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Análise Gramatical

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Análise do discurso aplicada a textos gramaticais. Trabalho apresentado na disciplina Leitura e Produção de Textos II, Universidade Federal de Viçosa.
Análise do discurso aplicada a textos gramaticais. Trabalho apresentado na disciplina Leitura e Produção de Textos II, Universidade Federal de Viçosa.

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06/28/2013

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO DE LETRAS LET 103 – LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO

II

ANÁLISE GRAMATICAL

Viçosa, Novembro de 2007

© 2007. Todos os direitos reservados
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). Versão 1.0

DEPARTAMENTO DE LETRAS – DLA/UFV DISCIPLINA LET 103 – LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS II – 2007.2

Responsáveis pela análise
Ludmila Oliveira -59928 -ludmilamoliveira@hotmail.com Rômulo Siqueira – 59922 – romulovga@yahoo.com.br Thiago Mota –59926- thms_1989@yahoo.com.br Vivian Nunes – 59932– andakinunes@yahoo.com.br

Professora Responsável pela Atividade
Profª.: Cristiane Cataldi dos Santos Paes E-mail: cristiane.cataldi@ufv.br

Informações e Contato
UFV - UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA Departamento de Letras Av. P.H. Rolfs, s/n, Campus Universitário - Centro 36571-000 - Viçosa, MG - Brasil Telefone: (31) 3899-1614 / Fax: (31) 3899-2429 Homepage: www.ufv.br

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 2. ANÁLISES GRAMATICAIS 2.1 Gramática On-Line 2.2 Gramática da Língua Portuguesa 2.3 Minigramática 2.4 Curso de Gramática Aplicada aos Textos 3. CONFRONTO 4. ANÁLISE DA PESQUISA 5. CONCLUSÃO 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 7. ANEXOS 7.1 Questionário

3 4 4 6 9 11 13 15 19 20 21 21

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1. INTRODUÇÃO A análise gramatical proposta neste trabalho visa apresentar as diversas abordagens sobre um mesmo tópico gramatical, além de apresentar uma pesquisa sobre o conhecimento dos alunos sobre este. O tópico escolhido foi “Advérbio”. A escolha foi feita por ser, aparentemente, um assunto do qual os estudantes têm pleno domínio. Ao confrontar diversas gramáticas, objetiva-se analisar as diversas abordagens possíveis sobre um mesmo assunto. Foram selecionadas quatro gramáticas, cada qual com um diferencial:
•Gramática

On-Line: gramática virtual de livre acesso organizada pelo

Professor Dílson Catarino;
•Minigramática:

de Ernani Terra e José de Nicola. Atende principalmente

estudantes e vestibulandos;
•Gramática

da Língua Portuguesa: Enéas Martins de Barros, autor não

muito conhecido.
•Curso

de Gramática Aplicada aos Textos: de Ulisses Infante, supostamente

uma abordagem diferenciada, já que é aplicada aos textos. Foi feita uma entrevista com 20 alunos, sendo 10 graduandos em letras e 10 em secretariado executivo trílingüe. A pesquisa objetivou avaliar o conhecimento dos alunos sobre o assunto e apresentava sete questões, sendo duas abertas e cinco fechadas. As perguntas abertas foram analisadas segundo a Análise do Discurso e as questões fechadas foram contabilizadas e convertidas em gráficos cujos resultados serão apresentados no trabalho.

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2. ANÁLISES 2.1 Gramática On-Line A análise da gramática on-line do professor Dílson Catarino revelou que essa regra normativa se pauta no modelo tradicional. Advérbio é considerado, invariavelmente, como “categoria gramatical invariável que modifica verbo, adjetivo e advérbios”. Ele apresenta ainda as locuções adverbiais, que fazem as vezes do advérbio na situação comunicativa. Como exemplos, cita às escondidas, demonstrando o modo, e às vezes, como locução adverbial de tempo, ambas na situação a seguir: Ele, às vezes, age às escondidas. Dando continuidade à dissertação acerca de advérbios, o professor Dílson Catarino faz a classificação desses. Ele os coloca dentro de modelos rijos e préconcebidos, como estruturas invariáveis e sem uma situação comunicativa. Por exemplo, é apresentado o subtítulo advérbio de tempo, seguido de uma lista com precisamente 22 (vinte e duas) palavras diferentes e que, segundo o autor, de fato se comportam sempre como advérbios de tempo. Com as locuções adverbiais acontece o mesmo. São descritas oito diferentes classes adverbiais, a saber: •Modo •Lugar •Tempo •Negação •Intensidade •Dúvida •Afirmação •Interrogação. Em uma analogia, os advérbios, por essa concepção, são colocados mecanicamente em caixas que os definem. São definidos pela forma, não pela situação comunicativa na qual são empregados.

