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ESTUDANDO SOBRE O

PLANETA TERRA

Irene Cristina de Mello Lydia M P Lemos dos Santos


André L A Martins de Oliveira Sérgio Roberto de Paulo
Estudando Sobre o
Planeta Terra

LICENCIATURA PLENA EM CIÊNCIAS NATURAIS E MATEMÁTICA - UAB - UFMT

Cuiabá , 2010
Instituto de Física
Av. Fernando Correa da Costa, s/nº
Campus Universitário
Cuiabá, MT - CEP.: 78060-900
Tel.: (65) 3615-8737
www.fisica.ufmt.br/ead
Estudando Sobre o
Planeta Terra

Autores

Irene Crist ina de M e llo


Depto. de Química/ICET–UFMT

Lydia M aria Parente Lemos dos Santos


Depto. de Química/ICET–UFMT

André Luis Arabe M ar t ins de O liveira


Georesearch do Brasil Ltda.

Sé rgio Rober to de Paulo


Instituto de Física/UFMT
C o p y ri g ht © 2010 UAB

Corpo Editorial

• D e n i s e Va r g a s
• C a r l o s R i n a l d i
• I r a m a i a J o r g e C a b r a l d e Pa u l o
• M a r i a L u c i a C a va l l i N e d e r

P r o j e t o G r á f i c o : Pau L o H . Z . A rru d a / E d uar d o H . Z . A rru d a


R e v i s ã o : D enise V ar g as
S e c r e ta r i a : N euza M aria J o r g e C abral

FICHA CATALOGRÁFICA

M527e
Mello, Irene Cristina de.
Estudando Sobre o Planeta Terra./ Irene Cristina de
Mello; Lydia Maria P. L. dos Santos, André Luís Arabe M. de
Oliveira, Sérgio Roberto de Paulo.
Cuiabá: UAB/UFMT, 2010.

1.Planeta Terra. 2.Hidrosfera. 3.Estrutura da Terra.


4.Atmosfera. I.Santos, Lydia Maria P.L dos. II.Oliveira, André
Luís Arabe M. de. III.Paulo, Sérgio Roberto de. IV. Título.

CDU 550.3

ISBN: 978-85-8018-007-7
Sumário

1. Estrutura da Te r r a : D a s u pe r f í c i e a o ce n t r o 01
2 . Estrutura da Te r r a : H i d r o s f e r a 29
3. Estrutura da Te r r a : A t m o s f e r a 69
Referências Bibliográficas 105

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P r e fá c i o

O lugar em que vivemos, que denominamos muitas vezes apenas como Mundo ou Planeta
Azul, já foi uma pequena massa de poeira. Mas, atualmente, com cerca de 4.6 mil milhões de anos
o nosso planeta Terra é o terceiro planeta a partir do Sol e o quinto maior do Sistema Solar, sendo o
mais massivo dos quatro planetas rochosos registrados pela ciência contemporânea. Não se trata de
um simples planeta, mas aquele que abriga os seres humanos e milhões de outras espécies de seres
vivos, sendo, até o momento, considerado cientificamente o único com existência de vida conhecida
em todo o universo, o que o torna ainda muito mais especial. Os seus minerais, em conjunto com os
produtos da biosfera, fornecem recursos que são necessários para suportar toda a população humana
habitante. Diante disso, fica evidente a importância de ampliarmos os nossos conhecimentos sobre
esse planeta, para que possamos aprender como preservá-lo e desse modo garantir a manutenção da
vida. Portanto, convidamos você a ampliar um pouco mais os seus conhecimentos sobre o fascinante
Planeta Azul.

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1
Estrutura da Te r r a :
d a s u pe r f í c i e a o ce n t r o

Pa r a i n i c i a r a n o s s a c o n v e r s a , va m o s r e f l e t i r : Vo c ê já

pa r o u pa r a pe n s a r c o m o é o i n t e r i o r d a t e r r a ?

Por meio de estudos das propriedades físicas da terra, com a utilização da Geofísica, podemos enten-
der as estruturas no interior terrestre. E, utilizando a velocidade das ondas sísmicas, podemos calcular,
dentre outras coisas, a densidade das camadas principais e suas subdivisões, buscando, posteriormente, a
identidade das rochas presentes nessas camadas.

Geofísica é uma ciência voltada à compreensão da estrutura, composição e dinâmica do planeta Terra, sob a ótica
da Física. Consiste basicamente na aplicação de conhecimentos e medidas da física ao estudo da Terra, especialmente pela
reflexão sísmica, refração, gravidade, magnetismo, eletricidade, eletromagnetismo e métodos radioativos.
Fonte: http://pt.wikipedia.org

Uma onda sísmica é uma onda que se propaga através da Terra, geralmente como consequência de um sismo, que
pode ser natural ou induzido.
O sismo é um fenômeno de vibração brusca e passageira da superfície terrestre, resultante de movimentos subterrâ-
neos de placas rochosas, de atividades vulcânicas, de abatimento de cavernas ou por deslocamento de gases no interior da
terra. Um exemplo é o terremoto. Em relação ao sismo induzido são aqueles associados às ações humanas, como exemplo,
explosões e quedas de grandes estruturas.
Fonte: http://pt.wikipedia.org

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As ondas sísmicas quando emitidas, seja por eventos naturais como terremotos
ou mesmo pelo homem, mediante explosões, se propagam em todas as direções, de-
pendendo da onda, podem ou não atravessar intervalos líquidos. Sismógrafos, devida-
mente posicionados podem detectar essas ondas, pois as mesmas apresentam compor-
tamentos diferenciados quando encontram camadas de rocha heterogêneas, ou seja,
com diferentes densidades, composição mineralógica, química e parâmetros elásticos
(compressibilidade e rigidez). Isso permite identificar as diferentes partes da terra, con-
forme mostram as figuras 1A e 1B.

Atmosfera (N2O2) Crosta:


Hidrosfera (H2O) continental:
CROSTA 25-90Km, granítica
+ Biosfera (H,O,C,N) oceânica:
OCE Â N ICA 5-10K M
CON T I NEN TA L 3 0 -8 0K m 5-11Km, basáltica

ZONA DE BA I X A V EL OCI DA DE M A N TO SU PER IOR


M A N TO SU PER IOR
400 400 ZONA DE TR A NSIÇÃO
M A N T O T R A N S IC IO N A L
1050 silicatos de
650 magnésio
(e ferro)
M A N TO
Descotinuidade
M A NTO INFER IOR de Mohorivicic INFER IOR

D” 2885
2900 Descotinuidade
de Gutenberg

NÚCLEO NÚCLEO
EXTERNO EXTERNO ferro + sulfeto
de ferro (líquido)
Profundidade
em Km Profundidade
em Km

5100 NÚCLEO
5145 NÚCLEO
INTERNO INTE RNO

liga de ferro-níquel
(sólido)

6400 6370
Figura 1A – A estrutura interna da Terra Figura 1B – A estrutura Interna da Terra
[Fonte: TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. [Fonte: THE OPEN UNIVERSITY. Os recursos físicos da
São Paulo: Oficinas de Textos, 2000] Terra – Bloco 1. Campinas: SP, 1994]

E a C r o s ta T e r r e s t r e ? O q u e s e r i a? Como é f o r m a d a?

A crosta terrestre é a porção rígida e externa que envolve a terra, onde podemos
encontrar desde rochas sedimentares, rochas ígneas e rochas metamórficas, bem como
seus subprodutos. Essa porção divide-se em crosta continental e crosta oceânica, essa
última por sua vez, assentada sobre o manto (ver figura 1A e 1B).
Segundo informações geofísicas e também das exposições rochosas, a crosta con-

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tinental pode chegar a 80 quilômetros de espessura, apresentando rochas de compo-
sição granito-gnaisse, predominantemente. Nas regiões mais antigas e estáveis, ou
seja, nos crátons, a profundidade pode variar de 30 a 40 quilômetros, passando a 60-80
quilômetros nas grandes cadeias de montanhas, como os Andes da América do Sul e
os Himalaias na Ásia (ver figura 2).

a Estrutura da crosta continen- b Estrutura da crosta continental sugerida pelas


tal sugerida pela velocidades observações de seções crustais expostas
das ondas p

Vp
materiais materiais Km zona
Km/s
0
sedimentos
4-5 sedimentos vulcânicos

Superior/
Epizona
xistos
Crosta Superior

xistos
granitos granitos

gnaisses
5, 5-6 migmatitos

Intermediária/
10–

Mesozona
anfibolitos

NÍVEL CRUSTAL
migmatitos
descontinuidade intrusões
de Conrad máficas
Crosta Inferior

~7
rochas máficas/
ultramáficas
gnaisse 20–
Catazona
Inferior/

6-7

descontinuidade
Moho 30–
8 Manto Superior
Figura 2: Estrutura da Crosta Continental
[Fonte: TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000].

O b s e r va ç ã o I m p o r ta n t e
Durante um sismo, dois tipos de ondas são observados: Tipo “p” e tipo “s”.
As ondas “p” ou primárias, possuem velocidades de propagação maior do que
do tipo “s”, vibram paralelamente à direção da onda e se propagam no ar, na água e em
corpos sólidos. As ondas do tipo “s” ou secundárias, são ondas transversais ou cizalhantes
e se propagam somente em corpos sólidos.

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A passagem de uma zona para outra é evidenciada por meio de um leve aumento
na velocidade sísmica, chamado de descontinuidade de Conrad, mostrando rochas me-
nos densas no topo e rochas mais densas na base.
A crosta oceânica é bem mais delgada, variando de 5 a 10 quilômetros e se cons-
titui predominantemente por rochas vulcânicas e plutônicas máficas (rochas ricas em
minerais de ferro e magnésio).

O Manto da Te r r a

O limite crosta-manto é marcado por uma brusca variação das propriedades elá-
ticas do manto, denominada descontinuidade de Mohorovicic (ver figura 1A). Abaixo
dessa descontinuidade, situa-se o manto superior, que se estende até 400 quilômetros
de profundidade (ver figura 1B). As densidades encontradas nesse intervalo variam de
3,2 g/cm³ no topo a 3,7 g/cm³ na base (ver figura 3). As rochas terrestres com densida-
de equivalente para esse intervalo seriam as ultramáficas, ricas em olivina magnesiana
e os piroxênios (rochas peridotitos e eclogitos).

Mineral Densidade, g/cm3


Quartzo 2,65
Feldspato potássico 2,57
Plagioclásio 2,64
Olivina magnesiana 3,3
Figura 03 – Tabela de den- Clinopiroxênio 3,3
sidade de alguns minerais e
Ortopiroxênio 3,4
velocidade de ondas
Granada 3,6

Rocha CP (km/s)
Granito 6
Gabro 7
Peridotito 8

Um gnaisse é uma rocha de origem metamórfica, resultante da deformação de rochas


igneas ou sedimentares. Algumas das rochas mais antigas do mundo são gnaisses. Sua compo-
sição é de diversos minerais, mais de 20% de feldspato potássico, plagioclásio, e ainda quartzo e
biotita. Rocha de grande variação mineralógica e grau metamórfico, é amplamente empregada como brita na construção
civil e pavimentação além do uso ornamental
Um exemplo de formação rochosa em gnaisse é o Pão de
Açúcar, localizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

Fontes: http://pt.wikipedia.org; Manual de Mine-


ralogia Dana-Hurlbut (1983).

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Pão de Açucar - Rio de Janeiro


O manto transicional localiza-se entre 400 km e 650 km de profundidade e ca-
racteriza-se por apresentar maiores densidades que o manto superior (ver figura 1A).
Esse aumento de densidade estaria diretamente relacionado a pressões maiores, onde
minerais de mesma composição química mudariam de estruturas menos densas, para
estruturas mais densas, com menor espaço livre entre os íons constituintes. [Íon: é
uma espécie química eletricamente carregada, geralmente um átomo ou molécula
que perdeu ou ganhou elétrons].
Importante observar que, quanto mais densa a rocha, maior a velocidade de
propagação das ondas sísmicas.
O manto inferior, compreende profundidades entre 650 km e 2900 km. Limita-se
com o núcleo externo, através da descontinuidade de Gutenberg. Essa descontinuidade
deve-se ao fato das ondas transversais (tipo S) atravessarem o manto e não atravessarem
o núcleo, mostrando se tratar de um meio rígido para outro meio líquido. Esse inter-
valo é composto predominantemente por silicatos ferromagnesianos com estruturas
densas e em menor proporção por silicatos cálcio-aluminosos, óxidos de magnésio,
ferro e alumínio. Na base do manto inferior, entre 2600 km a 2900 km, situa-se a Zona
D (ver figura 1A), que é a zona considerada anômala por se tratar de uma diminuição
da velocidade das ondas sísmicas com o aumento da profundidade. A origem dessa
zona ainda é especulativa.

O Núcleo da Te r r a

Localizado abaixo da descontinuidade de Gutenberg, o núcleo externo líquido com-


preende as profundidades entre 2900 km e 5100 km e apresentou densidade, calculada
em função da velocidade das ondas sísmicas, em torno de 10 g/cm³, diferente do núcleo
interno sólido (5100 km – 6400 km), que apresentou densidade em torno do 11,5 g/
cm³ (ver figura 1A).
Comparando a densidade do núcleo interno, compreendemos que se trata predo-
minantemente de uma liga metálica de ferro e níquel. O núcleo externo, também seria
formado pela mesma liga, entretanto, a densidade mais baixa seria o reflexo da incor-
poração de elementos de número atômicos baixo, como hidrogênio, oxigênio, sódio,
magnésio e enxofre.

Os m i n e r a i s e r o ch a s c o n s t i t u i n t e s d a c r o s ta t e r r e s t r e

Como dissemos anteriormente, a crosta terrestre é constituída por rochas


ígneas, metamórficas e sedimentares e essas rochas são constituídas por uma mis-
tura de minerais. Por ocuparem porções profundas da crosta, os estudos em deter-
minados tipos rochosos foram feitos por meio de suas exposições, graças à combina-
ção de forças geológicas internas. Podemos citar como exemplo, o soerguimento de
determinados corpos (formação de montanhas), ataques erosivos e vulcanismos, que
trazem para a superfície fragmentos das partes profundas da crosta e do manto. Outro
método utilizado, em menor proporção, devido ao alto custo, é a sondagem; tanto nos
continentes, como nos oceanos (profundidade máxima perfurada com sonda em torno
de 8.000 metros) (Fonte: The Open University. Os recursos físicos da Terra – Bloco 1.
Campinas: SP, 1994).

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Na atualidade conhecemos cerca de 2400 minerais e a mistura desses minerais,
associado a um determinado meio, formam as rochas abaixo:
Rochas ígneas: minerais se cristalizam a partir de um estado fundido (magma);
Rochas metamórficas: altas pressões e altas temperaturas dentro da terra, provo-
cando reações químicas em minerais preexistentes;
Rochas sedimentares: resultado de processos erosivos (vento, água ou gelo) de ro-
chas mais antigas (podem ser rochas ígneas, metamórficas e até mesmo sedimentares),
transportados, depositados e cimentados, formando rochas sedimentares.
A figura 04 apresenta um diagrama que resume as composições químicas das
principais camadas na Terra.

S= O = 32%
8% O = 45,2%

% outros = 8% outros = 1%
Fe = 25 % Ti = 0,7%
7,4
M
Si = 14,5%

Mg
= 2 C
a = = 2 ,8
K = 1,7%
g=

Si % Na = 2,3%

Al = 8%
5,1

Fe
12

=
,5%

5,8
%
(a) Terra como um todo (b) crosta
massa = 5,98 x 1024 Kg (100%) massa = 2,40 x 1022 Kg (0,4%)

O = 44% 0 ,4%
=8
Si = 22,4% Fe
%

N
i=
8 ,6
Fe

5,
S = 14

2 out
=1

%
=

ou ro s
N t ro s =0
9,9

,4 %
Al a = 0 = 1
Mg

Ca = 1 , 8 % %
%

= 1 , 6%
,7%

(c) manto (d) núcleo


massa = 4,02 x 1024 Kg (67,2%) massa = 1,94 x 1024 Kg (32,4%)

Figura 4 - Diagrama mostrando as proporções aproximadas dos principais elemen-


tos químicos nas principais camadas da Terra
Fonte: THE OPEN UNIVERSITY. Os recursos físicos da Terra – Bloco 1. Campinas: SP,
1994

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O que são R o ch a s e M i n e r a i s?

Mineral é um elemento ou um composto químico, resultante de processos inor-


gânicos, de composição química geralmente definida e encontrado naturalmente na
crosta e em corpos extraterrestres. Os minerais em geral, são sólidos. Somente a água
e o mercúrio se apresentam no estado líquido, em condições normais de pressão e tem-
peratura. A composição química e as propriedades cristalográficas bem definidas do
mineral faz com que ele seja único dentro do reino mineral e, assim, receba um nome
característico.
São chamados de elementos nativos, minerais constituídos por apenas um elemen-
to, como, por exemplo, o ouro (Au), carbono (C) e a prata (Ag). Quando os elementos
se combinam formando compostos de dois ou mais elementos, são chamados de mine-
rais compostos e os exemplos incluem a Galena (PbS) , Pirita (FeS2), Calcita (CaCo3)
e muitos outros minerais (Fontes: Leinz, V. Geologia Geral. São Paulo: Editora Na-
cional, 1978 e Texeira, W. et al. Decifrando a Terra. SP: Oficinas de Textos, 2000) .
A figura 5A mostra imagens de alguns minerais e a figura 5B mostra o arranjo espacial
dos íons Na+ e Cl-, no composto NaCl (Halita), mostrando a célula unitária que resulta
no hábito cristalino em cubos, geralmente apresentado pelo mineral.

Pirita (FeS2) Cristais de Calcita (CaCo3) Galena (PbS)

Figura 5A: - Imagens de alguns minerais

Cl Na
Na Cl
b

a
Figura 5B – Arranjo espacial dos íons Na+ e Cl- no mineral Halita
[Fonte: TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000].

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At i v i d a d e
1) Observe uma escola, uma sala de aula qualquer e relacione os minerais presentes.
2) Para que os minerais galena, calcita e pirita são utilizados?

Como oco r r e a fo r maç ão das R o ch a s ?

Quando uma associação de minerais se unem por diferentes motivos geológicos,


ocorre a formação da rocha. Chamamos de minério, quando a rocha apresenta minerais
com importância econômica.

Agor a va m o s e n t e n d e r c o m o o c o r r e a f o r m a ç ã o d o s m i n e r a i s ?

Primeiramente é preciso entender que os minerais podem ser formados no interior


ou fora da terra. A origem de um mineral está condicionada aos ingredientes químicos
e às condições de pressão e temperatura reinantes no ambiente de formação.
Os minerais podem se formar por um processo de fusão, quando associado a um
material rochoso fundido, denominado magma, ou por vapores, sem passar pelo está-
gio líquido. Como exemplo, podemos citar a formação de cristais de enxofre a partir
das fumarolas de atividades vulcânicas (fumaça do vulcão). Outro fator importante,
está ligado diretamente ao metamorfismo, onde minerais cristalizados, são modifica-
dos por pressão e temperatura. Esses materiais tornam-se instáveis nessa nova condi-
ção e se recristalizam (mudam o estado cristalino) em uma nova estrutura cristalina
mais estável, sem ocorrer fusão do mineral original (ex: metamorfismo de baixo grau)
(Fonte: Texeira, W. et al. Decifrando a Terra. SP: Oficinas de Textos, 2000).
Em relação a minerais relacionados a rochas sedimentares químicas, podemos
citar a cristalização de substâncias a partir de soluções aquosas a baixas temperaturas
(inferiores a 100°C). Como exemplo podemos citar os evaporitos (ex: anidrita, gipso e
halita), onde uma solução salina se evapora, precipitando primeiramente os sais menos
solúveis e posteriormente os mais solúveis.

Cl assific aç ãdo dos minerais

RECORDANDO: Íons são Baseado em características similares como sistema de crista-


átomos que, por um motivo qual- lização, usos e composição química, os minerais podem ser agrupa-
quer, perderam ou ganharam elétrons. dos. Normalmente, nos livros de mineralogia descritiva, usa-se o
Quando um átomo perde elétrons tor-
critério químico baseado na natureza do radical aniônico do mine-
na-se um íon positivo ou cátion, pas-
sando a ter excesso de cargas positivas. ral. Usando a barita como exemplo, BaSO4, o radical aniônico é o
Contrariamente, ao ganhar elétrons, SO4² – (quimicamente chamado de sulfato), assim sendo, a barita
torna-se um íon negativo ou será classificada como sulfato.
ânion.

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Por que não usamos o Cátion para classificar os minerais? Estudos mostram que mi-
nerais com o mesmo radical aniônico possuem propriedades fisiológicas e morfológicas
muito mais semelhantes entre si, tendem a se formar por processos físico-químico
semelhantes e ocorrem associados uns aos outros na natureza. A tabela 1 mostra a
classificação simplificada dos minerais.
Com algumas exceções de menor significação, todos os minerais que formam as
rochas ígneas são silicatos, constituindo assim, bem mais de 90% da crosta terrestre.
O Grupo dos Silicatos são subdivididos de acordo com o grau de polimerização
dos tetraedros SiO4+ e, consequentemente, pela razão Si:O dos ânions (ver tabela 02).

PRÁTICA PEDAGÓGICA: Propondo atividades de ensino com os Minerais


Após ler os textos recomendados e realizar as atividades, organize uma aula
ou um projeto, com os seus alunos do ensino fundamental, em que se proponha
o estudo dos minerais mais conhecidos e sua importância sócio-econômica.

LEITURA RECOMENDADA PARA SABER MAIS


(PARADIDÁTICO) Consulte: DANA-HURLBUT.
Canto, Eduardo Leite do. Mine- Manual de Mineralogia. Rio de Ja-
rais, Minérios, Metais. De onde vêm? neiro: LTC, 1983.
Para onde vão? São Paulo: Editora
Moderna, 1996.

Tabela 01: classificação simplificada dos minerais


Classe Mineral E xemplo Mineral Formula Química do Mineral

Elementos nativos Ouro e Enxofre Au e S

Sufetos Galena e Pirita PbS e FeS2

Sulfossais Tetraedrita e Enargita Cu12Sb4S13 e Cu3AsS4

Óxidos Hematita e Cassiterita Fe2O3 e SnO2

Halóides Halita e Fluorita NaCl e CaF 2

Carbonatos Calcita e Dolomita CaCo3 e {CaMg(CO3)2}

Nitratos Salitre e Salitra do Chile KNO3 e NaNO3


Na 2B4O . 10H 2O e
Boratos Bórax e Kernita Na 2B4O7 . 4H 2O

Sulfatos e Cromatos Barita e Gipsita BaSO4 e CaSO4 . 2H 2O

Fosfatos, Arseniatos Ca 5(F,Cl,OH)(PO4)3 e


Apatita e Lazulita MgAl 2(OH)2(PO4)2
e Vanadatos

Tungstatos e Molibidatos Scheelita e Wolframita CaWO4 e (Fe.Mn)WO4

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Tabela 02: Grupo de Silicatos

Arranjo dos Fórmula Química


Classe Mineral Exemplo Mineral
Tetraedros do Minel

Nesossilicatos Isolados Olivina (Mg,Fe)2SiO4

Sorossilicatos Duplo Hemimorfita Zn4(Si2O7)(OH) . H 2O

Ciclossilicatos Anéis Berilo Be3Al 2(Si6O18)

Cadeias Piroxênio Enstatita e Mg2(Si 2O6) e


Inossilicatos
(Simples e Duplas) Anfibólio Tremolita Ca 2Mg5(Si8O22)(OH)2

Filossilicatos Folhas Talco Mg3(Si4O10)(OH)2

Tectossilicatos Estruturas Tridimensionais Quartzo SiO4

Segundo manual de mineralogia (Dana-Hurlbut, 1983), os prefixos das classes


dos silicatos se derivam do grego: neso = ilha; soro = grupo; ciclo = anel; ino = cadeia
ou fio; phyllo = folha; tecto = estrutura tridimensional (observe a tabela 02).

N o m e n c l at u r a dos minerais

Desde 1959 a tarefa de normatizar a criação de novas espécies minerais e


sua nomenclatura vinha sendo realizada pela CNMMN, que significa Comis-
são para Novos Minerais e Nomes de Minerais (em língua inglesa: Commission
on New Minerals and Mineral Names). Entretanto, em Julho de 2006, essa Co-
missão se fundiu com a Comissão para a Classificação dos Minerais, (em in-
glês: Commission on Classification of Minerals), dando origem à Comissão para
a Classificação e Nomenclatura de Novos Minerais (Commission on New Mine-
rals, Nomenclature and Classification (CNMNC), passando a ser a responsável
pela realização das tarefas. (Fonte: Dicionário Pro. Nomenclatura dos Minerais.
Disponível em http://www.dicionario.pro.br/dicionario/index.php/Nomenclatura_
dos_Minerais Acesso em Novembro de 2009.)
No Brasil, usamos a terminação “ita” para os novos minerais e “ito” para as ro-
chas. Por vezes, essa regra não é respeitada, para o caso de rochas conhecidas a um
longo tempo, cujo nome está consagrado.
Quando um mineral é descoberto, as seguintes recomendações devem ser segui-
das:

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• O nome deve indicar a localização geográfica de sua descoberta. Exemplo:
moscovita, em derivação a vidro de moscóvia, antiga Rússia;
• Que o nome indique suas propriedades físicas. Exemplo: tetraedrita, devido
ao hábito tetraédrico;
• Que o nome indique a presença de um elemento químico predominante.
Exemplo: arsenopirita, cuprita e molibdenita;
• Em homenagem a uma pessoa. Exemplo: andradita, em homenagem ao geó-
logo e patriarca da independência José Bonifácio de Andrada e Silva.

