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MONOGRAFIA-COMPLETA

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ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FRE NIVALDO LIBEL-ASSOFRENI
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA
CELER FACULDADES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” EM EDUCAÇÃO
AMBIENTAL

PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVAS DE
CONCILIAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO E REDUÇÃO DE
IMPACTOS AMBIENTAIS EM BARCARENA/PA.
FOCO: PROJETO ALBRÁS S/A

NÚBIA ELENA C. LEÃO
MARINEY SANTANA DO E. SANTOS

Belém
2008

2

MARINEY SANTANA DO ESPÍRITO SANTO
NÚBIA ELENA CHAVES LEÃO

PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVAS DE
CONCILIAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO E REDUÇÃO DE
IMPACTOS AMBIENTAIS EM BARCARENA/PA.
FOCO: PROJETO ALBRÁS S/A

Monografia apresentada ao curso de pós-
graduação em Educação Ambiental da
Faculdade de ciências Sociais Aplicadas –
FACISA/CELER FACULDADES, como
requisito parcial para a obtenção do título
de Especialista em Educação Ambiental,
orientada pelo Prof.MsC. Alexandre
Samarone.

Belém
2008

3

Dedicamos este trabalho com muito
amor e respeito aos nossos pais que
sempre nos apoiaram com sua dedicação
e perseverança.

4

A DEUS, pelo dom da vida e pela infinita bondade de nos guiar até aqui.
Aos nossos pais, que jamais mediram esforços para edificar e lapidar cada degrau desta
árdua caminhada.
Agradecemos imensamente ao Profº. Orientador Alexandre Samarone, por suas precisas
indicações e seu inestimável apoio.
À Nádia Leão Viana, técnica de Segurança da Albras S.A se dirige calorosos
agradecimentos pela eficiência e dedicação na colaboração de dados.
À Vera Lúcia Campos Germano, coordenadora da rede social da Coopsai, pelas
informações fornecidas e considerável tolerância na solicitação dos dados.
À Paulo Ivan de Faria Campos, assessor de relações externas da Albras S.A, na
autorização de fotografias e documentos da referida empresa.
Enfim, a todos aqueles que direta ou indiretamente se propuseram a auxiliar no decorrer
desta

pesquisa,

nossos

sinceros

agradecimentos.

5

LISTA DE SIGLAS

ACDI -Agricultural Cooperative Development International
VOCA- Volunteers in Overseas Cooperative Assistance
ALBRAS - Alumínio Brasileiro S/A
ALUNORTE -Alumina do Norte do Brasil
ALUMAR -Alumínio do Maranhão S/A
ALUVALE -Vale do Rio Doce Alumínio S/A
ABAL -Associação Brasileira de Alumínio
CONAMA -Conselho Nacional do Meio Ambiente
COOPSAI -Cooperativa de Serviços Agro florestais e Industriais
CVRD -Companhia Vale do Rio Doce
BNDES -Banco Nacional de Desenvolvimento
EIA -Estudo de Impactos Ambientais
EMBRAPA -Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária
FIESP -Federação das indústrias do Estado de São Paulo
HEMOPA -Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia/PA
IBCI -Japan Bank for International Cooperation
IFC -International Finance Corporation
MRN -Mineração Rio do Norte
MDL -Mecanismo do Desenvolvimento Limpo
MOVA -Movimento Voluntariado da Albrás
NAAC-Nippon Amazon Aluminium Company Ltda
OECF-Japanese Overseas Economic Cooperation Fund
ONGs -Organizações não- governamentais
PAFAM -Programa de Agricultura Familiar
PGC -Programa Grande Carajás
PRAC -Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada
RSE -Responsabilidade Social Empresarial
RIMA -Relatório de Impactos Ambientais
SUDAM –Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia

6

LISTA DE TABELAS

1-Principais dificuldades enfrentadas pelas indústrias no processo
de Licenciamento.........................................................................................................p.20
2 - O PGC e a produção de bauxita, alumina e alumínio............................................ p.24
3- Redução de emissões estimadas da Albras.............................................................p.28
4-Ações, programas e projetos de responsabilidade sócio-ambiental da Albras-
1999 a 2007..................................................................................................................p.34
5- Unidades operacionais do Programa “Nosso Lixo tem Futuro”..............................p.38
6-Composição do lixo urbano, em porcentagem, nas comunidades de Vila dos
Cabano (1), São Francisco (2) e Laranjal/Invasão (3).................................................p.41
7- Mão-de-obra utilizada na Unidade de Reciclagem e Compostagem de Lixo
Urbano de Barcarena-Vila dos Cabanos.......................................................................p.45

LISTA DE FIGURAS
1
- Mapa de localização da Albras.................................................................................p.31
2- Mapa de localização (II) detalhado..........................................................................p.32
3- Mapa de localização dos municípios que participam do
Programa “Nosso Lixo tem Futuro”.............................................................................p.37

LISTA DE ILUSTRAÇÕES
1
-Prédio de reciclagem de papel artesanal, sala de reunião e cozinha.........................p.39
2- Prédio de triagem do lixo, escritório, banheiros e depósitos....................................p.40
3- Pátio de compostagem..............................................................................................p.42
4- Pavilhão de maturação, peneiramento, embalagem e trituração de substratos........p.43
5- Lixo orgânico na Plataforma de triagem..................................................................p.44
6- Pátio de Compostagem com leiras por revolvimento manual..................................p.44
7- Pátio de Compostagem com leira estática aerada com ventilação natural...............p.44

7

RESUMO

O presente estudo faz uma reflexão sobre o Programa de responsabilidade sócio-
ambiental da ALBRÁS/SA: “Nosso Lixo tem Futuro” que tem como finalidade a
implantação de Unidades de Reciclagem e Compostagem do Lixo urbano em cinco
municípios no Baixo Tocantins/PA. Partindo-se do princípio da dualidade
desenvolvimento econômico e sustentabilidade, as empresas industriais, estão adotando
atualmente um modelo administrativo que privilegie o conceito de responsabilidade
sócio-ambiental, através da minimização de resíduos (reciclagem), redução das
emissões de poluentes na atmosfera, para assim cumprir as exigências dos princípios
ambientalistas. Utilizando o método de pesquisa investigativo e exploratório, o trabalho
aborda o modelo de gestão ambiental da Albrás, enfatizando o enquadramento da
empresa às normas e padrões internacionais de gestão e formas de atuação através do
programa sócio-ambiental anteriormente citado. O desenvolvimento do trabalho inicia
pela análise da necessidade dos princípios éticos de respeito ao próximo e ao meio
natural, como fundamental para a manutenção da vida. O trabalho aborda ainda a
incoerência entre as empresas mineradoras - industriais e a Legislação ambiental
brasileira em conciliar crescimento econômico com sustentabilidade. Por fim,
apresentamos o Programa “Nosso Lixo tem Futuro”, como mecanismo da Albrás em
promover ações ambientais acerca da responsabilidade social. Os resultados indicam
que a empresa vem cumprindo os padrões atuais de responsabilidade sócio-ambiental,
uma vez que promoveu a criação de postos de serviços, assim como uma integração
com as comunidades vizinhas beneficiadas pelo projeto.
PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade; ética; legislação ambiental e responsabilidade
sócio-ambiental.

