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PETIÇÃO ADMINISTRATIVA

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João Alberto Corrêa Pinto Júnior – OAB/RS 68.

059

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO MUNICIPAL DE SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA - RS

AURA MARIA ALVES STEPHANOU, brasileira, casada, professora, portadora da cédula de identidade inscrita sob o n° 2012127946, CPF n.º 294.398.410-87, residente e domiciliada na Rua Pinheiro Machado, 554, Cidade Alta, em Santo Antônio da Patrulha/RS, vem, perante Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador firmatário, requerer

LICENÇA de suas funções nos termos que seguem:

1. DO OBJETO Trata-se de pedido de licença postulado pela requerente, em razão da transferência de seu cônjuge, funcionário público da Caixa Econômica Federal, para a cidade de São JerônimoRS. 2. DOS FUNDAMENTOS AUTORIZADORES DA LICENÇA O Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Município de Santo Antônio da Patrulha regulamenta o benefício no Capítulo IV, Seções I e V, da Lei Complementar Municipal 35/2005 e é cristalino no que tange ao direito da requerente a tal benefício. Ademais, a postulante é respaldada pela Carta Magna Federal de 1988, bem como por princípios que norteiam nosso Sistema Constitucional. Senão, vejamos. 2.1. DO PRINCÍPIO DA SIMETRIA DAS FORMAS
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Princípio de relevante importância em nosso ordenamento jurídico, estabelece que o ente da federação deve organizar-se de forma harmônica e compatível ao texto constitucional, reproduzindo, se necessário, os princípios e diretrizes trazidas na Lei Maior, em razão de sua supremacia e superioridade hierárquica. O princípio da simetria é um norteador dos entes federados na elaboração de suas Cartas ou Leis Orgânicas, bem como de toda a legislação confeccionada. Deste modo, os mesmos parâmetros utilizados não só pela União e Estados Federados, mas também pelos Municípios, devem ser observados. A Constituição, ao conceder a autonomia administrativa-política aos municípios, limitou esse poder à obediência das diretrizes constitucionalmente estabelecidas, evidenciando a necessidade de se obedecer ao princípio da simetria na elaboração das Leis Orgânicas Municipais e nas demais leis de hierarquia inferior. Dessarte, aplicando o princípio mencionado ao objeto da presente peça postulatória, visualiza-se de forma cristalina o direito de licença da servidora Municipal requerente à Licença, nos termos do artigo 113 da Lei Complementar 35/2005, tendo em vista a transferência de seu cônjuge, funcionário Público da Caixa Econômica Federal, para a cidade de São Jerônimo/RS. Ora, a jurisprudência de nossos Tribunais não deixa margem para dúvidas, nesse sentido:
CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CORTE ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. LICENÇA POR MOTIVO DE AFASTAMENTO DO CÔNJUGE SERVIDOR. ARTIGO 84, § 2º, DA LEI 8112/90.E ARTIGO 226 DA CONSTITUIÇÃO. REQUISITOS SUBJETIVOS. HARMONIA DOS INTERESSES PÚBLICOS E PRIVADOS. I. O § 2º do art. 84 da Lei nº 8.112/90 não faz distinção em relação à forma de movimentação do cônjuge do servidor, se a pedido ou de ofício, para ensejar a licença. II. A licença da servidora pública, por prazo indeterminado e sem remuneração, para acompanhar cônjuge ou companheiro, ocorre independentemente de ser este servidor público ou não. III. Exercício provisório. Possibilidade de a servidora, diante da licença do seu órgão de origem, exercer provisoriamente suas atribuições no órgão de destino. Requisitos objetivos: compatibilidade dos cargos e cônjuge removido ser servidor público, civil ou militar.
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IV. Razoabilidade. Conciliação do interesse público com o interesse privado, em benefício da manutenção do poder econômico e da unidade familiares. (CF art. 226). V. Precedentes do STJ e do TRF/1ª Região. VI. Manutenção da liminar. Concessão da segurança. (TRF1 MANDADO DE SEGURANÇA: MS 19177 DF 2003.01.00.0191772). Grifo nosso. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PRORROGAÇÃO DA LICENÇA PARA ACOMPANHAR CÔNJUGE. EXERCÍCIO PROVISÓRIO COM BASE NO ART. 84, § 2º, DA LEI Nº 8.112/90. REQUISITOS PREENCHIDOS. ART. 226 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PROTEÇÃO À FAMÍLIA. EMBARGOS INFRINGENTES IMPROVIDOS. 1. Nos termos do artigo 84 da Lei n. 8.112/90, depreende-se que pode o servidor público obter a concessão da licença, com ou sem remuneração, por prazo indeterminado, para o acompanhamento de cônjuge ou companheiro que tenha sido deslocado para outro Estado da Federação ou para o exterior. Não obstante, conforme o art. 84, § 2º, da Lei 8.112/90, somente poderá ser concedido o exercício provisório do servidor público em atividade compatível com o seu cargo, quando houver deslocamento do cônjuge ou companheiro, também servidor público, civil ou militar, caso em que a licença será com remuneração. 2. Desse modo, tendo em vista que o comando normativo em comento não impõe qualquer razão específica ao deslocamento, exigindo-se apenas a mudança de domicílio, possui o servidor direito à licença em comento, ainda que o deslocamento do seu cônjuge tenha se dado em decorrência de investidura em cargo público, como bem asseverado pelo voto condutor do v. acórdão embargado. 3. Consoante remansosa jurisprudência a respeito, o art. 84 da Lei n. 8.112/90 deve ser analisado com observância ao disposto no art. 226 da Constituição Federal, segundo o qual, "a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado". 4. Posta a questão nesses termos, e considerando que o cônjuge da embargada é servidor público civil, Professor Adjunto da UFRS, bem assim que a pretensão da embargada é no sentido de prorrogar a sua licença e continuar a exercer as atribuições compatíveis ao seu cargo, vislumbro a presença dos requisitos autorizadores a ensejar a prorrogação da concessão da licença para acompanhar cônjuge ou companheiro, com o consequente exercício de suas atividades junto à UFRS. 5. Embargos infringentes desprovidos. (Acórdão Nº 1998.01.00.089982-3 de Tribunal Regional Federal da 1a Região, de 15 Setembro 2009).

