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TELECOM - I RADIOCOMUNICACOES Newton C. Braga n CURSO DE ELETRONICA STR CURSO DE ELETRONICA TELECOM - | - Radiocomunicagées NEWTON C. BRAGA Instituto NCB v;newtoncbraga.com.b contato@newtoncbraga.com.br CURSO DE ELETRONICA - TELECOM 1 - Radiocomunicagées Autor: Newton C, Braga Sao Paulo - Brasil - 2012 Palavras-chave: Eletronica - Engenhar - Componentes - Edueagio Tecnolégica Eletonica Diretor responsavel: Newton C. Braga Diagramagio e Coordenagio: Renato Paiot MAIS INFORMACOES INSTITUTO NEWTON C. BRAGA. ttp://www.newtoncbraga.com. br NOTA IMPORTANTE Esta série de livros fornece conhecimentos basicos de eletrénica para cursos regulares, cursos a distancia e para autodidatas, consistindo, portanto numa lit- eratura cuja finalidade 6 apoio, iniciagao ou complementagao de conhecimentos. ‘Sua aquisi¢ao nao implica no direito a obtencao de certificados ou diplomas os quais devem ser emitidos pelas instituigdes que adotam o livro ou ainda min- istram cursos de outras formas. Da mesma forma o autor ou a editora ndo se responsabilizam por eventuais problemas que possam ser causados pelo uso indevido das informagées nele contidas como 0 nao funcionamento de projetos, ferimentos ou danos causados a terceiros de forma acidental ou proposital, ou ainda prejuizos de ordem moral ou financeira. Os eventuais experimentos cita- dos quando realizados por menores devem ter sempre a superviséo de um adul- to, Todo cuidado foi tomado para que o material utiizado seja encontrado com facilidade na época da edicdo do livro, mas as mudancas tecnolégicas s4o muito répidas 0 que nos leva a nao nos responsabilizarmos pela eventual dificuldade ‘emse obter componentes para os experimentos. Copyright by INTITUTO NEWTON C. BRAGA, Trediggo Todos os direitos reservados. Proibida a reprodugdo total ou parcial, por qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas graficos, microfimicos,fotogréficos, reprograticos, fonogréfios, vide- ograficos, atualmente existentes ou que venham a ser inventados. Vedada a memorizagdo e/ou a trecuperagéo total ou parcial em qualquer parte da obra em qualquer programa juscibernétice atual- ‘mente em uso ou que venha a ser desenvolvide ou mplantado no futuro. Estas proibigdes aplicam-se também as caracteristicas graicas da obra e a sua editoracdo. A violagdo dos direitos autoras & punivel como crime (at. 184 e parégrafos, do Cédigo Penal, cf. Lein® 6.895, de 17/12/80) com pena de prisdo e multa, conjuntamente com busca e apreensio e indenizacdo diversas (artigos 122, 123, 126, 126 da Lel n? 6.988, de 14/12/73, Le dos Direltos Autoras, INDICE 1. Conceitos bisicos .. 1.1 - Revisdo de coneeitos ~ carga létrica, campo elétrico © campo Magnético ..... I 1.2 - Ondas eletromagnéticas 1B 1.3 - Freqaéneia, periodo e comprimento de onda ~ sendide 4 1.4-Fase 16 1.5 - 0 espectro eletromagnético 16 1.6 - Amplitude e polarizagao Is 1.7 - Propriedades das ondas ~ velocidade, reflexiio, refragdo e difragto 20 1.8 - Propagagao — ondas terrestres, ionosféricas e ondas diretas 21 1.9 Atenuagdo, ruidos ¢ interferéncias 2 1.10 Ondas estaciondrias 2B 1.11 ~Alcance 4 1.12 - Linhas de transmissi0 6 1.13 - Antenas —tipos, polarizagao, ganho e diretividade 6 2. Formas de Onda, Circuitos Ressonantes e Filtros 37 2.1 ~Fommas de Onda Complexas 37 2.2.- Circuito ressonante 40 2.3 - Seletividade - Pator Q 46 24 -Filtros 47 25-0 Logaritmo ¢ 0 Decibel 37 3. Sistemas de Radiocomunicagio .. 3.1 —Radiocomunicagdes 3.2 ~Meios Fisicos 33-0 Transmissor or 3.4 Os receptores m 3.5 - Os Circuitos Receptores B 3.6 —Sensibilidade e Seletividade 84 3.7 ~ Transceptores 84 3.8 - Comunicagio Via Satélite 86 4. Modulagdo Analégica - 1 4.1- Modulagao 4.2 CW ou Onda Continua 4.3—AM - Modulagdo em Amplitude 94 4.4, — SSB (Single Side Band) ou BLU (Banda Lateral Unica) 101 4.5 AMDSB - 0 Receptor 103 4.6 —Receptores de Telecomunicagdes ~ Dupla Conversio Ml 4.7 —Receptores Para CW e SSB 2 5. Transistor Unijuncao e de Efeito de Campo 5.1 ~ Modulagio em Frequéncia ou FM us 5.2 -FM Faixa Estreita e Faixa Larga 19 5.3 - Desvio de Frequéncia 121 5.4 —Cireuitos Moduladores de FM 123 5.5 - Demodulagio de FM 127 5.6-FMEstéreo 129 5.7 ~Receptores de FM 133, 6. Modulagio Digital 137 6.1. Introdugao 137 62 - Técnicas de Modulagao Digital 139 6.3 - Representagao Grifica /Q 140 6.4 —Anilise Geral das Principais Téenicas de Modulagao 14a 65 - ASK (Amplitude Shift Keying) 144 66 -FSK 145 6.7- BPSK e QPSK 146 68-MSK las, 6.9 -QAM 149 6.10~Taxa de Erros ¢ Corregdes 153 6.11 - Variagdes dos Tipos de Modulagdes ..... 154 7. Multiplexagao e Di fo do Espectro snnu157 7.1 = Introdugio 137 7.2, Multiplexagao 138 7.3 - Multiplexagao por Divisdo em Freqaéneia ou FDM 139 7.4 - Multiplexago por Divisdo em ‘Tempo ou TDM 161 7.5 - Multiplexagdo por Cédigo - CDM 16s 7.6 - Maltiplexagio Geografica 166 INDICE 17.1 - Espectro Espalhado 167 7.8 -Pacote de Radio 174 8. Digitalizagdo dos Sons e Processamento, Saiide € ESD sisnnsnnee 177 8.1 A Natureza do Som 177 8.2 - Espectro Audivel 179 8.3 — Digitalizagdo de sinais analogicos 185 84-DsP 191 85 -Memérias 196 86 - ESD - Descargas eletrostaticas 197 87- Radiagdo Eletromagnética ¢ Satide 203 88-Blindagens 204 LINKS UTEIS APRESENTACAO Em 1972, jd com experiéncia no ensino de eletrénica em cursos presenciais, fui contratado por uma grande organizago de ensino por correspondéncia para renovar seu curso de eletrénica. Completado esse trabalho, fui trabalhar na Editora Saber em 1976 onde passei a publicar nas paginas da Revista Saber Eletrdnica o primeiro Curso de Eletrdnica em Instrug4o Programada, uma novidade que atraiu a aten- G40 de milhares de leitores que tiveram sua formagaio inicial totalmen- te apoiada nos ensinamentos que entdo disponibilizamos. O sucesso desse curso fez com que em diversas ocasides posteriores 0 curso fos- se repetido e atualizado nas paginas da mesma revista e que também fossem criados diversos outros cursos, como 0 Curso de TV, Curso de Eletrénica Digital, Curso de Instrumentagao, etc, Neste interva- lo publicamos a primeira edi¢do completa desse curso que recebeu o nome de Curso Basico de Eletrénica e chegou até sua quinta edigao, € posteriormente em 2009 sendo transformado numa apostila. Diver sos outros cursos também foram publicados na forma de livro encon- trando-se hoje esgotados. No entanto, desde as primeiras edigdes de nossos cursos, muita coisa mudou, e se bem que diversas atualizagdes fossem feitas em alguns, chegou 0 momento de se fazer algo novo, adaptado aos novos tempos da eletronica, num formato mais atual e com conteiido que seja mais util a todos que desejarem aprender 0 basico das telecomunicagdes visando tanto a reciclagem