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Jornalismo Cultural Na TV Educativa

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Roberta Prates Parreiras

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09/25/2013

Roberta Prates Parreiras

ALTO FALANTE:
Jornalismo Cultural na TV Educativa

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2009

Roberta Prates Parreiras

ALTO FALANTE:
Jornalismo Cultural na TV Educativa

Projeto de monografia final de curso apresentado ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial para aprovação nas disciplinas Projeto Experimental em Jornalismo IA e IB. Orientadora: Professora Maria Cristina Leite Peixoto

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2009

Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida, e por me proporcionar sabedoria para concluir mais uma etapa importante da minha vida. À minha mãe, guerreira, sinônimo de fé, lealdade e amor. Sem medir esforços, transmitiu toda a luz que precisava nas horas de desespero. Compartilhando sempre todas as alegrias, meu maior exemplo, meu porto seguro. Meu pai, por não estar presente fisicamente, mas por ter me ensinado a ter caráter e ter sido um exemplo de dignidade, força e incentivo, e que ao lado do Pai continua guiando meus caminhos. Minha irmã Renata, que sempre esteve e está pronta para me ajudar, sendo companheira, prestativa e carinhosa. À Maria Cristina Leite Peixoto e Mônica do Nascimento Barros, orientadoras sabias. Obrigada pela força, ensinamentos, cumplicidade, paciência e toda sabedoria transmitida por vocês. Colegas da Ouvidoria Geral e da Regional Oeste, que acrescentaram no meu aprendizado profissional. Minhas queridas amigas Bárbara e Raquel, obrigada pelo carinho, incentivo, momentos alegres e por me ensinarem o significado da palavra amizade. Aline, Daniel, Breno e Mayara, os melhores momentos na faculdade, eu vivi com vocês, obrigada pela força e pela torcida sempre. Obrigada a todos que torceram por essa vitória!

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 04

2 JORNALISMO: ASPECTOS BÁSICOS......................................................................... 06 2.1 Jornalismo – acontecimento e notícia ............................................................................... 09 2.2 Linguagem jornalística ..................................................................................................... 10 2.3 Jornalismo e indústria cultural........................................................................................... 12 2.3.1 A indústria cultural no Brasil ........................................................................................ 15 2.4 TV e Jornalismo ............................................................................................................... 15 2.4.1 Do passado ao futuro ..................................................................................................... 19

3 JORNALISMO CULTURAL............................................................................................ 21 3.1 Produção dos cadernos de cultura .................................................................................... 22 3.2 Dilemas do jornalismo cultural ......................................................................................... 23

4 TV EDUCATIVA: ASPECTOS BÁSICOS .................................................................... 28 4.1 A Rede Minas ................................................................................................................... 30 4.1.1 TV Educativa / Pública X Indústria Cultural ................................................................. 31 4.2 O Programa Alto Falante .................................................................................................. 33 4.2.1 Material Empírico .......................................................................................................... 34 4.2.1.2 Análise de Conteúdo ................................................................................................... 34 5 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 44 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 46

ANEXOS ................................................................................................................................ 49 Anexo A: Descrição detalhada do programa .......................................................................... 49 Anexo B: Entrevista com o apresentador do programa Terence Machado ............................. 56

1 INTRODUÇÃO

A presente monografia tem como principal objetivo analisar como o Programa Alto Falante, ligado ao jornalismo cultural, adequá-se aos parâmetros de uma TV Educativa (Rede Minas).

Alto Falante é exibido pela Rede Minas aos domingos, a partir das 14:30 horas, com reapresentação na quarta-feira às 18 horas e sexta-feira às 00:30 horas. A direção geral e apresentação é do jornalista Terence Machado. O programa foi criado em 1997 pelo jornalista, e é considerado uma revista eletrônica dedicada à música Pop e às suas vertentes. No programa, há quadros com abordagens musicais variadas, e o mesmo realiza a cobertura de vários festivais de músicas nacionais e internacionais.

No decorrer desta monografia, serão descritos os parâmetros de uma TV Educativa, o formato assumido pelo programa Alto Falante, levando-se em conta a linha editorial, os temas, as formas de abordagens temáticas, a linguagem ETC, e pontos de vista de autores relacionados aos temas abordados.

Alguns autores e críticos culturais conceituam a cultura e o Jornalismo Cultural. De acordo com Daniel Piza (2004), o jornalismo cultural é dedicado à avaliação de idéias, valores e artes e é produto de uma era que se inicia após o Renascimento, quando as máquinas começaram a transformar a economia, e a imprensa já havia sido inventada. Tratando-se do jornalismo cultural brasileiro, o mesmo ganhou força no final do século XIX, quando Machado de Assis (1839 – 1908) e José Veríssimo (1857 – 1916) iniciaram suas carreiras como críticos e escritores.

Atualmente, o Jornalismo Cultural não abrange somente entretenimento, sofrendo influência da indústria cultural, pois tem de lidar com o próprio jornalismo e com as técnicas de produção, e pelo modo como o artista passou por um dilema quanto à exposição de sua obra no mercado.

A televisão é uma grande contribuidora do jornalismo cultural, capaz de atingir milhares de pessoas no mundo, com o encantamento das imagens transmitidas por ela. A imagem é peça fundamental para a televisão, mas deve andar em conjunto com a maneira como são divulgadas as informações. A linguagem utilizada para transmiti-las deve estar coerente.

Na televisão, a cultura se expande e possibilita abranger vários assuntos. Edgar Morin observa que a televisão destaca temas com os quais o público se familiariza e, desta maneira, adquire importância na sociedade.

Alto Falante é voltado para a área da cultura musical. Com doze anos de existência, o programa adquiriu vários prêmios. Em 2005, ganhou o Prêmio Claro de Música Independente, na categoria “Melhor Programa de Música na TV”; em 2006, ganhou o Prêmio Bizz na mesma categoria e ganhou novamente o Prêmio Claro; em 2007, no aniversário de dez anos do programa, faturou o Prêmio Toddy de Música de Independente (nova versão do Prêmio Dynamite) e venceu, também pela primeira vez, na categoria “Melhor Programa de Rádio”.

Para o desenvolvimento desta monografia, terei como base a pesquisa bibliográfica, e utilização das análises de quatro programas gravados, no período de 31 de maio a 19 de julho de 2009.

2 JORNALISMO: ASPECTOS BÁSICOS

O autor Juarez Bahia (1990) define o significado da palavra jornalismo, que quer dizer apurar, reunir, selecionar e difundir notícias, idéias, acontecimentos, e informações gerais com veracidade, exatidão, clareza, rapidez, de modo a conjugar pensamento e ação.

O jornalismo assume posição de intermediário da sociedade, de modo a levá-la a participar dos acontecimentos diários e da vida social. Bahia (1990) afirma que o jornalismo é uma arte, uma técnica e uma ciência, e cita o pensamento de Rui Barbosa, “a imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe” [...]. (BAHIA, 1990, p. 9).

Independentemente do conceito que as pessoas têm sobre o jornalismo, a sua função se desenvolve na liberdade, nas garantias constitucionais e no respeito aos direitos individuais. Não foi fácil para o jornalismo conquistar a sua “liberdade” atual. No Brasil e na América Latina, a luta pela liberdade de imprensa registrou momentos de proibição e repressão. Sendo assim, o caráter de um veículo de informação, seja ele jornal, rádio ou TV, pode ser medido pela resistência que oferece às pressões políticas, como afirma o autor: “independência e rigor são necessários a uma imagem de credibilidade e desassombro” (BAHIA, 1990, p. 11).

O jornalismo tem responsabilidades a cumprir, sendo os meios de comunicação instituições que servem à sociedade, na qual precisam ter o poder de decidir e fornecer informações que expressem a realidade e também facilitem a sua compreensão.

Para Bahia (1990), a missão do jornalista é saber e dizer o máximo possível. Ter veracidade, não dizendo o contrário do que se pensa; e não fazer o contrário do que se diz. No jornalismo, a verdade que se apura é geralmente a veracidade que se publica.

Em jornalismo, a objetividade, em um sentido mais amplo, significa apurar corretamente, ser fidedigno, registrar as várias versões de um acontecimento, ser criterioso, honesto e impessoal (BAHIA, 1990, p. 13).

Atualmente, a cobertura jornalística melhorou muito e os padrões das notícias são mais rigorosos. Além da função básica de difundir as notícias, o jornalismo absorve várias outras, como destaca Bahia, “a de promover o bem comum e a de estimular a mais ampla e livre troca de idéias entre as pessoas, quaisquer que sejam suas convicções” (BAHIA, 1990, p. 20).

O jornalismo não se justifica sem a liberdade de expressão e pensamento tem a capacidade de informar, opinar, orientar e entreter.

O autor destaca o jornalismo como
A profissão que reúne uma variedade de aptidões e uma multiplicidade de talentos que os antigos limites do repórter, do redator e do editor tornaram insuficientes para expressá-la. A notícia emitida por diferentes e autônomos meios, esteja no processo artesanal ou no sistema tecnologicamente mais avançado, é uma poderosa força de atração tanto para os que dispõem buscá-la para transmiti-la quanto para os que a recebem e a usam como uma necessidade da qual não abrem mão. (BAHIA, 1990, p. 31)

Seguindo a linha de pensamento sobre o significado do jornalismo, o autor Clóvis Rossi (1994) destaca que o mesmo é, “independentemente de qualquer definição acadêmica, uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores e ouvintes” (ROSSI, 1994, p. 07).

O jornalismo é uma arma eficiente do ponto de vista político e social a imprensa desempenha papel importante e colaborador na opinião pública, que se dá através do consumo das notícias, seja pelos jornais impressos, revistas e jornais de televisão.

O mito da objetividade consiste no fato de a imprensa manter-se neutra e publicar tudo o que acontece, deixando que o leitor tire as suas próprias conclusões. Rossi (1994) destaca que os fatos são mediados através de um jornalista que carrega consigo uma formação cultural, proporcionando opiniões diferentes das de outros jornalistas. Cada indivíduo relata e expressa emoções sobre um fato à sua maneira, sob esse aspecto, é importante ouvir os dois lados de uma história.

Em relação ao telejornalismo, Rossi (1994) explica que o que será levado ao ar reveste-se de cuidados excepcionais, pois a imagem causa grande impacto nos telespectadores. Mas o autor

deixa claro, também, que a TV não precisa inventar nada. Ela pode, apenas com a seleção de imagens reais, criar uma realidade mais forte do que a que de fato aconteceu.

De acordo com Rossi (1994), a imprensa não se limita aos episódios ocorridos em um determinado dia e se utiliza também de acontecimentos e situações temporais. Nos jornais, revistas ou televisão, o ponto de partida para se definir o que será publicado ou levado ao ar é a pauta. A pauta serve para orientar os repórteres sobre o que devem fazer no seu dia, e informa também as chefias, diretores e proprietários sobre como será o seu dia de trabalho.

Rossi (1994) explica que existem as chamadas normas de estilo, em que toda reportagem deve responder a seis perguntas fundamentais, que foram traduzidas dos manuais norteamericanos: o quê?, quem?, quando?, onde?, como? e por que?. As respostas para essas perguntas devem entrar no lead, no início do texto.

As fontes são extremamente necessárias para o jornalista. O autor destaca que é importante manter o contato com elas, sendo fundamental checá-las, principalmente as fontes oficiais. Os autores Kovach e Rosentiel (2004) levantam a questão “para que serve o jornalismo”?, e afirmam que hoje o ofício, está mais acessível para quem adere às “novas tecnologias de comunicações, com base num modem ou em um computador, permitem a qualquer pessoa proclamar que está “fazendo jornalismo” (KOVACH E ROSENTIEL, 2004, p. 30).

Os autores (2004) destacam que a finalidade do jornalismo não é definida pela tecnologia ou pelas técnicas utilizadas, mas pela função exercida pelas notícias na vida das pessoas.

A imprensa é a porta-voz para que o público tome conhecimento dos fatos e acontecimentos. Kovach e Rosentiel (2004) afirmam que “a principal finalidade do jornalismo é fornecer aos cidadãos as informações de que necessitam para serem livres [...]” (KOVACH E ROSENTIEL, 2004, p. 31). Atualmente, o jornalismo vem sofrendo desafios para se manter, sem se submeter a outros interesses das empresas jornalísticas, como autopromoção e informação comercial. Para Kovach e Rosentiel (2004), definir o jornalismo seria limitá-lo e uma definição mais específica tornaria a profissão mais resistente às mudanças ao longo do tempo. Mas a

finalidade da profissão é esclarecida em uma frase de Jack Fuller, escritor e presidente do Tribune Publishing Company: “A meta principal do jornalismo é contar a verdade de forma que as pessoas disponham de informação para sua própria independência” (KOVACH E ROSENTIEL, 2004, p. 34).

Se pensarmos sobre como as notícias funcionam na vida das pessoas, fica claro o valor que as informações têm. Os autores (2004) explicam que as pessoas precisam de informação. Elas necessitam ter o conhecimento de fatos que acontecem ao seu redor e do outro lado do mundo. Quanto mais democrática for uma sociedade, maior a tendência de estar à par das notícias e informações.

Com o passar dos anos, houve mudanças no jornalismo:
o novo jornalista não decide mais o que o público deve saber. Ele ajuda o público a pôr ordem nas coisas. Isso não significa simplesmente acrescentar interpretação ou análise a uma reportagem. A primeira tarefa dessa mistura de jornalista “explicador” é checar se a informação é confiável e ordená-la de forma que o leitor possa entendê-la (KOVACH E ROSENTIEL, 2004, p. 41).

