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Caixa Prática Abelha Jataí

Caixa Prática Abelha Jataí

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APACAME - Mensagem Doce

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CAIXA "PRÁTICA" PARA JATAÍ
João Sobenko, Apicultor, membro do Departamento Técnico da APACAME
A impressão que se tem é de que as nossas abelhas aborígenes, tanto as Trigonas quanto as Meliponas, têm pouco apreço, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Isso talvez por motivo da produção de mel ser pouca, mas também por não existirem caixas práticas para o seu manejo. Essas abelhas pequenas têm também seu valor, já que para algumas plantas elas são as únicas polinizadoras, e como são inofensivas, em suas caixinhas bem pintadas, servem até para enfeitar varandas ou sacadas. Fiz vários tipos de caixas, mas a que as abelhas aceitaram melhor foi esta, cujo desenho está publicado no final da matéria. Este tipo de caixa segue o próprio instinto das jataís, de construir seus potinhos de mel e pólen acima do ninho. Basta observar a sua posição quando se tiram ninhos de árvores, barrancos, muros ou caixas de luz. A posição das melgueiras segue o sistema das Apis, onde podemos aumentar ou diminuir o número delas, conforme a força da família, sem interferir no ninho. As medidas constantes do desenho são internas, porque as caixas devem ser feitas com paredes grossas, cuja espessura deve ser de 2,5 a 3 centímetros, já que essas abelhas sofrem muito com as variações do tempo. Convém pintar cada caixa com cores diferentes, pois as jataís se guiam muito pelas cores. Na parte frontal é aconselhável fazer um desenho abrangendo toda à frente, para facilitar a manutenção das melgueiras sempre na mesma posição. Com os desenhos aqui publicados, torna-se fácil à construção desse tipo de caixas. Se alguém tiver meios e quiser fabricá-las seria muito útil. Aconselha-se fazer a base com madeira pesada para dar boa estabilidade da caixa, como também a tampa com madeira grossa para manter o calor interno.

Extração do Mel
Para extrair o mel começa-se pela melgueira superior. Com um palito de dente abre-se um pequeno furo no potinho; se aparecer mel abre-se mais o buraco, mas se aparecer pólen fecha-se o furinho. Abertos todos os potinhos de mel, pega-se a melgueira e vira-se rapidamente sobre um recipiente coberto com uma tela fina para evitar a entrada de abelhas. Enquanto o mel estiver escorrendo, prepara - se a segunda melgueira, e assim por diante. Aconselha-se não tirar o mel da primeira melgueira, a que fica logo acima do ninho, por dois motivos: o primeiro para não irritar as abelhas expondo o ninho, uma vez que esta melgueira o mantém isolado;o segundo é para deixar para as abelhas um pouco de mel e pólen, pois junto ao ninho não existem esses alimentos, porque as crias não são alimentadas pelas abelhas, como as Apis. O movimento para virar e desvirar as melgueiras deve ser rápido, evitando ao máximo o escorrimento do mel e assim impedir a atração dos Forídeos. Para destacar uma melgueira da outra, pode-se usar o próprio formão do apicultor ou uma faca forte de cozinha. Quanto mais bem assentadas forem as melgueiras, isto é, quanto menos frestas houver entre elas menos grudadas estarão. O mel também pode ser extraído usando-se uma seringa, mas é muito mais demorado, mesmo usandose uma seringa grande. * A APACAME denominou esta caixa "Colméia Sobenko para Jataí". 1 – Base 2 – Plataforma 3 – Ninho 4 – Melgueiras 5 - Tampa

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APACAME - Mensagem Doce Segue Abaixo Desenho da Colméia Desenhos de Anton Kaupa

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COLMÉIA GUILLIANI PARA CRIAÇÃO RACIONAL DE JATAÍ (Tetragonisca angustula) GasparGuilliani1 e Guilherme José de Paiva2 INTRODUÇÃO
Na criação e construção de uma colméia racional, deve-se levar em conta os hábitos e fisiologia das abelhas que irão viver ali. Existem diversos tipos de caixas, ou colméias, desenvolvidas para a criação dessas abelhas, algumas verticais e outras horizontais, que testadas não foram muito bem no local. A necessidade de se criar racionalmente às abelhas sem ferrão Jataí visando a produção de mel na região oeste de Santa Catarina, levou ao desenvolvimento de uma caixa que atende as necessidades das abelhinhas e ao mesmo tempo do meliponicultor. Essa caixa (fig. 1) permite um trabalho rápido sem expor por muito tempo o interior da caixa, não deixando a colméia fragilizada para ataque de inimigos. Observe a simplicidade da construção. Existe uma colméia idealizada a mais de 15 anos por Gaspar Guilliani de Concórdia, Santa Catarina, e por isso recebeu o nome de colméia Guilliani para Jataí.

Fig. 1 - Colméia Guilliani para Jataí.

As Dimensões da Colméia:
Podemos observar as partes da colméia nas figuras 2 e 3, representando a caixa aberta. As medidas de cada parte da caixa podem ser observadas na figura 4 (externa) e 5 (interna). A madeira utilizada para a construção pode ser o pinus ou a araucária, não só pela facilidade de encontrar essas madeiras, como normalmente são mais baratas, podendo ser de outro tipo que exista a disposição na região. Lembrar sempre que a madeira escolhida não deve possuir nenhuma substância agressiva ou tóxica para as abelhas, também não deve ser madeira tratada, que tenha sido usado algum conservante. Deverá ter, no mínimo, 2 pol. de espessura. Fig. 2 - Partes Externas Fig. 3 - Caixa interna ou melgueira

A tampa externa é aparafusada com 4 parafusos nas laterais, que são mais compridas. A parte da frente também é aparafusada com 4 parafusos e é feita desta forma para facilitar a visualização de realeiras na época de divisão de enxame, sendo mais rápida. Para a entrada das pequenas abelhas, é necessário fazer um furo de 1cm de diâmetro na frente da caixa. Esse deverá ficar a 5,0 cm do lado direito e 8,0 cm da parte de baixo, fazendo uma leve inclinação de cima para baixo e de fora para dentro. A tampa interna é feita de eucatex, sendo dividida em duas partes. A parte menor cobre o ninho e a maior cobre a melgueira. Quando se trabalha na melgueira não se expõe o ninho e quando se faz revisão no ninho não é necessário expor a melgueira. A frente da melgueira também é feita de eucatex.

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A tampa do ninho é apoiada sobre duas pequenas barras de madeira e a tampa da melgueira é apoiada diretamente sobre a melgueira. As barras de apoio para a tampa menor fica pregada na parte interna das laterais da caixa, a 0,5 cm da borda superior e a 0,5 cm da frente. Quando se constrói uma colméia, deve-se lembrar que não se deve usar cola, somente pregos. Normalmente as abelhas de qualquer família são sensíveis as substancias químicas. Podem ser pintadas, não só para melhor conservação, como também para melhor estética. Se forem colocadas com relativa proximidade, devem ser pintadas de cores diferentes para facilitar a orientação das campeiras. A pintura deve ser feita só por fora, nunca por dentro da caixa. Após a construção e povoamento da caixa, deve-se coloca-la sobre cavalete para proteger o enxame das formigas e outros predadores rastejantes.

Fig. 4 - Medidas da Parte Externa as medidas são em cm)

Fig. 5 - Medidas da melgueira (todas (todas as medidas são em cm)

Manejo do Ninho:
Para colocar o ninho de Jataí dentro dessa da caixa, primeiro deve-se usar parte do cerume que envolve o ninho para formar uma base para o apoio do mesmo. Esse mesmo cerume para fazer um anel e colocar envolta da entrada, o que facilitará a atração das operárias e a construção de um novo canudo de entrada. Caso não exista o cerume, fazer cilindros de cera de Apis (Apis mellifera) ou abelha comum ,como algumas pessoas dizem, com cerca de 0,5 cm de altura e 0,5 cm de diâmetro, ou então bolinhas de aproximadamente 0,5 cm de diâmetro. Colocar 3 a 4 desses cilindros/bolinhas no fundo, no local reservado para o ninho, e apoiar o ninho sobre eles. Se for feito em épocas de temperatura quente, não será necessário cobrir com lâminas de cera.

Da Melgueira:
Para extrair o mel, basta retirar a melgueira e fechar a caixa. Levar a melgueira para um lugar apropriado, limpo e com telas nas janelas. A tela da janela deverá ter malha grande o suficiente para dar passagem das jataís que saem e que essa malha seja pequena o suficiente para impedir a entrada de Apis. Deixar a melgueira em frente a um ventilador ligado para espantar as operárias e deixar os potes livres. Outro método que pode ser usado é utilizando um vidro transparente com uma tampa com dois furos tendo dois pedaços de mangueira de 3/8 ou ½ encaixados nos furos, conforme figura 6. Por um dos tubos o meliponicultor suga com aboca o ar e pelo outro as operárias são sugadas para dentro do vidro. Para facilitar, pode-se usar um mini aspirador preso em um dos tubos ao invés de usar a boca. Esse material pode ser confeccionado pelo próprio meliponicultor. Depois que as abelhinhas forem embora, fura-se os potes (pode ser com a ponta de um garfo, com palito de dente ou um pedaço de fio de arame de aço inox grosso de comprimento de 25 cm, afiado em uma das pontas) e vira-se a melgueira de cabeça para baixo sobre uma tela bem fina, que servirá de peneira, sobre um vasilhame limpo. Deixa-se escorrer de 40 minutos até 1 hora. Após escorrer o mel limpar as melgueiras com água limpa e com ajuda de algodão, para restos de mel que se encontrem nas paredes da melgueira. Levar a melgueira de volta para a caixa, de modo que as abelhas possam reaproveitar o material. Deve-se tomar cuidado para não deixar a caixa suja de mel, evitando que inimigos das abelhas sejam atraídos, principalmente os forídeos.

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Fig. 6 - Sugador

Observação Final
Até hoje observamos curiosamente que a Jatai não depositam favos de cria na melgueira, somente na área reservada para o ninho. Poderão depositar potes de pólen em pequenas proporções, espalhadas na melgueira, na época de produção, quando estão preparando uma enxameação. Nesse caso o melhor é fazer a divisão de enxame. Caso alguém, em outra região, venha a utilizar esse tipo de caixa e observar comportamentos diferentes da abelha Jataí, por favor entre em contato conosco, em algum dos endereços abaixo. Caso tenha ficado alguma dúvida, também entre em contato conosco. Gaspar Guilliani Rua Paulo Sechi, 425 - Vista Alegre - Concórdia SC - CEP 89.700-000Tel: (049) 442-1811 Guilherme J. de Paiva Caixa Postal 253 - Concórdia- SC - CEP 89.700-000Tel: (049) 444-0513 mailto:%20jpaiva@netcon.com.br 1- Fundador da ARAPI - Associação Regional dos Apicultores em Concórdia, SC Sócio-Proprietário de ApiáriosGuilliani, Palestrante convidado no II CONCA. 2- Zootecnista com especialização em impacto ambiental, Apicultor, Conselheiro financeiro da ARAPI.

MELIPONICULTURA ( Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão)
Espaço destinado a orientá-los, passo a passo, na criação de nossas abelhas nativas, com o intuito de preservá-las e ao mesmo tempo usufruir de suas benesses

Meliponário instalado no Parque da Água Branca Para criar abelhas nativas devemos reservar um local adequado que tenha todos os requisitos necessários para obtermos sucesso. Esta área chamaremos de meliponário. Para mantê-las primeiramente precisamos analisar a existência de floradas (pasto apícola), ou seja, as espécies de flores da região; devemos anotar as épocas em que as floradas acorrem a presença de água potável, evitar correntes de ventos que possam prejudicar o vôo das abelhas. Locais sombreados devem ser preferidos, melhor será se colocarmos as colméias sob arbustos, o que também facilita o trabalho do meliponicultor. Árvores com frutos grandes devem ser evitadas, como por exemplo: manga, abacate, laranja, jaca, cuja queda poderá acarretar danos nas colméias. Na montagem do meliponário devemos obedecer uma distância mínima entre as colméias, ou seja de 1 metro para as abelhas pequenas e 2 metros para as abelhas médias e grandes. Manter o meliponário a uma distância mínima de, pelo menos, 600 metros de apiários de Apis mellifera.