de conheci- mentos, a aquisigdio de conhecimentos por profissionais de outras are- ase principalmente para aqueles que desejam concorrer em concursos piblicos e privados, Desta forma o contetido deste curso foi progra- mado para conter 0 maximo de informagdes sobre telecomunicagées, acessiveis a quem tenha um conhecimento basico de eletronica, sen- do sugerido nosso Curso Basico de Eletrénica e Curso de Eletrénica Analdgica como material de apoio ou ainda pré-requisito para melhor entendimento, Assim, nesta primeira edigao do Curso de Telecom, um verdadeiro curso de conceitos de telecomunicagdes, abordamos todo o conhecimento das versdes anteriores e mais informagoes atuais sobre novas tecnologias, novos componentes e novas aplicagdes. Podemos dizer que este livro, como os demais, pode ser considerado a platafor- ma de iniciagao ideal para muitos cursos, preparago para concursos ou ainda reciclagem de conhecimentos dos técnicos desejam estar atu- alizados nesta tecnologia. INTRODUCAO Desde 1976, quando criamos a primeira versio de um Curso de Eletrénica basico que pudesse servir de iniciag4o aos que desejas- sem ter conhecimentos da eletronica, essa ciéncia passou por grandes transformagées. Do fim da valvula ao transistor, quando comegamos € 0 primeiros circuitos integrados, a eletrénica evoluiu para a tec- nologia dos Cls de alto grau de integrago, os FPGAs, os DSPs, mi- crocontroladores ¢ as montagens em superficie. Assim, nosso livro Curso Basico de Eletrénica, pode ser considerado um curso atualiza- do com finalidades um pouco diferentes das que visava na época de sua criagao original, A eletrénica em nossos dias nao é propriamente um fim, onde uma vez. domada ela por si s6, j4 permite que as pessoas encontrem uma atividade direta que Ihes dé renda ou possam almejar um emprego. A eletrénica hoje ¢ um meio de se alcangar qualifica- Ges em outras areas como as telecomunicagdes, que justamente é o tema deste livro. Assim, nosso curso de Telecomunicagées, visando justamente as necessidades de conhecimento que a preparagao para esta area pede, tem uma abordagem direta e répida de conceitos que, em principio, exige um certo conhecimento prévio dos que desejam aprender. O conhecimento prévio pode vir de nossos Curso Basico de Eletrénica, Curso de Eletrénica Analdgica e Curso de Eletrénica Di- gital, de da formagao anterior do leitor que cursou uma escola técnica ou de engenharia. A estrutura do curso foi elaborada tanto com base nos curriculos de escolas técnicas de engenharia como dos programas para concursos de empresas ptiblicas e privadas, A seguir 0 conteiido das ligdes deste curso. Ligo 1 - Conceitos Basicos + Revistio de conceitos — carga elétrica, campo elétrico e campo mag- nético - Ondas eletromagnéticas - Freqiiéncia, periodo e comprimento de onda - sendide - O espectro eletromagnético - Amplitude e polarizagao - Propriedades das ondas ~ diregao, velocidade reflexao, refragdo e difragao + Propagagao — ondas terrestres e ionosféricas — ondas diretas + Atenuagao, ruidos e interferéncias - Alcance ~ Linhas de transmissio ~ ondas estacionérias - Antenas — tipos, polarizago, ganho e diretividade Lio 2- Formas de Onda, Circuitos Ressonantes e Filtros + Formas de onda complexas * Circuitos ressonantes Seletividade Fator Q Filtros O logaritmo ¢ 0 dB Ligdo 3 — Radiocomunicagées Radiocomunicagdes Meios fisicos e fibras pticas O transmissor O receptor Transceptores Repetidoras Comunicagdes por satélites Ligdo 4— Modulacao Analégica - 1 Modulagao CW ou Onda Continua AM — modulagao em amplitude SSB AMDSB - 0 receptor Receptores de Telecom — Dupla Conversio Receptores para SSB e CW Licio 5— Modulagio Analégica -2 Modulagio FM faixa estreita e faixa larga Desvio de frequéncia Circuitos moduladores de FM Demodulagao de FM FM estéreo Receptores de FM Ligdo 6 - Modulacao Digital Modulagao digital Graficos /Q Padres BPSK e QPSK FSK MSK QAM Modulagao diferencial, amplitude constante offset QPSK Ligdo 7 — Espectro e Multiplexasio Introdugao Multiplexagao Multiplexagao por divisdo de frequéncia— FDM Multiplexagao por divisao de tempo - TDM jexagao por codigo - CDM lexagdo geogrifica - Espectro espalhado - Pacote de radio Ligdo 8 — Som e digitalizagao de sinais , DSPs - Conceitos basicos de som e actistica + Propriedades e caracteristicas dos sons — espectro audivel - Digitalizagao de sinais - DSPs - Memorias - Descargas atmosféricas- ESD “RE e saiide — cuidados - Aterramento e blindagens Enfim, 0 contetdo estudado pode ser considerado como um importante degrau de uma escada que levara os interessados a um mundo de conhecimento técnico capaz. de significar sua realizacio profissional e muito mais que isso, a satisfagao pessoal de dominar as mais importantes tecnologias de nosso tempo. NEWTON C. BRAGA » Conceitos basicos 1. O que vocé vai aprender Neste capitulo vocé vai revisar conceitos basicos importantes para o entendimento das tecnologias das telecomunicagées, tais como a natureza dos campos elétricos, ondas eletromagnéticas, espectro, propriedades das ondas, propagagao, linhas de transmissdo e antenas. Os itens deste capitulo sio 1-0 que vocé vai aprender 1.1 — Revisio de conceitos- carga elétrica, campo elétrico e campo magnético 1.2- Ondas eletromagnéticas 1.3 —Frequéncia, periodo e comprimento de onda 1.4 Fase 1.5 —O espectro eletromagnético 1.6 ~Amplitude e polarizagao 1.7 —Propriedades das ondas 1.8 ~Propagagio 1.9 —Atenuagao, ruidos e interferéncias 1.10 ~-Ondas estacionérias 1.11 ~Aleance 1.12 - Linhas de transmissio 1.13 ~Antenas 1.1 - Revisdo de conceitos - carga elétrica, campo elétrico e campo Magnético Toda a matéria é feita de dtomos. Os étomos consistem na me- nor particula de um corpo material. Mas, os atomos sio feitos de par- ticulas ainda menores, segundo uma estrutura como a mostrada na figura 1. No niicleo do atomo existem particulas denominadas protons enéutrons e em torno deste miicleo giram particulas menores denomi- nadas elétrons. a TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Hoje sabemos que essa representagéo nao cor- responde a realidade, pois as partes constituin- tes dos atomos nao tem realmente o que podemos denominar forma, confor- me veremos mais adian- te, mas para efeito de estudo, esta representa- ‘40 tem sido adotada nas escolas por seu aspecto didatico. Adotaremos esta representacao por como- didade. Protons Neutrons Figura 1 - Os atomos sdo formados de elétrons, prétons ¢ néutrons Os prétons e os elétrons so dotados de propriedades especiais que so denominadas cargas elétricas. Por convengdo atribuiu-se aos elétrons cargas elétricas negativas e aos protons cargas positivas. Supercordas Como num atomo em condigdes normais o niimero de