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08. Responsabilidade Civil Do Estado

08. Responsabilidade Civil Do Estado

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Responsabilidade Civil do Estado - Fundamentos da responsabilização: Princípios: não são os mesmos da responsabilidade do direito civil; tem princípios próprios

. O administrado não pode recusar / afastar a atuação do Estado então precisa de uma proteção a mais. É nessa idéia que se funda a responsabilidade civil do Estado: proteção maior do que no direito privado. O Estado se submete a uma ordem jurídica una, sendo assim, não há como não tratar o Estado como responsável. Se todos os causadores de prejuízos são responsabilizados, assim como particular, o Estado deve ser responsabilizado (nada mais justo). Não há como pensar que o particular se submete e o Estado não! O ordenamento jurídico é uno. A responsabilidade, acima de tudo, é exercício do p. da isonomia administrado tem direito à indenização, por ex., por causa de um prejuízo que sofreu diante de uma atuação do Estado que cause benefício à coletividade. Ex.: construção de um presídio ao lado de sua casa. Restabelecimento do tratamento de isonômico - você não vai suportar sozinho o prejuízo pela atuação estatal. - Evolução da responsabilidade civil do Estado: 1. Teoria da Irresponsabilidade do Estado No primeiro momento, o Monarca ditava as regras. Será que ele iria reconhecer um erro seu? Uma regra errada? Era a teoria da irresponsabilidade do Estado, que dizia que o Estado não responde - a regra ditada pelo Monarca é a própria verdade, o Monarca não errava nunca. Hoje os doutrinadores falam que o Brasil não passou por esse momento. 2. Teoria da Responsabilidade Subjetiva No segundo momento, o Estado começa a aparecer como sujeito responsável. Inicialmente, somente em situações específicas - não existia uma regra geral como temos hj. Isso evoluiu e essas normas específicas que eram poucas foram substituídas por uma teoria (é a primeira teoria): teoria da responsabilidade subjetiva. Teoria da responsabilidade subjetiva: adotada no Brasil com Código Civil de 16 (art. 15). Estado como sujeito responsável, mas com responsabilidade subjetiva. Quatro elementos compõem a responsabilidade subjetiva: a. Conduta b. Dano 1

c. Nexo causal entre conduta e dano d. Culpa ou dolo (elemento subjetivo). Se o administrador só pode fazer o que a lei manda e agiu com, no mínimo, imprudência, negligência ou imperícia, então a conduta é ilícita. desta forma, só se fala em responsabilidade subjetiva em conduta ilícita. Desta forma, fundamento dessa responsabilidade é o p. da legalidade. É possível excluir essa responsabilidade? Se não existe qualquer um dos elementos, há uma excludente da responsabilidade. A responsabilidade pode, assim, ser afastada. Nos primeiros tempos, a responsabilidade subjetiva dependia da culpa ou dolo do agente (pessoa natural) - tinha que provar quem foi o agente que agiu com dolo ou culpa. É muito difícil para o administrado provar isso - ele sabe que sofreu prejuízo, dano, mas como saber quem era o gente? Houve evolução neste ponto: passa-se a admitir a culpa no serviço - independentemente da pessoa natural. Basta provar que o serviço não foi prestado, que o foi de maneira ineficiente ou de forma atrasada - se souber quem é o agente, pode indicar (o que for mais benéfico para a vítima). É a chamada culpa do serviço ou culpa anônima. 3. Teoria da Responsabilidade Objetiva O Estado evoluiu de novo e chegou o terceiro momento da responsabilização: teoria da responsabilidade objetiva. No Brasil, aconteceu na CR/46 - a responsabilidade objetiva passou a ser a regra geral. A responsabilidade objetiva veio até hoje com melhoramentos. A CR/88 trouxe novidades em tema de responsabilidade, que é o reconhecimento do dano moral causado pelo Estado. O Estado é responsável tanto pelo dano material quanto pelo dano moral. - Responsabilidade objetiva: 1. Elementos: a. Conduta b. Dano c. Nexo Causal entre conduta e dano Se é objetiva, não precisa de elemento subjetivo (culpa ou dolo) então essa responsabilidade objetiva pode decorrer tanto de conduta lícita ou ilícita. 2. Fundamento da responsabilização

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Fundamento para esta responsabilidade, em se tratando de conduta lícita, é p. da isonomia. Se, na legalidade, há dever de indenizar, quanto mais na ilegalidade - então, na conduta ilícita, o fundamento da responsabilidade é o p. da legalidade. Conduta ilícita Conduta lícita   p. legalidade p. isonomia

3. Como se afasta responsabilidade objetiva? Exclui-se a responsabilidade objetiva afastando a conduta, o dano ou o nexo - ou, em suma, afastando-se o nexo (pq se não tem conduta ou dano, não tem nexo).

