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NARDO TOLEDO MUNOZ ie -chtcuto DE EN“OLAMENTOS | DE MAQUINAS ELETRICAS ___E SISTEMAS DE ALARME _ 4? EDICAO | Kahn OUTROS LIVROS DA BIBLIOTECA TECNICA FREITAS. BASTOS FUNDAMENTOS DE ELETROTECNICA PARA TECNICOS EM ELETRONICA P. J. Mendes Cavalcanti Toda a teoria bdsica (circnitos de CC. eletrostatica, eletro- magnetismo, circuitos’ de CA. € nogoes de maquinas: trans- formadores, geradores € moto- Tes) indispensavel & formacao de técnicos em eletrénica du de qualquer outro ramo em que a eletricidade seja uma das disci- plinas. 72 problemas totalmente resolvidos e 199 propostos,-tom as respectivas respostas, contri buem para a mais facil fixacso conhecimentos adquiridos e Feporcionam aos mestres ex- bes oportunidades para no- comsideracoes de ordem pra- ou te6rica. BASICO DE CA joas Ferreira livro moderno para o ensi- da eletrénica do estado s6- ». Apresenta inicialmente os Principios basicos dos compo- mentes semicondutores e, em guida, os circuitos eletrénicos icosem que Os mesmos so Seplicadds. Todo um capitulo da jebra 6 dedicado a um grande mero de projetos de fontes + lintentagio e amplifica- todos previamente mon- tados e testados pelo autor e usando componentes faciimente encontrados no mercado. Um questionario referente aos di- versos capitulos, sugestées para novos projetos e a inclusio de um excelente apéndice com in- formagées sobre semiconduto- Tes, transformadores, capacito- Tes, etc., sio outras caracteris- fleas de’ desteaue deste livro. \ i ou 1 (pi) Os oes no eae tomo, SH NH, esi Vamos. CSHIAVE EL CALCULO DE ENROLAMENTOS DE MAQUINAS ELETRICAS E Sips De ALARME 6 i i aa D Bh NARDO TOLEDO MUNOZ de Maquinas Elétricas e Sistemas de Alarme Calculo de Enrolamentos ; 4.° Edicao : 4 i LIVRARIA FREITAS BASTOS S.A. ————————o—— { a 1 de Salanbre, 121/129\- 20.050 - Rio de Janeiro — BY 8, Freit 351 - Rio de Janeiro - RI x - SP oral = 04086 - Vila Mariana - SP 1a Lufs Gées, ca ‘tuoi = abn lrapuera ~ SP CALCULO DE ENROLAMENTOS DE MAQUINAS ELETRICAS E SIS- TEMAS DE ALARME Nardo Toledo Mufioz _ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS — Nos termos da lei que resguar- i da os direitos autorais, é proibida a reproducao, total ou parcial, bem como a producao de apostilas a partir deste livro, de qualquer forma ou por qual- quer meio — cletrénico ou mecanico, inclusive através de processos xero- graficos, de fotocépia e de gravacdo — sem permissao, por escrito, do Edi- tor e do Autor. 4 42 EDICAO — 1987 Impresso no Brasil Printed in Brazil N UL A TeeSICA FEDBRAL NABIBUCO 1OTRCA 12009 FICHA CATALOGRAFICA (reprodugao reduzida da ficha de 75x125mm) Toledo Mufioz, Nardo. Caleulo de enrolamentos de méquinas elétricas e sis- | temas de alarme. 4.8 ed. Rio de Janeiro, Freitas Bastos, i | 1987. 287 p. ilust. (Bibl. Técnica Freitas Bastos) 1. Méquinas elétricas. 2. Sistema de alarme. 3. Motores elétricos. I. Série. I. Titulo. ODD 621.31 INDICE PRIMEIRA PARTE Capitulo 1 APLICAGAO DA CORRENTE CONTINUA ...... Pag. 11 Aplicacao da corrente continua. -~ Caracteristicas do motor de C.C. — Principio de funcionamento do motor de C.C. — Momento de rotagao desen- volvido por um motor de C.C. Capitulo 2 ENROLAMENTO DO INDUZIDO Pag. 17 Introducio, — Tipos de induzido. — Induzido em: anel de Gramme. Induzido tipo tambor. — Forma de representar as bobinas. — Simbolos convencio- nais para 0 sentido da corrente nos condutores. Tipos de enrolamento do induzido. Capitulo 3 BOBINAMENTO IMBRICADO Pag. 23 Enrolamento em paralelo. — Passos do enrola- mento. — Passo polar. —- Caleulo dos passos do enrolamento imbricado. — Posicdes relativas que Ocupam nas ranturas os dois lados de uma bobina qualquer — Tabela de bobinamento. — Determi- nagao do passo da bobina. — Passo do .comut: dor de enrolamentos imbricados. — Numero de 14- minas do comutador de enrolamentos imbricados, — Enrolamentos imbricados muiltiplos. --. Cone- xdes equipotenciais. — Recapitulacao sobre bobi- namentos imbricados. Capitulo 4. BOBINAMENTO ONDULADO ............... Pag. 33 Enrolamento em série. — Passo médio. — Passo do comutador de enrolamentos ondulados. — En- rolamento progressivo e regressivo. Numero de la~ minas do comutador dos enrolamentos ondulados. — Recapitulacao subre enrolamentos ondulados. Sja_bnrolamento sérle-paralelo, — Bobinas multi- plas ' Capitulo 5. COMUTAGAO oo... cece cee PAB. 4b Agao do comutador em um enrolamento de C.C.— Reacdo do induzido..— Conseqiiéncias dos desvios do plano neutro, — Neutralizacdo do plano neu- tro. — Polos de comutacao, interpolas' ou pélos auxiliares. — Vantagem dos pélos de comutacio. — Excltacéo dos motores de C.C. 5 Capitulo 6. Imag 2 Capitulo 7. Capitulo 8. Capitulo 9. Capitulo 10. TIPOS DE MOTORES ... Eee Ee Motor paralelo. — Motor série. — Motor com- posto. — Controle de velocidade dos motores de Ga Invers&o do sentido de rotacio do motor le C.C, CSEGUNDA PARTE : BOBINAMENTO DE MOTORES PARA C.A. ..... Divisio dos motores de C.A, — Motor sincrono. — Partida do motor sinerono. — Vantagens do motor sinerono. — Aplica¢ées mais comuns do motor sinerono, — Motor assincrono ou de indu- ¢40. — Vantagens do motor assincrono. — Des- vantagens do motor assincrono. — Aplicacdes do motor assincrono. — Principio de funcionamento do motor assinerono. — Construcao grafica dos campos rotativos trifasicos. — Método para inver- ter o sentido de rotacao do campo girante. DETERMINACAO DA VELOCIDADE DOS MOTO- RES DE CA. ..... ees ee Velocidade sincrona. — Escorregamento. — Des- lizamento em percentagem. — Fregiiéncia do ro- tor, — Escala de graduacio da poténcia dos mo- tores de C.A. — Construgao mecinica de um mo- tor de inducdo. — Caracteristicas nominais do motor elétrico. METODOS DE ENROLAMENTO ............... Bobinamento do estator. — Disposicio das ranhu- ras. — Tipos de enrolamentos. — Enrolamento em espiral. — Boblnamento imbricado, — Bobina- mento Imbricado de passo integral. — Enrola- mento imbricado de passo fraciondrio. — Vanta- gens do passo curto. — Desvantagens do passo eurto. — Disposicao das bobinas. — Enrolamentos de uma camada. — Bobinamentos de duas cama- das. CARACTERISTICAS DOS ENROLAMENTOS ... Introdueao. — Constituigao dos pélos. — Bobina- mentos por pélos. — Enrolamentos pelo método do pélo consegiiente. — Numero de pélos. — Nu- mero de ranhuras por pélo e por fase. — Nimero de ranhuras do estator. — Bobinas. — Niimero total de bobinas. — Passo da bobina. — Passo po- lar. — Passo do enrolamento. — Normas para in- dicagao do passo, — Graus elétricos. — Passo das ranhuras, — Passo das fases. — Grupos polares. — Bobinas por grupo. — Bobinas por fase. — Escolha dos terminais. — Distribui¢éo das bobi- nas no rotor. — Enrolamentos fraciondrios. — Enrolamentos balanceados, — Exercicio 1. — Na- mero de bobinas por grupo de um enrolamento fracionario, — Exercicio 2 Pag. Pag. Pag. Pag. 45 49 57 69 83 Capitulo 11. PRINCIPIOS GERAIS DOS ENROLAMENTOS DE.CA. .... A eae meet = { Condigdes dos bobinamentos. — Representacao dos esquemas de enrolamentos. — Tracado do es- quema de um enrolamento. — Exercicio 3. — En- rolamento de rotores. — Rotor em curto-circuito. — Rotor bobinado. Capitulo 12 SKODIFICACORS DOS MOTORES DE C.A ‘incipais modificacoes. — Problemas de enrola- mentos. — Exercicio 4. — Calculo do fluxo mag- nético. — Calculo do numero de espiras. — Cal- culo da secao do condutor. — Caleulo do conju- gado basico. — Rendimento. — Modificacao dos motores para nova tensdo. — Exercicio 5. — Exer- ciclo 6. — Modificacao do numero de pélos. — Alteracses da velocidade. — Exercicio 7. — Modi- fieacao da treqiiéncia. — Mudanca da freqiién- cla. — Efeitos da vatiagao da freqiiéncia. — Va- riagho tolerével da tensdo e da freqiiéncla, — Comportamento em 60Hz. dos motores de 50 Hz, tensio e poténcia constantes. — Comportamento em 50 Hz dos motores de 60Hz, tensao e poténcia constantes, — Exercicio 8 e 9. — Mudanca de fase e de tens&o. — Influéncia da mudanca de fase nos rotores bobinados TERCEIRA PARTE Capitulo 13. MOTORES PARA VARIAS TENSOES™..... Introdugao. — Liga¢ao série-paralelo. — Ligacao de um motor em estrela para duas tensdes, — Motor “com ligacéo triangulo para duas tensdes. — Enrolamentos de motores para quatro tensdes. — Motores assineronos de varias velocidades. — Motores de comutacdo de pélos. — Mudanga do niimero de pélos. — Principio das fases. — Agru- pamentos das fases na conex4o Dahlander. — Li- gacao estrela, dupla-estrela. — Conexao tridn- gulo, estrela-paralelo. Capitulo 14. MOTORES DE VELOCIDADES MULTIPLAS Introdugdo. — Motor de quatro velocidades. — Motores sincronos de duas velocidades. — Motores de corrente trifasica com comutador. — Motor assinerono funclonando como gerador. & Capitulo 15. CLASSIFICAGAO DOS MOTORES ASSINCRONOS Introdugao. — Classe A. — Classe B. — Classe C. — Classe D. — Classe E. — Classe F. — Rotor bo- binado. — Obsérvagao. — Aplicacao dos diversos tipos de motores de inducio. — Temperatura ad- missivel dos motores eletricos. — Diviséo dos mo- tores em diversas classes de isolamento. — Con- digdes usuais de servigo dos motores elétricos. — Funcionamento dos motores trifasicos com cor- rente monoffsica. — Motores de induc bifasicos. if Pag. Pag. Pag. 15, im 179 Capitulo 17 Capitulo 18 Capitulo 19. Capitulo 20 Capitulo 16. MOTORES MONOFASICOS .................... Introducao. — Motor de fase auxiliar ou de fase dividida. — Enrolamentos monofasicos. — Dispo- sicAo relativa dos enrolamentos. — Motor série, — Motor sincrono monofasico. — Arranque dos motores de induc&o monofasicos. — Partida do motor de induc&éo monofasico com Pdlo auxiliar. — Motores de repulsao. — Interruptores automa- “\itcos para ‘o enrolamento, aunillar senna ao dos terminais de um motor monofasico, — Mototes monofasieos de varlas velocidades. — Mo- tores de alta rotacdo. — Conversor de freqién- cia de indugao. — Emprego dos motores monofa- sicos. — Esquema do enrolamento de um motor monofasico, CONTROLE DOS MOTORES ELETRICOS ....... Fungées principais do controle. — Partida. — Pa- rada. — Sentido de rotacdo. — Regulacdo da ve- locidade. — Limitac&o da corrente de partida. — Proteeéo mecfnica. — Motor a prova de pingos e respingos. — Motor totalmente fechado. — Mo- tor a prova de exploséo. — Protecao eiétrica. TERMINOLOGIA ae* Alarme. — Botoneira. — Chave. — Chave de par- tida direta. — Chave demarradora. — Chave magnética ou contator. — Chave estrela-trian- gulo. — Ghave compensadora. — Chave comuta- dora. — Chave reversora. — Chave fim de curso. — Chave de faca. — Chave de emergéncia, — Controlador. — Controle de seqiiéncia. — Deno- minacao dos terminais de um motor trifasico. — Disjuntor. — Fator de poténcia. —“Freagem di- namica. — Fusiveis. — Fusivel rapido. — Fusivel retardado. — Fusivel de duplo efeito. — Inter- Tuptor. — Intertravamento. — Regulador. — Relé. — Relé de tempo. — Relé bimetalico. — Relé wutomatico. — Relé térmico com retencao, — Re- ersdo. —- Servomecanismo. — Sistema. — Sobre- ‘arga. — Sobrecorrente. — Temporizador. REPRESENTACAO DOS DIAGRAMAS ELETRICOS Introducao, — Método para a representacao dos esquemas. — Esquema de principio. — Esquema de circulag*o de ‘corrente. — Esquema unifilar, — Esquema de funcionamento. QUARTA PARTE CONTROLE AUTOMATICO PARA MOTORES ... Introdugao. — Comando a hotao, — Ligagéo de motores de C.C. a/rede de aXimentacSo. — Con- trole de um motor de ©.C. por meio 92 f.c.e.m — Controle de aceleracao de um moto: de ©.C. por queda de tensio. — Controle para a reversio de motores de C.C. Pag, 185 Pag. 193 Pag. 197 Pag. 203 Pag. 209 ee Capitulo 21 SISTEMA DE ARRANQUE DE MOTORES TRI- FASICOS : Los Sen .. Pag. 219 Introdugéo. — Efeitos causados pela partida de um motor com rotor em curto-circuito ligado di- ip retamente a rede. — Partida de um motor de i rotor bobinado. — Limitacses da corrente de par- tida. — Partida de motores com chave magné- tica. — Arranque de motores com chave estrela- triangulo. — Tens&o reduzida, — Corrente redu- zida. — Chave estrela-tridngulo automatica. — Arranque de motores polifasicos com chave com- Pensadora. — Reducéo da tenséo e da corrente Solicitada da linha. — Chave compensadora de partida manual. — Chave compensadora de par- tida automatica. — Chaves reversoras, — Chaves para motores com variacao de polos. — Operacao da chave pata motores de duas velocidades, — Dispositivo de comutacao polar para variar a ve- locidade. — Ligac’o de capacitores em moto- tores. — Descarga de capacitores. — Diagrama das ligagées elétricas de um elevador. Capitulo 22. PROTECAO DE MOTORES DE CA. .... Protecdes. — Protecao contra curto-circuito. — Protecao contra sobrecargas. — Protec&io contra superaquecimento do estator. — Protecao dife- renclal. — Protecio contra subtensao, — Pro- tecéo contra inierrupcao de uma fase. — Prote- ¢ao contra reversao de fase. — Protecdo contra inversdo de energia. — Protecao contra subvelo- cidade, — Protecao contra perda. de sincronismo, — Proteead contra sobreaquecimento dos man- cais. — Protec&o contra falhas para terra, — Pro- tecdo contra a umidade. — Método de operacdo e Prote¢éo de um motor de C.A. “ Capitulo 23. PROTECAO DE MOTORES DE C.C. ..... Pag. 265 Introdueao, — Protecdo contra eurto-circuitos. — Proteedo contra sobrecarga e sobrecorrente, — Protecdo contra superaquecimento. — Prote- co contra sobrevelocidade., — Protecio contra Teversao de polaridade. — Protecao contra perda de excitacao. — ‘Protecéo contra falhas para a terra. — Protecdo contra sobreaquecimento dos mancais. — Descarga do campo magnético. — Protecéo contra contato acidental QUINTA PARTE Pag. 247 Capitulo 24 SISTEMAS DE ALARME ..... ico Pag. 211 Introducao. — Tipos de alarme. — Dispositivos de sinalizacao. — Sistemas de alarmes duplos. — Sistemas de alarme em que cada ponto de sinali- zacao exige apenas uma lampada. — Sistema de alarme em que cada ponto de sinalizagao requer duas lampadas. — Sistema de alarme com uma lampada de aviso e outra de reconhecimento, — Sinal de alarme temporizado. — Determinacéo grafica do fator de poténcia e das poténcias ati- va, reativa e aparente. — Formulas para deter- minagéo de grandezas de C.C. e C.A. Valores de referéncia das formulas, 9 Capitulo 1 APLICACAO DA CORRENTE CONTINUA AC.C. é utilizada em circuitos eletrénicos, instalacdes de ele- troquimica, automoveis, astrondutica, transmissao de energia elétrica a grandes distancias, ete. Os motores de corrente continua assumiram nos Ultimos anos importancia vital em varios campos especiais da técnica moderna. Ha muitos casos em que a C.C. 6 mais apropriada para deter- minados tipos de trabalho, onde os motores de C.C. com velocidade ajustAvel sao superiores aos de corrente alternada (C.A.), como por exemplo no caso dos servigos de trens, ascensores, tipografias, trolley bus, bondes, industria siderurgica, fabrica de papel, indus. tria de tecidos, controle de computadores, etc., nos quais 0 controle exato e preciséo de velocidade so exigéncias fundamentais. CARACTERISTICAS DO MOTOR DE C.C O motor e o gerador de C.C. apresentam as mesmas caracte- risticas essenciais e sao muito semelhantes em aparéncia externa, A diferenca esta apenas no sentido que se processa a transfor- maco de energia e no uso a que se destinam. Em um gerador, a energia mecanica € usada para ser transformada em energia elétrica. Em um motor, a energia elétrica é usada para ser trans- formada em energia mecanica, empregada para a movimentacdo de um aparviho utilizador qualquer. A transformacéo realiza-se por meio do induzido provido de condutores na sua superficie, girando em um campo magnético fixo. Um gerador pode funcionar como motor e esta propriedade € aproveitada em diversas aplicacdes prdticas. Tanto o gerador como o motor de corrente continua possuem: Bobinas de campo (a expresséo “campo magnético” encurta-se para “campo") fixas dentro de uma carcaga de aco; Induzido — 0 Totor com o enrolamento chama-se induzido e é provido de canais ou ranhuras longitudinais contendo as bobinas ligadas a um co- mutador; Comutador (sinénimo de coletor) é feito de laminas de cobre isoladas entre si; Conjunto de escovas. Bobina de campo Bobinamento adequadamente isolado para ser montado sobre uma pega polar ou pélo de campo, destinada a produzir o campo magnético ou forca magnetomotriz necess4ria para o funciona- mento do motor. Pélo de Campo ou Peca Polar Cada uma das partes da estrutura magnética do motor que serve para o bobinamento de campo e onde se produz um campo concentrado ou forea magnetomotriz. ’ Careaca A estrutura ou peca que suporta todas as outras pecas do motor. Também faz parte do cireuito magnético do motor, por isso € provida de pés de fixacao. Estator Parte do motor que consiste dos elementos estaciondrios. Rotor Elemento girante do motor, também chamado armadura ou induzido. Ranhuras : So reentrancias cortadas, longitudinalmente na periferia do induzido para alojamento dos enrolamentos. Dente Parte do ferro (nucleo) compreendida entre duas ranhuras consecutivas. Comutador Conjunto de segmentos condutores, isolados entre si e, tam- bém do eixo, destinados a comutar a corrente nos condutores a eles ligados. Lamina Cada um dos segmentos condutores que compdem 0 comu- tador, onde so ligados os fios do enrolamento. Escova Peca condutora deslizante sobre o comutador, destinada a esta- belecer contato entre a parte estacionaria e girante do motor. 