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Dando continuidade à gramática, o professor Dílson Catarino demonstra como se dão as flexões adverbiais. Essas podem ser pelo grau comparativo (superioridade, igualdade e inferioridade) ou superlativo absoluto (sintético ou analítico). Por fim apresenta os advérbios irregulares bem e mal e suas formas no superlativo melhor e pior. Terminando, fala que, em caso de dois advérbios terminados em –mente aparecerem seguidos, omiti-se a terminação do primeiro em prol do segundo. Como se vê, essa gramática se pauta na forma tradicional de trabalhar o conteúdo a língua portuguesa, considerando-a como um sistema autônomo e centrado em si, sem a necessidade de pautar-se na situação comunicativa em que se apresenta.

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2.2 Gramática da Língua Portuguesa - Enéas Martins de Barros O autor considera a classificação clássica do advérbio, palavra que modifica o adjetivo, verbo ou outro advérbio, incompleta. Este descreve o advérbio como palavra adjunta, modificadora, tanto do adjetivo, verbo e advérbio como também de pronome e até de orações ou substantivos. Ele cita a classificação feita pelo autor Gladstone Chaves Melo. E explica que essa classificação é extremamente abrangente, mas que só o contexto caracteriza e define o advérbio. Ele prossegue com a classificação, definindo-o como invariável em gênero e número, admitindo apenas a formação gradual. Essas formações são citadas e entre parênteses é colocado um exemplo dessa formação para facilitar o entendimento. Cita também a existência de diminutivos e expõe exemplos. Em seguida, o autor argumenta, diretamente, que considera ociosa a classificação utilizada pelas gramáticas em geral, mas que a registraria. Ao fazer isso ele utiliza a pontuação, travessões, para enfatizar a importância do contexto para a classificação dos advérbios (-insistimos-). Ao citar como se classificam quanto à circunstância, o autor acrescenta uma explicação de que os advérbios ficam substantivados se precedidos de preposição e elabora um exemplo dessa situação. Em seguida, os advérbios são divididos em: de lugar; de tempo; de modo; de negação; de dúvida; de intensidade; e de afirmação; seguido de seus respectivos exemplos, mas sem indicar a aplicação, apenas palavras isoladas. Ele enfatiza a importância de se considerar particularmente o advérbio interrogativo de lugar, de modo, de causa e de tempo. Já quanto à forma, ele divide os advérbios em propriamente ditos e locuções adverbiais, explicando que o primeiro consta de uma só palavra e o segundo por dois ou mais elementos.

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O autor inclui o subtítulo, “Advérbios em Mente”, e explica que o único sufixo adverbial é mente e que este constitui, com a forma feminina do adjetivo, os advérbios: de tempo, de modo, de dúvida, etc. Ele também cita exemplos de advérbios formados por outras palavras que não adjetivos, todos seguidos de exemplos retirados de textos de João Guimarães Rosa. Ele cita a explicação de Celso Cunha de que quando dois advérbios terminados em mente modificam a mesma palavra, para tornar mais leve o enunciado, pode-se juntar o sufixo apenas no último. Ele completa que segundo o mesmo autor, se a intenção for realçar as circunstâncias, costuma-se omitir a conjunção “e” e acrescentar o sufixo a cada um dos advérbios. Barros acrescenta que os advérbios terminados em mente tem papel relevante. Além de comunicar noções de tempo, de modo ou qualidade, eles também podem propiciar à frase sentido de lentidão, intuindo noção do tempo e da qualidade. E cita um exemplo de como isso funciona. No segundo subtítulo, “Particularidades”, ele enumera situações seguidas de exemplos, como o fato de ser comum o uso de advérbios no lugar de adjetivos ou o fato de que os substantivos indicativos de cor recusarem o sufixo mente. Apesar disso o autor explica que é comum esse uso no nível literário. Nesse subtítulo também são citados exemplos de advérbios menos comuns na linguagem cotidiana, além da observação de que os comparativos “melhor” e “pior” devem ser substituídos pelas formas analíticas quando modificadores de particípios. O autor, em seu terceiro subtítulo, classifica as palavras denotativas. Ele explica que a Nomenclatura Gramatical Brasileira classifica como denotativas certos advérbios e expressões ungidas de carga efetiva. Concluindo, o autor utiliza-se de outras vozes para incrementar seu estudo. Ele também critica a abordagem tradicional do estudo do advérbio. Em todo o texto utilizase de exemplos retirados de obrar literárias, além de citar advérbios incomuns presentes nesse meio seguidos de seus respectivos sinônimos. Nota-se uma

