Você está na página 1de 341

CONTEUDO PREVISTO PELO EDITAL constitucionais da Policias Militares e Corpos de

Bombeiros;
I - DIREITOS HUMANOS 10. Organização do Estado: Estado Federal, Distrito
Federal, Municípios, Territórios; repartição de
1. Conceito de direitos humanos; competências; autonomia das unidades;
2. Evolução dos direitos humanos; intervenção;
3. Aspectos Constitucionais e prática dos Direitos 11. Poderes do Estado;
Fundamentais; 12. Poder Legislativo: Organização, Congresso
4. Principais características dos Direitos Nacional; Câmara dos Deputados e Senado
Fundamentais; Federal; funcionamento, atribuições; processo
5. Principais instrumentos internacionais de Legislativo; procedimentos legislativos;
Direitos Humanos; remuneração de seus agentes;
6. Declaração Universal dos Direitos Humanos; 13. Poder Executivo: noção e formas; Chefia de
7. Direitos Civis; Estado e Chefia de Governo; eleição e mandato
8. Direitos Políticos; presidencial; substituição Presidencial;
9. Direitos Sociais; remuneração; perda de mandato; competências;
10. Direitos Culturais; responsabilidades; Conselho da República e
11. Direitos Econômicos; Conselho da Defesa;
12. Direitos Ambientais; 14. Poder Judiciário: jurisdição; competências;
13. Definição de tortura segundo a ONU; órgãos, composição, agentes e funções,
14. Direitos Humanos da Mulher; Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de
15. Direitos da Criança e do Adolescente; Justiça, justiça Federal, Justiça do Trabalho,
16. Política Nacional do Idoso; Justiça Militar, Juizados Especiais e de Paz,
17. Direito a não discriminação racial e ações Justiça Estadual.
afirmativas; 15. Funções essenciais da Justiça, o Ministério
18. Homofobia e direito a livre orientação sexual; Público, a Advocacia-Geral da União,
19. Emprego do uso da força e arma de fogo no Advocacia e Defensoria Pública;
exercício da função policial; 16. Defesa do estado e das Instituições
20. Sistema de justiça no Brasil (Garantia dos Democráticas: Estado de Defesa e Estado de
Direitos fundamentais); Sítio;
21. Função da Polícia na garantia dos Direitos
Humanos. III - DIREITO PENAL (Pág 66)
1. Conceito e fundamento do Direito Penal; norma
II - DIREITO CONSTITUCIONAL (Pág 17) penal, fontes do Direito Penal; Interpretação da
1. Teoria Geral do Estado: Estado, Elementos do lei penal no tempo e no espaço; disposições
Estado,Ordenamento Jurídico, Formas de finais relativas à aplicação da Lei Pena;
Estado, Formas de Governo, Sistemas de 2. Princípios de Direito Penal;
Governo e Regimes Políticos; 3. Teoria do Crime: a ação, a omissão e a relação
2. A Constituição e as Leis: Conceito, Objetivo, de causalidade; Tipo e tipicidade; o dolo; a
Matérias Constitucionais, cláusulas pétreas, culpa; o preterdolo. Erro de Tipo; Ilicitude e as
Hierarquia das Leis, Revogação e Suspensão causas de sua exclusão; Culpabilidade e as
das Leis, Control da Constitucionalidade; causas de sua exclusão. Erro de proibição;
3. Princípios Fundamentais da Constituição 4. Tentativa e crime consumado. Desistência
brasileira de 1988: Aspectos introdutórios, voluntária, arrependimento eficaz e
classificação das Constituições, princípio da arrependimento posterior;
Supremacia Constitucional; 5. Concurso de pessoas e Concurso de Crimes;
4. Fundamentos do estado democrático de direito, 6. Ação Penal: espécies de ação e teoria geral;
objetivos fundamentais da República Federativo 7. Extinção de punibilidade; causas extintivas;
do Brasil; 8. Crimes contra a pessoa;
5. Direitos e Garantias Fundamentais; 9. Crimes contra o patrimônio;
6. Direitos e deveres Individuais e Coletivos: 10. Crimes contra a Administração Pública;
fundamentos constitucionais; conceito de direito 11. Lei dos Crimes Hediondos – Lei n. 8.072/90;
individual; destinatários dos direitos e garantias 12. Estatuto do Idoso – Lei n. 10.741/03;
individuais; classificação dos direitos 13. Crimes de Trânsito Lei n. 9.503/97, com
individuais e coletivos; direito à vida; direito de alterações da Lei n. 11.705/08;
igualdade, direito de liberdade; direito de 14. Abuso de autoridade Lei n.° 4.898/65;
propriedade; direitos relativos aos acusados em 15. Tráfico ilícito de drogas -Lei n.° 11.343/2006;
geral: direito ao devido processo legal, direito a 16. Lei Maria da Penha – Lei n. 11.340/06;
ampla defesa e ao contraditório, direito e 17. Lei n. 9.099/95.
presunção de inocência, direitos relativos à
prisão; garantias constitucionais; direitos IV - DIREITO PROCESSUAL PENAL
sociais; fundamentos constitucionais; 1. Inquérito policial; notitia criminis;
7. Administração pública: estrutura, princípios 2. Ação penal – teoria geral e espécies;
constitucionais; 3. Jurisdição; competência;
8. Sistema de segurança pública: histórico, órgãos 4. Princípios do Processo Penal Brasileiro;
e atribuições; 5. Prova (artigos 158 a 184 do CPP);
9. A figura da organização policial dentro do 6. Prisão em flagrante, Prisão Preventiva, Prisão
Estado democrático, Divisão,Missões Temporária.
7. Liberdade Provisória;
8. Lei n. 9.099/95. a. Sinais vitais;
b. Prioridade no atendimento às vítimas: em caso
V - POLÍCIA OSTENSIVA de acidente de massa e em se tratando de
1. Doutrina básica estado físico da vítima;
a. Fundamentos do policiamento ostensivo; c. Caso de parada respiratória;
b. Noções de policiamento comunitário. d. Caso de parada cárdio-respiratória, obstrução
2. Técnica respiratória;
a. Variáveis do policiamento ostensivo; e. Ferimentos;
b. Diretrizes do policiamento ostensivo; f. Fraturas;
c. Técnicas de policiamento ostensivo; g. Hemorragias: interna e externa;
d. Atendimento de ocorrências. h. Choque hipovolêmico;
3. Trânsito i. Traumatismos específicos, traumatismo crânio
a. Educação para o trânsito; encefálico e traumatismo de coluna;
b. Identificação e classificação dos veículos; j. Desmaio e coma;
c. Registro e licenciamento de veículos; k. Acidente vascular cerebral;
d. Identificação das diversas categorias de l. Crises convulsivas, causas e proteção;
habilitação; m. Choque elétrico;
e. Documentação obrigatória (nacional e n. Queimaduras;
internacional) referente aos condutores; o. Parto de emergência;
f. Infrações de trânsito previstas na legislação; p. Intoxicação várias formas.
g. Transporte de cargas de produtos perigosos;
h. Preenchimento e encaminhamento dos 2. Prevenção de Incêndios
documentos utilizados pela corporação em
ocorrência de trânsito; a. Exigências para a comercialização de fogos de
i. Detecção e identificação de veículos em artifício - Portaria 73/BM/EMBM/99.
ocorrências de furto ou roubo, bem como b. Aplicação da Lei 10.987 pelos Corpos de
veículos clonados; Bombeiros da Brigada Militar, através dos
j. Utilização dos equipamentos auxiliares para a Decretos e Portarias que a regulamentaram.
fiscalização de trânsito. c. Exigências para habilitação de profissionais
4. Policiamento motorizado e direção policial para ministrar treinamento de prevenção de
a. Conceitos de rádio-patrulhamento e atribuições incêndios - Portaria 88/BM/EMBM/00.
dos componentes da guarnição policial; d. Saída de emergência em edifícios - NBR 9077.
b. Utilização e deslocamento de viaturas;
d. Técnicas de abordagem policial (utilização de 3. Defesa Civil
algemas, técnicas de condução de indivíduo
preso, com ou sem a utilização de algemas); a. Noção de defesa civil.
e. Legislação de trânsito aplicada e atribuições b. Situações em que pode ser decretada a situação
dos condutores de viatura policial militar; de emergência ou estado de calamidade
f. Direção defensiva e evasiva. pública.
5. Ambiental c. Conceito de estado de calamidade pública.
a. Introdução ao estudo do meio ambiente; d. Calamidades naturais e humanas.
b. O exercício do poder e polícia administrativa e. Conceito de situação de emergência.
ambiental pela Brigada Militar; f. Comunidade.
c. Noções de legislação ambiental; g. Conhecer a composição do Sistema Nacional
d. Educação ambiental. de Defesa Civil.
6. Operações especiais
a. Instrução tática individual – técnicas de 4. Combate a Incêndio
progressão nos diversos terrenos, bem como a. Componentes do fogo;
sua utilização para abrigo e cobertura; b. Triângulo do fogo;
b. Tomada de ponto – técnicas para a execução de c. Características físicas e químicas da combustão;
ações de perseguição e capturas; d. Formas de propagação do calor;
c. Atuação da BM frente aos mais diversos tipos e. Identificar as classes de incêndio;
de reunião de pessoas (torcidas, reuniões f. Identificar as classes de incêndio;
religiosas, movimentos sociais, entre outros). g. Identificar os diversos tipos de extintores
existentes no mercado;
7. Termo circunstanciado h. Conhecer os princípios básicos da extinção de
a. Conceito de infração de menor potencial incêndio.
ofensivo;
b. Aplicação da lei dos juizados especiais 5. Atendimento a Acidentes com Produtos Perigosos
criminais pela polícia militar; a. Classificação de Risco conforme a ABNT.
c. Procedimentos policiais em atendimento de b. Manual da ABIQUIM, técnica de consulta.
ocorrências de menor potencial ofensivo; c. Procedimentos básicos em emergências
d. Normatizações a nível institucional em relação envolvendo produtos perigosos.
ao atendimento de ocorrências de menor
potencial ofensivo.
VII - DIREITO INSTITUCIONAL
VI - NOÇÕES BÁSICAS DA ATIVIDADE DE
BOMBEIRO 1. LEI COMPLEMENTAR Nº 10.990, DE 18 DE
1. Atendimento Pré-hospitalar: AGOSTO DE 1997, Estatuto dos Servidores
Militares da Brigada Militar do Estado do Rio Dos Órgãos De Logística, Dos Órgãos De Saúde,
Grande do Sul - Do Provimento, Da Hierarquia E Dos Órgãos De Execução Da Prestação De
Da Disciplina, Do Cargo E Da Função Policiais- Serviço À Comunidade, Dos Órgãos De Polícia
Militares, Do Valor Policial- Militar, Da Ética Ostensiva, Dos Órgãos De Bombeiro, Dos Órgãos
Policial-Militar, Dos Deveres Policiais – De Operações Especiais, Das Atribuições, Dos
Militares, Do Compromisso Policial-Militar, Do Procedimentos Institucionais, Dos Regimentos
Comando E Da Subordinação, Da Violação Das Internos, Dos Boletins, Dos Serviços De Escala,
Obrigações E Dos Deveres, Dos Crimes Militares, Das Formaturas Gerais, Das Cerimônias E
Do Conselho De Justificação, Do Conselho De Formalidades, Das Bandeiras, Das Festas Policiais
Disciplina, Dos Direitos Dos Servidores- Militares, Da Parada Diária E Parada Policial
Militares, Da Remuneração, Assistência Médico- Militar, Da Parada Diária, Da Parada Policial
Hospitalar, Da Promoção, Das Férias E Outros Militar, Da Galeria De Retratos E De Vultos
Afastamentos, Temporários Do Serviço, Das Históricos, Da Recepção E Despedida De
Licenças, Da Pensão Policial-Militar, Das Oficiais E Praças, Da Recepção E Despedida De
Prerrogativas, Do Uso Dos Uniformes Da Brigada Oficiais, Da Recepção E Despedida De Praças,
Militar, Da Agregação, Da Reversão, Do Do Sistema De Correio E Da Correspondência,
Excedente, Do Ausente, Do Desaparecimento E Dos Serviços De Correio, Da Correspondência,
Do Extravio, Do Desligamento Ou Exclusão Do Do Acervo Literário, Das Situações
Serviço Ativo, Da Reinclusão, Da Transferência Extraordinárias Da Tropa, Do Sobreaviso, Da
Para A Reserva Remunerada, Da Reforma, Da Prontidão, Da Guarnição Policial Militar
Demissão, Da Perda Do Posto E Da Patente, E Da
Declaração De Indignidade Ou Incompatibilidade 4. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O REGIME
Com O Oficialatodo Licenciamento, Da Anulação JURÍDICO DOS MILITARES ESTADUAIS:
De Inclusão, Da Exclusão Da Praça A Bem Da A Força Normativa Da Constituição E O Regime
Disciplina, Da Deserção, Do Falecimento E Do Jurídico Dos Militares Do Estado, A Emenda
Extravio, Do Tempo De Serviço, Da Licença Para Constitucional Nº 18 E O Regime Jurídico Dos
Acompanhar O Cônjuge, Das Recompensas E Das Militares Do Estado, Regime Jurídico Penal E
Dispensas Do Serviço, Da Prorrogação Do Processual Penal Dos Militares Do Estado,
Serviço Policial-Militar E Das Disposições Finais Regime Jurídico Disciplinar Dos Militares Do
E Transitórias Estado, Regime Previdenciário Dos Militares Do
Estado, Do Regime Jurídico Estatutário Dos
Militares Do Estado, Do Regime Jurídico Dos
2. DECRETO Nº 43.245, DE 19 DE JULHO DE Militares Do Estado Quanto A Posse Em Cargo
2004, aprova o Regulamento Disciplinar da De Natureza Civil Permanente E Transitória
Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul.
Disposições Gerais, Disposições Preliminares, Da
Hierarquia E Da Disciplina, Das Transgressões
Disciplinares, Da Definição E Classificação, Das
Sanções Disciplinares, Da Natureza E Amplitude,
Da Advertência, Da Repreensão, Da Detenção, Da
Prisão, Do Licenciamento E Da Exclusão, Das
Medidas Cautelares, Do Processo Administrativo
Disciplinar Militar, Da Competência, Da Parte
Disciplinar, Do Processo, Da Aplicação Da
Sanção Disciplinar, Do Cumprimento Da Sanção
Disciplinar, Do Comportamento Policial-Militar,
Dos Recursos Disciplinares, Do Cancelamento E
Da Anulação, Das Recompensas Policiais-
Militares, Das Disposições Transitórias Finais,
Tipos Transgressionais Disciplinares, Processo
Administrativo Disciplinar Militar, Das
Disposições Preliminares, Do Conhecimento Da
Transgressão Disciplinar, Da Apuração Da
Transgressão Disciplinar, Do Processo
Administrativo Disciplinar Militar, Das
Disposições Finais

3. REGIMENTO INTERNO DA BRIGADA


MILITAR - Da Finalidade, Da Competência, Da
Estruturação, Dos Níveis Gerenciais, Da
Composição Dos Níveis, Da Estrutura Dos
Órgãos, Do Processo De Administração, Do
Planejamento, Da Organização, Da Direção, Do
Controle, Da Ação Organizacional, Das
Competências Dos Órgãos, Dos Órgãos De
Direção, Dos Órgãos Departamentais De Apoio,
Dos Órgãos De Nível Departamental De
Prestação De Serviço À Comunidade, Dos Órgãos
De Execução Do Apoio, Dos Órgãos De Ensino,
I- DIREITOS HUMANOS

Direitos Fundamentais: conceito e evolução


Segundo a melhor doutrina, pode-se conceituar direitos fundamentais como conjunto de prerrogativas
e instituições que, em cada momento histórico, concretizam as exigências da liberdade, igualdade e
dignidade entre os seres humanos. São núcleos invioláveis de uma sociedade política, sem os quais
essa tende a perecer.

É preciso ressaltar, que os direitos fundamentais existentes em um dado ordenamento jurídico não se
restringem aos elencados na sua Carta Magna pois, englobam também aqueles que estão enraizados na
consciência do povo. O conceito meramente formal não basta, pois, desde que se revelem essenciais
para a dignidade da pessoa humana, sua liberdade e igualdade, os direitos fundamentais podem
localizar-se fora do texto escrito.
A Constituição Federal de 1988 sinaliza para essa tendência ao adotar uma clausula de abertura
encerrando a idéia de não tipicidade dos direitos fundamentais, consoante se depreende do parágrafo
segundo do art 5º, in verbis:
Art. 5 º - Os direitos e garantias expressos nessa Constituição não excluem outros decorrentes do
regime e dos princípios por ela adotados, e dos tratados internacionais em que a Republica Federativa
do Brasil seja parte.
Nesse contexto, analisando a legislação comprada, extrai-se da Constituição Portuguesa posição ainda
mais avançada. O dito documento estatui expressamente que inclusive a legislação ordinária pode ser
instrumento idôneo para introduzir os direitos fundamentais no seu ordenamento jurídico. Tal posição
denota a efetiva preocupação com o caráter material dos direitos que, uma vez se apresentando como
essenciais para o ser humano passarão a ostentar o status de direitos constitucionais fundamentais,
insuscetíveis, inclusive, de abolição por emenda.

EVOLUÇÃO:
Os direitos fundamentais não foram reconhecidos de uma só vez nem de uma vez por todas.
Em 1215, a Magna Carta Inglesa reconheceu em seu texto direitos fundamentais como a liberdade de
religião, o devido processo legal e a instituição do julgamento popular para os crimes contra a vida,
entre outros. No entanto, esse documento só se destinava aos homens livres daquela sociedade,
excluindo da sua órbita de incidência os escravos.
Ainda na Inglaterra, em 1628, a Petition of Rights - documento elaborado pelo Parlamento Inglês, por
meio do qual se pleiteou o efetivo cumprimento pelo Rei dos direitos previsto na Magna Carta de 1215
- ratificou a importância dos direitos fundamentais.
Em 1689 o Bill of Rights, declaração dos direitos formada após a Revolução Gloriosa, rompeu com as
bases políticas da época - monarquia onipotente - consolidando a monarquia constitucional, que se
caracterizou pela supremacia do parlamento.
No entanto, as declarações inglesas, apesar do seu relevante valor histórico, não podem ser
consideradas como a “certidão de nascimento” dos direitos fundamentais, pois só se destinavam a
parcela de seu povo.
Os direitos fundamentais não foram reconhecidos de uma só vez nem de uma vez por todas
A partir do séc. XVIII, diversos documentos influenciaram na explicitação dos direitos fundamentais,
tais como a Declaração do Bom Povo da Virgínia, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
em 1789 e a Convenção Interamericana dos direitos humanos, o conhecido e adotado pelo Brasil,
Pacto de São José da Costa Rica.
No que tange à evolução propriamente dita, os direitos fundamentais são tradicionalmente
classificados pela doutrina em gerações. No entanto, hodiernamente, tal expressão vem sendo alvo de
críticas. Autores modernos entendem que a mesma traz em si uma idéia de ruptura em relação ao
estágio anterior, quando, em verdade, as ditas gerações se complementam.
Assim é que, vem se adotando como nomenclatura para tal classificação a expressão “dimensão”, que
revela essa idéia de cumulação, visto que, através das diversas dimensões, há a adaptação do mesmo
direito a uma nova realidade.

DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO


Os direitos fundamentais de primeira dimensão, contemporâneos do liberalismo político, surgem como
5

resposta ao absolutismo monárquico e objetivavam proteger o homem na sua esfera individual contra a
interferência abusiva do Estado. São direitos de cunho meramente negativo, que visam garantir as
liberdades públicas.
Negavam o Estado no seu poder de interferir nas liberdades individuais, por que este era visto como
inimigo para o homem. São direitos civis e políticos como a liberdade de locomoção, de pensamento,
inviolabilidade do domicílio, liberdade de religião, por exemplo.

DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO


Após a 1ª Guerra Mundial, o regime político liberal, caracterizado pela mínima intervenção estatal,
entrou em crise. A sociedade passou a exigir um Estado mais atuante, clamando a substituição da
Constituição, antes apenas garantista, por uma constituição dirigente, que estabelecessem normas
instituidoras de programas governamentais. Surge o Estado do Bem Estar Social.
Nesse contexto, surgiram os direitos fundamentais de segunda dimensão, denominados de direitos
sociais, econômicos e culturais. Esses direitos impõe ao Estado uma atuação prestacional voltada para
a satisfação das carências da coletividade. Através deles, buscava-se tornar os homens, já livres, iguais
no plano fenomênico.
São exemplos destes direitos: direito à saúde, ao trabalho, a assistência social, a educação, liberdade
de sindicalização, direito de greve, direito a férias e ao repouso semanal remunerado.

DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO


Os direitos fundamentais até então assegurados, tinham como destinatário o homem enquanto
indivíduo. Já os direitos fundamentais de Terceira Dimensão tem como traço característico o fato de
não mais estarem centrados no homem individualmente considerado, mas sim na coletividade. Surgem
os direitos coletivos e difusos.
Como exemplo pode-se citar o direito a paz, ao meio ambiente e a conservação do patrimônio cultural.

DIREITOS DE QUARTA GERAÇÃO


Já se fala hoje na quarta dimensão dos direitos fundamentais. Os seus defensores argumentam que os
direitos fundamentais precisam acompanhar a globalização que, pondo fim as fronteiras geográficas
entre os países, exigem sua universalização. O homem não pode mais ser visto “em cada Estado”, mas
sim como entidade universal.
Se não há mais fronteiras para as relações políticas, econômicas e sociais é preciso que também
não haja fronteiras para os direitos fundamentaisSe não há mais fronteiras para as relações políticas,
econômicas e sociais é preciso que também não haja fronteiras para os direitos fundamentais.

Entretanto, é preciso ressaltar que essa universalização não pode ser instrumento de imposição ou
superação de culturas e de minorias.
São reputados como direitos de quarta geração o direito a democracia, o direito a enfumaça e o direito
ao pluralismo.

Após a aprovação da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, foram criados diversos outros
mecanismos legais que se incorporaram ao universo de proteção aos Direitos Humanos, alguns deles
firmados, inicialmente, por um Brasil recém egresso do Estado Novo, ainda maculado pelo arbítrio
político e suas repercussões. Mais tarde, por representantes de governos eleitos democraticamente ou
não e mesmo pela ditadura que se encastelou no poder por mais de duas décadas.

“Na tradição brasileira o Parlamento tem muito pouca influência na fixação dos rumos da política
externa do País. As decisões sobre o comportamento internacional do Brasil e suas relações exteriores
ficam praticamente entregues ao arbítrio do Poder Executivo. E neste tem importância fundamental o
Ministério das Relações Exteriores, que tem sido, na realidade, o principal protagonista na definição
da política externa do Brasil. Em relação aos Direitos Humanos pode-se dizer que, em termos práticos,
o comportamento da diplomacia brasileira esteve bem próximo, até recentemente, da atitude dos
militares.

“Como já foi assinalado, a partir de 1985, com o fim do regime militar ocorreu expressiva mudança na
atitude do Governo brasileiro em relação aos Direitos Humanos, o que se comprova pela adesão aos
instrumentos internacionais aqui referidos.”
6

A nova “Constituição Federal” emergiu identicamente num período de liberdades democráticas a


pouco conquistadas, via de consequência, absorvendo com maior porosidade os princípios
fundamentais consignados na “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Esses diplomas, que constituem a arquitetura internacional dos Direitos Humanos, abrigam uma
contínua inclusão de direitos, e foram se aderindo como simples especificação daqueles direitos
contemplados na “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, sendo mais importantes os seguintes,
em ordem cronológica:

A “Convenção contra o Genocídio”, de 1948;

A “Convenção para a Repressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição por Outros” de


1949;

Em 1950 a “Convenção Européia de Defesa dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais”
foi aprovada em Roma - Itália;

A “Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados”, de 1951, e respectivo Protocolo, de 1966;

A “Convenção Complementar sobre Abolição da Escravidão” de 1956;

O “Pacto Internacional Relativo aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais” foi aprovado
inicialmente em 16.12.1966, paralelamente ao “Pacto Internacional Relativo aos Direitos Civis e
Políticos”, que entrou em vigor somente em 03.01 .1976, consagrando a célebre tese de que “os
direitos sociais básicos são direitos humanos porque estão na ordem natural das coisas “;

A “Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial”, de 1965;

Importante ressaltar ainda as “Regras Mínimas para o Tratamento de Presos” adotadas pelo “Primeiro
Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e Tratamento de Criminosos” reunido em
Genebra - Suíça (1955), aprovadas pelo “Conselho Econômico e Social” em 1957 e 1977;

A “Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher”, de 1979;

A “Convenção contra a Tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes”, de


1984;

A “Convenção sobre os Direitos da Criança”, de 1989;

Identicamente se agregaram à “Convenção Americana sobre Direitos humanos” - Pacto de San José da
Costa Rica, de 1969:

A “Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura” (Cartagena - Colômbia) em


09.12.1985;

O “Protocolo de San Salvador” (17.11 .1988), que contempla a proteção aos Direitos Humanos em
matéria de direitos econômicos, sociais e culturais, dentre outras, o direito ao trabalho, os direitos
sindicais, o direito à saúde e à previdência social, o direito a um meio ambiente saudável, o direito à
alimentação e educação, o direito aos benefícios da cultura, o direito à constituição e proteção da
família, o direito à proteção à infância e aos idosos, bem como aos portadores de deficiências físicas;

O “Protocolo Relativo à Abolição da Pena de Morte” (Assunção - Paraguai), de 08.06.1990;

A “Convenção Interamericana sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas” (Belém, PA - Brasil), de


09.06.1994;
7

A “Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher” (Belém,
PA - Brasil), de 09.06.1994.

Esses são apenas alguns dos dispositivos mais importantes, que visam abranger praticamente todas as
áreas da atividade humana, conferindo um caráter extremamente dinâmico à legislação internacional
referente à proteção aos direitos fundamentais.

A “Organização dos Estados Americanos" e uma entidade internacional, criada pelos Estados deste
hemisfério com a finalidade de obter um ordenamento de paz e justiça, fomentando a solidariedade e
defendendo a soberania de seus membros, bem como sua integridade territorial e independência.

Muito antes de vir a se constituir em um organismo regional da ‘‘O.N.U, o ideal de solidariedade


americana preconizado por Simon Bolívar (Caracas/Venezuela 1783 - 1830 Santa Marta/Colômbia),
materializou-se inicialmente através do tratado celebrado no “Congresso do Panamá” em 1826.

Diversas reuniões internacionais se sucederam, primeiramente com a realização da “VIII Conferência


Internacional Americana” (Lima - Peru), em 1938, sendo que, em 1945, a “Conferência do México”
chegou a propor um projeto de “Declaração dos Direitos Essenciais do Homem”, até o início de 1948
quando ocorreu a “9~ Conferência Internacional Americana”, em Bogotá (Colômbia), oportunidade
em que se aprovou tanto a “Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem”, que precede a
“Declaração Universal da O.N.U.”, como a “Carta da O.E.A.”.

Em 1969, foi aprovada a “Convenção Americana sobre Direitos Humanos” que enumera os deveres
assumidos pelos Estados membros e que, em princípio, são os seguintes: obrigação de respeitar os
direitos consagrados e reconhecidos, garantindo seus benefícios a todas as pessoas, sem distinção;
dever de adotar esses direitos nas suas respectivas normas de direito interno.

A partir daí, são elencados os direitos civis e políticos; direito de reconhecimento de personalidade
jurídica; direito ávida; direito à integridade física, psíquica e moral; proibição de servidão e
escravatura; direito à liberdade pessoal; garantias judiciais; respeito ao princípio da legalidade e de
pena mais benéfica; direito à indenização; proteção à honra e à dignidade; liberdade de consciência e
religião; liberdade de pensamento e expressão; direito de retificação ou resposta; direito de reunião;
liberdade de associação; proteção à família; direito ao nome; direitos da criança; direito à
nacionalidade; direito à propriedade privada; direito de livre trânsito e residência; direitos políticos;
igualdade perante a lei e o direito à proteção judicial.

São contemplados também os direitos econômicos, sociais e culturais, bem como os que se referem à
suspensão de garantias, interpretação, aplicação e alcance das restrições, assim como a correlação
entre direitos e deveres, estabelecendo ainda os meios de proteção, com a criação da “Comissão
Interamericana de Direitos Humanos” e a “Corte Interamericana de Direitos Humanos”.

Um dos órgãos mais importantes da “Organização dos Estados Americanos - O. E. A.”, é a “Comissão
Interamericana de Direitos Humanos”, criada em 1959, e instalada em Washington - E.U.A., cuja
principal função é promover o respeito e a defesa aos Direitos Humanos e servir como órgão
consultivo da “O.E.A.” nesses assuntos. No ano seguinte, foram eleitos seus sete membros, como
ocorre até hoje, a título pessoal.

A “Corte Interamericana de Direitos Humanos”, com sede em San José – Costa Rica, foi criada em
1972 na “Assembléia Geral da O.E.A”, em La Paz - Bolívia, se constituindo em uma instituição
judicial autônoma cujo objetivo é a aplicação e interpretação da “Convenção Americana sobre Direitos
Humanos.

Com função jurisdicional e consultiva, teve submetidos seus primeiros casos contenciosos a partir de
1986, que oportunizaram sentenças de importância histórica extremamente relevante, inclusive porque
essas decisões passaram a estabelecer parâmetros jurisprudenciais para a defesa dos Direitos Humanos
em toda parte.
8

“Com essa declaração, um sistema de valores é - pela primeira vez na história - universal, não em
princípio, mas de fato, na medida em que o consenso sobre sua validade e sua capacidade para reger os
destinos da comunidade futura de todos os homens foi explicitamente declarado”. “Somente depois da
Declaração Universal é que podemos ter a certeza histórica de que a humanidade - toda a humanidade
- partilha alguns valores comuns; e podemos, finalmente, crer na universalidade dos valores, no único
sentido em que universal significa não algo dado objetivamente, mas algo subjetivamente acolhido
pelo universo dos homens.”

Por outro lado, a “Constituição da República Federativa do Brasil”, de 1988, também denominada
“Constituição Cidadã”, recepcionou as premissas alinhadas na “Declaração Universal dos Direitos
Humanos” como nenhuma outra antes o fizera, abrindo caminho para a plena reafirmação dos Direitos
Humanos e para novas conquistas sociais.

Passados mais de dez anos, o Governo Federal apresenta, em 1996, o “Plano Nacional de Direitos
Humanos - PNDH”, um ambicioso projeto com a finalidade de demonstrar a visão governamental
acerca dos Direitos Humanos e das questões de afirmação da cidadania, estabelecendo diretrizes,
apontando direções, definindo concepções e prioridades, conclamando e exigindo a participação dos
Estados, dos Municípios e da sociedade civil nesse processo.

Por uma questão de metodologia priorizamos os chamados direitos de primeira geração, quer dizer, os
que dizem respeito à garantia da vida, da liberdade, os direitos das chamadas minorias como as mulhe -
res, as crianças, os índios, os negros, os homossexuais, a questão do acesso à Justiça, a questão do
funcionamento do aparelho policial. Esses são os direitos humanos priorizados nesse PNDH.”

Cartilha de Direitos Humanos


Ricardo Balestreri

Qual a relação entre Direitos Civis e Políticos e Direitos Econômicos, Sociais e Culturais?
Durante muito tempo, alguns segmentos políticos considerados “progressistas” desconfiaram do
super-enfoque dado aos direitos civis e políticos, em aparente detrimento, especialmente, de uma
priorização dos direitos sociais e econômicos.

Tal segmentação, contudo, de uma parte ou de outra, é absolutamente inadmissível e artificial. Os


direitos Humanos são indivisíveis.

Assim, não é preciso que desconfiemos das lutas que enfocam direitos civis e políticos. Sem eles, não
é possível que nos organizemos, reivindiquemos ou construamos nossos direitos sociais e econômicos.

Sem uma imprensa livre, por exemplo, a população não tomaria conhecimento das injustiças e
disparidades, das corrupções, dos desvios, das más administrações, do mau uso do dinheiro público, da
concentração de renda. Sem tais informações, estaria menos estimulada, menos aparelhada, menos
articulada para resistir, avançar, exigir.

Não há, portanto, qualquer dano aos direitos de ordem social quando sublinhamos aqueles de ordem
civil e política. Ao contrário, há o asseguramento do espaço para a socialização das informações, para
a organização popular, para a indignação, para a divergência democrática, para a construção do novo.

Enganam-se os que pensam ser progressista fragmentar, hierarquizar e tentar contrapor um corpo
indivisível.

Direitos Civis e Políticos são fundamentais para que se alcancem, através da intervenção organizada,
Direitos Econômicos e Sociais. Ambos, promovidos, representam espaços de liberdade e tempo para
que se exercitem e desenvolvam os Direitos Culturais que, por sua vez, consolidam e expandem
conhecimentos, fundamentais ao exercício seguro das liberdades e à competência no
empreendedorismo que produz bem-estar material.
9

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

A expressão “Direitos Fundamentais” é reservada par designar aquelas prerrogativas e


instituições que o direito positivo concretiza em garantia de uma convivência digna, livre e igual
de todas as pessoas.
No qualificativo “fundamentais” acha-se a indicação de que se trata de situações
jurídicas sem as quais a pessoa humana não se realiza, não convive e, às vezes, nem mesmo
sobrevive.
É com esse conteúdo que a expressão “direitos fundamentais” encabeça o Título II da
Constituição Federal.
A Constituição é expressa sobre o assunto, quando estatui que as normas definidoras
dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

 Historicidade: São históricos como qualquer direito. Nascem, modificam-se e


desaparecem. Eles apareceram com a revolução burguesa e evoluem, ampliam-se, com o
correr dos tempos.
 Inalienabilidade: São direitos intransferíveis, inegociáveis, porque não são de conteúdo
econômico-patrimonial. Se a ordem constitucional os confere a todos, deles não se pode
desfazer, porque são indisponíveis.
 Imprescritíveis: O exercício de boa parte dos direitos fundamentais ocorre só no fato de
existirem reconhecidos na ordem jurídica. Em relação a eles não se verificam requisitos
que importem em sua prescrição. Vale dizer, nunca deixam de ser exigíveis. Pois
prescrição é um instituto jurídico que somente atinge, coarctando, a exigibilidade dos
direitos de caráter patrimonial.
 Irrenunciabilidade: Não se renunciam direitos fundamentais. Alguns deles podem até não
ser exercidos, pode-se deixar de exerce-los, mas não se admite sejam renunciados.

CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

 Direitos Individuais - (CF, art. 5º);


 Direitos Coletivos - (CF, art. 5º);
 Direitos Sociais - (CF, art. 6º e 193 e ss.);
 Direitos à Nacionalidade - (CF, art. 12);
 Direitos Políticos - (CF, arts. 14 a 17);

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Vida
Liberdade
Igualdade
Segurança
Propriedade

Direito à Vida
Vida, no texto constitucional não será considerada apenas no seu sentido biológico de
incessante auto-atividade funcional, peculiar à matéria orgânica, mas na sua acepção biográfica mais
compreensiva.
A vida humana que é o objeto do direito assegurado no art. 5º, caput, integra-se de elementos
materiais (físicos e psíquicos) e imateriais (espirituais). No conteúdo de seu conceito se envolvem o
direito à dignidade da pessoa humana, o direito à privacidade, o direito à integridade físico-corporal, o
direito à integridade moral, e especialmente o direito à existência.
Tendo a Constituição disposto sobre o direito à vida, veda qualquer prática que se contraponha a
ela como: pena de morte, aborto e tortura , por exemplo.
10

Direito a Liberdade
A liberdade de locomoção - direito de ir, vir e de ficar - é a primeira de todas as liberdades,
sendo condição de quase todas as demais.
Quanto á liberdade de pensamento, deve-se de pronto, distinguir duas facetas: a liberdade de
consciência (de foro íntimo, sempre livre, já que ninguém pode ser obrigado a pensar deste ou daquele
modo) e a liberdade de expressão (manifestação da consciência e das crenças).
Muito ligada à liberdade de pensamento, está a liberdade de reunião. Para a CF, reunião
significa um agrupamento de pessoas organizado mas descontínuo, para intercâmbio de idéias ou
tomadas de posição. A reunião é livre desde que seus participantes estejam desarmados e que o
encontro se realiza em locais abertos ao público independentemente de autorização.
Sobre a liberdade de associação podemos afirmar que a constituição confere a legitimação ativa
as associações, quando autorizadas, para representação de seus filiados (judicial ou
extrajudicialmente).
Paralelamente a essa, temos a liberdade sindical (liberdade de aderir ou não a um sindicato.
A liberdade de profissão e trabalho é reconhecida igualmente, recebendo as limitações
destinadas e proteger o próprio trabalhador e a sociedade contra os abusos. (art. 7º)
A liberdade de ação, por sua vez, deflui no inciso II do art. 5º: "Ninguém será obrigado a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei".
O direito de greve, previsto no art. 9º, implica exonerar o trabalhador dos prejuízos que
advenham de sua inação. Sobre a possibilidade desse direito se tornar perigoso e prejudicial à
coletividade, a lei deverá disciplinar sobre o atendimento de necessidades básicas e de serviços
inadiáveis.
Direitos à Igualdade
As Constituições só tem reconhecimento a igualdade no seu sentido formal jurídico: "igualdade
perante a lei". A Constituição de 1988 abre o capítulo dos direitos individuais com o princípio de que
"todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". Reforça o princípio com muitas
outras normas sobre a igualdade ou buscando a igualização dos desiguais pela outorga de direitos
substanciais. Assim é que, já no mesmo art. 5º, I, declara que homens e mulheres são iguais em
direitos e obrigações". Depois , no art. 7º, XXX e XXXI, vêm regras de igualdade material, regras que
proíbem distinções fundadas em certos fatores, ao vedarem "diferenças de salários, de exercício de
funções e de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil e qualquer
discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência". A
previsão, ainda que programática, de que a República Federativa do Brasil tem como um de seus
objetivos fundamentais "reduzir as desigualdades sociais e regionais" (art. 3º, III), a veemente repulsa
da seguridade social, a garantia do direito à saúde, à educação baseada em princípios democráticos e
de igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, enfim à preocupação com a justiça
social como objetivo das ordens econômicas e social (art. 170, 193, 196 e 205) constituem reais
promessas de busca da igualdade material.
Direito à Segurança
Dos direitos relativos a segurança do indivíduo, uns concernem aos seus direitos subjetivos em
geral, outros apenas à sua segurança pessoal.
O respeito à liberdade pessoal (art. 5º, LXI) proíbe as prisões que não sejam em flagrante,
delito ou por ordem escrita de autoridade judicial competente. Tenta-se, dessa forma, impedir as
arbitrariedades.
Dentre aos que interessam aos direitos subjetivos em geral temos a legalidade (art. 5º, II) e o
direito adquirido (art. 5º, XXXVI).
Direito à Propriedade
O Direito de propriedade está condicionado ao bem-estar social.
Esse direito é garantido pela exigência de que toda a expropriação se faça mediante prévia e
justa indenização. A Constituição e o bom senso mandam que a indenização seja justa , ou seja, o
valor do bem colocado no mercado.
A desapropriação há de fundar-se em necessidade pública, utilidade pública ou interesse social.
O fundamento da desapropriação é importante porque influi na forma de indenização: será em
dinheiro se baseada na utilização pública, na necessidade pública ou interesse social; será em títulos,
se o interesse social basear-se na difusão da propriedade rural.
11

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS


Proclamada pela Resolução nº 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 10 de
dezembro de 1948

Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência
e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II
1. Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
condição.
2. Não será tampouco feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou
internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território
independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de
soberania.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravo são proibidos
em todas as formas.
Artigo V
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos
têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra
qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII
Toda pessoa tem o direito de receber dos Tribunais nacionais competentes recurso efetivo para os
atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um
Tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer
acusação criminal contra ela.
Artigo XI
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente, até que a sua
culpa tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido
asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituam
delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do
que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua
correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra
tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada
Estado.
2. Toda pessoa tem direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a ele regressar.
Artigo XIV
1. Toda pessoa vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar o asilo em outros países
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes
12

de direito comum ou por atos contrários aos propósitos ou principais das Nações Unidas.
Artigo XV
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de
nacionalidade
Artigo XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião,
têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação
ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão o livre e pleno consentimento dos nubentes 3. A família é o
núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado
Artigo XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou sem sociedade com outros .
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a
liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino,
pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou particular.
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e
independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associações pacíficas.
2. Ninguém poderá ser obrigado a fazer parte de uma associação
Artigo XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte do governo de seu país diretamente ou por intermédio
de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições
periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que
assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, em direito à segurança social e à realização, pelo esforço
nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos
direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua
personalidade.
Artigo XXIII
1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis
de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure,
assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se
acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a
férias remuneradas periódicas.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-
estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais
indispensáveis, o direito à segurança, em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice
e outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças,
nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social
Artigo XXVI
13

1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares
e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será
acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento e do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução
promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou
religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero da instrução que será ministrada a seus
filhos.
Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as
artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer
produção científica, literária ou artística da qual seja autora.
Artigo XXVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades
estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados
Artigo XXIX
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de
sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdade, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações
determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e
respeito dos direitos e liberdades de outrem, e de satisfazer às justas exigências da moral, da
ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos
propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a
qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato
destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

PROCEDIMENTOS DA POLÍCIA MILITAR FRENTE A OCORRÊNCIA ENVOLVENDO


CRIANÇA E ADOLESCENTE
Quando do atendimento de ocorrência envolvendo criança ou adolescente, o Policial-Militar deverá
adotar os seguintes procedimentos:
a. Conduzir ao hospital de emergência, quando a criança ou adolescente apresentar lesões
corporais ou existir alguma suspeita de possuí-las, mesmo internamente;
b. Efetuar a identificação da criança ou adolescente, obtendo dele nome, filiação, apelido,
idade, endereço (inclusive ponto de referência), etc.;
c. Fazer a condução da criança ou adolescente ao órgão competente;
d. A condução ou transporte da criança ou adolescente não poderá ser realizado no
compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias à sua dignidade ou que
impliquem risco à sua integridade física ou mental;
e. Quando decorra de questão de segurança da guarnição, por ato de violência da criança
ou adolescente, ou, ainda, excepcionalmente, devido à inexistência de viatura mais adequada
disponível, ficará a guarnição responsável pelo redobrado cuidado para evitar maiores
constrangimentos, como, por exemplo, realizar o embarque afastado de aglomerados;
14

f. Atenção especial deverá ser tomada quanto a criança ou o adolescente envolvido como
“vítima”, quando ficará sob a responsabilidade da guarnição, que deverá adotar os cuidados
relacionados ao amparo e ao não-constrangimento do encaminhado;
g. O adolescente a quem é atribuída autoria de ato infracional de trânsito ou outro ato que
seja da competência de uma Delegacia Especializada, será a ela conduzido, e, na inexistência desta, à
Delegacia de Polícia;
h. O Policial-Militar não deverá divulgar, total ou parcialmente, sem a devida autorização,
por qualquer meio de comunicação: nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo
ou judicial, relativo à criança ou adolescente a quem se atribua ato infracional. Nestes casos, deverá
orientar o solicitante a obtê-los no órgão para o qual deverá ser conduzida a criança ou o adolescente;
i. Nos casos de infração cometida com violência ou grave ameaça, os métodos de
contenção devem limitar-se à estrita necessidade de evitar maiores riscos, empregando meios de
persuasão, com uso de força física ou arma em último caso, sendo vedado qualquer tipo de excesso;
j. Caso exista a negativa de recebimento ou fator que impossibilite a apresentação na
Delegacia Especializada ou Delegacia de Polícia, deverá o adolescente ser encaminhado ao órgão do
Ministério Público, Juizado da Infância e da Juventude ou Foro local;
k. No momento do flagrante e conseqüente apreensão do adolescente, é muito importante:
1) Identificar as testemunhas, colhendo seu nome, endereço, telefone e demais
dados necessários;
2) Isolar o local, se do ato infracional existirem provas a ser colhidas;
3) Apreender o material necessário para a prova;
4) Identificar-se, o Policial-Militar, com clareza, declinando o nome;
5) Informar ao adolescente e aos circunstantes porque está realizando a apreensão e
para onde o está conduzindo.
l. Os operadores do Fone “190”, ao receberem informação denunciando situação de
exploração sexual contra criança ou adolescente, registrarão as informações obtidas, repassando-as
imediatamente através do canal de comando. Nesse caso, o Cmt de SUOp ou Pel com
responsabilidade territorial sobre o local da denúncia contatará imediatamente a Polícia Civil,
Ministério Público, Juizado da Infância e da Juventude e Conselho Tutelar, para atuação em conjunto,
visando à confirmação do fato e prisão dos infratores.
m. Deverá ser preenchido Boletim de Ocorrência, onde deverão ser mencionados todos os
dados relativos ao fato.
n. A ação policial nunca poderá ser arbitrária ou violenta.
A POLÍCIA E AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Dispõe o art. 98 do ECA que:
“as medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos
nesta lei forem ameaçados ou violados:
I – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
15

II – por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis;


III – em razão de sua conduta”.
Considerando que o art. 4o assegura ser dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do
Poder Público, assegurar com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos previstos no Estatuto e, o
art. 70 dispõe ser “dever de todos” prevenir a ocorrência de ameaça ou violação de direitos da criança
e do adolescente, bem como o exercício da Segurança Pública, em nosso Estado é competência das
Polícias Civil e Militar, as medidas de proteção dizem respeito bem de perto ao organismo policial.
Interessa-nos aqui o item III do art. 98, ou seja, a ameaça aos direitos causada pela própria conduta da
criança e/ou adolescente.
Assim, a polícia deverá se preocupar com os adolescentes ao volante; crianças e adolescentes que
praticam “surf de asfalto” e, os usuários dependentes da chamada “cola de sapateiro”.

