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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

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A COPEL deseja incentivar o empreendedorismo inovador no Paraná, através de projeto complementar, denominado BEL-i9. O objetivo é a organização de um fórum permanente de discussão sobre o papel das redes no desenvolvimento sustentável do Paraná e a incubação de novos negócios, a serem desenvolvidos em parceria (entre a COPEL, as universidades, os centros de pesquisa e
outras instituições), a partir de produtos e serviços que poderão ser comercializados na própria plataforma tecnológica do BEL.
Para que se dê início a essa ação, convidou-se uma série de profissionais de grande competência, com diversidade de formação, de experiência e de atuação, para a
contribuição com textos, contendo suas recomendações com respeito ao desenvolvimento e a implementação cooperada do BEL-i9.
A COPEL deseja incentivar o empreendedorismo inovador no Paraná, através de projeto complementar, denominado BEL-i9. O objetivo é a organização de um fórum permanente de discussão sobre o papel das redes no desenvolvimento sustentável do Paraná e a incubação de novos negócios, a serem desenvolvidos em parceria (entre a COPEL, as universidades, os centros de pesquisa e
outras instituições), a partir de produtos e serviços que poderão ser comercializados na própria plataforma tecnológica do BEL.
Para que se dê início a essa ação, convidou-se uma série de profissionais de grande competência, com diversidade de formação, de experiência e de atuação, para a
contribuição com textos, contendo suas recomendações com respeito ao desenvolvimento e a implementação cooperada do BEL-i9.

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BEL-i9

:
empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Catalogação na fonte feita por Dagmar Spring – CRB 09/1377 C782 Companhia Paranaense de Energia BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável / Companhia Paranaense de Energia; Marcos de Lacerda Pessoa et al. -- Curitiba: COPEL, 2010. 218 p. Apresentação de Carlos Eduardo Moscalewsky (Superintendente de Telecomunicações da COPEL)

1. Inovação Tecnológica. 2. Incubadora Tecnológica. 3. Desenvolvimento Sustentável. I. Pessoa, Marcos de Lacerda et al. II. Título.

CDD 608.7

COPEL Telecomunicações S. A. DIRETORIA

Rubens Ghilardi
Diretor Presidente

Antonio Rycheta Arten
Diretor de Administração

Paulo Roberto Trompczynski
Diretor de Finanças, Relações com Investidores e de Controle de Participações

Raul Munhoz Neto
Diretor de Telecomunicações

Zuudi Sakakihara
Diretor Jurídico

Moacir Mansur Boscardin
Diretor Adjunto

CONTEÚDO
APRESENTAÇÃO, 7
Carlos Eduardo Moscalewsky

INTRODUÇÃO, 9
Marcos de Lacerda Pessoa

1 Os projetos BEL e BEL-i9: seus propósitos, inovações e benefícios para o desenvolvimento sustentável do Paraná, 13
Marcos de Lacerda Pessoa

2 O projeto BEL-i9 e a incubação no ciberespaço, 25
Roberto M. Spolidoro

3 Inovação, empreendedorismo e incubação de empresas, 31
Sergio Scheer

4 Incubação de negócios em telecomunicações e o desenvolvimento inclusivo paranaense, 41
Roberto Gregorio da Silva Junior Jaime Sunye Neto

5 Sobre os novos projetos que a COPEL Telecomunicações propõe para o desenvolvimento socioeconômico do Paraná, 49
Maria Elisa Ferraz Paciornik

6 Inovação e a sua gestão no contexto do projeto BEL-i9, 53
Ruy Sant’Ana

7 Plataforma para a criação flexível de novos produtos e negócios: o paradigma da inovação aberta, 61
Júlio César Felix Rodrigo G. M. Silvestre

8 Projeto BEL-i9: transpondo o abismo entre academia e indústria, 69
Klaus de Geus

9 BEL-i9: transformando o Paraná em um polo de excelência na era dos conteúdos digitais, 83
Wagner Eric Heibel

10 Co-criação no projeto BEL-i9, 91
Paulo Sertek

11 Proposta de escopo de atividades de gestão do projeto BEL-i9 da COPEL, 101
Marilda Medeiros Packer Felipe Grando Sória

12 Reflexões sobre estratégias para a obtenção de financiamento para o BEL-i9, 107
Yára Christina Eisenbach

13 A gestão da incubadora BEL-i9 com base na visão antropológica da formação do ser, 111
Paulo Roberto Luccas

14 Conceitos para planejamento e gestão dos novos empreendimentos incubados no BEL-i9 e o papel dos stakeholders, 121
Henrique Ricardo dos Santos

15 BEL-i9: ambiente de cooperação e inovação para pequenas e médias empresas do setor de telemática, 127
Cristiane Garbin Langner

16 Aplicações do BEL no ambiente universitário e potencial do BEL-i9 para gerar empreendimentos inovadores, 133
Julio Cesar Nitsch Edson Pedro Ferlin Paulo Arns da Cunha

17 Quebrando os paradigmas computacionais: a Computação em Nuvem, 139
Cezar Taurion

18 Desenvolvendo produtos inovadores através do BEL-i9, 149
Aloivo Bringel Guerra Junior

19 Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9, 157
Ricardo Mendes Junior Maria do Carmo Duarte Freitas Sergio Scheer

20 Habitats de inovação: o modelo do Tecnoparque da PUCPR e a atração de iniciativas inovadoras, 165
Luiz Márcio Spinosa Mauro Fonseca Mauro Nagashima

21 Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional, 171
Roberto Candido José Reinaldo Silva Sebastião Dambroski

22 A COPEL na era da interatividade, 181
Rita de Cássia Laporte

23 BEL-i9: a possibilidade de inovar e comercializar sobre uma rede telemática com significativo potencial de consumo, 185
Gilberto Krieger

24 Dois monólogos não fazem um diálogo, 189
Marcos Miguel Ferigotti

25 A tecnologia da informação e comunicação e a promoção do desenvolvimento sustentável, 195
Eduardo Manoel Araújo

26 Novos serviços e a web semântica, 211
Norberto Alves Ferreira Fernando Basseto

APRESENTAÇÃO
A área de telecomunicações da COPEL está empreendendo o projeto BEL, a partir do qual pretende-se oferecer à população do Paraná, através de acesso Internet de alta qualidade e confiabilidade, por fibra óptica e em Banda Extra Larga, a possibilidade de que os usuários possam montar seus próprios pacotes (bundles), de forma personalizada. É um projeto considerado inovador, nas suas tecnologias e nos modelos de negócio. Ele está sendo viabilizado em conjunto com operadoras e provedoras de conteúdos, aplicações e serviços digitais, em sistema de parceria e com compartilhamento de receitas. O BEL introduz o conceito de rede aberta, em que a COPEL provê a infraestrutura de fibras ópticas passivas (GPON) até os clientes usuários, acolhendo todos os bons parceiros que desejarem inserir, nessa rede avançada, seus produtos e serviços. Em adição a isso, essa rede será neutra, o que significa que os seus usuários poderão ter pleno acesso aos aplicativos que desejarem. Finalmente, a rede proporcionará alocação dinâmica de banda e os clientes poderão, se assim o desejarem, pagar "por consumo", isto é, somente por aquilo que utilizarem, o que uma inovação adicional. Em paralelo ao BEL, a COPEL deseja incentivar o empreendedorismo inovador no Paraná, através de projeto complementar, denominado BEL-i9. O objetivo é a organização de um fórum permanente de discussão sobre o papel das redes no desenvolvimento sustentável do Paraná e a incubação de novos negócios, a serem desenvolvidos em parceria (entre a COPEL, as universidades, os centros de pesquisa e outras instituições), a partir de produtos e serviços que poderão ser comercializados na própria plataforma tecnológica do BEL.

Para que se dê início a essa ação, convidou-se uma série de profissionais de grande competência, com diversidade de formação, de experiência e de atuação, para a contribuição com textos, contendo suas recomendações com respeito ao

desenvolvimento e a implementação cooperada do BEL-i9. É com satisfação que esses textos estão sendo aqui apresentados, todos de qualidade excepcional e que compõem capítulos do presente livro. Agradecemos imensamente a todos aqueles que contribuíram para que essa publicação pudesse ser viabilizada!

Carlos Eduardo Moscalewsky Superintendente de Telecomunicações da COPEL

INTRODUÇÃO
Para que um indivíduo obtenha sucesso atualmente é preciso que se adapte rapidamente às inovações que não param de surgir. E para alguém ser um verdadeiro inovador é necessário que altere o mundo ao seu redor, refazendo os conceitos, as mentalidades e sempre gerando novas mudanças. Por isso, para que se possa empreender de forma inovadora é preciso que se esteja preparado para desaprender, reaprender e desbravar, muitas vezes sem que se tenha qualquer modelo para seguir ou se guiar.

“O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” - George Bernard Shaw

Nesse contexto, mais importante do que responder às perguntas é formular perguntas diferentes, referentes aos problemas já existentes. As boas questões são convites para explorar, aventurar, arriscar, ouvir e abandonar as posições individuais. Boas questões ajudam as pessoas a se tornarem curiosas e ao mesmo tempo incertas, e esse é sempre o caminho que conduz à surpresa de um novo insight. Mas, na prática, como isso pode ser efetivamente realizado? Inicialmente, é necessário que se tome consciência de que cada ser humano é único e que, portanto, possui percepções diferentes a respeito de um mesmo objeto de análise. Assim sendo, só se consegue uma melhor aproximação à visão do todo, quando se reúne a maior quantidade e a mais ampla diversidade possível de visões.

Esse é o verdadeiro conceito da palavra “rede”, que está no título da presente publicação: para se obter um delineamento claro a respeito de qualquer problema ou sistema complexo, fazem-se necessários muitos olhos, ouvidos e corações, envolvidos em perspectivas compartilhadas. O Paraná constrói redes telemáticas com competência. A rede de fibras ópticas da COPEL, por exemplo, possui avançadas tecnologias e uma capilaridade extraordinária, chegando a todas as regiões do Estado. O desafio que se coloca, agora, é usar essa infraestrutura para formar uma rede de competências, em torno de temas relevantes para as pessoas e para o desenvolvimento sustentável do Estado.

“Conectar computadores é um trabalho. Conectar pessoas é uma arte.” - Eckart Wintzen

Todo indivíduo pode ser criativo e inovador quando tem a oportunidade de participar ativamente em conversações com significado, em torno de questões que importam a ele e à sociedade. Isso é algo que, de fato, lhe dá grande satisfação e, até mesmo, um significado ainda maior à sua vida. Adicionalmente, à medida que as pessoas conversam, passam a acessar uma maior sabedoria, que é unicamente encontrada no coletivo. Somente quando há muitas perspectivas diferentes é que se consegue ter informação suficiente para que se tomem boas decisões. E explorar diferentes perspectivas sempre aproxima as pessoas umas das outras. Assim sendo, só é preciso que se crie um ambiente onde as pessoas se sintam bemvindas.

“O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.” - Mário Quintana

Mas a criação de um ambiente hospitaleiro vai muito além do local físico em si. O fundamental é que cada pessoa sinta-se necessária e perceba que pode contribuir com algo que, de repente, possa virar um insight coletivo. Os seres humanos querem participar de conversações significativas. As pessoas verdadeiramente gostam de trocar impressões, de aprenderem juntas e de prestarem uma contribuição em temas com os quais elas se importam. Esse é o princípio da inteligência coletiva, da sabedoria que emerge à medida que as pessoas se tornam mais e mais conectadas umas com as outras.

“Ações individuais, quando conectadas, levam a uma capacidade muito maior”. - Juanita Brown

A telemática, por penetrar em todos os setores da atividade humana, presta-se muito bem para colaborar nesse papel aglutinador. E, nesse contexto, a COPEL pode atuar como um elemento catalisador, disponibilizando meios e acessos para facilitar a discussão em rede e fomentar o empreendedorismo que impulsione o desenvolvimento. O desafio está lançado e a primeira etapa já está sendo vencida com sucesso, à medida que esta publicação é viabilizada, contendo diferentes visões por parte de pessoas experientes e profissionais competentes com atuação em áreas diversas, sobre uma causa comum que pode ser expressa pela pergunta:

Como o empreendedorismo inovador pode levar, com a ajuda das redes, ao desenvolvimento sustentável do Paraná?

O BEL-i9 pode ser um primeiro instrumento para o estabelecimento de um fórum permanente que discuta essa questão, com a possibilidade adicional de se valer, como elemento acessório, de uma incubadora para gerar produtos e serviços inovadores, utilizando no seu funcionamento os conceitos de rede aberta e de inovação aberta. Essa é a proposta prática, sendo que as análises iniciais são apresentadas em cada capítulo deste livro.

“Empreendedorismo não é uma ciência, nem arte. É uma prática.” - Peter Drucker

Que essa primeira iniciativa sirva de estímulo para que o assunto possa, daqui para frente, evoluir com sucesso. Boa leitura!

Marcos de Lacerda Pessoa Editor

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Os projetos BEL e BEL-i9: seus propósitos, inovações e benefícios para o desenvolvimento sustentável do Paraná
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Marcos de Lacerda Pessoa

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
marcosp@COPEL.com

A COPEL

A COPEL é uma empresa de sociedade por ações, com capital aberto, constituída na forma de sociedade de economia mista, controlada pelo governo do Estado do Paraná e que atua, principalmente, nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. É a maior empresa do Estado, Top of Mind pela sexta vez consecutiva na categoria “Grandes Empresas”, considerada pela avaliação dos clientes “A Melhor Distribuidora de Energia Elétrica da Região Sul” (Prêmio ABRADEE) e sempre indicada como uma das melhores do Brasil. Construiu, ao longo dos anos, uma reputação sólida de companhia séria, competente e socialmente responsável. Sempre considerando a necessidade de se manter como uma empresa lucrativa e economicamente saudável, ao mesmo tempo possui uma grande consciência quanto ao

Marcos de Lacerda Pessoa é Engenheiro Civil (UFPR), M.Eng. (Poli-USP), M.Phil. (Univ. Birmingham, Inglaterra), Ph.D. (Univ. Birmingham, Inglaterra), Pós-Dout. (Univ. Salford, Inglaterra), Res. Fellow (MIT, EUA), Pós-Dout. (Parsons Lab. – MIT, EUA). Já foi Engenheiro Consultor da Salford University Business and Services Limited – SUBS, Inglaterra, através da qual prestou serviços de consultoria em diferentes países, como Grã Bretanha, Alemanha, França e Portugal; Pesquisador e Membro do Staff do CMPO e do Ralph M. Parsons Lab, no Massachusetts Institute of Technology - MIT; Professor Visitante da Escola Politécnica da USP; Pesquisador Sênior da Coordenadoria Científica do Laboratório Central de Eletrotécnica e Eletrônica - LAC (hoje, LACTEC); Diretor do Sistema Meteorológico do Paraná – SIMEPAR e Membro Titular do Conselho Deliberativo do SIMEPAR; Gerente da Coordenadoria de Geociências e Sensoriamento Remoto da COPEL; Diretor Geral da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo do Paraná; Coordenador do Ensino Superior do Estado do Paraná; Diretor de Operações da Paraná Tecnologia, gestora do Fundo Paraná e da Fundação Araucária; Membro Titular do Conselho de Administração do TECPAR; Membro Titular do Conselho de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - CDTI do TECPAR; Membro Titular do Conselho Estadual de Informática e Informações – CEI; Membro do Conselho Deliberativo do Centro Internacional de Tecnologia de Software – CITS; Membro Titular do Conselho Superior do Sistema de Informações Geoquímicas do Paraná – SIGEP; Membro Associado e Membro do Conselho de Administração do Centro Cultural BrasilEstados Unidos (Interamericano). É autor de livros e capítulos em livros, e autor de mais de 110 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais. No momento, busca titulação como Especialista em Educação (Univ. de LaSabana). É Engenheiro Consultor da COPEL, onde atua há 27 anos, atualmente lotado no setor de Telecomunicações e responsável pela área de Novos Negócios, coordenando os projetos BEL e BEL-i9.

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seu papel como agente de desenvolvimento do Paraná, bem como em relação à sustentabilidade, tendo inclusive criado a Diretoria de Meio Ambiente. Há mais de três décadas, a COPEL opera e mantém seu próprio sistema corporativo de telecomunicações, interligando escritórios, agências, usinas e subestações, em todo o Estado do Paraná. A empresa passou a atuar em telecomunicações ao perceber que os avanços tecnológicos em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica eram dependentes de sistemas de telecomunicações adequados, sendo que dominar esse conhecimento era estratégico para seu core business. Ao investir nos seus próprios sistemas de telecomunicações, a COPEL garantiu a qualidade e disponibilidade necessárias para atividades críticas, como automação de usinas e subestações, despacho operacional de veículos para atendimento de ocorrências na rede elétrica, intranet, telefonia corporativa, supervisão e controle da transmissão, interligação de call-centers, teleproteção, videoconferência e monitoramento remoto, que são executados pela própria empresa (evitando os custos crescentes inerentes a esses serviços) e considerados indispensáveis à operação e manutenção do sistema elétrico. A necessidade de ampliar a capacidade de transmissão de dados e voz do seu sistema corporativo e de substituir o sistema de transmissão por microondas em fase de obsolescência, levou a COPEL a interligar as principais regiões do Estado do Paraná, através de uma rede de fibras ópticas. Essa interligação foi implementada com a substituição de cabos pararraios por cabos OPGW nas linhas de transmissão de energia. 2 A COPEL Telecomunicações

Em maio de 1998, a COPEL se tornou a primeira empresa do setor elétrico brasileiro a obter a autorização da Anatel para prestação de serviços especializados de telecomunicações e, em 2003, obteve a autorização SCM - Sistema de Comunicação Multimídia, em nome de sua subsidiária integral, COPEL Telecomunicações. Assim, além de atender às necessidades da corporação, a COPEL Telecomunicações também passou a comercializar serviços para operadoras e outras empresas. Adicionalmente, a COPEL passou a ter uma forte atuação em governo, tendo interligado todas as 2100 escolas da rede Estadual de ensino e, no momento, está ligando todas as unidades da administração pública Estadual. Como consequência destas ampliações, o que era considerada uma área de custos passou, em pouco tempo, a ser um negócio muito promissor. Hoje, a receita da COPEL com telecomunicações está em torno de R$ 140 milhões/ano, sendo que 76% desse valor se origina de clientes externos. Para a COPEL ingressar em telecomunicações foi decisiva a existência de infraestrutura, representada pela extensa rede física instalada para transmissão e distribuição de energia elétrica, a detenção dos direitos de passagem e a experiência na operação e manutenção de redes e sistemas de telecomunicações complexos.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

A COPEL Telecomunicações tem sido muito bem sucedida, atuando em um mercado de nicho – serviços de transporte para todas as operadoras de telecomunicações e grandes empresas, que atuam no Estado do Paraná, além de atendimento ao governo–, utilizando-se das vantagens competitivas que a sua sinergia com a corporação COPEL lhe confere, obtendo taxas de crescimento e retorno bastante atraentes. Em função desses excelentes resultados, é desejo da direção da COPEL que a atuação de sua subsidiária de telecomunicações se amplie para novos mercados e novos serviços de telecomunicações, vindo a se constituir em uma multi-utility company no Estado do Paraná. Para isso, em 2008 a COPEL Telecomunicações contratou o CPqD, com o objetivo de, em conjunto com aquele Centro, definir quais os novos mercados que seriam passíveis de exploração sustentável pela COPEL, além de conceber um plano de negócios contemplando um portfólio de serviços ampliado, novas tecnologias a serem utilizadas, e um modelo organizacional e de gestão mais adequado para a realidade da COPEL e para os novos cenários regulatórios e de mercado. Um dos resultados desse trabalho fez com que, em 2009, a COPEL reestruturasse totalmente a sua subsidiária de telecomunicações e criasse um novo departamento, de Novos Negócios. 3 O projeto BEL

O departamento de Novos Negócios organizou e passou a coordenar o projeto BEL (BEL significa Banda Extra Larga), cujos conceitos fundamentais já foram descritos em duas publicações anteriores ([1] e [2]). Resumidamente, o objetivo do projeto é posicionar a COPEL Telecomunicações dentro de um modelo inovador de rede aberta e neutra. Isso implica a formação de parcerias para que conteúdos, serviços e aplicações possam ser oferecidos por terceiros em cima da rede de fibras de alta confiabilidade e capacidade da COPEL, o que resulta em uma série de benefícios, como os que serão apresentados a seguir. 3.1 Macro objetivos do BEL • • Posicionar a COPEL Telecomunicações, que é provedora de infraestrutura de fibras ópticas dentro do Estado do Paraná, em modelo inovador de rede aberta e neutra. Estabelecer parcerias para oferecer, no Paraná, produtos e serviços de valor adicionado em Banda Extra Larga, de forma competitiva, em cima da rede de fibras ópticas da empresa.

3.2 Benefícios do BEL para as pequenas e médias empresas Comercialização de produtos e serviços em clube privé (Intranet), com: • • Custos acessíveis. Grande facilidade de venda.

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• • •

Monitoramento das operações em tempo real. Veiculação de propaganda segmentada. Divulgação e exposição virtual dos produtos e serviços utilizando recursos de alta tecnologia (vídeos com alta definição, imagens de alta resolução, som de elevada qualidade). Segurança no comércio on-line.

3.3 Benefícios do BEL para os usuários residenciais • • Possibilidade de o usuário montar pacotes (bundles), de forma personalizada (TV + Internet + Telefonia + ...). Direito a ingresso em um clube privé (Intranet), mediante senha, que permite acesso a informações e a produtos exclusivos (como vídeos sob demanda e jogos com alta definição, cursos de treinamento profissional, música Dolby, imagens de alta resolução). Não necessita de assinatura adicional de provedor de acesso à Internet (ISP). Dispensa linha telefônica (não é necessário ter linha telefônica ou adquirir modem). Sem custos de instalação ou manutenção para o cliente. Possibilidade de instalação de câmeras de segurança. Possibilidade de instalação de "Porteiro Virtual". Alta qualidade de streaming de vídeo, permitindo acesso a vídeos (YouTube, por exemplo) sem interrupções. Privacidade e segurança nas transações on-line (garantia por firewall e antivírus remoto). Altos volumes de downloads. Conexão 100% compatível com sistemas operacionais Windows (98, 2000, XP, Vista, 7, etc), MacOS e Linux.

• • • • • • • • •

3.4 Benefícios gerais do BEL para todos os seus usuários • • • Conexão por fibra óptica de alta capacidade e confiabilidade. Elevadas taxas de conexão (>100Mbps), e de volume de download e upload, como se encontra somente nos países mais adiantados. Possibilidade de contratação on-line.

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• • • • • • • • • • • • • • •

Constituição de uma Intranet pela formação de um clube [3]. Possibilidade (de forma fácil e segura) para realização de backup e arquivamento remoto de informações, no datacenter de alta capacidade e confiabilidade da COPEL. Rede elétrica própria suportada por sistemas de no-break. Imune a variações e quedas abruptas de energia. Serviços e equipamentos homologados conforme as normas na Anatel. Todos os serviços a serem providos no âmbito do BEL deverão estar certificados de acordo com as normas ISO 9001:2000. Pleno suporte à utilização de sistemas VoIP (telefone por Internet). Produto para armazenamento remoto, em nuvem [4]. O usuário pode acessar as informações armazenadas no datacenter, via Internet, de qualquer local do planeta. Possibilidade de utilização de webcams, mensagens instantâneas, serviços de webmail. Valor mensal fixo, independente do tempo de uso, ou “por consumo”. Disponibilidade 24 horas por dia. Suporte técnico 24x7 e assistência local. Servidores com hardware de primeira linha. Possibilidade de cofaturamento com as despesas efetuadas junto às empresas parceiras e com as despesas de energia. Neutralidade em relação a conteúdos e aplicações.

3.5 Benefícios do BEL para os parceiros • • • • • Novo canal para oferta de conteúdos, propagandas, produtos e serviços, para público cativo de perfil conhecido. Coleta permanente de inteligência sobre os usuários, possibilitando a estes uma melhoria contínua dos serviços. Fidelização de clientes pela venda em pacotes (bundles). Participação em programas de desenvolvimento econômico e social (por exemplo, na universalização de voz e de Internet por meio de redes móveis). Acesso à infraestrutura e aos serviços da COPEL (sistema de telecomunicação, torres e postes, terrenos, agências, equipes de manutenção, sistemas de informação, etc).

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Possibilidade de cofaturamento.

3.6 Benefícios do BEL para a COPEL Todos os benefícios listados abaixo se constituem em inovações no âmbito da COPEL Telecomunicações. • • • • Inserção da COPEL Telecomunicações no mercado de pessoa física. Estabelecimento de parcerias estratégicas. Ascensão na cadeia de valor: venda de Serviços de Valor Adicionado (SVA). Atração de conteúdo exclusivo à rede da COPEL, permitindo maiores taxas de upload, melhor qualidade de serviço para o usuário e maior economia para a COPEL em termos de uso de banda Internet. Atração de conteúdo público, reduzindo a atual assimetria de tráfego (download > upload) e melhorando o poder de negociação com as operadoras. Novos modelos de comercialização. Implantação de sistemas terceirizados de teleatendimento e pós-venda. Possibilidade de aquisição on-line de produtos e serviços, com contratação por adesão. Implantação de uma plataforma para a criação flexível de produtos novos [5] [6]. Implantação de novos modelos de faturamento [7]. Teste no uso de diferentes arquiteturas de acesso: GPON, PLC Indoor e outras.

• • • • • • •

3.7 Benefícios de ordem econômico-social e para governo • • • O BEL facilitará sobremaneira a viabilização de programas e projetos de integração regional e setorial. Possibilidade de ingresso, por parte do governo, aos serviços e conteúdos de uma Intranet. Viabilização de programas de inclusão social, tanto pela ampliação e melhoria da rede de fibras ópticas da própria COPEL Telecomunicações, quanto pela constituição de parcerias com as operadoras móveis. Redução de custos com telecomunicações. Maior segurança e confiabilidade nas telecomunicações de governo.

• •

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Possibilidade de usufruir de pacotes (bundles).

3.8 Benefícios do BEL para o desenvolvimento do país Todo o modelo tecnológico e de negócios do BEL poderá ser reproduzido em outros estados do país, com os diversos benefícios estendidos aos mesmos, inclusive nos que se referem aos projetos de integração de setores e regiões, bem como naqueles voltados à inclusão digital e à universalização de serviços de telecomunicações. 4 O projeto BEL-i9

O projeto BEL, cujos benefícios incluem os que foram acima apresentados, abre uma considerável gama de oportunidades para a geração de inúmeros projetos, produtos e serviços inovadores voltados ao desenvolvimento sustentável do Paraná. Como já foi dito na Introdução deste livro, o Paraná possui elevada competência para construção de avançadas redes de telecomunicações. O desafio, agora, é reunir em rede as inúmeras competências existentes no Estado para a discussão de temas que, segundo seu entendimento, sejam relevantes, para si e para o progresso do Paraná. O que se propõe aqui, portanto, é a integração de lideranças empresariais, industriais, universitárias, governamentais e da sociedade civil para, juntas, em um diálogo orquestrado pela riqueza da diversidade e harmonizado por um propósito comum (empreender e inovar em rede para o desenvolvimento sustentável do Paraná) discutirem as questões relevantes para o progresso do Estado e apontarem novos caminhos e novas soluções, regidas por valores sustentáveis. Em paralelo, esse fórum permanente pode dispor de uma incubadora que, por sua vez, pode usar a rede BEL para gerar empreendimentos inovadores e, assim, proporcionar novos e melhores produtos e serviços para o povo do Paraná. A proposta da COPEL Telecomunicações é que o BEL-i9 seja realizado em parceria com instituições de pesquisa e ensino superior, bem como com outras empresas, entidades e organizações. Os projetos a serem gerados deverão ser de interesse para o desenvolvimento sustentável do Paraná, beneficiar os negócios da COPEL Telecomunicações e também serem desenvolvidos em conjunto com instituições de pesquisa e ensino superior, e com outras empresas, entidades e organizações. Os incubados deverão ser egressos de cursos de graduação ou pós-graduação, sendo supervisionados por um professor universitário em conjunto com um profissional da área técnica da COPEL Telecomunicações. Esforços deverão ser envidados por todos os parceiros no sentido de fomentar o empreendedorismo inovador no Estado. Seguem os macro-objetivos e uma série de benefícios potenciais do projeto.

Os projetos BEL e BEL-i9: seus propósitos, inovações e benefícios para o desenvolvimento sustentável do Paraná

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4.1 Macro objetivos do BEL-i9 • Aproximar mais a COPEL de outras empresas, universidades, centros de P&D, entidades, organizações e sociedade civil em torno do tema “o papel das redes no desenvolvimento sustentável do Paraná”. Promover a inovação tecnológica e o aumento da competitividade, fomentando o desenvolvimento de novos produtos e serviços, e incubando a formação de novos negócios. Estimular a competitividade das Pequenas e Médias Empresas, possibilitando com que, a custos reduzidos, elas possam melhor desenvolver, promover, divulgar e comercializar seus produtos e serviços. Criar condições favoráveis para uma maior cooperação da COPEL Telecomunicações com os governos, na formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social, econômico, científico e tecnológico de setores e regiões, inclusive em projetos de inclusão digital e universalização dos serviços de telecomunicações.

4.2 Benefícios do BEL-i9 aos incubados • • Oportunidade de utilizar as tecnologias de telecomunicações implementadas a partir do BEL para gerar novos conhecimentos e negócios. Possibilidade de utilização de um ambiente adequado e propício aos propósitos de uma incubadora de negócios, o qual é diferente de um ambiente acadêmico e de um ambiente empresarial. Facilidade de acesso a apoios diversos (jurídico, marketing, planejamento financeiro, contabilidade, etc.). Facilidade de acesso a recursos financeiros e fontes de financiamento [8]. Facilidade para acesso a bolsas de estudo e de iniciação científica. Utilização de infraestrutura física, material e humana (secretária, estagiários e pessoal para serviços gerais). Oportunidade para interação com profissionais da COPEL, com fornecedores de equipamentos/produtos e com pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior, pesquisa e desenvolvimento. Desenvolvimento pessoal, formação complementar voltada ao desenvolvimento de espírito empreendedor. Aumento do nível pessoal de empregabilidade, pela aquisição de conhecimentos voltados ao atendimento das demandas de mercado.

• • • • •

• •

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Teses e dissertações de melhor qualidade e com sentido mais prático, o que é alcançado por uma orientação dupla: um orientador provindo da Academia e outro da COPEL.

4.3 Benefícios do BEL-i9 aos técnicos / engenheiros da COPEL • • • • • • • • • Oportunidade de interação com a Academia: reciclagem contínua, maior experiência na realização de projetos inovadores, ampliação da visão de mercado, dentre outras. Oportunidade de participação em projetos inovadores. Oportunidade para o desenvolvimento da capacidade de supervisionar equipes técnicas. Ampliação da visão de oportunidades pela interação com profissionais externos à COPEL. Aumento da rede de contatos. Desenvolvimento pessoal. Novas oportunidades de treinamento. Motivação através do enfrentamento de novos desafios. Realização de testes e análises qualificadas em novos equipamentos e sistemas de telecomunicações.

4.4 Benefícios do BEL-i9 à COPEL / COPEL Telecomunicações • • • • • • • • • Geração de novos negócios através das tecnologias de telecomunicações implementadas a partir do BEL. Realização sistemática de testes com tecnologias emergentes. Maior segurança na introdução de novos produtos e serviços em seu portfolio. Renovação sistemática do conhecimento através do contato com a Academia. Atendimento à demanda interna de projetos. Estímulo aos funcionários para o desenvolvimento de ideias inovadoras. Atuação em novos mercados. Geração de novos conhecimentos e negócios a baixos custos e sem aumento do quadro de pessoal. Possibilidade de atrair recursos financeiros externos e de usufruir incentivos (fiscais e outros).

Os projetos BEL e BEL-i9: seus propósitos, inovações e benefícios para o desenvolvimento sustentável do Paraná

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• • • • • • •

Aumento da visibilidade da marca e dos negócios da COPEL Telecomunicações. Internalização de projetos inovadores. Desenvolvimento tecnológico. Possibilidade da utilização de equipe interdisciplinar, provinda de diferentes cursos acadêmicos, para solução de problemas e geração de oportunidades. Oportunidade para o registro de patentes. Oportunidade para formação de parcerias em novos empreendimentos. Oportunidade de melhoria e ampliação dos programas de treinamento funcional.

4.5 Benefícios do BEL-i9 à Academia (instituições de pesquisa e ensino superior) • • • • • • • • • • • • Contato permanente com problemas práticos, questões reais e demandas de usuários, através da interação com a COPEL. Oportunidade de interagir com as tecnologias implementadas no BEL. Oportunidade de interagir com o corpo técnico da COPEL Telecomunicações. Melhor preparação para o mercado de trabalho. Novas oportunidades para a captação de recursos financeiros. Redução dos índices de evasão nos cursos de Pós-Graduação. Maior visibilidade dos trabalhos desenvolvidos. Possibilidade de utilização de laboratórios e demais infraestruturas de que a Academia normalmente não dispõe. Aumento do número de dissertações, teses e trabalhos publicados. Maior interação com outras instituições de ensino superior. Redução no prazo de elaboração das teses e de outros trabalhos acadêmicos. Novas oportunidades de estágio para seus alunos de graduação.

4.6 Benefícios do BEL-i9 aos coordenadores/supervisores de projetos • • Novas oportunidades em gestão, pesquisa e inovação. Interação com a Academia.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

• • • •

Maior interação com empresas. Aumento da rede de contatos. Desenvolvimento pessoal. Formação de líderes e estímulo ao empreendedorismo.

4.7 Benefícios do BEL-i9 aos fundos de fomento • • • • • Apoio a projetos de desenvolvimento científico e tecnológico. Fomento à criação de empresas de base tecnológica. Oferecimento de bolsas de estudo e de iniciação científica. Garantia de retorno a partir dos recursos disponibilizados. Possibilidade da realização de investimentos casados e da gerência/supervisão mais eficiente dos mesmos.

4.8 Benefícios do BEL-i9 à sociedade e ao governo • • • • • • • • Criação e atração de empresas de base tecnológica. Novas ofertas de emprego e novas oportunidades de geração de renda. Complementação na formação profissional dos cidadãos. Acesso da população a novos serviços de telecomunicações. Desenvolvimento científico-tecnológico, criação de novas linhas de pesquisa e produção de teses, dissertações, artigos e outros trabalhos acadêmicos. Possibilidade de alavancar a criação de um Fórum/Rede para fomento à discussão do desenvolvimento do setor de telecomunicações no Estado do Paraná. Fomento a interação com profissionais, pesquisadores, empresas e instituições de ensino superior e pesquisa de outros estados e países. Possibilidade da formação de condições para alavancar a atração de novas empresas e investimentos para o setor de telecomunicações do Estado do Paraná.

4.9 Benefícios do BEL-i9 ao desenvolvimento científico/tecnológico • Criação de novas linhas de pesquisas.

Os projetos BEL e BEL-i9: seus propósitos, inovações e benefícios para o desenvolvimento sustentável do Paraná

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• 5

Desenvolvimento de teses, artigos e outros trabalhos acadêmicos.

Conclusões sobre a proposta “BEL-i9”

O que aqui se propõe é a conjugação de esforços, por meio de um fórum, envolvendo lideranças empresariais, industriais, universitárias, governamentais e da sociedade civil para, em conjunto, discutirem permanentemente questões que entendam como relevantes para si e para o desenvolvimento sustentável do Paraná, propondo novos caminhos e novas soluções. Adicionalmente, esse fórum pode se valer de um mecanismo prático para o desenvolvimento de novos e melhores produtos e serviços a serem, eventualmente, disponibilizados à sociedade através da rede de fibras ópticas da COPEL, a partir da Plataforma de Usuários do BEL. Essa proposta baseia-se na convicção de que é somente através do diálogo e da análise compartilhada, sobre as questões relevantes para o progresso do Paraná, que se obterá as melhores decisões e soluções possíveis, e que as redes telemáticas podem ser excelentes instrumentos para esse fim, encurtando distâncias, economizando tempo e reduzindo custos. 6
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Referências
PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp. PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: implantação de uma rede telemática aberta e neutra. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010. 100pp. LANGNER, Cristiane. O clube virtual COPEL.net – Parte I: aspectos psicossociais. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp. TAURION, Cezar. Quebrando os paradigmas computacionais: a Computação em Nuvem. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010. GUERRA JR, Aloivo. Desenvolvendo produtos inovadores através do BEL-i9. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010. BOGUSZ, Jomar. Plataforma de usuários BEL. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: implantação de uma rede telemática aberta e neutra. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010. KITAGAWA, Jun. Parâmetros que impactam no resultado de um modelo de análise de projeto (BEL) ou na precificação de serviços em telecom. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: implantação de uma rede telemática aberta e neutra. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010. EISENBACH, Yára C. Reflexões sobre estratégias para a obtenção de financiamento para o BEL-i9. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2010.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

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O projeto BEL-i9 e a incubação no ciberespaço
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Roberto M. Spolidoro

NEOLOG Consultores Ltda
robertospolidoro@uol.com.br

Introdução

O presente capítulo lembra a origem do processo de incubação de empresas intensivas em conhecimento e dos parques tecnológicos, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, cujo sucesso motivou a sua multiplicação em âmbito mundial. A seguir, o capítulo destaca que a associação internacional de parques tecnológicos deixou de considerar, a partir de 2002, o espaço físico como um dos componentes básicos dessas iniciativas, traduzindo tendências como parques tecnológicos formados por segmentos disseminados no tecido urbano e a incubação de empresas no ciberespaço - o que é bem apropriado no contexto da incubadora BEL-i9, proposta pela COPEL. A seguir, o artigo lembra o crescimento das oportunidades, em âmbito mundial, de criação de negócios e de trabalho com base no uso da Internet e, nessa perspectiva, avalia os impactos que o projeto da COPEL Telecomunicações - de oferecer conexão à Internet por fibra óptica de alta capacidade (100 Mbps) e de elevada confiabilidade - poderá provocar no Brasil, inclusive quanto a políticas públicas de apoio a novos formatos de incubação e de parques tecnológicos.

Roberto M. Spolidoro é Engenheiro Eletricista (PUCRJ), Doutor em Física (França), e realizou Pós-Doutoramento em desenvolvimento regional, no Massachusetts Institute of Technology - MIT, Estados Unidos. Desde a década de 1980 atua em processos inovadores de desenvolvimento regional, incluindo a estruturação de Incubadoras de Empresas, Parques e Pólos Tecnológicos, Tecnópoles e Projetos Regionais para o Futuro. Desde 1997 é presidente da NEOLOG Consultores Ltda., em Brasília. Entre parques tecnológicos assistidos destacam-se: Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - TECNOPUC (Porto Alegre), VALETEC Park (Vale do Sinos, RS), Parque Tecnológico Capital Digital (Brasília), Parque Tecnológico Uberaba, Parque Tecnológico de Pato Branco, Parque Científico e Tecnológico da Serra (Caxias do Sul), Parque Tecnológico Misiones (Argentina) e Parque Tecnológico de Informática de Buenos Aires. Possui vários livros e dezenas de artigos publicados, no Brasil e exterior, sobre parques tecnológicos, incubação de empresas e desenvolvimento regional inovador.

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O projeto BEL-i9 e a incubação no ciberespaço

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Origem do processo de incubação de empresas e dos parques tecnológicos

Admite-se que os processos de incubação de empresas intensivas em conhecimento e os parques tecnológicos tiveram origem na Universidade de Stanford, fundada no final do século XIX, ao sul de São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos [1 a 9]. Embora a principal riqueza da região, à época, fosse a agricultura, a nova universidade decidiu transcender as vocações locais e apostar no futuro, concentrando-se nas Engenharias e Ciências Exatas. Durante as primeiras décadas da novel instituição, os seus graduados tiveram dificuldade em obter empregos na região e muitos buscaram paragens economicamente mais dinâmicas [1 a 9]. Em meados da década de 1930, o professor Frederick Terman, do departamento de engenharia elétrica, percebeu que a aceleração dos avanços da ciência e tecnologia constituía uma oportunidade singular para estancar a fuga de cérebros e promover um novo perfil econômico regional. A Universidade passou, então, a oferecer bolsa de estudos, acesso a laboratórios e orientação a estudantes pós-graduados que desejassem transformar ideias e conhecimentos em produtos no mercado. Essa estratégia propiciou a criação de empresas como a Hewlett - Packard, e deu início ao que se tornou conhecido como incubação de empresas [1 a 9]. O crescimento das empresas assim geradas e o interesse dos seus fundadores em permanecer no ambiente em que haviam florescido levaram a Universidade a criar, em 1951, em parte do seu campus, um espaço para a instalação de empreendimentos intensivos em conhecimento, que veio a ser denominado Stanford Research Park e que constituiu o primeiro parque tecnológico de que se tem notícia [1 a 9]. Atualmente, o Stanford Research Park abriga mais de 150 empresas em áreas intensivas em conhecimento, em especial eletrônica, informática e biotecnologia, bem como diversos centros de pesquisa científica e empresas ancilares em temas como advocacia, finanças, consultoria e capital de risco [1]. A incubação de empresas e o Stanford Research Park somaram-se a diversos outros fatores, tão ou mais importantes, para transformar a região em um dos mais dinâmicos centros de inovação tecnológica do mundo, tornando-a conhecida sob o epíteto de Vale do Silício, em homenagem ao substrato dos circuitos integrados, ali desenvolvidos na década de 1960 [1 a 9]. O êxito do Vale do Silício estimulou, a partir da década de 1950, em âmbito internacional, a busca da replicação dos seus modelos e ambientes, o que conduziu à estruturação de milhares de incubadoras de empresas e de parques tecnológicos no mundo. 3 A evolução dos parques tecnológicos e do trabalho via Internet

Apesar da multiplicação dos parques tecnológicos em âmbito mundial, não há consenso sobre o conceito correspondente, como ilustrado pela diversidade das definições propostas pelas associações que reúnem essas iniciativas [10]. Devido às suas origens, as definições de parque tecnológico costumam incluir, como um dos componentes básicos do empreendimento, o espaço físico, com glebas e prédios destinados a

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

abrigar empresas e instituições de ensino e pesquisa. Entretanto, em 2002, a Associação Internacional Parques Tecnológicos retirou a menção explícita ao espaço físico e adotou a seguinte definição: [10] Um Parque Tecnológico é uma organização, gerida por profissionais especializados, cujo objetivo fundamental é aumentar a riqueza da comunidade em que se insere mediante a promoção da cultura da inovação e da competitividade das empresas e instituições intensivas em conhecimento associadas à organização. Para tal fim, o Parque Tecnológico: • Estimula e gerencia o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, empresas e mercados; • Estimula a criação e o crescimento de empresas fundamentadas na inovação mediante mecanismos de incubação e desdobramentos de empreendimentos (spin-off); • Provê espaço e instalações de qualidade e outros serviços de valor agregado. A supressão do espaço físico com um dos componentes essenciais do parque tecnológico, a partir de 2002, é interpretada como um reconhecimento, pela comunidade internacional, de que as características dos parques tecnológicos têm evoluído e podem continuar a fazê-lo. Essa percepção vem sendo confirmada por duas tendências convergentes: • O crescente número de parques tecnológicos cujo espaço físico não é uma gleba limitada e com prédios específicos - na linha do modelo convencional introduzido pelo Stanford Research Park, mas é formado por segmentos locais disseminados no tecido urbano e na região, aproveitando infraestruturas e, inclusive, prédios existentes [1] [11]. Essa tendência é ilustrada, por exemplo, pelo TECNOPUC - Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, em Porto Alegre [1] e o VALETEC Park - Parque Tecnológico do Vale do Sinos, Rio Grande do Sul [12], no Brasil, e por grande número de parques tecnológicos no exterior [13] [14] [15]. • O uso crescente das possibilidades da Internet para ampliar os processos criativos conducentes a saltos científicos e inovações tecnológicas. A democratização do acesso em banda larga à Internet, os avanços das técnicas de videoconferência e as ferramentas da Web 2.0 (e, possivelmente, em breve, da Web 3.0) tornam viável a realização de trabalhos criativos de modo disseminado em âmbito mundial, independentemente de fusos horários e continentes [11]. A IBM informa que 40% de seus empregados já não trabalham nos escritórios convencionais da companhia, mas em casa ou em outros locais [11]. Empresas em países de economia avançadas contratam crescentemente profissionais em países como a Rússia e a Índia, que trabalham com base na Internet, para a elaboração de projetos de engenharia e atividades de pesquisa e desenvolvimento [11] [16] [17].

O projeto BEL-i9 e a incubação no ciberespaço

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Grandes empresas internacionais ampliaram consideravelmente a sua capacidade de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico mediante a obtenção de colaboração, via Internet, de grande número de profissionais que atuam em suas casas, em diferentes continentes, e cujas atividades decorrem, inclusive, de sugestões por eles encaminhadas às empresas [19]. 4 A ação da COPEL Telecomunicações quanto a ampliar o acesso à Internet

Nesse contexto, é extremamente oportuna - e constitui importante contribuição ao desenvolvimento do país - a iniciativa da COPEL Telecomunicações de oferecer, a todos os três milhões e meio de consumidores de energia da empresa, no prazo de até dez anos: • • A possibilidade de conexão à Internet por fibra óptica de alta capacidade (Banda Extra Larga - BEL) e de elevada confiabilidade. A assistência e estímulo, aos usuários da conexão, para que participem com êxito das imensas possibilidades que se abrem, em âmbito mundial, quanto à geração de trabalho e à criação de negócios no ciberespaço.

A assistência da COPEL Telecomunicações aos usuários da conexão de banda larga, para que sejam competitivos na arena dos negócios via Internet, exigirá a estruturação de processos e de práticas de incubação de negócios e de projetos no ciberespaço. Isso demandará inovações em relação aos processos convencionais de incubação, ainda fundamentados na cessão de espaços físicos às empresas emergentes e em serviços presenciais de orientação aos empresários e colaboradores dos negócios nascentes. 5 Conclusões

O novo formato de incubação, com base na Internet, será calcado em talentos que trabalharão em casa ou em ambientes inovadores (como os centros de criatividade da Google) [9], que serão presumivelmente estruturados em locais próximos às residências e inseridos na atmosfera da cidade clássica [18]. Isso reforçará a tendência da propagação de parques tecnológicos com base segmentos locais disseminados nas cidades e na região. Esse formato de parque tecnológico, por sua vez, permitirá valorizar e aproveitar o notável conjunto de cultura, patrimônio e infraestrutura que as cidades ainda dispõem, e propiciará a elevação da qualidade de vida de todos os envolvidos na inovação tecnológica, por permitir a aproximação física dos locais em que essas pessoas desenvolvem tanto o seu trabalho quanto a sua vida familiar e a sua interação com a sociedade. Finalmente, por representar um novo paradigma quanto a conceitos e modelos, os novos formatos de incubação no ciberespaço, associados a parques tecnológicos estruturados por segmentos disseminados no tecido urbano - e até no ciberespaço, poderão motivar significativa evolução das políticas públicas de estímulo ao empreendedorismo e aos habitats de inovação, cuja formulação é parte da atual agenda do governo federal e do governo de diversas unidades da federação.

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Referências
SPOLIDORO, R.; AUDY, J. Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - TECNOPUC, Porto Alegre: Editora PUCRS, 2008. LÉCUYER, Christophe. Technology and Entrepreneurship in Silicon Valley, December 2001. Disponível em: http://nobelprize.org/nobel_prizes/physics/articles/lecuyer/index.html - 6 julho 2007. PACKARD, D.: The HP Way, New York: Harper Collins Publishers, 1995. TAJNAI C. E.: Fred Terman, The Father Of Silicon Valley, Stanford Computer Forum, Stanford University, California, May, 1985: www.netvalley.com/archives/mirrors/terman www.stanford.edu Stanford Management Company: www.stanfordmanage.org REICH, R. B.: The Quiet Path to Technological Preeminence, Scientific American, 261 (4), October, 1989. OHMAE, K. O novo palco da economia global. Porto Alegre: Bookman, 2006. GIRARD, B.; Une révolution du management: le modèle Google. Paris: MM2 Editions, 2006.

[10] International Association of Science Parks: www.iasp.org [11] Innovation Goes Downtown, Pete Engardio, ,Businessweek, Inside Innovation November 30, 2009: www.businessweek.com/magazine/content/09_48/b4157050810294.htm [12] SPOLIDORO, R.; PRODANOV, C.; BARROSO, F. O VALETEC Park e o desenvolvimento do Vale do Rio do Sinos. Anais do XIX Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores ANPROTEC, Florianópolis, SC, 2009; e Revista Locus Científico. Brasília: Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores - ANPROTEC, a ser publicado, 2010. (www.anprotec.org.br) [13] www.nantesmetropole.fr/e www.lyon-infocite.org [14] http://www.sciencecityyork.org.uk/ [15] Kista Science City: www.kista.com/adimo4/Site/kista/web/default.aspx?p=1344&l=en&t=h401 [16] ICTD Observatory - http://sdnhq.undp.org/. [17] ASPRAY, W.; MAYADAS, F.; VARDI, M. Y. Globalization and Offshoring of Software, A Report of the ACM Job Migration Task Force. Editors: www.acm.org, http://www.acm.org/globalizationreport. [18] Sobre o ambiente da cidade clássica, Ortega y Gasset declarava “em rigor, a urbe clássica não devia ter casas, mas apenas as fachadas necessárias para delimitar uma praça...”. (apud GOITIA, F. C., Breve História do Urbanismo, Lisboa: Editorial Presença, 1982). [19] TAPSCOTT, D.; WILLIAMS, A.D. Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything. New York: Pinguin Group. 2006.

O projeto BEL-i9 e a incubação no ciberespaço

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Inovação, empreendedorismo e incubação de empresas
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Sergio Scheer

UFPR – Universidade Federal do Paraná
scheer@ufpr.br

Introdução

Inovar é transformar a criatividade (ou oportunidade) em produto, serviço ou processo novo ou melhorado. Pode-se inovar em quatro dimensões: produtos, processos, gestão e negócio. Inovação é muito mais que tecnologia de ponta ou produto novo. O resultado tido como uma inovação deve ter como consequência a geração de valor num sentido sócio-econômico-ambiental (sustentabilidade) em consonância com o ambiente organizacional que a demanda. Para Drucker [1], “o surgimento da economia empreendedora é um evento tanto cultural e psicológico, quanto econômico e tecnológico”. Neste sentido a inovação é o instrumento dos empreendedores para explorar novas oportunidades de mercado. Em [2] Beltrame coloca que as incubadoras de empresas de base tecnológica se constituem ambientes onde convergem três relevantes fenômenos da economia contemporânea: inovação, empreendedorismo e relações universidade-empresa. Neste capítulo são colocadas algumas ideias e conceitos sobre a temática da inovação e do empreendedorismo, culminando com colocação do cenário propício das universidades com as atividades fundamentais de ensino, pesquisa e extensão favorecendo a prática de inovação e empreendedorismo, como em um caso descrito de agência de inovação em universidade e seus serviços.
1

Sergio Scheer é Eng. Civil (UFPR), com mestrado em Eng. Civil (UFRGS) e doutorado em Informática, área de Computação Gráfica (PUC-RIO). Foi Membro, Secretario e Presidente da Comissão Central de Informática (UFPR) de 1989 a 2002. Diretor do Centro de Computação (UFPR) de 1994 a 1998. Coordenador do Ponto de Presença da RNP-PR de 1994 a 1998. Integrante e coordenador de tecnologia do Núcleo de Educação a Distância (NEAD/UFPR) de 1998 a 2002. Membro Suplente do Conselho de Planejamento e Administração (UFPR) de 1999 a 2001. Membro Titular do Conselho de Planej. e Admin. (UFPR) de 2001 a 2003. Diretor do Centro de Estudos de Eng. Civil. Vice-Coordenador do Programa de Pós-Grad. em Métodos Numéricos em Engenharia de 2004 a 2006. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Métodos Numéricos em Engenharia, de 2006 a 2008. Atualmente é Prof. Associado 2 do Depto. de Constr. Civil (UFPR), docente na UFPR desde 1981, ocupando hoje a função de Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação. Também é o atual Diretor Executivo da Agência de Inovação da UFPR, posição que ocupa desde janeiro de 2009.

Inovação, empreendedorismo e incubação de empresas

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Inovação e empreendedorismo

Quase sempre colocados lado a lado, a inovação e o empreendedorismo se parecem em muitos de seus valores, mas são conceitos bastante distintos e que apresentam protagonistas bastante diferenciados. Os empreendedores e os inovadores precisam ter como premissa a interdisciplinaridade ao abordar um assunto, de modo a melhor compreender as peculiaridades de cada situação, ganhando conhecimento suficiente como subsídio a suas ações. Sem consideração de mérito, uma pessoa dita empreendedora não necessariamente é inovadora. No entanto, o empreendedor é uma espécie de herói, um ícone no mundo dos negócios: um empreendedor é corajoso e determinado, sempre colocando muito esforço e comprometimento nas suas atividades. Por outro lado, enquanto o empreendedorismo não exige um protagonista inovador, a inovação sempre exige do inovador o espírito empreendedor. Para utilizar bem a sua imaginação, um inovador precisa ter mente aberta e espírito livre, pronto para romper dogmas, buscar novos conceitos, novas tecnologias e novas formas de trabalhar. No entanto, uma ideia somente se transforma em oportunidade quando seu propósito vai ao encontro de uma necessidade de mercado, isto é, quando existem potenciais clientes. A identificação de uma oportunidade pelo empreendedor exige uma postura sempre atenta com relação ao que está acontecendo no segmento no qual atua ou pretende atuar. A rotina de trabalho deverá incluir a participação em eventos relacionados ao segmento de atuação, leitura constante de material escrito em publicações periódicas voltadas ao segmento procurando conhecer e compreender as tendências de mercado, as questões econômicas, políticas e sociais. Ainda deve buscar a participação em encontros e reuniões de associações, bem como usar as formas possíveis de comunicação para conhecer e conversar com os concorrentes, clientes, colaboradores, empregados, fornecedores e empresários sempre no sentido de ampliar a sua rede de conhecimento. Ao longo do tempo, tudo isto ajuda o empreendedor a ter ideias que podem resultem oportunidades para novos produtos, processos ou serviços que venham a atender necessidades de mercado. Dessa forma, identificar uma oportunidade significa buscar resposta para uma série de questões, como por exemplo [3]: • • • • • • Existe uma necessidade de mercado que não é suprida ou é suprida com deficiências? Como funcionam empresas similares? Qual a quantidade de potenciais clientes para este negócio? Qual o seu perfil? Onde se localizam? Quais são os principais concorrentes? Quais os seus pontos fortes e fracos? Existem ameaças? Quais os valores que o novo produto/serviço agregam para os clientes?

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

• • •

Será que o momento correto é realmente este? É possível inovar? Em que aspectos? E outras...

