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Relatório de Estágio 02 de junho 2010 - Matheus Zago - 10082148

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FACULDADE PITÁGORAS DE UBERLÂNDIA

MATHEUS JONES ZAGO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO: J.A.E. PRODUTOS ALIMENTÍCIOS CONGELADOS LTDA. (SORVETERIA SÓ DA FRUTA)

UBERLÂNDIA 2010

MATHEUS JONES ZAGO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO: J.A.E. PRODUTOS ALIMENTÍCIOS CONGELADOS LTDA. (SORVETERIA SÓ DA FRUTA)

Relatório de Estágio Supervisionado apresentado ao Curso de Graduação em Administração, da Faculdade Pitágoras de Uberlândia, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração.

Orientadora: Prof. Esp. Morais (PITÁGORAS)

Rosilene

A.

UBERLÂNDIA 2010

1

INTRODUÇÃO

O ambiente altamente competitivo, aliado ao fenômeno cada vez mais amplo da globalização dos mercados, exige das empresas maior agilidade, melhores performances e a constante procura por redução de custos (CHING, 2001).
Teoricamente, a administração da produção envolve o mesmo conjunto de atividades para qualquer tamanho de organização. Entretanto na prática, administrar a produção em organizações de pequeno e médio porte possui seu próprio conjunto de problemas. Empresas grandes podem ter os recursos para destinar profissionais a desempenhar funções organizacionais específicas, o que geralmente não ocorre com empresas menores. Isso significa que as pessoas podem ter que executar diferentes trabalhos, conforme a necessidade. (SLACK, 2002 p. 33)

Com o passar do tempo, verificou-se que locais inadequados ocasionavam um alto custo para as organizações. Segundo Moura (1997), a armazenagem tornou-se uma estratégia das empresas para reduzir o custo dos produtos. Assim o tema deste relatório é a análise de custos de estocagem de uma indústria de pequeno porte com gestão familiar, produtora de sorvetes e produtos congelados. É sabido que as empresas nos últimos anos têm dado maior importância a este estudo, pois a redução de custos é uma vantagem competitiva. Segundo Michael Porter (1980), uma empresa pode conseguir vantagem competitiva sustentável por meio de custos, diferenciação ou enfoque. Mesmo quando a opção da empresa é pela diferenciação, os custos não podem ser esquecidos. O objetivo deste estudo é elaborar um plano de custos para minimizar os gastos indevidos no processo de estocagem da Sorveteria Só da Fruta (J.A.E. Produtos Congelados Alimentícios LTDA) e propor soluções de melhoria. Ching (2001) estabelece que os níveis de estoque e as suas localizações são apenas uma parte do problema do controle de estoque. Quanto maiores as quantidades estocadas, maiores serão os custos de manutenção. Quanto maior for a quantidade do pedido, maior será o estoque médio e mais alto será o custo de mantê-lo. O estudo se justifica uma vez que é vital para o funcionamento de uma empresa saber quais estratégias devem ser utilizadas para garantir um bom desempenho na área de estocagem, e uma redução de custos durante o processo de armazenagem.

2 A EMPRESA Ainda longe dos números registrados nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o consumo de sorvete no Brasil, segundo consultores de varejo, cresce a cada ano. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Sorvete (ABIS, 2008) o setor reúne cerca de 10 mil empresas no Brasil e faturou US$ 836 milhões em 2004. Os dados preliminares de 2005 revelam um aumento na produção e no faturamento, que já atingiu US$ 839 milhões. Finlândia, Dinamarca e Noruega o consumo de sorvete é em média de 30L sorvete/ano, já no Brasil esse número é menor, 3,5L sorvete per capita. Nos próximos anos esperam-se um consumo de 8 a 10 litros por pessoa ao ano. O consumo de sorvetes no país atingiu 954 milhões de litros por ano (2008) e o consumo por habitante teve alta de 23,27%. A Associação Brasileira da Indústria de Sorvetes prevê, para os próximos dez anos, necessidade de investimentos no desenvolvimento tecnológico e em novos estudos nutricionais para manter o mercado aquecido. A J.A.E. Produtos Alimentícios Congelados Ltdm, representada pela marca Só da Fruta, é uma empresa familiar de pequeno porte que atua no mercado de Uberlândia e região. Possui em sua linha de produtos: sorvetes, picolés, tortas, bombons de sorvetes e petit gateau. Possui um mix com mais de 100 sabores diversificados de picolés e sorvetes. A empresa atua no setor de varejo e atacado, possui parcerias em Uberaba, Ribeirão Preto e Monte Alegre. A sorveteria Só da Fruta iniciou suas atividades em 2005, num bairro localizado na zona sul de Uberlândia, com uma produção artesanal visando atender os moradores do bairro Karaíba. Logo em seguida instalaram-se no centro de Uberlândia onde hoje produz os seus produtos. Sua missão é satisfazer os seus clientes e produzir seus produtos com alta qualidade. A sorveteria é composta por 8 funcionários que realizam atividades de produção, limpeza, caixa, gerenciamento de estoque, vendas e atendimento a clientes e fornecedores.

DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

A sorveteria é composta por três sócios (irmãos) e possui gestão de uma empresa familiar de pequeno porte. A empresa possui outros cinco trabalhadores em seu quadro de funcionários: um funcionário responsável pela limpeza do ambiente e organização do local, esse funcionário obrigatoriamente não participa da produção para não contaminar qualquer

produto produzido seguindo as Normas da ANVISA (portaria nº 326, de 30 de julho de 1997 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anexo 1 itens 5 e 6). Três funcionários são responsáveis pela produção, executam tarefas de pesagem de ingredientes, seleção das frutas, manutenção das máquinas, produção de sorvetes, picolés e armazenamento dos produtos. Um funcionário responsável pelo caixa, atendimento a clientes e organização do local, (esse funcionário também não participa da produção seguindo as Normas da ANVISA). Um dos sócios é responsável pela parte de marketing e venda de produtos. Outro sócio é responsável pelo financeiro da empresa e o último sócio é responsável pela produção. A atividade desenvolvida no estágio foi executar um papel de auxiliar administrativo: efetuar transações bancárias, controlar a entrada e saída de produtos e matérias primas no estoque, zelar pela higiene, limpeza, conservação do ambiente, realizar e atender chamadas telefônicas, anotar e enviar recados. Atender os clientes em geral, receber, entregar, levar e buscar documentos da sorveteria, acompanhar entrega de produtos, emissões e recebimento de notas fiscais.

4 DIAGNÓSTICO SITUACIONAL

O planejamento é fundamental para o desempenho da empresa, pois com o planejamento estratégico a empresa não só aumenta as chances de sucesso como também contribui para melhorar sua relação com clientes, funcionários e fornecedores. De acordo com Júnior (2008) é necessário, que as empresas busquem adotar metodologias de trabalho que sejam dinâmicas e que lhes proporcionem maior competitividade, velocidade e baixo custo. A sorveteria não possui um planejamento formal, e sim um planejamento intuitivo e pouco formalizado por parte dos sócios que possui características de uma organização simples com uma gestão centralizada. Observa-se os sócios suficientemente próximos aos seus empregados, para explicar-lhes, no momento adequado, toda e qualquer mudança de direção. O Planejamento reduz incertezas, diminui riscos, otimiza o tempo de execução das tarefas, maximiza a utilização dos recursos e demarca pontos de controle para a verificação do andamento da realização dos trabalhos. Com o planejamento a empresa cumpre todos os seus compromissos com seus clientes, fornecedores e funcionários. Por se tratar de uma empresa de porte pequeno, a sorveteria procura manter uma boa relação com essas pessoas.