elétrons é igual A teoria das supercordas —_ ao de prétons, os efeitos destas cargas se cancelam e 0 atomo se diz parte da idéia de que as neutro. menores particulas que . formam 0° universo 280 ‘As cargas elétricas podem influir umas nas outras, 0 que nos entidades que possuem permite associar a cada carga uma regido do espaco onde os seus efei- apenas uma dimenséo, tos se manifestam. Esta influéncia é representada pelos campos elétri- comprimento, e que vii cos. Uma carga elétrica, positiva ou negativa possui campos elétricos bram de diversas formas que podem ser representados por linhas de forga, conforme mostra a possiveis. Conforme 0 modo como elas vibram figura 2. e as dimensées em que fazem isso, elas dao ori- gem a uma infinidade de particulas — elementares como os quarks, hadrons, elétrons, protons e muitas ‘outras formando o que se denomina de zoolégico das particulas. Ainda ha muito para se pesquisar nesse campo que tenta fazer a unificagao da fisi- ca quantica com a teoria da relatividade. Segundo 0 que fisicos conseguem prever através de suas Figura 2 ~ Campos elétricos de cargas puntiformes ¢ de um dipolo (duas formulas, 0 universo deve cargas de sinais opostos) ter pelo menos 11 dimen- sées para explicar os Observe que as linhas que representam os campos elétricos saem fendmenos observados das cargas positivas e chegam nas cargas negativas. Um tipo de campo com as particulas muito importante é 0 chamado campo uniforme. Esse campo manifes- ta-se entre as placas de um capacitor plano carregado. As linhas que 2 NEWTON C. BRAGA saem da armadura positiva e chegam a armadura negativa s4o paral Jas. Enquanto num campo de uma carga pontual a intensidade dimim com o quadrado da distancia, num campo uniforme a intensidade é a mesma em todos os seus pontos. Se uma carga elétrica se movimenta, o campo elétrico que ela produz se contrai ¢ a energia armazenada neste campo passa para um novo tipo de campo que é o magnético. O campo magnético também 6 representado por linhas de forca que sio circulos fechados envol- vendo a trajetoria da carga. Este campo também armazena energia. Na figura 3 representamos este campo. campo magnétco AR {te \ Figura 3 - Campo magnético criado por uma carga em movimento Observe que um campo elétrico ou magnético representa ener- gia potencial armazenada, Quando uma carga se movimenta dentro de um campo, as forgas a que ela fica sujeita esto associadas a uma transferéncia de energia. Se bem que representemos os elétrons por pequenas esferas, jé deixamos claro que isso é apenas para facilitar 0 entendimento do que explicamos, Na realidade, nao podemos dizer exatamente o que estas particulas sejam. 1.2 - Ondas eletromagnéticas Se uma carga oscilar entre duas posigdes, ocorre um fenémeno interessante, Nos instantes em que a carga esta nas extremidades da trajetbria temos campo elétrico e nos instantes em que ela se move de uma extremidade a outra temos campo magnético Desta forma, cam- po elétrico e campo magnético se alternam, produzindo uma perturba- 0 que se propaga através do espago na forma de uma onda. Trata-se de uma onda eletromagnética cuja componente eléirica e componente magnética so perpendiculares entre si, conforme mostra a figura 4 2B TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Espectro continuo © spectro das ondas eletromagnéticas (assim como dos sons) € conti- nuo no sentido de que nao existe separagéo entre dois valores de frequén- cias. Assim, a quantidade de frequéncias possiveis infinita. Entre dois valo- res quaisquer de frequén- cia podemos encontrar in- finitos valores. Nao existe, portanto um limite exato entre as faixas que deno- minamos ondas de rédio, infravermelho, luz visivel, ultravioleta, etc. James Clerk Maxwell (1831 - 1879) ~ ‘caren manta Figura 4 - Uma onda eletromagnética tem a componente elétrica e a mag- nética perpendiculares entre si. ‘As ondas assim produzidas podem ser propagar pelo espaco numa velocidade de 300 000 quilémetros por segundo (no vacuo), transportando energia. Na pritica podemos produzir estas ondas tam- bém através de correntes, fazendo-a oscilar num condutor. Observe que a energia utilizada para fazer uma carga ou uma corrente oscilar se transfere para a onda produzida que entio a transporta. Foi Maxwell que previu a existéncia das ondas de radio ao for- mular as equagdes que mostravam que ndo apenas a luz era formada por ondas eletromagnéticas, mas que existiam ondas de todas as fre- quéncias possiveis no espectro. Assim, todo espectro abaixo da luz visivel e do infravermelho poderia conter ondas com as mesmas pro- priedades assim como as frequéncias acima do espectro visivel, pre- vendo assim a existéncia também dos raios ultravioleta e raios X. 1.3 - Freqiiéncia, periodo e comprimento de onda - sendide Oniimero de vezes em que os ciclos de oscilagdes de uma carga ou de uma corrente ocorre em cada segundo nos da a freqiiéncia da onda eletromagnética, Esta freqiiéncia é medida em Hertz (Hz), sendo comum 0 uso de seus miltiplos: kHz = Quilohertz = 1 000 Hz MHz = Megahertz = 1 000 000 Hz GHz = Gigahertz = 1 000 000 000 Hz ‘THz = Terahertz = 1 000 000 000 000 Hz O tempo que demora para que uma oscilagao se complete é me- dido em segundos, sendo comum o uso de seus submiiltiplos: ms = milissegundo = 0,001 s Hs =microssegundo = 0, 000 001 s rns = nanossegundo = 0,000 000 001 s Ps = picossegundo = 0,000 000 000 001 s 4 NEWTON C. BRAGA As variagdes da amplitude de uma onda eletromagnética se faz de acordo com uma fungao senoidal, assim representamos estas ondas por figuras chamadas sendides Quando uma onda senoidal se propaga, podemos medir a dis- tancia que se encontra um ponto de determinada intensidade com 0 ponto equivalente da onda produzida em seguida. Esta distancia, nos da 0 comprimento de onda, conforme mostra a figura 5 Figura 5 — 0 comprimento de onda é a distancia entre dois pontos de ‘mesma intensidade amplitude. O comprimento de onda pode ser calculado facilmente a partir da frequéncia e da velocidade de propagagio. Representando por (lambda) 0 comprimento de onda, por v a velocidade de propagaciio e por fa frequéncia temos: V=1.fou vif ‘Veja que as unidades devem observadas. 