O termo variedade é utilizado quando ocorrem pequenas variações químicas na


composição de um determinado mineral e, nesse caso, o mineral não recebe um novo
nome. Por exemplo, quando parte do zinco do mineral esfalerita (ZnS) é substituído
por ferro (Zn,Fe)S, origina-se uma variedade de esfalerita rica em ferro. (Fonte: TE-
XEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000. p.34)

Identific aç ão dos minerais

A composição química e estrutura cristalina dos minerais refletem em suas pro-


priedades físicas e morfológicas, caracterizando-os. Muitos minerais podem ser reco-
nhecidos rapidamente pela vista ou determinados por simples ensaio, na grande maioria
das vezes. Abaixo apresentamos os parâmetros a serem considerados na identificação
dos minerais:
H ábito cristalino: é a forma externa habitual exibida pelo mineral. O hábito de um
mineral é o reflexo de sua estrutura cristalina e será melhor observado quando os
minerais se desenvolvem em condições geológicas ideais. Como exemplo, podemos
citar o hábito cúbico da pirita;
T ransparência: esses minerais são divididos em transparentes, translúcidos e opacos e
estão diretamente relacionados a espessura do mineral. Os minerais transparen-
tes não absorvem a luz. Já os translúcidos, absorvem parcialmente, dificultando a
observação de suas características. Dessa forma, diminuímos a espessura desses
minerais, por meio da confecção de lâminas delgadas, tornando-os transparentes.
Quando determinados minerais absorvem totalmente a luz, independente da espes-
sura, são chamados de opacos. Por exemplo: elementos nativos metálicos, óxidos e
sulfetos;
Brilho: é a quantidade de luz refletida pela superfície do mineral. São divididos em
brilho metálico, quando possuem aparência metálica (minerais opacos e de traço
escuro) e não metálico, quando não apresentam aparência metálica (minerais claros
com traços de coloração clara ou sem cor). Quando trabalhamos com um mineral
de brilho não metálico, os seguintes termos podem ser usados:
Brilho vítreo: brilho do vidro (ex: quartzo)
Brilho resinoso: com aparência de resina (ex: esfalerita)
Brilho nacarado: aparência iridescente de uma pérola

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Brilho gorduroso: como se o mineral estivesse coberto por uma camada fina de
óleo (ex: nefelina)
Brilho adamantino: como o nome diz, brilho do diamante
Observação: vale ressaltar que muitos minerais metálicos quando oxidados perdem
parcialmente o brilho metálico, como no caso da pirita que quando oxidada se trans-
forma em limonita.
Cor: a cor de um mineral resulta na absorção seletiva da luz e os principais fatores que
colaboram para absorção seletiva são presenças de elementos químicos de transição
(ferro, cobre, níquel, cromo, vanádio etc) na composição química do mineral, defei-
tos na sua estrutura atômica e a presença de pequenas inclusões minerais dispersas.
São chamados de minerais idiocromáticos, minerais com cores bem características,
como o amarelo do enxofre. Outros minerais por apresentar cores variadas, como a
turmalina e o quartzo, são chamados de alocromáticos.
T raço: é a cor que o mineral deixa ao ser riscado em uma placa. Normalmente usa-se
uma placa de porcelana branca (com dureza aproximadamente 7 na Escala de Mohs).
Vale lembrar que, se o mineral em estudo for mais duro que a porcelana, é a porce-
lana que será riscada e não o mineral.
Essa propriedade é bastante útil na identificação de minerais opacos ou ferrosos,
que apresentam geralmente traços coloridos. Um exemplo bastante comum é o traço
vermelho da hematita (Fe2O3). A figura 06 mostra vários minerais com os seus res-
pectivos traços.

cor do mineral cor do traço cor do mineral cor do traço

Auripigmento Calcopirita
amarelo amarelo-ouro
Amarelo-dourado

Hematita Cinabarita
marrom preto-avermelhada Preto
Vermelho-marrom Vermelho

Crocoíta Molibdenita
marrom-avermelhada Cinza
prateada
Amarelo

Figura 06 – Minerais e seus Traços


[Fonte: ATLAS VISUAIS. A Terra. São Paulo: Editora Ática, 2008]

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A Escala de Mohs quantifica a dureza dos minerais, isto é, a resistência que um determina-
do mineral oferece ao risco, ou seja, a retirada de partículas da sua superfície.

1
2Dureza Mineral Fórmula Química
3
4
Talco, (pode ser arranhado facilmente com a
5
6
1 unha)
Mg3Si4O10(OH)2
7
Gipsita (ou Gesso), (pode ser arranhado com
2
8
9 CaSO4• 2H2O
unha com um pouco mais de dificuldade)

Calcita, (pode ser arranhado com uma moeda


3 de cobre)
CaCO3

Fluorita, (pode ser arranhada com uma faca de


4 cozinha)
CaF2

Apatita, (pode ser arranhada dificilmente com


5 uma faca de cozinha)
Ca5(PO4)3(OH-,Cl-,F-)

Feldspato / Ortoclásio, (pode ser arranhado


6 com uma liga de aço)
KAlSi3O8

Quartzo, (capaz de arranhar o vidro.


7 Ex.: Ametista)
SiO2

8 Topázio, (Capaz de arranhar o quartzo) Al 2SiO4(OH-,F-)2

9 Corindon, (Capaz de arranhar o Topázio) Al 2O3


Diamante, (Mineral mais duro que existe, pode
10 arranhar qualquer outro e é arranhado apenas C
por outro diamante)

A escala de dureza Mohs é usada em mineralogia, no entanto, existem outras


escalas de dureza utilizadas em ciência dos materiais.
Fonte: http://pt.wikipedia.org

PE NSE E R ESPONDA:
O giz risca o quadro ou é o quadro que risca o giz?
Por quê?

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Dureza: dureza é a possibilidade de um mineral ser riscado por um outro mineral.
Quanto mais forte for as forças de união entre os átomos do arranjo cristalino, mais
duro será o mineral. A lâmina de aço apresenta dureza entre 5 e 5.5, desta forma, o
canivete passou a ser uma boa ferramenta para testar determinados minerais, abaixo
desse valor de dureza. Para classificar a dureza, usamos a escala de Mohs, conforme
visto anteriormente, em homenagem ao mineralogista australiano F.Mohs. Essa
escala se baseia na dureza crescente de 10 minerais, iniciando pelo talco (Dureza
01), passando pelo gipso, calcita, fluorita, apatita, ortoclásio, quartzo, topázio, co-
ríndon e diamante (dureza 10).

1 – Talco 4 – Fluorita
2 – Gipso 5 – Apatita 6 – Ortoclásio 8 – Topázio 10 – Diamante
3 – Calcita
7 – Quartzo 9 – Coríndon

Figura 07 – Escala de Mohs de Dureza


[Fonte: ATLAS VISUAIS. A Terra. São Paulo: Editora Ática, 2008]

Curiosidade:
Dureza da unha = 2,5
Dureza de uma moeda de cobre = 3.0
Dureza do aço de uma lima = 6.5

Fratura: denomina-se fratura, a forma como o mineral se rompe. As fraturas são clas-
sificadas em conchoidal: fratura com superfície lisa e curva, semelhante à superfície
interna de uma concha, muito comum nos minerais de quartzo; fratura fibrosa ou
estilhaçada: quando o mineral se rompe mostrando estilhaços ou fibras; fratura serri-
lhada: quando o mineral se rompe formando uma superfície serrilhada, com bordas
cortantes; fratura desigual ou irregular: superfícies rugosas e irregular.

Clivagem: se aplicarmos uma força em um determinado mineral e o mesmo se romper,


produzindo uma superfície plana definida, chamamos de clivagem, caso contrário,
ocorreu uma fratura. As clivagens podem ocorrer em uma ou mais direções e se
classificam em perfeita, boa e imperfeita.

14  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Clivagem Clivagem segundo
três orientações,
formando um
Clivagem bloco cúbico
segundo uma
orientação

Clivagem ao longo Clivagem ao longo


de um Plano de três planos

Clivagem Clivagem segundo


horizontal quatro orientações,
formando um cristal
priramidal duplo

Clivagem ao longo
Clivagem ao longo
de dois planos
de quatro planos

Figura 8 - Clivagens

Tenacidade: é a resistência que um mineral oferece ao ser rompido, esmagado, curvado


ou rasgado, resumindo, é a sua coesão. Os termos usados para as várias espécies de
tenacidades são:
Quebradiço: mineral que se rompe ou pulveriza com facilidade;
Maleável: quando o mineral pode ser transformado em finas lâminas;
Séctil: quando um mineral pode ser cortado com o canivete;
Dúctil: o mineral pode ser estirado para formar fios;
Flexível: quando dobramos um mineral e o mesmo não retoma para a posição
inicial;
Elástico: após dobrarmos um mineral, ele retoma sua posição inicial;
Densidade relativa: determinada por uma balança especial, onde o mineral
é pesado primeiramente no ar, posteriormente, esse mesmo mineral é
submerso em um determinado volume de água. A divisão do valor do
peso do mineral no ar pelo volume de água deslocado por este mineral
é igual à densidade do mineral em estudo. Exemplo: Peso Ar/ Volume
deslocado = D (g/cm³).
A densidade relativa da maioria dos minerais formadores de rochas oscila
entre 2,5 e 3,3.

Geminação: é a propriedade de certos cristais aparecerem intercrescidos de ma-


Figura 09 –
neira regular. A geminação pode ser simples, por exemplo, dois indivíduos Cristal
intercrescidos, ou múltipla, chamada de polissintética. Muitas vezes, o tipo de Geminado de
Estaurolita
geminação pode diagnosticar o mineral. A estaurolita, pertencente à família dos
silicatos, se enquadra nesse diagnóstico.

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Propriedades elétricas e magnéticas: dizemos que um mineral é um bom con-
dutor de eletricidade, quando o mesmo apresenta ligações atômicas totalmente
metálicas, como os metais nativos: ouro, prata e cobre. Quando os minerais
apresentam estruturas atômicas parcialmente metálicas, como nos sulfetos,
dizemos semicondutores. Os minerais que apresentam ligações covalentes e
iônicas, são denominados não condutores. Piezoeletricidade e piroeletricida-
de são propriedades elétricas especiais. Piezoeletricidade é a propriedade de
determinados minerais em transformar uma pressão mecânica em carga elé-
trica. Essa propriedade faz com que o quartzo seja um mineral muito utilizado
Figura 10 - Magnetita pela indústria eletroeletrônica (no controle de rádio freqüência). Piroeletricidade é
[Fonte: SCHUMANN, a eletricidade originada pelo aumento do calor, esses minerais quando aquecidos
W. Guia dos Minerais.
Lisboa, Portugal: Edito- emitem uma corrente elétrica. A turmalina apresenta essa propriedade e é utilizada
rial Presença, 2001] para medidas de temperatura dos altos fornos. Quando um mineral no seu estado
natural é atraído por um ímã, é considerado magnético. A magnetita (Fe3O4) e a
pirrotita (Fe(1-x)S), são considerados magnéticos. Outros minerais, principalmente
os que contêm ferro, podem apresentar suscetibilidades magnéticas na presença de
um ímã mais poderoso, como o eletroímã.

Unidades f o r m a d o r a s d a c r o s ta

Rochas são produtos consolidados, resultante da união natural de minerais. De-


pendendo da força de ligação entre os grãos constituintes, a rocha pode ser dura ou
branda, esse fator é primordial para diferenciar rochas de sedimentos, como areia da
praia (conjunto de minerais soltos). Quando nos referimos a estrutura da rocha, esta-
mos falando do seu aspecto geral externo, dessa forma a rocha pode ser maciça, com
cavidades, apresentando minerais distribuídos de forma orientada ou não.
Outro aspecto importante e mais detalhado é a textura da rocha, pois nela obser-
vamos o tamanho, forma e como se relacionam os cristais ou grãos constituintes.
Quando dizemos minerais essenciais, estamos tratando dos que estão sempre
presentes, com abundância em determinada rocha e suas proporções irão determinar o
seu nome. Já os minerais acessórios podem ou não estar presentes, sem que isso mo-
difique a classificação da rocha em estudo.
As rochas formadas por minerais agregados pertencentes à mesma espécie mine-
ralógica, são denominadas de monominerálicas. Como exemplo, podemos citar os cal-
cários, mármores e quartzitos. As rochas pluriminerálicas, como o próprio nome diz,
são constituídas de espécies diferentes. São exemplos de pluriminerálicas: os granitos,
gabros e ganisses. [TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de
Textos, 2000].

Faça uma pesquisa e


apresente a diferença
entre Cristal e Cristalino.

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O b s e r va ç ã o I m p o r ta n t e
Escala de Wentworth (fração granulométrica)
• Argila – menor que 4 nm
• Silte – entre 4 nm e 64 nm
• Areia – maior que 64 nm e menor que 2mm
• Grânulo – maior que 2mm e menor que 4mm
• Seixo – maior que 4mm e menor que 64mm
• Bloco ou Calhau – maior que 64mm e menor que 256mm
• Matação – maior que 256mm

Cl assific aç ão d a s r o ch a s

De acordo com seu modo de formação na natureza, as rochas se classificam em


três grandes grupos:

Rochas Ígneas ou magmáticas: essas rochas são derivadas diretas do resfriamento do


magma (material rochoso fundido). Quando o magma extravasa ou chega à super-
fície e se resfria, a rocha é chamada de extrusiva ou vulcânica. O basalto é a rocha
vulcânica mais conhecida.
Entretanto, quando o magma se resfria no interior da terra, a rocha resultante é
chamada de intrusiva, o granito é seu representante mais abundante.

Figura 11 – Basalto Figura 12 – Granito


[Fonte: SCHUMANN, W. Guia [Fonte: SCHUMANN, W. Guia dos Minerais. Lisboa, Portu-
dos Minerais. Lisboa, Portugal: Editorial Presença, 2001] gal: Editorial Presença, 2001]

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Co m o p o d e m o s r e c o n h e c e r s e a r o c h a é i n t r u s i va o u e x t r u s i va ?

Basta avaliar a sua textura, pois o resfriamento do magma no interior da terra é


lento, assim sendo, os minerais pertencentes a esse magma tem tempo para crescerem
e se tornar facilmente visível. Alguns cristais podem alcançar vários centímetros e são
chamados de pórfiros.
O resfriamento do magma na superfície é muito rápido, dessa forma, os minerais
presentes, geralmente, não tem tempo suficiente para crescerem de forma a se torna-
rem cristais facilmente visível, assim, a rocha extrusiva tende a apresentar uma textura
granulométrica fina.

At i v i d a d e
Diferencie basaltos e granitos, pesquisando estrututas, texturas e contituição minera-
lógica dos mesmos.

Rochas Sedimentares: as rochas sedimentares são constituídas de sedimentos de outras


rochas, podendo ser ígneas, metamórficas ou até mesmo sedimentares. Através do
intemperismo, são liberadas partículas e/ou compostos químicos dissolvidos, esse
material é transportado pela ação dos ventos, águas e geleiras e depositados. Poste-
riormente, ocorre o processo de compactação e/ou cimentação, unindo as partículas
de sedimentos em rochas sedimentares. O nome dado ao processo de união das
partículas sedimentares é litificação ou diagênese.
As rochas sedimentares são divididas em clásticas e químicas. As rochas clás-
ticas são constituídas por partículas (clastos) preexistentes e classificadas de acordo
com o tamanho das mesmas. As rochas sedimentares químicas são formadas pela
precipitação de sais como os carbonatos, cloretos e sulfatos, bem como minerais
alcalinos (Na e K) e alcalinos terrosos (Mg e Ca).
Depósitos sedimentares de origem orgânica são acúmulos de matéria orgânica
tais como restos de vegetais, conchas de animais, excremento de aves etc. Esses
materiais, após serem compactados geram respectivamente, turfa, coquina e guano
e são considerados pseudo-rochas, pois seus agregados não são minerais.

IM PORTANTE
Intemperismo constitui o conjunto de processos operantes na superfí-
cie terrestre que ocasionam a decomposição dos minerais das rochas, graças
à ação de agentes atmosféricos e biológicos.

(Fonte: LEINZ, V. Geologia Geral. São Paulo: Editora Nacional, 1978)

18  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Rochas Metamórficas: quando rochas ígneas ou sedimentares são submetidas a aumen-
tos de pressão e temperatura, sem que o ponto de fusão dos seus minerais seja atin-
gido (700-800°C), caso isso aconteça, a rocha se transformará em magma. Xistos e
gnaisses são os tipos de rochas metamórficas mais comuns. O processo de formação
das rochas metamórficas ocorre de duas maneiras: Metamorfismo Regional e Meta-
morfismo de contato.
Durante o metamorfismo regional, enormes volumes de rochas são afetados, e o
resultado se estende por dezenas de milhares de quilômetros cúbicos. Observa-se
esse fenômeno, no processo de formação de cadeias de montanha, como o Hima-
laia. Durante esse processo, grandes pacotes de rochas ígneas e sedimentares são
submetidos a altas temperaturas e enormes pressões, deformando a rocha preexis-
tente. Devido às fortes pressões dirigidas, durante o metamorfismo regional, as
rochas envolvidas no evento, apresentam um arranjo orientado de minerais planares
e colunares. Dependendo dos valores alcançados pela variação de pressão e tempe-
ratura, os metamorfismos regionais se classificam em baixo, médio e alto grau.
O processo chamado de metamorfismo de contato ocorre quando o magma, an-
tes de solidificar, entra em contato com rochas mais frias, cozinhando as mesmas.
(Fonte: THE OPEN UNIVERSITY. Os recursos físicos da Terra – Bloco 1.
Campinas: SP, 1994, p.27-42).

D istr ibuiç ão e r e l a ç ã o d a s r o ch a s n a c r o s ta t e r r e s t r e

Quando nos referimos à crosta terrestre, estamos falando da camada sólida exter-
na do planeta. A crosta se divide em continental, que corresponde às áreas continentais
emersas, e crosta oceânica, que constitui o fundo oceânico. Estudos mostram que 95%
do volume da crosta é constituído por rochas cristalinas, ou seja, rochas ígneas e me-
tamórficas, sobrando apenas 5% de rochas sedimentares. Entretanto, quando falamos
em distribuição de rochas na superfície, os números se modificam para 75% de rochas
sedimentares e 25% de rochas cristalinas, isso significa que sobre as rochas cristalinas,
ocorre uma fina camada de rochas sedimentares. [Fonte: TEXEIRA, W. et al. Deci-
frando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000. p. 39].

O c i c l o d a s r o ch a s

Trata-se de um processo contínuo onde rochas antigas são renovadas. Vamos re-
cordar os 3 grupos de rochas: rocha ígneas, sedimentares e metamórficas. As rochas íg-
neas são formadas pela solidificação do magma, as sedimentares se originam através
da compactação dos sedimentos, processo esse denominado de litificação. As rochas
metamórficas têm origem quando rochas ígneas, sedimentares e até mesmo rochas me-
tamórficas, são expostas a altas pressões e temperaturas. Todas as rochas citadas acima
podem ser expostas na superfície terrestre por processos de movimentação crustal e/
ou atividade vulcânica. Uma vez exposta na superfície, as rochas serão atacadas pelo
intemperismo e reduzidas a fragmentos de rocha (sedimentos). Esses fragmentos se-

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  19


rão transportados pelas águas, ventos e geleiras e depositados em diferentes ambientes
(lagos,desertos, deltas e no fundo dos oceanos). Parte desse material irá sofrer litifica-
ção e vai se transformar em rocha sedimentar.
A rocha sedimentar pode retornar à superfície por movimentação crustal ou ser
levada ao interior da terra, onde as altas temperaturas e pressão irão transformá-la em
rocha metamórfica ou até mesmo em magma, dependendo das temperaturas e pressões
reinantes, esse mesmo processo pode acontecer com rochas metamórficas e ígneas. E
novamente, quando essas rochas forem expostas à superfície, o ciclo se recomeça (ver
figura 13 representativa do ciclo e estágio das rochas)

Figura 13 – Ciclo das Rochas


[Fonte: ATLAS VISUAIS. A Terra. São Paulo: Editora Ática, 2008]
Montanha
A queda-d’água
erode a rocha
A geleira erode
a rocha e carrega
Magma ejetado partículas até o rio
como lava, que se
solidifica para for-
mar rocha ígnea
Fluxo de
lava
Cratera
Condutor
principal
Condutor
secundário
Lava
Cinza

Em volta do magma
a rocha é transformada pelo
calor e forma rocha metamórfica

O calor intenso do magma ascendente


20  | Ciências Naturais
fundee parte | UAB
da rocha
Matemática encaixante
A rocha sedimentar triturada e dobrada
transforma-se em rocha metamórfica
Rocha
ígnea

Intemperismo,
trasnporte e deposição Sedimentos

Resfriamento e solidificação (cristalização)

Compressão e cimentação (litificação)


Intemperismo, trasnporte e deposição
Calor e pressão (metamorfismo)

ão
siç
o
dep
e
rte
po
asnr
o, t
ism
Magma per
em
Int
Fusão

Calor e pressão
(metamorfismo)

Rocha
metamórfica Rocha
sedimentar

O rio erode o fundo do vale e


carrega as partículas de rocha a jusante
As partículas de rocha se depositam
como sedimentos no lago
As partículas de rocha depositadas
pelo vento formam dunas e areia
Partículas de rocha Partículas mais
depositadas no delta pesadas de rocha
depositadas na
plataforma continetal

Plataforma
continental

Talude
continental

As particulas mais leves


acumulam-se nos fundos
oceânicos para formar camadas
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de sedimentos
Camadas de sedimentos comprimidas e
cimentadas para formar rocha sedimentar
Unidade d o s m i n e r a i s e r o ch a s

Os minerais e rochas são de grande importância para o conforto e bem estar da


humanidade. A tabela 03, exemplifica as diversas formas e áreas de aplicação desses
minerais.

Metálicos

Ferrosos ferroligas ferro, manganês, cromo, molibdênio, ní-


quel, cobalto, wolfrâmio, vanádio

Não-ferrosos básicos cobre, chumbo. zinco, estanho


leves alumínio, magnésio, titânio, berílio
preciosos ouro, prata, platina
raros berílio, césio, lítio, etc.

Não-metálicos

materiais de contrução areia, cascalho, rochas industriais, brita


materiais para indústria química enxofre, fluorita, sais, pirita, cromita
fertilizantes fosfatos, potássio, nitrato
cimento calcário, argila, gipsita
cerâmica argilas, feldspato, sílica
refratários cromita, magnésita, argilas, sílica
abrasivos córidon, diamante, granada, quartzito
isolantes amianto, mica
fundentes carbonatos, fluorita
pigmentos barita, acre, titânio
gemas diamante, rubi, turmalina
Tabela 03 – Classificação utilitária simplificada das substâncias minerais: alguns exemplos
[Fonte: TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000]

PETRÓLEO
Histó r ico

Conforme registros bíblicos, os babilônicos usavam o asfalto para assentar tijolos


e, os Fenícios, o betume para calafetar as embarcações. Os egípcios o usavam em larga
escala, tanto para pavimentação de estradas, como para embalsamar os mortos e na
construção das pirâmides.
Tanto os gregos, como os romanos, usavam o petróleo para fins bélicos. No Novo
Mundo, o petróleo era conhecido pelos índios pré-colombianos, que o utilizavam para
decorar e impermeabilizar seus potes de cerâmica. Os incas, os maias e outras civili-
zações antigas, também estavam familiarizados com o petróleo e o aproveitavam para
diversos fins.
O petróleo era retirado de exsudação natural (surgência), encontradas em todo
continente.

22  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


A moderna era do petróleo iniciou-se quando o norte-americano, conhecido como
Coronel Drake, encontrou petróleo a cerca de 20 metros de profundidade no oeste da
Pensilvânia, utilizando uma máquina perfuratriz para a construção do poço. À época,
a sua descoberta causou tamanha sensação, que em apenas um ano 15 refinarias de pe-
tróleo foram instaladas na região. A diferença do petróleo encontrado em profundida-
de, com relação ao petróleo aflorante naturalmente, é a presença de seus componentes
voláteis, também chamado de petróleo leve.
No Brasil, a história do petróleo começa em 1858, quando o Marquês de Olinda
assina o decreto n° 2.266 concedendo a José Barros Pimentel o direito de extrair mi-
neral betuminoso para fabricação de querosene, em terrenos situados às margens do
Rio Marau, na então província da Bahia. No ano seguinte, durante a construção da
Estrada de Ferro Leste Brasileiro, o inglês Samuel Allport, observou gotejamento de
óleo em Lobato, no subúrbio de Salvador.
Entretanto, as primeiras pesquisas relacionadas ao petróleo, ocorreram em Alagos
em 1891. Somente em 1897, foi perfurado o primeiro poço brasileiro em Bofete, no
estado de São Paulo. Esse poço atingiu a profundidade de 448m e produziu 0,5m³ de
óleo.
Em 1919 foi criado o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, que perfurou
sem sucesso 63 poços em vários estados do Brasil (Pará, Alagoas, Bahia, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em 1939, sob a jurisdição do recém criado Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM), o Brasil descobre petróleo no poço de Lobato, na Bahia. O poço
foi perfurado com uma sonda rotativa e encontrou petróleo a uma profundidade de 210
m, apesar de ter sido considerado antieconômico, os resultados foram de fundamental
importância para o desenvolvimento das atividades petrolíferas no país. O primeiro
campo comercial foi descoberto em 1941, em Candeias, no Estado da Bahía.
No governo Vargas, mais especificamente em 1953, foi instituído o monopólio
estatal do petróleo com a criação da Petrobras, dando partida decisiva nas pesquisas de
petróleo.

Petróleo e seus co nstituintes

Do latim petra (pedra) e oleum (óleo), o petróleo é um líquido oleoso, inflamável,


normalmente com densidade menor que a água. Sua cor varia desde o incolor até o
preto, passando por verde e marrom.
O petróleo é constituído basicamente, por uma mistura de compostos químicos
orgânicos (hidrocarbonetos). Quando a mistura contém uma maior porcentagem de
moléculas pequenas, seu estado físico é gasoso e quando a mistura contém moléculas
maiores, seu estado físico é líquido, isso dentro das condições normais de pressão e
temperatura. É praticamente impossível separar as centenas de componentes químicos
encontrados no petróleo.
Através da ebulição, são obtidas frações típicas de petróleo, conforme tabela abai-
xo.

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Temperatura de Composição
Fração Usos
ebulição (oC) aproximada
Gás residual C1 – C2 gás combustível.
gás combustível en-
Gás liquefeito de
Até 40 C3 – C4 garrafado. Uso do-
petróleo - GLP
méstico e industrial.
Gasolina combustível de auto-
40 – 175 C5 – C10
móveis, solvente.
iluminação.
Querosene 175 –235 C11 – C12 combustível de
aviões a jato.
Gasóleo leve 235 – 305 C13 – C17 diesel, fornos.
combustível, maté-
Gasóleo pesado 305 – 400 C18 – C25 ria-prima p/ lubrifi-
cantes.
Lubrificantes 400 – 510 C26 – C38 óleos lubrificantes.
asfalto, piche, imper-
Resíduo Acima de 510 C38 +
meabilizantes.

Tabela 04 – Frações típicas de petróleo


[Fonte:THOMAS, J. E. Fundamentos de engenharia de petróleo. Rio de Janeiro: Interciên-
cia, Petrobras, 2001]

Os óleos obtidos de diferentes reservatórios de petróleo possuem características


diferentes, entretanto, todos possuem análises semelhantes às da tabela a seguir:

Hidrogênio 11-14%
Carbono 83-87%
Enxofre 0,06-8%
Nitrogênio 0,11-1,7%
Oxigênio 0,1-2%
Metais Até 0,3%

Tabela 05 – Análise elementar do óleo cru típico (% em peso)

Origem d o pe t r ó l e o (R o ch a fo n t e)

A teoria mais aceita para a origem do petróleo é a orgânica, ou seja, tanto o pe-
tróleo como o gás natural são combustíveis fósseis, a exemplo do carvão. Sua origem
se dá a partir de matéria orgânica (principalmente algas), soterradas juntamente com
sedimentos lacustres ou marinhos.
Após o soterramento em ambientes que impedem a oxidação da matéria orgânica

24  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


e posterior aumento da carga sedimentar (pressão), a temperatura se eleva e a matéria
orgânica vai perdendo componentes voláteis até se transformar em hidrocarboneto.
Normalmente, o petróleo e o gás coexistem, porém dependendo das condições de pres-
são e temperatura poderemos encontrar maior quantidade de um ou de outro.
A figura 14 mostra as modificações da matéria orgânica em hidrocarboneto com
o incremento da profundidade e, consequentemente, das condições de pressão e tem-
peratura.

