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Proposta de Sistema de Gestão de Riscos para Atividades Turísticas no P.E. Pedra da Boca, Araruna-PB

Proposta de Sistema de Gestão de Riscos para Atividades Turísticas no P.E. Pedra da Boca, Araruna-PB

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Publicado porFrancisco Fonseca
Este trabalho apresenta conceitos do que existe de mais recente sobre a segurança para praticantes de atividades que integrem o homem e o meio ambiente, especificamente os condutores e usuários do turismo de aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca no município de Araruna – PB, contemplando os aspectos da engenharia de segurança e da gestão dos riscos na prática de atividades ao ar livre. O turismo é a atividade de maior crescimento econômico no mundo. O turismo de aventura, em seus pacotes, agrega atividades esportivas que envolvem certo grau de risco. Nos últimos anos, o número de acidentes e de incidentes vem crescendo, inclusive com vítimas fatais. São analisados neste trabalho aspectos que envolvem a elaboração de um sistema de gestão de segurança em unidades de conservação ambiental, conforme normas legais vigentes. Apresenta-se diretrizes para elaboração e implantação de sistemas de gestão dos riscos. São abordados os aspectos gerais de uma política de segurança para unidades de conservação; O planejamento da gestão de segurança é focado com a proposição de dois métodos de avaliação dos riscos.

Palavras Chave: Gestão de Riscos, Segurança do Trabalho, Turismo de Aventura.
Este trabalho apresenta conceitos do que existe de mais recente sobre a segurança para praticantes de atividades que integrem o homem e o meio ambiente, especificamente os condutores e usuários do turismo de aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca no município de Araruna – PB, contemplando os aspectos da engenharia de segurança e da gestão dos riscos na prática de atividades ao ar livre. O turismo é a atividade de maior crescimento econômico no mundo. O turismo de aventura, em seus pacotes, agrega atividades esportivas que envolvem certo grau de risco. Nos últimos anos, o número de acidentes e de incidentes vem crescendo, inclusive com vítimas fatais. São analisados neste trabalho aspectos que envolvem a elaboração de um sistema de gestão de segurança em unidades de conservação ambiental, conforme normas legais vigentes. Apresenta-se diretrizes para elaboração e implantação de sistemas de gestão dos riscos. São abordados os aspectos gerais de uma política de segurança para unidades de conservação; O planejamento da gestão de segurança é focado com a proposição de dois métodos de avaliação dos riscos.

Palavras Chave: Gestão de Riscos, Segurança do Trabalho, Turismo de Aventura.

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FUNDAÇÃO FRANCISCO MASCARENHAS FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO (LATO SENSU) CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA

DO TRABALHO

FRANCISCO FONSECA

PROPOSTA DE SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS PARA ATIVIDADES TURÍSTICAS NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA, EM ARARUNA – PB

João Pessoa – PB 2007

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FRANCISCO FONSECA

PROPOSTA DE SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS PARA ATIVIDADES TURÍSTICAS NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA, EM ARARUNA – PB

João Pessoa – PB 2007

FRANCISCO FONSECA

PROPOSTA DE SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS PARA ATIVIDADES TURÍSTICAS NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA EM ARARUNA – PB

Monografia apresentada, como requisito parcial à obtenção do grau de especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, às Faculdades Integradas de Patos-FIP

Orientadora: Prof.(a) Dra. Nelma Mirian de Araújo

João Pessoa 2007

FRANCISCO FONSECA

PROPOSTA DE SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS PARA ATIVIDADES TURÍSTICAS NO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA EM ARARUNA – PB

Monografia aprovada em ________/________/________

Professora:___________________________________________ Dra. Nelma Mirian de Araújo (CEFET-PB) Orientadora

Examinadores:_______________________________________

_______________________________________

João Pessoa – PB 2007

DEDICATÓRIA A minha Mãe Djanira, com toda sua dedicação durante toda a minha trajetória. Ao meu pai Dehon. A minhas queridas e amadas Irmãs Ana Olívia e Ana Thereza, ao meu sobrinho “traquino” João Erle e a minha amada noiva Niedja Maria.

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AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Grande Arquiteto do Universo, pelas muitas bênçãos que tenho recebido em todos os anos dessa minha existência; E que esse trabalho sirva para glorificar o Nosso Pai que está nos céus. Especialmente a minha orientadora, Professora Dra. Nelma Mirian de Araújo do CEFET-PB, a quem faço reverência pelo grandessíssimo apoio e incentivo na elaboração deste trabalho. Ao Técnico de Segurança Luciano Santana Alves da Xerium Technologies Brasil – Nortelas - PB, pelos ensinamentos transmitidos, e por demonstrar todo o seu entusiasmo pela segurança no trabalho. Ao meu amigo MSc. Adriano Pereira de Figueiredo da APF Eng. e Consultoria Ambiental, um engenheiro exemplar e uma pessoa a ser seguida. Aos meus amigos da NEBLINA Adventure Center : Ana Cecília Falcão, André de Sena, Arthur Moura, Caetano Falcão, Edmilson Montenegro Fonseca, Perón de Medeiros, Petley de Medeiros, João Henrique dos Santos Júnior (“O Fera”), Stephenson Hallison e Wolgland Marques. Pessoas que motivam inspiração para esse trabalho, e que não permitiram que nem o tempo, nem as distâncias, nem tão pouco os destinos da vida, apagassem o valor da Amizade. A todos que compõe a Fundação Francisco Mascarenhas, a Faculdades Integradas de Patos e a Mendonça Consultoria pela cooperação. A minha turma de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança: Adriano Pereira, Aline Garcia, Antônio de Almeida Jr., Antônio Gomes Pereira. Jr., Chistovam Alvarenga, Cristiane Grisi, Daniele Gomes de Jesus, Daniel Leão, Etiane Roberta Bezerra da Rocha, Fisher Bekembawer Medeiros Jardim, Gabrielle de Melo Rodrigues, Giordano, Giovanna Barbosa Costa, Gláucio de Lucena Cordeiro, Kenia de Andrade Cavalcanti, Luis Eduardo de Vasconcelos Chaves, Marcos César Soares Ramalho, Maria Eveline Almeida, Nilson Gouveia Lins, Rafaella Klostermann, Renata Paiva da N. Costa, Roberta Fechine, Rosangela Evangelista Medrado. Os quais, tive a honra de conhecer, e o prazer de compartilhar excelentes dias de aprendizado. Por fim, agradeço a Você que está lendo este meu trabalho de conclusão de curso. Todo esse trabalho foi desenvolvido com o sentido único; chegar ao Seu conhecimento. vi

FONSECA, Francisco. Proposta de sistema de gestão de riscos para atividades turísticas no Parque Estadual da Pedra da Boca em Araruna – PB. 2007. 109p. Monografia de Conclusão de Curso de Engenharia de Segurança – Faculdades Integradas de Patos, João Pessoa, 2007.

RESUMO

Este trabalho apresenta conceitos do que existe de mais recente sobre a segurança para praticantes de atividades que integrem o homem e o meio ambiente, especificamente os condutores e usuários do turismo de aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca no município de Araruna – PB, contemplando os aspectos da engenharia de segurança e da gestão dos riscos na prática de atividades ao ar livre. O turismo é a atividade de maior crescimento econômico no mundo. O turismo de aventura, em seus pacotes, agrega atividades esportivas que envolvem certo grau de risco. Nos últimos anos, o número de acidentes e de incidentes vem crescendo, inclusive com vítimas fatais. São analisados neste trabalho aspectos que envolvem a elaboração de um sistema de gestão de segurança em unidades de conservação ambiental, conforme normas legais vigentes. Apresenta-se diretrizes para elaboração e implantação de sistemas de gestão dos riscos. São abordados os aspectos gerais de uma política de segurança para unidades de conservação; O planejamento da gestão de segurança é focado com a proposição de dois métodos de avaliação dos riscos.

Palavras Chave: Gestão de Riscos, Segurança do Trabalho, Turismo de Aventura.

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FONSECA, Francisco. Propose of system of risk management in activity of tourism in State Park of Pedra da Boca in Araruna - PB. 2007. 106p. Monograph of Finish of Course in Safety Engineering – Faculty Integranting of Patos, João Pessoa, 2007.

ABSTRACT

This work presents concepts of what it exists of more recent on the security for practitioners of activities that integrate the man and the environment, specifically the conductors and users of the adventure tourism in the State Park of Pedra da Boca in city of Araruna – PB - Brazil, contemplating the aspects of the security engineering and the management of the risks in the practical outdoors activities. The tourism is the activity of bigger economic growth in the world. The adventure tourism, have in its packages, sporting activities that involve one risk. In recent years, the number of accidents and incidents comes growing, as well as, the number the fatal victims. Aspects are analyzed in this work that involves the elaboration of a management system of security for units of conservation and protection environmental, following the Brazilian law. The guidelines for elaborations and implantation of management system risk are showing in this work. The general aspects of one politics of security for units of conservation are boarded; the planning of management security is analyzed among of two methods of evaluation of the risks.

Key words: Management of Risks, Security of Work, Adventure Tourism.

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Lista de Figuras

LISTA DE FIGURAS Figura 1- Pirâmide de atividades de aventura .......................................................................... 39 Figura 2 – Gráfico da análise de riscos combinando habilidade e isolamento ......................... 42 Figura 3 – Localização da Pedra da Boca – Araruna-PB ......................................................... 51 Figura 4 – Riscos de projeto ..................................................................................................... 57 Figura 5 – Perfil de andamento de projeto. .............................................................................. 60 Figura 6 – Esquema geral da estratégia SOBANE de gestão dos riscos .................................. 71 Figura 7 – Rubrica do método DEPARIS ................................................................................ 74 Figura 8 – Contorno das iso-linhas de fator de risco (FR) ....................................................... 87 Figura 9 – Gráfico de graduação da ordem do fator de risco do projeto - Perfil de análise ..... 91 Lista de Quadros LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Questões para o gerenciamento de projetos .......................................................... 46 Quadro 2 – Características dos níveis de estratégia SOBANE ................................................ 72 Quadro 3 – Resumo de DEPARIS para o rappel da Aroeira ................................................... 79 Quadro 4 – Probabilidade de exposição ................................................................................... 87 Quadro 5 – Probabilidade de controle ...................................................................................... 87 Quadro 6 – Probabilidade de detecção ..................................................................................... 88 Quadro 7 – Conseqüências da severidade potencial................................................................. 88 Quadro 8 – Conseqüências das abrangência ............................................................................ 88 Quadro 9 – Medidas de controle conforme fator de risco ........................................................ 90 Quadro 10 – Fator de risco em escala de impacto .................................................................... 91 Lista de Tabelas LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Fatores de Risco ...................................................................................................... 89 Tabela 2 – Tabela de correspondência entre OHSAS 18001, ISO 14001:1996 e ISO 9001:2000 ............................................................................................................................... 100 Lista de Equações LISTA DE EQUAÇOES Equação 1 – Risco no turismo de aventura............................................................................... 32 Equação 2 – Probabilidade de evento ....................................................................................... 86 Equação 3 – Fator de risco ....................................................................................................... 86 Equação 4 – Probabilidade do fator de risco ............................................................................ 88 Equação 5 – Conseqüência do fator de risco ............................................................................ 89

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
Lista de Abreviaturas e Siglas

ABETA ABNT AS/NZS BS BSI

Associação Brasileira de Empresas de Turismo de Aventura Associação Brasileira de Normas Técnicas Australian and New Zealand Standard British Standard British Standard Institute

DEPARIS Diagnóstico Participativo dos Riscos EPC EPI ISO IDEME NBR NR OHSAS PEPB PDCA PPRA SA SAI SEBRAE SESMT SOBANE UEPB UERN UFPB UFRJ UFRN USP WTO Equipamento de Proteção Coletiva Equipamento de Proteção Individual International Standardization Organization Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba Norma Brasileira Regulamentadora Norma Regulamentadora Occupational Health and Safety Assessment Series Parque Estadual da Pedra da Boca Plan – Do – Check – Act (Plano – Implantação – Verificar – Ação) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Social Accountability Social Accountability Internacional Serviço Brasileiro de Apoia às Micro e Pequenas Empresas Serviço Especializado em Eng. de Segurança e Medicina do Trabalho Screening, Observation, Analysis, Expertise Universidade Estadual da Paraíba Universidade Estadual do Rio Grande do Norte Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal do Rio de Janeiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade de São Paulo World Tourism Organization (Organização Mundial do Turismo)

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11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 13 1.1 Estrutura do Trabalho ........................................................................................ 18 Objetivo Geral ................................................................................................................... 21 Objetivos Específicos..................................................................................................... 21 2 O TURISMO DE AVENTURA .................................................................................... 22 2.1 Operadora de Turismo de Aventura ............................................................... 23 2.1.1 Entrada da viagem......................................................................................... 24 2.1.2 Recreação de aventura e turismo de aventura ......................................... 24 2.1.3 Local fixo e atividade móvel ......................................................................... 25 2.2 Perfil dos clientes de turismo de aventura ................................................... 25 2.3 Indústria do entretenimento ............................................................................. 26 2.4 Interação com outros setores .......................................................................... 28 2.5 Divulgação do Turismo de Aventura .............................................................. 28 2.6 O setor de aventura............................................................................................. 29 2.7 Habilidade, isolamento, risco e recompensa, .............................................. 31 2.8 Evolução do Turismo de Aventura em Áreas Remotas ............................ 33 2.9 Estrutura das Operadoras de Turismo de Aventura .................................. 36 2.10 Atividades de Aventura ...................................................................................... 38 2.11 Riscos em atividades de aventura .................................................................. 41 3 NORMAS DE REFERÊNCIA...................................................................................... 43 3.1 NBR 15.331 Turismo de aventura – Sistema de Gestão da Segurança 43 3.2 NR - 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais .......................... 46 3.3 Norma Regulamentadora - 21 – Trabalho a Céu Aberto ........................... 47 3.4 BS 8800 Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional ............................... 48 3.5 OHSAS 18.001 Sistema de Gestão para Segurança e Saúde Ocupacional ...................................................................................................................... 49 3.6 SA 8000 – Norma de responsabilidade social ............................................. 49 4 O PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA ................................................... 51 4.1 Situação Geográfica ........................................................................................... 51 4.2 Descrição do Parque Estadual da Pedra da Boca ...................................... 52 4.3 Esportes de Aventura ......................................................................................... 53 4.4 Turismo Cientifico ............................................................................................... 53 4.5 Turismo Escolar ................................................................................................... 54 4.6 Turismo Religioso ............................................................................................... 54 4.7 Turismo Contemplativo ..................................................................................... 54 5 GESTÃO DOS RISCOS .............................................................................................. 56 5.1 O projeto de gerenciamento de risco............................................................. 57 5.2 Gerenciamento do risco .................................................................................... 60 5.3 Identificação do risco ......................................................................................... 60 5.4 Tratamento do Risco .......................................................................................... 61 5.4.1 Eliminação do Risco ...................................................................................... 61 5.4.2 Diminuição da exposição aos riscos........................................................... 62 5.4.3 Mitigação de impacto .................................................................................... 62 6 DIRETRIZES PARA ELABORAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS ........................................................................................................... 64 6.1 Política de segurança ......................................................................................... 65 6.1.1 Definição de uma Política de Segurança ................................................... 66 6.1.2 Intenções de uma Política de Segurança .................................................. 66 6.1.3 Formulação de uma Política de Segurança .............................................. 66 1 11

12 6.1.4 Características de uma Política de Segurança ......................................... 67 6.1.5 Manutenção de uma Política de Segurança Flexível............................... 69 6.2 Planejamento ........................................................................................................ 70 6.2.1 Estratégia SOBANE ...................................................................................... 70 6.2.1.1 Nível 1 - Diagnóstico Preliminar .......................................................... 72 6.2.1.2 Nível 2 – Observação ............................................................................ 72 6.2.1.3 Nível 3 – Análise .................................................................................... 73 6.2.1.4 Nível 4 - Perícia ...................................................................................... 74 6.2.2 Apresentação do método DEPARIS ........................................................... 74 7 METODOLOGIA ........................................................................................................... 76 7.1 Modelo da Pesquisa ............................................................................................ 76 7.2 Elaboração do Estudo de Caso ....................................................................... 77 7.3 Análise dos Resultados Obtidos ..................................................................... 77 8 RESULTADOS E DISCUSSÕES .............................................................................. 79 8.1 Apresentação dos resultados .......................................................................... 79 8.2 Análise dos resultados ...................................................................................... 82 9 AVALIAÇÃO SEMI-QUANTITATIVA DOS RISCOS ............................................. 85 10 CONCLUSÃO ............................................................................................................... 92 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 96 ANEXOS .................................................................................................................................. 99 APÊNDICES .......................................................................................................................... 101 APÊNDICE A – Modelo de Política de Segurança................................................................ 102 APÊNDICE B – Método de DEPARIS aplicado – Rappel da Aroeira .................................. 104 APÊNDICE C – Folha de avaliação dos riscos em atividades elaborada .............................. 109

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INTRODUÇÃO

O turismo é a atividade comercial de maior crescimento econômico no mundo, segundo a WTO (World Tourism Organization) órgão ligado ao comitê das Nações Unidas, bem como é um setor capaz de levar o desenvolvimento social e cultural aos moradores de uma determinada localidade. Por este entendimento apenas, turismo é um relevante fator em termos de desenvolvimento de conflitos. Contudo, os benefícios econômicos para as comunidades locais tornam o turismo uma atividade atrativa. No Brasil, os principais atrativos eram as praias e o calor do sol, após a reunião da ECO 92, o foco de turismo foi modificando para o “ecoturismo”, que hoje encontra-se divido em vários seguimentos, como: turismo rural, turismo ecológico e turismo de aventura. Todos esses não usam cenários urbanos para atrair seus clientes, esse mercado é voltado para quem gosta de desfrutar a vida em contato com a natureza, com maior ou menor grau de emoção e dificuldade durante o passeio. Dado o crescimento turístico nos últimos dez anos no Parque Estadual da Pedra da Boca (PEPB), o governo do Estado da Paraíba decidiu criar a área de preservação em 2005, com uma área de 156 ha voltada para o desenvolvimento de atividades turísticas que ligam o homem à natureza, tendo como cenário um monumental parque de pedras, onde é possível a pratica de esportes e atividades ao ar livre, e de contemplação à natureza. A criação do Parque, sem sombra de dúvidas, é um marco para o desenvolvimento do turismo na micro região do Curimataú Oriental. No entanto, a forma como foi implantado deixa a desejar quando se menciona o planejamento e os passos adotados para o desenvolvimento sustentável e seguro. Ocorreu um crescimento no fluxo turístico sem que houvesse um plano de ações a serem adotados. Devido a essa morosidade, o PEPB recebe a visita de mais de 300 turistas por mês, sem que haja um controle nem a fiscalização dos grupos que ali desembarcam. 13

14 A falta de controle da demanda turística já gerou inúmeros acidentes com os visitantes e operadores de atividades no parque, havendo registro de acidentes com vítimas fatais. A vitima mais recente foi um adolescente de apenas 13 anos de idade que estava no Parque em virtude de uma atividade extra-escolar realizada por uma escola estadual da cidade de Araruna. No Brasil, as atividades turísticas vêm tendo um destaque especial a partir da criação do Ministério do Turismo, devido às tendências mundiais do comportamento turístico, que hoje buscam novas experiências, aliadas ao contato com a natureza. O crescimento do turismo de aventura e ecoturismo, e a demanda turística do Brasil, fez com que o Ministério do Turismo considerasse o Turismo de Aventura um segmento prioritário para que pudesse ser contemplado com investimentos maciços e criado uma estrutura organizacional, tudo isso devido ao conjunto de riscos inerentes às atividades realizadas. A preocupação do governo é em profissionalizar e dar qualidade as operadoras para competir no mercado internacional, e mostrar para o mundo que o Brasil oferece Turismo de Aventura com padrões de Segurança. Baseado nessa necessidade de atender as exigências de segurança, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) desenvolveu uma série de normas de forma a fortalecer e qualificar o turismo de aventura no Brasil, de forma sustentável e segura. A intenção do governo é difundir a boa prática do Turismo de Aventura pelo país, através de um Sistema de Gestão da Segurança no Turismo de Aventura através da NBR 15.331, e das Competências Mínimas do Condutor, através da NBR 15.285. Essas ações buscam estimular a prática segura de esportes de aventura com empresas certificada e profissionais qualificados, sempre em busca da minimização dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas junto à natureza. Essas exigências do mercado mundial trouxeram a tona uma realidade nacional da falta de qualificação dos profissionais envolvidos no Turismo de Aventura. Os condutores da nossa realidade, Parque Estadual da Pedra da Boca, não ficam em situação diferente do cenário nacional. A qualificação com as Competências Mínimas para os Condutores de Turismo de Aventura não são atingidas, nem tão pouco há pessoal qualificado para a realização de primeiros socorros. As empresas que operam com o Turismo de Aventura, encontram-se em um estado distante da certificação, com base nos requisitos mínimos estabelecidos e 14

15 exigidos pela NBR 15.331, que nada mais é do que a certificação de um Sistema de Gestão da Segurança para o Turismo de Aventura. A falta de estímulo para a busca da capacitação dos condutores e certificação das empresas deve ser superada com os incentivos e parceria entre o Ministério do Turismo, ABETA e o SEBRAE, que juntos vêm buscando incentivar a competitividade entre as empresas com o desenvolvimento sustentável de micro e pequenas empresas prestadoras de serviços de turismo de aventura. A parceria deu origem ao Programa de Qualificação e Certificação do Turismo de Aventura – Programa Aventura Segura. Para que os níveis de exigência das normas sejam atingidos é necessário que a equipe gestora do PEPB desenvolva um Plano de Gestão de Segurança, através do Gerenciamento dos Riscos inerentes ao cenário do Parque. Segundo Araújo (2004), a necessidade de prover as diversas atividades econômicas com mecanismos capazes de administrar, de forma eficiente, a segurança do trabalho é um anseio ressaltado tanto por pesquisadores como por empresários, trabalhadores e o próprio governo. Essa necessidade torna-se cada vez mais evite quando se efetua uma análise dos índices de acidentes. É notório que algumas evoluções tecnológicas diminuíram sensivelmente os riscos de um acidente, desde que essas novas tecnologias sejam empregadas de forma correta.
A segurança de um sistema depende fundamentalmente da experiência acumulada, e como a produção esta sempre sujeita a certas exigências de prazos, qualidade e quantidade, que são incompatíveis com a fase de aprendizagem e de domínio de um novo processo. (ASSUNÇÃO e LIMA, 2003, p.1786).

