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Estudo da logística de distribuição reversa

Estudo da logística de distribuição reversa

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Aborda a logística com conceitos, processo logístico, cadeia de suprimentos, distribuição, armazenagem, estratégia de estoque, sistema de logística e distribuição física com foco central na logística reversa e sua utilização estratégica e o potencial da logística reversa para o sistema alimentar, aspectos ambientais da logística reversa, que com a crescente demanda varejista do mercado, observa-se um aumento da importância do setor logístico em propor estratégias que ofereçam uma análise orientada e direcionada para o processo de tomada de decisões, focando as principais variáveis como: transporte, custo, manuseio, estocagem, qualidade, pontualidade, flexibilidade, ou seja, todo o ciclo logístico. Com o objetivo de minimizar os custos e uma maior maximização dos lucros para as empresas. Já que é a logística que gerencia o processo de distribuição, transporte e controla de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, a percepção das empresas para a necessidade deste desenvolvimento está aumentando dia-a-dia. E é necessário dispor do produto certo, no momento certo. É neste contexto que a logística reversa desempenha papel fundamental e viabiliza um processo dinâmico para toda a cadeia produtiva e principalmente para o cliente com a qualidade dos produtos que chegam ao consumidor. O objetivo é demonstrar a logística reversa onde as questões relacionadas com o meio ambiente assumem vital significância para a manutenção e preservação de uma vida sustentável no planeta. A metodologia utilizada para elaboração do estudo foi explicativo, avaliado através de pesquisas bibliográficas, de livros do ramo da logística, artigos científicos, que trouxeram idéias referentes ao tema proposto.
Aborda a logística com conceitos, processo logístico, cadeia de suprimentos, distribuição, armazenagem, estratégia de estoque, sistema de logística e distribuição física com foco central na logística reversa e sua utilização estratégica e o potencial da logística reversa para o sistema alimentar, aspectos ambientais da logística reversa, que com a crescente demanda varejista do mercado, observa-se um aumento da importância do setor logístico em propor estratégias que ofereçam uma análise orientada e direcionada para o processo de tomada de decisões, focando as principais variáveis como: transporte, custo, manuseio, estocagem, qualidade, pontualidade, flexibilidade, ou seja, todo o ciclo logístico. Com o objetivo de minimizar os custos e uma maior maximização dos lucros para as empresas. Já que é a logística que gerencia o processo de distribuição, transporte e controla de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, a percepção das empresas para a necessidade deste desenvolvimento está aumentando dia-a-dia. E é necessário dispor do produto certo, no momento certo. É neste contexto que a logística reversa desempenha papel fundamental e viabiliza um processo dinâmico para toda a cadeia produtiva e principalmente para o cliente com a qualidade dos produtos que chegam ao consumidor. O objetivo é demonstrar a logística reversa onde as questões relacionadas com o meio ambiente assumem vital significância para a manutenção e preservação de uma vida sustentável no planeta. A metodologia utilizada para elaboração do estudo foi explicativo, avaliado através de pesquisas bibliográficas, de livros do ramo da logística, artigos científicos, que trouxeram idéias referentes ao tema proposto.

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CENTRO DE ENSINO ATENAS MARANHENSE FACULDADE ATENAS MARANHENSE CURSO DE ADMINISTRAÇÃO EM MARKETING

IVALDINO DA SILVA FRAGA

ESTUDO DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO REVERSA

São Luís 2010

IVALDINO DA SILVA FRAGA

ESTUDO DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO REVERSA
Monografia apresentada ao Curso de Administração – em marketing , da Faculdade Atenas Maranhense, para obtenção do grau de Bacharel em Administração em Marketing. Orientador: Prof. MSc. Gerisval Alves Pessoa

São Luís 2010

Fraga, Ivaldino da Silva Estudo da logística de distribuição reversa / Ivaldino da Silva Fraga – São Luís, 2010 40 f. Monografia (Graduação em Administração em marketing) – Faculdade Atenas Maranhense, 2010. 1. Logística reversa. 2. Distribuição. 3. Armazenagem. Título. CDU 65.012 I.

IVALDINO DA SILVA FRAGA

ESTUDO DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO REVERSA

Monografia apresentada ao Curso de Administração – em marketing , da Faculdade Atenas Maranhense, para obtenção do grau de Bacharel em Administração em Marketing. Orientador: Prof. MSc.Gerisval Alves Pessoa

Aprovado em:___/___/2010 Nota:___________________

BANCA EXAMINADORA

___________________________________ Prof. Msc.Gerisval Alves Pessoa Mestre em Administração (FGV)

___________________________________ 1º Examinador (a)

__________________________________ 2 º Examinador (a)

Dedico este trabalho aos meus pais, esposa, irmão e amigos, e, em especial, àquelas pessoas que me incentivaram nos momentos mais difíceis desta conquista.

AGRADECIMENTOS

A Deus, pela coragem e perseverança. De forma toda especial a minha mãe Valderice Ferreira Silva e meus avós Ivaldino e Maria José pelas lições de vida e amor em todos os momentos. Ao professor orientador Gerisval Alves Pessoa, pela dedicação e habilidade com que orientou este trabalho. Aos nossos amigos e colegas de turma, pelas amizades construídas. E aos professores por todos os ensinamentos. A todos aqueles que contribuíram para a conclusão deste de forma direta ou indiretamente.

“Somos todos anjos de uma só asa e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros” Fernando Pessoa

RESUMO

O Presente trabalho aborda a logística com conceitos, processo logístico, cadeia de suprimentos, distribuição, armazenagem, estratégia de estoque, sistema de logística e distribuição física com foco central na logística reversa e sua utilização estratégica e o potencial da logística reversa para o sistema alimentar, aspectos ambientais da logística reversa, que com a crescente demanda varejista do mercado, observa-se um aumento da importância do setor logístico em propor estratégias que ofereçam uma análise orientada e direcionada para o processo de tomada de decisões, focando as principais variáveis como: transporte, custo, manuseio, estocagem, qualidade, pontualidade, flexibilidade, ou seja, todo o ciclo logístico. Com o objetivo de minimizar os custos e uma maior maximização dos lucros para as empresas. Já que é a logística que gerencia o processo de distribuição, transporte e controla de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, a percepção das empresas para a necessidade deste desenvolvimento está aumentando dia-a-dia. E é necessário dispor do produto certo, no momento certo. É neste contexto que a logística reversa desempenha papel fundamental e viabiliza um processo dinâmico para toda a cadeia produtiva e principalmente para o cliente com a qualidade dos produtos que chegam ao consumidor. O objetivo é demonstrar a logística reversa onde as questões relacionadas com o meio ambiente assumem vital significância para a manutenção e preservação de uma vida sustentável no planeta. A metodologia utilizada para elaboração do estudo foi explicativo, avaliado através de pesquisas bibliográficas, de livros do ramo da logística, artigos científicos, que trouxeram idéias referentes ao tema proposto.

Palavras-chave: Logística reversa. Distribuição. Armazenagem

ABSTRACT

The present paper shows with the logistics concepts, process logistics, supply chain, distribution, warehousing, inventory strategy, system logistics and physical distribution with central focus on reverse logistics and its strategic use and potential of reverse logistics for the food system, environmental aspects of reverse logistics, that with the growing demand of the retail market, there is an increase in the importance of the logistics sector to propose strategies that provide a focused and directed to review the process of decision making, focusing on key variables such as transportation , cost, handling, storage, quality, timeliness, flexibility, in other words the entire logistics cycle. Aiming to minimize costs and greater profit maximization for companies. Since it's the logistics that manages the distribution process, transport and control efficiently the flow and storage of products, the perception of businesses on the need for this development is increasing day by day. And it is necessary to have the right product at the right time. In this context, reverse logistics plays a key role and enables a dynamic process throughout the production chain and especially to the client with the quality of products reaching the consumer. The goal is to demonstrate the importance of reverse logistics, where issues related to the environment are of vital significance for the maintenance and preservation of a sustainable life on the planet. The methodology used for preparing the study was explanatory, assessed through literature searches, books of business logistics, scientific articles, which brought ideas concerning the proposed topic.