Hidrocarbonetos gerados
0
Zona Imatura
Diagênese

1
Contagênese
Zona de Gás

Profundidade (km)
e Óleo

Óleo
Metagênese

3
Zona de Gás

Gás
4

Figura 14 - Esquema simplificado da formação de hidrocarbonetos em função da profundidade

A grande diferença entre a formação de carvão mineral e dos hidrocarbonetos


está na matéria-prima, isso é, material lenhoso para o carvão e algas para os hidrocar-
bonetos.

M ig r aç ão d o pe t r ó l e o

Imaginem uma rocha formada por sedimentos finos, ricos em matéria orgânica
(rocha fonte), soterrados a uma profundidade mínima de 500 m. A pressão exercida
pelo peso das camadas sobre essa rocha, bem como a temperatura, induz que os hi-
drocarbonetos presentes nos poros dessa rocha migrem para cima, em um ambiente de
menor pressão e maior porosidade.

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mica
R o ch a r e s e r vat ó r i o
argila
O petróleo, após ser gerado e ter
migrado, é eventualmente acumula-
óleo
do em uma rocha que é chamada de
reservatório. Qualquer rocha pode
feldspato servir de reservatório, desde que a
quartzo
mesma tenha espaços vazios em seu
interior denominados poros e que es-
ses poros se comuniquem com outros
poros, atribuindo à rocha a caracte-
0,17 cm. rística de permeabilidade. Rochas
carbonato
que não apresentam porosidade e/
Figura 15 - Microfotografia de uma rocha-reservatório contendo óleo ou permeabilidade, podem vir a se
[Fonte: THOMAS, J. E. Fundamentos de engenharia de petróleo. Rio de
Janeiro: Interciência, Petrobras, 2001] tornar reservatório desde que natu-
ralmente fraturadas.
R o ch a s e l a n t e o u c a pe a d o r a s

Em seu caminho migratório para a superfície, o hidrocarboneto pode encontrar


uma barreira impermeável e irá se acumular logo abaixo dessa rocha, denominada
selante ou capeadora. Não esquecer que a rocha onde o hidrocarboneto ficou acu-
mulado é a rocha reservatório. Diversos tipos de rocha podem ter esse papel, por
exemplo folhelhos, argilitos, sal etc.
Quando o sistema de bloqueio do hidrocarboneto (rocha reservatório e rocha
capeadora), é associado a uma estrutura geológica, chamamos de armadilha ou trapa.
As armadilhas têm basicamente duas origens distintas: estratigráficas ou estrutu-
ral, mas podem ter diversas formas, algumas, conforme figura 16.

Rocha Capeadora
Ro
ch
aC Ro
Óleo ap
ead Óleo ch D
or a aC isc
Roc ha or

Ro

Ro Cap e a ap
c ha dora ea nc
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Rocha Capeadora
es

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a

va

atória

Rocha Geradora Roc ha


r ia

Gerad
ora

a b c
Figura 16 - Exemplos de trapas: (a) Dobra Anticlinal, (b) falha, (c) discordância
[Fonte: TEXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficinas de Textos, 2000]

Cu r i osi dad e
Em fun ç ã o d a d iferen ç a d e d ensi d a d es , q uan d o pre -
sentes n o s reser vat ó ri o s , o g ás o cupa a p o r ç ã o supe -
ri o r , se g ui d o pel o petr ó le o na p o r ç ã o interme d iária e
pela á g ua na p o r ç ã o basal .

26  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Vo c ê j á o u v i u fa l a r e m P r é -S a l ?

Esse tema, Pré-Sal, constitui-se ainda em novidade, mas podemos definir Pré-Sal
como um conjunto de grandes reservatórios de petróleo e gás natural, mais antigo que a ca-
mada de sal neoapitiniano, que está localizado na região litorânea entre os estados de Santa
Catarina e Espírito Santo, em uma área de aproximadamente 800 km. Trata-se de uma
definição da geologia, que significa que a camada foi depositada antes do sal. Importante
ressaltar que, essas reservas encontram-se abaixo da camada de sal, por isso recebeu esse
nome e teriam se formado há mais de 100 milhões de anos, a partir da decomposição de
materiais orgânicos, à época em que os continentes se separaram.

E S u b s a l? O q u e s i g n i f i c a?

O termo subsal, que também é uma definição geoló-


gica, significa que a rocha reservatória está abaixo do sal,
não necessariamente sendo uma camada mais antiga, pois
devido o sal ser extremamente maleável, o mesmo pode
se movimentar criando “línguas” sobre uma camada mais
jovem que ele. Este tipo de formação é conhecida como
sal alóctone.

(Fonte: http://pt.wikipedia.org)

PRÁTIC A PE DAGÓGIC A

Visite a página da Petrobras na internet: http://www2.petrobras.com.br/presal/10-


-perguntas/ e entenda muitas coisas, como por exemplo, qual o volume estimado de óleo
encontrado nas acumulações do pré-sal descobertas até agora, as recentes descobertas na
camada pré-sal são economicamente viáveis etc. A partir dessa leitura, proponha um
projeto sobre o tema Petróleo para ser trabalhado com os alunos da educação básica.

TE MA PARA DE BATE

Quais serão as contribuições da descoberta do Pré-Sal para o desenvolvimento


nacional?

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28  | Ciências Naturais e Matemática | UAB
2
E s t r u t u r a d a Te r r a :
Hidrosfera
A água da vi da . . . a vi da da água n o P l a n e ta T e r r a

Os oceanos, lagos e cursos de água, a água contida no interior da crosta e a existente na atmosfera
formam, em conjunto, a parte líquida da Terra, denominada de hidrosfera. Distribui-se na atmosfera
e na parte superficial da crosta até uma profundidade de aproximadamente 10 km abaixo da interface
atmosfera/crosta.
A água é a substância de maior quantidade na superfície do planeta, participando dos seus processos
físico-químicos como a dissolução de materiais terrestres e do transporte de partículas. Do total de 5,10
X 108 Km2 da superfície da terra, 3,10 X 108 Km2 são cobertos por oceanos, enquanto 1,85 X 108 Km2
de terra firme.

Pelos dados acima qual é a proporção entre a superficie marítima e a terra


firme?
Considerando que cerca de 2,5 X 106 Km2 das terras firmes são cobertas por
rios e lagos e até 1,5 X 107 Km2 por geleiras, qual a proporção entre a superfície marí-
tima e as terras emersas?
A Terra é chamada de planeta azul quando vista do espaço devido a cor da água.
Por que a água dos oceanos é azul ?

Rio Amazonas

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A cor da água é um assunto controverso de estudos científicos e equívocos po-
pulares. Normalmente diz-se que a água pura é inodora, insípida e incolor. As duas
primeiras qualidades são verdadeiras mas a terceira é um grande equívoco popular.
Embora quantidades relativamente pequenas de água sejam observadas pelos humanos
como transparente, a água pura líquida tem uma cor levemente azul, que se torna um
azul intenso quando a espessura da amostra observada aumenta. A cor azul é causada
pela absorção seletiva e espalhamento do espectro de luz. Impurezas dissolvidas ou
suspensas na água pode dar a água diferentes aparências coloridas.

A água é que mantém a vida sobre a Terra, através da fotossíntese, produzindo


biomassa pela reação química conhecida entre CO2 e H 2O. Sabemos que a fotossín-
tese é o processo através do qual as plantas clorofiladas, e alguns outros organismos,
como microalgas, as cianófitas (algas verde-azuladas) e diversas bactérias, trans-
formam a energia luminosa em energia química através da equação simplificada do
processo:

Qual é o nome (usual ou


6H 2O + 6CO2 6O2 +C6H12O6
oficial) do composto: C6H12O6?

Como fo i o r i g i nada a água líqu i da n o P l a n e ta ?

A origem da água na história da formação da Terra está relacionada com a forma-


ção da atmosfera através da degaseificação.
O que é degaseificação? É o processo físico de liberação lenta de gases por um
sólido ou líquido. Esse processo pode incluir a sublimação e a evaporação que são
transição de fases de uma substância para a fase gasosa, assim como a desorção que
infiltra por fendas ou volumes internos os produtos gasosos de lentas reações químicas.
Esse fenomeno atuante até hoje, iniciou na fase de resfriamento geral da Terra, após a
fase inicial de fusão parcial. Nesse resfriamento gradativo e formação de rochas ígneas,
foram liberados gases, principalmente, vapor de água (H 2O) e dióxido de carbono
(CO2), entre vários outros, como subprodutos voláteis da cristalização do magma. Os
geólogos defendem que praticamente todo o volume de água que compõe hoje a hi-
drosfera foi gerada na primeira fase de resfriamento da Terra. A geração de água sob
a forma de vapor é observada atualmente em erupções vulcânicas, sendo chamada de
água juvenil, respeitando esta mais provável hipótese da origem da água.

O Ciclo Hidrológ ico

O constante intercâmbio entre os reservatórios de água tais como os oceanos,


geleiras, rios e lagos, vapor d’agua, água subterrânea e a água contida nos organismos
vivos compreende o ciclo d’água ou ciclo hidrológico, dinamizado pela energia solar,

30  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


representando o processo da dinâmica externa mais importante da Terra.
Podemos iniciar com o fenomeno da precipitação meteórica, que é a condensação
de gotículas a partir do vapor de água presente na atmosfera, resultando nas chuvas.
Quando o vapor de água transforma-se diretamente em sólido, em cristais de gelo, e
estes se ajuntam atingindo tamanho e peso suficientes, haverá a formação de granizo
ou neve, responsáveis pelas geleiras nas calotas polares e nos cumes das montanhas.
Através da evaporação, parte da precipitação retorna para a atmosfera. Esta fração
evaporada adiciona-se ao vapor de água formado sobre o solo e aquele liberado pelos
processos dos organismos, principalmente as plantas, através da respiração. Todas estes
processos de vaporização são denominados de evapotranspiração. A evaporação no
caso é causada pela radiação solar e vento e a transpiração pela vegetação. A evapo-
transpiração em área florestadas de clima quente e úmido é responsável por até 70% da
precipitação.

Em ambientes glaciais como se deve dar


o retorno da água para a atmosfera?

Circulação Atmosférica Energia


Solar

Vapor de água

gases vulcânicos Neve


Precipitação
meteórica
ão
Evapotr a n s pi raç

chuva
nos
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Evaporação d o s o
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Água do mar
te


In

Fluidos
ão hidrotermais

Água em rochas
metamórficas Ciclo hidrológico lento: dinâmica interna
Ciclo hidrológico rápido: dinâmica externa

Fonte: www.suderhsa.pr.gov.br

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Nas florestas há uma significativa parcela da precipitação que pode ser retida
sobre folhas e caules, sofrendo a evaporação posteriormente. Este processo é chamado
de interceptação.

Dois caminhos podem ser seguidos pelas gotas das chuvas


Como a interceptação que caem sobre o solo: a infiltração e o escoamento superfi-
pode reduzir a ação ero- cial. A infiltração depende principalmente do tipo de solo. A
siva das chuvas? água, direcionada pela força gravitacional, tende a preencher os
vazios no subsolo, seguindo em profundidade até o corpo de
água subterrânea. O escoamento superficial, se origina de pequenos filetes de água,
convergindo para os córregos e rios, constituindo a rede de drenagem. Também com
raras exceções, tem como destino final os oceanos. Parte da água de infiltração pode
retornar à superfície através de nascentes, alimentando o escoamento superficial.
Ao longo do trajeto geral do escoamento superficial nas áreas emersas e principal-
mente nos oceanos ocorre a evaporação, realimentando o vapor de água atmosférico,
completando assim o ciclo hidrológico.
A seguir se encontra uma tabela da distribuição de água nos principais reservató-
rios naturais.

Volume Percentual do Volume Tempo médio de


Tipo de reservatório
(10 6 x km3) Total permanência

Oceanos e mares 1.370 94 4.000 anos

Geleiras e neves eternas 30 2 10 a 1.000 anos

Águas subterrâneas 60 4 2 semanas a 10.000 anos

Lagos, rios, pântanas e


reservatórios artificiais 0,2 < 0,01 2 semanas a 10 anos

Umidade nos solos 0,007 < 0,01 2 semanas a 1 ano

Biosfera 0,0006 1 semana

Atmosfera 0,0130 10 dias

Fonte: Karmann I., 2003

32  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


S u g e s tã o pa r a At i v i d a d e P e d a g ó g i c a
Simulando nuvens, chuva, neblina, orvalho e geada: uma ativida-
de para o desenvolvimento dos conceitos relativos aos fenômenos
naturais do ciclo da água

Esta atividade é recomendada para a compreensão dos fenômenos naturais da


água para o Ensino Fundamental – 5ª a 9ª. séries. É uma atividade que requer mate-
riais simples e que ao mesmo tempo trabalha com profundidade os conceitos relativos
às mudanças de estado físico.

D e s e n v o lv i m e n t o

Como visto, a água dos oceanos, rios e lagos está sempre evaporando e o vapor
d’água fica misturado com o ar. A água retorna na forma de nuvens , chuva, neblina,
orvalho e geada. Como ocorrem estes fenômenos?
Material: 2 copos de vidro; sal de cozinha; um pequeno espelho; gelo picado; 1
colher de sopa; papel absorvente; água gelada
1. Usando papel absorvente, enxugue bem o copo por fora e coloque água gelada
no seu interior. O que você observa no lado de fora do copo?
2. Para ter certeza de sua resposta, passe o dedo do lado de fora do copo. A água
que está na parte de fora do copo veio de dentro? Por quê?
3. Aproxime de sua boca o espelho e sopre sobre ele até embaçá-lo. Passe o dedo
sobre o espelho. O espelho está molhado? De onde pode ter vindo a água que
se depositou sobre o espelho?
4. Pegue o outro copo e enxugue-o bem por fora. Coloque nele gelo picado e sal
em camadas alternadas até a metade da altura. Misture bem. Deixe o copo em
repouso durante 3 minutos.
5. Pegue no copo pela borda e examine-o por fora. Raspando com a unha, você
percebe bem o gelo que depositou aí.

Discutindo a at i v i d a d e

Com relação ao primeiro item do procedimento, as paredes do copo não são po-
rosas – assim, a água não pode tê-la atravessado. A água que apareceu no lado de fora
do copo só pode ter vindo do ar, pois somente o ar está junto ao copo, por fora. A água
estava no estado gasoso, misturada com o ar. Nesse estado nós não pudemos vê-la. Só
a vimos quando passou para o estado líquido, formando gotinhas grudadas no copo,
pelo lado de fora. O vapor d’água passou para o estado líquido porque o copo estava
frio e esfriou o ar em torno dele.
A água que se depositou sobre o espelho estava no ar que saiu de seus pulmões. O
ar que expiramos é quente e contém muito vapor d’água. Quando esse vapor encontra
o espelho, resfria-se e passa para o estado líquido.
Por que quando está chovendo, os vidros dentro do carro, com janelas fechadas,
ficam todos embaçados?

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E a água n o U n i v e r s o?

A água também é encontrada na forma de vapor ou de gelo, na atmosfera de algu-


mas estrelas nas nuvens moleculares interestelares, em vários satélites do sistema solar,
nos cometas e também nos planetas. A água é formada a partir dos átomos de hidro-
gênio e de oxigênio. É interessante que o hidrogênio representa mais de 70% da massa
do universo visível, enquanto o oxigênio constitui apenas 1% dela. Para que ocorra a
formação de água é necessário condições especiais, como uma alta densidade e a uma
temperatura que não ultrapasse a alguns milhares de graus centígrados. As radiações
ultravioletas, quando muito intensas, podem destruir as moléculas de água, fenômeno
provavelmente responsável pela perda de cinco sextos da água existente no Planeta
Marte. Essas condições se mostram relativamente raras no Universo, o que resulta que
apenas 1 a 10 milionésimos de sua massa são constituídos de água (BRANCO, 1995).

Por q u e s e fa l a d a c r i s e m u n d i a l d a fa lta d e á g u a ?

        Segundo estudiosos (www.revistasdaságuas.pgr.mpf.gov.br)  três principais


problemas agravam o quadro de disponibilidade hídrica mundial:
1. A degradação dos mananciais;
2. O aumento exponencial e desordenado da demanda;
3. O descompasso entre a distribuição das disponibilidades hídricas e a locali-
zação das demandas, pois as águas estão  distribuídas de forma heterogênea,
tanto no tempo como no espaço geográfico.

Assim, a escassez hídrica tem gerado instabilidades e conflitos econômicos e


socioambientais, os quais tendem piorar com o tempo. Por isso é determinante que
a água seja tratada como um recurso estratégico, para que o seu uso sustentável seja
controlável no seu uso racional, no fortalecimento institucional, em marcos regulató-
rios, no planejamento e gestão integrada, na disponibilidade de recursos financeiros, e,
principalmente, no respeito ao princípio de que todos têm direito à água de qualidade,
um bem fundamental à vida.
Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm água suficiente para suprir as suas
demandas domésticas. Estima-se que, em 30 anos, haverá 5,5 bilhões de pessoas viven-
do em áreas com moderada ou elevada escassez de água. Estima-se que o crescimento
populacional aumentou três vezes no decorrer do século XX, passando de 2 para 6
bilhões de habitantes. Nesse mesmo período, a demanda de água aumentou sete vezes,
isto é, passou de 580 km³/ano para aproximadamente 4.000 km³/ano.
A escassez hídrica é cada vez mais crítica em alguns países como: Arábia Saudita,
Bélgica, Burundi, Cabo Verde, Cingapura, Egito, Kuwait, Líbia, Jordânia e Tailândia.
O Brasil, dispõe de cerca de 12% de toda a água doce do planeta, cerca de 89%
do volume total estão concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde estão lo-
calizadas apenas 14,5% da população. Para as regiões Nordeste, Sudeste e Sul, onde
estão distribuídos 85,5% da população, há disponível apenas 11% do potencial hídrico
do país.

34  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


BORJA (1997) ao estudar cinco localidades de Salvador, constatou que o consu-
mo variava de 40 a 729L/hab.dia, sendo que a de menor consumo em uma ocupação
de renda baixa e o de maior consumo verificado no bairro onde reside população de
alta renda.
A Agenda Global, entre seus objetivos, propôs que fosse garantido, até o ano
2000, o acesso a pelo menos 40 litros per capita por dia de água potável a toda popula-
ção urbana e que 75 por cento desta, tenha o acesso de serviços de saneamento próprios
ou comunitários (AGENDA 21, 1992). O Banco Mundial e a OMS, afirmam que o
suprimento mínimo de água deve ser de 20 a 40 litros/hab.dia (GONÇALVES, 2006,
apud www.medindoágua.wordpress.com.br)
A definição de uma quantidade mínima de água suficiente para suprir a demanda
residencial é um assunto polêmico e complexo, envolvendo aspectos sociais, culturais,
regionais e econômicos, inclusive relacionados à sustentabilidade dos sistemas de abas-
tecimento. Assim, apesar de defendida por vários pesquisadores, entidades e organiza-
ções, até hoje não se estabeleceu uma cota mínima a ser garantida a todos os cidadãos
(GLEICK, 1996; MATOS, 2007, apud www.medindoagua.worpress.com.br).
Documento da ONU mostra que enquanto a demanda de água foi de 2 mil Km3
na década de 1970, em 2000 passou para 55 mil Km3. A maior parte desse aumento foi
destinada à agricultura, que usa 70 % de água doce do planeta.

Você sabia que são necessários, até o produto orgânico estar pronto para o
consumo, de:
• 200 litros de água, em média, para cultivar uma espiga de milho?
• 1300 litros de água,em média, para obtenção de cada Kg de carne bovina?
• 150 litros de água, em média, para a obtenção de uma cenoura?

Como i d e n t i f i c a r a p r e s e n ç a d e á g u a n o s m at e r i a i s ?

• Papel de Cobalto : uma maneira de identificar a presença da água nos ma-


teriais

Podemos identificar a presença da água através do papel de cobalto. Do que


consiste este papel?
Este papel é obtido através de um banho da solução de cloreto de cobalto
(0,01mol/L) em um papel de filtro.

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Como se dá a detecção de água através do cloreto de cobalto?
O produto de combinação de certas substâncias, principalmente sais, com
um número variável, mas definido de moléculas de água, denomina-se hidrato.
A essa água, que faz parte da estrutura do cristal, se usa dar o nome de água de
cristalização, e o sal que a contém é um sal hidratado. Quando na estrutura do
cristal não há água de cristalização, dizemos que o mesmo está anidro. O cloreto
de cobalto anidro CoCl 2 é azul, enquanto que os sais hidratados do cloreto de
cobalto são roxo CoCl 2·2H2O e rosa CoCl 2·6H2O.
Baseando-se nestas diferentes características é que o papel de cloreto de
cobalto é um ótimo detetor de água. Este papel quando anidro, ou seja sem a pre-
sença de água, é azul. Se esta coloração alterar para roxo ou rosa, provavelmente
existirá água suficiente no ambiente no qual o papel esteja em contato.

Segundo pesquisa realizada por ALMEIDA (2007), o percentual do consumo


médio de água nos diversos equipamentos domiciliares são:

Equipamentos Percentual

Pia de cozinha 33
Lavatório 10
Chuveiro 28
Tanque de roupas 5
Descarga 8
Torneira externa 3
Máquina de lavar roupas 12

At i v i d a d e
Vamos verificar a presença de água em alguns materiais?

Material necessário: tiras de papel de cobalto; pedaços de fruta, de verdura,


leite, acetona comercial, álcool 72 G/L, gasolina.

Procedimento: Em cada material encoste uma tira de papel de cobalto. Qual (is)
material (is) contém água?

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Como r ec i c l a r a á g u a d e n t r o d e c a s a ?

O casal Nicolau e Josita Priante, ambos professores, respec-


tivamente de Física e de Filosofia da Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT), desenvolveram a partir de um projeto simples.

Água r ec i c l a d a d e n t r o d e c a s a .

Um projeto simples, que dá bons resultados tanto para o meio ambiente quan-
to para o bolso de quem o aplica. Assim é o sistema de reaproveitamento de água
doméstica inventado pelo casal Nicolau e Josita Priante. Reciclando a água usada
pela máquina de lavar para a descarga dos sanitários, o sistema, desenvolvido a
partir de 1998, gera uma economia de cerca de 9 mil litros de água por mês para
os seus inventores. A ideia tem dado tão certo que já ganhou o apoio da UFMT e
foi considerada um projeto de excelência pelo Prêmio Finep de Ação Tecnológica
de 2002.
Com o tempo, o balde e a caixa de descarga foram aposentados. O casal de-
senvolveu um sistema que facilitou o reúso. A água da máquina de lavar é levada
por canos para uma caixa d’água de 500 litros. Um motor joga essa água para ou-
tra caixa de 1.000 litros que fica em cima da casa. Dessa última, sai o encanamen-
to para a descarga do banheiro, num sistema independente daquele que transporta
água potável. A caixa principal da casa, embora ligada à caixa de reúso, fica isolada
por meio de uma boia, para não ser contaminada. A descarga, por sua vez, está
garantida mesmo que não se lave muita roupa. Nesse caso, a boia se abre e a caixa
principal abastece os banheiros.(www.metaong.info)
Um vaso sanitário comum consome em torno de 8 litros de água por des-
carga, enquanto uma lavagem completa em máquina de lavar roupas consome
cerca de 200 litros, sendo que 2/3 dessa água é utilizada para o enxágue da roupa.
Verifica-se, assim, o uso de água com alta qualidade e pureza para permitir lava-
gem e higiene de materiais e outro em que o líquido serve apenas como veículo
para transporte de matéria orgânica em suspensão, portanto, sem as mesmas exi-
gências de pureza do primeiro uso. O primeiro uso acarreta um consumo elevado
de água de qualidade, enquanto o segundo admite utilização de água de qualidade
bastante inferior.
A figura a seguir, ilustra o sistema de reúso de água do enxágue da roupa para
descargas domésticas. Somente a água do enxágue durante a lavagem da roupa é
utilizada nas descargas, pois, dessa forma, não é necessária a construção de sistema
de tratamento da água. A água da lavagem da roupa tem grande quantidade de

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sabão e de impurezas e, se armazenada sem tratamento, exala mau cheiro, sendo
imprópria, mesmo para o uso em descargas domésticas. Na residência dos inven-
tores desse sistema, a lavagem da roupa é feita em uma máquina tipo “tanquinho”,
cuja água, mais suja, é utilizada para irrigar árvores do jardim. O enxágue é feito
em uma lavadora de roupa automática comum, cuja água é armazenada para a
reutilização na descarga doméstica. Dessa forma, em princípio, somente nas resi-
dências que utilizassem duas máquinas conviria implantar esse sistema. Essa seria
uma limitação, por exemplo, para se utilizar sistemas semelhantes em prédios de
apartamentos, que normalmente possuem somente uma máquina de lavar roupa
automática. Para superar essa limitação do sistema de reutilização de água, se
desenvolveu um dispositivo automático de separação das águas da lavagem da do
enxágue, que pode ser adaptado em qualquer máquina de lavar roupa existente no
mercado.

Água da Máquina
de Lavar

Esquema do sistema de reuso da água

38  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Outras a lt e r n at i va s pa r a m i n i m i z a r o c o n s u m o d e á g u a

1. Durante o banho, feche a torneira enquanto se ensaboa.


2. Enquanto escovar os dentes ou fizer a barba, mantenha a torneira fechada.
3. Conserte vazamentos em torneiras, vasos sanitários e canos.
4. Deixe talheres e pratos de molho, e use água corrente só no enxágue.
5. Durante a lavagem de roupas, use a água corrente somente no enxágue.
6. Aproveite o que sobrou de água com sabão para lavar quintais.
7. Não regue as plantas em horas quentes do dia, prefira a noite ou o início do
dia.
8. Regue a base das plantas e não as folhas.
9. Utilize cobertura morta, como palha ou folhas, sobre a terra de canteiros e
jardins, para um tempo maior de retenção da água no solo.

At i v i d a d e
O que você pode fazer para contribuir com a preserva-
ção da água: no banheiro, na cozinha, na lavanderia?

As propriedades pec u l i a r e s d a á g u a e d e t e r m i n a n t e s n a v i d a d o
P l a n e ta

A água possui propriedades peculiares que a tornam diferentes das outras subs-
tâncias, a ponto de ser considerada como uma das substâncias vitais mais importantes.
Na realidade é difícil pensar na vida sem a presença de água.

Q uais s ã o e s ta s p r o p r i e d a d e s ?

Por exemplo enquanto em outras substâncias a fase sólida possui maior densidade,
o gelo (água sólida), é menos denso que a água líquida. A água também possui alta
capacidade calorífica. Essas são duas propriedades determinantes para a existência da
vida.
A grande causa dessa diferença com as outras substâncias está relacionada com
as ligações químicas dos átomos da água, e das suas interações intermoleculares e par-
ticularmente as ligações de hidrogênio. Nesse momento vamos fazer uma pausa para
relembrar-nos dos princípais conceitos e princípios das ligações químicas

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Va m o s r ec o r d a r o s f u n d a m e n t o s d a s l i g a ç õ e s q u í m i c a s ?

Recorde e aprofunde nos doze tópicos que resumidamente trazem os


fundamentos das ligações químicas e que será preciso para compreender as
propriedades físicas e químicas da água.

1. 1. E l e m e n t o s s e c o m b i n a m pa r a f o r m a r c o m p o s t o s

Elementos são as substâncias essenciais da química, compostos por átomos.


Hoje, nós reconhecemos a existência de 118 elementos diferentes, incluindo hi-
drogênio, oxigênio, ouro, cálcio, zinco, ferro, urânio, sódio, cloro, fósforo, hélio e
enxofre. Nenhum deles pode ser decomposto ou convertido em uma substância mais
simples por qualquer forma de energia com que nós lidamos no nosso dia-a-dia.

Existem hoje 118 elementos identificados e reconhecidos pela IUPAC (União In-
ternacional de Química Pura e Aplicada), órgão que normatiza os nomes dos ele-
mentos e compostos químicos. Os elementos a partir do urânio não têm ocorrência
natural e foram sintetizados em reações nucleares. Todos são radioativos e sofrem
decomposição espontânea, sendo que alguns têm meia-vida da ordem de frações
de segundos e somente foram sintetizados em pequeníssimas quantidades, o que
dificulta o estudo de suas propriedades. Alguns destes elementos podem ter sido
formados no início da Terra, mas devido à sua pequena meia-vida, já decaíram e,
portanto, não mais existem na natureza.

T r a n s m u ta ç ã o

Um elemento só pode ser transformado em outro, um processo conhecido na an-


tiguidade como transmutação, sob circunstâncias muito distantes da nossa experiên-
cia, como por exemplo em temperaturas extremamente altas, próximas à temperatura
da superfície do Sol, ou bombardeamento de um elemento por outro, dentre outras.
Nem calor, luz, eletricidade, som, magnetismo, nem nenhuma outra forma comum
de energia, não importando o quão intensa ela seja, pode produzir esta mudança em
um elemento.
Embora cientistas tivessem observado as mudanças que os radioisótopos naturais
sofrem, como fizeram Becquerel e os Curie, até 1919 ninguém havia planejado e exe-
cutado uma transformação nuclear artificial que convertesse um isótopo estável de um
elemento em outro elemento. Nesse ano, Ernest Rutherford publicou um artigo sobre
a primeira transformação artificial de um elemento em outro. Pelo bombardeamento
do nitrogênio-14, um isótopo estável (e o mais comum) do nitrogênio, com partículas
a emitidas pelo elemento rádio, Rutherford transformou átomos de nitrogênio em
átomos de oxigênio. No processo, o núcleo de nitrogênio absorve os dois prótons e

Adaptação Freire, E. D.; Santos, L. M. P. L.; Alves,B.V. – Fascículo 3- “Transformações Físicas e Químicas” – Tomo 2 – NEAD/
UFMT

40  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


dois nêutrons da partícula a e então perde um próton com um ganho bruto de 3 uni-
dades no número de mas- sa e de uma unidade no número atômico. Este processo
resultou na transformação de um elemento em outro, segundo a equação: É importante enfatizar
a diferença entre reação
14 química e reação nuclear.
7 N + 24He $ 178 O + 11H
Em uma reação química
ocorre somente um re-
Um dos propósitos da alquimia (vide fascículo 1 pág 53), uma prática mística que arranjo dos átomos (vide
precedeu a química e em muitos aspectos abriu caminho para ela, era a transmuta- item 5.3 deste fascículo)
ção de uma substância elementar em outra. Os alquimistas procuravam especialmente enquanto em uma reação
nuclear ocorre a transmu-
converter um metal comum e barato como o chumbo no precioso ouro. Através das tação (ou a transforma-
transformações nucleares como a realizada por Rutherford, o sonho “alquímico” foi ção) de um elemento em
realizado, mas sem alcançar a promessa de riqueza que os antigos procuravam. Ao outro, ocorre alteração no
invés do chumbo, é usada a platina, metal bastante caro, como metal de partida para a núcleo do átomo.
obtenção do ouro e além disso o custo da platina altamente purificada, necessária para
a transmutação moderna, é muito maior do que o valor do ouro que pode ser produzido
desta forma!

Grupo#
Período
1
2
3
4
5
6
7

Metais alcalinos Tabela Periódica


Metais alcalino-terrosos
Metais de transição
Fonte: www.wikipédia.org
Lantanídios
Actinídios
Metais representativos
Semimetais
Não-metais
Halogênios
Gases nobres

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2. 2 . A D istr ibuiç ão d o s e l é t r o n s n o s át o m o s

Núcleo Elétrons
Os elétrons, partículas elé-
tricas negativas dos átomos,
participam interativamente
das ligações qímicas. Estão
distribuídos em torno do
núcleo dos átomos, em ca-
madas ou níveis de energia.
Os níveis de energia
foram numerados a partir Neutrons
do núcleo atômico, através Prótons
de números inteiros, designa-
dos pela letra n (n=1, n=2,...),
e podem ser também repre-
sentados pelas letras maiús-
K L M N O P Q
culas, K, L, M, ... Quanto
maior o valor de n, maior a
energia deste nível.

Os Elétrons dos átomos dos elementos químicos conhecidos até hoje são distri-
buídos em 7 camadas. A tabela abaixo mostra o número máximo de elétrons que cada
camada pode conter:

N 1 2 3 4 5 6 7
Camada K LM N O P Q
Número máximo de elétrons 2 8 18 32 32 18 8

Os Elétrons da última camada, chamada também de camada de valência, são os


que participam das ligações químicas.

3. 3. M o d e l o R u t he r f o r d – B o h r e a distr ibuiç ão eletrônic a

Os grupos da Tabela Periódica, antes eram chamadas de “família“. Os elementos


do mesmo grupo tem o mesmo número de elétrons na “camada de valência“, camada

42  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


mais externa. Existem 18 grupos, sendo que o elemento químico hidrogênio é o único
que não se enquadra em nenhum grupo e está localizado em sua posição apenas por ter
o número átomico 1, isto é, com apenas um eletron na última camada, não sendo metal
como os outros elementos desse grupo.
Alguns grupos da tabela periódica recebem alguns nomes particulares além dos
números que os designam:

• Grupo 1 – Hidrogênio e Metais Alcalinos:


H, Li, Na, K, Rb, Cs, Fr.
O nome desta família advém do fato destes metais formarem compostos com ca-
racterísticas alcalinas (básicas). O termo álcali foi muito usado pelos árabes medievais
para indicar as características de sódio e potássio obtidos das cinzas das plantas.

• Grupo 2 – Metais Alcalios Terrosos:


Be, Mg, Ca, Sr, Ba, Ra
São semelhantes aos alcalinos e foram denominados terrosos por serem encontra-
dos nas terras.

• Grupo 16 – Calcogênios:
O, S, Se, Te, Po.
A designação deste grupo vem do grego (cahkos = mineral), uma vez que muitos
compostos de O e S com os metais têm importância como minerais.

• Grupo 17 – Halogênios:
F, Cl, Br, I, At
O termo halogênio deriva do grego (hals = sal e gennan = engendrar, formadores
de sais) devido ao fato destes elementos formarem sais com os metais com relativa fa-
cilidade.

• Grupo 18 – Gases Nobres:


He, Ne, Ar, Kr, Xe, Rn
Todos são gases, muito pouco reativos. O neônio e o argônio são virtualmente
gases inertes. As reações químicas envolvendo esses dois elementos são poucas e raras.
Da mesma forma o kriptônio e o xenônio são gases com reatividade extremamente
baixa. Daí a denominação deste grupo de elementos de gases nobres. Todos juntos,
esses gases (exceção feita ao radônio) formam aproximadamente 0,92% da atmosfera.

Se observarmos a distribuição dos átomos neutros de cada grupo, podemos notar


que todos possuem o mesmo número de elétrons na última camada (último nível):

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• Grupo 1 – todos os elementos deste grupo possuem 1 elétron na última
camada:
K L M N O P
Li 2 1
Na 2 8 1
K 2 8 8 1
Rb 2 8 18 8 1
Cs 2 8 18 18 8 1

• Grupo 2 – todos os elementos desse grupo possuem 2 na última camada:

K L M N O P
Be 2 2
Mg 2 8 2
Ca 2 8 8 2
Sr 2 8 18 8 2
Ba 2 8 18 18 8 2

• Grupo 13 – possuem 3 elétrons na última camada:

K L M N
B 2 3
Al 2 8 3
Ga 2 8 18 3

• Grupo 16 – possuem 6 elétrons na última camada:

K L M N
O 2 6
S 2 8 6
Se 2 8 18 6

• Grupo 17 – possuem 7 elétrons na última camada:

K L L N O
F 2 7
Cl 2 8 7
Br 2 8 18 7
I 2 8 18 18 7

44  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


• Grupo 18 – possuem 8 elétrons na última camada (com exceção do gás
hélio He, pois a camada K só pode ter 2 elétrons no máximo):

K L M N O
He 2
Ne 2 8
Ar 2 8 8
Kr 2 8 18 8
Xe 2 8 18 18 8

Como será visto no estudo das ligações químicas, os elétrons da última camada
determinam as propriedades químicas dos elementos e o tipo de ligação que eles for-
marão. Por esta razão, elementos de um mesmo grupo da tabela apresentam proprieda-
des químicas semelhantes e formam compostos com fórmulas semelhantes.
É importante ressaltarmos neste momento que a tabela periódica é uma ferra-
menta indispensável no estudo da química. Assim o comportamento químico de um
elemento pode ser previsto de acordo com a sua posição na tabela periódica.
Mas não podemos nos esquecer que um dado elemento não se comporta de acordo
com a tabela e sim que a tabela é que foi estruturada de acordo com o comportamento
dos elementos.

4. A c o m b i n a ç ã o d o s át o m o s d o s e l e m e n t o s

Os átomos dos elementos combinados uns aos outros formam a água, o ar, comi-
4.
da, roupas, casas, medicamentos e nossos próprios corpos. A tabela a seguir apresenta
alguns dos elementos que formam o nosso corpo.
Pela combinação precisa, em proporções bem definidas, dois ou mais elementos
podem formar uma substância pura, conhecida como composto.
Por exemplo, o sal de cozinha, é uma substância pura formada pela combinação
de dois elementos, o sódio e o cloro. O açúcar é outra substância pura formada pela
combinação de três elementos, carbono, hidrogênio e oxigênio.
Qualquer composto pode ser decomposto em seus elementos individuais, alguns
pela ação do calor ou luz, alguns pela corrente elétrica e alguns por reação com algum
outro composto ou com um elemento.
As características dos elementos mudam quando eles se ligam a outros através das
ligações químicas.
Nós podemos constatar isso no nosso dia-a-dia. O carbono é o elemento consti-
tuinte do carvão que usamos nas churrasqueiras. O oxigênio do ar é o gás que suporta
a vida e é consumido quando alguma coisa queima. Quando nós acendemos o carvão,

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o elemento carbono e o elemento oxigênio do ar se combinam para produzir dióxido de
carbono (também conhecido como gás carbônico).

Tabela - Elementos representativos do corpo humano.


Quantidade em
Elementos gramas presente no Localização no Corpo e Função Fonte Alimentar
corpo de uma pessoa (exemplos)
de 60 Kg em média
Cálcio 1300 ossos e dentes leite e seus derivados
Cloro 90 é o principal ânion celular e combinado ao sal de cozinha
hidrogênio forma o ácido do suco gástrico.
Cobalto traços componente da vitamina B12 carne, fígado, leite e seus
derivados
Cobre traços componentes de muitas enzimas nozes, fígado e rim

Iodo traços tiróide frutos do mar, sal iodatado


Ferro 2 células vermelhas do sangue fígado, frutas, gema de ovo
Magnésio 20 é o segundo cátion nas células, ossos vegetais folhosos

Fósforo 690 componente do ATP, agente de liberação carne, ovos, leite e


de energia celular. derivados
Potássio 200 regula o balanço de água nas células grande variedade de
alimentos.
Sódio 60 regula o balanço de água no corpo sal de cozinha
Zinco traços ossos e diversas enzimas frutos do mar, carne,
fígado, ovos, leite, grãos.

Diferentemente do carbono, o dióxido de carbono é um gás incolor e diferente do


oxigênio, o dióxido de carbono não é capaz de sustentar a vida e nem alimenta o fogo.
Ao contrário, o dióxido de carbono é muito usado para apagar o fogo (é usado como
carga para extintor de incêndios).
As características do carbono e do oxigênio se transformam quando eles se com-
binaram para formar dióxido de carbono.
Diversos outros exemplos podem ser observados no nosso dia-a-dia. Peguemos
uma esponja de aço usada em cozinha para lavar panelas. Estas esponjas são compostas
de ferro em filamentos bem finos. Conforme estas esponjas são umedecidas e expostas
ao ar, o ferro reage lentamente com o oxigênio do ar para formar óxidos de ferro, cha-
mados de ferrugem.
O ferro elementar é atraído por ímãs. Aproxime um ímã da esponja seca e sinta
como eles se atraem (você pode usar por exemplo um daqueles imãs da geladeira). Dei-
xe uma esponja umedecida (se quiser adicione uma pequena porção de sal para acelerar
o processo) exposta ao ar. Em pouco tempo você irá verificar que ela está enferrujando.
Se testar periodicamente esta esponja enferrujada com o imã verá que a atração vai
diminuindo até acabar totalmente.

46  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


O ferro é atraído pelo ímã, porém os seus compostos como o óxido de ferro não
são. Outra propriedade que se altera quando a esponja de aço enferruja é a sua resistên-
cia. A esponja enferrujada (óxidos de ferro) se desmancha facilmente ao ser esfregada
ao alumínio, perdendo assim sua função como esponja.
Porque as substâncias apresentam características diferentes?
Por que algumas substâncias são capazes de conduzir eletricidade enquanto outras
são isolantes?
A necessidade de fornecer respostas a essas e várias outras perguntas que podería-
mos formular a respeito das propriedades das substâncias químicas, levou os cientistas a
estudarem as razões pelas quais os elementos se combinam para formar novas substân-
cias e de que forma isto acontece. Estes estudos culminaram na elaboração de teorias
que tentam explicar as ligações químicas.

Questões para reflexão:


Pense em exemplos de reações químicas que você observa
no seu dia-a-dia e comente como as propriedades das substâncias
formadas diferem das substâncias originais.

At i v i d a d e p r át i c a - Condutividade elétr ic a de so luçõ es

Material necessário Coloque as pilhas na lanterna e acenda-a. A


• uma lanterna com pilhas seguir, retire a tampa rosqueada do fundo da lan-
• 3 esponjas de plástico terna. Molhe uma das esponjas com água pura,
• água outra com água e açúcar e a última com água e
• sal de cozinha sal. Coloque a lanterna sem a tampa em pé so-
• açúcar bre as esponjas conforme, ilustra a figura. Seque
• papel absorvente com papel absorvente o fundo da lanterna antes
de passar de um esponja para outra. Observe em
que casos a lâmpada se acende ao colocar a lan-
terna em contato com as esponjas. Tente explicar
o observado.

Passagem de elétrons

Filamento
elétrico
Esponjas Pilha Pilha
Lanterna Umidecidas
Acesa
Interruptor

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5. E s t r u t u r a s eletrônicas e propriedades químicas

As estruturas eletrônicas do sódio e cloro são grandemente responsáveis pela ha-


bilidade do cloreto de sódio em conduzir eletricidade.
Ao considerarmos as estruturas eletrônicas, estaremos focalizando somente os
elétrons da última camada, ou seja da camada mais externa, denominada camada de
valência. O número de elétrons na camada de valência determina, em grande extensão,
as propriedades e a reatividade de um elemento em particular.
Utilizaremos uma forma simplificada para representar os elementos mostrando
sua estrutura eletrônica, chamada de estrutura de Lewis, na qual escrevemos o símbolo
do elemento químico e arranjamos os elétrons ao seu redor como pontos.

H He

Li Be B C N O F Ne

Na Mg Al Si P S Cl Ar

K Ca
Tabela das estruturas Lewis dos primeiros 20 elementos da tabela periódica

Como já mencionamos anteriormente, os gases nobres foram assim denominados


devido à sua baixa tendência de formar compostos (isto é, baixa reatividade). Existem
na natureza somente como gases monoatômicos, não ligados a nenhum outro elemen-
to, nem a si mesmos. Os demais elementos em sua maioria só são encontrados na natu-
reza na forma combinada e são capazes de formar inúmeros compostos.
Uma vez que elementos que se situam em um mesmo grupo da tabela periódica
apresentam comportamento químico semelhante e formam compostos químicos com
fórmulas também semelhantes e considerando que os elementos de um mesmo grupo
têm o mesmo número de elétrons na última camada, devemos concluir que as caracte-
rísticas químicas de um elemento devem depender em grande parte da sua configura-
ção eletrônica da última camada.

6. 6. M a s por que os elementos se ligam

pa r a f o r m a r c o m p o s t o s ?

Os átomos se ligam de modo a atingirem maior estabilidade do que quando estão


isolados, seguindo a tendência geral dos sistemas físicos de assumirem sempre o estado
de mínima energia.
Podemos tentar explicar a baixa reatividade dos gases nobres, notando que todos
(com exceção do hélio) possuem 8 elétrons na última camada. Poderíamos então su-

48  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


gerir que uma camada de valência com 8 elétrons marca um elemento com baixa ou A regra do octeto só se
nenhuma reatividade, ou seja, que um elemento que tenha (ou adquira) 8 elétrons na aplica rigorosamente aos
elementos representativos
última camada é (ou torna-se) inerte. Concluiríamos assim, que um átomo que adquira
da tabela periódica, e ain-
a estrutura eletrônica de um gás nobre tem sua reatividade grandemente reduzida. da assim apresenta exce-
A generalização destas conclusões nos leva à chamada regra do octeto: “os átomos ções. Esta regra no entan-
reagem de modo a adquirirem 8 elétrons na sua camada de valência”. to é muito útil como uma
Dependendo dos elementos que se combinam para formar um composto, a li- primeira aproximação no
estudo das ligações quí-
gação formada entre eles pode, de uma maneira geral, ser classificada como ligação micas e das propriedades
iônica, covalente ou metálica. dos elementos.

7. A ligaç ão iônic a

Observemos agora o grupo dos metais alcalinos, no qual todos os elementos têm
7.
um único elétron na camada de valência. A perda deste elétron deixa estes elementos
com a camada mais externa com configuração idêntica à do gás nobre anterior a eles na
tabela. Por exemplo o potássio (Z=19) e o sódio (Z=11) ao perderem seu elétron mais
externo ficam com a configuração do gás nobre anterior a eles na tabela, ou o argônio
(Z=18) e o neônio (Z=10) respectivamente:

K L M N K L M

19
K 2 8 8 1 18
Ar 2 8 8

K L M K L

11
Na
2 8 1 10
Ne 2 8

Todos os metais alcalinos são bastante reativos. Por exemplo, cada um desses me-
tais reage com água produzindo hidrogênio, gás altamente inflamável. O calor liberado
nesta reação pode provocar a explosão do hidrogênio em contato com o ar.
Examinemos agora os halogênios (grupo 17), cuja camada de valência possui 7
elétrons. Se estes elementos receberem 1 elétron ficarão com a configuração do gás
nobre adjacente a eles na tabela periódica. Vejamos o cloro por exemplo:
K L M K L M

17
Cl 2 8 7 18
Ar 2 8 8

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A partir dessas constatações poderíamos esperar então que um metal alcalino
reagisse com um halogênio, onde o metal alcalino doasse seu elétron mais externo para
o halogênio, ficando ambos com 8 elétrons na camada de valência.

Exemplificando:

+ -
Na + Cl Na + Cl
átomo de átomo de cátion de âniom de
sódio (Na) cloro (Cl) sódio (Na+) cloro (Cl-)

A reação do sódio elementar (sódio metálico) com o cloro elementar (gás cloro)
produz cloreto de sódio representado por NaCl com grande liberação de energia. O
cloreto de sódio é o nosso conhecido sal de cozinha, composto extremamente estável.
Esta reação pode ser então escrita usando as fórmulas de Lewis:
+ -
Na x + Cl Na + Clx

A representação Na+ e Cl- é a forma de indicarmos a formação de íons que ocorre


quando um elemento perde ou ganha elétrons (partícula de carga negativa).
Um átomo neutro de sódio possui 11 prótons (11 cargas positivas) e 11 elétrons
(11 cargas negativas). Ao perder um elétron fica então com 11 cargas positivas e 10
cargas negativas, dando assim uma carga elétrica líquida +1, sendo representado por
Na+ (cátion sódio). O átomo neutro de cloro possui 17 prótons e 17 elétrons. Ao receber
1 elétron fica com 17 prótons e 18 elétrons resultando em uma carga líquida -1, sendo
então representado por Cl- (ânion de cloro ou ânion cloreto).
A transferência de um ou mais elétrons de um elemento para outro converte en-
tão, os átomos em íons. Os compostos formados pela atração entre os íons de carga
oposta são denominados de compostos iônicos e o tipo de ligação química formada entre
os dois elementos é a ligação iônica. No nosso exemplo, a transferência de um elétron do
sódio para o cloro resulta no composto iônico cloreto de sódio (NaCl). Neste tipo de
ligação teremos sempre um elemento com tendência a perder elétrons (metal) ligando-
se a outro que pode receber elétrons (não-metal).
Podemos, neste momento, notar um importante uso da tabela periódica. A partir
da compreensão da construção da tabela periódica podemos prever que elementos po-
dem reagir entre si e que tipo de compostos eles formam. Uma vez que cada elemento
da família dos metais alcalinos contém somente um elétron na sua camada de valência
e que cada halogênio pode atingir o octeto pela adição de um elétron à sua camada
de valência, qualquer dos metais alcalinos pode reagir com qualquer halogênio para
formar um composto iônico, como o NaCl. Poderíamos então prever a existência dos
diversos compostos resultantes da reação do potássio com cada um dos halogênios -
KF, KCl, KBr e KI. Ou então prever a existência dos diversos compostos resultantes da
reação do cloro com os metais alcalinos: LiCl, NaCl, KCl, RbCl e CsCl.

50  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Questões de fixação:
Escreva outras fórmulas de compostos iônicos formados por
reação de um metal alcalino com um halogênio.

Neste ponto alguém pode perguntar porque os metais alcalinos não podem ganhar
7 elétrons para formar o octeto ou porque então os halogênios não podem perder
seus 7 elétrons deixando sua camada mais externa com o octeto.
Se o sódio ganhasse 7 elétrons para completar o octeto ficaria com uma carga elé-
trica líquida -7. Uma vez que cargas de mesmo sinal se repelem, a acumulação de 7
cargas negativas em um mesmo átomo resultaria em uma partícula muito instável.
A perda de somente um elétron externo formando o cátion Na+, com uma única
carga positiva produz uma partícula muito mais estável do que a que resultaria do
ganho de 7 elétrons. O mesmo se aplica ao cloro. A partícula que se forma pelo ga-
nho de 1 elétron é muito mais estável do que aquela resultante da perda de 7 elétrons
transformando-o em um íon de carga +7.

Em todos os exemplos citados ocorria a transferência de somente 1 elétron de


um átomo para outro. Entretanto, encontramos casos em que ocorre a transferência de
mais de 1 elétron. Vejamos por exemplo a ligação entre o cálcio (metal) e o flúor (não-
metal), cujas configurações eletrônicas são:

K L M N
20
Ca
2 8 8 2
9
F 2 7

O cálcio precisa perder dois elétrons para ficar com 8 elétrons na última camada,
enquanto o flúor precisa receber somente 1. Desta forma serão necessários dois átomos
de flúor para receber os dois elétrons de cada átomo de cálcio:

F F -
Ca + Ca 2+ +
-
F F

ou Ca + 2 F Ca 2+F2- (CaF2)

Questões para reflexão:

Você seria capaz de formar compostos entre elementos do grupo


dos metais alcalino–terrosos e elementos do grupo dos halogênios e
prever suas respectivas fórmulas?
E entre os metais alcalinos e o oxigênio ou o enxofre?

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8. 8. Estrutura dos com postos iô nicos

Os cristais de cloreto de sódio que sacudimos nos nossos saleiros são formados por
iguais quantidades de íons de cloro e sódio. Cristais são estruturas sólidas bem defi-
nidas de substâncias que se formam pelo arranjo tridimensional de íons ou moléculas.
Compostos iônicos são sempre substâncias sólidas formadas pelo arranjo em três
dimensões dos ânions e cátions de modo que cada íon esteja sempre próximo a íons de
cargas opostas, maximizando assim a atração entre eles:
As fórmulas químicas de compostos iônicos
nos indicam a proporção em que os íons se jun-
tam nos cristais. O NaCl por exemplo tem 1 íon
sódio para cada íon cloro. Já o CaCl 2 tem 2 íons
cloro para cada íon cálcio.

Estrutura de cristal de cloreto de sódio.


Fonte: http://qmcmarcelo.blogspot.com/2010/01/sal-de-cozinha-parte-1.html

9. 9. L i g a ç ã o c o va l e n t e

Voltemos agora à atividade prática sobre a condutividade elétrica de soluções.


Quando o cloreto de sódio é dissolvido em água, os cátions (Na+) e os ânions (Cl-) se
separam e podem se movimentar livremente na solução. Assim quando colocamos as
duas pontas do fio na solução de sal de cozinha, os íons se movimentam transportando
corrente elétrica através da solução e fazendo a lâmpada acender.
Vimos também que a solução de açúcar (sacarose) bem como a água, não condu-
zem corrente elétrica, de onde podemos concluir que não existem íons nestas soluções.
A sacarose é portanto um não-eletrólito e não é formada por íons. A sacarose, a
água pura e muitas outras substâncias são constituídas de moléculas que são por sua
vez formadas por átomos ligados firmemente através de outro tipo de ligação química,
diferente da ligação iônica, chamada de ligação covalente.
A ligação covalente consiste no compartilhamento de um par de elétrons por dois
átomos. A água, representada pela fórmula H 2O, é formada por dois átomos de hidro-
gênio ligados a um átomo de oxigênio.
A configuração eletrônica desses dois elementos é:

52  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


K L O átomo de hidrogênio
H 1 tem 1 elétron na primei-
1
ra camada (K). Como
8
O 2 6 esta camada pode conter
no máximo 2 elétrons, o
Uma vez que a água não é um eletrólito alguma força diferente da atração iônica hidrogênio nunca poderá
ficar com 8 elétrons na
deve ligar o hidrogênio ao oxigênio. Esta força é chamada de ligação covalente. sua camada de valência.
O hidrogênio não libera seu único elétron facilmente como os metais alcalinos. Assim, a sua configura-
Como resultado não ocorre a transferência completa de elétrons de um átomo para ção mais estável ocorre
quando esta camada está
outro na formação da água.
completa (2 elétrons) ou
Ao contrário, o oxigênio e o hidrogênio compartilham seus elétrons de valência seja, quando adquire a
para adquirir configuração de gás nobre. configuração do gás nobre
imediatamente posterior a
ele na tabela, o hélio.
pares eletrônicos
H + O + H H O H compartilhados

Cada hidrogênio compartilha um par eletrônico com o oxigênio. Desta forma


cada hidrogênio fica com dois elétrons na camada de valência (similar ao hélio) e o
oxigênio fica com oito elétrons na sua camada mais externa.
Os elementos da molécula de água são mantidos unidos a partir do comparti-
lhamento de dois pares eletrônicos. Cada par consiste em um elétron da camada de
valência do oxigênio e um elétron da camada de valência do hidrogênio.
A ligação covalente pode ser representada como um par de pontos entre dois áto-
mos H : O : H ou como um traço H−O−H (também chamada de fórmula estrutural),
onde o traço representa um par de elétrons compartilhado.
Diferentemente dos cristais de um composto iônico que agregam quantidades
enormes de cátions e ânions unidos por forças eletrostáticas, as moléculas são discretas
consistindo geralmente de estruturas químicas pequenas mantidas unidas por ligações
covalentes. Assim, enquanto as fórmulas químicas de compostos iônicos representam
a proporção dos átomos na estrutura cristalina, as fórmulas dos compostos covalentes
mostram o número real de átomos que formam as moléculas.

