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Universidade Católica IE

Aníbal Carvalho, Filomena Madeira, Luísa Silva, Teodora Passareiro


Grupo 3 Turma 2

Sistematizando:

a) Que diferenças há entre os conceitos de trabalho colaborativo/cooperativo?

Numa primeira análise trabalho colaborativo e cooperativo podiam se considerados


sinónimos. No entanto, a extensão dos termos é diferente: colaborar tem mais amplitude
do que cooperar, o que fará do trabalho cooperativo uma espécie de género.

Para Panitz (1996), trabalho colaborativo é uma filosofia de interacção e estilo de vida
pessoal, enquanto trabalho cooperativo é uma estrutura de interacções desenhada com o
fim de facilitar o cumprimento de um objectivo ou de um produto final.

Trabalho colaborativo é consequência da assunção de princípios de solidariedade e


empatia para com os outros, sem existirem, no entanto, outras obrigações explícitas,
enquanto o trabalho cooperativo tem como ingredientes básicos princípios claros que
regem as técnicas a serem usadas na sala de aula. Panitz esclarece ainda que o trabalho
cooperativo tem raízes francamente americanas nos escritos filosóficos de John Dewey,
dando relevo à natureza social da aprendizagem e ao trabalho em dinâmica de grupos de
Kurt Lewin. O trabalho colaborativo tem raízes inglesas, com base no trabalho de
professores ingleses explorando as maneiras de ajudar os alunos a dar respostas às
tarefas da escola, fazendo com que tomassem um papel mais activo na sua própria
aprendizagem (1996).

Uma situação de trabalho cooperativo pode ser caracterizada pelo facto de os


intervenientes trabalharem no sentido de atingir um objectivo comum, planeando tarefas e
estabelecendo prazos, mas não trabalhando sobre a mesma questão em conjunto - cada
indivíduo realiza uma parte da tarefa de forma isolada. O trabalho colaborativo pode ser
caracterizado por uma situação de acção em conjunto - todos os alunos participam na
construção conjunta de um mesmo trabalho ou projecto. As tarefas são desenvolvidas em
grupo, recorrendo à discussão, à negociação, à execução de tarefas e à concretização
(ou não) dos objectivos propostos (Littleton & Häkkinen, 1999).  A definição mais comum
encontrada para aprendizagem colaborativa, de acordo com Fino (2004), é a situação na
qual duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender em conjunto algum conteúdo.

O termo interdisciplinar é utilizado como algo referente a várias disciplinas ou é produto


do confronto entre várias disciplinas (Arénilla et al., 2001) – trabalho cooperativo. Os
termos pluridisciplinar e multidisciplinar, são usados indiferentemente e referem-se a
assuntos que envolvam diferentes disciplinas – trabalho colaborativo.

Importa evidenciar o carácter retroactivo do trabalho colaborativo em oposição ao sentido


único do trabalho cooperativo (Dillenbourg, 1999). No trabalho colaborativo, podemos
interpretar o esquema vendo a forma como as situações levam às interacções, que por
sua vez conduzem ao processo que gera os seus efeitos no entanto, em cada passo
deste esboço, podemos notar a capacidade de voltar ao passo anterior em função da
forma como a tarefa evolui. No trabalho cooperativo, o carácter linear mostra-nos o
sentido único do processo em que os diversos intervenientes trabalham para o mesmo fim
mas não interagindo a não ser nas fases de planificação e de adjunção das diferentes
tarefas.

Não pretendemos aqui afirmar a primazia de um tipo de trabalho em detrimento do outro.


Estamos cientes que os dois tipos de trabalho são eficazes desde que aplicados
adequadamente. No que diz respeito ao trabalho entre docentes, parece-nos que estes
utilizam em larga escala o trabalho cooperativo em menosprezo do trabalho colaborativo
resultando numa actividade docente demasiado compartimentada que inibe os alunos de
terem uma perspectiva globalizante e integradora dos diferentes saberes científicos.

b) Que exemplos de ferramentas se enquadram em cada categoria enunciada?

Uma das ferramentas que se enquadra no trabalho cooperativo surge com o


aparecimento do computador, que veio fornecer “aos estudantes uma situação natural
para que aprendessem uns com os outros” (Schwartz & Willing, 2001, p. 13), na medida
em que dois ou mais alunos à volta de um computador podem facilmente discutir ideias e
procurar objectivos comuns. Também a fotografia (incluindo naturalmente o uso de
diapositivos), a rádio, a televisão, o vídeo…todas elas poderiam (e em muitos caso
puderam e ainda podem) ser objecto de utilização em situações de aprendizagem
cooperativa. Numa segunda perspectiva – que se vem afirmando ao potencial da Internet
– o computador torna-se o meio de interagir à distância (correio electrónico,
videoconferência, chat).