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APACAME - Mensagem Doce 6 Para facilitar o acesso ao meliponário, devemos observar alguns itens: instalar as caixas em locais estratégicos bem próximos das residências, no quintal ou até mesmo nas varandas das casas para evitar roubos; colocar as caixas longe de estradas devido ao excesso de movimento e de poeira, não instalar o meliponário em morros ou montanhas para não desgastar as abelhas, prolongando, assim, seu tempo de vida. Devemos cercar o meliponário. Isso dificultará o ataque de outros animais. Se instalarmos as caixas em cavaletes devemos observar uma altura mínima de 50 cm do chão. O sombreamento do meliponário é importante para manter a temperatura em condições adequadas para evitar o aquecimento excessivo no interior das caixas, as quais não devem ser expostas diretamente aos raios solares. Devemos evitar locais com correntes de ar frio que provoquem o resfriamento das caixas e morte das crias; a água deve ser potável, se possível corrente e bem próximo, e em regiões secas é preciso colocar um bebedouro cuja água deve ser trocada diariamente. Este bebedouro deve conter um pedaço de madeira flutuando para evitar o afogamento das abelhas. A água suja é muito prejudicial. A flora é essencial para o sucesso da criação. Assim deve ser observada a existência de plantas que forneçam pólen (saburá, samorá) e néctar a maior parte do ano. Devemos observar as plantas visitadas pelas abelhas e registrar as épocas das floradas, montando, assim, um calendário regional. Para povoarmos nosso meliponário devemos escolher abelhas presentes na região, ou as que já existiam. Desaconselhamos a introdução de espécie de outras áreas devido a diversos fatores que comentaremos futuramente. Existem no mundo cerca de 15.000 a 20.000 espécies de abelhas de vários tamanhos e cores e poucas são sociais. As abelhas sociais pertencem a super família Apoidea e são dotadas de estrutura para a coleta de alimentos, como corbicula, vesícula melifera etc. Inicialmente faremos aqui uma apresentação de algumas espécies mais conhecidas, ou seja aquelas que podem ser criadas racionalmente pelo meliponicultor, tanto para uma produção comercial quanto para satisfação pessoal. Existem no Brasil cerca de 300 espécies de abelhas indígenas sociais, distribuídas em tribos como as dos Meliponini e Trigonini, sem falar também nas abelhas solitárias e as do gênero Bombus, todas com grande utilidade na polinização. Entre as Meliponini citamos: A Uruçu, do Nordeste (Melipona scutellaris), Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), Tiúba (Melipona compressipes), Jandaíra (Melipona subnitida)etc. Entre as Trigonini citamos a Jataí (Tetragonisca angustula), a mais comum no Estado de São Paulo que nos dá um excelente mel. Para povoarmos o meliponário devemos procurar adquirir colméias de meliponicultores que fazem a divisão de famílias, ou retirar ninhos em locais de desmatamento ou demolição de casas e prédios. Nunca devemos incentivar a extração de ninhos através de compra de meleiros, porque assim estaremos contribuindo para a extinção das espécies. O que não devemos criar no meliponário: a conhecida abelha Irapuá (Trigona spinipes) é um dos exemplos. Essa espécie é prejudicial a algumas culturas, pois cortam os botões florais de várias plantas principalmente os citrus, utilizando-se desse material para a construção do ninho. Outros exemplos são: as abelhas limão ( Lestrimellita ) também conhecida como Iratim, que não possuem estruturas para a coleta de alimentos, sobrevivendo do saque às outras colônias e a Caga fogo (oxytrigona tataira) que se defende liberando uma substância que em contato com a pele provoca sérias queimaduras (ácido fórmico). Embora as abelhas indígenas tenham o ferrão atrofiado, todas elas tem o seu mecanismo de defesa: muitas espécies, quando incomodadas, se enrolam nos cabelos e pelos, beliscam a pele do agressor com suas mandíbulas, que em algumas abelhas são fortes o suficiente para causar alguns ferimentos na pele, e costumam entrar na narinas e ouvidos. Algumas espécies depositam sobre o agressor resina vegetal que gruda sobre os pelos. Muitas delas são bastante mansas e se protegem para defender seus ninhos construindo-os em locais de difícil acesso e aí se recolhem quando incomodadas. Algumas espécies de abelhas nativas constroem seus ninhos dentro de formigueiros ou próximo do ninho de abelhas bastante agressivas, obtendo assim proteção para suas colméias. Terminando, quero dizer que embora não exista interesse comercial em criar estas abelhas, devemos protege-las, porque todos tem uma razão de ser na Natureza.

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Montagem do meliponário: caixas, cavaletes e coberturas
COLMEIAS (CAIXAS) Trataremos dos materiais a serem usados na montagem propriamente dita do meliponário, ou seja: caixas, cavaletes e coberturas. Inicialmente, falaremos de diversos modelos de caixas que naturalmente abrigarão as famílias, a escolha de determinado tipo ficará a critério do meliponicultor, mesmo porque existe no mercado um número expressivo delas. A título de informação citaremos algumas já usadas pelos nossos colegas, criadas no dia a dia do manejo e, fruto de muita observação e, modelos criados pelos nossos pesquisadores e estudiosos no assunto. Se você quiser construí-las, daremos os gabaritos de alguns modelos mais usados. Uma vez construídas as caixas e montado o meliponário convém numerar as caixas o que facilitará as anotações que você irá elaborar para acompanhamento do manejo e desenvolvimento das abelhas. Devemos levar em consideração, para uso das caixas, as espécies de abelhas que se vai criar, o tamanho do ninho, forma de manejo etc. Devemos escolher um modelo que facilitará a colheita de Mel, sem molestar o ninho e, o mais importante, o tamanho adequado como potencial de néctar e pólen oferecidos na região do meliponário. MODELOS: PNN - Paulo Nogueira Neto; Kerr, Capel Vertical, Capel Horizontal, Baiano, Isis, Maria, Uberlândia, Juliane, Sobenko, Guiliani etc..

MODELOS DE CAIXAS: MODELO PNN = PAULO NOGUEIRA NETO

Em termos de medidas as gavetas são todas iguais, com exceção da última, que contém uma tábua par fechar, por baixo, o espaço da cria, e outra para fechar o vão ao lado oposto da cria. Devemos observar também que as medidas das gavetas são internas. Esta colméia pode ser usada para as seguinte abelhas, desde que observadas as medidas que se seguem:

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APACAME - Mensagem Doce Para abelhas Jataí (Tetragonisca angustula) . Usar 03 Gavetas. Gavetas Grande piso central Largura 16,0cm 16,0cm Comprimento 40,0cm 25,0cm Altura 04,0cm Espessura 02,0cm 02,0cm

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Pequeno piso 6,0cm 9,0cm 02,0cm

Para abelhas Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) . Usar 03 Gavetas. Gavetas Grande piso central Pequeno piso Largura 16,0cm 16,0cm 04,0cm Comprimento 40,0cm 22,0cm 10,0cm Altura 06,0cm Espessura 02,0cm 02,0cm Para abelha Uruçú ( Melipona scutellaris) . Usar 04 gavetas. Gavetas Grande piso central Largura 22,0cm 22,0cm Comprimento 50,0cm 28,0cm Altura 75,0cm Espessura 02,0cm

Pequeno Piso 06,0cm 14,0cm 02,0cm

MODELO KERR:

Medidas usadas para Jataí ( Tetragonisca angustula) Estas medidas podem ser usadas, também, para abelhas mosquito mirim (plebeia -spp) Largura 20,0cm Comprimento 20,0cm Altura 20,0cm Medidas usadas para Uruçú ( Melipona scutellaris) Largura 30,0cm Comprimento 30,0cm Altura 30,0cm Medidas usadas para Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) Largura 25,0cm Comprimento 25,0cm Altura 25,0cm OBS: Estas medidas são internas podendo, a espessura das tábuas, ser de 1,5cm a 3,0cm de acordo com a temperatura da região.

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MODELO CAPEL (Vertical)
Este modelo também é detalhado. Aconselho, como no caso da Capel Horizontal, comprá-la em casas especializadas. Também, existem no mercado vários tamanhos para abrigar as nossas abelhas nativas, como a Jataí, Mosquito, Jandaíra, Mandaçaia e Uruçú.

MODELO CAPEL ( Horizontal)
Esta caixa possui detalhes minuciosos, tornando, assim, sua construção difícil. É preciso muita habilidade. Por isso aconselhamos comprá-la pronta. Existem em diversos tamanhos para abrigar abelhas Jataí, Uruçú, Mandaçaia, Mosquito, Jandaira, Moça Branca etc..

MODELO BAIANO

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APACAME - Mensagem Doce Colméia muito usada no Norte e Nordeste para abelhas Uruçú e Mandaçaia Medidas usadas para abelha Uruçú Largura 22,0cm Comprimento 50,0cm Altura 22,0cm Medidas usadas para abelha Mandaçaia Largura 18,0cm Comprimento 40,0cm Altura 18,0cm Devemos usar madeira com 1,5cm de espessura e todas as medidas são internas.

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MODELO ISIS
São as preferidas para a criação de abelhas Uruçú, principalmente para fins comerciais.

Na impossibilidade de encontrar caixas prontas no mercado é preciso mandar fazê-las ou, com alguma habilidade, construí-las. É importante que a madeira seja leve, de cheiro agradável e resitente, sem nenhum tratamento. Citamos algumas mais usadas principalmente no Norte e Nordeste: Vinhático amarelo, Castanho, Louro verdadeiro, Jaqueira, Ingauçú, Imburana etc.. No Sul encontamos com facilidade o Pinho, Cedrilho etc.. Depois de prontas devemos impermiabilizá-las e pintá-las com cores claras, ex: amarelo, verde claro, azul claro, cinza claro etc.. E só externamente Especificação: (Medidas internas) Tamanho da caixa Espessura da madeira Medidas do ninho Espessura do ninho Tábua separadora Tamanho da Tampa do Ninho Tamanho das melgueiras Espessura da tábua da melgueira Tamanho da tampa da melgueira Espaço entre a melgueira e o corpo da caixa Diâmetro do furo de entrada da caixa

38,0 x 47,0 x 14,0cm 02,0cm 20,0 x 38,0 x 14,0cm 1,5cm 21,0 x 40,0cm 9,5 x 43,5 x 12,0cm 1,5cm 15,0 x 40,0cm 0,5cm 1,1cm

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MODELO MARIA
Esta caixa é muito usada por quem cria abelha com fins comerciais. Sua particularidade é facilitar a colheita de mel sem prejudicar o ninho.

Esta caixa pode ser construída com as mesmas madeiras usadas na caixa Isis. São indicadas para a criação das abelhas: Uruçú amarelo (Melipona fasciata rufiventris), Uruçú Verdadeiro (Melipona scutellaris), Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), Tiuba amarela(Scaptotrigona xanthotricha), Uruçú Mirim (Melipona Cesiboi) Jataí (Tetragonisca angustula), Moça Branca (frisiomellita varia) etc. Devemos observar para cada espécie a ser criada uma medida específica. Exemplos: Para Uruçú Amarelo e Uruçú Verdadeiro. (Medidas internas) Tamanho da caixa Espessura da madeira Medidas do ninho Espessura da tábua separação ninho Tamanho da tampa Beiral da tampa Espessura da tábua do beiral Furos da parte de frente Furos na parte traseira Tamanho das melgueiras Espessura da tábua da melgueira Folga entre a melgueira e o corpo caixa Folga entre a tampa e o corpo da caixa Localização do furo da entrada no centro do ninho Diâmetro do furo entrada 20,0 x 20,0 x 80,0cm 02,0cm 20,0 x 20,0 x 20,0cm 1,5cm 26,8 x 86,8cm 3,5cm 1,0cm 02,0cm 2,2cm 17,5 x 19,0 x 26,0cm - Vol. 8,6 L. 1,0cm 5 mm 8 mm 7,0cm do piso 1,1cm

MODELO JULIANE
Esta caixa é bastante prática e oferece algumas vantagens. O tamanho da câmara de cria é muito eficiente e o túnel interno possui o comprimento aproximado da colméia na natureza, ou seja, o tubo de acesso tem 20,0cm até a zona dos favos de cria. Na abertura da caixa, quando da inspeção, manejo e principalmente na colheita de mel, o ninho permanece intocável, evitando que as abelhas sejam molestadas e mantendo-se a temperatura interna. Sendo as gavetas móveis, facilita o manejo na extração do mel. Se usarmos a pratica da cera moldada na gaveta, ocorre um aumento na produção do mel, uma vez que extraído o mel, elas retornam para a caixa com a cera praticamente intacta. DESCRIÇÃO E MEDIDAS INTERNAS DA CAIXA Comprimento da caixa 24,0cm Largura da caixa 15,0cm Altura da caixa 18,0cm Podemos usar qualquer madeira, com espessura, de preferência , de 2,5cm, bem seca e bem aparelhada, sem tratamento.

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APACAME - Mensagem Doce 12 Na montagem da caixa, devemos usar parafusos o que evita o empenamento das tábuas e dá mais resistência à mesma. O parafuso, no caso de abertura da caixa, sai facilmente evitando assim movimentos bruscos. O espaço pontilhado que vemos no desenho são duas tábuas pregadas. Formando uma caixinha de 8 x 8 x 18cm de altura, que devemos preencher com um material isolante, por exemplo: maravalha, pó de serra, isopor etc. (Corte lateral da caixa)

DESCRIÇÃO E MEDIDAS DAS GAVETAS. A caixa é composta de 05 gavetas(medidas internas) Largura da gaveta 14,0cm Comprimento da gaveta 15,0cm Altura da gaveta 3,2cm

Colmeia Juliani ( gavetas e sarrafinhos - suporte e medidas) - São 8 sarrafinhos Largura do 1,0cm sarrafinho Altura do 0,5cm sarrafinho Comprimento 14,0cm pregados a um centímetro do outro Quanto aos modelos e medidas das caixas Sobenko e Guiliani, os interesados encontrarão matéria nas Revistas MENSAGEM DOCE números 42 de julho/97 e 43 de setembro/97 respectivamente. CAVALETES Atualmente, a experiência e os longos anos de observação, nos aconselham a usar cavaletes individuais que facilitam o manejo e evitam movimentos desnecessários, que possam afogar as larvas ou gorar os ovos. Os cavaletes podem ser construídos de madeira, cimento, ferro etc.. Devemos considerar a disponibilidade de material e as condições financeiras do meliponicultor. Podemos construir cavaletes coletivos em forma de prateleiras com cobertura de telhas de barro ou amianto, sempre obedecendo a distância entre uma e outra caixa., como mencionamos na matéria anterior. Outro fato importante é que estes cavaletes devem possuir obrigatoriamente proteção contra invasão de formigas e estar a uma altura que não permita que outros inimigos das abelhas as alcancem. Numa outra oportunidade falarei dos inimigos e as formas de evitá-los. Mencionarei também a maneira de combatê-los. Lembrei aqui das formigas, porque são os inimigos números um no meliponário, responsáveis pelo insucesso do meliponicultor, principalmente as formigas doceiras que conseguem expulsar as abelhas de seu ninho, fato esse que ocorre com mais freqüência nas Jataís.

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APACAME - Mensagem Doce 13 Como foi dito na matéria anterior, podemos criar nossas abelhas pendurando as caixas nas árvores, nas varandas das casas etc.. Mas, sempre colocando dispositivos de proteção contra os predadores e invasores. Quero informá-los de que uso um cavalete individual idealizado por um sócio da APACAME, o Sr. Álvaro Chaves, que também é usado para a colmeia de Apis, construído de Cimento e ferro e por isso de grande durabilidade. Para conhece-lo basta consultar o número 36 da MENSAGEM DOCE do mês de maio/96, página 11, matéria “CAVALETE ÁLVARO CHAVES”. Para exemplificar, aqui esta um cavalete simples de baixo custo e de fácil construção. Cavalete comum a 80,0cm do solo.

IMPLANTAÇÃO DO MELIPONÁRIO COM A ESCOLHA DA ABELHA IDEAL CAPTURA E POVOAÇÃO DO MELIPONÁRIO
As abelhas escolhidas para a povoação do meliponário dependerão da finalidade que se deseja, ou seja, lazer, ornamentação, pesquisa ou fins comerciais. Deverão ter preferência as espécies existentes na sua região. Se a finalidade for a produção de mel, o meliponicultor deverá optar por uma só espécie que seja abundante na região, conseguindo, com isso, uma quantidade grande de enxames e mais rapidez na montagem do meliponário. Fazendo isso, o meliponicultor conseguirá obter um mel padronizado, que atenderá um mercado específico e exigente. Escolhida a espécie a ser criada, o povoamento do meliponário será feito transferindo ninhos naturais para colméias (caixas) racionais, divisão de colônias, ou captura com caixas isca. Quanto a captura de ninhos encontrados, só devem ser feitos em caso de demolições de muros, paredes, casas velhas, queimadas e desmatamento, sempre pensando na preservação das espécies. Para a transferência de ninhos necessitamos dos seguintes materiais: formão apícola; aspirador de insetos; faca; peneira de malha fina e um recipiente para colher o mel e o pólen. Como devemos proceder com ninhos alojados em cavidades, frestas de pedras e ocos de árvores? Devemos localizar a entrada do ninho, medir 30cm acima e 30cm abaixo. Comece a abrir com muito cuidado nestes locais usando uma serra, machado, formão, facão, talhadeira ou ponteiro, etc. Feita a remoção da parede lateral do ninho observe com muita atenção a sua arquitetura. Os favos de cria poderão ser horizontais, helicoidais (em forma de caracol), em forma de discos e em forma de cachos, dependendo da espécie, ao contrário da Apis que constroem os favos verticalmente. Em algumas espécies existe um invólucro de cerume envolvendo a cria. Outra curiosidade é que o mel e o pólen são armazenados em potinhos e também encontramos própolis e detritos nas colônias, sem contar com a presença de ácaros e outros insetos vivendo em simbiose (associação).

NINHO
Como dissemos anteriormente, as abelhas sem ferrão têm uma maneira de construir seus ninhos completamente diferente da abelha do mel (Apis mellifera). É maravilhosa a formação do ninho e o desenvolvimento de suas crias. Consiste em uma seqüência condensada; a construção das células de cria; aprovisionamento; colocação do ovo e fechamento. Observamos então que as células de cria são preparadas em quatro fases: 1- fase de construção; 2- fase de colar (pronta); 3- aprovisionamento e com ovo; 4- fechada. Este processo também ocorre com as abelhas solitárias.

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APACAME - Mensagem Doce 14 Nas abelhas indígenas sem ferrão, também existe um desenvolvimento social elevado que permite, de acordo com a idade, e cada qual com a sua função a formação e evolução da família. Dentro da célula o ovo se desenvolve em larva que após ter ingerido o alimento larval (mel e pólen), se transforma em pupa. Esse processo de alimentação é denominado de alimentação maciça, ao contrário das abelhas Apis e da Bombus (mamangava), onde as células permanecem abertas e as operárias oferecem com freqüência pequenas quantidades de alimento. Na abelhas indígenas sem ferrão não existe o contato entre a população adulta e as larvas em desenvolvimento.

MEMBROS DA COLÔNIA
Numa família de abelhas sem ferrão encontramos uma sociedade bem desenvolvida, as colônias possuem uma rainha, várias gerações de operárias, cada qual auxiliando em várias tarefas e cuidando da prole. Operárias: Uma operária é facilmente reconhecida pela presença de aparelho coletor de pólen, a corbícula, localizada no terceiro par de patas. As operárias ao nascer são quase brancas, mas à medida que vão envelhecendo adquirem uma pigmentação de acordo com sua espécie. Elas realizam todo o trabalho na colônia, de acordo com a idade, como na Apis mellifera, a média de vida das operárias em Meliponíneos é de 30 a 40 dias. Existem algumas espécies que durante o inverno param as suas atividades e, em conseqüência o período de vida é maior. Elas praticamente hibernam, é o caso das abelhas do gênero Plebéia (mirim). Macho: O macho é facilmente reconhecido por ter a cabeça mais arredondada do que a das operárias, não tem corbícula, não coletam néctar nas flores, o abdômen difere da operária por possuir dois gonóstilos visíveis a olho nu, peças da genitália que servem para segurar as fêmeas durante a cópula. Observando bem veremos que a postura do macho é de estar sempre alerta com as antenas esticadas, costumam também ficar em grupos à espera da princesa para fecundá-la, pode também apresentar desenhos na cabeça diferente das operárias e da rainha. Na falta, ou escassez de alimentos na colônia, ou logo após a fecundação da rainha, eles podem ser mortos pelas operárias. Uma outra atividade dos machos que foi observada é que eles desidratam o néctar trazido pelas operárias para seu próprio sustento. Na presença de rainhas virgens ns colméia formam-se grandes quantidades de machos ao seu redor na espera da sua saída para fecundá-la durante o vôo nupcial. O aparecimento dos machos na colônia geralmente acontece na época em que há abundância de alimento, células reais e antes do inverno ou da estação chuvosa. Rainha: As rainhas na tribo Meliponini nascem em células iguais a das operárias, a rainha recém nascida deste gênero é do mesmo tamanho que as operárias, pois não há células reais (realeiras), a diferenciação de castas tem base genética, o tamanho do corpo da rainha em relação às operárias tem proporções diferentes. Quando são fecundadas o abdômen cresce muito, elas não conseguem mais voar. Já as rainhas das tribos Trogonini e Sestrimellitini, nascem em células reais geralmente construídas nas periferias dos favos; essas rainhas que eclodem de células reais são bem maiores que as operárias. A função da rainha na colmeia é a postura, a fim de perpetuar a espécie e manter a união da família através do feromônio. Ao nascerem apresentam uma certa atratividade e as operárias a seguem onde elas forem. Constroem geralmente em torno da rainha uma célula de aprisionamento feita de cerume onde a rainha jovem fica sozinha ou acompanhada por algumas operárias esperando por uma decisão: ou substituir a rainha fecundada da colmeia se esta morrer, ou se estiver doente ou, sair para formar um novo ninho com as operárias, pelo processo da enxameagem ou, ser morta pelas operárias.

Transferência de ninho e cuidados preliminares.
Inicialmente devemos transferir para a colméia racional ( caixa), os favos de cria onde provavelmente estará a rainha. Devemos transferir com muito cuidado para não amassá-los, evitando também, alterar a sua posição, não os colocando de cabeça para baixo. Tem acontecido alguns acidentes com iniciantes em meliponicultura, porque colocam durante a transferência, os favos em posição vertical, amassando-os e comprimindo-os uns contra os outros, impedindo a circulação das operárias e ao mesmo tempo esmagando-as e causando acidente, também, com a rainha. Quando da transferência, não devemos expor a cria e nem separar os favos uns dos outros e, nem procurar a rainha por mera curiosidade, porque sabemos de antemão, que ela se encontra entre os favos de cria. Na manipulação dos favos, durante a transferência, devemos observar a relação entre o diâmetro do oco onde o ninho se encontra e dos favos de cria. Alguns ninhos apresentam inúmeros favos de pequeno diâmetro que precisam ser separados para ocuparem o espaço destinado `a cria na colméia. Nesta oportunidade devemos ter o máximo de cuidado para não ferir a rainha. Se conseguirmos transferir o ninho inteiro bem melhor, mas se for necessário a manipulação dos favos, faça-a nos mais velhos, com

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APACAME - Mensagem Doce 15 pupas, favos claros, que são reconhecidos pela parede mais fina, mostrando o contorno das células bem delineadas, tendo na parte inferior uma coloração escura, expondo aí os excrementos. Quase sempre, durante a transferência, observamos os olhos compostos das pupas e a cabeça em movimento. Verificado o tamanho do ninho e dos favos devemos optar por um tipo de caixa mais adequada com o material que temos em mão, ou seja, um tipo que acomode bem o ninho. No caso de se usar o modelo PNN ( Paulo Nogueira Neto) não devemos colocar gavetas indiscriminadamente; quando encontramos um ninho generoso, com um grande número de favos de tamanho grande, temos aí condições de fazermos uma divisão da colônia em duas famílias. Se encontrarmos alguns depósitos de própolis na colônia devemos transferi-los para a nova (caixa) colméia, colocando-os nas proximidades da entrada da colméia e ao lado das crias para que as abelhas possam utilizá-los de várias formas. Terminando a transferência devemos fechar a colméia logo em seguida para que as abelhas recém nascidas não saiam da caixa e do ninho e se percam. Devemos efetuar esta operação com bastante rapidez para que as crias não se resfriem e nem se desidratem com a temperatura ambiente. Continuando a transferência, vamos agora passar para a nova colméia os potes de mel e pólen; antes porém, devemos recolher as abelhas jovens com uma pena, cartolina ou, com o aspirador de insetos, colocando-as sobre os favos. Só devemos transferir para a colméia os potes de alimento fechados e intactos. Deve-se retirar o conteúdo daqueles que estiverem abertos. O mel excedente ou os potes danificados serão recolhidos em um recipiente, antes porém peneirado com uma peneira bem fina. O mel poderá ser devolvido à colméia num alimentador misturado com água, ou ser consumido. Potes pequenos de mel, como por exemplo os das abelhas Jataí, podem ser espremidas para a extração do mel, em seguida o cerume deve ser amassado, lavado, seco e devolvido para a colméia; o cerume seco, velho e quebradiço não será aproveitado. Quanto ao pólen devemos retirá-lo e armazená-lo em geladeira e à medida das necessidades vamos devolvendo às abelhas em pequenas quantidades.