Por essa perspectiva pode-se analisar que as novas exigências da ABNT podem levar as operadoras e condutores a um período de defasagem, causado pelo período de adaptação às novas técnicas a serem empregadas e à forma correta de utilização dos EPIs ou EPCs . A análise das situações de risco e a adoção de medidas para controlar esses riscos é um trabalho que exige medidas técnicas, e a participação de pessoal qualificado, devidamente treinado para buscar, de forma técnica, a eliminação dos 15

16 riscos para os praticantes de Turismo de Aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca. Dessa forma, com o propósito de colaborar para a melhoria das condições da prática segura do Turismo de Aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca, esta monografia, apresenta conceitos, na evolução e a importância da engenharia de segurança na implantação de um Sistema de Gestão de Riscos para as Atividades Turísticas em Áreas de Preservação Ambiental. Neste trabalho são apresentadas diretrizes que possibilitem a elaboração de sistema de gestão dos riscos como prevê a NBR 15.331. Para isso, são estudados sistemas de planejamento de prevenção de acidentes, e levantadas sugestões para a melhoria da implantação do

Gerenciamento de Segurança. A publicação da NBR 15.331, que trata do Sistema de Gestão da Segurança para o Turismo de Aventura, trouxe uma realidade nacional, a falta de requisitos mínimos por parte das empresas operadoras de Turismo de Aventura, em atender as exigências de segurança do mercado mundial. As atividades de turismo envolvem os operadores e os clientes em uma atmosfera diferente da rotina diária, principalmente para os clientes, turistas que, em geral, procuram realizar atividades diferentes e adicionar a sua diversão, um pouco mais de emoção. As operadoras, por sua vez, no sentido de agarrar esse setor do mercado turístico, oferece em seus pacotes atividade de contato com a natureza. Na Paraíba, essas atividades turísticas são realizadas com freqüência. Os pacotes turísticos de aventura oferecem, entre outros: passeios a ilhas afastadas da costa, descidas de cachoeiras no interior, caminhadas de longo percurso em regiões de caatinga, travessias de bicicleta de mais de 60 Km, descida por corda em paredões rochosos. Todas são atividades realizadas a uma distância de um centro de tratamento médico adequado e, que requer um planejamento mínimo para evitar os acidentes com os clientes e com os operadores. A indústria do turismo tem como resultado final de sua produção a satisfação do cliente. Satisfação em turismo é o resultado de uma série de fatores, que começam do primeiro atendimento no balcão de negociações do pacote, até a revelação das fotos para relembrar o passeio realizado. Segundo Steck (1999), 16

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o turismo também produz uma forma qualificada de serviço com diferentes tarefas, porém o grande número de desqualificação profissional no mercado do turístico não é apenas um julgamento negativo, mas porque eles são preenchidos pelo povo local que carece de treinamento.

Em se tratando de turismo de aventura, no estado da Paraíba, as operadoras contratam guias locais, que na verdade são apenas pessoas que habitam a região de exploração turística e que, como ninguém, conhecem os meandros das trilhas da região e são peças fundamentais no tocante à sustentabilidade turística. A premissa da sustentabilidade turística não pode ficar sobreposta ao requisito segurança, pois não haverá o resultado de satisfação, quando ocorrer um incidente, por menor que seja, nem tão pouco quando de fato ocorrer um acidente. A necessidade de um profissional de segurança do trabalho no ramo de turismo de aventura não se deve ao mero acaso do termo “indústria do turismo”, mas com a finalidade de detalhar e especificar medidas que seja de segurança, e com proteção ao produto, ao cliente, através de um projeto especificamente desenvolvido para as operadoras de turismo, trabalhando em conjunto com as demais pessoas envolvidas nas atividades turísticas de determinada região. Tudo deve ser realizado de forma a garantir qualidade na prestação de serviços, segurança nas atividades desenvolvidas e satisfação do turista. Segundo Dias (2003),
as exigências de segurança são decorrentes das “demandas sociais (ambiente), demandas do cliente (qualidade, inclusive custo) e exigência dos trabalhadores (segurança profissional e saúde), como também exigências legais[...]”.

Acidentes envolvendo turistas têm sido assunto para alguns artigos de publicação acadêmica em gerenciamento de segurança ou em literatura de turismo, apesar dos problemas de segurança com turismo ter escala menor. Segundo Clift & Page, (1996), o prejuízo potencial e a fatalidade prejudicam seriamente a indústria do turismo e a economia de paises que investem no turismo. Algumas publicações em jornais e revistas especializadas são feitas no Brasil quando ocorre um acidente com vítima fatal, e essa noticia torna-se assunto para os telejornais, que ganham proporções negativas para o “turismo de aventura”. Na realidade, o que é apresentado pelos noticiários televisivos nada mais é do que a 17

18 falta de um planejamento de gestão dos riscos envolvidos nas atividades turísticas realizadas. Desta forma, destaca-se a necessidade de medidas de segurança que diminuam os acidentes nas atividades do turismo de aventura, de forma a agregar valor ao pacote turístico com a garantia de um passeio seguro com operadores qualificados. Para isso, verifica-se a necessidade de conhecer a realidade de outros Parques Ecológicos brasileiros, a fim de propor soluções e recomendações para reduzir e, na medida do possível, eliminar os riscos de acidentes nas atividades do turismo de aventura. Para análise do setor do turismo de aventura no Brasil, utilizou-se como elemento de pesquisa o Parque Estadual da Pedra da Boca, no município de Araruna, no norte da mesorregião do agreste paraibano, que se encontra com o maior número de acidentes com vítimas fatais registrados no turismo de aventura da Paraíba, entre os anos de 2000 e 2007. O PEPB é a segunda Unidade de Conservação criada no estado, em números não oficiais estima-se que cerca de 800 turistas por mês visitam o local, e desde 2000 com a criação do parque através de decreto governamental, vem aumentando consideravelmente o número de visitas, inclusive com destaque para realizações de matérias jornalísticas em nível nacional.

1.1 Estrutura do Trabalho

O trabalho está estruturado em nove capítulos. No primeiro capítulo são apresentadas às justificativas e motivações para a escolha do tema da pesquisa e os objetivos a que se destina esse trabalho. No segundo capítulo, são apresentados os conceitos mais recentes sobre turismo de aventura no Brasil e no mundo. Destaca-se nesse capítulo o desenvolvimento de uma equação e uma análise gráfica de riscos em turismo de aventura, através da combinação entre habilidade e isolamento.

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19 No terceiro capítulo, estão dispostas as normas de referência par o gerenciamento de segurança no trabalho, com destaque da primeira norma de gestão de risco do país, a NBR 15.331, e seus principais aspectos para o trabalho de gestão dos riscos em atividades de turismo de aventura. É apresentado neste capítulo a NR-9, que trata de Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. No quarto capítulo, são apresentadas, de maneira geral, as características físicas e geográficas do Parque Estadual da Pedra da Boca, bem como as condições e os aspectos de exploração do turismo no local. O quinto capítulo aborda os aspectos gerais sobre a gestão dos riscos, são definidas as ferramentas, como: planejamento, organização, coordenação e controle. São identificados, também, os fundamentos para o gerenciamento. A identificação e o tratamento dos riscos são abordados de maneira geral. São apresentadas, também, definições adotadas em um projeto de gestão de riscos. No sexto capítulo são apresentadas diretrizes para a elaboração e implantação de sistema de gestão de riscos em uma unidade de preservação ambiental. São apontados aspectos da política de segurança, como a análise da escolha para equilibrar a disponibilidade de uso versus a segurança necessária para garantir a integridade física dos usuários. Neste capítulo é apresentado a necessidade da participação dos atores que devem ter participação direta na formulação da política de segurança. O planejamento de segurança é demonstrado através de uma estratégia denominada de SOBANE, que usa a metodologia DEPARIS, para análise e diagnósticos dos riscos. No sétimo capítulo é apresentado o método DEPARIS, uma ferramenta de diagnóstico geral dos riscos, sua elaboração, utilização, aplicação e análise do entendimento sobre segurança em uma atividade produtiva. No oitavo capítulo são apresentados os resultados e as discussões sobre a aplicação do método DEPARIS, no rappel da Aroeira, no Parque Estadual da Pedra da Boca. O nono capítulo é a parte mais importante deste trabalho, destaca-se a elaboração de um critério semi-quantitativo para a avaliação de riscos que envolvem 19

20 as atividades de turismo de aventura. Esse método poder ser utilizado no processo de planejamento dos riscos, já que apresenta uma aproximação entre análise qualitativa e quantitativa. Trata-se de uma análise de avaliação que apresenta resultados numéricos, permitindo a classificação dos riscos por meio de probabilidade e conseqüência.

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OBJETIVO Objetivo Geral Este trabalho tem como objetivo propor diretrizes para a elaboração e implantação de um sistema de gestão de riscos para atividades de turismo de aventura em órgãos ou instituições que prestam serviços nessa modalidade turística. Objetivos Específicos • Auxiliar na gestão do parque estadual na busca da elaboração de um planejamento de proteção e segurança dos usuários; • Estabelecer características técnicas e inovações tecnológicas a serem implantadas; • Apresentar medidas, prevista em norma e regulamentos técnicos para a implantação de procedimentos recomendáveis de forma a garantir uma melhoria significativa na segurança dos operadores e usuários do turismo de aventura dentro de parques estaduais; • Orientar para a realização de atividades que busquem a manutenção dos sistemas de segurança; • Atender as necessidades da sustentabilidade turística, acreditando que seja uma ferramenta essencial para o desenvolvimento social da região explorada, devido à atuação marcante dos moradores da região nas atividades turísticas; • Apresentar sugestões para elaboração de planejamento da gestão de riscos treinando condutores para prevenção de acidentes;

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2 O TURISMO DE AVENTURA

O turismo de aventura vem crescendo rapidamente nos últimos anos. As atividades com o contato entre homem e natureza vem incrementando a comercialização turística. Segundo Buckley (2006), o produto comercial oferecido atualmente pelas operadoras de turismo de aventura não são analisados de forma subjetiva, nem apresentam uma coerência nem uma revisão compreensiva das análises das atividades realizadas. Ainda, segundo Buckely (2006), a diferença entre turismo natural, ecoturismo, turismo de aventura, expedição comercial, recreação ao ar-livre e educação ao arlivre é obscura. O termo turismo de aventura é utilizado significativamente para a comercialização desse tipo de turismo, onde o principal atrativo são as atividades ao ar-livre, que são realizadas e desenvolvidas em terreno natural, geralmente requerendo esportes ou equipamentos especializados e é uma atividade excitante para o turista. Segundo McKinson (2005), o turismo de aventura tem em sua programação atividades de práticas esportivas com desafio e esforços físicos, passeios cheios de surpresas e obstáculos a serem superados. O incremento atrativo comercial é o contato do homem com a natureza. Estas definições não mostram que o cliente opere o equipamento sozinho, o turista pode ser simplesmente passageiro, como em uma descida em corredeiras com bote (rafting) ou em uma descida por corda equipada com roldana sentada em uma cadeirinha (tirolesa). Não são apresentados nessas definições artificiais os demais aspectos sobre o turismo de aventura. O comportamento humano particularizado na prática de atividade esportivas ao ar-livre é a chave para os estudos contínuos dessa atividade. Individualmente as pessoas têm varias e diferentes expectativas e experiências em atividades ao ar-livre, a excitação é apenas uma das manifestações. O turismo de aventura pode significar diferentes coisas para diferentes pessoas. A distância da viagem e o tempo utilizado pode variar de pessoa para 22

23 pessoa, e são variáveis contínuas nas atividades desenvolvidas ao ar-livre. O nível de consciência, auto-suficiência e a posse de equipamentos é uma variável que dá suporte ao que podemos denominar de grau da aventura. Não há uma distinção definida entre aventura e “não-aventura”, entre turismo comercial e recreação individual, entre ponto remoto e ponto localizado, e assim segue as diferenças em turismo de aventura. Distinção semelhante entre o que pode ou não pode ser significante, por varias perspectivas. Quando o assunto é nível de aventura, as considerações podem variar de acordo com a condição individual, os limites e as capacidades técnicas de cada um. O planejamento de uma viagem de final de semana pode variar dependendo da condição individual, alguns podem carregar mais utensílios não apropriados que outros. O período para a prática do turismo de aventura não é bem definido, depende da sua essência; as estações do ano definem bem a temporada de cada modalidade esportiva a ser praticada. Por exemplo: a prática de rafting (descida de corredeira com uma equipe utilizando um bote) é um tipo de turismo de aventura onde a operadora providencia todos os equipamentos, o cliente necessita de ter a consciência previa dos riscos e a principal atração é correr rápido para as margens do rio. Escalada, caiaque oceânico, exploração de cavernas, balonismo, salto de pára-quedas, parapenting, mountain biking, são outras atividades que podem ser também consideradas turismo de aventura.

2.1 Operadora de Turismo de Aventura

Operadoras de turismo de aventura são as empresas legais que oferecem serviços de passeio para um local onde o meio ambiente é propicio a realização de uma ou mais modalidades esportivas. As dificuldades impostas pelos acidentes geográficos que são apresentados ao longo do percurso é o principal atrativo do turismo de aventura, é importante que seja relembrado que a condição individual e o nível de exposição aos riscos desse tipo de turismo determinam o tipo de dificuldade do passeio. 23

24 Existe uma dificuldade de distinguir uma boa operadora de turismo de aventura e um grupo que opera o turismo de aventura. Buckley (2006) particulariza três dessas dificuldades, devem ser observadas e aplicadas na escolha da empresa para a prática do turismo de aventura. A primeira é a determinação da entrada da viagem, a segunda seria a distinção entre recreação de aventura e turismo de aventura e por último temos distinção da atividade fixa e a atividade móvel.

2.1.1 Entrada da viagem

A entrada da viagem seria um portal de boas-vindas, um rito de introdução e mudança de estilo entre a vida cotidiana e os desafios a serem enfrentados. Possui também um caráter econômico, agrega valor ao pacote turístico. Uma atividade turística de lazer com qualidade deve ter incluído uma parada noturna e/ou iniciar a viagem com os participantes a partir daquela “hospedagem”. Essa entrada da viagem também garante a participação da comunidade local e a fixação da sustentabilidade turística. No entanto, esta regra nem sempre é necessariamente aplicada, muitas atividades de turismo comercial são realizadas com duração de apenas um dia. Existe uma relutância em considerar estas atividades de um único dia, como sendo uma atividade turística.

2.1.2 Recreação de aventura e turismo de aventura

No turismo de aventura o cliente paga a uma operadora para providenciar uma experiência de aventura. Na recreação de aventura o participante é quem realiza sua própria atividade. O turismo comercial pode fornecer todos os equipamentos e roupas especializadas que sejam necessárias aos clientes participantes, já que eles podem não possuir, nem ter ciência dos equipamentos necessários para as atividades de 24

25 aventura. Por outro lado, a operadora de turismo pode providenciar apenas o guia, sendo os turistas proprietários de todos os equipamentos e com conhecimento do seu devido uso. Um bom exemplo é uma atividade de caminhada ou uma expedição a uma montanha onde um guia conduz os participantes ao destino.

2.1.3 Local fixo e atividade móvel

A linha de divisão não é muito clara. A casa de apoio para atividades de montanha tem um local fixo, ao passo que as atividades de caminhada na montanha são atividades móveis. Já a escalada é uma atividade móvel com local fixo para a sua prática. As trilhas para caminhadas podem ser mudadas com certa facilidade durante o passeio, o contrário não ocorre com a via de escalada, a rota sempre tem que passar pelos grampos para garantir a segurança. Caminhar na montanha e escalar certamente são atividades de lazer excitantes, para ambas são necessárias a participação de especialistas na área, consciente e equipado com material de fabricação confiável. No entanto, uma casa de apoio no roteiro turístico, agrega um componente na estimativa da escala econômica do turismo de aventura. A casa é uma figura que acrescenta muito se associada a um estado de desenvolvimento real, quando incluída dentro do roteiro turístico. Para tanto, torná-la um atrativo, independentemente de que os visitantes realizem alguma atividade de aventura ou não, tornando a casa um local fixo para uma simples visita.

2.2 Perfil dos clientes de turismo de aventura

Os moradores dos centros urbanos têm um estilo de vida agitado, sob o ponto de vista da condição de relaxamento e reposição das energias. Muitas pessoas desses centros urbanos são relativamente bem de vida, possuem dinheiro, mas nem sempre têm tempo para o lazer. Elas vêem um ambiente deserto e a vida selvagem 25

26 através dos programas de televisão e por revistas de viagem, apreciando as maravilhas da natureza com certa distância, e ficam a imaginar a quantidade de equipamento e a ousadia de algumas pessoas para produzir os documentários da “vida selvagem”. O fato de haver pessoas que levam uma vida urbanamente agitada, desperta, em alguns, o desejo de mudanças, mesmo que por alguns instantes. O dinheiro é uma das condições básicas para a prática de atividade ao ar livre, no entanto, não é o suficiente, outras condições são necessárias, como: tempo para a organização da atividade, treinamento adequado, equipamento de boa qualidade. Em geral os praticantes de turismo de aventura são adultos, em idade produtiva que desejam ser envolvidos em uma atmosfera arriscada, diferente do cotidiano. Esse é o perfil do cliente que procura os serviços do mercado de turismo de aventura. No passado quando se queria realizar alguma atividade ao ar livre, geralmente as pessoas se associavam a clubes, ou formavam grupos com familiares e amigos próximos, adquiriam os equipamentos, já que a disponibilidade para a locação era difícil, e saiam em busca da sua aventura. Hoje a realidade é diferente, os equipamentos mais sofisticados e caros estão disponíveis para locação, bem como a companhia de uma pessoa treinada para agir de forma a garantir conforto, diversão e segurança ao cliente que busca sua aventura. Ou seja, as pessoas não mais necessitam possuir seu próprio equipamento ou sua própria equipe, precisam apenas confiar no plano de viagem elaborado, na liderança e na proteção oferecida. Um conhecimento básico, um treino leve e a necessidade de realizar uma atividade ao ar livre podem ser atendida.