No Trabalho Colaborativo encontramos ferramentas que vão servir de apoio ao trabalho


Cooperativo, nomeadamente, a título de exemplo, a plataforma Moodle que permite o
trabalho em grupo sustentado pela Internet e o ensino à distância. Outra ferramenta de
colaboração, e que é gratuita, é a chamada OpenDoc. Entre outros exemplos de
ferramentas de trabalho colaborativo citarímos :Groups.google, Docs.google, Blogger,
Wikipédia, Teachertube, Skype, Youtube, Mindomo, del.icio.us, IRC e newsgroups.

c) De que forma podem as ferramentas de trabalho colaborativo ser usadas em


situação escolar?

A interdisciplinaridade e a interligação dos diferentes saberes no geral e, em particular,


dos saberes científicos estão bem patentes na forma como o currículo foi organizado. A
realização de “[...] trabalhos e projectos que exijam a participação de áreas científicas
diversas, tradicionalmente mantidas separadas” (CNEB, p.130) é um dos itens previstos
no Currículo Nacional do Ensino Básico.

A resolução de um problema que envolva conceitos abordados em diferentes disciplinas é


um assunto pluridisciplinar ou multidisciplinar. Por exemplo o estudo da astronomia é uma
matéria interdisciplinar pois é tratada simultaneamente nas disciplinas de Ciências Físicas
e Ciências Naturais.

A aprendizagem colaborativa, nos últimos anos, percorreu um longo caminho utilizando de


ferramentas computacionais no processo de ensino e aprendizagem, não só em termos
de desenvolvimento de novas tecnologias, mas principalmente em relação a paradigmas
envolvendo o processo de aprendizagem. A utilização dos computadores em ambientes
de trabalho e aprendizagem colaborativos pode tomar diferentes formas podendo ocorrer
baseada num computador, baseada numa rede local ou, em rede alargada, no
ciberespaço.

Os métodos pedagógicos neste processo reforçam esforços colaborativos entre


estudantes que trabalham numa determinada tarefa. A Aprendizagem Colaborativa
Apoiada por Computador - ACAC ou (Computer Supported Collaborative Learning -
CSCL) proporciona um ambiente colaborativo, centrado na aprendizagem. Destaca-se a
participação activa e a interacção, tanto dos alunos como dos professores. O
conhecimento é resultado de uma construção social pelo que processo educativo é
favorecido pela participação social em ambientes que proporcionam a interacção, a
colaboração e a avaliação. Pretende-se que os ambientes de aprendizagem colaborativos
sejam ricos em possibilidades e promovam o crescimento do grupo.

O estudo das ferramentas que fazem parte de um groupware e, portanto, podem constituir
um ambiente colaborativo de aprendizagem, permite algumas considerações sobre sua
utilização no suporte à interacção e à aprendizagem. Os sistemas de mensagens,
quadros de avisos e conferência síncrona e assíncrona são muito utilizados pelos
professores e alunos para esclarecer dúvidas, enviar e receber tarefas, trabalhos e
avisos. Já os sistemas de co-autoria são usados por grupos de alunos, para desenvolver
um trabalho em conjunto. A partilha do objecto em desenvolvimento é importante para
permitir a equalização da participação dos membros do grupo no trabalho. Assim, mesmo
que ocorra uma divisão de tarefas, os alunos podem participar das tarefas dos outros,
fazendo comentários e interagindo constantemente. A intervenção do professor,
considerando a utilização destes recursos, pode ocorrer de modo a fornecer pistas e
questionar posições e estratégias, promovendo perspectivas de uma análise mais crítica
sobre a situação por parte dos alunos.

d) De que forma podem as ferramentas de trabalho cooperativo ser usadas em


situação escolar?

A cooperação ganha vantagens e benefícios se adoptar práticas educacionais ligadas e


próximas do trabalho colaborativo. Segundo Jaffe (apud Souto et al., 1999) envolve três
princípios importantes: interacção, mediação e participação activa. É importante lembrar
que o sucesso da aplicação de métodos colaborativos depende da criação de ambientes
adequados para a cooperação, sejam eles presenciais ou não (Graves, 1994).

O Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador (Computer-Supported Cooperative


Work - CSCW) trata da cooperação em locais de trabalho. No entanto, também descreve
como se desenvolvem aplicações groupware, tendo por objectivo o estudo teórico e
prático de como as pessoas trabalham em cooperação e como o groupware afecta o
comportamento do grupo.
e) Que boas práticas públicas (ou conhecidas) existem no uso destas ferramentas?

