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Colonização do Brasil - Bandeirantes e Indígenas

Colonização do Brasil - Bandeirantes e Indígenas

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Eleserambárbaros sanguinários. Matavam velhose crianças escravizavam e por dinheiro.Massemosbandeirantes paísterminariaemSãoPaulo.

o
POR ANDRÉ T ORAL, COM GIUUANA BASTOS

lha do Bananal, atual Estado de Tocantins, ano de 1750. Um grupo de homens descalços, sujos e famintos se aproxima de uma aldeia carajá. Cautelosamente, convencem os índios a permitir que acampem na vizinhança. Aos poucos, ganham a amizade dos anfitriões. Um belo dia, entretanto, mostram a que vieram. De surpresa, durante a madrugada, invadem a aldeia. Os índios são acordados pelo barulho de tiros de mosquetão e correntes arrastando. Muitos tombam antes de perceber anai\o} ção. Mulheres e crianças &ri" '" .~

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tam e são silenciadasa golpes

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de machete. Os sobreviven~ tes do massacre, feridose ~ acorrentados, iniciam, sob chicote, uma marcha de 1 500 quilômetros até a vila de São Paulocomo escravos. Foi assim, à força, ., que os bandeirantes con- .; quistaram o Brasil. Caçadores profissionais de gente, chegaram alugares com os quais Pedro Álvares CabÍ'al nem sonharia. Nas andanças em busca de ouro e ínIas nos atuais Peru, Argentina, Bolívia, dios para apresat; Uruguai e Paraguai. Espalharam o terror entre os povos do interior do conti- 'l descobriram o Mas..' to Grosso, oiás, nente e expandiram as fronteiras da G América portuguesa. Uma história " '. Minas Gerais e .~ ' ,Tocantins. Per- brutal. Mas, se não fossem eles, você talvez falasse espanhol hoje. Os maio... - correrame atares trunfos desse avanço eram o co~. ~. caram povoanhecimento do sertão e uma disposi: \ {. ções espanhoI""

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ção que intrigava até os inimigos. O padre jesuíta espanhol Antonio Ruiz de Montoya (1585-1652), por exemplo, escreveu que os paulistas, a pé e descalços,andavam mais de 2 000 quilômetros por vales e montes "como se passeassem nas ruas de Madri". A coragem deles também era extraordinária. Além de terras desconhecidas,

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Tocaia madrugada na
P~raatacaraldeiasindígenas,osbandeirantes organizavam bandosarmados.
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o chefe da expedição era um sertanistabrancoexperiente.em geralaparentadocomos
demais expedicionários. Muitas vezes era o próprio empresário. Cabia a ele conseguir financiamento e reunir seus escravos, agregados e parentes para a incursão.

o Oscasar, recebiam armas,secorrentes nasíndios emprestados de 13 oue 14 anos. Ao se filhos costumavam engajar expedições desde os e pais parentes, para
montar sua própria expedição e. assim, arrebanhar seu primeiro patrimônio escravos índios.As bandeiras eram um negócio familiar. Uma expedição pequena, uma . armação. , reunia uns vinte homens.

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(ndios, geralmente escravos guaranis, eram a infantaria. Andavam nus ou vestidos com trapos. Serviam como guias, batedores, caçadores e cozinheiros.

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O Oarcoe flechaeraumadasarmas ais m usadas, tanto por brancoscomopor
índios. Suas vantagens
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Semelesnãohaviabandeira.

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erama leveza, o silêncio a velocidade. 7 Umíndio

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Intervalode tempo emquesecarregava de munição umarcabuz.

. disparava seteflechas mesmo até no

o Oalfanje.umaespéciecomum.curto,epara desabre raa armabranca mais Servia
combates corpo acorpo.

oerafeitodecourodeanta,maisgrosso, Ogibão,também chamado ecoura, d
para resistir a flechadas.

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o Omosquetãoeraumtrambolho. queprecisava sercarregado
pordois. etãopesado. D precisava serapoiado num tripé.Media 1.75metro decomprimento.

odepeledeanta.Protegia cabeçaomo A gualteiraeraumaespécieechapéu d a c
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umcapacete.