Manejo da colméia no meliponário ( Revisões).
Começaremos falando sobre as inspeções que devemos fazer periodicamente no meliponário. Deixar as abelhas entregues aos seus próprios cuidados é praticamente impossível de fazer meliponicultura. Um simples fato não verificado poderá acarretar perda total de um enxame, principalmente no que concerne à conservação das colméias que devem estar em bom estado e protegidas do sol e chuva, fatores que interferem no bom andamento do meliponário e na saúde das abelhas. Um manejo adequado, com observações, e revisões periódicas, nos trará sucesso e satisfação. Essas revisões devem ser feitas em épocas certas e com muito critério e não com muita freqüência. O ideal será fazer revisões quinzenais evitando manter as colméias abertas muito tempo, principalmente em estações muito quente ou muito fria o que ocasionaria a morte das crias. O que devemos observar na região dos ninhos? Com tempo de duração mínima, devemos observar: 1 - A presença de rainhas virgens ( princesas). 2 - A presença de rainha fecundada ( fisográstica). 3 - O número de favos e seu diâmetro. 4 - A presença de células reais, isto nos trigoninis. 5 - A presença de células de aprisionamento. 6 - O número de células em construção. 7 - O desgaste alar da rainha. O que devemos observar na região dos potes? Na região dos potes devemos observar: 1 - O número de potes com mel e vazios. 2 - O número de potes com pólen. Ainda podemos verificar a existência na colméia de: 1 - Depósitos de própolis. 2 - Depósitos de cera. 3 - Parasitas e outros. Pois bem, todos esses dados que observamos, deverão ser anotados em uma ficha que futuramente nos dará condições de avaliar a evolução da família e sua potencialidade (vide modelo). Atenção especial deve ter com o pasto meliponícola da região, devendo melhorá-lo com a introdução, na área do meliponário, de espécies de plantas que ofereçam néctar e pólen. Na falta destes elementos devemos nos preocupar com a alimentação artificial. Para facilitar e desenvolver bem o trabalho, devemos numerar as colméias, assim teremos em mãos, uma real situação do nosso meliponário.

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APACAME - Mensagem Doce 16 Fazem parte do manejo, as revisões das colméias durante o ano, antes e após as floradas; o movimento de entrada e saída das abelhas; observar a presença de inimigos interna e externamente e eliminá-los; fortalecer as famílias fracas; multiplicar os enxames fortes, através de divisões; na época de produção colocar melgueiras; no inverno devemos ter o máximo cuidado com os enxames reduzindo espaços para melhorar o aquecimento; colocar alimentador, fornecendo alimento para fortalecer e desenvolver as famílias. MODELO DE FICHA PARA REVISÃO MELIPONÁRIO: DATA DA REVISÃO: RESPONSAVEL: DADOS OBSERVADOS NA REVISÃO: COLMEIA NÚMERO: Diâmetro dos favos Número de favos Presença de rainha fecundada Presença de rainha virgem Presença de células reais Presença de células de aprisionamento Número de células em construção Número de potes de mel Número de potes de pólen Número de potes vazios Existência de depósitos de própolis Existência de depósito de cera Existência de parasitas Desgaste alar da rainha Ataque de Forídeos Outros Waldemar Ribas Monteiro, conservacionista. Departamento de Abelhas Indígenas da APACAME

Divisão da Família (colônias).
Em meliponicultura, tal qual em apicultura, podemos multiplicar os enxames, através da divisão das colônias, com isto promovendo o seu desenvolvimento. A divisão da colônia somente deverá ser feita quando a mesma estiver bastante forte, em épocas propícias. A melhor época para a divisão é durante as grandes floradas, principalmente na primavera. No universo das abelhas indígenas (nativas), principalmente na tribo dos Trigonini, elas constroem, geralmente, células reais na periferia dos favos. Citamos como exemplo: Abelha Jataí, Arapuá, Iraí, Mandaguarí etc. Logicamente sem uma realeira ou uma rainha não há condições de fazermos a divisão. Muitas vezes essas rainhas quando nascem, ficam reclusas em potes modificados chamados de células de aprisionamento cercadas por operárias. Normalmente as realeiras de que falamos medem aproximadamente 5mm de comprimento e 4mm de diâmetro(Células Reais). Já nas abelhas de porte maior, como a Uruçu, Mandaçaia, Jandaíra, da tribo dos Meliponini elas não constroem realeiras, as rainhas nascem de células iguais as das operárias e vivem livres pela colônia e são facilmente reconhecidas; o que determina este fenômeno são fatores genéticos. A primeira atenção que devemos ter para com a divisão de uma colônia é a presença ou não de células reais, rainhas virgens (princesas) ou até mesmo com rainhas fecundadas (fisogástricas). Pois bem, escolhemos um dia quente e claro e com ausência de ventos, que é ideal para verificarmos o ninho. Iniciamos o processo retirando a cera (invólucro) que envolve o ninho (crias), em seguida, como dissemos anteriormente, observamos se há realeiras ou mais de uma rainha. Se houver realeiras as encontraremos nos favos centrais, teremos alguma dificuldade no início, mas com dedicação e paciência conseguiremos. Encontrando a realeira, devemos retirá-la juntamente com o favo na qual ela se encontra. Em seguida, retiramos mais 4 (quatro) favinhos de cria (favos claros) colocando-os na caixa definitiva. Não devemos mexer nos favos escuros. Devemos colocar na caixa alguns potes de mel e pólen intactos. Não devemos colocar potes abertos ou com vazamento. Descartar batume ressecados, aproveitar somente o batume em bom estado, tomar cuidado para não ferir os favos escuros e principalmente os potes de pólen para não receber o ataque de Forídeos (mosquitinho rápido) que pode dizimar totalmente as colônias, procurar não derramar mel que poderá afogar as abelhas.

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APACAME - Mensagem Doce 17 Para concluir: Retiramos o canudo de cera da colméia (mãe) colocando-o na entrada da nova caixa (filha), em seguida levamos a colméia (mãe) à uma distância mínima de 50 metros. Como vimos, a nova caixa que ficará no local da caixa (mãe), passará a se chamar caixa (filha), onde se formará nova família com as abelhas esvoaçantes (campeiras) e em poucos dias nascerá a nova rainha e assim teremos uma nova colméia. Observação: temos que ter o cuidado de colocar a caixa nova (filha) na mesma altura, direção, posição e local onde se encontrava a colméia (mãe) para não desnortear as campeiras. Prática: Colméia (mãe) mudará de local e ficará com a rainha antiga, favos de crias novas, abelhas aderentes, pólen e mel. Colméia (filha) ficará com a rainha nova, ou realeiras, favos de crias nascentes, campeiras, pólen e mel.Quando da montagem dos favinhos na nova caixa (filha), colocamos entre um e outro, pequenas bolinhas de cera para que as abelhas possam transitar entre os mesmos. Feito isso, fechamos a caixa (mãe) e vedamos todas as frestas com fita crepe, tapamos a entrada com tela de metal e transferimos a caixa à distância já mencionada, assim permanecendo por dois dias. NOTA: Nas colônias da tribo meliponini, não devemos nos preocupar. A simples transferência de alguns favos maduros (crias nascentes) garante a presença de rainhas virgens na colônia (filha), geralmente uma média de 15%.

PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO COM RAINHA
Entre este processo e o primeiro, existe pouca diferença, se a colméia (família) que foi aberta, tiver mais de uma rainha, que é bem possível, capturamos uma delas prendendo-a numa caixa de fósforos vazia, ou em um Bob de cabelo. Tome cuidado de não tocar a rainha com as mãos, use um pedaço de cera. E seguida transferimos quatro favinhos de cria, alguns potes de mel e pólen (intactos) e parte do batume, tudo para a caixa nova (filha), soltamos a rainha na caixa e transferimos a colméia (mãe) à 50 metros de distância e mantemos com a caixa o mesmo procedimento do método anterior. EM TEMPO: Feita a transferência vede ambas as caixas com fita crepe.

Alimentação e Alimentadores para Meliponíneos.
Como todo apicultor sabe que, na escassez de alimentos (néctar e pólen), torna-se necessário alimentar as abelhas principalmente no inverno e na época de muita chuva. No caso das abelhas indígenas sem ferrão não é diferente, temos que recorrer à alimentação artificial para a manutenção de uma razoável taxa de construção de células, estimular a postura da rainha e ao mesmo tempo o desenvolvimento das crias. Podemos oferecer às abelhas esses alimentos de várias maneiras: a) - XAROPE: O xarope é uma mistura de açúcar (cristal) com água fervida. A concentração dessa mistura dependerá da espécie a ser alimentada. Podemos determinar a concentração desse xarope através de um teste muito simples: Prepara-se o xarope em diversas concentrações de açúcar 50% - 60% - 70% 80%. Coloca-se o xarope num alimentador feito de uma mangueira transparente (conforme ilustração), e vedada nas duas extremidades com algodão que deverá ser embebido no alimento. Usar de preferência algodão de paina (Chorisia speciosa). Coloque os quatros alimentadores, um com cada uma das concentrações acima, no interior da colméia, (na alça) (melgueira) e após meia hora observe qual deles foi mais consumido. Este método é apenas um exemplo, existem vários outros que podem ser adotados. Uma vez selecionada a concentração do xarope, adequado à colônia, passe a utilizá-la quando necessário. b) - CANDI: O cândi é uma pasta cremosa, feita de uma mistura de mel com açúcar na proporção de 2 : 1 e levada ao fogo brando até dar ponto. Após resfriar coloque esta pasta na região dos potes da colônia. Faça esta operação com o máximo de higiene possível para evitar o ataque de predadores e a contaminação do alimento. Como vimos, o alimento artificial pode ser preparado de várias maneiras. Há meliponicultores que empregam o mel de Apis para alimentar as nativas (indígenas); eu desaconselho, mas não podemos descartar a idéia baseando-se na experiência do Prof. Dr. Kerr, que utiliza o mel de Apis em seu meliponário localizado em Uberlândia -MG. Pois bem, até agora falamos da alimentação energética, mas como não poderia deixar de ser é preciso falar também sobre a alimentação protéica. Existem várias formas de se oferecer alimentação artificial a base de proteínas e vitaminas, em substituição ao pólen. Vamos dar alguns exemplos: primeiramente podemos oferecer o próprio pólen da mesma espécie, caso haja em abundância no seu meliponário em famílias fortes; em segundo lugar, como no caso dos energëticos, podemos procurar outras fontes de proteínas que enumeramos a seguir: leite em pó; farinha de soja; Meritene pó (encontra-se nas farmácias)e até mesmo pólen de Apis moído em liquidificador (pó), colocado em potes vazios da espécie a ser alimentada, em pelo menos 1/3 dos potes, ou em potes feitos com cera de Apis (fechado).

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APACAME - Mensagem Doce 18 NOTA: Para dar xarope de reforço às colméias mais fracas, o meliponicultor pode oferecer o xarope, pelo menos, um mês de antecedência as grandes floradas.

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ALIMENTADORES: Modelos
Estes modelos são usados por inúmeros pesquisadores e meliponicultores. Consiste num pedaço de mangueira de 1 / 2 polegada de diâmetro por 10 centímetros de comprimento, tapado com rolha nas duas extremidades. Cortamos a mangueira no sentido longitudinal, a 1 centímetro a frente de cada rolha, formando um cochinho. Devemos preenche-lo com algodão ou paina embebido em xarope e introduzi-lo na gaveta superior da colméia. A cada três dias devemos retirá-lo, lavá-lo bem, para daí sim dar novo alimento. Fazemos isso para que o alimentador não crie fungos. Alimentador com xarope em copo plástico e algodão

Meliponicultor, a alimentação artificial além de necessária dá excelentes resultados, fato este muito observado e pesquisado. A alimentação deve ser bem dosada, de acordo com a espécie de abelha, e não se deve alimentar uma colônia mais que uma ou duas vezes por mês, para não sobrecarregar o armazenamento do alimento e não provocar sua fermentação. Devemos observar também, que existem espécies que não aceitam alimentação artificial, sendo necessário, recorrer a transferência de alguns potes de alimento de colônia que os tenha em excesso, e que seja da mesma espécie.