Após a introdução das TIC na educação abriu-se um leque de oportunidades para a


promoção de actividades que levam os alunos a trabalhar colaborativamente.  As novas
tecnologias permitem reordenar os conceitos de tempo e de espaço, optimizando a
realização de trabalhos cooperativos numa perspectiva que proporciona uma integração
além do espaço físico de sala de aula.

Através de ferramentas de trabalho cooperativo, as novas tecnologias são aliadas na


integração entre actividades desenvolvidas em diferentes disciplinas.

Os novos paradigmas educacionais rompem com as formas tradicionais do ensino, em


especial do ensino à distância, que antes se baseavam em empurrar conteúdos pré-
definidos para a simples assimilação individual, e centram-se na prática de tarefas
cooperativas, que favorecem as discussões e também a reflexão individual sobre os
conteúdos.

f) Que falta para que as escolas passem a usar este tipo de ferramentas?

O trabalho colaborativo tem vindo a emergir como estratégia de ensino-aprendizagem nas


últimas décadas com resultados aparentemente positivos. Parece chegada a altura de
promover este tipo de trabalho entre professores.

O trabalho colaborativo entre alunos, como estratégia de ensino-aprendizagem, tem-se


desenvolvido, desde os anos oitenta e, assumiu particular importância no decorrer da
década de noventa. Os seus efeitos e processos já foram alvo de inúmeros estudos
tendo-se respondido a algumas questões e levantado muitas outras, no entanto, a
aparente e generalizada aceitação desta metodologia leva-nos a crer na sua eficácia. À
semelhança de outras metodologias, o trabalho colaborativo não é a resposta prodigiosa
aos problemas do ensino mas, é uma ferramenta útil quando o objectivo é veicular
determinadas mensagens e mobilizar determinadas capacidades nos nossos alunos.
Encarar o trabalho colaborativo entre professores pode ser uma forma de promover a
interdisciplinaridade levando os alunos a encararem a pluridisciplinaridade das matérias
estudadas. Os saberes científicos das diferentes disciplinas não são independentes. A
perspectiva global do saber científico perde-se na actividade científica e agrava-se na
actividade lectiva com os diferentes temas a serem abordados em diferentes disciplinas
por diferentes professores que, na maioria das vezes, pouco ou nada partilham os seus
conhecimentos.

Torna-se cada vez mais urgente, desenvolver nos nossos alunos, ainda que de uma forma
simplificada, uma atitude crítica, reflexiva e globalizante face ao conhecimento científico.

BIBLIOGRAFIA

Arénilla, L. et al. (2000) Dicionário de Pedagogia. Lisboa: Instuto Piaget

Dewey, J. (2002). A escola e a sociedade. A criança e o currículo. Lisboa: Relógio D`Aguas Editores.

Dillenbourg P., (1999). Learning together: understanding the processes of computer-based collaborative
learning. In Pierre Dillenbourg (Ed.). Collaborative Learning, Cognitive and Computational
Approaches (pp.1-19). Pergamon: Oxford.

Fino, C. (2004). O que é Aprendizagem Colaborativa. Acedido a 04.06.2008 em:


http://www.uma.pt/carlosfino/Documentos/PowerPoint_Aprendizagem_colaborativa.pdf

GRAVES, Liana N. (1994) Creating a Community Context for Cooperative Learning. Handbook of Cooperative
Learning Methods. Westport: Praeger, p. 283-299

JAFFE, J.M et all (1995) Gender, Pseudonyms and CMC: Masking Identities and Baring Souls. Acedido
a12.06.08 em: http://research.haifa.ac.il/~jmjaffe/genderpseudocmc/

Lewin, K. (1948). Resolving Social Conflict: Select papers on group dynamics. New York: Harper & Row

Littleton, K., Häkkinen, P. (1999). Learning together: understanding the processes of computer-based
collaborative learning. In Pierre Dillenbourg (Ed.). Collaborative Learning, Cognitive and
Computational Approaches (pp.20-30). Pergamon: Oxford.

Ministério da Educação (2001). Currículo National do Ensino Básico. Lisboa: Departamento do Ensino Básico.

Panitz, T. (1996). A definition of Colaborative Vs cooperative learning. Acedido a 12.06.2008 em


http://www.city.londonmet.ac.uk/deliberations/collab.learning/panitz.html

Schwartz, L.M. & Willing, K.R. (2001). Computer activities for the cooperative classroom. Markham, Ontário:
Pembroke Publ.