Vejamos alguns exemplos de compostos covalentes:


• gás cloro - Cl 2 - gás amarelo esverdeado usado como bactericida

17
Cl: 2 8 7 - necessita de 1 elétron para atingir o octeto

os dois átomos irão compartilhar o par eletrônico


Cl Cl assinalado
Cl Cl fórmula estrutural

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  53


• gás carbônico - CO2 - gás que expelimos na respiração e que se forma na
queima de matérias orgânicas como por exemplo o petróleo, madeira e álcool

6
C: 2 4 - necessita de 4 elétrons
8
O: 2 6 - necessita de 2 elétrons

cada átomo de oxigênio compartilha 2 pares eletrônicos


O C O com o átomo de carbono
O = C = O fórmula estrutural

Cada par eletrônico compartilhado forma uma ligação covalente. Assim o átomo
de carbono forma 2 ligações com cada átomo de oxigênio, também chamada de ligação
dupla.

• nitrogênio - N2 - forma 80% em volume da atmosfera da Terra

7
N: 2 5 - necessita de 3 elétrons

N N formam-se três ligações covalentes entre os dois átomos


de nitrogênio, chamada de ligação tripla

N N fórmula estrutural

Inúmeros são os exemplos que poderiam ser apresentados aqui. Através da ativi-
dade prática descrita a seguir, você poderá prever a fórmula de muitas substâncias.

At i v i d a d e p r át i c a - Bur aco Q uím ico

Este é um jogo de cartas, onde se exercita a seriação de sequências definidas pelo


número de “ligações” que cada carta pode fazer, número este representado no canto esquerdo
superior da carta. Cada carta conterá o símbolo de um dos elementos representativos mais
simples e um número que corresponderá ao número de ligações que ele poderá fazer. Faz-se
uma analogia dessas cartas com os elementos representativos mais simples da tabela periódica,
e as sequências corresponderão a compostos que podem ser formados por estes elementos. O
baralho é constituído de 52 cartas, sendo 14 cartas de 0 He ; 18 de 1 H ; 5 de 2 O ; 5 de
3
N ; 5 de 4 C e 5 de 1 F

Material necessário:
• cartolina ou papel cartão;
• tesoura e caneta.

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Procedimento:

Recorte a cartolina em retângulos de aproximadamente 7cm x 4 cm. Escreva o símbolo


dos elementos em letras grandes no centro da carta e no canto esquerdo superior o número de
ligações que o elemento pode fazer. Faça para cada elemento o número de cartas especificados
acima.

Regras do jogo:

1. Poderão participar 2 jogadores.


2. Cada jogador receberá 10 cartas.
3. Serão distribuídos também mais dois conjuntos de 5 cartas que comporão os “biri-
bas”. O restante do baralho irá constituir o bolo de cartas. Colocá-lo no centro da
mesa de face para baixo.
4. Um dos jogadores inicia o jogo comprando uma carta do bolo de cartas e juntando-
as às demais que já possui. Escolhe então entre suas cartas uma para descartar na
mesa. A seguir será a vez do outro jogador, que poderá então comprar uma carta do
bolo ou do descarte. Assim os jogadores se alteram consecutivamente.
5. Cada jogador poderá, durante sua vez de jogar, abaixar sequências de cartas que
obedeçam ao número de ligações que cada carta poderá fazer. Assim a carta 1H
determina que o elemento representado pela letra H poderá fazer somente uma liga-
ção. A carta 3N mostra que o elemento representado pela letra N fará 3 ligações.
A carta He, sem nenhum número, não poderá ligar-se a nenhuma outra carta, só
podendo ser descartada.
6. Cartas como 2O ; 3N ou 4C poderão ligar-se a mais de uma carta até satis-
fazer suas ligações. Por exemplo, a carta 4C poderá ligar-se ao
2
O , gastando assim duas ligações e então ligar-se a outras duas cartas de 1H
. Assim teríamos a sequência:

1
H 4
C 2O
1
H

7. Atenção: Existe uma exceção: A carta 4C poderá também ligar-se a uma única carta
de 2O formando o CO, composto conhecido como monóxido de carbono.
8. Quando um jogador acaba suas cartas abaixando as seqüências possíveis, pegará o
biriba, continuando a jogar normalmente.
9. O jogador que acabar novamente com as suas cartas após pegar o biriba, encerrará o
jogo, ganhando 20 pontos.
10. As cartas das sequências abaixadas por cada jogador serão também contadas de acor-
do com as numerações respectivas. Os pontos das cartas que sobrarem na mão serão
descontados do total de pontos.
11. Ganhará o jogo aquele que tiver maior número de pontos.

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10. 10. P o l a r i d a d e d a l i g a ç ã o c o va l e n t e

A ligação covalente pode ocorrer então entre elementos iguais como o O2 e N2


mostrados acima. Nesse caso, sendo iguais, os dois elementos compartilham igual-
mente o par eletrônico. Esta ligação é chamada de covalente apolar.
Já, quando a ligação ocorre entre dois elementos diferentes, cada um vai atrair o
par eletrônico com “força” diferente. O átomo que atrai os elétrons com mais intensi-
dade é dito mais eletronegativo.

Vejamos o exemplo do HCl:

H Cl H Cl

O cloro atrai os elétrons mais intensamente do que o hidrogênio, por isso diz-se
que o cloro é mais eletronegativo do que o hidrogênio.
Esta ligação é então chamada de covalente polar, uma vez que o par eletrônico fica
mais “próximo” do elemento mais eletronegativo.
Em uma ligação iônica ocorre a transferência de um elétron de um elemento para
outro. Na ligação covalente polar não ocorre a transferência do elétron, porém o com-
partilhamento do par eletrônico não é igual entre os dois elementos. Então a ligação
covalente polar pode ser entendida como um intermediário entre a ligação iônica e a
ligação covalente apolar, onde o par eletrônico é igualmente compartilhado pelos dois
elementos.
Linus Pauling (1901- 1994) propôs uma escala de eletronegatividade que permite
comparar os elementos em termos de sua afinidade por elétrons.
Assim, quando dois elementos se ligam, quanto maior a diferença de eletronega-
tividade entre eles mais polar será a ligação. Ou, se a diferença for muito grande, então
a ligação será iônica.

Tabela de eletronegatividade de Pauling de alguns elementos:


Li Be B C N O F
0,98 1,57 2,04 2,55 3,04 3,44 3,98
Na Mg Al Si P S Cl
0,93 1,31 1,61 1,90 2,19 2,58 3,16
K Ca
0,82 1,00

A polaridade de uma molécula dependerá da existência de ligações polares e da


geometria da molécula. Podemos citar dois exemplos: o CO2 e a H2O. A geometria da
molécula de CO2 é linear :
O C O

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As ligações carbono/oxigênio são polares, pois o oxigênio é mais eletro- Na Parte hidrofílica re-
pele substâncias apo-
negativo do que o carbono. Usando uma seta para indicar a polaridade das lares como os óleos
ligações, indicando o sentido do elemento mais eletronegativo, vemos que o t e gorduras mas atrai
c moléculas de água.
as duas ligações polares no CO2 têm mesma direção e sentidos contrários, ch
cancelando-se. Deste modo, apesar das ligações polares a molécula de CO2
h c
é apolar. Parte hidrofóbica re-
ch pele água mas atrai
A medida da polaridade de uma molécula é chamada de momento di- óleos e gorduras.
h c
polar. Diferentemente do gás carbônico, a molécula da água não é linear e
ch
sim angular:
h c

ch
O H h c

ch
H
h c
Os momentos dipolares das ligações O - H não se cancelam, pois não ch
têm a mesma direção, resultando em uma molécula polar. h c
Vocês já se perguntaram alguma vez por que a água e o óleo não se ch
misturam? A água é uma substância bastante polar, enquanto o óleo tem h c Figura 14 - Molécu-
características apolares. Duas substâncias polares como a água e o álcool por ch la de detergente ou
sabão
exemplo, se misturam completamente e não conseguimos distinguir a água h c
do álcool quando misturados. Já, uma substância polar e uma apolar não se ch
Os termos hidrofóbico
misturam, ou se misturam em proporção muito pequena, como no caso da
e hidrofílico referem-se
água e do óleo, e podemos ver as duas fases distintas. a substâncias que têm
E por que o detergente ou sabão permite solubilizar óleos e gorduras em água? A aversão ou afinidade pela
molécula do detergente ou sabão é uma molécula longa que possui duas extremidades água, respectivamente.
com características diferentes: uma longa cadeia apolar de átomos de carbono ligados
entre si por ligações covalentes (parte hidrofóbica) e uma extremidade com caracterís-
ticas de ligação iônica entre um átomo de oxigênio e um íon metálico, em geral o sódio
(parte hidrofílica).

11. L i g a ç ã o

Antes de discutirmos a ligação nos metais, responda às questões abaixo:


m e tá l i c a
11.
1. Você seria capaz de enumerar algumas propriedades características dos me-
tais? Dê exemplos de objetos metálicos que você usa no seu dia-a-dia.
2. De que são feitos os fios elétricos?
3. O que acontece quando você coloca no fogo uma panela metálica que tenha
cabo também de metal? Como você faria para segurar essa panela?

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As principais propriedades específicas usadas como critério para classificar os ele-
mentos conhecidos como metais são:
• condutividade elétrica - por serem bons condutores de eletricidade, os metais
são usados nos fios elétricos. Geralmente os fios são feitos de cobre recoberto
por plástico. Você seria capaz de dizer para que serve este revestimento?
• condutividade térmica - os metais são utilizados na fabricação de panelas e de
ferros de passar roupa por serem bons condutores de calor.
• brilho e cor - a cor característica dos metais é a cor cinzenta (com exceção do
cobre e do ouro que são dourados); os metais são brilhantes quando polidos.
• estado físico - com exceção do mercúrio que é líquido na temperatura ambien-
te (25°C), todos os outros metais são sólidos nessas condições.
O modelo proposto para a ligação nos metais, denominado “Modelo do gás ele-
trônico”, partiu da observação de que os metais eram capazes de conduzir eletricidade
sem sofrerem alterações externas. Como a corrente
+ + + + + elétrica consiste na movimentação de elétrons, o me-
tal deve possuir elétrons com alta mobilidade para ser
+ + + + + bom condutor.
Segundo este modelo, um metal na sua forma
+ + + + + mais simples é constituído por átomos de somente
íon metálico + + + + + um elemento. Estes átomos estão arranjados regular-
mente no espaço, sendo que os elétrons de sua camada

nuvem eletrônica
+ + + + + mais externa são móveis, formando o chamado “gás
eletrônico”, conforme ilustra a figura ao lado.
Figura 17 - Modelo da liga- Este conjunto de elétrons “móveis” atraem os
ção metálica
íons positivos (que são os átomos menos seus elétrons
mais externos), mantendo-os unidos. Assim, como os
compostos iônicos, os metais também não são formados por moléculas e sim por uma
estrutura regular tridimensional de átomos.
A presença dessa nuvem eletrônica ao longo de toda a estrutura, na qual os elé-
trons podem se “mover” livremente, explica a alta condutividade elétrica e térmica dos
metais.

A c o r r e n t e e l é t r i c a n o s m e ta i s e a s “o l a s ” n o s e s tá d i o s d e f u t e b o l

Há uma importante diferença entre a condução de eletricidade (corrente elé-


trica) nas soluções e nos metais (fios elétricos). Nas soluções, os íons (cargas elétricas)
se deslocam em direção ao polo positivo e ao polo negativo, dependendo do seu sinal.
Esse deslocamento é real, havendo depósito de material nos polos. Você pode verificar
isso, pela mudança de cor dos eletrodos, ou raspando-os e depois fazendo análise quí-
mica para identificar que material foi depositado ali.

58  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


No caso da condução nos metais, não há condução de cargas elétricas de um polo
para o outro, como por exemplo do interruptor da tomada para a lâmpada de nossa
casa. Aqui, a corrente não pode ser pensada como um fluido que vai de um lugar para
outro através do fio elétrico, ou seja, o fio elétrico não pode ser considerado como um
“cano de água”. Na verdade neste caso, devemos pensar a corrente elétrica como uma
onda, isto é, como uma “ola” que os torcedores fazem nos estádios de futebol. Nenhum
torcedor sai correndo em volta do estádio para fazer a ola. Ele apenas se levanta e grita
quanto chega a sua vez. Uma onda, é assim, é uma perturbação que se propaga.
É isso o que acontece com a “corrente” elétrica nos metais. Ela não é uma corrente
no sentido de um fluxo contínuo de matéria. A corrente elétrica nos metais é uma per-
turbação que se propaga como se o fio fosse o estádio de futebol e os elétrons “livres”
fossem os torcedores. Esses elétrons, chamados de elétrons de condução (nuvem ele-
trônica) são os mais externos e estão fracamente ligados ao núcleo. Assim, eles podem
oscilar em torno de uma posição de equilíbrio original transmitindo a perturbação para
o átomo vizinho e assim por diante.

12 . O que é ligaç ão d e h i d r o g ê n i o?

O hidrogênio de uma molécula de água , além de fazer uma ligação covalente


12.
com o oxigênio de sua respectiva molécula, associa-se através de uma ligação mais fraca
com o par de eletrons não ligantes do oxigênio de uma molécula vizinha. Esta intera-
ção relativamente forte é denominada de ligação de hidrogênio. Estas ligações podem
ocorrer também em moléculas que tenham um hidrogênio ou mais, ligados com um
dos átomos: O (oxigênio), F (flúor) e N (nitrogênio).
Essa atração entre o átomo de H de uma mo- Ligação de
hidrogênio
lécula e o átomo de O de outra, produz a associação
das moléculas de água tanto no estado sólido como H
no estado líquido. Na figura abaixo, temos uma re-
H O H O
presentação dessa interação, ocorrida na água. O
H
átomo de hidrogênio, pode ser considerado como
igualmente ligado a ambos. Como resultado desta
ligação de hidrogênio forma-se uma “molécula gi-
gante” em que cada O é rodeado por quatro átomos
Ligação de Hidrogênio
de H (a fórmula mínima continua a ser H2O, por- Fonte:
que dos quatro H ao redor de um dado O, somente www.simbiotica.org

a metade de cada H pertence ao O. A existência de quatro átomos de H ao redor de


cada átomo de O é obtida pelos estudos de raios X com o gelo. Também demostram
que os átomos de oxigênio ao redor de um dado O estão localizados nos vértices de um
tetraedro regular.

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Por causa deste arranjo tetraédrico, a estrutura do gelo (água sólida) se estende em
três dimensões.
H
H Os círculos maiores e vermelhos representam os átomos de
O oxigênio, cada um dos quais rodeado tetraedricamente por quatro
- átomos de hidrogênio, representados pelos círculos brancos. Um
fato interessante desta estrutura é que ela contem canais hexago-
+ nais (como um favo de mel) e, por causa dessa disposição espacial,
H o gelo tem uma densidade relativamente pequena. Conforme os
+- O dados abaixo, podemos verificar que a água líquida
O H H + - é mais densa que o gelo :
H - O
H
H + H
Estado Densidade
H Temperatura
O Físico (g/mL)
“Molécula Gigante” de Água
Fonte: www.simbiotica.org 0 Sólido 0,917
3,98 líquido 1,000
10 líquido 0,999 7
20 líquido 0,998
30 líquido 0,996

Quando o gelo se funde, esta estrutura fica


parcialmente destruída, e as moléculas se agru-
pam mais compactamente, o que leva a formação
de um líquido mais denso que o sólido.

Estrutura do gelo.
Fonte: www.simbiotica.org

At i v i d a d e
Uma outra característica relevante da água, a qual se deve a variação da den-
sidade, é sua dilatação anômala. Ao contrário do que muita gente pensa, a água se
comporta como qualquer substância para intervalos de temperatura que vão de 4°C a
100°C. Ou seja, se aquecida, dilata; se resfriada, contrai. Entretanto no intervalo de
4°C a 0°C ocorre o oposto, ou seja, se eleva a temperatura ela se contrai e ao resfriar-se
se dilata. Baseando-se no arranjo molecular da água justifique tal fenômeno.

60  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Um f e n ô m e n o q u e g a r a n t e a v i d a a q u át i c a n o s l a g o s c o n g e l a d o s

Por conta desse comportamento, a água permite a vida dos organismos aquáticos
nos lagos congelados. Quando a temperatura ambiente abaixa a ponto da água solidi-
ficar-se, inicia-se o congelamento na superfície do lago. Como o gelo é menos denso
que a água, o mesmo fica sobre a superfície da grande massa natural de água, isolando
do ar frio, o líquido que lhe fica abaixo, não permitindo seu congelamento. Os peixes
e plantas aquáticas dependem deste efeito para sobreviver nestes rigorosos invernos.
Sem este efeito isolante da superfície do lago, toda a água se solidificaria e os peixes e
plantas não sobreviveriam.

A a lta c a pa c i d a d e c a l o r í f i c a d a á g u a

A capacidade calorífica elevada da água também é explicada pelas ligações de


hidrogênio. Para que ocorra a elevação da temperatura da água é necessário aumentar a
energia cinética das moléculas, o que implica em romper as ligações de hidrogênio. O
calor de fusão e o calor de vaporização são altos pela mesma razão; é necessário maior
energia para romper as ligações de hidrogênio. Vejamos através da tabela abaixo, as
propriedades térmicas da água e de algumas substâncias:

Substância Fórmula Ponto de Fu- Ponto de Capacidade Calor de Va-


são Ebulição Calorífica do porização
(C) (C) Líquido ( J/g)
( J/g. C)
Água H2O 0 100 4,18 2.257
Etanol C2H5OH -117 78 2,24 854
Benzeno C6H6 6 80 1,63 395
Mercúrio Hg -39 357 0,14 295

Justifique baseando-se nas ligações químicas e nas forças intermoleculares:


a) O Etanol apresentar o menor ponto de fusão entre as substâncias.
b) O Mercúrio apresentar o maior ponto de ebulição entre as substâncias.
c) O maior calor de vaporização da água , apesar do etanol também formar ligações
de hidrogênio.

O calor de vaporização da água tem um papel fundamental no clima da Terra.


Por ter um calor específico alto, a água demora para aquecer e também para resfriar.
As águas superficiais ao evaporar-se absorve cerca de 30% da energia solar que atinge a
superfície da Terra. Esta energia é liberada quando o vapor de água se condensa. Dessa
forma, a água circula nos solos e as fontes das águas são restabelecidas.
O alto calor específico da água é responsável pela manutenção da temperatura do
corpo humano estável, por volta dos 36º C.

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A água : o s o lv e n t e u n i v e r s a l ?

A água é o solvente mais comum tanto na natureza como num laboratório quími-
co. Não é porém , um solvente universal , pois muitas substâncias são essencialmente
insolúveis em água.
A importância da água para os seres vivos, reside no fato da maioria das subs-
tâncias por eles absorvidas e todas as reações do seu metabolismo serem feitas por via
aquosa (meio fisiológico). Isso acontece porque a água, é relativamente inerte nesses
meios e por possuir a propriedade de dissolver um número muito grande de substân-
cias minerais (inorgânicas) e orgânicas, ácidas ou básicas, sólidas, líquidas ou gasosas,
facilitando assim a sua penetração, através das membranas celulares tanto de vegetais
quanto de animais e o seu transporte por todo o organismo.
É difícil imaginar a vida sem água. A maior parte da composição das células é
constituída de água; as substâncias químicas absorvidas do meio, especialmente os sais
minerais, devem estar na forma de soluções aquosas para atravessar as membranas ce-
lulares; a excreção de produtos tóxicos exige água; o transporte interno dos alimentos e
metabólicos, pela seiva ou pelo sangue, ocorre em meio aquoso; a regulação interna da
temperatura, em alguns animais é feita pela transpiração, ou seja, eliminação de água.
Como podemos, perceber a água está presente nos meios físicos e biológicos no
seu estado puro ou participando como solvente de muitas soluções indispensáveis à
manutenção e continuidade da vida em todos os seus aspectos.
Tendo todo este grau de importância, não quer dizer, voltando a frisar, que a
água dissolva todas as substâncias. É até difícil prever a solubilidade das substâncias
na água, pois são inúmeros os fatores que influenciam (estrutura molecular , polari-
dade das moléculas ..) No caso da água, a situação é extremamente complexa, pois
as interações e ligações moleculares são bem fortes. A água como solvente polar não
dissolve substâncias apolares ou pouco polares, tais como o metano, hidrocarbonetos,
compostos de carbono com longa cadeia apolar. Nestes casos a água interage tão fra-
camente com o soluto apolar que não há liberação de energia suficiente para romper as
interações e ligações das moléculas de água.

a) Classifique cada líquido do


C6H14 tubo de ensaio ao lado como
apolar ou polar
H 2O
b) Justifique a disposição dos
CCl4 líquidos

62  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Outros solutos moleculares, tais como a amônia NH3, etanol C2H5OH, já são
muito solúveis em água, por poderem formar ligações de hidrogênio com a água.
Determinadas substâncias iônicas, tais como alguns sais conseguem solubilizar
na água. Por exemplo, no caso do cloreto de sódio , as atrações íons-água, também
chamados de íons solvatados ( Na+ - H2O ; Cl-- H2O) são suficientemente grandes para
vencer a energia reticular e o NaCl (sal de cozinha) é bastante solúvel.

Cristal
de NaCl
Íons
solvatados

Na+
Cl-
Molécula
de água

O fenómeno da solvatação iónica .;


Fonte: http://profs.ccems.pt/OlgaFranco/10ano/biomoleculas.htm

Uma solução de água bem conhecida é a água dura. Esta solução tem certos íons
metálicos, como Ca+2 e Mg+2. Estes íons reagem com os sabões – que são sais de sódio
de ácidos orgânicos- dando precipitado pesado de sais de cálcio e de magnésio. Este
precipitado se firma nos tecidos lavados e aos tanques (anel de sujeira). A remoção des-
ses íons é chamada de abrandamento.

Por q u e a á g u a f o r m a u m a m e m b r a n a e m s u a s u pe r f í c i e a p o n t o d e
u m i n s e t o c a m i n h a r s o b r e e l a?

Os líquidos apresentam um fenômeno muito interessante em sua superfície: a


tensão superficial. É um efeito que ocorre na camada superficial do mesmo, o que leva
a sua superfície a se comportar como uma membrana elástica. As moléculas situadas
no interior de um líquido são atraídas em todas as direções pelas moléculas vizinhas
e, por isso, a resultante das forças que atuam sobre cada molécula é praticamente nula.
As moléculas da superfície do líquido, entretanto, sofrem apenas atração lateral e in-
ferior. Esta força para o lado e para baixo cria a tensão na superfície, que faz a mesma
comportar-se como uma película elástica.
Graças a tensão superficial da água, insetos podem caminhar sobre a mesma e até
mesmo podemos fazer uma agulha boiar sobre a mesma.

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Vamos realizar algumas atividades?

»» Atividade 1 – Uma agulha pode flutuar ?


Material: 1 agulha de costura; 1 copo cheio de água; 1 pedaço de arame n. 12
(15 cm)
Modo de fazer:
1. Dobre o arame de modo a dar-lhe o aspecto de um garfo bem curvo para
sustentar a agulha de costura.
2. Com auxílio do arame dobrado, procure colocar a agulha na superfície de
água. Retire o arame cuidadosamente, afastando-o para baixo sem tocar na
agulha.
Esta atividade pode ser realizada para crianças a partir do 3º. Ano. É inútil
tentar discutir mais detalhadamente o fenômeno da tensão superficial. Os alunos
provavelmente se contentarão com a afirmação de que a superfície da água se com-
porta como uma membrana esticada.

»» Atividade 2 – O giz em pó pode permanecer na superfície da água?

Material: 1 copo de vidro; 1 lápis; 1 gilete ou tesoura; 1 pedaço de giz


Modo de fazer:
1. Coloque água num copo até pouco mais da metade e espere que a superfície
fique sem movimento.
2. Raspe um pedaço de giz com uma ponta de uma tesoura ou com uma gilete,
deixando que o pó caia sobre a superfície da água.
3. Observe abaixo da superfície líquida e verá que embora algumas partículas
caiam no fundo do copo, a maioria permanece em cima.
4. Em seguida, sem tocar no copo, perfure a superfície da água com a ponta bem
fina de um lápis e observe o que acontece com o pó de giz.
5. Finalmente agite o líquido todo e observe o que aconteceu.
Aprofundando...
Inicialmente, a grande maioria das partículas de giz permanece na superfície em
virtude de esta se comparar como uma película (tensão superficial). Quando se perfura
a membrana, muitas partículas afundam porque a membrana se rompe neste lugar.
Ao agitar-se todo o líquido, rompendo a membrana em muitos pontos, a maioria das
partículas vai ao fundo.

»» Atividade 3 – Como tornar a “membrana” superficial mais fraca?

Com o auxílio de um detergente, iremos tornar a membrana superficial mais


fraca.

64  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Material: 1 bacia pequena; 1 conta-gotas; 1 tesoura ou gilete; 1 pedaço de giz; 1 pires
de chá; detergente ou sabão.
Modo de fazer:
1. Antes de iniciar o experimento, corte um pedaço de sabão, ponha-o no pires
com água e procure dissolvê-lo.
2. Coloque água no copo até ultrapassar metade da altura.
3. Raspe giz (seco) com uma tesoura, ou uma gilete, espalhando o pó sobre a
superfície da água.
4. Com o conta-gotas a curta distância, pingue água com sabão, fazendo-a des-
cer pelas paredes internas do copo, ou bacia. Em seguida pingue outra gota no
centro do copo. Observe o que acontece.
Aprofundando...
Antes de pingar a água de sabão, ou a solução de detergente, o pó de giz mantém-
se na superfície da água. No lugar onde é gotejada a água com sabão, o pó de giz afasta-
se para os lados. O que acontece é que a água com sabão diminui a tensão no local por
ela atingido.