8

ABSTRACT

The study present makes a reflection about the Program of responsibility
socioenvironmental of the ALBRAS/SA: “Our Thash has Future” that has when
purpose implantation of unities for reciclage and compost from urban garbage in five
municipalities in it Baixo Tocantins/PA. If breaking of the beginning of duality,
economic development and sustainable, industrial companies are adopting now an
administrative model than is going privilege the concept of responsibility
socioenvironmental, of the minimization of detritus (reciclage), abatement of the
emission of polluteis in it atmosphere, to execute demands of the environmentalist
beginning. Using the method of inquisitive and exploratory of research, the work accost
the model of environmental administration from Albras, emphasizing the framing of the
company on the norms and international standards of administration and methods of
acting through of the socio environmental program before quotable. The development of
the work begin with analysis of the necessity of ethical beginnings of respect with
fellow creatures and around of the natural middle when basic for maintenance of the
life. The work accost as yet incoherence among miners companies, industrials and
environmental Brazilian Legislation. Ultimately presentation the Program “Our Thash
has Future”, when mechanism from Albras in promote environmental actions about of
the social responsibility. The results indicate than the company arrives executing current
standards of the responsibility socio environmental since promoted creation of service
ratings like with an integration of adjacent communities beneficiary with the project.

KEY-WORDS: sustainable; ethic; environmental legislation; responsibility,
socioenvironmental

9

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................................................ p.10

1CAPÍTULO I

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO
SOCIOECONÔMICA DA ATUALIDADE..........................................................................

p.12

2CAPÍTULO II

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: BREVE HISTÓRICO............................................................... p.17

2.1DIREITOS AMBIENTAIS: E OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS REFERENTES AO
LICENCIAMENTO.........................................................................................................................
p.18

2.2MEIO AMBIENTE: E A PARTICIPAÇÃOPÚBLICA............................................................... p.19

2.3A RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL EMPRESARIAL: MECANISMO PARA

MINIMIZAR OS IMPACTOS NO MEIO NATURAL................................................................ p.21

3

CAPÍTULO III
A MINERAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA X
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL.............................................................................................

p.23

3.1HISTÓRICO DA ALBRÁS E SUAS AÇÕES DE R.S.E.............................................................. p.29
4CAPÍTULO IV

PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVA RESPONSÁVEL
PARA A REDUÇAÕ DE IMPACTOS AMBIENTAIS................................................................

p.36

4.1APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA........................................................................................... p.36

4.2 A IMPLANTAÇÃO DAS UNIDADES DE RECICLAGEM E COMPOASTAGEM DE
LIXO URBANO EM VILA DOS CABANOS/PA.........................................................................
p.36

CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................................... p.47

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................ p.49

10

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa pretende investigar a implementação de projetos ambientais no
âmbito industrial cuja finalidade tem sido o aperfeiçoamento de novas técnicas de
gestão voltadas para desenvolver e fortalecer práticas de sustentabilidade, respeito aos
recursos naturais e responsabilidade sócio-ambiental. Trata-se de aprofundar
conhecimentos sobre uma das estratégias de defesa do ambiente mais importante da
atualidade: a responsabilidade sócio-ambiental de empresas em comunidades com
possíveis riscos ambientais.

O Estado do Pará possui vários projetos minerais que usam de forma intensiva
os recursos naturais, causando impactos sobre o meio ambiente. Partindo deste
princípio, fomos motivadas pelo interesse em continuar a ampliação de conhecimentos e
a extensão de programas ambientais das empresas em comunidades e, também, visando
contribuir para amadurecer o debate sobre a importância do equilíbrio ambiental nas
áreas de funcionamento das grandes plantas empresarias. Entendemos que essa pesquisa
é pertinente e necessária pela contribuição que pode fornecer ao esforço pelo equilíbrio
entre a produção econômica e o meio ambiente.
Difundir a cultura da educação ambiental por meio da produção de informação e
da pesquisa cientifica é um dos objetivos maiores desse trabalho. Tendo em vista que
estamos numa das regiões mais cobiçadas do mundo, e que contem a maior floresta do
planeta, 12% de toda água doce da terra, de cada 100 litros de água 12 estão aqui. Um
potencial desconhecido em termos de biotecnologia e produtos farmacológicos estão
ainda por serem desvendados, sem falar no banco genético inexplorado junto às
comunidades tradicionais. Entretanto, apesar de todo esse potencial regional, vivemos
em local onde o desrespeito ao meio ambiente é divulgado no mundo inteiro:
desmatamento, violação das leis ambientais, trafico de animais e de produtos florestais e
falta de controle de rejeito e resíduos produzidos pela atividade empresarial na região.
Diante desse quadro, é legitimo e importante a produção de pesquisas visando ao
fortalecimento da cultura ambiental e do estreitamento das relações entre as empresas e
as comunidades locais.