2.3 Indústria do entretenimento

No passado, não havia uma comercialização maciça dos produtos fabricados e desenvolvidos para a realização de atividades de aventura, nem tão pouco havia um elo entre as fabricantes desses equipamentos com as operadoras de turismo, não havia nenhuma interação logística. 26

27 Com a indústria do entretenimento, a ligação entre as operadoras de turismo de aventura e os fabricantes de equipamentos especializados foi estreitada. Hoje os equipamentos são encontrados com relativa facilidade e as operadoras de turismo de aventura sugerem e indicam os melhores equipamentos, bem como os locais para aquisição desses equipamentos. Já é possível observar que alguns equipamentos, como roupas, mochilas e acessórios, são oferecidos de brindes por algumas operadoras. O contexto social, de crescimento do turismo de aventura, impulsionou esse elo entre fabricantes e operadoras. Podem-se ver inúmeros comerciais, dos mais diversos produtos, usando como tema a vida ao ar livre e a pratica de esportes ligado à aventura. As mensagens comerciais apresentam o desafio a ser superado e a vida alternativa como diferencial para o produto apresentado. Toda essa exposição leva o cliente a buscar produtos diferenciados, como roupas de tecido técnico, relógios com bússola, calçados com maior aderência ou cano longo, carro com tração nas quatro rodas, de forma que as pessoas que vivem no ambiente urbano busquem de alguma forma, a “vida selvagem”. O vestuário de um praticante de aventura é diferenciado, o estilo é perceptível, a roupa é feita com um tecido tecnicamente elaborado para absorver o suor ou para diminuir a sensação de baixa temperatura. Além disso, possui um desenho de corte bem interessante. Esse estilo de roupa dá ao usuário um certo status, uma particularidade em meio a sociedade em que vive. É uma forma de unir o estilo urbano com o estilo aventureiro. Os equipamentos são diferenciados por motivos óbvios, a prática de esportes de aventura exige que os equipamentos garantam a segurança e a integridade física do usuário, não é para criar um estilo. É impossível imaginar a subida ao cume do Monte Everest, sem mencionar a qualidade e a tecnologia da roupa utilizada pelos montanhistas, ou mesmo realizar escaladas sem o uso de uma corda dinâmica (elástica) e confeccionada com uma capa com resistência abrasiva. As tecnologias desenvolvidas para a fabricação de equipamentos e roupas para a prática de esportes de aventura têm levado os fabricantes a criar centros de pesquisa para garantir o máximo de conforte e a segurança quase que absoluta. 27

28 2.4 Interação com outros setores O setor de turismo de aventura vem crescendo rapidamente nos últimos tempos, e vem ganhando destaque com pequenos artigos acadêmicos. Podemos verificar o interesse dos especialistas de outras áreas correlatas. Trabalhos científicos sobre educação ambiental, direito ambiental, recreação ao ar livre e gerenciamento de áreas de preservação ambiental, além dos artigos sobre turismo, de certa forma, pesquisadores de outras áreas dão substrato para a literatura do turismo de aventura. A visita a um jardim botânico ou área de preservação ambiental gera contribuição econômica à região e busca o envolvimento da sociedade com a necessidade de conservação daquela área, para garantir acesso desses bens às gerações futuras. Para pessoas extremamente urbanas que realizam passeios em jardins botânicos, as sensações fisiológicas causadas pelo contato com a natureza podem ser consideradas como sensações similares as que são proporcionadas pelo turismo de aventura. O desenvolvimento, comercialização, gerenciamento, economia e negócios em geral do turismo de aventura, ainda recebem poucas atenções do setor turístico quando comparados aos demais setores do ramo. No ano de 2005, o Ministério do Turismo apresentou algumas propostas de normalização e certificação do turismo de aventura. Especialistas de diferentes áreas de atuação participaram e contribuíram no desenvolvimento de normas para tornar as atividades econômicas do turismo de aventura mais seguras para os usuários. Em algumas partes do mundo já existem universidades para a formação de guias de turismo de aventura, são cursos de graduação com tempo entre 3 e 5 anos para a formação do profissional.

2.5 Divulgação do Turismo de Aventura

Existe uma infinidade de convites destinados a pessoas que desejam participar e compartilhar expectativas e experiências com certo grau de risco. As operadoras de turismo de aventura divulgam as informações necessárias à venda do pacote por folhetos e na internet, no entanto, são poucas as que descrevem o que realmente é 28

29 o produto oferecido e qual é o grau de competência dos guias, o nível de conhecimento e o tempo de experiência na operação daquela atividade. No caso do Brasil, o turista que deseja o ramo da aventura, busca as operadoras e, dependendo da especialização do esporte, da habilidade individual e do preço de investimento, procura os locais mais visitados da temporada, como: Chapada Diamantina e Lençóis Maranhenses. Outra forma comum, e mais prática, é a realizada pelos mochileiros, que buscam os locais mais procurados da temporada sem utilizar os serviços de uma operadora. Em qualquer uma das duas maneiras é necessária a análise dos riscos inerentes à atividade, tanto operadoras quanto aventureiros solitários, devem ter um plano de fuga, caso algo aconteça de diferente. Comumente as operadoras divulgam seus pacotes, utilizando todos os canais possíveis de comunicação, de acordo com as regras do mercado consumidor. As propagandas são objetivas, buscam clientes com forte interesse em uma atividade diferente, um final de semana excitante e recheado de adrenalina. O turismo de aventura é vendido como uma atividade que contem riscos, porém, deve ser lembrado que esses riscos são de certa forma calculados, em outras palavras, para a operadora de turismo de aventura, o passeio realizado não passa de apenas mais um dia de trabalho, já para o cliente, que pagou pelo pacote, o passeio realizado foi um feito de bravura e coragem, o que certamente será divulgado por ele aos seus amigos, que serão tentados a realizar a mesma aventura. Grande parte das operadoras prefere fazer sua divulgação através de folhetos, enfocando os dois principais produtos: aventura e natureza. Alguns folhetos oferecem um local e uma atividade simples, outros oferecem um local extraordinário e atividades de aventura bastante técnica. O mais importante aqui é notar que quase sempre o serviço de aventura propriamente dito, é terceirizado. Ou seja, a operadora que vende o pacote com sendo mais um produto, não tem controle dos processos que envolvem as atividades, e em não ter controle desses processos, as operadoras passam também à condição de cliente.

2.6 O setor de aventura

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30 Segundo Ruschmann (1997), o turismo de natureza caracteriza-se pelo envolvimento físico de seus participantes durante a viagem e é divido em hard, com participação intensa e o soft, com participação leve, sem grandes esforços físicos ou utilização de técnicas especiais. Com base nessa definição podemos ter, a principio, a idéia de que o turismo de aventura é hard, no entanto, dentro do setor de turismo de aventura o termo soft seria aplicado a atividade com menor intensidade de esforço físico, o esforço existe, porém em menor grau. O negócio básico do setor de aventura é o que pode-se chamar de aventura soft. O cliente se apresenta numa operadora e essa por sua vez providencia transporte, equipamento, roupas especializadas, guias e treinamento suficiente para a diversão dos clientes, com segurança e emoção. Comercialmente falando, em ampla escala, a tendência do turismo de aventura é buscar o caminho da redução dos riscos, utilizar áreas próximas aos grandes centros urbanos e com exigência de menor habilidade requerida das atividades para ampliar o mercado de demanda. Ao tempo em que o setor do turismo de aventura se expande, buscando um maior fluxo de turista em massa, outros pontos se contrapõem a essa expansão: o alto custo dos produtos necessários, a habilidade dos condutores, o grande risco que envolve os clientes e, por fim, a operação para levar os turistas a pontos remotos e áreas inóspitas. As atividades mais remotas e arriscadas, produtos do turismo de aventura, são as chamadas expedições, o ápice do turismo de aventura comercial. As expedições são pacotes onde o cliente deve ter condicionamento físico suficiente e equipamento adequando para, por exemplo, escalar o Everest. Com toda a certeza, também são os pacotes mais caros, exige muito da experiência e da condição física do guia e as condições meteorológicas devem estar favoráveis para o êxito da expedição. Estruturalmente, o turismo de aventura apresenta-se na margem da indústria do turismo. Em casos isolados de algumas atividades turísticas comerciais e em alguns destinos, existe oferta opcional de aventura. Essas ofertas agregadas ocorrem quando há uma pressão do mercado demandante e quando há um menor custo de tecnologia empregado. A pressão do mercado ocorre geralmente quando existe um número considerável de clientes jovens, essa demanda leva as 30

31 operadoras a buscar os serviços de empresas que trabalhem com atividades de aventura. O menor custo tecnológico é justamente o mais difícil de ocorrer, atividade de risco requer pessoas qualificadas e equipamentos de ponta, além do mais, conduzir pessoas para pontos remotos requer uma logística complexa, esses fatores são determinantes para o aumento dos custos nos pacotes de turismo de aventura. O negócio básico do turismo de aventura não apresenta grandes vantagens financeiras, quando comparado às demais atividades do ramo. Já as vantagens competitivas são fortes, podendo servir como diferencial dentro do mercado. A competitividade comercial pode substancialmente ser resumida ao preço do pacote. O menor preço, fatalmente recai sobre a segurança do cliente que pagou menos por um equipamento de segunda linha e um guia sem habilidades. Por isso, ao longo do tempo, as operadoras procuram oferecer acesso ao turismo de aventura, por meio de atividades mais suaves, que requerem um menor investimento tecnológico e ofereçam um menor grau de risco aos clientes. Exemplos típicos podem ser vistos em muitas operadoras que oferecem a técnica de descida por corda, conhecida como rappel, ou um passeio de rafiting com corredeiras de classe 3, no máximo, sabendo que a escala se estende ate 5.

2.7 Habilidade, isolamento, risco e recompensa,

O fator crítico é o diferencial nas atividades de turismo de aventura, seja nas atividades mais extremas, que têm um baixo fluxo turístico, ou nas atividades mais básicas, onde o fluxo turístico desse ramo é mais acentuado. A exigência de habilidade prévia em atividades extremas separa especialistas no turismo de aventura das pessoas comuns, as operadoras de turismo procuram fazer dos seus produtos um pacote acessível sem exigir do cliente habilidades, ajustando o pacote ao mercado consumidor. Sendo atividade extrema ou atividades leves, para qualquer um dos casos, é necessário que o turista tenha uma habilidade prévia, por menor que seja, ao menos um condicionamento físico adequando para a atividade. 31

32 O fator isolamento é outro pré-requisito para o planejamento dos riscos nas atividades ao ar-livre, quanto mais afastadas dos centros urbanos, maior é o risco. Esse fator leva o cliente a reconhecer o privilégio de saber que é uma das poucas pessoas que passaram por aquele local. Mesmo quando o local é um point, onde o fluxo turístico visitante ao local é grande, ainda assim o fator isolamento é de grande estima para os turistas. Dependendo do nível de habilidade do turista o local pode ser reconhecido como um ponto remoto. A combinação entre habilidade necessária (H) e isolamento (I) tem como resultado o risco (R). Essa combinação é uma conseqüência, um fator inverso, que pode ser apresentado como uma equação:

R=

I H

Equação 1 – Risco no turismo de aventura

Dessa forma, quanto maior for a habilidade menor é o risco. Quanto mais isolado for o local, maior é o risco. As operadoras de turismo de aventura devem ter alguns protocolos de segurança para diminuir consideravelmente e, sempre que possível, eliminar os risco. A redução dos riscos é feita pela operadora de turismo, com: domínio do local da atividade, guias habilidosos, suporte logístico, assistência de primeiros-socorros qualificada e um plano de evacuação exeqüível e eficiente. A redução dos riscos é a medida exata para diferenciar uma operadora de turismo de aventura e um grupo de recreação de aventura. Qualquer operadora que lida com o contato entre homem e natureza, deve ter um suporte de primeirossocorros e um plano de evacuação. As condições meteorológicas podem interferir substancialmente no plano principal da atividade, surpresas podem acontecer, e quem estiver mais preparada para eventualidade irá garantir a reputação e a integridade física dos seus clientes. A recompensa no turismo de aventura pode vir de várias formas, nem sempre é necessário que a atividade tenha êxito. A recompensa é justamente o nível de 32

33 satisfação do cliente. Há casos em que o cliente pode ficar insatisfeito com o nível de exposição aos riscos, em outros o cliente pode achar que não correu risco algum. O fato é que a recompensa pode ser percebida na satisfação do cliente em ter participado de uma atividade diferente do normal. O turista de aventura é um caçador de recompensas, embora ele saiba onde quer chegar, o percurso é quem vai determinar a possibilidade de atingir o final. Caso isso não seja possível, os motivos que não levaram ao final já são capazes de justificar, e é resultado para uma grande história para os amigos.

2.8 Evolução do Turismo de Aventura em Áreas Remotas

Historicamente, as viagens aos pontos mais remotos, em locais onde o terreno apresenta severas dificuldades para a travessia, quase sempre está associada a uma exploração cientifica, ou uma expedição patrocinada, longe de ser o turismo comercial. Atualmente, a oportunidade para fazer essas expedições é mais comum, é possível adquirir um pacote turístico para uma ascensão em uma montanha de mais de 8.000 m, uma descida de corredeiras classe 4, fazer a travessia de um deserto. Hoje são acessíveis e fazem parte dos pacotes de algumas operadoras de turismo de aventura comercial. No mundo inteiro existem áreas remotas onde há uma população local, transporte adequado e acomodações confortáveis, tudo como é estabelecido pela indústria do turismo comercial. Pode-se citar, como bons exemplos à ilha de Fernando de Noronha e o acampamento base do monte Everest, ambos são locais remotos, onde é possível encontrar conforto para diversos tipos de turista. Os caminhos, no qual o turismo de aventura tem desenvolvido, são diferentes entre regiões. Amplamente quatro categorias de áreas para exploração do turismo de aventura podem ser distinguidas, segundo Buckely (2006): 1. Áreas rurais e parques, uma região, onde é desenvolvida tipicamente atividades de um dia, podendo ser acompanhado por um guia turístico e dentro do alcance de serviços de resgate; poucas habitações 33

34 são encontradas, devido à dureza do solo ou por fatores econômicos, mas não por climas severos ou terrenos inóspitos. Exemplo: O Parque Estadual da Pedra da Boca; 2. Áreas habitadas em desenvolvimento, com acessos construídos ou meio de transporte desenvolvidos para dar acesso ao local, há abrigo e comida de suprimento. Em geral são os pontos mais afastados no mapa. Exemplos: O Pico do Jabre, ponto mais alto da Paraíba, a ilha de Fernando de Noronha; 3. Áreas com raras habitações, não há acesso mecânico ou transporte local, não há infra-estrutura de comunicação e tradicionalmente existe apenas um estilo de vida de subsistência. Exemplo: as comunidades existentes nos Lençóis Maranhenses; 4. Áreas inabitadas, são os locais de meio ambiente extremo: oceano, pólos, alguns desertos, cumes das montanhas. Na época da necessidade do desenvolvimento nacional, as expedições científicas utilizavam diversos artifícios, que hoje são utilizados pelo turismo de aventura comercial. Hoje são cada vez mais reconhecidas como desafios de atividade de recreação e exploradas pelas empresas de turismo de aventura. A esquadra de Cabral, em uma expedição comercial as Índias, descobriu o nosso país. Segundo Freire (1982), a segunda expedição comandada por André Gonçalves e Américo Vespuccio, saiu de Portugal em 22 de maio de 1501 e avistou terras do Brasil em 16 de agosto do mesmo ano. Praticamente uma viagem de três meses completos, uma verdadeira expedição de aventura. As entradas para desbravar os sertões, realizada pelos bandeirantes que seguiam o caminho dos rios para atingir regiões do interior do Brasil, também apresentam características do turismo de aventura. Recentemente, a partir da década de 60, o lema: “o petróleo é nosso”, moveu pesquisadores do país inteiro na busca e a realizar exploração em alto mar, com expedições cientificas. A troca da bandeira nacional no pico da Neblina com 3.014 m de altura, fronteira do Brasil com as Guianas, requer dos montanhistas um bom preparo físico e equipamentos de alta performance, e é um

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35 dos roteiros opcionais de turismo de aventura. Essas atividades históricas servem como fonte de inspiração para a elaboração de roteiros de turismo de aventura. Em paises onde o turismo de aventura é explorado, como Nova Zelândia, Canadá, E.U.A e Inglaterra, o nível de qualidade na prestação dos serviços acompanha o nível de segurança. O risco das atividades oferecidas pode ser alto, porém os serviços de salvamento, busca e resgate são disponíveis no mesmo grau. Os guias possuem curso superior em atividades outdoor, as brigadas de resgate estão sempre prontas e em grande efetivo, há disponibilidade de equipamentos e veículos para realizar uma intervenção com presteza em tempo hábil. Uma vez estabelecida uma demanda com fluxo turístico a um point de atividades de aventura, o volume de visitas que necessita de cuidados diferenciados aumenta. O turismo de aventura é caracterizado pelo grau de risco para a realização das atividades e a engenharia de segurança deve buscar atuação neste campo para fazer a análise desse risco e dar o tratamento devido para conter ou minorar o risco. As operadoras de turismo de aventura devem ter em seu planejamento um número de guias suficiente para atender a quantidade de clientes, diferentemente dos outros ramos do turismo, onde um motorista, um guia e um auxiliar são suficientes para controlar um grupo de 50 pessoas. Nas atividades ao ar-livre, o número de guias que acompanha o grupo será diferente dependendo do tipo de esporte a ser praticado e, também, pela quantidade, bem como pelo nível do grupo. As expedições são o ápice na evolução das atividades do turismo de aventura, são realizadas em terrenos tortuosos e em locais remotos. Os acessos a esses locais são pouco usados, são atividades realizadas por empresas que investem alto no turismo de aventura. Em geral, essas expedições são autônomas, as atividades são realizadas com um apoio logístico independente, todos os equipamentos e infraestrutura são montados pelas empresas operadoras. Um bom exemplo são as expedições realizadas ao monte Everest, onde as operadoras são responsáveis por montar os acampamentos base e os avançados, cilindros de oxigênios são transportados pelos guias de apoio e deixados em pontos estratégicos. Em fim, todo um planejamento é executado para o êxito das atividades.

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36 A atuação da indústria do turismo no setor de aventura, com recepção, acomodações e logística em locais remotos, tem efeitos práticos. Apesar de serem pacotes caros, a explosão da demanda só passou a ocorrer depois da oferta de condições de segurança ao cliente. As condições de segurança fazem a diferença no fator humano, é a diferença entre continuar a aventura ou abandonar o objetivo. Principalmente em ambientes remotos, o grau de habilidade em lidar com os riscos, aliado a um planejamento logístico irá determinar o sucesso da expedição. O planejamento deve conter em seu escopo a identificação, análise, avaliação e o tratamento que deve ser dado a esses riscos envolvidos em cada etapa da expedição. Ainda é necessário lembrar que um planejamento deve conter opções de evacuação, em caso de algo não sair em conformidade com o plano principal. A habilidade individual entra no planejamento como fator preponderante para a segurança individual e para o grupo.

