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Pastoral E Liturgia

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Introdução a Pastoral e Liturgia escolar
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TEXTO INTRODUTÓRIO AO CURSO LITURGIA E PASTORAL

Prof. César Leandro Ribeiro

O tema “Pastoral e Liturgia” é bastante amplo. Tanto as disciplinas de Liturgia quanto de Pastoral em si mesmas já requerem estudo aprofundado por longo período. No entanto, considerando as condições e metas que temos neste curso, faremos um recorte dos conteúdos que julgamos serem mais pertinentes para a aplicação litúrgica na prática pastoral no meio escolar. Dois horizontes de compreensão deverão ser abordados; um relacionado aos conteúdos fundamentais sobre Liturgia, e outro relacionado à aplicação litúrgica no âmbito da pastoral escolar. Dedicaremos algumas semanas de estudo para aprofundamento dessas temáticas. 1ª Semana Nesta primeira semana, vamos nos dedicar a esse texto introdutório e aproveitar para tirar possíveis dúvidas quanto ao tema e metodologia que iremos adotar.

2ª Semana A partir da segunda semana de trabalho, com o objetivo de conhecer os conceitos fundamentais sobre Liturgia e seu desenvolvimento na história recente, vamos nos dedicar à leitura dos documentos eclesiais: Sacrosanctum Concilium, do Vaticano II, que será proposto como reforço de conteúdo, pois é a carta maior da Igreja sobre essa temática; e documento da CNBB, n. 43, – Animação da vida litúrgica no Brasil. Essa leitura será obrigatória, pois é
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elemento que nos garantirá a fidelidade aos elementos fundamentais, mais conceituais, da ação litúrgica na Igreja. Você será convidado a fazer uma síntese de um dos capítulos deste documento que julgar mais pertinente para seu estudo pessoal. Como complemento para os que desejarem maior aprofundamento, são sugeridas ainda as leituras dos textos “A Sagrada Liturgia, 40 anos depois” e “A Música Litúrgica no Brasil”, ambos documentos da CNBB. Nesta mesma semana, ainda, um fórum será proposto com a finalidade de suscitar o debate sobre a importância da Liturgia para a vida pastoral da Igreja, para a evangelização em geral. Todas as contribuições serão importantes, sobretudo tendo os referidos documentos como base para discussão. 3ª Semana Na terceira semana de estudo, com o objetivo de compreender os elementos teórico/práticos básicos que envolvem a prática litúrgica, priorizando a temática da Celebração Eucarística e da Liturgia no contexto escolar, vamos estudar dois textos: o primeiro, referente à prática da celebração eucarística, é formado pela seleção de números do documento Introdução Geral ao Missal Romano. Julgamos essa temática importante ao considerar a centralidade que a referida celebração ocupa na vida da Igreja e por perceber a necessidade de se proceder pastoralmente de forma adequada na condução destes momentos específicos. Para poder proceder a adaptações culturais na celebração litúrgica eucarística é fundamental conhecer os elementos constitutivos do rito previsto pela Igreja e os seus significados. Essa leitura ajudará muito na prática segura desta ação litúrgica. Um segundo texto será Pastoral Escolar e Liturgia. Ele abordará a temática da evangelização na escola católica e a pastoral como elementos de uma ação planejada e organizada neste mesmo ambiente. A liturgia será proposta, no texto,

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como dimensão celebrativa que deve ser parte constitutiva da evangelização e como garantia da eficácia evangélico-sacramental. Alguns exemplos práticos serão apontados como pistas de ação. Para aprofundar a reflexão sobre esses textos, uma atividade será proposta com a finalidade de ajudá-lo a sintetizar o que julgar mais pertinente para a sua própria prática litúrgico-pastoral. Paralelamente a essas atividades e leituras, será proposto um fórum com a temática: Na preparação de uma Celebração Eucarística com adolescentes na escola, quais adaptações poderiam ser feitas mantendo o equilíbrio entre criatividade e normas litúrgicas? As contribuições deverão ser oportunas para o enriquecimento sobre questões práticas referencias para a ação pastoral em sua dimensão celebrativa no meio escolar. Tendo em vista esses horizontes de compreensão sobre a ação litúrgica com foco pastoral no meio escolar, julgamos ainda oportuno a explicitação de conteúdos básicos que se constituem em pressupostos para qualquer estudo nessa área. São fundamentos. Como na construção de uma casa, eles devem constituir o alicerce, sem o qual todo o restante poderá ruir. Como não teremos muito espaço disponível, buscando aproveitar as oportunidades que temos, propomos que você estude nesse mesmo texto as orientações que seguem. Elas se referem ao porque da Liturgia, ao o que é Liturgia, e ao quem, como, quando e onde se celebra a Liturgia. São orientações construídas a partir do Catecismo da Igreja Católica, nos números 1060 ao 1181. A você, desejamos um bom curso e estamos à disposição para pesquisarmos juntos assuntos referentes a essa temática da Liturgia e sua relação com a Pastoral, tão importante para a vida da Igreja. REFERÊNCIAS TEOLÓGICAS FUNDAMENTAIS SOBRE LITURGIA PRESSUPOSTOS

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Para essa etapa, a compreensão dos conceitos referenciais sobre Liturgia é fundamental. Existe um dado essencial no cristianismo: o Mistério Pascal. Dele não se “abre mão”; ao contrário, é a ele que tudo se refere. Tendo-o por base, a Liturgia é imutável, pois trata de tornar presente esse único e eterno mistério da Fé; e, ao mesmo tempo, e só por ter ele como base, é também em parte flexível, pois sofre adaptações de linguagem e aceita metodologias diversificadas justamente para tornar ainda mais presente esse mesmo mistério celebrado1. Sem a compreensão do dado essencial da Liturgia, corre-se o risco de se cair no superficialismo litúrgico, o que seria a negação da própria raiz da fé comunitária e cristológica. Para exemplificar, acompanhemos essa breve história:
Um velho monge sábio, todas as manhãs, antes do nascer do sol, ia ao templo rezar. A cada dia, quando iniciava suas orações, um gato que sempre rondava o templo entrava, se esfregava nele e o distraía. Certo dia, o monge decidiu levar alguns cordões para o templo e amarrar o gato no altar enquanto fazia suas devoções. E assim ele fez por muitos dias de muitos anos até sua morte. Os jovens monges que viam o velho monge amarrar o gato, mantiveram a "tradição", e todos os dias amarravam o gato no altar durante suas orações. Certo dia, o gato adoeceu e morreu. Imediatamente, eles providenciaram um outro gato. Decorridos cem anos e mantido o hábito, alguém observou aquela cena sob outro ângulo e disse: "Isso é bobagem – por que não arranjamos uma estátua?". Assim eles confeccionaram uma estátua e colocaram ao pé do altar. Passados outros cem anos, um monge disse: "Essa é uma estátua tão bonita, tão antiga, uma tradição tão maravilhosa – acho que deveríamos colocá-la no topo do altar". Conforme os anos se passaram, os monges se acostumaram a sentar-se e a adorar o gato, mas ninguém sabia realmente porque isso era feito; o que pensavam é que, uma vez que o gato sempre estivera no altar, deveria haver uma boa razão para essa forma de oração. (Anônimo)

No caso desses monges, a Liturgia passou a ser celebração de um dado somente cultural, relativo, passageiro; perderam o dado referencial sólido, razão maior do ato de celebrar e orar. Em geral, quando não se têm os conceitos esclarecidos e os elementos
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Na liturgia, sobretudo na dos sacramentos, existe uma parte imutável — por ser de instituição divina — da qual a Igreja é guardiã, e partes susceptíveis de mudança que a Igreja tem o poder e, por vezes, mesmo o dever de adaptar às culturas dos povos recentemente evangelizados (CIC 1205).

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essenciais do cristianismo na base de qualquer ação evangelizadora e, dentro desta, também litúrgica, corre-se o risco de ficarmos “amarrando gatos ao pé do altar” e, o que seria pior, de “adorarmos esses gatos”. Portanto, nessa primeira dimensão de nosso estudo, como ponto de partida, vamos buscar o núcleo teológico do qual tudo parte - a Economia da Salvação, a partir do estudo de textos e idéias do Catecismo da Igreja Católica referentes à Liturgia. O Porquê da Liturgia (CIC 1066 - 1068) A celebração da Economia da Salvação constitui, portanto, o porquê da Liturgia. Há uma realidade objetiva: Jesus Cristo se encarnou, revelou o rosto do Pai por amor à humanidade, e amou até o fim, indo até as últimas conseqüências da morte de cruz, mas ressuscitou ao terceiro dia e garantiu a todos os homens e mulheres a redenção desde que estes a aceitem e sua liberdade. Sua ação salvífica se perpetua na atualidade por meio do Espírito Santo, na Igreja. Por isso, antes de ser espaço de integração, dinâmica de socialização, partilha de vida, entre outras coisas – e tudo isso ela pode ser também – a Liturgia existe para tornar presente, atualizar o mistério cristão revelado, objetivo, fato consumado2.
Esta obra da redenção humana e da glorificação perfeita de Deus, cujo prelúdio foram as magníficas obras divinas operadas no povo do Antigo Testamento, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bemaventurada paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, em que, "morrendo, destruiu a morte e
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No Símbolo da Fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu «desígnio admirável» (Ef 1, 9) sobre toda a criação: o Pai realiza o «mistério da sua vontade», dando o seu Filho muito amado e o seu Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome. Tal é o mistério de Cristo, revelado e realizado na história segundo um plano, uma «disposição» sabiamente ordenada, a que São Paulo chama «a economia do mistério» (Ef 3, 9) e a que a tradição patrística chamará «a economia do Verbo encarnado» ou «economia da salvação». (CIC 1066)

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ressuscitando restaurou a vida". Efetivamente, foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu "o sacramento admirável de toda a Igreja". É por isso que, na liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação. (CIC - 1067)

É este mistério de Cristo que a Igreja proclama e celebra na sua liturgia, para que os fiéis dele vivam e dele dêem testemunho no mundo. O que é Liturgia (CIC 1069 - 1075) Uma vez que encontramos o porquê da Liturgia, a necessidade de sua existência, podemos considerar o que ela é de fato. O Catecismo da Igreja afirma que a palavra “liturgia” significa “obra pública, serviço por parte dele em favor do povo”. Por ela o povo de Deus toma parte na obra de Deus. Nela, “Cristo continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção”. No Novo Testamento, a palavra “liturgia” é usada para designar tanto o sentido de celebração do culto divino como também de “anúncio do Evangelho e a caridade em ato”. Independentemente, em ambos casos trata-se do “serviço de Deus e dos homens”. A partir dessa compreensão, é possível perceber que a Liturgia não esgota toda a ação da Igreja, pois a manifesta como sinal visível da comunhão com Deus e da humanidade por Cristo; “empenha os fiéis na vida nova da comunidade, e implica uma participação consciente, ativa e frutuosa de todos”. Ela deve ser “precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão, e só então pode produzir os seus frutos na vida dos fiéis: a vida nova segundo o Espírito, o empenhamento na missão da Igreja e o serviço da sua unidade”. A liturgia é simultaneamente o cume para o qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde dimana toda a sua força.

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Com razão se considera a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo. Nela, mediante sinais sensíveis e no modo próprio de cada qual, significa-se e realiza-se a santificação dos homens e é exercido o culto público integral pelo corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela cabeça e pelos membros. Portanto, qualquer celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência e nenhuma outra ação da Igreja a iguala em eficácia com o mesmo título e no mesmo grau. (CIC - 1070)

Na Liturgia Cristo dirige sua oração ao Pai, no Espírito Santo, e toda a oração cristã encontra a sua fonte e o seu termo. Quem celebra? (CIC 1136 - 1144) A Liturgia é “ação” do “Cristo total”, e por isso os que a celebram estão integrados na liturgia celeste, da qual todos os que têm relação com Cristo participam. Desta forma, considerando a centralidade da celebração do Mistério Pascal de Jesus Cristo, num sentido mais amplo, tomam parte no serviço do louvor de Deus e na realização do seu desígnio: os “Poderes celestes, toda a criação (os quatro viventes), os servidores da Antiga e da Nova Aliança (os vinte e quatro anciãos), o novo povo de Deus (os cento e quarenta e quatro mil), em particular os mártires, “degolados por causa da Palavra de Deus” (Ap 6, 9) e a santíssima Mãe de Deus (a Mulher); a Esposa do Cordeiro enfim, “uma numerosa multidão que ninguém podia contar e provinda de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7, 9). (Cf. CIC 1135-1136). É nesta liturgia eterna que nós, no Espírito e como Igreja, participamos quando celebramos o mistério da salvação nos sacramentos. Já quando fazemos referência exclusivamente à dimensão da Igreja peregrina, que diz respeito a todos nós, convêm ressaltar que é toda a comunidade dos batizados, o corpo de Cristo unido à sua Cabeça, que celebra. O sacerdócio que é comum a todos os membros da Igreja é o mesmo sacerdócio de Cristo que é estendido no Espírito

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Santo. Desta forma, “é desejo ardente da Mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão”. Assim, na celebração dos sacramentos, toda a assembléia é “liturga”, cada qual segundo a sua função, mas «na unidade do Espírito» que age em todos. Mas “nem todos os membros têm a mesma função” (Rm 12, 4). Existem os diversos ministérios distribuídos entre os fiéis para que na complementaridade toda comunidade possa ser servida com os dons e crismas divinos.3

Como celebrar? (CIC 1145 - 1162) Uma celebração sacramental é tecida de sinais e de símbolos4 que ocupam um lugar importante na vida humana. Como seres corporais e espirituais, todos nós percebemos as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Temos necessidade destes para nos comunicar entre nós mesmos; e o mesmo acontece em nossa relação com Deus. Ao mesmo tempo, é oportuno ressaltar
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O ministro ordenado é como que o “ícone” de Cristo-Sacerdote. Por ser na Eucaristia que se manifesta plenamente o sacramento da Igreja, na presidência da Eucaristia aparece em primeiro lugar o ministério do bispo e, em comunhão com ele, o dos presbíteros e diáconos.Para o exercício das funções do sacerdócio comum dos fiéis, existem ainda outros ministérios particulares, não consagrados pelo sacramento da Ordem, e cuja função é determinada pelos bispos segundo as tradições litúrgicas e as necessidades pastorais (...) Também os acólitos, os leitores, os comentadores e os membros do coro desempenham um verdadeiro ministério litúrgico. (Cf. CIC - 1142-1143)
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Segundo a pedagogia divina da salvação, a sua significação radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo. (Cf. CIC 1145)

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que Deus mesmo se comunica por meio de sua criação. Foi assim o sentido da revelação manifestada tanto no AT quanto no NT. “O cosmos material apresenta-se à inteligência do homem para que leia nele os traços do seu Criador. A luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os frutos, tudo fala de Deus e simboliza, ao mesmo tempo, a sua grandeza e a sua proximidade”. Destaque merece ser dado à iconografia que sempre foi uma forma estética muito relevante na tradição eclesiástica. Mensagem que considera a dimensão simbólica remetendo a um conteúdo específico e ao mesmo tempo permitindo ao interlocutor posteriores complementos e conclusões. Os sacramentais, na vida da Igreja, são também formas de linguagens simbólicas. Objetos, orações e celebrações, quanto realizadas no âmbito da comunidade de fé que a celebra, a partir da referência maior do evangelho, remetem o fiel à comunhão com Deus.
A Santa Mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são sinais sagrados por meio dos quais, imitando de algum modo os sacramentos, se significam e se obtêm, pela oração da Igreja, efeitos principalmente de ordem espiritual (...) Os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela. (Cf. CIC 1667 e 1670)

No âmbito da linguagem que se estabelece por símbolos e sinais, ganha relevância sobretudo as palavras e ações. Cada símbolo na liturgia é importante, pois comunica um dado divino; no entanto, é pelas palavras e ações que se garantem o diálogo entre Deus e a Humanidade.
Cada celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Tal encontro exprime-se como um diálogo, através de acções e de palavras. Sem dúvida, as acções simbólicas são já, só por si, uma linguagem. Mas é preciso que a Palavra de Deus e a

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resposta da fé acompanhem e dêem vida a estas acções, para que a semente do Reino produza os seus frutos em terra boa. As acções litúrgicas significam o que a Palavra de Deus exprime: ao mesmo tempo, a iniciativa gratuita de Deus e a resposta de fé do seu povo. (Cf. CIC 1153)

Neste âmbito da linguagem, convém destacar também o canto e a música. “A tradição musical da Igreja universal criou um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da liturgia solene”.
O canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto ‘mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica’, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembléia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam, assim, na finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. (Cf. CIC 1157)

A relação harmônica que estabelece entre os cantos, as músicas, as palavras e as ações será tanto mais fecunda quanto mais for expressão da “riqueza cultural própria do Povo de Deus que celebra”.5 Quando celebrar? (CIC 1163 - 1178)
A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar com uma comemoração sagrada, em determinados dias do ano, a obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou Domingo, celebra a memória da ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano, na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua bem-aventurada paixão. E distribui todo o mistério de
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A celebração da Liturgia deve, pois, corresponder ao gênio e à cultura dos diferentes povos. Para que o mistério de Cristo seja «dado a conhecer a todos os gentios, para que obedeçam à fé» (Rm 16, 26), tem de ser anunciado, celebrado e vivido em todas as culturas, de modo que estas não sejam abolidas mas resgatadas e plenamente realizadas por ele. É com e pela sua cultura humana própria, assumida e transfigurada por Cristo, que a multidão dos filhos de Deus tem acesso ao Pai, para O glorificar num só Espírito. (CIC 1204)

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Cristo pelo decorrer do ano [...]. Comemorando assim os mistérios da Redenção, ela abre aos fiéis as riquezas das virtudes e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar de algum modo presentes a todos os tempos, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham da graça da salvação. (CIC - 1163)

O povo de Deus, desde o Antigo Testamento, organizou suas festas a partir da Páscoa. Hoje, no tempo da Igreja, a Páscoa continua como referência a partir dela se organiza todo ano litúrgico, com celebrações em dias fixos impregnadas da novidade do mistério de Cristo. É por isso que a Páscoa não é “festa das festas”, tal como a Eucaristia é o “sacramento dos sacramentos”. No ano litúrgico se desenrolam diferentes aspectos de um único mistério, o pascal. As festas marianas, tão importantes para determinadas organizações religiosas, se enquadram também nessa dimensão de convergência ao mistério de Cristo.
Na celebração deste ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera, com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus; nela vê e exalta o mais excelso fruto da redenção e contempla com alegria, como numa imagem puríssima, o que ela própria deseja e espera ser inteiramente. (CIC 1172)

Onde celebrar? (CIC 1179 – 1186) A partir da afirmação de Jesus de que o culto deve ser realizado em “espírito e verdade” (Jo 4, 24), pode-se concluir que a celebração litúrgica não está ligada a nenhum lugar exclusivo. “Toda a terra é santa e está confiada aos filhos dos homens”. O que tem primazia é a comunidade dos fiéis que se reúnem para celebrar. “O corpo de Cristo ressuscitado é o templo espiritual donde brota a fonte de água viva.

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Incorporados em Cristo pelo Espírito Santo, nós somos o templo do Deus vivo (2 Cor 6, 16)”. No entanto, é expressão de gratidão a Deus preparar e adornar lugares para celebrações. Os templos e casas de oração são tradicionalmente lugares privilegiados que merecem respeito e ganham atribuições de sagrado. “Nesta ‘casa de Deus’, a verdade e a harmonia dos sinais que a constituem devem manifestar Cristo presente e atuante”. No templo cristão, destaque merece o altar. Ele tornou-se o centro da igreja, pois nele “é tornado presente o sacrifício da Cruz sob os sinais sacramentais. Ele é também a mesa do Senhor, para a qual o povo de Deus é convidado”.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA PARA APROFUNDAMENTO DO CURSO PASTORAL E LITURGIA:

BIBLIOGRAFIAS e TEXTOS BÁSICOS CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Conciliar SACROSANCTUM CONCILIUM. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/docum ents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html>. Acesso em: 25 mar. 2008. CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Animação da vida litúrgica no Brasil - Doc. CNBB 43. Disponível em: <www.cnbb.org.br/documento_geral/LIVRO%2043-NO %20BRASIL.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2008. LEITURA COMPLEMENTAR AUGÉ, Matias. Liturgia – história, celebração, teologia, espiritualidade. São Paulo: Ave Maria, 1996. BUYST, Ione. Como estudar Liturgia. Princípios de ciência litúrgica. São Paulo: Paulus, 1990. BUYST, Ione. A missa – memória de Jesus no coração da vida. Vozes, Petrópolis, 1997.

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BARROS, M. e CARPANEDO, P..Tempo de amar. Mística para viver o ano litúrgico. São Paulo: Paulus, 1997. BECKHÄUSER, Frei Alberto. Celebrar a vida cristã. Vozes, Petrópolis, 1999. BOGAZ, Antônio S. e SIGNORINI, Ivanir. A celebração litúrgica e seus dramas. Paulus, São Paulo, 2003. BOROBIO, Dionísio(org.). A celebração na igreja. Vol. 1 e 3. São Paulo: Loyola, 1990 e 2000. BUYST, Ione; da Silva, J. Ariovaldo. O mistério celebrado: memória e compromisso Valencia-Espanha. Siquem ediciones, 2002.

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