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O Método Científico: Teoria e Prática

O Método Científico: Teoria e Prática

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O Método Científico; Metodologia de Pesquisa;
O Método Científico; Metodologia de Pesquisa;

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Teoria e Prática·
Planejamento, editoraçto e redação
A.
Equipe editorial
Ana Lúcia Teixeira Vasconcelos
Maurício Rittner
Silvana Salerno Rodrigues
×
HARBRA

HARPER & ROW no BRASIL
SÃO PAULO
Cbridge Londres
Filadélfia Bogotá
Nova Iorque México
São Francisco Sidney
1817
Supervisão: Maria Pia Castiglia
Revisão de Estilo: Maria Elizabeth Santo
Revisão de Provas: Vera Lucia J uriatto
Capa: Maria Paula Santo
Compo�ição e Arte: AM Produções Gráficas Ltda.
+ .
Fotolitos: Programa Produções Gráficas Ltda. s/c
impressão GRÁFICA EDITORA HAMBURG LTDA.
o MÉTODO CIENTÍFICO: TEORIA E PRÁTICA
Copyriht © 1979 pel Editora Mosaico Ltda.
Rua Joaquim Távora, 663 Vila Mariana - SP
Telefones: 570-3572 e 570-891

Reservados todos os direitos. .
Fica expressamente proibido reproduzir esta obra,
total ou parcialmente, através de quaisquer meios,
sem autorização expressa da Editora.
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
W
Apresentação
I UM POUCO DE TEORIA
1. Alguns elementos básicos. M . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. O conhecimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3. A ciência e suas características ......................... 23
4. O método científico e suas aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
# W
II A APLlCAÇAO PRATICA
5. Maior eficiência nos estudos ........................... .
6. A leitura no estudo .................................. M
7. O estudo do texto .................................... .
8. A documentação pessoal. ............................. .

9. A preparação da comunicação ........ ÆÆ .M M M ..M M M M M .M M M M
10. A técnica da redação . . M M M . M . M . M M . M . . M M M M. M M M. . M M M M M M M .
11. A estrutura do material ............................... M
12. A preparação para a impressão ........................ .
Anexo # M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M # M M M M M M M M M M M M M M Æ Æ M M W W W M M W Æ Æ
Gl
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ossarlo ................. W .. Ñ W ....... . .. M W .M ..W . M . . M .Æ M
Bibliografia ............................. . M W M M ... .M W .... .
Æ
Indice "remissivo ........ M .. M .. # . .W ......W M Å 7 W . M ... W . W .. W Æ
49
70
84
98
105
118
138
157
167
192
195
198
Æ W
(com uma explicação necessária)
Este livro foi produzido especialmente para você. Não é uma obra comum de
estudo; também não tem nada de revolucionário quanto aos cânones da didáti­
ca. Trata-se de um esforço editorial que, na sua simplicidade, tem o mesmo
propósito que os amigos de ajudá-lo, introduzindo-o mais facilmente nos ní­
veis elementares da metodologia. De modo algum pretende esgotar o assunto
que trata em suas páginas . Não é, portanto, um manual acabado, uma obra de
W
tese ou um repositório definitivo de conhecimentos metodológicos . Em outras
palavras, não substitui o trabalho dos professores, nem tampouco suprime a
necessidade de desenvolver o estudo da metodologia por meio de outras obras,
tal como elucida a bibliografia final.
O que este livro realmente pretende é ajudá-lo a entrar no reino da meto­
dologia. Por esse motivo apresenta uma linguagem coloquial nada freqüente
em obras do gênero. É que, embora feito para ensinar, da primeira à última
página busca manter um diálogo com você. E esse diálogo desenvolve-se com
humildade, utilizando ao máximo a linguagem corrente que os amigos usam
entre si . Evita, portanto, a frase rebuscada, a terminologia especializada ou es­
pecificamente técnica, o aprofundamento de problemas que só deve ser efetua­
do depois que já se conhece algo sobre o assunto. Este livro é, pois, quase um
diálogo produtivo entre os autores e você.
Mas, apesar dessa informalidade, foi laboriosamente construído com um
método particular de enfocar o problema. Você pode notar que o conteúdo es­
tá dividido em duas partes : Um pouco de teoria e A aplicação prática.
Na primeira parte você é introduzido na conceituação de elementos da
metodologia. Por meio de exemplos corriqueiros, é apresentado aos funda­
mentos do conhecimento até chegar à identificação das principais característi­
cas do método científico e seus procedimentos .
Na segunda, a teoria é deixada de lado para levá-lo a conhecer mais de
perto a prática metodológica. O assunto escolhido foi precisamente a maior
efciência nos estudos, porque esse é um problema pelo qual você deve ter um
interesse especial em solucionar. E se você conseguir interessar-se pela aplica­
ção do método científico em seus estudos, então tudo lhe será bem mais fácil,
porque terá conhecido, pela experiência pessoal, o valor do emprego da meto­
dologia em qualquer ramo da atividade humana. Cremos que isso vale mais do
que qualquer tratado.
Uma explicação necessária
¼
Antes de começar a usar este livro, examine o conteúdo com atenção. O ideal é
que você inicie o estudo pela parte teórica. Ela não está em primeiro lugar por
acaso. Se você possuir noções mais sólidas sobre a teoria do processo do co­
nhecimento, entrará no terreno da prática com muito maior segurança. A teo-
ria informa por que se deve agir de determinada maneira na prática.
.
Isto não significa, porém, que você não'possa enfrentar as duas partes do
livro ao mesmo tempo, ou seja, estudar a teoria e aplicar o que aprender na
parte prática. Pode, e até deve, fazer as duas coisas concomitantemente. Este
livro foi construído precisamente para que não haja contradição entre o co­
nhecimento teórico e sua imediata aplicação. Para muitas pessoas essa é, inclu­
sive, a maneira mais rápida de se aprender com segurança alguma coisa. Por
outro lado, se os seus conhecimentos teóricos já forem suficieptes, então pule
a primeira parte e comece diretamente na segunda. Nela você aprenderá a dar
os primeiros passos para tornar sua atividade intelectUal mais eficiente.
Cada capítulo apresenta logo no início o seu plano esquemático. Exami­
nando esse plano você adquire, numa simples mirada, uma noção do conteúdo
e, assim, pode imaginar de que lhe serve estudá-lo. Passe em seguida à leitura
do texto propriamente dito. Ao final da leitura, esforce-se para responder as
questões de auto-avaliação. Elas lhe servem de guia na verificação do seu apro-
. veitamento: se não conseguir respondê-las, isso indicará que não compreendeu
o conteúdo do capítulo. Se tal coisa acontecer, volte ao texto, não passe ao ca­
pítulo seguinte. Releia o texto quantas vezes forem necessárias para poder res­
ponder às questões de maneira segura. Ao mesmo tempo que servem de guia,
.
as questões de auto-avaliação poderão lhe servir também como tema de algum
trabalho. Recomendamos que você faça um trabalho, mesmo curto, sobre
qualquer das questões que surgem ao final de cada capítulo isso ajudará a
fixar o que aprendeu. Você notará também que algumas questões de auto-ava­
liação não são diretamente respondidas pelas informações apresentadas no
texto. Essa discrepância, no entanto, é proposital : seu objetivo é fazer com
que você possa desenvolver o assunto mediante reflexão baseada em seus pró­
prios conhecimentos ou por meio de consulta a outras fontes .
Outra novidade quanto à composição do livro diz respeito aos resumos.
Na parte teórica você encontrará, ao final de cada capítulo, um resumo do
conteúdo, feito de maneira tradicional . Os capítulos da parte prática, porém,
não são resumidos da mesma forma. Por vezes, quando o conteúdo assim o
exige devido ao volume da informação, resumos esquemáticos surgem durante
o desenvolvimento do texto, ao final de algum tópico. Essa colocação visa a
¹ ¹
facilitar a esquematização do aprendizado, já que o exagerado acúmulo de in-
formação pode confundir o leitor. De qualquer modo, os resumos da parte
.
prática são sempre esquematizados. E os dois capítulos finais não apresentam

qualquer resumo porque já são, em si mesmos, muito sucintos.
O glossário é mais um auxílio que o livro lhe presta. Obviamente poderia
deixar de existir, mas sua presença justifica-se para solucionar eventuais dúvi­
das quanto ao significado de alguns termos comuns que você encontra na
maioria dos dicionários. Como é provável que você venha a estudar este livro
em situações nas quais a consulta a um dicionário seja problemática, espera-se
que o glossário lhe seja útil de algum modo.
Finalmente, a bibliografia tem uma dupla finalidade: informar sobre as
obras e autores citados no texto e apresentar ainda outras fontes bibliográfi­
cas, mediante as quais você poderá realmente desenvolver os conhecimentos
elementares adquiridos neste livro.
Esperamos, sinceramente, que este manual elementar cumpra integralmente
sua missão e introduza você quase sem sentir no proveitoso estudo da
metodologia.
A Equipe Editorial
P
• Introdução
• O método e você
• O que é método
• Método e técnica
• O valor do conhecimento
• A natureza e o desenvolvi­
mento da ciência
INTRODUÇAO

Antes de iniciarmos juntos o estudo introdutório da Metodologia Científica é
bom você ficar sabendo desde já que não se trata de um bicho-de-sete-cabeças.
Se dedicar um mínimo de atenção e persistência ao trabalho de estudar, logo
perceberá ser possível enfrentar tranqüilamente as páginas seguintes, sem tro­
peçar em obstáculos que parecem ser intransponíveis .
Esta parte teórica tem por objetivo introduzir você nos problemas teóri­
cos da Metodologia Científica, mas fazê-lo do modo mais suave possível ou
seja, explicando e não complicando; partindo do simples para o complexo; es­
tudando as partes para depois reuni-las no todo. Tudo isso visa a oferecer-lhe
uma base, um instrumento inicial que você poderá desenvolver em estudos
posteriores .
Algumas observações aqui apresentadas poderão parecer óbvias e dispen­
sáveis, mas sua presença não é gratuita. Partindo do óbvio chega-se mais facil­
mente ao que nos é agora obscuro. Essa é uma das formas de suavizar as difi­
culdades do aprendizado. Portanto, receba de braços abertos e não menospre­
ze nem mesmo aquilo que já lhe é evidente.
Embora o texto das páginas seguintes não tenha qualquer pretensão de es­
gotar o assunto, sua existência justifica-se por proporcionar ao iniciante um
instrumento primário de compreensão da matéria em estudo. Aproveitando-o,
você poderá com menor esforço abrir seu caminho para o domínio da Metodo­
logia Científica.
4 o MÉTODO CI ENTiFICO
o MÉTODO E VOCÊ.
Certamente você já conhece muitos métodos. Qualquer pessoa civilizada é
uma espécie de ilha cercada de métodos por todos os lados, ainda que nem
sempre tenha consciência disso. Pense, por exemplo, no que aconteceria se,
por distração, não seguisse o método adequado para atingir um objetivo tão
simples como estar calçado com meia e sapato.
Vejamos . Se não seguir a ordem correta das açôes, primeiro você calçará
o sapato; depois, verificando não ser possível pôr a meia no pé já calçado com
o sapato, descalçará o sapato; então, porá a meia no pé descalço e, novamen­
te, calçará o sapato.
Qual teria sido a conseqüência imediata da distração?
Nesse exemplo de emprego de método, tão simples como corriqueiro, ao
deixar de seguir a ordem correta das açôes você não alcançou na primeira ten­
tativa o resultado desejado: estar calçado com meia e sapato. Para alcançar o
resultado esperado, você teve de voltar ao início da seqüência correta das ações
-ou seja, observar o método. Quando o método não é observado, o mínimo
que pode acontecer é gastar-se tempo e energia inutilmente.
Passemos a outro exemplo banal. Desta vez o problema é colocar um au­
tomóvel em movimento, impulsionado corretamente por seu próprio motor. O
carro, estacionado em um pátio, tem seu motorista já pronto para dirigi-lo.
Para colocá-lo em movimento o motorista tem de realizar uma série de opera­
ções que requer uma seqüência definida:
1. Verificar se a alavanca de marchas está na posição de ponto morto -
se não está, tem de ser levada a essa posição.
2. Ligar a chave de contato e dar partida ao motor.
3. Comprimir o pedal da embreagem (fricção).
4. Levar a alavanca de marchas à posição de engate da primeira marcha.
5. Soltar o freio de mão.
6. Comprimir suavemente o pedal do acelerador e, ao mesmo tempo, libe­
rar suavemente o pedal da embreagem.
A partir da sexta operação o carro entrará em movimento.
·
Qualquer motorista experiente executa essas operações observando rigo­
rosamente sua seqüência e alcança o resultado desejado. De fato, a maioria
dos motoristas executa essas operações de um modo tão automático que não
chega a pensar nelas, nem que a ordem de sua seqüência constitui um método.
Apesar disso, os motoristas sabem que se modificarem a seqüência das ações
não obterão o resultado desejado, porque o automóvel não sairá do lugar.
Agora que já aprofundou um pouco sua noção de método, você pode perce­
ber melhor até que ponto está realmente cercado de métodos por todos os la­
dos. Pode perceber também que eles são indispensáveis para o desempenho
das mais diferentes atividades humanas. Se até mesmo para sair calçado com
meia e sapato você tem de empregar um método, que dizer do valor dos méto­
dos para as atividades mais complexas, como as científicas?
Æ
¬
ALGUNS ELEMENTOS BAslCOS 5
Talvez você esteja sentindo que lhe falta ainda uma definição adequada
·
de método. Pois formule-a agora. Não recorra já a um dicionário. Pense nos
exemplos apresentados, recorra à memória para lembrar-se de outros métodos
que estão presentes em sua vida cotidiana. Trate de encontrar o que existe de co­
mum entre eles . Raciocine um pouco mais e tente formular sua própria defmição
de método. Escreva-a numa folha de papel. Somente depois disso passe à leitura
do tópico seguinte.
Æ Æ
O QUE E METODO
Se consultar mais de um dicionário, certamente você encontrará sentidos dife-

rentes para o significado do termo "método". Não se preocupe muito com is-
so em essência, todas as acepções da palavra "método" registradas em di­
cionário estão intimamente ligadas à origem do termo methodos, criado pelos
gregos na Antiguidade.
Na antiga Grécia methodos significava "caminho para chegar a um fim".
Com o passar do tempo essa significação generalizou-se e o termo passou a ser
empregado também para expressar outras coisas, como "maneira de agir",
"tratado elementar", "processo de ensino" etc. Isso, porém, não impediu que
conservasse sua validade Com o significado de "caminho para chegar a um
fim", precisamente a acepção que nos interessa.
O filólogo Antenor Nascentes, por exemplo, define método da seguinte

maneIra:
"Conjunto dos meios dispostos convenientemente para chegar a
um fim que se deseja" (45: p. 1084, v. 4) .
Cândido de Figueiredo aprofunda essa definição, esclarecendo-a assim:
"Conjunto de processos racionais, para fazer qualquer coisa ou
obter qualquer fim teórico ou prático" (20: p. 1 69, v. 2).
Finalmente, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira vai ainda mais longe e
registra:
"Caminho pelo qual se chega a um determinado resultado, ainda
que esse caminho não tenha sido fiado de antemão de modo deli­
berado e refletido" (7: p. 925).
Não se· trata de discutir aqui qual dessas definições é a mais precisa, a
mais adequada para expressar o que é método. Não há necessidade disso para
quem está se iniciando no estudo da Metodologia Científica. Essas definições


6 o METODO CI ENTi FICO
são reproduzidas com o único propósito de você dispor de alguns exemplos
abalizados para compará-los com sua própria definição (aquela que você deve
ter escrito há pouco numa folha de papel).
Se sua definição não coincide com a dos mestres citados, isso ainda não
tem importância. No atual estágio do estudo, o que realmente importa é você
ter pensado no que é método e ter-se esforçado por encontrar uma definição
adequada. Portanto, não desanime, você está dando os primeiros passos. Por
ora basta ter em mente que:
Método é um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a se­
rem vencidas na investigação da verdade, no estudo de uma ciência
ou para alcançar determinado fim.
MÉTODO E TÉCNICA
Existem métodos e existem técnicas, todos nós sabemos que é assim. Mas,
considerando as definições de método já conhecidas, método e técnica não se
confundem, não são a mesma coisa?
Sim, quando tomados de um modo bastante amplo, os dois termos mé-
todo e técnica podem realmente confundir-se entre si. No entanto, racioci­
nando com maior rigor sobre o significado de cada um deles pode-se notar a
existência de uma diferença fundamental entre ambos .
Técnica é o modo de fazer de forma mais hábil, mais segura, mais
perfeita algum tipo de atividade, arte ou ofício.
1
Voltemos ao ,exemplo de sair calçado com meia e sapato. Você não alcan­
çará o resultado almejado se não seguir as etapas ordenadamente dispostas:
calçar primeiro a meia e depois o sapato. Esta ordenação das ações constitui o
método. Contudo, mesmo seguindo a indispensável seqüência das etapas que
deverão ser vencidas, você poderá chegar ao resultado desejado com menor
uso de tempo e energia, ou com maior perfeição, se empregar a técnica especí­
fica dessa atividade.
Por analogia, pode-se dizer que método é a estratégia da ação. O método
indica o que fazer, é o orientador geral da atividade. A técnica é a tática da
ação.
'
Ela resolve o como fazer a atividade, soluciona o modo específico e mais
adequado pelo qual a ação se desenvolve em cada etapa. Em outras palavras: a
estratégia adequada ganha a guerra; a tácca adequada ganha uma batalha.
A técnica, portanto, assegura a instrumentação específica da ação em ca­
da etapa do método. Este, por seu turno, estabelece o caminho correto para
chegar ao fim por isso é mais amplo, mais geral .
Para que a diferença entre método e técnica se fixe ainda melhor em sua
mente, façamos juntos mais uma analogia.
ALGUNS ELEMENTOS BÁSICOS 7
Imagine que uma pessoa tem de hastear uma bandeira no topo de uma
montanha. Como essa pessoa esta no continente e a montanha situa-se em
uma ilha cercada de águas profundas, o "método" indicará as etapas a serem
ordenadamente vencidas, ou seja: a pessoa terá primeiro de atravessar o obstá­
culo água, depois atingir o topo da montanha e, então, hastear a bandeira.
De fato, a bandeira não poderá ser hasteada sem que, de alguma forma, a
água seja vencida e o cume da montanha atingido. Qualquer inversão na or-

dem, das etapas indicada pelo "método" impossibilitará a consecução do re-
sultado desejado.
'
Contudo, mesmo obedecendo à seqüência das etapas, o objetivo de has­
tear a bandeira no topo da montanha insular poderá ser atingido com maior
ou menor segurança, com maior ou menor economia de tempo etc. , dependen­
do de como cada etapa será vencida. A pessoa poderá atravessar a água a na­
do, de barco, avião ou helicóptero. (É claro que existem ainda outros meios
para realizar a travessia, mas estes são suficientes para o que desejamos de­
monstrar .) Então, para fins de argumentação, denominemos "técnicas" os
meios citados . Temos, assim, quatro "técnicas" para vencer a primeira etapa.
Entre elas haverá uma mais adequada às condições da travessia e essa será a
"técnica" correta, a mais vantajosa para atravessar a água, ou seja, vencer a
primeira etapa do problema.
Vejamos.
A travessia feita de barco resolverá o fator segurança em relação à "técni­
ca" nado. Seja qual for o tipo de barco (a remo, a vela ou a motor), utilizan­
do-o a pessoa contará com um instrumento adequado para chegar à ilha. Isso só
não seria verdade se a pessoa fosse um peixe e a água o seu elemento natural .
Portanto, como qualquer barco possibilita a qualquer ser humano condições
melhores de vencer as extensões de água, a "técnica" barco é mais adequada e
segura do que a "técnica" nado até para os campeões de natação.
Considerando que a ilha possui um campo de pouso no sopé da monta­
nha, a "técnica" avião acrescentará o fator rapidez à segurança oferecida pelo
barco. De fato, podendo voar em linha reta, sem ter de enfrentar as ondas e
correntes marítimas, e desenvolvendo maior velocidade do que o barco, um
avião poderá vencer adequadamente a extensão do obstáculo água. Portanto,
constitui uma "técnica" tão apropriada à travessia quanto o barco, mas com a
vantagem de possibilitar resultado semelhante em menos tempo.
A "técnica" helicóptero, no entanto, é ainda mais vantajosa do que as
precedentes (nado, barco, avião), porque além de oferecer as vantagens de se­
gurança e rapidez a elas acrescenta o fator conveniência. Explicamos melhor:
se .qualquer pessoa pode vencer a primeira etapa viajando de barco ou avião,
ao chegar à ilha terá de resolver o problema de escalar a montanha a segun­
da etapa a ser vencida. Nem a natação nem o barco poderão ajudá-la em nada
+
J
nesse sentido. Quanto ao avião, poderá sobrevoar o topo da montanha mas, se
a pessoa quiser atingir aquele local para hastear a bandeira, terá de arriscar-se
a um salto de pára-quedas . O helicóptero, porém, poderá deixar qualquer pes­
soa (seja ela alpinista ou não) no topo da montanha. Portanto, se o helicópte­
ro não apresenta desvantagens razoáveis para a consecução da primeira etapa
8 o METODO CIENTiFICO

e constitui a única "técnica" disponível capaz de vencer também a segunda
etapa, então ele é a "técnica" mais adequada, a mais valiosa para obter o re­
sultado desejado.
Mediante essa analogia você pod
e
tirar a seguinte conclusão:

Um mesmo método permite a utilização de técnicas distintas; entre
elas, porém, haverá uma mais adequada do que as demais .
o VALOR DO CONHECIMENTO
Pense em quanta informação foi necessária para você reconhecer no helicópte­
ro a melhor "técnica" para a solução do problema de hastear uma bandeira no
topo da montanha de uma ilha. Imagine que você fosse a pessoa indicada para
hastear a bandeira e jamais houvesse visto um barco, não soubesse o que é um
avião nem um helicóptero. Como resolveria o problema?
A informação é necessária. Todos nós civilizados somos resultantes do
conhecimento acumulado.

Entre nós, as crianças são ensinadas desde cedo a calçar corretamente
meia e sapato. As auto-escolas estão aí para ensinar qualquer pessoa a dirigir
corretam ente um automóvel . Podemos hastear bandeiras no topo de qualquer
montanha graças às descobertas e invenções de outras pessoas. Por isso pro­
gredimos.
A tosca habilidade humana de lascar uma pedra, torná-la pontiaguda e
amarrá-la em um cabo, deu origem não apenas ao primeiro machado, mas à
própria idéia de machado. Assim, a pedra lascada foi depois substituída pela
pedra polida que permitia a confecção de machados mais convenientes ao uso.
Posteriormente, observando que determinadas pedras aquecidas por acaso em
uma fogueira vertiam gotas de metal derretido, e que essas gotas endureciam
.
depois de resfriadas, o homem primitivo passou a repetir deliberadamente a
experiência. Após algum tempo, mediante erros e acertos, adquiriu os primei­
ros conhecimentos de metalurgia e passou a aplicá-los. Assim conseguiu utili­
zar o metal na confecção de seus machados . A evolução dos conhecimentos fez
com que a humanidade saísse da Idade da Pedra Lascada para a Idade da Pe­
dra Polida e que esta, por seu turno, cedesse lugar à Idade do Cobre.
O processo de acumulação e transmissão de conhecimentos tem sido a

mola propulsora da ciência e do progresso material da humanidade. Sem a
contribuição do conhecimento anterior, acurlulado por nossos antepassados
em séculos e séculos de observação, pesquisa e experimentação, estaríamos
ainda vivendo como animais selvagens.
Essa constatação faz-nos compreender que o mero conhecimento é, em si ,
algo abstrato. Para ter valor concreto é necessário que seja aplicado ou, pelo
menos, comunicado. Somente desse modo ele se torna objetivo e entra para o
acervo das conquistas da humanidade.
ALGUNS ELEMENTOS BÁSICOS 9
o acúmulo de conhecimento conduziu também ao aperfeiçoamento da
mentalidade. Reconhecendo a necessidade de passar adiante suas descobertas,
o homem primitivo sentiu que era preciso inventar sistemas de comunicação e
de registro de suas atividades. A mera capacidade de falar mostrou-se insufi­
ciente para assegurar a comunicação, porque o conhecimento adquirido ficava
dependendo exclusivamente da memória. A solução foi encontrada com a in­
venção da escrita. Uma vez escrito, o conhecimento pôde ser consultado a
qualquer momento e, assim, também acumulado com maior fidelidade e rapi�
deZ. Acumulando seus conhecimentos e pensamentos o homem pode c
o

preender melhor a natureza e a si próprio.
A história lança pouca luz sobre essa fabulosa transformação que, de um
mundo selvagem, permitiu a criação dos grandes impérios do Egito e da Meso­
potâmia. Contudo, os vestígios que possuímos dessas antigas civilizações são
suficientes para nelas identificarmos o despontar realmente significativo do
conhecimento racional.
E é com o desenvolvimento do conhe' cimento racional que desponta a
Ciência propriamente dita.


A NATUREZA E O DESENVOLVIMENTO DA CIENCIA
o primeiro homem que confeccionou um machado descobriu uma técnica.
Sem querer, implantou um método experimental que tinha sua validade na
procura da pedra, na confecção e no uso do instrumento. Mas esse conjunto
de etapas (encontrar a pedra, confeccionar o machado e usar o instrumento)
era constituído de conhecimentos vulgares , carentes de ciência: ninguém sabia,
ainda, por quê o machado feito com determinada pedra cortava melhor do que
o feito com outra pedra e por quê o cabo mais longo aumentava a força da
pancada.
Somente quando o homem sentiu necessidade de saber por quê, a Ciência
veio � luz.
Durante muito tempo o termo ciência serviu para designar conhecimento
em sentido amplo, genérico, como na expressão tomar ciência de alguma coi­
sa, cujo significado é "ficar sabendo". Aos poucos, porém, ganhou também
sentido restrito, passando a designar o conjunto de conhecimentos precisos e
metodicamente ordenados em relação a determinado domínio do saber.
Os filósofos gregos foram os primeiros a refletir sobre a distinção entre o
conhecimento vulgar e o saber científico. No seu diálogo Teeteto, Platão con­
clui que a Ciência é a posse da verdade, o contato imediato com a realidade.
Todavia, Platão confunde ainda Ciência com Filosofa. Para ele, a compreen­
são dos fenômenos do mundo físico depende de uma hipótese: a existência de
um plano superior à realidade, que só o intelecto pode atingir . Tal plano supe­
rior seria constituído de formas e idéias, espécies de arquétipos eternos dos
quais a realidade concreta seria tão somente uma cópia imperfeita e perecível .
Além disso, a doutrina platônica conduz à afirmação de que só há Ciência do
universal , não do particular.
«
10 o METODO CI ENTi FI CO
Embora concordando com Platão quanto à Ciência do universal , Aristó­
teles tratou de apresentar uma classificação de conhecimento científico, sepa­
rando as ciências em práticas, teóricas e poéticas. Contudo, ao elaborar essa
distinção, considerou apenas o maior ou menor grau de generalidade do obje­
to de conhecimento ou seus diferentes modos de produção. A doutrina aristo-
télica dispensa a experimentação ou sua sistematização como procedimento
científico porque concebe o universo como constituído por uma hierarquia
inalterável, com cada ser ocupando definitivamente um lugar que lhe teria sido
destinado pela natureza.
De fato, a distinção mais evidente entre conhecimento científico e conhe­
cimento filosófico só aparece mais tarde, com o paulatino desenvolvimento (e
a conseqüente autonomia) das ciências particulares. E isso ocorre sobretudo a
partir do Renascimento, quando se constitui uma ciência ao mesmo tempo
quantitativa e experimental da natureza. Desde essa época o conceito de "ciên­
cia" e "científico" passa a exigir a existência de um método que garanta a exa­
tidão dos conhecimentos adquiridos, bem como sua progressividade e sua apli­
cabilidade.
Durante esse período fecundo, considerado por muitos historiadores co­
mo o da constituição da ciência moderna, foram decisivas as contribuições' de
homens sábios como Nicolau Copérnico, Johannes Kepler, Galileu Galilei,
Francis Bacon, René Descartes e Isaac Newton.
VeiBmos .

No início da investigação dos por quês o raciocínio puro prevalecia sobre
a observação e a experiência. "Por que voa a flecha?", perguntava Aristóte­
les. E ele mesmo respondia: "Porque o seu lugar natural é o peito do soldado
inimigo". Dessa maneira, para explicar o universo, para construir "Ciência",
· não havia necessidade de experimentar, nem mesmo de observar : bastava que.
· o raciocínio encontrasse a "causa" de todos os fenômenos .

Os cientistas do Renascimento, no entanto, já não se satisfaziam com o
raciocínio puro para explicar os por quês dos fenômenos . Dispondo de meios
de observação objetiva mais aperfeiçoados, ou desconhecidos pelos gregos,
eles começaram a verificar concretamente a exatidão de afirmações tidas como
expressões de verdade e isso levou-os a opor contestação racional a certos dog­
mas medievais.
Antes de Nicolau Copérnico (1473-1 543) poucos haviam se aventurado a
contestar a teoria de Ptolomeu, formulada no século II, de que a Terra era o
centro do universo, com os planetas e o Sol girando ao seu redor. Analisando
estudos de antigos astrônomos e baseando-se em suas próprias observações,
Copérnico concluiu que não era a Terra mas o Sol que estava no centro do uni­
verso; a Lua era um satélite da Terra e todo o conjunto planetário estaria en­
volvido por uma "esfera de estrelas fixas". Em que pese a imperfeição dessa
conclusão, sua importância reside no fato de afirmar a superioridade do co­
nhecimento racional sobre as teorias dogmáticas que, por considerarem o ho­
mem como a criação máxima de Deus, só podiam admitir a Terra (planeta em
que vive o homem) como o centro do universo.
Galileu Galilei ( 1 564- 1 642) sofreu a hostilidade dos sábios de formação

ALGUNS ELEMENTOS BÁSICOS 1 1
aristotélica, por acreditar que o cientista deve provar na prática tudo o que
afirma. Para refutar a teoria geocêntrica (a Terra como centro do universo)
desenvolveu argumentos que encontrou nas obras de Copérnico. Valendo-se
de um telescópio (que inventou ou redescobriu) com capacidade para aumen­
tar até mil vezes a imagem observada, conseguiu ver as fases de Vênus: isto
veio provar que esse planeta girava em torno do Sol e que, conseqüentemente,
a Terra não era o centro do universo. Ao mesmo tempo, a observação dos qua­
tro satélites principais de Júpiter sugeriu-lhe um modelo em miniatura do siste­
ma solar.
Foi também opondo-se à lógica de Aristóteles que Francis Bacon ( 1 561 -
- 1 626) marcou sua passagem na história do desenvolvimento da ciência. Sua
nova lógica tinha como objetivo a satisfação das necessidades científicas de
sua época, cuj o propósito não era apenas o conhecimento em si, mas também
a eficiência do conhecimento. Bacon afirma que, para descobrir a natureza,
dominá-la e extrair sempre novos segredos, o hOlllem tem de valer-se de um
método experimental . Para ele, o sábio deve livrar-se de todas as idéias falsas
que obscurecem o espírito e só confiar na experiência, indo gradativamente
dos fatos particulares para os fatos gerais. Nesse sentido, é necessário observar
e anotar os fatos da natureza, sua presença, sua ausência, seu aumento ou di­
minuição, a fim de induzir as relações de causa e efeito.
Johannes Kepler (1 571 - 1 628) formou-se em Filosofia. Todavia, foi sua de­
dicação à Matemática e à Astronomia que o levou a enunciar as leis que regem
o movimento dos planetas . Embora influenciado pelas idéias predominantes
em seu tempo, tratou persistentemente de dar fundamento experimental à teo­
ria de Pitágoras sobre a harmonia das esferas . Suas observações nesse sentido
abriram caminho para a adoção definitiva da teoria heliocêntrica (o Sol é o
centro do sistema planetário) e para a física desenvolvida mais tarde por New­
ton. Sobre a obra de Kepler diria Einstein, um dos maiores sábios do século
XX, que ela revela que o conhecimento não pode derivar apenas da experiên­
cia; é preciso comparar o que o espírito concebe com aquilo que se observa .
.
René Descartes (1 596- 1 650) , matemático e filósofo, tratou, por seu turno,
de justificar a própria validade do conhecimento científico. Reconheceu que,
em qualquer área do conhecimento, a certeza só é possível quando baseada em
idéias que tenham as mesmas características das noções matemáticas, isto é,
que sejam evidentes, claras e distintas. Com esse propósito, sondou profunda­
mente as idéias que povoavam seu pensamento e, inspirado nas matemáticas,
preconizou um método que considerou capaz de solucionar qualquer proble­
ma. Em síntese, seu método consistia no seguinte:
1. Jamais aceitar por verdadeiras as coisas que não sejam evidentes (regra
da evidência).
2. Dividir a dificuldade examinada em tantas parcelas quantas sejam pos­
síveis para melhor compreendê-las (regra da divisão ou análse) .
3. Conduzir os pensamentos em ordem, começando pelos objetos mais
simples e fáceis de serem conhecidos para, gradativamente, chegar ao
conhecimento dos mais compostos (regra da ordem ou dedução) .
12 o M" ETODO CI ENTi FI CO
4. Fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que se
esteja certo de nada ficar omitido (regra da enumeração) .
Isaac Newton ( 1 642- 1 727) contribuiu amplamente para a constituição da
ciência moderna com seus trabalhos sobre Matemática e Física. Além de autor
da lei da atração universal (' 'todos os corpos atraem-se com uma força pro­
porcional à sua respectiva massa e inversamente proporcional ao quadrado da
distância entre eles"), deixou obra de grande importância nos campos da Me­
cânica e da Óptica, bem como lançou as bases do cálculo infinitesimal ao
mesmo tempo que Leibniz. Ao completar a obra de Descartes, elaporou um
método científico que pode ser sintetizado da seguinte maneira:
,
.
1. Na medida do possível, atribuir a uma só e mesma causa os fenômenos
análogos (regra da síntese).
2. Estender a todos os corpos em geral as qualidades que pertencem aos
corpos sobre os quais é possível fazer experimentação (regra da extra­
polação) .
3. Considerar como válida toda proposição obtida por indução a partir
da experiência, até que um novo fenômeno venha a contradizê-la (regra
da indução) .
Por meio dessas informações podemos observar, portanto, que a partir
do Renascimento a Ciência já apresenta nítidas razões de existência indepen­
dente da Filosofia. A atitude do cientista ante os fatos da natureza já difere
muito da seguida pelos sábios da antiga Grécia. E essa diferença é infnitamen­
te maior quando comparamos o modo de agir do cientista dos séculos XVII e
XVIII com o do homem primitivo que, descobrindo uma utilidade na pedra
lascada, uniu-a a um cabo e inventou o machado.
Os motivos que determinaram o desenvolvimento da Ciência são de fácil
compreensão, sobretudo quando se considera o longo tempo que medeia en­
tre a época do homem primitivo e a do sábio da Antiguidade grega, e entre a
deste último e a da era científica moderna. Mas, ainda assim, é preciso com­
preender melhor o que é Ciência e quais são suas principais características . É
precisamente este o assunto que examinaremos nos capítulos seguintes .
Biografias auxiliares
PLATÃO Filósofo grego da Antiguidade, Platão nasceu em Atenas no ano
de 427 a. C. e foi discípulo de Sócrates. Com a morte de seu mestre, deixou a
Grécia e viveu algum tempo na Sicília. Mais tarde, ao regressar a Atenas em
387 a. C. , fundou sua escola, a Academia.
Conjecturando sobre os problemas da moral , Platão afirmava que quem
.
pratica o mal não o faz apenas para os outros, mas também para si mesmo. Di­
zia: "se quero o mal é porque o imagino erroneamente como um bem pa­
ra mim" . O bem, ou seja, o conhecimento da justiça, é que faz os homens feli­
zes. A justiça consistiria na relação entre as três partes da alma: a inteligência,
ALGUNS ELEMENTOS BAslCOS 13
simbolizada pela cabeça; a coragem, pelo coração; e os instintos, pelo baixo
ventre. Essa relação seria estendida às três classes sociais que corresponderiam
às três partes da alma: os filósofos, correspondendo à cabeça ou à inteligência;
os guerreiros, à coragem; os artífices e cultivadores, aos instintos. Como os
instintos deveriam obedecer à inteligência, pela mesma razão os artífices e cul­
tivadores deveriam obedecer aos filósofos. Mas como os instintos não se sub­
metem diretamente ao espírito, também os artífices não tinham porque obede­
cer espoJtaneamente aos filósofos . Por isso existia entre eles o coração, ele-
\
mento mediador, representado pelos guerreiros (a coragem). Dessa forma rei-
nava a justiça e todos eram felizes .
Platão considerava que duas vias convergentes, uma axiológica e a outra
intelectual, conduziam o homem do mundo das sensações para o das idéias. A
via axiológica (ou seja, a reflexão sobre os valores) seria a mais importante,
pois sem ela a conversão do espírito ao plano do que é inteligível tornava-se
impossível .
Platão morreu em Atenas, no ano de 347 a. C. , mas sua doutrina tem exer­
cido forte influência no pensamento humano através dos tempos.
ARISTÓTELES Embora discípulo de Platão, Aristóteles (nascido em 384
a. C. ) desenvolveu sua própria doutrina filosófica. Enquanto Platão considera­
va que o mundo real só poderia ser alcançado por meio da inteligência, através
das idéias, Aristóteles afirmava que o mundo das realidades inteligíveis não
existia. Para ele, é o homem concreto que existe e não a mera idéia de homem.
Contudo, caberia à Ciência abstrair, em forma de conceito, os traços comuns
dos indivíduos concretos, porque só haveria Ciência do geral, e não do parti­
cular.
Aristóteles imaginou uma hierarquia dominando o mundo dos seres vi­
vos. Na parte mais alta dessa hierarquia estaria o Ser geral e na base dela, os
indivíduos. Os elos intermediários entre os extremos seriam definidos confor­
me o gênero próximo e a dierença especiica de cada um. Por exemplo: o ho­
mem é um animal (gênero próximo) racional (diferença específica) . Na doutri­
na aristotélica a moral não se opõe à natureza; ao contrário, é o seu acabamen­
to. A razão caracterizaria o homem e a suprema virtude consistiria em viver-se
de acordo com a razão.
A doutrina de Aristóteles exerceu limitada infuência até o século XII,
quando, redescoberta pelos árabes e flósofos europeus , ganhou força e prestí­
gio. No entanto, se a lógica aristotélica continua influindo sobre algumas cor­
rentes filosóficas de nossos dias, sua concepção da Física tornou-se obsoleta
já nos séculos XVI e XVII, com o desenvolvimento das pesquisas científicas e,
sobretudo, através de Galileu e Descartes.
Aristóteles faleceu no exílio, em 322 a. C. , após a morte de Alexandre
Magno, da Macedônia, que fora seu discípulo.
PTOLOMEU Pouco se conhece da vida de Cláudio Ptolomeu, astrônomo
grego que viveu no século II. Sabe-se apenas de suas observações astronômicas
efetuadas no período que vai do ano 1 27 ao 1 5 1 . No entanto, Ptolomeu legou
14 o METODO CI ENTiFI CO
um documento monumental à posteridade com sua obra Sintaxe Matemática
(mais conhecida como A/magesto), na qual sintetiza todo o conhecimento da
Astronomia de sua época. As concepções de mundo registradas no Almagesto
não apenas dominaram o pensamento da civilização ocidental, como não rece­
beram contestação durante quatorze séculos. Além da Astronomia, Ptolomeu
dedicou-se também à Matemática, desenvolvendo alguns trabalhos importan­
tes no campo da Geometria. Na área da Geografia, desenvolveu a Cartografia
e deixou um Guia Geográfico que sintetiza os conhecimentos geográficos de
seu tempo.
#
PITA GORA S Segundo alguns historiadores , Pitágoras, figura já legendá-
ria na Antiguidade, teria nascido entre 585 e 565 a. C. , em Salmos, ilha da Gré­
cia. Com cerca de quarenta anos de idade, por motivos desconhecidos, deixou
a terra natal e fixou-se em Crotona, Itália, onde fundou uma confraria cientí­
fico-religiosa. Criou um sistema de doutrinas com a finalidade de descobrir a
harmonia que preside o universo, a fim de aplicar suas leis na vida social . Co­
nhecido pelo teorema que recebeu seu nome, Pitágoras concebia os números
não como símbolos de valor de grandezas, mas como coisas reais, entidades
corpóreas . Isso permitiu-lhe o desenvolvimento de numerosas teorias matemá­
ticas e o relacionamento do universo real com a estrutura do universo numéri­
co. Essa concepção chegou a pressupor o universo harmonicamente constituí­
do por astros cuj as trajetórias estariam presas a esferas que possuíam um cen­
tro comum. Tais esferas homocêntricas estariam separadas entre si por inter­
valos equivalentes aos intervalos musicais e, em seu movimento, produziriam
sons de acorde perfeito. Em síntese, era esta a teoria da "harmonia das esfe­
ras" a que Kepler tentou dar fundamento experimental .
RESUMO
Método e técnica não são a mesma coisa. Método é uma orientação geral, constituí­
da por um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a serem vencidas na inves­
tigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim.
Técnica é um modo de realizar uma atividade, arte ou oficio, de maneira mais hábil,
mais segura e mais perfeita. Em linhas gerais, a técnica é a maneira mais adequada
de se vencer as etapas indicadas pelo método. Por isso diz-se que o método equivale
à estratégia, enquanto a técnica equivale à tática.
A existência de método e de técnica pressupõe conhecimento anterior, ou seja,
acúmulo de informação. Nem método nem técnica surgem do nada. Por isso diz-se
que o mero conhecimento, em si, é abstrato. Para ter valor é necessário que seja apli­
cado ou, pelo menos, comunicado. O acúmulo. de conhecimento vulgar através dos
tempos ofereceu ao homem a possibilidade de começar a investigar objetivamente o
por quê das coisas, dando origem ao conhecimento científico.
No entanto, por muito tempo Ciência e Filosofia confundiram-se entre si, for­
mando um único corpo de conhecimento. Somente a partir do Renascimento, com a
adoção do método científico de verificação quantitativa e experimental dos fatos e
hipóteses· , é que Ciência e Filosofia separam-se em formas independentes de conheci­
mento.
ALGUNS ELEMENTOS BAslCOS 15
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Se você compreendeu o conteúdo das informações contidas neste capítulo não
terá dificuldade em responder às questões apresentadas abaixo. Para melhor
aproveitamento do seu estudo, selecione algumas delas e use-as como tema de
um trabalho ou discussão.
• Você é capaz de descrever outros métodos que emprega na vida diária?
• As etapas que você tem de vencer para ir de sua casa ao cinema mais próxi-
mo constituem um método? Por quê?
'
• Você poderia descrever com suas próprias palavras qual é a diferença funda­
mental entre método e técnica? Ou não há diferença fundamental entre am­
bos?
• Um método específico só admite o emprego de uma determinada técnica?
Explique por quê.
.
• Sem conhecimento prévio, alcançado pelos mais diferentes meios, é possível
especificar-se a técnica mais adequada para cumprir uma etapa de um méto­
do determinado?
Æ
• E justo considerar nado, barco, avião e helicóptero "técnicas", como no
exemplo apresentado no capítulo? Você poderia substituir esses meios por
outros mais adequados ao exemplo argumentativo? Em caso positivo, por
que não expor esses meios à discussão?
• Quando o homeIl primitivo construiu o primeiro machado de pedra lascada,
ele já empregou o conhecimento racional? E quando criou o primeiro arco
para lançar longe suas flechas?
• A criação da escrita origina-se do conhecimento vulgar ou do racional? Por
quê?
• Você concorda com a teoria de Platão, segundo a qual a Ciência é a posse da
verdade?
• Como você explicaria a diferença entre Ciência e Filosofia?
• Do ponto de vista da Ciência contemporânea, que havia de errado na teoria
aristotélica que afirmava "a flécha voa porque seu lugar natural é o peito do
soldado inimigo"?
• Basta que encontremos a causa dos fenômenos para se alcançar Ciência?
• Quando alguém afirma que a Ciência é infalível, essa afirmação expressa um
dogma ou uma verdade? Por quê?
• O método criado por Descartes conseguiu tornar a Ciência infalível? Esse
método pode ser empregado em nossos dias?


c
o
n eCI

• fntro(uçáo
• Conhécimento vulgar

t
onfeoimento cintico
; Conhecimento filosófco .
• Cnhecimento teológico
´ • Conhecimento e verdade
P
INTRODUÇAO
ent
o

Diante da natureza, o homem animal racional não age como os animais
inferiores . Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça­
-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limita­
ções, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais ade­
quada às suas próprias necessidades. E à medida que a domina e transforma,
também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.
Esse processo permanente de acumulo de conhecimentos sobre a natureza
e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de idéias que
hoje denominamos "Ciência".
Ciência é, pois, o conhecimento racional , sistemático, exato e verificável
da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artifi­
cialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda
não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à
necessidade de descobrir e compreender novos fatos . E como o resultado das
investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos ca­
pazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições
de sua época.
,
O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade, já não o
era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do
século XVIII pode já não o ser para o cientista em nossos dias . Assim, diz-se
também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determina­
do· período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez
o CONHECIMENTO 17
mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda mui­
to longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico
da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de
conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.
Afinal, o que é conhecer?
.
'
Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que
conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento,
quem conhece acaba por: de certo modo, apropriar-se do óbjeto que conhe­
ceu. De certa forma, "engole" o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em
conceito esse objeto, reconstitui-o em sua mente.
O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas
uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real
continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou
Ý
não.
.
.
Há duas maneiras de se conhecer um objeto, de nos "apropriarmos"
mentalmente dele. Uma é mediante os nossos sentidos, através da nossa sensibi­
lidade' física; a Outra é mediânte o nosso pensamento, através do nosso cérebro.
O conhecimento que adquirimos por meio de nossa sensibilidade física diz
respeito aos objetos físicos . Por exemplo: conhecemos uma cor porque nossos
olhos vêem a cor; conhecemos um som porque nossos ouvidos sentem a vibra­
ção que produz o som; conhecemos um gosto porque as terminações nervosas
que constituem o nosso paladar distinguem o gosto. Disso podemos concluir
que o conhecimento é sensível quàndo obtido mediante uma informação pres­
tada pelos nossos sentidos (a cor excita os nervos ópticos que informarri nossa
mente; o som, os nervos auditivos etc. ).
A outra forma de conhecimento é puramente intelectual. Mesmo sem
qualquer informação da visão, audição, olfato, paladar ou tato, podemos co-
V
nhecer ·uma idéia, um princípio, uma lei . E claro que se você assiste a uma con-
.
ferência, seus nervos auditivos entram em ação. Eles são atingidos pela voz do
conferencista, mas você fica conhecendo as idéias expostas mediante um pro­
cesso intelectual . A voz do conferencista é apenas um veículo. Ela só interessa
na medida em que transporta o conteúdo da conferência. O conhecimento des-
se conteúdo ou seja, a "apropriação" das idéias é intelectual.
Nem sempre essas duas formas de conhecimento sensível e intelectual
- ocorrem isoladamente. Ao contrário, com freqüência combinam-se para
produzir conhecimento misto, ao mesmo tempo sensível e intelectual . Você
pode, por exemplo, conhecer-se. Seus sentidos lhe informarão sobre a cor de
sua pele, sobre seu cheiro, sua estatura, enfim, sobre suas características físi­
cas . Mas será a mente que lhe informará sobre seus próprios pensamentos, so­
bre sua maneira de agir ante determinado problema, sobre o tipo de entreteni-
mento que você prefére etc. E todas essas informações estão relacionadas a um
mesmo objeto: você.
.
O conhecimento leva o homem a apropriar-se da realidade e, ao mesmo
tempo, a penetrar nela. Essa posse confere-nos a grande vantagem de nos tor­
nar mais aptos para a ação consciente. A ignorância tolhe as possibilidades de
avanço para melhor, mantém-nos prisioneiros das circunstâncias. O conheci-
1 8 o METODO CI ENTiFI CO
mento liberta: permite que atuemos para modificar as circunstâncias em nosso
benefício. Quando pensamo� em termos de toda a humanidade, reconhecemos
·
que só podemos avançar mediante o conhecimento da realidade.
Mas a realidade não se deixa desvendar facilmente. Ela é constituída de
numerosos níveis e estruturas. De um mesmo objeto como, por exemplo,
um elemento químico, uma vibração luminosa ou um conceito podemos ob­
ter conhecimentos da realidade em níveis distintos. Esses conhecimentos nos
informarão sobre o objeto, nos apresentarão sua origem , sua aparência, sua
função, seu significado, sua relação com outros objetos e assim por diante. De
um mesmo objeto, portanto, podemos obter conhecimento horizontal, mais
.
. superficial , e conhecimento vertical , mais profundo, ou seja, desde sua apa-
Ý .
rência mais simples até as implicações de seu relacion'amento com outras estru-
turas da própria realidade. Em outras palavras, a realidade é tão complexa que
o homem, para apropriar-se dela, teve de aceitar diferentes tipos de conheci­
mento.
Há pelo menos quatro tipos fundamentais de conhecimento, cada um de­
les subordinado ao tipo de apropriação que o homem faz da realidade. Esses
quatro tipos são: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico, o conhe­
cimento filosófico e o conhecimento teológico. Vamos examiná-los mais de
perto.
CONHECIMENTO VULGAR
¬
Também denominado "empírico", o conhecimento vulgar é o que todas as
pessoas adquirem na vida cotidiana, ao acaso, baseado apenas na experiência
.
vivida ou transmitida por alguém. Em geral resulta de repetidas experiências
casuais de erro e acerto, sem observação metódica nem verificação sistemática,

por isso carece de caráter científico. Pode também resultar de simples trns-
missão de geração para geração e, assim, fazer parte das tradições de uma co-
letividade.
.
Não é necessário estudar Psico
'
logia para se saber que uma pessoa está ale-
. ^
gre ou está triste. Você conhece o estado de humor dessa pessoa porque empi-
ricamente já passou por muitas experiências de contato com pessoas alegres ou
tristes . É igualmente vulgar o conhecimento que, em geral, o lavrador iletrado
tem das coisas do campo. ' Ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos
anunciadores de chuva, o comportamento dos animais . Sabe onde furar um
poço para obter água, quando cortar uma árvore para melhor aproveitar sua
madeira e se a colheita deve ser feita nesta ou naquela lua. Ele pode, inclusive,
apresentar argumentos lógicos para explicar os fatos que conhece, mas seu co-
' nhecimento não penetra os fenômenos, permanece na ordem aparente da reali­
dade. Como é fruto da experiência circunstancial , não vai além do fato em si,
do fenômeno isolado.
Embora de nível inferior ao científico, o conhecimento vulgar não deve
ser menosprezado. Ele constitui a base do saber e já existia muito antes do ho­
mem imaginar a possibilidade da Ciência.
o CONHECIMENTO 19
Ô
Æ
CONHECIMENTO CIENTIFICO
As principais características do conhecimento científico serão apresentadas no
capítulo seguinte. Por ora, apenas como termo de comparação com os demais
tipos de conhecimento, basta um resumo de algumas delas .
O conhecimento científico resulta de investigação metódica, sistemãtica
da realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os
para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.
Como o objeto da Ciência é o universo material , fíSico, naturalmente per­
ceptível pelos órgãos dos sentidos ou mediante a ajuda de instrumentos de in­
vestigação, o conhecimento científico é verificável na prática, por demonstra­
ção ou experimentação. Além disso, tendo o firme propósito de desvendar os
segredos da realidade, ele os explica e demonstra com clareza e precisão, des­
cobre suas relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outros fa­
tos ou fenômenos . Oe tudo isso conclui leis gerais, universalmente válidas para
todos os casos da mesma espécie.
Æ
CONHECIMENTO FILOSOFICO

O conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do homem
e por instrumento exclusivo o raciocínio. Como a Ciência não é suficiente para
explicar o sentido geral do universo, o homem tenta essa explicação através da
Filosofia. Filosofando, ele ultrapassa os limites da Ciência delimitados pela
necessidade de comprovação concreta para compreender ou interpretar a
realidade em sua totalidade. Mediante a Filosofia estabelecemos uma concep-
ção geral do mundo.
"
Tendo o homem como tema permanente de suas considerações, o filoso­
far pressupõe a existênCia de um dado determinado sobre o qual refetir, por
isso apóia-se nas ciências . Mas sua aspiração ultrapassa o dado científico, já
>
Y
que a essência do conhecimento filosófico é a busca do "saber" e não sua pos-
+ +
se. Tratando de compreender a realidade dos problemas mais gerais do homem
e sua presença no universo, a Filosofia interroga o próprio saber e transforma­
-o em problema. É, sobretudo, especulativa, no sentido de que suas conclusões
carecem de prova material da realidade. Mas, embora a concepção filosófica
não ofereça soluções definitivas para numerosas questões formuladas pela
mente, ela se traduz em ideologia. E como tal influi diretamente na vida con-

creta do ser humano, orientando sua atividade prática e intelectual .
Æ
CONHECIMENTO TEOLOGICO
O conhecimento teológico é produto da fé humaná na existência de uma ou
mais entidades divinas um deus ou muitos deuses . Ele provém das revela­
ções do mistério, do oculto, por algo que é interpretado como mensagem ou
Æ
20 o METODO CI ENTiFI CO
manifestação divina. Tais revelações são transmitidas por alguém, por tradi­
ção acumulada ao longo da história ou através de escritos sagrados.
Não é necessário que se seja monoteísta (acredite-se em um só deus) para
que o conhecimento proporcionado pela fé seja teológico. Os gregos da Anti­
guidade eram politeístas (acreditavam na existência de muitos deuses), mas os
seus sacerdotes já possuíam e cultivavam o conhecimento teológico. Atual­
mente, os sacerdotes de diferentes religiões ocidentais e orientais conhecem
distintas entidades divinas e seus atributos, bem como suas relações com o uni­
verso e o homem em particular, portanto possuem conhecimento teológico.
De modo geral, o conhecimento teológico apresenta respostas para ques­
tões que o homem não pode responder com os conhecimentos vulgar, científi­
co ou filosófico. Assim, as revelações feitas pelos deuses ou em seu nome são
consideradas satisfatórias e aceitas como expressões de verdade. Tal aceitação,
porém, racional ou não, tem necessariamente de resultar da fé que o aceitante
deposita na existência de uma divindade.
CONHECIMENTO E VERDADE
De tudo o que acabamos de expor, podemos tirar algumas conclusões impor­
tantes para o estudo:

1. O ser precede o conhecimento que temos dele. Sem que os seres, os fa­
tos, os fenômenos, enfim, o mundo sensível exerça ação sobre os ór­
gãos dos nossos sentidos, é impossível obtermos qualquer conhecimen­
to objetivo. Em outras palavras, isto significa que a causa de nossas
sensações é a própria realidade material . A montanha, o sapato, o som
etc. são seres reais eles existem independentemente da consciência
que tenhamos deles .
2. As sensações dão-nos a imagem do universo real. Qualquer objeto ma­
terial atua de alguma forma sobre os órgãos dos nossos sentidos, cau­
sando-nos uma sensação. Essa informação é transmitida para o cére­
bro que, por seu turno, forma a imagem exata, a cópia, do objeto ma­
terial . Assim, nossa percepção da montapha, do sapato, do som etc. é a
imagem real da montanha, do sapato, do som. Por vezes os órgãos dos
sentidos têm de ser auxiliados por instrumentos ou equipam
entos que
ampliam nossa capacidade natural de sentir. Por exemplo: nossos
olhos não são capazes de ver um vírus, mas com a ajuda do microscó­
pio eletrônico essa deficiência foi sanada e já é possível termos a ima­
gem exata de um vírus . Radiotelescópios detectam a presença de astros
que nem mesmo os mais poderosos telescópios ópticos podem obser­
var; assim, nossos sentidos recebem a sensação da presença de um ob­
jeto que está a alguns milhões de anos-luz distante de nós .
Tudo isso significa que podemos conhecer realmente o mundo ma­
terial, ou seja, dele obtermos um conhecimento objetivo.


o CONHECIMENTO 21
. ~
3. O conhecimento racional obj
etivo não dispensa o conhecimento sensí­
vel. Tomando a Ciência como ponto de apoio, a Filosofia produz co
'
­
nhecimento racional objetivo; quando não considera o dado científico,
produz conhecimento racional abstrato ou subjetivo. Mas o conheci­
mento teológico é produto exclusivo de fé, portanto, é exclusivamente
conhecimento ideal, metafísico, abstrato.
Podemos conhecer a realidade e encontrar a verdade se, ao conhe­
cermos um objeto, um fenômeno natural, não introduzirmos na percep­
ção que temos dele algo que não seja do próprio objeto ou fenômeno.
Por exemplo: se você tem diante de si um relógio, sua visão, seu tato,
seu olfato e sua audição informarão sua mente que aquilo é um relógio.
Portanto, você não poderá dizer que a imagem "copiada" por sua
mente é a de um chapéu. Se você disser que é um chapéu estará detur­
pando a verdade.
.
Quando deturpamos a verdade, deturpamos também o conheci-
mento, pois relógio é relógio, chapéu é chapéu.
4. A verdade é a realidade. Toda vez que há divergência entre o objeto
real e a percepção que temos dele ocorre uma deformação da realidade,
portanto, uma deturpação da verdade. Por seu turno, toda vez que há
coincidência entre o objeto real e a percepção que temos dele, com suas
propriedades reais, ocorre a representação da própria realidade, por­
tanto, o conhecimento da verdade. É essa verdade que se denomina ob-
. 1
jetiva, porque reflete com exatidão o que realmente existe. Acontece
que muitas vezes manifestamos como verdade conceitos que são subje­
tivos, ou seja, que não correspondem à realidade independente de nos­
sa consciência. Nesses casos não obtemos conhecimento verdadeiro,
porque o conteúdo desse conhecimento não corresponde à realidade,
mas a um conceito subjetivo do que se "julga" ser a realidade.
5. A negação da verdade objetiva é incompatível com a Ciência. A apro­
priação do objeto pela mente, o conhecimento da verdade real, não­
-subjetiva, é uma das razões de ser da Ciência. Somente conhecendo a
verdade real o homem pode desvendar o universo material , compreen­
dê-lo e agir sobre ele para subordiná-lo às suas próprias necessidades.
Sem a possibilidade de posse da verdade objetiva, ou seja, de conheci­
mento da realidade concreta, a Ciência seria inútil .
RESUMO


Obtemos conhecimento através das sensações que os seres e fenômenos nos dão de
si. Essas sensações proporcionam-nos a imagem do universo real . Quem conhece al­
guma coisa de certo modo "apropria-se" do objeto que conheceu, transformando-o
em conceito. Mas o conceito não é o objeto real e sim uma forma de se conhecer a
realidade. O objeto real existe como ele é, independentemente do fato de o conhecer­
mos ou não. Conhecimento verdadeiro é aquele que corresponde ã realidade objeti­
va. Sem que houvesse a possibilidade de conhecimento da verdade objetiva a Ciência
seria inútil.
.
22 o MElODO CI ENTI FI CO
Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da rea­
lidade. Mas este conhecimento está sempre limitado às condições de sua época.
Há duas formas de se obter conhecimento: mediante os nossos sentidos ou me­
diante o nosso cérebro, o que resulta respectivamente em conhecimento sensível e
conhecimento intelectual. Com freqüência essas duas formas combinam-se, mas o
conhecimento intelectual depende do conhecimento sensível . Como a realidade é
complexa, para "apropriar-se" dela o homem aceita quatro diferentes tipos de co­
nhecimento: vulgar, científico, filosófico e teológico.
Æ Æ
QUESTOES PARA AUTO-AV ALIAÇAO
Este capítulo enfoca alguns problemas filosóficos. Se você realmente com­
preendeu o seu conteúdo não terá muita dificuldade em responder às questões
abaixo. No entanto, para desenvolver seus conhecimentos sobre o assunto, uti­
lize algumas delas como tema para um trabalho ou como assunto para discutir
com alguém.
• O conhecimento científico foi desenvolvendo-se aos poucos, apropriando-se
da realidade da natureza. Você crê que ele já atingiu a verdade em alguma
área do universo real? Por quê?
• O que é mais verdadeiro: o objeto real ou o conceito que temos dele?
• Existe alguma diferença de qualidade entre conhecimento sensível e conheci­
mento intelectual? Se existe, qual é essa diferença?
• É possível adquirir-se conhecimento intelectual sem que de alguma forma os
nossos órgãos dos sentidos sejam acionados?
• O capítulo informa que, para apropriar-se da realidade, o homem desenvol­
veu quatro tipos de conhecimento. Você é capaz de mencionar as caracterís­
ticas que diferenciam entre si os conhecimentos vulgar, científico, filosófico
e teológico?
• Como você explicaria o fato de muitos cientistas serem religiosos? Não há
contradição entre o conhecimento científico e o teológico?
• Ao investigar a realidade, o homem extrapola os conhecimentos adquiridos e
prevê uma realidade que ainda não conhece, ou seja, formula uma hipótese.
Essa hipótese pértence a que tipo de conhecimento: vulgar , científico, filosó­
fico ou teológico? Por quê?
• Você é capaz de dar um exemplo de hipótese que depois foi confirmada pela
verificação experimental? .
W Æ W
clencla e suas
W
Æ W
rlstlcas
• Introdução
• Racionalidade e objetividade
• O conhecimento cientíjico atém­
-se aos fatos
• O conhecimento cientifico trans­
cende os fatos
• O conhecimento cientiico é ana­
lítico
• O conhecimento cientifico re­
quer exatidão e clareza
• O conhecimento cientiico é co­
municável
• O conhecimento cientifico é veri­
ficável
INTRODUÇAO
¬
• ( conhecimento cientiico de­
pende d investigação metódica
• O conhecimento cientifico é sis-
V Æ
tematlco
• O conhecimento cientiico busca
e aplica leis
• O conhecimento cientíco é ex­
plicativo
• O conhecimento cientíico pode
fazer predições
• O conhecimento cientiico é
aberto
• O conhecimento cientifico é útil
No capítulo anterior foi dito que sem a possibilidade de posse da verdade obje­
tiva a Ciência seria inútil. Ora, será que isso quer dizer que todas as ciências se
ocupam com a busca da verdade material? Não, porque nem todas as ciências
têm como propósito a realidade dos fatos . A Matemática pura, por exemplo,
não se ocupa com o conhecimento de fatos reais. 'omo as demais ciências, ela
é também racional , metódica, sistemática e verificável, mas não se ocupa dire­
tamente com seres ou fatos! O matemático trabalha com signos, abstrações
que freqüentemente representam seres ou fatos reais, mas que não são seres
nem fatos, são apenas números . Por exemplo: você pode somar cinco laranjas
e duas bananas para obter sete frutas; pode somar cinco homens e duas mulhe­
res para obter sete pessoas . Em ambos os casos você realizou a mesma opera­
ção aritmética, manipulando seres reais e obtendo um resultado real . Certa­
mente cinco laranj as, cinco homens, duas bananas e duas mulheres são seres
reais. Mas, quem já viu um 5 e um 2 como ser ou fato real? O l1úmero matemá­
tico é uma abstração, um conceito racional , uma espécie de forma vazia que
pode ser preenchida com diferentes tipos de conteúdo, desde que o conteúdo
sej a matemático. Em uma forma vazia 5 cabem cinco homens, cinco laranj as,
cinco montanhas, cinco planetas, cinco universos etc. O número puro é, pois,
apenas um conceito ele, na realidade, só existe como concepção mental .
Apesar disso, o conhecimento matemático é científico e utilizado pelas
ciências que se ocupam com os fatos, naturais ou sociais . Aplicando o conheci­
mento matemático podemos estabelecer relações de correspondência entre se-
24 o MÉTODO CIENTiFICO
res e fatos, processos e estruturas de qualquer nível da realidade objetiva. Por
isso ele é empregado pelas demais ciências (Física, Química, Economia, Fisio­
logia, Sociologia etc.) para a reconstrução das diferentes relações entre os fa­
tos e seus distintos aspectos .
Na Matemática, a verdade consiste na coerência do enunciado, oferecido
como um sistema de idéia previamente aceitas . Por isso a verdade matemática
não é absoluta, mas relativa ao sistema do enunciado.
Com efeito, uma proposição matemática válida para um sistema pode
deixar de ser logicamente verdadeira em outro sistema. Vejamos o seguinte
exemplo: quando você soma aritmeticamente 24 + 1 , obtém 25 e esse resultado
é verdadeiro. Como o 24 está representando vinte e quatro unidades aritméti­
cas, você pode substituir o símbolo por um ser concreto; digamos que esse ser
seja um palito de fósforo. Para verificar se o resultado obtido na adição arit­
mética é verdadeiro você pode dispor vinte e quatro palitos de fósforo sobre a

mesa e, ao conjunto, acrescentar mais um. Claro, o resultado final será vinte e
.
cinco palitos de fósforo, o que corresponde ao resultado obtido com a opera­
ção. No entanto, o mesmo resultado não será real se o enunciado tratar do sis­
tema de divisão dos dias em horas . Nesse caso a fórmula correta da operação
não será 24 + 1 ¯ 25 mas 24 + 1 ¯ 1 !
Essa característica do conhecimento matemático não ocorre com as ciên­
cias que se ocupam com fatos . Elas não empregam formas vazias (variáveis ló­
gicas) que podem ser preenchidas com diferentes conteúdos ; utilizam apenas
símbolos já interpretados. Para elas o conhecimento matemático é um instru­
mento constituído de símbolos interpretados e não de formas vazias. Além dis­
so, as ciências fáticas não se satisfazem com o raciocínio lógico e coerente dos
enunciados para aceitá-los como verdadeiros . Somente depois de devidamente
comprovado pela observação e/ou experimentação objetivas é que um enun­
ciado de ciência fática pode ser considerado adequado ao seu objeto, ou sej a,
aceito como verdadeiro.
+
Do aqui exposto pode-se compreender que ' a Matemática só aceita ser
conjuntamente examinada com as demais ciências até certo ponto. Sua análise
como ciência requer estudo especial, o que escapa aos limites desse livro de in­
trodução à Metodologia. Para os objetivos presentes basta que você seja capaz
de distinguir a Matemática como ciência formal, distinta das ciências que têm
por objeto os fatos (ciências fáticas) naturais ou culturais.
Passemos, então, ao exame das principais características das ciências fá­
ticas.
RACIONALIDADE E OBJETIVIDADE
As ciências que se ocupam com os fatos da natureza e da sociedade apresentam
dois traços característicos que lhes são absolutamente essenciais e estão presen­
tes em todas as suas demais características: a racionalidade e a objetividade.
Ou seja, seu conhecimento é racional e objetivo. Vejamos o que isso significa.
A CIÊNCIA E SUAS CARACTERíSTICAS 25
Conhecimento científico racional é aquele que:
1. É constituído por conceitos, julgamentos e raciocínios, não por sensa­
ções, imagens, modelos de conduta etc. É evidente que o cientista sen­
te; forma imagens mentais de seres e fatos, portanto, depende do co­
nhecimento sensível . Mas quando trabalha com o conhecimento racio­
nal, tem como ponto de partida e ponto de chegada apenas idéias (hi­
póteses) e não fatos.
2. As idéias que compõem o conhecimento racional podem combinar-se de
acordo com algum tipo de conjunto de regras lógicas, com o propósito
de produzir novas idéias (proposição dedutiva). Do ponto de vista do
.
conhecimento, tais idéias podem ser consideradas novas na medida em
que expressam conhecimentos sobre os quais não se tem consciência até
o momento em que a dedução é efetuada.
Por seu turno, conhecimento científico objetivo é aquele que:
1. Concorda com seu objeto, isto é, alcança a exatidão da realidade, se­
gundo o nível dos meios de observação, investigação ou experimenta­
ção de sua época.
2. Verifica a adaptação das idéias (hipóteses) aos fatos, recorrendo para
isso à observação e à experimentação atividades controláveis e, pelo
menos até certo ponto, reproduzíveis .
Estes dois traços básicos, a racionalidade e a objetividade, encontram-se
intimamente interligados no conhecimento obtido pelas ciências fáticas. Veja­
mos quais são as demais características.
Æ Å
O CONHECIMENTO CIENTIFICO ATEM-SE AOS FATOS
A Ciência tem o propósito de desvendar a realidade. Para atingi-lo, atém-se
aos fatos. O cientista, seja qual for o objeto do seu estudo, sempre começa por
estabelecer os fatos . Estes constituem o seu ,ponto de partida e o seu ponto de
chegada na investigação. Durante o processo de conquista do conhecimento da
realidade, porém, nem sempre é possível, ou desejável, respeitar a integridade
dos fatos. Muitas vezes é necessário interferir nessa integridade para se obter
dados significativos das propriedades reais dos fatos . Por exemplo: a fim de
melhor conhecer a função de um órgão, o biólogo pode interferir, e até matar
o organismo que está estudando; o físico nuclear pode perturbar deliberada­
mente o comportamento do átomo que está analisando para melhor conhecer
sua estrutura e assim por diante.
É necessário, porém, que a interferência seja claramente definida e con­
trolável, isto é, passível de avaliação com certo grau de exatidão. Caso contrá­
rio, o desvio provocado pela interferência artificial pode deturpar o fato e in­
duzir a um conhecimento falso da realidade. Assim, diz-se que o conhecimento
cient,ífico parte dos fatos, pode interferir neles, mas sempre retorna a eles .

