VERDE E AZUL

Fabio Rocha

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Fabio José Alfredo Santos da Rocha 2012
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Foto das Cataratas do Iguaçu de Fabio Rocha.

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VERDE

caminho verde em passos largos
dor se move no corpo
enquanto o tempo saiu para pescar
a velhice a sola

invento verdes
que a grama aqui é a parada
controle de pestes
gatos castrados defecando de forma errônea
com grades
eu agradando nulidades
(agride)
filhotes por todas as partes

verto o verde sem muro
onde não estou
nem jamais estarei
escrevo a palavra verde
antes que amadureça

toda vez que ver é verbo
sem a ligação "de"
falta um "para que"

temo temer
e tremendo prossigo
passos pra fora do umbigo

minha poesia é verde
escrevo antes que apodreça

o verde que não há
no cinza retangular
na mesa branca quadrada
na porta com ângulos de noventa graus
me inclina em palavra

somos o sonho do cansaço
batendo pino e ponto
enquanto árvores distantes
preparam frutos
com todo o coração
verde

*
antigo asterisco
me fez um risco no menisco:
separação do menino?
se o menino separa
eu aturo
e a poesia para

a luz branca de cozinha retangular ilumina o teclado retangular
da minha sala retangular onde escrevo numa tela
retangular
lá fora, ar, gula e vento

a lua é curva
o sol redondo
seu corpo, sagrado

verde não é cor

dentro da vontade de sair
tem sempre um medo de ficar
as cores são desculpas

se eu fechar as cores
posso ver verde em tudo
com velocidade de caramujo

uma falta e uma vontade
entre elas
goiabada
mastigo racionalidade
vermelho é corpo
verde, paz

atrás daquele morro
daquela fumaça de fábrica
tem alguma coisa onde morro
(fome de mundo
comida sem sal)

acho que o verde me acha
em poças de silêncio
ou quando emudeço escuro
se a lua nasce cheia
sobre prédios quadrados

a coluna
a dor
o remédio redondo
uma lesma no espelho

livre
o poema se perde
se espalha
pelos quatro cantos
de um livro

AZUL

o azul peralta longamente o verde
rio de mim
penetrar incessante

Jupiá, Ilha Solteira e o Complexo Hidrelétrico de Urubupungá
foi o que restou na memória das aulas de Geografia
(e nunca estive lá)
nomear acalma

a calma do azul
deixa o verde
molhado

azul em caldas novas:
noivas afogadas
em sentir

o mar puxa os rios pelo fio

oceano de gotas
moldando pedras
em areia

devagar a água vence
com vagas acarinhando
rochas

pedra bruta
se dissolve lenta
em azul

chove no olho do peixe
mas ninguém sabe
se lacrimejou

o céu também é azul
e ruge quando
vai lavar o mundo

o militar vestia verde
mas não era
sua estátua negra
pingam de branco os pombos
antes de subirem em azul

o oceano de neruda
reflete um novo céu
tem novo lado
tem algo de algas
e venta gelado:
verde e azul

Fabio Rocha
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