A POSSIBILIDADE POLICIAL COMETER UM ILÍCITO PENAL NO TRATO COM A


CRIANÇA E O ADOLESCENTE
Há que se dar especial atenção ao art. 15 do Estatuto que assegura à criança e ao adolescente o direito
à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como
sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Na seqüência, o art. 16 exemplifica a abrangência do direito de liberdade, dos quais, o de ir, vir e estar
nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais. Tal dispositivo tem
o caráter de coibir a prática policial (que não podemos negar aconteceu e muito) de prender
adolescentes que se encontravam em locais públicos, por mero arbítrio, na maioria das vezes, em razão
de sua situação econômica e social (Camburão Social).
Hoje, o art. 230 do Estatuto, tornou esta prática criminosa:
Art. 230 - Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão
sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária
competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância
das formalidades legais.
São ainda, crimes passíveis de serem cometidos por policiais:
Art. 231 - Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou
adolescente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do
apreendido ou à pessoa por ele indicada:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Art. 232 - Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a
vexame ou a constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Art. 233 - (Revogado pela Lei n.º 9.455, de 07-04-1997).
16

A Lei 9.455/97, passou a definir o crime de tortura de uma forma bem ampla, prevendo
inclusive, em seu art. 1o, par. 4o, inciso II, a majoração da tortura praticada contra “criança” ou
“adolescente”, revogando o art. 233 do ECA, expressamente.
Art. 234 - Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação
de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Art. 235 - Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de
adolescente privado de liberdade:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Art. 236 - Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho
Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei:
Pena - detenção de seis meses a dois anos

TIPOS DE ENCAMINHAMENTOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES


* Realização do registro na Delegacia de Polícia, sem apresentação da criança autora do ato
infracional.
OBSERVAÇÕES:
1. Sempre que houver risco de vida ou problema de saúde, a providência de submeter a cuidados
médicos deverá preceder às outras diligências, inclusive a prisão do agressor;
2. No atendimento de crianças e adolescentes perdidos, em balneários, junto a “Postos de
Triagem”, por ocasião de espetáculos com grande afluência de público, somente será procedido o
encaminhamento caso os pais ou responsáveis não compareçam até aquele local;
3. Quando inexistir Delegacia de Polícia, Juizado da Criança e do Adolescente ou Foro em
determinada localidade, o encaminhamento será realizado para a Delegacia ou Foro mais próximo;
4. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional
(crime ou contravenção penal) ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade competente (Art.
106 do ECA);
5. O jovem infrator, antes de ser encaminhado, sempre deverá ser cientificado da identificação
do agente de sua apreensão, assim como o fator gerador daquele procedimento;
6. Quando houver negativa quanto à apresentação de adolescente junto a Delegacia de Polícia,
especializada ou não, a condução poderá ser feita ao órgão do Ministério Público ou Foro Local,
através de contato pessoal do Oficial ou graduado responsável pelo serviço;
7. Qualquer irregularidade verificada no andamento da ocorrência deverá ser devidamente
comunicada por escrito ao escalão superior, para as providências pertinentes.
17

II- DIREITO CONSTITUCIONAL


É o ramo do direito público interno que analisa e interpreta as normas constitucionais,
essas compreendidas como o ápice da pirâmide normativa de uma ordem jurídica, são consideradas
Leis Supremas de um Estado soberano, e tem por escopo regulamentar e delimitar o poder estatal,
lém de garantir os direitos considerados fundamentais.

Para Alexandre de Moraes1, Tem por objeto a constituição política do estado, no sentido amplo de
estabelecer sua estrtura, a organização e funcionamento do estado, à articulação dos elementos
primários do mesmo e ao estabelecimento das bases da estrutura política.

O Direito Constitucional, segundo Pinho2, ocupa uma posição de superioridade em relação às


demais ciências jurídicas, pois os principios fundamentais dos outros ramos jurídicos estão inseridos
na constituição. Portanto, as demais normas jurídicas não podem contrariar, em hipótese alguma,
dispositivos constitucionais.

Origem do Direito Constitucional

A origem formal do constitucionalismo está ligada às constituições escritas e rígidas dos estados
Unidos da América, em 1787, após a Independencia das 13 Colonias, e da França, em 1791, apartir da
Revolução Francesa, apresentando dois traços marcantes: organização do estado e limitação do poder
estatal, por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais.

Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de Maio de 1789
e 9 de Novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Em causa estavam o Antigo
Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do
Iluminismo e da Independência Americana (1776). Está entre as maiores revoluções da história da
humanidade.

A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu
a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e
Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité), frase de autoria de Jean-Nicolas Pache. Para a França,
abriu-se em 1789 o longo período de convulsões políticas do século XIX, fazendo-a passar por várias
repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios.

Porém, diz-se que o primeiro documento formal que esboçou o que seria posteriormente chamado
de constituição foi a Magna Carta de 1215, documento assinado pelo Príncipe João Sem-Terra, por
pressão dos barões da Inglaterra medieval. Apesar de difundida tal idéia, a fixação deste documento
como o verdadeiro primeiro documento constitucional, é passível de questionamento, uma vez que os
únicos a se beneficiarem com tal direito eram os barões ingleses.

Contudo, foi a partir das "Revoluções Liberais" (Revolução Francesa, Revolução Americana e
Revolução Industrial) que surgiu o ideário constitucional, no qual seria necessário, para evitar abusos
dos soberanos em relação aos súditos, que existisse um documento onde se fixasse a estrutura do
Estado, e a conseqüente limitação dos poderes do Estado em relação ao povo.

Uma constituição, necessariamente, não possui uma constituição formalmente escrita. Em países
onde o direito consuetudinário é comum, a constituição não se encontra positivada num documento
escrito. Ela é fruto de uma construção histórica das práticas e costumes de toda a população. Tal tipo
de Lei Maior não obsta a existência de normas escritas de caráter constitucional, como acontece na
Inglaterra, com o Act of Habeas Corpus, e a própria Magna Carta.

1
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional.19º ed. São Paulo:Atlas,2006.
2
PINHO, Rodrigo César Rebello. Teoria Geral da Constituição e Direitos Fundamentais.5.ed. São paulo:
Saraiva,2005
18

Porém, a maioria das constituições existentes seguem o padrão formal, de modo que são o fruto de
uma Assembléia de Representantes do Povo (no caso das constituições democráticas), onde se decide
acerca de como será o Governo estatal e quais os direitos a serem previstos neste documento.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Conceito: considerada a lei fundamental de uma Nação, seria, então, a organização dos seus
elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do
Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de
seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas garantias; em
síntese, É O CONJUNTO DE NORMAS QUE ORGANIZA OS ELEMENTOS
CONSTITUTIVOS DO ESTADO.

TEORIAS DO ESTADO

O homem não pode viver senão em sociedade. As sociedades são organizadas de pessoas para a
obtenção de fins comum, em beneficio de cada qual. Mas se não houvesse um poder, nessas
sociedades, restringindo as condutas humanas, elas jamais subssitiriam. Cada um faria o que bem
quisesse e entendesse, invadindo a esfera do outro e, desse modo, qualquer agrupamento humano
seria caótico. Daí o surgimento do Estado.

Visando a continuidade da vida em sociedade na defesa das liberdades individuais, em suma, ao bem
– estar geral, os homens organizaram-se em Estado. Desde então eles se submeteram às ordens dos
governantes, não mais fazendo o que bem queriam e entendiam, mas o que era permitido

Desta forma, Estado é uma sociedade política dotada de algumas características próprias, ou dos
elementos essenciais a seguir descritos:

Elementos do Estado

a. POVO - É unânime a aceitação da necessidade do elemento pessoal para a constituição e a


existência do Estado, uma vez que sem ele não é possível haver Estado e é para ele que o Estado se
forma. É onúmero determinado ou não de individuos que habitam o território unidos por uma mesma
lingua,objetivos e cultura.

b. TERRITÓRIO - Espaço fisico delimitado por fronteiras naturais ou não. Extensão do território
sobre o mar Duzentas milhas

c. GOVERNO OU SOBERANIA- O Conceito de Soberania ou Governo pode ser concebido de


duas maneira distinta: como sinônimo de independência, e assim ter tem sido invocada pelos
dirigentes dos Estados que desejam afirmar, sobretudo ao seu próprio povo, não serem mais
submissos a qualquer potência estrangeira; ou como expressão de poder jurídico mais alto,
significando que dentro dos limites da jurisdição do estado, este é que tem o poder decisão em última
instância, sobre a eficácia de qualquer norma jurídica.

FORMAS, SISTEMAS, REGIMES DE ESTADO E DE GOVERNO

FORMAS DE ESTADO

 considera os modos pelos quais se estrutura a sociedade estatal, permitindo identificar as


comunidades políticas em cujo âmbito de validade o exercício do poder ocorre, de modo centralizado
ou descentralizado. Pode ser:

a) Estado UNITÁRIO: quando existir um único centro dotado de capacidade legislativa,


administrativa e política, do qual emanam todos os comandos normativos e no qual se concentram
todas as competências constitucionais, ocorre a FORMA UNITÁRIA de ESTADO.
19

b) Estado FEDERAL: quando as capacidades políticas, legislativas e administrativas são


atribuídas constitucionalmente a entes regionais, que passam a gozar de autonomias próprias,
surge a FORMA FEDERATIVA. Neste caso, as autonomias regionais não são fruto de delegação
voluntária de um centro único de poder, mas se originam na própria Constituição, o que impede a
retirada de competências por ato voluntário de poder central.
• ESTADO FEDERADO não significa necessariamente Estado descentralizado.
FEDERALISMO: refere-se a uma forma de Estado (federação ou Estado Federal) caracterizada
pela união de coletividades públicas dotadas de autonomia político-constitucional, autonomia
federativa; a federação consiste na união de coletividades regionais autônomas (estados federados,
estados-membros ou estado).
UNIÃO: é a entidade federal formada pela reunião das partes componentes, constituindo
pessoa jurídica de Direito Público interno, autônoma em relação aos Estados e a que cabe exercer as
prerrogativas da soberania do Estado brasileiro.

FORMAS DE GOVERNO
 define o modo de organização política e de regência do corpo estatal, ou seja, o modo pelo
qual se exerce o poder. Pode ser:
a) REPUBLICA: quando o poder for exercido pelo povo, através de mandatários eleitos
temporariamente, surge a forma republicada,
b) MONARQUIA: quando o poder é exercido por quem o detém naturalmente, sem representar o
povo através de mandato, surge a forma monárquica de governo.

SISTEMA DE GOVERNO
 refere-se ao modo pelo qual se relacionam os Poderes Executivo e Legislativo. Pode ser:
a) PARLAMENTARISMO: a função de Chefe de Estado é exercida pelo Presidente ou
pelo Monarca e a de Chefe de Governo pelo Primeiro Ministro, que chefia o Gabinete. Parte da
atividade do Executivo é deslocada para o Legislativo.
b) PRESIDENCIALISMO: o Presidente CONCENTRA as funções de Chefe de Estado
e de Chefe de Governo.

REGIMES POLÍTICOS
 refere-se à acessibilidade do povo e dos governantes ao processo de formação da vontade
estatal. A participação do povo no processo decisório e a capacidade dos governados de influenciar a
gestão dos negócios estatais comportam gradação variável em função do regime adotado. Dentro
deste critério, temos:
a) REGIME DEMOCRÁTICO
Democracia. Palvra de origem grega, demos-povo e arché- governo, governo do povo, é o
regime político que todo poder emana da vontade popular. Na classica definição, é o governo do
povo, pelo povo
b) REGIME NÃO DEMOCRÁTICO: subdividido em totalitário e autoritário.

SISTEMA BRASILEIRO:

• forma de estado: ESTADO FEDERAL,


• forma de governo: REPUBLICANO,
• sistema de governo: PRESIDENCIALISTA,
• regime político: DEMOCRÁTICO.

Nosso modelo é de uma DEMOCRACIA SOCIAL (promover justiça social, promovendo o bem
de todos e erradicando a pobreza, com diminuição das desigualdades), PARTICIPATIVA (caminha
para democracia semi-direta) e PLURALISTA (pluralismo político).

HISTÓRICO DAS CONSTITUIÇÕES


O Brasil já teve 7 constituições, incluindo a atual de 1988:
CF 1824 - Autocrática: Liberal – Governo Monárquico: vitalício e hereditário
20

Estado Unitário: províncias sem autonomia; 4 poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário e


Moderador (Soberano);
O controle de constitucionalidade era feito pelo próprio Legislativo; União da Igreja com o
Estado, sob o catolicismo. “a Constituição da Mandioca”.
CF 1891 - Democrática: Liberal - Governo Republicano - Presidencialista
Federalista: autonomia de Estados e Municípios. Introduziu o controle de constitucionalidade
pela via difusa, inspirado no sistema jurisprudencial americano. Separou o Estado da Igreja.
CF 1934 - Democrática: Liberal-Social- Governo Republicano – Presidencialista
Federalista: autonomia moderada. Manteve o controle de constitucionalidade difuso e introduziu a
representação interventiva.
Cf 1937 - Ditatorial: Liberal-Social- Governo Republicano – Presidencialista (Ditador)
Federalista: autonomia restrita. Legislação trabalhista. Constituição semântica, de fachada. Também
conhecida como “a Polaca”
CF 1946- Democrática: Social-Liberal- Governo Republicano – Presidencialista
Federalista: ampla autonomia - Estado Intervencionista (Emenda Parlamentarista/1961;
Plebiscito/1963 - Presidencialismo; Golpe Militar/1964 – Início da Ditadura. Controle de
constitucionalidade difuso e concentrado, este introduzido pela EC nº 16/65
CF 1967 - Ditatorial: Social-Liberal - Governo Republicano – Presidencialista (Ditador)
Federalista: autonomia restrita- Ato Institucional nº 5 / 1969 – uma verdadeira carta constitucional:
217 artigos aprofundando a Ditadura: autorizou o banimento; prisão perpétua e pena de morte;
supressão do mandado de segurança e do hábeas corpus; suspensão da vitaliciedade e inamovibilidade
dos magistrados; cassação nos 3 poderes. Manteve o controle de constitucionalidade pela via
difusa e concentrada.
CF 1988 - Democrática: Social-Liberal-Social - Governo Republicano – Presidencialista
Federalista: ampla autonomia - Direitos e garantias individuais: mandado de segurança coletivo,
mandado de injunção, hábeas data, proteção dos direitos difusos e coletivos; Aprovada com 315
artigos, 946 incisos, dependendo ainda de 200 leis integradoras.
Fase atual: Neoliberalismo e desconstitucionalização dos direitos sociais. Considerada
“Constituição Cidadã”

CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

1. Quanto ao conteúdo:

a) Materiais ou reais – são as normas que se referem aos aspectos essenciais da estrutura e
formação do Estado, como por exemplo: forma de Estado, forma e sistema de governo, organização
político-administrativa do Estado, direitos políticos e individuais.
b) Formais - É aquela consubstanciada de forma escrita, por meio de um documento solene
estabelecido pelo poder constituinte originário
2.Quanto à forma:
a) Escritas – É aquela codificada e sistematizada em um texto único. Portanto é o mais alto estatuto
jurídico de determinada comunidade.
b) Não escritas – resulta de leis, costumes ou jurisprudências esparsas em diversos textos
constitucionais. ( ex: Constituição inglesa )
3. Quanto à elaboração:
a) Dogmáticas Apresenta-se como produto escrito e sistematizado por um órgão constituinte, a
partir de princípios e idéias fundamentais da teoria política e do direito dominante.

b) Histórica ou costumeira – origina-se da evolução histórica da sociedade, baseada nos costumes e


tradições de seu povo.
4. Quanto à origem:
a) promulgadas – elaboradas por um órgão constituinte ( Assembléia nacional Constituinte)
compostos por representantes eleitos pelo povo ( ex: CF 1891,1934,1946 e 1988)

b) Outorgadas – imposta pelo governante, sem discussão e votação por um órgão constituinte.(ex.
CF 1824, 1937,1967 e 1969)
5. Quanto à estabilidade:
21

a) Imutáveis- É aquela em que se veda qualquer alteração,tornando relíquia histórica.


b) Rígidas –É a Constituição escrita que pode ser alterada por um processo legislativo mais solene
e dificultoso;
b) Flexíveis – Pode ser alterada livremente, não exigem procedimento especial para alteração da
Constituição.
c) Semi-rígidas – É um meio termo entre as duas anteriores, em que algumas regras podem ser
alteradas por um processo legislativo ordinário.

6. Quando à extensão:
a) Sintéticas ou resumidas – Dispõe somente sobre os aspectos essenciais para organização e
formação do Estado, possui poucos artigos, prevê somente os principios e as normas gerais de
regência do Estado.
b) Analíticas – Examina e regulamenta todos os assuntos que entenda relevante à formação,
destinação e funcionamento do estado.

3.4 CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS


 Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia;
 Aplicabilidade: é a qualidade daquilo que é aplicável
 Logo, todas as normas constitucionais são aplicáveis, pois todas são dotadas de eficácia
jurídica. Porém, esta capacidade de incidir imediatamente sobre os fatos regulados não é uma
característica de todas as normas constitucionais.
 As normas constitucionais são classificadas quanto à sua eficácia em:

Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Plena;


Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Contida;
Normas Constitucionais de Eficácia Limitada.

PODER CONSTITUINTE
Conceito: é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo, social e
juridicamente organizado.
• O Poder constituinte é o poder que tudo pode.
Titularidade do Poder Constituinte: é predominante que a titularidade do poder
constituinte pertence ao povo. Logo, a vontade constituinte é a vontade do povo expressa por meio de
seus representantes.
Espécies:
Poder Constituinte Originário - Estabelece a Constituição de um novo Estado, organizando-se
e criando os poderes destinados a reger os interesses de uma sociedade. Não deriva de nenhum
outro, não sofre qualquer limite e não se subordina a nenhuma condição.
 Ocorre Poder Constituinte no surgimento da 1ª Constituição e também na
elaboração de qualquer outra que venha depois.
Características:
inicial - não se fundamenta em nenhum outro; é a base jurídica de um Estado;
autônomo / ilimitado - não está limitado pelo direito anterior, não tendo que respeitar os limites
postos pelo direito positivo anterior; não há nenhum condicionamento material;
incondicionado - não está sujeito a qualquer forma pré-fixada para manifestação de sua vontade; não
está submisso a nenhum procedimento de ordem formal
Poder Constituinte Derivado - também chamado Instituído ou de segundo grau – é secundário, pois
deriva do poder originário. Encontra-se na própria Constituição, encontrando limitações por ela
impostas: explícitas e implícitas.

HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS


Estrutura hierarquizada: a pirâmide representa a hierarquia das normas dentro do ordenamento
jurídico - esta estrutura exige que o ato inferior guarde hierarquia com o ato hierarquicamente
superior e, todos eles, com a Constituição, sob pena de ser ilegal e inconstitucional - chamada de
relação de compatibilidade vertical
22

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO


Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
Os “ALICERCES” da Constituição Federal são os FUNDAMENTOS
“SOCI DIVA PLU”
I - SOberania;
II - CIdadania;
III -DIgnidade da pessoa humana;
IV -VAlores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - PLUralismo político.

• Forma de Governo: REPÚBLICA


 A forma de governo tem como finalidade organizar politicamente um Estado.
Etimologicamente, significa  RES – coisa, PUBLICO – povo, ou seja “coisa do povo, para o
povo”. São características básicas:
“REPRESO”
Representatividade - o povo escolhe seus representantes;
Eletividade - a escolha é feita através do voto, de eleições;
Periodicidade - o representante exerce mandato temporário (4 anos);
Responsabilidade - dever de probidade administrativa;
Soberania popular - o poder emana do povo e por ele é exercido.

Fundamentos da República Federativa do Brasil 


• Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição. Parágrafo único do 1º CF
• São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário. Art 2º CF

Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil 


Os “TIJOLOS” da Constituição Federal são os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS
“COGAERPRO”
I - COnstruir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - GArantir o desenvolvimento nacional;
III -ERradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV -PROmover o bem de todos, sem quaisquer preconceitos ou discriminação;

Princípios que regem as Relações Internacionais 


A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos
povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
Os “VIZINHOS” da Constituição Federal são os PAÍSES AMIGOS
“AINDE NÃO CONPREI RECOOS”
I- Autodeterminação dos povos;
II - INdependência nacional;
III - DEfesa da paz;
IV - NÃO-intervenção;
V- CONcessão de asilo político.
VI - PREvalência dos direitos humanos;
VII - I gualdade entre os Estados;
VIII - REpúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - COOperação entre os povos para o progresso da humanidade;
23

X- Solução pacífica dos conflitos;

5. DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS


Art 5º CF  Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Garantias Constitucionais individuais são os meios, instrumentos, procedimentos e instituições,


destinados a assegurar o respeito, a efetividade do gozo e a exigibilidade dos direitos individuais, os
quais se encontram ligados a estes entre os incisos do art. 5º.

 NINGUÉM SERÁ:
• obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
• submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
• privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei;
• compelido a associar-se ou a permanecer associado;
• privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
• considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
• preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar,
definidos em lei;
• levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança;
• processado nem sentenciado senão pela autoridade competente

 É INVIOLÁVEL:
• a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
• a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
• o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer
para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

 É LIVRE:
• a manifestação do pensamento, sendo PROIBIDO o anonimato
• a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença;
• o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer;
• a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

 É ASSEGURADO:
• o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral
ou à imagem;
• prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares;
• é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional;
• a todos, independentemente do pagamento de taxas:
24

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso
de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal;

 A LEI:
• estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro;
• não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
• não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada
• penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
• regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
• punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
• só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o
interesse social o exigirem.

 PENAS:
• nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a
decretação do perdimento de bens ser estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite
do valor do patrimônio transferido;
• não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;

 CRIMES:
• não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
• será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo
legal
• constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático e a prática do racismo, sujeito à pena de
reclusão, nos termos da lei;
• a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia:
a) a prática da tortura,
b) o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
c) o terrorismo ;
d) e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

 PRISÃO:
• não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
• a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária
• não haverá juízo ou tribunal de exceção;
• o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além
do tempo fixado na sentença;
25

 A PROPRIEDADE:
• é garantido o direito de propriedade;
• a propriedade atenderá a sua função social;
• a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família,
não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva,
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
• a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do
morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial
• no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;

 ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES:
• todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
• é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
• a criação de associações e a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
interferência estatal em seu funcionamento;
• as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
• as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para
representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

 PROCESSOS:
• aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
• o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem
insuficiência de recursos
• são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
• é reconhecida a INSTITUIÇÃO DO JÚRI, assegurados:
• a plenitude de defesa; o sigilo das votações; a soberania dos veredictos; a
competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

 SUCESSÃO E HERANÇA:
• é garantido o direito de herança;
• a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do
de cujus;

 OUTROS DIREITOS:
• homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações;
• o Estado promoverá a defesa do consumidor;
• todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular,
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

 EXTRADIÇÃO:
• nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,
praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, na forma da lei;
• não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
26

5.7 REMEDIOS CONSTITUCIONAIS


São uma espécie de ação judiciária que visa proteger categoria especial de direitos públicos
subjetivos, as chamadas liberdades públicas, ou direitos fundamentais do homem.
Além do Mandado de Segurança, individual ou coletivo, temos a ação popular, a ação civil
pública, habeas data, mandado de injunção, habeas corpus e o direito de petição.
• conceder-se-á HABEAS CORPUS sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
• conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder
for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
• o MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
• conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a falta de norma regulamentadora
torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania;
• conceder-se-á HABEAS DATA:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes
de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;
• qualquer cidadão é parte legítima para propor AÇÃO POPULAR que vise a anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao
exercício da cidadania.

REMÉDIOS Conceito Considerações


CONSTITUCIONAIS

 sempre que alguém sofrer (HC  pode sem


Repressivo) ou se achar ameaçado de sofrer impetrado pela própria
HABEAS
(HC Preventivo) violência ou coação em sua pessoa, por menor ou
CORPUS LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO, por por estrangeiro.
ilegalidade ou abuso de poder.

 para assegurar o conhecimento de


informações relativas à pessoa do impetrante,  a propositura da
constante de registro ou banco de dados de ação é gratuita;
entidades governamentais ou de caráter
HABEAS DATA é uma ação
público;
personalíssima
 serve também para retificação de
dados, quando NÃO se prefira fazê-lo por
processo sigiloso, judicial ou administrativo.
MANDADO  para proteger direito líquido e certo  Líquido e
não amparado por HC ou HD, quando o Certo: o direito não
DE SEGURANÇA responsável pela ilegalidade ou abuso de poder desperta dúvidas, está
for autoridade pública ou agente de pessoa isento de obscuridades.
jurídica no exercício de atribuições do
Poder Público.  qualquer pessoa
física ou jurídica pode
impetrar, mas somente
27

através de advogado.

Legitimidade
para impetrar MS
Coletivo: Organização
Sindical, entidade de
classe ou associa
MANDADO  instrumento que visa proteger direito legalmente constituída a
líquido e certo de uma coletividade, quando o pelo menos 1 ano,
DE responsável pela ilegalidade ou abuso de poder assim como partidos
SEGURANÇA for autoridade pública ou agente de pessoa políticos com
jurídica no exercício de atribuições do representação no
COLETIVO Poder Público. Congresso Nacional.
 OBJETIVO:
defesa do interesse dos
seus membros ou
associados.

 sempre que a falta de norma


MANDADO  qualquer pessoa
regulamentadora que torne inviável o exercício
(física ou jurídica) pode
DE dos direitos e liberdades constitucionais e das
impetrar, sempre através
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
INJUNÇÃO de advogado.
soberania e à cidadania.
 visa a anulação ou à declaração de  a propositura
nulidade de atos lesivos ao: Patrimônio cabe a qualquer
AÇÃO
Público, à moralidade Administrativa, ao Meio cidadão (brasileiro) no
POPULAR Ambiente, ao Patrimônio Histórico e Cultural. exercício de seus
direitos políticos.

DIREITO  Objetivo: Defender direito ou noticiar  qualquer pessoa


ilegalidade ou abuso de autoridade pública. pode propor, brasileira
DE PETIÇÃO ou estrangeira

DOS DIREITOS SOCIAIS


 São DIREITOS SOCIAIS: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição.
5.8.1 Dos Direitos dos Trabahadores
 São DIREITOS dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
de sua condição social:
 A relação de emprego É PROTEGIDA contra despedida arbitrária ou sem justa causa,
nos termos de LEI COMPLEMENTAR;
 Seguro-Desemprego: em caso de DESEMPREGO INVOLUNTÁRIO;
 SALÁRIO:
• salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, sendo vedada sua vinculação para
qualquer fim;
• piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
• irredutibilidade do salário, SALVO o disposto em convenção ou acordo coletivo;
• garantia de salário nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração
variável;
• 13º salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
• proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
28

• salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda;


 REMUNERAÇÃO:
• remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
• remuneração do serviço extraordinário superior, NO MÍNIMO, em 50 % à do normal;
 DURAÇÃO E JORNADA DE TRABALHO:
• duração do trabalho normal NÃO SUPERIOR a 8 HORAS DIÁRIAS e 44
SEMANAIS, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou
convenção coletiva de trabalho;
• jornada de 6 horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento,
salvo negociação coletiva;
 CONQUISTAS:
• gozo de férias anuais remuneradas com 1/3 a mais do que o salário normal;
• licença à gestante, sem prejuízo do emprego e salário, com a duração de 120 dias;
• licença-paternidade, com 5 dias consecutivos;
• ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional
de 5 anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de 2 anos após a extinção do
contrato de trabalho;
• adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas;
• fundo de garantia do tempo de serviço;
• participação nos lucros, ou resultados, DESVINCULADA DA REMUNERAÇÃO, e,
excepcionalmente, participação na gestão da empresa;
• repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
• aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de 30 dias;
• aposentadoria;
• assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 6 anos de idade em
creches e pré-escolas;
 PROIBIÇÕES:
• de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de
sexo, idade, cor ou estado civil;
• de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador
portador de deficiência;
• de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais
respectivos;
• aos menores de 18 anos: de trabalho noturno, perigoso ou insalubre;
• aos menores de 16 anos: a de qualquer trabalho a, SALVO na condição de aprendiz, a
partir de 14 anos
 PROTEÇÃO QUANTO À:
• mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
• em face da automação, na forma da lei;
• igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o
trabalhador avulso;
• redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança;
• seguro contra acidentes de trabalho, a CARGO DO EMPREGADOR, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
• reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
 São assegurados aos TRABALHADORES DOMÉSTICOS:
• integração à Previdência Social; Salário Mínimo;
• Irredutibilidade do Salário; 13º salário;
29

• repouso semanal remunerado; Férias + 1/3;


• Licença maternidade de 120 dias; Licença paternidade;
• Aviso prévio; Aposentadoria;
 É livre a ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL OU SINDICAL, observado o seguinte:
• a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato;
• vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na ORGANIZAÇÃO
SINDICAL;
• É VEDADA a criação de mais de uma organização sindical, representativa da mesma
categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, base esta não podendo ser inferior à
área de um Município;
• cabe ao SINDICATO a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;
• a ASSEMBLÉIA GERAL fixará a contribuição que, em se tratando de categoria
profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema;
• NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FILIAR-SE OU A MANTER-SE FILIADO A
SINDICATO;
• é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
• o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
• é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo
de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
 Com relação ao DIREITO DE GREVE:
• É assegurado o DIREITO DE GREVE, competindo aos trabalhadores decidir sobre a
oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
• Serviços ou atividades essenciais que deverão ser observados pelos grevistas:
• Tratamento e abastecimento de água, energia elétrica, gás e combustível;
• Assistência médica e hospitalar;
• Transporte coletivo;
• Telecomunicações;
• Compensação bancária;
• Controle tráfego aéreo;
• Guarda, uso e controle de substância radioativas e equipamentos;
• Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

DA NACIONALIDADE
 São BRASILEIROS:
I - NATOS:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, AINDA QUE de pais estrangeiros, desde
que estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileiro(a), desde que qualquer deles esteja a
serviço da República Federativa do Brasil;
os nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileiro(a), desde que venham a residir na
República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;
II - NATURALIZADOS:
a) os originários de países de língua portuguesa que: falem português, residam por 1 ano
ininterrupto no Brasil e tenham idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade que: residam no Brasil há mais de 15 anos
ininterruptos e sem condenação penal, DESDE QUE requeiram a nacionalidade brasileira.
• Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor dos
brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta
Constituição.
• A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos
previstos nesta Constituição.
30

 São privativos de BRASILEIRO NATO os cargos:


I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
PERDA DA NACIONALIDADE : do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, POR SENTENÇA JUDICIAL, em virtude de atividade
nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela forma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado
estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos
civis.

DIREITOS POLÍTICOS
 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I- PLEBISCITO;
II - REFERENDO;
III - INICIATIVA POPULAR.
O ALISTAMENTO ELEITORAL e o VOTO são:
I - obrigatórios para os maiores de 18 anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de 70 anos;
c) os maiores de 16 e menores de 18 anos.
 Não podem alistar-se como ELEITORES: os estrangeiros e, durante o período do serviço
militar obrigatório, os conscritos (enquartelados);
 São condições de ELEGIBILIDADE, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI -a idade mínima de:
a) 35 anos para Presidente, Vice-Presidente e Senador;
b) 30 anos para Governador e Vice-Governador;
c) 21 anos para Deputado Federal e Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e Juiz de Paz;
d) 18 anos para Vereador.
• SÃO INELEGÍVEIS os inalistáveis e os analfabetos.
• São inelegíveis, no território de jurisdição do titular: o cônjuge e os parentes consangüíneos ou
afins, até o 2º grau ou por adoção, do Presidente, de Governador, de Prefeito ou de quem os haja
substituído dentro dos 6 meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à
reeleição.
• O militar alistável é ELEGÍVEL, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de 10 anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de 10 anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade (reserva).
• É VEDADA A CASSAÇÃO DE DIREITOS POLÍTICOS, cuja perda ou suspensão
só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II incapacidade civil absoluta;
III -condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
31

IV -recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa;


V - improbidade administrativa;
 a Lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se
aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência.

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO:
ESTADOS FEDERADOS ( art 25 a 28)
 Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições Estaduais e leis que adotarem,
observados os princípios da Constituição Federal.
 Cabe aos Estados EXPLORAR diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de
gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.
 Os Estados poderão, mediante lei complementar, INSTITUIR regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e micro-regiões, constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes,
para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.
 Incluem-se entre os bens dos ESTADOS:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste
caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II- as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas
sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III –as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

MUNICÍPIOS ( Art 29 A 31)


 O MUNICÍPIO reger-se-á por LEI ORGÂNICA, votada pelos membros da Câmara
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federa e na
Constituição do respectivo Estado.
• o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de
5% (cinco por cento) da receita do município;
 Compete aos MUNICÍPIOS:
• legislar sobre assuntos de interesse local;
• suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
• criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
 É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
DISTRITO FEDERAL ( art 32)
 O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por LEI
ORGÂNICA, votada pela Câmara Legislativa;
• Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e
Municípios.
TERRITÓRIOS ( Art 33 )
 A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos TERRITÓRIOS.
• Os Territórios PODERÃO ser divididos em Municípios;
• As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer
prévio do Tribunal de Contas da União.
• Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na
forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do
Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara
Territorial e sua competência deliberativa.

REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS ( ART. 23, 25 §1º e 30 )


32

 O princípio da predominância do interesse é o princípio geral que norteia a


REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA entre as entidades, segundo o qual:
• à UNIÃO caberão as matérias e as questões de predominante interesse geral,;
• com os ESTADOS ficarão as matérias e os assuntos de interesse regional;
• com os MUNICÍPIOS, as questões de predominante interesse local.
CLASSIFICAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS
 Competência é a capacidade para emitir decisões dentro de um campo específico.
I) Quanto à finalidade:
a) MATERIAL: refere-se à prática de atos políticos e administrativos. Pode ser:
Exclusiva: é a pertencente exclusivamente a uma única entidade, SEM POSSIBILIDADE DE
DELEGAÇÃO (ex. art. 21)
Cumulativa: ou paralela
b) LEGISLATIVA : refere-se à prática de atos legislativos.
Exclusiva: cabe apenas a uma entidade o poder de legislar, sendo INADMISSÍVEL
QUALQUER DELEGAÇÃO (ex. art. 25, § 1º)
Privativa: cabe apenas a uma entidade o poder de legislar, MAS É POSSÍVEL A
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA a outras entidades (ex. art. 22 e seu parágrafo).
Concorrente: competência CONCOMITANTE de mais de uma entidade para legislar a
respeito de matéria (ex. art. 24).
Suplementar: cabe a uma das entidades ESTABELECER REGRAS GERAIS e à outra
A COMPLEMENTAÇÃO DOS COMANDOS NORMATIVOS (ex. art. 24, § 2º)

II) Quanto à extensão:


Exclusiva: é a atribuída a uma entidade com exclusão das demais, SEM POSSIBILIDADE
DE DELEGAÇÃO (ex. art. 21),
Privativa: quando, embora própria de uma entidade, seja passível de delegação.
Comum, cumulativa ou paralela: quando existir um campo de atuação comum às várias
entidades, sem que o exercício de uma venha a excluir a compet6encia da outra, atuando todas
juntamente em pé de igualdade,
Concorrente: quando houver possibilidade de disposição sobre o mesmo assunto ou matéria
por mais de entidade federativa, COM PRIMAZIA DA UNIÃO NO QUE TANGE ÀS REGRAS
GERAIS (ex. art. 24),
Suplementar: é o poder de formular normas que desdobrem o conteúdo de princípios ou
normas gerais, ou que supram a ausência ou a omissão destas (ex. art. 24, §§ 1º e 4º).