12 GC OO — —— : Porta-Escovas Dispositivo destinado a manter uma ou mais escovas em posigéo centrada, guiadas e, devidamente pressionadas contra o comutador, por suportes. Suporte de Porta-Escovas = uma estrutura suporte isolada do motor destinada a manter os porta-escovas em suas posigdes relativas. Dispositivo para regular a presséo da escova i | A regulagem faz-se através de uma mola regulavel que man- tém uma pressdo constante entre as escovas e o comutador. Tal regulacdo é necesséria, varia com o tipo de material e com o grau de desgaste da escova. Uma pressio muito pequena ocasiona mau 4 contato, faiseamento e queima do comutador. Uma pressao muito | alta dé lugar a um desgaste excessivo e superaquecimento devido ! ao atrito. | Eixo H 1 Peca que suporta todo o conjunto do induzido e gira apoiado | nos mancais existentes nas tampas. } | ‘Tampa Pega fixa & carcaca, destinada a suportar um mancal onde se apdia o eixo do rotor e, proteger as partes internas do motor. Frente de um motor | Face ou extremidade oposta ponta do eixo, destinada a \ receber 0 dispositive de acoplamento. Sentido de rotagao O sentido de rotacdo entende-se olhando da ponta do eixo i para o motor. O motor gira normalmente para a direita (sentido 1 dos ponteiros do reldgio) Caixa de ligacées #0 painel de terminais do motor facilmente acessivel para ligacdo rapida do motor a rede de alimentacao, mudanca imediata de tensdo, mudanca répida do sentido de rotacdo, ete. A caixa de ligacdes encontra-se, normalmente, & esquerda do motor, visto pelo lado da ponta do eixo. 13 a a i en \ PRINC{PIO DE FUNCIONAMENTO DO MOTOR DE C.C. | | f © tipo de motor basico de C.C. esta representado na fig. 1. Consiste em um induzido formado de uma bobina, constituida por uma tinica espira de fio que gira entre os pdlos de um indutor composto de um ima permanente (ou um eletroima de C.C.). Cada ponta da bobina (espira) é ligada a uma lamina de um comutador, que por sua vez faz contato com um conjunto de escovas. AS escovas por meio de dois fio recebem energia de uma fonte de corrente continua. Quando se aplica uma C.C. as escovas e a corrente passa atraves da espira (bobina ou induzido), o campo magnético criado por ela age como um ima, realizando uma interacao com o campo magnético existente entre os polos do ima permanente e a espira, deslocando-se o induzido pela forca resultante existente entre os dois campos magnéticos. : Fig, 1, «a» — Motor de C.C Sr. — sentido de rotecéo ab — sentido das correntes. LVIDO POR UM MOTOR MOMENTO DE ROTACAO DESE! DEC.C. A fim de se compreender como 0 induzido de um motor de C.C. gira continuamente, considere-se o motor elementar da fig. 1, que nos mostra uma bobina (induzido) retangular, de uma unica volta de fio, cujo plano fica paralelo ao campo magnético. Existe uma relacdo definida entre 0 sentido do campo magnético pro- duzido pelos pélos do ima permanente (ou pelas bobinas indutoras) © sentido da corrente no condutor, e aquela segundo a qual se desloca o condutor (bobina). Esta relacéo é dada pela conhecida 14 regra.de Fleming, da mao direita, para motores. Observe-se na fig. 1 “a”, 0 sentido das correntes, indicado pelas flechas colocadas ao longo dos condutores da espira. A corrente circula no lado esquer- do “a” da bobina afastando-se do observador como que penetrando no papel e, pela aplicacio da regra da mao direita este condutor tende a se ‘deslocar para cima. No lado direito. ou “b” a corrente se aproxina para o observador como que saindo do papel e, pela aplicagéo da mesma regra, conclui-se que este condutor procura deslocar-se para baixo, com uma forca igual ao condutor anterior, Como a corrente tem a mesma intensidade nos dois condu- tores da espira (esta age como um ima) e ambos _estao dentro de um campo magnético de igual intensidade: Os:pélos formaaos na espira sao atraidos para os polos de nomes contrarios do campo (ima permanente) desenvolvendo um momento que tende a fazer a bobina (induzido) girar em torno de seu eixo, no sentido dos ponteiros do relégio, aproximando os pélos de nomes opostos até que a mesma atinja a situacado mostrada na fig. 1 “b” (90 graus) ees Sup tig ee a Fig. 1 sb» — Bobina no plano neuro ra oe Nessas condicées a bobina (espira) atingiu o plano neutro; esta € uma posicao em que 0 momento de rotacdo é nulo, porque a distancia do eixo da espira (bobina) a linha de ac&o das forgas equivale a zero e é de supor que o movimento deva parar, Isto sO aconteceria se 0 movimento da bobina (espira) fosse lento demais. Normalmente a inércia da bobina faz com que ultrapasse © plano neutro, ao mesmo tempo que haverd uma comutacao por meio do comutador que inverte o sentido da corrente na espira (bébina) . Quando isto ocorre, o campo magnético gerado pela bobina também se inverte. Os pélos de nomes iguais esto proximos, Portanto, se repelindo, desenvolve-se um momento de maneira tal, que a bobina continua no seu movimento de rotacéo, apro- ximando novamente os pdlos de nomes contrarios no sentido dos ponteiros do reldgio, conforme se pode ver na fig. 1 “c”. Sempre que a bobina (espira) estiver atravessando um plano neutro ou plano de momento nulo, ocorrem estes mesmos fatos, isto €, a corrente na bobina precisa ser invertida pela acao do comutador, para se desenvolver um movimento de rotacdo conti- nuado em um unico sentido. © comutador é, portanto, indispensdvel e desempenha um Papel muito importante no funcionamento do motor de C.C. i Fig.) “c" ao a =e Fg. 1 ney — fobina om potsbo con cain tetas Wig ress Ter iaie eae hte O motor de C.C. basico como aparece na fig. 1 tendo uma tnica espira (bobina) seria impraticdvel; usa-se apenas para expor a teoria de funcionamento dos motores. Sempre que a bobina passar por um plano neutio tera pontos mortos, 0 momento ¢ nulo ¢ 0 binério motor que desenvolye é pulsante e isto introduz uma trepidacao na rotacdo da bobina. Em um induzido dotado com muitas bobinas se obtém um momento de rotaciio maior, e se elimina o efeito daqueles pontas em que 0 rhomento se anula. Nos induzidos deste tipo, apenas faz contato com as escovas uma parte minima do numero total de bobinas que sao as que em um dado instante ficam sob comutacao. A maxima diferenca de potencial entre as escovas verifica-se quando estas se encontram em comunicacdo direta com os condu- tores, proximos do plano de inverséo magnética Obtém-se os melhores resultados quando.os motores utiliza- dos na pratica empregam um grande numero de bobinas no indu- zido e um numero elevado de laminas no comutador, como acon- tece no induzido de um gerador. 4 Nao ha diferenca entre a construcao do induzido de um gera- dor e do motor de C.C. O borne negativo de um motor é o de entrada da corrente fig. 1, e por isto é ligado ao borne negativo do gerador de alimentacdo. 16 Capitulo 2 ENROLAMENTO DO INDUZIDO Introducao. © bobinamento do induzido € formado pela combinacdo de espiras como esta que acabamos de ver. Os condutores so colo- cados na periferia do induzido aos pares (de maneira a formarem espiras como a que foi imaginada acima), ligados entre si de forma a se obter cadeias continuas de condutores, em que as tem. induzidas, sejam todas combinadas em um mesmo sentido, e ocupando os condutores de cada cadeia, posicées semelhantes em relagdo as pecas polares, a fim de se obter um potencial igual. TIPOS DE INDUZIDOS Os induzidos usados no motores, de C.C. dividem-se em duas classes gerais: induzido de “‘anel” e 0 tipo de “tambor”. Induzido em anel de Gramme. O nucleo do induzido é formado por um cilindro oco de ferro em forma de anel, sobre o qual os condutores sdo enrolados, Cada bobina € ligada ao principio da bobina seguinte, formando assim um espira continua ou fechada em redor do nucleo de ferro. A intervalos regulares sao tiradas derivagdes para as laminas do comutador. Neste enrolamefito, as voltas de fio nao se entrecru- zam; é simples em sua construcéo e em stias conexdes elétricas. 4s principais vantagens que oferece este tipo de enrola- mento sao: ®) ode adaptar-se a qualquer numero de pélos, se ndo ha alguma objecao devido aos limites de tensio; b) E melhor ventilado, pelo fato de ser a sua constituicéo de tipo aberto; ¢) Como as voltas de fio nao se entrecruzam, torna-se facil @ andlise visual dos defeitos clétricos e magnéticos do circuito. As desvantagens s&o as seguintes: a) Os condutores que ficam do lado de dentro do anel néo cortam nenhuma linha de forca permanecendo ‘inativos, aumentando assim a resisténcia elétrica do induzido, e se com- portam como simples ligacdes das partes ativas dos condutores que se encontram em frente as faces polares, que sio os condu- tores ativos; b) O enrolamento do anel de Gramme requer uma quanti- dade relativamente grande de cobre devido a pequena proporedo de condutores ativos; ¢) Este tipo de bobinamento requer maior trabalho porque nao pode ser feito com bobinas pré-fabricadas, 0 que o torna muito dispendioso; 4) A resisténcia do circuito magnético aumenta com a espes- sura do anel do induzido, ete. Este tipo de induzido e de enrolamento era usado nos proje- tos primitivos. Atualmente é de emprego muito raro nos modelos modernos de maquinas elétricas rotativas. Induzido tipo Tambor. © nticleo deste induzido é composto de um cilindro ou tambor. Qs condutores ou bobinas sao colocados em ranhuras existentes, cavadas na superficie do induzido, fig. 2, ¢ em sentido paralelo ac eixo do mesmo. Os condutores ou bobinas sao ligados uns aos outros nas extremidades, na parte dianteira e traseira do tambor. Fig. 2 — Diagrama em perspective, mostrando a posiggo relativa que ‘cupam nas ranhuras os dois lados de uma bobina qualquer. Ha dois condutores ativos por espira, e os lados da espira estao distanciados um do outro, por cerea de um passo polar entre cada espira, distancia equivalente de centro a centro de pdlos adjacentes. As fem. induzidas nos dois condutores ativos de uma espira qualquer atuarao no mesmo sentido no circuito da espira, e a fem. total por espira sera o dobro da que é obtida com o bobinamento no induzido tipo anel. Para uma mesma capacidade sera empregado menor quanti- dade de fio num induzido em tambor que no induzido em anel, com a vantagem de menor resisténcia. 18 6 FORMA DE REPRESENTAR AS BOBINAS Cada bobina é formada por um conjunto de espiras, e a cada espira correspondem dois condutores; nes figs. 3 © 4, estao repre- sentadas as bobinas com quatro voltas de fi @ grupo de condu- tores que formam o lado da bobina constitui um “elemento”, Elemento é o conjunto das espiras que necessario percorrer para Pessar de uma lamina do comutadot para a sucess “ab” e “ed”? Sao elementos de bobina, figs. 3 e 4 Sempre havera duas vezes tantos elementos quantas bobinas houver im At/, ue Uy, a te) Sem ee ae ae ~ a oe oe 7 Fig.4 Po Fist ef — A e!8 represenlany’ alenrolomentosimbriceda: A, eB, representam SP sRivetionte: enculeter es lviehis eu dado! sorcar ae ee ranbus ab © cd lados de:bobina, Pb — ponte de bobina. © lado esquerdo de cada bobina que aparece nas figs. em tragos cheios, est4 disposto na parte de cits de uma ranhura, © seu outro lado. direito em tracos interrompidos esta no fundo de cutra ranhura, mas sob 0 polo seguinte. Nas figs. 3B e 4B,, temos Simplificada ainda mais a Tepresen- tagao das bobinas. Cada traco vertical Tepresenta entéo um lado de bobina (mesmo quando ha varios condutores em cada lado de bobina) e néo um 86 condutor, ou Seja, que se usa uma tnica espira para representar uma bobina com varias voltas de fio, a a fim de simplificar a representacdo dos enrolamentos, para que Possam ser interpretados com maior facilidade e rapidez. 19 No bobinamento imbricado, cada ponta de bobina “Pb”, fig. 3, é ligada a duas laminas adjacentes do comutador, e por isso tem seus extremos préximos um do outro. No enrolamento ondulado, cada ponta.de bobina “Pb” fig. 4, é ligada a duas laminas afastadas uma da outra, por isso seus extremos estao hifurcados. £ impor tante que o fim de uma bobina e o principio da seguinte se achem sob pélos de diferente polaridade, para que suas f.e.m. se somem e possam atuar em um mesmo sentido. SiMBOLOS CONVENCIONAIS PARA O SENTIDO DA CORRENTE NOS CONDUTORES Nos esquemas, os condutores normais ao plano da figura sao Tepresentados com um pequeno circulo, tendo ao centro uma cruz ou um ponto. E convencao geral, que quando o ciiculo tem uma eruz inscri- ta, fig. 5, representando simbolicamente a cauda de uma flecha, indica que a corrente se afasta do observador penetrando no fio, para dentro do papel como se fosse atravessa-lo A convencao de um circulo com um ponto no centro, fig. 5, representa a ponta de uma flecha e indica que a corrente se apro- xima do observado: com movimento para fora do papel, como que saindo da folha e dirigindo-se ao leitor Fig.5 Fig. 5 — Convencéo geral para indicar © sentido da corrente. A cruz representa a parle posterior de uma flecha, indica que a correnle se afesta do observador © Ppente representa a ponta de uma flecha para indicer a direcdo de corrente saindo do papel oproximando-se do observador TIPOS DE ENROLAMENTO DO INDUZIDO Os induzidos do tipo de tambor podem ser bobinados de duas maneiras distintas: com enrolamento “imbricado” ou bobinamen- lo “ondulado’ A diferenca entre estes dois tipos de enrolamento, é 0 método usado para ligar os elementos do mesmo. No bobinamento imbri- cado, os passos dianteiro ¢ traseiro tém que diferir entre si peio numero de dois. No enrolamento ondulado, 0 passo dianteiro pode ser igual ao passo traseiro. As figs. 6 ¢ 7 mostram a diferenca prin- cipal entre os bobinamentos imbricado e ondulado 20 | | No bobinamento imbricado, as ligacdes se sobrepdem, um lado de bobina “ab” debaixo de um pdlo, fig. 6, esta ligado a um outro lado de bobina “cd” que ocupa uma posicao correspondente sob 0 pélo adjacente. Este segundo lado de bobina “cd” é ligado, para tras, a um outro lado de bobina “ef” situado sob 0 mesmo polo que “ab”, mas com um deslocamento de dois ou mais lados de bobina em relacao a este. Fig. 6 — Diagrama parciel de induzido tipo tambor com bo- binamento imbricado. | induzido. € comutador. P posicio dos pélos, ab, cd e ef lados de bobina cu elementos. No enrolamento ondulado, as conexées sao feitas para adiante, © bobinamento passa sucessivamente sob todos os pelos N e S antes de aleancar 0 polo inicial, como se vé na fig. 7, onde o lado de bobina “cd” é ligado adiante ao lado “ef” que se acha sob 0 polo N seguinte com o dobro da distancia ao pélo de “ab” Fig. 7 — Diagrama parcial de um induzido ‘ipo tambor com enrolamento oudulado, — Indu- zido. C — comutador. P — po- siggo dos pélos, ab, cd © ef — lados de bobina ou elementos. a es Capitulo 3 BOBINAMENTO IMBRICADO Enrolamento imbricado ou em paralelo. Qs enrolamentos imbricados se utilizam em mquinas de i baixa tensfio, onde as correntes sejam intensas, porque tém varios circuitos em paralelo no induzido. Empregam-se também nas méquinas grandes para todas as tensoes. Em conseqiiéncia de ter varios circuitos em paralelo, haveré um grande numero de pélos e um numero igual de escovas. O bobinamento imbricado é chamado de enrolamento em para- lelo, e o'ntimero de ramas em paralelo do induzido é igual ao numero de pélos No desenvolvimento do en1olamento imbricado, fig. 8, estao indicados em tracos mais fortes as espiras (lados de bobina, ele- mentos ou unidades do enrolamento) 1-10 e 3-12; observe-se que depois de formada a primeira espira (bobina) pela ligacao dos ele- mentos 1 e 10 na parte traseira do induzido, a ligagdo ao elemento seguinte é feita retornando em sentido contrario, pela parte dian- teira para fazer a juncdo dos clementos 10 e 3 na lamina 2 do comutador. Fig. 8 — Esquema desenvolvide de um bobinamento imbricado progressive de duas_camadas, 18 ranhuras © quatro pélos. 23 Passo do enrolamento. No enrolamento dos induzidos dos motores de C.C. ha trés passos a considerar a) “Passo da bobina”, largura ou distancia que separa as ranhuras nas quais sao colocados os dois lados de uma bobina, é representado por “Y", e determinado pelo intervalo da conexao be, figuras 9 e 10 © passo da bobina é chamado também de “passo traseiro”, rimeiro passo”, “passo posterior” ou passo dos condutores do lado oposto ao comutador, seu simbolo é “y,” b) “Passo dianteiro”, distancia entre os lados de bobina que devem ser ligados entre si na mesma lamina do comutador, é representado por “y.", figuras 9 e 10. Este passo ¢ chamado tam- bém de “passo parcial”, “segundo passo” ou passo anterior. c) “Passo do enrolamento”, distancia entre os inicios de duas bobinas consecutivas, tem por simbolo “y", figuras 9 € 10. © passo do enrolamento ¢ determinado pela diferenca (bobi- namento imbricado) ou pela soma (enrolamento ondulado) dos passos traseiros “y,"" e dianteiro “y,” Os passos podem definir-se em: ntimero de ranhuras, laminas do comutador. graus. etc. per i sada progressive, at ‘uma’ inetmaBobina ndo. se See “ig. 10 — Bobinamento ondulado progressive. Passo polar. Passo polar é a distancia entre 9s eixos de dois polos conse- cutivos, sendo expresso em numero de ranhuras ou em lados de bobinas. Quando 0 passo da bobina é igual ao passo polar, o enrola- mento é chamado de passo total, passo longo. passo inteiro, passo Pleno, etc., sendo a f.e.m. induzida maxima, Se 0 passo de bobina for menor (au maivr) do que 0 passo polar, os bobinanientos sao chamados ‘ie passo fracionariv, passo reduzido, passo parcial, etc., e a fem. induzida é menor do que no enrolamento de passe pleno 24 CAlculo dos passos do enrolamento imbricado. Os passos traseiro e dianteiro devem sempre ser impares e Giferir de 2, a fim de que seja possivel fazer um enrolamento fechando-se sobre si mesmo, isto é eae 2. @ Quando 0 passo dianteiro é maior que o traseiro, ou quando ha cruzamento das pontas de uma mesma bobina, fig. 11, ) boot namento € “regressivo”, isto é, avanca no sentido inverso ao da marcha dos ponteiros do relégio, olhando o induzido desde ¢ lado do comutador. Na equagao (1) é representado pelo sinal menos (—) © Passo dianteiro pode ser maior ou menor que o traseiro, porém nunca igual. Fig. 11 — Bobinamento imbricado regressivo, @s pontas da mesma bobina se cruzam. Posigdes relativas que ocupam nas ranhuras os dois lados de uma bobina qualquer. Como nos enrolamentos do induzido tipo tambor, as conexées frortais do bobinamento se cruzam, e para que taic coneses Possam ser executadas sem problemas, é usual dispor-se 0 enrola. mnento €m duzs camadas sobrepostas sobre o induzido. Aos lades de bobina ou elementos colocados na parte de cima das ranhuve: aplica-se nimeros impares, e namero pares aos elementoc on lados de bobinas des fundos das ranhuras, ao invés de coloc-los lado @ lado. Em cada camada podem-se dlispor 1, 2, 3 ou mais lades de bebinas, isto é, 2, 4,6 ou mais lados de Lobinas ou, elementoe por ranhura, 25 a ee Quando um dos lados de uma bobina fica no fundo de uma ranhura, 0 outro lado se situaré em cima, noutra ranhura, em campo de polaridade oposta, como mostra o desenho em pers- pectiva da fig. 2, (lados de bobina 1 e 10), onde é mostrada apenas uma parte do enrolamento da fig. 8. Os dois lados da bobina que resultam imersos no pacote lami- nado do induzido, no comprimento do trecho de ranhura, é o que se chama parte ativa da bobina. : Tabela de bobinamento. ‘Uma tabela de enrolamento oferece o valor prético da verifi- cacéo de um projeto, para verificar se cada lado de bobina foi incluido uma tinica vez, e se fecha no mesmo lado de bobina tomado como ponto de origem. « Exemplo: Tabela do plano de enrolamento da fig. 8. Iniciando pelo lado de bobina n.° 1, o bobinamento se desen- volveré de acordo com o seguinte esquema: 1— 10 —3— 125 — 14_7— 16 —9— 18— 11— 20 13 — 22 — 15 — 24 — 17 — 26 — 19 — 28 — 21 — 30 — 23 32 — 25 — 34 27 — 36 — 29 _ 2 314 336 35 —8—1. ‘ Vé-se que o enrolamento cerra-se exatamente no mesmo lado de bobina n.° 1, tomado como ponto de origem. Determinag¢ao do passo da bobina. A largura de lado a lado de bobina, ou seja, 0 “passo de bobi- na” é determinado pelo intervalo da conexéo be, figs. 6 e 9. Deve ser igual ou quase igual ao passo polar, de forma que, quando um dos lados de bobina esta sob.um pélo norte, o outro deverd estar sob um pélo sul. O passo da bobina ou passo traseiro é determinado pelas formulas: n.° de ranhuras gee (2) n.°'de pélos n° de elementos yh ee eet eons n° de pélos os onde; Y¥ = passo da bobina. y, = Passo traseiro. Exemplo: Determinar o passo da bobina, o passo traseiro e 0 passo dianteiro, do induzido de um motor tetrapolar que tem 18 ranhuras fig. 12. Bobinamento imbricado de duas camadas, com dois lados de bobina em cada ranhura. 