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MATO GROSSO

Seu Povo

SUA CULTURA.
JOÃO ANTONIO PEREIRA

GUIRATINGA-MT, SETEMBRO/2009
MATO GROSSO: SEU POVO, SUA CULTURA 2010

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................3
2. CULTURA MATO-GROSSENSE..................................................................................................3
3. PATRIMÔNIO CULTURAL..........................................................................................................4
4. BENS IMATERIAIS.......................................................................................................................5
7. CURURU ......................................................................................................................................11
8. SIRIRI - ORIGENS......................................................................................................................12
9. BOI-A- SERRA.............................................................................................................................14
10. RASQUEADO.............................................................................................................................15
11. OS MASCARADOS DE POCONÉ.............................................................................................16
12. CARNAVAL GUIRATINGUENSE: BLOCO DOS CARETAS................................................17
13. CARNAVAL GUIRATINGUENSE: BLOCO DOS SUJOS......................................................19
14. VIOLA DE COCHO....................................................................................................................22
15. SÍMBOLOS DE MATO GROSSO.............................................................................................23
BANDEIRA DE MT..........................................................................................................................23
16. BRASÃO DE ARMAS DE MT...................................................................................................24
HINO DE MT....................................................................................................................................24
17. LITERATURA.............................................................................................................................25
18. BIBLIOGRAFIA.........................................................................................................................28

2 João Antonio
Pereira
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1. INTRODUÇÃO

Este trabalho é apenas um ensaio daquilo que pretendo


concluir brevemente. O objetivo maior é colocar uma ferramenta
atualizada sobre a História e Geografia de Mato Grosso nas mãos
de nossos alunos, promovendo algumas reflexões acerca da
ocupação e produção do espaço mato-grossense. É uma versão
preliminar e carece de revisão, você pode ajudar enviando suas
críticas e sugestões visando melhorá-la, no entanto, espero
contribuir de alguma forma para melhor compreensão do momento,
da forma e das forças que promoveram a ocupação e produção do
espaço geográfico, desse estado com dimensões continentais bem
como caracterizar as relações entre seus principais agentes.

Num futuro próximo este material terá também documentos


de época e exercícios nos moldes dos vestibulares das mais
distintas universidades brasileiras bem como do novo ENEM. Como
outrora bradou o poeta: “Vem vamos embora que esperar não é
saber quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Esta é a sua
hora, esse é o seu tempo! Tome as rédeas do seu destino, pois
“você é especial, quem te deu a vida, destruiu a forma, não tem
outro igual”.

Brevemente quero ouvir o relato de sua história de sucesso,


pois você é estrela, nasceu para brilhar e ninguém ofuscará seu
brilho. Bons estudos! Até a vitória!

2. CULTURA MATO-GROSSENSE

Conceito: “Cultura é um todo complexo que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral,
leis, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como integrante da sociedade”
(Edward B. Tylor)“A cultura é aquilo que menos espaço ocupa na memória; quanto mais se tem, na

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maior parte dos indivíduos, mais leves, soltos, independentes e livres se tornam”1.

Se o conceito de cultura se baseia nos costumes e valores de uma sociedade, não devemos
confundir cultura com manifestações artísticas, pois a arte é apenas parte deste universo colossal
que é a variedade do saber do homem. O termo cultura, para a maioria das pessoas indica um alto
nível artístico ou intelectual, o progresso da arte e da ciência, a literatura, a filosofia, a expressão do
gênio de um povo.

Para o cientista social, o conceito engloba tudo isso e muito mais. A cultura se manifesta
em obras de arte ou de erudição, mas também na cozinha e nas roupas, na natureza das relações
familiares e sociais, no sistema de valores, na educação, na idéia do bem e do mal, na maneira de
construir casas, nas aspirações e na confiança no futuro, na atitude em relação a estrangeiros.
Seguem alguns conceitos de cientistas ao longo dos tempos:

Geertz - “Conjunto de significados em termos dos quais os seres humanos interpretam as


suas experiências ou reorientam as suas ações”. Goodenough - “Formas através das quais as pessoas
organizam as suas experiências sobre o mundo real”. Max Weber - “Cultura é tudo aquilo que o ser
humano acrescenta à natureza!”Buono, Bowdich e Lewis - “Um sistema de conhecimentos, de
padrões apreendidos, de percepção, de crenças, de avaliações e de ações”. Edward B. Tylor -
“Cultura é um todo complexo que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e
outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como integrante da sociedade”.

Mato Grosso, um Estado que nasceu subjugado pelo imperialismo europeu e que foi desde
o princípio espoliado pelo capitalismo daqueles que se intitulam “colonizadores”, é um dos poucos
estados brasileiros onde se identifica uma pureza cultural e uma fidelidade da terra na preservação
das suas raízes. É bem verdade que as raízes culturais mato-grossenses refletem as influências dos
que aqui aportaram com o único objetivo de expansão de domínios territoriais e de se apossarem da
matéria-prima, própria do seu subsolo e, imprescindível para garantir e sustentar o processo
capitalista que já se desenvolvia no além mar.

É lícito afirmarmos que a par do interesse imperialista e capitalista da nossa colonização,


foram fincados nessa época os alicerces do processo cultural mato-grossense, que, além da
influência européia, sintetiza uma mestiçagem de outros grupos étnicos, com o índio, dono por
direito dessas terras, e o negro, agregado ao espaço geográfico por contingência do processo
histórico da formação econômico-social brasileira.

Portanto, a cultura mato-grossense espelha uma síntese cultural dos vários grupos étnicos,
também responsáveis pela própria característica racial do povo mato-grossense. Dentro dessa ótica
pode-se evidenciar a inclusão do branco, do índio e do negro nos diversos segmentos culturais do
Estado, quer na cultura popular, literatura, artes plásticas, teatro, música, artesanato, ou mesmo nos
saborosos pratos da tradicional culinária mato-grossense.

3. PATRIMÔNIO CULTURAL

Entende-se por patrimônio cultural toda a produção humana, de ordem emocional,


intelectual, material e imaterial, independente de sua origem, época natureza ou aspecto formal, que
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Luís Reginaldo Silva
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propicie o conhecimento e a consciência do homem sobre si mesmo e sobre o mundo que o rodeia.
Esse conceito se conjuga com o próprio conceito de cultura, entendida como um sistema
interdependente e ordenado de atividades humanas na sua dinâmica, em que não se separam as
condições do meio ambiente daquelas do fazer do homem; em que não se deve privilegiar o produto
– habitação, templo, artefato, dança, canto, palavra – em detrimento das condições históricas, sócio-
econômicas, étnicas e ecológicas em que tal produto se encontra inserido.

As leis e decretos sobre o patrimônio cultural de um país, de um estado ou de um


município tem por objetivos desenvolver e implementar mecanismos e instrumentos de gestão
voltados para a preservação destes bens culturais. Com elas os grupos sociais estarão promovendo a
acessibilidade a estes bens; fomentando o desenvolvimento tecnológico na área de patrimônio;
promovendo a co-responsabilidade em preservação; a geração de conhecimento; a sistematização de
informações e sua difusão; estarão fortalecendo a ação fiscalizadora e promovendo ações integradas
voltadas para o desenvolvimento social, econômico e cultural destas sociedades. Cabe ressaltar que
entende-se por bem cultural todo bem material ou imaterial, significativo como produto e
testemunho de tradição artística e/ou histórica, ou como manifestação da dinâmica cultural de um
povo ou de uma região. Consideram-se como bens culturais obras arquitetônicas, plásticas,
literárias, musicais, conjuntos urbanos, sítios arqueológicos, expressões do patrimônio imaterial,
etc.

Em seu sentido amplo, bens culturais compreendem todo testemunho do homem e seu
meio, apreciado em si mesmo, sem estabelecer limitações derivadas de sua propriedade, uso,
antiguidade, ou valor econômico. Os bens culturais podem ser divididos em três grandes categorias:
bens materiais, bens imateriais e bens naturais.

4. BENS IMATERIAIS

Trata-se de tradições e técnicas “do fazer” e “do saber fazer” humanos, como polir,
esculpir, construir, cozinhar, tecer, pintar, etc. (patrimônio intelectual); as expressões do sentimento
individual ou coletivo, como as manifestações folclóricas e religiosas, a música, a literatura, a
dança, o teatro, etc. (patrimônio emocional). Mato Grosso é um estado riquíssimo em manifestações
de Cultura Popular, o mais legítimo legado de nosso Patrimônio Imaterial. Do modo de fazer a
gastronomia, o artesanato, as danças, lendas e contos estão a síntese das heranças mato-grossenses,
principalmente, do índio e do negro e mais recentemente dos migrantes mestiços de norte a sul do
Brasil.

Lendas e Crendices Mato-grossenses

Para o historiador Paulo Pitaluga Costa e Silva, é marcante a transferência de lendas de


outras regiões. “Nesse ecletismo de crença, nasceu a ambigüidade da fé, isto é, contra o Pé de
Garrafa, Pai do Mato, Minhocão do Pari, Lobisomem, etc., as rezas e orações católicas. O
psicológico do mato-grossense é forjado dentro dessas crenças e também do sortilégio mouro-
cigano. Tais povos se mesclaram muito com a população ribeirinha. Isso explica o gosto pela dança,
música, cores fortes, brincos de argola de ouro, truco espanhol e impetuosidades românticas”. Mãe
do Morro, Cracachá, Piraputanga Dourada, Alavanca de Ouro, o Minhocão do Pari e o Boi-a-Serra
são algumas lendas regionais que vem sendo transmitidas de geração a geração, seja através de
literatura (destaca-se as produções de Dunga Rodrigues). Como difusores populares destas estórias
estão nomes como Prof. Benedito Campos, Ditinho, o arte-educador Vital Siqueira (usa o
personagem Comadre Pitu), dentre tantos outros nomes.

