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REVISTAINSPIRAR

Volume 1 • Número 2 • agosto/setembro de 2009

Revista Eletrônica Inspirar [recurso eletrônico] - Curitiba:


R454 Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde,
2009-

Bimestral, v. 1, n. 2, ago/set 2009-


ISSN 2175-537X
Modo de acesso: www.inspirar.com.br

1. Saúde - Periódicos.
CDD 610
CDU 614

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Volume 1 • Número 2 • agosto/setembro de 2009

A REVISTA
A Revista Eletrônica da Inspirar é um periódico de acesso aberto, gratuito e bimestral,
destinado à divulgação arbitrada da produção científica na área de Ciências da
Saúde, de autores brasileiros e de outros, contribuindo, desta forma, para o cresci-
mento e desenvolvimento da produção científica.

MISSÃO
Publicação de artigos científicos que contribuam para a expansão do conhecimento
da área da saúde, baseados em princípios éticos.

OBJETIVO
Propiciar meios de socialização do conhecimento construído, tendo em vista o es-
timulo à investigação científica e ao debate acadêmico.

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CONSELHO EDITORIAL
Prof. Dr. Alfredo Florencio Cuello - ARG
Prof. Alonso Romero Fuentes Filho - SC
Prof. MSc. Álvaro Luiz Perseke Wolff - PR
Prof. MSc. Antônio Carlos Magalhães Duarte - BA
Prof. MSc. César Antônio Luchesa – PR
Profa. MSc. Cynthia M. Zilli - PR
Profa. Denise Dias Xavier - PR
Profa. MSc. Elisiê Rossi Ribeiro Costa - PR
Prof. Francimar Ferrari - PE
Prof. Dr. Gustavo Alfredo Cuello - ARG
Prof. MSc. José Roberto Prado Junior - RJ
Prof. MSc. Manoel Luiz de Cerqueira Neto - SE
Prof. MSc. Marcelo Zager - SC
Prof. Dr. Marcos Antonio Tedeschi - PR
Profa. Maria Ayrtes Ximenes Ponte da Silveira - CE
Dra. Silvia Valderramas - BA
Profa. MSc. Telma Cristina Fontes Cerqueira - SE

EDITORES
Prof. Dr. Esperidião Elias Aquim - PR
Prof. MSc. Marcelo Márcio Xavier - PR

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Profa. MSc. Elisiê Rossi Ribeiro - revistacientifica@inspirar.com.br

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Marcos Leandro Cachinski - marketing@inspirar.com.br

ATENDIMENTO
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Sumário
EDITORIAL ......................................................................................................................... 5

Influência da Obesidade na Hipertensão Arterial ................................................................ 6


Influence of Obesity in Hypertension
Ana Paulo de Santana Andrade, Carla Caroline Cunha Campos, Janayna Pires Ferreira,
Juliana Cristina Souza Santos, Larissa Oliveira Gonçalvez, Patrícia Roberta dos Santos

Redução do Edema em Membros Inferiores através da Drenagem Linfática Manual: Um


Estudo de Caso ................................................................................................................... 10
Reductionl of Edema in Lower Limbs using the Manual Lymphatic Draining: A Case Study
Aline Martinelli Piccinin, Pâmela Billig Mello, Daiane Muller de Bem, Andressa Silva, Patrícia Viana &
Rosa

O Papel do Fisioterapeuta no Programa Saúde da Família ................................................ 15


The purpose of the Physiotherapist in the Family Health Program
Maria Alice de Lima Albuquerque, Valéria Conceição Passos de Carvalho

Estudo de Caso: Os Benefícios da Equoterapia no Desenvolvimento Motor em uma Cri-


ança Portadora de Síndrome de Down. .............................................................................. 20
Case Study: The Benefits of the Equoterapia in the Motor Development in a Carryng Child of
Syndrome of Down.
Paty Aparecida Pereira, Danielle Fabiola Leandro

Doença de Osgood Schlatter - Revisão Bibliográfica e Proposta de Tratamento ............. 24


Illness of Osgood Schlatter - Bibliographical Revision and proposal of treatment
Rafael Felipe Castilho, Alexandre Sabbag da Silva

Uso de Espirômetro de Incentivo e Pressão Positiva no Pós-operatório de Cirurgia Cardía-


ca com Esternotomia .......................................................................................................... 36
The use of Incentive Spirometry and Positive Pressure in the Postoperative period after heart surgery
with Sternotomy
Ana Cristina da Silva, Daiane Cristina de Moura, Polliana Oliveira Mello, Juliana Cleusa de Almeida
Ramos, Natália de N. Polcaro A. de Freitas, Katherine Cristine Nascimento Dutra

Comparação entre a Idade Motora de Estudantes de uma Escola Pública e Privada pela
Escala de Desenvolvimento Motor .................................................................................... 42
Comparison Between theAge of an Engine for Students Public and Private Schools by scale
Development Engine
Adroaldo Barbosa da Silva, Bartolomeu Andrade Souza Júnior, Janayna de Oliveira Souza, Serginaldo
José dos Santos

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EDITORIAL
O desejo de reunir autores em torno de assuntos científicos de relevância,
sempre foi o desejo da INSPIRAR. Agora nasce a Revista Eletrônica Inspirar, que
vem ao encontro do sonho e torna-se impar em sua concretude, embora virtual.
Apresentamos aos profissionais da área da saúde, o conhecimento produzi-
do pela comunidade docente e discente, de forma a contribuir para o desenvolvi-
mento das diferentes profissões, no âmbito acadêmico e profissional.
Consonante com a missão que traduz-se na publicação de artigos científicos
que contribuam para a expansão do conhecimento da área da saúde, baseados em
princípios éticos, a Revista Inspirar objetiva propiciar meios de socialização do
conhecimento construído, tendo em vista o estimulo à investigação científica e ao
debate acadêmico.
Como meta, a indexação de qualidade, que coaduna com as perspectivas de
longo alcance da Inspirar. Como visão, um número crescente de colaboradores e a
contínua apresentação à sociedade dos frutos de ensino de excelência e comprome-
timento com a ciência.
Navegue nas páginas da Revista Inspirar, com um convite à leitura.
Aprecie!

Prof. Dr. Esperidião Elias Aquim - PR


Prof. MSc. Marcelo Márcio Xavier - PR

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Influência da Obesidade na Hipertensão Arterial


Influence of Obesity in Hypertension

Ana Paulo de Santana Andrade1, Carla Caroline Cunha Campos1, Janayna Pires Ferreira1,
Juliana Cristina Souza Santos1, Larissa Oliveira Gonçalvez1, Patrícia Roberta dos Santos2

Resumo Abstract
Este estudo objetivou verificar a influência do índice de This study aimed to verify the influence of corporal mass
massa corporal (IMC) e da relação cintura/quadril na hiperten- index (CMI) and waist / hip in hypertension in 30 obese
são arterial em 30 voluntários obesos (IMC > 25), com idade volunteers (BMI> 25), aged between 40 and 50 years for both
entre 40 e 50 anos de ambos os sexos (24 do sexo feminino e 6 sexes (24 females and 6 male) without diagnosed cardiovascular
do sexo masculino) sem doença cardiovascular diagnosticada. disease. This is a cross-sectional study where volunteers were
Trata-se de um estudo transversal onde os voluntários tiveram weight, height and blood pressure and anthropometric
peso, altura e pressão arterial e medidas antropométricas verifi- measurements recorded by the same evaluator. For comparison
cados pelo mesmo avaliador. Para comparação entre duas mé- between these two averages is, normotensive and hypertensive
dias sendo essas, normotensos e hipertensos foi utilizado à apli- patients was used to test the application of Student Independent,
cação do Teste de Student Independente, onde se obteve para o where it was found for BMI and for the C / Q of the volunteers
IMC e para relação C/Q dos voluntários um p= 0, 1429 e p= 0, a p = 0, 1429 and p = 0, 0815 respectively. In conclusion, given
0815 respectivamente. Concluímos, diante dos resultados obti- the results obtained, that BMI and waist-hip, did not alter
dos, que o IMC e a relação cintura-quadril, não alteraram de significantly the blood pressure of volunteers studied, one should
forma significativa a pressão arterial dos voluntários estuda- be conducted further studies with increased sample, since studies
dos, devendo-se ser realizados mais estudos com um aumento show that the index episodes of body mass and waist-hip
da amostra, já que estudos pregressos demonstram que o índice significantly influence blood pressure.
de massa corporal e a relação cintura-quadril influenciam de
forma significativa na pressão arterial. Key-words:
Hypertension, obesity, corporal mass index.
Palavras-chave:
Hipertensão, obesidade, índice de massa corporal.

lação cintura-quadril são as medidas mais comumente utiliza-


Introdução das para a determinação do excesso de peso (GUS et al.,1998).
A obesidade é uma doença de alta prevalência com im- O índice de massa corporal é um método simples e práti-
portantes implicações sociais, psicológicas e médicas. Associa- co, baseado em índices tirados a partir da medida do peso cor-
se com grande freqüência a fatores de risco como dislipidemia, poral (kg) e da estatura (m²) do mesmo indivíduo, ou seja, peso
diabetes mellitus e hipertensão arterial, condições estas que fa- corporal dividido pela estatura ao quadrado (peso/estatura²)
vorecem a ocorrência de processos ateroscleróticos e eventos (GUEDES; GUEDES, 1998).
cardiovasculares. (SOUZA et al., 2003 ) A relação cintura-quadril revela a distribuição da gordura
A localização e a distribuição da gordura corporal carac- no indivíduo, sendo um fator importante para verificar onde há
terizam-se dois tipos de obesidade: ginóide e andróide. A obe- maior localização de gordura. Quanto maior a quantidade de
sidade caracterizada como ginóide se evidencia com um acúmulo gordura abdominal, maior a probabilidade de desordens meta-
de gordura acentuado nas regiões do quadril, glúteo e coxa su- bólicas e elevado risco de doenças cardiovasculares (GUIMA-
perior, sendo que na obesidade denominada andróide o acúmulo RÃES; PIRES NETO, 1998).
maior de gordura está nas regiões do abdome e tronco Sendo a obesidade uma doença de origem multicausal, o
(GUEDES; GUEDES, 1998). enfoque para corrigi-la deve ser multidisciplinar. O seu trata-
Diversos índices antropométricos têm sido propostos para mento consiste em dieta, exercício físico, modificação no com-
determinar a associação entre excesso de peso e fatores de ris- portamento alimentar, acompanhamento psicológico e, eventu-
co cardiovasculares. O índice de massa corporal (IMC) e a re- almente, drogas anorexígenas. Mesmo com variadas opções te-

1. Acadêmicas da disciplina Fundamentos de Fisioterapia Aplicada Cardiovascular, do VI Recebido: julho de 2009


período do curso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes – UNIT. Aceito: julho de 2009
Autor para correspondência: Juliana Cristina Souza Santos
2. Professora da disciplina Fundamentos de Fisioterapia Aplicada Cardiovascular, do VI Email: juliana08@gmail.com
período do curso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes – UNIT.

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rapêuticas, o sucesso na perda de peso, freqüentemente, é difí- cardiovascular é menor que 0,85 para mulheres e 0,90 para ho-
cil de ser alcançado ou mantido (MONEGO et al., 1996 ). mens.
Este estudo tem como objetivo verificar a influência do Para a classificação dos indivíduos em andróides e
índice de massa corporal (IMC), relação cintura/quadril na hi- ginóides utilizou-se nível do umbigo como referência, onde o
pertensão arterial em 30 voluntários, com idade entre 40 e 50 individuo que apresentou gordura acentuada acima do umbigo
anos no Centro de Educação e Saúde da UNIT. foi classificado com andróide ou em forma de maçã e o que
apresentou predomínio de gordura abaixo do umbigo, na meta-
de inferior do corpo em ginóide ou forma de pêra (MONTEIRO,
Materiais e Métodos 1998).
Trata-se de um estudo transversal realizado no Centro de No respectivo estudo foi utilizado para avaliação estatís-
Educação e Saúde da UNIT localizado no município de Aracaju/ tica, o Teste de Student Independente para comparação entre
SE, durante os meses de Maio e Junho de 2008, após aprovação duas médias, com significância para 95% de confiança.
do Comitê de Ética e Pesquisa. Foram selecionados 30 pacien-
tes portadores de obesidade (IMC > 25),de ambos os sexos com Resultados
idade entre 40 e 50 anos, onde todos tiveram peso, altura e pres-
são arterial mensurados. Os resultados obtidos no estudo demonstraram que não
O peso e a altura foram verificados utilizando-se uma houve relação significativa do IMC e da relação C/Q na pressão
balança antropométrica, onde os indivíduos encontravam-se arterial dos voluntários normotensos e hipertensos.
descalços e com roupas leves. Posteriormente foi realizado o Na tabela 2, referente à pressão arterial do grupo mascu-
cálculo do IMC e de acordo com os resultados obtidos os indi- lino verificou-se predomínio da hipertensão arterial entre os
víduos foram classificados em diferentes categorias. O IMC foi mesmos. Já na tabela 3, onde se encontram os dados do grupo
categorizado pela classificação da Organização Mundial da feminino, observou-se que metade da amostra apresentou hi-
Saúde que pode ser observada na tabela 1. pertensão arterial, enquanto a outra metade encontrava-se
normotensa.
TABELA 1 – Índice de massa corporal, de acordo com o peso Dos voluntários estudados, 18 encontravam-se hipertensos
e altura do indivíduo e 12 normotensos, como pode ser observado nas tabelas 2 e 3.

TABELA 2: Dados referentes à pressão arterial em indivíduos


masculinos.

TABELA 3: Dados referentes à pressão arterial em indivíduos


Para mensurar a pressão arterial foi usado um femininos.
esfigmomanômetro da marca MISSOURI e estetoscópio clíni-
co da mesma marca. A mensuração da pressão arterial foi reali-
zada por um único estudante de fisioterapia em todos os paci-
entes e o esfigmomanômetro encontrava-se calibrado para que
não houvesse erros ao mensurar a pressão arterial. Para evitar
variações acentuadas de pressão arterial, estas foram obtidas
após cinco minutos de repouso. Durante a aferição os indivídu-
os ficaram sentados com o braço repousado sobre uma superfí-
cie firme e a altura do coração. A pressão arterial foi mensurada
em ambos os braços por duas vezes com intervalo de um minu-
to cada, para maior fidelidade dos dados, sendo considerada a
pressão arterial do braço esquerdo. Foi definido como hipertenso
segundo os critérios estabelecidos pelas IV Diretrizes Brasilei-
ra de Hipertensão Arterial, o indivíduo que apresentou pressão
sistólica (PAS) e” 140 mmHg e/ou pressão diastólica (PAD) e”
90mmHg.
A relação cintura-quadril (C/Q) foi realizada medindo-se
a circunferência da cintura (na altura da cicatriz umbilical) e a As tabelas 4 e 5 demonstram os dados referentes ao índi-
circunferência do quadril (porção de maior perímetro da região ce de massa corporal, grau de obesidade e relação C/Q dos vo-
glútea), utilizando-se uma fita métrica, como descrito por luntários do sexo masculino e feminino respectivamente. Como
Monteiro (1998).Posteriormente dividiu-se a medida da circun- os entrevistados apresentaram IMC > 25, como determinado no
ferência da cintura em centímetros pela medida da circunferên- critério de inclusão, todos se encontravam com algum grau de
cia do quadril em centímetros.Onde o índice de corte para risco obesidade. Observa-se na tabela 4, que todos os 6 voluntários

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do sexo masculino foram classificados como andróide e dentre TABELA 6: Comparação do IMC dos voluntários hipertensos
os mesmos, 4 são hipertensos. Na tabela 5 referente ao sexo e normotensos
feminino, entre as 24 voluntárias estudadas, 18 foram classifi-
cadas como andróides, onde 8 encontravam-se hipertensas.

TABELA 4: Dados referentes ao IMC e relação C/Q em volun-


tários do sexo masculino
TABELA 7: Comparação da relação C/Q dos voluntários
hipertensos e normotensos

Quando pacientes hipertensos são comparados a indiví-


TABELA 5: Dados referentes ao IMC e relação C/Q em volun- duos normotensos, uma das maiores diferenças encontradas tem
tários do sexo feminino. sido um aumento na prevalência de obesidade. No estudo de
Framinghan, 70% dos casos de hipertensão em homens e 61%
nas mulheres foram atribuídos diretamente ao excesso de
adiposidade (SOUZA et al., 2003 ).
Han et al.,1996 demonstraram, em estudo transversal e
de base populacional, que a medida da cintura é capaz de iden-
tificar com alta acurácia indivíduos obesos. Estes autores iden-
tificaram que circunferências e” 94 cm em homens e e” 80 cm
em mulheres são capazes de identificar indivíduos com IMCe”
25 kg/ m² com uma sensibilidade e especificidade de 96%. Além
disto, verificaram uma associação significativa entre a medida
de cintura acima destes valores e a prevalência de hipertensão e
outros fatores de risco, tanto em homens quanto em mulheres.
De acordo com Monteiro (1998), a relação cintura/qua-
dril e a gordura visceral aumentam com a idade e são fatores
independentes do excesso de peso.
O gráfico 1 demonstra a relação entre a média da pressão
arterial e o IMC nos voluntários do sexo masculino e feminino.
Atualmente, têm-se, cada vê mais, relacionado à obesi-
dade visceral como a principal responsável pelas alterações Gráfico (Me F) – Média da pressão arterial e IMC.
metabólicas e hemodinâmicas encontradas nos obesos. A dis-
tribuição da gordura predominantemente visceral (andróide) leva
a um maior risco no desenvolvimento de hipertensão quando
comparada à distribuição periférica (ginóide) (GALVÃO et
al.,2002).
De acordo com Sharkey (1997), as pessoas com maior
acúmulo de gordura em torno dos órgãos viscerais aumentam o
risco de doenças cardíacas, devido às células de gorduras que
dificultam o bom funcionamento dos órgãos. Este autor desta-
ca, ainda, que a gordura visceral pode ser um risco pelo fato de
que a gordura armazenada em torno e nas vísceras tem um ca-
minho circulatório para o fígado, e, nessa região, as células de
gordura têm possibilidade de mandar ácido graxo livre direta-
mente para o fígado, podendo ser utilizados para sintetizar
colesterol adicional e elevar o risco de doença cardíaca.
Como conseqüência da obesidade central, existe maior
propensão para hipertensão arterial e hiperlipidemia, resultan- GRÁFICO 1: dados referentes à média da PA sistólica e
do em maior probabilidade de doença arterial coronária e aci- diastólica e sua relação com o IMC nos voluntários de ambos
dente vascular encefálico (OLIVEIRA; SILVA, 1999). os sexos.
Para comparação entre duas médias sendo essas,
normotensos e hipertensos foi utilizado à aplicação do Teste de Estima-se que um terço dos casos de hipertensão guarde
Student Independente, onde se obteve para o IMC e para rela- alguma relação com a obesidade e que obesos tenham três ve-
ção C/Q dos voluntários um p= 0, 1429 e p= 0, 0815 respecti- zes mais risco de desenvolver hipertensão Embora a associação
vamente, não existindo assim diferença significativa entre as de obesidade e hipertensão arterial seja amplamente reconheci-
médias do IMC e relação C/Q nos hipertensos e normotensos da, os mecanismos responsáveis pelas alterações pressóricas
(Dados apresentados na tabela 6 e 7). induzidas pelo aumento de peso ainda não estão completamen-

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te esclarecidos. Tentativas de explicar as elevações da pressão 2008.


arterial na obesidade apenas por fatores hemodinâmicos não GUS, M. MOREIRA, L.B. PIMENTEL, M.
foram convincentes, pois diferenças hemodinâmicas entre obe- GLEISENER, A.L.M. MORAES, R.S. FUCHS, F.D. Associa-
sos e não-obesos desaparecem quando os parâmetros são ajus- ção entre diferentes indicadores de obesidade e prevalência
tados para a superfície corporal (FERREIRA et al., 2000). de hipertensão arterial. (1998) Disponível em:<http://
www.scielo.br/pdf/abc/v70n2/3370.pdf>. Acesso em: 04 de abril
2008.
Conclusão HAN, T.S; VAN, L.E.M; SEIDELL, M.E.J; LEAN, M.E.J.
Concluímos, diante dos resultados obtidos, que o IMC e Waist circumference as a screening tool for cardiovascular
a relação cintura-quadril, não alteraram de forma significativa a risk factors: evaluation of receiver operating characteristics
pressão arterial dos voluntários estudados, devendo-se ser rea- (ROC). Obes Res 1996; 4: 533-47.
lizados mais estudos com um aumento da amostra, já que estu- MONEGO, E.; PEIXOTO, M.; JARDIM, P.; SOUSA, A.;
dos pregressos demonstram que o índice de massa corporal e a BRAGA, L.; MOURA, M. Diferentes Terapias no Tratamen-
relação cintura-quadril influenciam de forma significativa na to da Obesidade em Pacientes Hipertensos. (1996) Disponí-
pressão arterial. vel em: <http://publicacoes.cardiol.br/abc/1996/6606/
66060003.pdf> Acesso em: 29 de maio 2008.
MONTEIRO, J. Obesidade: diagnóstico, métodos e fun-
Referências damentos. In: HALPERN, Alfredo. Obesidade, São Paulo: Ed.
Lemos, p. 31-53, 1998.
FERREIRA, S. R. G; ZANELLA, M. T. Epidemiologia OLIVEIRA, J. J.; SILVA, S. R. A. Fatores de risco para
da Hipertensão Arterial Associada à Obesidade. (2000) Dis- doença arterial coronária. ARS CVRANDI, São Paulo, v. 32,
ponível em: <http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/7-2/ p. 29-40, 1999.
006.pdf> Acesso em: 29 de maio 2008. SHARKEY, B. J. Condicionamento físico e saúde. Por-
GALVÃO, R; JR, O. K. Hipertensão arterial no paci- to Alegre: Artmed, 1997.
ente obeso. (2002) Disponível em: <http:// SOUZA, L; NETO, C. G; CHALITA, F; REIS, A; BAS-
departamentos.cardiol.br/dha/revista/9-3/hipertensaoobeso.pdf> TOS, D; FILHO, J; SOUZA, T; CÔRTES, V. Prevalência de
Acesso em: 29 de maio 2008. Obesidade e Fatores de Risco Cardiovasculares em Cam-
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.R.P. Controle do peso cor- pos, Rio de Janeiro. (2003) Disponível em: <http://
poral. Londrina: Midiograf, 1998. www.scielo.br/pdf/abem/v47n6/a08v47n6.pdf> Acesso em: 29
GUIMARÃES, F.J.S.P.; PIRES N.; C.S. Características de maio 2008.
antropométricas e da composição corporal e suas relações World Health Organization. Obesity: preventing and
com doenças degenerativas (1998) Disponivel em: <http:// manging the global epidemic – report of a WHO consultation
www.upe.br/corporis2/artigo3html>. Acesso em: 29 de maio on obesity. Geneva: World Health Organization; 2000.