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desertos humanos, owpados, depois, por súditos portUgueses.Por isso, hoje quase não se vêem índios em São Paulo, Minas Gerais, na Bahia e no Nordeste em geral. No aniversário de 500 anos do Descobrimento, a SUPERtraz um retrato desses homens e da aventura que desenhou, com violência, um novo mapa do Brasil.

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sempre enfrentaram tenúveis grupos indígenas dispostos à briga. E nem sempre se davam bem. Muitos morreram de fome, em terras estéreis, ou crivados de flechas. Os grandes perdedores, nQ entanto, foram os índios. Nas mbos visitadas pelos bandeirantes não ficava palha sobre palha. Muitos territórios viraram

A origemdo termo "bandeira" lem váriaseJCPIicações. A mais aceitaafirmaqueasgrandes eJCPE!dições queassaltaram as missões jesuíticas suldo país. no

noséculoVII, eram X formadas
pordiversas ~hias, identificadas. cadalI11a, or p bandeiras. Como ~ esse passou sero nomegenérico a dasma.sões de apresamentD de fndiosdospaulistas.

C I Ilustraçãoean Cris 2 Fotomontagem J & Newton Verlangieri

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HISTÓRIA

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De costas para o mm; de olho no sertão
çãoponuguesano Brasildo século
Detodos os núcleosde colonizaCórrego
Anhangabaú

A aldeia urbana
Conheça SãoPauloem 1601.

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-.. XVI, São Paulo era o único que não fi-~À cava no litoral e não dependia do ':; comércio com a Europa. A sobrevivência da vila, nos seus primórdios, era garantida pela esperta política de alianças do caci-

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Rio.fa'manduatel

que tupiniquim Tibiriçá, que havia casado sua filha com o ponuguês João Ramalho. Seus guerreiros conseguiam cativos de outras tribos para as lavouras dos primeiros colonos. Ao perceber que não conseguiria chegar pelo sul do Brasil às cobiçadas minas de ouro e prata do Peru, a Coroa portuguesa abandonou os paulistas à própria sone. Aos bandeirantes restou a exploração do ouro vermelho, os índios. Assim começou o "negócio do senão", como era chamado o ofício da caça de gente, base da economia paulista até o século xvm. A mão-de-obra escrava foi a base do desenvolvimento de prósperas plantações de trigo no século XVIao XVII,vizinhas à cidade. ÁIeas rurais, como Cotia e Santana de ParnaJ.oa, abasteciaID São Vicente e Rio de Janeiro, os centros produtores de açúcat; a maior mercadoria da colônia. '~té há pouco pensava-se que os bandeirantes capturavam índios para exponar para as plantações .~J." de cana ~o litoral", disse à ;,J'Fr SUPERo historiador John
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...... Colégio : ..:<'~ "" ... dosJesuítas .................................... i

CâmaRide .~~.~~~.....

J:Francisco Igtija de S.

Umarraial entre rios
Um dos limites urbanos era o CÓITego Anhangabaú, hoje centro elacidade. Um
muro de taipa O protegia a delade de ataques de tribos inimigas. Do outro lado do rio era tudo mata. A riqueza estava no campo. Perto da vila estendiam-se fazendas de trigo

As ruas não tinham placas. Os endereços eram indicados com referências do tipo ao lado da ou .vizinho ao padre., cadeia. Havia cerca de 150 casas.

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' que

era exportado para o litoral,e plantações de marmelo. O doce. muitas vezes vendido com o peso adulterado, deu origem ao termo . marmelada. .

. As ruas eram desertas A população passava a maior parte do tempo em fazendas- ou no sertão, atrásde índios. Fundado em 1554 pelos jesuítas, o Colégio de São Paulo foi o primeiro ediflcio da cidade.

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quantO houve índios, o interior de São Paulo foi o celeiro do Brasil colonial.