2.9 Estrutura das Operadoras de Turismo de Aventura

O turismo de aventura comercial possui um leque de opções de atividades esportivas que podem ser exploradas. Portanto, são necessários que se caracterizem as atividades em diferentes níveis e cada uma com seus riscos, em cada pacote deve ser analisado os conhecimentos e capacidades de cada membro que compõe o grupo, alguns podem ser peritos que anseiam por desafios maiores, outros podem ser novatos que desejam novas experiências. Estruturalmente, os pacotes de turismo de aventura podem permitir que o cliente seja essencialmente passageiro, como: em uma decida de rafting, ou uma ponte tirolesa, ou em um salto duplo de pára-quedas. Ou se os clientes podem participar ativamente das atividades, como: navegar em caiaque duplo, escalar, realizar caminhadas de longo ou curto percurso, fazer passeio de bicicleta, etc. Existem operadoras que, devido à exigência das atividades envolvidas no pacote turístico, oferecem treinamento em academias para dar preparo físico ao cliente, consultas com o nutricionista para a elaboração de uma evolução nutricional 36

37 adequada e treinamentos específicos e periódicos com equipamentos e técnicas a serem empregadas nas atividades turísticas. Essa preocupação com o cliente ocorre a partir do momento em que durante o planejamento, verifica-se o nível de exposição aos riscos e o tratamento dado é o de elevar o nível de qualidade dos clientes para garantir a segurança de todo o grupo em ambientes remotos. Esse nível de estrutura permite que a operadora durante a realização das atividades, tenha uma preocupação em apenas guiar o cliente, para atingir o objetivo do passeio. No Brasil, a maioria das operadoras que exploram o turismo de aventura, são empresas terceirizadas ou pessoas que prestam esse tipo de serviço. Uma agência de turismo oferece os pacotes aos clientes nos grandes centros urbanos e conduz esses clientes para o local das atividades de aventura. Existe uma parceria entre agência de turismo e operadora de aventura. Um contrato de risco para a credibilidade da agência de turismo, pois em boa parte dos casos a agência passa a ser mais um cliente, justamente por desconhecer os processos que envolvem a operação de atividades a serem desenvolvidas. Em geral, para esses casos de terceirização, pode ser oferecido um treinamento de poucas horas, antes mesmo da saída para as atividades. Na grande maioria dos casos, o treinamento é resumido a uma breve explicação da atividade a ser desenvolvida, poucos minutos antes da sua realização. Dois exemplos podem ser dados: a técnica de descida por corda (o rappel) ou o salto de bungee jump, onde o cliente conhece superficialmente a atividade, no entanto, nunca operou, ou desconhece os procedimentos de segurança para garantir sua integridade física. A distinção entre um grupo habilidoso e um grupo bem equipado deve ser considerada quando se pensa em nível de segurança da aventura. A experiência do guia e da própria equipe, analisando individualmente cada membro, deve ser considerada, pois é da capacidade individual que o grupo pode realizar a atividade de lazer com segurança. Na formação de uma equipe, o grupo deve ter um líder, que pode ter um apoiador ou mais, para providenciar equipamentos, auxiliar o líder como guia e abastecer o grupo durante o passeio. Novamente, a discussão entre operadora de turismo dotada de guias e apoiadores, e um grupo similar com “características” de empresa de turismo que realiza pacotes agendados, e realiza 37

38 turismo idêntico a uma companhia. A escolha da operadora ou do grupo similar é uma decisão pessoal do cliente que pode incidir na segurança do passeio. Estruturalmente é necessário que as operadoras possuam pessoal com título acadêmico, pessoal devidamente treinado e qualificado para trabalhar com turismo de aventura, nas diferentes áreas de atuação. As operadoras devem ter, ao menos, uma preocupação em possuir nos seus quadros de recursos humanos, pessoas com cursos técnicos, capazes de atuar nas áreas de: preservação ambiental, resgate, primeiros socorros, orientação com bússola, história natural, geografia, biologia e tudo mais que puder demonstrar a capacidade de lidar com o cenário da aventura. A estrutura de uma operadora de turismo de aventura, além das funções administrativas comuns a qualquer empresa do mesmo ramo, deve, ainda, possuir guias profissionais treinados, capacitados e experientes para conduzir os clientes com firmeza e segurança. Deve possuir os equipamentos necessários à realização das atividades em quantidade suficiente para os clientes e com qualidade para atender as necessidades dos esforços solicitados. Outro ponto importante são as opções oferecidas aos clientes, mais que quantidade para a escolha, é importante o agendamento das atividades, períodos para a realização dos passeios, isso demonstra que a operadora tem um planejamento tático desenvolvido para cada temporada do ano.

2.10 Atividades de Aventura

A operadora de turismo deve oferecer um pacote com uma estrutura capaz de atender os níveis de segurança exigido. Por outro lado, o cliente deve possuir o perfil adequado para se integrar ao grupo com determinado destino turístico de aventura. A estrutura oferecida pela operadora e o perfil adequado do cliente são itens que determinam a quantidade de visitantes a um local de turismo de aventura. Quanto menor forem as exigências de segurança e de habilidades do cliente, maior é a quantidade de praticantes e visitantes de um determinado local de prática de turismo de aventura. O contrário também acontece, quanto maior forem as 38

39 exigências de segurança e quanto maior é a necessidade de habilidades do cliente, menor é o fluxo de visitantes ao local turístico. Buckley (2006) propôs uma pirâmide de atividades de aventura, um gráfico para demonstrar a quantidade do fluxo de turismo de aventura em locais para a prática das modalidades esportivas versus a qualificação e o perfil do cliente. Algumas modificações foram feitas para a melhor compreensão.

Locais Extremos

100%
Qualificação Técnica, Experiencia e Nível de Aventura

Locais Remotos Aventura Especializada

80% 60% 40%
Passeios com emoções parques ecologicos Aventura Qualificada

Aventura Preparada

20% 0%

Passeios a destinos comuns de aventura com excursões multiplas Volume de Praticantes Volume de Praticantes

Figura 1- Pirâmide de atividades de aventura Fonte: adaptada de Buckley (2006)

Passeios a destinos comuns de aventura com excursões múltiplas, a base da pirâmide (nível-1), são os pacotes turísticos oferecidos com destino a parques naturais e reservas ecológicas, onde é permitido o passeio por trilhas, o desfrute de belas paisagens e o contato com a natureza. Em geral, essas atividades são realizadas em áreas próximas de cidades, o que diminui os riscos. No entanto, essa proximidade aumenta o fluxo e a quantidade de pessoas que necessitam de atenção especial, afinal o ambiente é de contato com a natureza e nem todos os clientes possuem experiência com o meio ambiente natural. Passeios com emoções em parques ecológicos (nível-2), são os pacotes oferecidos com mais atividades além de uma caminhada em área preservada, podem ser agregados ao passeio técnicas como o rappel¸ tirolesa, rafting, e outras atividades que apresentem pequeno grau de risco na realização. As características

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40 do local para esse tipo de passeio são ambientes conhecidos e que apresentam uma infra-estrutura para a montagem e suporte das práticas esportivas. No nível-3 tem-se as aventuras preparadas, que são atividades

cuidadosamente elaboradas para causar maior impacto no cliente, caminhadas um pouco mais longas, travessias de rios pouco caudalosos, ascensões a cumes de serras e outras atividades que pareçam ser desafiadoras, não pela exposição ao risco, mas pela exaustão que podem causar ao cliente. Nessas atividades são utilizadas áreas bem conhecidas pela operadora, não necessariamente são próximas às cidades, mas há sempre recursos e infra-estrutura necessária para a realização das atividades. Nas aventuras qualificadas, no nível-4, fazem parte desse grupo pessoas que tenham um curso básico nas práticas esportivas a ser em desenvolvida, bom preparo físico, além de equipamento próprio para a realização da atividade. As áreas escolhidas para esse tipo de cliente são ligeiramente inóspitas, pode ser que haja necessidade de planejamento tático, pernoite e suprimentos para a aventura. Nesse nível já é possível notar a necessidade de uma estrutura organizacional maior, a realização de pré-expedições para reconhecimento do local, escolha de rotas de fuga e qualificação e habilidades individuais dos membros da equipe. O nível-5, aventura especializada, requer planejamento tático, suprimentos, uma estrutura de apoio maior que as atividades anteriores e uma qualificação adequada do grupo que compõe a expedição. Nesse nível já há profissionalismo dos membros da equipe, formada por especialistas de alto grau de conhecimento e experiência. Os locais para a realização das atividades são de difícil acesso, exigindo dos membros da equipe um excelente preparo físico e técnicas apuradas. Os locais remotos, no nível-6, são aventuras profissionais. As necessidades para a realização dessas atividades são as maiores e mais qualificadas possíveis. O planejamento é feito com anos de antecedência, o grupo é treinado e qualificado em ambientes semelhantes aos do local da aventura, os equipamentos são de ponta e mesmo com toda a estrutura exigida nem sempre a aventura se completa. Os locais extremos, nível-7, diferenciam-se dos locais remotos por um único detalhe: a quantidade de pessoas que atingem o objetivo. Nesse nível, a diferença 40

41 está nas condições do tempo para a realização das atividades, o que fatalmente indica a possibilidade do sucesso, e no melhor condicionamento físico, técnico e psicológico do cliente. Essas combinações levam o cliente aos locais mais extremos da aventura, com o retorno em segurança.

2.11 Riscos em atividades de aventura

Na seção 2.7 foi apresentada uma equação como proposta para a análise dos riscos em atividades de aventura. Analisando a pirâmide de atividades de aventura, adaptada a partir da proposta de Buckley (2006), observa-se a existência de sete níveis de locais para a prática de turismo de aventura. Considerando que as habilidades do praticante podem ser distribuídas em cinco categorias, sendo elas: 1 Amador: o praticante ocasional, o típico turista que procura uma atividade de lazer, nunca teve oportunidade de entrar em contato com a atividade esportiva; 2 Iniciante: a pessoa que já detém um conhecimento através de um contato breve com a atividade esportiva; 3 Praticante: é aquele que regularmente pratica a atividade esportiva e possui um curso básico para a prática do esporte; 4 Especialista: podemos considerar como sendo o praticante com técnicas mais apuradas e curso mais avançados; 5 Profissional: é a pessoa que vive a atividade, um guia ou instrutor da modalidade. Com essa proposição de categorias de habilidades, os riscos em atividades de aventura podem ser apresentados através de um gráfico que demonstra o crescimento do risco à medida que é combinada a habilidade individual com o local escolhido para a prática do turismo de aventura.

41

42

R is c o e m A v e n t u r a
8

7

Nível de Habilidade e Isolamento

6

5

4

3

2

1

0 Is o l a m e n t o H a b i li d a d e R is c o

Figura 2 – Gráfico da análise de riscos combinando habilidade e isolamento

A figura 2 apresenta um ponto de equilíbrio entre habilidade e isolamento, quando esses requisitos se equivalem, tem-se um risco de fator unitário. Para cada nível de local tem-se uma probabilidade do risco ocorrer. É importante ressaltar que, de acordo com a análise dos riscos propostas a partir do gráfico, no sexto e sétimo nível, nos locais remotos e extremos, o profissionalismo não é requisito para diminuir os riscos, não há ponto de equilíbrio, os fatores externos, como as condições meteorológicas, são responsáveis por aumentar os níveis de riscos, e, de qualquer maneira, o perigo é constante, não há como ter garantias de sucesso absoluto.

42

43

3 NORMAS DE REFERÊNCIA

As normas proposta podem apontar as medidas a serem adotadas para a elaboração e implantação de um sistema de gestão dos riscos em estruturas organizacionais de qualquer porte. Observa-se a existência de diversos tipos de sistemas de gestão de riscos, adotados e elaborados em vários países, em geral elas se completam e são cópias adaptadas para a realidade onde é empregado o modelo de gestão. Nesse capítulo serão apresentadas, de forma detalhada, as normas legais e algumas publicações sobre Gerência de Segurança em organizações. Normalmente este tema é abordado pelo título de Gestão dos Riscos ou Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho. A necessidade de administração eficiente passa pelo gerenciamento dos riscos que envolvem as atividades. Garantir a segurança e a integridade física dos clientes internos e externos de uma organização econômica não é um processo simples, mas o que se espera do gestor é uma antecipação para evitar o acidente. As normas aqui apresentadas têm o objetivo de nortear as diretrizes apresentadas no Capítulo 6 desta monografia.

3.1 NBR 15.331 Turismo de aventura – Sistema de Gestão da Segurança

A Norma Brasileira Registrada (NBR) 15.331 (ABNT, 2006) oferece informações para a prática da gestão dos riscos em atividades de aventura, a norma não é um fim em si mesma, como a própria norma sugere. Ela deve funcionar concomitantemente com outros sistemas de gestão, podendo ser de qualidade ou ambiental. O sistema de gestão de segurança pode ser adotado por operadoras de turismo de aventura para demonstrar o comprometimento com a integridade física e a saúde dos usuários. Entenda-se por operadora não só as agências que comercializam o pacote turístico, mas também as organizações públicas ou 43

44 instituições privadas que administram áreas de conservação ambiental ou, ainda, qualquer tipo de atividade econômica que explore o turismo de aventura. Através de pesquisa na ABNT, observa-se a particularidade deste tipo de norma, não há registrado o desenvolvimento de norma para atender os Sistemas de Gestão da Segurança em outro setor econômico, grande parte das informações e estudos elaborados para a concepção desta norma tem como base a literatura internacional, onde existem sistemas de gestão de risco em atividades de aventura desenvolvidos há alguns anos. Uma grande preocupação na concepção dessa norma é atender a questão da segurança em atividades do turismo de aventura, de tal forma que ela se complete e atenda os requisitos da gestão ambiental. As atividades de turismo de aventura são realizadas com o contato direto entre homem e meio ambiente natural, e as agressões ambientais não são permitidas para este tipo de atividade econômica. A demarcação de áreas proibidas com indicativos de alerta é um impacto ambiental que deve ser evitado, devido o uso de cores fortes que não fazem parte da paisagem. Esse exemplo mostra como a NBR 15.331 é diferenciada em termos de engenharia de segurança, onde comumente em locais que apresentem maior risco, placas e telas com cores chamativas serviriam bem para atender às necessidades de segurança. O modelo de gestão de segurança proposto pela norma baseia-se no principio da ISO para estruturas organizacionais, dividido em cinco princípios fundamentais que têm como referência básica o ciclo PDCA. O primeiro princípio é o da Política de Segurança, onde a organização mostra suas intenções de fazer o que for necessário para garantir o compromisso com a gestão de segurança. O segundo princípio é o Planejamento, nesta fase deve ser formulado e apresentado um plano, em forma de documento com vistas a atender o primeiro princípio, o da Política de Segurança.

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45 O terceiro princípio é o de Implantação e Operação, onde a organização deve usar mecanismos para viabilizar a concretização das metas de Política de Segurança. O quarto princípio é o da Verificação e Ação Corretiva, nesta fase a organização realizará um monitoramento e avaliará o desempenho e as metas atingidas da Política de Segurança. O quinto princípio é a Análise Crítica, onde o conselho gestor irá redefinir ou implantar algo em uma das quatro fases anteriores, a crítica tem o sentido de melhoramento. Todos os cinco princípios em que se baseia a norma são finalizados no último estágio e estendidos para uma busca da Melhoria Continua. Dessa forma o sistema de gestão de segurança é abordado como uma estrutura organizacional que tem a preocupação com a revisão contínua dos seus princípios. Esse tipo de modelo proposto conduz à participação de todos os indivíduos envolvidos no sistema de gestão, de modo a atribuir responsabilidades individuais na melhoria da segurança. Dentro da Política de Segurança proposta pela norma são abordados dez itens para nortear a construção de uma política de gestão da segurança. Alguns pontos podem ser acrescentados do ponto de vista da engenharia de segurança. Por exemplo: apontar que as ações de prevenção se sobrepõem às ações de reparação, essa dicotomia, prevenção versus reparação busca estimular e incentivar as operadoras de turismo de aventura a adotarem as políticas de segurança, podendo ser estabelecido instrumentos de certificação de qualidade na gestão dos riscos. Ainda pelo ponto de vista da engenharia de segurança, outro item a ser contemplado na Política de Segurança é a capacitação dos recursos humanos, falta a indicação para a formação de instrutores para ações educativas junto a operadoras, e até mesmo na capacitação de guias ou condutores comprometidos com a gestão de segurança. O planejamento sugerido pela norma é dividido em quatro fases: identificação, análise, avaliação e tratamento dos riscos. Tem como base as normas de gerenciamento em projetos de risco elaborado pela Padronização Australiana e Neozelandesa a AS/NZS 4360 publicada pela primeira vez em 1995 e modificada 45

46 em 2004. Esse modelo é consistente, por isso é utilizado por grande parte dos profissionais e órgãos ou instituições que trabalham com gestão de riscos, são usadas como diretrizes em projetos de risco. Os passos do processo de gerenciamento são sete e, segundo Cooper (2005), para cada um dos passos há um questionamento para melhor compreensão e desenvolvimento dos passos:
Quadro 1 – Questões para o gerenciamento de projetos Passos do Gerenciamento de riscos Questionamentos gerenciais Estabelecer o contexto O que nós queremos realizar? Identificar riscos O que pode acontecer? Analisar riscos O que é estabelecido pelo projeto principal? Avaliar riscos O que é mais importante? Tratar riscos O que vamos fazer a cerda disso? Monitorar e revisar Como agir para manter sob controle? Comunicar e consultar Quem está envolvido no processo? Fonte: Cooper (2005)

Os passos de monitoramento e revisão, bem como comunicação e consulta, são ligados aos outros cinco passos para garantir que cada fase do gerenciamento esteja sendo acompanhada por pessoas com responsabilidades atribuídas em cada passo e seja garantido o processo de melhoria continua. O objetivo principal do gerenciamento de riscos é identificar e gerir de forma significativa o risco. Isto envolve fases complexas, com monitoramento e revisão de processos continuamente. Uma boa base para o gerenciamento dos riscos é o gerenciamento das atividades ou monitoramento dos processos. A norma expõe amplamente as formas de análise e evolução dos riscos.

3.2 NR - 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

A Norma Regulamentadora (NR) número-9 é a norma que estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implantação de um programa de prevenção de riscos ambientais para garantir a integridade física dos trabalhadores em um ambiente de trabalho devidamente constituído, considerando a proteção ao meio ambiente e os recursos naturais. A norma regulamentadora deve ser utilizada em conjunto com a NBR 15.331, pois ela estabelece parâmetros mínimos com diretrizes gerais. Os agentes 46

47 ambientais compatíveis com a prática de atividades de turismo de aventura são os físicos, químicos e biológicos. Pode-se considerar como agente de risco físico as ações não ionizantes provocadas pelo sol. A exposição aos agentes químicos fica por conta da absorção através da pele de substâncias urticantes, caso haja contato. Os agentes biológicos podem vir por parasitas como a sanguessuga ou por fungos advindos da umidade nos pés, por exemplo. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deve ser examinado anualmente, devido suas metas de curto prazo, o que dá objetividade e maior possibilidade de alcance. O programa contempla a avaliação por meio de uma comissão ou conselho. Neste caso, deve haver um corpo formado por pessoas com qualificação técnica para julgar os procedimentos adotados para o programa. De um modo geral, o programa busca a antecipação dos riscos, e implantação das medidas adequadas para contornar os riscos. A norma sugere uma avaliação quantitativa para mensurar a exposição aos riscos. As medidas de proteção devem seguir hierarquicamente; em primeiro lugar deve-se eliminar os riscos quando não for possível, deve-se tentar a redução ao máximo. A utilização de EPIs é abordado pela norma. São apontados as necessidades da escolha adequada para cada tipo de atividade, a capacitação para a utilização correta do equipamento de proteção individual e manutenção adequada para um bom desempenho para quando forem exigidos esforços ao EPI. Responsabilidades são atribuídas para os atores que compõem o ambiente, tanto os gestores quanto os usuários, guias e clientes, todos devem participar no cumprimento do PPRA, possibilitando a interrupção das atividade quando da possibilidade grave de risco.

3.3 Norma Regulamentadora - 21 – Trabalho a Céu Aberto

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48 A norma aponta a necessidade de um abrigo, mesmo sendo rústico, a intenção é a de proteger o usuário das intempéries, diminuindo a intensidade das lesões e maus súbitos que possam ocorrer.