Dos Predadores e Inimigos Naturais das abelhas Nativas.
Como todo ser na natureza tem seus predadores naturais, não seria diferente com as abelhas. Um dos maiores predadores das nossas abelhas nativas é o próprio homem, que indiscriminadamente destroe nossas matas, através de derrubadas e ao mesmo tempo incendiando-as o que, por conseqüência eliminam as espécies de árvores, cujos troncos de maior diâmetro e com ocos em seu interior, tornam-se o habitat e ao mesmo tempo lugar preferido para a sua nidificação. Em relação aos homens, nossa preocupação é com os caçadores de abelhas (meleiros) que sem conhecimento algum sobre as abelhas, destroem os seus ninhos à procura de mel, largando as crias a mercê, principalmente das formigas. Cabe a nós, na pior das hipóteses, dotá-los de algum conhecimento sobre a meliponicultura, tentando assim, minimizar esta situação. Portanto, os homens são os maiores causadores de danos às abelhas, chegando a provocar a extinção de algumas espécies. Quanto aos inimigos naturais, propriamente ditos, nós sabemos que no Ecossistema eles existem para manter um certo equilíbrio das espécies, não chegando a prejudicar as abelhas, com ressalva à determinadas situações que se tornam prejudiciais às nossas abelhas. Especificamente aos meliponicultores aconselhamos tomar cuidado com os seguintes seres: sapos, catengas (largatixas), aranhas, pássaros e formigas. Sapos: Devemos colocar as colméias no mínimo a uma altura de 80 centímetros do solo. Catenga (lagartixa): Usar a criatividade, fazendo armadilhas com fundos de garrafas de plástico de superfície lisa, com pequenos recortes na borda, impedindo que elas alcancem as abelhas. Aranhas: Limpar manualmente as teias, para que as abelhas não sejam presas quando alçam vôo. Pássaros: Praticamente não podemos fazer muita coisa, pois o número de abelhas que eles comem é relativamente pequeno. Formigas: É necessário manter o meliponário sempre bem limpo e higienizado, latas untadas com graxa e emborcadas, espumas com óleo queimado nos cavaletes, já produz uma boa proteção para as abelhas. Excluindo o comportamento errôneo do homem, devemos tomar o máximo cuidado com o maior inimigo das abelhas, o forídeo ( Pseudohypacera) que são moscas muito pequenas que põem seus ovos

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na colméia; a postura é muito rápida e chega a botar cerca de 300.000 ovos, e as larvas dessa mosca desenvolvem-se mais rapidamente que as larvas das abelhas, comendo todo o alimento das larvas levandoas à morte. O forídeo é o único inseto que pode eliminar completamente um meliponário. Esta praga é terrível, não existe controle eficaz. As medidas são quase sempre preventivas. Vejamos: Evitar abrir potes de pólen ou favos de cria nova. O pólen com seu cheiro característico e já fermentado atrai os forídeos, o que também acontecer com o alimento larval nas crias novas. Devemos ter muita atenção quando estivermos fazendo captura, transferência ou divisão. O trabalho deve ser feito o mais rápido possível. Em caso de dúvidas devemos descartar os potes de pólen e as células de crias novas devem ser manipuladas com o máximo de cuidado para não serem feridas. Se notar algum forídeo por perto procure vedar a caixa com fita crepe. Caso encontre uma família atacada, o melhor é queimá-la ou isola-la completamente com um saco plástico. Em alguns casos, determinadas espécies de abelhas, conseguem sobreviver ao ataque dessas famigeradas moscas. A recuperação das colônias atacadas pode ou não se viabilizar, mas é preciso muito cuidado para não haver contaminação total do meliponário. Com muita paciência e dedicação do meliponicultor poderá ser dada uma ajuda à colméia atacada. Como exemplo: Podemos tapar a entrada da caixa e afastá-la o mais longe possível do meliponário, retirar da colméia todos os potes de pólen e as crias novas, retirar e limpar com um pano limpo todas as larvas de forídeos e em seguida alimentar freqüentemente as abelhas e fazer diariamente um acompanhamento para saber a evolução da família atacada. Finalizando, sabemos que colméias fortes e bem alimentadas resistem mais ao ataque de inimigos e pragas.

BOMBA EXTRATORA DE MEL DE ABELHAS NATIVAS
José Feliciano Nunes, meliponicultor, fundador da CAPEL Cooperativa dos Apicultores de Pernambuco. O meliponicultor José Feliciano Nunes, de Camaragibe, Recife - PE, desenvolveu um equipamento, que ele chamou de “Bomba Extratora de Mel de Meliponas”, conforme se vê na foto e no desenho detalhado que, temos a certeza, em muito auxiliará o trabalho dos meliponicultores, na coleta de mel nos meliponários. Meliponicultor (foto) coletando mel em colméia de Uruçu, utilizando a Bomba Extratora.

Estrutura da Bomba: 1 - Alavanca; 2 - Corpo da bomba formado pelo cilindro externo, tendo no seu interior o êmbolo e a alavanca; 3 - Válvula para extrair o ar da bomba quando o êmbolo é baixado; 4 - Mangueira que faz a ligação da bomba com a garrafa onde é armazenado o mel; 5 - Mangueira sugadora cuja ponta será colocada no pote de mel para sugá-lo; 6 - Garrafa onde será depositado o mel sugado dos potes da colméia; 7 - Pedestal que serve para fixar a bomba no chão, com os pés, deixando as mãos do meliponicultor livres para abrir a colméia e os potes de mel.

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Manuseio:Como se vê na foto, o meliponicultor fixa a bomba, com um dos pés, ficando com as mãos livres para abrir a colméia e abrir os potes de mel que serão colhidos; Em seguida, introduz a ponta da mangueira sugadora (5) dentro do pote de mel e puxa, para cima, o êmbolo, fazendo com que o mel seja rapidamente sugado para o interior da garrafa onde ficará depositado (6); Após a operação acima descrita o êmbolo é novamente baixado para a posição inicial, repetindo-se a operação nos outros potes. Recomenda-se que a garrafa, onde será depositado o mel, seja de vidro e a sua tampa de material firme, para não deformar quando esta sendo sugado o mel. Outro cuidado é não deixar que o mel depositado chegue até as duas pontas da mangueira, dentro da garrafa, pois se isto ocorrer o mel sugado passará para o interior do corpo da bomba, onde esta o êmbolo. Qualquer dúvida escreva para o meliponicultor: José Feliciano Nunes. Rua José Izidio Silva, 16 - Timbi / Camaragibe Recife – PE. 54762-750 ou telefone para ele: ( 081) 445-2739 / 445- 6762 ou 458-1448.

I Simpósio Brasileiro Sobre Própolis e Apiterápicos
Realizado na Universidade de Franca, nos dias 18,19,20 e 21 de agosto de 1999, tivemos a grata satisfação de contatar a proeminente professora e pesquisadora Prof. Margarita Medina Camacho, do México, que encontrava - se presente ao evento, em companhia da nossa ilustre cientista Dra. Marilda Cortopassi Lurindo (USP). A visitante falou-nos a respeito de seu projeto, desenvolvido no México, com as abelhas nativas sem ferrão ( Abejas sin aguijón) os meliponídeos. Esse trabalho vem contribuindo para a melhoria do conhecimento sobre essas abelhas no que tange principalmente o seu manejo e conservação. A Prof. Margarita presenteou-nos com um belíssimo livro sobre as abelhas nativas encontradas no México, que fará parte do acervo da biblioteca da APACAME, e trouxe-nos algumas fotos de meliponários mexicanos. Queremos registrar a nossa alegria em poder desfrutar da amável companhia da Profa. Margarita durante todo o evento. A pesquisadora Prof.a Margarita Medina Camacho e nosso diretor Waldemar Ribas Monteiro.

VISITA TÉCNICA À PEDREIRA
Pedreira é uma cidade distante 130 km da capital paulista, está situada na região de Campinas às margens do Rio Jaguarí, tem clima ameno e uma população aproximada de 35.000 habitantes. Foi nessa cidade que o Departamento de Abelhas Indígenas Sem Ferrão da APACAME, através de seu Diretor Waldemar Ribas Monteiro, visitou o meliponário do engenheiro agrônomo José Luciano Panigassi. Nessa visita foram discutidos assuntos atinentes à atividade em questão, e também foram feitas observações sobre novas caixas racionais em experiência, visando notadamente maior adaptabilidade das abelhas nativas e, conseqüentemente a melhor opção para a produção de mel. O meliponicultor Luciano junto às suas abelhas. Três projetos estão em andamento: um para Trigonini, principalmente para a Jataí; outro para Meliponini, evidenciando a Mandaçaia; e finalmente outro para as abelhas subterrâneas, as geotrigonas.

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APACAME - Mensagem Doce 22 Os experimentos estão correspondendo satisfatoriamente ao meliponicultor, estando dependente de apenas alguns detalhes. A Revista Mensagem Doce estará, oportunamente, publicando os modelos das novas colméias, com todos os detalhes sobre medidas e material usado na sua confecção. A APACAME parabeniza o Engenheiro José Luciano por esse trabalho e coloca a Mensagem Doce à disposição de todos os interessados em divulgar eventos referentes à meliponicultura. A APACAME agradece ao Eng. José Luciano e seus familiares a excelente acolhida propiciada ao seu Diretor. JORNAL “ EYMBA ACUAY “ O Departamento de Meliponicultura da APACAME recebeu, recentemente, o jornal “EYMBA ACUAY” (Sem Ferrão), publicação de um grupo de abnegados pesquisadores e meliponicultores da Bahia, que não envidando esforços editou o primeiro número com interessantes assuntos relacionados à criação de abelhas indígenas. Queremos que o Prof. Rogério, com seu conhecido dinamismo e junto com seus pares, leve avante esse importante meio de comunicação, entre os aficionados de nossas abelhas nativas, promovendo assim a preservação e o desenvolvimento de sua criação racional. Portanto, estão de parabéns todos aqueles que idealizaram e tornaram possível este importante meio de comunicação entre os meliponicultores. Aquele que estiver interessado em receber o jornal entre em contato com o Prof. Rogério Marcos O. Alves, caixa postal 29, CEP 48110-000, Catú - BA.

Abrigos para as “Abelhas Indígenas sem Ferrão do Solo”
A grande maioria das abelhas indígenas sem ferrão constroem seus ninhos em ocos de árvores, porém várias espécies constroem, naturalmente, seus ninhos em ocos de formigueiros abandonados, locais geralmente conhecidos como “panelas de formigas”. Pensando em criar condições naturais a essas abelhas (da terra), imitando então a natureza, desenvolvi 2 modelos para abriga-las. Apesar de ter minha criação da abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides) e Jataí (Tetragonisca angustula), eu não poderia deixar de preocupar-me com as abelhas de solo, que devem ser preservadas pela sua grande importância ecológica. Algumas pessoas tentam manter as abelhas da terra em caixas ou colméias racionais de madeira, que são colocadas ao ar livre. Porém elas não sobrevivem muito tempo nessas condições, acredito eu, que elas não estejam adaptadas biologicamente para viver em contato com a madeira e, muito menos quando a colméia racional é colocada ao ar livre, pois quando estão fora da terra há grande dificuldade dessas espécies de manterem controle térmico eficiente para o ninho. Os meliponíneos que nidificam no solo, na minha opinião, devem ficar em contato direto com a terra, pois até mesmo microorganismos que vivem naturalmente na terra, talvez auxiliem de alguma forma a sobrevivência dessas abelhas indígenas sem ferrão .

Ferramentas para a Captura:
1 - Cavadeira ; 2 - Enxadão ; 3 - Colher de pedreiro ; 4 - Colher de cozinha ; 5 - Arame maleável ou corda de nylon (utilizadas em varal de roupa ). (As ferramentas dos itens 3 e 4 são importantes principalmente, quando a operação estiver chegando próxima ao ninho, evitando o perigo de danifica-lo). Captura: Para a captura das abelhas a primeira coisa a fazer é colocar o arame ou corda de nylon dentro do orifício de entrada das abelhas, em seguida deve-se cavar ao redor, tomando o cuidado para não perder o canal e, assim deve ser feito até chegar ao ninho. Esse trabalho deve ser feito em um dia ensolarado, uma chuva repentina destruiria todo o serviço e mataria as abelhas.

Construção dos Abrigos:
1º Abrigo : “Alvenaria” A construção dos abrigos é simples, o primeiro abrigo “Alvenaria”, consiste em construir uma caixa externa de tijolo ou bloco de cimento (não é necessário ser fechada em baixo, pode ser de “chão batido” para facilitar o equilíbrio da umidade; no interior da mesma é feita uma outra caixa (obs.: essa só pode ser de tijolo de barro), onde será colocada a colônia das abelhas em contato direto com os tijolos, que deverão ser unidos com barro , nunca com cimento). Entre a caixa externa e a interna, deve-se colocar uma camada de 10 – 15 cm de terra de barranco peneirada, ajudando com isso as abelhas a manterem um controle térmico. A tampa da caixa interna deverá ser de tijolo e unidos com barro, é importante deixar na mesma um orifício feito na posição diagonal, que facilita a subida e passagem das abelhas.

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2º Abrigo : “Panela de Barro” O segundo abrigo “Panela de Barro”, consiste em se utilizar uma caixa de madeira para servir como molde, barro e uma tigela redonda ou oval. De preferência deve-se utilizar terra peneirada de barranco ou, abaixo da superfície do solo, ( 30 a 40 cm ou mais), pois apresentam menos presença de fungos. Entre as abelhas da terra, algumas espécies possuem o ninho com grande número de abelhas necessitando de espaços maiores, como é o caso da Guira (Geotrigona inusitata), Guiruçu (Schwarziana quadripunctata), Mandaçaia – do - chão (Melipona quinquefasciata). Já a abelha Mirim-da-terra (Paratrigona subnuda) são abelhas menores necessitando de menos espaço. É importante conhecer qual é a espécie que será capturada, para ser construído com tamanho ideal o abrigo para as abelhas. Obs.: Devemos manter os abrigos na sombra e cobertos com o telhado, conforme o desenho. Endereço para contato : José Luciano Panigassi - R.: Maestro João Volpin Filho, 08 B. Limoeiro. - 13920-000 - Pedreira – SP. Fone: (0xx19) 893.1857 (residência) - Fone/fax.: (0xx19) 893.1575 (artefatos de madeira) E-mail: Panigassi@netpedreira.com.br

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ALIMENTADOR PARA COLMEIAS DE ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO
Luiz Augusto Bonacossa Caldas (lcaldas@ig.com.br) Médico e criador de Jataís na cidade do Rio de Janeiro. A alimentação artificial é muitas vezes indispensável para a manutenção de colônias de abelhas criadas pelo Homem; isto já é conhecido desde a Antigüidade. Com referência aos meliponíneos não poderia ser diferente e a prática o confirma, especialmente nas épocas mais frias do ano e quando há escassez de néctar. Para este fim são usados xaropes de diversas composições mas que, basicamente, consistem de uma solução de açúcar em água. Existem duas maneiras de oferecer este xarope às abelhas: 1 – Colocando-o fora da colméia 2 – Mantendo-o dentro da colméia Ambos os métodos apresentam vantagens e desvantagens. A alimentação externa, fora da colméia, tem a vantagem de ser administrada a qualquer momento, sem necessidade de abrir a caixa de criação e expor, assim, a colônia ao esfriamento, ao estresse e aos inimigos naturais. Todavia, quando se deixa uma solução açucarada ao ar livre atrai-se não apenas as abelhas de nossas colméias mas, também, as Apis mellifera e outros insetos que vivam por perto, possibilitando ferroadas e saques. Por estes motivos, um alimentador artificial que unisse a capacidade de ser oferecido às nossas colônias sem obrigatoriedade de abrir suas caixas e, ao mesmo tempo, permanecesse exposto apenas no interior das colméias seria, acredito, interessante à meliponicultura e este é o assunto do presente trabalho. A idéia deste alimentador baseia-se na colocação de um tubo de PVC rígido, desses habitualmente usados em construção civil para distribuição de água potável, atravessado entre duas paredes de uma colméia racional e aí fixado com adesivo à base de silicone. Neste cano (tubo fixo) é cortada uma “janela” retangular para que as abelhas tenham acesso a um outro tubo (tubo móvel) cujo diâmetro permita embutilo no primeiro mas sem folgas. No cano interno faz-se, ao centro, uma concavidade que quase alcance o lado oposto, e perfura-se o seu fundo, tornando-a uma espécie de funil. Quando abastecemos o tubo móvel com xarope a concavidade também se encherá com a solução açucarada, permitindo a alimentação das abelhas. Nas extremidades do cano móvel são escavadas roscas para que possam ser vedadas por dois tampões também em PVC. A seguir será orientada, passo a passo, a construção do alimentador, cujas medidas estão ajustadas às colméias tamanho médio, modelo Paulo Nogueira-Neto, descritas na edição 1997 do seu livro “Vida e Criação de Abelhas Indígenas Sem Ferrão” (Editora Nogueirapis). É possível modificar tais medidas, adaptando-as a diferentes modelos de colméias. TUBO FIXO Corta-se um pedaço de 200 mm de cano de PVC rígido com 21 mm de diâmetro interno. Marca-se o centro do tubo e corta-se uma “janela” de 40 mm de extensão, passando por este centro, aprofundando-a até o meio do tubo (figura 1). O uso de uma serra de corte cilíndrica (serra cilíndrica de tungstênio) montada no arco facilita bastante este trabalho pois, com ela, pode-se cortar o plástico em qualquer sentido. Depois, por meio de uma lixa grossa, retira-se o polimento deste pedaço de cano, deixando-o bem áspero para melhor aderência da cola às suas extremidades, ao embuti-lo nas paredes da colméia, e também para facilitar a locomoção das abelhas sobre ele. Para embutir os tubos fixos nas colméias PNN tamanho médio deve-se fazer dois orifícios, com broca chata de uma polegada, diametralmente opostos nas paredes maiores das gavetas superiores, iniciando-os em um ponto situado a 40 mm da aresta lateral mais próxima e a 30 mm da aresta superior. Desta maneira, o tubo fixo ficará bem próximo ao piso e ao lado menor da gaveta (figura 2).

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TUBO MÓVEL Corta-se um pedaço de 233 mm de extensão de um tubo com 21 mm de diâmetro externo (os eletrodutos de PVC rígido são adequados), lixa-se até deixa-lo bem áspero e escavam-se roscas em ambas as extremidades. Faz-se pequena marca no centro do mesmo e aquece-se o local à chama de isqueiro, a gás ou lamparina a álcool com cuidado para não amolecer demais o plástico nem deixar perfuração alguma. Pouco a pouco, à medida que o PVC for amolecendo, força-se a região central do cano com algum objeto fino mas de ponta romba - um estilete de metal com a extremidade arredondada é útil. Desta maneira, o plástico vai sendo deformado, criando uma concavidade para dentro do tubo, até quase encostá-la na superfície interna do lado oposto. A seguir, já com o material frio e enrijecido, perfura-se o fundo da concavidade com uma broca para madeira com 1 a 2 mm de diâmetro, comunicando-a com o interior do tubo e possibilitando, desta maneira, a passagem do xarope quando for aí colocado mas, não, às abelhas. Faz-se também dois ou mais orifícios, com 1 mm de diâmetro, nas bordas da mesma, para permitir a entrada de ar no tubo. Para terminar, atarraxa-se completamente um tampão, também de PVC, em uma das extremidades com rosca e nele, coincidindo com a posição da concavidade voltada para cima, faz-se um furo, com a mesma broca de 2 mm, desde a superfície do tampão até atravessar a parede subjacente do tubo móvel (orifício abastecedor na figura 3). Este orifício servirá para abastecer de xarope o alimentador já instalado e, ainda, como marca para facilmente identificarmos, estando a colméia montada, a posição da “boca” da concavidade dentro da caixa a qual, a fim de não entornar o líquido, terá de ficar sempre virada para cima. Além disto, introduzindo neste furo um prego de aço ou palito de dentes, pode-se manter o tubo móvel travado na posição ideal, sem movimentos laterais enquanto atarraxamos o tampão da extremidade oposta.

A seguir, introduz-se pequena rolha de borracha ou cortiça, que fique perfeitamente ajustada ao diâmetro interno do tubo móvel, sem sobras, na outra extremidade do mesmo, desliza-se este cano pelo interior do tubo fixo e atarracha-se outro tampão de PVC, passando-o sobre a rolha, prendendo o conjunto à caixa de criação. Quando o tubo móvel já estiver fixado no seu lugar (figuras 4 e 5), injeta-se, com uma seringa e agulha grossa, 40 ml de xarope pelo orifício abastecedor, fechando-o depois, novamente, com o preguinho de aço ou palito de dentes.

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Após um a três dias da colocação do xarope no alimentador, tira-se o tubo móvel que lá estava para impedir a fermentação do açúcar. Isto é feito com facilidade, bastando retirar o tampão que passa sobre a rolha (mantendo esta no lugar) e, por este lado, introduzir outro tubo móvel, sem o xarope mas já ocluído com a rolha e o tampão rosqueado no lado oposto, que empurrará o anterior para fora - não permitindo a saída de abelhas - e assumirá o lugar dele. Depois de embutir o tubo móvel vazio no tubo fixo, coloca-se o tampão na extremidade com a rolha deixando-o dentro da colméia até a próxima alimentação, quando, então, pode-se abastece-lo como já explicado. Deve-se, sempre, colocar uma vareta de bambu sobre o alimentador (figura 1), o que dificulta construções de potes de pólen ou mel neste local. É conveniente, ainda, manter a concavidade do tubo móvel voltada para baixo enquanto este for deixado vazio dentro da colméia, para impedir que as abelhas lancem detritos dentro do funil de alimentação. Quando quisermos abastecê-lo, basta girá-lo para a posição adequada. Não esquecer de passar uma fita de teflon, como veda-rosca, antes de colocar o tampão na extremidade do tubo móvel que não tem a rolha, para que não ocorram vazamentos. Com o fim de deixar aberto o orifício de abastecimento de xarope, deve-se passar a fita de teflon sobre as roscas situadas entre este orifício e o centro do tubo, é o suficiente para uma boa vedação.

A MANDAÇAIA
Abelha com características excelentes para se criar racionalmente. E, por contar com uma incidência maior em várias regiões do país, indo desde o Paraná ao Estado da Bahia. Seu nome científico é: Melipona quadrifasciata, mas é conhecida popularmente por Mandaçaia, que na linguagem indígena significa vigia bonito ( mandá: vigia) (çai: bonito), fato este por se observar no orifício de entrada da colméia uma abelha sempre presente, ou seja, a vigia. Operária de Mandaçaia quadrifasciata coletando pólen em flor de Exacun sp. Foto: Aidar, D.S. 1999.

ONDE ENCONTRÁ-LAS:
A Mandaçaia tem sua presença ao longo da costa atlântica, desde o Norte até o Sul, sendo que a subespécie quadrifasciata ocupa as regiões de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e a subspécie anthidioides habita as regiões ao Norte, sendo que no Estado de São Paulo podemos encontrar as duas subspécies. Por sua vez, a Melipona quadrifasciata habita regiões mais altas e mais frias. O comportamento externo dessa subespécie, em relação à temperaturas baixas ( 14o - 16o C) e umidade relativa alta ( 80 - 90%), entre as 8:00 e 9:00 horas, é bem intensa, aumentando o trabalho de coleta. Devido ao seu tamanho avantajado, possui melhor controle de temperatura corpóreo, o que lhe permite viver em regiões mais frias. Nas regiões secas, principalmente na Bahia, encontramos a subespécie Melipona mandaçaia, praticamente com a mesma morfologia das acima citadas, porém de tamanho um pouco menor.

MORFOLOGIA:
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APACAME - Mensagem Doce 27 É uma abelha de cor negra, tendo em seu abdômen quatro listras amarelas brilhantes transversais nos tergitos. A região entre as antenas, geralmente possui pelos negros, na parte inferior da face tem uma pontuação muito fraca, o ventre e a porção mediana superior do tórax, são pouco lustrosos na base do que no ápice. É uma abelha robusta e o seu tamanho mede entre 8 a 12 mm. Estas abelhas possuem outras subespécies: a Melipona quadrifasciata quadrifasciata, a Melipona quadrifasciata anthidioides e a Melipona mandaçaia. A Melipona quadrifasciata anthidioides, possui suas listras amarelas abdominais interrompidas na parte mediana, enquanto que na primeira subespécie estas listras são contínuas; também, já foi encontrado no Estado de São Paulo, um híbrido com o abdômen mais curto sem as bandas tergais, possuindo somente uma pigmentação amarela. Observação feita durante uma visita do inseto num arbusto de Assa-Peixe ( Vernonia polyanthes).