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Redução do Edema em Membros Inferiores através da Drenagem


Linfática Manual: Um Estudo de Caso
Reductionl of Edema in Lower Limbs using the Manual Lymphatic
Draining: A Case Study
Aline Martinelli Piccinin1, Pâmela Billig Mello2, Daiane Muller de Bem3,
Andressa Silva4, Patrícia Viana & Rosa5

Resumo Abstract
A nossa pele, tecido subcutâneo, as aponeuroses, os mús- Our skin, fabric subcutaneous, the aponeurosis, the
culos, os tendões, os ossos, as articulações, as cápsulas articu- muscles, the tendons, the bones, the joints, the joint’s capsules
lares e suas dependências ligamentares, os nervos e os próprios and our ligaments dependencies, the nerves e the vases are
vasos são objeto de uma cobertura linfática. Sendo assim, o object of a lymphatic covering. Being thus, the lymphatic system
sistema linfático percorre todo o nosso corpo e não pode ser cross all our body and can’t be ignored. Thus it is perceived the
ignorado. Desta forma percebe-se a importância da drenagem importance of the lymphatic draining, to keep youth, and to
linfática, quer para manter a juventude, quer para manter o sis- keep the immunity system active, as well as, to create welfare
tema imunitário ativo, assim como, para criar bem estar e and improve the health in all levels. This study of a case had the
melhorias de saúde a todos os níveis. Este estudo de caso teve objective of evaluate the therapeutic effects of the manual
como objetivo avaliar os efeitos terapêuticos da drenagem lin- lymphatic draining in the reduction of edema in the inferior
fática manual na redução do edema dos membros inferiores e members and was realized in the Dermatological and Functional
foi realizado na Clínica Dermato-funcional do Curso de Fisio- Clinical of the Physiotherapy Course in the Cruz Alta/RS’s
terapia da Universidade de Cruz Alta/RS. O sujeito de estudo é University. The citizen of study is a female, has 35 years old, is
do gênero feminino, tem 35 anos de idade, é fumante e pratica smoker and practice physical active regularly. It was realized
atividade física regularmente. Foram realizadas dez sessões de tem sessions of manual lymphatic draining, with a frequency of
drenagem linfática manual, com uma freqüência de duas vezes two times a week, and periodic reevaluations to verify the effects
por semana, e reavaliações periódicas para verificar-se os efei- of the treatment. We realize one evaluation before to began the
tos do tratamento proposto. Realizou-se uma avaliação antes treatment and other in each seven days. The results confirm the
do início do tratamento e uma reavaliação a cada 7 dias. Os benefices of manual lymphatic draining in the reabsorb of
resultados encontrados confirmaram os benefícios da drenagem interstitial liquid and consequent reabsorb of the residual edema.
linfática manual na reabsorção do líquido intersticial e conse- Already in the first evaluation we could perceive that the
qüente reabsorção do edema residual. Na primeira reavaliação measures of the thigh and umbilical scar showed a big difference.
já percebe-se que as medidas da coxa e da cicatriz umbilical Beyond of this differences, the edema diminished visible and
apresentaram uma diferença grande. Além das diferenças the patient told tha she had a relief sensation in the inferior
perimétricas, o edema diminuiu visivelmente e a paciente rela- members. So, we conclude, that the manual lymphatic draining
tou uma sensação de alívio nos membros inferiores. Conclui- is indicated and have good results in the treatment of edema in
se, então, que a drenagem linfática manual é indicada e apre- the inferior members.
senta bons resultados no tratamento de edema de membros in-
feriores. Key words:
Lymphatic system, edema, treatment, esthetics.
Palavras-chave:
Sistema Linfático, Edema, Tratamento, Estética.

Introdução prevê a prevenção, promoção e recuperação do indivíduo no


que se refere aos distúrbios endócrinos, metabólicos,
A Fisioterapia está inserida nas Ciências da Saúde, tendo dermatológicos, circulatórios e/ou musculoesqueléticos
como objetivo principal os aspectos funcionais do indivíduo, (GUIRRO & GUIRRO, 2002).
com uma ação que visa prolongar e promover a melhor quali- A drenagem linfática é uma técnica específica de massa-
dade de vida. A “Fisioterapia Dermato Funcional”, por sua vez gem, introduzida por Voder (Alemanha) e mais recentemente

1. Fisioterapeuta, mestranda em Docência Universitária (UTN/Argentina) e em Ciências 5. Professora da Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ), doutora em
do Movimento Humano (UFRGS). Gerontologia Biomédica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
2. Fisioterapeuta, mestre em Fisiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul do Sul (PUC/RS).
(UFRGS), doutoranda em Fisiologia pela UFRGS. Recebido: junho de 2009
3. Fisioterapeuta, Mestre em Bioengenharia (USP) Aceito: julho de 2009
4. Fisioterapeuta, Mestranda em Psicobiologia, Universidade Federal de São Paulo Autor para correspondência:
(UNIFESP) Email: aaline-martinelli@hotmail.com

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por Leduc (Bruxelas). Sua principal finalidade é esvaziar os sangüíneo. A circulação linfática é produzida por meio de con-
líquidos exsudados e os resíduos metabólicos por meio de ma- trações do sistema muscular ou de pulsações de artérias próxi-
nobras nas vias linfáticas e nos linfonodos (RIBEIRO, 1999). mas aos vasos linfáticos. O sistema linfático tem como função
A indicação e utilização da drenagem linfática manual reabsorver e encaminhar para a circulação tudo aquilo que o
(DLM) têm-se ampliado bastante nos últimos anos, com o prin- capilar não consegue recuperar do desequilíbrio entre a filtra-
cipal objetivo de redução do edema. Ela apresenta alguns efei- ção e a reabsorção. É seu papel transportar as células mortas, as
tos fisiológicos de grande importância como: auxiliar na filtra- células imunocompetentes, as partículas inorgânicas, as proteí-
ção e na reabsorção dos capilares sangüíneos na drenagem lin- nas, os lipídeos, as bactérias, os vírus, os produtos do
fática; auxiliar o fluxo de linfa para dentro dos capilares linfáti- catabolismo.
cos; facilitar o transporte da linfa; e, auxiliar no bombeamento Segundo Ferrandez, et al., (2001), a anatomia linfática é
e na quantidade de linfa processada nos linfonodos. composta por capilares linfáticos ou linfáticos iniciais, com sua
Conforme teorias de Ciucci et al. (2004), a DLM consis- função coletora e os capilares dispostos em forma de redes fe-
te em orientar o líquido do espaço intersticial para os centros de chadas, espalham-se por todo o corpo e dão origem para a se-
drenagem mediante manobras cinésicas especializadas deno- gunda estrutura linfática que são os vasos linfáticos. Eles pos-
minadas “drenagem linfática manual”, estimulando as corren- suem propriedades físicas de alongamento e contratilidade com
tes derivativas do setor afetado, ou seja, essa compressão exter- válvulas que permitem a passagem da linfa e impedem o seu
na gerada irá promover um diferencial de pressão entre as ex- refluxo. A última estrutura linfática são os gânglios ou linfonodos
tremidades podendo deslocar o fluído contido em um vaso lin- que estão localizados ao longo do trajeto dos linfáticos, com a
fático, promovendo uma redução da pressão no interior do vaso função de filtrar ou purificar a linfa gerando respostas
e, assim, facilitando a entrada do excesso de líquido contido no imunológicas.
interstício para o interior do mesmo por diferença de pressão Segundo Camargo (2000) e Ribeiro (2002) apud Santos
(GODOY et al, 2004). & Machado (2003), as vias linfáticas da pele e do tecido subcu-
Este estudo de caso teve como objetivo avaliar os efeitos tâneo não possuem uma direção de fluxo definida, isto é, esses
terapêuticos da drenagem linfática manual na redução do edema capilares não são valvulados como os coletores linfáticos de
dos membros inferiores. Justifica-se pela importância de pro- maior calibre. O sentido do fluxo linfático superficial, então,
ver ao fisioterapeuta uma técnica de fácil aplicação e baixo custo, depende de forças externas ao sistema linfático, como a drena-
sem necessidade de grande infra-estrutura ou equipamentos es- gem linfática manual, que aumenta a absorção da linfa.
pecíficos, porém com resultados efetivos; e, prover ao paciente A drenagem linfática manual impulsiona o líquido exce-
uma forma eficaz e com resultados em um curto período de dente do espaço intersticial para dentro dos capilares linfáticos.
tempo para o tratamento do edema. Tal fato acontece quando há pressão positiva e os filamentos de
Casley-Smith ou de proteção abrem as microválvulas endoteliais
da parede capilar. À medida que o vaso enche, as válvulas fe-
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA cham-se e a linfa flui (CAMARGO, 2000; RIBEIRO, 2002 apud
SANTOS & MACHADO, 2003).
Anatomia e Sistema Linfático
No corpo humano, além do sistema circulatório sangüíneo,
Drenagem Linfática Manual
temos o sistema linfático, formado por um conjunto de canais
que formam uma densa rede capilar por todo o organismo ten- Em 1892, Winiwarter, um professor de cirurgia austríaco
do seu ponto “início-fim” nos coletores pré e pós-linfáticos, os descobriu o primeiro método de drenagem linfática. Em 1936 o
gânglios linfáticos (BRUHNS et al., 1994). Dr. Vodder, um fisioterapeuta, adaptou um método inteligente
De acordo com Ferrandez et al., (2001) o sistema linfáti- chamado método de Drenagem Linfática, onde tratava grande
co está presente em todas as regiões dos membros. A pele, o parte dos seus pacientes que possuíam enfermidades infeccio-
tecido subcutâneo, as aponeuroses, os músculos, os tendões, os sas crônicas das vias respiratórias superiores, como sinusites,
ossos, as articulações, as cápsulas articulares e suas dependên- renites, gripes; manipulando gânglios linfáticos através de mo-
cias ligamentares, os nervos e os próprios vasos são objeto de vimentos circulares suaves, obtendo assim, melhora no estado
uma cobertura linfática. de saúde daqueles pacientes (CHAVES, 2003).
O sistema linfático consiste de um conjunto particular de Nos últimos anos de sua vida, Vodder cedeu a representa-
capilares, vasos coletores, troncos linfáticos e linfonodos que ção de seu método à escola de Walchsee na Áustria e ao profes-
servem como filtros do líquido coletado pelos vasos e pelos sor Foldi na Alemanha (CHAVES, 2003). Na década de 60,
órgãos linfóides que são encarregados de recolher, na intimida- Foldi, estudou as vias linfáticas da cabeça e suas relações com
de dos tecidos, o líquido intersticial e reconduzi-lo ao sistema o líquor cérebro espinhal (CHAVES, 2003).
vascular sangüíneo. Quando o líquido intersticial passa para A equipe do professor Foldi e sua esposa Ethel, na Ale-
dentro dos capilares recebe o nome de linfa, que apresenta uma manha, nos anos 70, começou a Terapia Complexa
composição semelhante ao plasma sangüíneo. A linfa difere do Descongestiva (TCD) após profunda pesquisa científica tera-
sangue justamente por não conter células sangüíneas. pêutica, destacando a Drenagem Linfática Manual como parte
A linfa absorvida nos capilares linfáticos é transportada fundamental desse tratamento, realizado em regime de
para os vasos pré-coletores e coletores, passa através de vários internamento hospitalar, utilizando também como parte do es-
linfonodos, sendo então filtrada e recolocada na circulação até quema exercícios linfomiocinéticos, drenagem postural, cuida-
atingir os vasos sangüíneos (GUIRRO & GUIRRO, 2002). dos com a pele e bandagem com ataduras de baixíssima elasti-
Para Bruhns et al., (1994) o sistema linfático não possui cidade (NASCIMENTO, 2004).
um elemento de bombeamento tal como o sistema circulatório Em 1977, os professores Albert Leduc e Oliver Leduc,

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adaptaram o método do professor Foldi e de Vodder, onde de- tema circulatório, sangüíneo e linfático, que são considerados
monstraram a ação da drenagem linfática manual através da efeitos primários. Os demais efeitos se manifestam na pele, na
radioscopia (LEDUC, 2000). musculatura e nos tecidos lesados com presença de dor (RI-
Em 1978, no Congresso Internacional da Associação para BEIRO, 1999).
Drenagem Linfática Manual, na Áustria, o professor Krahe com-
provou a eficácia da técnica de DLM em pacientes
mastectomizadas (GUELFI, 2003).
Metodologia
Atualmente a DLM é aplicada em vários países europeus,
como Áustria, Alemanha, França, Bélgica, Suíça e Itália, é uti-
Local de realização do estudo
lizada por profissionais da área da área médica, fisioterapêutica,
Este estudo foi realizado na Clínica de Fisioterapia, La-
odontológica, como também na área de estética (LOPES, 2002).
boratório de Fisioterapia Dermato-funcional do Curso de Fisi-
O sistema linfático assemelha-se ao sistema sangüíneo,
oterapia da Universidade de Cruz Alta/RS – UNICRUZ.
que está intimamente relacionado anatômica e funcionalmente
ao sistema linfático. Porém, existem diferenças entre os dois
sistemas, como a ausência de um órgão central bombeador no Sujeito do estudo
sistema linfático, além de ser histoângico, isto é Ao concordar em participar do estudo o sujeito assinou
microvasculotissular (GUIRRO & GUIRRO, 2002). um termo de consentimento que explicava o objetivo e justifi-
A ausência deste órgão central bombeador, que no siste- cava o estudo, além de esclarecer o anonimato do paciente. O
ma circulatório corresponde ao coração, é o que fundamenta a sujeito foi informado que a qualquer momento poderia desistir
necessidade da drenagem linfática, que utiliza forças externas de participar do estudo, por qualquer motivo.
para impulsionar os líquidos intersticiais. Esta técnica usada O sujeito deste estudo é do sexo feminino, tem 35 anos
para drenar e limpar macromoléculas e resíduos celulares que, de idade, é fumante e pratica atividade física regularmente, três
devido ao seu tamanho, não entram no sistema venoso, ficando, vezes por semana.
muitas das vezes, no organismo devido à má drenagem linfática A cerca de um ano antes do início do tratamento a pacien-
fisiológica. A acumulação destes resíduos acaba por criar pro- te realizou uma cirurgia da veia safena parva, e desde então,
blemas de várias ordens quer a nível muscular, quer articular, o vem apresentando dificuldade de retorno venoso e edemas re-
que se refletirá em todo o corpo e no bem estar geral. correntes em membros inferiores, sendo recomendada à drena-
A drenagem linfática manual faz uso de movimentos sua- gem linfática.
ves e cadenciados que levam ao relaxamento do corpo e abertu- Uma limitação do estudo foi a falta de controle da dieta e
ra dos capilares linfáticos e introdução das macromoléculas e prática de atividades físicas pela paciente. Solicitou-se que ela
resíduos celulares nestes capilares. Como é sabido são estas não alterasse sua rotina e não modificasse seus hábitos a fim de
macromoléculas e estes resíduos celulares os responsáveis pela minimizar possíveis interferências nos resultados deste estudo.
acumulação de água e de gordura, criando problemas
comumente relatados por pacientes que procuram auxílio, tais Procedimentos
como, pernas cansadas, celulite, dores musculares e articulares, Foi realizada uma avaliação perimétrica antes do início
entre outros. A drenagem linfática manual ativa os gânglios lin- do tratamento e uma reavaliação a cada 7 dias. Foram avalia-
fáticos e o seu trabalho, combatendo assim infecções e estimu- das, com fita métrica, a circunferência da coxa 5 e 10 cm acima
lando as defesas imunitárias, atuando na prevenção de infec- do joelho, do abdômen 5 cm acima e 5 cm abaixo da cicatriz
ções (RIBEIRO, 1999). umbilical e dos glúteos (LEITE, 1990).
Uma das grandes causas da pobre drenagem linfática na- Foram realizadas dez sessões de drenagem linfática ma-
tural do organismo deve-se à falta de exercício físico devido ao nual, duas vezes por semana.
sedentarismo da vida moderna e às tensões acumuladas ao lon- As manobras usadas na drenagem linfática seguem alguns
go do dia, às quais vão se acumulando com o tempo e impedin- princípios básicos, como com a evacuação (remoção) e a capta-
do a boa circulação sangüínea e linfática com todas as conseqü- ção (absorção) da linfa. O processo de evacuação tem como
ências que daí advém (RIBEIRO, 1999). objetivo auxiliar a remoção da linfa dos pré-coletores e coleto-
De acordo com Leduc (2000), a DLM é uma técnica que res linfáticos e desobstruir os pontos proximais. O processo de
drena os líquidos excedentes que banham as células, mantendo, evacuação é realizado em nível de capilares e gânglios linfáti-
desta forma, o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais. Ela é cos com o objetivo de desobstrução do fluxo linfático, essa
também responsável pela evacuação dos dejetos provenientes manobra é feita diretamente nos capilares e gânglios (GUIRRO
do metabolismo celular. A DLM possui inúmeras indicações, & GUIRRO, 2002).
sendo uma técnica capaz de remover o excesso de líquido da O processo de captação tem como objetivo auxiliar a ab-
substancia fundamental, promover a desintoxicação do tecido sorção de líquido intersticial excedente para dentro dos capila-
intersticial, melhorar a oxigenação e nutrição celular e propor- res linfático terminais e aumentar o fluxo em direção aos
cionar melhor circulação sangüínea venosa. Existem ainda ou- linfonodos regionais e em direção ao canal torácico e ao ducto
tras formas de drenagem linfática, com o auxílio de correntes linfático direito. Esta manobra é realizada diretamente na zona
elétricas ou ainda a pressoterapia. edemaciada com o objetivo de aumentar a absorção pelos capi-
Os efeitos fisiológicos da drenagem linfática que nos in- lares linfáticos e existem diversas técnicas que podem ser utili-
teressam estão ligados à filtração e reabsorção dos capilares; zadas. Na drenagem manual o terapeuta realiza todas as mano-
fluxo de linfa para dentro dos capilares linfáticos; velocidade bras com suas mãos, sendo o resultado alcançado de forma mais
de transporte da linfa; bombeamento causado por compressão rápida e eficaz que os demais tipos de drenagem (GUIRRO &
externa dos linfáticos; e, quantidade de linfa processada nos GUIRRO, 2002).
linfonodos; todos mecanismos fisiológicos relacionados ao sis- Conforme Guedes Neto (2003) é através de manobras que

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levamos a linfa de locais bloqueados para outros que não haja


bloqueio linfático. Executando a técnica de DLM corretamen- Conclusão
te, nós podemos estimular a abertura do linfático inicial e au-
mentar o volume do fluxo da linfa em até 20 vezes
Ao final do estudo, pode-se perceber que, pelo sistema
(KASSEROLER,1998).
linfático exercer o papel fundamental de manter o equilíbrio do
Se a drenagem for deficiente há um congestionamento e
líquido intersticial, através da remoção contínua de proteínas e
conseqüente acúmulo de líquidos. Uma pressão demasiadamente
de líquido excedente, a drenagem linfática é uma forma de tra-
forte pode obstruir os capilares chegando até mesmo a danificá-
tamento eficaz para a redução de edema, com resultados visí-
los, principalmente os capilares linfáticos, pela sua estrutura
veis e em um curto período de tempo, podendo ser usada em
frágil (CASSAR, 2001).
edemas de variadas etiologias (pós-operatórios diversos, lesões
traumáticas, etc.).
Análise dos resultados Os resultados encontrados confirmam os benefícios da
Os valores de perimetria de antes e depois o tratamento drenagem linfática manual na reabsorção do líquido intersticial
foram comparados utilizando o programa GraphPadPrim 4. Foi e conseqüente reabsorção do edema residual. Verificamos di-
feita uma média dos valores da perimetria antes, durante e de- minuição do edema de membros inferiores através da
pois do tratamento com DLM e estas foram comparadas utili- mensuração da perimetria. Houve diminuição estatisticamente
zando uma Análise de Variância (ANOVA) de uma via, com significativa da média das medidas perimétricas entre a primei-
post-hoc de comparações múltiplas de Tukey, considerando p > ra e a segunda e terceira avaliações.
ou = 0,05. Percebemos que, após 7 dias do início do tratamento (com
aplicação de duas sessões de DLM) já houve uma grande dimi-
Resultados nuição no edema de membros inferiores. Com a continuação do
tratamento esta diferença não aumentou, mas se manteve, de
A partir das medidas realizadas antes do tratamento e forma que não houve nova formação de edema. Ou seja, a DLM
durante e após este, pode-se perceber grandes diferenças na teve efeitos rápidos e duradouros diante da manutenção do tra-
perimetria da paciente (Tabela 1). tamento.
Qualquer fator capaz de gerar aumento suficiente da pres-
Tabela 1 - Medidas perimétricas antes (1), durante (2) e são do líquido intersticial acima dos limites fisiológicos impe-
após o tratamento (tto – 3) dirá os mecanismos linfáticos de compensação, levando ao apa-
recimento de edema. Por causa desses fatores o tratamento dos
edemas principalmente de membros inferiores torna-se uma das
reeducações vasculares mais freqüentes na prática cotidiana,
seja em domicílio, em consultórios ou em hospitais, a fim de
auxiliar no retorno venoso e diminuir a sobrecarga nos
linfonodos.
A DLM, para ser efetiva, deve sempre ser realizada por
fisioterapeuta habilitado em linfoterapia, que conheça bem a
Na primeira reavaliação (Tabela 1 – durante o tratamen- anatomia, fisiologia e patologias linfáticas e que saiba aplicar
to) já se percebeu que as medidas da coxa (5 cm e 10 cm acima com segurança todos os componentes da técnica (MARX &
do joelho) e da cicatriz umbilical (5 cm acima e 5 cm abaixo) CAMARGO, 2000).
apresentaram uma diferença grande. Na coxa direita, em ape-
nas uma semana de tratamento o edema diminuiu 5 cm logo
acima do joelho e 8 cm mais acima e na coxa esquerda dimi-
Bibliografia
nuiu 4,5 cm e 8 cm respectivamente. No mesmo tempo o edema BERGMANN, A. Prevalência de linfedema subseqüente
da região umbilical diminuiu 2,5 cm acima do umbigo e 1 cm a tratamento cirúrgico para câncer de mama. Mestrado em Ci-
abaixo deste; e, o edema da região glútea diminuiu 0,5 cm. ências da Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública. Disponí-
Ao final do tratamento (avaliação 3) pode-se perceber o vel em http://www.fisiobrasil.com.br/ed73/materias. Acesso em
aumento da diferença da perimetria na região do umbigo, que 02 abril de 2006.
diminuiu 6,5 cm. BRUHNS, F.B.; RUZENE, A.C.S.; SIMÕES, N.V.N.
Ao analisar as médias da perimetria antes, durante e após Vacuoterapia - Aplicações e Efeitos em Terapia e Estética.
o tratamento com a DLM verifica-se que há uma diferença esta- Monografia do curso de Fisioterapia da Universidade Federal
tisticamente significante (p > ou = 0,05) entre a primeira avali- de São Carlos, 1994.
ação e as demais (segunda, durante o tratamento e terceira, após CASSAR, M.P. Manual de Massagem Terapêutica. São
o tratamento). Porém, quando comparamos as médias entre a Paulo: Manole, 2001.
segunda e a terceira avaliação não encontramos diferenças es- CHAVES, M.F.T. Drenagem Linfática Facial. Revista
tatisticamente significantes. Personalité, n.26, p.20-26, dez./jan. 2003.
Além das diferenças perimétricas, o edema também di- DAVIES, A.; BLAKELEY, A.G.H.; KIDD, C. Fisiologia
minuiu visivelmente e a paciente relatou alívio da dor e da sen- Humana. 1° ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.
sação de peso nos membros inferiores. FERRANDEZ, J.C; THEYS, S.; BOUCHET, J.Y. Ree-
ducação Vascular Edemas dos Membros Inferiores. 1ª ed.,
São Paulo: Manole, 2001.
GODOY, J.M.P.; et al. Drenagem linfática manual: novo