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"'.. Monteiro, da Universi. 't+ ,: dade Estadual de CaID'..:,.9''f' pinas. ''Mas hoje sabe~.~:t.

mos que a maioria
dos cativos ia para as lavouras
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dos pr~prios

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ban~emmtes, res. ~

Se o campo era rico, o mesmo não se pode dizer da precária vila, que em 1601 tinha apenas 1 500 habitantes. Em nada se comparava à solidez dos núcleos canavieiros do Nordeste, como Olinda ou Salvador. São Paulo era umas poucas casas de pau-a-pique espalhadas no meio do mato, entre ruas sujas e barrentas
(veja infográfico).

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salta. En-

Um visitante sofreria para achar

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um endereço. Primeiro porque as ruas não tinhaID nome. Depois, não conseguiria, mesmo, entender os paulistas: quase todos eles eraJ.Díndios ou mestiços e falavam a "língua geral", um dialeto tupi. Aliás, o nome completo da vila era São Paulo de Piratinininga, que quer dizer "peixe seco" no idioma indígena. O ponuguês era de uso quase exclusivo da minoria branca. Segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, 83% da população paulista no século XVIIera

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@ 1 Ilustração &(ris 2fotomontagem Jean Newton Verlangieri

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Galpão, doce galpão
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A grossuraasparedesde taipa A dava d
às casas o aspecto de fortaleza. Pordentro.
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eramgalpões omdepósito. c ofiànae cozinha. Nãohaviabanheiro. Asnecessidades eram feitasnoquintal. mobília A seresumia a tamboretese baús.. Nãoexistiam ~artos nemcamas, mas havia redes emtodososcantos U dacasa. Como nasaldeias indígenas, cadamorador tinhaumafogueiraO aoladodasuarede. SãoPaulo tinhamuitafloresta emvolta eo dimaeramais frio.
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Armas. haviaemabundânàa: escopetas. espingardas, bacamartes. arcos, E flechas, espadas alfanjes. correntes e paraamarrar scravos. e

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Gente estranha
Asmulheres paulistas eramconhecidas . tapadas. .porandarem sempre cobertas porpanos escuros, dacabeça ospés. maioria a A falava maioportuguês.
como

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Escravasndias.. a maior arteguaranis, í p auxiliavam nastarefas domésticas enaroça. Eraperigosomamulher ndar ozinha. u a s Bandos deíndios armados, mando a defamOias rivais, atracavam-se empleno centro davila. OspoI,ICos brancos. tinham aspecto ameaçador.Andavam armados epunhais d e arcoeflecha.

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~Quem vêumbandeirante numapinturaoficialimagina que
elesmoravamem vastascasas

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misturados louçaportuguesa. ~~ à Achoutambémum j:.
polvarinho,um recipientede

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indígena. O bilingilismo só acabaria de vez em 1759, quanto a língua geral foi proibida> pelas autoridades porruguesas, por decreto. Em São Paulo, rico era quem tinha talheres - só dez famílias possuíam - e camas. Isso mesmo; camas. Em 1620, um representante do rei de Porrugal em visita à cidade simplesmente não tinha onde dormir. A solução foi confiscar a única cama decente da cidade, que pertencia a um cidadão chamado Gonçalo Pires.

senhoriais.Nadadisso.As residências paulistaseram verdadeirasocascom paredesde taipa. "Havia uma mistura das influênciaseuropéiae indígena", disseà SUPER arqueóloga a MargaridaAndreatta, da Universidade Mogi dasCruzes. de Escavando uma casade 1650 no hoje movimentadobairro do Tatuapé("caminho do tatu". em tupO,na zona lesteda capital paulista,Andreatta descobriu fragmentos de cerâmicaindígena

madeirausadoparaguardar pólvora. Como as malocas familiarestupis, ascasas tinham redesespalhadas por todos os cantos. Também foi encontrado carvãode váriosrestos de fogueira, o que sugere que cadahabitante tinha um fogcxle-chão ao lado da rede. paracozinhare seaquecernos diasfrios.