Keywords: Reverse logistics. Distribution. Storage

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01:.Atividades típicas do processo logístico ................................................................ 19 Tabela 02: Consumo de defensivos agrícolas (kg/ha) ............................................................ 33 Tabela 03: Devolução de produtos pelos clientes ................................................................... 34

SUMÁRIO

1 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 3 4 4.1 4.2 4.3 5

INTRODUÇÃO ............................................................................................... LOGÍSTICA .................................................................................................... Conceito ........................................................................................................... Processo logístico ............................................................................................. Cadeia de suprimentos .................................................................................... Cadeia de distribuição..................................................................................... Armazenagem................................................................................................... . Estratégia de estoque ....................................................................................... Sistema de logística .......................................................................................... Distribuição física ............................................................................................ LOGÍSTICA REVERSA ................................................................................ LOGÍSTICA REVERSA UTILIZADA ESTRATEGICAMENTE............ O potencial da logística reversa para o sistema alimentar ........................... Aspectos ambientais da logística reversa ....................................................... Logística reversa e os produtos agrotóxicos .................................................. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... REFERÊNCIAS ..............................................................................................

10 12 12 13 15 15 16 17 18 18 19 22 24 27 31 38 39

10 1 INTRODUÇÃO

O trabalho de conclusão de curso faz um estudo da logística de distribuição reversa, de grande relevância para o mercado logístico e para as empresas envolvidas neste processo de distribuição. A administração logística, historicamente, não foi vista nas empresas como uma atividade que pudesse agregar valor a seus produtos e serviços. Este panorama está mudando em razão de diversos fatores, entre eles estão: sistemas de informação mais eficientes a um custo menor; melhoria na tecnologia de movimentação e armazenamento de materiais; métodos mais eficientes de controle de produção e estoque; e outros fatores que permitem o melhor planejamento e execução das atividades da área. Com isto a área tem recebido destaque, e sua imagem como geradora de custos, passou para atividades que podem gerar diferenciais competitivos para as mesmas. Apesar da mudança de status da logística, muito ainda pode ser feito, principalmente em termos do gerenciamento do fluxo de retorno de produtos não consumidos. Esse fluxo, assim como o direto, sofre oscilações e essas podem ser maiores em tempos de turbulência econômica, exigindo maior capacidade gerencial do canal de distribuição, que deve estar preparado para absorver as variações mais acentuadas da demanda num curto prazo. Muitas são as diferenças entre o fluxo de entrega de bens vendidos e o fluxo de bens retornados, mas apesar disso poucos são os estudos em canais de distribuição e logística que tratam do canal reverso de produtos não consumidos. A logística reversa pode, portanto, ser entendida como a área da logística empresarial que visa equacionar os aspectos logísticos do retorno dos bens ao ciclo produtivo ou de negócios através da multiplicidade de canais de distribuição reversos de pós–venda e de pós–consumo, agregando-lhes valor econômico, ecológico, legal e de localização. Embora seja notável o potencial da atividade reversa na economia, a falta de informação e consequente estrutura dos canais podem comprometer seu funcionamento de forma eficiente. Com o conhecimento da motivação da implementação de práticas de logística 11 reversa na cadeia de suprimentos de alimentos processados será possível compreender particularidades e aperfeiçoar as técnicas de gestão de um expressivo setor da economia. O objetivo é demonstrar a importância da logística reversa no trato das questões relacionadas à logística de distribuição de forma sustentável com o meio ambiente

A metodologia utilizada para elaboração do estudo foi explicativo, avaliado através de pesquisas bibliográficas, de livros do ramo da área de logística e artigos científicos, que trouxeram idéias referentes ao tema proposto. O trabalho acadêmico aborda no capítulo 2 a logística, conceito, processo logístico, cadeia de suprimentos, cadeia de distribuição, armazenagem, estratégia de estoque, sistema de logística e distribuição física. No capítulo 3 trata-se da logística reversa. E no capítulo 4 a logística reversa utilizada estrategicamente e o potencial para o sistema alimentar, aspectos ambientais da logística reversa e a logística reversa e os produtos agrotóxicos. Em seguida são apresentadas as considerações finais do trabalho acadêmico com parecer do acadêmico e contribuições referente ao estudo realizado sobre logística reversa.

12 2 LOGÍSTICA

2.1 Conceito

É coordenar todas as atividades relacionadas à aquisição, movimentação e estocagem de materiais. Esta abordagem considera o fluxo inteiro de materiais e peças, desde os fornecedores até o estabelecimento de manufatura, com seus depósitos e linhas de produção, e também depois da manufatura, no fluxo de peças e produtos, através dos armazéns e centros de distribuição até os clientes, este fluxo é controlado e planejado como um sistema integrado; esta abordagem é diferente da tradicional que era a abordagem departamentalizada. Existem muitas maneiras de definir o conceito de logística, alguns autores definem como:
Logística consiste em fazer chegar à quantidade certa das mercadorias certas ao ponto certo, no tempo certo, nas condições e ao mínimo custo; a logística constituise num sistema global, formado pelo inter-relacionamento dos diversos segmentos ou setores que a compõem. Compreende a embalagem e a armazenagem, o manuseio, a movimentação e o transporte de um modo geral, a estocagem em trânsito e todo o transporte necessário, a recepção, o acondicionamento e a manipulação final, isto é, até o local de utilização do produto pelo cliente. (MOURA, 1998, p.52).

Para Alt & Matins (2000, p. 252), a logística é responsável pelo planejamento, operação e controle de todo o fluxo de mercadorias e informação, desde a fonte fornecedora até o consumidor.
Portanto, a logística empresarial é o processo de planejamento, implementação e o controle do fluxo e armazenagem eficientes e de baixo custo de matérias-primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto

de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do cliente. (BALLOU, 1998, p.42). A logística empresarial associa um estudo orientado e administração dos fluxos de bens e serviços e da informação que os põe em constante dinamismo e também cuida do planejamento, organização e controle das atividades de movimentação e armazenagem que 13 visam facilitar o fluxo de produtos. De modo que os consumidores tenham bens e serviços quando e onde quiserem, na qualidade certa e na condição física que desejarem para à sua satisfação.

Segundo, Bowersox (2001), a competência logística é alcançada por uma sistemática de coordenação: um projeto de rede; informação; transporte; estoque e armazenagem, manuseio de materiais e embalagem. O desafio esta em gerenciar o trabalho relacionado a essas áreas funcionais de maneira orquestrada, com o objetivo de gerar a capacidade necessária ao atendimento das exigências logísticas. Duas questões são importantes ao ser considerados o desempenho logístico do ponto de vista da empresa. Em primeiro lugar, todas as empresas necessitam de apoio e cooperação de varias outras empresas para a consecução de seu processo logístico. Essa cooperação une as empresas em termos de metas, políticas e programas comuns. Considerando a perspectiva de toda a cadeia de suprimento (Supply Chain), a eficiência é aprimorada por meio da eliminação de duplicação e desperdício. No entanto a coordenação interorganizacional requer que tanto o planejamento como o relacionamento sejam feitos em conjunto. Com ênfase na cadeia de suprimentos (Supply Chain), inclui todas as atividades e processos necessários para fornecer um produto ou serviço a um consumidor final, para a harmonia dessa cadeia é importante haver a sinergia inter-relacionada a todos os seu setores organizacionais, principalmente com seus stakeholders, o objetivo é focar e prezar pela melhoria na eficiência e no aumento da competitividade.