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preocupação em expor variadas situações e o uso do advérbio, enfim, expor o tema de forma abrangente.

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2.3 MINIGRAMÁTICA -Ernani Terra e José de Nicola O autor inicia seu estudo apresentando a definição de advérbio de forma bastante sucinta e simplificada, explanando que advérbio é uma palavra que modifica o verbo, a fim de exprimir determinada circunstância. A seguir ele retoma o conceito, acrescentando que um advérbio pode também modificar um adjetivo, outro advérbio ou uma frase inteira, sendo que cada uma de suas explicações veio acompanhada de exemplos. A seguir e sem delongar o conceito anterior, ele apresenta o conceito de locução adverbial, afirmando que normalmente o advérbio não é representado por uma palavra única e sim, por um conjunto de palavras. Ao fim da explicação ele apresenta dois exemplos em frases, e vários exemplos de locuções adverbiais soltas. Prosseguindo, ele traz a informação de que os advérbios possuem variadas classificações e apresenta cada uma delas, todas seguidas de alguns exemplos e sem explicações, de modo que o leitor deve inferir o efeito delas a partir apenas do nome de sua classificação e dos exemplos apresentados. Faz o mesmo posteriormente, ao apresentar que os advérbios podem apresentar flexão de grau, mostrando cada flexão e seus exemplos. Porém ele traz algumas informações complementares através de um quadro denominado “Não ligue o automático” onde ele demonstra rapidamente e com dois exemplos que os advérbios bem e mal assumem formas irregulares quando flexionadas ao comparativo de superioridade (melhor e pior). Na página seguinte aborda algumas dicas quanto ao emprego dos advérbios, porém como sempre, trazendo informações bastante sucintas e sem maiores observações com relação aos tópicos em questão. Logo após, traz uma rápida explicação sobre as palavras denotativas e quais são os tipos de indicações que elas podem trazer, cada uma seguida de um exemplo. Para finalizar seu decorrer, o autor faz alusão à morfossintaxe do advérbio, novamente de maneira simplista.

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Ao final de toda a explicação, a gramática apresenta alguns exercícios relacionados apenas ao assunto tratado a fim de revisão e, logo após, alguns exercícios com foco nas provas vestibulares. Considerando todas as características apresentadas pelo autor durante a explanação apresentada, pode-se dizer que a Minigramática por ser modelo em miniatura tratou o assunto de maneira relativamente superficial, sendo que o seu foco provável é a revisão de conhecimentos já obtidos, e não instruir com informações novas.O autor não deixa em momento algum de ser bastante claro e simples em todas informações que apresenta, prolongando cada tópico apenas com exemplos relacionados ao assunto tratado.

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2.4 Curso de Gramática Aplicada aos Textos - Ulisses Infante O autor inicia o estudo dos advérbios de maneira criativa, de modo a reter a atenção do leitor. Ele utiliza uma poesia de Manuel Bandeira e, em seguida, faz um questionário objetivando “ativar” o conhecimento prévio que o leitor tem de advérbio. Posteriormente, Infante conceitua advérbio como “palavra que basicamente caracteriza o processo verbal, exprimindo circunstâncias” e utiliza trechos da poesia para exemplificar tais circunstâncias. Além disso, o autor explana que alguns advérbios podem intensificar ou caracterizar as noções transmitidas por adjetivos ou por outros advérbios e ainda enfatiza que isso ocorre principalmente com os advérbios que exprimem intensidade e modo. Em alguns casos, os advérbios podem se referir a uma oração inteira, nessa situação, normalmente, transmitem a avaliação de quem fala ou escreve sobre o conteúdo da oração. Ulisses Infante ainda ressalta que as locuções adverbiais são conjuntos de duas ou mais palavras que funcionam como um advérbio. Prosseguindo, o autor destaca a morfossintaxe do advérbio e classifica os mesmos de acordo com as principais circunstâncias adverbiais tais como lugar, tempo, modo, afirmação, negação, intensidade e dúvida. Na página seguinte, ele apresenta outras circunstâncias e “algumas delas nos parecem subdivisões das apontadas anteriormente, como acontece com a freqüência (subdivisão da circunstância de tempo). Outras parecem realmente importantes, como é o caso, por exemplo, das circunstâncias de causa e finalidade”. A seguir, o autor apresenta flexão de grau e exemplifica grau comparativo e grau superlativo e ainda ressalta: “na linguagem coloquial e familiar, é comum a utilização de formas diminutivas dos advérbios com valor superlativo: Amanhã vamos sair cedinho”. O autor termina o estudo dos advérbios mostrando sua importância e essencialidade na produção de textos e leitura e finaliza com um interessante texto,

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“Palavras difíceis de classificar”, que exemplifica, classifica e conceitua palavras denotativas. Posteriormente há uma série de atividades e textos a fim de solidificar o conhecimento do leitor.

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3. CONFRONTO Ao comparar as análises, é possível notar inúmeras diferenças. A gramática de Infante foi a única a introduzir o assunto de forma diferente. Utilizou um poema para exemplificar o uso do advérbio. As outras três foram tradicionais, tendo a conceituação como primeiro item. Quanto a conceituação. A Gramática on-line foi a mais tradicional, apresentando o advérbio como palavra invariável que modifica o verbo, adjetivo e advérbio. A Minigramática o fez de forma similar, mas iniciou o conceito enfatizando a modificação do verbo a fim de exprimir circunstância, só depois acrescentou a alteração no adjetivo e advérbio; Infante, concorda em parte, pois conceitua como palavra que caracteriza o processo verbal exprimindo circunstância. Além disso, acrescenta que ele pode intensificar ou caracterizar as noções transmitidas por adjetivos e outros advérbios e enfatiza que isso é mais comum com os de intensidade e de modo. A classificação de Barros considera essas classificações incompletas, acrescentando que apenas o contexto pode definir o advérbio. Barros e Infante concordam que, em algumas situações, o advérbio pode se referir à oração inteira. Mas apenas o segundo cita que nesses casos, geralmente, traduzem a avaliação de quem fala ou escreve a oração. A Gramática on-line e a Minigramática apresentaram o conceito de locução adverbial logo no início, já Barros e Infante o fizeram no meio de seus trabalhos. Quanto à classificação dos advérbios, a Gramática on-line inclui o tipo “interrogativos”, já Barros não o cita como uma forma de advérbio, apenas acrescenta que se deve considerar, particularmente, o advérbio interrogativo de lugar, de modo, de causa e de tempo. Infante apresenta outras classificações e cita que estas se assemelham a subdivisões de outras já citadas. Quanto às flexões, a Minigramática e a Gramática on-line citaram como exemplo de advérbios com flexão irregular as palavras “melhor” e “pior”. Já Barros não

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utiliza esse exemplo, apenas cita que as mesmas devem ser substituídas pelas formas analíticas quando modificadoras de particípios. Apenas Infante comentou que é comum o uso de diminutivos na linguagem coloquial. É notável também a diferença quanto à forma de trabalhar a gramática. A Minigramática por ser direcionada a estudantes e ser compacta, é bastante sucinta em suas explicações. Já Barros utiliza vozes de outros autores como argumento, além de aprofundar bastante o assunto. Apenas a Gramática on-line não tratou das palavras denotativas em conjunto com os advérbios. Quanto ao uso de dois advérbios terminados em “mente” seguidos, a Gramática on-line explica que a terminação do primeiro deve ser omitida. A Minigramática e a obra de Infante não citam o assunto; e Barros, citando Celso Cunha, explica que isso pode acontecer, mas que não é obrigatório e completa que se a intenção for realçar as circunstâncias, ele deve ser mantido. A Minigramática apresentou exercícios após a explicação. Isso evidencia o caráter escolar em sua concepção. Infante também acrescentou exercícios e textos. Cada gramática, apesar do foco em comum, teve sua particularidade, formas diferentes de analisarem o mesmo assunto, sempre tentando apresentar o tema da melhor forma possível para os leitores.

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4. ANÁLISE DAS ENTREVISTAS Foram feitas vinte entrevistas, sendo dez com graduandos do curso de Letras e dez do curso de Secretariado Executivo Trilíngue. O objetivo dessas foi visualizar o real conhecimento dos estudantes de dois cursos que trabalham cotidianamente com o manuseio do idioma português quanto ao uso do termo questão desta análise: o advérbio. A entrevista constou de sete questões (anexo 7.1), sendo duas abertas e cinco de múltipla escolha. As respostas foram analisadas como sendo certa ou errada, mesmo quando o tema era de caráter mais pessoal, como a freqüência de uso dos advérbios, visto que os mesmos inundam o linguajar de qualquer falante, independente de se conhecer ou não sua definição. Dividiram-se em cinco grandes grupos, a saber: 1 – questões discursivas; 2 – referentes à utilidade e freqüência do uso de advérbios; 3 – de identificação de circunstância; 4 – relacionadas a referentes e 5 – abrangência vocabular. Quanto ao primeiro grupo, com o auxílio de recursos advindos de estudos referentes à análise de discurso (Orlandi: 1988) nota-se que os graduandos do curso de Letras, quando lhes foi solicitada a definição de advérbio, tiveram um caráter mais preso ao texto da gramática para se expressar. Suas respostas tiveram um caráter mais pedagógico, em comparação às dos estudantes de secretariado. Quarenta por cento deles se expressaram de forma correta e compreensiva nas duas questões propostas. Muitos entenderam advérbio como a estrutura que modifica o verbo e houve quem dissesse que é uma classe de palavras invariáveis como definição. A maioria ateve-se aos advérbios que caracterizam modo e tempo, quando solicitadas a dar exemplos. Já os graduandos de Secretariado Executivo não souberam/conseguiram definir claramente o que seriam os advérbios. A maioria das respostas relacionava-se apenas a acompanhamento/modificação do verbo, não se expressando em relação aos adjetivos e ao próprio advérbio. A maioria dos advérbios utilizados como exemplos também se referiam às condições de tempo e modo. As respostas apresentaram-se

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como rápidas e sucintas, sem muitas delongas ou explicações extensas, o que, de certa forma, caracteriza o perfil do profissional em questão. Alguns estudantes, de ambos os grupos, confundiram exemplos de advérbios com tipos. Quando indagados acerca de exemplos, responderam tempo, modo, intensidade... Outros trocaram por conjunções, mostrando contudo, entretanto, todavia... A maioria, porém, apresentou bom domínio das questões propostas. Na análise da utilidade e freqüência de uso dos advérbios, nota-se que os graduandos de Letras possuem maior domínio do assunto, como mostra o gráfico a seguir:

Gráfico 1. Freqüência na utilização do advérbio (Elaboração própria). Como se nota, a maioria está consciente dos usos e freqüência com que os advérbios são utilizados em práticas sociais. O terceiro grupo caracteriza-se como de identificação de circunstância. Nesse, pretendeu-se perceber se os entrevistados têm conhecimento semântico do uso contextualizado dos advérbios. Pode-se notar que os estudantes de ambas as áreas dominam a construção do sentido, referente a tal uso na prática social do idioma português.

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Gráfico 2. Identificação de circusntância (Elaboração própria). No quarto grupo de perguntas, obtiveram-se respostas quanto ao referente do advérbio em uso. Nessa parte, pretendeu-se analisar se os estudantes têm domínio quanto ao mecanismo de referências na construção frasal, mostrando qual termo da frase apresentada recebia a circunstância expressa pelo advérbio em questão. Ao observar o gráfico abaixo, nota-se que os graduandos estão bem localizados no contexto discursivo e têm bom domínio do caso em questão.

Gráfico 3.Questão relativa ao referente (Elaboração própria). O quinto grupo caracterizou-se como o de domínio vocabular. Foi este que apresentou a maior margem de desconhecimento do público em questão. Em princípio, a questão que aqui se caracterizou seria incluída no grupo de identificação de circunstância. Porém os advérbios utilizados se enquadravam entre os menos usuais e não foram apresentados em situações discursivas. Dessa forma, foi criada a quinta

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categoria, na qual entende-se que a principal análise é decorrente do conhecimento vocabular. Conforme gráficos abaixo:

Gráfico 4. Domínio vocabular (Elaboração própria). Como se pode perceber, tais graduandos têm um domínio interessante do uso do termo em questão. Os alunos de Letras, futuros multiplicadores do uso correto do idioma, obtiveram um melhor aproveitamento. Já os futuros secretários executivos apresentaram um domínio expressivo, embora seja menor que o desempenho dos de letras. Ambos necessitam do conhecimento, seja para multiplicá-lo, seja para utilizá-lo em situações discursivas com alto grau de formalidade.

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5. CONCLUSÃO Ao realizar a análise, conclui-se que apesar de o foco ser o mesmo, as abordagens se diferem. O advérbio, que aparentemente não causaria tantas divergências como o uso da pontuação, apresentou inúmeras diferenças, desde a abordagem até a forma de apresentar exemplos. Um fato interessante relativo às pesquisas foi que os estudantes, tanto de secretariado quanto de letras não conhecem alguns advérbios, mais comuns na linguagem literária. Houve também alguns que confundiram a conceituação de advérbio com seus tipos. As entrevistas mostraram que os graduandos têm muita dificuldade em expressar definições acerca de o que é um advérbio, porém quanto ao uso, o resultado foi muito bom. Pelas respostas também se notou a definição do perfil dos profissionais de letras e secretariado, quando se pede a caracterização do termo em questão. Os futuros profissionais de letras buscaram definir e enfatizar suas posturas de forma mais compreensível e que levem ao entendimento. Já os futuros secretários buscaram expressar-se sucintamente, de forma breve sem aprofundamentos. Pela análise dos dados, tanto das entrevistas como das gramáticas, percebeuse também que, tendo a linguagem como sistema de interação social, construtora de discursos, ideologias e sentidos, a forma mais aceita pelos praticantes do idioma é a visão inovadora proposta por Barros, ainda que o público em geral tenha como suporte de seu conhecimento a gramática pautada no tradicionalismo. Por fim, o advérbio é uma classe gramatical de suma importância e aplicabilidade no contexto discursivo e na formação da ideologia operante na sociedade. Atua como modificador, acrescentando circunstâncias ao verbo, adjetivo e a si mesmo. A modificação acrescentada é no campo semântico e dominá-la caracteriza necessidade básica para comunicação. O confronto de bibliografias apresentado deixa bem clara essa visão e é o que de maior pode-se concluir com o término desse trabalho de análise.

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6. REFERÊNCIAS BARROS, Enéas Martins de. Gramática da Língua Portuguesa. 2. ed.- São Paulo: Atlas, 1991. CATARINO, Dílson. Gramática On-line. Disponível em:

<www.gramaticaonline.com.br> Acesso em 15 de novembro de 2007 DELL'ISOLA, Regina Lúcia Peret; GUIMARÃES, Maria de Nazaré. Pontuação: Conceitos e Critérios. Reflexões sobre a língua portuguesa: ensino e pesquisa. Campinas, SP: Pontes, 1997. ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e Leitura. São Paulo: Cortez 1988. TERRA, Ernani; NICOLA, José de. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002. INFANTE, Ulisses. Curso de gramática aplicada aos textos. 7ª ed. - São Paulo: Scipione, 2006.

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7. ANEXOS 7.1 Questionário Curso: 1. O que você entende por advérbio? 2. Poderia citar três exemplos de advérbios? 3. Qual a utilidade do advérbio? ( ) – Tornar a frase mais elegante. ( ) – Modificar as relações semânticas. ( ) – Qualificar o sujeito e o objeto. 4. Com que freqüência você utiliza advérbios? ( ) – Freqüentemente. ( ) – Raramente. ( ) – Nunca 5. Nas frases abaixo, indique a circunstância expressa pelo advérbio em destaque: a) Benedita sorria alegremente, após aquele tanto de emoções profundas. ( ) – Tempo e modo. ( ) – Modo e intensidade. ( ) – Modo e tempo. b) O céu estava tímido, com sua luz esbranquecida, e as nuvens, cá perto do chão pareciam chorar compulsivamente. ( ) – Lugar e condição. ( ) – Modo e intensidade. ( ) – Lugar e modo. 6. Associe as colunas: ( A ) Adrede ( B ) Assaz ( C ) Alhures ( D ) Debalde ( ) De propósito ( ) Inutilmente ( ) Bastante ( ) Em outro lugar Período:

7. Em qual das frases o advérbio refere-se apenas ao verbo? a) Ferozmente, Albano lhe fez ver sua posição contraditória. b) Albano fez-lhe, ferozmente, ver sua posição contraditória.

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