A sorveteria analisa a opinião das pessoas utilizando degustação de seus produtos em locais públicos, realiza também testes para checar a qualidade de picolés e sorvetes. Utiliza em sua produção, matéria prima diferenciada, frutas selecionadas e equipamentos adequados para uma produção de qualidade. A Só da Fruta é uma empresa de pequeno porte, não se observa barreiras na comunicação entre funcionários, a comunicação é feita de forma direta e a informação é passada dos sócios para os funcionários através de diálogo. A empresa não possui um setor de recursos humanos e recrutamento definido. Os gerentes são responsáveis pela contratação de funcionários, assim como orientação para todo o treinamento de produção e vendas. A sorveteria conta com a ajuda de uma empresa prestadora de serviços que proporciona a oficialização, desligamento de funcionários, férias, décimo terceiro, obrigações trabalhistas, seguindo as normas do sindicato da indústria de alimentos. A sorveteria oferece bonificações e aumento no salário por mérito de seus funcionários, essas medidas são as principais responsáveis pela motivação destes. Observa-se que elogios por parte dos sócios também motivam os trabalhadores durante a execução de tarefas. A carga horária dos funcionários é de oito horas diárias, com descanso de 1 hora para almoço, e um descanso semanal, horas extra e feriados a empresa segue corretamente os padrões da CLT (Consolidações das Leis de Trabalho no Brasil). A empresa oferta seus produtos com base no mercado e na concorrência. A região de Uberlândia possui muitos produtores de sorvetes, os principais concorrentes da sorveteria Só da Fruta são: Frutos do Cerrado, Pistachios e Bona Fruta, que também são empresas especializadas na produção de sorvetes de diversos sabores. A diferenciação de produtos, a qualidade na fabricação e o preço acessível para seus clientes, tornam a sorveteria uma empresa competitiva no mercado de Uberlândia. Os gerentes são responsáveis pela estipulação do preço dos produtos, toda a parte de produção, vendas, custos, gastos com produção, energia, aluguel, transportes e entregas é controlada. A utilização de folders e panfletos facilita a divulgação da sorveteria na região de Uberlândia e é a principal forma de propaganda da empresa. O marketing boca a boca também é muito utilizado, por tratar-se de uma empresa familiar. O aluguel de um ponto

localizado no centro da cidade facilita as vendas e o marketing da empresa, pois é um local de fácil acesso (localizado na av. Getúlio Vargas) e grande circulação de pessoas e carros. Para o controle de seus clientes e fornecedores, a sorveteria utiliza pastas para o armazenamento de dados. Compras, vendas e informações (nome, endereço, telefone, email) são registradas nessas pastas, assim os sócios podem conferir informações importantes referente a seus contatos, preços e produtos vendidos. A sorveteria não cadastra clientes que compram na loja pequenas quantidades, apenas cadastra os revendedores que compram em grandes quantidades. Esses revendedores recebem uma tabela de preço diferenciada dos clientes normais, o preço é mais barato, porém o revendedor deve fazer o pedido com antecedência, para evitar o esgotamento de estoque. A maior parte da receita da sorveteria Só da Fruta vem das vendas de sorvetes e picolés, uma pequena parte da receita vem com a venda de produtos de conveniência (refrigerantes, balas, chicletes, bombons, água). Observa-se o aumento das vendas de tortas de sorvetes (atividade se iniciou em janeiro de 2009 e tem–se mostrado muito efetiva). Os sócios esperam que futuramente a venda de tortas seja a principal fonte de recurso para a empresa. Os Todos os documentos estão organizados de modo que se possa tomar conhecimento imediato dos pagamentos recebidos e cobrar com rapidez os atrasados, os pagamentos de impostos, taxas e encargos sociais são feitos em dia. Para cobrir baixas de caixa, a empresa estuda todas as possibilidades, como negociar prazos maiores com fornecedores ou dividir alguma compra em mais prestações. Os principais gastos da empresa são: aluguel, energia, fornecedores, funcionários, telefone e água. Todas as contas são pagas em dia, com isso evitam-se multas e juros posteriores. Todo o excedente de caixa da empresa é aplicado em fundos de investimentos fixos, por escolha dos sócios, que optam por investir de maneira conservadora e segura. O orçamento da empresa é controlado e comparado com os demais meses e anos, em reuniões mensais com os sócios. As imobilizações são estudadas com cuidado, procura-se analisar o retorno sobre o investimento de cada uma. Compra de freezers e equipamentos requerem muita atenção por parte dos sócios, pois possui alto valor imobilizado, esse é um problema enfrentado pela sorveteria. Esse problema será estudado e analisado no item seguinte.