0 comprimento de onda sera obtido em metros quando a velocidade de propagagao for dada em metros por segundo ea frequéncia em hertz. Assim, v sera de 300 000 000 mis para o caso das ondas eletromagnéticas. Da mesma forma podemos definir 0 periodo de uma onda como uma grandeza numericamente equivalente ao inverso da frequéncia, ou: T=. Por exemplo, para uma frequéncia de 1 MHz, temos um peri- odo de: T=1/10° Ou T= 10° segundos ou 1 microssegundo (1 1s) Para uma onda eletromagnética podemos associar uma quanti- dade minima de energia transportada, denominada “quantum” ou pa- cote. Assim, a energia associada a um ciclo de um sinal corresponde a0 minimo que ele pode transportar e est diretamente associada 4 sua freqiéncia 15 Teoria Quantica A Teoria da Relatividade de Einstein se mostrou apta a explicar a maioria dos fenémenos fisicos de nosso universo, mas com 08 avangos nas pesqui sas atdmicas que pas- saram a descrever um ovo universo de parti- culas cada vez menores, essa teoria nao mais era suficiente para descre- ver muitos fendmenos. Assim, surgiu uma “nova fisica® para explicar esses fenémenos em escala quantica, ou seja, a Fisica Quantica. Foi Max Planck que em 1900 apresen- tou uma nova teoria, que explicava os fendmenos em escala atOmica e su- batémica. Essa teoria ex- plicava porque um corpo excitado mudava a cor de sua emisséo de ondas eletromagnéticas, pela adogao da idéia de que existiram particulasmi- nimas de energia, como no caso dos atomos para a matéria, 0 que passou a denominar quantum (plural quanta). Hoje ten- ta-se unificar a Teoria da Relatividade com a Teo- ria Quantica de modo a se obter uma fisica Gni- ca que explique todos os fendmenos. A teoria das Supercordas parece ser um caminho para isso. Ze ‘Max Planck (23 de abril de 1858 — 4 de outubro de 1947) TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES 1.4 - Fase Podemos associar as oscilagées de uma carga ou de uma cor- rente que gera uma onda eletromagnética ao movimento de uma roda. Um ciclo corresponde a uma volta desta roda. Assim, é comum fazer- ‘mos a indicagdo do instante em que o sinal produzido se encontranum ciclo por um Angulo que varia de 0 a 360° . Este Angulo é denominado fase ou Angulo de fase, conforme mostra a figura 6 C > Figura 6 —A fase de uma onda eletromagnética ou de um sinal que a gera (corrente) pode ser indicada através de um Angulo, denominado angulo de fase, Na figura sinais com diversas fases, indicadas pelos seus Angulos ‘Também utilizamos o conceito de fase para indicar quando dois sinais esto ou nao sincronizados. O sincronismo ocorre quando as variagdes dos dois sinais ocorrem ao mesmo tempo, Assim, a diferen- a de fase entre dois sinais pode ser indicada através de um Angulo, conforme mostramos na figura 6. 1.5- O espectro eletromagnético Podemos produzir ondas eletromagnéticas de qualquer freqién- cia. O conjunto de todas as freqiiéncias de ondas eletromagnéticas que podem ser produzidos recebe o nome de espectro eletromagnético. O espectro das ondas eletromagnéticas é continuo, ou seja, podemos ter qualquer valor intermediario entre dois quaisquer que sejam escolhi- dos neste espectro, De acordo com as freqiiéncias, as ondas possuem propriedades distintas podendo, por este motivo, ser aproveitadas de formas dife- rentes. Assim, € comum fazermos a divisio do espectro em faixas, conforme mostra a figura 7. Observamos neste espectro que existem ondas que podem ser recebidas por sensores em nossos olhos. Estas ondas correspondem a luz visivel. 16 NEWTON C. BRAGA CComprimento de onda (m) Réalo Meroondas IR Vistel «= UY RaWoeX alos Gama w we Fs wot wi aot NINA ee ene wot wot 1a}? wos 0% gle 10 Freqoéncla Figura 7 — O espectro eletromagnético Para as telecomunicag6es, interessa-nos em especial a faixa de- nominada das “radiofreqiiéncias” (radio e micro-ondas) que vai apro- ximadamente entre 3 kHz e 30 GHz e que tem a seguinte divisao: ULF- 300 Hz a 3 kHz — Ultra Low Frequency ou Frequéncias Ultra Baixas- comprimentos de onde entre 1 000 km e 100 km — estas ondas podem penetrar profundamente na agua e sua propagagio se faz junto a superficie da terra. VLF — 3 kHz a 30 kHz Very Low Frequency ou Frequéncias Muito Baixas— comprimentos de onda entre 100 000 e 10 000 metros —o modo mais comum de propagagao desta onda € junto a superficie da terra LF — 30 kHz a 300 kHz — Low Frequency ou Baixas Freqi- éncias — comprimentos de onda entre 10 000 metros e 1 000 metros — neste tipo de onda a propagagaio é junto ao solo. MF - 300 kHz a 3 MHz — Medium Frequency — Médias Fre- quéncias — comprimentos de onda entre 1 000 metros e 100 metros — 0 modo mais comum de propagagao é pela refracdo na ionosfera, principalmente a noite HF - 3 MHz a 30 MHz - High Frequency — Altas freqtiéncias —comprimentos de onda entre 100 metros ¢ 10 metros — a propagagao mais comum é pela refragio na ionosfera VHF — 30 MHza 300 MHz — Very High Frequency ou Frequén- cias Muito Altas — comprimentos de onda entre 10 metros e 1 metro. —a principal forma de propagacao é através da onda direta e através, de linhas de transmissao (cabos), v TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Frequéncias muito baixas As ondas de frequéncias muito baixas, abaixo de 3 kHz conseguem penetrar profundamente na agua. Assim, existem sistemas de comunicagées de fre- quéncias tao baixas como ‘kHz que 880 utilizados para comunicagées com submarinos. | I | | Antena do transmissor em Grimeton operando em 17,2 kHz, Divisao do espectro Se bem que haja uma di- visdo muito bem estabele- cida entre as diversas fai- xas, as propriedades dos diversos sinais destas fai- xas nao sofrem uma tran- sigdo rapida. Na verdade, como no existe uma di- visio real, podemos di- zer que numa frequéncia limite de uma faixa, por exemplo, entre 29 ¢ 31 MHz, 08 sinais terao tanto as proptiedades da faixa de HF como VHF. UHF - 300 MHz a 3 GHz — Ultra High Frequency ou Freqiién- cias Ultra Altas — comprimentos de onda entre I metro € 10 cm —a propagagao se faz principalmente pela onda direta e por cabos. SFH -3 GHz a30 GHz — Super High Frequency ou Frequéncias Super Altas — comprimentos de onda entre 10 cm e 1 cm.-a principal utilizagao ¢ através da onda direta e por guias de onda EHF ~ 30 GHz a 300 GHz ~ Extra High Frequency ou Freqii- éncias Extra Altas — comprimentos de onda entre I cm e I mm.- neste caso 0 principal modo de utilizagao pela onda direta e através de guias de onda. Acima desta faixa temos jé o que se denomina radiagaio infra- vermelha, depois a faixa visivel e dos raios ultravioleta, Estas ondas também podem ser utilizadas em sistemas de telecomunicagdes, tanto pela propagacio em linha direta, como também através de fibras 6p- ticas Na figura 8 temos a di sto do espectro de radio. 0.003 MHz ur 0.03 MHz “ e 0.3 MHz we 3 MHz 1 30 MHz 300 MHz we one 3.000 MHz ori 30.000 MHz on 300 000 Miz Figura 8 — O espectro das radiofrequiéncias, ‘As caracteristicas dos sinais nestas faixas determinam sua apli- cagiio em sistemas de telecomunicagdes, conforme veremos mais adiante 1.6 - Amplitude e polarizacio ‘A intensidade de um sinal é dada pela sua amplitude. Esta am- plitude pode ser medida de diversas maneiras. Podemos medir a am- plitude em volts, dB, watts, etc., conforme mostra a figura 9. 