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Geocentrismo e Heliocentrismo

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projeto de artigo sobre geocentrismo e heliocentrismo para seminário de fisica.
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Geocentrismo e Heliocentrismo

A Cosmologia Antiga – A Física de Empédocles e Aristóteles Vinicius Loiola Beserra 1 e Jane Larrissa2
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Discente do Curso de Licenciatura em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Discente do Curso de Licenciatura em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.

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Resumo
No presente artigo mostraremos as idéias cosmológicas de Empédocles e de Aristóteles presentes na antiguidade clássica, e de como essas teorias durante quase dois mil anos, influenciaram a cultura ocidental até que o ela foi derrubada na espreita da revolução da chamada física moderna, onde a Terra deixou de ser o centro do universo. Palavras chave: Geocentrismo, Heliocentrismo, Aristóteles, Empédocles, Cosmologia grega

1. Introdução
Quando olhamos para o céu à noite podemos perceber o brilho das estrelas, suas diferentes posições e até mesmo reconhecer constelações com um olhar mais treinado, contudo é sabido que diferentes civilizações estudaram os céus com diferentes propósitos. Sabe-se que os povos que ocuparam a planície da mesopotâmia, os antigos babilônios elaboraram os documentos científicos mais antigos (cerca de 800 a.C), que se tem conhecimento, como se pode verificar pelos registros contínuos e detalhados, de fenômenos astronômicos tais como, posições dos planetas, eclipses e fases da Lua. Seus métodos de trabalho permitiram até mesmo, cria uma tabela de cálculos onde podiam até mesmo prever: eclipses lunares, o movimento aparente dos planetas e do Sol e das estrelas. Como a astronomia babilônica tinha como objetivo predizer se haveria ou não prosperidade para o rei e para aquela região, ela não chegou a formular um modelo cosmológico, tarefa essa que foi legada os gregos que utilizariam os dados das tabelas da cosmologia babilônica. Embora outras civilizações também tivessem feitos observações cientificas acerca do céu foi na Grécia graças desenvolvimento do método cientifico de investigação que o homem conjecturou vários modelos cosmológicos na tentativa de dar uma explicação racional e cientifica ao Universo.

Vários pensadores gregos se aventuraram nesse terreno, entre eles Homero que escreveu a Odisséia - criador da cosmologia grega primitiva- onde este dizia que “o firmamento tinha a forma de uma bacia sólida emborcada que englobava toda a terra, e com um "aither" (éter) brilhante e flamejante situado acima do "aer" (ar), onde estão as nuvens.”1

Além de Homero, também Hesíodo, Thales, Anaximandro e Anaxímenes de Miletos, Heráclito de Efésios, Anaxágoras, Pitágoras, Platão e Demócrito de Abdera propuseram suas teorias cosmológicas, mas nenhuma delas foi aceita como a de Aristóteles.

2. Empédocles e a cosmologia dos quatro elementos
Para entender a visão do Universo de Aristóteles é necessário que antes, porém falemos sobre a Física de Empédocles, onde existiam quatro elementos da matéria ou raízes usando assim uma metáfora o que na sua visão enfatizava um potencial criativo. Estes elementos terra, ar, éter e água seriam eles capazes de criar todos os seres vivos quando combinados e reunidos entre si nas diferentes formas e proporções. Apesar desses elementos, se combinarem entre si eles mantêm suas características na mistura e cada um deles é eterno e imutável. Sua teoria previa a existência de dois poderes, que eram (Philia) o Amor e a força de dissenção (Neiko) que atuariam como forças na mistura ou a separação desses elementos e essa seria a essência que anima a natureza em seus fenômenos físicos: atração e repulsão. Para Aristoteles essas forças controlariam tudo no universo, desde os mais simples e básicos movimentos como a oscilação de um pêndulo aos mais complexos como os elétrons em órbita no núcleo do átomo, e até mesmo o comportamento das pessoas. Importante salientar que a teoria de Empédocles, é uma tentativa de resposta às teorias de Parmênides conhecida como Monismo Eleata, de um universo imutável e onde nada pode ser criado e nada pode ser destruído. Empédocles transfere a imutabilidade que Parmênides atribuiu ao Cosmos (σύμπαν) para seus quatro elementos, e substitui o mundo estático e singular de Parmênides por uma pluralidade dinâmica. Os quatro elementos correspondem assim rigorosamente à sua expressão ao nível macroscópico da natureza, onde o cosmos está dividido em terra, mar, ar e o éter dos corpos celestes: esses quatro "elementos" do cosmos claramente representam uma divisão fundamental natural da matéria em uma escala maior.