5 PROBLEMA A SER ESTUDADO

Para manter as atividades da sorveteria é necessário o funcionamento constante de 13 freezers (três destinados à produção e dez para a estocagem de produtos finalizados), os da produção armazenam polpa de frutas, caldas e matéria prima congelada, os de estocagem armazenam os produtos finais como picolés, sorvetes à granel, bombons congelados e tortas. Cada tipo de produto deve ter um freezer separado (ou seja, sorvetes são armazenados junto com sorvetes, e picolés com picolés) essa medida garante a qualidade do produto e evita danos. Um freezer horizontal custa em torno de R$ 1.600,00 e tem média 312 watts de potência. O quadro abaixo mostra o consumo de energia dos freezers da empresa: Potência: Freezer Metalfrio DA 550 345 watts 8,2 kW 248,4 kW Consumo dos 13 freezers 4,4 kWh 107,6 kW 3.229 kW

Por hora Por dia Por mês

Os freezers possuem 1,5m de largura externa e 0,72m de profundidade externa, somados os 13 freezers ocupam 14,24 m² representando 15% do espaço físico da sorveteria, eles dividem o espaço com clientes, mesas, cadeiras, caixa, escadas. Um freezer horizontal ocupa um espaço de 1,10 m² e consegue armazenar cerca de 2.000 picolés ou 20 caixas de 10 litros de sorvetes. O processo de armazenamento é um processo lento, pois cada produto deve ser estocado de maneira uniforme de modo que se ocupe todo o espaço do interior do freezer. Todos os produtos devem estar no mesmo nível (começando pela base e ocupando toda a capacidade). Do mesmo modo é o processo inverso (para venda ou transporte) é necessário organizar cada freezer de maneira que nenhum produto fique amontoado em apenas um lugar ou ultrapasse o limite de estocagem (requisito para congelamento por completo do freezer). Para o armazenamento de picolés é necessário uma atenção ainda maior. Por ser um produto pequeno e frágil deve ser estocado de maneira que não se misture com nenhum outro produto, de forma organizada respeitando os níveis limite de cada freezer. Observa-se uma demanda grande de tempo durante a estocagem e organização dos freezers, as tampas dos freezers permanecem abertas durante todo o processo e isso faz com que o ar frio armazenado no interior dos freezers saia. Com isso é necessário mais tempo e

mais energia para os freezers cheguem à sua temperatura ideal. Os freezers também necessitam de manutenção constantemente, pois armazenam toda a produção do estabelecimento, qualquer curto-circuito, ou problemas elétricos pode comprometer toda a produção. Outro ponto negativo para as instalações de freezers, além do alto consumo de energia, e de sua manutenção, é o espaço ocupado por eles. Os freezers utilizam grande parte do espaço físico do estabelecimento, espaço que poderia ser alocado para aumento da capacidade de atendimento. A escolha do problema é justificada, pois, como foi observado, o gasto de energia elétrica somado à dificuldade de estocagem e alocação de espaço consistem em um grande desafio para os gerentes da sorveteria. O melhoramento do processo de estocagem e a utilização de todos os recursos disponíveis de forma econômica e rápida visando à redução de custos são metas que devem ser cumpridas para a empresa manter uma vantagem competitiva sustentável. 6 REFERENCIAL TEÓRICO São várias as ferramentas que auxiliam os gerentes e demais executivos para o controle de estoque e facilitam as nossas previsões. A previsão é a única maneira de nos precavermos das incertezas que poderão advir e nos possibilita a elaboração de um plano de ação para antever o futuro. Segundo Gonçalves (1979), é importante salientar que todas as previsões são estimativas de valores, diferindo entre si pela extensão dos erros cometidos, entre o valor real e o valor previsto. Por outro lado, fazer previsões só será justificado se os resultados produzirem benefícios maiores que os custos e o tempo gasto na elaboração das estimativas. Em termos de horizonte de planejamento, poderemos considerar três tipos de previsão:
Previsão a curto prazo – Normalmente num horizonte de um a dois anos. Sua finalidade é proporcionar informações para as decisões que regularizam a gerência do dia-a-dia; lidando conseqüentemente com a manipulação de um volume limitado de recursos; por exemplo, nível de estoque que deverá ser mantido em um determinado mês do ano. Previsão a longo prazo – Normalmente num horizonte superior a cinco anos. Sua finalidade primordial é o fornecimento de informações para as decisões de alto nível e, conseqüentemente, visando a limitação ou ampliação de recursos. Previsão a médio prazo – normalmente num horizonte superior a cinco anos. É uma posição intermediária entre a previsão a curto e longo prazos. (Gonçalves, P. S. 1979, pág. 1)

