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rear tt aigtone tne — eo Um tivo feito por John Berger, Svon Blomberg, Chris Fox ‘Michae! Dibb, Richard Ho! Esto livro fol elaborado por cinco pessoas. Nos: 10 ponto de partida foram slgumas daw dispusemos a dizé-io. A {forma do livro tem tanto a ver com nosso propésito como o8 jumentos nele inseridos. ym sete ensaios numerados. © imagens; trés deles, ensaios puramente pictéricos (sobre os modos de ver mulher @ sobre vérios aspectos contraditérios da tredic&o da intura a loo) tim a intencio de levantar tantas questies ‘quanto os ensaios verbais. As vezes, nos ensaios pictéricos, Réo 6 fornecida qualquer informagao sobre as Imagens eproduzidas porque nos pareceu que essa informagio podie osviar @ atengio dos pontos em consideracéo. Entretento, ‘om todos esses casos a informacto pode ser encontrada na Relagéo das obras reproduzidas, impressa no final do livro. Nonhum dos enssios pretende lidar com mais, lguns aspoctos de cada assunto: especialmente aqueles axpectos colocados em relevo por uma consciéncia histérica moderns, Nosso objetivo principal foi o de iniciar lum proceso de questionamento, do que Vor precede as palavras. A crianga olha reco- nhece, antes mesmo de poder fa Intido no qual ver pre- ‘ato do ver que estabelece nosso lugar no mundo circundante. Explicamos esse mundo com palavras, mas as palavras nunca poderio destazer 0 fato de estarmos Por ele circundados. A relacéo entre o que vemos © 0 que ‘sabemos nunca fica estabelecida. A cada tarde, vemos o Sol 80 pr. Sabomos que # Terra ests se movimentando no senti- do de afastar-to dole. No entanto, o conhecimento, # expli ago quase nunca combinam com a cena. Magritte, o pin. tor surrealista, comentou a respeito desse abismo sempre Presante entre as palavras e o que se vé numa obra intitule da A chave dos sonhos. fpossivels ano 8 v4 i econ te mae normal © mee Sree eee recon rats rent er Se ome oe ores rac are renee ne srwcte de Aquila que ela representava: mos coiaa ou alguém havia antes parecido— registro. Uma imagem tornou-se um registro de como X tinha visto Y. laso era o fo de uma creacente consciéneia, lado scompanhando uma percepeio crescente da Histéria. Seria precipitado tentar datar com preciso © ‘dito, Mas certamente na Europa tal consciéncia existia, ‘dende 0 inicio da Renascence, to direto sobre o mundo que rodeava as outras pessoas em, ‘nos permit 2 (Muitas dosses promisaas no mais se comdunem ‘com 0 mundo tal qual ele 6.(0 mundo-tal qual-sle-s conetital mais do que um puro fato objetivo: inclul » consciancia.) Fora de exquadro com relagto ao presente, sssae premmisece obscurecer o passedo, Mintificem ao inves de eecierecer, © assado nunca esté Ia seperando para ser detcoberto, pare ser reconhecide pelo que 6 exatamente. A Histére erté sem re « constituir « relagao entre um provente © seu paseedo. Conseqientemente, o medo do presente condur & mistiice- {$50 do passado. O pastado no & para se viver nele; trata-ee, ‘he vordade, de um pogo de conclusGes, dele extreidas, pers nosso intuito de agir- A mistificagae cultural do pestade ‘scarreta uma dupla perds. As obras de arte sho tornadas dew ola. Se “vimos™ a arte do passado, nos teriamos situedo ne Histéria. Quando somos impedidos de vé-la, estemoe eende, Brivados da histéria que nos portence. Quem we beretich dessa privagio? Afinal, a arte do passado esta sence mi fie ‘esforge-se para ‘que pode, retrospectivamente, justifi- ar 0 papel das classes dominantes, « ume tal justificarso inéo mais faz sentido em termos modernos. E assim meso, ‘la inevitavelmente mistifice Consideremos um exemple tipico de t cago. Um estudo em a lizada da arte, ndo ¢ melhor 3 em estamos afirmando que toda arte pode ser vstrancemente. No achamos que certs, reprodugio de uma caboca grega arcaice, revit sscordn uma experiencia pessoal, © pregaig odo outras imagens dispare ‘com dois cami. ‘ao recaser a perticipar de uma conspira¢o, uma pos. ragdo. Mas perma, [LE irocente pode ser. ‘o conhecimento (ou entre ‘mas entre uma abordagem total da 0 cultural 2 ordagem esoterica de uns poucos Tatas que sao como secerdotes da nos irigonte em declinia. {Em declinio, nBo antes do da sao do proletariado, mas antes do novo poder da corporagso ido Estado.) A verdadaira questio 6: a quem 0 significads “As artes visuais sempre existiram dentro de uma certapreservacso: originalmente, ossa preservagao era magi cn ou sagrada. Mas ora também Fisica: 0 lugar, @ caverne, © ‘dificlo, nos quis, ou para os quaia a obra io fol a exporiéneia do ritual, 3 mantide 4 parte do resto da Vida - precisamente para que, udesse exercer poder sobre ola, Mais tarde a preservagao da rt tornow-e um encergo social. Ela ponetrou @ cultura da lasee dominante, ao mesme tempo qu foi fisicemonte colo. ‘ade & porto isolada em suas casas palicios. Durante todo ct30 tempo historico a autoridade da arte permanecou inte. Parével de autoridade particular de prevervagao, © que o» modernos meioe de {info destrur»autoridade da arte e remové-ia ou melhor, oo ‘camente todo 0 tempo para promover a ilusso de que nade fmudou exceto 0 fato de que as massas, gragas & reprodu podem agora comegar a apreciar a arte como 0 fez cor- ‘ute. Compreenaivelmente, as massas con tinuam desinteressadas @ céticas. ‘Se a nova linguagem das imagens fosse usada ‘de modo ait tie um nove tipo de poder. Dentro dessa linguagem poderis- mos comegar a definir nosaas experiancias com maior prec Bio, om areas onde as palavras s50 Inadequadas. (O olhar ‘Yer antes das palavras.) Ndo apenas a experiéncia pessoal, ‘mas também a experiéncia histérica essencial de nossa rela- Gio com 0 passade: Isto 6, a oxperiéncia de procurar dar ntido a nossas vidas, de tontar compreender a Histéria, da ‘qual podemos nos tornar agentes ativos. ‘Aarte do passado ndo mais existe como antes 1% perdids, Em sou lugar hé uma linguagem de imagens. O que importa agora 6 quem usa ist inguagem @ com que objetivo. Isso toca om questos produce, de propriedade ‘© impressoras de arte, da politica geral das ga- ‘@ mureus de arte publics ‘ensaio foi o de mostrar que 0 {que esté em questio 6 algo muito maior. Um povo ou uma sstados de seu proprio passado esto muito menos ‘para eacolher @ agir como um povo ou uma classe do ‘que aqueles capazes de situar-e0 na Histéria. Els por que esta 6 a nica razdo - a arte intelra do passado tornou-ee hoje uma questéo politica INST?" 0 DE ARTES BusiioTs 7 jas do ensaio precedente foram arniemgaeaio, escrito hd mais de quarenta outro ensai fi fo alamio Walter Benjamin. ‘Seu ensaio intitulava-se em {Ar in the Age of Mechanical Reproduction” @ colegio illuminations (Londres, Cape, 1970). arte na época de sua reprodutibilidade téeniea", Carlos Nelson Coutinho, em Teoria da cultura Costa Lima, org., Rio de Janeiro, Editora pp. 207-238.)