E, após ter algum sucesso, o perigo para um empreendedor sem perfil inovador é a acomodação, com perda de interesse na, hoje, premente e necessária atualização de conhecimentos. Por outro lado, um inovador pode entender que a inovação é um fim em si mesma, contrariando a ideia de geração de valor (que sempre deve ser pensado como um valor sustentável) para a sociedade ou empresa ou negócio específico. 3 Incubação e as relações Universidade-Empresa

O papel das Universidades é o da produção de conhecimento através da pesquisa básica e aplicada em todas as áreas do conhecimento, bem como a formação de profissionais. Além destes dois aspectos fundamentais das universidades, elas podem participar nos processos de inovação nas empresas colocando em pauta a faceta do empreendedorismo e a consequente formação de empresas oriundas de pesquisa acadêmica. Plonski [4] observa que os diversos mecanismos voltados ao desenvolvimento tecnológico, tais como institutos de pesquisa, polos, parques e incubadoras tecnológicas, contam com a participação de universidades em seus arranjos interinstitucionais. Num crescente período de instabilidade econômica e social, as empresas estão pressionadas pela necessidade de inovação para competir num mercado global cada vez mais ágil e competitivo, clamando por cada vez mais rápida transferência de conhecimentos tecnológicos da academia. Por outro lado, as universidades são pressionadas pela necessidade de buscar recursos financeiros fora dos mecanismos tradicionais, ou seja, fora do financiamento governamental. No Brasil, como colocado em [2], as relações Universidade-Empresa ganharam impulso com a promulgação da Lei nº. 10.973/2004, conhecida como a Lei da Inovação, que estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. Nesse sentido, Etzkowitz em [5] enfatiza a importância do relacionamento entre universidade, empresa e governo, defendendo o conceito de universidade empreendedora, baseado na criação intensiva direcionada à inovação e ao desenvolvimento econômico. Contudo, Dagnino em [6] assinala a fragilidade dos arranjos definidos pelo argumento Hélice Tripla de Etzkowitz, seja pela dificuldade da “descida da torre de marfim” por parte das universidades, seja pelo interesse exclusivamente comercial da empresas, ou pelas posições efêmeras, e por vezes conflitantes, assumidas pelo governo neste processo [2]. Como colocado em [7]: “As universidades e a sua integração com as empresas, faz-se necessária para que haja empreendedorismo e inovação, apresenta-se como um modelo sustentável para o desenvolvimento do país, e uma opção estratégica para as empresas e motivacional para as universidades aperfeiçoarem seus conhecimentos na prática e as relações mantidas e sua ligação com as incubadoras”.

Inovação, empreendedorismo e incubação de empresas

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Incubadoras de empresas de base tecnológica

O Programa Nacional de Apoio a Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos – PNI [8] conceitua incubadora de empresas como mecanismos de estímulo e apoio logístico, gerencial e tecnológico ao empreendedorismo inovador e intensivo em conhecimento, com o objetivo de facilitar a implantação de novas empresas que tenham como principal estratégia de negócios a inovação tecnológica. Para tanto, conta com um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar, temporariamente, as empresas e que, necessariamente, dispõe de uma série de serviços e facilidades descritos a seguir: • • Espaço físico individualizado, para a instalação de escritórios e laboratórios de cada empresa admitida; Espaço físico para uso compartilhado, tais como salas de reunião, auditório, área para demonstração dos produtos, processos e serviços das empresas incubadas, secretaria, serviços administrativos e instalações laboratoriais; Recursos humanos e serviços especializados que auxiliem as empresas incubadas em suas atividades, bem como a capacitação/formação/treinamento de empresáriosempreendedores nos principais aspectos gerenciais quais sejam: gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de produtos e serviços no mercado doméstico e externo, contabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e propriedade Intelectual, entre outros; Acesso a laboratórios e bibliotecas de universidades e instituições que desenvolvam atividades tecnológicas.

As incubadoras podem ser de três tipos, dependendo das características das empresas que abriga: • Incubadora de Empresas de Base Tecnológica: é a incubadora que abriga empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas, e nos quais a tecnologia representa alto valor agregado; Incubadora de Empresas dos Setores Tradicionais: é a incubadora que abriga empresas ligadas aos setores tradicionais da economia, as quais detém tecnologia largamente difundida e queiram agregar valor aos seus produtos, processos ou serviços por meio de um incremento no nível tecnológico. Devem estar comprometidas com a absorção ou o desenvolvimento de novas tecnologias; Incubadoras Mistas: é a incubadora que abriga empresas de base tecnológica e empresas dos setores tradicionais.

Nas universidades é usual um ambiente de pré-incubação, criado como um espaço facilitador para a geração de empresas. A pré-incubação deve prover ferramentas, serviços e apoio institucional a

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ideias promissoras e com viabilidade técnica e mercadológica que possam evoluir para futuros negócios e empreendimentos abrigados (incubação). Um ambiente deste tipo aumenta o nível de excelência da oferta de projetos para as incubadoras de empresas, aumentando as chances de sucesso de empresas graduadas no processo de incubação. Além dos serviços de apoio, busca-se prover consultoria em negócios, identificação de oportunidades, estudo de viabilidade técnica e econômica, elaboração de planos de negócios e projetos de atração de recursos financeiros, dentre outras atividades. A pré-incubação enfatiza o planejamento, detalhando o gerenciamento estratégico das tecnologias agregadas a protótipos, produtos e serviços, elementos vitais à sustentação futura dos empreendimentos, validando e testando a viabilidade técnica e de mercado de produtos e serviços [9]. As atividades de pré-incubação, incubação e mesmo as possibilidades de alinhamento do movimento de empresas juniores, visam um adensamento da cadeia de inovação, conectando o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos da universidade até a potencial comercialização de bens e serviços [9]. Desta forma, busca-se a minimização de efeitos de descontinuidades no processo, como falta de suporte para avaliação e validação de viabilidade técnica e comercial e, ao final nas partes finais da cadeia, intensificação de preparo de empresas que não passaram por processos prévios de pré-incubação, onerando as atividades de incubação. No ambiente universitário, as incubadoras despertam a curiosidade dos estudantes e incentivam a criação de empresas de base tecnológica. Esta é considerada importante na promoção dos países em desenvolvimento por gerarem inovação. O risco de investir e incubar empresas de conteúdo tecnológico tornou-se um importante meio de transformação da criatividade gerada no ambiente acadêmico em invenções inovadoras [10]. Além das incubadoras, outro tipo de arranjo são os Parques Tecnológicos que se constituem em complexos de desenvolvimento econômico e tecnológico que visam fomentar e promover sinergias nas atividades de pesquisas científica, tecnológica e de inovação entre as empresas e instituições científicas e tecnológicas, públicas e privadas, com forte apoio institucional e financeiro entre os governos federal, estadual e municipal, comunidade local e setor privado. Os parques tecnológicos devem ser ambientes de forte integração entre as universidades e instituições de pesquisa e as empresas ali instaladas, funcionando como um elo de ligação entre clientes e recursos humanos e tecnológicos das universidades. Nestes ambientes deve haver forte estímulo a interação e transferência de tecnologia das instituições de pesquisa para as empresas e a manutenção de constante capacitação empresarial das empresas nele estabelecidas. 5 O empreendedor

A Universidade e os pesquisadores vêm sendo chamados, cada vez mais, a assumir um papel empreendedor e de gerador de iniciativas, em parte para suprir o vácuo outrora existente na interface com a sociedade e também para formar estudantes com uma mentalidade empreendedora, capazes de criar, desenvolver e manter as estruturas econômico-sócio-industrial reclamadas pela sociedade [11]. Em [12], o ensino do empreendedorismo durante a formação de um novo profissional tem sido considerado pelos especialistas como vital para o seu sucesso, principalmente se ele for egresso

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das escolas ditas de massa. Estas instituições concebem seu projeto pedagógico baseado em novos paradigmas educacionais e no desenvolvimento das competências para o trabalho, considerando todas as peculiaridades e incertezas da sociedade do século XXI. O empreendedorismo transforma-se, assim, na inusitada revolução social que deverá ocorrer no século XXI, comparável aos efeitos da revolução industrial ocorrida no século passado. Esta transformação surgiu há vinte anos nos Estados Unidos, visando estimular a criação de empresas de sucesso, bem como procurando diminuir os riscos inerentes aos processos de inovação. E para compreender este fenômeno é interessante lembrar que, em 1975, nos EUA, cinquenta instituições universitárias ministravam aulas de empreendedorismo, sendo que em 1998 já eram mais de mil. Hoje, o ensino de empreendedorismo no primeiro grau tornou-se obrigatório em cinco estados americanos. O contexto que emoldura estas considerações é o de que, depois da Segunda Guerra, 50% de todas as inovações e 95% de todas as inovações radicais vieram de empresas novas e pequenas [12]. Porém, até recentemente os modelos educacionais vigentes nas instituições brasileiras não tinham ênfase na formação de profissionais empreendedores ou a criação de empresas, em especial as pequenas e médias. A partir de esforços de governo e de entidades empresariais, diversas escolas já estão incluindo nos seus currículos a temática de empreendedorismo, estimulando e favorecendo a criação de novas empresas e empreendimentos. O ensino do empreendedorismo favorece o desenvolvimento de importantes habilidades pessoais como: trabalho em equipe, capacidade de comunicação verbal e escrita, realização de apresentações de ideias, capacidade de gestão, administração do tempo e habilidades técnicas gerais e específicas da área de interesse. Deve ser prioridade na política governamental no sentido do desenvolvimento de inovações tecnológicas e de uma economia global competitiva. 6 Cenário para a inovação em uma instituição de ensino, pesquisa e extensão

No Brasil, cerca de 80% dos pesquisadores atuam no âmbito de universidades e centros de pesquisas públicas, enquanto nos países desenvolvidos essa atuação concentra-se junto ao setor privado, empresas e indústrias. Atualmente a Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocupa a oitava posição no ranking brasileiro de produção científica, sendo a décima quarta no âmbito sulamericano. Esta geração de conhecimento é impulsionada pelo trabalho em ensino, pesquisa e extensão de mais de dois mil professores, dos quais 75% têm doutorado. Hoje a UFPR conta com 58 programas de pós-graduação senso estrito (mestrados e doutorados) e com 357 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq. Em novembro de 2009 a UFPR alcançou a marca de noventa patentes requeridas, se destacando no cenário nacional neste quesito. Entretanto, as universidades são responsáveis por apenas 0,2% das patentes apresentadas ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Instituições de Educação Superior ainda encontram caminhos difíceis para fazer com que o desenvolvimento científico-tecnológico fique disponível para o setor produtivo. Para isso, Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), que na UFPR se configura com o nome de Agência de Inovação, visam contribuir para que a produção de conhecimento chegue à sociedade brasileira e resulte em

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desenvolvimento econômico e social, com manutenção de qualidade do ambiente, isto é, em consonância com as ideias de sustentabilidade. Precisa ser entendido neste contexto que inovar (em tudo que for possível) deve ser uma das principais missões de uma universidade. Ao seu lado estão as histórica e conceitualmente reconhecidas produção de novos conhecimentos e a consequente formação de pessoas como cidadãos e profissionais para o desenvolvimento sustentado da sociedade. A Agência de Inovação da UFPR é o resultado da junção de três unidades: o Núcleo de Propriedade Intelectual (NPI) criado em 2005, o Portal de Relacionamento criado em 2004 e o Núcleo de Empreendedorismo e Projetos Multidisciplinares (NEMPS) criado em 2001, substituídas, respectivamente, pela Coordenação de Propriedade Intelectual, pela Coordenação de Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica e pela Coordenação de Transferência de Tecnologia. A Agência na UFPR é o local ideal para o pesquisador que deseja que sua pesquisa aplicada chegue ao setor produtivo e traga benefícios para a sociedade; para o empresário, que enxerga a Universidade como uma fonte de soluções para os problemas enfrentados diariamente em seus empreendimentos; para o cidadão comum que possui uma ideia inovadora, mas não tem condições de contratar serviços especializados no setor privado; para pessoas com visão empreendedora que desejam começar seu próprio negócio, mas não sabem por onde começar. Enfim, a Agência de Inovação é mais um instrumento facilitador para o incentivo e o desenvolvimento de inovações na sociedade brasileira. 7 Conclusão

Tratando-se a inovação tecnológica como a conversão de conhecimentos tecnológicos em novos produtos e processos, visando ao seu lançamento no mercado, observa-se que nela interferem todos os tipos de atividades educacionais, científicas, tecnológicas, de infraestrutura, financeiras, comerciais e legais. A influência do fator inovação tecnológica para o desenvolvimento e a competitividade empresarial é reconhecida como de grande urgência e necessidade. Deve se ter em conta que análises econômicas têm demonstrado que a transferência de tecnologia é a de fato a principal força motriz do crescimento econômico nos países industrializados e, ao mesmo tempo, um importante fator de contribuição para a evolução social e cultural de um país. A Universidade e seus pesquisadores vêm sendo chamados a assumir um papel empreendedor e de gerador de iniciativas, em parte para suprir o vácuo outrora existente na interface com as empresas e a sociedade em geral. Par e passo, são demandados a formar estudantes com uma mentalidade empreendedora, capazes de criar, desenvolver e manter as estruturas econômicosócio-industrial reclamadas pela sociedade, mantendo o necessário equilíbrio (sustentabilidade). Com respeito ao projeto BEL-i9, preconizado pela COPEL Telecomunicações, torna-se importante a busca de um modelo de incubação de empresas que resulte de fato em empreendimentos inovadores, competitivos, autossustentáveis e com potencial de crescimento. Para tanto é necessário que haja grande envolvimento da incubadora em cada negócio, buscando fornecer serviços que de fato agreguem valor e trazer competências e contatos de uma rede de

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relacionamento que reflitam positivamente no empreendimento em incubação. A incubadora inovadora deve também adotar práticas administrativas modernas que permitam a transparência dos resultados aos sócios e ao mercado. Outra peça chave para que se garanta o sucesso do BEL-i9 está no próprio empreendedor, tão importante quanto a ideia e o investimento para o desenvolvimento da oportunidade, é a sua formação de modo a ter um bem preparado profissional para liderar o negócio em formação. É fundamental que a incubadora invista no desenvolvimento complementar do empreendedor e de sua equipe, tanto em aspectos gerenciais quanto em técnicos. É mister lembrar que processos de incubação, particularmente os realizados em sistema de parceria entre universidade e empresa, levam ao desenvolvimento socioeconômico na região, tornando as empresas competitivas e proporcionando a desejada criação de postos de trabalho. E esse deve ser, certamente, o papel mais relevante do BEL-i9. Por fim, é importante reiterar que os processos de empreendedorismo e incubação andam juntos com ideias e inovações. Esses resultam muitas vezes em invenções e necessidades de proteção à propriedade intelectual e processos de transferência de tecnologia. Estes serviços usualmente são coordenados pelos chamados núcleos de inovação tecnológica das universidades e instituições de pesquisa, como o exemplo colocado da Agência de Inovação da UFPR. 8
[1] [2]

Referências
DRUCKER, Peter. F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Thomson, 2005. BELTRAME, Andor. Ensinagem e aprendizagem em incubadora tecnológica: um estudo de caso na incubadora tecnologia de Caxias do Sul. (Dissertação de mestrado, Universidade de Caxias do Sul, 2008). Caxias do Sul, 2008. Portal da Administração. Como identificar uma oportunidade. Disponível em: http://www.administradores.com.br/producao_academica/como_identificar_uma_oportunidade/893/ Acesso em 29 de novembro de 2009. PLONSKI, Guilherme A. Cooperação universidade-empresa: um desafio gerencial complexo. São Paulo: Revista de Administração, USP, v.34, n.4, p.5-12, out/dez 1999. ETZKOWITZ, Henry. Reconstrução criativa: hélice tripla e inovação regional. Revista Inteligência Empresarial. Nº 23, Abr/Mar/Jun, 2005. Centro de Referência em Inteligência Empresarial. CRIE/COPPE/ UFRJ. Rio de Janeiro, 2005. DAGNINO, Renato. A relação universidade-empresa no Brasil e o “Argumento da Tripla Hélice”. Revista Brasileira de Inovação. Vol. 02, nº 02, julho/dezembro, 2003. Disponível em: http://www.finep.gov.br/revista_brasileira_inovacao/quarta_edicao/Dagnino.pdf Acesso em: 13 de novembro de 2009. LUZ, Andréia Antunes da; KOVALESKI, João Luiz; ESCORSIM, Sergio. Incubadora de empresas de base tecnológica: um estudo de caso sobre empreendedorismo, inovação e relações UniversidadeEmpresa. Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, 6., 2009, Resende. Anais..

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http://www.aedb.br/seget/artigos09/476_TGI_2009_SEGET-AUTORES.pdf Acesso em 29 de novembro de 2009. [8] [9] MINISTÉRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Manual para implantação de incubadoras de empresas. 2000. http://www.mct.gov.br/upd_blob/0002/2219.pdf Acesso em 28 de novembro de 2009. SILVA, Fábio Q. B. da. Empreendedorismo e interação universidade-empresa. Seminário de Computação na Universidade da Sociedade Brasileira de Computação, 26., 1996, Recife. http://www.di.ufpe.br/~srlm/secomu96/fabio.htm Acesso em 28 de novembro de 2009.

[10] TERRA, Branca; DRUMOND, Ricardo. Empreendedorismo e a inovação tecnológica. Portal Venture Capital – FINEP http://www.venturecapital.gov.br/VCN/empreendedorismo_e_a_inova%E7%E3o_tecnol%F3gica_CR. asp Acesso em 28 de novembro de 2009. [11] FREITAS, Maria do Carmo; MENDES JR, Ricardo. Incubação de empresas. In: SILVA JR, Roberto Gregório. Empreendedorismo Tecnológico. Instituto de Engenharia do Paraná, 2009. p.158. [12] LEMOS, Paulo; GRIZENDI, Eduardo; LOTUFO, Roberto. Empreendedorismo, empresas juniores e cadeia de inovação: a experiência de pré-incubação da Inova/Unicamp. http://www.inova.unicamp.br/download/artigos/anprotec.pdf Acesso em 29 de novembro de 2009.

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Roberto Gregorio da Silva Junior 2 Jaime Sunye Neto

Universidade Federal do Paraná – UFPR

roberto.gregorio@ufpr.br

Instituto de Engenharia do Paraná – IEP

presidente@iep.org.br 1 Introdução

O processo de concentração populacional e econômica, desenvolvido ao longo de várias décadas, é um fenômeno que tem causado significativas desigualdades locais, regionais e internacionais, intensificando problemas sociais e econômicos. A produção mundial está concentrada em aproximadamente 1,5% do território do planeta. A União Europeia, Japão e América do Norte, com menos de um bilhão de habitantes, geram cerca de 75%

Roberto Gregorio da Silva Junior é doutorando em Administração pela PUC-PR; mestre em administração pela UFPR (1993), especialista em Engenharia de Produção pela UFSC (1987) e graduado em Engenharia Mecânica pela UFPR (1980). Realizou dezenas de cursos e visitas técnicas no Brasil e em vários países americanos e europeus. Possui mais de 25 anos de experiência em engenharia, inovação tecnológica e administração no âmbito público e privado. Concebeu e implantou diversos empreendimentos e programas de capacitação tecnológica. Foi diretor do Lactec (1997 a 2003), diretor superintendente do Cetis (1998 a 2000), diretor superintendente da Escoelectric (2002 a 2003), diretor geral da Casa Civil do Paraná (2000 a 2001), além de diversas funções na COPEL, onde trabalhou por quase 20 anos, e em outras empresas e entidades do terceiro setor. No Sistema Confea / Creas foi conselheiro regional e conselheiro federal (1991 a 1993). Também foi dirigente de várias entidades entre as quais o Instituto de Engenharia do Paraná e a Agência de Inovação e Engenharia do Paraná (Engenova) da qual foi presidente (2007 a 2009). Há mais de 20 anos é professor da UFPR, na qual atua nas disciplinas de administração e economia de engenharia. Organizou o livro “Empreendedorismo Tecnológico” (2009), no qual é autor do capítulo “Oportunidades de negócios” e do apêndice “Um caso de incubação de empresas via entidade de classe”. Entre seus artigos mais recentes estão: “Pesquisa e desenvolvimento e a qualidade dos serviços de energia elétrica” (2008); “A pesquisa e desenvolvimento na estratégia competitiva das concessionárias do setor elétrico brasileiro” (2009) e “Estratégias de legitimação nos mercados brasileiro e paraguaio: o caso de Itaipu (2009).
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Jaime Sunye Neto é formado em Eng. Civil pela UFPR (1979). Trabalhou na FUNDEPAR e Secretaria de Educação. Desde 2003 coordena o Projeto de Xadrez nas Escolas do MEC. Participa da Diretoria do IEP desde 2003 e é o atual Presidente do Instituto (Gestão 2009-2011). Participa da Diretoria da ACP desde 2002 e é o atual Vice-Financeiro Administrativo. Foi presidente da CBX - Confederação Brasileira de Xadrez (1988-1992) e Presidente das Américas da FIDE - Federação Internacional de Xadrez (1994-1998). Foi GMI - Grande Mestre Internacional de Xadrez em 1986.

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da riqueza mundial. Por outro lado, mais de um bilhão de pessoas que residem nas nações mais pobres, principalmente na África e Ásia, tem acesso a menos de dois por cento dessa riqueza [1]. No Brasil, três estados da região Centro-Sul, com 15% do território nacional, respondem por mais da metade da produção. Em alguns estados mais pobres do país, a taxa de pobreza é o dobro da encontrada nos mais prósperos [1]. Somente a grande São Paulo gera 15% da produção brasileira avaliada pelo PIB (Produto Interno Bruto) [2]. No estado do Paraná, 20 dos seus 399 municípios, que compõem a microrregião de Curitiba, abrigam cerca de 30% da população do estado e respondem por 43% de sua atividade econômica medida pelo Valor Adicionado Fiscal [2]. No Paraná, a concentração pode ser ilustrada pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), que contempla as dimensões de saúde, educação, emprego e renda. Em 2006 o IFDM do Brasil era de 0,7376 e do Paraná de 0,8074 (o segundo melhor do país). Entretanto, 87% dos seus municípios estavam abaixo da média nacional e 97,5% abaixo da média estadual, indicando, inclusive, um aumento da desigualdade em relação ao ano anterior. No referido ano, 52% dos municípios paranaenses estava abaixo da média do estado em saúde e 44% abaixo em educação. Porém, a grande maioria (98%) estava abaixo da média estadual no tocante ao emprego e renda [4]. A concentração também está presente dentro de localidades e cidades desenvolvidas. Vários são os casos em que a prosperidade convive com a emergência social e com os bolsões de pobreza, como é o caso das grandes metrópoles. Essa situação demanda, em especial, a constante ampliação dos serviços públicos e de infraestrutura básica para a manutenção ou recuperação da qualidade de vida. Outro aspecto a ser considerado é a tentativa de reprodução de soluções exógenas não adequadas às realidades locais. Diniz Filho e Vicentini [5], por exemplo, entendem que muitas das atuais reformas urbanas resultam em processos incompletos ou projetos mal acabados, pois não tem aderência com as possibilidades de investimento e renda geral das cidades e regiões mais carentes [5]. De outro lado, as aglomerações urbanas propiciam sinergias e benefícios que devem ser explorados. Segundo Edward Glaeser, nas cidades globais como Londres, Nova York, São Paulo, entre outras, é possível identificar duas características fundamentais que são o capital humano e a densidade populacional. O poder econômico dessas cidades é sustentado pelas ideias e maior convivência entre as pessoas, potencializando, assim, a criação e dispersão de ideias [2]. As concentrações também geram acumulação de serviços e diversas outras facilidades que criam elementos de escala e atratividade social e econômica. Muitas pessoas identificam nas concentrações melhores serviços, como saúde e educação, oportunidades de emprego ou renda e novas perspectivas de vida. Já as empresas encontram, nessas aglomerações, a desejada proximidade com os seus mercados, tanto consumidor quanto fornecedor, bem como a infraestrutura e logística adequadas para suas operações. Nesse contexto emergem duas questões básicas. Uma é se a concentração aumentará a prosperidade econômica e social, ou se causará congestionamento e degradação. Outra é se ela não impedirá a atenuação dos desníveis entre os padrões de vida dos beneficiários e os mais desfavorecidos por tal processo. As tentativas de equacionamento dessas questões têm partido da

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premissa de que o ritmo de urbanização deve ser contido, entretanto, as ações nesse sentido têmse mostrado ineficazes, assim como o processo de concentração tem-se mostrado irreversível em várias partes do mundo [1]. A definição da orientação estratégia sobre o equacionamento dessas questões é fundamental para subsidiar a formulação de políticas direcionadas à promoção do desenvolvimento, como é o caso dos investimentos públicos em empreendimentos e infraestrutura produtiva. Essa definição, em especial, é relevante para o Paraná em razão das significativas desigualdades sociais e econômicas presentes em seu território. Nesse sentido e sem pretensão de aprofundar a discussão de tal orientação, o presente capítulo apresenta algumas considerações estratégicas sobre o Projeto BEL-i9 de iniciativa da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), voltado à promoção do empreendedorismo e inovações, através da incubação de negócios na área de telecomunicações. 2 Orientações estratégias

As experiências bem sucedidas nos processos de desenvolvimento indicam que a produção tende a se tornar mais concentrada. Porém, também mostram que é possível trabalhar por uma maior convergência dos padrões de vida, tornando-os mais uniformes no espaço. Ou seja, apesar da tendência da produção se manter concentrada, o desenvolvimento sob o viés social e econômico, pode ser inclusivo. Para isso a formulação de políticas deve ser baseada no princípio da integração econômica, com o adequado uso de instituições, infraestrutura e intervenções específicas com foco na integração geográfica em lugar do direcionamento geográfico [1]. O papel principal das instituições é garantir a oferta de serviços básicos. Por sua vez, a infraestrutura visa facilitar a mobilidade das pessoas, a movimentação de mercadorias, o acesso a serviços e o intercâmbio de ideias e, ainda, outras facilidades, especialmente pela disponibilização de sistemas de transporte e comunicação. Já as intervenções contemplam ações direcionadas para questões específicas de cunho social, como melhoria de favelas, ou econômico, como incentivos para a produção em determinadas localidades [1]. O contexto da inovação é particularmente adequado para dar forma a esse tripé do desenvolvimento inclusivo (instituições, infraestrutura e intervenções), especialmente, pela relevância que ela, ao lado da educação, ciência e tecnologia, tem nos processos de desenvolvimento. A inovação contribui para o adensamento das cadeias produtivas, envolvendo maior diferenciação em produtos e serviços, ganhos de produtividade, melhoria da logística e aumento da capacidade de exportação, entre outros benefícios. Ela também aumenta o acesso aos recursos de produção, uso mais eficiente e até reaproveitamento dos mesmos. De outro lado, também potencializa os riscos para a produção dependente de recursos básicos ou não especializados, pois cria facilidades para concorrência, reprodução, substituição e até redução no uso dos mesmos [6]. Caracterizada como um fenômeno sistêmico e interativo, a inovação contempla diferentes tipos de cooperação e depende da interação entre instituições de ensino, centros de pesquisa, empresas, entidades políticas, órgãos governamentais e outras organizações [7]. Ela também requer

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formação tecnológica, visão estratégica, interação empresarial, perspectiva internacional e capacidade empreendedora [8]. As inovações que deram e dão suporte aos significativos avanços sociais e econômicos, especialmente em telecomunicações, tem transformado radicalmente os sistemas produtivos, as empresas, o comportamento das pessoas e a sociedade em geral. O reconhecimento da importância da inovação tem estimulado a criação de indicadores do esforço e de resultado dos investimentos na mesma. O European Innovation Scoreboard (EIS), por exemplo, utiliza como indicadores de esforço os de indução, criação do conhecimento, inovação e empreendedorismo. Como indicadores de resultado, o EIS utiliza aqueles relacionados à aplicação e propriedade intelectual. Outro exemplo é o Global Innovation Scoreboard (GIS) que classifica os indicadores de inovação em indutores, criação do conhecimento, difusão, aplicação e propriedade intelectual [9]. Para avaliar a indução da inovação, o EIS tem utilizado como indicadores, as relações entre o número de habitantes os diplomados em ciências e engenharia, formandos no nível superior, taxa penetração da banda larga; participação em educação continuada e jovens que com o segundo grau. Por sua vez, o GIS, nesse mesmo sentido, tem utilizado apenas os dois primeiros indicadores e acrescenta o número de pesquisadores [9]. 3 Incubadoras tecnológicas

A experiência brasileira mostra que o processo de inovação deve repercutir no setor produtivo e que não faz muita diferença o empenho de governos e da academia [10]. Ou seja, é fundamental a participação do segmento empresarial nesse processo. A transformação do conhecimento ou, mais especificamente, da tecnologia em emprego, renda e novos negócios depende do efetivo envolvimento das empresas. Assim, cresce a importância das iniciativas voltadas à promoção do empreendedorismo baseado no conhecimento. Entre elas está a implantação das incubadoras de empresas e negócios de base tecnológica. No Brasil o número de incubadoras de empresas cresce aproximadamente 30% ao ano, reproduzindo, com sucesso, um fenômeno que ocorre há vários anos em diversas partes do mundo. Com cerca de duas décadas de experiência na incubação de negócios, o país já conta com quase 400 incubadoras. Esse dinamismo tem várias razões, entre os quais está a redução da mortalidade empresarial. No âmbito nacional, mais de 60% das micro e pequenas empresas não operam por mais de três anos. Por outro lado, mais de 80% das empresas que passam por processos de incubação continuam em operação após esse período [11]. As incubadoras brasileiras têm gerado resultados excepcionais em relação ao investimento realizado para a sua implantação, com destaque para a geração de empregos, impostos, novos produtos e serviços. As incubadoras também estimulam a mudança do perfil e cultural regional, especialmente por se constituírem em expressão física da capacidade empreendedora e da inovação. Elas apresentam ainda um efeito multiplicador na geração de novos negócios contemplando iniciativas complementares e até similares, bem como outras ações que surgem da demonstração de práticas e processos de aprendizado empreendedor [11].

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No Paraná as principais incubadoras tecnológicas estão reunidas na Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos (Reparte), uma entidade privada e sem fins lucrativos, que conta com 28 incubadoras associadas, das quais um pouco menos de 30% está sediado em Curitiba [12]. Um dos destaques paranaenses na incubação de empresas cabe à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) que há vários anos tem promovido o empreendedorismo junto aos seus alunos e professores, bem como mantém seis hoteis tecnológicos que oferecem suporte para a criação de produtos, serviços e empresas inovadoras. Também merecem destaque os hoteis de projetos de inovadores do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), que oferecem um processo de pré-incubação para projetos de alunos e ex-alunos das instituições vinculadas ao mesmo. Uma recente inovação institucional na incubação de empresas ocorreu no Paraná, onde foi implantada a primeira incubadora brasileira vinculada a uma entidade classe profissional. Essa iniciativa do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), ocorrida em 2003, tem contribuído com a geração de empregos qualificados, promoção de inovações tecnológicas, valorização profissional e outros benefícios para a classe que representa e sociedade em geral. Outro aspecto relevante dessa iniciativa é que ela sinaliza um novo papel para as entidades profissionais, que é promover negócios, empresas e empreendimentos tecnológicos [13]. 4 Considerações finais

As iniciativas voltadas à promoção de inovações em telecomunicações são estrategicamente importantes para o Paraná. Em primeiro lugar, pelo papel que essa área tem desempenhado nas mudanças sociais e econômicas contemporâneas. Em segundo, pelo seu potencial na promoção do desenvolvimento inclusivo. O projeto BEL-i9, em especial, contempla as três dimensões básicas desse tipo de desenvolvimento, que são as instituições, infraestrutura e intervenções. Assim, ele apresenta os requisitos potenciais para auxiliar nos esforços em prol do maior compartilhamento da prosperidade econômica, bem como na atenuação das diferenças de padrões sociais e econômicos no Paraná. Isso é possível porque esse projeto mobilizará diferentes atores institucionais oriundos dos segmentos privado, acadêmico e governamental. O esforço conjunto dessas instituições poderá redundar em melhorias na oferta de serviços públicos, qualificação e atualização profissional, desenvolvimento da capacidade empreendedora e outros benefícios de interesse da sociedade. No âmbito institucional, o projeto poderá também inovar, indo além das parcerias tradicionais nas iniciativas de incubação, que envolvem universidades e centros de pesquisa. Uma alternativa nesse sentido é uma possível parceria com o IEP, em especial através de sua Incubadora de 2 Empreendimentos de Engenharia do Paraná (IE P) [13], bem como, com outras entidades de classe, especialmente da engenharia, das diversas áreas tecnológicas e de negócios. No tocante à infraestrutura, o projeto poderá potencializar a geração de novas soluções em telecomunicações, contribuindo para a ampliação de serviços que poderão facilitar as atividades

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econômicas, interações entre as pessoas, acesso ao conhecimento e diversos outros benefícios. E, finalmente, o projeto contemplará intervenções específicas direcionadas à promoção da inovação e desenvolvimento da capacidade empreendedora, fatores reconhecidamente importantes para a promoção do desenvolvimento. 5
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Referências
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[10] MAZZONETTO, Caroline; DIAS, Cora. Compromisso com a Mudança. Locus: Anprotec, no 57 • Ano XV, p. 28 (até 35), Julho/Agosto/Setembro 2009. [11] ANPROTEC (Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Agenda das cidades empreendedoras e inovadoras. Brasília: ANPROTEC, 2004. Disponível em: <http://www.anprotec.org.br/ArquivosDin/anprotec_agendadascidades_pdf_33.pdf.> Acesso em: 30.11.2009. [12] REPARTE (Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos. Portal eletrônico. Associados. Disponível em: <http://www.reparte.org.br>. Acesso em 30.11.2009.

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[13] SILVA JR., R. G. Um caso de incubação de empresas via entidade de classe. In. ______ (org.) Empreendedorismo tecnológico. Curitiba: IEP, 2009. p. 187-193.

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Maria Elisa Ferraz Paciornik

FERRAZPACIORNIK consultoria e planejamento ltda.
melisa@ferrazpaciornik.net

Projeto BEL

A proposta contida no projeto BEL é da maior importância para o consumidor, que através dele terá oportunidade de exercitar sua cidadania, escolhendo o pacote (bundle) mais adequado para seu estilo de vida, não ficando refém de operadoras de telefonia e de TV a cabo, como é o caso hoje em dia. Trata-se de importante instrumento de democratização, pois hoje, embora os cidadãos brasileiros estejam livres (pois não há mais monopólios) para escolher uma operadora de telefone fixo, ou celular, ou de TV a Cabo, são todos absolutamente submetidos às regras despóticas por parte delas, sem falar na dificuldade encontrada, cada vez que se quer mudar de operadora. O valor agregado para a COPEL, quando da implantação deste projeto, é incomensurável; o consumidor acredita na COPEL e se sentirá mais respeitado, enquanto cliente, com esta inovação que trará tantos benefícios a ele.

Maria Elisa Ferraz Paciornik é Bacharel em Direito (UFPR), Pós-graduada em Direito Público (PUC/SP). Atualmente, cursa o terceiro ano de graduação em Filosofia (UFPR). Realizou estágios internacionais de estudos em diferentes países, como Inglaterra, EUA e França. Foi presidente da Aliança Francesa de Curitiba; Conselheira da Federação das Indústrias do Paraná – FIEP; Presidente do Conselho de Administração da Universidade Livre do Meio Ambiente; Procuradora da Prefeitura Municipal de Curitiba desde 1971; Diretora Executiva da Fundação Cultural de Curitiba; Diretora de Ação Social da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Curitiba; Secretária de Recursos Humanos da Prefeitura Municipal de Curitiba; Presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba – CIC (1992 a 1996). Representou o Brasil no Escritório da Onudi em Paris (1997 e 1998). Foi Secretária de Estado da Administração do Paraná (1999 e 2000); e Diretora de Relações Exteriores da Renault do Brasil (2000 a 2002). Atualmente presta consultoria através da empresa FerrazPaciornik Associados, na montagem e implantação e administração de projetos, novas estruturas de gestão, empreendimentos de responsabilidade social e geração de novos negócios para mercados emergentes. Além disso, é Presidente da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (UFPR).

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Projeto Copel.org

Provavelmente, boa parte do índice de aceitação e de respeito do paranaense para com a COPEL, deve-se ao seu trabalho de inclusão social, através, sobretudo, do programa “Luz Fraterna”. A questão das “cotas”, estabelecidas nas universidades, para afrodescendentes, egressos de escolas públicas, além de ser um instrumento de discriminação, mostra-se ineficaz, porque, na maioria dos casos, há uma insuficiência de saber, que impede o acompanhamento posterior das aulas. Parece claro que, para o desenvolvimento do país, há que se investir intensamente na educação básica. A educação não poderia ser nem uma prioridade do estado, mas uma estratégia de estado. Uma vez que a educação seja eficiente, não haverá mais necessidade de cotas, para ingresso no ensino superior. O projeto Copel.org, cujo objetivo é o atendimento às populações de mais baixa renda com acesso à Internet por rede sem fio, irá, com certeza, se constituir em um instrumento concreto de inclusão social, através da inclusão digital. Não há, atualmente, qualquer possibilidade no mercado de trabalho, para quem não tenha conhecimentos de informática e possibilidade de acesso à informação. A cultura geral consiste hoje em um pré-requisito para o acesso a cargos executivos. Os professores da rede pública necessitam de constante aprimoramento. Grande parte das escolas hoje, no Paraná, dispõe de hardware; o projeto Copel.org, traria um upgrade fundamental, para os alunos e também para os professores. E permitirá, a esses alunos, uma competição em parâmetros de igualdade com os jovens egressos de escolas privadas. Possibilitará ainda, com facilidade, a alfabetização de adultos, erradicando com esta vergonha nacional. Além do fator educação, há ainda a questão da profissionalização. O projeto pode abrir um leque de oportunidades de especialização e de busca de mercado de trabalho muito grande, se direcionado para esse foco. Da mesma maneira, pode facilitar em muito o pequeno comerciante, profissional autônomo da periferia, o acesso a informações necessárias, bem como à formação específica para sua área. Em função do grande contingente de população de classe C e D, e do importante aumento de seu poder aquisitivo, suponho que as grandes redes de comércio populares terão muito interesse no patrocínio de um projeto de tal alcance. 3 Projeto BEL-i9

A pesquisadora Rebecca Henderson, do MIT, diz que “o pior dano que uma empresa pode causar aos técnicos é permitir que esses percam a sua capacidade de inovar e a visão de mercado”. De

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fato, um dos piores danos que um país pode causar a si mesmo, é não propiciar oportunidade para seus talentos inovadores se desenvolverem em seu próprio país, aplicando seus conhecimentos nele. Há décadas, assiste-se ao êxodo de talentos para países que prestigiam e remuneram mais efetivamente a pesquisa e o desenvolvimento. E quantos talentos nativos nunca tiveram oportunidade de se desenvolver? Quantos valores têm sido perdidos no Brasil à medida que o tempo passa? O projeto BEL-i9 será mais um instrumento efetivo de pesquisa e desenvolvimento; sem tirar o mérito de incubadoras ligadas exclusivamente à academia, o fato de estar ligado à empresa dará a esses jovens talentos, um cunho de praticidade e aplicabilidade de seus projetos no mercado. 4 Algumas Sugestões

Um projeto como este será mais rico e eficaz quanto mais conseguir estabelecer uma rede de apoios na comunidade, além dos já citados no projeto. 4.1 Em relação à educação Estabelecimento de uma rede consistente de secretarias de educação e de desenvolvimento social, Ministério da Educação, escolas públicas, escolas de línguas estrangeiras (boa parte delas tem isenção de impostos – as oficiais de cada país –, logo, tem obrigação de realizar um trabalho social), associações de bairros, instituições de desenvolvimento social, para cooperarem na implantação e desenvolvimento do projeto. 4.2 Em relação ao mercado de trabalho Estabelecimento de uma rede de instituições ligadas ao ensino profissionalizante, tais como SESI, SENAI, SENAC, SEBRAE, Ministério do Trabalho, Ministério de Ciência e Tecnologia, entidades sindicais e de classe, ACP, FIEP, FAE, FACIAP, Secretarias de Desenvolvimento Econômico, Agências de Fomento, grandes empresas, para desenvolvimento de programas de formação e de especialização para profissionais e pesquisadores, para novos negócios. 4.3 Em relação à pesquisa e desenvolvimento Já há algum tempo o cerne do sucesso de um empreendimento não está no processo industrial, mas está no que vem antes e depois da fábrica: design, logística, business plan, marketing. Hoje, grande parte dos talentos que imaginam e desenvolvem um produto novo, na sequência, ou são obrigados a vendê-lo, por não conseguir comercializá-los, ou simplesmente desistem do produto. É crucial a adesão destes setores citados ao projeto de incubadoras.

Sobre os novos projetos que a COPEL Telecomunicações propõe para o desenvolvimento socioeconômico do Paraná

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Conclusão

Através deste projeto o Paraná tem condições de assumir a vanguarda na educação e na inovação tecnológica, particularmente em telecomunicações e áreas afins. Haverá nele, ainda, um grande ganho social de “integração” de setores, o que fortalecerá a sociedade como um todo, dando ao perfil eclético da população, mais identidade enquanto paranaenses. Como paranaense, a autora do presente capítulo só pode desejar que o BEL-i9 se transforme brevemente em realidade e que ela possa participar dele, se possível!

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Ruy Sant’Ana

Instituto Ermínia Sant’Ana - IES
ruysantana@onda.com.br

Reflexões...

Darwin mostrou que não são as espécies mais fortes e nem as mais inteligentes que sobrevivem, mas aquelas que melhor se adaptam ao ambiente. Em seu livro mais recente, How the mighty fall – and why some companies never give in, o professor e escritor norte-americano Jim Collins investiga com detalhes o ciclo de vida de inúmeras empresas e corporações. Toda instituição, independente da sua grandeza e sucesso, é vulnerável ao declínio, diz o autor. Qualquer uma pode desaparecer e a maioria, mais cedo ou mais tarde, irá entrar em declínio. Este declínio é, na maioria dos casos, autoinfringido e o caminho da recuperação depende principalmente delas próprias e não de fatores externos. O autor sugere, e explora minuciosamente, um modelo de 5 etapas para explicar as diferentes fases de empresas que desapareceram e de outras que conseguiram se recuperar. É muito interessante a analogia que Collins faz com doenças que afetam o ser humano. Alguém, aparentemente saudável, pode ter dentro de si uma grave doença já instalada. Nesta fase inicial sem maiores sintomas, o diagnóstico é muito difícil, mas um tratamento eficaz pode eliminar a doença e suas consequências. À medida que a doença evolui, o diagnóstico torna-se mais evidente, enquanto o tratamento fica mais difícil ou até impossível. O mesmo acontece com as
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Ruy Fernando Sant’Ana é formado em Engenharia Civil (UFPR), Master of Science (Colorado State Univ.), MBA Marketing (ISAE/ FGV), PhD (Colorado State Univ.). Foi professor em cursos de Graduação e de Mestrado na área de Recursos Hídricos na UFPR (1971 a 2003), sendo homenageado como Patrono e Paraninfo de diversas turmas. Professor de Pós-Graduação na área de Qualidade e de Inovação na UniFAE – Business School (a partir de 1995), recebendo prêmios “Melhores Professores”(1999, 2000, 2001, 2002, 2006, 2007). Professor de Pós-Graduação na área de Gestão da Qualidade na ESIC – Business & Marketing School (a partir de 2006). Professor Convidado em diversas Instituições de ensino. Palestrante em inúmeros eventos no país (desde 1992). Na Companhia Paranaense de Energia – COPEL, atuou de 1972 a 2008 em atividades de Engenharia Civil (Projeto de Usinas Hidrelétricas), como Assessor da Presidência (1986 a 1993), Consultor do Escritório da Qualidade e Produtividade (1996 a 1997), Superintendente da Coordenação de Pesquisa do CPE/CEHPAR (1998), Diretor de Marketing Adjunto (2000 a 2005), Consultor da Diretoria de Gestão Corporativa (2006 a 2007). Na Itaipu Binacional, foi Assessor da Superintendência de Planejamento Empresarial (de 1993 a 1995). Atualmente presta consultoria no Instituto Ermínia Sant’Ana, em Curitiba. Também é Piloto de Avião e de Planadores, com 1300 horas de voo.

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empresas segundo a tese do autor: elas ainda estão aparentemente saudáveis, mas seu declínio é só uma questão de tempo. De tudo que se lê na área de gestão de empresas e de organizações, parece que o traço comum para o sucesso, ou mesmo para a sobrevivência, é o seu poder de renovação, de criação de novos produtos e serviços de qualidade, de melhoria de processos, de encantamento de seus clientes, da sua consciência ambiental e responsabilidade com as comunidades com as quais se relaciona. O segredo que pode garantir uma receita de sucesso é a habilidade de INOVAR. A edição de dezembro de 2009 da prestigiosa revista Harvard Business Review (HBR), apresenta como título de capa Spotlight on Innovation e apresenta quatro artigos muito interessantes e atuais sobre o tema, a saber: • • • • “The Innovator’s DNA”. “How Open Innovation Can Help You Cope in Lean Times”. “Create Three Distinct Career Paths for Innovators”. “Enterprise 2.0: How a Connected Workforce Innovates”.

Uma pesquisa rápida no Google com a palavra “innovation”, por exemplo, apresentará mais de 20 milhões de indicações. A partir daqui, pode-se explorar duas dimensões importantes do tema: (i) O estudo da Criatividade e Inovação como atributo pessoal e de grupos criativos; e (ii) O estudo da aplicação dessas qualidades tão valorizadas, no ambiente das organizações, isto é, a Gestão da Inovação (e do Conhecimento) nas empresas modernas. Na avaliação do autor deste capítulo, a obra mais interessante e completa sobre o primeiro item, é a obra Criatividade e Grupos Criativos, do Professor da Universidade de Roma, Domenico de Masi. Ao longo de quase 800 páginas, o Professor de Masi explora: (i) A história da criatividade; (ii) Estudos sobre criatividade; e (iii) Exemplos de criatividade na Ciência, Religião e nas Artes. No final do livro, é apresentada, usando as palavras do Professor de Masi, “uma bela biblioteca composta de três amplas salas, cada uma das quais contendo muitas estantes cheias de teses que reproduzem mais ou menos a ordem lógica do livro“. Para ilustrar a abrangência do trabalho do Professor de Masi, apresenta-se a figura 1, indicando sua biblioteca de 859 livros sobre o assunto.

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Figura 1 – Biblioteca da criatividade (Domenico de Masi) – 859 publicações

Mas, afinal, o que é Criatividade? Entre tantas definições, explicações, exemplos, encontra-se: “A Criatividade é o recurso mais fecundo com que o homem, desde sempre, procura derrotar os seus inimigos atávicos: a fome, o cansaço, a ignorância, o medo, a feiúra, a solidão, a dor e a morte. Em cada esquina do planeta, em cada fase da sua evolução, a criatividade humana consegue atribuir uma forma ao caos, um significado às coisas“ Em busca de um entendimento consistente sobre a natureza da criatividade, o Prof. Domenico cita o ensaio do psiquiatra Silvano Arieti, Creativity. The Magic Synthesis. Segundo Arieti, o processo criativo consiste numa síntese entre o pensamento primário e o pensamento secundário conforme apresentado por Freud: “O processo primário, para Freud, é um modo de funcionamento da psique, especialmente da sua parte inconsciente. Ele prevalece no sonho e em

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algumas doenças mentais, especialmente nas psicoses. O processo primário funciona de modo muito diferente do secundário, que é o modo de funcionamento da mente quando esta está desperta e se serve da lógica comum. Os mecanismos do processo secundário manifestam-se também no processo criativo; em estranhas e complexas combinações com os mecanismos do processo primário e em sínteses que, apesar de imprevisíveis, são, ainda assim, suscetíveis de interpretação psicológica. É do acoplamento apropriado com os mecanismos do processo secundário que essas formas primitivas de cognição, geralmente limitadas à camadas anormais ou à processos inconscientes, se transformam em forças inovadoras.” Em outras palavras, a criatividade precisa de imaginação e fantasia para se fazer presente na mente humana. O Professor de Masi vai mais além e agrega outros dois elementos explicando que o processo criativo é também síntese da esfera racional, composta de conhecimentos e habilidades, e da esfera emotiva, composta de emoções, sentimentos, opiniões e atitudes. A criatividade, assim, não se caracteriza pela imaginação e pela fantasia sozinhas, mas consiste numa síntese de fantasia e concretude. Acontece que pouquíssimas pessoas possuem simultaneamente esses atributos. Quando isto ocorre, tem-se uma pessoa genial, como por exemplo, Michelangelo. O Professor de Masi, em livro anterior, A emoção e a Regra, explica que esta limitação é superada pela criatividade coletiva, onde são reunidas no mesmo grupo pessoas fantasiosas e pessoas realizadoras. A figura 2 sintetiza o pensamento de Arieti e do Professor de Masi.

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Figura 2 – Fantasia e concretude

Trazendo o debate para o ambiente das “Business Schools”, é interessante o que trata o artigo “Innovation in Turbulent Times“ (Rigby, Gruver e Allen) publicado na edição de junho de 2009 da Harvard Business Review (HBR). Escrevem os autores: “Quando os recursos se tornam escassos, a chave do crescimento é a reunião de um pensador analítico (cérebro esquerdo), com um parceiro cheio de imaginação (cérebro direito)”. Ao longo do artigo, os autores citam inúmeros exemplos de parcerias deste tipo: David Packard e Bill Hewlett, Pierre Wertheimer e Coco Chanel, John Walker e Brad Bird (Pixar), entre outros. Por falar na empresa “Pixar”, também vale a pena citar um dos artigos mais festejados e citados da HBR (está entre os 10 mais lidos): “How Pixar Fosters Collective Creativity” assinado pelo CoFundador e Presidente da Pixar e da Disney Animation Studios, Ed Catmull (edição de setembro de 2008). Neste longo artigo, o autor explica desde o início a importância de compor um time de pessoas competentes e comprometidas, e das dificuldades em gerenciar um grupo tão eclético de pessoas talentosas. Ele encerra o artigo declarando que seu maior feito não foi ter produzido o

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primeiro desenho digital em longa metragem (Toy Story), mas sim, foi ter ajudado a criar um ambiente único que permitiu que o filme fosse produzido. À propósito, a Pixar possui 3 Princípios Operacionais: (i) Todos devem ter liberdade para se comunicar diretamente com todos; (ii) Todos devem se sentir à vontade para dar ideias; e (iii) Devemos ficar por perto das inovações que estão ocorrendo na comunidade acadêmica. A reunião e gestão de equipes ecléticas não é, obviamente, tarefa para principiantes. Citando novamente o Professor de Masi: “Obviamente, não basta colocar lado a lado, mecanicamente, pessoas imaginativas com pessoas concretas, nem é bastante fornecer-lhes um suporte tecnológico adequado: é preciso criar um clima de tolerância recíproca, estima e colaboração; reforçar esse clima, dando-lhe a certeza de uma missão compartilhada; torná-lo incandescente, graças a uma liderança carismática, capaz de derrubar as barreiras que bloqueiam a criatividade de equipe”. Outra questão importante, nessa breve reflexão, diz respeito às contribuições recentes no estudo da Gestão do Conhecimento e da Inovação nas organizações. Aqui também a quantidade de livros e trabalhos técnicos é absurdamente extensa. Talvez o primeiro trabalho, do leitor interessado, seja a separação cuidadosa das contribuições importantes - com fundamentação consistente – e das demais, escritas com base em opiniões superficiais. Um dos livros mais citados, devido a sua contribuição científica original, é o clássico “Criação do Conhecimento na Empresa” dos Professores Nonaka e Takeuchi. Um conceito muito interessante, relativamente recente, é o de “Open Innovation”, ou seja, Inovação Aberta, apresentado pelo Professor Henry Chesbrough da Universidade de Berkeley – Haas School of Business, Center for Open Innovation. Partindo do racional de que o conhecimento está cada vez mais disponível na Internet e suas redes sociais, de que nem todas as pessoas inteligentes do mundo trabalham para você, de que as empresas não podem depender mais exclusivamente de suas pesquisas internas, por que não adquirir invenções ou propriedade intelectual (IP’s) de outras empresas parceiras? Essa entrada de ideias de fora para dentro é chamada de “Outside-in open innovation”. A inovação aberta, que também pode ser no sentido de dentro para fora, ou seja “inside-out”, quebra as barreiras corporativas tradicionais e permite o livre fluxo de ideias, propriedade intelectual, e pessoas. Na edição de dezembro de 2009 (HBR), o Prof. Chesbrough explora, em detalhes, cinco tipos de modelos de gestão para a prática da inovação aberta (de dentro para fora). São apresentados diversos casos de sucesso envolvendo empresas como a British Telecom e suas spin-offs, Azure Solutions, Vidus e Psytechnics; Eli Lilly e InnoCentive; De Beers e Element Six; Lucent e Lucent Digital Video; CH2M Hill e ADA Technologies; Philips Electronics e suas “incubadas” Liquavista, Silicon Hive e a priv-ID; Unilever e MiLife, etc. No mesmo artigo os autores citam, também, empresas que foram criadas para financiar (Venture Capital) esses novos empreendimentos.

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No Brasil, o tema tem igualmente despertado muito interesse. Realizou-se em São Paulo nos dias 22 e 23 de outubro de 2009, a segunda edição do “Open Innovation Seminar”. O Palestrante principal foi o próprio Prof. Henry Chesbrough, que apresentou conferência com o tema “Open Innovation: A new approach to Industrial R&D”. Essa apresentação pode ser vista no seguinte link: http://www.slideshare.net/Allagi/open-innovation-seminar-2009-brazil-henry-chesbrough Neste evento, diversas empresas apresentaram suas experiências, entre elas a 3M, Fiat, e Chemtech (Siemens). Outro pesquisador que tem se destacado é Andrew McAfee, cientista do Center for Digital Business - MIT Sloan School of Business e autor do livro ainda não lançado cujo título será “Enterprise 2.0: New Collaborative Tools for Your Organization’s Toughest Challenges“. O Prof. McAfee explicou, em recente entrevista, o papel das tecnologias sociais na mudança da forma de trabalhar a inovação nas organizações. Ele diz, por exemplo, que muitas empresas estão permitindo que os grandes usuários participem de processos de desenvolvimento de produtos. Não só os grandes usuários, mas qualquer pessoa pode ajudar a desenvolver um novo produto, ou melhorar um produto existente ou resolver um problema real. Essas empresas não mais especificam quem pode participar do processo de inovação, todos são bem-vindos. As ferramentas da Empresa 2.0 são projetadas para ajudar em processos de inovação aberta. A empresa Procter & Gamble (P&G), segundo McAfee, abraçou a filosofia da inovação aberta criando no seu site um link específico (Connect +) para receber ideias inovadoras de qualquer pessoa. A P&G publica não só aquilo que sabe e que pode fazer; destaca também o que precisa. É uma mudança radical; grandes empresas em geral não mostram a sua ignorância. Naturalmente, esta nova abordagem não elimina a forma tradicional de fazer inovação nas grandes empresas, ambas se complementam. Na mesma entrevista, o Prof. McAfee informa que pesquisa recente da empresa de consultoria McKinsey mostra que um número expressivo de empresas (20% das pesquisadas) já abriu seus processos de inovação para seus funcionários e clientes e que em média, o número de inovações tem aumentado 20%. 2 Concluindo...

