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Resenha Do Artigo Information as Thing - De BUCKLAND

Resenha Do Artigo Information as Thing - De BUCKLAND

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Resumo do artigo INFORMATION AS THING de Buckland
Resumo do artigo INFORMATION AS THING de Buckland

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A INFORMAÇÃO COMO COISA

Márcia Cristina de Miranda Lyra Mestranda em Ciência da Informação / UFPE

RESENHA 1.Introdução
Informação é o elemento que permeia conceitos de significado, de sentido, e de representação. Em tudo, partindo-se do ponto que qualquer elemento físico ou não-físico, tangível ou intangível, possa ser observável, e nele tenha a sua captura, tem-se aí a definição de informação. Na constituição do papel social da Ciência da Informação e na delimitação do objeto do campo Michael Buckland salientando a importância de recuperar e repensar as primeiras e profícuas práticas documentárias de Paul Otlet e Suzane Briet, amplia a definição de documento inferindo-lhe critérios como materialidade e intencionalidade e evidência ao discurso da informação. Buckland trata da informação trabalhada, numa abordagem de “coisas” que podem nos informar sobre algo. Seu conceito de documento refere-se a qualquer recurso informacional físico, trabalhando sobre a perspectiva de modelos designados para representar idéias e objetos como a exemplo de obras de artes, livros, assim como textos. A importância deste seu artigo Information as thing, publicado em 1991, é reconhecida pela ampliação da noção de informação, utilizando aporte teórico da antropologia cultural e da semiótica, problematizando o ato de informar, seu significado, suas característica intangível e subjetiva, imaterial, desmaterializada, como processo de representações físicas, além de apresentar a informação com a noção de um elemento mensurável, tratável e quantificável.

2 – Sobre o autor
Michael K. Buckland, pesquisador americano, desde o início de suas pesquisas acadêmicas, dedicou-se a estudos sobre o uso e avaliação de livros e problematizações a bibliotecas. Ex-presidente da Sociedade Americana para a Ciência da Informação e Tecnologia, no ano de 1998, é autor de vários artigos na área de recuperação da informação, bem como, resgatou em 1992, um importante e esquecido trabalho de Emanuel Goldberg, apresentado em 1931, durante uma conferência internacional em Dresden, que já se ocupava do problema da recuperação de fotografias, com detalhes relacionando a velocidade da luz à capacidade de armazenamento e buscas a partir de microfilmes. Goldberg foi responsável por várias contribuições acerca da teoria dos processos fotográficos, do projeto de câmeras, de registros de sons de cinema, além de aperfeiçoar

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tecnologias relacionadas ao microfilme e à televisão. “Trata-se de um trabalho importante que, de certa forma, antecipa em aproximadamente uma década o famoso trabalho de Vanevar Bush sobre o memex”, conforme destaca Buckland . Ainda a propósito de suas ideia publicadas neste artigo de 1991, Buckland diverge de outros pesquisadores como a exemplo de Tefko Saracevic, por adotar a concepção que a gênese da CI tem apoio no campo da Documentação, o que lhe dá por consequência, uma abordagem da informação que é registrada. É também o primeiro autor a utilizar o termo discurso, em conotação a seu conceito de informação como coisa, ao referir-se ao intangível da informação.

3 - Sobre o artigo “Information as thing”
Dividido em várias sessões, Buckland delineia cenários que vão desde a natureza ambígua do termo informação, seus tipos e evidências, o documento e suas circunstancialidades até os sistemas de informação e a recuperação da informação. Na sua proposta de “informação como coisa” se inserem premissas de se medir e processar a informação, quando esta se apresenta tangível, ou de representar o conhecimento e estar informado, como a informação intangível. Como processo a informação é intangível, apresentada como o ato de informar, de narrar algo e proporciona modificações no saber do indivíduo. É o ato da pesquisa, o ato de comunicar algo a alguém. O autor também trabalha nesta linha do intangível o processamento de informações como a exemplo dos processos de: processamento de dados, processamento de documentos, engenharia do conhecimento (Fluxo de informações: número de chamadas telefônicas, horas de transmissão/TV). Já na informação como conhecimento, como uma entidade intangível, agrega esta algo novo a alguém pela via do que foi percebido. É o ato de gerar conhecimento a partir das informações contidas num documento, por exemplo. Seria aquilo apreendido pelo receptor, na etapa referente à informaçãocomo processo, ou seja, no processo de aquisição da informação. É o resultado da informação como processo e que trabalha minimizando a incerteza. No entanto, tais explicações, a informação como processo e como conhecimento, como conceito de informação são apresentadas como intangíveis, por gerar apenas conhecimentos tácitos, os quais dificilmente podem ser percebidos, manipulados ou recuperados por sistemas de informação. Por esta questão, Buckland, ao lançar o termo informação-como-coisa, pretendeu trabalhar a informação física, a entidade tangível e possível de ser tratada por sistemas de informação. Este termo seria, portanto, aplicado a coisas informativas (objeto, dado, evento), desde que tivessem a qualidade de conhecimento comunicado, materializado. Para o autor, diversas coisas podem ser consideradas informativas dependendo das circunstâncias, ou seja, a informação seria algo situacional. A informação como dados, documentos, objetos e eventos, ou seja, a informação registrada, objetivada no documento, estaria vinculada a sinais em uma comunicação, textos, entre outros. Seu artigo refere-se ainda, que um documento, como um objeto-signo, é percebido socialmente