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conceito. Disponível em http://www.jvascbr.com.br/04-03-01/04- HERPERTZ, U. Edema e drenagem linfática – Diag-


03-01-77/04-03-01-77.pdf. Acesso em 14 de junho de 2008. nóstico e terapia do edema. 2ed. 2006.
GUEDES NETO, H.J. Tratamento fisioterápico do EDUC, A.; LEDUC, O. Drenagem Linfática: teoria e
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GUELFI, M.A.C.; SIMÕES, N.D.P. Estudo comparativo ca. Blumenau: Odorizzi, 2002.
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ca eletrônica e grupo controle no volume de micção. Tese do no Câncer de Mama. São Paulo: Roca, 2000.
Curso de Pós-Graduação em Fisioterapia Dermato-Funcional- RIBEIRO, D.R. Drenagem Linfática Manual Corpo-
IBRATE, 2002. ral. São Paulo: Senac, 1999.
GUELFI, M. Estudo Comparativo dos resultados de dre- SANTOS, P.C.S; MACHADO, M.I.M. A Drenagem Lin-
nagem linfática eletrônica na diurese de mulheres na faixa etária fática Manual e a Laserterapia de Baixa Intensidade (He-Ne)
entre 35 e 40 anos. Monografia de Conclusão de curso de Pós no pós-operatório de Mamasplatia Redutora Estética. Revis-
Graduação em Fisioterapia Dermato Funcional do Ibrate - 2003. ta Brasileira de Fisioterapia Dermato-Funcional. Rio de
GUIRRO, E. GUIRRO, R. Fisioterapia em Estética, fun- Janeiro: Vida Estética, vol.1, nº 10, p. 100 – 106, 2003.
damentos, recursos e patologias. 3º ed., São Paulo: Manole,
2002.

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O Papel do Fisioterapeuta no Programa Saúde da Família


The purpose of the Physiotherapist in the Family Health Program

Maria Alice de Lima Albuquerque1, Valéria Conceição Passos de Carvalho2

Resumo Abstract
O Programa Saúde da Família foi criado pelo Ministério The Family Health Program was established by the
da Saúde como estratégia de estruturação da atenção primária à Ministry of Health as a strategy to structure the primary health
saúde e vem tendo uma grande repercussão social na qualidade care and is having a major impact on the social quality of life,
de vida da população, bem como no funcionamento eficaz do as well as the efficient operation of the SUS. The municipality
SUS. O município de Lagoa do Itaenga-PE adota desde 2000 o of Lagoa do Itaenga-PE adopts the FHP since 2000 as a strategy
PSF como estratégia de organização dos serviços de saúde. Este for the organization of health services. This study aims to
estudo tem como objetivo demonstrar a necessidade, assim como demonstrate the need and the benefits of integration of the
os benefícios da inserção do fisioterapeuta no PSF deste muni- physical therapist in this city PSF. Type of ecological study,
cípio. Estudo do tipo ecológico, realizado através do levanta- carried out by survey data in 9 units of the PSF in the period
mento de dados nas 9 unidades do PSF no período de 2003 a 2003 to 2005. Results showed that the number of families served
2005. Nos resultados observou-se que o número de famílias by ACS's was 5759. Of total persons in need of physical care,
atendidas pelos ACS’s foi de 5.759. Do total de pessoas que only 10.6% are in the physiotherapy clinic of SUS. According
necessitam de atendimento fisioterapêutico, apenas 10,6% fa- to the SIAB, in 2005, 4.7% of the population and 0.98% are
zem fisioterapia no ambulatório do SUS. De acordo com o SIAB, hypertensive diabetics. According to information collected in
em 2005, 4,7% da população estudada são hipertensos e 0,98% the clinic for physical therapy in 2005, 38% of the care provided
diabéticos. Segundo informações colhidas no ambulatório de was driven by changes and 35.5% for sensory changes. The
fisioterapia, em 2005, 38% dos atendimentos realizados foi por results indicate the importance of inclusion of physiotherapist
alterações motoras e 35,5% por alterações sensitivas. Os resul- in PSF, contributing to the promotion, prevention, accessibility,
tados apontam para a importância da inclusão do fisioterapeuta recovery and rehabilitation, and improving the quality of life
neste PSF, contribuindo para a promoção, prevenção, acessibi- attended.
lidade, recuperação e reabilitação, além da melhoria da quali-
dade de vida da população atendida. Keywords: Physiotherapy, The Family Health Program,
Public Health.
Palavras-chave:
Fisioterapia, Programa de Saúde da Família, Saúde Pública.
Key words:
Physiotherapy, The Family Health Program, Public Health.

Introdução munitários de saúde (ACS). Cada equipe do PSF tem cerca de


quatro a seis ACS e este número varia de acordo com o tama-
O Programa Saúde da Família (PSF) foi criado pelo Mi- nho do grupo sob a responsabilidade da equipe, numa propor-
nistério da Saúde como estratégia de estruturação da atenção ção média de um agente para 575 pessoas acompanhadas
primária à saúde e vem tendo uma grande repercussão social na (JÚNIOR, 2003). De acordo com a Portaria GM/Nº. 157, de 19
qualidade de vida da população, bem como no funcionamento de fevereiro de 1998, cada Equipe de Saúde da Família (ESF) é
eficaz do SUS (VÉRAS, 2002). responsável por no mínimo 2.400 e no máximo 4.500 pessoas,
Em janeiro de 1994, foram formadas as primeiras equi- tendo como média 3.450 pessoas (FELIPE, 2006).
pes de Saúde da Família onde o atendimento é prestado, na Um dos pontos culminantes do PSF é a busca ativa de
unidade básica de saúde ou no domicílio, pelos profissionais uma equipe que visita as pessoas em suas residências, obser-
médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes co- vando a realidade de cada família, podendo assim evitar futuras

1. Fisioterapeuta, Coordenadora da Atenção Básica de Lagoa de Itaenga/Pernambuco; Recebido: junho de 2009


Aceito: julho de 2009
2. Professora Titular da Universidade Católica de Pernambuco e da Faculdade Integrada Autor para correspondência:
do Recife, Mestre em Saúde Coletiva. Email: malima60@hotmail.com

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doenças, além da cura dos já instalados, e fazendo orientações Mesorregião Mata e na Microrregião Mata Setentrional do Es-
para uma vida saudável (MOREIRA, 2006). O monitoramento tado de Pernambuco, a 72 km de Recife e conta com uma área
e avaliação das atividades do PSF são feitos através do SIAB de 61,7 km2 (BELTRÃO, 2006). A população residente é de
(Sistema de Informação da Atenção Básica) que deve alimentar 22.878 habitantes (DATASUS, 2006) e adota desde 2000 o Pro-
os seguintes dados obrigatórios: cadastro das equipes de saúde grama Saúde da Família como estratégia de organização dos
da família e cadastro das famílias acompanhadas pelas ESF, serviços de saúde.
além de auxiliar o acompanhamento e avaliação das atividades A cidade possui 9 equipes, distribuídas em 9 Unidades
realizadas pelos ACS, agregando e processando os dados Básicas de Saúde. As equipes são compostas de médico, enfer-
advindos das visitas domiciliares, bem como do atendimento meiro e agentes comunitários de saúde. Possui, porém, cinco
médico e de enfermagem realizado na unidade de saúde e nos odontólogos distribuídos em cinco unidades de saúde. A rede
domicílios (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000;. ORIOLI, 2006). de assistência à saúde é realizada através de um hospital públi-
Estima-se, segundo dados oficiais que, funcionando ade- co, uma policlínica e um centro de reabilitação do SUS e das 9
quadamente, as unidades básicas do programa são capazes de unidades de saúde da família (7 localizados na zona urbana e 2
resolver 85% (estimativa idealista, sem levar em consideração na zona rural). A maioria da população que precisa de atendi-
a qualidade da assistência e as verdadeiras necessidades da co- mento fisioterapêutico apresenta dificuldades de locomoção para
munidade em questão) dos problemas de saúde em sua comuni- chegar ao ambulatório de fisioterapia, pois o município só dis-
dade, prestando um atendimento de bom nível, prevenindo do- põe de cinco ambulâncias para servir a toda população.
enças, evitando internações desnecessárias e melhorando a qua- Partindo deste princípio, esta pesquisa teve como objeti-
lidade de vida da população (JÚNIOR, 2003). vo demonstrar a necessidade, assim como os benefícios da in-
Desde a sua criação até os dias atuais, observa-se que o serção do fisioterapeuta no PSF de Lagoa do Itaenga.
programa evoluiu bastante em vários aspectos como: expan-
são, adesão da comunidade, produção científica, surgimento de
novas estratégias para os antigos problemas da comunidade e
Materiais e métodos
mudanças nas práticas dos profissionais atuantes. Neste con-
texto, começou a ocorrer no Brasil, em diferentes regiões, a Estudo do tipo ecológico e descritivo, onde foi feito um
inserção do fisioterapeuta no campo de atenção primária ou levantamento quantitativo diretamente nas 9 unidades do PSF
mesmo dentro do Programa de Saúde da Família. Neste novo através dos 42 agentes de saúde, rastreamento das principais
paradigma, o fisioterapeuta passa a contribuir para uma melhoria patologias que acometem a população do Município de Lagoa
nas ações de atenção à saúde nos diferentes níveis de complexi- do Itaenga-PE através do Sistema de Informação de Atenção
dade. Procura otimizar, principalmente, o acesso e a Básica (SIAB) e no ambulatório de fisioterapia, para isso foi
integralidade definidos pelo SUS às demandas básicas atendi- coletado o número de pessoas residentes que são atendidas com
das pelas unidades de saúde (VÉRAS, 2002 apud VÉRAS, alterações motoras e sensitivas no período compreendido entre
2005). 2003 e 2005.
A inserção do fisioterapeuta nos serviços de atenção pri- Os dados coletados representaram um rastreamento acer-
mária à saúde é um processo em construção, associado, princi- ca das principais patologias que acometem a população, o nú-
palmente à criação da profissão, rotulando o fisioterapeuta como mero de famílias atendidas, de pessoas acamadas, seqüeladas
reabilitador, voltando-se apenas no tratamento da doença e suas de AVC, com deficiência física, debilitadas e a utilização do
seqüelas. Essa conceitualização, durante muito tempo, excluiu ambulatório de fisioterapia no município.
da rede básica os serviços de fisioterapia, acarretando uma gran- À medida que os dados eram coletados, eles eram arma-
de dificuldade de acesso da população a esse serviço e impe- zenados em bancos de dados pré-codificados no Excel versão
dindo o profissional de atuar na atenção primária (RIBEIRO, 2003, e a fim de prevenir eventuais erros, os mesmos eram con-
2002). firmados caso a caso, individualmente. Todos os dados foram
Apesar de ser visto como “o profissional da reabilitação”, avaliados e checados na sua consistência, sendo feita uma aná-
ou seja, aquele que atua exclusivamente no momento em que a lise descritiva dos mesmos.
doença, a lesão ou a disfunção já está estabelecida, o fisiotera- Para a análise dos resultados, foi obtida a freqüência das
peuta é um membro da saúde com sólida formação científica, variáveis categóricas e os valores médios das variáveis contí-
que atua desenvolvendo ações de prevenção, avaliação, trata- nuas, com seus respectivos desvios-padrões.
mento e reabilitação, usando nessas ações programas de orien-
tações e promoção de saúde (DELIBERATO, 2002).
Experiências isoladas em algumas regiões brasileiras Resultados e discussão
mostram que a inserção da fisioterapia no Programa de Saúde
da Família enriquece e desenvolve ainda mais os cuidados de
saúde da população (BARROS, 2002). Em Lagoa de Itaenga, a assistência à saúde é realizada
Destaca-se assim a importância da atuação do fisiotera- através de um hospital público, uma policlínica e um centro de
peuta como agente de saúde, a exemplo do Nordeste brasileiro, reabilitação do SUS e das 9 unidades de saúde da família (7
no município de Quixadá e Sobral (CE) (MENEZES, 2001). localizados na zona urbana e 2 na zona rural). O percentual de
Igualmente marcante ocorre no estado de Minas Gerais, com o famílias atendidas pelas 9 unidades de PSF’s é de 5.759 e va-
programa de internato rural com a mesma preocupação social e riou de 7,4% até 15,2%, sendo os menores percentuais
exemplos como os de Campos de Goytacazes, Macaé, registrados em Cambôa (7,4%) e Quatis (8,0%) e o maior em
Paracambi, no estado do Rio de Janeiro (FELÍCIO, 2005). Salina (15,2%) (tabela 1).
O município de Lagoa do Itaenga localiza-se na Segundo o último dado disponível no DATASUS, em fe-
vereiro de 2007, o número de famílias existentes em Lagoa do

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Itaenga é de 5.694. Neste caso, o número de famílias atendidas físicos que muitas patologias trazem como também os limites
informadas pelos agentes é maior do que no número registrado arquitetônicos encontrados nas comunidades. Além disso, há as
no banco de dados. Este fato pode estar ocorrendo devido à condições sócio-econômicas, que em sua maioria são precárias
desatualização do banco de dados e/ou a falta de informação do até mesmo para gastos com transportes (ARRUDA, 2007). O
número correto de famílias atendidas por parte dos agentes de que retrata a realidade dos dados encontrados nesta pesquisa,
saúde. onde existe uma demanda efetiva para a fisioterapia e uma co-
No estudo de Silva (2005), realizado em 9 municípios de bertura aquém desta demanda.
São Paulo, foi visto que em praticamente todas as equipes de A fisioterapia poderia junto à equipe atuar de forma a
saúde da família estudadas, a supervisão do preenchimento das realizar atendimentos domiciliares nestes pacientes portadores
fichas e relatórios era feita de maneira informal, ocorrendo oca- de enfermidades, acamados ou impossibilitados, e desenvolver
sionalmente durante a conclusão dos relatórios do SIAB a se- atividades para que os pacientes consigam realizar as AVD’s
rem enviados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realiza- (Atividades da Vida Diária) de forma independente, melhoran-
do no final de cada mês. A falta de supervisão e controle da do sua qualidade de vida e prevenindo mais complicações (PI-
qualidade dos dados, produzidos pelas equipes do PSF, com- NHEIRO, 2003 apud FERREIRA, 2005).
promete sobremaneira a própria confiabilidade das informações O atendimento fisioterapêutico domiciliar proporciona um
geradas (MORAES, 1994). melhor relacionamento com o paciente e a família, além de per-
O Manual de Orientações para o Pacto de Indicadores da mitir ao profissional um melhor conhecimento acerca das con-
Atenção Básica em 2006 relata que as bases de dados do dições sócio-econômico-sanitárias da família (MORAES, 2001),
cadastramento familiar do SIAB apresentam variações de co- e a partir daí proceder aos encaminhamentos e orientações per-
bertura entre as Unidades da Federação. Em alguns estados, tinentes a cada caso (RAGASSON, 2007).
devido ao atraso na etapa de informatização do cadastramento, Através do Sistema de Informação de Atenção Básica
o total de famílias cadastradas não corresponde ao total de fa- (SIAB), foi observado que as patologias mais freqüentes no
mílias cobertas pelas ações das equipes de saúde da família. município de Lagoa do Itaenga são a Hipertensão Arterial e a
Tabela 1 – Relação entre 9 unidades de PSF’s com o nú- Diabetes Mellitos. Na Tabela 3, apresentam-se os percentuais
mero de agentes de saúde e o percentual do número de famílias de pacientes hipertensos e diabéticos entre o ano de 2003 a 2005.
atendidas por PSF. Tabela 3 – Percentuais de pacientes hipertensos e diabé-
ticos entre o ano de 2003 a 2005.

As condições crônicas não transmissíveis representam


atualmente a principal causa de mortalidade e incapacidade em
todo mundo, principalmente em relação ao diabetes, hiperten-
são e suas complicações cardiovasculares (MATTOS, 2007).
Estas mudanças no perfil epidemiológico da população se de-
Com relação ao número de pessoas com lesões crônicas vem, principalmente, ao aumento da expectativa média de vida
em Lagoa de Itaenga, observou-se que a maior parte delas 38% da população (RAGASSON, 2007).
(n= 115) apresenta alguma deficiência, por outro lado, os paci- O município de Lagoa do Itaenga, que tem uma popula-
entes que mais recebem atenção fisioterapêutica são os ção de 22.464 habitantes, cerca de 4,7% apresentam Hiperten-
sequelados de AVC, 26,7% (n=16). Outro dado importante re- são Arterial Sistêmica (HAS), uma porcentagem baixa se com-
vela-se pelo fato de que 302 pessoas necessitam de fisioterapia parada aos dados do Ministério da Saúde o qual estima que no
de acordo com os agentes e apenas 32, ou seja, 10,6% fazem Brasil, 30% da população é hipertensa e esse índice sobe para
fisioterapia no ambulatório do SUS (tabela 2). 50% entre pessoas com mais de 65 anos. Ainda segundo o Mi-
Tabela 2 – Distribuição do número de pessoas com lesão nistério da Saúde, cerca de 15 milhões de hipertensos ignoram
em Lagoa do Itaenga-PE de acordo com os agentes de saúde. sua condição e apenas 7 milhões estão se tratando (MARQUES,
2006). Em Pernambuco, de acordo com a Secretaria Estadual
de Saúde, 764 mil pessoas acima de 40 anos sofrem de pressão
alta (ARAGÃO, 2007).
Segundo um estudo realizado por Silva (2005), em 9
municípios de São Paulo, a ficha de acompanhamento dos
hipertensos (ficha B-HA) do SIAB, de acordo os ACS, é um
dos campos que gera dúvidas e foi classificado de pouca
Dados semelhantes podem ser encontrados no estudo re- confiabilidade, visto que segundo o Conselho Regional de En-
alizado por Moreira (2006), na comunidade de Nova Viçosa, fermagem do Estado de São Paulo, aos ACS não é permitido
onde se observou uma prevalência entre a população pesquisada aferir a pressão arterial e também pela dificuldade dos pacien-
de amputações e de deficientes físicos, sendo detectada tam- tes em lembrar o último valor da pressão arterial aferido.
bém uma dificuldade extrema de locomoção destes até os cen- Grande parte dos hipertensos desconhece sua condição e,
tros reabilitativos localizados no centro da cidade de Viçosa. dos que conhecem, apenas cerca de 30% apresentam um con-
A inserção do fisioterapeuta na atenção básica à saúde trole adequado (OLMOS, 2002). “Como não há cura para a
torna-se importante devido à grande demanda de pessoas que doença, a detecção e o controle adequado são um dos grandes
precisam do serviço, mas que são impossibilitadas pelos limites desafios para a nossa saúde pública”. De acordo com as V Di-