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Festas de Santos

Nas cidades mais antigas de Mato Grosso são grande promotoras das manifestações da
Cultura Popular as festas de santo. Muitas, como as em louvor a São Benedito, a Nossa Senhora do
Rosário e ao Divino Espírito Santo, lembram o tempo do Império, e seu organizadores (festeiros)
são titulados de reis, rainhas, juízes e outros cargos alusivos. Na região chamada Baixada Cuiabana
as maiores festas são as em louvor a São Benedito, (geralmente realizada na última semana de
junho e com o encerramento no 1º domingo de julho) e ao Senhor Divino. A primeira em Cuiabá é
marcada por almoços e jantares regionais e bailes populares. Já a segunda costuma ser liderada pela
alta sociedade cuiabana.

Nas cidades históricas de Vila Bela de Santíssima Trindade e Nossa Senhora do


Livramento, ambas com alto índice de negros, mantém-se o registro da Dança do Congo em honra a
Nossa Senhora do Rosário. Ladainhas (rezas cantadas) avançando madrugadas e a passagem de
bandeiras para arrecadar donativos para a realização das festas também são tradicionais em todo o
Estado.

Artesanato: O artesanato mato-grossense reflete o dia-a-dia e os costumes de vida do próprio


artista. Destacam-se os ceramistas de São Gonçalo-Beira-Rio, as redeiras de Várzea Grande, as
mulheres de Fibra de Nova Olímpia, o artesanato em madeira e as biojóias (sementes diversas) do
norte e médio norte do Estado, além do artesanato indígena, força do Araguaia e médio-Araguaia.
Este segmento vem ganhando qualidade para comercialização internacional com programas
desenvolvidos pela Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração de Mato Grosso e pelo Sebrae.
Organizados em associações e cooperativas, os artesões avançam com exposições e feiras
permanentes.

Folguedos: As danças e músicas do universo da Cultura Popular Mato-grossense, conforme o


pesquisador da cultura mato-grossense, compositor e cantor nativista, Milton Pereira de Pinho - o
Guapo sofrem duas grandes influências, “A autóctone onde a instrumentalização e a musicalidade
são de origem local, fruto do choque cultural entre índios da região, negros escravizados e brancos
colonizadores, desenvolvida nos primeiros anos de fundação das cidades ribeirinhas e a platina. A
musicalidade foram trazidas para a região no processo da colonização, via Estuário do Prata, no
século XIX, principalmente logo após a Guerra da Tríplice Aliança, (Guerra do Paraguai).” Vale
acrescentar que a expansão da recepção migratória pós anos 1960 do século XX, ampliou ainda
mais o acesso aos mais diversos ritmos de músicas e danças de manifestos coletivos.

Instrumentos Tradicionais:

Viola de Cocho – viola feita de madeira ribeirinha como o sarã, com cordas que nos tempos antigos
era de origem animal como tripas de macaco. Principal instrumento do cururu e outros folguedos da
região pantaneira, foi tombado pelo Estado e pelo Governo Federal como Patrimônio Histórico
Imaterial. Em Mato Grosso o incentivo a produção e ensino do instrumento vem se dando através
do incentivo a curso para jovens e pela Orquestra de Mato Grosso, criada em 2005, e, a única do
mundo a utilizar o instrumento entre os principais naipes.

Ganzá – Pedaço de bambu serrilhado tocado com um pedaço de osso ou bambu. Um dos principais
instrumentos do Siriri e do Cururu.

Mocho – Banco alto de madeira e couro.

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Bruaca – Bolsa de couro revestida com palha seca.

Adulfo - Pandeiro quadrado feito de couro.

Pé de Bode - Acordeom de oito baixos trazido e difundido pelos migrantes da fronteira sul-
americana.

5. BENS MATERIAIS

Entende-se por bens materiais os sítios e achados arqueológicos (patrimônio arqueológico);


as formações rurais e urbanas (patrimônio urbanístico); os agenciamentos paisagísticos (patrimônio
paisagístico); os bens móveis, como objetos de arte, objetos utilitários, documentos arquivísticos e
iconográficos (patrimônio artístico); e os bens imóveis, como edificações rurais e urbanas
(patrimônio arquitetônico). Citamos abaixo alguns bens materiais do Estado de Mato Grosso:

Centro Histórico de Cuiabá: A área compreendida como o antigo centro da capital mato-
grossense foi tombado em nível federal em 01 de outubro de 1987. A homologação do tombamento
deu-se somente em 04 de novembro de 1992, em Ato assinado pelo Ministro da Cultura. A
necessidade de se preservar parte da área urbana, construída entre os séculos XVIII e XIX, motivou
o tombamento de 62,7 hectares (13 hectares na área tombada e o restante no entorno) contendo
aproximadamente 1.000 imóveis.

Casa do Alferes - Imóvel histórico localizado no centro antigo de Cuiabá. Numa parceria entre a
Prefeitura de Cuiabá e governos federal e estadual, em 2006, foi revitalizado e transformado no
Museu da Imagem e do Som de Cuiabá.

Palácio da Instrucção - Prédio construído em 1913, para servir à área da educação, em Cuiabá. É
imóvel tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e foi recuperado e revitalizado em
2005. Atualmente é sede da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça e do Conselho
Estadual de Cultura.

Igreja Nossa Senhora da Guia. Antiga capela localizada no Distrito da Guia, em Cuiabá.
Representa parte da história do Distrito, região que abrigou muitos garimpeiros em busca de
alternativas às lavras do Cuiabá há 275 anos. A construção rústica de adobe e taipa-de-pilão
(material feito à base de barro, restos de madeira e ossos), recuperada e revitalizada em janeiro de
2008.

Casa Barão de Melgaço - Imóvel histórico do séc. XVIII, em Cuiabá, que abriga o Instituto
Histórico e Geográfico de Mato Grosso e a Academia Mato-grossense de Letras desde a década de
1930. Foi recuperado e revitalizado em 2006, permitindo, desta forma, sua adequada ocupação e
utilização. Imóvel histórico do séc. XVIII, em Cuiabá, que abriga o Instituto Histórico e Geográfico
de Mato Grosso e a Academia Mato-grossense de Letras desde a década de 1930. Foi recuperado e
revitalizado em 2006, permitindo, desta forma, sua adequada ocupação e utilização.

Ponte de Ferro do Coxipó - A Ponte de Ferro do Rio Coxipó foi construída em 1896, em Cuiabá.
Foi importada da França, adotando o sistema construtivo Eiffel. A sua montagem representou um
marco nas relações comerciais de Mato Grosso, viabilizando a penetração de capitais, mercadorias,
técnicos e imigrantes europeus. Foi destruída por uma enchente em 1995. Em 2006 foi feito um
trabalho de recuperação das ferragens que estavam submersas no leito e nas margens do Coxipó,

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sendo entregue à comunidade cuiabana em 2008.

Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito - A mais antiga igreja erguida no Estado (há
citações desde 1736). Foi minuciosamente restaurada, desde os altares e imagens rigorosamente
cuidados por especialistas nacionais e locais em arte sacra, às grossas paredes de adobe que foram
expostas ao seu estado mais original. Foram três anos de trabalhos e muita história desvendada, do
assoalho ao telhado. Foi reaberta em 21 de junho de 2006.

Clube Feminino - Antigo clube da sociedade cuiabana. O local guarda a memória de grandes bailes
que reuniam a sociedade. Já serviu de biblioteca pública municipal e hoje abriga a Secretaria
Municipal de Cultura de Cuiabá. Foi recuperado e revitalizado pela Prefeitura de Cuiabá, com apoio
do governo estadual, em 2006.

Igreja Nosso Senhor dos Passos - Imóvel histórico localizado no antigo centro de Cuiabá.
Revitalizado, foi entregue à sociedade no dia 07 de fevereiro de 2006. O restauro foi realizado em
regime de parceria envolvendo o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e
o Governo de Mato Grosso.

Arquivo Público do Estado - Local que abriga o maior acervo histórico de Mato Grosso. Está
localizado na cidade de Cuiabá em edifício construído na década de 1940, no período do Estado
Novo e ocupado por outros órgãos públicos ao longo da história.

Museu Histórico de Mato Grosso - Prédio centenário que abrigava o Thesouro do Estado,
localizado na Praça da República, em Cuiabá. Foi reinaugurado em 2006, passando a abrigar o
Museu Histórico de Mato Grosso, recebendo equipamentos, iluminação e mobiliário para a
instalação do acervo de mais de 9 mil peças entre filatelia, objetos ornamentais, documentos
textuais, iconográficos, medalhas e condecorações, mobiliários, numismática e obras de arte.