2.1 Jornalismo – acontecimento e notícia

Para Adriano Duarte Rodrigues (1988), no discurso jornalístico, o acontecimento constitui o referente de que se fala. Os acontecimentos são fatos corriqueiros que ocorrem no dia -a -dia. O jornalismo interessa-se por aquilo que “rompe” a ordem natural das coisas.

O acontecimento possui três características, sendo elas: acontecimento que envolve o excesso, tudo que é demais gera notícia, como em acidente de carro que mata sete da mesma família; tsunami ou terremoto que matam milhares de pessoas; acontecimento que envolve falha, quando algo dá errado, como quando um avião cai; se o avião tivesse chegado normalmente ao seu destino, não seria notícia, mas quando há falha, torna-se notícia; acontecimento que gera inversão, quando acontecem coisas absurdas, a exemplo de policiais que se envolvem com o tráfico de drogas, índios que vendem armas, universitários de direito que roubam etc. Traquina (1988, p. 167) lembra que “[...] o papel do jornalista é definido como o do observador neutro, desligado dos acontecimentos e cauteloso em não emitir opiniões pessoais [...]”. Os jornalistas têm o papel de analisar os acontecimentos para que possam vir a se tornar

notícias. Para que os acontecimentos se tornem notícias, eles são modificados e transformados. A notícia é uma escolha subjetiva que os jornalistas fazem do acontecimento, e esse trabalho é elaborado diariamente. Não há a opção de não existir notícia algum dia, os jornalistas têm a função de descobrir os acontecimentos e elaborar notícias todos os dias, contando com a pressão do tempo para se fechar, terminar o jornal.

As empresas jornalísticas devem definir para quem se escreve, -o público alvo -direcionando o foco e a ordem do tempo. As narrativas jornalísticas são sempre no presente, mesmo que o fato tenha acontecido no dia anterior, por exemplo. A questão das fontes também é muito importante, pois os jornalistas necessitam delas por não poderem falar por si só, “[...] para poder acreditar na fonte é preciso que esta prove a sua credibilidade. As melhores fontes são aquelas que já demonstram sua credibilidade e o jornalista pode ter confiança [...]”. (TRAQUINA, 1988, p. 172).

O tempo também é um fator importante para os acontecimentos tornarem-se notícias. O que é chamado de news peg (cabide), é um acontecimento do passado que pode se tornar notícia mais de uma vez, quando, por exemplo, usa-se “[...] faz hoje, um, cinco, dez, anos [...]”. (TRAQUINA, 1988, p. 174).

2.2 Linguagem jornalística

De acordo com Nilson Lage (2001), o jornalismo deve se preocupar com o conteúdo das informações que serão transmitidas ao “consumo imediato”. O texto jornalístico deve conter informação conceitual, suprimindo “o uso lingüístico pobre de valores”, e estabelecer o uso de uma linguagem fácil de ser atualizada, caso necessite.

O autor explica as restrições da linguagem jornalística de acordo com os registros de linguagem formal, que é “próprio da modalidade escrita e das situações tensas; e coloquial, que compreende as expressões correntes na modalidade falada, na conversa familiar, entre amigos”. (LAGE, 2001, p. 36). Lage (2001, p. 38) destaca que a linguagem coloquial é mais acessível e permite maior facilidade para as pessoas se expressarem. Já a linguagem formal “é uma imposição de ordem política e pressão social”. A linguagem jornalística “é basicamente constituída de palavras,

expressões e regras combinatórias que são passíveis no registro coloquial e aceitas no registro forma” (LAGE, 2001, p. 38).

Sob esses aspectos, o autor estabelece que são incorporados a linguagem jornalística
[...] a) neologismos de origem coloquial, sintéticos (fusca, frescão) ou de grande expressividade (dedo-duro, pau-de-arara); b) denominações de objetos novos, de origem científica ou popular (leiser, vídeo-teipe, orelhão); c) metáforas com intenção crítica (senador biônico, mordomia); d) atualizações necessárias (roqueiro, malufista); e) designações técnicas que precisem ser consideradas em sua exata significação para entendimento ou eficácia do texto [...] (LAGE, 2001, p. 39).

A comunicação jornalística está ligada à divulgação de informação sobre algo no mundo e utiliza-se normalmente a terceira pessoa. O seu objetivo é a compreensão do conteúdo transmitido de um emissor a vários receptores.

Nilson Lage (1998, p. 18) aponta três fases do processo de produção de uma notícia: a seleção dos eventos, em que o narrador omite ocorrências que têm menor importância; a ordenação dos eventos, em que o contato, a atenção do interlocutor, se fixam a partir do evento mais importante ou interessante; e a nomeação dos eventos, em que há o compromisso e sutileza nos nomes que se atribuem às coisas.

O autor observa que a relação entre o jornalista e o público determina restrições específicas no código lingüístico. A fundamentação teórica dessa proposição se confirma em situações práticas, padronizando as vozes de comando. “Sendo construção retórica referencial, a notícia trata das aparências do mundo. Conceitos que expressam subjetividade estão excluídos” (LAGE, 1998, p. 19). A idéia de verdade está restrita ao conceito de adequação do enunciado aos fatos, importando apenas se de fato aconteceu.

A notícia impressa desenvolveu-se ao longo do tempo e reflete um tipo de organização da sociedade. Já a notícia em televisão continua sendo um processo. Nela se articulam estruturas dificilmente compatíveis, com a exposição por ordem decrescente de importância, a narração em seqüências temporais e a interpretação conceitual que fecha o discurso, suprimindo a estimulante ambigüidade da imagem.

2.3 Jornalismo e indústria cultural

De acordo com Strinati (1999), em 1933 foi fundada por Alemãs e Judeus, de classe média alta alemã, a Escola de Frankfurt – Pesquisa Social, tendo como objetivo criar uma teoria crítica do capitalismo moderno, demonstrando as contradições sociais das sociedades capitalistas e sua ideologia. De acordo com a teoria crítica desenvolvida pelos frankfurtianos, o capitalismo superou as contradições e crises enfrentadas, ganhando novos poderes de estabilidade.

Strinati (1999) explica que, de acordo com a Escola de Frankfurt, a indústria cultural reflete o domínio do valor de troca e a supremacia do capitalismo, influenciando nas preferências e escolhas da sociedade ao introduzir o desejo de necessidades supérfluas, sem que as massas percebam o que está acontecendo.

O autor explica a definição de indústria cultural de acordo com os primeiros teóricos críticos da Escola de Frankfurt, Horkheimer e Adorno, que “usaram o termo indústria cultural para se referirem à mercantilização das formas culturais ocasionadas pelo surgimento das indústrias de entretenimento na Europa e nos Estados Unidos no final do século XIX e inícios do século XX. Como exemplo, eles discutiam os filmes, o rádio, a televisão, a música popular, as revistas e os jornais”. (THOMPSON, 1995, p.131 – 132).

De acordo com Thompson (1995), para os teóricos frankfurtianos, o surgimento e o crescimento das indústrias culturais influenciaram no comportamento e pensamento do indivíduo. “Os bens culturais produzidos por estas indústrias são planejados e manufaturados de acordo com os objetivos da acumulação capitalista e da busca do lucro; eles não surgem espontaneamente das próprias massas, são planejados para consumo das massas”. (THOMPSON, 1995, p. 132).

A indústria cultural surgiu a partir do desenvolvimento industrial e do sistema capitalista. Cunha, Ferreira e Magalhães (2002) destacam o que seria IC também através da concepção de Adorno e Horkheimer, a partir da obra Dialética do Esclarecimento de 1947,

[...] a IC implica a criação, dentro de uma estrutura capitalista, de produções culturais que seguem os mesmos moldes e procedimentos da produção em série de bens não culturais, transformando as manifestações artísticas em mercadoria e entretenimento acrítico, desvinculadas de seu próprio potencial de emancipação. Além disso, a IC visaria a uma integração deliberada, a partir do alto, dos consumidores de bens culturais, a quem restaria um papel passivo e alienado”. (ADORNO, 1971 apud CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES, 2002, p. 02).

Os autores estabelecem que as concepções da indústria cultural, conforme as idéias dos frankfurtianos, têm sofrido críticas por parte de alguns estudiosos da Comunicação. Morin (1987), por exemplo, “acredita que os frankfurtianos exageraram ao incluir num mesmo plano toda e qualquer produção feita no âmbito da IC, visto que ela apresenta modalidades bem diferentes entre si [...]”. Já Thompson alerta que não se deve confundir o produto veiculado e vendido pela IC, ou mesmo seu conteúdo, com os variados [...] efeitos que ele provoca no público: essa recepção é um processo social complexo [...]”. (MORIN (1987); THOMPSON, 1995, p. 139 apud CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES)

Sodré (1996, p. 07) critica o conceito de IC, que estaria “desgastado e desatualizado por sua vinculação com as perspectivas críticas e moralistas da Escola de Frakfurt”. Para ele, o termo “tecnocultura” seria o mais adequado em função do atual quadro comunicacional.

De acordo com a Escola de Frankfurt, os autores destacam alguns aspectos da indústria cultural relevantes para eles
[...] transformação da obra de arte, em entretenimento e evento de consumo, o caráter repetitivo e a pobreza simbólica de suas produções mais típicas, a não-democratização da possibilidade de criação e veiculação de produtos culturais, a concentração do poder de decisão, a banalização e diluição de movimentos inovadores ou contestadores (CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES 2002, p. 03).

Os autores não se identificam com a concepção de Sodré -Tecnocultura -por ele atribuir valor à internet, diferentemente do objeto estudado, que é o jornalismo impresso diário. Porém, o próprio Sodré não observa maiores problemas em utilizar a noção de “Indústrias Culturais”, pois as características propostas pelos frankfurtianos continuam as mesmas. (SODRÉ, 1996, p. 116 apud CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES, 2002, p. 03)

Sodré (1996) vê com desconfiança o aumento da produção cultural e a concentração de monopólio da propriedade de empresas jornalísticas, de entretenimento e de publicidade, mas para ele isso não significa que o público manipulado.

Thompson (1995) explica que a indústria cultural tem o poder de fazer o consumidor, por exemplo, acreditar que encontrará de imediato com uma obra de arte, sem saber que a mesma irá receber os lucros de acordos anteriormente estabelecidos.

O autor destaca que os produtos da indústria cultural são construídos e moldados de acordo com características pré-estabelecidas e estereótipos. Esses produtos têm a finalidade de refletirem a realidade social, porém, o fato de consumir os produtos culturais criados por essa indústria faz com que as pessoas se identifiquem com as normas sociais e continuem a ser, e agir da mesma maneira.

De acordo com Thompson (1995), Horkheimer e Adorno acreditam que o desenvolvimento da IC está ligado ao crescimento das sociedades modernas, e os indivíduos estão à mercê da manipulação e cada vez mais dependentes dos processos sociais que eles possuem pouco ou nenhum controle. Thompson (1995) considera a análise da IC feita por Horkheimer e Adorno “uma tentativa corajosa” para compreender a natureza e as conseqüências da comunicação de massa nas sociedades modernas. Ele crítica a concepção de indústria cultural dos teóricos frankfurtianos destacando que
[...] eles procuram realçar o fato de que, sob certos aspectos-chave, essas indústrias não são diferentes das outras esferas da produção em massa que atiram ao mercado crescentes quantidades de bens de consumo. Em todos os casos, os bens são produzidos e distribuídos de acordo com procedimentos racionalizados e com o propósito de conseguir lucro; em todos os casos, os próprios bens são padronizados e estereotipados, mesmo se lhes é conferida uma aparência de individualidade – a singularidade de uma marca, a personalidade de uma estrela – a fim de aumentar seu apelo; em todos os casos, os receptores são vistos como pouco mais que consumidores potenciais, cujas necessidades e desejos podem, através de estratégias adequadas, ser manipulados, estimulados e controlados. Horkheimer e Adorno reconhecem que as formas culturais possuem também características especiais, enquanto elas oferecem imagens e representações que podem ou não ser a fonte de reflexão, um objeto de identificação ou um referencial de interpretação (THOMPSON, 1995, p. 136). O autor conclui que, ao receber e consumir os produtos da IC, o indivíduo não terá, necessariamente, que aderir à ordem social, ou se identificar com as imagens projetadas e aceitar o que será veiculado. “[...] é outra coisa totalmente diferente mostrar que ao receber e consumir esses produtos, os indivíduos são impelidos a agir de maneira imitativa e

conformista, ou a agir de maneira que sirva, em geral, para ligá-los à ordem social e fazer com que reproduzam o status quo” (THOMPSON, 1995, p. 139).

2.3.1 A indústria cultural no Brasil

Devido ao avanço e desenvolvimento das novas tecnolgias, a IC no Brasil serve à sociedade de massa, e essa sociedade a incorpora em suas próprias manifestações. Desta maneira, podese refletir que a indústria cultural incorporou certa “democratização social”, permitindo as classes sociais excluídas a manifestar suas diversidades culturais.

Para Nilda Jaks (1998), a indústria cultural resulta na criação, produção e distribuição dos produtos culturais para o público. Em relação à recepção desses produtos, é levada em consideração a situação socioeconômica e cultural identificada na população brasileira. Em seus estudos sobre recepção de produtos da indústria cultural no país, a autora destaca que o mesmo não é recebido de forma passiva e não é compreendido pelo receptor.

