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Síntese Programática

Como devem estar recordados, na aula passada abordámos as diferentes características


do contexto formativo.

O programa da aula de hoje prevê a análise dos seguintes pontos:

:: Aula 2
2. Caracterização do Sistema e Modalidades existentes
2.1 O sistema de educação e formação profissional
2.2 A reforma da Formação Profissional e os aspectos inovadores 2.3 As
modalidades de formação

2.1 O Sistema de Educação e Formação Profissional (1/4)

:: O sistema de educação e formação profissional nacional visa garantir o direito à educação e formação
por parte de todos os cidadãos. A sua estrutura prevê os seguintes níveis:

:: A reformulação posta em prática em 2007 procura harmonizar e uniformizar a base institucional de


suporte: o sistema educativo e o mercado de trabalho deverão contribuir em circunstâncias
semelhantes, e de forma integrada, para o reforço das qualificações da população activa.

:: Anteriormente, a formação profissional estava enquadrada em diferentes sistemas:

:: No Sistema Educativo a base institucional dominante é Escola e incluía o ensino recorrente de


adultos e educação extra-escolar.

:: No Mercado de Emprego a base de referência é a Empresa e tinha como destinatários a população


activa empregada ou desempregada, incluindo candidatos ao primeiro emprego

:: Todavia, as exigências da economia do conhecimento e o défice de qualificações apresentado pelo


mercado laboral português face a países mais desenvolvidos levou a que os fossem integradas num
sistema comum, partilhando objectivos, instrumentos e um novo enquadramento institucional.

:: Há agora como que um único sistema, no qual os Jovens e os Adultos poderão procurar a melhor
solução para completarem o 12.º ano e, caso desejem, integrarem o ensino superior.

:: A estratégia prevê que todos os esforços despendidos em formação serão efectivamente valorizados
para efeitos de progressão escolar e profissional (dupla certificação) dos indivíduos.

:: Em suma, o sistema de educação e formação profissional actual assume a seguinte configuração:


2.2 A Reforma da Formação Profissional

:: Apesar dos esforços despendidos em formação profissional, a progressão escolar e profissional do


mercado de trabalho continua a apresentar valores preocupantes e pouco competitivos.

Para conhecer em detalhe esta reforma não deixe de consultar a:


Resolução do Conse lho de Ministros nº 173/2007, de 7 de Novembro e Decre to-Lei nº 396/2007,
de 31 de Dezembro!

:: As linhas mestras desta reforma procuram recuperar as competências adquiridas através da


metodologia de RVCC (reconhecimento, validação e certificação de competências) e dinamizar a oferta
formativa com dupla certificação (escolar e profissional), para a qual toda a formação deverá produzir
créditos.

:: A Reforma da Formação Profissional assenta, primordialmente, em cinco eixos de actuação.

:: De seguida analisaremos cada um dos propósitos enunciados.


» Aumentar a relevância da formação para a competitividade, modernização e capacidade de inovação
das empresas;
» Aumentar o acesso à formação, nomeadamente por parte dos activos empregados;

» Elevar as qualificações escolares e profissionais dos indivíduos;

:: Exige a existência de oferta formativa devidamente pertinente, uniformizada e certificada onde valha
o princípio da dupla certificação.

:: Para tal será necessário expandir e consolidar o dispositivo de RVCC, quer em termos do número de
centros disponíveis, quer em relação ao nível das habilitações escolares (12.º ano de escolaridade).