Seminário da Conceição - Um dos mais antigos bens imóveis de Cuiabá (datado de 1882) é a sede
do Museu de Arte Sacra, fechado desde 1988. Foi alvo de recuperação e revitalização de 2004 a
2007. Uma parte importante do passado religioso mato-grossense foi recuperada pelo artesão
Ariston Paulino. São milhares de fragmentos da antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá,
que formaram altares do séc. XVIII (altar de Santa Terezinha em estilo rococó e um dos altares do
Cruzeiro em estilo barroco, além do neoclássico altar de São Miguel - século 19). Os acervos
remanescentes da antiga Catedral do Senhor Bom Jesus e Igreja de Nossa Senhora do Rosário,
contam com cerca de 4.300 peças entre imagens sacras, paramentos, alfaias, altares e vestuários
épicos, inclusive, parte de objetos pessoais do Arcebispo Dom Aquino Correia.

Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho - Imóvel tombado pelo patrimônio histórico estadual.
Começou a ser construído em 1918 e, em 1955, passou por sua primeira reforma. Em 2004, o
Governo do Estado revitalizou o imóvel que se encontra à disposição e uso pela Cúria
Metropolitana de Cuiabá.

Centro Histórico de Diamantino - Uma das principais referências históricas do Estado é a cidade
de Diamantino, motivo que levou à necessidade de tombamento, por parte do Governo do Estado,
em 2006, na tentativa de preservar parte do que já foi o rico patrimônio arquitetônico e histórico do
lugar. Alguns imóveis estão em bom estado de conservação, o que motiva a sociedade local a
sonhar com a recuperação de seus antigos casarões.

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Casa Canônica de Diamantino. Imóvel de interesse histórico e que marca a presença dos jesuítas
em Mato Grosso. Localizado em Diamantino, foi recuperado e entregue à comunidade em fins de
2007.

Relógio da Fonte - Localizado em Nossa Senhora do Livramento, o Relógio da Fonte Pública,


juntamente com a Praça Central e a Igreja Matriz formam um belo conjunto arquitetônico. O
Relógio da Fonte foi idealizado pelo Frei Salvador Roquette em 1945, com o objetivo de oferecer
água de qualidade à população e um referencial de tempo, suprindo a carência do povo que, na
época, não contava com rede de distribuição de água.

Centro Cultural Cadeia Pública - O Centro Cultural Cadeia Pública, em Santo Antônio de
Leverger, é imóvel (datado de 1925) tombado pelo patrimônio histórico estadual. Foi recuperado e
revitalizado em 2007.

Igreja Nossa Senhora da Guia – Em Várzea Grande, trata-se da primeira capela da cidade, e foi
revitalizada em 2004. Hoje integra o roteiro de procissões das principais festas religiosas da região,
além de ser um ponto turístico da cidade.

Igreja Nossa Senhora da Conceição - Localizada na localidade de Passagem da Conceição, em


Várzea Grande. A igreja centenária foi revitalizada, fortalecendo a região como um dos principais
pontos de turismo histórico da Baixada Cuiabana.

6. MANIFESTAÇÕES POPULARES:

Siriri - Dança das mais populares do folclore mato-grossense, praticada especialmente nas
periferias das cidades e na zona rural da região chamada Baixada Cuiabana (vários municípios no
entorno da Capital) e Cáceres, fazendo parte das festas de batizados, casamentos e festejos
religiosos. É uma dança que lembra os divertimentos indígenas.

Cururu – “O cururu, na cuiabania, é dança de roda, só para homens, ao som de desafio cantado,
com acompanhamento instrumental da viola de cocho e o ganzá”.

Dança do Congo - Também chamada Congadas. É de origem autenticamente africana. Esta dança
geralmente fazia parte das comemorações festivas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito.

Boi-a-Serra - É um folguedo encontrado em Mato Grosso, que tem como temática o boi.

Cavalhada - A Cavalhada é uma batalha que se trava entre os mouros e os cristãos (segundo reza a
tradição).

Dança dos Mascarados - A Dança dos Mascarados é uma réplica da Contradança européia
mesclada com influências através dos tempos com as danças afros e indígenas.

Caretas - No período de carnaval a tradição na cidade de Guiratinga é um desfile de mascarados


em que nada do corpo é mostrado.

Chorado - Dança afro da região de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Curussé - Conforme o pesquisador cultural Mário Friedländer, “Curussé é a denominação atual que
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se dá a uma dança brincadeira de origem chiquitana que ocorre no município de Porto Esperidião”.

Dança do Zinho Preto - A Dança do Zinho Preto ou Dança Cabocla, existe em Jauru, desde a
década de 1970, tendo sido trazida da cidade de Mantenópolis, no Espírito Santo, por José Alves
Batista - o Zinho Preto, criador da dança.

Folia de Reis – Folguedo popular de origem portuguesa em que um grupo de foliões carregando
bandeiras, pede esmolas para a festa dos Reis Magos.

Pastorinhas ou Pastoril - Folguedo comum em Barra do Garças, região do Vale do Araguaia.

Cateretê - Dança de origem africana da região do Congo, trazida ao Brasil por escravos daquela
região. Foi disseminada na região sudeste e Estado de Goiás.

Catira - Considerada a mais contundente expressão rural originada do Lundu, ao lado do Cateretê,
Cururu Paulista, Arrasta-Pé, Balanço, Calango Mineiro, Pagode e etc.

Polca Paraguaia – Ritmo que surgiu na Bacia Platina. O gênero Polca, de origem eslava (polka) é
designação dada a dança rápida. A Polca é um ritmo que veio da síntese das músicas espanholas e a
interpretação impulsiva do povo paraguaio.

Guarânia - De origem paraguaia foi criada em 1925. Guarânia significa paixão, amor, desejo e
tudo que é romântico e bucólico. A guarânia é uma das expressões musicais mais fortes do cone sul
e Mato Grosso conheceu-a desde o início.

Santa Fé ou Chopin - Dança platina, da Província de Santa Fé (Argentina) implanta-se nos


músicos da região pantaneira e fronteiriça, com técnica peculiar. A técnica do teclado, tanto do
acordeom, harmônica, pé-de-bode (sanfona de oito baixos), tem uma profunda desenvoltura na sua
mão esquerda aqui no Estado, pois não se iguala em nenhuma parte do Brasil.

Troika Pantaneira - Expressão coreográfica criada em Barão de Melgaço, pelo professor João
Cláudio Gonçalves.

Chamamé - O chamamé, em Mato Grosso desenvolveu-se mais na região pantaneira do município


de Coxim, hoje inserido em Mato Grosso do Sul, onde criou conotação própria e tornou-se o
chamame pantaneiro, pois os temas musicais estavam ligados com a região. De acordo com o
pesquisador cultural Guapo, “se diz que o chamame é igual ao trote preguiçoso de um cavalo nas
campanas, como seu dono no dorso, sem pressa de chegar ao rancho.”

Lambada - De origem paraense. Suas raízes são o carimbó/sirimbó e a cúmbia colombiana, ambas
de origem negra. A lambada já era cantada e tocada (pois também é instrumental) desde meados de
1960, com os cantores Pinduca e Carlos Martins. Em 1999, na região do município de Poconé,
músicos regionais misturam toada de siriri e lambada, surgindo então o ritmo denominado
popularmente de “lambadão”.

Ladainha - É uma cantoria que também é conhecida pelo nome de ladainha de beira-de-rio. Trata-
se de resto de Canto Gregoriano que plasmou na população do Cerrado e da Baixada Cuiabana,
criando conotação própria comum nas rezas de festas de santo.

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Dança dos Lenços - Esta dança originou-se na cidade pantaneira de Barão de Melgaço, sendo
criada por D. Leodina Oliveira da Silva. É expressão cultural tirada de um dos passos do siriri,
chamado de Barco do Alemão. Os bailarinos dançam ao ritmo de rasqueado ao som de acordeom,
violão e percussão. A dança é uma declaração singela de amor.

Rasqueado Cuiabano - Definição da palavra rasqueado: “... arrastar as unhas ou um só polegar


sobre as cordas, sem as pontear”. (Acordes em glissados, rápidos, rasgado, rasgadinho, rasgueado e
rasgueo) - Dicionário Musical Brasileiro - Mário de Andrade. O pesquisador da cultura mato-
grossense, compositor e cantor nativista Milton Pereira de Pinho (o Guapo) escreveu que “o ritmo
começou após o fim da Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), quando os prisioneiros e
refugiados da Retomada de Corumbá ficaram confinados à margem direita do Rio Cuiabá,
atualmente cidade de Várzea Grande".

Moda de Viola - Em Mato Grosso é facilmente encontrada em toda extensão araguaiana, trazida
pelos migrantes de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, onde é muito comum.
Música Nordestina - A música nordestina influenciou Mato Grosso em toda região do Vale do
Araguaia e norte do Estado, principalmente depois da fundação de Brasília.
Danças Gauchescas - Os migrantes de origem sulistas mantêm e difundem seus ritmos em Mato
Grosso mantendo em todo o estado CTGs - Centro de Tradições Gaúchas. Algumas

7. CURURU

O cururu é um folguedo popular, dos mais antigos de Cuiabá, podendo se apresentar como
roda de cantoria e dança e é realizado tanto em festas religiosas quanto profanas.
Antigamente a dificuldade de comunicação entre os jovens enamorados era grande, pois os
costumes dos pais eram muito rígidos. Quando as reuniões sociais aconteciam, os versos e toadas
feitos pelos cantadores de viola no cururu, muitas vezes improvisados, eram uma forma de se
declararem.