3.4 BS 8800 Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional

Elaborado pela British Standard Institute (BSI) a norma procura integrar o gerenciamento de saúde e segurança ocupacional com a administração de outros processos da empresa. Possui diretrizes bastante genéricas que podem ser aplicada em organizações de grande porte bastante complexas, ou em organizações de pequeno porte com baixo risco. Um dos principais focos da norma é o estabelecimento de uma imagem responsável para o mercado consumidor. A BS 8800 é uma norma inglesa que é integralmente ajustável às Normas Regulamentadoras brasileiras, e pode ser complementada com outros sistemas de gestão como: qualidade e ambiental. Como a norma define princípios de gerenciamento e comportamento, uma política de segurança deve ser adotada para dar início ao processo de gestão. É importante lembrar, mais uma vez que, a política é determinada pela alta gestão da organização e deixa claro o comprometimento com a segurança. A política sugerida pela norma deve conter: reconhecimento que segurança é parte integrante do desempenho da organização; o comprometimento com o alto nível de desempenho; a utilização de ferramentas adequadas para o funcionamento da gestão de segurança; estabelecimento de metas; a divulgação em todos os níveis de interessados; a participação coletiva dos envolvidos e é claro a busca da melhoria continua. A BS 8800 sugere a implantação de análise inicial para diagnosticar o desempenho do sistema de gestão. O segundo passo é a formatação de uma política de segurança. Na seqüência tem-se a elaboração de um planejamento para avaliar os riscos, identificar os requisitos legais que podem ser aplicados, utilizar meios de mensuração dos resultados e acompanhamento de melhoria contínua. Na 48

49 quarta fase responsabilidades são atribuídas durante o controle do sistema de segurança. O quinto e mais importante passo é a documentação que sai como resultado dos passos anteriores e deve estar acessível a todos. Por fim, com vista na melhoria continua, a verificação e adoção de ações corretivas rápidas e eficazes.

3.5 OHSAS 18.001 Sistema de Gestão para Segurança e Saúde Ocupacional

A OHSAS 18.001, apesar da sigla não é uma norma britânica, ela é publicada pela BSI, quem possui os direitos de cópia. A OHSAS 18.001 foi elaborada por treze instituições de padronização distribuídas pelo mundo. A tradução da sigla OHSAS é “séries de especificações para avaliação de saúde e da segurança”. Entrou em vigor no ano de 1999, as especificações foram criada para atender à necessidade de um padrão reconhecido para a saúde ocupacional e segurança a partir do qual as empresas pudessem ser avaliadas e certificadas pela gestão de segurança. Não são estabelecidos critérios para o desempenho de Saúde e Segurança do Trabalho, também não é contemplado pela norma detalhamento para o projeto de um sistema de gestão. A aplicação correta da OHSAS 18.001, não exime a organização de acompanhar as exigências legais vigentes. Essa norma foi desenvolvida para ser compatível com a gestão da qualidade ISO 9.001 e com a gestão ambiental ISO 14.001, para facilitar a integração entre os sistemas. Nos anexos é apresentada a tabela – 7, que mostrando a correspondência entre esses três sistemas de gestão.

3.6 SA 8000 – Norma de responsabilidade social

A responsabilidade social contribui para a sustentabilidade de um determinado setor econômico, o comprometimento em resolver problemas sociais é um atrativo para tomar a sociedade como parceira no empreendimento, uma vantagem competitiva que chama a atenção do Estado e outras instituições econômicas. 49

50 A responsabilidade social nasce de projetos, como: meio ambiente, educação, geração de emprego e renda e apoio cultural. Em geral, esta norma atende às necessidades da declaração universal dos direitos humanos. A norma SA 8000 foi elaborada pela SAI (Social Accountability Internacional) na cidade de Londres em uma convenção internacional, e tem como objetivo possibilitar que organizações desenvolvam políticas de gerenciamento de

oportunidades do exercício da cidadania, através de conformidades com requisitos estabelecidos. Segundo Oliveira (2002), entre os requisitos estabelecidos pela norma, pode-se citar: a não exploração do trabalho infantil; a concessão de um ambiente de trabalho seguro, saudável e agradável, adotando medidas de prevenção a acidentes e doenças ocupacionais e; deve ser assegurado a remuneração do trabalho para atender às necessidades básicas do trabalhador. Essa norma apresenta subsídios para a exploração do desenvolvimento sustentável, que tem como base a preservação da qualidade dos sistemas ecológicos, a necessidade de um crescimento econômico para atender às necessidades sociais e a manutenção dos recursos par as gerações futuras.

50

51

4 O PARQUE ESTADUAL DA PEDRA DA BOCA

4.1 Situação Geográfica

Localizado no Município de Araruna, micro região do Curimataú Oriental, dentro do Agreste paraibano com coordenadas geográficas 35º44’12’’ de Longitude Oeste de Greenwich e 6º31’18’’ de Latitude Sul, com uma altitude de 580 metros acima do nível do mar. Araruna faz fronteira ao Norte com o município de Passa e Fica do vizinho estado do Rio Grande do Norte, Sul e Oeste com o município de Cacimba de Dentro, a Leste com o município de Campo de Santana e Riachão. Fazendo parte do complexo da Borborema, o município tem, em suas formas de relevo, duas serras, Araruna e Confusão. Estas vão originar os processos erosivos formadores das diversas simbologias existentes no Parque Estadual.

Figura 3 – Localização da Pedra da Boca – Araruna-PB Fonte: PERH, 2006

As temperaturas variam entre 18° e 28° com clima q uente e úmido, , característico de um Brejo serrano, com uma precipitação pluviométrica em torno dos 1.200 mm (IDEME,1997). O clima frio e um ambiente sempre provido de chuvas orográficas permitem o desenvolvimento de culturas de várias espécies agrícolas.

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52 O Parque Estadual Pedra da Boca (PEPB), está situado em uma cota altimétrica de 334 m, possuindo um clima mais quente que as demais áreas do município a qual pertence. Segundo Ferreira (2004), a vegetação mais característica é a de Caatinga, a área tem, em algumas partes, elevadas matas densas e úmidas características de Caatinga Serrana, o que também acontece nos seus vales e vertentes. Uma pequena comunidade reside, atualmente, no entorno do PEPB. Por sua mobilidade migratória, contam-se em média dezoito famílias, em um local que já fora bastante próspero e povoado. Toda a terra em volta do PEPB está dividida entre um número mímimo de pequenos proprietários, cerca de 6 famílias, e uma grande extensão pertencente a pessoas que residem em João Pessoa - PB e Natal-RN, dando foro às famílias que não têm terra própria. Desde 1995, ano em que se efetiva a visitação no PEPB, com a prática extencionista de atividades dos alunos, e com a comunidade, da Faculdade UNIPÊ, o lugar vem tomando notoriedade e se tornando, a cada dia bastante conhecido e divulgado pelos seus freqüentadores.

4.2 Descrição do Parque Estadual da Pedra da Boca

Criado a partir de Decreto Estadual nº 20.339 de 07 de fevereiro de 2000. Com uma área total de 157,26 hectares de terreno totalmente irregular em sua topografia. Há dentro do parque um Santuário, uma construção moderna, com arquitetura em forma de arena para a devoção do catolicismo, sob a responsabilidade da Arquidiocese de Guarabira, pólo regional próximo ao parque. A edificação é equipada com banheiros, lanchonetes e amplo estacionamento. As romarias acontecem no dia 13 de cada mês. As trilhas que serpenteiam a área do parque não estão devidamente catalogadas por falta de uma estrutura adequada de controle. Segundo Ferreira 52

53 (2004) as trilhas mais utilizadas são: a trilha da Aventura, a trilha do Letreiro, a trilha do Forno, a trilha da Mata do Gemedouro e a trilhas do Coração. O acesso ao parque se dá por uma estrada de barro, que tem início dentro da cidade de Passa e Fica, no vizinho estado do Rio Grande do Norte. Em períodos de inverno rigoroso, o rio Calabouço que divide os dois estados dificulta o acesso ao parque devido à amplitude das áreas alagadas, da profundidade e velocidade que apresenta o rio.

4.3 Esportes de Aventura

As modalidades esportivas exploradas e desenvolvidas no parque são: montanhismo em geral, caminhadas de longo ou pequeno percurso, técnicas verticais de descida por corda (rappel), exploração de caverna (caving), mountain bike, corridas de aventura e de orientação. Essas atividades são praticadas por pessoas que chegam ao parque em dupla ou em grupos bem maiores. O perfil dos turistas são os mais diversos, com níveis de habilidade, em muitos casos, baixo. O condicionamento físico, em geral, é duvidoso. Os guias ou instrutores, em geral, são apenas práticos na modalidade esportiva. E, a maioria dos usuários utiliza equipamentos de segunda linha. Todos os fatores propensos a um acidente, podem ser diagnosticados, na grande maioria dos visitantes.

4.4 Turismo Cientifico

Segundo Ferreira (2004), o parque é visitado por pesquisadores de diversos lugares, já foram registradas as presenças de professores da USP, UFRN, UFRJ, UERN, UFPB e UEPB. Todos em busca de subsídios para suas pesquisas, devido às características da diversidade da fauna e flora da Caatinga de altitude, inclusive com a descoberta de espécies endêmicas na região.

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54 4.5 Turismo Escolar

As escolas de ensino fundamental e médio da região realizam atividades extraclasse, utilizam o parque como laboratório para a extensão ao ensino acadêmico. As instituições de ensino fundamental e médio dos municípios próximos ao Parque, realizam visitas para que os alunos tenham contato com as formações rochosas, com a fauna e com a flora do Parque Estadual da Pedra da Boca. As visitas agendadas têm a intenção de enriquecer o conteúdo das disciplinas de geografia e biologia.

4.6 Turismo Religioso

Há indícios de que na década de 30, muito antes da criação do parque, o local já era visitado por romeiros, devotos de N.S. de Fátima. Uma estátua de N.S. de Fátima foi colocada em uma das pedras que compõe o cenário do parque, a imagem da Santa atrai multidões sempre no dia 13 de maio e nos últimos anos no dia 13 de novembro, são procissões realizadas pela Arquidiocese de Guarabira. O cortejo é acompanhado por mais de 10.000 romeiros a cada ano, esse número tende a aumentar graças a construção de um Santuário, uma estrutura em concreto armado, em formato de arena elaborada para o turismo religioso.

4.7 Turismo Contemplativo

O parque é ponto de visita de turistas que gostam apenas de observar a paisagem, é o chamado turismo contemplativo.

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55 Alguns dos turistas realizam pequeníssimas caminhadas para obter uma melhor visão para uma foto. A observação e o uso dos sentidos são os atrativos, a contemplação a natureza é motivo principal desse tipo de turista. Sentir o ar puro, os ventos e poder desfrutar de uma bela paisagem.

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5 GESTÃO DOS RISCOS

A gestão dos riscos facilita o cumprimento para atingir os bons resultados de um projeto, dependem apenas da perspicácia, conhecimento e confiança para a escolha da melhor decisão tomada. Entenda-se como projeto, os pacotes e roteiros oferecidos ao turista de aventura. A gestão dos riscos é um processo que usa quatro ferramentas da administração com o intuito de minimizar os efeitos adversos de acidente. As atividades do turismo de aventura têm um alto grau de incertezas, principalmente devido a sua execução, essas incertezas de eventos ou condições são adversárias aos objetivos das atividades, a gestão dos riscos em atividades de aventura serve para transformar as incertezas em aliadas, de forma a promover uma maior qualidade e satisfação na prestação do serviço de aventura. As ferramentas administrativas utilizadas na gestão dos riscos são: 1 Planejamento: reconhecer e tratar os riscos para fazer um melhor aproveitamento das oportunidades e estabilizar as ameaças; 2 Organização: mobilizar de forma adequada os recursos humanos e materiais envolvidos na atividade; 3 Coordenação: direcionar as atividades, analisando os riscos inerentes, gerenciando os recursos aplicados no desenvolvimento da atividade; 4 Controle: conhecer e acompanhar os passos do desenvolvimento sem perder a direção até o resultado final, é a principal ferramenta na gestão dos riscos de uma atividade. A ferramenta administrativa de controle deve ser bastante enfocada em turismo de aventura, pois como já foi mencionada em capítulos anteriores, a maioria das agências de turismo não detêm o controle dos passos no desenvolvimento da

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57 atividade. No entanto, para a gestão dos riscos em atividades de aventura, ela é, sem sombra de dúvidas, a principal ferramenta da gestão dos riscos. Segundo Cooper (2005), o suporte para melhor decisão sobre um plano é dado pelo desenho dos processos, modificação do plano de contingenciamento e melhoramento na alocação dos recursos. O gerenciamento dos riscos fornece estrutura para evitar surpresas, através de ferramentas para diminuir os riscos. Pode ser utilizada em qualquer setor de produção econômica e em qualquer tamanho de projeto. Um determinado risco pode ter origem ainda quando da concepção do projeto. As informações e dados sobre o projeto (pacote turísticos) a ser implantado devem ser bem definidas, as considerações podem ser as mais amplas possíveis para se ter um panorama vasto da gestão. Os riscos de um projeto podem ter três ramificações diferentes: riscos técnicos, riscos de gestão e riscos comerciais.

Figura 4 – Riscos de projeto Fonte: Project Mangement Institute – PMBOK, 2000.

5.1 O projeto de gerenciamento de risco

Segundo Cooper (2005), o risco pode ser considerado anteriormente na fase de planejamento do projeto, e o gerenciamento das atividades de risco pode ser 57

58 observado continuamente em cada parte do projeto. O plano de gerenciamento dos riscos pode ser uma parte integral de uma organização. Identificação, análise e avaliação do risco, contribuem significativamente para o sucesso do projeto. É importante que o projeto seja aceito pelas partes interessadas nas atividades de risco, todo o processo deve ser conduzido de forma transparente e com efetiva comunicação entre as partes. Três fundamentos para gerenciamento de projetos são apresentados por Cooper (2005): 1 Identificação, análise e avaliação prévia, e desenvolvimento de planos para a manipulação dos riscos; 2 Atribuição de responsabilidades ao grupo, quando necessário, implementação de novas práticas, procedimentos e sistemas; 3 Garantir que os custos para a redução dos riscos são compatíveis com a importância do projeto e riscos envolvidos. Algumas definições devem ser apontadas dentro de um projeto de riscos, segundo Cooper (2005), temos: Risco é a exposição a uma conseqüência incerta. Uma mudança para algum acontecimento que terá impacto sobre o projeto. Gerenciamento dos Riscos processo e estrutura adotados pelo gestor para conter os efeitos adversos ao projeto; Processo de Gestão dos Riscos é a sistemática aplicada para gerir os conflitos das tarefas estabelecidas durante a execução do projeto; Identificação dos Riscos é o processo de determinação do que, como e quando algo diferente a cerca do projeto pode acontecer;

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59 Análise dos Riscos é o uso sistemático de informações disponíveis para determinar como especificamente muitos eventos podem ocorrer, e apresentar a magnitude de suas conseqüências; Tratamento dos Riscos estabelecimento e implantação de condutas de respostas para os riscos. Outras definições são apontadas por Araújo (2004): Perigo uma ou mais condições de uma variável com o potencial necessário para causar danos; Segurança é frequentemente definida como “isenção de perigos”. Entretanto, é praticamente impossível a eliminação completa de todos os perigos. Segurança é, portanto, um compromisso acerca de uma relativa proteção de exposição a perigos. É o antônimo de nível de perigo; Nível de perigo expressa uma exposição relativa a um perigo, que favorece a sua materialização em danos; Dano é a gravidade da perda humana, material ou financeira que pode resultar se o controle sobre um perigo é perdido; Causa é a origem de caráter humano ou material relacionado com o evento catastrófico (acidente), pela materialização de um perigo, resultando em dano; Perda é o prejuízo sofrido por uma organização, sem garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios; Sinistro é o prejuízo sofrido por uma organização, com garantia de ressarcimento por seguro ou por outros meios; Incidente qualquer evento ou fato negativo com potencial para provocar danos. A adoção de um projeto de riscos deve ser feita quando há incertezas sobre o futuro, isso pode ocorrer devido às mudanças inerentes no andamento do projeto, onde são envolvidos recursos humanos e materiais.

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60 Por se tratar de uma gestão de riscos de segurança, o fator humano tem peso preponderante na gestão da segurança, nesse sentido devemos adotar a figura do prevencionistas, que segundo Malchaire (2003) apresenta a seguinte definição: Prevencionistas são pessoas com determinada formação em segurança e saúde e que desenvolveram uma motivação particular para reconhecer, prevenir, avaliar e reduzir os riscos.

5.2 Gerenciamento do risco

Um projeto de gestão de riscos deve ser elaborado para entrar em funcionamento de forma gradativa, em fases. Segundo Cooper (2005), um projeto de gerenciamento de riscos é iniciado e tem diferentes estágios, onde o início de uma fase depende da antecessora, como mostra a figura a seguir:

Figura 5 – Perfil de andamento de projeto. Fonte: Cooper, 2005

O objetivo do gerenciamento dos riscos é identificar e gerir significativamente o risco. Em muitos casos o projeto de riscos é envolvido em outro processo de gestão.

5.3 Identificação do risco

Segundo Cooper (2005) a identificação do risco deve ser um processo compreensivo, um risco que não é identificado não pode ser tratado. O processo é estruturado usando elementos essenciais de análise sistemática do risco, em cada área do projeto. Uma grande quantidade de técnicas pode ser utilizada para a

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61 identificação dos riscos, mas o brainstorming é o método preferido por ter uma metodologia flexível e eficaz. A identificação dos riscos pode utilizar informações, como: dados históricos, análise teórica, dados de análise empíricos, coleta de informações de outros projetos de gestão e informações de campo.

5.4 Tratamento do Risco

O tratamento do risco envolve: identificação das opções para redução da probabilidade ou conseqüência do caso extremo; determinação do custo - beneficio da opção de tratamento; escolha da melhor opção; e desenvolvimento de um plano detalhado de risco. Um plano de ação deve ser desenvolvido e implementado para tratar de forma particularizada o risco. Durante a identificação das responsabilidades e avaliação dos processos, contidas dentro da política de segurança, os responsáveis pelo tratamento devem ter uma abordagem estratégica de gerenciamento dos riscos de modo a observar: 1. 2. 3. 4. Eliminação dos riscos; Diminuição da exposição aos riscos; A prevenção dos riscos; Mitigação dos impactos.

5.4.1 Eliminação do Risco

Prevenções estratégicas são adotadas para reduzir substancialmente a probabilidade da ocorrência do risco. Segundo Buckley (2005), a prevenção inclui: 61

62 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Maiores detalhes no planejamento; A seleção de possibilidades alternativas; Uso de sistemas de engenharia; Mudança de procedimentos; Permissão de trabalhos; Proteções de segurança física; Manutenções Preventivas; Revisão de operações; Treinamento e conscientização.

5.4.2 Diminuição da exposição aos riscos

Em geral essa é a principal forma de gerenciamento dos riscos, atribuição de responsabilidades para garantir um melhor controle e gerenciamento das atividades desenvolvidas. O risco é avaliado, identificando como eles podem surgir, e a partir dessa identificação, uma série de procedimentos são construídos e elaborados para guiar cada parte do desenvolvimento da atividade de forma gerencial para contornar o risco. Para a gestão dos riscos em turismo de aventura, essa forma de tratamento é uma maneira de transferência de responsabilidade, mecanismos e protocolos de procedimentos são elaborados e lançados aos usuários. Desde que haja uma competência dos usuários e o local da atividade tenham os dispositivos necessários a garantir a segurança, o tratamento do risco terá alta probabilidade de eficiência.