Por que, considerando as interações intermoleculares, que a solução de água


com sabão diminui a tensão superficial da água?

»» Atividade 4 – O palito mágico

Através do fenômeno de tensão superficial e do fenômeno de enfraquecimento


da membrana superficial da água, verificados nestas atividades, iremos tornar um pa-
lito “mágico”.
Material: 1 palito dental; detergente; 1 copo com água; 1 tachinha
Modo de fazer:

• Parte 1 – Uma tachinha pode boiar na água?


Encha com água um copo até a sua borda. Através de um clipes faça uma alça
para que você cuidadosamente coloque a tachinha com a cabeça encostada na água. Por
que a tachinha boiou na água?

• Parte II – Um palito mágico


Umedeça uma extremidade do palito com detergente incolor. “Fure” várias vezes
a película da água com a extremidade que está sem o detergente. A tachinha afundou?
A seguir “fure” a película da água com a extremidade do palito que está molhada com
detergente. A tachinha afundou? Por quê?

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A Capil aridade e a c a pa c i d a d e d a á g u a d e s e l o c o m o v e r .

A capilaridade é um fenômeno físico que permite que a água consiga subir até a
mais alta folha de uma árvore, contrariando a atração gravitacional da Terra.
Como que ocorre? Para entendermos melhor vamos realizar a atividade: Por que
a água sobe?

At i v i d a d e – P o r q u e a á g u a s o b e?

Material: vários tubos de plásticos de diâmetros diferentes; um copo com água com
algum corante.
Modo de fazer:
1- Introduza uma das pontas de cada tubinho na água colorida;
2- Verifique se a água sobe até a mesma altura, em todos os tubinhos;
Interpretando....
As moléculas da parede do tubo atraem as da água. Por isso elas começam a subir
pelas paredes. Entretanto, como todas as moléculas de água estão atraídas entre si, as
demais também são arrastadas para cima, formando-se uma coluna de água que come-
ça a subir.
Com o tempo, a coluna aumenta e por isso vai ficando cada vez mais pesada. Até
que o seu peso é tão grande que a força de atração do vidro não consegue puxar mais
água, parando a coluna de subir.
Você deve ter observado que no tubo mais fino a água subiu mais. Por quê?
No tubo mais estreito, a coluna de água que se forma também é mais estreita. Por
isso, só quando ela fica muito alta é que seu peso se torna tão grande que as moléculas
de vidro não conseguem puxar mais água.
De acordo com o estudo acima, quais devem ser as dimensões dos diâmetros dos
tubos capilares existentes numa árvore, para que a água consiga chegar até o topo da
mesma? Existem outros fenômenos físicos, além da capilaridade, que justifiquem este
fato?

Ao longo desse nosso singelo estudo sobre a água, enfocando sua origem no Uni-
verso, no Planeta Terra, sua própria vida, sua dinâmica sobre a vida do Planeta, suas
propriedades perfeitas e inigualáveis, permitindo a compreensão deste elemento tão
vital e perfeito da Criação , vale a pena refletirmos um pouco sobre a nossa responsabi-
lidade diante do uso e consumo da água, como cita Frei Pilato Pereira:

66  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


“ Precisamos olhar para a água, admirar mais a sua beleza, se encantar
mais por ela, procurar saber um pouco mais de seu mistério e reco-
nhecer o quanto ela é importante. Também é preciso dizer não
à degradação, ao desperdício e à poluição que a água vem
sofrendo. É preciso dizer, com veemência, um sonoro
não ao projeto de transformar a água em sim-
ples mercadoria. Porque ela é um dom de
Deus, um precioso bem comum. E so-
mos desafiados a garantir água,
dignidade e paz para todos,
em todas as partes do
mundo, hoje e no
futuro.”

Ecologia e Espiritualidade – www.franciscanos.org.br

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68  | Ciências Naturais e Matemática | UAB
3
E s t r u t u r a d a Te r r a :
At m o s f e r a
A atmosfera é uma camada de substâncias gasosas que envolve a su-
perfície da Terra. Embora para um ser humano ela seja espessa, relativa-
mente ao tamanho da Terra tem uma espessura muito fina, comparável
a uma camada de verniz sobre um móvel.
Não se pode dizer que a espessura da atmosfera tenha um va-
lor definido, pois ela é mais densa próxima da superfície da Terra,
tornando-se gradativamente menos densa conforme aumenta a al-
titude.
Embora a associemos com o oxigênio que respiramos, esse
gás não é o mais abundante na atmosfera. Sua composição se
constitui de aproximadamente 78% de nitrogênio (N2), 21%
de oxigênio (O2) e o restante de outras substâncias como o gás
carbônico (CO2), 0,4%, e vapor d’água (H2O), cuja concen-
tração é bastante variável de região para região e dependen-
te das condições meteorológicas.
Um conceito fundamental para a compreensão da
atmosfera é o de pressão. Sabemos, por exemplo, que
baixas pressões estão associadas à chuva e que quando
a seleção brasileira joga na Bolívia, tem que lidar com
condições de baixa pressão. Cientificamente, pressão
(P) é definida como uma força (F) aplicada sobre
uma área superficial (A), ou seja:

P= F
A
No caso da atmosfera, a força é o peso de
uma coluna de ar sobre uma certa área. Ao ní-
vel do mar, a pressão do ar é de 1 atmosfera,
um valor que equivale a aproximadamen-
te 100.000 Newtons por metro quadrado.
Vista da Terra do espaço, revelando a espessura da atmosfera – Foto: blog.sccscience.com

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Como 1 Newton equivale a força que fazemos ao erguer um objeto de 100 gramas, 1
atmosfera equivale a pressão exercida por 10 toneladas sobre um metro quadrado! Po-
demos suportar tal pressão porque a pressão interna do nosso corpo é similar.
Contudo, o que permite a permanência da atmosfera em torno da Terra e provoca
tal pressão? A resposta a essa questão está relacionada com a gravidade. Conforme visto
no fascículo A Origem do Universo, a massa da Terra gera gravidade. Assim existe uma
força gravitacional entre a Terra e os objetos sobre a sua superfície. O mesmo acontece
com as moléculas de ar. A gravidade da Terra retém o ar em torno da sua superfície e
o comprime, resultando na pressão observada experimentalmente.
Essa é uma questão importante, pois algumas pessoas apresentam a concepção
de que o que provoca a gravidade é a atmosfera. No entanto, é exatamente o contrário.
Uma amostra da relação entre gravidade e atmosfera é a configuração da atmos-
fera de outros planetas e astros. A Lua, por exemplo, não possui atmosfera porque sua
gravidade é muito baixa. As moléculas de gases ao redor de planetas e outros astros do
sistema solar recebem energia devido à radiação vinda do Sol. Elas absorvem parte des-
sa energia ao aumentarem a sua velocidade. Ao contrário das moléculas de um sólido,
as de um gás estão livres para se deslocarem. Na Terra, ao nível do mar, as moléculas
presentes no ar se deslocam com uma velocidade típica de aproximadamente 400 m/s.
Isso não significa que elas mantêm essa velocidade sempre em linha reta, pois estão
continuamente colidindo umas contra as outras e desviando de direção de propagação,
num processo conhecido como difusão. Quanto maior for a energia absorvida do Sol e
quanto menor a gravidade, maior será a tendência das moléculas a escaparem do plane-
ta/astro. Na Lua, qualquer molécula de gases típicos do sistema solar terá a tendência
de se difundir para fora de seu campo de atração gravitacional. Por outro lado, quanto
maior for a gravidade, maior será o poder de retenção de gases. Assim, planetas como
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são capazes de reter gases leves como o hidrogênio
(H2) e o hélio (He), que não são retidos pela Terra.
Contudo, a pressão atmosférica não é constante em relação à altitude. É natural
pensar que as moléculas que estão mais “em baixo” (mais próximas à superfície da Ter-
ra) estejam submetidas a uma pressão maior, uma vez que há uma maior quantidade de
outras moléculas em altitudes superiores comprimindo-as. Assim é intuitivo concluir
que a pressão deve diminuir com a altitude. Conforme já mencionado, ao nível do
mar, a pressão é de 1 atmosfera. Esse valor cai pela metade para uma altitude de apro-
ximadamente 5.500 metros. Para 8.400 metros (um pouco mais que altura do monte
Everest – o mais alto do mundo), a pressão é de 1/3 de atmosfera e para 16.000 metros,
a pressão vale cerca de 1/10 de atmosfera.
A densidade do ar, por sua vez, dada em massa de ar por unidade de volume, tam-
bém diminui com a altitude, tendo um comportamento similar ao da pressão.

70  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


O C o n ce i t o de densidade

Do ponto de vista científico, densidade


corresponde à quantidade de matéria men-
surada em unidades de massa, por volume
do espaço ocupado. Assim, sua unidade
pode ser expressa em quilos por metro cú-
bico (Kg/m3), gramas por centímetro cúbico
(g/cm3), ou mesmo gramas por litro (g/l), além
de outras menos utilizadas. Lembrar que em um
litro tem-se 1000 cm3 e cabem 1000 litros num
volume de 1 m3.

d= m
V

Substâncias diferentes, quer


estejam no estado sólido, líquido ou
gasoso, têm diferentes densidades.

A densidade pode ser medida de acordo com a sua definição, ou seja, aferindo-se a
massa e o volume da substância e dividindo os valores obtidos um pelo outro. No caso
de um líquido, podemos colocar uma certa quantidade num frasco graduado, obtendo
assim o seu volume. A massa pode ser aferida colocando-se o frasco vazio e com a
substância numa balança.
A densidade é um conceito que está relacionado com a flutuação dos corpos. Um
corpo tende a flutuar se a sua densidade for menor que a do meio onde se encontra.
Assim, o balão flutua porque a sua densidade é menor que a do ar. O iceberg flutua
porque a densidade do gelo é menor que a da água.
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Peso e p r e s s ã o at m o s f é r i c a

Diferentemente da linguagem popular, a ciência define peso como sendo uma


força. Estamos habituados a nos referirmos ao nosso peso como sendo a massa do
nosso corpo. Assim, quando subimos numa balança, dizemos que vamos nos “pesar”.
Quando alguém nos pergunta o nosso “peso”, dizemos que é tantos quilos. Do ponto
de vista da ciência essa terminologia não está correta. Quando subimos numa balança,
vamos aferir a nossa massa, e não nosso peso. É a nossa massa que pode ser expressa
em quilos, que é a unidade padrão para essa quantidade.
Nosso peso corresponde à força que exercemos sobre a balança devido à gravida-
de. A unidade utilizada para o peso, portanto, é a mesma da força, ou seja, o Newton
(N). De acordo com as leis de Newton, quando a massa é constante, uma força pode ser
dada pelo produto entre a massa e a aceleração. No caso do peso, será o produto entre
a massa e a aceleração da gravidade (g), ou a aceleração que um corpo em queda livre
tem próximo da superfície da Terra:

Pe = mg

Ao nível do mar, g vale aproximadamente 9,8 metros por segundo (m/s2), ou, para
utilizar um número mais “redondo”, 10 m/s2. Isso significa que uma pessoa com 60 kg
tem um peso equivalente a 60 x 10 = 600N. O peso de um pacote de bolachas de 100g
é 1N e um pacote de um quilo de feijão, 10N. Assim, a força que devemos fazer para
erguer 1kg de feijão é 10N.
Já pressão, equivale a uma força aplicada sobre uma área (P = F/A). O valor ex-
perimental aproximado para a pressão atmosférica ao nível do mar é 100.000 N/m 2 ou
Pascal (Pa), que é a unidade padrão para a pressão. A que massa esse valor correspon-
deria sobre uma área de 1 m2? Se partirmos da expressão

P= F
A
e, no lugar de F, substituirmos pela força peso:
mg
P=
A
podemos isolar a massa:

m = AP
g
e, então, substituindo os valores (A = 1m 2, P = 100.000Pa, g = 10m/s2):

m = 1x100.000 = 10.000kg
10
Ou seja, a pressão atmosférica corresponde ao peso de um corpo de 10 toneladas
sobre uma área de 1m2.

72  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


At i v i d a d e
Qual a pressão que um transatlântico de 50.000 toneladas exerce sobre a
superfície do mar, considerando que sua área inferior é igual a 4.000 m 2? Qual
a pressão exercida pela ponta de um prego de 1 mm2 quando um martelo exerce
sobre ele uma força de 100 N? Compare os dois resultados explicando o porquê
um valor é maior ou menor que o outro. OBS: Há a necessidade de converter 1
mm2 para um valor correspondente a metros quadrados, pois o metro é a unidade
padrão para o comprimento. Como podemos saber que fração de 1 m2 correspon-
de a 1 mm2?

T o r r i ce l l i e a p r e s s ã o at m o s f é r i c a

Um dos métodos pioneiros de se medir a pressão atmosférica foi


desenvolvido pelo físico e matemático italiano Evangelista Torricelli
(1608-1647), em 1643. Reconhecido como o primeiro barômetro (apa-
relho para medir a pressão atmosférica), o dispositivo desenvolvido por
Torricelli consistia de um tubo transparente graduado com um dos ex-
tremos abertos contendo mercúrio, parcialmente mergulhado numa ba-
cia também contendo mercúrio.
O mercúrio entra em equilíbrio estático quando a pressão propor-
cionada pela coluna no interior do tubo se iguala à pressão atmosférica.
Isso acontece porque a pressão atmosférica, que atua sobre a superfície
do mercúrio contido na bacia, tende a empurrar o mercúrio para dentro
do tubo, enquanto que o peso da coluna de mercúrio dentro do tubo
faz com que ele tenda a escoar para dentro da bacia. Ao nível do mar,
a coluna de mercúrio estaciona a 76 cm (ou 760 mm) da superfície da
substância na bacia. Evangelista Torricelli
É intuitivo imaginar que, se o dispositivo for colocado numa altitude maior (a Fonte: Wikimedia
bordo de um balão, por exemplo), a altura da coluna de mercúrio será menor. Para uma
altitude de 16.000 metros, onde a pressão é cerca de 1/10 de atmosfera, o tamanho da
coluna deverá ser de 76 mm.
Tal método de se medir a pressão, deu origem a
vácuo uma unidade ainda hoje bastante utilizada: mm Hg
(milímetros de mercúrio).
Uma outra unidade bastante utilizada para mensu-
rar a pressão é o milibar (mbar). Essa unidade é oriunda
h = 76 cm do bar, o qual equivale a aproximadamente 1 atm (mais
exatamente, 1 atm corresponde a 1,01325 bar). Assim,
ar a pressão de 1 atm equivale a 1013,25 mbar.

Hg

Esquema do método utili- UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  73
zado por Torricelli para a
medida da pressão atmos-
férica.
Pa r t i ç ã o d e e n e r g i a n a at m o s f e r a

Os fenômenos atmosféricos afetam diretamente nossa vida, uma vez que é na


atmosfera que habitamos. Fenômenos como tempestades, furacões, inundações e secas
provocam uma grande quantidade de mortes anualmente. Além disso, do regime de
ventos e chuva, depende as safras que se constituem na base da alimentação da huma-
nidade. Compreender como se processam tais fenômenos é fundamental.
O principal fator envolvido nos fenômenos atmosféricos é o processo de distri-
buição (partição) de energia. Energia é algo que não pode ser criado do nada, nem
destruído. Basicamente todos os fenômenos dinâmicos da natureza são manifestações
de processos de transformação, de energia. Entende-se por transformação um processo
em que energia de um determinado tipo é convertida em outro.
Fica claro então que existem diversos tipos de energia. Muitos deles são frequen-
temente mencionados no cotidiano, como a energia elétrica e a nuclear.
A principal fonte de energia da atmosfera é o Sol. A radiação eletromagnética
emitida pelo Sol se propaga através do espaço e chega à Terra transportando energia.
Uma pequena parte dessa energia é absorvida pelo ar (Eaa). Outra parte passa pela at-
mosfera atingindo o solo, a superfície do mar e o dossel da vegetação (Eta). Então, uma
fração dessa segunda parte é refletida de volta para o espaço (Er) outra fração (Eas) é
absorvida pelo solo, água do mar e lagos, vegetação e vapor de água presente na atmos-
fera. Na Terra atual, esta última é a maior fração, correspondendo a aproximadamente
60% da radiação total incidente, contudo, esse valor muda ao longo de dezenas de
milhares de anos em função das glaciações.
Assim, de maneira simplificada, pode-se dizer que a radiação solar passa pelo ar,
atingindo a superfície da Terra, aquecendo-a. Dessa forma, genericamente, a tempera-
tura ambiente é maior ao nível do mar do que no topo das montanhas. Se o ar absor-
vesse mais significativamente a radiação solar incidente, possivelmente a temperatura
ao nível do mar seria a menor.
Embora o ar não absorva significativamente a radiação incidente, o calor gerado
pela interação da radiação com a superfície da Terra é transferido para a atmosfera,
aquecendo-a. Assim, considera-se um fluxo de calor que aquece a atmosfera, o qual é
chamado fluxo de calor sensível (H). Calor sensível (Qs) é o termo designado para uma
quantidade de energia que aquece uma determinada substância. Pode-se observar, en-
tão, que o conceito calor, do ponto de vista científico, se refere a um tipo específico de
energia. Dessa forma, o calor pode ser mensurado em Joules ou calorias.
Existe uma relação entre o calor sensível e a variação de temperatura, ∆Τ, sofrida
por uma certa quantidade de massa, m, de uma determinada substância:

Qs = mcDT

Essa equação denota que tanto a variação de temperatura quanto a massa, são
diretamente proporcionais a Qs. Isso significa que, se duplicarmos a quantidade de
substância, precisaremos do dobro de energia para aquecê-la e, para elevarmos a tem-

74  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


peratura duas vezes mais, necessitaremos também do dobro de energia.
A quantidade c é chamada calor específico, a qual designa a quantidade de calor para
elevar em um grau a temperatura de um quilo da substância. c é uma constante para
uma dada substância que se encontra num estado físico determinado. Por exemplo, o
calor específico da água é 4.180 J/kg°C. Isso significa que são necessários 4.180 Joules
para elevar a temperatura de um quilograma de água em um grau. Quanto maior for c,
mais energia será necessário transferir para a substância para elevar sua temperatura e,
correspondentemente, mais energia será liberada no seu resfriamento.

Calor específico de algumas substâncias.


Calor específico Calor específico
Substância
( J/kg°C) (cal/g°C)
Água 4.180 1,0
Álcool 2.510 0,6
Alumínio 920 0,22
Ar 1.000 0,24
Chumbo 130 0,031
Ferro 460 0,11
Gelo 2.090 0,5
Madeira 1.760 0,42
Nitrogênio 1.050 0,25
Rochas 880 0,21
Vidro 670 0,16

Na tabela de valores de calores específicos apresentada nesta página, pode-se ob-


servar que a água tem um valor alto de c quando se compara com o de outras subs-
tâncias. Pode-se observar, também, que os metais, genericamente falando, têm valores
relativamente baixos de c. Isso está estreitamente relacionado com importantes pro-
priedades dos materiais. O fato de c ser pequeno para os metais significa que esse tipo
de material tem baixa capacidade de retenção de calor. Assim, os metais são facilmente
aquecidos e também têm tendência a se esfriar com maior facilidade – em geral, mais
rapidamente. Notar também que o calor específico do gelo é diferente do da água, o
que significa que c depende do estado físico da substância.
No estudo da atmosfera, é particularmente importante o calor específico do ar.
De acordo com a tabela, são necessários 1000 Joules para aquecer, em um grau, um
quilograma de ar. Como a densidade do ar (ao nível do mar) é aproximadamente 1,2
quilogramas por metro cúbico, são necessários 1200 J para aquecer um metro cúbico de
ar. Isso não significa que se essa quantidade de energia chegar a uma porção com esse
volume de ar, sua temperatura subirá um grau, uma vez que o ar pode não absorver essa
energia em sua totalidade, mas apenas parcialmente. De qualquer forma, nossa experi-
ência diária é que no início do dia o ar de fato se aquece e se resfria à noite.
Tem-se, portanto, que parte da energia solar que chega à superfície da Terra é con-
sumida no aquecimento do ar. Contudo, em geral para ambientes que não são desérticos,

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  75


esse não é o principal consumo de energia: normalmente, a principal componente da
partição de energia na atmosfera é o fluxo de calor latente.
Denomina-se calor latente (QL) a quantidade de energia que é consumida ou libera-
da quando uma substância muda de estado físico, ou seja, quando passa do estado sólido
para líquido (ou vice-versa), ou de líquido para gasoso (ou vice-versa), etc.
Do ponto de vista microscópico, a diferença entre diversos estados físicos de uma
substância específica está nas ligações moleculares. No sólido, essas ligações são relativa-
mente fortes, enquanto que nos gases, praticamente inexistem.
As ligações intra e intermoleculares correspondem a uma espécie de estoque de
energia. Quando elas se rompem ou enfraquecem, uma quantidade correspondente de
energia é liberada. É dessa maneira que o corpo humano extrai energia dos alimentos.
Contudo, para romper as ligações químicas intermoleculares, é necessário fornecer ener-
gia à molécula. Assim sendo, a passagem do estado líquido para o gasoso consome ener-
gia. Essa energia consumida se transforma em energia cinética das moléculas, dada por

Ec = 1 mv2
2
onde m é a massa da molécula e v sua velocidade.
Na atmosfera, uma importante componente da partição de energia é representada
pela mudança de estado da água. Na água líquida, as ligações intermoleculares (fre-
quentemente chamadas “pontes de hidrogênio”) são bastante fortes, o que exige uma
quantidade relativamente grande de energia para rompê-las.
Como é de conhecimento comum, a molécula de água é constituída por dois
átomos de hidrogênio (H) e um de oxigênio (O)(daí a denominação “H dois O” ou
- H2O). O átomo de oxigênio fica ao centro da molécula, ladeado pelos dois átomos
de hidrogênio. Contudo, esses não se encontram diametralmente opostos,
isto é, formando um ângulo de 180° entre si, mas sim um ângulo de 104°
(ver figura). Como o oxigênio tem uma tendência a atrair os elétrons dos
átomos de hidrogênio, a molécula apresenta uma carga líquida negativa
nas imediações do átomo de oxigênio e cargas líquidas positivas nas
proximidades dos átomos de hidrogênio, ou seja, a molécula é eletri-
+ +camente polarizada. Assim sendo, ela pode atrair eletricamente (ver
Representação esquemática de sobre a força eletromagnética no fascículo Origem do Universo), outras
uma molécula de água. O posicio-
namento assimétrico dos átomos moléculas.
de hidrogênio (representados em A polaridade elétrica da água está relacionada com algumas das
branco) faz com que a molécula
seja fortemente polar. mais comuns experiências do cotidiano, como por exemplo o fato de
Figura: Ciência Hoje. que, quando tomamos chuva, ficamos molhados. “Ficar molhado”
significa que moléculas de água ficam “grudadas” na superfície de nosso corpo
e roupas. O que impede que toda a água que atinge o nosso corpo escorra ime-
diatamente para o chão sob a força da gravidade é justamente a força elétrica que

76  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


estabelece uma atração entre a molécula de água e as moléculas de
nossa pele.
Macroscopicamente, a quantidade de energia necessária para
transformar uma quantidade em massa, m, de uma substância num
estado físico para outro estado é denominada calor latente:
A quantidade L é denominada constante de calor latente e seu valor
depende da substância e do tipo de mudança de estado físico (se é de
sólido para líquido, fusão, ou de líquido para vapor, vaporização, etc.).

Calor latente de vaporização de algumas substâncias.


Substância L (J/kg) L (cal/g)
Representação esquemática das
Água 2.250.000 540 ligações químicas de hidrogênio
em moléculas de água. As ligações
Álcool 853.000 204 intermoleculares estão represen-
tadas por linhas interrompidas.
Ferro 6.270.000 1500 As esferas vermelhas representam
átomos de oxigênio e as brancas,
Mercúrio 293.000 70 hidrogênio. Figura: Wikipédia.

Ouro 1.570.000 376


Oxigênio 213.000 51

Dentre as substâncias que, ao nível do mar e a temperatura ambiente, são líqui-


das, a água é uma das que possuem maior valor de calor latente de vaporização. Isso
significa que, para a água evaporar, é necessário um grande consumo de energia (2,25
mega Joules por quilo – ver tabela). É por isso que, no fogão, a água demora para eva-
porar totalmente, e é por isso também que a água é utilizada em refrigeração, como por
exemplo no radiador dos carros. A água absorve a energia térmica liberada pelo motor,
impedindo que sua temperatura aumente descontroladamente, mantendo-a em torno
de 100°C, que é a temperatura de vaporização da água.
Na atmosfera, a água não necessariamente se encontra na forma de vapor. Há
também quantidades mensuráveis de água líquida em suspensão, na forma de peque-
nas gotículas, que, por possuírem pequena massa, se difundem através do ar sem ne-
cessariamente se precipitar. A passagem dessas gotículas para o estado de vapor pode
consumir grande quantidade de energia do ambiente. É por esse motivo que, quando
chove, o ambiente é refrigerado.
O fluxo de energia solar que chega à atmosfera (ou por incidência direta ou pelo
calor vindo da superfície da Terra) é particionado em duas partes principais: fluxo de
calor sensível, H, como já mencionado, e fluxo de calor latente, Le, que é fruto da va-
porização das gotículas de água presentes no ar. Conforme surge o Sol, no início da
manhã, tais fluxos aparecem, aumentando de intensidade até a parte mediana do dia,
diminuindo de intensidade conforme o Sol se põe (ver gráficos).

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  77


Fluxos de calor sensível (H) e
latente (Le), ao longo do dia,
medidos nos períodos de chuva
(wet), seca (dry) e períodos in-
termediários chuva-seca (wer-
dry) e seca-chuva (dry-wet), em
regiões de pastagem e floresta
do estado de Mato Grosso.
Dados: Programa de Pós-Gra-
duação em Física Ambiental –
Universidade Federal de Mato
Grosso.

O valor do fluxo de radiação solar incidente no topo da atmosfera, ao meio dia e


próximo do equador, é aproximadamente 1370 W/m2 (significa que chegam 1370 Joules
em cada segundo em cada metro quadrado de sessão transversal). Desses, na latitude
onde se encontra o estado de Mato Grosso, ao meio dia, cerca de 800 W/m2 são transfe-
ridos para a atmosfera, sendo que, nesse horário, H assume valores entre 100 e 250 W/
m2 e Le valores entre 180 e 400 W/m2.
Quanto maior a quantidade de água na atmosfera, maior a tendência de Le assumir
valores superiores a H. Isso significa que a partição de energia está ligada à umidade
relativa. Essa grandeza é definida como sendo a concentração de água num determinado
volume de ar com relação à concentração máxima (saturação) de água. A concentração
máxima é o valor limite a partir do qual se inicia a precipitação, correspondente ao valor
de 100% de umidade relativa.
Assim, quanto maior for a umidade relativa num ambiente, maior deve ser o valor
de Le, menor sendo a razão de Bowen. Nessa condição, resta menos energia na forma
de H. Como H está relacionado ao aumento de temperatura do ar, menor deve ser a
temperatura ambiente. Dessa forma, tem-se que, em geral, quanto maior for a umidade,
menor será a temperatura.
Ao longo do dia, a umidade tende também a variar. Para um dia sem chuvas, em
geral a temperatura é máxima no meio do dia, correspondentemente a umidade será
mínima nesse horário (ver gráficos). É claro que essa é uma descrição simplificada, uma
vez que temperatura e umidade são fatores que dependem de muitas outras variáveis.