Origem do termo Cururu: ainda é incerta, mas a hipótese mais defendida é a de que viria dos
índios bororos. Isto porque, entre os índios, havia a cerimônia do bacururu, celebrada entre
clamores e algazarra grande.

O Cururueiro: Em sua maioria, o cururueiro é de origem muito humilde. Seu conhecimento vem
sendo transmitido pelos pais e avós através da linguagem oral. Possuem canto anasalado e sotaque
típico que torna o seu cantar quase indecifrável, criando entre eles mundo próprio, de misticismo e
beleza.

Elementos do Cururu: O cururu consiste em, no mínimo, dois cantadores, sempre do sexo
masculino: um tocando a viola de cocho e o outro o ganzá. Mesmo quando o grupo de cururueiros é
grande, cantam sempre em duplas. O cururueiro, poeta do verso muitas vezes improvisado, da
carreira e da toada, pode participar da roda apenas cantando. Eles se dividem segundo sua própria
linguagem, em cururueiros, sabedores das coisas e em cantadores de "lari-la-rá". Cada dupla "puxa"
a toada no seu próprio compasso e, entre uma e outra, faz o baixão, que é uma nota prolongada com
que finalizam a cantoria.

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Coreografia: Quando os
cururueiros, munidos de suas
violas de cocho e ganzás se
reúnem, em público, para tocar,
colocam-se em pé, em círculo ou
semicírculo, afinam suas violas
que vão sempre dar o ritmo para o
ganzá e em dupla iniciam a
cantoria. Após completarem a
toada, arrematam com o baixão.
Há grupos que, enquanto as
duplas vão cantando, os demais,
também em duplas e sempre
tocando, vão entrando na roça
dançando euforicamente, com
volteios e sapateados fortes. Quando os cururueiros terminam de cantar, começa a dança arrodeada,
ou seja, a função, que consiste em fechar p círculo rodando no sentido do braço da viola, dando dois
passos mais longos para frente, um breve pausa, juntando os pés para a mudança do passo, tudo
sempre no mesmo ritmo e com a marcação dos pés produzindo um mesmo som. Se um cantador
quiser entrar na roda, ele deverá posicionar-se por trás de quem está cantando no momento, não
quebrando assim a seqüência da mesma.

Indumentária: O cururueiro só usa roupa especial quando participa de um grupo que se apresenta
uniformizado. Fora disso, se ele estiver numa festa, estará bem arrumado, com roupa de passeio. O
importante para ele é estar limpo e decentemente trajado. È comum o uso de chapéu para se
proteger do sereno.

O Cururu nas festas tradicionais: Em Mato Grosso, numa festa tradicional em que se comemora
um santo, torna-se indispensável a presença de um grupo de cururu, à convite de um dos festeiros.

Os cururueiros seguem um ritual que vai desde a louvação do santo ou dos santos diante do altar,
passando pelo levantamento do mastro e terminando com a descida do mesmo.
Instrumentos tradicionais: Viola de Cocho, Ganzá e adufe.

8. SIRIRI - ORIGENS

A tentativa de se descobrir a origem do termo "Siriri" ainda não foi concluída. Em


depoimentos colhidos entre tocadores e dançadores (assim são conhecidos) de Cuiabá e redondezas,
alguns afirmaram que o nome se refere à movimentação de cupins alados, conhecidos por siriri, que
saem da terra em dias de chuva.

Coreografia: Segundo alguns antigos cantadores, a dança foi inspirada nos índios da região, mas
também não há certeza quanto a isto. Para a pesquisadora Julieta de Andrade, "o Siriri é uma suite
de danças de expressão hispano-lusitana, fortemente aculturada, no ritmo e andamento, com
expressão africana bantu".

Indumentária: Não existe um traje especial para se dançar o Siriri, visto que ele pode ser tocado
em qualquer festa ou reunião. Quando uma mulher vai a uma festa e tem certeza que vai dançar o
siriri, obviamente, a "produção visual" é mais caprichada. Geralmente as mulheres dão preferência

12 João
Antonio Pereira
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às saias rodadas que, além de dar mais mobilidade, ainda surtem um efeito muito bonito na roda.

A Dança: Onde quer que seja


executado, o siriri começa com o
som dos instrumentos que formam
um grupo separado - dos tocadores,
enquanto os demais integrantes, se
posicionando para dançar, vão se
movimentando e batendo palmas ao
ritmo da música - são os
dançadores. Cantam o baixão, ou
seja, um lari, lá, iá só no início, que
serve de preparação. Logo um
cantador começa um verso que não
demora a ser respondido por todos
os dançadores.

Ex: Cantador:

"Quem quer ver moça bonita, vai na casa de Capim"(2x)


Resposta dos dançadores:
"Na casa de teia tem, mas não é bonita assim" (2x)

Os pares são formados por


cavalheiros e damas ou só damas que
vão dançando de acordo com as letras e
acabam transmitindo através de gestos
as suas mensagens. Os "tiradores"
tocam e cantam, enquanto o grupo,
dançando sempre, responde aos versos.

Tipos de Ciriri: Basicamente, existem


dois tipos de Siriri como formação
inicial: o de fileira, e o de roda. O que
acontece após estas formações depende
muito da moda que será cantada.
Geralmente dançam em número para não haver desencontros. Independente disso, alguns gestos são
sempre observados durante a dança: bater palmas, estalar os dedos, bater os pés, erguer os braços
para o alto, mãos na cintura, gingados e rodadas sobre os pés.

Modas e Coreografia do Siriri: As composições de versos simples têm geralmente como temática
a natureza, o amor, o trabalho e a ecologia. Algumas são feitas de improviso, mas muitas estão há
muito na memória dos dançadores. A seguir apresentamos uma moda tradicional e a descrição da
coreografia que acompanha seus versos. Se chama "A folha da bananeira":

"Oi lá, oi lá, oi lá, lá, lá, á


A folha da bananeira
Que caiu no sereno
Oi , que cai sereno

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Não namora o moço branco. É só moreno, É só moreno

Não namora o moço branco" Este é


um Siriri de Fileira, também
conhecido como "Siriri de um", por
ser dançado separado um do outro.
São formadas duas fileiras, que ficam
uma em frente da outra, deixando
entre elas um espaço de,
aproximadamente, dois metros. Aqui,
todos os pares dançam, porém sem se
tocar. Ficam um ao lado do outro,
dançando com sapateados, pulos e
volteios. Instrumentos utilizados:
Viola de Cocho, Ganzá e Mocho

9. BOI-A- SERRA

Em várias regiões do Brasil encontramos manifestações folclóricas que falam sobre a vida
e a morte de bois bravos e vaqueiros destemidos. Temos, no Maranhão, o Boi-à-Serra; em Santa
Catarina, o Boi-de-mamão, no Pará, a Dança do Boi, em São Paulo e em Mato Grosso; o Boi-à-
Serra; Luiz Câmara Cascudo, em seu "Dicionário do Folclore Brasileiro", nos fala sobre a origem
dessas danças no Brasil: "Pelas regiões da pecuária, vive uma literatura oral louvando o boi, suas
façanhas, agilidade; força, decisão. Desde fins do século XVIII os touros valentes tiveram poemas
anônimos, realçando-lhes as aventuras bravias."

Houve tempo em que o Boi-à-Serra foi muito difundido em Mato Grosso, principalmente
nas localidades de Santo Antônio do Leverger, Varginha, Carrapicho, Engenho Velho, Bom
Sucesso e Maravilha, onde existiam grandes canaviais e a atividade econômica predominante eram
os engenhos de açúcar. A dança do Boi-à-Serra hoje, consegue ainda manter suas características
iniciais apenas na localidade de Varginha, no município de Santo Antônio do Leverger. Lá as
pessoas ainda cantam uma toada que conta toda a trajetória de vida e morte de um boi que é
capturado por destemidos vaqueiros, enquanto dançam. Em outras localidades, como em Cuiabá e
Santo Antônio do Leverger, encontramos a dança do Boi-à-Serra já muito modificada, ou inserida
num outro folguedo popular: o Siriri. Instrumentos utilizados: Viola de Cocho, Ganzá e Mocho

O Boi-à-Serra é um folguedo do carnaval mato-grossense. Durante os festejos do


carnaval, as pessoas brincavam ou ainda brincam, em alguns lugares, o Siriri, o Entrudo, o Boi-à-
Serra e também o Cururu, que é uma manifestação quase sempre ligada à religiosidade do povo.
Porém, segundo alguns tiradores, o Boi-à-Serra pode ser dançado em qualquer festa.

O Boi: Figura principal da dança, é confeccionado pelos próprios membros da comunidade. 0


encarregado da missão de fazer o Boi para a festa começa a reunir o material com antecedência.
Esse material consiste basicamente em: Algumas ripas de madeira ,algumas taquaras, barbante ou
cipó,a carcaça da cabeça de um boi, um cobertor grande ou um pedaço de chitão florido

Enfeites Para o Boi: As ripas de madeira devem ser finas, pois todo o material tem que ser muito

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leve para facilitar a movimentação da pessoa que carrega o Boi. A carcaça deve ser bem seca pelo
mesmo motivo, quanto mais seca, mais leve. Para a cabeça do Boi também pode-se usar outro
material, qualquer armação que se pareça com uma cabeça de Boi, pode ser inclusive confeccionada
de gesso. Para enfeitá-lo, costuma-se usar flores de papel, brilhos, fitas, enfim, isso depende muito
do gosto e dos recursos de que a comunidade dispõe. Com as ripas e taquaras é feita uma armação,
tudo muito bem amarrado para que fique firme. As ripas de madeira formam o "lombo do Boi" e
têm o comprimento aproximado ao do animal que se procura imitar. Os arcos, que dão o formado
arredondado ao corpo do Boi, são feitos de taquara por serem mais flexíveis.