2.1 Amor e Separação no Universo de Empédocles
Como foi dito anteriormente Empédocles postulou uma Teoria onde haveria duas forças cósmicas que atuam sobre os quatro elementos (Terra, éter, ar e água) de forma criativa e destrutiva. Uma dessas forças seria o Amor (Philia) - força de atração e combinação - e a outra seria a Separação (Neikos) a força de repulsão e separação.

Empédocles não nos deixa claro se estas forças cósmicas estão previstas em termos mecânicos ou como seria a descrição disso em termos de fenômenos físicos, ou como expressões das propriedades internas dos quatro elementos, ou ainda como as forças externas que atuam sobre estes.

Também não está claro se essas duas forças (Philia e Neikos) são vistas como seres impessoais, forças físicas ou como divindades inteligentes que agem de forma proposital na criação e destruição no Universo. Agora o que está claro é que essas duas forças estão envolvidas em uma eterna batalha pela dominação do universo em que cada uma delas prevalece vez ou outra, e que por sua vez isso se dar em um infinito ciclo cósmico, embora os detalhes deste ciclo também sejam difíceis de estabelecer. Por exemplo, quando o amor dominar completamente, os quatro elementos se juntam em uma esfera em que, embora os elementos não se fundem em uma única massa, cada um é inseparável dos outros. Essa esfera é, portanto um estado cósmico, lugar no qual nenhuma matéria pode existir, e nenhuma vida é possível. Então, quando Philia (amor, αγάπη) enfraquece gradualmente e o Neikos começa a crescer em poder, os elementos da esfera se separam gradativamente até que haja uma separação suficiente para a matéria passe a existir, daí é o mundo criado e a vida começa a aparecer. Quando Neikos que também é chamado em alguns casos de “o espírito da discórdia” alcançar a dominação total, novamente se obtém um estado cósmico no qual os elementos são novamente reunidos e como conseqüência o mundo e toda a vida é destruída em um turbilhão. Segue se a isso novamente o ciclo cósmico infinito em que o poder de Philia, o amor começa a aumentar reunindo os elementos (Terra, água, éter e ar) novamente, e como isso o mundo e a vida são criados novamente. Então quando o amor alcança o domínio completo, voltamos mais uma vez para a esfera perfeita. O Cosmo assim existira em um estado mudança constante, resultado pelo qual haveria uma certa estabilidade baseada na eternidade dos quatro elementos. Esse mundo está em uma constante situação de evolução biológica, parecendo assim haver duas criações diferentes e dois mundos diferentes que não têm ligação direta entre eles. Segundo a interpretação mais aceita das idéias de Empédocles considera que nós habitamos um mundo que estar sobe o constate poder do Neikos, ou seja, dessa força ímpeto que também pode ser chamada de repulsa ou separação.

3. A cosmologia aristotélica
Como foi dito, vários filós ofos gregos lançaram suas idéias acerca do universo e de como ele seria, mas por quase 2000 anos, as idéias de Aristóteles foram as que perduraram, sem

