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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – EAD

DAIANE REIS

ESTUDO DE CASO

SALVADOR
2009
FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – EAD

DAIANE REIS

ESTUDO DE CASO

Trabalho apresentado à disciplina


Pesquisa e Prática Pedagógica IV do
curso de Letras da Faculdade de
Tecnologia e Ciências (EAD), sob a
orientação da Tutora Adelma Costa
como exigência parcial para obtenção de
média semestral.

SALVADOR

2009
LEITURA, COMPREENSÃO DE TEXTO

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Daiane de Jesus T. Reis

Este trabalho refere-se ao estudo de caso identificado em um Colégio do Ensino


Fundamental e Médio Dona Mora Guimarães da cidade de Salvador, situado no Bairro
de Cajazeiras.

Durante as pesquisas realizadas, foram analisados os planos de curso, de unidade e de


aula de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, bem como a observação da prática
docente na turma da 7ª série.

Considerando às observações e análise realizadas durante o Estágio Supervisionado I,


notas-e que os alunos não sabem lê, não compreendem o que se lê e tão pouco consegue
produzir um texto baseado no que foi lido.

Para detalhar o que está acontecendo nas escolas é o distanciamento das leituras postas
aos alunos. Essa falta de motivação está diretamente ligada ao processo de
descontextualização que sofrem os textos didáticos. Leituras afastadas das situações
reais e atuais que os circunscrevem e que não permitem aos estudantes um crescimento
significativo. Percebe-se também que muitos dos professores de outras disciplinas,
ignoram o fato de seus alunos não saberem ler e não procuram desenvolver a leitura de
um texto mesmo sendo: - Geografia, história, entre outras disciplinas.

Este estudo de caso tem como objetivo, propiciar um melhoramento da leitura,


compreensão e produção de textos, desenvolvendo dessa forma, que a leitura se torne
prazerosa e válida, ou seja, desejo do leitor.

A atividade de leitura não corresponde a uma simples decodificação de símbolos, mas


significa, de fato, interpretar e compreender o que se lê. Nesse processamento do texto,
tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: os
lingüísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e seu uso; os textuais,

1
Aluna do 4° período do curso de graduação em Letras Português/Inglês da FTC – Ead. UP do Comércio.
que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o texto; e os de mundo, que
correspondem ao acervo pessoal do leitor.

Para trabalhar-se com um texto, antes de, mas nada devemos saber o que é um texto,
para assim passarmos de forma clara e objetiva para os alunos a importância de um
texto. Pode-se definir texto como: Trata-se de uma ocorrência lingüística falada ou
escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica (estudo
das mudanças que sofre a significação das palavras) ou formal.

A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão


e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o
assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre linguagem, etc. [...] Trata-se
de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e
verificação, sem as quais não é possível proficiência [...] (PCN de Língua
Portuguesa – 5ª a 8ª séries p.69, 1998).

A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que


começamos a "compreender" o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e
interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas
perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contato com um
livro, com uma imagem, com um jornal, enfim, em todos estes casos estamos de certa
forma, lendo - embora, muitas vezes, não nos demos conta.

Solé (1998, p. 33) reconhece a importância dos debates sobre os métodos para ensinar
as crianças a ler, entretanto ressalta que

[...] o problema do ensino da leitura na escola não se situa no nível do método,


mas na própria conceitualização do que é a leitura, da forma em que é avaliada
pelas equipes de professores, do papel que ocupa no Projeto Curricular da
Escola, dos meios que se arbitram para favorecê-la,

além das propostas metodológicas adotadas para ensinar leitura.

Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a compreensão


da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume. Conforme
afirma Leonardo Boff,
cada um lê com os olhos que tem. E interpreta onde os pés pisam. Todo ponto de
vista é a vista de um ponto. Para entender o que alguém lê, é necessário saber
como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isto faz da leitura sempre
uma releitura. [...] Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor.

Podemos começar a refletir sobre o relacionamento leitor-texto. Onde fica explicito que
ler é, acima de tudo, compreender.

Para se trabalhar com texto com alunos da 7ª a escola deve adotar: crônicas, textos mais
adultos, como de Fernando Sabino e Millôr Fernandes, jornalístico, música, literários
canônicos com a identificação da autoria e da fonte bibliográfica. É preciso gostar de
ler, seja pelo prazer pessoal ou comprometimento com sua opção de trabalho, criar um
repertório significativo, que dê a necessidade prática do cotidiano escolar. “Leitura
adequada é aquela possível e condicionada pela estrutura do texto, pelas condições
histórico-culturais de sua produção e de sua recepção e pela formação do leitor”
(Micheletti, mimeo 1992).

A partir da produção de textos escritos, o aluno aprende a articular diversos aspectos


envolvidos em tal produção, sejam eles no plano de expressão ou no plano de conteúdo
e, para isso, é necessário dominar as convenções gráficas da escrita. E, como sugere
Matos e Silva (2004), caberá ao professor distinguir e selecionar o que poderá ou não
ser considerado no texto de seu aluno.

É necessária que o primeiro passo seja a realização de uma leitura de reconhecimento,


individual e subjetiva, para que o aluno estabeleça um contato inicial com o texto, o
professor deve interagir com seus alunos, descobrindo o que lhes chamou a atenção,
quais foram suas impressões sobre o texto lido.

Saber o momento exato de cobrar uma produção do aluno é essencial, pois nem sempre
o tempo de aula em sala permite trabalhar com diversas formas de atividades, tornando
muitas vezes o trabalho repetitivo e cansativo, para se evitar um desgaste desse trabalho
e verificar se aluno realmente aprendeu, pode-se trabalhar da seguinte forma: pedir um
resumo, um ensaio, uma representação, trabalhos individuais com temas diferentes, são
requisitos e motivos de aprendizagem.

Pode-se concluir que a leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é
através que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o
raciocínio e a interpretação. Fica bem claro que as coisas aprendidas na escola são
esquecidas ao longo do tempo, pois não se pratica uma leitura rotineira diante do
assunto abordado.

Pode também ser verificado que a escola permanece agindo de acordo com padrões
ortodoxos que há muito vêm balizando e cerceando os procedimentos e a postura do
professor, levando a não ponderar as demandas particulares de seus alunos. Outro
elemento é a acentuada presença da atividade de cópia em sala de aula evidencia um
descompasso existente entre a escola, que ainda se utiliza de uma prática educacional
obsoleta, e a realidade do aluno, a qual se mostra muito a frente dessa instituição.

Contudo, um proveitoso trabalho de leitura das linguagens presentes no cotidiano do


aluno conduziria ao aprimoramento de sua capacidade de compreensão, o que se
constitui uma fonte vital para a interpretação de sua realidade, levando-o a fazer
questionamentos, construir hipóteses, agir, transformar, pois a aprendizagem só
acontece quando há possibilidade de reflexão.

Por fim, a viabilidade de uma prática pedagógica transformadora exige uma


fundamentação teórica por parte do professor, tanto sobre os processos de
desenvolvimento da criança, como sobre concepções de leitura e linguagem, ao lado do
seu compromisso em realizar uma educação que promova o direito dos alunos se
tornarem sujeitos de suas leituras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua


Portuguesa; 5º a 8º séries. Brasília MEC/SEF, 1998.

CHIAPPINI, Ligia. Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. 3ª Ed.


São Paulo. Cortez, 2001.

COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e textualidade. 3ª Ed. São Paulo. Martins
Fontes, 2006.

POZO, Juan Ignacio. Aprendizes e mestres: a nova cultura da aprendizagem. Porto


Alegre. Artmed, 2002.

RODRIGUES, Nara Caetano. Leitura nos ensinos fundamentais e médio: reflexões


sobre algumas práticas. Disponivel em:
http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0702/5%20%20art%203.pdf.
Acesso em: 20 de maio de 2009.

SACRISTÁN, J. Gimeno; GÓMEZ, A. I. Pérez. Compreender e transformar o


ensino. 4ª Ed. Artmed, 1998.

SELEGRIN, Ingrid de Cássia Rodrigues. O Jornal em Sala de Aula e a Produção de


Textos. Disponível em: http://www.faccar.com.br/desletras/hist/2007_g/textos/12.htm.
Acesso em: 20 de maio de 2009.