78  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Médias horárias de tempe-
ratura e umidade medidas em
região de pastagem e flores-
ta no estado de Mato Gros-
so. “Dry” significa período
de seca e “wet” período de
chuvas. Dados: Programa
de Pós-Graduação em Física
Ambiental – Universidade
Federal de Mato Grosso.

At i v i d a d e s

1. Leitura de gráficos: Observando a última figura desta seção, responda: Em


que horário acontecem os valores máximos e mínimos dos gráficos E, F, G e H?
Quais são os valores de umidade e temperatura ao meio-dia, para o período de
seca? E para o período de chuvas?

2. Calcule a quantidade de energia necessária para:


a) Elevar a temperatura de uma barra de ferro de 10 kg em dois graus Celsius.
b) Elevar a temperatura de 200 g de álcool em dois graus Celsius.
c) Evaporar 1 kg de álcool e 1 kg de água.

3. Faça um resumo esquemático das transformações possíveis que a radiação solar


sofre na atmosfera.

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O b s e r va ç ã o

Os esquemas de átomos e moléculas representados neste e em outros


fascículos são meras ilustrações pictóricas que enfatizam algumas de suas pro-
priedades. Como não é possível obter observações diretas dos átomos (alguns equi-
pamentos, como o microscópio de tunelamento, obtêm imagens indiretas), não se pode
afirmar com segurança qual a sua real aparência. Por exemplo, não tem sentido se falar
em cores dos átomos, embora se utilize desenhos coloridos para representá-los.

U n i d a d e s de energia e potência

A energia pode ser medida utilizando diversas maneiras diferentes. Para mensurá-
la, diversas quantidades padrões, ou unidades, podem ser empregadas. As mais utiliza-
das no dia-a-dia são o Joule (o padrão internacional) e a caloria, que é muito utilizada
na área de nutrição. Note que Joule é escrito em letra maiúscula enquanto caloria é em
minúscula. Isso se deve ao fato que a palavra Joule corresponde ao sobrenome de um
importante cientista que, no passado, contribuiu significativamente para a construção
do conceito científico de energia: James Prescott Joule (1818-1889). Joule foi um dos
principais descobridores de que a energia se manifesta de várias formas e que quanti-
dades de energia podem se transformar de uma forma para outra.
A quantidade de energia correspondente a um Joule, 1J, adotada pelo Sistema de
Medidas Internacional (SI) equivale aproximadamente à energia consumida ao elevar
uma massa de 100 gramas a uma altura de 1 metro. Proporcionalmente, a energia que
gastamos ao elevar um pacote de 1kg de feijão a um metro de altura é aproximadamen-
te 10J.
A energia gasta para elevar um objeto de massa m a uma altura h corresponde a
uma quantidade conhecida como energia potencial gravitacional, que equivale a:

E pg = mgh

Ou seja, a energia potencial gravitacional corresponde ao produto entre a massa


do objeto, m, a aceleração que um corpo apresente em queda livre próximo à superfí-
cie – comumente chamada aceleração gravitacional, g, e a altura, h. O valor de g é uma
constante aproximadamente igual a 9,8 m/s2.
Para constatar que necessitamos de 10J para erguer um objeto de 1kg numa altura
de 1m, basta multiplicar 1 kg por 9,8 por 1m. O resultado equivale a 9,8J, ou aproxi-
madamente 10J.
Outra unidade bastante utilizada é a caloria (cal). Uma caloria corresponde a
aproximadamente 4,18J. Assim sendo, para erguer um objeto de 1kg numa altura de
1m, necessitamos:
9, 8 2,3 cal
4, 18 =

80  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Em condições normais, o metabolismo de uma pessoa de estatura média consome
diariamente uma quantidade de energia correspondente a 2.500kcal (2.500 quilocalo-
rias ou 2.500.000 calorias). Por esse motivo, deve-se consumir uma quantidade equiva-
lente de energia, na forma de alimentos, diariamente. Essa quantidade de energia seria
suficiente para elevar em um metro
2500000 1.086.957
2, 3 =
pacotes de feijão. Assim sendo, é razoável que um trabalhador, na tarefa de carregar
um caminhão, não precise parar para comer antes de terminar o serviço. Já o consu-
mo de uma inocente bolachinha recheada típica, fornece uma quantidade de energia
de 40kcal, o suficiente para que uma pessoa de 60kg suba uma escada de 284m, uma
altura equivalente a da Torre Eiffel.

Isso pode ser constatado pelo seguinte cálculo:


40kcal corresponde a 40.000 x 4,18 = 167.200J. Sabendo-se que Epg = mgh e subs-
tituindo os valores:

167.200 = 60x9, 8xh ( h = 167.200 = 284m


60x9, 8
É preciso entender que esse valor se trata apenas de uma estimativa idealizada. Na
realidade, se de fato alguém for subir de escada a Torre Eiffel, terá que gastar energia
de outras formas, como manter o metabolismo do corpo – que vai se acelerar devido ao
esforço da subida – ou mesmo para balançar os braços – um movimento quase inevitá-
vel quando caminhamos.
Ao realizar esse tipo de cálculo, é necessário tomar cuidado com as unidades. Na
equação Epg = mgh, se a massa estiver sendo dada em quilos, g em metros por segun-
do ao quadrado e h em metros, a energia deve ser expressa em Joules. Isso acontece
porque as unidades metro, segundo e kg são unidades do Sistema Internacional (SI).
Assim sendo, deve-se utilizar a unidade do SI também para a energia. Não se pode,
numa mesma expressão matemática, utilizar quantidades com diferentes sistemas de
unidades.
Outra variável que tem relação estreita com a energia é a POTÊNCIA (Po).
Potência é a energia consumida ou recebida num certo intervalo de tempo. Matema-
ticamente, é a razão entre a
energia e o tempo:

Po = E
t

Uma dessas bolachas pode prover uma pessoa de ener-


gia suficiente para subir na Torre Eiffel.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  81


Sua unidade é o Watt (W), no SI, em homenagem ao cientista escocês
James Watt (1736-1819). Por exemplo, uma lâmpada de 100W consome uma
quantidade de energia igual a 100J por segundo. Se fosse possível converter toda
essa energia na realização do trabalho de carregar um caminhão, cuja carroce-
ria estivesse a um metro do chão, poderíamos carregar 10kg por segundo.
Vimos anteriormente que a energia consumida pelo metabolismo hu-
mano é aproximadamente 2.500kcal por dia. Para que não haja acúmulo
indefinido de energia, o corpo deve perder também aproximadamente a
mesma quantidade diária. Predominantemente, o organismo huma-
no, bem como de animais e plantas, dissipa a energia utilizada nos
processos metabólicos na forma de emissão eletromagnética. Isso
significa que também brilhamos como uma lâmpada. Con-
tudo, a radiação emitida pelo corpo não é visível: encontra-se
predominantemente na região do infravermelho (ver fascículo
Origem do Universo).
Considerando que a quantidade de segundo existentes num dia é
60x60x24, a potência tipicamente dissipada pelo corpo humano, portanto,
corresponde a:

Po = 2.500.000x4, 18 = 120W
60x60x24
Ou seja, nossa perda de energia devido ao metabolismo é equivalente ao
de uma lâmpada de 120W.

Imagem obtida por uma câmera especial que trans-


forma radiação infravermelha em cores:
www.infraredcamerasinc.com

At i v i d a d e s

1) Buscar na internet quais são as unidades do Sistema Internacional para


as variáveis: Pressão, peso, força, massa, tempo, comprimento, energia e
potência.
2) Calcular a quantidade de energia que um homem de 90 kg gastaria para
escalar o pico do Everest, situado a 8.000 metros do nível do mar. Obser-
ve o teor energético existente nas embalagens de comida disponíveis na
sua residência e responda quanta comida este homem necessitaria ingerir
para desenvolver esse esforço. Se o homem demora 10 dias na escalada,
qual foi a potência consumida?

82  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Leitur a de G r áficos de
D istr ibuiç ão

Um gráfico de distribuição, ou sim-


plesmente espectro, consiste num meio
de visualizar as quantidades corres-
pondentes a cada valor de um conjun-
to de valores possíveis para um dado
fenômeno ou propriedade de um sis-
tema.

O gráfico ao lado representa o


espectro de emissão do Sol, ou seja, o
quanto de radiação o Sol emite em cada
faixa do espectro eletromagnético, em
função do comprimento de onda, m, da
radiação.
A leitura do gráfico deve ser feita da se-
guinte forma: Digamos que desejamos
saber o quanto de raciação o Sol emite
num comprimento de onda de 0,8 nm
. Seguido a linha vertical cujo extremo
inferior é 0,8 no gráfico, observa-se
que o ponto de intersecção dessa linha
com uma linha horizontal que pas-
sa sobre a curva está no valor 60.000
no eixo vertical. Portanto, o Sol emite
Espectro de emissão de radiação do Sol 60.000W/cm2 nm para esse compri-
mento de onda. Observe que o máximo
de emissão ocorre em0,5 nm , valor
correspondente à cor amarela na faixa
visível do espectro eletromagnético.

E f e i t o E s t u fa N at u r a l

Uma componente importante dos processos de partição de energia na atmosfera


diz respeito à dinâmica da radiação infravermelha. Quando a radiação solar incide so-
bre a superfície da Terra, bem como oceano e vegetação, parte dessa radiação é absor-
vida. Essa energia contribui para o aquecimento dos componentes sólidos e líquidos do
solo/oceanos/vegetação. Do ponto de vista microscópico, aquecer um material significa

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  83


aumentar o movimento de vibração de suas moléculas. Essa oscilação se caracteriza
pela oscilação dos átomos em torno de determinados pontos.
A oscilação molecular resulta na emissão de radiação em diversas faixas do espec-
tro eletromagnético (ver fascículo Origem do Universo), contudo, para as moléculas com
mais de dois átomos (não estão incluídos, por exemplo, o oxigênio e o nitrogênio, que
são os principais componentes da atmosfera), na temperatura ambiente da Terra, essa
emissão se dá predominantemente na faixa do infravermelho.
Praticamente todos os sólidos e líquidos presentes na Terra emitem continua-
mente radiação infravermelha. Comumente tal fenômeno é identificado como emissão
de calor. De fato, existe uma relação entre a emissão de radiação por um corpo e sua
temperatura, dada pela Lei de Stefan-Boltzmann:

pIV = fvT4

onde ξIV é o fluxo de energia na forma de radiação emitida por uma unidade de área da
superfície do corpo ou sistema (em unidades de W/m2), ε é a emissividade, um parâ-
metro constante com valor entre 0 e 1 e que depende do tipo de material que constitui
o corpo, T é a temperatura dada em Kelvin (T corresponde à temperatura na superfície
do objeto ou sistema, não sua temperatura interior) e v a constante de Stefan-Boltz-
mann, que vale 5,67x10-8 W/m2K4.
A Lei de Stefan-Boltzmann expressa o fato de que a emissão de radiação de um
corpo é proporcional à sua temperatura (na escala Kelvin) à quarta potência. Isso sig-
nifica que a quantidade de energia emitida é muito sensível com relação à temperatura
do corpo e, como maior a temperatura, maior a energia interna do corpo, significa que
a emissão de radiação se constitui numa formidável forma de regulação de temperatu-
ra: Se um corpo tem grande quantidade de energia interna, sua temperatura será alta,
consequentemente emitirá muita energia, tendendo a se resfriar rapidamente. Quanto
maior a temperatura, mais rápido se dará o resfriamento. Obviamente essa relação de-
sempenha um papel importante na regulação da temperatura da Terra.
Através da Lei de Stefan-Boltzmann é possível se estimar a temperatura da su-
perfície de um planeta, bastando igualar o fluxo de radiação solar que chega ao planeta
com o fluxo de emissão dado pela expressão acima. Considera-se, assim, que o planeta
emite uma quantidade de energia equivalente a que recebe. Tem-se então:

4ra2 vT4 = ra2 (1 - A) F

Nessa expressão, considera-se ε=1 e alguns fatores geométricos. Para estimar o


fluxo total de emissão pela superfície da Terra, deve-se multiplicar v T4 pela área su-
perficial do planeta: 4πa 2, onde a é o raio da Terra. Já o fluxo de ra- diação solar, F
(=1370 W/m2), chega em apenas um dos lados do planeta (nos locais onde é noite, ob-
viamente, não está havendo incidência de radiação solar), assim, devemos multiplicar F
pela área projetada da Terra, que é a área de um círculo: πa 2. Finalmente, A representa
o albedo da Terra, ou seja, a fração da energia solar incidente que é refletida por sua
superfície (que é influenciado principalmente pela presença de nuvens e neve, os quais
possuem alta refletância). O fator 1-A, portanto, representa a fração da energia solar

84  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


que é absorvida pela Terra. O valor mais aceito hoje em dia para o albedo da Terra é
0,39, mas como estamos fazendo um cálculo simplificado considerando apenas a su-
perfície da Terra sem nuvens, vamos adotar o valor 0,3.
Isolando-se agora a temperatura na equação acima:

T 4 (1 - A) F
4v
e, substituindo os valores:

T = 4 (1 - 0, 3) 1370 = 255K
4 (5, 67x10- 8
Na escala Celsius, essa temperatura corresponde a 255-273=-18°C. Ou seja, a
temperatura média da Terra seria de 18 graus Celsius negativos.
Contudo, esse valor não corresponde à realidade. Medidas realizadas em estações
meteorológicas espalhadas pela superfície da Terra levam ao valor de 14°C, nos dias
de hoje. Esse valor inclui a temperatura média anual de pontos localizados no equador
bem como pontos próximos aos polos, levando-se em conta também todas as estações.
Entre -18°C e 14°C tem-se uma diferença de 32°C. Essa diferença se deve ao assim
chamado Efeito Estufa.
O termo vem do princípio de funcionali- Ondas
longas
dade das estufas utilizadas no cultivo de algu- Ondas
mas espécies de plantas, que, geralmente, são curtas

feitas de vidro ou plástico transparente. Esses


materiais são, obviamente, transparentes, mas raios
infravermelho
ser “transparente” significa apenas que a radiação,
na faixa da luz visível, os atravessa com certa facili-
dade. Contudo, isso não se dá com a radiação na fai-
xa do infravermelho, que se situa entre 0,75 e 1000
µm (lembrar que 1 µm – 1 mícron – correspon-
de a 1x10-6 metros). Os materiais “transpa-
rentes” são, em geral, parcialmente “opacos”
para a radiação infravermelha. Numa estufa
(ver figura), as paredes e teto transparentes
permitem a passagem da radiação solar, que
incide no solo e outros objetos situados no
seu interior, os quais se aquecem e emitem
radiação infravermelha. Esta, por sua vez,
não atravessa integralmente as paredes e
teto. A retenção da radiação faz com que
a temperatura no interior da estufa se ele-
Ondas curtas
ve, ficando maior que no meio externo. O aquecem o chão
Ar aquecido
mesmo acontece quando deixamos o carro sobe na estufa

estacionado exposto ao Sol, por exemplo, e


Desenho esquemático representando o efeito estufa. Figura: Jacob
Zugman e Carlos Alberto Martins - wqestufa.vilabol.uol.com.br.

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com a atmosfera da Terra.
A atmosfera contém gases que também
absorvem parcialmente a radiação infraver-
melha: Trata-se dos assim chamados gases de
efeito estufa, que são substâncias cujas molé-
culas têm mais que dois átomos (gases dia-
tômicos, como o oxigênio, O2, e o nitrogênio,
Comparação entre a aparência da Terra na faixa do visível (es- N2, não realizam efeito estufa).
querda), onde África e Península Arábica são observáveis e na A principal substância gasosa presen-
faixa do infravermelho (direita). Note que nesse último caso a
Terra parece ter uma atmosfera espessa não permitindo a visão te na atmosfera que realiza efeito estufa é o
de sua superfície. Fotos: NASA. vapor d’água. A água, como as outras subs-
tâncias de efeito estufa, absorve a radiação
infravermelha aumentando sua vibração molecular. Tal absorção faz com que nem toda
a quantidade de energia, emitida pela superfície da Terra, retorne ao espaço, acumulan-
do energia na atmosfera e contribuindo, dessa forma, para uma adição na temperatura
média da Terra em torno de 30°C. Assim, o efeito estufa é um fenômeno benéfico para
a vida no planeta, uma vez que, se não existisse, a temperatura média estaria em torno
de 18°C negativos, ou seja, abaixo do ponto de congelamento da água, condição essa
que tornaria a existência da vida – pelo menos nos continentes – implausível.
O papel do efeito estufa pode ser “visualizado” comparando-se a aparência da
Terra na região visível do espectro eletromagnético (ou seja, da forma que a Terra pode
ser vista do espaço) e a aparência registrada por satélites equipados com detectores de
radiação infravermelha.
Outro conhecimento importante diz respeito aos espectros de emissão de radiação
do Sol e da Terra.

Espectros de emissão de radiação eletromagnética, em função do comprimento de onda, do Sol (esquer-


da) e da Terra (direita). Figuras: (esquerda) Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); (direita)
lasp.colorado.edu - laboratory of astrophysics and space physics.

86  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Embora o Sol seja brilhante, ele é conhecido como um exemplo de algo denomi-
nado corpo negro que, por definição, trata-se de um objeto que apenas emite e/ou absor-
ve energia, ou seja, nada reflete. Uma característica fundamental de um corpo negro
é o seu espectro de emissão, que tem o mesmo perfil do referente ao Sol, parecendo
uma montanha com superfície lisa inclinada para a esquerda (ver figura). Portanto, o
espectro apresenta um máximo que, no caso do Sol, coincide com um valor próximo de
0,5 µm (ou 500 nm). Esse máximo coincide mais ou menos com a cor predominante do
objeto. 0,5 µm está próximo ao comprimento de onda relativo à cor amarela, predomi-
nante na aparência do Sol. Existe uma relação entre o valor do comprimento de onda
relativo ao máximo do espectro (λmax) e a temperatura do corpo, conhecida por Lei de
Wien, que aproximadamente pode ser expressa por:

m max (nm) = 2900nm


T
expressando-se λmax em microns.
Note que a temperatura é inversamente proporcional a λmax, significando que,
quanto maior a temperatura do corpo, menor λmax. Essa relação descreve diversos fenô-
menos observados há séculos, como por exemplo a aparência do ferro numa fundição.
À temperatura ambiente, o ferro, da mesma forma que outros sólidos, emite radiação
no infravermelho (λ> 0,75 µm), contudo, à medida em que é aquecido numa fornalha,
de acordo com a Lei de Wien, o comprimento de onda de emissão predominante di-
minui. Como a faixa do visível corresponde a comprimentos de onda menores que a
infravermelha, com o aquecimento, o ferro passa a emitir radiação visível (para que seja
possível ver a olho nu a radiação emitida pelo ferro não é estritamente necessário que
λmax esteja no visível, mas que uma parte do espectro atinja essa região do espectro ele-
tromagnético). Se o aquecimento continuar, a cor muda: primeiro, ele passa a “brilhar”
na cor vermelha, depois alaranjado, amarela e azul, conforme λmax for diminuindo.
Nas siderúrgicas, para se medir a temperatura do ferro em fundição, já que não
se pode utilizar um termômetro de coluna de mercúrio, por razões óbvias, utiliza-se
aparelhos que medem o comprimento de onda da radiação emitida.
Pode-se estimar, também, a temperatura na superfície do Sol utilizando a Lei de
Wien. Como λmax no caso do Sol é aproximadamente 0,5, a temperatura será:

T = 2900 = 5800K
0, 5
Então, sabe-se que a temperatura na superfície do Sol é superior a 5000°C.
Ao contrário do espectro de emissão do Sol, o da Terra não apresenta um con-
torno suave (ver figura). Note como a linha o representando no gráfico é entrecortada
em quase toda a sua extensão. Tais entrecortes são provocados pela presença de vapor
d’água na atmosfera. Conforme já mencionado, a molécula de água é constituída de
um átomo de oxigênio e dois de hidrogênio dispostos num ângulo de 104°. Esse tipo
de estrutura faz com que a molécula possa vibrar de muitos modos diferentes, cada
modo de vibração corresponde a um conjunto de comprimentos de onda, cuja radiação

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  87


a molécula pode emitir ou absorver. Imagine três esferas conectadas por duas molas,
formando um ângulo de 104° totalmente livres para vibrar.
Imagine quantos movimentos diferentes são possíveis para cada esfera. Embora
seja apenas uma analogia concreta, essa comparação ajuda-nos a compreender que a
molécula pode absorver radiação em muitos comprimentos de onda diferentes, daí o
aspecto entrecortado do espectro.
Note também que a faixa de comprimentos de onda do espectro da Terra corres-
ponde a valores superiores aos do Sol, sendo que λmax para a Terra está em torno de
20 µm, na faixa do infravermelho, o que é coerente com a Lei de Wien, dado que a
temperatura superficial da Terra é inferior à do Sol.
Como, então, a água presente na atmosfera absorve radiação infravermelha, ela
realiza efeito estufa, impedindo que toda a radiação emitida pela superfície da Terra se
dissipe através do espaço.
O espectro de emissão é uma espécie de impressão digital do planeta. Através
dele, pode-se inferir quais serão os gases presentes na atmosfera do planeta. Note que
não é necessário se deslocar ao planeta para fazer essa análise, basta detectar a sua
radiação que chega à Terra. Assim, podemos saber, por exemplo, que não há água na
atmosfera de Marte, pois o seu
espectro não é tão entrecortado
quanto o da Terra.
Outro detalhe importan-
te no espectro de emissão da
Terra é as “falhas” existentes
em torno de 10 e 15 µm, que se
deve à presença, na atmosfera
de ozônio (O3) e gás carbônico
(CO2), respectivamente. Note
que, no gráfico, a curva expe-
rimenta uma “depressão” nas
proximidades desses dois valo-
res. Tal depressão corresponde
a uma faixa do espectro que a
Terra emite menos radiação do
que seria esperado se o efeito
estufa não existisse. Ao con-
trário da água, as moléculas de
Espectro de emissão de radiação de Marte (Mars) comparado com ozônio e gás carbônico apresen-
o da Terra (Erde). Figura original em alemão. www.john-daly.com.
tam poucos modos de vibração.
Isso se deve ao fato de que as moléculas de gás carbônico são lineares (os átomos de
oxigênio estão diametralmente opostos em relação ao átomo de carbono, que ocupa o
centro) e de que, nas moléculas de ozônio, os três átomos de oxigênio possuem a mes-
ma massa, o que limita o número de diferentes modos de vibração (trata-se, digamos,
de uma molécula “mais equilibrada”).

88  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


A contribuição do gás carbônico para o efeito estufa é particularmente importante
uma vez que sua concentração na atmosfera vem aumentando progressivamente, prin-
cipalmente após a revolução industrial. A contribuição desse gás no efeito total pode
ser estimada dividindo-se a área da depressão do gráfico situada em torno de 15 µm
em relação à área total sob a curva do espectro. Contudo, o tema referente ao aumento
do efeito estufa e o quadro das mudanças climáticas globais será abordado em outro
fascículo.

P e s q u i s a s o b r e e s pec t r ô m e t r o s
(princípio de funcionamento)
http://www.las.inpe.br/~cesar/Infrared/detectores.htm

At i v i d a d e s

1. Observe a chama de uma vela. Faça uma descrição da distribuição espacial de


cores da chama indicando os locais onde a temperatura é maior e menor.
2. Pelo espectro de emissão de Marte é possível afirmar que não há quantidade
significativa de oxigênio em sua atmosfera. De que forma é possível concluir
isso?
3. Acesse a seguinte página da internet: http://www.las.inpe.br/~cesar/Infra-
red/detectores.htm
Após ler o conteúdo, elabore um pequeno texto explicando como funciona um espec-
trômetro.
4. Calcule o fluxo de energia emitida por um corpo numa temperatura de 1000
K e uma emissividade de 0,5.
5. Qual será o comprimento de onda emitido predominantemente por esse cor-
po? Esse comprimento de onda corresponde a que faixa do espectro eletro-
magnético?