Os Nomes dos Bois: Bico de Brasa, Jacaré, Veado, Ema e Macaco. É comum, nas localidades onde
existem a dança do Boi-à-Serra, o responsável por sua confecção dar o nome ao boi. Este nome é
dado através de alguma característica que o mesmo tenha, ou seja, devido à cor do tecido que o
reveste, ao brilho deste ou a alguma parte cômica da figura do boi.

Figurantes da Dança: Boi, Chamadores do Boi, Toreador, Mascarado, Cabeça de Apá

10. RASQUEADO

A palavra rasqueado tem como significado "arrastar as unhas ou um só polegar sobre as cordas, sem
as pontear". Em Mato Grosso, a expressão musical Rasqueado Cuiabano ou Dança Popular Mato-
Grossense, traz no seu processo histórico toda uma saga, que começou após o fim da Guerra da
Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), quando os prisioneiros da Retomada de Corumbá ficaram
confinados à margem direita do Rio Cuiabá, atualmente cidade de Várzea Grande.

Logo após o final do conflito, estes prisioneiros não voltaram para seu país de origem, aqui
permanecendo e espalhando-se ao longo do rio, miscigenando-se e interando-se à vida dos
ribeirinhos. Essa integração resultou em várias influências como as danças folclóricas polca
paraguaia (pulsante e larga, modulada no compasso binário-composto) e o siriri mato-grossense
e(saltitante, com percussão forte, de origem negro-bantu). A fusão dessas duas danças resultou o
Pré-Rasqueado.

O pré-rasqueado limitou-se aos acordes de siriri/cururu, devido ao seu desenvolvimento na


viola-de-cocho, nos chamados Tchinfrins (bailes de quiçaça), onde as formas musicais receberam
diversas designações como: liso, crespo, rebuça-e-tchuça. Destacaram-se grupos musicais voltados
ao tema, com o por exemplo o Conjunto Serenata, Zulmira Canavarro, Dunga Rodrigues, Banda do
Mestre Inácio, Albertino, Bejamim Ribeiro, nardinho (acordeonista), Cinco Morenos.

Quanto a melodia e rítmo, o pré-rasqueado alternou-se por algum tempo com facetas
duplas, isto é: toadas de siriri apareciam como rasqueado e todas de rasqueado como siriri. Com a
proclamação da República e a necessidade do maior entendimento entre as duas classes (ribeirinhos
e elite imperial), surgiu a oportunidade da popularização do rasqueado. Os senhores da classe
imperial precisavam serem eleitos pelo voto do povo. Isto levou os coronéis a buscar uma música
que trouxesse a população para as praças. Iniciando-se, então, a assimilação do rítmo popular,
denominado rasqueado.

O rasqueado desperta com maior intensidade na população da periferia das cidades, quando
começa a ser executado com os hinos de santos (acompanhando Bandeira do Senhor Divino, São
Benedito, Procissão de São João. Etc), indo aparecer nos chamados Chá com Bolo.A elite social
abobinou o rasqueado à primeira vista, considerando-o coisa de gente de beira de rio.

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Esse quadro começou a mudar nas décadas de 20 e 30, onde Honório Simaringo, Antonio
Garcia, Conjunto Serenata e até o piano de Zulmira Canavarros e Dunga Rodrigues conseguiram
infiltrar o rasqueado nas noites de saraus e, também com o endosso das famílias cuiabanas mais
abastadas, que enviavam seus filhos para concluir o 3º grau em Assuncion e Argentina (não
existiam faculdades nessa época em Cuiabá), os quais voltavam trazendo partituras de polca
semelhantes ao rasqueado. Havia também a política pão e circo, onde a música escolhida para ser
executada nos comícios, festas deveria ser aquela preferida pelo povo que no caso era o rasqueado.
O rasqueado, então, consolidou-se como a dança popular mato-grossense, hoje o rasqueado lota
shows e eventos mostrando seu valor.

11. OS MASCARADOS DE POCONÉ

Máscaras, chapéus enfeitados com plumas espelhos e muito brilho e roupas bordadas com
lantejoulas e cores fortes
expressam a alegria dessa dança
que é composta por 32
cavalheiros. Eles se movimentam
com passos fortes e graciosos,
coreografia exigente sendo uma
para cada música diferente. São
divididas em 12 execuções cada
uma com característica sua
particular. A primeira
denominada “Entrada ou
Cavalinho”, os integrantes
dançam como se fossem crianças
brincando. Em outra prestam
homenagem em devoção a São
Benedito.

A dança é uma das mais antigas de Mato Grosso. Desde 1915 a tradição dos Mascarados é passada
de pai para filho. Foi concebida sob
a influência dos costumes
indígenas, espanhol e português.
Atualmente está organizado em
grupo mirim (5 a 11 anos),
adolescentes (13 a 15 anos), jovens
(15 a 17 anos), adultos (17 a 20
anos) e veteranos. Somente as
crianças e jovens que estão na
escola participam. A Dança é muito
realizada em festas tradicionais
religiosas do estado, principalmente
nas festas de São Benedito e
Espírito Santo no dia da
Iluminação. Já se transformou em
atração turística devido ao seu valor
cultural para Poconé e Mato Grosso.

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Não se sabe ao certo de onde veio nem quem a introduziu no pantanal. É uma dança que sem dúvida
vem dos costumes dos índios, enriquecidas pelos colonizadores espanhóis e portugueses que aqui
chegaram. Os participantes são somente homens devido ao grande esforço físico requerido, devido
ao ritmo e passos largos que esta dança exige, usam máscaras para não serem identificados, seus
chapéus são enfeitados com plumas, espelhos e outros enfeites.

Cada participante prepara sua roupa que são enfeitadas e bordadas com lantejoulas e muito
brilho, fazendo-se com que cada roupa fique mais bonita que outra. Os dançantes desempenham a
função de dama e de galã. A dança é composta de doze partes diferentes, que podem ser executadas
individualmente.

Desde 1915, o primeiro marcante - Senhor DANIEL MARTINS LEÃO – foi o responsável para
que esta dança fosse sendo transmitida de pai para filho, hoje ela tem a grande influência de
parentesco. São compostos de doze pares e três balizas na frente, onde a do meio carrega o mastro e
um galã sozinho na frente leva o standart - que é a identificação do grupo. Para que essa dança se
realize, é necessário a presença animadora da Banda Municipal, que faz o acompanhamento musical
e também anima todas as festa tradicionais religiosas e cívicas de Poconé.

12. CARNAVAL GUIRATINGUENSE: BLOCO DOS CARETAS

O carnaval brasileiro é uma festa popular que canta e encanta as aventuras e desventuras do povo.
Nesse país que possui um espírito
meio irreverente ao estilo de um
“moleque travesso”, dormimos ao
som do batuque do samba,
acordamos pávidos com a notícia
de uma nova doença que se alastra
rapidamente causando inúmeras
mortes e vivemos embriagados
pelo sabor da vitória do time do
coração; e assim, entre uma revolta
do sistema penitenciário falido e
um seqüestro ou a amarga
constatação da falência das
instituições públicas, e das velhas e
tradicionais profissões, vamos
brincando de ser feliz...

Como num passe de


mágica, pierrôs e colombinas
roubam a cena: se esquecem das
tristezas ocasionadas pela última
chuva quando o barraco foi junto
com a enxurrada; do arroz que
acabou antes mesmo do almoço;
do armazém que ainda não pagou;
e vai... E se transforma em fração
de segundos num “Mega Star”;
vaidade pura; a noite já finda e

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novamente voltamos a ser o que sempre fomos; Josés e Joões da Silva, vivendo meio que para
contrariar as leis da física na corda bamba do salário mínimo, regado a infecção hospitalar.

Esta festa que é uma verdadeira psicose foi a fórmula encontrada pelos politiqueiros de
plantão desde a antiguidade
européia para acalmar os ânimos
dos mais rebeldes; Pão e circo
sempre apaziguou até mesmo os
mais exaltados e como não
poderia ser diferente, aportou na
Terra Brasilis através do entrudo
em pleno século XVIII.

Contudo, o carnaval
organizado em blocos, cordões ou
escolas de samba só surgiria no
final do século XIX e de lá pra cá,
este que sempre foi um dos
principais marcos do calendário
turístico brasileiro, criou asas e
ganhou o mundo se transformando numa das maiores festas do planeta, envolvendo um espetáculo
que é a mais pura síntese entre arte e folclore.

Capitalistas por excelência, nossos empresários sentiram o faro do lucro farto e


aparentemente fácil, passaram então a investir largamente nestas festividades, reinventaram o
carnaval e se o mesmo ganhou em
brilho, perdeu e muito na sua
essência. È neste sentido que os
carnavais guiratinguense vêm
conquistando cada vez mais
espaço na mídia regional, por ser
um carnaval que remonta às mais
profundas raízes do povo
brasileiro, é um carnaval
verdadeiramente democrático
onde verdadeiramente todos
podem participar.