5.4.3 Mitigação de impacto

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63 Segundo Buckley (2005), a mitigação de impacto tem a finalidade de minimizar as conseqüências dos riscos. Em outras palavras, o que se pode dizer é que o risco permanecerá; existe a probabilidade de outros riscos aparecerem. De fato, o que pode ser feito é a redução das conseqüências. A redução é feita por uma prevenção estratégica de riscos. Porém, o risco principal continua presente, de forma “silenciosa”. A estratégia para a redução de impactos inclui: 1. 2. 3. Plano de contingenciamento; Barreiras estruturais de engenharia; Separação ou re-locação de uma atividade ou recursos;

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64

6

DIRETRIZES PARA ELABORAÇÃO SISTEMA DE GESTÃO DE RISCOS

E

IMPLANTAÇÃO

DE

Um sistema de gestão de riscos é uma ferramenta da engenharia de segurança para a prevenção de acidentes, e pode ser amplamente usada em operadoras do turismo de aventura, deste que haja um comprometimento da gerência em se antecipar aos riscos. O tratamento aos riscos no segmento de turismo de aventura, tem caráter de urgência, considerando o elevado nível de acidentes registrados com ampla divulgação em rede nacional de televisão. A NBR 15.331 foi criada para contribuir na diminuição dos números de acidentes e incidentes no setor turístico. Como já foram apresentados de maneira geral, os investimentos para a comercialização do turismo de aventura são altos, os equipamentos são especializados e diferenciados para garantir a segurança, e os guias devem ter um nível de instrução e conhecimentos necessários para atender as solicitações em um ambiente natural. Além de tudo isso, o turismo de aventura é o setor com menor índice de procura do ramo, ou seja, o tempo de retorno dos investimentos é relativamente longo. Devido aos elevados custos envolvidos para a operacionalização de um pacote turístico de aventura, dificilmente as agências de turismo procuram implementar um sistema de gestão de riscos dentro da empresa, mesmo porque, em grande parte o serviço de turismo de aventura é terceirizado a uma empresa prestador de serviços. Uma saída para o efetivo comprometimento das agências, seria a adoção e implantação do Sistema de Gestão dos Riscos por parte das Unidades de Conservação Ambiental, ou seja, o destino de aventura deve possuir e exigir níveis e padrões estabelecidos para garantir a integridade física do usuário. As diretrizes para a implantação de um Sistema de Gestão de Riscos nas Atividades de Turismo de Aventura no Parque Estadual da Pedra da Boca será descrito a seguir.

64

65

6.1 Política de segurança

A

administração

de

qualquer

órgão,

empresa

ou

instituição

implica

necessariamente na tomada de decisões, a escolha de determinadas medidas irão apontar quão segura ou insegura é a forma de gerenciamento adotada. Boas decisões sobre segurança são determinadas quando existem estabelecidas as metas. Enquanto não forem determinadas as metas o uso efetivo de qualquer ferramenta de segurança não terá resultado algum, pois não se tem conhecimento de quais os pontos devem ser avaliados nem tão pouco se conhece as restrições a serem impostas. Segundo McKinson (2007), os objetivos de uma Política de Segurança são avaliados pelas escolhas analisadas e contrapostas de forma a determinar um balanço entre as opções propostas. De modo geral devem partir de três determinantes: a) Serviços oferecidos x Segurança fornecida: os serviços ofertados para os clientes já possuem um risco inerente. Há possibilidade de serviços oferecidos onde o risco é mais elevado, cabendo ao gestor a eliminação ou torná-lo mais seguro; b) Facilidade de uso x Segurança: os serviços mais comuns e fáceis de utilização, deveria permitir o acesso a qualquer cliente que se disponha a fazer uso sem a devida comprovação de habilidades prévias, ou seja, não haveria restrições. Solicitar dos clientes uma habilidade prévia torna o serviço menos conveniente, no entanto, mais seguro. c) Custo da segurança x Risco da perda: os custos podem ser diferentes para cada medida a ser adota: pode exigir desembolso de dinheiro para a implantação de medidas físicas de segurança; ou apenas exigir a divulgação de um ato legal. O risco também possui níveis que podem aumentar ou diminuir as perdas, um ato institucional pode

65

66 aumentar a perda de clientes, mas pode elevar o nível de satisfação de outros e atrair outro tipo de cliente. Os objetivos, depois de avaliados e analisados de forma a equilibrada por um corpo técnico competente, devem ser amplamente divulgados e comunicados a todos os usuários e operadores, através de um conjunto de regras de segurança, chamado de Política de Segurança.

6.1.1

Definição de uma Política de Segurança

Política de Segurança é a expressão formal das intensões da administração através de regras pelas quais é fornecido acesso aos serviços, apropriando o nível de risco envolvido.

6.1.2

Intenções de uma Política de Segurança

A principal intenção de uma Política de Segurança é informar aos usuários e operadoras as obrigações a serem cumpridas para garantir a proteção e integridade física de todos. Os mecanismos para alcançar os requisitos de segurança devem ser especificados.

6.1.3

Formulação de uma Política de Segurança

Para que uma Política de Segurança se torne efetivamente apropriada, ela deve ter aceitação dos usuários dos serviços prestados. É importante também, que haja um suporte da administração para complementar o processo de implantação da política de segurança, estando sujeito a não alcançar o impacto desejado caso não se tenha um envolvimento maciço. 66

67 Deve haver o envolvimento de alguns atores durante a criação e revisão dos documentos de Política de Segurança, quais sejam: a) b) A administração da unidade de conservação; Os representantes do porder público responsável pela unidade

de conservação; c) Os representantes das operadoras de turismo; d) Representantes das entidade de classe de usuários dos serviços; e) Os representantes da comunidade local; f) A equipe técnica de engenharia e segurança. Esses representantes, de forma geral, agregam conhecimento e podem discutir sobre pontos críticos e conflitantes, como: orçamento, qualificação de pessoal, medidas legais, opções de novos serviços, contenção ou ampliação do fluxo turístico, formas de divulgação, realização de eventos e todas as atividades que podem ser exploradas, mantendo a preservação ambiental e a segurança dos usuários. A participação desses atores é importante para que a aceitação da política de segurança atingida as metas com rapidez.

6.1.4

Características de uma Política de Segurança

As características de uma boa política de segurança podem ser classificadas pelas seguintes ações: a) Implementação através de medida administrativa, com a

publicação das regras de segurança a todos os usuários; b) Exigência do cumprimento das regras de segurança, com a

possibilidade de sanções ao não cumprimento, por parte do usuário; c) Definição clara das áreas de atuação e das responsabilidades

dos atores. 67

68 As ações apresentadas são medidas administrativas, que de preferência devem ser complementadas com as seguintes medidas: a) usuários Distribuição de manuais e guias de comportamento dos e procedimentos a serem adotados pelas operadoras,

especificando os requisitos mínimos exigidos para a boa conduta de segurança na unidade de conservação; b) A fiscalização deve ser permanente. O monitoramento de

ações e atividades desenvolvidas pelos usuários e operadoras deve ter um acompanhamento, podendo ser através de uma medida de controle durante a entrada e/ou a saída da unidade de conservação; c) Uma exposição para definir os direitos, os privilégios,

obrigações e condutas para a manutenção da unidade de conservação. É preciso que seja uma explanação, de preferência em um local apropriado ou na entrada da unidade de conservação. Deve servir também como um “cartão de boas vindas”; d) Na medida do possível, deve ser apresentado ao usuário um

protocolo de ações e condutas em caso de incidentes, para onde se dirigir, quem procurar, quais são os meios de comunicação: freqüência do rádio ou um sinal sonoro; e) Devem ser apresentados em mapas os pontos remotos, com

dificuldade de acesso e os pontos obscuros, onde o acesso para um possível resgate é praticamente nulo; f) Garantir a manutenção dos serviços da unidade de

conservação. À participação solidária entre a administração da unidade de conservação e os usuários. Os usuários podem auxiliar a administração mantendo as trilhas abertas e colaborando na renovação e recuperação dos equipamentos para a prática das atividades; g) Disponibilizar uma forma de contato com a administração da

unidade de conservação de forma que o usuário demonstre seu nível de satisfação e faça sugestões ou reclamações. Uma parte dessas ações, como a fiscalização e as sanções, deve ser 68

69 considerada pelas leis vigentes, para garantir o cumprimento e evitar problemas judiciais. A Política de Segurança, depois de estabelecida, deve ser claramente comunicada aos usuários e operadoras, sendo registrada através de documento assinado pelos atores, confirmando a plena consciência e que concordam com os termos da política estabelecida. A assinatura do documento é uma das partes mais importantes e, com toda certeza, até chegar essa fase, talvez, muitos conflitos terão sido gerados. No entanto, o recolhimento das assinaturas é a garantia legal para a segurança dos usuários da unidade de conservação. Por fim, a Política de Segurança deve ser revisada regularmente para verificar se há absorção e suporte por parte dos usuários, para garantir o sucesso às necessidades de segurança.

6.1.5

Manutenção de uma Política de Segurança Flexível

Para que a Política de Segurança seja viável em longo prazo, é necessária uma flexibilidade considerável, devendo ser pertinente e independente de regras e interesses políticos-econômicos. Os dispositivos para a atualização da Política de Segurança devem ser estabelecidos de forma clara. Sempre que possível, a Política deve expressar quais são as expectativas e os resultados esperados para a existência de cada regra a ser cumprida. A melhor Política de Segurança é aquela em que as regras são concisas, objetivas, curtas e diretas. O risco de não ter a política estabelecida cresce quando as ações são extensas e de difícil disseminação. No apêndice A é apresentada uma política de segurança proposta para a unidade de conservação Parque Estadual Pedra da Boca. 69

70

6.2 Planejamento

A fase do planejamento deve ser formulada e apresentada em forma de documento, com vistas a atender a Política de Segurança. Este documento tem o objetivo de trazer elementos que permitam evitar, resolver e minimizar os problemas relacionados aos riscos.

6.2.1

Estratégia SOBANE

Como primeira opção de trabalho é apresentado a metodologia DEPARIS (Diagnósticos Participativos dos Riscos), onde a situação de trabalho é sistematicamente revisada e todos os aspectos que condicionam a facilidade, a eficácia e satisfação no trabalho são discutidas, com o intuito de pesquisar medidas concretas de prevenção (Malchaire, 2003). Esse método tem uma característica de fácil compreensão, para os usuários e operadores, as primeiras avaliações dos riscos e melhorias são feitas por quem realmente atua no setor a ser avaliado. O método DEPARIS é parte do nível 1 de uma estratégia de prevenção dos riscos divididos em quatro níveis, chamada de SOBANE, com abordagens progressivas para as situações de trabalho e exposição aos riscos. Segundo Malchaire (2003) a estratégia geral de gestão dos riscos SOBANE (Screening, OBservation, ANalysis, Expertise) possui quatro níveis: Diagnóstico preliminar; Observação; Análise e Perícia. As abordagens progressivas para coordenar com a colaboração entre gestores e trabalhadores (clientes) busca a realização de uma prevenção mais rápida, mais eficaz e menos custosa. O diagnóstico preliminar, onde os fatores de riscos são detectados e reconhecidos, e são colocadas na prática as soluções mais evidentes; No nível da observação, os problemas que não foram resolvidos são novamente discutidos de forma mais profunda, analisando os fatores de riscos 70

71 separadamente, as causas e as soluções são discutidas de maneira detalhada; No nível análise deve ser apresentado onde e quando é necessário se recorrer a um prevencionista para realizar as medições indispensáveis e desenvolver soluções específicas; Por último, a perícia onde em casos mais raros um especialista se torna indispensável para estudar e resolver um problema específico. Para o estudo de caso apresentado neste trabalho, adotou-se o Parque Estadual da Pedra da Boca como local para a realização da pesquisa. O método adotado auxilia na implantação da segurança, colaborando na manutenção da integridade física de todos os usuários, colocando em prática os princípios gerais da prevenção de acidentes, como: evitar os riscos; avaliar os riscos; combater os riscos na fonte e adaptar as normas de segurança aos usuários. O documento elaborado deve ser dirigido para todos os tipos usuários, de modo que todos sejam responsáveis por colocarem em prática as técnicas de prevenção. A eliminação dos riscos ou a redução a um nível aceitável só é possível quando existem os meios disponíveis para a realização de um trabalho bem feito, porém no nível de turismo de aventura, os dados não são suficientes, ou, nem mesmo foram feitas estatísticas para avaliação precisa dos riscos. A estratégia SOBANE obedece ao esquema da figura abaixo:

Figura 6 – Esquema geral da estratégia SOBANE de gestão dos riscos Fonte: Malchaire, 2003

As características dos quatro níveis da estratégia SOBANE são apresentadas pelos critérios da tabela abaixo:

71

72

Quadro 2 – Características dos níveis de estratégia SOBANE
Quando? Como? Custo? Nível 1 Diagnóstico Todos os casos Observação simples Leve (“10 minutos”) Pessoa da empresa Nível 2 Observação Se problema Observação qualitativa Leve (“2 horas”) Pessoas da empresa Nível 3 Análise Casos difíceis Observação quantitativa Médio (“2 dias”) Pessoas da empresa e prevencionistas Médio Elevado Nível 4 Perícia Casos complexos Mediações especializadas Elevado (“2 semanas”) Pessoas da empresa, prevencionistas e peritos Leve Especializada

Por quem? Competência: Situação de trabalho Saúde no trabalho

Muito elevada leve

Elevada média

Fonte: Malchaire, 2003

6.2.1.1

Nível 1 - Diagnóstico Preliminar

Objetivo: identificar os principais problemas e dar um tratamento ao risco com soluções simples. São analisados os problemas que podem induzir o usuário ao erro, como: trilha fechada, grampos de escalada mal posicionados, bicos de pedra cortante, lacas de pedra preste a cair, colméias na via, ponto com erosão e solo escorregadio, etc. Atores: essa avaliação pode ser realizada com uma comissão de “préexpedição” ou até mesmo pelos usuários que estejam usando o local. Método: a ferramenta simples de análise do risco, a observação in loco pelo guia, a exposição ao risco no momento da realização da atividade. No entanto, o mais próximo do ideal é o uso de uma lista de controle estabelecida pelo setor de atividade.

6.2.1.2

Nível 2 – Observação

Objetivo: os problemas que não foram solucionados no nível 1 fazem parte 72

73 deste nível, ou seja, há um aprofundamento, medições podem ser realizadas para garantir a eficácia da observação. Problemas que parecem constituir um risco e devem ser tratados prioritariamente, como: a instalação de um grampo para diminuir o fator de queda, a exigência de um cabo guia para rappel em determinado local, a instalação de uma corda de serviço para auxiliar em subidas íngrimes, a abertura de trilhas alternativas, a instalação de placas indicativas, etc. Atores: há uma necessidade de conhecimento mais especifico da situação em estudo sob os mais diferentes aspectos, em condições normais de trabalho ou nas condições anormais. Os fatores de risco deverão ser considerados nesta fase a partir da competência dos atores e da participação da gestão envolvidas. Nesse nível já é necessário à presença de um prevencionista. Método: continua o uso da ferramenta simples de análise do risco, o essencial é induzir o usuário à reflexão sobre os diferentes aspectos da situação, deve ser estabelecido quais os fatores parecem constituir um risco importante e devem ser tratados em primeiro instante.

6.2.1.3

Nível 3 – Análise

Objetivo: quando os níveis de diagnóstico preliminar e observação, não permitem a redução dos riscos em níveis aceitáveis, a análise dos componentes e a pesquisa de soluções devem ser utilizadas. Atores: com o auxilio de prevencionistas usuários do local, os prevencionistas externos de outros locais de similar atuação, são convidados a dar solução aos problemas apresentados. Método: é necessária a avaliação de danos, exposição, risco, e análise da situação especifica. Podem ser utilizados instrumentos de medição para a otimização dos problemas.

73

74 6.2.1.4 Nível 4 - Perícia

Deve ser realizada por pessoas especialistas na área de segurança do trabalho com a assistência de prevencionistas para apontar detalhes. Em situações complexas a perícia se faz necessária. Segundo Malchaire (2003), é importante que se diga que essa estratégia foca principalmente, a participação dos usuários, ele é o responsável técnico, o centro da ação de prevenção. Esse método é simples, pois prevê a auto-gestão, e o período de aplicação é de curto prazo.

6.2.2

Apresentação do método DEPARIS O método é composto por rubricas que estão no apêndice - B abordando

aspectos das situações de exposição aos riscos. A intenção das rubricas é analisar do geral para o particular, partindo da organização geral, espaço de trabalho, a segurança e as ferramentas e meios de atuação. Nesse método cada rubrica é composta de campos distintos, compostas por uma breve descrição da situação desejada e uma lista de aspectos que devem ser controlados. Em outro campo são anotados o que pode ser feito. Em outra parte da rubrica são feitas as conclusões para dar suporte a um prevencionista na busca da solução desejada. A pontuação numérica foi evitada escolhendo um esquema de figuras intuitivo de cores para a situação satisfatória, medida com possíveis melhorias e com situação perigosa.

Figura 7 – Rubrica do método DEPARIS Fonte: Malchaire, 2003

74

75 Dentre os procedimentos para aplicação do DEPARIS é necessário que os gestores informem aos usuários os objetivos e a necessidade do engajamento de todos na gestão dos riscos, a realização de reuniões para análise e controle periodicamente. A rubrica serve apenas para dar suporte e facilitar as discussões, cria uma estrutura para o debate, não serve apenas para preenchimento dos quadros. Os participantes devem ser conduzidos a refletir sobre os custos das soluções desejadas, e quais os impactos que elas podem causar aos usuários de modo geral, para isso um breve julgamento pode ser feito através de um esquema, também, intuitivo, como: zero investimento (0), investimento barato ($), investimento médio ($$), investimento caro ($$$). Por fim os usuários são conduzidos a informar quem dá a solução, como é essa solução e quando essa solução será implementada. Esse método serve bem para se ter um diagnóstico preliminar junto às pessoas que operam com atividade. No entanto ela é meramente qualitativa, o engenheiro de segurança terá apenas uma idéia subjetiva do risco. No capítulo oito é apresentado um resultado realizado com o método DEPARIS, realizado com usuários do Parque Estadual da Pedra da Boca. Os resultados são apresentados utilizando 10 rubricas, desse estudo resultaram algumas ações que necessitam da avaliação de uma pessoa com conhecimentos mais apurados sobre segurança.

75

76

7

METODOLOGIA
Para a realização deste trabalho optou-se por uma pesquisa exploratória,

empírica, empregando um estudo de caso no Parque Estadual da Pedra da Boca, no município de Araruna – PB, no sentido de verificar a aplicação de algum sistema de gestão dos riscos no desenvolvimento de atividades de turismo de aventura. Utilizouse de uma revisão bibliográfica para tomar como referência para a identificação de caso e da unidade a ser analisada. O estudo de caso procurou verificar o nível de entendimento e compreensão dos usuários sobre gestão de segurança. Procurou-se ainda, verificar a compatibilidade da implantação de um sistema de gestão de riscos com a realidade profissional dos usuários, condutores locais e guias de operadoras de turismo de aventura, bem como procurou adequar às necessidades de segurança para a prática de atividades de aventura realizadas dentro do PEPB. Verificou-se, ainda, se a implantação do Sistema de Gestão de Riscos é atendida pelas empresas que exploram as atividades turísticas no local.

7.1 Modelo da Pesquisa

De acordo com os objetivos gerais desse trabalho, em princípio pode-se dizer que o estudo tem natureza qualitativa. Segundo Barbosa (2005) apud Dias (2000), uma pesquisa qualitativa pode ser observada uma vez que esta não busque coletar resultados quantificáveis e que não se utilize de métodos estatísticos na fase de coleta de dados. A realização de pesquisas qualitativas exige uma capacidade de interpretação, onde o pesquisador assume o papel de tradutor do ambiente pesquisado. O modelo utilizado para a pesquisa se justifica, pois os levantamentos feitos apontam à dificuldade que os usuários têm em quantificar o risco de uma atividade de aventura, sendo mais fácil para os usuários descrever. A partir da visão e aspectos individuais colhidos na pesquisa, é que se baseia o estudo de caso. 76

77

7.2 Elaboração do Estudo de Caso

Considerou-se o método DEPARIS como sendo o de melhor aplicação, devido à dificuldade de compreensão dos usuários do PEPB, sobre o tema gestão de riscos. Utilizou-se o método DEPARIS em entrevistas realizadas individualmente com oito usuários do Parque Estadual da Pedra da Boca que realizam frequentemente atividades de turismo de aventura. Foram abordados nas entrevistas, o gestor da Unidade de Conservação, dois condutores locais, três guia de operadora de turismo e dois usuário que freqüenta o PEPB. Para o estudo de caso, de acordo com o método, adotou-se uma atividade de turismo de aventura, no caso o rappel da aroeira. Foram elaboradas 10 rubricas de DEPARIS, as quais foram devidamente preenchidas pelos entrevistados. Optou-se pela atividade rappel, por se tratar de uma técnica de descida por corda, muito utilizada pelos escaladores para transpor obstáculos, e, no entanto, muitas pessoas utilizam essa técnica como um esporte, sem ter conhecimento mais profundo sobre métodos de “auto-resgate”, tipos de ancoragem e procedimentos necessários à boa descida por corda. Além disso, é de conhecimento dos escaladores, que o rappel é a atividade que mais causa acidentes e mortes nas atividades de montanha.