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  89


Escalas d e t e m pe r at u r a

No Brasil, as medidas de temperatura são comumente expressas na escala


Celsius (°C) – também denominada centígrada – cujo nome foi dado em homena-
gem ao astrônomo sueco Anders Celsius (1701-1744). Quando dizemos que nossa
temperatura interna é 36 graus, estamos utilizando essa escala. Tal escala estabe-
lece como critério o valor zero para o ponto de fusão do gelo, isto é, a temperatura
em que o gelo se transforma em água à pressão de 1 atm. Também se baseia na
adoção do valor 100 (daí o nome centígrado) para o ponto de vaporização da água
(a 1 atm).
Contudo, nas leis da ciência e nas equações matemáticas que as expressam, a
temperatura é dada na escala absoluta, ou Kelvin (K). A diferença fundamental com
relação à escala Celsius, é que, na Kelvin, já que existe uma relação proporcional
entre a temperatura e a quantidade de energia presente num sistema, o valor zero
é considerado como a condição em que a energia interna de um sistema é pratica-
mente nula. Tal valor corresponde a 273,16 graus negativos na escala Celsius.
Assim sendo, nunca se espera que a temperatura de qualquer sistema seja
inferior a 273,16 graus Celsius negativos. Mesmo no espaço profundo, longe de
qualquer estrela (ver fascículo Origem do Universo), a temperatura é aproximada-
mente igual a 3K (ou -270°C), devido à radiação de fundo.
Matematicamente, a relação entre a temperatura em graus Celsius e Kelvin
pode ser dada por:

T (K) = T (oC) = 273, 16


ou com uma maior aproximação:

T (K) = T (oC) + 273

Camadas d a at m o s f e r a

Devido a algumas características diferenciadas da atmosfera em diferentes altitu-


des, tradicionalmente ela é subdividida em camadas. No fascículo Sistema Solar foi fei-
ta uma pequena introdução ao assunto, com uma breve descrição das camadas. Agora
serão descritos alguns processos que ocorrem nessas camadas.
Não há uma divisão exata, no sentido de que cada camada se inicia e termine
numa altitude muito bem definida. O conceito de camadas da atmosfera deve ser en-
tendido como uma referência qualitativa para as diferenças nas dinâmicas dos processos
que ocorrem em altitudes distintas. Contudo, um bom caminho para se compreender
o porquê de tal diferenciação, é a observação do perfil da temperatura da atmosfera ao
longo da altitude.
Conforme já mencionado, devido ao fato do Sol aquecer a superfície da Terra e
o calor fluir de baixo para cima, a temperatura decresce para altitudes cada vez maio-

90  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Termosfera
100
res. Contudo, esse comportamento somente se
verifica até uma altitude de aproximadamente 20
km – altitude conhecida por tropopausa, onde a Mesopausa
temperatura é cerca de 50°C negativos. A camada 80
da atmosfera situada abaixo de 20 km é chamada

Altitude (km)
troposfera. Acima de 20 km, se encontra a estra-
tosfera, onde a temperatura cresce com a altitude. Mesosfera
60
O limite superior da estratosfera é a estratopausa,
situada a cerca de 50 km, onde a temperatura é
aproximadamente igual a 0°C. Acima da estrato-
Estratopausa
pausa está a mesosfera, onde a temperatura decres-
40
ce com a altitude, até aproximadamente 90 km,
onde se situa a mesopausa, com uma temperatura Estratosfera
em torno de 100°C negativos. Finalmente, acima
da mesopausa está a termosfera, com um perfil de 20
temperatura novamente crescente com a altitude. Tropopausa
Deve-se entender, entretanto, que os valores
Troposfera
de temperatura ao longo da altitude variam com
a hora do dia, estação do ano, posição geográfica 0
e fenômenos atmosféricos. É importante também -123 -73 -23 27
levar-se em conta que, na termosfera, o conceito Temperatura ( C)o

de temperatura é um tanto abstrato, uma vez que


Temperatura média da atmosfera em função da altitude.
esse conceito está voltado a descrever o estado Figura: Gave - Banco de Itens, Ministério de Educação de
térmico de uma porção macroscópica de matéria, Portugal - bi.gave.min-edu.pt.
contendo um número muito grande de moléculas. Na termosfera, o número de molé-
culas de ar já é bastante reduzido. Assim os valores de temperatura atribuídos à ter-
mosfera podem não condizer exatamente com a sensação térmica que experimentaria
uma pessoa que lá estivesse, mas dizem mais respeito à concentração de energia de uma
parcela de ar.
De um modo geral, o perfil complexo da temperatura descrito acima advém de
processos de transferência de energia envolvendo diferentes substâncias que se concen-
tram predominantemente em diferentes altitudes. Devido à gravidade da Terra, qual-
quer substância tende a se concentrar mais nas proximidades da sua superfície, o que
quer dizer que à medida que se aumenta a altitude, a concentração de gases é cada vez
maior. Contudo, a atmosfera é constituída por gases cujas moléculas possuem massas
diferentes. Assim, a tendência é que os de maior massa se concentrem, numa pequena
proporção, mais nas proximidades da superfície, “empurrando” parcialmente os de me-
nor massa para maiores altitudes. Além desse fator, existe outro que muda mais signi-
ficativamente a distribuição de gases ao longo da altitude: a radiação ultravioleta vinda
do Sol quebra moléculas de alguns gases presentes na atmosfera, os quais, por meio de
reações químicas, se transformam em outros gases. Isso ocorre principalmente com o
ozônio (O3) presente no ar. Note que, se observarmos o espectro de emissão do Sol,
constataremos que há emissão na faixa do espectro eletromagnético correspondente a

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  91


comprimentos de onda menores que 0,3 µm, que corresponde à radiação ultravioleta.
Nas proximidades da estratopausa é onde se concentra predominantemente as
moléculas de ozônio. A incidência de radiação ultravioleta faz com que ocorra uma
série complexa de reações envolvendo o oxigênio (O2) e o ozônio (O3), que, de modo
simplificado, podem ser representadas por:

(1) O2 + radiação UV → O + O
(2) O3 + O + M → O2 + M
(3) O3 + O2 + M → O3 + M
(4) O + O3 → 2O2
(5) O3 + radiação UV → O2 + O

Tal conjunto de reações faz com que exista uma dinâmica de criação e destruição
de moléculas de ozônio, que se concentram na estratopausa por uma combinação de
fatores: massa das moléculas de O3, quantidade de radiação ultravioleta, velocidade das
reações expostas acima, etc.
Uma leitura dessas reações pode levar a uma melhor compreensão dos processos
envolvidos: Na reação (1), a radiação ultravioleta dissocia moléculas de oxigênio (é claro
que isso ocorre com uma fração pequena do número total de O2 presente na atmos-
fera), transformando-a em dois átomos separados. Em (2), moléculas de ozônio (O3)
já presentes no ar, reagem com átomos de oxigênio dissociados, na presença de outras
moléculas (M), que são necessárias para que a reação ocorra, produzindo novas molé-
culas de O2. Em (3), moléculas de ozônio e oxigênio reagem, também na presença de
outras moléculas, produzindo novas moléculas de ozônio. Em (4), átomos dissociados
de oxigênio reagem com ozônio, produzindo moléculas de oxigênio. Finalmente, em
(5), a radiação ultravioleta dissocia moléculas de ozônio em moléculas e átomos disso-
ciados de oxigênio.
Essa última reação é bastante importante, uma vez que a fotodissociação das mo-
léculas de ozônio acaba consumindo significativamente a quantidade de radiação ul-
travioleta que atravessa a atmosfera, minimizando a incidência desse tipo de radiação
na superfície da Terra. Como a radiação ultravioleta pode provocar o câncer de pele, a
manutenção da quantidade de ozônio é uma questão importante para a saúde pública.
A emissão de gases CFCs na atmosfera, tem provocado a diminuição das concentra-
ções de ozônio na atmosfera, formando uma região particularmente tênue em termos
de concentração de ozônio sobre a Antártida (“buraco” da camada de ozônio). Contu-
do, esse tema será tratado em outro fascículo.
É importante compreender que efeito estufa e o papel da camada de ozônio são
fenômenos distintos. O efeito estufa envolve o papel o gás carbônico (CO2), além de
outras substâncias, na absorção de radiação infravermelha, contribuindo para a eleva-
ção da temperatura média da troposfera. A camada de ozônio (O3) absorve a radiação
ultravioleta, protegendo parcialmente a superfície da Terra da incidência desse tipo de
radiação.
O efeito estufa natural e a fotodissociação das moléculas de ozônio são os prin-

92  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


cipais fenômenos responsáveis pelo perfil da temperatura da atmosfera ao longo da
altitude. O efeito estufa é mais intenso na troposfera que na estratosfera. A retenção do
calor vindo da superfície da Terra, proporcionada pelos gases de efeito estufa, impede
parcialmente que calor chegue na estratosfera, o que desempenha um efeito líquido de
resfriamento. Por outro lado, a fotodissociação do ozônio gera calor, contribuindo com
um efeito de aquecimento. Na estratopausa, esse efeito é dominante, o que resulta no
fato de que a temperatura nessa altitude (próxima de 50 km) seja
mais alta que a esperada se esse fenômeno não existisse. Isso faz
com que, na estratosfera, a temperatura seja crescente com relação At i v i d a d e
à altitude, voltando a ser decrescente na mesosfera.
Na termosfera, a temperatura é crescente com a altitude. Isso Produza um texto des-
se deve ao fato de que o fator dominante na partição de energia crevendo os fenômenos rela-
nessa camada é a própria radiação solar incidente. Nessa região, cionados ao efeito estufa e ao
a temperatura é um reflexo direto da concentração de energia em buraco na camada de ozônio,
cada porção de ar, assim a temperatura deve ser maior para maiores bem como suas consequências.
altitudes, ou seja, quanto mais “próximo” do Sol. É lógico concluir, Destaque as diferenças entre os
então, que o perfil da temperatura na termosfera deve ser significa- dois fenômenos.
tivamente diferente à noite.

Por q u e o c é u é a z u l?

Todas as pessoas sabem que, durante o dia, a cor predominante do céu é o azul.
Como isso é possível se a cor predominante da radiação emitida pelo Sol é a amare-
la? A cor azulada do céu deve-se ao fenômeno da dispersão da radiação. Dispersão
é o termo que designa a alteração da trajetória da luz ou de qualquer tipo de radia-
ção devido à interação com a matéria. No caso da atmosfera, essa interação se dá
com as moléculas do ar. Dependendo do diâmetro dessas moléculas, a dispersão da
luz é maior para determinados comprimentos de onda. As faixas do espectro visível
com menor comprimento de onda se desviam mais ao interagir com as moléculas
de ar. Esse é um comportamento genérico da radiação visível e pode ser obser-
vado experimentalmente utilizando um prisma (um objeto transparente na forma
de cunha) – ver figura. Devido a esse fenômeno, a luz visível, para um observador
inserido na atmosfera, chega de todas as direções, enquanto que as outras cores –
principalmente o amarelo, incidem com menor desvio, ou seja,
na direção em que se encontra o Sol. Assim, somente veremos o
amarelo, durante o dia, olhando diretamente para o Sol.
Durante o pôr–do–Sol, o céu assume uma aparência ala-
ranjada. Isso se deve ao fato de que a radiação solar tem que
atravessar uma camada maior de atmosfera, então, a dispersão
maior do azul faz com que essa cor seja absorvida na sua maior
parte antes de chegar até o observador, restando apenas as cores
de maior comprimento de onda, próximas ao vermelho.

Dispersão da luz por um prisma. Note que a radiação azul sofre


um desvio maior que a vermelha.
Foto: University of Tennessee - http://electron9.phys.utk.edu.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  93


Nuvens

Ao olharmos para o céu podemos ver nuvens de diversos formatos, sendo comum
a brincadeira de encontrar formas de objetos conhecidos. A ciência, contudo, classifica
as nuvens segundo critérios baseados na dinâmica com que são formadas, altitudes
típicas em que se encontram, além de características visuais. Dependendo dessas ca-
racterísticas, as nuvens recebem diferentes denominações.
As nuvens são classificadas da seguinte forma:
• Stratus: São nuvens baixas (até 1000 m). Em geral abrangem uma área
grande quando comparada com a sua espessura. Normalmente têm colo-
ração acinzentada e são responsáveis por chuvas fracas (ou garoas). Podem
se apresentar como nevoeiro quando atingem o solo.
• Nimbostratus: São maiores, mais escuras e espessas que as stratus. São
responsáveis por chuvas contínuas de longa duração. Situam-se em altitu-
des de até 2000 m.
• Stratocumulus: São arredondadas, brancas ou cinzentas, e associadas a
chuvas fracas.
• Cumulus: Têm aparência semelhante às stratocumulus, mas são menores.
Têm aparência de chumaços de algodão.
• Cumuluninbus: São nuvens que podem se desenvolver até grandes alti-
tudes (superiores a 20 km), em forma de bigorna, e que estão associadas a
chuvas densas e trovoadas.

Cirrostratus Núvens altas

Cirrocumulus
Cirrus

(Auréola ao redor do Sol)


7000 m

Altocumulus

Altocumulus
(Sol parcialmente visível)

Núvens medianas Cumulonimbus


2000 m
Nimbostratus

Núvens baixas

Stratus Stratocumulus Cumulus


Precipitação Constante Pancadas de chuva

Tipos de nuvens, de acordo com sua altitude.


94  | Ciências Naturais e Matemática | UAB Imagem: Thomson Higher Education (traduzido).
• A ltostratus: São nuvens esparsas, formadas por cristais de gelo, que se
situam a uma altitude de aproximadamente 5000 metros.
• A ltocumulus: Refere-se a conjuntos de nuvens pequenas e arredondadas,
que podem dar ao céu um aspecto de um rebanho de carneiros, situando-
se a uma altitude semelhante às altostratus.
• Cirrostratus: Têm aparência contínua de um lençol esbranquiçado fino
que, por vezes, pode cobrir grandes extensões do céu.
• Cirrocumulus: Da mesma forma que as altocumulus, as cirrocumulus se
constituem em conjuntos de blocos de nuvens, contudo, menores e numa
altitude maior (superior a 6000 metros).
• Cirrus: SÃO NUVENS Muito altas (8000 metros), finas, formadas por
cristais de gelo, com aparência de cabelos brancos.
Conforme é bem conhecido, as nuvens se formam a partir da evaporação da água
contida na superfície da Terra, contudo, as nuvens não são predominantemente consti-
tuídas de água na forma de vapor, mas na forma líquida e mesmo sólida (gelo), uma vez
que é baixa a temperatura da atmosfera nas altitudes típicas de nuvens. Uma vez que as
moléculas de água são eletricamente polares, elas são capazes de se atraírem, formando
gotículas ou mesmo pequeninos flocos de neve. Em outras palavras, as cargas elétricas
positivas e negativas constituídas pelos núcleos (positivos) e elétrons (negativos) das
moléculas não estão distribuídas uniformemente, o que faz com que cada molécula
possua uma extremidade com uma carga negativa maior e a outra extremidade com
uma maior carga positiva. Isso faz com que as moléculas possam “grudar” umas nas
outras. Desta forma, uma nuvem é constituída por pequenas gotículas (que dão a uma
nuvem um aspecto acinzentado) ou flocos de neve (aspecto branco). Contudo, o vento e
a turbulência do ar fazem com que tais gotículas/flocos não sejam grandes o suficiente
para precipitarem em direção ao solo.
Como as moléculas dos gases que constituem o ar têm energia e estão em mo-
vimento, elas se chocam contra qualquer corpúsculo que esteja em suspensão no ar,
fazendo com que ele não se precipite imediatamente em direção ao solo, por efeito da
gravidade, e também com que o tempo que permanece em suspensão seja inversamente
proporcional à sua massa, ou tamanho. Assim, corpúsculos tão pequenos quanto um
micrômetro (1 µm = 10-6 m), ou menores, podem permanecer longos períodos de tem-
po em suspensão no ar. Os corpúsculos que têm essas propriedades são denominados
aerossóis.
Há diversos tipos de aerossóis, como os corpúsculos constituintes da fumaça e da
poluição industrial; partículas de sais, matéria orgânica exalada pela vegetação, poeira
e as próprias gotículas de água em suspensão.
Existe uma importante relação entre os aerossóis e a chuva. A precipitação (ou
mesmo nevasca) somente é possível se as gotículas de água (ou flocos de neve) se aglo-
merarem, formando um conjunto cuja massa seja suficientemente grande para preci-
pitar. Os aerossóis desempenham o papel de núcleos de aglutinação cujo resultado é a
formação de uma gota, ou granizo ou um floco de neve, que constitui a chuva ou a
nevasca. Contudo, não é qualquer tipo de aerossol que pode desempenhar esse papel.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  95


Normalmente, os aerossóis emitidos pelas árvores se constituem em bons núcleos de
aglutinação, contribuindo para que, por exemplo, as chuvas sejam intensas sobre as
florestas tropicais. Outros tipos de aerossóis têm um papel inverso: o de inibir chuvas.
É o caso, por exemplo, dos aerossóis constituintes das queimadas.
Outro papel importante das nuvens tem aspecto radiativo, ou seja,
At i v i d a d e nuvens brancas refletem a luz do Sol e nuvens escuras absorvem radia-
Descreva o que pode ção solar, transformando em calor. Isso faz com que, dependendo das
ocorrer com a intensidade circunstâncias, as nuvens têm papel de aquecer ou esfriar uma deter-
de chuvas na região amazô- minada porção de ar. A contribuição das nuvens no balanço global de
nica com o desmatamento e energia da Terra ainda não é bem conhecida, contudo, levando-se em
intensificação do número de conta que as nuvens mais altas sejam de aparência esbranquiçada e que,
queimadas, explicitando os vista do espaço, a Terra apresenta uma cobertura de nuvens relativa-
processos que influenciam o mente clara, há que se concluir que, de um modo geral, as nuvens de-
índice pluviométrico. vem ter um papel relevante em tornar a temperatura global na superfície
do planeta mais fria do que em condições onde não houvesse nuvens.

Fe n ô m e n os at m o s f é r i c o s

A atmosfera da Terra não é estática. Uma série de fenômenos dinâmicos se pro-


cessam concomitantemente, fazendo com que o ar esteja permanentemente em movi-
mento. Cada um desses fenômenos possui características próprias, com agentes dife-
renciados. Nesta seção, alguns dos principais serão brevemente descritos.
Na tabela de calores específicos exposta na seção “partição de energia na atmos-
fera”, pode ser verificado que diferentes materiais possuem diferentes capacidades de
absorver e emitir energia. Conforme já foi comentado, a água possui alta capacidade
calorífica, o que significa que ele se aquece e resfria mais lentamente que outros ma-
teriais, em particular o próprio solo. Isso faz com que a água do mar e de lagos esteja
mais quente, no início da noite, que o solo e, no início do dia, mais fria. A troca de
calor entre água/ar e solo/ar faz com que o ar sobre a água também esteja mais quente
que o ar sobre o solo no início da noite. Isso provoca uma corrente de ar ascendente
sobre a água, formando uma zona de baixa pressão. Já sobre a terra (mais fria) forma-

ar frio ar quente ar quente ar frio

brisa brisa

pressão alta pressão baixa pressão baixa pressão alta

oceano terra oceano terra

Deslocamento de ar oceano/terra (brisa). Imagem: Wikipédia.


96  | Ciências Naturais e Matemática | UAB
-se uma corrente descendente de ar, con-
comitantemente com uma zona de alta
pressão. Consequentemente, haverá nes-
se horário um deslocamento de ar, vinda
da terra para a água, constituindo o que
normalmente é chamado de brisa.
Esse é um exemplo típico de que a
pressão e temperatura da atmosfera da
Terra não são uniformes. Como a Terra
possui um movimento de rotação, algu-
mas zonas de maior e menor pressão se
alternam num ciclo de 24 horas. Já outras
dependem da latitude, uma vez que a in-
cidência da radiação solar é mais direta
nas regiões do equador que nos pólos.
A rotação da Terra também pro- Ciclone Catarina – 27 de março de 2004.
Foto: Wikipédia.
voca um fenômeno denominado Efeito
Coriolis, em homenagem a Gaspard-Gustave Co-
riolis (1792-1843), o qual descobriu que este mo-
vimento influencia a direção do deslocamento do
ar. Devido a esse efeito, os furacões no hemisfério
norte tendem a rotacionar no sentido anti-horário,
quando vistos de fora da Terra, enquanto que os
ciclones no hemisfério sul tendem a girar no senti-
do horário. Isso pode ser compreendido intuitiva-
mente imaginando o que acontece com uma subs-
tância gasosa (ou seja, mais ou menos livre para se
mover) sobre uma esfera girante.
A geração de furacões e ciclones na atmosfera
é um processo que advém de um valor de energia
relativamente grande presente numa certa quan-
tidade de ar. Quando essa energia ultrapassa cer-
to valor limite, parte desse valor é convertido em
energia cinética das moléculas de ar, formando o
furacão. Isso em geral acontece quando a superfície
(do solo ou do mar) se encontra numa significativa
diferença de temperatura em relação à troposfera
como um todo. Nessas condições, comumente há
forte deslocamento de ar ascendente, o que provo-
ca uma movimentação intensa de ar, originando o Furacão Katrina – 29 de agosto de 2005.
Foto: Wikipédia.
fenômeno.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  97


Os furacões e ciclones
podem atingir um diâmetro
de alguns milhares de quilô-
metros (ver figuras), durando
cerca de 3 a 5 dias para se dis-
sipar. Durante esse período,
eles podem se deslocar mi-
lhares de quilômetros quase
que invariavelmente de leste
para oeste, devido à rotação
da Terra. Normalmente tais
fenômenos são originados so-
bre a água do mar. Próximo à
Tornado categoria F3 fotografado em Dakota do Sul, EUA. superfície, eles se manifestam
Foto: Carsten Peter, National Geographic na forma de tempestades e
ventos superiores a 100 km/h.
Outra classe de fenômenos semelhante é a dos tornados. Normalmente represen-
tam tempestades de menor extensão geográfica, mas de alta intensidade, manifestan-
do-se, próximo da superfície, na forma típica de um cone. Provocam danos localizados,
mas intensos.
Danos provocados por fenômenos atmosféricos não são significativos apenas
quando a atmosfera se torna turbulenta e com ventos fortes. Em determinadas cir-
cunstâncias pode ocorrer o contrário, ou seja, a atmosfera se tornar, localmente, ex-
tremamente estática. É o caso, por exemplo, das inversões térmicas. Normalmente,
na troposfera, a temperatura diminui com a altitude, numa proporção de 6 a 10 graus
por quilômetro. Isso gera correntes ascendentes típicas que têm um importante papel
na dispersão de poluentes. Contudo, sob certas condições, o gradiente de temperatura
pode se inverter. Isso pode ocorrer, por exemplo, nas grandes cidades, onde na super-
fície existe uma grande quantidade de construções (concreto, cimento, tijolos). Tais
materiais têm baixa capacidade calorífica, o que significa que se resfriam muito rápido
no início da noite. Como a dispersão de calor através do ar pode não se dar de forma
tão rápida quanto o resfriamento do concreto, forma-se uma camada de ar próxima da
superfície mais fria que para altitudes acima de 1 km, ou ainda menores. Nessas con-
dições, cessam-se as correntes ascendentes e a dispersão de poluentes, constituindo um
problema para a saúde pública.

98  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Circul aç ão g e r a l d a at m o s f e r a

Outro resultado do efeito Coriolis é que a di-


reção predominante dos ventos depende da latitude.
Estudos em laboratório demonstraram que, em ga-
ses contidos em recipientes em rotação, há o apare-
cimento de “células” girantes, ou seja, é estabelecida
uma dinâmica em que partes do gás rotacionam em
sentidos diferentes. O número de células depende
da velocidade de rotação, da temperatura (energia) e
das características do gás. Na atmosfera da Terra, de-
vido a sua velocidade de rotação, incidência de radiação
solar e efeito Coriolis, existem três células principais em Desenho esquemático
cada hemisfério (embora outras células menores não permanen- mostrando as princi-
pais células de rota-
tes apareçam frequentemente dependendo das condições ambientais): as células Polar, ção da atmosfera. O
a de Ferrel e a de Hadley (ver figura). A primeira, como o nome já sugere, existe na tamanho das células
foi exagerado para
região polar, a última na região equatorial e a segunda em latitudes intermediárias. O permitir a visualização.
sentido de rotação das células faz com que, próximo à superfície, o vento predominante Na verdade, elas são
extremamente finas,
se desloque, no hemisfério sul, para o norte na região polar, para o sul na região inter- situadas no interior da
mediária e para o norte na região tropical. fina camada atmosféri-
ca que envolve a Terra.
Além de serem influenciados pelas células Polar, de Ferrel e Hadley, os ventos Fonte: Wikipedia.
atmosféricos predominantes são influenciados diretamente pela força de Coriolis, que
é tão mais intensa quanto mais próxima dos polos, fa-
zendo com que as correntes predominantes de
ar nas proximidades da superfície tenham
uma forma sinuosa, tal qual represen-
tada na figura.
Tal perfil do vento influencia
o clima e a cobertura de nuvens,
cujo formato, sobre o Brasil, tem
um perfil predominante de um
alongamento orientado como
uma faixa que se estende de no-
roeste a sudeste, num formato se-
melhante ao das setas indicadas na
figura (ver imagens de satélite).

Desenho mostrando o perfil dos ventos predominantes sobre a su-


perfície da Terra. Figura: http://oceanmotion.org.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  99


Outros fatores, no entanto, podem in-
fluenciar regionalmente a direção e o sentido
predominantes dos ventos. Na região Centro-
Oeste, por exemplo, que se situa na faixa entre
0 e 30° de latitude sul, os ventos predominantes,
de acordo com a figura, devem ser de sudeste
para noroeste. Contudo, a presença da Flores-
ta Amazônica ao norte influencia significati-
vamente o sentido do deslocamento do vento.
O solo amazônico possui grande quantidade
de água devido ao alto índice pluviométrico
da região e também devido ao grande poder
de retenção de água representado pela rede de
raízes das árvores de grande porte da floresta.
As árvores, além de contribuírem para o alto
índice pluviométrico devido à emissão de aeros-
sóis que constituem núcleos de aglutinação para
a formação de gotas de chuva, liberam para a
atmosfera, por meio do processo de evapotrans-
Imagem de satélite reconstituída da cobertura de nuvens piração, uma grande quantidade de gotículas de
em 26 de abril de 2007 sobre a América do Sul. Imagem de
água que, ao se transformarem em vapor no ar,
satélite: CPTEC/INPE.
absorvem grande quantidade de energia, cons-
tituindo o fluxo de calor latente, que, em condições típicas, resfria o ar a uma taxa média
diária de aproximadamente 100 Joules por segundo por metro quadrado. Esse processo
torna a massa de ar sobre a Amazônia mais fria que a da região do cerrado centro-
oeste, fazendo com que ventos de noroeste para sudeste sejam comuns na região.
Outro fator que influencia globalmente os ventos é o fato de que, da mesma forma
que existem células rotacionais na atmosfera, há regiões com diferentes níveis de pres-
são. A pressão de uma dada região é influencia-
da pela presença de superfície sólida ou presença
dos oceanos, bem como incidência de radiação
solar, presença de vegetação e pelos padrões es-
tabelecidos pela força de Coriolis. Em geral, as
zonas de alta pressão se situam predominante-
mente sobre o mar (cores vermelha e alaranja-
da na figura). Sobre os continentes, regiões de
alta pressão estão associadas com a presença de
desertos, como o deserto do Saara no norte da
África, por exemplo (ver mapa), bem como o
deserto do Gobi no centro da Ásia e sudeste da
Austrália. Deve-se levar em conta que, como os
ventos sopram de regiões de maior para menor
pressão, as chuvas têm dificuldade em chegar a
regiões de alta pressão.

Imagem de satélite reconstituída mostrando a co-


100  | Ciências Naturais e Matemática | UAB bertura de nuvens em 29 de maio de 2009. Imagem de
satélite: bhtempo.blogspot.com.
No Brasil, a aridez do sertão nor-
destino brasileiro também está asso-
ciada à presença de uma região de alta
pressão. Na figura da América do Sul,
nesta seção, há uma série de linhas re-
presentando isobáricas, ou seja, conjun-
to de pontos onde a pressão assume um
mesmo valor. Observe como há uma
zona de alta pressão entre as regiões
nordeste e centro-oeste no dia 14 de
março de 2010. Muito provavelmente,
não houve chuvas nesse local durante Mapa da pressão atmosférica global ao nível do mar no dia 14
de março de 2010. Imagem: Florida State University.
esse dia.

Linhas isobáricas so-


bre a América do Sul.
Notar a região de alta
pressão, 1020 mb, que, em
14/03/2010, se encontrava
entre as regiões nordeste
e centro-oeste. Imagem:
www.findlocalweather.
com

Algumas zonas de alta pressão são relativamente estáveis, outras se deslocam de


lugar até algumas centenas de quilômetros durante o ano e outras, ainda, desaparecem
e dão lugar a zonas de baixa pressão. É o caso, por exemplo, das zonas que dão lugar às
monções, chuvas de alta intensidade que se concentram no verão asiático.

Zonas de alta (H) e baixa (L) pressão na superfície da Terra em janeiro (esquerda) e julho (direita).
Note que, enquanto que as três regiões principais de alta pressão no hemisfério sul conservam suas
posições (embora mudem de tamanho), na parte central da Ásia, há uma zona de alta pressão em janeiro
que é substituída por uma zona de baixa pressão em julho. Imagem: www.andaman.org.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Estudando Sobre a Terra |  101


At i v i d a d e

Produza um texto descrevendo o clima nas diversas regiões brasilei-


ras, bem como os fatores que os influenciam.

102  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


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MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO