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Matemática - Conjuntos Númericos - Funções Funcao

Matemática - Conjuntos Númericos - Funções Funcao

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FUNÇÕES

Fenômenos do cotidiano de quem trabalha em determinadas áreas do conhecimento, como a Física, a Biologia, a Química, a Economia ou a Sociologia, podem ser modelados matematicamente e analisados usando-se funções. Com efeito, no estudo de um fenômeno, dados são coletados, organizados e analisados e, nessa análise, surgem as grandezas mensuráveis associadas ao fenômeno. Do estudo dessas grandezas, relações de dependência entre elas podem ser estabelecidas, indicando como a variação de algumas grandezas afeta a variação de outras. Muitas dessas relações são funções. Vamos ilustrar essas idéias com um exemplo histórico dos mais importantes: O astrônomo e físico italiano Galileu Galilei, fazendo várias experiências sobre a queda dos corpos, descobriu as leis da queda livre: A velocidade de um corpo em queda livre é proporcional ao tempo gasto nessa queda. O espaço percorrido por um corpo em queda livre é proporcional ao quadrado do tempo gasto no percurso. Assim, analisando os dados sobre experiências de corpos em queda livre, Galileu percebeu que a variação da distância d percorrida por um corpo que cai depende apenas do tempo t de percurso dessa distância. Simbolicamente essa dependência é indicada por d = f(t ) , conforme veremos mais adiante, e, então diz-se que a distância percorrida d é função do tempo de percurso t. G al il eu G ali l ei (1564-1642)
Imagem extraída de http://www.cepa.if.usp.br/e-calculo/ Último acesso em: 02/04/2007

----------------------------------

As funções com as quais trabalharemos aparecem em estudos de fenômenos nos quais a variação de uma grandeza depende apenas da variação de uma outra grandeza e essa relação de dependência pode ser representada por meio de fórmulas matemáticas. No decorrer destas Notas de Apoio, faremos vários outros exemplos, mas antes precisamos formalizar o conceito de função. Conforme dissemos, esse conceito pode aparecer quando tentamos estabelecer relações entre dois conjuntos. Observe, então, algumas relações que podem ser definidas entre os conjuntos A = { , 2, 3, 4} e 1
B = {2, 5, 7, 9, 0} :

a)

1 2 3 4 A

2 5 7 9 0 B

b)

1 2 3 4 A

2 5 7 9 0 B

c) 1 2 3 4 A
UFMS / CCET / DMT

2 5 7 9 0 B
DISCIPLINA: Matemática para Biologia

d) 1 2 3 4 A
CURSO: Licenciatura em Ciências Biológicas (EAD)

2 5 7 9 0 B
Profa. Sonia Regina Di Giacomo

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Note que nas relações descritas em a) e b), a cada número do conjunto A está associado um único número do conjunto B, além do que as associações estão bem definidas, pois cada número de A está associado a um único elemento de B. Observe que nas outras duas relações isso não acontece: em c) ao número 4 não está associado nenhum número e em d), ao número 3, estão associados dois números diferentes, 7 e 9. As relações descritas em a) e b) definem uma função do conjunto A no conjunto B, as descritas em c) e d), não definem; pois quando estabelecemos uma relação entre dois conjuntos não-vazios A e B essa relação somente definirá uma função quando as seguintes condições forem simultaneamente satisfeitas: Condição 1: Todo elemento x pertencente ao conjunto A tem um elemento y do conjunto B a ele associado. Condição 2: Cada elemento x de A não pode ter mais de um elemento de B a ele associado. Assim tome cuidado: nem toda relação entre dois conjuntos define uma função. Para definirmos uma função de um conjunto A em um conjunto B, não tem importância que tenham elementos no conjunto B sem elementos de A a eles associados e nem que existam elementos de B que tenham sido associados a elementos distintos de A. As condições 1 e 2 se referem apenas ao conjunto A. Voltando aos exemplos a) e b), qual é a função de A em B que essas duas relações definem? a) 2 5 7 9 0 B b)

1 2 3 4 A

1 2 3 4 A

2 5 7 9 0 B

A função que a relação descrita em a) define é a regra que “ao número 1 associa o número 2”, “ao número 2 associa o número 9”, “ao número 3 associa o número 5” e “ao número 4 associa o número 0”. A função que a relação descrita em b) define é a regra que “ao número 1 associa o número 7”, “ao número 2 associa o número 0”, “ao número 3 associa o número 7” e “ao número 4 associa o número 2”. Sejam A e B conjuntos não vazios. Chamamos de função f de A em B à toda regra que a cada elemento x de A, associa de maneira única um elemento y de B. Nessas condições, dizemos que o conjunto A é o domínio da função f e o conjunto B, o contradomínio da função f.

IMPORTANTE

Notações: Seja f uma função do conjunto A no conjunto B. 1. Denotaremos o fato de f ser uma função de A em B por f : A → B . 2. Seja x um elemento genérico do conjunto A. Se y for o único elemento do conjunto B associado a x, diremos que y é a imagem de x pela f e indicaremos esse fato por y = f(x ) . Exemplos: 1) Seja h : A → B a função definida pela relação indicada em a) .
1 Então conjunto A = { , 2, 3, 4} é o domínio de h e o conjunto B = {2, 5, 7, 9, 0} é o contradomínio de h. 2 = h(1) , 9 = h(2) ,

Podemos, também, escrever que
5 = h(3)

1 e
0 = h(4 ) ,

2 5 7 9 0 B

2 3 4 A

ou seja, 2 é a imagem de 1 pela h; 9 é a imagem de 2 pela h; 5 é a imagem de 3 pela h; 0 é a imagem de 4 pela h; 7 não é imagem de nenhum elemento de A.
UFMS / CCET / DMT DISCIPLINA: Matemática para Biologia

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2) Seja g : A → B a função definida pela relação indicada em b).
B = {2, 5, 7, 9, 0} é o contradomínio de g. 7 = g(1) , 0 = g(2) ,

O conjunto A = { , 2, 3, 4} é o domínio de g e o conjunto 1 1 e
2 = g(4 ) ,

Podemos, também, escrever que
7 = g(3)

2 5 7 9 0 B

2 3 4 A

ou seja, 7 é a imagem de 1 pela g; 0 é a imagem de 2 pela g; 7 é a imagem de 3 pela g; 2 é a imagem de 4 pela g; 5 e 9 não são imagens de nenhum elemento de A.

Observamos, mais uma vez, que alguns elementos do contradomínio de uma função podem não ser imagens, por não estarem associados a elementos do domínio. Vamos, então, diferenciar os elementos do contradomínio de uma função que são imagens, dos que não são, definindo o que denominaremos de conjunto imagem de uma função. Seja f : A → B uma função. Chamamos de conjunto imagem de f ao conjunto formado pelos elementos do conjunto B que são imagens de elementos do conjunto IMPORTANTE A. Assim o conjunto imagem de f é conjunto dos elementos y ∈ B para os quais existe um elemento x ∈ A tal que y = f(x ) . Denotaremos esse conjunto por Im(f). Exemplos: Considere as funções h : A → B e g : A → B definidas pelas relações indicadas em a) e em b). 1 2 3 4 A h 2 5 7 9 0 B 1 2 3 4 A g 2 5 7 9 0 B

Vemos, então, que Im(h) = {2, 5, 9, 0} e Im(g) = {2, 7, 0}. Dada uma função f : A → B , sabemos que a cada elemento x de A existe um único elemento y de B tal que y = f(x ) . A partir dessa dependência entre os elementos x de A e y = f(x ) de B, vamos definir mais um conjunto relacionado ao conceito de função: Seja f : A → B uma função. Chamamos gráfico de f ao conjunto formado pelos pares ordenados ( x , y ) tais que x ∈ A e y é o elemento único de B tal que
y = f( x ) .

IMPORTANTE

Denotaremos esse conjunto por Gr(f), assim Gr(f) = { (x , y ) tais que x ∈ A e y = f(x )} Podemos, ainda, escrever: Gr(f) = { (x , f(x )) tais que x ∈ A } .

Para as funções h : A → B e g : A → B definidas pelas relações indicadas em a) e em b), temos que: e Gr(h) = { ( 1 , 2), ( 2 , 9 ), ( 3 , 5) , ( 4 , 0 ) } Gr(g) = { ( 1 , 7 ), ( 2 , 0 ), ( 3 , 7 ) , ( 4 , 2) } .

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O domínio e o contradomínio de uma função não são, necessariamente, conjuntos numéricos, mas nós

R R só trabalharemos com funções f : A → B tais que A ⊂ I e B ⊂ I , assim os gráficos das funções que trataremos nestas Notas de Apoio serão formados por pares ordenados de números reais.
IMPORTANTE Como os números reais têm representações geométricas como pontos de uma reta, pares ordenados de números reais têm representação como pontos de um plano.

Para representarmos geometricamente um par ordenado de números reais como um ponto de um plano, fixamos nesse plano dois eixos perpendiculares, com a mesma origem O (Um eixo é uma reta na qual fixouse uma origem e um sentido de percurso, conforme fizemos na apresentação dos números naturais, inteiros, racionais e reais). y A menos que se afirme o contrário, trabalharemos com um eixo horizontal orientado da esquerda para direita e um eixo vertical orientado de baixo para cima . O eixo horizontal será chamado de eixo das abscissas, ou eixo Ox, ou simplesmente eixo x; e o vertical será denominado eixo das ordenadas, ou eixo Oy, ou eixo y. As unidades de medida não precisam ser, necessariamente, as mesmas, embora na O x maioria das vezes adotaremos esse critério. Fixados os eixos, um par ordenado ( a , b ) de números reais pode ser representado geometricamente, se executarmos os seguintes passos: 1. Determinar a representação geométrica do número real a no eixo x. 2. Determinar a representação geométrica do número real b no eixo y.

y

b

O

a

x

3. Traçar uma reta vertical pela representação geométrica de a e uma reta horizontal pela representação geométrica de b. 4. O ponto P de intersecção dessas duas retas é a representação do par ordenado de números reais ( a , b ) , com relação ao sistema de eixos Ox e Oy.

y
b P

Se P for a representação do par ordenado ( a , b ) , dizemos que os números a e b são as coordenadas do ponto P, mais especificamente, a é a abscissa de P e b, a ordenada de P.

O Veja alguns exemplos:

a

x

y
4

P1 = ( 1 , 1 ) ;

P7
B

P3
B

P2 = ( 3 , 1 ) ;

P4
B

2 1

P1
B

P6
B

P2
B

-4

-2

-1

O

1 -2

3

5

x

P6 = ( − 4 , 0 ) ; P7 = ( 0 , 4 ) ; P8 = ( 5 , − 2 ) .

P5 = ( − 2 , − 2 ) ;

P4 = ( − 1 , 2 ) ;

P3 = ( 5 , 4 ) ;

P5
B

P8
B B

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Observe que os eixos x e y dividem o plano em quatro quadrantes e as coordenadas dos pontos desses quadrantes têm características especiais. Observe: y 2o Quadrante
PU UP

1o Quadrante
PU UP

O 3o Quadrante
PU UP

x 4o Quadrante
PU UP

Se P = ( a , b ) é um ponto do 1o Quadrante, então a > 0 e b > 0 .
PU UP

Se P = ( a , b ) é um ponto do 2 Quadrante, então a < 0 e b > 0 .
o
PU UP

Se P = ( a , b ) é um ponto do 3o Quadrante, então a < 0 e b < 0 .
PU UP

Se P = ( a , b ) é um ponto do 4 Quadrante, então a > 0 e b < 0 .
o
PU UP

Se P = ( a , b ) é do eixo Ox, então b = 0 . Se P = ( a , b ) é um ponto do eixo Oy, então a = 0 . O ponto O é a origem do nosso sistema de eixos e suas coordenadas são O = ( 0 , 0 ) Um plano munido de um eixo vertical e de um eixo horizontal, com a mesma origem, conforme definimos, pode ser denominado plano cartesiano. Vamos representar geometricamente os gráficos das nossas funções g e h: Gr(h) = { ( 1 , 2), ( 2 , 9 ), ( 3 , 5) , ( 4 , 0 ) }

Y
9

5 2

O

1 2 3 4

x

Gr(g) = { ( 1 , 7 ), ( 2 , 0 ), ( 3 , 7 ) , ( 4 , 2) } .

Y

7

2

O

1 2 3 4

x

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Conforme já dissemos, em nossas Notas de Apoio, só trabalharemos com funções IMPORTANTE

R R f : A → B tais que A ⊂ I e B ⊂ I . Esse tipo de função é denominado função de uma variável real a valores reais, pois se a ∈ A e b = f(a ) , tanto a quanto b

são números reais. Como trabalharemos apenas com funções de uma variável real a valores reais, os domínios e os contradomínios das nossas funções serão subconjuntos de I . Mas que tipos de subconjuntos? Os nossos R dois exemplos iniciais têm domínio de contradomínio finitos, mais do que finitos, são finitos com poucos elementos. Por isso é que a regra que define as funções g e h foram apresentadas explicitando-se qual elemento do conjunto B estava associado a qual elemento do conjunto A por meio de diagramas e flechas. Mas no que se segue, isso não acontecerá sempre, pelo contrário, quase sempre trabalharemos com funções cujos domínios e contradomínios serão o próprio I ou subconjuntos infinitos de I . A regra que R R define uma função desse tipo é indicada por lei matemática, em geral uma equação (embora existam funções definidas por várias equações). Usaremos, então, duas notações para indicar nossas funções:
f:A → B

xa y onde A e B são conjuntos e x a y indica a regra que permite associar a cada elemento x de A um elemento único elemento y de B, ou y = f(x ) , para x ∈ A. Neste caso, dizemos que x é a variável dependente, y é a variável independente e y é função de x. Essa notação y = f(x ) foi concebida pelo matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), considerado o mais prolífico matemático que já apareceu.

Exercícios

Leonhard Euler[1]
B

Antes de iniciar o nosso estudo de funções de uma variável real a valores reais, vamos exercitar os conceitos e as nomenclaturas definidos até agora. Para isso, considere as funções f, g e h definidas pelos diagramas abaixo: 0 6 8 A f 6 8 H h 3 2 1 2 2 9 3 1 J g 6 4 3

B

G

K

1) Determine o domínio, o contradomínio e o conjunto imagem das funções f, g e h. 2) Determine o gráfico das funções f, g e h e represente cada um deles em um sistema cartesiano de eixos 3) Determine f(6) , f(8) , g(6) , h(9) , h(1) , h(2) ,

No endereço abaixo, você pode encontrar informações sobre as Leis do Pêndulo, as Leis da Queda Livre e outras informações sobre Galileu.

http://www.searadaciencia.ufc.br/folclore/folclore108.htm. Último acesso em 26/ 03 / 2008. [1] Imagem extraída de : http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/PictDisplay/Euler.html l.(Acesso em 26/03/08)
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