Em relação ao patrocínio dos meios de comunicação no Brasil, Guareschi (1999) ressalta que, nos anos 1940, toda a América Latina foi patrocinada por vários sistemas norte-americanos existentes. Atualmente, a distribuição de produtos culturais no país, está relacionada também a grandes empresas econômicas.

Brant (2004) explica que, no Brasil, as produções culturais evoluíram passivamente, ganhando espaço a partir de 1990, após a implementação de leis destinadas ao incentivo à cultura. Essa lei influenciou a melhoria do cinema nacional e popularizou o teatro com as campanhas anuais, que proporciona a sociedade de massa maior acesso a essa arte.

Sendo meio de comunicação de massa e ligada à indústria cultual, a televisão influencia na vida da sociedade. Desta maneira, a publicidade e o patrocínio estão inseridos na TV pelas empresas econômicas que, de certa forma, mantém os programas no ar com o seu patrocínio.

2.4 TV e Jornalismo O desenvolvimento inicial da tecnologia da televisão ocorreu em 1936, na Inglaterra com as primeiras transmissões ao público. Em seguida, difundiu-se na Alemanha em 1938, nos

Estados Unidos em 1939, na França em 1945 e chegou ao Brasil, país pioneiro na América Latina, em 1950.

Em 1962 o satélite de comunicação Telstar I permitiu a primeira transmissão em caráter experimental entre os Estados Unidos e a Europa, sendo considerado o pioneiro dos satélites comerciais. Mas o Intelsat I, lançado em 1965, que marcou o início da implantação de um sistema global de satélites. Ele operou durante 3 anos, 40 % da superfície terrestre. (PATERNOSTRO, 1999, p. 25)

A idéia de implantação da TV no Brasil foi iniciada no começo da década de 40 por Assis Chateaubriand, maior empresário de comunicação do país na época e dirigente dos Diários e Emissoras Associados. Maria Bretas (1989) explica que Chateaubriand reuniu informações para a viabilização da TV, contactou grupos empresarias para sustentar o investimento, analisou o impacto das emissoras existentes em outros países e planejou a criação e instalação de duas emissoras, a TV Tupi de São Paulo e a TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1951.

Durante os primeiros seis meses, a Tupi tinha apenas cinco horas de programação diária -das seis às onze da noite – em que eram transmitidos filmes, espetáculos de auditório e noticiário. No início, a TV era identificada como uma nova modalidade de rádio ou como “cinema em casa”, já sendo caracterizada como mais um novo espaço de imagem em movimento, pois o cinema já possibilitava isso ao público.

De acordo com Maria Bretas (1989), os primeiros aparelhos de televisão produzidos no Brasil surgiram em 1951 em que competiam com marcas estrangeiras, mas apresentavam desempenho satisfatório nas vendas a uma minoria que tinham melhor poder de aquisição na época.

A autora destaca que [...] A audiência da TV era, então, restrita à população das grandes cidades, dado seu pequeno alcance, em termos de distancia das transmissões. Sendo assim, os conteúdos apresentados pela televisão refletiam o modo de vida das cidades que abrigavam as emissoras, conferindo aos programas uma identidade com os aspectos culturais desses centros urbanos. Ao mesmo tempo, a TV contribuía para modificações dos hábitos de seu público, alterando, inclusive, às relações de vizinhança. A residência que possuía um

aparelho reunia, em torno dele, os vizinhos, parentes e amigos, ávidos por assistir aos programas (BRETAS, 1989, p. 336). A partir do sistema de crediário, a população pode adquirir mais facilmente o aparelho de TV. Esse consumo em massa pode determinar e modificar a programação de cada veículo que passou a produzir programas que tivesses mais a cara do brasileiro, como as telenovelas e programas de auditório.

O golpe de 1964 em que ocorreu a sustentação da articulação da iniciativa privada com as forças políticas foi um fator forte para a modificação da estrutura da televisão. As organizações Globo implantaram um novo modelo institucional que foi amparado pelo regime militar, no qual proporcionou a formação de redes através do crescimento de infra-estrutura de telecomunicações, sendo implantada uma grande transmissão de sinais de telefonia, rádio e televisão. Maria Bretas (1989) esclarece que a consolidação das redes de televisão ocorreu na década de 80, quando o numero de emissoras independentes não chegava a uma dezena. Na época estava de um lado a Rede Globo e de outro a Rede Bandeirantes, a Manchete, a Record e o SBT -Sistema Brasileiro de Televisão.

“Imagens do Dia” foi o primeiro telejornal da TV brasileira exibido em 1.950, através da TV Tupi de São Paulo. Mas o telejornalismo no Brasil conheceu o sucesso quando estreou em 1953 “O Repórter Esso” também na TV Tupi, que permaneceu no ar durante 20 anos. O atual líder de audiência que completou 40 anos de existência esse ano é o “Jornal Nacional” da Rede Globo, que está no ar desde 1969.

A autora (1999) destaca que “é com a imagem que a televisão compete com o rádio e o jornal. É com a imagem que a TV exerce o seu fascínio e prende a atenção das pessoas”. É necessário respeitar a informação visual, e definir qual a melhor maneira da relação texto/imagem (PATERNOSTRO, 1999, p. 61).

Em um texto jornalístico para televisão, algumas características devem ser consideradas, como usar linguagem coloquial, clara e objetiva; o texto também deve ser objetivo, direto, informativo, simples e pausado. Paternostro da à dica de que o jornalista que se dedicar ao trabalho de telejornalismo descobrirá, com o tempo e a experiência, o melhor caminho para o exercício da profissão.

A televisão combina a utilização simultânea de dois sentidos do ser humano, a visão e a audição; a autora explica que uma notícia de grande impacto afeta as pessoas emocionalmente e, dependendo da intensidade, a imagem permanece no ar por alguns segundo, mas na memória do telespectador pode durar por muito tempo.

Em se tratando da programação de uma TV aberta, como meio próprio de comunicação de massa, as notícias são transmitidas de maneira breve. Sendo assim, conforme explicação de Paternostro (1999) a TV estimula e provoca o interesse e a necessidade de se ampliar o conhecimento dos fatos: acredita-se no poder motivador da TV enquanto meio de informação.

Após análise da TV como meio de comunicação de massa, a autora descreve características da sua estrutura que os jornalistas devem conhecer e estar atentos quando estiverem escrevendo um texto para telejornalismo: informação visual que transmite mensagens em que o telespectador vê e se informa, recebe a notícia e amplia seu conhecimento; imediatismo que transmite informação contemporânea quando mostra o fato no momento exato em que ele ocorre através da imagem; alcance, já que a TV não distingue classe social ou econômica, atingindo a todos. O jornalismo na TV tem que considerar como vai tratar uma notícia, já que ela pode ser “vista” e “ouvida” de várias maneiras diferentes; instantaneidade já que a informação da TV é momentânea e instantânea, sendo “captada” de uma só vez, no exato momento que é emitida, se não for gravado, não há como voltar e ver novamente, ao contrário de jornal, revista; envolvimento: há no telejornalismo a maneira pessoal de “contar” notícia e a familiaridade com repórteres e apresentadores, que seduzem e atraem os telespectadores; superficialidade: o ritmo da TV proporciona uma natureza superficial às suas mensagens. (há programas específicos de maior densidade jornalística); índice de audiência; a medição do interesse do telespectador orienta a programação e cria condições de sustentação comercial.

Em telejornalismo o texto é escrito para ser falado pelo locutor e ouvido pelo telespectador. Quando se escreve em uma lauda (na TV é chamado de “script”) para um telejornal tem que se preocupar como o fato de que o texto será lido em voz alta por alguém, o repórter, apresentador e captado de uma só vez pelo telespectador. (PATERNOSTRO, 1999, p. 66) Paternostro (1999) lembra que em alguns casos, quando existe uma imagem forte de um acontecimento, ela leva vantagem sobre as palavras, sendo suficiente para transmitir ao mesmo tempo informação e emoção. O texto casado com a imagem é essencial no jornalismo

de TV, devem caminhar juntos sem um competir com o outro, o papel da palavra é dar apoio a imagem. Sem descrições redundantes, com informações fundamentais, simples e direto, o texto vai naturalmente se casar com a imagem.

Além do texto casado com a imagem, outra característica fundamental no texto de TV é a linguagem coloquial, sempre que o jornalista for escrever deve-se lembrar que estará contando uma história para alguém, como se estivesse conversando com essa pessoa.

Bistane e Bacellar (2006) observam que, para os jornalistas, os assuntos são considerados relevantes à medida que interessam a um grande número de pessoas, quando causam impactos ou afetam a vida dos cidadãos. Esse conceito de notícia se aplica a todo tipo e veículo. O que muda é a maneira como as informações são transmitidas. O trabalho dos repórteres é muito importante, pois “uma imagem é capaz de garantir a veiculação de um assunto que talvez nem fosse ao ar se o cinegrafista não tivesse a sorte de captar um flagrante” (BISTANE; BACELLAR, 2006, p. 41). Imagens reforçam as notícias e dão credibilidade.

As autoras deixam claro que a falta de uma imagem não pode ser motivo de exclusão de uma notícia, se o assunto merecer enfoque, pode-se dar uma nota ou o repórter ao vivo de algum local.

Uma notícia pode nascer de diferentes maneiras. Pode começar a partir de um boato, denúncia anônima, via internet, ou através do material enviado pelas assessorias de imprensa. São realizadas também as rondas telefônicas, em busca de informação as redações ligam para vários órgãos oficiais, como o Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Civil, Câmara de Vereadores, Hospitais, etc.

2.4.1 Do passado ao futuro Após o surgimento do primeiro telejornal, em 1950, “Imagens do Dia”, os patrocinadores batizaram programas, e em 1952 a Tupi apresentou o telejornal “Panair”, batizado por uma companhia aérea, e no mesmo ano surgiu o “Repórter Esso”. De acordo com BISTANE;

BACELLAR (2006), “as notícias eram lidas pelos locutores (apresentadores) no estúdio e havia pouquíssimas imagens para ilustrar as informações”.

Na década de 1960, a ditadura militar estabeleceu o controle das informações no país. O Governo censurava facilmente os veículos de comunicação, como rádio e TV, e interrompeu a trajetória do “Jornal da Vanguarda” que era ousado na linguagem, irreverente e criativo. Esse telejornal recebeu o Prêmio Ondas, na Espanha, como melhor telejornal do mundo. Com o passar do tempo, em 1969, estreava o pioneiro telejornal na Rede Globo, Jornal Nacional.A emissora carioca com o “padrão globo de jornalismo” inovou nos quesitos qualidade técnica, cenários elaborados, e imagens apuradas dos telejornais e programas globais. As autoras destacam que essa fórmula foi criticada por buscar incansavelmente a estética, mas que é necessário reconhecer, que deu nova cara, rumo e fama às produções brasileiras.

O jornalismo televisivo passou ocupar mais espaço na rede de programação da TV nos anos 70, exibindo telejornais no horário do almoço e no fim da noite. Surgiram assim as redes afiliadas que tiverem maior concentração no Rio e São Paulo. As autoras explicam que, na década de 1980, no horário da manhã, era exibido o “TV Mulher” na Rede Globo em que se debatiam temas de interesse do público feminino, tais como comportamento sexual e cidadania. Na mesma época, foram criadas mais duas novas emissoras, o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão – e a Rede Manchete.

Nos anos 1990, os âncoras (apresentadores) inovaram o telejornalismo, brasileiro acrescentando, às coberturas, análises e comentários. Nessa época, o SBT começou a exibir um telejornal direto de Miami – Estados Unidos – o “Telenotícias” que durou 3 anos no ar. Em 1998, a TV Globo em São Paulo iniciou o projeto de jornalismo comunitário, em que lideres comunitários e bairros e autoridades debatiam ao vivo problemas da cidade. Esse projeto serviu de modelo para os telejornais locais da emissora (BISTANE; BACELLAR, 2006, p. 110).

3 JORNALISMO CULTURAL

Thompson (1995) avalia, em sentido mais amplo, que os estudos dos fenômenos culturais podem ser pensados como um estudo sócio-histórico constituído como campo de significados. O conceito de cultura, de acordo com o autor, “se refere a uma variedade de fenômenos e a um conjunto de interesses que são, hoje, compartilhados por estudiosos de diversas disciplinas, desde a sociologia e a antropologia”.

Cunha; Ferreira e Magalhães (2002) destacam o conceito de cultura de acordo com Laraia (1999), que afirma que “a cultura engloba tudo aquilo que é produzido pelo pensamento ou pela ação humana, e transmitido para as gerações posteriores. Nessa definição, incluem-se as crenças, valores, hábitos, teorias, objetos, obras de arte.” (LARAIA, 1999 apud CUNHA; FERREIRA E MAGALHÃES, 2002, p. 04)

Sendo assim, o jornalismo cultural teria a função de cobrir todos os fatos relacionados à economia, política, aos esportes, a ciências, às cidades, etc, não se justificando a existência de um caderno de cultura, pois todo jornal já lida com esses assuntos de forma abrangente. O jornalismo cultural se envolveria então com atividades artísticas e de entretenimento.

Em se tratando de jornalismo cultural brasileiro, o mesmo ganhou força no final do século XIX, quando Machado de Assis (1839 – 1908) e José Veríssimo (1857 – 1916) iniciaram suas carreiras como críticos e escritores.

Piza (2004) faz descrição detalhada sobre os grandes críticos, editores de revistas e livros culturais no século XX de alguns países, em especial dos EUA, até chegar ao jornalismo cultural brasileiro do mesmo período. No século XX, o crítico cultural no Brasil obtém mais espaço nas revistas e jornais onde vários escritores brasileiros consagrados iniciaram suas carreiras como críticos culturais.