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HISTÓRIA

Por cima do Tratadode Tordesilhas
A cidade de Guaíra é hoje um discreto centto produtor de soja com 30 000 habitantes, 680 quilômettos a oeste de CuriuÕél, o Paran ná. Em 1600, no entanto, tinha importância estratégica. Chamava-se Ciudad Real de! Guayra e era capital da província de Guayrá, subordinada a Assunção, capital do Vice-Reinado do Prata espanhol. O Guayrá abrangia 80% do atUalterritório paranaense.
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A Batalhade M'bororé
Derrotafreouexpansão escravagista.
A maior derrota bandeirante aconteceu 1641noRioM'bororé. em afluente doRioUruguai. Umbatalhão deguaranis guaranis-itatim e daMissão deSão Francisco Xavier, hojenaprovinda deMisiones, Argentina. enfrentou venceu e umafrotade130canoas, com350bandeirantes1200índios. e Ospaulistas foram surpreendidos por70canoas armadas arcabuzes Aluta com earcos. durouseis dias. oio fimdasexpedições F paulistassmissões à espanholas.

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buídas à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas que em 1492 dividi-

Localizada denttodasterrasatri-

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ra os territórios espanhóis e por-

tUgueses na América - a proVÚlciaabrigava vilas espanholas e doze missõesjesuíticas, que congregavam grande parte dos índios guaranis da região. Era uma verdadeira mina de escravos para os paulistas, já que os guaranis eram um povo agrícola que falava um idioma semelhante à língua geral de São Paulo. Só que os padres e fazendeiros espanhóis impediam o acesso dos índios aos colonos portugueses. Por isso, os moradores de São Paulo defendiam abertamente uma invasão militar da região. Mas Portugal insistia em manter uma política de boa vizinhança com os espanhóis e respeitar a fronteira. Foram os próprios caste1hanos que cutUcaram a onça primeiro e vieram apresar índios perto de São.Paulo. Era a desculpà que os bandeirantes esperavam. Em 1619, um exército de 2 000 índios e 900 mestiços invadiu aldeias e missões no Guairá, captUrando guaranis. Hordas
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foram enviadas
aco rrentadas

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para São

Paulo. Era o começo do fim do Tratado de Tordesi1has. Nos anos seguintes o território das missõessofreu na mão dos bandeirantes. Logo as expedições militares que partiam de São Paulo passaram a atacar também as missões de Tape, conquistando a maior parte das terras que séculos depois formaria o atUalEstado do Rio Grande do Sul, além das missões do Itatim, hoje no sul do Mato Grosso do Sul. Segundo o historiador John Momeiro, até 1641 os paulistas destruíram entre onze e ca:
e

torze missões jesuíticas espanholas. Cada uma tinha entte 3 000 e 5 000 índios, o que daria entte 33 000 e 55 000 índios escravizados. Nesse apresamento, os bandeirantes tiveram um auxiliar poderoso: as epidemias contraídas pelos índios dos espanhóis, uma vez aldeados nas missões."Muitasvitórias dosbandeirantes no Guayrá podem ter ocorrido porque os guaranis já estavam enfraquecidos pelas doenças", ressalta o arqueólogo Francisco Noe11i,da Universidade federal de Maringá, no Paraná.
1 Ilustração Jean & Cris
2 Fotomontagem Newton Verlangieri

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Antigo mapada província do Guayrá, parte do více-reinadoespanholdo Prata.
O território hispânico corresponde " Rn~ tb ~r.." do atual Paraná

o avanço dos paulistas sobre o território espanhol só diminuiu depois da derrota para os guarnrus na Batalha de M'bororé, em 1641 (veja acima). Depois daquela data, a caça ao índio passou a ser praticada por expedições menores. Uma vez encerrado o apresamento fácil dos bons escravos guaranis nas missões, os bandeirantes mudaram de rumo: passaram a buscar, no noroeste de São Paulo, índios mais selvagens, que não plantavam e não falavam tupi, os bravos jês. VlI'araIl1se para o Centro-0este.
ARfi.

Caçadahumana

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Astáticas guerra paulistas'II\~,. de dos
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Sem os escravos guaranis, as plantações de São Paulo entraram em declínio. Os recursos passaram a ser canalizados para á busca de ouro e pedras preciosas, como esmeraldas, mais ao none. As bandeiras se esticaram. Em 1648, Antonio Raposo Tavares (15981659) viajou 10 000 quilômetros a pé e de canoa, de São Paulo ao Paraguai, e de lá até Mato Grosso, Amazonas e Pará. Andou quatro anos. Ao mesmo tempo, as expedições de apresamento de índios tomaram-se menores, multiplicando-se as armações, as entradas familiaresque reuniam uns vinte homens. Eram modestas, mas eficientes. Uma das tribos sistematicamente caçadas e escravizadas a partir de 1670, a dos goyás, acabou dando o nome ao Estado onde vivia: Goiás. Em 1692 a persistência expansionista foi recompensada com a descoberta de jazidas em Ouro Preto, no atUalEstado de MínasGerais. Tão logo a notícia do ouro chegou a Ponugal, a Coroa distn'buiu os direitos de exploração a lusos e comerciantes do Rio de Janeiro, passando a perna nos bandeirantes. Para pionu; contrabandistas da Bahia também se meteram por ali. Os paulistas reagiram. Em 1709, armaram-se em bandos de índios e mamelucos e partiram para cima dos forasteiros, chamados de emboabas ("galinhas de b0ta", em tUpi).A Guerra dos Emboabas acabou em 1711 com a expulsão r dos paulistas.
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iam na frentee plantavam roças de milho e mandioca em pontos estratégicos muitas viraram ddades, como a atual

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Batatais

(SP).A viagemera marcadaem funçãoda colheita.
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2 As expediçõesmenores,asarmações, saiam emfilademadrugada. Oshomens

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andavam até10quilômetros pordia.Não tinham voltamarcada: importantera o e aprisionar quantos indios pudessem.

3 Achadaaaldeiaaseratacada, e os paulistasmolavam a facas, achetes m
.

alfanjes. Bagagem, doentes feridos e eram deixadosoacampamento. n

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capitania de Minas Gerais.Wa Ricade Ouro Preto virou capital. Aos bandeirantes restou continuar procurando ouro. Alguns, como Banolomeu Bueno da Silva (1672-1740), o Anhangüera, paniram atrás da mítica Serra dos Martírios,cujosmontes -dizia-se - eram feitos de ouro puro. Depois de três anos vagando pelo cerrado, Anhangüera achou metal precioso nas terras dos goyás e fundou, em 1725, a cidade de Goiás. Com eles toAs descobertas atraíam bandeiranra,cnou-se a ~m 1720, tes como ímã, mas não só eles. Em-

1719, quando a notícia da descoberta das minas de Cuiabá chegou a São Paulo, seus habitantes migraram em massa em direção às lavras do distante arraial. Surgiram, assim, as monções - as expediçõesfluviais. Mas chegar até o eldorado não era fácil. O extermínio dos guaranis-itatim do Mato Grosso, décadas antes, havia provocado um efeito colatera1: a migração dos paiaguás para o Rio Paraguai, bem na rota das monções. Os paiaguás formavam frotas para assaltar os barcos dos paulistas. Para com-

Q 1Ilustraçãoean J &Cris 2Fotomonragem Newton Verlangieri3 Foto Paulo Zanettini

.

Cidades fantasmas 4 Osataquesxploravamsurpresa. e a Para ribir resistências valiaaterrorizar,
"1atandorianças queimandoente c e g M. Depois rafeitaacarga, e como "'1aior número possível deíndios amarrados eacorrentados.

