com um metrénomo. Alguns dos resultados 486 sumatiados em Jung, Analytical Psychology, cap. II, traduzico por Dr. Constance E. Long, 29. Internat. Zeitschr, t. Arztl, Psychoanalyse, 1913. Traduzido e republicado por Dr. Emest Jo- nes in S. Ferenczi, Contributions to Psychoanalysis, cap. Vill, “Stages in the Development of th 7 , Sense of Reality”. ; 1 eee te Bpiniio publica. . + Coleco Classicos da Comunicagao Soci lstragdo, ou vamos ao mar, a um lugar quicto, € Hembremod auae Ce jilhento, quao caprichosa, quao supérflua e clamorosa e ordinaria € a ida urbana de nosso tempo. Aprendemos a compreender por que nos- 4s confusas mentes percebem t4o pouco com precisao, por ae sao pturadas e jogadas de ca para 14 numa espécie de tarantella wats anchetes e palavras e chamadas, por que tao freqiientemente elas nado nseguem dizer algo a nao ser ao discernir a identidade em suas apa- sa ser ouvida no tumulto que ndo grita, ou ser visto no clarao que na pisca como um sinal elétrico? A vida de um morador citadino carece dk solidao, siléncio, trangiiilidade. As noites sdo barulhentas e flamejantes, As pessoas de uma grande cidade sao atormentadas por som incessante, ora violento e embriagado, ora envolvido por ritmos inconclusos, mi continuo e sem remorso. Sob o pensamento moderno do industrialism vem um banho de ruido. Se suas discriminagGes sio freqiientemente vul gares e bobas, ha pelo menos aqui alguma porgao de razao. O povo sob nites diferengas. rano determina a vida ¢ a morte ea felicidade sob condigées onde tant a experiéncia como 0 experimento mostra o pensamento ser bastante di 5 Mas esta desordem externa é ainda mais complicada que a interna. perimentos mostram que a velocidade, a precisio e a qualidade inte- tinal sao perturbadas pelo que nos acostumamos a chamar de conflito ficil. “O intolerayel peso do pensamento” é um peso quando as condi ¢Oes tornam-no opressivo, Nao é um peso quando as condigées sao favo: raveis, E tao hilariante pensar como é dangar, e tao natural. Cada homem cujo negécio é pensar sabe que ele precisa em parte de socional. Medidos em quintos de segundo, uma série de centenas de dia criar para sium reservatério de siléncio. Mas, naquela confusao qu tinulos contendo tanto palavras neutras como ativas mostram uma va- elogiamos com o nome de civilizagao, os cidadaos realizam 0 perigoso. Jgiio entre $e 32 ou mesmo uma falha total para responder*’, Obvia- negécio de governar sobre as mais dificeis condigdes possiveis. Um reco: ente nossa opiniao publica est4 em intermitente contato com comple: ahecimento débil desta verdade inspira o movimento por uma jornadl sles de toda a espécie; com interesse econdmico e ambigao, animosi- de trabalho menor, por mais férias, por luz elétrica, ar, ordem, luz sola le pessoal, preconceito racial, sentimento de classe e tudo o mais. Eles ¢ dignidade em fabricas ¢ escritérios. torcem nossa leitura, nosso pensamento, nossa conversagao € nosso Mas se a qualidade intelectual de nossa vida deve ser melhorada isso & simplesmente o inicio. Enquanto tantos empregos forem para o trabalha~ {portamento numa variedade de formas. i finalmente como as opiniées nao param nos membros normais de dor uma rotina sem fim e propésito, um tipo de automatismo que utiliza BF sociedade, e como, para os propésitos de uma eta em onmadda um conjunto de misculos num padrao monétono, sua inteira vida tendera » sepuidores contam constituindo poder, a qualidade da atengao é ain- a0 automatismo no qual nada se distingue particularmente de qualquet Innis dispersa. A massa de analfabetos absolutos, imbecis, neur6t Outra coisa, a menos que seja anunciado por um trovao. Enquanto estiver uciros, individuos subnutridos ¢ frustrados, € muito consideravel, mui- jnais considerayel do que geralmente supomos. Portanto, um apelo am- io mentalmente in- aprisionado em multiddes durante 0 dia e até mesmo de noite sua atengao ird vacilar e relaxar. Ele nao sera capaz de perceber e definir claramente onde ele é vitima de todo o tipo de tormento, numa c: ‘mente popular tem circulado entre as pessoas que tis ou barbaras, pessoas cujas vidas sto um “brejo” de embarago, pes- « cuja vitalidade esta exaurida, pessoas acabadas, ¢ pessoas cuja expe- que precisa ser ventilada, de seu trabalho magante, criangas aos gritos, declaragées rou- quenhas, comida indigesta, ar ruim e ornamentos sufocantes. La eee Talvez ocasionalmente entremos num edificio que é organizado e espacoso; vamos a um teatro onde uma pega moderna tenha afastada a Panga folclérica do sul da ltélia. O nome deriva da cidade de Taranto. A tarantela foi populari- juirn concerto do século XIX por Chopin, Liszt ¢ outros (N.T.) JUNG, Clark lectures.

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