Imaginava-se que seguiria tudo bem com o desenvolvimento do jornalismo cultural, mas a partir da metade do século XX, o mesmo sofreu crises de identidades constantes. A partir dos anos 1950, a imprensa cultural ganhou força, tornando-se obrigatória nos grandes veículos. Piza (2004) faz rápida relação dos grandes autores culturais, tais como Benjamin,

Horkheimer, Adorno e Barthes, e informa que “a imprensa cultural tem o dever de senso crítico, da avaliação de cada obra cultural e das tendências que o mercado valoriza por seus interesses, e o dever de olhar para as induções simbólicas e morais que o cidadão recebe”. (PIZA, 2004, p. 45)

O autor faz uma relação entre os cadernos culturais impressos diários que dão mais atenção à vida dos famosos, e os cadernos culturais que saem no final de semana, e se preocupam mais com entretenimento, opções e críticas de filmes, peças musicais, etc. Estabelece, também, descrição detalhada do ritmo Pop, e faz a observação de que a moda, gastronomia e design ganharam espaço e aumentaram o campo de abrangência da imprensa cultural. (PIZA, 2004, p. 55, 56, 57)

Há críticos culturais que gostam de falar do que está acontecendo no país, como há críticos que preferem falar sobre o que está sendo produzido, apresentado internacionalmente. Como acontece em vários lugares, há também o preconceito de gostar de apresentar somente o que é mais presente no cotidiano, esquecendo de avaliar o que ocorre em outros lugares, internacionalmente falando. De acordo com o autor
Tudo isso depende, obviamente, também da publicação em que se está. Se a proposta é ter um grau de sofisticação maior, porque fala a um público com maior escolaridade e com mais acesso a importados e viagens para o exterior, uma capa sobre uma exposição importante em Paris, por exemplo, não lhe parecerá um assunto remoto, desinteressante [...] (PIZA, 2004, p. 61).

“O excessivo atrelamento à agenda, o tamanho e a qualidade dos textos, e a marginalização da crítica” (PIZA, 2004, p. 62, 63) são os três males considerados nas divulgações de jornalismo cultural, que hoje em dia podem ser percebidos mesmo pelos leitores menos acostumados a esse tipo de notícia.

3.1 Produção dos cadernos de cultura

Nos anos de 1960 e 1970, os cadernos culturais davam mais enfoque à produção artística nacional, ou as que se identificavam com as causas populares. A partir dos anos 1980, conforme afirma Barros e Silva (2000), os cadernos de jornalismo cultural aderiram uma espécie de “militância internacionalista e pela legitimação da cultura de massas que marcou os anos mais engajados da “Ilustrada” – caderno da Folha de são Paulo”.

Cunha; Ferreira e Magalhães (2002) destacam que outras mudanças de posturas dos jornalistas nos anos 80, é que os mesmos não aceitavam rotular a cultura de massa por terem vivenciado a contracultura.

De acordo com os autores, nos anos 1990, alguns cadernos de jornalismo cultural interessaram-se pela produção da cultura de países periféricos. Segundo Frias Filho (2001) nessa época “a ideologia do jornalismo cultural se tornou eclética e relativista, para não dizer errática”, no qual o mesmo jornal pode questionar a indústria cultural e seus produtos, e em um outro momento pode aderi-la. Já Couto (1996) defende que o jornalismo cultural questione as produções superficiais da indústria cultural e “apresente referências que ampliem o alcance de obras que escapem à estética padronizada dessa indústria”

Silva (2000) acredita que o jornalismo cultural facilita pautas e textos, e na opinião dos autores Cunha; Ferreira e Magalhães (2002), isso leva os cadernos de cultura a simplificar tudo, executando um jornalismo apenas de entretenimento, que exigirá do leitor menor tempo e atenção.

Dessa maneira, fica visível a responsabilidade do jornalista em relação à cultura e mercado. O jornalismo cultural deve questionar e dialogar criticamente para que a indústria cultural não se sinta a vontade para reproduzir intensamente “transformando as obras culturais em artigos produzidos e distribuídos em série”. Frias (2001) observa que
[...] Um dos riscos, aliás, que nós corremos e que se exprime no nosso dia – a – dia é nos tornarmos ou considerarmos exóticos dentro da nossa própria cultura [...] O bom jornalismo cultural deve repudiar essa inclinação perversa de nos mostrar exóticos dentro daquilo que realmente somos (FRIAS, 2001, p. 82 apud CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES, 2002, p. 09).

3.2 Dilemas do jornalismo cultural

Para Cunha; Ferreira e Magalhães (2002), os cadernos culturais publicados diariamente enfrentam uma série de problemas, que resultam das rotinas de produção e da difícil relação com a indústria cultural.

João Paulo Cunha (SJC, 1998) que é editor de cultura do jornal Estado de Minas, define que um dos maiores dilemas do jornalismo cultural está “no contraponto entre cultura e entretenimento” veiculados a interesses da indústria cultural.

O jornalismo já é resultado de um processo industrial, em que lida com imposições e limites próprios do processo, desta maneira o jornalismo cultural já sofre influência de caráter industrial, para atuar nesse campo, a própria produção sofre impacto da industrialização.

É importante para o jornalista compreender os procedimentos que induzem a atuação da indústria cultural, como destaca o jornalista Matinas Suzuki Jr.
O entendimento do dispositivo da Indústria Cultural [...] fornece uma identidade entre arte e o jornal, entre a criação e o discurso jornalístico sobre a criação. Artista e jornalista participam do circuito, em pontos diferentes: um músico, um pintor, um escritor, dependem não do seu próprio fazer, mas também da imagem que conseguem articular frente ao publico. O jornalismo cultural, mesmo o mais independente, é o virtual complemento do mercado artístico, é algo que está fora e dentro da cultura. [...] O jornalismo cultural da grande imprensa tangencia as curvaturas do mercado não só em suas zonas de aderência (os sucessos de disco, da televisão e do cinema), como também na topografia de crise (produção de vanguarda, a chamada arte independente e marginal, a produção acadêmica, etc) (SUZUKI JR., 1986: 79 apud CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES, 2002, p. 05 06).

São apontadas questões atribuídas pela indústria cultural, dentre elas estão em que medida optar pelo novo não cair no previsível; quando a expectativa do leitor (telespectador) deve ser atendida, ou renovada, em que medida o ato de não exibir uma celebridade dimensionada pela indústria cultural, é censura ou outro tipo de julgamento (CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES 2002, p. 06).

A rotina produtiva de um caderno cultural diário pede aos jornalistas e editores uma visão ampla do que será publicado. Cunha; Ferreira e Magalhães (2002) destacam que se eles considerarem a noticiar tudo o que é produzido artisticamente mais as opções de lazer e entretenimento disponíveis no mercado, será necessário que se gaste um maior espaço na publicação distribuindo mais atenção para os produtos culturais e não para os processos culturais. Os jornais europeus, por exemplo, noticiam produtos artísticos e espetáculos culturais que consideram mais relevantes, no qual deixam as publicações mais detalhadas para revistas e guias especializados. Frias (2000) lamenta que o jornalismo cultural brasileiro tem reservado grande espaço para meras informações, entrando na era de “tudo para fazer a vontade do consumidor”.

Na opinião de Dapieve (2001), os cadernos de jornalismo cultural atuais oferecem temas diferenciados, mas acredita que o desequilíbrio maior está entre a informação e a crítica. Para ele, informa-se mais do que se critica, ou vice -versa.

Não se pode esquecer que o jornalismo diário enfrenta a dificuldade de superar os obstáculos existentes do ritmo que há nesse veículo. A agenda cultural das diversas casas de espetáculos é intensa e a tendência a divulgar as mesmas só aumenta. Esse problema é amenizado, como já citado anteriormente, com as revistas. Em uma publicação mensal, por exemplo, além do espaço maior dedicado a cultura, disponibiliza-se também de mais tempo para apurar e informar.

Em contraponto, o editor do EM Cultura do jornal Estado de Minas, João Paulo Cunha, destaca que “a lógica do jornalismo diário nos obriga a trabalhar com uma lógica que não é só a da qualidade da informação, mas que compete com uma série de outras informações e notícias” (SJC, 1998).

O jornalismo cultural sofre com o espaço para a veiculação das matérias e com o tempo para apuração e edição do que será divulgado. Os autores observam que essa cobertura está contemplando o status de “comportamento”. Atualmente, os cadernos culturais estão distribuindo atenção para temas que antigamente eram pouco veiculados, como a culinária, a moda, o esoterismo etc. Um exemplo citado pelos autores é do caderno Magazine, do Jornal O Tempo de Belo Horizonte – MG, que toda terça -feira veicula uma página dedicada ao esoterismo (CUNHA; FERREIRA e MAGALHÃES 2002, p. 11).

Essas tendências de mercado e comportamento ganharam espaço no jornalismo cultural, pois satisfazem o leitor-consumidor, mas, em outro aspecto, prejudicam o leitor-cidadão, que já não obtém as informações culturais de forma abstrata.

O avanço tecnológico também é um fator de contribuição para a produção artística. Devido a seu desenvolvimento, a circulação de informações cresceu bastante. A gravação de um CD, hoje em dia, está mais acessível, tornando difícil a escolha da editoria cultural sobre o que será publicado. O trabalho independente sai prejudicado, pois não consegue competir com o grande fluxo de distribuição das grandes gravadoras, que alcançam quase todos os veículos.

Dessa maneira, o editor do Caderno 2 de o Estado de São Paulo, Mocarzel, afirma que
A indústria fonográfica, editorial, cinematográfica, enfim, a produção cultural foi intensificada de tal maneira nas últimas décadas que apenas o leque de opções da agenda cultural já é mais que suficiente para preencher cada vez mais escassas páginas do caderno de cultura [...] (MOCARZEL, 2001, apud CUNHA; FERREIRA E MAGALHÃES 2002, p. 12).

Ele relata, também, que os cadernos de cultura devem ajudar o leitor a distinguir as várias obras lançadas, de um modo geral, da prática artística que não tem a ver com esse comércio banal.

O furo de reportagem faz parte da prática jornalística. Os autores explicam que o furo no jornalismo cultural “equivale a privilegiar o impacto em detrimento daquilo que é inédito ou inusitado na construção da notícia” [...], e descrevem o exemplo de que se há uma grande estréia na cidade, ou a vinda de algum artista famoso, normalmente os veículos culturais destacam como matéria de capa. Buscando o diferencial em relação à concorrência, os veículos acrescentam a notícia mais informações, como exemplo citado pelos autores, “artigos de especialistas sobre o tema/espetáculo abordado, entrevistas exclusivas, perfil de artistas, diretores e/ou produtores envolvidos, etc” (CUNHA; FERREIRA E MAGALHÃES, 2002, p. 12).

Esses critérios são inerentes ao jornalismo cultural, mas não podemos deixar de notar que, nos cadernos culturais, se um jornal concorrente noticia primeiro determinado produto (livro, filme, CD), os jornais tendem a desprezar a notícia, como se a mesma não fosse importante nem para o jornal, nem para o leitor.

Cunha; Ferreira e Magalhães (2002) esclarecem que o furo pode ser também uma ação do jornalista, que, ao investigar consegue descobrir tal fato inédito e o publica antes da concorrência. Esse tipo de furo tem relevância e deve continuar deve continuar sendo um elemento importante no jornalismo cultural.

Os autores observam que o JC sofre pressões por parte da IC, já que esta visa à divulgação dos seus produtos – o que veicula e patrocina – e o jornalismo sofre pressões.

Essas pressões acontecem de diferentes maneiras. Cunha, Ferreira e Magalhães (2002) destacam algumas delas. O “jabá”, por exemplo, é quando o jornalista “privilegia, em sua cobertura, o produto/evento cultural que o pagou, transformando o que seria um espaço de apuração jornalística em espaço comercial, sem informar explicitamente ao leitor”. Bucci (2000, p. 189) observa que essa maneira antiética ainda se faz presente nos cadernos de cultura. Outro problema está relacionado aos releases, que são “enviados por produtores culturais/assessorias que muitas vezes, na pressão industrial do jornal e diante do fechamento da página, são utilizados quase que integralmente” (CUNHA; FERREIRA E MAGALHÃES, 2002, p. 13 e 14).

Há, também, a pressão de artistas que conhecem ou são amigos da direção responsável pela área cultural. Caso eles se sintam lesados de alguma maneira, punem os jornalistas que o denegriu. A última pressão destacada pelos autores é quando há “agendamentos do veículo”, como por exemplo, em que o jornal ou emissora pode suprimir o material e as informações que serão divulgadas.

Cunha; Ferreira e Magalhães (2002) concluem que o jornalismo cultural deve expandir os valores democráticos e a integração junto ao seu público e sempre objetivar esclarecer e contra-atacar as manifestações sofisticadas e eletrônicas.

4 TV EDUCATIVA: ASPECTOS BÁSICOS

Alexandre Fradkin (2008) explica que o nascimento da TV Educativa no Brasil ocorreu em 1967, quando foi ao ar a primeira emissora, a TV Universitária de Pernambuco, vinculada ao Ministério da Educação. A idéia inicial dessa implantação no país foi durante o período do regime militar e partiu do primeiro Presidente da República, o marechal Humberto Castello Branco, que criou essa
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inédita modalidade de televisão ao restringir a liberdade de expressão com o decreto lei 236 -1967. O objetivo era divulgar a idealização do regime militar e disponibilizar educação para os analfabetos do país.