7.3 Análise dos Resultados Obtidos

Os resultados de DEPARIS são bastante variáveis, em alguns casos observados, os entrevistados se limitam a uma constatação de insatisfação sobre um determinado aspecto. Em outros casos, são apresentadas soluções bastante genéricas.

77

78 As rubricas são elaboradas de forma que haja uma redundância parcial entre elas. Sendo assim, alguns aspectos devem ser observados várias vezes. No entanto, buscou-se evitar as redundâncias e permitir que as rubricas fossem complementares umas as outras, sendo a separação total entre elas uma situação indesejável. A idéia principal do modo de elaboração das rubricas é que seja um conjunto de aspectos onde elas se interagem, interferem, se reforçam e se neutralizam. De maneira geral, os aspectos apresentados nas rubricas de DEPARIS, são importantes para o envolvimento dos usuários no processo de implantação de um sistema de gestão de riscos, melhorando o entendimento e a compreensão necessárias a melhoria contínua da segurança.

78

79

8

RESULTADOS E DISCUSSÕES

8.1 Apresentação dos resultados

Dos oito conjuntos de rubricas aplicadas, todos os usuários que se depuseram a preencher as rubricas apresentaram dificuldades no entendimento do que deveria ser colocado na rubrica. Todos foram devidamente orientados, individualmente, sendo as dúvidas e questionamentos retirados no momento do preenchimento. A amostra pode ser considerada excelente, pois abrange os diversos tipos de atores do Parque Estadual da Pedra da Boca, desde a direção da Unidade de Conservação, passando pelas operadoras e guias do local, até o simples usuário que visita o parque. Mesmo com a grande subjetividade com que cada pessoa percebe a questão da segurança nas rubricas propostas, os dados foram compilados. Como critério, utilizou-se as sugestões mais similares e unânimes, bem como as expressões de pensamentos e idéias de maior relevância. Os resultados são demonstrados conforme sugere o método DEPARIS, através do resumo das dez rubricas propostas.
Quadro 3 – Resumo de DEPARIS para o rappel da Aroeira

1- A ZONA DE PRÁTICA DE AVENTURA
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Instalação de proteção fixa para montagem de uma linha de vida; • Demarcação do local da zona de espera. Aspectos a estudar com mais detalhes: a instalação de uma linha de vida permanente.

!

79

80 2- A ORGANIZAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Delimitação do local trabalho e zona de espera; • Instalação de sinalizadores coloridos; • Interdição em dias chuvosos. Aspectos a estudar com mais detalhes: medidas administrativas de interdição. !

3 – O LOCAL DA ATIVIDADE
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Manutenção e limpeza do local; • Seguir as normas de segurança das técnicas empregadas para a atividade. Aspectos a estudar com mais detalhes: adoção de medidas administrativas para verificar as habilidades dos usuários. !

4- OS RISCOS DE ACIDENTE

Aranhões Contusão Corte Desmaio Fratura Picadas Projeções Queda Queda de objetos

Gravidade 0 + ++ +++ 0 + ++ +++ 0 0 0 0 0 0 +++ +++ +++ +++ +++ +++ 0 + ++ +++ + + + + + + ++ ++ ++ ++ ++ ++

Onde?; Quando?; O que fazer?
Durante a descida, caso haja escorregão. Em um movimento brusco ou devido a irregularidade da parede. Não há possibilidade apontada pelos entrevistados Devido a forte emoção ou por falta de glicose. Em caso de queda ou escorregão Na espera, ao final do rappel. No deslocamento entre espera e saída do rappel. No deslocamento entre espera e saída do rappel. Na descida, no balanço da corda ou movimento dos que esperam a vez. Não há possibilidade apontada pelos entrevistados Não há possibilidade apontada pelos entrevistados

Queimaduras 0 + ++ +++ Urticantes 0 + ++ +++ Outros 0 + ++ +++ Aspectos a estudar com mais detalhes: Exigir o uso de EPI para todos os usuários e montagem de linha de vida.

!

5 – AS FERRAMENTAS E MATERIAIS PARA A ATIVIDADE
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Utilização de material homologado; • Disponibilização de equipamentos a todos os usuários, para que não haja movimentação nem troca de equipamentos entre usuários. Aspectos a estudar com mais detalhes: verificar a forma de distribuição dos equipamentos dentro das operadoras de turismo.

!

80

81 6 – A TÉCNICA EMPREGADA
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Adoção de um procedimento padrão para a atividade no local; • Uso de corda dupla; • Adoção de auto-blocante; • Instalação de outra parada para uma corda de serviço. Aspectos a estudar com mais detalhes: exigir dos usuários o conhecimento de técnicas de “auto-resgate”. !

7 – O NÍVEL DE CONHECIMENTO SOBRE A ATIVIDADE
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Capacitar os usuários dentro das normas nacionais; • Não permitir o acesso como sendo a primeira experiência. Aspectos a estudar com mais detalhes: definir entre facilidade de uso versus segurança !

8 – A RELAÇÃO ENTRE GUIA(S) E CLIENTE(S)
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Deve ser feita uma apresentação prévia, antes mesmo da caminhada, do que é o rappel da Aroeira; • O guia deve ter boa apresentação pessoal e saber expor todos os detalhes da atividade. Aspectos a estudar com mais detalhes: verificar a norma com relação às ! informações mínimas. Formatar um curso de capacitação dos guias e condutores locais.

9 – O AMBIENTE SOCIAL LOCAL E GERAL
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • O guia/condutor deve ter um auxiliar pronto para retornar a base, caso necessário; Aspectos a estudar com mais detalhes: exigir número mínimos de condutores/guias por grupo !

10 – O CONTEÚDO DA ATIVIDADE
O que fazer de concreto para melhorar a situação? • Deve ser de acordo com o perfil do grupo; • Deve ser realizadas avaliações qualitativas da atividade. Aspectos a estudar com mais detalhes: verificar a quem é permitido o acesso a atividade.

!

81

82 Síntese do estudo DEPARIS no rappel da Aroeira 1- A zona de prática de aventura 2- A organização para a realização 3- O local da atividade 4- Os riscos de acidente 5- As ferramentas e materiais para a atividade 6- A técnica empregada 7- O nível de conhecimento sobre a atividade 8- A relação entre guia(s) e cliente(s) 9- O ambiente social local e geral 10- O conteúdo da atividade

! ! ! ! !

! ! ! ! !

8.2 Análise dos resultados

Em relação aos resultados apresentados, pode-se observar o seguinte: As ações concretas para melhoria são muitas vezes repetitivas, as anotações feitas pelos usuários são semelhantes entre si. Quase sempre não são apresentadas novas propostas, além das que estão apresentadas no campo da rubrica onde existe a situação desejada, apontada pelo autor da rubrica. As observações mais palpáveis a nível de engenharia de segurança podem ser feitas a partir da rubrica 4, que aborda os riscos de acidente. A maioria das respostas aponta pouca ou nem uma gravidade de risco ou conseqüência. De modo geral, os riscos de acidente, no esquema de avaliação por cores, o rappel da Aroeira é considerado, sem riscos, de acordo com a maioria das respostas. A exceção de um entrevistado todos os demais assinalaram a exclamação com a indicação na cor verde, o que significa dizer que, de acordo com os usuários abordados, o local é seguro e propício para a prática sem riscos de lesão ou conseqüências mais graves. Com relação à rubrica 6, que trata das técnicas empregadas para o rappel, a exceção de um dos entrevistados, os demais não observaram à necessidade de 82

83 técnicas adequadas para a prática da atividade, nem tão pouco a necessidade de conhecimento avançado para sair de uma situação de risco. Um ponto positivo, com relação à questão de segurança, pode ser observado na rubrica 9, que trata do ambiente social local e geral, todos os usuários foram unânimes em apontar a necessidade do guia/ condutor ter um auxiliar para retornar a base, caso algum membro do grupo desista da descida por corda. Em virtude da diversidade do que foi apresentado, verifica-se ambigüidade entre as respostas dos usuários. Na ausência de conhecimento técnico sobre a questão de planejamento de um sistema de gestão de segurança, os usuários utilizam conhecimentos adquiridos com o tempo de prática. Na diversidade das respostas, observa-se claramente, a repetição da situação desejada, proposta na rubrica. Em quase toda a totalidade, os entrevistados não foram capazes de apontar novos itens para garantir a segurança, ou melhorar de forma definitiva o contexto atual do local. Em nenhuma das 10 rubricas elaboradas, os usuários assinalaram a cor vermelha para as situações propostas nas rubricas, não que essa indicação fosse desejada, mas mesmo com relação aos riscos de acidentes, os usuários não tem a devida noção do que vem a ser as conseqüências de um pequeno descuido em uma atividade de rappel em uma área afastada de um centro médico. Acredita-se que o método DEPARIS apresenta bons resultados quando já existe um sistema de gestão de riscos devidamente implantado, pois os usuários seriam abordados para sugerirem novas propostas para a melhoria continua do processo de gestão de riscos. Para um planejamento de gestão dos riscos de uma atividade de aventura é necessário o uso de critérios menos subjetivos, que de certa forma, apontem os reais riscos e o nível de conseqüência que a atividade pode gerar. Em virtude dessa necessidade de uma análise mais precisa do planejamento da gestão de riscos, fez-se uso de uma análise semi-quantitativa, com uso de probabilidades numéricas e que apresenta resultados mais objetivos, com ações mais consistentes para garantir a integridade física dos usuários nas atividades de 83

84 aventura que possam vir a ser realizadas no Parque Estadual da Pedra da Boca, e são apresentadas no capítulo 9 deste trabalho.

84

85

9

AVALIAÇÃO SEMI-QUANTITATIVA DOS RISCOS

O método DEPARIS, aplicado ao estudo de caso analisado, demonstrou o nível de entendimento de alguns atores no tocante a gestão dos riscos em atividades de aventura. A avaliação qualitativa, como a aplicada neste trabalho, apresenta respostas variadas, com soluções genéricas. A necessidade da aplicação de métodos mais eficientes para o planejamento da gestão dos riscos nas atividades desenvolvidas para o turismo de aventura, requer a participação de um especialista na área de engenharia de segurança, para a aplicação de modelos semi-quantitativos. Nesse intuito este capítulo é dedicado à elaboração de um método de avaliação semi-quantitativa como sugere a norma 15.331. A realização de qualquer atividade de turismo de aventura tem um grau de incerteza, seja quanto aos seus resultados, ou quanto a sua execução, ou ainda quanto ao seu planejamento. Essas incertezas de eventos ou condições, podem trazer benefícios ou serem adversárias aos objetivos das atividades. Diversos métodos podem ser utilizados no processo de planejamento dos riscos. A avaliação semi-quantitativa dos riscos é um método muito utilizado, pois através de elementos de avaliação onde, como e por quem é realizada uma determinada tarefa é possível apresentar resultados numéricos para a classificação dos riscos. Um método quantitativo é mais complexo e requer uso de números específicos de probabilidade e distribuição do impacto. Segundo Buckley (2005), as análises semi-quantitativas dos riscos faz uma aproximação entre a análise qualitativa e quantitativa em termos de complexidade, elas não usam diretamente a probabilidade ou a estimativa de impactos, as análises semi-quantitativas começam com uma escala qualitativa, depois é transformada em valores numéricos para usar como indicadores de mensuração indireta da probabilidade do evento negativo ocorrer. Para dar início ao processo de análise semi-quantitativa é necessário a 85

86 determinação de parâmetros para a avaliação quanto ao risco. A probabilidade do risco pode ser estimada por uma identificação de elementos qualitativos que terão uma classificação numérica. Trata-se de uma técnica que envolve uma mistura de qualidade e quantidade. Segundo Buckley (2005), o fator de risco será descrito como uma avaliação de probabilidades convertidas em medidas numéricas. Os valores numéricos são uma média adotada para uma dada probabilidade do risco (P), da mesma forma a avaliação das conseqüências (C) é analisada numericamente. O fator de risco (FR) é medido a partir dos valores do risco combinados com as conseqüências. Matematicamente, o cálculo da probabilidade de ocorrer um evento pode ser dada por:
prob( AouB) = prob( A) + prob( B ) − prob( A) * prob( B )
Equação 2 – Probabilidade de evento

Analogamente para a determinação do fator de risco considerando as probabilidades e as conseqüências, tem-se:
FR = P + C − ( P * C )
Equação 3 – Fator de risco Fonte: Buckley, 2005

Os valores de (P) e (C) serão adotados entre 0 (baixo) e 1 (alto) para representar o reflexo da probabilidade do risco e da severidade das conseqüências e os seus respectivos impactos. Desta forma, o fator de risco (FR) também apresentará valores entre 0 e 1. Os valores de (P) e (C) podem ser representados em forma de um gráfico, considerando a plotagem do contorno de um gráfico de iso-risco, tem-se a representação de acordo com a figura abaixo:

86

87

S11 S10 S9 S8
Consequencia (C)

S7 S6 S5 S4 S3 S2 S1 1
Probabilidade (P)

6

11

0-0.2

0.2-0.4

0.4-0.6

0.6-0.8

0.8-1

Figura 8 – Contorno das iso-linhas de fator de risco (FR) Fonte: Buckley, 2005

Pelo gráfico, quanto mais abaixo e a esquerda os valores estiverem, na zona azul clara, menor é o fator de risco, à medida que os valores variam, cresce também o fator de risco, chegando a níveis intoleráveis na zona vermelha, pontos mais à direita e superior do gráfico. Para a análise do projeto, a metodologia de classificação do fator de risco e seus impactos, são adotados três critérios para a probabilidade (P): exposição (e), controle (c) e detecção (d). Dois critérios são considerados para as conseqüências (C): severidade potencial (s) e abrangência (a), de acordo com as tabelas a seguir:
Quadro 4 – Probabilidade de exposição

Exposição (e)
Freqüência com que às pessoas ou ambiente interagem com o perigo ou aspecto

Peso 0,1 0,2 0,3

Classificação Eventualmente Frequentemente Continuamente

Descrição Se a freqüência de exposição e/ou duração da exposição ocorrer de forma esporádica ou eventual; Se a freqüência de exposição e/ou duração de exposição ocorrer de forma não continua, porem rotineira; Se a freqüência de exposição e/ou duração da exposição ocorrer de maneira continua ou durante a jornada de aventura. Quadro 5 – Probabilidade de controle

Controle (c)
Ação existente que elimine ou minimize a interatividade com o perigo ou aspecto

Peso 0,1

Classificação Eficaz

0,2

Precária

0,3

Inexistente

Descrição Existência de dispositivo físico que venha a garantir que mesmo havendo distração do(s) envolvido(s), impeça a ocorrência de uma lesão, doença, dano ou impacto; Existência de dispositivo (físico ou procedimento específico) que possa evitar e/ou atenuar a lesão, doença, dano ou impacto, mas que ainda dependa da atitude ou atenção do(s) envolvido(s), não bloqueando totalmente o risco ou impacto; A não existência de dispositivo (físico ou procedimento específico) que possibilite a atenuação e/ou que evite a ocorrência da lesão, doença, dano ou impacto.

87

88
Quadro 6 – Probabilidade de detecção

Detecção (d)
Nível de facilidade de identificação do perigo ou aspecto associado

Peso 0,1

Classificação Fácil

0,2

Moderada

0,3

Difícil

Descrição Qualquer pessoa, sem nenhum treinamento específico ou conhecimento da atividade, é capaz de identificar o perigo ou aspecto existente no equipamento, sistema, atividade ou local de realização da atividade; São perigos ou aspectos possíveis de serem identificados através de análise realizada por pessoas com treinamentos específicos e/ou conhecimentos da atividade; O perigo ou aspectos é identificado apenas de maneira reativa (acidente ou incidente) ou pelo uso de metodologias e/ou monitoramento específico.

Quadro 7 – Conseqüências da severidade potencial

Severidade Potencial (s)
Avalia o potencial da conseqüência (lesão, dano ou impacto) caso o evento indesejado aconteça.

Peso 0,1

Classificação Baixa

0,3

Média

0,5

Alta

Descrição Se a lesão, dano ou impacto for inexistente ou desprezível, no máximo lesões superficiais, queimaduras de 1º ou 2º graus pontual (2cm²), cortes arranhões menores, lesões típicas de primeirossocorros, desconforto temporário, irritações e incômodos. Se a lesão ou impacto resultar em lacerações, queimaduras de 2º grau localizadas (>2cm²), fraturas menores, contusões, torções ou entorses, dermatites, doenças de incapacitação para a atividade; Se houver potencial para decorrer amputações, fraturas múltiplas, queimaduras generalizadas de 2º ou 3º graus, envenenamento, lesões incapacitantes ou fatais. Quadro 8 – Conseqüências das abrangência

Abrangência (a)
Avalia o número de pessoas possíveis de sofrer as conseqüências, ou a extensão do impacto caso o evento venha ocorrer.

Peso 0,1

Classificação Ampla

0,2 0,3

Limitada Isolada

Descrição Se a lesão, dano potencial ou impacto decorrente é limitada a apenas uma pessoa no exercício das suas atividades ou ao ambiente de fácil acesso; Se a lesão, dano potencial ou impacto abranger mais de uma pessoa ou o ambiente tem acesso complicado. Se a lesão, dano potencial ou impacto abranger, outras pessoas fora do local da atividade ou o ambiente tem acesso difícil ou remoto.

Para cada atividade a ser analisada, os cinco critérios devem ser classificados e pontuados de acordo com o peso de cada classificação. Para as probabilidades tem-se:

P =e+c+d
Equação 4 – Probabilidade do fator de risco

88

89 Para as conseqüências, tem-se:

C =s+a
Equação 5 – Conseqüência do fator de risco

Fazendo uso da Equação 3 para análise das possíveis combinações apresentadas com os pesos adotados para as probabilidades e as conseqüências, tem-se como resultados:
0.3 0.4 0.5 0.6 0.2 0.3 0.4 0.5 0.44 0.51 0.58 0.65 0.52 0.58 0.64 0.70 0.60 0.65 0.70 0.75 Fator de Risco (FR) 0.68 0.72 0.76 0.80 0.76 0.79 0.82 0.85 0.84 0.86 0.88 0.90 0.92 0.93 0.94 0.95 Tabela 1 – Fatores de Risco Probabilidade (P) Conseqüência (C) 0.7 0.6 0.72 0.76 0.80 0.84 0.88 0.92 0.96 0.8 0.7 0.79 0.82 0.85 0.88 0.91 0.94 0.97 0.9 0.8 0.86 0.88 0.90 0.92 0.94 0.96 0.98

A Equação 3 é capaz de detectar itens com alta probabilidade ou baixas conseqüências, o contrario também pode ser detectado, ou até mesmo (P) e (C) com mesmo peso. A existência de itens ignorados em primeiro plano é fortemente reduzida pela disposição dos elementos da equação. Na Tabela 1 tem-se os possíveis resultados das combinações entre os critérios de classificação de uma determinada atividade, nota-se que na medida em que crescem os valores de (P) e (C) o fator de risco aproxima-se do valor unitário, o que indica um fator de risco inaceitável com conseqüências catastróficas. Os critérios de avaliação dos resultados do fator de risco foram elaborados por equações matemáticas de probabilidade, uma tabela com níveis de medida de controle conforme a escala de probabilidade do risco, e a escala de impactos causados estão propostas adiante. No Quadro 9 são apresentados cinco níveis de reconhecimento do risco, são considerados o valor numérico do fator de risco, a escala de probabilidade de ocorrência, a escala de impacto das conseqüências causadas pelo risco e na última coluna, são apresentados, de forma geral, as medidas de controle que podem ser adotas em cada nível do fator de risco.