Grifo nosso. Conforme se vislumbra pela jurisprudência pátria, a concessão de licença da servidora para acompanhar o cônjuge em
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decorrência de sua transferência é direito constitucionalmente previsto através do artigo 226 da Carta Política de 1988, o qual prevê a proteção da família. Assinala o art. 226 da Constituição Federal:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. § 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. § 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. § 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. § 6º - O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos. § 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. § 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

Analisa-se pelo exposto que os Tribunais primam pela preservação da unidade familiar, nos termos do artigo 226 da Constituição Federal. Na situação específica em que se encontra a postulante, atualmente casada com servidor público da Caixa Econômica Federal, há que se aplicar os cânones constitucionais que protegem a unidade familiar. Sem sombra de dúvidas, a interpretação do dispositivo constitucional em tela permite alcançar a intenção do legislador que é conciliar os interesses da administração com o princípio constitucional de proteção à família (art. 226 e seguintes da CF/88).

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Outro não é o entendimento de nossos Tribunais, conforme arestos a seguir, confiram-se:

ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO APROVADO. AFTN. PEDIDO DE REMOÇÃO. ACOMPANHAR CÔNJUGE. SEGURANÇA CONCEDIDA. I - O Impetrante tem o direito à remoção amparado no art. 36, parágrafo único, da Lei 8.112/90. II - A jurisprudência vem entendendo que: "Diante da impossibilidade de serem conciliados, como se tem na espécie, os interesses da Administração Pública, quanto à observância da lotação atribuída em lei para seus órgãos, com os da manutenção da unidade da família, é possível, com base no art. 36 da Lei n. 8.112/90, a remoção do servidor-impetrante para o órgão sediado na localidade onde já se encontra lotada a sua companheira, independentemente da existência de vagas. Mandado de segurança deferido." (MS 21893/DF. STF. Min.ILMAR GALVÃO. Tribunal Pleno. DJ. 02.12.94, p. 33198) III. Apelação provida. (AMS 1999.01.00.081768-2/DF, Rel. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv), Segunda Turma Suplementar, DJ de 18/11/2004, p.47). “MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. REMOÇÃO. INVALIDADE. (...) O servidor federal tem direito a ser removido para acompanhar o cônjuge ou companheiro, com maior razão tem direito a permanecer lotado na cidade em que sua esposa exerce cargo público.” (REO 00552538/95-RN, TRF/5.ª Região. Relator Juiz Ubaldo Ataíde Cavalcanti. DJ 22.03.96. p. 18124.).

Em matéria de remoção de servidor público para acompanhamento de cônjuge, igualmente agente público, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem sinalizado para que se dê preponderância ao princípio constitucional de proteção da família (art. 226 da CF/88) nas situações de impossibilidade de conciliação entre o interesse da Administração e o particular, para permitir a manutenção da unidade familiar, mesmo nos casos em que não haja o efetivo deslocamento daquele que se requer o acompanhamento (Cf. MS 21.893-2/DF, Plenário, Min. Ilmar Galvão, DJ 02.12.1994; TRF1, MAS 1998.01.00.071135-0/DF, Terceira Turma Suplementar, Juiz Moacir Ferreira Ramos, DJ 22.08.2002). Outrossim, a concessão de licença da servidora postulante para o fim de acompanhar seu cônjuge ora transferido para outra localidade se enquandra com perfeição no princípio em comento.
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Cite-se que o princípio da simetria, se permite o mais, que é a adequação da Lei Orgânica Municipal nos moldes constitucionais, que dirá o menos, ou seja, a adequação das demais leis municipais e, nesta seara está a LC 35/2005. Por fim, podemos amoldar tal princípio em comento num paradigma vertical de leis, pertinente também para a Administração Pública. Assim, a exemplo do que menciona o artigo 84, § 2°, da Lei 8.112/90 no âmbito federal, que trata da licença do Servidor Público Federal, o artigo 113 da LC 35/2005 deve se alicerçar nos mesmos princípios da legislação federal para a concessão do benefício à servidora, ainda que sob a nomenclatura de licença para tratamento de interesse particular. Ademais, a servidora postulante não possui os obces dos parágrafos do artigo 113 da LC 35/2005 a impedir a concessão da licença, sendo seu direito líquido e certo tal benefício. Dessarte, diante de todo o exposto, R E Q U E RSE: a) a aplicação do PRINCÍPIO DA SIMETRIA DAS FORMAS para que seja deferida a concessão de licença não remunerada para a requerente, pelo prazo de dois anos, com fundamento no artigo 113, caput, da Lei Complementar Municipal 35/2005, bem como de acordo com os preceitos constitucionais de proteção à unidade familiar, explanados no artigo 226 da Constituição Federal. Nestes termos, Pede deferimento. Osório, 09 de março de 2010.

Aura Maria Alves Stephanou CPF n° 294.398.410-87

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