Sob o ruído desafinado


de tambores a sorte é lançada;
gritos ecoam ao vento trazendo
consigo pura magia; o medo das
crianças se confunde com a
euforia dos jovens, adolescentes e adultos animados por dois blocos irreprocháveis: Caretas e Sujos.

Esta tradição iniciou-se na década de trinta e ao longo dos anos foi consolidando uma
identidade marcante e conquistando um espaço diferenciado entre os carnavais brasileiro. A festa
não se traduz unicamente no momento de explosão do carnaval, ela começa muito antes, começa no
projeto individual de cada máscara, no preparo da argila, para moldá-la, no preparo da massa de

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papel picado e cola que vai revestir a argila metamorfoseando-a até a fase de um singular
acabamento. Esta festa da carne2 começa invariavelmente quarenta dias antes da Semana Santa, nos
meses de fevereiro ou março, para os integrantes do Bloco dos Caretas, no entanto, esta festa
começa assim que termina a última festa.. Nas mãos de crianças, jovens e adultos com muita
criatividade, gradativamente as máscaras vão ganhando forma e vida própria culminado com o
momento em que o folião adiciona seus adereços a mesma dando um toque pessoal no acabamento.

Cada etapa das atividades é uma aventura a parte, a singularidade das fantasias é algo
impressionante aos poucos a expectativa vai tomando conta de seus integrantes cada dia que se
aproxima o tão esperado evento.

A participação popular é tão intensa que em Guiratinga o carnaval acontece duas vezes por ano.
Além da tradicional festa que ocorre no mês de fevereiro, a população comemora seu aniversário
com o contagiante Carnaguira, ocasião em que a cidade é invadida por foliões das mais diversas
partes do país.A história do Bloco dos Caretas está intimamente ligada a história de Guiratinga e de
sua gente, virou um patrimônio público e muito tem contribuído com a economia local e regional
gerando emprego e renda para diversos segmentos da sociedade sul mato-grossense.

Em todo pais, o carnaval é festejado no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores


aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Em Guiratinga é
comemorado também por ocasião das comemorações do aniversário da cidade com o nome de
“Carnaguira” que acontece geralmente n o final de semana que antecede o dia 02 de agosto.

O Carnaguira é uma
micareta a exemplo do que
acontece em várias cidades dos
estados do Nordeste, o chamado
"carnaval fora de época" como o
Fortal, em Fortaleza; o Carnatal
em Natal; a Micaroa em João
Pessoa; o Recifolia, em Recife; o
Micaru, em Caruaru entre outros.
As passeatas, a máscara, o talco,
os shows pirotécnicos e artísticos e
a liberdade de expressão entre as
pessoas, refreada durante o ano
todo, caracterizam o carnaval
guiratinguense que se transformou
assim, numa celebração ordeira de
caráter cultural e a cada ano atrai
mais turistas ao município.

13. CARNAVAL GUIRATINGUENSE: BLOCO DOS SUJOS

2
Não se sabe ao certo qual a origem da palavra carnaval. Na opinião de Antenor Nascentes, se aplicava originariamente
à terça-feira gorda, a partir de quando a Igreja Católica proibia o consumo de carne. Outros etimólogos propõem como
origem o baixo latim carnelevamen, modificado mais tarde em carne, vale! que significaria "adeus, carne!"

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Singular pela pluralidade cultural, gerada pelo hibridismo etnográfico, racial, social e
religioso desde os mais remotos períodos da história, o povo brasileiro se orgulha pelo maravilhoso
patrimônio cultural de natureza imaterial, que sobrevive graças a força e a resistência dos mais
diversos grupos sociais que lutam para preservar a sua identidade cultural, através da prática de
costumes e cultos de suas crenças e valores.

Essa resistência sobreviveu a


evolução industrial, resiste ao
processo de globalização e ao
poder com que atua a indústria
cultural nos meios de comunicação
de massa, levando a população ao
consumo de modismos pueris e de
uma uniformidade lastimável.

A cultura popular, entretanto,


alheia a esses interesses e
mecanismos, consegue manter
com integridade, seus valores,
merecendo das instituições ligadas
à cultura, uma atenção muito
especial e necessária. O tradicional
Bloco dos Sujos3guiratinguense
provoca uma euforia por onde passa; contagia a todos com seu jeito irreverente e criativo...

Olhares sorrateiros, nervosismo, excitação, som ritmado de tambores, cores, fantasia...


Santa folia; vida gerando vida e inebriando a alma, cinzas que ficam na quarta, na quinta, nas
esquinas, no ventre das meninas... Cinzas que nos fazem sentirem renovados, brincando de rei, de
anjo mau, de soldado, vão compondo a mesma sinfonia...

Máscara que esconde o que sempre fomos e revelam por vezes o que gostaríamos de
sempre ter sido. Máscaras das sociedades, máscaras das mortes anunciadas, máscaras das mortes
institucionalizadas, máscaras da sede fabricada, máscaras da fome mal contada...

Máscara de natal, máscaras do sonho bom de carnaval, entre miçangas, tangas e plumas,
ressuscita “D. Cazuza” que brada forte a seus servos: “Brasil:Mostre sua Cara! E todos
ensandecidos, embasbacados e narcisos cantam os encantos e desencantos desta Terra Santa:
Guiratinga.

Iguais em tudo na vida, fadados às mesmas sinas de outros tantos severinos, o Bloco dos
Sujos seria a reação natural da população feminina inicialmente maior de dezoito anos ao fato de
não poderem se divertir no Bloco dos Caretas4. O nome do bloco foi a extensão natural do apelido
carinhoso de uma seus integrante. O talco, a água e a irreverência são marcas registradas desse
3
Existem blocos com essa denominação em todas as regiões brasileiras, no entanto constata-se que os primeiros
registros remontam a 1904, época de apologia da limpeza na ‘nova sociedade capitalista’, moldada a partir do exemplo
europeu do início do século XX. Em Guiratinga as primeiras manifestações desse bloco datam de 1970, ocasião em que
um grupo de mulheres se organizam vestidas com um macacão e capuz vermelho, sendo substituídos sucessivamente
por um camisolão vermelho e preto, depois por um vestido de boneca e finalmente pelo tradicional roupão de chita que
permanece até hoje.

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bloco nas tradicionais passagens pelas ruas de Guiratinga.

Inicialmente este bloco realizava visitas a residências familiares e eram muito bem recebidas,
geralmente com farofa, caipirinha,
churrasco, cerveja, etc... Ao longo
dos anos, porém pela falta de
consideração de alguns integrantes
que se aproveitavam do fato de
estarem descaracterizados e
aprontavam verdadeiras
traquinagens, as atividades
passaram a se resumirem a
infindáveis passeios pelas ruas do
município culminando no último
dia com um almoço ou churrasco
entre todos os participantes.
Atualmente, além das mulheres,
jovens, adultos e crianças de todas
as idades milhares de adeptos
passaram a acompanhar esse bloco que representa um dos ícones de nosso município.

O Bloco dos Sujos se traduz numa demonstração genuína de que verdadeiramente, cultura
popular emana do povo e se constitui na mais pura expressão do jeito de ser e de viver de uma
cidade ou de uma nação.

Em todo pais, o carnaval é


festejado no sábado, domingo,
segunda e terça-feira anteriores aos
quarentas dias que vão da quarta-
feira de cinzas ao domingo de
Páscoa. Em Guiratinga é
comemorado também por ocasião
das comemorações do aniversário
da cidade com o nome de
“Carnaguira” que acontece
geralmente n o final de semana que antecede o dia 02 de agosto.

O Carnaguira é uma micareta a exemplo do que acontece em várias cidades dos estados do
Nordeste, o chamado "carnaval fora de época" como o Fortal, em Fortaleza; o Carnatal em Natal; a
Micaroa em João Pessoa; o Recifolia, em Recife; o Micaru, em Caruaru entre outros. As passeatas,
a máscara, o talco, os shows pirotécnicos e artísticos e a liberdade de expressão entre as pessoas,
4
Grupo carnavalesco exclusivamente masculino criado na década de 1930 no município de Guiratinga-MT, seus
integrantes se caracterizavam com máscaras construídas com papel machê, pinhola, talco e adereços. Atualmente é
permitida a presença de mulheres e sua passagem pelas ruas é inconfundível.
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Antonio Pereira
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refreada durante o ano todo, caracterizam o carnaval guiratinguense que se transformou assim,
numa celebração ordeira de caráter cultural e a cada ano atrai mais turistas ao município.

14. VIOLA DE COCHO

A viola-de-cocho é um instrumento musical do grupo dos alaúdes curtos, produzida por


mestres artesãos, violeiros e cururueiros. Acompanhada pelo ganzá e o tamboril ou mocho, é tocada
nas rodas de cururu e siriri, em homenagem aos santos católicos ou por simples divertimento.