Com a criação do Ministério das Comunicações e a concentração da distribuição das outorgas à União, cresceu intensamente o interesse dos militares pela comunicação, pois, foram criadas medidas para organizar e explorar o sistema. Nessa época, as características de tal emissora eram as divulgações de programas educacionais, com transmissão de aulas, conferências, debates e palestras. Não era permitida a veiculação de publicidade.

A TV Educativa foi implantada no período de expansão da TV Comercial. Muniz Sodré (1984) explica que alguns fatores influenciaram no aumento da demanda da programação televisiva, como a industrialização brasileira; o aumento da renda populacional e o surgimento das novas camadas de consumidores; a urbanização e modernização das cidades; e a diminuição no preço dos aparelhos receptores com o produto nacionalizado. Outro fator destacado pelo autor foi que, nessa época, o ensino superior também se expandiu, “O programa estratégico de desenvolvimento (1968/70), tido como o mais avançado em programação educacional, previa um enorme elenco de medidas destinadas a elevar a produtividade do sistema de ensino em geral” (SODRÉ, 1984, p. 108).
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Decreto-lei nº236 de 1967, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del0236.htm, entre as mudanças impostas pela modificação do CBT, vide o artigo Art. 53. . Segundo este “A definição de abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprego desse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no país, inclusive: a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias; b) divulgar segredos de Estado ou assuntos que prejudiquem a defesa nacional; c) ultrajar a honra nacional; d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem política e social; e) promover campanha discriminatória de classe, cor, raça ou religião; f) insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas forças armadas ou nas organizações de segurança pública; g) comprometer as relações internacionais do País; h) ofender a moral familiar pública, ou os bons costumes; i) caluniar, injuriar ou difamar os Poderes Legislativos, Executivo ou Judiciário ou os respectivos membros; j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e social; l) colaborar na prática de rebeldia, desordens ou manifestações proibidas".

Nesse cenário da educação tida como grande fator para melhorar a vida dos brasileiros, de acordo com FRADKIN (2008), foram implantadas, até a metade da década de 1970, mais 8 emissoras educativas; a TVE do Rio de Janeiro e a TVE do Rio Grande do Norte, ligadas ao MEC – Ministério da Educação – e as TVE do Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo ficaram vinculadas as Secretarias de Educação dos seus respectivos estados.

Essas emissoras foram de suma importância para a divulgação da política educacional dos governos militares e a sua ideologia. Segundo Pieranti,
Em 1971, as emissoras educativas, segundo dados oficiais, atingiam 94% da população brasileira. No ano seguinte, o Ministério da Educação reforçou a importância das emissoras ao criar o Programa Nacional de Tele-educação (Prontel), ao qual caberia coordenar as atividades de educação televisiva no país. Seriam essas emissoras as responsáveis por difundir a política educacional dos governos militares e por divulgar, na prática, o ideário do regime (PIERANTI, 2007, p.64).

Para Alexandre Fradkin (2008), algumas TV‟s Educativas foram implantadas por interesses políticos e poucas com objetivos definidos. Desde o início, a legislação permitia que essas emissoras fossem mantidas pelo Governo Federal, estados, municípios e por instituições privadas sem fins lucrativos. Porém, as primeiras emissoras eram públicas e atuavam independentemente, sem integrar uma rede ou sistema educativo de televisão.

Em 1978, houve a tentativa de criar uma rede de transmissão de programas educativos, integrados com a TV Educativa, em um encontro promovido com iniciativa da Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa e do Prontel. FRADKIN (2008) afirma que essa tentativa não vingou, “servindo apenas para a formação de uma “redinha” [...] para a transmissão de jogos da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, em virtude da TV Cultura de São Paulo deter os direitos para esta transmissão” (FRADKIN, 2008, p.57).

Alexandre Fradkin (2008) relata que, no ano seguinte, o Prontel foi substituído pela SEAT -Secretaria de Aplicações Tecnológicas -que após reunião com todas as emissoras criou o SINTED -Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa. A sua regulamentação veio apenas no ano de 1982, com o objetivo de que todas as emissoras educativas trabalhassem integradas transmitindo a programação umas das outras, para se diferenciarem das emissoras comerciais que retransmitiam programas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 1989, já existiam 15 emissoras nesse segmento, no qual surgiu a necessidade da ampliação de seus sinais. No entanto, a implantação de estações retransmissoras dos sinais representava um custo bastante elevado para essas emissoras assumirem. Desta maneira, a solução dada foi que as retransmissões das televisões educativas poderiam inserir em sua programação local, 15% de programas de interesse comunitário. Apesar de essa idéia ter sido positiva os resultados não foram os esperados. FRADKIN (2008) ressalta que como não existia uma legislação para regulamentar essas retransmissões, as mesmas não estavam reproduzindo os objetivos reais referente à programação de caráter comunitário. Somente em 1998 foi instituído o novo Regulamento Dos Serviços de Retransmissão e Repetição em Televisão, que extinguiu a retransmissão mista.

As emissoras integrantes da Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais – ABEPEC – criaram, em julho do ano de 1999, a Rede Pública de Televisão – RPTV –, “com o objetivo de estabelecer uma grade de programação comum e obrigatória para todas as emissoras associadas”. Essa programação incluiu programas jornalísticos, culturais e de entretenimento, contendo a conduta da educação. (FRADKIN, 2008).

4.1 A Rede Minas

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De acordo com o site da emissora, a Rede Minas foi criada no ano de 1984, sendo estatal, visando ao interesse público e com o objetivo de expandir valores, educação e cultura à sociedade mineira.

No início, a área de abrangência da emissora agregava 33 municípios, com retransmissão da programação através da TVE do Rio de Janeiro, veiculada das 18:00 às 24:00 horas. Em 1985, ocorreram as primeiras produções locais, como os programas “Alta Tensão”, “Testemunha Local” e “Agenda”. Nesse período, a Rede Minas se expandiu, ao ser instalado um link de transmissão na torre da Serra do Curral.

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Conforme dados divulgados no site: http://www.redeminas.tv/cmi/pagina.aspx?32 acessado em 26 de novembro de 2009.

Na década de 1990, a programação aumentou de 6 para 17 horas e meia diária. Dois anos depois, além da programação da TVE, a emissora passou a exibir mais programas da TV Cultura de São Paulo. Nesse mesmo ano, em parceria com o Departamento Nacional de Telecomunicações -Detel -a Rede Minas passou a ser transmitida para mais 200 cidades.

Além da maioria dos municípios de Minas Gerais, a programação da emissora passou a ser exibida no interior de São Paulo, pela TV Universitária de Bauru; no norte do Paraná, pela TV Londrina e parte do território fluminense por afiliadas existentes na Zona da Mata.

Atualmente, a emissora possui 9 horas de programação própria, sendo 5 telejornais, 4 programas diários, 21 programas semanais -13 produzidos internamente e 8 externamente -e 2 programas mensais.

Em 2005, a Rede Minas instituiu um Conselho Curador para fortalecer sua identidade como meio de formação e informação, e o seu objetivo de criticar e fornecer suporte a ações para a melhoria da qualidade da TV Pública.

4.1.1 TV Educativa / Pública X Indústria Cultural

A TV Educativa / Pública visa transmitir, para a sociedade, programas relativos ao jornalismo, cultura e entretenimento, tendo como foco condutor, a educação. Para Eugênio Bucci (2006), as funções exercidas por uma rede pública de televisão – RPTV – estão ligadas ao seu posicionamento diante do mercado, relativos aos “vínculos financeiros” e à competitividade existente entre os veículos de comunicação. Para ele, essa lógica se sustenta através das mídias “que se proclamam como „players‟ do negócio do „entertainment‟. (BUCCI, 2006, p. 15).

Segundo Stevanim (2007), a televisão pública / educativa dispõe-se a transmitir conteúdos que não são transmitidos em uma TV comercial, principalmente no quesito “diversidades culturais”. Ele observa que os veículos de comunicação devem “[...] enxergar o público como uma incógnita que precisa ser compreendida mais do que conquistada [...]”, não atribuindo apenas o índice de audiência. “Os conteúdos da televisão pública não têm sentido se não forem produzidos sob essa ótica [...]” (STEVANIM, 2007, p. 09).

Stevanim (2007) destaca um texto de Eugênio Bucci, intitulado “A TV Pública não faz, não deveria dizer que faz, e pensando bem, deveria declarar abertamente que não faz entretenimento”. Em contraponto a essa crítica do autor, Stevanin destaca a opinião de Benjamin Barber, que afirma que esse entretenimento tornou-se lucrativo para as grandes empresas, constituindo “essa nova raça de homens e mulheres que são os consumidores”. (STEVANIM, 2007, p. 09).

O autor observa que o “entretenimento como o vemos hoje vendido pela indústria é que desvirtua o caráter público e não o gênero em si” (STEVANIM, 2007, p. 09). Em relação à comunicação ter se tornado uma indústria, o autor relata que a mesma “[...] sofreu uma profunda alteração no sentido clássico atribuído a esfera pública: uma modificação que foi do engajamento político aos objetivos de lucro. Dá-se uma mudança estrutural no desenho das organizações de mídia [...]” (STEVANIM, 2007, p. 09). De acordo com Dênis de Moraes (2004), a mídia desenvolveu o “papel de reforço ideológico da globalização e de atuação como agente econômico em mercados desregulamentados” (MORAES 2004, p. 187). Considerando a observação do autor, a TV Pública teria que revisar, em sentindo mais amplo, o seu verdadeiro sentido de “pública”.

De acordo com Duarte (2000), os aspectos da indústria cultural dividem-se em objetivos, que consistem nos agentes culturais atingirem seus ideais econômicos e ideológicos. Após ser realizada pesquisa de opinião referente às ofertas de mercadorias culturais em determinada temporada, os consumidores são convencidos de que estão escolhendo o que desejam, mas, por trás disso, já foi realizado um trabalho para obter esse resultado.

Outro aspecto relatado pelo autor são os subjetivos “defensivos”, nos quais a indústria cultural destaca-se como meio de socialização, por exemplo, em uma conversa sobre filmes, discos, obras, etc., com o intuito da sobrevivência no meio das relações sociais; e os subjetivos “agressivos”, que consiste na dominação de algumas pessoas (minoria), elas se entregam com facilidade à indústria cultural e são manipuladas por esse sistema.

Nessa concepção de Duarte sobre a indústria cultural (2000), pode-se entender que a TV Pública / Educativa está relacionada com os aspectos subjetivos “defensivos”.

Thompson (1995), como já descrito anteriormente, destaca que os produtos da indústria cultural são construídos e moldados de acordo com características pré-estabelecidas e estereótipos. Esses produtos têm a finalidade de refletirem a realidade social, porém, o fato de consumir os produtos culturais criados por essa indústria faz com que as pessoas se identifiquem com as normas sociais e continuem a ser, e agir da mesma maneira.
3

4.2 O programa Alto Falante

O programa Alto Falante é exibido pela Rede Minas aos domingos, a partir das 14:30 horas, com reapresentação na quarta-feira às 18 horas e sexta-feira às 00:30 horas. A direção geral, apresentação e edição de texto e imagem é do jornalista Terence Machado, a produção, reportagem e edição de textos é de Thiago Pereira, a colaboração de Adriano Falabella, a edição de Daniel Silva, produção e apresentação do quadro “Garimpo” de Luíza Damázio, a produção de rádio, jornal e internet é de Rodrigo James e Thiago Sá é o estagiário da produção.

Alto Falante é transmitido pela emissora Rede Minas, foi criado pelo jornalista Terence Machado em 1997 é considerado uma revista eletrônica, dedicada à música Pop e sua vertentes. Além de ser veiculado em mais de 250 municípios do estado de Minas Gerais, em 1999 o programa foi incluído também na grade de programação da TV Cultura-SP. Este ano o Alto Falante deixou a grade da TV Cultura, e passou a ser exibido em rede nacional através da TV Brasil.

O programa realiza a cobertura de vários festivais de músicas nacionais, TIM Festival (RJ/SP); Claro Que é Rock (RJ/SP); Abril Pro Rock (PE); Rock in Rio, M.A.D.A. (RN); Skol Beats (SP); Varadouro (AC); Psychobilly Fest (PR); Bananada (GO); Curitiba Pop Festival (PR) e Porão do Rock (DF). A equipe do programa também realiza coberturas especiais em
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Conforme dados divulgados no site: http://programaaltofalante.uol.com.br/index.php?master=programas&sub=tv acessado em 25 de maio de 2009.

alguns festivais internacionais, por exemplo, o International Beatle Week (Festival de Bandas Cover dos Beatles no mundo). O Alto Falante possui quadros com várias abordagens musicais: “Enciclopédia do Rock”, exibe histórias de grandes bandas do rock, apresentadas pelo radialista e roqueiro Adriano Falabella; “Garimpo” é dedicado à divulgação de artistas independentes; em “Ferramenta”, os músicos mostram suas “ferramentas” de trabalho, guitarras, baterias, teclados etc; “Forno”, divulga, apresenta e critica novos lançamentos fonográficos (CD, DVD, Livros etc); “DNA” é o espaço em que os artistas falam sobre discos que exerceram influência em suas carreiras; “Radar” é a agenda dos principais shows pelo Brasil; e “Cartas” são os pedidos de clipes feitos pelos telespectadores.