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retrizes brasileiras de Hipertensão Arterial, as atividades e exer- de vida do paciente, promovendo o maior grau possível de in-
cícios físicos auxiliam na prevenção primária da hipertensão dependência funcional; evitar e/ou minimizar complicações
arterial (SANTOS, 2006). agudas e crônicas; favorecer a queima de glicose pelos múscu-
Segundo Moreira (2006), a fisioterapia, atuando junto à los, normalizando ou adequando os níveis de glicose no sangue
equipe multidisciplinar, atua na promoção da saúde, ou seja, e favorecer a redução de triglicérides e colesterol, além de evi-
age para que a população adoeça o menos possível. tar a aterosclerose pelo aumento do fluxo sanguíneo, principal-
Campanhas educativas à 3ª idade, palestras e programas mente dos membros inferiores, reduzindo o risco de problemas
com o “Agita Saúde”, concedido pelo Ministério da Saúde, tem cardiovasculares (DELIBERATO, 2002, p.86).
como estratégia a promoção de estilos saudáveis de vida, favo- Na Tabela 4, apresenta-se o número de atendimentos rea-
recendo também o controle e a prevenção de doenças crônicas, lizados no ambulatório de fisioterapia do SUS. Nesta tabela,
de modo a oferecer sustentabilidade e maior efetividade às ini- verifica-se que o número de atendimentos com alterações
ciativas municipais para o controle da hipertensão e do diabe- motoras foi de 38% e o de alterações sensitivas de 35,5% em
tes, entre outras. 2005.
Em Jaguariúna, São Paulo, alunos e professores do curso Tabela 4 - Avaliação do número total de atendimentos no
de Fisioterapia da Faculdade Jaguariúna (FAJ) deram início às ambulatório de fisioterapia do SUS de Lagoa de Itaenga-PE e
atividades de um programa denominado “Fisio Agita”, na área com alterações motoras e alterações sensitivas por ano
de fisioterapia preventiva, envolvendo exercícios físicos e pa- pesquisado.
lestras sobre a prevenção de doenças como hipertensão arterial
sistêmica, osteoporose, diabetes e apresentações sobre a atua-
ção da fisioterapia nestas enfermidades. “Além da informação
teórica, serão realizados exercícios e atividades com os partici-
pantes, com o intuito de incentivar a prática física e orientar
sobre os efeitos preventivos da fisioterapia na manutenção da
saúde da população”, explica a professora da disciplina Fisio-
terapia em Saúde Comunitária – Camila Isabel da Silva Santos. De acordo com Felício (2005), os pacientes que recebi-
Os eventos são realizados gratuitamente em praças públicas, am atendimento fisioterapêutico domiciliar na equipe de “home
parques do município e na própria sede da Interclínicas – FAJ care” através do Instituto da Previdência do Município (IPM)
(WESTIN, 2007). em Serrinha, na visão do cuidador, apresentavam condições clí-
Em um bairro da periferia na cidade de Foz do Iguaçu/ nicas mais favoráveis, principalmente em relação à dor e à
PR existe também um programa denominado “Caminhada da parestesia, que são alterações comumente encontradas nos pa-
Saúde” que tem como objetivo a prevenção e melhoria da qua- cientes neurológicos crônicos, decorrentes dos períodos de imo-
lidade de vida da população. O programa é coordenado pelo bilização e diminuição das atividades da vida diária destes pa-
fisioterapeuta da Unidade de Saúde e conta com o apoio de cientes.
outros profissionais. Alguns resultados esperados e observados Em outro estudo realizado por Véras (2005), no PSF de
foram: a normalização dos níveis pressóricos (principalmente Sobral - Ceará, segundo a população estudada, após a inserção
dos hipertensos), melhoria da qualidade de vida, do condicio- da fisioterapia no PSF, houve dentre outras, uma melhora de
namento físico e mental, facilidade do acesso às informações 38% dos usuários da capacidade de realizar movimentos e 26%
em saúde, diminuição na busca pelos serviços de saúde e maior afirmou ter havido redução na intensidade da dor.
adesão da comunidade à prática de atividades físicas (ROCHA, Atualmente, observa-se um envelhecimento da popula-
2004). ção que favorece o incremento de patologias crônicas
Foram constatados também que 0,98% desta população degenerativas. Esse fato é retratado no aumento de pacientes
são diabéticos. O tratamento do paciente diabético é feito por nos ambulatórios de fisioterapia, o que poderia ser melhor tra-
um conjunto de ações que envolvem uma tríade construída por: balhado através da descentralização do atendimento. No estu-
dieta, medicação e exercícios regulares (DELIBERATO, 2002, do de Brasil (2005), realizados com os fisioterapeutas integran-
p.86). tes do PSF em Sobral - CE observou-se que 67% das atividades
Da mesma forma que na Hipertensão Arterial, o paciente realizadas por eles estão relacionadas à promoção da saúde,
diabético é beneficiado pela prática de exercício físico regular prevenção de doenças ou estão sendo realizadas de maneiras
porque a prática desse equilibra a glicemia sangüínea. Estudos coletivas; enquanto que 24% estão relacionadas ao modelo in-
ampararam o conceito de que o melhor controle da glicemia dividual e curativo. Isto nos mostra que o fisioterapeuta está
desempenha papel chave na redução das complicações da dia- realizando um percentual maior de ações coletivas e promoto-
betes a longo prazo (SILVA, 2002 apud HAAS, 2003). ras de saúde, que são as prioridades da estratégia da saúde da
De acordo com Fernandes (2002), cabe aos profissionais família.
fisioterapeutas a contribuição para transformações na saúde de
pacientes diabéticos, disponibilizando com criatividade, ações
preventivas e reabilitadoras. Estas ações trazem significativas Conclusão
mudanças para a população, pois geralmente o paciente diabé-
tico é encaminhado ao serviço de fisioterapia para tratamento
A implementação da portaria n° 1.065, de 4 de julho de
somente quando tem uma complicação crônica instalada (aci-
2005 do Ministério da Saúde, que cria os núcleos de atenção
dente vascular cerebral, amputação, úlcera plantar, etc.).
integral na Saúde da Família, com a finalidade de ampliar a
Os objetivos da fisioterapia preventiva aplicada ao paci-
integralidade e a resolubilidade da Atenção à Saúde, torna possí-
ente com diabetes mellitos são: melhorar as condições gerais
vel a inclusão do fisioterapeuta e de outros profissionais de saúde

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nas equipes do PSF dos municípios brasileiros (SOUZA, 2006). ponsabilidade social na abordagem e prevenção das doenças crô-
Tendo em vista que a presença do fisioterapeuta no PSF se nicas: a experiência de um grupo de estudantes da área da saúde
torna relevante na medida em que contribui para a promoção, no município de rincão – SP. Universidade de Ribeirão Preto –
prevenção, recuperação e reabilitação da população, concluímos UNAERP. Disponível em: < http://www.saudebrasilnet.com.br/
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MATTOS, A.T.R.; AGUIAR, A.H.; FILHO, L.A.D. Res- em: 20 mai. 2007.

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Estudo de Caso: Os Benefícios da Equoterapia no


Desenvolvimento Motor em uma Criança Portadora de Síndrome
de Down.
Case Study: The Benefits of the Equoterapia in the Motor Development in
a Carryng Child of Syndrome of Down.
Paty Aparecida Pereira1, Danielle Fabiola Leandro1

Resumo Abstract
O portador de síndrome de down apresenta uma série de The carrier of syndrome of down presents a series of
características físicas e mentais, tais como hipotonia muscular, physical and mental characteristics, such as hipotonia muscu-
frouxidão ligamentar, baixa estatura, aumento do peso corporal lar, looseness to ligamentar, low stature, increase of the corpo-
e retardo mental. A equoterapia é um método terapêutico base- ral weight and mental retardation. The equoterapia is a based
ado na prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação, therapeutical method in practical of eqüestres activities and the
que utiliza o cavalo como instrumento de trabalho. O presente techniques of riding, that uses the horse as work instrument.
estudo teve por objetivo verificar os benefícios da equoterapia The practitioner is leading to follow the movements of the horse,
nos principais atrasos do desenvolvimento motor. Foi realizado being had to keep the balance and the motor coordination to all
um estudo de caso, no período de junho a agosto de 2008, com put into motion the body inside of its limits. The present study
um paciente do sexo masculino, com 5 anos de idade, portador it had for objective to verify the benefits of the equoterapia in
de síndrome de down, no CTG “Os Vaqueanos”, Papanduva, the main delays of the motor development. A case study was
SC. O paciente foi submetido ao protocolo de tratamento duas carried through, in the period of June the August of 2008, with
vezes semanais, que constava de exercícios para equilíbrio, a patient of the masculine sex, with 5 years of age, carrier of
coordenação motora e força muscular. O paciente foi avaliado syndrome of down, in the CTG “the Vaqueanos”, Papanduva,
pré e pós tratamento. Como resultado obteve-se melhoras sig- SC. The patient was submitted to the treatment protocol two
nificativa no equilíbrio estático e dinâmico, na coordenação weekly times, that consisted of exercises for balance, motor
motora e na força muscula, onde pode-se observar melhora da coordination and muscular force. The patient was evaluated
deambulação. Desta forma, conclui-se que a técnica reabilitadora daily pay and after treatment. In the end of the treatment protocol
através da equoterapia é eficaz no desenvolvimento motor de it was observed that it had improvement in the balance, motor
crianças portadora de síndrome de down. coordination, in the march and in the muscular force the results
had not been so positive. As a result produced significant
Palavras-chave: improvements in the static and dynamic balance, coordination
Síndrome de Down, desenvolvimento motor, equoterapia. unit and muscula, where it can be observed improves of
deambulação. In such a way, one concludes that the reabilitadora
technique through the equoterapia is efficient in the motor
development of children carrying of syndrome of down.

Key words:
Syndrome of down, motor development, equoterapia.

O portador de SD apresenta uma série de características


Introdução físicas e mentais, tais como hipotonia muscular, frouxidão
ligamentar, baixa estatura, aumento de peso corporal e retardo
Danielski (2001) destaca que a Síndrome de Down (SD) mental (ARIANI, 2005).
é uma condição genética caracterizada pela presença de um Na equoterapia, a fisioterapia encara o cavalo como ins-
cromossomo a mais nas células de quem é portador e acarreta trumento cinesioterapêutico no atendimento de pessoas porta-
um variado grau de retardo no desenvolvimento motor, físico e doras de deficiência e/ou com necessidades especiais, para uma
mental. melhoria motora do alinhamento corporal, para o controle das

1. Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva Multiprofissional . Recebido: maio de 2009


Aceito: maio de 2009
2. Enfermeira, Doutor em Clínica Cirúrgica, Diretora do Instituto de Administração Autor para correspondência:
Pública de Curitiba, Docente do IBPEX. Email: dfabiola_2005@hotmail.com

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sinergias globais, para o aumento do equilíbrio estático e dinâ-


mico. (SANTOS, 2005)
Resultados
Considerando que a síndrome de down tem um problema
que engloba todo um atraso no desenvolvimento motor, este No início da prática da equoterapia, observou-se que o
estudo de caso teve como principal objetivo verificar quais os praticante encontrava-se aflito e com medo, no primeiro conta-
benefícios da equoterapia nos principais atrasos do desenvolvi- do com o animal ele chorou, mas ao longo das sessões foi se
mento da criança, que atribui para uma melhor independência e tranqüilizando e gostando do animal. Observou-se também que
qualidade de vida na sociedade. Serão avaliados os principais nas primeiras sessões o praticante encontrava dificuldade nos
atrasos no desenvolvimento motor desta criança, sendo eles: o exercícios devido à falta de equilíbrio e força muscular para
equilíbrio, a força muscular, a coordenação motora e a marcha. realizá-los, mas com o passar dos dias foi adquirindo mais con-
A pesquisa contará com uma criança de 5 anos de idade, fiança, equilíbrio e força muscular.
do sexo masculino, portadora de síndrome de down que fre-
qüenta a Associação de Pais e Amigos Excepcionais (APAE)
de Papanduva, o local de aplicação será no CTG “Os Vaqueanos,
a freqüência da terapia será de duas vezes na semana, com du-
ração de trinta minutos cada sessão, durante dois meses
totalizando doze sessões. Será aplicada uma avaliação pré e
pós tratamento.

Materiais e Métodos

Está pesquisa foi um estudo de caso do tipo prospectivo,


quantitativo e intervencionista e não contará com grupo contro-
le. Foi aplicada no CTG “Os Vaqueanos”, situado na Rua Mafra,
SN em Papanduva – SC. Participou do estudo, F.R, com 5 anos Ao analisar a força muscular (FM) de membros superio-
de idade cronológica e 1 e 3 meses de idade motora, do sexo res (MMSS) observou-se um déficit na mesma, entretanto, pós-
masculino que freqüentava a APAE de Papanduva –SC todos tratamento observamos melhora, contudo ainda não dentro da
os dias, Quando o mesmo iniciou a pesquisa apresentou grande normalidade. Já os membros inferiores (MMII) tinham uma
dificuldade na deambulação, sendo que o mesmo ainda utiliza- menor alteração na FM pré-tratamento e houve um total
va fraldas, déficit no equilíbrio tais como, ficar num pé só, su- restabelecimento após o tratamento.
bir e descer degraus entre outros e não conseguia correr. Esta
pesquisa foi aplicada no período de junho a agosto de 2008.
Para o início ao programa de tratamento, a criança foi
avaliada pelo médico pediatra, e encaminhada para a prática de
equoterapia, com a respectiva autorização dos pais através da
assinatura/aceitação do Termo de Consentimento Livre e Es-
clarecido
Após foi submetido a uma avaliação fisioterapêutica, a
qual consta de: teste de força muscular segundo
SHIGUEMOTO, 2004 apud REBELATTO; MORELLI, 2004,
p.111; Coordenação motora segundo O´SULLIVAN, Nos resultados obtidos pelo praticante na avaliação pré e
SCHMITZ, 2004; Do equilíbrio, que foi avaliado através de 29 pós- tratamento, na modalidade de coordenação e equilíbrio,
itens sendo graduados de 1 a 4, sendo que o 1 indica atividade constatamos que o praticante adquiriu resultados positivos.
impossível e 4 capaz de realizar o movimento, segundo Em relação à análise da marcha observou-se que o paci-
O´SULLIVAN, SCHMITZ, 2004 e análise da marcha e dos re- ente no pré-tratamento realizava o contato de calcanhar, acele-
flexos tendinosos profundos. ração e desaceleração com dificuldade, passando no pós-trata-
Após, o praticante foi submetido a um protocolo de trata- mento a realizar sem dificuldade. O apoio plantar, apoio mé-
mento, que constava de dez sessões de equoterapia, e mais duas dio, saída do calcanhar, saída dos dedos e balanço médio per-
avaliações, sendo um pré-tratamento e uma após o tratamento. maneceram os mesmos resultados. A avaliação dos reflexos
As sessões foram realizadas duas vezes por semana com dura- tendinosos profundos mantiveram-se os mesmos, pois ele está
ção de 30 minutos cada sessão, durante aproximadamente 3 ligado com a hipotonia muscular da síndrome.
meses. Tendo como protocolo de tratamento a ênfase no equilí-
brio, dissociação de cinturas e coordenação motora. Discussão
Para a prática da equoterapia foi utilizada uma égua
tordilha, com 14 anos de idade, dócil, com 1.50 metros de altu-
ra, um redondel com 17 metros de diâmetro com adaptação de Burns e MacDonald (1999) afirmam que alguns traços
uma rampa de acesso para o praticante montar no cavalo, um físicos podem afetar o desenvolvimento motor de uma criança
guia, bambolês, cones, bolas e acompanhamento dos pais. com síndrome de Down, dentre eles podem ser citados: ossos
longos, mais curtos que normalmente, flacidez articular,
hipotonia muscular, imaturidade da mão, espaço normalmente

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amplo entre os dois primeiros artelhos e atraso em relação ao rendo uma melhoria motora do alinhamento corporal, para o
controle de postura e do equilíbrio. controle das sinergias globais, para o aumento do equilíbrio
Ainda conforme Tecklin (2002), pesquisas também mos- estático e dinâmico. Lermontov, (2004) cita que o praticante da
tram que a falta de mielinização e um atraso no término da equoterapia é levado a acompanhar os movimentos do cavalo,
mielinização entre 2 meses e 6 anos de idade pode explicar o tendo de manter o equilíbrio e a coordenação para movimentar
atraso global no desenvolvimento tipicamente visto em crian- simultaneamente tronco, braços, ombros, cabeça e o restante
ças com essa síndrome. No paciente desta pesquisa pode-se do corpo, dentro de seus limites. No início do nosso tratamen-
observar através da avaliação pré-tratamento que sua idade to, pode-se observar que a criança encontrava-se aflita e com
motora era de aproximadamente 1 ano e 3 meses e sua idade medo, não deixando com que os movimentos do cavalo lhe for-
cronológica de 5 anos. necessem a segurança necessária para o melhor alinhamento
Maldonado (2002) cita que a diminuição dos reflexos corporal, mas com a adaptação a terapia ela começou a confiar
tendinosos profundos, está relacionado com a hipotonia e a mais no animal, conseguindo ultrapassar seu medo e realizar os
hiperfrouxidão ligamentar associada com a síndrome de Down exercícios sem dificuldade.
contribuem para a maioria dos atrasos motores e incapacidades Copetti, et al, (2007) comenta que a literatura não especi-
musculoesqueléticas associadas que são de grande preocupa- fica um período para a intervenção com a equoterapia, mas al-
ção para os fisioterapeutas pediátricos. (Tecklin, 2002). No terações são referidas já a partir de doze sessões. Já no nosso
paciente deste estudo pode-se comprovar esta diminuição nos estudo, pode-se comprovar alterações no equilíbrio, na coorde-
reflexos, tanto na avaliação pré-tratamento quanto na pós-trata- nação motora e na força muscular do paciente a partir de 10
mento. sessões de equoterapia.
Pode-se observar no paciente, a frouxidão ligamentar mais Na conclusão desta pesquisa pode-se observar que a
exacerbada em quadris e joelhos, e a hipotonia encontrava-se equoterapia proporcionou estímulos ao desenvolvimento mo-
generalizada. Tecklin comenta ainda que a hiperfrouxidão tor da criança com Síndrome Down, como pode ser constatado
ligamentar com a hipotonia resulta na falta de rotação de tron- nos resultados apresentado pelo paciente.
co, e conseqüentemente no atraso e na imaturidade da aquisi-
ção da marcha, e Copetti, et al, (2007) comenta também que
essa síndrome geralmente desencadeia um andar caracterizado
Conclusão
por uma larga base de apoio com pés voltados para fora e joe-
lhos rígidos rodados externamente, aumentando, assim, a esta- Ao término deste estudo, observamos com clareza que a
bilidade de sustentação por meio da compensação da fixação criança com Síndrome de Down, tem atrasos importantes no
presente nos joelhos (semiflexão ou hiperextensão). seu desenvolvimento motor, como o déficit no equilíbrio, na
Sarro e Salina (1998) citam que o déficit do equilíbrio na coordenação motora e na marcha, assim como a hipotonia e a
criança com Síndrome de Down é importante e pode persistir hiperfrouxidão ligamentar. Sendo assim é importante a
até a adolescência, e comparando com a avaliação pré e pós- estimulação motora desde o nascimento da criança, para que o
tratamento do nosso paciente pode-se observar que teve uma seu atraso no desenvolvimento motor não seja tão avançado.
boa melhora em seu equilíbrio, mas não chegando ao que seria Após a aplicação do protocolo de estudo pode-se obser-
normal para a sua idade cronológica. var uma grande melhora na coordenação motora e no equilíbrio
De acordo com Mancini et al (2003), no que se refere ao diminuindo as quedas e dando mais independência ao paciente.
desenvolvimento de habilidades motoras, as evidências mos- Já na força muscular e na marcha os resultados não foram tão
tram que crianças com síndrome de Down apresentam atraso positivos. sugere-se aumentar o número de sessões ao protoco-
nas aquisições de marcos motores básicos, indicando que esses lo de tratamento para que os resultados sejam melhores.
marcos emergem em tempo diferenciado (superior) ao de cri- Neste estudo pode ser comprovado que a equoterapia,
anças com desenvolvimento normal. Conforme relato da mãe como técnica de reabilitação, é uma modalidade de reabilitação
durante a avaliação, ela nós explicou que com 12 meses a crian- facilitadora, lúdica e recreativa, que possibilita realizar exercí-
ça começou a ficar sentada sozinha, permanecendo assim, até cios, que muitas vezes se torna difícil de realizar no solo, e
os 3 anos e 6 meses, pulou o engatinhar e passou a deambular, estimulando para que o paciente tenha uma melhor qualidade
com bastante dificuldade, confirmando o que o autor Mancini de vida.
já havia falado. Com tudo isso, sugere-se que sejam feitas novas pesqui-
A cadência mais lenta e a anteroversão pélvica. Caracte- sas com esta patologia, aumentando o número de sessões ao
rísticas dessa síndrome produzem um andar atípico realizado protocolo de tratamento e o numero da amostra, para verificar
sobre a ponta dos pés, sendo que déficits no sistema de controle as melhorias no desenvolvimento motor destas crianças.
postural podem ser uma forma parcial de explicar os problemas
de equilíbrio nessas crianças. No entanto, mesmo que de forma
mais lenta, a criança com SD pode atingir padrões de movi- Referências
mentos maduros quando estimulada. (COPETTI, et al, 2007).
Todas estas características descritas acima se confirmaram em
nosso paciente, e com a estimulação que houve durante as dez ARIANI, Cláudia. Análise clínica cinemática compa-
sessões de equoterapia, pode-se observar que obtivemos me- rativa da marcha de uma criança normal e outra portadora
lhoras significantes na marcha do paciente. de síndrome de down na fase escolar (7 a 10 anos). Revista
Conforme Santos (2005) nos fala, a fisioterapia encara Reabilitar, 2005.
o cavalo como instrumento cinesioterapêutico no atendimento BURNS, Y. R.; MACDONALD, J. Fisioterapia e cres-
de pessoas portadoras de deficiências físicas, e com isso, ocor- cimento na infância. São Paulo: Santos, 1999.

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COPETTI, F; MOTA CB; GRAUP S; MENEZES KM; SANTOS, Sabrina Lombardi Martinez dos, Fisioterapia
VENTURINI EB. Comportamento angular do andar de cri- Na Equoterapia: Análise De Seus Efeitos Sobre O Portador
anças com síndrome de Down após intervenção com De Necessidades Especiais. 1° Ed. Idéias e Letras, 2005
equoterapia. Rev. bras. fisioter. v.11 n.6 São Carlos nov./ SARRO, Karine Jacon. SALINA, Maria Elisabete. Estu-
dez. 2007 do de alguns fatores que influenciam no desenvolvimento
DANIELSKI, Vanderlei. Síndrome de down: uma con- das aquisições motoras de crianças portadoras de Síndrome
tribuição à habilitação da criança down. 2° Ed. Editora Ave de Down em tratamento fisioterápico. Revista Fisioterapia
Maria, 2001. em Movimento. Vol. XIII – nº 1 – abril/setembro 1999.
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2003.

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Doença de Osgood Schlatter - Revisão Bibliográfica e Proposta de


Tratamento
Illness of Osgood Schlatter - Bibliographical Revision and proposal of
treatment
Rafael Felipe Castilho1, Alexandre Sabbag da Silva2

Resumo Abstract
A doença de Osgood Schlatter surge normalmente em The pathology of Osgood-Schlatter occurs in the
jovens atletas, na fase do “estirão de crescimento”, suas princi- adolescence in the phase denominated growth pull, has as main
pais características são as dores no joelho, especialmente aos characteristics pain in the knee specially to the efforts that need
esforços que necessitem uma forte contração do músculo a strong contraction of the muscle quadriceps, and a visible
quadríceps, e uma proeminência óssea visível. Ao exame de bony proeminence. To the exam of ray-x, an irregular line is
raio-x, observa-se uma linha irregular na tuberosidade tibial, e observed in the tuberosity tibial, it can be present a significant
pode estar presente uma avulsão óssea significativa. Esta pes- bony avultion. This issue proposes to verify through a
quisa teve o objetivo de verificar, por meio de revisão biblio- bibliographic review, the physiotherapeutic resources for
gráfica, os procedimentos fisioterapêuticos para a prevenção e Prevention and treatment of Osgood Schlatter lesion. The
o tratamento da doença de Osgood Schlatter. O levantamento literature review was made through books, scientific articles
bibliográfico foi feito por meio de livros, artigos científicos da and databases of Scielo, Lilacs and Aleph. At the end of the
internet e das bases de dados da Medline, Scielo, Lilacs e Aleph. research was certified that there is just one reference that for
Ao concluir a pesquisa, foi constatada apenas uma referência specific physiotherapeutic treatment. For this reason was
quanto ao tratamento fisioterapêutico específico. Por esse mo- elaborated a new proposal of treatment and prevention in
tivo foi elaborada uma nova proposta de tratamento e preven- Osgood Schlatter with pictures to illustrate series of stretching
ção em Osgood Schlatter, com fotos ilustrativas com séries de exercises, resisted exercises, proprioception and electrotherapy.
exercícios de alongamentos, exercícios resistidos, propriocepção
e eletroterapia. Key words:
Osgood Schlatter, Prevention, rehabilitation, Physiotherapy.
Palavras-chave:
Osgood Schlatter, prevenção, reabilitação, fisioterapia.

Introdução De acordo com Berman et al. (2002):


“A puberdade está associada a um rápido processo de cres-
A doença de Osgood Schlatter surge normalmente em cimento dos ossos longos, epífises abertas e aumento da tração
jovens atletas, na fase do “estirão de crescimento”, suas princi- sobre locais de inserção muscular, todos quais contribuem para
pais características são as dores no joelho, especialmente aos a taxa aumentada e os tipos singulares de problemas ortopédi-
esforços que necessitem uma forte contração do músculo cos nessa faixa etária”.
quadríceps, e uma proeminência óssea visível. Ao exame de Treinamentos excessivos podem resultar em sérios danos
raio-x, observa-se uma linha irregular na tuberosidade tibial, e as superfícies ósseas. Devido à presença da cartilagem articular
pode estar presente uma avulsão óssea significativa. em conjunto com o processo de crescimento ósseo, o sistema
Os ossos do corpo humano possuem um alto grau de rigi- esquelético dos jovens atletas tende a lesões do tipo específicas
dez e por esta razão, são resistentes a pressão. Devido a isso, como fratura da placa epifisária, Osgood Schlatter; sendo que
sua função é de proteção e sustentação. Estes são divididos em os ligamentos dos jovens são cerca de 2 a 5 vezes mais fortes
epífise, metáfise e diáfise. Neles existem variados tipos de cé- que a cartilagem e a placa epifisária (MAFFULLI, 1995).
lulas entre eles osteócitos que são as lacunas e canalículos, cuja De maneira geral, o sistema músculo esquelético imaturo
função é circulatória e nutricional, os osteoblastos que sinteti- se diferencia do sistema músculo esquelético do adulto através
zam a parte orgânica da matriz óssea e participa da mineralização de: placa de crescimento aberta, periósteo mais grosso, ossos
da matriz. A matriz óssea é composta por uma parte orgânica e mais longos, mais porosos, cartilagem articular mais grossa
inorgânica, composta por íons de fosfato e cálcio (SPENCE, (SALLIS; MASSIMINO, 1997).
1991). A Doença Osgood Schlatter (DOS) constitui uma patolo-

1. Fisioterapeuta - Especialista em Psicomotricidade pela São Paulo Master School Recebido: junho de 2009
Aceito: julho de 2009
2. Mestre em Reabilitação pela Universidade Federal de São Paulo Autor para correspondência:
Email: castilho.rafael@uol.com.br

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gia ósteo-muscular e é considerada mais uma apofisite de tra- dor à pressão do tubérculo tibial sistematicamente em todos os
ção do que uma verdadeira osteocondrite, que se inicia na ado- meninos púberes um maior números de casos mais leves pode-
lescência, segundo a descrição de Osgood e Schlatter em 1903 ria ser diagnosticado desta maneira, ou perguntando sobre do-
(BALTACI et al., 2002). res no joelho durante a anamnese. A doença Osgood Schlatter
Na fisiopatologia, o ligamento patelar transmite uma gran- apresenta, portanto, um amplo espectro de severidade, e sua
de força gerada pelo quadríceps ao tubérculo tibial. As contra- real incidência na população geral de adolescentes podem ser
ções forçadas e repetitivas do quadríceps, exigidas pelas ativi- superior àquela vista em consultórios médicos (CHIPKEVICH,
dades atléticas, freqüentes de chutar, correr e pular irritam a 1992).
apófise da tuberosidade da tíbia, que se torna sensível ao toque Para Camanho (1996), o quadro clínico é de dor, edema e
e dolorosa a qualquer contração forçada do quadríceps, tendo aumento de volume na tuberosidade tibial. A dor piora durante
predomínio, no sexo masculino da faixa etária dos 10 aos 15 e após a atividade física, para subir escadas e durante a corrida.
anos (ROBBINS; GERSHWIN, 1983; HEBERT; XAVIER, Ao exame físico, o joelho em si é normal, havendo presença de
2003). dor e aumento de volume da tuberosidade tibial. A dor piora a
extensão ativa contra a resistência e pode ocorrer inflamação
Definição: A doença Osgood Schlatter foi descrita pri- da bursa na inserção do tendão patelar. O quadríceps normal-
meiramente em 1903 quando Osgood (EUA) e Schlatter (Ale- mente é retraído nestes pacientes, principalmente no lado afeta-
manha) descreveram isoladamente como “lesões do tubérculo do.
tibial ocorrendo na adolescência” (DAVID;
SCHWARTSMANN, 1984; ELIAS et al., 1991; HEBERT; Exames complementares: Para Oznoff (1991), a radio-
XAVIER, 2003). grafia poderá evidenciar edema pretuberositário com
O termo “doença de Osgood Schlatter” apresenta muitas “borramento” do ligamento patelar e, à medida que a lesão vai
controvérsias quanto à nomenclatura na literatura. Um outro evoluindo, vão surgindo alterações ósseas, com ossificação dos
termo: apofisite de tração do tubérculo tibial, doença inflama- fraguimentos que eventualmente estejam soltos
tória é definido por (RUDOLPH; KAMEI, 1997; INSALL;
SCOTT, 2001). Objetivos: Verificar, por meio de revisão bibliográfica,
Já para Apley e Dunn (1991); Salomon (1998); Azevedo os procedimentos fisioterapêuticos para a prevenção e o trata-
e Cruz, (2001), a Doença de Osgood Schlatter é uma mento da doença de Osgood Schlatter e estabelecer uma pro-
osteocondrose causada por microtraumas na tuberosidade an- posta de plano de assistência fisioterapêutica para pacientes com
terior da tíbia, por tração repetida no tendão patelar. Doença de Osgood Schlatter.

Etiologia: A etiologia da doença Osgood Schlatter é auto- Materiais e métodos: O levantamento bibliográfico foi
limitante, onde o quadríceps quando muito usado pode ocasio- feito por meio de livros, artigos científicos e artigos da internet
nar algumas irregularidades no crescimento e também a necrose das bases de dados da Med Line, Scielo, Lilacs e Aleph.
avascular parcial da tuberosidade anterior da tíbia localizado
na parte proximal (RUDOLPH; HOFFMAN, 1987; INSALL;
SCOTT, 2001; SALTER, 2001).
Desenvolvimento
Os fatores etiológicos para Hebert e Xavier (2003), ainda Para Rudolph e Kamei (1997), para o tratamento da do-
não estão muito esclarecidos, pois, não existe um estudo com ença Osgood Schlatter é indicado o reforço do músculo do
comprovação anatomopatológica ou estudos vasculares que quadríceps para restaurar o apoio e equilíbrio patelares. A fisi-
possam ou permitam conclusões definitivas. As duas mais pro- oterapia frequentemente acelera a recuperação, não permitindo
váveis hipóteses são que ocorre uma isquemia localizada, ge- a atrofia muscular.
rando necrose óssea e fragmentação do núcleo de crescimento Segundo Azevedo e Cruz (2001), a doença Osgood
gerando uma verdadeira necrose avascular ou apofisite Schlatter por ser uma doença autolimitante, o seu tratamento é
isquêmica. A segunda hipótese baseia-se em estresse traumáti- apenas sintomático, com uso de antiinflamatórios não-hormonais
co do quadríceps. O quadríceps ao transferir sua força de tra- e repouso relativo. O prognóstico é bom, ficando apenas em
ção à patela e ao tendão patelar, tracionando a inserção (tendão raros casos um abaulamento discreto na tuberosidade anterior
do quadríceps) na tuberosidade anterior da tíbia, provocando da tíbia, que poderá ainda ser corrigido para fins estéticos com
um estresse nessa região de tecido cartilaginoso. Além disso, cirurgia.
para a extensão de joelho, o braço de alavanca é muito grande Para Richards (2002), o tratamento da doença Osgood
em relação ao ponto de apoio, que se faz exatamente na Schlatter consiste na aplicação de gelo, exercícios de alonga-
tuberosidade anterior da tíbia. mento de quadríceps e isquiotibiais, medicação antiinflamatória
e órteses. Qualquer atividade como agachar, ajoelhar tem que
Quadro clínico: Ortopedistas talvez vejam casos com dor ser evitada. Imobilizar o joelho por curtos períodos.
mais intensa, enquanto os pacientes dos pediatras ou clínicos, Para Behrman et al. (2002), o tratamento da doença
que prestam atenção global à saúde do adolescente, reflete mais Osgood Schlatter é baseado em repouso, restrição de qualquer
fielmente o perfil da população geral. Muitos são os adolescen- atividade física de contato e eventual imobilização gessada do
tes com dor mais leve ou intermitente que não procuram médi- joelho, combinados com exercícios isométricos, mas recomen-
cos, ou apenas o faz após semanas ou meses de evolução. Mui- da uso de antiinflamatórios também podem trazer benefícios.
tos provavelmente não referem o sintoma durante a consulta, Conforme Hebert e Xavier (2003), na doença Osgood
motivada por um outro problema. Não é incomum constatar- Schlatter o tratamento é sintomático e é recomendado medidas
mos um caso de doença Osgood Schlatter ao exame físico (sem preventivas contra o que possa causar alguma grande tensão na
que o sintoma tenha sido referido na anamnese), se pesquisarmos inserção da tuberosidade ou um trauma direto. Analgésicos e

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antiinflamatórios não-hormonais para diminuir a reação infla- Durante o alongamento ocorrem alterações elásticas e
matória e a dor é a medida por nós utilizada rotineiramente. plásticas nos tecidos moles, ou seja, alterando a capacidade do
Aconselha-se ao paciente a diminuir o esporte, principalmente tecido retornar ao seu comprimento de repouso após o alonga-
na fase mais aguda. Não há indicação cirúrgica com base cien- mento passivo e a tendência do tecido mole de assumir um com-
tífica que nos leve a cirurgia da doença de Osgood Schlatter. primento novo e maior após a força de alongamento ter sido
Em relação ao tratamento fisioterapêutico da doença de removida (KISNER; COLBY, 2005).
Osgood Schlatter, só encontramos uma pesquisa na literatura. A força muscular pode também ser alterada quando o te-
Silva et al. (2006), em seu artigo de revisão bibliográfica sobre cido mole encurta-se devido à adaptação que ocorre com o tem-
as formas de tratamento foi adicionado o uso de recursos de po. Á medida que o músculo perde sua flexibilidade normal
eletroterapia, sendo esse um dos fatores que gerou o interesse ocorre também uma alteração na relação comprimento-tensão
pessoal em estar elaborando uma proposta de prevenção com do músculo. E quando o músculo se encurta, ele não é capaz de
alongamentos, exercícios resistidos, propriocepção e produzir o pico de tensão, e desenvolve uma fraqueza com
eletroterapia. contratura. A perda de flexibilidade, independente da causa, pode
Não foi possível aplicar o plano de assistência no mo- também provocar dor originando-se nos músculos, tecido
mento da pesquisa, pois na Clínica de Fisioterapia da Universi- conectivo, ou periósteo. Isso, por sua vez, também diminui a
dade São Marcos e na Clínica do Clube Mesc à qual tenho acesso força muscular (IBIDEM, 2005).
não havia nenhum paciente com a doença de Osgood Schlatter. Quando um músculo é alongado muito rapidamente, o
As fotos que ilustram este trabalho foram tiradas de um volun- fuso muscular se contrai, o que por sua vez estimula as fibras
tário sem a doença de Osgood Schlatter. aferentes primárias que levam a fibra extrafusal a disparar, e
aumentar a tensão no músculo. Chama-se a isso reflexo de
Proposta: Por todo mundo existem competições como estiramento monossináptico. Procedimentos de alongamento que
copa do mundo e olimpíadas, às menos importantes como jo- são realizados em uma velocidade muito alta podem na verda-
gos escolares e campeonatos de bairros. E para que elas conti- de aumentar a tensão no músculo que deveria ser alongado.
nuem acontecendo é necessária a formação de atletas principal- Quando se aplica uma força de alongamento lenta em um mús-
mente para as mais importantes. Os atletas jovens são a pro- culo, o órgão tendinoso de golgi (OTG) dispara e inibe a tensão
messa de continuidade, porém para isso é necessária a forma- no músculo, permitindo que o componente elástico em paralelo
ção destes e também investimentos que precisam ter um retor- (o sarcômero) do músculo se alongue (D’ANGELO; FATTINI,
no ao seu investidor, tornando assim do esporte um negócio. 2004).
Com isso é exigido maior empenho nos treinos e controle na É importante orientar ao paciente que manter-se relaxado
vida pessoal com hábitos nutricionais. Desde pequeno, eles trei- durante os exercícios de alongamento. Quanto às precauções
nam em equipes com condições de moradia, estudo, plano para o alongamento deve-se ter cuidado para não forçar passi-
dentário e médico, enquanto a maioria não os oferece nada além vamente uma articulação além de sua amplitude de movimento
de um lanche e passe de ônibus. Com o passar do tempo, a normal, respeitando as variações normais entre os indivíduos,
despesa relacionada a equipe ou ao seu clube aumenta, e alguns nas fraturas recentes protegendo-as através de estabilização no
atletas começam a se destacar de seus companheiros de equipe, local, e o alongamento será contra-indicado quando houver dor
tornando-os valorizado. O treino começa se estender mais do aguda com o movimento articular ou com o alongamento mus-
que dos outros atletas, lhe é exigido destaque tanto em treinos cular. Os exercícios de alongamento devem ser incorporados
quanto em jogos. Com isso também chegam as lesões que se na progressão funcional que envolve tanto um processo de aque-
tornam cada vez mais freqüentes e graves sendo a DOS uma cimento quanto de esfriamento (KISNER; COLBY, 2005).
das doenças freqüentes principalmente durante a puberdade. Foram elaborados alguns exercícios de alongamentos para
A doença Osgood Schlatter é uma condição benigna e isquiotibiais, quadríceps, tibial anterior e tricepssural, fortale-
autolimitada. Sua incidência e clara associação com estirão cimento de quadríceps e propriocepção, foram divididos em
puberal permitem que seja conceituada como um dos fenôme- três fases.
nos específicos da puberdade, a exemplo de problemas como Os objetivos gerais de tratamento na fase aguda da DOS
acne. O médico será útil ao adolescente com Osgood Schlatter são a analgesia, diminuição do processo inflamatório, manu-
orientando-o sobre o significado dos sintomas e sua correlação tenção da amplitude de movimento (ADM) e ganho da
com fenômenos da puberdade (CHIPKEVICH, 1992). extensibilidade muscular estimular a manutenção de força mus-
O tratamento de Osgood-Schlatter é sintomático e nem cular (FM) e propriocepção leve,
sempre sendo a restrição completa das atividades necessária e Para analgesia e diminuição do processo inflamatório fo-
recomendada. (MORRISSY; WEINSTEIN, 1996). ram utilizados os recursos de eletroterapia.
Os exercícios de alongamento do quadríceps e Antes de qualquer aplicação de aparelho de eletroterapia,
isquiotibiais devem ser diários em sessões matinais antes e após o terapeuta deve realizar higienização do local com álcool e
cada atividade física (CAMANHO, 1996). algodão (figura 1 do anexo 1).
A proposta para a prevenção de complicações é a utiliza- A estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS) é uma
ção de alongamentos, fortalecimento, propriocepção, recursos corrente de baixa freqüência, comparada a outros recursos
eletroterapêuticos e repouso relativo. eletroterapêuticos usados. O TENS é amplamente estudado na
literatura quanto aos seus efeitos analgésicos e atualmente tam-
Alongamentos: Segundo Deliberato (2007), o alonga- bém tem sido estudado quanto ao seu efeito cicatricial
mento é a técnica terapêutica mais utilizada seja na fisioterapia (KITCHEN; BAZIN, 2002). Parâmetros: I – limite sensorial,
convencional ou na especializada. Lembrando que o fisiotera- T – 50 m s, F – 100 Hz e o tempo de aplicação de 20 minutos
peuta esteja sempre atento e não confunda alongamento com (figura 2 do anexo 1).
exercícios de amplitude de movimento.

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A corrente interferencial tem a função de produzir duas


correntes de média freqüência e intensidades levemente dife-
rentes, interfiram uma com a outra, a fim de produzir uma ter-
ceira corrente (KITCHEN; BAZIN, 1998). Parâmetros: é Cor-
rente Portadora (CP) – 4000 Hz, AMF – 100 Hz, DF – 50% do
AMF, ritmo de pulso I – limite sensorial, slope 6/6 e tempo de
aplicação 20 minutos (figura 4 do anexo).

Figura 1 – Higienização

Figura 4 – Interferêncial

O ultra-som é um conjunto de vibrações e oscilações que


quando penetra no corpo, pode desempenhar um efeito sobre
os tecidos e as células mediante dois mecanismos físicos: Tér-
mico e atérmico (IBIDEM, 1998).
Para Santos (2002), a aplicação do ultra-som pulsado a
20% até 2/W/cm² na epífise de crescimento não gera qualquer
alteração lesiva, já o ultra-som contínuo apresentou efeito lesi-
vo na epífise de crescimento em seu estudo. Parâmetros: US
pulsado a 10%, a 0,6 W/cm2 e tempo de aplicação 5 minutos
Figura 2 - TENS (Figura 5 do anexo 1).

O termo “laser” (Light Amplification by Stimulated Emission


of Radiation), traduzindo: Amplificação da Luz pela emissão esti-
mulada da radiação se difere da luz comum por alguns motivos
como a monocromaticidade onde os raios do laser são de um ta-
manho de onda específico único e com freqüência definida, a coe-
rência onde os picos e as depressões dos campos magnéticos e
elétricos ocorrem ao mesmo tempo, sendo chamado de coerência
temporal, além disso, os raios ocorrem na mesma direção, cha-
mando isso de coerência espacial. Tem também a colimação, pois,
como as radiações não divergem, a energia se propaga em longas
distâncias, tornando o laser mais importante para medições e loca-
lização de alvos (LOW; REED, 2001). Parâmetros: 2 a 3 (dois a
três) Joules, ASGA, ponto a ponto (figura 3 do anexo 1).
Figura 5 – Ultra-Som

A Crioterapia produz anestesia, analgesia, diminui espas-


mo muscular, incrementa o relaxamento, permite mobilização
precoce, incrementa o limite de movimentos, quebra do ciclo
dor-espasmo-dor, diminui o metabolismo. Isso ocorre devido
ao metabolismo fisiológico da circulação e do sistema nervoso,
pois é através dessas respostas que obteremos os resultados
terapêuticos no uso da crioterapia. A característica mais impor-
tante da circulação é que ela constitui um circuito contínuo. O
sistema nervoso simpático controla o sistema vascular. O siste-
ma funciona como um arco reflexo simples, ou seja, pelo estí-
mulo dado, o sistema interpreta e admite a resposta em forma
de vasoconstrição ou vasodilatação (RODRIGUEZ; GUIMA-
RÃES, 1998). Local de aplicação: Tuberosidade anterior da
tíbia, por 20 minutos (Figura 6 do anexo 1).

Figura 3 – Laser

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Figura 6 – Crioterapia

Os exercícios de alongamento são executados de manei-


ra ativa e passiva. O ideal é iniciar com os alongamentos passi-
vos, onde o terapeuta aplica uma força externa, controlando a
direção, velocidade, intensidade e duração do alongamento.
Para manutenção de ADM e ganho de extensibilidade
tecidual, propomos alongamentos para os músculos quadríceps,
isquiotibiais, tricepssural, tibial anterior, e iliopsoas e
mobilização patelar.
Figura 8 – Alongamento dos músculos anteriores da perna
Para alongamento de isquiotibiais e tricepssural, o paci-
ente fica em decúbito dorsal, com flexão de quadril, com os
Com o paciente em decúbito ventral, com auxílio do
joelhos em extensão, e dorsiflexão com auxílio de um tera band
terapeuta, paciente faz flexão de joelhos, plantiflexão para alon-
ou uma toalha nos pés. Série de 3 (três) repetições, manutenção
gamento de quadríceps e tibial anterior. As séries de 3 (três)
de 30 segundos e 20 segundos de descanso (figura 7 do anexo
repetições, manutenção de 30 segundos e 20 segundos de des-
1).
canso.
Com o paciente em decúbito lateral, com auxílio do
terapeuta, paciente faz flexão de joelhos, plantiflexão para alon-
gamento de iliopsoas, quadríceps e tibial anterior. As séries de
3 (três) repetições, manutenção de 30 segundos e 20 segundos
de descanso (figura 9 do anexo 1).

Figura 7 – Alogamento dos músculos posteriores da perna.

Para alongamento de isquiotibiais unilateral, o paciente


fica sentado, faz inclinação de tronco apoiando os membros
superiores nos dedos dos pés com o joelho em extensão e
dorsiflexão. Série de 3 (três) repetições, manutenção de 30 se-
Figura 9 – Alongamento dos músculos anteriores da perna com
gundos e 20 segundos de descanso. ênfase em Iliopsoas.
Para alongamento de quadríceps e tibial anterior, o paci-
ente fica em pé, posição unipodal, em frente à maca, com o
Para manutenção de FM na fase aguda, foram feitos exer-
membro contra-lateral faz flexão de joelho e plantiflexão. As
cícios sem resistência ou carga e uso de eletroterapia.
séries de 3 (três) repetições, manutenção de 30 segundos e 20
Segundo Low e Reed (2001), a corrente russa, tem em
segundos de descanso (figura 8 do anexo 1).
sua teoria, a estimulação elétrica máxima que pode fazer com
que quase todas as unidades motoras sejam acionadas ao mes-

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mo tempo fazendo a contração de forma sincronizada, coisa


que na contração voluntária não pode ser feito. Parâmetros: T.
ON – 5 seg., T. OFF 10 seg., T. subida, 3 seg., T. descida 3 seg.
Freq. 80 Hz. Tempo de aplicação 15 minutos (figura 10 do ane-
xo 1).

Figura 12 – Exercícios isométricos com rolo.

Exercícios para fortalecimento de quadríceps, com o pa-


ciente em decúbito dorsal, membro contra-lateral em semiflexão
e membro lesado com extensão de joelhos faz flexão de quadril
até 35º. 3 (três) séries de 10 repetições e 30 segundos de des-
canso (figura 13 do anexo 1).

Figura 10 – Corrente Russa

Exercícios isométricos combinados com eletroterapia.


Paciente deitado em decúbito dorsal, com os dois pés apoiados
na parede com semiflexão de joelhos e de quadril, faz o movi-
mento como se estivesse empurrando a parede, fazendo a con-
tração do quadríceps no mesmo momento em que a corrente é
ativada. Parâmetros: T. ON – 5 seg., T. OFF 10 seg., T. subida,
3 seg., T. descida 3 seg. Freq. 80 Hz. Tempo de aplicação 15
minutos (figura 11 do anexo 1).

Figura 13 – Exercícios para fortalecimento de quadríceps

Exercícios para fortalecimento de músculos adutores da


coxa, com o paciente em decúbito lateral, faz abdução de qua-
dril, com os membros inferiores estendidos (figura 14 do anexo
1).

Figura 11 – Corrente Russa em cadeia fechada

Exercícios isométricos com contrações lentas (30 vezes


de 5 segundos) e contrações rápidas (50 vezes de 1 segundo)
com o paciente sentado apertando uma almofada ou rolo colo-
cada na região poplítea (figura 12 do anexo 1).
Figura 14 – Exercícios para fortalecimento de adutores

Paciente deitado em decúbito dorsal, com os dois joelhos


em semiflexão, os dois pés apoiados com a bola entre os joe-

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lhos, paciente “aperta” a bola com os dois membros inferiores.


3 (três) séries de 10 repetições e 30 segundos de descanso (fi-
gura 15 do anexo 1).

C-

D-
Figura 15 – Exercícios para fortalecimento de adutores

Para estimulação de propriocepção leve foram elabora-


dos exercícios de marcha em linha reta, marcha sobre os calca-
nhares, marcha na ponta dos dedos, marcha cruzada e marcha
sobre colchonetes. Tempo de 2 minutos em cada estação, 30
segundos de descanso por 3 vezes (figura 16A, B, C, D e E do
anexo 1).

E-

A-
Figura 16 – Proriocepção leve com marcha em linha reta, marcha
sobre os calcanhares, marcha na ponta dos dedos, marcha cruzada
e marcha sobre colchonetes.

Os objetivos gerais de tratamento na fase sub-aguda da


DOS são a analgesia (se ainda houver), diminuição do processo
inflamatório, manutenção da amplitude de movimento (ADM)
e ganho da extensibilidade muscular, manutenção e ganho de
força muscular (FM) e estimular a propriocepção moderada.
Para diminuição de processo inflamatório, ganho de
extensibilidade muscular e analgesia foram utilizados o Laser,
o ultra-som (US), e o Interferêncial.
B- Laser: Parâmetros: 4 (quatro) Joules, ASGA, ponto a
ponto.
Ultra som: Parâmetros: US pulsado a 20%, a 0,6 a 0,7
W/cm2 e tempo de aplicação 5 minutos.
Interferêncial: Parâmetros: é CP – 4000 Hz, AMF – 80
Hz, DF – 50% do AMF, ritmo de pulso I – limite sensorial,
slope 1/5 e tempo de aplicação 20 minutos.
Para manutenção de ADM e ganho de extensibilidade
tecidual, foram feitos, os mesmos alongamentos e mobilização
patelar descritos para a fase aguda de tratamento.
Para manutenção e ganho de FM na fase sub-aguda, fo-
ram feitos os mesmos exercícios com carga e uso de eletroterapia.

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Paciente realiza primeiramente os mesmos exercícios descritos Na cama elástica com o paciente em posição ortostática,
na fase aguda, com os mesmos números de repetições, com car- faz descargas de peso, com movimentos latero-laterais e ântero-
ga gradativa (figura 17 e 18 do anexo 1). posterior e póstero-anterior e semiflexão de joelho. O tempo é
de 2 minutos em cada estação, 30 segundos de descanso por 3
vezes (figuras 20, 21 e 22 do anexo 1).

Figura 17 – Exercícios para fortalecimento na fase sub-aguda com


carga gradativa Figura 20 – Exercícios de propriocepção na fase aguda e sub-agu-
da com descarga de peso ântero-posterior na cama elástica.

Figura 18 – Exercícios para fortalecimento fase sub-aguda com Figura 21 – Exercícios de propriocepção na fase aguda e sub-agu-
carga gradativa da com descarga de peso látero-lateral na cama elástica

Para estimulação de propriocepção moderada foram man-


tidos os exercícios de marcha sobre colchonetes, marcha sobre
os calcanhares, marcha na ponta dos pés.
Também realizar exercícios com o paciente sentado na
cadeira extensora, fazendo extensão de joelho para fortaleci-
mento de quadríceps (figura 19 do anexo 1).

Figura 22 – Exercícios de propriocepção na fase aguda e sub-agu-


da com semiflexão de joelhos na cama elástica.

Na prancha de equilíbrio paciente em posição ortostática


realiza o movimento, para frente e para trás sem apoios. O tem-
po é de 2 minutos na estação, 30 segundos de descanso por 3
vezes (figura 23 do anexo 1).
Figura 19 – Exercícios para fortalecimento do quadríceps na ca-
deira extensora na fase sub-aguda.

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o movimento, para frente e para trás, faz semiflexão de joelhos sem


apoios (figura 25 do anexo 1).

Figura 23 – Exercícios de propriocepção na fase aguda e sub-agu- Figura 25 – Exercícios de propriocepção na prancha de equilíbrio
da com prancha de equilíbrio.
No balancinho de equilíbrio, com o paciente em posição unipodal,
No disco de madeira, paciente com apoio de um dos membros com um dos membros superiores apoiado, o membro inferior compro-
superiores, em posição ortostática e extensão de joelhos tenta manter o metido em extensão e o contra lateral em flexão (figura 26 do anexo 1).
equilíbrio.
Sobre três colchonetes, em posição ortostática, fazer exercícios
de flexão e extensão de joelho até 30º de flexão (Figura 24 do anexo 1).

Figura 26 – Exercícios de propriocepção na fase crônica com ba-


lanço de equilíbrio.

No disco de madeira, paciente sem apoio de um dos membros


Figura 24– Exercícios de propriocepção e fortalecimento na fase superiores, em posição ortostática e movimentos de flexão e extensão de
sub-aguda crônica comcolchonete fazendo agachamento. joelhos tenta manter o equilíbrio (figura 27 do anexo 1).
Os objetivos gerais de tratamento na fase crônica da DOS são: a
manutenção da amplitude de movimento (ADM) e ganho da
extensibilidade muscular, manutenção e ganho de força muscular (FM),
e estimular a propriocepção avançada.
Para manutenção de ADM e ganho de extensibilidade tecidual,
foi utilizado primeiramente o US no Modo pulsado a 50%, a 0,6 à 1W/
cm2 e tempo de aplicação 5 minutos no tendão do quadríceps e os recur-
sos cinesioterápicos foram feitos os mesmos alongamentos e mobilização
patelar descritos para a fase aguda e sub-aguda do tratamento.
Para manutenção e ganho de FM na fase crônica, foram feitos os
mesmos exercícios citados na fase aguda e sub-aguda com aumento
gradativo de carga.
Para estimulação de propriocepção avançada foram mantidos os
exercícios de marcha sobre colchonetes, marcha sobre os calcanhares,
marcha na ponta dos pés, exercícios na cama elástica com o paciente em
posição ortostática, faz descargas de peso, com movimentos latero-late-
rais e ântero-posterior e póstero-anterior.
Figura 27 – Exercícios de propriocepção na fase crônica com dis-
Na prancha de equilíbrio paciente em posição ortostática realiza
co de madeira

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O tempo é de 2 minutos em cada estação, 30 segundos de para movimentos de flexão e extensão do membro lesado em
descanso por 3 vezes. posição unipodal.
Na “fase final” ou fase do retorno ao esporte, os objeti- Exercícios no balancinho de equilíbrio, com o paciente
vos gerais são a manutenção e ganho de ADM, manutenção e em posição unipodal, com um dos membros superiores apoia-
ganho de FM, estimular propriocepção avançada, e orientações do, o membro inferior comprometido em semiflexão e o contra
gerais quanto aos alongamentos e uso de órteses. lateral em flexão, progredindo para movimentos de flexão e
Os recursos eletroterapêuticos e cinesioterapêuticos (alon- extensão do membro lesado, passe com bola.
gamentos) utilizados para ganho de ADM foram os mesmos No disco de madeira, paciente com apoio de um dos mem-
descritos na fase crônica (US, laser, interferêncial e alongamen- bros superiores, em posição ortostática e semiflexão de joelhos
tos com o mesmo número de séries, manutenção e descanso). tenta manter o equilíbrio.
Os exercícios para fortalecimento de quadríceps e adutores Realizar treino de equilíbrio trabalhando chutes e
nessa fase são os mesmos descritos para as fases anteriormente cabeceios de bola, treino de corrida e mudanças de direção com
citados com aumento gradativo de carga. cones, (figuras 29A, B e C do anexo 1).
Para estimulação de propriocepção na fase final ou retor-
no ao esporte foram mantidos os mesmos exercícios das fases
aguda, sub-aguda e crônica.
Adicionados exercícios na cama elástica com o paciente
em posição ortostática com os joelhos em semiflexão, faz des-
cargas de peso, com movimentos latero-laterais e ântero-poste-
rior e póstero-anterior, progredindo para movimentos de flexão
e extensão do membro lesado, saltos e cabeceios, passe de bola
(figura 28A e B do anexo 1). A-

B-

Figura 28A – Exercícios de propriocepção avançada na cama elás-


tica

C-

Figura 29 – Exercícios de propriocepção avançada com mudanças


de direção.

Os recursos eletroterapêuticos citados são recursos que


possam vir a contribuir no tratamento de pacientes com a doen-
Figura 28B – Exercícios de propriocepção avançada na cama
eslástica com passes de bola.
ça de Osgood-Schlatter, pois seus efeitos fisiológicos já são
comprovados na literatura.
Na prancha de equilíbrio paciente em posição ortostática, Os recursos eletroterapêuticos citados são recursos que
com os joelhos em semiflexão, realiza o movimento, para fren- possam vir a contribuir no tratamento de pacientes com a doen-
te e para trás sem apoios dos membros superiores, progredindo ça de Osgood-Schlatter, pois seus efeitos fisiológicos já são
comprovados na literatura.

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Conclusão Schlatter. Revista Brasileira de Ortopedia, v.26 n.6 p.216-


218, Junho, 1991.
No que diz respeito às definições, etiologia da doença de FERNANDES, A.; MARINHO, A.; VOIGT, L.; LIMA,
Osgood Schlatter, a literatura se encontra ainda muito contradi- V. Cinesiologia do alongamento. Rio de Janeiro: Sprint, 2002.
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Em relação ao tratamento fisioterapêutico da doença de Manole, 2001.
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Silva et al. (2006), em sua revisão bibliográfica sobre os trata- tuberosity excision for symptomatic Osgood-Schlatter disease.
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ma de tratamento. Por esse motivo foi elaborada uma nova pro- GARDNER, E.; GRAY, D.J.; O’RAHILLY, R. Anatomia.
posta de tratamento e prevenção em Osgood Schlatter, com fo- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
tos ilustrativas e séries de exercícios de alongamentos, exercí- GOSS, C.M.- Anatomia - Rio de Janeiro: Guanabara
cios resistidos, propriocepção e eletroterapia. Koogan, 1988.
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esporte. São Paulo: Manole, 2000.
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Uso de Espirômetro de Incentivo e Pressão Positiva no Pós-


operatório de Cirurgia Cardíaca com Esternotomia
The use of Incentive Spirometry and Positive Pressure in the Postoperative
period after heart surgery with Sternotomy
Ana Cristina da Silva1, Daiane Cristina de Moura1, Polliana Oliveira Mello1, Juliana Cleusa de
Almeida Ramos2, Natália de N. Polcaro A. de Freitas3, Katherine Cristine Nascimento Dutra4

Resumo Abstract
Estatísticas recentes apontam as doenças cardíacas como Recent statistics show heart diseases as one of the main
uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mun- causes of morbidity and mortality in the world. Heart surgery is
do. A cirurgia cardíaca é realizada com o objetivo de reverter performed aiming to reverse the symptoms of coronary/ valve
os sintomas da doença coronariana/valvar e melhorar a quali- diseases and to improve the subject’s quality of life. The incen-
dade de vida dos indivíduos. O espirômetro de incentivo (EI) e tive spirometry (IS) and the positive pressure are used by the
a pressão positiva são utilizados pela fisioterapia respiratória a chest physiotherapy in order to prevent and reverse pulmonary
fim de prevenir e reverter complicações pulmonares que são complications which are frequent in postoperative period (PP).
intercorrências freqüentes no pós-operatório (PO). Faltam evi- Evidences about these techniques are scarce, so the purpose of
dências a respeito dessas técnicas; portanto, o objetivo do nos- our study is to evaluate the IS and positive pressure efficacy in
so estudo foi avaliar a eficácia do EI e pressão positiva no PO the PP of cardiac surgery with sternotomy. We carried out a
de cirurgia cardíaca com esternotomia. Foi realizado um levan- literature search through Cochrane Library, PEDro, Lilacs,
tamento bibliográfico dos artigos publicados no período de 2000 Medline, PubMed and SciElo for papers published between
a 2008, nas bases de dados: Biblioteca Cochrane, PEDro, Lilacs, 2000 and 2008. In this review, we conclude that the IS showed
Medline, PubMed e SciElo. Nesta revisão, concluímos que o disadvantages when compared to positive pressure. It was also
EI apresentou desvantagens quando comparado à pressão posi- observed that only a few studies have investigated the use of
tiva. Foi observada também escassez de pesquisas abordando o both techniques in the PP of cardiac surgery. Therefore, we
uso de ambas as técnicas no PO de cirurgia cardíaca. Dessa suggest the development of new studies to confirm the efficacy
forma, sugerimos o desenvolvimento de novos estudos que com- of these techniques.
provem a eficácia das técnicas.
Keywords:
Palavras-chave: physiotherapy, sternotomy, positive pressure, heart surgery, in-
Fisioterapia, esternotomia, pressão positiva, cirurgia cardíaca, centive spirometry.
espirômetro de incentivo.

Introdução são: artéria mamária interna esquerda (AMIE) e veia safena,


sendo a AMIE a mais ideal por ter uma patência de enxerto
Nas últimas décadas, o número de cirurgias cardíacas no superior e um maior tempo de sobrevivência quando compara-
mundo tem aumentado exponencialmente; entretanto, compli- do ao enxerto com veia safena. Porém, seu uso está associado
cações pulmonares pós-operatórias são causas importantes do com o trauma cirúrgico adicional que induz as alterações da
aumento da morbidade e da mortalidade nos pacientes subme- função pulmonar, diminui o aporte sanguíneo para a muscula-
tidos a esse procedimento.20,31,38,41 tura intercostal, reduzindo a força muscular respiratória.10,25,32
As alterações pulmonares encontradas nos pacientes sub- Vários estudos citam que a cirurgia cardíaca associada
metidos à cirurgia cardíaca dependem de vários fatores pré- ao uso de circulação extracorpórea (CEC) é um fator importan-
operatórios, procedimentos cirúrgicos e evolução pós-operató- te que predispõe a complicações no PO, através do contato san-
ria (PO) dos pacientes.2,4,12,13,15 guíneo com a superfície não endotelizada do circuito, desenca-
Na cirurgia de revascularização do miocárdio (CRVM) é deando a síndrome da resposta inflamatória sistêmica.4,5,13,20,21,23,35
utilizado um enxerto com o objetivo de interromper a isquemia Complicações pulmonares após a cirurgia cardíaca são
causada pela obstrução coronariana, sendo uma opção com bons bem conhecidas e têm sido estudadas amplamente, apesar de
resultados a médio e longo prazo. Os enxertos mais utilizados sua etiologia não ser totalmente entendida. Apesar do grande
1. Graduada em Fisioterapia pela Universidade de Itaúna-MG Recebido: junho de 2009
2. Especialista em Auditoria em Saúde; Preceptora do Estágio Curricular em Cardio-Pulmonar Aceito: julho de 2009
da Universidade de Itaúna-MG.. Autor para correspondência:
3. Graduada em Fisioterapia pela Universidade de Itaúna; Residente em Fisioterapia Email: kathdutra@yahoo.com.br
Respiratória do Hospital Biocor - Nova Lima-MG..
4. Especialista em Neonatologia; Aprimoramento em Fisioterapia Cardio-Pulmonar; Docente
da Disciplina de Fisioterapia Aplicada à Pneumo-Cardio II da Universidade de Itaúna-MG;
Preceptora do Curso de Pós-Graduação em Fisioterapia Respiratória com Ênfase na Prática
Hospitalar da Faculdade de Ciências Médicas e Hospital Felício Rocho-Belo Horizonte.