Como o tema da responsabilidade sócio-ambiental é recente e, devido ao
deficiente papel que os meios de comunicação e as escolas desempenham em informar
corretamente a criação de estratégias, programas e projetos empresariais em defesa dos
recursos naturais e a sustentabilidade de comunidades, essa pesquisa almeja

11

sistematizar, o tanto que for possível, reunir informações e incentivar a construção de
canais de comunicação e diálogos com as comunidades no entorno da Albras S.A .
Destarte, temos a intenção de esclarecer e formar linhas de intervenção aproximando a
empresa da sua realidade local.
A falta de informação e a distância entre as empresas e as comunidades têm
contribuído para alimentar e reforçar vários equívocos sobre a importância da
responsabilidade sócio-ambiental das indústrias. Acrescido a isso, a forma como as
noticias sobre danos ambientais são repassadas à sociedade distorce e é injusta com as
experiências que são corretas quando se trata de divulgar o controle dos resíduos da
produção industrial por meio de programas e projetos. Observou-se que pouco se
divulga e se esclarece junto a população que existe e as empresas estão implementando
a obediência a legislação internacional sobre a qualidade ambiental, programas de
gestão de qualidade ambiental e, sobretudo, a formação de um mercado ambiental
exigente que pune as indústrias que não respeitem o meio ambiente.
A experiência que temos na área educacional foi de extrema relevância para a
execução desse trabalho. Já tendo trabalhado em escolas de ensino fundamental da rede
particular e pública e na região metropolitana de Belém, o que nos deu maturidade
profissional e intelectual, acrescido ainda, de participação em projetos, programas e
pesquisas sobre a temática do tratamento de resíduos sólidos (lixo) de vários tipos. O
conhecimento local aonde a pesquisa vai se realizar, a comunidade próxima no entorno
da Albras S.A, região metropolitana de Belém, dará subsídios como informações e
dados que formarão o corpo da pesquisa.

12

CAPÍTULO I
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE
TRANSFORMAÇÃO SOCIOECONÔMICA DA ATUALIDADE

A crise ambiental que vivenciamos atualmente é resultante da expansão global
do modo produção que ao utilizar os recursos naturais como matéria prima dos
processos produtivos provoca externalidades negativas a curto, médio e longo prazo
com índices cada vez maiores nos níveis de poluição ambiental. Trata-se de um longo
processo histórico em que os recursos naturais do planeta foram sistematicamente
utilizados de forma irracional para suprir necessidades humanas. Segundo a teoria
econômica moderna, em cada período da formação socioeconômica da humanidade as
sociedades estabeleceram um padrão de sobrevivência de acordo com a disponibilidade
de recursos, a escassez e as necessidades humanas que são ilimitadas.
O modelo de produção que atualmente tem no consumo em massa de
mercadorias o centro dinâmico vem se tornando uma ameaça ao equilíbrio ambiental do
planeta. Essa relação direta entre a cultura do consumo irresponsável e os danos
provocados ao meio ambiente é cada vez mais visível. Pesquisas cientificas apontam a
queda da qualidade de vida em regiões onde a poluição ambiental é maior, as mudanças
no clima do planeta, as imigrações forçadas pelo descontrole ecológico, as catástrofes
ambientais, o reaparecimento de endemias tropicais consideradas extintas são fatos que
evidenciam a necessidade da construção de um cultura ambiental mais consistente no
mundo.