HABITAT e NINHO:
A Mandaçaia constrói seus ninhos em ocos de troncos de árvores, numa altitude mediana. A entrada do ninho, é construído com geoprópolis ( uma mistura de barro com resinas extraídas das plantas), geralmente na parte externa do orifício de entrada elas constroem sulcos radiais convergentes, sendo que neste orifício passa só um abelha por vez. A partir do orifício de entrada, encontramos um canal de mais ou menos 20cm de comprimento, chamado túnel de ingresso, que vai desembocar próximo aos favos de cria, os quais são envolvidos por lamelas de cerume irregulares a quais chamamos de invólucro, que é constituído de uma mistura de cera e própolis, cuja finalidade é conservar a temperatura interna do ninho. O ninho geralmente tem a forma de discos sobrepostos e no sentido horizontal, estes discos são formados por células com aproximadamente 1cm de altura por 0,5cm de diâmetro, confeccionados com cerume, onde são desenvolvidas as crias. Constroem, também, com o mesmo cerume, potes ovais, medindo cerca de 3 a 5cm de altura, por 2,5cm de diâmetro, ligados entre si. Estes potes são usados para armazenar alimentos, mel e pólen, e se encontram geralmente abaixo ou acima da região dos favos de cria, e também próximo dos mesmos. O ninho desta abelha, possui uma população bem menor, em relação à Apis mellifera, não chegando a ultrapassar 2.000 abelhas, normalmente encontramos famílias somente com centenas de indivíduos. A Mandaçaia é uma abelha muito mansa, mas costuma repelir os intrusos com um movimento bastante intenso em redor do possível inimigo, chegando a mordiscar com suas fortes mandíbulas. CASTAS / OPERÁRIAS: Sendo um inseto socialmente desenvolvido, as operárias desempenham várias funções na colméia de acordo com sua idade. As mais jovens, com a cor mais clara, permanecem sempre na região dos favos aquecendo as crias, num segundo estágio, faz o aprovisionamento das células e se ocupam na construção das mesmas. A medida que vão se desenvolvendo trabalham na construção de potes de alimentos, limpeza, guarda e recepção de alimentos. Quando chegam num estágio mais avançado se tornam forrageiras, comumente chamadas de campeiras, que tem como trabalho o transporte, para dentro da colméia, de néctar, pólen, barro e resina, sendo o néctar transportado na vesícula melífera ( pré estômago) e os três últimos na corbícula. Em colônia de Mandaçaia, as operárias têm seus ovários desenvolvidos e muitas vezes podem fazer postura. Estas posturas podem ser efetuadas antes ou após a postura da rainha. Geralmente os ovos de operárias postos antes da postura da rainha, são ingeridos pela mesma, e os ovos postos após a postura da rainha darão origem a zangões (machos), isto porque a larva do macho se desenvolve mais rápido comendo, então, o ovo posto pela rainha. Estes ovos têm a mesma forma dos ovos de rainha e mesmo os que são postos antes dos da rainha, podem dar origem a machos. Em colônias de Mandaçaia, as operárias e os machos são muito semelhantes, sendo quase impossível distingui-los a olho nu.

RAINHA:
Por ter seu abdômen bem desenvolvido, a rainha caminha lentamente pelo favo e é aí que se encontra freqüentemente sempre acompanhada por algumas operárias que lhe fazem a corte. Não existe diferença de tamanho entre células de rainha e operárias. Numa colônia normal sempre há eclosão de rainhas virgens, no entanto elas não nascem atrativas. Se a colônia estiver com rainha fisogástricas (fecundada) em boas condições, as rainhas virgens (princesas) serão logo eliminadas pelas operárias. Eventualmente pode ocorrer a substituição da rainha fisogástrica. A rainha virgem (princesa) , para ser fecundada, voará, voltando já fecundada para a mesma colônia e começa, após alguns dias, a fazer postura. As rainhas virgens (princesas) são de fácil identificação, pois não possuem as listras amarelas no abdômen, a cabeça é relativamente menor, e a coloração do corpo é marrom. Após a fecundação o abdômen sofre um aumento significativo, impossibilitando seu vôo.

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ZANGÕES: (machos)
Os machos de Mandaçaia, ao contrário dos de Apis Mellifera, podem realizar algum tipo de trabalho na colônia, como por exemplo a desidratação do néctar, mas sua principal função nas colônias, é fecundar a rainha, durante o vôo nupcial. Segundo estudos efetuados, embora haja controvérsias, a rainha acasala-se somente com um zangão.

MEL:
O mel produzido pela Mandaçaia é procurado pelo seu agradável sabor, não enjoativo. É bastante liquefeito devido ao alto teor de umidade, fato este que requer que o mesmo fique armazenado sob refrigeração, para evitar a fermentação. Na natureza a Mandaçaia pode produzir de 1,5 a 2,0 litros de mel em épocas de boa florada, criada racionalmente a produção pode aumentar.

A JANDAÍRA
(Melipona subnitida Duke) Não há, ainda, precisão quanto a área que ocupa, vive em regiões relativamente secas do nordeste, mais especificamente no Estado do Rio Grande do Norte. A origem de seu nome comum vem do Tupi-Guarani (Nheengatú). Jandaíra ( de Yandi-ira), Jandaira abelha de mel, prenome feminino equivalente a melifera, e Jandieira abelha de mel, que na sua região de ocorrência pode ser criada racionalmente, onde produz uma quantidade razoável de mel. Como a grande maioria das abelhas indígenas sem ferrão, as colônias habitam em ocos de árvores, dando preferência a Imburana (Bursera leptophleos) e Catingueira (Caesalpinia pyramidalis), árvores nativas da região etc. As colônias encontradas são de população mediana. É uma abelha mansa, mas morde um pouco quando uma família populosa é aberta. NINHO: A entrada do seu ninho, é típica das abelhas do gênero Melipona. Está situado no centro das raias convergentes de barro (Boca de Barro), por onde passa somente uma abelha de cada vez. Os favos de cria são horizontais, não constroem células reais (realeiras). Possuem um invólucro de lamelas de cerume irregular, envolvendo os favos de cria. Para delimitar e fechar as frestas do ninho utilizam o batume que é uma mistura de muito barro e pouca própolis. Estudos feitos sobre os hábitos desta abelha ainda são excipientes, mas não foram relatados hábitos sujos. Porém, como se trata de uma abelha pouco estudada, serão necessárias muitas observações antes de chegarmos a uma conclusão. Em conseqüência, é aconselhável a pasteurização do seu mel. Possui um mel saboroso, não enjoativo, muito consumido pelas populações do nordeste. Segundo informações do saudoso Monsenhor Humberto Bruening, esta abelha produz de um a dois litros de mel, por colônia anualmente, vendidos a um preço de três a seis vezes superior ao mel da Apis mellifera. Ao terminar esta pequena matéria sobre a Jandaíra, gostaria de prestar uma homenagem póstuma ao Monsenhor Humberto Bruening, que se foi, mas deixou em Mossoró e para todos os brasileiros, um magnífico legado sobre a nossa Jandaíra. Quero registrar, também, como não poderia deixar de ser, o excelente trabalho que vem sendo realizado, no Jardim do Seridó - RN , pelo meliponicultor Ezequiel Roberto Medeiros de Macedo, que não medindo esforços e, com muito amor e carinho, recuperou e evitou, do fantasma da extinção, esta belíssima abelha.

Meliponários de Jandaíra do Nordeste Brasileiro Marilda Cortopassi-Laurino & Dick Koedam
A abelha jandaíra do nordeste (Melipona subnitida), quanto à estrutura de ninho é igual a todas as outras meliponas que conhecemos: mandaçaia, uruçu, guaraipo, rajada, etc, e talvez por ser originária da caatinga ou sertão, é uma abelha muito resistente e fácil de ser criada principalmente em seu ambiente natural.

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Para conhecermos melhor como os meliponicultores criam essas abelhas, o professor Dick Koedam e eu, visitamos vários meliponicultores nos estados de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, na segunda quinzena de maio de 2000, época boa porque em alguns locais, havia chuva desde dezembro. E quando a chuva chega no sertão é festa para os nordestinos, para a agricultura, a agropecuária, para as plantas nativas, as ervas “daninhas” e as abelhas. Começamos a viagem muito bem durante a comemoração do dia do Apicultor, na sede da CAPEL em Recife, com direito a palestras, feijoada, tarde de campo e cerveja de mel! Os meliponicultores dessa região criam principalmente a uruçu (Melipona scutellaris), abelha forte e típica dessa região litorânea, mas vários criam também a jandaíra. Pela primeira vez, vimos, em Paulista-PE, as caixas verticais para abelhas, com ninhos de uruçu (FOTO 1). Essas caixas tem a vantagem de serem mais parecida com os troncos que as abelhas usam na natureza. Uma desvantagem é que quando se abre a caixa vertical, as abelhas novas que não voam e que caem, precisam ser apanhadas e recolocadas no ninho. Por causa desse inconveniente, a solução parcial é a caixa com duas tampas. Para tirar o mel, só se abre a tampa onde estão os potes. Soubemos de uma jandaíra que enxameou naturalmente indo para uma Foto 1 ninho vertical de uruçú, na dessas caixas verticais. Nesse mesmo local havia um tronco de imburana propriedade do senhor Francisco plantado com ninho de abelha dentro! Chagas Uma solução original observada nas visitas, foi o meliponário tipo “gaiola” (FOTO 2). Todas as caixas ficam dentro da casa e as abelhas voam para fora através das grades. Na casa há uma única porta trancada com cadeado. Esse modelo é muito útil para meliponicultores que não tem caseiro e se preocupam com os vizinhos que gostam de mel.... Foto 2 meliponário tipo “gaiola” na propriedade do senhor Renato Barbosa. Outra estrutura com a mesma finalidade foi o meliponário fixo. Encaixes perfeitos entre as prateleiras não oferecem qualquer chance de deslocamento das colméias e uma corrente com cadeado evita que as prateleiras sejam abertas. Os pés da armação, além de fixados na calçada de cimento, também possuem proteção contra formigas. A sua parte inferior é envolta por cano de plástico preenchido com óleo e querosene para as formigas não subirem, enquanto na parte superior desse copo de plástico, um funil invertido impede que abelhas voantes caiam no óleo (FOTO 3). Nessa região úmida, além das formigas, as lagartixas e os forídeos são inimigos das abelhas. “Caça forídeos” externos, confeccionados com Foto 3 meliponário fixo com destaque especial para a garrafas plásticas com vinagre mais água no seu proteção dos pés e para a imobilidade das prateleiras, interior e canecas ou panelinhas de alumínio idealizadas pelos senhores Renato Barbosa e Ricardo colocadas à porta dos ninhos para protegê-los, são soluções locais contra esses inimigos. Cantarelli.

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Na região de Taquaritinga do Norte-PE, logo após a cidade de Vertente, encontrei o meliponário mais rústico da viagem. Todos os ninhos, ainda nos troncos, estavam num cercado de arame farpado coberto com chapas de metal. Uma tampa lateral no tronco permitia, ao ser aberta, furar alguns potes e retirar o mel (FOTO 4). No caminho de Taquaritinga, visitamos em Timbaúba-PE um criador de uruçus. Merece atenção especial o método que ele usava para dividir os ninhos até há algum tempo atrás: com o auxílio de um facão afiado cortava o ninho como um bolo, em duas metades iguais e transferia somente uma das metades para a nova caixa. Disse-nos que nunca perdeu um ninho com Foto 4 meliponário rústico localizado na borda da essa técnica lógica que ele inventou. região de caatinga em Taquaritinga, na propriedade do senhor Fernando Xavier. Em Passira-PE, o meliponicultor faz aumento nas caixas de abelhas só na região dos favos de cria. Ele coloca alimentador interno, rosqueando o tubo de xarope (FOTO 5), e quando divide os ninhos, tem o cuidado de colocar os favos em cima de trabiques de madeira evitando assim o contato dos favos com a umidade do chão do ninho. No meliponário de Fortaleza que visitamos, a jandaíra é criada a 13 km do centro da cidade, no fundo do quintal da casa. A idéia original observada aqui foi o modo de esconder o alimento das abelhas contra o ataque de forídeos, também comuns nessa região litorânea (FOTO 6). Na divisão da colônia, depois de transferirem os favos, o pólen e o mel, são colocados, separadamente, na colméia nova, dentro de tubos de filmes fotográficos, fechados com tampa previamente furada, sobre a qual é colocada uma lamina de cerume. Os orifícios, assim vedados, só poderão ser removidos pelas abelhas, e somente quando necessário. Se algum forídeo entrar na colméia, ele não conseguirá entrar nos tubos de filmes nessa ocasião, para botar seus ovos. O diâmetro do orifício dá passagem somente para uma abelha. Parece que as abelhas identificam esses tubos de filmes como potes porque algum tempo depois, forram-no inteiramente com cerume.

Foto 5 A alimentação artificial é feita internamente, sem abrir as colônias no meliponário do senhor Nelson de Souza.

Foto 6 Tubos de filmes fotográficos transformam-se em potes de alimento seguros contra ataque de forídeos no meliponário do senhor Lima-Verde.

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O meliponário de jandaíra de Mossoró é o que possui mais história. Muitas das suas colônias pertenceram a Monsenhor Huberto Brunning, o pioneiro na divulgação da criação da jandaíra. O meliponário é muito organizado: todas as caixas são numeradas e com ficha de acompanhamento. O meliponicultor é o único que vende mel em garrafas de vidro de 200ml devidamente etiquetada. Possui mel de jandaíra guardado desde 1984 e alguns com analise físicoquímica. O meliponário está situado no quintal da casa, a apenas 3km do centro da cidade e a mais ou menos 200 metros da mata nativa, a caatinga Uma solução original observada aqui foi um meliponário com três prateleiras, totalmente desmontável (FOTO 7) e que pode ser transportado no porta malas de um carro de passeio Foto 7 Meliponário desmontável, idealizado pelo Alguns ninhos de jandaíra estavam instalados em caixas verticais. senhor Paulo Menezes.

Ainda em Mossoró, tivemos a oportunidade de conhecer o fundador (FOTO 8) da Coleção Mossoroense, esta com mais de três mil títulos publicados, sendo mais de setecentos dedicados à seca. A publicação, em 1991, do livro “Criação da Abelha Jandaíra” do Monsenhor Hubert Brunning foi a maior dádiva para os criadores dessa abelha. Embora escrito como diário, contém muitas informações sobre como “despencava” as colônias, isto é, tirava o mel, quanto era a produção de mel nos diferentes anos, a divisão dos ninhos, as plantas que elas usavam para nidificar e visitar, a alimentação externa, a formação de novas colônias quando ocorria aglomerado de abelhas, e a sua “bronca” com as irapuás e as Apis. Foto 8 O fundador da Coleção Mossoroense e Deixou um relato especial, mesmo não sabendo o esposa (Sr. Vingt-Un e América Rosado) em sua significado de alguns comportamentos das abelhas, residência. As formas circulares (gastrópodes e mas deixou principalmente o exemplo. Terminou o equinodermatas) da parede tem 90 milhões de anos e livro comparando a sociedade das abelhas com a são provenientes (surpresa!) da Formação Jandaíra humana....... do Rio Grande do Norte Quem olha no mapa do Brasil a distribuição da região da caatinga, verá que no Rio Grande do Norte, esse ecossistema chega até o litoral. E lá fomos nós até o litoral (Areia Branca) onde há criação da jandaíra a 100m da praia, em colméias penduradas nos cajueiros atrás das dunas (FOTO 9). O que nos surpreendeu foi que o meliponicultor não reconhece favos de cria nascente ou jovem, mas divide o ninho quando constata muitos favos dentro da colméia. Seu conselho é precioso: para o mel não fermentar, na sua retirada não pode haver contato com as mãos. Ninguém experimenta o mel dos potes quando estão sendo cortados com a faca. Foto 9 Colméias de jandaíra em galhos de cajueiros, muito próximas das dunas da praia, na propriedade do senhor Valdemir de Medeiros.

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Em Macaíba, próximo de Natal, mesmo não sendo caatinga, as jandaíras sobrevivem. Especial no meliponário que visitamos eram os cortiços feitos com o próprio tronco de imburana com a casca externa retirada, com o cerne ampliado e cortada nele uma tampa em toda a extensão do comprimento (FOTO 10). Como o ninho é feito com “pau de abelha”, as abelhas naturalmente gostam. Foto 10 Ninhos de jandaíra instalados em troncos especialmente preparados de imburana na propriedade do senhor Tertuliano Aires.

Em pleno sertão, bem no interior do Rio Grande do Norte, no Jardim do Seridó, encontramos o criador de jandaíra com o maior número de colméias dessas abelhas. É o único meliponicultor daquela região que tem na meliponicultura a sua atividade econômica principal. Ele possui um galpão especialmente construído para apoiar as colméias (FOTO 11) e também plantou no pátio, troncos de imburana com ninhos de abelhas no seu interior. Divide os ninhos com técnica de 2:1 ou seja, duas colônias cedem parte de si para formar uma terceira (a filha). Consegue recuperar colônias muito fracas e Foto 11 Meliponário especialmente construído para vende o mel em litro de whisky com rótulo onde abrigar centenas de colonias de jandaíra na destaca a jandaíra e flores visitadas por essas propriedade do senhor Ezequiel Macedo. abelhas para elaborar o mel. Esse meliponicultor adaptou caixas articuladas para facilitar a retirada do mel de tal forma que, quando realiza essa atividade, só a parte posterior (com os potes) é manuseada. A parte anterior, com os favos de cria, não sofrem qualquer deslocamento, evitando que ovos caiam no alimento larval ou fiquem presos na parede das células de cria. Soubemos que existem outros meliponicultores de jandaíra em Alagoas e na Bahia, principalmente no norte deste estado. Gostaríamos de tê-los visitado também. Quanto aos meliponicultores, todos são do sexo masculino, alguns já aposentados e que trabalham predominantemente sozinhos ou com auxílio de alguém da família como esposa ou filho. Todos reconhecem quando as colônias são fortes ou fracas e podem identificar quando as abelhas estão de tamanho maior ou menor ao longo do ano. Alguns reconhecem os machos dessas abelhas somente quando formam aglomerados nas proximidades das colônias, fato que parece estar associado com a presença de pelo menos dez ninhos fortes nas redondezas. Esses meliponicultores sabem que as jandaíras fazem ninho naturalmente nos ocos das árvores imburana, catingueira, umbuzeiro, pereiro, pau branco e cajarana. Todos conhecem quais são as plantas boas para as abelhas e poucos plantam para as abelhas com uma única exceção. Algumas espécies de plantas citadas como sendo visitadas pelas jandaíra foram: marmeleiro, beduaga, maniçoba, jitirana amarra cachorro, jitirana peluda, jurema preta, jurema branca, feijão de boi, malva, malva roxa, mufumbo, velame, cássia chuva de ouro, caju, amor agarradinho, salsa, moringa, carnaúba, pitanga, herbanço, gudião e sabiá, esta planta, conhecida aqui no sudeste como sansão do campo. O mel é vendido entre 30-100 reais o litro, dependendo da região e do poder aquisitivo da população local. Com exceção do mel de aroeira, que se cristaliza rapidamente, todos os méis observados eram líquidos, com teor de água variando de 25-32%. A população do nordeste considera o mel de jandaíra como medicinal, usando-o no tratamento de doenças das vias respiratórias (ingerido ou em nebulizador), nas dores de ouvido (aquecido), em feridas e picadas de cobra (como emplastros) em ardências e inflamações de olhos (como colírio puro ou diluído) e ainda como fortificante (puro, na gemada, diluído na pinga, etc). A alimentação artificial é recurso utilizado na época de falta de flores na natureza ou para reforçar o ninho. Mel de Apis ou xarope de água com açúcar são colocados diretamente nos potes vazios de dentro

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APACAME - Mensagem Doce 33 da colméia ou oferecidos em bandejas com flutuadores nas imediações das colméias. A CAPEL foi a única de desenvolveu um alimentador externo padrão, em formato de “J” com bocal para a parte interna da colônia e uma garrafinha com xarope na parte externa. Fato notável é que todos os meliponicultores que conhecemos tiveram interesse especial em divulgar seus conhecimentos sobre o manejo das abelhas nativas e dos locais onde elas ocorrem naturalmente, dados que nem sempre estão nos livros. No entanto, todos queriam saber mais sobre a vida das abelhas, pergunta difícil de responder porque lá, eles é que sabiam mais.... Expressamos nossos agradecimentos especiais aos meliponicultores que nos receberam tão bem e tornaram possível e acessível as visitas e as observações acima relatadas. Pela ordem de visita: Renato Barbosa, Alexandre Moura, Francisco Chagas e Ricardo Cantarelli, de Recife-PE e arredores. Severino da Silva Xavier de Timbaúba-PE, Fernando Xavier Bezerra de Taquaritinga do Norte-PE, Naelson Antonio de Souza de Passira-PE, Breno Freitas e Luis Wilson Lima Verde de Fortaleza-CE, Paulo Roberto Menezes de Mossoró-RN, Valdemir Fernandez de Medeiros de Areia Branca-RN, Tertuliano Aires Neto em Macaíba-RN e Ezequiel Roberto Medeiros de Macedo do Jardim do Seridó-RN.

MELIPONICULTURA - ABELHA IRAI (Nannotrigona testaceicornis)
Esta abelha é encontrada principalmente em zonas tropicais, mais especialmente, do norte do Paraná, no Brasil, até os Estados Unidos, na América do Norte. A origem do sei nome, como não poderia deixar de ser, vem do Tupi e significa: Ira = abelha, mel: Y = rio. O Rio do Mel, o Rio Doce. Abelha indígena pertencente à tribo dos Trigonini, constroem um berço real, ou seja, uma realeira na periferia dos favos de cria, para que venha nascer uma nova rainha. Na região nordeste é pelo nome popular de Camuengo, Mambuquinha, já no Sul é conhecida por “Jataí preta”, ou Jataí mosquito. Trata-se de uma abelha que mede em torno de 4mm de comprimento, é preta, possuindo pilosidade (pelos) grisalhos e asas esfumaçadas no terço apical (ponta das asas). Tem população considerada mediana. As colônias giram em torno de 2.000 a 3.000 elementos. constroem seus ninhos nos locais mais variados, tal como muros de pedras, blocos de cimento, tijolos vazados e, com preferência, em ocos de árvores. É muito comum encontrá-las em regiões urbanas. É uma espécie tímida, de fácil manejo pois é muito mansa. Abelha de comportamento interessante, tem o trabalho de fechar a entrada da sua colônia ao cair da noite e abri-lo ao amanhecer. Esta entrada é construída com cerume e consiste em um tubo curto de cor parda e , às vezes escuro, no qual encontramos sempre várias abelhas guardas circundando toda a circunferência do tubo. Seu ninho possui um exoinvólucro construído de com uma resina dura e às vezes perfurada para a entrada de ar e, também, usado para delimitar a área ocupada pelo ninho. O favor tem a forma espiral e são construídos em grande quantidade. As células de cria são construídas em baterias, isto é, muitas células são preparadas simultaneamente pelas operárias e a rainha põe os ovos em seqüência. Os potes de alimento são pequenos, com cerca de 1,2cm de diâmetro e possui forma ovóide. Possui, também, um invólucro composto de várias camadas de cerume fino e claro circundando os favos para manter uma temperatura constante e ao mesmo tempo protege-las. Esta abelha produz grande quantidade de Própolis puro e viscoso que geralmente usa para defesa de seu ninho. Produz um mel de boa qualidade, porém em pequena quantidade. Waldemar Monteiro conservacionista, membro do Departamento de Abelhas Indígenas da APACAME

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CAIXA "PRÁTICA" PARA JATAÍ....................................................................................................1 COLMÉIA GUILLIANI PARA CRIAÇÃO RACIONAL DE JATAÍ................................................3 INTRODUÇÃO................................................................................................................................3 As Dimensões da Colméia:..............................................................................................................3 Manejo do Ninho:.............................................................................................................................4 Da Melgueira:...................................................................................................................................4 Observação Final..............................................................................................................................5 MELIPONICULTURA ( Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão).................................................5 Montagem do meliponário: caixas, cavaletes e coberturas.................................................................7 COLMEIAS (CAIXAS)...................................................................................................................7 MODELOS DE CAIXAS:...................................................................................................................7 MODELO PNN = PAULO NOGUEIRA NETO.............................................................................7 MODELO KERR:............................................................................................................................8 MODELO CAPEL (Vertical)...........................................................................................................9 MODELO CAPEL ( Horizontal)......................................................................................................9 MODELO BAIANO........................................................................................................................9 MODELO ISIS...............................................................................................................................10 MODELO MARIA.........................................................................................................................11 MODELO JULIANE......................................................................................................................11 IMPLANTAÇÃO DO MELIPONÁRIO COM A ESCOLHA DA ABELHA IDEAL.....................13 CAPTURA E POVOAÇÃO DO MELIPONÁRIO ......................................................................13 NINHO ..........................................................................................................................................13 MEMBROS DA COLÔNIA .........................................................................................................14 Transferência de ninho e cuidados preliminares............................................................................14 Manejo da colméia no meliponário ( Revisões). ...........................................................................15 Divisão da Família (colônias). .......................................................................................................16 PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO COM RAINHA.................................................................17 Alimentação e Alimentadores para Meliponíneos. .......................................................................17 ALIMENTADORES: Modelos......................................................................................................19 Dos Predadores e Inimigos Naturais das abelhas Nativas. ................................................................19 BOMBA EXTRATORA DE MEL DE ABELHAS NATIVAS....................................................20 I Simpósio Brasileiro Sobre Própolis e Apiterápicos.........................................................................21 VISITA TÉCNICA À PEDREIRA....................................................................................................21 Abrigos para as “Abelhas Indígenas sem Ferrão do Solo”.............................................................22 Ferramentas para a Captura:...........................................................................................................22 Construção dos Abrigos: ...............................................................................................................22 ALIMENTADOR PARA COLMEIAS DE ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO ..................24 A MANDAÇAIA ..............................................................................................................................26 ONDE ENCONTRÁ-LAS:............................................................................................................26 MORFOLOGIA:............................................................................................................................26 HABITAT e NINHO:.....................................................................................................................27 RAINHA:.......................................................................................................................................27 ZANGÕES: (machos)....................................................................................................................28 MEL:...............................................................................................................................................28 A JANDAÍRA....................................................................................................................................28 (Melipona subnitida Duke).............................................................................................................28 Meliponários de Jandaíra do Nordeste Brasileiro..............................................................................28 MELIPONICULTURA - ABELHA IRAI ........................................................................................33

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