:: Através do Sistema Nacional de Qualificações (SNQ)

Objectivos:
:: Produzir perfis profissionais (e respectivos
referenciais formativos) claros e
amplamente reconhecidos por todos os
intervenientes;
:: Reformular os processos de certificação
profissional;
:: Gestão articulada (ME + MSST) dos
dispositivos, tais como os Centros Novas
Oportunidades.
:: Concentrar o financiamento nas modalidades de formação de dupla certificação inicial e contínua (i.e.,
acções do CNQ);
:: O financiamento público da procura individual deve privilegiar, em termos de formação contínua, os
processos de RVCC e a oferta do Catálogo;
:: Adoptar mecanismos de financiamento directo à procura, através da utilização de “cheques-
formação”;
:: Valorizar as modalidades de formação-consultoria nas micro, pequenas e médias empresas, bem
como fomentar processos de inovação e modernização empresarial junto destes intervenientes;
:: Introduzir critérios de avaliação de resultados como forma de fomentar a qualidade dos processos
formativos e, consequentemente, introduzir práticas de selectividade dos processos de concessão de
financiamento.
OBJECTIVOS: Concretizados através de:

Reformar o sistema de acreditação das entidades formadoras


» Sistema Acreditação e Qualidade
Reforçar em termos técnicos e pedagógicos a rede de entidades
» Pólos de Excelência
formadoras »
» Centro Nacional de Qualificação de
Reforçar as competências dos próprios formadores
Formadores

Prioridades:

:: Desincentivar a entrada precoce no mercado de trabalho e limitar os apoios à contratação de jovens


que não tenham concluído o ensino secundário;

:: O financiamento rege-se por princípios de eficiência e qualidade, privilegiando a formação


desenvolvida de acordo com o Catálogo, bem como acções que potenciem estrategicamente as
empresas e os trabalhadores.

:: As empresas deverão estar activamente envolvidas na qualificação dos activos; para tal, a formação
deverá ser modular e promovida a flexibilidade dos horários laborais.

2.2.1 Aspectos mais inovadores da Reforma (1/4)

» Catálogo Nacional de Qualificações:

Constitui uma compilação de perfis profissionais e referenciais de formação que regula e orienta toda a
oferta de formação.

No sítio www.catalogo.anq.gov.pt pode encontrar toda a informação detalhada


sobre este instrumento.

Está na base do processo de certificação de competências e de dupla certificação.

Destina-se às ofertas de níveis II e III disponíveis para os percursos de Educação-Formação de Jovens e


Educação-Formação de Adultos, bem como às ofertas de nível IV.

» Agência Nacional para a Qualificação, I.P. (ANQ):


Corporiza a gestão do Sistema: fomenta e organiza a articulação entre a
educação e a formação (essencial para o acelerar da qualificação dos
portugueses).
É tutelada pelo ME e MTSS;
As principais competências referem-se a:
* Elaborar e proceder à actualização contínua do Catálogo;
* Coordenar e dinamizar a estrutura da oferta de dupla certificação (escolar e profissional);
* Coordenar a rede dos Centros Novas Oportunidades (autoriza a criação, regula as condições de
funcionamento e procede à avaliação dos mesmos).

Para saber tudo sobre a Agência nãodeixe de consultar www.ang.gov.pt.

A Portaria nº959/2007, que aprova os Estatutos e o Decreto-Lei nº 276-C/2007, aprova a orgânica!

» Caderneta Individual de Competências, onde são assinaladas todas as qualificações e competências


adquiridas ou desenvolvidas ao longo da vida, quer sejam formais, informais ou não formais.

» Separação da regulação das profissões não regulamentadas, sob a responsabilidade do Sistema


Nacional de Qualificações, das profissões regulamentadas, as quais ficam sob a alçada do Sistema de
Regulação de Acesso a Profissões (SRAP). Este organismo produz as normas de acesso e exercício das
profissões, que exigem uma aptidão profissional.

» Criação do Conselho Nacional da Formação Profissional (aprova os perfis profissionais e as


orientações estratégicas) e dos Conselhos Sectoriais para a Qualificação (CSQ), (identificam as
necessidades sectoriais de actualização do Catálogo).