INTERVENÇÃO FEDERAL
 Em regra nós temos autonomia dos entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, caracterizada pela tríplice capacidade de auto-organização, normatização,
autogoverno e auto-administração. Excepcionalmente, porém, será admitido o afastamento desta
autonomia política, COM A FINALIDADE DE PRESERVAÇÃO da existência e unidade da
própria Federação, através da INTERVENÇÃO FEDERAL.
INTERVENÇÃO: consiste em medida excepcional de supressão temporária da autonomia
de determinado ente federativo, fundada em hipóteses taxativamente previstas no texto constitucional,
e que visa à unidade e preservação da soberania do Estado Federal e das autonomias da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
 A UNIÃO, em regra, somente poderá intervir nos Estados-membros e no Distrito Federal,
enquanto os Estados somente poderão intervir nos Municípios de seu território.
.A UNIÃO não poderá intervir diretamente nos Municípios, salvo se pertencentes a Território
Federal.
• É ato privativo do Chefe do Poder Executivo, na União por decreto do Presidente da
República e, nos Estados pelo Governador do Estado, a quem caberá também as medidas
interventivas.
 A UNIÃO intervirá nos Estados e no Distrito Federal, para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III -pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
33

IV -garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;


V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo
motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas na Constituição, dentro dos
prazos estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta;
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
 O ESTADO intervirá em seus MUNICÍPIOS e a UNIÃO nos Municípios localizados em
Território Federal, quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida
fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III -não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;
IV -o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de
princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de
decisão judicial.
 O procedimento da Intervenção Federal pode ser explicado em quatro fases, porém, nenhuma
das hipóteses apresenta mais de três fases conjuntamente. São:
a) iniciativa;
b) fase judicial: somente em duas das hipóteses de intervenção;
c) Decreto interventivo
d) Controle político
 A intervenção se formaliza através de decreto presidencial, que deve especificar a
amplitude, o prazo e as condições de sua execução e, se necessário for, afaste as autoridades locais e
nomeie temporariamente um interventor (como se fosse servidor público federal), submetendo
essa decisão à apreciação do Congresso Nacional, em 24 horas, quando realizará o CONTROLE
POLÍTICO que:
poderá rejeitar a medida: o Presidente cessa a intervenção, sob pena de crime de
responsabilidade
ou aprovar a medida: expede decreto legislativo

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Princípios Básicos da Administração Pública
Na Administração Pública, existem princípios cuja observância é dever do agente público, sob pena
de incorrer em sanções administrativas e, conforme o caso, judiciais. Esses princípios são
constitucionais, legais e, alguns, doutrinários.

Princípios Constitucionais Específicos:


1. Legalidade (CF, art. 37)
Conceito: Príncípio da Legalidade é aquele segundo o qual a Adm. Pública só pode praticar
ato se determinado ou permitido por lei.
É o mais importante de todos, sem desmerecer os demais, que são também importantes;
Idéia: a vontade da Adm. Pública é a que decorre de lei;
No âmbito das relações entre particulares, o princípio aplicável é o da autonomia da vontade,
que lhes permite fazer tudo o que a lei não proíbe;
Art. 4° da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789): “a liberdade
consiste em fazer tudo aquilo que não prejudica a outrem; assim, o exercício dos direitos
naturais de cada homem não tem outros limites que não os que asseguram aos membros da
34

sociedade o gozo desses mesmos direitos. Esses limites somente podem ser estabelecidos em
lei”.

A Adm. Pública não pode, por simples ato administrativo, conceder direitos de qualquer
espécie, criar obrigações ou impor vedações aos administrados; para tanto, ela depende de lei.
Se a Adm. Pública não observar este preceito, o lesado poderá usar remédios jurídicos,
previstos na própria Constituição da República Federativa do Brasil. Ex.: a) apreciação do poder
Judiciário (art. 5°, XXXV), ainda que a lesão decorra de ato da Administração; b) ‘habeas
corpus”(art. 5°, LXVIII e 142, §2° da C.F.); “habeas data”(art. 5°, LXXII da C.F.); mandado de
segurança (art. 5°, LXIX da C.F.); etc.
Além destes controles que podem ser exercidos através do Poder Judiciário, ainda tem o
controle pelo Poder Legislativo, diretamente (art. 49, V da C.F.) ou com auxílio do Tribunal de Contas
(art.71 da C.F.), e o controle exercido pela própria Administração (chefes, corregedorias, etc.)

2. Impessoalidade (CF, art. 37)


Conceito: princípio segundo o qual, a Adm. Pública não pode atuar com vistas a
prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas e segundo o qual, também, os atos e provimentos
administrativos não são imputáveis ao funcionário que os pratica, mas sim ao órgão ou entidade
administrativa da Administração Pública, a quem representa.
No primeiro sentido, observado com relação à administração, este princípio está relacionado
com a finalidade pública que deve nortear toda a atividade administrativa e também do fato de que o
agente público é administrador de bens alheios (na verdade públicos). Por esta razão, deve atuar
sempre voltado para o coletivo, evitando favoritismo ou discriminação. Ex.: CF, art. 100.
Outro exemplo são os editais de licitação que não podem especificar marcas de produtos. As
especificações têm que ser técnicas.
Normalmente, é no exercício do poder discricionário (liberdade para uma escolha pelo critério
técnico; ou decisão no claro da lei, etc — liberdade relativa) que o agente fere o princípio da
impessoalidade. Nesse exercício de poder, o administrador costuma ser levado a atender amigos ou a
deixar de atender inimigos, portanto, é neste momento que deve ser mais atento para manter a
impessoalidade.
No segundo sentido, observado com relação ao agente público, este princípio orienta que as
realizações governamentais não são do funcionário ou autoridade, mas sim da entidade pública em
nome de quem as produziu.
Ex.: CF, art. 37, §1°.
Outra aplicação prática do Princípio da Impessoalidade com relação ao agente é o
reconhecimento da validade dos atos praticados por funcionário irregularmente investido no cargo ou
função, sob fundamento de que os atos são do órgão e não do agente público.

3. Publicidade (CF, art. 37.)


Conceito: Princípio Administrativo que exige a ampla divulgação dos atos praticados pela
Administração Pública, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas em lei.
É o princípio que garante a transparência dos atos da Adm. Pública, permitindo o controle por
parte da sociedade, que é a legítima proprietária da coisa pública (sonegar a publicidade é como o
Presidente de um clube social que nega informações de suas decisões ao quadro de sócios. Mesmo
que esteja administrando com seriedade, ficará a dúvida se não estará se locupletando ou se
realmente estará tomando as melhores decisões).
Em alguns casos, a publicidade é elemento indispensável para o acerto do ato da
Administração, como é o caso do edital de licitações e de concursos públicos.
Também na edição de leis, a publicidade é condição indispensável. Sem ela, a lei
jamais terá validade e, portanto, não surtirá efeitos.
Restrições e confirmações do princípio da publicidade (CF, art. 5°):

LX - Como o bem tutelado é o interesse público, ele poderá determinar o sigilo dos atos
processuais da Adm. Pública, como, por exemplo, em assuntos da Segurança Pública. (nas
Prefeituras, é comum ver-se atos expostos em murais, como editais de licitação, nomeações, decisões
comissões, cronogramas de obras, etc. Já o planejamento e execução do Pol. Ost bem como ações da
Polícia Judiciária, costumam ser mantidas em sigilo). Também os atos que ofenderem a intimidade de
35

determinada pessoa, cuja publicidade não traga qualquer benefício para o interesse público, serão
mantidos em sigilo. Quando ocorrer o conflito entre o interesse público e o direito à intimidade, deve
prevalecer o primeiro, pela aplicação do princípio da supremacia do interesse público. (pelo caráter
preventivo da pena, a publicação das condenações, embora vexatória para o punido, atende ao
interesse público);
XIV - assegura a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional;
XXXIII - Estabelece o direito não só para o interesse particular, mas como também para o
coletivo ou geral, o que amplia a possibilidade de controle popular da Adm. Pública. (interesse
coletivo é o que diz respeito a uma classe ou grupo de pessoas; interesse geral é o que diz respeito às
pessoas de um modo geral);
XXXIV, letra “b” - O direito à expedição de certidão está disciplinado pela Lei n° 9051, de
18-5-95, que fixa o prazo de 15 dias para o atendimento e exige que o requerimento exponha os fins e
razões do pedido.

4. Eficiência (art. 37 caput da C.F., inserido pela Emenda Constitucional 19, de 04-6-98)
Conceito: é o dever que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com
presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que
já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o
serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.
Impõe ao agente público um modo de atuar que produza resultados favoráveis à consecução
dos fins que cabem ao Estado alcançar.
A administração deve agir de forma a atender com presteza às exigências e às necessidades
dos administrados.
Como gestor da coisa pública, o administrador deve buscar o melhor resultado com o menor
gasto, ou seja, deve buscar a melhor relação custo/benefício.
Muitos dos serviços prestados pelo Estado são exclusivos, não existindo concorrência.
Também a estabilidade no emprego é característica do funcionário público. Isto leva à acomodação
com relação à eficiência, pois ela não se torna questão óbvia de sobrevivência, embora a ameaça aos
funcionários ineficientes esteja se tornando cada vez mais forte.

5. Moralidade (CF, art. 37)


Conceito: é o Princípio pelo qual o ato da Administração Pública, além de ser legal, precisa
garantir a realização dos valores expressos na idéia do Bem e da Honestidade.
A moral administrativa surgiu e se desenvolveu ligada à idéia de desvio de poder (usar o
poder para um fim que não seja compromisso principal da Administração, como realizar uma obra
que não seja prioritária, para favorecer determinado ramo de prestação de serviços), pois ambos os
conceitos levam em consideração a hipótese de a Administração Pública se utilizar de meios lícitos
para atingir finalidades irregulares. A imoralidade estaria na intenção e não na ação do agente. (Ex.:
dividir as compras de material de higiene e limpeza para fugir da exigência de licitação).
Antes ainda do desvio do poder, a moral administrativa derivou-se pelas doutrinas do não
locupletamento à custa alheia e da obrigação natural. (obrigação natural no sentido de direito
natural, o que não está escrito, mas que tem que ser seguido para que a sociedade funcione bem para
todos).
A moral administrativa será melhor preservada se cobrada internamente, pois ninguém melhor
do que a própria Administração para conhecer todos os caminhos que pode adotar e distinguir entre
eles, o mais honesto para com os interesses dos administrados.

6. Probidade (art. 37 caput, § 4° da C.F. e Lei 8429/92)

PODERES DO ESTADO
PODER LEGISLATIVO

ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO


 O PODER LEGISLATIVO é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara
dos Deputados e do Senado Federal. A nível Federal, é um sistema Bicameral
36

• Cada legislatura terá a duração de quatro anos.


CONGRESSO NACIONAL: a função legislativa de competência da União É
EXERCIDA pelo CONGRESSO NACIONAL, que se compõe da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, integrados respectivamente por deputados e senadores; no bicameralismo brasileiro,
não há predominância substancial de uma câmara sobre outra.
CÂMARA DOS DEPUTADOS: compõe-se de REPRESENTANTES DO POVO, eleitos, pelo
sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
número total de Deputados: 513
 nenhuma unidade da Federação terá menos de oito ou
mais de setenta Deputados. O número de Deputados depende do número de eleitores de cada
Estado. Somente Lei Complementar pode definir mudanças a esse respeito.
SENADO FEDERAL: compõe-se de REPRESENTANTES DOS ESTADOS E DO
DISTRITO FEDERAL, eleitos segundo o princípio majoritário. É um requisito Federativo.
número total de Senadores: 81
 Cada Estado e o Distrito Federal elegerão 3 Senadores,
com mandato de oito anos (são eleitos para 2 legislaturas).

CÂMARA DE DEPUTADOS SENADO FEDERAL


(513 membros) (81 membros)
REPRESENTANTES Do Povo Dos Estados e do DF
Proporcional Paritário = 3 por
REPRESENTAÇÃO
mínimo = 8 e máximo = 70 Estado
SISTEMA ELEITORAL Proporcional Majoritário
DURAÇÃO DO
4 anos 8 anos (1/3 e 2/3)
MANDATO
2 suplentes, eleitos na
SUPLÊNCIA Próximo mais votado no partido.
mesma chapa

Sistema de Eleição para a Câmara de Deputados


 Cada estado tem sua bancada e o número de representantes varia conforme o número de seus
eleitores, de forma que um Estado menos populoso terá menos representantes que o mais populoso.
Vejamos como é o cálculo para a definição dos eleitos:
Bancada de São Paulo = 70 cadeiras (deputados)
Votos válidos = Votos nos partidos (em candidato + legenda) + votos em branco
VOTOS VÁLIDOS = 19.615.000
QE (Coeficiente Eleitoral) = votos válidos / nº de cadeiras = 19.615.000 / 70
QE = 280.214 votos  ou seja, para cada 280.214 votos, um deputado é eleito.
QP = Coeficiente Partidário  é a divisão dos votos válidos de um partido pelo
Coeficiente Eleitoral.
QP = votos do partido (candidatos + votos na legenda) / QE

OBS.: O preenchimento das vagas com que cada partido ou coligação for contemplado
obedecerá à ordem de votação recebida por seus candidatos
Organização interna das Casas do Congresso:
 elas possuem órgãos internos destinados a ordenar seus trabalhos; cada uma deve elaborar seu
regimento interno que disporá sobre:
• sua organização e funcionamento,
• criação, transformação ou extinção de cargos, empregos e funções de
seus serviços
• fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
37

• não há interferência de uma em outra, nem de outro órgão


governamental.

FUNCIONAMENTO DO CONGRESSO NACIONAL:


 o CN desenvolve suas atividades por legislaturas, sessões legislativas ordinárias ou
extraordinárias, sessões ordinárias e extraordinárias;
a legislatura tem a duração de 4 anos, do início ao término do mandato dos membros da Câmara
dos Deputados;o Senado é contínuo por ser renovável parcialmente em cada período de 4 anos;
sessão legislativa ordinária: é o período em que deve estar reunido o Congresso para os
trabalhos legislativos (15.02 a 30.06 e 01.08 a 15.12);
sessão legislativa extraordinária: os espaços de tempo entre as datas da sessão legislativa
ordinária constituem o RECESSO PARLAMENTAR, ou seja: 01.07 a 31.07 e 16.12 a 14.02
sessão ordinária: são as reuniões diárias que se processam nos dias úteis;
Reuniões conjuntas: são as hipóteses que a CF prevê (57, § 3º), caso em que a direção dos
trabalhos cabe à Mesa do Congresso Nacional;
Quorum de Maioria absoluta: metade (nº inteiro) + 1 dos membros da respectiva casa.
No caso da Câmara de Deputados, a maioria absoluta é 257 votos (513 / 2 = 256.5  nº inteiro =
256 + 1 = 257)
Quorum de Maioria relativa: metade (nº inteiro) + 1 dos membros presentes na sessão
legislativa.
Quorum Qualificado: 2/3  para aprovar a instauração de processo contra o Presidente da
República e aprovar a Lei Orgânica;
3/5  somente no caso de aprovação de Emenda à Constituição.

FUNÇÕES DO PODER LEGISLATIVO


 Compete privativamente à CÂMARA DOS DEPUTADOS:
I - AUTORIZAR, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o
Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
III - ELABORAR seu regimento interno;
IV -DISPOR sobre sua organização, funcionamento, criação, transformação ou extinção dos
cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para a fixação da respectiva
remuneração;
V - ELEGER membros do Conselho da República.
 Compete privativamente ao SENADO FEDERAL:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de
responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da
República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;
III -APROVAR PREVIAMENTE, a escolha de:
a) magistrados;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União;
c) Governador de Território;
d) presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
IV- AUTORIZAR operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI -FIXAR limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios;
X - SUSPENDER A EXECUÇÃO, no todo ou em parte, de LEI DECLARADA
INCONSTITUCIONAL por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;
XII - elaborar seu regimento interno;
38

XIII -DISPOR sobre sua organização, funcionamento, criação, transformação ou extinção


dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva
remuneração;
XIV -eleger membros do Conselho da República

COMISSÕES PERMANENTES E TEMPORÁRIAS


 O Congresso Nacional e suas Casas terão COMISSÕES PERMANENTES E
TEMPORÁRIAS, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no
ato de que resultar sua criação.
• Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto
possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam
da respectiva Casa.

PROCESSO LEGISLATIVO
CONCEITO E OBJETO
 Entende-se o CONJUNTO DE ATOS (iniciativa, emenda, votação, sanção, veto) realizados
pelos órgãos legislativos visando a formação das leis constitucionais, complementares e ordinárias,
resoluções e decretos legislativos;
 tem por OBJETO a elaboração de emendas à Constituição, leis complementares,
ordinárias, delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções.

ATOS DO PROCESSO LEGISLATIVO


a) iniciativa legislativa: é o ato pelo qual se inicia o processo legislativo; é a apresentação
do Projeto de Lei;
b) discussão: nas Comissões e no Plenário; análise da sua compatibilidade;
c) deliberação: votação / aprovação ou rejeição dos projetos de lei;
d) emendas: constituem proposições apresentadas como acessória a outra; sugerem
modificações nos interesses relativos à matéria contida em projetos de lei;
e) votação: constitui ato coletivo das casas do Congresso; é o ato de decisão que se toma por
maioria de votos, simples ou absoluta, conforme o caso;
f) sanção e veto: são atos legislativos de competência exclusiva do Presidente; somente
RECAEM sobre projeto de lei;
VETO é a discordância com o projeto aprovado. SANÇÃO é a adesão ou aceitação do
projeto aprovado;
g) promulgação: ato que revela os fatos geradores da Lei, tornando-a executável e
obrigatória;
h) publicação: torna pública a EXISTÊNCIA DA NORMA LEGAL.

PROCEDIMENTO LEGISLATIVO
 é o modo pelo qual os atos do processo legislativo se realizam, distinguem-se em:
I. Procedimento Legislativo Ordinário: é o procedimento comum, destinado à elaboração das
leis ordinárias; desenvolve-se em 5 fases: a introdutória, a de exame do projeto nas comissões
permanentes, a das discussões, a decisória e a revisória;
II. Procedimento Legislativo Sumário: se o Presidente solicitar urgência, o projeto deverá ser
apreciado pela Câmara dos Deputados no prazo de 45 dias, a contar do seu recebimento; se for
aprovado na Câmara, terá o Senado igual prazo;
III. Procedimento Legislativo Especial: são os estabelecidos para a elaboração de
EMENDAS CONSTITUCIONAIS, de leis financeiras, de leis delegadas, de medidas provisórias
e de leis complementares.
Ex.:a seguir, exemplificamos como uma proposta feita por iniciativa do Presidente da República,
tramita na Câmara dos Deputados.

ESPÉCIES NORMATIVAS
O PROCESSO LEGISLATIVO compreende a elaboração de: ( Art 59 da CF )
I - EC - Emendas à Constituição;
II - LC - Leis Complementares;
39

III -LO - Leis Ordinárias;


IV -LD - Leis delegadas;
V - MP - Medidas Provisórias;
VI -DL - Decretos Legislativos;
VII - Resoluções.

EMENDA À CONSTITUIÇÃO ( Art 60 da CF )


 A Constituição poderá ser EMENDADA mediante PROPOSTA de 1/3 dos membros da
Câmara, ou de 1/3 dos membros do Senado, ou do Presidente da República ou de mais da metade
das Assembléias Legislativas (maioria relativa em cada uma delas).
 Será discutida e votada em cada uma das casas, em 2 turnos, devendo, para ser aprovada,
ter em cada turno o voto de 3/5 dos respectivos membros. A emenda à Constituição será
promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado.
• A Constituição não poderá ser emendada na VIGÊNCIA de
INTERVENÇÃO FEDERAL, de ESTADO DE DEFESA ou de ESTADO DE SÍTIO.

Limitação ao poder de Emendar:


 Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente A ABOLIR: Art 60§4º
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III -a separação dos Poderes;
IV -os direitos e garantias individuais.
• A matéria constante de proposta de emenda REJEITADA ou HAVIDA POR
PREJUDICADA não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

LEI COMPLEMENTAR E ORDINÁRIA


 A INICIATIVA das LEIS COMPLEMENTARES E ORDINÁRIAS cabe a qualquer
membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao
Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral
da República e aos cidadãos.
 São de INICIATIVA PRIVATIVA do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou
aumento de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços
públicos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e militares das Forças Armadas, seu regime jurídico,
provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União;
e) criação, estruturação e atribuições dos Ministérios e órgãos da administração pública;
 Os procedimentos tomados quando da apresentação da Lei Complementar e da Lei Ordinária
são idênticos. Só existem 2 diferenças:

LEI COMPLEMENTAR LEI ORDINÁRIA

Constituição Federal, só as
Aspecto material O restante
reservadas pelo Constituinte

Quorum: maioria
Aspecto Formal Quorum: maioria absoluta
relativa

 A INICIATIVA POPULAR pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados
de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 1 % do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por
cinco Estados, com não menos de 0.3 % dos eleitores de cada um deles.
40

LEI DELEGADA
 As LEIS DELEGADAS serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá
solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
• Não serão objeto de delegação: os atos de competência exclusiva do
Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a
matéria reservada à lei complementar, NEM a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus
membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III -planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
 Toda delegação é temporária; se o Presidente não legislar extingue automaticamente os
efeitos da resolução. O limite temporal não pode nunca exceder à legislatura.
Eficácia: A Lei Delegada tem o mesmo nível de eficácia da Lei Ordinária; a delegação não
impede que o Congresso Nacional legisle sobre o mesmo tema. A delegação não é abdicação.
Lei Delegada Estadual: é possível, desde que tenha previsão na Constituição Estadual;
• É um instituto comum do Parlamentarismo, hoje pouco utilizado.

MEDIDA PROVISÓRIA
 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República PODERÁ ADOTAR
MEDIDAS PROVISÓRIAS, com força de lei, devendo submetê-las ao Congresso Nacional.
• As MEDIDAS PROVISÓRIAS perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas
em lei no prazo de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias, a partir de sua publicação, suspendendo-se
o prazo durante os períodos de recesso parlamentar, devendo o Congresso Nacional disciplinar as
relações jurídicas delas decorrentes.
• se a MEDIDA PROVISÓRIA não for apreciada em até 45 dias contados de sua
publicação, entrará em regime de urgência; as MP terão sua votação iniciada na Câmara dos
Deputados;
• as MP são semelhantes ao Decreto-lei da CF/69 – criado para ser usado em casos
excepcionais e de extrema urgência.
 É vedada a edição de MEDIDAS PROVISÓRIAS sobre matérias:
I. relativa a:
a. nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b. dir eito penal, processual penal e processual civil;
c. organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus
membros;
d. planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos
II. que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo
financeiro;
III. reservada a Lei Complementar;
IV. já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou
veto do Presidente da República.
Pressupostos Constitucionais da MP: relevância e urgência, são cumulativos sob pena de
abuso ou excesso de poder - O Presidente tem juízo discricionário mas deve observar o razoável, sob
pena de controle judicial.
Seqüência dos Atos: editada a MP pelo Presidente sobre qualquer matéria, publicada no Diário
Oficial, passa a ter vigência e eficácia, com força de lei; mas, depende de aprovação do CN, sendo
possíveis as seguintes hipóteses:
a) MP aprovada: se transforma em LO e é promulgada pelo Presidente do Congresso; dispensa
sanção.
b) rejeitada: é ato declaratório, a Medida Provisória deixa de existir desde sua publicação (ex
tunc). As relações jurídicas do período em que vigorava a MP posteriormente rejeitada serão
disciplinadas pelo Congresso, por Decreto Legislativo. Rejeitada a MP não pode ser reeditada na
mesma legislatura.
41

c) decurso do prazo: decorrido o prazo sem manifestação do Congresso a MP está rejeitada


(aprovação só expressa). É possível reedição com o mesmo número só mudando o dígito, colocando
cláusula de convalidação.
d) emendada: aprovado o projeto de lei com as alterações teremos o PROJETO DE LEI DE
CONVERSÃO - em substituição à MP - daí em diante segue o rito ordinário (sanção e veto)
Limitações materiais: podem ser:
a) expressas – texto alterado por EC NÃO ADMITE MP
b) implícitas:
1. norma penal incriminadora: princípio da legalidade e anterioridade, aplicabilidade
imediata e a provisoriedade da norma;
2. matéria tributária: princípio da legalidade – STF discorda;
3. matéria reservada a lei complementar.
MP Estadual: é possível, desde que tenha previsão na constituição estadual. A
possibilidade de MP Municipal depende de previsão na Constituição Estadual e na Lei Orgânica mas,
a doutrina entende incompatível porque o pressuposto de relevância exigido não poderia ter um âmbito
territorial tão reduzido.
MP contrária a uma lei: não lhe revoga, somente lhe suspende a eficácia (continua vigente,
mas ineficaz). Não se trata de anomia (falta de lei) ou represtinação (restabelecimento de vigência).

DECRETO LEGISLATIVO
 instrumento formal de que se vale o Congresso Nacional para praticar os atos de sua
competência exclusiva.
I - RESOLVER definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais;
II - AUTORIZAR o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir
que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam
temporariamente;
III -AUTORIZAR o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País,
quando a ausência exceder a 15 dias;
IV -APROVAR o estado de defesa e a intervenção federal, AUTORIZAR o estado de sítio,
ou suspender qualquer uma dessas medidas;
V - SUSTAR os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou
dos limites de delegação legislativa;
VI -FIXAR idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores;
VII -FIXAR o subsídio do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de
Estado;
VIII- JULGAR anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os
relatórios sobre a execução dos planos de governo;
IX - FISCALIZAR e CONTROLAR, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do
Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;
X - ZELAR pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos
outros Poderes;
XI - APRECIAR os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e
televisão;
XII - APROVAR INICIATIVAS do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XIII - AUTORIZAR referendo e CONVOCAR plebiscito;
XIV- AUTORIZAR, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e
a pesquisa e lavra de riquezas minerais;
XV- APROVAR, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a
dois mil e quinhentos hectares.

GARANTIAS DOS PARLAMENTARES


 São GARANTIAS dos membros do Senado Federal e Câmara dos Deputados:
Vencimentos: fixados por eles mesmos, mas não pode exceder ao teto;
Serviço Militar: é reservista civil mas não será convocado;
Dever de Testemunhar: tem sigilo da fonte e não pratica falso testemunho;
42

Foro Privilegiado: processados e julgados pelo STF, só para infrações penais, regra da
contemporaneidade e atualidade).
Imunidade Formal 
prisão: NÃO poderão sofrer QUALQUER TIPO DE PRISÃO, de natureza penal, seja
provisória ou definitiva ou, de natureza civil, salvo o caso de flagrante por crime inafiançável,
desde que apreciada pela casa -
processo: só no campo penal, para ser processado precisa de autorização, licença da casa,
prescrição fica suspensa até deliberação.
Imunidade Material: = inviolabilidade, são invioláveis por suas palavras, votos e
opiniões, desde que proferidas no exercício do mandato; devem estar ligadas às suas funções. Se
refere ao campo penal, cível e político – tem caráter perpétuo.

PODER EXECUTIVO
ESTRUTURA E FUNÇÕES
 O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de
Estado. No sistema Federalista o Presidente é ao mesmo tempo o Chefe de Governo e o Chefe de
Estado.
 O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão do Congresso
Nacional, prestando o COMPROMISSO de:
• MANTER, DEFENDER e CUMPRIR a Constituição,
• OBSERVAR as leis,
• PROMOVER o bem geral do povo brasileiro,
• SUSTENTAR a união, a integridade e a independência do Brasil.
 Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos
cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos
Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.
• Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á
eleição 90 dias depois de aberta a última vaga.
• Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a
eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na
forma da lei.
• Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus
antecessores.
• O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do
Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do
cargo.

RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


 São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a
Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos
Poderes com stitucionais das unidades da Federação;
III -o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV -a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI -a lei orçamentária;
VII -o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
 Admitida a acusação contra o Presidente da República, por 2/3 da Câmara dos Deputados,
será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais
comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
• O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo
Tribunal Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
43

• Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o


Presidente da República não estará sujeito a prisão.
• O Presidente da República, na vigência de seu mandato, NÃO PODE SER
RESPONSABILIZADO por atos estranhos ao exercício de suas funções.

PODER JUDICIÁRIO

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:

I - o Supremo Tribunal Federal;

I-A o Conselho Nacional de Justiça;

II - o Superior Tribunal de Justiça;

III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;

IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;

V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;

VI - os Tribunais e Juízes Militares;

VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores


têm sede na Capital Federal.

§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo o território


nacional.

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público
de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases,
exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas
nomeações, à ordem de classificação;

II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antigüidade e merecimento,


atendidas as seguintes normas:

a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas
em lista de merecimento;

b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e


integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antigüidade desta, salvo se não houver com tais
requisitos quem aceite o lugar vago;

c) aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de


produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento em cursos
oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento;

d) na apuração de antigüidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto
fundamentado de dois terços de seus membros, conforme procedimento próprio, e assegurada ampla
defesa, repetindo-se a votação até fixar-se a indicação;
44

e) não será promovido o juiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder além do
prazo legal, não podendo devolvê-los ao cartório sem o devido despacho ou decisão;

III o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antigüidade e merecimento,
alternadamente, apurados na última ou única entrância;

IV previsão de cursos oficiais de preparação, aperfeiçoamento e promoção de magistrados,


constituindo etapa obrigatória do processo de vitaliciamento a participação em curso oficial ou
reconhecido por escola nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados;

V - o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por
cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos
demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as
respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser
superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do
subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos
arts. 37, XI, e 39, § 4º

VI - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus dependentes observarão o disposto


no art. 40;

VII o juiz titular residirá na respectiva comarca, salvo autorização do tribunal;

VIII o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público,


fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional
de Justiça, assegurada ampla defesa;

VIIIA a remoção a pedido ou a permuta de magistrados de comarca de igual entrância


atenderá, no que couber, ao disposto nas alíneas a , b , c e e do inciso II;

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas


todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;

X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as


disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros;

XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão
especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das
atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se
metade das vagas por antigüidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno;

XII a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo vedado férias coletivas nos juízos e
tribunais de segundo grau, funcionando, nos dias em que não houver expediente forense normal, juízes
em plantão permanente;

XIII o número de juízes na unidade jurisdicional será proporcional à efetiva demanda judicial
e à respectiva população;

XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e atos de mero
expediente sem caráter decisório;

XV a distribuição de processos será imediata, em todos os graus de jurisdição.

Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados,
e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez
anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez
45

anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das
respectivas classes.

Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao


Poder Executivo, que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.

Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:

I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício,
dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado,
e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado;

II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII;

III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II,
153, III, e 153, § 2º, I.

Parágrafo único. Aos juízes é vedado:

I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;

II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;

III - dedicar-se à atividade político-partidária.

IV receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas,


entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;

V exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos
do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

Art. 96. Compete privativamente:

I - aos tribunais:

a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das
normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o
funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;

b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados,
velando pelo exercício da atividade correicional respectiva;

c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva


jurisdição;

d) propor a criação de novas varas judiciárias;

e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art.
169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim
definidos em lei;

f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que
lhes forem imediatamente vinculados;

II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor
ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:
46

a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;

b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos
que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive
dos tribunais inferiores, onde houver;

c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;

d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;

III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem
como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral.

Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do
respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
do Poder Público.

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a
conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de
menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses
previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;

II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e
secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos,
verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer
atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação.

§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal.

§ 2º As custas e emolumentos serão destinados exclusivamente ao custeio dos serviços afetos


às atividades específicas da Justiça.

Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.

§ 1º - Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados


conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 2º - O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete:

I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais


Superiores, com a aprovação dos respectivos tribunais;

II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos


Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais.

§ 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas orçamentárias


dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para
fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente,
ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 1º deste artigo.

§ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas em desacordo


com os limites estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para
fins de consolidação da proposta orçamentária anual.
47

§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas


ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias,
exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.

Art. 100. à exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela
Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente
na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a
designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para
este fim.

§ 1º É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de verba


necessária ao pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de
precatórios judiciários, apresentados até 1º de julho, fazendo-se o pagamento até o final do exercício
seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente.

§ 1º-A Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários,


vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações
por morte ou invalidez, fundadas na responsabilidade civil, em virtude de sentença transitada em
julgado.

§ 2º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder


Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exeqüenda determinar o
pagamento segundo as possibilidades do depósito, e autorizar, a requerimento do credor, e
exclusivamente para o caso de preterimento de seu direito de precedência, o seqüestro da quantia
necessária à satisfação do débito

§ 3º O disposto no caput deste artigo, relativamente à expedição de precatórios, não se aplica


aos pagamentos de obrigações definidas em lei como de pequeno valor que a Fazenda Federal,
Estadual, Distrital ou Municipal deva fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado.

§ 4º São vedados a expedição de precatório complementar ou suplementar de valor pago,


bem como fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução, a fim de que seu pagamento não
se faça, em parte, na forma estabelecida no § 3º deste artigo e, em parte, mediante expedição de
precatório.

§ 5º A lei poderá fixar valores distintos para o fim previsto no § 3º deste artigo, segundo as
diferentes capacidades das entidades de direito público.

§ 6º O Presidente do Tribunal competente que, por ato comissivo ou omissivo, retardar ou


tentar frustrar a liquidação regular de precatório incorrerá em crime de responsabilidade.

DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre
cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber
jurídico e reputação ilibada.

Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente
da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição,


cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação


declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal
48

b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente- Presidente, os


membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;

c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os


Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os
membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão
diplomática de caráter permanente;

d) o "habeas-corpus", sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o
mandado de segurança e o "habeas-data" contra atos do Presidente da República, das Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da
República e do próprio Supremo Tribunal Federal;

e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o


Distrito Federal ou o Território;

f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre


uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;

g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;

i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente
for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo
Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;

j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;

l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas


decisões;

m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação


de atribuições para a prática de atos processuais;

n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente


interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos
ou sejam direta ou indiretamente interessados;

o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais,


entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;

p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;

q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do


Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das
Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais
Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal;

r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério


Público;

II - julgar, em recurso ordinário:

a) o "habeas-corpus", o mandado de segurança, o "habeas-data" e o mandado de injunção


decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;

b) o crime político;
49

III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última


instância, quando a decisão recorrida:

a) contrariar dispositivo desta Constituição;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.

d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

§ 1.º A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição,


será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.

§ 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações
diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia
contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.

§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das


questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a
admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de


constitucionalidade:

I - o Presidente da República;

II - a Mesa do Senado Federal;

III - a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;

V o Governador de Estado ou do Distrito Federal;

VI - o Procurador-Geral da República;

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;

IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

§ 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de


inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.

§ 2º - Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma


constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e,
em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.

§ 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de


norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato
ou texto impugnado.

§ 4.º - (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)


50

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante
decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,
aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em
lei.

§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas


determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a
administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos
sobre questão idêntica.

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento
de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que


indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente,
anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja
proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso."

Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de quinze membros com mais de
trinta e cinco e menos de sessenta e seis anos de idade, com mandato de dois anos, admitida uma
recondução, sendo:

I um Ministro do Supremo Tribunal Federal, indicado pelo respectivo tribunal;

II um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal;

III um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal;

IV um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal Federal;

V um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal;

VI um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça;

VII um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça;

VIII um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho;

IX um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho;

X um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da


República;

XI um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da


República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual;

XII dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

XIII dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara
dos Deputados e outro pelo Senado Federal.

§ 1º O Conselho será presidido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, que votará em
caso de empate, ficando excluído da distribuição de processos naquele tribunal.
51

§ 2º Os membros do Conselho serão nomeados pelo Presidente da República, depois de


aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

§ 3º Não efetuadas, no prazo legal, as indicações previstas neste artigo, caberá a escolha ao
Supremo Tribunal Federal.

§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do Poder


Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe, além de outras
atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:

I - zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura,


podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências;

II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a


legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário, podendo
desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União;

III receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário,
inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de
registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência
disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar
a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo
de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;

IV representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de


abuso de autoridade;

V rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de


tribunais julgados há menos de um ano;

VI elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por


unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário;

VII elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre a
situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do
Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da
abertura da sessão legislativa.

§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e


ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe
forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes:

I receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos


serviços judiciários;

II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral;

III requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de


juízos ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios.

§ 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador-Geral da República e o Presidente do


Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

§ 7º A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios, criará ouvidorias de justiça,


competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos
do Poder Judiciário, ou contra seus serviços auxiliares, representando diretamente ao Conselho
Nacional de Justiça.
52

O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros.

Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo


Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco
anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta
do Senado Federal, sendo:

I - um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre


desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal;

II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal,


Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94.

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

I - processar e julgar, originariamente:

a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de
responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os
membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais
Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais
de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;

b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos


Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;

c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na
alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante
da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I,


"o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais
diversos;

e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;

f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas


decisões;

g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou


entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre
as deste e da União;

h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de


órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de
competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da
Justiça do Trabalho e da Justiça Federal;

i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de executar as cartas rogatórias;

II - julgar, em recurso ordinário:

a) os "habeas-corpus" decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais


Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for
denegatória;
53

b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais


Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a
decisão;

c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado,


e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;

III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando
a decisão recorrida:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça:

I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre


outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira;

II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão


administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do
sistema e com poderes correcionais, cujas decisões terão caráter vinculante.

DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS

Art. 106. São órgãos da Justiça Federal:

I - os Tribunais Regionais Federais;

II - os Juízes Federais.

Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete juízes,
recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre
brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:

I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira;

II - os demais, mediante promoção de juízes federais com mais de cinco anos de exercício,
por antigüidade e merecimento, alternadamente.

§ 1º A lei disciplinará a remoção ou a permuta de juízes dos Tribunais Regionais Federais e


determinará sua jurisdição e sede.

§ 2º Os Tribunais Regionais Federais instalarão a justiça itinerante, com a realização de


audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição,
servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

§ 3º Os Tribunais Regionais Federais poderão funcionar descentralizadamente, constituindo


Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do
processo.

Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais:


54

I - processar e julgar, originariamente:

a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do


Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União,
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da


região;

c) os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato do próprio Tribunal ou de juiz


federal;

d) os "habeas-corpus", quando a autoridade coatora for juiz federal;

e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal;

II - julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes
estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem


interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de
acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa


domiciliada ou residente no País;

III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou


organismo internacional;

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou


interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções
e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução


no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;

V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;

VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o
sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

VII - os "habeas-corpus", em matéria criminal de sua competência ou quando o


constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;

VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de autoridade federal,


excetuados os casos de competência dos tribunais federais;

IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da


Justiça Militar;

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta


rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à
nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

XI - a disputa sobre direitos indígenas.


55

§ 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver
domicílio a outra parte.

§ 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que
for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou
onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou


beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a
comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir
que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal


Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República,


com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de
direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça,
em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal.

Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção judiciária que terá
por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido em lei.

Parágrafo único. Nos Territórios Federais, a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes
federais caberão aos juízes da justiça local, na forma da lei;

DOS TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO

Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:

I - o Tribunal Superior do Trabalho;

II - os Tribunais Regionais do Trabalho;

III - Juizes do Trabalho.

§§ 1º a 3º - (Revogados pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros,


escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados
pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo:

I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;

II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da


carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior.

§ 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho.

§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho:

I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, cabendo-


lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira;
56

II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a


supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e
segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante.

Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas
por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do
T rabalho.

Art. 113. A lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição, competência, garantias e
condições de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho.

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da


administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

II as ações que envolvam exercício do direito de greve;

III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e
entre sindicatos e empregadores;

IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado


envolver matéria sujeita à sua jurisdição;

V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto


no art. 102, I, o;

VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de


trabalho;

VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos
de fiscalização das relações de trabalho;

VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus
acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;

IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.

§ 1º - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.

§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às


mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do T
rabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem
como as convencionadas anteriormente.

§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse


público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do
Trabalho decidir o conflito.

Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes,
recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre
brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:

I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;
57

II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento,


alternadamente.

§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de


audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição,
servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente,


constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas
as fases do processo.

Art. 116. Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será exercida por um juiz singular.

Parágrafo único. (Revogado pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)

Art. 117. e Parágrafo único. (Revogados pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)

DOS TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS

Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral:

I - o Tribunal Superior Eleitoral;

II - os Tribunais Regionais Eleitorais;

III - os Juízes Eleitorais;

IV - as Juntas Eleitorais.

Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros,


escolhidos:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;

b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça;

II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável
saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.

Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente


dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do
Superior Tribunal de Justiça.

Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal.

§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;

b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;


58

II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito


Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal
respectivo;

III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de
notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.

§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre os


desembargadores.

Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de
direito e das juntas eleitorais.

§ 1º - Os membros dos tribunais, os juízes de direito e os integrantes das juntas eleitorais, no


exercício de suas funções, e no que lhes for aplicável, gozarão de plenas garantias e serão inamovíveis.

§ 2º - Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por dois anos, no
mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma
ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para cada categoria.

§ 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, salvo as que contrariarem esta
Constituição e as denegatórias de "habeas-corpus" ou mandado de segurança.

§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando:

I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei;

II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais;

III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais;

IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais;

V - denegarem "habeas-corpus", mandado de segurança, "habeas-data" ou mandado de injunção.

DOS TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES

Art. 122. São órgãos da Justiça Militar:

I - o Superior Tribunal Militar;

II - os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei.

Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios, nomeados
pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo três dentre
oficiais-generais da Marinha, quatro dentre oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais-generais
da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis.

Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre
brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo:

I - três dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de
efetiva atividade profissional;

II - dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da
Justiça Militar.
59

Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei.

Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a competência da


Justiça Militar.

DOS TRIBUNAIS E JUÍZES DOS ESTADOS

Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta
Constituição.

§ 1º - A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a lei de


organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça.

§ 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos


normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da
legitimação para agir a um único órgão.

§ 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do T ribunal de Justiça, a Justiça Militar
estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em
segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que
o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes.

§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes
militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a
competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do
posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes
militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao
Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares.

§ 6º O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras


regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

§ 7º O Tribunal de Justiça instalará a justiça itinerante, com a realização de audiências e


demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se
de equipamentos públicos e comunitários.

Art. 126. Para dirimir conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça proporá a criação de varas
especializadas, com competência exclusiva para questões agrárias.

Parágrafo único. Sempre que necessário à eficiente prestação jurisdicional, o juiz far-se-á
presente no local do litígio.

Supremo Tribunal Federal

STJ TST TSE STM

TJ / TA TRF TRT TRE


60

Juiz de Junta
Juiz Federal Vara de Trabalho Auditoria
Direito Eleitoral

Justiça Comum Justiça Especial

Estadual Federal Trabalho Eleitoral Militar

FUNÇÕES ESSSENCIAIS À JUSTIÇA

MINISTÉRIO PÚBLICO
 O MINISTÉRIO PÚBLICO é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.
PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS: a UNIDADE, a INDIVISIBILIDADE e a
INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL.
 Ao MINISTÉRIO PÚBLICO é assegurada:
 AUTONOMIA funcional e administrativa, podendo propor ao Poder Legislativo:
a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso;
a política remuneratória e
os planos de carreira;

 O MINISTÉRIO PÚBLICO abrange:


I - o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II - os Ministérios Públicos dos Estados.
 Os membros do MINISTÉRIO PÚBLICO gozam das seguintes GARANTIAS:
a) VITALICIEDADE: após 2 anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por
sentença judicial transitada em julgado;
b) INAMOVIBILIDADE: salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão
colegiado competente do Ministério Público, por voto de 2/3 de seus membros, assegurada ampla
defesa;
c) IRREDUTIBILIDADE de subsídio;
 Aos membros do MINISTÉRIO PÚBLICO é VEDADO:
a) RECEBER: a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou
custas processuais;
b) EXERCER: a advocacia;
c) PARTICIPAR: de sociedade comercial, na forma da lei;
d) EXERCER, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de
magistério; ou atividade político-partidária.
 São FUNÇÕES INSTITUCIONAIS do MINISTÉRIO PÚBLICO:
I - PROMOVER:
a) privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
b) o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do
meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
c) a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos
Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
II - ZELAR pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
61

III -DEFENDER judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;


IV-EXPEDIR notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando
informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VI- REQUISITAR diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
VI - EXERCER
a) o controle externo da atividade policial;
outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe
VEDADA a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas

ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO


 A ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO é a instituição que, diretamente ou através de órgão
vinculado, representa a União, JUDICIAL E EXTRAJUDICIALMENTE, cabendo-lhe, nos termos
da lei, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
• A ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO tem por chefe o ADVOGADO-GERAL DA
UNIÃO, de livre nomeação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos, de
notável saber jurídico e reputação ilibada.

DA ADVOCACIA E DA DEFENSORIA PÚBLICA

Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus
atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado,


incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art.
5º, LXXIV.)

§ 1º Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos


Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira,
providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus
integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições
institucionais.

§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e administrativa


e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, § 2º.

Art. 135. Os servidores integrantes das carreiras disciplinadas nas Seções II e III deste
Capítulo serão remunerados na forma do art. 39, § 4º.

ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIO

ESTADO DE DEFESA ( art 136 CF )

 O Presidente da República PODE, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de


Defesa Nacional, DECRETAR ESTADO DE DEFESA para PRESERVAR ou PRONTAMENTE
RESTABELECER, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social
ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de
grandes proporções na natureza.
O decreto que instituir o estado de defesa determinará:
o tempo de sua duração,
as áreas a serem abrangidas
as medidas coercitivas
I - restrições aos direitos de:
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;
b) sigilo de correspondência;
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
62

II - na hipótese de calamidade pública, ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos,.


• O tempo de duração do estado de defesa NÃO SERÁ SUPERIOR a 30 dias, podendo ser
prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação.
• Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro de vinte e
quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por
maioria absoluta.
• O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento,
devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa.
• Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa.

8.2 ESTADO DE SÍTIO ( Art 137 a 139 CF)


 O Presidente da República PODE, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de
Defesa Nacional, SOLICITAR AUTORIZAÇÃO ao Congresso Nacional para decretar o ESTADO
DE SÍTIO nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a
ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;
II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.
• O Presidente da República relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso
Nacional decidir por maioria absoluta.
 O decreto do ESTADO DE SÍTIO indicará :
 sua duração,
 as normas necessárias a sua execução
 As garantias constitucionais que ficarão suspensas,
 depois de publicado o decreto, o Presidente da República designará o executor das medidas
específicas e as áreas abrangidas.
• O estado de sítio não poderá, no caso do inciso I, ser decretado por mais de 30 dias, nem
prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser decretado por todo o
tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira.
 Na vigência do ESTADO DE SÍTIO, SÓ poderão ser tomadas as seguintes medidas:
I- obrigação de permanência em localidade determinada;
II - detenção em edifício não destinado a acusados por crimes comuns;
III-restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à
prestação de informações e à liberdade de imprensa;
IV - suspensão da liberdade de reunião;
V - busca e apreensão em domicílio;
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;
VII - requisição de bens.

DOS MILITARES

Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições


organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, (ME) do
Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de
1998)

§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do
que vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§
2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso
X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios
aplica-se o que for fixado em lei específica do respectivo ente estatal. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
63

......Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na
hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de
qualquer destes, da lei e da ordem.

§ 1º - Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na


organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.

§ 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a punições disciplinares militares.

§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes,


além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)

I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas


pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva
ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os
demais membros, o uso dos uniformes das Forças Armadas; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)

II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil


permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)

III - O militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou
função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará
agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação,
ser promovido por antigüidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela
promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento,
contínuos ou não transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)

IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 18, de 1998)

V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com


ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou
de tribunal especial, em tempo de guerra; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de
1998)

VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade


superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento
previsto no inciso anterior; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV
e no art. 37, incisos XI, XIII, XIV e XV; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

IX - (Revogado pela Emenda Constitucional nº 41, de 19.12.2003)

X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a


estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os
deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares,
consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força
64

de compromissos internacionais e de guerra. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de


1998)

DA SEGURANÇA PÚBLICA

Na Teoria jurídica a palavra “segurança” assume o sentido geral de garantia, proteção,


estabilidade de situação de pessoa em vários campos, dependendo do adjetivo que a qualifica.
Segurança Pública é a manutenção da ordem pública interna ( José Afonso da Silva ).
Em outras palavras Segurança Pública é uma atividade de vigilância, prevenção e repressão de
condutas delituosas.
A Constituição Federal no Art. 144 cuida que a segurança pública, dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através da polícia federal; da polícia rodoviária federal; da polícia ferroviária
federal; das polícias civis e das polícias militares e corpos de bombeiros militares.
 A Polícia Civil é a Instituição responsável pela investigação e apuração de infrações penais
(exceto as militares), indicando sua autoria. Suas conclusões, em forma de inquérito policial
são enviadas à Justiça para que possa processar e levar a julgamento o possível autor do delito.
Fazem parte da Polícia Civil, entre outros, a título de exemplo, o Delegado de Polícia, o
Escrivão, o Investigador de Polícia, o Fotógrafo Policial, o Médico Legista e o Carcereiro.
 A Polícia Militar é a Instituição responsável o pela polícia ostensiva e pela preservação da
ordem pública, prevenindo e reprimindo os crimes, auxiliando, orientado e socorrendo os
cidadãos, atuando, por meio do Corpo de Bombeiros, em ações de defesa civil, no combate a
incêndios, atuando, por meio do Corpo de Bombeiros, em ações de defesa civil, no combate a
incêndios, em calamidades, realizando buscas e salvamentos e, por meio do policiamento
florestal e de mananciais, na preservação ambiental.
Em verdade nenhuma das polícias do país exerce com exclusividade funções preventivas ou
repressivas, dado que a legislação que as regem sempre lhes conferem atuações ora preventivas ora
repressivas, como é o caso das polícias militares que em tese são preventivas, porém, atuam como
polícia repressiva no campo de atuação dos crimes militares praticados por seus agentes.
Intentando classificar as polícias em preventivas ou repressivas pela predominância de suas
atuações, pode-se afirmar que são preventivas:
 polícia rodoviária federal;
 polícia ferroviária federal; e,
 polícias militares.
São predominantemente repressivas, por sua vez:
 polícia federal;
 polícias civis.
Mas a segurança pública, no dizer do Professor José Afonso da Silva, "não é problema apenas
de polícia, pois a Constituição, ao estabelecer que a segurança é dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos (art. 144), acolheu a concepção... de que é preciso que a questão da
segurança pública seja discutida e assumida como tarefa e responsabilidade permanente de todos,
Estado e população".

ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA


Na organização administrativa dos diversos entes políticos, as polícias constituem-se em órgãos da
Administração direta. Daí infere-se que as polícias, quer federais, quer dos Estados-membros ou do
Distrito Federal são entes despersonalizados. Como exceção, embora não disponham as guardas
municipais de competência ampla de polícia de segurança pública, impõe-se recordar que em alguns
municípios as guardas municipais foram criadas como autarquias, portanto como entes da Administração
Pública descentralizada.
As polícias federais subordinam-se ao Ministério da Justiça. As polícias militares e corpos de
bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, a teor do que dispõe o § 6º do art. 144 da
Constituição da República subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
Não se deve olvidar que na estrutura administrativa dos Estados-membros e do Distrito Federal, as
polícias militares e civis subordinam-se de forma imediata às secretarias de segurança pública.
65

As polícias também podem ser classificadas em função da natureza do estatuto jurídico que lhes
seja aplicável. Nesta classificação as polícias dividem-se em civis e militares.
Civis são as polícias submetidas a um regime jurídico civil, ou seja, aquelas polícias regidas por
leis civis. Militares, à evidência, são as polícias regidas por estatuto jurídico militar, estatuto este que
prestigia a tutela de bens-interesses que tomam em conta valores militares como por exemplo a
hierarquia e a disciplina.
As polícias militares existem apenas no âmbito dos Estados-membros e do Distrito Federal. Como
polícias militares podem ser elencadas as polícias militares e os corpos e bombeiros militares. Embora os
corpos de bombeiros sejam muito mais prestadores de serviços de emergências, atividade eminentemente
tecnológica, a eles também se defere poder de polícia de segurança pública, de tal sorte que devem ser
classificados como integrantes das categorias das polícias militares.
Ainda com relação aos corpos de bombeiros militares, cumpre advertir que em alguns Estados da
federação tais órgãos são desvinculados das polícias militares, sendo órgãos vinculados às secretarias de
segurança pública ou da defesa civil (onde houver). Em outros Estados, entretanto, os corpos de
bombeiros militares existem apenas como um dos segmentos de especialização da polícia militar.

DESTINAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL


A competência das polícias federais no Brasil deriva do texto da Constituição da República.
Polícia federal (incisos I, II, III e IV do § 1º do Art. 144 da Constituição Federal com a redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04.06.98):
 apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão
uniforme, segundo se dispuser em lei;
 prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o
descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas
de competência;
 exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
 exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
Polícia rodoviária federal (§ 2º do Art. 144 da Constituição Federal com a redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 04.06.98):
 destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
Polícia ferroviária federal (§ 3º do Art. 144 da Constituição Federal com a redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 04.06.98):
 destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se a:"

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações
66

cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se
dispuser em lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho,


sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado
em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado
em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.

§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a


competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as
militares.

§ 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de
bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de
defesa civil.

§ 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército,


subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e
dos Territórios.

§ 7º - A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança


pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.

§ 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens,


serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será
fixada na forma do § 4º do art. 39.

DIREITO PENAL
CONCEITO DE DIREITO PENAL
Direito Penal é um ramo do Direito Público que se destina a definir as infrações penais
(crimes ou contravenções), estabelecendo as respectivas penas e medidas de segurança aplicáveis aos
infratores da lei.
Distingue-se o Direito Penal objetivo – conjunto de normas penais em vigor, abstratamente
cominadas – do Direito Penal subjetivo – direito de punir do Estado que surge com a prática do ato
criminoso, ou seja, que surge com a prática da conduta proibida.
A diferenciação entre crime e contravenção encontra-se no art. 1º da Lei de Introdução ao
Código Penal, o qual estabelece que crime é a infração penal à qual a lei comina pena de reclusão ou
detenção, alternativa ou cumulativamente cominada com pena de multa; ao passo que a contravenção
é a infração penal á qual se comina pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou
67

cumulativamente. Ainda, ressalte-se que todas as contravenções encontram-se positivadas no Decreto-


Lei nº 3688 de 03 de outubro de 1941.

FUNDAMENTO DO DIREITO PENAL


O Direito Penal se funda na necessidade de manutenção da ordem pública e na aplicação de
pena, no caso da prática de alguma das condutas abstratamente previstas na lei como delituosas. A
pena a ser aplicada pode ser privativa de liberdade (prisão, detenção ou prisão simples), restritiva de
direitos e de multa, de acordo com o que estabelecer a lei penal.
FONTES DO DIREITO PENAL
Fonte é o nascedouro, o local de onde provém a norma penal. As fontes do Direito Penal
dividem-se em formais e materiais.
As fontes materiais são as chamadas fontes de produção, ou seja, de onde provém as normas
de Direito Penal. A Constituição Federal, no art. 22, I, estabelece que compete à União legislar sobre
Direito Penal.
As fontes formais se dividem em imediatas e mediatas. As imediatas são as leis penais, onde
o legislador descreve uma conduta e estabelece uma pena para quem a realiza. Por isso, as normas
penais podem ser incriminadoras quando a lei define a infração e fixa a pena (todos os tipos penais da
parte especial) e as normas penais permissivas, que prevêem causas de reconhecimento da licitude ou
impunidade de determinada conduta, mesmo prevista como crime na norma penal. Ainda, existem as
normas penais complementares ou explicativas, que estabelecem o significado de outra norma.
As fontes formais mediatas são os costumes e princípios gerais do direito. Costumes são
normas de comportamento que as pessoas, mesmo não previstas em lei e que, mesmo não se
sobrepondo à lei, servem pra interpretá-la e integrá-la (Ex. Art. 139 – Reputação, é um conceito
formado por costumes). Princípios gerais do direito são regras que não estão positivadas, mas se
encontram na consciência geral, mesmo não escritas.

Princípios Constitucionais do Direito Penal


Os princípios, dentro do direito penal, possuem uma importância de enorme destaque. Afinal,
constituem verdadeiras garantias do cidadão perante o poder punitivo estatal. A maioria desses
princípios encontra previsão no artigo 5° da Constituição Federal, sendo, portanto, cláusulas pétreas
do ordenamento jurídico.
Diante do exposto, passemos ao estudo dos princípios que norteiam o direito penal brasileiro:

1.2 - Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal (CF/88, art. 5°, XXXIX)


Constitui a maior e mais efetiva limitação ao poder punitivo estatal. De acordo com esse princípio, a
elaboração de normas incriminadoras é matéria exclusiva de lei. A partir desse ponto de partida,
podem ser obtidas várias conclusões.
Em primeiro lugar, não existe crime sem lei anterior que o defina. Da mesma forma, não há pena sem
prévia cominação legal. Assim, uma conduta só poderá ser considerada crime, com a eventual
aplicação de uma pena, se existir uma norma incriminadora anterior àquele comportamento. Em outras
palavras, apenas a conduta que ofende lei anterior é que deve ser punida. O processamento deve ser
dar perante autoridade prévia e competente.
68

1.3 - Princípio da Taxatividade


Este princípio se encontra ligado à técnica redacional legislativa. Não basta existir uma lei que defina
uma conduta como crime. A norma incriminadora legal deve ser clara, compreensível, permitindo ao
cidadão a real consciência acerca da conduta punível pelo Estado.
O princípio da taxatividade, ou da determinação, não está expresso em nenhuma norma legal. Trata-se
de uma construção doutrinária, fundamentada no princípio da legalidade e nas bases do Estado
Democrático de Direito.

1.4 - Princípio da Culpabilidade


Constitui um óbice à punição por mera responsabilidade objetiva. Não se encontra expresso na CF ou
na legislação infraconstitucional. Entretanto, pode ser encontrado implicitamente a partir da leitura dos
artigos 1°, III (dignidade da pessoa humana), 2° (prevalência dos direitos humanos) e 5°, caput
(respeito à liberdade), todos da Constituição Federal.
O Direito Penal primitivo caracterizou-se pela responsabilidade objetiva, ou seja, a simples produção
do resultado era justificativa suficiente para a imposição de uma pena.

1.5 - Princípio da Irretroatividade da Lei Penal (CF/88, art. 5°, XL)


A regra, exposta na Constituição Federal, é que a lei penal não retroagirá. Dessa forma, a lei deverá
produzir seus efeitos para o futuro, não se aplicando aos fatos anteriores à sua edição.
Todavia, tanto a CF/88 quanto o Código Penal (art. 2°) estabelecem exceções a essa regra. A principal
exceção é a retroatividade da lei penal mais benéfica ao réu. A lei penal mais severa nunca retroagirá
para prejudicar o cidadão, ao passo que uma lei mais favorável atingirá os fatos ocorridos no passado.

1.6 - Princípio da Insignificância


Trata-se de um princípio que considera a relevância da ofensa ao bem jurídico tutelado. Constitui uma
manifestação contrária ao uso abusivo e desnecessário do direito penal, nos casos em que o bem
jurídico é violado de forma irrisória.
De acordo com o princípio da insignificância, o legislador, ao tipificar uma conduta, pretende defender
o bem jurídico de ofensas significantes. Condutas sem nenhuma relevância material não chegam a
ofender o bem jurídico tutelado, sendo, portanto, atípicas. Logo, não merecem ser punidas pelo direito
penal.
Ressalte-se que a aplicação desse princípio ainda é muito discutida em sede doutrinária e
jurisprudencial, havendo posicionamentos a favor e contra uma extensão da aplicabilidade do mesmo
nos casos concretos.

1.7 Princípio do estado de inocência

Previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição brasileira, este princípio é também denominado "da
presunção de inocência" ou da "presunção de não-culpabilidade".

Acolhida também nos tratados internacionais sobre direitos humanos, esta garantia representou ao
tempo de sua introdução nos sistemas jurídicos um enorme avanço. Ninguém poderia ser considerado
culpado senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Já constava da Declaração
Francesa de 1789 no art. 9º: "Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado (...)".

A Declaração Universal de 1948 assentou, com mais detalhes, que "Toda pessoa acusada de um ato
delituoso tem o direito de ser presumida inocente, até que a culpabilidade tenha sido provada de
acordo com a lei, em julgamento público, no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias
necessárias à sua defesa" (art. XI).

Como corolário dessa idéia, foi preciso desenvolver o sistema acusatório, atribuindo-se a um órgão
público a missão de alegar e provar os fatos criminais, em nome do Estado, desfazendo a presunção
legal que vigora em prol do indivíduo.

A presunção de inocência prevista, de forma positivada, desde 1789, foi repetida também no art. 8º,
§2º, do Pacto de São José da Costa Rica (introduzido no Brasil pelo Decreto Federal n. 678/92) e no
art. 14, §2º, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, de 1966.
69

A jurisprudência, especialmente a do Superior Tribunal de Justiça, tem afirmado que as medidas


coercitivas ou as providências restritivas do jus libertatis anteriores à decisão condenatória definitiva
não ofendem o princípio da presunção de inocência.

Sinaliza a Súmula 9 do STJ no sentido de que "A exigência de prisão provisória, para apelar, não
ofende a garantia constitucional da presunção de inocência". Tal enunciado não passou imune a
críticas, mas desde que bem compreendido e aplicado com restrições, não causa dano ao jus
libertatisnem ao estado de inocência do acusado.

1.8 - Princípio da Intervenção Mínima


O Direito Penal é o ramo do Direito que apresenta a pior sanção: a pena, a possibilidade de privação
da liberdade. Assim sendo, apenas os bens jurídicos mais importantes devem ser tutelados pelo Direito
Penal. Por isso se fala que o Direito Penal é a ultima ratio, pois uma conduta só deve ser criminalizada
se constituir meio necessário e indispensável para a proteção de determinado bem jurídico.
Logo, esse princípio não se relaciona com a relevância da ofensa ao bem jurídico, mas à relevância do
próprio bem jurídico. Todos os meios políticos e jurídicos de controle social devem ser esgotados
antes que se busque a tutela do bem pela via do Direito Penal.

19 - Princípio da Proporcionalidade
A pena deverá guardar proporção com a gravidade da ofensa. Esse princípio possui duas nuances. A
primeira diz respeito à aplicação da pena concreta pelo juiz, sendo-lhe vedado impor pena excessiva
ao cidadão. A segunda se refere ao legislador, que fica proibido de prever em abstrato pena que não
guarde proporção com a gravidade do delito tipificado.
1.9 - Princípio da Humanidade ( CF/88, art. 5°, XLVII)
Esse princípio visa à vedação de penas degradantes, e constitui o grande entrave à adoção de penas
perpétuas e capitais. Nas palavras do mestre Cezar Roberto Bittencourt, "esse princípio sustenta que o
poder punitivo estatal não pode aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que
lesionem a constituição físico-psíquica dos condenados".

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL


A interpretação de uma lei consiste em buscar o seu real significado. Para a interpretação da
lei penal e sua localização no tempo e no espaço, é preciso observar determinadas regras e princípios:
- O princípio do in dúbio pro reo estabelece que na dúvida a interpretação deve se dar em
favor do réu;
- O princípio da vedação do bis in idem estabelece que ninguém pode ser condenado mais de
uma vez pelo mesmo fato.
APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO
A aplicação da lei penal consiste em sua integração com princípios que regem o Direito
Penal e com normas complementares á determinados tipos penais, entre os quais destacam-se:
- Princípio da Legalidade – Previsto no art. 1º do Código Penal estabelece que “não há crime
sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”.
Este princípio se subdivide em outros dois:
* Princípio da anterioridade, segundo o qual alguém somente pode ser punido se ao tempo
de sua conduta já havia norma penal incriminando-a, ou seja, a lei penal não pode retroagir, voltar ao
passado, para incriminar determinada conduta.
* Retroatividade da lei penal mais benéfica - Conforme estabelece o art. 2º do Código Penal
que a lei penal retroagirá se for mais benéfica ao réu, mesmo estando definitivamente condenado,
70

restando afastados todos os efeitos penais da condenação. É como se a lei que deixa de considerar o
fato como crime já estivesse em vigor na data do delito.
O Parágrafo Único do art. 2º diz que, mesmo que não exclua o crime, mas de qualquer
forma seja mais benéfica a lei, deve ser aplicada em benefício do réu. Ex: Crime de posse de tóxicos.
Resumindo, em regra a norma penal não retroage, salvo se for para beneficiar o réu, quando
retroagirá sempre, exceto no caso do art. 3º do CP.
* Princípio da Reserva Legal, pois somente a lei em sentido formal pode definir crimes e
fixar penas. Não se pode criar crime por Decreto, Medida Provisória, Resolução, etc. (art. 59,
Constituição Federal).

* Norma penal em branco – São normas penais que, para sua aplicabilidade, exigem um
complemento, que pode ser uma lei em sentido estrito ou uma norma de nível diverso (Decreto,
Resolução). Ex: Delito de Tráfico de substância entorpecente há uma Portaria da ANVISA que define
o que são consideradas substâncias entorpecentes.
* Lei Excepcional e Temporária – Lei Excepcional é feita para vigorar em época específica,
como guerras, calamidades, etc. por sua vez, a Lei Temporárias são as feitas para vigorar em
determinado espaço de tempo. Nestas duas hipóteses, conforme dispõe o art. 3º do CP, mesmo depois
de cessada a circunstância que a determinou – no caso da lei excepcional – ou decorrido o período de
sua vigência na lei temporária a lei será aplicada aos fatos ocorridos durante o período de sua vigência,
mesmo que seja mais gravosa ao réu.
TEMPO DO CRIME – A importância na sua definição tem a ver com a norma penal que
será aplicada no caso concreto. Existem três teorias acerca do tema, a saber:
Teoria da Atividade – Considera como tempo do crime o momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado.
Teoria do Resultado – Considera como tempo do crime o momento em que se consumou o
crime, ou seja, o do resultado, independente do momento da ação ou omissão.
Teoria da Ubiqüidade – Considera como tempo do crime tanto o momento da conduta,
quanto o momento do resultado.
O Art. 4º do CP aduz que se considera praticado o crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado. Portanto, adotou a Teoria da Atividade. Ex: Em
18/10/2006, cidadão sofre disparo de arma de fogo em Rio Pardo e vem a morrer dois dias depois em
Sta. Cruz do Sul, o tempo do crime pra efeitos de aplicação da lei penal é o dia do disparo e não da
morte.
LUGAR DO CRIME - Nos termos do Art. 6º do CP, “considera-se praticado o crime no
lugar onde ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado”. Adotou-se, portanto, a Teoria da Ubiqüidade.
TERRITORIALIDADE – Adotou-se o princípio da territorialidade temperada, segundo o
qual aplica-se a lei brasileira aos crimes cometidos no território nacional, sem prejuízo dos tratados e
regras de Direito Internacional. É o que dispõe o art. 5º do CP.
71

EXTRATERRITORIALIDADE – São situações em que a lei brasileira se aplica a crimes


cometidos fora do território nacional. Estes casos estão previstos no art. 7º do CP
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES
Quanto à duração do momento consumativo:
* Crime instantâneo – A consumação ocorre no exato momento da conduta, sem que haja
continuidade no tempo. Ex: Estupro (art. 213, CP), se consuma no exato momento da conjunção
carnal.
* Crime permanente – O momento consumativo se prolonga no tempo por vontade do
agente. Ex: Seqüestro (Art. 148, CP), se consuma no momento da privação da liberdade e se prolonga
enquanto perdurar tal situação.
Quanto ao meio de execução:
* Crime comissivo – É aquele crime que se pratica por meio de uma ação do sujeito ativo.
Ex: Furto (Art. 155, CP).
* Crime omissivo – É aquele onde o agente comete o crime ao deixar de realizar alguma
coisa. Ex: Omissão de socorro (Art. 135, CP). Os crimes omissivos se dividem em:
Crimes omissivos próprios – Se consumam pela simples inércia do agente,
independente do resultado. Ex: Omissão de socorro (Art. 135, CP).
Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão – O agente, mediante uma
omissão inicial provoca um resultado que tinha o dever legal de evitar. Neste caso, exige-se o
resultado (Art. 13 § 2º, CP). Ex: Salva-vidas que deixa de salvar alguém que está se afogando e a
pessoa efetivamente se afoga; Mãe que deixa de amamentar o filho e este vem a morrer.
Quanto ao resultado:
* Crimes materiais – A lei descreve uma ação e um resultado e exige a ocorrência do
resultado para a sua consumação. Ex: Estelionato (Art. 171, CP).
* Crimes formais – A lei descreve igualmente uma ação e um resultado, mas o crime se
consuma independente da ocorrência do resultado. Ex: Estelionato (Art. 171 CP).
* Crimes de mera conduta – A lei descreve apenas uma conduta e se consuma no momento
em que a conduta é praticada. Ex: Violação de domicílio (Art. 150, CP).
Quanto ao sujeito ativo:
* Crimes comuns – Podem ser praticados por qualquer pessoa. Ex: homicídio (Art. 121,
CP).
* Crimes próprios - Exigem uma certa qualidade do sujeito ativo, ou seja, só podem ser
cometidos por um certo grupo de pessoas. Ex: Peculato (Art. 312, CP).
* Crimes de mão própria – Só podem ser cometidos por uma única pessoa, não admitem co-
autoria. Ex: Dirigir sem habilitação gerando perigo de risco (Art. 309, CTB).
- CRIME HABITUAL – É aquele que exige para sua configuração uma reiteração de
condutas, ou seja, a prática de um ato isolado não é crime. Ex: Exercício ilegal da medicina (Art. 282,
CP).
72

TEORIA DO CRIME
Para se estudar o crime é preciso que se analise cada um de seus elementos (tipicidade,
ilicitude e culpabilidade), para tanto existem basicamente duas teorias aplicáveis no Direito Penal
brasileiro que se diferem em relação à conduta, que é um dos elementos da tipicidade. São elas a
Teoria Clássica e a Teoria Finalista. Salienta-se que o Código Penal, com a reforma de 1984, passou a
adotar a Teoria Finalista.
* Teoria Clássica – Para essa teoria, a ação que provoca o crime é uma simples
exteriorização de vontade, mediante o emprego de forças físicas, sem qualquer finalidade. Para os seus
seguidores, não há necessidade de se saber se o resultado foi praticado pela vontade do agente ou por
simples culpa. Resumindo, conduta é toda a ação que provoca um resultado.
O que importa é estabelecer o nexo de causa e efeito, ou seja, de ação e resultado,
desprezando a vontade do agente. A vontade do agente (dolo ou culpa) faz parte da culpabilidade. Ex:
Motorista que ao sair com seu veículo cruza sobre indivíduo bêbado que se deita sob as rodas do
veículo e o mata, para essa teoria, em princípio comete crime de homicídio.
Para essa teoria o crime tem a seguinte estrutura:
- Fato típico (tipicidade), com os seguintes elementos:
* conduta – que é o agir ou se omitir, desprovida de vontade;
* resultado – decorrente da conduta;
* nexo causal – entre a conduta e o resultado;
* tipicidade – adequação da conduta ao tipo penal previsto na lei;
- Fato Antijurídico – Em princípio, todo o fato que é típico se presume que seja também
antijurídico, salvo se houver uma das excludentes de ilicitude.
- Fato Culpável (culpabilidade) – que se compõe de:
* Imputabilidade;
* exigibilidade de conduta diversa;
* dolo e culpa, sendo que o dolo possui os seguintes requisitos:
- consciência da conduta e do resultado;
- consciência do nexo de causalidade;
- consciência da antijuridicidade;
- vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.
O crime é um fato típico, ilícito e culpável.
* Teoria Finalista – Para esta teoria a vontade do agente está ligada à conduta, que é prevista
como um comportamento humano, voluntário e consciente, direcionada a uma finalidade. Assim, dolo
e culpa fazem parte da conduta e não mais da culpabilidade.
Para esta teoria o crime possui a seguinte estrutura:
- Fato típico – com os seguintes elementos:
* Conduta dolosa ou culposa, onde o dolo possui os seguintes elementos:
- consciência da conduta e do resultado;
73

- consciência do nexo de causalidade;


- vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.
* resultado – decorrente da conduta;
* nexo causal – entre a conduta e o resultado;
* tipicidade – adequação da conduta ao tipo penal previsto na lei;
- Fato Antijurídico (Antijuridicidade) – onde não houve modificações com relação à teoria clássica.
- Culpabilidade – Deixou de ser requisito do crime e passou a comportar os seguintes elementos:
* Imputabilidade;
* Exigibilidade de conduta diversa;
* Potencial consciência da ilicitude.
TIPICIDADE
É o enquadramento legal da conduta praticada pelo agente, ou seja, é a previsão na lei de
que determinada conduta é penalmente relevante. É composta de vários elementos e o crime só ocorre
quando o agente, no caso concreto, realiza todos os componentes do tipo penal.
- Tipo Penal – É a norma legal que descreve as condutas proibidas. É o modelo legal da
conduta proibida. Essas condutas são descritas taxativamente na lei como crimes e com a previsão de
uma pena para quem realizar a conduta proibida.
* Elementares – São componentes fundamentais do tipo, estão sempre no caput do
tipo penal. Quando não estão presentes o crime deixa de existir. As elementares podem ser:
- Objetivas ou descritivas – Quando o seu significado se extrai da mera
observação, são elementos concretos, que não exigem juízo de valor. Ex: coisa móvel (Art. 155, CP),
matar (Art. 121, CP).
- Normativas – Esses elementos dependem de uma interpretação, de um juízo
de valor. Ex: Dignidade ou decoro (Art. 140, CP), documento público (Art. 297, CP).
- Subjetivas – Quando o tipo exige uma finalidade específica do agente ao
cometer o crime. Ex: Seqüestrar alguém com o fim de obter vantagem econômica (Art. 159, CP), Art.
307, CP.
* Circunstâncias – São elementos acessórios do tipo, cuja ausência não o elimina. Tem
função exclusiva de influir na aplicação da pena. Ex: Art. 155 § 1º, CP, Art. 226, I, CP. Não estão no
caput do artigo e sim em um dos seus parágrafos ou incisos.
- Crime doloso – Dolo, basicamente, é a vontade de realizar a conduta descrita no tipo
penal. Existem três teorias acerca do crime doloso:
* Teoria da vontade – Dolo é a vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal e
produzir o resultado.
* Teoria do Assentimento – Dolo é a vontade de realizar a conduta, assumindo o risco
de produzir o resultado.
* Teoria da representação – Dolo é a vontade de realizar a conduta, prevendo a
possibilidade de produção do resultado.
74

O Art. 18, I, CP estabelece que o crime é doloso quando o agente quer o resultado (DOLO
DIRETO) ou assume o risco de produzi-lo (DOLO EVENTUAL). São os dois tipos de dolo previstos
no Código Penal, sendo que para o dolo direto adotou-se a teoria da vontade e para o dolo eventual a
teoria do assentimento.
- Crime culposo – De acordo com o que descreve o Art. 18, II, CP, o crime culposo ocorre
quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Então, haverá
crime culposo quando o agente, mesmo não assumindo o risco de produzir o resultado, dá causa a ele
por negligência, imprudência ou imperícia. O crime culposo exige a ocorrência do resultado, ou seja,
se a conduta do agente não provocar a ocorrência do resultado, não haverá crime.
Só há crime culposo quando o Código Penal especificamente prever esta possibilidade,
portanto, quando não houver previsão legal da modalidade culposa, ou o crime será doloso, ou o fato
será atípico. Ex: Art. 129, CP (prevê o crime na modalidade culposa) e art. 163, CP (não prevê
modalidade culposa).
O crime culposo ocorre quando o agente deixa de observar, no caso concreto, um dever de
cuidado a todos imposto. Para se aferir a tipicidade é preciso comparar a conduta do acusado com o
conduta que teria uma pessoa comum, prudente, no caso concreto.
A inobservância do dever de cuidado pode se dar de três formas:
* Imprudência – Ocorre quando a pessoa age com falta de cuidado, com afoiteza, sem
adotar as cautelas necessárias e exigidas naquela situação. Ex: Dirigir em excesso de velocidade,
brincar com arma municiada.
* Negligência – Ao contrário da imprudência, a negligência é uma conduta negativa,
ou seja, o agente podendo e devendo adotar a cautelas exigidas, não o faz por preguiça e essa ausência
de precaução dá causa ao resultado. Ex: Dirigir se cinto de segurança, deixar que seus empregados
trabalhem sem equipamentos de segurança obrigatórios.
* Imperícia – Consiste na incapacidade ou falta de conhecimento técnico para o
exercício de determinado trabalho. Portanto, pressupõe sempre qualidade ou habilitação para o ofício.
Ex: Erro médico.
Importante salientar que em todas essas condutas, só restará configurado o crime culposo se
o resultado efetivamente ocorrer. Assim, se o motorista dirige em excesso de velocidade e não atinge
ninguém, não há crime. Só haverá crime culposo se da ação ou omissão contrária ao dever de cuidado,
resultar lesão a um bem jurídico.
Ainda, mesmo havendo o resultado, só estará configurado o crime culposo se houver o nexo
causal entre a conduta e o resultado. Ex: Pessoa querendo se matar, se atira na frente de um carro em
movimento, mesmo em excesso de velocidade.
Concluindo, são requisitos do crime culposo: conduta, resultado involuntário, nexo causal
entre conduta e resultado, tipicidade e previsibilidade objetiva (previsão do “homem razoável”).
São espécies de culpa:
75

* Culpa consciente: O agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra ou que
pode evitá-lo com sua habilidade. Difere do dolo eventual, pois neste o agente prevê o resultado, mas
não se importa se o resultado ocorrer.
* Culpa inconsciente: O agente não prevê o resultado que era previsível no caso
concreto.
- Crime preterdoloso – é uma espécie de crime que é qualificado pelo resultado. Neste caso
específico, nos termos do art. 19, CP, ocorre quando há dolo no antecedente (conduta) e culpa no
conseqüente (resultado). Ex: Art. 129 § 3º, CP (lesão corporal seguida de morte). O agente tinha dolo
de lesão e provocou, de forma culposa, a morte da vítima.
- Erro de tipo (Art. 20, CP) – É o erro com relação a elemento constitutivo do tipo penal.
O agente age imaginando não estar presente no caso concreto uma elementar ou circunstância
componente da figura típica, ou seja, age supondo que sua conduta é legal, quando na verdade está
praticando uma conduta típica. O agente não quer praticar o crime, mas por erro acaba cometendo.
Conforme já estudado, para que haja dolo é necessário que o agente tenha consciência e
queira realizar todos os elementos e circunstâncias do tipo penal. Neste caso, por não haver
consciência da presença dos elementos do tipo, exclui-se o dolo e o próprio fato típico. Ex: Agente que
vai a uma relojoaria e recebe das mãos do atendente um relógio que não é o seu e o leva consigo, não
comete crime de furto (art. 155, CP).
* Delito putativo por erro de tipo – O sujeito quer praticar o crime, mas por errônea
percepção da realidade, acaba praticando fato atípico. Ex: No mesmo caso acima, quando o agente
imaginando estar levando consigo relógio alheio e assim cometendo crime de furto leva o seu próprio
relógio.
* Formas de erro de tipo:
- Essencial – Quando incide sobre elementares ou circunstâncias do crime. O agente
não sabe que está cometendo um delito. Esse erro pode ser vencível, quando o agente podia ter evitado
ou invencível quando não era possível evitar (Art. 20, CP, parte final).
- Acidental – Recai sobre elementos secundários e irrelevantes do tipo. Não impede a
responsabilização do agente. Espécies:
* Erro sobre o objeto – Imagina estar atingindo um objeto material, mas acaba
atingindo outro. Ex: Ladrão querendo levar televisão, acaba levando um DVD.
* Erro sobre a pessoa (Art. 20 § 3º, CP) – O agente visa atingir certa pessoa, mas por
equívoco acaba atingindo outra. Ex: X querendo matar Y, atira contra Z que é fisicamente parecido
com Y. Neste caso não há isenção de pena, mas na aplicação da pena se levam em consideração as
qualidades de quem o agente queria atingir, não as da pessoa atingida.
* Erro na execução (Art. 73, CP) – O agente querendo atingir determinada pessoa e
visando tal pessoa, acaba com sua ação atingindo outra. Ex: X querendo matar Y, atira contra Y, mas o
tiro acaba atingindo Z que está ao lado de Y. Não há isenção de pena, mas na aplicação da pena se
levam em consideração as qualidades de quem o agente queria atingir, não as da pessoa atingida.
76

- Crime consumado (Art. 14, CP) – Ocorre quando nele se reúnem todos os elementos do
tipo penal. Ex: Furto (Art. 155, CP) se consuma com a efetiva subtração da coisa alheia móvel.
Homicídio (art. 121, CP) se consuma com a morte da vítima.
* “Iter Criminis” – É o caminho que percorre o agente até a consumação do delito.
Compreende quatro fases:
- 1ª Fase (cogitação) – O agente está pensando em cometer o delito. O pensamento é
impunível, pois não há conduta nesta fase.
- 2ª Fase (preparação) – Compreende a prática dos atos necessários ao início da execução.
Ex: Conseguir veículo para ser usado no roubo, alugar casa para cativeiro no seqüestro. Em regra, os
atos preparatórios são impuníveis. Mas, nesta fase, muitos atos de preparação constituem, por si sós,
crimes autônomos, como o caso do art. 288, CP (Quadrilha ou bando).
- 3ª Fase (execução) – Nesta fase o agente dá início aos atos tendentes a atingir o bem
jurídico tutelado, a praticar a conduta descrita no tipo penal.
- 4ª Fase (consumação) – Momento em que se reúnem todos os elementos do tipo penal.
- Crime tentado (Art. 14, II, CP) – Ocorre quando o agente inicia a execução, mas o crime
não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. No caso da tentativa, pune-se com a mesma
pena do crime consumado, reduzida de 1/3 a 2/3.
* Crimes que não admitem tentativa:
- Crimes culposos – Não cabe tentativa, pois no crime culposo o agente não quer o resultado
e na tentativa o resultado só não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente.
- Crimes preterdolosos – Neste tipo de crime, com relação ao resultado agravador, o agente
não o quer e lhe é atribuído a título de culpa.
- Crimes omissivos próprios – Este tipo de crime se consuma com a simples omissão, pois
são crimes de mera conduta, onde o tipo penal não prevê e não exige o resultado para a consumação,
mas tão só a simples ação ou omissão.
- Contravenções penais – O art. 4º do DL 3688/41 estabelece que não se pune a tentativa de
contravenção.
- Crimes de atentado – O tipo penal pune igualmente a forma tentada e a forma consumada,
por opção do legislador. Portanto, não há se falar em tentativa. Ex: Art. 352, CP.
- Crimes habituais – O crime habitual somente se consuma com a reiteração de condutas, a
prática de um único ato é atípica e, portanto, não se cogita de tentativa nestes tipos de crimes.
- Crimes unissubsistentes – Se consumam com um único ato. Ex: Injúria (Art. 140, CP).
- Crimes onde o tipo penal só prevê a aplicação de pena ocorrendo o resultado – Ex: Art.
122, CP (Participação em suicídio) só é punível se o resultado morte ocorre.
- Desistência voluntária (Art. 15, CP) – Neste caso o agente inicia a execução do crime e,
podendo atingir a consumação, desiste de forma voluntária de prosseguir no caminho do crime. Nestes
casos, não se pode falar em tentativa, pois na tentativa o agente somente não consuma o delito por
77

circunstâncias alheias ao seu conhecimento e na desistência voluntária o agente, podendo atingir o


resultado, desiste da execução de forma voluntária.
Também há desistência voluntária quando o agente resolve não repetir algum ato de
execução já cometido. Ex: Pedregoso atira e Pedregunda e a atinge no braço. Podendo atirar
novamente e matá-la desiste voluntariamente de prosseguir na ação e somente responderá pelas lesões
cometidas.
- Arrependimento eficaz (Art. 15, CP) – Neste caso o agente pratica todos os atos
executórios, mas antes da consumação, pratica outro ato que impede a produção do resultado. Tal
como na desistência voluntária o agente somente responderá pelos atos até então praticados.
Tanto a desistência voluntária quanto o arrependimento eficaz têm natureza jurídica de
excludentes da tipicidade com relação ao crime que o agente inicialmente iria praticar, ou seja,
somente vai responder pelos crimes até então praticados, sem se falar em tentativa, pois em relação ao
crime principal, o agente desistiu ou se arrependeu de sua prática.
- Arrependimento posterior (Art. 16, CP) – É uma causa de redução de pena, aplicável
aos crimes dolosos cometidos sem violência ou grave ameaça e aos crimes culposos, mesmo
cometidos com violência, quando o agente por ato voluntário repara o dano ou restitui a coisa antes do
recebimento da denúncia ou da queixa, que é o que dá início à ação penal. A redução da pena é de 1/3
a 2/3.
A reparação do dano deve ser total e integral de todos os prejuízos sofridos pela vítima, sob
pena de não aplicação do instituto.
Exceções: Art. 312 § 3º, CP (peculato culposo) onde a reparação do dano exclui a
punibilidade; Sumula 554/STF, no caso de estelionato pela emissão de cheque sem fundos, o
ressarcimento do dano exclui o crime.
- Crime impossível (Art. 17, CP) – Ocorre quando por ineficácia absoluta do meio ou por
impropriedade absoluta do objeto a conduta do agente jamais poderia levar o crime à consumação, ou
seja, jamais o crime ocorreria. Ex: Utilizar arma de brinquedo para matar alguém; furtar o próprio
veículo (neste caso há o chamado delito putativo por erro de tipo).
Entretanto, a ineficácia do meio ou a impropriedade do meio devem ser absolutas e não
relativos. Se forem relativos não haverá exclusão do crime.