A produção da viola-de-cocho é uma atividade que guarda conhecimentos específicos


dominados por esses artesãos. Após a escolha da
madeira, corta-se o tronco em duas partes planas.
Com um molde risca-se a madeira na qual será
escavada a caixa de ressonância. Uma vez entalhado
o corpo do instrumento, é colado o tampo e, em
seguida, são afixados o cavalete, o espelho, as
cravelhas e o rastilho para que, então, sejam
colocados os trastes e as cordas. Com forma e
sonoridade singulares, a viola-de-cocho possui
sempre cinco ordens de cordas, denominadas prima,
contra, corda do meio, canotio e resposta. São
afinadas de dois modos distintos, canotio solto e canotio preso: de baixo para cima, ré, lá, mi, ré,
sol; e ré, lá, mi, dó, sol

A palavra cocho, para o homem do campo, identifica uma tora de madeira escavada,
formando uma espécie de recipiente. O cocho é muito utilizado por exemplo para se colocar sal
para o gado nas pastagens das fazendas. A viola de cocho, encontrada no pantanal do Mato Grosso,
recebe este nome porque é confeccionada em um tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato
de uma viola e escavado na parte que corresponde à caixa de ressonância. Nesse "cocho" é afixado
um tampo e as partes que caracterizam o instrumento, como o cavalete, o espelho (escala), o
rastilho e as cravelhas.

Algumas violas possuem um pequeno furo circular no tampo, outras não. A viola sem furo
é coisa recente. Um violeiro justificava que a viola com furo dava muito trabalho, porque sempre
entravam, por este furo, aranhas ou outros bichos, prejudicando o som do instrumento. Já os
violeiros antigos preferem-na com o furo, pois, no dizer de
um deles, o furo é "prá voiz ficá mais sorta, sem o furo a
zoada fica presa"

Este instrumento sempre se apresenta com cinco


ordens de cordas simples; bem antigamente, com quatro
simples e um par de cordas. Tradicionalmente são várias as
madeiras utilizadas: para o corpo do instrumento, a
Ximbuva e o Sarã; para o tampo, raiz de Figueira branca; e
para as demais peças, o Cedro. Recentemente porém outras
madeiras têm sido empregadas na sua construção.

As violas armam-se com quatro cordas de tripa e uma revestida de metal. Atualmente, as cordas de
tripa estão sendo substituídas por linhas de pescar - segundo os violeiros, bem inferiores às de tripa

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-, devido à proibição de caça na região do pantanal.

A viola de cocho é um instrumento bem primitivo, não se sabendo, ao certo, sua origem. Alguns
estudiosos defendem a tese de ela derivar-se diretamente do alaúde árabe. O número de trastes ou
pontos varia entre dois ou três. Quando a viola possui três trastes, o intervalo ente eles é de
semitom; quando possui dois trastes, o primeiro é de tom e o segundo de semitom. Os trastes são
feitos de barbantes revestidos com cera de abelha para se fixarem melhor. A colagem das partes é
feita usando o sumo da batata de Sumaré (espécie de orquídea selvagem) ou um grude feito pelo
cozimento de "pocas" de piranhas (bexiga natatória, pequena tripa cheia de ar). A viola de cocho é
usada para o Cururu e o Siriri, funções bem populares em Mato Grosso, assim como para o
Rasqueado. Existem duas afinações, uma se derivando da outra, a "canotio solto" e a "canotio
preso".

Por mais de 200 anos teve um papel importantíssimo no cotidiano popular, tanto no
entretenimento como louvação. Ficou praticamente esquecida em sua região típica por muito anos
até começar a ser "redescoberta" por músicos de renome internacional como Braz da Viola e
Roberto Corrêa.

15. SÍMBOLOS DE MATO GROSSO

Durante o período colonial, o estado do Mato Grosso acatava, e por assim dizer utilizava
dos símbolos oficiais de Portugal. Quando da Proclamação da Independência, em 1822, o estado
passou a respeitar os símbolos oficiais do Império Brasileiro.

Com a Proclamação da República (1889), cada um dos estados já existentes ou em fase de


criação obtiveram o direito de criar e usar seus próprios símbolos, dentre eles MT.

BANDEIRA DE MT

É o mais antigo símbolo oficial do Estado do Mato


Grosso. Foi criada pelo General Antonio Maria Coelho
através do Decreto n.2, de 31 de janeiro de 1890; 73
dias após a data de criação da Bandeira Brasileira.

A bandeira mato-grossense em muito se parece com a


brasileira, principalmente em suas cores, não em sua
disposição. É formada por um retângulo azul, com
losango branco; ao centro uma esfera ou globo verde e
uma estrela amarela (cinco pontas) tocando as
extremidades da esfera.

Retângulo Azul: corresponde ao céu, como na bandeira nacional; representa também a


evolução de um princípio espiritual, a busca da perfeição.

Losango Branco: lembra o culto à mulher, à pureza; significa o zodíaco além da paz, da
concórdia na política e, o otimismo e a virtude no lado psicosocial.

Esfera ou globo Verde: representa a soberania, a grandeza territorial. O verde caracteriza a


esperança, a juventude; busca desenvolver a consciência para a convivência equilibrada e

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sustentável do homem com o meio ambiente. Estrela Amarela: retrata a humanidade voltada para o
firmamento em busca de respostas às perguntas. Este foi um dos mais importantes símbolos dos
ideais republicanos. Sua coloração – amarelo – lembra o ouro, uma das riquezas mato-grossenses.

16. BRASÃO DE ARMAS DE MT

A frase “Virtute Plusquam Auro” chama a atenção para o brasão


estadual, sua tradução diz “Pela virtude mais que pelo ouro”.

Dom Francisco de Aquino Corrêa governou o estado no


período de 1918 a 1922. No início de seu governo eram muitas as
dificuldades, conseqüência da Primeira Guerra Mundial e da
gripe espanhola; para tanto o governante buscou na virtude de
seus ideais a solução para os problemas.

Foi durante seu primeiro mandato que Dom Francisco


enviou à Assembléia Legislativa a proposta de criação de um
Brasão de Armas. Enquanto o estado não tinha seu próprio brasão, a bandeira era o símbolo do
estado. De forma simples e compreensiva, assim é composto o Brasão de Armas do estado do Mato
Grosso.

Escudo em estilo português (ponta arredondada) no qual está simbolizado um campo de


sinople (verde), uma “montanha” de ouro (amarelo) e, o restante do escudo tomado pelo céu. Sob o
céu um braço armado empunhando uma bandeira com a cruz da Ordem de Cristo. No alto do
escudo uma fênix de ouro como timbre. Ladeando o escudo dois ramos, um de seringueira e outro
de erva-mate entrelaçados pela fita com os dizeres: “Virtute Plusquam Auro”.

HINO DE MT

Devido a grande extensão territorial do estado no início de sua formação, abrangendo os


municípios de Ponta Porã e Guaporé, hoje respectivamente anexados ao Mato Grosso do Sul e
Rondônia; mesmo havendo o desmembramento dos estados (criação do Mato Grosso do Sul) o
Mato Grosso continuou sendo o terceiro maior estado brasileiro.

Assim sendo, justifica-se a referência das cidades de Corumbá e Dourados na letra do hino
mato-grossense. Foi Dom Francisco de Aquino Corrêa o autor da letra da “Canção Mato-grossense”
reconhecida no ano de 1983 como hino oficial do estado. Porém, antes disso, a canção havia sido
executada e, 1919, pela primeira vez, na cerimônia do bicentenário de Cuiabá.

Durante longa data, o hino, mesmo não sendo oficial foi cantado nas escolas; a não-
oficialização do hino possivelmente tenha ocorrido por fatores políticos diversos advindos dos
sucessores de Dom Francisco de Aquino Corrêa. Com a implantação do “Estado Novo” todos os
símbolos oficiais do estado foram abolidos, restabelecendo-se seu uso em todos os estados, sendo
que Mato Grosso só apresentava como símbolo a bandeira e o brasão de armas. O hino era oficial
para a população mato-grossense tendo sido oficializado pelo governador Júlio José de Campos por
meio do Decreto n. 38, de 03 de maio de 1983.

Hino de Mato Grosso - Letra: Dom Aquino Corrêa - Maestro: Emilio Heine

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Limitando, qual novo colosso, E nos teus pantanais como o mar,


O ocidente do imenso Brasil, Vive solto aos milhões, o teu gado,
Eis aqui, sempre em flor. Mato Grosso, Em mimosas pastagens sem par!
Nosso berço glorioso e gentil!
Eis a terra das minas faiscantes, Hévea fina, erva-mate preciosa,
Eldorado como outros não há Palmas mil, são teus ricos florões,
Que o valor de imortais bandeirantes E da fauna e da flora o índio goza,
Conquistou ao feroz Paiaguás! A opulência em teus virgens sertões.
O diamante sorri nas grupiaras
(BIS) Dos teus rios que jorram, a flux,
A hulha branca das águas tão claras,
Salve, terra de amor, terra do ouro, Em cascatas de força e de luz.
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu dos seus dons o tesouro Dos teus bravos a glória se expande
Sobre ti, bela terra natal! De Dourados até Corumbá,
Terra noiva do Sol! Linda terra! O ouro deu-te renome tão grande
A quem lá, do teu céu todo azul, Porém mais, nosso amor te dará!
Beija, ardente, o astro louro, na serra Ouve, pois, nossas juras solenes
E abençoa o Cruzeiro do Sul! De fazermos em paz e união,
No teu verde planalto escampado, Teu progresso imortal como a fênix
Que ainda timbra o teu nobre brasão.