» Reforma do Sistema de Acreditação e Qualidade (SAQ), nos termos já anteriormente expostos;

» Concentração do financiamento na formação de dupla certificação, inscrita no Catálogo (em termos


de modalidades de formação inicial e continua);

» Ligar os percursos formativos de adultos a processos prévios de RVCC;

» Dinamizar a procura da formação através do cheque-formação;


» Apoios a PME concentrados na modalidade de formação-acção;

» Promover Pólos de Excelência da formação profissional;

» Criação do Centro Nacional de Qualificação de Formadores para redinamizar a melhoria das


qualificações destes profissionais.

ACTIVIDADE 2

Uma vez terminado este capítulo e consultando o artigo de Ana Paula Filipe (Revista Formar n.º 59) e
de Ana Cláudia Valente (Revista Formar n.º 58) diga de que forma o Catálogo Nacional das Qualificações
pode ser fundamental:
» a nível pessoal;
» a nível empresarial;
» como instrumento promotor da formação profissional.
Deverá enviar a resposta num documento Word, não ultrapassando as 500 palavras e remetê-lo ao
formador através da ferramenta DROPBOX.
2.3 As modalidades de formação

:: Importa, antes de mais, explorar o conceito de Modalidades de Formação. Este pode ser visto como
tipos de formação determinados e diferenciados mediante os seguintes aspectos:
» características específicas das populações-alvo;
» natureza dos objectivos de aprendizagem e respectiva fórmula organizativa;
» estruturas curriculares;
» metodologias pedagógicas;
» recursos envolvidos e durações.
:: O Decreto-Lei nº 396/2007 especifica a existência das seguintes modalidades:

Não deixe de consultar o Decreto-Lei nº 396/2007, de 31 de Dezembro para


ver a definição de "Modalidades" aí patente!

:: Vamos analisar as modalidades de formação actualmente vigentes, tomando como ponto de partida
os seguintes elementos:
» o TEMPO
» os DESTINATÁRIOS

2.3.1 As modalidades e o tempo em que ocorre a formação

Tomando como pressuposto o TEMPO são consideradas duas grandes categorias:


2.3.1.1 Modalidades e o Tempo: Educação e Formação Profissional Inicial

1. Cursos Profissionais

Têm uma duração de três anos lectivos e estão organizados em módulos de duração variável,
abarcando três componentes de formação: sociocultural, científica e técnica.

Conferem uma qualificação profissional de nível 3 e um diploma escolar de nível secundário e estão
disponíveis através da rede de escolas públicas do Ministério da Educação e das escolas profissionais
(maioritariamente pertencentes ao sector privado).
Para saber mais, consulte a Portaria nº 797/2006, que aprova o regime de criação, organização e gestão
do currículo!
Pode também considerar interessante o Decreto-Lei nº24/2006.

2. Aprendizagem/Formação em Alternância

Forma jovens com idade inferior a 25 anos, candidatos ao 1º emprego, preparando-os com uma
qualificação inicial indispensável ao desempenho de uma profissão.

A escolaridade mínima de acesso é o 3.º Ciclo do Ensino Básico (9.º ano de escolaridade).

Para saber mais, a Portaria n.º 1497/2008, de 19 de Dezembro aprova o regime jurídico de
aprendizagem.

Os percursos de aprendizagem têm uma duração entre 2800 e 3700 horas e no final os participantes
têm equivalência escolar ao Ensino Secundário (12.º ano) e nível 3 de formação, em termos de
certificação profissional. Estão sob a alçada do IEFP e também permitem o prosseguimento de estudos.
A aprendizagem é feita em alternância entre o Centro de Formação e uma empresa.

3. Cursos de Educação e Formação para Jovens

Certificam jovens em risco de abandono escolar ou que entraram de forma precoce no mercado de
trabalho (15-18 anos) e abandonaram a via regular de ensino com uma qualificação profissional inicial e
escolar.
Esta modalidade é flexível e diversificada tendo por intuito assegurar um continuum de formação. Está
organizada em patamares de entrada e saída, que permitem a aquisição progressiva de níveis mais
elevados de qualificação.