26 o METODO CI ENTIFI CO
Æ
O CONHECIMENTO CIENTIFICO TRANSCENDE OS
FATOS
o conhecimento vulgar, comum, registra a aparência dos fatos e fixa-se nela.
Freqüentemente limita-se ao fato isolado e esforça-se pouco para explicá-lo ou
para estabelecer suas relações com outros fatos. Com o conhecimento científi­
co não se dá o mesmo. Ao analisar um fato, o conhecimento científico não
apenas trata de explicá-lo, mas também busca descobrir suas relações com ou­
tros fatos e explicá-las trata de conhecer a realidade além de suas aparên-

Clas .
.
Por não se contentar em descrever as experiências, a Ciência sintetiza-as,
compara-as com o que já sabe sobre outros fatos, descobre suas correlações
com outros níveis e estruturas da realidade e trata de explicá-las através de hi­
póteses. Quando consegue comprovar a verdade das hipóteses, estas transfor­
mam-se em enunciados de leis gerais . Portanto, os cientistas também levam
seu conhecimento além dos fatos observados, presumem o que pode haver por
.
trás deles . A existência do átomo, por exemplo, foi predita muito antes que de­
la houvesse qualquer comprovação objetiva.
Apesar disso, habitualmente o conhecimento científico rejeita as novas
hipóteses que sejam incompatíveis com tudo o que já conhece e recebeu com­
provação fidedigna.
Æ Æ Æ
O CONHECIMENTO CIENTIFICO E ANALITICO
\
Quando estuda um fato, a Ciência trata de analisá-lo. Para isso decompõe o
todo elll partes não necessariamente nas menores partes em que o todo ad­
mite divisão. Tal decomposição tem o propósito de descobrir os elementos da
totalidade e as interligações que justificam sua integração, a unidade da totali-
dade.
.
A Ciência ocupa-se de problemas circunscritos e vale-se de sua análise
mais como um instrumento para construção de sínteses teóricas . Sua investiga­
ção começa pela decomposição do objeto para tentar descobrir qual é a estru­
tura "mecânica" do objeto observado. Mas a análise não termina com a des­
coberta e a análise dos elementos componentes do "mecanismo" ela prosse­
gue na observação da inter-relação das partes . Finalmente, ao sintetizar seu
exame, a Ciência trata de reconstruir o todo, mas o faz em termos das partes
interligadas. Por essa razão não aceita a pretensão de que uma síntese pode ser
obtida sem a prévia realização da análise.
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO REQUER EXATIDÃO E
CLAREZA
o conhecimento vulgar é habitualmente obscuro e pouco preciso. O científico,
por seu turno, esforça-se ao máximo para ser exato e claro. Como suas formu-

A CIÊNCIA E SUAS CARACTERíSTICAS 27
lações estão constantemente sendo submetidas à prova da experiência e da ve­
rificação, a exatidão e a clareza são requisitos indispensáveis . Por exemplo,
não se comunica uma investigação científica em termos vagos, nem com lin­
guagem obscura, pois isso poderá confundir ou anular sua experimentação ou
sua verificação.
Obviamente isto não exime o conhecimento científico de qualquer inexati­
dão ou erro. Mas como a Ciência dispõe de métodos para descobrir erros, a
própria presença de erro lhe é útil, porque a exposição do erro conduz nova­
mente ao estabelecimento da exatidão. O conhecimento do inexato é, em si,
exato. Assim, o conhecimento científico tira proveito também de suas even­
tuais falhas.
o CONHECIMENTO CIENTÍFICO É COMUNICÁVEL
O conhecimento científico é propriedade de toda a humanidade e sua lingua­
gem deve informar a todos aqueles seres humanos que tenham sido instruídos
para entendê-la. Sua maneira de expressar-se é sobretudo informativa, não ex­
pressiva. Seu propósito é o de comunicar, não o de seduzir.
A comunicabilidade do conhecimento científico é particularmente possí­
vel graças à exatidão e à clareza com que tem de ser formulado condições
indispensáveis para a comprovação e a verificação dos seus dados e hipóteses.
Em princípio, embora admitam-se reservas à comunicação por motivos de se­
gurança nacional, todas as investigações, descobertas, novas técnicas e hipóte­
ses da atividade científica devem ser comunicadas, a fim de que se multipli­
quem as possibilidades de sua confirmação ou refutação. Só assim o resultado
de um trabalho pode ser reconhecido como científico.
Entre cientistas não pode haver segredo em matéria de conhecimento cien­
tífico. A divulgação do conhecimento é a mola propulsora do progresso da
Ciência.
# # ~ Æ
O CONHECIMENTO CIENTIFICO E VERIFICA VEL

O conhecimento científico é válido quando passa pela prova da experiência ou
da demonstração. A comprovação é que o torna verdadeiro. Enquanto não
.
são comprovadas, as hipóteses deduzidas da investigação não podem ser consi­
deradas científicas .
V
Há, porém, ciências fáticas que não possibilitam a experimentação. E o
que ocorre, por exemplo, com certos ramos da Astronomia. Tais ciências, no
entanto, alcançam suficiente exatidão em suas formulações, de forma que dis­
pensam a necessidade de se recorrer à comprovação experimental. Por isso diz­
-se que a ciência fática é objetiva (ou empírica), no sentido de que a comprova­
ção de suas formulações envolve a experimentação; mas isso não quer. dizer
que toda ciência fática seja necessariamente experimental.
28 o METODO CI ENTí FI CO
A norma segundo a qual as hipóteses científicas devem ser aprovadas ou
refutadas mediante a prova da experiência tem sua aplicação dependendo do
tipo do objeto da ciência, do tipo da formulação em pauta e dos meios de ex­
.
perimentação disponíveis. Precisamente por esse motivo é que as ciências re-
querem uma grande quantidade de técnicas de verificação objetiva.
.
A essência do conhecimento científico reside no fato de ser verificável . .Se
assim não fosse, não se poderia afirmar que as ciências buscam obter conheci­
mento objetivo.
Æ
O CONHECIMENTO CIENTIFICO DEPENDE
W Æ
DE INVESTIGAÇAO METODICA
o cientista planeja o seu trabalho, sabe o que procura e como deve proceder
para encontrar o que deseja. É claro que o planejamento não exclui o imprevis­
to, o casual mas, ao prever sua possibilidade, trata de aproveitar a interfe­
rência do acaso, quando esta ocorre, e de submetê-la a controle.
O conhecimento científico não resulta da invenção isolada de um cientis­
ta. Toda investigação efetuada pelas ciências baseia-se no conhecimento ante­
rior, particularmente nas hipóteses já confirmadas, nas leis e princípios já esta�
belecidos o que representa o resultado do trabalho de inúmeros outros in­
vestigadores. Além disso, o processo das investigações segue etapas, normas e
técnicas, cuja aplicação obedece a um método preestabelecido. Em verdade,
tais normas e técnicas podem ser continuamente aperfeiçoadas à medida que se
dispõem de novos instrumentos de verificação, efetuam-se novas experiências
bem sucedidas etc. E vale a pena recordar que as ciências fáticas não se distin­
guem entre si apenas pelo objeto de sua investigação, mas também pelos méto­
dos específicos que utilizam para investigá-lo.
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO É SISTEMÁTICO
Toda Ciência é constituída de um sistema de idéias interligadas logicamente.
Um sistema de idéias que se apresenta como um conjunto de princípios funda­
mentais, adequados a uma classe de fatos, compõe uma teoria. Assim, cada
Ciência em particular possui sua própria teoria ou grupo de teorias .
Pode-se considerar que a inter-relação das idéias que compõem o COfpO
de uma teoria é orgânica. Ora, aceitando-se a organicidade dessa inter-relação
pode-se compreender que a substituição de qualquer um dos princípios básicos
produz uma transformação radical na teoria. Por isso diz-se que o conheci­
mento científico é sistemático, ou seja, constitui um sistema.
#
A CI ÊNCI A E SUAS CARACTERíSTICAS 29
O CONHECIMENTO CIENTIFICO BUSCA E APLICA LEIS
A Ciência busca as leis da realidade e aplica-as . O conhecimento científco tra­
ta de inserir os fatos isolados em normas gerais denominadas "leis naturais"
ou "leis sociais" .

A Ciência não basta a descoberta das características singulares dos fatos
individuais o conhecimento científico requer o que eles possuem de univer­
sal. Ao procurar descobrir os traços comuns aos indivíduos (seres, fenômenos
etc. ) que são únicos , e encontrar as relações constantes entre eles, o cientista
tenta expor o que existe de essencial no universo real. Ou sej a, não se detém
nas qualidades essenciais dos fatos, mas busca sempre sua universalidade, as leis
que determinam a constância de sua interligação. E quando se apossa dessas
leis, aplica-as na busca de outras leis.
# #
O CONHECIMENTO CIENTIFICO E EXPLICATIVO
A Ciência trata de explicar os fatos reais em termos de leis, e as leis da realida­
de em termos de princípios.
Os cientistas não se limitam a descrever detalhadamente os fatos, tratam
de encontrar suas causas, suas relações internas e suas relações com outros
fatos . Seu objetivo é oferecer resposta às indagações, aos por quês. Anti­
gamente acreditava-se que explicar cientificamente era expor a causa dos fa­
tos. No entanto, hoje reconhece-se que a explicação causal dos fatos é apenas
um dos tipos de explicação científica. Como a explicação científica se efetua
sempre em termos de leis e há diversos tipos de leis científicas, há também dife­
rentes tipos de explicação, tais como dinâmicas, morfológicas , dialéticas, cine­
máticas, de associação, de composição etc.
#
O CONHECIMENTO CIENTIFICO PODE FAZER
W
PREDIÇOES
Baseando-se na investigação dos fatos e no acúmulo das experiências, o conhe­
cimento científico pode predizer o que foi o passado e o que será o futuro. Mas
a predição científica nada tem a ver com a profecia. Ao contrário desta, ela se
baseia em suas leis já estabelecidas e em informações fidedignas sobre o estado
e o relacionamento dos seres ou fenômenos. Por isso, quando faz suas predi­
ções sempre as subordina a determinadas condições. Por exemplo, prediz:
.
"acontecerá F toda vez que ocorrer M, porque toda vez que ocorre, M é segui­
do por ou está associado a F" .
Mas a predição científica, com justa razão, não é infalível . Como depende ·
de leis e de informações, pode falhar na medida em que essas leis e informa­
ções apresentem imperfeições. Contudo, mesmo quando falha continua sendo
útil, pois sua falha pode permitir a correção das leis ou das informações em
que se baseou.
30 o MÉTODO CI ENTi FI CO
o CONHECIMENTO CIENTÍFICO É ABERTO
Como a investigação científica depende das circunstâncias de sua época, dos
conhecimentos acumulados e dos instrumentos de investigação' disponíveis,
seus resultados não são definitivos ou imutáveis . A observação pode aprofun­
dar-se com a aplicação de novos instrumentos e técnicas; o meio natural ou so­
cial pode sofrer modificações significativas, já que a ação da natureza e do ho­
mem permanece em constante movimento. Sempre é possível imaginar-se o
surgimento de uma nova situação na qual nossas idéias, por mais firmemente
comprovadas e estabelecidas que estejam, revelem-se de algum modo inade- .
quadas .
Por conseguinte, o conhecimento científico não é dogmático. Ao contrá­
rio, é aberto precisamente porque reconhece ser falível . Essa condição permite
que ele se renove: a uma nova situação na qual as leis existentes se mostrem
inadequadas, ele se propõe a novas investigações que resultarão na correção
ou na total substituição das leis incompatíveis. Os sistemas de conhecimento
científico são como organismos vivos em permanente crescimento: enquanto
estão vivos se modificam. E isso assegura o progresso da Ciência.
# Æ Æ
O CONHECIMENTO CIENTIFICO E UTIL
Como busca incessantemente a realidade não se aferra a dogmas, o conhecimen­
to científico proporciona ao homem um instrumento valioso para o domínio da
natureza e a reforma da sociedade, em benefício do próprio homem.
RESUMO
As ciências que se ocupam com os fatos da natureza e da sociedade apresentam dois
traços característicos que lhes são fundamentais: a racionalidade e a objetividade. A
racionalidade diz respeito à forma conceituai de conhecer; a objetividade, à concor­
dância com a realidade. Por isso a Ciência atém-se aos fatos, mas ao mesmo tempo
transcende-os no sentido de que busca conhecer a realidade além de suas aparên­
cias. Com esse objetivo, decompõe os fatos a fim de melhor analisar os elementos
que compõem a totalidade e descobrir as interligações que justificam sua unidade no
todo.
O conhecimento científico exige formulações exatas e claras, pois requer que se­
jam verificadas antes de aceitá-Ias como verdadeiras . E esta capacidade de verifica­
ção determina sua comunicabilidade, pois sem comunicação
.
não há informação;
sem informação não há como verificar, observar, demonstrar ou provar uma for-
mulação.
.
O conhecimento científico depende também da investigação metódica da reali­
dade (resultantes dos conhecimentos adquiridos na busca permanente da realídade,
os métodos funcionam como garantia da exatidão do conhecimento adquirido) e é
¤
sistemático, porque baseia-se em um sistema de idéias organicamente ligadas entre
si. Esse sistema tem a fnalidade de encontrar a universalidade dos fatos, a leis que
determinam a constância de sua interligação. A posse dessas leis permite. que elas se­
jam .aplicadas na busca de outras leis. E, assim, a Ciência vai explicando os fatos.

A CIÊNCI A E SUAS CARACTERiSTICAS 31
Por outro lado, baseando-se nas leis e princípios que já domina, o conhecimento
científico também pode fazer predições. Isso não quer dizer que seja uma espécie de
"profeta" infalível, mas Suas falhas servem para revelar e corrigir deficiências nas
próprias leis e princípios em que baseia suas predições. Essa característica demons­
tra sua abertura, pois está permanentemente sujeito à revisão, aperfeiçoamento e de­
senvolvimento. Enfim, o conhecimento científico é útil, já que proporciona um ins­
trumento valioso para o domínio da natureza e a reforma da sociedade em benefício
da humanidade.
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO

Você acaba de conhecer as principais características do conhecimento científ-
co. Se compreendeu o que significam, não terá dificuldade em responder às
questões abaixo. Use-as também como tema para um trabalho ou para discus­
são com alguém.
• Como é possível que o conhecimento científico se atenha aos fatos e, ao mes�
mo tempo, transcenda-os?
• Como se explica que a Matemática pura seja considerada ciência se o objeto
de sua investigação não são os fatos reais?
• Como se verifica a exatidão de uma formulação matemática?
• É possível aceitar-se como verdadeira uma formulação que não possa ser ex­
perimentalmente comprovada?
• Por que motivo o conhecimento científico depende da investigação metódica?
• Quando interfere no fato que investiga, o cientista não está alterando a inte­
gridade do fato?
• Por que o conhecimento científico esforça-se ao máximo para ser exato e cla­
ro? Isso tem algo a ver com a busca da verdade?
• Que sentido tem o fato de o conhecimento científico ser sistemático? De que
nos serve conhecer e aplicar as leis da natureza?



suas a
• Introdução
• Critério de verdadeiro
• Procedimento racional

o cle ICO e
es
• Anále Ú síntese
• Roteiros de aplicação
• Procedimento experimental
Roteiro de formulação de pro­
blema
• Técnicas de observação
Exatidão
Precisão
Método
• Técnicas de raciocínio
Indução
Dedução
INTRODUÇÃO
�oteiro de construção de mo­
delo teórico
Roteiro de dedução de conse­
qUências particulares
Roteiro de prova de hipótese
Roteiro .de introdução de con­
clusties em teorias
Após O rápido exame do que é o conhecimento em geral e o científico em parti­
cular, voltemos nossa atenção para o método científico, suas propriedades e
7 Ñ Æ
caractenstlcas gerrs.
Comecemos refutando a crença amplamente disseminada, segundo a qual

o método científico proporciona receitas infalíveis para o cientista obter a ver-
dade dos fatos . Tal crença é inteiramente falsa. Primeiro porque o método
científico não dá receitas, nem tampouco é um receituário. Segundo, porque
não é infalível tem milagroso. O que realmente proporciona é uma orientação
geral que facita ao cientista planejar sua investigação, formular suas hipóte­
ses, realizar suas experiências e interpretar seus resultados. Tal orientação, po­
rém, não é absoluta, definitiva e, segundo a circunstância e o objeto da in­
vestigação, pode falhar. Além disso, o método científico pode ser aperfeiçoa­
do. E o vem sendo através dos tempos.
Em linhas gerais, método científico é um instrumento utilizado pela
Ciência na sondagem da realidade, mas um instrumento formado
por um conjunto de procedimentos, mediante os quais os proble­
mas científicos são formulados e as hipóteses científicas são exami­
nadas .
o MÉTODO CIENTiFICO E SUAS APLICAÇÕES 33
Esse conjunto de procedimentos apresenta-se com uma unidade sistemáti­
ca, mas sua aplicação depende, em grande parte, do objeto da Ciência. Ele não
.
é aplicável por igual a todas as ciências, nem da mesma maneirá em uma ciên­
cia formal , como a Matemática, e em uma ciência fática, como a Fisiologia ou
a Química. Isto explica a múltipla variedade de técnicas e a relativa indepen­
dência dos diversos ramos científicos. Contudo, as diferentes técnicas subordi­
nam-se às normas do método científico e, além disso, apóiam-nas e aperfei­
çoam-nas .
Por outro lado, é necessário ressaltar que as normas gerais do método
científico não são absolutas. As ciências só agem como "escravas" de seus mé­
.
todos e técnicas enquanto estes são adequados para a consecução de seus obje­
tivos. É claro que, constituindo um sistema de orientação formado pelo acú­
mulo da experiência coletiva através dos tempos, as normas gerais do método
.
científico não podem ser mudadas por qualquer motivo. Se assim fosse, a
Ciência perderia seu critério de rigor e cairia no caos. Mas, apesar disso, a
Ciência é livre para ampliar ou modificar suas normas gerais de orientação me­
tódica, sempre que isso seja necessário, com o propósito de tornar sua ativida­
de ainda mais racional e objetiva.
CRITÉRIO DE VERDADEIRO
Ao avaliar uma proposição científica, o cientista não pode, conscientemente,
deixar-se levar por critérios subjetivos. É uma atitude anticientífica, por
exemplo, aceitar como verdadeira uma solução química vermelha, em detri­
mento de uma verde, simplesmente porque o vermelho é sua cor preferida. O
gosto pessoal é um critério subjetivo de avaliação da realidade.
Atualmente, a rejeição consciente do subjetivismo como critério de julga­
. mento é ponto pacífico na comunidade científica. É óbvio que isso não exclui
inteiramente a participação de algum subjetivismo na formulação de uma hi­
pótese, ou em determinada maneira de efetuar uma técnica de observação. Co­
mo o ser humano sente e pensa, ao contrário das máquinas, o·subjetivismo in­
sinua-se sorrateiramente em sua atividade. Mas sua presença é conscientemen­
te combatida pela Ciência porque, ao invés de ampliar, diminui a racionalida­
de e a objetividade do conhecimento científico.
A Ciência também condena o argumento de autoridade como critério de
avaliação da realidade. Tal critério foi dominante por muito tempo, quando se
acreditava que a verdade era eterna e o conhecimento infalível e definitivo,
imutável . Então, a decisão sobre a veracidade de um enunciado científico era
tomada por comparação do texto do enunciado com o que algum "mestre" já
havia escrito sobre o assunto. O enunciado era aceito como verdadeiro se a
comparação lhe fosse favorável, ou seja, enquadrasse-o como compatível com
a "verdade eterna" expressa pelo "mestre"; caso contrário, era rejeitado co­
mo falso.
34 o METODO CI ENTiFI CO
Embora os cientistas ainda utilizem, até certo ponto, o argumento de au­
toridade em nossos dias (quando, por exemplo, aceitam como verdadeiras as
técnicas empregadas por outros, sem verificá-las pessoalmente), não o aceitam
como critério de aferição da realidade. Em nossos dias, a Ciência não aceita a
concepção de verdade eterna e submete qualquer argumento de autoridade à
verificação, a fim de constatar sua veracidade ou falsidade. Se assim não fos­
se, o conhecimento científico ficaria estagnado e ainda estaríamos acreditando
na teoria geocêntrica de Ptolomeu, imaginando que o Sol e os planetas gira­
riam em torno da Terra.
Outro critério de verdade que ainda possui alguns adeptos é o da conve­
niência ou utilidade. Segundo esse critério pragmático, as verdades não são
eternas, mas "vitais". Ou seja, deve-se aceitar certas afirmações como verda­
deiras simplesmente porque suas proposições são convenientes ao homem, à
ciência, à política, à sociedade etc. Neste caso, verdadeiro passa a ser sinônimo
de útil. Trata-se, porém, de critério que nada tem de científico porque sua
"verdade" não admite o rigor da verificação objetiva. Então, quem decide o
que é "verdade vital "? O que é útil para Pedro pode não ser para João, Maria,
Antônio; o que é conveniente para a Europa pode não ser para a África e assim
por diante.
.
Enfim, o que se aceita como verdadeiro simplesmente por gosto, por au­
toridade, por evidência aparente, ou por conveniência (pessoal ou não) não
pode ser conhecimento científico. Quando muito é uma questão que deve ser
levada para o terreno da fé, da crença ou da simples opinião. Se temos o pro­
pósito de encontrar a verdade, nossa atitude ante o conhecimento deve ser im­
pessoal e rigorosa quanto à verificação do que é universalmente verdadeiro.
Não importa que o conhecimento científico possa ser desagradável , que venha
a contradizer as formulações dos clássicos, que ponha por terra as considera­
ções do bom senso ou oponha-se às virtudes da intuição; pouco importa que
seja inconveniente desde que seja verificável como verdadeiro, é conheci­
mento científico. A possibilidade de sua veracidade ser verificável a qualquer
momento, para confirmação ou rejeição, é precisamente o que permite aceitá­
-lo como científco.
Certamente o encontrar a verdade, o possuir o verdadeiro, é um objetivo
permanente da Ciência e, por conseguinte, do conhecimento científico. Por es­
sa razão o conhecimento obtido pela Ciência submete-se constantemente à ve­
rificação e à revisão.
Através da verificação ele se livra do que se apossou e já caducou (no sen-
. tido de que já foi superado pelo próprio desenvolvimento da Ciência) e incor­
pora ao seu acervo os novos conhecimentos que, submetidos à prova, revelam­
-se verdadeiros. Assim, a Ciência progride e se desenvolve. Mas o que realmen­
te caracteriza o conhecimento científico de modo inequívoco com relação"aos
demais tipos de conhecimento, não é o fato de ser mais nem de ser menos ver­
dadeiro, e sim o seu modo de atuar, o meio em que age e, sobretudo, o método
que emprega para formular problemas e submeter à prova as afirmações pro­
postas. Para a Ciência, um dado só é considerado verdadeiro, portanto válido,
quando é aprovado de modo compatível com o método científico.


o METODO CIENTiFICO E SUAS APLI CAÇÕES
Compost
o
de conjuntos de procedimentos, técnicas e regras , o método
científico pode ser considerado como um instrumento insubstituível na elabo­
ração de trabalhos e na verificação de afirmações. É um instrumento descritivo,
quanto à descoberta de técnicas de investigação, e normativ
o
, quanto à exposi­
ção de regras capazes de ampliar a fecundidade do trabalho científico. Estas re­
gras e normas , porém, não asseguram definitivamente a obtenção da verdade.
Por isso não são intocáveis podem ser reformadas ou mudadas, já que são
suscetíveis de aperfeiçoamento e desenvolvimento. Mas, se não garantem a con­
quista da verdade, em compensação facilitam a detecção de erros.
Metodizando a elaboração dos trabalhos ou submetendo à verificação da­
dos, enunciados, hipóteses, princípios ou teorias, o método científico vale-se
basicamente dos seguintes elementos :
1. Procedimento racional .
2. Procedimento experimental .
3. Técnicas de observação.
4. Técnicas de raciocínio.
S. Análise e síntese.
PROCEDIMENTO RACIONAL
A formulação de enunciados, hipóteses, princípios e teorias e sua verificação
mediante o exame racional lógico ou a experimentação objetiva, são procedi­
mentos comuns a todo tipo de atividade científica, tanto nas ciências fáticas
como nas formais (que tratam de números, funções, signos etc. , como a Mate-
mática) . .
Da aplicação da Lógica à Ciência, a partir de Descartes, derivaram as ba­
ses do procedimento racional científico.
Esse procedimento emprega metodicamente duas técnicas de raciocínio
lógico: a indução e a dedução. Ambas assemelham-se entre si , no sentido de
que são operações mentais pelas quais de uma verdade reconhecida se passa a
outra verdade. Ao mesmo tempo, diferenciam-se entre si no sentido de que
partem de direções opostas : a indução parte do particular para o geral , en­
quanto a dedução parte do geral para o particular.
.
Para a explicação dos fatos e fenômenos e suas causas, o procedimento ou
método racional pode ainda empregar duas técnicas complementares: a análise
e a síntese sendo que a análise corresponde à indução e a síntese à dedução.
Mas o procedimento racional (metódico) não tem aplicação geral . É apli­
cável apenas aos fatos que a mente, e exclusivamente ela, apresenta como ver­
dade. Sendo abstratos, tais fatos não encontram possibilidade de verificação

experimental objetiva e devem ser verificados por meio de demonstração ra-
cional . Isso não significa, porém, que os ramos da Ciência que o empregam
não sejam verdadeiramente científicos . Provar a teoria matemática dos con­
juntos é algo necessariamente diferente, quanto ao método, do provar a dilata-
ção dos metais pela elevação da temperatura.
.
36 o METO DO CI ENTI FI CO
A utilização do procedi!1lento racional conduz a uma visão global que não
pode ser experimentalmente comprovada em laboratório. E é justamente essa
característica que o distingue do procedimento experimental .
PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Como o racional , o procedimento experimental é também método, ou seja,
ambos constituem métodos abrangidos pelo método científico. Nenhum méto­
do efcaz surge do nada, de uma vontade subjetiva. Ao contrário, é sempre fru­
to do acúmulo de observações da realidade. Até mesmo o procedimento racio­
nal do método científico parte da observação dos fatos da realidade e da acei­
tação de determinadas evidências; daí em diante desenvolve-se com o uso da
razão, raciocinando por dedução ou indução.
Ligado diretamente à realidade, o método experimental é objetivo.
Aplica-se a fatos concretos e tem o propósito de verificar as hipóteses sugeri­
das pela observação. Mas, além da observação, da hipótese e da experimenta­
ção, esse procedimento metódico vale-se de um processo indutivo bastante cla­
ro e muito comum. Mediante a indução, ele parte de um fato ou fenômeno
particular para estabelecer uma lei geral .
Em poucas palavras, isso pode ser explicado da seguinte maneira: se um
fenômeno se repete em muitos casos diferentes, mas em todos eles apresenta
um antecedente comum, esse antecedente pode ser considerado como causa do
fenômeno. Damos a seguir um exemplo.
O ar condensa-se em forma de orvalho na superfície das garrafas de cerve­
ja bem geladas . Também condensa-se da mesma maneira no lado interior das
vidraças , quando faz frio no exterior, e nas lentes dos óculos, quando se bafeja
sobre elas . Ora, todos esses casos coincidem em um ponto: a condensação
ocorre quando a superfície apresenta uma temperatura mais baixa do que a do
ar . Isso quer dizer que a diferença de temperatura entre o ar e a superfície pode
ser considerada a causa da formação do orvalho.
.
Esse exemplo é baseado em uma citação de Stuart Mill ( 1 806- 1 872), filó­
sofo inglês que defendia a indução como única forma de raciocínio válida para
o conhecimento científico. Para ele, através da indução é possível determinar­
-se as relações de causa e efeito de todos os fenômenos. Stuart Mill chegou in­
clusive a expor quatro "métodos indutivos", segundo os quais essas relações
são formuladas: concordância, diferenças, variações concomitantes e restos.
No "método da concordância" o fenômeno a ser explicado realiza-se sempre
após o mesmo antecedente, ao passo que as outras circunstâncias variam ou
são eliminadas; no "método das diferenças" a supressão de um fato a explicar
implica a supressão de um antecedente, que assim se revela como causa do fa­
to; no "método das variações concomitantes" a mudança dos fatos a explicar
ocasiona modificações no antecedente que os causa; e no "método dos restos"
a parte mais inexplicável de um fato é reconhecida como efeito de circunstân­
cia restante do antecedente, após a eliminação das circunstâncias cuja influên­
cia é reconhecida.
o MÉTODO CIENTiFICO E SUAS APLICAÇÕES 37
TÉCNICAS DE OBSERVAÇÃO
Todas as pessoas são dotadas de certa capacidade de observação da realidade.
Para muitas delas essa capacidade é até motivo de orgulho e distinção. A ob­
servação vulgar, porém, é caótica, assistemática e não oferece resultados signi­
ficativos além dos obtidos no conhecimento vulgar . No entanto, para o traba­
lhó de observação científica essa acuidade natural do ser humano tem de ser
m
e
todizada, a fim de não se restringir à superfície aparente dos fatos . Os re­
quisitos da boa observação científica são: exatidão, objetividade, precisão e
método.
Exatidão e objetividade
Diz-se que a observação é exata quando é capaz de abranger a globalidade do
fato observado, com todos os seus elementos (pelo menos os significativos) . E
é objetiva quando se atém apenas aos elementos componentes do fato. Esse
critério de obj etividade é importante para alertar o observador no sentido de
não adicionar elementos de sua subjetividade à observação. O fato deve ser
observado como ele é, não como gostaríamos que ele fosse.
Precisão
A observação científica rigorosa é considerada precisa quando consegue expri­
mir numericamente tudo que seja suscetível de comportar medição no fato ob­
servado. Habitualmente essa característica da observação requer o auxílio de
instrumentos precisos de medição.
Método
Devido à complexidade dos fatos e fenômenos a observar cientificamente, o
observador deve proceder metodicamente. O método da observação recomen­
da que ele parta do mais importante do objeto observado para, em seguida,
ocupar-se do acessório ou complementar.
A observação efetua-se mediante os órgãos dos sentidos e na forma de
sensações. No entanto, com freqüência nossa capacidade de sentir é insuficien­
te para captar os fatos em toda sua dimensão e complexidade. Nesse caso o ob­
servador tem de recorrer ao emprego de instrumentos capazes de ampliar sua
percepção. O desenvolvimento da Astronomia, por exemplo, seria pratica­
mente impossível sem o uso do telescópio; o da Microbiologia, sem o micros­
cópio; o da Física, sem os instrumentos de medição; e assim por diante.

38 o MÉTODO CIENTiFICO
Ñ Æ
TECNICAS DE RACIOCINIO
As técnicas de raciocínio do método científico são basicamente duas: a indu­
ção e a dedução. Vejamos em que consistem.
Indução
Na técnica da indução o raciocínio vai do particular para o geral . Foi Galileu
Galilei quem, no século XVI, deu início à questão de qual seria o melhor pro­
cedimento para se obter um conhecimento mais seguro a respeito dos fenôme­
nos naturais . Tratando de encontrar uma solução para o problema, ele teori­
zou o método chamado experimental, que conclui uma lei geral a partir da ob­
servação de casos particulares. Esse método, denominado da indução experi­
mental , pode ser sintetizado nas seguintes etapas básicas :
1. Observação do fenômeno.
2. Análise dos elementos constituintes do fenômeno e estabelecimento das
relações quantitativas entre eles .
3. Indução de hipóteses a partir da análise das relações dos elementos.
4. Verificação da veracidade das hipóteses através de sua experimentação.
S. Generalização do resultado obtido na experiência para disso obter uma
lei que parta da confirmação das hipóteses .
Depois de se observar determinado fato ou fenômeno em determinadas
condições, pode-se concluir por indução que ele é universalmente verdadeiro,
desde que as mesmas condições sejam mantidas . Foi de um conjunto de obser­
vações, inclusive a simples queda de uma maçã, que Newton, por exemplo, in­
duziu a lei da atração universal .
É também indutivo o raciocínio que vai do particular ao geral , afirmando
de um gênero algo que pertence a cada espécie desse gênero. Assim:
Pedro é mortal .
Antônio é mortal .
José é mortal.
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Logo, todos os homens são mortais .
.
A generalização, contudo, apresenta perigos sérios, podendo conduzir a
conclusões falsas, mas aparentemente verdadeiras . Por exemplo:
Pedro é gordo.
Antônio é gordo.
José é gordo.
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Logo, todos os homens são gordos.

Com efeito, se Pedro, Antônio, José e alguns outros homens mais são
gordos, isto não quer dizer que todos os homens sejam gordos.

o MÉTODO CIENTiFICO E SUAS APLlCAÇOES 39
o emprego do raciocínio indutivo no método científico deve, portanto,
prever esse perigo de falsa generalização. Em verdade, a indução não pode
basear-se exclusivamente na observação ou evidência, embora sempre parta de­
las : necessita também de um fundamento lógico. É esse fundamento que per­
mite às verdades induzidas adquirirem o caráter de generalidade e, assim, tor-
• •
narem-se UnIverSais.
Em outras palavras, o início da indução dá-se com a observação e o regis­
tro de certos fatos ou fenômenos. Prossegue com sua análise, comparação e
classificação (mediante um fundamento lógico) , com o que descobre uma rela­
ção constante entre os objetos observados. Essa relação é então estendida a to­
da a série de fatos ou fenômenos da mesma espécie, ou seja, é levada à genera­
lização.
São elementos da indução:
1. Os fatos ou fenômenos observados.
2. A lei geral colhida na observação.
3. O princípio racional , que pode ser formulado de distintas maneiras:
"as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos ", "toda rela­
ção de causalidade é constante" etc.
Como o objetivo da indução é chegar a conclusões muito mais amplas do
que as premissas, existe um grau de probabilidade na formulação desse tipo de
raciocínio: se as premissas de um argumento indutivo forem verdadeiras, pro­
vavelmente a conclusão induzida também será verdadeira.
Dedução
É dedutivo o raciocínio que parte do geral para chegar ao particular, do uni­
versal para chegar ao singular . Em outras palavras, a dedução consiste em ti­
rar uma verdade particular de uma verdade geral na qual ela está implícita. Seu
argumento lógico é que um fato geral encerra em si a explicação de outro se­
melhante, porém menos geral .
Um exemplo clássico de raciocínio dedutivo é:
Todo homem é mortal .
Pedro é homem.
Logo, Pedro é mortal .
Esse tipo de raciocínio dedutivo denomina-se silogismo e é amplamente
estudado em Lógica. No entanto, alguns teóricos criticam o alcance limitado
da dedução, uma vez que o conteúdo da conclusão ("Pedro é mortal") não
pode exceder o conteúdo das premissas ("Todo homem é mortal" e "Pedro é
homem").
.
Por outro lado, o raciocínio dedutivo também apresenta riscos de chegar
a conclusões falsas . Nos exemplos abaixo a proposição da situação geográfica
é representada por um desenho esquemático. Observe-os para distinguir como

40 o METODO CI ENTIFI CO
premissas verdadeiras podem levar a uma conclusão aparentemente verdadei­
ra, mas realmente falsa.
Exemplo A.
Se você está no Brasil, está na América do Sul.
Você está no Brasil .
Logo, você está na América do Sul.
W
. VOCE
Exemplo B.
Se você está no Brasil, está na América do Sul.
Você está na América do Sul.
Logo, você está no Brasil.
.VOCÊ
Exemplo C.
+
Se você está no Brasil, está na América do Sul.
Você não está no Brasil .
Logo, você não está na América do Sul .
��f\
C
A D
O
8

�.
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S/(
Ý
.VOCE
• o MÉTODO CIENTIFICO E SUAS APLICAÇÕES
Exemplo D.
Se você está no Brasil, está na América do Sul.
Você não está na América do Sul.
Logo, você não está no Brasil .
• VOCÊ
Evidentemente, as conclusões dos exemplos B e C são falsas .
41
Apesar dessa restrição, o raciocínio dedutivo é bastante útil porque parte
. do conhecido para o desconhecido com pouca margem de erro, desde que se-
jam respeitados os critérios de coerência e de não-contradição.
A dedução compõe-se dos seguintes elementos:
1. Uma lei ou premissa geral .
2. O fato que se quer verificar .
3. Um princípio racional que norteia o pensamento e que pode ser formu­
lado assim: "tudo que se afirma de uma proposição geral , afirma-se
igualmente das proposições particulares que ela encerra".
Por meio do raciocínio dedutivo pode-se ligar entre si várias leis formula­
das separadamente e, assim, confirmá-las . Além disso, a dedução é pratica­
mente o único tipo de raciocínio metódico empregado nas ciências matemáti­
cas .
Ficam, assim, expostas em traços rápidos as características dos raciocí­
nios indutivo e dedutivo. Resta agora observar que, quanto ao método científi-
'
.
co, nenhum dos dois basta por si. Como se destinam a finalidades opostas,
tanto a indução como a dedução são complementares . E, realmente, na prática
costuma-se recorrer a ambas para demonstrar a verdade das proposições cien­
tíficas.
Æ Æ
ANALISE E SINTESE
Da mesma forma que a dedução e a indução, a análise e a síntese são processos
inversos que, ao invés de se excluírem, complementam-se mutuamente. A aná­
lise parte do mais complexo para o menos complexo; a síntese parte do mais
simples para o menos simples . Ambos os processos são essenciais no trabalho
científico porque, se a análise proporciona um conhecimento mais profundo
do objeto em estudo, é através da síntese que o conhecimento se completa.
42 o METODO CIENTiFI CO
Nos trabalhos científcos em geral, a complexidade dos assuntos constitui
um dos obstáculos ao seu desenvolvimento. O outro obstáculo é formado pela
limitação da inteligência, incapaz de extrair sem auxílio de um método todas as
relações de causa e efeito encontráveis em uma série complexa de fatos e
idéias.
Ora, a análise é um processo metódico de tratamento do objeto em estudo
(seja ele um fato material, um conceito, uma função etc.) que decompõe o to­
do em partes, ou em seus elementos constituintes . Uma vez decompostos, esses
elementos podem ser estudados mais facilmente e em detalhe. Ao analisar cada
dificuldade separadamente, com o propósito de chegar à compreensão geral de
sua totalidade, o raciocínio procede por etapas e, assim, consegue conhecer
melhor as relações de causalidade.
A síntese, por seu turno, é um processo lógico de reconstrução ou recom­
posição do todo, através de seus elementos . Sua ação é naturalmente comple­
mentar da análise, pois o conhecimento de alguma coisa não se resume ao co­
nhecimento de suas partes componentes, mas da totalidade da coisa em si.
Reunindo no todo as partes já estudadas, a síntese possibilita que se conheçam
as relações determinantes da unidade do objeto em estudo, conferinoo-Ihe um
sentido global.
Segundo o método científico, há dois tipos de análise e síntese: experi-
• • •
mentaIs e raCiOnaIs .
A análise e a síntese experimentais são aplicáveis aos fatos concretos, ma­
teriais ou imateriais. Embora constituam a base da investigação de laborató­
rio, também são empregadas em operações exclusivamente mentais, no estudo
de objetos materialmente inseparáveis .
Em oposição às experimentais, a análise e a síntese racionais são aplicá­
veis a fatos abstratos, como os conceitos, as idéias muito gerais etc. , que só
existem nos domínios da razão.
A análise racional realiza-se mediante a redução da questão proposta a
outra mais simples, cuja solução já seja conhecida. Assim, como a indução,
caminha do geral para o particular, do universal para o singular.
A síntese racional parte de um princípio mais evidente e simples e, passan­
do de conseqüência em conseqüência, alcança a conclusão. Seu caminho, por­
tanto, é o da dedução, pois avança do particular para o geral, do singular para
o universal .
Æ
ROTEIROS DE APLICAÇAO
A rigorosa busca da verdade no exame dos diferentes tipos de problema com
que se defronta a Ciência obriga que cada objeto seja tratado de modo condi­
zente com sua essência. De certa forma isso explica a grande divisão do traba­
lho científico em múltiplos ramos e a ampla variação dos roteiros de aplicação
do método. Segundo Mário Bunge essa variedade pode, em linhas gerais, ser
exposta da seguinte maneira:
o METODO CIENTiFICO E SUAS APLICAÇÕES 43
Roteiro de formulação de problema
1. Reconhecimento dos fatos: exame do grupo de fatos, classificação pre­
liminar e seleção dos que sejam de algum modo relevantes.
2. Descoberta do problema: achado da lacuna ou da incoerência no corpo
do saber.
3. Formulação do problema: formulação de uma pergunta que tem pro­
babilidade de ser a correta; ou seja, redução do problema a seu núcleo
significativo, provavelmente solúvel e frutífero, com a ajuda do conhe­
cimento disponível .
Roteiro de construção de modelo teórico
1. Seleção dos fatores pertinentes: invenção de suposições plausíveis rela­
tivas às variáveis que proyavelmente são pertinentes.
2. Invenção das hipóteses centrais e das suposições : proposta de
um conjunto de suposições concernentes aos nexos entre as variáveis
pertinentes; por exemplo, formulação de enunciados de lei que, espera­
-se, possam amoldar-se aos fatos observados.
3. Tradução matemática: quando possível, tradução das hipóteses, ou de
parte delas, para alguma das linguagens matemáticas .
Roteiro de dedução de conseqüências particulares
1. Busca de suportes racionais: dedução de conseqüências particulares
que possam ter sido verificadas no mesmo campo ou em campos contí­
guos.
2. Busca de suportes empíricos: elaboração de predições (ou retrodições)
sobre a base do modelo teórico e de dados empíricos, considerando téc­
nicas de verificação disponíveis ou concebíveis .
Roteiro de prova de hipótese
1. Plano da prova: planejamento dos meios para pôr à prova as predi­
ções; plano de observações, medições, experimentos e demais opera-
W Æ Æ
çoes InstrumentaIS.
2. Execução da prova: realização das operações e colheita de dados .
3. Elaboração dos dados: classificação, análise, avaliação, redução etc. ,
dos dados empíricos.
4. Inferência da conclusão: interpretação dos dados elaborados à luz do
modelo teórico.
44 o MÉTODO CI ENTi FI CO

Roteiro de introdução de conclusões em teorias
1. Comparação das conclusões com as predições: contraste dos resultados
da prova com as conseqüências do modelo teórico, precisando em que
medida este pode ser considerado confirmado ou rejeitado (inferência
provável) .
2. Reajuste do modelo: eventual correção ou ainda substituição do modelo .

3. Sugestões acerca do trabalho ulterior: busca de lacunas ou erros na teo­
ria e/ou nos procedimentos empíricos, se o modelo foi rejeitado; se foi
confirmado, exame de possíveis extensões e de possíveis conseqüências
em outras seções do saber.
RESUMO
o método científico é um instrumento insubstituível empregado pela Ciência na son­
dagem da realidade. Formado por um conjunto de procedimentos, ele se apresenta
com uma unidade sistemática, mas sua aplicação depende do objeto de cada ciência
em particular, o que explica a relativa independência dos diversos ramos científicos.
Além disso, o método científco é também suscetível de modi ficação, sempre que es­
sa modificação venha a tornar a Ciência ainda mais racional e objetiva.
A Ciência condena o subjetivismo (que inclui o argumento de autoridade e a
conveniência como critérios de verdade) porque, ao invés de ampliar, ele diminui ou
nega à raCionalidade e a objetividade do conhecimento. A Ciência só aceita como
verdadeiro o que é confirmável mediante verificação compatível com o método cien­
tífico.
Composto por um conjunto de procedimentos, técnicas e regras, o método cientí­
fico é descritivo quanto à descoberta de técnicas de investigação e normativo quanto à
exposição de regras capazes de ampliar a fecundidade do trabalho científco.
O procedimento (ou método) racional emprega metodicamente duas técnicas de
raciocínio: a indução e a dedução, operações mentais pelas quais de uma verdade re­
conhecida passa-se a outra verdade. Sua utilização conduz a uma visão global que
não pode ser experimentalmente comprovada em laboratório. O procedimento (ou
método) experimental é também metódico e parte de um fato ou fenômeno particu­
lar para, por meio da indução, estabelecer uma lei geral.
A observação científica tem por características a exatidão, a objetividade, a
precisão e o método. Quanto à técnica de raciocínio, é indutivo o pensamento ou co­
nhecimento que do particular chega ao geral; e é dedutivo o pensamento ou conheci­
mento que do geral chega ao particular.
O método científico emprega ainda os procedimentos de análise e síntese no tra­
tamento do objeto em estudo. A análise parte do mais complexo para o menos com­
plexo; a síntese, do mais simples para o menos simples . A análise decompõe o todo
em suas partes constituintes; a síntese recompõe o todo através de suas partes. As­
sim, a análise aprofunda o conhecimento da realidade e a síntese completa esse co­
nhecimento, conferindo-lhe Um sentido global.

o MÉTODO CIENTiFICO E SUAS APLI CAÇÕES 45
V V
QUESTOES PARA AUTO-AVALIAÇAO
Se você entendeu o conteúdo do presente capítulo não terá dificuldade em res­
. ponder às questões apresentadas abaixo. Para melhor aproveitamento do estu­
do, escolha algumas delas como tema de um trabalho ou para discussão com
alguém.
• Qual é o sentido da afirmação: o método científico é um instrumento utiliza­
do pela Ciência na sondagem da realidade?
• Os procedimentos, técnicas e regras do método· científico formam um siste­
ma? Se formam, você pode explicar por quê?
• O método científico é infalível? Por quê?
• Em quais circunstâncias os procedimentos, técnicas e regras do método cien­
tífico podem sofrer mudanças?
• Que sentido tem a rejeição do subjetivismo nas atividades científicas?
• O que aconteceria se a Ciência aceitasse a concepção de verdade eterna para
o conhecimento que tem da realidade?
• Para que a Ciência submete constantemente seu conhecimento à verificação
e à revisão?
• A simples demonstração racional de um fato pode ser considerada compatí­
vel com o método científico? Por quê?
• Que objetivo tem a análise científica ao decompor o todo em suas partes
componentes?
• É possível afirmar-se que dedução e indução são processos lógicos de racio­
cínio? Pór quê?
• Qual é a função da síntese como procedimento científico de conhecimento
da realidade?
• Como característica da observação científica, a exatidão é absoluta ou relati­
va? Por quê?