o arqueólogoaulo P
Zanettini icouespantado f quando tromboucom um muro de pedra de 300 metrosde extensãono meiodo mato, na Serrada Borda,atual municlpio de Pontese lacerda, no oeste de MatoGrosso."Acheique estivesseem uma rulnainca", lembra-se.Maso que Zanettini encontroufoi um capitulo esquecidoda históriadas bandeiras.Aqueleenorme muropertenciaa um _!!m!I~L~.mJ",~~gde ouro doséculo XVIII. m1988, E Zanettiniidentificou vestlgios de trêscidadesdeilaBelae São SãoVicente,V pedrana região: Francisco Xavier a Chapada. d Naúltima,há restosde taipa,

- já que essatécnicade
construçãoera marcaregistrada dos paulistas.Ascidades fantasmasforamprovavelmente construldaspor exploradores que, para fugirdo recolhimento impostos de nas minasde Cuiabá, migrarampara o oeste a partir de 1720.Arraiais emelhantes s foram identificadosambémno t alto RioTocantins, m Goiás."O e tamanho delesdá uma idéiado que esseshomensfizeramna buscado ouro", disseo arqueólogo SUPERo à Sua ganânciaera tanta que o mineralem todos essesarraiaisacabou em menosde vinte anos. Ascidadesforam

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plicat; eles se aliaram a outra poderosa tribo, a dos guaicurus, que usavam cavalos roubados dos espaIlhóis. O poderio dessa aliança indígena foi suficiente para levar os castelhanos, em 1740, a fazer um tratado de paz com eles, algo inédito na América até então. Em 1727, depois do massacre de uma monção, os portugueses declararam guerra aos índios. Os conflitos terminariam em 1782, com um annistício. Os guaicurus, que atualmente se chamam kadiwéus e moram no Mato Grosso do Sul, até hoje se orgulham disso.
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indk:ioda presença bandeirante

engolidas pelo ma"'.

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.HISTÓRIA

1ropa de choque no Nordeste
o bispo de Olinda, dom Francisco de lima, ficou honorizado quando recebeu, em 1694, a visita do paulista Domingos Jorge ~o. Diria depois que "era o maior selvagem com quem já havia topado" e que foi preciso um intérprete, pois o brutamontes só falava tupi. O bandeirante havia sido contratado pelo governador de Pernambuco para acabar com o pesadelo dos senhores de engenho nordestinos: o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, oeste de Alagoas.Palmaresera um conjunto de aldeias fonificadas que abrigava escravos fugidos - mas também índios, muçulmanos, brancos marginalizados e judeus (veja SUPER. O n 11, ano 9). Desde 1654, seus guerreiros resistiam aos holandeses e às expediçõesmilitares mandadas contra eles. Mas

Quempe'rdeu o Brasil

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Nações indígenas foramdesalojadastôu extintaspelasbandeiras. Vejaasterrasinvadidas asrpigtações e fotçádas dealguns grupos

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não resistiriamaos fudios e
mestiços guerreiros do "selva-

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-que, aliás,

falava e escreviaem português. O bispo exagerou no desdém. Como Domingos Jorge \elho, outros bandeirantes embarcaram para o Nordeste entre 1657 e 1720 atendendo a chamados de administradores regionais. O objetivo era combater grupos indígenas que não aceitavam a ocupação de suas terras pelos criadores de gado. As guerras contra os índios eram consideradas 'Justas" e os cativos eram declarados es's.Criou-seassim o "sertanismo de éontrato", com bandeirantes convertidos em mercenários, recebendo os fudios que
capturassem

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GUAlCURU

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como pagamento. O resultado foi a elimina-

ção de vários grupos nordestinos, c0mo os anayos, os maracás e os janduins. Muitospaulistas receberam terras e viraram criadores de gado na região do Rio São Francisco. Com o fim da expansão mineradora e das guerras contra os índios no Nordeste, o ímpeto bandeirante arrefeceu. Em São Paulo, o declínio demográfico dos escravos e a dificuldade crescente de repor a mão-de-obra das fazendas do interior acabou pondo a economia paulista em xeque. Na primeira metade do século XVllI,sem índios e sem poder comprar escravos
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africanos, que custavam o dobro, as lavouras do interior paulista se estagnaram. Com isso, o "negócio do sertão" perdeu o motol: Os bandeirantes, que se lançaram como gafanhotos sobre o sertão por 200 anos, haviam descoberto um novo país. Mas acabaram tão p0bres quanto antes. 0
PARA SABER MAIS Negros da TelTa

-

Indlos e Bandeirantes

nas Origens de São Paulo, John Manuel Mooteiro, (ia. das Letras, 1994. O Extremo Oeste, Sérgio Buarque de HoIanda, -Brasiliense, 1986.