26 18 ranhuras oS -— 45 i 4 pdlos Este valor nao satisfaz Por nao ser inteiro e impar. Pode ser tomado por exemplo o valor de 4. © passo traseiro, como hé 3 6 elementos ou lados de bobina, | deveré ser igual a: 36 elementos yi = ———______ = 9 4 pélos © passo dianteiro (y.), quando se trat: Progressivo, resulta em + 2, ¢ se & regressivo — 9, Nees caso to- mamos mais 2 (y, — y, + 2) por se tratar de um enrolamento Progressivo com passo dianteiro igual a, ‘a de um enrolamento ai Passo do comutador de enrolamentos imbricados O passo do comutador é igual a diferenga do numero de Ta- nhuras entre o passo traseiro é 0 Passo dianteiro, fig. 9, seu valor € sempre a metade do Passo resultante “y” e tem a seguinte expressao: Veo = Yi — y Dee aes (3) Conseqiientemente 0 passo do comutador resulta “+ 1” para © enrolamento progressivo e — 1 para o regressivo. Exemplo: No induzido de um motor tetrapolar com 18 ranhu- ras, fig. 12, 0 passo traseiro do bobinamento tem um intervalo de 5 ranhuras, 0 passo dianteiro tem um vio de 4 ranhuras. Determinar 0 passo do comutador. Fag aay O passo do comutador em tal enrolamento vem a, er Fk Pela fig. 8, vé-se qi comutador em cada volt do comutado sera + 1, jue o enrolamento avanca uma lamina do ita completa; como & Progressivo, o passo 27 Numero de laminas do comutador de enrolamentos imbricados Para cada bobina é indispensavel prever-se uma lamina no comutador, portanto, o numero de laminas vem a ser: onde N. = numero de laminas do comutador. N numero de bobinas. Z ~ numero de elementos ou lados de bobina. Na fig. 12, esta representado o diagrama de um bobinamento imbricado de um motor tetrapolar, com um induzido de 18 ranhu- ras, tendo dois lados-de-bobina em cada ranhura. Na fig. 8, vé-se 0 esquema desenvolvido do enrolamento do induzido da fig. 12, imaginando-se cortado o induzido na zona compreendida entre as ranhuras 1 e 18 para planifica-lo. Fig. 12 — Representacao desdobrada en. forma circular do enrolamento imbricado Progressiva do induzide com 18 ranhuras de um motor paraieto fetrapolar. Ca — careasa, — bobines de campo. P — péles. L — linha de alimentagao. K — resisténcia de partida, 28 A fig. 13 mostra-nos 0 diagrama da corrente nos condutores do bobinado para a posicéo do induzido representado nas figuras Be 12. Fig. 13 — Esquema de corrente nos condutores ‘do enrolamento para a posi¢ao do induzido representado nas figuras 8 e 12. Enrolamentos imbricados miultiplos Nos bobinamentos imbricados simples, 0 ntimero de ramos ou cireuitos em paralelo do induzido @ igual ao numero de polos. Logo se o mutor for de 4 “los tera 4 circuitos em paralelo; 8 Yamos em paralelo se for de 8 pdlos e, assim por diante, Entretanto para motores de grande capacidade, com baixas tensoes € altas intensidades de corrente, € necessdrio dispor um bobinado imbricado multiplo para poder subdividir a corrente em dois ou trés circuitos (ou enrolamentos simples) que se ligam ao comutador. Normalmente nao sao usados enrolamentos multiplos com mais de trés cireuitos, estes sao chamados triplex, Pratica- mente o tinico bobinado multiplo mais usado é 0 de dois circuitos, chamado duplex. No enrolamento de dois circuitos (ou dois enrolamentos), o primeiro bobinamento, depois de te: dado uma volta em torno do induzido ccupando unicamente ranhuras ¢ laminas alternadas fecha-se sobre si mesmo. O segundo enrolamento igual ao primeiro coloca se nus ranhuras e laminas vagas do induzido e do comu- tador, fecha-se também sobre si mesmo, ficando inteiramente separado uv primeiro. Este tipo de enrolamento é duplex, de dupla reentrancia ou duplamente reentrante, porque cada enrolamento se fecha sobre si mesmo. No enrolamento duplex, duplamente reentrante, as ligacées do primeiro enrolamento ligar-se-4o com as laminas da numero impar do comutador, enquanto que as conexdes do segundo bobinamento se fazem nas laminas de numero par. O passo traseiro e dianteira do segundo enrolamento sao iguais ao do primeiro. Os dois enro- lamentos sao ligados eletricamente no comutador, com escovas bastante largas, para permitir o fluxo simultdneo de corrente nos dois enrolamentos. 29 Chama-se enrolamento duplex reentrante simples, quando com qualquer ntimero de pares de pélos, 0 numero de laminas é impar. Neste. caso, o primeiro enrolamento depois de haver per- corrido uma vez 0 induzido, sem fechar-se sobre si mesmo, entra no segundo bobinamento para fazer a segunda volta e reentrar no primeiro, para poder-se fechar na mesma lamina (ou lado de bobina) que comegou. | Desde 0 ponto de vista elétrico, tanto o enrolamento de reen- trancia simples como o duplamente reentrante sao iguais. No enrolamento imbricado simples, o passo do comutador “y,,” € igual & unidade; em um bobinamento imbricado duplex Yeo = 2; em um enrolamento triplex y.. = 3; etc. Normalmente o mais utilizado é o enrolamento imbricado muiltiplo progressivo. Conexées equipotenciais Nos motores multipolares, devido 4 assimetria do fluxo causado pela imperfeic&o do circuito magnético, irregularidades no entre- ferro, excentricidade dos mancais, etc., provocam diferencas ou desigualdades entre as f.e.m. dos diferentes pontos do enrola- mento, cujos potenciais deveriam ficar normalmente iguais entre si. Como alguns destes pontos acham-se ligados por escovas da mesma polaridade, originam-se correntes de compensagéio que passam pelas escovas. Por ser a resisténcia deste circuito muito baixa, uma pequena diferenca na f.e.m. pode produzir grandes correntes de compensagdo circulando pelas escovas, produzindo centelhamento que prejudica o comutador e diminui o rendimento ‘do motor. Para liberar as escovas destas correntes de compensacao, ligam-se entre si os pontos do induzido entre os quais deveria existir uma perfeita simetria. Estas ligagdes chamam-se anéis ou conexGes equipotenciais, e podem -ser feitas no enrolamento ou no comutador, por condutores de resisténcia desprezivel. As cor- rentes de compensacéo circulardo por estas conexdes sem passar pelas escovas. A corrente de compensacéio que circula pelas escovas é cor- rente continua. A que passa pelas conexdes equipotenciais é alter- nada dando origem a um campo magnético, que reforca o fluxo do motor onde esta fraco e, o enfraquece onde é forte. Desta forma as ligacdes equipotenciais eliminam a propria causa que provoca as correntes de compensacéo, e melhoram a comutacao. 30 Recapitulacao sobre bobinamentos imbricados No enrolamento imbricado, um lado de bobina “ab”, figs. 6 e 9, debaixo de um polo 6 ligado a cd, que esta sob 0 pélo adjacente. “cd” € ligado diretamente de volta a um outro lado de bobina “ef”, que se acha sob o mesmo pélo que ab. A fig. 6 mostra a disposic¢éo de duas bobinas de um bobina- mento imbricado, enroladas sobre um nticleo de tipo tambor. usando-se 0 proceso de dar um passo para a frente e outro para tras. No bobinamento imbricado visto do lado do comutador, quando as conex6es das pontas das bobinas nas laminas avancam no sentido dos ponteiros do relogio, chama-se “progressivo” ou sem cruzar, € indicado pelo sinal mais (+) fig. 9. Se por outro lado, nas mesmas condigdes, 0 bobinamento avanga no sentido contrario aos ponteiros do relégio, tem o nome de “regressivo” ou em cruzamento, sendo indicado pelo sinal me. nos (—) fig. 11. O numero de laminas do comutador € igual 4 metade do numero de elementos ou lados de bobina. O lado de bobina “cd”, fig. 6, € ligado para tras a “ef” de velta ao pdlo N. inicial. Os passos traseiro e.dianteiro devem ser impares e diferir de 2 unidades. @ passo deve ser de um valor tal que os lados opostos de cada bobina caiam sob pélos diferentes. Partindo-se de uma lamina do comutador € seguindo-se o bo- binamento, ‘chega-se a lamina adjacente depois de ter percorrido uma s6 bobin , constituida por um lado embaixo de um pdlo e outro lado embaixo do pélo de nome contrario que o segue. © numero de elementos deve ser par, pois os mesmos sdo ligados aos pares a fim de formarem as bobinas. Qs lados opostos de cada bobina devem cair sob campos de polaridade diferentes, para que as duas f.e.m. nos dois lados da bobina sejam aditivas. 5 O bobinamento imbricado possui tantos circuitos internos e tantas escovas quanto sao os pdlos do motor. Os circuitos internos do enrolamento so agrupados em para- lelo através da ligacdo das escovas. Estas por sua vez, as que tém @ mesma polaridade, agrupam-se entre si para formar, respecti- vamente, o borne positivo eo boine negativo aos quais liga-se a linha de alimentacao “L”, figs. 8 e 12. Os enrolamentos imbricados miultiplos so empregados em grandes motores de baixa tensao e elevada intensidade, o que permite subdividir a corrente em varios circuitos e empregar con- dutores de pequena segio. Para um enrolamento duplex, a escova deve ser suficiente- mente larga para cobrir duas laminas do comutador; para um bobinamento trfplex a largura da escova devera cobrir trés laminas, e assim por diante. E muito raro encontrar escovas cobrindo mais de quatro laminas. Nos bobinamento mitiplos duplex, quando cada um dos enro- lamentos é fechado sobre si mesmo, se chama de dupla reentran- cia. Se o mesmo bobinamento, depois de haver percorrido una vez o induzido tem de fazer uma segunda volta, antes de poder fechar- se na mesma lamina que comecou, é chamado reentrante simples. No enrolamento imbricado dtiplex, 0 passo do comutador é 2} Yeo = 3, em um enrolamento triplex, etc. ‘As conexées ov anéis equipotenciais, proporcionam um cami- nho de baixa resisténcia as correntes de compensacdo, e deverao ser usadas nos enrolamentos de mais de dois polos com mais de dois circuitos em paralelo. Yeo Capitulo 4 BOBINAMENTO ONDULADO Enrolamento Ondulado ou em Série Os enrolamentos ondulados, também denominados em série, sao amplamente usados nas maquinas pequenas onde as tensdes sao elevadas. £ também utilizado quando o emprego de um bobi- namento imbricado resulte em um condutor de pequena seco ou em muitos condutores em uma ranhura O bobinamento ondulado tem somente dois ramos em para- lelo, figs. 14, 18 e 16, por isto sao freqiientemente chamadee de enrolamentos de dois circuitos. Oferecem a vantagem de dar uma Fig. 14 — Diagrama polar do enrolamento mostrade na fig. 15. 17 ranhuras, quatro Pélos. C commitador. 33 2S LITLE ZZZA ZA lorareres Ws Z Figs Fig. 15 — Bobinamento ondulado em duas camadas, 17 ranhuras, quatro pélos, Passo da bobina 4-5, passo do comutador 1-9, Fig. 16 — Esquema da corrente nos condutores do enrolamento para a posicio do induzido representado nas figuras 14 e 15. Como nos enrolamentos ondulados os condutores de cada circuito estéo distribuidos embaixo de todos os pélos do motor, nao ha circulagao de correntes alternadas por causa do desequi- librio do fluxo magnético. Por isto, nos bobinamentos ondulados nao s&o necessérias as conexées equipotenciais. Ha casos em que existe a vantagem no emprego de apenas duas escovas, como por exemplo nos motores empregados na tracao elétrica urbana, dado que o limitado espaco disponivel torna dificil obter acesso a quatro ou seis escovas. © passo traseiro “y,” e 0 passo dianteiro “y,” precisam ser ambos impares, como acontece no enrolamento imbricado, para que um lado de uma bobina possa ficar na parte superior de uma ranhura e o outro lado na parte de baixo de outra. No bobinamento ondulado, os dois passos “y,” e “y,” podem ser idénticos, sendo 0 caso contrario com o enrolamento.imbrica- do, em que o passo dianteiro pode ser maior ou menor que o tra- seiro, mas nunca igual 34 Passo médio © passo médio & dado pela expresso Nj 7b Se Yu = (5) 2 ¢ tanto pode ser par como impar, porém ambos devem ser nime- Fospumpares, & fim de que seja possivel formar um enrolamento fechando-se sobre si mesmo. Passo do comutador de enrolamentos ondulados Passo do comutador é o ntimero de laminas compreendido entre as pontas ‘de uma bobina qualquer. O passo do comutador num bobinamento ondulado é diferente do enrolamento imbricade No bobinamento ondulado é igual & soma aritmética do numero de ranhuras abracadas pelas conexées das pontas do lado de tras do induzido, “¥" fig. 10, com o numero de ranhuras que A conexoes das pontas abraam do lado do comutador, “y.”"“da mesma fig. 10. Assim: SS as (6) ou entao por esta outra formula; op N +1 YX, = ) BR Passo do comutador. numero de laminas do comutadoi. ntimero de pares de pélos. Passo posterior da bobina ou “passo da bobina” em n.° de ranhuras. Representa a amplitude das bobinas, Tepresentando as ligagdes dos elementos do lado oposto ao comutador. Y, = Passo anterior, representa a distancia, em n.° de ra- nhuras, entre os lados de bobina que devem ser ligados entre si na parte frontal do comutador. Exemplo: O induzido de um motor tetrapolar tem 17 ranhu- Tas e 0 mesmo numero de laminas, fig. 14. O numero de ranhuras que formam 0 vao da bobina do lado de tras do induzido é ¥ = 5, © numero de ranhuras abracadas pelas conexées do lado do comu. tador € y, = 4. Pede-se determinar 0 passo do comutador. 35 Y= .5 4. = Of eure — © passo do comutador devera ser igual a 9 laminas. Enrolamento progressivo e regressive © bobinamento, visto do lado do comutador, depois de dar uma volta pelo induzido a partir de um certo lado de bobina que cai em uma ranhura e uma lamina, a direita de seu ponto inicial, fig. 10, tem o nome de “progressivo™ a Fig 7 Fig. 17 — Enrolemento ontlulado regressive. Se nas mesmas condigées anteriores, 0 enrolamento cai em uma ranhura e uma lamina a esquerda de seu ponto de partida, fig. 17, vem a chamar-se “regressivo” © sinal mais (+) indica que se trata de um bobinamento “progressivo” e 0 sinal menos (—) de um enrolamento “regres- sivo” i Niimero de laminas do comutador dos enrolamentos ondulados Como no enrolamento imbricado, no bobinamento ondulado © numero de laminas do comutador coincide com o numero de bobinas. N, = numero de laminas do comutador. Z = nimero de elementos ou lados de bobina. Por outro lado, temos que o numero de laminas do comutador é igual ao numero de pares de polos multiplicado pelo passo médio mais um, ou menos um, segundo a férmula N= Poy 41 (8) N. = numero ue laminas do comutador. P = ntuneio de pares de pélos. Ya = passo médio. Em um bobinamento ondulado se “P” é par, correspondendo 2 4, 6 ou 8 pélos, o produto “P . y,” € sempre par, de forma que N, sera impar. Se 0 passo médio e o mimero de pélos séo impares, tanto 0 niimero de laminas do comutador como o de bobinas sero pares. Se 0 passo médio for par e o mtimero de pares de pdlos impar, © numero de laminas do comutador e o de bobinas serao impares. Exemplo: Na fig. 15, est4 representado o esquema do induzido do motor tetrapolar da fig. 14, onde o passo médio de seu enro. lamento tem um valor de “y, — 9”. Aplicando-se a formula (8) para achar o numero de laminas teremos que: Rea Oe See en Re ae Como o enrolamento da fig. 15 é regressivo. sera preciso um comutador com 17 laminas. Recapitulagao’sobre enrolamentos ondulados So ha dois caminhos através do bobinamento ondulado com qualquer numero de pélos. Os enrolamentos ondulados néo precisam de conexées equi- potenciais. No que concerne ao sentido e a grandeza da f.e.m. induzida no bobinamento, nenhuma diferenca faz se a conexdo em vez de voltar ao pélo norte inicial (como acontece nos enrolamentos im. bricados) avanca para o préximo pélo norte, figs. 7, 10, 14, 15 e 17, © ntimero de laminas do comutador ,é igual ao numero de bobinas No bobinamento ondulado, depois de ser o induzido contor- nado uma vez, se o enrolamento coincidir com uma lamina a direita é progressivo, se coincidir com uma a esquerda da lamina inicial seré regressivo, figs. 10 e 17 respectivamente. Os passos traseiro e dianteiro devem ser impares. Na fig. 14 esta representado o esquema de um enrolamento ondulado de um induzido, com 17 ranhuras, de um motor tetrapo- lar, onde se encontram 34 elementos ativos alojados em ranhuras. A fig. 15 € 0 esquema des2nvolvido do bobinamento do indu- zido da fig. 14, imaginariamente cortado entre as ranhuras 1 e 17. As pontas das setas mostram o sentido da f.c.m. A fig. 16 mostra-nos o diagrama da corrente nos condutores do bobinado para a posic&o do induzido representado nas figuras 14 © 15. As espiras 7-16 e 15-24 nao participam da f.e.m. por estarem curto-cireuitadas pelas escovas. 37 Enrolamento série-paralelo © tipo mais comum de enrolamento série-paralelo é 0 ondu- lado, podendo ser o numero de circuitos maior que o numero de polos. Sabe-se que no enrolamento ondulado simples, o numero de vias ou circuitos do induzido é sempre dois, com qualquer —ntimero de pélos. Sendo 4 o ntimero de Circuitos, o enrola- mento € chamado ondulado-duplo; se o numero de vias é 6, ondu- lado-triplo Assim como nos enrolamentos simples em série, sdo suficientes dois jogos de escovas sobre o comutador, sendo necessdrio que a largura da escova abrace tantas laminas quantos so os circuitos (ou enrolamentos). Com 0 enrolamento série-paralelo, aproveitam-se as vantagens da distribuigao de corrente em varias vias dos enrolamentos imbri- cados e a regularidade e equilibrio da f.e.m. dos bobinamentos ondulados. Outra das vantagens do enrolamento série-paralelo é a de nao precisar conexdes equipotenciais, j4 que os condutores de um dos bobinamentos servem simultaneamente de conexdes para outro enrolamento. © processo para o enrolamento duplex ou triph x é 0 mesmo que 0 empregado para o simples. No bobinamento ondulado sim- ples, depois de ser contornado uma vez o induzido, o enrolamento deve coincidir com uma l4mina imediata A inicial. No enrola- mento série-paralelo, apés ter completado a primeira volta, se 0 enrolamento é ondulado-duplo deve coincidir com uma lamina situada em terceiro lugar (para a direita ou para a esquerda) imediato & que partiu. Bobinas miltiplas Apenas tém sido ilustrados os enrolamentos, onde o numero de ranhuras coincide com o de Jaminas, para maior clareza e melhor assimilacao desta subjetiva técnica de enrolamento dos motores elétricos. Nao obstante, em maquinas de grande capacidade, para me- Ihorar a comutacéo ha necessidade de fazer 0 comutador com maior numero de laminas, porque, segundo as normas, a tensdo entre laminas adjacentes nao deve ser superior a 16 volts aproxi- madamente. Neste caso, cada bobina do induzido consta de varias bobinas parciais que tém o nome de bobinas multiplas, ou seja, bobina dupla, tripla, quadrupla ete. Em motores cujo comutador dispde de um numero suficiente de laminas, caso se usassem dois lados de bobina em cada ra- nhura, seria necess4rio um grande numero de ranhuras. Por ra- zoes construtivas, este niimero nao pode ser muito aumentado 38 a Porque haveria necessidade de se fazer o induzido com maior dia- metro. Para evitar isto, colocam-se mais de dois lados de bobina em cada ranhura, reduzindo assim o numero destas e obtendo-se maior largura do dente. © modo de fazer a colocacéo dos elementos em cada ranhura € a forma de numerar e ligar estas bobinas, em nada difere do que foi explicado para os enrolamentos em que cada ranhura comporta apenas dois lados de bobina. Capitulo 5 COMUTACAO Agao do comutador em um motor de C.C © comutador faz com que a corrente nas espiras do induzido Sela invertida ao passar de um pélo para outro, sendo ao means tempo curto-circuitadas pelas escovas. A Inverséo da corrente no momento em que os pélos de nomes contrérios. se defrontam e o curto-circuito instantaneo das espiras, Por conseguinte, é importante que a comutacéo se processe de uma maneira uniforme com qualquer carga, sem produzir cen- telhas. pois da comutacao depende o bom funcionamente do motor. REACAO DO INDUZIDO No motor bipolar da fig. 18, a linha “Ln”, perpendicular ao fixe do campo magnético ou eixo “Ep” (diregao do fluxo) eo linha neutra fisica coincidem neste caso com a linha ou eixy geo- métrico neutro, linha “a-b” da fig. 18. E Fig. 18 — Reacdo da armadura PN ‘ou reagio_do induzido. ab — eixo geométrico neutro, ab’ eixo do campo em oposicaa (névo plano neutro). campo resultente. lo de rotacao. Ri — reacao do induzido, i Quando se aplica carga ao motor, a corrente que circula através da armadura produzira um campo magnético em torno das bobinas do induzido como resultado desta corrente, cuja reagdo sobre o campo indutor sera tal que se oponha ao movi- mento de rotacéo do induzido, de acordo com a lei de Lenz. A presenga deste segundo campo em oposicao, distoree 0 campo principal produzido pelas bobinas indutoras e determina um desvio do plano neutro de comutagéo (linha “a-b” fig. 18) no sentido contrério da rotacdo. Este efeito 6 conhecido como “reagéo do induzido”, “Ri” fig. 18 CONSEQUENCIAS DO DESVIO DO PLANO NEUTRO Se a posicéo das escovas é mantida no plano neutro no mo- mento em que as bobinas passam pela zona de comutacdo, as - mesmas so postas em curto-circuito pelo fato de serem as duas f laminas ‘correspondentes do comutador colocadas em curto pela escova. Havera um forte centelhamento entre a escova e 0 comu- tador no instante da ruptura ao colocai em curto bobinas que tém } corrente induzida causada pela densidade do fluxo da reacdo do induzido existente na zona neutra. Aumentando esta reagéo a medida que a corrente de carga aumenta, e quanto mais espiras tiver a bobina induzida, maior sera a corrente de curto-circuito : e mais desastrosa a corrente de ruptura quando as laminas curto- circuitadas deixem as escovas, porque esta corrente de ruptura produz um arco elétrico que fere o comutador, retirando-lhe mintsculas particulas de cobre de efeito grandemente prejudicial para este ultimo. NEUTRALIZACAO DO PLANO NEUTRO Empregam-se varios procedimentos para neutralizar o desvio do plano neutro ou contrabalancar a f.e.m, de auto-indugio: a) — Nos motores pequenos os efeitos da reagio do induzido sao reduzidos através do conjunto de escovas, que podem ser des- locadas no sentido contrario