• •
alor cla
nos
• Introdução
• Como se conhece alguma coisa
• Métodos de estudo
• A questão do tempo
• O aproveitamento das aulas
• O trabalho em grupo
A primeira reunião de traba­
lho
As reuniões subseqüentes
• Método prático de estudo indivi­
duaI
INTRODUÇÃO
Se você considera que seu método de estudar é eficiente e rendoso, parabéns_
Mas se sente as horas dedicadas ao estudo difíceis de serem vencidas e o esforço
dedicado à atividade intelectual pouco compensador, então não se envergo­
nhe. Poucas são as pessoas que, mesmo tendo passado anos debruçadas sobre
livros, aprenderam sozinhas a arte de estudar com eficiência. A grande maio­
ria ainda emprega métodos de estudo que deixam muito a desejar.
Pesquisas especializadas têm demonstrado que a ineficiência no estudo é
um dos grandes problemas enfrentados pelos estudantes . Até alunos conside­
rados bons, com rendimento acima da média em algumas matérias, nem sem­
pre empregam métodos eficientes de estudo para todas as disciplinas . No en­
tanto, tais métodos existem e estão à disposição de todos, inclusive você.
Aplicando sistematicamente a orientação oferecida neste livro e dedican­
do para isso alguma perseverança, qualquer pessoa poderá, em pouco tempo,
constatar sensível melhora no desempenho acadêmico, sobretudo se estiver in­
gressando em um curso superior.
É facilmente constatável o fato de um curso superior, qualquer deles, pos­
suir características que o distinguem dos cursos de nível mais baixo. Essa dife­
rença chega a ser inibidora para vasto número de estudantes que, desprepara­
dos moral e intelectualmente, deixam-se abater ante as novidades do procedi-
.
mento universitádo. E entre essas novidades, a necessidade de maior eficiência
no estudo ocupa um lugar de surpreendente destaque;
50 o METODO CIENTiFICO


Apesar disso, a questão da eficiência no estudo é um problema que con-
cerne exclusivamente a quem estuda, não ao curso superior em si. Em verdade,
as pessoas deveriam chegar à universidade já com pleno domínio de técnicas
adequadas de estudo, pois o ideal seria que houvessem aprendido a estudar lo­
go nos primeiros anos de escola. Isso lhes teria poupado muito tempo e esfor­
ço, além de proporcionar maior assimilação dos conhecimentos adquiridos nas
salas de aula e nos estudos individuais .
Mas, embora tal eficiência não seja comum à grande maioria dos estudan­
tes e das pessoas em geral , você pode estar certo de que nunca é demasiado tar­
de para começar a conquistá-la. Para o calouro universitário, então, essa pro-
vidência impõe-se de imediato: o pequeno esforço exigido nesse sentido revela-
-se quase imediatamente compensador .. Ante a distinção da estrutura de ensino
de uma faculdade e a que se habituara nos cursos elementar e médio, o estudo
eficiente funciona como mais um instrumento para apoiá-lo na evolução aca­
dêmica, dando-lhe sobretudo segurança e autoconfiança.
E quais são, afinal , as diferenças mais evidentes entre um curso universi­
tário e os demais que lhe são inferiores?
Enquanto no primeiro e no segundo graus (antigos cursos primário, gina­
sial e colegial) há obrigatoriedade de assistência às aulas e os alunos vivem sob
vigilância disciplinar, os estudantes universitários geralmente não são submeti­
dos a horário rígido para entrar em classe. E se os professores dos cursos mé­
dios ainda preparam esquemas de ensino e programas curriculares que visam
particularmente o aluno, isso já não ocorre nos cursos superiores .
De modo geral , as salas das faculdades são muito maiores do que as dos
colégios . Devido ao grande número de alunos, às vezes as aulas são ministra­
das até em anfiteatros para estudantes que gozam a liberdade de entrar e sair
na hora que bem entendem.
¼
Logo no início dos cursos, essa liberdade costuma provocar uma euforia
no estudante habituado a obedecer à antiga rigidez disciplinar. E essa sensação
quase sempre dá origem à impressão de que, na faculdade, a freqüência às au­
las é dispensável . Trata-se de uma falsa impressão cujos prejuízos só são perce­
bidos mais tarde.
A primeira diferença sensível que constatamos nos cursos superiores, por­
tanto, é a quebra da rotina no horário das aulas diárias. Pouca gente percebe
que essa característica não resulta de distração ou de descaso por parte das au"
toridades responsáveis pela disciplina, mas, ao contrário, deve-se ao reconhe­
cimento do fato de os estudantes universitários serem pessoas adultas e, por is­
so, responsáveis por suas próprias ações .
A segunda diferença que salta à vista do calouro consiste na composição
das turmas, em geral formadas por estudantes de vários níveis culturais, cada
qual com sua formação específica. No entanto, essa composição heterogênea
não pode ser tomada em consideração pelo professor universitário. Para de­
senvolver seu curso ele tem de pressupor que todos os alunos da classe já domi­
nam certos conhecimentos básicos, pois para adquirir essa base cultural estu­
daram um mínimo de onze anos . E não poderia agir de outro modo. Se baixas­
se o nível de suas aulas para atender às deficiências dos alunos mais carentes,

MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 51
não cumpriria a contento sua função e prejudicaria todos os demais . Assim,
durante o semestre (no caso dos cursos semestrais) ou durante o ano acadêmi­
co, o professor trata de desenvolver seu programa de ensino sem preocupar-se
com a possível falta de base dos alunos.
Essa situação não costuma ocorrer nos cursos de níveis inferiores . De mo­
do geral , tanto no ginásio como no colégio as turmas são formadas por estu­
dantes de nível cultural semelhante. Além disso, quando o professor nota que,
por alguma razão, este ou aquele aluno não está conseguindo seguir o progra­
ma de ensino, trata de estimulá-lo e procura compensar a deficiência com cha­
madas orais durante as aulas ou empregando uma dezena de outros recursos .
Nas faculdades a realidade é outra.
Em síntese, essas diferenças são suficientes para demonstrar que, no curso
superior, o estudante tem realmente de começar a exercer sua autodisciplina,
sua força de vontade. Tem, enfim, de começar a conhecer melhor a si próprio
e a compreender que chegou a hora de assumir a responsabilidade total por
suas próprias decisões.
Como essa condição costuma não ser reconhecida no início, Jreqüente­
mente o calouro se vê diante dos seguintes dilemas :
1. Assistir às aulas desde o princíio ou chegar somente no final delas?
2. Estudar para as provas, preparar os seminários cuidadosamente, esfor­
çar-se por apreender o objeto do estudo, ou deixar que os companhei­
ros de grupo façam isso?
Se esse é o seu caso, ou se você acaba de ingressar numa faculdade, saiba
desde já que ninguém pode fazer um bom curso, aproveitá-lo como seria de
desejar, sem comparecer à maioria das aulas de determinada matéria ou se es­
tudar somente para obter notas que possibilitem a aprovação.
Ao mesmo tempo, você também precisa saber que, apesar de muito im­
portante e indispensável, a assistência às aulas não é suficiente para o adequa­
do aproveitamento de um curso universitário. As aulas constituem apenas um
dos elementos . O trabalho individual e o trabalho em grupo, fora das classes,
são bem mais importantes do ponto de vista da prática e da eficiência do
aprendizado.
.
É por essa razão que os especialistas concordam quanto ao fato de ser
quase impossível o êxito do estudante que não possui forte motivação para o
estudo. O fracasso de numerosos estudantes, que acabam abandonando a uni­
versidade depois de tanto esforço para nela ingressar, deve-se precisamente à
falta de preparo para assumir conscientemente essa nova responsabilidade.
Nem todos os que ingressam em cursos superiores têm real vocação para o
trabalho intelectual que lhes é exigido. Muitas vezes enfrentam penosamente a
concorrência dos exames vestibulares mais por imposição da família do que
por firme vontade própria; outras, fazem-no por total indefinição do rumo
que pretendem tomar na vida, uma conseqüência de sua personalidade ainda
imatura. Assim, há estudantes que entram para a faculdade de Direito mas que
na verdade gostariam de ser mecânicos e estar envolvidos com motocicletas e
automóveis de motores "envenenados". Há os que vão cursar Engenharia
52
o METODO CIENTi FI CO
porque o pai sempre desejou ter um filho engenheiro, mas que realmente gos­
tariam de ser pilotos de helicóptero ou locutores esportivos . Há, ainda, os que
7
. .
ingressanf num curso universitário mas sentem vocação irresistível para ativi-
dades menos intelectuais, como jogar futebol ou trabalhar a terra com as pró­
prias mãos.
Sim, a forte motivação para o estudo é indispensável ao sucesso num curso
superior . E essa constatação torna ainda mais evidente a diferença de enfoque
sobre o aprendizado entre os cursos elementares, médios e superiores . Fazer
um curso superior não é apenas "ouvir" aulas para poder responder correta­
mente a alguns testes e sair-se bem em provas e exames. Antes de tudo, o curso
deve ser encarado como instrumento insubstituível para o futuro trabalho pro­
fissional . De um curso universitário bem feito pode depender, em grande par­
te, o êxito profissional . E tal sucesso não ocorre por milagre. Por inúmeras ra­
zões ele resulta de hábitos adquiridos e de habilidades desenvolvidas durante
os anos de faculdade. Na vida profissional cada pessoa é exigida com muito
maior rigor e freqüênêia do que na época dos cursos acadêmicos . Daí a impor­
tância de se dominar métodos corretos e técnicas eficientes de estudo: os ele­
mentos que permitirão a resolução de novos problemas, a qualquer momento
que esses problemas ocorram. O estudante que se preocupar em apenas repetir
o que ouviu nas salas de aula terá jogado fora a oportunidade única de fazer
com que o curso o conduza à plena capacidade de sucesso profissional .
COMO SE CONHECE ALGUMA COISA
Estudar é aprender: aprender é uma forma de conhecer. Assim, antes de en­
trarmos em contato com métodos e técnicas de estudo eficientes, é importante
refletirmos, ainda que ligeiramente, sobre como ocorre o conhecimento.
Conhece-se uma coisa primeiramente pela noção difusa que ela nos dá de
si mesma. Para melhor compreender, passemos a um exemplo hipotético. Di­
gamos que, ao visitar um museu, você se encontre de repente diante de um ob­
jeto estranho. À primeira vista parece ser uma cadeira, mas uma cadeira dife­
rente de todas as que você já viu. Bem, você sabe que é uma cadeira porque,
embora estranha, assemelha-se a todas as demais cadeiras que conhece. E isso
lhe dá uma noção geral, diusa, de que aquele objeto à sua frente é uma cadeira.
Se você é uma pessoa pouco curiosa poderá contentar-se comesse nível de
conhecimento e não ir adiante. Mas se agir assim seu conhecimento sobre
aquele objeto ficará incompleto. Ao interrompê-lo na fase difusa, primária,
você não saberá se realmente é uma cadeira, de que material é feita e assim por
diante. A noção primária lhe informará apenas que, possivelmente, trata-se de
uma cadeira.
Suponhamos, no entanto, que você é daquelas pessoas que não se satisfa­
zem com pouco. Como você deseja saber mais, sua mente insatisfeita impele à
ação. Então, você se aproxima do objeto, toca-o com os dedos, procura identi­
ficar o material de que é feito: fibras naturais ou artificiais, madeira, metal,
¼
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 53
um novo produto plástico? Em seguida, você trata de experimentar se serve
para sentar-se, se é confortável , se é suficientemente forte para aguentar um
peso razoável . Nesse momento você experimenta a cadeira e procura respon­
der às questões que sua mente vai produzindo em busca de novas informações.
De que modo suas partes foram unidas? Usaram cola, prego, parafuso? E o te­
cido do revestimento, será realmente seda artificial, brocado, ou apenas imita­
ção?
Enfim, ao buscar novas informações, você abstrai o conjunto para dar es­
pecial atenção às partes, ou seja, você analisa o objeto. Esse processo constitue
a segunda fase do conhecimento, a fase analítica. Mediante a análise você
aprofunda o conhecimento difuso inicial . Ao decompor o todo em partes, pa­
ra melhor conhecer e compreender cada parte, seu conhecimento do objeto al­
cança um nível superior. Agora, além de saber que o objeto é uma cadeira (e
não que simplesmente parece ser) , você é capaz de dizer também se é ou não
confortável , se é ou não resistente etc.
Completada a fa�e analítica você já pode passar para a terceira fase do co­
nhecimento. De posse das informações e dados obtidos na segunda fase, você
já pode reunir as partes estudadas isoladamente e recompô-las no todo origi­
nal . Essa recomposição possibilita uma síntese dos conhecimentos adquiridos
e é precisamente isso que lhe dá a certeza de que aquele objeto é mesmo uma
cadeira porque ao juntar as partes (mesmo mentalmente) você não só com­
preende a relação que existe entre elas como também torna-se apto para com­
parar a cadeira estudada com as demais cadeiras que conhece. Quando isso
ocorre o conhecimento atinge a fase sintética. E, novamente, sobe para um ní­
vel superior.
Embora o exemplo seja rudimentar, ilustra o princípio que rege o desen­
volvimento do conhecimento das coisas. Suas fases difusa, analítica e sinté­
tica constituem as três etapas fundamentais do processo de conhecimento dos
mais diferentes assuntos, idéias, objetos etc. A extensão e a ênfase de cada
uma delas podem variar consideravelmente, mas sua seqüência é sempre a
mesma.
Em outras palavras:
o conhecimento forma-se por fases e a quantidade de informação
transforma-se em qualidade de conhecimento.
Esse é o princípio geral . É claro que a menção à "quantidade" de infor­
mação não significa que "qualquer" informação acumulada contribua para
elevar a qualidade do conheCimento, mas tão somente aquelas pertinentes ao
conhecimento verdadeiro. Informações falsas, por exemplo, nada acrescentam
à qualidade.
Se você realmente deseja tornar seu estudo mais eficiente, precisa levar
em consideração esse princípio geral . É isso que qualquer método de estudo

54 o MElODO CI ENTI FI CO
faz. Ora, sabendo que é assim você pode aplicar conscientemente um método
prático e, em pouco tempo, melhorar de modo sensível o rendimento do seu
aprendizado.
W
METODOS DE ESTUDO
Numerosas pesquisas sobre métodos de estudo revelaram que duas pessoas
com o mesmo nível mental e o mesmo grau de escolaridade podem apresentar
rendimentos diferentes . Ou seja, uma pode apresentar rendimento superior ao
da outra.
Ora, é perfeitamente compreensível que duas pessoas de níveis mentais di­
ferentes não alcancem o mesmo nível de rendimento no estudo, ou que isto
ocorra com pessoas de diferentes graus de escolaridade. No entanto, o rendi­
mento também difere quando o nível mental e o grau de escolaridade são idên­
ticos. Por quê?
Muitos especialistas crêem que o principal fator dessa diferença reside
precisamente no fato de a pessoa de rendimento mais baixo carecer de método
para estudar. Há também outros fatores que contribuem para a desigualdade
do rendimento, como os psicológicos, ambientais etc. Ou seja, o ambiente que
a pessoa dispõe no momento de estudar pode predispô-la, ou não, para um
bom rendimento no estudo. Por outro lado, seu temperamento, sua sensibili­
dade e uma série de outras características psíquicas também exercem influên"
cia no grau de rendimento .
. Mas, entre os diversos fatores, o método de estudo parece ser o decisivo
para determinar diferenças de resultados de aprendizado entre pessoas de nível
mental e grau de escolaridade idênticos .
Se, no entanto, o método é essencial , isso não quer dizer que seja suficien­
te, porque duas pessoas com o mesmo nível mental, o mesmO grau de escolari­
dade e aplicando o mesmo método de estudo podem apresentar rendimento di­
ferente. O professor Délcio Vieira Salomon, uma das maiores autoridades bra­
sileiras no assunto, afirma que a eficiência do estudo depende do método, mas
o método depende de quem o aplica (57: p. 32) .
Isso significa que o método é um instrumento indispensável para se alcan­
çar a eficiência, mas se esse instrumento estiver nas mãos de um desinteressado
ele pouco fará para torná-lo eficiente.
Há pessoas que, movidas por uma poderosa vontade de saber, desenvol­
vem sozinhas seus próprios métodos para tornar maior o rendimento dos estu­
dos. Mas como essa faculdade não é comum à maioria e o assunto ganha cada
vez maior importância ante a crescente complexidade do saber humano, os
métodos de estudo têm sido objeto de permanente pesquisa científica. Atual­
mente os autores não divergem muito quanto ao método a ser adotado; sua
discordância começa no momento em que enumeram os processos e técnicas
que efetivam a aplicação.
Convém recordar, portanto, qual é a diferença entre método e técnica.
MAIOR EFI CI ENCIA NOS ESTUDOS 55
Método é a orientação básica para se atingir determinado fim. As­
sim, por an"alogia, podemos entender método como estratégia.

Técnica é a forma de aplicação do método.
.
Ainda por analogia, podemos comparar a técnica com a tática.
Se nos lembrarmos que sem estratégia não se ganha uma guerra e que sem
tática não se vence uma batalha, então teremos uma avaliação aproximada da
diferença, da correlação e dos respectivos valores de método e técnica. Se o
método fornece a orientação geral, a técnica soluciona os problemas para que
as diversas etapas indicadas pelo método sejam vencidas.
De modo geral, o método é quase sempre claro, simples e objetivo. O con­
junto de normas e técnicas a serem aplicadas em obediência à sua orientação
geral é que pode torná-lo complicado e até difícil .
Æ
A QUESTAO DO TEMPO
Em nosso modo agitado de viver, principalmente nas grandes cidades, é muito
comum as pessoas queixarem-se de falta de tempo. Os dias parecem galopar
desenfreadamente numa sucessão sufocante e tudo que fazemos é lutar contra
os ponteiros do relógio. Perde-se tempo para comprar, para comer, para loco­
mover-se. E os minutos consumidos no trânsito estrangulado ficam irremedia­
.
velmente perdidos, não há como recuperá-los . A vida corre e quando percebe­
mos já é tarde, o que devia ser feito não o foi .
Como tudo que necessitamos fazer, estudo também requer tempo. Não há
como estudar e muito menos seguir um curso superior se não dispuser­
mos de tempo para isso. Não existe método de estudo que amplie o rendimento
do aprendizado se para sua aplicação não se reservar um período diário. En­
tão, é preciso conquistar esse tempo indispensável.
Achave desse segredo está em saber organizar nossas atividades , discernir
honestamente sobre quais delas são essenciais, quais são acessórias e fazer a
opção. Mas para isso é preciso, antes, saber como empregamos o nosso tempo.
A maneira mais prática de desvendar esse mistério é fazer um levantamen­
to por escrito. Desse modo pode-se analisar objetivamente como transcorrem
as horas de nossa vida cotidiana .
.
Se este é o seu caso, aqui vão alguns conselhos que têm servido para mui-
tos estudantes ganharem tempo. "
Comece por anotar numa folha de papel todas as suas atividades diárias .
Procure registrar todas, sem esquecer-se de nada. Escreva as atividades, uma
sob a outra, em ordem cronológica, numa coluna à esquerda. Ini
c
ie com o des­
pertar pela manhã e vá enumerando tudo até o deitar-se para dormir. Depois,
à direita de cada atividade, anote o horário em que ela ttt início e, mais à di­
reita, aquele em que termina.
56 o METODO CIENTiFICO
Por exemplo:
Atividade
despertar
higiene
·
l� refeição
condução
trabalho
almoço
. . . e assim por diante.
Começo
6,45
6,45
7, 1 0
7, 1 5
8,00
1 2, 00
Fim
7, 1 0
7, 1 5
7, 55
1 2,00
1 3,00
Procure detalhar o mais possível . Ao registrar o tempo que passa em clas­
se, não deixe de anotar os intervalos entre as aulas . E, como ninguém é de fer­
ro, não esqueça de mencionar o tempo dedicado ao lazer (cinema, esportes,
passeios etc. ). Ao terminar a listagem com os respectivos horários você terá
dado um grande passo para programar o seu tempo, porque saberá bem me­
lhor como o emprega.
Pouca gente, no entanto, tem a vida tão sistematizada que todos os dias
da semana sejam absolutamente iguais. Por isso, como você está investigando
o uso do tempo com o objetivo de economizá-lo, estenda o levantamento para
toda uma semana. Comece com a segunda-feira, depois passe para a terça-fei­
ra, a quarta etc. , sem deixar de fazer um levantamento completo do sábado e
do domingo. Aponte corretamente as diferentes atividades de cada dia da se­
mana. Se for o caso, use uma folha de papel para cada dia .
.
Ao terminar esse levantamento talvez você se surpreenda: diante de seus
olhos haverá uma quantidade de pequenos períodos pouco ou nada aproveita­
dos entre as diferentes atividades. Portanto, chegou o momento de começar a
distribuir seu tempo de maneira mais racional .
Se realmente seu objetivo é encontrar tempo para o estudo, ao analisar o
levantamento observe a seguinte orientação geral :
1. Programe a utilização de espaços vazios entre as atividades essenciais.
2. Substitua por estudo o horário 'de uma ou mais atividades não-essen-
B Ñ
clals.
3. Reserve ao menos um período mínimo para estudar todos os dias.
Para que o estudo se torne rendoso é recomendável que você o exercite to­
dos os dias. Não deixe passar dias em branco. Qualquer tempo é tempo, por
¯
mais breve que possa parecer. A primeira vista, um período diário de dez mi-
nutos ou meia hora não representa nada. Contudo, essa é 'uma falsa impres­
são. Dez minutos diários significam mais cinco horas de estudo ao fim de um
mês ; trinta minutos diários representam mais quinze horas mensais de estudo .
Portanto, não despreze as brechas. É comum estudantes do período noturno
obterem melhor rendimento que seus colegas do diurno porque, premidos pela
escassez de tempo, sabem melhor aproveitar os espaços vazios entre os horá­
rios do trabalho.
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 57
Por outro lado, se você pratica alguma atividade não-essencial, certamen­
te lhe será possível encontrar ainda maiores oportunidades para estudar. Ao
analisar seus afazeres diários, faça-o com consciência e honestidade. É ou não
possível substituir algumas atividades não-essenciais por um período dedicado
ao estudo?
Obtendo tal período, não deixe de programá-lo. Não basta distribuir nu­
mas tantas horas as tarefas que tem de executar . Se é necessário estudar mais
de uma disciplina, escolha o momento mais adequado para dedicar a esta ou
àquela matéria. Faça-o de maneira com que se sinta mais à vontade.
Se tem maior propensão para o estudo das ciências exatas, então prova­
velmente preferirá que o período tenha início com as tarefas de Física ou de
Matemática, deixando para depois os trabalhos das matérias que lhe são me-
nos interessantes. Mas também poderá preferir que o estudo se dê precisamen­
te da maneira oposta, ou seja, que se inicie com as disciplinas que lhe desper­
tam menos interesse para depois dedicar-se às de que gosta. Esse tipo de esco­
lha varia de pessoa para pessoa, é muito pessoal . O que realmente importa ao
fazer a programação é que, nesse item, você atenda à sua própria sensibilidade.
Por outro lado, mesmo que disponha de muitas horas para estudar, ja­
mais programe mais de uma hora para cada período de estudo. É claro que is­
so depende de sua resistência e, sobretudo, de sua maior ou menor motivação
para empenhar-se no trabalho intelectual. Assim, essa "uma hora" pode es­
tender-se um pouco ou encolher. A questão aqui é encontrar o período ideal.
Pesquisas científicas demonstraram que as pessoas realizam melhor um traba­
lho intelectual intenso quando este é efetuado no decurso de um período ra­
zoável e seguido de descanso ou de mudança de atividade. Considera-se como
período de rendimento ideal aquele cujo ciclo vai de quarenta a cinqüenta mi­
nutos de trabalho, seguidos de dez de descanso.
Por isso, ao programar seu período, considere esse aspecto do rendimento
para não exagerar. O exagero fará com que a estafa mental acabe prejudican­
do o estudo. É recomendável que se inicie o processo de sistematização do
aprendizado programando períodos relativamente curtos, intercalados com es­
paços destinados ao descanso e ao relaxamento. Aos poucos, com a resistência
mais treinada, esses períodos poderão ser progressivamente ampliados, até que
você atinja o horário ideal. De nada adianta programar logo de início duas ho­
ras ininterruptas de estudo para delas aproveitar só quarenta minutos. Desse
modo você apenas desperdiçará um tempo precioso e ficará às voltas com o
terrível sentimento de culpa de não ter conseguido cumprir a meta estipulada.
De tudo resultará somente irritação, cansaço, desgaste e ansiedade.
.
Por conseguinte, não programe seu tempo ambiciosamente, tentando al­
cançar "metas extraordinárias". Você poderá chegar aonde deseja, mas para
isso precisa passar por um treinamento. Comece por programar períodos de
vinte minutos de estudo por dez de descanso. Depois de uma semana, amplie
progressivamente esse tempo até atingir o período ideal , aquele que realmente
é aproveitado com maior rendimento. É indispensável que durante o horário
proposto você consiga concentrar-se inteiramente no trabalho, seja qual for o
58 o METODO CIENTiFICO
objeto do estudo. E essa concentração também depende de treinamento.
Muitas vezes a satisfação proporcionada pelo trabalho concentrado pode­
rá fazer com que esses períodos se alonguem inadvertidamente. Mas não per­
mita que se prolonguem muito, porque o rendimento poderá ser inversamente
proporcional à duração do período ininterrupto. Repouso e relaxamento são
fatores fundamentais para o máximo aproveitamento do tempo dedicado ao
estudo.
Finalmente, ao programar o seu estudo não se aferre à rigidez. É claro
que tudo que programar deverá ser cumprido. Isso requer perseverança e algum
sacrifício, mas não quer dizer que determinadas circunstâncias não possam al­
terar os planos, ou que estes não devam ser revisados quando necessário. O
bom conselho, portanto, é: evite o exagero. Não ocupe com o estudo todos os
momentos que dispõe para o lazer. Como afirma João Álvaro Ruiz, "aprovei­
tar intensamente o tempo é uma espécie de condição para se dar sentido às ho­
ras de lazer e para desfrutá-las intensamente. Parece que a satisfação e a força
restauradoras das horas de lazer são proporcionais ao bom aproveitamento e à
intensa produtividade das horas de trabalho" (56: p. 24).
o APROVEITAMENTO DAS AULAS
Quem segue um curso e pretende aproveitá-lo ao máximo não pode dispensar a
freqüência às aulas. Embora de clareza cristalina, esse é um ponto que passa
desapercebido por muita gente. Há calouros que, julgando ser desperdício as­
sistir às aulas, acreditam que empregariam melhor seu tempo se estudassem so­
zinhos em casa ou numa biblioteca. Imaginam que desse modo aprenderiam
muito mais. Estão, porém, profundamente enganados.
As escolas, com suas aulas e professores aparentemente inúteis, existem
porque são indispensáveis à aprendizagem científica, sistemática. A presença
do professor, o programa por ele desenvolvido, seu método de orientar e orga­
nizar o que aprender e sua disponibilidade para dirimir dúvidas levantadas pe­
los alunos são elementos insubstituíveis no estudo acadêmico eficiente. Além
disso, quando realizado em isolamento, o estudo carece das riquezas da ativi­
dade intelectual característica dos ambientes universitários. A coletividade
universitária estimula a troca de idéias inteligentes, favorece a ocorrência de de­
bates paralelos ao programa de ensino, estimula permanentemente a amplia­
ção dos horizontes culturais. De fato, ninguém em sã consciência pode defen­
der a hipótese de que as aulas sejam desnecessárias para os estudantes de cur-

sos supenores.
Ao contrário, a aula é o tempo mas precioso com que conta o estudante,
sobretudo se souber aproveitá-la bem. Talvez alguns calouros sintam alguma
.
dificuldade em concretizar esse aproveitamento. Diante da nova responsabili­
dade que adquirem ao ingressar na faculdade sentem-se perdidos, não conse­
guem dominar o que lhes é ensinado e põem a culpa disso na faculdade, nas
aulas e nos professores. Mas o defeito de aprender mal nãó está intrinsecamen­
te relacionado ao sistema de aulas e sim à incapacidade do próprio estudante.
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 59
É ele que não sabe como tornar as aulas mais proveitosas.
.
Pesquisas efetuadas sobre o assunto demonstram que qualquer aluno pO­
de superar esse obstáculo inicial , desde que observe umas quantas normas de
conduta e enfrente o problema com atitude positiva.
,
Em primeiro lugar é necessário compreender que é ele, estudante, o prin­
cipal agente da aprendizagem. Sem ele não há aprendizado. A faculdade, as
aulas e os professores constituem elementos externos auxiliares. Sua ação asse­
melha-se a das estacas que sustentam uma estrutura frágil se as estacas fo­
rem retiradas , a estrutura poderá cair, mas é absolutamente necessário que a
estrutura exista para que as estacas tenham o que sustentar . Nesse sentido
.
^
.
)oão Alvaro Ruiz (56: p. 28) oferece uma argumentação insofismável ao com-
parar o estudante com uma árvore frutífera. Quem causa os frutos , diz ele, é
principalmente a árvore; quem aprende é principalmente o aluno. Tem que
haver na planta um princípio intrínseco, ativo, operante, capaz de produzir os
efeitos da frutificação, e no aluno, os efeitos da aprendizagem. A ação do agri­
cultor, como a do professor, tem caráter de causa eficiente auxiliar, apenas
coadjuvante. Quem dá frutos, ou não, é a árvore; quem aprende, ou não, é o
aluno. Ninguém pode fazer um poste dar frutos ou ensinar teoremas a cabritos .
Portanto, sem diminuir a importância de quem trata da árvore nem a qua­
lidade do adubo empregado para que os frutos sejam de melhor qualidade, a

questão apresentada aqui é que o estudante deve estar consciente de que o re-
sultado final de sua atividade, a aprendizagem, depende primordialmente dele
mesmo. Uma vez adquirida essa consciência as coisas tornam-se mais fáceis .
O melhor aproveitámento das aulas começa antes de se entrar em aula. Is­
so pode parecer absurdo, mas não é. Antes de dar sua aula o professor tem de
prepará-la, a fim de melhor aproveitar o tempo de sua explanação. O mesmo
se dá com o aluno, a fim de melhor aproveitar o tempo de seu aprendizado.
Surpresos ante tal afirmação, alguns calouros costumam perguntar: Co­
mo é possível o estudante preparar uma aula que ainda não recebeu?
Ora, a experiência de milhares de estudantes tem demonstrado que isso
não só é possível como também não é tão difícil quanto se imagina à primeira
vista.
De posse de seu programa de estudos e dispondo do material requerido
pelo curso, tudo que o aluno tem a fazer antes de entrar em aula é uma rápida
leitura das apostilas ou obras da bibliografia recomendada, buscando ter uma
noção antecipada do assunto que será explanado pelo professor. Durante essa
leitura prévia deve marcar os pontos que lhe sejam mais obscuros, os mais difí­
ceis de compreender ou que lhe despertem dúvidas. Ao tomar esse contato ini­
cial com o assunto ele cumpre a primeira etapa do conhecimento, sai da igno­
rância total e instrumenta-se para assimilar melhor a aula.
A vantagem desse procedimento reside no fato de, em aula, poder seguir
mais objetivamente a explanação do mestre e distribuir de modo racional a in­
tensidade de sua atenção. Ou seja, poderá dar atenção normal aos aspectos
que já compreende com relativa segurança e concentrar mais atenção naqueles
cuja compreensão é ainda duvidosa. As anotações feitas durante a leitura pré­
via lhe servirão de roteiro orientador para que possa formular as dúvidas por-
60 o MÉTODO CI ENTiFI CO
ventura não esclarecidas na explanação do mestre.
Por outro lado, a leitura antecipada permite que os apontamentos em au­
la sejam mais objetivos, inequívocos e limitados ao essencial . Ela evita que o
estudante se perca na tentativa de anotar tudo por não saber distinguir o essen­
cial do secundário, permitindo-lhe concentrar-se mais no discurso do profes­
sor. E isso decididamente eleva o aproveitamento do tempo passado na aula.
Se a aprendizagem depende sobretudo do aluno, o rendimento máximo
do tempo passado em aula depende da conduta do estudante, de sua atitude
para com o que vai aprender . Boa conduta aqui significa interesse, não chegar
atrasado à classe, abstrair-se de problemas estran
h
os à aula e concentrar-se no
assunto que está sendo estudado.
O estudante que freqüentemente chega atrasado às aulas, sem que haja ·
um motivo plenamente justificável para isso, não é interessado no estudo e não
tem uma atitude correta. E o pior é que prejudica a si próprio pois, também
com freqüência perde parte da explanação cuidadosamente preparada pelo
professor. Em geral os mestres desenvolvem temas diferentes a cada aula e, an­
tes de passarem à explanação do novo assunto, fazem um resumo da aula ante­
rior para relacioná-la com a que vão apresentar. Isso ajuda o aluno a com­
prender melhor a interligação entre as partes. Ora, chegando tarde à aula ele
perde pelo menos uma parte da explanação. E às vezes essa perda implica ain­
da maior prejuízo porque pode requerer muito tempo para que as idéias sejam
ordenadas de modo a seguir inteligentemente o sentido da dissertação. Ou essa
ordenação não chega a ser obtida antes do fim da aula. A conclusão dessa si­
tuação é incontestável : o aluno desperdiçou boa parte ou todo o tempo valioso
que passou em aula.
Também não adianta chegar cedo à sala de aula e ter a mente ocupada
com outros problemas . No momento em que a aula começa a atenção deve es­
tar inteiramente voltada para o trabalho em classe, a dissertação do professor,
os eventuais debates, as questões levantadas pelos colegas . Jamais você apre­
sentará uma questão inteligente em aula se estiver com o pensamento ocupado
com o que aconteceu na festa de sábado, na última discussão com a família ou
no disco que acabou de ser lançado. É necessário abstrair-se dos problemas ex­
ternos à aula e encontrar aquela condição que os especialistas denominam si­
lêncio interior, ou seja, é preciso que você elimine de sua mente os "ruídos"
que interferem na recepção de tudo que a aula pode lhe ensinar.
Finalmente, o bom aproveitamento do tempo passado em aula prossegue
após ela ter terminado. Mesmo que você tenha participado ativamente e conse­
guido entender o assunto desenvolvido pelo professor, depois da aula é reco­
mendável que faça uma revisão geral do que anotou e aprendeu. Releia as ano­
tações e, pelo menos mentalmente, trate de encontrar respostas claras e objeti­
vas para novas dúvidas que surgirem. Freqüentemente imaginamos ter enten­
dido tudo perfeitamente, mas não somos capazes de encontrar respostas claras
para as questões que surgem numa simples revisão das anotações . Isso de­
monstra que nossa compreensão não foi assim tão perfeita quanto julgáva­
mos. Então, podemos resolver tais dúvidas antes que se acumulem e acabem
impedindo o progresso do estudo.
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 61
Outra vantagem da revisão é a consolidação do que se aprendeu. Ao rever
as anotações você, de certo modo, revive a aula. Como a repetição tem efeito
acumulador, aj uda a sedimentar o conhecimento obtido. Por outro lado, ao
tentar encontrar respostas claras e objetivas para as dúvidas remanescentes,
você tem de aprofundar-se. Numerosas vezes isso obrigará a consulta de novas
fontes, o que implicará a ampliação de seu conhecimento do assunto.
Se você praticar esse conjunto de normas gerais de conduta, certamente
dará um salto de qualidade no rendimento de seu estudo. E você lucrará dupla­
mente com isso porque terá intimidade com a disciplina, descobrirá nela maior
atratividade e passará a absorver mais facilmente o que lhe é ensinado. Tam­
bém reconhecerá que o tempo passado em aulas é extremamente valioso, pois
saberá como tirar-lhe o máximo proveito .

RESUMO ESQUEMATICO
Antes de seguir adiante, façamos juntos uma revisão de tudo o que já examinamos
sobre o método de estudo eficiente. Se excluirmos as várias explicações, as normas
examinadas podem ser assim resumidas :
1. Planeje seu tempo -essa é a forma correta de "ganhar". tempo para o estudo;
a. Programe a utilização de períodos vazios em sua atividade.
b. Substitua o horário de uma ou mais atividades não-essenciais para obter
tempo de estudo.
c. Reserve ao menos um período mínimo para estudar todos os dias.
2. Não estabeleça períodos muito longos de estudo sem pausas para descanso.
3. Freqüente as aulas.
× ¶
4. Sempre que possível, prepare as aulas que vai assistir.
5. Assista às aulas com "silêncio interior". Concentre sua atenção na explana­
ção do professor.
6. Depois das aulas faça uma revisão de tudo o que aprendeu em classe.
o TRABALHO EM GRUPO
Ainda quanto ao aspecto rendimento/tempo, não se pode deixar de mencionar
o trabalho realizado em grupos de estudo. Psicólogos e pedagogos têm exalta­
do as vantagens do estudo coletivo na realização de certas tarefas didáticas, re­
comendando a formação de equipes de estudo. Esse moderno conceito de tra­
balho demonstrou de tal modo suas qualidades de eficiência que a maioria das
escolas já o adota como método sistemático de organização das classes. Não
cabe aqui qualquer análise teórica sobre o seu valor, mesmo porque numerosas
obras de abalizados autores defendem-no com autoridade irretorquível. Mas,
por outro lado, não se pode dispensar uma rápida apresentação do grupo fun­
cional , já que isso aj udará bom número de estudantes a encontrar na equipe de
62 o MÉTODO CIENTIFICO
estudos mais um elemento para ganhar tempo na concretização do aprendiza­
do eficiente.
O grupo não dispensa o estudo individual. Ao contrário, enriquece-o.
Proporciona esse enriquecimento porque, partindo do estudo individual de ca­
da componente, provoca o debate e a troca de idéias e aponta falhas. Simulta­
neamente, o grupo economiza tempo de estudo. Ao participar do trabalho em
grupo o estudante dedica o tempo de que dispõe ao estudo de uma parte do to­
do. Contudo, através da apresentação das tarefas executadas pelos colegas e
das discussões necessárias à elaboração final do trabalho coletivo, aprende e
absorve o todo não apenas a parte que estudou individualmente. De quanto
tempo necessitaria para estudar o todo se o fizesse individualmente como estu-
dou a parte?
.
É fato notório que muitos estudantes relutam em participar de uma equi­
pe de estudos. Isso ocorre por dois motivos principais: total ignorância do que
seja o trabalho em grupo bem organizado e frustrações sofridas em experiên­
cias anteriores com equipes mal organizadas . De fato, do mesmo modo que o
trabalho coletivo pode ser altamente estimulante e compensador, também po­
de ser uma experiência frustrante e inibidora quando não preenche as condi­
ções mínimas para alcançar o resultado proposto.
Desde logo convém lembrar que um grupo é sempre formado por indiví­
duos distintos e que essa característica deve ser compreendida por todos os in­
tegrantes . Se não há duas pessoas absolutamente iguais, com muito menos ra­
zão haverá seis ou sete. Assim, como toda coletividade que deseja prosperar , a
equipe de estudos deve estabelecer certas normas mínimas de conduta que ho­
mogeneizem a ação de todos em benefício do objetivo comum. E tais normas
começam a vigorar desde o momento em que os componentes do grupo são se­
lecionados.
Muitas vezes a composição é feita segundo critérios pouco eficazes, resul­
tando o grupo em um aglomerado heterogêneo de pessoas que nada têm em

¼
comum. Nesses casos raramente o resultado alcançado é satisfatório. A com-
posição ideal do grupo é aquela que reúne seis ou sete pessoas com certa facili-
dade de comunicação entre si e possibilidades reais de se encontrarem fora das
instalações da escola. Além disso, é ainda necessário que todos os componen­
tes estejam com verdadeira disposição para trabalhar, prontos a participar ati­
vamente das diversas tarefas que lhes couberem, compreendendo que de seu
esforço individual, de sua contribuição pessoal, depende o êxito de todos.
Uma vez formado o grupo, não se podem permitir exceções no seu seio: o tra­
balho deve, ser igual para todos, não se permitindo que os mais capazes reali­
zem sozinho tarefas que deveriam ser eqüitativamente distribuídas entre to­
dos os compônentes.
Com essa decisão aceita por todos, o segundo passo é escolher o colega
que se incumbirá da coordenação do trabalho. Novamente é indispensável que
cada componente do grupo use de honestidade no julgamento que faz de cada
um de seus companheiros, a fim de eleger aquele que será o coordenador. Este '
deverá ser respeitado pelo grupo, pois sua incumbência principal será presidir
e coordenar as reuniões, distribuir as tarefas e cobrar a colaboração de cada
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 63
um no tempo previamente estabelecido. Para isso, tem de contar com o respei­
to e a boa vontade de todos, ser consciente e justo em suas decisões, não per­
mitindo que simpatia ou amizade interfiram na correta distribuição e cobrança
das tarefas . Cabe também ao coordenador, em sua função de líder, solucionar
os problemas que eventualmente surjam na equipe, tanto entre os componen­
tes do grupo como no desenvolvimento do próprio trabalho a ser executado.
Se as condições enumeradas acima estiverem bem estabelecidas, e suas
.
responsabilidades forem explicitamente assumidas por todos os elementos da
equipe, o grupo já terá conseguido uma base sólida para começar a funcionar.
Contudo, só isso não basta para alcançar o melhor resultado. Vejamos como
deve funcionar a equipe ideal.
A primeira reunião de trabalho
Ao receber a tarefa, a equipe tem de reunir-se para organizar e programar o
trabalho a ser executado. Se o tema não foi determinado pelo professor, o
coordenador do grupo deve liderar a discussão para que o tema seja decidido
em comum acordo. Em seguida, se possível , o grupo deve determinar as fontes
que serão consultadas. Não havendo possibilidade de selecionar de imediato as
referidas fontes , o coordenador distribuirá a tarefa de levantamento da biblio­
grafia entre os colegas e marcará nova reunião para uma data o mais próxima
possível.
.
Caso o tema já esteja escolhido pelo professor, e a bibliografia de consul­
ta definida, a primeira reunião não deverá terminar antes que o coordenador
tenha distribuído eqüitativamente as tarefas de cada um. Em seguida, anotará
os compromissos assumidos e definirá claramente o local , a data e o horário
da próxima reunião, quando cobrará o trabalho de cada um.
Terminada a reunião, cada membro do grupo deverá ocupar-se de sua
própria tarefa. Tratando-se de consulta a fontes literárias, é necessário que o
texto básico seja lido 'e "esclarecido" durante a leitura. De nada adianta ler o
texto sem que se possa depois discorrer sobre ele na reunião do grupo. A leitu­
ra inicial , portanto, já deve ser feita com a preocupação de esclarecer possíveis
dúvidas do grupo ou, pelo menos, de indicar futuras fontes de consulta para
elucidar pontos que permaneceram obscuros.
Ora, isso se faz com certa facilidade depois de se estar de posse da biblio­
grafia recomendada e quando se toma os necessários apontamentos durante a
leitura. Mas essa tarefa tem de ser cumprida por todos antes da reunião seguin­
te, ocasião em que será apresentada. Há estudantes que tratam de desincum­
bir-se da leitura básica durante a reunião de apresentação dos trabalhos, o que
é lastimável . Quando isso ocorre, o colega faltoso é obrigado a fazer uma lei­
tura apressada que jamais alcança o objetivo previsto. Além disso, sua atitude
revela desconsideração para com o próprio trabalho e os demais companhei­
ros, pois certamente alongará o tempo da reunião e prejudicará o bom funcio­
nimento do grupo.
64 o MÉTODO CI ENTiFI CO
As reuniões subseqüentes .
Haverá tantas reuniões de grupo quantas sejam necessárias para o término do
trabalho. No entanto, há uma regra geral para que elas sejam objetivas e efi­
cientes. A regra é:
Todos os componentes do grupo devem ser objetivos e eficientes .

Em outras palavras, todos devem ter consciência de que a reunião não es-
tá se realizando como oportunidade de convívio social , mas como necessidade
de trabalho. É necessário que ninguém deixe de comparecer a ela sem que para
isso haja motivo de força maior . As conversas devem restringir-se ao tema da
reunião deixem-se para outro momento os comentários sobre generalida­
des , atividades do centro acadêmico, viagens etc. E não se alonguem desneces­
sariamente os debates . Ao defender um ponto de vista, o elemento da equipe
deve assumir uma atitude democrática e submeter-se à decisão da maioria.
A apresentação dos trabalhos ao grupo também deve obedecer a uma se­
qüência orientada pelo coordenador e ser feita em ordem. O coordenador dará
a palavra primeiramente aos colegas que se incumbiram de fazer as pesquisas
mais gerais, como, por exemplo, em enciclopédias e dicionários. Só depois é
que deverão falar, também em seqüência programada, os que se compromete­
ram a ler e analisar partes do texto básico.
Durante a apresentação do trabalho de um colega não deve haver interrup­
ções, apartes etc. Quando cada um fala em sua vez, todos escutam o que todos
têm a dizer. Quando se estabelecem discussões simultâneas, ninguém aproveita
as idéias expostas. E quando alguém apresenta um trabalho, ainda que não se
esteja de acordo com o que está sendo apresentado, deve-se esperar que a apre­
sentação chegue ao fim para se comentá-la. Piadinhas e tiradas espirituosas
.
são sempre de mau gosto nessas ocasiões, porque são inoportunas e impertinen­
tes durante uma exposição. A atitude correta no trabalho é de seriedade e de res­
ponsabilidade. Aqueles que têm observações a fazer sobre os trabalhos dos co­
legas devem anotá-las e pacientemente aguardar sua vez de expô-las no mo­
mento oportuno, ou seja, durante os debates.
Termiriadas as apresentações, os diversos trabalhos devem ser discutidos,
com cada qual expressando livremente sua opinião sobre um ponto em parti­
cular ou sobre o conjunto em geral . Somente depois disso é que se deve tratar
de elaborar um esquema do estudo. Quase sempre o esquema dá motivo a no­
vas discussões. Essas, porém, não têm caráter negativo quando se propõem 'a
explicitar as idéias principais do trabalho, estimar a correlação entre as partes,
julgar a propriedade da argumentação e assim por diante. O resultado final do
estudo será sempre mais compensador, produtivo e eficiente se, ao debater o
trabalho, o grupo não se restringir aos limites da tarefa proposta mas, tomado
'
de impulso, alcançar além do texto básico e adotar uma posição crítica em sua
análise.
Å
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS 65
É evidente que tudo isso não passa de uma visão genérica do trabalho de
grupo. Essa orientação serve apenas de base e poderá ser adaptada às tarefas e
condições requeridas por determinadas disciplinas de diferentes áreas. Mas,
seja como for, as normas de atitude e conduta aqui expostas são defendidas
por numerosos autores e resultam da acurada observação de incontáveis expe­
riências bem sucedidas, nas quais as reuniões de grupos demonstraram ex­
traordinária eficiência.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
Pode-se esquematizar as condições ideais de funcionamento para um grupo
d
e estu­
dos eficiente da seguinte maneira:
CONDIÇ
Õ
ES PARA A EFICI
Ê
NCIA DO GRUPO
1. O grupo deve reunir seis ou sete pessoas que tenham certa facilidade de co- ,
municação entre si e possibilidades reais de encontrarem-se fora da escola.
2. Todos os componentes do grupo devem ter igual disposição pra a realização
do trabalho coletivo.
3. As tarefas do estudo devem ser distribuídas eqüitativamente entre todos os
membros do grupo.
.
4. O grupo deve eleger um de seus membros para coordenar suas atividades.
QUALIDADES DE UM BOM MEMBRO DE GRUPO
1. Ter disposição para o trabalho do grupo.
2. Aceitar a liderança do coordenador.
3. Cumprir todos os seus compromissos para com o grupo.
4. Ser objetivo e efciente na realizção das tarefas e durante as reuniões do grupo.
S. Ser democrático quanto à opinião da maioria dos colegas nas decisões tora­
das pelo grupo.
6. Manter seriedade e responsabilidade ante o trabalho.
ROTEIRO PARA A ELABORAÇ
Ã
O DO TRABALHO DO GRUPO
1. Estabelecer o tera do trabalho.
2. Defnir a bibliografia do tera.
3. Distribuir eqüitativamente as tarefas.
4. Planejar a elaboração do trabalho.
5. Discutir em conjunto os resultados obtidos pelos div
e
rsos membros no estu­
do individual.
6. Realizar quantas reuniões forem necessárias para elaborar o trabalho e dar­
-lhe o acabamento final.
. Quanto ao roteiro para a elaboração do trabalho, aqui apresentamos um esque­
ma muito resumido a fim de que possa ser válido para qualquer tarefa. Contudo,
chamamos a sua atenção para o fato de que um bom roteiro deve sempre adaptar-se
às condições particulares de cada estudo.
• •
METODO PRATICO DE ESTUDO INDIVIDUAL
Até aqui já falamos em como aproveitar melhor o tempo disponível , as aulas e
o ambiente universitário e O trabalho em grupo. Tratemos agora do estudo in-

66 o MÉTODO CI ENTiFI CO
dividual , porque se você não souber estudar individualmente de pouco adian­
tará saber melhor aproveitar o tempo e as aulas, e po.uco colaborará no traba-
lho de grupo.
.
Se, como mencionamos antes, a eficiência do método depende de quem o
aplica, então não adianta esperar por um milagre: não há método de estudo
capaz de servir a todas as pessoas com o mesmo grau de eficiência, nem méto­
do que evite todo o esforço de quem estuda. Segundo os especialistas mais
categorizados, estudar é praticar uma ação. Ora, toda ação requer esforço
por parte de quem a pratica, portanto, até mesmo o método de estudo mais
eficiente requer esforço e persistência na sua aplicação. E isso é especialmente
verdade quando o interessado começa a aplicá-lo, ou seja, começa a aprender
a aprender.
Há, porém, uma estratégia de estudo individual que tem comprovado seu
valor há anos , proporcionando considerável melhoria de rendimento para
grande número de estudantes que antes apresentavam baixo rendimento. Clif­
ford Morgan e James Deese, autores de Como Estudar (43 : Cap. 3), sintetizam
essa estratégia na seguinte fórmula facilmente memorizável:
Survey-Q3R
cuja tradução e adaptação para o português podem tomar a seguinte configu­
ração:
Examinar-PL2R
onde P ¯ perguntar; L ¯ ler; os dois R ¯ repetir e rever.
Em verdade essa fórmula prática pode ser aplicada por qualquer pessoa, in-
¹
clusive aquelas que já apresentam rendimento satisfatório mas desejam desen­
volvê-lo. Vejamos um exemplo de como se aplica a fórmula de Morgan e Deese:
Suponhamos que você tenha de estudar um livro, uma obra que desconhe­
ce inteiramente. Ates de começar a leitura faça as seguintes perguntas e tente
respondê-las pelo menos mentalmente:
1. De que trata este livro?
2. O que já sei sobre o asunto?
É possível que não tenha respostas cabais para essas questões se as ti-
vesse provavelmente não teria de estudar o livro. Mas o fato de saber muito -
ou nada sobre o que vai ler não é fundamental. Aqui o que realmente im­
porta é a busca que você efetua na memória, o esforço que exerce para reviver
noções ou conhecimentos já adquiridos sobre o assunto. Durante a pausa ne­
cessária para refletir sobre as respostas você já está estudando, embora não o
¹ •
sinta. Por isso, trate realmente de encontrar tais respostas.
MAIOR EFICIÊNCIA NOS ESTUOOS 67
Em seguida, faça uma leitura rápida de todo o livro. Não se preocupe com
detalhes, nem com o aprofundamento da leitura. Nesse primeiro contato
ocupe-se apenas em captar a idéia geral, ou plano, da obra.
Já de posse dessa idéia geral, procure estabelecer uma relação entre o que
acabou de ler e o que sabe sobre o assunto. Não importa que ainda não tenha
entendido todo o pensamento do autor e que o relacionamento do tema estuda­
do não seja muito profundo com o que você já sabia sobre o assunto. Mas é
valioso que após o primeiro contato com a obra você reúna informações sobre
o autor. Uma boa enciclopédia ajudará bastante nessa tarefa, informando
quem é o autor e qual a importância do seu trabalho, e até poderá informar so­
bre o seu método expositivo.
Terminada essa fase do estudo você já deve estar com dados suficientes
para identificar o que o livro tem para lhe ensinar . Então, volte à leitura do ca­
pítulo inicial . Leia-o agora refletidamente, tratando de concentrar-se no que
diz o texto. Já não se trata de fazer uma leitura passiva, mas de ler com o obje­
tivo de estabelecer o plano do capítulo. Assinale os trechos que considera im­
portantes e que destacam o pensamento do autor, mas não deixe também de
dar atenção aos detalhes mais significativos, aos elementos utilizados pelo au­
tor para desenvolver suas considerações, sua exposição do tema. Ao mesmo
tempo, reflita sobre o que está lendo e confronte os pontos de vista do autor
com os seus . Se surgirem dúvidas de compreensão do texto, procure solucioná­
-las consultando outras obras, como dicionário e enciclopédias. Não dê a leitu­
ra por terminada antes de ter certeza de que entendeu todo o texto e de que é
capaz de, com base nas anotações, fazer pelo menos um resumo do que leu,
valendo-se de suas próprias palavras .
Se o livro lhe parece de valor, não hesite em sistematizar o processo de
trabalho e utilize fichas para arquivar o que leu. Nas fichas , faça breves trans­
crições dos pontos mais importantes (sem esquecer de anotar as páginas de on­
de foram tiradas) , anote seus esquemas do que leu, e também suas próprias
conclusões . Essa documentação tem duplo valor: imediato e mediato. Imedia­
to porque força a concentrar-se ainda mais no que está estudando, o que obri­
ga a uma reflexão mais profunda no momento de escrever; mediato porque
poderá servir para o futuro, no desenvolvimento dos seus estudos. Precisamente
por isso você deve esforçar-se para anotar com clareza e concisão. É impossí­
vel guardar tudo na memória e um bom arquivo de leitura será um auxiliar
inestimável quando você necessitar fazer referência ao que já leu .

Como se trata de estudar todo o livro, e não apenas o primeiro capítulo,
faça o mesmo com os demais capítulos . À medida que sua leitura avançar, não
deixe de relacionar os capítulos entre si. Mas ao estabelecer essa relação conti­
nue consultando outras fontes . Essa consulta paralela serve para espicaçar sua
mente, ajudando-a a melhor analisar e julgar o texto em estudo.
O trabalho, porém, não deve acabar com a leitura do último capítulo. De­
pois de você ter lido e anotado todo o livro, reveja suas fichas . Faça criteriosa­
mente essa revisão, confrontando suas anotações com o texto original para
certific.ar-se de que estão corretas. Depois, repita se possível em voz alta -
o que aprendeu na leitura. Mas trate de fazê-lo como se estivesse comunican-
68 o METODO CIENTiFICO
do-se com alguém. É claro que você pode recorrer aos seus resumos pessoais
para isso, mas tente conseguir discorrer sobre o livro valendo-se apenas do pla­
no da obra ou dos esquemas que elaborou na leitura dos capítulos. Esforce-se
para que essa "comunicação" seja clara e tenha seqüência lógica. O segredo
aqui é fazer a si a seguinte pergunta:
Se eu não tivesse lido o livro e uma pessoa me fizesse a explanação que es­
' tau fazendo, como eu a receberia? Seria suficiente para que eu entendesse todo
o pensamento do autor?
Essa atitude é importante e constitui um exercício valioso para você coor­
denar as idéias e absorver de fato o que leu. Portanto, esteja alerta para que
nenhuma idéia significativa do livro fque esquecida na sua "comunicação".
Finalmente, comente e discuta o que leu com outras pessoas, de preferên­
cia com pessoas que tenham estudado o mesmo tema. Lembre-se, porém, que
em nenhum momento a fórmula de Morgan e Deese menciona a necessidade de
decorar partes do texto. Isso, em verdade, tem pouco ou nenhum valor. De
que adiantará citar de memória páginas inteiras se você não for capaz de ab­
sorver a "mensagem" do autor? O que realmente importa é assimilar, absor­
ver o conteúdo do que se leu, compreender as idéias do autor, saber relacioná­
-las com outras idéias e chegar a uma conclusão pessoal honesta sobre o que se
estudou.
Ao aplicar esse método prático você desenvolve a capacidade de apreen­
são do tema estudado, é estimulado a produzir idéias, a confrontá-las e a
julgá-las de modo racional, com espírito científico. Assim, exercitando a men­
te e a habilidade de raciocinar, em pouco tempo seu estudo tortlar-se-á muito
mais eficiente.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
o método prático que acabamos de apresentar segue o seguinte roteiro:
1. Antes de ler, pergunte-se mentalmente o que sabe sobre o assunto.
2. Faça uma primeira leitura rápida da obra, procurando captar o plano do li-
vro.
3. Após a primeira leitura, informe-se melhor sobre o autor.
4. Releia refexivamente o primeiro capítulo.
5. Durante a segunda leitura resolva as dúvidas que eventualmente surgirem e
prepare fichas com transcrições dos trechos mais importantes. Anote tam­
bém seu esquema do capítulo e suas observações pessoais sobre o que lê.
6. Faça um resumo do que leu.
7. Proceda da mesma forma com todos os demais capítulos da obra.
8. Relacione os capítulos entre si.
9. Ao terminar de reler toda a obra, reveja suas fichas de anotações.
10. Discorra oralmente sobre a obra, usando suas próprias palavras .
Um roteiro como este é, em geral, suficiente para quem "começa a aprender a
aprender" . No entanto, a leitura no estudo é um assunto tão importante que para
ele dedicamos todo o capítulo seguinte.
MAIOR EFICIlNCIA NOS ESTUDOS 69
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Se você compreendeu o que foi dito neste capítulo, tente responder às questões
apresentadas abaixo. Para melhor aproveitamento, selecione algumas como
tema de um trabalho ou de discussão com alguém.
• Ao ingressar em cursos superiores os estudantes já deveriam dominar méto-
dos de estudos? Por quê?
.
• Um curso universitário bem aproveitado é indispensável para o sucesso pro­
fissional? Por quê?
• Há necessidade de motivação pessoal para melhorar a eficiência no estudo
ou basta a aplicação de um bom método? Por quê?
• Qu'ais são as principais etapas do conhecimento de alguma coisa? O conheci-


mento se faz sempre por fases ou etapas? E possível ser de outro modo?
• Existe alguma vantagem em se conhecer quais são as etapas do conhecimen­
to racional?
• A quantidade de infação tem algo a ver com a qualidade do conhecimento?