18 Wn 070 ag0iv Figura 9 ~ Medida da amplitude de uma onda eletromagnética. Nesta figura Vims ¢ 0 valor de pico, Vp-p é 0 valor pico a pico € Vp o valor de pico. Observe que o fator 0,707 corresponde a metade da raiz quadrada de 2 que ¢ 1,414 Ao serem emitidas, as ondas apresentam uma orientagao deter- minada para os campos elétrico e magnético. Esta orientagao ¢ dada pelo campo elétrico, conforme mostra a figura 10, Polarizacao vertical Polarizagao horizontal Figura 10 —Polarizagao vertical ¢ horizontal de uma onda eletromagnética A polarizagio de uma onda eletromagnética é determinada pela forma da antena, ou seja, pela orientagdo de suas partes. Esta polari- zagio também vai determinar 0 modo como devem ser dispostos os elementos do sistema que vai receber estas ondas, ou seja, a antena receptora 19 NEWTON C. BRAGA Outras polarizacées Conforme veremos ao longo do curso, existem outras formas de se po- larizar uma onda e néo apenas horizontalmente ou verticalmente, 0 que nos leva a diversos tipos importantes de antenas, largamente usadas em telecomunicagées TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES 1.7 - Propriedades das ondas — velocidade, reflexiio, refracio e di- fracio. ‘As ondas eletromagnéticas no precisam de um meio material para se propagar, Assim, no vacuo sua velocidade aproximada é de 300 000 km/s. No ar e em outros elementos em que a densidade é maior, sua velocidade é menor. A propagagao destas ondas se faz em linha reta. Um fato importante a ser considerado é que duas ondas ele- tromagnéticas podem se cruzar sem se interferir. O que denominamos interferéncia, na realidade ocorre quando duas ondas so recebidas por um sistema e os sinais resultantes podem causar um fendmeno de interferéncia, que ser analisado mais adiante neste capitulo. ‘As ondas eletromagnéticas podem ser refletidas por objetos cujas dimensGes sejam proximas ou maiores do que seu comprimento. Assim, para objetos muito pequenos no ocorre a reflexo enquanto que para objetos maiores a reflexdo é mais intensa Um outro fendmeno relacionado com a propagagio das ondas eletromagnéticas é da refragdio. Quando as ondas passam de um meio para outro ¢ as caracteristicas fisicas destes meios é diferente, por exemplo, a densidade, ocorre uma mudanga da diregdo de propaga- do, conforme mostra a figura 11 Bolsa de ar ‘uente Retragdo topostéica Horzonte visual ‘Curvature de ‘As ondas chegam mals tera Jonge gracas @ ehaca0 Figura 1 —Refragdo de sinais que ocorre na atmosfera quando eles passam por camadas de densidades diferentes. Este fendmeno possibilita um aumento do alcance dos sinais em relagdo ao horizonte visual. ‘A difragdo, por outro lado, é um fendmeno que ocorre quando sinais passam por aberturas ou pela quina de objetos. Neste caso, as aberturas ou quinas se comportam como pontos de irradiagao secun- daria do sinal, difundindo-o, conforme mostra a figura 12 Figura 12 — Efeito de uma quina de um objeto, causando a refragdo.0 sinal pode ser recebido mesmo atras do morro. 20 NEWTON C. BRAGA Este efeito é interessante, pois possibilita a recepgao de sinais de VHF e UHE por tras de morros, bastando apontar as antenas para as quinas do morro onde ocorre a refrago, ou ainda de prédios ou outras construgdes. 1.8 - Propagacao— ondas terrestres, ionosféricas e ondas diretas Conforme ja explicamos, as ondas eletromagnéticas, na faixa das radiofrequéncias, tém comportamentos diferentes, conforme sua freqéncia, Assim, uma onda se propaga de trés formas diferentes pelo espago. Quando emitidas por uma antena, as ondas apresentam trés componentes que podem estar presentes em maior ou menor inten- sidade, conforme o comprimento de onda ou freqiiéncia. Assim, para as ondas abaixo de 3 MHz, predominam as ondas terrestres, enquanto que para as ondas entre 3 e 30 MHz predominam as ondas diretas e as ondas ionosféricas, também chamadas espaciais. Acima de 30 MHz predominam as ondas diretas, conforme mostra a figura 13 A 8 Figura 13 - Modos de propagagao das ondas de radio. Observe que as ondas espaciais podem sofrer o fendmeno da refragdo na ionosfera ou simplesmente “escapar” para o espaco. Da mesma forma, as ondas diretas também podem softer a refragao tanto na ionosfera como em camadas de diferentes densidades da troposfe- ra Ondas terrestres — a propagagio neste caso ocorre junto a0 solo ou a superficie do mar, aproveitando a sua condutividade. As ondas terrestres sGo utilizadas em comunicagdes a distncias até 1 000 km com 0 emprego de transmissores de alta poténcia, Neste modo de propagagdo, a atenuagao é pequena e nao existe uma influéncia muito grande das variagdes de tempo ou ao longo do dia pela presenga do sol ai Influéncia do sol Aatividade solar tem uma influéncia. muito grande na propagagao dos sinais de radio, principalmente nas faixas que dependem da_ionosfera. Emitindo particulas _eletricamente carregadas, o sol faz com que as propriedades da ionosfera mudem. Esse fendmeno pode ser ob- servado ao longo do dia e nas épocas em que ocor- rem as chamadas tem- pestades solares. TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Terremotos e ULF Pouco antes do terremoto de 2004 no Haiti, o satélite francés DEMETER detec- tou sinais intensos na fai- xa de ULF (Ultra Low Fre- quency) entre 0,01 Hz a 10 Hz. Em 1989, também foram detectados estes sinais pouco antes de um terremoto. Os cientistas acreditam que sensores nesta faixa possam ser uteis como detectores sis- micos. O fenémeno tam- bém pode estar associa- do ao fato de que alguns animais podem detectar esses sinais, sendo entdo alertados sobre a ocor- réncia de um terremoto. Ondas espaciais ou ionosféricas — pode-se utilizar este modo de propagagao para atingir grandes distincias utilizando-se a refra- fo na ionosfera e a reflexio no solo, No entanto, esta modalidade de propagagao esta sujeita a influéncias das variagdes da ionosfera que ‘ocorrem ao longo do dia ‘Ondas diretas — neste caso as ondas atingem um pouco além do horizonte visual devido a refragio e até mesmo mais pela difracio, O alcance destas ondas est bastante influenciado pela presenga de obs- taculos. Em outras palavras, para este tipo de onda, a antena receptora deve estar na linha visual da antena transmissora, 1,9 - Atenuacio, ruidos e interferéncias Quando um sinal se propaga através de um meio, ocorre uma absorgio da energia que ele transporta e com isso progressivamente perde sua intensidade diminui, Dizemos, nestas condigdes, que ocorre uma atenuagio, Esta atenuagio é medida em valores logaritmicos, 0 que nos leva a indicagao da atenuagdo em dB (decibéis) Outro fator que influi na transmiss4o de sinais é a presenga de ruidos. Definimos ruido como sinais que nao possuem um padrao de freqiiéncias, espalhando-se de maneira aleatéria e uniforme através do espectro, conforme mostra a figura 14. 