ILICITUDE
Consiste na relação de contrariedade existente entre o fato típico e o ordenamento legal.
Todo o fato decorrente de uma conduta humana que se encaixa em um dos tipos penais previstos na
norma é um fato típico e tem-se presente a tipicidade.
Todo o fato típico, em tese, é também ilícito, pois contraria o ordenamento legal, salvo se
estiver presente uma das causas excludentes da ilicitude constantes no art. 23, CP. Além dessas quatro
causas presentes na Parte Geral do Código Penal existem outras na Parte Especial: Art. 128, I e II; Art.
146 § 3º, I e III; Art. 150 § 3º; Art. 142.
78

Neste módulo estudaremos as quatro causas excludentes de ilicitude constantes no Art. 23.
Mesmo diante das causas excludentes, o agente que exceder na utilização de qualquer das excludentes,
responderá pelo excesso, seja ele doloso ou culposo, conforme consagra o Art. 23, Parágrafo único,
CP.
- Estado de necessidade (Art. 24) – Configura a excludente a situação em que alguém, para
salvar um bem jurídico próprio ou de terceiro exposto a uma situação de perigo, que não foi provocada
por sua vontade e nem de outro modo podia evitar, sacrifica outro bem jurídico.
* Requisitos para a situação de risco configurar a excludente:
- O perigo dever ser atual, ou seja, a ameaça deve ser concreta.
- O perigo deve ameaçar direito próprio ou alheio – Nesta situação, direito é considerado
qualquer bem protegido pelo ordenamento jurídico. Quando ameaçar direito próprio haverá estado de
necessidade próprio e quando ameaçar direito de terceiro, diz-se que há estado de necessidade de
terceiro.
- Que a situação de perigo não tenha sido causada voluntariamente pelo agente, ou seja, que
o agente não tenha de forma dolosa provocado a situação de perigo.
- Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo – Quem tem o dever legal de enfrentar o
perigo não pode invocar a excludente. Somente poderão invocar a excludente quando provado que
nem mesmo enfrentado o perigo o bem poderia ser salvo Ex: Bombeiro, Policial Militar.
- Inevitabilidade da conduta – A conduta deve ser absolutamente inevitável para salvar o
direito próprio ou alheio que está sofrendo risco. Isso deve ser analisado em face do homem comum e
em relação a quem tem o dever legal de enfrentar o perigo.
- Razoabilidade do sacrifício – É a relação de proporcionalidade existente entre a gravidade
do perigo que ameaça o bem e o dano a ser causado em outro bem para afastar esse perigo.
- Legítima defesa (Art. 25, CP) – Considera-se em legítima defesa o agente que, para
impedir agressão injusta, atual ou iminente a direito seu ou de outrem, faz uso moderado dos meios
necessários a repelir tal agressão.
* São requisitos da legítima defesa:
- Existência de uma agressão – Entendida como o efetivo ataque, a investida de um ser
humano contra um bem jurídico de alguém. A simples provocação, de efeito meramente psicológico,
não configura agressão para efeitos de reconhecimento da excludente. O ataque de animais é caso de
estado de necessidade, salvo no caso do animal ser instigado por ser humano, quando então serve de
meio para a agressão e justifica a legítima defesa.
- A agressão deve ser injusta – A agressão deve ser ilícita, contraria ao direito e independe
do agende que pratica a agressão ter ou não a consciência do caráter ilícito de sua conduta. Ex:
agressão de um louco. Nestes sentido, cabe legítima defesa inclusive contra crime culposo, pois
mesmo não havendo o dolo (intenção) do agente, a agressão não deixa de ser ilícita.
- A agressão deve ser atual ou iminente – Atual é a que está ocorrendo e a iminente é a que
está prestes a ocorrer. Não cabe contra agressão passada nem futura.
79

- Para proteger direito próprio ou de terceiro – Qualquer bem jurídico é passível de proteção
via legítima defesa. Entretanto, tal como no estado de necessidade deve haver relação
proporcionalidade existente entre os bens que estão em jogo.
- Utilização moderada dos meios necessários – Meios necessários devem ser entendidos
como os menos lesivos, menos letais de que o agente dispõe no momento da agressão. São aqueles,
dentre os meios existentes e postos à disposição do agente, que podem efetivamente repelir a agressão.
Escolhido o meio de defesa deve o agente agir com moderação causando o mínimo de dano possível
ao direito alheio, o suficiente para repelir a agressão.
- Elemento subjetivo – Consiste na demonstração de que o agente tinha ciência de que
estava agindo acobertado pela excludente.
* Casos em que não cabe legítima defesa:
- Legítima defesa real contra Legítima defesa real;
- Legítima defesa real contra estado de necessidade real;
- Legítima defesa real contra exercício regular de um direito;
- Legítima defesa real contra estrito cumprimento do dever legal.
* Principais diferenças entre o estado de necessidade e a legítima defesa:
- No estado de necessidade ocorre um conflito entre bens jurídicos. Na legítima defesa
ocorre reação a um ataque.
- No estado de necessidade o bem jurídico é exposto a risco. Na legítima defesa $ele sofre
um ataque atual ou iminente.
- No estado de necessidade o perigo advém de agressão humana ou animal. Na legítima
defesa a agressão deve ser humana.
- No estado de necessidade a repulsa pode atingir bem jurídico de terceiro inocente. Na
legítima defesa a defesa deve ser dirigida contra o agressor.
- Exercício regular de um direito (Art. 23, III, CP) – Todos têm direito de agir
previamente buscando defender-se e defender seus bens de um possível ataque, desde que dentro dos
limites estabelecidos pelo ordenamento legal.
* Ofendículos – São objetos destinados à defesa da propriedade ou quaisquer outros bens.
Ex: grades, cerca elétrica.
Importante salientar que esses aparatos, quando ocultos, podem levar à punição do agente
por crime culposo, como ocorre, por exemplo, no caso da colocação de cerca elétrica sem aviso.
- Estrito cumprimento do dever legal (Art. 23, IV, CP) – Esse dever deve ser inerente ao
trabalho, ofício ou profissão do agente e deve constar de leis, regulamentos e atos administrativos de
caráter geral. Ex: abordagem policial, prisão em flagrante.
Toda vez que o agente extrapolar os limites do estrito cumprimento de seu dever legal estará
agindo ilegalmente e será passível de responsabilização, seja por abuso de autoridade, seja pelo crime
mais grave que cometer.
80

- Descriminantes putativas (Art. 20 § 1º, CP) – Quando o sujeito, em face das


circunstâncias do caso concreto, supõe estarem presentes os requisitos autorizadores do uso de uma
das excludentes, quando na verdade não estão. A palavra putativa é sinônima de imaginária, suposta.
Assim, haverá legítima defesa putativa, estado necessidade putativo, etc.
Nestes casos, o Código Penal estabelece que, se o erro for inevitável (plenamente
justificável) o agente fica isento de pena e se o erro era evitável, o agente responderá por crime
culposo.

CULPABILIDADE
Com a adoção da teoria finalista da ação a culpabilidade passou a ser um juízo de
reprovação da conduta, mero pressuposto de aplicação da pena. Em princípio, todas as pessoas são
culpáveis, presunção que só se afasta se presente uma das causas de exclusão. São elementos da
culpabilidade:
- Imputabilidade;
- Potencial consciência da ilicitude;
- Exigibilidade de conduta diversa.
- Imputabilidade (Art. 26, CP) – É a possibilidade de se atribuir a alguém a
responsabilidade por algum fato. O art. 26, CP enumera os casos de inimputabilidade, ou seja, casos
em que se exclui a culpabilidade.
São causas de inimputabilidade:
* Doença mental ou desenvolvimento mental retardado ou incompleto – se o agente, ao
tempo da conduta, for inteiramente incapaz de perceber o caráter ilícito de sua conduta é isento de
pena. Entretanto, se não era inteiramente incapaz, pode ocorrer redução de 1/3 a 2/3 da pena. São
casos de semi-imputabilidade;
* Menoridade (Art. 27, CP) – Cessa aos 18 (dezoito) anos completos. Até os dezoito anos,
ficam sujeitos apenas às regras da legislação específica (ECA) e não cometem crimes;
* Embriaguez completa decorrente de caso fortuito ou força maior Art. 28 § 1º, CP) Se o
agente, ao tempo da conduta, for inteiramente incapaz de perceber o caráter ilícito de sua conduta é
isento de pena. Entretanto, se não era inteiramente incapaz, pode ocorrer redução de 1/3 a 2/3 da pena.
A embriaguez pode ser decorrente de álcool ou substâncias de efeitos análogos;
A emoção e a paixão e a embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade (Art.
28, I e II, CP). Emoção é um estado súbito e passageiro de instabilidade psíquica. Já a paixão é um
sentimento duradouro. Mesmo não excluindo nem reduzindo a pena, podem servir como atenuantes
genéricas. Por sua vez, a embriaguez preordenada (quando o agente se embriaga para tomar coragem e
cometer o delito) serve como agravante genérica da pena.
* Dependência de substância entorpecente - se o agente, ao tempo da conduta, for
inteiramente incapaz de perceber o caráter ilícito de sua conduta é isento de pena. Entretanto, se não
81

era inteiramente incapaz, pode ocorrer redução de 1/3 a 2/3 da pena. São casos de semi-
imputabilidade;
- Potencial consciência da ilicitude (Art. 21, CP) – O desconhecimento da lei é
inescusável. Portanto, em princípio todos são culpáveis. Entretanto, o próprio Art. 21 estabelece que o
erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui a pena (culpabilidade) e, se evitável, pode reduzir a
pena de 1/6 a 1/3. Esse erro é o chamado erro de proibição.
O erro de proibição é um erro sobre a ilicitude do fato e não sobre o crime, sobre a
circunstância de fato, como ocorre no erro de tipo. Assim, no erro de proibição o agente conhece a lei,
mas acredita que sua conduta não é ilícita, por uma errônea interpretação da lei.
- Exigibilidade de conduta diversa – Somente é punida a conduta que poderia ter sido
evitada. Se, no caso concreto, não era exigível conduta diversa do agente. São duas as causas em que
se exclui a exigibilidade de conduta diversa:
* Coação moral irresistível (Art. 22, CP) – A coação pode ser física ou moral. A coação
física ocorre quando alguém, mediante emprego de violência física, é obrigado a cometer um delito.
Deste modo, não existe vontade do agente, é punido o coator.
A violência moral se dá mediante o emprego de grave ameaça. Coação moral irresistível é
aquela que não poderia ser superada pelo agente no caso concreto, excluindo a culpabilidade. É punido
o agente coator. Se a coação for resistível, há crime e o agente é punido, entretanto, aplica-se a
atenuante genérica do art. 65, III, c, do CP.
* Obediência hierárquica (Art. 22, CP) – Superior determina a subordinado que faça ou
deixe de fazer. Se a ordem for ilegal, há duas situações: Se for manifestamente ilegal ambos
responderão pelo crime, pois a ordem manifestamente ilegal não deve ser cumprida pelo agente. Se a
ordem não for manifestamente, exclui-se a culpabilidade do subordinado, punindo apenas o superior.

CONCURSO DE PESSOAS (Art. 29, CP)


Ocorre concurso de pessoas quando duas ou mais pessoas cometem ou de alguma forma
contribuem para o cometimento de uma infração penal. O concurso pode se dar de três formas:
Autoria, co-autoria e participação.
* Autoria – Segundo o Código Penal, autor do crime é quem executa a conduta descrita no
tipo penal. Ex: No crime de calúnia (Art. 138) é autor do crime que pratica o ato de caluniar alguém.
* Co-autoria – Ocorre quando duas ou mais pessoas praticam conjuntamente a conduta
descrita no tipo penal. Ex: Art. 121 (homicídio) Se duas pessoas efetuam disparos contra a vítima e
causam-lhe a morte, ambos são co-autores no crime de homicídio.
* Participação – O partícipe não comete qualquer das condutas descritas no tipo penal, mas
de alguma outra forma concorre para o crime. De acordo com o art. 29, CP quem de qualquer forma
concorre para o crime fica sujeito às penas do crime na medida de sua culpabilidade. Ex: Quem
empresta armas para o cometimento de um homicídio.
A participação pode ser moral (induzir ou instigar) e material (auxílio na prática do crime).
82

O art. 29 § 1º, CP estabelece que a penado partícipe pode ser diminuída de 1/6 a 1/3 se a
participação for de menor importância.
- Participação Impunível (Art. 31, CP) – A participação não é punível quando aqueles que
iriam praticar o crime não chegam a iniciar os atos de execução.
- Teoria Monista – Quanto ao concurso de pessoas, o Código Penal adotou a Teoria
Monista, segundo a qual todos que contribuem para o resultado delituoso devem responder pelo
mesmo crime. Entretanto, há exceções, como por exemplo, o Art. 29 § 2º, CP segundo o qual o
partícipe que quis participar de crime menos grave terá aplicada a pena deste, o Art. 29 § 1º, CP. Na
Parte Especial do CP existem outras exceções: Art. 124 e 126, onde a gestante que consente na prática
do aborto responde pelo art. 124 e quem pratica o aborto responde pelo art. 126; Art. 333 e 317, onde
quem oferece a vantagem responde por corrupção ativa e quem aceita a vantagem responde por
corrupção passiva.
- Requisitos do concurso de pessoas – Para que se configure o concurso de pessoas é
preciso que se verifiquem os seguintes requisitos:
- Pluralidade de condutas – Se for uma única conduta não há concurso de pessoas;
- Relevância das condutas – A conduta somente contribuirá para o crime quando for
relevante;
- Liame subjetivo – Não há necessidade de ajuste prévio, mas deve haver ciência de estar
colaborando para um resultado delituoso.
- Identidade de crimes para todos os envolvidos – Havendo liame subjetivo todos devem
responder pelo mesmo crime, salvo as exceções já relacionadas.
- Comunicabilidade de elementares e circunstâncias (art. 30, CP) – De acordo com o art.
30, CP:
* Circunstâncias condições objetivas (caráter material) são aquelas ligadas ao fato não ao
autor. Comunicam-se aos partícipes se estes têm consciência da sua presença. Ex: Praticar crime com
emprego de fogo é circunstância agravante (Art. 61, II, d) se reconhece para todos.
* Circunstâncias condições subjetivas (caráter pessoal) são aquelas que se referem ao agente
e não ao fato. Não se comunicam, salvo se forem elementares do crime. Ex: Parricídio é agravante do
art. 61, II, e só vale para o filho que mata os pais e não se comunica aos demais participantes do crime.
* Elementares – São componentes essenciais da figura típica, sem as quais o crime não
existe. Comunicam-se aos co-autores ou partícipes todas as circunstâncias elementares, sejam
subjetivas ou objetivas. Ex: No crime de peculato a elementar “funcionário público” se comunica aos
demais.
- Concurso de pessoas em crime culposo – Nos delitos culposos não existe diferença entre
co-autores e partícipes, todos são considerados co-autores. Portanto, nos crimes culposos se admite
somente a co-autoria e não a participação. Ex: Caroneiro que instiga o motorista a imprimir velocidade
excessiva que acaba sendo causa de acidente de trânsito é co-autor.
83

CONCURSO DE CRIMES
Quando uma pessoa pratica duas ou mais infrações, diz-se que houve concurso de crimes,
que pode se dar sob a modalidade de concurso material (Art. 69, CP), concurso formal (Art. 70, CP) e
crime continuado (Art. 71, CP).
* Concurso material (Art. 69, CP) – Ocorre quando o agente mediante duas ou mais ações
ou omissões comete dois ou mais crimes. Quando isto ocorrer as penas deverão ser somadas. Pode ser
homogêneo quando os crimes forem idênticos e heterogêneo quando os crimes forem diversos.
* Concurso formal (Art. 70, CP) – Ocorre quando o agente mediante uma única ação ou
omissão pratica dois ou mais crimes. Se os crimes forem idênticos (homogêneo) aplica-se uma só pena
aumentada de 1/6 a 1/2. Se os crimes não forem idênticos (heterogêneo), deverá ser aplicada a pena do
crime mais grave, aumentada de 1/6 a 1/2.
O art. 70, PU, estabelece que, no caso de o percentual de aumento decorrente do concurso
formal for superior ao aumento decorrente da soma das penas, deverá ser aplicada a regra do concurso
material. É o chamado concurso formal impróprio.
* Crime continuado (Art. 71, CP) – Ocorre quando o agente mediante duas ou mais ações ou
omissões comete dois ou mais crimes da mesma espécie que, por circunstâncias de tempo, lugar,
maneira de execução entre outras, os demais são tidos como continuação do primeiro. No caso de
crimes dolosos cometidos contra vítimas diferentes com emprego de violência ou grave ameaça, o juiz
pode até triplicar a pena se iguais ou a do mais grave, se diferentes.
PENAS
A pena é uma retribuição do estado em razão da prática de um ilícito penal e consiste na
privação de bens jurídicos, com a finalidade de readaptar o criminoso ao convívio social e prevenir a
prática de novas infrações. De acordo com o art. 32 do CP as penas são:
- Privativas de liberdade - Reclusão e detenção (Art. 33, CP);
- Restritivas de direitos (Art. 43, CP);
- Multa (Art. 49, CP).
São princípios a serem respeitados na aplicação das penas:
* Princípio da legalidade – Não há pena sem prévia cominação legal. A pena deve estar
prevista em lei na época da prática do crime.
* Princípio da individualização da pena – A lei deve regularizar a individualização da pena
de acordo com a culpabilidade e as condições pessoais do acusado.
* Princípio da pessoalidade ou intranscendência – A pena não pode passar da pessoa do
condenado, podendo apenas a obrigação de reparar o dano decorrente da infração e o perdimento de
bens ser estendido aos sucessores até o limite do patrimônio transferido.
* Princípio da vedação da pena de morte, penas cruéis, de caráter perpétuo ou de trabalhos
forçados.
* Princípio da proporcionalidade – A pena deve ser proporcional ao crime cometido.
84

- Quanto ao regime de cumprimento das penas, de acordo com o art. 33, § 1º, CP, os
regimes podem ser: Fechado, Semi-aberto e Aberto.
- Detração (Art. 42, CP) – Na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o
tempo de prisão provisória e de internação é contado para efeitos de diminuição do tempo de
cumprimento.
- Fixação da pena (Art. 59, CP) – De acordo com o Art. 68, CP, foi adotado para efeitos de
fixação da pena o sistema trifásico:
* 1ª Fases - São analisadas as circunstâncias judiciais, que são as elencadas no art. 59, CP
(culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade, motivos do crime, circunstâncias do
crime, conseqüências do crime e comportamento da vítima). Partindo-se do chamado “termo médio”,
nesta fase a pena não pode ser fixada acima do máximo, nem abaixo do mínimo. Alguns doutrinadores
defendem que a pena poderia ser fixada abaixo do mínimo, mas nunca acima do máximo
abstratamente cominado na lei.
* 2ª Fase – Fixada a pena base deve o juiz passar a analisar a presença de eventuais
circunstâncias agravantes e atenuantes genéricas (arts. 61 e 62; 65 e 66, CP). Na prática, adota-se o
percentual de 1/6 de aumento por cada circunstância agravante reconhecida e diminuição no mesmo
percentual para as atenuantes. Note-se que nesta fase, tal como na primeira, a pena não pode
ultrapassar o máximo, nem ficar aquém do mínimo abstratamente cominado na lei.
* 3ª Fase – Nesta fase se aplicam as causas de aumento e diminuição da pena, que podem
estar tanto na Parte Geral quando na Parte Especial do CP. Causas de aumento ou diminuição são
aquelas que estão representadas no código por índices (Ex: 1/6, 1/3). Nesta fase a pena definitiva pode
ser fixada em percentual superior ao máximo cominado de forma abstrata na lei ou abaixo do mínimo
legal.
Além da pena, na sentença deve o juiz indicar o regime inicial de cumprimento da pena,
bem como se manifestar sobre a possibilidade de concessão da substituição e da suspensão da pena
(sursis).
- Limite das penas (Art. 75, CP) – O tempo de cumprimento da pena privativa de liberdade
não pode ser superior a 30 (trinta) anos. Entretanto, a regra não impede a aplicação de penas
superiores a trinta anos, o que a lei veda é o cumprimento de pena por prazo superior a trinta anos.

AÇÃO PENAL
Nos termos do art. 100, CP a regra geral é a ação pública, salvo nas hipóteses em que a lei
declarar privativa do ofendido. Neste sentido, a ação penal pode ser pública ou privada.
- Ação Penal Pública – A ação pública é de iniciativa exclusiva do Ministério Público,
onde vigora o princípio da obrigatoriedade, ou seja, havendo indícios suficientes da autoria, o
Ministério Público tem o dever de propor a ação penal e dela não pode desistir. A peça processual que
dá início à ação penal pública é a denúncia.
São Princípios da ação penal pública:
85

* Princípio da obrigatoriedade – Impõem-se ao Ministério Público a sua propositura sempre


que a hipótese preencher os requisitos mínimos exigidos. Sofre restrição no que se refere às infrações
de menor potencial ofensivo, onde a possibilidade de transação penal impede a propositura da ação.
* Princípio da indisponibilidade - Uma vez proposta a ação, o Ministério Público não pode
desistir da ação. Também sofre limitação no caso das infrações de menor potencial ofensivo, onde o
art. 89 da Lei nº 9099/95 prevê a possibilidade de suspensão condicional do processo.
* Princípio da oficialidade – O controle da ação é oficial, pois o Estado é o titular da ação
penal e do direito de punir, que só se efetiva se observado o devido processo legal.
* Princípio da autoritariedade – Os encarregados da persecução criminal são todos
autoridades públicas, desde o policial que atende a ocorrência até o juiz que condena o réu.
* Princípio da indivisibilidade – A ação deve abranger todos os responsáveis pelo delito, ou
seja, devem ser processados todos os responsáveis pelo crime.
* Princípio da Intranscendência – A ação penal somente pode ser proposta contra quem
cometeu o crime.
A ação penal pública pode ser:
* Incondicionada – É a regra no Direito penal. O oferecimento da denúncia por parte do
Ministério Público não depende de qualquer condição. Quando a lei não especificar nada, a ação é
pública incondicionada. Ainda, a ação será pública incondicionada no caso de qualquer crime
cometido em detrimento do patrimônio ou interesse a União, Estados ou Municípios.
* Condicionada – Quando o oferecimento da denúncia depender do implemento de alguma
condição. Essa condição é a representação do ofendido ou seu representante legal ou a requisição do
Ministro da justiça e será exigida toda a vez que lei declarar explicitamente tal necessidade. O
Ministério Público continua sendo o titular da ação penal, no entanto o exercício desse direito fica
condicionado à representação da vítima ou seu representante legal ou à requisição do Ministro da
Justiça, que são tidas como condição de procedibilidade.
Depois de implementada essa condição, a ação prossegue normalmente como se pública
incondicionada fosse.
São crimes que dependem da representação da vítima ou de seu representante legal:
- Perigo de contágio venéreo (Art. 130 § 2º, CP);
- Crime contra a honra de funcionário público no exercício de suas funções
(Art. 141, III, c/c Art. 145, PU, CP);
- Ameaça (Art. 147, PU, CP);
- Violação de correspondência (Art. 151 § 4º, CP);
- Correspondência comercial (Art. 152, PU);
- Furto de coisa comum (Art. 156, § 1º, CP);
- Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de transporte
sem ter recurso para o pagamento (Art. 176, PU, CP);
86

- Corrupção de preposto e violação de segredo de fábrica ou negócio (Art. 196, § 1º, X


a XII, c/c § 2º);
- Crimes contra os costumes quando os pais da vítima não têm condições de arcar com
as despesas do processo (Art. 225 § 2º).
De acordo com o art. 103 do Código Penal o ofendido ou seu representante legal decairá do
direito de queixa ou representação se não o exercer no prazo de 6 (seis) meses contados do dia em que
vier a saber quem é o autor do crime. Para o menor de 18 (dezoito) anos ou possuidor de doença
mental o prazo de seis meses não fluirá enquanto não cessar a incapacidade.
A representação é irretratável após o oferecimento da denúncia, ou seja, somente pode ser
feita até o oferecimento da denúncia. A representação não obriga o Ministério Público a oferecer a
denúncia, que deve analisar ser caso de propor a ação penal ou pedir o arquivamento.
- Ação Penal Privada - A ação penal privada, por sua vez, é de iniciativa do ofendido ou de
seu representante legal, no caso de ser menor ou incapaz. Na ação privada vigora o princípio da
oportunidade, ou seja, ainda que existam provas da autoria e materialidade do crime o ofendido pode
não ingressar com a ação. Não tem o dever de ingressar com a ação. Isso ocorre porque o legislador
entendeu que em determinados casos o crime atinge muito mais a esfera íntima da vítima do que a
sociedade como um todo, deixado ao seu critério a propositura ou não da ação. A peça processual que
dá início à ação penal privada é a queixa-crime.
A peça principal da Ação Penal privada é a queixa-crime.
São princípios da Ação Penal Privada:
* Princípio da oportunidade – O ofendido tem a faculdade de propor ou não a ação penal de
acordo com sua conveniência.
* Princípio da disponibilidade – Pode o ofendido dispor da ação penal por meio do perdão
judicial ou da perempção até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
* Princípio da indivisibilidade – Mesmo na ação penal privada, a ação deve abranger todos
os responsáveis pelo delito, ou seja, devem ser processados todos os responsáveis pelo crime.
* Princípio da Intranscendência – A ação penal somente pode ser proposta contra quem
cometeu o crime.
São espécies de Ação Penal Privada:
* Ação Penal exclusivamente privada – Pode ser proposta pelo ofendido, se maior de
dezoito anos e capaz, por seu representante legal se menor de dezoito anos, ou pelo seu cônjuge,
ascendente, descendente ou irmão, no caso de morte do ofendido, nos termos do art. 31 do CPP.
* Ação Penal Privada Personalíssima – Sua titularidade é atribuída única e exclusivamente
ao ofendido, sendo o seu exercício vedado até mesmo ao representante legal do ofendido. Há apenas
um caso dessa ação penal privada, que é caso do induzimento a erro essencial ou ocultação de
impedimento impeditivo (Art. 236, PU, CP).
87

* Ação Penal Privada Subsidiária da pública – Ocorre essa possibilidade quando, na ação
pública condicionada ou incondicionada, o Ministério Público não oferecer a ação no prazo legal do
art. 46 do CPP (cinco dias com réu preso e quinze dias com réu solto).
São crimes de ação penal privada:
- Calúnia, difamação e injúria (Arts. 138, 139 e 140), salvo exceções do Art. 145, CP;
- Alteração de limites, usurpação de águas e esbulho possessório, quando não houver
violência e a propriedade for privada (Art. 161, § 1º, I e II, CP);
- Dano (Art. 163, CP);
- Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia (Art. 164, c/c art. 167, CP);
- Fraude à execução (Art. 179, PU, CP);
- Violação de direito autoral, usurpação de nome ou pseudônimo alheio, salvo quando
praticados em detrimento de entidades de direito (Art. 184 a 186, CP);
- Violação de privilégio de invenção (Art. 187, CP);
- Usurpação ou indevida exploração de modelo ou desenho privilegiado (Art. 189, CP);
- Violação de direito de marca de indústria ou de comércio (Art. 192, CP);
- Concorrência desleal, propaganda desleal, desvio de clientela, falsa indicação de
procedência de produto, uso indevido de termos retificativos, arbitrária aposição do próprio nome em
mercadorias de outro produtor, uso indevido de nome comercial ou título de estabelecimento, falsa
atribuição de distinção ou recompensa e fraudulenta utilização de recipiente ou invólucro e outro
produtor (Art. 196, caput e § 1º, I a IX c/c o § 2º do mesmo artigo;
- Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento para fins matrimoniais (Art. 236,
CP);
- Crimes contra os costumes (Capítulo I e II do Título VI da Parte Especial do CP), desde
que não sejam cometidos com abuso do pátrio poder, da qualidade de padrasto, de tutela ou curatela,
que a violência empregada não resulta lesão corporal grave ou morte, que possa a ofendida ou seus
pais proverem as despesas da ação penal sem privarem-se dos recursos destinados à sua subsistência e
no caso de estupro se não for cometido com violência real;
- exercício arbitrário das próprias razões, desde que praticado sem violência (Art. 345, PU,
CP).
O prazo para o oferecimento da ação penal privada é de seis meses contados da data em que
o ofendido ou seu representante legal vierem a saber quem é o autor do crime, sob pena de decadência
do direito de queixa-crime.
A ação penal seja ela pública ou privada, somente tem início efetivo quando o juiz recebe a
denúncia ou a queixa-crime. Este é o momento em que o juiz reconhece a existência do crime e
indícios de sua autoria e determina que o acusado seja citado para se defender.

DIREITO PENAL II – PARTE ESPECIAL


88

CRIMES CONTRA A PESSOA – Dividem-se em 06 (seis) Capítulos: crimes contra a vida, lesões
corporais, periclitação da vida e da saúde, rixa, crimes contra a honra e crimes contra a liberdade
individual.
* HOMICÍDIO:
Art. 121 – Matar alguém:
Pena – reclusão de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.
Homicídio qualificado
§ 2º Se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa;
II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resulta perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo:
Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.
Aumento de pena
§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato
socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências de seu ato, ou foge para evitar prisão em
flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado
contra pessoa menor de 14 (quatorze) anos ou maior de 60 (sessenta) anos.
§ 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as
conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
desnecessária.

COMENTÁRIOS:
Sujeito ativo - O homicídio é um crime de natureza comum, ou seja, o sujeito ativo pode ser
qualquer pessoa, com exceção daqueles que atentam contra a própria vida, quando então configura o
suicídio, que é fato atípico.
Sujeito passivo – É alguém, ou seja, qualquer pessoa, independente de sexo, cor, idade, raça,
etc. Para que se configure o homicídio não é necessário que se trate de vida viável, basta a
comprovação de que a vítima nasceu com vida. Antes do nascimento não há crime de homicídio, mas
sim de aborto. Sendo a vida um bem indisponível, mesmo diante do consentimento da vítima o crime
não deixa de existir. No entanto, o consentimento pode configurar homicídio privilegiado, como no
caso da eutanásia, por exemplo.
Concurso de pessoas – O homicídio admite a co-autoria ou a participação, por ação ou por
omissão.
Tipo objetivo – é a conduta de matar alguém, de eliminar uma vida humana, por meios
diretos ou indiretos, por ação ou por omissão. Entretanto, para configurar o crime se faz necessária a
existência do nexo causal entre a conduta do agente e a morte do ofendido.
Tipo subjetivo – O dolo do homicídio é eliminar uma vida humana. Admite-se o dolo
eventual, em que o agente não quer a morte, mas assume o risco de produzi-la.
Consumação e tentativa – Consuma-se o crime com a morte do ofendido (clínica, cerebral e
biológica), comprovada pelo laudo de exame de corpo de delito.
No caso da tentativa, esta ocorre quando iniciada a execução, o resultado morte não ocorre,
servindo o elemento subjetivo (animus) para diferenciá-lo das lesões corporais quando o evento morte
não ocorre. A “tentativa branca” se verifica quando o agente dispara contra a vítima, mas não a atinge.
Homicídio privilegiado – Se refere a motivação do crime.
89

- Relevante valor social ou moral – Valor social é aquele que se refere aos interesses da
coletividade, mas para que se configure o privilégio é necessário que o motivo seja relevante. Valor
moral é aquele que se refere aos interesses pessoais do agente (compaixão, piedade), como no caso da
eutanásia, por exemplo.
- Violenta emoção – Deve ser precedida de injusta provocação da vítima. Exige três
requisitos: existência de uma violenta emoção a dominar o agente; provocação injusta do ofendido;
reação imediata do agente. Essa reação deve ser quase reflexa.
Homicídio qualificado – É importante ressaltar que todos os caso de homicídio qualificado
são considerados crimes hediondos e tem a aplicação da pena e outras medidas reguladas pela Lei nº
8.072/90.
- Mediante paga ou por motivo torpe – No caso da paga, o agente somente comete o crime
por receber um pagamento ou pela promessa de recebê-lo, devendo este pagamento, segundo a
doutrina majoritária, ter um significado econômico. A condição de paga ou promessa de recompensa,
por ser elementar do crime de homicídio qualificado se comunica a todos os co-autores e partícipes,
desde que conhecidas por estes.
Por sua vez, o motivo torpe é aquele motivo repugnante, desprezível, imoral, como por
exemplo, satisfação de desejos sexuais, vingança e ciúme, em determinadas circunstâncias.
- Motivo fútil – É o motivo insignificante, mesquinho, leviano, sem importância, que
demonstra uma desproporção entre a motivação e o crime praticado. Na apreciação deste motivo o juiz
deve levar em consideração o grau de educação do agente, bem como o meio em que vive, entre outros
fatores. Ex: Matar por um toco de cigarro, por discussão de futebol.
- Meio insidioso ou cruel e causador de perigo – Insidioso é o meio fraudulento, utilizado
sem o conhecimento da vítima, iludindo-a. Ex: médico que sabe ser o paciente alérgico a determinada
medicação, insidiosamente ministra sem o paciente saber e lhe causa a morte.
Por sua vez, o meio cruel é aquele que sujeita vítima a graves e inúteis sofrimentos físicos
ou morais, brutais e que aumentem inutilmente, por vontade do agente, o sofrimento da vítima. Ex:
Tortura.
No caso de perigo comum, é necessário que o meio empregado tenha posto em perigo um
número indeterminado de pessoas ou bens. Ex: Disparos em rua movimentada.
- Uso de recurso que dificulte ou impossibilite a defesa da vítima – O agente se vale da boa-
fé ou da desprevenção do ofendido. Ex: traição, emboscada, dissimulação.
Concurso de crimes – Pode haver concurso material ou formal de homicídio com outros
delitos. Ainda, presentes os requisitos do art. 71, pode ser reconhecida a continuidade delitiva.
Entretanto, é importante ressaltar que não vai haver concurso de crimes quando um crime
for utilizado como meio para a consumação do homicídio, como o porte ilegal de armas, por exemplo.
Homicídio culposo – Exige para a sua caracterização a demonstração da culpa, da
inobservância do dever objetivo de cuidado do agente. Com relação ao homicídio culposo na direção
de veículos automotores, configura crime de trânsito e é punido pela Lei nº 9503/97 (CTB).
Entretanto, o CTB não regula o homicídio doloso, que caso fique configurado no trânsito, será punido
de acordo com o Código Penal.
Homicídio culposo qualificado – Vai ser qualificado quando resultar de inobservância de
regra técnica de profissão, arte ou ofício, se referindo às normas técnicas que deveriam ter sido
observadas pelo agente, previstas em leis ou regulamentos. Essa circunstância agravante não se
confunde com a negligência, imprudência ou imperícia.
Também qualifica o homicídio culposo o fato de não prestar socorro à vitima, o que exclui o
crime de omissão de socorro, pois a omissão de socorro fica absorvida na qualificadora. Há
entendimentos no sentido de excluir essa qualificadora quando a vítima é socorrida por terceiros.
Exclui-se também no caso de estar o agente sendo ameaçado e tiver que fugir para não ser agredido.
Perdão judicial – Se reconhece a necessidade de dispensa da aplicação da pena nos casos em
que o agente passa por grave sofrimento físico ou mental em razão do fato, como por exemplo, a
morte de um filho. O perdão não pode ser parcial, deve ser estendido à totalidade dos resultados
alcançados pelo agente, inclusive com relação a outras vítimas.

* ABORTO: O aborto consiste na interrupção da gravidez com a morte do embrião ou feto.


Pode ser natural ou provocado, sendo que neste caso é criminoso e é tratado nos Arts. 124 a 128 do
CP. Para que se configure o crime de aborto é necessário que haja prova da gravidez, por meio de
exames médicos, independente de ser ou não viável o feto.
90

Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque.
Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – Trata-se de crime próprio, pois em suas duas condutas típicas (provocar ou
consentir que outrem lhe provoque aborto) somente pode ter como sujeito ativo a gestante.
- Sujeito passivo – É o Estado, que possui interesse no nascimento do feto, até porque a vida
é um bem indisponível e lei civil protege os direitos do nascituro desde a concepção.
- Concurso de pessoas – Há a possibilidade no caso de participação, seja instigando ou
auxiliando moral ou materialmente. Entretanto, no que se refere à co-autoria, é discutível no crime do
Art. 124, pois, por exceção ao princípio de que todos devem responder mesmo crime, o co-autor vai
responder pelo delito do art. 126, mas há co-autoria. Co-autor é aquele que auxilia na execução
material do delito, ou seja, realiza o aborto.
- Tipo objetivo – A primeira conduta é a de provocar o aborto, por qualquer meio,
interrompendo a gravidez com a morte do produto da concepção. Ainda, deve haver nexo de
causalidade entre a conduta e o resultado.
A segunda conduta é a de consentir que alguém lhe provoque o aborto, exigindo-se a
presença de um agente provocador que responderá pelo Art. 126.
- Tipo subjetivo – Tanto no auto-aborto quanto no aborto consentido há necessidade da
presença do dolo na conduta do agente, ainda que eventual.
** NÃO EXISTE ABORTO CULPOSO. O aborto espontâneo é fato atípico.
- Consumação é tentativa – O aborto consuma-se com a interrupção da gravidez e
conseqüente morte do feto, sendo desnecessária a expulsão. Mesmo que o feto seja expulso ainda com
vida e morra após caracteriza-se o delito de aborto.
A tentativa se configura quando as manobras abortivas não provocam interrupção da
gravidez ou apenas causam a aceleração do parto e não provocam a morte do feto. Se, logo após, for
provocada a morte do feto, ocorrerá concurso de crimes entre tentativa de aborto e homicídio ou
infanticídio.
** Para efeitos de aborto considera-se gravidez o período compreendido entre a concepção e
o rompimento da bolsa amniótoca.