• E possível, na prática, estabelecer-se um plano para ganhar tempo dedicado
ao estudo? Como?
• Devemos substituir pelo estudo todas as atividades não-essenciais que prati­
camos? Isso ajuda a eficiência nos estudos? Por quê?
• O aprendizado obtido em salas de aulas tem alguma característica especial?
4
• E possível ou não preparar previamente uma aula a que se vai assistir?
• O que se deve fazr para alcançar o "silêncio interior " capaz de não interfe-
rir na recepção de novos conhecimentos?
• Vale a pena, em nome da eficiência, descansar durante um período de estudo?
• O estudo em grupo elimina o esforço do estudo individual? Por quê?
• O que é necessário para um grupo de estudos realizar trabalhos eficientes?
• Como estabelecer um roteiro adequado para uma equipe realizar um traba­
lho capaz de obter boa avaliação no próximo seminário?
• Existe uma estratégia geral para o estudo individual? Se existe, qual é ela? Se
não existe, é possível criar-se uma?
ei ura no estu o

• Introdução
• A seleção do que ler
• Treinamento e ambiente
• Rendimento e rapidez
• A vez do vocabulário
--_.--
INTRODUÇÃO
.
Até agora esta parte prática discorreu sobre pontos básicos, tomando Q estudo
como um todo. Agora devemos aprofundar a metodologia do estudo a um dos
itens mais significativos: a leitura.
Em qualquer meio intelectual a leitura constitui um dos fatores decisivos
do estudo. É principalmente através dela que as pessoas ampliam e aprofun­
dam seu campo cultural , porque os textos formam uma fonte praticam�nte
inesgotável de idéias e conhecimentos. Portanto, é preciso ler, sempre e muito.
Não basta, porém, ser alfabetizado para realmente saber ler . Há leitores,
por exemplo, que deixam os olhos passarem pelas palavras enquanto sua men­
te voa por esferas distantes . Esses lêem apenas com os olhos . Só percebem que
não leram quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro.
Então, devem recomeçar tudo de novo porque de fato não aprenderam a ler.
Sim, é preciso ler, mas também é preciso saber ler. De nada adianta devo­
rar um livro de duzentas páginas em algumas dezenas de minutos, horas ou
dias se, ao terminar a leitura, não se pode dizer nada sobre o que se acabou de
ler. O tempo gasto em leituras assim é inteiramente desperdiçado. A quantida­
de de leitura é sempre signifcativa, mas somente quando assimilada de manei­
ra adequada, ou seja, quaado aproveitada. Caso contrário, é como se ir a um
concerto sinfônico e dormir. Há gente que faz exatamente isso e depois discute .
o desempenho do maestro. Aqueles que só lêem com os olhos e não com a
• • •
mente enganam-se a SI propnos .
A LEITURA NO ESTUDO 71
Cabe, porém, distinguir duas espécies de leitura: uma que se pratica mais
por cultura geral ou entretenimento desinteressado, outra que requer atenção
especial, profunda concentração mental e que é realizada por necessidade de
saber.
Na primeira pode-se classificar a leitura diária dos jornais e revistas de
atualidades. Evidentemente não se lêem jornais apenas como entretenimento.
As notícias e artigos sobre acontecimentos locais, nacionais e internacionais
são informações importantes que nos situam em nossa época, fazem parte de
nossa vida e levam-nos ao conhecimento do mundo em que vivemos . Delas
muitas vezes depende nossa ação cotidiana, nossa conduta ante as questões so­
ciais, econômicas e políticas . Portanto, a leitura de jornais e revistas de atuali­
dades não deve ser menosprezada por qualquer intelectual , inclusive os estu­
dantes . Mas não há dúvida de que a atenção dedicada à leitura das colunas de
notícias difere da requerida para o estudo de um texto.
A segunda espécie de leitura é a que se faz para aprender alguma coisa ou
para aprofundar o conhecimento que se tem de alguma coisa. Essa geralmente
é efetuada em livros e revistas especializadas e é nela que vamos nos deter ago­
ra, pois quase sempre os estudantes encontram em tal espécie de leitura um
obstáculo difícil de vencer no estudo.
A leitura proveitosa ao estudo requer sempre dedicada atenção do leitor .
Pode-se mesmo dizer que atenção e concentração mental constituem o primei­
ro requisito indispensável para uma leitura eficiente. Não é o único, mas sem
ele de nada adianta tentar melhorar o rendimento do que se lê buscando desen­
volver outros itens. Sem dedicar atenção ao texto que está diante de nossos
olhos e sem nele concentrar nossa atividade mental , em verdade não se lê.
Por outro lado, sobretudo para o estudante que tem de assimilar grande
quantidade de livros indicados nas bibliografias das diferentes disciplinas, a
leitura veloz é também uma imposição de nossa época. Se já nos parece que o
tempo disponível não dá para a realização de tudo o que se tem de fazer
nas vinte e quatro horas do dia, como nos permitir ao luxo de leituras lentas,
que se arrastam por dias, semanas e meses?
E, por acaso, é possível conciliar leitura atenta e proveitosa com leitura
necessariamente veloz?
Sim, não só é possível como menos complicado do que se costuma imagi­
nar.
Também aqui a aplicação de um método é indispensável . E isso envolve
algumas normas, técnicas e atitudes corretas . No transcurso deste capítulo
examinaremos com mais detalhe a orientação prática para a aplicação de um
método de leitura eficiente. Por ora, mencionemos apenas as regras mais ele­
mentares.
1. Jamais realizar uma leitura de estudo sem um propósito definido. A
definição do propósito da leitura evita a dispersão do espírito e ajuda a
concentração mental .
2. Reconhecer sempre que cada assunto, cada gênero literário, requer
uma velocidade própria de leitura. Uma história em quadrinhos, uma
72 o MÉTODO CI ENTiFI CO
notícia, um conto, um romance, um livro técnico e um poema não po­
dem ser lidos com a mesma velocidade visual e mental. Geralmente a li­
teratura de ficção pode ser absorvida mais velozmente do que uma
obra teórica especializada, porque exige menos reflexão por parte do
leitor.
3. Entender o que se lê. O entendimento do que se lê implica a necessidade
de se dissipar qualquer dúvida vocabular. Quando não se consegue
captar o sentido de uma palavra no contexto em que está inserida, só
há uma saída: consultar um dicionário geral da língua ou um dicioná­
rio especializado da matéria em estudo. Às vezes a má compreensão do
sentido de um termo invalida toda uma leitura, porque pode dar ao lei­
tor uma idéia falsa ou distorcida do pensamento do autor.
4. Avaliar o que se lê. Mesmo quando se efetua a leitura é importante a
avaliação permanente do que se está lendo. Questiona-se a validade do
texto tentando encontrar resposta para questões do tipo:
a. Para que serve esta leitura?
b. Como o autor est demonstrando o tema?
c. Qual é a idéia principal deste texto?
d. Posso aceitar a argumentação do autor?
e. O que estou aprendendo com este texto?
f. Vale a pena continuar a leitura?
5. Discutir o que s lê. Ainda que a avaliação do texto seja positiva, às
vezes a opinião de outras pessoas permite a descoberta de pontos im­
portantes do texto que nos passaram despercebidos durante a leitura,
ou, ao contrário, que encontremos o real valor de aspectos que subesti­
mamos. Discutir é também uma forma de melhor analisar e avaliar o
que se lê.
6. Aplicar o que se lê. Embora mais difícil do que a discussão, a aplicação
do que se aprende na leitura não é menos importante. Obviamente
deve-se aplicar apenas aquilo que é passível de aplicação. Por exemplo,
se você acaba de ler que a força de gravidade tem o poder de curvar os
raios luminosos, provavelmente não terá oportunidade de aplicar esse
conhecimento em um trabalho de História a menos que tenha um
motivo muito sólido para isso. Mas esse seu novo conhecimento possi­
velmente terá aplicação em um próximo trabalho de Física. Surgindo a
oportunidade, aplique o que aprendeu. A aplicação ajuda a consolidar
a absorção dos nóvos conhecimentos.
Finalmente, a permanente vontade de saber mais, a curiosidade e a in­
quietação intelectual devem levar o estudante a freqüentar periodicamente bi­
bliotecas e livrarias. Esse hábito pode ser facilmente desenvolvido por qual­
quer pessoa atenta e tem a vantagem de permitir que, além da consulta e da
aquisição de livros, possa-se estar a par dos novos lançamentos. Às vezes o '
simples deter-se ante uma banca de jornais faz com que se descubra uma publi­
cação que vem bem a propósito para desenvolver um tema em estudo ou para
A LEITURA NO ESTUDO 73
solucionar uma dúvida. Um intelectual não lê apenas para estudar, mas por­
qué tem sede de conhecer .
O estudante que deseja melhorar o desempenho no estudo deve, portanto,
estar atento para ler de tudo, livros, folhetos, revistas etc. , desde que a leitura
lhe forneça alguma fonte de prazer cultural . Por isso, é indispensável que visite
livrarias especializadas e saiba localizar o material que deseja. Mas isso não
significa que deva tornar a leitura uma atividade exclusiva da sua área específi­
ca de estudos . É bom e proveitoso ler e conhecer outros assuntos . Isso tornar­
-se-á mais fácil quando conseguir desenvolver a velocidade e a capacidade de
absorção da leitura .
••
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
Recordando, as regras elementares da leitura proveitosa para o estudo são:
1. Realizar a leitura de estudo com um propósito definido.
2. Reconhecer que cada ass unto requer uma velocidade própria de leitura.
3. Entender o que se lê.
4. Avaliar (de modo crítico) o que se lê.
5. Discutir o que se lê.
6. Aplicar o que se lê.
Æ
A SELEÇAO DO QUE LER
Observamos que todo intelectual tem necessidade imperiosa de ler constante­
mente e sente prazer nisso. Mas, como ler com proveito real se a cada dia sur­
gem mais livros sobre os mais diversos assuntos? A única maneira conhecida
de se solucionar o problema é desenvolvendo a habilidade de selecionar a leitura.
Mencionamos antes que a leitura proveitosa deve ter sempre um propósito
claro. Realmente, quem estuda um texto tem por objetivo aprender algo, rever
detalhes ou buscar resposta para certas indagações. Então, a leitura é feita pa­
ra cumprir uma obrigação, mesmo que esse compromisso seja apenas para
com a própria honestidade intelectual . Ora, sendo assim, é evidente que nem
todos os textos servem ao objetivo de um determinado estudo. A maioria não
serve. E dos que sobram da primeira seleção geral é preciso ainda distinguir
aqueles nos quais se pode confiar daqueles que, por qualquer razão, não são
de muita confiança. O problema está em saber como selecioná-Ios previamente.
Seria tarefa insana se não impossível ter de ler tudo que existe sobre
o assunto do estudo para, só depois dessa atividade extenuante e nada prática,
estar-se em condições de selecionar o que serve e deixar de lado o que não ser­
ve. Obviamente as pessoas que têm grande intimidade com o hábito de estudar
e lêem constantemente encontram maior facilidade para efetuar uma seleção
prévia de sua leitura. O simples fato de freqüentarem bibliotecas e livrarias já
lhes dá grande vantagem nesse sentido. Esses leitores são capazes de identificar
com rapidez uma obra que lhes interessa, porque geralmente já possuem infor-
74 o METODO CI ENTiFI CO
mações sobre o autor ou sobre a obra em questão. Mas, e os estudantes que es­
tão se iniciando na vida intelectual e não dispõem
·
ainda de bagagem cultural
suficiente? Como poderão selecionar previamente seu material de leitura para
tornar seu estudo mais proveitoso?
Tratando-se de estudantes normalmente matriculados em um curso, o
problema não é de solução difícil : basta consultar o professor. Ao fazê-lo, po-
´Ý
rém, deve-se usar de franqueza e clareza, explicando o motivo da consulta e o
objetivo específieo da leitura. Caso contrário corre-se o risco de o professor in­
dicar novamente toda a bibliografia recomendada para o curso. De fato, as
obras recomendadas na lista bibliográfica do curso são importantes, mas have-
.
rá algumas que são básicas e outras que são complementares . Cada uma delas
está destinada a cumprir determinadas funções. Como o estudo é necessaria­
mente dividido em etapas, importa consultar o professor sobre qual das obras
atenderá melhor ao propósito da etapa em que se encontra o estudante. Assim
ele compreenderá a razão da consulta e tudo ficará mais simples .
À medida que ganhar familiaridade com as obras lidas e o mundo intelec­
tual em geral , o estudante poderá dispensar as consultas ao mestre, pois desen­
volverá de forma progressiva sua própria habilidade de selecionar previamente
sua leitura.
O desenvolvimento dessa habilidade, no entanto, poderá ser mais rápido
se for bem orientado. É essa orientação que apresentamos a seguir.
Toda vez que um livro lhe despertar interesse, tome-o nas mãos e exami­
ne-o ainda que sumariamente para verificar do que se trata. Passe os
olhos pelo título (e subtítulos, se houver), "orelhas" da capa e nome do au­
tor . Verifique se há alguma apresentação do autor, se ele possui títulos profis­
sionais e é autoridade no assunto. Depois vá ao índice; muitas vezes você con­
segue descobrir o plano do livro através do índice e, assim, ter uma idéia de co­
mo se desenvolve a explanação. Em seguida, faça uma rápida leitura do prefá­
cio. Em geral , quando escrito pelo próprio autor, o prefácio equivale a uma in-
.
trodução da obra e expõe seu objetivo. Quando escrito por outra pessoa que
não o autor, quase sempre o prefácio traz uma apresentação deste, resSalta
suas principais qualidades e enfoca a obra de maneira mais abrangente, rela-
.
.
.
cionando-a com a literatura existente na área. De um modo ou de outro, não
despreze o prefácio ele sempre fornece informações preciosas para a seleção
F
.
previa.
Lido o prefácio, consulte a lista bibliográfica indicada pelo autor. Fre­
qüentemente ela se encontra nas páginas finais do livro e permite que você te­
nha uma noção mais precisa sobre as bases em que o autor apoiou o texto. Fi­
nalmente, observe o nome da editora, o número da edição e a data da publi­
.ação. É difícil que uma editora de prestígio lance uma obra sem qualida­
de, na qual você não possa confar. Mas, atenção, editoras de renome também
lançam livros inexpressivos e, às vezes, livros realmente signifcativos são pu­
blicados por pequenas editoras . Por outro lado, o número da edição poderá
informar-lhe se você tem em mão um livro já consagrado por sucessivas reedi­
ções ou se é obra que ainda não mereceu maior atenção dos estudiosos. Evi­
dentemente, tratando-se de uma primeira edição, a data de publicação é fun-
A LEITURA NO ESTUDO 75
damentaJ para esse julgamento, pois pode ser que o livro tenha sido lançado
recentemente.
Feito isso, você já disporá de um bom número de informações para deci­
dir se o livro vale a pena ser lido agora, se sua leitura deverá ser postergada pa­
ra outra ocasião, ou se não merece maior atenção. Caso restem dúvidas, tenha
paciência e procure obter mais dados conclusivos . Tratando-se de livro recen­
te, comece por informar-se sobre a obra e o autor através da leitora das seções
especializadas de jornais e revistas . Se a obra é clássica, consulte uma enciclo­
pédia, a opinião do professor e de alguns colegas . Tudo isso é de grande valia
na opção entre este ou outro livro.
E aqui vai uma última recomendação nesse sentido: habitue-se a formar
+ 1
seu próprio arquivo de fontes de leitura e dê início à formação de sua bibliote-
ca pessoal. Ao descobrir uma obra importante para sua área de estudo, trate
de adquiri-la. Os livros são instrumentos de trabalho e uma biblioteca selecio­
nada poderá prestar serviços inestimáveis à sua vida acadêmica e profissional .
Uma biblioteca pessoal não precisa ser grande, basta que seja bem selecio­
nadá. Você pode iniciá-la com os livros indicados na lista bibliográfica de seu
curso, adquirindo sobretudo as obras citadas como fundamentais . Deixe para
segundo plano as complementares . Mas desde o início não dispense a posse de
um bom dicionário geral da língua e de um dicionário especializado na área de
seu estudo.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
A orientação prática para a seleção prévia da leitura adequada ao estudo pode resu­
mir-se nos seguintes passos principais:
1. Examinar o livro que desperta o interesse. Verificar título, autor, informa­
ções nas capas, sumário ou índice, prefácio ou introdução, bibliografia, edi­
tora, número da edição e data de publicação.
2. Tratando-se de livro recente e havendo dúvida quanto â sua validade, consul­
tar seções de resenhas de livros em revistas especializadas e jornais. Tratan­
do-se de obra clássica, consultar enciclopédias ou a opinião de um especialis­
ta no assunto.
3. Formar arquivo e biblioteca pessoal de fontes de consulta.
TREINAMENTO E AMBIENTE
Quem estuda um texto não pode alienar-se dele. Como indica Paulo Freire:
"Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escre­
veu. ( . . . ) É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões
afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de rees­
crever tarefa de sujeito e não de objeto" (21 : p. 1 1 ). O estudo de um texto,
portanto, exige concentração e reflexão. Conseqüentemente, a leitura de estu­
do proveitosa depende também de treinamento, sobretudo para pessoas que

¬ 76 o METODO CI ENTIFI CO
têm pouco hábito de concentrar-se e refletir. O leitor treinado no estudo de
textos vence qualquer barreira psicológica momentânea que possa impedir sua
.
interação com o que lê, sempre encontra estímulo interior suficiente para
prosseguir no estudo e é capaz de superar a ausência de condições ambientais
ideais para efetuar seu estudo.
Tal treinamento, porém, não se faz de um dia para outro. Ao contrário,
na grande maioria das vezes requer tempo, paciência e persistência por' parte
de quem treina. Embora o resultado final dependa sempre do indivíduo, qual­
.quer pessoa decidida melhora o rendimento de sua leitura se, realmente, dedi-
.
car-se a esse objetivo. Vejamos como isso é possível.
A primeira providência para iniciar o treinamento do estudo pela leitura
consiste em dispor de condições ambientais que permitam ao leitor sentir-se fi­
sicamente confortável para dedicar toda sua atenção ao que lê. Ruídos estri­
.
dentes, má iluminação, agitação próxima e posição defeituosa do corpo cons­
tituem elementos que perturbam a concentração mental e conduzem à disper-
V
são do pensamento. E difícil compreender o que alguém tenta nos dizer quan-
do estamos em ambientes saturados de ruídos perturbadores . Do mesmo mo­
do, é difícil captar o sentido do que se lê quando as condições ambientais não
são propícias para a leitura.
Mais tarde, quando o hábito de estudar estiver solidamente estabelecido
no leitor, as condições ambientais deixarão de exercer influência tão signifi
c

tiva. É possível estudar em qualquer ambiente, seja ele o interior de um ônibus
lotado, um banco de praça ruidosa ou uma cadeira de dentista há inúmeros ·
exemplos de pessoas que jamais dispuseram de condições ambientais ideais e
conseguiram tornar-se estudantes eficientes . No entanto, pelo menos no início
do treinamento, o interessado em melhorar seu rendimento deve buscar que o
ambiente possua as condições ideais : tranqüilidade, iluminação adequada e si­
lêncio.
Há estudantes que estão habituados a realizar suas tarefas enquanto ou­
vem música. O hábito, em si, nada tem de negativo. A música, como o cigarro,
pode também exercer uma infuência estimulante. Contudo, para os que não
estão habituados a dominar sua capacidade de concentração, a música, mesmo
suave, pode significar mais um elemento de dispersão mental e deve ser evita­
da. Depois, quando o estudante sentir que o treinamento surtiu efeito e que
sua concentração já obedece à vontade consciente, seu estudo poderá ser em­
balado pelo som que lhe aprouver.
Quanto à iluminação, é claro que mesmo a de uma vela pode bastar. No
entanto, iluminação ideal é aquela que, sendo forte, ilumina o texto sem cau­
sar desnecessária fadiga aos olhos. A leitura realiza-se através do sentido da vi­
são, cujos instrumentos delicados são os olhos. Portanto, nunca é demais pre­
servá-los em bom estado de saúde e efiCiência, pois olhos cansados ou doentes'
não podem desempenhar corretamente sua função.
De fato, para o estudante que começa o treinamento, ambiente e lumino­
sidade devem ser cuidadosamente escolhidos, de modo a que facilitem a com­
preensão e a assimilação do texto. Mas a posição adotada pelo leitor não é me­
nos importante. Embora cada pessoa tenha uma posição preferida para sentir-
A LEITURA NO ESTUDO 77
-se à vontade, é sempre aconselhável ler sentado para estudar. Todos os dife­
rentes métodos e técnicas de leitura produtiva indicam que a posição adotada
pelo leitor deve permitir-lhe enxergar e respirar normalmente e que sua situa­
ção corporal não deve provocar-lhe sono ou cansaço em pouco tempo. Não há
nenhuma obrigatoriedade quanto à posição sentada, mas, como já menciona­
mos, o estudo pela leitura requer apontamentos e anotações, o que habitual­
mente se faz em uma mesa e, de preferência, sentado.
A escrivaninha ou mesa de trabalho também é motivo de atenção. Acon­
selha-se que seja despojada de adornos ou decorações . Embora esses detalhes
pareçam de pouca importância, exercem certa infuência na concentração do
leitor que inicia o treinamento. A experiência demonstra que uma simples me­
sa voltada para a parede e não para uma rua movimentada contribui de
maneira considerável para tornar a leitura do iniciante mais compensadora.
Antes de dar início à leitura é recomendável um prévio preparo do local de
trabalho. Essa preparação consiste em deixar à mão o caderno ou as fichas de
apontamentos, um lápis para sublinhar os trechos importantes do texto, uma
caneta para fazer as anotações, um dicionário da língua e demais obras de con­
sulta requeridas pelo estudo.
Por último, o preparo psicológico constitui a derradeira condição que,
embora não sendo ambiental , aparece aqui por ser facilitada pelo sossego do
ambiente e a postura do leitor. Antes de começar a leitura é necessário livrar a
mente de todos os problemas não diretamente relacionados ao estudo do que

se vai ler. Pessoas habituadas à leitura proveitosa são capazes de atingir esse
grau de abstração a qualquer momento e sem esforço. Mas o mesmo não ocor­
re com os iniciantes no treinamento. Em geral eles não conseguem fixar a aten­
ção no texto porque sua mente está ocupada e até superlotada com pen­
samentos que os alienam inteiramente da leitura. Quando isso acontece, os
olhos passam mecanicamente pelas palavras sem nada comunicar à mente,
porque esta está perdida em seu "ruído interior".
Cada indivíduo pode desenvolver seu processo pessoal de chegar ao "si­
lêncio interior ". No entanto, uma das técnicas que têm produzido resultados
significativos com numerosos estudantes é a da preparação mental por alguns
minutos, buscando a concentração de olhos fechados. Trata-se de uma atitu­
de, uma postura ante a tarefa, semelhante à do atleta que vai saltar de um
trampolim um momento de total concentração no objetivo que deseja al­
cançar . Obtido o estado mental desejado, resta apenas partir para a ação.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
o treinamento para a concentração total no texto em estudo pode ser resumido nas
seguintes providências:
1. Sentir-se fisicamente confortável no momento de ler.
2. Dispor de ambiente com condições de tranqüilidade, iluminação adequada e
silêncio.
3. Preparar-se psicologicamente para o estudo, buscando concentrar-se por al­
guns minutos, de olhos fechados, a fim de alcançar o "silêncio interior".
.
78 o MÉTODO CIENTiFICO
RENDIMENTO E RAIDEZ
Há criaturas que, embora tentando concentrar-se no texto, são incapazes de
absorver o conteúdo do que lêem. Em geral essa dificuldade se manifesta devi­
do à ausência de velocidade e ritmo adequados à leitura. Normalmente não é
possível absorver-se um conteúdo filosófico, estudado e meditado pelo autor
de uma doutrina, com a mesma facilidade com que se assiste, e absorve, a um
espetáculo circense ou a um programa de variedades na televisão. Mas também
não se pode fazer a leitura de um texto flosófico, teórico, com tanta lentidão
que ao chegar ao final de um parágrafo já não nos lembremos do seu início. É
preciso que nossos olhos leiam com o ritmo e a velocidade da mente.
Quase sempre essa velocidade é a mesma com que falamos, narramos al­
guma coisa, explicamos um fato a alguém. Por esse motivo, durante o treina-
. mento deve-se adotar, sempre que possível, a prática da leitura oral. L e voz
alta é também um exercício de ritmo de leitura. Ele permite maior emprego da
mente, pois esta quase sempre tem de perceber de forma mais consciente o que
é lido para comandar a ação dos órgãos da expressão oral. E aos poucos vai-se
adquirindo a capacidade de ler em voz alta sem tropeços, com expressão e até
.
com certa riqueza de interpretação o que torna a leitura mais agradável e
proveitosa. Em verdade essa interpretação é significativa porque, ao fazer as
pontuações e as modulações da voz com naturalidade (como quem expressa o
que pensa), o leitor tem de entender o que está lendo.
Por outro lado, numerosos cursos de leitura silenciosa desenvolveram téc­
nicas dinâmicas para acelerar a velocidade do ato de ler sem prejuízo da com­
preensão do texto. Uma dessas técnicas relaciona-se com o emprego dos olhos
e condena o hábito de ler .sílaba por sílaba ou mesmo palavra por palavra. O
leitor "eficiente" deve abarcar no seu campo de visão todo um grupo de pala­
vras ou unidades de pensamento expressas no texto.
Numerosas experiências comprovam que, ao ler, o olho não percorre em
movimento contínuo as linhas impressas, mas o faz aos saltos, numa seqüên­
cia constante de deslocamento fixação deslocamento fixação e assim
por diante. Enquanto se desloca, não há leitura absorvível . Somente quando se
fxa sobre uma palavr.a ou grupo de palavras é que o leitor comum absorve, as­
simila, capta o que está lendo.
Essa afirmação pode ser comprovada mediante um exemplo clássico, uti­
lizado pelos especialistas , que consiste no seguinte. Percorra com os olhos con­
tinuamente, sem fazer pausa, as três linhas abaixo.
João retorou decididamente à Medicina no momento em que so­
fria muito seu pequeno amigo Joel acidentado na casa vizinha cuja
escada tinha degraus mais altos que a sua.
.
Se seus olhos moveram-se continuamente, sem parar um só instante, com
certeza você não captou o sentido do que acabou de ler. Agora, leia o mesmo
·
texto com o ritmo e a velocidade hàbituais de sua leitura.
A LEITURA NO ESTUDO
#
79
João retorou decididamente à Medicina no momento em que so­
fria muito seu pequeno amigo Joel acidentado na casa vizinha cuja
escada tinha degraus mais altos que a sua.
Nesta segunda leitura seus olhos fizeram paradas, detendo-se em grupos
de palavras ou em palavras isoladas. E foram essas pausas (paradas ou mo­
mentos de fixação) que lhe permitiram compreender o sentido do que leu. Faça
novamente uma leitura das três linhas . Desta vez, porém, marque com um lá­
pis os locais em que seus olhos fizeram pausas . É provável que sua leitura nor­
mal tenha se processado assim:
+
João retorou decididamente à Medicina / pausa / no momento
em que sofria muito seu pequeno amigo Joel / pausa / acidentado
na casa vizinha / pausa / cuja escada tinha degraus mais altos que a
sua.
Dissemos ser "provável" que suas pausas tenham tido a localização do
exemplo acima porque cada leitor tem sua forma pessoal, própria, de reagir à
leitura. Essa reação não é automática nem mecânica, mas processa-se de acor­
do com a percepção de cada um diante da situação. Esse é o motivo pelo qual
as pausas podem ocorrer em locais diferentes e abrangendo grupos com dife­
rentes números de palavras . Se a reação fosse mecânica, os olhos encontrariam
o momento da pausa depois de percorrerem um número igual de sílabas ou de
palavras, ou uma extensão determinada da linha impressa.
O ritmo da leitura, portanto, é distinto do musical . Neste a "extensão"
do compasso é sucessivamente repetida, formando uma cadência matemática.
A cadência do intelecto, porém, não obedece a uma expressão matemática,
mas a todo um complexo de reações de interação com a situação. Disso
conclui-se que não se trata de um ritmo passivo, comum a qualquer pessoa,
mas ativo, distinto de indivíduo para indivíduo.
Por essa razão, no exemplo dado acima foi abolida l pontuação: deveria
haver vírgula após as palavras "Medicina" e "Joel ". Mas como a pontuação
tem por finalidade: 1) assinalar as pausas e a entoação n� leitura; 2) separar
palavras, expressões e orações que devem ser destacadas; 3) esclarecer o senti­
do da frase, afastando qualquer ambigüidade seu emprego prejudicaria a
compreensão do que se desejava demonstrar, pois induziria a localização das
pausas de fixação dos olhos do leitor.
Retornando à questão da velocidade na leitura proveitosa, cremos ter dei­
xado claro que campo de viOo, quanto à leitura, é o número de palavras que
os olhos são capazes de absorver numa única parada. Quando encontram seu
momento de fixação eles enfocam uma palavra, mas são capazes de captar ou­
tras tantas à esquerda e à direita da enfocada. Ora, quanto maior for o número
de palavras captadas entre uma pausa e outra, maior será o campo de visão do
leitor. E quanto mais amplo for seu campo de visão, melhor será a leitura, pois
em cada parada poderá absorver maior quantidade de texto, ou seja, abranger
maior "extensão" do conteúdo expresso pelas palavras. Em oposição, o cam­
po de visão estreito limita-se à palavra isolada, levando o leitor a retroceder na
· 80 o METODO CIENTiFI CO
.
leitura porque sua percepção (demasiadamente interrompida pelas pausas e ca­
rente do ritmo apropriado) acaba ligando palavras sem sentido.
Finalmente, a leitura é melhor quanto mais curta é a pausa de fixação dos
olhos . A duração da pausa é também um problema importante porque está di­
retamente relacionada com a sustentação da atenção do leitor no texto
: quanto
mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa. O uso da imagina­
ção, o emprego da criatividade mental , a atitude crítica e a reflexão são ele­
mentos imprescindíveis ao estudo. Mas isso nada tem a ver com a distração na
. 1�itura, que apenas provoca os famigerados "vôos" da mente para situações
�lheias ao· texto e causa cansaço sem nada produzir.
.
O melhor rendimento no estudo, portanto, pede leitura mais veloz. Àque­
les que pretendem ser "campeões de velocidade" costuma-se recomendar que
freqüentem cursos especiais de leitura. Esses cursos desenvolveram técnicas al­
tamente especializadas de leitura diagonal . Em síntese, essas técnicas demons­
tram que leitura proveitosa também se faz através de um traçado diagonal in­
visível , que liga a primeira à última palavra de um parágrafo ou de uma pági­
na. Ou seja, não apenas quando se lê linha por linha.
Não cabe aqui detalhar normas e regras aplicadas pelos cursos de leitura
diagonal , pois o que se pretende é apenas instrumentar o estudante para o estu­
do mais eficiente. Contudo, como a velocidade de leitura é um dos requisitos
pará implementar a eficiência, recomenda-se que durante o treinamento seja
praticado o seguinte exercício:
¬
Ao terminar a leitura de uma linha, passe rapidamente da última
palavra dessa linha para a primeira palavra da linha de baixo, mas
fixe-se mais nas palavras que se encontram no centro das linhas.
Persistindo nesse exercicio, em pouco tempo sua leitura terá alcançado ve­
· locidade satisfatória sem prejuízo da compreensão do texto.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO

o treinamento para adquirir-se ritmo e velocidade na leitura proveitosa consiste, re­
sumidamente, nas seguintes orientações:
1. Praticar a leitura oral sempre que possível e, aos poucos, procurar dar-lhe a
expressão natural das narrativas orais.
2. Durante a leitura, abarcar com os olhos todo um conjunto de palavras ou
unidades de pensamento expressas no texto.
3. Ao terminar a leitura de uma linha, passar rapidamente para a primeira pala­
vra da linha seguinte, mas fxando-se mais nas palavras que se encontram no
centro das linhas.
Æ
A VEZ DO VOCABULARO
A LEITURA NO ESTUDO 81
Talvez você julgue que domina um vasto vocabulário. Se tem o hábito de ler
freqüentemente e se sua leitura é ampla e abrange vários assuntos distintos, en­
tão deve realmente dominar um vocabulário significativo. Contudo, faça uma
experiência e responda depressa qual é o signifcado das seguintes palavras :
Atelépode
Atelectàia
.
Atramentário
Azeite

Se você não c
o
nsultou um dicionário, provavelmente só foi capaz de dizer
qual é o significado de azeite, óleo extraído da oliva ou azeitona. Em verdade,
dos quatro vocábulos apresentados no teste acima, "azeite" é o único de uso
freqüente e difundido na linguagem geral . Os demais são termos empregados
apenas em áreas específcas de atividade. Assim:
Atelépode é um adjetivo usado em Zoologia para designar os seres aos
quais "falta qualquer dedo".
.
Atelectasia, um substantivo, é termo de Medicina e indica "falta de dila­
tação" .
Atramentário é um adjetivo pertencente à Botânica, cujo significado é

"que apresenta coloração ou aspecto de tinta preta".
Em qualquer língua há sempre uma quantidade de vocábulos de uso co­
mum, popular e geral , e de vocábulos especializados, de uso 'restrito a determi­
nadas áreas. O acervo vocabular da língua portuguesa não é uma exceção e so­
mente os eruditos são capazes de dominar com segurança sua maior parte.
Por outro lado, ao contrário dos eruditos, as pessoas de pouca instrução
.
dominam apenas um pequeno número de palavras, confundem o sentido de
outras tantas e desconhecem praticamente a totalidade das empregadas em
áreas especializadas, pelo menos das áreas de atividades que nada têm a ver
com a sua. Esse vocabulário reduzido constitui uma barreira à leitura provei­
tosa. Muitas pessoas alegam que lêem pouco precisamente porque seu vocabu­
lário insuficiente não lhes possibilita a compreensão do que lêem. Mas, ao
adotar essa atitude de inércia, jamais aprendem outras palavras e, conseqüen­
temente, vivem um círculo vicioso: não lêem porque não têm vocabulário; não
têm vocabulário porque não lêem. Com isso estão condenadas a permanecer
• # Ý
na 19norancla.
É impossível efetuar qualquer estudo mais profundo e proveitoso sem o
domínio de m vocabulário regular. Não se trata de ampliar o conhecimento
para um maior número de palavras mediante a memorização de intermináveis
páginas de dicionários. É possível l"U essa técnica apresente resultados positi­
vos para certos indivíduos que dispõem de muito tempo ocioso. Mas, sem dú­
vida, é extremamente pouco útil para quem já dispõe de tempo exíguo para es­
tudar e vive debatendo-se para vencer todos os seus afazeres diários.
82 o MÉTODO CI ENTíFICO
A maneira mais prática de se adquirir bom vocabulário é conviver com as
palavras, estar em contato com elas e observá-las em ação. Assim, aprende-se
não apenas o seu significado, mas também o seu uso. E isso se faz através de
leitura constante.
Mas, como ler, e entender o que se lê, quando se desconhece o significado
.
de certas palavras?
Simplesmente tratando de descobrir qual é esse significado. Para isso �
que existem dicionários: esclarecer o sentido dos vocábulos.
Quanto à tática a ser empregada, alguns autores são favoráveis à interrup­
ção da leitura no momento em que surge a palavra desconhecida, a fim de que
seu sentido seja imediatamente esclarecido. Outros, igualmente respeitáveis,
são partidários da postergação do esclarecimento, dando-lhe a possibilidade
. de ocorrer no prosseguimento da leitura; Ou seja, o leitor deve tentar descobrir
o sentido do vocábulo desconhecido através do contexto em que está inserido.
Esses autores sugerem que se anote a palavra e se, ao final do capítulo ou do
texto, seu sentido não ficar bem estabelecido, então deve-se recorrer ao dicio-
# .
nano.
Em verdade, não há porque optar por uma ou por outra orientação tática
sem antes experimentar ambas . É o leitor que deve decidir qual das duas táti­
cas serve melhor à sua necessidade, de acordo com as circunstâncias da situa­
ção real.
O que realmente importa na aquisição de maior domínio vocabular é, em
primeiro lugar , que se leia muito e freqüentemente; em segundo, que se escla­
reça o sentido de todas as palavras desconhecidas, porque só assim pode-se ter
certeza de que o texto foi corretamente compreendido.
Se você não dispõe de fontes de consulta adequadas, ou não encontra de­
terminado vocábulo em seu dicionário, não se deixe vencer pela inércia trate
de agir . Faça uma visita à biblioteca mais próxima, levando a lista das palavras
desconhecidas; consulte o professor ou um especialista da área do estudo; vá
à casa de um amigo que disponha da fonte de consulta requerida. Faça o que
Jhe for mais prático e conveniente, mas esclareça as dúvidas .
Às vezes uma palavra mal compreendida ou mal interpretada pode desfi­
gurar ou mudar todo o sentido do texto. Corre-se esse risco principalmente
quando isso acontece com uma palavra-chave. Portanto, o tempo gasto em
pesquisar no dicionário ou em esclarecer as dúvidas com outras fontes jamais é
desperdiçado dele pode depender o resultado do estudo. Quem come gato
por lebre confunde alho com bugalho e certamente está sujeito a sofrer indi­
gestão. Daí a significativa importância do domínio vocabular no estudo, outro
item do treinamento que visa a aumentar o rendimento da leitura produtiva.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
Em síntese, a atitude a adotar quanto à ampliação do vocabulário pessoal consiste
nas seguintes providências gerais:
A LEITURA NO ESTUDO 83
1. Esclarecer o significado da palavra desconhecida no momento em que ela
surge no texto;
ou,
anotar a palavra desconhecida e só recorrer aos dicionários para esclarecer
seu significado se este não ficar esclarecido pelo contexto em que a palavra
desconhecida está inserida.
2. Ler muito e freqüentemente para conviver com as palavras e observá-las em
ação.
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
¼
Se você compreendeu o que foi dito neste capítulo, tente responder à ques-
tões apresentadas abaixo. Para melhor aproveitamento, selecione algumas co­
ro tera de um trabalho ou de discussão com alguém.
• Todo tipo de leitura informa alguma coisa ao nosso conhecimento?
• Por que é recomendável ler com propósito definido o texto que se vai estu­
dar? Não podemos encontrar esse propósito durante a leitura?
• Deve-se ler tudo que cai diante dos nossos olhos com a. mesma velocidade de
leitura. Essa afirmação está certa ou errada? Por quê?
• Coro é possível questionar-se a validade do que se lê?
• É vantajoso pôr em discussão o que se leu? A discussão é ura das maneiras
.
de aplicar-se um conhecimento obtido na leitura?
• Que benefício
p
ode ter a leitura diversificada (livros, manuais, folhetos, re­
vistas, jornais etc. ) para o desenvolvimento cultural?
• Por que a maioria dos brasileiros lê pouco e, quando o faz, lê mal?
• Há alguma possibilidade de selecionar-se previamente o que se deve ler? Se
há, coro efetivá-Ia na prática?
• Pode-se treinar para obter maior capacidade de concentração e refexão no
estudo de um texto, ou quem é bom estudante já nasce assim?
• O ambiente sempre influi na qualidade de nossa capa
c
idade de estudar? O
que é mais importante no estudo: o ambiente ou o preparo psicológico do es­
tudante?
• Um colega afirmou que quanto mais lenta é a leitura mais se pode refletir so­
bre ela. Isso é verdadeiro ou falso? Por quê?
• Existe alguma maneira prática de se desenvolver a leitura em ritmo adequa-
do à apreensão do conteúdo do texto? Se existe, qual é?
.
• Podemos incrementar a velocidade de nossa leitura geral . Como?
• O ritmo da leitura pode ser comparado ao musical? No que ambos se asse­
melham ou se diferenciam?
• É vantajoso, ou não, praticar-se a leitura oral?
• Quais são os meios de que dispomos para ampliar o nosso domínio vocabu­
lar? Há algo que contra-indique a memorização de dicionários?
• • •
• Introdução
• Idéia principal e unidade de lei­
tura
• Como sublinhar
• Como esquematizar
Fidelidade a0 texto original
Estrutura lógica
Funcionalidade para o uso
Flexibilidade
• Como resumir
Não resumir antes de levantar
o esquema ou preparar as
anotações da leitura
Ao redigir, usar frases breves,
diretas e objetivas
Acrescentar referências biblio­
gráfcas e observacões de ca­
ráter pessoal semp�e que ne-
Ý Æ
cessano
• A análise textual
• A análise temática
• A análise interpretativa
INTRODUÇAO

Há muitas maneiras de se estudar um texto, mas todas elas dependem sempre
do propósito d9 estudo. Por exemplo: ao estudar uma peça teatral, o ator pro­
cura não só encontrar as características fundamentais da personagem que irá
interpretar, ou seja, o seu papel . Ele estuda o texto como um todo até adquirir
uma visão global da situação exposta pelo dramaturgo; só depois dirige sua
atenção para os aspectos parciais: o seu papel , o papel dos que com ele contra­
cenam etc. Finalmente, seu estudo visa também a memorização de suas falas.
Já o crítico teatral estudará o mesmo texto com um propósito distinto.
Primeiro tratará de alcançar um conhecimento global da peça, a fim de captar
sua idéia principal . Depois, adentrará na delimitação dos núcleos constituintes
do texto o comportamento de cada personagem, a qualidade literária do
texto em si, o desenvolvimento de cada ato etc. Por último, analisando esses
.
núcleos e estabelecendo a relação existente entre eles, chegará ao processo da
síntese que lhe proporcionará a significação da peça em sua globalidade. Ao
efetuar seu estudo, o crítico em nada se ocupará com a memorização das falas
das personagens, porque este não é o propósito de seu ato de estudar.
Assim, conquanto existam diversas formas, o estudo profundo, rendoso,
segue sempre um processo semelhante, cujo método, como observamos antes,
foi resumido por Morgan e Deese na fórmula:
Examinar ¯ PL2R
`
o ESTUDO DO TEXTO 85
Portanto, mais uma vez devemos recordar que não se estuda um texto co­
mo quem lê um romance por puro entretenimento. Os textos de estudo, mor­
mente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego
de razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disci­
plina intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo.
Para se compreender, analisar e interpretar um texto é necessário criar
condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpre­
tação de seu conteúdo. Já sabemos que analisar é decompor um todo em suas
partes para melhor estudá-las; sintetizar é reconstituir o todo decomposto pela
análise. O julgamento só ocorre quando, completadas análise e síntese, a men­
te apropria-se do conteúdo estudado e o interpreta.
O presente capítulo é dedicado à apresentação desse processo de razão re­
fexiva e dos meios que o apóiam. Sem fugir ao objetivo de oferecer apenas
elementos práticos de ampliação do rendimento no estudo, exporemos aqui o
modo como se desenvolvem as etapas da análise e em que consiste o procedi­
mento auxiliar de sublinhar, esquematizar e resumir o objeto da leitura.
Æ
.
IDEIA PRINCIPAL E UNIDADE DE LEITURA
Toda leitura cultural tem sempre um destino, não caminha a esmo. Esse desti­
no pode ser a busca, a assimilação, a retenção, a crítica, a comparação, a veri­
ficação e a integração de conhecimentos . Para atingi-lo podemos tomar muitos
caminhos, mas o mais curto é o constituído pelas idéias principais, também
chamadas idéias diretrizes. Qualquer texto, até mesmo o de um parágrafo, tem
sempre uma idéia, um conceito ou uma palavra que é sua idéia principal .
Trata-se, portanto, de saber çomo encontrar essa idéia diretriz.
Dissemos anteriormente que todo estudo produtivo tem um propósito de­
finido. Ora, quando se deseja saber qual é a idéia diretriz de um texto deve-se
ter como propósito inicial do estudo precisamente a descoberta da idéia dire­
triz. Ocorre, porém, que nem todo texto a estudar é igual : pode tratar-se de um
livro inteiro, um capítulo do livro, uma seção de um capítulo ou até um sim­
ples parágrafo. Sendo assim, é recomendável que após a primeira leitura do
texto integral (e não apenas uma de suas partes ou um resumo) delimite-se
conscienciosamente a unidade a ser estudada. Essa unidade deve ter sempre
um sentido completo, caso contrário não se poderá trabalhar sobre ela.
A divisão do texto em unidades de leitura tem a finalidade de decompor o
todo em partes , que facilita a análise de cada parte. Mas essa divisão não pode
ser mecânica, tal como ser delimitada por determinado número de palavras ou
de linhas impressas. Tendo como condição vital o fato de conter um sentido
completo do pensamento do autor, sua delimitação deverá ser definida pela fa­
miliaridade do estudante com o texto em estudo, e somente por ela. De nada
adianta, por exemplo, estudar cem linhas ou cinco parágrafos em uma hora se,
ao fim desse tempo, não se é capaz de esclarecer o que foi estudado.
Por outro lado, ao procurar a idéia principal ou a palavra-chave de sua
unidade de leitura, não espere que ela lhe salte aos olhos e grite "estou aqui" .
86 o METODO CIENTiFICO
É muito raro que ela apareça de modo tão evidente. E se há casos em que está
explícita, há também casos em que está camuflada no texto, confundida com
acessórios e pormenores de menor significado. Contudo, mesmo quando ape­
nas implícita, é sempre possível encontrá-la nos textos lógicos e formulá-la em
uma frase-resumo. Obviamente haverá momentos em que, para expressar com
suas próprias palavras a idéia principal contida na unidade de leitura, você terá
maior ou menor dificuldade. Mas quando o objetivo de encontrar a idéia dire­
triz tornar-se um hábito, essa difculdade desaparecerá. Todo começo apresen­
ta certos obstáculos inerentes à falta de prática. Portanto, não se impaciente e
desista. Continue tentando.
Se sua unidade de leitura resumir-se a apenas um parágrafo e você não
conseguir encontrar a idéia principal, passe para o parágrafo seguinte e não
deixe de ler também o parágrafo anterior. Muitas vezes o autor, por motivos
subjetivos ou estéticos, não faz a divisão dos parágrafos da maneira tradicio­
nal, incluindo uma idéia básica em cada parágrafo. Daí a necessidade de se re­
correr aos parágrafos vizinhos. De qualquer modo, no estudo eficiente é neces­
sário que cada unidade de leitura seja exaustivamente analisada para se passar
à unidade seguinte, caso contrário alguns dados essenciais poderão ficar es­
quecidos . Assim, de unidade em unidade se procederá a análise profunda de
todo o texto.
Mas como se faz essa análise?
Em várias etapas . Antônio Joaquim Severino classifica essas etapas em
análise textual, análise temática e análise interpretativa (59: p. 1 9-26).
Vejamos em que consistem essas etapas. Mas, antes, é bom determo-nos
em como sublinhar, esquematizar e resumir.
COMO SUBLINHAR
Segundo o Novo Dicionário Aurélio (7: p. 1 341 ), sublinhar é: "traçar uma su­
blinha em; tornar sensível; pôr em relevo, destacar, salientar".
Sublinhar palavras ou frases durante a leitura é, porém, uma técnica nem
sempre bem compreendida. Há pessoas que têm seus livros com páginas e pá­
ginas sublinhadas linha por linha e orgulham-se disso. Mas é um engano julgar
que se deve sublinhar tudo para que a leitura seja produtiva. Existe o sublinhar
correto e o sublinhar errôneo.
De modo geral, procede erroneamente quem sublinha tudo que julga ser
significativo logo na primeira leitura. Ora, no contato inicial com o texto
não se conhece ainda quais são seus detalhes mais importantes e muitas vezes
ainda nem se captou qual é a idéia principal. Sendo assim, como sublinhar? De
fato, sublinhar corretamente só é factível quando o estudante já tem o objetivo
de seu estudo plenamente traçado e age segundo um plano prévio, no momen­
to adequado.
Antes de sublinhar é preciso, pois, ter um primeiro contato com a unidade
de leitura e questioná-la, procurando encontrar as respostas para as questões
formuladas ao texto. Durante essa fase, ao invés de sublinhar indiscriminada-
o ESTUDO DO TEXTO 87
mente, é preferível assinalar na margem da página qualquer sinal convencio­
nal, como! , ?, X etc. Esses sinais chamarão a atenção para os termos ou con­
ceitos, idéias etc. , que deverão ser pesquisados após a leitura inicial . Natural­
mente você deve usar sinais de um código próprio, pessoal, que melhor se
adapte à sua personalidade. Mas essa sinalização à margem não constitui as
sublinhas definitivas; antes, é apenas um apontamento provisório.
Somente na segunda leitura, quando o plano de ação já estiver bem defi�
nido, é que se pode realmente sublinhar, sempre visando a salientar a idéia
principal , os pormenores mais significativos, enfim, os elementos básicos da
unidade de leitura. Então, você perceberá que raramente terá de sublinhar
uma oração inteira. Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como
elemento essencial.
Aqui, a regra fundamental é: sublinhe apenas o que é realmente impor­
tante para o estudo que está realizando e somente depois de estar seguro dessa
importância. Mas aja de modo a que, ao reler o que foi sublinhado, possa ob­
ter claramente o principal do que acabou de ler.
A não-observância dessa orientação fará com que você sublinhe indiscri­
minadamente e isso prejudicará mais do que beneficiará seu estudo.
COMO ESQUEMATIZAR
o esquema a que referimos aqui é a representação gráfica, sintética, do que se
leu. Esse tipo de anotação, geralmente feito em fichas, deve ser montado em
uma seqüência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo
do texto e que, mediante divisões e subdivisões, represente sua hierarquia. As­
sim, o esquema destaca o propósito da leitura, facilita a captação do conteúdo
e permite ao estudante refletir melhor sobre o texto. Além disso, possibilita
ainda a rápida recordação da leitura no caso de consultas futuras.
O esquema pode usar o método das chaves de separação, tal como neste
exemplo:
Modelos imitados
Aprendizagem por .
observação Os efeitos da imitação
Fatores que afetam a imitação
Extinção de comportamentos
Aplicação à aprendizagem escolar
Efeito modelador
Efeito desinibidor
Efeito eliciador
Ou pode empregar a simples listagem hierarquizada por diferenciação de
espaço e/ou subdivisão numérica, assim:
APRENDIZAGEM POR OBSERV Ac
A
o

1. Modelos imitados.
2. Os efeitos da imitação.
88 o MÉTODO CI ENTiFI CO
2. 1. Efeito modelador.
2.2. Efeito desinibidor.
2.3. Efeito eliciador. ·
3. Fatores que afetam a imitação.
4. Extinção de comportamentos.
5. Aplicação à aprendizagem escolar.
A montagem de um esquema pressupõe, portanto, a compreensão das re­
lações existentes entre as diversas partes . Sem essa compreensão é impossível
subordiná-las de modo correto. Sendo assim, é evidente que o esquema não
pode ser uma "invenção" do estudante, visto que sua finalidade é prestar upa
informação visual imediata sobre o plano seguido pelo autor. Mais tarde,
quando analisarmos os elementos da redação do trabalho de estudo, teremos
oportunidade de observar que o autor é quem "cria" seu esquema ou plano
orientador. Mas, enquanto se trata de estudo pela leitura, o esquema visa so­
mente a representar fielmente o pensamento do autor.
Como essa representação é feita com o objetivo de servir ao propósito do
estudo, o levantamento do esquema deve observar as seguintes caacterísticas
gerais para ser realmente útil .
Fidelidade ao texto original
o esquema deve ser levantado a partir da leitura, e não o inverso. Ou seja,
não se pode partir de um esquema preconcebido para nele tentar encaixar o
que se leu. É válido o uso de palavras ou expressões próprias para esquemati­
zar o pensamento do autor, mas não se pode distorcê-lo segundo a nossa von­
tade.
Estrutura lógica
Não serve para nada reunir atabalhoadamente idéias e conceitos encontrados
no texto e distribui-los de qualquer maneira. O levantamento do esquema deve
obedecer a um critério lógico, claro, de subordinação entre os elementos cole­
tados . Portanto, esses elementos têm de ser cuidadosamente selecionados e su­
bordinados entre si . Isso só é possível quando já se está de posse da idéia prin­
cipal e dos complementos significativos do texto. Parte-se, então, para a orde­
nação desses elementos, realçando o que é principal do que é secundário, com­
plementar ou conseqüente .
.
Funcionalidade para o uso
Para ser funcional o esquema tem de ser expresso de forma que numa simples
olhada o estudante possa ter uma idéia clara sobre o conteúdo de sua leitura. E

o ESTUDO DO TEXTO 89
mais: como instrumento de trabalho que é, o esquema pode (e em alguns casos
deve) apresentar certas i ndicações importantes, como o número da página em
que se encontra determinado elemento, lapsos do autor, necessidades de com­
plementação, relacionamento com outras fontes de consulta etc.
Flexibilidade
A essas características básicas Délcio Vieira Salomon acrescenta aindaflexibi-
.
!idade (57: p. 86). E tem muita razão em chamar a atenção do estudante para
esse ponto importante. Como a realidade é dinâmica, o esquema também não
pode ser rígido, estático, qualquer que seja seu tipo: puramente teórico, no
sentido de que esquematiza abstraçães, ou elaborado com uma seqüência de
soluções práticas para resolver um problema concreto. O esquema é sempre
um instrumento auxiliar de orientação para um trabalho concreto. E é assim
que deve ser considerado. Se o tomámos como coisa acabada, rígida, definiti­
va, ele pode simplesmente perder sua finalidade, pois teremos de ignorar a rea­
lidade apenas para mantê-lo válido. Mas é precisamente a realidade que não se
pode ignorar . Se ao elaborar um esquema (de estudo, de leitura ou de qualquer
outro trabalho) você tem diante de si uma determinada realidade e depois des­
cobre que ela se modificou, então é o esquema que deve ser adaptado à realida­
de, e não o inverso. O que você não deve fazer, como diz o professor Salomon,
"é ignorar a novidade, distorcê-la ou mutilá-la, apenas porque o esquema não
a tinha previsto".
COMO RESUMIR
Enquanto o esquema apresenta o plano do texto e sua seqüência lógica por or­
dem de subordinação, o resumo é a condensação do texto. Diferindo do esque­
ma sobretudo quanto à forma de apresentar o conteúdo, é especialmente útil
quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se estudou e
a conclusão a que se chegou. Sim, num resumo também cabe, desde que clara­
mente identificada, a interpretação que o estudante faz de seu estudo.
Naturalmente a elaboração de um resumo obriga ao estudante concen­
trar-se no estudo e manter com relação ao que lê uma atitude permanentemen-
¥
te crítica, refexiva. Como destaca João Alvaro Ruiz, "o trabalho de resumir
ajuda a captação, a análise, o relacionamento, a fixação e a integração daquilo
que estamos estudando, assim como facilita sua evocação e reduz o tempo des-
.
tinado à preparação de provas, aumentando o aproveitamento geral " (56: p.
44). Mas o mesmo autor condena, logo adiante, a elaboração de resumos escri­
tos de tudo que se estuda.
De fato, seria desperdício de tempo elaborar resumo quando o esquema é
.
suficiente. Resumir por escrito a leitura é realmente conveniente quando se co­
leta material de obra rara e de difícil consulta, quando se prepara um trabalho
90 o M�TODO CIENTiFICO
de maior fôlego e profundidade, como a defesa de uma tese.ou a elaboração de
uma monografia, e quando se necessita fazer exercícios de redação clara e con-

clsa.
Os três itens que se seguem apresentam as normas práticas de elaboração
. do resumo.
Não resumir antes de levantar o esquema ou preparar as anotações da leitura
Impossível resumir o que não se conhece. O resumo tem de derivar sempre do
estudo realmente efetuado e ser conseqüência da leitura preparada. Para ela­
borá-lo o estudante deve basear-se em suas anotações prévias e guiar-se pelo
esquema do texto. Evidentemente é possível resumir o que se sabe de algum as­
sunto. No entanto, resumo de texto implica, necessariamente, fidelidade ao
texto original e, nesse caso, não se pode confiar na memória .

Ao redigir, usar frases breves, diretas e ob
j
etivas
O resumo tem a finalidade precípua de abreviar. Portanto, seja conciso e claro
ao transpor o pensamento do autor. Para isso use as idéias mais importantes
do texto, tratando de abreviá-las em poucas palavras e encadeá-las em se­
qüência. Mas não seja tão conciso no resumo quanto no esquema. Havendo
necessidade, faça transcrições e coloque-as entre aspas, completando a refe­
rência com o número da página entre parêntesis, a fim de indicar o local em
que se encontra no texto original .
Acrescentar referências bibliográficas e observações de caráter pessoal, sempre
• •
que necessano
.
Como o esquema, o resumo é também um instrumento de trabalho é deve ser o
mais funcional possível . Portanto, pode e deve oferecer, ainda que de maneira
concisa, todos os elementos necessários à evocação do que se estudou sem que
seja indispensável uma nova leitura do texto original. Mas como a fidelidade
ao texto é obrigatória, assegure-se de que fique claramente manifesta a dife-

renciação entre o que é resumo do texto e o que é complementar e resultado do
estudo, tais como idéias integradoras, referências bibliográficas e observações
de caráter pessoal ou citações de outras fontes .
Herbert J. KIausmeier oferece resumos primorosos ao final de cada capí­
tulo de seu livro Manual de psicologia educacional aprendizagem e capaci­
dades humanas (34). A título de exemplo transcrevemos a seguir o resumo
do Capítulo 1 2 dessa obra, cujo texto expOsitivo contém mais de quinze pági­
nas.
Pensar, resolver problemas e criar, sempre ocorrem em uma situação ou contexto, e
não como processos abstratos. O pensamento ocorre com referência a algo, a capa­
cidade de solucionar problemas é utilizada para a solução de um problema e a criati­
vidade envolve a expressão de algo, de alguma forma. Normalmente, os processos
cognitivos destinados a levar um indivíduo a uma conclusão já aceita ou lógica são
designados por termos tais como: pensamento convergente, raciocínio e pensamento
crítico. O tipo de pensamento que leva a conclusões, métodos ou formas de expres­
são novas é chamado de pensamento divergente, pens.amento criativo ou pensamen-
o ESTUDO DO TEXTO 91
to imaginativo. Há pensamentos convergentes que estão envolvidos nos pensamen­
tos divergentes e vice-versa.
A solução de problemas exige uma atividade objetivada. A solução de alguns
problemas ocorre de repente com insight; em outros problemas, há um processo
contínuo de colocação das possíveis soluções, rejeição e finalmente confirmação de
uma como a mais apropriada ou correta. A capacidade de solução de problemas de
crianças e de jovens é desenvolvida usando-se estas orientações: (1 ) identificar pro­
blemas passíveis de solução. (2) ajudar os alunos a estabelecerem e delimitarem pro­
blemas. (3) auxiliar os alunos a encontrarem informações. (4) auxiliar os alunos no
processamento de informações . (5) estimular a formulação e o teste de hipóteses. (6)
encorajar a descoberta e avaliação independentes.
O desenvolvimento de métodos novos e mais aprimorados para resolver proble­
mas e inventar formas novas para expressar experiências humanas requer o pensa­
mento divergente. Em geral, a escola e a sociedade devem identificar as capacidades
criativas de crianças e jovens, e procurar ter mais sucesso ao incentivá-las. Como
pouco tem sido feito nesta área, particularmente em assuntos sociais, as orientações
para desenvolver as capacidades criativas não passam de tentativas: (I) encorajar a
produção divergente através de muitas mídia, (2) recompensar esforços criativos, (3)
favorecer uma personalidade criativa (34: p. 377-378).
#
A ANALISE TEXTUAL
Agora que já conhecemos a maneira de delimitar a unidade de leitura e que
aprendemos a sublinhar, esquematizar e resumir, podemos passar às etapas da
leitura analítica para o estudo e interpretação do texto.
A análise textual é a primeira forma de aproximação do estudante com o
texto e tem por objetivo básico a preparação para a análise temática que a se­
gue e que permitirá a compreensão integral do pensamento do autor. Para
cumprir essa primeira etapa analítica, o estudante deve proceder de acordo
com a seguinte orientação.
Uma vez estabelecida a unidade de leitura, o primeiro passo para analisá-
.
-la é, naturalmente, conhecer seu conteúdo, ou seja, lê-la do começo ao fim.
Essa leitura inicial , no entanto, tem apenas a finalidade de uma primeira apre­
sentação do texto e do pensamento do autor ao estudante. Por isso, embora
atenta, não deve ser profunda nem se propor a esgotar a compreensão do tex­
to. Ao contrário, ao invés de o leitor esforçar-se demasiadamente na com­
preensão do texto durante esse primeiro contato, deve ir assinalando a lápis,
na margem, os vocábulos que lhe são desconhecidos, os pontos que requerem
posterior esclarecimento e todas as dúvidas que porventura interfiram na cap­
tação do pensamento do autor. Na realidade, nessa etapa, a descoberta desses
pontos de dúvida e incompreensão é mais importante do que a própria com­
preensão do que se lê.
Terminada a primeira leitura, çabe ao estudante tratar de esclarecer as dú­
vidas vocabulares assinaladas . Raros são os textos de estudo que logo no pri­
meiro contato revelam-se perfeitamente claros e compreensíveis . É, portanto,
. .
chegado o momento de abrir o dicionário para conhecer o sentido dos termos
desconhecidos e verificar o seu significado no contexto.
92 o MÉTODO CI ENTiFI CO
Depois de solucionar os problemas vocabulares, o passo seguinte é infor­
mar-se melhor a respeito do autor . Freqüentemente uma pesquisa em boas en­
ciclopédias é suficie'nte para a obtenção de dados muito úteis ao estudo, pois
costuma oferecer referências valiosas sobre a vida, a obra e, quando é o caso, a
doutrina do autor. Ao mesmo tempo, o estudante deve aproveitar a oportuni­
dade para resolver as ambigüidades e dúvidas que por acaso persistirem em de­
terminados conceitos ou idéias expostas no texto e cuja compreensão deixou a
desejar. Muitas vezes as enciclopédias também apresentam pequenos resumos
de obras específicas, dando destaque e explicitando seus elementos fundamen­
tai s, o que ajuda consideravelmente a elucidar questões surgidas durante a lei­
tura.
É preciso, no entanto, que o estudante esteja alerta e não se deixe influen­
ciar demasiadamente pelas informações colhidas na pesquisa. Tais informa­
ções são produto da "interpretação" de alguém e devem servir apenas como
orientação, para que não prejudiquem a análise objetiva do que efetivamente
está exposto no texto em estudo.
Finalmente, se o texto faz referência a outros elementos que o estudante
não domina tais como fatos históricos, obras, doutrinas , autores etc. é
ainda indispensável que obtenha os esclarecimentos requeridos . Para isso deve
recorrer aos dicionários gerais e especializados, enciclopédias, manuais didáti­
cos , apostilas, enfim, às obras de referência que se façam necessárias, ou con­
sultar especialistas da área em foco.
Toda essa atividade da análise textual não só é imprescindível para a pre­
paração do texto comO enriquece o estudante com uma série de informações
novas e diversificadas, o que lhe torna o estudo mais abrangente e interessante.
Ao final do trabalho de preparação, a etapa da análise textual deve encer­
rar-se com um esquema provisório do que foi estudado.
Æ Æ
A ANALISE TEMATICA
Concluída a análise textual, a etapa seguinte é a da análise temática, cujo obje­
tivo é a compreensão profunda do texto.
Se a preparação inicial foi bem feita, ao entrar nessa segunda etapa da lei­
tura analítica o estudante já deve possuir os elementos necessários para retor­
nar ao texto e alcançar a compreensão global de seu conteúdo .
.
Esta fase da análise não trata, ainda, de interpretar ela se processa ape-
nas para apreender. Como assinalam alguns autores, nela o estudante não
"discute" com o texto, não debate seus conceitos ou idéias, somente interro­
ga-o e deixe que fale em resposta. Esse "escutar", no entanto, nada tem de
mecânico. Seria passivo, mecânico, se o propósito do estudo se restringisse à
memorização das palavras ou frases . Mas como o propósito da leitura é
apreender o conteúdo, o ato de "escutar" o texto envolve descoberta e refle­
xão por parte do leitor.
O primeiro elemento a descobrir é a idéia central diretriz do trabalho
do autor de modo a clarificá-la no iriterior do texto. Nem sempre isso é tão
o ESTUDO DO TEXTO 93

¯
fácil cómo pode parecer à primeira vista. As vezes essa diretriz não está incluí-
da no título do trabalho e nem mesmo pode ser percebida através da leitura do
sumário ou do índice da obra. Com freqüência o autor trata das relações exis­
tentes entre vários elementos, ou seja, aborda uma estrutura composta de vá­
rios fatores ao invés de um fato claramente distinguível . E a descoberta dessa
proposição, ou diretriz, requer do leitor esforço na investigação. A maneira
mais prática de se encontrar a temática do texto é, durante a leitura, buscar
permanentemente resposta para as perguntas:
1. Do que trata este teto? .
2. O que mantém sua unidade global?
Ora, toda exposição de um tema ou tese é também uma apresentação de
um problema. Sendo assim, ao descobrir o tema sobretudo de textos flosó­
ficos e teóricos em geral o estudante deve também procurar captar qual é es­
se problema que motivou o autor, pois a captação da problemática presta
grande auxílio ao correto entendimento de todo o texto.
Solucionada essa questão, é preciso saber, em seguida, como o autor
aborda o tema e expõe sua problemática, ou seja, como fundamenta sua argu­
mentação e em que baseia sua conclusão. Nos textos bem feitos o autor desen­
volve seu raciocínio lógica e progressivamente, conduzindo o leitor na seqüên­
cia de seu pensamento. Age dessa maneira para tornar inteligível a solução que
encontrou para o problema. Mas nem todos os textos são redigidos com essa
limpidez expositiva. Nesses casos o estudante tem de procurar, até encontrar,
o processo de raciocínio do autor que, aparentemente, está disperso na unida­
de de leitura. Em outras palavras, tem de reconstituí-lo esquematicamente. E
isso é importante porque o esquema lhe fornecerá a representação gráfica do
que vem a ser a "coluna vertebral" do texto.
Obtido o esquema (que pode ser bastante diferente do realizado na pri­
meira leitura, durante a análise textual), o estudante terá certeza de ter com­
preendido tudo que o autor quis expor de essencial no desenvolvimento do seu
problema. Comparando-se o texto com um organismo vertebrado, podería­
mos dizer que o esquema obtido na análise esquemática equivale ao esqueleto
do vertebrado a estrutura de sustentação do texto erguido. Sem essa estru­
tura o texto seria somente um aglomerado informe de conceitos e idéias.
Por outro lado, valendo-nos da mesma comparação, o organismo verte­
brado não é constituído apenas pelo esqueleto, como o texto quase- nunca é
apenas sua idéia diretriz. O vertebrado possui também outros órgãos; o texto
costuma apresentar idéias secundárias, temas complementares, digressões etc.
A diferença entre os dois está no fato de que o organismo vertebrado não pode
dispensar os demais órgãos sem ficar mutilado, mas o texto pode permitir a ex­
clusão das idéias secundárias ou complementares sem perder sua seqüência ló­
gica. Esses demais "órgãos " do texto são utilizados pelo autor para apoiar seu
pensamento ou melhor argumentar sua proposição mas se o leitor dispensá­
-los a exposição do tema não sofrerá prejuízo significativo.
Então, para identificar esses complementos não-essenciais, o estudante
deve examinar cada elemento do texto e compará-lo com os ossos de um verte-
94

o MÉTODO CIENTiFICO
brado: se fazem parte do "esqueleto" são essenciais, caso contrário são com­
plementares e secundários.
Finalmente, a análise temática só deve ser considerada completada quan­
do o estudante consegue estabelecer com segurança ° esquema definitivo do
pensamento do autor . No momento em que isso ocorre ele pode dar-se por sa­
tisfeito, porque realmente apreendeu o conteúdo do texto.
Æ
A ANALISE INTERRETATIVA
A terceira etapa da leitura analítica visa à interpretação do texto. As duas pri­
meiras permitiram ao estudante "ouvir" o autor. Agora ele passará a inferir e
interpretar o que "ouviu", fazendo seu conhecimento galgar um nível supe-

flor.
Nesse caso, interpretar é tomar uma posição própria a respeito das idéias
enunciadas, é superar a estrita mensagem do texto, é ler nas entrelinhas, é for­
çar o autor a um diálogo, é explorar toda a fecundidade das idéias expostas, é
cotejá-las com outras, enfim, é dialogar com o autor, como diz Severino (59:
p. 24).
É claro que isso não é simples, sobretudo para o estudante que não está
familiarizado com a temática do texto. Mas, se não é simples também não é
impossível . Para alcançar bom resultado nesta etapa, o estudante tem de estar
muito atento para não se deixar conduzir por sua própria subjetividade, nem
permitir a influência nefasta de preconceitos na interpretação que fará do tex­
to. Deve lembrar-se de que o texto é o objeto de seu estudo e nele é que estarão
contidos os elementos a serem interpretados. Tomada essa precaução inicial, e
exercendo-a durante todo o processo, resta agora voltar ao texto com humildade.
Ao iniciar a análise interpretativa é conveniente relàcionar as idéias expos­
tas pelo autor com o contexto da cultura científica e filosófica. Para isso, evi­
dentemente, é preciso recorrer a outras fontes. Talvez os dados obtidos durante
a análise textual ajudem bastante, mas é fundamental que se busque comple
.
­
mentá-los sempre que o caso em estudo disso necessitar. A comparação do
pensamento do autor com as idéias de seus contemporâneos e a associação
com idéias afins clarificam a unidade de leitura e permitem ao leitor uma visão
mais ampla da posição do autor na exposição do tema. Trata-se, então, de des­
cobrir como o texto em questão está relacionado com o resto da obra do autor ;
a que corrente de pensamento filosófico ele se filia; se é uma contribuição ori­
ginal à cultura científica ou filosófica, ou se nada tem de original .
.
Depois, é preciso realizar a "leitura das entrelinhas", isto é, descobrir ou
inferir o que está apenas implícito no texto e que serviu de base para o autor
fundamentar seu raciocínio. Esses elementos "camuflados", uma vez desvela­
dos, podem clarificar bastante a posição do autor ante o tema e torná-la mais
acessível ao estudante. Então, com tudo isso realizado já se pode adotar uma
posição pessoal em relação ao texto estudado.
o ESTUDO 00 TEXTO
A tomada de posição, ou juízo crítico, é sempre delicada. Além disso, ne­
cessariamente pressupõe uma atitude científica de julgamento. Aqui não há lu­
gar para "gosto porque gosto" e afirmações ou negações desse gênero. É in­
dispensável o uso da maior objetividade possível . O estudante tem de alcançar
seu juízo com base na coerência intrínseca da explanação e na validade dos ar­
gumentos utilizados
.
pelo autor. É também do cotejamento do conteúdo do
texto com as idéias que lhe são afins que se define se o autor foi ou não original
no tratamento dispensado ao problema. Finalmente, a posição do leitor tem de
ter fundamento, alicerçar-se em argumentos válidos, lógicos e convincentes.
Ao chegar a esta fase o leitor está capacitado a elaborar o resumo escrito
do seu estudo, caso isso seja necessário. O resumo configura a síntese do estu­
do, a recomposição das partes estudadas no todo original mas um todo que
agora está apropriado, assumido em sua plenitude pela mente do estudante.
Ao terminar a análise interpretativa, seguramente o nível de conhecimen­
to do leitor terá se ampliado em quantidade e qualidade. Para continuar
desenvolvendo-o resta somente levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao
confronto da discussão em seminários, grupos de estudo ou reuniões de cole­
gas. No debate, algumas conclusões tidas inicialmente como sólidas e inabalá­
veis poderão revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor e,
muito provavelmente, estimularão novas reflexões, abrindo um novo ciclo de
aprofundamento de análises . Desse modo, o rendimento do estudo registrará
sensível impulso.
Como última observação, cabe chamar a atenção para o seguinte: uma
leitura analítica responsável não requer um número determinado de leituras .
Tudo depende da extensão e da complexidade da unidade de leitura, bem co­
mo do nível de análise a que se propõe o leitor . O estudante deve voltar ao tex­
to, inquiri-lo e perquiri-lo três, cinco, dez, vinte ou mais vezes, até satisfazer
suas próprias necessidades de análise para chegar à síntese desejada. A única
afirmação que se pode fazer no sentido do número de leituras é que rarissima­
mente a leitura analítica atinge a satisfação de todas as suas etapas no primeiro
contato do leitor com o texto a ser estudado.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
Neste capítulo examinamos a maneira de encontrar a idéia principal de uma unidade
de leitura, bem como quais são os itens básicos para sublinhar, esquematizar e resu­
mir um texto. Da mesma maneira, também expusemos a orientação metódica para
submeter o texto às análises textual, temática e interpretativa. Vejamos, em síntese,
no que consistem essas orientações gerais.
PARA ENCONTRARA IDÉ
IA PRINCIPAL NA UNIDADE DE LEITURA
1. Delimite as unidades de leitura do texto, segundo o sentido completo de pen­
samentos expressos pelo autor.
2. Analise a unidade de leitura, encontre a idéia principal e formule-a em uma
frase-resumo.
96 o METODO CI ENTiFI CO
PARA SUBLINHAR O TEXTO
Å
1. Não sublinhe na primeira leitura. Antes de começar a sublinhar é preciso ter
um contato inicial com o texto e submetê-lo a um questionamento.
2. Sublinhe durante a leitura refexiva, mas apenas o que é realmente importan­
te para o estudo do texto.
PARA ESQUEMATIZAR O TEXTO
1. Faça uma distribuição gráfica do assunto, mediante divisões e subdivisões
que representem sua subordinação hierárquica.
2. Construa o esquema por meio de chaves de separação ou por listagem com
diferenciação de espaço e/ou classificação numérica para as divisões e subdi­
visões dos elementos.
3. Mantenha no esquema fidelidade ao texto original .
4. Ordene a estrutura do esquema de forma lógica e facilmente compreensível.
PARA RESUMIR O TEXTO
1. Não comece a resumir antes de levantar o esquema do texto ou de preparar
as anotações de leitura.
2. Redija o resumo em frases breves, diretas e objetivas.
3. Acrescente ao resumo as necessárias referências bibliográficas .
4. Acrescente, sempre que considerar conveniente, suas observações pessoais
ao resumo.
PARA A ANÁLISE TEXTUAL
1. Estabeleça a unidade de leitura.
2. Leia rapidamente o texto completo da unidade de leitura, assinalando na
margem as palavras desconhecidas e pontos que requererem melhor esclare­
cimento.
3. Esclareça o sentido das palavras desconhecidas e as eventuais dúvidas que te"
nham surgido no texto.
4. Informe-se melhor sobre o autor do texto.
5. Faça um esquema do texto estudado.
PARA A ANÁLISE TEMÁTICA
1. Releia de modo reflexivo o texto da unidade de leitura, com o propósito de
apreender o conteúdo,
2. Procure no texto completo as respostas para perguntas do tipo:
a. De que trata este texto?
b. O que mantém sua unidade global?
3. Procure encontrar o processo de raciocínio do autor, mediante um esquema
do plano do texto (este esquema pode ser muito diferente do obtido na análi­
se textual). ,
4. Examine cada elemento do texto e compare-o com os ossos de um vertebra­
do: se faz parte do "esqueleto" do texto é um elemento essencial, caso con­
trário é um elemento secundário ou complementar.
5. Só dê por terminada a análise temática quando estabelecer com segurança o
esquema definitivo do pensamento do autor.
PARA A ANÁLISE INTERPRET ATIV A
1. Não se deixe tomar pela subjetividade.
2. Relacione as idéias do autor com o contexto filosófico e científico de sua
época e de nossos dias.
3. Faça a "leitura das entrelinhas" a fim de inferir o que não está explícito no
, texto.
+
o ESTUDO DO TEXTO 97
4. Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível , com relação ao texto.
Essa posição tem de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e
convincentes.
5. Faça o resumo do que estudou.
6. Discuta o resultado obtido no estudo.
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Se você compreendeu o conteúdo deste capítulo, tente responder às questões
apresentadas abaixo. Para melhor aproveitamento, selecione algumas delas
como tema de um trabalho ou de discussão com alguém.
• É verdadeia ou falsa a afirmação segundo a qual todo texto possui uma
idéia princIpal?
• O que se deve fazer para encontrar unidades de leitura em um livro?
• Para que serve dividir um texto em unidades de leitura?
• Quais são as características básicas da análise textual?
• Tudo o que nos parece importante em um texto deve ser sublinhado logo na
primeira leitura? Por quê?
• Existem sinais convencionais já estabelecidos para se fazerem anotações à
margem dos textos? Se existem, quais são e para que servem?
• Qual é a regra fundamental que se deve observar para sublinhar um texto?
• O que é esquematizar um texto?
• O esquema de um texto substitui inteiramente o seu resumo? Por quê?
• Como você faria um esquema deste capítulo? E do tópico "Como esquema­
tizar", seria possível fazer um esquema? E um resumo?
• Que condições são necessárias para se obter um bom esquema?
• É preciso exercitar-se na arte de resumir? Por quê? Resumir é uma arte ou
uma técnica?
• Que condições são necessárias para se fazer um bom resumo?
• Há alguma vantagem prática em se fazer a análise textual ou ela pode sim­
plesmente ser omitida? Por quê?
• A análise temática é mais importante do que a textual? Por quê? O que dife­
rencia uma da outra?
• Mediante a análise temática podemos dar por terminada nossa compreensão
total do texto? Por quê?
.
• O esquema obtido na análise temática pode ser diferente do alcançado com a
análise textual . Essa afirmação é falsa ou verdadeira? Por quê?
• No que consiste a comparação dos elementos essenciais do texto com os os­
sos do esqueleto de um vertebrado? Essa comparação tem alguma finalidade
prática? Se tem, qual é ela?
• Por que se diz que ,a análise interpretativa faz o leitor dialogar com o autor
através do texto?
• O que significa a expressão "realizar a leitura das entrelinhas"? É necessário
ler as entrelinhas?
• Quantas leituras de uma unidade de leitura devem ser feitas para se chegar à
síntese interpretativa correta de um texto?
ocu
• Introdução
• A ficha e o fichário
• A documentação bibliográfica
• A documentação temática
• A documentação geral
Æ
INTRODUÇAO
+
As atividades de sublinhar, esquematizar e resumir textos, tais como foram
apresentadas até aqui, constituem' preciosos auxiliares dá leitura e exercem um
papel de apoio inestimáv�l à análise e à sintese de conteúdos. Também já men-
cionamos a importância de qualquer trabalhador intelectual e nessa categoria '
incluem-se os estudantes em geral formar sua própria biblioteca, desenvol­
vê-la progressivamente e dela retirar grande proveito. Agora devemos abordar
a documentação pessoal, seus méritos, seus fundamentos e seu exercício prá­
tico.
Para justificar os méritos da documentação pessoal basta um único argu­
ménto: a falibilidade da memória. É verdade que em nossos dias já não se po­
de alegar tão freqüentemente a carência de fontes de consulta e informação pa­
ra a realização de qualquer trabalho intelectual . As universidades e faculdades
estão distribuídas por quase todo o território nacional , com seus corpos docen­
tes e bibliotecas à disposição dos interessados; as editoras enviam números
crescentes de livros às livrarias, lançando quase diariamente obras originais ou
traduzidas sobre os mais diversos assuntos e especialidades; as bibliotecas pú­
blicas e espeializadas já contam com acervos razoáveis de publicações; e sem­
pre há a possibilidade de uma consulta específica aos centros de documentação
existentes pelo mundo afora. Tudo isso é verdadeiro, mas não invalida a neces­
sidade de cada trabalhador intelectual possuir sua própria biblioteca. Da mes­
ma forma, e com mais razão, não invalida a prática da documentação pessoal ,
pois nela se encontra ainda o melhor instrumento auxiliar de apoio à memória
de maneira prática e imediata.
'
Ante a complexidade e a variedade das informações que recebemos diaria­
mente, através do estudo e dos mais diferentes meios de divulgação, seria pedir
Æ
A DOCUMENTAÇÃO PESSOAL 99
muito que nossa mente fosse capaz de reter tudo, mesmo que o fizesse com um
mínimo de exatidão. Talvez não se possa confiar a ela a retenção de até o es­
sencialmente indispensável para o exercício de nossa atividade intelectual . As­
sim, a resposta à natural deficiência da memória é suprida pela documentação
pessoal sistemática. Sem ela o proveito do estudo corre sério risco de perder-se
com o tempo. Sem ela o intelectual está sempre sujeito a entrar em dúvida
quanto à providência correta a adotar no momento em que elabora um traba­
lho, desenvolve um estudo ou tem uma idéia que requer fundamentação.
Há quem argumente que nessas situações é sempre possível recorrer-se a
um centro de documentação, uma biblioteca, uma fonte· específica de consul­
ta. Mas, vale perguntar aos defensores desses argumentos: se a memória é falí­
vel, como ativá-la corretam ente para que encontre a fonte precisa do que ne­
cessitamos, no momento preciso em que é requerida?
A documentação pessoal supre a necessidade da informação prévia até
mesmo para orientar a pesquisa em outras fontes de consulta, estabelece um
diálogo permanente com a memória e estimula constantemente a criatividade
intelectual . A tudo isso, acrescenta ainda as vantagens de ser prática (quando
bem feita) e estar sempre à disposição.
Os estudiosos da sistematização da documentação pessoal costumam sa­
lientar a importância de o seu exercício ser praticado constantemente no estu­
do e na aprendizagem, tornando-se um hábito indissolúvel do estudo. Isso sig­
nifica que se deve documentar idéias, leituras, aulas, conferências, debates, se­
minários, experiências práticas, enfim, tudo o que é documentável na área de
interesse do estudante.
Obviamente não se pretende com isso afirmar que a documentação pes­
soal tenha de registrar tudo o que se estuda, aprende, lê ou escuta, mas apenas
aquilo que tem importância signifcativa. Uma documentação global, abran­
gendo tudo, seria inútil, pois requeriria o emprego das vinte e quatro horas de
todos os dias somente para efetuar-se. Assim, a atitude a adotar é considerar
como documentável apenas o material que tenha real importância e utilidade
em função de nossa atividade intelectual, seja ela de estudos acadêmicos ou de
desenvolvimento profissional .
Quanto à forma de documentar, a orientação geral indica que se usem fi­
chas no tamanho conveniente para conter as informações merecedoras de re­
gistro. (O hábito adquirido nos cursos médios de proceder à documentação em
cadernos não é recomendável por tornar a consulta posterior pouco prática,
quando não impossível .) Essas fichas serão organizadas em fichários, cuja or­
ganização para consulta posterior pode variar muito de indivíduo para indiví­
duo. Como a documentação pessoal deve, evidentemente, servir às necessida­
des pessoais, individuais, do trabalhador intelectual , aqui só apresentaremos
algumas sugestões de procedimento a título de guia geral . Cada um as adapta-
¥ ¶ P P • P

ra a sua propna convemenCla e gosto.
Quanto à forma de classifcação, é já tradicional a divisão em três grupos
básicos assim constituídos: documentação bibliográfica, documentação temá­
tica e documentação geral . Veremos mais adiante em que consistem.
1 00 o METODO CI ENTiFICO

A FICHA E O FICHARIO
Toda ficha de registro, também chamada de ficha de conteúdo, deve apresen­
tar um cabeçalho geral , informando claramente o título do documento e a fon­
te de onde foi obtido o material registrado. Ao ser preenchida, de preferência à
máquina, deve-se prestar muita ateIção na transcrição dos dados essenciais da
fonte (nome do autor, título da obra, capítulo, citação, número da página de
onde foi extraída a citação etc. ), a fim de que sua função indicadora não fque
deturpada por erro de anotação. A fidelidade de indicação é condição indis­
pensável para esse tipo de documento.
No preenchimento da fcha de conteúdo com transcrições, anotações, es­
quemas, resumos e nossas próprias idéias, é fundamental adotar-se um código
de marcação, a fim de tornar facilmente identificável a natureza do registro.
Por exemplo, para essa finalidade Délcio Vieira Salomon indica o uso de aspas
(" . . . . ' ') para os casos de citações diretas ; o asterisco ao lado (*) para a identifi­
cação de resumos; duas barras (1 . . & /) para as idéias pessoais, distinguindo-as
das de outras pessoas. O interessado, porém, pode adotar qualquer espécie de
marcação codificada (süblinha, cores diferentes, sinais convencionais etc.) que
lhe parecer mais conveniente, contanto que mantenha o mesmo código em to­
do o trabalho da documentação pessoal caso contrário as informações o
confundirão e a documentação perderá uma parte considerável de seu valor.
Além das fichas de conteúdo é recomendável também a preparação das fi­
chas de chamada, um pouco mais altas, cuja fnalidade é separar no fchário
os diferentes temas de registro. Como simples indicadoras de assunto, elas não
devem conter mais que o título do assunto que separam no interior do fichário.
A prática tem demonstrado que a organização do fichário apenas por al­
fabetação é pouco funcional , sobretudo porque impede que fichas sobre um
mesmo assunto, mas com títulos diferentes, permaneçam juntas. Há distintas
maneiras de se corrigir esse inconveniente que obriga a examinar todo o fichá­
rio para localizar-se a documentação completa sobre um mesmo assunto ou as­
sunto estreitamente correlato. Dentre elas, porém, a mais prática é o sistema
indicado por Délcio Vieira Salomon (op. cit . , p. 1 1 1 - 1 12), que consiste em
uma mescla da alfabetação e do sistema de classificação decimal .
O sistema decimal cataloga em 10 grandes áreas o universo do saber, cada
uma das quais podendo ser dividida e subdividida à vontade. Cada área rece­
be uma numeração, de modo que as divisões e subdivisões são numeradas se­
gundo um critério semelhante ao sistema decimal , com a quantidade de núme­
ros aumentando de acordo com a maior especificidade do assunto. Por exem­
plo: o número 10. 03 . 24 corresponderia à Filosofia ( 1 0) , Filosofia da Ciência
(10.03, por ser a terceira divisão da Filosofia), Hipóteses da Filosofa da Ciên­
cia (1 0.03.24, por ser a vigésima quarta subdivisão da Filosofia da Ciência) . Na­
turalmente o sistema requer a elaboração de todo um catálogo pessoal que sir­
va de índice para a correta nUmeração das subdivisões, espécies etc.
O sistema misto evita o catálogo, permitindo que as próprias fichas de cha­
mada constituam o índice do fichário. Súa aplicação prática é bastante simples
A DOCUMENTAÇÃO PESSOAL 101
e não exige qualquer especialização em documentação:
1. Para que as fichas de chamada possam ser usadas como classificado­
res-índices, devem ser de dois tipos : um com saliência central para a
inscrição do título dos gêneros mais abrangentes, outro com saliência
lateral, com os títulos indicadores das divisões ou classificações mais
específicas dos grandes gêneros abrangentes. Em outras palavras, o sis­
tema permite que o fichário fque classificado por meio das grandes se­
ções indicadas pelas fichas de saliência central . Por sua vez, essas se­
ções receberão a indicação de subseções pelas fichas de saliência lateral.
Ecada fcha de subseção terá atrás de si o conjunto de fchas de conteúdo.
2. As fichas de chamada indicadoras das subseções podem ser organiza­
das por meio da alfabetação de seus títulos ou segundo uma classifica­
ção adequada à natureza da documentação.
3. As fichas de conteúdo serão adequadamente distribuídas atrás das suas
fichas indicadoras de subseção. Sua organização também poderá ser
por alfabetação (de acordo com o título) ou por outro critério adotado
pelo interessado.
A DOCUMENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
A documentação bibliográfica é formada pelo registro de informações especí­
ficas sobre livros, revistas, apostilas, artigos de jornais e revistas, folhetos, te­
ses de graduação etc. Ela deve ser feita à medida que o estudante vai tomando
contato com os diferentes textos ou com informações sobre determinados tra­
balhos escritos, tais como críticas , resenhas, apresentações etc. , sobre determi­
nado livro ou assunto que possa ser de interesse imediato ou mediato para sua
atividade intelectual .
A ficha de conteúdo deve conter no cabeçalho o nome do autor ou auto­
res, o título do texto (livro, artigo etc.) fichado, o local da publicação, o nome
da editora e demais informações bibliográficas pertinentes à correta identifica­
ção do que se trata. Somente após esses dados é que tem início o registro que se
deseja fazer.
Muitas vezes a ficha de documentação bibliográfica é aberta e classificada
no fchário com apenas o registro de um mínimo de informações. Ela será pau­
latinamente completada à medida que o estudante for ganhando maior familiari­
dade com o texto e submetendo-o às diferentes etapas de sua análise. Conside­
ra-se ideal para esse tipo de documento que o registro final corresponda ao re­
sumo da análise temática do texto. Contudo, pode continuar aprofundando-se
para apresentar o resultado da análise interpretativa.
102 o MÉTODO CIENTiFICO
Como cuidado especial na anotaçãQ das fichas deve-se dar atenção para
que as várias informações sejam acompanhadas pela indicação entre parênte­
ses da numeração das páginas a que se referem.
P #
A DOCUMENTAÇAO TEMATICA
A documentação temática tem a finalidade de coletar elementos para o estudo
ou pesquisa dentro de determinada área. No início ela pode ser orientada de
acordo com a estrutura curricular de uma disciplina específica ou de todo um
curso. Se corresponder a todo um curso, então cada disciplina deverá ter sua
própria seção no fichário.
O registro temático é mais abrangente que o bibliográfico, pois a ele cor­
responde assegurar a manutenção de informações não apenas extraídas de lei­
tura, mas também de aulas, conferências, seminários, trabalhos e debates de
grupos de estudo etc. Nele devem igualmente constar as idéias do estudante,
para que não se percam com o passàr do tempo. Por tudo isso o estudante deve
habituar-se a transpor para fichas de conteúdo os apontamentos tomados em
classe, e fazê-lo de modo sistemático, a fim de tê-los à disposição para consulta
no momento oportuno.
É recomendável que o preenchimento das fichas evite longas transcrições.
A ficha deve funcionar como lembrete; portanto, oferecer apenas informações
resumidas . Se bem feita e indicando corretamente as fontes, tudo que se deseja
dela é que seja breve, mas suficientemente clara para permitir a compreensão
de seu conteúdo em consulta realizada muito tempo depois da data da anota­
ção. Por isso, a extensão e a quantidade das transcrições não podem ser medi­
das com réguas ou litros . Havendo real necessidade, é recomendável que os re­
gistros apresentem as transcrições consideradas indispensáveis . A experiência
pessoal de cada um é que determinará a sua extensão e quantidade em cada ca­
so particular.
A DOCUMENTAÇÃO GERAL
Ao contrário das anteriores, a documentação geral não é feita em fchas, mas
em pastas . Sua função é a organização e preservação de documentos extraídos
de fontes pouco acessíveis ou perecíveis . Recortes de jornais e revistas, cópias
xerocadas de capítulos, trechos de apostilas e livr
o
s esgotados, folhetos, tabe­
las, estatísticas, mapas, gráficos etc. , tudo isso constitui documento comple­
mentar da biblioteca pessoal e deve ser cuidadosamente montado em folhas
brancas de papel de formato oficio. Essas folhas serão então organizadas em
pastas e devidamente catalogadas por assunto. Sempre que for o caso, devem ter
registro em fcha de documentação bibliográfica ou temática para classifica­
ção no fichário.
Aconselha-se que a montagem nas folhas de papel de formato ofício obser­
ve o cuidado de deixar espaço suficiente para a anotação completa da origem do
A DOCUMENTAÇÃO PESSOAL 103
documento. Ou seja, nenhum documento deve ser montado em pasta sem es­
tar devidamente identificado com o nome do artigo ou obra de onde foi extraí­
do; do jornal ou revista em que foi publicado; da conferência, do seminário ou
do ciclo de estudos em que foi apresentado ou discutido; o nome do autor ou
autores, a data de publicação e a página ou páginas que ocupava na fonte ori­
ginal.
SILVEIRA BUENO, Francisco
A arte de escrever
Saraiva, São Paulo, 1949, p. 1 01
Causas do estilo áspero
"Entre as mais comuns, notamos: 1 ) a repetição freqüente dos "quês"; 2) a
pontuação exagerada; �) as ligações defeituosas; 4) a falta de leitura poética, emevoz
alta; 5) a seqüência da sibilante "s"; 6) a sucessão de palavras fortes" .
• 'ig. 8.1 Exemplo de ficha de conteúdo.
¼
SEMANTICA
ESTILO
• W W
LINGUISTICA
t
×
F'ig. 8.2 - Exemplos de fichas de chamada.
VERDADE CIENTÍFICA
"A ciência jamais persegue o objetivo ilusório de tornar finais ou mesmo pro­
váveis suas respostas. Ela avança, antes, rumo a um objetivo remoto e, não obstan­
te, atingível: o de sempre descobrir problemas novos, mais profundos e mais gerais,
e de sujeitar suas respostas, sempre provisórias, a testes sempre renovados e sempre
mais rigorosos".
Popper, K. A lógica da pesquisa cient., p. 308
"Embora não possa alcançar a verdade nem a probabilidade, o esforço por co­
nhecer e a busca da verdade continuam a ser as razões mais fortes da investigação
científica" .
Idem, ibidem, p. 506
Fig. 8.3 Exemplo de ficha de documentação temática.

104 o METODO CIENTiFICO
LINGÜÍSTICA
JAKOBSON, Roman

1973 Lingüística e comunicação
São Paulo, Cultrix, 6 ed.
162 p.
Tradução de Isidoro B1ikstein e José Paulo Paes
Prefácio de Isidoro B1ikstein
O livro trata das relações da Lingüística com a linguagem dos antropólogos; aspec­
tos Iingüísticos da tradução; a Lingüística e a teoria da comunicação etc. Traz bi­
bliografa em nota de rodapé apenas.
Da especial atenção ao cap. "A procura da essência da linguagem".
Fig. 8.4 Exemplo de ficha de documentação bibliográfica.
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Se você realmente compreendeu o conteúdo deste capítulo, tente responder às
questões apresentadas abaixo. Para melhor aproveitamento, selecione algu­
mas delas como tema para um trabalho, ou como assunto para discussão com
×
alguém.
• Pode-se confar na retenção da memória para pelo menos guardar o indis­
pensável para o exercício da atividade intelectual?
• Que vantagens oferece o esforço de preparar uma documentação pessoal?
• É possível dizer-se que a documentação pessoal dispensa inteiramente o uso
da memória? Por quê? Ela é infalível?
• É desejável registrar tudo o que se conhece na documentação pessoal? Por
quê?
• De que maneira deve ser preparada a documentação? Existe alguma orienta­
ção prática nesse sentido? Se existe, qual é?
• Que diferença há entre preparar a documentação em fichas ou em cadernos?
Qual das duas é mais prática?
• Existe algum tamanho padronizado para as fichas de conteúdo?
• Qual é a diferença entre uma ficha de conteúdo e uma fcha de chamada?
• Quais são os elementos que devem constar do preenchimento de uma ficha
de conteúdo?
• Qual é a principal objeção contra a organização do fichário pela simples or­
denação alfabética das fichas?
• Há alguma vantagem em se possuir dois tipos de fichas de chamada? Em que
consiste?
• Quais são as diferenças básicas entre a documentação bibliográfica e a docu­
mentação temática?
• Que elementos são anotados nas fichas de documentação bibliográfica e nas
fichas de documentação temática?
• Que benefício traz a preparação de uma documentação geral?
8
racao

Æ
a co nlcacao

• Introdução
• A determinação do tema
• A seleção bibliográfica
Levantamento da bi bliografia
• A leitura e a documentação
• A estruturação lógica
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
• A redação provisória
W
INTRODUÇAO
Qualquer trabalhador intelectual tem freqüentemente necessidade de comuni­
car a outras pessoas os frutos de seu saber, de seu aprendizado, de sua ativida­
de. Essa necessidade decorre da própria vida, que constantemente solicita a
feitura de um relatório, a prestação de um exame, a defesa de uma tese, a reali­
zação de uma conferência, a elaboração de uma monografia, a redação de arti­
gos para jornais e revistas e assim por diante. Para que essa comunicação al­
cance o reconhecimento da comunidade científica é praticamente obrigatório
que sua elaboração seja feita segundo uma orientação metodológica.
As normas aplicáveis ao método da comunicação científica constam de al­
guns pressupostos de organização prévia, que aqui denominamos preparação,
bem como de elaboração material da comunicação propriamente dita, cuja
apresentação desdobramos em dois capítulos complementares: A técnica da
redação e A estrutura material do trabalho ..
A decisão de enfocar exclusivamente o processo do trabalho redigido dá­
-se pela simples razão de ser essa a forma mais usual de comunicar-se cientifica­
mente alguma coisa. Além disso, quem narra ou expõe oralmente o resultado
de um estudo, em verdade "escreve" mentalmente sua comunicação. O estu­
dante que presta um exame oral, por exemplo, para ser bem sucedido, tem de
fazer com que seu pensamento passe pelas diferentes etapas de organização e
desenvolvimento lógico requeridas para a redação. Assim, quem conhece e
pratica as normas de preparação e as técnicas de redação de trabalhos científi­
cos está igualmente capacitado para comunicar oralmente o resultado do que
pesquisou, aprendeu ou descobriu.
106 o METODO CI ENTi FI CO
A preparação da comunicação escrita demanda a elaboração de um plano
de trabalho que deve observar pelo menos as seguintes etapas:
1. A determinação do tema e sua problemática.
2. A seleção da bibliografia.
3. A leitura e a documentação.
4. A estruturação lógica.
5. A redação provisória.
Não se imagine, porém, que basta seguir fielmente essas etapas para o re­
sultado fnal ser um trabalho bem feito e de boa qualidade. Tendo a orienta­
ção como guia, o autor, sobretudo o iniciante, deve esforçar-se para pôr em
ação sua capacidade de refexão durante todo o processo de pesquisa, análise e
síntese. Nenhum método, por mais perfeito, poderá substituir a capacidade de
raciocinar do autor. Assim, o resultado final do trabalho será sempre determi­
nado pela capacidade e a habilidade de quem o elabora, não pela sistematiza­
ção da sua elaboração, embora esta possa aj udar bastante.
Sem perder de vista esse princípio, vejamos em que consistem as cinco eta­
pas da preparação.
Æ
A DETERMINAÇAO DO TEMA
A comunicação científca visa sempre a um propósito claro, por isso trata sem­
pre de um tema. É óbvio que se tal trabalho de comunicação for apenas um in­
forme, um resumo de uma obra ou a apresentação de uma experiência, seu te­
ma já estará previamente estabelecido. Há casos, porém, em que é necessário
fazer-se uma comunicação sem que o tema esteja previamente estabelecido.
Por exemplo, imaginemos que seja necessário elaborar uma comunicação cien­
tífica original , da qual dependerá a aprovação do autor em um curso de douto­
rado ou sua admissão em determinada instituição científica. Neste caso ele terá
de defender uma tese, ou seja, fazer uma monografia. Imaginemos também
que essa comunicação seja de tema livre, à escolha do autor. Então, que deve­
rá ele fazer para encontrar o tema de seu trabalho?
Continuando a usar nossa imaginação, suponhamos que o autor da co­
municação seja você. É você quem precisa redigir um tr.abalho capaz de de­
monstrar todo o seu valor como intelectual. Se o tema é de livre escolha, en­
tão, a primeira coisa que terá de fazer é encontrar o tema de seu trabalho de
comunicação. E isso não é assim tão simples .
Sem dúvida, qualquer assunto pode ser objeto de estudo científico e, por­
tanto, de comunicação científica. Mas, havendo possibilidade de opção, o
ideal é que você escolha um tema que lhe seja agradável e que esteja em harmo­
nia com suas disponibilidades pessoais. Nem sempre é fácil conciliar o gosto
com as condições objetivas de um estudo. Digamos que seu tema preferido se­
ja apenas para argumentar o ritual de iniciação religiosa dos maori. Se
.
estiver disposto a restringir seu trabalho à pesquisa bibliográfica, a escolha de
tal tema demandará apenas uma atividade mais ou menos normal de localiza-
A PREPARAÇÃO DA COMUNICAÇÃq 107
.
ção e seleção das fontes . Mas se desejar fazer uma comunicação realmente ori­
ginal e comprovar com pesquisa de campo a veracidade das informações de
que já dispõe, terá de prever uma viagem à Nova Zelândia para entrar em con­
tato direto com os indígenas maori, e com eles conviver por algum tempo.
Ora, talvez essas condições estejam completamente fora de suas disponibilida­
des materiais e, se assim for, tais condições invalidam a escolha desse tema.
Mediante esse exemplo você pode concluir que, mesmo não sendo tão do seu
agrado, o mais prático é escolher um assunto que você possa realmente desen­
volver na sua comunicação.
A
inda assim, não se decida logo por qualquer tema. Há todo um universo
de assuntos que merecem tratamento sério e investigação científica. Portanto,
trate de escolher um que apresente problemática interessante e que mereça ser
realmente investigado, caso contrário sua comunicação não dará nenhuma
contribuição à ciência.
Tendo em mente esses diferentes aspectos relativos à escolha do tema, fa­
ça em seguida um balanço de sua disponibilidade de tempo e de pesquisa, bem
como de consulta a eventuais especialistas da área que deseja abordar . Essas
considerações parecem frívolas , mas têm sua razão prática. Se você não dispõe
de muito tempo para dedicar ao trabalho que pretende desenvolver, não deverá
escolher um tema muito complexo, um assunto que requeira várias horas diá­
rias de atenção exclusiva, porque não terá condições concretas de realizar bem
a tarefa a que se propôs. Por outro lado, ainda sob o ponto de vista das condi­
ções práticas, é possível que, para um determinado assunto, você não possa
.
contar com a bibliografia adequada nem com especialistas da área para
orientá-lo no trabalho. Então, o que fazer: deixar de lado o trabalho ou esco­
lher outro tema? A resposta só pode ser uma: escolher outro tema mais de
acordo com as condições concretas de realização.
Ao fazer a escolha do assunto, é necessário também que você trate de deli­
mitá-lo, de caracterizar claramente a perspectiva pela qual você irá enfocá-Io.
No caso dos indígenas maori , por exemplo, se o seu enfoque for apenas um le­
vantamento comentado da bibliografia disponível sobre o assunto, então não
será necessário considerar uma viagem à Nova Zelândia etc. Em verdade, a ca-

.
racterização da perspectiva do tratamento não é válida apenas para avaliar a
possibilidade de realização do estudo, mas sobretudo para orientar claramente
o trabalho preparatório da sua comunicação.
Vejamos um novo exemplo. Qualquer pessoa sabe que é possível escrever
sobre o amor com enfoques distintos. Você pode tratar o tema o amor em ge-
.
raI, abordando seus mais variados aspectos. Mas também pode delimitar esse
enfoque, tratando-o do ponto de vista da Psicologia apenas, ou da Teologia
(quejá é um amor distinto, embora se enquadre perfeitamente sob o título ge­
ral "amor"), ou da Antropologia, ou da Literatura e assim por diante. Essa
delimitação ainda pode ser mais específca. Digamos que o tema escolhido seja
o amor na Literatura; você poderá caracterizá-lo ainda melhor se escolher co­
mo assunto. o amor na poesia, deixando a prosa de lado. A delimitação conti­
nuará se aprofundando, e precisando, se você resolver que o tema será o amor
na poesia brasileira do século XIX, o que eliminará do estudo os demais países
108 o METO DO CI ENTIFI CO
e as demais épocas . Enfim, a caracterização poderá chegar a um grau realmen­
te profundo de especificidade, dependendo do objetivo que você desejar al­
cançar com sua comunicação.
A clara delimitação do tema oferece a vantagem de concentrar os esforços
preparatórios na busca de informações mais definidas , tanto na pesquisa de
campo como na bibliográfica. Você saberá exatamente o que investigar na lei­
tura da bibliografia, ainda que outros autores não tenham tratado o tema sob
o ângulo que escolheu para seu trabalho.
Definido o assunto e distinguido dos assuntos afins, resta-lhe agora def­
nir também a diretriz sob a qual abordará o tema. Nessa fase do trabalho, tal
definição pode ser feita mediante uma hipótese, ou seja, a determinação prévia
de uma conclusão.
Continuando a trabalhar com o mesmo exemplo, digamos que o tema es­
colhido seja o amor na poesia brasileira do século XIX. Você pode, é claro,
formular várias hipóteses sobre a presença do amor na poesia nacional daque­
la época. Escolha uma delas para hipótese de trabalho. Naturalmente a esco­
lha deverá considerar os conhecimentos que você já possui sobre o assunto, ca­
so contrário haverá risco de a hipótese ser inteiramente absurda. Tendo isso
em mente, suponhamos que sua hipótese seja: a miscigenação foi o elemento
determinante da expressão amorosa na poesia brasileira do século XIX. Essa
hipótese, evidentemente, terá de ser confirmada.
Como obter a confirmação?
Somente depois da investigação jamais antes.
A hipótese de trabalho tem a fnalidade precípua de orientar a pesquisa -
formulá-la e orientá-la de modo rigoroso. Não é conclusiva. E isso deve ficar
bem esclarecido. A hipótese é especulativa enquanto não for devidamente
comprovada pela investigação. Não é honesto e, portanto, foge a qualquer cri­
tério científico, deturpar os dados obtidos na investigação para confirmar a
formulação de uma hipótese de trabalho. Assim, voltando ao exemplo, seu
trabalho de comunicação só poderá concluir que a miscigenação foi o elemen­
to determinante da expressão amorosa da poesia nacional do século passado se
a investigação assim o demonstrar. Se os dados obtidos na pesquisa não com­
provarem a hipótese, o trabalho de comunicação não poderá concluir com tal
afirmativa.
.
Muitas vezes, durante a investigação, a hipótese ini
c
ial pode sofrer uma
transformação ou uma substituição. Ocorre que, ao pesquisar, descobrem-se
fatos ou dados inteiramente novos, capazes de modificar a diretriz da aborda­
gem, ou seja, modificar o rumo da investigação.
Enfim, uma última informação prática para a fase da elaboração da hipó­
tese de trabalho: enquanto você está tratando de formular a hipótese, limite-se
a reunir os elementos já conhecidos do tema, mas faça-o da maneira mais com­
pleta e sistemática possível. Trate de juntar todo o material diretamente rela­
cionado ao seu tema, mas não despreze inteiramente alguns outros que, embo­
ra não diretamente relacionados, possam esclarecer outros aspectos da ques­
tão.

RESUMO ESQUEMATICO
@
A PREPARAÇÃO DA COMUNICAÇÃO 109
Tudo o que foi dito sobre como escolher o tema da comunicação, e sobre como pro­
blematizá-lo, pode ser resumido nos seguintes pontos principais:
1. Tratando-se de tema livre, é sempre mais prático escolher um cujo desenvol­
vimento na comunicação esteja realmente ao seu. alcance. Evite temas de­
masiadamente complexos ou ambiciosos para suas possibilidades.
2. Uma vez escolhido o tema, planeje o tempo de qúe dispõe para realizar o tra­
balho e consultar especialistas na área do assunto.
3. Delimite claramente a perspectiva pela qual você vai enfocar o tema, Isto
ajuda a selecionar a bibliografia.
4. Estabeleça uma hipótese de trabalho, baseada no conhecimento de que já
dispõe sobre o assunto.
S. Oriente sua investigação segundo a hipótese de trabalho,
6. A hipótese' de trabalho, enquanto hipótese, não é conclusiva, mas especulati­
va. Somente após a investigação exaustiva dos fatos em que se baseia é que
pode ser confirmada ou não -jamais antes!
Æ Æ
A SELEÇAO BIBLIOGRAFICA
Dissemos antes que a hipótese de trabalho pode ser confirmada ou não pela in­
vestigação; é a investigação que lhe dará consistência ou negar-Ihe-á validade.
Tal investigação poderá ser efetuada mediante pesquisa experimental, pesqui­
sa descritiva ou pesquisa bibliográfica.
As pesquisas experimental e descritiva são de aplicação específica para as
ciências empíricas e os interessados nessa atividade devem orientar-se através
de obras especializadas em sua área de estudo. A pesquisa bibliográfica, no en­
tanto, é um meio de ação e de investigação de todo trabalhador intelectual.
Além disso, como não se pode compreender a realização de pesquisa experi­
mental , nem de pesquisa descritiva, sem haver necessidade de efetuar também
pesquisa bibliográfica, somente desta última trataremos nesta obra introdutó­
ria e de limites restr·itos. E o fazemos colocando uma definição mais precisa:
Pesquisa bibliográfica é a que se efetua tentando resolver um pro­
blema ou adquirir novos conhecimentos a partir de informações
publicadas em livros ou documentos similares (catálogos, folhetos,
artigos etc.). Seu objetivo é desvendar, recolher e analisar as princi­
pais contribuições teóricas sobre um determinado fato, assunto ou
idéia .
.
Na introdução deste capítulo afirmamos que a preparação do trabalho de
comunicação deve forçosamente passar por uma fase dedicada à seleção da bi­
bliografia concernente ao tema. Em suma, isto quer dizer que é necessário rea­
lizar uma pesquisa bibliográfica que consiste em levantamento da bibliografia
existente sobre o tema, leitura e documentação da bibliografia e seleção final
do material coligido.
1 1 0 o METODO CI ENTiFI CO
Levantamento da bibliografia
Se ao longo de seus estudos acadêmicos você formou o seu próprio fichário bi­
bliográfico, chegou o momento de ele começar a revelar-lhe todo o seu valor.
Agora você já tem o tema e a hipótese de trabalho, então recorra ao fichário e
faça um levantamento das obras que necessitará para fundamentar sua hipóte­
se e desenvolver sua comunicação. Tanto o fichário bibliográfico como o te­
mático lhe serão de enorme valia nessa pesquisa. Caso, porém, o fichário não
seja sufici.ente, trate de complementá-lo consultando bibliotecas, centros de
documentação ou especialistas na área que você pretende abordar.
Normalmente o centro de consulta mais disponível é a biblioteca pública,
mas não esqueça que também há bibliotecas universitárias e bibliotecas institu­
cionais com valiosos acervos a serem consultados.
Se você costuma freqüentar bibliotecas, certamente já goza de familiari­
dade com o procedimento estabelecido para localizar e obter as obras em que

está interessado. No entanto, se este procedimento não lhe é familiar , é bom
que tenha uma noção sucinta de como as bibliotecas são organizadas, pois isso
lhe economizará bastante tempo de pesquisa.
As bibliotecas estão organizadas no sentido de facilitar ao leitor a consul­
ta de suas obras . Para isso, geralmente dispõem de catálogos nos quais apre­
sentam as obras de seu acervo classificadas por assunto, por título e por autor.
Além do catálogo, dispõem também de fichários . Cada livro, artigo etc. que
pertence ao acervo da biblioteca é devidamente registrado em uma ficha, onde
é anotado o título do documento, o nome do autor e algumas outras informa­
ções padronizadas , tais como o local da edição, o nome da editora, o ano da
publicação etc. Esta ficha, também conhecida como ficha de título, dá origem
às fichas de autor e de assunto. De modo que se você chegar a uma biblioteca
com uma d.essas perguntas :
1. Há uma obra de tal autor?
2. Há uma obra com tal tíulo?
3. Há uma obra que trate de tal assunto?
para obter a resposta bastará consultar o catálogo ou dirigir-se à seção dos fi­
chários e procurar o que deseja no arquivo correspondente: de autores, de títu­
los ou de temas e assuntos . Ao encontrar o que buscava, anote os números de
referência do código da biblioteca, inscritos em cada ficha ou constantes no
catálogo e entregue seu pedido ao funcionário atendente. Em poucos minutos
a obra requisitada lhe será entregue.
As bibliotecas, no entanto, não são exclusivas no fornecimepto de infor­
mações bibliográficas. Existem também repertórios e boletins bibliográficos,
que são publicações especializadas no levantamento do material publicado. Es­
sas obras, lançadas periodicamente, podem abranger todas as áreas do conhe­
cimento, assim como limitarem-se apenas a uma ou duas áreas, nas quais se es­
pecializam. Mas, de qualquer modo, são excelentes auxiliares para o levanta­
mento de bibliografias . Há autores que classificam entre os repertórios gerais
&
A PREPARAÇÃO DA COMUNICAÇÃO 1 1 1
também as enciclopédias e os dicionários especializados em determinadas ·
áreas, pois costumam trazer bibliografias básicas, sobretudo de obras clássicas
em cada ramo do conhecimento.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
A seleção da bibliografia pode ser feita mediante:
1. Consulta ao seu próprio fichário bibliográfico.
2. Consulta a bibliotecas, centros de documentação ou especialistas na área que
você deseja abordar.
3. Consulta a repertórios e boletins bibliográficos.
4. Consulta a enciclopédias e dicionários .
.
Para orientar sua consulta, as bibliotecas geralmente oferecem ao consulente:
1. Catálogos, nos quais relacionam as obras de seu acervo, por ordem alfabéti­
ca, classificando-as por assunto, por título e por autor.
2. Fichários, com fichas individuais para cada obra, organizados em ordem al­
fabética e classificados por assunto, por título e por autor .
Ao consultar os catálogos e fichários das bibl iotecas e encontrar o que deseja,
anote a referência da obra (número de código da biblioteca) e entregue o seu pedido
ao funcionário atendente.
#
A LEITURA E A DOCUMENTAÇAO
A fase seguinte ao levantamento é a da leitura e documentação do material co­
letado. Na etapa preparatória do tralalho de comunicação científica, tanto a
leitura como a documentação bibliográfica não diferem de tudo o que já foi
exposto nos Capítulos 7 e 8 deste livro. Recorde-se, porém, que agora o objeti­
vo do pesquisador é muito claro, pois dispõe até de uma hipótese de trabalho.
Sendo assim, a leitura buscará fundamentar a hipótese, tratando de encontrar
nos diferentes textos as passagens, conceitos, idéias etc. que melhor possam
colaborar para o esclarecimento do problema. Em muitos casos não é necessá­
rio ler toda uma obra para se encontrar o material requerido. Dependendo do
texto, você pode ir diretamente a um determinado capítulo cujo título revela a
presença do conteúdo desejado.
À medida que for tomando contato com o material levantado, numerosas
idéias novas lhe ocorrerão, porque você conhecerá muitos outros aspectos con­
cernentes ao tema. Então, aos poucos, você sentirá necessidade de fazer alguns
desvios no plano original de leitura. Esses desvios, ajustes e reajustes, se consi­
derados e mantidos sob a diretriz da idéia principal de seu tema, são enriquece­
dores e normais . É aconselhável manter o plano original de leitura como sendo
sempre uma disposição provisória e flexível da etapa de preparação, pois de

acordo com os dados que você for obtendo ele poderá sofrer maiores ou meno-
res transformações.
Por seu turno, a documentação que você fará durante a leitura constitui
.
uma tarefa preparatória da maior importância para sua comunicação científi­
ca. Tome nota e faça apontamentos de todos os elementos úteis que for cap-

1 1 2 o METODO CI ENTiFI CO
tando durante a leitura. Para isso utilize as fichas adequadas, a fim de que to­
do esse material esteja plenamente à disposição no momento em que você for
estruturar e redigir o seu trabalho. Em muitos casos esses apontamentos servi­
rão como um primeiro rascunho de boa parte do texto. Por isso, ao fazer seus
apontamentos, não deixe de registrar :
1. Trechos significativos das obras estudadas e consultadas. Transcreva
literalmente e entre aspas . Não esqueça de citar a fonte de onde extraiu
o material (nome do autor, título da obra, nome da editora, ano da pu­
blicação, número da página etc. ).
2. Idéias de outros autores, que não necessitam de transcrição literal e po-
.
Å
dem ser sumarizadas, mas que também devem ser acompanhadas da in-
dicação da fonte original.
'
3. Idéias que lhe ocorram durante a leitura, suscitadas pelo material obti­
do. Neste caso, anote apenas o que lhe veio à mente e, de acordo com o
destino que lhe pretender dar, indique ou não o texto que lhe provocou
a idéia.
Terminada a leitura'e preparada a documentação, trate agora de submeter
as anotações a uma revisão geral . Simultaneamente, vá também selecionando­
-as e ordenando-as provisoriamente. Esta é uma fase importante da prepara­
ção, pois dela poderá depender a qualidade fnal do trabalho de comunicação.
Se mal executada, porá a perder todo o esforço anterior . Neste momento você
só poderá contar com sua própria capacidade seletiva. Em apoio a essa ativi­
dade, a única coisa a fazer é estabelecer alguns pontos orientadores da conduta
a seguir e esforçar-se ao máximo para que sejam integralmente cumpridos.
Estes três pontos poderão servir-lhe como um guia sumário para essa ação:
1. Reler as fichas de documentação. Faça a releitura cuidadosamente,
com três objetivos fundamentais: descobrir lacunas no material docu-
¼
mentado; excluir tudo que não seja realmente útil ao trabalho; verificar
a coerência do material colhido em relação ao seu tema.
2. Complementar a pesquisa. Havendo lacunas, é preciso preenchê-las
adequadamente com nova documentação, portanto, a pesquisa inicial
terá de ser complementada. O mesmo se dará quanto à presença de in-

4
coerenCla.
3. Ordenar o material. Se a documentação está completa e coerente com
os propósitos do seu trabalho, depois de expurgá-la do material não-sig­
nificativo, trate de ordenar a fichas buscando distribuí-las segundo uma
estrutura lógica.
Estes três pontos são geralmente comuns a todos os trabalhos de seleção
do material documentado. Mas você poderá criar outros para assegurar que
essa fase seja realmente bem cumprida.
Para melhor compreender como agir no reexame da documentação, ob­
serve os dois exemplos de trabalho que apresentamos a seguir .
A PREPARAÇÃO DA COMUNI CAÇÃO 1 1 3
Se o trabalho tiver como tese a discussão da ideologia de um autor, verifi-
que se o material coletado apresenta:
1. A personalidade do autor estudado.
2. Detalhes relevantes da sua vida (dados biográficos).
3. O meio sócio-cultural em que ele viveu.
4. A obra que produziu (cronologia, autenticidade, originalidade, desta­
ques significativos).
5. A análise da doutrina (visão geral , influências; evolução do pensamen­
to, contribuição pessoal).
Tratando-se de trabalho que pretende apresentar o resultado de uma pes­
quisa descritiva ou experimental, verifique se o material é suficiente para cum­
prir os seguintes itens:
1. A apresentação dos objetivos do trabalho.
2. A descrição do material utilizado.
3. As características das amostras ou grupos estudados.
4. As condições em que se realizaram a experimentação e a coleta de da-
dos.
5. Os resultados obtidos.
6. A análise estatística dos dados.
7. A visão crítica dos dados.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
A leitura e a documentação do material coligido deve seguir a seguinte orientação
geral:
LEITURA
1. Uma vez coletado o material bibliográfico, estabeleça um plano para a sua
leitura.
2. Leia o material bibliográfico buscando fundamentos para a hipótese de tra­
balho.
3. Reconheça o aparecimento de novas idéias durante a leitura do material.
4. Considere o plano original de leitura como provisório e flexível, portanto,
sujeito a transformações de acordo com os dados obtidos durante a leitura.
DOCUMENTAÇ
Ã
O
1. Faça a documentação da leitura nas fichas adequadas (veja Cap. 8).
2. Registre os trechos mais significativos das obras consultadas, entre aspas e
com os dados completos das fontes de origem.
3. Registre idéias que lhe pareçam interessantes, formuladas por outros auto­
res, sem necessidade de transcrevê-las literalmente, mas com os dados com­
pletos de sua origem.
4. Registre as idéias que lhe ocorrerem durante a leitura. Segundo o destino que
deseje dar a essas idéias, anote ou não as fontes de consulta que as suscita­
ram.
1 14 o METODO CIENTiFICO
APÓS A LEITURA E A DOCUMENTAÇ
Ã
O
1. Selecione e classifique as fichas de documentação.
2. Ordene as fichas segundo uma estrutura lógica.
3. Verifque se há necessidade de a pesquisa ser complementada Ñ
. 4. Havendo necessidade, complemente a pesquisa.
W Ö
A ESTRUTURAÇAO LOGICA
A ordenação do material coletado consiste em dispô-lo inteligentemente, de
modo que as diferentes idéias se coordenem e relacionem de maneira lógica,
#
para que o objetivo da proposição seja plenamente atingido. E nesse momento
que você estabelece um plano definitivo para o seu trabalho de comunicação,
pois agora estará incorporando todas as novidades descobertas durante a pes­
quisa.
É bom recordar que a ordenação lógica do plano definitivo não tem ne­
cessariamente que seguir a orientação original da pesquisa, nem mesmo a se­
qüência cronológica de suas novas descobertas . Ao chegar a esta fase o autor
só tem o compromisso de elaborar um plano de trabalho que torne sua comu­
nicação o mais correta, inteligente e clara possível. E isso é feito mediante mui­
ta reflexão, sensibilidade, espírito crítico e capacidade de concatenação.
Reexamine ficha por ficha e reflita sobre cada uma para destinar-lhe uma
posição definitiva no trabalho de elaboração da comunicação. Este reexame
poderá ainda eliminar algumas fichas, mas as que restarem formarão um con­
junto homogêneo, orgânico e sólido. Trata-se, pois, de um trabalho que deve
ser executado pacientemente, já que sua definição se dá de modo progressivo.
Aos poucos os dados da problemática vão se arrumando, vão sendo deslinda­
dos de sua complexidade e comparados entre si, até que encontram o lugar
mais adequado para situar-se na ordenação lógica da explanação.
Do ponto de vista formal , a comunicação redigida deverá constar de três
partes : Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.
Introdução
A Introdução é reservada à apresentação do assunto. Deve situar o problema
do tema para o leitor, revelando-lhe o que já foi estudado por outros autores a
esse respeito. Ao mesmo tempo, deve justificar a presente comunicação cientí­
fica, assinalando sua importância e interesse. Há autores, principalmente entre
os iniciantes, que cometem o erro de produzir introduções demasiado pompo­
sas ou ambiciosas , lotando-as com frases grandiloqüentes e considerações que
pouco, ou nada, têm a ver com o trabalho que introduzem. Às vezes é bem
mais difícil ser claro e conciso do que nebuloso e prolixo, mas é preciso buscar
pacientemente, perseverantemente, a clareza e a concisão.
Como a introdução deve esclarecer o leitor também sobre a natureza do
raciocínio desenvolvido na elaboração do trabalho, quase sempre é a última
parte a ser escrita.

Desenvolvimento
A PREPARAÇÃO DA COMUNICAÇAo 1 1 5
o Desenvolvimento é também chamado "corpo" do trabalho. Destina-se à
fundamentação lógica do tema seu propósito é explicar, demonstrar e pro­
var. Como diz Délcio V. Salomon: "É o momento em que, usando todo seu
poder de raciocínio, o autor consegue transformar-se de pesquisador em expo­
sitor, desenvolvendo a passagem da lógica usada no contexo da investigação
para a lógica da demonstração: é a reconstrução que tem por objetivo explicar
- discutir demonstrar" (57: p. 273).
O desenvolvimento explica ao esclarecer o que é obscuro, ao tornar evi­
dente o que é complexo e para isso descreve, classifica e define. Discute ao
comparar as diversas posições relacionadas com o tema e ao provocar seu en­
trechoque dialético. Finalmente, demonstra através de razões, aplicando a ar­
gumentação apropriada à natureza de sua tese, partindo de verdades evidentes
e aceitas para concluir novas verdades .
Conclusão
#
A Conclusão é a síntese final . E a resultante de todo o trabalho, a meta, o ob-
jetivo do desenvolvimento, o balanço fnal do estudo realizado. Na conclusão
o autor expõe claramente seu ponto de vista sobre o que conseguiu demonstrar.
durante o desenvolvimento. Para isso, deve recapitular diversas partes da argu­
mentação e unir as idéias desenvolvidas, alcançando a síntese que corresponde
ao enunciado na introdução.
RESUMO ESQUEM
Á
TICO
Para estabelecer o plano definitivo do trabalho que vai ser redigido, a orientação su­
mária é a seguinte:
1. Obtenha o plano definitivo do trabalho mediante a ordenação lógica das fi­
chas de documentação.
2. Do ponto de vista formal , ordene as fichas classificando-as segundo as três
partes básicas dos trabalhos de comunicação científica:
a. Introdução.
b. Desenvolvimento.
c. Conclusão.
P Æ »
A REDAÇAO PROVISORIA
Muitos estudiosos da metodologia da comunicação científica não dão especial
ênfase ao item da preparação que consiste na redação provisória. No entanto,
são pou�os os intelectuais não-experientes que podem dispensá-la inteiramen­
te. Por esse motivo, recomenda-se que o primeiro texto seja sempre elaborado
em forma de esboço ou rascunho.
1 1 6 o METODO CIENTiFICO
Como ensina Mário Gonçalves Viana:
o escrever obriga a pensar, ou seja: a fxar idéias. Muitas vezes, só depois de come­
çarmos a versar por escrito qualquer assunto é que nos apercebemos da sua impor­
tância e transcendência, ou das suas dificuldades. Antes de pretendermos fxar o
pensamento por escrito, enquanto nos limitávamos a discuti-lo oralmente, não lhe
compreendíamos a complexidade, e menos ainda a vastidão (63: p. 146).
Assim, após terminar a estruturação lógica das fichas de documentação,
convém transformar esse "esqueleto" em texto provisório. Faça-o porém da
forma mais clara que lhe for possível e de modo que abarque a totalidade do
seu problema de comunicação. Para isso você conta com a organização que
deu às fichas de documentação. Portanto, o que tem a fazer é alinhavá-las
com o seu pensamento e passar esse alinhavo para o papel. A vantagem desse
procedimento é que, sabendo tratar-se de um rascunho, você sentirá suficiente
liberdade para depois fazer as correções e retoques que achar indispensáveis .
De fato, ao terminar essa primeira composição e estudá-la, certamente
você estará muito mais capacitado a proceder uma revisão segura e muito mais
profunda de todo o material coletado e com tempo para, se for o caso, cor­
rigir eventuais falhas na lógica da exposição. O texto rascunhado lhe possibili­
tará ainda o progressivo amadurecimento de todo O· conteúdo do trabalho,
permitindo que você o aprimore até o ponto que desejar. Somente depois de
sentir que o amadurecimento foi completo é que você deverá partir para a re­
dação fnal.
No capítulo seguinte exporemos os problemas e requisitos fundamentais
da técnica de redação. Leve-os em conta já na elaboração do texto provisório.
Æ Æ
QUESTOES PARA AUTO-AV ALIAÇAO
Se você compreendeu o conteúdo deste capítulo deve estar capacitado para res­
ponder às questões apresentadas abaixo. Faça uma tentativa honesta nesse
sentido. Para melhor aproveitamento, depois de ter dado as respostas, tome al­
gumas dessas questões como tema para fazer um trabalho ou discutir com al-
V
guem.
• Qual o motivo que leva os intelectuais a terem freqüentemente
·
necessidade
de comunicar-se com alguém? Qualquer tipo de comunicação obtém o reco­
nhecimento da comunidade científica?
• Escrever bem, organizadamente, tem algo a ver com a capacidade de organi­
zar O raciocínio?
• Por que há necessidade de elaborar-se um plano de trabalho na preparação
de uma comunicação científica?
• Existe algum processo orientador para se optar por um tema adequado à co-
municação científica? Se existe, em que consiste?
.
• Qual é a vantagem de se delimitar claramente o tema do trabalho?
• Defina o que é uma hipótese científica e discuta a sua definição com várias
pessoas. Qual é a vantagem dessa discussão?
A PREPARAÇÃO DA COMUNICAÇÃO 1 1 7
• Em que fase do processo da comunicação se obtém a confirmação de uma
hipótese de trabalho?
• Como se levanta uma hipótese de trabalho?
• Qual é a função da pesquisa bibliográfica no preparo da comunicação cientí­
fica?
• De que meios dispomos para realizar um levantamento bibliográfico?
• Vale a pena reexaminar todo o trabalho de documentação quando acabamos
de estudar o último livro do levantamento bibliográfico? Para quê?
• Como proceder para dar uma estruturação lógica às fichas de documenta­
ção?
• Por que se diz que é no Desenvolvimento do trabalho que o altor transfor­
ma-se, mediante o poder de seu raciocínio, de pesquisador em expositor?
• Qual é o objetivo de começar a redação da comunicação com um texto pro­
visório?
V
Æ W
tecnlca
• Introdução
• O estilo
Objetivid&de e clareza
Vocabulário técnico
Frase bem construída
Uso de abreviaturas
Palavras estrangeiras
• A estrutura do conteúdo
Descrição·
Dissertação
• A introdução
Definição do assunto
Delimitação do tema
Situação do tema no tempo e
no espaço
· INTRODUÇAO

cao

Demonstracã.o da importância
do tema
Justificaço da escolha do te�
ma
Definição de termos
Enunciação da documentação
Indicação da metodologia
• O desenvolvimento
Divisão dos elementos
Hierarquização dos elementos
Construcão dos argumentos
Método tradicional de exposi-
ção
Equilíbrio entre as partes
Titulação
• A concl usão
Este capítulo não se propõe a "ensinar" a escrever bem, mas simplesmente a
chamar a atenção para alguns pontos fundamentais da redação científica. Em
verdade, o seu propósito é destacar a necessidade de o autor de textos científi­
cos observar algumas normas básicas de conduta na redação, expondo quais
são essas normas e apresentando as técnicas que resolvem os problemas reda­
cionais de um modo prático.
Não se exige de um trabalho científico a qualidades literárias normal­
mente requeridas para a redação de um romance, conto ou poema. Estes são
produtos de criação artística, enquanto o trabalho científico deve preocupar-se
tão somente com a comunicação precisa de um estudo, uma experiência, um
#
trabalho executado, uma idéia etc. E bem verdade que uma simples comunica-
ção também pode ser elaborada com arte, expressando-se de modo artístico,
mas essa característica não lhe é intrínseca nem indispensável . Quando se redi­
ge uma comunicação científica não se deve esperar dela a conquista de prêmios
literários da Academia Brasileira de Letras . Mas, ao mesmo tempo, não se po�
de admitir que uma comunicação científica não "comunique" . A comunica­
ção tem por obrigação cumprir o objetivo de "comunicar", e isso implica a
observação de certas leis gerais da comunicação.
.
Ao expressar seu pensamento na redação de um texto, você tem de usar os
instrumentos da língua, cujas regras de emprego não podem estar sujeitas ao
estado de espírito de um indivíduo, pois são frutos da criação e da transforma­
ção lenta de toda uma nação através de sua história. Assim, a comunicação es­
crita realiza-se mediante- um código comum a língua regido pelas leis da
A TÉCNICA DA REDAÇÃO 1 1 9
Gramática. Esse código existe e é aceito por todos precisamente para não dei­
xar dúvidas na comunicação. Quando não o observamos, corremos o risco de
nossa mensagem ser recebida de modo imperfeito ou errôneo. E a má recepção
(a recepção com "ruídos") causa sempre distorções , dúvidas, erros de inter­
pretação. Na absoluta maioria dos casos a distorção, a incompreensão e o erro
de interpretação são de responsabilidade do comunicador, não do receptor da
mensagem. Ou seja, a deficiência causadora do "defeito" é sempre mais séria
quando sua origem está em quem comunica a mensagem. Portanto, se você
quer que sua mensagem seja corretamente interpretada, construa-a segundo as
leis gramaticais e faça tudo para que ela atinja seu receptor da maneira mais
di reta e clara possível.
Os profissionais da comunicação como, por exemplo, os publicitários
-desenvolveram uma regra prática muito útil para enfrentar esse problema.
Em primeiro lugar, eles não têm vergonha de consultar dicionários e gramáti­
cas, afinal essas obras existem para serem consultadas . Em segundo lugar, co­
mo sua própria sobrevivência depende do efeito causado por suas mensagens,
ao redigir qualquer trabalho eles se colocam mentalmente na posição de quem
vai lê-lo. Jamais escrevem como se estivessem dirigindo a mensagem para si
próprios, mas sempre com o propósito de comunicar alguma coisa a determi­
nado "alguém". É precisamente isso que você deve ter em mente ao redigir o
seu texto. Se o texto destina-se a um leitor especializado no assunto que você
está transmitindo, use também a linguagem especializada e desenvolva sua ar­
gumentação como se estivesse conversando com um especialista. Mas se o tex­
to destina-se a ser lido por uma pessoa comum, não especializada no assunto,
trate de construir sua mensagem em linguagem comum e empregando uma linha
de raciocínio e argumentos que sejam lógicos para leigos caso contrário sua
mensagem não atingirá o alvo, ou o atingirá incorretamente.
Não se conversa com uma criança de pouca idade da mesma maneira que
se conversa com um adulto, porque instintivamente se sabe que uma criança
não é capaz de entender idéias , raciocínios e argumentos que são próprios dos
adultos. Do mesmo modo, não se pode transmitir uma mensagem complexa a
um vaqueiro inculto da mesma maneira como a transmitimos, por exemplo, a
um engenheiro. Isso não quer dizer que o vaqueiro seja menos sábio do que o
engenheiro (provavelmente ele poderá ensinar muitas coisas sobre vacas a
qualquer engenheiro). O problema reside no fato de que, devido às limitações
de sua erudição, o vaqueiro dispõe de "instrumentos de recepção de mensa­
gens" diferentes dos dominados pelo engenheiro. No entanto, se dirigirmos
nossa mensagem ao vaqueiro adequando-a aos seus "instrumentos de recep­
ção", ele poderá captar perfeitamente tudo o que desejarmos comunicar-lhe.
A questão, portanto, é adequar nossa mensagem, escrevê-la com um destino
determinado, visando a atingir um alvo determinado: o leitor. E a maneira
mais prática de se conseguir isso é colocarmo-nos na posição de quem vai ler o
nosso texto. Assim, ao redigir , faça a si próprio a seguinte pergunta: "Se eu
fosse fulano, estaria entendendo o que estou escrevendo?" A resposta honesta
funciona como uma bússola. Se positiva, você está no caminho certo; se nega­
tiva, tente outro caminho.
120 o METODO CI ENTiFI CO
Ao definir o destino do texto você resolve a maioria dos problemas da re­
dação. Não todos, é claro. Mas não há dúvida de que será muito menor o nú­
mero de pontos a observar para que a comunicação se torne adequada.
Quanto ao estilo, seja qual for o destino de sua mensagem, procure elabo­
rar o texto conciliando objetividade, precisão e clareza. Se preencher harmoni­
cam ente esses três itens você terá dado um passo enorme em direção à boa co­
municação. Textos confusos, imprecisos ou obscuros não comunicam, apenas
aborrecem ou enfurecem o leitor. Portanto, releia, corrija e reescreva seu texto
quantas vezes forem necessárias para obter objetividade, precisão e clareza.
Todas as vezes que você reelabora o texto a fim de alcançar maior objeti­
vidade, maior precisão e maior clareza, seu pensamento também evolui e suas
idéias tornam-se ainda mais claras . De modo que, ao reescrever, você ficará
compreendendo ainda melhor o assunto que está tratando de transmitir . E isso
também fará com que o texto ganhe em qualidade, porque mesmo sem sentir
você estará tornando-o mais agradável, fluente e comunicativo para o leitor .
.
Quando isso ocorre, o leitor é capaz de compreender precisamente o raciocínio
que você desenvolveu, de modo que não lhe fica qualquer dúvida sobre o que
você quis dizer-lhe. Essa compreensão do conteúdo é o fator mais importante
na comunicação científca.
.
Quanto à técnica a ser desenvolvida durante a elaboração do texto, procu­
re orientar-se segundo os tópicos explanados a seguir.
o ESTILO
No que diz respeito à técnica da redação da comunicação científica, é preciso
dar atenção ao que se refere ao estilo.
Comunicar idéias é uma tarefa ao mesmo tempo apaixonante e complexa.
Em qualquer trabalho escrito a palavra é o símbolo que representa a idéia, o
pensamento. No entanto, como se tratá de um símbolo arbitrário pois cada
palavra pode ter mais de um significado é fundamental que o autor pondere
criteriosamente os termos que emprega. A fim de não confundir ou complicar
a compreensão do leitor, deve estabelecer a relação desses termos com o con­
texto global da comunicação e, sempre que for o caso, determinar o significa­
do próprio de cada unidade semântica, ou seja, apresentar a definição dos ter­
mos chaves utilizados no texto.
A Filosofia, a Ciência e as Artes, e até mesmo a diferentes tecnologias,
possuem vocabulários particulares e específicos. Daí a necessidade de se estar
atento para o significado de cada expressão empregada nos trabalhos dessa na­
tureza. Na maioria das vezes não basta entender o significado dos termos iso­
lados, é preciso conhecer as implicações que tais termos podem apresentar no
contexto de um estudo, onde o seu uso envolve uma compreensão q\e vai além
do conhecimento de um único sentido semântico.
Só há uma maneira de se superar o problema: para dominar o misterioso
universo das palavras e suas implicações no contexto é necessário um contato
assíduo com as obras de cientistas e filósofos. É penetrando nos mecanismos
A TÉCNICA DA REDAÇÃO 121
internos de seus escritos que você poderá, realmente, adquirir um correto do­
mínio vocabular. Enquanto isso não ocorrer, a solução é continuar usando
bons dicionários gerais e especializados .
Muitas vezes um mesmo termo é usado por vários autores com diferentes
significados, conforme as áreas de conhecimento que enfocam e as épocas em
que viveram. Por isso, em nome da objetividade da comunicação, toda aten­
ção é pouca no emprego de termos e expressões. Mas, de modo especial , evite
modismos, gírias e banalidades vocabulares que poderão tornar seu trabalho
compreensível só para determinado grupo e determinada época.
Outro ponto que não deve ser negligenciado pelo autor é a obediência às
regras gramaticais . Já mencionamos este aspecto do problema; aqui apenas
enfatizamos a necessidade desse cuidado com a ortografia, a concordância e a
pontuação, pois são fatores que podem facilmente modificar o sentido de sua
mensagem.
Como orientação básica para o estilo a ser seguido no trabalho, observe o
seguinte esquema:
1. Exponha as idéias com clareza e objetividade.
2. Utilize linguagem direta.
3. Redija com simplicidade, sem resvalar para o supérfluo e sem descam­
bar para o excessivamente coloquial . Enfoque a matéria e particularize
os pontos necessários para a comunicação sem recorrer a um estilo pro­
lixo, retórico ou confuso.
4. Use vocabulário técnico somente para o estritamente necessário. Seja
rigoroso e preciso no seu uso, a fim de evitar que seu texto se torne her-
F Æ
metlco.
5. Evite escrever períodos muito longos. Prefira as frases curtas.
6. Use a terceira pessoa do singular. Evite referências pessoais como "mi-
W
nha tese", "neste meu estudo". E mais correto e elegante utilizar ex-
W
pressões como "a presente tese", "no presente estudo". E também de-
saconselhável usar a primeira pessoa do plural para indicar impessoali­
dade. Por exemplo: "nossa tese" , "neste nosso estudo".
Objetividade e clareza
A linguagem científica tem como característica essencial a precisão e a objeti­
vidade. Sendo expressão do conhecimento racional , ela é informativa por ex­
celência, por isso não aceita expressão ambígua ou obscura. Seus argumentos,
conclusões e interpretações partem da realidade objetiva, ao contrário da ex­
pressão literária, que é fruto da criatividade subjetiva do autor. E essa diferen­
ça é fundamental.
A linguagem que veicula conhecimentos científicos tem de ser objetiva
por estar intrinsecamente ligada à própria natureza da ciência, que se baseia na
observação dos fatos. Por isso, o emprego de certos termos ou vocábulos que
denotam análise subjetiva podem comprometer o valor de seu trabalho. Ex-
.
122 o METODO CI ENTiFI CO
pressões como "parece-me", "acredito que", "penso que" e assim por dian­
te, são indicativas de subjetividade, de raciocínio individual, mesmo que seu
trabalho seja rigorosamente objetivo.
Isto se traduz na prática da seguinte maneira: se estiver descrevendo um
espaço, evite usar adjetivos. Não escreva sala grande, larga, pequena. Trans­
creva objetivamente os dados das dimensões: oito metros de comprimento por
seis metros de largura etc.
.
Por outro lado, uma expressão clara e precisa pressupõe total compreen­
são do assunto tratado, o domínio da matéria em seu todo e em suas particula­
ridades. Se você não entendeu com precisão o que escreveu, certamente não
poderá transmiti-lo com clareza a outra pessoa.
Portanto, não é suficiente compreender mais ou menos a matéria, mas
.
sim formular idéias claras, redigidas em linguagem clara. Para você se expres­
sar com clareza é preciso, antes de tudo, pensar com clareza.
Vocabulário técnico
+
Embora se deva usar uma linguagem comum e corrente nos trabalhos científi­
cos ainda que de modo objetivo e preciso
.
.
. alguns conceitos só podem ser
formulados através de termos técnicos especializados, específicos, que não po­
dem ser "traduzidos" por sinônimos de uso mais comum, cujo significado é
• •
impreCISO.
Mas isso não significa que se deva incorrer no extremo oposto. É um erro
bastante difundido considerar que os trabalhos científicos só devem ser escri­
tos em linguagem entendida por iniciados na matéria. Aqui, mais uma vez, va­
le a pena recordar a necessidade de o autor usar o seu bom senso pará estabele­
cer o equilíbrio. Saber dosar a línguagem técnica com a comum, e fazê-lo com
naturalidade, é uma tarefa que deve ser empreendida por todas as pessoas
conscientes de seus objetivos na comunicação científica.
# +
E claro que se os autores de trabalhos científicos não usarem a linguagem
específica, técnica, de suas áreas de ação, estarão concorrendo para o empo­
brecimento dos conhecimentos científicos, pois estes exigem precisão. Além
disso, cada ciência possui terminologia própria, um vocabulário específico que
acompanha sua própria evolução, áperfeiçoando-se e ampliando-se de acordo
com o seu progresso. Assim, a terminologia específica é indispensável para a
transmissão dos conhecimentos científicos e não se pode ignorá-la. Mas tam­
bém é essencial não supervalorizá-Ia.
Frase bem construída
Da mesma forma que o vocabulário, a construção das frases requer particular
atenção do autor na elaboração da linguagem. A oração é a expressão do de­
senvolvimento lógico do pensamento. Para transmitir conhecimentos, a frase
deve ser simples, não muito longa, e conter uma única idéia. Frases com mais
de uma idéia complicam a comunicação.
A TECNICA DA REDAÇÃO 123
Os períodos também devem ser breves . O seu encadeamento na exposição
de um raciocínio facilita a leitura e a compreensão do conteúdo. É sempre me­
lhor expressar uma idéia lenta e gradualmente, envolvendo todas as suas impli­
cações, do que tentar exprimi-la de um só fôlego em um único período.
Se o seu raciocínio for expresso de maneira precisa e extensa, o leitor o .se­
guirá mais facilmente. Mas não abuse de frases demasiadamente curtas. Estas,
embora confiram força e energia ao estilo, quando usadas em exagero acabam
determinando um estilo telegráfico ao texto. E isso causa um nivelamento can­
sativo para o leitor.
Uso de
Necessitando empregar abreviaturas em seu trabalho, recorra a um bom dicio­
nário de português. Essas obras de consulta costumam trazer em suas páginas
iniciais uma lista de abreviaturas, siglas e sinais convencionais já consagtados .
Se você necessitar apenas um pequeno número de abreviaturas, estas poderão
ser identificadas no próprio corpo do texto. Mas se o número for considerável,
faça uma lista delas, em ordem alfabética, e insira-a no fnal do trabalho.
Algumas abreviaturas são comumente usadas e têm seu emprego consa­
grado em vários tipos de texto. Estas são usadas sobretudo nas notas de pé de
página (rodapé). Sua utilização no texto corrido não é aconselhável , mas tam­
bém não é proibida. Eis uma lista de algumas delas, mais empregadas em tra­
balhos científicos: .
1. v. o
. ¯ ver original .
2. s. d. ¯ sem data.
3. ex. ¯ exemplo ou exemplos.
·
4. iI. ¯ ilustração ou ilustrações.
5. ap. ¯ apud, que significa: segundo algum autor ou alguma obra.
6. ido ¯ idem, que significa: o mesmo, do mesmo autor; indica que o
texto citado é do mesmo autor ou da mesma obra a que se referiu a úl­
tima nota.
7. ibid. ¯ ibidem, que significa: no mesmo local; emprega-se quando o
texto é extraído do mesmo autor e obra nomeados em nota imediata­
mente anterior.
8. ido ibid. ¯ idem, ibidem; estas duas abreviaturas podem aparecer jun­
tas, seguidas do número de página a que o autor se refere.
9, loco cito ¯ loco citato, que significa: na obra citada; utiliza-se quando
se quer indicar que a citação foi extraída da mesma obra referida ante­
riormente, mas entre esta última e a nova citação houve outras refe­
rências de obras e autores diferentes .
10. op. cit. ¯ opu citatum, que significa: na obra citada; pode ser usada
em lugar de loco citado.
11. sic. ¯ assim mesmo; expressão usada entre parênteses para assinalar
erros ou afirmações inusitadas do original.
124 o MÉTODO CIENTiFI CO
12. v. ¯ volume ou volumes.
13. p. ¯ página ou páginas .
.
Para se indicar a edição de uma obra utíliza-se a seguinte abreviação: 2
ed. para segunda edição, e não 2� edição, como se vê habitualmente. (Para me­
lhor informação quanto ao uso de abreviaturas nas referências bibliográficas,
veja o anexo NORMAS DE REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DA ASSO­
CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, no fim deste livro.)
Palavras estrangeiras
As palavras ou expressões em idiomas estrangeiros devem ser destacadas no
texto. Se o trabalho for datilografado, estes vocábulos devem ser sublinhados ;
se impresso, devem ser compostos em grifo ou itálico, a variedade mais usada
para o destaque. Algumas gráficas compositoras que não possuem a variedade
grifo podem fazer o destaque utilizando a variedade negro ou negrito.

RESUMO ESQUEMATICO
Um bom estilo para a redação do trabalho de comunicação científica deve seguir a
seguinte base de orientação:
1. Ao redigir, observe as regras gramaticais (ortografia, concordância 'e pon­
tuação podem facilmente modificar o sentido de sua mensagem).
2. Procure escrever como se estivesse dirigindo-se diretamente a alguém defni­
do. Isso ajuda a desenvolver a linha de raciocínio e de argumentação para al­
cançar um objetivo estabelecido.
3. Esteja atento ao significado semântico dos termos utilizados no trabalho.
4. Evite usar modismos, gírias e banalidades vocabulares.
5. Exponha as idéias com clareza, precisão e objetividade.
6. Use vocabulãrio técnico somente para o estritamente necessãrio.
7. Prefira sempre o emprego de frases curtas, simples e que contenham uma
única idéia.
8. Corrija e/ou reescreva o texto quantas vezes forem necessãrias para obter
maior objetividade, precisão e clareza em sua mensagem.
#
A ESTRUTURA DO CONTEUDO
Seja qual for a espécie de comunicação científica que você vai redigir (ensaio,
relatório, monografia etc. ), você deve elaborá-la como uma descrição ou uma
dissertação.
Descrição
No que concerne à descrição, a redação da texto não apresenta maior dificul­
dade, mesmo para os iniciantes na comunicação científica. Descrever é, acima
A TÉCNICA DA REDAÇÃO 125
de tudo, apresentar por meio de palavras um objeto, um procedimento, uma
experiência e assim por diante, da maneira mais objetiva possível e mediante a
exposição de seus aspectos mais característicos . Ao descrever é necessário evi­
denciarem-se os pormenores que distinguem a particularidade da coisa descri­
ta. Assim, o autor tem de prestar atenção para não deixar de mencionar os
pormenores realmente essenciais e característicos que possibilitarão ao leitor
configurar com a maior exatidão o que está sendo descrito. E claro, portanto,
que a descrição pode ser muito minuciosa. Cabe ao autor, porém, usar o seu
7
bom senso. E indispensável que não se perca na apresentação de detalhes de
pouca ou nenhuma utilidade para a compreensão da coisa descrita, pois isso só
diminuirá a qualidade do seu trabalho e confundirá o leitor . Nesse sentido vale
a pena conhecer o exemplo daquele laboratorista que descobriu casualmente
um novo produto químico. Ao descrever a experiência que o levou à descober­
ta ele mencionou até a cor dos lençóis em que havia dormido a noite anterior,
mas esqueceu de revelar a temperatura em que as duas substâncias empregadas
reagiram e formaram o novo produto. Isso fez com que sua comunicação caís­
se no ridículo, pois apresentava pormenores inúteis à compreensão do fato
(como a cor dos lençóis que nem estavam no laboratório) e omitia um porme­
nor essencial (a temperatura necessária para obter a reação química). Portan­
to, se o seu trabalho é descritivo, releia-o pelo menos três vezes . A cada releitu­
ra trate de eliminar tudo que não seja realmente útil e cuja presença só pertur­
be o objetivo da descrição. Ao mesmo tempo, mantenha-se alerta para não
omitir nenhum detalhe ou informação essencial .
Em geral, a estrutura de uma descrição não apresenta problemas de orga­
nização se você procurar elaborá-la segundo um critério lógico e claro. Por
exemplo, ao descrever uma experiência, faça-o partindo do início do fato, ou
de sua origem. Em outras palavras, siga a cronologia do fato ou do procedi­
mento. Se a descrição for de um instrumento, comece por dar as dimensões, a
forma, a cor, o peso, o material de que é feito (ou seja, as características físi­
cas) e depois mencione as diferentes partes, a função de cada parte etc. O que
realmente importa é que a descrição siga uma organização expositiva capaz de
facilitar a compreensão da coisa descrita por parte do leitor.
Dissertação
Os trabalhos científicos dissertativos são mais complexos do que os descriti­
vos. A dissertação é mais rigorosa quanto à estrutura, pois baseia-se na orde­
nação de idéias sobre um tema determinado. Ao dissertar sobre um assunto é
necessário que você sintetize os dados coletados, ordene-os e apresente-os ao
leitor . Essa apresentação pode, ou não, incluir sua própria interpretação do
W
assunto. Assim, as dissertações são expositivas ou argumentativas, segundo os
objetivos que você pretende atingir com seu texto.
Dissertação expositiva é aquela que reúne e relaciona material colhido em
diferentes fontes . O autor expõe determinado assunto valendo-se desse mate­
rial. Nesse caso, a qualidade e o valor de seu trabalho residem sobretudo na fi-
126 o METODO CI ENTIFI CO
delidade com que expõe as informações coletadas, bem como na habilidade
com que a ordena e relaciona.
Por seu turno, dissertação argumentativa é aquela em que o autor inter­
preta as idéias expostas e firma sua posição pessoal sobre o assunto tratado.
Como em comunicação científica nada se faz sem base, a argumentação utili­
zada nesse tipo de dissertação requer a apresentação honesta das razões e evi­
dências que levaram o autor a chegar à interpretaçãO exposta.
Seja qmil for, porém, o tipo de dissertação adotado (expositiva ou argu­
mentativa), é necessário que o autor se atenha aos princípios e técnicas da co­
municação, sobretudo no que diz respeito à sucessão lógica dos argumentos
que conduzem a uma conclusão. Nesse.sentido, a estrutura mais adequada pa­
ra o conteúdo é aquela que o divide em três partes principais: a Introdução, o
Desenvolvimento e a Conclusão. Como cada uma dessas partes tem suas pró­
prias características, vej
a
mos em exame mais pormenorizado como são forma­
das e como tratá-las segundo uma orientação prática.
W
A INTRODUÇAO
Embora a Introdução venha a constituir a primeira parte do trabalho, reco­
menda-se que seja a última a ser redigida em forma definitiva. Isso se deve ao fa­
to de ela ser uma espécie de cartão de visitas e, portanto, resultado de uma sín­
tese que prepara o leitor para o que será exposto no desenvolvimento do traba­
lho. Obrigatoriamente, ela inclui o enunciado do tema a ser tratado, bem co­
mO suas implicações e limites.
Na Introdução, o autor precisa esmerar-se para esclarecer o leitor sobre o
estágio de desenvolvimento em que se encontra o assunto, mencionando o que
já foi realizado sobre ele dentro de sua área. Ao fazer essa apresentação, quan­
do for o caso, cabe também analisar os trabalhos efetuados anteriormente e
que apresentem relação com o tema abordado.
Quanto aos principais itens que a introdução deve abranger, os seguintes
merecem atenção do autor:
Definição do assunto
É indispensável que a introdução exponha de modo claro e preciso qual é a
idéia central do trabalho.
do tera
Ao definir o assunto é preciso também esclarecer o ponto de vista sob o qual
ele será enfocado no desenvolvimento do trabalho. Nos casos em que o tema é
apresentado como problema ou indagação, o autor pode levantar uma ou mais
questões na Introdução e deixar para respondê-las no decorrer da exposição
A TÉCNICA DA REDAÇÃO 1 27
(Desenvolvimento). Este tipo de tratamento facilita bastante a captação da
¬ W ¬ ¬
proposta do trabalho por parte do leitor.
Situação do tema no tempo e . no espaço
Tanto nos trabalhos de comunicação científica que tratam de assuntos teóricos

como nos que enfocam atividades práticas, o tema deve ser cuidadosamente si-
tuado no conjunto dos conhecimentos ou atividades já desenvolvidos anterior­
mente por diferentes autores . Cabe à habilidade do autor mencionar apenas
aqueles trabalhos anteriores que realmente tenham ligação direta ou relação
íntima com o tema tratado.
¼
Demonstração da importância do tema
o emprego de argumentos racionais, em seqüência lógica para demonstrar a
.
importância do tema, ' é um recurso que despertará a atenção do leitor para a
leitura do trabalho. Este item deve receber especial cuidado em sua elabora-
¼ ¼
ção. Tratando-se de um trabalho escrito, é aqui que o autor poderá tornar a
matéria mais sugestiva para o leitor, já que não contará com os meios expressi­
vos da comunicação oral para fazê-lo de outro modo.
Justificação da escolha do tema
Este aspecto da Introdução está diretamente relacionado com o item anterior ,
a importância do tema. A exposição da importância conduz, inevitavelmente,
à justificativa da escolha e seleção do tema para a comunicação científica.
Definição de termos
.
.
Freqüentemente os trabalhos de comunicação científica empregam termos es­
pecializados ou palavras do vocabulário comum que requerem definição pré­
via para não confundir o leitor. Pela mesma razão, é neste item que o autor de­
ve definir todos os neologismos que porventura empregará no desenvolvimen­
to do seu trabalho.
Enunciação da documentação'
Nos trabalhos acadêmicos de pequena extensão, a indicação da bibliografia
utilizada pode ser feita na introdução. Contudo, quando o trabalho de comu­
nicação é de maior porte, como as teses de graduação, de mestrado ou de dou­
torado, a indicação da documentação utilizada pélo autor deve ser destacada
em capítulo especial, inserido após a conclusão, ou seja, no final do trabalho.
1 28 o METODO CIENTIFICO
Indicação da metodologia

Este item é também significativo para a orientação do leitor, sobretudo quan-
do a comunicação científica enfoca um trabalho de pesquisa. Aqui é necessá­
rio delimitar o campo da pesquisa, bem como justificar, ainda que brevemen-
.
te, o roteiro escolhido para o desenvolvimento do trabalho.
É tradicional a apresentação de todos esses itens em um único capítulo ini­
cial , sob o título Introdução. No entanto, tal procedimento não é obrigatório.
O autor pode, por exemplo, dividir sua comunicação em diversas partes e dedi­
car toda a primeira parte para o desdobramento dos itens acima citados, desti­
nando-lhes capítulos exclusivos . A opção por um único ou vários capítulos (in­
seridos na primeira parte) deve ser feita de acordo com as características da co­
municação e os objetivos do próprio autor.
Na Introdução, é muito importante que o autor revele segurança ao escla­
recer o leitor sobre o tema desenvolvido, as idéias principais discutidas e suas
deduções mais significativas, bem como as conclusões mais importantes . A se­
gurança transmitirá confiança ao leitor quanto à seriedade e à validade do tra­
balho. Por outro lado, sua brevidade deverá permitir que o leitor tenha uma
visão de conjunto do tema que será desenvolvido na segunda parte e concluído
na terceira. Assim, como explica João Álvaro Ruiz, ela " deve acenar para o
histórico da questão, sem reconstituí-lo; deve referir-se às partes do corpo do
trabalho a largos traços, sem maiores desenvolvimentos; ( . . . ) sem prometer
muito e sem adiantar conclusões" (56: p. 73).
Ainda sobre a Introdução, é importante não confundi-la com o prefácio. A
Introdução é parte integrante do trabalho e trata fundamentalmente do tema
apresentado, enquanto o prefácio é um adendo e pode extrapolar o assunto
central para abranger a obra como um todo, a personalidade do autor ou o as­
sunto de um modo genérico.
o DESENVOLVIMENTO
Também conhecido como "corpo do trabalho", o Desenvolvimento constitui a
parte mais extensa da comunicação científica. Não existem normas regulado­
ras de sua extensão, mas o autor deve considerar sua explanação do modo
mais objetivo e conciso que lhe seja possível: ela deve ter, nem mais nem me­
nos, a extensão suficiente para conduzir o leitor a uma completa percepção do
conteúdo. O objetivo do desenvolvimento é a exposição da idéia principal do
.
trabalho, sua fundamentação racional e os resultados obtidos na investigação
do assunto. Em outras palavras, o corpo do trabalho desenvolve os tópicos in­
dicados na introdução, analisa-os, destaca seus pormenores mais significati­
vos, discute as diferentes hipóteses e apresenta a hipótese do autor, demons­
trando-a através da documentação.
As principais características do Desenvolvimento são: divisão, constru­
ção, método, equilíbrio e titulação. Passemos ao seu exame.
Divisão dos elementos
A TECNICA DA REDAÇÃO 1 29
É costume amplamente difundido dividir o desenvolvimento em duas ou mais
partes . Isso se deve não apenas à sua maior extensão, mas sobretudo em razão
da diversidade dos elementos geralmente enfocados. É claro que não se pode
determinar uma divisão exata, capaz de servir a todos os tipos de trabalho de
comunicação científica, pois tal divisão deve resultar da natureza e da comple­
xidade de cada trabalho em particular. Porém, constituído de uma ou mais
partes, o desenvolvimento será dividido em capítulos, e os capítulos em subtí­
tulos ou itens. Essa forma de organização estrutural facilita a ordenação do
pensamento do leitor e sua assimilação do conteúdo.
É necessário recordar, também, que a divisão e a subdivisão do desenvol­
vimento não devem ser ilimitadas. A fim de obter uma ordem válida em bene­
fício da clareza, o autor deve esforçar-se no sentido de dividir o desenvolvi­
mento no menor número conveniente de partes, e subdividir cada parte no me­
nor número de elementos que possa permitir uma comunicação clara e adequa­
da de seu pensamento. Para isso, é sempre melhor ser breve do que prolixo. A
divisão em um número muito grande de partes envolve o risco de prejudicar a
comunicação porque cada parte se ramificaria em numerosas idéias secundá­
rias, itens e subtópicos . Por seu turno, a total ausência de divisão resultaria em
um nivelamento geral de toda a explanação, dificultando o leitor na apreensão
dos elementos principais.
Hierarquização dos elementos
Em favor da inteligibilidade da explanação, procure dividir e subdividir segun­
do um critério de importância hierárquica atribuído aos diferentes elementos,
de acordo com a relação que mantêm entre si . Por exemplo:
Dissemos que o trabalho de comunicação científica divide-se em três par-
tes principais, a saber:
1. Introdução.
2. Desenvolvimento.
3. Conclusão.
Essa primeira grande divisão em partes constitui a divisão primária. Cada
parte, porém, apresenta sua própria subdivisão. Como vimos, a Introdução
pode subdividir-se nos seguintes oito itens:
a. Definição do assunto.
b. Delimitação do tema.
c. Situação do tema no tempo e no espaço.
d. Demonstração da importância do tema.
e. Justificação da escolha do tema.
f. Definição de termos.
g. Enunciação da documentação.
h. Indicação da metodologia.

130 o MÉTODO CIENTIFICO
.
.
.
Assim, já ao elaborar seu plano de redação você pode hierarquizar a parte
da Introdução da seguinte maneira: ·
.
Trabalho de
comunicação
científica
1. Introdução
2. Desenvolvimento
3. Conclusão
a. Definição do assunto
b. Delimitação do tema
·
c. Situação do tema no
tempo e no espaço
d. Demonstração da im­
portância do tema
. . . e assim por diante.
A hierarquização torna-se bem mais fácil quando você recorre ao recurso
das chaves desde a elaboração do plano do trabalho. No entanto, se ao redigir
definitivamente o texto você sentir necessidade de efetuar modificações no pla­
no, não hesite em fazê-lo sempre que isso venha a beneficiar a melhor exposi­
ção de seu pensamento. O que realmente importa é o resultado final da comu­
nicação. Mas não esqueça de anotar as modificações feitas no plano, pois ele é
• •
o guia da redação deixando de anotá-las você poderá perder-se enquanto es-
tiver redigindo e essa desorientação obrigará a que todo o trabalho seja reíni­
ciado para reencontrar a organização necessária.
A divisão e a subdivisão do trabalho são necessárias para que você possa
comunicar nitidamente ao leitor o processo do encadeamento de suas idéias.
Por isso, antes de procedê-las medite profundamente sobre sua mensagem e
verifique exatamente o que quer comunicar e como, a fim de evitar que cisão
exagerada do texto venha a causar a diluição do conteúdo. Use o seu bom senso.
De modo geral, os trabalhos acadêmicos mais simples, os ensaios univer­
sitários, os artigos e as memórias, têm seu desenvolvimento dividido em ape­
nas duas partes. A divisões mais específicas são reservadas aos planos mais
complexos e obras de maior extensão, como os tratados que estudam um tema
em todas as suas particularidades e generalidades, ou que analisam todo um
ramo do conhecimento.
Construção dos argumentos
A técnica para expor os argumentos no desenvolvimento do trabalho denomi­
na-se "construção". Nesse sentido, qualquer técnica é válida, desde que facili­
te a exposição e conduza o leitor à percepção total da mensagem do autor .
Na prática, porém, as técnicas mais empregadas na construção do corpo
do trabalho são a de oposição e a de progressão.
A construção por oposição costuma ser muito utilizada porque a apre­
sentação de duas oposições fundamentais no enfoque de um tema é um fator
bastante rico e sugestivo para o seu desenvolvimento. Ao ressaltar as oposições
(ou contradições) você encontra novos elementos ou aspectos que podem ser
convergentes ou divergentes entre si, e que também podem funcionar como ar-
A TECNICA DA REDAÇÃO 131
gumentos complementares, corroboradores ou negadores de hipóteses, idéias
etc. Essa possibilidade permite que seu pensamento seja exposto dialeticamen­
te no trabalho.
Quando você extrai de uma determinada matéria dois aspectos que se
opõem frontalmente e, a princípio, desenvolve cada um deles separadamente
para depois analisá-los em conjunto, confrontando-os e integrando-os, você
alcança a melhor técnica de exposição científica da matéria.
A construção por progressão deve ser empregada sempre que, por qual­
quer motivo, a de oposição apresente dificuldades práticas de elaboração. A
progressão consiste no relacionamento dos diferentes elementos, mas encadea­
dos em seqüência lógica de modo a haver sempre uma relação evidente entre
um elemento e o seu antecedente.
Tanto a construção por oposição como a por progressão pressupõem a
existência de um plano de trabalho racional, que surge a partir da sistematiza­
ção das idéias usadas na comunicação. De fato, é precisamente nesta caracte­
rística que reside boa parte da importância de se estabelecer um plano de tra­
balho baseado na reflexão, na análise e na crítica da mensagem a que se pro­
põe a comunicação. Planos simplistas podem até ser de execução mais fácil,
mas geralmente não funcionam.
E que vem a ser um plano simplista?
A resposta pode ser dada pelo seguinte exemplo prático. Suponhamos que
você decida construir o desenvolvimento do seu texto pela comparação de dois
elementos . Você, então, divide o corpo do trabalho em duas partes, colocando
um elemento comparativo na primeira e outro na segunda. Na conclusão você
engloba as diferenças. Sem dúvida esse procedimento é cômodo para o autor,
mas não facilita ao leitor a captação total do pensamento daquele, sobretudo
porque a leitura do trabalho será maçante.
Menos simples, mas muito mais eficiente, será expor as idéias gerais que
estabelecem a comparação e, partindo delas, desenvolver sua análise. A idéia
da comparação deverá envolver o todo e estender suas ramificações pelo con­
junto do corpo do trabalho.
Ao estabelecer vantagens e desvantagens de um elemento, não enfileire as
primeiras e, em seguida, exponha as segundas . Mescle-as em seus diversos as­
pectos, enunciando as características positivas e as negativas em relações com­
parativas. Esse procedimento possibilita a elaboração de uma comunicação
mais completa porque abrange os vários aspectos com maior abertura para
análise. Além disso, ressalta ao leitor a qualidade da contribuição pessoal do
autor, ou seja, a contribuição que você dá para o conhecimento do tema de sua
mensagem.
. Finalmente, deve-se dar atenção também a um terceiro tipo de constru­
ção, embora já considerado ultrapassado: a construção por cronologia. Trata­
-se de uma técnica hoje criticada por basear-se rigidamente na seqüência tem­
poral dos acontecimentos, do desenvolvimento das idéias etc.
Até aqui estivemos examinando as técnicas mais comuns da construção
do corpo do trabalho, vejamos agora um exemplo prático para demonstrar
mais objetivamente a complexidade desse item.
·
.
· 1 32 o METODO CI ENTiFI CO
Suponhamos que você tenha recebido a incumbência de fazer um trabalho
sobre a abolição da escravatura no Brasil. Como iniciará esse trabalho? Anali­
sando apenas as causas e conseqüências mais próximas do 1 3 de maio de 1 888?
Atendo-se simplesmente às circunstâncias da assinatura da Lei Áurea?
Claro, você pode adotar o enfoque que desejar. Mas se o fizer de forma
¼
tão simplista, certamente não realizará um trabalho significativo. Para que ele
seja merecedor de boa aceitação, sua análise dos fatos deve aprofundar-se, es­
tender-se no tempo.
Em princípio, você deve estudar o período colonial brasileiro, tratando de
reconhecer as razões que levaram os colonos portugueses a empregarem a
mão-de-obra escrava. Em seguida, deverá fazer o mesmo com outras regiões
do mundo cujos colonos tiveram de valer-se de escravos. Isso já lhe dará ele­
mentos de comparação entre a colonização brasileira e as de outras partes . De­
pois, analise a política adotada nas colônias pelas diferentes metrópoles eurp­
péias e as implicações internacionais do desenvolvimento colonial , sobretudo a
importância da independência de algumas colônias e a propagação dos ideais
filosóficos da Revolução Francesa. Estabeleça a relação de todos esses aconte­
cimentos com o desenvolvimento do Brasil e a nossa independência, mas sem
perder de vista que Sua idéia principal, o tema de seu trabalho, é a abolição da
escravatura em nosso país . Então, continue estudando os fatos, dê especial
atenção à economia brasileira no período imperial, a situação do país durante
a Guerra do Paraguai e suas conseqüências, os principais elementos nacionais
que determinaram as diversas leis que foram abolindo aos poucos a escravatu­
ra no país e assim por diante, até chegar à assinatura da Lei Áurea pela Prince­
sa Isabel e sua provável influência na Proclamação da República etc.
Procedendo dessa maneira, você irá às origens do tema que terá de expor
em seu trabalho. E isso lhe permitirá fazer comparações e tirar conclusões com
segurança, pois contará com uma base sólida de conhecimentos específicos so­
bre o tema.
Dê posse desse material, devidamente documentado, você poderá estabe­
lecer seu plano de trabalho com firmeza. A partir dele, e segundo o objetivo
que destinar ao texto, você definirá o tipo de construção mais adequado para
desenvolver o corpo do trabalho: construção por oposição, por progressão ou
por cronologia.
Método tradicional de exposição
De modo geral, o corpo do trabalho tem sua exposição composta dos seguintes
elementos básicos:
1. Exposição do objeto ou questão do tema.
2. Apresentação sumária das razões contrárias ao tema.
3. Exposição das dificuldades do problema.
4. Desenvolvimento da argumentação favorável .
5. Refutação à interpretações contrárias.
A TÉCNICA DA REDAÇÃO 1 33
6. Interpretação do tema, servindo como ponto de partida para a conclu­
são fnal.
Nos trabalhos baseados em pesquisas empíricas, este tipo de composição é
impraticável. Para eles você poderá usar o seguinte esquema geral de orientação:
1. Análise dos elementos.
2. Apresentação das variáveis do problema.
3. Exposição do tipo de pesquisa.
4. Enunciação do planejamento adotado.
5. Explicação do tipo de amostragem e sua justificação.
6. Definição das amostras utilizadas .
7. Descrição dos instrumentos empregados, sua precisão e utilidade na

pesqmsa.
8. Explanação dos resultados obtidos.
9. Apresentação das técnicas de análise utilizadas e sua j ustificação.
10. Exposição das generalidades e conclusões.
Neste caso, a cada tópico poderá corresponder um capítulo, sendo que a
conclusão final será apresentada na parte final do trabalho, como uma síntese
geral .
entre as partes
Todo bom trabalho de comunicação científica mantém um equilíbrio sensível
entre suas diversas partes os diferentes componentes formam um todo ho­
mogêneo.
É claro que tal equilíbrio não é físico, mas você pode senti-lo sem dificul­
dade. Por exemplo, pode-se considerar equilibrado o trabalho de dez páginas
cuja estrutura contenha:
.
1. Duas páginas reservadas à Introdução.
2. Sete páginas dedicadas ao Desenvolvimento.
3. Uma página destinada à Conclusão.
Evidentemente tal distribuição serve apenas como orientação. A propor­
ção das partes varia em função de diversos fatores , como o tema, o enfoque,
as conclusões obtidas, a espécie de informação que se deseja passar ao leitor
etc.
Dependendo do tipo de trabalho, as proporções da Introdução e da Con­
clusão podem ser ampliadas . O que importa é o autor manter-se alerta para o
equilíbrio entre as partes, a fim de que no conjunto não haja superestima de
uma parte em detrimento de outra. Ou seja, a dosagem de cada parte deve ser
adequada ao seu conteúdo e à sua finalidade.
Titulação
Embora este item esteja exposto aqui como parte integrante do corpo do tra­
balho, em verdade suas características são válidas para qualquer tipo de titula-
1 34 o MÉTODO CIENTiFI CO
ção, desde o título geral do trabalho até os subtítulos das menores subdivisões
das partes, capítulos ou seções.
Seja de parte, de capítulo ou de seção, o título deve resumir os elementos
mais significativos do conteúdo do texto que encabeça. Essa é a norma geral.
Na realidade, porém, a titulação também cumpre outros objetivos, como: des­
pertar a atenção do leitor, criar expectativa em torno do tema apresentado e,
principalmente, facilitar a transmissão da mensagem através da divisão e orde-
nação da matéria.
.
Como os títulos constituem um elemento didático bastante útil e um efi­
caz instrumento de comunicação, sua escolha deve receber especial atenção
por parte do autor de qualquer texto científico.
Como orientação geral, titule todos os elementos de seu trabalho: partes,
capítulos e seções . Seja coerente a sistemática da titulação impedirá que, em
um mesmo documento, seções do mesmo nível ora tenham título, ora não o te­
nham.
Para titular corretamente, siga a seguinte regra prática: escolha o título
somente depois de redigir o texto que ele encabeça. Assim, o título geral do
trabalho só deve ser escolhido depois de o trabalho estar pronto; o da parte, só
depois de redigidos os textos de todos os seus capítulos; os dos capítulos, só
depois de redigidos os textos das seções; e assim por diante. Com o texto pron­
to torna-se muito mais fácil extrair dele os elementos mais significativos do seu
conteúdo para, com base nos requisitos já mencionados, elaborar-se um título
atraente para o leitor e capaz de alcançar o efeito que se deseja transmitir.
A CONCLUSÃO
A Conclusão do trabalho é sua parte final, o arremate da comunicação. Antes
de tudo, deve conter uma resposta (o mais inequívoca possível) para a proble­
mática do assunto, proposta na Introdução. Além disso, é o ponto para o qual
convergem a análise, a argumentação e a demonstração elaboradas no corpo
do trabalho. E, por ser uma síntese final , deve também ser breve e concisa.
Muitos iniciantes na comunicação científica confundem a Conclusão com
um apêndice ou um resumo. É um engano. A Conclusão é uma decorrência ló­
gica e natural de tudo que foi exposto anteriormente. Ela corresponde ao obje­
tivo final da comunicação, é sua razão de ser. Sem ela a comunicação não tem
valor.
Em verdade, todá a investigação, toda a análise, toda a dissertação e toda
a argumentação só se justificam em função da Conclusão, ou seja, daquilo que
se quer provar, a tese que se quer comunicar. Os elementos que se apresentam
nas partes anteriores Introdução e Desenvolvimento só têm sua presença
assegurada no trabalho se contribuírem para a composição desta parte final.
Desde a Introdução o autor anuncia a Conclusão como hipótese de traba­
lho. Ao longo do desenvolvimento, ele a vai confirmando ou negando. O fato
de algumas hipóteses serem falsas não invalida a necessidade de uma Conclu­
são. Sua própria falsidade é a Conclusão final, ou seja, o autor ressalta essa
A TECNICA DÁ REDAÇÃO 135
falsidade na Conclusão, como uma decorrência da observação da realidade. '
.
Essa, aliás, é a característica mais importante de qualquer trabalho científico: ·
a Conclusão como decorrência de observação da realidade. Não pode ser, por­
tanto, fruto de um juízo subjetivo do autor, sem fundamento conCreto.
Essa característica intrínseca da Conclusão não significa que o autor está
impedido de enfocar aspectos subjetivos em seu trabalho. Dependendo do tipo
de trabalho" pode fazê-lo. Mas é necessário que deixe bem claro ao leitor tudo
que é resultante de opinião pessoal, de hipótese sem fundamentação, de juízo
subjetivo .
. RESUMO ESQUEM
Á
TICO
o conteúdo de sua mensagem científica poderá ser estruturado em forma de descri­
ção ou de dissertação. A orientação básica para cada um desses casos é a seguinte:
DESCRIÇ
ÃO
1. Descreva sem deixar de evidenciar os p
o
rmenores que distinguem a coisa des­
crita.
2. Descreva segundo um critério lógico de apresentação da coisa descrita, de
modo que o leitor possa configurá-la.
3. Releia pelo menos três vezes a descrição, tratando de acrescentar informa­
ções essenciais eventualmente omitidas e de eliminar elementos que não se­
jam úteis ou que perturbem o objetivo da comunicação.
DISSERTAÇ
Ã
O
1. Para c
o
meçar a dissertar, sintetize e
·
ordene os dados coletados.
2. Faça sua dissertação de modo expositivo ou argumentativo.
3. Ordene sua linha de raciocínio e seus argumentos de modo que se apres·entem
em seqüência lógica para uma conclusão.
4. Uma das maneiras adequadas para a ordenação é dividir a totalidade do tex­
to em Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.
5. Releia pelo menos três vezes a dissertação, tratando de acrescentar-lhe sem­
pre maior objetividade, precisão e clareza . .
Quanto aos elementos fundamentais que tradicionalmente compõem a estrutu­
ra do trabalho de comunicação científica -Introdução, Desenvolvimento e Conclu­
são -suas características básicas são, respectivamente:
INTRODUÇ
Ã
O
1. Definição do àssunto do trabalho.
2. Delimitação do tema tratado.
3. Situação do tema no tempo e no espaço.
4. Demonstração da importância do tema.
5. Justificação da escolha do tema. .
6. Definição da terminologia empregada no texto.
7. Enunciação da documentação utilizada no trabalho.
8. Indicação da metodologia usada na elaboração do trabalho.
DESENVOLVIMENTO
1. Exposição da idéia principal do trabalho.
2. Análise dos diversos elementos que constituem o tema do trabalho.
1 36 o METODO CIENTiFICO
3. Discussão das diferentes hipóteses sugeridas pela análise.
4. A divisão do conteúdo do desenvolvimento (em partes, capítulos, seções, tó­
picos etc.) deve resultar da natureza e da complexidade de cada trabalho em
particular.
5. A construção do conteúdo tem o propósito de facilitar a exposição no senti­
do de torná-lo totalmente perceptível ao receptor a que se destina. Para tan­
to, o autor vale-se habitualmente das técnicas de oposição e de progressão. A
construção por cronologia é considerada ultrapassada, mas isso não quer di­
zer que não possa ser utilizada.
6. O método tradicional de exposição consta de:
a. Exposição do objeto ou questão do tema.
b. Apresentação sumária das razões contrárias ao tema.
Í« Exposição das dificuldades do problema.
d. Desenvolvimento da argumentação favorável.
Ý= Refutação à interpretações contrárias.
f. Interpretação do tema, servindo como pohto de partida para a conclusão
final .
7 ¸• Nos trabalhos baseados em pesquisas empíricas o método de exposição pode
orientar-se pelo seguinte esquema:
a. Análise dos elemenlos.
b. Apresentação das variáveis do problema.
Í+ Exposição do tipo de pesquisa.
d. Enunciação do pIanejamento adotado.
Ô« Explicação do tipo de amostragem e sua justificação.
f. Definição das amostras utilizadas.
g. Descrição dos instrumentos empregados, sua precisão e utilidade na pes-

qUIsa.
h. Explanação dos resultados obtidos.
i. Apresentação das técnicas de análise utilizadas e sua justificação.
j . Exposição das generalidades e conclusões.
A cada tópico acima referido corresponderia um capítulo, deixando-se à
Conclusão a apresentação final do trabalho, como uma síntese geral.
8. O equilíbrio entre as partes é sensível e não formal, pois a proporção das par­
tes no todo varia em função de diversos fatores.
9. A titulação deve ser feita de modo que cada título resuma os elementos mais
significativos do texto que encabeça. A orientação geral é no sentido de que
todas as partes e divisões do trabalho (bem como suas subdivisões) sejam
coerentemente tituladas.
CONCLUSÃ
O
1. A Conclusão deve ser breve, concisa e conter uma resposta, o mais inequívo­
ca possível, para a problemática do assunto do trabalho.
2. A Conclusão é uma decorrência lógica e natural do que foi apresentado na
Introdução e exposto no Desenvolvimento do trabalho. Portanto, não é um
resumo do Desenvolvimento, mas o objetivo final do trabalho.
A TECNICA DA REDAÇÃO 137
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Este capítulo é eminentemente prático. Ainda assim, se você o compreendeu,
juntamente com os capítulos anteriores, poderá responder às questões apre­
sentadas abaixo.
• Que instrumentos você utiliza para expressar seus pensamentos na redação
da comunicação?
• Pode-se estabelecer alguma relação de igualdade entre a redação de publici­
dade e a redação científica? Por quê?
• Qual é a regra desenvolvida pelos profissionais da comunicação e que pode
ser aplicada à redação científica?
• Ao redigir para "alguém" o texto de sua comunicação, esse alguém é um ser
humano real ou uma personagem representativa de uma categoria média de
seres humanos? Por quê?
• Qual é a grande diferença entre o texto de um romance e o de uma comunica­
ção científica?
• Quais são as características fundamentais do texto de comunicação centífica
quanto ao estilo?
• O que acontece com o seu pensamento quando você reelabora o texto de sua
comunicação científica em busca de maior objetividade, maior · precisão e
maior clareza? Por quê?
• As questões pertinentes ao estilo da comunicação científica estão mais liga­
das à arte ou à ciência da comunicação? Por quê?
• Existe alguma orientação geral para o uso de termos especializados? Se exis-
te, em que consiste?
.
• Em termos de comunicação científica, o que é uma frase bem construída?
• Falou-se no capítulo que a comunicação científica deve ser redigida como
descrição ou dissertação. Isso quer dizer que não pode ser elaborada como
narrativa? Por quê?
• A sucessão lógica dos argumentos tem alguma finalidade na redação? Se
tem, qual é essa finalidade?
• Você é capaz de enumerar três itens que devem estar contidos em todas as In­
troduções de qualquer comunicação científica?
• Mencionou-se que o plano original da redação deve ser flexível . Por que não
deve ser rígido e definitivo?
.
• O que você entende por construção por oposição?
• Qual é a proporção do Desenvolvimento com relação ao total de páginas uti-
lizadas pelo texto da comunicação científica?
• Que característica essencial deve ter o título de um capítulo?
• A Conclusão da comunicação pode ser dispensada? Por quê?
• Você é capaz de fazer um esquema racional desse capítulo? Já tentou? Por
quê?
W

ria
• Introdução
• Apresentação do texto
Papel
Datilografia
ura
Margens e extensões das linhas
Espaços de entrelinhamento
Colocação dos títulos
Nos capítulos
Nos tópicos
Nos subtópicos
Numeração. das páginas
Citações
Citação textual
Citação livre
Citação mis ta
.
Notas
INTRODUÇAO
• •
Destaques gráfico�
Tabelas e ilustrações
A capa
A página de rosto.
A página de dedicatória
A página de aprovação
O índice geral
O prefácio
O núcleo do trabalho
A lista de tabelas e ilustrações
Apêndices e anexos
O índice de assuntos (temáti-
co)
O índice onomástico
A bibliografia
A capa de encerramento
»
Há quem julgue, erroneamente, que a apresentação ordenada, limpa e siste­
mática de um trabalho é coisa para criança de jardim de infância. Essas pes­
soas estão completamente enganadas . Trabalhos bem cuidados, datilografa­
dos ou impressos, causam boa impressão em quem os lê: demonstram discipli­
na e pensamento organizado. E isso sempre constitui um ponto favorável na
sua avaliação; Portanto, não deixe de dispensar tratamento cuidadoso aos as­
pectos formais e técnicos de seus textos de comunicação científica. O trata­
mento adequado ajuda a comunicar melhor.
Neste capítulo vamos examinar os itens fundamentais da estrutura mate-
.
rial do trabalho, desde a forma de apresentação do texto e sua disposição no
papel, até a forma de preparação de notas, sumários e índices. Embora talvez
você já conheça alguns desses itens e até os domine amplamente na vida co­
tidiana não despreze o conjunto das orientações que apresentaremos a se­
guir. Um trabalho bem apresentado deve obedecer fielmente a todas elas .
Além disso, alguns desses itens são regidos por normas que não devem ser vio­
ladas. Dê-lhes, pois, a merecida atenção. Esse cuidado não só aumentará seu
esforço de elaboração como ajudará bastante para que seus objetivos sejam
plenamente alcançados.
APRESENTAÇÃO DO TEXTO
A ESTRUTURA DO MATERIAL 139
De modo geral a apresentação dos trabalhos científicos é composta dos seguin­
tes elementos básicos:

1. Capa.
2. Página de rosto.
3. Página de dedicatória.
4. Índice geral .
5. Prefácio.
6. Núcleo do trabalho.
a. Introdução.
b. Desenvolvimento.
c. Conclusão.
7. Lista de tabelas, gráfcos e figuras.
8. Apêndices e anexos .
9. Índice de assunto.
10. Índice onomástico ou de autores.
11. Bibliografia.
12. Capa.
Antes de examinarmos o modo de apresentar esses elementos, verifique­
mos os cuidados que você deve ter com o material e a disposição do texto.
Papel
Utilize um papel branco, de boa qualidade, de formato ofício. Infelizmente o
formato ofício ainda não está bem padronizado em nosso país, por esse motivo
você poderá encontrá-lo nas dimensões 29, 7 x 21 cm ou 3 1 , 5 x 21 , 5 cm. Qual­
quer papel com uma dessas dimensões é adequado para a apresentação do tra­
balho. Nesse sentido, você deve preocupar-se apenas com o fato de todas as
páginas do trabalho final terem exatamente as mesmas dimensões.
Datilografia
Ainda que um trabalho acadêmico mais simples possa ser redigido à mão, uma
comunicação científica só é admitida se datilografada ou impressa. Datilogra-

fe seu texto em apenas uma das faces da folha de papel deixe o verso em
branco. Para a datilografa use fita de máquina azul-preta ou simplesmente
preta. Não caia na tentação de querer destacar termos, vocábulos ou expres­
sões em vermelho. Não use a fita vermelha para o seu texto final.
140 o MÉTODO CI ENTiFI CO
Margens e extensões das linhas
A obediência sistemática ao espaço das margens livres do papel, e aos espaços
em que se iniciam as diferentes espécies de parágrafos, confere distinção à apa­
rência do trabalho, permitindo-lhe uma distribuição estética e homogênea do
texto. Para uma margeação bem distribuída, use a seguinte orientação:
1. Margem superior: 3 cm livres (cerca de 7 a 8 espaços simples de entreli-
nhamento).
2. Margem da esquerda: 3, 5 cm livres (cerca de 1 2 a 1 5 batidas de tecla).
3. Margem direita: 2 cm livres (cerca de 7 a 8 batidas de tecla).
4. Margem inferior : 2 cm livres (cerca de 5 a 6 espaços simples de entreli­
nhamento).
5. Margem de parágrafo: 2 cm (cerca de 8 batidas de tecla, a partir da
margem esquerda).
6. Margem de citação longa: 4 cm (cerca de 1 6 batidas de tecla, a partir da
margem esquerda).
Uma das providências úteis para você manter sistematicamente as mesmas
margens ao longo de todo o trabalho é preparar inicialmente uma folha-gaba­
rito. Tome uma folha de papel e nela marque as margens mencionadas (como
na Fig. 1 1 . 1 ). Ela servirá de guia durante a datilografia, resolvendo dúvidas a
qualquer momento e assegurando a uniformização do trabalho.
Espaços de entrelinhamento
A simples visualização da disposição gráfica do texto deve dar uma idéia corre­
ta da distribuição hierárquica dos diferentes componentes. O uso do entreli­
nhamento diferenciado tem o propósito de preencher essa necessidade. Para
entrelinhar seu trabalho, siga a seguinte orientação:
1. Entre as linhas do texto: use 2 espaços simples (espaço duplo).
2. Entre as linhas de referências bibliográficas ou notas de rodapé: use 1
espaço simples .
3. Entre parágrafos : use 3 espaços simples (espaço triplo).
4. Entre o número de página e o texto: use 3 espaços simples (espaço tri­
plo).
5. Entre o texto e ilustração, gráfico ou tabela e vice-versa: use 3 espaços
simples (espaço triplo).
6. Entre o texto e citações longas e vice-versa: use 3 espaços simples (espa­
ço triplo).
Colocação dos títulos
Com exclusão da capa e da página de rosto (cuja indicação de posição do título
será dada no tópico correspondente a esses dois elementos) observe a seguinte
orientação para uniformizar a colocação de títulos em seu trabalho.

3, 5 cm •
M W
I
2 cm
I
I
I
8
I
4 cm • I
I
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Fig. 11. 1 Modelo de folha-gabarito.
A ESTRUTURA DO MATERIAL 141
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¼
MARGEM SUPERIOR
T

MARGEM INFERIOR
e
t
¼
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2 cm

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E
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Þ
C
:

O

:
142 o METOOO CI ENTI FI CO

Nos capítulos
• •
Os títulos de capítulos, bem como os dos diferentes índices, da bibliografia geral
e da seção de apêndices e anexos, devem sempre abrir uma nova página e serem
datilografados em versais (letras maiúsculas) a 8 cm de distância da extremida­
de superior do papel (cerca de 1 8 espaços simples da margem superior do tex­
to) e a 4,5 cm acima do início do texto que encabeçam (cerca de 1 5 espaços
simples). Além disso, devem ocupar o centro da linha, guardando aproxima­
damente a mesma distância livre entre as margens esquerda e direita do texto.
Nos tópicos
f
Os títulos de tópicos correspondem à primeira divisão interna de capítulos e
são colocados em linha isolada, junto à margem esquerda do texto ou obser­
vando a margem de inicio de parágrafo. Recomenda-se que fiquem situados 6
espaços simples abaixo da última linha do texto antecedente, e 3 espaços acima
do texto que encabeçam. Alguns autores aconselham que sejam sublinhados.
Nos subtópicos
Os títulos dos subtópicos equivalem à segunda divisão interna de capítulos e
são colocados à esquerda, sempre respeitando a margem de inicio de parágra­
fo. Sua separação do texto é feita apenas mediante um travessão, continuan­
do-se o texto na mesma linha do título. O travessão deve ficar entre duas batidas
livres de tecla depois do título e antes do início do texto.
Nos casos em que o trabalho tem suas seções numeradas progressivamen­
te, todos os títulos (excluindo-se o da capa e da página de rosto) devem ser po­
sicionados na margem esquerda do texto ou na margem de início de parágrafo.
Numeração das páginas
A numeração das páginas deve iniciar-se a partir da página de rosto, excluin­
do-se, portanto, a capa. Apesar disso, a página de rosto não leva número.
Também não levam número, embora sejam contadas para efeito de numera­
ção, as páginas que iniciam partes do trabalho, ou seja, as iniciais de dedicató­
ria, do índice geral , do prefácio, da introdução, dos capítulos, das seções, da
bibliografia etc.
Nas partes ou seções que antecedem ao núcleo do trabalho, a numeração
das páginas deve ser feita com algarismos romanos . Todas as demais devem re­
ceber numeração com algarismos arábicos.
A numeração das páginas deve ser feita no centro ou à direita (junto à
margem direita), observando-se uma distância de 3 ou 4 espaços da extremida­
de superior do papel .

Citações
A ESTRUTURA DO MATERIAL 1 43

Durante a elaboração do texto você pode valer-se de três tipos de citações: a ci­
tação textual , a livre e a mista.
Citação textual
.
Este tipo de citação consiste na transcrição literal das palavras do autor, res­
peitando todas as suas características formais, inclusive a pontuação. Em seu
trabalho, ela deverá aparecer sempre entre aspas.
Havendo alguma incorreção no documento citado,
·
você pode apontá-la
através de expressão latina sic, escrita entre parênteses e fora das aspas, indi-
cando que os termos estavam assim mesmo no original .
.
Nem sempre, porém, você necessitará citar textualmente um trecho com­
pleto de outro autor . É comum que ne
é
essite apenas de uma parte de um pará­
grafo ou frase. Nesse caso, sempre que omitir o final ou o começo da proposi­
ção citada, use reticências antes do início da citação, mas dentro das aspas, e
após o seu términO, mas antes de fechar as aspas . Se a transcrição abordar ape­
nas parte de uma frase ou parágrafo, o sinal de reticências deve ser colocado
entre parênteses, o que indicará a retirada de parte do texto original . No se­
guinte exemplo: " . . . reuniu seus companheiros ( . . . ) e confabulou com eles .
P
±
Depois de alguns minutos voltou-se para Geminiano . . . " (Erico Veríssimo, In-
cidente em Antares, p. 21 6) , foram omitidos o iníCio, parte do núcleo e o final
do texto original .
Lembre-se de que em toda citação textual deve constar a indicação da fon­
te, que pode ser feita no próprio corpo do texto, como no exemplo acima, ou
em nota de rodapé. Se as citações forem em número muito elevado, prefira in­
dicar as fontes em notas de rodapé.
Citação livre
A citação livre observa fielmente o conteúdo do texto original , suas idéias, mas
não o transcreve com os mesmos termos. Ao usá-las em seu texto você não ne­
cessita colocá-las entre aspas (nem deve), mas continua sendo obrigado a men­
cionar a fonte de onde foi extraída, indicando o autor, a obra e a pfgina .

Citação mista
Este tipo de citação é constituído por uma mistura dos dois tipos anteriores.
Nela você pode transcrever entre aspas apenas alguns termos ou expressões do
autor original , completando a frase com suas próprias palavras .
As citações curtas podem ser incorporadas ao próprio corpo do texto. As
citações longas, porém, devem receber espaço apropriado, em parágrafo espe­
cial , observando-se a margem que lhe é adequada (veja o tópico Margens e ex­
tensões de linhas, neste capítulo).
Para os casos de citações de trechos em língua estrangeira há duas opções:
você pode transcrever o trecho no idioma original e traduzi-lo em nota de ro-
144 o METODO CIENTiFICO
dapé, OU traduzi-lo diretamente, destacando na indicação bibliográfica o idio­
ma em que o documento foi originalmente impresso ou do qual você o tradu-

ZlU.
Notas
As notas, tanto de rodapé como de fim de capítulo, são muito úteis nos traba­
lhos de comunicação científica porque permitem que o corpo do texto fque li­
vre de referências secundárias. Tais referências, se mantidas no corpo do tex­
to, provocariam uma quebra de seqüência no discurso e, assim, criariam entra­
ves para a comunicação com o leitor. As notas servem, sobretudo, para a indi­
cação de fontes bibliográficas, a indicação de textos paralelos e relacionados
com o assunto, a remissão do leitor para outras partes do mesmo estudo, a tra­
dução de citações utilizadas no texto em sua língua original e também para in­
cluir comentários e observações do próprio autor do trabalho.
As notas devem ser datilografadas com entrelinhamento de espaço sim­
ples, tendo seu início junto à margem esquerda do texto, sem abertura de espa­
ço de parágrafo. Quando situadas no rodapé, é costume separá-las do texto
por um traço contínuo (travessão ampliado por vários toques de tecla) de cerca
de 2, 5 i 3 cm, a partir da margem esquerda. Como é difícil calcular previamen­
te o espaço que ocuparão na página, é recomendável que se divida a página a
ser datilografada em duas metades, reservando-se a parte superior para o texto
e a parte inferior para as notas. Este procedimento é mais utilizado nos traba­
lhos acadêmicos por ser mais prático do que o agrupamento das notas nos fi­
nais dos capítulos ou do trabalho .
.
As notas de indicação bibliográfica devem conter apenas o nome do au­
tor, o título da obra e o número da página de que foi eXtraída a citação. Estes
dados são suficientes para a localização da fonte; demais informações são
apresentadas na seção da bibliografia e segundo normas estabelecidas (veja o
tópico Bibliografia, neste capítulo). Na nota de rodapé, o nome do autor é ins­
crito na ordem direta.
Finalmente, uma última observação quanto às notas: lembre-se de que a
cada nova citação deve corresponder uma nova nota de indicação bibliográfi­
ca, mesmo que a transcrição seja de uma passagem ou trecho já citados. Nestes
casos, proceda como exemplificamos abaixo:
Celso Cunha, op. cit., p. 1 71 se a obra já tiver sido indicada anterior-
mente.
Id. , ibid. , p. 1 71 se autor e obra tiverem sido mencionados imediata-
mente antes dessa indicação de fonte.
Id. , Gramática do português contemporâneo, p. 1 71 se o autor tiver si­
do mencionado imediatamente antes dessa indicação de fonte bibliográfi­
ca, mas com referência a outra obra.
Havendo necessidade de referência genérica a algum elemento que apare­
ça diversas vezes e em vários lugares do texto citado, ao invés de indicar a pági-
A ESTRUTURA DO MATERIAL 145
na ou páginas da fonte, use apenas a expressão latina passim, como neste
exemplo:
Celso Cunha, Gramática do português contemporâneo, passim.
Destaques gráficos
Nos trabalhos de comunicação científca o recurso de destacar graficamente
certas palavras, títulos ou trechos é regido por normas já consagradas . Ao ela­
borar seu trabalho você deve observar essas normas, pois elas esclarecem o lei­
tor a respeito do significado de cada destaque em particular .
Títulos de obras, termos estrangeiros e trechos que você queira ressaltar
devem ser sempre sublinhados. Nomes de revistas, jornais e documentos em
geral não devem ser sublinhados, mas apenas aparecer entre aspas.
Na preparação de textos originais para impressão você pode recorrer ain­
da a outros tipos de destaque, a saber: impressão em grifo (ou itálico), impres­
são em negro ou negrito, impressão em versaI (letras maiúsculas) e impressão
em versalete (letras maiúsculas, mas de dimensão intermediária entre as maiús­
culas comuns do texto e as minúsculas) .
O uso do grifo e do negro ou negrito é indiferente qualquer um desses
recursos gráficos pode ser empregado no texto impresso para destacar-se ter­
mos ou expressões de outros idiomas (neste caso seu uso é obrigatório), pala­
vras ou trechos do próprio texto sobre os quais você deseja chamar a atenção
do leitor. No entanto, o critério de utilização deve ser sistemático. Se utilizar o
grifo, por exemplo, para destacar as expressões estrangeiras, continue usando­
-o para todos os casos semelhantes. O que não se deve fazer é misturar os crité­
rios , ora destacando palavras estrangeiras com grifo, ora com negro ou negri­
to. A negligência ao critério sistemático de emprego só confunde o leitor e de­
monstra falta de cuidado com o trabalho.
A composição em versaI é empregada nos títulos das partes, das seções e
dos capítulos do trabalho, bem como na grafia do sobrenome dos autores na
seção final das referências bibliográficas, tal como está regulamentado pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (veja anexo no fnal deste livro).
A composição em versalete tem seu emprego reservado para as siglas
(ONU, OEA, INAMPS, CEPAL, OTAN etc. ) e para marcas ou nomes de pro­
dutos industriais (FORD, SHARP, BRASTEMP, OMO, SECURIT etc. ).

Tabelas e ilustrações
Embora a palavra, tanto a escrita como a oral, seja um dos mais eficazes ins­
trumentos de comunicação, às vezes um outro recurso gráfico pode cumprir
melhor sua função no trabalho científico. Este é o caso das tabelas e de certas
ilustrações. De fato, a presença de materiais ilustrativos, como tabelas, gráfi­
cos, diagramas, mapas, desenhos, fotografias etc. , promove a compreensão

146 o METODO CIENTiFICO
direta de certas informações que de outra maneira exigiriam grande número de
.
.
palavras. A utilização do recurso ilustrativo depende exclusivamente do pro-
pósito . visado pelo autor.
. .
Portanto, havendo necessidade de ilustrar seu trabalho, não tenha dúvi-

das em fazê-lo. Mas não abuse. Empregue uma ilustração somente quando ela
se fizer realmente necessária para cumprir uma função. Nas comunicações téc­
nicas ou científicas as ilustrações não aparecem para embelezar, mas para in­
formar . Devem ser partes integrantes do texto como instrumentos auxiliares de
sua compreensão; devem conter somente informações úteis para aclarar sua
mensagem.
Para efeito de ordenação sistemática no trabalho, tanto as tabelas como
as demais ilustrações são denominadas figuras e numeradas em seqüência cro­
nológica, segundo a ordem em que aparecem nas páginas . Ao numerá-las , an­
tes do número use a abreviação Fig • • precedendo a legenda e dela separada por
travessão, quando houver legenda. Assim:

Fig. 10 � Mapa do setor industrial.
De preferência, tanto as tabelas como as demais fguras devem aparecer
no local do texto em que são mencionadas pela primeira vez. Embora a reu­
nião de todas as fguras em uma seção no fnal do trabalho seja usada com cer­
ta freqüência, é uma forma de exposição muito inadequada. Dessa maneira,
ao invés de esclarecerem de imediato o leitor, somente o confundem, obrigan­
do-o a interromper o fluxo da leitura para buscá-las e interpretá-las, antes de
voltar ao texto.
.
Tendo-se examinado os materiais e recursos gráficos de que você dispõe
na elaboração do seu trabalho, vejamos agora como você deve apresentar os
diferentes elementos componentes da estrutura.
A capa
A capa do trabalho deve conter o nome do autor, o título do trabalho, o nome
da cidade e o ano em que o texto foi escrito. Somente nos casos de trabalhos
acadêmicos é que recebe ainda o nome da instituição, com a indicação da fa­
culdade e da cadeira com a qual o trabalho está relacionado. Disponha esses
elementos de maneira sóbria e estética, da seguinte maneira:
. 1. A 3 cm da extremidade superior do papel , quando for o caso, escreva
em versais o nome da instituição, o nome da faculdade, o nome do cur­
so e o nome da cadeira .

2. A 1 0 cm da extremidade superior, coloque o título. Centralize-o na pá-
gina, observando igual distância livre entre as extremidades esquerda e
direita do papel. Escreva�o em versai s, ou seja, todo em letras maiúscu­
las .
CARVAO
! PETRÓLEO
USI NAS
H I DRE LETRI CAS
• prontas
" em ampl iação
Ã
t em construçao
TERMELETR I CAS
C prontas
(i) em ampl iação
A ESTRUTURA DO MATERIAL 1 47
ENERGIA
Fig. 11.2 Exemplo de figura: Mapa de distribuição de fontes energéticas.
7
O
Z
«
a
O
Ü
¯
¯
¯

4

a
O
3 O
«
X
2
«
I
1
°
7,3
2, 1
I NCI DÊNCI A
DE ENFARTE
DO Mi OCÁRDI O
~
Fumantes 1 . 272 homens
Não fumantes 81 2 homens
2,4
0,4
MORTES POR
CORONAR I OPATI AS
0,9
TOTAL DE MORTES
Fig. 11.3 Exemplo de figura: Gráfico de incidência cardiopática em fumantes.
148 o MÉTODO CIENTiFICO ·
1.2.2 ¯CARACERIZAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS ¯ 1975
ESTAÇÕES
COORDENADAS ALTITUDE
Da cuba do
Latitude Longitude Da estação barômetro
(S) (W. Or.) (Hp) · (Hz)
.. 4
Porto Velho·RO & & & • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Cruzeiro do Sui-AC . . . . . . . . . . . . . . u & . & + + W . . & . . . Þ . & &

Manaus-AM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Barcelos-AM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Boa Vista-RR (1) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Belém-PA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . +
Alto Tapaj6s-PA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Santarém-PA (2) B + & . . & . & & & . . & . W . . & & . W B & B B & & & & . & . & .
Macapá-AP (1) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
São Luís-MA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . W
Carolina-MA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Teresina·Pl . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Fortaleza-CE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . W
Quixadá -CE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Natal-RN . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . B
João Pessoa�PB A & A & A & B & & & & & A • & & W & W & & & & A & B B & B & Þ B & B
Campina Orande-PB . . . . . . . . . . . . . . . . . : Þ & & B & A & Þ # & . &
Reci fe-PE (3) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Garanhuns-PE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Goiana·PE . + + + + + + + + e s e e e . + + + e e + e e . + + � + + + + + - + + + . +
Maceió-AL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & & + & & . + & B & & . & + & . . & + &
Aracaju-SE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Salvador-BA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . +
Caetité-BA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
llhéus-BA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . +
Jacobina-BA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . +
Remanso-BA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Belo Horizonte-MO . & & A . B + . & ¢ • + « « . + « . « « « « « + . « + « + + « +
Barbacena-MG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Poços de Caldas-MO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . B
São Lourenço-MO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Vit6ria-ES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Rio de Janeiro-RJ (4) . + W . B + . . . W & & + & . + + . . B . . . . + . . + & +
Cabo Frio-RI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Resende-RI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Teresópolis-RJ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
São Paulo-SP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Franca-SP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Santos-SP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . B
Curitiba-PR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . + . & .
Guarapuava-PR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . B
Florianópolis-SC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Lages-SC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Porto Alegre-RS . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. & . . B & & & . & : & . W &
Bagé-RS . . . . . . . . . . . .

. & & . & . & . 4 & & & & & & & . B B . & . . & & & W . B
Caxias do Sul-RS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Pelotas-RS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A
Cuiabá-MT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Cáceres-MT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Campo Grande-MT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Goiânia -GO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &
Porto Nacional-OO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . &


8°45'48"
63°54'48"
7°38'0" 72°40'0"
3°08'07" 6
°01'34"
0°59'0"
62°55
'
0"
2°49' 17"
60°39'45"
1 °28'03" 48°29' 18
"
7°20'0" 57°30'00
"
2°25'0" 54°42'0"
0°25'25" 51 °
03
' 13"
2°33'00"
44°
18'00"
7°20'0" 4
7
°28'0"
5°05' 13" 42°48'42"
3°45'47" 38°37'
23"
4°58'0" 39°01' 0"
5°46'00"
35 ° 12' 00"
7°06'00
"
34°52'00"
7° 1 3'00
" 35°53'00"
8°01 ' 0" 34°51 '0"
8°53'0" 36°
31 '
0"
7°33'0" 34°59'0"
9°40'00" 35°42'
00
"
10°55'
0"
37°05'00"
12°57'
00
"
38°30'00"
14°04'
00" 42°29'00"
14°47'0" 39°03'00"
1 1 ° 1 1 '0"
40°3 1 '0"
9°41 '0" 42°04'0"
9°55'57" 43°56'32"
.
21 °1 5'
0" 43
°
46
'00
"
21 °47'
00
"
46°34'00"
22°06
'
00
" 45
°
01 '00
"
20° 18
'
52" 40° 19'06"
22°54'24" 43° 10' 21"
22°53'00"
42°02'00"
22°29' 00
"
44°28'00"
22°27' 00
"
42°56'00"
23°32'36"
46°37'59"
20°33'0" 47°26'0"
23°56'
0
"
46°20'00"
25°52'48" 49°16' 1 5"
25°24'0" 5
1
°28
'
0"
27°35
' 36" 48�35'56
"
27°49'
00"
50°20'00"
30°02' 15" 51 ° 13' 1 3"
31 °20'00"
54°06'0"
29° 10'00"
51 ° 12
'00"
3 1 °45'00
"
52°
21 '00"
1 5°35'26"
56°
06'01"
1 6°
03'0"
57°41 '0"
20°27'0"
54°37'
0"
16°40' 21" 49° 15' 29"
10°31 '0" 48°
43'0"
106,0
170,00
48,0
40,00
90,00
24,00
140,00
20,00

• • •
32,00
1�3,O
79,0
26,49
180,00
18,00
28,00
527,0
56,0
927,0
1 1 ,00
46,00
6,0
8,0
872,00
44,00
470,00
41 1 ,0
915,00
I 126,00
I 189,00
873,00
3 1 .01
30,00
2,0
439,0
874,00
792,06
1 035,00
2.0
947,49
1 1 16,0
45,74
926,00
10,00
216,00
760,00
7,0
1
7
1 ,60
1 1 7,0
566,0
72'9,49
237,0

FONTES - Departamento Nacional de Meteorologia e Fundação instituto Brasileiro de Geografia e. Estatística.
Fig. 11.4 ¯Exemplo de figura: ' Tabela de caracterização de estações meteorológicas.
105, 31
1 SO,OO
49,0
• • •
73,00
24,00
140,00
20,00
1 1 ,50
33,00
1 84,0
79,00
26,95
192,00
8,00
28,00
• • •
62,0
• • •
14,00
45,00
7,00
& . .
878,00
46,00
455,00
• • •
915,87
1 104,00
1 1 99,00
873,00
36,30
26,0
3,00
404,00
876,00
795,03
1 036,00
9,00
949,17
• • •
34,70
927,00
23,00
196,00
755,00
9.00
165,0
1 1 8,0
567,00
733,00
238,00
A ESTRUTURA DO MATERIAL 149
3. A 1 7 cm da extremidade superior da folha, ou 5 cm abaixo do título,
escreva o seu nome, apenas com as iniciais maiúsculas. Tratando-se de
trabalho acadêmico, convém acrescentar abaixo do seu nome o número
de sua carteira de identidade, a classe a que pertence no curso e o nú­
mero de sua lista de presença de classe.
4. A 3 cm acima da extremidade inferior da folha faça constar o nome da
cidade e o ano em que concluiu o trabalho. Nos trabalhos acadêmicos,
o nome da cidade deve ser substituído pelo do mês em que o trabalho
foi concluído (veja os exemplos nas Figs. 1 1 . 5 e 1 1 .6).
Atualmente as capas de abertura podem ser substituídas por pastas de car­
tolina ou materiais plastificados, dotadas de prendedores internos. No entan­
to, as referências dadas acima para as folhas de papel devem ser observadas
também para a apresentação dessas pastas .
A página de rosto
Para efeito de numeração das páginas , a página de rosto deve ser considerada
como a de número 1 do trabalho, mas não leva qualquer numeração. Sua dis­
posição gráfica deve ser a seguinte:
Exatamente à mesma distância da extremidade superior do papel em que
você colocou o título do trabalho na capa de abertura, coloque o título na pá­
gina de rosto, também observando as mesmas distâncias das margens esquerda
e direita. Na página de rosto o título deve ser completo, incluindo subtítulos,
se os houver (veja o exemplo na Fig. 1 1 . 7).
Com o seu nome, proceda da mesma forma que na capa. E, no pé da pági­
na, não deixe de mencionar o nome da cidade e o ano da conclusão do traba­
lho.
A página de dedicatória
Espaços especialmente reservados às dedicatórias não são indispensáveis nos
trabalhos de comunicação científica. No entanto, quando se tratam de teses,
de mestrado, de doutorado, ou de livre-docência, ou de trabalho destinado à
publicação, as dedicatórias são freqüentemente usadas pelos autores . Nesses
casos os agradecimentos do autor ao orientador são justificáveis e merecidos .

A página de aprovação
Esta página não é comum para qualquer trabalho de comunicação científica.
Em verdade só deve constar das teses universitárias que passarão por um pro­
cesso de avaliação. Sendo este o caso, é necessário que o autor preveja espaço
suficiente para a assinatura dos membros pa comissão julgadora.

150 o METODO CIENTiFICO
PENSAMENTO E LINGUAGEM
por
Fernanda Ortiz Frei
São Paulo 1980
Fig. 11.5 Modelo fictício de capa de abertura de trabalho científico.
A ESTRUTURA 00 MATERIAL 1 51
UNIVERSIDADE "BANDEIRANTES" DE SÃO PAULO
FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE PSICOLOGIA CADEIRA DE PEDAGOGIA
PRINCÍPIOS E CONDIÇÕES DA
APRENDIZAGEM SEGUNDO A

VISAO DE KAUSMEIER
por
Regina Rozeda Irff
RG 02582 2?C2
"
N? 4
)gosto 1 980
Fig. 11.6 "-Modelo fictício de capa de abertura de trabalho acadêmico.
"
1 52 o METODO CI ENTIFI CO
PENSAMENTO E LINGUAGEM

- Estudos sobre o mecanismo da linguagem
como fatores decisivos para a capacidade
real de verbalização do pensamento
Fernanda Ortiz Frei
Professora titular de Etologia
por
do Instituto de Altos Estudos Científicos
da Universidade "Beta" de Estocolmo
São Paulo 1980
Fig. 11.7 Modelo fictício de página de rosto de trabalho científico.

o
índice geral
A ESTRUTURA DO MATERIAL 153
Embora sob essa denominação, o índice geral é, de fato, um sumário completo
do trabalho com a indicação dos diferentes títulos de partes, seções e capítulos
e seus respectivos números de páginas . Por esse motivo, deve ser a última coisa
a ser preparada, embora faça parte das páginas iniciais. Dele devem constar
todos os elementos constituintes da estrutura do trabalho, desde a introdução
até a seção da bibliografia, passando por todos os capítulos e suas subdivisões ,
bem como pela listagem das ilustrações, pelos apêndices e anexos e pelos de­
mais índices especiais localizados na parte final do trabalho.
o
prefácio
Também denominado prólogo ou proêmio, quando escrito pelo próprio autor
o prefácio pode substituir a introdução, apresentando as observações prelimi­
nares sobre o trabalho. Pode ocupar uma ou mais páginas .
¼
O núcleo do trabalho
Quando dividido nitidamente em partes, o núcleo do trabalho
"
constituído
pela Introdução, Desenvolvimento e Conclusão deve ter cada parte apresen­
tada em nova página, com seu título, se for o caso, e numeração romana. Por
exemplo:
I PARTE - INTRODUÇÃO
II PARTE SINTAXE
III PARTE CONCLUSÃO
Quando não possuem qualquer título em especial, basta que a página de
apresentação da parte contenha a seqüência da numeração romana, assim:
I PARTE
II PARTE
III PARTE
Lembre-se de que essas páginas de abertura de partes não levam a nume­
ração de página comum às demais. Elas são contadas para efeito de numera­
ção, mas não apresentam o número que lhes corresponde.
No interior de qualquer das partes, cada capítulo deve iniciar uma nova
página, com seu título escrito em letras maiúsculas e situado no centro da Ii­
"nha, a 8 cm de distância da extremidade superior do papel e cerca de 4, 5 cm
acima do início do texto que ele encabeça. De preferência, a numeração" dos
capítulos é feita em algarismos arábicos. Ao numerá-los, despreze a divisão em
.
partes: comece a seqüência da numeração no primeiro capítulo do trabalho e
termine a mesma seqüência no último. Não interrompa a numeração ao final de
154 o MElODO CI ENTi FI CO
uma parte para começar outra seqüência no início da parte seguinte. Proceda
conforme este exemplo:
I PARTE
1 . Capítulo
2. Capítulo
3. Capítulo
II PARTE
4. Capítulo
5. Capítulo
6. Capítulo
III PARTE
7. Capítulo
etc. etc.
A lista de tabelas e ilustrações
Obviamente esta lista só é necessária em trabalhos que contêm muitas tabelas
ou outros tipos de figuras . Convém elaborá-la na forma de índice, segundo um

critério facilmente compreensível para o leitor. Você pode preparar a lista con-
forme a seqüência numérica das próprias figuras ou em ordem alfabética, se­
gundo seus títulos ou assuntos de que tratam. Não deixe de mencionar, ao lado
de cada indicação de figura, a página em que ela se encontra.
Apêndices e anexos
Os apêndices e anexos do trabalho constjtuem uma seção especial, por isso de­
dique-lhes uma nova página de abertura, tal como a páginas de abertura das
partes. Os apêndices têm por objetivo complementar o raciocínio do autor sem
prejudicar a explanação ou o discurso no núcleo do trabalho. Os anexos são
constituídos de documentos, nem sempre elaborados pelo próprio autor, que
complementam o objetivo da comunicação, fundamentando a argumentação.
Apêndices e anexos só çevem ser acrescentados ao trabalho se a estrutura da
argumentação o exigir.
o
índice de' assuntos
A finalidade do índice de assuntos é auxiliar o leitor a localizar no texto os
prinçipais temas tratados . Por isso sua presença só é requerida em trabalhos
extensos ou desenvolvidos em profundidade. Ao elaborar seu índice de assun-
A ESTRUTURA DO MATERIAL 1 55
tos, faça-o em ordem alfabética, indicando a página ou páginas em que as en­
tradas estão localizadas. Por exemplo:
Comunicação
entre animais, 26, 34, 70
não verbal , 28, 37
oral, 1 3, 33, 85, 1 03
verbal , 17, 38, 63 , 1 05
Comunidade
autoridade, 45
características, 1 2
conceitos, 1 3, 1 5
domínio, 23, 38
luta, 73

solidariedade mecânica, 35, 39
solidariedade orgânica, 41 , 45, 1 02, 107
etc. etc.
o
índice onomástico
Este índice indica ao leitor a localização, no trabalho, de todos os autores cita­
dos , inclusive nas diferentes notas e nas referências bibliográficas. Ele deve ser
.
organizado em ordem alfabética, tomando�se em consideração, para esse efei-
to, a primeira letra do sobrenome. Por exemplo:
Frege, Gottlob, 97 .
Freud, SigolUnd, 10, 32, 45, 80, 95
Gide, André, 1 3
Gonçalves Dias, Antônio, 27, 84
Gorki, Máximo, 73
.
Guimarães Rosa, João, 33, 58, 97
etc. etc.
A bibliografia
A relação bibliográfica tem por finalidade apresentar ao leitor as obras e auto­
res que serviram de base para a elaboração do trabalho, oferecer uma idéia ge­
rai de toda a documentação consultada e, ainda, oferecer a possibilidade ao
leitor de aprofundamento do tema mediante consulta pessoal às fontes origi­
nais. Tal é sua importância na comunicação técnica e científica que a elabora­
ção das referências bibliográficas é hoje regida por norma estabelecida pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas desde 1 970, e deve ser rigorosamen­
te obedecida. Para sua melhor informação e orientação, na seção de anexos

deste livro essa norma da ABNT é transcrita na íntegra.
1 56 o METODO CIENTiFICO
A capa de encerramento
Nada deve constar na página da capa de encerramento. Trata-se de uma folha
de papel em branco, que também não deve ser numerada. Ela só existe para
proteger seu trabalho e conferir-lhe um acabamento final .
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Este capítulo é ainda mais prático do que o anterior . No entanto, se você assi­
milou seu conteúdo poderá responder às questões relacionadas abaixo.
• Por que é errôneo considerar-se um trabalho bem apresentado, limpo e orde-

nado como sendo coisa de criança?
.
.
• É recomendável apresentar-se o trabalho redigido em folhas de papel azul­
-claro e tamanho carta? Por quê?
• Quais são os casos em que você deve usar a fita vermelha na datilografia do
trabalho de comunicação científica? Por quê?
• Onde começa a numeração das páginas do trabalho de comunicação científica?
• Que cuidados você deve tomar ao citar textualmente outro autor?
• Existe alguma disposição especial para as notas de rodapé? Qual ou quais?
• Em que casos deve-se usar o artifício do destaque gráfico nos trabalhos im­
pressos?
• Quanto à classificação de figura, uma tabela e um mapa são a mesma coisa?
E um gráfico?
• Que elementos devem aparecer na capa do seu trabalho de comunicação?
• A presença da página de dedicatória é obrigatória em todos os trabalhos?
• Há diferença entre apêndice e anexo? Se há, em que consiste?
B
racao

ra a

¬¬¬¬¬¬ m&=&.
***^~ ¬
P
-Introdução
-Problemas legais
-Idicações tipogTácas
-Provas e coreções
-Sinais convencionais de revisão
Exemplo de uso dos sinais de
revisão
INTRODUÇAO
W .
Quando estiver datilografando a versão definitiva de seu texto, aproveite para
tirar uma cópia em carbono. Essa recomendação pôde parecer ingênua, mas
por não observá-la muito autor já passou por maus momentos . A história está
cheia de exemplos de escritores que perderam seus textos originais e jamais
conseguiram refazê-los, simplesmente porque não possuíam uma cópia. Por
certo este não é o caso de uma comunicação técnica ou científca, que sempre
podem ser refeitas . Mas, pense um pouco: não seria tarefa angustiante ter de
refazer todo o trabalho, nem que fosse s6 a redação fnal, por não ter tido a
precaução de tirar uma cópia? Nesses casos, quase sempre o abalo psicológico
e o desgaste moral causados pela situação chegam a desestruturar um pouco o
autor imprevidente.
Seja qual for o tipo do seu trabalho, a cópia sempre lhe será útil . Ela lhe
garantirá acesso imediato ao fruto de seu estudo e assegurará a integridade do
trabalho no caso de uma eventual perda do original. Vale a pena recordar,
158 o METODO CI ENTI FI CO
também, que muitos professores têm o hábito de conservar os trabalhos solici­
tados, arquivando-os na secretaria do curso, o que constitui mais uma razão
¥ . Ý .
para voce possUIr uma copIa.
Outro argumento favorável à manutenção da cópia refere-se ao trabalho
que será publicado. A cópia ajudará o autor a revisar as provas da composição
tipográfica. Aliás , no caso de composição tipográfica é recomendável que o
.
autor retenha o texto original e entregue a cópia ao compositor. A razão disso
é simples . Muitas vezes , ao proceder a uma nova leitura do texto, a fim de
enviá-lo para a impressão, o autor descobre pequenas incorreções, melhora
uma ou outra frase, aperfeiçoa o estilo etc. Se feitas na cópia, essas correções
não prejudicarão o texto original , que assim permanecerá como um documen­
to do trabalho realizado pelo autor em determinada época e sob determinadas
Þ � Þ
cIrcunstancIas .
Aliás, o trabalho de preparação do texto para composição tipográfica re­
quer bastante atenção. Você não deve enviá-lo à oficina gráfica com incorre­
ções. Use caneta para corrigi-lo e faça suas anotações com caligrafia bem legí­
vel, de modo que o compositor gráfico possa entendê-las com suficiente clare­
za. Para isso, risque a palavra ou frase que deseja emendar e sobre ela, na en­
trelinha imediatamente superior, escreva a correção. Não use o verso da pági­
na para qualquer tipo de indicação, pois esse procedimento corre o risco de

não ser notado pelos gráficos compositores. Enquanto trabalham, eles ficam
atentos apenas às chamadas feitas no próprio texto.
Um texto pode ser composto de muitas maneiras diferentes no que diz res­
peito ao tamanho das letras (tipos) e seus desenhos, bem como à forma de dis­
tribuição visual que comporá a página impressa. Para decidir qual é o corpo
(tamanho) e o desenho mais adequado dos tipos, e qual será a paginação (dis­
tribuição visual), é melhor orientar-se com um profissional no assunto. O pró­
prio tipógrafo lhe aconselhará sobre as diversas possibilidades e, ao mesmo
tempo, lhe informará sobre o custo e as eventuais dificuldades apresentadas
por cada uma delas .
.
O texto impresso em corpo maior (10 ou 1 2), em diagramação que deixa a
página arejada com uma boa percentagem de espaços em branco (claros) é
sempre mais agradável à vista do que as compostas em tipos de corpo menor
(7, 8 ou 9) e em diagramações densas (paginações quase sem claros). No entan­
to, este é um problema que envolve diferentes custos e gosto pessoal . Antes de
tomar a decisão final, pense bem para não se arrepender mais tarde.
PROBLEMAS LEGAIS
Se o seu texto vai ser publicado em forma de livro ou de artigo de revista, jor­
nal etc. , você precisa tomar alguns cuidados especiais para observar a legisla­
ção sobre direitos autorais em vigor . Por exemplo: a inserção de trechos de ou­
tras obras (estejam eles na língua de origem, sejam traduzidos por você mesmo
ou por outras pessoas) é regulamentada por lei . Para utilizar textos de outros
A PREPARAÇÃO PARA A IMPRESSÃO 1
autores você precisa solicitar autorização expressa de cada autor. Se ele já esti­
.
ver morto, a autorização deverá ser requerida ao editor da obra original , ao
agente literário ou aos herdeiros do autor.
Solicite essa permissão 0\ autorização enquanto ainda. estiver trabalhan­
do na preparação do seu próprio texto. Assim, se por acaso ela lhe for negada,
você ainda terá tempo de proceder à substituição necessária sem que isso venha
a prejudicar a unidade do texto final . Durante a preparação é mais fácil substi­
tuir um trecho alheio e adequar a argumentação a um novo exemplo do que
com o texto final pronto.
A obrigatoriedade de autorização para a reprodução pública não se res­
tringe apenas ao material escrito, mas estende-se também ao ilustrativo, como
tabelas, gráficos, letras de música, desenhos, mapas, diagramas, fotografias
etc. Muitas vezes as fotografias exigem até duas autorizações para a reprodu­
ção: uma do fotógrafo ou do editor proprietário do original, outra da pessoa
fotografada. Um pequeno descuido nesse sentido poderá causar-lhe o desgosto
de um processo judicial e o conseqüente pagamento de indenização.
INDICAÇÕES TIPOGRÁFICAS
Lembre-se de que o tipógrafo não tem por quê ser versado na matéria do seu
texto. Portanto, precavenha-se e esteja alerta para as transcrições de fórmulas,
termos técnicos, gráficos, sinais etc. Faça uma boa revisão do texto antes de
enviá-lo à gráfica para composição, a fim de evitar erros ou má compreensão
por parte do tipógrafo.
Especialistas na preparação de textos originais técnicos e científcos elabo­
raram algumas regras básicas que apresentamos aqui para sua orientação pes­
soal .
1. Os símbolos gráficos especiais e as letras do alfabeto grego (bem como
de outros alfabetos não latinos, como o árabe) devem ser escritos à
mão. Os termos e os número,s que compõem as equações e potências
podem ser escritos à máquina.
2. As potências e equações escritas em linhas separadas não devem apre­
sentar sinal de pontuação entre ,elas .
3. Utilize linhas horizontais para as frações correntes, mas linhas oblíquas
para as frações do numerador, do denominador e de expoentes .
4. Na medida do possível, empregue nas fórmulas símbolos já usados
com freqüência. Só recorra ao emprego de símbolos especiais como re­
curso extremo.
5. Proceda da mesma maneira quanto ao uso dos sinais gráficos. Utilize
parênteses, colchetes e chaves a pontuação universalmente emprega-
da nas fórmulas técnicas.
160 o MÉTODO CIENTIFICO
6. Fórmulas químicas e gráficos devem ser desenhados com a maior clare­
za possível e com dados informativos perfeitamente legíveis, para que o
tipógrafo possa copiá-los fielmente.
PROV AS E CORREÇÕES
De modo geral, a partir da data do envio dos originais para a composição, bas­
tam cerca de quinze dias para você estar recebendo as primeiras provas de pá­
ginas . A primeira prova é assim chamada porque se trata da primeira de uma
série. Haverá quantas provas forem necessárias para que o trabalho de compo­
sição se apresente sem qualquer incorreção.
Para os trabalhos acadêmicos e as teses de um modo geral , normalmente
são suficientes duas provas tipográficas . Mas, é claro, isso depende da quali­
dade da oficina tipográfica escolhida para a composição.
Algumas oficinas maiores e mais bem equipadas possuem seus próprios
revisores . Nesse caso, você pode valer-se dos serviços especializados desses
profissionais. No entanto, como o texto é um produto de sua criatividade, cer­
tamente você terá o justo desejo de participar da revisão e correção das provas.
Essa participação é até recomendável, pois os revisores profissionais têm ape­
nas a função de corrigir erros tipográficos e de ortografia, não lhes cabendo
observar erros de conteúdo. Eles seguem felmente o texto original . Se você
J
deixou passar algo errado no original, certamente esse erro será reproduzido
na prova tipográfica. Por essa razão, é até muito bom que você também parti­
cipe do trabalho de revisão das provas.
O melhor método de leitura de revisão é o que confronta a prova com o
original . Essa confrontação deve ser feita por duas pessoas: enquanto uma lê
em voz alta a prova, a outra vai seguindo a leitura e comparando-a com o ori­
ginal do texto. Se você estiver revendo, faça a leitura da prova, pois é na prova
que deverão ser feitas as correções e alterações necessárias .
Se o seu trabalho contém ilustrações, gráficos, desenhos, fotografias etc.
com legendas, ao fazer a revisão verifique cuidadosamente se esses elementos
estão corretamente situados nas páginas recomendadas e se as legendas confe­
rem com as ilustrações que lhes correspondem. Não é raro que durante a com­
posição o tipógrafo troque as legendas de lugar, inverta a posição de uma ilus­
tração e assim por diante.
.
Terminada a revisão da primeira prova, devolva-a à gráfiça para que se­
jam processadas as devidas correções e alterações . Alguns dias depois você re­
ceberá a segunda prova. Se a revisão da primeira foi feita atentamente e com
outra pessoa, agora você não necessitará de companhia para revisar a segunda.
Tudo o que tem a fazer é cotejar as primeira e segunda provas, verificando se as
alterações (emendas) foram feitas de acordo com suas indicações. Feito isso,
faça uma nova leitura completa da segunda prova. O procedimento mais práti­
co para cotejar as duas provas é o que superpõe a segunda sobre a primeira
prova, a fim de constatar se tudo foi realizado conforme pedido.

A PREPARAÇÃO PARA A IMPRESSÃO 161
O confronto das provas costuma revelar problemas como ausências de li-
nhas inteiras, saltos de palavras , frases ou títulos invertidos etc. É comum, por
exemplo, acontecer de o tipógrafo corrigir uma palavra e errar outra que esta­
va certa na mesma linha. Portanto, não se limite a ler apenas as correções que
mandou fazer leia também pelo menos uma linha acima e uma linha abaixo
da emenda.
Se a primeira prova apresentou muitos problemas e você teve de fazer cor­
reções freqüentes ou muitas alterações, então não deixe de efetuar a revisão da
segunda também acompanhado por outra pessoa, a fim de realizar a leitura
confrontada.
As provas de páginas oferecem-lhe a oportunidade de observar o aspecto
definitivo de sua obra impressa, tanto no que se refere ao material escrito co­
mo no que concerne à apresentação gráfica e formal . Por isso mantenha-se
alerta durante a revisão as provas constituem a última possibilidade de que
você dispõe para efetuar qualquer tipo de alteração.
Durante a revisão, verifique se foram realizadas todas as correções indica­
das e se não houve introdução de novos erros. Mas , na medida do possível,
não faça muitas alterações no conteúdo. Você teve oportunidade para alterar o
conteúdo antes de enviar o texto para composição. Agora, essas alterações au­
mentarão o trabalho da tipografia o que implica maiores gastos e am­
pliarão a margem de erro, o que poderá criar um círculo vicioso de erro-corre­
ção-erro bastante dispendioso.
Todo autor tem sempre tendência a retocar, burilar o texto, substituir
uma palavra por um sinônimo de mais efeito e assim por diante. No entanto,
tais retoques devem ser reduzidos ao mínimo absolutamente indispensável
quando o texto já se encontra na fase das provas de composição. Caso contrá­
rio, eles retardarão o prazo de publicação e multiplicarão os custos da compo­
sição.
Um número razoável de alterações feitas pelo autor nas provas é assimila­
do gratuitamente pela oficina tipográfica ou pelo editor; mas, passando desse
número razoável, as alterações deverão ser pagas pelo autor. As correções de­
correntes de erros da composição tipográfica têm, naturalmente, o valor do
seu custo absorvido pela própri� oficina gráfica.
A revisão de provas, como dissemos, é uma atividade especializada e pos­
sui seu vocabulário particular, do qual alguns termos já foram expressos neste
capítulo. Além disso, ela contém também todo um código de conduta e de si­
nalização. Mas qualquer pessoa pode revisar provas, bastando para isso
aprender a série de sinais que indicam as correções a serem efetuadas.
A correção de provas difere das correções feitas nos originais. Estas, co­
mo vimos, são anotadas no entrelinhamento do próprio texto. A correção das
provas, no entanto, é feita por anotações convencionais à margem do texto. É
na margem que o tipógrafo vai buscar a indicação das alterações e correções.
Na eventualidade dé ser necessário acrescentar um trecho extenso ao texto
.
já composto, faça-o também na margem da folha ou em página à parte que de­
verá ser anexada à prova. Proceda da mesma maneira quando a prova apre-
M P
sentar omlssoes extensas.
1 62 o METODO CIENTiFICO
- .
Ý
SINAIS CONVENCIONAIS DE REVISAO
Ao proceder a revisão das provas tipográficas, use os seguintes sinais conven­
cion
a
is para indicar as correções a serem feitas .
Æ
Sinal • Significado
x
• eliminar (letras, palavras, linhas)
.
• unir (letras , palavras)
eliminar letra assinalada e unir as restantes
• separar


abrir parágrafo
'
• separar uma linha em superior e inferior

c
" W
juntar linhas eliminando parágrafo
" C ·
separar de um grupo e/ou acrescentar · em outro
�. •
grifo




• maiúscula ou versai
• versalete
• negrito
• alinhar à esquerda
• alinhar à direita
A PREPARAÇÃO PARA A IMPRESSÃO 163
• alinhar um bloco de linhas

• alinhar a linha ou palavra no sentido horizontal
• abrir a entrelinha
¯¯ ´
. anular a correção anotada
I \ }
. inverter a ordem de palavras ou de partes da oração
• inverter a ordem de letras

• inverter letra de cabeça para baixo

1 64 o METODO CI ENTiFI CO
Para cada erro encontrado na prova, use na margem, sempre que possível
na continuação da linha em que o erro foi notado, o sinal convencional para
indicar a necessidade de correção. Quando houver mais de um erro na mesma
linha, os sinais de correção na margem devem ser feitos na ordem em que ocor-
rem os erros e separados entre si por uma barra diagonal .
.
Exemplo de uso dos sinais de revisão
Para melhor compreensão da aplicação dos sinais, veja este exemplo:
Localize a lftra, o espaço j e o sinal gráfi- je /
co errados por meio de uma barra vertical . ondo Ix I t
tratar-se de palavra /aerrada, flaça a loca-
HiYklf
lização com um travessão entre duas barras vertica-
is. A entrelinha será localizada mediante uma longa
barra horizontal, acompanhada do sinal de comando


de operação.
No sinal à , a fra inexistente deve aparecer / I
junto à precedente ou à,guinte. Abra o espaço entr a- /se
lavras co sinaJorrespondente de separação. Au en-
/t
!
te a entre inha, localizando o espaço desejado com a
barra horizontal longa e o sinal de �I
- : t t .
r
separação acompanhando-a.
tras ou palavras certas ao lado do sinal de localização.
Letras invertidas indicadas com! sinal correspon- /G �
dente. As def dev� ser circundadas por um j i
.
para serem substituídas . is letras maiúsculas de-
Hcírclo
vem serl indicadas com três traços estreitos sob elas . A /x.
substituição de AIUSCULA por minúsculas é indi- (.b'
cada pelas letras c. entro de um círculo. A aus/ncia de /0 lê
ponto, por um ponto dentro de um círculo j
e
Os alinhamentos errados também devem ser indica.
dos na margem. Use os sinais correspondentes
/ '

IA X

A PREPARAÇAO PARA A I MPRESSÃO 1
_- para os alinhamentos à direita ou à esquerda.
Muitas vezes ocorre que um bloco de linhas aparece
com alinhamento defeituoso, à esquerda ou
à direita. Para corrigir o defeito,
faça duas linhas verticais no
local do de�to e não deixe de indicar
o comando de correção na margem.
A
bra o espaço correspondente a parágrafo com o devi­
do sinal convencional .
Corr�a a inversão de lts, palavras ou linhas
{transPosição/sinaqcom
.
oe indiq

e irdem dos �ife­
rentes elementosSe a mversão for sImples bastaJo smal
L
usa . -
-E elimine a abertura errônea de parágrafo juntando
o final da última linha do parágrafo anterior com o iní­
cio do que está erradamente aberto.
A
g
or
a veja c
om
o
comandar o alinhamento hori­
zontàl da linha: com duas barras horizontais. E algias
vezes é também necessário mandar cortar a linha ou
anular um comando de Para ambos os casos
existe um sinal respectivó: ' L para cortar a linha e os
pontinhos . . . . . sob a localização do comando errado/
(não deixe de o comando na margem) .
• • • • •
Lembre-se: as correções devem ser bem claras e a
prova deve ser mantida o mais limpa e ordenada possí­
vel . Todas as correções precisam ser devidamente locali­
zadas no texto e comandadas ou explicadas na margem.
lei
Z

/
/101iz
/
Ix
/c r
Atenção: os sinais indicativos do tipo de letra ou do realce gráfico podem
ser substituídos por um círculo envolvendo a letra ou palavra que se deseja al­
terar, mas anotando-se na margem, também dentro de um círculo, o respecti­
Vo comando: versaI, grifo, negro, negrito, versalete etc. , conforme seja o caso.
Qualquer anotação escrita à margem deve ser circundada por um círculo
completo, com exceção das palavras a serem corrigidas . Finalmente, um últi­
mo conselho: havendo mais de um erro em uma mesma palavra, elimine-a no
texto e escreva-a por inteiro na margem.
166 o METODO CI ENTíFI CO
QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO
Conseguindo responder às perguntas abaixo relacionadas, você pode ter certe­
za de que entendeu realmente o conteúdo deste capítulo e tomar as providên­
cias necessárias para mandar imprimir sua comunicação.
• Com que fnalidade você deve tirar uma cópia do seu trabalho de comunica­
ção?
• Que cuidados com as incorreçôes no original você deve tomar antes de enviar
o material para ser composto em uma gráfica? Por quê?
• O que é uma página diagramada com "claros"? É necessário dar atenção a
detalhes da composição tipográfica como o tamanho do corpo e a densidade
da paginação? Por quê?
• Em que momento a revisão da prova tipográfica deve ser feita conjuntamen­
te por duas pessoas? Por quê?
• Existe alguma convenção para se comandar a correção de
.
erros nas provas
tipográficas? Em que consiste tal convenção, se é que existe?
• Ao rever as segundas provas tipográficas é necessário ter também a linha su­
perior e a linha inferior da que foi corrigida. Você é capaz de explicar a razão
desse procedimento?
• Antes de mandar realizar o trabalho de composição e de impressão você deve
visitar mais de uma ofcina gráfica. Por quê?

NORMAS DA ASSOCIA�O
BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS
PROJETO DE NORMAS BRASILEIRAS 66 (PNB-66)
REVISÃO DA EDIÇÃO DE 1 970, PUBLICADA EM 1 974
Transcrição Integral
1 OBJETIVO Esta norma tem por objetivo estabelecer a apresenta-
ção de referências bibliográficas, a fim de facilitar a seleção dos elementos des­
critivos de um documento e sua identificação.
2 CAMPO DE APLICAÇÃO Esta norma se aplica à referenciação
.
de livros, teses, publicações seriadas, artigos e outros textos . Não se aplica, po­
rém, a incunábulos, obras raras ou valiosas, que exigem uma descrição mais
detalhada .


Æ
3 DEFINIÇOES
3. 1 Referência bibliográfica é um conjunto de elementos descritivos,
essenciais e complementares, de todo ou de parte de um documento, dispostos
em um espaço tipográfico reduzido .

1 68 o METODO CIENTiFI CO
3.2 Elementos essenciais são aqueles indispensáveis à identifcação do
documento.
3.3 Elementos complementares são aqueles que, facultativos e acres-
centados aos essenciais, permitem, com mais detalhe, caracterizar, localizar ou
obter o documento.
4 LOCALIZAÇÃO A referência bibliográfica pode aparecer :
.
. a. Em bibliografias e catálogos.
b. Em notas de rodapé ou de fim de texto.
c. Encabeçando resumos ou recensões.
d. Na legenda bibliográfica.

5 ESPECIFICAÇÃO E ORDEM DOS ELEMENTOS*
5. 1 Livros, folhetos, separatas etc. , considerados no todo Os ele-
mentos da referência bibliográfica devem ser sempre extraídos da própria pu­
blicação, preferencialmente da folha de rosto e apresentados na seguinte or­
dem:
a. Autor .
b. Título e subtíulo.
c. Tíulo original, quando tradução, ou tradução do título, quando em
idioma pouco diundido.
d. Tradutor, prefaciador, comentador etc.
e. Número da edição.
Notas tipográficas ou imprenta:
f. Local de publicação.
g. Editora.
h. Ano de publicação.
Notas bibliográficas ou colação:
i. Número de páginas ou de volumes, havendo mais de um.
Notas especiais:
j . Indicação de ilustrações, tabelas etc.
I. Título da série, nÚmero da publicação na série.
m. Indicação de separata.
n. Indicação de bibliografias e resumos.
o. Outros elementos.
(*) Nesta norma os elementos complementares estão reproduzidos e destaque grãfco, dentro da
ordem dos elementos.
#
ANEXO 1 69
EXEMPLOS
Elementos essenciais
a. Publicações em primeira edi­
ção:
SALGARELLO, Acir. Leitura dinâ­
mica integral. Belo Horizonte,
Ed. São Vicente, 1 969.
b. Publicações com nota de
edição:
CASTRO, Josué de. Ensaios de bio­
logia social. 2. ed. São Paulo,
Brasiliense, 1959.
c. Publicações com título e
subtítulo:
CANTERO, Francisco. Arte e téc­
nica da imprensa modera. 2. ed.
São Paulo, Ed. Jornal dos Livros,
1 97 1 .
PEREIRA, Luís. A escola numa
área metropoltana. São Paulo,
Pioneira, 1 967.
d. Publicações traduzidas':
CALDWELL, Christopher. O con­
ceito de liberdade. Rio de Janei­
ro, Zahar, 1968.
e. Publicações com mais de
uma editora:
SEGURADO, Milton Duarte. O di­
reito no Brasil. São Paulo, J. Bu­
shatsky, 1 973.
f. Publicações com tradutor,
prefaçiador, comentador etc. :
LARRICK, Nancy. Guia dos pais
na escolha de livros para crianças.
São Paulo, Centro de Bibliotecnia
para o Desenvolvimento, 1 969.
Elementos também complementares
SALGARELLO, Acir. Leitura di·
nâmica integral. Belo Horizonte.
Ed. São Vicente, 1 969. 1 65 p.
CASTRO, Josué de. Ensaios de bio­
logia social. 2. ed. São Paulo,
Brasiliense, 1 959. 281 p.
CANTERO, Francisco. Arte e téc­
nica da imprensa moderna; teoria
e prática. 2. ed. São Paulo, Ed.
Jornal dos Livros, 1 97 1 . 287 p. iI .
PEREIRA, Luís. A escola numa
área metropolitana, crise e racio­
nalização de uma empresa pública
de serviços. São Paulo, Pioneira,
1 967. 1 66 p.
CALDWELL, Christopher. O con­
ceito de liberdade. (The concept
of freedom) Trad. Edmond Jor­
ge. Rio de Janeiro, Zahar, 1 968.
255 p.
'
SEGURADO, Milton Duarte. O di­
reito no Brasil. São Paulo, J. Bu­
shatsky/Univ. São Paulo, 1 973.
498 p.
LARRICK, Nancy. Guia dos pais
na escolha de livros para crianças.
Trad. Alcina Jorge de Almeida;
adapt. Leonardo Arroyo; superv.
Lourenço Filho; apres o Maria
Braz. São Paulo, Centro de Bi­
bliotecnia para o Desenvolvimen­
to, 1 969. 140 p.
¬
170 o METO DO CIENTiFICO

g. Publicações pertencentes a
Ý .
uma sene:
SANTOS, Teobaldo Miranda. No­
ções de psicologia da criança. 9.
ed. São Paulo, Ed. Nacional,
1 968.
h. Publicações com editor em
lugar do autor:
HILLEBOE, Herman E. & Larimo­
re, Granville W. , comp. Medicina
preventiva. Rio de Janeiro,
USAID, 1 965.
i. Publicações de autor corpo­
rativo:
INSTITUTO BRASILEIRO DE BI­
BLIOGRAFIA E DOCUMEN- .
T AÇÃO. Quem é quem na biblo­
teconomia no Brasil. Rio de Ja­
neiro, 197 1 .
j. Separata de livros e periódi­
cos:
KNOWLES, William H. Industrial
conflict and unions. Berkeley,
Cal . , Institute of' Industrial Rela­
tions, 1 961 . Separata de Moore,
Wilbert E. , comp. Labor com­
mitment and social change in de­
velo ping areas. New York, 1 960,
p. 291 -3t2.
MACHLINE, Claude. Inflação e
lote económico de compra. Rio de
Janeiro, FGV, 1 961 . Separata da
Revista de Administração de Em­
presas, Rio de Janeiro, 1(1 ) : 1 7-
-33, maio/ago. 1 961 .
SANTOS, Teobaldo Miranda. No­
çõe de psicologia da criança; pa­
ra uso das Escolas Normais , Insti­
tutos de Educação e Faculdades
de Filosofia. 9. ed. São Paulo,
Ed. Nacional, 1 968. 238 p. (Curso
de Psicologia e Pedagogia, 1 6) .
HILLEBOE, Herman E. & Larimo­
re, Granville W. , comp. Medicina
preventiva; princípios de preven­
ção aplicáveis à ocorrência e à
evolução das doenças. Trad. Nel­
son Luiz de Araujo Moraes . Rio
de Janeiro, USAID, 1 965. 840 p.
Original em inglês.
INSTITUTO BRASILEIRO DE BI­
BLIOGRAFIA E DOCUMEN­
T AÇÃO. Quem é quem na biblio­
teconomia no Brasil. Rio de Ja­
neiro, 1 97 1 . 544 p. (Fontes de In­
formação, 5).
KNOWLES, William H. Indutrial
conflict and unions. Berkeley,
Cal . , Institute of Industrial Rela­
tions, 1961 . Separata de Moore,
Wilbert E. , comp. Labor commit­
ment and social change in develo­
ping areoo New York, 1 960, p.
291 -3 1 2.
MACHLINE, Claude. Inflação e
lote económico de compra. Rio de
Janeiro, FGV, 1 961 . Separata da
Revista de Administração de Em­
presas; Rio de Janeiro, 1(1): 1 7-
-33. maio/ago. 1 961 . Bibliograa.
p. 33.
MUNOZ AMATO, Pedro. Planeja­
mento. Rio de Janeiro, FGV,
1 955. Separata de Introducción a
la administración pública. Méxi­
co, Fondo de Cultura Económica,
1 955. Cap. 3 .
SOUSA, João Francisco de & Ran- '
gel Filho, Antenor . Relação dos
principais alimentos de origem ve­
getai. Rio de Janeiro, 1 968. Sepa­
rata da Revista Brasileira de Far­
mácia, Rio de Janeiro, 48(6) : 27-
. -42, nov. ldez. 1 967.
I. Tese (não publicada):
LAURENTI, Rui. Estudo dos der­
. matoglios em portadores de car­
diopatias congênitas. Tese de
doutoramento. Faculdade de Saú­
de Pública da Univ. São Paulo,
1 972.
m. Folheto mimeografado:
NETTO, Adolfo Ribeiro. A carreira
de medicina veterinária. São Pau­
lo, Fundação Carlos Chagas,
1 967. Mimeografado.
n. Congressos :
CONGRESSO NACIONAL DE
PREVENÇÃO DE ACIDENTES
DO TRABALHO, 1 2. , Guarapa­
ri, out. 1 973. Anais. Rio de Janei­
ro, Dep. Nac. Segurança e Higie­
ne do Trabalho, 1 973.
. ANEXO 1 71
MUNOZ AMATO, Pedro. Planeja­
mento. Rio de Janeiro, FGV.
1 955. 55 p. Separata de Introduc­
ción a la administración pública.
México, Fondo de Cultura Eco­
nómica, 1955. Cap. 3 .
SOUSA, João Francisco de & Ran­
gel Filho, Antenor . Relação dos
principais alimentos de origem ve­
getal. Rio de Janeiro, 1 968 . Sepa­
rata da Revista Brasileira de Far­
mácia, Rio de Janeiro 48(6) : 27-
-42, nov. ldez. 1 967 .
LAURENTI , Rui . Estudo dos der­
matoglifos em portadores de car­
diopatias congênitas. Tese de
doutoramento. Faculdade de Saú­
de Pública da Uni v . São Paulo,
1 972.
/
NETTO, Adolfo Ribeiro. A carreira
de medicina veterinária. Pref.
Walter Sidney Pereira Leser;
ilust. Raphael Valentino Riccetti.
São Paulo, Fundação Carlos Cha­
gas, 1967. 1 8 p. iI. (Série Orienta­
ção Profissional , 1 ) . Mimeografa­
do.
CONGRESSO NACIONAL DE
PREVENÇÃO DE ACIDENTES
DO TRABALHO, 1 2. , Guarapa­
ri, out. 1 973. Anais. Rio de Janei­
ro, Dep. Nac. Segurança e Higie­
ne do Trabalho, 1973. 382 p.
5.2 Livros, folheto� e outras publicações não seriadas, consideradas
em parte Os elementos da parte referenciada (autor, título e paginação in-
clusiva) devem ser obtidos diretamente dessa parte, e não de índices ou legen-
das, e apresentados na seguinte ordem:
.
172 o METODO CIENTi FI CO
a. Autor da parte referenciada.
b. Título da parte referenciada.
c. Autor ou editor da publicação precedido de ln.
d. Título e subtítulo da publicação.
e. Número de edição.
f. Local de publicação.
g. Editora.
l. Ano de publicação.
i. Número de páginas ou de volumes.
j. Indicação de ilustrações etc.
I. Ttulo da série e número da publicação na série.
m. Indicação do volume, tomo, parte, capítulo, indicativo e/ou páginas
inicial e final da parte referenciada.
EXEMPLOS
Elementos essenciais
Å
, a. Contribuição de um autor
em publicação coordenada por ou­
tro:
TOMPKINS, Vítor V. Insetos veto­
res . ln: Hilleboe, Herman, E. &
Larimore, Granville W. , comp.
Medicina preventiva, Rio de Ja­
neiro. USAID, 1 965. p. 158-66.
b. Parte de livro ou de coletâ­
nea do mesmo autor.
BASTIDE, Roger. A macumba
paulista. ln: Estudos afro-brasi­
leiros. São Paulo, Ed. Perspecti­
va, 1 973. p. 1 93-247.
c. Colaboração assinada, em
enciclopédia:
'
AL V AHYDO, Robert. Adubos ln:
Enciclopédia Delta Larousse. 2.
ed. Rio de Janeiro, Ed. Delta,
1 964. v. 14, p. 7226-39.
Elementos também complementares
TOMPKINS, Vítor V. Insetos veto­
res . ln: Hilleboe, Herman, E. &
Larimore, Granville W. , comp.
Medicina preventiva; princípios
de prevenção aplicáveis à ocor­
rência e à evolução das doenças.
Rio de Janeiro, USAID, 1 965, p.
1 58-66.
BASTIDE, Roger. A macumba
paulista. ln: Estudos afro-brasi­
leiros. São Paulo, Ed. Perspecti­
va, 1 973. (CoI. Estudos) p. 1 93-
-247.
d. Colaboração não assinada,
em enciclopédia:
Biblioteca. ln: Enciclopédia Barsa.
Rio de Janeiro, Encyclopaedia
Britannica Ed. , 1 964. v. 3, p. 1 25-
-8.
e. Obra em mais de um volu­
me, referenciando apenas um volu­
me, sem título:
FONTOURA, Amaral . Introdução
à sociologia, 5. ed. Porto Alegre,
Ed. Globo, 1970, v. 2.
f. Obra em mais de um volume,
referenciando apenas um volume,
com título específico:
SCHNERB, Robert. O século XIX;
as civilizações não européias; o li­
miar do século XX. ln: Crouzet,
Maurice, comp. História geral
das civilizações. São Paulo, Difu­
são Européia do Livro, 1 958. 1. 6,
v. 14, 355 p.
g. Trabalhos publicados em
anais de congresso:
SPALDING, Walter . Bibliografia
da revolução federalista. ln: Con­
gresso da História da Revolução
de 1 894, 1 . , Curitiba, 1 944.
Anais. . . Curitiba, Governo do
Estado do Paraná, 1944. p. 295-
-300.
ANEXO 173
Biblioteca. ln: Enciclopédia Barsa.
Superv. editores da Encyclopae­
dia Britannica. Rio de Janeiro,
Encyclopaedia Britannica Ed. ,
1964. 1 6 v. v. 3, p. 1 25-8.
FONTOURA, Amaral. Introdução
à sociologia. 5. ed. Porto Alegre,
Ed. Globo, 1 970. 2 v. v. 2.
SCHNERB, Robert. O século XIX;
as civilizações não européias; o li­
miar do século XX. ln Crouzet ,
Maurice, comp. História geral
das civilizações. São Paulo, Difu­
são Européia do Livro, 1958, 7 t .
em 17 v. t . 6, v. 14, 355 p.


SPALDING, Walter. Bibliografia
da revolução federalista. ln:
Congresso da História da Revolu­
ção de 1 894, 1 . , Curitiba, 1944.
Anais. . . Curitiba, Governo do
Estado do Paraná, 1 944. 595 p. iI .
planta. 23 cm. p. 295-300.
5.3 Publicações periódicas e seriadas consideradas no todo
a. Título e subtítulo da publicação.
b. Abreviatura do tíulo.
c. Tradução do título quando em idioma pouco difundido.
d. Local de publicação.
e. Entidade responsável , se não constar do título.
f. Ano do início da publicação e de encerramento quando for o caso.
g. Periodicidade.
h. Preço.
i. Endereço.
174 o METODO CIENTiFICO
j
.
Ttulo anterior, quando for o caso.
I. Idioma(s) usado(s) na publicação.
m. Indicação de resumo() em outros idiomas.
n. Indicação de bibliografias nas quais a publicação é indexada.
o. Outros elementos.
EXEMPLOS
Elementos essenciais
a. Publicação corrente:
REVISTA BRASILEIRA DE ES­
DOS PEDAGÓGICOS. Rio de
Janeiro, Centro Brasileiro de Pes­
quisas Educacionais, 1 944.
b. Publicação encerrada:
EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS SO­
CIAIS. Rio de Janeiro, Centro
Brasileiro de Pesquisas Educacio­
nais, 1956- 1 962.
c. Publicação com subtítulo e
mudança de título:
MID-AMERICA; an historical re­
view. Chicago, The Institute of
Jesuit History, 1919.
d. Publicação com tradução do
título:
PRZEGLAD EPI DEMI OLO­
GICZNY. Warzawa, Panstwow­
go Zakladu Higieny, 1 947.
Elementos também complementares
REVIST A BRASILEIRA DE ES­
TUDOS PEDAGÓGICOS. R.
bras. Est. pedag. Rio de Janeiro,
Centro Brasileiro de Pesquisas
Educacionais, 1 944. Trimestral .
.
Rua Voluntários da Pátria, 1 07,
ZC-02, Rio de Janeiro, GB 20000,
Brasil .
EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS SO­
CIAIS. Educ. e Cio soe. Rio de
Janeiro. Centro Brasileiro de Pes-
Æ
quisas Educacionais, 1 956- 1962.
Quadrimestral, Rua Voluntários
da Pátria, 1 07, ZC-02, Rio de Ja­
neiro, GB 20000, Brasil. Resumos
em inglês e' espanhol .
MID-AMERICA; an historical re­
view. Chicago, The Institute of
J�suit History, 1919. Trimestral .
$ 2. 00. 6525 Sheridan Road, Chi­
cago 26, III. Antiga Illinois Ca­
tholic Historical Review.
PRZEGLAD EPI DEMI OLO­
GICZNY. Przegl. epidem. (Re­
vista de Epidemiologia) Warza­
wa, Panstwowgo Zakladu Higie­
ny, 1 920. 4 ns. por ano. Chocims­
.
ka, 24, Warzawa, Polska. Resu­
mos em inglês. Publicação sus­
pensa de 1 923 a 1 946.
e. Publicação com indicação
das bibliografias em que é indexada:
REVISTA DE SAÚDE PÚBLICA.
São Paulo, Faculdade de Saúde
.
Pública da Universidade de São
Paulo, 1 967.
ANEXO
175
REVIST A DE SAÚDE PÚBLICA.
R. Saúde púb. São Paulo, Facul­
dade de Saúde Pública da Univer­
sidade de São Paulo, 1 967. Tri­
mestral . Cr$ 60,00. Av. Dr. Ar­
naldo, 71 5, São Paulo, Brasil.
Substitui os Arquivos da Faculda­
de de Higiene e Saúde Pública da
Universidade de São Paulo. Por­
tuguês, inglês, espanhol. Resu­
mos em inglês. Indexada por In­
dex Medicus, Biological Abs­
tracts, Abstracts on Hygiene,
Tropical Diseases Bulletin, Exerp­
ta Medicina, Microbiology Ab­
stracts, Review Applied Entomo­
logy, Bulletin Signalétique d 'En­
tomologie Médicale et V étérinaire
e Bibliografia Brasileira de Medi-

cma.
5.4 Publicações periódicas e seriadas consideradas em parte
a. Título e subtítulo da publicação.
b. Abreviatura do título.
c. Título do fascículo, suplemento ou número especial .
d. Tradução do(s) título(s) quando em idioma pouco difundido.
e. Local de publicação . .
f. Entidade responsável.
g. Indicação de volume, número e data (mês e ano).
h. Número total de páginas do fascículo, suplel1ento ou número especial,
inclusive editor especial do mesmo.
i. Indicação do tipo de fascículo, suplemento ou número especial , inclusi­
ve editor especial do mesmo.
j. Outros elementos.
EXEMPLOS
Elementos essenciais
a. Número determinado, sem
título:
¬
ANHEMBI, São Paulo, v. 46, n.
1 36, mar. 1 962.
Elementos também complementares
ANHEMBI , São paulo, v.
¯+ ¼
- 1 36, mar. 1 962. 21 9 p.
46, n.

Å
176 o MÉTODO CI ENTIFI CO
b. Número determinado, com
título:
THE ANNALS OF THE AMERI­
CAN ACADEMY OF POLITI­
CAL AND SOCIAL SCIENCE.
Sex and the contemporary Ameri­
can scene. Philadelphia, v. 376,
mar. 1968 . Editor especial: Ed­
ward Sagarin.
THE ANNALS OF THE AMERI­
CAN ACADEMY OF POLITI­
CAL AND SOCIAL SCIENCE.
Annamer. Aead. Pol. and Soe.
Si. Sex and the contemporary
A
merican scene. Philadelphia, v.
376, mar. 1 968. 232 p. Editor es­
pecial : Edward Sagarin.
RemÍssiva: SEX and contemporary American scene
ver
THE ANNALS OF THE AMERICAN ACADEMY
OF POLITICAL AND SOCIAL SCIENCE
Sex and the contemporary American scene
c. Número especial, sem título:
BOLETIM DO DEPLAN. Rio .de
Janeiro, 1 967. Número especial .
d. Número especial, com títu­
lo:
DOM CASMURRO. Centenário de
Eça de Queiroz. Rio de Janeiro,
V. 8 n. 405/406, 1 945. Número
especial .
BOLETIM DO DEPLAN. B. De­
plano Rio de Janeiro, SUNAB,
Dep. de planejamento, 1 967. 25
p. Número especial .
DOM CASMURRO. Centenário de
Eça de Queiroz. Rio de janeiro, V.
8, n. 405/406. 1 945. 74 p. Núme­
ro especial .

Remissiva: CENTENÁRIO de Eça de Queiroz
ver
DOM CASMURRO. Centenário de Eça de Queiroz
DROIT SOCIAL. Les régimes com­
plémentaires de retraite. Paris, V.
25, n. 7/8, juil. /aoit 1 962. Nú­
méro spécial. Dir. Jacques Dou­
blet.

DROIT SOCIAL. Les régimes com­
plémentaires de retraite. Paris, V.
25, n. 7/8, juil. /aoit 1 962. p.
383-476. Numéro spécial . Dir.
Jacques Doublet.
Remissiva: LES RÉGIMES complémentaires de retraite
ver
DROIT SOCIAL. Les régimes complémentaires de retraite
REFESA; 1 0 anos. Rio de Janeiro,
1 967. Edição especial comemora-

tlva.
REFESA; 10 anos . Rio de Janeiro,

Rede Ferroviária S. A. , 1 967. 48
p. Edição especial comemorativa .
REVISTA BRASILEIRA DE GEO­
GRAFIA. Atlas de relações inter­
nacionais . Rio de Janeiro, v. 29,
n. 1 , jan. lmar. 1 967. Caderno es­
pecial , 1 .
ANEXO 1 n
REVISTA BRASILEIRA DE GEO­
GRAFIA. R. bras. Geogr. Atias
de relações internacionais . Rio de
Janeiro, Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, Conselho
Nacional de Geografia, v. 29, n.
1 , jan.lmar. 1 967. Caderno espe-
cial, 1 .
'.
Remissiva: ATLAS de relações internacionais
ver
REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Atlas de relações in-
• •
ternaClOnaIS.
e. Suplementos :
BOLETIM INFORMATIVO DO
CIESP-FIESP. Panorama econô­
mico. São Paulo, v. , 65, n. 614,
1 96 1 . Suplemento mensal , 30.
BOLETIM INFORMATIVO DO
CIESP-FIESP. B. inf. CIESP­
-FIESP Panorama econômico.
São Paulo, Centro e Federação
das Indústrias do Estado de São
Paulo, v. 65, n? 61 4, 1 961 . Suple­
mento mensal, 30.
5.5 Artigos de periódicos e contribuições em publicações seriadas
5. 5. 1 Fascículos de seriação regular
a. Autor do artigo.
b. Título e subtíulo do artigo.
c. Título do periódico.
d. Local de publicação.
e. Editor responsável.
f. Número do volume (ou ano).
g. Número do fascículo.
h. Paginação inclusiva (inicial e final) do artigo referenciado.
i. Data (mês e ano).
j
. Outros elementos.
EXEMPLOS
Elementos essenciais
CAMPOS, Dácio de Arruda. Cuba
e o princípio da soberania. Revis­
ta Brasiliense. São Paulo (36): 94-
-9, jul . /ago. 1 961 .
Elementos também complementares
CAMPOS, Dácio de Arruda. Cuba
e o princípio da soberania. Revis­
ta Brasiliense. São Paulo (36): 94-
-9, jul. /ago. 1 96 1 .
*
178 o METODO CIENTIFICO
COST ALES SAMANIECO, Alfre­
do. Modismos y regionalismos
centroamericanos: Costa Rica,
Nicarágua, Honduras, EI Salva­
dor y Guat�mala. América Lati­
na, Rio de Janeiro, 6(4): 1 31-68,
ouL/dez. 1 963.
ENCUEST AS comparativas de fe­
cundidad em América Latina;
proyecto de estudio. América La­
tina, Rio de Janeiro, 6(4): 105-12,
ouL/dez. 1 963.
COST ALES SAMANIECO, Alfre­
do. Modismos y regionalismos
centro americanos : Costa Rica,
Nicaragua, Honduras, EI Salva­
dor y Guatemala. América Lati­
na, Rio de Janeiro, CLAPCS,
6(4): 1 3 1 -68, out.ldez. 1 963. iI.
tab. Glossário.
ENCUEST AS comparativas de fe­
cundidad em América Latina;
proyecto de estudio. América La­
tina, Rio de Janeiro, CLAPCS,
6(4): 1 05-12, out. ldez. 1 963.
5.5.2 Fascículos, suplementos ou números especiais
a. Autor do artigo.
b. Título e subtítulo do artigo.
c. Título do periódico.
d. Título específco do fascículo, quando for o caso.
e. Local de publicação.
f. Número do fascículo (suplemento, número especial e outros), no caso
de ter numeração próprÍa.
co:
g. Número do volume quando o fascículo não tenha numeração própria.
h. Paginação inclusiva (inicial e final) do artigo referenciado.
i. Data (mês e ano).
j . Número geral de páginas do fascículo, quando for o caso.
I. Editor especial do fascículo.
m. Indicação do tipo do fascículo.
n. Outros elementos.
EXEMPLOS
a. Com numeração do periódi-
BLA VIGNAC, Etienne. Cadres et
probl emes demographi ques .
Droit Social. Les régimes complé�
mentaires de retraite. Paris,
25(7/8): 403- 1 1 , juil. laoút 1 962.
Numéro spécial. Dir. Jacques
Doublet.
EXPORTAÇÃO brasileira de café.
Boletim do Departamento Econô­
mico do IBC. Rio de Janeiro, 3:
1 -4, novo 1 966, tab. Número espe­
ciaI .
FIRSQUE, Y. A propos du laicat ;
créer desliens . Perspectives de ca­
tholicité. Mission et laicat, Bru­
xelIes, 25(4): 233-42. Número spé­
ciaI .
b. Com numeração própria:
CARVALHO, Delgado de. O Mer­
cado Comum Europeu. Revista
Brasileira de Geografia. Atlas de
Redações Internacionais, Rio de
Janeiro ( 1 ) : 2-8, 1 967. Caderno
especial da Revista Brasileira de
Geografia, 29( 1) jan. lmar. 1 967.
c. Sem numeração de volume
e/ou de fascículo:
BRASIL. Leis, decretos etc. Lei n? .
5. 1 72 de 25/1 0/66. Revita de Fi­
nanças Públicas, Rio de Janeiro,
novo 1 967, p. 10-48. Edição suple­
mentar.
ORIGENS e causas da criação da
Rede. REFESA. 1 0 anos, Rio de
Janeiro [ 1 967] p. 2-6. Edição espe­
cial comemorativa.
d. Artigos publicados em série
sob título genérico:
MELO, Dalva A. & Pinto, Raimun­
do. Estudo da difteria na cidade
do Recife. I. Nota sobre levanta­
mento de portadores de Coryne­
bacterium diphtheriae no bairro
dos Coelhos. Revista de Saúde
Pública, São Paulo, 3: 21 -2, jun.
1 969.
ANEXO
179
Æ^
MELO, Dalva, A. & Pinto, Rai­
mundo. Estudo da difteria na ci­
dade do Recife. I. Nota sobre le­
vantamento de portadores de
Corynebacterium diphtheriae no
bairro dos Coelhos. Revista de
Saúde Pública, São Paulo, 3(1 ) :
21 -2, jun. 1 969.
180 o MÉTODO CIENTiFICO
e. Artigos publicados em suple­
mentos:

BRUNSWICK, Ann F. & Joseph-
son, Eric. Adolescent health in
Harlem. American Joural ofPu­
blic Health, Washington, Oct.
1 972. suppl.
ROGERS, Robert M. Considera­
tions in constructing a respiratory
inte.nsive care unit. Chest, 62(2
suppl .) 2S-9S, Aug. 1 972.
5.6 Artigos de
j
ornais
a. Autor do artigo.
b. Título e subtíulo do artigo.
c. Título do jornal.
d. Local de publicação.
e. Data (dia, mês e ano).
BRUNSWICK, Ann F. & Joseph­
son, Eric. Adolescent health in
Harlem. American Joural of Pu­
blic Health, Washington, Oct.
1 972. suppl.
f. Número ou título do caderno, seção, suplemento etc.
g. Indicação da(s) página(s) do artigo referenciado.
h. Número de ordem da coluna ou número de colunas em que está o arti­
go referenciado.
EXEMPLOS
ACQUAZUL ENGENHARIA S. A.
Ata da Assembléia Geral Extraor­
dinária, realizada em 26 de maio
de 1 962. Diário Oficial do Estado
da Guanabara, Rio de Janeiro, 27
set. 1 962. Sociedades. p. 21 . 253,
c. 2
ARRUDÃO, Matias. A técnica e a
impostura. Joral da Tarde, São
Paulo, 22 out. 1 974. p. 4, 2 c.
BRASIL. Leis, decretos etc. Decre­
to n? 64.972 de 1 1 de agosto de
1 969. Diário Oficial, Brasília, 1 2
ago. 1 969. Seção 1 , pt. 1 , p. 6849-
-50. Altera o enquadramento do
pessoal do Ministério do Exército
beneficiado pelo art. 2? da lei n?
.
3. 967 de 5 de out. 1 961 .
MAFFEI , Eduardo. Medicina na
Literatura; a contribuição dos
escritores para a ciência. O Esta­
do de São Paulo, 1 3 de out. 1 974.
Supl . Literário n? 898, p. 6, 5 c.
SÃO PAULO ajuda pesquisas com
biblioteca de medicina. Joral do
Brasil, Rio de Janeiro, 26/27 abr.
1970. 1 . cad. , p. 35 c.
Y ALTA, Condomínio
· ·
e Terceiro
Mundo. Correio da Manhã, Rio
de Janeiro, 9 fev. 1 969. Cad. In­
ternacional , p. 3.
5. 7 Patentes
.
a. Classiicação interacional e nacional.
b. Tipo do documento (patente) na língua original.
c. Nome do país na língua do compilador .

ANEXO 181
d. Número da patente (de invenção, do modelo ou desenho industrial)
incluindo qualquer prefixo e/ou sufixo.
e. Número da patente principal, quando o documento é uma patente
subsidiária.
f. Número da patente subsidiária, se for o caso.
g. Título da patente na língua original .
h. Tradução do título, na língua do compilador .
·
i. Nome e domicío do detentor da patente (concessionário ou institui-
ção que colaborou ou patrocinou a invenção).
j . Nome do inventor (pessoa física ou jurídica).
I . Número e data do depósito, incluindo qualquer prefixo e/ou sufixo.
m. Data de concessão.
n. Indicação do órgão de publicação e data, quando for o caso.
EXEMPLOS
Elementos essenciais
MODELO INDUSTRIAL
BRASIL. M. 1. n? 06.468. Forma ou
V
configuração para caixas de apa-

relhos radiorreceptores.
MODELO INDUSTRIAL
BRASIL. M. 1. n? 06.468. Forma ou
configuração para caixas de apa­
relhos radiorreceptore. Indús­
tria e Comércio de Aparelhos Ele­
trônicos "Sterlin" Ltda. São
Paulo, SP. T. n? 1 41 . 1 38, 1 9 jul.
1 962. 6 fev. 1 968 . IBBD Notícias,
Rio de Janeiro, 2(1 12) : 1 36-7,
jan. labr. 1 968.
1 82 o METODO CI ENTiFI CO
PRIVILÉGIO DE INVENÇÃO
BRASIL. P. 1. n? 77.699. Dispositi­
vo de vedação de óleo. 30 jan. 1 968.
PRIVILÉGIO DE INVENÇÃO
BRASIL. P. I . n? 77. 699. Dispositi­
vo de vedação de óleo. Kàrl A.
Klinger. Naperville, EUA. T. n?
1 08. 88 1 , 3 mar . 1 959. 30 jan.
1 968. IBBD Notícias, Rio de Ja­
neiro, 2( 1 12): 1 2 1 , jan. labr.
1 968.
5 . 8 Acórdãos, Decisões e Sentenças das Cortes ou Tribunais
a. Nome do local (país, estado ou cidade).
b. Nome da Corte ou Tribunal .
c. Ementa do acórdão.
d. Tipo e número do recurso (agravo de instrumento, agravo de petição,
apelação civil , apelação criminal , embargos, habeas-corpus, mandado

de segurança, recurso extraordinário, recurso de revista etc. ).
e. Partes litigantes.
f. Nome do relator, precedido da palavra "Relator".
g. Data do acórdão, sempre que houver.
h. Indicação da publicação que divulgou o acórdão, sentença etc. , de
acordo com as regras cabíveis da presente norma.
i . Voto vencedor e voto vencido, quando houver .

EXEMPLOS
BRASIL. Supremo Tribunal Federal . O Instituto de Resseguros do Brasil é so­
ciedade de economia mista que responde perante a Justiça comum,
salvo quando a União intervém no processo. Interpretação do art .
. 3 1 , V, letra a, da Constituição. RE n? 35. 029, do Rio Grande do
Sul . Instituto de Resseguros do Brasil versus Prefeitura de Porto
Alegre. Relator: Min. Luis GaBoti . Acórdão de 6 de jun. 1 957. Re­
vista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, (5 1 ) : 298-301 ,
jan. /mar . 1958.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal . O Banco do Brasil goza de isenção de
impostos estaduais e municipais. RE n? 21 . 339. Banco do Brasil
S. A. versus Prefeitura Municipal de Limeira. Relator: Min. Ribeiro
da Costa. Acórdão de 16 de out. 1 953. Revista de Direito Adminis­
trativo, Rio de Janeiro (44) : 1 50-6, abr . /jun. 1 956.
6 APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS DA REFERÊNCIA BI-
Æ
BLIOGRAFICA Os exemplos apresentados nesta norma têm a fnalidade
de também esclarecer o emprego da pontuação, ortografia e elementos gráfi­
cos de toda a natureza. Qualquer que seja a apresentação adotada, deve ser
ANEXO 183
uniforme e coere'lte num mesmo trabalho e sua função deve ser sempre a de
tornar a referência facilmente compreensível .
6. 1 Pontuação e ortografia
6. 1. 1 Os vários elementos da referência bibliográfica, nome do autor,
título da obra, notas tipográficas (imprenta), notas bibliográficas (colação) e
notas especiais, devem ser separados entre si por ponto seguido de dois espa­
ços.
Ex. : MCMILLEN, Wayne. Statistical methods ofsocial workers. Chica­
go, Univ. of Chicago Press, 1 952. 546 p. iI . Bibliografia p. 429-30.
6. 1. 2 Os elementos das notas tipográficas e bibliográficas devem ser se­
parados entre si por vírgula.
Ex. : OMEGNA, Nelson. A cidade colonial. Rio de Janeiro, J. Olympio,
1 961 . 344 p. iI . (CoI. Documentos Brasileiros, 1 1 0).
6. 1. 3 A nota especial de série é, por tradição, apresentada entre parên-
teses .
Ex. : OMEGNA, Nelson. A cidade colonial. Rio de Janeiro, J. Olympio,
1 961 . 344 p. iI. (CoI . Documentos Brasileiros, 1 1 0) .
6. 1. 4 Ligam-se por hífen as páginas inicial e final das partes referen-
ciadas, bem como as datas-limite de determinado período da publicação.
Exs. : CORÇÃO, Gustavo. O papel e a responsabilidade das elites nos
tempos presentes . ln: Confederação Nacional do Comércio. Pro­
blemas jurídicos e sociais. Rio de Janeiro, 1959, p. 1 1 3-30.
UNION FRANÇAISE DES ORGANISMES DE DOCUMFNT A­
TION. Cours téchniques de documentation. 1 . année: Documenta­
tion générale (session 1 948- 1949) Paris, 1 95 1 . 670 p.
6. 1. 5 Indicam-se entre colchetes os elementos que não figuram na obra
referenciada.
6. 1. 6 Ligam-se por barra transversal as datas-limite do período a que
se refere a publicação referenciada.
Ex. : • REVISTA BRASILEIRA DE ESTATÍSTICA, Rio de Janeiro, v. 1 ,
n? 1 , jan. /mar . 1 940.
6. 1. 7 A reticência, apresentando supressões, e indicada por três pon-
tos, nunca deve incidir sobre as primeiras palavras de um título nem modifi­
car-lhe o sentido.
6. 1. 8 § Usa-se o travessão simples para representar o nome do autor de
várias obras referenciadas sucessivamente, nas referências seguintes à primeira.
Ex. : FREYRE, Gilberto. Casa grande & senzala; formação da família
brasileira sob o regime de economia patriarcal . Rio de Janeiro, J.
Olympio, 1 943, 2 v.
Sobrados e mocambos; decadência do patriarcado rural
no Brasil . São Paulo. Ed. Nacional, 1963. 405 p.
1 84 o MÉTODO CIENTiFICO
6. 1. 8. 1 Usa-se o travessão de extensão dupla para representar o título
de várias edições de uma obra referenciada sucessivamente, nas referências se­
guintes à primeira, mantendo-se as pontuações adequadas.
.
Ex. : FREYRE, Gilberto. Sobrados e mocambos; decadência do patriar­
cado rural no Brasil . São Paulo, Ed. Nacional, 1 936. 2. ed. , 505 p.
. . 2. ed . . . .
6. 1. 9 Usa-se a ortografia simplificada nas entradas dos autores indivi-
duais brasileiros e portugueses .
6.2 Tipos e corpos
6.2.1 As entradas dos sobrenomes dos autores individuais, dos nomes
das entidades coletivas, dos títulos de periódicos e, também, da primeira pala­
vra do título, devem ser apresentadas em destaque gráfco.
A Y ALA, Francisco
Banco Interamericano de Desenvolvimento
REVISTA BRASILEIRA DE ESTATÍSTICA
TRATADOS Econômicos internacionais.
6.2. 1. 1 Nas referências à parte de obras, a indicação da obra principal,
precedida de ln, segue a mesma norma.
Ex. : CORÇÃO, Gustavo. O papel e a responsabilidade das elites nos
tempos presentes . ln: Confederação Nacional do Comércio. Pro­
blemas jurídicos e sociais. Rio de Janeiro, 1 959. p. 1 1 3-30.
6.2.2 Deve ser maiúscula a letra inicial dos títulos de séries, das entida-
des coletivas e das editoras .
Exs. : Ministério da Educação e Cultura
CoI . Documentos Brasileiros
Civilização Brasileira
6.2.3 Na reprodução tipográfica, emprega-se o itálico nos títulos de
obras e de periódicos quando não iniciam a referência.
Ex. : AYALA, Francisco. Tratado de sociologia. Madrid, Aguillar,
1 959. 588 p.
.
.
6.2.3.1 É desnecessário o uso do itálico em expressões latinas e abre-
viaturas que já se incorporaram ao domínio comum: ln, e.g. , a. C. , cL, etc. ,
Le. , et seq. , ibid. , id" loco cit. , q.V. , apud, et alii .
6.2.4 Emprega-se o redondo em todos os demais casos.
6.3 Numeração
6.3.1 Em listas bibliográficas, as referências devem ser numeradas
consecutivamente, em ordem crescente.
6.3. 1. 1 Quando ordenadas alfabeticamente, os números devem prece-
der as respectivas referências.
ANEXO 1
Exs . : BARRETO, Adolfo Castro. Povoamento e população; política po­
pulacional brasileira. Rio de Janeiro, J. Olympio, 195 1 . 41 1 p.
(Cal . Documentos Brasileiros, 68) Bibliografia.
MCMILLEN, Wayne. Statitical methodsfor social workers. Chica­
go, Univ. of Chicago Press, 1 952. 564 p. iI . Bibliografia, p. 429-30.
NOV AIS, Paulo. Economia e recursos humanos. Rio de Janeiro,
Ed. Renes, 1 97 1 . 1 41 p.
6.3.1.2 Quando ordenadas sistematicamente, as referências devem ser
precedidas dos respectivos índices de classificação
·
(à esquerda) e número de
ordem (à direita) .
Exs . : 3 1 1 . 1 : 3.001 . 5
MCMILLEN, Wayne. Statistical methods for social workers. Chica­
go, Univ. of Chicago Press, 1 952. 564 p. iI. Bibliografia, p. 429-30.
31 2: 325
BARRETO, Adolfo Castro. Povoamento e população; política po­
pulacional brasileira. Rio de Janeiro. J. Olympio, 1 95 1 , 41 1 p.
(CoI. Documentos Brasileiros, 68) Bibliografia .

331 .024: 338
NOVAIS, Paulo. Economia e recursos humanos. Rio de Janeiro,
Ed. Renes, 1 97 1 . 141 p.
6.4 Autores São tratados como autores, além dos escritores, os or-
ganizadores ou compiladores de obras coletivas, os ilustradores e outros quan­
do constarem da folha de rosto das publicações como seus principais responsá-

veIS .
6.4.1 Os autores são indicados pelo último sobrenome, s�guido dos de-
mais componentes do nome e transliterados, se necessário. O sobrenome,
quando constituir a entrada da referência, deve ser apresentado em destaque
gráfico.
Exs . : ANTONIL, André João
Goethe, J. W.
La FONT AINE, Jean de
Oliveira, Elvia de Andrade
6.4.2 Quando a obra tem dois autores, mencionam-se ambos, na or-
dem em que aparecem na publicação, ligados por "&", sempre o sobrenome
antecedendo o prenome.
Ex. : MURET, Pierre & Sagnac, Philippe
6.4.3 Quando há mais de dois autores, menciona-se o primeiro, segui-
do de et alii ou et ai. Quando a identificação da obra o exigir, mencionam-se
todos separados por; .
.
186 o METODO CIENTiFICO
Exs . : TOLEDO, Sílvio de Almeida; Gomide, Wilson; Rodrigues, E. C. ;
Holland, Cecília V.
6.4.4 As designações "Filho", "Júnior" e outras, devem ser indicadas
após o último sobrenome, como parte integrante deste.
Exs . : CIARI JÚNIOR, Ciro
GUIMARÃES F?, Álvaro
AMATO NETO, Vicente
6.4.5 Os títulos, de qualquer categoria, são conservados somente
quando indispensáveis à identificação do autor.
Exs . : BALFOUR, Robert , cirurgião
BALFOUR, Robert, saco
6.4.6 Os sobrenomes ligados por hífen e os que formam unidade se-
mântica devem ser indicados por sua forma composta.
Exs . : Roquete-Pinto
Espírito Santo
Monte-Alegre, L. S.
Castelo Branco, Humberto
6.4.7 No caso de obra publicada sob pseudônimo, este deve ser adota-
do na referência. Quando o verdadeiro nome for muito conhecido é indicado,
entre colchetes, depois do pseudônimo.
Exs . : BLAKE, Nicolas, pseud. [Lewis , CeciI Day]
STHENDAL, pseud. [Beyle, Henri]
6.4.8 Entidades coletivas As entidades coletivas, responsáveis por
publicações, são tratadas como autor . O nome usado para a entidade deve ser
o seu título oficial ou, na falta deste, o nome sob o qual aparece na obra, im­
presso em destaque gráfico.
Exs . : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS
Associação Brasileira de Normas Técnicas
6.4.9 Obras anônimas Quando não se identifica a autoria da obra o
primeiro elemento indicado deve ser o título, caso contrário, quando se conse­
gue identificar o autor, indica-se o seu nome entre colchetes.
6.5 Título e subtítulo
6. 5. 1 O título é transcrito tal como figura no documento referenciado,
transliterado se necessário .

6.5.2 Os subtítulos sem destaque gráfico são indicados somente quan-
do acrescentam informações importantes sobre o conteúdo do documento.
Nos outros casos podem ser suprimidos.
Exs . : MAGALHÃES, Neusa Maria de. Acervo da Biblioteca do Instituto
de Geo-Ciências; análise da coleção de monografias . Belo Horizon­
te, Escola de Biblioteconomia da Univ. Fed. M. O . Æ 1972.
ANEXO 1 87
CANTERO, Francisco. Arte e técnica da imprensa modera; teoria
e prática. 2. ed. São Paulo, Ed. Jornal dos Livros, 1 971 . 287 p. iI.
(pode ser suprimido)
6.5.3 Quando a referência bibliográfica começa pelo título, a primeira
palavra, inclusive o artigo que a precede, se houver, deve ser impressa em des­
taque gráfico, exceto no caso de títulos de periódicos ou séries .
Exs . : GUIDE des centres nationaux bibliographique.
A PREVIDÊNCIA social no Brasil.
6.5.4 Publicações periódicas e seriadas
6.5.4.1 O título deve ser transcrito tal como figura na publicação, e
sempre como o primeiro elemento da referência.
Ex. : REVISTA BRASILEIRA DE ESTATÍSTICA. Rio de Janeiro,
IBGE, v. 1 n? 1 , jan./mar. 1 940.
6.5.4.2 Quando o título for genérico, incorpora-se a ele o nome da en-
tidade responsável .
Ex. : Boletim Bibliográfico (da) Biblioteca Nacional .
6.5.4.3 Quando o título do periódico ou da série inicia a referência, é
totalmente impresso em destaque gráfico .
.
Exs. : Documentos Brasileiros (série)
REVISTA BRASILEIRA DE ESTATÍSTICA (periódico)
6.5.4.4 Se o título do periódico ou da série sofreu alterações no perío-
do referenciado, indica-se o último título abrangido pela citação, mencionan-
do-se, em nota, os títulos anteriores.
.
Ex. : REVISTA DE ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS. São Paulo, v.
1 , n? 1 , set. 1 961 . Antigo Boletim do Diese.
6.5.4.5 Quando necessário, abreviam-se os títulos dos periódicos de
acordo com a NB-60 Abreviação de títulos e periódicos.
Ex. : REVISTA DE ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS. R. Est. sócio­
-econ.
6.5.5 Documentos traduzidos
6.5.5. 1 Nos documentos traduzidos, indica-se o título original em re-
dondo e entre colchetes em seguida ao título, quando mencionado no docu­
mento.
Ex. : AGG, Thomas Radford. Construção de estradas e pavimentação.
[Constructions of roads and pavements] Rio de Janeiro, Livro Téc­
nico, 1 957. 5 1 9 p. iI.
6.5.5.2 Indica-se o idioma original do texto em nota especial quando
não mencionado no documento, a não ser que esta indicação já apareça na
mesma referência bibliográfica.
Exs . : HEMINGW A Y, Ernest. Por quem os sinos dobram. Trad. Montei­
ro Lobato. São Paulo, Ed. Nacional , 1 956. Original inglês.
Ý
188 o METODO CI ENTi FI CO •
ANDERSON, J. W. Manuel du Prospecteur: guide pour la recher­
che des gites mineraux et métaliferes. Traduit de l ' anglais d' apres la
8. ed. par Joseph RosseL. .
6.5.5.3 No caso de tradução feita com base em outra tradução, indica-
-se, além da língua do texto traduzido, a do texto original .
Ex. : SAADI . O jardim das rosas de . Æ . Trad. Aurélio Buarque de Holan­
da, da versão francesa de Franz Toussaint. Rio de Janeiro, J. Olym­
pio, 1944. Original árabe.
6.5.5.4 Tradução do título Se for necessário traduzir o título de um
documento, a tradução deve aparecer em seguida ao título, em redondo e entre
colchetes .
.
Ex. : SOCIOLOGISKE MEDDELELSER; a Danish sociological jour­
nal. Social. Medd. [Semestre sociológico] Copenhagen, Sociolo­
gisk Institut, 1 956 Semestral 1 5 kr. Fiolstraed 4, Copenhagen K. ,
Denmark. Sinopse em inglês.
6.5.5.5 Acréscimos ao tíulo O nome do diretor tradutor, do ilustra-
dor ou de outros colaboradores da publicação, deve ser acrescentado ao título
quando necessário.
Ex. : TEAD, Ordway. A arte de administração. Trad. Celina R. Collet
Selberg, rev. · sob a orientação da Escola Brasileira de Administra­
ção Pública, por Marina Brandão Machado. Introd. Benedicto Sil­
va. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1957. 250 p.
6.6 Edição Indica-se o número da edição quando mencionado na
obra, seguido de ponto e da abreviatura da palavra ' 'edição" no idioma da pu­
blicação.
Ex. : 2. ed. ; Verl .
Indicam-se as abreviaturas das emendas e acréscimos à edição quando for
o caso.
Ex. : 2. ed. rev. aum.
6. 7 Local de publicação
6.7.1 O nome do local de publicação deve ser indicado tal como figura
no documento referenciado.
Exs. : New York
London
6.7.2 Aos nomes homônimos de cidades, acrescenta-se o dos respecti­
vos estados ou países, abreviado se necessário e na língua do documento refe­
renciado.
Exs . : Cambridge, Mass.
Cambridge, G1. Brit.
San Juan, Chile
San Juan, Puerto Rico

ANEXO
1 89
6.7.3 Quando há mais de um local mencionado na publicação, indica-
• •
-se apenas o prImeIro.
6.7.4 Quando o local não aparece na publicação, mas pode ser identi-
ficado, deve ser citado na referência. Sendo impossível determinar o local, in­
dica-se: s.l.
6.8 Editora

6.8.1 O nome da editora deve ser transcrito tal Como figura na publi-
cação referenciada. Abreviam-se os prenomes e suprimem-se os elementos que
designam a natureza jurídica ou comercial, desde que dispensáveis à sua identi­
ficação.

Exs . : Anhembi (e não Editora Anhembi S. A. )
Ed. Atlas (e não Editora Atlas S. A. )
E. Blücher (e não Editora Edgard Blücher Ltda.)
Ed. Américas (e não Editora das Américas ou Américas)
6.8.2 Quando há duas ou mais editoras pode-se indicar apenas a pri-
meIra.
6. 8. 3 Quando além da editora comercial há um órgão oficial responsá-
vel, pode-se indicar ambos .
Exs . : Salvador, Univ. Bahia/Liv. Progresso
São Paulo, J. Bushatsky/Univ. São Paulo
6.8.4 Não se indica o nome da editora quando figura também como
autor.
6. 8. 5 Quando a editora não aparece na publicação mas foi identifica-
da, pode ser citada na referência. Sendo impossível sua identificação, indica-se
o impressor e, na falta de ambos: s. ed .
6. 9 Data
6. 9. 1 Indica-se o ano de publicação em algarismos arábicos, sem qual-

quer espacejamento.
Ex. : 1 970 e não MCMLXX, 1 970, 1 . 970
6. 9. 2 Quando a data não aparece na publicação, mas pode ser determi-
nada, deve ser citada na referência. Sendo impossível determiná-la, indica-se:
s. d.

6. 9.3 Nas referências bibliográficas de periódicos ou publicações seria-
das consideradas no todo, indica -se a data inicial seguida de:
a. Hífen, no caso de periódico em circulação.
b. Hífen e data do último volume publicado, em caso de periódico extin­
to.
6.9.4 Os meses devem ser apresentados de forma abreviada, no idioma
original da publicação, de acordo com o Anexo I .
1 90 o METODO CIENTIFICO
6.9.4.1 Não se abreviam os meses designados por palavras de quatro
ou menos letras .
'
6.9.4.2 Quando as estações do ano substituem os meses, são transcri-
tas tal como fgura na publicação. Da mesma forma se procede, abreviada­
mente • quanto a trimestre, semestre etc.
Exs . : Summer 1 968
2. trim. 1 968
6.9.5 Indica-se a reunião, numa só referência, de várias datas consecu-
tivas por uma barra que liga a primeira à última.
Exs . : jan. /ago. 1 954
1 947/1 948
mar. 1 967/fev. 1 968
6. 10 Número de volumes e de páginas
6.10.1 O número total de páginas de uma publicação e o número ini-
cial e final de páginas de uma publicação são acompanhados da abreviatura p.
Exs . : 260 p.
p. 7-12
6. 10.2 O número total de volumes de uma obra ou a indicação de ape-
nas um volume são acompanhados da abreviatura v.
6. 10.3 Quando se tratar de periódicos, as abreviaturas v. e p. que indi-
cam volume e páginas, respectivamente, e abreviatura n. que indica o numero
do fascículo, devem ser substituídas pelas seguintes indicações:
a. Número do volume em destaque gráfico.
b. Número do fascículo, entre parênteses .
c. Número de páginas , precedido por dois pontos .
Ex. : Revista de Saúde Pública, São Paulo, 8( 1 ): 1 - 1 2.
e não
Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 8, n. I , p. 1 - 12.
6. 10.3.1 Esta forma deve ser usada somente quando se tratar do con-
junto dos três elementos (volume, número e páginas) e nunca isoladamente.
6. 10.4 Ao indicar os números das páginas inicial e final de uma refe-
rência, mantém-se o número completo da página inicial , suprimindo, no da
página final, o(s) algarismo(s) idêntico(s) qle precede(m) à esquerda o primei­
ro algarismo modificado.
Exs . : p. 21 -8; p. 335-45; p. 1 608-74; p. 1 2345-7
6. 11 Ilustrações Ilustrações de qualquer natureza, desde que rele-
vantes; podem ser indicadas pela abreviatura i.

6. 12 Séries ou Coleções

¼
ANEXO
1 91
6. 12. 1 Transcrevem-se os títulos das ��ries ou coleções tal como figu-
ram na publicação, abreviadas conforme o caso.
Exs . : GOODE, William J . & Hatt , Paul K. Métodos em pesquisa social . ¹
4. ed. São Paulo, Ed. Nacional , 1 972, 488 p. (Bibl . Universitária,
sér. 2�: Ciências Sociais, 3).
RABELO, Sílvio. Farias Brito ou uma aventura do espírito. Rio de
Janeiro, J . Olympio, 1 941 . 232 p. iI . (CoI. Documentos Brasileiros,
dir. Otávio Tarquínio de Sousa, 30).
6. 12.2 Quando a série é publicada por uma entidade coletiva, o nome
desta deve preceder o daquela, a não ser que já tenha sido mencionado na mes­
ma referência bibliográfica.
Exs . : BELTRÃO, Pedro Calderan. Famíia e política social. Rio de Ja­
neiro, Agir, 1962. 31 6 p. (PUC RJ . Cal . lnst. Estudos Políticos e
Sociais, 1 1 ).
.
BORGES, Pedro. A realidade alimentar brasileira. Rio de Janeiro,
Serviço de Documentação MTIC, 1 957. 136 p. (Cal . Lindolfo Col­
lar).
6. 12.3 O número da publicação na série deve ser indicado em algaris-
mos arábicos; desprezam-se as indicações n. ou v.
Ex. : LAPA, José Roberto do Amaral . A Bahia e a carreira da Índia. São
Paulo, Ed. Nacional/Univ . São Paulo, 1 968. (Brasiliana, 338).
FROMM, Erich. A arte de amar. [The art of loving] 2. ed. Belo Ho­
rizonte, Ed. Itatiaia, 1 961 . 129 p. (Perspectivas do Mundo, I ) .
6. 13 Bibliografias e resumos
6. 13. 1 Indicam-se por extenso os títulos das bibliografias nas quais a
publicação é indexada.
Ex. : PROBLEMAS BRASILEIROS. Probo bras . , São Paulo, Conselho
Técnico da Economia, Sociologia e Política, 1963 Mensal . Rua
Dr. Vila Nova, 228, 2? andar, São Paulo, Brasil . Bibliografia Brasi­
leira de Ciências Sociais, Periódicos Brasileiros de Cultura .
¼
6. 13. 2 Indicam-se os resumos de artigos de periódicos quando redigi-
dos em outro(s) idioma(s).
6. 14 Separata
6. 14. 1 Quando se tratar de separata, menciona-se a publicação da qual
foi extraída, de acordo com a norma aplicável.
6. 15 Outros elementos
6.15.1 Outros elementos julgados de interesse podem ser acrescenta-
dos, como, por exemplo, formato, preço, endereço da editora, livraria etc.
Abrangente que abrange, que abarca, que
alcança, que se estende por.
Acepção sentido em que se emprega um
termo; significado. .
Acervo 1. o conjunto de obras de uma bi­
blioteca; 2. o conjunto de bens que inte-
• • •
gram um patnmomo.
Acuidade agudeza ou capacidade acentua­
da de percepção.
Alinhavar coser com ponto largo, prepa­
rando a costura que se fará depois com
ponto estreito.
Ambigüidade qualidade, caráter ou esta­
do de ambíguo; impreciso.
Ambíguo que tem mais de um sentido; imo

precIso.
Analogia 1. semelhança, parecença; 2.
ponto de semelhança entre coisas diferen­
tes.
Análogo semelhante, comparável.
Argumento de autoridade argumento que
se utiliza para invocar o peso da opinião de
uma autoridade universalmente reconheci­
da ou apresentada como tal.
Arquétipo modelo criado; padrão, exem­
plar.
Atributo aquilo que é próprio de um ser;
caráter essencial de uma substância.
Autonomia independência, faculdade de

se governar por bÎ mesmo.
Axiologia 1. estudo ou teoria de alguma
espécie de valor; 2. teoria crítica dos con­
ceitos de valor.
Causa eficiente � condição do fenômeno
que produz outro fenômeno.
Circunscrito limitado, restrito, restringi­
do; com limites determinados.
Cisão corte, quebra, divisão.
Coadjuvante que concorre para um fim
comum.
Cognitivo relativo ao conhecimento.
Concatenação ato ou efeito de concate-
nar, encadear, estabelecer relação entre, re­
lacionar.
Conceber interpretar, compreender, en­
tender, figurar na mente, imaginar.
Conceito 1. representação mental de um
objeto, por meio de suas características ge­
rais; 2. noção, idéia, concepção; 3. aprecia­
ção, julgamento, avaliação.
Conceituar formular ou formar conceito
de, acerca de; j ulgar, avaliar.
Conclusivo que contém uma conclusão;
que permite que se tire uma conclusão.
Consecução ato ou efeito de conseguir,
conseguimento.
Contexto 1. o que constitui o texto no seu
todo; 2. conjunto, todo, totalidade.
Cotejar confrontar, comparar. .
Dedução 1. ilação, inferência; o que resul­
ta de um raciocínio; conseqüência lógica;
2. processo pelo qual, com base em uma ou
mais premissas, chega-se a uma conclusão
necessária, em virtude da correta aplicação
, da lógica.
Deslindar aclarar, desenredar.
Despojado livre de ornatos, simples.
Despojar privar da posse de alguma coisa,
retirar algo de alguma coisa ou de alguém.
Desvelar aclarar, trazer à tona, descobrir,
esclarecer, elucidar, revelar.
Diacronia caráter dos fenômenos observa­
dos quanto à sua evolução no tempo.
Diagramação projeto que distribui os ele­
mentos gráficos no espaço de uma página;
paginação.
Dialético que opõe contrários mediante a
argumentação.
Digressão desvio de rumo ou assunto.
Diretriz linha que rege ou orienta um tra­
çado.
Dirimir dissolver" extinguir, resolver.
Dogma ponto fundamental, que não ad­
mite discussão ou revisão, de qualquer
doutrina ou sistema.
Empírico 1. baseado apenas na experiên­
cia; 2. diz-se que é empírico o conhecimen­
to que provém, de diversas formas, da ex­
periência; 3. diz-se que é empírica a ciência
que tem por base a experiência.
Enunciado 1. expresso, declarado; 2. pro­
posição, exposição.
Erudito que tem instrução ampla e varia­
da.
Estafa cansaço, fadiga.
Estipular determinar, ajustar previamen­
te, estabelecer.
Evocação ato de trazer alguma coisa à
lembrança ou à imaginação.
Exíguo escasso, minguado, curto, peque­
no.
Explícito expresso nitidamente, evidente.
Extrapolação 1. ato de levar além de; 2.
processo pelo qual se infere o comporta­
mento de um fato fora de uma situação,
mediante o seu comportamento dentro des­
sa situação.
Extrapolar fazer extrapolação de, ir além
de, ultrapassar.
Factível exequível, que pode ser feito.

Falível sujeito a falhas, a enganos.
Famigerado de muita fama, célebre.
GLOSSÁRIO 1 93
Fálica diz-se da ciência que tem por obje­
to os fatos naturais ou culturais, em oposi­
ção às ciências formais, como a Matemáti­
ca e a Lógica, cujo objeto são formas, sig­
nos, funções etc.
Fidedigno digno de confiança, confiável,
merecedor de crédito.
Genérico 1. geral , que tem o caráter de ge­
neralidade; 2. o oposto de específico.
Globalidade qualidade do que é global,
íntegro, lotaI.
Grandiloqüente que tem linguagem pom­
posa.
Hermético (texto) obscuro, pouco claro,
somente compreensível para um pequeno
grupo de iniciados.
Heurística 1. método analítiCo para o des­
cobrimento da verdade científica; 2. ciên­
cia auxiliar da História, que estuda a pes­
quisa das fontes.
Hierarquia série contínua de graus de va­
lores, em ordem crescente ou decrescente.
Hierarquizar organizar ou distribuir se­
gundo uma ordem hierárquica.
Hipótese 1. suposição, conjetura; 2. supo­
sição não comprovada, mas não imprová­
vel, pela qual se antecipa um conhecimento
que poderá ser posteriormente confirma­
do.
Hipotético baseado em hipótese.
Ideologia 1. sistema de idéias; 2. ciência
da formação das idéias, tratado das idéias
em abstrato.
Inadvertência imprevidência, descuido, .
negligência.
Indução operação mental que consiste em
estabelecer uma verdade universal ou pro­
posição geral, com base no conhecimento
.
de certo número de dados singulares ou de
proposições menos gerais.
.
Induzir 1. inferir, concluir; 2. sugerir, per­
suadir; 3. incorrer.
Inequívoco claro, sem possibilidade de
deixar dúvida.
Inferência provávei admissão da provável
verdade de uma proposição em virtude de
sua ligação com outras proposições já ad­
mitidas como verdadeiras .
Inferir tirar por conclusão, concluir, de­
duzir por raciocínio .
Inserido introduzido, incluído, entranha­
do.

194 o MÉTODO CI ENTiFI CO
Insular pertencente ou relativo a ilha.
Interação ação que se exer-e mutuamente
entre duas ou mais coisas ou pessoas; ação

reciproca. "
Intrínseco 1. que está dentro de alguma
coisa ou ser e lhe é próprio; 2. inerente, pe­
culiar.
Irretorquível que não se pode discutir.
Lacuna falta, falha, omissão.
Mídia meio de expressão, de comunicação
.
ou de informação.
Paulatino feito aos poucos.
Percepção ato, efeito ou faculdade de per­
ceber.
Perecível sujeito à extinção, que pode
morrer ou perecer.
Perquirir investigar escrupulosamente, in-
• •
qumr.
Postergar adiar.
Pragmático (critério) que aceita como ver­
. dade apenas o que é útil.
Precípuo essencial.
Predição ato ou efeito de' dizer antecipa­
damente o que vai acontecer; prognosticar.
Premissa cada uma das primeiras proposi­
ções de um silogismo, e que servem de base
à conclusão.
Pressupor conjeturar, presumir.
Problemática que diz respeito a problema;
conjunto de problemas.
Prolixo superabundante, excessivo, difu­
so; enfadonho.

Proposição enunciado verbal de um juízo,
suscetível de ser comprovado como verda­
deiro ou falso; assunto para ser discutido.
Questionar levantar questão, discutir, dis­
putar, perguntar.
Renascimento movimento artístico e cien-
.
tífico que caracteriza os séculos XV e XVI
na Europa, cujo estio e ideologia revelam­
-se em oposição aos que prevaleciam na Ida­
de Média.
Requisito condição necessária para alcan­
çar certo objetivo ou para cumprir certa
função .
Retrodição ato ou efeito de dizer poste­
riormente o que aconteceu em um passado
que não se conhece.
Saturado impregnado no mais alto grau.
Sentido semântico sentido de significado
que o termo vai adquirindo ao longo da
história de seu uso.
Silogismo dedução formal que, partindo
de duas premissas reconhecidas como ver­
dadeiras, chega a uma terceira proposição,
nelas logicamente implicada . .
Sincronia estado de um fenômeno social,
cultural etc. , quando tomado em determi­
nado momento, sem se considerar sua evo­
lução no tempo.
Sincrônico que ocorre ao mesmo tempo,
. concomitante.
Subestimar não dar o devido valor a; des­
denhar, menosprezar.
Superestima ação ou efeito de superesti-
mar.
Superestimar av.aliar com exagero, em ex­
cesso.
Suscinto breve, resumido, condensado.
• •
Temática conjunto de temas que caracte-
rizam uma obra; o que .se refere ou perten­
ce ao tema.
Tipologia ciência dos tipos .
Tópico item, assunto ou tema; subdivisão
de assunto ou tema.
Transcender passar além de, ultrapassar,
elevar-se acima de.
1
Unidade semântica (veja sentido semânÜ­
co) um dos muitos significados que o termo
adquire ao longo de seu uso.
Versar praticar, exercitar.

Nota: Nesta apresentação bibliográfca você poderá identificar as obras citadas no texto. Mas aqui
há também outras. Há aquelas que forneceram valiosos subsídios para a elaboração deste livro e,
além delas, ainda outras que poderão aprofundar o estudo agora iniciado, dando-lhe consistência
e solidez. Alguns dos títulos indicados são de edições estrangeiras. Outros, embora nacionais, es-
.
tão com suas edições esgotadas há mais de vinte anos. É provável, portanto, que você não os en­
contre à venda em livrarias, pelo menos naquelas que só oferecem livros novos em suas prateleiras.
Apesar disso, tomamos a decisão de não os omitir nesta bibliografia, considerando que se o fizés­
semos estaríamos sonegando informações preciosas para o desenvolvimento dos temas que enfo­
camos muito ligeiramente, e de maneira apenas introdutória, em nosso texto. Para nós, a metodo­
logia é sempre um as�unto fascinante. Assim, imaginamos que diante dele também você tenha uma
atitude positiva. Uma atitude suficientemente positiva para levá-lo a visitar bibliotecas, na tentati­
va de estudar essas obras fundamentais de que as livrarias não dispõem .

01. ALMEIDA PRADO, H. de; A técnica de arquivar. São Paulo, Polígono, 1970.
02. Organize sua biblioteca. São Paulo, Polígono, 1970.
03. AL TICK, R.D. Preface to criticai reading. New York, Holt, Rinehart and Winston, 1967.
04. ASTI VERA, A. Metodologia da pesquisa cientíica. 4. ed. , Porto Alegre, Globo, 1 978.
05. BACHELARD, G. Le nouvel esprit scientifique. Paris, P. U. F., 1952.
06. BAKER, S. The praticai stylist. 4. ed. , New York, Harper & Row, 1977 . .
07. BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA, A. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro, Nova Fronteira, s. d.
08. BUNGE, M. La ciencia, su mét
o
do y su filosofia. Buenos Aires, Ed. Siglo Veinte, 1 978.
09. CASTRO, C. de M. Estrutura e apresentação de publicações cientíicas. São Paulo, McGraw­
-Hill do Brasil, 1976.
10. ÇEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 19. ed. , São Paulo, Ed. Nacio­
nal, 1978.
196 o METODO CIENTiFICO

11. CERVO, A.L. & BERVIAN, P.A. Metodologia cientiica. 2. ed. , São Paulo, McGraw-Hill do
Brasil, 1 978.
12. CHAUCHARD, P. A linguagem e o pensamento. São Paulo, DIFEL, 1957.
13. CUNHA, C. Gramática do português contemporâneo. 7. ed. , Belo Horizonte, Ed. Bernardo
Álvares, 1 978.
14. DESCARTES, R. Discurso do m�todo. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s. d.
15. ECO, H. As formas do conteúdo. São Paulo, Perspectiva/Ed. Universidade de São Paulo,
1974.
16. EINSTEIN, A. Comment je vois le monde. Paris, Flammarion, 1952.
17. FERRARI, A.T. Metodologia da ciência. 3. ed., Rio de Janeiro, Kennedy, 1 974.
18. FESTINGER, L. & KATZ, D. Los métodos de investigación en las ciencias sociales. Buenos
Aires, Paidos, 1972.
19. FEYERABEND, P. Contra o método. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1977.
20. FIGUEIREDO, C. Novo dicionário da língua portuguesa. 3. ed. , Lisboa, Ed. Portugal-Brasil,
s. d. , 2 v.
21. FREIRE, P. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro, Paz e Terra,
1976.
22. Etensão ou comunicação? 3. ed. , Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1 977.
23. GARCIA, O. M. Comunicação em prosa modera. 4. ed. , Rio de Janeiro, Fundação Getúlio
Vargas, 1976.
24. GATES, J. K. Como uar livros e bibliotecas. Rio de Janeiro, Lidador, 1972.
25. GOODE, W. & HATT, P. Métodos em pesquisa social. 3. ed., São Paulo, Ed. Nacional ,
1969.
26. HAYAKAWA, S.l. A linguagem no pensamento e na ação. 2. ed. , São Paulo, Pioneira, 1972.
27. HEGENBERG, L.H.B. Introdução àfilosofia da ciência. São Paulo, Herder, 1965.
28. HEMPEL,. C.G. Filosofia da ciência natural. Rio de Janeiro, Zahar, 1 970.
29. HOUAISS, A. Elementos de bibliologia. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1967,
2 v.
30. HUISMAN, D. & VERGEZ, A. Curso modero defilosofia. Rio de Janeiro, Freitas Bastos,
1 967.
31. JAKOBSON, R. Lingüística e comunicação. 6. ed. , São Paulo, Cultrix, 1973.
32. JASPER, K. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo, Cultrix, 1971 .
33. KAPLAN, A. A conduta na pesquisa. São Paulo, Herder, 1 969.
34. KLAUSMEIER, H. J. Manual de psicologia educacional: aprendizagem e capacidades huma­
nas. São P�ulo, Harper & Row do Brasil, 1977.
35. KOCHE, J . C. Fundamentos de metodologia cientíica. Caxias do Sul, Universidade de Caxias
do Sul, 1978.
36. LALANDE, A. Vocabulário técnico y critico de la filosofia. Buenos Aires, EI Ateneo, s. d.
37. LIARD, L. Lógica, São Paulo, Ed. Nacional , 1965.
38. LUFT, C.P. O escrito cientíico. 3. ed. , Porto Alegre, Lima, 1971 .
39. MADDOX, H. Como estudar. 2. ed. , Porto, Civilização Ed. , 1969.
40. Mc CRIMMON, J. Writing with apurpose. 2. ed. , Cambridge, Mass. , The Riverside Press,
1 957.
41. MIRA Y LOPES, E. Como estudar e como aprender. 2. ed. , São Paulo, Mestre Jou, 1968.
42. MOLES, A. A criação cientíica. São Paulo, Perspectiva/Ed. Universidade de São Paulo, '
1971 .
43. MORGAN, C. T. & DEESE, J. Como estudar. 5. ed. , Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1972.
44. NAGEL, E. et alii. Filosofia da ciência. São Paulo, Cultrix, 1957.
45. NASCENTES, A. Dicionário ilustrado da língua portuguesa da Academia Brasileira de Le­
tras. Rio de Janeiro, Bloch Ed., 1 972, 6 N.
46. NERICI, l. G. Metodologia do ensino superior. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1967.
47 • PAIVA BOLÉO, M. Para um maior rendimento do trabalho intelectual. Coimbra, s. ed.,
1 952.
48. POLITZER, G. Princíios elementares de filosofia. 6. ed. , Lisboa, Prelo, 1977.
49. Princíios fundamentais defilosofia. 2. ed. , São Paulo, Fulgor, 1 963.
BIBLI OGRAFIA 197
50. POPPER, K.R. A lógica da pesquisa cientíica. São Paulo, Cultrix/Ed. Universidade de São
Paulo, 1975.
51. Conhecimento objetivo. Belo Horizonte, Itatiaia, 1975.
52. PURTILL, R.L. Logical thinking. New York, Harper & Row, 1 972.
53. REY, L. Como redigir trabalhos cientíicos. São Paulo, Blücher, 1972.
54. RODRIGUES LAPA, M. Etilística da língua portuguesa. 6. ed. , Rio de Janeiro, Acadêmica,
1970.
55. ROSENTAL, M. Da teoria marista do conhecimento. Rio de Janeiro, Vitória, 1 956.
56. RUIZ, J .A. Metodologia cientíica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo, Atlas, 1978.
57. SALOMON, D.V. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia do trabalho cientí­
fico. 5. ed. , Belo Horizonte, Interlivros, 1977.
58. SALVADOR, A.D. Métodos e técnicas da pesquisa bibliográfica. 2. ed. , Porto Alegre, Suli-
na, 1971 .
59. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho cientíico. São Paulo, Cortez & Morales, 1975.
60. SILVA, R. P. et aliL Redação técnica. 2. ed. , Porto Alegre, Formação, 1975.
61. SILVEIRA BUENO, F. A arte de escrever. 7. ed. , São Paulo, Saraiva, 1949.
62. UVAROV, E. B. et aliL Dicionário de ciência. Lisboa, Europa-América, 1972.
63. VIANA, M.O. A arte de redigir. 3. ed. , Porto, Liv. Figueirinhas, 1 957.
64. WARTBURO, W. Von & ULLMAN, S. Problemas e métodos da lingüística. São Paulo, DI-
FEL, 1975.
³
65. WEATHERALL, M. Método cientíico. São Paulo, Polígono/Ed. Universidade de São
Paulo, 1970.
A
Abreviaturas, 123
Análise, 35, 41
interpretativa, 94
. temática, 92
textual, 91
Apêndices, 154
Aplicação, roteiros de, 42
Aprendizagem, 59
Aristóteles, 10
biografia, 13
B
Bacon, Francis, 10, 1 1
Bibliografia, 155
levantamento da, 109
Buarque de Holanda Ferreira, A., 5
c
Campo de visão, 79
Capa, 14
de encerramento, 156
Ciência, 16, 22 .

e suas características, 23-31
fática
objetividade, 24-25, 30
racionalidade, 24-25, 30
natureza e desenvolvimento da, 9
Citação, 143
livre, 143
mista, 143
textual, 143
.
Comunicação, 105
determinação do tema na, 10-109
hipótese de trabalho e, 108
estruturação lógica na, 1 14
linguagem e, 1 18-1 19
redação provisória da, 1 15
seleção bibliográfica, 109-1 1 1
Conhecimento, 16-22
científco, 10, 19
abert o, 30
analí tico, 26
clareza e, 26
comunicabilidade do, 27
exatidão e, 26
explicativo, 29
investigação metódica e, 28
leis e, 29
predições e, 29
sistemático, 28
utilidade do, 30
veracidade do, 27
e verdade, 20
filosófico, lO, 19
teológico, 19
valor do, 8
vulgar, 18
Copérnico, Nicolau, 10
D
Datilografa, 1 39
Dedução, 35, 39
síntese e, 35, 41
Descartes, René, lO, I I
Descrição, 124
Destaques gráficos, 145
Dissertação, 125
Dócumentação pessoal, 98-104
bibliográfica, 101-102
geral, 102
temática, 102

E
Einstein, Albert, 1 1
Entrelinhamento, 140
Esquematizar, 87
Estudo
.
F
do texto, 84-97
idéia principal, 85
em grupo, 61
individual, 66
leitura e, 70-83
maior eficiência no, 49-69
métodos de, 54
Figueiredo, Cândido de, 5
G
Galilei, Galileu, 1 0- 1 1 , 38
Grupo, o trabalho em, 61
H
Hipótese, roteiro de prova de, 43
I
. Ilustrações, 145, 154
Impressão, preparação para a, 156-166
indicações tipográficas, 1 59
problemas legais, 158
provas e correção, 160
Índice, 153
de assuntos, 154
onomástico, 155
Indução, 35, 38
análise e, 35, 41
K
Kepler, Johannes, 10, 1 1
L
Leitura, 70-83
ambiente e, 75
campo de visão, 79
o METODO CIENTíFICO 1 99
e a documentação, 1 1 1
regras de, 71
rendimento e rapidez da, 78
seleão da, 73
treinamento e, 75
unidade de, 85
vocabulário e a, 81
Linguagem e comunicação, 1 1 8-1 1 9
objetividade e clareza, 121
vocabulário técnico, 122
M
Margens, 140
Material, estrutura do, 138-1 55
Método, 4-5
científico, 32-45
e suas aplicações, 32-45
procedimento
.
experimental e, 36
racional e, 35
subjetivismo e, 33
7 Æ
tecmcas
de observação, 37
de raciocínio, 38
e técnica, 6, 14, 55
N
Nascentes, Antenor, 5
Newton, Isaac, 10, 1 2
Notas, 144
o
Æ
Objetividade, 24-25, 30
e clareza, 121
exatidão e, 37
p
Página
de aprovação, 149
de dedicatória, 149
de rosto, 149
numeração de, 142
Palavras estrangeiras, 124
Papel, 139
Pitágoras, biografia de, 14
Platão, 9
biografia de, 12-13
200 íNDICE REMISSIVO
Precisão, 37
Prefácio, 153
Problema, roteiro de formulação de, 43
Provas, 160
Ptolomeu, 10
biografia de, 1 3-1 4
R
Racionalidade, 24-25, 30
Redação, técnica da, 1 18-1 37
abreviaturas, 1 23
clareza, 121
conteúdo, 124- 126
conclusão, 1 34- 1 35
desenvolvimento, 128-134
introdução, 126- 128
estilo, 120-1 21
linguagem, 1 18- 1 1 9
objetividade, 1 21
palavras estrangeiras, 124
vocabulário técnico, 122
Resumir, 89
Revisão, sinais convencionais de, 162
s
.Silogismo, 39
Sintese, 35, 41
T
Tabelas, 145, 154
Técnica
método e, 6, 14, 55
Texto, apresentação do, 1 39
Tipografia, indicações, 1 59
Titulos, 140
Trabalho
v
em grupo, 61
núcleo do, 153
Vocabulário, 81

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