da rotagéio em relagao a linha dos polos, até que o faiseamento seja minimo, isto é, as escovas devem estar atrasadas devido & distoreao do campo pela reagao do indu- zido, no melhor ponto de comutacao em plena carga. Este procedimento tem o inconveniente que ao serem deslo- cadas as escovas ficaré afetada a velocidade do motor devido ao fato de que varia o numero de ampéres-voltas desmagnetizante, e em conseqiiéncia variaré o fluxo; b) — Aumentando o entreferro com pdlos chanfrados que aumentam a distancia entre a face dos pdlos e o induzido. Este aumento compensara a tendéncia do desvio de campo e nao serd afetado grandemente pela reagao do induzido; ¢) — Com enrolamentos de compensacdo que consistem de uma série de bobinas embutidas em ranhuras nas superficies dos 42 ey — a Pélos principais. Estas bobinas so ligadas em série com o indu- zido. Como passa pelas bobinas de compensac&o a mesma corrente do induzide, mas em direcdo oposta, 0 campo por elas gerado vai contrariar 0 efeito da reag&o do induzido. Em conseqiiéncia o Plano neutro fica estacionério e as escovas nao tém que ser remo. vidas: d) — Pelo emprego de pélos de comutacio, de forma que o he plano neutro fique sempre exatamente no meio do espaco entre 08 pélos principais, ete. POLOS DE COMUTACAO, INTERPOLOS OU POLOS AUXILIARES Praticamente todos os motores de corrente continua, exceto os de pequena poténcia, so equipados com polos de comutacao ou interpolos quando a reacao do induzido é muito grande ou Quando a tenséo de reatancia é maior que dois volts aproxi- madamente. ! Qs interpolos sAo colocados entre os pélos principais (onde existia a zona neutra). Os pdlus auxiliares ou polos de comuta- gao sao menores e mais estreitos que os pélos principais, sendo construidos de modo a produzirem uma densidade de fluxo supe- rior ao necessario Os entreferros dos interpolos séo de dimensdes maiores que as usuais; para que o fluxo gerado se conserve proporcional & - intensidade da corrente que circula no induzido. Os polos de comutacao sao ligados em série com o induzido €, como por suas bobinas circula a corrente da linha, sio enrolados com poucas espiras de fio relativamente grosso, fig. 19. Fig. 19 — Motor tetra- polar. Pc — pélos comufagéo. L — linha je entrada, R — re- sisténcia de partida, O campo magnético dos pélos de comutagao é da mesma pola- ridade do pélo principal anterior, no sentido da rotac&o do motor, (assim N,n,S,s,) e induzem nas bobinas que passam pela zona de comutacao uma f.e.m. dirigida contra o efeito (reag&o do indu- zido) das bobinas induzidas, quando elas sao postas em curto- circuito pelas escovas, e atenua em grande parte a corrente de auto-inducao. VANTAGENS DOS POLOS DE COMUTACAO Como os interpolos sé excitados pela corrente de linha, induzem uma forca eletromotriz exatamente oposta a gerada pela reacao do induzido para todos os valores de carga, mantendo uma comutacgao adequada com qualquer carga. Nao € preciso decalar as escovas, permitindo conserva-las em posico fixa (na posi¢do que corresponde as zonas neutras) com qualquer carga, o que melhora bastante a caracteristica do motor. Elimina a aco desastrosa da faisca, etc. EXCITACAO DOS MOTORES DE C.C. A velocidade de rotagao de um motor de C.C. depende da inten- sidade do campo, do valor da tensio aplicada no induzido e da carga Os motores de C.C. podem ser excitados em paralelo, figs. 12 e 20; em série fig. 21, e compostos fig. 22, variando sua velocidade ou seu conjugado de acordo com a variagéo da carga que os mes- mos suportarn ‘escovas. R — resisténc A — amperimetro. R — resisténc linha de alimentacao. perimetro. Capitulo 6 TIPOS DE MOTORES MOTOR PARALELO, DERIVACAO OU SHUNT © motor paralelo tem seu campo “BC” (bobinas de campo) lgado diretamente a linha de alimentacdo “L” em paralelo com © Induzido, figs. 12 e 20. Em série com o induzido ligada uma Tesisténcia “R” de partida a fim de limitar a corrente até que a velocidade seja suficiente para gerar a feem. © conjugado de partida é inferior ao dos outros tipos de mo- tores de C.C. © motor paralelo ¢ de velocidade constante, podendo-se tam- bém varié-la, proporcionando um controle da velocidads precisa # aplicado em bombas, sistemas Ward-Leonard, maquinas de fiacdo, ventiladores, elevadores, esteiras transportadoras, ventoi- ahas, oficinas mecanicas e onde, de modo geral, seja necessério acionamento & velocidade constante (com conjugado constante), sendo muito usado também onde se precisa vatiar ou ajustar a velocidade. MOTOR SERIE No motor série, o conjugado varia com a carga Porque as Pobinas de exeitacdo ou de campo “CS” esto ligatas’ ore série fig ay, uduzido e @ linha de alimentacdo “L”, tal como seve me toda a corrente que passa pelo induzido. Como ho caso anterio. do motor paralelo, tem intercalada Guna Tesisténcia “R” em série com o induzido, a fim de limiter o coanane de Partida até obter a velocidade desejada, Os moteres Pequenos nao tém esta resisténcia de partida 45 c= © motor série tem grande fora de arranque (por isto é em- pregado em bondes, dnibus e trens elétricos). & de velocidade variavel e funciona com bom rendimento em qualquer rotacdo, mas suprimindo-se a carga, a velocidade aumenta perigosamente podendo disparar até arrebentar o induzido por efeito da forca centrifuga, por isto so dificilmente empregados com transmissio Por correia, porque se esta rompesse ou soltasse perderia a carga Tepentinamente. Nunca deve funcionar sob a condicdo sem carga. © motor série quando projetado especialmente, pode trabalhar indistintamente com C.A. ou C.C. uste tipo de motor é o “motor universal”; seu rendimento é inferior ao dos motores série de C.C. ou C.A.; € um tipo monofasico usado em circuitos de 110 ou 220 volts, No motor série de C.A. a bobina de campo tem menos espiras do que no motor série de C.C. para diminuir a reatancia do campo, permitindo a passagem da corrente necesséria. Quando um motor série € alimentado com C.A. a corrente no campo e no induzido é invertida simultaneamente em ambos, e 0 motor continua a girar na mesma diregdo tal como se fosse usado em C.C. © motor universal normaimente é construido nas poténcias fracionarias, (abaixo de 1 ev) soe aleangar alta velocidade (aprox. 11000 1pm) so limitada pelo efeito da forea centrifuga no rotor. Sao usados em limpadores a vacuo, ventiladores, maquinas de costyra, mAquinas de furar, maquinas de escritério, ferramentas portateis e, na maioria dos aparelhos eletrodomésticos que, dess? modo, podem funcionar com os dois tipos de corrente. A operagaio de um motor paralelo ligado a uma fonte de C.A é imprevisivel. MOTOR COMPOSTO, COMPOUND OU MISTO © motor composto é uma combinacao com caracteristicas do motor série e paralelo, liga-se A linha como mostra esquematica- mente a fig. 22, “R” é a resisténcia de partida. 22 — Motor composte, com- Bound ou misto. CP — compo © campo consiste de dois cireuitos HC, € outro em paralelo “CP” com of ligado em paralelo “CP” & pobinado com muitos espiras de fio de aaetierets®: © Gampo série “CS” élenrolado con um niimero relativamente pequeno de espiras ¢ o fio deve ter uma secao sufi- ciente que permita suportar toda a corrente que passa pelo indu- indutores, um em série induzido, fig. 22. 0 campo 0 motor cujo campo série se liga de modo a reforear 0 bobina- jnento paralelo produzindo fluxos concordantes, din ct que o motor € “composto cumulativamente”. Nestes motores quando aumenta catgas pesadas e bom conjugado de partida. E empregado onde se precisa de forte torcdo de arranque, diminuigéo da velocidade ou de aumentar » carga sem que possa aleangar o motor valores perigoscs quando sent carga, ete No motor composto, quando se liga o enrolamento série em Sposi¢ao a0 bobinamento em paralelo, os fluxos Produzidos sao obostos se diz que o motor & “composto com fluxo diferencial” ou “subtrativo”. O aumento q mantém-se praticamente cons- tante Os motores de excitacéo compostos de “ um conjugado de partida muito pequeno e se deseja velocidade praticamente constant, uste tipo de motor é pouco usado. © motor composto mantém firme a velocidade da fluxo diferencial” tem so utilizados quando e ao variar a carga CONTROLE DE VELOCIDADE DE MOTORES DE C.C. Os motores de C.C. so usados especialmente em todos os casos em que se precisa de uma velocidade ajustavel e variavel. Fabricam- seem poténcias que vao aproximadamente de 1/100 até milhares fe cv Pode-se variar a velocidade de um motor de C.C. através de uma resisténcia varidvel ligada em série com 0 campo ou com o induzido. A velocidade ‘ie rotagao de um motor de C.C. depende da inten- sidade do campo e da tensao no induzido Aumentando a resisténcia do campo paralelo aumenta a velo- cidade. Aumentando a resisténcia do induzido diminui a veloci- dade, tendoo mesmo efeito que a reducdo de tensao fornecida ao motor. No gerador de C.C. a tensdo é controlada pela variacéo de uma resisténcia ligada as bobinas de campo. No motor de C.C. a resis- téncia varidvel é ligada em série com o induzido para ser posto em marcha evitando a corrente excessiva na partida. INVERSAO DO SENTIDO DE ROTACAO DO MOTOR DE C.C © sentido de rotagdo de um motor de C.C. depende da direcao do campo e do sentido da corrente no induzido, Para inverter a rotacio do motor trocam-se as ligagdes, ou sé das bobinas de campo, ou s6 se invertem as ligacoes do induzido, mas nao dos dois, porque mudam-se simultaneamente as polaridades e 0 motor continua a girar no mesmo sentido. De preferéncia devem ser invertidas as ligagdes do induzido, deixando-se intactas as ligacdes das bobinas indutoras que geral- mente incluem enrolamentos em série e em paralelo. As figs. 113, 114 e 115 mostram distintos diagramas para a reversdo do sentido de rotacéo de um motor de C.C. Capitulo 7 BOBINAMENTO DE MOTORES PARA CORRENTE ALTERNADA Divisdo dos motores de C.A. Os motores de corrente alternada (C.A.) dividem-se em duas classes Principais: motores ‘sineronos e motores assincronos, MOTOR SiNCRONO anne Catacteristiea basica do motor sincrond é : a(velocidade cons> (tante’ind te das variagoes de —Existe proporciona- ‘lidade constante entre a velaci lade média de funcionamento e a freqiiéncia de sue férca eletromotriz. © motor sinerono utiliza um campo magnético giratério da mesma forma que o assincrono. Seu estator (idéntico ao de um alternador e ao de um motor assincrono) apresenta um bobina- mento simetricamente distribuido, o qual, quando é ligado a fonte de alimentagéo produz um fluxo que gira em torno do entreferro a uma velocidade constante. A diferenca com o motor assincrono é que no motor sincrono © rotor gira em sincronismo com o campo magnético do estator €,em funcionamento recebe energia elétrica de dois _modos; o estator é alimentado Pela rede de corrente alternada e, © rotor, Tecebe corrente continua Para excitacio, excetuando-se os moto- res sincronos de pequena poténcia, como por exemplo os empre- gados em relégios elétricos, estroboscépios, registradores de consumo, ete., que séo construidos para trabalharem sem exci. tacao a corrente continua. O rotor € construido com o mesmo numero de Pélos (tipo saliente) utilizados no estator. A forga de rotag&o desenvolvida no estator nao depende das correntes de induedo do rotor, porque éste é transformado num eletroima (deixando de ser uma bobina induzida) ao aplicar-se uma alimenta¢ao de corrente continua a seus enrolamentos, produzindo assim outro campo magnético. Estes dois campos magnéticos (um formado pela corrente alter- corrente continua aplicada ao bobinamento do campo do rotor) Teagem um sobre o outro de tal forma que o rotor, sendo um ele- twolma tem seus polos atraidos por aqueles de polaridade oposta 20 do estator. Como o campo magnético do estator é do tipo girante, 6s polos do rotor acoplam-se aos do campo magnético piratorio do estator fazendo com que os pélos do dito rotor sejam forgados a girar em sincronia com os pélos rotativos do estator. 49 A velocidade sincrona com que giram 0 campo magnético do estator e os pdlos do rotor é diretamente proporcional 4 freqiién- cia do sistema alimentador e inversamente proporcional ao nume- ro de pélos.do bobinamento do estator. A unica possibilidade de se alterar a velocidade média de um motor sinerono quando em regime de funcionamento é pela varia- co de freqiiéncia do sistema alimentador, j que os pélos do esta- tor e do rotor sao ligados firmemente por um elo magnético girando conjuntamente a mesma velocidade. Partida do motor sincrono. Por si mesmo, o motor sincrono nao tem conjugado de parti- da. Para resolver o problema de partida ha diversos procedimentos, o mais comum € 0 tipo de rotor com uma combinacdo dos rotores do alternador e do motor assincrono, para isso, coloca-se no dito rotor um enrolamento tipo gaiola de esquilo, (disposto em ranhu- ras praticadas nas faces polares) semelhante aquéle de um motor assincrono. O enrolamento em curto-circuito (gaiola de esquilo) serve também como amortecedor de mudangas de velocidades instantaneas resultantes de variacées de carga e, por esta razo, é geralmente conhecido com o nome de enrolamento amortecedor. Se a resisténcia do bobinamento amortecedor fér relativamente baixa, 0 conjugado de partida sera reduzido. O motor sincrono parte assim: Alimenta-se o estator (man- tendo desalimentado o campo do iotor, ou seja, sem nenhuma corrente de excitacio) como se fora um motor de inducdo assin- crono ordinério. As correntes que se originam na gaiola de esquilo criam o conjugado que traz a velocidade quase a um valor pr6- ximo ao da velocidade sincrona (cérea de 95% desta). Alimenta-se, entao, gradualmente com corrente continua, as bobinas de excita- cao dos pélos do rotor, até que os pélos imantados, passem a girar sozinhos com a velocidade de sincronismo do campo magnético girante do estator. Segundo a poténcia dos motores sincronos, quando inicial- mente 0 estator é ligado 4 réde de alimentacao, ¢ possivel que devido ao grande numero, de espiras das bobinas de excitacdo (campo) se originem nestas por transformacao eletromgnética tens6es elevadas, principalmente quando o rotor se encontra parado ou quando sua velocidade é diferente da velocidade sincro- na. Para se evitar éste inconveniente, é¢ indispensavel colocar o bobinamento de campo (excitacéo) em curto-circuito através de uma resisténcia durante a partida. Esta mesma resisténcia pode ser usada para descarregar o campo quando para o motor. Vantagens do motor sincrono. © motor sincrono é 0 nico motor elétrico que possui yeloci- dade constante (ocorrendo uma variagéo de carga, haveré uma 50 variacao instantanea da velocidade, durante alguns poucos ciclos, mas a velocidade permanecera uniforme) tanto a vazio como com carga, desde que seja constante a freqiiéncia de suprimento. Pode ser empregado em duas condicées diferentes a) Utilizacao combinada como motor e como refasador para melhorar 0 fator de poténcia de toda instalacao a que esta ligado: ») Para velocidade sincrena com deslizamento igual a zero, independente tanto da carga como da tensao etc Desvantagens do motor sincrono. Necessidade de usar co:rente continua para a sua excitacao. Uma perturbacao np sistema podera fazer 0 motor sair de sin- cronismo e causar sua parada (enquanto que um motor assincro- no continuara girando). O controle e automatizacao de um motor sincrono nao é tao simples como o de um motor assincrono Quando parado nao podera partir como motor sincrono, propria- mente dito, pela aplicacao direta da corrente alternada ao esta- tor, porque nao tem conjugado de partida para ser posto em marcha poi seus proprio recursos, ete. Aplicacdes mais comuns do motor sincrono. O motor sincrono é empregado para numerosas aplicacoes industriais; é considerado um dos principais tipos de motores de corrente alternada £ utilizado em todos os casos em que se precisa de uma velo- cidade invariavel. como por exemplo, em relogios elétiicos, apa- relhos de registro de tempo, etc As aplicacdes tipicas séo: como gerador, corrigir o fator de poténcia, acionamento de grandes compressores, geradores de corrente continua, laminadoies, supradores, convertedures de tre- quencia, etc Na pratica quase. que nao ha diferenca entre a construcdo de um gerador ou alteinador e um motor sinerono, apenas algumas diferencas de detalhe que consistem na necessidade de assegurar a cada tipo as melhores caracteristicas de funcionamento, MOTOR ASSINCRONG OU DE INDUCAO Motor de indugao ou assincrono (pode ser monofasico, bifdsico ou Uilasico, senda o principio de lunciunamento o mesmo em todos os casos) é 0 que compreende dois cireuitos elétricos em movimento relativo de rotacdo, um dos quais é ligado ao sistema de alimentacao. sendo a energia transferida ao outro por inducdo eletromagnetica, dai € derivado 0 nome de motor de inducao No motor assincrono seu roto: ou induzido nao gira em sincro- nismo corn 0 campa magnético do estator, e difere do motor sin- crono por nao ter 0 seu rotor ligado a qualquer fonte de alimenta- 51 Vi ace i co 7omo este. Nao existe proporcionalidade constante entre a yelocidade média de funcionamento e a freqiiéncia de sua forca eletromotriz. Vantagens do motor assincrono © motor de C.A. néo tem comutador nem os problemas das escovas, porta-escovas, plano neutro, etc. © motor assinerono é relativamente simples, de: construgao robusta; simplicidade de operacdo; adapta-se perfeitamente bem para aplicacdes de trabalho a velocidade constante (quando especi- ficamente projetado sua velccidade pode ser variada dentro de certos limites); estabilidade operacional; facilidade de montagem, facil manutengao e custo da mesma desprezivel (existem apenas dois pontos de desgastes, os dois mancais) © rotor é quase indestrutivel. O estator é bastante simples, livre de centelhamento durante seu funcionamento, possibilidade ; de suportar grandes sobrecargas, etc © motor assincrono pela sua confianca, versatilidade, .facil automatizacao e comando a distancia, é usadé para um sem ntime- ro de finalidades. Adequadamente instalado e recebendo uma atenc&o conveniente, pode proporcionar por uma infinidade de anos uma continuitiade de funcionamento livre de problemas. Desvantagens do motor assincrono. A corrente necessaria para a partida a plena tensio de um motor assincrono (acima de 4 ev aproximadamente) provoca uma queda de tensao indesejavel no sistema, as vezes superior & mAxi- ma admissivel. Necessidade de recorrer a métodos de partida com tensio reduzida, tendo porém o cuidado de verificar se a redugdo no conjugado de partida ¢ suficiente para trazer a carga A velocidade nominal no tempo maximo de aceleracao, etc. Aplicagdes do motor assincrono. © campo de aplicacao do motor assincrono ¢ ilimitado, é deno- minado 0 “burro de carga” ou o “cavalo de forca” da industria moderna. Principio de funcionamentfo de motor assincrono. O principio de funcionamento dos motores assincronos ba- seia-se no fato de que as correntes circulantes no enrolamento do estator induzem no bobinamento do rotor uma corrente alternada, e esta, por sua vez, produz um campo magnético que reagindo 52 com 0 campo giratério do. estator ria um conjugado ou binario- motor, que tende a arrastar o rotor na direcao da rotagéo do campo magnético giratério do estator. Se no interio. de um anel de aco “Ac” fig. 23, com os trés enrolamentos montados colocamos um tambor de aco “Ta”, as correntes que produzem o campo magnético girante atravessarao tambor induzindo correntes nele. Estas wltimas, por sua vez, produzem um campo magnético que combinado com o efeito do campo magnético rotativo desenvolve-se um binério-motor ou conjugado que fara girar o tambor no mesmo sentido do campo. Nos motores de indugao aproveita-se a propriedade da corren- te alternada trifasica de criar um campo magnético rotativo Um campo magnético girante se cria nao sé pela corrente alternada trifasica, mas também por correntes polifasicas (de dois, quatro, seis fases). Também pode-se obter um campo