4.2.1 Material empírico

Como material empírico desta pesquisa, foram utilizadas cinco gravações do programa Alto Falante exibidos nos dias 31 de maio, 07 de junho, 14 de junho e 28 de junho de 2009.

4.2.1.2 Análise de Conteúdo

O método utilizado foi analisar o conteúdo do programa Alto Falante exibido aos domingos pela TV Educativa Rede Minas. A análise se deu através das gravações dos programas, com o objetivo de identificar como mesmo pertencendo à categoria de jornalismo cultural, se adéqua aos parâmetros de uma TV Educativa. A análise foi dividida considerando os aspectos gerais do programa, os propósitos do formato e estrutura dos blocos, e a identificação de elementos relativos ao jornalismo cultural.

Para análise do formato do programa e estrutura dos blocos, foram considerados (as): • As informações transmitidas no programa – considerando os gêneros jornalísticos

(nota, matéria, entrevista, crítica); • • • Assuntos abordados nas reportagens (temas que se destacam); Divisão dos temas e quadros exibidos no programa; Relação entre texto e imagem;

• •

Como o apresentador / repórter se comporta em uma entrevista (postura); Posicionamento frente às notícias (críticas, opiniões e sugestões);

A análise dos elementos relativos ao jornalismo cultural representados no contexto geral do programa foi realizada levando-se em conta alguns conceitos de autores referentes ao JC.

-Análise dos aspectos gerais do programa Alto Falante

O programa tem a duração de 1 hora, sendo dividido em três blocos de 20 minutos. Além da divulgação musical nacional e internacional, Alto Falante possui vários quadros exibidos aleatoriamente a cada episódio do programa; não seguem uma ordenação fixa. Quando há cobertura de festivais, o programa cede maior espaço para estes. Normalmente, a cobertura de um determinado festival é transmitida integralmente naquela exibição do programa.

Pode-se destacar como característica geral do programa, o fato de o apresentador (a), repórteres e colaboradores possuírem uma maneira descontraída de divulgar as informações, em que utilizam linguagem coloquial -frequentemente de críticas e opiniões -, e demonstram grande atenção na edição, ao se “casar” o texto com imagens.

Ao observar os programas gravados, pode-se perceber que algumas partes e quadros do programa, seguem o mesmo padrão na transmissão: • “Garimpo” tem a cabeça (chamada, abertura) de Luíza Damázio e possui somente

sonora dos entrevistados (integrantes das bandas ou grupos) com exibições de imagens dos mesmos, e, no encerramento, é apresentado clipe, ou música do (a) artista participante.

“Enciclopédia do Rock” é apresentado por Adriano Falabella e sempre no

encerramento é transmitido um clipe ou apresentação em show do (a) artista participante.

“Forno” e a parte de “notícias” são sempre realizados em off – contém somente

locução do apresentador / repórter – com exibições de clipes do (a) artista participante.

A sessão alto falante é uma entrevista realizada no estúdio Ultra, com a presença do

apresentador / repórter dividindo-se em três partes, sendo exibida a cada bloco do programa; e ao final de cada parte o (a) artista participante apresenta uma música, nesse estúdio.

Em relação a algumas entrevistas, pode-se perceber que são utilizadas várias sonoras

dos entrevistados – não aparece o apresentador / repórter nem a voz dos mesmos, e são exibidas imagens referentes ao que eles estão dizendo. Nas coberturas dos festivais sempre aparece o apresentador / repórter, pode conter também off dos mesmos, com muitas imagens do festival.

-Análise do formato do programa e estrutura dos blocos: Programa veiculado no dia – 31/05 1º bloco apresentador inicia a sessão alto falante com a participação da banda “Curumim”; e com a primeira parte da cobertura do festival “Bananada”. 2º bloco quadro “Enciclopédia do Rock” com Adriano Falabella; e a sessão alto falante segunda parte. 3º bloco encerramento do festival “Bananada” 2009 e última parte da sessão alto falante.

Na sessão alto falante, acontece uma entrevista no estúdio Ultra (apresentador aparece durante toda entrevista), em que o apresentador se comporta de maneira descontraída, utilizando linguagem coloquial, e emite opiniões e brincadeiras durante a entrevista. Essa sessão se divide em três partes, sendo exibida uma em cada bloco do programa. A cada encerramento de uma parte da sessão, a banda participante apresenta uma música.

Na cobertura da edição 2009 do festival nacional “Bananada” (GO), o apresentador realiza a cabeça da reportagem direto do estádio de futebol Serra Dourada (GO), em que compara os dias do festival com os dois “tempos” do jogo Internacional X Goiás. No festival, Terence entrevista alguns integrantes de bandas participantes, sempre casando o texto com imagens da apresentação dessas bandas. Durante essas entrevistas, são mostradas pessoas consumindo bebidas alcoólicas. O apresentador comporta-se de maneira descontraída, e as entrevistas são curtas, focando mais no festival em si, pois participaram muitas bandas durante os dois dias.

Nesta edição do programa, as duas passagens de bloco -encerramento do 1º e chamada do 2º, encerramento do 2º e chamada do 3º -foram realizadas por Luíza Damázio. No quadro “Enciclopédia do Rock”, o roqueiro e radialista Adriano Falabella conta um pouco da história da banda participante, sempre emitindo críticas e opiniões com linguagem coloquial e uso de gírias. No encerramento, sempre é exibido um clipe referente à banda ou assunto abordado (a) no quadro. Programa veiculado no dia – 07/06 1º bloco nota seca sobre o U2 e clipe da banda; quadro “Garimpo” com participação da banda “Sabonetes”; nota seca sobre Stela Campos e seu novo CD “Mustang Bar”, termina o bloco com passagem do apresentador. 2º bloco quadro “Enciclopédia do Rock”; vinheta notícias – duas com off de Luíza; quadro “Forno” com off de Terence e termina o bloco com passagem do apresentador. 3º bloco cabeça do apresentador chamando entrevista com o editor da revista “Uncut”, Allan Jones; encerramento sobre a cobertura do festival “Bonnaroo” e exibição do clipe da banda “Gov‟t Mule” contendo a música “Longer Than Life” do disco “Dose”.

O apresentador informa em nota seca sobre o novo álbum da banda U2, utilizando linguagem descontraída, de fácil entendimento. O quadro “Garimpo”, apresentado por Luíza Damázio, exibe uma matéria com a banda “Sabonetes”. Na matéria, não há imagem nem fala do repórter, somente a sonora (fala dos integrantes) da banda com imagens – clipes, shows –, que fazem referência ao que eles estão dizendo. Após o quadro “Garimpo”, Luíza Damázio, em nota seca, fala sobre o lançamento do novo CD da cantora Stela Campos, e é exibido um clipe antigo da mesma.

Nesta edição do programa, as duas passagens de bloco -encerramento do 1º e chamada do 2º, encerramento do 2º e chamada do 3º -foram realizadas por Terence Machado. No quadro “Enciclopédia do Rock”, Adriano Falabella conta um pouco da história da banda participante e artista participante, sempre emitindo críticas e opiniões com linguagem coloquial e usa termos como “louco”; “livro é grosso bicho”; “devorar em três dias”; “era da

pá virada”. No encerramento é sempre exibido um clipe referente à banda ou assunto abordado (a) no quadro.

Duas notícias foram transmitidas com off (somente locução, sem imagem do repórter) de Luíza Damázio, sendo exibidos clipes sobre as bandas e / ou artistas presentes nas notícias. A primeira é de fácil entendimento e a segunda “confusa”, difícil de entender, pois além do conteúdo da notícia ser confuso, é sobre uma banda americana (palavras em inglês) e como é um off, havendo somente locução, e as imagens são somente clipes, dificultou o entendimento da informação.

O quadro “Forno” é realizado com off (locução) de Terence Machado sobre o novo CD de “Bem Harper”. São exibidas várias imagens do cantor, enquanto o apresentador fala sobre o seu novo CD e faz comentários sobre o mesmo, e críticas sobre os estilos pop e rock, utilizando linguagem coloquial.

A última passagem de bloco desta edição do programa chama atenção, pois além de anunciar o que ocorrerá no 3º bloco, Terence Mchado ironiza ao dizer “Continue na área porque o intervalo vai ser mais rápido do que o Slash tocar guitarra! Porque se fosse fazendo escova no cabelo, você teria desculpa para trocar de canal”. Slah é um guitarrista que possuí um cabelo “black power”, isso justifica a brincadeira do apresentador.

No último bloco, o apresentador faz a cabeça (chamada) da entrevista com o editor da revista inglesa “Uncut”, Allan Jones, em que foi utilizado somente sonora (a fala) do entrevistado com imagens fazendo referência ao que ele explicava. Não teve fala e imagens do repórter.

O apresentador encerra destacando que a equipe do programa viajaria para os EUA para cobrir o festival “Bonnaroo” e exibe o clipe da banda “Gov‟t Mule” contendo a música “Longer Than Life” do disco “Dose”. Programa veiculado no dia – 14/06 1º bloco apresentado por Luíza Damázio, abertura sobre Pop e exibe o primeiro vídeo clipe da banda “Transmissor”. Música “Primeiro de Agosto” do disco “Sociedade do Crivo Mútuo”; vinheta notícias, 3 com off de Luíza; passagem de Luíza.

2º bloco quadro “Enciclopédia do Rock”; vinheta “Forno” off de Flávia Moreira; cabeça apresentadora, quadro “Garimpo” banda “Graveola”. 3º bloco sonora banda “Acústicos e Valvulados”; nota seca sobre a banda “Depeche Mode”.

A apresentadora Luíza Damázio abre o programa com o tema pop, em que comenta sobre a banda mineira “Trasmissor”. É exibido o primeiro vídeo clipe desta banda.

Luíza Damázio apresentou três notícias em off (somente locução, sem imagem do repórter), sendo exibidos clipes sobre as bandas e / ou artistas presentes nas notícias. No encerramento desta parte foi exibido um clipe referente à banda da última notícia.

Nesta edição do programa, as duas passagens de bloco -encerramento do 1º e chamada do 2º, encerramento do 2º e chamada do 3º -foram realizadas por Luíza Damázio. No quadro “Enciclopédia do Rock”, Adriano Falabella conta um pouco da história da banda participante e artista participante, sempre emitindo críticas e opiniões com linguagem coloquial e usa termos como “coroa enxuta”. No encerramento é sempre exibido um clipe referente à banda ou assunto abordado (a) no quadro. O quadro “Forno” é com off (locução, sem imagem) de Flávia Moreira sobre a MPB e o trabalho da cantora “Céu”. Flávia elogia, dizendo que a cantora possui “talento, bela voz, e boa produção”.

Luíza Damázio realiza a cabeça (chamada, abertura) do quadro “Garimpo”, com a participação do grupo mineiro “Graveola”, que conta um pouco sobre o grupo e o “lixo polifônico”. Esta matéria contém sonora dos integrantes do grupo e imagens de apresentações dos mesmos.

No último bloco do programa, a apresentadora chama a entrevista com a banda “Acústicos e Vavulados”. Esta entrevista possui somente sonora dos integrantes da banda, contendo imagens dos mesmos em shows e músicas.

Luíza Damázio encerra o programa divulgando uma nota seca (informação do apresentador, sem imagens) sobre o cancelamento do show da banda “Depeche Mode” no Brasil e é exibido um clipe deles. Programa veiculado no dia – 28/06 1º bloco abertura do apresentador, com chamadas dos principais temas; Luíza Damázio apresenta a primeira parte da sessão alto falante com a banda “Radiotape”; e é exibido a primeira parte da cobertura do festival “Bonnaroo”. 2º bloco volta a sessão alto falante com a banda “Radiotape”; quadro “Enciclopédia do Rock”; segunda parte da cobertura do festival. 3º bloco parte final da sessão alto falante e encerramento do festival “Bonnaroo” 2009.

Na sessão alto falante, acontece uma entrevista no estúdio Ultra (apresentadora aparece durante toda a entrevista), em que Luíza Damázio comporta-se de maneira descontraída, utilizando linguagem coloquial, emitindo opiniões e brincadeiras durante a entrevista. Essa sessão se divide em três partes, sendo exibida uma em cada bloco do programa. A cada encerramento de uma parte da sessão, a banda participante apresenta uma música.

Terence Machado, direto dos Estados Unidos, da início à cobertura do festival internacional “Bonnaroo”. O apresentador aparece poucas vezes no vídeo, realizando mais off’s (somente locução com imagens), sempre casando a locução com imagens das apresentações das bandas. Esse festival foi realizado durante três dias, contendo palcos com várias bandas apresentandose ao mesmo tempo. Foram exibidas imagens de várias apresentações, da estrutura e do público, normalmente com a locução de Terence. Não foram mostradas entrevistas, e a transmissão da cobertura do festival foi divida em três partes, uma cada bloco do programa.

Nesta edição do programa, o encerramento do 1º bloco foi com a exibição de uma parte da apresentação de “All Green” no festival “Bonnaroo”. A última passagem de bloco encerramento do 2º e chamada do 3º -foram realizadas por Terence Machado. No quadro “Enciclopédia do Rock”, o roqueiro e radialista Adriano Falabella faz um apanhado sobre carreira de Michael Jackson desde a sua infância até a sua morte (ele havia falecido três dias antes deste episódio do programa). Para encerra o quadro foi exibida uma montagem contendo várias imagens de apresentações, CD‟s e fotos de Michael Jackson.