Segundo Furlan (2007), o setor da indústria alimentícia de maneira geral tem muito a comemorar. No Brasil, os índices de exportações de carne bovina, frango congelado e frutas são cada vez maiores. Esse impulso nas vendas externas serve para alavancar o desenvolvimento de toda a cadeia logística e de suprimentos e, por conseqüência, a indústria de refrigeração voltada para o mercado de alimentos. As empresas do setor alimentício buscam alternativas para a manipulação de seus produtos (transporte, estocagem, higiene, conservação) para aumentar sua produtividade e reduzir custos. Cada tipo de alimento tem características próprias a serem mantidas e, assim, necessidades de diferentes tipos de equipamentos de refrigeração. Ainda de acordo com Furlan (2007) um sistema de refrigeração adequado é fundamental para que haja uma considerável conservação de energia elétrica. Um sistema inadequado ou mal dimensionado ficará mais tempo ligado para atingir a temperatura desejada de determinado produto e com isso também há risco de diminuir a vida útil do equipamento. Para Martins (2003), é importante analisar os custos dos estoques em seus diversos aspectos e facilitar a compreensão dos gestores responsáveis pela administração financeira da empresa assim os estoques têm a função de trabalhar como reguladores do fluxo de negócios. Quando a velocidade de entrada de produtos é maior que a de saída, o nível de estoque aumenta. Se ao contrário, mais itens saem, são demandados ou consumidos do que entram, o estoque diminui. Como os estoques constituem uma parcela considerável dos ativos da empresa, eles devem receber um tratamento especial. Segundo Martins (2003) Os estoques são classificados, principalmente para efeitos contábeis, em cinco categorias:

Estoques de matéria primas: são todos os itens utilizados nos processos de transformação em produtos acabados. Todos os materiais armazenados que a empresa compra para usar no processo produtivo fazem parte do estoque de matérias-primas, independentemente de serem materiais diretos, que se incorporam ao produto final. Assim, matéria-prima pode ser um componente de alta tecnologia, como, por exemplo, um computador de bordo para aviões, ou mesmo um pedaço de madeira a ser utilizado na embalagem de um produto ou uma graxa para o mancal de uma certa maquina ou equipamento. Aqui incluem-se também os materiais auxiliares, ou seja, itens utilizados pela empresa mas que pouco ou nada se relacionam com o processo produtivo, como os materiais de escritório e limpeza. Estoques de produtos em processos: correspondem a todos os itens que já entraram no processo produtivo, mas que ainda não são produtos acabados.

São materiais que começaram a sofrer alterações, sem, contudo, estar finalizado. Muitas pessoas usam a expressão “produtos que estão no meio da fabrica” para designá-los. Estoques de produtos acabados: são todos os itens que já estão prontos para ser entregues aos consumidores finais. São os produtos finais da empresa. Os produtos acabados são bem conhecidos por nós em nosso dia-a-dia, e itens como os de revenda enquadram-se nessa categoria. Estoques em trânsito: correspondem a todos os itens que já foram despachados de uma unidade fabril para outra, normalmente da mesma empresa, e que ainda não chegaram a seu destino final. Estoques em consignação: são os materiais que continuam sendo propriedade do fornecedor até que sejam vendidos. Em caso contrário, são devolvidos sem ônus (Martins, 2003 p. 136).

