Você está na página 1de 2

Futurismo

O primeiro manifesto do movimento foi publicado em 20 de


fevereiro de 1909, assinado por Filippo Tommaso Marinetti (1876-
1944); apresentava como pontos fundamentais a exaltação da vida
moderna, máquina, da eletricidade, do automóvel, da velocidade.
Eis alguns dos principais pontos do manifesto:
“-Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à
temeridade.
-Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e
a revolta.
-Tendo a literatura até aqui enaltecido a mobilidade pensativa, o êxtase e
o sono, nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo
ginástico, o salto perigoso, a bofetada e o soco.
-Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo-, o
militarismo, o patriotismo, o gesto destrutor dos anarquistas, as belas ideias
que matam, e o menosprezo da mulher.
-Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo,
o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias.
Em 1912, surge o Manifesto técnico da literatura futurista, propondo
“destruição da sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem”, o
uso de símbolos matemáticos e musicais e o menosprezo pelo adjetivo,
advérbio e pontuação.
Importante é salientar dois aspectos fundamentais do futurismo: primeiro,
a total identificação entre o movimento e seu líder, a ponto de se tornarem as
palavras Futurismo e Marinetti quase sinônimas; segundo, a adesão de
Marinetti ao fascismo de Mussolini a partir de1919, dadas as evidentes
afinidades ideológicas entre eles. Assim, podemos entender a repugnância dos
principais modernistas brasileiros pelo movimento de Marinetti, apesar de
apresentarem uma série de pontos em comum com seus seguidores;
aceitavam suas ideias artísticas mas repudiavam seu posicionamento do
Futurismo em suas várias viagem à Europa anteriores a 1919, não
relacionando, portanto, o movimento com o fascismo. Por outro lado, a palavra
Futurismo passou a designar qualquer postura inovadora na arte, levando
Oswald a saudar em 1921 o jovem poeta Mário de Andrade com um artigo
intitulado “O meu poeta futurista”. Temendo uma identificação com o fascismo,
Mário de Andrade vem ao público negar, mais do que o movimento futurista, a
figura de seu líder. No prefácio ao livro Paulicéia desvairada, ele afirma:
“Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de
contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista,
errou.”

Interesses relacionados