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AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS NO INÍCIO DO SÉCULO XX

Em inícios do século XX, novas correntes artísticas surgiram, um


pouco por toda a Europa, com o objectivo de cortarem com o passado, com
aquilo que consideravam ultrapassado e sem sentido. Assim, vão surgir as
seguintes vanguardas:

1. FAUVISMO

Iniciada em 1905, a corrente Fauvista, liderada por Henry Matisse,


foi a primeira a revelar a sua intenção de cortar com as regras artísticas do
Passado.
Afirmando que, numa pintura, a cor deve ter uma primazia em
relação á forma, os fauvistas vão utilizá-la livremente, sem quaisquer
noções das cores mais bonitas ou das melhor empregues num quadro com
determinadas figuras. Assim, as cores utilizadas são fortes, por vezes
chocantes, causando de imediato uma sensação de choque ou estranheza a
todos que visualizavam as obras.
Os Fauvistas vão praticar uma técnica muito rápida, sem darem
grande importância ao acabamento ou ao pormenor das formas. O que
interessa, mais uma vez, é a cor, e o efeito que ela produz junto dos
espectadores.

Fig. n.º 1 – Henri Matisse, Retrato com Risca Verde (Senhora Matisse), 1905

2. EXPRESSIONISMO
O Expressionismo surgiu na Alemanha em 1905 e, tal como o
fauvismo, tinha o objectivo de agitar a sociedade de então, que continuava
a desprezar a novidade e o avanço. No entanto, a crítica dos expressionistas
vai ser ainda mais severa.
Os expressionistas tentavam, através da sua pintura, chamar a
atenção da sociedade para a falta de sensibilidade existente na época. Por
isso, vão exprimir, sem quaisquer problemas, as suas emoções, os seus
sentimentos, em oposição á severidade da sociedade burguesa.
Com base nestas ideias, o expressionistas vão-se organizar em dois
grupos:

 o movimento “Die
“Die Bruck” (A Ponte), que teve em Ernst Ludwig
Kirchner, Emil Nolde, Max Pechstein e Otto Mueller os principais
representantes. Estes defendiam uma arte com temáticas pesadas,
como a morte, as desigualdades sociais e a angústia, representadas
através de grandes manchas de cor, intensas e contrastantes,
utilizadas de forma livre. Para ter ainda mais expressividade,
distorciam as formas;

 O movimento “Der
“Der Blaue Reiter”
Reiter” (O Cavaleiro Azul), iniciado por
Kadinsky e Marc, utilizava um desenho muito menos pesado, mas
mais intelectualizado, exprimindo as emoções de uma forma mais
“poética”.

Fig. n.º 2 – Edvard Munch, O Grito, 1893

3. CUBISMO
O Cubismo surgiu em 1907 em Paris, por Pablo Picasso e Georges
Braque. A pintura cubista foi, definitivamente, a que cortou com os
cânones da pintura dos séculos anteriores.
Baseados nas figuras geométricas, os cubistas vão transformar
completamente as formas em figuras totalmente geométricas, dando a ideia
de volume.
No entanto, a mais profunda característica do cubismo é o facto de
passar a representar as formas de uma maneira mais vasta: rejeitando a
ideia de que a representação só pode ser feita de uma forma directa,
Picasso e companhia vão mostrar as várias faces de um objecto, fazendo
uma justaposição de planos.

Fig. n.º 3 – Pablo Ruiz Picasso, As meninas de Avinhão, 1907

4. ABSTRACCIONISMO

A corrente abstraccionista, iniciada por Kandinsky e Piet Mondrian,


vai ainda mais longe que o cubismo. Rejeitando a representação do real, do
visível, os abstraccionistas tentam tirar todo o pormenor e volume aos
objectos, reduzindo-os a formas muitas vezes indefinidas.
O objectivo desta corrente é criar uma linguagem universal que seja
entendida por todas as classes sociais (abstraccionismo
abstraccionismo sensível ou lírico).
lírico
O abstraccionismo geométrico pretende retirar toda a emotividade à
pintura, libertando-a de tudo o que não é essencial, reduzindo-se à linha,
cor, composição e espaço bidimensional. As formas são básicas, indo desde
rectângulos a quadrados.
Fig. n.º 4 – Wassily Kandinsky, Amarelo, Vermelho, Azul, 1925

5. FUTURISMO

O futurismo surgiu a partir do manifesto de Filippo Marinetti, em


1909. Os futuristas defendiam que a arte deveria acompanhar a evolução
dos tempos. Assim, a pintura vai tornar-se uma glorificação do futuro,
tomando como ídolo a máquina, símbolo do futuro.
A pintura futurista baseia-se na ideia da velocidade, um dos símbolos
do dinamismo, da vida mais dinâmica, e de acordo com a sociedade
industrial. Assim, os quadros futuristas apostam no movimento das figuras,
um movimento rápido, tal como a vida moderna.

Fig. n.º 5 – Umberto Boccioni, Elasticidade, 1912

6. DADAÍSMO

O dadaísmo, corrente iniciada em Zurique, no ano de 1916, teve em


Tristan Tzara o seu fundador. Os dadaístas desprezavam por completo a
ideia de arte. Para eles, toda a arte é inútil, procurando assim criar a anti-
arte, ou seja, tudo aquilo que fosse contra a estética conhecida. Os
dadaístas tentam, desta forma, representar tudo aquilo que é ilógico,
surreal, e que, de certeza, não iria ser objecto de representação pela arte
convencional. Por isso causaram tanta polémica na sua época,
demonstrando sempre um espírito irreverente.

Fig. n.º 6– Marcel Duchamp, L.H.O.O.Q, 1917

7. SURREALISMO

A corrente surrealista surgiu em França em 1924 pelas mãos de


André Breton. Considerada a transição do dadaísmo, os surrealistas vão
no entanto voltar a pegar na ideia de arte, até com uma certa perfeição e
traço rigoroso das figuras.
A pintura surrealista baseia-se muito na teoria psicanalítica de Freud:
a representação do irreal, daquilo que apenas se vê em sonhos mas que os
seus seguidores vão transpor para o plano da arte. Por isso, as figuras e
objectos surrealistas tiveram sempre como característica essencial o
surreal, aquilo que apenas existe no nosso inconsciente.
Salvador Dali e Joan Miró foram os mais importantes
representantes desta corrente. Principalmente Dali soube aproveitar a sua
personalidade irreverente para tornar as suas obras atrevidas e pensativas.

Fig. n.º 7– Salvador Dali, A Persistência da memória, 1931