É comum ouvirmos “estoque custa dinheiro”. Essa afirmativa é verdadeira. A necessidade de manter estoques acarreta uma série de custos às empresas. De acordo com Ching (2001) excluindo o custo de aquisição da mercadoria, os custos associados aos estoques podem ser divididos em três grupos:
Custo de pedir. Incluem os custos fixos administrativos associados ao processo de aquisição das quantidades requeridas para reposição do estoque – custo de preencher pedido de compra, processar o serviço burocrático, na contabilidade e no almoxarifado, e de receber o pedido e verificação contra a nota e a quantidade física. Os custos de pedir são definidos em termos monetários por pedido. Custo de manter estoque. Estão associados a todos os custos necessários para manter certa quantidade de mercadorias por um período. São geralmente definidos em termos monetários por unidade, por período. Os custos de manter incluem componentes como custos de armazenagem, custo de seguro, custo de deterioração e obsolescência e custo de oportunidade de empregar dinheiro em estoque (que poderia ser empregado em outros investimentos de igual risco fora da empresa). Custo total. É definido como a soma dos custos de pedir e de manter estoque. Os custos totais são importantes no modelo do lote econômico, pois o objetivo é determinar a quantidade do pedido que os minimiza. (Ching, 2001 p. 29-30).

Os custos podem ser diretamente proporcionais ao estoque, inversamente proporcionais e independentes. Os custos diretamente proporcionais ocorrem quando os custos crescem com o aumento da quantidade estocada. Por exemplo, quanto maior a quantidade de sorvetes estocados, maior o custo de capital investido. Da mesma maneira, quanto maior a quantidade de sorvete armazenada, maior a área necessária para o armazenamento e conseqüentemente maior o custo do aluguel. Os custos inversamente proporcionais são os custos ou fatores de custos que diminuem com o aumento do estoque, isto é, quanto mais elevados os estoques, menores são os custos (ou vise e versa). Os custos

independentes são aqueles que independem do estoque mantido pela empresa, como por exemplo, o custo do aluguel de um galpão. Ele geralmente é um valor fixo, independente da quantidade estocada. Segundo Martins (2003) se somarmos os três fatores de custos analisados até aqui, teremos os custos totais decorrentes da necessidade de manter estoques. A decisão de manter ou não manter o estoque passa por uma série de variáveis, e cabe ao administrador optar pela estratégia que melhor se adapte à sua empresa. Na administração são várias as estratégias para manutenção de estoques. Um exemplo de estratégia é o modelo Just in Time:
Just in time é a produção na quantidade necessária, no momento necessário, para atender a variação de vendas com o mínimo de estoque em produtos acabados, em processos de matéria prima. Em outras palavras, trata-se de filosofia de manufatura baseada na eliminação de toda e qualquer perda e desperdício por meio da melhoria continua da produtividade. Envolve a execução com sucesso de todas as atividades de manufatura necessárias para gerar um produto final, da engenharia do projeto à entrega, incluindo as etapas de conversão de matéria prima em diante. Os principais elementos do Just in Time, entre outros, são: ter somente o estoque necessário e melhorar a qualidade tendendo a zero defeito. (Viana, 2002 p. 169).

Outro exemplo de estratégia é o modelo Kanban:
Técnica japonesa de gestão de materiais e de produção no momento extato, ambas (gestão e produção) controladas por meio visual e/ou auditivo. Tratase de um sistema de “puxar” no qual os centros de trabalho sinalizam com um cartão, por exemplo, que desejam retirar peças das operações de alimentação entre o início da primeira atividade até a conclusão da última, em série de atividades (Viana, 2002p. 169-170).

Segundo Slack (2002), não importa o que está sendo armazenado como estoque, ou onde ele está posicionado na operação; ele existirá porque existe uma diferença de ritmo entre fornecimento e demanda. Se o fornecimento de um item ocorresse exatamente quando fosse demandado, o item nunca seria estocado Seguindo essa lógica do desequilíbrio entre a taxa de fornecimento e a demanda de diferentes itens, Slack classifica os estoques em quatro tipos:
Estoque de proteção: O estoque de proteção também é chamado de estoque isolador. Seu propósito é compensar as incertezas inerentes a fornecimento e demanda.