rota- tivo por meio da corrente alternada monofasica, por exemplo: duas bobinas perpendiculares entre si, onde a defasagem de 90° elétricos entre ditas bobinas é obtida, artificialmente, por meio de uma.impedancia ou pelo uso de capacitor. Fig. 23 — Método para se obter um campo magnético rotativo. Ac — anel de aco. Ta — tam. bor de ago. A, Be C — enro- lamentos. U, Ve W — princi- dos enrolamentos. X, Ye Z is dos enrolamentos. — resultante do campo magnético. CONSTRUCAO GRAFICA DE CAMPOS ROTATIVOS TRIFASICOS A notavel particularidade da corrente trifésica (assim como de outras correntes polifasicas) consiste na propriedade ‘de criar um campo magnético rotativo. Para isto, sobre um anel de aco colocam-se trés enrolamentos idénticos, simetricamente dispostos, (fig. 23), A, B, e C, deslocados um do outro 120°. Os enrolamentos recebem energia de um sistema trifasico simétrico (ou seja trés tensdes de corrente alternada de igual freqiiéncia e valor eficaz, porém defasadas 120°) e se produz um campo magnético rotativo 53 de intensidade constante. O campo magnético rotativo roda com velocidade uniforme, fazendo uma rotagéo em cada ciclo da cor- rente de alimentacio. Na fig. 24 esto ilustradas as correntes das trés fases, repre- sentadas pelos vetores em “‘a” e pelas curvas senoidais em “b”. Sébre a linha horizontal X-X ou das abscissas marca-se o tempo “T” em fragdes de segundo, e na linha vertical Y-Y ou das ordena- das o valor da corrente em ampéres. Fig, 24 — «a» diagrama vectorial de seqiéncia de fase num sistema trifési 120° de’ defasagem. «b curvas de um campo magnético rotativo desenvolvido pela aplicagéo da corrente trifésice. Sr — sentido de rotagio. T — temy lel, © 1, — simbolizem-se as correntes com a mesma letra que suas respectivas fases correspondentes Em cada uma das trés correntes 0 circuito trifasico descreve uma curva similar a da fig. 25, sendo que nunca chegam tédas ao maximo no mesmo instante, nem passam por zero no mesmo momento, estando separadas umas das outras sempre da mesma distancia. x Fig. 25 — Onda senoidal_ ou cur- va de fem. A Hernancia. C ciclo. X—ei- xo horizontal ou das abcissas. ¥ = eixo vertical eu das ordena- das, T— tempo. Em — a instanténea méxi- ma. Ef — tensao eficaz. E, lor médio da Em cada instante, cada uma das correntes é igual em inten- sidade, porém de direcac oposta as outras duas correntes, Tomemos poi exemplo o tempo correspondente a linha verti- cal 1, da fig. 24 “b". Neste instante as correntes I, e I, atingem a metade das suas maiores amplitudes positivas e, devem ser medi- das por cima da linha horizontal X-X, 0 valor de cada uma é de 0,5, enquanto que a corrente na fase I, se encontra no maximo de } sua amplitude negativa, devendo medir-se por baixo da linha das abscissas (X-X) e seu valor é igual a — 1 Na linha vertical 2 a corrente I, ¢ nula, as correntes I, e I, Possuem sentidos contrérios, 1, = 0,866, 1, = —0,866 e so de igual grandeza. Em 3,1, = 1; I, = —0,5; 1, = —0,5, e assim sucessiva- 4 mente em instantes de tempos posteriores. A resultante do campo | magnético esta indicada pelo vetor @ da fig. 23. Examinando-se o diagrama, de acordo com as direcdes das correntes de cada fase e tracando o fluxo magnético resultante, vemos que 0 vetor ¢ no muda em magnitude, porém sua posicao no espaco é diferente, este gira. Desta forma, no interior do anel criar-se-4 um campo magnético giratério. METODO PARA INVERTER O SENTIDO DE ROTACAO DO CAMPO GIRANTE © sentido de rotacao do campo girante é ligado A sucessio dos atrasos de fase das correntes nos enrolamentos. A inversio do sentido de rotacéo pode ser mudada invertendo-se as correntes de dois enrolamentos. variando assim a sucessao das fases. Nos moto- res, permutam-se as ligacdes de dois quaisquer dos terminais na caixa de ligacées do motor, sendo este o método mais utilizado na pratica para inverter 0 sentido da rotacao. Fd 55 Capitulo 8 DETERMINACAO DA VELOCIDADE DOS MOTORES DE CA. Velocidade sincrona. n = €a velocidade em rotagdes por minuto (pm) 120 = constante, quando “p” é igual ao “ntimero de pdlos” f = frequéncia em Hertz (Hz). (1 Hertz — simbolo Hz — freqiiéncia de 1 ciclo por segundo) P = ntimero de pélos (geralmente se escreve “p” quando Se da o ntimero de polos e “P” quando se dao numero de pares de pélos). quando a constante 6 120, Exemplo: em um motor que tem 2 (dois) pares de pélos (4 sincronismo pode ser determinada Hertz (Hz) a velocidade sincrona @ 6000 dividido por 4, ou seja, n = 50, 120/4 — 1600 rpm rotacées. © motor lento so deve ser adaptado em casos especiais ou quando o motor rapido implique em mecanismos redutores muito caros. Como o motor s6 pode ter pélos em ntimeros pares (norte e sul), 0 maior ntimero de rotacdes que um motor de 2 (dois) pdlos ou 1 (tm) par de polos pnde ter, depende da freqtiéncia da rede em Hertz (Hz); em um sistema de 50 Hz é de 3.000 rpm. Quanto maior © numero de polos menor a rotacao DESLIZAMENTO OU ESCORREGAMENTO. Escorregamento ou deslizamento é a diferenca.entre a veloci- dade sincrona do campo magnético girante do estador (n,) e a velocidade de rotacao do rotor (n,). Pode ser expresso diretamente em: fracéo decimal da velocidade sincrona; em rotacées por mi- nuto ou em porcentagem da velocidade sincrona. Quando o induzido ou rotor (cujos condutores formam circui- tos fechados) é posto em um campo magnético girante produzido pelos enrolamentos do estator, induz-se uma corrente nos condu- tores do rotor. Esta corrente, por sua vez, produz seu campo mag- nético proprio que atua ou reage conjuntamente 4 acao do campo magnético girante,-de tal forma que faz com que o rotor tome uma posicao em que a corrente induzida é minima e‘desenvolva um conjugado que tende a impulsionar 0 rotor no mesmo sentido (e proximo da velocidade sincrona) em que se move o campo do estator, conforme ja foi explicado. A diferenca de velocidade é su- ficiente para induzir no 1otor uma corrente necessdéria para vencer as perdas elétricas e mecanicas. Se o rotor tivesse de acompanhar passo a passo a velocidade do campo girante, os condutores do rotor nao seriam cortados por qualquer fluxo, nao haveria corren- te induzida neles e portanto nenhum esfoico de rotacao. Para que haja corrente induzida no rotor. 6 necessario que suas espiras cortem as linhas de forga do campo, por isto precisa haver sempre uma diferenca ou atrasu de velocidade entre o rotor e 0 campo giratorio. Esta diferenca de velocidade tem o nome de desliza- mento ou escorregamento das rotacoes do motor, geralmente é expresso como um valor unitario (ou uma porcentagem) da velo- cidade sincrona, segundo a seguinte formula S= (10) onde S = escorregamento ou deslizamento. n, = velocidade sincrona. n, = velocidade do rotor che Deslizamento em percentagem. © deslizamento yaria ligehamente com as variagoes de carga, quanto menor foro deslizamento mais préximas estarao as velo. Cidades do rotor e do campo magnético girante, nunéa adquire-a velacidade sincrona. Quanto maior for o entre- ferro maior seré 0. escorregamento. A f.e.m. e a reatancia do roter_séo-proporcionais ao deslizamento. = A diferenga de rotagdes“entre o rotor e o campo, dada em percentagem, expressa-se pela equacio: (on : \ s=| — ]}. 100 (1) ( 4 J No momento da partida do motor, quando a velocidade do rotor n, = 0, 0 escorregamento sera: s = 1, ou 100% n, =n, (1—8) Exemplo: seem um motor de 4 pélos e 50 Hz, 0 rotor gira a 1470 rpm e @ velocidade sincrona 6 1500 rpm, a diferenca em velocidade € de 30 rpm. O escorregamento “$"’ é entdo igual a: 1500 — 1470 0,02 1500 em percentagem: ( 1500 — 1470 \ = |. 100 = 2% \ 1500 D FREQUENCIA DO ROTOR A freqiiéncia da corrente no rotor “f,” € igual ao produto da freqiiéncia no estator “f,” pelo deslizamento de fase “S”. s (12) Exemplo: determinar a jfreqiiéncia da corrente do rotor de uum motor de induclio de 4 pélos (2 pares), 50 Hertz e escorrega.- mento de fase 0,02. f, = 50 . 0,02 = 1 Hz 59 © deslizamento de fase dos motores assincronos no regime de plena carga varia segundo a poténcia do motor. Para motores de poténcia reduzida, 0 escorregamento é de 3 a 6// aproximada- mente e, de 1 a 3% para motores de grande poténcia. Sob 0 ponto de vista do rendimento do motor, convém que © deslizamento seja o menor possivel, se ‘considerarmos que as perdas do rotor sao iguais 20 produto do.deslizamento pela po- téncia absorvida pelo rotor. ESCALA DE GRADUACAO DA POTENCIA DOS MOTORES DE C.A. Fara a fabricagdio de motores em séries padronizadas é norma classificar os motores em pequena, média e grande poténcia. Motor de pequena poténcia é aquele cuja poténcia em cv multiplicada pelo ntimero de.pélos fornece um resultado inferior a4. Motor de média poténcia é aquele cuja poténcia em ev mul- tiplicada pelo numero de pélos dé um resultados compreendido entre os limites de 4 e 400. Motor de grande poténcia é aquele cuja poténcia em cv mul- tiplicada pelo numero de pélos fornece um resultado superior a 400. CONSTRUCAO MECANICA DE UM MOTOR DE INDUGAO As figs. 26 e 27 mostram os componentes de um motor assin- crono, Embora se fabriquem uma grande variedade de motores, podem caracterizar-se estruturalmente por quatro partes basicas: estator, rotor, tampas laterais e mancais. Consistindo em geral, de uma parte ativa e de uma parte ndo ativa. Gentslesa Westinghouse Fig. 26 — Motor assincrono desmontado. 60 Fig, 27 Fig. 27 — Componentes do motor: 1 — tampa, 2 — defletor de ar, 3 — es- frutura, 4 — laminas do estator, 5 — mancal, 6 — eixo, 7 — caixa de ter. minis, 8 — rotor, 9 — enrolamente do estator, A parte ativa é formada por: Chapas moldadas em aco mag- nético isoladas entie si, formando um conjunto ou “pacote” para o estator e um para 0 rotor; o enrolamento do estator e do rotor, onde a energia elétrica ¢ convertida ém energia mecanica A parte nao ativa so todos os outros componentes como tam- pas, carcaga, eixo, mancais, etc., que servem para transmitir o conjugado, protecio contra influéncia externa e fixacdo do motor. Estator Estator ou indutor (fig. 28) é a parte estacionéria do motor, consiste de trés. partes: carcaca, nucleo e bobinamentos. Fig. 28 — Estator de um motor -de indugao com seu enrolamento mon- tado. 61 Gentiles, Westinghouse A cayeaca é a estrutura suporte do estator que protege ‘as partes internas do motor, é provida de pés que servem para a montagem do mesmo. O niicleo (figs. 29 e 30) € a parte ferromagnética do circuito magnético localizado no estator Fig. 29 e 30 — Nicleos do estator de um motor de CA. Gentilesa Westinghouse 62 : © bobinamento ou enrolamento (fig. 31) consiste em bobinas (de fios condutores isolados) colocadas em ranhuras em torno da periferia interna do micleo do estator, ligadas de forma que suas foreas eletromotrizes se somem. Os bobinamentos e o nucleo formam o eletroima que produz © campo magnético dentro do qual o rotor gira. Gentsleza Westinghouse Fig. 31 — Montagem de bobinas no estator de um motor de C.A. Rotor G rotor ou induzido (fig. 32) € 0 elemento girante do motor; consiste de trés partes principais: nticleo, bobinamento e eixo. © nticleo é a parte ferromagnética do circuito magnético localizada no rotor. © bobinamento é introduzido em ranhuras longitudinais em torno da cireunferéncia do nucleo. Eixo é a parte onde se monta o conjunto formado pelo nticleo e o enrolamento, sendo o rotor posto a girar pelo campo magné- tico formado pelas bobinas do estator De acordo com o sistema de construg&o do rotor, os motores trifésicos assincronos subdividem-se em: motores com rotor em curto-circuito e motores de rotor bobinado. Como jé foi dito, 0 rotor do motor sincrono € suprido direta- mente por uma fonte de energia, e no motor assincrono o rotor é isolado, sendo uma unidade auto-suficiente que nao precisa de : conexées externas. 63 Gentilesa. Westinghouse Fig. 32 — Rotor tipo gaiola de esquilo, inclusive eixo @ rolamanios. ‘Tampas laterais Tampas laterais sio duas pecas fixas A carcaca, destinadas @ manter o rotor bem alinhado com o estator e prover um meio de suportar a montagem concéntrica dos mancais, As tampas servem para proteger as partes internas do motor. Mancais Os mancais suportam 0 eixo e so colocados em cada extre- midade do mesmo para permitir que o dito eixo gire silencioso, seguro, suavemente e com um minimo de desgaste e atrito. Qs mancais devem ser cuidadosamente projetados para asse- gurar uma manutencao reduzida e uma vida longa na execucao da tarefa pretendida. Ranhura | Ranhura é cada uma das reentrancias no nucleo, onde sao colocades os enrolamentos. As ranhuras séo regularmente espacadas todas do mesmo Angulo e devem ser idénticas. Dente Dente ¢ a parte do niicleo compieendida entre duas ranhuras adjacentes 64 Entreferro Entreferro é a descontinuidade na parte ferromagnética de um cireuito magnético, geralmente curta em comparacao com 0 comprimento do restante do circuito, quando medida ao longo das linhas de forcas, ou dito de outra forma, entreferro € © espaco de ar que as linhas magnéticas devem atravessar. Este espaco de ar deverd ser estreito para reduzir ao mfnimo a relu- tancia magnética. Usando-se 0 menor entreferro possivel aumenta-se a intensi- dade do campo magnético Pontas de bobinamento Extremidades de enrolamentos destinadas & ligagdo destes. Derivacao de um bobinamento Condutor ligado a pento situado entre as extremidades de um enrolamento. Lugar de fixagio das pecas auxiliares ‘As pecas ou dispesitivos auxiliares que unem mecanicamente as tampas com o rotor, como por exemplo: anéis deslizantes, escovas, porta escovas, interruptores centrifugos, etc. vem geral- mente montados.na tampa que fica do lado da ponta menor do eixo, isto é, do lado oposto ao destinado a receber o dispositivo de acoplamento. Caixa de terminais © painel ou a base de terminais onde se permite fazer as ligacdes da linha, alteracéo da tensdo e sentido de rotacao é 0 que se chama caixa de ligagio ou caixa de terminais do motor. No sistema americano, olhando o moter desde a face da caixa de ligac&o, o lado da ponta maior do eixo fica no lado direito do observador. No sistema europeu o critério adotado € o contrario; a parte maior do eixo fica no lado esquerdo da face da caixa de terminais Geralmente, o lugar do motor onde so feitas as ligagdes fica do lado da ponta mais curta do eixo. 65 SS Frente de um motor Frente de um motor é a extremidade na face oposta ao pro- longamento do eixo Sentido de rotacao O sentido de rotacdo, isto é “no sentido dos ponteiros do relogio” ou “contrario aos ponteiros do relégio” é sempre conside- rado com o observador voltado para a frente do motor nos moto- res de tipo americano Nos motores de tipo europeu a rotacdo entende-se olhando da ponta do eixo para o motor. O motor gira normalmente para a direita (sentido dos ponteiros do relégio). CARACTERISTICAS NOMINAIS DO MOTOR ELETRICO 4 As caracteristicas principais de um motor elétrico séio: potén- cia, rendimento, velocidade, tensdo, corrente, freqiiéncia, fator de poténcia e fator de servico. Poténcia Poténcia nominal é a que o motor pode fornecer no eixo, dentro de sua caracteristica nominal, em regime especificado. A expresso de poténcia (trifasica) é a seguinte P = 1,732 V. I. cosp (13) PP oe; (14) sendo: P, = poténcia elétrica total absorvida da rede pelo motor. P — poténcia nominal que o motor pode fornecer no eixo. 7 = eta, letra minuscula do alfabeto grego que expressa o ‘ rendimento do motor, Vv = volts. I — intensidade da corrente em ampéres. cosg = fator de poténcia. Equivaléncia de unidades 736 watts 1HP = 746 watts 1 kW = 1,36 cv 0987HP 1HP = 1013 cv 1 kW = 1,34 HP cv = caydlo-vapor. HP = horse power. } kW = quilowatt. { Rendimento Rendimento é a relacdo, expressa em percentagem, entre a poténcia produzida ou fornecida por um motor e a poténcia da linha por ele absorvida, ou seja, é a perda de energia util na etapa de transformacao da energia elétrica em energia mecanica, se- gundo a seguinte formula 736. cv Ta eS 100 (15) 1,73. V.T. . cosp onde: n — eta, letra minuscula do alfabeto grego que expressa 0 rendimento do motor em percentagem. cy — poténcia em cavalos-vapor. I — corrente em ampeéres. V — wolts cosy — fator de poténcia. Normalmente o rendimento aumenta com o tamanho do mo- tor. A seguir damos como valores aproximados os seguintes: Poténcia Rendimento lev ronie auettece coll 5 ev oe 0,85 ToC ee eee OO 50 cv . seas 0,89 109) cv =... =< ee et. . 0,90 1000 cv © rendimento étimo nao é sempre decisivo para o dimensio- namento do motor. Em certos casos sao mais importantes 0 con- jugado de partida, a marcha silenciosa e outras exigéncias. © rendimento varia com a carga, & medida que ela aumenta melhoram o fator de poténcia e o rendimento do motor. Velocidade 0,95 A velocidade é dada geralmente em rpm (rotages por mi- nuto), € 0 numero de rotacdes do eixo do motor na unidade de tempo. Tal valor depende das caracteristicas construtivas do motor, numero de polos do estator e da freqiiéncia da rede em Hz (Hertz). Tensao Tens&o ¢ a “voltagem” para a qual foram fabricados os enro- lamentos do motor. A tensio de suprimento do motor é deter nada em acordo com os aspectos econémicos e com a tens: da rede onde vai ser ligado. | | | | Corrente E a corrente nominal que o motor demanda ou solicita da rede para com a tenséo e freqiiéncia nominais, dar em seu eixo a rotacdo especificada e a poténcia nominal em cv. A corrente é uma fung&o da poténcia e varia inversamente com a tensao; para uma mesma poténcia, quanto maior a tensao, menor 4 corrente solicitada. Freqiiéncia £ a freqiéncia nominal da linha de alimentacao de corrente alternada para a qual o motor foi projetado. Geralmente os mo- tores so fabricados para trabalhar em redes com 50 ou 60 Hz, alterando neste caso sua rotacdo Fator de poténcia Fator de poténcia é a relacdo entre a poténcia util (ativa) e a poténcia total absorvida pelo motor (aparente), equivale tam- bem ao co-seno do.angulo entre os vetores dessas poténcias. O fator de poténcia varia com a carga. Dentro dos limites praticos ele melhora com a carga. Fator de servico O fater de seivigo (FS), que alguns fabricantes incorporam no projeto de seus motores, ¢ 0 multiplicador percentual que apli- cado a poténcia nominal indica a capacidade de sobrecarga per- missivel que pode ser aplicada continuamente sob condigdes espe- cificadas, sem que a elevacdo de temperatura exceda de 50°°C. Em geral este fator é de 15% Ou em outras palavras, FS (fator de servico) significa que o motor pode dar mais poténcia que a especificada na placa de identificacdo, para uma mesma freqiiéncia, por exemplo Um motor de 10 ev, 60 Hz, com um fator de servigo (FS) 1,15, pode ser usado com uma sobrecarga até 15% em 60 Hz, isto é, 11,5 ev sem aquecimento prejudicial, embora com prejuizo do fator de poténcia e portanto do rendimento. A finalidade principal do FS (fator de servico) é permitir flexibilidade de funcionamento em regimes de sobrecargas. B im- portante lembrar que o valor obtido pela aplicacéo do fator de servico (FS) é valido somente se sio mantidos os fatores usuais de servico, a tensao e a frequéncia previstas. 