2.2 Processo logístico

A logística na empresa esta envolvida em atividades que trazem ao produto ou serviço, valor de tempo e lugar. O profissional da logística empresarial busca sua própria meta que move a empresa em direção ao seu objetivo maior, com isso geram-se melhorias na qualidade dos serviços prestados ao cliente. O objetivo logístico é minimizar os custos para alcançar o nível de serviço 14 desejável não dando muita ênfase na maximização do retorno sobre o investimento (return on invest). Pois de acordo com Ballou (2001), a empresa busca minimizar seus custos para que possa ter lucro maior e ter um retorno sobre o investimento, assim, a logística ajuda para que os serviços sejam prestados com uma qualidade total para seus clientes, ou seja, seria o

produto na hora certa, no tempo certo e no lugar certo, evitando aborrecimentos e desperdícios. Os clientes, quando querem comprar algo em uma loja, por exemplo, esperam encontrar o que procuram, o que seria muito difícil sem possuir o apoio da logística. A logística está sempre em constante mudança, nem todas as outras áreas em uma organização possuem esta característica, o que faz da logística uma área complexa, dinâmica e abrangente. Dentro da logística estão envolvidos vários processos, como transporte, estoque, armazenagem, manuseio de materiais e embalagem, criando-se um gerenciamento logístico. Porque para Bowersox (2001), o sistema operacional da logística está ligado diretamente ao uso de matéria-prima, produtos semi-acabados e produtos acabados, buscando sempre o menor custo possível, porém quando se pensa em agregar valores dentro da logística, o custo se torna relativamente alto, devido aos processos envolvidos e ao peso que esta área possui dentro das organizações. A logística é a direção e a realização de movimentações de mercadorias, determina como devem ser movimentadas as mercadorias e visa determinar quando devem ser movimentadas; por exemplo: deve-se haver um aumento de estoque ou quando um pedido de fabricação deve entrar na produção. A logística não é somente uma questão de técnica de armazenagem e de movimentação de embalagens e transporte; é também um método de direção e gestão que co-determina o grau de utilização das instalações fabris, o volume de estoque, a disposição a fornecer e o serviço. É fundamental ficar atento ao avanço da tecnologia, onde surgem sempre novos métodos de estocagem, embalagem e distribuição. Assim sendo, a abrangência a logística está cada vez mais envolvida com o processo produtivo e/ou organizacional de qualquer organização, seja qual for o ramo de atividade.

15 2.3 Cadeia de suprimentos

Segundo, Ballou (2001), é o conjunto de atividades funcionais que vai da matériaprima até o produto acabado, ou seja, representa uma sequência de fases da manufatura, sendo elas de suma importância no decorrer do processo produtivo. Cita-se como exemplo uma empresa que pode utilizar o sistema de cadeias de suprimentos: uma lavanderia, pois em todo seu processo deve haver uma cadeia de suprimentos, como matéria-prima, na utilização da limpeza das roupas, água, máquina de lavar, ou seja, existe um processo sequencial na estrutura de uma lavanderia, onde assim se aplica a cadeia de suprimentos.

2.4 Cadeia de distribuição

De acordo com, Bowersox (2001), as cadeias de distribuição estão interligadas ao processo logístico de distribuição que por sua vez envolvem os seguintes processos: Previsão de demanda; Planejamento das necessidades de materiais; Estocagem dos materiais; Armazenagem logística; Movimentação de materiais; Embalagem; Estocagem dos produtos acabados; Planejamento e distribuição física; Processamento de pedidos; Transporte de pedidos; Transporte; Atendimento ao cliente; As atividades que coordenam o fluxo integral da logística são principalmente: compra de produtos e matérias-primas e transporte de suprimentos. 16

O objetivo dessas cadeias é facilitar o fluxo de produtos, de modo que os consumidores tenham bens e serviços quando e onde quiserem, e na condição física que desejarem. Esta movimentação pode ser compreendida a partir desse exemplo: matérias primas fluem para uma empresa fabricante, são processadas pela produção e, finalmente

produtos acabados são distribuídos para os clientes finais por meio de um sistema de distribuição física.

2.5 Armazenagem

No passado, um armazém era definido como um “lugar para guardar material”. Hoje, ele é uma parte integrante da política de fabricação e marketing, administração de materiais e planejamento financeiro. A criação e a locação do produto devem ser reconhecidas como a manifestação física da política de marketing. O nível de sofisticação dos equipamentos e a criação de técnicas operacionais devem representar uma resposta direta para a logística e os serviços de comércio ou instituição, sustentada pelos serviços de armazenagem. A propósito de um armazém é estar provido de espaço para o fluxo de materiais entre as funções comerciais e operacionais que não tenham um fluxo linear contínuo de abastecimento. A redução dos custos de armazenagem pode ser baseada na eficiente integração entre: práticas operacionais, criação de embalagens, técnicas de movimentação de materiais, métodos de estocagem, processamento de pedidos. Estas atividades estão mutuamente integradas e seus efeitos agregados devem ser previstos para satisfazer ao mais alto nível de serviços aos clientes, ao custo mais baixo possível. A responsabilidade do armazém, ou centro de distribuição, deve ser: recebimento, cuidados, entrega pontual do produto certo na quantidade certa, em condições adequadas, no lugar certo, no momento certo e ao menor custo.

17 2.6 Estratégia de estoque

Em uma organização o espaço para estocagem é utilizado por quatro razões: reduzir custos de transportes e produção, coordenar oferta de demanda, auxiliar no processo de produção e ajudar o processo de marketing. Reduzir custos de transportes e produção - o custo com o estoque pode ser relativamente alto, porém, é compensado com a economia nos transportes e produção. Coordenar oferta de demanda - a organização possui estoque suficiente para suprir a demanda de mercado. Auxiliar no processo de produção - em empresas de vinho, por exemplo, as garrafas devem ser armazenadas para passar por um processo de envelhecimento, para somente depois serem vendidas, assim, o estoque auxilia na produção do vinho. Ajudar o processo de marketing - o estoque deve obter os produtos necessários para manter boa a satisfação dos clientes, ou seja, os produtos devem ser encontrados no estoque quando necessário. (BALLOU, 2001). Quando não se possui um estoque adequado, podem ocorrer insatisfações de clientes e perda de vendas. A falta de matéria-prima pode parar a produção ou atrasar o processo produtivo, o que ocasionará mais custo e falta de produto acabado para a empresa, porém, o excesso de matéria prima também causa problemas para a empresa, pois, geram-se também mais custos e perda de lucratividade, assim o estoque se mantém imobilizado e sem giro contínuo. Para se elaborar uma estratégia de estoque, é necessário conhecer qual é o papel do estoque em uma empresa, assim sendo, deve se ter base de qual é o valor que está imobilizado dentro do estoque. Os executivos de logística estão conseguindo reduzir os níveis de estoque operacional, isto devido à utilização de estratégias de prazos como o JIT (Just in Time), que funciona da seguinte forma: os produtos possuem reposição de acordo com o consumo dos mesmos, ou seja, só são pedidos aos fornecedores materiais que realmente vão sair imediatamente do estoque, o que faz com que o custo de estoque esteja sempre baixo, uma vez que o produto não é armazenado e possui saída rápida.

18 2.7 Sistema de logística

Segundo, Bowersox (2001), dentro de uma complexa variedade de fatores administrativos, que devem ser considerados na criação de centros de distribuição, os críticos são: a política de serviços aos clientes, que requer considerações balanceadas no relacionamento entre o alto nível de estoque e as características geográficas de marketing, as locações de múltiplos armazéns, um programa de agilidade e segurança nas entregas, os custos dos serviços aos clientes. O atendimento de um número cada vez maior de consumidores e velocidades crescentes de suprimento gerou o desenvolvimento de técnicas de distribuição que não podem ser desconhecidas pelos administradores do setor. A problemática distribuição pode ser resumida em quatro perguntas: Quanto distribuir? Problemas de lote econômico. Onde distribuir? Numero de filiais e depósitos. Quando distribuir? Programação das remessas. A quem distribuir? Transporte, estocagem, rede de revenda. A distribuição é o planejamento do abastecimento aos clientes, às filiais e aos depósitos, visando assegurar um máximo de vendas com um investimento mínimo no estoque; aí se situa o ponto básico da questão: determinar a quantidade a estocar, para que o produto não falte no centro consumidor, sem que haja materiais em excesso no depósito.