Integra uma componente de formação em contexto real de trabalho, visando consolidar as


competências adquiridas ao longo da formação teórico-prática e possibilita a progressão dos estudos.

Para saber mais sobre Cursos de Educação e Formação consulte o Despacho Conjunto nº 453/2004,
de 27 de Julho e a Rectificação n.º 1673/2004, de 7 de Setembro

4. Cursos Artísticos Especializados

Nos domínios das artes visuais e dos audiovisuais permitem uma certificação escolar de nível
secundário e um qualificação profissional de nível 3.

Quando estão em causa os domínios da música e da dança apenas são emitidos certificados escolares
de nível secundário.

Para saber mais sobre Cursos Artísticos Especializados consulte a área Legislação, disponivel no sítio da
ANQ:
www.anq.gov.pt

Estes cursos estão disponíveis na rede de escolas públicas do ME.

5. Cursos Tecnológicos

Têm uma base técnica e tecnológica muito acentuada e destinam-se a qualificar profissionalmente,
tendo em vista a entrada no mercado de trabalho. Todavia, permitem prosseguir estudos, caso os
participantes assim o desejem.

Têm uma duração de três anos lectivos, os quais correspondem aos 10º, 11º e 12º anos de escolaridade.

Consulte o, Decreto-Lei nº 24/2006, que estabelece os princípios orientadores da organização e da


gestão curricular!
Também pode ser pertinente aproveitar e ver a Portaria nº 260/2006.

A conclusão desta modalidade faculta um diploma do ensino secundário e uma certificação profissional
de nível 3.

6. Cursos Especialização Tecnológica

Os CET preparam jovens e adultos, candidatos ao 1º emprego, para o desempenho de profissões


qualificadas, de forma a favorecer a entrada na vida activa.

Para saber mais, consulte Decreto-Lei nº 88/2006, de 23 de Maio, o qual regula os CET e aplica-se a
todas as instituições de formação que os ministrem. Pode também ver o sítio www.dges.mctes.pt.

Constituem formações pós-secundárias não superiores e desenvolvem-se em áreas em que se regista


um conjunto de factores potenciadores de transformações significativas, nos planos tecnológico e
organizacional, consideradas estratégicas para a competitividade do tecido económico e empresarial.
Conferem um Diploma de Especialização Tecnológica (DET) e qualificação de nível 4.
7. Educação e Formação de Adultos
Destinam-se a jovens e adultos com idade igual ou superior a 18 anos, empregados ou desempregados
e possibilitam uma certificação escolar de 3º ciclo do ensino básico e de nível 2 de formação profissional
ou uma certificação do ensino secundário e de nível 3 de formação profissional. Os cursos que apenas
conferem habilitação escolar destinam-se, preferencialmente, a activos empregados.

Iniciam-se por um processo de reconhecimento e validação de competências, que permitirá adequar o


percurso formativo de cada formando.

Para saber mais, sobre EFA consulte a Portaria nº 817/2007, onde é definido o regime jurídico dos
cursos de EFA de nível
básico e secundário e de níveis 1 e 2 de formação profissional.

O percurso formativo inclui uma formação de base e uma componente de formação tecnológica.

8. Formações Modulares Certificadas

Procura diversificar e flexibilizar a oferta de formação contínua integrada no Catálogo Nacional de


Qualificações (CNQ), com vista à construção progressiva de qualificações profissionais.
Destina-se a activos empregados ou desempregados, que pretendam desenvolver competências em
domínios de âmbito geral, escolar, ou específico e tecnológico.

Tem por base unidades de formação de curta duração, com 25 ou 50 horas.

Para saber mais, consulte o sítio da ANQ:www.anq.pt

2.3.2 As Modalidades e os Destinatários


Na presente legislatura governativa as modalidades formativas foram agrupadas em função dos
destinatários, não olhando ao sistema de suporte: