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Obra originalmente publicada sob o titulo Fluid mechanics, 6th edition ISBN 0072938447/9780072938449 (© 2007, The McGraw-Hill Companies, Inc., New York, NY, 10020 Preparagio do original: Ménica de Aguiar Rocha Leftura final: Vera Liicia Pereira Capa: Rosana Pozzobon (arte sobre capa original do Studio Montage, St. Louis, Missouri) Editora sénior: Arysinka Jacques Affonso Editor assistente: Cesar Crivelaro Diagramagtio: Trial! Composicao Editorial Lida. W584 White, Frank M. ‘Mecanica dos fluidos {recurso eletrOnico] / Frank M. White; radugdo: Mario Moro Fecchio, Nelson Manz: Filho ;revisio téeniea: José Carlos Cesar Amorim. 6. ed. — Dauos eletrOnicos. ~ Porto Alegre : AMGH, 2011 aitado também como livto impresso em 2011 ISBN 978-85-8055.009-2 1. Mecdtnica dos fluidos. 2. Engenharia civil. I. Titulo, ep s32, CCatalogagao na publicago: Ana Paula M. Magnus ~ CRB 10/2082 Reservados todos 0s direitos de publicagdo em lingua portuguesa & AMGH Editora Ltda, (AMGH Editora é uma parceria entre ARTMED Editor S.A. e MCGRAW-HILL EDUCATION) Av. Jeronimo de Ornelas, 670 ~ Santana 9040-340 Porto Alegre RS Fone (51) 3027-7000 Fax (51) 3027-7070 F proibida a duplicagdo ou reprodugSo deste volume, no todo ou em parte sob quaisque formas ou por quaisquer meios(elettnico, mesnico,gravagao, foros, distribuigGo na Web e outros, se premisso expressa da Eto, SAO PAULO. Av. Embaixador Macedo Soares, 10.735 — Pavilhao 5 ~ Cond. Espace C. Vila Anasticio 05095-035 So Paulo SP Fone (11) 3665-1100 Fax (11) 3667-1333 er SAC 0800 703-3444 IMPRESSO NO BRASIL. PRINTED IN BRAZIL Sumario Precio vi Capitulo 1 Introdugio 15 LI ObservagGes preliminares 15 112 Histérie escopo da mecinica dos fuidos 16 1.3 Téenieas de solueio de problemas 17 LA O-conceito de uid 18 LS 0 fluido como um meio continue 20 1.6 Dimenstese unidades 21 1.7 Propriedades do campo de velocidade 29 LLB Propriedades termodiniimicas de wm fuido 30 1.9 Viseosidadee outras propriedades secundérias 37 1.10 Téenieas hisicas de anise de escoamento 52 LAL Campos de escoamento:linhas de corrente, lias de ‘emissioe linbas de trajetsria $2 1.12 0 Engineering Equation Solver 57 1.13 Incertoza nos dados experimentais 58 1.14 0 Exame de Fundamentos de Engenharia (FE) nos EUA 539 Problemas 60) Problemas para exames de fundamentos de cengenharia 68 Problemas sbrangentes. 69 Refertncias 72 Capito 2 Distibulgn de presoem um ido 75 21 Prossio.e gradiente de pressio 75 22 Equilibrio de um elemento de uid 77 23 Distribuigdes de pressio hidrostitica 78 24 Aplicagio& manometria 85 28 26 27 28 29 240 ca Forgas hdrostiticas em superfices planas 88 Foreashidrostitias em superficies curvas 96 Forgas hidrostéticas em camadas Je Quidos 99 Empuxo eestabilidade 101 Distribuigio de pressio no movimento de compo rigido 107 Medidas de pressio 115 Resume 119 Problemas 119 Problema dissertativos 142 Problemas para exames de fundamentos de engenaria 142 Problemas abrangentes M43 Problemas de projetos 145, Referéncias 146 alo 3 Relagesinterais pra um volume de controle 149, 3 32 33 a4 35 36 aT Leis fisicas bisieas da mecdnica dos Quidos 149 (0 teorema de transporte de Reynolds 153 Conservagdo da massa 160 A equagio da quantidade de movimento linear 165 (0 teorema da quantidade de movimento angular 179) A equapio da energia 184 Excoamento sem atrto: a equagio de Bernoulli 195 Resumo 204 Problemas 205 Problemas dissertatives 232 Problema para exames em fundamentos de engenaria 233 Problemas abrangentes 234 Problemas de projeto 235 Refertnclas 235 xi xii Sumario Capitulo 4 Relais diferencias paraesoamento de fhids 257 41 O campo de aeleragdo de um fuido 238 42 A equagio diferencial da conservagio da massa 239 43 movimento 44 equagio cliferencial da quantidade de movimento angular 282 48 Accquagi diferencia da energia 254 4.6 —Condigdes de contomo para as equagées biscas 256 47 Afungio corente 261 48 Vorticdade iotacionalidade 260 49 Escoamentosiertacionas sem atito 271 4.10 Alguns escoamentos vscosos incompressveis ilustativos. 276 Resumo 284 Problemas 285 Problemas dsserativos 298 Problems par exames de fandamentos de engenharia 296 Problems abrangentes 296 Referéncias 297 Capitulo Anise dimensional esemethansa 299 Introdugio 299 © principio da homogeneidade dimensional 302 © teorema Pi 308 Adimensionalizaglo das equagbes bisicas 318 ‘A modelagem ¢ suas armacilhas 327 Resumo 339 Problemas 339 Problemas disserativos 48 Problems para exames de fundamentos de engenharia 348 Problemas abrangentes 349 Problemas de projetos 350 Referéncias 350 Capitulo scoamento icon em datos 353 64 62 63 64 65 66 67 68 Regimes de niimero de Reynolds 353, Escoamentos viseoses internos ¢ externos 358 Perda de carga ~o fator de atrito 361 Escoamento laminar totalmente desenvolvido em um tubo 363 ‘Modelagem da turbuléncia 365 Solugio para escoamento turbulento 371 Quatro tipos de problemas de escoamento em tubos Escoamento em dutos no cicutes 385 379 69 Perdas localizadas em sistemas de ubulagdes 394 6.10 Sistemas com maltiplos tubos 403 6.11 Escoamentos experimentais em dutos: esempenho de difusores 409 612 Medidores para Muidos 414 Resumo 435 Problemas 436 Problemas dissertativos 454 Problemas para exames de fundamentos de engenharia 455 Problemas abrangentes 455 Problemas de projetos. 457 Referencias 458 Capitulo sesamento ao rer de corposimersos 461 TAL Efeitos da geometra e do nimero de Reynolds 461 72. Cilevlos baseados na quantidade {de movimento integral 465, 73. Asequagies de camada-limite 468 14 Neamadacts ite sobre uma placa plana 471 78 Camadas-limite com gradiente de pressio 480 7.6 Fscoamentos externos experimentais 486 Resumo 513 Problemas S13 Problemas dissertativos 527 Problema para exames de fundamentos de engenharia 527 Problemas abrangentes 528 Problema de projeto 529 Referencias 529 Eseoamentopotencial edinimica dos fdas computacional $33, 81 Inrodugio e evisio 533 82 Solugies elementares de escoamento plano 536 83 Superposigao de solugdes de escoamento plano 543 8.4 Escoamentos planos em torno de formatos de corpo fechado $49 8S Outros esconmentos potenciais planos $59 86 Imagens 563 87 Teoriadoaerofslio 566 88 Escoamemto potencial com simetria axial 578 89° Analise numérica 583 Resumo 597 Problemas $98 Problema dissent ios 608 Problemas abrangentes 609 Problemas de projetos 610 Referéncias 610 Capitulo 9 Escoamento compressed 613, 9.1 Intwodugio:revisio de termodinamiea 613, 9.2 Avelocdade do som 618 9.3 Escoamonto permanent adiaiticoeisenrépico 620 9.4 Escoamentoientrdpic com variagSes dedrea 626 95 Acndade chogue normal 633 9.6 Operagio de bocais convergentesedivergentes 641 9.7 Escoamento compressivel com attito em dutos 646 9.8 Escoamento som atrito em dutos com toca de calor 638 9.9 Escoamento supersinico hidimensional 663 9.10 Ondas de expansio de Prandil-Meyee 673 Resume 685 Problemss 686 Problemas dsserativos 699 Problemas para exames de fundamentos de cngenaria 700 Problemas abrangentes 700 Problemas de projeto 702 Referencias 702 Capitulo 10 seoamento em canals eras 715 10.1 Intodugio 705 102 Escoamento uniforme: a femula de Chézy 711 103 Canis eficiemes para eseoamentouniforme 716 10.4 Energia espetfica; profundidad erica 718 105 Oressaltohidsulico 725, 106 Escoamento gradualmente variado 730 10.7 Medicio econtole de vazio wlizando vertedouras 738 Resumo 745 Problemas 745 Problemas dissertativos 757 Problems para exames de Fundamentos de cengenharia 758 Sumario xii 758 76) Problema abrangentes Problemas de projetos Referéncias 760 Capitulo 11 ‘Turbomiquinas 753 a n2 13 4 Apédice A ApindiceB Apédice ApéndiceD Apéadice E Introdugio e clasiticagio. 763 AA bombs centrifuga 766 ‘Curvas de desempeno de borbase les de semethanga 772 Boas de fluxo misto e de fuxo axial: a rotago specifica 782 Combinando as caracteristicas da bomba e do sistema 789 Turbinas 796 Resumo 810 Problemas $10 Problema dissertativos 821 Problema abrangentes 822 Problema de projeto 823 Referéncias #24 Propiedades es dos aides $26 ‘abel de escoamentocompresinel_ 831 Fatores de comersio 840 aquages de movimento cm cordenadss lindas 842 Intrudugio ao EES. 844 Respostas as problemas sleionados. 857 indice 865 Furactio Rita no Golfo do México em 22 de setembro de 2008, Esse furaedo atingin o tertitorio americano na fronteira ene os estados do Tenas ¢ da Louisiana e eausou bilhGes de dolares de prgjuizos por vendavais einundagaes. Embora muito mais dramatic do que as apliengbs prti- cas deseritas neste livto,o furaedo Rita & um eseoamento real de um fuido, fortemente influen- ciado pela rotagio da Tera e pela temperatura do oeeano. (Foto cortesia da Nasa.) 1.1 Observacies prefiminares Capitulo 1 Introducao A meciinica dos fluidos ¢ 0 estudo dos fluidos em movimento (dindmica dos flui- dos) ou em repouso (estitica dos fluidos). Tanto os gases quanto os liquidos so classi- ficados como luidos, ¢ o nimero de aplicagdes dos fluidos na engenharia ¢ enorme: respiragdo, circulagdo sanguinea, natagdo, bombas, ventiladores, turbinas, avides, na- ‘ios, rios, moinhos de vento, tubos, missei, icebergs, motores, filtros, jatos e asperso- res, 86 para citar alguns exemplos. Quando pensamos nesse assunto, vemos que quase tudo neste planeta ou ¢ um fluido ou se move em um fiuido on proximo dele Acesséncia do estudo do escoamento dos fluidos é um compromisso criterioso en- tre a teoria ea experimentagdo, Como o escoamento dos fluidos é um ramo da mecéini- «a, ele satisfaz a um conjunto de leis fundamentais bem definidas e, portanto, temos disponivel uma grande quantidade de tratados tedricos. No entanto, a teoria frequente- ‘mente ¢ frustrante porque cla se aplica principalmente a situacdes idealizadas, que podem se tomar invalidas nos problemas praiticos. Os dois principais obsticulos av lidade de uma teoria so a geometria c a viscosidade, As equagdes basicas do mov ‘mento dos fluids (Capitulo 4) so muito dificeis para permitir a0 analista estudar ‘configuragdes geométricas arbitrarias, Assim, a maioria dos livros-texto se concentra ‘em places planas, tubos circulares ¢ outras geometrias simples. E possivel aplicar tée- nicas numéricas computacionais a geometrias complexas, ¢ ha atualmente livros-texto cespecializados para explicar as novas aproximagdes e métodos da dindmica dos fuidos ‘computacionais (CFD) {1-4|'. Este livro apresenara muitos resultados teéricos, levan- do em consideragao suas limitagdes. (O segundo obsticulo a validade de uma tcoria ¢ a agdo da viscosidade, que sé pode ser desprezada em certos escoamentos idealizados (Capitulo 8), Primeito, a viscosida- cde aumenta a dificuldade das equagées basicas, embora a aproximacio de camada-limite proposta por Ludwig Prandtl em 1904 (Capitulo 7) tenha simplificado bastante as an lises de escoamentos viscosos. Segundo, a viscosidade tem um efeito desestabilizador sobre todos os fluidos, dando origem, em baixas velocidades, a um fendmeno desorde- nado e aleatério chamado de turbuléncia. A teoria do escoamento turbulent nfo esti refinada e € fortemente sustentada por experiments (Capitulo 6), contudo pode ser muito aitil como uma aproximagio na engenharia, Este livro-texto apenas apresenta as contelagdes experimentais padrao para escoamento turbulento médio no tempo. Por ‘outro lado, ha livros-texto avangados tanto sobre furbuléncia e modelagem da turbu- lencia [5.6] como sobre a nova técnica de simulagio numérica direta (direct numerical simulation — DNS) da flutuagao turbulenta (7. 8] "As referéncias mumeradasaparecem mo final de ead capital 1s 16 Capitulo | Introdugéo 1.2 Historia e escopo da mecinica dos fuidos Figura 1.1 Leonhard Euler (1707-1783) foi o maior ‘matemético do séeulo XVIT © usou o caleulo de Newton pars esenvolvere resolver as ‘equagdes de movimento de um cescoamento nto viseo0, Fle publicou mais de 800 livros © artigos. [Cortesia da School of Mathematics and Statistics, University of St ddr, Scotland } Ha teoria disponivel para os problemas de escoamento de fluido, mas em todos os casos ela deve ser apoiada pelos experimentos, Frequentemente os dados experimen- tais sio a principal fonte de informagio sobre escoamentos especificos, tais como 0 arrasto € a sustentago em corpos imersos (Capitulo 7). Folizmente, a mecinica dos fluidos é um assunto altamente visual, com boa instrumentagao [9-11], ¢ 0 uso de con- ceitos de modelagem ¢ de analise dimensional (Capitulo 5) esta difundido. Assim, a andlise experimental proporciona um complemento natural e facil para a teoria. Voc deve ter em mente que a tgoria e a experimentagao devem andar lado a lado em todos 10s estudos de mecdnica dos fluidos. Assim como a maioria das disciplinas cientificas, a mecénica dos fluidos tem uma historia errtica na sua evolugdo inicial, seguida por uma era intermedia de descober- tas fundamentais nos séculos XVIII e XIX, levando a era da “pratica moderna” do séeu- lo XX, como costumamos chamar nosso conhecimento limitado porém atualizado, As civilizagdes antigas tiveram conhecimentos suficientes para resolver certos problemas de escoamento, Navios a vela com remos e sistemas de itrigagdo etam conhecidos em tempos pré-historicos, Os gregos produziram informagGes quantitativas. Arquimedes e Heron de Alexandria postularam a lei do patalelogramo para a soma de vetores no sé- culo IIT a.C. Arquimedes (285-212 a.C.) formulou as leis para a flutuagio de corpos © a aplicou a corpos flutuantes e submersos, incluindo uma forma de célculo diferencial ‘como parte da analise. Os romanos construiram grandes sistemas de aquedutos no sé- culo IV aC, mas no deixaram registros que nos mostrem qualquer conhecimento quantitativo dos principios de projeto, Desde o nascimento de Cristo até a Renascenga, houye um progresso constante no projeto de sistemas de escoamento como navios € canais e condutores de agua, mas no foi registrada nenhuma evidéncia de avangos fundamentais na anilise de escoa- ‘mentos. Leonardo da Vinci (1452-1519) formulou a equagao da conservasao da massa ‘em escoamento permanente unidimensional. Leonardo foi um excelente experimenta- lista, ¢ suas anotagdes contém descrigdes precisas de ondas, jatos, ressaltos hidriuli- cos, formagio de turbilhdes ¢ projetos de dispositivos de baixo arrasto (acrodinémicos) ¢ alto arasto (paraquedas). Um francés, Edme Mariotte (1620-1684), construiu o pri- meiro tinel de vento e com ele testou modelos. Problemas envolvendo a quantidade de movimento dos fluidos puderam finalmen- te ser anatisados depois que Isaac Newton (1642-1727) postulou suas leis do movi- mento ¢ a lei da viscosidade dos fluidos lineares, que agora so chamados de newtonianos. Primeiro a teoria levou a hipotese de um fluido “perfeito” ou isemto de atrito, ¢ 08 matematicos do século XVIII (Daniel Bernoulli, Leonhard Euler, Jean ’Alembert, Joseph-Louis Lagrange ¢ Pierre-Simon Laplace) produziram muitas solu- «es belas de problemas de escoamento sem atrito, Euler, Figura 1.1, desenvolveu as equagdes diferenciais de movimento e sua forma integral, conhecida por equagao de Bernoulli. D’Alembert as utilizou para mostrar seu famoso paradoxo: um corpo imerso ‘em um fluido sem atito fem arrasto nulo. Esses belos resultados se somaram até exce- der a sua validade, pois as hipéteses de fluido perfeito tém aplicasao muito limitada na pritica © a maior parte dos escoamentos na engenharia so dominados por efeitos de viscosidade. Os engenheiros comegaram a rejeitar 0 que eles consideravam como uma teoria totalmente nao realistica ¢ desenvolveram a ciéncia chamada hidrulica, basca- dda quase que integralmente em_experimentos. Experimentalistas como Chézy, Pitot, Borda, Weber, Francis, Hagen, Poiscuille, Darcy, Manning, Bazin e Weisbach produ- ziram dados sobre uma variedade de escoamentos em canais abertos, resisténcia de cembareagdes, escoamentos em tubos, ondas ¢ turbinas, Muito frequentemente os dados ceram usados em sua forma bruta sem levar em conta os fundamendos da fisica do es- coamento, Figura 1.2 Ludwig Prandil (875-1953), requentemente ‘chamado de “pai da mecdinica dos fluides moderna” [15] desenvolveua teria da camada- limite © muitas outrasandlises inovadoras, Ele e seus estudantes foram pioneiros nas téonicas de visualizagdo de escoamento [Aufnahame von Fr Struckmeyer, Gowingen, cortesia AIP Emilio Segre Visual Archives, Lande Collection | 1.3 Téenicas de solugio de problemas 1.3 Téenieas de solugio de problemas 17 No final do século XIX, finalmente comegou a unificagao entre a hidrduilica expe- rimental e a hidrodindmica te6rica. William Froude (1810-1879) ¢ scu filho Robert (1846-1924) desenvolveram leis para teste de modelos; Lord Rayleigh (1842-1919) propés a técnica da analise dimensional: ¢ Osborne Reynolds (1842-1912) publicou, em 1883, 0 clissico experimento em tubo que mostrou a importancia do adimensional mimero de Reynolds, assim denominado em sua homenagem. Enquanto isso, a teoria do escoamento viscoso foi disponibilizada, mas nio explorada, desde que Navier (1785-1836) © Stokes (1819-1903) acrescentaram com. sucesso termos viscosos Newtonianos ds equagdes de movimento, As equagdes resultantes, chamadas de equa- ges de Navier-Stokes. eram muito dificeis de analisar para escoamentos arbitrrios. Foi ento, em 1904, que um engenheiro alemio, Ludwig Prandtl (1875-1953), Figura 1.2, publicou talver © mais importante artigo jé escrito sobre mecanica dos fluidos Prandil observou que os escoamentos de fluidos com baixa viscosidade, como 0s esco- amentos de agua ¢ de ar, podem ser divididos em uma camada viscosa delgada, ou camada-limite, proxima as superficies s6lidas e interfaces, ligada a uma camada exter- nna que pode ser considerada no viscosa, em que sio validas as equagées de Euler © Bemoulli. A teoria da camada-limite mostrou ser uma ferramenta muito importante na modema andlise de escoamento. Os fundamentos do século XX para o atual estado da arte em mecéinica dos fluidos foram estabelecidos em uma série de experimentos ¢ te- orias abrangentes por Prandtl ¢ scus dois principais concorrentes ¢ colegas, Theodore yon Karman (1881-1963) ¢ Sir Geoffrey 1, Taylor (1886-1975). Muitos dos resultados esbogados aqui de um ponto de vista historico serio naturalmente discutidos neste li- ‘ro, Mais detalhes historicos podem ser encontrados nas Referéneias 12.a 14 ‘Uma ver que 75% da Terra esti coberta por ‘gua e 100% por ar, 0 escopo da me- cnica dos fluidos é vasto e faz parte da vida diria de todos os seres humanos. As ci- éncias da meteorologia, oceanografia fisica ¢ hidrologia estio relacionadas com escoamentos de fluidos que ocorrem naturalmente. bem como os estudos médicos da respiragdo e da circulagao sanguinea. Todos os problemas de transporte envolvem mo- vimento de Mluidos, com especiatidades bem desenvolvidas em aerodinémica de aero- haves e foguetes € em hidrodindmica de navios e submarinos. Quase toda a nossa cnrgia elerica é gerada do escoamento de agua ou do escoamento de vapor através de turbinas geradoras, Todos os problemas de combustio envolvem movimento de fluido, assim como problemas mais clissicos de irrigagdo, controle de cheias, abastecimento de ‘gua, disposigao de esgotos, movimento de projéteis, oleodutos ¢ gasodutos. O objetivo deste livro & apresentar conceitos fundamentais e aplicagdes praticas em mecdnica dos fluidos para prepari-lo para interagir tranquilamente em qualquer um desses campos es- pecializados da ciéncia do escoamento — ¢ estar entio preparado para acompanhar as novas tecnologias que surgirem. Anélise do escoamento de fluidos geta muitos problemas a serem resolvidos. Este livro contém mais de 1.600 problemas propostos. A resolucao de um grande nimero desses problemas ¢ fundamental para aprender o assunto, E preciso tabalhar com equagdes, dads, tabelas, hipdteses, sistemas de unidades ¢ esquemas de solugdes. O rau de dificuldade ira variar ¢ & importante vocé examinar todos os tipos de proble- mas, com ou sem as respostas no Apéndice. Veja a seguir os passos recomendados para 4 solugdo dos problemas 1. Leia o problema e redefina-o com o seu resumo dos resultados desejados. 2. Das tabelas ¢ grificos, obtenha os dados de propricdades nccessarias: massa espe- cifica, viscosidade ete. 3. Verifique se vocé entendeu o que esti sendo solicitado, Os estudantes frequente- mente respondem a perguntas erradas — por exemplo, pressio em lugar de gra- 18 Capitulo | Introdugéo 1.4 O conceito de fluido diemte de pressio, forga de sustentagdo em lugar de forga de arrasto, ou vazdio em ‘massa em Ingar de vazo em volume. Leia 0 problema cuidadosamente. 4. Faca um esbogo detalhado ¢ idemtificado do sistema ou volume de controle ne~ cesstirio. 5. Pense cuidadosamente ¢ liste as suas /upoteses. Vocé tem de decidir se 0 escoa- ‘mento € permanente ou nao permanente, compressivel ou incompressivel, viscos0 ou nio viscoso ¢ se sio necessirias equagdes para volume de controle ou diferen- ciais parciais, 6. Encontre uma solucio algébrica se possivel. Depois, se for necessirio um valor numérico, use o sistema de unidades SI, que sera examinado na Segao 1.6. 7. Desereva a sua solugdo, rdentificada, com as unidades adequadas ¢ niimero ade- quado de digitos significativos (usualmente dois ou trés) permitidos pela incerteza dos dados. Seguiremos esses passos, no que forem apropriados, em nossos problemas resol vidos. Do ponto de vista da mecdnica dos fluidos. toda a matéria encontra-se em so- mente dois estados, fluido e sdlido, A diferenga entre esses dois estados € perfeita- ‘mente Sbvia para um leigo ¢ é um exercicio interessante pedir-Ihe que expresse essa diferenga em palavras. A distingdo técnica entre os dois estados esti na reagao de cada um deles a aplicagao de uma tensao de cisalhamento ou tangencial, Uin séldlo pode resistir a uma tensao de cisathamento por uma deflexio estatica: um fluido néo pode. Qualquer tenso de cisalhamento aplicada a um fluido, no importa quio pe- quena ela seja, resultard em movimento daquele fluido, O fluido escoa e se deforma continuamente enquanto a tensio de cisalhamento estiver sendo aplicada. Como co- rolirio, podemos dizer que um fluido em repouso deve estar em um estado de tensio de cisalhamento igual a zero, um estado geralmente chamado de condigdo de estado hidrostatico de tensio, em analise estrutural. Nessa condigo, o circulo de Mohr para a fens se reduz a um ponto e nao hi nenhuma tensio de cisalhamento em qualquer corte plano passando pelo elemento sob tensio. Dada essa definigao de fluido, qualquer Ieigo também sabe que ha duas classes de fluidos, liquidos e gases. Aqui novamente a distingdo é técnica, ligada aos efeitos das forgas de coesio, Um liquido, sendo composto por moléculas relativamente agrupadas com forgas coesivas fortes, tende a manter seu volume ¢ formar uma su- perficie livre em um campo gravitacional, se nao estiver confinado na parte superior. Os escoamentos com superficie livre so dominados por efeitos gravitacionais e se- rio estudados nos Capitulos 5 ¢ 10. Como as moléculas dos gases sio amplamente cespagadas, com forgas coesivas despreziveis, um gis ¢ livre para se expandir até os limites das paredes que o confinam. Um gas no tem volume definido ¢, quando & deixado sem confinamento, forma uma atmosfera que é essencialmente hidrostitica O comportamento hidrostitico dos liquidos e gases ser estudado no Capitulo 2. Os gases ndo podem formar uma superficie livre e, assim sendo, os escoamentos de gases raramente estio ligados aos efeitos gravitacionais, exceto o empuxo térmico. A Figura 1.3 ilustra um bloco sélido em repouso sobre um plano rigido ¢ sujei- to a0 seu proprio peso. O s6lido deforma-se em uma deflexao estitica, representada por uma linha tracejada de maneira bastante exagerada, resistindo ao cisalhamento sem escoar Um diagrama de corpo livre do elemento 4 na lateral do bloco mostra que ha cisalhamento no bloco ao longo de um plano de corte com um angulo 0 atra- vés de A. Uma ver. que 0s lados do bloco nao sio apoiados, 0 elemento A tem tensfio. zero nos lados esquerdo ¢ direito ¢ tensio de compressio « = =p no topo ¢ no Figura 1.3 Um solide em repouso pode resistir a tensto de cisalhamento, (a) Deflesdo estatiea do sdlido; (4) condigio de equilibrio e cireulo de Mohr para o elemento sélidet. Um AMuido no pode resists & tensto de cisalhamento. (€) Paredes de contengao si0 necessérias; () condigao de ‘equilibrio ¢ eireulo de Mohr para o elemento fluido A 14 Oconceito de fuide 19 Deflexs Supertcle cation hive | cl | ‘El } \ | satido | Liquid Gas Condigso hidrostioa fundo. O circulo de Mohr nao se reduz-a um ponto e hi tensio de cisalhamento di- ferente de zero no bloco. Ao contritio, o liquido 0 gis em repouso na Figura 1.3 requerem as paredes de apoio para eliminar a tensio de cisalhamento. As paredes exercem uma tensio de com- pressio igual ap e reduzem o citculo de Mohr a um ponto com cisalhamento 7er0, ou seja, a condigdo hidrostitica. O liquido conserva seu volume ¢ forma uma superficie livre no recipiemte, Se as paredes forem removidas. a tensfo de cisalhamento se desen- volve no liquido e resulta em um grande derramamento, Se o recipiente for inclinado, novamente se desenvolve a tensio de cisalhamento, formam-se ondas, ¢ a superficie livre busca uma configuragao horizontal, detramando por sobre a borda do recipiente se necessirio. Por outro lado. o gis fica sem restrigdes ¢ se expande para fora do reci- piente, ocupando todo o espago disponivel. O elemento A no gas também é hidrostiti- co ¢ exerve uma tensfio de compressio -p sobre as paredes. Na discussio anterior, foi possivel distinguir claramente entre sélidos, liquidos © gases. A maioria dos problemas de mecénica dos fluidos em engenharia trata desses «casos bem definidos, ou seja, os liquidos comuns como gua, éleo. merciirio, gasoli- na, ¢ lcool, € 0s gases comuns como ar, hélio, hidrogénio e vapor nas suas faixas de temperatura e presso comuns. No entanto, ha muitos casos intermedirios que voce precisa conhecer. Algumas substancias aparentemente “s6lidas” como 0 asfalto ¢ chumbo resistem a tenso de cisalhamento por curtos periodos de tempo, mas na yerdade se deformam lentamente ¢ apresentam um comportamento definido de flui- do por longos periodos. Outras substincias, notadamente as misturas coloidais © de lama, resistem a pequenas tensdes de cisalhamento, mas “cedem” a grandes tensdes 20 Capitulo 1 Introdugio 1.5 0 fluido como um meio continuo Figura 14 A definigfo-Limite de massa especfica de um fuide eontinvo: (a) um volume clementar em uma regido do Auido de massa especifica continua variavel; (6) massa ‘specific calculada em funglo do tamanho do volume clement. comegam a escoar como fluidos. Ha livros especializados dedicados a este estudo mais geral de deformagio ¢ escoamento, em um campo denominado reotogia [16 Além disso, liquidos ¢ gases podem cocxistir em misturas de duas fases, tal como as 1isturas vapor-égua ou égua com bolhas de ar. Livros especializados apresentam andlise desses escoamentos multifésicos [17], Finalmente, ha situagdes em que a distingdo entre um liquido © um gas se toma nebulosa, Esse ¢ 0 caso que ocorte em temperaturas e pressdes acima do ponto chamado de ponto critico de uma substin- cia, em que existe somente uma inica fase, com a aparéncia principalmente de gas. A medida que a pressio aumenta muito acima do ponto critico, a substincia com aspecto de gas torna-se to densa que ha uma semelhanga com um liquido, ¢ as apro- ximagdes termodinamicas usuais, como a lei dos gases perfeitos. tornam-se impreci~ sas, A temperatura e a pressio criticas da agua sdo T, = 647 K ¢ p. = 219 atm {atmosferas*), de modo que os problemas tipicos envolvendo 4gua ¢ vapor estio abaixo do ponto critico. O ar, sendo uma mistura de gases, ndo tem um ponto critico preciso, mas seu componente principal. 0 nitrogénio, tem 7. = 126 Ke p, = 34.atm Portanto os problemas tipicos envolvendo 0 ar esto no intervalo de alta temperatura « baixa pressio em que o ar é, sem diivida nenhuma, um gas. Este livro aborda so- ‘mente os liquidos ¢ gases claramente identificaveis, ¢ os casos-limite discutidos an- tcriormente estio alm do nosso escop. Jé usamos termos téenicos do tipo pressdio e massa especifica do fiuido sem uma discussio rigorosa de suas definigbes. Até onde sabemos, os fluidos sto agregagbes de moléculas, amplamente espagadas para um gis € pouco espagadas para um liquido, A distancia entre moléculas é muito grande comparada com o didmetro molecular. As ‘moléculas ndo esto fixas em uma estrutura, mas movem-se livremente umas em rela «fo as outras. Desa maneira a massa especifica do fluido, ou massa por unidade de volume, nfo tem um significado preciso porque o niimero de moléculas que ocupam ‘um dado volume varia continuamente. Esse efeito toma-se sem importincia se a uni- dade de volume for grande, comparada com, digamos, o cubo do espagamento mole- cular, quando 0 nimero de moléculas dentro do volume permanece aproximadamente constante, apesar do enorme intercdmbio de particulas através das fronteiras, No en- tanto, se a unidade de volume escothida for muito grande, poderd haver uma variagJo notavel na agregagdo global das particulas. Essa situagdo ¢ ilustrada na Figura 1.4, na qual a “massa especifica” calculada por meio da massa molecular dm dentro de um dado volume 81’ ¢ plotada em grafico em fun¢io do tamanho da unidade de volume Ha um volume-limite 5Y* abaixo do qual as variagdes moleculares podem ser impor- Incerters mironcpica Volume 100 rmacrosépica 1200 ip =1200 = 1300 0 Stes mam? Rio comtend ido cy o Um atmonera at) & igual a 101.30 Pa 1.6 Dimensies e unidades 1.6 Dimensiese unidades 21 tantes e acima do qual as variagdes de agregagdes podem ser importantes. A massa especifica p de um fluido é mais bem definida como Bm ima Lt sys 5V oy ’ 0 volume-limite 8Y* ¢ aproximadamente 10”? mm’ para todos os liquidos ¢ para ‘os gases pressio atmosfirica. Por exemplo, 10” mm’ de ar nas condigdes padrao contém aproximadamente 3 X 107 moléculas, que sio suficientes para definir uma massa especifica aproximadamente constante de acordo com a Equagiio (1.1). A maio- ria dos problemas de engenharia trabalha com dimensoes fisicas muito maiores do que esse volume-limite, de maneira que a massa especifica é essencialmente uma fungao pontual ¢ as propriedades do fluido podem ser consideradas variando continuamente no espago como esta representado na Figura 1 4a. Tal fluido ¢ chamado mero continuo ue simplesmente significa que a variagdo de suas propriedades ¢ to suave que 0 cal- culo diferencial pode ser usado para analisar a substincia, Vamos supor que 0 calculo de meio continuo seja vatido para todas as anilises neste livro. Uma vez mais, ha ca~ 05-limite para gases a pressBes tio baixas que o espagamento molecular ¢ 0 livre ca- minho médio das moléculas’ so comparaveis a, ou maiores que, 0 tamanho fisico do sistema, Isso requer que a aproximagao de meio continuo seja abandonada em favor de uma tcoria molecular do escoamento de gases rarefeitos [18]. Em principio, todos os problemas de mecanica dos fluidos podem ser abordados do ponto de vista molecular, mas niio faremos essa tentativa aqui. Note que o uso do céleulo de meio continuo ndo impede a possibitidade de saltos descontinuos nas propriedades do fluido através de luma superficie livre ou interface do fluido ou através de uma onda de choque em um fluido compressivel (Capitulo 9). Nosso cilculo na analise do escoamento de fluidos deve ser flexivel 0 bastante para lidar com condigées de contorno descontinuas ‘Uma cimensdo éa medida pela qual uma varivelfisica ¢ expressa quantitativamente, Uma wnidade & um modo particular de ligar um mimero a dimensio quantitativa Assim 0 comprimento é uma dimensao associada a variaveis como distancia, deslo- camento, largura, deflexdo ¢ altura, enquanto centimetros e polegadas sio ambas uunidades numéricas para expressar o comprimento, A dimensao é um conceito pode- roso sobre 0 qual foi desenvolvida uma espléndida ferramenta chamada andlise di- ‘mensional (Capitulo 5), enquanto as unidades séo 0s valores numéricos que o cliente quer como resposta final Em 1872 uma reunio internacional na Franga propés um tratado chamado Con- vengdo Métrica, assinado em 1875 por 17 paises, inclusive os Estados Unidos. Repre- sentou um avango sobre os sistemas britinicos porque o uso que ele da base decimal € 0 fundamento do nosso sistema numérico, aprendido desde a inffincia por todos nés. Os problemas ainda persistem porque até mesmo os paises que adotam o sistema mé- trico diferiram no uso de quilogramas-forga em lugar de Newtons, quilogramas em Iugar de gramas, ou calorias em lugar de joule. Para padronizar 0 sistema métrico, a Conferéncia Geral de Pesos ¢ Medidas, realizada em 1960 por 40 paises, propés 0 Sistema Internacional de Unidades (SI), Estamos agora passando por um penoso peri- odo de transigao para 0 ST, um ajuste que pode levar ainda mais alguns anos para se completar. As sociedades profissionais tém conduzido o trabalho. Desde 1° de julho de 1974, esto sendo exigidas unidades do SI para todos os artigos publicados pela a diténca media porcomida pola molévuls entre oolieds (vs o Problema PLS). 22 Capitulo 1 Introdugio ‘Tabela 1.1 Dimenso nos sistemas Sle BG primaries Dimensées primérias 0 Sistema Internacional (SI) O sistema britinico sravitaconal (BG) Dimensio prima Unidade no St Uniiadene BG _Fatorde cmversio Massa 1 usa ds) Sag 1 alag — 14.5939 kp Comprimento (23 Metro (on) ree) 1A = 03088 m Tempo (7) Segundo 6) Sezundos) lasts Temperatura 10} Kelvin) Rankine) 1k = Lee American Society of Mechanical Engineers (ASME), ¢ ha um livro-texto para expli= car o SI [19], Serdo usadas unidades do SI em praticamente todo este livro, Em mecdinica dos fluidos hi apenas quatro dimensdes primarias das quais todas as ‘otras podem ser derivadas: massa, comprimento, tempo e temperatura *Essas dimensdes « suas unidades em ambos os sistemas so dadas na Tabela 1.1. Note que a unidade kelvin 1 usa 0 simbolo de grau. As chaves ao redor ce um simbolo, como em {M}, significam ‘a dimensio” da massa. Todas as outras variéveis em mecdnica dos fuidos podem ser ex pressas em fermos de {M}, {L}, {7}, ¢ {@}. Por exemplo, a acclerago tem as dimensies {LT}. A mais crucial dessas dimensdes secundaiias é a forga, que esta diretamente rel cionada com massa, comprimento ¢ tempo pela segunda lei de Newton, A forga ¢ igual & taxa de variago da quantidade de movimento com o tempo, ou, para massa constant, F a a2 Por meio dessa relagao vemos que, dimensionalmente, { © uso de uma constante de proporcionalidade na lei de Newton, Equagio (1.2), 6 evitado definindo-se a unidade de forga exatamente em termos das outras unidades baisicas. No sistema SI, as unidades basicas so newtons {/°}, quilogramas {A}, me~ ttos {1} e segundos {7}. Definimos | newton de forga = 1 N = I kg 1 m/s ‘O newton é uma forga relativamente pequena, aproximadamente igual ao peso de uma ‘maga. Além disso. a unidade basica de temperatura {©} no sistema SIé 0 grau Kelvin, K. Ouso dessas unidades do SI (N, kg. m, s, K) no necessitard de fatores de conversio «em nossas equagdes. No sistema BG também ¢ cvitada uma constante de proporcionalidade na Equagio (1.2), definindo-se a unidade de forga exatamente em termos das outras unidades basi- cas. No sistema BG, as unidades bisicas sio libra-forga (F'}. slugs (M}, pés {L} ¢ segundos {7}. Definimos 1 libra-forg: 1 Ibe = 1 slug «1 fis? Uma Ibf ~ 4.4482 N e tem o peso aproximado de 4 magi. Usa-se a abreviatura bf para libra-forga e /bm para libra-massa. O shig é uma massa razoavelmente grande, igual a 32,174 Ibm, A unidade basica de temperatura {®} no sistema BG ¢ o grau Rankine, °R, Lembre-se de que uma diferenga de temperatura de 1 K = 1,8 °R, O uso 80 ox ofitoscetomagaios so importantes uma quita dimes pimria deve ser inchid, trates da conrentecletca {1} caja undade no SEE 0 ape (A). Outros sistemas de unidades 0 principio da homogeneidade dimensional ‘Tabela 2 Dimensdes sccundarias em me dos fluidos| 16 Dimensbes e unidades 23 dessas unidades BG (Ibf, slug, ft, , °R) nao requer fatores de conversio em nossas equagdes. O presente livro fara uso, na sua quase integralidade, do sistema SI. que é 0 sistema de unidades oficial no Brasil e em Portugal Ha outros sistemas de unidades ainda em uso. Pelo menos um deles nao necesita de constante de proporcionalidade: o sistema CGS (dina, grama, cm, s, K). No entanto, as unidades CGS siio muito pequenas para a maioria das aplicagdes (1 dina = 10-° N) endo setdo usadas neste livro Nos Estados Unidos, alguns ainda usam o sistema inglés de Engenharia (Ibf, Ibm, fi, s, °R), no qual a unidade bisica de massa é a libra-massa. A lei de Newton (1.2) deve ser reescrita como ft-Ibm bf emque g, = 32,174 (3) A constante de proporcionalidade, g., tem dimensdes ¢ um valor numérico no iguala | Naengenharia e na cigneia, sodas as equagdes devem ser dimensionalmente homo- -géneas, isto &, cada termo aditivo em uma equagdo tem de ter as mesmas dimensies, Por exemplo. considere a equagio de Bernoulli para escoamentos incompressiveis, a ser estudada ¢ utilizada neste livro: pt ee + pg = constante Cada um dos termos individuais nessa equaydo deve ter as dimensdes de pressio {MI-'T*}, Examinaremos a homogeneidade dimensional dessa equagao em detalhe no Exemplo 13. A Tabela 1.2 apresenta uma lista de algumas varidvcis socundarias importantes na mecénica dos fluidos, com dimensdes derivadas como combinagdes das quatro dimen- ses primarias, No Apéndice C ha uma lista mais completa dos fatores de conversio. imensto secundirin Fator de conv iven iE) = Ta — 107648 Volume {1} mt Tm! = 3531500 Velocidad (12-4) mis ns 1s = 03058 ms Aceleragbo {17 ms ne Tie? = 03048 me Presto outensto (ME'T*} Pas Nime NER Liber? = 47.88 Pa Velocidad angular (7-4) s . retest Energia, clo, trabalho {ML°7-3) J = Nom fein Ee Thr 1.38585 Poténcia (M27) Wass fet tote = 1.3558 W Massa especitoa ME} kgm’? sige? 1 sug! = S15.4kgint Viseosidade (dl-'7) kyl) stasis) 1 sugift-s) = 4788 heim) Calor especifca 127704) at?-K) __ BG?) Lea? K) ~ S90 RR) 24 Capitulo 1 Introdugio Parte (a) Parte (b) Parte (c) EXEMPLO 1.1 {Um compo pesa 1.000 Ib quando submetio & pravidade pad da Tema, cw valor & g = 32,174 {Us*, (a) Qual € sua massa em kg? (6) Qual sera o peso desse corpo em N se ele estiver ssubmetido a gravidade da Lua, em que g,,, ~ 1,62 m/s?? (c) Com que rapidez 0 corpo iri ace- lerar se uma forga de 400 Ibt for aplicada 3 elena Lua ow ma Terra? Solucio Precsamos encontrar os valores (a) massa; (b) peso na Luu, e(c) aclerago desse corpo. Esse € um problema razoavelmente simples de fatores de conversio para diferentes sistemas de ‘undades. Nio € necessrio nenkum dado de propriedades. O exemplo é simples, ndo sendo necessrio nenium esquema para representa Aplica-se a Tei de Newton (1.2) a um peso ¢ uma accleragao gravitacional conhecidos. Resol- ‘vendo-a em selagio a m: ave ee © ou m = _20001bF : F = W = 1000IbE = mg = (a)(S2,1748(5), ow m = TTA = 3108 ses Convertendo em quilogramas: im = 31,08 slugs = (31,08 slugs)(14,5939 kp/slug) = 454 kg —_Resposta (a) ‘A massa do corpo permaneve 454 kg independentemente de sua localizayio, A Equagio (1.2) aplicada a uma nova aceleragio gravitacional di origem a um novo peso” Wg = Bog = 454 gh 1.62. ns 7A5N Resposta (b) sta parte ndo envolve peso, gravidade ou localizagdo. Ela € simplesmente uma aplicagdo da lei de Newton a uma massa e uma forga conhecidas F = 400 1b¢ = ma (31,08 slugs) a Resolvendo tem-se 4001 TOR slugs 2.970048) = 3.9255 Resposta(c) Comentirio(c), Essa accleragio seria a mesma na Terra, ma Lua ou em qualquer outro lugar Muitos dados na literatura so fornecidos em unidades inconvenientes ou misterio- sas adequadas somente a algum tipo especial de atividade, especialidade ou pais. cengenheiro deverd converter esses dados nos sistemas SI ou BG antes de usi-los, Isso requet a aplicagdo sistemitica de fatores de conversio, como no exemplo a seguir, EXEMPLO 12 Indiistrias envolvidas na medida de viseosidade (27, 36] continuam usando o sistema CGS de ‘unidades, pois centimetros e gramas resultam em nimeros convenientes para muitos fluidos. ‘A unidade da viscosidade absoluta (1) € poise, que recebeu esse nome em horenagem a J LM. Poiseuille, um médico francés que em 1840 realizow experimentos pioneiros com esco~ amento de gua em tubos, 1 poise = 1 g/(em.s) A unidade da viscosidade cinematica (v)& 0 stokes, que recebeit esse nome em homenagem a G.G. Stokes, um fisico britinico que em 1845 ajudou a desenvolver as equagdes diferenciais parciais basieas da quantidade de movimento Parte (a) Parte (b) 16 Dimensdes-e unidades 25 dos luidos, 1 stokes ~ 1 em*/s. A digua a 20°C tem = 0,01 poise e também v= 0,01 stokes, Expresse esses resultados em unidades do (a) SI edo (6) BG, Solugio Abondagem: Convesta gramnas em Ky ou slugs e converta centimetros em mets ou pes. + Talores das propredades: Dado w= 0001 sien -s) ey = 001 ems + Passos da solugao: (a) Para conversio em unidades do SI, = 001A = qo 80g! 000 an0,07 mem Resposta(a em(001 meme? ‘pome) See eee kg /.000 ug /145939 4g) stug 01 Seg. 000 gag 14.3939 48) «9999929988, G0 et #703048 ms A papares (8) -em(0,01 m/em)* 1 £/0,3048m")__ 9 gogo iqg *+ Comentirios: Essa foi uma conversio traballiosa que poderia ter sido abreviada usando-se 0s fatores de conversio direta de viscosidade do Apéndice C. Por exemplo, pyc ~ Hg /47.88, Repetimos nosso conselho: ao trabalhar com dados em unidades nao usuais, converta-os imediatamente em unidades do SI ou do BG porque (1) ¢ uma maneira ‘mais profissional de trabalhar ¢ (2) as equagdes teéricas da mecinica dos fluidos sio dimensionalmente consistentes ¢ nfo requerem outros fatores de conversio quando so usados esses dois sistemas fundamentais de unidades, como ilustra 0 exem- plo a seguir. EXEMPLO 1.3 ‘Via equa trical para cleular a relago entre press, velocidad e altitude em um es- ‘coamento penmanent de um fo eosiderao no vscoso eincompressve com trnsfréncin de calor tabalho metnic desperivei’é a relago de Bemoul, que recebe esse nome em homenagem a Danil ron, que publico um liv sobre hidrodinamica cm 1738 Pye po kel? + pez o ‘em que p)= press de estagnagio pressio no fluido em movimento vyelocidade ‘massa especifica altitude aceleragio da gravidade Pees "124 uma grande quaidade do hipdtases, que sero mais hom estudadas no Capitulo 3. 26 Capitulo t Introd Parte (a) Parte (b) Parte (c) Unidades consistentes (a) Mostre que a Equasio (1) satisfaz o principio de homogencidade dimensional, que afirma {que todos os termos aditivos em uma equagio Fisica devem ter as mesmas dimensies. (4) Mos- tre que resullam unidades consistente, sem fatores de conversfo adicionais, em unidades do SS (e) Repita o item (6) para unidades do BG. Solucio Podemos expressara Equago (1) dimensionalmente, usando chaves, eserevendo as dimens6es de cada termo da Tabela 12: (MTA) = AMT) + (MM) TAY + AE) (LTA) (2 = {MET} para todos os termos Resposta (a) -Bsereva as unidades do SI da Tabela 1.2 para cada arandeza Ni) = (Nm?) + thal fem?) + th) tl?) {em} = eNm'} + phe s} © ldo dircito da expresstio parece incorreto até lembrarmos da Equa (1.3), em que 1 kg = 1N-s¥m. IN stim} im Assim todos os termos da equagdo de Bemoulli terio unidades pascals, ow newtons por metro ‘quadrado, quando forem usadas as unidades do SI. Nio slo necessirios fatores de conversio, ‘o que é verdadero para todas as equagies teéricas na mecinica dos fluids tkgi(m-s2)) = = (Nimy? Resposta(b) Inteodurindo as unidades do 16 pra cada termo, temos {UbeAt’} = (IDEA) + (slugs) {HF%/s?} + fslugs/Aty (fYs") (ftp Ub) + {suger sy ‘Mas, pela Equacao (1.3), 1 slug = | Ibf- s/t, de mancira que ibs) (3?) ‘Todos os termos tem unidade de libra-forga por pé quadrado, Néo so necessérios fatores de conversio no sistema BG também. {slugs (ft-s2)} = (Ibr/ne) Resposta (c) Ha ainda uma tendéncia, nos paises de lingua inglesa, de usar libra-forga por pole- gada quadrada como unidade de pressio porque os nimeros so mais convenientes. Por exemplo, a pressio atmosférica padrio é 14.7 Ibfin® = 2.116 Ibf/f = 101.300 Pa (O pascal é uma unidade pequena porque o newton é menos do que £ Ibf'e um metro qua- drado é uma drea muito grande. Note que nao somente todas as equagdes da mecdnica (dos fluidos) devem ser dimen- sionalmente homogéneas, mas se deve também usar widades consistentes. ito é, cada ‘ermo aitivo deve ter as mesmas unidades. Nao ha nenhuma dificuldade nisso usando-se 60s sistemas SI e BG, como no Exemplo 1.3, mas ha problemas para aqucles que experi- ‘mentam misturar unidades inglesas coloquiais. Por exemplo, no Capitulo 9, usamos fre- uentemente a hipétese de escoamento permanente compressivel adiabitico de um gis: f+ 3? = constante Equagies homogéneas versus cequagoes dimensionalmente inconsistentes ‘Tabela 1.3 Prefixos convenientes para unidades de engenaria Tator rmultiptcativo Prefix Simbolo wo 108 0 1 10 0! 10? wo ws 0" int it Prefixos convenientes em em eign auilo esto ssa deci sl pico poténcias de 10 1.6 Dimensese unidades 27 em que fr é a entalpia do fluido ¢ V°/2 ¢ a sua energia cinética por unidade de massa, As tabelas termodinimicas coloquiais costumam fornecer h em unidades térmicas bri- tanicas por libra-massa (Btu/Ib), ao passo que V é comumente fornecida em fils, E completamente errado adicionar Btw/b a ft". A unidade apropriada para h neste caso Eft: Ibfislug, que € idéntica a f7/s*, O fator de conversio ¢ 1 Btu/lb ~ 25.040 ft/s? = 25.040 ft Ibfislug. Todas as equagées tedricas em mecénica (e em outras cigncias fisicas) sio cimen- sionalmente homogeneas, isto ¢, cada termo aditivo da equagao tem as mesmas dimen sdes, No entanto, 0 leitor deve estar ciente de que muitas fSrmulas empiricas na literatura da engenharia, resultantes principalmente das correlagdes de dados, so di- mensionalmente inconsistentes. Suas unidades ndo podem ser harmonizadas sim- plesmente c alguns termos podem conter varidveis ocultas. Um exemplo é a férmula que 0s fabricantes de valvulas hidréulicas citam para a vazdo volumétrica de liquido Q (m/s) através de uma valvula parcialmente aberta: ~ {dey 2-7) nna qual Ap é a queda de pressdo na vilvula ¢ dé a densidade do liquido (a relagdo entre a massa especifica do liquido ¢ a massa especifica da agua). A grandeza C,.é 0 coefi- ctente de vazéo da vélvula, que 0s fabricantes apresentam em tabelas nos catdlogos das clin Gena alogcanans EC seem quran tic iee tldnar be tee edo um indo imenato de vaedo (L10} © 0 cx Indo wai quae de ura diferenga de pressio {M'7/L'°7}. Conclui-se que C,-tem de ter dimensGes, ¢ elas si bem estranhas: {”"/Af'"}. A resolugdo dessa discrepancia nao fica muito clara, embo- ra se saiba que os valores de C, na literatura aumentam linearmente com © quadrado do sacutho dorvdlvle, Asspotesapls dx dates expedient et fone hoessyina. €0 assunto da andilise dimensional (Capitulo 5). La iremos aprender que uma forma homogénea para a relagiio de vazio em uma valvula é 0 Cs (2) ° em que p é a massa especifica do liquido e A é a drea da abertura da vilvula. O coef ciente de descarga C,,¢ adimensional ¢ s6 varia ligeiramente com o tamanho da vélvu- la, Acredite — até discutirmos o fato no Capitulo S — que essa iltima expresso é uma formulagdo muito methor dos dados. ‘Ao mesmo tempo, concluimos que equagdes dimensionalmente inconsistentes, que ocorrem na pratica da engenharia, sio confusas e vagas e até mesmo perigosas, no sentido de que elas frequentemente sio mal usadas fora do seu campo de aplicagao. (0s resultados na engenharia frequentemente so muito pequentos ou muito grandes para as unidades comuns, com muitos zeros de um modo ou de outro. Por exemplo, para escrever p = 114,000,000 Pa, temos um niimero longo ¢ inconvenient. Usando 0 prefixo “M” para representar 10°, convertemos esse nimero em p = 114 MPa (mega- ppascals), muito mais simples. Da mesma forma, = 0,000000003 s é um pesadelo para quem estiver lendo este livro, comparado com o equivalente / ~ 3 ns (nanossegundos) Esses prefixos so comuns ¢ convenientes, tanto no sistema SI quanto no BG. A Tabe- Ja 1.3 traz uma lista completa 28 Capitulo 1 Introdugio EXEMPLO 14 Em 1890, Robert Manning, un engenheito irandés. propés a seguinte formula empirica para a ‘elocidade média Tem escoamento uniforme devide a agi da gravidade em um canal aberto (umidades do BG 1.49 R235 0 ‘em quem R = raio hidrdulico do eanal (Capitulos 6 € 10) 'S = dectividade do canal (tangente do Angulo que o fundo do canal faz com a ho- zontal) nn = {ator de rigosidade de Manning (Capitulo 10) ‘© é uma constante para uma dada condigdo da superficie das paredes edo fundo do canal. (a) A ‘formula de Manning ¢ dimensionalmente consistente? (b)AEquas (1) comumente ¢ considerada ‘lida em unidades BG com n considerado como adimensional. Ressereva-a na forma do SI. Solusio + Hipétese: A declvidade S do canal é a tangente de um fngulo e, portanto, & uma relagho ‘adimensional com a notagdo {1} — isto é,ndo contendo M, Lou 7 + Abordagem (a): Reesereva as dimensées de cada termo na equagio de Manning, usando haves ( ) v “ Shen jem ssa formula € incompativel a menos que {1,49%n} = {L!T}, Sem € adimensional (e ele ‘nunca é mencionado com unidades nos livros-texto), 0 numero 1.49 tem de ter as dimensBes de (1517) Resposia (a) + Comentéria a): Formulas com coeficientes numéricos com unidades podem ser desastro- sas para engenheiros que trabalhem em um sistema diferente ou com out fluid. formula ‘de Manning, embora popular, ¢ inconsistent tanto dimensionalmente quanto fsieamente e & ‘valida somente para escoamento de agua com certa rigosidade nas paredes. Os efeitos de Viscosidade e densidade da agua esto oculios no valor numérico 1,49. + Abordagem (6)> A parte (a) mostrou que 1.49 tem dimensdes. Se a formula for vilida mas tunidades do BG, enti ele deve ser igual a 1,49 f!"/s. Usando a conversio no SI no compri= ‘mento, obtemos (1.49 0%%5\0,3048m/)" = 1,00 m!%5 PPortanto a formula inconsistente de Manning muda sua forma quando convertida no sistema SI unidades do Si: = L2 g2/3gH/2 Resposta (b) ‘com R em metros ¢ Iem metros por segundo, + Comentario (6): Na verdad, nos © enganamos: essa & a maneira como Manning, um usuirio do sistema metrico, propés inicialmente a formula, Depots ela foi convertida em unidades do BG. Fs formulas dimensionalmente inconsistentes sio perigosas e devem ser reanalisadas ou tratadas como formulas de aplicago muito lanitada, 1.7 Propriedades do eampo develocidade Descrigdes euleriana e lagrangiana O campo de velocidade 1.7 Propriedades do campo de velocidade 29 Em uma dada situagdo de escoamento, a determinagdo, por experimento ou teoria das propriedades do fluido em Fungo da posigao ¢ do tempo ¢ considerada a soluedio do problema, Em quase todos os casos, a énfase esté na distribuigao espaco-tempo das propriedades do fluido. Raramente se di atengdo ao destino das particulas especificas de fluido®. Esse tratamento das propriedades como fungées de campo continuas distin- gue a mecainica dos fluidos da mecénica dos sélidos, na qual estamos mais interessados nas trajet6rias das particulas individuais ou nos sistemas. Ha dois pontos de vista diferentes na andlise de problemas em mecéinica, O primei- ro, apropriado mecénica dos fluidos, prcocupa-sc com 0 campo de escoamento ¢ & chamado de método euleriano de descrig40. No método euleriano, calculamos 0 cam- po de pressio p(x, y, 2, do padrao de escoamento, ndo as variagdes de pressio p(t) que uma particula experimenta quando ela se move no campo. (O segundo método, que segue uma particula individual movendo-se no escoamen- to, € chamado de descrigao Jagrangiana, ‘ abordagem lagrangiana, que é mais apro- priada a mecénica dos s6lidos, no sera tratada neste livro, No entanto, certas anilises rnuméricas de escoamentos de fluidos claramente delimitados, tais como 0 movimento de gotas isoladas de fluido, sio efetuadas muito convenientemente em coordenadas lagran- sianas [1]. Medidas fluidodinamicas sto igualmente adequadas a0 sistema euleriano, Por ‘exemplo, quando uma sonda de pressio ¢ introduzida em um escoamento em laboraté- rio, cla ¢ fixada em uma posigao especifica (x,y, 2). Sua resposta contribui assim para a descrigdo do campo culeriano de pressio p(x, y, z,). Para simular a medida lagran- giana, a sonda deveria mover-se a jusamte com as velocidades das particulas de fluid isso € feito algumas veres em medidas oceanograficas, em que os medidores de vazdo se deslocam com as correntes principais. [As duas diferentes descriges podem ser comparadas na analise do fluxo de trifego ao longo de uma rodovia. Pode-se selecionar um certo trecho da rodovia para estudo, considerado campo de fluxo. Obviamente, com o passar do tempo. varios carros entra- rig € sairdo do campo, ¢ a identidade dos carros especificos dentro do campo estara mudando constantemente. O engenheiro de trife-go ignora carros especificos ¢ concen- tra-se na sua yelocidade média como uma fungdo do tempo ¢ da posigo dentro do campo, mais a taxa de fluxo ou niimero de carros por hora que passam por uma dada seco da rodovia. Esse engenheiro esti usando uma descrigdo culeriana do fluxo do trifego. Outros pesquisadores, como a policia ou os socidlogos, podem estar interessa- dos na trajetéria, ou na velocidade, ou no destino de carros especificos no campo. Se- guindo um carro especifico em fungio do tempo, eles esto usando uma descrigéo Jagrangiana do fluxo. Em primeiro ugar entre as propriedades de um escoamento esta 0 campo de velo- cidade V(x, v, 2, 9. Na verdade, determinar a velocidade frequentemente equivale a resolver um problema de escoamento, uma vez. que outras propriedades derivam dire- tamente do campo de velocidade. © Capitulo 2 é dedicado ao célculo do campo de presstio uma vez conhecido o campo de velocidade. Livros sobre transferéncia de calor (por exemplo, Referéncia 20) dedicam-se a determinar 0 campo de temperatura com base em campos de velocidade conhecidos. Lm exenpl em qu a trate de prticulas de fido sho importantes & na andlne da qualidade da ‘gua quando so tata de descargas do contaminants 30° Capitulo 1 Introdugio 1.8 Propriedades termodinamicas de um fuido Em geral, a velocidade é uma fungo vetorial da posigdo e do tempo e, portanto, tem trés componentes u, ve w, sendo cada um deles um campo escalar Vaxyiz.t) = inery.z.t) + veoyz.) + kweye9 a4) ‘Ouso de x, ve w em lugar da notago mais logica de componente V,, ¥,,€ V6 resul- tado de uma pritica consolidada em mecénica dos fluidos. Grande parte deste livro, especialmente os Capitulos 4, 7, 8 ¢ 9, trata de encontrar a distribuigio do vetor velo- cidade V para uma variedade de escoamentos priticos. Embora 0 campo de velocidade V seja a propriedade mais importante de um fui do, cle intcrage estreitamente com as propricdades termodinimicas do fluido. Ja intro- dduzimos na discussdo as trés propriedades mais comuns 1. Pressio p 2. Massa especifica p 3. Temperatura T Essas trés propriedades sio companheiras constantes do vetor velocidade nas andlises de cescoamento. Ha outras quatro propriedades termodinimicas intensivas que se tornam importantes quando se trata com balangos de trabalho, calor e energia (Capitulos 3 e 4) 4. Energia interna it 5. Entalpia h = i + pip 6. Entropia s 7. Calores especificos ¢, ¢ Além disso, efeitos de alrito ¢ condugio de calor sio regidos por duas propriedades chamadas de propriedades de transporte: 8. Coeficiente de viscosidade 9. Condutividade térmica Essas nove grandezas sio todas verdadeiras propriedades termodinimicas, determina- das pela condigdo termodindmica ou de estado do fluid. Por exemple, para uma subs- tdncia de fase tnica, tal como a agua ou 0 oxigénio, duas propriedades bisicas, como a pressio e a temperatura, sio suficientes para fixar o valor de todas as outras p= eeT h= he w= eT (5) «assim por diante para todas as grandezas da lista. Note que 0 volume especifico, to importante em anilises termodinamicas, é omitido aqui em favor do seu inverso, a massa especifica p, Lembre-se de que as propriedades termodinamicas descrevem o estado de um sis- tema — isto é, uma porgio de matéria de identidade fixa que interage com suas vizi- nnhangas. Aqui, na maioria dos casos, o sistema sera um pequeno elemento de fluido © todas as propricdades serdo consideradas propriedades continuas do campo de escoa- mento: p = px, 2, € assim por diante Lembre-se também de que a termodinémica normalmente se ocupa com sistemas estdticas, a0 passo que 0s fluidos usualmente estéo em movimento variado com pro- pricdades variando constantemente