1 tequinda 10 300s Figura 14 ~ Espectro de um ruido. Os ruidos podem ter diversas origens. As naturais so as des- cargas atmosféricas, a agitagao térmica dos étomos dos materiais que formam o circuito receptor, etc. As de origem de artificiais vem dispo- sitivos criados pelo homem que geram estes sinais quando funcionam, tais como motores, maquinas de solda, contactos elétricos, sistemas de ignigao de automéveis, etc. Os ruidos podem influir na recepgao dos sinais tanto afetando a sua integridade como também encobrindo- ‘os completamente. 22 NEWTON C. BRAGA As interferéncias so sinais de frequéncias fixas ou definidas que podem tanto ser gerados por fendmenos naturais como arti mente e que ao se sobrepor a um sinal que deve ser recebido, causam alteragdes que afetam sua utilizagao. Interferéncias naturais sio as causadas por fendmenos como a emissio do som que se concentram em determinados pontos do espectro. Artificiais sao as causadas por equipamentos construidos pelo homem como radio transmissores, in- versores de freqiiéncia, fontes chaveadas, equipamentos de uso mé- dico, ete, Também denominamos interferéncia 0 fendmeno que ocorre quando dois sinais de frequéncias diferentes se encontram num local do espago. Neste caso, em cada ponto do espago considerado temos a soma algébrica das intensidades do sinal. O resultado disso é 0 apa- recimento de dois novos sinais cujas frequéncias so a soma e a di- ferenga dos sinais originais, Estes sinais resultantes so denominados “batimentos”. A figura 15 mostra 0 que ocorre. Figura 15 - O fenémeno da interferéncia, gerando sinais denominados “batimentos” Na figura, em (c) temos a diferenga ou batimento das freqiién- cias a) eb), 1.10 - Ondas estacionsrias Um fenémeno importante para as telecomunicagdes ocorre quando duas ondas de mesma freqiiéncia, propagando-se em sentidos contrarios interferem uma na outra. Como a freqliéncia é a mesma, 0 batimento resultante é nulo e com isso aparecem pontos fixos de mé- ximos e minimos que ficam estacionarios, ou seja, mantém o mesmo lugar no espago, conforme mostra a figura 16, 23 Definigdo de ruido Existem diversos tipos de ruidos. O Ruido Branco 6 aquele cuja amplitude dos. sinais se mantém constante ao longo do es- pectro. © Ruido Rosa é aquele em que a amplitu- de diminui com a frequén- cia. Os ruidos sao muito importantes em Telecom, Nao apenas por terem efeitos indesejaveis como também porque podem ser usados com finalida- des ttels. Ruidos podem ser injetados deliberada- mente em determinados sistemas para melhorar seu desempenho, TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Figura 16 ~ Ondas de mesma freqiiéncia propagando-se em sentidos con- trarios criam maximos e minimos. Nesta figura mostramos como exemplo, uma corda vibrando em metade do comprimento de onda, um comprimento de onda, 1,5 com- primentos de onda e dois comprimentos de onda, formando assim di- versos pontos de maximos e minimos. Neste caso, as ondas refletidas tém a mesma intensidade do que as incidentes e assim os pontos de minimo so nulos. Na pratica, se a onda refletida for menos intensa, os pontos de minimos nao serdo nulos Quando esse fendmeno ocorre com ondas de ridio refletindo- se num obstaculo, por exemplo, no ponto de minimo a recepgao sera nula ou muito afetada e deslocando-se apenas alguns centimetros ou metros o receptor ja estar num ponto de maximo com boa recepgao. ‘Nas linhas de transmissio quando a reflexdo ocorre e formam-se ondas estacionarias, a energia do transmissor nao é totalmente trans- ferida para a antena, ocorrendo diversos tipos de problemas que vio desde a ineficiéncia do sistema até a sobrecarga dos dispositivos de saida do proprio transmissor. A presenga de ondas estacionaria deve ser minimizada nos sistemas de transmisso, Sua medida é dada pela ROE (Relagao de Ondas Estacionarias) ou SWR (Standing Wave Ra- tio) que deve ser mantida o mais préximo quando seja possivel de 11 1.11 - Aleance Para as diversas modalidades de propagagao é dificil calcular 0 alcance de uma onda dada a grande quantidade de fatores que podem influir nisso, Muito mais facil é calcular o alcance de uma onda direta que esté determinado apenas pela altura da antena transmissora e pela curvatura da terra, conforme mostra a figura 17. 24 NEWTON C. BRAGA Neantra da Figura 17 — 0 aleance pode ser caleulado facilmente levando-se em conta as propriedades do tridngulo reténgulo mostrado na figura Nesta figura, h éa altura da antena, d a disténcia alcangada pelo sinal na linha visual, e R 0 raio da terra. Usamos para todas estas gran- dezas 0 metro como unidade. A formula obtida sera entao: d= Rh Para o caso em que a antena receptora também esta assim do solo, conforme mostra a figura 18, o alcance ser maior. \V Neona da Figura 18 — Como calcular 0 aleance no caso da antena receptora também estar clevada. Neste caso, basta considerar os dois triangulos formados e so- mar os resultados d1 e d2. Podemos entio escrever a formula: a =J2Rhl + J2Rh2 Na pritica considerando-se os efeitos da difragio e da refragao, o alcance pode ser até uns 15% maior do que o valor calculado. 25 TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Par trangado © par trangado pelo seu baixo custo tem sido bas- tante usado numa grande quantidade de aplicagdes que envolvem desde a te- lefonia coma transmissao de voz num sistema ana- \6gico até informacdes digitais, como 0 acesso a iternet. © detathamento do fun- cionamento das _linhas de transmissao & feito no segundo volume de nos- 0 Curso de Telecomum - Linhas de Transmissao ¢ Fibras Opticas. 