89

90

Quadro 9 – Medidas de controle conforme fator de risco
Nível 1 Fator de Risco FR<0,56 Escala de Probabilidade Raro Escala de Impacto Insignificante Medidas de Controle Registrar para controle estatístico; Não é necessário ação; Nenhum registro documental precisa ser mantido. Nenhum controle adicional é necessário; Pode-se implementar uma ação mais econômica (isolamento, auxílio visual, avisos preventivos de forma verbal); Efetuar monitoramento para garantir que a ação está mantida. Devem ser feitas medidas de controle para a redução ou eliminação do risco ou impacto; Medidas de controle com data definida para conclusão e nome do responsável; Se a conseqüência do risco ou aspecto for extremamente prejudicial, uma avaliação mais detalhada pode ser necessária para estabelecer mais precisamente a probabilidade da ocorrência de prejuízo, como meio para determinar a necessidade e medidas de controle de melhoras; Alertar o pessoal da área e envolvidos sobre o(s) risco(s) ou impacto(s); Procedimentos de controle operacional e/ou planos de emergência são necessários. Não iniciar/continuar as atividades até que o risco ou impacto tenha sido reduzido ou eliminado; Recursos consideráveis podem ter que ser apropriados para reduzir o risco ou impacto; Quando as atividades se encontrarem em andamento, uma ação urgente dever ser implementada; Alertar o pessoal da área sobre o risco ou impacto enquanto a ação está sendo implementada; Sinalizar e isolar o local se necessário; Procedimentos de controle operacional, planos de emergência são prioritários. Não iniciar e nem continuar a atividade nesta condição até que o risco ou impacto tenha sido reduzido ou eliminado; Caso não seja possível reduzir o risco ou impacto, deve permanecer proibido; Procedimentos de controle operacional, planos de emergência são prioritários.

2

0,57<FR<0,69

Improvável

Baixo

3

0,70<FR<0,85

Possível

Moderado

4

0,86<FR<0,92

Provável

Alto

5

FR>0,93

Certo

Catastrófico

Os valores apresentados na Tabela 1 podem ser representados, de acordo com a escala de impactos e com os níveis do fator de risco apresentados no 90

91 Quadro-10, conforme disposto abaixo:
Quadro 10 – Fator de risco em escala de impacto
Combinação de probabilidade e conseqüência Insignificante Insignificante Baixo Baixo Moderado Moderado Alto Insignificante Baixo Baixo Moderado Moderado Moderado Alto Baixo Baixo Moderado Moderado Moderado Moderado Alto Baixo Moderado Moderado Moderado Moderado Alto Alto Moderado Moderado Moderado Moderado Alto Alto Catastrófico Moderado Alto Alto Alto Alto Catastrófico Catastrófico Alto Catastrófico Catastrófico Catastrófico Catastrófico Catastrófico Catastrófico

O fator de risco e a classificação do perfil do impacto podem somente indicar o nível de atenção no gerenciamento dos riscos e servir como um guia para propriedades no gerenciamento.
1 0.97 0.98

Risco

0.9 0.91 0.88 0.8 0.79 0.75 0.7 0.7 0.68 0.6 0.60 0.58 0.5 0.51 0.64 0.65 0.72 0.76 0.80 0.84 0.82 0.85 0.86

0.92

0.93

0.94

0.95

0.96

0.52

0.4

0.44 Insignificante Baixo Moderado Alto Catastrófico

Figura 9 – Gráfico de graduação da ordem do fator de risco do projeto - Perfil de análise

É importante que os riscos sejam quantificados, documentados e devidamente tratados, uma fase imprescindível é a ampla divulgação a todos os envolvidos nas atividades turísticas.

91

92

10

CONCLUSÃO A implantação de um sistema de gestão de riscos em unidades de conservação

ambiental apresenta um caráter bastante diferenciado no comportamento do fluxo turístico. Em princípio, pode-se esperar uma queda no número de visitantes devido às exigências aplicadas, no entanto, essa fase é necessária para a melhoria da qualidade dos serviços prestados em turismo de aventura. O fator de segurança certamente apresenta maior influência no comportamento do turista e na escolha do destino turístico. A exigência de gestão dos riscos nas unidades de conservação implicará na necessidade de adaptação às normas pelas empresas e agências que operam o turismo de aventura. Com isso, os ganhos na gestão serão facilitados, devido à obtenção de resposta das empresas que exploram esse tipo de turismo. Outro fato importante é que as operadoras irão perceber as vantagens da gestão dos riscos como diferencial competitivo e até mesmo para garantir a sua reputação em um mercado bastante competitivo. A aplicação da metodologia DEPARIS com sua abordagem progressiva das situações de trabalho, com avaliação e diagnóstico de forma participativa, utilizando como fontes de consulta operadores, usuários e condutores do Parque Estadual da Pedra da Boca, demonstrou uma fragilidade no conhecimento sobre gestão dos riscos. Acredita-se que os objetivos propostos no início deste trabalho foram alcançados, através da elaboração de diretrizes para dar suporte aos gestores de unidades de conservação ambiental para a implantação de um sistema de gestão de riscos com sua Política de Segurança e com o seu Planejamento dos Riscos, melhorando, assim, a qualidade na prestação dos serviços de turismo de aventura. A importância da adoção da Política de Segurança na Gestão de Riscos em atividades de aventura, é de grande valia, devido à possibilidade de atribuição de responsabilidades dos diversos atores que realizam a gestão e que fazem à exploração comercial da unidade de conservação. A segurança e integridade física do turista passam a ser de responsabilidade de todos, tanto da unidade de conservação que disponibiliza as áreas com condições adequadas para a prática 92

93 das atividades, quanto da agência ou operadora que oferece o pacote turístico com pessoal especializado na realização das atividades. Não se pode deixar de mencionar que o turista que adquire o pacote e visita a unidade de conservação também se torna responsável na gestão dos riscos a partir do preenchimento do formulário padrão de dados pessoais, que contem informações mínimas do pacote adquirido. No desenvolvimento do trabalho e com a pesquisa realizada, verificou-se a grande necessidade de treinamento e capacitação de todos os usuários, para incorporação e propagação da cultura da segurança em turismo de aventura. É de fundamental importância que seja elaborada e implantada uma Política de Segurança para fundamentar que a segurança no turismo é obrigação de todos os usuários do Parque Estadual da Pedra da Boca. Foi possível observar que há necessidade de capacitar e preparar os condutores do parque, focando a preocupação da gestão dos riscos no planejamento e formação dos grupos de passeio, em geral os grupos ultrapassam o número de seis turistas para um único condutor. Existe um grande interesse dos condutores em melhorar o atendimento ao turista, isso é uma porta aberta para a implantação de uma gestão dos riscos participativa, e atende à necessidade do princípio da sustentabilidade turística. A avaliação dos riscos pelo método semi-quantitativo desenvolvido para esse trabalho, serve para agilizar o processo de Planejamento dos Riscos e adotar medidas na velocidade e na eficiência que é sugerido pelo método. A técnica desenvolvida pode ser utilizada em qualquer tipo de atividade explorada pela unidade de conservação, dentre elas: trilhas, vias de escaladas, técnicas verticais, corredeiras, etc. O importante é aplicar a metodologia para busca a segurança nas atividades realizadas dentro da unidade de conservação. A participação de um profissional em engenharia de segurança no trabalho é imprescindível na gestão dos riscos em atividades de aventura. Apesar de não existir nem uma exigência legal, o planejamento e desenvolvimento da técnica de avaliação, bem como a forma de implantação de políticas de segurança é atribuição de um profissional de engenharia de segurança. A NBR 15.331 é uma norma de 93

94 gestão de riscos para a segurança, e não faz nenhuma menção à importância do acompanhamento de um profissional de segurança no trabalho, mesmo porque, de acordo com a NR-4, que trata dos serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho, na parte de classificação nacional de atividades econômicas, no item de código nº 63.3-Atividades de Agências de Viagens e Organizadoras de Viagem, que classifica com grau de risco 1 (um) essa atividade. Para efeitos de dimensionamento do SESMT, esse grau de risco, exige a participação de um técnico de segurança no trabalho a partir 501 profissionais atuando na área ou setor produtivo. Em nível do que está disposto neste trabalho, é possível afirmar a necessidade da modificação das normas pertinentes à gestão dos riscos em atividades de aventura, bem como a reformulação e adequação da NR-4. A NBR 15.331 pode ser utilizada em consonância com a NR-9, de programas de prevenção de riscos ambientais. Sabendo que esta norma regulamentadora visa à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle da ocorrência dos riscos que possam existir dentro do ambiente de trabalho. A estruturação básica de PPRA tem as características de uma gestão dos riscos, onde devem ser realizados planejamentos anuais, estabelecido uma metodologia de ações, divulgação de dados e com uma metodologia de avaliação. Tudo deve ser descrito em um documento, e devem estar de acordo gestores e usuários. De preferência, a formatação de um PPRA deve ser acompanhada da assinatura de um responsável técnico, profissional de engenharia de segurança no trabalho e/ou por um fiscal do ministério do trabalho. Considerando as análises feitas neste trabalho verifica-se a necessidade de pesquisa e aplicação de: • Políticas de segurança voltadas para as operadoras de turismo

de aventura, com a convicção fundamental de que a segurança é um valor comercial essencial; • Elaboração e detalhamento de protolocos de segurança nos

projetos de gestão dos riscos nas atividades de turismo de aventura, tais como: passos e check-list para a descida por corda (rappel) e caminhadas de pequenos percursos e todas as demais atividades de turismo de 94

95 aventura; • Avaliação dos riscos nas atividades realizadas pelos

condutores e guias locais, identificando as opiniões e pontos de vista de quem de fato opera a atividade e detém menor grau de instrução, buscando a solução e implantação de medidas de proteção para a melhoria imediata de forma contínua; • Fixação de diretrizes para a elaboração do cronograma de

implantação de medidas de proteção, capacitação, divulgação e implantação da gestão dos riscos conforme solicitado na NBR15.331; • Implantação de programas de treinamento e capacitação dos

usuários, distinguindo as palestras para cada categoria de habilidades: amador, iniciante, praticante, especialista e profissional; • Criação de um certificado de garantia de segurança e

preocupação na integridade física do usuário; • Atualização e complementação das Normas Técnicas vigentes

em nosso país, visando à adequação da gestão dos riscos e acompanhamento por um profissional devidamente preparado e habilitado para acompanhar a elaboração e implantação das exigências de segurança. Com as recomendações e conclusões apresentadas, espera-se que essa pequena contribuição no setor de turismo de aventura seja mais um passo na evolução da segurança dos usuários dessa modalidade turística. Ainda há muito que fazer para a adoção da gestão dos riscos pelas operadoras de turismo de aventura. No entanto, as discussões e soluções aqui apresentadas buscam o crescimento das condições e garantias de segurança do turista, para o aumento do volume do fluxo turístico nesse setor.

95

96

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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96

97 COOPER, D. Project risk management guidelines: managing risk in large projects and complex procurements, England, Ed. John Wiley & Sons Ltda.2005. DIAS, L.A. Integrated management systems in construction. In: INTERNACIONAL CONFERENCE OF CONSTRUCTION PROJECT MANAGEMENT SYSTEMS: THE CHALLENGER OF INTEGRATION, 2003, São Paulo. Proceedings… São Paulo: USP 2003. FERREIRA, R.S. Plano de Ação Emergencial 2004-2006 – Parque Estadual da Pedra da Boca. Araruna/PB – Diagnóstico e resultado da oficina de gestão compartilhada. Araruna, 2004. FREIRE, Carmen Coelho de Miranda. História da Paraíba. João Pessoa –PB. União Cia. Editora, 1982. GAIN AVIATION OPERATOR SAFETY PRATICES WORKING GROUP. Operator’s flight safety handbook. UK, 2001. GYIMÓTHY, S., MYKLETUN, R.J. Play in adventure tourism the case of arctic trekking. Annals of tourism research, vol 31, Nº4, pp 855-878, 2004. HUCHZERMEIER, A., CHRISTOPH, H.L., Project management under risk: using the real options approach to evaluate flexibility in R&D. Management Science, vol. 47, Nº 1, pp 85-101, 2001. KANE, M.J., TUCKER, H., Adventure tourism the freedom to play with reality. Word Count 6861. New Zealand, 2002. MALCHAIRE, J.; Método de diagnóstico preliminar participativo dos riscos (DEPARIS). Bélgica. Universidade Católica de Louvain. pg 47. 2003. McKINSON, K.D.; McINTOSH, M.A. Adventure tourism – the prospect of developing portland as an adventure tourism niche that is both profitable and sustainable. Jamaica. 2005. NR-4 Serviço especializado em engenharia de segurança e em medicina do trabalho.Disponível em: http://mte.gov.br. Acessado em: Fevereiro de 2007. NR-9 Programa de prevenção de riscos ambientais.Disponível em: http://mte.gov.br. Acessado em: Fevereiro de 2007. OLIVEIRA, J.H.R. M.A.I.S.: Método para avaliação de indicadores de sustentabilidade organizacional. Tese (doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina. Pós-Graduação em Engenharia de Produção . Florianópolis, p 196. 2002. PAGE, S.J., BENTLEY, T., WALKER,L. Tourist sagety in New Zealand an Scotland. Annals of tourism research, vol 32, Nº1, pp 150-166, 2005. PAZ, R.J. Unidades de conservação no Brasil: história e legislação. Ed. Universitária - UFPB, João Pessoa. 2006. 97

98 PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. PMBOK – Project Management Body of Knowledge. PMI. USA, 2000. ROCKENBACH,A. Políticas de Segurança. Disponível em: http://penta.ufrgs.br/gereseg/rfc2196/cap2htm. Acesso em: Maio de 2007 RUSCHMANN. Doris van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas-SP. Papirus Editora, 1997. SPINK, M.J., et al, Onde está o risco? Os seguros no contexto do turismo de aventura. Psicologia & Sociedade; 16 (2), pp 81-89, 2004. ADVENTURE ACTIVITIES LICENSING AUTHORITY, Self assessment and guide for providers of adventure activities. Disponível em: <http://www.aala.org.uk>. Acessado em : Março de 2007.

98

99

ANEXOS

ANEXOS

99

100

Tabela 2 – Tabela de correspondência entre OHSAS 18001, ISO 14001:1996 e ISO 9001:2000

100

101

APÊNDICES

APÊNDICES

101

102
APÊNDICE A – Modelo de Política de Segurança

102

103

103

104 APÊNDICE B – Método de DEPARIS aplicado – Rappel da Aroeira

104

105

105

106

106

107

107

108

108

109 APÊNDICE C – Folha de avaliação dos riscos em atividades elaborada
Parque Estadual da Pedra da Boca - Araruna/PB Chefia do Parque Departamento de Eng. de Segurança Folha de avaliação dos Riscos em Atividades Atividade: Elemento: Indicador de Probabilidade Critérios Ação existente que elimine ou Freqüência com que ambiente interagem com o perigo ou Peso 0,1 aspecto 0,2 0,3 Classificação Eventualmente Frequentemente Continuamente Descrição Se a freqüência de exposição e/ou duração da exposição ocorrer de forma esporádica ou eventual; Se a freqüência de exposição e/ou duração de exposição ocorrer de forma não continua, porem rotineira; Se a freqüência de exposição e/ou duração da exposição ocorrer de maneira continua ou durante a jornada de aventura. Existência de dispositivo físico que venha a garantir que mesmo havendo distração do(s) envolvido(s), impeça a ocorrência de uma lesão, doença, dano ou impacto; Existência de dispositivo (físico ou procedimento específico) que possa evitar e/ou atenuar a lesão, doença, dano ou impacto, mas que ainda dependa da atitude ou atenção do(s) envolvido(s), não bloqueando totalmente o risco ou impacto; A não existência de dispositivo (físico ou procedimento específico) que possibilite a atenuação e/ou que evite a ocorrência da lesão, doença, dano ou impacto. Qualquer pessoa, sem nenhum treinamento específico ou conhecimento da atividade, é capaz de identificar o perigo ou aspecto existente no equipamento, sistema, atividade ou local de realização da atividade; São perigos ou aspectos possíveis de serem identificados através de análise realizada por pessoas com treinamentos específicos e/ou conhecimentos da atividade; O perigo ou aspectos é identificado apenas de maneira reativa (acidente ou incidente) ou pelo uso de metodologias e/ou monitoramento específico. Somatório das Probabilidades do Risco (P) 0,1 conseqüência (lesão, dano ou Severidade Potencial (s) impacto) caso o evento indesejado aconteça. Avalia o potencial da Baixa Indicador de Consequencias Se a lesão, dano ou impacto for inexistente ou desprezível, no máximo lesões superficiais, queimaduras de 1º ou 2º graus pontual (2cm²), cortes arranhões menores, lesões típicas de primeiros-socorros, desconforto temporário, irritações e incômodos. Se a lesão ou impacto resultar em lacerações, queimaduras de 2º grau localizadas (>2cm²), fraturas menores, contusões, torções ou entorses, dermatites, doenças de incapacitação para a atividade; Se houver potencial para decorrer amputações, fraturas múltiplas, queimaduras generalizadas de 2º ou 3º graus, envenenamento, lesões incapacitantes ou fatais. Se a lesão, dano potencial ou impacto decorrente é limitada a apenas uma pessoa no exercício das suas atividades ou ao ambiente de fácil acesso; Se a lesão, dano potencial ou impacto abranger mais de uma pessoa ou o ambiente tem acesso complicado. Se a lesão, dano potencial ou impacto abranger, outras pessoas fora do local da atividade ou o ambiente tem acesso difícil ou remoto. Somatório das Consequencias do Risco (C) Indicador de Fator de Risco Combinação de (P) e (C) Conseqüências 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.3 0.44 0.51 0.58 0.65 0.72 0.4 0.52 0.58 0.64 0.70 0.76 0.5 0.60 0.65 0.70 0.75 0.80 0.6 0.68 0.72 0.76 0.80 0.84 0.7 0.76 0.79 0.82 0.85 0.88 0.8 0.84 0.86 0.88 0.90 0.92 0.9 0.92 0.93 0.94 0.95 0.96 Avaliador(a): Probabiliidades ≤ 0,56 0.7 0.79 0.82 0.85 0.88 0.91 0.94 0.97 0.8 0.86 0.88 0.90 0.92 0.94 0.96 0.98 Data: ≤ 0,69 ≤ 0,85 ≤ 0,92 ≥ 0,93 Revisor(a): Insignificante Baixo Moderado Alto Catastrófico Data: 1 2 3 4 5 Pontuação

Exposição (e)

às pessoas ou

minimize a interatividade com

0,1 o perigo ou aspecto

Eficaz

Controle (c)

0,2

Precária

0,3

Inexistente

0,1 identificação do perigo ou Nível de facilidade de aspecto associado

Fácil

Detecção (d)

0,2

Moderada

0,3

Difícil

0,3

Média

0,5

Alta

Avalia o número de pessoas possíveis de sofrer as conseqüências, ou a extensão do impacto caso o evento venha

0,1

Ampla

Abrangência (a)

0,2 0,3

Limitada Isolada

109

F676p

Fonseca, Francisco Proposta de sistema de gestão de riscos para atividades turísticas no Parque Estadual da Pedra da Boca, em ArarunaPb./ Francisco Fonseca. – João Pessoa, 2007. 109p.: il. Orientadora: Nelma Mirian de Araújo. Monografia (especialização) Faculdades Integradas de Patos. 1. Engenharia de segurança. 2.Turismo. 3. Gestão de riscos.

UFPB/BC

CDU: 62:614.8(043.2)

110

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