Há algumas dezenas de anos, essas modificações eram limitadas às áreas mais
densamente povoadas, mas atualmente atingem quase toda a biosfera.
Os problemas ambientais são evidenciados tanto no espaço urbano como no
agrário, repercutindo na superfície terrestre de modo geral, a exemplo do aquecimento
global. Infelizmente, os interesses econômicos ainda estão acima do cuidado e respeito
ao meio ambiente.

Com o advento do capitalismo e a Revolução Industrial nos fins do século
XVIII, o consumo dos países desenvolvidos foi impulsionado, favorecendo assim, o
aumento da exploração dos recursos naturais dos países subdesenvolvidos: fornecedores
de matéria-prima. O desenvolvimento desses industrialismo, incalculavelmente
destruidor, provoca a poluição e a exaustão de alguns recursos minerais e florestais.

13

Na Amazônia, um exemplo claro é a Serra do Navio, no Estado do Amapá.
Neste local, a exploração indiscriminada do minério de manganês durante 50 anos pelos
americanos gerou a exaustão. Moral da história: a Serra do Navio é hoje uma “cidade-
fantasma”, restando no local desilusões e perda total do minério, uma vez que foi
transportado e armazenado nos Estados Unidos. A Amazônia ganhou como “prêmio de
consolação”, imensas crateras no solo amazônico.
Geralmente atividades industriais estão relacionadas a problemas ambientais.
SAMPAIO (2005) afirma que a Revolução Industrial provocou 2 facetas para a
sociedade – O BEM E O MAL: “O espetacular desenvolvimento da indústria, alcançado
ao longo do século XX, trouxe benefícios e prejuízos para a humanidade. Produtos
industrializados como o avião, a televisão e o computador, sem nenhuma dúvida, são
maravilhas do mundo contemporâneo. Por outro lado, a devastação das florestas, a
poluição da atmosfera, rios e mares representam o lado negativo desse avanço
industrial”. Apesar de sua importância a satisfação das necessidades humanas, a
indústria, as inovações tecnológicas e principalmente agroindustriais tem sido as
maiores responsáveis pela degradação do ambiente.
MARX (1977) já havia previsto os efeitos desastrosos do capitalismo, pois
ofereceria riscos para a humanidade, uma vez que os códigos do mercado levam a
destruição da natureza. As transformações socioeconômicas promovidas pelo sistema
capitalista influenciam não apenas as relações de poder entre trabalho e organização
social, mas afetam a visão acerca da natureza e o modo de o ser humano se relacionar
com ela. Não é a toa que o pensamento de Marx sempre foi sistematicamente ecológico.
Sabemos que os países desenvolvidos capitalistas encontram nos
subdesenvolvidos a matéria-prima necessária para a fonte de suas riquezas. Àqueles, por
sua vez, não se preocupam com os problemas ambientais causados por sua ganância
desenfreada. Destarte, os problemas ambientais não são focos de discussão. Negam-se
ao óbvio, como é o caso dos Estados Unidos que recusaram assinar o Protocolo de
Kyoto. Este ato ratifica tudo o que foi mencionado anteriormente: assinar seria
comprometer o seu desenvolvimento a qualquer custo, uma vez que o Estado
Americano é um dos mais poluidores do mundo.
É necessária a participação ativa da sociedade a fim de evitar a continuação dos
entraves ambientais. A educação ambiental tem a ver com a nossa relação dentro da
sociedade, com qualidade de vida que temos e com a nossa sobrevivência. Daí, a
necessidade de unificar o conhecimento de maneira que seja refletida a preservação do

