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Naquele momento ele não sabia mais o que importava.

Não sabia mais o


motivo de estar acordado àquela hora. Segurava aquela xícara entre seus
dedos, vendo o vapor subir aos sopros pelo ar.

Estranhamente não se sentia mal. Talvez devesse se sentir... Sabia


exatamente o que havia acontecido e o como deveria estar, mas não estava
mal. Nem mesmo havia chorado.

Houveram momentos em que chegou a se questionar se havia um coração


em seu peito. Momentos como aquele, em que olhava aos pratos lavados,
perfeitamente dispostos no escorredor, a cristaleira perfeita, sem nem
mesmo um copo faltando. Não haviam cacos para recolher e nem mesmo
lenços de papel jogados pelo chão. Tudo estava arrumado, esperando o
novo dia que frio nascia no horizonte.

Tinha absoluta consciência de que, quando falasse com Shou, ele lhe diria
que havia sido um bobo, que deveria quebrar a casa inteira na cabeça de
Shinji, mas não conseguia pensar em destruir seus preciosos vasos de
porcelana na cabeça do namorado.

O que havia de errado consigo? Havia pegado ao namorado aos amassos


com um rapaz no escritório. Nem mesmo havia se feito notar, deixara a sala
exatamente como estava, enquanto aquele rapaz loiro e magro, alto e lindo
como jamais seria, implorava a Tora que fosse mais forte e mais fundo.

Por que não se sentia mal? Por que pedira a secretaria que não contasse a
Tora que havia estado lá? Por que olhava para a xícara do maior, vazia
sobre a mesa, tendo consciência de que ele não havia voltado para casa e
aquilo não doía?

Tinha ligado para Shou, pedido ao amigo que fosse lá o quanto antes, mas
não tinha vontade de chorar... O que sentia? Talvez realmente quisesse se
jogar nos braços do maior, dizer que aceitava a proposta que, muito
ofendido, havia recusado há meses atrás. Ser seu amante, Deixá-lo lhe fazer
feliz...

Ainda se lembrava das palavras de Shou: “Shinji não é homem para você
Hiroto... Ele...” Naquele momento podia perceber que Shou havia omitido
algo naquela fala, antes de dizer. “Ele só sabe te fazer sofrer, por que não
me deixa tentar te fazer feliz?”

Havia estapeado Shou, dito que nunca trairia seu grande amor, mas seu
grande amor o traíra e agora nem mesmo aquilo parecia importar para o
pequeno. As noites em claro, esperando que Tora voltasse para casa. Os
dias esperando que ele lhe desse as migalhas de seu afeto haviam minado
todo o sentimento, tinha vontade de se erguer e voltar para sua vida, a vida
que deixara para trás quando se envolvera com Shinji. Quando deixara o
maior ir morar em seu apartamento.

- O pior Shinji... É saber que eu perdi você e isso não está me matando... –
Sussurrou, antes de se erguer, caminhando até o quarto, terminando de
retirar as coisas dele de dentro do armário, colocando tudo em sacolas,
mandaria o motorista despachar tudo para o escritório.
Ignorou piamente o telefone, deixando a ligação cair na secretária. A voz de
Tora ecoando pelo apartamento: “- Hiroto me desculpe não ter dormido em
casa. Precisei trabalhar até tarde. Depois te levo para jantar, para
compensar. Te amo. Tora...”

Por um momento pôde rir daquilo. Não, ele não o amava, não mais, e Hiroto
havia deixado de amá-lo, não sabia quando, mas havia. Rabiscou algumas
palavras em um papel, dizendo: “Poupe seu dinheiro e leve seu amante
para um restaurante. Não me procure mais Amano. Ogata Hiroto.”
Dobrando o bilhete, colocando-o em um envelope. Diria a Masahiro para
entregar em mãos.

Sentia-se esgotado, triste e desolado, mas sentia-se assim por não


conseguir sentir nem mesmo uma fração do amor que sentira. Por aquilo
não estar lhe consumindo. No que havia se transformado?

Ouviu a porta se abrindo, já podia imaginar quem era, quem estaria ali
naquele momento, parado à porta, olhando a triste cena que era Hiroto
fazendo as malas da pessoa com quem vivera por longos cinco anos.

- Pon? – A voz de Shou soou da porta, fazendo-o se encolher.

- Ainda tenho tempo Kohara? – Sua voz saiu fraca, cansada. Terminava de
dobrar a última peça. – Ainda tenho tempo de te dizer sim? – Perguntou
sentindo-se exausto de tudo aquilo, querendo que o pesadelo acabasse, que
fosse feliz.

Mas Kohara não disse nada e aquilo sim doeu. Havia sido estúpido
recusando algo que ele mesmo queria, mas agora, será que também tinha
perdido a chance que Kohara havia lhe dado?

Suspirou pesado, sentindo uma lágrima descer por seu rosto antes de
sentir-se envolvido por dois braços em um abraço apertado e silencioso.
Sentiu a respiração dele contra seus cabelos e ali soube que poderia
desabar a qualquer momento.

- Eu esperaria pra sempre Hiroto... – A voz dele saiu fraca, sussurrada ao


seu ouvido e, ali soube que poderia chorar. Ali Hiroto entendeu um pouco de
sua própria dor.

Nos braços de Shou foi que caiu em prantos, sentindo-se derrotado por ter
demorado tanto para perceber que não se sentiria mal ao ver Tora partir...

I Feel Bad
Rascal Flatts

I should be out in that driveway stopping you


Tears should be rolling down my cheek
And I don't know why I'm not falling apart
Like I usually do
And how the thought of losing you's not killing me
I feel bad
That I can stand here strong
Cold as stone, Seems so wrong
I can't explain it
Maybe it's just
I've cried so much
I'm tired and I'm numb Baby I hate it
I feel bad that I don't feel bad

I can let myself be angry over wasted time


And sad about you throwing love away
Yeah I almost wish my heart was breaking
But I cant lie
All I want to do is turn the page
I feel Bad
That I don't feel bitter, alone
I just feel its time, its time to move on
I just gotta move on and on and on...

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