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avanço no cuidado pré, intra e pós-operatório, as complicações O BiPAP permite ajuste de pressão positiva duran-
pulmonares no PO continuam contribuindo para a permanência te a inspiração e a expiração de forma independente.
hospitalar com conseqüente aumento dos custos.10,16,20,27 Esses ventiladores ciclam dois níveis de pressão positi-
As complicações mais comuns são: atelectasia, va: um nível pressórico mais elevado durante a inspira-
pneumonia, redução de volumes pulmonares, derrame ção, que auxilia a ventilação e o trabalho respiratório e
pleural, insuficiência respiratória, hipoxemia, edema, outro menor durante a expiração, que melhora a troca
diminuição de força, embolia pulmonar e retenção de gasosa e diminui o trabalho cardíaco. 32
secreções. 3,6,7,8,9 O RPPI é um procedimento muito utilizado no PO. A
A atelectasia na base pulmonar é a complicação modalidade ventilatória aplica uma pressão positiva na via aé-
mais freqüente e de natureza multifatorial. A obstrução rea do paciente que está respirando espontaneamente por meio
de vias áreas é causada pela depuração mucociliar defi- de um bucal de plástico ou máscara.23
ciente, inativação do surfactante, broncoespasmo e Existem dúvidas em relação ao melhor método a ser utili-
hipoventilação. 4,14,17,31 zado em determinadas complicações; portanto, o objetivo des-
A pneumonia é a segunda complicação mais fre- ta revisão foi comparar a eficácia e prescrição dos recursos da
qüente (3% a 34% dos pacientes). Essa infecção é atri- fisioterapia (EI e pressão positiva) utilizados no PO de cirurgia
buída à diminuição do fluxo expiratório e do batimento cardíaca com esternotomia.9,26
ciliar, inibição ou ineficácia da tosse e aspiração de con-
teúdos orofaríngeos. O risco é aumentado em fumantes
ativos, naqueles com atelectasia no PO, infecção da in-
Metodologia
cisão cirúrgica, ventilação mecânica e hospitalização pro- Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases
longada. 18,19,31,32 de dados eletrônicas Biblioteca Cochrane, PEDro, Lilacs,
A diminuição de volumes pulmonares é bastante re- Medline, PubMed e SciElo, publicados no período de 2000 a
latada na literatura. Os volumes mais prejudicados e que 2008.
repercutem nos parâmetros de gasometria são: capacida- Os critérios de inclusão foram revisões de literatura e
de vital forçada (CVF), capacidade residual funcional ensaios clínicos que enfatizaram condições pós-operatórias de
(CRF), volume corrente (VC), pico de fluxo expiratório cirurgia cardíaca com esternotomia, avaliando a eficiência dos
(PFE), volume expiratório máximo e volume expiratório recursos da fisioterapia: EI e pressão positiva.
forçado no 1º segundo (VEF 1 ). 22,23,24,29,34 Os estudos excluídos foram aqueles que não avaliaram
A fisioterapia tem sido utilizada na prevenção e tra- cinco ou mais parâmetros relacionados à função pulmonar e
tamento de complicações pulmonares PO. 6,16,18,19,41 gasometria e estudos que interviram em crianças e animais.
Alguns recursos são utilizados pela fisioterapia res-
piratória no PO de cirurgia cardíaca com esternotomia,
como manobras de fisioterapia respiratória, pressão po- Resultados
sitiva expiratória nas vias aéreas (EPAP), pressão posi-
tiva continua nas vias aéreas (CPAP), pressão positiva Os resultados das revisões analisadas estão descritos no
contínua em dois níveis pressóricos nas vias aéreas quadro 1 e dos ensaios clínicos no quadro 2.
(BiPAP), respiração com pressão positiva intermitente
(RPPI) e espirômetro de incentivo (EI). As diferenças
técnicas existentes entre esses recursos atuam de forma
específica no retorno dos volumes pulmonares e mecâ-
nica respiratória aos valores pré-operatórios. 1,6,27,37
Na prática clínica um recurso instrumental larga-
mente utilizado para induzir inspiração máxima susten-
tada é o EI. Desenvolvido em 1970 por Bartlett e cola-
boradores para reproduzir o suspiro e o bocejo natural,
o EI estimula o paciente através do feedback visual e
auditivo a manter a insuflação por um período prolonga-
do, utilizando a inspiração lenta e profunda. Durante a
inspiração visualiza-se, após um volume inspirado ou
fluxo gerado, o deslocamento de um êmbolo ou esfera
contido no dispositivo. 9,32
O EPAP é a aplicação de pressão positiva por meio
de um circuito que utiliza uma máscara facial acoplada a Quadro 1. Resultados das revisões.
uma válvula na qual o paciente expira contra uma resis-
tência. 33,34,37 Outra modalidade ventilatória que aplica a Espirômetro de incentivo (EI), Pressão positiva contínua
pressão positiva é o CPAP, uma pressão positiva contí- nas vias aéreas (CPAP), Pressão positiva contínua em dois ní-
nua nas vias aéreas durante todo o ciclo respiratório, ou veis pressóricos nas vias aéreas (BiPAP), Treinamento muscu-
seja, pressão expiratória igual à pressão inspiratória. A lar respiratório (TMR), Respiração com pressão positiva inter-
utilização desse método é dependente do esforço respi- mitente (RPPI), Pressão positiva expiratória final (PEEP).
ratório inicial do paciente cooperativo e apresentando
respiração espontânea eficaz, portanto, não sendo efeti-
va durante períodos de apnéia. 30,32

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Discussão
A incidência de complicações pulmonares no PO de cirur-
gia cardíaca foi muito relatada, variando de 5% a 90% depen-
dendo dos critérios usados para definir complicações e os méto-
dos para avaliar e analisar tais intercorrências.9,17,28
Diferentes e equivocadas definições de complicações pós-
operatórias foram encontradas nos estudos, podendo influenciar
os resultados dos mesmos. Segundo o estudo de Gosselink e co-
laboradores realizado em 2000, as complicações pós-operatórias
foram definidas como condição clinicamente relevante, resultan-
do em esforço adicional. Já no estudo de Hulzebos et al. (2003),
as complicações pulmonares foram definidas de acordo com acha-
dos clínicos (sintomas e exame físico), achados radiológicos e de
acordo com as definições de bronquite, atelectasia e pneumonia
do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Achados anor-
mais encontrados sem sintomas clínicos e alterações na ausculta
foram considerados complicações subclínicas.
A saturação de oxigênio (SaO2) é um parâmetro frequente-
mente alterado no PO de cirurgia cardíaca. A retenção de secre-
ção é um dos agravantes que pode contribuir para a queda da
mesma, por dificultar a passagem dos gases através da membra-
na alvéolo-capilar. No estudo de Romanini et al. (2007), que ava-
liou um grupo sob intervenção do EI e outro sob intervenção do
RPPI, o RPPI foi mais eficiente em aumentar a SaO2 de maneira
significativa, quando comparado com o EI. Os outros parâmetros
espirométricos avaliados não apresentaram diferença entre os
grupos.
A técnica BiPAP tem sido descrita como um recurso efici-
ente para reverter complicações no PO. Este efeito benéfico é
conseqüência das características próprias da modalidade, em que
se pode ajustar dois níveis pressóricos e diminuir o trabalho res-
piratório. Um estudo comparou grupos de EI, CPAP e BiPAP. O
grupo EI desenvolveu mais atelectasia e não reverteu o quadro
de piora da CV, VEF1 e pressão arterial de oxigênio (PaO2) no 2º
dia pós-operatório (DPO). A aplicação do BiPAP alterou o débi-
to cardíaco (DC), sendo necessário o uso cauteloso com a avali-
Quadro 2. Resultados dos ensaios clínicos ação do estado hemodinâmico do paciente. Esta redução do DC
é decorrente do aumento das pressões intra-torácicas, que difi-
Pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), Traba- cultam o retorno venoso diminuindo o volume sanguíneo ejetado.
lho respiratório (WR), Freqüência cardíaca (FC), Pressão arte- Apesar dos efeitos similares, o BiPAP, mesmo alterando o DC,
rial média (PAM), Pressão de arterial oxigênio (PaO2), Inter- apresentou algumas vantagens quando comparado ao CPAP.21,24
venção fisioterapêutica (IF), Volume expiratório forçado no 1º A revisão sistemática realizada por Freitas et al. (2007),
segundo (VEF1), fluxo expiratório forçado (FEF25-75%), Pico de concluiu que não há benefícios do EI quando comparado a outras
fluxo (PF), Pressão inspiratória máxima (PImáx), Dia pós-opera- técnicas de fisioterapia e que quando comparado à pressão posi-
tório (DPO), Espirômetro de incentivo (EI), Pressão positiva tiva, o EI foi menos eficaz.
contínua em dois níveis pressóricos nas vias aéreas (BiBAP), Diferentes tipos de EI são utilizados na prática clínica, sendo
Capacidade Vital (CV), Unidade de terapia intensiva (UTI), eles orientados à variação de fluxo (em que há um trabalho respi-
Pressão arterial de O2 (PaO2), Pressão arterial de CO2 (PaCO2), ratório adicional) e à variação de volume. O estudo realizado por
Saturação de oxigênio (SatO 2 ), volume corrente (VC), Weindler et al. (2003) concluiu que o EI a volume permite man-
Frequência respiratória (FR), Respiração com pressão positiva ter por um maior tempo uma inspiração máxima e, portanto, pode
intermitente (RPPI), Capacidade vital forçada (CVF), Força ser mais adequado para recuperar os volumes pulmonares.
muscular respiratório (FMR), Volume minuto (VM), Pressão O EI a volume foi empregado de formas diferenciadas. No
positiva expiratória nas vias aéreas (EPAP), Pressão positiva estudo de Matte et al. (2000), foi preconizado 20 exercícios res-
expiratória final (PEEP), Resistência inspiratória-pressão piratórios a cada 2 horas; já em outro, o EI foi aplicado em 2
expiratória positiva (IR-PEEP), Capacidade pulmonar total séries de 10 minutos com intervalo de cinco minutos entre elas.29
(CPT), Capacidade residual funcional (CRF), Escala visual Outon et al. (1981), citado por Gosselink et al. (2000), observou
analógica (EVA). escores de radiografia do tórax em pacientes no PO de CRVM.
Achados anormais foram mais encontrados nas radiografias dos
pacientes que usaram o EI a fluxo. Porém no mesmo estudo,
Gosselink et al. (2000), concluiu que o EI volumétrico não mos-

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trou efeitos adicionais. uma máscara acoplada a uma válvula unidirecional e o selo d’água,
Foi observada uma grande variação na prática clínica com em que a PEEP é ofertada pela resistência da água. O estudo
relação às técnicas de pressão positiva, tanto na freqüência da realizado por Sehlin et al. (2007), confrontou ambos dispositivos
aplicação quanto nos valores de pressão empregada. aplicando-os em 20 pacientes saudáveis. A máscara PEEP e o
Assim como Weindler et al. (2003) e Freitas et al. (2007) selo d’água foram aplicados aleatoriamente em 3 séries de 10
acreditamos que a eficácia do EI esteja relacionada com a sele- repetições. A maioria dos pacientes relatou maior esforço perce-
ção de pacientes cooperativos, com as instruções de uso, com o bido com a máscara PEEP e não foram encontradas diferenças
treinamento pré-operatório, com a supervisão dos pacientes du- quanto a SatO2 e aspectos hemodinâmicos.
rante os exercícios, com a escolha do dispositivo e com a fre- No estudo de Westerdahl et al. (2003), que avaliou o selo
qüência utilizada. d’água, respiração diafragmática e o IR-PEP no PO de cirurgia
As técnicas inspiração máxima sustentada (SMI) e pressão cardíaca, nenhuma diferença significativa foi encontrada nos re-
positiva foram comparadas ou associadas à intervenção sultados imediatos na oxigenação e reversão de atelectasia. Po-
fisioterapêutica (IF); no entanto, os vários estudos não citaram rém, em um estudo realizado em 2006 pelo mesmo autor, verifi-
um protocolo padronizado, porém foram encontrados alguns exer- cou-se que o selo d’água quando comparado a um grupo controle
cícios similares como: auxílio da tosse, mobilização precoce, foi mais eficaz em reverter atelectasia. De acordo com esse estu-
exercícios respiratórios e manobras desobstrutivas.34,39,37,40 do e com o estudo de Westerdahl e colaboradores (2001), o selo
A variação na prática da fisioterapia respiratória ocorre por d’água é um método efetivo para reverter atelectasia quando com-
falta de uma sistematização das técnicas utilizadas. parado a nenhuma intervenção, além de ser um método de fácil
Vários estudos analisados utilizaram a IF isolada. Nesses aplicação e baixo custo.
grupos foi observado que a recuperação dos volumes Ainda não existe um consenso absoluto sobre o regime de
espirométricos ocorreu de forma tardia quando comparado ao fisioterapia mais eficaz após cirurgia cardíaca aberta.
tempo de recuperação de grupos sob intervenção do EI ou pres- Uma das limitações encontradas nos ensaios clínicos revi-
são positiva. De acordo com Muller et al. (2006), a aplicação de sados foi com relação a amostras pequenas com baixo poder es-
pressão positiva nas primeiras horas de PO restabelece mais ra- tatístico. Outra limitação que pode alterar os resultados dos estu-
pidamente as capacidades e volumes pulmonares. dos é referente ao controle e administração de anestésicos e anal-
Mendes et al. (2005), comparou um grupo IF com um gru- gésicos.
po CPAP de 7 a 10 cmH2O, administrado uma vez ao dia por 30 Controvérsias existem quanto às técnicas empregadas na
minutos até a alta hospitalar. Não foram encontradas diferenças prática fisioterapêutica. Na revisão de Schwan et al. (2006), os
significativas para as variáveis de espirometria, força muscular dispositivos administrados pela fisioterapia respiratória mostra-
inspiratória, ventilometria e cirtometria (medida da mobilidade ram ser eficazes, prevenindo e minimizando complicações pul-
tóraco abdominal). Foram observadas alterações importantes na monares, no entanto, Westerdahl et al. (2005), conclui que fal-
função pulmonar, na força e na mobilidade tóraco-abdominal. O tam evidências a respeito dos benefícios de qualquer método
estudo concluiu que tanto o CPAP quanto a IF podem ser válidos profilático de fisioterapia respiratória após cirurgia cardíaca.
para reverter tais alterações, podendo ser afirmado que não hou- A variação da prática clínica pode ser pela ausência de um
ve superioridade entre as intervenções avaliadas no estudo. método “padrão ouro” para a fisioterapia respiratória e para o
Outro estudo avaliou a IF isolada e a IF associada ao RPPI desenvolvimento de estudos.
aplicado em três séries de 20 repetições com pressão inspiratória
entre 20 a 30 cmH2O e pressão positiva expiratória final (PEEP)
de 10 cmH 2O. O grupo IF não restabeleceu os valores
Conclusão
espirométricos até o 5º DPO, enquanto o grupo IF associada ao O número escasso de estudos e as metodologias
RPPI somente não restabeleceu de forma significativa o VFE1 no diversificadas contribuem para a falta de evidências e dificul-
5º DPO. Nenhum parâmetro avaliado alcançou os valores pré- tam a comparação dos resultados. Concluímos que o EI apre-
operatórios em ambos os grupos. Apesar de o RPPI ter atingido sentou desvantagens quando comparada à pressão positiva.
valores espirométricos superiores ao do grupo IF, uma técnica Apesar disso o EI é um recurso muito utilizado para reverter
não foi considerada mais eficaz que a outra.23 complicações pós-operatórias, além de ser um dispositivo de
Segundo Silva et al.0 (2005), foi comparado um grupo baixo custo.
somente sob IF e um grupo IF associada ao EPAP. O EPAP foi A eficácia do EI e do uso de pressão positiva ainda é con-
aplicado duas vezes ao dia até a alta hospitalar, os pacientes rea- troversa, assim como a freqüência adequada para empregar
lizaram exercícios em três séries de 20 repetições, respirando ambas as técnicas e o valor ideal de pressão. Dessa forma suge-
contra uma PEEP de 10 cmH2O. Para ambos os grupos os valo- rimos a realização de novos estudos com metodologia rígida e
res espirométricos não retornaram aos valores prévios, porém, descrita de forma clara, para avaliar a melhor técnica e a forma
no grupo IF associada ao EPAP esses valores foram recuperados adequada de administração da mesma na prática clínica, a fim
de forma significativa, exceto a CV. de prevenir e reverter às complicações no PO de cirurgia cardí-
Em alguns estudos, de maneira inesperada, o EPAP e o EI aca.
foram efetivos em recuperar a força muscular respiratória (FMR),
mesmo não sendo seus objetivos específicos. Os autores justifi-
caram o aumento da FMR como conseqüência do trabalho im- Referênciais
posto pelos dispositivos de reexpansão pulmonar, por meio do
recrutamento ativo de unidades motoras com conseqüente au- Agostini, P.; Calvert, R.; Subramanian, H.; Naidu, B. Is
mento da força muscular.29,34 incentive spirometry effective following thoracic surgery?
O EPAP pode ser aplicado por meio de dois dispositivos: Interactive CardioVascular and Thoracic Surgery, 2007.

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Comparação entre a Idade Motora de Estudantes de uma Escola


Pública e Privada pela Escala de Desenvolvimento Motor
Comparison Between theAge of an Engine for Students Public and Private
Schools by scale Development Engine
Adroaldo Barbosa da Silva1, Bartolomeu Andrade Souza Júnior1,
Janayna de Oliveira Souza1, Serginaldo José dos Santos2

Resumo Abstract
Introdução: O ser humano desenvolve habilidades Introduction: The human develops specific psychomotors
psicomotoras específicas conforme a sua idade cronológica. abilities according to his chronological age. One form to evaluate
Uma das formas de se avaliar o desenvolvimento psicomotor é the psychomotor development is the Motor Development Scale
a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) proposta por Rosa (MDS) proposed by Rosa Neto. Objective: Comparing, by
Neto. Objetivo: Comparar, por meio da EDM, o desenvolvi- means of MDS, the psychomotor development of students from
mento psicomotor em estudantes matriculados em uma escola a public school (G1) and a private school (G2). Method: Study
pública (G1) ao de estudantes de uma escola privada (G2). with 50 children of both genders attending the 5th grade of
Casuística e Método: Estudo com 50 crianças, de ambos os se- basic education. The comparison between the schools and
xos, nascidas no ano de 1995, matriculadas e cursando a 5ª sé- genders were carried through by means of the not-parametric
rie do ensino básico. As comparações entre as escolas e entre os test of Mann-Whitney. Results: The General Motor Quotient of
sexos foram realizadas por meio do teste não-paramétrico de students from G2 was significantly higher than those from G1.
Mann-Whitney. Resultados: O Quociente Motor Geral dos alu- Girls from G2 obtained significantly better results in relation
nos do G2 foi significativamente maior do que os do G1. As of body schema and boys from the same group got better results
meninas do G2 obtiveram resultados significativamente maio- in relation of body schema and temporal organization. It didn’t
res em relação ao esquema corporal e os meninos do G2 obti- have significant difference between genders. Conclusion:
veram resultados significativamente maiores em relação ao es- Besides those statistical differences and in the classification,
quema corporal e organização temporal. Não houve diferença the results of both schools are presented as adequate to the re-
significativa entre sexos. Conclusão: Apesar das diferenças es- gular development.
tatísticas e quanto à classificação, os valores de ambas as esco-
las apresentam-se adequados ao desenvolvimento. Key words:
Psychomotor development, risk factors, genders.
Palavras-chave:
Desenvolvimento Psicomotor, Fator de Risco, Gênero.

Introdução relacional proporcionarem condições e estímulos favoráveis6.


Um ambiente rico em estimulação sensório-motora, com
O desenvolvimento psicomotor está relacionado com a quantidade e qualidade na oferta de estímulos respeitando as
maturidade e o processo evolutivo humano1, onde ambos os diferentes fases do ciclo da vida, em especial nas fases iniciais,
hemisférios cerebrais estruturam aspectos afetivos, perceptuais propiciam o desenvolvimento do individuo. Esses ambientes
e cognitivos, promovendo as experiências de interação social e são desenvolvidos nos diferentes ecossistemas como dentro do
os comportamentos relacionados às práticas da vida diária2. Este seio familiar, na comunidade e em especial na escola7.
desenvolvimento se dá pelas transformações do nosso organis- Alguns autores 6,8 consideram a infância como a fase onde
mo que se traduz por ações e modificações do desempenho em se adquire habilidades para dominar o corpo e locomover-se,
nossa vida3. implicando que no decorrer do crescimento deverá compensar,
Existem fatores de risco que podem atrasar ou dificultar ajustar ou mudar padrões pré-estabelecidos para continuar o
o processo evolutivo da aprendizagem, tais como condições aprendizado, aumentando suas habilidades para tarefas futuras,
socioeconômicas, biológicos e déficits pedagógicos4,5,6. Tais importantes para o desenvolvimento do ser humano, onde a ati-
fatores interferem em todo o desenvolvimento, entretanto, são vidade física seria uma peça fundamental para o desenvolvi-
passíveis de serem minimizados se a família e o ambiente mento psicomotor2, 3, 4.

1. Acadêmico do curso de Fisioterapia da Universidade Católica Dom Bosco-MS Recebido: junho de 2009
Aceito: julho de 2009
2. Docente da Universidade Católica Dom Bosco-MS, orientador da pesquisa. Autor para correspondência:
Email: bjfisio@hotmail.com

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Gessel e Amatruda9 descreveram que o ser humano de- sobre o objetivo do estudo e os testes que seus filhos iriam par-
senvolve habilidades psicomotoras específicas conforme a sua ticipar. A seleção de amostra populacional foi realizada de for-
idade cronológica, confirmado por meio de testes desenvolvi- ma aleatória e com distribuição uniforme entre a quantidade de
dos para avaliar o aprendizado de acordo com sua faixa etária. alunos por salas de aula.
Uma dessas formas de se avaliar o desenvolvimento psicomotor Foram incluídas neste estudo crianças de ambos os se-
seria a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM), composta xos, cursando a 5ª série do ensino fundamental de ambas as
por um conjunto de testes dos elementos básicos da motricidade escolas, nascidas no ano de 1995 e que apresentaram o Termo
(motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema cor- de Consentimento Livre Esclarecido assinado pelos pais ou res-
poral, organização espacial e organização temporal) de acordo ponsáveis. Não foram incluídas crianças repetentes, com pre-
com a idade cronológica3. sença de problemas neurológicos ou ortopédicos que compro-
A motricidade fina é importante no controle dos movi- metessem a execução das provas. Foram excluídas crianças que
mentos mais precisos e com menor uso de força, é um marco durante os testes apresentaria infecções, febre, feridas ou indis-
para o desenvolvimento humano no uso de instrumentos. A posições que reduzissem o desempenho funcional nos testes.
motricidade global seria a capacidade de realizar movimentos Antes do inicio da pesquisa, o projeto teve aprovação do
amplos e de todas suas possibilidades no deslocamento de seg- Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Mato
mentos do corpo. O equilíbrio está relacionado ao controle dos Grosso do Sul, de acordo com a CNS.
movimentos em relação à gravidade, aprimorando a capacida- A avaliação psicomotora utilizada foi baseada na Escala
de de iniciar e cessar atividades corporais. O esquema corporal de Desenvolvimento Motor (EDM), descrita e publicada por
se dá pela percepção do indivíduo em relação a si mesmo e ao Francisco Rosa Neto, composta por uma bateria de testes en-
uso do corpo em relação aos objetos que os rodeiam. Organiza- volvendo provas referentes à motricidade fina, motricidade glo-
ção espacial é a percepção e a representação do indivíduo no bal, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e orga-
espaço, necessário para se estabelecer relações, e presentes em nização temporal, de acordo com diferentes faixas etárias3.
aspectos como a leitura e a lateralidade corporal. A organiza- Para avaliar cada habilidade psicomotora utilizou-se um
ção temporal é a capacidade de perceber mudanças do corpo no roteiro de avaliação, materiais e as folhas de anotação para tes-
espaço e nas estruturas rítmicas, elemento envolvido no pro- tes com crianças de onze anos propostas pela EDM3.
cesso de linguagem3, 9. Para a execução dos testes foram utilizadas: bola de bor-
O atraso no desenvolvimento psicomotor pode ocorrer racha com 6 cm de diâmetro, fita métrica, caixa de fósforos,
por desordens biológicas pré, peri e pós-natais, coexistindo ainda cadeira simples de 45 cm de altura, folha de papel de 25 cm x
os fatores sócio-econômicos e ambientais ao longo do desen- 18 cm quadriculada a 1 cm2, lápis preto nº 02, 3 cubos com
volvimento, interferindo no aprendizado de cada habilidade cores diferentes, cartões com representações de círculos com 3
psicomotora. O grau de alfabetização e hábitos dos pais, poder cm de diâmetro, folha em branco.
aquisitivo da família, ambiente em que as crianças vivem e Os testes foram coletados por três examinadores, cada
ralações entre pais e filhos também seriam variáveis qual responsável por avaliar duas provas psicomotoras da bate-
intervenientes e geradores de atrasos no aprendizado e no de- ria EDM, em todas as crianças participantes.
senvolvimento das habilidades necessárias para aquisição de Os testes psicomotores selecionados foram para as ida-
habilidades necessárias para experiências futuras. Todas essas des de 11 anos, de acordo com a idade cronológica das crianças
variáveis são passiveis de intervenções terapêuticas, que possi- a serem testadas3.
bilitariam minimizar os efeitos no desempenho funcional de cri- 1. Motricidade Fina: agarrar uma bola de seis centíme-
anças expostas a fatores adversos10. tros de diâmetro, lançada a três metros de distância pelo exami-
Considerando-se que diferenças no nível sócio-econômi- nador, sendo que após cinco arremessos a criança tem que agar-
co podem estar associados ao desenvolvimento psicomotor, este rar a bola três ou mais vezes com a mão dominante, após trinta
estudo objetivou comparar, por meio da utilização da Escala de segundos de repouso a criança tem que agarrar a bola com a
Desenvolvimento Motor (EDM), o desenvolvimento psicomotor mão não dominante pelo menos duas vezes em cinco arremes-
de crianças da 5ª série do ensino básico, nascidas no ano de sos;
1995, matriculadas em uma escola pública com crianças matri- 2. Motricidade Global: saltar com os dois pés juntos so-
culadas em uma escola privada. bre uma cadeira de quarenta e cinco a cinqüenta centímetros de
altura e a uma distância de cinqüenta centímetros do móvel. O
examinador sustentará o encosto da cadeira para a criança sal-
Casuística e Método tar, e permanecer sem agarrar-se no encosto da cadeira, caso
Trata-se de um estudo transversal analítico realizado com não consiga na primeira tentativa terá mais duas chances;
crianças matriculadas na escola pública Escola Municipal João 3. Equilíbrio: com os olhos fechados a criança terá que
Evangelista Vieira de Almeida (G1) e na escola privada Colé- manter-se sobre uma perna só por dez segundos, com a perna
gio Militar de Campo Grande (G2), ambas localizadas na cida- oposta flexionada em ângulo reto, coxas paralelas em ligeira
de de Campo Grande em Mato Grosso do Sul. abdução e braços ao longo do corpo, não podendo baixar a per-
Inicialmente foram distribuídos 60 Termos de Consenti- na flexionada por mais de três vezes ou tocá-la no chão, sem
mento Livre e Esclarecido, sendo 30 no G1 e 30 no G2, foram mover-se do lugar e saltar. Após trinta segundos de descanso a
devolvidos, devido e assinados 25 termos de cada um dos gru- criança repete o mesmo procedimento com a perna oposta, ten-
pos, sendo a amostra composta por 50 crianças de ambos os do a criança duas tentativas para cada perna;
sexos, 25 matriculadas no G1 e 25 matriculadas no G2. O Ter- 4. Esquema Corporal: prova de rapidez. Em uma folha
mo de Consentimento Livre e Esclarecido entregue para os pais quadriculada de um cm2, a criança deve fazer um risco oblíquo
e responsáveis, dentro das conformidades da resolução 196/96 de baixo para cima ligando os dois cantos de cada quadrado,
do Conselho Nacional de Saúde (CNS), contendo explicações usando a mão dominante o mais rápido possível, durante um