68 Capitulo 9 METODOS DE ENROLAMENTO Bobinamento do estator Vimos anteriormente que a velocidade de rotagéo de um motor de C.A. depende da freqiiéncia da corrente e do ntimero de pélos criados pelo enrolamento do indutor. A maneira mais conveniente de associar os varios condutores de um enrolamento € distribui-los em bobinas, e a distribuicao das bobinas deve ser feita de tal modo que formem grupos. As bobinas de cada grupo sao ligadas entre si, apresentando cada grupo um principio e um fim, e colocadas uniformemente nas ranhuras do nucleo do estator para criar o campo magnético. Exemplifica-se 0 tipo mais comum do enrolamento que é o trifasico. Um campo magnético no estator de um motor de inducao Polifésico obtém-se dispondo-se de um bobinamento trifasico, ou seja, trés circuitos idénticos eletricamente independentes uns dos outros, isto é, um enrolamento separado para cada fase da rede de alimentacéo. Cada fase (ou enrolamento) tem um numero determinado de bobinas, que se colocam e ligam de forma tal que resulte um sistema de bobinas deslocadas umas em relacdo As outras de um Angulo de 120 graus elétricas Ao serem alimentados os trés enrolamentos por um sistema trifasico simétrico de correntes, cada bobina do estator conside- Tada isoladamente atua como o enrolamento primario de'um trans- formador, produzindo um campo magnético alternado de direcao fixa. A composicao de todos os tluxos parciais da origem a um giratério de magnitude constante, de tantos pares de polos quan- tos grupos de trés bobinas tenha o estator, e este fluxo rotativo produzido de valor constante dependeré do dito numero de pélos. As bobinas, como ja foi dito, colocam-se dentro das ranhuras do estator, fig. 31, e devem ser ligadas de modo que suas forcas ele- tromotrizes se somem. DISPOSICAO DAS RANHURAS © numero de ranhuras por pélo e por fase no rotor ¢ diferente do estator, de preferéncia primos entre si, porque se fossem iguais, ao coincidir em repouso as ranhuras do rotor com a posigao das ranhuras. do estator haveria um ponto de minima relutancia e na partida nao se poderia por em marcha.o motor, limitando-se a funcionar como transformador. Freqitentemente sao empregados no rotor dos motores de in- dugéo ranhuras inclinadas com relacdo a seu eixo geométrico, fig. 32, porque com este arranjo melhora-se o problema da relu- 69 Ss SS tancia, obtém-se forcas eletromotrizes induzidas que se aproximam i mais da forma senoidal, reduz alguns harménicos e ruidos de indu- i cdo magnética, ete. © formato das ranhuras (canais, canaletas) varia bastante ? nas diversas aplicagdes dos motores, dependendo de seu tamanho, | tensdo e poténcia, porque desta maneira se adapta a caracteristica de funcionamento ao servico a que se destina. Também influi na escolha que as ranhuras sejam do estator ou do rotor As ranhuras dos motores podem ser de um modo geral divi- didas em duas classes: ranhuras abertas e ranhuras semifecha- das. Nos motores de grande poténcia usam-se ranhuras abertas porque oferecem a vantagem precipua de permitir a instalacdo de bobinas pré-fabricadas (e de fics de seco retangular) e previa- E mente isoladas, antes de introduzidas nas ranhuras. As ranhuras semicerradas empregam-se quase em todos os motores de inducao porque a maior area efetiva da face dos dentes reduz a intensidade da corrente magnetizante e a relutancia do entreferro, apresentando uma eficiéncia maior e um fator de poténcia melhor, reduz os binarios motores de partida e parada, além de que ganham termicamente uma ceria reserva na poten: cia, podendo ser carregado mais, 0 que permite usar modelos menores. Nos tipos de ranhuras semifechada, cada condutor deve : ser colocado separadamente no seu lugar, um, dois ou varios de cada vez, o que é mais demorado e mais dificil a aplicacdo do isola- mento. Normalmente em ambos os tipos de ranhuras, as bobinas (con- dutores) sao mantidas em sua posicdo por meio de cunhas de madeira dura ou de fibra. i | TIPOS DE ENROLAMENTOS Os bobinamentos das maquinas de corrente alternada clas ficam-se em dois tipos gerais chamados de: enrolamento em espi- ral e bobinamento imbricado. Enrolamento em espiral. Enrolamento em espiral ou espiralado (figs. 33 e 34) € aquele no qual as bobinas de cada grupo ligam-se de modo a formar um bobinamento em espiral. Nao obstante as bobinas terem um passo menor que 1809 elétricos, o eniolamento nao é considerado como possuindo as propriedades peculiares aos bobinamentos de passo fracionario. Este tipo de enrolamento € pouco usado. Bobinamento imbricado. Bobinamento imbricado, também conhecido com os nomes de diamante ou coroa, ¢ no qual se usam bobinas em tipo de losango, fig. 3. Este tipo é o que se adota quase exclusivamente e se sub. divide em duas classes: enrolamento imbricado a passo pleno ¢ bobinamento imbricado a passo fracionario. 70 ® epow ep web!) as odni6 epe> ap seuigoq Tedse wa ojeweusgoq wn sew:0) 58 epuo ojuowejoiug — ce “B1y sojod oj10 ap o21sej14 J0Jou wn op jesdso we ojuoweuiqog — pe “Bty 7 Xe TORRE ORR if AL CALLA | Fig.35 Fig. 35 — Bobina em forma de & losango ou diamante, Bobinamento imbricado de passo pleno, integral ou longo. de cada bobina € de 1809 elétricos. Neste tipo de bobinamento, os lados de bobina de qualquer ranhura’ pertencem & mesma face e a direcao da corrente tem o mesmo sentido, o que jé nao aconte: ce nos,casos de enrolamentos com passo fracionario Os enrolamentos de passo pleno (longo) sio pouco usados. Enrolamento imbricado de passo curto ou fracionario. Num bobinamento de Passo curto (fracionario) a distancia entre os dois lados da mesma bobina é menor (ou maior) que um basso pleno (longo). A abertura ou passo da bobina contada em ranhuras € menor que o passo polar (1809 elétricos). Vantagens do passo curto. — Os enrolamentos de Passo curto s@o mais usados; as vantagens deste tipo de bobinamento so: a) reducao de harménicos; b) forcas eletromotrizes quase exata- mente senoidais, dai que com 0 passo fracionario ha uma melhoria na forma da onda; c) possibilita empregar nucleos de armaduras © passo curto (fracionario) adotado € 80% aproximadamente do passo integral (longo), empregando-se passos mais curtos on mais largos em casos especiais, Desvantagens do passo curto. As desvantagens destes enrolamentos so a) A fem. requerida é levemente maior que a dos bobina- mentos @ passo pleno (longo) em condigSes idénticas, pois os dois lados de uma mesma bobina nao caem, num dado instante, em posicdo' simétrica sob os pélos, e suas f.e.m. so, assim, um pouco menores do que s¢ estivessem afastadas de 180° EB; b) Fara a mesma f.e.m. requerida, um bobinamento de passo curto precisa maior numero de condutores por fase que um enro- lamento a passo pleno nas mesmas condicées, pela razio acima exposta, etc. Af.e.m. de uma bobina ou de.um enrolamento de passo curto obtém-se: multiplicando o “fator de passo” pela f.e.m. da bobina ou do enrolamento de passo pleno. DISPOSICAO DAS BOBINAS. De acordo com a disposicao das bobinas, a classificacdo mais racional é pelo ntimero de elementos (lados de bobina) por ranhura Os enrolamentos se subdividem em duas classes: bobinamen- tos de uma camada e enrolamentos de duas camadas. Ambes tipos de Lobinamento podem ser dispostos em uma ou mais ranhuras por polo e por fase, e podem ser realizados por bobi- nas ccnstitufdas por varias espiras cu com bobinas formadas por uma unica espira (barra de cobre). © enrolamento imbricado de dupla camada é o de maior emprego porque permite usar: a) circuitos paralelos nos motores com grande corrente de fase, possibilitando assim a um mesmo motor poder tiabalhar em tensdes diferentes com uma simples mudanga de ligagdes externas; b) enrolamentos com passo fracio- nario, ete Enrolamentos de uma camada. © enrolamento de uma camada possui um tnico lado de bobina em cada ranhura.O ntimero de ranhuras ocupadas deve ser par ¢ 0 mlimerosdas bobinas € igial/A metade do numero de Tanhuras do estator,xfig. 36. Cada bobina ocupa duas ranhuras inteiras do estator. As figs. 37 e 38 mostram a disposicéo deste tipo de bobinado. onde o estator é composto por 36 ranhuras e tem 18 bobinas. Este tipo de enrolamento é conhecido com os nomes de meia bobina, meio imbricado, meio diamante e meia coroa, As bobinas podem ser enroladas diretamente no estator, ou separadamente sobre formas apropriadas, para’ serem colocadas depois nas respectivas ranhuras. Todos os condutores situadcs em uma.ranhura fazem parte da mesma bobina. 74 owewrurgog — Le Bid ee'b14 16 Bobinamentos de duas camadas. Nos bobinamentos de duas camadas o numero de ranhuras ocupadas pode ser par ou impar. O numero de bobinas 6 igual ao numero de ranhuras e cada ranhura contém dois lados de bobinas ou duas mcias bobinas, figs. 39, 40 e 41. uste tipo de enrolamento € conhecido com os nomes de imbricado, diamante e coroa; como cada ranhura tem dois elementos (lados de bobina), vem a ser * um bobinamento de bobina inteira. Todas as bobinas tém a mesma forma e o enrolamento resulta perfeitamente simétrico. Os dois lados de bobina sao colocados em duas camadas sobre- postas e separadas da seguinte forma: cada bobina possui um lado na parte inferior de uma ranhura, sendo esta a parte trace- jada que se representa no lado diteito do esquema, o outro lado da mesma bobina é colocado na parte superior de outra ranhura, sendo ‘representado no lado esquerdo dos esquemas em tracos cheios, por ser 0 lado que esta disposto em cima do tracejado, de frente para 0 rotor, ao invés de colocé-los lado a lado, fig. 42. Em cada ranhura existem dois lados de bobinas diferentes, porém ambos séo sempre da mesma fase quando se trata de um enrolamento a passo pleno (passo longo), 0 que jé nao se dé nos casos de enrolamentos com passo parcial (passo curto). Nos enrolamentos de duas camadas o maior numero possivel de ramos em paralelo é igual ao niimero de polos. Como neste tipo de enrolamento em uma mesma ranhura se encontram dois lados de bobinas de fases diversas é preciso isola-los eficientemente (pois a diferenga de potencial entre eles é relativamente elevada, podendo ocasionar curto-circuito entre as fases) 0 que reduz o espaco util para o cobre. & por este motivo que 0 bobinamento de duas camadas nao resulta muito apropriado para maquinas de alta d.dp. sojod iod © asej sod sesnyues senp wo o} ojeweulgog O “¥'D ep 40joW wn ep ‘op ase) 95 ewn seuode opuessow ewer — jy Capitulo 10 CARACTERISTICAS DOS ENROLAMENTOS Introdugao. Para a colocacao e ligagdo das bobinas que formam o bobina- mento devem-se conhecer de antemao suas caracteristicas princi- pais que sao * Constituicao dos_ polos, Hiimero de'pélos, numero de ranhuras por pdlo e por fase, numero de ranhuras do estator, bobinas, Dimere total de bobinas. passe da bebina. passo polar, passo do ‘bobinamento, graus elétricos, passo das ranhuras, passo das fases, grupos pular’s uu giupus uefsuviius, bubinus por grupo, bobinas por fase e escolha dos terminais. Fig. 42 — Corte par- cial_de um estator mostrando como s30 alojados os dois la- dos de bobina em cada ranhura de um enrolamento imbri- cado. Constituicao dos polos. Os polos, estao constituidos, pelo intervalo compreendido entre dois grupos sucessivos de bobinas da mesma fase, percorridas no mesmo instante por uma corrente de sentido contrario, figs. 41 © 43 fy Fig.43 ig. 43 — Conslituigao dos pélos. 83 ——— Cada bobina, ou grupos de bobinas, que pertencem a uma diviso de pélo, se conectam com a bobina correspondente a0 grupo de bobinas seguinte, invertendo as entradas e saidas para formar os pdlos opostos, figs. 41 e 43 Cada pélo representa 180 graus-espaco elétricos. Segundo o ntimero de grupos que compoem cada fase, os enro- lamentos de corrente alternada classificam-se em bobinamentos “por pélo” e enzolamentos “por polos conseqiientes”: Bobinamentos por pélos ou do tipo comum. Chama-s2 enrolamento “por pélos”, quando o_ntimero de grupos de bobinas por fase é igual ao “numero de pdlos”, fig. 44. A fem, em cada grupo de uma mesma fase, sao alternativamente de sentido contrario, de tal forma que se um grupo considera 0 sentido convencional da marcha dos ponteiros do relégio, no grupo seguinte a f.e.m. induzida sera em sentido contrario. As conexdes dos “grupos de bobinas” estéo alternadamente invertidas da se- guinte forma: pera que suas f.e.m. se somem, a saida de um grupo liga-se & entrada do grupo seguinte, invertendo-se a entrada e saida com relag&o ao grupo precedente, da mesma fase. A saida deste grupo liga-se & entrada do terceiro, que tem sua entrada e saida no mesmo sentido que o primeiro e contrarias ao segundo, e assim sucessivamente, figs. 41, 43 e 45. Fig. 44 — Bobinamento porpélo cu do tipo comum. Riga Fig. 45 — Ligacdo de grupos Fig45| & de bobines, 4 Enrolamentos pelo método do “pélo conseqiiente”. Bobinamentos do “pélo conseqiiente’” é quando o numero de grupos de bobinas por fase é igual ao numero de “pares de Polos”, ou seja, para cada grupo de bobinas correspondem dois Polos, fig. 46. Nos enrolamentos de pdlos conseqiientes, o sentido dos valores instantaneos das correntes € 0 mesmo para todos os grupos de bobinas da mesma fase. O final de cada grupo de bobi- nas liga-se com'o principio do grupo seguinte da mesma fase de modo que a corrente circularé em ambos no mesmo sentido, fig. 47, € 0 mimero de pélos seré 0 dobro, que se o sentido da cor rente fosse oposto em ambos os grupos, como acontece nos enrola- mentos por polos, fig. 48 Fig. 46 — Enrolamento pelo método do pélo Fig.as conseqtiente. Fig. 47 — Enrolamento de passo in. } tegral produzindo 8 polos, metade |P F dos quais sé pélos $ ou «pdlos conseqtientes» s 85 Fig? Numero de pélos. Como ja foi explicado (formula 9) o numero de pélos de um motor de C.A. depende do valor da freqiiéncia e do ntimero de rotacdes por minuto que se deseja obter, ficando definido o ntimero dos pares de pdlos assim 60 .f P (16) i) onde: P — numero de pares de pélos. { — freqiiéncia em Hertz. n — rotaces por minuto. 60 — numero de segundos que tem o minuto. Numero de ranhuras por pélo e por fase. Nos bobinamentos das maquinas de corrente alternada é muito importante o dado chamado numero de ranhuras por pélo © por fase porque, praticamente, um bobinamento de C.A. é caracte- rizado pelo numero de ranhuras que cada fase possui em corres- pondéncia de um pélo, que geralmente varia de 2 até 6 (nao devem ser inferior a 2 para nao deformar a onda de C.A.). O numero de ranhuras por polo e por fase é representado pelo simbolo ‘“q”’ xste ntimero define a construgio do enrolamento e influi na selecdo de seu tipo. & obtido de acordo com a seguinte equacao: ' c Fig.48 , 5 Fig. 48 — Conexio para um onvo.amento de meio pesso, telrapolar. j ; i 86 Q a an m.p q = numero de ranhuras por pélo e por fase. Q = numero de ranhuras do estator. m P = ntimero de fases. — numero de pélos. Sabe-se que um grau geométrico é igual a p/2 graus elétricos (onde ““p” é igual ao ntimero de pélos) e que cada pélo representa sempre 180 graus-espaco elétricos, Entdo teremos que o numero de ranhuras por pélo serd: r= —— (18) onde: r, = ntimero de ranhuras por pélo. Q = numero de ranhuras do estator. P = numero de polos, Todo enrolamento devera ser elaborado de tal forma que as correntes em todos os condutores de uma mesma fase, e de um mesmo pélo, sejam do mesmo sentido e de sentido contrério nos Pp6los proximos. trata de um motor de polos comutaveis. Com 0 mesmo numero de Yanhuras do estator, 0 numero de ranhuras por polo e por fase para um enrolamento é inteiro e para outro e fracionario, ; Por exemplo, um motor que em seu estator tem 36 ranhuras com um enrolamento para 4 pélos e 1500 rpm (fig. 89). O ntimero de ranhuras por pélo e por fase serd: Q 36 m.p 3.4 Este motor ao ser transformado em 8 pélos para 600 rpm o numero de ranhuras por pélo e por fase seré: Q 36 es m.p S28 = 21/3) 87 Quando “q” @ fracionario, temos 0 problema de selecionar as vanhuras pertencenteS as diversas fases, 0 que exige algumas con. sideracdes, por exemplo; a escolha deve ser feita de modo tal que se obtenha 0 maior fator de distribuicao possivel para a freqiiéncia fundamental. As vantagens fundamentais quando “q” 6 fracionario séo que: com o mesmo numero de ranhuras o motor pode utilizar-se para distinto numero de pélos mesmo com um passo muito redu- zido de ranhuras: melhora notavelmente a forma de onda da {-em.; como os grupos de cada fase estdo descalados de fase entre Si, esta circunstancia faz diminuir os fatores do enrolamento dos harménicos superiores em maior grau que o do harménico funda. mental; nao exige que o mimero de ranhuras seja miultiplo do numero de polos, ete b Numero de ranhuras do estator. © numero de ranhuras do estator para um motor ndo pode ser arbitrario, este numero é expresso pela seguinte formula quando “q” é um numero inteiro Q=p.m.q ag) onde: Q = numero de ranhuras do estator. P = numero de pélos m numero de fases. q = numero de ranhuras por pélo e por fase. Bobinas. Cada bobina é formada por varias espiras, e a cada espira correspondem dois condutores (duas porcdes ativas), fig. 49. Os condutores sao isolados e ligados em série, figuras 35 e 50. Cada bobjna apresenta um lado ou elemento embaixo de um, pélo norte, € outro lado. embaixo de um pélo sul adjacente. jy Figso Fig. 49 — Bobina de Fig. 50 — Bobina em um motor de C.A, espiral ou de passos diferentes. As bobinas sao ligadas formando grupos. Cada grupo é forma- do por uma bobina ou por varias (ligadas em série), que perten- cem & mesma fase. Os grupos sucessivos de bobinas (de cada fase) ligam-se invertidos, para formar pélos consecutivos de polaridade alternada. A ligacao dos grupos de bobinas (de cada fase) pode ser feita em série ou em paralelo. Para simplificagéo dos diagramas de bobinamentos e facilitar sua interpretacao, como ja foi dito, usa-se uma tinica espira para representar uma bobina constituida por varias voltas de fio, indi cando-se apenas 0 principio e o final ou entrada e saida de cada bobina, independente do ntimero de espiras a do formato de cada bobina. & dbvio que sempre haverd duas vezes tantos elementos (lados de bobina) quantas bobinas houver. A fig. 51, € uma foto. grafia de um grupo de trés bobinas prontas para serem colocadas No estator. Fig. 51 — Bobinas Prontas para serem colocadas no esta for. Gentslesa Westinghouse Numero total de bobinas. Os motores trifésicos tém seus bobinamentos formados por um numero de bobinas que pode corresponder a metade do ntime- ro de ranhuras quando o enrolamento é de uma camada, ou ao ntimero de ranhuras quando se trata de um bobinamento de duas camadas. Como foi dito acima, essas bobinas sao ligadas entre si, de modo a formarem trés bobinamentos separados os quais se chamam fases, 89 Passo da bobina é a largura de lado a lado de bobina ou o Angulo entre os eixos das ranhuras em que se acham os dois lados da bobina; pode ser igual ao passo polar (180 °E) ou nao. O.passo da bobina (tem por simbolo “Y¥”, fig. 49) deve apro- ximadamente abracar um vao polar, ou seja, que os dois lados de qualquer bobina devem ficar sob pélos adjacentes, de modo que, quando um dos lados da bobina esté sob um pélo norte o outro devera estar sob um pélo sul, fig. 41. © passo da bobina “Y” pode chegar a ser igual a “q” (numero de ranhuras por pélo e por fase). Um encurtamento maior nao tem razdo de ser porque faria aparecer nas ranhuras lados de bobi- nas, que sendo da mesma fase teriam correntes de sentidos con- trarios. Se chama passo normal, passo total, passo integral, passo longo ou passo completo, quando o passo da bobina € igual ao passo polar (180 graus elétricos); em caso contrario é chamado de passo fracionério, passo parcial ou passo curto, porque o vio da bobina é diferente do passo polar. © passo da bobina se expressa também pelo ntimero de ranhu- ras e em partes de fragdo polar que correspondem a 180 OE, se- gundo a formula: rr (20) asso da bobina em ntimero de ranhuras. numero de ranhuras do estator. numero de pélos. Passo polar. Passo polar de um motor elétrico é o Angulo entre os eixos de dois pélos contiguos, ou a distancia entre os centros de dois polos adjacentes, um norte, outro sul (fig. 41), medida ao longo da circunferéncia no entreferro, é sempre igual a 180 graus-espaco elétricos ou 7 radianos elétricos. Tem como simbolo “Y,”. © passo polar de um motor elétrico é também o numero de ranhuras ocupadas pelos grupos de uma mesma fase que formam um pélo norte e um pélo sul do motor, cada grupo pode constar de uma ou de varias bobinas, (fig. 41). O passo polar é determi- nado pela equacao: 90 = passo polar. — diametro interno do nucleo. — numero de pélos. = 31416. Passo do enrolamento Passo do enrolamento, também chamado de Passo polar por varios autores, é 0 Angulo.ou a distancia em que se acha um certo lado-de-bobina “y,” sob o pélo N, e a ranhura em que se encontra Cutro lado da mesma bobina “y.", que tem uma posicéo equiva lente sob o pélo S adjacente, ou entre outros dois pontos equiva. lentes quaisquer, fig. 41. © passo do enrolamento € determinado (da mesma forma que © passo polar e que o passo da bobina) pela formula Q Vere y — passo do enrolamento em graus elétricos. Q = ntimero de ranhuras do estator. P = numero de pélos. Exemplo; na fig. 33 € apresentado um esquema de enrolamen- to espiralado onde as bobinas de um mesmo grupo sao de passos diferentes e se expressam com os ntimeros: 10 37.11. 