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como uma evidência que suporta um fato, qualquer signo físico ou simbólico, preservado ou registrado, com a intuição de representar, reconstruir ou demonstrar um fenômeno físico ou conceitual. A informação como evidência, funcionaria mais como um índice posto que ela relaciona-se e trabalha utilizando a linguagem dos documentos para acessar o objeto e até mesmo na produção de objetos materiais. Há uma intenção, nos sistemas de informação, de “(...) tornar os usuários bem informados (informação como processo) e que haja uma comunicação de conhecimento (informação como conhecimento). Mas fornecidos os meios, o que é tratado e operado, o que é acumulado e recuperado, é informação física (informação como coisa).” (Buckland, 1991) Para Buckland a informação é algo dado e o conhecimento é a maneira como se lida com a informação, inclusive na geração de mais conhecimento. Na "reconstrução" do pensamento de Otlet (objetos como documentos) e de Briet (documento como evidência física) Buckland dá ao documento o estatuto de "cultura material", da Antropologia cultural e, de "objetos como signo", como na área da semiótica. Bem como, se utiliza da existência de fenômeno na CI, resultantes das tecnologias da computação, no qual além de textos e registros temos, eventos, processos, imagens e objetos. Um importante uso de informação é denotar conhecimento comunicado; outro é denotar o processo de informação e se há variedades de “informação-como-coisa” que diferem em suas características físicas e assim não são igualmente processadas para armazenamento e recuperação, devemos então substituí-las por representações.

4 - Conclusão
A vinculação do termo informação a um objeto que contem uma informação reporta-se a um conceito mais recente de documento. Ao sistematizar em seu artigo o conceito de informação como coisa, Buckland afirmou que o termo informação designaria algo usado, atribuído a objetos, tal como dados e documentos que se referiam a informação porque deles se esperava que fossem informativos. Assim, o termo documento como designativo de coisa informativa foi considerado amplo o suficiente para inclui-lo no rol dos documentos objetos constantes de acervos formados de coisas da natureza, artefatos e imagens. Nisto, o cientista americano propôs uma abordagem que privilegiou o uso da informação. Assim como qualquer coisa pode ser simbólica, qualquer coisa pode ser informação ou informativa. O autor reintroduziu o conceito de documento (informação como coisa). E quando se trata de comunicá-la, descrevê-la e representá-la materialmente, argumenta que deve-se preferir a definição que a associa às coisas ou objetos que, no seu ponto-de-vista, se configuram como a única possibilidade de referenciá-la concretamente. O artigo “Information as thing” é leitura importante a estudantes e pesquisadores sobretudo quanto as questões da acepção de conhecimento que para Buckland, a realidade se mostra como algo construída na existência em si mesma, independentemente, dos sujeitos que conhecem, numa

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compreensão da informação como um dado, uma coisa que teria um significado e uma importância per se, o que problematizou a natureza subjetiva da informação, não sendo esta, vista como um processo , como algo que vai ser percebido e compreendido de variadas formas de acordo com os sujeitos que estão em relação. A contribuição dos estudos de Buckland problematizando a necessidade de se minimizar os problemas de explosão informacional, também remete a necessidade de se disponibilizar o conhecimento técnico-científico produzido, e por esta razão, ele é um dos pesquisadores tomados como base na comunidade científica quanto a utilização de seus estudos como o conceito de bibliotecas digitais. Como também o é no âmbito da recuperação de informações em que costuma-se evidenciar o conceito de informação como coisa ou seja, o conceito de registros de conhecimento em documento, posto que este é de fundamental importância para os sistemas especializados e sistemas de recuperação de informação, que lidam diretamente com informação somente nesse sentido, a exemplo dos metadados. Mas devemos considerar que os processos socioculturais na compreensão de informação no contexto da orientação social, permeia um outro senso, um senso coletivo e não individual como o é a base do processo de conhecimento e as questões da cognoscência e subjetividade. Como aponta os estudos de CAPURRO E HJØRLAND (2003), na visão da análise de domínio que percebe diferentes objetos como sendo informativos de acordo com a divisão social do trabalho na sociedade. Para ambos, a informação é um conceito subjetivo, embora não primariamente no sentido individual. Os critérios sobre o que conta como informação é formado através de processos sócio-culturais ou científicos. Os usuários devem ser vistos em situações concretas, dentro de organizações sociais e domínios de conhecimentos.

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