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minuto. Não podendo pular nenhum quadrado e nem voltar atrás. Mann-Whitney. O mesmo teste foi utilizado para a comparação
Essa prova quantifica idades de seis a onze anos, de acordo entre sexos, em relação ao QMG. A análise estatística foi reali-
com o total de quadrados assinalados, crianças de onze anos zada utilizando-se o “Software” SigmaStat, versão 2.0, consi-
deveriam assinalar cento e quinze quadrados ou mais; derando diferenças significativas quando o valor de “p” foi
5. Organização Espacial: a criança e o examinador senta- menor que 0,0511.
dos frente – a – frente, e entre eles encontram-se três cubos de
diferentes cores e dispostos em seqüência. A criança deve fazer
o reconhecimento da posição relativa dos cubos respondendo
Resultados
corretamente e de forma rápida pelo menos cinco das seis per- A Tabela 1 apresenta informações sobre a quantidade de
guntas do examinador sobre a disposição de um dos cubos em participantes do estudo, e divididos por escola e por sexo.
relação ao outro, se está à direita ou à esquerda;
6. Organização Temporal: o examinador e a criança fi-
cam sentados frente a frente, com lápis e papel em branco na
mão. A criança irá reproduzir sons ou fazer ilustrações confor-
me instruções do examinador. Primeiramente a criança irá re-
produzir os sons segundo o número de batidas e o ritmo percu-
tido pelo examinador, sem observação visual. Depois fará a
simbolização, desenhando círculos com diferentes espaços en- O QMG para as meninas do G1 foi de 87,42 ±2,88
tre eles, após observação de cartões mostrados pelo examina- pontos, considerado como um quociente “normal baixo”.
dor. Na seqüência da prova o examinador mostrará o mesmo Para as meninas do G2 o QMG foi de 90,46 ±4,13 pontos,
cartão, mas de vez desenhar num papel, a criança terá que per- considerado como “normal médio”. Na comparação entre
cutir na mesa com o lápis, cada círculo representa uma batida e escolas, o QMG das meninas do G2 foi significativamente
os espaços entre os círculos representam o tempo entre as bati- maior do que aquele obtido pelas meninas do G1 (p=0,04).
das. Para finalizar o examinador percutirá na mesa e a criança O QMG para os meninos do G1 foi de 86,92 ±4,23 pontos,
terá de desenhá-los na forma de uma seqüência de círculos e considerado como um quociente “normal baixo”. Para os
com espaços diferentes entre os círculos de acordo com o nu- meninos do G2 o QMG foi de 91,93 ±2,24 pontos, consi-
mero e ritmo das percussões. Antes de cada etapa, o examina- derado como “normal médio”. Na comparação entre esco-
dor realizará pequenos ensaios para verificar a compreensão da las, o QMG dos meninos do G2 foi significativamente mai-
prova pela criança. O total de acertos corresponde às idades de or do que aquele obtido pelos meninos do G1 (p<0,001).
seis a onze anos, sendo que crianças de onze anos deveriam Porém, apesar da diferença quanto à classificação e quanto
obter de trinta e dois a quarenta acertos. à diferença estatística, ambos os resultados encontram-se
Em caso de não realização positiva da prova de onze anos, dentro de um padrão de normalidade. Estes resultados es-
foi realizada a prova para idades inferiores, até que a criança tão ilustrados na figura 1.
atingisse o êxito total na prova.
As crianças foram testadas na própria escola, em salas
com janelas laterais, ventiladores, iluminação artificial, única
porta para entrada e saída, sendo esta mantida fechada durante
a aplicação dos testes. Os testes motores foram realizados du-
rante um único dia por escola, em horário que não interferissem
nas atividades da mesma e com crianças trajando roupas ade-
quadas para execução dos testes (uniforme de educação física
ou bermuda e camiseta).
Os resultados obtidos nos testes foram analisados pela a
média do quociente motor geral (QMG) e quociente motor por
provas (QMP). O QMG é obtido pela divisão da idade motora
geral (média dos resultados obtidos nos seis testes da EDM)
pela idade cronológica em meses multiplicada por cem, enquanto
que o QMP é obtido pela divisão do resultado de cada prova
pela idade cronológica em meses multiplicada por cem. Os quo-
cientes motores são classificados pelo desempenho:

Figura 1: Quociente Motor Geral e sua classificação en-


tre meninos e meninas. * Diferença significativa quando p <
0,05;

E em relação às diferenças do QMG entre os meninos


quando comparados com as meninas da mesma escola, não
houve diferença significativa, em ambas as escolas (G1
p=0,96; G2 p=0,22).
O QMP obtido pelas meninas do G1, nas provas refe-
rentes à motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, es-
A comparação entre escolas, G1 e G2, tanto entre as me-
ninas como entre os meninos, em relação ao QMG, bem como
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no QMP, foi realizada por meio do teste não-paramétrico de
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quema corporal, organização espacial e organização tempo-


ral, foi 98,83 ±5,34 pontos (média ±desvio padrão da mé-
dia), 96,58 ±4,44 pontos, 92,42 ±8,33 pontos, 48,67 ±5,05
pontos, 99,58 ±2,78 pontos e 87,58 ±7,47 pontos, respecti-
vamente. Já para as meninas do G2, o quociente, para cada
um dos testes, foi respectivamente, 98,82 ±5,71 pontos, 97,73
±4,34 pontos, 95,18 ±7,25 pontos, 64,46 ±16,57 pontos,
96,09 ±4,70 pontos e 94,36 ±6,02 pontos. Na comparação
entre as escolas, não houve diferença significativa nos quo-
cientes obtidos pelas meninas, nos testes referentes à
motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, organiza-
ção espacial e organização temporal (motricidade fina,
p=0,85; motricidade global, p=0,58; equilíbrio, p=0,56; or-
ganização espacial, p=0,09; organização temporal, p=0,07).
Por outro lado, no teste referente ao esquema corporal, o
quociente obtido pelas meninas do G2 foi significativamen-
te maior do que aquele obtido pelas meninas do G1 (p=0,006).
Estes resultados podem ser melhores visualizados na figura
2. Figura 3: Quociente Motor por provas entre meninos de
ambas as escolas. * Diferença significativa quando p <
0,05;

Ambos os grupos apresentaram classificação normal mé-


dio para os testes de motricidade fina, motricidade global, equi-
líbrio e organização espacial. Nos testes de esquema corporal
os dois grupos apresentaram resultados classificados como muito
inferior. Com diferença também nos testes de organização tem-
poral, com classificação normal médio para G2 e normal baixo
para G1.

Discussão
Diante dos resultados encontrados evidenciou-se no teste
de esquema corporal que ambas as escolas obtiveram médias
inferiores ao esperado para a sua idade cronológica, no caso 11
anos de idade, G2 de sete anos e de seis anos para G1. Rosa
Neto et al8 atribuem às discrepâncias nos testes de esquema
Figura 2: Quociente Motor por Prova entre meninas de
corporal, idade motora diferente à cronológica, às dificuldades
ambas as escolas. * Diferença significativa quando p <
na conscientização corporal e na utilização segmentar do cor-
0,05;
po.
Como o esquema corporal é fundamental para o conheci-
Em relação aos meninos do G1, o quociente obtido nos
mento do próprio corpo e suas relações com o mundo externo,
testes referentes à motricidade fina, motricidade global, equi-
propicia a estruturação de toda a educação psicomotora tanto
líbrio, esquema corporal, organização espacial e organiza-
ao nível da consciência e do conhecimento quanto ao controle
ção temporal, foi de 99,77 ±1,48 pontos, 97,39 ±4,45 pon-
de si mesma. Sua evolução é necessária para as experiências
tos, 95,15 ±5,74 pontos, 45,85 ±2,48 pontos, 98,08 ±4,05
sociais, diferentes de outros processos evolutivos que necessi-
pontos e 86,23 ±13,32 pontos, respectivamente. Para os
tam de exercícios, maturação neuro-sensorial e experimenta-
meninos do G2, o quociente, em cada um dos testes, foi res-
ções que levam a esta maturação12.
pectivamente, 100,14 ±1,66 pontos, 99,86 ±2,38 pontos,
O desenvolvimento do esquema corporal em relação á
98,21 ±4,15 pontos, 59,71 ±10,99 pontos, 97,93 ±4,45 pon-
idade cronológica apresenta-se incerto entre os autores.
tos e 96,64 ±6,10 pontos. Na comparação entre as escolas,
Em estudo similar13, embora com faixa etária inferior ao
não houve diferença significativa nos quocientes obtidos
presente estudo, com a aplicação do EDM, os autores em crian-
pelos meninos, nos testes referentes à motricidade fina,
ças constataram o mesmo tipo de diferença entre a idade motora
motricidade global, equilíbrio e organização espacial
e idade cronológica no teste de esquema corporal. Entretanto,
(motricidade fina, p=0,35; motricidade global, p=0,14; equi-
os autores sugerem que as capacidades para desenvolvimento
líbrio, p=0,07; organização espacial, p=0,70). Por outro lado,
em tarefas, que envolvem o conhecimento de esquema corpo-
nos testes referentes ao esquema corporal e organização tem-
ral, seriam mais desenvolvidas por volta de quatro a cinco anos
poral, o quociente obtido pelos meninos do G2 foi significa-
e permaneceriam inalteradas nos anos subseqüentes, ou seja,
tivamente maior do que aquele obtido pelos meninos do G1
de seis a sete anos. Os mesmos autores, em outro estudo, cons-
(esquema corporal, p<0,001; organização temporal, p=0,01).
tataram que é aos seis anos de idade que se iniciam as maiores
Resultados apresentados na figura 3.
experiências e descobertas do próprio corpo e interações com o

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meio e somente com essas novas experiências é que se dá um Barros et al18 em seu estudo com 100 crianças de 5 anos,
bom desenvolvimento do esquema corporal7. 50 matriculadas em uma escola privada e 50 em centros públi-
Entretanto, em relação á idade cronológica estudada, Picq cos, observaram que os principais fatores de risco para o atraso
e Vayer em seu estudo argumentam que esse desenvolvimento é no desenvolvimento psicomotor seriam: ausência paterna, brin-
o mais lento, tendo término apenas por volta dos onze ou doze quedos inadequados para a idade, local onde as crianças passa-
anos de idade. Ainda segundo os autores, os distúrbios da per- ram a sua infância até então, má orientação pedagógica, socia-
cepção e organização do esquema corporal promoveriam atra- lização extra–familiar tardia e baixa condição socioeconômica
sos das atividades motoras básicas e/ou nas condutas neuro- familiar. Fatores presentes e que em conjunto com outros fato-
perceptivo-motoras, gerando atraso no desenvolvimento res como falta de acompanhamento pré-natal, tabagismo e
psicomotor e interferindo diretamente na personalidade da cri- etilismo foram observados com mais freqüência nas famílias
ança14. O que aprossima-se dos resultados encontrados em nos- das crianças dos centros públicos.
so estudo. Foi comprovado que o poder aquisitivo dos familiares
Vale ressalta que a clientela em avaliação encontrava-se pode interferir no desenvolvimento da criança, uma vez que o
no início da adolescência, fase caracterizada por mudanças fí- desenvolvimento psicomotor pode ser limitado dependendo da
sicas e psicológicas interligadas, e marcadas pela presença de influência mútua da condição socioeconômica e ambiente fa-
alterações na imagem corporal devido ao processo de estirão miliar19. Porem, o atraso no desenvolvimento não é atribuído a
de crescimento pelo qual o corpo do adolescente passa e que um fator isolado, mas sim às condições múlti-fatoriais, mesmo
poderiam interferir nos resultados15. assim, crianças de baixa renda teriam menores chances de obter
O conhecimento do próprio corpo relaciona-se com a bom desenvolvimento psicomotor, quando comparadas a cri-
imagem corporal, expressão e realização de seus conhecimen- anças com melhor poder aquisitivo5.
tos, quando afetado justificaria as dificuldades relacionadas. Em relação aos resultados atingidos por participantes de
Atividades físicas e lúdicas seriam estratégias para que os indi- sexos opostos e que freqüentavam a mesma escola, não houve
víduos adquiram o conhecimento das habilidades motoras e do diferença significativa, porém os resultados demonstraram que
próprio corpo12. os meninos atingiram melhores escores em atividades que exi-
Em relação á organização temporal, houve diferença na giam movimentos de maior amplitude segmentar, já as meninas
classificação dos grupos, sendo significativo no sexo masculi- foram melhores em provas que exigiam maior percepção cor-
no. Existem poucos estudos sobre o assunto, porém Pellegrini poral e atividades específicas.
et al16, ao realizarem um estudo em uma escola municipal, veri- Para Rosa Neto et al.8, as meninas apresentariam maior
ficaram que nas salas de aula que continham crianças com mais habilidade na motricidade fina e em algumas provas de
dificuldade no aprendizado, foi diagnosticado déficits de orga- motricidade global, como ficar em uma perna só ou saltitar,
nização temporal, o que seria um agravante do processo de en- relacionadas com brincadeiras próprias por sexo. Além de que,
sino-aprendizagem, devido esta ser fundamental para o proces- o aprendizado é mais acelerado nos meninos nos primeiros es-
so leitura/escrita. tágios da infância, enquanto que as meninas se estabilizariam
O G2 demonstrou QMG significante superior em ambos em determinadas idades e voltariam a se desenvolver durante a
os sexos em relação ao G1. transição da infância para pré-adolescência, ultrapassando o
Hipóteses surgiram com essa variável, como fatores só- desenvolvimento dos meninos no período da adolescência20.
cio-econômicos, atividades físicas e recreativas. Isso implica- Essas diferenças não podem ser neste estudo confirmado
ria na associação da formulação de instrumentos sensíveis para devido ao seu corte transversal, as realizações de um estudo
essas variáveis na avaliação sócio-demográfico, pois o EDM longitudinal prospectivo durante todo o desenvolvimento
segundo o próprio autor analisaria apenas a idade motora quan- psicomotor das crianças poderia elucidar está hipótese.
do comparada a sua respectiva idade cronológica, não captan- Nos testes relacionados à motricidade fina, motricidade
do informações quanto às diferenças ambientais e/ou sócio-eco- global, equilíbrio e organização espacial não foram encontra-
nômicas13. dos diferenças significativas entre as escolas. Silveira et al7 ao
Acredita-se que o ambiente e as atividades oferecidas pelas avaliar o desenvolvimento psicomotor de crianças de dois a seis
escolas são de extrema importância ao desenvolvimento anos, constataram que por volta dos cinco anos de idade ocor-
psicomotor e que algumas atividades poderiam ser propostas reria uma instabilidade no desenvolvimento psicomotor, pro-
no sentido de diminuir pequenas distorções, sejam elas sócio- vocando ao organismo a necessidade de reorganizar-se geran-
econômica, biológica e/ou ambiental, a fim de garantir a do assim uma mudança comportamental do individuo. Os parti-
integralidade nos processos do desenvolvimento infantil16. cipantes dessa pesquisa já teriam ultrapassado esses períodos
Estímulos durante o desenvolvimento são de suma im- de dificuldade.
portância para todas as habilidades psicomotoras, aproveitan- Em outro estudo13 com crianças de três a sete anos, os
do-se da maturação do SNC, podendo algumas habilidades ul- autores concluíram que o teste de motricidade fina não seria
trapassar a sua idade cronológica quando bem estimuladas13. confiável para algumas idades, sugerindo que por volta dos cinco
Kolb e Whishaw apud Andrade et al (2004)17 relatam que o anos, às crianças passariam por algumas instabilidades no de-
desenvolvimento psicomotor de habilidades mais complexas se senvolvimento psicomotor, e que isso se faz necessário para
dá dos 6 aos 10 anos devido às novas experiências vivenciadas que se organizem futuramente; para que isso aconteça à criança
pelas crianças juntamente com o inicio da maturação do córtex necessita de estímulos e etapas que devem ser seguidas e esti-
pré-frontal. A maturação da área pré-frontal permite à criança muladas durante as fases do desenvolvimento e durante a alfa-
refinar seus movimentos e associá-los conscientemente com betização, oferecendo inúmeras atividades em relação á
outros movimentos mais complexos. O que explicaria a dife- motricidade fina.
rença no desempenho de uma mesma criança nas habilidades Quanto aos índices de normalidade obtidos na prova re-
testadas. ferente ao equilíbrio, alguns autores 21 em seus estudos

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laboratoriais, concluíram que em algumas idades do crescimento, Gessel, CB; Amatruda, AP. Psicologia do desenvolvimento
por volta dos sete aos dez anos de idade, o equilíbrio se asse- do lactente e da criança pequena: bases neurológicas e
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ma mais lenta. Os resultados deste estudo sugerem que essa zagem. In: Psicomotricidade da educação infantil à gerontologia.
queda apenas desequilibra fases anteriores, não atrapalhando o São Paulo: Lovise, 2000. Cap. 5, p. 45-52.
desenvolvimento psicomotor normal para crianças com maior Caetano, MJD; Silveira, CRA; Gobbi, LTB. Desenvolvi-
idade. mento motor de pré-escolares no intervalo de 13 meses. Rev.
Bras. de Cineant. e Desemp. Hum. 2005; 7 (2): 05-13.
Picq, L; Vayer, P. Educação psicomotora e retardo men-
Conclusão tal: aplicação aos diferentes tipos de adaptação. 4.ed. São Pau-
lo: Editora Manole, 1988.
O estudo demonstrou diferença na classificação entre o Ferreira, CAM; Thompson, R; Mousinho, R.
grupo de participantes da escola privada e da escola pública, Psicomotricidade Clínica. In: O corpo do adolescente na clíni-
respectivamente classificados normal médio e normal baixo, ca psicomotora. Curitiba, ed. Lovise, 2002. Cap.5, p.25-33.
com diferenças estatísticas em relação ao quociente motor ge- Pellegrini, AM; Souza, SN; Benites, LC; Veiga, M; Motta,
ral, esquema corporal e organização temporal. Mas apesar de AI; O Comportamento Motor No Processo de Escolarização E
indicarem diferenças, os valores de ambas as escolas apresen- A Formação De Professores De Educação Básica – Rev. Dig. -
taram-se adequados ao desenvolvimento psicomotor e suas res- Buenos Aires - Año 10 - N° 81 - Febrero de 2005
pectivas idades cronológicas, com melhor desempenho das cri- Andrade, A; Luft, CB; Rolim, MKSB; O Desenvolvimento
anças da escola privada. Motor, A Maturação das Áreas Corticais E A Atenção Na Apren-
Vale ressaltar que não existem estudos com crianças na dizagem Motora – Rev. Dig. - Buenos Aires - Año 10 - N° 78 -
mesma faixa etária das incluídas neste estudo, dificultando com- Noviembre de 2004.
parações mais precisas. Sugere-se a continuidade deste estudo Barros, KMFT; Fragoso, AGC; Oliveira, ALB; Cabral,
partir de uma amostra maior para encontrar resultados mais re- JEF; Castro, RM; Do Environmenal Influences Alter Motor
presentativos. Abilities Acquisition? A Comparasion among Children from
Day-Care Centers And Private Schools – Arq Neuropsiquiatr
2003; 61(2A):170-175
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