Em 2009, foi comemorado o centenário do nascimento de Peter Drucker. Nada mais justo que se pense sobre o que ele diria a respeito do Projeto BEL-i9, proposto pela COPEL Telecomunicações. Poderia ser uma pergunta: O que é o melhor para a empresa? E completaria: O fato de fazer esta reflexão não garante que a decisão correta seja tomada. Mesmo o executivo mais brilhante é um ser humano e portanto sujeito a erros e preconceitos. Mas a omissão em fazê-la, praticamente levará à decisão errada.

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Júlio César Felix 2 Rodrigo G. M. Silvestre INTEC/TECPAR – Incubadora Tecnológica de Curitiba, do Instituto de Tecnologia do Paraná

jfelix@tecpar.br

IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade

silvestre@ibqp.org.br

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Introdução

O projeto BEL propôs uma série de desafios dentro da COPEL e em especial na COPEL Telecomunicações, um destes desafios é a implantação de uma plataforma para a criação flexível de novos produtos e serviços. Para isso a concepção das atividades como sendo conduzidas por

Júlio César Felix é formado Engenharia Civil (UEM), com Especialização em Administracion de laboratorios (OPS/OMS, B. Aires); Embalage - Control de la Calidad (Inst. Italiano de Embalage, Milán). Production Engineering and Quality Control of Steel Structure (Ind. Res. Inst. of Hyogo Prefecture, Japan). Foi Diretor de Metrologia Científica e Industrial do INMETRO (1987). Diretor Administrativo do TECPAR (1987 a 1988). Diretor de Tecnologia Industrial do TECPAR (1991 a 1995). Presidente da ABIPTI; Diretor Técnico do TECPAR (1995 a 1999). Membro do Comitê Brasileiro de Metrologia do CONMETRO (1998 a 2009). Diretor de Certificação do TECPAR (2001 a 2004). Presidente da Sociedade Brasileira de Metrologia – SBM (2004 a 2006) e Diretor de Operações do IBQP (2006 a 2009). Atualmente é Gerente da Incubadora Tecnológica de Curitiba, do Instituto de Tecnologia do Paraná (INTEC/Tecpar), Conselheiro Técnico IBQP, Coordenador da Comissão Especial de Estudos da ABNT – Gestão da PD&I. Participou como autor nas seguintes publicações: Desafios do Empreendedorismo Tecnológico Inovador, 2009 (livro); A Qualidade no Brasil - uma experiência profissional, 2008 (artigo); Empreendedorismo no Brasil, 2007/2008/2009 (livros); Sistema de Avaliação da Conformidade de Material Biológico. MCT, 2002 (Livro); A Metrologia no Brasil - Qualitymark Editora, RJ. 1995 (Livro); Guia para Implantação da Confiabilidade Metrológica. ABIPTI/INMETRO. 1986 (Livro). Rodrigo Gomes Marques Silvestre é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL e é Mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atua como economista do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP, é Membro do Comitê Técnico Tecnológico dos Programas da FINEP, PAPPE Subvenção e Programa Juro Zero no Paraná, é Membro do Conselho Consultivo da PEIEX em Curitiba e Membro da Rede de Apoio aos Arranjos Produtivos Locais do Paraná - Rede APL Paraná. Participou como autor nas seguintes publicações: The tendency of development of the information technology industry from 2007 to 2011 in Brazil; The Brazilian System of Digital Television the diffusion and capturing of financial benefits and its impact upon democratization of communication media; Empreendedorismo inovador: perfil atual do empreendedorismo brasileiro segundo o global entrepreneurship monitor.
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indivíduos pertencentes a um “clube” é central, pois, é a participação do consumidor final que definirá que produtos, conteúdos e tipos de pacotes de serviços serão ofertados. Nesse contexto os ofertantes precisam adaptar-se com grande velocidade. Uma opção para essa plataforma pode ser pelo desenvolvimento de novos negócios que fomentados pelo projeto BEL podem seguir possivelmente os seguintes caminhos: a geração de um novo negócio que se utiliza da infraestrutura da COPEL Telecomunicações, a geração de uma tecnologia que pode ser explorada economicamente por meio de licenciamento, o surgimento de uma fornecedora de tecnologia para a COPEL Telecomunicações ou um empreendimento que não seja interessante do ponto de vista econômico. Um dos principais itens do WBS (Work Breakdown Structure) do Projeto BEL destaca a importância de buscar e estabelecer parcerias. Por ser uma empresa com participação importante de capital público a COPEL Telecomunicações tem um papel fundamental em conduzir sua atividade econômica pautada no desenvolvimento da sociedade. Essa característica é relevante para determinar os tipos de parceria que a empresa pretende estabelecer. Dada a sua grande capacidade de transformação social as atividades resultantes do Projeto BEL precisam ser potencializadas por uma estratégia de cooperação com instituições que fomentem a inovação, o empreendedorismo e a responsabilidade social. Nesse aspecto a intenção de estabelecer uma plataforma para o surgimento de novos produtos e novos negócios, se assemelha fortemente à vocação das incubadoras de base tecnológica brasileiras. Essas instituições têm como competência central a atuação em rede que permite que o conhecimento circule de maneira mais eficiente que o estabelecimento de cooperações pontuais entre duas instituições. Complementarmente, essas instituições têm a capacidade de compartilhar o risco associado aos estágios iniciais de empreendimentos inovadores de base tecnológica. Por fim essas instituições têm um papel central no desenvolvimento regional e fomento à sustentabilidade. Entre as incubadoras em operação no Brasil atualmente, uma se destaca pela extensa contribuição ao empreendedorismo de base tecnológica, a Incubadora Tecnológica de Curitiba – INTEC. Essa forma de organização da produção de conhecimento inovador e surgimento de novos negócios, articulada entre uma grande empresa, uma instituição de apoio ao empreendedorismo e indivíduos com ideias e disposição para conduzir negócios de base tecnológica, se assemelha à concepção da inovação como sendo “aberta”. Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley apresenta essa nova abordagem sobre o processo de inovação, chamada de “paradigma da inovação aberta”. Ele destaca que os processos de inovação conduzidos pelas empresas líderes do desenvolvimento tecnológico, até o presente momento, se pautam essencialmente em desenvolver conhecimento internamente e utilizá-lo de modo exclusivo. Nesse caso, uma parte relevante das tentativas de desenvolver novos conhecimentos não chega a atingir o mercado, pois por questões diversas, consta de projetos que não são consideradas como economicamente viáveis e, portanto, a empresa decide por encerrá-los. No caso da inovação aberta as ideias que eventualmente não são úteis ao seu criador inicialmente podem ser utilizadas por outros e gerar rendas de licenciamento e outras formas de garantir a sustentabilidade do empreendimento que a concebeu.

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O presente capítulo se propõe a discutir os aspectos do estabelecimento de uma parceria entre a COPEL Telecomunicações e a INTEC/Tecpar para estruturar uma plataforma para a criação flexível de novos produtos e novos negócios no âmbito do Projeto BEL. Inicialmente é apresentada a abordagem da inovação aberta e seu potencial para o desenvolvimento regional. Na seção seguinte é apresentada a configuração da parceria e o modelo operacional. Em seguida é feita uma apresentação dos pontos fortes e itens para melhoria do estabelecimento da parceria. Por fim é feita uma breve conclusão. 2 Uma abordagem aberta da inovação

A inovação usualmente é tratada como uma atividade conduzida por uma empresa buscando internalizar as ações e conhecimentos necessários para o seu sucesso de mercado. Essa abordagem é relevante para entender o processo de criação da inovação realizado pelas grandes empresas inovadoras até o início do Século XXI. Para os mercados onde a velocidade de surgimento de inovações é relativamente baixa, essa forma de lidar com os conhecimentos novos pode ser eficiente, porém, se as inovações são frequentes em um mercado, conduzir os projetos de maneira isolada eleva demasiadamente o risco de inverter recursos em projetos que não terão um longo período de exploração comercial. Para os mercados onde a tecnologia varia rapidamente e novos produtos, processos e modelos de gestão são introduzidos frequentemente, a abordagem da inovação aberta é mais interessante para sugerir formas de organizar a produção pautada em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – PD&I. Dentro dessa forma de entender a inovação, três processos se destacam: o processo de dentro para fora realizado pelo enriquecimento do conhecimento próprio da companhia por meio da integração com fornecedores, consumidores e fontes externas de conhecimento; o processo de fora para dentro que se refere aos ganhos de lucro por levar ideias ao mercado, vendendo Propriedade Intelectual, multiplicando tecnologias pela transferência de ideias para o ambiente externo da empresa; e o processo composto que se refere à co-criação, em geral, com parceiros com atividades complementares por meio de aliança, cooperação, e joint ventures durante as quais as trocas são cruciais para o sucesso (ENKEL, GASSMANN & CHESBROUGH, 2009). É importante destacar que essa abordagem da inovação não é excludente em relação à abordagem da inovação fechada e sim uma expansão da noção sobre como a inovação pode ser conduzida do ponto de vista da tomada de decisão empresarial. Do ponto de vista social, principalmente para países com grande necessidade de desenvolver seu tecido produtivo, a inovação conduzida de maneira aberta apresenta-se como uma alternativa para pautar as estratégias de apoio à atividade empreendedora. A inovação fechada tende a criar vantagens competitivas para a empresa que a gerou, mas a contrapartida dessa inovação é o surgimento de poder de monopólio temporário para a mesma empresa. Quando se observam o resultado desse relativo poder de monopólio sobre o mercado, e particularmente para aqueles mercados ocupados majoritariamente por Micro e Pequenas Empresas, o resultado coletivo pode ser menor que o resultado individual. Se a inovação foi concebida de maneira aberta, a tendência a maior disponibilidade dos conhecimentos gerados por meio do mercado de tecnologia, licenciamentos etc. permite que o resultado coletivo seja majorado.

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Os três processos de inovação aberta têm em comum a necessidade de estabelecimento de alguma organização em rede, seja pela integração entre elos da cadeia produtiva, seja pela relação com instituições de PD&I, ou ainda, pela coexecução de projetos inovadores. Em todos os casos, uma rede nesses moldes necessita ser estruturada e gerenciada. Essa demanda pela constituição de redes sinaliza a necessidade de uma evolução na forma de atuação das instituições que fomentam a atividade empreendedora e a inovação. É preciso que essa mudança seja pautada à luz dessa visão complementar da inovação. 3 O novo papel de uma incubadora de base tecnológica

As incubadoras tecnológicas têm um longo histórico de contribuições para o desenvolvimento empresarial e regional no Brasil. Inúmeros exemplos de empresas de sucesso têm suas origens associadas às incubadoras de empresas. No Paraná, a Bematech, primeira empresa incubada na INTEC/Tecpar, é sempre lembrada como um caso a ser destacado. Inicialmente, seu papel era de levar conhecimentos e fornecer infraestrutura para empreendedores ligados às chamadas hard sciences e às engenharias. Com isso almejava-se fomentar ideias que tivessem grande potencial disruptivo e capacidade de competir na fronteira do desenvolvimento empresarial. Esse desenvolvimento estava fortemente influenciado pelas experiências internacionais na mesma direção. Esse modelo de desenvolvimento e gerenciamento das incubadoras tecnológicas obteve inegáveis resultados, porém agora é o momento de evoluir para um modelo que incorpore os avanços no conhecimento sobre o processo de inovação e, principalmente, que permita a difusão da inovação pelo segmento de empresas de menor porte e menos dependente de recursos próprios de PD&I. Para constituir esse novo modelo de atuação das incubadoras, a expansão do conceito de inovação para contemplar também os processos de inovação aberta permite reposicionar as incubadoras para que assumam um papel mais central na condução do processo produtivo e no desenvolvimento regional. As incubadoras podem assumir também o papel de fomentar tecnologias e conhecimentos para serem difundidos visando a obtenção de resultados positivos para a sustentabilidade empresarial. Os empreendimentos incubados que se apoiam no desenvolvimento do projeto de um novo produto ou novo processo dependem fortemente dos resultados desse projeto no mercado para avaliar a viabilidade do empreendimento como um todo. Assim, se a incubadora fornece oportunidades no sentido de que os esforços para concretizar uma inovação executados por um empreendedor gerem conhecimento sistematizado, então se criam também oportunidades para ampliar a gama de fontes de recursos e aumentar as chances de sustentabilidade empresarial. 4 Arranjo institucional da parceria e modelo operacional

A proposta que aqui se apresenta é iniciar o arranjo institucional pela proposição da incorporação da COPEL Telecomunicações no Conselho da INTEC, de maneira a estabelecer a governança de um projeto com gestão compartilhada. Com isso seria possibilitado o início imediato das atividades. Essa proposição visa atender ao desenvolvimento da plataforma de novos produtos preconizada no Projeto BEL e iniciar a FASE II da INTEC, prevista em seu planejamento INTEC+20.

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Esse desenho inicial da parceria poderia contar com os 20 anos de experiência da INTEC no gerenciamento e fomento ao empreendedorismo inovador e no desenvolvimento regional. Ao longo das duas décadas recém completadas, a incubadora do Tecpar foi protagonista na criação do ambiente de benevolência da inovação pelo qual o Brasil passa atualmente. Recentemente, também a INTEC aprovou seu Projeto PNI/Finep, Programa Nacional de Incubadoras, da Financiadora de Estudo e Projetos, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), passando a ser Coordenadora de Rede de incubadoras na região, o que ressalta sua capacidade de atuação em parceria com outras instituições e organizações produtivas. A COPEL Telecomunicações poderia ofertar ao projeto sua infraestrutura de comunicação e assim que o fornecimento seja estabelecido à primeira chamada de projetos pode ser efetuada dentro do cronograma de inclusão de novos projetos na estrutura atual da INTEC. Em um segundo estágio, a atuação conjunta das organizações poderia estabelecer a ampliação da infraestrutura física da INTEC, onde já está prevista a expansão do predito e as obras de fundação do prédio expandido já foram realizadas. Nessa nova estrutura, concebida para oferecer uma infraestrutura diferenciada aos empreendedores, seriam ofertadas mais de 30 vagas. Solucionada a questão da infraestrutura física e de comunicação do projeto, o estágio seguinte poderia prever a constituição de um modelo de geração de negócios baseado no paradigma da inovação aberta. Isso significa que os empreendimentos selecionados precisariam estar pautados em uma visão mais ampla do processo de geração de conhecimento. A proposta é que com a supervisão da INTEC e da COPEL Telecomunicações, na gestão dos projetos de inovação que ocorram no âmbito do projeto, possam gerar não somente empresas que desenvolvem tecnologias, mas que também tenha na comercialização e difusão dessas tecnologias um importante pilar de suas estratégias de negócios. O objetivo seria desenvolver uma organização que seja capaz de se apropriar das principais competências, conhecimentos e ativos dos participantes do projeto para obter resultados positivos no mercado e para a sociedade. O diagrama 1 ilustra como as instituições e empreendedores ao tornar seus limites menos rígidos para a circulação da informação podem gerar os conhecimentos necessários para a constituição de uma plataforma de geração flexível de novos produtos e novos negócios. E os principais resultados esperados na dimensão social e de mercado.

Plataforma para a criação flexível de novos produtos e negócios: o paradigma da inovação aberta

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Diagrama 1: Estrutura conceitual da organização para condução do projeto
CONHECIMENTOS, COMPETÊNCIAS E ATIVOS

INTEC/ TECPAR

COPEL Telecomunicações

EMPREENDEDORES

SOCIEDADE

informação

PLATAFORMA DE GERAÇÃO FLEXÍVEL DE NOVOS PRODUTOS E NOVOS NEGÓCIOS

informação

informação

MERCADO

Resultado

Resultado

Desenvolvimento Regional Expansão da fronteira tecnológica nacional Fortalecimento da Competitividade Empresarial Geração de demanda por Emprego altamente Qualificado - Geradores de Conhecimento e Tecnologia para Licenciamento - Geradores de Conteúdo utilizando a plataforma do Projeto BEL - Fornecedores de Soluções em TIC para aprimorar o Projeto BEL - Empresas de Jogos em plataformas 100% on-line - Outros Tipos de Empreendimentos Inovadores

FONTE: FELIX & SILVESTRE, 2009

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

A disposição da plataforma como o centro de convergência da informação e conhecimento permite que a disponibilidade de infraestrutura de comunicação, experiência na gestão de empreendimentos inovadores e a existência de empreendedores dispostos a conduzir negócios inovadores gerem importantes resultados para o mercado e para a sociedade. Os resultados para a sociedade, exigência da participação pública das instituições coordenadoras do projeto, serão principalmente a aceleração do desenvolvimento regional pela criação de empreendimentos com grande potencial de geração de renda e pela disponibilização de conhecimento inovador para as empresas que não estejam diretamente ligadas ao projeto. Como resultado para a sociedade também será possível expandir a fronteira tecnológica para as empresas nacionais em um mercado brasileiro que em 2005 era de cerca de 200 bilhões de dólares (BOLAÑO, SHIMA & SILVESTRE, 2008). Complementarmente, as estratégias competitivas pautadas na inovação tecnológica fortalecerão as empresas e os riscos desses empreendimentos serão partilhados com os integrantes da rede de organizações ligadas ao projeto. Por fim, esses empreendimentos demandarão profissionais altamente qualificados, por um lado isso gera melhoria na qualidade de vida dos empregados diretamente e indiretamente, por outro sinaliza para as instituições de ensino e qualificação de pessoal qual o perfil dos profissionais a serem formados. Particularmente em relação ao último resultado, a experiência da INTEC/Tecpar em gerir uma rede de conhecimento possibilita que a informação sobre essas demandas circulem mais rapidamente dos empreendimentos para as instituições de ensino e qualificação. Os resultados no mercado são semelhantes em sua natureza com os obtidos por empresas agindo individualmente, porém diferem significativamente em relação ao impacto e eficácia. Ao comparar os resultados de uma das empresas a serem incubadas na plataforma com outra que tenha surgido exclusivamente pela ação isolada de um empreendedor, o principal diferencial está na rapidez com que a informação sobre soluções e oportunidades circula para efetivar o sucesso da inovação no mercado. Do ponto de vista coletivo, a principal diferença está na destinação do conhecimento gerado dentro das empresas incubadas. Quando uma empresa isolada inicia um projeto de inovação, a avaliação da viabilidade econômica desse projeto será determinante para decidir se esse resultado é ou não útil para a estratégia da organização e sobre sua continuidade. Em uma das empresas incubadas a viabilidade econômica também é relevante, mas ela é expandida pela possibilidade de difundir o novo conhecimento entre os membros da rede e fora dela. Essa difusão pode ocorrer por meio do licenciamento da tecnologia, troca de conhecimentos ou outras formas de reaproveitar os esforços realizados durante a realização do projeto. 5 Considerações finais

O principal objetivo do presente capítulo é a destacar o potencial que o estabelecimento de parcerias tem para facilitar a obtenção dos objetivos almejados pela COPEL Telecomunicações e definido por seu novo posicionamento estratégico. A sociedade paranaense possui um importante conjunto de ativos institucionais, cujos objetivos se assemelham e convergem para os definidos por essa empresa do setor de energia e telecomunicações. Desta forma é preciso pensar nessas parcerias, inicialmente pelo aproveitamento desses ativos institucionais, para obter no curto prazo os objetivos das instituições e maximizar os resultados para o Paraná. Particularmente, a parceria

Plataforma para a criação flexível de novos produtos e negócios: o paradigma da inovação aberta

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possível com a INTEC/Tecpar poderia permitir a obtenção do objetivo definido de construir e fomentar uma plataforma de criação flexível de novos produtos. A proposta do presente capítulo é iniciar uma discussão sobre a efetiva criação de uma parceria entre a COPEL Telecomunicações no âmbito do Projeto BEL e a INTEC/Tecpar para realizar um projeto piloto de criação de uma plataforma de criação flexível de novos produtos e negócios. Esse projeto almeja conduzir um projeto de incubação de empreendimentos à luz do paradigma da inovação aberta, para potencializar os resultados desses empreendimentos inovadores no mercado e na sociedade. 6
[1]

Referências
BOLAÑO, C. R. S.; SHIMA, W. T.; SILVESTRE, R. G. M. . The tendency of development of the information technology industry from 2007 to 2011 in Brazil. In: 12th International Joseph A. Schumpeter Conference Society, 2008, Rio de Janeiro. Technological Innovation and Development 25, July 2008, 2008. CHESBROUGH, H. W. Open Innovation: the new imperative for creating and profiting from technology. ISBN: 978-1-422102-83-1 2005 ENKEL, Ellen, GASSMANN, Oliver and CHESBROUGH, H. Open R&D and Open Innovation: Exploring the Phenomenon. R&D Management, Vol. 39, Issue 4, pp. 311-316, September 2009. Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=1487834 or doi:10.1111/j.1467-9310.2009.00570.x PESSOA, M. L. Novo posicionamento estratégico da COPEL Telecomunicações frente às transformações do setor. In: PESSOA, M. L. et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Companhia Paranaense de Energia. Curitiba: COPEL, 2008. FELIX, JÚLIO C., et al. Desafios do empreendedorismo tecnológico inovador- Intec 20+20. Curitiba: Tecpar, 2009.

[2] [3]

[4]

[5]

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1

Projeto BEL-i9: transpondo o abismo entre academia e indústria
1

Klaus de Geus

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
klaus@copel.com

O abismo entre a academia e a indústria

Recentemente, o país tem vivenciado uma invasão de conceitos relacionados à inovação e, em especial, aquela que diz respeito ao setor tecnológico. As empresas começam a falar sobre programas e projetos de pesquisa e desenvolvimento, almejando caminhar em direção a um patamar de competência que lhes possibilite adquirir diferencial competitivo sustentando, gerado por meio de conhecimento especializado e, portanto, aquele que não pode ser facilmente reproduzido ou imitado. As empresas do setor tecnológico percebem que, devido ao dinamismo da ciência e do mercado, não podem permanecer estacionadas no tempo, e se veem obrigadas a investir em novos horizontes como forma de sobrevivência e, se possível, de se sobressair no mercado e gerar maiores lucros. Entretanto, apesar dessa invasão de conceitos e da consciência de alguns gestores sobre a importância de investir na inovação, o modelo de gestão vigente no país continua resistindo a absorver integralmente os novos conceitos que se lhe apresentam, e acabam por impor barreiras que dificultam e até mesmo impedem a efetiva integração entre o mundo acadêmico e o mundo empresarial. Por sua vez, a academia envida seus esforços no sentido de mostrar à sociedade sua abertura à geração de resultados que lhe proporcionem benefícios práticos. Tais esforços ainda se mostram inócuos, uma vez que a academia persiste em seu modelo quase puritano de empreender pesquisa científica.
1

Klaus de Geus é Engenheiro eletricista pela Universidade Federal do Paraná, Master of Science (MSc) em Ciência da Computação pela University of Manchester, Inglaterra, Doctor of Philosophy (PhD) em Ciência da Computação pela University of Sheffield, Inglaterra. Atuou em instituições, tanto na indústria como na academia, tais como Siemens, Simepar, UFPR, PUCPR, Uniexp e FAE. Atualmente é gerente de programa de P&D da COPEL Geração e Transmissão S.A., onde também gerencia e coordena projetos de pesquisa. É professor colaborador no programa de mestrado e doutorado do Centro de Estudos de Engenharia Civil - CESEC da Universidade Federal do Paraná – UFPR e diretor da Faculdade de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). É membro dos Comitês Científicos do “IASTED - Conference on Computer Graphics and Imaging” e do “International Conference in Central Europe on Computer Graphics, Visualization and Computer Vision” e editor responsável do periódico técnico-científico Espaço Energia (ISSN: 1807857-5). É autor de diversos artigos científicos e do livro “Mentes criativas, projetos inovadores - A arte de empreender P&D e inovação” (no prelo), pela Musa Editora.

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Apesar do grande potencial que o país apresenta em suas atividades científicas e até mesmo em alguns pontos de seu setor empresarial, essa resistência mútua dos dois mundos, científico e empresarial, impõe ao país a perda da oportunidade de gerar inovação e despontar como uma nação geradora de riquezas baseadas no conhecimento. A produção científica brasileira tem proporcionado ao país despontar como uma força emergente e de grande potencial no cenário acadêmico mundial. Porém, o país ainda fraqueja na tarefa de transformar seu conhecimento e suas criações científicas em produtos palpáveis, ou seja, o país ainda fraqueja na concretização da inovação. Não obstante sua significativa produção científica, o Brasil continua pagando royalties para fazer uso das invenções realizadas em outros países e que foram exploradas em todo o seu potencial, gerando produtos inovadores. A necessidade de construir uma ponte que una o mundo acadêmico e o mundo empresarial com vistas a produzir inovação a partir das criações e do conhecimento científico gerado no Brasil se torna, portanto, premente. Em países que se sobressaem no cenário científico e que ao mesmo tempo apresentam maturidade em seus métodos de realizar empreendimentos inovadores, uma quantidade significativa de cientistas atua no setor empresarial, o que permite às empresas absorver a cultura científica, distanciando-as do modelo de gestão baseada na revolução industrial e, ao mesmo tempo, chamando a atenção da academia para novas oportunidades que gerem valor prático para a sociedade. O paradigma industrial preconiza a ideia de que pesquisa científica se faz na universidade, e que as empresas têm que lidar apenas com coisas práticas. Da mesma maneira, é comum perceber-se nos bastidores das universidades a resistência quanto ao envolvimento de cientistas em empreendimentos industriais, por ser isso considerado uma forma de contaminação. Enquanto esses dois pensamentos perdurarem, o país não conseguirá construir uma ponte que possa unir a academia e a indústria e, portanto, transpor as barreiras que impedem o estabelecimento da cultura do empreendedorismo inovador. 2 A natureza das atividades criativas

Uma das principais questões a se abordar na busca de se construir a ponte que una os dois mundos, acadêmico e industrial, é a que se refere à natureza de empreendimentos inovadores com base científica. É necessário que se compreenda o mecanismo pelo qual os principais ingredientes da inovação interagem. Para tanto, serão abordadas questões que se mostram essenciais na diferenciação entre o caráter de atividades industriais e o de empreendimentos inovadores, tais como a relação entre controle e criatividade, o apetite ao risco e as principais características do trabalho criativo. 2.1 Controle versus criatividade A literatura científica relacionada ao tema “liderança” relata algumas conclusões acerca da relação entre a organização e a criatividade. Em seu livro intitulado “Uma bagunça perfeita” (“A perfect mess”), Eric Abrahamson e David Freedman [1] defendem a ideia de que a bagunça (ou falta de ordem) não é nociva ao ambiente empresarial ou mesmo à vida pessoal. Ao contrário, eles vão

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além afirmando que a desorganização é benéfica, pois permite que as pessoas sejam mais eficientes e percam menos tempo. A criatividade lida com ideias inusitadas e, portanto, não deve ser confinada a um ambiente que tenha um caráter fortemente processual. Um ambiente totalmente organizado sufoca os impulsos criativos, pois limita a liberdade de pensamento e de ação. A organização, por sua vez, é um dos aspectos mais fortemente explorados pela gestão baseada no controle. Nesse modelo de gestão, baseado no controle, pode-se até falar em inovação ou no fomento a empreendimentos inovadores, porém o paradigma no qual se baseia mostra-se completamente inadequado a tais atividades. A criatividade e o controle lutam entre si e, por esse motivo, não conseguem conviver harmoniosamente em um ambiente único. Dessa maneira, é necessário escolher um caminho, adotar uma estratégia, que possa fundamentar a natureza do empreendimento. 2.2 Apetite ao risco A maioria das tarefas criativas são empreendimentos arriscados. Sua natureza já pressupõe essa característica, uma vez que não se sabe ao certo qual será o caminho para conquistar a solução para o problema. Aliás, muitas vezes nem se pode dimensionar ao certo a extensão do problema, ou talvez nem se compreenda na integralidade o seu escopo. Portanto, o risco é inerente ao empreendimento criativo. Muitas vezes, ele pode até ser identificado na própria mente das pessoas, ou em seu estado de espírito, em seu ânimo, em sua motivação. Se uma pessoa não está disposta a criar em um determinado instante, resultados não serão concretizados [2]. Segundo o extenso estudo sobre a criatividade escrito por Mumford et al [3], três fontes de risco parecem ter significativo impacto em empreendimentos criativos: • A geração de uma ideia viável não está assegurada: obter ideias inovadoras é algo completamente dependente da criatividade das pessoas. Muitas vezes, mesmo que o ambiente de trabalho seja completamente favorável à criação, a geração de ideias que levem a uma solução tão inovadora quanto o desejado também não está garantida. Em suma, dependendo das circunstâncias, é possível que os resultados obtidos não sejam os esperados. Mesmo que a ideia seja gerada, não há garantia de que ela possa ser implementada: uma característica do processo de pensamento de uma pessoa criativa é a de não se atrelar muito ao mundo real, à maneira como as coisas devem ser feitas, se algo é realmente factível ou não. No mundo das ideias, tudo é possível. Muitas vezes, as ideias geradas podem não levar a um produto realizável, ou então o produto final pode não ser viável sob o ponto de vista econômico ou técnico. Mesmo que o seu desenvolvimento seja bem-sucedido, não há garantia de que o produto final seja um sucesso: o produto final pode não ser bem aceito por seus potenciais usuários, levando o projeto a ser malsucedido em termos de resultados e aplicabilidade.

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Em algumas áreas, esse problema pode ser causado por falhas em processos correlatos, tais como marketing ou publicidade. O risco que decididamente está implícito em empreendimentos criativos implica a necessidade de experimentação e a necessidade de tolerar falhas [4] [5] apud [3]. 2.3 O trabalho criativo Trabalho criativo é tipicamente relacionado com artistas e cientistas. Quando pensamos em criatividade, é natural que venha à nossa mente as pessoas ligadas à arte e, quando muito, à ciência. Entretanto, a criatividade não está necessariamente relacionada com o tipo de ocupação profissional. Em vez disso, ela ocorre em tarefas que envolvem certos tipos de atividade, a saber, aquelas que envolvem problemas complexos, por vezes nebulosos, e cuja solução requer a geração de novas ideias. Outra faceta da criatividade é que ela é centrada em pessoas, ou seja, a criatividade reside nas pessoas, em suas mentes, em sua maneira de ser. É claro que a criatividade está presente nas mais diversas atividades, independentemente de seu nível intelectual. Entretanto, quanto maior o nível intelectual, maior impacto parece ter o resultado da criatividade. Mais do que isso, a criatividade parece andar junto com o conhecimento. Pessoas criativas tendem a mergulhar em estudos, adquirir conhecimento e utilizá-lo em suas soluções criativas. Muitas dessas soluções advêm da ativa manipulação do conhecimento adquirido. E sobre tudo isso está o fato de que a especialidade em certa área do conhecimento acontece de forma muito lenta e gradativa. Tudo isso demonstra que a geração de soluções criativas é resultado de um processo longo e complexo. Para empreender um trabalho criativo em equipe, ou, em outras palavras, resolver um problema de forma criativa em equipe, as partes envolvidas devem: • Trabalhar a correta definição do problema, esclarecendo com o maior número de detalhes possível toda a sua extensão. Vale considerar que esses tipos de problema normalmente não permitem vislumbrar seus detalhes facilmente, especialmente no princípio do trabalho. Adquirir conhecimento sobre o tema no qual o problema parece estar inserido. Nota-se, pela construção dessas frases, que no início desse processo o grau de incerteza é muito grande. O conhecimento a ser adquirido deve ser abrangente o suficiente para que se vislumbre pelo menos algumas direções de trabalho. À medida que se evolui nesse conhecimento, a direção de trabalho definitiva vai se esboçando, até ficar evidente. Dentro da linha de trabalho definida, o conhecimento deve ser lapidado ativamente. As ideias iniciais devem ser progressivamente refinadas e estendidas para que sua implementação possa ser bem-sucedida.

Essa breve exposição demonstra que a execução de um projeto dessa natureza exige um longo tempo, dada a complexidade envolvida em suas atividades. As implicações das características mencionadas se traduzem em:

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Trabalhos criativos dependem muito da motivação das pessoas envolvidas. Além disso, o nível de motivação tem grande impacto nos resultados obtidos, ou seja, quanto maior o nível de motivação, tanto melhor serão os resultados e o próprio desenvolvimento do projeto [6] [7]. Trabalhos criativos requerem atenção sustentada durante longos períodos de tempo, sob condições em que o grau de ambiguidade é alto, o feedback negativo é provável e o estresse é parte da vida diária [8]. Isso significa que a liderança deve estar extremamente atenta para aspectos muito mais subjetivos do que aqueles conhecidos em técnicas de gestão de projetos.

3

O perfil de pessoas criativas

Em um estudo que fez uso de preferências de atividades com vistas a avaliar a motivação de pessoas com perfil científico e com perfil voltado à gestão industrial em termos de conquista, de afiliação e de poder, Harrel e Stahl [6] apud [2] chegaram a algumas conclusões relevantes e que merecem ser explicitadas ao se considerar a relação entre modelos de gestão e perfis pessoais. As pessoas com perfil científico obtêm maiores notas em motivação pela conquista, ou seja, pouco lhes importa sua posição empresarial ou política, contanto que eles estejam enfrentando desafios e conquistando resultados que tragam valor. Pessoas criativas evidenciam, portanto, forte orientação à autonomia. Por outro lado, as pessoas com perfil voltado à gestão industrial obtêm maiores notas em motivação pelo poder e pelas necessidades de afiliação, ou seja, seu objetivo principal é progredir em suas carreiras nas empresas em que trabalham. 4 Ambientes favoráveis à criatividade

Stacey [9] trata da questão da criatividade em seu livro intitulado Complexity and creativity in organizations, confrontando a teoria organizacional tradicional com um novo paradigma baseado na criação de ambientes em que haja liberdade para a criação. A teoria organizacional tradicional diz que as empresas devem predizer e controlar para que o caos seja evitado. Em contrapartida, o novo paradigma, proposto pelo autor, argumenta que a repressão da ansiedade causada pela natureza instável e dinâmica do mundo dos negócios atual implica a igual repressão de impulsos criativos, os espaços para a inovação, que permitem que os membros da força de trabalho produzam seu melhor. Amabile [10] também argumenta que a criatividade é uma das virtudes mais importantes na economia do conhecimento atualmente, mas muitas empresas adotam estratégias gerenciais que acabam por matá-la. A maneira com que isso é feito consiste de um tema polêmico para muitos: a motivação intrínseca das pessoas, isto é, o forte desejo interno de fazer algo baseado em interesses e paixões. Dirigentes matam sem querer a criatividade por não saberem que esta é, em grande parte, consequência da motivação intrínseca, a qual eles se esforçam ao máximo para neutralizar, ou até mesmo destruir. Eles encaram os interesses intrínsecos das pessoas como algo

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nocivo à sobrevivência da empresa, mas não percebem que a empresa depende justamente dessa paixão que as pessoas têm por suas obras. Eles primam pela produtividade, eficiência e controle, que aliás constituem imperativos de negócio importantes, e ao mesmo tempo menosprezam a criatividade. Torna-se necessário à gestão, portanto, mudar a linha de pensamento e perceber que a criatividade é constituída de três partes: o conhecimento especializado, a habilidade de pensar de maneira flexível e imaginativa, e a motivação. As duas primeiras podem ser influenciadas pela gerência, mas fazê-lo é extremamente complexo, lento e custoso, pois depende muito mais das próprias pessoas. É muito mais eficaz trabalhar o terceiro quesito, ou seja, aumentar a motivação intrínseca. Para isso, dirigentes têm à disposição cinco pontos a abordar: • • • • • A quantidade de desafio que eles dão aos empregados. O nível de liberdade que eles concedem em torno de processos. A maneira com que projetam grupos de trabalho. O nível de encorajamento que eles dão. A natureza do apoio organizacional.

A motivação intrínseca, por exemplo, é alta quando os empregados se sentem desafiados, mas não pressionados pelo seu trabalho. A tarefa dos dirigentes se torna então atribuir os papéis adequados aos seus empregados. A liberdade, a motivação intrínseca e, portanto, a criatividade, evidenciam-se quando os dirigentes deixam os empregados decidirem como alcançar seus objetivos, e não quais objetivos alcançar. Em resumo, dirigentes podem fazer a diferença quando se trata de criatividade, gerando empresas verdadeiramente inovadoras que não apenas sobrevivem, mas também se sobressaem. 5 Liderança criativa

A liderança em empreendimentos de natureza criativa requer uma postura muito distinta daquela utilizada atualmente na maioria dos ambientes profissionais das corporações. O primeiro motivo para se adotar uma postura distinta é a natureza do trabalho a ser desenvolvido. Uma vez que o trabalho criativo ocorre quando as tarefas envolvem problemas complexos, cuja definição não pode ser especificada de maneira precisa, e cuja solução requer a geração de novas ideias, o líder de tais empreendimentos não pode confiar em estruturas predefinidas. Ao invés disso, ele deve ser capaz de induzir estrutura e prover direção de trabalho onde não há uma direção inerente. Em termos práticos, o líder de empreendimentos criativos não pode depender da estrutura empresarial tradicional. A estrutura tradicional não provê o direcionamento adequado a esses tipos de empreendimentos, uma vez que não há uma regra bem definida para fazê-lo. Ao invés disso, deve induzir a estrutura de trabalho de maneira adequada às atividades a serem desenvolvidas e às pessoas envolvidas. Prover direcionamento em tais empreendimentos é uma tarefa que exige

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visão, imaginação e, além de tudo, flexibilidade para vencer as barreiras das regras. Cabe ao líder executá-la. Líderes de empreendimentos criativos também devem saber como exercer influência. Aliás, essa é uma característica marcante do líder criativo. Ele consegue, com seu poder baseado no conhecimento, na imaginação e na habilidade de inovar, atrair a atenção e a confiança dos demais integrantes do empreendimento. 6 Lidando com o desconhecido

“Pesquisa e desenvolvimento” é o termo que remete a atividades científicas e, portanto, investigativas, que trazem como fruto principal o desenvolvimento, seja tecnológico, social ou mesmo humano. Atividades de pesquisa e desenvolvimento normalmente produzem ingredientes para a inovação científica e, de maneira mais abrangente, a evolução da sociedade. Uma das características marcantes de uma atividade de P&D é que ela trabalha com o desconhecido. Se se constatar que um projeto não lida em algum ponto ou sob algum aspecto com o desconhecido, esse projeto não pode ser categorizado como de P&D. O fato de que o contexto de P&D é o desconhecido implica o fato de que P&D, por definição, gera conhecimento. A figura 1 ilustra algumas atividades que podem ser caracterizadas como de P&D e outras que não podem. Dentre as que podem ser consideradas P&D, algumas tratam essencialmente com o desconhecido, estando nele inseridos de forma integral. Outras lidam com o desconhecido apenas sob alguns aspectos, mas nem por isso devem deixar de ser consideradas como P&D. Outra característica marcante de projetos de P&D é que, dado que trabalham com o desconhecido, os resultados obtidos são normalmente diferentes daqueles vislumbrados quando de seu início, como ilustrado na figura 2. À medida que o projeto progredir e o conhecimento for adquirido, o projeto deve ser redirecionado. Isso quer dizer que um projeto de P&D nunca pode ter seus resultados rigorosamente previstos. Entretanto, vale salientar que os resultados relacionados ao conhecimento adquirido no projeto têm uma abrangência bastante grande e muitas vezes são difíceis de mensurar. Tais resultados incluem o impacto causado em outras atividades e projetos relacionados devido ao novo conhecimento obtido e à maturidade adquirida pelos profissionais envolvidos.

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7 5 6 8 9

4

desconhecido
3 10

2 1

11 12

ponto de partida
Figura 1: Caracterização de P&D: atividades que passam em algum momento pelo desconhecido podem ser consideradas, pelo menos parcialmente, P&D. Este não é o caso das atividades 1, 2, 11 e 12, as quais não podem ser consideradas P&D. As demais atividades passam, em maior ou menor grau pelo desconhecido, implicando a geração de conhecimento. Dentre estas, as atividades 3, 9 e 10 apresentam menor grau de P&D [2].

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Resultado esperado

Resultado obtido

desconhecido

ponto de partida
Figura 2: Resultados de P&D: os resultados obtidos em uma atividade de P&D normalmente são diferentes daqueles vislumbrados no ponto de partida [2].

7

Modelos estratégicos de gestão de P&D

As iniciativas de P&D no setor industrial do país preconizam o estabelecimento de uma parceria com a academia ou com uma instituição de ciência e tecnologia. Muito embora esse tipo de parceria seja extremamente benéfica, pouco se conseguiu no país, de forma inequívoca e eficiente, no sentido de estabelecer um modelo de parceria que pudesse gerar os resultados esperados pela sociedade, salvo alguns casos excepcionais. Tanto as empresas quanto as instituições lutam para conseguir unir os dois mundos, por meio de um modelo de empreendimentos que suprima as dificuldades relacionadas às diferenças culturais e que permita cumprir com as expectativas de resultados. O grande desafio é transpor o abismo existente entre a academia e a indústria, o que a COPEL pretende agora fazer, com base em experiências do passado, no aprendizado dos erros e acertos de outros empreendimentos que promoveram ações cooperadas entre universidades e empresas. Dois modelos de gestão estratégica de P&D são apresentados aqui. O primeiro diz respeito ao mecanismo normalmente utilizado nas parcerias, e o segundo trata de uma postura voltada à

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supressão das diferenças culturais que impedem o avanço de empreendimentos de P&D no setor industrial com a efetiva participação da academia. 7.1 Modelo ad hoc de gestão de P&D No primeiro modelo, normalmente usado pelas empresas em seus programas de P&D, a interação com a instituição de pesquisa se dá de duas maneiras: A primeira é pelas gestões do programa de P&D de ambas as partes, mas apenas sob os aspectos administrativos. A segunda, de caráter mais técnico, se dá entre o líder científico da instituição e o gerente de projeto da empresa. Os empecilhos para uma correta internalização do conhecimento por parte da empresa e para um adequado mecanismo de geração de conhecimento com efetiva participação da empresa são os seguintes: • O nível de conhecimento especializado entre as duas entidades que se relacionam é discrepante. O líder científico detém conhecimento avançado sobre o tema estudado e o gerente de projeto da empresa, por sua vez, está apto apenas a acompanhar os aspectos administrativos do empreendimento. O conhecimento é, portanto, gerado apenas na instituição de pesquisa, e se torna totalmente independente dos profissionais da empresa, os quais não têm condições de absorvê-lo. Não há uma estratégia da empresa quanto ao desenvolvimento dos empreendimentos científicos, uma visão de futuro, um roadmap tecnológico e, consequentemente, não há interação com outros players no ciclo de inovação (clientes, fornecedores, marketing).

Os resultados dos empreendimentos são, portanto, isolados e restritos a áreas específicas de aplicação. Não obstante sua importância, eles não podem ser explicitados de forma a impulsionar a empresa em direção a um contexto de inovação. 7.2 Modelo de gestão de P&D voltado à inovação Um modelo mais adequado de gestão de P&D, com vistas à geração efetiva de inovação, pressupõe uma interação mais forte entre a empresa e a instituição de pesquisa, preconizando o mesmo nível intelectual (conhecimento) em ambos os lados, estabelecendo dessa maneira os alicerces para a construção da ponte que une os dois mundos. Para tanto, é necessária a composição de um grupo de cientistas especializados nas áreas estratégicas que possa liderar as iniciativas de inovação na empresa. Entretanto, o nível de interação dentro da empresa se torna significativamente complexo, uma vez que envolve também grupos de interesse e de gestão, corresponsáveis pelo planejamento tecnológico da empresa (technology roadmapping). A interação se estende aos fornecedores, que passam a participar mais ativamente do processo com vistas a uma melhor concretização do resultado traduzido por um produto específico, e ao marketing, corresponsável pelo sucesso do lançamento dos produtos finais do projeto. A interação intrinsecamente considera a evolução do mercado, ou seja, as demandas cada vez mais especializadas dos clientes e consumidores. Todo

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esse trabalho é feito nos processos paralelos a P&D, a saber, prospecção tecnológica, estratégia competitiva e technology roadmapping. O papel do corpo de profissionais com alta capacitação e experiência científica, que possa avaliar constantemente os projetos e sugerir e planejar ações que tenham como objetivo maximizar seus resultados, é preponderante. O foco é, portanto, no bom andamento da carteira de projetos de P&D. Uma vez que as duas principais entidades da parceria, a instituição de pesquisa e a empresa, interagem de forma harmônica, tendo a empresa um corpo de especialistas que interage com o corpo de líderes científicos da instituição, os resultados se tornam mais evidentes e têm maiores chances de gerar benefícios práticos. As vantagens deste modelo em relação aos resultados e à aquisição de conhecimento são os seguintes: • A empresa passa a ser parceira da instituição na aquisição do conhecimento especializado, fomentando a inovação, o desenvolvimento de novas aplicações e a abertura de novas oportunidades. O nível de interação entre as duas entidades é muito mais forte, uma vez que elas falam a mesma linguagem em termos de especialização. A ênfase do programa deixa de ser meramente administrativa para ter um caráter estratégico. Os resultados dos projetos são mais facilmente internalizados, uma vez que os gerentes de projetos estão em sintonia com os profissionais da área de aplicação e com os grupos de interesse. Os projetos estão inseridos numa estratégia corporativa, elaborada pelos players da empresa na interação proposta.

• • •

Os benefícios advindos de um modelo como o proposto aqui, e que poderia ser aplicado no projeto BEL-i9, são significativos, pois tornam possível a verdadeira absorção do conhecimento por parte da empresa, permitem uma melhor internalização de resultados nas áreas de aplicação, fundamentam novas oportunidades de negócio e de aplicações especializadas e concretizam uma estratégia corporativa de inovação tecnológica. 8 BEL-i9: Núcleo de P&D e inovação

O desafio do projeto BEL-i9 é quebrar o paradigma de gestão industrial e criar um ambiente em que se possa criar conhecimento aliado a ideias inovadoras e transformar esse conjunto em diferencial competitivo, novos produtos, novas metodologias, que tragam valor à sociedade. Para chegar a esse resultado, torna-se necessário adquirir uma postura adequada em relação à criatividade e à inovação, assim como às atividades científicas, que dão sustentação e robustez ao processo criativo. Em outras palavras, a primeira tarefa é criar um ambiente propício à inovação,

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possibilitando a geração dos resultados a que se propõe. Nesse ambiente, atividades científicas e criatividade se integram, gerando um grande potencial de inovação. Como visto anteriormente, a criatividade depende fortemente de características e postura pessoais. A integração com instituições de ensino superior e de ciência e tecnologia constitui um aspecto preponderante no estabelecimento do ambiente de empreendedorismo e ao mesmo tempo um grande desafio, dadas as diferenças de cultura e as barreiras por elas impostas. Essa integração será a base para o estabelecimento de estrutura adequada para as atividades científicas e as atividades voltadas a novos negócios, cujo ingrediente principal é o empreendedorismo. Para que o ambiente seja favorável a essa integração e também à criatividade, é imprescindível que as atividades estejam imunes a problemas de caráter operacional ou que dizem respeito ao dia-a-dia empresarial. Torna-se, portanto, aconselhável que tal ambiente esteja fisicamente instalado junto a uma universidade ou a um centro científico. Em resumo, a criação de uma nova cultura voltada à inovação deve contemplar, porém não se limitar, as seguintes ações: • Criar e consolidar um ambiente propício à inovação em que a criatividade tenha lugar em detrimento do controle. Para tanto, deve-se adquirir uma correta postura com relação ao processo criativo, cujo funcionamento não pode ser integralmente compreendido, mas que pode ser explorado de acordo com o comportamento de pessoas criativas; Centrar os empreendimentos na motivação pessoal e prover pessoas de autonomia para empreender; Estabelecer um mecanismo de integração entre a empresa e instituições de ensino superior e de ciência e tecnologia, que possa vencer as barreiras impostas pelas diferenças culturais no que tange à natureza de atividades; Prover estrutura para as atividades científicas, com base nas premissas subjacentes ao processo de criação de conhecimento; Prover estrutura para a consolidação de novos negócios, criados a partir das oportunidades abertas nos empreendimentos de natureza científica e inovadora.

• •

• •

O estabelecimento do ambiente de trabalho deve contar com os benefícios provindos dos mecanismos de fomento à pesquisa, tais como a Lei de Inovação e a Lei do Bem, além do auxílio de agências de fomento, tais como Finep, Fundação Araucária, CNPq, BNDES e outras. De acordo com o modelo estratégico de gestão discutido anteriormente, torna-se propícia a criação de um núcleo de P&D que possa fundamentar as tecnologias com grande potencial de aplicação e prover subsídios para a criação de novos negócios, concretizando assim os benefícios para a sociedade. Esse núcleo deve ser constituído de pessoas que liderem linhas de pesquisa estrategicamente estabelecidas. As linhas de pesquisa devem alimentar os novos negócios a serem incubados de maneira financeiramente sustentável. Isso pode ser conseguido adotando-se uma metodologia onde o novo

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

empreendedor é beneficiado com uma percentagem dos resultados, ao mesmo tempo em que uma percentagem é revertida para o programa BEL-i9. É importante notar que o número de iniciativas de incubação não está limitado ao espaço físico disponível, pois muitas delas podem ser realizadas a distância fazendo uso das excelentes tecnologias de comunicação pertencentes ao portfólio da COPEL Telecomunicações. Uma vez definidas as linhas de atuação e as linhas de pesquisa nelas envolvidas por meio de um plano estratégico, seus líderes farão o papel integrador entre o mundo da ciência e o mundo dos negócios, consolidando a base científica das atividades, alinhada à sua natureza criativa, a qual leva à inovação e gerando subsídios para que os novos negócios em telemática, como se propõe no BEL-i9, possam ser adequadamente incubados. O projeto BEL-i9 é, portanto, uma iniciativa inédita na empresa, dado seu caráter voltado à convergência de iniciativas científicas e de negócio, que lhe proporciona uma grande oportunidade de despontar como um importante agente da inovação no Paraná, trazendo importantes frutos no tocante ao desenvolvimento tecnológico. Mais do que isso, o projeto proporciona um ambiente permeado pela motivação e pelo espírito inovador, fazendo uso da união entre a criatividade e o empreendedorismo, transpondo, enfim, o abismo que hoje existe entre a academia e a indústria. 9
[1] [2] [3] [4] [5]

Referências
ABRAHAMSON, E.; FREEDMAN, D. A perfect mess. Little, Brown and Company, 2007. DE GEUS, K. Mentes criativas, projetos inovadores – a arte de empreender P&D e inovação, Musa Editora, no prelo. MUMFORD, M. D.; SCOTT, G. M.; GLADDIS, B.; STRANGE, J. M. Leading creative people: orchestrating expertise and relationships. The Leadership Quarterly, no 13, pp. 705-750, 2002. ANDRIOPOULOS, C.; LOWE, A. Enhancing organizational creativity: the process of perpetual challenging. Management Decision, 38, pp.474-734, 2000. QUINN, J. B. Technological innovation, entrepreneurship, and strategy. In M. L. Tushman, C. O’Reilly, & D. A. Adler (Eds.). The Management of Organizations, pp. 549-581. New York: Harper and Row, 1989. COLLINS, M. A.; AMABILE, T. Motivation and creativity. In R. J. Sternberg (Ed.), Handbook of creativity, pp. 297-312. England: Cambridge Univ. Press, 1999. PELZ, D. C.; ANDREWS, F. M. Autonomy, coordination, and simulation in relation to scientific achievement. Behavioral Science, no 12, 89-97, 1966. KASOF, T. Creativity and breadth of attention. Creativity Research Journal, no 10, pp. 303–317, 1997. STACEY, R. Complexity and creativity in organizations. Berrett-Koehle Publishers, Inc., 1996.

[6] [7] [8] [9]

[10] AMABILE, T. How to kill creativity. Harvard Business Review, 76 (5): pp. 76-87, 1998.

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1

BEL-i9: transformando o Paraná em um polo de excelência na era dos conteúdos digitais
1

Wagner Eric Heibel

AMARQMELLO Consultoria e Engenharia
wagner@amarqmello.com.br

Introdução

Não resta dúvida que a disponibilidade de banda larga de alta performance, a Banda Extra Larga (BEL), é fator fundamental para o desenvolvimento econômico e social, neste século que se inicia. Relatório publicado recentemente pelo Deutch Bank sinaliza que a disponibilidade de redes de banda larga de alta performance será fator determinante na decisão dos investidores quando da localização e investimentos nos negócios. A OCDE destaca que cerca de um terço dos ganhos de produtividade dos negócios em geral deverão ser obtidos em decorrência das comunicações em banda larga. Também há fortes sinalizações que a geração de empregos será alavancada pela expansão da 2 cobertura das redes de banda larga . O Banco Mundial confirma a importância das tecnologias associadas à comunicação, também em recente relatório, onde deixa clara a correlação entre o crescimento do PIB e a penetração de banda larga, sinalizando que para cada 10% de crescimento na penetração de banda larga é esperado um crescimento de 1,3% no PIB. Mais do que isso, a banda larga vem se consolidando como o principal canal para acesso à informação, essencial para todas as formas de atividade econômica e de boa governança. Também a banda larga é o canal para o desenvolvimento de soluções de e-gov, e-learning, ehealth, dentre outros avanços fundamentais para a construção de um governo mais eficiente e presente, disponibilizando a população soluções de menor custo.
1 2

Wagner Eric Heibel é formado em Engenharia, com pós-graduação na área de Economia e MBA em Gestão Empresarial, tendo sido Diretor da Telefônica São Paulo, Gerente na ANATEL e na Telebrás. Atualmente é consultor de empresas.