4. Teorias: há duas teorias – teoria do risco integral e teoria do risco administrativo. Teoria do risco integral: - Sempre que existir dano, o Estado tem que indenizar - não se admite excludente quando há dano. - Não é a teoria que o Brasil adota, de acordo com a doutrina mais moderna. Mas, atenção, pq HLM acha que o Estado responde na t. do risco integral se for material bélico ou substância nuclear (cuidado: essa opinião cai em prova!!!). Teoria do risco administrativo: - É possível excludente (regra no Brasil) - afastando conduta, dano ou o nexo. Mas a doutrina brasileira traz um rol exemplificativo (com isso, vai afastar a conduta o dano ou nexo): • Culpa exclusiva da vítima, • Caso fortuito e força maior Outros casos: • Ato de multidão: se quem causou foi terceiro, não existiu conduta do Estado, ele não será responsabilizado (embora não esteja na "Listinha" da doutrina ). • Culpa concorrente da vítima: o Estado responde, mas o valor da indenização será reduzido (proporcional à participação do Estado).

5. Tipos de responsabilidade:

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Uma mesma conduta do agente pode gerar várias responsabilizações diferentes: civil, administrativa, penal. a. Responsabilidade civil - ajuíza ação civil. Ilicitude civil. b. Responsabilidade penal - ajuíza ação penal. Ilicitude de penal. c. Responsabilidade administrativa - processo administrativo disciplinar. Infração. Pode gerar resultados diferentes, condenar em um e absolver o outro – p. da independência das instâncias. Mas, excepcionalmente, há comunicação entre as instâncias: • Há uma hipótese importante, que leva à absolvição automática : sujeito absolvido no processo penal por inexistência do fato ou por negativa de autoria será automaticamente absolvido tanto na instância cível quanto na administrativa. Ver art. 126 da Lei 8112/90; art. 935 CC; art. 65 e sgts CPP.

Tb se admite comunicação, mas não leva absolvição total, em outro caso: se o sujeito é absolvido pelo reconhecimento de uma excludente, isso faz coisa julgada no cível e no administrativo - ou seja, não se discute mais a existência da excludente. Mas, não quer dizer que haverá absolvição total pode, por ex., responder na esfera cível pelos excessos na excludente.

- Responsabilidade civil no Brasil hoje: É uma responsabilidade extracontratual, não decorre de contrato. Fundamento é o art. 37, § 6º da CR/88:
Art. 37, § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Principais Elementos: 1. Qto ao sujeito: a. Quem pode ser sujeito? Quem se submete à regra do art. 37, § 6º? • PJ de direito público: União, Estados, DF, Municípios + autarquias, fundações públicas de direito público. 4

PJ de direito privado: EP, SEM, fundação pública de direito privado. Qualquer EP ou SEM pode ser sujeito? NÃO, somente quando prestadora de serviço público.  O mesmo vale para a fundação pública de direito privado. • Concessionárias e permissionárias de serviço público. • Entes de cooperação quando prestam serviços públicos .

b. Quem pode ser o "agente" o que o art. 37, § 6º fala? Se o agente foi nomeado de forma ilegal, o Estado responde aplicação da t. da aparência. Então, o Estado responde se for agente ou se parecer agente. c. A responsabilidade pode ser primária ou subsidiária. Primária Subsidiária É primária quando a PJ É subsidiária quando a PJ responde por ato de responde por ato de agente que agente SEU. não é seu.  Responsabilidade subsidiária: Se o Estado é chamado à responsabilidade para responder por ato de agente de autarquia, por ex., é responsabilidade subsidiária. Lembrar que é serviço público e, como tal, deveria ser prestado pelo Estado (é dever, obrigação do Estado) - ele não pode se eximir se transferiu serviço. Na responsabilidade subsidiária tb existe uma ordem de preferência - primeiro, PJ paga; se não tiver como pagar, aí chama Estado. Mas, em alguns casos, a lei já reconhece a responsabilidade solidária do Estado - o que exclui essa ordem de preferência. A regra é ser subsidiária - no Brasil há solidariedade em PPP (Lei 11.079/04 que estabelece o compartilhamento dos riscos).  O fato de a responsabilidade ser subsidiária ou solidária não exclui o fato de ser responsabilidade objetiva ou ser subjetiva.

2. Quanto à conduta lesiva: - O Brasil aceita, de forma harmônica, as duas teorias: responsabilidade objetiva e subjetiva. Em regra, ela será objetiva.

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A conduta lesiva pode se dar por: a. AÇÃO (conduta comissiva). Nesse caso, a responsabilidade do Estado é objetiva - seja por atos jurídicos ou atos materiais. Ex.: simples ato material - implosão de prédio, qdo está caindo, gera dano - responsabilidade objetiva. A conduta pode ser lícita ou ilícita - tanto faz, vai ser responsabilidade objetiva. b. OMISSÃO (conduta omissiva) A conduta lesiva tb pode se dar por omissão. Se o Estado tinha o dever de prevenir / evitar o prejuízo, responde Ex.: preso que suicida com a arma que entrou em um bolo. A responsabilidade é subjetiva. O Estado responde O Estado responde apenas se havia dever legal de prevenir / evitar o prejuízo e o dano era evitável. O Estado NÃO responde Se prestou serviço no padrão normal e se o dano era inevitável, o Estado não responde - ver ADPF 45 (p. da limitação da reserva do possível).