questionamento e como os únicos pensamentos sistemáticos formulados a respeito dos fenômenos físicos e da estrutura do Universo. Mas ao contrário do pensamento quantitativo da Física moderna que é expressa através da matemática, o pensamento de Aristóteles tinha um cunho qualitativo. No pensamento Aristotélico ciência e filosofia estavam intimamente integradas. Em sua visão cosmológica o Universo estaria dividido em duas regiões distintas: a sublunar, formada pelos quatro elementos herdados da cosmologia de Empédocles – a água, o ar, a terra e o éter e caracterizada por movimentos retilíneos e descontínuos; e a supra lunar constituída pela quintessência “o éter”, e caracterizada por movimentos circulares e contínuos. O aspecto fundamental da Cosmologia Aristotélica era que esse fazia uma distinção radical entre o mundo terrestre e o celeste. A Terra era o domínio da matéria sujeita a toda espécie de mudanças e transformações, opunham-se os corpos celestes, imutáveis, esferas perfeitas, formadas, não como a matéria terrestre, dos quatro elementos mencionados, terra, água, éter e ar, mas de outro elemento, incorruptível, denominado éter ou quintessência. Esses corpos imutáveis tinham apenas movimentos circulares naturais em torno da Terra. Essa consideração de que a natureza dos corpos celestes era imutável estava baseada na experiência humana; Isso porque os homens sempre viam o céu da mesma forma. Portanto, a experiência parecia induzir que se concluísse que o céu não era passível de transformações outras que não fosse o simples deslocamento físico de seus astros. Ainda nessa concepção o céu consiste em dez esferas concêntricas, tendo a esfera da lua o menor raio. No interior dessa esfera, tudo o que está sob a Lua está sujeito à corrupção e à desintegração. Fora da esfera da Lua, tudo é indestrutível.

Dessa forma o movimento dos corpos terrestres se produz como o dos animais, com uma finalidade. Os corpos celestes, por outro lado, são caracterizados pela regularidade de seus movimentos, produzidos pela vontade de Deus. Além das esferas de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter e de Saturno, existe a esfera das estrelas fixas, chamado de Primum Mobile.
Para além do Primum Mobile, não existe movimento, tempo ou lugar. Deus, o Motor Primordial, é ele próprio imutavel, produz a rotação do Primum Mobile que transmite seu movimento para a esfera das estrelas fixas e esse movimento é transmitido até a esfera da Lua: essa é a concepção do mundo cristão da Idade Média, herdada de Aristóteles. A física de Aristóteles, era um conjunto de idéias coerente do ponto de vista lógico e construído para descrever os movimentos de nossa experiência de todos os dias: um corpo pesado cai para baixo; a chama se move para cima. Para Aristóteles, cada corpo tem um lugar determinado no mundo e opõe resistência a qualquer esforço que tende a retirá-lo daquele lugar. Daí, a idéia de movimento como resultado de uma violência (Neikos) e, uma vez cessada a violência, os corpos em movimento voltam ao repouso, isso em termos modernos, podemos dizer que a dinâmica de Aristóteles define a força como sendo a impulsão.

Para Aristóteles, o vazio não existe pois no vazio, assim como no espaço geométrico, não existem lugares nem direções privilegiadas. Portanto, as figuras geométricas não podem descrever os corpos materiais: a física não pode ser descrita pela matemática. Nesse caso seria até mesmo perigoso, segundo ele, misturar física e geometria, e aplicar o raciocínio matemático ao estudo da realidade física.