“Por exemplo, a Federação Alemã de Autoridades Municipais (Deutsche Städte - und Gemeindebund) estima que 250,000 postos de trabalho seriam criados pela rápida expansão da cobertura de banda larga na Alemanha” Fonte: Deutsche Bank Research (aug/09)

BEL-i9: transformando o Paraná em um polo de excelência na era dos conteúdos digitais

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O setor de tecnologia de informação e comunicação (TIC) vem evoluindo de forma acelerada e exponencial nos últimos anos. A convergência de serviços de voz, dados e conteúdo é inexorável e já começa a ocorrer no Brasil, com as ofertas integradas das prestadoras de serviço de telecomunicações. Com isso, há forte sinalização que nos próximos anos a demanda por banda, ou seja, por capacidade de transmissão entre o usuário e a Internet superará o crescimento observado até agora. O aumento do número de computadores e outros dispositivos geradores de conteúdo nas mãos dos usuários também é crescente, com os custos caminhando na direção oposta. Nesta mesma direção, deve ser registrado o decréscimo observado nos sensores (presença, temperatura, movimento, etc) e equipamentos de monitoramento por vídeo, com câmeras sofisticadas atingindo valores impensáveis há alguns anos. Espera-se também uma popularização dos meios em alta definição, com o uso de câmeras e TVs High Definition (HD) por parcela crescente da população. Essa popularização de dispositivos, com alta qualidade, e com preços acessíveis a uma parcela crescente da população terá como consequência o aumento das exigências dos usuários, na direção de que imagens e vídeos hoje apresentados na Internet com qualidade abaixo daquela de nossas televisões analógicas, passe por uma revolução, atingindo níveis de qualidade das TVs digitais a cabo. A figura 1 evidencia esse fato, mostrando uma expectativa de que, ao redor de 2015 se tenha uma demanda por usuário ao redor dos 30 Megabits/seg de banda. Em complemento a esse movimento, espera-se também a popularização das aplicações de telepresença, que possibilitarão as comunicações ponto a ponto, com vídeo de alta resolução, em substituição as reuniões presenciais.
Necessidade domiciliar de dados Mbps
1000 100 10

Banda larga
32 24 6 1.5

1 0,1

0.0560
0,01 0,001 1980

(historicamente a capacidade de banda aumenta 4 vezes a cada 4 anos)

0.0288 0.0096 0.0024 0.0012
1990

Modem analógico
2000 2010 2020

Figura 1: Evolução da demanda por velocidade para acesso à Internet

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Somando-se a essa demanda crescente, o Brasil vive e deverá continuar vivendo nos próximos dez anos um crescimento de sua renda média, com o surgimento de um mercado novo para os serviços e produtos. É esperado que as classes C e D mantenham o crescimento significativo já verificado nos últimos anos, impactando positivamente a expansão da quantidade de pessoas com renda para adquirir produtos e serviços, alimentando ainda mais esse processo. 2 A sinergia com a COPEL energia

Além de todos os avanços elencados acima, estamos na véspera de uma revolução sem precedentes no setor de energia: a introdução do SMARTGRID ou Rede Inteligente na rede de transmissão e distribuição de energia elétrica. Tal movimento vem sendo comparado com a revolução causada pela digitalização das redes de telefonia ocorrida há alguns anos, e que implicou em toda a revolução vivida no setor. A introdução de equipamentos de monitoramento de rede, medição remota de contadores, viabilidade de telecomando em pontos cada vez mais capilares, é sinalizada como uma prioridade pelo governo Obama, no sentido de promover o reaquecimento da economia dos EUA, bem como na direção do uso racional de energia e água. 3 O desafio

Toda essa demanda, no entanto, é desafiadora para os formuladores de políticas públicas capazes de posicionar um determinado Estado em condições de se valer dessa demanda como fator diferenciador para o progresso e bem estar social de sua população. Em todo o mundo percebem-se movimentações no sentido de posicionar governos e países, de forma a aproveitar e liderar esse processo de crescimento e ruptura que se avizinha. Um ponto significativo a ser registrado é que as tecnologias hoje implantadas, como os pares de cobre e o acesso sem fio, não sinalizam a viabilidade de crescimento para atendimento a essa demanda ao redor dos 30 Mbps. Percebe-se que tanto as redes móveis quanto as fixas já apresentam sinais de esgotamento de suas capacidades, com problemas para a oferta de um serviço adequado a essa demanda por banda de alta performance (projeto BEL). A conclusão quase unânime é de que será necessário investir em redes óticas, de forma a que os limites impostos pelas tecnologias por cobre e sem fio possam ser ultrapassados, permitindo a oferta praticamente ilimitada de banda aos usuários finais, em seus negócios e residências. Nesta direção, investimentos significativos necessitam ser realizados pelas empresas prestadoras de serviços de telecomunicações para disponibilizar uma rede ótica. E isso precisa ser feito com urgência sob pena de se perder uma janela de oportunidade para o desenvolvimento do país.

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4

O Paraná no contexto da era dos conteúdos digitais

O Paraná possui diferenciais competitivos para buscar a liderança brasileira nesta era dos conteúdos. Formado por uma forte e crescente classe média, com nível de educação acima da média nacional, o Paraná possui condições de se posicionar neste novo contexto forma diferenciada e desruptiva. Pode-se dizer, sem ser exaustivo, que o Paraná possui: • • • • Mercado aderente a inovações, nacionalmente reconhecido como excelente território para o desenvolvimento de projetos piloto ou testes de conceito e aceitação. Capital Humano para sustentação de um projeto inovador, com mão de obra nos mais variados níveis, capaz de dar sustentação a implementação de uma inovação tecnológica. Escala, para o desenvolvimento e ampliação do mercado, com possibilidade de dar sustentação a expansão do projeto para outros estados do país. Posição privilegiada, próxima a São Paulo e ao Mercosul.

Além disso, o Paraná possui uma forte infraestrutura já implantada, em fibra ótica, disponibilizada pela COPEL Telecomunicações, que já tem capilaridade significativa para acesso aos clientes finais, diminuindo o esforço e capital necessário para o atendimento às demandas desse novo momento. Diferentemente de outros estados essa infraestrutura é detida por uma empresa sob controle do estado, podendo ser utilizada com maior facilidade para alavancar o desenvolvimento social e econômico da estado. Em síntese, o Paraná possui: • • • Infraestrutura estatal (COPEL Telecomunicações) abundante para desenvolvimento dessa política. Capacidade técnica na COPEL Telecomunicações e Sercomtel. Capacidade de alavancar o negócio com aplicações específicas que sustentam o projeto dentro da COPEL (energia) e na SANEPAR.

Desta forma, há potencial para que o Paraná desenvolva uma política pública direcionada para a atração de investimentos para o Estado, de forma a que venha a tornar-se um polo de desenvolvimento de conteúdos e de aplicações, nesta nova era que se descortina. Para tanto ações de governo podem e devem ser desenvolvidas na direção de: • • • Usar a capacidade da COPEL (energia), COPEL Telecomunicações, SANEPAR e Governo do Estado como ferramenta de desenvolvimento do Paraná. Atrair os principais players de conteúdos de banda larga interativa e com alta definição. Desenvolver novas soluções administração do governo. de e-gov, e-learning, e-health, modernizando a

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Exportá-las para outros estados e países.

A figura 2 procura sintetizar essa visão de futuro, integrando algumas frentes a serem desenvolvidas.

Polo de Conhecimento Modelo em e-gov Polo de Desenvolvimento

• Know-how em aplicações • Mercado de testes • Atração de empresas de conteúdo • Modernização administrativa • e-health • e-learning • Know-how em soluções • Mercado de testes • Atração de empresas de conteúdo

Figura 2: Visão do Paraná como polo na era do conteúdo

Essa visão inovadora é um projeto desafiador, que envolve a ação coordenada de diferentes unidades do Governo, na administração direta e indireta, de forma a acelerar a implantação do projeto, em prazos compatíveis com as expectativas da sociedade. É fundamental que se perceba que esse tipo de iniciativa, em vários países do mundo, teve forte envolvimento e liderança dos governos, de forma a gerar a massa critica necessária a romper o ciclo de viabilização econômica da implementação das fibras óticas necessárias ao crescimento da demanda e barateamento dos custos para o usuário final. Neste cenário o governo passa a ser o líder da mudança, promovendo a cultura digital, estabelecendo um ambiente criativo, sustentado em apoio institucional, que estimule a produção de conteúdo local capaz de girar essa engrenagem, especialmente apoiado nas aplicações de egovernment, utilizando para tanto as sinergias de suas diferentes unidades governamentais da administração direta e indireta.

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OUTRAS ENTIDADES DO GOVERNO

VISÃO

COPEL + Sanepar + Sercomtel

INICIATIVA PRIVADA

UNIVERSIDADES

Figura 3: Visão e os envolvidos em sua realização

5

O projeto BEL-i9 como berço para a mudança

A implementação de uma Banda Extra Larga, de alta performance, como a proposta pelo projeto BEL é inédita no Brasil e necessita de ferramentas que permitam uma parceria entre vários atores, necessários para o desenvolvimento e implementação de um modelo desafiador, visando criar um ambiente inovador e criativo para o debate de soluções que permitam ao Paraná alcançar o objetivo de tornar-se, na próxima década, o principal polo de conteúdos para redes de alta performance no Brasil. O inicio de um projeto dessa magnitude deve ser acompanhado do desenvolvimento de mão de obra qualificada, capaz de dar suporte à implementação de soluções inovadoras, ainda não vivenciadas em outras partes do país. Neste sentido, o uso de recursos oriundos das mais diversas fontes como a academia e o mercado, mesclados com a proximidade aos especialistas da COPEL e da COPEL Telecomunicações tende a criar esse ambiente propício ao desenvolvimento de novas ideias e conceitos, de forma a alavancar os negócios e o desenvolvimento do Estado do Paraná como celeiro dessa inovação. Para que um projeto inovador como o proposto no projeto BEL possa ser alavancado mais rapidamente, é importante que características de empreendedorismo sejam associadas às iniciativas do corpo de empregados, de forma a trazer ideias inovadoras e desruptivas para o projeto, descompromissadas com o status quo e capazes de motivar e trazer visões novas para os demais envolvidos. O Projeto BEL-i9 vem, então, tem potencial para suprir essa lacuna com um grupo de profissionais oriundos da comunidade acadêmica e do mercado, capazes de, em conjunto com a equipe da COPEL Telecomunicações, compor uma equipe com visões complementares, capaz de dar ao projeto BEL a velocidade e capacidade de inovar que tal desafio necessita.

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A título meramente ilustrativo, são sugeridas algumas áreas que poderiam ser focadas pelo projeto BEL-i9, de forma a dar um direcionamento inicial à sua construção. Assim, sugerem-se algumas áreas foco do projeto BEL-i9, que visam complementar e antecipar estudos e ações a serem desenvolvidas pela COPEL Telecomunicações, agilizando, com recursos externos, essas atividades: • Políticas Públicas: avaliação das políticas públicas a serem desenhadas, desenvolvendo a visão estratégica de médio e longo prazo, bem como o endereçamento de atuação sinérgica entre os diferentes steakholders, identificando e indicando ao Governo de Estado as ações de coordenação necessárias à implementação do projeto. Conteúdo: identificação de parcerias a serem atraídas à rede da COPEL Telecomunicações de forma a gerar conteúdo para a rede, atraindo clientes, desenvolvendo o Paraná como centro de excelência para a produção e divulgação de conteúdos no país. Hardware: avaliação de soluções existentes e/ou desenvolvimento de equipamentos que possam alavancar a capacidade de atendimento, tanto para usuários finais como para as aplicações de telemetria e telecomando, demandadas pela COPEL (energia). Software: especialmente SMARTGRID, para tratamento e disponibilização de informações para a COPEL (energia) e outros, de forma a tornar o negócio sustentável. Marketing: desenvolvimento e apoio à área de marketing da COPEL, na busca de parcerias estratégicas e serviços de algo valor agregado, que permitam a diferenciação competitiva da COPEL Telecomunicações como provedora de soluções.

• •

Novamente, como uma colaboração inicial para a discussão da estrutura do projeto BEL-i9 sugerese uma estrutura de coordenação dos trabalhos em forma de Conselho, que serviria de balizador para o encaminhamento dos trabalhos dos diferentes grupos do projeto BEL-i9. Este Conselho, cuja composição deve ser melhor detalhada, poderia ser composto de um grupo multidisciplinar, composto de representantes dos diversos órgão envolvidos na condução do projeto de transformação do Paraná em polo de conteúdos, com representantes da COPEL, COPEL Telecomunicações, Governo do Estado, Sercomtel, Celepar e outros órgãos com potencial para alavancar e acelerar a implementação do projeto.

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CONSELHO DE PROJETOS E ESTRATÉGIA
Coordenador Geral da Incubadora Coordenador do Projeto Empreendedores

Aluno 1 n
Professor orientador 1

Alunos 1 n Alunos 2 n Aluno M N

Gerente i9

Professor orientador 2 Professor orientador n

M = 9 Projetos

N = Alunos empreendedores

Figura 4: Proposta de Conselho

6

Conclusão

O projeto BEL-i9 tem grande potencial para ser o alavancador do Paraná como polo de excelência em conteúdos digitais, levando o Estado a liderar um momento de ruptura tecnológica, posicionando-se à frente de um patamar de desenvolvimento, com total inserção na economia da era do conhecimento. O estabelecimento de um ambiente criativo e inovador é fundamental para que as ideias comecem a se tornar concretas, com o empreendedorismo servindo como motor para a mudança. Atrair capitais para o Estado, estimulando o aparecimento de demandas de e-gov que possam modernizar a administração pública e, especialmente, servir de catalisadores para implementação deste projeto é também um importante ponto a ser endereçado, de forma a colocar o governo, tanto na administração direta como indireta, engajado em um processo maior de desenvolvimento econômico e posicionamento estratégico do Estado. 7
[1] [2] [3] [4]

Referências
FCC BROADBAND FORUM, http://www.broadband.org; Acesso em 24/11/2009 BANCO MUNDIAL. Key Trends in ICT Development, Relatório, s.d. BANCO MUNDIAL . Information and Communications for Development, Relatório, 2009. INFODEV, What role should governments play in broadband development?, Setembro, 2009

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

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Paulo Sertek
1

Co-criação no projeto BEL-i9

Bellatrix - Planejamento em Gestão e Marketing
paulo-sertek@uol.com.br

1

Introdução

Os sistemas atuais de informação e comunicação têm promovido a interação maior e mais rápida para a satisfação das necessidades das pessoas. A Internet tem possibilitado as interações diretas dos clientes com as empresas e entre pessoas que participam de grupos de interesse. As interações, provenientes destes novos ambientes emergentes, são eficazes, para o estímulo da participação dos stakeholders, no processo de criação de valor ou de utilidade, para todas as partes interessadas. A criação de valor transcende o âmbito interno das organizações, porquanto os interessados têm uma maior capacidade de participação no processo de criação de valor, quer por estarem mais bem conectados com outros serviços concorrentes ou substitutos, ou ainda, porque as suas 2 experiências são valiosas para impulsionar a inovação de valor . Os modelos emergentes de co-criação de valor ampliam as possibilidades de inovação, já não centradas na empresa, mas fazendo parte de um projeto de construção comum dos stakeholders. O conceito de co-criação foi desenvolvido por Prahalad e Ramanswamy [1], em sintonia com as experiências emergentes em ambientes virtuais de inovação empreendedora. Nesta abordagem
1

2

Paulo Sertek é formado em Engenharia Mecânica (Mauá, S. Caetano Sul, SP), com Mestrado em Tecnologia e Desenvolvimento (CEFET-PR) e Doutorado em Educação (UFPR). Possui 4 livros publicados (IBPEX) sobre Gestão de Empreendimentos (2003); Responsabilidade Social e Competência Interpessoal (2006); Empreendedorismo (2007); e Administração e Planejamento Estratégico (2009). Autor de cerca de 15 artigos e apresentações em paineis. É professor de cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de administração e pedagogia da FAESP, CAPPEX - Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná. Faculdades Modelo –Pedagogia e Administração e no Centro de Pesquisa e Extensão do Instituto Modelo e Cursos à distância da Facinter e Fatecinternacional nos cursos de Logística, Gestão de Produção Industrial e na especialização Uninter: MBS Executive Secretaries em Gestão de Projetos e Protagonismo Secretarial. Professor dos Cursos de Gestão de Empresas e Desenvolvimento Pessoal e Familiar do Instituto de Ensino e Fomento-IEF e. Prof. de Ética nas Organizações em Cursos de Especialização na CEMPPEX, CAPPEX, e FACINTER. Também é Consultor da Bellatrix Gestão em Planejamento e Marketing. Emprega-se o conceito de Inovação de Valor de Kim e Mauborgne (2005).

Co-criação no projeto BEL-i9

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dá-se maior ênfase à interação e construção de conhecimentos entre as partes, desafiando o paradigma da era industrial, em que a empresa é a protagonista-chave da criação de valor dentro da sua cadeia interna de atividades.
As empresas não são mais capazes de, unilateralmente, empurrar produtos para os consumidores passivos. Os consumidores ativos participam de comunidades e acessam recursos de informação comparáveis aos da empresa, ou até melhores. Hoje, os consumidores têm condições de escolher as empresas com que pretendem manter relacionamentos, com base em suas próprias perspectivas de como querem co-criar valor [1].

Sob esta perspectiva este capítulo visa ampliar os horizontes do empreendedorismo-inovador no âmbito do projeto BEL-i9 através do conceito de co-criação. Isto é, da criação intencional de valor por meio do projeto de ambientes interativos, favoráveis a construção comum de experiências e conhecimentos e a descrição de processos emergentes de co-criação através dos consumidores. Destacam-se como elementos de inspiração para a inovação alguns casos de sucesso como os da Nike e Medtronic. 2 Criação de valor tradicional

No desenvolvimento dos novos negócios a lógica dominante é a da centralidade da geração de valor dentro da organização, segundo os moldes porterianos, empregando as sinergias da sua própria cadeia de valor. No melhor dos casos destaca-se na curva de valor destas empresas/produtos/serviços os atributos de valor que geram utilidade excepcional para o cliente, tal como se prevê na BOS (Blue Ocean Strategy), Estratégia Oceano Azul, desenvolvida por Kim e Mauborgne [3]. Neste tipo de abordagem, ainda que se busquem os mercados inexplorados (Blue Ocean) ou os ‘não-clientes’, em geral, o potencial criador dos consumidores e de outros interessados, não é favorecido pela sua participação efetiva na criação de valor. O modo mais comum da criação de valor ocorre como o indicado na figura 1, onde as siglas SCM, ERP e CRM correspondem respectivamente a: Suply Chain Management, Enterprise Resource Plannig e Customer Relationship Management. Os consumidores são considerados como elementos passivos neste processo.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Figura 1: Criação de valor tradicional [4]

É oportuno considerar, de acordo com Ramaswamy [5], que a lógica tradicional incorporada aos negócios é induzida pela própria palavra marketing que está associada às trocas de mercadorias. Esta maneira de ver a atividade empresarial leva a que a empresa desenvolva a sua atividade de forma autônoma, ouvindo o cliente; no entanto, a co-criação não faz parte da estratégia. As empresas desenvolvem produtos, serviços, processos, logística e outras ações com pouca ou quase nenhuma participação do consumidor. “Os consumidores somente são envolvidos na comercialização. As empresas agregam os consumidores dentro de “segmentos significativos” para o caso de troca. Este conceito está sendo desafiado pela emergência de consumidores conectados, informados, ativos e empoderados” [5]. No modo tradicional, a criação de valor, situa-se dentro da empresa de forma unilateral, e o mesmo ocorre com a abordagem de marketing:
O conceito kotleriano de marketing propugna o papel unilateral da empresa em focar os consumidores. Desde este ponto de vista, os mercados são vistos como agregado de consumidores, a ser segmentado pelas empresas, e para vender o que elas têm como oferta de valor presumido para os clientes [5].

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Criação de valor em ambientes de experiência

Os consumidores estão deixando de ser passivos no processo de construção do conhecimento, e no desenvolvimento dos produtos e serviços. Sendo mais participativos, este comportamento aguça-se, pois oportuniza mais alternativas para envolvimento dos clientes em processos de comunicação e interação de experiências com os fabricantes e fornecedores. As empresas com visão estratégica têm aproveitado estas sinergias para construir ambientes ‘possiblitadores’ e

Co-criação no projeto BEL-i9

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estimuladores do processo de co-criação dos bens culturais ou econômicos. “Armados com novas ferramentas e insatisfeitos com as ofertas disponíveis, os indivíduos (consumidores) querem interagir com as empresas, e da mesma forma, como as comunidades de consumidores para cocriar valor” [4]. Todos os conhecimentos adquiridos pelos clientes, além dos conhecimentos expressos, que assimilaram e como estes interagem com as suas experiências vitais, são capazes de transformarem-se em experiências e interações para soluções surpreendentes de problemas [6]. Para este processo de interação dos conhecimentos tácitos e explícitos pode-se aplicar os conceitos de socialização, explicitação, combinação e internalização, desenvolvidos por Nonaka e Takeushi [2]. O mesmo ocorre nas interações produzidas nas comunidades de prática, no seu processo de construção e de maturação durante a sua vida [7]. A criação do conhecimento e a inovação é potencializada pelos comportamentos solidários que se desenvolvem pelas motivações de caráter colaborativo [8]. Na figura 2 destacam-se os elementos-chave da interação, visando a co-criação focada na mútua experiência Empresa-Cliente. A intersecção entre as ações da empresa e as do cliente constituem o ambiente de experiência como fonte da criação de valor e de benefício mútuo. De acordo com Prahalad e Ramaswamy [9],
o ambiente de experiência é conceitualmente distinto daquele do produto, que é convencionalmente foco da inovação. No ambiente de experiência, o consumidor individual é central, e um evento provoca a experiência de co-criação. Os eventos têm um contexto no tempo e no espaço, e o envolvimento do indivíduo influencia aquela experiência. O significado pessoal derivado da experiência co-criativa é o que determina o valor para o indivíduo.

Figura 2: Ambientes de experiência - adaptação de [5]

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4

Processo de co-criação pela experiência

As interações, por meio de trocas de experiências, no ambiente projetado para dar suporte aos eventos interativos, propiciam o ciclo de conversão e interação de conhecimentos [2]. Como exemplo Ramaswamy [4] indica a experiência da Sumerset, empresa de barcos-casa que opera com o conceito de co-criação:
Os indivíduos devem ser capazes de co-construir um valor único para eles mesmos, por meio da comunidade-rede de interação, que facilita o resultado da experiência contextualizada através do diálogo, o acesso, a gestão de risco e da transparência (ou DART para abreviar) [4].

O processo DART também é exposto por Ramasnawamy [10], na descrição do estudo de caso sobre a Nike, e pode-se verificar a sua replicabilidade para outras situações similares visando a potencialização da co-criação. O Diálogo possibilita o compartilhamento das informações e uma compreensão adequada das questões colocadas. Permite aos que participem do ambiente gerar contribuições únicas e visões ampliadas ou inovadoras sobre uma determinada prática, situação, trabalho ou produto. Não importa qual seja o conteúdo propositivo, pode ser tangível ou intangível. Quanto ao Acesso, permite que os indivíduos tenham as ferramentas e os instrumentos adequados para construir a sua própria experiência e comunicá-la adequadamente. A gestão do Risco refere-se ao conhecimento do potencial de risco do produto, isto é: “A gestão de riscos assume que se os consumidores tornarem co-criadores de valor, eles demandarão mais informação sobre o potencial de risco de produtos e serviços; mas eles também devem arcar com maior responsabilidade para lidar com estes riscos” [5]. A Transparência é necessária para que o processo de interação ocorra efetivamente como uma busca intencional de co-criação. A co-criação permite a inovação de valor, tal como preconizam Kim e Mauborgne [3] e a nova curva de valor emerge da intersecção entre dois âmbitos: o da co-criação e o da experiência tal como se visualiza na figura 3.

Co-criação

Inovação de valor Experiência

Figura 3: Inovação de valor

Co-criação no projeto BEL-i9

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Trata-se de desenvolver processos de interação, que propiciem e potencializem a co-criação, tendo como base as experiências próprias em cada interação. As experiências são diferentes dos produtos, porquanto envolvem questões cognitivas e afetivas do indivíduo em relação ao conteúdo que provoca o processo de co-criação. O conceito de inovação de valor, diferente da inovação tecnológica, é aquela em que se produz um maior valor fornecido aos clientes com diminuição de custos. A inovação de valor se dá com uma nova curva de atributos fornecidos que geram utilidade excepcional a baixos custos [3]. A figura 4 ilustra os dois movimentos, o da diminuição dos custos e do valor para o consumidor.

Figura 4: Inovação de valor [3]

De acordo com Gutiérrez (2009) há uma evolução do conceito de co-criação quanto o tipo de aprendizagem que propicia o ambiente de troca de experiências, a saber: • • • Primeira geração: refere-se às sensações que os consumidores experimentam. Segunda geração: aplicação da metodologia DART de modo que o valor não seja criado dentro da empresa, mas na relação com o indivíduo. Terceira geração: o valor é criado na relação entre os indivíduos.

A figura 5 mostra o aumento do fornecimento de valor na evolução dos tipos de aprendizagens provocadas, constatando a tendência à potencialização da interação entre indivíduos.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Figura 5: Evolução do conceito de experiência [11]

Com relação às práticas de terceira geração de aprendizagem estão as comunidades virtuais que surgem espontaneamente por interesse comuns. Emergem das trocas de experiências nestes grupos informações valiosas sobre produtos, serviços, lugares turísticos e modos sobre como assimilar ou dar andamento a determinados tratamentos médicos, entre tantos exemplos que se poderiam citar. 5 Aplicações

5.1 Nike A Nike durante a copa do mundo de 2006 desenvolveu um site interativo, o joga.com, e convidou os que se interessassem a assistir os melhores lances dos jogos, a fazer upload de vídeos e outras iniciativas. Mais de um milhão de fãs, do mundo inteiro, participaram desta iniciativa, reforçando assim a marca da Nike. De qualquer forma a iniciativa não se restringiu ao enfoque puramente de marketing:
A Nike comprometeu-se com competições futebolísticas, criou um web site que conectou os jogadores de futebol profissional com seus fãs, e também se comprometeu com programas convencionais marketing pela Internet. Um vídeo de Ronaldinho foi “baixado” mais de 32 milhões de vezes. Além do mais, no website “Nike ID” a empresa convidou vinte fornecedores de tênis para competir no projeto de um novo tênis pra a Nike. A empresa estruturou a competição como se fosse um reality show e então perguntou à Comunidade da Nike via Internet sobre o melhor design. Além desses designs e do novo projeto da Nike para a temporada, os fãs podiam ir ao site Nike ID personalizar seus próprios tênis em vários estilos e cores, e pondo as bandeiras dos países que queriam em seus tênis. A Nike forneceu as ferramentas de software para os times locais e para as ligas profissionais, para codesenhar e personalizar o tênis de futebol [10],

Co-criação no projeto BEL-i9

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Vê-se que esta aplicação permitiu que a Nike conectasse com milhões de pessoas no mundo inteiro e conseguiu a adesão do público através da plataforma disponibilizada para esta aplicação de co-criação. A condução desta nova abordagem foi um grande desafio, pois a Nike seguia o paradigma da inovação centrada somente na empresa. “A empresa reconheceu logo que a competição para obter vantagens no mercado de tênis tinha se deslocado para a criação de valor através de experiências” [10]. 5.2 Medtronic A Medtronic foi a empresa que desenvolveu o marca-passo e tem como missão institucional promover a qualidade de vida e a longevidade dos que usam os seus produtos. Para contextualizar a questão imagine um paciente, com problemas cardíacos, que implantou um marca-passo, e tivesse a possibilidade de monitorar à distancia o seu ritmo cárdico, e pudesse interagir on-line com seus médicos para saber como deveria proceder nas possíveis intercorrências de saúde. O seu conforto psicológico aumentaria pelo fato de se permitir o monitoramento on-line e a interação com seu médico e, se fosse o caso, com algum outro médico que tivesse que intervir em caso de urgência. Pode-se pensar também noutro cenário, como o caso de viagem do paciente, tornando a questão mais complexa. O paciente, para ser bem orientado, teria que saber dos hospitais mais próximos e os médicos teriam que ter acesso a seu histórico clínico. Como instrumento de cocriação Ramaswamy [4] exemplifica que:
(A Medtronic) desenvolveu um sistema de visitas em “consultório virtual” que permitiu aos médicos a verificação pela Internet do estado dos pacientes que têm implantados aparelhos. Os dados são obtidos por antena são “baixados” pelo monitor e transmitidos por linha de telefone padrão para a Medtronic CareLink Network. Num website dedicado e seguro, os médicos podem rever os dados do paciente e estes podem verificar sobre as suas condições – e ninguém mais- e dispõem de acesso os familiares e responsáveis pelos pacientes [4].

Este sistema de monitoração e conexão dos vários atores permitiu a co-criação de valor centrada na experiência vital do paciente. A “interação com o médico, com a família, e com a empresa, em uma situação de atendimento fora da cidade, afeta totalmente a qualidade da experiência do paciente” [4]. A criação do ambiente de interação de experiências, neste caso sobre como lidar com a doença, propiciaram avanços em satisfação das necessidades e melhores resultados para todas as partes. 6 Conclusão

O processo de co-criação permite uma inesgotável fonte de interações para a criação de valor de 1ª, 2ª ou 3ª geração. Além das comunidades externas à empresa, todos os setores internos podem participar do plano de interação, como os departamentos de pesquisa e desenvolvimento, de desenvolvimento de produtos e serviços, de marketing e comunicação, de suporte ao consumidor, de manufatura, de tecnologia de informação e de recursos humanos. Também se pode estender o ambiente de experiência para os integrantes da empresa em questões tais como: avaliação de desempenho, recrutamento e seleção, benefícios, treinamento e desenvolvimento, gestão de desempenho e gestão de talentos. As aplicações são inúmeras e a literatura sobre o tema começa a apresentar os resultados das aplicações em diversos campos de negócio e atividades formativas

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

e educacionais. O interesse das empresas na co-criação tem aumentado, por estarem desejosas de assumir os desafios impostos pela maior participação do público atual, cada vez mais bem informado, com mais recursos, na construção do conhecimento e mais interessado na valorização das suas experiências. A co-criação permite compreender que, além da forma tradicional de geração de valor para os clientes, somente centrada na cadeia de valor interna da organização, há outra forma, que conta com a colaboração criativa e empreendedora dos clientes e outros grupos de interesse. A cocriação é um fenômeno exigido pelo comportamento dos indivíduos que atualmente têm maior acesso às informações e é potenciado pelas tecnologias e redes de informação, sendo, portanto, adequada ao ambiente da incubadora BEL-i9. 7
[1] [2] [3] [4] [5]

Referências
PRAHALAD, C. K.; RAMASWAMY, Venkat. O Futuro da Competição: como desenvolver diferenciais inovadores em parceria com os clientes. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 253. NONAKA, Ikuhiro , TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997. KIM, W. CHAN, MAUBORGNE, RENEE, A Estratégia do Oceano Azul. Ed. Rio de Janeiro Campus. 2005. RAMASWAMY, Venkat. Co-creating Experiences of Value with Customers. SETLabs Briefigs, Vol 5 N. 4 oct-dec. 2007, p. 54 e 58. RAMASWAMY, Venkat. Co-creating Experiences with Customers: New Paradigm of Value Creation.The TMC Journal of Management. Julho 2005 obtido no sítio <http://www.eccvenkat.com/1._Experience_Co-Creation__-_VR.pdf> em 1.12.2009, p. 7 e 10. MARINA, Jose .Antonio. Teoria de la inteligencia creadora. 2. ed. Barcelona: Ed. Anagrama, 2001. SERTEK, Paulo e ASINELI-LUZ, Araci, Comunidade de prática de pesquisa em educação: abordagem para a formação de professores. In: Anped Sul Curitiba. 2006. SERTEK, Paulo e REIS, Dalcio. Gestão de Mudanças e Comportamento Ético. Revista Inteligência Empresarial, Rio de janeiro, v. 07/02, n. 12, p. 39-47, 2002. PRAHALAD, C. K.; RAMASWAMY, Venkat. The New Frontier of Experience Innovation. MITSloam Management Review. Summer 2003, VOL, 44 No 4, p.14.

[6] [7] [8] [9]

[10] RAMASWAMY, Venkat. Co-creating value through customers’ experiences: the Nike case. STRATEGY & LEADERSHIP, Vol 38, pp 9-14, 2008, p.10. [11] GUTIERREZ,Carlos. Gerencia del Servicio, Universidad de La Sabana, Apresentación del Curso de Gerencia de Servicio. 2009. Obtido no sítio <http://sabanet.unisabana.edu.co/postgrados/gerencia_comercial/merc_comexterior/Ciclo_III/gs_nia mpira/UNISABANA%20EGC%20GERENCIA%20DEL%20SERVICIO%2015102008%2003.pdf>Cons ulta em 1.12.2009.

Co-criação no projeto BEL-i9

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1

Proposta de escopo de atividades de gestão do projeto BEL-i9 da COPEL
1

Marilda Medeiros Packer 2 Felipe Grando Sória

CITS – Centro Internacional de Tecnologia de Software marilda.packer@cits.br 2 felipe.soria@cits.br

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Introdução

O propósito desse capítulo é apresentar resumidamente o escopo das atividades a serem desenvolvidas pelo CITS de forma a contribuir na gestão do projeto BEL-i9. Para tanto será apresentado um breve resumo sobre a instituição e a sugestão das atividades a serem desempenhadas. 2 Resumo executivo do CITS

No começo da década de 90, um grupo de empresários e instituições percebeu que junto com a sociedade da informação surgiam no mercado de TI novas potencialidades. Ao se organizarem, encontraram apoio em empresas privadas, instituições acadêmicas e órgãos governamentais. Hoje são mais de 30 associados. Este modelo de atuação está alinhado com a Política de Inovação do Governo Federal que objetiva uma maior cooperação entre os segmentos.

1

2

Marilda Medeiros Packer é formada em Administração de Empresas pela FAFI e Especialização em Finanças pela FAE. Mestranda em Engenharia de Produção pela UFSC com ênfase em Controladoria. Atualmente é Coordenadora Executiva de Operações do Centro Internacional de Tecnologia de Software. Tem mais de 10 anos de experiência em direção de empresas, atuando nas áreas de Gestão, Finanças, Processos Organizacionais e Gestão de Projetos Complexos.

Felipe Grando Sória possui Mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas e Graduação em Engenharia de Computação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Atualmente é Assessor de Processos Organizacionais e Estratégia da Coordenadoria Executiva do Centro Internacional de Tecnologia de Software. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Engenharia de Software, atuando principalmente nos seguintes temas: Implantação do CMMI e MPS.BR, Modelos de qualidade, Tecnologia da informação, Gestão de Projetos Estratégicos, Processos e Estratégia Organizacional.

Proposta de escopo de atividades de gestão do projeto BEL-i9 da COPEL

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Dessa forma surgiu o CITS – Centro Internacional de Tecnologia de Software – instituto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (ICT privada) em TI que busca alavancar a competitividade local através de soluções que atendam às demandas globais. 3 Serviços

O CITS desenvolveu um processo de trabalho próprio com base em sua sólida experiência de projetos. Esse diferencial permite total controle das fases, sendo que dessa forma as necessidades do cliente são atendidas com exatidão pelos nossos projetos. • • • • • • • • Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento de Software, Hardware e Firmware. Execução e gestão de projetos (fomentados ou não pela Lei de Informática). Ensaios e Testes de Compatibilidade Eletromagnética. Ensaios e Testes Metalográficos. Capacitação de empresas e profissionais. Difusão do conhecimento tecnológico;. Gestão dos recursos de fomento (FINEP, CNPQ, Lei de Informática, etc). Implantação de melhoria de processos de software: CMMI, MPS.BR, Systematic Reuse e Software Factory, IT Mark, entre outros modelos e metodologias, em projetos cooperados e específicos. Gestão da Inovação em parceria com a I2M: InovaXpress, SyncFolio, Avaliação de Tecnologias e Gestão da Inovação, Gestão de Portfólio de Inovações.

São mais de 400 projetos, a grande maioria fomentada pela Lei de Informática, nas áreas de: Saúde, Firmware, Aeronáutica, Previdência, Gestão de Projetos e Gestão Pública. No seu portfólio de clientes encontram-se nomes como Bematech, Furukawa, HP – Hewlett-Packard, Positivo Informática, Siemens Enterprise, Nokia, Intelbras, Landis+Gyr, Nokia Siemens, entre outros. Segundo relatório publicado pelo MCT/CATI em julho/2009, o CITS é a quarta Instituição de Ciência de Tecnologia Privada (ICT) que mais aplica recursos da Lei de Informática em todo Brasil, num universo de mais de 100 instituições credenciadas pelo CATI. No setor de Gestão Pública pode-se destacar projetos de grande complexidade e tamanho, como é o caso dos seguintes: • GPrev: projeto que durou quase três anos e envolveu o desenvolvimento do sistema de controle e gestão previdenciário do Estado do Paraná, com participação de mais de 100 profissionais do CITS dedicados a desenvolver tal solução para a Paraná Previdência e 100% gerenciado pela equipe do CITS.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

FIPLAN: projeto que durou mais de dois anos e envolveu o desenvolvimento do sistema de planejamento e realização orçamentário do Estado do Mato Grosso, com participação de mais de 70 profissionais CITS e de outros parceiros locais dedicados a desenvolver tal solução para a Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso e 100% gerenciado pela equipe do CITS.

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Prêmios • • • • • 1º Lugar Nacional Prêmio FINEP de Inovação 2008 – Categoria Instituição de Ciência e Tecnologia – FINEP. 1º Lugar Regional Prêmio FINEP de Inovação 2008 – Categoria Instituição de Ciência e Tecnologia – FINEP. 2º Lugar Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2006 – Categoria Instituição de Ciência e Tecnologia Regional – FINEP. Troféu Expressão de Excelência Tecnológica 2005 – FINEP. 3º Lugar Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2004 – Categoria Instituição de Pesquisa e Desenvolvimento – FINEP.

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Certificação / Qualificação da equipe

CMMI Nível 3 – Fornecida pelo SEI (Software Engineering Institute – EUA) em 2009; A expertise em gestão de projeto que o CITS possui é atestada por manter, na equipe, Gerente de Projetos com certificação PMI, CMMI e MPS.BR. Mais de 80% dos colaboradores CITS têm curso superior, sendo que 30% são pós-graduados; 6 Descrição do escopo

Para descrever o escopo das atividades que pretende-se desenvolver, foram extraídas duas frases do livro do projeto BEL [1] que sintetizam, na visão do CITS, a essência do projeto BEL-i9: “Estabelecimento de parcerias estratégicas...” (Marcos Pessoa). “BEL – propiciar uma nova experiência para os seus clientes, onde eles passem a perceber valor nas aplicações que venham a consumir...” (Aloivo Guerra Jr. e Márcio Miguel). Tais enunciados provenientes do projeto maior levam a compreender a necessidade da COPEL em investir nesta ação complementar, para garantir a sustentabilidade do projeto, pelo fato de concentrar seus esforços no desenvolvimento de conteúdo e tecnologia para estimular a utilização da rede de Banda Extra Larga pelos seus clientes, corporativos ou não, gerando tráfego permanente, diminuindo assim o risco de uma possível ociosidade do sistema, risco muito comum em instalações desta magnitude. Outro fato relevante é a estratégia da COPEL em realizar tais

Proposta de escopo de atividades de gestão do projeto BEL-i9 da COPEL

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atividades por meio de parcerias, desenvolvendo e estimulando novos empreendimentos de base tecnológica por meio do estabelecimento de incubadoras distribuídas pelo Paraná. 6.1 Atividades do projeto A estratégia para o desenvolvimento do projeto com sucesso, inicia-se pelo planejamento do mesmo, onde o escopo deverá ser definido por meio de um WBS (work breakdown structure) e a partir deste ponto as ações/atividades de execução do mesmo. Para tanto, sugerem-se algumas atividades/produtos que deverão ser gerados durante o planejamento e monitoramento do projeto: • • • • • • • • • • • • • • Definir uma WBS. Definir os stakeholders do projeto (áreas da COPEL, CITS, FINEP e demais parceiros) e suas respectivas responsabilidades. Definir um cronograma dos marcos e principais atividades do projeto. Levantar e mensurar dos riscos do projeto. Definir o processo de monitoramento do projeto. Definir o orçamento do projeto. Definir o Plano do Projeto. Definir critérios de seleção das tecnologias e conteúdos a serem desenvolvidos. Definir critérios para seleção das empresas/projetos a serem incubados. Definir locais das incubadoras. Definir infraestrutura para o projeto. Desenvolver um Programa de Capacitação Tecnológica e Gerencial da Empresas Incubadas, baseada nas melhores práticas de mercado. Desenvolver a capacidade inovadora das empresas incubadas para sustentabilidade e fornecimento de tecnologias e conteúdos inovadores de maneira contínua. Desenvolver o empreendedorismo das empresas.

Além das atividades de preparação e planejamento, o CITS se propõe ser responsável ainda pelas atividades de: • • Monitoramento e Controle do Projeto. Aplicação de Metodologia e Indicadores.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

• • • • • •

Apoio tecnológico e capacitação (educação continuada e consultoria) para as empresas incubadas. Contratação e gestão dos fornecedores (consultores, entre outros). Prestação de contas para FINEP e outros órgãos necessários. Comunicação e divulgação do andamento e resultados do projeto. Prestação de contas periódica para a COPEL Telecomunicações. Gestão dos convênios com as instituições parceiras (stakeholders).

Tais atividades são propostas para a participação ativa do CITS no gerenciamento do projeto BELi9. Lembrando sempre que estas deverão ser refinadas e discutidas com a comissão do projeto, liderada pela COPEL Telecomunicações. 7
[1]

Referência
PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp.

Proposta de escopo de atividades de gestão do projeto BEL-i9 da COPEL

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1 Introdução

Reflexões sobre estratégias para a obtenção de financiamento para o BEL-i9
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Yára Christina Eisenbach

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
yara.eisenbach@copel.com

A COPEL Telecomunicações, de maneira pioneira e criativa, propõe a viabilização de incubadora de novos negócios, através do fomento à inovação tecnológica e ao empreendedorismo inovador, no âmbito do Projeto BEL. Tem por objetivo selecionar projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do Estado do Paraná, dotando jovens empreendedores de condições de transformar ideias inovadoras em produtos para a rápida absorção pela indústria, pelo comércio e pela própria COPEL. Tais propostas seriam consideradas aptas a receber apoios financeiros, técnicos, jurídicos e administrativos, por um período determinado, de forma a estabelecer uma consciência empresarial e simplificar as cargas administrativas associadas à criação de novos negócios.

Yára Christina Eisenbach é graduada pela Faculdade de Direito da PUCPR, tendo realizado estágio em Direito Penal na Université de Paris – Sorbonne, pós-graduada em Administração de Empresas pela FAE-PR com ênfase em Planejamento Empresarial, especialização em Licitações e Contratos Administrativos pela CELC-SP e especialização em Procurement pelo Banco Mundial. Foi consultora de licitações na Coordenadoria de Análise de Licitações da Secretaria Especial de Ouvidoria Geral do Estado do Paraná. Consultora do Banco Mundial para projetos na América Latina e Caribe. Consultora do Banco Mundial para o Projeto de Saneamento da Bolívia. Consultora Jurídica para projetos em desenvolvimento e execução no Estado do Paraná, com financiamentos externos - Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e Japan Bank for International Cooperation –JBIC. Consultora do Banco Mundial BIRD para o Programa de Treinamento e Disseminação de Procedimentos Licitatórios. Consultora do Projeto PRODESAM – Governo do Espírito Santo, nas áreas de planejamento, gestão e procurement. Consultora na área de Captação de Recursos Externos de Ministérios e de Estados Brasileiros, para projetos governamentais, junto a organismos de crédito internacionais. Consultora de Agências Internacionais da ONU, tais como: UNESCO, PNUD e IICA. Coordenadora Geral do Centro de Coordenação de Programas do Governo do Estado do Paraná – 1995/2002. Secretária de Estado do Planejamento e Coordenação Geral – Governo do Estado do Paraná. Presidente da URBS – Urbanização de Curitiba S.A. – Prefeitura Municipal de Curitiba. Diretora Regional da Associação Nacional de Transporte Público e Trânsito – ANTP. Na COPEL, já exerceu diferentes cargos gerenciais, onde atualmente ocupa a posição de Analista Consultor, com lotação na Ouvidoria da empresa.

1

Reflexões sobre estratégias para a obtenção de financiamento para o BEL-i9

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Neste capítulo procura-se refletir acerca das implicações socioeconômicas deste tipo de autoemprego e estimar seu mérito não como mecanismo de combate ao desemprego, mas sim, como mola propulsora do desenvolvimento de pessoas e de produtos e serviços tecnológicos de ponta, parte integrante de um menu de políticas geradoras de emprego. Ao se analisar os resultados de programas de apoio ao jovem empreendedor já implementados no país e em países industrializados da Europa, da América do Norte e da África, pode-se concluir que os pontos fracos desses outros programas foram afastados na proposta do Projeto BEL-i9, ao tempo em que os aspectos considerados como pontos fortes foram assimilados no que competia e acrescidos de variantes apropriadas para dotar o projeto do conceito de sustentabilidade financeira tão requerido por organismos de crédito nacionais e internacionais. Os objetivos deste programa parecem estar em absoluta consonância com a Recomendação da ONU que ao mesmo tempo em que propugnam pela necessidade de geração de milhares de novos empregos em países subdesenvolvidos e em países em desenvolvimento, afastam a possibilidade dos governos desses países proporcionarem a criação e a manutenção de novos postos de trabalho permanentes. Portanto, a dita Recomendação da ONU orienta no sentido de que esforços sejam direcionados com a finalidade de gerar o auto-emprego e a capacidade gerencial. O PNUD, conceituada Agência da ONU, recentemente financiou um programa destinado a doze países africanos, tendo aportado recursos da ordem de US$ 1,5 milhões para Cabo Verde, em um projeto enquadrado no âmbito do programa denominado Programa Regional Emprego Jovem e Coesão Social, a ser implementado em dois anos. Nesta mesma direção, programas instituídos pelo Governo Federal do Brasil canalizam seus apoios, inclusive financeiros, através de bancos oficiais, para universitários recém formados. Neste caso, o fraco desempenho desses programas pode ser creditado a três motivos principais: (i) o inexpressivo limite máximo de recursos estipulado pelos programas para apoio financeiro ao recém formado; (ii) a falta de acompanhamento técnico na aplicação dos recursos; e, (iii) a ausência de parcerias com a academia, com a indústria e com a iniciativa privada. Outras iniciativas ainda surgiram de forma esparsa em estados brasileiros, em cooperação com entidades de ensino superior, e mesmo assim nenhuma delas pôde ser considerada como modelar para que fosse replicada de forma exitosa. Tratam-se de programas de geração do auto-emprego e de outros que consistiam em introduzir na grade curricular de determinada universidade a disciplina de gestão de novos empreendimentos. Desta vez, pode-se creditar a baixa performance a dois aspectos fundamentais: (i) a ausência de recursos financeiros para o apoio às iniciativas; e, (ii) a dissociação do projeto das necessidades da indústria. Assim, projetos que pretendam o desenvolvimento tecnológico divorciado do desenvolvimento educacional e do foco no mercado estão fadados ao insucesso e ao baixo desempenho. A reengenharia de empresas sólidas e tradicionais como a COPEL, quando em busca do desenvolvimento da competitividade através do fomento à inovação tecnológica, além de demonstrarem responsabilidade social, comprometimento com o desenvolvimento de capacidades locais e oportunidades ao jovem empreendedor, ainda buscam o estabelecimento de novos

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

negócios para a própria Companhia, contribuindo assim para o aumento de sua inserção em novos e promissores mercados e com o crescimento de sua lucratividade. O Projeto BEL-i9 já nasce vencedor, quando vinculado a “grife” COPEL, marca consolidada e conceituada mesmo fora dos limites político-administrativos do Estado do Paraná. Ademais disso está concebido atrelando parcerias com as mais renomadas instituições de ensino superior por um lado e, por outro, com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP. Bem por isso, as futuras incubadas do Projeto BEL-i9 abrigarão propostas viáveis, com possibilidades de rápida absorção pelas indústrias parceiras e em especial pela COPEL. Outro aspecto que importa destacar é que a recuperação dos investimentos iniciais se dará pela participação da COPEL Telecomunicações nos novos negócios apoiados. Sob o ponto de vista dos organismos internacionais de crédito e das demais entidades financiadoras de projetos é um dos principais aspectos no que diz respeito ao cálculo da taxa interna de retorno dos investimentos. Pode-se afirmar que no mercado internacional recursos financeiros existem em abundância, com prazos de carência adequados, prazos de amortização alongados e custos financeiros atrativos, o que se registra é a falta de bons projetos a serem apoiados, a exemplo do BEL-i9. Um basta aos trabalhos acadêmicos superlotando as bibliotecas das universidades sendo totalmente desconhecidos pela indústria e pelo mercado em geral; um basta aos programas medíocres que são avaros na disponibilização de recursos com o intuito de atender a maior quantidade possível; um basta aos projetos paternalistas que ao invés de buscar a independência do apoiado pretendem mantê-lo sob a dependência estatal com fins políticos e eleitorais; finalmente, um basta a um país de assalariados. Por outro lado, aplausos a programas que transformem iniciativas em empresas produtivas, que gerem empregos e renda ao nosso povo paranaense, como se propõe no Projeto BEL-i9. 2
[1] [2] [3] [4] [5]

Referências
FRISCHTAK, Claudio R. - Emprego e pequena empresa. In: VELLOSO, João P. dos Reis. O Real e o futuro da economia. São Paulo: José Olympio, 1995. 234-46p. ORGANIZATION FOR ECONOMIC COOPERATION AND DEVELOPMENT(OECD). OECD in Figures: statistic on the member countries. Paris, 1997. EVANS, David S., LEIGHTON, Linda. Some empirical aspects of entrepreneurship. The American Economic Review, v. 79, n. 3, p. 519-35, 1989. ONU - (PNUD e outras Agências). The World Bank Group.

Reflexões sobre estratégias para a obtenção de financiamento para o BEL-i9

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1 Introdução

A gestão da incubadora BEL-i9 com base na visão antropológica da formação do ser
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Paulo Roberto Luccas Consultoria FOCUS

paulo.luccas@consultoriafocus.com.br

Desde que o homem decidiu deixar o fundo de uma caverna onde habitava de costas para o mundo e para a verdade, tomou consciência de que havia algo além das sombras projetadas por um raio de luz. Percebeu que também ele tinha luz própria e podia empreender, criar e inovar. Sua curiosidade – base de toda ciência – o levou a vencer o medo, a superar a limitação do ambiente, a transformar com disposição racional o mundo em que habitava. O racionalismo socrático, que foi um marco na história da humanidade, inspirou o homem a livrarse do condicionamento dos mitos e limitações que ele próprio se impunha. A história evoluiu, a ciência progrediu, a natureza foi submetida, mas os condicionamentos ainda continuam aprisionando o homem em seu ambiente de trabalho. A visão materialista dos mercados, o condicionamento mecanicista dos processos, o desrespeito á sustentabilidade ambiental, a degradação do tecido social, a crise em instituições fundamentais como a da família, e, particularmente do trabalho, levam a acreditar que só o racionalismo produtivo não será suficiente para emancipar o homem em seu destino de submeter e transformar o mundo. Este é o desafio que se impõe a todas as empresas que têm como modelo de negócios o serviço à comunidade e a longevidade de suas atividades. 2 O desafio empreendedor inovador

A inovação tecnológica é uma fronteira que não pode ser desprezada por qualquer empresa que pretenda manter-se viva no mercado. Mas seria um equívoco imaginar que bastam os investimentos em capitais físicos e tecnológicos para alcançar tal avanço. “Empresas de base tecnológica podem perder rapidamente a sua competitividade se priorizarem os seus aspectos
1

Paulo Roberto Luccas é Economista (UFPR), com Pós-graduação em Estratégia Econômica de Empresas (FAE/CDE); Pósgraduação em Desenvolvimento Humano e Familiar (Universidad de La Sabana, Colômbia). Foi Gerente da Caixa Econômica Federal por 15 anos; Consultor e Superintendente do Instituto de Ensino e Fomento-IEF por 5 anos. Atualmente é Consultor e Diretor da Focus Consulting, atividade que exerce há 5 anos.

A gestão da incubadora BEL-i9 com base na visão antropológica da formação do ser

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técnicos e operacionais, em detrimento da geração de novos negócios que as inovações tecnológicas permitem” [1]. A geração de novos negócios a que se refere Henderson, obviamente não pode limitar-se a um departamento ou grupo de pessoas de uma empresa, devendo ser uma característica fundamental que domina a mentalidade empreendedora de toda a organização. Não é possível criar e inovar sem a disposição e a competência de empreender. O grande desafio que se apresenta com o projeto BEL-i9, portanto, não é a produção de novas tecnologias, mas a geração de uma cultura empreendedora da inovação. A capacidade de empreender e inovar deve estar presente em cada elo da incubadora proposta, permeando cada processo, cada atividade, cada decisão. Isto só será possível mediante a adesão e disposição de cada profissional que dela participar, em abrir-se ao novo sem perder os princípios que regem a conduta da pessoa e da própria organização. A inovação tecnológica se conquista na margem, mas se sustenta no fundamento. Se um princípio for negociado por razão de conveniência, todo o processo será comprometido pela quebra da confiança, e o resultado pode ser desastroso. Se estes fatores de equilíbrio forem conjugados em harmonia, criar-se-á uma cultura de identidade que influenciará tanto os processos produtivos e seus resultados como as relações inter-pessoais dentro e fora da nova empresa, assegurando a ela um contexto de sintonia com o entorno onde atuará. 3 O investimento na pessoa

O fator humano é o único que cria valor e sustenta princípios. No entanto, o próprio homem parece desconhecer esta sua importância no processo produtivo. Condicionado por séculos de um mecanicismo opressor, acostumou-se a executar tarefas, a transferir responsabilidades, a esperar que lhe digam o que fazer. O profissional moderno precisa ser resgatado naquilo que é a essência do trabalho, uma atividade que por excelência atualiza as potências que realizam o ser. Esta primeira década do século XXI reúne condições raras de emancipação da atividade laboral e da própria condição humana; no entanto, este esforço será infrutífero se solitário, sendo preciso um esforço coletivo para que o bem seja comum. Daqui a algumas centenas de anos, quando a história do nosso tempo estiver sendo escrita com a perspectiva de um distanciamento maior, muito provavelmente o mais importante evento que os historiadores verão não será a tecnologia, nem a Internet, nem o comércio eletrônico. Será a mudança sem precedentes ocorrida na condição humana. Pela primeira vez, literalmente pela primeira vez, um número substancial e crescente de pessoas tem a possibilidade de fazer escolhas. Pela primeira vez, as pessoas terão de administrar a si próprias. E é preciso que se diga uma coisa: elas estão totalmente despreparadas para isso [2]. O desafio empreendedor inovador é caracterizado pela possibilidade de escolha e não pode ser imposto como norma pela incubadora. E como afirma Drucker, as pessoas estão totalmente despreparadas para esta possibilidade de escolha. A busca pela liberdade é uma aspiração antiga do homem, está na sua gênese, mas princípios utilitaristas atrofiaram essa disposição de

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

crescimento, e o profissional se vê hoje cerceado pelas inúmeras amarras que lhe são impostas e por seu próprio subdesenvolvimento ontológico e antropológico. Caberá à incubadora BEL-i9 complementar a formação de seus incubados, ou ao menos fazê-los despertar para a possibilidade de cada um deles desenvolver-se como ser. A formação ética, o desenvolvimento das virtudes, o conhecimento da gestão e o exercício da cidadania são aspectos que numa primeira consideração podem parecer alheios ao ambiente da incubadora, certamente caracterizado pelos resultados e negócios, mas que se revelam vitais quando vistos sob a ótica da longevidade das empresas que serão formadas e da realização humana. Não pode sustentar-se por muito tempo um negócio ou uma carreira que não conte com bons fundamentos. A visão imediatista de curto prazo é, na verdade, o grande equívoco que se comete com a educação de uma forma geral. Por se tratar de um bem de investimento intangível e de longo prazo, a educação costuma ser preterida aos objetivos tangíveis de curto prazo. Se a pretensão para a nova empresa é empreender e inovar de forma sustentável, cabe a ela pensar em novas formas de investimento que lhe permitam construir uma cultura de identidade, mantendo-se firme na rota das diretrizes traçadas. Um primeiro passo desse esforço educativo é a incubadora oferecer ao profissional a oportunidade de refletir sobre a possibilidade de melhoria, ou ao menos tornar-lhe evidente a necessidade de mudança. Este esforço educativo deve levá-lo a refletir sobre aspectos que já influenciam sua atividade laboral ainda que não o perceba. São aspectos como: • • • • • • • • • • 4 Pensar na mudança como regra e na inovação como processo. Perceber, antecipar e, se possível, propor a mudança. Pensar mais na produtividade do que na produção. Pensar mais no trabalho do que no emprego. Trabalhar mais com qualidade do que com quantidade. Focar mais as pessoas do que os processos. Abrir-se ao aprendizado com humildade e fortaleza. Praticar a justiça e descobrir-se no outro. Ter em conta o bem comum antes que o individual. Ter um coração generoso e uma alma grande.

A responsabilidade da gestão no contexto da incubadora

Estes aspectos devem estar orientados mais pela oportunidade de desenvolvimento pessoal do que pela ameaça ou exigência do mercado. Esta orientação positiva é de responsabilidade do gestor, que além das funções gerenciais de praxe deve cada vez mais assumir sua missão de

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liderança servidora, tendo como maior competência sua atitude educadora. Cabe ao gestor dar o sentido ao trabalho vinculando o esforço produtivo ao conceito da obra bem feita: A obra bem feita resume em si mesma as possibilidades de encontrar efetivamente a alegria no trabalho [3]. Só pode oferecer alegria o trabalho que enseja algo de si, que transforma o sujeito além do objeto. Sem este componente de transformação pessoal, o trabalho é executor e escravizante. Como a pessoa é uma realidade aberta para o que a rodeia e, conseqüentemente, qualquer elemento pessoal tem uma relação com o ambiente, o próprio trabalho é uma atividade que poderíamos chamar de exteriorizante, isto é, que exige a projeção do sujeito em direção ao mundo exterior [4]. Esta atitude de abertura ao outro encontra no trabalho a atividade por excelência de atualização das competências já presentes na pessoa e que precisam ser desenvolvidas. Mais que um castigo, portanto, o trabalho é uma atividade libertadora que faz crescer o homem aproximando-o do seu fim último, desempenhando assim um caráter de missão. Não pode ser utopia pensar em alegria no trabalho, porque não cria nem inova quem executa uma tarefa com a ânsia de livrar-se do que faz. Se a empresa incubada deve ir além dos processos e dos produtos, também o seu profissional deve ir além de cumprir metas e executar tarefas. Esta é a verdadeira inovação que pede o mercado: o trabalho bem feito, a obra bem acabada, o serviço prestativo que vai além das expectativas, o relacionamento integrador. Todos estes aspectos correspondem a um mesmo indicador de qualidade: a alegria do que se faz e de como se faz tendo em conta para quem se faz. O trabalho é algo que se faz dirigido a alguém, e é este alguém que dá sentido ao que se faz. É também papel do gestor em seu esforço educativo provocar os que dele dependem, gerar crises controladas para que o profissional possa administrá-la antes de ter que sofrê-la por acomodação. Segundo Perez Lopez, “Toda crise é sempre dolorosa, mas necessária para se evitar a acomodação que pode ser fatal” [5]. Deixar as coisas como estão, ou pior ainda, beneficiar-se de posições conquistadas é uma atitude mesquinha de curto prazo que prejudica tanto a empresa como aqueles que dela dependem. O pior da crise não está no sacrifício que ela impõe, mas em não tirar proveito destes sacrifícios para o crescimento daqueles que a suportam. 5 Determinação de união

A gestão da crise administrada visando a criação de uma identidade empreendedora inovadora na empresa, tem um caráter estratégico que não pode ser submetido aos fatores limitantes da atividade operacional. Sem a visão clara dos gestores, sem o seu comprometimento e exemplo pessoal, todo o esforço educativo de mudança é comprometido pelos sulcos pré-existentes que irão exercer uma força de acomodação que dificulta a mudança proposta. Mesmo que de forma inconsciente, os velhos padrões e crenças pressionarão as novas formas forçando o retorno à cultura tradicional. É preciso evidenciar a necessidade de mudança, oferecer condições de transformação, mas, sobretudo, fechar as portas para o retorno. É preciso haver uma firme determinação de união para que o processo de mudança se estabeleça e gere seus frutos duradouros. Um bom exemplo dessa transformação é a que se passou com a economia japonesa no século passado.

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Logo após o término da II Guerra Mundial, o Japão encontrava-se em uma situação extremamente crítica, tanto econômica como social. Grande parte de sua população economicamente ativa havia perecido na guerra ou estava mutilada para o trabalho de reconstrução do país. O parque industrial sistematicamente bombardeado pelos americanos estava totalmente destruído. Uma grande quantidade de órfãos e pessoas debilitadas perambulavam pelo país à mercê da assistência do Estado, que naquela altura encontrava-se totalmente desorganizado. O moral e a confiança estavam completamente abalados pela derrota e pelo fim do sonho expansionista. Se a causa deste sonho expansionista tinha sido as limitações de recursos naturais e de mercado, o resultado agora se mostrava ainda mais desolador. Dois grandes fatos contribuíram para que este quadro não desembocasse no caos: a determinação do povo japonês em reconstruir a nação, e a “mão estendida” pelos americanos através do Plano Marshall. Uma força cultural que somada a outra conjuntural, proporcionaram as condições para um verdadeiro fenômeno de reconstrução. A cultura milenar de auto-disciplina e determinação foi fundamental para que o povo japonês pudesse usufruir dos benefícios da transferência de crédito e de tecnologia proporcionados pelo Plano Marshall. Aos valores culturais se somaram a disposição de vencer e de aproveitar a oportunidade que se oferecia. O resultado foi além da recuperação econômica e da ocupação de espaço no mercado, sendo que uma nova base tecnológica surgiu como fruto de uma produção enxuta em que o fator humano se mostrou essencial. Esta rápida apreciação do milagre japonês na segunda metade do século XX é de grande relevância para que se entenda e se considere a necessidade de adoção de novas práticas de gestão, especialmente para as empresas nascentes incubadas. Não foi a abundância de recursos naturais, tecnológicos ou financeiros que permitiram tal desempenho, mas justamente o contrário, foi a consciência da escassez e da oportunidade da mudança quem motivou a união de esforços para suplantar a crise. 6 O comprometimento com a proposta

A competição gerada nesta primeira década do século XXI em função da globalização, da abertura de mercados, da socialização tecnológica, do desenvolvimento da logística e das telecomunicações, expõem todas as empresas e profissionais a um desafio de rompimento com a acomodação vivida no século XX. A previsibilidade do ambiente estável cedeu lugar ao dinamismo da era das mudanças, onde a única regra é a própria mudança. Já não cabem mais os modelos voltados “para dentro”, que baseados apenas na boa vontade e tino comercial, mostram-se insuficientes diante da concorrência global. A regra é a do profissionalismo, das parcerias e da corresponsabilidade, não só nas relações externas da empresa como também nas relações internas. O cliente definitivamente entrou na empresa exigindo novas soluções e criatividade no produto, nos processos e nas relações produtivas. O cliente é exigente e se faz presente tanto numa nota fiscal como numa ordem de serviço. Mas não basta a evolução e o esclarecimento dos conceitos para que eles surtam os efeitos desejados da produtividade. É indispensável a coerência entre o discurso e a conduta na relação entre dirigentes e empregados. É da observância desta conduta coerente que depende o engajamento e a participação de todos os envolvidos no processo produtivo.

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Estimulados pela necessidade de mudança e aplicação de melhores técnicas de gestão, os dirigentes são chamados a propor a participação de todos os profissionais num processo onde fique claro o compromisso com a missão, com os objetivos e com os valores da empresa. A clareza desta comunicação e a fidelidade ao seu cumprimento são vitais para o comprometimento dos envolvidos. Esta atitude de transparência estimula o trabalho em equipe e a cooperação entre pessoas e setores, gerando a tão almejada corresponsabilidade pelo resultado. Para isto os gestores devem definir formas e procedimentos para que todos tenham igual oportunidade de se engajar ao processo premiando as lideranças positivas e alertando as negativas para a necessidade de mudança. 7 O surgimento dos talentos, da motivação e da liderança

Outro fator importante num ambiente de oportunidades é o surgimento tanto de ideias como de talentos naqueles que se dispõem ao aperfeiçoamento e engajamento a nova causa. É o reino da motivação intrínseca, onde o profissional percebe o solo rico que se apresenta e se sente estimulado a produzir mais e melhor pelo benefício de crescimento pessoal e da empresa. Neste ambiente, a diversidade passa a ser considerada como bem inestimável a ser utilizado pela equipe numa atitude de cooperação e complementaridade, própria de quem se importa com o bem alheio. É o reino da motivação transcendente, onde o bem comum redunda em bem pessoal. Falar como um igual, fazer-se presente, estabelecer o diálogo, discutir com a equipe o planejamento e as ações, permitir e estimular o contraditório, não inibir a participação. São algumas atitudes que provocam o empenho e a fidelidade gerando a disposição necessária para as grandes mudanças. São todas necessárias aos incubados. Na medida em que esta unidade é proposta e há um esforço por torná-la real e operativa, ou seja, na medida em que o líder se posiciona, gera nos comandados o compromisso de posicionamento. O jogo é aberto, as regras são claras, o compromisso é de todos e não há espaço para meias entregas. Todos são chamados a dar o melhor de si porque sabem pelo que lutam e por quem lutam. A implantação de um programa de gestão depende totalmente da ação das pessoas, assim sendo, três fatores são fundamentais para a educação, treinamento e mudança de comportamento: motivação, liderança e comunicação. A prática tem demonstrado que as empresas que desenvolvem e utilizam estes três fatores são as que obtêm os melhores resultados com programas de melhoria da qualidade e aumento da produtividade. [6] A criação da motivação intrínseca e ainda mais a transcendente são essenciais para que os profissionais se engajem no processo produtivo e desenvolvam suas competências e alcancem o resultado. A criação deste ambiente propício e fecundo passa pela formação e esclarecimento dos profissionais.

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Mais esclarecido, o profissional se vê como sujeito de direitos, mas também como responsável pelo seu próprio desenvolvimento. Vê na produtividade não mais uma exploração, mas uma oportunidade de investir em si mesmo, de tornar-se mais valorizado e considerado na própria empresa e também no mercado. Vê a oportunidade de crescer como pessoa, como profissional, fazendo a sua parte no mundo que o rodeia e que dele depende, sobretudo, a família. 8 A formação humana

Este é o ambiente fértil de que precisa a boa semente da formação humana. Um ambiente honesto e legítimo onde as partes são parceiras de um mesmo objetivo, a melhoria, o crescimento, a realização. Mais que adestrar e treinar, estas iniciativas devem visar a educação e a formação. Cabe aqui esclarecer a diferença que vai além de meros conceitos. Para Lorda [7], o homem é um ser especial, é um ser livre, que muito menos condicionado pelos seus instintos precisa aprender muitas coisas que os animais conhecem por instinto. É um ser que precisa ser educado para viver como homem. Se há no homem conhecimentos que podem ser adestrados como o empunhar de um martelo, há outros que devem ser instruídos como a forma de bater o martelo, e outros ainda que devem ser educados, como o objeto em que se bate o martelo. Na formação há uma conotação ética indispensável que dá a razão do agir e compromete a pessoa. Dentro deste conceito, Corominas [8] distingue três partes na formação da pessoa: a matéria, a inteligência e a vontade. Cada uma delas se desenvolve por processos diferentes, ainda que todos interligados, pois formam um único ser indivisível que é a pessoa. A tendência natural da parte material da pessoa é a satisfação dos sentidos, da inteligência é procurar a verdade, e da vontade é fazer o bem. Educar uma pessoa é ensiná-la a fazer bom uso da liberdade e a ser responsável pelos seus atos. Estes conceitos são explicitados no quadro abaixo:
Quadro 1 - Os níveis de formação da pessoa segundo Corominas [9].

Pessoa Matéria Inteligência Vontade

Formar Adestrar Instruir Educar

Tendência Natural Satisfazer os sentidos Buscar a verdade Fazer o bem

Exemplos de Ação Praticar um esporte, andar, fazer coisas. Aprender idiomas, conceitos, metodologias. Querer aprender, assumir responsabilidade.

O grande papel de quem tem a responsabilidade de formar, seja ele um pai ou um gestor, consiste em ajudar as pessoas a formar a vontade, em educar. A incubadora BEL-i9 deve investir em treinamento, e num conceito mais elevado em educação, deve proporcionar múltiplos bens que vão além da produtividade e da qualificação, proporcionando a busca da verdade e a oportunidade de se fazer o bem. Embora este bem possa não ser percebido de forma imediata, já que a educação é um bem de investimento e não de consumo, é com certeza um bem duradouro que tanto faz longevas as novas empresas incubadas como contribui para o engrandecimento pessoal de seus gestores e funcionários.

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Um grande risco em que incorre o homem é presumir-se formado, fazendo-se incapaz de aprender. Como destaca Garcia Hoz [10], para aprender o homem deve fazer-se como criança: um ser a caminho. Deve fazer-se também grato pela condição e oportunidade de trabalhar e de se desenvolver. Cabe aqui também mencionar a importância dos quatro pilares da educação destacados pela UNESCO [11] como forma de um desenvolvimento integral: (i) Aprender a aprender; (ii) Aprender a fazer; (iii) Aprender a conviver; (iv) A prender a ser. Na empresa como na família e em toda a sociedade, o primeiro que se tem a fazer é reconhecer a necessidade e o direito de aprender, algo que depende tanto da virtude da humildade como da justiça. Num degrau acima tem-se que aprender a conviver, pois se o conhecimento já é importante, quanto mais as pessoas. Por fim deve-se ter em conta a importância do ser, a dignidade com que se reveste o homem em sua diversidade e riqueza de talentos, que mediante as condições apropriadas pode bem cumprir a sua missão. 9 Conclusão

Mais que a dialética, o momento propõe a ética, o justo contribuir para o bem próprio e do próximo. Como salienta Covey [12] deve-se começar a perceber que se mudar a situação é algo desejado, precisa-se primeiro cada um mudar a si mesmo. E, para mudar efetivamente o modo de ser, precisa-se primeiro mudar a própria percepção. Se o objetivo é construir uma nova mentalidade, uma nova cultura de aprendizagem e transferência, de inovação e competência, é preciso ter o foco no homem. É preciso implodir as estruturas que feudalizam os espaços e as mentes, que aprisionam os talentos e as ideias. É preciso coragem para empreender e humildade para transpor o abismo entre o “eu e o tu”, o atual e o melhor. A incubadora BEL-i9 deve ser uma aventura do ser. E só os corações generosos e magnânimos são capazes desta aventura. Mais que a sustentabilidade das empresas incubadas, se faz urgente a redescoberta do ser através de líderes que inspirem, que sejam modelos, homens comuns como Guillaumet [13] que nada fizeram de espetacular senão assumir a responsabilidade pela própria vida: Se alguém falar a Guillaumet de sua coragem ele dará de ombros. Mas seria traí-lo também celebrar sua modéstia. Ele está muito além dessa qualidade medíocre. Se dá de ombros é por sabedoria. Sabe que uma vez no centro do perigo os homens não se horrorizam mais. Só o desconhecido espanta os homens. Sua verdadeira qualidade não é essa. Sua grandeza é a de sentir-se responsável. Responsável por si, pelo seu avião, pelos companheiros que o esperam. Ele tem nas mãos a tristeza ou a alegria desses companheiros. Responsável pelo que se constrói de novo, lá, entre os vivos, construção de que ele deve participar. Responsável um pouco pelo destino dos homens, na medida

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de seu trabalho. É um desses seres amplos que aceitam o destino de cobrir largos horizontes com suas folhagens. Ser homem é precisamente ser responsável. É experimentar vergonha em face de uma miséria que não parece depender de si. É ter orgulho de uma vitória dos companheiros. É sentir, colocando a sua pedra, que contribui para construir o mundo.

10 Referências
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] HENDERSON R. Material didático, MIT Sloan School of Management, 2005. DRUCKER, P. Conferência “Redefinindo lideranças, organizações e comunidades”, Fundação P. Drucker, 1999. GARCIA HOZ, V. Pedagogia visível: educação invisível -Ed. Nerman, São Paulo, p. 74-80 GARCIA HOZ, V. Pedagogia visível: educação invisível -Ed. Nerman, São Paulo, p. 74-80 LOPEZ, J. A. P. Fundamentos da direção de empresas. Ed. Aese, Lisboa, 1996. ABRANTES, J. Programa 8S – A base da filosofia seis sigma. Rio de Janeiro, Ed. Interciência. 2001, p. 23. LORDA, J.L. Moral: a arte de viver. Ed. Quadrante, São Paulo, 2001. p. 13. COROMINAS, F. Educar hoje. Ed. Quadrante. São Paulo, 2005. p. 13. COROMINAS, F. Educar hoje. Ed. Quadrante. São Paulo, 2005. p. 16.

[10] GARCIA HOZ, V. Educar: uma difícil tarefa. Ed. Nerman. São Paulo, 1981. p. 9. [11] UNESCO. Pronunciamento: "Os Quatro Pilares da Educação: O seu Papel no Desenvolvimento Humano " - São Paulo, 2003. http://www.brasilia.unesco.org/noticias/opiniao/index/index_2003/pilares_educacao [12] COVEY, S. R. Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. Ed. Best Seller. São Paulo, 2001. p. 19. [13] SAINT-EXUPERY, A. Terra dos Homens. 27. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1986. p. 38-44.

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1 Introdução

Conceitos para planejamento e gestão dos novos empreendimentos incubados no BEL-i9 e o papel dos stakeholders
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Henrique Ricardo dos Santos

Unindus – Universidade da Indústria /Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná
henrique.santos@fiepr.org.br

Novos empreendimentos tecnológicos se caracterizam pelo risco associado ao seu desenvolvimento e pelas grandes oportunidades. Risco financeiro, risco tecnológico de obsolescência, risco de má gestão, risco de novos entrantes, risco de substitutos, etc. Minimizar os riscos de uma empresa que se inicia, uma start-up, é uma das tarefas principais do empreendedor. Em todo novo empreendimento há uma série de atores que são necessários para que o risco seja minimizado e para que as chances de sucesso do negócio sejam animadoras. O empreendedor precisa de recursos financeiros para viabilizar seus protótipos, pilotos, estudos, pesquisas, ações promocionais, contratação de gestores, etc. Estes recursos podem vir de várias fontes: FINEP (subvenção econômica, juros subsidiados), BNDES, investidores particulares, fundos de investimento, bancos, amigos e familiares, etc. Associações de classe como Federações de Indústria e outras, podem desempenhar um papel importante ao disponibilizar ao empreendedor as informações sobre todas as fontes de recursos disponíveis para os novos empreendimentos e também serviços que agreguem valor ao novo negócio. Além dos recursos financeiros, o empreendedor necessita de uma boa rede de parceiros na academia. Universidades e centros de pesquisa têm um papel importante na geração de novas tecnologias em potencial e na avaliação através de seus laboratórios e pesquisadores com alta
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Henrique Ricardo dos Santos é Engenheiro Químico formado pela UFPR em 1989, com M.Sc. em Engenharia Quimica pela Case Western Reserve University (Cleveland, OH, EUA), MBA em Estratégia e Finanças pela Weatherhead School of Management (Cleveland, OH, EUA). Foi Engenheiro de Projetos na Keithley Instruments, Inc. de junho de 1994 a abril de 1999, Engenheiro Senior na Microchemical Systems Inc. de maio de 1999 a janeiro de 2000 (Cleveland, OH, EUA), Gerente de Projetos na CoreComm Ltd de janeiro de 2000 a junho de 2001 (Cleveland, OH, EUA), Diretor de Parcerias Industriais na Cornell University de junho de 2001 a julho de 2003 (Ithaca, NY, EUA), Coordenador do Centro Internacional de Negócios do Sistema FIEP de março de 2004 a fevereiro de 2006, Coordenador de Marketing Corporativo Sistema FIEP de fevereiro de 2006 a outubro de 2007, Diretor da Unindus - Universidade da Indústria (Sistema FIEP) desde outubro de 2007, sendo atualmente Diretor de Contas Especiais do Sistema FIEP, desde outubro de 2009.

Conceitos para planejamento e gestão dos novos empreendimentos incubados no BEL-i9 e o papel dos stakeholders

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capacidade de descobrir e inovar. Eles propiciam o suporte acadêmico laboratorial e conhecimento para que o empreendedor tenha segurança na qualidade de seu produto. Com recursos financeiros e parceiros acadêmicos, o empreendedor ainda corre riscos significativos, pois, necessita de gestores profissionais. Na grande maioria dos casos, o empreendedor não detém todas as competências necessárias para gerir ou fazer crescer um negócio. É por isso que gestores experientes são necessários. Eles trazem a segurança de que o novo negócio será conduzido de forma profissional e irão evitar erros estratégicos e táticos que possam comprometer a sobrevivência do próprio negócio. Neste ponto chega-se ao último ator desta rede: as incubadoras, como a BEL-i9, proposta pela COPEL. Sejam elas de base tecnológica, de empresas tradicionais ou mistas, todas desempenham um papel importantíssimo na sistematização dos processos de criação de novas empresas e na redução de custos operacionais do negócio. Além destes atores, o empreendedor precisa de um bom planejamento e uma boa ferramenta para gestão do seu projeto até que ele se torne viável como negócio. O bom planejamento ainda sim não dá garantias de sucesso, porém minimiza os riscos e dá garantias de uma chance de sucesso. Há várias ferramentas disponíveis no mercado para planejamento e gestão de projetos. 2 O planejamento e a gestão eficaz do novo empreendimento: fundamentos

Metodologias, softwares e consultorias para planejamento e gestão de projetos não faltam. O essencial é que o empreendedor entenda a necessidade do planejamento e não o veja como algo estanque, que não possa ser alterado. Além disso, uma ferramenta para o planejamento e gestão de projetos deve ser simples, prática e eficaz. O empreendedor deve levar em conta os seguintes fundamentos para o seu negócio: utilidade, inerência, expectativa, inovação, logística, relevância e complexidade. 2.1 Utilidade No BEL-i9, algumas perguntas deverão ser feitas, no âmbito de cada incubado: Qual é a utilidade do negócio? Para que ele serve ou servirá? Qual a proposta de valor agregado que o negócio traz? A clareza de propósito e de papéis será fundamental para o sucesso do novo empreendimento, pois eliminará logo no início do novo negócio dúvidas que podem atrasar o seu desenvolvimento. O empreendedor no BEL-i9 deverá, ainda, entender com clareza a utilidade dos parceiros para o seu novo empreendimento: centros de pesquisa e/ou universidades, agentes financiadores, incubadora e gestores profissionais. Entendendo a utilidade de cada stakeholder permitirá ao empreendedor definir os papéis com mais clareza e alavancar o potencial e as competências específicas de cada um deles para colaborar no sucesso do seu empreendimento.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

2.2 Inerências Cabem, aqui, outras perguntas: O que é inerente ao novo empreendimento? O que absolutamente não pode faltar para que o novo negócio prospere? Quais fatores são inerentes à atuação da incubadora e dos parceiros: academia, financiadores e gestores? Deve haver clareza nas inerências relativas ao novo negócio, a fim de que os fatores críticos para o sucesso dos negócios a serem gerados no BEL-i9 não sejam negligenciados. 2.3 Expectativas Quais são as expectativas do empreendedor em relação ao seu novo negócio? O que ele espera? O que pretende realizar? A expectativa em relação ao novo negócio se traduz também em objetivos, que devem ser bastante claros para que o empreendedor direcione o seu negócio e suas ações numa direção única e focada. Devem ser consideradas também as expectativas dos demais stakeholders do novo empreendimento. Qual é a expectativa da incubadora BEL-i9 em relação ao presente e futuro deste novo empreendimento? E os parceiros da academia e centros de pesquisa? Quais são as suas expectativas? O que pretendem com a parceria e como podem agregar valor à mesma? Qual também será a expectativa dos parceiros financiadores do empreendimento? E os gestores profissionais chamados a contribuir? Qual a sua expectativa em relação ao presente e ao futuro do empreendimento? Clientes e fornecedores também têm expectativas que devem ser contempladas e não podem ser negligenciadas. Principalmente os clientes, pois são eles, em última análise, diretamente responsáveis pelo sucesso do empreendimento. Clientes invariavelmente têm as seguintes expectativas em relação ao produto ou serviço final: custo, entrega, segurança (pessoal, do patrimônio e do planeta), atendimento e qualidade. Estes cinco itens devem ser muito bem avaliados pelo empreendedor para que seu produto ou serviço atenda às necessidades dos seus clientes e prospere. O BEL-i9 neste caso desempenhará um papel essencial, porque afeta diretamente todos estes aspectos do novo negócio. É de suma importância que o empreendedor avalie as expectativas de todos os stakeholders e procure entender de que forma o seu negócio agrega valor a todos eles, para definir uma estratégia de abordagem e negociação com cada um destes atores. 2.4 Inovação Que tipo de inovação traz este novo empreendimento? Não apenas tecnológica, mas na gestão, nos processos, na relação com clientes, fornecedores, parceiros, pesquisadores, financiadores e gestores. De que maneira a empresa vai inovar na sua atuação dentro da incubadora BEL-i9 e na sua relação com a mantenedora da mesma? Como o empreendedor pretende implementar estas

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inovações? Haverá alguma inovação que mereça um registro de patente ou algum acordo especial de licenciamento? 2.5 Logística Os aspectos logísticos do novo empreendimento devem ser avaliados pelo empreendedor nesta etapa inicial. Se o produto for físico, como será a sua embalagem? E a armazenagem, o transporte? Há alguma necessidade especial para conservação do produto? Caso seja um serviço, há necessidade de transporte? Como será a entrega deste serviço? Pessoal? Via Internet? Como será a cobrança do serviço? Como será a logística dentro do BEL-i9? Que fatores desta logística são essenciais para o sucesso do empreendimento? Todos estes itens relacionados e outros mais são relevantes para o negócio, pois representam custos e têm ligação direta com a imagem, credibilidade da empresa e, consequentemente, impactam o resultado final. 2.6 Relevância Uma vez pensados e definidos os itens anteriores, o empreendedor deve levar em conta a relevância dos mesmos, ou seja, o significado que um evento tem para as pessoas ligadas a ele. Esta relevância pode ser classificada em alta, média e baixa. Fatores com alta relevância inviabilizam o projeto quando estão ausentes. Os de relevância média não inviabilizam, mas trazem grandes desconfortos: e os de baixa relevância, são aqueles que não prejudicam o todo, caso não sejam executados. É importante que o empreendedor tenha clara a relevância dos fundamentos anteriores para o projeto, pois, desta forma, pode otimizar o uso dos recursos na implementação do negócio. 2.7 Complexidade O fundamento da complexidade depende da habilidade do gestor para lidar com o projeto. A complexidade dos fundamentos anteriores (utilidade, inerência, expectativas, inovação e logística) também pode se dividir em alta, média e baixa. Para atividades de baixa complexidade encontramse facilmente pessoas que possam realizá-las. Eventos de média complexidade necessitam de pessoas com certas habilidades e experiência diferenciadas e atividades de alta complexidade exigem pessoas estratégicas e dependem de grandes esforços para serem realizados. 3 Planejamento e gestão do novo empreendimento: recursos

Os recursos necessários para a execução de um projeto podem ser resumidos em seis itens. i. Material

São os materiais necessários para o desenvolvimento do novo negócio. Dentre estes materiais pode-se citar material didático (manuais, etc.), material de escritório, material de limpeza, material promocional, material de acompanhamento e outros. O BEL-i9 terá um papel importante no

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

compartilhamento de materiais entre as empresas instaladas, o que proporcionará uma redução de custos associados. ii. Máquina

Máquinas importantes para o novo negócio são: equipamentos de informática, equipamentos de manutenção, rádios, telefones, fax, equipamentos de som e iluminação, etc. Da mesma forma, o BEL-i9 pode ter um papel importante no compartilhamento de máquinas entre as empresas incubadas. iii. Mão-de-obra

São essencialmente as pessoas envolvidas, sejam da limpeza e segurança, mestres, doutores e pesquisadores dos parceiros (universidades, centros de pesquisa, empresas, independentes), gestores profissionais contratados, financiadores, funcionários e terceiros da empresa. A qualidade da mão-de-obra é fundamental numa start-up, uma vez que os recursos são escassos e o sucesso do novo negócio depende muito da capacidade desta mão-de-obra executar ações diversas. iv. Medida

Quais são as medidas necessárias para o desenvolvimento e sucesso do novo negócio? Há medidas de distância entre a empresa e seus fornecedores para entrega de produtos físicos e serviços, que impactam custos. Há medidas de parâmetros de qualidade (qualitativos e quantitativos) que também impactam custos e margens de contribuição. Que outras medidas são necessárias neste novo empreendimento? Medidas de intensidade, tamanho, tempo, autoridade, medidas de recursos financeiros, etc? v. Método

No método o empreendedor precisa definir as formas de atendimento, os acordos que fará com a incubadora BEL-i9, com os financiadores, com os gestores e com os parceiros de pesquisa, a forma de comunicação com todos os seus públicos (parceiros, fornecedores, clientes, financiadores), o modelo de controle de processos e produção, tipos de treinamento, modelos de contratação, avaliação, vendas e outros. Os métodos são muito importantes para garantir que haja rastreabilidade nas informações e capacidade de observar o progresso das mesmas. vi. Meio ambiente

Este item refere-se ao ambiente da empresa, ou seja, a incubadora BEL-i9. Há que se considerar aspectos como: acesso, adequação, iluminação, climatização, estacionamento, espaço, decoração, limpeza, infraestrutura, segurança, sinalização, temperatura, transporte, etc. A preocupação com a sustentabilidade em seus três eixos principais: financeiro, ambiental e social também precisa estar presente no plano de negócios do novo empreendimento. A cada dia o fator ambiental assume mais importância no mundo dos negócios e na vida das pessoas e as empresas novas já devem ter incorporado ao seu negócio conceitos e práticas sustentáveis.

Conceitos para planejamento e gestão dos novos empreendimentos incubados no BEL-i9 e o papel dos stakeholders

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Conclusão

Apresentou-se de forma resumida conceitos importantes para planejamento e gestão de projetos que podem ser aplicados de forma transversal na definição não apenas de um novo negócio, mas também das relações que o empreendedor irá desenvolver com os demais atores no processo: BEL-i9, agentes financiadores, academia e gestores. Estes conceitos apesar de não garantirem, serão fundamentais para maximizar as chances de sucesso dos empreendimentos a serem incubados. 5
[1] [2] [3]

Referências
ESCOLA DE PLANEJAMENTO HOMO SAPIENS. TEvEP, apostila . http://www.tevep.com.br. Acesso em 26/11/2009 MOREIRA, Daniel e QUEIROZ, Ana Carolina. Inovação organizacional e tecnológica, 1ª edição São Paulo, Thomson. STAINSACK, Cristiane. Dissertação: Estruturação, organização e gestão de incubadoras tecnológicas. Curitiba: CEFET, 2003.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

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1 Introdução

BEL-i9: ambiente de cooperação e inovação para pequenas e médias empresas do setor de telemática
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Cristiane Garbin Langner

COPEL Telecomunicações
cristiane.langner@copel.com

Pesquisas recentes [1] apontam que as pequenas e médias empresas (PMEs) constituem um importante reforço na economia brasileira e desempenham um papel fundamental no contexto econômico do país, pois, quando fortemente estabelecidas, estas empresas precisam investir para continuarem competitivas. Mesmo sendo consideradas fundamentais para ajudar a revitalizar a economia no atual cenário de crise mundial, as PMEs não têm encontrado apoio suficiente para garantir que sobrevivam sequer ao primeiro ano de funcionamento. Como esperar que estas empresas se estabeleçam e invistam no seu crescimento? Para sobreviver no mundo globalizado, é comum encontrar PMEs que tenham de suprir necessidades muito semelhantes às das grandes corporações, principalmente no que diz respeito à tecnologia [2]. Para ajudar na sobrevivência destas empresas, colaborando no start-up dos seus negócios, este capítulo trata da incubadora de telemática BEL-i9 no contexto das PMEs. Na incubadora, o empresário, ou futuro empresário, encontrará um ambiente favorável com disponibilidade de produtos e serviços que o ajudará, tanto nos “primeiros-passos”, como no crescimento de suas expectativas de rentabilidade.

Cristiane Garbin Langner é Engenheira de Computação pela Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas (PUCPR) e está concluindo MBA Executivo em Comunicação, Marketing e Publicidade pela Universidade Positivo. Atualmente atua na área de Novos Negócios da Copel Telecomunicações, já tendo sido pesquisadora do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC). Participou da publicação do livro Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe.

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BEL-i9: ambiente de cooperação e inovação para pequenas e médias empresas do setor de telemática

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A incubadora BEL-i9 apresenta-se como um espaço para que as PMEs de telemática ganhem visibilidade na Internet e, através dela, tenham todo o apoio necessário para o início das atividades, ganhando vantagem competitiva através de ações de cooperação e inovação. 2 O empreendedorismo no Brasil

Num momento em que o país busca contornos para a crise econômica, optando pelo combate ao desemprego e pela busca do crescimento sustentável, o estímulo aos empreendedores e às micro e pequenas empresas representa uma alternativa eficaz. As micro e pequenas empresas empresas já são um dos pilares de sustentação da economia brasileira, podendo ter um papel fundamental no contexto econômico do país, especialmente neste momento de crise mundial. O Brasil está em 7° lugar entre os 35 países mais em preendedores do mundo, segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) [1]. Existem atualmente no país 5,9 milhões de micro e pequenas empresas formais, o equivalente a 97,5% do total de empresas (figura 1) [3]. Os pequenos negócios respondem por 51% da força de trabalho urbana empregada no setor privado (são 13,2 milhões de empregos com carteira assinada), 38% da massa salarial; e 20% em média do Produto Interno bruto (PIB). No Paraná, o Sebrae/PR trabalha com um universo de aproximadamente 450 mil micro e pequenas empresas formais [3].
97,5%

Micro e Pequenas Empresas Formais Outras 2,5%
Figura 1 - Empresas estabelecidas no país

Entretanto, apesar de uma parcela crescente de brasileiros procurarem alternativas para empreender, ainda lhes falta informação básica para isso. Alguns estudos do Sebrae de São Paulo indicaram que o empresário que busca informação especializada tem mais chances de sobreviver. Os índices de mortalidade empresarial, no primeiro ano de atividade, giraram em torno de 17% para os que receberam capacitação, contra 27% no geral [4]. Cerca de 70% das pequenas e médias empresas fecham depois de um ano de funcionamento por falta de informação, de metas estabelecidas, de critérios definidos e até mesmo conhecimentos gerenciais atualizados.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

2.1 Setor de Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC Com uma taxa de crescimento de aproximadamente 5% ao ano, em cinco anos (de 2004 a 2009), os serviços ligados a softwares triplicaram e o segmento de desenvolvimento de softwares dobrou de tamanho (figura 2). Poucos países no mundo possuem taxas dessa magnitude no setor. “O País representa apenas 1% do mercado mundial de TIC, mas é 60 vezes maior em potencialidade de negócios, se comparado a outros países” [5].

Figura 2 - Mercado brasileiro de TIC

No Brasil já existe alta demanda por Tecnologia da Informação e Comunicação. O mercado interno, crescente nos últimos anos, tem atraído inclusive grandes empresas internacionais. Para competir com estas empresas é preciso contar com produtos e serviços absolutamente inovadores e muito competitivos, além de ter bons preços, uma vez que os clientes do setor estão visando redução de custos e aumento das vendas. Ainda, há a premente promessa da computação nas nuvens (ver capítulo de Cezar Taurion, neste livro), que mudará as micro e pequenas empresas, as quais tenderão a utilizar softwares na nova rede (web) [6]. 3 A incubadora de telemática BEL-i9

Para atender aos desejos de ampliar seus negócios visando novos mercados e novos serviços de telecomunicações, a COPEL Telecomunicações está empreendendo o projeto BEL [7], que inclui em seus principais objetivos: • Estimular a competitividade das pequenas e médias empresas, possibilitando com que, a custos reduzidos, elas possam melhor promover, divulgar e comercializar seus produtos e serviços. Promover a inovação tecnológica e o aumento da competitividade, fomentando o desenvolvimento de novos produtos e serviços, e incubando a formação de novos negócios. Oferecer, no estado do Paraná, produtos e serviços de valor adicionado em banda extra larga, de forma competitiva, em especial pelo seu ineditismo no Brasil.

BEL-i9: ambiente de cooperação e inovação para pequenas e médias empresas do setor de telemática

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Como parte integrante do projeto BEL, destaca-se a incubadora BEL-i9, que contará com área física e virtual para que os integrantes cooperem, compartilhem recursos e desfrutem de diversos benefícios como: • Infraestrutura: datacenters para armazenamento e backup (virtualização), o que é um grande benefício, pois elimina pesados investimentos em infraestrutura de tecnologia e segurança; Serviços: acesso à Internet de altíssima velocidade com anti-vírus e firewall, telefonia, sistema VoIP e videoconferência, secretária virtual, biblioteca virtual, divulgação segmentada, comércio eletrônico, manutenção e suporte técnico, gerenciamento de centros de processamento, redes corporativas, call centers, dentre outros. Acessorias: contábil, jurídica, gerencial, de gestão financeira, de comercialização, de comunicações, dentre outras. Qualificação: através de treinamentos, cursos, assinaturas de revistas e jornais. Networking: através da articulação de contatos com entidades governamentais e investidores, participação em eventos de divulgação das empresas, fóruns e outros.

• • •

Vale destacar que, nos quesitos assessoria e qualificação, é muito importante auxiliar os empresários e futuros empresários a elaborar e manter um Plano de Negócios (ou Plano Empresarial), o qual ajuda na melhor visualização do potencial do negócio e é necessário quando se precisa buscar financiamento, para o qual, a credibilidade da incubadora também conta pontos. De forma planejada, a incubadora conduzirá as empresas incubadas ao estágio de graduação, momento no qual estas empresas poderão se estabelecer como novas geradoras de receita, empregos e inovações tecnológicas para a sociedade. 4 Conclusão

O acompanhamento da evolução do projeto, o apoio técnico-financeiro, mercadológico, contábil e jurídico, além da sinergia criada pela concentração de empreendedores no mesmo ambiente, são modos das pequenas e médias empresas organizarem-se e cooperarem para inovar e criar valor com o intuito de se conseguir novas oportunidades, modificando e intensificando as relações entre empresas e clientes e gerando resultados positivos para a empresa alcançar o sucesso empresarial, favorecendo a sobrevivência em um mercado cada vez mais exigente. A incubadora BEL-i9 propiciará o ambiente flexível e encorajador para PMEs, oferecendo uma série de facilidades para o surgimento e crescimento de novos empreendimentos a um custo bem menor do que pode-se encontrar no mercado, na medida em que esses custos são rateados e muitas vezes financiados [8] (ver capítulo de Yára Christina Eisenbach, neste livro), visando amenizar as principais dificuldades encontradas por empreendedores iniciantes, auxiliando desta maneira a consolidação de novas empresas competitivas. A missão da incubadora BEL-i9, no cenário das PMEs, deve ser auxiliar o empresário a criar valor para o cliente e gerar vantagem competitiva para a empresa, dando todo apoio em tecnologia e

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suporte em infraestrutura para que o empreendedor possa concentrar-se no desenvolvimento de seu produto ou serviço. O acesso à crédito também fica facilitado uma vez que o cadastro das empresas na incubadora passa a ser compartilhado com as empresas operadoras de crédito. A incubadora BEL-i9 também propõe-se a ser o ambiente favorável para as empresas terem um acompanhamento na implantação de seu plano de negócio, aprofundarem o relacionamento com os clientes e parceiros, desde a criação de produtos e serviços e suas customizações, passando pela pesquisa sobre comportamento e avaliação das expectativas e desejos destes consumidores, até a negociação de prazos e condições de pagamento, entre outras atividades empresariais. A incubadora deverá desempenhar tanto o papel de canal de marketing quanto o papel de ambiente de negócios, facilitando e auxiliando a transformação de ideias inovadoras em empreendimentos que possam ser competitivos no setor de telemática, gerando benefícios econômicos e sociais. Com o BEL-i9, certamente novas PMEs serão criadas com probabilidades de sobrevivência e de competitividade muito maiores e oferecendo mais e melhores produtos e serviços à população. 5
[1] [2] [3]

Referências
MINNITI, Maria, Bygrave, WILLIAM D. e AUTIO, Erkko. Global Entrepreneurship Monitor. Executive Report 2005. s.l. : Babson College and London Business School, 2006. TI INSIDE. PMEs cumprem o seu papel. Abril de 2009, nº 45, ano 5. SEBRAE - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Anuário do trabalho na micro e pequena empresa: 2008. Site do SEBRAE. [Online] Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, 2008. [Citado em: 05 de Fevereiro de 2009.] http://www.sebrae.com.br/customizado/estudos-e-pesquisas/anuario_trabalho2008.pdf. SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Futuro empreendedor terá noções de como gerir o seu próprio negócio. Site do SEBRAE/SP. [Online] 31 de Outubro de 2008. [Citado em: 15 de Janeiro de 2009.] http://www.sebraesp.com.br/node/6447. MEIRA, Silvio. Armadilha para setor de TIC é virar commodity. [entrev.] Vanessa Brito. s.l. : Agência SEBRAE de Notícias, 24 de Novembro de 2009. Silvio Meira é cientista-chefe do Centro de Estudos de Sistemas Avançados de Recife. —. Tendências transformam rapidamente o setor de TIC. [entrev.] Vanessa Brito. s.l. : Agência SEBRAE de Notícias, 24 de Novembro de 2009. PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp. QUADROS, Felipe Zurita. Plano de Negócios e a Pequena Empresa de Base Tecnológica: um estudo de caso na Incubadora de Empresas do Midi Florianópolis. [Dissertação de Mestrado]. Florianópolis : Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.

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BEL-i9: ambiente de cooperação e inovação para pequenas e médias empresas do setor de telemática

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Aplicações do BEL no ambiente universitário e potencial do BEL-i9 para gerar empreendimentos inovadores
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Julio Cesar Nitsch 2 Edson Pedro Ferlin 3 Paulo Arns da Cunha Universidade Positivo - UP

nitsch@up.edu.br ferlin@up.edu.br 3 pcunha@positivo.com.br

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Introdução

A inovação em serviço está largamente caracterizada tanto pela academia e empresas, quanto pelo mercado. Apesar das diferenças de grau de inovação referentes às estruturas organizacionais, fatores institucionais, inserção tecnológica entre outros, o mercado apresenta demandas que realimentam o processo de inovação [1]. Com a mudança do percentual econômico que aconteceu na década de 1980 em favor da estrutura de serviços, em detrimento aos produtos, a percepção de inovação em serviços também se acentuou de maneira acelerada.
“... a inovação mais produtiva é um produto ou serviço diferente, criando um novo tipo de satisfação, ao invés de uma simples melhoria”. Dessa forma, a inovação está associada à geração de valor econômico e é diferente da invenção, que tem um significado tipicamente tecnológico. A inovação não é restrita aos aspectos tecnológicos e econômicos. As inovações sociais e as inovações na forma de gerenciar uma empresa são tão relevantes quanto as econômicas. O senso de inovação de uma organização tem que possibilitar o abandono sistêmico do que já é antigo [2].
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Julio César Nitsch é Especialista em Educação (UTFPR) e Mestre em Educação (PUC). Foi Diretor Adjunto de Relações Empresariais no CEFET (1996 a 1999); Coordenador do Curso de Engenharia Elétrica (2000 a 2006). Atualmente é Professor de Engenharia Elétrica na UTFPR e Universidade Positivo, o que exerce desde 1992. Ocupa, no presente momento, a posição de Coordenador de todo o Parque Tecnológico da Universidade Positivo. Edson Pedro Ferlin é Engenheiro da Computação, Doutor em Engenharia Elétrica e Informática Industrial (UTFPR) e Mestre em Física Computacional (IFSC/USP). Foi Professor da PUCPR e Faculdades SPEI. Atualmente é Professor e Coordenador do Curso de Engenharia da Computação da Universidade Positivo, o que exerce desde 1999. Paulo Arns da Cunha é Engenheiro Eletricista. Atualmente é Superintendente da área de Educação do Grupo Positivo.

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Aplicações do BEL no ambiente universitário e potencial do BEL-i9 para gerar empreendimentos inovadores

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Dentro de vários projetos (e o projeto BEL aqui se inclui) um elemento é comum e fundamental: há que se determinar claramente entre os serviços e o processo aquele que deve se apresentar ao mercado. Howells e Tether [3] alertam que a inovação em serviço tem como “backstage” um conjunto tecnológico que, na maioria das vezes atingem o consumidor final e que podem trazer dúvidas ao cliente. Podemos exemplificar com a TV digital que se apresenta agora aos consumidores. Toda a tecnologia desenvolvida não é o consumo em si. As possibilidades de utilização entre elas, vendas, comunicação interatividade é que são, sim, as inovações de serviço oferecido ao consumidor final. 2 Ciclo de taxas de transmissão

Há um período de três ou cinco anos, a eternidade da Internet era de um a dois minutos de espera de conexão, hoje a eternidade já se resume a dez ou quinze segundos para aqueles que estão conectados em uma rede de razoável velocidade. Porém, como eternidade é um conceito mais platônico que físico, ela continua a ser eternidade. Nessa linha, a ânsia da realidade de informação instantânea, veem-se as taxas de transmissão de base tecnológica se superarem diariamente. Porém, como ressaltou-se na introdução, taxas de Mbps, Gbps ou Tbps (não acaba aqui) são base tecnológica de um conjunto intangível que é o real foco de um negócio: a interatividade. Assim, de mensagens passou-se a sites, blogs, comunicação, visão. Aguarda-se com ansiedade para que se tenha o médico em casa, projeção holográfica dos filhos na sala de casa, montar o próprio carro on-line quando este estiver já na linha de montagem...
A palavra de ordem é velocidade. A comutação de dados em redes de computadores está sendo empregada em ambientes computacionais de todos os tipos. Vários fabricantes possuem comutadores (switches) compatíveis com todos os padrões de hardware mais utilizados em especial Ethernet, ATM e Frame Relay. Trata-se de uma solução para redes que utilizam roteadores na interligação dos pontos chaves (o roteador é um equipamento que encaminha os pacotes de dados aos endereços certos). Como se baseiam em protocolos de comunicação complexos, esses equipamentos têm de processar uma enorme quantidade de dados de endereçamento e de controle para transmitir um documento qualquer. [4]

As redes de alta velocidade abriram as portas para um novo padrão de comunicação, se assim pode ou poderá ser chamada. Referenciadas à Internet, suas tecnologias de base já estão amplamente suportadas (Ethernet, Fast Ethernet, Gigabit Ethernet, VGAnylan). E, como para o consumidor final, o que importa é a satisfação de suas necessidades, cabe a outro grupo de profissionais desenvolverem a inovação do serviço a ser consumido. Mesmo que o consumidor não saiba se ele ainda o quer ou quererá. Se é a inovação que puxa a demanda ou a demanda que puxa a inovação não cabe agora a discussão. Mas, a velocidade de acesso ofertada e o aumento da capacidade das estações de trabalho permitiram que grandes áreas de negócios aguçassem seus olhares e apetites. Entre diversas áreas pode-se destacar a editoração eletrônica, as operações financeiras pelo mundo, as ações on-line de multimídias, a medicina.

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Fastnet e academia

Cabe-se destacar do conjunto de setores anteriormente citados a utilização por parte da academia das vantagens da Internet no estado último da arte. Em um panorama geral, as redes de alta velocidade chegam ao meio acadêmico para revolucionar o processo de desenvolvimento científico e tecnológico. A pesquisa científica de alto nível demanda um conjunto de dados de alta quantidade numérica em tratamento matemático avançado. Esse conjunto pode ser encontrado na meteorologia, nas ciências espaciais, na simulação de voo de novos jatos, ou no geoposicionamento de embarcações, só para citar quatro casos particulares.
São infinitas as facilidades quando existe a possibilidade de transportar, via Internet, um grande volume de informações entre institutos de pesquisa. Uma delas é diminuir a distância entre os centros de pesquisa através da troca rápida e imediata de dados. A mais importante talvez seja a socialização do conhecimento acadêmico com a disseminação das pesquisas, seus resultados e aplicações práticas. Podem-se criar novas maneiras de pensar a educação, com informações disponibilizadas em áudio e vídeo de alta resolução. Também podem ser estruturadas bibliotecas digitais de alta fidelidade documental, avançados recursos multimídia e, até mesmo, controles remotos de microscópios eletrônicos em centros tecnológicos distantes. [5]

Com uma profundidade de tratamento de dados não tão grande, porém com a mesma importância, pode-se exemplificar a aula em vídeo conferência com o repasse e upload de filmes para centenas de alunos em educação à distância. A medicina tem um destaque especial nesse tópico. O que era notícia com a ficção científica há três anos, já se implementa em hospitais e universidades espalhadas pelo Brasil. Sessões de telemedicina começam a se tornar comuns. Análises de ressonância magnética 3D são feitas online por equipes especializadas em centros avançados, estando o paciente a centenas ou milhares de quilômetros. Como na apresentação abaixo exposta por um profissional.
Visualização tridimensional da atividade cerebral: superposição de imagens tridimensionais para visualização das atividades cerebrais (de percepção, motoras ou cognitivas), permitindo a visualização espaço-temporal das atividades do órgão. Permite a participação em tempo real de diversos especialistas, através da comunicação digital, com voz e vídeo. [6]

Acima dos casos específicos e pontuais as ferramentas de alta velocidade tendem a democratizar o acesso à informação de qualidade. Isso incrementa o número de iniciativas empreendedoras. 4 O projeto BEL e a Universidade Positivo

Dentro das dependências da Universidade Positivo (UP) circulam diariamente dez mil pessoas que “manipulam” o conhecimento nas suas mais diversas formas, estados e quantidades. O tráfego e a multiplicação do conhecimento estão diretamente ligados à velocidade e à quantidade de informação, intra e extra-institucional. As atividades diárias da Universidade exigem um elevado número de informações nos seus diversos graus de complexidade. A expressão cidade universitária, comum no meio, não foi criada sem sentido.

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Sem muito esforço, unindo-se ao projeto BEL, o donwload simultâneo e interativo de um software 3D de montagem e simulação de um motor automotivo pode ser facilmente alcançada. Ou, o curso de Design de Produto, trocando informações com os alunos do Curso de Marketing e Propaganda disponibilizando on-line seus trabalhos para s outras instituições que compartilham a rede de alta velocidade. Ainda, pode-se ter disponibilização de vídeo de em alta definição para todos os participantes da rede mostrando detalhes de um experimento de física nuclear. Jogos de empresas para aqueles que compartilham a rede... Por que não uma videolaparoscopia interativa em um boneco didático em parceria com outra universidade do laço de alta velocidade? Pode-se ainda pensar em uma na pesquisa acadêmica dos alunos de Engenharia da Computação na base de tecnologia da informação (TI) que suporta o projeto BEL. Como se pode abstrair dos exemplos anteriores a integração da Universidade Positivo com COPEL Telecomunicações e o projeto BEL são ilimitados. Adicionalmente, todos esses exemplos podem ser efetivamente empreendidos no contexto da incubadora BEL-i9, em uma ação conjunta e cooperada entre a Universidade Positivo, com a sua experiência acadêmica, e a COPEL, com a sua eficiência de atuação empresarial. 5 Conclusão

A evolução e a mobilidade do tráfego de informações na Internet (e na comunidade) é um produto do ciclo de conhecimento, tecnologia, serviço, usuário. E, de um serviço disponível, o usuário reestrutura as bases de uma nova oferta. A COPEL implementou e agora expande uma rede de alta velocidade e elevada confabilidade, que hoje atende às operadoras de telecomunicações, ao Governo e à grandes corporações. Agora, as bases tecnológicas já estão maduras para também integrar os mais diversos usuários, inclusive os residenciais. Serão as necessidades e iniciativas que irão definir, destacar os parceiros (comerciais ou não) na utilização de enlaces de redes de alta definição. O projeto BEL pode ser um canal confiável e econômico para uma plataforma de serviços que também sejam de interesse acadêmico, enquanto que o BEL-i9 proporcionará o ambiente adequado para que novos produtos e serviços digitais possam ser desenvolvidos, em conjunto com as instituições de pesquisa e ensino superior, dentre as quais a Universidade Positivo. 6
[1] [2] [3] [4] [5]

Referências
FOSTER, R. Inovação: a vantagem do atacante. São Paulo: Best Seller, 1986. SVEIBY, K. A nova riqueza das organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1998. HOWELLS, J. TETHER, B. S. Information technology research in the UK: perspectives on services research and development and systems of innovation. London: Prentice Hall,1998 . INPE. Redes de alta velocidade. http://www2.dem.inpe.br/ijar/RedesAltaVelocidade.htm. Acesso em 1/12/2009 UFBA. Jornalismo e redes de alta velocidade. www.scribd.com/.../Ensino-Do-Jornalismo-Em-Redes-deAlta-Velocidade-Metodologias-Softwares. Acesso em 1/12/2009.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

[6]

MEC. Aplicações em tele-medicina em redes de alta velocidade. http://www.rnp.br/_arquivo/documentos/pal0126.pdf acesso em 2/12/2009.