14

meio ambiente que é o espaço de manutenção da vida do ser humano, que tem que ser
preservada com sustentabilidade, ou seja, desenvolver-se economicamente assegurando
as necessidades do presente sem ameaçar a vida da futura geração.
A educação ambiental como um tema de preocupação mundial apareceu pela
primeira vez na década de 70 através da conferência de Estocolmo. Em 1977, Tbilizi,
ocorre a primeira Conferência de Educação Ambiental. O princípio básico é de que o
ser humano precisa se apropriar e transformar o mundo natural. O ser humano só
consegue transformar-se no decorrer dos tempos através de sua ação sobre a natureza.
Ele tem o direito e a necessidade de intervir na natureza, caso contrário, seriamos iguais
aos outros seres vivos que não modificam sua maneira de ser e viver através dos
tempos. Ao mesmo tempo, porém, é necessário considerar a existência de limites éticos
nesse direito de intervenção. Portanto, o conceito de sustentabilidade direciona a ação
de homem para a permanência de sua espécie na terra, com qualidade e harmonia
(SIOLI, 1985).

O grande desafio da Educação ambiental é ajudar a criar um homem ético, uma
vez que a ÉTICA têm como essência os costumes, os hábitos adquiridos que são
compreendidos ao longo do processo civilizatório. Os hábitos adquiridos e os costumes
nem sempre são éticos ou mesmos favoráveis a uma cultura de respeito ao meio
ambiente, mas o esforço da educação e da cultura em prol da aprendizagem é
importante para a formação de uma consciência ambiental. Portanto, não é algo natural
e sim construído. O homem ético é aquele que reconhece ter obrigações para com a
sociedade. É aquele que descarta e substitui a lei do mais forte. BRANCO (1991)
aborda muito bem essa afirmação: “O homem ético aceita conscientemente, nos seus
semelhantes, o direito à vida e o direito à liberdade, assumindo o compromisso de não
eliminar a vida do próximo e de não restringir a sua liberdade: A liberdade de cada um
se estende até o limite da liberdade do próximo, e esse limite tem de ser reconhecido
eticamente, pois ele não é fixado pela natureza”. (pág. 106)
A sociedade atual necessita urgentemente pôr em prática esses princípios éticos
de respeito ao próximo e ao meio natural. Muitas vezes, a ausência desses princípios por
uma minoria, leva a destruição de uma nação inteira, a exemplo de uma série de bombas
lançadas em países adversários.
Não se pode falar em desenvolvimento sustentável desassociado de ética, uma
vez que aquele é um conceito que envolve compromisso entre objetivos sociais,
ecológicos e econômicos e para haver equilíbrio ambiental entre esses objetivos é

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imprescindível a ética prevalecer. Conciliar DESENVOLVIMENTO, crescimento
econômico com SUSTENTABILIDADE é um grande desafio da sociedade
contemporânea, pois é tarefa bastante difícil, mas não é impossível. A reserva ecológica
e biológica de Mamirauá em Tefé (AM) é um exemplo de equilíbrio entre a conservação
e uso dos recursos naturais.

O desenvolvimento sustentável busca simultaneamente a eficiência econômica, a
justiça social e a harmonia ambiental. Mais do que um novo conceito, é um processo de
mudança onde a exploração de recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do
desenvolvimento ecológico e a mudança institucional devem levar em conta as
necessidades das gerações futuras (MAIMON, 1996:10). Assim, o objetivo geral do
Desenvolvimento Sustentável (D.S.) é promover o desenvolvimento econômico sem
deteriorar ou prejudicar a base que lhe dá sustentação. O D.S. só se concretizará de fato
se o homem ganancioso “capitalista selvagem” se tornar um “homem ético” e
consciente. Deve haver não só um compromisso, mas uma imediata coerência entre
crescimento e manutenção da vida.
Mas até que ponto seria possível promover o desenvolvimento, nos moldes da
atual economia de mercado, sem comprometer a qualidade ambiental?
Esta é uma indagação que precisa ser respondida agora, não podemos deixar
para as próximas gerações se preocuparem.
É muito comum hoje ouvimos o termo: manejo florestal, que representa o
conjunto de regras e métodos utilizados na exploração da floresta para gerar benefícios
econômicos e sociais de maneira sustentável. Mesmo com um grande número de áreas
obedeça a esses princípios, a utilização do manejo florestal ainda não conseguiu chegar
à dualidade esperada: DESENVOLVIMENTO e PRESERVAÇÃO.
Segundo o Dossiê: Florestas sustentáveis, da Revista Horizonte (2006). “Dos
353 milhões de hectares de mata tropical existentes no mundo, fora das áreas protegidas
(como parques e reservas) apenas 27% tem programas de manejo legalizados. E apenas
7% são, ao mesmo tempo, produtivos e sustentáveis”. Esses números demonstram que o
ataque à floresta, principalmente, à Amazônia é brutal. A ilegalidade é muito freqüente,
uma vez que desde os anos 60, a cobertura vegetal, como área equivalente à França já
desapareceu na Amazônia pela ação de madeireiros, pecuaristas e atividades
mineradoras.

Ainda que ações internacionais como: a conferência das Nações Unidas para o
meio ambiente humano (Estocolmo, 1972); para o desenvolvimento (Rio de Janeiro,

16

1992); a conferência mundial sobre mudanças climáticas, como o Protocolo de Kyoto,
em 1997; a Rio +10, em Johanesburgo, 2002 a fim de racionalizar as proposições e
metas da agenda XXI, muito ainda precisa ser feito, uma vez que estas e outras ações só
serão cumpridas de fato se o poder público, o setor empresarial e a sociedade civil
organizada assumirem um compromisso tendo “a ética como base de toda regra de
convivência racional e consciente”. (BRANCO, 1991). Neste sentido, a educação
ambiental será efetivamente coerente na busca de valores mais adequados ao
desenvolvimento sustentável quando o homem dispôs dos princípios éticos fortalecidos
pela responsabilidade, humanidade e respeito ao próximo.

17

CAPÍTULO II
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: BREVE HISTÓRICO.

A Legislação ambiental a nível internacional surgiu ao longo do século XX em
virtude do agravamento de problemas ambientais e do estabelecimento de uma
“consciência ecológica” na opinião pública, focalizando a conservação e o uso racional
do meio ambiente.

O licenciamento ambiental, segundo a cartilha da FIESP, é o procedimento
administrativo por meio do qual o Órgão competente licencia a localização, a instalação,
a ampliação e a operação dos empreendimentos e atividades que utilizam recursos
ambientais ou que são efetiva ou potencialmente poluidores, ou que de alguma forma
podem impactar o meio ambiente. (FIESP - Licenciamento ambiental, 2004).
Sendo o licenciamento ambiental obrigatório para a prevenção e o controle da
poluição do meio ambiente. É na verdade, um instrumento preventivo, essencial para
garantir a qualidade ambiental, que abrange a saúde pública, o desenvolvimento
econômico e a preservação da biodiversidade. (Relatório da FIESP, 2004). A Resolução
CONAMA nº. 237, de 19 de dezembro de 1997 – Dispõe sobre os procedimentos e
critérios utilizados no licenciamento ambiental e no exercício da competência, bem
como as atividades e empreendimentos sujeitos ao Licenciamento ambiental.
A Resolução CONAMA nº. 001/ 86, de 23 de janeiro de 1986, instituiu o
EIA/RIMA (Estudos de Impactos Ambientais - Relatório de Impactos Ambientais)
como um dos instrumentos básicos para a diminuição e até mesmo o impedimento de
impactos ao meio ambiente. A atividade mineradora está sujeita a Licenciamento com
apresentação de EIA/RIMA, uma vez que representa ameaça significativa ao meio.
O EIA/RIMA, foi ganhando importância na área jurídica e social, melhorando
significativamente a política Nacional de Meio Ambiente.
Foi somente na constituição Federal de 1988§1º, IV do art. 225), que o EIA-
RIMA foi reconhecido. E uma das atribuições do Estado, era exigir obra ou atividade
causadora de significativa degradação do meio ambiente, o estudo de impacto
ambiental.