2.8 Distribuição física

Inclui todas aquelas funções de transporte de produtos no espaço ou no tempo até os consumidores. O Marketing cria uma demanda e atrai os clientes para um produto ao qual se confere um determinado valor; a fabricação mediante o emprego de determinados materiais, proporciona esse produto e, finalmente, a “distribuição física” dá o valor ao espaço e ao tempo, situando os materiais e o produto no lugar e momento adequados. Desta forma, a distribuição física é a principal linha de união entre as atividades de fabricação e a criação da demanda. 3 LOGÍSTICA REVERSA 19

Nos anos 80, o conceito de logística reversa ainda estava limitado a um movimento contrário ao fluxo direto de produtos na cadeia de suprimentos. Foi na década de 90 que novas abordagens foram introduzidas e o conceito evoluiu impulsionado pelo aumento da preocupação com questões de preservação do meio ambiente, através da pressão exercida pela legislação e órgãos fiscalizadores; e a constante busca pela redução de perdas por parte das empresas e distribuidores. As atividades de logística reversa passaram a ser utilizadas em maior intensidade nesta década principalmente nos Estados Unidos e Europa, onde o conceito clássico de logística já era mais consistente. Segundo o Council of Logistics Management (1993, apud Leite, 2003, p. 151), “logística reversa é um amplo termo relacionado às habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e disposição de resíduos de produtos e embalagens”. A partir de então, as definições de logística foram abrangendo novas áreas de atuação incluindo todas as formas de movimentos de produtos e informações até o gerenciamento dos fluxos reversos. Para Leite (2003, p. 16-17), logística reversa é:
[...] a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pósconsumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros.

Este é um conceito abrangente, em que o autor objetiva viabilizar o retorno de bens através de sua reinserção no ciclo de produção ou de negócios. Para que isso ocorra, deve haver uma etapa de análise destes bens de pós-venda e de pós-consumo no intuito de definir o estado destes bens e determinar o processo o qual deverá se submeter. A Figura 1 mostra as atividades típicas do processo logístico reverso.

Figura 1 – Atividades típicas do processo logístico reverso Fonte: Adaptado de Lacerda (2003)

20 Os materiais podem retornar ao fornecedor ou podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização. Além disso, os bens podem ser recondicionados, ou reciclados. O foco de atuação da logística reversa envolve a reintrodução dos produtos ou materiais à cadeia de valor através do ciclo produtivo ou de negócios e, portanto, um produto só é descartado em último caso. Através da gestão do fluxo reverso de produtos e/ou informações, a logística reversa integra os canais de distribuição reversos. Leite (2003, p. 4) define os canais de distribuição reversos como:
[...] as etapas, as formas e os meios em que uma parcela desses produtos, com pouco uso após a venda, com ciclo de vida útil ampliado ou após extinta a sua vida útil, retorna ao ciclo produtivo ou de negócios, readquirindo valor em mercados secundários pelo reuso ou reciclagem de seus materiais constituintes.

O canal de distribuição reverso de pós-consumo se caracteriza por produtos oriundos de descarte após uso e que pode ser reaproveitado de alguma forma e, em último caso, descartado. Já o canal de distribuição reverso de pós-venda se caracteriza pelo retorno de produtos com pouco ou nenhum uso que apresentaram problemas de responsabilidade do fabricante ou distribuidor e, ainda, por insatisfação do consumidor. Diversas podem ser as razões para que um produto retorne pela cadeia de suprimentos, tais como: defeito, falta de atendimento às expectativas, erro de pedidos, excesso de estoque, danificação ou contaminação do produto e produtos fora de linha (Surplus). No setor de alimentos processados, este último item não ocorre com freqüência. O mais comum é o retorno de embalagens (por ser reutilizável ou por questões ambientais) e a devolução de produtos promocionais ou vencidos. Na fase de pós-venda, o retorno se dá por questões de manutenção de imagem do produto e marca, bem como cumprimentos de contratos ou do Código de Defesa do Consumidor. Em certos casos específicos, as empresas aceitam o retorno não previsto em contrato. Esta prática é comum naquelas que se diferenciam pelo serviço ao cliente, pois mesmo não sendo de sua responsabilidade, é uma forma de garantir a satisfação do consumidor e manter a competitividade. No entanto, o mais seguro para o fornecedor e para o cliente, é estabelecer em contrato as responsabilidades de cada um.

21 Como a logística reversa de pós-venda, a atividade relacionada ao pós-consumo também possui um objetivo econômico. Leite (2003, p. 107) afirma que o objetivo econômico de implantação da logística reversa de pós-consumo se deve às economias relacionadas com o aproveitamento das matérias-primas secundárias ou provenientes de reciclagem bem como da revalorização dos bens através da reutilização e reprocesso. Além do objetivo econômico, diferentemente do canal de pós-venda, o retorno de bens usados ocorre muito mais por questões ambientais e legais que pela possibilidade de retornar o bem à cadeia de valor. Assim sendo, esta atividade é mais intensa em locais cuja sociedade seja mais exigente e/ou que a legislação é mais rígida.

22 4 LOGÍSTICA REVERSA UTILIZADA ESTRATEGICAMENTE

As alterações no mercado têm exigido das empresas um esforço no sentido de aumentar sua competitividade para se manter nos negócios. Neste sentido, atividades que reforcem uma vantagem competitiva para as empresas são ressaltadas devido à sua importância no estabelecimento de um relacionamento com o cliente. A logística reversa se destaca como uma destas atividades e deve ser mais bem compreendida. A base de uma vantagem é a diferença entre uma empresa e seus concorrentes. Neste sentido, a estratégia é “a busca deliberada de um plano de ação para desenvolver e ajustar a vantagem competitiva de uma empresa” (HENDERSON, 1998, p. 5). Uma empresa deve criar e sustentar uma vantagem competitiva para que, através da elaboração e implementação de uma estratégia competitiva, ela consiga atingir uma posição competitiva favorável na indústria. Para isso, é essencial que a empresa conheça profundamente a estrutura industrial do setor de atuação. Assim, a vantagem competitiva é utilizada por ela para se defender contra as forças competitivas básicas (ameaça de entrantes, poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores, pressão dos produtos substitutos e a intensidade da rivalidade entre os concorrentes já existentes) ou influenciá-las a seu favor (PORTER, 1986, p. 22). Uma forma de sobreviver num mercado de acirrada concorrência é a diferenciação de produtos e serviços como vantagem competitiva e também para dominar diferentes tipos de mercados. A diferenciação dos serviços em logística é uma forma de oferecer uma vantagem competitiva frente aos concorrentes, por proporcionar mais valor ao cliente. Com isso uma empresa pode diferenciar sua marca e fidelizar clientes por oferecer um nível de serviço mais elevado. A logística contribui para o sucesso das organizações não somente por propiciar aos clientes a entrega precisa de produtos, mas também por promover suporte ao produto após sua venda ou consumo. Uma meta comum a vários negócios é conquistar os clientes de forma que eles não queiram o risco e a incerteza da troca de fornecedor. Há muitos modos para desenvolver vínculos que dificultem esta troca. Um deles é o fornecedor oferecer a seus clientes um serviço de retorno rápido e eficaz de mercadoria não vendida ou defeituosa e a habilidade de creditar os clientes de forma justa.