2—9 12--1=11 Para este tipo de enrolamento espiralade at de habinas can- céntricas, o passo, de acordo com a formula (y = Q/p) 6 a média aniumetica entre os passus dis bolinas uidependuiles. O puss medio € igual a média de 7, 9 e 11, assim Taos Ris ves =9 3 91 Normas para a indicagdo do passo Se o passo polar ou do enrolamento se indica simplesmente assim, y = 8, podera ser mal entendido para o técnico inexperiente que talvez interprete que se um lado-de-bobina esté situado na 1* ranhura, o outro lado devera ser colocado na 8? ranhura. Para se evitar esta falsa interpretagdo, nos esquemas e desenhos, é norma indicar c passo do bobinamento, com duas cifras que ex- pressam os ntimeros das ranhuras nas quais se estabelecem cada lado-de-bobina. Por isto no lugar de y = 8 se escreve: passo do enrolamento 1 — 9, isto se interpreta assim; quando um lado de bobina se coloca na ranhura n.° 1, 0 outro lado da mesma bobina deve ser colocado na ranhura n.° 9. O passo é igual a 8, pois1+8=9 No caso de (fig. 39) uma bobina que tiver seus lados coloca- dos nas ranhuras 1 e 7, o passc sera 6, devendo-se indicar assim, passo 1 — 7. Graus elétricos Conforme foi visto anteriormente, quando uma bobina gira em um campo magnético de um gerador simples bipolar (um par de pdlos) da origem a uma f.e.m. que pode ser apresentada por uma curva senoidal como a da fig. 25. Uma volta completa da bobina realiza um passo completo de valores positivos e outro de valores negativos, isto é, quando a bobina completar uma revolugdo produzira um ciclo e terd des- crito um Angulo de 360 graus elétricos, ou seja 2 radianos elétricos, e a volta mecanica da bobina percorrido 360 graus geométricos. Neste caso 1 grau mecdnico equivale a 1 grau elétrico. Como acabamos de ver, cada vez que a bobina percorre um par de pélos realiza um ciclo, ou sejam 360 graus elétricos. Se o gerador é multipolar, sendo por exemplo tetrapolar (4 pdlos), a0 completar a bobina uma volta mecanica teré efetuado um percurso de 360 graus geométricos, e a f.e.m. induzida feito 2 ciclos, ou seja 720 graus elétricos.’Em uma maquina de 4 pélos, 1 grau geométrico corresponde a 2 graus elétricos. Nas maquinas hhexapolares (6 pdlos) em uma volta mecanica a f.e.m. induzida percorre 3 ciclos elétricos, 1 grau geométrico equivale a 3 graus elétricos. Em uma maquina de oito pdlos, 1 grau geométrico é igual a 4 graus elétricos e assim por diante. Desta forma o numero de graus de uma circunferéncia é igual a: °E = 360 =P (22) 92 onde; °E = graus-espaco elétricos. 360 — graus-espaco geométricos. P — numero de pares de pélos. Para se converter graus mecdnicos em elétricos, deve-se mul- tiplicar pelo ntimero de pares de pélos, segundo a formula: Ch Pog (23) onde; °E = graus-espaco elétricos. P = numero de pares de pélos. °G = graus-espaco geométricos ou mecénicos, Passo das ranhuras Passo das ranhuras é o angulo entre os eixos de duas ranhu- Tas consecutivas, tem por simbolo “q”, é determinado por: (24) (25) onde; a — alfa, letra mimiscula do alfabeto grego que expressa o Angulo entre duas ranhuras adjacentes ou, numero de graus elétricos correspondentes a 1 ranhura. °E — graus elétricos da circunferéncia do estator. Q = ntimero de ranhuras do estator. P = ntimero de pélos. De acordo com a equagio 17 (q — Q/m.p; onde “q” é 0 niimero de ranhuras por pélo e por fase, “@” o numero de ranhu. tas do estator, “m” o mimero de fases e “p” o nimero de pélos) © Angulo elétrico entre ranhuras adjacentes é: 60 °E q 93 Ee onde; | @ — numero de graus elétricos correspondentes a uma ra- nhura ou 4ngulo elétrico entre ranhuras consecutivas. 60°E — graus elétricos. q — ntimero de ranhuras por pélo e por fase. © passo das ranhuras ou os graus elétricos correspondentes a uma ranhura poderdo ser determinados pela seguinte formula: 180. °E Ca (27) = onde; a@ = numero ge graus elétricos que correspondem a uma ranhura. 180°E — graus elétricos coriespondentes a um pélo. r, — numero de ranhuras em ¢ada pélo. Passos das fases Para manter a simetria dos enrolamentos trifasicos, é indis- pensvel que a distancia entre os principios das trés fases (inicio de qualquer fase e o principio da fase subseqiiente) seja de 120 °E. Semelhante distancia deverdo ter também os finais das fases. © passo das fases é o angulo (g,) entre a ranhura em que se acha um certo condutor da fase “A” e a ranhura em que esta o condutor mais. proximo correspondente ao da fase “B”, sendo o mesmo Angulo para a fase “C” com relacdo a fase “B”, e o da fase “C" com relacdo a “A”. Como foi dito acima este Angulo é de 120 °E, é expressado em ntimero de ranhuras determinado pela formula: 120 °E = (28) « > i |, = passo das fases. 120°E = graus elétricos. @ — graus elétricos correspondentes a uma ranhura. 94 Grupos polares ou grupos de bobinas Todas as bobinas de uma mesma fase formam grupos de acordo com o numero de pélos e o ntimero de ranhuras do estator. E sabido que em um enrolamento bipolar trifésico, as bobinas das trés fases formam dois pélos; norte e sul. Partindo deste prin- cipio, se pode estabelecer uma dependéncia entre o numero de bobinas e o de pélos, supondo inicialmente “q”. inteiro, Assim, cada fase, em cada pélo ocupa “q” ranhuras e as bobinas corres. Pondentes podem ser agrupadas juntas, constituindo o que se chama “grupo polar” ou grupo de bobinas. Por conseguinte, cada polo tem 3 grunos, um grupo para cada fase; sendo o numero total de grupos polares determinados por: | Pp (29) onde; G, = grupos polares ou numero de grupos de bobinas. m = numero de fases. P = numero de pélos Bobinas por grupo i A forma de se obter o ntimero de bobinas por grupo é divi- dindo-se o nuimero total de bobinas, pelo numero de grupos pola- Tes ou grupos de bobinas segundo a equacdo: onde; - B_ ~ bobinas por grupo. numero total de bobinas G, = numero de grupos polares ou grupos de bobinas. Bobinas por fase Nos enrolamentos de duas camadas ou de bobina inteira, onde © numero de bobinas é igual ao numero de ranhuras, a formula para se obter o ntimero de bobinas por fase é: e no bobinamento de uma camada ou de meia bobina, onde o numero de bobinas é igual 4 metade do numero de ranhuras sera: B= (32) onde; B, = numero de bobinas por fase : Q = numero de ranhuras do estator. m = numero de fases. Escolha dos terminais Como os enrolamentos se compéem de grupos iguais, contendo cada um o mesmo ntimero de ranhuras por polo e por fase e bo- binas idénticas, um motor trifasico, qualquer que seja o tipo de seu bobinamento, e, se tem um sé enrolamento, apresenta seis terminais, isto é, dois po: cada fase representados pelo principio eo fim da dita fase. Apés a colocacdo de todos os grupos no estator, seguindo-se um sentido previamente escolhido, devem ser eles ordenadamente numerados e os terminais (dois para cada fase) também serao identificados e numerados (P,, F,), (P., F,) e (P,, F,) onde “P” significa principio e “F” fim de cada fase. ¥ inteiramente arbitraria a escolha do terminal que se con- venciona chamar de principio “P”, sendo o fim “F” imediatamen- te fixado; porém uma vez fixada a convencéo para a primeira fase, deve ela ser seguida rigorosamente para as demais fas2s. No estator é conveniente escolher a combinacio do inicio de fases que exija cabos terminais de saida o mais curtos possiveis, . ou seja escolher as ranhuras mais proximas da caixa de ligacées, onde sao conduzidos os terminais para que possamos: ligar 0 motor linha, possibilitar as mudancas rapidas da conexdo para estréla ou para triangulo, mudanca imediata da tensao em motores de dupla tensao, inverséo do sentido de rotaco, etc. A representaco do sentido de circulagao da corrente e da constituic¢éo dos pélos nos esquemas dos enrolamentos, subenten- de-se que é imaginativo 2m um determinado instante qualquer do ciclo da corrente alternada, para facilitar sua rapida inter- pretacao. Distribuigéo das bobinas no rotor No rotor a distribuicéo das bobinas deve ser feita de forma a ! manter mecanicamente equilibrado o rotor e proporcionar um 96 equilibrio dinamico. % conveniente escolher a combinagao de prin- cipios de fases situadas sobre ranhuras geometricamente simétri- cas, ou seja, a uma distancia de 120 graus geométricos e nao a 120 graus elétricos, com objetivo de manter equilibrados os esforcos originados pela forca centrifuga, porém observando as normas da simetria elétrica. Nos rotores trifasicos s6 é possivel adotar trés ranhuras geo- metricamente equilibradas quando o nitmero de pares de polos nao é miiltiplo de 3. Se o ntimero de pares de pélos é divisivel por 3, 0s inicios das fases nao poderdo ser dispostos uniformemente pela circunferéncia, pelo que deverao ser escolhidas as trés ranhuras o mais equilibradas possivel. ENROLAMENTOS EM QUE 0 NUMERO DE RANHURAS POR POLO E POR FASE (“q”) NAO & UM NUMERO INTEIRO Enrolamentos fraciondrios Um enrolamento fracionério quando o ntimero de ranhuras por pélo e por fase (q) nao é um nimero inteiro. Estes bobina- mentos se diferenciam dos que tem o numero inteiro de ranhuras por pélo e por fase, em que com o enrolamento fraciondrio ha que combiné-lo em grupos de distinto numero de bobinas. Eviden- temente nao existem grupos com niimeros fracionérios de bobinas. A solucao consiste em construir grupos com “N” bobinas e grupos “N + 1” bobinas. Os bobinamentos fracionérios subdividem-se em dois outros: enrolamentos balanceados e bobinamentos nao balanceados. Estudaremos apenas os enrolamentos balanceados, isto é, aqueles em que as f.e.m. induzidas tem a mesma amplitude ¢ igual defasagem. Os bobinamentos nao balanceados s6 sao empregados em casos extremos, pois acarretam varias caracteristicas indesejéveis, como por exemplo: grande desenvolvimento de calor, maior vibragiio, rujdo, corrente de circulacdo, etc Enrolamentos balanceados Quando o numero de ranhuras por pélo e por fase néo é um numero inteiro é necessario especificar a ordem de colocacdo dos grupos. O diagrama de ligacdes néo difere do usado quando “q” (numero de ranhuras por pélo e por fase) ¢ inteiro. Os enrolamentos geralmente usados séo os de duas camadas; os de uma camada so raros. Para elaborar o esquema de um enrolamento com numero fracionario de ranhuras por pOlo e por fase (‘q”) sao necessarias as seguintes condicdes: Cada fase deverd ter igual mimero de ranhuras, o mesmo ntimero de bobinas e os grupos simetricamen- te distribuidos, do contrario 0 enrolamento resulta assimétrico. 97 © bobinamento teré que ser de duas camadas. O mimero de polos deveré ser miiltiplo do denominador da fracéo que exprime o valor de “q”, 0 menor ntimero de polos poderd ser igual 20 denominador (se este for par). O denominador da fracao que exprime o valor de “q” nao poderd ser multiplo do numero de fases e 0 enrola. mento devera ser de passo fraciondrio, ete. Com um ntimero qualquer de pares de pélos, nao divisivel Por 3, obtém-se trés fases iguais se “Q” (numero de ranhuras) € divisivel por 3. Se o numero de pares de polos é miiltiplo de 3, é necessdrio que 0 ntimero de ranhuras “Q” seja divisivel por 3.3. Quando o ntimero de pares de polos contém duas vezes 0 fator 3, é preciso que o numero de ranhuras contenha trés vezes este fator 3, e assim sucessivamente. Sem isto é impossivel se ter um enrola- mento balanceado. EXERCICIO — 1 Preparar 0 esquema de um enrolamento fracionario de duas camadas para um motor trifasico de 6 pélos, com um estator de 27 ranhuras. Este bobinamento é possivel porque o numero de pares de Polos “P” € divisivel por trés e o numero de ranhuras é miltiplo de 3x3. © numero de ranhuras por pélo e por fase segundo a formula 17 é: Q 27 gq = —— = —_ 117 m.p 3.6 Como cada grupo deve ter um ntimero inteiro de bobinas, 0 enrolamento é composto de grupos alternativos, tendo uma e duas bobinas respectivamente cada um destes grupos; assim cada fase tem em 6 pélos, 3 grupos com 2 bobinas ¢ 3 grupos com 1 bobina, pois perfaz: 3. 2+ 3. 1= 9 bobinas por fase. 9 Cada fase tem nos 6 polos; —_ . 6 — 9 ranhuras. 6 © passo da bobina (férmula 20) sera: Q 27 ranhuras a P 6 pélos = 45 Como o passo tem que ser sempre um ntimero inteiro, devem- Se colocar as bobinas com um passo de 4 ou 5 Tanhuras. Escolhe-se © passo curto de 4 ranhuras ou passo 1 — 5. A fig. 52 mostra o diagrama déste enrolamento. 98 Numero de bobinas por grupo de um enrolamento fraciondrio © procedimento mais simples para determinar o numero de bobinas de cada grupo em um enrolamento fraciondrio é o seguinte: Considerando o mesmo motor do exercicio — 1. a) Determina-se o numero total de grupos pela formula (29): G, — m . p = 3 fases . 6 polos = 18 grupos. b) Obtém-se o numero de bobinas por grupo, formula 30: 27 bobinas = rr 8 ' 18 grupos 42004 c) O numerador da fracdo, ou seja 9, determina o ntimero de grupos com maior numero de bobinas, isto 6, 9 grupos de 2 bobinas cada um d) Os nove grupos restantes sé terao 1 bobina cada grupo. EXERCICIO — 2 Determinar o nuimero de bobinas por grupo de um motor com: 20 polos, 84 ranhuras e duas camadas. a) O numero total de grupos sera de: G, =m . p = 8 fases . 20 polos = 60 grupos. b) O ntimero de bobinas por grupo é de: B, 84 bobinas Ee e260 Gg 60 grupos ¢) Utilizando o numerador da fragéio como numero de grupos de maior ntimero de bobinas, t2remos 24 grupos de duas bobinas cada grupo; os 36 grupos de bobinas restantes seréo de 1 bobina cada grupo. 100 a) Verificacao: 24 grupos de 2 bobinas cada um 48 bobinas 36 grupos de 1 bobina cada um 36 bobinas 84 bobinas Os enrolamentos com ntimero fraciondrio de ranhuras por polo e por fase so geralmente empregados em maquinas de grande numero de pélos (baixa rotacao). OBSERVACAO Os esquemas e exercicios apresentados neste manual foram tirados de equipamentos que se encontram operando na industria. Capitulo 11 PRINCIPIOS GERAIS DOS ENROLAMENTOS DE C.A. Condigées dos bobinamentos. As condigées que devem cumprir os enrolamentos de corrente alternada para o bom funcionamento e economia dos motores so: a) Satisfazer certas condicdes de simetria com respeito aos cir- cuitos e condutores elétricos; b) Todas as fases deverao ter o mesmo ntimero de espiras; ¢) Nos bobinamentos com circuitos em paralelo é necessério que eles szjam eletricamente equivalentes, todos os circuitos deve- rao ter a mesma resisténcia elétrica, a mesma reatancia e estar submetidos 4s mesmas f.e.m.; d) As fases devem estar defasadas no mesmo Angulo caracte- ristico do sistema; ) Todas as ranhuras devem ser idénticas e espacadas do mesmo Angulo, etc Sahe-se que os enrolamentos de corrente continua normal- mente sdo constituidos por bobinas de circuito fechado, por se iniciar e terminar o bobinamento no mesmo ponto e, porque a tomada de corrente, efetua-se sobre laminas do comutador cons- tantemente distintas. Os enrolamentos de corrente alternada tanto podem ser fecha- dos como abertos. A conexao em triangulo dé um arranjo de bobi- nas em circuito fechado, e a conexao em estrela um bobinamento com circuito aberto. As tomadas de corrente efetuam-se em ponto, fixos, ou seja, nos extremos de cada fase. Como consegiiéncia seré possivel acoplar os condutores de uma fase numa ordem qualquer, sempre que entre seus extremos se obtenha a f.e.m. resultante da soma das que se produzem em todos eles. © numero de ranhuras por pélo e-por fase é um fator impor- tante, nao se usando quase uma tmica ranhura por polo, porque nao 2 aproveita economicamente o espaco disponivel no induzido e resulta uma onda deformada de voltagem. Para se evitar a deformacdo da onda de C.A. nao deve ser inferior a dois (2) o niime- ro de ranhuras por pélo e por fase. Os prineipios que regulam para a fabricacéo dos bobinamen- tos de corrente continua valem também para os dos motores de corrente alternada. 103 Fig, 53 — Supde-se que o nucleo do estator da fig. 29, & cortado por «Con ¢ depois estendide sobre um plano. REPRESENTACAO DOS ESQUEMAS DE ENROLAMENTOS Para simplificar os diagramas, a superficie dos enrolamentos aparece plana. As bobinas e ligacoes representam-se por meio de um esquema desenvolvido, figs. 39 e 53, tal como seria obtido se o bobinamento fosse cortado em um ponto e depois estendido sobre um plano. Um tipo especial de representacao € mostrado nas figs. 38 © 40, Supoe-se que o enrolamento foi colocado em uma prensa e forgado até que todo o motor tenha ficado achatado sobre um plano. Outro método ¢ a representagéo dos esquemas em perspecti- va. Este sistema é pouco empregado porque somente mostra uma . Pequena parte do bobinamento e néo indica com clareza as liga- g0es através dos distintos grupos. TRACADO DO ESQUEMA DE UM ENROLAMENTO O tracado de um esquema nao apresenta muita dificuldade. Traca-se 0 diagrama repr2sentativo do estator ou do rotor supon- do-se como ja foi dito, que o motor é cortado em um ponto qual- quer e estendido sobre um plano. Embora este método quebre a continuidade, 6 o de mais r4pida e facil execucio e mostra as espiras nao deformadas. O esquema é particularmente importante Para realizacdo e verificacio do trabalho de oficina. Para que se possa tracar inteiramente um esquema dever- Se-d ter os dados mais importantes que so: numero de ranhuras, mimero de pélos, mimero total de bobinas, numero de bobinas por fase e numero de bobinas por grupo. 104 EXERCICIO — 3 Exemplifica-se 0 esquema do estator de um motor trifasico tetrapolar com 24 ranhuras, duas camadas“e passo integral, fig. 39. © esquema 6 realizado dispondo-se trés enrolamentos mono- fasicos idénticos os quais so chamados fases, deslocados um com respeito ao outro de 120 °E, de maneira que as f.e.m. neles resul- tem defasadas de 1/3 de periodo. Como se sabe, os motores de duas camadas tém seus enrola- mentos formados por um numero de bobinas igual ao de ranhuras, logo este bobinamento se compée de 24 bobinas idénticas, porque a periferia interna do nucleo do estator contém 24 ranhuras. Em uma folha de papel representam-se com algarismos o mesmo ntimero de ranhuras que contém o estator e da-se distri- buicdo uniforme a fim de que as mesmas fiquem equidistantes entre si. ‘Tracam-se 48 linhas verticais que representardio os lados das bobinas que se encontram colocados de dois em dois, em cada uma das 24 ranhuras. O traco do lado esquerdo de cada ranhura desenha-se cheio porque é 0 lado da bobina que fica na parte de cima da ranhura, e 0 lado direito em tragos interrompidos por ser o lado da bobina que se coloca no fundo da ranhura. Divide-se este plano em tantos setores quantos sao os pdlos. Neste caso serao 24 ranhuras/4 polos — 6 ranhuras por pélo Em cada pélo tracam-se trés grupos de ranhuras, sendo cada grupo composto do numero correspondente de ranhuras por plo e por fase. No caso considerado e de acordo com a férmula “17”, teremos; 24 ranhuras = 2 ranhuras por pdlo e por fase. 3 fases . 4 pélos Neste bobinamento para cada polo existem portanto 2 ranhu- ras reservadas para cada fase. Marcam-se todas as ranhuras da primeira fase, seguindo-se um sentido previamente escolhido para a circulagao da corrente em um pélo, sendo o mesmo sentido nas ranhuras da mesma fase em cada pélo; no pdlo adjacente deve-se marcar em sentido con- trério e assim sucessivamente. As ranhuras da segunda fase mar- cam-se em sentido contrério ao da primeira com tragos mais finos para se destacar da primeira no diagrama, e os da terceira fase com tragos hachurados para que se destaque das outras duas, dando a corrente um sentido contrario ao da segunda fase. Os tracos das fases coloridas em vermelho, azul e preto tornam muito mais compree: ‘veis os esquemes. 