Então, além da ilicitude tem que analisar: • Se havia o dever legal de prevenir / evitar o resultado; • Se o serviço foi prestado no padrão normal e • Se o dano era evitável ou não.  Risco criado pelo próprio Estado: • Ex.: Estado coloca presídio dentro da cidade, no centro - preso foge e entra numa casa. É ação, criação de RISCO (assumir o risco maior) - e então, a responsabilidade é OBJETIVA.

E se presídio estava a 100 quilômetros da cidade, o preso fugiu, roubou carro e foi para a cidade? Nesse caso, o Estado só responde pela omissão (o preso fugiu) responsabilidade SUBJETIVA. E se um preso mata o outro no presídio? O Estado responde - em regra, deveria ser subjetiva, teria que provar a omissão. Mas a jurisprudência já reconhece responsabilidade objetiva, pois colocam muitos presos na mesma cela. Estado que armazena material bélico - cria risco maior, logo, a responsabilidade é OBJETIVA.

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3. Quanto ao dano: Para ser possível a responsabilização do Estado, o dano tem que ser: a. Jurídico Para ter responsabilidade civil do Estado, não basta um dano qualquer. Não basta ser dano econômico - precisa de um dano jurídico! A conduta tem que gerar lesão a um DIREITO do particular (dano jurídico). Ex.: o Estado faz um museu - vários comerciantes se estabelecem ao redor - o Estado tira o museu de lá - os comerciantes vão à falência. Não há responsabilização do Estado nesse caso pq há apenas dano econômico. O Município que muda um bairro residencial para bairro misto - tb não há responsabilização do Estado pq não lesa direito. b. Certo O dano tb tem que certo, que é aquele determinado ou determinável. c. Anormal Ainda, o dano tem que ser anormal. Ex.: pessoa que sai de casa 2h antes para uma reunião no centro não consegue chegar por causa do congestionamento – perde o contrato pq o cliente vai embora. Estado não responde pq entende que congestionamento é dano normal . d. Especial O dano tb tem que ser especial, ou seja, vítima particularizada. Ex.: lei que prejudica toda a sociedade - não há dano especial. - Ação: A vítima que sofre prejuízo, ajuíza ação em face do Estado. Responsabilidade do Estado é, em regra, OBJETIVA - mas, o Estado pode ajuizar ação autônoma de regresso contra o agente. Jurisprudência hoje entende que para Estado ajuizar ação de regresso contra o agente, o Estado tem que ter sido condenado na ação movida pela vítima, mas não precisa de sentença transitada em julgado. A responsabilidade na ação regressiva é SUBJETIVA - art. 37, § 6º, parte final CR.

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Objeti va víti ma Estado Subjetiva agente  Jurisprudência: responsabilidade objetiva é para beneficiar a vítima (responsabilidade objetiva face Estado) - mas, se ela quiser, pode abrir mão desse benefício e ajuizar apenas contra agente – só que nesse caso, tem que provar culpa ou dolo do agente (responsabilidade subjetiva). E pode tb cobrar do Estado + agente em litisconsórcio, só que nesse caso, é com base em culpa ou dolo, quem dita a regra é responsabilidade subjetiva. Ver art. 70, III CPC.
Art. 70. A denunciação da lide é obrigatória: III - àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a demanda.

2 entendimentos: Administrativistas: não tem denunciação Para o direito administrativo não se admite denunciação no Brasil. O regresso deve ser por meio de ação autônoma. Denunciação representa para o processo trazer a discussão de culpa ou dolo, o que vai tumultuar ou procrastinar o processo. STJ: possível denunciação Para o STJ, a denunciação é possível. A denunciação é exercício do p. da economia e celeridade. É aconselhável, não obrigatória - então, segundo STJ é decisão facultativa da AP. Sendo assim, se o Estado não faz, não há nulidade alguma para o processo e o Estado tb não perde direito de regresso (embora o art. 70 fale "obrigatória", não perde, pois o direito de regresso é constitucional - o CPC não pode impedir). Vimos que são excludentes de responsabilidade: • culpa exclusiva • caso fortuito e força maior Exclusão da responsabilidade do Estado frente à vítima. Se Estado denunciar a lide, reconhece a culpa ou dolo do agente, então não vai poder alegar excludente frente à vítima! Por isso, a jurisprudência entende que tem

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que ser facultativo, pois ao denunciar o agente, o Estado está "assumindo" que houve dano causado pelo agente. Então, a denunciação é benéfica para a vítima! Há algumas decisões que entendem tb que só pode haver denunciação se a vítima tiver tocado nesse assunto (culpa ou dolo do agente) - senão, é fato novo. - Prazo prescricional: Vítima x Estado • Ação ajuizada face PJ de direito público: majoritário é que o prazo é de 5 anos (Decreto 20.910/32), prescrição qüinqüenal.

Ação ajuizada face PJ de direito privado: a maioria entende que se aplica prazo do Código Civil para a reparação de danos - 3 anos (art. 206, § 3º, V NCC).

Estado x Agente: Prazo prescricional para Estado cobrar do agente aplica-se o art. 37, § 5º da CR. Não há prescrição, pode ser cobrada a qualquer tempo.

 JSCF: tanto PJ de direito público qto privado: 3 anos.

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