23 A logística reversa é estrategicamente utilizada para permitir aos participantes do elo seguinte da cadeia, tais como varejistas e atacadistas, reduzir o risco de comprar produtos que podem não ser “de venda quente”, ou seja, de venda rápida. O uso estratégico da capacidade de logística reversa aumenta os custos de mudança de fornecedores. Este aumento no nível de serviço fortalece a cadeia de valor de uma empresa que, se bem configurada, reforça sua vantagem competitiva. Para ser visualizada e compreendida, a vantagem competitiva não pode ser analisada sob o ponto de vista da empresa como um todo, pois ela se origina nas atividades segmentadas como produção, projeto, marketing, logística, dentre outras. Cada atividade pode fornecer uma vantagem competitiva à empresa. Assim, a logística reversa pode ser utilizada estrategicamente por fornecer outras oportunidades que, muitas vezes, interagem entre si visando sempre um incremento nas vantagens estratégicas. São eles: a) Adequação às questões ambientais: A conscientização sobre a conservação não é só uma questão de moda e, sim, uma reorientação da produção e do consumo para o crescimento sustentável. Para isso, a logística deve minimizar o impacto ambiental, não só dos resíduos oriundos das etapas de produção e do pós-consumo, mas dos impactos ao longo do ciclo de vida dos produtos. O marketing de consumo está sendo substituído por uma visão voltada para o desenvolvimento sustentável e, com isso, garante vantagem competitiva aos produtos e projeta as empresas em mercados mais exigentes. b) Redução de custo: O reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens retornáveis fornecem ganhos que estimulam novas iniciativas e esforços em desenvolvimento e melhoria dos processos de logística reversa. Na reciclagem de latas de alumínio há uma economia de 95% da energia elétrica que é expressivo quando se considera que a energia elétrica representa 70% do custo de fabricação do alumínio (LEITE, 2003, p. 121). c) Razões competitivas: Uma forma de ganho de vantagem competitiva frente aos concorrentes é a garantia de políticas liberais de retorno de produtos que fidelizam os clientes. Dessa forma, empresas que possuem um processo de logística reversa bem gerido tendem a se sobressair no mercado, uma vez que podem atender aos seus clientes de forma melhor e diferenciada do que seus concorrentes, isto é, ganham competitividade por oferecerem um serviço valorizado pelo cliente.

24 d) Diferenciação da imagem corporativa: Muitas empresas estão utilizando logística reversa estrategicamente e se posicionando como empresa cidadã, contribuindo com a comunidade e ajudando as pessoas menos favorecidas. Com isso, as empresas conseguem um aumento do valor da marca e muitas vezes de seus produtos também. Estas políticas podem não ser a razão pela qual todos os clientes compram seus produtos, mas elas são consideradas um forte incentivo de marketing. e) Elevação do nível de serviço oferecido ao cliente: A logística reversa é uma estratégia para agregar valor ao produto de várias formas, desde fornecer uma ferramenta de apoio ao marketing de relacionamento com o consumidor após a compra até oferecer um serviço orientado para a preservação ambiental. Esta elevação no nível de serviço deve ser no sentido de desenvolver uma vantagem competitiva sustentável para as empresas, visto que as melhorias introduzidas no serviço ao cliente de uma empresa não são facilmente copiadas pelos competidores como o são as mudanças no produto, no preço e na promoção. No caso do canal reverso de latas de alumínio e de papel, a atividade dos catadores é capaz até de sustentar famílias de baixa renda. Segundo estimativas do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE, 1999), existiam cerca de 200 mil catadores no Brasil em 1999. A reciclagem, que começou como um trabalho informal, atualmente se tornou uma opção de emprego estável, principalmente pela implantação de cooperativas de reciclagem.

4.1 O potencial da logística reversa para o sistema alimentar

Após a abertura do mercado nacional, importantes mudanças têm ocorrido nos vários setores da economia no intuito de proporcionar um reposicionamento das empresas nacionais frente ao ambiente de forte competitividade imposto pela entrada de empresas de capital estrangeiro no país. No setor de alimentos não foi diferente. O ambiente produtivo e fortemente concorrencial forçou toda a cadeia produtiva a redimensionar suas estratégias competitivas e valorizar aquelas que visam alcançar vantagens competitivas. A falta de uma vantagem

competitiva sustentável para definição de uma posição estratégica na indústria torna uma 25 empresa vulnerável aos padrões competitivos impostos pelo mercado. Entender as mudanças nos desejos do consumidor é fundamental para compreender como as empresas, ao longo das redes agroalimentares, devem trabalhar para ter sucesso. Para os supermercados, o setor de serviços de alimentação (food-service), os atacadistas, a indústria de alimentos, a produção agropecuária e as empresas de insumos, o fluxo eficiente de informações ao longo da rede produtiva é essencial para compreender a nova preferência dos consumidores no que tange a atributos específicos dos produtos e serviços oferecidos. Neste ambiente de competição acirrada, os consumidores se orientam cada vez mais para a obtenção de maior valor em suas compras, ou seja, maior relação entre os benefícios e custos para se ter o produto ou serviço. A agregação de valor ao produto alimentício através da logística reversa significa o atendimento às crescentes expectativas dos clientes distribuidores no atacado e no varejo por um apoio no retorno de produtos; e do consumidor final ao oferecer um serviço diferenciado. Além disso, cria-se vantagem competitiva para os fabricantes de produtos através do atendimento à legislação ambiental, redução de custos, aumento da competitividade e diferenciação da imagem corporativa da empresa. Neste sentido, as grandes empresas alimentares estão incluindo a implantação e gerenciamento da logística reversa em suas estratégias como forma de obter uma diferenciação do serviço ao cliente. Deve-se considerar que, no setor de alimentos, a logística reversa tem um papel diferenciado no que tange a segurança do alimento. Através de políticas liberais de retorno de produtos alimentícios, a empresa permite a devolução de produtos defeituosos ou fora do prazo de validade, evitando problemas de infecção ou intoxicação e, desta forma, ela protege a sua marca pela garantia de proteção à saúde do consumidor. Esta estratégia é essencialmente útil para atender a um dos direitos básicos do consumidor estabelecido no inciso I do Artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990), em que os consumidores têm direito à “[...] proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos [...]”. Este é um fator muito importante, visto que muitos varejistas, frente à possibilidade de perder o produto pelo término de sua validade e a impossibilidade de retornar este produto ao fabricante, fazem promoções para liquidar o estoque. Se algum problema de contaminação ocorrer, a marca do produto perde a credibilidade junto aos consumidores.

26 É de interesse de ambas as partes, fabricantes e varejistas, a implantação de um sistema logístico reverso de forma a dividir os custos de retorno de produto e proteger suas margens de lucro. Varejistas e atacadistas valorizam o serviço como elemento de decisão de quem comprar e avaliam a performance de seus fornecedores em termos de disponibilidade, desempenho operacional e confiabilidade. Portanto, a logística reversa deve ser priorizada pelos fornecedores interessados em não somente oferecer um serviço diferenciado aos consumidores finais, mas em fidelizar um cliente varejista. O marketing de relacionamento com os consumidores e varejistas após a venda dos produtos precisa trabalhar junto com o sistema logístico reverso da empresa para construir uma vantagem competitiva sustentável. Nestes casos em que a empresa pode controlar produtos quando existe risco à saúde através de políticas liberais de retorno de produtos alimentícios, existem outros benefícios além da garantia de proteção à marca e fortalecimento da relação indústriavarejista. Deve-se considerar ainda o potencial que esta prática tem para fortalecer o comércio exterior de alimentos contra a imposição de barreiras não-tarifárias em mercados como o norte-americano e a união européia. É no sentido de adequação de produtos e serviços às exigências dos países importadores que a logística reversa pode colaborar para o fortalecimento das exportações brasileiras, principalmente as do setor agroalimentar que se destacam nacionalmente. A primazia em um setor pode ser obtida através de vantagens competitivas cujas origens estão na anteposição em oferecer ao consumidor um produto alimentício associado a um serviço diferenciado garantido por um sistema logístico reverso. No entanto, esta não é uma tarefa fácil, visto que há uma carência generalizada de informações nesta área, como já mencionado anteriormente. A falta de informações dificulta a visualização das vantagens obtidas com a atividade de logística reversa. Isto se torna mais evidente no setor de alimentos processados cujas especificidades moldam toda sua cadeia de suprimentos. A elevada perecibilidade dos produtos que exige um eficiente sistema logístico em contraposição ao baixo valor agregado de seus produtos tem limitado a expansão da atividade neste setor. Segundo Fleury e Silva (2000, p. 77), a redução nos custos logísticos pode ter grande impacto em empresas do setor alimentício cujos custos logísticos representam 30 a 40% do valor agregado total.