Aplicações do BEL no ambiente universitário e potencial do BEL-i9 para gerar empreendimentos inovadores

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Cezar Taurion
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Quebrando os paradigmas computacionais: a Computação em Nuvem

Gerente de Novas Tecnologias/Technical Evangelist da IBM Brasil
ctaurion@br.ibm.com

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Introdução

O assunto Cloud Computing ou Computação em Nuvem é extremamente fascinante. Mas, o que a Computação em Nuvem traz? O mundo da tecnologia está às portas de uma transformação profunda e no cerne desta transfomação está exatamente este conceito. Antigamente os computadores ocupavam salas inteiras, custavam pequenas fortunas e eram privilégio exclusivo de grandes companhias. Depois os minicomputadores e posteriormente os microcomputadores (os PCs) levaram a TI para as casas. Com o movimento em direção à Computação em Nuvem os computadores tendem a ter novas formas. A Internet passa a ser o repositório de arquivos digitais e o usuário pode criar documentos, planilhas e apresentações sem precisar instalar nenhum software em sua máquina. A proposta da Computação em Nuvem é permitir que um mesmo arquivo possa ser acessado por um celular, um PC ou notebook, ou seja, independentemente do equipamento, pois todos os arquivos estarão guardados em servidores na web. Esta reviravolta no modelo tradicional de computação é comparada pelo jornalista Nicholas Carr em seu livro “A Grande Mudança: Reconectando o Mundo, de Thomas Edison ao Google” com o advento das redes públicas de eletricidade. Durante um breve período da Revolução Industrial, as grandes companhias tinham de gerar sua própria energia, mesmo que esta não fosse sua atividade-fim. Graças a um conjunto de inovações no final do século 19, tudo mudou e de forma radical. Linhas de transmissão permitiram separar a geração e o uso da eletricidade. Segundo
Cezar Taurion é Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas/Technical Evangelist da IBM Brasil, é um profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70. Com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial, Taurion tem participado ativamente de casos reais das mais diversas características e complexidades tanto no Brasil como no exterior, sempre buscando compreender e avaliar os impactos das inovações tecnológicas nas organizações e em seus processos de negócio. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como Computerwold Brasil, Mundo Java e Linux Magazine, além de apresentar palestras em eventos e conferências de renome. É autor de cinco livros que abordam assuntos como Open Source/Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado e Cloud Computing, editados pela Brasport (www.brasport.com.br). Cezar Taurion também mantém um dos blogs mais acessados da comunidade developerWorks (www.ibm.com/developerworks/blogs/page/ctaurion). Este blog, foi, inclusive o primeiro blog da developerWorks na América Latina. Foi também professor do MBA em Gestão Estratégica da TI pela FGV e do MBI da UFRJ.
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Quebrando os paradigmas computacionais: a Computação em Nuvem

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Carr, o que aconteceu com a eletricidade está acontecendo agora com a computação. Sistemas privados, montados e operados individualmente por empresas estão sendo suplantados por serviços fornecidos por uma rede comum. A computação está virando um serviço e as equações econômicas que determinam a maneira como se vive e se trabalha estão sendo reescritas. Computação em Nuvem ainda não está no topo das prioridades dos CIOs, mas já está aparecendo na tela do radar. É simples questão de tempo sair do cantinho da tela e se deslocar para o centro, atraindo a atenção dos executivos. É bastante provável que em poucos anos Computação em Nuvem já esteja no cerne dos discursos e ações dos CIOs. Portanto, é o momento de conhecer um pouco mais seu conceito, suas tecnologias e aplicabilidades. 2 Computação em Nuvem a as incubadoras de software

A sociedade informatizada está às portas de cada pessoa. Caminha-se a passos acelerados em direção a uma economia baseada no conhecimento. O seu alcance e efeito será maior que a provocada pela revolução industrial. Os processos de produção, padrões e relações de trabalho, organização empresarial, programas educativos, padrões de consumo e comunicação estão e continuarão a passar por transformações significativas. Informação e conhecimento já são hoje o principal motor de uma economia. Os bens tangíveis incorporam valor muito mais pelo que representam, de tecnologia e inovação, do que pela matéria prima e trabalho não-qualificado que contém. Um quilo de satélite custa alguns milhões de vezes mais que um quilo de soja. Cresce continuamente a participação da indústria e dos serviços intensivos em conhecimento. É uma revolução baseada na informação e conhecimento, liderada pela evolução das Tecnologias da Informação e das Telecomunicações. As TICs afetam profundamente o desempenho de todos os setores econômicos, públicos e privados, e também consolidam por si, um setor altamente dinâmico e de grande peso econômico. Software é o segmento mais dinâmico desta indústria. A produção de software que começou como apêndice da indústria de computadores, é hoje um setor dinâmico que apresenta crescente especialização. A produtividade da indústria de software (indústria aqui entendida como o conjunto de empresas que produzem produtos e/ou serviços substitutos entre si) tem aumentado significativamente pela adoção de técnicas elaboradas de desenvolvimento (engenharia de software) e pelo uso de estações de trabalho que permitem utilização de linguagens interativas de mais alto nível. O efeito econômico da indústria de software não pode ser medido simplesmente pelos empregos e impostos gerados. O software provoca um profundo impacto em praticamente todos os segmentos da economia. No nível mais básico, automatiza tarefas repetitivas que antes requeriam grande investimento de tempo e dinheiro. Automatizando estas tarefas as empresas conseguem se concentrar no trabalho mais substantivo, ao invés do administrativo. A evolução tecnológica permite variar e sofisticar o trabalho, permitindo, por exemplo, que engenheiros utilizem recursos de “realidade virtual” para produzirem visões de automóveis, aeronaves e edifícios. As tecnologias da informação e telecomunicações e o software são ferramentas essenciais para melhorias de eficiência das empresas e economias, aumentando sua produtividade e competitividade como um todo.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

A indústria de software se encaixa nas classificações pertinentes da economia de serviços. É invisível, embora seus efeitos sejam sentidos; é indivisível, pois não funciona em partes; e é intangível, pois não pode ser tocado ou estocado. O que é estocado são as mídias. Além disso, existe a dificuldade em estabelecer um valor real a ele. Também é difícil mensurar a amplitude da produção de software de um país, pois muito software é desenvolvido internamente em empresas de outros segmentos ou sob encomenda, não entrando nas estatísticas. A dinâmica do mercado de software é acelerada. As barreiras de entrada são baixas. É um mercado orientado a conhecimento, com pouca necessidade de capital. Não é em absoluto um mercado intensivo em capital. É também um mercado de grande concorrência, com as empresas estabelecidas enfrentando contínuos riscos de novos entrantes. As baixas barreiras de entrada e a pouca necessidade de capital impulsionam o ritmo de inovação e modificações. Produtos inovadores são lançados continuamente, bem como as versões dos produtos existentes são liberadas em curtos intervalos de tempo entre si. Entretanto, alguns desafios surgem na frente dos empreendedores desta indústria. Embora as barreiras de entrada sejam muito mais baixas que no setor industrial tradicional, o custo de equipamentos e softwares ainda é um sério inibidor para empreendedores sejam eles oriundos de universidades, sejam microempresários. A criação de incubadoras para start-ups de softwares, como se propõe no projeto BEL-i9, vem sendo considerada uma alternativa por excelência para ajudar a vencer algumas barreiras, como apoio em planos de negócio e auxílio no desenolvimento dos negócios. Nesse contexto, a possibilidade do uso de novos modelos computacionais que permitam mitigar ou mesmo eliminar os custos de aquisição de servidores e softwares será um excelente impulsionador para as incubadoras de software. Nesse novo modelo, a Computação em Nuvem ou Cloud Computing já demonstrou, na prática, seus benefícios para incubadoras. Um exemplo interessante é a incubadora de empresas de software criada na cidade de Wuxi, na China. Quais são os principais problemas de qualquer incubadora de softwares? Alocar recursos computacionais, de forma dinâmica (os softwares incubados estão em níveis diversos de demanda de recursos) e barata (empresas incubadas não tem dinheiro...). A resposta da incubadora foi criar uma infraestrutura em Cloud Computing que permite às incubadas alocarem recursos dinâmicamente. Então o que é Cloud Computing ou Computação em Nuvem? É uma ideia extremamente sedutora: utilizar os recursos ociosos de computadores independentes, sem preocupação com localização física e sem investimentos em hardware. O interesse pela ideia é refletida nos inúmeros artigos técnicos, publicações e eventos sobre o tema. Pode-se dizer que a Computação em Nuvem é um termo para descrever um ambiente de computação baseado em uma imensa rede de servidores, sejam estes virtuais ou físicos. Uma definição simples pode então ser “um conjunto de recursos como capacidade de processamento, armazenamento, conectividade, plataformas, aplicações e serviços disponibilizados na Internet”. O resultado é que a nuvem pode ser vista como o estágio mais evoluído do conceito de virtualização, a virtualização do próprio data center.

Quebrando os paradigmas computacionais: a Computação em Nuvem

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Se é possível resumir algumas das suas caraterísticas principais, tem-se: • • • A Computação em Nuvem cria uma ilusão da disponibilidade de recursos infinitos, acessáveis sob demanda. A Computação em Nuvem elimina a necessidade de adquirir e provisionar recursos antecipadamente. A Computação em Nuvem oferece elasticidade, permitindo que as empresas usem os recursos na quantidade que forem necessários, aumentando e diminuindo a capacidade computacional de forma dinâmica. O pagamento dos serviços em nuvem é pela quantidade de recursos utilizados (pay-peruse).

O conceito de Computação em Nuvem já é comum em algumas das empresas mais famosas da Internet como o Google, Amazon e o Yahoo, que mantém parques computacionais com centenas de milhares de máquinas. Estas empresas, de forma independente umas das outras, criaram imensos parques computacionais, baseados no conceito de nuvem, para operarem seus próprios negócios. Uma vez tendo desenvolvido estas imensas infraestruturas, descobriram que poderiam gerar novos negócios, criando então as ofertas de serviços de Computação em Nuvem, disponibilizando-os para o mercado. Isto acontece de duas formas: Uma parte é oferecida na forma de serviços. Assim, em vez de armazenar documentos e rodar um processador de textos no próprio PC, pode-se acessar o Google Docs, que disponibiliza as principais e mais usadas funções do onipresente Office da Microsoft. Esta abordagem é conhecida como “software como serviço” ou Software-as-a-Service. O SaaS já envolve hoje inúmeros aplicativos empresariais como gerenciamento de relações com o cliente, recursos humanos, contabilidade e outros, providos por empresas como Salesforce e NetSuite. As pequenas empresas, em particular, estão recorrendo a esses serviços para fugir da dor de cabeça que é manter seus próprios data centers. A segunda forma de computação terceirizada envolve o fornecimento de poder de processamento e capacidade de armazenamento. As companhias compram acesso ao massivo centro de dados de um provedor de nuvem para reforçar sua capacidade em períodos de necessidade ou simplesmente para substituir totalmente sua infraestrutura. A Amazon surgiu como líder inicial deste negócio e pode vir, um dia, a ser mais conhecida pela sua plataforma de nuvem do que por seu website de varejo. A Amazon, de forma pioneira, descobriu que poderia vender sua infraestrutura em nuvem, como uma plataforma (conhecida como Platform-as-a-Service), explorando novos modelos de uso e pagamento. Mais da metade dos recursos de computação da Amazon estão sendo consumidos por outras companhias, que rodam seus aplicativos nos centros de dados da varejista.

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Aliás, mesmo sem conhecer o assunto, ao se usar Gmail ou armazenar fotos da família no Flickr já se utiliza a Computação em Nuvem. E porque estes serviços são utilizados? Simples: são fáceis de usar e muito convenientes. Ter acesso a seus e-mails, fotos e arquivos de texto e apresentações, de qualquer lugar, de qualquer computador ou dispositivo de acesso à Internet, seja este seu próprio, de um amigo ou em um cibercafé, faz muita diferença. Nos próximos anos, o uso da Computação em Nuvem deve aumentar significativamente. Além da tecnologia estar disponível (proliferação de conexões banda larga, processadores mais baratos e cada vez mais poderosos, como o custo de armazenamento caindo significativamente) permitindo a criação de data centers massivos, algumas pesquisas têm mostrado que os usuários de 18-29 anos usam com muito mais intensidade estes serviços que os mais veteranos, de mais de 45-50 anos. A geração Y que está começando a despontar no cenário do mercado de consumo e de trabalho vai acelerar mais ainda sua utilização. Daqui a dez anos este pessoal será dominante nas empresas. Além disso, a pressão por um maior eficiência da infraestrutura de computação é cada vez maior. A cada dia são gerados no mundo inteiro novos 15 petabytes de informação. Os custos de energia elétrica aumentaram pelo menos oito vezes de 1996 até hoje. E se somarmos a isso a previsão que em 2011 um terço da população mundial estará na Internet, fica claro que os modelos atuais de gestão de infraestrutura não são mais adequados. O que se ganha com esta arquitetura? Os usuários domésticos, como os que usufruirão dos serviços do BEL, passarão a dispor destas nuvens, obtendo, na prática, acesso praticamente ilimitado a recursos, como espaço em disco e softwares. O que se verá é um deslocamento do conteúdo de dentro dos PCs para as nuvens computacionais. Provavelmente não serão mais necessários computadores pessoais com grande capacidade de processamento, como hoje. Para que dispor de 120 GB de disco rígido se é possível, via comunicações de alta velocidade, ter acesso a terabytes de dados? As pessoas poderão usar equipamentos portáteis como smartphones ou netbooks, com um browser para acesso à Internet. Através deste browser será possivel acessar qualquer informação pessoal e aplicativos, que estarão todos disponíveis nas nuvens do BEL. O PC pode ser praticamente um chip com um monitor ligado à Internet. Toda a inteligência estará na rede. Uma frase propagandeada pelo Google reflete bem isso : “meu outro computador é um data center”. Mas, e as empresas? Alguns estudos têm mostrado que empresas de pequeno a médio porte gastam 70% do seu tempo gerenciando os recursos de TIC (algo que não gera valor agregado ao negócio) e apenas 30% em atividades focadas no seu próprio negócio. Claro que é uma situação problemática. Com o modelo de Computação em Nuvem, o primeiro benefício é uma melhor utilização dos recursos computacionais, potencializando os conceitos de consolidação e virtualização. Além disso, reduz sensivelmente o time-to-market para aplicações de e-business e Web 2.0 (com a inclusão de aplicações de mundos virtuais e games MMPOG), que demandam conceitos do modelo computacional on-demand (alocar recursos à medida que for necessário, de forma dinâmica). A empresa pode se abstrair de uma camada de complexidade demandada pela infraestrutura computacional e se concentrar na geração de valor de nível mais alto. Em vez de ficar 70% do

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tempo gerenciando sua infraestrutura, pode investir este tempo e energia para otimizar ou expandir o negócio. A infraestrutura passa a dispor de uma elasticidade que permite à organização aumentar ou diminuir seu “parque computacional virtual” de acordo com a demanda de recursos. É a realidade da computação sob demanda. E tudo isso pode ser perfeitamente viável por meio de um sistema de telecomunicações de alta capacidade e confiabilidade, como o do BEL [7], da COPEL Telecomunicações. O resultado? Imagine-se uma empresa de comércio eletrônico, que vende seus produtos pela Internet. Ela precisa dispor de um parque computacional configurado para atender seus períodos de pico de venda, como Natal e Dia das Mães. No restante do ano grande parte desta capacidade computacional fica subutilizada. Com a Computação em Nuvem esta empresa não precisa ter este parque de computadores instalado em seus escritórios. Ela adquire a quantidade de capacidade necessária e apenas paga por este uso. Não paga pela capacidade instalada e ociosa, como fazia no modelo anterior. Paralelamente, o BEL também oferecerá Internet “por consumo”, onde o usuário pagará somente pela Internet que usar, o que é outra vantagem adicional para os consumidores. Isto significa que ela pode comprar capacidade de processamento por uso. Assim, em períodos de maior demanda, como nos períodos de pico de vendas ou no fechamento da folha de pagamento aumenta a capacidade. Nos períodos de menor uso, dispensa esta capacidade e não paga pelo que não usa. Por sua vez, o provedor da nuvem, pode obter bons resultados comerciais, pois realoca dinamicamente a capacidade disponível para quem está precisando naquele momento. Como a empresa não paga por recursos desnecessários e nem tem gastos com os espaços físicos e de infraestrutura do data center, como energia e refrigeração, ela tem gastos menores com sua operação de TIC e pode repassar esta eficiência operacional aos seus clientes, tornando-se mais competitiva no mercado. Portanto, com o BEL não se está diante de mais uma onda de marketing, mas sim de uma revolução tecnológica e de conceitos, que pode mudar significativamente a maneira como são utilizados os recursos computacionais e de telecomunicações. A possibilidade de criar um verdadeiro data center virtual com recursos já existentes permite desenvolver novas e inovadoras aplicações. Abre-se uma nova perspectiva e certamente estamos diante de grandes mudanças nos paradigmas computacionais. Apesar da tecnologia estar na sua infância, já existem casos concretos e bem sucedidos de implementação em ambiente empresarial. Um bom exemplo é o portal de inovação usado internamente na IBM, denominado TAP (Technology Adoption Program). É uma das iniciativas de fomento à inovação e que permite que softwares experimentais sejam usados e testados pelos funcionários, uma comunidade de profissionais experimentados e críticos que podem avaliar o software quanto à qualidade, funcionalidade, desempenho, etc. Sem uso de uma nuvem computacional, seria necessário construir uma infraestrutura específica e disponibilizá-la para esta comunidade de experimentadores. Com o portal de inovação e Computação em Nuvem como infraestrutura, a equipe responsável pelo software simplesmente preenche uma requisição on-line explicitando os recursos (CPU, memória, sistema operacional, etc) e em cinco minutos a requisição pode ser aprovada e os recursos virtuais alocados. O resultado tem sido bastante positivo. Em 2007 estavam registrados mais de 92.000 funcionários como experimentadores

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destas tecnologias, ou quase 1/3 da força de trabalho global da IBM. Mais de 70 softwares experimentais estiveram ou estavam em operação e muitos foram graduados, ou seja, disponibilizados em produção como sistemas internos ou colocados como produtos no mercado. A adoção de novos conceitos e tecnologias levam anos para se consolidarem e disseminarem pelo mercado. As empresas não abandonam seus primeiros investimentos em tecnologia, mas criam camadas de tecnologias mais recentes em cima das antigas. A mudança para o paradigma da Computação em Nuvem não vai ocorrer da noite para o dia. As empresas geralmente são cautelosas quanto à maneira como lidam com seus ativos de informação e não experimentam facilmente novos sistemas de TI. As preocupações com segurança e confiabilidade ainda vão agir como barreiras de entrada durante alguns anos. A velocidade de adoção da Computação em Nuvem vai depender da maneira como as companhias usarão os novos recursos e como elas atenderão às crescentes expectativas dos seus clientes. Isto significa que todas as coisas que o Google e Amazon fazem tão bem também devem ser feitas por grandes empresas em seus data centers. Para poder ter escala para prestar grandes volumes de serviços, data centers deverão investir em uma abordagem industrializada, simbolizada pelas nuvens privadas. Alguns estudos mostram que os data centers deverão suportar um crescimento de dez a cem vezes em número de aplicações e serviços nos próximos dez anos. O fato é que as infraestruturas computacionais atuais são subutilizadas. Na maioria das organizações apenas uma pequena parcela da potência dos computadores é utilizada plenamente. A maioria apresenta níveis de utilização muitos baixos, chegando a apenas 5% a 10% da capacidade de processamento disponível. A Computação em Nuvem aparece como uma alternativa, pois aloca recursos computacionais à medida que eles sejam demandados. Se houver maior demanda de transações, mais recursos são alocados. Se a demanda diminuir, esses recursos são liberados para outras aplicações. Uma nova tecnologia se desenvolve e é impulsionada quando determinados problemas não podem mais serem resolvidos pelas tecnologias existentes. Em termos da Computação em Nuvem podese pensar em impulsionadores extremamente poderosos, que não podem ser ignorados. O primeiro é que à medida que as empresas se interconectam, em redes de valor colaborativas, trabalhando sob demanda em “organizações virtuais”, mais e mais a infraestrutura computacional também deve operar sob demanda. Uma “organização virtual” pode ser um consórcio industrial, como automotivo ou aeroespacial, no qual diversos parceiros de negócios desenvolvem projetos de um automóvel ou aeronave, de forma colaborativa, compartilhando informações, bases de dados e aplicações. Um mercado que precisa responder rapidamente às mudanças no contexto de negócios, seja para mais ou para menos, não pode ficar dependente de uma infraestrutura computacional rígida como a imposta hoje em dia. Além disso, à medida que a computação vai se tornando cada vez mais onipresente, com etiquetas de produtos contendo chips com Identificação por Rádio Frequência (RFID - Radio Frequency Identification) colados em latas de cerveja e pacotes de sucrilhos, o volume de dados que irão trafegar pelas empresas e que precisarão ser manuseados em tempo real será absurdamente maior que o atual. E é quando se dará imenso valor às empresas que investiram e investem em redes de fibras ópticas, como é o caso da COPEL Telecomunicações. A

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imprevisibilidade da demanda aumentará também de forma exponencial e será impossível implementar sistemas pelo tradicional método de dimensionamento de recursos pelo consumo no momento de pico, pois os custos serão simplesmente astronômicos. Juntando a necessidade de acompanhar a flutuação das demandas de mercado com o crescimento dos volumes e serviços prestados, e com a subtilização dos recursos computacionais hoje disponíveis nas empresas, chega-se à constatação de que precisa-se de um novo modelo computacional, mais flexível e adaptável à velocidade das mudanças que ocorrem diariamente no mundo dos negócios. Como se aprendeu na era industrial, para criar indústrias com altos níveis de produtividade e qualidade de padrão mundial, é necessário adotar disciplinas de engenharia, trabalhar com informações em tempo real e simplificar consideravelmente os processos industriais. Similarmente, não se conseguirá aumentar a capacidade de um data center para suportar de dez a cem vezes mais serviços e aplicações, mantendo os processos atuais de gestão e operação. Simplesmente os custos de gerenciamento e de energia serão proibitivos. Portanto, um novo modelo torna-se necessário. Este novo modelo ou conceito, de computação como utility, é uma ideia simples, mas ao mesmo tempo fantástica. Utilizando uma metáfora, seria similar às redes de energia elétrica da COPEL, onde toda a complexidade da geração, transmissão e distribuição de energia é escondida do usuário que simplesmente aperta o interruptor para iluminar sua sala ou liga um aparelho eletrodoméstico na tomada e aperta o botão de ligar, sem ter ideia de onde a energia foi gerada e que caminhos ela percorreu para chegar até ele. Um dos principais pilares da computação como utility é exatamente o conceito da Computação em Nuvem. Nuvem em TIC significa que toda uma rede de computadores estaria disponível ao usuário para executar seus programas, sem que ele precise saber exatamente qual ou quais computadores estão fazendo o trabalho. Embora a complexidade para isto acontecer seja imensa, a nuvem de computadores, como um todo, permanece oculta para o usuário. O que está se falando aqui é fazer com que computadores diferentes, com ambientes operacionais diversos, trabalhem colaborativamente como se fossem um único e poderoso computador virtual. Integrar ambientes heterogêneos não é uma tarefa fácil e simples. O usuário deve fazer o login, autenticar-se na rede e se adequar às políticas de segurança dos componentes da nuvem. Ele precisa confiar que seu trabalho e seus dados estarão tão seguros na nuvem quanto em seu próprio computador. A Computação em Nuvem ainda não está perfeitamente compreendida. A atual fase é ainda de aprendizado e muitas dúvidas e questionamentos ainda ocorrem. Se for perguntado até a um profissional de TIC o que é Computação em Nuvem, com certeza diferentes respostas. Serão obtidas. Indefinições e reações adversas quanto à sua aplicabilidade e utilidade ainda são comuns. 3 Conclusões

É indiscutível que a Computação em Nuvem sinaliza um novo paradigma computacional. transformando toda a indústria de TIC, como a energia elétrica transformou toda a sociedade. A Computação em Nuvem provocará impactos significativos na maneira como as empresas usam as TICs e como os fornecedores vendem as TICs. Este impacto deverá ser tão grande quanto foi o e-

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business anos atrás, que mudou em muito a visão e o papel das TICs nas organizações. Como o e-business gerou novas e inovadoras empresas para o mundo web, como a Amazon e o Google, por exemplo, a Computação em Nuvem também abrirá espaço para novos e inovadores negócios. Assim, é fundamental que seu uso seja contemplado em um projeto como o BEL-i9. Será difícil prever quais serão os efeitos da disseminação da Computação em Nuvem sobre as empresas e a sociedade. De maneira geral, as mudanças nas arquiteturas e paradigmas computacionais são acompanhadas por previsões que derivam simplesmente das experiências passadas. E os efeitos da maior alcance de uma nova tecnologia normalmente são aqueles que não são previstos. No entanto, com o maior acesso da população às redes ópticas de alto desempenho, como as do projeto BEL, da COPEL Telecomunicações, a tendência é que a Computação em Nuvem venha a se consolidar, e mais rapidamente do que se possa imaginar. 4
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7]

Referências
Taurion, Cezar. Cloud Computing: Transformando o mundo da Tecnologia da Informação. Rio de Janeiro, Editora Brasport, 2009 www.computingonclouds.wordpress.com www.ibm.com/developerworks/blogs/page/ctaurion “Above the clouds: a Berkeley view of Cloud Computing”, que pode ser acessado em http://www.eecs.berkeley.edu/Pubs/TechRpts/2009/EECS-2009-28.pdf. “Cloud Architectures”, de Jinesh Varia, Technology Evangelist da Amazon, que pode ser acessado em http://jineshvaria.s3.amazonaws.com/public/cloudarchitectures-varia.pdf. www.ibm.com/cloud PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. COPEL Telecomunicações, Curitiba, 2009, 207pp.

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1 Introdução

Desenvolvendo produtos inovadores através do BEL-i9
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Aloivo Bringel Guerra Junior

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
aloivo.guerra@copel.com

Entende-se que o BEL-i9 usará o modelo de incubadora que nascerá com a missão de inovar e, como consequência, desenvolver o Paraná, reunindo a academia e a COPEL em torno de uma mesma missão e usando como meio as tecnologias de telecomunicações, o que parece ser de fato um modelo bastante inovador de desenvolvimento e empreendedorismo dentro do nosso estado. Este novo modelo vem acompanhado da necessidade da COPEL em atuar no segmento competitivo e promissor de banda larga, onde a inovação de base tecnológica com foco no mercado poderá ser uma das estratégias para atender as exigências dos acionistas da empresa e do mercado quanto à sua futura performance no segmento de telecomunicações. O trinômio tecnologia, produto e mercado é muito bem tratado em [2] e merece grande atenção no contexto do BEL-i9, pois poderá fazer a diferença para o seu sucesso. Uma incubadora com foco na produção de produtos deverá ter muita preocupação com a avaliação inicial dos projetos e com a qualidade dos produtos que serão gerados para o mercado. O rigor na seleção e acompanhamento dos projetos potencializará uma maior probabilidade de sucesso dos empreendedores incubados, pois serão os melhores projetos na visão dos gestores dos processos da incubadora. Dentro deste contexto, deve-se entender que apesar do estímulo ao empreendedorismo, que é uma das funções de uma incubadora, a inovação tecnológica no aspecto de geração de novos produtos passa a compor uma estratégia empresarial de renovação de competências e de visão empresarial, onde o estreitamento das relações entre os profissionais da COPEL e a academia passa a ter, nos projetos incubados, um novo estímulo a novas formas de conduzir projetos e também de produzir produtos.

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Aloivo Bringel Guerra Junior é Engenheiro de Computação pela Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Pós-Graduado em Telecomunicações (UFPR) e com MBA em Gestão Empresarial/Planejamento Estratégico (FGV). Mestrando em Gestão Empresarial (FGV/EBAPE). Atualmente é gerente da área de Engenharia de Produtos da COPEL Telecomunicações.

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Seguindo o que foi previamente citado para as próximas décadas por [3], no caso do BEL-i9, a COPEL passa a fomentar um empreendedorismo tecnológico genuíno em nosso estado, envolvendo geração de ideias e lançamento de iniciativas sustentadas por produtos de base tecnológica num modelo de negócio atraente no segmento de telecomunicações. Mais do que a geração de empresas de base tecnológica, o BEL-i9 poderá criar um ambiente inovador e prático, no aspecto de agregar toda uma infraestrutura de telecomunicações de última geração aos participantes dos projetos incubados, tratando cada um dos inovadores como um potencial participante das suas estratégias de diferenciação de mercado. Um grande desafio que deverá ser muito bem planejado é o de como o resultado do produto incubado será comercializado e operado, uma vez que ele sairá da incubadora e deverá chegar até os clientes da COPEL. Através do modelo da incubadora BEL-i9, a possibilidade de uma nova empresa se estabelecer no mercado, seja ancorada pela oferta de novos produtos com a marca COPEL ou pela sustentação de uma infraestrutura que propicie a inovação no segmento de telecomunicações com um apoio estratégico para novos negócios, poderá reduzir os terríveis índices apontados em [3], onde 56% das pequenas e médias empresas fecham as suas portas até o terceiro ano. Ainda, segundo [3], no Sul, especificamente no Paraná, há 8 incubadoras, sendo a maioria delas idealizadas com a missão de reduzir a taxa de mortalidade das pequenas empresas, fornecendo algumas facilidades para os empreendedores a um custo bem menor do que no mercado. Este modelo tradicional parece não garantir de forma satisfatória a longevidade das novas organizações incubadas, posto que ele carece de uma melhor visão de mercado para os produtos incubados.

Figura 1: Distribuição das incubadoras no Brasil

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A grande diferença do BEL-i9 para o modelo tradicional das incubadoras, como aquelas apresentadas na figura 1, está na finalidade da incubadora. No caso da COPEL, pode-se definir a incubadora, como sendo de produtos e serviços de valor adicionado de telecomunicações, que serão ofertados em parceria. Ao serem definidas 9 (ou mais) potenciais parcerias, seria como criar parceiros de novos negócios através de uma infraestrutura de última geração, onde o fim será a oferta de produtos e serviços inovadores para um mercado previamente avaliado. 2 Classificação das incubadoras

Conforme apresentado por [3], as incubadoras podem ser assim classificadas: Incubadora Tecnológica Fechada, Incubadora Tecnológica Mista, Incubadora Tradicional Fechada, Incubadora Tradicional Aberta. No caso do BEL-i9 a incubadora é tecnológica e o autor entende que no início de seu funcionamento ela se aproximará mais do modelo fechado, mas ela possuirá alguns recursos que poderão caracterizá-la futuramente como aberta. O mais correto seria classificá-la num novo modelo, que poderia ser chamado de incubadora tecnológica de negócios ou de produtos e serviços de valor adicionado de telecomunicações. 3 Apoio tecnológico para geração de produtos

O modelo da incubadora BEL-i9 é voltado à oferta de novos produtos e serviços, sendo que o sucesso de cada projeto acompanha o de alguns recursos mínimos. Segundo [3], recursos como infraestrutura, serviços básicos, assessoria, qualificação e networking são comuns a todas as incubadoras. Descrevendo um pouco mais cada item apresentado, tem-se: • • • • • Infraestrutura: salas individuais e coletivas, laboratórios, biblioteca, salas de reunião, recepção, copa cozinha, estacionamento. Serviços Básicos: telefonia e acesso web, recepcionista, segurança, xerox. Assessoria: apoio gerencial, contábil, Jurídica, apuração e controle de custo, gestão financeira, comercialização, exportação para o desenvolvimento do negócio. Qualificação: treinamento, cursos, assinaturas de periódicos, jornais e publicações. Networking: contatos de nível com entidades governamentais e investidores, participação em eventos de divulgação das empresas, fóruns e outros.

A visão apresentada acima está mais voltada para as atuais incubadoras, mas como a COPEL busca um novo modelo que garanta a inovação, para isto ela também deverá ofertar alguns diferenciais em relação aos modelos tradicionais.

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A COPEL poderá disponibilizar todos os recursos tecnológicos para que os incubados possam desenvolver os seus produtos e serviços sobre os recursos da COPEL, desta maneira a produção de novos produtos e serviços será uma consequência imediata dos projetos incubados sobre os recursos disponibilizados. Alguns recursos que a COPEL poderá disponibilizar para os nove incubados, são: • • • • • • • • • • • Sistemas de Telecomunicações. Plataforma de usuários do BEL. Rede IP/MPLS de última geração. Rede Ethernet para desenvolvimento de soluções Metropolitanas. Sistemas de Transmissão diversos (SDH/DWDM). Sistemas de Acesso Diversos (GPON/Wireless/PLC). Soluções de gerência de telecomunicações. Interfaces para sistemas de TI de apoio a uma operadora de telecomunicações. Serviços de Multicomunicação (VoIP e Videoconferência). Servidores e sistemas. Plataformas de virtualização de sistemas.

A COPEL poderá colocar todos os seus recursos de última geração no segmento de telecomunicações a favor dos incubados, para que eles possam criar projetos inovadores que resultem em novos produtos para o mercado ou em melhorias de processos para organização. A questão do apoio na forma de assessoria poderá ter o foco na comercialização de produtos da COPEL em parceria com os incubados; desta maneira, a força da marca COPEL e dos seus recursos de gestão ficarão à disposição da incubadora. É um novo modo de aproximar a academia a uma empresa pública, com finalidade comercial. Além dos recursos acima apresentados, que são recursos de uma operadora de telecomunicações que atua no mercado competitivo de banda larga, outros itens também poderão ter importância, para que o resultado seja o melhor possível, como: • • • Ferramenta de colaboração coorporativa. Ferramenta de gestão de projetos para transparência no acompanhamento do cronograma e desembolso dos projetos. Escritório virtual: possibilitar que o ambiente se reconfigure de acordo com as necessidades de cada projeto.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Escritório Móvel: permitir a integração com a incubadora dos profissionais que atuem no projeto ou dos consultores externos a partir de qualquer lugar onde exista uma conexão a Internet. Desta maneira, qualquer participante poderá estar conectado e trabalhando para incubadora à distância, de forma virtual com os principais recursos a sua disposição. Estúdio IP: disponibilizar um ambiente que permita uma reunião em tempo real e tamanho real, um pronunciamento, apresentação ou palestra que possa ser armazenada compondo o portfólio de documentação e biblioteca virtual com os projetos da incubadora servindo como apoio a novos projetos.

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Certificação de produtos e serviços BEL-i9

Além da gestão dos projetos, o resultado que o incubado irá produzir que será um produto ou serviço inovador para o mercado ou uma inovação para os processo internos da organização, merecem a aplicação de um modelo gestão especial por parte da COPEL. O processo poderá passar pela idealização de um novo produto com acompanhamento de todas as suas fases, desde a elaboração até a implantação e análise do ciclo de vida de um novo produto ou serviço. Um produto ou serviço originado na incubadora poderá retornar para sofrer pequenas correções ou melhorias ou para ser reformulado. Por atuar diretamente no mercado, tanto a fase de testes como de implantação final de um produto ou serviço devem ter um tratamento diferenciado na incubadora. A implantação de um Certificado ou Selo de Qualidade (“Produto BEL-i9” ou “Serviço BEL-i9”) para cada produto ou serviço que será comercializado ou implantado poderá ser uma preciosa vantagem adicional. Todo incubado deverá ter bem claro que não basta possuir um bom projeto, ele deve conseguir extrair um ou mais resultados deste projeto, que no caso do BEL-i9, são produtos, serviços ou melhorias de processos organizacionais. 5 Modelo de acompanhamento

A gestão com planejamento da incubadora e dos seus participantes é crítica para a COPEL e foi citada em [3] como fator de deficiência do empreendedorismo de base tecnológica. Já o foco tecnológico e mercadológico que os incubados dão para os produtos, onde a gestão e desenvolvimento de produtos possui um papel estratégico no desenvolvimento do negócio é fundamental para sobrevivência dos incubados. Portanto, neste aspecto, a preocupação com o acompanhamento com foco no resultado atrelado à produção de produtos e serviços inovadores voltados ao market pull deverá ser um dos principais papéis da COPEL enquanto gestora do BELi9. O modelo de acompanhamento da incubadora poderá ser totalmente on-line; desta maneira, qualquer gestor ou membro importante para incubadora poderá acompanhar qualquer projeto em qualquer instante, inclusive a incubadora deverá conseguir acompanhar o desempenho dos seus

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produtos no mercado. Desta maneira, os gestores do BEL-i9 poderão sempre promover melhorias no seu modelo de gestão e nos seus processos. A transparência no projeto de gestão com uso de ferramentas inovadoras, poderá promover um aprendizado direto para COPEL Telecomunicações, aprendendo outras maneiras de realizar gestão dos seus recursos. Desta maneira, concretiza-se a troca de experiências entre os modelos de gestão adotados no BEL-i9 e COPEL, voltados para tecnologia e mercado. Assim como o modelo da composição de um comitê para seleção dos projetos para o BEL-i9 vem sendo discutido, um modelo de acompanhamento do resultado dos projetos, mais especificamente dos produtos e serviços, poderia ser criado e conduzido pela atual área de Engenharia de Produtos da COPEL Telecomunicações ou, futuramente, por outra área. Com este modelo de acompanhamento, será possível alcançar alguns objetivos, como: • • • • • Os produtos terão acompanhamentos constantes, ampliando o êxito de um produto pronto e adequado ao mercado. Transferência de tecnologia, onde os profissionais da COPEL conhecerão a fundo a tecnologia utilizada. Implantação mais precisa de um produto para área operacional. Inclusão dos novos produtos no portfólio de produtos, facilitando a área comercial para ofertar os novos produtos. Elevação do nível técnico dos profissionais da COPEL com a aproximação junto a academia.

No trabalho apresentado por [1] no VII REINC (Encontro da Rede de Incubadoras), fica bastante clara a importância de parcerias para o desenvolvimento tecnológico,. Deixa-se um alerta para que além dos recursos disponibilizados pela COPEL, o novo modelo de inovação crie mecanismos para que os incubados possam ter acesso aos possíveis parceiros que a COPEL está buscando. Sempre com objetivo de inovação tecnológica, com foco em geração de produtos e serviços inovadores, com aceitação do mercado. Das melhores práticas para gestão de uma incubadora, conforme o texto apresentado por Amaral [1], foram aqui selecionadas apenas algumas, que merecem reflexão e muita atenção no contexto do BEL-i9. São elas: • • • • Uma estrutura com áreas de referência dedicas para inovação de negócios, inovação de produtos, inovação de processos e tecnologias avançadas. Acompanhamento estruturado das empresas incubadas. Projetos geridos através da metodologia de gestão de projetos do PMI. Adoção de documentos institucionais importantes, como a política de apropriação do conhecimento.

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• • •

Apoio na busca de financiamentos, na participação em feiras, na orientação fiscal e jurídica. Parceria com empresas parceiras para apoio ou desenvolvimento técnico. Entendimento e acompanhamento de todo processo nas fases de pré-incubação, incubação (interna e externa) e pós-incubação.

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Conclusão

Vários são os desafios do BEL-i9, sendo que os projetos devem ter um planejamento detalhado, com planos de negócios muito bem definidos, onde o sucesso na gestão dos incubados terá êxito em função do nível de integração entre tecnologia, produto e mercado. O resultado do BEL-i9 poderá ser mensurado pelos produtos e serviços de base tecnológica dos incubados, que terão que ser inovadores e de grande aceitação no mercado. A concretização de um novo modelo de gestão de uma incubadora com índices de acompanhamento eficientes e transparentes, juntamente com o acompanhamento do desempenho no mercado dos “Podutos BEL-i9”, parece apontar para um novo caminho de integração entre COPEL Telecomunicações e Incubadora. Esta integração permitirá a identificação de melhorias na produção dos resultados da incubadora e poderão elevar a atual COPEL Telecomunicações para um novo modelo de organização extremamente competitiva e sustentável no segmento de telecomunicações do futuro, onde as principais vantagens competitivas poderão estar apoiadas nas estratégias de produtos inovadores. 7
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Referências
AMARAL, Marcelo. Estudo Benchmarking de Modelos de Gestão de Parques Tecnlógicos. http://www.redetec.org.br/publique/media/MarceloAmaral.pdf. Acesso em 01/12/2009. CHENG, L.C.; DRUMMOND, P.H.F.; MATTOS, P. A Integração do trinômio tecnologia, produto e mercado na pré-incubação de uma empresa de base tecnológica. Anais da 3ª Conferência Internacional de Pesquisa em Empreendedorismo na América Latina (CIPEAL), Rio de Janeiro, nov/04. eComerceOrg. Incubadoras de Empresas apóiam o empreendedorismo. http://www.ecommerce.org.br/incubadoras.php. Acesso em 30/11/2009.

[2]

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Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9
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Ricardo Mendes Junior 2 Maria do Carmo Duarte Freitas 3 Sergio Scheer Universidade Federal do Paraná
mendesjr@ufpr.br mcf@ufpr.br 3 scheer@ufpr.br

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Introdução

Vive-se num ambiente de mudança acelerada provocada pela globalização e pelo crescimento do uso da Internet nas relações de negócios entre países, empresas e pessoas. A ciência, tecnologia e a inovação são vistas como diferenciais competitivos para quem delas dispõe e usufrui os resultados proporcionados. No ambiente universitário, a meta é estimular os jovens a desenvolverem seu potencial criativo e apoiar os que desejam enveredar no mercado profissional
Ricardo Mendes Junior é formado em Eng. Civil (UFPR), com Mestrado em Eng. Civil (UFRGS) e Doutorado em Engenharia de Produção e Sistemas (UFSC). Prof. Adjunto do Curso de Eng. de Produção (UFPR), onde leciona desde 1981. Já foi Diretor e Vice-diretor do Centro de Estudos de Engenharia Civil (UFPR). Foi também Coordenador do Curso de Pós-graduação em Construção de Obras Públicas e Chefe do Dep. de Constr. Civil (UFPR). Atualmente é Coordenador do Programa de Pósgraduação em Eng. de Produção (UFPR). Coordenador do Projeto Gestão Estratégica de Empreendimentos Tecnológicos Sustentáveis, Programa Pró-Engenharias da CAPES, desde 2008. Coordenador do grupo de pesquisas em Tecnologia da Informação e Comunicação - GRUPOTIC, desde 2000. Maria do Carmo Duarte Freitas é Eng. Civil (UNIFOR, Fortaleza), com Mestrado em Eng. de Produção (UFSC), Doutorado em Eng. de Produção (UFSC). Professora e Pesquisadora do setor de Educação à Distância (UNESC). Atualmente é Prof. Adj. (UFPR), desde 2004. Professora e Pesquisadora do Grupo TIC e Coordena o Lab. de Mídias na Educação – LABMIDI e o Centro de Estudos em Realidade Virtual Aumentada - CERVA. Sergio Scheer é Eng. Civil (UFPR), com mestrado em Eng. Civil (UFRGS) e doutorado em Informática, área de Computação Gráfica (PUC-RIO). Foi Membro, Secretario e Presidente da Comissão Central de Informática (UFPR) de 1989 a 2002. Diretor do Centro de Computação (UFPR) de 1994 a 1998. Coordenador do Ponto de Presença da RNP-PR de 1994 a 1998. Integrante e coordenador de tecnologia do Núcleo de Educação a Distância (NEAD/UFPR) de 1998 a 2002. Membro Suplente do Conselho de Planejamento e Administração (UFPR) de 1999 a 2001. Membro Titular do Conselho de Planej. e Admin. (UFPR) de 2001 a 2003. Diretor do Centro de Estudos de Eng. Civil. Vice-Coordenador do Programa de Pós-Grad. em Métodos Numéricos em Engenharia de 2004 a 2006. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Métodos Numéricos em Engenharia, de 2006 a 2008. Atualmente é Prof. Associado 2 do Depto. de Constr. Civil (UFPR), docente na UFPR desde 1981, ocupando hoje a função de Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação. Também é o atual Diretor Executivo da Agência de Inovação da UFPR, posição que ocupa desde janeiro de 2009.
3 2 1

Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9

157

como empresário. Para tanto, deve-se estimular nos jovens a capacidade de aprender e de desenvolver novas habilidades, aspecto fundamental no novo cenário de difusão e uso intenso das tecnologias de informação e comunicação. De outro lado, ações governamentais de incentivo à criação de incubadoras e de fomento para viabilização das novas ideias, aproveitando os mecanismos de apoio oferecidos pelo governo, tais como: subvenção econômica, projetos em parceria academia/empresa e o aporte financeiro das empresas na formação de joint-ventures. Uns dos vetores destas ações são as incubadoras, objeto deste texto. 2 Conceitos

As incubadoras surgem para assegurar funções vitais às empresas com problemas de qualquer origem. Na sua gênese dão vitalidade à organização com consultorias especializadas, capacitações gerenciais, espaço físico e infraestrutura operacional, administrativa e técnica [1]. O Programa Nacional de Apoio a Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos – PNI – [2] conceitua incubadora como um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais. Além disso, agiliza e facilita o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas. Um destaque especial é dado às incubadoras de empresas que surgem como um arranjo institucional/empresarial que viabiliza a transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços. Normalmente surgem da participação ativa da comunidade que realiza pesquisas e atividades tecnológicas, nas universidades e em outras instituições de cunho tecnológico. Em um contexto onde o conhecimento, a eficiência e a rapidez no processo de inovação passam a ser reconhecidamente os elementos decisivos para a competitividade das economias, o processo de incubação é crucial para que a inovação se concretize em tempo hábil para suprir as demandas do mercado. Em vista disso, é factível afirmar que a incubadora de empresas pode cumprir com eficácia e eficiência o papel nucleador do processo de criação de empresas. Para tanto, oferecem um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar temporariamente micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços e que, necessariamente, dispõem de uma série de serviços e facilidades (tabela 1).

158

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Tabela 1 – Apoio oferecido na incubadora. Fonte: adaptado de Moraes [2],

Apoio Oferecido Infraestrutura

Individualizada Coletiva

Descrição Escritórios e laboratórios especialistas. Sala de reunião, auditórios, showroom, secretaria, estacionamentos e instalações laboratoriais. Em atividades de gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de produtos e serviços no mercado doméstico e externo, contabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e propriedade intelectual, entre outros. Telefonia, informática, acesso à Internet, fax, impressora, material de secretaria em geral, manutenção de equipamentos, endereço postal, endereço de e-mail, segurança e fotocópias. Treinamento, cursos, participação em eventos, assinatura de revistas, jornais e publicações. Contatos de nível com entidades governamentais e investidores, participação em eventos de divulgação das empresas e fóruns.

Assessoria

Humanos e serviços

Serviços

Básicos

Capacitação

Humana

Network

Stainsack [4] destaca que o sucesso de uma empresa assenta-se em dez fatores-chave e relevantes no processo de incubação: i. ii. iii. iv. v. vi. localização e infraestrutura física; planejamento e gestão; empreendedorismo; marketing; processo de seleção; capitalização;

vii. equipe gerencial; viii. oferta de serviços especializados;

Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9

159

ix. x. 3

redes de relacionamento e influências políticas e econômicas.

A necessidade das incubadoras

O modelo das incubadoras vigentes no séc. XXI configurou-se na década de 70, nos Estados Unidos da América. Em meados da década de 80, as instituições financeiras, o governo e as universidades se reuniram para alavancar o processo de industrialização de regiões pouco desenvolvidas ou em fase de declínio, decorrente da recessão dos anos 70 e 80 [1]. Em 1980, os EUA possuíam 12 incubadoras e, 19 anos depois, contam com mais de 800 empreendimentos. De 80 para cá, as empresas graduadas criaram aproximadamente meio milhão de empregos, sendo essa uma estimativa da National Business Incubation Association – NBIA. O foco residia nas empresas de alta tecnologia que se associavam e surgiam acompanhadas por instituições de ensino e pesquisa. Dados estatísticos de incubadoras americanas e europeias indicam que a taxa de mortalidade entre empresas nascidas fora do ambiente de incubação é de 70% e 20% para aquelas que passam pelo processo de incubação. Este dado é um dos principais motivadores para as empresas iniciarem nas incubadoras. As empresas novas enfrentam inúmeros problemas que ocasionam elevada taxa de mortalidade. A mais recorrente é a incapacidade gerencial dos empreendedores. As patologias passam pelas dificuldades e custos da burocracia, a necessidade de captação de recursos financeiros, elevadas taxas de juros, as exigências dos agentes de financiamento, a falta de habilidade para lidar com a concorrência, baixo acesso a tecnologia para inovação e tecnologia da informação e comunicação. No ambiente universitário, as incubadoras despertam a curiosidade dos estudantes e incentivam a criação de empresas de base tecnológica. Estas são consideradas importantes na promoção dos países em desenvolvimento, por gerarem inovação. O risco de investir e incubar empresas de conteúdo tecnológico tornou-se um importante meio para transformação da criatividade gerada no ambiente acadêmico em invenções inovadoras. Cresce no âmbito da universidade a busca de novos talentos para pesquisa e inovação, em especial as incrementais. Os pesquisadores exploram oportunidades para formação e desenvolvimento de habilidades para atividades de adaptação, aperfeiçoamento e difusão de tecnologia no âmbito do ensino técnico e tecnológico. Acrescente-se especial atenção à formação e treinamento de recursos humanos qualificados para o segmento de pequenas e médias empresas, cuja capacitação tecnológica é essencial para assegurar sua competitividade e sustentabilidade. Fato que, no Brasil, promoveu mudanças na proposta da Lei de Inovação, ao permitir maior flexibilidade e mobilidade de cientistas e engenheiros entre universidades e empresas. Isso contribuirá para o aumento do fluxo de experiências e competências geradas nesses segmentos. Acrescentem-se ainda os benefícios diretos pela mobilidade, que certamente contribuirão para a formação dos pesquisadores nas empresas e universidades. A dimensão do país e a necessária dispersão geográfica dos recursos, o uso das redes de articulação e cooperação é importante meio de congregação de esforços e difusão de informação tecnológica, necessários à inovação.

160

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

4

O modelo das incubadoras

Há uma diversificação de tipos de incubadoras, entre os quais, as de bases tecnológicas, cujos produtos, processos ou serviços resultam de pesquisa científica, para os quais a tecnologia representa alto valor agregado. Atualmente há inúmeras políticas de estímulo a atuação nas áreas de informática, biotecnologia, química fina, mecânica de precisão e novos materiais. Cabe referenciar a proposta da incubadora BEL-i9 para atuar em telecomunicações com apoio da COPEL. Além destas citadas, também existem incubadoras sociais, culturais, agroindustriais, cooperativas, de negócios para economia solidária, entre outras. Para cada tipo de empresa que precisa de abrigo e ajuda há diferentes tipos de incubadoras. Os cuidados oferecidos passam pela orientação do novo negócio, desde o projeto, montagem, instalação do empreendimento e preparação gerencial para as dificuldades oriundas da inserção no mercado (tabela 2) [1].
Tabela 2 – Tipos de incubação

Empresa Externa (a distância) Pré-incubação

Incubada

Graduada

Associada

Incubação A empresa recebe suporte, mas sem instalação física na incubadora. Estimula o empreendedorismo e a prepara os projetos que tenham potencial de negócios em empresas, durante um curto período (de 6 meses a 2 anos no máximo) Desenvolve produtos ou serviços inovadores, que está abrigada em incubadoras de empresas e passa por processos de seleção, recebendo todo o apoio técnico, gerencial e financeiro da rede de instituições constituída especialmente para criar e acelerar o desenvolvimento de pequenos negócios. Passa pelo processo de incubação e alcança desenvolvimento suficiente para ser habilitada a sair da incubadora devido ao seu conhecimento e gerenciamento consolidados, estando, por isso, apta a desenvolver suas atividades sem a necessidade de apoio direto da incubadora. Empresas existentes no mercado e interessadas em estabelecer parceria estratégica com a incubadora, em seu âmbito de atuação. Ao se associar, as empresas usufruem das possibilidades de gerar negócios com as empresas incubadas, ampliando o acesso a esses empreendimentos inovadores.

Na pré-incubação a empresa passa por todos os processos internos com ênfase no plano de negócios, na pesquisa de mercado e na formação do gestor de negócios. Visa preparar os empreendimentos para ingresso na incubadora e assim serem consideradas “empresas

Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9

161

residentes”. Normalmente recebem o nome de Hotel de Projetos, Hotel de Ideias, Hotel Tecnológico, entre outros. As incubadoras possuem regras estabelecidas para admissão e saída das empresas. Estas são divulgadas publicamente, normalmente na forma de editais de seleção. Estes editais explicitam os objetivos e condições do programa de incubação, o número máximo de vagas, critérios para candidaturas, documentos exigidos, compromissos de ambas as partes, processo de seleção, taxas e prazos. Os critérios de admissão que definem a elegibilidade de um empreendimento para incubação estão vinculados ao perfil ou vocação da incubadora. Este perfil restringe de alguma forma a área de atuação das empresas incubadas. As restrições podem ser de indústrias ou empresas de serviços, empreendimentos de base tecnológica ou gerais, empresas novas ou já formadas por pessoas físicas empresam já existentes que farão incubação de novos produtos ou departamentos, etc. Para participar do processo de seleção o empreendedor deve apresentar uma proposta, nos moldes pedidos pela incubadora. No Brasil, a maioria das incubadoras não exige um Plano de Negócios, como é comum em outros países. A seleção é realizada em uma série de entrevistas, a partir de uma proposta preliminar com o objetivo da incubação. Nesta primeira fase são préselecionados empreendimentos, que em seguida recebem orientação para elaboração do Plano de Negócios. Depois de concluído este plano, é então analisado, e, caso aprovado, a incubação inicia-se de fato. As incubadoras denominam esta fase de pré-incubação, que dura de seis meses até dois anos. As incubadoras podem oferecer cursos preparatórios para os potenciais empreendedores, usualmente cursos de noções de empreendedorismo (para o perfil da incubadora) e planos de negócios. Estes cursos funcionam mais como um processo de conscientização do empreendedor. E também são oferecidos por instituições parceiras de incubadoras, como o SENAI, o SEBRAE e as Universidades. As incubadoras também têm regras de como a empresa incubada estará sujeita à revisão regular de seu desempenho. Algumas incubadoras estipulam que as empresas que não conseguem atingir as metas acordadas e registradas em seus planos de negócios estarão sujeitas à intervenção da incubadora em seus procedimentos gerencias, ou então devem deixar a incubadora. 5 Conclusão

Levantamento elaborado anualmente pela ANPROTEC indicava em 2006 a existência de 377 incubadoras de empresas no Brasil, com um crescimento de 20% em relação a 2005. A taxa de mortalidade verificada nas empresas instaladas nas incubadoras é de 20%. Cerca de 70% dos negócios gerados pelas empresas são de base tecnológica. O faturamento em 2004 das empresas graduadas foi de R$ 1.200 milhão, subindo para R$ 1.500 milhão em 2005. Entre 2004 e 2005, 213 novas empresas foram incubadas no Brasil. Constata-se, assim, que o estímulo de governos e empresas, quanto a demanda por incubação de empresas, e o número de incubadoras no Brasil, é crescente. Isso é importante para o processo de

162

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

desenvolvimento, principalmente para as empresas de base tecnológica, que necessitam de pesquisa e inovação para produzirem novos e melhores produtos e processos, afim de poderem competir no mercado globalizado. O maior número de incubadoras no país e no mundo é uma clara demonstração dos benefícios que ela gera. Conclui-se, portanto, que a COPEL Telecomunicações optou por caminho adequado ao propor uma incubadora (BEL-i9) de produtos e serviços voltados para o seu nicho específico de atuação. Além dos benefícios à própria empresa, a incubadora deverá beneficiar sobremaneira a população do Paraná, com as inúmeras inovações que certamente deverá produzir. 6
[1]

Referências
MENDES JUNIOR, R., FREITAS, M. C. D. Incubação de empresas. In: Empreendedorismo tecnológico. R. Gregório da Silva Junior organizador, Curitiba: IEP, 2009. 206 p. Disponível em http://www.iep.org.br/media/6/20090722-e%20t.pdf MCT. Manual para implantação de incubadoras de empresas. Brasília: 2000. disponível em http://www.mct.gov.br/setec/setec.htm. Acessado em 13 de junho de 2009. MORAIS, E. F. C. A Incubadora de Empresas como Fator de Inovação Tecnológica em Pequenos Empreendimentos. Dissertação de Mestrado em Sociologia. Universidade de Brasília, 1997. STAINSACK, C.. Estruturação, Organização e Gestão de Incubadoras Tecnológicas. Curitiba: CEFET-PR, 2003. p. 70-75.

[2] [3] [4]

Incubadoras: necessidade e modelos que podem ser usados no projeto BEL-i9

163

20
1 2

Habitats de inovação: o modelo do Tecnoparque da PUCPR e a atração de iniciativas inovadoras
1

Luiz Márcio Spinosa 2 Mauro Fonseca 3 Mauro Nagashima

Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação da PUCPR
m.spinosa@pucpr.br mauro.fonseca@ppgia.pucpr.br 3 m.nagashima@pucpr.br

1

Introdução

Os parques científicos ou tecnológicos, ou ainda, as tecnópoles, são organizações administradas por profissionais especializados que têm por objetivo proporcionar para a sua comunidade a promoção da cultura da inovação e competitividade de suas empresas e instituições de pesquisa. Para alcançar estes objetivos, um parque deve estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e tecnologia entre as universidades, centros de P&D, empresas e seus mercados, facilitando a criação e consolidação de Empresas de Base tecnológica (EBTs) através da incubação e processo de spin-off, além de prover outros valores agregados com espaço de qualidade e infraestrutura. Os
1

Luiz Márcio Spinosa é Bacharel em Ciências Estatísticas e da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina (1986), Mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (1991), D.E.A (equivalente a Mestrado) em Informática, Automação e Produtrônica pela Université d'Aix-Marseille III (1992), Doutor em Informática, Automação e Produtrônica pela Université d'Aix-Marseille III (1996) e Especialista em Gestão da Inovação pela Simon Fraiser University e Texas University (2001). Foi Coordenador Geral do Programa Paraná Classe Mundial em Software (W Class) junto à Secretaria de Estado da C&T e Tecpar (1999-2002). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Diretor Executivo da Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação da PUCPR. Diretor do Instituto de Ciências Exatas e de Tecnologias da PUCPR. Membro do Conselho Universitário da PUCPR.
2

Mauro Nagashima é formado em Engenharia Mecânica (UFPR, 1982), pós-graduado em Engenharia da Qualidade (PUCPR, 1991) e Computer Integrated Manufacturing System (NEC Japan, 1986). Foi Diretor Técnico do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná - IBQP, Diretor Técnico e Diretor Presidente do Tecpar e Assessor de Projetos Especiais da Reitoria da PUCPR. Atualmente é colaborador da Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

3

Mauro S. P. Fonseca possui graduação em Engenharia da Computação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1994), mestrado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (1997) e doutorado em Redes de informática - Universite de Paris VI (Pierre et Marie Curie) (2003). Atualmente é professor / pesquisador / coordenador do Programa de Pós-graduação em Informática da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e pesquisador associado - Laboratoire d'Informatique de Paris 6.

Habitats de inovação: o modelo do Tecnoparque da PUCPR e a atração de iniciativas inovadoras

165

parques também devem gerar sinergia entre os diversos atores, identificando as vocações locais e regionais, buscando viabilidade econômica e tecnológica. O sistema de parques científicos e tecnológicos já se consolidou em muitos países, principalmente naqueles com uma economia mais desenvolvida, e é atualmente uma tendência mundial inexorável. Ao reunir empresas, centros de P&D e universidades em espaços planejados e organizados de modo a permitir o uso de serviços compartilhados, os parques são ambientes altamente favoráveis à sinergia e ao desenvolvimento de atividades de alto valor agregado e propício ao surgimento de empresas de base tecnológica. Concebidos como um empreendimento a ser desenvolvido em parceria entre a iniciativa privada e o poder público, seu êxito depende do comprometimento de um leque de parceiros que vão das universidades e centros de P&D ao setor empresarial, terceiro setor e aos governos municipal, estadual e federal. Os projetos, em geral, preveem uma área corporativa destinada à implantação de empreendimentos de base tecnológica com investimento do Estado e uma segunda área de uso compartilhado e investimento privado, que inclui, além de lazer, comércio e serviços, um setor de uso residencial. Dentro desse contexto e objetivando mobilizar a Cidade de Curitiba como Metrópole Tecnológica, iniciou-se em 2000 as primeiras iniciativas para a criação de um importante “ativo de inovação” no contexto de um habitat de inovação urbana, que veio a consolidar-se mais recentemente com a implantação do Tecnoparque Curitiba. Em 2009, a PUCPR, implantou o seu Tecnoparque, um espaço destinado à inovação e ao desenvolvimento de parcerias universidade-empresa, inserido no coração desse novo arranjo da Cidade de Curitiba, e apto a receber empresas e empreendimentos de base tecnológica. 2 A Agência PUC de Inovação

2.1 Criação da Agência A Pontifícia Universidade Católica do Paraná sempre tem participado ativamente na implantação de arranjos inovadores para apoio ao desenvolvimento tecnológico e industrial paranaense e nacional, cujas propostas a têm transformado em um dos principais ativos dessas configurações inovadoras e respondido aos novos desafios que se apresentam. Por longos anos vem investindo intensivamente na qualificação de seu pessoal, contando atualmente com 1350 professores, dos quais cerca de 75% são mestres ou doutores. Investiu também em seus ativos tecnológicos, constituindo hoje uma das melhores infraestruturas tecnológicas para o ensino, pesquisa e extensão do país. Com o objetivo de fortalecer as suas áreas de Ensino, Pesquisa e Extensão ampliou ao longo da última década suas alianças e parcerias estratégicas, gerando uma experiência notável nas relações com a comunidade. Com esse propósito, a PUCPR, em cooperação com a sua Mantenedora, a Associação Paranaense de Cultura – APC implantou em 2008 um novo arranjo institucional para incrementar a sua atuação como Agente de Promoção do Desenvolvimento Socioeconômico e intensificar sua Sintonia Social com os diversos atores da sociedade. Esse novo arranjo, denominado Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação vem propugnar para a agregação de valor às múltiplas

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

competências disponíveis na instituição e sua colocação à disposição dos diversos segmentos da economia paranaense, brasileira e internacional. Trata-se também de um singular espaço para a inovação, criatividade e de cooperação com a comunidade, onde integram-se esforços para viabilizar infraestrutura adequada para a atração de projetos, iniciativas e empresas de base tecnológica, o qual tornou-se viável com a recente implantação do PUCPR TECNOPARQUE, conforme mencionado anteriormente, constituindo-se atualmente num importante ativo de inovação para o Paraná. 2.2 Missão e atuação A Agência PUC tem como Missão “Ser instrumento de promoção da qualidade e da excelência no Ensino, na Pesquisa e na Extensão (E&P&E), por meio da integração de “ativos” de inovação e do conhecimento que adicionem valor a essas atividades, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento socioeconômico da região de atuação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná”, e atua desde a produção de conhecimento científico e tecnológico até a sua transferência para o setor produtivo, mediante alianças e parcerias estratégicas entre a Universidade e as Empresas. Beneficiam-se as Empresas pela obtenção de inovações tecnológicas, organizacionais e sociais a menor custo, decorrentes de investimentos conjuntos. Beneficiam-se a PUCPR e a APC pela intensificação da Sintonia Social com os diversos atores da sociedade, ou seja, pela formação de profissionais mais capacitados e atualizados e pela produção de pesquisas alinhadas às necessidades de desenvolvimento paranaense e nacional. Com tais pressupostos, a Agência atua prioritariamente nos seguintes setores portadores de futuro: Agronegócio, Alimentos, Automação Industrial, Biotecnologia, Design, Energia, Fármacos, Logística, Microtecnologia, Tecnologia da Informação e Comunicação, Tecnologias Socioambientais e Humanas, Tecnologias Educacionais, Tecnologias de Gestão, Tecnologia de Segurança e Saúde. 3 PUCPR Tecnoparque

O PUCPR Tecnoparque, além do incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos, oferece oportunidade real de aproveitamento de mão-de-obra qualificada que sai ou que ainda está na Universidade. Também amplia o desenvolvimento econômico e social, promovendo a melhoria da qualidade de vida da população. Esse, aliás, é o principal benefício do programa: a sintonia social da PUCPR. O PUCPR Tecnoparque constitui um dos ativos fundamentais no âmbito dos denominados “Habitats de Inovação”, e desde a sua implantação pela APC/PUCPR vem buscando atender uma grande demanda de empresas e empreendimentos de base tecnológica que desejam se instalar no Tecnoparque de Curitiba. A infraestrutura do Tecnoparque atualmente disponível já atende a diversas empresas e iniciativas de base tecnológica, que nela encontram as facilidades de um ambiente de inovação tecnológica e a sua proximidade com a Universidade permite uma grande interação com a Academia, e acesso a

Habitats de inovação: o modelo do Tecnoparque da PUCPR e a atração de iniciativas inovadoras

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capital humano altamente qualificado, professores, pesquisadores e alunos, além de outros ativos tecnológicos como laboratórios de pesquisa, desenvolvimento e serviços em diversas áreas do conhecimento, que tornam este espaço privilegiado ao desenvolvimento de iniciativas inovadoras. No modelo de atuação do Tecnoparque procura-se priorizar a parceria estratégica com os diversos segmentos portadores de futuro anteriormente citados, de forma a incentivar a criatividade e a geração de novos conhecimentos pela Academia e imprimindo a velocidade necessária ao desenvolvimento de novos produtos e serviços para a sociedade. No campo das novas tecnologias da informação e comunicação – TIC, o Tecnoparque conta com a parceria do Programa de Pós-Graduação em Informática – PPGIa, com os seus programas de mestrado e doutorado, que disponibilizam suporte integral nas parcerias com empresas ou empreendimentos nas áreas de sua competência, compostas pelas diversas linhas de pesquisa e desenvolvimento, dentre elas a de Redes de Computadores e de Telecomunicações, especialmente de interesse para o desenvolvimento da parceria com os Projetos BEL e BEL-i9 da COPEL Telecomunicações, contribuindo com o desenvolvimento de novos produtos e serviços para Redes na Plataforma Tecnológica GPON e outras de componente estratégica aos citados projetos. 4 PUCPR Tecnoparque e a parceria com o Projeto BEL-i9

Conforme descrito anteriormente, o PUCPR Tecnoparque foi criado para atender a novas demandas por atração de empreendimentos inovadores e de base tecnológica, na nova Sociedade do Conhecimento. Com esse pressuposto, o modelo de desenvolvimento de parcerias e alianças estratégicas do Tecnoparque com a iniciativa privada, não incentiva somente a atração de novas empresas de base tecnológica, mas sobretudo de iniciativas de empreendedorismo inovador nascentes na Universidade que atendam às demandas crescentes do mercado por novos produtos e serviços. Esse modelo vai de encontro ao Projeto BEL-i9 da COPEL Telecomunicações, que objetiva apoiar iniciativas de incubação de empreendimentos inovadores de base tecnológica em temas de interesse e convergência com o componente tecnológico em que a corporação estrategicamente induz com o propósito de desenvolver um leque de opções de novos produtos e serviços agregados. Podem-se considerar como iniciativas complementares, visto que, por um lado o Projeto BEL-i9 procura apoiar o empreendedorismo inovador em plataformas tecnológicas estratégicas para a empresa, e por outro, o Tecnoparque tem por objetivo oferecer e acolher iniciativas inovadoras em ambiente adequado para o desenvolvimento e sucesso das mesmas. Dentro desse contexto, podem-se visualizar duas principais propostas da PUCPR, que podem contribuir com o BEL-i9: Proposta 01 – A parceria entre o PUCPR Tecnoparque e o BEL-i9, para o acolhimento do empreendedorismo inovador emergente na comunidade acadêmica na PUCPR junto ao Tecnoparque, mediante apoio técnico e financeiro da COPEL Telecomunicações, e suporte acadêmico de P&D do Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGIa) da PUCPR, e em

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

especial do Grupo de Pesquisa em Redes de Computadores e de Telecomunicações do PPGIa, bem como de outras competências multidisciplinares da universidade, que possibilitaria a indução na geração de novos negócios (produtos e serviços) intensivos em tecnologia nas áreas de interesse estratégico do BEL-i9. A seleção das iniciativas inovadoras a serem acolhidas no Tecnoparque seria efetivada a partir de propostas a serem encaminhadas pelo PPGIa e discutidas previamente junto ao GT BEL-i9, da qual a PUCPR é integrante. Proposta 02 – A implantação de novos espaços físicos para acolher empreendimentos de base tecnológica e iniciativas inovadoras nas áreas da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) de interesse do BEL-i9, por exemplo uma incubadora de empreendedorismo inovador em redes de telecomunicações, podendo a mesma ser implementada junto ao Tecnoparque da PUCPR, mediante investimentos em infraestrutura física, predial e tecnológica por parte da COPEL Telecomunicações e contrapartida da PUCPR na destinação de áreas disponíveis junto ao seu Tecnoparque, para a construção desses novos espaços de inovação. Nesta modalidade de colaboração, configurar-se-iam alianças e parcerias estratégicas de médio e longo prazos, onde a empresa patrocinadora disporia de espaços no Tecnoparque para investir em novos negócios e empreendimentos nascentes e spin-offs emergentes na universidade, de natureza estratégica ao plano de negócios da corporação. Ressaltam-se que as propostas encontram-se em estágio inicial, carecendo de maiores de entendimentos e devidas ratificações por parte da PUCPR e da COPEL Telecomunicações. 5 Conclusão

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná com seus 50 anos de história, com mais de 30 mil alunos e 1.300 docentes, 75% dos quais com titulação de mestres e doutores, é a maior Instituição de Ensino Privado do Paraná. Oferece mais de 60 cursos de graduação, 21 programas de pósgraduação stricto sensu, dentre eles o seu Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGIa), com Mestrado e Doutorado que completou 13 anos de existência em 2009, e mais de duas décadas de experiência em parcerias e alianças estratégicas, que vão das universidades e centros de P&D ao setor empresarial, terceiro setor e aos governos municipal, estadual e federal. As alianças e parcerias estratégicas a serem construídas entre a Universidade e as Empresas mostram-se plenamente viáveis para o apoio a iniciativas e empreendimentos inovadores, cujo êxito depende do comprometimento das partes envolvidas e a mobilização dos seus respectivos “Ativos de Inovação Tecnológica” em prol da indução e do desenvolvimento de novos negócios, produtos e serviços demandados pelo mercado. Conforme descrito anteriormente, o modelo de operação do PUCPR Tecnoparque para contribuir com o Projeto BEL-i9 da COPEL Telecomunicações demonstra que é possível conceber e implementar uma notável cadeia de inovação, através de um modelo “não-tradicional” de incubação, onde o empreendedorismo inovador originado no ambiente da academia poderá ser induzido e apoiado pela parceria, e ser acolhido no espaço do Tecnoparque. Beneficiam-se ambas as partes nesse processo, a COPEL pela obtenção de inovações tecnológicas de qualidade a menor custo, e a PUCPR pela intensificação de sua sintonia social com os diversos atores da sociedade, ou seja, pela formação de profissionais mais capacitados e atualizados e pela produção de pesquisas alinhadas às necessidades de desenvolvimento socioeconômico paranaense e

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nacional. Com o PUCPR Tecnoparque, a Universidade concretiza essa idealização e contribui para o desenvolvimento maior da cidade, do estado e do país. 6
[1] [2]

Referências
Agência PUC - http://www.agenciapuc.pucpr.br SPINOSA, Luiz Márcio, Artigo Habitats de Inovação Tecnológica, 2009.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

21
1,3 1
1 3

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

Roberto Candido 2 José Reinaldo Silva 3 Sebastião Dambroski Universidade Tecnológica Federal do Paraná Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos - REPARTE

1

rcandido@superig.com.br sedambroski@gmail.com

2

Universidade de São Paulo

reinaldosilva@gmail.com

1

Revisão Bibliográfica

1.1 Inovação O entendimento do que é inovação pode ser muito difuso e particular, portanto estabelecer um entendimento comum é fundamental para qualquer discussão neste campo, uma das definições aceitas mundialmente é encontrada na página 32 do Manual de Oslo [10], que diz:
1

Roberto Candido possui graduação em Engenharia Elétrica pela UFPR (1985), graduação em Curso de Formação de Professores pela UTFPR (1987), Cursos de Especialização em Automação Industrial (UTFPR), Gestão de Manutenção(UTFPR) e Ensino à Distância(UNB) e Mestrado em Engenharia Naval e Oceânica (USP) - Pesquisa em Modelagem de Negócios com Gestão de Projetos. Atualmente faz Doutorado na USP. É professor da UTFPR, tendo sido diretor dos Campi de Campo Mourão e Pato Branco; atualmente, no Campus de Curitiba, é responsável pela Incubadora Tecnológica local. Realiza avaliação de cursos de capacitação no projeto FORMARE. Desenvolve consultorias na área de Inovação Tecnológica, Modelagem de Negócios e Desenvolvimento Regional, principais projetos em que atua são: Curitiba Tecnoparque e Sistema Regional de Inovação, no sudoeste do Paraná. Vice-Presidente da REPARTE - Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos no biênio de 2010/2011. José Reinaldo Silva é Bacharel em Física pela Universidade Federal da Bahia (1980), Mestre em Física pela Universidade Federal de Pernambuco (1985), Mestrado Profissional em Interdisciplinary Computer Science, Mills College, USA, Doutorado em Engenharia de Computação pela USP (1992). Pós-doutorado em Ciência da Computação e em Engenharia de Sistemas, ambos pela University of Waterloo, Canadá. Atualmente é professor associado da Poli/USP.
3 2

Sebastião Dambroski é Especialista em Gestão Estratégica da Produção pela UTFPR (2004), Licenciatura Plena em Matemática pela UTFPR (2003), graduado em Administração pela FAE (2001), Técnico em Edificações pela UTFPR (1996).

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

171

“A inovação está no cerne da mudança econômica. Nas palavras de Schumpeter, inovações radicais provocam grandes mudanças no mundo, enquanto inovações ‘incrementais’ preenchem continuamente o processo de mudança. Schumpeter propôs uma relação de vários tipos de inovações: introdução de um novo produto ou mudança qualitativa em produto existente; inovação de processo que seja novidade para uma indústria; abertura de um novo mercado; desenvolvimento de novas fontes de suprimento de matériaprima ou outros insumos e mudanças na organização industrial”. Segundo afirmam McAdan e McClelland [11], a inovação acontece de forma sequencial e continua, sendo um processo distinto dentro do desenvolvimento de produto ou projeto, com diversas etapas entre a ideia e a execução, sendo a criatividade a célula “tronco” do processo, conforme ilustra a figura 1.

Geração de Idéias

Desenvolvimento de idéias

Busca

Avaliar compatibilidade de objetivos

Viabilidade

Avaliar viabilidade técnica e comercial

Implementação

Comercialização

Figura 1 – Processo de inovação [11]

172

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Ao final do processo de inovação deve-se gerar riqueza conforme lembra Hamel [7]: “novas ideias podem atrair novos investimentos e novas empresas a uma região, como verificadas no Vale do Silício, criando novas fontes de riqueza, frisa ainda que novas ideias não são exclusivas de novos empreendimentos, estando presentes como elemento de revitalização de empresas mais antigas.” Reforçam a importância da criatividade no contexto de novas ideias voltadas à inovação as três componentes apresentadas por Amabile [3], são elas: Conhecimento, Pensamento Criativo e Motivação. Hamel [7] lembra da importância da Gestão da Inovação, pois ela orientará a abordagem a ser empregada pela organização para inovar em seus produtos ou serviços, ou seja, Inovações de ruptura ou incrementais. Desta maneira apresenta como funções da Gestão da Inovação: • • • • • • • • Definir metas e planos. Motivar e alinhar esforços. Coordenar e controlar atividades. Alocar de recursos. Adquirir e aplicar conhecimentos. Construir e fortalecer relaciona-mentos. Identificar e desenvolver talentos. Compreender e equilibrar as demandas.

Contribui Rizova [12], indicando que em média, a cada 10 projetos de inovação, 5 são descartados antecipadamente, 3 durante o desenvolvimento e apenas 2 são conduzidos ao mercado com chance de sucesso. A participação do cliente é de extrema importância para que o produto tenha sucesso, seja no desenvolvimento ou no feedback para adequações e customização. Sendo assim, é de esperar-se que inovação não seja, na maioria das vezes um processo fácil e natural, necessitando, portanto, de mecanismos que auxiliem na sua ocorrência nas empresas e nos produtos. Os processos de incubação são mecanismos que visam aumentar o número de empreendimentos de sucesso. 1.2 Empreendedorismo Não existe com desvincular a Inovação tecnológica de atitudes empreendedoras, existe uma estreita ligação ambos, segundo Dolabella [5], à página 44:

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

173

“O empreendedor é alguém capaz de desenvolver uma visão, mas não só. Deve saber persuadir terceiros, sócios, colaboradores, investidores, convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no futuro. Além de energia e perseverança, uma grande dose de paixão é necessária pra construir algo a partir do nada e continuar em frente, apesar de obstáculos, armadilhas e da solidão. O empreendedor é alguém que acredita que pode colocar a sorte a seu favor, por entender que ela é produto do trabalho duro. Um dos principais atributos do empreendedor é identificar oportunidades, agarrá-las e buscar os recursos para transformá-la em negócio lucrativo. Não é indispensável que ele possua os meios necessários à criação de sua empresa. Mas deve ser capaz de atrair tais recursos, demonstrando o valor de seu projeto e comprovando que tem condições de torná-lo realidade”. 1.3 Incubação Incubadoras de negócios são estruturas que se destinam a dar suporte a projetos que apresentam Inovação Tecnológica com intuito de gerar riqueza através de novas empresas. Segundo definição encontrada no site da ANPROTEC [1]: “Incubadora é um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais. Facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas”. Para Spolidoro [13], à página 21: “Uma incubadora de empresas é um ambiente que favorece a criação e o desenvolvimento de empresas e de produtos, m especial os inovadores e intensivos em conhecimento. Esse ambiente oferece, a empresas emergentes e a equipes de pesquisa, por custos inferiores aos de mercado, elementos como área física e infraestrutura, vizinhos comprometidos com a inovação, serviços de apoio e serviços de promoção da sinergia”. 1.4 Redes de Interação Cada vez mais a inovação e o empreendedorismo, juntos, proporcionaram um novo modelo de ralações, mediante o estabelecimento de redes de interação, que permitem somar esforços no intuito de acelerar os resultados dos empreendimentos, Segundo Ghemawat [6] à página 134: “As alianças estratégicas podem proporcionar acesso a conhecimentos locais que seriam difíceis de comprar, a conexões na rede local de valores que não seriam acessíveis de outra maneira ou a contatos locais, incluindo os contatos políticos e seus benefícios associados. Essas alianças são usadas

174

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

especialmente ara entrar em mercados distantes do país de origem. Alem disso, podem reduzir certos tipos de riscos ao permitir uma aquisição em etapas”. Com a globalização mundial, no ano de 2000 foi criada a REPARTE – Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos, uma associação civil sem fins lucrativos, que tem por finalidade: Integrar, coordenar, promover e consolidar as incubadoras e parques tecnológicos do Paraná, buscando promover a geração de riquezas e bem-estar social no Estado. Atualmente com mais de 30 incubadoras associadas, presentes em 14 cidades do Paraná desenvolvem em rede, com a criação de novos empreendimentos de sucesso, alguns dos quais de referência nacional. O detalhamento desta Rede pode ser observado no site www.reparte.org.br, enquanto a figura 2 mostra a capilaridade encontrada nesta forma de relacionamento no Estado do Paraná.

Figura 2 – Localização das Incubadoras no Estado do Paraná (Fonte: REPARTE)

Esta estrutura permite ao Estado do Paraná uma posição de vanguarda no cenário nacional em processos de Inovação, Incubação e Empreendedorismo, oferecendo oportunidades de desenvolvimento a Empresas Nascentes e Incubadoras que de forma isolada não teria condições de serem alcançadas.

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

175

1.5 Um novo tempo A Internet tem mudado definitivamente o comportamento da humanidade em toda a gama de atividades, que vai do relacionamento pessoal ao comercial, da pesquisa à publicação, da leitura ao filme. Nesta nova realidade houve grande alteração no campo dos serviços, abrindo um novo horizonte para empresas inovadoras. Segundo Tigre [2] à página 84: “A maioria das compras internacionais é feita em sites americanos. Mas no Brasil a Internet está progressivamente se tornando também uma ferramenta de comunicação doméstica. Em 1995 mais de 95% do fluxo da Internet no Brasil era internacional (usuários brasileiros se conectando com endereços estrangeiros), enquanto em 1997 mais de 40% do tráfico era doméstico, à medida que mais sites locais se tornaram disponíveis. As informações sobre o valor das transações eletrônicas são difíceis de obter. As telecomunicações constituem a infraestrutura crítica para a difusão do comércio eletrônico. O acesso a linhas digitais de qualidade e cabos óticos de alta velocidade, interligando pontos de acessos urbanos com o resto do mundo, condiciona o potencial de expansão da Internet, juntamente com novas formas de acesso através de redes de TV a cabo e redes privativas alternativas à rede telefônica pública.” 2 Um modelo inovador de incubação

As empresas quando ingressam em uma incubadora podem ser qualificadas na maioria absoluta dos casos como micro empresas, necessitando de toda a espécie de apoio para ultrapassarem o prazo crítico de mortalidade, corrobora com esta observação Dolabella [5] à página 30, dizendo: “Uma das características da PME é sua dependência da comunidade local, que poderá ou não estar dotada de fatores importantes de aceleração do desenvolvimento, como ambiente favorável ao empreendedorismo, vontade comunitária de implementação de uma rede de negócios, instituições de apoio, facilidades para obtenção de financiamentos etc. Assim, o nível local é entendido como o meio ambiente imediato das PME.” Nesta conjuntura, pode-se prever que não existe um modelo ideal e único para cada todos os ambientes de Inovação, e cabe aos agentes envolvidos criar e customizar um modelo customizado de incubação que proporcione resultados econômicos e de crescimento à sua região de abrangência. 2.1 Ambiente estadual de inovação A COPEL – Companhia Paraense de Energia tem prestado relevante trabalho ao Estado do Paraná como um agente indutor de desenvolvimento, modelo que vem sendo reproduzido pela sua subsidiaria COPEL Telecomunicações.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

A demonstração deste alinhamento pode facilmente ser observada no Projeto BEL [14], de extrema ousadia e grande desafio tecnológico, com o objetivo proporcionar a oferta de conteúdo, produtos e serviços através de uma rede inovadora (aberta e neutra). Reforçam esta proposição os delineamentos estruturados para a consolidação e criação do ambiente de inovação BEL-i9, cuja principal meta é: incubar novos produtos, serviços e negócios na infraestrutura BEL, com o apoio diferenciado e robusto da COPEL Telecomunicações. Esta visão de futuro permitira em médio prazo consolidar a transferência de novas tecnologias a produtos, gerando riquezas e desenvolvimento ao Estado do Paraná. Nesta óptica, a estrutura pensada para este novo ambiente dever reforçar as ações já vivenciadas no Estado, colocando a COPEL Telecomunicações como um agente que orienta o desenvolvimento tecnológico em todo o Estado, permitindo crescimento indistinto às regiões, que serão apenas limitadas pela competência tecnológica de seus atores. 2.2 Modelo proposto de relacionamento O modelo de interação proposto neste capítulo está embasado em seis pontos fundamentais para o sucesso de um processo inovador de incubação. São eles: • Tornar a COPEL Telecomunicações o mais importante agente de incentivo a empreendimentos inovadores de serviços ou produtos vinculados ao projeto BEL, no Estado do Paraná. Dar à Incubadora BEL-i9, uma estruturação inovadora e única, que garanta permeabilidade a todos os pontos do Estado do Paraná. Otimizar os recursos físicos e financeiros, aproveitando as estruturas existentes em mais de 30 Incubadoras vinculadas à REPARTE. Garantir que as empresas vinculadas à incubadora BEL-i9 estejam próximas às Universidades e Centros de Pesquisa, facilitando a utilização de equipamentos e acesso a Pesquisadores Orientadores. Proporcionar facilitação aos órgãos financiadores de P&D às empresas e incubadoras parceiras, em função do lastro oferecido pelo nome COPEL. Criar condições para formação de equipes de especialistas pertencentes a diversas instituições do Estado, atuando num mesmo projeto numa concepção moderna de trabalho em rede e de gestão de projetos.

• • •

• •

O modelo proposto é bastante simples, e está representada na figura 3, de maneira que a COPEL Telecomunicações poderá atuar como agente indutor, levantando demandas e possibilidades de novos negócios, estruturados na base BEL. Destas orientações estratégicas parte-se para a análise de viabilidade econômica e se cria uma Demanda Orientada, que será direcionada á REPARTE.

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

177

Em conjunto, REPARTE e COPEL Telecomunicações poderão elaborar um Edital de Seleção, que será consolidado com abertura em todas as Incubadoras do Estado do Paraná. Desta maneira, empresas nascentes de todo o Estado poderão submeter-se ao Edital, apresentando projetos em suas regiões. Esta forma de atuação multiplicará o número de empresas envolvidas na base BEL, garantindo projetos compartilhados e distribuídos por regiões, inclusive customizando situações regionais futuramente. Evidentemente que, nesta proposta, extremamente ousada, toda a questão contratual, participações, patentes e demais itens deverão ser discutidos caso a caso, aproveitando-se do know-how de cada um dos atores, principalmente da COPEL Telecomunicações.

Empresa incubada Incubadora Estadual i9 Incubadora 1
Demanda Orientada

Incubadora N

Incubadora 2
Editais

REPARTE
Editais

Incubadora A
Editais

Incubadora 3 Incubadora 4

Incubadora 5

Figura 3 – Modelo de relacionamento do ambiente BEL.

3

Resultado Esperados

Este capítulo buscou apresentar uma alternativa única e inovadora para implantação de um Ambiente de Inovação, e dele se espera como resultados:

178

BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

• • • •

Integração e interação das incubadoras do Estado do Paraná, para em conjunto criarem empresas de sucesso no segmento proposto pelo BEL-i9. Consolidar a COPEL Telecomunicações como principal agente motivador de novos empreendimentos de alta tecnologia voltados ao projeto BEL. Praticar o relacionamento em Rede de Interação entre Incubadoras, Universidades, Institutos de Pesquisas e Empresas de Alta Tecnologia. Potencializar o número de empresas incubadas com sucesso no mercado, tendo como meta 30 empresas, ao final de dois anos (uma por incubadora instalada), voltadas á plataforma BEL. Otimizar a aplicação de recursos para criação de novos empreendimentos de sucesso em todo o Estado do Paraná.

4
[1] [2]

Referências
ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades promotoras de Empreendimentos Inovadores – www.anprotec.org.br. TIGRE, PAULO BASTOS - Comércio Eletrônico e Globalização:Desafios para o Brasil1999, Editora Campus Ltda. A Qualidade da Informação - Rua Sete de Setembro, 111 - 16º andar - 20050-002 Rio de Janeiro RJ Brasil – consulta ao site http://www.liinc.ufrj.br/fr/attachments/055_saritalivro.pdf#page=84 AMABILE, TERESA - How to Kill Creativity - (1998) Harvard Business Review, September, 77–87. CLARK E WHEELWRIGHT - Revolutionizing product development - New York. - Free Press – 1992 DOLABELA, FERNANDO – Oficina do Empreendedor – A metodologia de ensino que ajuda a transformar conhecimento em riqueza. 1990, Cultura Editores Associados – São Paulo Brasil. GHEMAWAT, PANKAJ – Redefinindo Estratégia Global – Cruzando Fronteiras em um mundo de diferenças que ainda importam. 2008 – Bookman – Porto Alegre HAMEL, GARI - Bringing Silicon Valley Inside. (Statistical Data Included). Harvard Business Review 77.5 (Sept-Oct 1999): p71. HAMEL, GARI - The Why, What, and How of Management Innovation - Harvard Business Review http://harvardbusinessonline.hbsp.harvard.edu/hbsp/hbr/articles/article.jsp?articleID= R0602 LOPES, MARCOS AURÉLIO; SANTOS, GLAUBER DSO; AMADO GUILHERME BIEL – Depto. de Eng. de Produção - Universidade Federal de São Carlos – Retirada no endereço http://www.geneticasysid.com.br/artigo12.pdf, em 28.12.2008

[3] [4] [5] [6] [7] [8] [9]

[10] MANUAL DE OSLO – Proposta de Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação Tecnológica – OECD – FINEP – 2004 – Brasília. [11] MCADAM, RODNEY e MCCLELLAND,JOHN - Sources of new product ideas and creativity practices in the UK textile industry - University of Ulster, School of Management, Jordanstown Campus,

Modelo de incubação estruturada em rede e orientada por demandas de um agente de inovação regional

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Shore Road, Newtownabey, Co. Antrim BT37 0QB, UK - 0166-4972/01/$ - see front matter. Crown Copyright 2001 Published by Elsevier Science Ltd. All rights reserved. PII: S0166-4972(01)00002 [12] RIZOVA, POLLY - Are You Networked for Successful Innovation? – Mit Sloan Management Review Spring 2006 Vol.47 No.3 Reprint Number 47310 [13] SPOLIDORO, ROBERTO – A sociedade do Conhecimento e seus Impactos no Meio Urbano – Parques Tecnológicos e Meio Ambiente Artigos e Debates - 1997 – Amprotec – Brasília.

[14] PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada
estrategicamente, em equipe. COPEL Telecomunicações, Curitiba, 2009, 207pp.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

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1 Introdução

A COPEL na era da interatividade
1

Rita de Cássia Laporte

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
rita.laporte@copel.com

O mundo está de pernas para o ar! Num tempo em que coisas velhas morrem sem que novas existam e paradigmas – sociais, culturais e econômicos são destruídos, faz-se necessário o repensar. No mercado, o cenário aponta para uma reorganização emocional, social e econômica e para o aumento na complexidade e na interdependência entre empresas, indivíduo, família, escola e sociedade. O Brasil é importante neste novo contexto mundial. São 50 milhões de brasileiros on-line, 23 horas por mês. Vive-se a democratização dos meios de produção de conteúdo. Uma pessoa com apenas um celular com câmera na mão é uma produtora de conteúdo em potencial. Os brasileiros estão entre os recordistas mundiais no uso das redes sociais. O Paraná e os paranaenses têm na COPEL uma empresa fomentadora de desenvolvimento socioeconômico através da distribuição de energia barata à população do estado. Agora a empresa, considerando um novo tempo e dentro deste contexto de hiperevolução pretende inovar, democratizando o acesso à informação. Os Projetos BEL (Banda Extra Larga no modelo inovador de rede aberta e neutra), COPEL.org (acesso sem fio às populações de mais baixa renda) e BEL-i9 (incubadora fomentadora do empreendedorismo em telemática) oferecerão, a todos os 3,5 milhões de consumidores de energia, conteúdos, produtos e serviços através de uma rede Internet inovadora.

1

Rita de Cássia Laporte possui Graduação em Administração de Empresas pela FADEPS (1996), MBA em Marketing Executivo pela ISAE/FGV (2001). Experiência no mercado comercial, em negociações, em treinamento de equipes de pesquisas científicas e de mercado, qualitativas e quantitativas. Trabalha na COPEL desde 1994 onde, atualmente, exerce atividades como Analista de Gestão/Marketing.

A COPEL na era da interatividade

181

2

O novo marketing social

Walter Longo, evangelista da maior agência de publicidade brasileira e empreeendedor digital, diz que o novo marketing se baseará no tripé informação, interatividade e entretenimento [3]. Antes o marketing utilizava dados passivos, implícitos, hoje as pessoas on-line contribuem ativamente, oferecem, compartilham dados pessoais, situações que vivem, interesses, relacionamentos, e isto vale ouro porque expressa o que realmente querem. Estes dados podem ser captados, medidos pelas empresas e conectados para o desenvolvimento de novos produtos e serviços. No campo do marketing o cliente geralmente não sabe o que quer, porque não sabe tudo o que pode querer. O desafio para as empresas chama-se criatividade! Criatividade para se manter no mercado e criar algo novo, para ser revolucionário, e para despertar a atenção do cliente, estudando o comportamento dos consumidores on-line. Para criar o novo, as empresas precisam basicamente de quatro perfis profissionais: o sujeito especialista em entretenimento, o da informação, o da interatividade e o nexialista. Este último não é de fato especialista em nada, mas faz o papel de integrador, promovendo a sinergia para que as três primeiras partes tenham nexo. A COPEL, através do Projeto BEL-i9 vai ao encontro do futuro com empreendedorismo e busca parceiros para este desenvolvimento, que combinem ideias acadêmicas com as demandas do mercado. O projeto compreende uma parceria entre a COPEL e outras empresas e instituições (de ensino superior, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, fomento, etc) promovendo interação entre academia, tecnologia e novos negócios, criando oportunidades para os egressos dessas academias. Estes indivíduos estão atentos ao que acontece em vários cantos do mundo, abertos às novidades e funcionam como antenas capazes de capturar algumas das transformações em curso na sociedade. 3 Conclusão

Para empresas promotoras de desenvolvimento socioeconômico e visionárias, como a COPEL, impulsionar novos negócios e desenvolver produtos e serviços fundamentados em tendências emergentes é fazer parte da história deste tempo, de repensar. Cabe então, a um time multidisciplinar, encontrar pontos de convergência e aparentemente incongruentes dos dados captados nas redes sociais, construindo um mosaico, interpretando as informações e produzindo o novo.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

4
[1] [2] [3]

Referências
D’ANGELO, André Cauduro. O consumidor que vê o futuro. Revista AMANHÃ, Agosto de 2009, Nº 256, Ano 23. www.amanha.com.br WEIGEND, Andreas. O marketing das redes sociais. Negócios/HSM Management, TAM nas Nuvens, Anova Alemanha, Ano 02, Nº 23, Novembro de 2009. www.tam.com.br LONGO, Walter. Inovação e renovação quebrando paradigmas do marketing. Fórum de Marketing. Curitiba 2008.

A COPEL na era da interatividade

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23
Gilberto Krieger
1

BEL-i9: a possibilidade de inovar e comercializar sobre uma rede telemática com significativo potencial de consumo

Digiquest Pesquisa de Mercado
gilberto@digiquest.com.br

1

Introdução

O projeto BEL tem como objetivo disponibilizar uma rede IP de altíssima velocidade, inovadora em conteúdo, produtos e serviços para ser disponibilizada, até 2020, aos 3,5 milhões de consumidores da COPEL (energia), em todas as regiões do Paraná, com variados perfis sócio demográficos, gerando amplas possibilidades de negócios e novas experiências de consumo. Este capítulo tem por objetivo fazer uma análise do potencial de consumo e de oportunidades que esta rede deve gerar para as empresas interessadas em ofertar produtos e serviços para os usuários finais conectados à rede BEL. Um dos objetivos mais significativos do projeto é o da universalização das telecomunicações, permitindo a uma gama maior de usuários o acesso a redes de alta velocidade, hoje mais restrita ao público das classes AB. Além das implicações já descritas no próprio conceito do projeto BEL [1], será avaliado o impacto adicional e os benefícios que isto pode trazer para o projeto, seus usuários e parceiros de negócios. O capítulo inicia pela análise de duas situações que alteraram profundamente a estrutura socioeconômica até então estabelecida: a expansão da classe C no Brasil e o crescimento exponencial da Internet e mais especificamente da área de comércio eletrônico.

1

Gilberto Krieger é formado em Engenharia Civil pela UFPR, com cursos em Marketing pela Business School Ohio University e LDP pela Columbia University. Foi Supervisor, Diretor, Gerente Regional, Vice Presidente e membro do board da McCann Brasil e General Manager da Universal Publicidade entre 1986 e 1999. Diretor de Marketing do Grupo Lorenzetti entre 1990 e 1992. Atualmente é Sócio Diretor da AG1/Great Comunicação, o que exerce desde 2000, e Sócio Diretor Digiquest Pesquisa de Mercado, função exercida desde 2005.

BEL-i9: a possibilidade de inovar e comercializar sobre uma rede telemática com significativo potencial de consumo

185

2

Nada será como antes

A partir de 2008, a classe média passou a ser maioria no Brasil. São hoje 52% da população (eram 44% em 2002) – ou 100 milhões de brasileiros, segundo a FGV. Hoje, define-se como classe média, ou classe C, as famílias com renda mensal entre R$ 1.860 e R$ 4.650. Em todos os países que alcançaram um alto grau de desenvolvimento econômico e social, a maioria dos habitantes pertence à classe média. O que significa pertencer à classe média? “É ter filhos estudando em boas escolas particulares, um carro e dinheiro para uma pequena viagem de fim de semana uma vez por mês”, afirma um dos emergentes. De acordo com o Data Popular, consultoria especializada em consumo da população de baixa renda, entre 2002 e 2006 a massa de renda em poder da classe C cresceu R$ 80 bilhões. “Até os anos 90, havia a ideia de que só valia a pena produzir para as classes A e B [...]..Agora, as empresas estudam e desenvolvem produtos específicos para as classes C e D.” Impulsionado pelo consumo da classe média, o Brasil tornou-se um dos maiores fabricantes de computadores do mundo São 60 milhões de computadores em uso no Brasil, segundo estudos da FGV, devendo chegar a 100 milhões em 2012. Atualmente observa-se um crescimento de cerca de 41% na utilização da Internet pela classe C; além disso, faixas etárias que antes não possuíam acesso à rede hoje estão tendo. No ano passado, por exemplo, houve um incremento de 23% no acesso de pessoas com 65 anos ou mais, salienta o estudo da FGV. Este maior acesso aos computadores e consequentemente à Internet, são fatores diretamente ligados ao aumento do comércio on-line. 3 O universo da Internet no Brasil

Os números da Internet no Brasil impressionam: Já são 64,8 milhões de internautas no Brasil. Segundo o Ibope Nielsen Online, em julho de 2009 houve um aumento de 2,5 milhões de pessoas em relação ao mês anterior. Nas áreas urbanas, 44% da população está conectada à Internet. 97% das empresas e 23,8% dos domicílios brasileiros estão conectados à Internet. 27,5 milhões acessam regularmente a Internet de casa, número que sobe para 36,4 milhões se considerados também os acesso do trabalho (jul/2009). 38% das pessoas acessam à web diariamente; 87% dos internautas brasileiros entram na Internet semanalmente.

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

Segundo o Ibope//NetRatings, o ritmo de crescimento da Internet brasileira é intenso. A entrada da classe C para o clube dos internautas deve continuar a manter esse mesmo compasso forte de aumento no número de usuários residenciais. 4 O universo do comércio eletrônico

De acordo com dados da E-bit (empresa que é referência em informações sobre o segmento), no primeiro semestre deste ano as vendas on-line cresceram 27% em comparação com o mesmo período do ano passado e esse mercado de e-commerce movimentou R$ 4,8 bilhões. O valor médio das compras é de R$ 323 reais. A previsão é que o ano feche em R$ 10,6 bilhões. Só neste ano foram 2 milhões de novos consumidores que passaram a comprar pela Internet e esse número tende a crescer cada vez mais dentro de um universo de 60 milhões de internautas do Brasil, segundo a E-bit. Com o crescimento vertiginoso do setor, torna-se cada vez mais importante que as empresas busquem seu espaço na rede mundial de computadores para vender seus produtos. Há cerca de dez anos, bastava que a empresa tivesse seu espaço na web, mas hoje isso mudou e a Internet tornou-se uma ferramenta indispensável para realização de negócios. Uma pesquisa realizada com 109 empresas do país pela Consultoria Deloitte revela que, para 69% dos entrevistados, as relações via Internet foram o meio de comunicação mais eficiente para a promoção de vendas nos últimos 12 meses. A Internet se tornou o terceiro veículo de maior alcance no Brasil, atrás apenas de rádio e TV. 87% dos internautas utilizam a rede para pesquisar produtos e serviços. Antes de comprar, 90% dos consumidores ouvem sugestões de pessoas conhecidas, enquanto 70% confiam em opiniões expressas on-line. 5 O Potencial da Rede BEL

O BEL vai gerar uma rede com potencial para atingir a 3,5 milhões de usuários, que terão disponibilidade de rede com alta velocidade, usuários estes com perfil, padrões e comportamento de consumo de internautas. Terão acesso aos bundles, pacotes de serviços que agregam telefonia, Internet, TV por assinatura, video on demand, etc. Mas muito mais que isso, formarão um clube de usuários com características bastante definidas e conhecidas. Para este clube de usuários poderá se ofertar: • A criação de um “Shopping BEL” com todos os tipos de lojas virtuais ofertando serviços e produtos, desde os mais comercializados atualmente on–line, como livros, revistas e assinaturas, saúde, beleza e medicamentos, informática, eletrodomésticos e eletrônicos. Fomento do pequeno comércio regional/local que pode anunciar e oferecer produtos e serviços por regiões geográficas específicas. (Ex: lavanderias, padarias, farmácias, sapatarias, deliveries, mercados, escolas, floriculturas, presentes, etc)

BEL-i9: a possibilidade de inovar e comercializar sobre uma rede telemática com significativo potencial de consumo

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Atração dos grandes anunciantes de mídia on-line (setor financeiro, seguros, veículos, telecomunicações) que podem oferecer produtos para perfis específicos dos usuários BEL. Portais com conteúdos dirigidos com informações, notícias, trânsito, clima, segurança, cursos de educação à distância, games,etc.

Baseando-se no atual perfil de consumo e tíquete médio no Brasil, pode-se afirmar que os usuários da Rede BEL gerarão um potencial de consumo acima de R$ 1 bilhão de reais/ano. Com todas essas frentes, a COPEL ainda estará oferecendo, a jovens empreendedores, a possibilidade de incubarem novos negócios na plataforma BEL. Com o projeto BEL-i9, será aberta uma gama enorme de perspectivas parao desenvolvimento de produtos e serviços digitais inovadores, que poderão vir ao mercado por meio da própria plataforma BEL, o que é uma enorme vantagem nos contextos de facilidade de inovação e de comercialização. 6 Conclusão

O desenvolvimento tecnológico deu início a uma nova era de novas experiências de consumo e infinitas possibilidades de negócios. Estamos apenas no início desta revolução que começa alterar a ordem econômica e as empresas que não estiverem acompanhando esta tendência correm sérios riscos de ficar no meio do caminho. A rede BEL é um ótimo exemplo das possibilidades e oportunidades que irão surgir nos próximos anos com criação de mercados e de potenciais de consumo e vendas acima de R$ 1 bilhão. 7
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9]

Referências
PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. COPEL Telecomunicações, Curitiba, 2009, 207pp. www.deloitte.com.br Publicação Mundo Corporativo outubro-dezembro 2009. www.latinpanel.com TNS. www.idgnow.com.br. Noticias publicadas estudo consumidor Classe C – Data Popular 2009 Noticias Publicadas Estudo Consumidor Classe C-Fundação Getulio Vargas (FGV) 2009 Estudos IBOPE/Nielsen OnLine e IBOPE/NetRatings – comportamento Internet 2009 Noticias publicadas E-bit empresas www.ebitempresa.com.br Estatísticas dados e projeções sobre a Internet no Brasil http://www.tobeguarany.com/internet_no_brasil.php

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BEL-i9: empreendendo e inovando em rede para o desenvolvimento sustentável

24
1 Introdução

Dois monólogos não fazem um diálogo
1

Marcos Miguel Ferigotti

COPEL – Companhia Paranaense de Energia
marcos.ferigotti@copel.com

O novo posicionamento estratégico da COPEL Telecomunicações como integradora de soluções de telemática, em um novo modelo de rede aberta e neutra (BEL), preconiza uma relação sinérgica com terceiros, não somente pela proposta inovadora do modelo em si, mas, fundamentalmente, para acompanhar e processar as mudanças e transformações das (tele)comunicações na mesma velocidade que elas acontecem. Já o conceito de incubadora deve aqui ser percebido como um ambiente de cooperação e colaboração para fomentar o empreendedorismo e o desenvolvimento de projetos inovadores a partir da pesquisa científica e do desenvolvimento da telemática como insumos para a concepção de novos negócios alinhados aos objetivos estratégicos da organização, dentro do ambiente BEL, e que reflitam na sustentabilidade das ações e no altruísmo da empresa, sem que se esqueça a necessária rentabilidade, sempre de acordo com a sua nova Missão e Visão: Missão Promover o desenvolvimento do Paraná através das telecomunicações, contribuindo para a cooperação e a integração entre governos, academia, iniciativa privada e terceiro setor. Visão Ser reconhecida, até 2020, como a melhor integradora de soluções de telemática do Paraná.
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Marcos Ferigotti é formado em Engenharia Mecânica (UFPR), com MBA em Gestão Estratégica em Marketing e Vendas (IMEC) e Gestão de Empresas (CEC), com experiência profissional e de gestão em empresas de pequeno, médio e grande porte. É autor do livro Inteligência Consultiva – Qualidade a Serviço do Cliente pela editora Protexto e atualmente trabalha no Departamento de Novos Negócios da COPEL Telecomunicações.

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Diante do novo cenário que a COPEL Telecomunicações está se inserindo, e do desafio empreendedor-inovador subjacente às mais diversas competências exigidas para a implementação eficiente e eficaz do modelo adotado, faz-se necessário estimular uma maior cooperação e interatividade com a academia e com outros setores da sociedade, destacando a contribuição do conhecimento como matéria-prima para a produção de novas tecnologias, novos produtos e novos serviços de valor adicionado. 2 Um diálogo difícil

A Era do Conhecimento, que se vive hoje, é caracterizada por uma nova ordem econômica e social, pelos grandes avanços científicos e tecnológicos e por um crescente processo de globalização que demanda a criação de uma cultura de inovação nas organizações. Neste novo ambiente, altamente competitivo, o lançamento de novos produtos e serviços, sejam estes completamente novos ou evoluções de produtos já existentes, passou a ser fundamental para um bom desempenho e sobrevivência de muitas empresas no mercado. Para Brisolla [1], “o processo de inovação, talvez mais do que qualquer outra atividade econômica, depende do conhecimento”. Assim sendo, é imperativo buscar a inter-relação entre universidade e empresa, uma vez que a importância da informação e do conhecimento nas economias e nos processos produtivos está reposicionando o papel desempenhado pelas universidades, não somente pela transmissão dos conhecimentos científicos e tecnológicos produzidos por esta relação, mas, essencialmente, pela maior utilização socioeconômica destes, traduzidos em aplicações mercadológicas que contribuam efetivamente para a geração e o desenvolvimento sustentado de empreendimentos. Como instituições produtoras de conhecimento, responsáveis pela formação do cidadão e do profissional que promove as transformações sociais, as universidades têm papel importante no sistema econômico de uma região. As empresas, por outro lado, impulsionam o desenvolvimento pelos produtos e serviços que disponibilizam à sociedade. Porém, em termos concretos, a interação entre os segmentos acadêmico e empresarial precisa ainda ser melhorada. Muitas vezes, a conversa entre esses importantes setores acabam resultando em benefícios menores do que o que se esperaria, por possuírem objetivos, estruturas organizacionais, culturas e interesses que precisam ser superados para que haja efetivas contribuições à sociedade. Ao passo que as universidades são regidas pela racionalidade científica, as empresas estão focadas na produtividade e geração de lucro enfocado na racionalidade econômica. A natureza distinta desses dois tipos de instituições e o curto tempo de resposta que o mercado exige para atender a crescentes demandas, criam um descompasso pelos diferentes ciclos de tempo destinados para a inovação em suas atividades, dificultando assim uma maior cooperação entre ambos que, por sua vez, pode ser amplamente potencializada pela pré-disposição para que cada um ouça o outro e, mutuamente, se adaptem para um objetivo comum. A existência de elementos mediadores do processo, a proximidade entre gerador e usuário da informação e a transferência de tecnologia com valor agregado para quem vai utilizá-la, são exemplos de mecanismos facilitadores para integrar e realizar projetos em conjunto. Nesse contexto, o BEL-i9 pode colaborar, promovendo um melhor diálogo e facilitando a cooperação entre universidade e empresa. O ponto convergente de tais elementos concentra-se na busca de

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um ambiente que favoreça experimentos, cuja meta consiste na transformação do conhecimento ou da experiência em um produto ou serviço inovador, que solucione uma necessidade do mercado e que seja, portanto, comercializável. Consoante tal contexto, o conceito de incubadora proposto pela COPEL Telecomunicações consiste em uma solução eficiente para a intensificação desta relação por meio dos benefícios que podem ser obtidos através da cooperação universidadeempresa. A relação com o setor produtivo pode propiciar aos professores pesquisadores das instituições de pesquisa em ensino superior um maior contato com a realidade de mercado. Aos egressos, sejam eles da graduação ou da pós-graduação, uma maior sintonia com atividades do mundo empresarial onde deverão desenvolver suas atividades e, para a universidade como um todo, estes projetos se caracterizam como um meio importante para dar um retorno palpável à sociedade do muito que é produzido pelos seus pesquisadores e, também, para a maior divulgação e utilização prática de sua produção. Tendo em vista as inúmeras oportunidades para a geração de projetos inovadores de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico que o BEL propicia, particularmente pela disponibilização, à sociedade, de conteúdos ou “produtos digitais” em altas taxas de transmissão, o projeto contempla a implementação de incubadoras tecnológicas (BEL-i9) para a geração de novos produtos, serviços e negócios a serem realizados em parceria com a rede de pesquisa e ensino superior do estado do Paraná e de outras localidades. Os incubados deverão ser egressos de cursos de graduação ou pós-graduação, sendo supervisionados por um professor universitário em conjunto com um profissional da área técnica da COPEL Telecomunicações, gerando uma série de benefícios específicos para os diversos atores envolvidos nesta relação, como os citados por Pessoa [5]. 3 A importância da capacitação multidisciplinar no contexto de gestão empresarial

Por acreditar na alta relevância de se proporcionar aos incubados egressos das academias uma formação complementar, para apoiar não somente o início de um empreendimento, mas também, a consolidação de empresas tecnologicamente inovadoras e competitivas, é preciso que a incubadora oportunize, de forma continuada, consultoria e assessoria agregada para proporcionar uma visão abrangente e integrada de gestão empresarial para capacitar estas empresas a entrar de forma competitiva no mercado e transformá-las em potencias geradoras de emprego e renda. Além disto, é possível elencar demais vantagens e benefícios resultantes desta dinâmica em outros aspectos, tais como: 3.1 Em termos de conhecimento • • • Enfocar a gestão empresarial no contexto dos modernos modelos de gestão, tendo em vista as dimensões estratégicas e tático-operacionais. Discutir conceitos, princípios, técnicas e processos dessa gestão, nos multicenários econômicos. Utilizar o ambiente acadêmico como um fórum para discussão e troca de experiências decorrentes de multiplicidade e das peculiaridades das organizações voltadas para produtos, serviços e negócios.

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Instrumentalizar os profissionais participantes para que os conceitos e aspectos teóricos apresentados atinjam a máxima eficiência desejada.

3.2 Em termos sociais • • • • • Identificar empreendedores nas diversas regiões do estado. Estimular a criação de empresas tecnologicamente avançadas, bem como desenvolver o espírito empreendedor; Possibilitar às empresas o uso dos serviços, da infraestrutura e do espaço da Incubadora de forma compartilhada. Facilitar o acesso das empresas à inovações tecnológicas e gerenciais. Estimular o associativismo entre as empresas e entre estas e os parceiros que apoiam as Incubadoras.