1.12 - Linhas de transmissio Os sinais de altas freqiiéncias que transportam informagdes po- dem ser enviados através de meios fisicos, ou seja, conjuntos de con- dutores. Estes meios fisicos podem ser utilizados para transmitir os sinais de um transmissor a uma antena ou de um transmissor a. um receptor. Estes meios fisicos so denominados linhas de transmissio. Um condutor ou um conjunto de condutores utilizado como li- nha de transmisso apresenta propriedades especificas que influem no modo que o sinal se propaga. Assim, de grande importancia para o estudo das telecomunicagdes é saber como os diversos tipos de dis- posigdes de condutores, ou seja, as formas das linhas de transmis- sfo influem nos sinais. Assim, passamos a rever as caracteristicas dos principais tipos de linhas de transmissao. tipo mais simples de linha de transmissio é a formada pelo par paralelo ou par trangado cuja impedancia é de 600 ohms. Este tipo de linha de transmissio é bastante usado para dados e telefonia, mas. impréprio para transmissao de sinais de alta poténcia pelo fato de irra- diar estes sinais. Este tipo de linha nao é blindado Mais utilizado é 0 cabo coaxial que apresenta impedancias de 50 2.95 ohms, conforme o tipo. Este tipo de linha pode operar com sinais intensos e nao apresenta perigo de irradiar ou captar interferéncias. Na figura 19 temos a construgo de um cabo deste tipo. Condor tena leolmant interne Figura 19 — O cabo coaxial. Para frequéncias muito altas, na faixa das SHF é comum a uti- lizagdo de guias de onda para a transmissio dos sinais. Estas guias se comportam como canalizagdes para as ondas e no para os sinais, elétricos correspondentes, 1.13 - Antenas - tipos, polarizagio, ganho e diretividade Aantena é um elemento de interfaceamento que transfere para © espago, na forma de ondas eletromagnéticas os sinais gerados pelo transmissor, ou entdo capta as ondas eletromagnéticas, transferindo os sinais gerados para o circuito receptor. No transmissor, a antena converte os sinais de altas frequiéncias gerados pelo transmissor em 26 NEWTON C. BRAGA ondas de mesmas caracteristicas. No receptor, a antena gera correntes de altas frequéncias quando intercepta as ondas eletromagnéticas O tipo mais comum de antena transmissora é 0 dipolo. Quan- do aplicamos a esta antena um sinal, aparecem campos elétricos ¢ magnéticos. Se analisarmos 0 que ocorre nesta antena, veremos que a corrente ¢ tensio ao longo dos elementos condutores que formam a antena se distribuem de maneiras diferentes, conformemostrado na figura 20. — = — tenséo Figura 20 - Tensio ¢ corrente num dipolo. Por esta figura vemos que se as dimensdes da antena correspon derem 4 metade do comprimento da onda (L/2), a tensao sera maxima na extremidade e a corrente minima. Este comportamento é justamen- te caracteristico de um circuito ressonante em que temos uma carac- teristica puramente resistiva no centro da antena, sem componentes indutivas ou capacitivas, pois a reatincia capacitiva Xe e a reatancia indutiva XL se cancelam Esta caracteristica resistiva pode ser calculada resultando na im- pedancia da antena que é de 73 ohms. No entanto, para maior facilida- de de utilizagao, o valor adotado nos célculos é 75 ohms. Lembramos que a impedancia de uma antena ou de qualquer dispositivo que deva receber ou transmitir sinais € muito importante em qualquer projeto. $6 ocorre a maxima transferéncia de energia de um transmissor para uma antena, por exemplo, quando as suasimpedancias sao iguais, Como a finalidade de uma antena é transferir para o espago 0 maximo de energia quando utilizada num transmissor, a sua constru- Go deve ser tal que isso ocorra. Assim, os diversos tipos de antena que existem visam nao apenas esta caracteristica como também a pos- sibilidade de concentrar energia com maior intensidade numa deter- minada diregao. Isso nos leva ao conceito de ganho de uma antena ‘Uma antena é um elemento passivo de um circuito de transmis- slio ou de recepeao de sinais, isto é, ela nao amplifica os sinais, Neste caso entio, o conceito de ganho tem um significado diferente. O termo ganho, para uma antena, é utilizado para designar sua capacidade de transmitir ou receber com mais facilidade os sinais numa determinada dirego. Desta forma, se a antena irradia os sinais com a mesma inten- 27 TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES (*) Em algumas publica- ges técnicas antigas encontramos 0 termo omnidirecional para este tipo de antena, ‘onde omni em latim sig- nifica todas. sidade em todas as diregdes, ou seja, ela ¢ uma antena onidirecional (*), conforme mostra a figura 18, podemos dizer que esta antena tem ganho unitario e ela pode servir de referéncia para comparagao com antenas que podem concentrar os sinais em uma determinada diregao, se forem transmissoras, ou receber melhor os sinais que venham de uma certa diregdo, se forem receptoras. 20 00 370 Figura 21 ~ Uma antena onidirecional transmite (ou recebe) os sinais de todas as diregdes com a mesma intensidade. Se uma antena consegue concentrar duas vezes mais energia numa determinada diregdo do que uma antena onidirecional tomada como padrao, entdo esta antena tem um ganho. Usando como referén- cia o dB, a antena padro teria um ganho nulo (0 dB). Partindo entio desta antena como referéncia podemos escrever uma formula logarit- mica para o ganho de uma antena: G(dB) = 10 log (P1/P2) Onde: G € 0 ganho da antena em dB Log € 0 logaritmo na base 10 PI €a poténcia da antena considerada em mW P2 éa poténcia da antena padraio em mW Podemos dar como exemplo uma antena que irradia 20 W numa determinada diregio enquanto a que a antena padrao irradia 1 W na mesma diregao. O ganho desta antena serd G= 10 log (20/1) = 17 4B Para uma antena receptora a comparagao é feita entre a intensi- dade que ela recebe o sinal de uma determinada direcao e a intensida- de que a antena padrao recebe mesmo sinal. Na figura 22 mostramos © diagrama tipico de diretividade de uma antena onde podem ser ob- servados na plotagem os ganhos em diversas diregdes. 28 NEWTON C. BRAGA Figura 22 — Diagrama de ganhos de uma antena direcional, Observe que este diagrama mostra alguns lébulos laterais que sto comuns nas antenas reais. Na pritica, entretanto, algumas ante- nas produzem padrdes bastante complexos com lébulos em diversas, diregdes, atestando neste caso a irradiagdo em diregdes nem sempre desejaveis Este diagrama e o proprio conceito de ganho nos permitem falar em diretividade de uma antena como sua capacidade de concentrar si- nais em uma determinada diregao. A diretividade de uma antena ¢ de- terminada pelo modo como ela ¢ construida, ou seja, pela disposi¢a0 de seus elementos. O diagrama de ganhos é também um diagrama de diretividade. Na figura 23 temos uma outra maneira de se representar © ganho de uma antena, diregao de malor lobulo maior —_rradiagéo menores Figura 23 —A diretividade de uma antena é a capacidade dela concentrar os sinais numa determinada diregao. Observe que nesta representagao no temos a indicagao do ga- ho na diregdo em que o sinal é concentrado. Como as antenas reais nao irradiam toda a sua energia na di- rego desejada, mas também em outras diregdes, formando lébulos indesejaveis, como vimos na figura, em alguns casos é conveniente termos uma idéia da quantidade de energia que ¢ irradiada na diresa0 contraria 4 orientagdo da antena, Isso nos leva a definir 0 que se deno- mina “relagdo frente/costa” de uma antena, Trata-se da relagao entre a intensidade dos sinais irradiados na dirego da orientagao da antena (frente) e na diregao contraria (costas) ou A/B, conforme mostra a figura 24. 