17. LITERATURA

As primeiras manifestações acerca da região que seria posteriormente Mato Grosso datam
ainda do século XVI. Ulrich Schmidl, servindo no exército espanhol, descreveu a sua viagem
subindo o Rio Paraguai até perto do Chapadão dos Parecis em sua obra "Derrotero y Viaje a espanã
y las Índias", cuja primeira edição escrita em latim, data de 1599. No mesmo século, outros
conquistadores a serviço da Espanha, estiveram no solo mato-grossense e descreveram as suas
aventuras, mas que foram publicadas somente no século posterior. O Padre Jesuíta Antônio
Rodrigues, Dom Hernando de Ribera, Domingos Martinez de Irala, Alvar Nuñes Cabeza de Vaca
fizeram interessantes relatos acerca de suas expedições "Paraguay arriba..."

No século XVII, praticamente a única obra produzida que menciona esta região, então sob
domínio espanhol, foi o “Aneles del Descobrimento, Población y Conquista del Rio de la Plata”, de
Ruy Dias de Gusmán, que permaneceu inédita até 1833, apesar de ter sido escrita em 1612.

Publicados no século XVIII, temos 4 relações que, em princípio referem-se a Mato Grosso.
São elas “Relação e Breve Notícia de um bicho feroz que apareceu à gente que foi para o Mato
Grosso” anônimo sem data; “Relação curiosa do sítio de Grão Pará e terras do Mato Grosso...”
anônimo sem data; “Relação de chegada que teve a gente de Mato Grosso...”anônimo de 1754;
“Relações e notícias da gente que nesta segunda monção chegou ao sítio do Grão Pará e às terras do
Mato Grosso...” escrita por Caetano Paes da Silva e publicado em 1754.

Ainda no século XVIII tivemos o primeiro cronista do passado de Mato Grosso, José
Barbosa de Sá, iniciando o denominado Ciclo dos Cronistas. Esse licenciado escreveu “Relação das
povoações de Cuiabá e Mato Grosso de seus princípios até os tempos presentes”, escrito em 1755

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mas publicada neste século. Joaquim da Costa Siqueira, ainda no século XVIII escreveu “Crônicas
do Cuiabá”, praticamente uma transcrição da obra de Barbosa de Sá e também o seu “Compêndio
Histórico Cronológico de Cuiabá”, publicado somente em 1850. Outros cronistas se ativeram a
Cuiabá e Mato Grosso ainda no primeiro século da ocupação mato-grossense: João Antônio Cabral
com “Memórias Cronológicas da Capitania de Mato Grosso”, José Gonçalves da Fonseca com
“Notícias da situação de Mato Grosso e Cuiabá”.

Escrito no século XVIII, mas somente posteriormente publicados, são os inúmeros


trabalhos acerca de Mato Grosso, relatórios de viagens, demarcações de fronteiras de autorias dos
seringueiros Francisco José de Lacerda e Almeida e de Antônio Pires da Silva Pontes. Já no
principio do século XIX o oficial de engenheiros Luíz d’Alincourt, entre vários trabalhos nos deixa
a “Memória da Viagem do Porto de Santos à cidade de Cuiabá”, e Hércules Florence com “Viagem
Fluvial do Tietê ao Amazonas”. Com ambos os trabalhos se inicia em Mato Grosso o denominado
Ciclo dos Viajantes.

Neste século tivemos ainda Joaquim ferreira Moutinho que escreveu “Noticias sobre a
Província de Mato Grosso”; Bartolomeu Bossi, com “Viagem Pintoresco...”; Visconde de
Beayrepaire-Rohan com “Anaes de Mato grosso”, publicado na Revista de Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo de 1910; O Dr. João Severiano da Fonseca escreveu “Viagem ao Redor do
Brasil”; Karl von den Steinen, cientista alemão que escreveu “O Brasil central” e outros trabalhos
etnográficos.

Faz ainda parte do Ciclo dos Viajantes, Francis de la Porte Castelnau, que escreveu
“Expedição às partes centrais da América do Sul”. No século XIX destacamos também a figura
erudita de Augusto Leverger, o Barão de Melgaço, que com 36 títulos escrito sobre Mato Grosso,
destacamos “Apontamentos Cronológicos da Capitania de Mato Grosso”, “Vias de Comunicação de
Mato Grosso”, e “Breves Memórias relativas à Corografia de Mato Grosso.

Ainda nas primeiras décadas desse século tivemos Estevão de Mendonça com sua obra
máxima “Datas Mato-grossenses:, dentre outros muitos trabalhos históricos por ele nos deixado,
além de obras culturais de inegáveis méritos, com a criação da revista “O Archivo” de 1904 a 1906.
Virgílio Corrêa Filho, o maior historiador das coisas do passado mato-grossense, nos legou nada
menos que 109 títulos de obras acerca de Mato Grosso, sem contar as de cunho nacional. Sua
grande obra é sem dúvida a “História de Mato Grosso”, além de “As raias de Mato Grosso”,
Augusto Leverger – o Bretão Cuiabanizado”, “Joaquim Murtinho”, “Pedro Celestino” e outras da
mais suma importância para a historiografia mato-grossense.

Dom Francisco de Aquino Corrêa, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico


de mato Grosso e da Academia Mato-grossense de Letras, foi um dos maiores cultores da língua
prática, produzindo sermões, poesias, crônicas e história no mais refinado vernáculo. Entre seus
trabalhos destacamos: “A Fronteira de Mato Grosso com Goiás”, “Cartas Pastorais”, “Uma flor do
Clero cuiabano”, “Nova et Vetera”, “Florileguim”. Foi D. Aquino Corrêa o autor da letra do Hino
de Mato Grosso. Foi ainda membro da Academia Brasileira de Letras.

O desembargados José de Mesquita despontou como um dos grandes leitores mato-


grossenses. Jurista, historiador, genealogista, cronista e poeta, escreveu: “A Chapada Cuiabana”,
“João Poupino Caudas”, “O Traumaturgo de Sertão”, “Gente e Coisa de Antanho”, “Terra do
Berço” e “Poema do Guaporé”. O General Cândido Mariano da Silva Rondon, relatou as suas
experiências pelos sertões de Mato Grosso, pacificando índios e estendendo linhas telegráficas, em

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mais de 20 trabalho, todos eles publicados pela Comissão Rondon. Sem dúvida, além do brilhante
militar, despertou nas letras mato-grossenses.

Rubens de Mendonça, de longe o maior historiador regional mato-grossense dos tempos


modernos, poeta sensível e cronista atento do cotidiano cuiabano, herdou a veia literária de seu pai
Estevão de Mendonça. Escreveu perto de 50 livros, dentre os quais, as seguintes contribuições para
a historiografia, “História de Mato Grosso”, “História do Comércio em Mato Grosso”, “Sátiras na
Política de Mato Grosso”, “Nos Bastidores da História de Mato Grosso”, “Ruas de Cuiabá”, na
poesia, “Cascalho de ilusão”, “Garimpo do meu Sonho”, “No escafandro da Vida”, "Antologia
Bororo” e “Dom Por do Sol”. Foi o Secretário Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato
Grosso até seu falecimento em 1983.

Luíz Philipe Pereira Leite, historiador emérito com 37 títulos publicados a cerca de nossa
historiografia regional, escreveu: “Vila Maria dos meus amores”, “Bispo do Império”, “O médico
da Jacobina”, “Os Capitães Generais de Mato Grosso”, “Três Sorocabanos no Arraial”, dentre
outros. Presidiu o Instituto Histórico de Mato Grosso por 20 anos profícua gestão.

Na historiografia mato-grossense destacaram-se ainda: Antônio Corrêa Costa, Firmo José


Rodrigues, João Barbosa de Faria, Antônio Fernandes de Souza, Francisco Alexandre Ferreira
Mendes, Lécio Gomes de Souza, Antônio de Arruda, J. Lucídio Nunes Rondon, Lenine Póvoas,
Natalino Ferreira Mendes, Adalto de Alencar, Pe. José de Moura e Silva, dentre outros.

A Universidade Federal de Mato Grosso, tem contribuído sobre maneira com a produção
historiográfica, dando uma ênfase mais acadêmico-cientifíca aos trabalhos. Dignos de notas são as
professoras Luiza Volpato, Elizabeth Madureira de Siqueira e Lúcia Helena Gaeta Aleixo,
produzindo obras históricas de excelente nível científico.

Na poesia ainda de destaca Pedro Trouy, Antônio Tolentino de Almeida, Otávio Cunha,
Ulisses Cuiabano, José Raul Vila, Maria de Arruda Müller, Franklin Cassiano Silva, Carlos
Vondoni de Barros, João Antônio Neto, Lobivar de Matos, Euricles Mota, Tertuliano Amarília,
silva Freire, Ronaldo Castro, representando uma grande quantidade de sensíveis e brilhantes poetas,
que em sucessivas gerações, tanto cantaram a terra e a gente mato-grossense.

Destacam-se ainda nas letras de forma geral: Gervásio Leite, Corsíndio Monteiro da Silva,
Carmindo de Campos, Agrícola Paes de Barros, Carlos Frederico Moura, Domingos Sávio Brandão
Lima, Nilo Póvoas, Isaac Póvoas, Renato Baez, dentre outros.

Essa plêiade de literatos, de escritores, poetas e historiadores, que longe dos grandes
centros culturais, isolados pela distância, com a sua capacidade inata de registro, pela erudição,
intelectualidade e sensibilidade poética, conseguiram fazer sobressair seus nomes e marcar
indelevelmente a sua passagem pelo mundo cultural deste Estado.

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18. BIBLIOGRAFIA

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