3.3 Em termos de tecnologia • Identificar e divulgar as contribuições trazidas pelas empresas incubadas, apoiando a constituição de uma massa crítica acadêmica sobre essa temática de modo a mantê-las atualizadas. Tornar pública, disseminar e discutir de forma consciente, através de reflexão crítica, a atual produção de conhecimentos e suas relações multidisciplinares. Estimular o universo acadêmico a promover o ensino, a pesquisa e a extensão acerca da relação entre universidade e empresa. Examinar as dificuldades desta relação de forma a identificar uma agenda de temaschave prioritários para discussão.

• • •

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Conclusão

A relação universidade-empresa é altamente recomendada para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores que alcancem o mercado, mas o diálogo nem sempre é fácil. A dificuldade reside em vários aspectos, incluindo os culturais, de formação, de objetivos e de tempo de entrega do que cada um produz. O BEL-i9, neste contexto, pode vir a se constituir em uma importante ponte entre os dois setores, facilitando o diálogo entre ambos, compatibilizando interesses e produzindo, assim, bens e serviços de alto conteúdo inovador, que beneficiarão a sociedade e promoverão o desenvolvimento econômico. São dois setores de grande produção e que, juntos, podem maximizar os benefícios para toda a sociedade, daquilo que produzem. Numa época em que o desenvolvimento precisa ocorrer de forma eficaz, eficiente e sustentável, não se admite mais o que o autor chama de “conversa de surdos”, em que cada setor prioriza seus próprios interesses e reluta em se adaptar aos requisitos de outros. A solução está, no entendimento do autor, em

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colocar a sociedade usuária como foco principal, acima dos objetivos particulares de setores específicos. Só assim poderá haver o diálogo produtivo de que tanto a sociedade necessita! 5
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Referências
BRISOLLA, Sandra Negraes. O projeto universidade e empresa, ciência e tecnologia. Extraído do site http://www.cedes.unicamp.br/revista/ver/pesq56/pesq562.html em 26/11/2009. CARVALHO, J.L.M., TOLEDO, J.C. As motivações para projetos de interação universidadeempresa:o caso da UFSCar. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. MELO, P.A, Conjecturas sobre a cooperação universidade/empresa em universidades brasileiras. II Coloquio Internacional de Gestión Universitaria em America del Sur, Universidade de Santa Catarina. MOTA, T.L.N, Cooperando para inovar. Extraído do site http://read.adm.ufrgs.br/read09/art/artigo4.html em 24/11/2009. PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp.

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edu@copel.com 1 Introdução

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Eduardo Manoel Araujo

COPEL – Companhia Paranaense de Energia

Encontrar caminhos para o desenvolvimento sustentável com qualidade de vida para a nossa e as próximas gerações é um dos maiores desafios do nosso tempo. E a pergunta que nos vem à mente é como conseguir que o avanço das tecnologias de informação e comunicação possa estar a serviço deste grande desafio? Como dar acesso às comunidades aos conhecimentos e práticas produzidos globalmente, às ferramentas e soluções computacionais, aos mercados, às plataformas de cooperação e aos recursos para realização de projetos? Para iniciar esta abordagem queremos nos valer da Carta da Terra [12], este instrumento de reflexão e inspiração para a ação, resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. Ela é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica, endossado por mais de 4500 organizações governamentais e não governamentais. Em seu preâmbulo a Carta da Terra declara: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos
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Eduardo Manoel Araujo é Engenheiro Civil pela UFPR, Mestre em Ciência da Computação pela UNICAMP, Especialista em Gestão e Qualidade pela JUSE - Japanese Union Of Scientists and Engineers, em Estratégia pela University of Michigan, em Valores Humanos pela Fundação Peirópolis, em Investigação Apreciativa pela Weatherhead School of Management da Case Western Reserve University. Autor do livro “Um Sonho Possível – do materialismo não sustentável a uma vida holística sustentável” publicado em 2003 pela Willis Harman House, Presidente do Instituto Arayara de Educação para a Sustentabilidade, Consultor de Desenvolvimento Regional Sustentável na Diretoria de Meio Ambiente e Cidadania Empresarial da Companhia Paranaense de Energia – COPEL, Articulista da revista Atitude Sustentável, Articulador da Rede da Sustentabilidade e da Universidade Aberta para a Sustentabilidade.

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nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.” E como estamos falando de desenvolvimento sustentável gostaria de lembrar uma definição amplamente aceita que foi publicada no Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum [13]: é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Ou seja, é permitir o desenvolvimento da geração atual sem tirar este direito das gerações futuras. Estamos falando basicamente de vida e de uma conversa entre gerações. Para tanto precisamos compreender algumas regras básicas da vida que assim como a lei da gravidade e do eletromagnetismo nos foram dadas e fazem parte intrínseca do viver. Agrupamos esta reflexão de base a seguir em uma abordagem para o desenvolvimento sustentável e depois sobre ela iremos construir uma reflexão específica do papel da tecnologia da informação e comunicação na promoção do desenvolvimento sustentável. 2 Uma abordagem para o desenvolvimento sustentável

As questões levantadas, a Carta da Terra e a definição de Desenvolvimento Sustentável nos motivaram a ordenar algumas ideias em uma abordagem de base para esta reflexão que, por motivos práticos, estamos dividindo em três partes: uma primeira que diz respeito a vida, uma segunda que diz respeito ao ser humano integral e uma terceira que diz respeito a prática do planejamento e da gestão participativa. Com relação a vida e sua compreensão vou me basear na Ética do Cuidado de Leonardo Boff e na Alfabetização Ecológica de Fritjof Capra. No que diz respeito ao ser humano e o processo de aprendizagem me inspirarei na Pedagogia Waldorf [11], na Pedagogia da Integração, e em Rubem Alves [1]. Na dimensão da gestão me servirei da evolução das abordagens de planejamento, de estratégia e dos programas de qualidade nas organizações. 2.1 A vida – alfabetização ecológica e ética do cuidado 2.1.1 Alfabetização ecológica

Fritjof Capra através da Alfabetização Ecológica [5] nos mostra que existem alguns princípios 2 básicos da vida expressos na ecologia profunda que incluem: a diversidade, as redes, o equilíbrio dinâmico, os ciclos, o aprendizado e o desenvolvimento.

Ecologia Profunda é um conceito filosófico que vê a humanidade como mais um fio na teia da vida. Cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera. Vê o mundo como uma teia de fenômenos essencialmente inter-relacionados e interdependentes. Ela reconhece que estamos todos inseridos nos processos cíclicos da natureza e somos dependentes deles.

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Diversidade A diversidade é uma destas primeiras compreensões necessárias e uma das mais poderosas fontes de aprendizado que a humanidade possui. A diversidade biológica, social, cultural, artística, de tradições, emocional e espiritual são perspectivas amplas e diferentes na abordagem da evolução. Ele nos mostra a diversidade como sendo uma das bases da vida, e um importante fator de contribuição com a propriedade da resiliência. Que nada mais é do que a capacidade de adaptação e sobrevivência no longo prazo. Dentro desta perspectiva, quando uma organização ou um grupo de pessoas está trabalhando em um projeto ou construindo alguma coisa, o melhor é termos a maior diversidade possível neste processo. Não apenas porque temos empatia com algum grupo minoritário, mas porque necessitamos estas perspectivas completamente diferentes para termos um projeto ou construção mais rica, com mais vida, e também para evitar os percalços que não seriam percebidos mais cedo se o grupo não tivesse grande diversidade. Para termos a melhor criação possível devemos contar com a maior diversidade possível. Para alcançar o melhor precisamos de todos! Redes – a teia da vida Outro principio da ecologia profunda e tema importante da alfabetização ecológica é a compreensão da grande rede que é teia da vida. Tanto no nível quântico, que é o nível subjacente da realidade material, quando no nível biológico e físico das interações estamos todas as espécies e elementos materiais intimamente ligados em uma rede de interligações, inter-relacionamentos e interdependências em um processo de cooperação altamente complexo chamada vida. A vida se desenvolve segundo uma rede colaborativa de espécies. A resiliência é uma propriedade que esta teia da vida apresenta a partir da diversidade de espécies e de indivíduos dentro destas espécies. Esta propriedade nada mais é que a capacidade de adaptação e sobrevivência à longo prazo. Quando uma nova situação surge alguns indivíduos cooperando nesta complexa rede de espécies tem a capacidade de se adaptar e manter a teia da vida. Ela nos mostra que quanto maior for a diversidade tanto de espécies quanto de indivíduos de uma mesma espécie, e quanto maior for a quantidade e a qualidade dos relacionamentos entre os indivíduos e espécies, maior será esta capacidade adaptação e sobrevivência às diferentes mudanças do ambiente. O que é fácil de constatar, porque diante de uma nova situação, de um evento ou de uma mudança qualquer, que represente ameaça a vida, quanto maior for a diversidade de indivíduos e de espécies, maior será a possibilidade de, apesar de muitos morrerem, algumas espécies e alguns indivíduos não serem afetados e seguirem em frente. Por outro lado quando maiores e mais complexos forem os relacionamentos entre os indivíduos e as espécies maiores as possibilidades de cooperação para manutenção da vida. O que resumindo nos diz que a vida é mais forte quanto maior a qualidade e a quantidade das relações entre indivíduos da mesma espécie e entre indivíduos de diferentes espécies. De repente descobrimos o quão dependente somos uns dos outros enquanto indivíduos e enquanto espécies.

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Equilibrio dinâmico e energia Einstein nos provou cientificamente que a matéria nada mais é que energia condensada. No nível quântico da realidade somos um grande mar de energia. O equilíbrio dinâmico é mais um dos princípios da ecologia profunda e tema básico da Alfabetização Ecológica. Ele nos mostra que cada pessoa e cada elemento da natureza é um sistema aberto, vivemos em uma constante de troca de energia, cada sistema busca o seu equilíbrio sem nunca alcançá-lo, pois todo o universo está em movimento e em transformação. É a enunciação do principio de Lavoisier: na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Fritjof Capra mostra como este processo acontece. Sempre que temos alguma situação onde existe um desequilíbrio de energia, o processo tende a trazer o conjunto para o equilíbrio. Assim, se em uma organização de pessoas temos a supremacia de um tipo de energia, o seu processo tende a ser mais controlador, centralizador e baseado em poder. Quanto mais isto se reforça, mais as ações da organização precisam de mais energia para serem implementadas. Chega-se a um ponto onde uma energia absurdamente grande é necessária até para fazer pequenas ações. De outro lado, à medida que este processo avança, outro conjunto de forças começa a mostrar para a organização outro jeito de fazer as coisas, mais baseado na energia oposta. Incentivando a descentralização e a cooperação. Temos duas formas de nos relacionarmos com estas energias aparentemente opostas e frequentemente polarizadas. Ou entramos no mundo das aparências e passamos a lutar contra posições aparentemente antagônicas. Criamos argumentos e os defendemos. Ou percebemos as coisas desde um ponto de vista energético e vamos observando o quanto de energia de uma polaridade e de outra tem dentro de cada pequena ação ou decisão. E buscamos sempre olhar para cada situação e nos perguntamos qual o balanço ideal entre estes polos de energia para esta situação? O conflito na realidade é apenas uma ilusão, pois não existem dois lados. Temos um conjunto que ora está com a energia de um polo ou de outro em excesso. Como tudo tende ao equilíbrio, não existe certo e errado, esta dualidade é apenas uma ilusão. O que temos é apenas energias que devemos constantemente analisar para sentir quando estamos aplicando exageradamente uma ou outra. Assim, podemos até por curiosidade fazer exercícios de como uma determinada ação seria feita com um pouco mais de uma energia ou da outra. Considerando esta propriedade da vida fica mais fácil compreender situações de desequilíbrio, porque elas acontecem e o que fazer para trazê-las mais para o equilíbrio. Fica também mais fácil de prever consequências de determinadas ações que tendem a trazer um desequilíbrio para os sistemas. Como já vimos se centralizamos demais determinada organização fatalmente enfrentaremos uma força de descentralização porque o sistema tende a um equilíbrio entre a centralização e a descentralização. Isto explica a estória de muitas empresas e até mesmo de países que sofreram os efeitos naturais de um exagero de força em um destes sentidos. Autocratas cujos sistemas desmoronaram e libertadores cujos excessos também não funcionaram. Assim, modelos hierárquicos podem funcionar em harmonia com modelos de rede. A hierarquia organizacional estruturando e definindo um conjunto básico de processos, projetos e controles. E a

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rede organizacional - representada pelas redes formais e informais, pelos projetos matriciais e pelas conexões com outras organizações - cultivando a experimentação, a criatividade e a autoorganização. Desta forma a organização possui um controle mínimo e mantém a sua capacidade de experimentação, de criação, de inovação e de adaptação. Outra forma de abordar estas questões, porém sem falar em energia, é para cada situação trazer uma diversidade e olhares para, a partir deles, definir ações e decisões. O efeito de múltiplos olhares, com a maior diversidade possível, tende a fazer com que nos orientemos para definições com um equilíbrio maior entre estas energias. Como nossas percepções individuais são muito limitadas, quando trabalhamos com várias percepções e com maior diversidade passamos a construir, no encontro das percepções individuais, uma percepção coletiva bem mais ampliada. A energia de uma organização de pessoas pode também ser percebida pela qualidade da conversa que ali ocorre. O conjunto destas conversas pode apontar mais para o passado, para o presente ou para o futuro. Ele pode apresentar mais elementos de medo ou de esperança, de potencial e de possibilidades. Este conjunto pode ser mais positivo e afirmativo ou negativo, inibidor e paralisante. Ele pode mostrar uma grande quantidade e conversas ou uma pequena quantidade delas. Quanto mais apreciativas, vibrantes e inspiradoras as conversas tanto mais positiva a energia da organização e consequentemente o seu potencial. Ciclos Cada indivíduo, cada espécie, cada elemento da natureza é um sistema aberto em constante interação com o meio. Assim dependemos de alguns insumos para viver e devolvemos estes insumos transformados que serão por sua vez insumo para outras espécies. E neste circular de matéria e energia as coisas voltam a ser o que eram. A água limpa que é poluída, utilizada, descartada volta a ser água limpa num ciclo de evaporação-transpiração, condensação, transporte e precipitação. Os elementos que compõe a estrutura de uma maçã em algum momento se dispersam, participam de outros ciclos até se tornarem disponíveis para fazer parte de outra maçã. Como na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, precisamos estar atentos para entender de que ciclos vêm os insumos para nosso viver e para que ciclos devolvemos estes insumos por nós transformados. Como devolvemos todos os nossos rejeitos e descartes para os ciclos naturais da vida. Quanto mais curtos forem estes ciclos para aquilo que não queremos, mais rapidamente eles podem se tornar insumos para nossa vida novamente. Quanto mais longos forem estes ciclos mais estaremos aprisionando matéria e energia em ciclos longos que estarão indisponíveis para o ser humano por um longo período de tempo. Como os recursos do planeta são finitos esta matéria e esta energia podem fazer falta para as gerações futuras. Aprendizado e desenvolvimento Ao abordamos a diversidade social percebemos as diferenças de perspectivas de aprendizado em que cada um de nós se encontra. E isto nos dá muitas razões para aprendermos a cada dia e a cada momento deste universo totalmente único que é cada um de nós. Nós somos uma combinação única de memórias, experiências e aprendizados através do espaço e do tempo.

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Assim, se considerarmos a posição e experiência única que somos e que os outros são, a melhor forma de encarar a evolução é sermos curiosos sobre todos e sobre tudo para aprendermos destas diferentes e únicas perspectivas de vida e de aquisição de conhecimento. Assim, o aprendizado parece ser algo ligado a nossa forma de abordar as experiências da vida e nossa abertura e desejo de aprender uns com os outros, com a natureza e com o movimento de criação do universo. Na rede da vida a autonomia e a criatividade permitem que cada indivíduo aprenda, se desenvolva e contribua com o todo o seu potencial. Observando a vida também é possível se notar um fluxo de transformação que tem um movimento próprio ao longo do tempo. Também na espécie humana cada indivíduo tem o seu tempo interno para realizar novas aprendizagens. Na teia da vida os indivíduos aprendem por diferentes meios segundo suas capacidades. Exploraremos este tema um pouco mais adiante no quando explorarmos o ser humano integral. 2.1.2 Ética do cuidado

Com Leonardo Boff aprendemos uma forma muito simples de entender a Ética do Cuidado [4]: ninguém cuida daquilo que não ama e ninguém ama aquilo que não conhece. Assim é preciso que ampliemos o nosso conhecimento da vida em todas as suas nuances e dimensões. Para que pouco a pouco, por conhecer nos maravilhemos com a complexidade, com a sabedoria, com a beleza do que encontramos e com isto passemos a respeitar, reconhecer e amar. E por amar cada pequeno pedacinho da criação passemos a expressar este amor através do cuidado com todas as formas com que ela nos presenteia. Todo esforço de aprender, de conhecer ou de ensinar, de tornar conhecido qualquer aspecto da vida é uma grande contribuição em direção a valorização da vida e consequentemente da sustentabilidade das espécies e do planeta. 2.2 O ser humano integral Somos um ser integral complexo composto de nosso corpo, nossa mente e nossa essência. No aspecto físico nos conhecermos enquanto um ser biológico, capaz de raciocinar e de se emocionar e de expressar sentimentos. Através de nossos sentidos captamos alguns aspectos da realidade que nos envolve e através de nossa mente formamos uma percepção do que apreendemos. O conjunto destas percepções acaba formando nossos modelos mentais, nossas formas de interpretar a realidade e nossos paradigmas. E em nossa essência estão nossos valores, nossos princípios, nossa cosmovisão, nossa ética diante da vida. Através do filtro de nossa percepção e interpretação conhecemos uma parte da realidade e, considerando nossos valores e princípios, escolhemos nossas ações e reações. Na vida estamos em um relacionamento constante com as demais pessoas – que são seres integrais como nós, com as demais espécies e elementos da natureza. Existe então uma dimensão do desenvolvimento sustentável que é a sustentabilidade das nossas relações. O quanto estamos sendo capazes de criar e manter diálogos, trabalhos em grupo e relacionamentos inspiradores. Que envolvam nossa dimensão humana integral, que permitam o desenvolvimento de nossos valores, de nossa percepção do mundo e da vida, da qualidade de nossas escolhas, de nosso conhecimento e de nossa sabedoria de vida.

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No diagrama abaixo, encontrado em [2], vemos representado quatro elementos referentes ao comportamento humano que são: a motivação, o aprendizado, a realização, o reconhecimento e a auto-estima. E vemos que todos estes elementos afetam e são afetados uns pelos outros. Cada um deles pode ser uma porta de entrada para se estabelecer um ciclo virtuoso onde possa haver se instalado um ciclo vicioso envolvendo estes elementos. Um exemplo de ciclo vicioso é: por não se estar motivado, não se buscar o aprendizado. Em consequência, por não se aprender não se realiza, não se concretizam projetos. Como não se concretizam projetos não há reconhecimento a fazer e com isto a auto-estima não é reforçada. E como não há reconhecimento não há motivação. Este é um caso clássico de ciclo vicioso e quase que um padrão encontrado em muitas comunidades carentes.

Figura 1: Uma perspectiva sistêmica da motivação

A motivação pode ser trabalhada de diversas maneiras. Segundo Rubem Alves, se observarmos uma criança vemos uma curiosidade natural e um gostar de brincar e criar brinquedos que se alimentada se transforma num processo natural e empolgante de aprendizagem e de criação. Despertar e alimentar esta curiosidade e esta vontade de brincar adormecidas nos adultos, latente nos jovens e existentes nas crianças é um mecanismo muito eficaz e natural de motivação. Trazer um pouco do novo, do inesperado, do desconhecido, da novidade e do desafiador desperta e alimenta nossa curiosidade. O lúdico, a arte, o teatro, o contar de estórias e a música entre outras coisas reavivam nossa vontade de brincar, de imaginar e de criar brinquedos. Quando penso no potencial das tecnologias de informação e comunicação neste segmento chego a me arrepiar. Imaginem se colocarmos toda nossa capacidade para criar novas formas de despertar nas pessoas esta curiosidade e esta vontade de brincar? Despertar esta motivação que está latente e é natural em todas as pessoas! Resgatar o brilho nos olhos, o se permitir sonhar, o contar das estórias, a vontade de mudar o mundo! O aprendizado nos desafia a criar espaços e ambientes que possam aguçar nossos aprendizados, desde os formais como escolas, faculdades e universidades até os informais. Espaços e

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ambientes e formas de aprendizagem que estejam impregnados da essência do brincar, do descobrir, do desvendar, do desafiar, do sonhar e do co-criar. Nestes espaços de aprendizagem nascem as ideias, as concepções, as possibilidades que pedem para tomar forma e acontecer no mundo através de nossas realizações. Assim também é de igual importância que existam espaços inspiradores para a concepção e realização de projetos. Estes espaços são ambientes presenciais ou virtuais que permitam este encontro de pessoas, de aprendizados, de vontades e de recursos para a concepção e realização colaborativa de projetos. Por fim o reconhecimento virtual ou presencial, local, nacional ou mundial, simples ou cerimonioso é outro combustível para alimentar a auto-estima das pessoas e consequentemente a sua motivação. Para tanto colocar nossa criatividade a serviço de formas de dar visibilidade ao que existe e de realizar eventos e mobilizações, presenciais ou virtuais, de reconhecimento público é um serviço importante em prol da motivação das pessoas e portanto da qualidade da energia do processo de desenvolvimento sustentável. 2.3 O planejamento e a gestão participativa É clássico, se representar os elementos do planejamento e da gestão através de um triângulo como o abaixo. Onde temos num primeiro vértice a visão, num segundo vértice as pessoas e num terceiro vértice os processos. Junto com a visão foi incluído um elemento essencial que é a identidade de uma comunidade. No segmento das pessoas foi ressaltado a importância dos processos de articulação, educação e capacitação. Desta forma, pensando em comunidades, a gestão começa com o reconhecimento e reconstrução conjunta da sua história e da sua identidade para, a partir dela se realizar o desenvolvimento de uma visão compartilhada a partir de um processo de planejamento participativo que realmente envolva as pessoas e permita a criação de um senso de propriedade do que foi visualizado e sistematizado. Ao longo desta etapa e na sua sequência é preciso desenvolver um processo de educação que venha impregnado dos elementos potenciais de transformação da realidade e também desenvolver as capacidades necessárias ao alcance da visão. Principalmente as capacidades de articulação em rede, de trabalho em grupo, de elaboração de projetos e de gestão. Para que elas possam com estas capacidades desenvolvidas criar redes e grupos de interesse e aprendizagem, desenvolver políticas públicas, realizar projetos e as mudanças nos processos para garantir o alcance da visão.

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VISÃO Identidade e Visão de Futuro

PESSOAS Educação, Articulação e Capacitação

PROCESSOS Processos, Projetos e Políticas

Figura 2: Um modelo de gestão participativa

Pensando em comunidades, desde as pequenas até um município inteiro, vemos que este processo, numa visão de pensamento complexo, deve reunir de forma participativa grande parte dos atores com sua diversidade de saberes para em primeiro lugar reconhecer o contexto local. Reconhecer a história, os valores e a identidade da comunidade. Para em seguida realizar um processo amplo de mobilização, de articulação, de educação e de capacitação que permita que os atores locais encontrem um sentido que lhes motive e desperte a vontade de ser um agente transformador da história e também tenham acesso ao conhecimento necessário para melhor atuar. Com esta vontade e o conhecimento apreendido são criados e melhorados os processos, os projetos e as políticas públicas. 3 O papel da tecnologia da informação e comunicação na promoção do desenvolvimento sustentável

O que procuraremos explorar neste capítulo são formas através das quais as tecnologias da informação e da comunicação podem ajudar nos processos de mobilização, de sensibilização, de motivação, de articulação, de aprendizagem, de promoção da diversidade, de resgate da história e dos valores, de construção da visão de futuro compartilhada, de elaboração de projetos colaborativos, de viabilização de recursos e de gestão participativa. Para tanto estamos organizando esta abordagem nos três grupos mostrados no processo de planejamento e gestão participativa: • • • Identidade e Visão de Futuro; Educação, Capacitação e Articulação; Processos, Projetos e Políticas.

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3.1 Identidade e visão de futuro Para o desenvolvimento da identidade há a necessidade de se realizar um processo envolvente e amplo com a maioria dos atores locais. Um resgate das histórias do lugar, dos seus valores, dos seus heróis e heroínas, já conhecidos ou ainda no anonimato, da sua arte, da sua cultura, das suas tradições, da sua diversidade, dos seus talentos, das suas belezas, das suas capacidades, 3 da sua natureza e dos seus animais. A educomunicação é uma ferramenta essencial ao longo de todo este processo, já que ela coloca nas mãos dos atores, dos alunos, dos professores o potencial de realização da comunicação local. Criando pautas, realizando entrevistas, fazendo matérias, gravando vídeos, editando e publicando em blogs, comunidades, sites, montando boletins, informativos e cartilhas, enviando releases para agências de notícias, enfim fazendo uma produção local de interesse da comunidade e que a torna visível para o mundo. Aqui entra o papel de ferramentas interativas de comunicação e informática que permitam de forma colaborativa o desenvolvimento deste processo de criação coletiva tanto de forma síncrona e presencial quanto de forma assíncrona, à distância utilizando a Internet. Aprimorando os processos de aprendizagem, os processos criativos, a colaboração entre as pessoas da comunidade, a interação e colaboração das pessoas da comunidade com outras pessoas do Brasil e do mundo. Encurtando distâncias e permitindo o acesso a outros saberes, a outras comunidades, a outras pessoas, a outras línguas, a outras culturas, num processo dialógico que potencializa as trocas de sonhos, de saberes, de projetos, de práticas e de recursos. A geocartografia é uma ferramenta fundamental de aprendizagem e registro destes fatos. As ferramentas interativas de geoprocessamento podem ser um grande aliado neste mapeamento de atores, iniciativas, situações, diagnósticos e projetos. Uma linha do tempo interativa, disponível na Internet, pode ajudar a reconstrução dos fatos de forma participativa. Eventos podem ser realizados com o reviver das histórias e o seu registro fazer parte de um acervo disponível na Internet. A realidade virtual pode também permitir um passeio virtual por todos estes elementos representados de forma pictórica no cenário de sua realidade geográfica tridimensional dando visibilidade a toda a comunidade, ao país e ao mundo das características e potencialidades da região. Finalmente tudo isto pode ser disponibilizado na Internet em um sitio que mostra Minha Comunidade parte do Mundo. Onde a diversidade por ser valorizada reforça a resiliência da vida. Para o desenvolvimento da visão de futuro podemos contar com um processo de criação coletiva que passa por momentos presenciais e por registros em uma ferramenta georeferenciada e interativa num crescente de compreensão da realidade, de suas variáveis críticas, de seus relacionamentos e de escolhas de prioridades, de estratégias e de projetos. O registro de eventos, de apresentações e de representações artísticas novamente pode garantir não só uma mobilização entusiasmante como também um conjunto rico de vídeos e matérias a serem trabalhados num espaço virtual para mostrar de forma viva e profunda o sonho de futuro e as escolhas da comunidade para sua realização.

Educomunicação é um conceito associado a construção de ecossistemas comunicativos abertos, dialógicos e criativos, nos espaços educativos, quebrando a hierarquia na distribuição do saber, justamente pelo reconhecimento de que todos as pessoas envolvidas no fluxo da informação são produtoras de cultura, independentemente de sua função operacional no ambiente escolar.

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Não podemos esquecer que tanto para o desenvolvimento da identidade quanto da visão de futuro a comunicação através de blogs e comunidades pode garantir uma rede vibrante de atores coconstruindo estes processos de forma interativa mesmo a distância. Também a existência de um espaço físico pode se tornar um centro de desenvolvimento comunitário onde todos estes recursos possam estar visíveis e acessíveis para toda a população. É neste local que deve se buscar a convergência da infraestrutura, dos equipamentos, das ferramentas, dos recursos disponíveis e dos espaços de encontro presencial. Este passa a ser um ponto onde a comunidade se encontra, revive suas histórias, sonha o seu futuro, realiza seus projetos e melhora a sua gestão. Este espaço pode ser estendido através de um ambiente virtual para ter vida também de forma colaborativa pela Internet. 3.2 Educação, capacitação e articulação Uma das bases de todo processo de transformação é a educação. A educação que reconhece a história, que está aberta ao aprendizado, que rompe paradigmas, que cria novas possibilidades, que coopera globalmente na construção do conhecimento da humanidade, que compartilha seus aprendizados de forma ampla e irrestrita, que é inclusiva, que tem na diversidade das pessoas a sua sabedoria, que acolhe todos os saberes sem dar-lhes distinção especial, que está atenta as mudanças do mundo, que busca novas perguntas, que estimula a criatividade e a criação, que brinca de aprender e aprende brincando, que permite que o potencial latente em cada ser humano se desenvolva e dê frutos. Neste processo educacional amplo e aberto a tecnologia da informação e comunicação pode emprestar o seu melhor para despertar a curiosidade dos aprendizes, para ajudar a conhecer o mundo, para facilitar a relação e a cooperação entre as pessoas do lugar e com as pessoas de outros lugares, para criar jogos educativos cooperativos e interativos, para promover a educação à distância, para criar ambientes de aprendizagem interativos, para facilitar o autoaprendizado de línguas e culturas. A educação e a capacitação à distância têm o papel de permitir às comunidades mais remotas o acesso a uma educação e capacitação moderna e atualizada, reduzindo a separação que as distâncias e dificuldades de acesso natural impõem. Assim, é possível se montar escolas técnicas virtuais, faculdades e universidades virtuais. A educomunicação tem um papel essencial na criação de um ambiente de aprendizagem vibrante onde os atores, educandos e educadores juntos são protagonistas da forma de comunicar e registrar a sua história. Eles se tornam artífices do seu processo de aprendizagem e o direcionam conforme sua curiosidade e vontade. Ele permite que a criatividade flua num processo cooperativo de fazer comunicação e de informar. Aqui uma formação básica em educomunicação, os equipamentos e as ferramentas de comunicação, bem como capacidade de sua utilização são os diferenciais necessários para se colocar nas mãos dos atores, dos alunos e dos professores todo este potencial educacional a serviço da comunidade. É um jeito alegre, vibrante e envolvente de criar e aprender. Tem ainda alguns benefícios adicionais, como: enriquecer a interação, a articulação e a relação entre os atores, reforçar a identidade e a diversidade local, conectar esta diversidade local com o restante do mundo. O que como vimos são princípios fundamentais do processo da vida. Ou seja, com a educomunicação trazemos mais vida para uma comunidade.

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Ainda com relação à articulação, a tecnologia de informação e comunicação tem o papel de integrar mundos. Quando uma comunidade passa a mostrar sua identidade e diversidade únicas e passa ter acesso ao processo de criação, cooperação e articulação com outros atores no mundo que tem interesses comuns ou mesmo que divergem do pensamento local. Ela passa a fazer parte ativa do processo de criação que está ocorrendo a cada momento, tendo não apenas acesso a todas as informações, conhecimentos e oportunidades, como também podendo contribuir com esta produção num processo de co-criação. Aqui escolas podem se conectar a outras escolas do mundo. A comunidade pode se ligar a outras comunidades no mundo ampliando seu processo de trocas. Os movimentos e os projetos globais passam a ficar ao alcance das mãos. A comunidade enriquece o processo de co-criação destes movimentos e projetos globais pela maior diversidade que passam a ter. Assim a articulação local e global passam a ser mais uma forma de os atores locais fazerem parte da teia da vida, se fortalecerem e enriquecerem a vida do planeta por terem acesso ao direito de co-criar. O espaço aberto – open space, é uma tecnologia social que também pode ser potencializada pelo uso da tecnologia de informação e comunicação. A ideia é simplesmente dar publicidade para as agendas de temas de diálogo que as pessoas gostariam de propor e com isto facilitar os encontros de pessoas que tem o mesmo interesse e disposição para levar adiante uma conversa, um projeto ou mesmo uma realização. 3.3 Processos, projetos e políticas Como vimos anteriormente o processo e planejamento e gestão participativa se completa quando a partir da identidade da comunidade e considerando a visão de futuro, as pessoas imersas em um processo de educação, capacitação e articulação passam a fazer mudanças em seus processos de educação, de organização, de trabalho, de produção e de vida. Passam a criar projetos transformadores e a melhorar a qualidade de suas políticas públicas. Aqui a tecnologia de informação e comunicação também tem uma importância fundamental para que os projetos, as políticas e os processos possam ser transformados eles precisam em primeiro lugar existir, estar documentados, de forma compreensível, acessível e de preferência em processo contínuo de atualização. Tudo isto envolvendo os atores e saberes fundamentais para a qualidade do processo e em um ambiente de co-criação permanente que permite uma capacidade de adaptação mais ágil e eficaz diante das transformações dos atores, do local e do mundo. Assim, as ferramentas de documentação, de criação cooperativa e de utilização aberta que possam ser compartilhadas por múltiplos atores, a publicidade, a visibilidade e o acesso que se dá aos processos, aos projetos e às políticas são elementos de alavancagem do sucesso desta criação. Outro ponto importante aqui é o acesso ao estado da arte naquele assunto no mundo. Plataformas que permitam uma ampla troca de experiências na criação, na implementação e na coordenação destes processos, projetos e políticas no mundo são um elemento importante. Em processos, como por exemplo o orçamento participativo, entender como as tecnologias de informação e comunicação podem apoiar as tecnologias sociais no desenvolvimento de plataformas com alto grau de participação e cooperação para dar mais representatividade e massa crítica ao seu desenvolvimento, aumentando assim a qualidade final e o próprio controle social.

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Ampliar o acesso ao conhecimento das políticas públicas que estão permitindo que o desenvolvimento sustentável avance a passos largos, o acesso aos atores que as estão criando e às informações sobre o contexto onde estão sendo aplicadas e as transformações que estão acontecendo a partir da sua implantação. Com isto cada ator local pode ter acesso ao ambiente onde, de forma crítica e consciente, se pode gerar o conhecimento e a interação necessários a criação e melhoria das políticas públicas locais levando em conta o contexto local e o melhor da experiência mundial no assunto. Em projetos temos além da possibilidade de desenvolvimento compartilhado também uma maior possibilidade de acesso a este desenvolvimento e a ferramentas de melhor qualidade e produtividade cooperativa. A possibilidade de se criar incubadoras de projetos e negócios apoiadas por ferramentas interativas. A ligação dos projetos e dos negócios com as bolsas de valores e os mercados do mundo, possibilitando uma melhor análise da cadeia de valor, da cooperação internacional e da competitividade. Sistemas de moeda local que possam ser implementados utilizando ferramentas interativas para registro das trocas e dos créditos, fazendo com que a riqueza tenha maior possibilidade de giro e circulação local antes de ser mandada para fora da comunidade. A implantação de bancos de trocas onde a moeda é o tempo das pessoas e são registradas suas ações, seus créditos e débitos, aumentando assim o voluntariado e a cooperação entre as pessoas independentemente da moeda. Neste caso uma consulta com um advogado, com um engenheiro ou com um médico tem o mesmo valor que um corte e cabelo, o cuidar de uma criança, de uma pessoa idosa ou portadora de deficiência, ou a confecção de um artesanato ou de uma pequena obra de arte. Outra possibilidade é a alvancagem dos negócios com a base da pirâmide como enunciado por C.K. Prahalad [10]. Ele nos mostra que para se dar acesso a este imenso contingente de pessoas que tem um pequeno poder de compra aos produtos e serviços que elas necessitam é preciso inverter o raciocínio usual que é o de se utilizar tecnologias e projetos que já tem seus custos amortizados e aplicá-las nestes projetos como forma de baratear os custos. Prahalad nos desafia a pensar radicalmente diferente. Ele nos mostra através de inúmeros exemplos que para as pessoas que estão nesta camada eu tenho que ter o produto de menor custo possível e com uma possibilidade de tê-lo disponível em grande escala. Assim, se deve investir muito em pesquisa e desenvolvimento para que com a melhor tecnologia possível se consiga este alcance e esta redução de preços. Em muitos dos exemplos citados por ele a tecnologia da informação e comunicação nas mãos destas pessoas e com aplicativos que as conectam com o mundo é o que lhes dá poder de entrar na rede mundial com seus produtos e serviços. Ao vender um produto local estar sabendo a cotação nas bolsas do mundo daquela mercadoria. Ao tomar um crédito poder negociar a sua amortização e juros sabendo os valores que o mundo está praticando. Diante de um novo estímulo existente no mundo estar em condições de colocar a sua possibilidade como parte do rol de possíveis alternativas. 4 Conclusão

O que procuramos neste capítulo foi ressaltar o papel da tecnologia de informação e comunicação como instrumento do desenvolvimento sustentável das comunidades. Para tanto qualificamos o termo desenvolvimento sustentável e percebemos a sua ligação com a vida e o ser humano integral como agente. Com o auxilio da Alfabetização Ecológica e da Ética do Cuidado revisamos

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alguns princípios básicos da vida e exploramos a sua dimensão energética no nível da realidade quântica. Inserimos também um aspecto prático da vida que é a nossa capacidade de planejamento e gestão dos processos, dos projetos e das políticas como organizadores de nossa capacidade de articulação e realização. Neste processo de co-criação da vida percebermos que a tecnologia da informação e comunicação pode catalisar os processos de: • • • • resgate e reconhecimento da identidade, dos valores e da cultura local; elaboração de uma visão de futuro compartilhada pelos atores; educação, capacitação e articulação para o desenvolvimento sustentável; desenvolvimento dos processos, dos projetos e das políticas públicas.

Reduzindo distâncias com relação a informação, ao conhecimento, às práticas, ao mercado e aos recursos. Criando ambientes de aprendizagem e cooperação entre os atores locais e dos atores locais com outros atores no mundo. Ampliando a visibilidade e a interação do mundo para a comunidade e da comunidade para o mundo. Para tanto é fundamental que se tenha na comunidade uma infraestrutura que seja adequada ao volume deste potencial, que as pessoas tenham facilidade de acesso a estas tecnologias e que se trabalhe muito bem a dinâmica dos grupos no desenvolvimento destas tecnologias sociais. Encerramos nossa participação com uma citação do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis [9] que diz: “Somos todos aprendizes e educadores”. É a partir desta posição que nos coloca no mesmo ponto e nas mesmas condições que esta uma das maiores forças deste processo de resgate da simplicidade e da beleza da vida. 5
[1] [2] [3] [4] [5] [6]

Referências
ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 2002. ARAUJO, Eduardo M. Um sonho possível – do materialismo não sustentável a uma vida holística sustentável. São Paulo: Willis Harman House, 2003. ARAUJO, Eduardo M. Vida e sustentabilidade. Artigo publicado na revista Atitude Sustentável, ano I número 1, Curitiba: MundoGeo, 2009. BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do Humano-Compaixão pela Terrra. São Paulo: Editora Vozes, 1999. CAPRA, Fritjof e outros. Alfabetização Ecológica – a educação das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Editora Cultrix, 2007. CAPRA, Fritjof . Conexões Ocultas – ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Editora Cultrix, 2001.

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CAPRA, Fritjof . A teia da vida – uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Editora Cultrix, 1996. DUALIBI, Miriam e outros. Manual de Metodologias participativas para o desenvolvimento comunitário. Arquivo PDF, Instituto Ecoar, www.ecoar.org.br/website/publicacoes.asp. Acesso em 21/12/2009. Tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global. Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho das Organizações Não-Governamentais, reunido para este fim, no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992. http://www.vitaecivilis.org.br/anexos/EDUCACAO_AMBIENTAL_35.PDF, acesso em 21/12/2009; edição impressa da Itaipu Binacional com introdução de Moema Viezzer, 2004.

[9]

[10] PRAHALAD, C. K. e HAMMOND, A. What Works: serving the poor, profitability. http://pdf.wri.org/whatworks_serving_profitably.pdf, acesso em 21/12/2009 [11] STEINER, Rudolf. A Arte da Educação – volume I. São Paulo: Antroposófica, 2003. [12] Carta da Terra. http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html, acesso em 21/12/2009; edição impressa da Itaipu Binacional com introdução de Moema Viezzer, 2004. [13] Brundtland, Gro H. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. http://www.scribd.com/doc/12906958/Relatorio-Brundtland-Nosso-Futuro-Comum-Em-Portugues e em inglês em http://www.un-documents.net/wced Comportamento do Consumidor. São Paulo: Editora Atlas, 2004.

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Norberto Alves Ferreira 2 Fernando Basseto

CPqD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
norb@cpqd.com.br basseto@cpqd.com.br

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Introdução

Uma das mudanças mais marcantes ocorridas no passado recente, sem dúvida, é o surgimento da Internet. E ainda que no Brasil o índice de penetração domiciliar de microcomputadores seja relativamente baixo, há mais de 60 milhões de usuários da rede mundial, sendo que estes estão entre os que a utilizam mais intensivamente no mundo. Dentre os diversos meios utilizados para se conectar a Internet destaca-se o acesso em alta velocidade, comumente denominado banda larga. O que torna o acesso banda larga tão atraente não é um fator único. De fato, por ser mais veloz, a banda larga permite a fruição de conteúdo mais rico, que certamente está relacionada ao crescimento pungente da adesão de novos usuários no último biênio. Além disso, as empresas se beneficiam desse ambiente, propício à expansão de seus negócios. Finalmente, o Estado, em suas diversas esferas, aprimora processos, melhorando as formas de interação com a sociedade ao mesmo tempo em que torna mais eficientes mecanismos de arrecadação. Tudo somado, todos os atores ganham. Contudo, a despeito de sua inegável importância, a própria definição de banda larga não é consensual. Ao contrário, as definições existentes usualmente se baseiam na velocidade do acesso em si, porém não se estabelece qual velocidade é adequada. Isso advém em grande parte da própria característica inovadora da Internet: novos serviços e aplicações demandam maior velocidade, ao mesmo tempo em que criam novos hábitos no universo de usuários, que por sua
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Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com pós-graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Em 1999, assumiu a função de gerente de desenvolvimento na área de terminais da Fundação CPqD e, desde 2006, coordena a área de serviços e aplicações multimídia da instituição. Formado em Engenharia Elétrica pela USP, mestre em engenharia pela UNICAMP, onde também se especializou em Gestão e Estratégia de Empresas. Possui dez anos de experiência na indústria de Telecomunicações, notadamente em inteligência regulatória, modelagem de negócios, planejamento estratégico e planejamento de redes. Antes de se juntar ao CPqD, atuou na Telefonica. Atua como Consultor na Fundação CPqD.

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vez impulsionam o mecanismo de oferta e demanda por largura de banda novamente, e o ciclo se repete. Essa (in)definição se faz tão presente que o Ministério das Comunicações, em documento divulgado recentemente [1], oferece uma definição aberta para a banda larga, com o objetivo de ser robusta frente às constantes mudanças enfrentadas no setor de telecomunicações, transcrita a seguir: “Acesso banda larga: um acesso com escoamento de tráfego tal que permita aos consumidores finais, individuais ou corporativos, fixos ou móveis, usufruírem, com qualidade, de uma cesta de serviços e aplicações baseada em voz, dados e vídeo.” Em outras palavras, muda-se o foco da infraestrutura para o indivíduo, e o que é adequado é aquilo que permite que o usuário usufrua de maneira satisfatória dos serviços e aplicações disponíveis na rede mundial. Nesse sentido, a iniciativa da COPEL, pioneira no Estado do Paraná na oferta de serviço de Banda Extra Larga – BEL, é oportuna e alinhada às disposições do Governo Federal no que diz respeito à evolução da infraestrutura de telecomunicações do Brasil. Todavia, tornar disponível infraestrutura essencial é condição necessária, mas não suficiente no provimento de serviços e aplicações, as quais devem ser desenvolvidas em tempos cada vez mais curtos a fim de se atender às demandas de usuários cada vez mais exigentes. Assim, uma plataforma para o desenvolvimento de serviços e aplicações que seja flexível, permitindo um time-to-market curto, aderente às necessidades dos provedores de serviços, é extremamente bem vinda. O objetivo desse capítulo é apresentar um modelo para tal plataforma, agregando conceitos de web semântica. Essa se apresenta como uma tecnologia que vai permitir enriquecer a experiência de navegação dos usuários pelos serviços e aplicações disponíveis na rede, agregando significado aos dados existentes, anteriormente não valorados. O presente capítulo encontra-se estruturado da seguinte forma: a seção 2 apresenta as perspectivas futuras de evolução da demanda por serviços e aplicações na Internet, ao passo que a seção 3 apresenta o conceito e a importância de uma plataforma para a distribuição de serviços em uma operadora de telecomunicações. Na seção 4 são apresentados os principais conceitos e tecnologias da web semântica, e finalmente a seção 5 traz as considerações finais. 2 Um novo paradigma no desenvolvimento de serviços

A relação entre provedores de conteúdo e aplicações e consumidores finais, surgida nos últimos anos, é fundamentalmente simbiótica, advinda da evolução da Internet e o surgimento da Web 2.0. Fortemente baseada nas sinergias proporcionadas pela inteligência coletiva, essa nova forma de desenvolvimento de conteúdo tem permitido a criação de novas formas de interação entre provedores e consumidores, os quais passam a assumir parte importante do papel de criação de conteúdo.

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De fato, a proliferação desse tipo de serviços, enquadrados no arcabouço regulatório brasileiro como serviços de valor adicionado, subvertem as relações tradicionais entre provedores de serviço e usuários, uma vez que o foco tende a mudar na direção de usuários e provedores de conteúdo. Além disso, esses novos serviços de valor adicionado têm requisitos próprios de qualidade, que muitas vezes acabam por precipitar em novos requisitos de infraestrutura. Um exemplo do que foi exposto reside no sucesso inquestionável do YouTube. Outrossim, a demanda de tráfego crescente é impulsionada pelo aumento na resolução de conteúdos como fotos e vídeo, pelo aumento na capacidade de processamento dos dispositivos terminais – sejam fixos, portáteis ou móveis – e pela digitalização cada vez maior de conteúdos. Não obstante, do lado da oferta, a consolidação do IP permitiu que se atingisse uma infraestrutura transparente, capaz de acomodar os mais variados serviços e aplicações que nela trafegam. Essas mudanças permitem inferir como será a cesta de serviços e aplicações utilizada pelos usuários em um futuro próximo. Tal cesta incluirá, mas não se limitará em: • • • • • • Navegação na web e envio e recebimento de e-mails; Compartilhamento de arquivos por meio de protocolo P2P; Uso de jogos on-line; Comunicação de voz pela Internet; Comunicação em vídeo pela Internet; Assistir a vídeos pela Internet.

Vale destacar que o aumento constante na demanda por serviços de vídeo, bem como aplicações em tempo real, impactam a infraestrutura de telecomunicações, que deve garantir não somente a largura de banda necessária à fruição de conteúdos, mas também outros requisitos como latência, jitter e taxa de perda de pacotes. Some-se ao que foi exposto que o entendimento do que vem a ser a qualidade dos serviços e aplicações oferecidos também tem sofrido alterações de foco, deixando esta de ser associada à qualidade mensurável por meio de parâmetros de rede – Quality of Service (QoS) – passando para a mensuração da experiência do usuário – Quality of Experience (QoE). Em resumo, em um ambiente dinâmico como o atual, o desenvolvimento de novos serviços e aplicações deve ser rápido e eficiente, sem negligenciar as singularidades no que diz respeito a seus requisitos – tanto de capacidade quanto de qualidade – que devem ser tratados de forma eficaz. Para essa finalidade surge o conceito de Service Delivery Platform – SDP, explorado adiante. 3 Service Delivery Platform

A demanda por plataformas que permitam que serviços e aplicações sejam desenvolvidos e ofertados de forma rápida levou ao desenvolvimento do conceito de Service Delivery Platform

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(SDP) [2]. Em uma simplificada descrição, uma plataforma de entrega de serviços [3] permite que serviços e conteúdos criados e desenvolvidos por terceiros possam ser ofertados aos clientes de uma operadora de forma padronizada e organizada sem significativos esforços por parte dos desenvolvedores e sem que a operadora precise entrar a fundo nos processos de autorização e aprovisionamento ligados a cada serviço. O SDP é a plataforma que padroniza a “conexão” de serviços de terceiros de forma transparente aos sistemas e redes de uma operadora, permitindo o uso de diferentes conteúdos para a oferta de serviços complexos e personalizados. Assim, o uso de SDP passa a ser obrigatório assim como os sistemas de suporte a operação e negócio para viabilizar uma oferta fim a fim. Tendo esse cenário como pano de fundo, pretende-se aqui chamar a atenção para o potencial da introdução dos conceitos de web semântica em uma plataforma de entrega de serviços, materializando assim a figura de um “broker semântico” de serviços e aplicações. 4 Web semântica

Segundo as ideias de Berners-Lee [4], a web semântica é uma extensão da web atual, mas apresentando estruturas que possibilitarão a compreensão e o gerenciamento dos conteúdos armazenados na web, independente de contexto (seja texto, som, imagem e gráficos), a partir da valoração semântica desses conteúdos e através de agentes coletores de conteúdo advindo de diferentes fontes capazes de processar as informações e permutar resultados com outros programas. Destarte, essas ideias apregoadas por Berners-Lee e outros induzem à apresentação da web semântica como a panaceia para ordenar o caos informacional existente na web, trazendo à rede global uma estrutura e significado, permitindo sua evolução de uma rede de documentos para uma rede de dados na qual toda a informação tem um significado bem definido, podendo ser interpretada e processada por humanos e máquinas [4]. Mas para isso, faz-se necessária a adoção de novas tecnologias, como por exemplo, XML (Extensible Markup Language) [5] e RDF (Resource Description Language) [6]. Através do uso de XML é possível criar campos de texto (tags) que podem ser utilizados de diversas formas pelos programas e scripts que são executados na web. No entanto, os programadores não sabem o significado de cada tag, ou, dito de outra forma, XML permite que o usuário adicione estruturas arbitrárias a seus documentos, mas não permite representar o significado de cada estrutura. É aí que surge o papel do RDF: expressar significado às estruturas. O RDF provê um modelo de dados para se referir a objetos (“resources”) e como eles são relacionados. Esta nova estruturação de dados (metadados) descrevendo o significado dos recursos permite o desenvolvimento de agentes inteligentes que podem usar essas descrições para auxiliar usuários na localização e manipulação desses recursos, aumentando a usabilidade e a funcionalidade da web e proporcionando uma experiência mais rica ao usuário. A incorporação à plataforma de entrega de serviços de um elemento capaz de conter a sua descrição semântica e também o acesso aos mesmos se apresenta como uma solução viável e inovadora para a navegação em uma rede de serviços semanticamente relacionados, os quais podem ser os mais diversos possíveis, desde serviços corporativos até aqueles de redes sociais

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ou financeiros. A descrição semântica de cada serviço é um documento “human and machine readable” que descreve como o serviço, seus relacionamentos com outros serviços e como o conjunto deve ser oferecido para os usuários. Pode-se referenciar a este novo elemento simplesmente como “broker de serviços”, ou, melhor ainda, em função de seu conteúdo semântico, “broker semântico de serviços” (figura 1).

B2C Jogos Redes Sociais

B2B Vídeo

Broker Semântico de Serviços SDP

Elementos de Rede
Figura 1: Broker semântico

Agentes inteligentes são, então, desenvolvidos para, a partir do acesso ao broker de serviços, criarem interfaces de usuário a partir das descrições semânticas de cada serviço. Dessa relação entre broker e agentes um mashup dinâmico de serviços poderá ser criado abrindo uma série de possibilidades de correlações e ampliando a experiência de navegação entre os serviços pelos usuários. Serviços desenvolvidos de forma estanque poderão ter suas interfaces compartilhadas com outros serviços, sem que essa interação tenha sido pensada à época do seu desenvolvimento. Como exemplo, ordens de serviços geradas por um sistema de gestão de força de trabalho (serviço 1) são correlacionadas com mapas (serviço 2) gerando para um técnico de campo informações adicionais de localização que, em seguida, pode ser convidado a tirar uma foto do trabalho realizado (serviço 3) imediatamente enviada para um servidor corporativo.

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Considerações finais

A Internet representa uma das mudanças mais marcantes ocorridas no passado recente. Em constante evolução, o surgimento da Web 2.0, fundamentalmente simbiótica, baseada nas sinergias provenientes da inteligência coletiva, tem permitido a criação de novas formas de interação entre provedores e usuários, que agora têm parte importante no processo de criação de conteúdo. Acompanhando essa mudança de paradigma vêm inúmeros serviços inovadores. A web está se tornando, além de uma “web de dados”, uma “web de serviços”. Isto quer dizer que esforços estão sendo realizados para que se tenha acesso a serviços a partir de qualquer dispositivo independente da rede de acesso ou dos tipos de dados que forem transportados por estes serviços. Com isso, cresce também a preocupação em tornar a navegação web inteligente, capaz de relacionar conceitos e serviços, tarefa que os conceitos trazidos pela web semântica vão ajudar a concretizar. Através da estruturação de dados aqui vislumbrada, será possível uma navegação mais rica para os usuários, tanto na web de dados como na web de serviços. Daí a importância de se adicionar a uma plataforma de entrega de serviços (SDP) elementos semânticos que possam ampliar as potencialidades de geração de novos serviços e aplicações, correlacionando-os entre si. 6
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Referências
SOUTO, Átila A., CAVALCANTI, Daniel B. e MARTINS, Roberto P. O Brasil em Alta Velocidade. Ministério das Comunicações. Brasília, 2009, disponível em http://www.mc.gov.br/wpcontent/uploads/2009/11/o-brasil-em-alta-velocidade1.pdf, acesso em 18/12/2009. GUERRA JR., Aloivo B. e MARTINS, Júlio. BEL e a plataforma de entrega de serviços. In: PESSOA, Marcos de Lacerda et al. Projeto BEL: a COPEL Telecomunicações pensada estrategicamente, em equipe. Curitiba: COPEL Telecomunicações, 2009. 207pp. ANDERSSON, Christoffer; FREEMAN, Daniel; JAMES, Ian; JOHNSTON, Andy e LJUNG, Staffan. Mobile Media and Applications – from Concept to Cash: Succesfull Service Creation and Launch, John Wiley & Sons Ltd., England, 2006. BERNERS-LEE, Tim; HENDLER, James; LASSILA, Ora. The Semantic Web – A new form of Web content that is meaningful to computers will unleash a revolution of new possibilities, http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=00048144-10D2-1C70-84A9809EC588EF21&catID=2, Maio, 2001. Extensible Markup Language (XML) Activity. http://www.w3.org/XML. Resource Description Framework (RDF) Model and Sintax Specification. W3C Recommendation. http://www.w3.org/TR/2000/CR-rdf-schema-20000327. D´MELLO, Demian A.; KAUR, Ivneet e RAM, Namratha. Semantic Web Service Based Selection on Business Offering. Second UKSIM European Symposium on Computer Modeling and Simulation. Liverpool, UK. 2008.

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DIAGRAMAÇÃO Cristiane Garbin Langner CAPA Breno Afonso Soares Magalhães Fernanda Lianna Will

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