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Teoria sócio histórica.

A teoria sócia histórica ou histórica cultural parte do pressuposto de que


as crianças desenvolvem desde os primeiros anos de vida atitudes
praticas; intelectuais e artísticas e iniciam a formação de pensamentos.
A teoria ainda afirma que o homem é um ser de natureza social e se
diferencia dos outros animais pela capacidade de aprender capacidades
de maneira que a criança só se apropria das aptidões cristalizadas nos
objetos quando ela aprende a realizar a atividade adequada para a qual
ele serve, ou seja, o aprendizado da criança depende do contexto social
em que ela esta inserida, pois ela só vai utilizar o objeto da maneira
adequada quando aprender sua utilidade social.
A teoria sócia histórica compreende o desenvolvimento do homem
acreditando que ele tem três fontes essenciais de conhecimento: a
herança biológica, a experiência individual e a herança social
concebendo todo o processo de desenvolvimento como um processo de
educação, de forma que o individuo não nasce com habilidades pré
concebidas e sim as aprende durante a vida, tornando a escola parte
fundamental do desenvolvimento do ser humano, pois a escola faz a
mediação de grande parte do conhecimento que adquirimos. Antes da
teoria sócia histórica se pensava que o ser humano carregava ao nascer
um conjunto de aptidões, habilidades e capacidades que teríamos
quando adulto e que a educação iria facilitar o desenvolvimento das
qualidades que estariam naturalmente dadas ao nascimento. Com a
teoria sócia histórica aprendemos que o papel da educação é garantir a
criação de aptidões que são inicialmente externas aos indivíduos e que
estão dadas como possibilidades nos objetos materiais e intelectuais da
cultura. Para garantir a criação de aptidões é necessário que os
indivíduos tenham acesso a uma boa educação fazendo com que o papel
do professor seja o de estimular as crianças, pois elas não têm
condições de decifrar sozinhas as conquistas da cultura humana, mas
podem aprender vários aspectos relacionados com seu nível de
desenvolvimento sendo mediado por um orientador. A escola tem
extrema importância na socialização secundaria e proporciona para a
criança e ao adolescente a oportunidade de desenvolver suas aptidões
explorando-as para aprimorá-las e para ser capaz de desenvolver outras
capacidades.
Conforme Vigostsky as funções psíquicas humanas, como a linguagem
oral, pensamento, memória entre outras não se desenvolvem
espontaneamente, ou seja, não existem no individuo como uma
potencialidade, mas são experimentadas e aprendidas no seu meio
social antes de assumirem a forma intrapsiquica. Sem o contato social a
criação de capacidades e aptidões humanas não ocorrera, pois o
desenvolvimento fica impedido de ocorrer na falta de situações que
permitam o aprendizado.
CONTRIBUIÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA PARA A EDUCAÇÃO

A psicologia sócio-histórica além de seu papel crítico trouxe um olhar diferenciado


ao processo educacional.

Seu principal expoente, Vigotsky, formulou uma teoria na qual o processo de


aprendizagem seria não apenas um processo biológico natural, mas também um processo
social, portanto, histórico.

Para Vigotsky a aprendizagem é constituída através da relação com o meio,


antecede e possibilita o desenvolvimento.

Isto se opõe a teoria piagetiana, já que para Piaget, o desenvolvimento é pela


maturação biológica, e anterior ao processo de aprendizagem.

Segundo Vigotsky, o processo de aprendizagem é não estruturado, dialético e


necessita de estimulação para acontecer.

Isto explica seu modo de classificar as zonas de desenvolvimento:


- Real: nível de desenvolvimento psíquico já alcançado pela criança;
- Proximal: que manifesta o que a criança ainda não consegue realizar por si, mas já
é capaz com ajuda de terceiros;
-Distal: que não está no campo de aprendizagem da criança.

Diante disto, Vigotsky considera que é papel do educador dirigir o trabalho


educativo para estágios de desenvolvimento ainda não alcançados pela criança, pois ensinar
o que ela já sabe não promove desenvolvimento e nem a aprendizagem.

O educador deve intervir de forma oportuna promovendo avanços que


espontaneamente não ocorreriam. O processo de aprendizagem é sempre colaborativo,
resulta da relação entre o que ensina e o que aprende. Quem ensina tem a função de
transmitir os códigos, signos sociais e a criança para incorporá-los precisa realizar por si
própria as atividades.
Este processo passa por diferentes etapas: a observação e manipulação de objetos, o
armazenamento de imagens, pensamentos, a linguagem oral. É fundamental que o educador
conheça estas etapas para estar sempre estimulando o desenvolvimento da criança. As
atividades, como ler e escrever, por exemplo, só terão interesse real para as crianças se
forem transmitidas com sentido, caso contrário, até saberão ler e escrever, mas o farão
como linguagem decodificada da realidade, e não como atividade humana criador.
Mais uma vez aqui, é papel do educador conduzir este processo de forma prazerosa
e motivadora para garantir apropriação do conhecimento.

Para Vigotsky outra função do educador dentro do processo dialético sócio-


histórico, é criar novas necessidades humanizadoras nas crianças a fim de desenvolver suas
potencialidades individuais, bem como promover o avanço da sociedade.

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