-Análise dos elementos relativos ao jornalismo cultural representados no contexto geral do programa

O jornalismo cultural, como já foi explicado anteriormente, lida com as produções artísticas e o entretenimento em áreas diversas, mas não tem a função somente de divulgar essas informações. O jornalista cultural “[...] sabe analisar as manifestações culturais e é ao mesmo tempo agente, produtor e crítico dessa cultura”. (SOUZA, 2009, p. 83)

O jornalismo cultural deve explorar e analisar, em um sentido mais amplo, os produtos artísticos, e não deve se limitar a lançamentos de CD‟s, livros e exposições de artistas. Marina de Magalhães Souza explica que
O jornalismo cultural não deve somente espelhar a cultura de uma minoria social, mas também explorar e dar visibilidade às manifestações populares da cultura brasileira, representada por uma enorme classe de excluídos; pode contribuir para a inclusão social, na medida em que mostra na mídia uma nova realidade, o Brasil de verdade, escondido pela exclusão social (SOUZA, 2009, p 83).

No programa Alto Falante, pode-se analisar que as coberturas de eventos culturais estão ligadas diretamente ao jornalismo cultural, no qual a equipe do mesmo está frequentemente mostrando o que acontece nos festivais de música pop e rock nacional e internacional. A título de exemplo, podem ser citados a edição 2009 do Festival “Bananada” ocorrido na cidade de Goías, exibido no programa do dia 31 de maio deste ano; e o Festival “Bonnaroo”, ocorrido nos Estados Unidos, exibido no dia 28 de junho deste ano. O apresentador Terence Mchado afirma que “nesses doze anos de existência o programa acompanhou a criação do fértil calendário de festivais dedicados à produção independente, viajou para fora do país para acompanhar de perto os principais festivais de música pop do mundo (ex. Bonnaroo, Eurockéennes, Benicassim, Roskilde, entre outros)”.

Os autores explicam que “[...] o jornalismo é movido por acontecimentos, por novidades, o que garante uma diferenciação constante entre seus produtos” (CUNHA, FERREIRA E MAGALHÃES, 2002, apud MORIN, 1987, p. 04).

Além da cobertura de festivais musicais, o programa tem vários quadros -descritos anteriormente -com diferentes abordagens musicais.

De acordo com Isabelle Anchieta (2009, p. 59), duas características fundamentais do JC é “democratizar o conhecimento”, que consiste expandir o conhecimento para todas as classes sociais, sem distinção; e o “caráter reflexivo”, que se trata do JC além de divulgar, exercer uma reflexão através de críticas, crônicas, resenhas, etc. No Alto Falante, são identificadas características marcantes de “caráter reflexivo”, ligadas ao jornalismo cultural, como as opiniões, críticas, análises, debates de idéias e comentários que se fazem ao longo do programa e podem ser exemplificados em vários momentos dos episódios. Na exibição do quadro “Garimpo”, no dia 07 de junho, a apresentadora Luíza Damázio comenta sobre a banda participante, “Sabonetes”, destacando que “o rock que eles produzem trazem letras poéticas, títulos curiosos”. Outra análise feita por Luíza Damázio, neste mesmo dia, foi sobre o novo CD -Mustang Bar -da cantora “Stela Campos”: “as letras do trabalho colocam novamente a cantora na posição de cronista urbana, contando histórias que poderiam se passar em qualquer cidade grande”. No quadro “Forno”, do mesmo dia, Terence Machado comenta o novo CD do cantor “Ben Harper”, destacando que “os fãs só têm que comemorar com mais este lançamento, e também com a promessa que ele continuará fazendo shows com seus velhos companheiros de batalha”. Nesse mesmo quadro, exibido no dia 14 de junho, Flávia Moréia elogia a cantora de MPB “Céu”, afirmando que ela possui “boa música, talento, bela voz e boa produção”, “Enciclopédia do Rock”, apresentado pelo roqueiro e radialista Adriano Falabella é um quadro que se desataca no programa. Em entrevista realizada por e-mail no dia 26 de novembro de 2009, o apresentador Terence Machado explicou que, além de dar enfoque para artistas independentes, o programa ressalta “os artistas que ajudaram à „pavimentar‟ essa estrada. Afinal, temos um quadro com essa função quase exclusiva -o „Enciclopédia do Rock‟ -apresentado pela lenda vida e “enciclopédia ambulante do rock”, Adriano Falabella”. Podem ser destacados neste quadro alguns exemplos de críticas e opiniões do apresentador, normalmente de maneira irreverente. No dia 07 de junho, Falabella criticou dizendo que “quem acabou com a banda Guns N‟ Roses foi o vocalista Axl Rose; com o seu estrelismo, egocentrismo, cara chato, difícil de se relacionar com as pessoas”. Neste mesmo dia, ele utilizou termos como “louco”, “livro é grosso bicho”, “devorar em três dias”, “era da pá virada”. No dia 14 de junho, ao falar sobre a vocalista Sonia Cristina, da banda “Curved Air”,

Falabella declara que ela é “gata, maravilhosa...a coroa está, como nós dizemos aqui, enxuta!”. No dia 28 de junho, ao falar de Michael Jackson, o roqueiro afirma que “o carinha já mandava bem desde criança”. No encerramento do quadro, Falabella termina com a deixa: “Gostas do delírio, baby”.

5 CONCLUSÃO

O Programa Alto Falante, ligado ao jornalismo cultural, adéqua-se aos parâmetros de uma TV Educativa / Pública – Rede Minas –, que prioriza, além da educação, a cultura e o entretenimento, que são características encontradas no mesmo.

O programa está no ar há doze anos, demonstrando que a sua credibilidade perante a emissora e os telespectadores. Em entrevista, o criador e apresentador do programa Terence Machado, explica que “O programa foi criado para ser um quadro semanal de música, dentro do programa “Agenda” (Rede Minas). Ele já nasceu no formato de revista eletrônica, com quadros diferentes, até que, em 1997, ganhou espaço na programação da emissora como programa de 1 hora de duração. Dois anos depois, estávamos na grade da TV Cultura, sendo exibidos em rede para todo o Brasil. Isso durou até este ano, quando o Alto-Falante saiu da TV Cultura e logo passou a ser exibido em rede pela TV Brasil”. As emissoras citadas pelo apresentador -TV Cultura e TV Brasil – pertencem à rede de TV Educativa / Pública do país. A própria Rede Minas, em informação contida no site, foi criada com o objetivo de expandir valores, educação e cultura.

De acordo com o apresentador, o objetivo do programa é destacar a música Pop conhecida e desconhecida na mídia, que faz ou não sucesso. E ele acrescenta, explicando que “a nossa missão é manter os telespectadores informados sobre shows importantes, notícias que fazem barulho no meio musical, discos essenciais que construíram a história da musica pop”.

Pode-se observar que o programa possui liberdade na exibição do seu conteúdo. São exibidas cenas e imagens de pessoas consumindo bebidas alcoólicas e fazendo uso do cigarro de maneira natural, não havendo em nenhum momento, certo “desconforto” do profissional que esteja entrevistando ou cobrindo o evento.

Um ponto de destaque dessa liberdade, é o fato do programa ser exibido para o estado de Minas Gerais, aos domingos, às 14:30 horas. Sendo um dia que, normalmente, as pessoas estão em casa, inclusive crianças e idosos, e após o horário de almoço.

Pensando-se de maneira mais ampla, pode-se concluir que o programa tem essa liberdade por ser veiculado em uma TV Educativa, que não lida de maneira direta e intensa com a publicidade e patrocínio, e desta forma, não tem a necessidade de excluir certas imagens.

Em se tratando de um programa voltado para o jornalismo cultural em uma TV Educativa, essa pesquisa pode-se estender em um próximo trabalho, realizando a comparação deste com outro programa musical veiculado em uma emissora comercial.

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ANEXOS Anexo A: Descrição detalhada dos programas

Programa exibido no dia 31/05

No programa Alto Falante veiculado no dia 31 de maio de 2009, inicia com a “Sessão Alto Falante” realizada no estúdio Ultra, em que o apresentador Terence Machado entrevista a banda “Curumim”. O vocalista e baterista Curumim, fala sobre a carreira da banda, citando o CD “Achados e Perdidos” lançado em 2005 e a seqüência de shows nos anos decorrentes. A primeira parte da entrevista é terminada com a banda apresentando a música “Empacto”.

Em seguida, o apresentador realiza a chamada da matéria diretamente do Estádio de Futebol Serra Dourada em Goiás, em que faz um “trocadilho” comparando o jogo entre os times Internacional x Goiás, que acabava de começar, com a Edição 2009 do Festival de Rock “Bananada” realizado no Teatro Piguá pertencente ao Centro Cultural Martim Sererê também em Goiás. No Festival, Terence Machado entrevista integrantes de várias bandas que participaram do evento, tais como, “Gloom” (GO); “Superstreosun” (Brasília); “Dead Lovers Twisted Heart” (MG); “She Kemakers” (GO); “The Backbiters” (GO); “Perito Moreno” (GO); “Filomedusa” (AC), “Rubinho e a Força Bruta” (GO) e “Diego de Moraes e o Sindicato” (GO). Na seqüência Luíza Damázio encerra o 1º bloco anunciando o que terá no próximo bloco.

O 2º bloco do programa inicia com o quadro “Enciclopédia do Rock” apresentado pelo roqueiro e radialista Adriano Falabella, que fala sobre as bandas de rock que nasceram na Inglaterra nos anos 60 e 70. Falabella aprofunda na história da banda “Atomic Rooster”, falando sobre as músicas e o estilo de roupa e acessórios dos integrantes. Esse quadro se encerra com a música “Breakthrough” da banda “Atomic Rooster”.

Dando continuidade ao programa, Terence Machado volta com a sessão alto falante com a banda “Curumim”, entrevistando os integrantes sobre o lançamento do CD “Japan Pop Show”, e eles tocam a música “Sambito”. Em seguida, Luíza Damázio encerra o 2º bloco apresentando o que terá no 3º bloco, último.

O último bloco do programa é iniciado com o apresentador falando novamente do Estádio Serra Dourada (GO), onde estava no intervalo do jogo e o placar se encontrava em 0 x 0, dando também uma “pausa” entre o primeiro e segundo dia do Festival “Bananada”.

No último dia do festival, Terence Machado entrevista mais bandas participantes e são pequenas partes das apresentações das mesmas, tais como, “Sangue Seco” (GO); “Multiplex” (SP); “Johnny Suxx e The Fucking Boys” (GO); “Hey Hey Hey” (RO); “Technicolor” (GO); “Lenzi Brothers” (SC), “Damo Suzuki” (Internacional); “Black Drawnig Chalks” (GO); “Baddah di Ciro” (TO); “Porco de Grindcoore” (GO) e “Projeto Manada” (SP).

O apresentador finaliza a matéria do Estádio Serra Dourada (GO), falando sobre o encerramento da Edição 2009 do Festival “Bananada” e sobre o término do jogo ficando o placar de 1 x 0 para o time do Internacional. Voltando a “Sessão Alto Falante”, o vocalista “Curumim” fala novamente sobre o CD “Japan Pop Show” e sobre andar de bicicleta. O apresentador Terence Machado se despede e o programa é encerrado com a música “Magrela Fever” da banda “Curumim”. Programa exibido no dia 07/06

A abertura do programa Alto Falante veiculado no dia 07 de junho de 2009, é com o apresentador Terence Machado informando o que irá ocorrer durante o programa. Ele destaca que o Festival “Bonnaroo” está chegando, o quadro “Garimpo” com a participação da banda “Sabonetes”, Adriano Falabella com o quadro “Enciclopédia do Rock” sobre a banda “Guns N‟ Roses” e cita mais bandas que serão vistas nesse episódio do programa. No 1º bloco o apresentador relata uma notícia sobre a banda “U2”, em que destaca o seu novo álbum “No Line On The Orizan” e expressa sua opinião sobre ele. Em seguida é exibido o clipe da música “Get On Your Boots” do novo disco do U2. Na sequência entra a vinheta do quadro “Garimpo” apresentado por Luíza Damázio, que trás a participação da banda paranaense “Sabonetes”. No início do quadro a apresentadora conta que os integrantes da banda eram amigos de faculdade e decidiram formar uma banda. Ela comenta sobre o “rock” que eles produzem destacando que são “letras poéticas, títulos

curiosos”. Na matéria realizada com a banda, os integrantes falam sobre o surgimento e história da banda, artistas que os influenciam, seu LP e o clipe que eles próprios produziram. Após a matéria, volta com Luíza Damázio falando sobre a carreira da cantora “Stela Campos”, destacando o seu novo CD “Mustang Bar” e comenta “as letras do trabalho colocam novamente a cantora na posição de cronista urbana, contando histórias que poderiam se passar em qualquer cidade grande”. Em seguida é exibido um clipe antigo de Stela Campos contendo a música “Te Pego Na Estação” do disco “Fim de Semana”. Em seguida Terence Machado termina o 1º de bloco anunciando o que terá no próximo bloco.

O 2º bloco começa com a vinheta do quadro “Enciclopédia do Rock” apresentado por Adriano Falabella, que irá falar sobre a banda “Guns N‟ Roses”. O roqueiro inicia o quadro fazendo crítica ao CD da banda que não saiu, e em seguida fala sobre a nova banda de um integrante do Guns, o Slash e conta um pouco sobre sua vida e história artística. Ele destaca o lançamento do livro (alto-biografia) de Slash e o recomenda “mesmo quem não gostar de Guns N‟ Roses vai adorar o livro”. Falabella critica dizendo que quem acabou com a banda Guns N‟ Roses foi o vocalista Axl Rose “com o seu estrelismo, egocentrismo, cara chato, difícil de se relacionar com as pessoas”. Termina o quadro com a exibição de um clipe do Guns N‟ Roses.

Dando continuidade ao programa entra a vinheta de notícias, em que é exibido um clipe de uma banda internacional e Luíza Damázio, dá a primeira notícia em off, fala sobre as apresentações de algumas bandas na Turnê do “Green Day”. Na segunda notícia, é exibido outro clipe internacional e Luíza fala sobre um casamento duplo em um quintal de uma casa de uma banda americana, ela mesma brinca dizendo: “Confuso não é?”. Em seguida entra a vinheta do quadro “Forno”, em que são exibidas imagens do cantor “Ben Harper”, e Terence Machado em off fala sobre o novo CD do cantor e que, “os fãs de Ben Harper só tem que comemorar com mais este lançamento, e também com a promessa que ele continuará fazendo shows com seus velhos companheiros de batalha”. Esse quadro termina com um trecho da música “And Relentlesst” de Ben Harper. Terence Machado realiza a passagem de bloco anunciando o que será apresentado no último bloco e inôniza: “Continue na área porque o intervalo vai ser mais rápido do que o Slash tocar guitarra, porque se fosse fazendo escova no cabelo, você teria desculpa para trocar de canal”.

O último bloco inicia com o Terence Machado apresentando a entrevista realizada em Londres no ano passado, com Allan Joses, editor da revista inglesa “Uncut”, que para ele, “vale como um vídeo aula sobre jornalismo musical”. A entrevista é sobre editorial de música na Inglaterra e o universo dos sons, utilizou-se de imagens para ilustrar o que Allan Jones declarava.

No encerramento do programa, Terence Machado anuncia o último clipe a ser exibido e fala sobre o Festival “Bonnaroo” que iria se realizar no próximo final de semana nos Estados Unidos. Ele destaca algumas bandas que estariam presentes, e que a equipe do Alto Falante iria realizar a cobertura do evento. Para terminar, é exibido o clipe da banda “Gov‟t Mule” contendo a música “Longer Than Life” do disco “Dose”. Programa exibido no dia 14/06

O programa Alto Falante veiculado no dia 14 de junho de 2009, tem a apresentação de Luíza Damázio que inicia o programa falando sobre música Pop e apresenta o primeiro vídeo clipe da banda mineira “Transmissor”. O clipe é da música “Primeiro de Agosto” do disco “Sociedade do Crivo Mútuo”. Em seguida entra a vinheta de notícias, e é exibido um clipe da cantora “Cartney Love”, sendo a primeira notícia sobre uma briga da cantora com um ex-integrante de sua banda. A segunda notícia mostrou um clipe da banda “Iser” e foi sobre o seu novo CD. Na terceira notícia é exibido um clipe da banda “Beastie Boys” e fala sobre o vocalista que está com câncer na glândula salivar. Em nota oficial o vocalista disse que o câncer foi detectado no início, que o tratamento nesse caso, é eficaz e que não atingiu as suas cordas vocais. Encerra com a vinheta Arquivo e é exibido o clipe da música “Ch Check It Out” da banda “Beastie Boys”, disco “To The 5 Borroghs”. Luíza Damázio encerra o primeiro bloco e anuncia o que terá no segundo.

O segundo bloco inicia com o quadro “Enciclopédia do Rock”, em que Adriano Falabella fala sobre a banda inglesa “Curved Air”, pouco conhecida no Brasil, mas na Inglaterra e na Europa fez muito sucesso nos anos 70. Falabella conta um pouco da história da banda e suas diversas formações. Ele da ênfase para a vocalista Sonia Cristina e declara que ela é “gata,

maravilhosa...a coroa está, como nós dizemos aqui, enxuta!”. Para terminar o quadro, é exibido o clipe de “Maria Antoniette” de 1973, da “Curved Air”, disco “Phantasmagoria”.

Continuando o programa, entra a vinheta do quadro “Forno” em que é exibido um clipe de música popular brasileira. Flávia Moreira realiza um off informando sobre o crescimento das cantoras femininas na MPB, destacando que “receber o título de diva é fácil, difícil é honrálo, fazer permanecer”. Após essa crítica, Flávia Moreira fala sobre o trabalho da cantora paulistana “Céu”, afirmando que ela possui “boa música, talento, bela voz e boa produção”, aproveitando o gancho para divulgar o seu novo álbum “Vagarosa”.

Em seguida Luíza Damázio realiza a cabeça do quadro “Garimpo” falando sobre a expressão “lixo polifônico” que define a origem do som do grupo mineiro “Graveola”, convidado naquele episódio do programa. Na matéria os sete integrantes se apresentam e contam um pouco sobre a formação e história do grupo. Eles explicam sobre o “lixo polifônico”, em que seria a incorporação de utensílios um pouco fora do contexto, integrados com a utilização de instrumentos normais. O grupo deu destaque para o primeiro disco que gravaram em janeiro deste ano, no qual os fãs podem ter acesso a todas as músicas através do site www.graveola.com.br, e encerram convidando as pessoas a conferirem o show afirmando sempre incrementam algo novo, diferenciando cada apresentação. A apresentadora encerra esse bloco anunciando a entrevista com a banda gaúcha “Acústicos e Valvulados” no último bloco do programa.

No 3º bloco, Luíza Damázio fala sobre o rock gaúcho da banda “Acústicos e Valvulados” e é exibida entrevista com a mesma. Em sonora a banda faz um apanhado dos 20 anos de carreira, destacando os discos gravados, artistas que contribuíram para a sua sonoridade e as mudanças que ocorreram nesse período, como por exemplo, no início da carreira eles catavam as músicas somente em inglês, e agora cantam em português também. Para encerrar o programa, Luíza Damázio informa em nota seca sobre o cancelamento das duas apresentações da banda “Depeche Mode” que ocorreriam este ano no Brasil. “Em nota oficial no site da banda, eles pediram desculpas alegando questão de logística”. Os shows agendados em outros países na América do Sul aconteceriam normalmente. A apresentadora relembra que nos últimos dois meses eles cancelaram vários shows por problemas de saúde do vocalista, aproveitando o fato, brinca dizendo que “com essa maré de azar, ele nunca não viria

nunca a América do Sul, devido ao vírus “Influenza A” que está fazendo a festa”. O programa se encerra com a exibição de um clipe do “Depeche Mode”.

Programa exibido no dia 28/06

No programa Alto Falante veiculado no dia 28 de junho de 2009, inicia com o apresentador Terence Machado destacando a cobertura do festival “Bannaroo” nos Estados Unidos e a “sessão alto falante” com a participação da banda “Radiotape”.

Luíza Damázio apresenta a sessão alto falante direto do estúdio Ultra com a participação da banda “Radiotape”. Na primeira parte da entrevista o vocalista Adilson Badaró conta como eles chegaram a essa formação atual da banda e suas experiências internacionais, tocam a música “Nova Chance”.

Volta com o apresentador Terence Machado, direto dos Estados Unidos, informando sobre o Festival “Bonnaroo” 2009 realizado em um espaço rural, contendo vários palcos montados, com a duração de três dias em que era esperado um público a cerca de 100.000 pessoas. Terence mostra imagens das apresentações e comenta um pouco sobre as bandas que se apresentaram, tais como, “Grizzy Bear” que foi a primeira banda a se apresentar, o que eles chamam de o “show cabeça”; “All Green”; “TV On The Radio”; “Lucinda Williams” e “Beastie Boys” que encerrou o primeiro dia do festival. Para encerrar o 1º bloco, é exibido mais um pouco da apresentação de “All Green”.

No 2º bloco volta a sessão alto falante, em que a banda “Radiotape” comenta sobre a sua participação na abertura do show do “Queen” no Brasil. Eles comentam também sobre a sua vontade de participarem de festivais de músicas independentes, destacando o festival do “Marreco” que estiveram presentes na cidade de Patos de Minas – MG. Para terminar a segunda parte da entrevista, eles apresentam a música “Tenho a Solução”. Dando seguimento ao programa entra no ar o quadro “Enciclopédia do Rock”, e o tema deste dia foi a morte (faleceu no dia 25 de junho) do rei do pop “Michael Jackson”. Adriano Falabella conta sobre a sua história artística que se iniciou os cinco anos de idade, quando o seu pai montou o grupo “Jackson Five” em que Michael Jackson era o vocalista e contava com a participação de mais quatro irmãos integrando o grupo. Em 1970 Michael Jackson

estourou no mundo em carreira solo, Falabella comenta “o carinha já mandava bem desde criança”. Em 1979 a carreira solo de Michael Jackson decolou com o álbum “Thriller” conhecido mundialmente. É exibida uma montagem contendo várias cenas de shows e clipes, e imagens de CD‟s e revistas de Michael Jackson.

É mostrado mais uma parte da cobertura realizada no segundo dia do festival “Bonnaroo”, Terence Machado informa sobre os artistas e lamenta de ter perdido alguns shows, pois alguns desses aconteciam no mesmo horário em diferentes palcos, com distâncias consideráveis entre um e outro. Neste dia se apresentaram “Cherry Holmes”; “Robin Hitchock e Venusa 3”; “Bom Ivert”; “Gov‟t Mule”; “Wilco”; “The Decemberists” e “The Mars Volta”. Uma grande surpresa foi a participação da banda “Bruce Springsteen e The E-street Band”, na hora da sua apresentação os outros shows foram parados, e este eve a duração de 3 horas e um público aproximado de 70.000 pessoas. Após 1 hora da manhã, quando este terminou, os outros palcos voltaram a ter shows, e no principal se apresentou o cantor “Ben Harper” e banda. Terence faz uma pausa anunciando o que terá no último bloco do programa, encerramento do festival “Bonnaroo”, da sessão alto falante e um clipe exclusivo de “Bem Harper”.

O 3º bloco começa com a última parte da sessão alto falante com a banda “Radiotape”. Luíza Damázio mostra o primeiro CD oficial da banda, e brinca com eles, perguntando quando o próximo será gravado, pois na gravação deste primeiro, a banda possuía um integrante a menos. O vocalista Adilson Badaró conta sobre a produção deste CD que possui 11 faixas musicais, e explica o nome, “Pequenas Coisas Que Nos Fazem Feliz”. Luíza Damázio encerra a sessão alto falante e banda “Radiotape” toca a música “Olhe Para Frente”.

No ultimo dia do festival “Bonnaroo” são exibidas várias imagens do público e da estrutura. As últimas apresentações tiveram a participação das bandas, “Okkervill River”; o rapper “Snoop Dog”; “Band Of Hosers” e “Neko Case”. Terence Machado comenta sobre o encerramento do festival “Bonnaroo” 2009 e termina o programa com o clipe “Day There And Hate Me” do “Ben Harper and Relentless 7”, sua nova banda.

Anexo B: Entrevista com o apresentador do programa – Terence Machado – dia 26/11/2009

-Como foi criado o programa “Alto Falante”? Fale sobre a história e o seu desenvolvimento.

O programa foi criado para ser um quadro semanal de musica dentro do programa Agenda (Rede Minas). Ele já nasceu no formato de revista eletrônica, com quadros diferentes, até que em 97 ganhou espaço na programação da emissora como programa de 01 hora de duração. Dois anos depois, estávamos na grade da TV Cultura, sendo exibidos em rede para todo Brasil. Isto durou até este ano, quando o Alto-falante saiu da TV Cultura e logo passou a ser exibido em rede pela TV Brasil. Nesses doze anos de existência o programa acompanhou a criação do fértil calendário de festivais dedicados à produção independente, viajou para fora do país para acompanhar de perto os principais festivais de musica pop do mundo (ex. Bonnaroo, Eurockéennes, Benicassim, Roskilde, entre outros). Nessa longa jornada, a nossa equipe também acompanhou de perto as mudanças significativas no mercado fonográfico mundial, com o advento das novas tecnologias, a mudança comportamental do consumo de musica, em função da internet etc.

-Qual é o objetivo do programa? Manter saciado com doses generosas de musica os fãs de musica pop, com destaque para a musica que não é destaque na grande mídia, mas sem esquecer da mesma. Trocando em miúdos: falar da Madonna ou da cantora que acaba de virar fenômeno – via internet – como foi o caso recente de Malu Magalhães – ou até mesmo de artistas que podem não passar de um primeiro show num festival independente em algum canto do Brasil. E, além disso, nossa missão é manter os telespectadores informados sobre shows importantes, notícias que fazem barulho no meio musical, discos essenciais que construíram a história da musica pop. E, claro, nunca perdemos de vista as Raízes do pop. Os artistas que ajudaram a “pavimentar” essa estrada. Afinal, temos um quadro com essa função quase exclusiva -o “Enciclopédia do Rock”-, apresentado pela lenda viva e “enciclopédia ambulante do rock” Adriano Falabella.

-O programa tem um público alvo específico? Não. Na verdade, fazemos um programa pra quem procura fugir da mesma meia Dúzia de artistas que é propagandeada na grande mídia. E também não cobrimos determinados Gêneros musicais, como musica sertaneja ou axé, o que já exclui uma considerável gama de

telespectadores, principalmente, num país como o Brasil. Fora isso, é um programa de musica pra quem curte musica à beça, tem curiosidade de buscar e conhecer novos sons sem preconceito. O telespectador assíduo do AF já se acostumou a assistir a um novo clipe do Justin Timberlake e conhecer uma banda menos famosa como o Friendly Fires ou ainda uma que está só começando como o The Name.

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