Para efeito normativo, o EIA-RIMA, estão estruturados mesmo quando dados
pelo poder público a sua exigência ou não. Entretanto, o art.2º da Resolução nº.001/86,
cita exemplificativamente, que as atividades vinculadas, problema resolvido somente

18

com a edição da Resolução nº. 23/97, onde indicará todas as atividades sujeitas ao
licenciamento com exigência da execução e avaliação do EIA/RIMA.

2.1.DIREITOS AMBIENTAIS: E OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
REFERENTES AO LICENCIAMENTO
.
Com a crescente degradação dos recursos naturais, o licenciamento ambiental
passou a influenciar significativamente na atuação de grandes agentes sociais, os quais
são os principais responsáveis pela exploração dos recursos naturais.
Entretanto no que se refere ao estudo de direito ambiental, percebe-se que é algo
bem recente. Embora ele não seja considerado um apêndice do direito administrativo,
recebe influências quanto ao exercício das obrigações referente a administração pública,
cumprindo fielmente o caput do art.225 da constituição de 1988.
Porém a base doutrinária e a prática estão consubstanciadas nos princípios do
Direito Ambiental, que deu início nas Convenções e Tratadas Internacionais.
Todas as ações desenvolvidas pelos estados e sociedade civil, serão direcionadas
pelos princípios dos direitos ambientais. Estes princípios também foram adotados pelos
demais estados na convenção de Estocolmo em 1972, sendo atualizados e ampliados na
convenção do Rio 92, devido novos e urgentes problemas ambientais ocorridos nos
estados que não apresentaram regulamentação normativa.
Dentre os princípios que norteiam o direito ambiental, está em destaque aqueles
considerados como fundamentais ao licenciamento ambiental. E os principais são:
prevenção, participação, precaução, poluidor-pagador e participação pública.
Entretanto o mais importante é a prevenção, pois ele é o gestor de toda política
ambiental, pois, orienta as atitudes ao poder público no momento de traçar as medidas
que evitem ou minimizem os atentados ao meio ambiente.
Segundo SILVA (2000) em se tratando da realidade paraense, os projetos de
mineração, merecem tratamento especial, a prevenção deve ser especialmente tratada,
pois os danos originários desta atividade podem ser de difícil reparação.
O princípio participação, nº. 10 do Rio 92, representa a entrada de cidadãos da
sociedade civil organizada que tem como dever, intervir nos processos decisórios
ambientais. Essa participação está dividida em conselhos ambientai, através das ONGs,
na fase de comentários do EIMA/RIMA em audiências públicas entre outros.

19

A precaução aplica ao estado uma atenção para as situações de graves riscos ou
danos irreversíveis. Esta precaução deverá acontecer mesmo quando a administração
pública não conceder a licença.
O princípio poluidor-pagador impõe a obrigatoriedade de arcar com todas as
despesas em reparação aos danos provocados ao meio ambiente. Embora este princípio
imponha tal obrigatoriedade, ele é bem mais expansivo, pois determina a
responsabilidade de todos os custos da proteção ambiental sem repassá-los a
coletividade.

Os investimentos a proteção não deverão restringir somente aos custos oriundos
do poluidor-pagador, porém todo custo arrecadado deverá ser investido em tecnologia
menos poluidora, programa de educação ambiental, aparelhamento técnico e materiais
para órgãos que sejam responsáveis pela fiscalização.
Para os projetos de mineração segundo a Constituição de 88, ficou reservada a
aplicação reparatória da atividade. Este fato faz crer que o pagamento deve ser feito
apenas para quem causa degradação, principalmente no que se refere aos recursos não
renováveis. Destarte, mesmo com a solução ‘técnica’ que o órgão público exige, nem
sempre conseguirá reparar os danos, uma vez que se trata de danos na maioria das vezes
não recuperáveis.

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