Art. 125. Provocar aborto sem o consentimento da gestante:


Pena – reclusão de 3 (três) a 10 (dez) anos.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É o terceiro que provoca o aborto na gestante, sem o consentimento desta.
- Sujeito passivo – É a gestante, bem como o Estado, que interesse no nascimento com vida
e na integridade física da gestante.
- Tipo objetivo – Tal como no artigo anterior, a conduta é a de provocar o aborto, por
qualquer meio, interrompendo a gravidez com a morte do produto da concepção. Geralmente é
cometido com violência, grave ameaça ou fraude.
Também é possível o cometimento do crime por omissão, no caso do agente que tinha o
dever jurídico de impedir o resultado (Art. 12 § 2º, CP), como o médico, por exemplo.
- Tipo subjetivo – Trata-se de crime doloso, podendo haver o dolo eventual, sendo
necessário que o agente tenha conhecimento da gravidez e queira o resultado ou assuma o risco de
produzi-lo e que haja o nexo causal entre a conduta e o resultado. Não há modalidade culposa.
- Consumação e tentativa – Tal como no artigo anterior, o aborto consuma-se com a
interrupção da gravidez e conseqüente morte do feto, sendo desnecessária a expulsão. A tentativa se
configura quando as manobras abortivas não provocam interrupção da gravidez ou apenas causam a
aceleração do parto e não provocam a morte do feto.
- Concurso de crimes – Quando o agente pratica, por exemplo, homicídio contra gestante,
sabendo da gravidez, há concurso formal de crimes, caso deseje também o aborto, haverá concurso
material.

Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da gestante:


Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
91

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de 14 anos,
ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou
violência.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É qualquer pessoa que pratica a conduta típica, podendo haver co-autoria e
participação. A gestante e os que colaboram com esta, respondem pelo Art. 124.
- Sujeito passivo – Tal como no crime do Art. 124, é o Estado, ao qual incumbe a proteção
do direito à vida.
- Tipo objetivo – É a mesma dos artigos anteriores, ou seja, causar interrupção da gravidez,
com a conseqüente morte do feto, exigindo-se prova da gravidez, do resultado e do nexo causal.
É elemento indispensável deste tipo penal o consentimento livre e válido da gestante, pois
do contrário haverá o crime do Art. 125, cuja pena é mais grave, tal como estabelece o parágrafo
único.
Em qualquer caso, se a gestante for absolvida do crime do Art. 124 por qualquer causa
excludente da ilicitude, esta aproveita ao autor do crime do art. 126, pois é como atuassem em co-
autoria.
- Tipo subjetivo – é crime doloso, pouco importando a motivação do agente, não existindo o
crime de aborto culposo.
- Consumação e tentativa - Tal como no artigo anterior, o aborto consuma-se com a
interrupção da gravidez e conseqüente morte do feto, sendo desnecessária a expulsão. A tentativa se
configura quando as manobras abortivas não provocam interrupção da gravidez ou apenas causam a
aceleração do parto e não provocam a morte do feto.
- Consentimento da gestante – A lei presume a violência, ainda que haja consentimento da
gestante, considerando este viciado em três situações: gestante não é maior de 14 anos, é alienada ou
débil mental.

Art. 127. As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de
natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

COMENTÁRIOS:
Os crimes dos Arts. 125 e 126 são qualificados quando provocam lesão corporal de natureza
grave ou morte. São casos de crimes preterdolosos, ou seja, quando houver somente culpa com relação
ao resultado agravador (lesão grave ou morte). Se houver dolo, direto ou eventual, haverá concurso de
crimes. Não se aplica o aumento à gestante ou àquele que é co-autor ou partícipe de seu crime (Art.
124).
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou,
quando incapaz, de seu representante legal.

COMENTÁRIOS:
- Aborto necessário – São duas as situações em que a lei torna lícita a pratica do aborto. A
primeira é o aborto necessário, quando a manobra abortiva se faz necessária para salvar a vida da
gestante, segundo a doutrina caracteriza espécie de Estado de Necessidade. Não se exige a atualidade
do perigo, ou seja, havendo perigo para a vida da gestante o aborto está autorizado.
- Aborto sentimental – é aquele autorizado quando a gravidez resulta de estupro e há o
consentimento da gestante ou de seu representante legal, pois se entende que a mulher não tem o dever
de cuidar de um filho resultante de coito violento, não desejado. A lei não exige qualquer prova do
aborto, mas o médico, antes de realizá-lo deve certificar-se da situação.
* LESÕES CORPORAIS:
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde outrem:
Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
§ 1º Se resulta:
I – incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias;
II – perigo de vida;
92

III – debilidade permanente de membro sentido ou função;


IV – aceleração de parto:
Pena – reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos.
§ 2º Se resulta:
I – incapacidade permanente para o trabalho;
II – enfermidade incurável;
III – perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
IV – deformidade permanente;
V – aborto:
Pena – reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem
assumiu o risco de produzi-lo:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (anos).
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.
§ 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de
multa:
I – se ocorrer qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II – se as lesões são recíprocas.
§ 6º Se a lesão é culposa:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano.
§ 7º Aumenta-se a pena de um terço se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º.
§ 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou ainda prevalecendo-se o agente das
relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:
Pena – detenção de (três ) meses a 3 (um) ano.
§ 10º Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no
§ 9º deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3.
§11º Na hipótese do §9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for
cometido contra pessoa portadora de deficiência.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo - Como é crime comum, pode ser praticada por qualquer pessoa, entretanto a
autolesão não é crime, salvo no caso do art. 171, § 2º, V ou no caso de um inimputável que se
autolesiona por obra do agente instigador, respondendo este pelo delito.
- Sujeito passivo - O termo “alguém”, indica que sujeito passivo é qualquer pessoa humana
que não o agente.
- Tipo objetivo – É ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem, seja de forma física
ou psíquica. A simples presença da dor, sem o comprometimento físico, não caracteriza as lesões,
podendo caracterizar contravenção de vias de fato pela agressão. Pode haver inclusive por omissão
daquele eu tinha o dever legal de agir (Art. 12, § 2º), desde que haja nexo causal entre a conduta e o
resultado.
A integridade física é bem indisponível, portanto, mesmo com o consentimento da vítima,
não é descaracterizado o crime. Não ocorre crime de lesões corporais no caso de intervenções
cirúrgicas.
- Tipo subjetivo – O dolo do crime é a vontade de produzir um dano à integridade física ou
psíquica de outrem ou assumir o risco de produzi-la. No caso das lesões culposas, quando o agente não
quer o resultado, estão previstas no art. 129 § 6º.
- Consumação e tentativa – O crime se consuma quando resulta lesão à integridade física ou
psíquica da vítima. Muito se discute acerca da possibilidade de tentativa de lesões corporais, pois a
figura tentada coincide com a contravenção de vias de fato. Entretanto, se verificado que o dolo do
agente é de ofensa à integridade física ou psíquica da vítima, haveria a possibilidade de
reconhecimento da forma tentada. Mas, a regra nesse caso é se reconhecer a contravenção de vias de
fato.
93

- Lesão corporal leve – É identificada por exclusão. O art. 129, §§ 1º, 2º e 3º traz os casos de
lesões graves, gravíssimas e seguidas de morte. Portanto, configura lesão leve aquela que não se
enquadrar nesses itens.
Por força do art. 88, da Lei n. 9099/95, no caso de lesão corporal leve, há necessidade de
representação da vítima, para que sejam instaurados o inquérito policial e a ação penal.
- Lesão corporal grave – São os casos do art. 129, § 1º:
* incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias – Por ocupações habituais
devem ser entendidas todas a atividades normalmente realizadas pelo indivíduo, sejam remuneradas
ou não, desde que lícitas. Isso é comprovado através de exame complementar no dia seguinte ao 30º
dia do fato, nos termos do art. 168, CPP, podendo ser suprida por prova testemunhal.
* perigo de vida – Deve ser um perigo efetivo, concreto, constatado no exame de corpo de
delito. Configurada esta situação, mesmo que a recuperação seja imediata resta configurada a lesão
grave.
* debilidade permanente de membro, sentido ou função – Significa a redução permanente da
capacidade funcional do indivíduo. Membros são os apêndices do corpo (braços, pernas), sentido são
as funções perceptivas (tato, olfato, visão) e função é a atividade desempenhada pelos órgãos
(respiratória, circulatória). Mesmo que o membro, sentido ou função sejam substituídos por próteses
persiste a gravidade.
* aceleração do parto – antecipação do nascimento, sendo o feto expulso antes do termo
final da gravidez.
- Lesão corporal gravíssima – São os casos do art. 129, § 2º:
* incapacidade permanente para o trabalho – A incapacidade deve ser perpétua (sem
previsibilidade de cessação) e para toda e qualquer atividade profissional remunerada e não para o
trabalho específico da vítima.
* enfermidade incurável – Estado doentio de evolução lenta que não apresente probabilidade
de cura. Ex: AIDS.
* perda ou inutilização de membro, sentido ou função – diferentemente das lesões graves,
aqui se exige a perda. Nos casos de órgãos duplos, a perda de um deles caracteriza lesão grave e não
gravíssima.
* deformidade permanente – significa o prejuízo estético adquirido e visível no corpo da
vítima, causando impressão vexatória, não importando se a deformidade possa ser removida por
cirurgia estética.
* aborto – deve ser comprovada a gravidez e o aborto em decorrência das lesões sofridas.
- Lesão corporal seguida de morte – é caso de crime preterdoloso. O agente atua com dolo
de lesão, podendo prever o resultado morte, que não quis e não assumiu o risco de produzir. Há dolo
no crime de lesão e culpa no resultado morte.
- Lesão corporal privilegiada – São as mesmas causas do homicídio privilegiado.
Reconhecida uma das causas, deve ser feita a redução da pena.
- Lesão corporal culposa – na conduta culposa o agente não quer e não prevê o resultado,
que ocorre por imprudência, negligência ou imperícia. No caso do § 7º, há lesão corporal culposa
qualificada quando a lesão resultar da inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício ou no
caso de omissão de socorro, além da lesão cometida contra menor de 14 anos ou maior de 60 anos.
- Concurso de crimes – As lesões praticadas para a consecução de outro crime, são por estes
absorvidas (Ex: roubo, extorsão), pois o dolo é específico do crime maior e não de lesões, exceto se o
próprio tipo penal expressamente prever a punição pelas lesões (Ex: dano).
Há possibilidade de concurso material, formal e crime continuado com outros crimes, desde
que sejam desígnios autônomos e as lesões não restem absorvidas pelo delito maior.

* OMISSÃO DE SOCORRO:
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave ou iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de
natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

COMENTÁRIOS:
94

- Sujeito ativo – É qualquer pessoa, mesmo não tendo o dever jurídico de prestar assistência,
não havendo necessidade de existir qualquer relação anterior com a vítima.
Ao exige a lei que o sujeito arrisque a vida ou sua integridade corporal para salvar a vítima,
salvo no caso das pessoas que têm o dever legal de enfrentar o perigo.
- Sujeito passivo – A lei diz serem: a criança abandonada ou extraviada, a pessoa inválida
ou ferida, mesmo que as lesões não sejam graves (não necessita estar correndo risco de vida), estando
ao desamparo e precisando de auxílio. Assim, sujeito passivo do crime pode ser qualquer pessoa que
esteja em uma das circunstâncias previstas no artigo.
- Tipo objetivo – A primeira conduta é deixar de prestar assistência ao ofendido, ou seja,
crime omissivo próprio. A segunda conduta, também omissiva, é de não pedir o socorro à autoridade
pública. Se a vítima for atendida por terceiros, não se configura o crime.
- Tipo subjetivo – O dolo é a vontade de não prestar assistência ou não pedir auxílio à
autoridade competente, tendo a consciência do perigo que sofre a vítima.
Não existe o crime na modalidade culposa.
- Consumação e tentativa – Por se tratar de crime omissivo puro, consuma-se quando o
sujeito deixou de agir quando deveria prestar auxílio ou pedir socorro, sendo que se a vítima, ao tempo
de sua omissão, é socorrida por terceiros, fica excluída sua responsabilidade. Se da omissão ao
atendimento prestado por terceiros decorrer lapso temporal significativo, não impede a consumação.
Por ser crime omissivo próprio, não admite a tentativa.
- Formas qualificadas – Ocorrem quando resulta, em razão da omissão, lesão corporal grave
ou morte.
- Nos casos em que há o dever legal de enfrentar o perigo ou de cuidar da vítima (art. 13, §
2º), vai ocorrer outro crime (homicídio, lesão) e não omissão de socorro. São os chamados crimes
comissivos por omissão, quando o agente tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
A omissão ocorrida no trânsito está regulada na Lei n. 9503/97.

* MAUS-TRATOS:
Art. 136. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou
vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou
cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de
meios de correção ou disciplina:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º Se resulta morte:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14
(catorze) anos.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – Exige uma relação jurídica preexistente entre o sujeito ativo e passivo. Pode
cometer o crime somente aquele que tem autoridade, guarda ou vigilância. Assim, podem ser autores
do crime: pais, tutores, curadores, diretores de escola, enfermeiros, agentes penitenciários.
- Sujeito passivo – São aqueles que se acham sob autoridade, guarda ou vigilância do
agente: filhos, tutelados, curatelados, alunos, presos, etc.
Não havendo essa relação de dependência, o fato pode outro ilícito, mas não maus-tratos,
pois a circunstância de estar a vítima sob a responsabilidade, guarda ou vigilância do autor é elementar
do crime e sua ausência exclui o crime.
- Tipo objetivo – Consiste em expor a perigo a vida ou a saúde da vítima pelo abuso do
agente. Podem ocorrer causas excludentes da ilicitude, como o estado de necessidade, por exemplo.
- Tipo subjetivo – Exige o dolo direto ou eventual, mas somente se configura se houve o
elemento subjetivo que é o abuso nos meios de correção ou disciplina. É necessário que o agente tenha
consciência que abusa de seu poder.
- Consumação e tentativa – Consuma-se o crime com a exposição da vítima à situação de
perigo, pois consiste em crime de perigo.
A tentativa somente é possível quando se tratar de conduta comissiva.
95

- Formas qualificadas – Ocorrem quando resultar lesão corporal de natureza grave ou morte,
necessitando que o agente tenha ao menos a previsão deste resultado lesivo. Também é agravado
quando praticado contra menor de 14 anos.
- Concurso de crimes – Lesões corporais leves são absorvidas pelo crime de maus-tratos, se
forem graves ou resultar a morte, o agente responde pelo resultado agravado. E crimes como o cárcere
privado e o abandono de incapaz ficam absorvidos pelos maus-tratos.

* RIXA:
Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena – detenção de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses.
Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da
participação na rixa, a pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

COMENTÁRIOS:
- Sujeitos – A rixa é a briga entre três ou mais pessoas, portanto somente se configura o
crime se houver a pluralidade de participantes. É crime de concurso necessário de pessoas. Exigem-se
no mínimo três pessoas, se forem menos de três pessoas, vai ocorrer contravenção de vias de fato ou
crime de lesões corporais, conforme a gravidade.
- Tipo objetivo – Participar da rixa, ou seja, praticar violência física contra outra pessoa,
havendo uma indefinição de autoria individualizada, onde cada sujeito age contra todos os outros. É
crime de perigo presumido, não necessita que restem feridos, por exemplo.
- Tipo subjetivo – A vontade de participar da rixa é o dolo direto. Não há modalidade
culposa. Se o agente quis praticar crime mais grave, como lesões ou homicídio e restar perfeitamente
identificável tal intuito, responderá pelo delito mais grava, na forma tentada ou consumada.
O crime de rixa vai ocorrer quando nas circunstâncias do fato não for possível distinguir as
condutas dos participantes. Sendo possível a identificação das condutas isoladas, pune-se cada agente
pelo crime que cometeu e não se configura o crime de rixa.
- Concurso de crimes – Eventuais crimes praticados durante a rixa (lesões, homicídio,
calúnia, difamação), se perfeitamente individualizáveis, caracteriza o concurso material.

* CALÚNIA:
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
§ 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo da falsa imputação, a propala ou divulga.
§ 2º É punível a calúnia contra os mortos.
§ 3º Admite-se a prova da verdade, salvo:
I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado
por sentença irrecorrível;
II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.

COMENTÁRIOS: O crime de calúnia tutela a honra objetiva e subjetiva.


- Sujeito ativo – Qualquer pessoa pode praticar crime de calúnia, admitindo-se co-autoria e
participação.
- Sujeito passivo – É o ser humano, pois somente ele pode praticar fato definido como crime
e a ele se imputar falsamente tal fato. No caso de calúnia contra os mortos, por não serem titulares de
bem jurídico, a ofensa considera-se feita contra seus sucessores.
Discute-se na doutrina se a pessoa jurídica pode ser vítima de calúnia, em razão do fato de
se admitir a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica. Mas, ainda não se firmou tal
entendimento.
- Tipo objetivo – Pratica o crime aquele que atribui a alguém, de forma falsa, um fato
concreto definido como crime. É necessário que o fato seja concreto, determinado, específico.
Entretanto, não se exige a descrição minuciosa do fato.
A imputação da prática de uma contravenção penal não constitui calúnia, pois o tipo exige
que se impute falsamente um fato definido como crime, mas pode consistir em uma difamação, como
veremos adiante.
96

Aquele que, sabendo ser falsa a imputação, a divulga deliberadamente, também comete
crime de calúnia.
- Tipo subjetivo – O dolo é indispensável no crime de calúnia. Deve haver a vontade
específica de caluniar alguém. Não existe crime na modalidade culposa. Exige ainda o dolo específico
de atingir a honra do sujeito passivo.
- Consumação e tentativa – Consuma-se o crime quando qualquer pessoa que não a vítima
toma conhecimento da imputação, o que configura a lesão à honra do sujeito passivo, objeto de tutela
da norma.
Embora se trate de crime formal, que se consuma independente de qualquer resultado lesivo
para a vítima, admite-se a forma tentada na calúnia feita por escrito, quando não chega ao
conhecimento de terceiros por circunstâncias alheias ao seu conhecimento.
- Exceção da verdade – Num primeiro momento, se presume a falsidade da imputação,
todavia se o fato for verdadeiro, o autor se exime da responsabilidade se provar isso por meio da
exceção da verdade. Não se admite a exceção da verdade nos casos previstos no art. 138, § 3º, I a III.
Nestes casos se presume que a imputação é falsa e o agente responde pelo crime.
- Concurso de crimes – Tem-se admitido a continuidade delitiva com outros crimes contra a
honra, por ofenderem o mesmo bem jurídico. Várias imputações no mesmo contexto caracterizam
concurso formal.

* DIFAMAÇÃO:
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – Tal como na calúnia, trata-se de crime comum, podendo ser praticado por
qualquer pessoa.
- Sujeito passivo – Qualquer pessoa, inclusive menores e doentes mentais, como no crime de
calúnia. Por não prever a lei, não se admite a difamação contra os mortos.
- Tipo objetivo – Consiste na atribuição a alguém de um fato desonroso, mas não descrito na
lei como crime. É isto que a distingue da calúnia. Não há necessidade que a imputação seja falsa, por
isso que não se admite, como regra geral, a exceção da verdade. Aqui também o fato precisa ser
determinado, certo, individualizado.
- Tipo subjetivo – Imputar a alguém, por qualquer forma fato desonroso, seja ele verdadeiro
ou não. É indispensável o ânimo de ofender a honra alheia.
- Consumação e tentativa – O crime se consuma com o conhecimento do fato por terceiros.
A tentativa é admitida da mesma forma que na calúnia, ou seja, se feita por escrito, quando não chega
ao conhecimento de terceiros por circunstâncias alheias ao seu conhecimento.
- Exceção da verdade – Em regra não se admite, salvo quando se a imputação diz respeito a
funcionário público no exercício de suas funções, quando então prevalece o interesse da sociedade no
esclarecimento do fato.
- Concurso de crimes - Tem-se admitido a continuidade delitiva com outros crimes contra a
honra, por ofenderem o mesmo bem jurídico. Várias imputações no mesmo contexto caracterizam
concurso formal.

* INJÚRIA:
Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade e o decoro:
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa, além da pena correspondente à
violência.
97

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou


origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Pena – reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É crime comum e pode ser praticada por qualquer pessoa. Inclusive a auto-
injúria, quando atingir terceiros, como no caso de afirmar ser filho de prostituta.
- Sujeito ativo – Qualquer pessoa pode ser vítima de injúria, exceto aqueles que não têm
discernimento a respeito de sua dignidade ou decoro. Não possibilidade de injúria contra pessoa
jurídica.
- Tipo objetivo – A conduta é ofender a honra subjetiva do sujeito passivo, sua dignidade e
seu decoro. Não há a imputação de fatos precisos e determinados como na calúnia e na difamação,
mas apenas fatos depreciativos.
Na injúria não se admite a exceção da verdade, uma vez que não está relacionada a fato
determinado, mas sim com qualidades da vítima.
- Tipo subjetivo – O dolo é a vontade de praticar a conduta e atingir a dignidade e o decoro
da vítima.
- Consumação e tentativa – Consuma-se quando o sujeito passivo toma conhecimento do
insulto, independente do conhecimento de terceiro, diferentemente da calúnia e da difamação que se
consumam quando terceiro toma conhecimento do fato.
- Concurso de crimes - Tem-se admitido a continuidade delitiva com outros crimes contra a
honra, por ofenderem o mesmo bem jurídico. Várias imputações no mesmo contexto caracterizam
concurso formal.
- Perdão judicial – Ocorre nos casos do art. 140 § 1º.
- Injúria real – É aquela cometida com violência, incluindo as vias de fato. Ex: cuspir na
vítima, cortar os cabelos, atirar objetos no rosto. A contravenção de vias de fato fica absorvida pelo
crime de injúria. Com relação às lesões, deve se verificar se o dolo do agente era de lesão.

DISPOSIÇÕES COMUNS: Os arts. 141 a 145 trazem regras gerais que se aplicam aos
crimes de calúnia, difamação e injúria.

Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido:
I – Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II – contra funcionário público, em razão de suas funções;
III – na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da
difamação ou da injúria;
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadoras de deficiência, exceto no caso
de injúria.
Parágrafo único. Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-
se a pena em dobro.

Art. 142. Não constituem injúria ou difamação punível:


I – a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II – a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III – o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação
que preste no cumprimento de dever de ofício.
Parágrafo único. Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe
dá publicidade.

Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou difamação,
fica isento de pena.

Art. 144. Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem
se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz,
não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
98

Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo
quando, no caso do art. 140 § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do n. I do
art. 141, e mediante representação do ofendido, no caso do n. II do mesmo artigo.

COMENTÁRIOS:
- A regra geral nos crimes contra a honra é a ação penal privada.
- No entanto, vai ser crime de ação penal pública incondicionada no caso de injúria real,
pois em princípio implica violência consistente em vias de fato ou lesões corporais.
- É caso de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, quando o
crime contra a honra for praticado contra o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro.
- Por último, apura-se mediante ação penal pública condicionada o crime contra a honra
cometido contra funcionário público no exercício de suas funções. Se não tiver relação com o
exercício de suas funções, será crime de ação penal privada.

* CONSTRANGIMENTO ILEGAL:
Art. 146. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a
fazer o que ela não manda:
Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime,
se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º Não se compreendem na disposição deste artigo:
I – a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu
representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II – a coação exercida para impedir suicídio.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito Ativo – O crime pode ser praticado por qualquer pessoa.
- Sujeito passivo – É somente a pessoa que possui a capacidade de querer, de
autodeterminar-se, ficando excluídos os doentes mentais, as crianças, os ébrios, ou seja, todos os
incapazes de expressar sua vontade livremente.
- Tipo objetivo – A conduta é obrigar, compelir a vítima a praticar um ato ou abster-se,
contra a sua vontade. Não há crime quando a coação é amparada pelo direito, como no caso do estrito
cumprimento do dever legal.
- Tipo subjetivo – O dolo é a vontade coagir, sendo indispensável o fim específico de obter a
ação ou a omissão do ofendido.
- Consumação e tentativa – O crime se consuma quando o ofendido faz ou deixa de fazer o
que não deseja em virtude da conduta do agente. Há tentativa quando, apesar da violência, ameaça ou
outro meio empregado a vítima não se submete à sua vontade.
- Formas qualificadas – Ocorrem quando há reunião de mais de três pessoas na fase de
execução e quando há o efetivo emprego de arma, não bastando somente portá-la.
- O crime de constrangimento ilegal é crime subsidiário e só se configura quando não estiver
caracterizado crime mais grave, como roubo, estupro, etc.
- Concurso de crimes – Por expressa disposição legal, há concurso material com os crimes
que atentam contra a vida ou a integridade física da vítima. Se a coação for contra várias pessoas com
a mesma conduta, há concurso formal.
- No art. 146, § 3º estão elencadas as duas causas de exclusão do crime.

* AMEAÇA:
Art. 147. Ameaçar alguém por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico,
de causar-lhe mal injusto ou grave:
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único. Somente se procede mediante representação.
99

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa.
- Sujeito passivo – É qualquer pessoa que tenha capacidade de entender a ameaça e ficar
sujeita à intimidação.
- Tipo objetivo – A conduta típica é intimidar, ameaçar, utilizar a denominada violência
moral, anunciando a prática de um mal injusto ou grave, que pode ser físico, econômico ou moral. A
ameaça deve ser idônea para influir na tranqüilidade psíquica da vítima, que é o bem tutelado no
artigo, ou seja, o mal deve ser grave, sério, capaz de intimidar a vítima, levando-se em conta as
condições pessoais desta.
- Tipo subjetivo – É a vontade de praticar o ato com o intuito de intimidar a vítima, não
sendo necessário que o agente tenha a vontade de praticar o mal que anuncia, bastando que seja
suficiente para intimidar a vítima.
- Consumação e tentativa – É crime formal, ou seja, se consuma no momento em que a
vítima toma conhecimento da ameaça, independente do resultado, ou seja, de sentir-se intimidada ou
não.
- Concurso de crimes – Quando for meio para a prática de outro crime, fica absorvida por
este. Atingindo diversas pessoas, haverá concurso formal. Nada impede a possibilidade da
continuidade delitiva em ameaças subseqüentes.
- Ação penal – O crime de ameaça se apura mediante ação pública condicionada, exigindo-
se a representação da vítima ou de seu representante legal.

* SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO:


Art. 148. Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado:
Pena – reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 1º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de
60 (sessenta) anos.
II – se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III – se a privação da liberdade dura mais de 15 (quinze) dias;
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos.
§ 2º Se resulta à vitima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave
sofrimento físico ou moral:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É crime que pode ser praticado por qualquer pessoa, sendo qualificado
quando o autor é ascendente, descendente, ou cônjuge da vítima. Se o agente é funcionário público e o
crime é cometido no exercício de suas funções, caracteriza crime de abuso de autoridade. (Lei n.
4898/65).
- Sujeito passivo – Qualquer pessoa, inclusive crianças e incapazes, pois é delito que atenta
contra a liberdade de locomoção do ofendido. No caso de criança, pode configurar o crime do art. 230
do ECA (Lei n. 8069/90).
- Tipo objetivo – É a conduta de privar alguém de sua liberdade. O seqüestro seria a retirada
da vítima de sua esfera de segurança, ao passo que o cárcere privado na colocação do ofendido em
confinamento.
Se houver consentimento da vítima o fato é atípico.
- Tipo subjetivo – O dolo é a vontade de privar a vítima de sua liberdade de locomoção, não
prevendo a lei qualquer finalidade específica para o agente. É crime subsidiário, ficando subsumido,
por exemplo, no delito de extorsão mediante seqüestro.
- Consumação e tentativa – O crime se consuma no exato momento em que a vítima é
privada de sua liberdade de locomoção, ainda que por um curto espaço de tempo. Não exclui o crime o
fato de a vítima ser restituída voluntariamente.
É crime permanente, em que a consumação de prolonga no tempo, enquanto a vítima está
privada de sua liberdade de locomoção.
- Formas qualificadas – Estão no art. 148, § 1º.
100

- Concurso de crimes – Se o seqüestro for meio para o cometimento de crime mais grave,
fica absorvido por este. Entretanto, nada obsta o reconhecimento de concurso formal ou material.

* VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO:
Art. 150. Entrar ou permanecer clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa
ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.
§ 1º Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com emprego de violência
ou de arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, além da pena correspondente à violência.
§ 2º Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos
casos legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso de poder.
§ 3º Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:
I – durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra
diligência;
II – a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na
iminência de o ser.
§ 4º A expressão “casa” compreende:
I – qualquer compartimento habitado;
II – aposento ocupado de habitação coletiva;
III – compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º Não se compreendem na expressão “casa”:
I – hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a
restrição do n. II do parágrafo anterior;
II – taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

COMENTÁRIOS:
- Sujeito ativo – É crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Se o agente
for funcionário público e o crime for cometido no exercício de suas funções, comete crime de abuso de
autoridade (Lei n. 4898/65).
- Sujeito passivo – É o morador, ou seja, aquele que pode impedir a entrada de outrem em
sua casa.
- Tipo objetivo – São duas as condutas típicas: a de entrar, ou seja, invadir os limites da casa
ou suas dependências e a de permanecer, sendo a entrada não aceita pelo morador.
- Tipo subjetivo – É a vontade de entrar ou permanecer em casa alheia contra a vontade de
quem de direito, não sendo necessário uma finalidade específica.
- Consumação e tentativa – Consuma-se pela entrada efetiva, tendo o agente transposto
todos os limites da casa ou suas dependências, ou sua permanência na casa. Por ser crime de mera
conduta, independe de resultado para sua configuração e não admite a modalidade culposa.
- Formas qualificadas – Estão no art. 150, § 1º.
- Exclusão da ilicitude – São casos em que a lei admite a invasão de domicílio, de acordo
com o art. 5, XI, CF:
- Durante o dia, com observância das formalidades legais (mandado).
- A qualquer hora do dia ou da noite, no caso de flagrante delito.
- Em caso de desastre.
- Para prestar socorro.
- Conceito de casa – Art. 159, § 4º.

CRIMES CONTRA O PARIMÔNIO – São divididos em oito capítulos: do furto, do roubo e


da extorsão, da usurpação, do dano, da apropriação indébita, do estelionato e outras fraudes, da
receptação e disposições gerais.
* FURTO:
Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.
§ 1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
§ 2º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a
pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
101

§ 3º Equipara-se à coisa alheia móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.
§ 4º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, se o crime é cometido:
I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III – com emprego de chave falsa;
IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 5º A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a subtração for de veículo automotor
que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior.

* FURTO DE COISA COMUM:


Art. 156. Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem
legitimamente a detém, a coisa comum:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
§ 1º Somente se procede mediante representação.
§ 2º Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a
que tem direito o agente.

* ROUBO:
Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante ameaça ou violência
à pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa.
§ 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra a pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa
para si ou para terceiro.
§ 2º A pena aumenta-se de um terço até a metade:
I – a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II – se há concurso de duas ou mais pessoas;
III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal
circunstância;
IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado
ou para o exterior;
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de 7 (sete) a 15
(quinze) anos, além de multa; se resulta morte, a reclusão é de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, sem
prejuízo da multa.

* EXTORSÃO:
Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com intuito de obter
para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer tolerar que se faça ou deixar de fazer
alguma coisa:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
§ 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se
a pena de um terço até metade.
§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência, o disposto no § 3º do artigo anterior.

* EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO:


Art. 159. Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,
como condição ou preço do resgate:
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1º Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18
(dezoito) anos ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 20 (vinte) anos.
§ 2º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 16 (dezesseis) a 24 (vinte quatro) anos.
§ 3º Se resulta morte:
Pena – reclusão de 24 (vinte quatro) a 30 (trinta) anos.
102

§ 4º Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade,


facilitando a liberação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.

* EXTORSÃO INDIRETA:
Art. 160. Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

* DANO:
Art. 163. Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único. Se o crime é cometido:
I – com violência a pessoa ou grave ameaça;
II – com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato constituir crime mais
grave;
III – contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços
públicos ou sociedade de economia mista;
IV – por motivo egoístico ou com prejuízo considerável à vítima:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à
violência.

* AÇÃO PENAL:
Art. 167. Nos casos do art. 163, do n. IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede
mediante queixa.

* APROPRIAÇÃO INDÉBITA:
Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou detenção:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I – em depósito necessário;
II – na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou
depositário judicial;
III – em razão de ofício, emprego ou profissão.

DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (arts. 312 a 359)

DOS CRIMES PRATICADOS


POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Peculato

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público
ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor
ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
103

Peculato culposo

§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível,


extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.

Peculato mediante erro de outrem

Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro
de outrem:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Inserção de dados falsos em sistema de informações


(Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano;"
(Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

"Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa." (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE
JULHO DE 2000)

Modificação ou Alteração Não Autorizada de Sistema de Informações


(Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática


sem autorização ou solicitação de autoridade competente:" (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE
JULHO DE 2000)

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa." (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14
DE JULHO DE 2000)

Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração
resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado." (AC) (Acrescido pela LEI Nº
9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento

Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo;
sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Emprego irregular de verbas ou rendas públicas

Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.

Concussão
104

Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

Excesso de exação

§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou,
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para


recolher aos cofres públicos:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Corrupção passiva

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação da LEI No 10.763/12.11.2003)

(Redação Anterior) - Pena - reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário


retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Facilitação de contrabando ou descaminho

Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art.
334):

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

Prevaricação

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao
preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros
presos ou com o ambiente externo: (Redação da LEI Nº 11.466 / 28.03.2007)

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.” (Redação da LEI Nº 11.466 / 28.03.2007)
105

Condescendência criminosa

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

Advocacia administrativa

Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.

Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, além da multa.

Violência arbitrária

Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da pena correspondente à violência.

Abandono de função

Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado

Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar
a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou
suspenso:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

Violação de sigilo funcional

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou
facilitar-lhe a revelação:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
106

§ 1º Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:" (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE
JULHO DE 2000)

"I - permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra
forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistema de informações ou banco de dados da
Administração Pública;" (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

"II - se utiliza, indevidamente, do acesso restrito:" (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO
DE 2000)

"§ 2º Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:" (Acrescido pela LEI
Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

"Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

Violação do sigilo de proposta de concorrência

Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo
de devassá-lo:

Pena - Detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Funcionário público

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º Equipara-se a funcionários públicos quem exerce cargo, emprego ou função em entidade


paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a
execução de atividade típica da Administração Pública." (Redação da LEI Nº 9.983, DE 14 DE
JULHO DE 2000)

(Redação anterior) - § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou


função em entidade paraestatal.

DOS CRIMES PRATICADOS POR


PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Usurpação de função pública

Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Resistência
107

Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente
para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:

Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos.

§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

Desobediência

Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e multa.

Desacato

Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

Tráfico de Influência

Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de
vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é
também destinada ao funcionário.

Corrupção ativa

Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a
praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação da LEI No 10.763/12.11.2003)

(Redação anterior) - Pena - reclusão, de 1 (um) ano a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o


funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

Contrabando ou descaminho

Art. 334 - Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de
direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

§ 1º - Incorre na mesma pena quem:

a) pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei;


108

b) pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando ou descaminho;

c) vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que
introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser produto de
introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem;

d) adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou


industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal, ou
acompanhada de documentos que sabe serem falsos.

§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio
irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências.

§ 3º - A pena aplica-se em dobro, se o crime de contrabando ou descaminho é praticado em transporte


aéreo.

Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência

Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública, promovida
pela administração federal, estadual ou municipal, ou por entidade paraestatal; afastar ou procurar
afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de
vantagem:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abstém de concorrer ou licitar, em razão da
vantagem oferecida.

Inutilização de edital ou de sinal

Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de
funcionário público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem
de funcionário público, para identificar ou cerrar qualquer objeto:

Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.

Subtração ou inutilização de livro ou documento

Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado
à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço público:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Sonegação de contribuição previdenciária


(Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as
seguintes condutas:"

I - omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação


previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a
este equiparado que lhe prestem serviços;"
109

II - deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias


descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviço;"

III - Omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e
demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias:"

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

§ 1º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições,


importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei
ou regulamento, antes do início da ação fiscal."

§ 2º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário
e de bons antecedentes, desde que:" (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

I - (VETADO)"

II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido
pela previdência social administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas
execuções fiscais." (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

§ 3º Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassar
R$1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou
aplicar apenas a de multa." (Acrescido pela LEI Nº 9.983, DE 14 DE JULHO DE 2000)

§ 4º O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos
índices do reajuste dos benefícios da previdência social."

DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO


PÚBLICA ESTRANGEIRA (Redação da LEI No 10.467/11.06.2002)

Corrupção ativa em transação comercial internacional

Art. 337-B. Prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a funcionário
público estrangeiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício
relacionado à transação comercial internacional: (Redação da LEI No 10.467/ 11.06.2002)

Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço), se, em razão da vantagem ou promessa, o
funcionário público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou o pratica infringindo dever
funcional.(Redação da LEI No 10.467/11.06.2002)

Tráfico de influência em transação comercial internacional

Art. 337-C. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
vantagem ou promessa de vantagem a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público
estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional: (Redação
da LEI No 10.467/ 11.06.2002)

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é
também destinada a funcionário estrangeiro.(Redação da LEI No 10.467/11.06.2002)
110

Funcionário público estrangeiro

Art. 337-D. Considera-se funcionário público estrangeiro, para os efeitos penais, quem, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública em entidades estatais
ou em representações diplomáticas de país estrangeiro.(Redação da LEI No 10.467/11.06.2002)

Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função
em empresas controladas, diretamente ou indiretamente, pelo Poder Público de país estrangeiro ou em
organizações públicas internacionais."(Redação da LEI No 10.467/11.06.2002)

DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

Reingresso de estrangeiro expulso

Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da
pena.

Denunciação caluniosa

Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial,


instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente (Redação
da Lei nº 10.028, de 19 de outubro de 2000)

(Redação anterior) - Art. 339 - Dar causa a instauração de investigação policial ou de


processo judicial contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.

§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

Comunicação falsa de crime ou de contravenção

Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção


que sabe não se ter verificado:

Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.

Auto-acusação falsa

Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

Falso testemunho ou falsa perícia

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador,
tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:
(Redação da LEI Nº 10.268, DE 28 DE AGOSTO DE 2001)
111

(Redação anterior) - Art. 342 - Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade, como
testemunha, perito, tradutor ou intérprete em processo judicial, policial ou administrativo, ou em
juízo arbitral:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

§ 1º As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se


cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo
civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. (Redação da LEI Nº
10.268, DE 28 DE AGOSTO DE 2001)

(Redação anterior) - § 1º - Se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir
efeito em processo penal:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

§ 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se
retrata ou declara a verdade." (Redação da LEI Nº 10.268, DE 28 DE AGOSTO DE 2001)

(Redação anterior) - § 2º - As penas aumentam-se de um terço, se o crime é praticado mediante


suborno.

§ 3º - O fato deixa de ser punível, se, antes da sentença, o agente se retrata ou declara a verdade.

Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito,
contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento,
perícia, cálculos, tradução ou interpretação: (Redação da LEI Nº 10.268, DE 28 DE AGOSTO DE
2001)

(Redação anterior) - Art. 343 - Dar, oferecer, ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a
testemunha, perito, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em
depoimento, perícia, tradução ou interpretação, ainda que a oferta ou promessa não seja aceita:

Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. (Redação da LEI Nº 10.268, DE 28 DE AGOSTO
DE 2001)

(Redação anterior) - Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim de
obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte
entidade da administração pública direta ou indireta." ((Redação da LEI Nº 10.268, DE 28 DE
AGOSTO DE 2001)

(Redação anterior) - Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a
produzir efeito em processo penal, aplica-se a pena em dobro.

Coação no curso do processo

Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio,
contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo
judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Exercício arbitrário das próprias razões


112

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando
a lei o permite:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por
determinação judicial ou convenção:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Fraude processual

Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar,
de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado,
as penas aplicam-se em dobro.

Favorecimento pessoal

Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de
reclusão:

Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, e multa.

§ 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, e multa.

§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento
de pena.

Favorecimento real

Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a
tornar seguro o proveito do crime:

Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, e multa.

Exercício arbitrário ou abuso de poder

Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais
ou com abuso de poder:

Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário que:

I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a estabelecimento destinado a execução de pena


privativa de liberdade ou de medida de segurança;
113

II - prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo


oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade;

III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei;

IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.

Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança

Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de
segurança detentiva:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a
pena é de reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência.

§ 3º - A pena é de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja
custódia ou guarda está o preso ou o internado.

§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de


detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Evasão mediante violência contra a pessoa

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança
detentiva, usando de violência contra a pessoa:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a (um) ano, além da pena correspondente à violência.

Arrebatamento de preso

Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob custódia ou guarda:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, além da pena correspondente à violência.

Motim de presos

Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, além da pena correspondente à violência.

Patrocínio infiel

Art. 355 - Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando


interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa.

Patrocínio simultâneo ou tergiversação


114

Parágrafo único - Incorre na pena deste artigo o advogado ou procurador judicial que defende na
mesma causa, simultânea ou sucessivamente, partes contrárias.