27 Ações visando à construção de competências logísticas eficazes ainda estão restritas a um pequeno grupo de empresas. No entanto, apesar de muitas empresas ainda não reconhecerem o potencial estratégico de processos logísticos reversos, esta situação está mudando. Estudos que evidenciem os benefícios do gerenciamento dos retornos certamente colaboram para o incremento desta técnica de gestão nas empresas. A indústria de alimentação tem se destacado em âmbito nacional pela ampla capacidade competitiva. O setor de produtos alimentícios representa um “ponto forte” da economia e está integrada com o comércio exterior. Portanto, o diagnóstico da atividade de logística reversa em indústrias de alimentos e supermercados intenta colaborar para o desenvolvimento do setor de alimentos nacional.

4.2 Aspectos ambientais da logística reversa

O crescente interesse pela proteção ambiental aportou novas necessidades aos processos logísticos. Na Europa, o enfoque ambiental dado à logística reversa é apoiado por diretrizes legais para transporte e descarte de embalagens. Alguns países possuem legislação acerca do retorno de embalagens, tanto para reutilização quanto para descarte das mesmas. No Brasil, a legislação exige o retorno de produtos considerados perigosos após o término da vida útil, por conter metais pesados, tais como pilhas e baterias, e de produtos considerados problemáticos, devido às poucas opções de tratamento, como pneus. Nestes casos, a responsabilidade pela logística e pelo tratamento dos resíduos é do fabricante. Segundo Slijkhuis (2004), a Comunidade Européia, com o uso da Diretiva 94/62, estabeleceu uma hierarquia de medidas para a redução de resíduos em prazos estabelecidos: (i) reduzir os resíduos na origem; (ii) utilizar materiais recicláveis; (iii) reutilizar os materiais, maximizando o giro; (iv) implementar sistemas de recuperação; e (v) reciclar os materiais. A logística reversa tem sido associada a operações de reciclagem e a interesses de preservação ambiental, principalmente quanto a retornos de produtos não-consumidos ou de itens com defeitos de fabricação ou projeto, os recalls. Se estes itens não forem recolhidos, o consumidor, por falta de outros meios, poderá fazer a disposição de modo inadequado (DAUGHERTY, MYERS; GLENN, 2002; MINAHAN, 1998).

28 A prática da logística reversa é diferente da gestão ambiental, haja vista que esta se preocupa principalmente em recolher e processar rejeitos, refugos e resíduos de itens para os quais não há outro uso, enquanto que aquela se concentra em itens com valor a recuperar. A logística reversa tem afinidade com a chamada logística verde, haja vista que esta considera aspectos ambientais em atividades logísticas, tais como consumo de recursos naturais, emissões atmosféricas, uso de rodovias, poluição sonora e disposição de resíduos perigosos. A redução da necessidade de acondicionamento ou aumento da eficiência de transporte é um objetivo da logística verde, mas não da logística reversa. Já um estudo de embalagens reutilizáveis que substituem embalagens descartáveis, tal como o ora proposto, é objetivo tanto da logística verde como da reversa (ROGERS; TIBBEMLEMBKE, 2003). Leite (2003) comenta que a imagem corporativa é atingida por questões ambientais e constata que organizações têm manifestado seu comprometimento por meio de declarações de missões empresariais. No entanto, segundo Liva, Pontello e Oliveira (2004), objetivos econômicos ainda são os mais evidentes na implementação de programas de logística reversa. Um problema relevante em logística reversa, que pode oferecer benefícios ambientais e econômicos, é o retorno de embalagens. O problema transcende ao âmbito da manufatura, haja vista que, para produtos de montagem complexa ou que requerem combinações de peças, ou ainda que deva passar por longos translados, o próprio projeto de produto pode ser afetado. Embalagens podem ser do tipo descartável, que perdem grande parte do valor durante o consumo do produto, tais como as garrafas PET, ou retornáveis, cujo valor sobrevive ao consumo do produto, tais como garrafas de vidro. No primeiro caso, o papel da logística reversa é recolher e dar destinação ao material, ou, no máximo, extrair um valor residual. No segundo caso, é recolocar o material no ciclo produtivo, extraindo do mesmo um valor pleno. O problema das embalagens parece ser relevante a tal ponto que Liva, Pontello e Oliveira (2004) identificam uma logística reversa específica para embalagens, ao par das logísticas de pós-venda e pós-consumo. Nhan, Souza e Aguiar (2003) comentam que, com mercados cada vez mais afastados, além das embalagens primárias, surge a necessidade da unidade conteinerizada, para longa distância. Segundo estes autores, há uma tendência mundial de se usarem embalagens retornáveis, reutilizáveis ou de múltiplas viagens (multiways).

29 Especificamente quanto ao retorno de embalagens, Lima e Caixeta Filho (2001) comentam que este fluxo pode reduzir desperdícios de valores e riscos ao ambiente, pela reutilização, recuperação e reciclagem dos materiais de embalagens. A embalagem de interesse para esta pesquisa é o contenedor industrial retornável. Um contenedor retornável é um tipo de embalagem secundária que pode ser usada mais de uma vez da mesma forma, ao contrário dos contenedores do tipo one-way, descartados tão logo se dê o uso do produto. Para tanto, um sistema de gerenciamento de retorno deve ser montado, para que os contenedores estejam disponíveis no ponto e no momento em que forem requisitados. O sistema de gerenciamento deve ter como meta a coleta do contenedor vazio no atual usuário e o seu transporte até o próximo usuário. O contenedor deve chegar limpo, íntegro e identificado com os dados da próxima transação (KROON; VRIJENS, 1995). Outra necessidade gerencial que pode surgir na gestão de embalagens retornáveis é a determinação de rotas. Embalagens reutilizáveis e bens a reciclar ou remanufaturar são transportados na direção oposta à distribuição. Se ambas as tarefas são executadas pela mesma infra-estrutura de transporte, um problema de roteamento surge, e sua solução deve considerar, simultaneamente, tanto a via direta como a reversa, determinando uma rota ótima com entregas e coletas na mesma ronda (DETHLOFF, 2001). Leite (2003) compara embalagens descartáveis e retornáveis. Segundo o autor, as embalagens retornáveis possuem os mesmos inconvenientes das descartáveis, tais como os custos do transporte direto, transporte de retorno, administração de fluxos, recepção, limpeza, reparos eventuais, armazenamento e de capital investido. Contudo, além dos benefícios ambientais, embalagens retornáveis também podem oferecer outros tipos de benefícios: (i) conferir maior proteção aos produtos; (ii) oferecer ao usuário maior flexibilidade à medida que mudarem os requisitos legais; ou (iii) se a empresa não possui mais nenhuma aplicação para as embalagens, elas podem retornar ao fabricante como material reciclado, podendo ser utilizadas em novas embalagens. Segundo Leite (2003), há três aspectos que devem ser considerados em decisões sobre embalagens: (i) os sistemas de produção de alta velocidade de resposta (just-in-time), nos quais a exigência de rápida alimentação das linhas de montagem, alta frequência de entregas e tempos de atravessamento curtos favorecem o uso de embalagens retornáveis; (ii) a crescente consciência ecológica empresarial, pelo impacto de seus produtos, embalagens e acessórios no meio ambiente; e (iii) o desenvolvimento de empresas prestadoras de serviço de locação de embalagens e acessórios, que permitem reduções de custo aos utilizadores.