4.1 Uma crítica a Aristóteles e a queda do geocentrismo
Mas a teoria de Aristóteles não poderia resistir durante muito temp o. Seus críticos e adversários chamavam a atenção para o fato de que o movimento continua, mesmo quando a força, ação motriz essa que lhe deu origem cessar. Dentre eles, citemos Leonardo da Vinci, Benedetti e Galileu (séculos XVI e XVII). Essa crítica produziu a teoria do impetus: ao invés de considerar o ar ao mesmo tempo como resistência e motor dos movimentos, por que não admitir que alguma coisa é transmitida àquilo que se move pela ação motriz, alguma coisa que foi, então, denominada virtus motiva, virtus. Essa critica produziu uma revolução na concepção física do mundo, com a formulação de uma nova linguagem e de uma nova filosofia foram necessárias daquilo que viria a ser física moderna. As idéias de Aristóteles de um Cosmos finito, constituído de um certo número de esferas hierarquicamente ordenada teve de ser substituída pela idéia de um Cosmo aberto, um Universo infinito. Enquanto que no sistema cosmológico de Aristóteles havia lugar para leis aplicáveis ao Céu e leis descritivas apenas das coisas da Terra, na Física Moderna existiria apenas um único tipo de leis, as leis físicas universais, válidas em toda a parte. Essa nova concepção do mundo, ou seja, do universo, adquiriu forma mais precisa a partir de Galileu que estabeleceu, então, a identificação do espaço físico com o espaço infinito da geometria euclidiana, diferentemente de Aristóteles para quem física e geometria não poderiam ser unidas na explicação do cosmos. Já na concepção de Galileu é possível pensar um corpo isolado do resto do Universo, ingrediente do princípio da inércia. Repouso e movimento são, então, considerados como estados em um mesmo nível existencial. Em linguagem moderna, pode-se expressar a equivalência ontológica dos estados de repouso e de movimento retilíneo e uniforme dizendo-se que a mecânica clássica admite que: o repouso não precisa de nenhuma causa para se manter, o mesmo acontece com um movimento retilíneo e uniforme que se deduz do estado de repouso pela aplicação de uma força.

O golpe de misericórdia na cosmologia aristotélica, foi dado por Copérnico em 1543 que retirou a Terra de seu repouso abaixo do Paraíso e lançou-a ao infinito. Entre 1609 e 1619, Kepler formulou as leis de movimento dos corpos celestes, destruindo, portanto, a hierarquia das esferas do Cosmo fechado de Aristóteles. Já Galileu, ao observar o Céu com os primeiros telescópios, revelou novos corpos celestes não previstos no modelo da cosmologia aristotélica. Descobrindo o princípio da inércia, assim como a lei da queda livre dos corpos, dessa forma Galileu legou idéias que levaram a grande síntese de Newton e, como Pitágoras e Platão, declarou que o livro da natureza está escrito em linguagem matemática. Assim o homem saiu de um modelo geocêntrico baseado nas idéias de Aristóteles e entrou no modelo Heliocêntrico concebido graças ao novo modelo científico da física moderna.

Conclusão
A cosmologia de Aristóteles era um sistema eminentemente qualitativo, e que integrado ao seu sistema filosófico, logo a física aristotélica era antes uma metafísica do mundo sensível. Dessa forma os conceitos de valor e finalidade desempenhavam, na Cosmologia de Aristóteles, um papel essencialmente estruturante e sua finitude e sua organização eram determinações físicas indissociáveis de critérios metafísicos. Já as idéias de Nicolau Copérnico ao reduzir a Terra a um planeta móvel como qualquer outro, derrubou a coerência fisico-filosofica da cosmologia de Aristóteles e com isso uma nova física e uma nova cosmologia tornaram-se necessárias para a explicação das questões surgidas deste novo Universo heliocêntrico. Galileu e Descartes instituem a matemática como instrumento da nova descrição da Natureza, dessa física que destrono um sistema cosmológico que era tido como perfeito pela igreja durante vários séculos. Nesse sentido a obra de Newton representou, então, a culminância desse processo de transformação que deu origem ciência moderna que além de destronou a teoria do cosmos de Aristóteles. As principais implicações dessa nova visão foram: o uso da geometria na explicação do espaço, transformado o de um espaço concreto, de partes (lugares) qualitativamente distintas, em um espaço abstrato, que poderia ser representado através de conceitos geométricos; Surgimento da chamada física newtoniana que se tornava assim paradigma da ciência moderna baseada em conceitos de tempo e espaço absolutos e que permaneceu por quase dois séculos, até que foi abalada pela incompatibilidade epistemológica entre os postulados da mecânica clássica e de outro lado da teoria eletromagnética e a investigação do mundo microscópico que daria origem a mecânica quântica.

Referências
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Observatório Nacional – A Cosmologia http://www.on.br/site_edu_dist_2006/pdf/modulo1/cosmologia-grega.pdf 02/05/2010 às 08:30.

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