Sonegação de papel ou objeto de valor probatório

Art. 356 - Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos, documento ou objeto de valor
probatório, que recebeu na qualidade de advogado ou procurador:

Pena - detenção, de 6 (seis) a 3 (três) anos, e multa.

Exploração de prestígio

Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz,
jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou
utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo.

Violência ou fraude em arrematação judicial

Art. 358 - Impedir, perturbar ou fraudar arrematação judicial; afastar ou procurar afastar concorrente
ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem:

Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito

Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por
decisão judicial:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

LEI Nº 10.741 - DE 1º DE OUTUBRO DE 2003 - DOU DE 3/10/2003 - Alterado

Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e


dá outras providências.

Art. 1º É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às


pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

Art. 2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros
meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar


ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao
respeito e à convivência familiar e comunitária.
115

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

I - atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e


privados prestadores de serviços à população;

II - preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas;

III - destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção ao
idoso;

IV - viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com


as demais gerações;

V - priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do


atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da
própria sobrevivência;

VI - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e


na prestação de serviços aos idosos;

VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de


caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais de envelhecimento;

VIII - garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais.

Art. 4o Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação,


violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será
punido na forma da lei.

§ 1o É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.

§ 2o As obrigações previstas nesta Lei não excluem da prevenção outras decorrentes dos
princípios por ela adotados.

Art. 5o A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade à pessoa


física ou jurídica nos termos da lei.

Art. 6o Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma
de violação a esta Lei que tenha testemunhado ou de que tenha conhecimento.

Art. 7o Os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais do Idoso,


previstos na Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do
idoso, definidos nesta Lei.

Dos Direitos Fundamentais

Do Direito à Vida

Art. 8o O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social,


nos termos desta Lei e da legislação vigente.

Art. 9o É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde,


mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e
em condições de dignidade.
116

Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade

Art. 10. É obrigação do Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o


respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e
sociais, garantidos na Constituição e nas leis.

§ 1o O direito à liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos:

I - faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas
as restrições legais;

II - opinião e expressão;

III - crença e culto religioso;

IV - prática de esportes e de diversões;

V - participação na vida familiar e comunitária;

VI - participação na vida política, na forma da lei;

VII - faculdade de buscar refúgio, auxílio e orientação.

§ 2o O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e


moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de valores, idéias e
crenças, dos espaços e dos objetos pessoais.

§ 3o É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer


tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Dos Alimentos

Art. 11. Os alimentos serão prestados ao idoso na forma da lei civil.

Art. 12. A obrigação alimentar é solidária, podendo o idoso optar entre os prestadores.

Art. 13. As transações relativas a alimentos poderão ser celebradas perante o Promotor
de Justiça ou Defensor Público, que as referendará, e passarão a ter efeito de título executivo
extrajudicial nos termos da lei processual civil.

Art. 14. Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover o
seu sustento, impõe-se ao Poder Público esse provimento, no âmbito da assistência social.

Do Direito à Saúde

Art. 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema
Único de Saúde - SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e
contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde,
incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.

§ 1o A prevenção e a manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de:

I - cadastramento da população idosa em base territorial;

II - atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios;


117

III - unidades geriátricas de referência, com pessoal especializado nas áreas de geriatria e
gerontologia social;

IV - atendimento domiciliar, incluindo a internação, para a população que dele necessitar e


esteja impossibilitada de se locomover, inclusive para idosos abrigados e acolhidos por
instituições públicas, filantrópicas ou sem fins lucrativos e eventualmente conveniadas com o
Poder Público, nos meios urbano e rural;

V - reabilitação orientada pela geriatria e gerontologia, para redução das seqüelas


decorrentes do agravo da saúde.

LEI DOS CRIMES HEDIONDOS LEI Nº 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono


a seguinte lei:

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei n o


2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº
8.930, de 6.9.1994)

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2 o, I, II, III, IV e V);

II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)

III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2 o);

IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o);

V - estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);

VI - atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)

VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o).

VII-A – (VETADO) (Inciso incluído pela Lei nº 9.695, de 20.8.1998)

VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos


ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de
julho de 1998). (Inciso incluído pela Lei nº 9.695, de 20.8.1998)

Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1 o, 2o e
3 da Lei no 2.889, de 1o de outubro de 1956, tentado ou consumado.
o

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e
o terrorismo são insuscetíveis de:

I - anistia, graça e indulto;

II - fiança. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)

§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)
118

§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á
após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos),
se reincidente. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)

§ 3o Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá


apelar em liberdade. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)

§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei n o 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos
crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de
extrema e comprovada necessidade. (Incluído pela Lei nº 11.464, de 2007)

Art. 3º A União manterá estabelecimentos penais, de segurança máxima, destinados ao


cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade, cuja permanência em presídios
estaduais ponha em risco a ordem ou incolumidade pública.

Art. 4º (Vetado).

Art. 5º Ao art. 83 do Código Penal é acrescido o seguinte inciso:

"Art. 83. ..............................................................

cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura,
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico
em crimes dessa natureza."

Art. 6º Os arts. 157, § 3º; 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º; 213; 214; 223, caput e seu parágrafo
único; 267, caput e 270; caput, todos do Código Penal, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 157. .............................................................

§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos, além da
multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.

...............................................................

Pena - reclusão, de oito a quinze anos.

§ 1º .................................................................

Pena - reclusão, de doze a vinte anos.

§ 2º .................................................................

Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.

§ 3º .................................................................

Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.

Art. 213. ...............................................................

Pena - reclusão, de seis a dez anos.

Art. 214. ...............................................................

Pena - reclusão, de seis a dez anos.


119

Art. 223. ...............................................................

Pena - reclusão, de oito a doze anos.

Parágrafo único. ........................................................

Pena - reclusão, de doze a vinte e cinco anos.

Art. 267. ...............................................................

Pena - reclusão, de dez a quinze anos.

Art. 270. ...............................................................

Pena - reclusão, de dez a quinze anos.

Art. 7º Ao art. 159 do Código Penal fica acrescido o seguinte parágrafo:

"Art. 159. ..............................................................

§ 4º Se o crime é cometido por quadrilha ou bando, o co-autor que denunciá-lo à autoridade,


facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços."

Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se
tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou
terrorismo.

Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha,


possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços.

Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados nos arts. 157, § 3º, 158, § 2º, 159,
caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único, 214 e
sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de
metade, respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima em qualquer das
hipóteses referidas no art. 224 também do Código Penal.

Art. 10. O art. 35 da Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976, passa a vigorar acrescido de
parágrafo único, com a seguinte redação:

"Art. 35. ................................................................

Parágrafo único. Os prazos procedimentais deste capítulo serão contados em dobro quando se tratar
dos crimes previstos nos arts. 12, 13 e 14."

Art. 11. (Vetado).

Art. 12. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 13. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 25 de julho de 1990; 169º da Independência e 102º da República.

CRIMES DE TRANSITO 9503/97

Art. 301. Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte vítima, não se
imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela.
120

Dos Crimes em Espécie

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a


habilitação para dirigir veículo automotor.

Parágrafo único. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é


aumentada de um terço à metade, se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente;

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de


passageiros.

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.

Parágrafo único. Aumenta-se a pena de um terço à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do
parágrafo único do artigo anterior.

Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à
vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade
pública:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime
mais grave.

Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda que a sua
omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos
leves.

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade
penal ou civil que lhe possa ser atribuída:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por
litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra
substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Parágrafo único. O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de
alcoolemia, para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.705,
de 2008)
121

Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir
veículo automotor imposta com fundamento neste Código:

Penas - detenção, de seis meses a um ano e multa, com nova imposição adicional de idêntico
prazo de suspensão ou de proibição.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no prazo
estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.

Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou
competição automobilística não autorizada pela autoridade competente, desde que resulte dano
potencial à incolumidade pública ou privada:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou
Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada,
com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de
saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas,
hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja
grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência
do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de
lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito, ou juiz:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda que não iniciados, quando da inovação,
o procedimento preparatório, o inquérito ou o processo aos quais se refere.

Lei Maria da Penha 11340/06

Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a
mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República
Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência
doméstica e familiar.

Art. 2o Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura,
nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-
122

lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e
mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Art. 3o Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à
segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao
lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e
comunitária.

§ 1o O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres
no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

§ 2o Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo
exercício dos direitos enunciados no caput.

Art. 4o Na interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais a que ela se destina e,
especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer
ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de


pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Art. 6o A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos
direitos humanos

DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde
corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e
diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz,
insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro
meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter
ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força;
que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar
qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição,
123

mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus
direitos sexuais e reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração,
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens,
valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou
injúria.

DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO

Art. 8o A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á
por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios e de ações não-governamentais, tendo por diretrizes:

I - a integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública


com as áreas de segurança pública, assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação;

II - a promoção de estudos e pesquisas, estatísticas e outras informações relevantes, com a


perspectiva de gênero e de raça ou etnia, concernentes às causas, às conseqüências e à freqüência da
violência doméstica e familiar contra a mulher, para a sistematização de dados, a serem unificados
nacionalmente, e a avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas;

III - o respeito, nos meios de comunicação social, dos valores éticos e sociais da pessoa e da
família, de forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica
e familiar, de acordo com o estabelecido no inciso III do art. 1 o, no inciso IV do art. 3 o e no inciso IV
do art. 221 da Constituição Federal;

IV - a implementação de atendimento policial especializado para as mulheres, em particular nas


Delegacias de Atendimento à Mulher;

V - a promoção e a realização de campanhas educativas de prevenção da violência doméstica e


familiar contra a mulher, voltadas ao público escolar e à sociedade em geral, e a difusão desta Lei e
dos instrumentos de proteção aos direitos humanos das mulheres;

VI - a celebração de convênios, protocolos, ajustes, termos ou outros instrumentos de promoção


de parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades não-governamentais, tendo por
objetivo a implementação de programas de erradicação da violência doméstica e familiar contra a
mulher;

VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de
Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às
questões de gênero e de raça ou etnia;

VIII - a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito
à dignidade da pessoa humana com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia;

IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos
aos direitos humanos, à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e
familiar contra a mulher.

DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

Art. 9o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de


forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência
124

Social, no Sistema Único de Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e
políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso.

§ 1o O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de violência doméstica
e familiar no cadastro de programas assistenciais do governo federal, estadual e municipal.

§ 2o O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua
integridade física e psicológica:

I - acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou


indireta;

II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por


até seis meses.

§ 3o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso


aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo os serviços de
contracepção de emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e
cabíveis nos casos de violência sexual.

DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL

Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher,
a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as providências
legais cabíveis.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida


protetiva de urgência deferida.

Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade


policial deverá, entre outras providências:

I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público


e ao Poder Judiciário;

II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;

III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando
houver risco de vida;

IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da


ocorrência ou do domicílio familiar;

V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis.

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da
ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo
daqueles previstos no Código de Processo Penal:

I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se


apresentada;

II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias;

III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da
ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência;
125

IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros


exames periciais necessários;

V - ouvir o agressor e as testemunhas;

VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes
criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais
contra ele;

VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.

§ 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter:

I - qualificação da ofendida e do agressor;

II - nome e idade dos dependentes;

III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida.

§ 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1 o o boletim de ocorrência e


cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida.

§ 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por
hospitais e postos de saúde.

DOS PROCEDIMENTOS

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 13. Ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e criminais decorrentes da
prática de violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de
Processo Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso
que não conflitarem com o estabelecido nesta Lei.

Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça
Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos
Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da
prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme


dispuserem as normas de organização judiciária.

Art. 15. É competente, por opção da ofendida, para os processos cíveis regidos por esta Lei, o
Juizado:

I - do seu domicílio ou de sua residência;

II - do lugar do fato em que se baseou a demanda;

III - do domicílio do agressor.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta
Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada
com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.
126

Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de
penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que
implique o pagamento isolado de multa.

DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA

Disposições Gerais

Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48
(quarenta e oito) horas:

I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência;

II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o


caso;

III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do
Ministério Público ou a pedido da ofendida.

§ 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente


de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo este ser prontamente
comunicado.

§ 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser


substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta
Lei forem ameaçados ou violados.

§ 3o Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas


medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da
ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.

Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão
preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou
mediante representação da autoridade policial.

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a
falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor,
especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do advogado
constituído ou do defensor público.

Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor.

Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta
Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes
medidas protetivas de urgência, entre outras:

I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos
termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003;

II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;


127

III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:

a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de


distância entre estes e o agressor;

b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;

c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da


ofendida;

IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento


multidisciplinar ou serviço similar;

V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

§ 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação
em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência
ser comunicada ao Ministério Público.

§ 2o Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas condições mencionadas


no caput e incisos do art. 6o da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003 , o juiz comunicará ao
respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e
determinará a restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo
cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de
desobediência, conforme o caso.

§ 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a
qualquer momento, auxílio da força policial.

§ 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o disposto no caput e nos §§ 5o e
6º do art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil).

Seção III

Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida

Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:

I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de


atendimento;

II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após


afastamento do agressor;

III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens,
guarda dos filhos e alimentos;

IV - determinar a separação de corpos.

Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade
particular da mulher, o juiz poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:

I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;

II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de


propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial;
128

III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;

IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais
decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida.

Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II
e III deste artigo.

DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 25. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas causas cíveis e criminais
decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher.

Art. 26. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de outras atribuições, nos casos de violência
doméstica e familiar contra a mulher, quando necessário:

I - requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de educação, de assistência social e de


segurança, entre outros;

II - fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de


violência doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas administrativas ou judiciais cabíveis
no tocante a quaisquer irregularidades constatadas;

III - cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.

DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA

Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de violência
doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado, ressalvado o previsto no art. 19 desta
Lei.

Art. 28. É garantido a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos
serviços de Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita, nos termos da lei, em sede
policial e judicial, mediante atendimento específico e humanizado.

DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR

Art. 29. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que vierem a ser criados
poderão contar com uma equipe de atendimento multidisciplinar, a ser integrada por profissionais
especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde.

Art. 30. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar, entre outras atribuições que lhe forem
reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito ao juiz, ao Ministério Público e à
Defensoria Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, e desenvolver trabalhos de
orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas, voltados para a ofendida, o agressor e os
familiares, com especial atenção às crianças e aos adolescentes.

Art. 31. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada, o juiz poderá
determinar a manifestação de profissional especializado, mediante a indicação da equipe de
atendimento multidisciplinar.

Art. 32. O Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, poderá prever recursos
para a criação e manutenção da equipe de atendimento multidisciplinar, nos termos da Lei de
Diretrizes Orçamentárias.

DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
129

Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher, as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as
causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, observadas as
previsões do Título IV desta Lei, subsidiada pela legislação processual pertinente.

Parágrafo único. Será garantido o direito de preferência, nas varas criminais, para o processo e o
julgamento das causas referidas no caput.

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 34. A instituição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher poderá ser
acompanhada pela implantação das curadorias necessárias e do serviço de assistência judiciária.

Art. 35. A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, no
limite das respectivas competências:

I - centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em


situação de violência doméstica e familiar;

II - casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência


doméstica e familiar;

III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal
especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar;

IV - programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar;

V - centros de educação e de reabilitação para os agressores.

Art. 36. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a adaptação de seus
órgãos e de seus programas às diretrizes e aos princípios desta Lei.

Art. 37. A defesa dos interesses e direitos transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida,
concorrentemente, pelo Ministério Público e por associação de atuação na área, regularmente
constituída há pelo menos um ano, nos termos da legislação civil.

Parágrafo único. O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz quando entender
que não há outra entidade com representatividade adequada para o ajuizamento da demanda coletiva.

Art. 38. As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão incluídas nas
bases de dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a fim de subsidiar o sistema
nacional de dados e informações relativo às mulheres.

Parágrafo único. As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão
remeter suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça.

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no limite de suas competências
e nos termos das respectivas leis de diretrizes orçamentárias, poderão estabelecer dotações
orçamentárias específicas, em cada exercício financeiro, para a implementação das medidas
estabelecidas nesta Lei.

Art. 40. As obrigações previstas nesta Lei não excluem outras decorrentes dos princípios por ela
adotados.

Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.
130

Art. 42. O art. 313 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal),
passa a vigorar acrescido do seguinte inciso IV:

“Art. 313. .................................................

IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da lei específica,
para garantir a execução das medidas protetivas de urgência.” (NR)

Art. 43. A alínea f do inciso II do art. 61 do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940


(Código Penal), passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 61. ..................................................

II - ............................................................

f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de


hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica;

Art. 44. O art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a
vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 129. ..................................................

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.

§ 11. Na hipótese do § 9 o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência.” (NR)

Art. 45. O art. 152 da Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), passa a
vigorar com a seguinte redação:

“Art. 152. ...................................................

Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz poderá determinar o
comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação.” (NR)

ABUSO DE AUTORIDADE Lei 4898/64

Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal,


contra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela
presente lei.

Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:

a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade civil ou
militar culpada, a respectiva sanção;

b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime
contra a autoridade culpada.

Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato
constitutivo do abuso de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o
rol de testemunhas, no máximo de três, se as houver.
131

Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:

a) à liberdade de locomoção;

b) à inviolabilidade do domicílio;

c) ao sigilo da correspondência;

d) à liberdade de consciência e de crença;

e) ao livre exercício do culto religioso;

f) à liberdade de associação;

g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto;

h) ao direito de reunião;

i) à incolumidade física do indivíduo;

j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. (Incluído pela Lei nº
6.657,de 05/06/79)

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou


com abuso de poder;

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado
em lei;

c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer


pessoa;

d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;

e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;

f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou


qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer
quanto ao seu valor;

g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de


carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;

h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com
abuso ou desvio de poder ou sem competência legal;

i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de


expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. (Incluído pela Lei nº
7.960, de 21/12/89)

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função
pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal.
132

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e


consistirá em:

a) advertência;

b) repreensão;

c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com perda de
vencimentos e vantagens;

d) destituição de função;

e) demissão;

f) demissão, a bem do serviço público.

§ 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma
indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e
consistirá em:

a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;

b) detenção por dez dias a seis meses;

c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até
três anos.

§ 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou


cumulativamente.

§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer
categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções
de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

Art. 7º recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa, a


autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato.

§ 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais, estaduais


ou federais, civis ou militares, que estabeleçam o respectivo processo.

§ 2º não existindo no município no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do


inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente, as disposições dos arts. 219 a 225 da Lei nº
1.711, de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União).

§ 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da
ação penal ou civil.

Art. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar.

Art. 9º Simultaneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou


independentemente dela, poderá ser promovida pela vítima do abuso, a responsabilidade civil ou penal
ou ambas, da autoridade culpada.

Art. 10. Vetado


133

Art. 11. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil.

Art. 12. A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação por
denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do abuso.

Art. 13. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de


quarenta e oito horas, denunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e
requererá ao Juiz a sua citação, e, bem assim, a designação de audiência de instrução e julgamento.

§ 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias.

Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido
ou o acusado poderá:

a) promover a comprovação da existência de tais vestígios, por meio de duas testemunhas


qualificadas;

b) requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento, a designação
de um perito para fazer as verificações necessárias.

§ 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente,


ou o apresentarão por escrito, querendo, na audiência de instrução e julgamento.

§ 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais
duas testemunhas.

Art. 15. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia requerer o


arquivamento da representação, o Juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará
remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia, ou designará outro órgão
do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento, ao qual só então deverá o Juiz
atender.

Art. 16. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei, será
admitida ação privada. O órgão do Ministério Público poderá, porém, aditar a queixa, repudiá-la e
oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo, interpor recursos e, a todo
tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

Art. 17. Recebidos os autos, o Juiz, dentro do prazo de quarenta e oito horas, proferirá despacho,
recebendo ou rejeitando a denúncia.

§ 1º No despacho em que receber a denúncia, o Juiz designará, desde logo, dia e hora para a
audiência de instrução e julgamento, que deverá ser realizada, improrrogavelmente. dentro de cinco
dias.

§ 2º A citação do réu para se ver processar, até julgamento final e para comparecer à audiência de
instrução e julgamento, será feita por mandado sucinto que, será acompanhado da segunda via da
representação e da denúncia.

Art. 18. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentada em juízo,


independentemente de intimação.

Parágrafo único. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de
testemunhas ou, salvo o caso previsto no artigo 14, letra "b", requerimentos para a realização de
diligências, perícias ou exames, a não ser que o Juiz, em despacho motivado, considere indispensáveis
tais providências.
134

Art. 19. A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça
declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemunhas, o perito, o representante do
Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.

Parágrafo único. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz.

Art. 20. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido, os presentes
poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência.

Art. 21. A audiência de instrução e julgamento será pública, se contrariamente não dispuser o
Juiz, e realizar-se-á em dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou,
excepcionalmente, no local que o Juiz designar.

Art. 22. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu, se estiver presente.

Parágrafo único. Não comparecendo o réu nem seu advogado, o Juiz nomeará imediatamente defensor
para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo.

Art. 23. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito, o Juiz dará a palavra sucessivamente, ao
Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu,
pelo prazo de quinze minutos para cada um, prorrogável por mais dez (10), a critério do Juiz.

Art. 24. Encerrado o debate, o Juiz proferirá imediatamente a sentença.

Art. 25. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio, ditado pelo Juiz, termo que
conterá, em resumo, os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa, os requerimentos e, por
extenso, os despachos e a sentença.

Art. 26. Subscreverão o termo o Juiz, o representante do Ministério Público ou o advogado que
houver subscrito a queixa, o advogado ou defensor do réu e o escrivão.

Art. 27. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância
dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-las, sempre motivadamente, até o dobro.

Art. 28. Nos casos omissos, serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal, sempre que
compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta lei.

Parágrafo único. Das decisões, despachos e sentenças, caberão os recursos e apelações previstas no
Código de Processo Penal.

LEI 9099/95 Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências.

Art. 1º - Os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, órgãos da Justiça Ordinária, serão criados pela
União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e
execução, nas causas de sua competência.

Art. 2º - O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia


processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou transação.

DA FASE PRELIMINAR

Art. 69 - A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e
o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as
requisições dos exames periciais necessários.
135

Parágrafo Único - Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado
ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se
exigirá fiança.

Art. 70 - Comparecendo o autor do fato e a vítima, e não sendo possível a realização imediata da
audiência preliminar, será designada data próxima, da qual ambos sairão cientes.

Art. 71 - Na falta do comparecimento de qualquer dos envolvidos, a Secretaria providenciará sua


intimação e, se for o caso, a do responsável civil, na forma dos arts. 67 e 68 desta Lei.

Art. 72 - Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério Público, o autor do fato e a


vítima e, se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre
a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não
privativa de liberdade.

Art. 73 - A conciliação será conduzida pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação.

Parágrafo Único - Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recrutados, na forma da lei local,
preferentemente entre bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da
Justiça Criminal.

Art. 74 - A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.

Parágrafo Único - Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública
condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou
representação.

Art. 75 - Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente ao ofendido a
oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que será reduzida a termo.

Parágrafo Único - O não oferecimento da representação na audiência preliminar não implica


decadência do direito, que poderá ser exercido no prazo previsto em lei.

Art. 76 - Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não
sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena
restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.

§ 1º - Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade.

§ 2º - Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:

I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por
sentença definitiva;

II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena
restritiva ou multa, nos termos deste artigo;

III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.

§ 3º - Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz.

§ 4º - Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena
restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para
impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.
136

§ 5º - Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.

§ 6º - A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes
criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos
interessados propor ação cabível no juízo cível.

DO PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO

Art. 77 - Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do
autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público
oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências
imprescindíveis.

§ 1º - Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido
no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito
quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.

§ 2º - Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o


Ministério Público poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes, na forma do
parágrafo único do art. 66 desta Lei.

§ 3º - Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao Juiz
verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências
previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei.

Art. 78 - Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia ao acusado, que
com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiência de
instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o
responsável civil e seus advogados.

§ 1º - Se o acusado não estiver presente, será citado na forma dos arts. 66 e 68 desta Lei e cientificado
da data da audiência de instrução e julgamento, devendo a ela trazer suas testemunhas ou apresentar
requerimento para intimação, no mínimo cinco dias antes de sua realização.

§ 2º - Não estando presentes o ofendido e o responsável civil, serão intimados nos termos do art. 67
desta Lei para comparecerem à audiência de instrução e julgamento.

§ 3º - As testemunhas arroladas serão intimadas na forma prevista no art. 67 desta Lei.

Art. 79 - No dia e hora designados para a audiência de instrução e julgamento, se na fase preliminar
não tiver havido possibilidade de tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo
Ministério Público, proceder-se-á nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei.

Art. 80 - Nenhum ato será adiado, determinando o Juiz, quando imprescindível, a condução coercitiva
de quem deva comparecer.

Art. 81 - Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o
Juiz receberá, ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as
testemunhas de acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se
imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença.

§ 1º - Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz


limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.

§ 2º - De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo
breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença.
137

§ 3º - A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz.

Art. 82 - Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser
julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na
sede do Juizado.

§ 1º - A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério
Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do
recorrente.

§ 2º - O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de dez dias.

§ 3º - As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética a que alude o § 3º do art.
65 desta Lei.

§ 4º - As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa.

§ 5º - Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de


acórdão.

Art. 83 - Caberão embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade,


contradição, omissão ou dúvida.

§ 1º - Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias,
contados da ciência da decisão.

§ 2º - Quando opostos contra sentença, os embargos de declaração suspenderão o prazo para o


recurso.

§ 3º - Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.

DA EXECUÇÃO

Art. 84 - Aplicada exclusivamente pena de multa, seu cumprimento far-se-á mediante pagamento na
Secretaria do Juizado.

Parágrafo Único - Efetuado o pagamento, o Juiz declarará extinta a punibilidade, determinando que a
condenação não fique constando dos registros criminais, exceto para fins de requisição judicial.

Art. 85 - Não efetuado o pagamento de multa, será feita a conversão em pena privativa da liberdade,
ou restritiva de direitos, nos termos previstos em lei.

Art. 86 - A execução das penas privativas de liberdade e restritivas de direitos, ou de multa cumulada
com estas, será processada perante o órgão competente, nos termos da lei.

DAS DESPESAS PROCESSUAIS

Art. 87 - Nos casos de homologação do acordo civil e aplicação de pena restritiva de direitos ou multa
(arts. 74 e 76, § 4º), as despesas processuais serão reduzidas, conforme dispuser lei estadual

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 88 - Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a
ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas.
138

Art. 89 - Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou
não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo,
por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado
por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena
(art.77 do Código Penal).

§ 1º - Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia,
poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:

I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;

II - proibição de freqüentar determinados lugares;

III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;

IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas


atividades.

§ 2º - O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

§ 3º - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro
crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.

§ 4º - A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por
contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

§ 5º - Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.

§ 6º - Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.

§ 7º - Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus
ulteriores termos.

Art. 90 - As disposições desta Lei não se aplicam aos processos penais cuja instrução já estiver
iniciada.

Art. 91 - Nos casos em que esta Lei passa a exigir representação para a propositura da ação penal
pública, o ofendido ou seu representante legal será intimado para oferecê-la no prazo de trinta dias,
sob pena de decadência.

Art. 92 - Aplicam-se subsidiariamente as disposições dos Códigos Penal e de Processo Penal, no que
não forem incompatíveis com esta Lei.

DISPOSIÇÕES FINAIS COMUNS

Art. 93 - Lei Estadual disporá sobre o Sistema de Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua
organização, composição e competência.

Art. 94 - Os serviços de cartório poderão ser prestados, e as audiências realizadas fora da sede da
Comarca, em bairros ou cidades a ela pertencentes, ocupando instalações de prédios públicos, de
acordo com audiências previamente anunciadas.

Art. 95 - Os Estados, Distrito Federal e Territórios criarão e instalarão os Juizados Especiais no prazo
de seis meses, a contar da vigência desta Lei.

Art. 96 - Esta Lei entra em vigor no prazo de sessenta dias após a sua publicação.
139

Art. 97 - Ficam revogadas a Lei nº 4.611, de 2 de abril de 1965 e a Lei nº 7.244, de 7 de novembro de
1984.

IV- PROCESSO PENAL

LOCAL DO CRIME

CONCEITO

CP, Art. 6º - "Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no
todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir o resultado".

PROVIDÊNCIAS

O levantamento do local de crime tem a finalidade principal de coletar dados capazes de


permitir a uma pessoa ausente do local ter exata noção do fato ocorrido, baseada nas informações,
imagens e medidas fornecidas pelo encarregado de proceder o levantamento.
A segunda finalidade do levantamento é permitir, a qualquer tempo, a reconstituição do local
com exatidão absoluta, baseado nos dados coletados.
O Policial Militar deve estar capacitado a atuar com técnica e desembaraço no local do crime,
posto que, ali, são colhidos os elementos necessários à elucidação do fato e à atribuição de
responsabilidades.
Pela ordem de prioridade, são as seguintes as medidas que o Policial Militar deve adotar,
chegando ao local de crime:
a) Socorrer a vítima, se ainda com vida. Sem comprometer essa providência, anotará nome e dados da
vítima, bem como se informará do destino e transporte da mesma, para subsidiar registro da
ocorrência;
b) Prender o criminoso - Lembrar que, tendo que optar entre o socorro à vítima e a prisão do
criminoso, o socorro tem prioridade;
c) Isolar e preservar o local do crime;
d) Arrolar testemunhas - No local do crime o Policial Militar deverá arrolar testemunhas que tenham
presenciado toda ou parte da ocorrência. Inexistindo, arrolará pessoas que dela tenham tido
conhecimento e escolherá as que forem mais capazes de prestar, à autoridade policial, informações
mais fiéis, precisas e completas sobre o ocorrido.
e) Comunicação à autoridade competente - O Policial Militar, após as providências já estabelecidas,
comunicará o fato à Central de Comunicações a que estiver ligado, solicitando a presença da
autoridade competente, para que sejam efetuadas as diligências subsequentes.

TESTEMUNHAS

Todos os homens podem ter como certo um sem-número de acontecimentos não só quando os
presenciaram como quando são a eles relatados por outras pessoas, dignas de crédito. Como a prova,
no processo, tem por fim demonstrar a verdade de determinados fatos, é muitas vezes indispensável
que sejam ouvidas as pessoas que os presenciaram, no todo ou ao menos em parte. Essas pessoas
passam a ser testemunhas do fato.

CPP, Art. 202 - "Toda pessoa poderá ser testemunha".

A busca da verdade real e o sistema de livre apreciação das provas justificam a disposição,
cabendo ao juiz valorar o conteúdo do depoimento, dando-lhe a acolhida que merecer de acordo com
as circunstâncias.

CPP, Art. 206 - "A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão,
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda
que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível,
por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.
140

Em princípio, a ninguém é dada a faculdade de se eximir da obrigação de depor. Todavia,


pode, se o quiser, recusar-se a prestar depoimento quem for, em relação ao indiciado, ascendente (pai
ou mãe, avô ou avó, bisavô ou bisavó), descendente, afim em linha reta, enteado ou enteada, genro ou
nora, padrasto ou madrasta, sogro ou sogra, marido ou mulher, mesmo no caso de serem desquitados
ou divorciados, irmão ou irmã, pai adotivo ou mãe adotiva e filho adotivo ou filha adotiva. Contudo,
mesmo esses serão chamados a depor se, de outra forma, não se conseguir a prova do fato.
Atendendo aos laços afetivos e de consangüinidade que prendem a testemunha ao acusado,
procura a lei preservar a paz e a harmonia na família, não impondo a ela a obrigação de depor numa
evidente situação de constrangimento.
A lei não impede, porém, que o depoimento seja prestado se uma das pessoas enumeradas no
artigo deseja oferecer seus esclarecimentos a respeito dos fatos em discussão.
Estabelece, ainda, Marcus Cláudio Acquaviva que a pessoa que deve participar, de uma lide,
como testemunha, atenderá aos seguintes pressupostos caracterizadores da testemunha para efeitos
jurídicos:
a) deve ser pessoa física, inadmitido o testemunho de pessoa jurídica, cujas informações
integram a prova documental;
b) deve ser pessoa estranha ao feito, não se confundindo com as partes;
c) deve ter conhecimento dos fatos, direta ou indiretamente, para atestar sobre sua
existência;
Obs.: Somente em circunstâncias muito excepcionais o testemunho de ouvir dizer
pode proporcionar elementos de convicção seguros ao julgador. - Heleno Claudio
Fragoso, Jurisprudência Criminal, São Paulo.

d) deve ter capacidade jurídica para depor, preenchendo os respectivos pressupostos


legais.

CPP, Art. 207 - "São proibidas de depor as pessoas que, em razão da função, ministério, ofício
ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu
testemunho."
Vide Art. 214, CPP e Arts. 154; 325 e 326, CP.

A simples condição de policial não torna a testemunha impedida ou suspeita (STF, RTJ
68/54). Assim, como já foi decidido, é "inaceitável a preconceituosa alegação de que o depoimento de
policial deve ser sempre recebido com reservas, porque parcial. O policial não está legalmente
impedido de depor e o valor do depoimento prestado não pode ser sumariamente desprezado. Como
todo e qualquer testemunho, deve ser avaliado no contexto de um exame global do quadro probatório"
(TACrimSP, RT 530/372).

CPP, Art. 304 - "Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e
colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em
seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre
a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a
autoridade, afinal, o auto.
Parágrafo 1º - ...
Parágrafo 2º - A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante;
mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado
a apresentação do preso à autoridade.
Parágrafo 3º - ... ."

O reduzido número de testemunhas, ou mesmo sua falta absoluta, porém, não obsta a lavratura
do auto de prisão em flagrante. Dispõe-se que, a falta de testemunhas da infração não impedirá o auto
de prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas
que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade. Assim, na inexistência de outra
testemunha além do condutor, basta que o auto seja assinado por essas testemunhas instrumentais
(indiretas).
141

Obs.: O condutor também é considerado testemunha. - "Não constitui nulidade o fato de ser
ouvido com testemunha". (STF, RTJ 51/566).
Os militares podem ser arrolados como testemunhas, porém não tem obrigação de acompanhar
o Policial Militar. Só o farão se espontaneamente quiserem assim proceder. Fora disso, cumprirá à
autoridade requisitar seu comparecimento ao seu Comandante ou Chefe competente.
As pessoas arroladas como testemunhas, com exceção dos militares e autoridades referidas no
Código de Processo Penal, são obrigadas a aguardar a chegada da autoridade policial, ou acompanhar
o condutor do preso até a Delegacia de Polícia.
Se o cidadão arrolado como testemunha procurar esquivar-se, alegando este ou aquele motivo,
o Policial Militar, não reconhecendo cabimento nas razões apresentadas, procurará persuadi-lo a
prestar sua colaboração. Em caso extremo, dar-lhe-á voz de prisão pelo crime de desobediência,
baseando-se no Código Penal.
Embora a prova testemunhal se complete com dois depoimentos incontestáveis, é conveniente
arrolar, no mínimo, três testemunhas para permitir alternativas da autoridade, visando ao
esclarecimento dos fatos, o que, às vezes, não se dá com apenas duas testemunhas.
A fim de arrolar as testemunhas, deve o Policial Militar:
• Escolher as pessoas mais idôneas e mais capazes;
• Separá-las sem perda de tempo da massa dos curiosos;
• Dizer-lhes que estão sendo arrolados como testemunhas do fato que acabaram
de presenciar;
• Anotar no mínimo o nome, profissão e endereço de cada um.

BUSCA E APREENSÃO

BASE LEGAL E MANEIRAS DE REALIZAÇÃO


Com o intuito de que não desapareçam as provas do crime, o que tornaria impossível ou
problemático o seu aproveitamento, dispõe o Código que a autoridade policial deve "apreender os
instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato", regulamentando a busca domiciliar e
a pessoal, bem como a apreensão de pessoas ou coisas tanto por aquela como pelo juiz.
CPP, Art. 6º - "Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:
I - ...
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais;
... ".

A busca e apreensão dos instrumentos do crime e de outros objetos que interessarem à


prova poderão ser levadas a efeito ou no próprio local do delito, ou em domicílio, ou até
mesmo na própria pessoa.
Busca ⇒ Diligência destinada a encontrar-se a pessoa ou coisa que se procura;
Apreensão ⇒ Medida que segue a Busca.
Em nossa Lei, a BUSCA E APREENSÃO é um meio de prova de natureza acautelatória e
coercitiva, consubstanciado no apossamento de elementos instrutórios, quer relacionados com objetos,
quer com as pessoas do culpado e da vítima, quer, ainda, com a prática criminosa que tenha deixado
vestígios.
FINALIDADE ⇒ Evitar o perecimento das coisas e das pessoas. (Tornaghi, Hélio.).

BUSCA E APREENSÃO NO LOCAL DO DELITO


Quanto à busca e apreensão ocorrer no local do delito, não haverá maiores dificuldades, pois
parte do encarregado essa tarefa.

BUSCA E APREENSÃO DOMICILIAR


Ver art. 241, CPP:
CPP, art. 241 - Quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar
pessoalmente, a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de mandado.
142

Dispõe, porém, o artigo 5º, XI, da Constituição Federal que a casa é asilo inviolável do
indivíduo, ... .
CF, art. 5º - “ ...
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;”

Assim, na ausência do consentimento do morador, a busca e apreensão somente se dará se o


executor for o juiz ou se a autoridade policial ou outro servidor exibir mandado judicial.
Se assim não for, haverá ilicitude na diligência, não podendo ela integrar o conjunto
probatório dos autos.
Por isso, as buscas somente poderão ser realizadas com autorização do juiz.
O Código Penal, por seu turno, dispõe no art. 150: "Entrar ou permanecer,
clandestinamente ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de
direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa".
Como se trata de uma medida de exceção, constrangedora, que fere a liberdade individual, a
busca domiciliar deve ser empregada com cautela e moderação, ou seja, quando se fundarem em
suspeitas sérias de que a pessoa ou coisa procurada se encontra na casa em que a busca deve ser feita e
na necessidade indiscutível da medida.
CPP, Art. 240 - A busca será domiciliar ou pessoal.
§ 1º - Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:
a) prender criminosos;
b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;
c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou
contrafeitos;
d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou
destinados a fim delituoso;
e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando
haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
g) apreender pessoas vítimas de crimes;
h) colher qualquer elemento de convicção.
Permite-se, ainda, a busca e apreensão de 'pessoas vítimas de crimes'. Refere-se a lei aos
ilícitos em que o ofendido é privado de sua liberdade, como nas hipóteses de seqüestro, redução à
condição análoga a de escravo, rapto, extorsão mediante seqüestro, subtração de incapazes etc. Por
fim, é possível a busca e apreensão para 'colher qualquer elemento de convicção'. Em dispositivo
abrangente, permite-se a busca e apreensão de qualquer elemento probatório que possa interessar ao
processo, com as evidentes limitações impostas pela Constituição.
As buscas podem ser realizadas a qualquer dia e qualquer hora?
Nada impede que a busca seja realizada em domingo ou feriado, pois até mesmo atos
processuais podem ser realizados nesses dias, conforme se constata pelo art. 797 do CPP... .
Todavia, quanto à hora, a lei estabelece que as buscas domiciliares serão executadas de dia. A
noite não é possível.
CPP, art. 245 - As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador
consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e
lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a
porta.

Conforme o artigo 245 do CPP, "só pode ser executada de dia, salvo se o morador consentir
que se realizem à noite".
O conceito de "noite" é discutido na doutrina, entendendo alguns doutrinadores que é o
mesmo do direito penal, ou seja, o período de obscuridade solar, de crepúsculo a crepúsculo. Trata-se,
porém, de critério vago, em se tratando de medida excepcional de lesão ao direito individual, razão
143

pela qual é mais conveniente aceitar-se a posição dos que sustentam que o período noite, com
fundamento, por analogia, no artigo 172 do CPC, é o que se estende das 18 às 6 horas (Mirabete).
Pimenta Bueno ensina que pela palavra noite deve entender-se o tempo que medeia entre a
entrada e a saída do sol.
Tal proibição nada mais é senão a efetivação da garantia constitucional pertinente à
inviolabilidade do domicílio, que "só em situações extremas admite a entrada em casa alheia à noite,
facultado-a durante o dia, em casos expressos em lei, por considerar as necessidades do preponderante
interesse social imperando sobre as garantias individuais".
Assim, na ausência de consentimento do morador, a busca e apreensão somente se dará se o
executor for o juiz ou se a autoridade policial ou outro servidor exibir mandado judicial. A autoridade
que pretender realizar tal diligência deve solicitar ao juiz a expedição do mandado, fundamentando o
pedido com as razões indicadores da sua necessidade.
A Constituição não proíbe, porém, a entrada em casa alheia, ainda que à noite, se houver caso
de flagrante delito, quando se poderá também efetuar a busca e apreensão. É o que pode ocorrer,
inclusive, nas hipóteses de crimes permanentes, em que a consumação se prolonga no tempo. Além
disso, cumpre assinalar que a necessidade de mandado judicial só se aplica à "casa" alheia, que é
inviolável, não se inserindo na proibição as hipóteses de estabelecimentos comerciais, industriais etc.
De observar-se, também, que não é permitida a apreensão de documento em poder do defensor
do acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito. É o que dispõe o artigo 243, § 2º, em
restrição advinda da necessidade de se manter o sigilo profissional e, mais ainda, o amplo direito de
defesa. A proibição é restrita ao "documento", não se estendendo a outras coisas como armas,
instrumentos ou produto de crime etc. Além disso, a apreensão do documento é permitida quando se
trata de elemento de corpo de delito, como, por exemplo, de falsidade documental, de estelionato por
meio de contrato etc.; se o advogado não é patrono do acusado; é co-autor do delito; ou possui os
papéis não em razão de suas funções.