29 TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES B A—— Figura 24 — Relagao frente/costas de uma antena ‘Uma outra caracteristica importante de uma antena é a sua pola- tizagao. Conforme vimos, uma onda eletromagnética possui compo- nentes magnética e elétrica que s4o perpendiculares entre si. Quando esta onda é irradiada, o sinal avanga segundo uma certa orientagao que depende da construgio da antena. Para receber de forma apropriada estes sinais, a antena receptora deve ter uma disposigdo de elementos que corresponda a orientagdo destes sinais. Dizemos ento que as antenas possuem polarizagdes que devem ser observadas quando da sua instalagao, Se uma antena tem uma po- larizagao vertical, por exemplo, a antena receptora deve ter a mesma orientagdo, conforme mostra a figura 25 campo wlitrico e campo magnétics tirecdo de propagagso antena Figura 25 — Polarizagdo vertical de uma antena Existem diversos tipos de polarizagdo possiveis, além da ho- rizontal e vertical que so as mais comuns. Por exemplo, é possivel gerar padrdes de polarizagao na antena transmissora que mudam cons- tantemente, possibilitando 0 uso de antenas receptoras com qualquer posicionamento. Isso ocorre, por exemplo, com a denominada “pola- rizagao circular”. tipo mais simples de antena é aquela formada apenas por ele- ‘mentos que irradiam ou recebem os sinais. Estas antenas possuem al- guns formatos basicos que determinam tanto a polarizagaio como sua diretividade. No entanto, podemos melhorar 0 desempenho de uma antena, aumentando sua diretividade ou ainda dotando-a de determi- nado tipo de polarizagao, utilizando elementos adicionais. Assim, de acordo com a disposigao dos elementos, quantidade dos elementos, 30 padres de irradiagao, existem diversos tipos de antenas. Nas antenas comuns encontramos normalmente trés tipos de elementos: Os elementos irradiantes ou ativos so os que transferem os si- nais do transmissor para 0 espago ou que interceptam os sinais que devem ser recebidos. Os elementos refletores refletem os sinais em dirego aos elementos ativos ou os sinais dos elementos ativos para uma determinada dirego enquanto os elementos diretores dirigem os sinais para os elementos ativos ou ajudam a concentrar os sinais numa certa diregaio, conforme mostra a figura 26. EFL DIR.4 DIR.3 DIR.2 DIRT PE Figura 26 — Os elementos de uma antena, Na antena mostrada na figura 22 temos 4 elementos diretores, um elemento refletor e um elemento irradiante ou ativo. Os tipos mais comuns de antenas sfo: a) Dipolo de Meia onda Conforme ja vimos, o dipolo de meia onda é formado por dois condutores que, esticados, cobrem um comprimento igual a metade do comprimento da onda do sinal que deve ser transmitido ou recebi- do. O diagrama de diretividade desta antena é dado na figura 27 31 NEWTON C. BRAGA TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES ciregéa da iradiagSo Antena Figura 27 — Diagrama de diretividade de um dipolo de meia onda Conforme podemos ver, ela irradia com a mesma intensidade em diregdes opostas, apresentando, portanto ganho nestas diregSes, A impedancia do dipolo de meia onda é de 75 ohms b) Dipolo dobrado dipolo dobrado um tipo de antena cuja forma e dimensoes sto mostradas na figura 28, O diagrama de diretividade desta antena 6 bastante semelhante ao dipolo de meia onda e sua impedancia é de 300 ohms. Este tipo de antena é bastante utilizado para a recepgao de sinais de TV. meio comprimento de onda entrada ou caida do sinal Figura 28 - Dipolo dobrado ‘A distancia d que separa os elementos condutores corresponde a0 comprimento de onda dividido por 12,6. ) Yagi Nesta antena temos elementos ativos, um elemento refletor diversos elementos diretores. O nimero de diretores determina sua diretividade e portanto seu ganho. A antena da figura 22 é uma antena yagi. Sua impedancia tipica é de 50 ohms. 32 d) Helicoidal Trata-se de um tipo de antena muito utilizado em sistemas de comunicagao por micro-ondas dadas as dimensdes que o elemento helicoidal deve ter. Na figura 29 temos um exemplo de antena heli- coidal Figura 29 ~ Antena helicoidal O espagamento entre as espiras (s) deve ser de % do compri- mento de onda com que a antena trabalhar e a dimensdo D, didmetro da espiras corresponde a 1/3 do comprimento de onda. O Diametro do refletor é de 80% do comprimento de onda. ) Plano-terra Um tipo de antena bastante empregada em sistemas de teleco- municagdes é a plano-terra que possui uma impedancia de 50 ohms, conforme mostra a figura 30. Figura 30 — Uma antena bisiea plano-terra ‘Aaaltura (a) do elemento central corresponde a % do compri- mento de onda com que a antena trabalha enquanto que os elementos radiais (b) devem ter 0 mesmo comprimento da onda do sinal recebi- do ou transmitido Conforme podemos observar as dimensdes de uma antena sio tanto menores quanto maior for a freqiéncia de operagao. Com a utili- zagaio crescente das faixas superiores do espectro a tendéncia é de que as antenas sejam cada vez menores. Na faixa dos gigahertz, por exem- 3 NEWTON C. BRAGA Antena Parabélica © que se denomina ante- nna parabélica na realidade nao uma antena. Nesse de antena, a concha ‘com uma curvatura para- bélica, na realidade é um refletor, que reflete os si- nais para a antena que se ‘encontra em seu foco. iy | TELECOM - PARTE 1 - RADIOCOMUNICAGOES Para pesquisar: Maxwell Planck Eins Teoria quantica Ondas Landel de Moura Logaritmos. Ondas curtas plo, as antenas se tornam tio pequenas que jé podem ser incorporadas nas placas de circuito impresso, E 0 que ocorre em muitos casos de comunicagdes sem fio portateis como telefones, GPS, etc. Landel de Moura Da mesma forma que existe uma grande controvérsia em relagao a in- vencdo do avido, caso em que os americanos defendem os irmao Wri- ght e nés Santos Dumont, podemos dizer que para o radio existe tam- bém uma boa discussao sobre o assunto. Os russos defendem Popov enquanto que “oficialmente", Marconi é o inventor do radio. No entanto, existem provas de que muitos pesquisadores transmitiram e receberam ‘ondas de radio antes de Marconi. E 0 caso do padre brasileiro Roberto Landell de Moura que enviou si- nais de rédio entre pontos diferentes da cidade de Sao Paulo, antes de Marconi e também teria transmitido a voz e imagens na mesma época sem o devido reconhecimento. ‘Somente agora suas descobertas esto sendo revistas com a atribui- ‘940 do devido valor que possuem. Sugerimos aos leitores interessados que visitem 0 site de Luiz Netto sobre Landell de Moura em http:/www. rlandell.hpg.ig.com.br/ ou ainda que leiam o livro de Hamilton Almeida, Padre Landell de Moura: um heréi sem gloria. “O brasileiro que inventou © radio, a TV, 0 teletipo" (Editora Record). Roberto Landell de Moura ~ Inventor do radio 34