1 Ilustração Jean & Cris 2 Fotomontagem Newton VerlangierilMaurício lara
3 Dilennando Cabral 4 Antonio Gaudério 5 Joana Zatz

Holocausto brasileiro
o Brasil uma invenção recente. é Quando Cabral chegou, havia inúmeras nações indrgenas, divididasentre si em pequenas tribos, que viviamem guerra umas com as outras. A conquista se fez aos pedacinhos. Para transformar tanta terra em um pais só, foi feita uma vasta limpeza étnica. Estima-se que em 1500 havia 5 milhões de indioSno Brasil.Hoje eles são 300 000 (0,2% da população) e ocupam 12% do território brasileiro.O lingüistaAryon Dall'lgna Rodrigues, da Universidadede Brasflia, alcula que c existiam 1 200 Irnguas. Hoje há 180. No Centro-Sul e Nordeste do pars, o genocidio foi executado, na maior parte, pelos bandeirantes. Elesextingiram vários
grupos, como os goyás, os janduins, os guarulhos, os araés, os guaranis-itatim e outros cujo nome nem se sabe. Mas sua intervenção nem sempre era direta. Como num jogo de bilhar,os grupos que fugiam dos ataques paulistas invadiam as terras dos outros, iniciando novos ataques e revides sangrentos. Ao migrar,forçavam outros grupos a se deslocar. até novo território. Foio caso dos akwes, de Goiás, que a partir de 1720 se dividiramem dois. Parte deles fugiu para a região do Araguaia, território tradicional dos carajás. O conflito empurrou os migrantes mais para o oeste, até o atual cerrado mato-grossense, onde estão até hoje. São os atuais xavantes. Os que ficaram em
Goiás hoje estão em Tocantins. São os xerentes. Os bandeirantes souberam manipular os ódios intertribais. Poupavam tribos com as quais mantinham comércio, como os guaianás, e compravam escravos de outras, como os caiapós do sul. Estes últimos passaram de fornecedores a mercadoria, e fugiram ele seu antigo território, a região do Triângulo Mineiro. Foram parar no norte de Mato Grosso, onde só seriam encontrados de novo em 1967. Descobriu-se, só então, que a tribo se autodenominava panará.

Panará
Anteschamados
caiapós do sul, sairam de Minas e foram parar no norte de Mato Grosso. São 161 indivíduos.

Goyá
Atriboquebatiza Estado eGoiás o d foi
completamente extinta (não restou sequer

Caiapó

~~

umaimagem). Ninguém como sabe eram, quelíngua falavam nemcomo viviam.

Antigos habitantes doTocantins. emigraram parao Pará MatoGro e Sófariam contato pacíficoomos c a partirde1950. ão 000incfrví S 4

Xerente
São parte do grupo akwe que se dividiu durante os ataques dos bandeirantes a Goiás. Moram em Tocantins e sã9 1 500 indivíduos.

Guarani
Foram asprimeirasítimas v dasbandeiras. Segundo historiador o paraguaio Bartolomeu Meliá, rammais e de800000 em1600. oje H são30000emtodoo país.

Xavante Originalmente partedogrupo akwe,ugiram f deGoiás parao Araguaia depois e parao Mato Grosso, ondeestão atéhoje. São7100.

Carajá Quase dizimados durante o século VIII, X são um hoje grupo de 1000 indivíduos.

Guaicuru Terror aregião d doPantanal e Chaco paraguaioe1720 d a 1780,izeram f acordos e d pazcomosportugueses eosespanhóis. Hojehá 1200deles, quesechamam kadiwéus moram e nóMatoGrossoo Sul. d

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