[...] Estoque do ciclo: O estoque do ciclo ocorre porque um ou mais estágios na operação não podem fornecer simultaneamente todos os itens que produzem. [...] Estoque de antecipação: [...] é mais comumente usado quando as flutuações de demanda são significativa, mais relativamente previsíveis. Ele também pode ser usado quando as variações de fornecimento são significativas, como em alimentos de safra enlatados. Estoque no canal: estoques no canal de distribuição existem porque material não pode ser transportado instantaneamente entre o ponto de fornecimento e o ponto de demanda. (Slack, 2002 p. 382-384)

Essas características são comuns a todos os problemas de estoques, não importando as matérias primas, material em processo ou produtos acabados. Os estoques possuem características básicas: os custos associados aos estoques, os objetivos de se estocar e as previsões de incerteza. A sorveteria utiliza os quatro tipos de estoque, o estoque de proteção para evitar qualquer incerteza de falta de produto, assim ela tenta manter estocados todos os sabores produzidos. Utiliza do estoque de ciclo porque produz um só tipo de produto por vez, e assim o estoca em local diferente dos demais. (por exemplo, na produção de sorvetes, é produzido apenas um sabor por vez, e o sorvete é estocado junto com sorvetes separados de picolés e tortas). O estoque de antecipação é utilizado na produção, estocam-se as polpas de fruta de cada estação, para serem utilizadas durante todo o período do ano. E o estoque de canal, pois os produtos devem permanecer durante algum tempo estocados para que adquiram a temperatura ideal para consumo.

7 PROPOSIÇÃO DE SOLUÇÃO

Como uma alternativa para a diminuição do consumo de energia elétrica e melhoramento do processo de estocagem de produtos, os sócios estudam uma implantação de uma câmera refrigeradora. A câmera refrigeradora poderá substituir os freezers e diluir em grande parte a imobilização dos ativos da sorveteria assim como diminuir os gastos com depreciação e manutenção dos freezers. O espaço físico para a alocação de mesas e cadeiras também aumentaria - aumento da capacidade de atendimento da sorveteria.

A câmera refrigeradora tem a capacidade de operar entre as temperaturas de -8 Cº à -25Cº ela é feita exclusivamente para o armazenamento de sorvetes e derivados, em chapa de aço pré-pintada, aço carbono, zincado por processo contínuo de imersão á quente, a câmera deve possuir as dimensões de 1,15 x 1,75 x 2,50 e poderá estocar cerca de 1,2 tonelada de produtos. A sorveteria busca alternativas para a manipulação de seus produtos, alternativas que de acordo com Furlan (2007) podem ser de transporte, estocagem, higiene e conservação de produtos. Assim a implantação de uma câmera refrigeradora seria uma alternativa para uma estocagem e conservação de produtos mais eficiente.
Algumas vantagens são observadas na implantação da câmera refrigeradora: aumento do espaço físico utilizado para o atendimento (possibilitando alocação de mais cadeiras e mesas), redução dos custos de energia elétrica e maior facilidade e segurança para estocagem de produtos. Uma desvantagem da implantação da câmara frigorifica é a concessão de 20 minutos a cada uma hora e quarenta trabalhada pelo funcionário. Equipamentos de proteção individual (EPI) como casacos e botas térmicas, máscaras e luvas. Um sistema de refrigeração adequado é fundamental para reduzir gastos com energia elétrica. Furlan (2007) aponta que um sistema inadequado ou mal dimensionado ficará mais tempo ligado para atingir a temperatura ideal de determinado produto e com isso também o risco de diminuir a vida útil do equipamento. Um plano de ação deve ser elaborado por partes dos sócios, para obter controle de todas as etapas de implantação, (o que, quando, quem, onde, por que, como e quanto custará). A Câmara frigorífica padronizada será entregue, montada e testada, em até 25 dias. Poderá ser financiada através do BNDS em até 36 vezes com juros de 0,97% ao mês, ou pelo Banco Bradesco em até 48 meses com juros de 1,9% a 4,3% ao mês, ou pelo Banco do Brasil em até 36 vezes com juros de 0,97% ao mês. O valor do investimento varia 13.590,00 à 14.000,00. Ela deverá ser montada na sala ao lado da produção (a proximidade evita contaminação e danos aos produtos). Pessoas especializadas devem montar a câmara e oferecer um treinamento para a sua operação. equipamentos necessários para o trabalho do operador da câmara. A organização dos produtos no interior da câmara deve ocorrer de forma que se facilite o acesso à mercadoria, fácil manejo dos produtos separado por categorias (sorvetes, picolés e tortas). Os produtos devem ficar longe da porta de entrada para evitar qualquer perca de temperatura, contaminação ou bloqueio de passagem. Um mapa com a localização dos produtos deve ser elaborado para facilitar o processo de armazenagem. O operador da câmara é o responsável por saber onde cada A sorveteria oferecerá os

produto foi armazenado . Também cabe ao operador verificar o funcionamento da câmara, e notificação de qualquer falha ou problema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sorveteria Só da Fruta é uma pequena empresa de gestão familiar que atua no mercado de Uberlândia no segmento de produtos congelados. Ao longo do período de estágio observa-se a gestão e a organização da empresa, seu quadro de funcionários, seus principais problemas e o dia a dia e as atividades realizadas. As normas de produção, armazenamento e venda de produtos fazem parte do cotidiano da sorveteria. O presente trabalho apresenta um estudo para implantação de uma câmara refrigeradora em substituição dos freezers da empresa assim como as vantagens e desvantagens para a implantação da câmara. A estrutura organizacional da empresa é simples, a sorveteria está em contato direto com os seus funcionários, fornecedores e clientes. A sorveteria iniciou suas atividades em 2005 e o seu crescimento é uma característica de uma boa administração por parte dos sócios. O relacionamento é muito importante em uma organização como esta e o papel dos sócios é de fundamental importância para o desenvolvimento da sorveteria.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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produtores/industrializadores de alimentos, Portaria SVS/MS nº 326 de 30 de julho de 1997, Ministério da Saúde, 1997. CHING, H. Y. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada. São Paulo: Atlas, 2001.

FURLAN, E. F.; MARQUES, D. Refrigeração x Energia elétrica. Frigorífico, nº139 Campinas, p. 30 - 35, 2007. GONÇALVES, P. S. Administração de estoques: teoria e prática. Rio de Janeiro: Interciência, 1979.

MARTINS, P. G. Administração de Materiais e recursos patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2003. MEIRELLES JUNIOR, J. Planejamento Empresarial. Juiz de Fora: Instituto Viana Júnior, 2008. MOURA, R. A. Sistemas e Técnicas de Movimentação e Armazenagem de Materiais. São Paulo: IMAM, 1998. OLIVEIRA, M. T. Roteiro para Diagnóstico Organizacional. In: Material Didático para a disciplina Desenvolvimento Pessoal e Profissional 6. Uberlândia: UNIMINAS (não publicado), 2009. PORTER, M. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986

SLACK, N; CHAMBERS, S; JOHNSTON, R. Administração da Produção. Tradução Maria Teresa Corrêa de Oliveira, Fábio Alher. 2 ed. São Paulo: Atlas 2002. TECTERMICA, 2010) Câmara Frigorifica Padronizada, São Paulo. Disponível em:

http://www.tectermica.com.br/camara-frigorifica-padronizada.htm# (acesso em 25 de abril de

VIANA, J. J. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: atlas, 2002.

ANEXO I FICHA TÉCNICA DA EMPRESA E ESTÁGIO

Sorveteria Só da Fruta – J.A.E. PRODUTOS CONGELADOS ALIMENTICIOS LTDA. Rua: Getúlio Vargas, 586, Centro CEP 38400-000 – Uberlândia –MG Fone: (034) 3214-4108

Coordenadora: Andrea Zago Jones Endereço: Getúlio Vargas, 586, Centro. Uberlândia-MG Fone: (034) 3214-4108

Gerente, Coordenador ou Responsável: Andrea Zago Jones Email: zago.andrea@hotmail.com

Função Desempenhada pelo(a) estagiário(a): Assistente administrativo. Período do Estágio: 01 de Janeiro de 2010 a 31 de Dezembro de 2010.

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