105 Determina-se 0 passo da bobina (férmula 20), que sera: Q 24 ranhuras i ra P 4 pélos : Tracam-se as bobinas da primeira fase conforme a fig. 41, Li- gam-se em série todas as bobinas que formam os grupos, observan- do-se em todas que a corrente circula no mesmo sentido. Nao ha ligagdes a fazer quando o motor tem uma bobina apenas por pélo € por fase, isto é, o grupo é formado por uma s6 bobina (ou na Pratica, quando as bobinas foram enroladas em moldes multiplos).. Calcula-se 0 nimero de grupos polares de acordo com a formula 29, que dara: G,—™m . p = 8 fases . 4 pélos = 12 grupos. Como em um motor todas as fases tem o mesmo ntimero de grupos, este do exemplo tera para cada fase: 12 grupos/3 fases = 4 grupos de bobinas por fase. O numero de bobinas por fase ser: Q B 24 bobinas B, = —_ = —_ ~—_______ = 8 bobinas por fase, onde: m m 3 fases B, — ntimero de bobinas por fase. Q — numero de ranhuras do estator. m = mimero de fases. B — numero de bobinas. © ntimero de bobinas por grupo é: B, 24 bobinas B, = —— = ——_______ = 2. bobinas por grupo. G, 12 grupos As ligagdes dos grupos se faz de modo que a corrente circule alternadamente, no primeiro grupo no sentido dos ponteiros do telégio; no segundo em sentido contrério e assim sucessivamente, ' figs. 39 e 41. Os bornes terminais das fases serdo indicados arbi- trariamente com P, e F, representando respectivamente o princi- pio e o fim da fase. Os prineipios de cada fase deverao ser tomados da parte de cima das ranhuras, e os finais dos lados de bobina que fieam nos fundos. Traca-se o inicio da segunda fase em correspondéncia com a ranhura que resulte deslocada de 120° E em relacéo ao inicio P, da primeira fase, iniciando-se a 1/3 do numero total de ranhu- ras do motor com relagdo & fase anterior, portanto a fase segunda P, devera ter origem a 9 ranhuras para a direita do ponto onde comega a primeira fase P,. O fim da segunda fase F, teré que ser localizado também a 9 ranhuras para a direita do final F,. 106 “ O diagrama € simétrico e a segunda fase ¢ exatamente igual & primeira (néo é necessério desenhar o esquema da segunda fase, basta dar detalhes de uma fase e as entradas e saidas das demais) iniclando-se em P, e terminando-se em F,,. A terceira fase P, traca-se com raciocinio andlogo ao exposto no caso anterior. Partindo-se de P, e pulando-se 8 ranhuras para Gireita (9 ranhuras do ponto onde comega a segunda fase) ser © principio P, da terceira fase. O final F, é localizado partindo-se de F, e saltando-se 8 ranhuras para a direita onde sera marcado © dito final F, da terceira fase. A terceira fase (também nao precisa ser desenhada) é exata- mente igual 4 primeira, devendo-se iniciar em P, e se terminar em F,. Para verificar se 0 esquema esta correto, traca-se uma flecna por cima de cada grupo indicando a direcdo da corrente nos con- Gutores, observando que, alternadamente, os grupos de bobinas devem ser percorridos em sentidos contrdrios, como mostram os diagramas das figs. 39 e 41. recomendavel a repetigdo de alguns exercicios cgm diagra- mas de diversos esquemas, para se poder obter um completo domi nio da técnica do bobinamento de motores elétricos, j4 que por analogia das explicagdes dadas acima, pode-se confeccionar esque- mas para outros enrolamentos. ENROLAMENTO DE ROTORES Os diagramas de bobinamentos de estatores, servem ao enro- lamento de rotores e devem ter o mesmo numero de pdlos do estator. A construcao do estator de um motor sincrono é praticamente igual 2 de um motor assincrono, os rotores porém sao diferentes, © rotor dos motores sincronos, como foi dito em capitulos anteriores, € uma combinacao dos rotores do alternador e do motor assincrono, sendo alimentado com corrente continua e age como um ima. O rotor dos motores assincronos nao Precisa alimentacao ex- terna. Os bobinamentos comumente empregados séo os chamados tipos “gaiola de esquilo” ou “rotor em curto-circuito” e o de “rotor bobinado”. Nao obstante, ndo serem diretamente supridos pela fonte de energia, os rotores sao postos a girar pelo campo magnético formado pelas bobinas do estator. Rotor em curto-circuito ou gaiola de esquilo. Neste tipo o enrolamento do rotor consiste em barras de cobre, de aluminio ou entéo de alguma liga metélica que séo instaladas nas ranhuras formando uma verdadeira gaiola, unidas em cada extremidade e soldadas entre si em curto-circuito por meio de dois anéis laterais d2 cobre ou de bronze, tornando mais facil a construcde do rotor. 107 Nao ha necessidade de isolamento entre o nticleo e as barras de cobre devido a que as tensdes g2radas nas barras da gaiola sao muito baixas. Os tipos mais comuns destes rotores sao: a) “Gaiola de esquilo” de uso mais generalizado. O formato da ranhura nestes rotores varia bastante nas diversas aplicacoes, porque desta maneira se adapta a caracteristica de funcionamento ao servico a que se destina 0 motor. b) “Dupla gaiola de esquilo” é empregado onde se exige um conjugado de partida elevado. Este tipo de rotor tem pequena variac&o de velocidade e baixa resisténcia durante o funcionamen- to. Recorre-se 4 dupla ranhura para o emprego de duas gaiolas, uma de alta resistencia 6hmica situada na parte de cima das ranhuras ¢ outra de baixa resisténcia elétrica colocada no fundo. Para obter uma caracteristica adequada geralmente empregam-se materiais diferentes em cada ranhura ou gaiola. © rotor com o enrolamento tipo gaiola é uma peca quase indestrutivel, podendo suportar altas temperaturas sem se es- tragar. Entre o estator e o rotor é usado o menor entreferro possivel com a finalidad> de aumentar a intensidade do campo magnético. Rotor bobinado. Ao calcular o enrolamento do rotor do motor assincrono deve-se ter em consideracdo certas condigées derivadas de sua relagéo com o proprio motor, como por exemplo: a) O nimero de pélos do enrolamento do rotor tem que ser igual ao do bobinamento do estator; b) O numero de fases dos enrolamentos do estator e do rotor podem ser diferentes, no apresentando por isso nenhuma anorma- lidade. Por exemplo; um motor em que 0 enrolamento de seu esta- ‘tor é trifésico hexapolar pode ter um rotor bobinado bifasico ou trifésico, porém devera ter seis pélos como o estator. © rotor bobinado tem geralmente um enrolamento trifasico em tudo similar ao do estator. Os terminais das trés fases estdo ligados a trés anéis deslizantes independentes, aos quais sao apli- cadas escovas. Cada um dos trés anéis fazem conexao com um reostato de partida ligado em “Y”, figs. 54 e 55. Os trés contatos deslizantes se movem conjuntamente de modo que as trés resis- téncias sao sempre iguais. A resisténcia é intercalada no circuito do rotor para propor- cionar baixa cornente de partida e um momento potente de arran- que, sendo gradativamente retirada com o aumento da velocidade até que finalmente se anula e os trés anéis so postos em curto- cireuito. A fig. 56, mostra o esquema de um enrolamento ondulado, de rotor com 4 pélos e 24 ranhuras. 108 Fig. 54 — Enrolamento de rotor. A — anéis. R — reostato. Fig. 55 — Método de arranque de motor trifésico de anéis (roter bobinado). 109 110 | Pela formula “17” o numero de ranhuras por pélo e por fase (q) é: Q 24 ranhuras oe m.p 3 fases . 4 pélos q= © passo da bobina (¥) segundo a férmula 20 seré: Q 24 ranhuras | P 4 polos Neste enrolamento, quando um lado de bobina se coloca na : parte superior da ranhura n.° 1, 0 outro lado deverd colocar-se nos fundos da ranhura 7.8. Para saber em que ranhura dever-se-4 ligar o lado seguinte, teremos que somar o passo da bobina (6) & ranhura n.° 7. No esquema vé-se que o lado inferior da bobina da 7.8 ranhura é ligado ao lado superior da bobina colocada na ranhura n.° 13, A ligacdo seguinte far-se-A entre o lado de bobina superior da 13.* ranhura e o inferior da 19.2. Se A ranhura n.° 19 acrescenta-se 0 passo da bobina (6), obtém-se o ntimero da 1.2 ranhura, isto é, 0 lado de bobina interior da ranhura 19.4 haver& que conecta-lo com o superior da 1.8, e desta forma, o enrolamento se fecharia. Para evitar isto, ao chegar 4 ranhura na qual se tenha comegado 0 enrolamento, reduz-se ou aumenta-se 0 passo do bobi- namento em uma ranhura. Estes enrolamentos sio chamados de transigéo reduzida, quando se reduz o passo do enrolamento, e de transicao cumprida quando se aumenta o passo do bobina- mento. } O esquema que estamos estudando é de transicéo veduzida, por isto o lado de bobina inferior da ranhura n.° 19 esta ligado ao lado superior da 24.4 (passo 5 ou 1-6) Como neste enrolamento o ntimero de ranhuras por polo e | por fase é 2, sera preciso fazer duas circundagées do rotor. A | segunda circundacao vai junto com a primeira. O lado de bobina j superior da ranhura n.° 24 é ligado com o inferior da 6.4, esta por sua vez se conecta com o lado da bobina superior da ranhura 12.2, e esta com inferior da 18. Para completar o enrolamento tetrapolar desta primeira fase é necessario fazer a 2.8 circundagao do rotor em sentido contrario. Para isto é preciso ligar 0 lado de bobina inferior alojado na ranhura n.° 18 com o lado inferior que est4 a um passo dele, ou seja, com o da 24.2. Esta ligacao é designada como ponte de retorno Normalmente nos enrolamentos do tipo ondulado, a circun- dagéo dos grupos de bobinas inicia-se pelo principio da fase no lil | sentido dos ponteiros do relégio, e depois da ponte, o sentido da circundacdo faz-se de forma inversa, isto é, contrério ao dos pon- teiros do relogio. Na segunda cireundacio, o lado de bobina inferior da ranhura n.° 24 liga-se com o lado superior da 18%, e este por sua vez conecta-se ao inferior da ranhura n.° 12, enquanto que este ligar- se-4 com o superior da ranhura n.° 6. Como a ranhura 24.4 j4 se encontra ocupada, seré necessdrio reduzir o passo para ligar o lado de bobina superior da ranhura n.° 6 com o lado inferior da 1.8, A continuacdo liga-se o lado de bobina inferior da ranhura n° 1 com o lado superior da 19.2, e este conecta-se ao inferior da 13.8, sendo que este por seu turno deverd ligar-se ao lado de bobina superior da ranhura n.° 7, donde sair4 o terminal da pri- meira fase. Como a segunda e terceira fases sio exatamente iguais A primeira, enrolam-se da mesma forma ao explicado para a pri- meira fase. A fig. 57, ilustra o esquema de um enrolamento ondulado de rotor com 4 pélos, passo fraciondrio 2,5 ranhuras por polo e por fase. * © rotor bobinado embora mais caro que o de gaiola combina bem as caracteristicas de alta e de baixa resisténcia, oferecendo melhores condicées de partida, porém com piores condicées de trabalho. Dificilmente nos motores com rotor bobinado, os fios ou bornes do rotor saem pela mesma caixa de conexdes que os fios ou bornes do estator, porém, quando isso acontece, sempre tém marcas nos fios do rotor que os diferenciam dos demais, pois como JA foi dito, a ligacdo do rotor nao é feita ao circuito da linha de alimentacdo, e a corrente que circula pelo rotor é devida exclusi- vamente a indugao criada pelo campo magnético do estator. A construgao do rotor bobinadc é limitada até uma determi- hada poténcia, por exemplo; a tensao ¢ a corrente entre anéis néio deveré ultrapassar respectivamente 2600 volts e 1500 ampéres aproximadamente. Os motores de inducdo de rotor bobinado utilizam-se quando se precisa de um grande momento de arranque. # também empre- gado em aplicacées tais como: ventiladores em que se deseja ter um grande numero de velocidades de servicos compreendidas entre a média e a maxima; acionamento onde a corrente de partida é limitada; regime intermitente em guinchos, elevadores, lamina- dores, guindastes, ete., e onde o controle da velocidade ¢ necess4rio para um satisfatorio manuseio da carga. Capitulo 12 MODIFICACOES DOS MOTORES DE C.A. Principais modificagies As prineipais modificacdes de motores de C.A. que se apresen- tam na pratica so: reenrolar um motor que se encontra comple- tamente danificado e, nao se dispde de dados precisos do bobina- mento; modificar o enrolamento para uma nova tensao; alterar © bobinamento para uma nova velocidade e dispor o motor para uma nova freqiiéncia. Problemas de enrolamentos Quando se apresenta um motor queimado, é bastante rebobi- né-lo de acordo com o enrolamento original, porém hé casos em que © motor esta completamente estragado e nao se dispde dos dados técnicos obtidos do préprio bobinamento, isto é, numero de espiras por bobina, diametro do fio, passo da bobina, etc. A maneira mais prudente de enfientar o problema, é tomando Por base-os dados do fabricante especificados na placa de carac- terfsticas fixada na carcaga, que sao: numero de fases, poténcia, tensdo, corrente, freqiiéncia, velocidade, fator de poténcia ¢ tipo de ligacéio, exemplo: EXERCICIO — 4 Rebobinar um motor assincrono cujo enrolamento esta total- mente destruido e sé 6 possivel utilizar os dados da placa indi- cadora. As especificagdes da placa so as seguintes: Fases — 3; cv — 6,5; kw — 4,8; cosp — 0,85; Hz — 50 Volts — 220/380; A — 17/9,84; rpm — 1500; Ligacdéo — A/y © estator tem 24 ranhuras e os elementos do circuito magné- tico necessdrios para o cAlculo sio: 0 diametro interno “d” e o comprimento do nticleo “L”, fig. 29. d — diametro interno do ntcleo 15,5 cm. L = comprimento do niicleo paralelo ao eixo, 11 cm. Com os dados acima pede-se determinar: ntimero de pélos, numero de ranhuras por pélo por fase, ntimero de bobinas, passo da bobina, passo polar ou do enrolamento, passo das ranhuras, Passo das fases, grupos de bobinas, bobinas por fase, fluxo mag. nético por polo e por fase, ntimero de espiras por fase, ntimero Ge espiras por bobina, seco do condutor, conjugado basico e o rendimento. 115 Numero de pélos. — Desde que a rotagdo do motor é 1500 rpm trata-se de um motor de; 120. f 120 . 50 1506 quatro pédlos. Numero de ranhuras por pélo e por fase. — Sendo 24 0 ntimero de ranhuras e 4 o ntimero de p6los, 0 ntimero de ranhuras por pélo e por fase segundo a formula 17 € de: Q 24 ———— mp 3.4 duas ranhuras por cada pélo para cada fase. Numero de bobinas. — O bobinamento a ser usado é de duas camadas, onde o numero de bobinas dever4 ser igual ao de ranhu- ras. Como se trata de um nticleo com 24 ranhuras serao 24 bobinas no total (B = 24). Passo da bobina. — Sendo um enrolamento a passo pleno, © passo de cada bobina pela formula 20 sera: 24 ranhuras ej 4 polos 1-7, passo integral; desenvolve-se por 180° E, ou seja por todo um ‘passo polar. Passo polar ou do enrolamento. — O angulo medido entre dois polos adjacentes corresponde a meio periodo, isto é, a 180 °E. O passo polar obtido através da formula 21 onde o diametro do nu- cleo é de 15,5 cm, sera de: din 15,5 . 3,14 yy, oa ———____—— = 12cm por polo (desprezam- P 4 pélos se as decimais). © espaco correspondente a cada ranhura é de: 15,5 . 3,14 ——____—_. = 2.om por ranhuras. 24 ranhuras 116 © passo polar em ntimero de ranhuras sera de: j ae np ALO a 12 cm por pélo =e 2 cm por ranhura seis ranhuras. Passo das ranhuras. — Uma vez que as ranhuras séo todas igualmente espacadas, o passo entre duas ranhuras consecutivas € 0 Angulo elétrico entre ranhuras adjacentes. Dé acordo com a f6érmula 27, a 6 ranhuras correspondem 180 °E, e a uma ranhura correspondem: ~ 180 °E 180 ~ ee eT q Be © passo das ranhuras é igual a 30 graus elétricos. Passo das fases. — O passo das fases determina 0 Angulo ou a. distancia entre as ranhuras em qu? estéo colocadas as entradas das fases do enrolamento. Neste bobinamento o Angulo caracte- ristico € de 360°/3 fases — 120 °E, isto é, entre a entrada de uma certa fase, e a entrada da fase subseqiiente devera haver 120° E. Na pratica 120° E deve expressar-se em ranhuras porque se podem contar com maior facilidade. Pela formula 28 teremos que: 120 °E 120 °E 4 = = a 30 °E correspondentes a 1 ranhura © passo das fases é 1-5. Assim sendo, a entrada da fase e, encontra-se na quinta ra- nhura a partir da entrada da fase e,, fig. 39. Analogamente a entrada da fase e, acha-se na quinta ranhura a partir de e, e assim sucessivamente, acontecendo 0 mesmo para com as saidas das fases. Grupos de bobinas. — © numero de grupos de bobinas é deter- minado pela formula 29 que dard: ¢ m.p = 3 fases . 4 polos — 12 no total doze grupos de bobinas. inas por grupo. — Segundo a formula 30 seré de: 24 bobinas — Be eee, G 12 grupos duas bobinas por grupo. 117 Bobinas por fase. — Como o motor tem um total de 24 bobi- nas, o numero de bobinas por fase segundo a formula 31 sera de: Q 24 ranhuras B, =— = —=8 m 3 fases cito bobinas por fase. Céleulo da corrente. — Para calcular a corrente consumida pelo ractor reenrolado as formulas aplicadas serao: w ————— (33) cos Pp VA ss (34) Va AY: onde; VA — poténcia em volt-ampéres. W — poténcia em watts. y = fator de poténcia. I = corrente em amperes. V = volts. cos Poténcia total absorvida da rede pelo motor: P= V3 NI cos = 1,73 . 220 . 17 . 9.85 — 5500 watts. Ww 5500 VA — ———- = ——__ = 6470 volt-ampeéres. cos 0,85 Ligagdo em triangulo. — Para,a tensdo de 220 volts utiliza-se a conexdo em triangulo, onde os enrolamentos das trés fases for- mam um circuito fechado. Nesta ligacdo a tensdo de linha é igual a tensdo de fase. A corrente de linha é igual ao produto da cor- rente na fase por 1,73. A corrente que consome o motor na ligacao triangulo é de: 6470 =WA 1,73 . 220 118 Ligagdo em estrela. — Para uma tensio de linha a 380 volts | emprega-se a ligacdo estrela porque o valor da tensao entre duas linhas quaisquer da rede de alimentacéo é igual ao produto de | qualquer tensdo de fas2 por'1,73. A corrente em qualquer fase e igual @ corrente de linha ja que os enrolamentos formam um caminho ico para o fluxo de corrente entre fases. A corrente consumida para a conexéo estrela seré de: 6470 oN 1,73 . 380 As conexdes do bobinamento estao representadas nas figs. 39 e 40. A fig. 58, mostra o diagrama da caixa de ligacdes com o principio e fim de cada fase para possibilitar com facilidade e Tapidez a troca de ligacG2s de acordo com o diagrama de conexdes das figs. 59 e 60. 380V |_—220v--}— 220 | Fig.58 Fig: 50 — Colzasidel Ulometes, Fig. 59 — Enrolamento ligado e ‘com indicagéo da tensdo em cat lease | estrela i fase. Fig. 60 — Bobinamento em co- nexao triangulo indicando & tensao de cada fase. 119 © consumo de corrente deste motor seré para a conexio triangulo 17 ampéres e para a ligacdo estréla 9,84 A. Vé-se que com @ mesma poténcia o motor toma para cada fase de 380 volts 1,73 vezes menos corrente que para a tenséo de 220 volts, porque esta é 1,73 vezes menor que os 380 volts, isto 6, a relacdo da cor- rente € de 1: 1,73. © rotor serve tanto para os 220 volts como para os 380 volts Porque a corrente que circulara por seu bobinado é aproximada- mente a mesma, j que ao calcular a densidade de corrente no estator vimos que os VA so os mesmos para ambas as tensées. CALCULO DO FLUXO MAGNETICO POR POLO E POR FASE Fluxo magnético Fluxo magnético é o numero total de linhas de inducdo exis- tentes (que atravessam uma seco) no circuito magnético e é equi- valente & corrente no circuito elétrico. # comum para denominar © fluxo magnético usar os sinénimos de “linhas de inducéio” ou simplesmente “linhas”. A unidade C.G.S. de fluxo magnético 6 0 “maxwell” que tem por simbolo a letra maitiscula do alfabeto grego @, chamada fi. Densidade de fluxo A induc&o magnética corresponde & densidade de fluxo que € o ntimero de maxwells ou linhas de inducaéo por unidade de area, tomada esta area perpendicularmente a diregéo das linhas de indug&o (da seco transversal de um campo). A unidade de densidade de fluxo ou indugéo magnética no sistema C.G.S. tem o nome de “gauss” e por simbolo a letra maitiscula do alfabeto grego f, que se chama beta. © fluxo magnético por pélo e por fase é obtido por meio da seguinte formula: 4¥e S018 (35) onde; ® = fluxo magnético por pélo e por fase. 3.1416 Y, = passo polar de acordo com a formula 21, é igual a 12 em. 120