30 Rogers e Tibben-Lembke (2001) comentam que custos de transporte não devem ser os únicos a serem considerados em decisões sobre embalagens retornáveis, já que estas também afetarão custos de manuseio e rastreamento de embarques. Os autores destacam a importância de se desenvolverem embalagens leves e resistentes, tendo em vista que muitos custos de embarque estão associados ao peso da carga e à necessidade de acondicionamento para prevenção de dano no transporte. O aproveitamento do espaço das embalagens retornáveis também é destacado pelos autores, haja vista que embalagens padronizadas podem fazer com que haja espaço perdido e prejudicar o aproveitamento dos contêineres e veículos, aumentando o custo de transporte. O ganho em ergonomia também é relevante, de modo a preservar a saúde ocupacional dos operadores, tanto na fabricação como no uso e descarte da embalagem. A maior preocupação dos governos com esta questão reflete-se no desenvolvimento de legislação adaptada aos modos de produção e consumo sustentáveis, que visem minimizar os impactos das atividades produtivas ao meio ambiente. Exemplo disso foi à elaboração da Resolução nº 258 do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA (BRASIL, 1999). Esta resolução estabelece às empresas fabricantes e importadoras de pneus a obrigação pela coleta e destino final ambientalmente adequado dos pneus inservíveis, o que obriga este segmento a sustentar políticas de logística reversa. A logística reversa tem conquistado maior importância e espaço na operação logística das empresas, principalmente por seu potencial econômico. Nas grandes empresas norte-americanas, a logística reversa contabiliza cerca de 4% dos custos logísticos totais, um valor estimado de 35 a 42 bilhões de dólares ao ano, que representa a importância do melhoramento dos processos envolvidos com os produtos e materiais retornados (Norek, 2003; Rogers e Tibben-Lembke, 2001; Meyer, 1999). Dentro dos principais processos envolvidos com a logística reversa, a reciclagem é um dos mais importantes. No Brasil, as embalagens PET (politereftalato de etileno) e de alumínio estão entre aquelas com maior índice de reciclagem. De acordo com o Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), em 2004, foram consumidas 360 mil toneladas de embalagens PET, sendo que, deste total, 48% foram recicladas, representando um crescimento de 22% em relação ao ano anterior (COMPROMISSO, 2006). Deve-se destacar que o Brasil está à frente da Europa na reciclagem deste material, já que a taxa de reciclagem naquele continente foi de 31% em 2004 (PETCORE, 2006).

31 O país também é destaque mundial na reciclagem de embalagem de alumínio. Em 2004, pelo quarto ano consecutivo, o País lidera o ranking de reciclagem com uma taxa de 96% de material reciclado em relação ao consumido, seguido pelo Japão com 86% (COMPROMISSO, 2006). Embora o potencial da atividade de logística reversa na economia seja econômica e ambientalmente importante, a falta de visão da atividade como geradora de vantagem competitiva às empresas compromete a estruturação e a eficiência destes canais. Recentemente, como forma de atenuar este problema, a maior empresa de reciclagem de alumínio do Brasil se uniu a uma grande rede de hipermercados numa campanha para incentivar a reciclagem de embalagens de bebidas (alumínio e PET). A expectativa das empresas era que a instalação de Centros de Coleta deste tipo de embalagem nos hipermercados geraria vantagens para ambas as organizações. A cadeia supermercadista associaria sua imagem com a preservação ambiental. Para operacionalizar e estimular os consumidores a participarem da iniciativa, os supermercados emitiram cupons de desconto que poderiam ser utilizados para aquisição de produtos ou doação para a campanha governamental do Fome Zero. Desta forma, além de divulgar a campanha, esta ação aumentaria o fluxo de pessoas nas lojas. Presume-se que uma das vantagens da empresa recicladora seria, fundamentalmente, a de aumentar a sua captação de matéria-prima, ou seja, as embalagens recicláveis. Os custos da instalação dos Centros de Coleta implantados nas lojas da rede de hipermercados se justificariam pelo aumento de escala na coleta das embalagens e seu transporte até os Centros de Reciclagem. Convém destacar que esta parceria entre o varejo e as empresas de reciclagem é uma iniciativa inovadora, visto que a responsabilidade pelo fluxo reverso de embalagens é normalmente do fabricante (CHAVES, 2005).

4.3 Logística Reversa e os Produtos Agrotóxicos

Os agrotóxicos são definidos como quaisquer produtos que têm a finalidade de combater pragas e doenças presentes em culturas agrícolas, tais como: pesticidas, fungicidas e herbicidas.

32 Os agrotóxicos mais utilizados são os organo-sintéticos, cuja toxidade é considerável à saúde e persiste por vários anos nos ecossistemas (LACERDA, 2004, p.34). O Brasil, na década de 1950, iniciou a utilização de inseticidas organofosforados em substituição aos organoclorados. Os agrotóxicos organofosforados são mais tóxicos do que os organoclorados, no entanto, degradam mais rapidamente no meio ambiente e não se acumulam nos tecidos gordurosos das espécies animais. Ao contrário, os agrotóxicos organoclorados são menos tóxicos à espécie animal, porém uma vez liberado no meio ambiente, são persistentes e penetram na cadeia alimentar, podendo causar efeitos patológicos a longo prazo. O pesticida DDT (Dicloro Difenil Tricloroetano) faz parte do grupo dos organoclorados. Proibido, era utilizado no combate às pragas e formigas na agricultura. Ao contrário da agricultura ecológica na qual qualquer tipo de agrotóxico é proibido, para evitar que o seu uso possa causar morte de pequenos animais terrestres, aquáticos e desfolhamento de plantas, as monoculturas de soja, trigo e arroz utilizam-se intensivamente dos agrotóxicos. Associados à liberação do crédito bancário rural, a produção, a comercialização e o uso de agrotóxicos dependem de registros prévios no governo federal que exigem especificações, dentre elas a identificação, como a colocação nas embalagens de um rótulo, indicando com base em cores a toxicologia dos agrotóxicos. Em 2003, as vendas de defensivos agrícolas foram da ordem de US$ 3,1 bilhões, o equivalente a 170 mil toneladas. Esse volume de vendas representou um crescimento de 63% em relação ao ano anterior. Com relação ao mesmo período, 2003, as importações cresceram em 55% (ABIQUIM, apud LACERDA, 2004). Considerando as outras empresas que atuam em fases intermediárias da cadeia produtiva dos agrotóxicos, como os fornecedores de insumos, embalagens e de serviços, conservadoramente, são da ordem de US$ 400 milhões, estimados em bases anuais e líquidos de impostos, taxas e contribuições (SINDAG, apud LACERDA, 2004). Ainda segundo esta mesma fonte, o Brasil é um país de consumo médio, equivalente a 3,2 kg de defensivos agrícolas por hectare. Para se ter uma visualização do que representa esse índice, na Tabela 1 é mostrado o consumo de defensivos agrícolas por hectare em vários países da Europa.

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Tabela 1: Consumo de defensivos agrícolas (kg/ha)

Fonte: Sindag (2005)

Tendo em vista que o Brasil é um país de grande extensão de áreas agrícolas, o consumo de defensivos agrícolas é bastante elevado, significando um número alto de embalagens utilizadas e, por conseguinte, a serem retornadas e recicladas. Na safra 2000/01, foram utilizadas no campo 130 milhões de embalagens de agrotóxicos ou cerca de 27 mil toneladas. Na safra 2001/02, o consumo de agrotóxico atingiu a quantidade de 32 mil toneladas (INPEV, 2005). Grande parte dessas embalagens teve destino incerto. Os problemas ambientais causados por essas embalagens têm sido estudados por várias organizações governamentais e não governamentais. Diversas visões teóricas têm sido desenvolvidas tentando estabelecer relações entre crescimento econômico, exploração dos recursos naturais, herança das futuras gerações, qualidade de vida, distribuição de renda e pobreza (SOUZA FILHO, apud LACERDA, 2004). Entretanto, uma grande maioria de autores desse campo de conhecimento trabalha com o conceito do “desenvolvimento sustentável”, isto é, satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades. Na direção da preservação do meio ambiente, em junho de 2001, o Brasil promulgou a lei 9.974, complementada pelo decreto-lei 4.074, entrou em vigor em 2002, regulamenta dentre outras atividades, o transporte e a destinação final das embalagens vazias. O processo de logística reversa depende do tipo de material e do motivo pelo qual retornam ao sistema produtivo. O tipo de material pode ser dividido em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa podem ser dados pela necessidade de reparo, reciclagem ou porque simplesmente os clientes os devolvem. O porcentual de devolução de produtos pelos clientes, típico de algumas indústrias, é mostrada na tabela 2.

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Tabela 2: Devolução de produtos pelos clientes

Fonte: Lacerda(2004)

Observa-se que o porcentual de retorno de produtos varia por indústria e, em algumas delas, como nas vendas por catálogos, o gerenciamento eficiente do fluxo reverso é
fundamental para o negócio. De acordo com LACERDA (2004), o fluxo reverso de produtos também tem sido utilizado como forma de administração de estoques, procurando-se minimizar os custos decorrentes de baixa rotatividade de determinados itens como nos casos de produtos da indústria fonográfica, editoras de jornais e revistas, que trabalham com grande número de itens e de lançamentos. O risco dos varejistas, ao adquirirem esses produtos, é o de ter uma baixa rotatividade de vendas e, por conseguinte, formar estoques. Com o objetivo de incentivar a compra de todo um mix de produtos, essas empresas têm como estratégia, aceitar a devolução dos itens não vendidos. Acredita-se que com esta prática que, embora o custo da devolução seja elevado, sem ela, as perdas de vendas seriam bem maiores. No caso de embalagens, os fluxos da logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais relacionadas ao meio ambiente. Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens não são tão rígidas, exceto às embalagens de agrotóxicos, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis leva em consideração os fatores econômicos. Além disso, existe uma grande variedade de containers e embalagens retornáveis, com um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway. Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem, que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway (LACERDA, 2004).

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Segundo Kumar e Tan apud Leite (2003), alguns fatores têm forçado as empresas a assumirem a logística reversa como estratégia de gerenciamento, tais como: a) legislação governamental. A legislação disciplina a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos e determina as responsabilidades para o agricultor, o revendedor, o fabricante e para o Governo na questão de educação e comunicação. O não cumprimento dessas responsabilidades poderá implicar penalidades previstas na legislação específica e na lei de crimes ambientais (Lei 9.605, de 13/02/98), como multas e até pena de reclusão; b) ciclo de vida dos produtos. A logística reversa deve ser considerada dentro de um conceito mais amplo que é o do ciclo de vida do produto. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Os produtos se tornam obsoletos, podem ser danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Do ponto de vista financeiro, além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Existe uma clara tendência de que a legislação ambiental caminhe no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos. Isso significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que produzem no meio ambiente; c) novos canais de distribuição. Novos canais de distribuição como o e-commerce tem sido explorados para servir melhor e mais rapidamente os clientes. Estes novos canais de distribuição diretos devem se preparar para gerenciar uma rede de logística reversa à medida que a comercialização torna-se globalizada. Para gerenciar o produto que não chega em boas condições para o consumidor é necessária uma logística reversa para atender adequadamente o cliente; d) forças de mercado. Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Essa é uma vantagem percebida onde os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isso envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados. Essa é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca. As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a

utilização de embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam a utilização da logística reversa.

36 Além disso, os esforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados; e e) mudanças de forças dentro da cadeia de suprimentos. Segundo Lacerda (2004) fatores como, bons controles de entrada, processos padronizados e mapeados, tempo de ciclo reduzidos, sistemas de informação, planejamento da rede logística e relações colaborativas entre clientes e fornecedores, podem contribuir positivamente para o desempenho do gerenciamento logístico reverso. No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústrias, onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos. Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por problemas no transporte ou por defeitos de fabricação. Os fornecedores podem inferir que está havendo abuso por parte do varejista ou que seja conseqüência de um mau planejamento. Em situações extremas, este fator pode gerar disfunções como recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas. Portanto, as práticas da logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas. Um outro aspecto importante para a adoção do gerenciamento da logística reversa é o aumento de consciência ecológica dos consumidores que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade ao meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte de algumas empresas que visam transmitir ao público uma imagem institucional "ecologicamente correta". A adoção de um gerenciamento que se ocupa da destinação final das embalagens vazias de agrotóxicos é um procedimento complexo que requer a participação efetiva de todos os agentes envolvidos na fabricação, comercialização, utilização, licenciamento, fiscalização e monitoramento das atividades relacionadas com manuseio, transporte, armazenamento e processamento dessas embalagens. As bases de vantagens competitivas duradouras e sustentáveis residem em diferenças no comportamento estratégico de uma empresa e de seus concorrentes. A estratégia de uma empresa pode ser vista como sendo “a busca deliberada de um plano de ação para desenvolver e ajustar a vantagem competitiva.” (HENDERSON, 1998, p. 5).

37 Assim, uma empresa deve ser capaz de criar e operacionalizar estratégias que as diferenciem de seus concorrentes e as habilitem para a obtenção de vantagens competitivas sustentáveis e defensáveis a longo prazo. Para isso, é essencial que a empresa conheça profundamente os fatores-chave de sucesso do seu setor de atuação. Estes fatores-chave de sucesso, que são pontos possíveis de criação de vantagem competitiva, podem estar ligados às forças competitivas básicas de um setor (ameaça de entrantes, poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores, pressão dos produtos substitutos e a intensidade da rivalidade entre os concorrentes já existentes) (PORTER, 1986). A diferenciação de produtos e serviços é uma estratégia importante para a criação de vantagem competitiva. Diferenciar um produto ou serviço significa torná-lo especialmente adaptado a um segmento de consumo, o qual estaria pronto a pagar mais para obtê-lo ou, ainda, utilizá-lo mais intensivamente (KOTLER e ARMSTRONG, 1998). A diferenciação dos serviços logísticos, agregando valor ou atendendo às necessidades de clientes com preocupações específicas, é uma forma importante de uma empresa obter vantagem competitiva. A logística contribui para o sucesso das organizações não somente por propiciar aos clientes a entrega de produtos ou serviços nos padrões de tempo e espaço demandados, mas também por promover suporte ao produto após sua venda ou consumo. Uma meta comum a vários negócios é conquistar e manter os clientes pela minoração do risco e da incerteza da troca de fornecedor. Há muitos modos para desenvolver vínculos que dificultem esta troca. Um deles é o fornecedor oferecer aos seus clientes um serviço de retorno rápido e eficaz de mercadoria não vendida ou defeituosa e a habilidade de creditar os clientes de forma justa. A logística reversa pode ser utilizada estrategicamente para permitir aos participantes do elo seguinte ao processamento na cadeia, tais como varejistas e atacadistas, reduzir o risco de comprar produtos que podem não ter vendas no período de tempo julgado conveniente. O uso estratégico da capacidade de logística reversa aumenta os custos de mudança de fornecedores. O aumento no nível de serviço proporcionado por esta atividade fortalece a cadeia de valor de uma empresa que, se bem configurada, reforça sua vantagem competitiva (CHAVES, apud LACERDA, 2004).

38 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que se estar em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Esta realidade, como vimos, está mudando em resposta a pressões externas como um maior rigor da legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviço através de políticas de devolução mais liberais. Esta tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento que no fluxo logístico direto tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas). Isto requer vencer desafios adicionais visto ainda à necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para a atividade de logística reversa. Principalmente quando se refere à relação indústria - varejo, nota-se que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções, mais do que pela regra. Um dos sintomas desta situação é a praticamente inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa. A logística reversa vem sendo reconhecida como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes ao retorno de bens ao seu ciclo produtivo de origem ou à sua destinação, como matéria-prima, a outro ciclo produtivo. O bem pode retornar em forma próxima à original, como retorno pós-vendas, ou em forma de resíduos, rejeitos ou refugos, como retorno pós-consumo. A fronteira entre logística direta e reversa não é estritamente definida, na medida em que os conceitos de matéria prima e de cliente final podem ser relativizados em algumas cadeias produtivas. Conclui-se que a logística reversa se insere em um processo de revisão conceitual da manufatura, na medida em que esta passou a discutir os impactos econômicos e ambientais da produção mais limpa em suas estratégias de negócios. O estudo oportunizou um aprendizado dinâmico na área de logística reversa, uma vez que está busca conciliar a distribuição logística de forma sustentável com o meio ambiente.

39 REFERÊNCIAS

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