CPP, art. 243 - O mandado de busca deverá:


I - indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e o
nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome da pessoa
que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem;
II - mencionar o motivo e os fins da diligência;
III - ser subscrito pelo escrivão e assinado pela autoridade que o fizer expedir.
§ 1º - Se houver ordem de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca.
§ 2º - Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor do
acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito.

Poderá haver busca e apreensão caso haja oposição do morador?


Caso haja oposição (desobediência) do morador será arrombada a porta e forçada a entrada,
procedendo-se, em seguida, à busca e apreensão (CPP, art. 245, § 2º).
O morador deve ser intimado a mostrar a pessoa ou coisa que se vai procurar, se for ela
determinada (CPP, art. 245, § 5º).
Descoberta a pessoa ou a coisa que se procura, será ela imediatamente apreendida e posta sob
custódia da autoridade ou de seus agentes (CPP, art. 245, § 6º).
Finda a diligência os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com duas
testemunhas presenciais, além do vizinho, se for o caso (CPP, art. 245, § 7º).

CPP, art. 245 - As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador
consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e
lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a
porta.
§ 1º - Se a própria autoridade der a busca, declarará previamente sua qualidade e o
objeto da diligência.
§ 2º - Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.
§ 3º - Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas
existentes no interior da casa, para o descobrimento do que se procura.
144

§ 4º - Observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º, quando ausentes os moradores,


devendo, neste caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se houver e estiver
presente.
§ 5º - Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será intimado
a mostrá-la.
§ 6º - Descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida e
posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes.
§ 7º - Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o
com duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4º.

Evidentemente, devem os executores limitar-se ao estritamente necessário para que a


diligência se efetue, assegurando a estrita obediência à ordem. Havendo excesso, os autores
responderão pelo abuso.
Além disso, exige a lei que, 'em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os
moradores mais do que o indispensável para o êxito da diligência'.

CPP, Art. 248 - Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os
moradores mais do que o indispensável para o êxito da diligência.
Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da diligência serão
comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer.
Art. 247 - Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da
diligência serão comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer.
Convém salientar que nem sempre a busca precede a apreensão, podendo esta ser
efetivada sem aquela desde que a coisa seja entregue espontaneamente à autoridade, lavrando-
se então o auto de exibição e apreensão.

BUSCA E APREENSÃO PESSOAL


No que se refere à busca pessoal, é permitida com relação a procura de armas
proibidas ou objetos mencionados nas letras (b) a (f) e letra (h) do parágrafo 1º do artigo 240
(art. 240, § 2º).
CPP, art. 240 - A busca será domiciliar ou pessoal.
§ 1º - Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:
a) prender criminosos;
b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;
c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou
contrafeitos;
d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou
destinados a fim delituoso;
e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando
haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
g) apreender pessoas vítimas de crimes;
h) colher qualquer elemento de convicção.
§ 2º - Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que
alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do
parágrafo anterior.
Entende-se por 'arma proibida' aquela cuja fabricação não é permitida ou cujo porte é
ilícito (armas privativas das Forças Armadas etc.). Quanto aos demais objetos, repita-se o que
foi exposto quanto à busca domiciliar.
Não há necessidade de apreensão de documentos existentes em repartições públicas,
bastando apenas a requisição dos documentos ao chefe da repartição ou, conforme a hipótese,
ao seu superior hierárquico. Só mesmo se não for atendida a exigência formulada pela
autoridade policial ou judiciária deverá proceder-se à busca e apreensão do documento
indispensável à elucidação da atividade delituosa.
145

A busca pessoal é possível quando 'houver fundada suspeita de que alguém oculte
consigo arma proibida' ou outros objetos. Consiste ela na inspeção do corpo e das vestes de
alguém para apreensão dessas coisas. Inclui, além disso, toda a esfera de custódia da pessoa,
como bolsas, malas, pastas, embrulhos etc., incluindo os veículos em sua posse (automóveis,
motocicletas, barcos etc.).
Para a localização das coisas a serem apreendidas é permitido o uso de quaisquer
meios lícitos (mecânicos, radioscópicos, utilização de animais etc.). O mandado de busca
pessoal deve conter os requisitos já mencionados, mas poderá ela ser efetuada
independentemente da ordem escrita nas hipóteses mencionadas no art. 244 do CPP.
CPP, art. 244 - A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou
quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no
curso de busca domiciliar.
Procurando resguardar o pudor das pessoas, prevê a lei que "a busca em mulher será
feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência”.
CPP, art. 249 - A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar
retardamento ou prejuízo da diligência.
A revista, portanto, pode ser feita por homem nas hipóteses mencionadas no próprio
dispositivo, que não admitem a aplicação de analogia.

INQUÉRITO POLICIAL
INTRODUÇÃO
CF, art. 5º - "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
...
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
...
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
...
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
..."
Da análise dos incisos do Artigo 5º da Constituição Federal elencados acima, conclui-se que o
princípio Nulla poena sine judicio (Não há pena sem processo) foi eregido à categoria de dogma
constitucional.
Pode-se, então, afirmar, que somente os Órgãos Jurisdicionais é que podem julgar, compor os
litígios.
É verdade que a própria Constituição Federal atribuiu o poder a outro órgão que não o
Judiciário. É o caso, por exemplo, do Senado Federal, no julgamento de crimes de responsabilidade
cometidos por aquelas pessoas referidas no art. 52 da CF.
Por outro lado, se ninguém pode ser privado da sua liberdade e de seus bens sem o devido
processo legal, é sinal de que o julgamento de uma causa penal é precedido de ampla defesa e de um
regular contraditório.
Como o Estado Soberano, titular do direito de punir autolimitou tal direito, é claro que,
quando alguém transgride a norma penal incriminadora, sua punição somente se efetivará por meio do
processo. E, para que isso ocorra, é preciso que o Estado-Administração leve a notícia daquele fato ao
conhecimento do Estado-Juiz (apontando-lhe o respectivo autor), a fim de que, apreciando-o, declare
se procede ou improcede, se é fundada ou infundada a pretensão estatal.
O Estado, para tanto, desenvolve intensa atividade que se denomina persecutio criminis
(Persecução criminal - Perseguição do crime), por meio do Órgão do Ministério Público, por ele
criado para, preferentemente, exercer tal função, personificando o interesse da sociedade na repressão
às infrações penais. Assim, é o órgão do Ministério Público quem leva ao conhecimento do Juiz, por
meio da denúncia, o fato que se reveste de aparência delituosa, apontando o seu autor.
146

Como titular do direito de punir, quando alguém infringe a norma penal, deverá o Estado, para
fazer valer o seu direito, procurar os elementos comprobatórios do fato infringente da norma e os de
quem tenha sido o seu autor, entregando-os, a seguir, ao órgão do Ministério Público para promover a
competente ação penal.
Ao órgão do Ministério Público incumbe ajuizar a ação penal e acompanhar o seu desenrolar
até o final.
Mas, para o órgão do Ministério Público poder levar ao conhecimento do Juiz a notícia sobre
um fato infringente da norma, apontando-lhe o autor, é intuitivo tenha em mãos os elementos
comprobatórios do fato e da respectiva autoria. E como consegui-los???
Para tanto, o Estado criou outro órgão, incumbido precipuamente dessa missão. É a Polícia
Civil, como lhe denomina o Art. 144, parágrafo 4º da Constituição Federal.
CF, art. 144. - ...
§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares.
Conclui-se por isso, que o primeiro instante da persecução (investigação preliminar) está afeta
a Polícia Civil ou Polícia Judiciária, como também é conhecida.
A polícia civil tem, assim, por finalidade investigar as infrações penais e apurar a respectiva
autoria, a fim de que o titular da ação penal disponha de elementos para ingressar em juízo. Ela
desenvolve a primeira etapa, o primeiro momento da atividade repressiva do Estado.
A elaboração do inquérito constitui uma das funções da Polícia Civil.
CPP, art. 4º - A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no
território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e
da sua autoria.
Parágrafo único - A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

CONCEITO
É o conjunto de diligências realizadas pela Polícia Judiciária para a apuração de uma infração
penal e sua autoria, a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo (Tourinho Filho).
É todo o procedimento policial destinado a reunir os elementos necessários à apuração da
prática de uma infração penal e sua autoria. É instrução provisória. Seu destinatário imediato é o
Ministério Público (ação penal pública) ou o ofendido (ação penal privada), que com ela formam sua
opinio delicti. Destinatário mediato é o juiz (Mirabete).

FINALIDADE
CPP, art. 4º - A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no
território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da
sua autoria.
...
CPP, art. 12 - O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que
servir de base a uma ou outra.
Verifica-se nos dispositivos acima que o Inquérito Policial visa à apuração da existência de
infração penal e à respectiva autoria, a fim de que o titular da ação penal disponha de elementos que o
autorizem a promovê-la.

COMPETÊNCIA
Normalmente cabe à Autoridade Policial. Em alguns casos, não.
Vejamos, por exemplo, os dispositivos a seguir:
RISTF, art. 43 - Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal,
o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou
delegará esta atribuição a outro Ministro.
§ 1 - Nos demais casos, o Presidente poderá proceder na forma deste artigo ou
requisitar a instauração de inquérito à autoridade competente.
147

§ 2 - O Ministro incumbido do inquérito designará escrivão dentre os servidores do


Tribunal.

Súmula 397 do STF - O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado


Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o
regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.

Lei Complementar Nº 35, Art. 33 - São prerrogativas do magistrado:


...
Parágrafo único - Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de
crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos
autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na
investigação.

Salvo esses casos e ainda outros e deixando-se de lado os inquéritos extrapoliciais (Parágrafo
Único do Art. 4º do CPP), a competência para a realização de Inquéritos Policiais é distribuída a
autoridades próprias (geralmente Delegados ou Comissários que dirigem as DP) e, em se tratando de
infrações da alçada da Justiça Comum Federal, a competência é dos Delegados de Polícia Federal, nos
termos do art. 144, parágrafo 1º, inciso I, da CF.
De um modo geral, a competência é definida de acordo com o lugar onde se consumou a
infração (ratione loci - Em razão do domicílio, do lugar). A autoridade poderá ordenar diligências em
circunscrições de outra, já que inquérito não é processo. O que interessa é a conveniência do serviço
prestado.
CPP, art. 22 - No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma
circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que
esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de
precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade
competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição.
Admite-se, também, a competência em razão da matéria (ratione materiae - Em razão da
matéria), como, por exemplo, as Delegacias Especializadas (homicídios, roubos etc.).
A inobservância da competência ‘ratione loci’ é apenas relativa, não dando origem à
nulidade do IP. RT 522/359
Tratando-se de Prisão em Flagrante, a autoridade competente não é a do lugar onde ocorreu o
crime, e sim a do lugar onde se efetivou a prisão, mas os atos ulteriores serão praticados pela
Autoridade Policial do lugar onde ele se consumou.
CPP, art. 308 - Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, o
preso será logo apresentado à do lugar mais próximo.

O INQÉRITO É INDISPENSÁVEL?
O Inquérito Policial é peça meramente informativa. Nele se apuram a infração penal com
todas as suas circunstâncias e a respectiva autoria. Tais informações têm por finalidade permitir que o
titular da ação penal, seja o Ministério Público, seja o ofendido, possa iniciar a ação penal.
Se essa é a finalidade do Inquérito, desde que o titular da ação penal (Ministério Público ou
Ofendido) tenha em mãos as informações necessárias, isto é, os elementos imprescindíveis ao
oferecimento de denúncia ou queixa, é evidente que o Inquérito é perfeitamente dispensável.
CPP, art. 12 - O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que
servir de base a uma ou outra.
O Inquérito não é indispensável ao oferecimento da denúncia ou da queixa, mas sempre
acompanhará a denúncia ou a queixa que o tiver por base.
E não é só, o próprio Código de Processo Penal estabelece que qualquer do povo pode
fornecer ao MP dados que indiquem a prática de um delito, as circunstâncias, etc., o que, se for
considerado suficiente, dispensará o inquérito policial.
148

CPP, art. 27 - Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público,
nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a
autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.
O inquérito policial não é imprescindível ao oferecimento de denúncia ou queixa, desde que a
peça acusatória tenha fundamento em dados de informação suficientes à caracterização da
materialidade e autoria da infração penal STF, RTJ 76/741
Cabe salientar, ainda, que o CPP reforça o fato que o Inquérito Policial é dispensável a
propositura da Ação Penal nos dispositivos abaixo:
CPP, art. 39 - O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por
procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do
Ministério Público, ou à autoridade policial.
...
§ 5º - O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem
oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no
prazo de 15 (quinze) dias.

CPP, art. 46 - O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 (cinco)
dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de
15 (quinze) dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito
à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público
receber novamente os autos.
§ 1º - Quando o Ministério Público dispensar o inquérito policial, o prazo para o
oferecimento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a
representação.
...
Para a instauração de um processo não são necessárias provas capazes de gerar um juízo de
certeza da veracidade da imputação; basta que tornem verossímil a acusação. O que não se concebe é
uma acusação carente de elementos de convicção. Na verdade, tais elementos, de regra, são colhidos
melhormente pela Polícia. Às vezes, contudo, a acusação encontra-os com facilidade.
Ex.: Suponha-se que, num processo-crime já findo, ou por findar-se, se constate que a
testemunha "X" mentiu deslavadamente sobre o fato relevante. Ficou demonstrado, pelos demais
testemunhos, que seu depoimento foi exageradamente prestativo. Haverá, neste caso, necessidade de
Inquérito para o oferecimento da denúncia pelo crime de falso testemunho?? Não. Com as certidões
dos depoimentos, estará o órgão do Ministério Público habilitado a oferecê-la.

NATUREZA
Escrito - Todas as peças são reduzidas a termo e exige-se rigor formal em apenas alguns atos,
tais como interrogatório e prisão em flagrante. É exigência do artigo 9º do CPP.
CPP, art. 9º - Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a
escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
Sigiloso - Se o Inquérito Policial visa à investigação, à elucidação, à descoberta das infrações
penais e das respectivas autorias, pouco ou quase nada valeria a ação da Polícia Civil se não pudesse
ser guardado o necessário sigilo durante a sua realização.
CPP, art. 20 - A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato
ou exigido pelo interesse da sociedade.
Parágrafo único - ...
Observa-se, porém, que muitas vezes, o sigilo pode causar embaraços à ação da Autoridade
Policial. Em certos casos, torna-se necessária a publicação da fotografia do criminoso em jornais e até
mesmo sua retransmissão pela televisão, com a divulgação do fato.
Sabendo-se que no Inquérito Policial não há acusação, é evidente que o sigilo não restringirá a
defesa, uma vez que não havendo acusação, não pode haver defesa. Lembrem-se, o Inquérito
Policial é mera colheita de provas, mero procedimento informativo sobre o fato infringente da norma e
sua autoria. A acusação se inicia com o oferecimento da denúncia ou queixa. Proposta a ação, sim, é
que deve haver o regular contraditório.
149

CF, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - ...
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
Argumenta-se, com base nesse dispositivo constitucional, que, mesmo na fase do Inquérito, a
defesa deverá ser plena. Há, entretanto, manifesto inequívoco. O texto constitucional fala em
"acusados" e no Inquérito Policial não há "acusados", e sim "indiciados".
O sigilo não se estende ao Ministério Público, que pode acompanhar os atos investigatórios,
nem ao Judiciário. Como o Estatuto da Advocacia (Lei n. 8.906/94) é Lei Federal, e posterior ao CPP,
logo, o sigilo dos Inquéritos praticamente desapareceu.
Lei 8.906/94, art. 7o. São direitos do advogado:
...
III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração,
quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda
que considerados incomunicáveis;
...
XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e
de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e
tomar apontamentos;
§ 1o. Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:
Inquisitivo (Tourinho) - Durante o Inquérito, o indiciado não passa de simples objeto de
investigação. Nele não se admite o contraditório. A autoridade o dirige secretamente. Uma vez
instaurado o Inquérito, a Autoridade Policial o conduz a sua causa final (que é o esclarecimento do
fato e da respectiva autoria), sem que deva obedecer a uma seqüência previamente traçada em lei. Ora,
o que empresta a uma investigação o matiz da inquisitorialidade é, exatamente, o não permitir-se o
contraditório, a imposição da sigilação e a não-intromissão de pessoas estranhas durante a feitura dos
atos persecutórios.
Constata-se também esse caráter inquisitorial do Inquérito pela análise do art. 107 do CPP,
que assim dispõe:
CPP, art. 107 - Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito,
mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
Discricionário (Mirabete) - A autoridade Policial tem a faculdade de operar ou deixar de
operar, dentro, porém, de um campo cujos limites são fixados estritamente pelo direito. Lícito é, por
isso, à Autoridade Policial deferir ou indeferir qualquer pedido de prova feito pelo indiciado ou
ofendido.
CPP, art. 14 - O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer
diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
Auto-executável (Mirabete) - Independe de prévia autorização do Poder Judiciário para a sua
concretização jurídico-material e está sujeito apenas a controle jurisdicional posterior através do
“habeas corpus”, Mandado de Segurança e outros remédios.
Obrigatório (Mirabete) - Na hipótese de crime que se apura mediante ação penal pública, a
abertura do Inquérito Policial é obrigatório pois a Autoridade Policial deverá instaurá-lo, de ofício,
assim que tenha a notícia da prática da infração.
CPP, art. 5º - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I - de ofício;
...
Indisponível (Mirabete) - Uma vez instaurado regularmente, em qualquer hipótese, não
poderá a Autoridade arquivar os Autos.
CPP, art. 17 - A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

VALOR PROBATÓRIO
150

Instrução probatória, de caráter inquisitivo, tem valor informativo. As provas periciais


colhidas, por serem de ordem técnica, possuem valor idêntico às colhidas em juízo, apesar de não
sofrerem o contraditório. Também nada obsta que o Juiz se embase nele ao sentenciar, mas nenhuma
condenação pode ser ditada exclusivamente pela fase policial, salvo o caso do Tribunal do Júri, onde
os Juizes Leigos deliberem por íntima convicção.
O inquérito policial não pode ser sede de sentença condenatória, porquanto a prova
testemunhal que nele se acolhe só adquire valor jurídico por intermédio de sua jurisdicionalização, que
só acontece no sumário. STF, RTJ 59/789.

VÍCIOS
Sendo o Inquérito Policial mero procedimento informativo e não ato de jurisdição, seus vícios
nunca afetam a ação penal subseqüente, acarretando apenas a ineficácia do ato em si. Assim, o Juiz
não pode fundamentar condenação ou absolvição com base em ato policial nulo. O que fica viciado,
por conseqüência, é o ato e não o processo penal. A conclusão é lógica uma vez que, se podemos ter
processo válido sem inquérito, também podemos ter processo válido com inquérito viciado.
Eventual vício do IP não anula a ação penal, uma vez que se trata de peça meramente de informação.
Assim não se pode falar em nulidade da ação penal por vício do inquérito policial STF, RHC 56.092,
RHC 58.237, RHC, 58.254, RTJ 89/57 e 90/39.

NOTICIA CRIMINIS - NOTÍCIA OU CONHECIMENTO DO CRIME. COMUNICAÇÃO DO


CRIME
É a notícia do crime. Conhecimento pela autoridade policial de um fato aparentemente criminoso.
Pode ser espontânea ou provocada.
Espontânea ⇒ quando o conhecimento se dá no exercício da atividade funcional.
Provocada ⇒ pode ser por cognição imediata, quando por conhecimento direto e/ou não formal; e por
cognição mediata quando por requisição formal da vítima ou de qualquer do povo, por representação,
por requisição judicial ou do Ministério Público, etc.
Qualquer pessoa que tiver conhecimento de infração penal em que caiba Ação Pública Incondicionada
poderá denunciá-la (delatio criminis simples) - CPP, art. 5º, § 3º.
Existe também a notícia anônima do crime (notitia criminis inqualificada). Neste caso, somente após
verificada a verossimilhança da informação será instaurado o inquérito (Mirabete).
Já para Damásio E. de Jesus e Rogério L. Tucci, mesmo com a notícia anônima do crime, a autoridade
está obrigada a instaurar inquérito para apuração do fato.
Nos termos do Código de Processo Penal, a notícia do crime pode ser dirigida à autoridade policial
(CPP, art. 5º, II, §§ 3º e 5º), ao Ministério Público (CPP, arts. 27, 39 e 40) ou, excepcionalmente, ao
juiz (CPP, art. 39). Tratando-se de Crime Militar a notícia crime deve ser encaminhada à autoridade
militar competente (CPPM, Art.7º).
CPP, art. 5º - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
...
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
...
§ 3º - Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada
a procedência das informações, mandará instaurar inquérito .
...
§ 5º - Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

CPP, art. 27 - Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos
casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e
indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.

CPP, art. 39 - O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com
poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público,
ou à autoridade policial.
151

...
CPP, art. 40 - Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a
existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos
necessários ao oferecimento da denúncia.

INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO
É com a notícia crime que se instaura o inquérito policial, mas a lei processual disciplina a matéria
prevendo formas específicas de comunicação para o início do inquérito policial de acordo com a
espécie de iniciativa da ação penal exigida para o fato criminoso.
Assim, o inquérito pode ser iniciado de ofício, mediante requisição, requerimento ou delação e por
auto de prisão em flagrante delito.
CPP, art. 5º - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I - de ofício;
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
§ 1º - O requerimento a que se refere o nº II conterá sempre que possível:
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de
presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.
§ 2º - Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe
de Polícia.
§ 3º - Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito .
§ 4º - O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela
ser iniciado.
§ 5º - Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Ação Pública Incondicionada


O inquérito pode ser iniciado de ofício (CPP, Art. 5º, I), mediante requisição (ordem) da Autoridade
Judiciária ou do Ministério Público (CPP, Art. 5º, II, primeira parte), requerimento ou delação da
vítima (CPP, Art. 5º, II, segunda parte), o qual poderá ser indeferido pela autoridade policial quando
não constituir crime em tese, e auto de prisão em flagrante.
Quando o Inquérito for iniciado de ofício, a portaria será a peça inicial do Inquérito. Nos demais
casos, os requerimentos, as requisições e o auto de prisão em flagrante delito serão as peças iniciais
do Inquérito Policial.
O MP, em conformidade com a CF/88, pode requisitar diligências e a instauração de Inquérito
Policial.

Ação Pública Condicionada


Diz o artigo 5º, § 4º:
CPP, art. 5º - ...
§ 4º - O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela
ser iniciado.
...
A representação da vítima é um pedido-autorização, do interessado, em que ele manifesta desejo de
que seja proposta a ação penal pública e, portanto, como medida preliminar, o inquérito policial.
Através da delatio criminis a autoridade policial, ao Ministério Público e ao Juiz. Está sujeito à
decadência.
Nos termos dos artigos 100, § 1º, do Código Penal, e 24, do CPP, podem oferecer representação o
ofendido ou quem tiver qualidade para representá-lo, ou seja, representante legal da vítima, e, por
força do artigo 39, caput, do CPP, o procurador com poderes especiais.
152

CP, art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do
ofendido.
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
...

CPP, art. 24 - Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público,
mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
§ 1º - No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de
representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
§ 2º - Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União,
Estado e Município, a ação penal será pública.

CPP, art. 39 - O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com
poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público,
ou à autoridade policial.
Também mediante requisição ao Ministro da Justiça, nos casos de crimes cometidos por estrangeiros
contra brasileiro fora do Brasil (art. 7º, § 3º, b, do CP); nos crimes contra a honra do Presidente da
República ou de Chefes do Governo estrangeiro (art. 145, par. único do CP) ou contra esta e outras
autoridades e os praticados através da Imprensa (ar. 23, I, c/c o art. 40, I, a, L. Imprensa).
Instauração de Inquérito no Caso de ação Privada
Quando a lei prevê expressamente que determinado crime somente se apura mediante queixa,
determina para ele a ação penal privada. Nessas hipóteses, o inquérito policial também só pode ser
instaurado mediante a iniciativa da vítima.
CPP, art. 5º - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
...
§ 5º - Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.
Tem essa qualidade o ofendido e o seu representante legal.
CPP, art. 30 - Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação
privada.
Inclui a Lei como titular de tal direito a vítima menor de 21 e maior de 18 anos.
CPP, art. 34 - Se o ofendido for menor de 21 (vinte e um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de
queixa poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal.
Na hipótese de morte ou ausência judicialmente declarada do titular, o direito de queixa passa a ser do
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
CPP, art. 31 - No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o
direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou
irmão.
O art. 35 do CPP, foi revogado pelos arts. 5º, I e 226, § 5º da Constituição Federal e, expressamente,
pela Lei nº 9.520, de 27 de Novembro de 1997.
O requerimento não exige formalidades, mas é necessário que sejam fornecidos os elementos
indispensáveis à instauração do inquérito policial.
CPP, art. 5º - Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
...
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
§ 1º - O requerimento a que se refere o nº II conterá sempre que possível:
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de
presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
153

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.


...
Na hipótese de prisão em flagrante por crime que se apura mediante queixa, o Auto respectivo só pode
ser lavrado quando requerida, por escrito ou oralmente, a instauração do inquérito pela vítima ou outra
pessoa que tenha a qualidade para a propositura da ação privada. Isto porque o Auto de Prisão em
Flagrante é a peça inicial do Inquérito Policial e este só pode ser intentado após tal requerimento por
força do art. 5º, § 5º, do CPP.
Decorrido o prazo da decadência não pode ser instaurado o Inquérito Policial; houve no caso, a
extinção da punibilidade.
Decadência do direito de queixa ou de representação
CP, art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o
prazo para oferecimento da denúncia.

CPP, art. 38 - Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no
direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do
dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o
prazo para o oferecimento da denúncia.

PROCEDIMENTOS DO INQUÉRITO
Diante da notícia criminis a autoridade policial deve instaurar o inquérito policial destinado a apurar o
fato em todas as suas circunstâncias e a autoria.
A propósito, havendo suspeitas da existência de infração penal, ou seja, da prática de fato que
caracteriza crime em tese, não constitui constrangimento ilegal a simples instauração das
investigações policiais através de inquérito policial. STF: RT 548/427, 560/400, ...
Mesmo a existência de elementos que indicam ter ocorrido uma causa excludente da antijuridicidade
não impede a instauração do procedimento investigatório. A antijuridicidade do fato só pode ser
apreciada após a denúncia, ou quando da oportunidade para seu oferecimento, não sendo lícito antes
disso trancar-se o inquérito policial sob a alegação de que a prova nele produzida induz à inexistência
de relação jurídico material, em verdadeiro julgamento antecipado do acusado.
Inicialmente, a autoridade policial deve proceder de acordo com o artigo 6º, do CPP, embora não
preveja a lei um rito formal nem uma ordem prefixada para as diligências que devem ser empreendidas
pela autoridade. Ela indica, porém, as diligências que, regra geral, devem ser efetuadas para que "a
autoridade possa colher ao vivo os elementos da infração, devendo por isso agir com presteza, antes
que se mude o estado das coisas no local do crime ou desapareçam armas, instrumentos ou objetos do
delito, enfim, colhendo as provas que sirvam para a elucidação do fato e suas circunstâncias.

STJ, RT 665/333 - A apreensão de objetos pode preceder a instauração de inquérito.

ARQUIVAMENTO
Ainda que fique provada a inexistência do fato ou que não se tenha apurado a autoria do ilícito penal, a
autoridade policial não pode mandar arquivar o Inquérito.
CPP, art. 17 - A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
Tal providência cabe ao juiz, a requerimento do órgão do Ministério Público. Sendo este último
destinatário do Inquérito Policial, deve formular um juízo de valor sobre o seu conteúdo, par avaliar da
existência, ou não, de elementos suficientes para fundamentar a acusação. Se não encontrar esses
elementos, cumpre-lhe requerer ao juiz o arquivamento do Inquérito. Tal requerimento deve ser
fundamentado, já que a lei menciona as "razões invocadas" para o arquivamento.
CPP, art. 28 - Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-
geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
154

Pode também ocorrer um pedido implícito de arquivamento.


Percebe-se no dispositivo acima que o juiz não está obrigado a atender, de início, o requerimento do
Ministério Público. É o princípio da devolução, em que o juiz transfere (devolve) a apreciação do caso
ao chefe do Ministério Público, ao qual cabe a decisão final sobre o oferecimento, ou não, da
denúncia.
O despacho em que se arquiva o Inquérito Policial ou as peças de informação, a pedido do Ministério
Público, é irrecorrível, não cabendo qualquer recurso.
Segundo a Súmula 524, do STF, "arquivado o Inquérito Policial por despacho do juiz, a requerimento
do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas".
Essas novas provas, capazes de autorizar início da ação penal, são somente aquelas que produzem
alteração no panorama probatório dentro do qual foi concebido e acolhido o pedido de arquivamento
do Inquérito.
Os juizes deverão recorrer de ofício, quando arquivarem inquéritos que tratem de crimes de economia
popular ou contra a saúde pública.

PRISÃO EM FLAGRANTE
PRISÃO
A prisão, em sentido jurídico, é a privação da liberdade de locomoção, ou seja, do direito de ir e vir,
por motivo ilícito ou por ordem legal. Entretanto, o termo tem significados vários no direito pátrio pois
pode significar a pena privativa de liberdade (sinônimo de reclusão e detenção), o ato de captura
(prisão em flagrante ou em cumprimento de mandado) e a custódia (recolhimento da pessoa ao
cárcere).
Também se faz a distinção das espécies de prisão no direito brasileiro: a prisão-pena (penal) e a prisão
sem pena (processual penal, civil, administrativa e disciplinar).
A prisão penal, cuja finalidade manifesta é repressiva, é a que ocorre após o trânsito em julgado da
sentença condenatória em que se impôs pena privativa de liberdade.
A prisão processual, também chamada de provisória, é a prisão cautelar, em sentido amplo, incluindo
a prisão em flagrante, a prisão preventiva, a prisão resultante de pronúncia, a prisão resultante de
sentença penal condenatória e a prisão temporária.
A prisão civil é a decretada em casos de devedor de alimentos e de depositário infiel, únicas
permitidas pela Constituição Federal.
CF, art. 5º -. . .
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; "

A prisão administrativa, que após a Constituição Federal de 1988 só pode ser decretada por
autoridade judiciária, é prevista pelo Código de Processo Penal (Art. 319, I) e leis especiais.
Por fim existe a prisão disciplinar permitida pela própria Constituição Federal para as transgressões
militares e crimes propriamente militares.
CF, art. 5º - “...
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei;
..."

CF, art. 142 - " ...


§ 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a punições disciplinares militares.
..."
Rigorosamente, no regime de liberdades individuais que preside o nosso direito, a prisão só deveria
ocorrer para o cumprimento de uma sentença penal condenatória. Entretanto, pode ela ocorrer antes do
julgamento ou mesmo na ausência do processo por razões de necessidade ou oportunidade. Essa prisão
assenta na Justiça Legal, que obriga o indivíduo, enquanto membro da comunidade, a se submeter a
155

perdas e sacrifícios em decorrência da necessidade medidas que possibilitem ao Estado prover o bem
comum, sua última e principal finalidade.
É nesse sentido que o artigo 282 do CPP reza que, à exceção do flagrante delito, a prisão não poderá
efetuar-se senão em virtude de pronúncia ou nos casos determinados em lei, e mediante ordem escrita
da autoridade competente, que, hoje, é apenas a autoridade judiciária.
CPP, art. 282 - "À exceção do flagrante delito, a prisão não poderá efetuar-se senão em virtude de
pronúncia ou nos casos determinados em lei, e mediante ordem escrita da autoridade competente."

Mas, por permissão constitucional, pode-se efetuar a prisão sem mandado judicial nas hipóteses de
flagrante (art. 5º, LXI), transgressão militar ou crime propriamente militar (art. 5º, LXI), prisão
durante o Estado de Defesa (art. 136, §3º, I) e do Estado de Sítio (art. 139, II), além de se permitir pela
lei processual a recaptura do foragido (art. 684 do CPP), caso em que o recolhimento anterior era legal
por ter sido ele autuado em flagrante ou por ter sido recolhido em virtude da expedição de mandado de
prisão.
CF, art. 136 - "O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de
Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais
restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente
instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.
...
§ 3º - Na vigência do estado de defesa:
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame
de corpo de delito à autoridade policial;
...
CF, art. 139 - Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, só poderão ser
tomadas contra as pessoas as seguintes medidas:
...
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns;
..."

CPP, art. 684 - "A recaptura do réu evadido não depende de prévia ordem judicial e poderá ser
efetuada por qualquer pessoa."

São inconstitucionais, portanto, a chamada "prisão para averiguações", o que não impede que uma
pessoa seja detida por momentos, sem recolhimento ao cárcere, em casos especiais de suspeitas sérias,
diante do chamado poder de polícia.
Para garantir a liberdade de locomoção decorrente de prisões ilegais, dispõe a Constituição Federal
que: "a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária" (CF, art. 5º, LXV).

6. 2. PRISÃO EM FLAGRANTE
"Flagrante" ⇒ Derivado do latim flagrare (queimar) e flagrans, flagrantis (ardente, brilhante,
resplandescente), que no léxico, é acalorado, evidente, notório, visível, manifesto.
Em sentido jurídico, flagrante é uma qualidade do delito, é o delito que está sendo cometido,
praticado, é o ilícito patente, irrecusável, insofismável, que permite a prisão do seu autor, sem
mandado, por ser considerado a "certeza visual do crime".
Assim, a possibilidade de se prender alguém em flagrante delito é um sistema de auto-defesa da
sociedade, derivada da necessidade social de fazer cessar a prática criminosa e a perturbação da ordem
jurídica, tendo também o sentido de salutar providência acautelatória da prova da materialidade do
fato e da respectiva autoria.
156

A prisão em flagrante cabe não só com relação à prática de crime, em sentido estrito, como de
contravenção, aplicando-se também a estas os preceitos do Código de Processo Penal que se referem à
prisão em flagrante delito quando da prática de "infração penal.
CPP, art. 302 - "Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal;
..."
É evidente que o princípio da presunção de inocência (CF, art. 5º, LVII) consagrado pela Constituição
Federal não impede a prisão em flagrante, de natureza processual, que não foi suprimida pelo
legislador.
CPP, Art. 302 - "Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que
faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele
autor da infração."
Sendo o autor da infração detido em qualquer uma das situações em que a lei considera como de
flagrante delito, ou seja, havendo a notitia criminis e estando presentes os pressupostos legais,
a autoridade policial está obrigada à lavratura do competente auto de prisão. Tratando-se de
ação penal pública dependente de representação, a lavratura do auto de prisão em flagrante
depende do requerimento, escrito ou oral (quando será reduzido a termo no próprio auto), da
vítima ou de seu representante legal. O mesmo se diga quando se trata de crime que se apura
mediante ação penal privada.
Por exceção à regra da obrigatoriedade da prisão em flagrante delito por parte da autoridade
administrativa, instituiu-se no caso de crime organizado, ou seja, segundo a lei, das infrações
que resultem de ações de quadrilha ou bando, a denominada ação controlada, "que consiste em
retardar a interdição policial do que se supõe ação prática por organizações criminosas ou a
ela vinculado, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal
se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e
fornecimento de informações".
Lei nº 9.034/95, art 2º - "Em qualquer fase de persecução criminal que verse sobre ação praticada por
organizações criminosas são permitidos, além dos já previstos na lei, os seguintes procedimentos de
investigação e formação de provas:
...
II - a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada
por organizações criminosas ou a ela vinculado, desde que mantida sob observação e
acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista
da formação de provas e fornecimento de informações.."

FLAGRANTE PRÓPRIO
Dispõe o artigo 302, que se considera em flagrante delito quem "está cometendo a infração penal"
(inciso I) e "quem acaba de cometê-la" (inciso II), estabelecendo o que se denomina de flagrante
próprio, real, ou flagrante propriamente dito. A lei equiparou duas situações diversas, mas em
dispositivos diversos: a de quem é surpreendido no ato de execução do crime (desfechando golpes na
vítima, destruindo coisa alheia, subtraindo coisa alheia, etc.) e a de quem já esgotou os atos de
execução, causando o resultado jurídico, de dano ou de perigo (morte, lesões, dano material, etc.),
encontrando-se ainda no local do fato ou nas suas proximidades em situação indicativa de que
cometeu o ilícito (portando a arma homicida, com as vestes manchadas de sangue, etc.).
Convém ressaltar que há autores que sustentam que esta Segunda hipótese é também de quase-
flagrância, pois há apenas uma presunção, embora veemente, de que é o preso o autor do crime,
quando é até possível que não seja ele o autor do ilícito (apanhou a arma deixada pelo autor do
homicídio, manchou as vestes ao procurar socorrer a vítima, etc.). Em geral, porém, a doutrina
considera essa hipótese como flagrante próprio.
157

QUASE-FLAGRANTE
A lei considera também em flagrante delito quem "é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo
ofendido ou por outra pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração" (inciso III).
Há, nos termos da lei, uma presunção da autoria da infração que a lei equipara à certeza advinda da
prisão durante o cometimento do crime. Trata do que a doutrina denomina quase-flagrante ou
flagrante impróprio, que, pela tradição jurídica, é equiparada a flagrância própria para o efeito da
prisão, mas que dela se distingue porque, enquanto esta diz respeito ao próprio cometimento do crime,
na sua evidência de atualidade, aquela se refere ao tempo e lugar próximos da infração.
O que tem acarretado dúvidas na aplicação do dispositivo é a expressão "logo após", havendo até
autores que pretendem fixar arbitrariamente esse lapso de tempo, estendendo-o até 24 (vinte e quatro)
horas, o que não se coaduna com a vontade da lei que, na verdade, deixa a interpretação ao prudente
critério do juiz.
Deve-se entender que o "logo após" do dispositivo é o tempo que ocorre entre a prática do delito e a
colheita de informações a respeito da identificação do autor, que passa a ser imediatamente perseguido
após essa rápida investigação procedida por policiais ou particulares. Por isso, se tem entendido que
não importa se a perseguição seja iniciada por pessoas que se encontravam no local ou pela polícia
diante de comunicação telefônica ou radiofônica. Deve-se ter em conta, porém, que tal situação não se
confunde com uma demorada investigação a respeito dos fatos.
Embora já se tenha entendido que a perseguição não pode sofrer solução de continuidade, deve-se ter
em vista que o artigo 290, §1º, do CPP, considera ainda como perseguição as hipóteses em que o
perseguido tenha sido "perdido de vista", ou que o perseguidor, por indícios ou informações
fidedignas, souber que aquele tenha passado, há pouco tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em
que o procura, for em seu encalço.
CPP, art. 290 - "Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de outro município ou comarca, o
executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-o imediatamente à
autoridade local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a
remoção do preso.
§ 1º - Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu, quando:
a) tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha perdido de vista;
b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que o réu tenha passado, há pouco tempo, em tal
ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu encalço.
..."
Iniciada a perseguição logo após o crime, sendo ela incessante nos termos legais, não importa o tempo
decorrido entre o momento do crime e a prisão do seu autor. Tem-se admitido pacificamente que esse
tempo pode ser de várias horas ou mesmo de dias. A prisão pode ser efetuada em qualquer local onde
é encontrado o agente, ainda que seja em território de outro Estado.
Segundo Mirabete, caso o perseguido penetre em sua casa ou em casa alheia, deve ser obedecido o art.
293, por força do artigo 294.
CPP, art. 293 - "Se o executor do mandado verificar, com segurança, que o réu entrou ou se encontra
em alguma casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da ordem de prisão. Se não for
obedecido imediatamente, o executor convocará duas testemunhas e, sendo dia, entrará à força na
casa, arrombando as portas, se preciso; sendo noite, o executor, depois da intimação ao morador, se
não for atendido, fará guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e, logo que amanheça,
arrombará as portas e efetuará a prisão.
Parágrafo único - O morador que se recusar a entregar o réu oculto em sua casa será levado à
presença da autoridade, para que se proceda contra ele como for de direito.
CPP, art. 294 - No caso de prisão em flagrante, observar-se-á o disposto no artigo anterior, no que
for aplicável."
Outros autores, porém, ensinam que a Constituição Federal de 1988 deu nova feição ao instituto, tendo
alcance mais amplo do que o estabelecido na Constituição anterior e no Código de Processo Penal
(arts. 293 e 294), que só autorizavam a entrada, durante a noite, no caso de flagrância própria e, de dia,
na flagrância imprópria.
Afirma o Major da Brigada Militar Pércio Brasil Alvares, em sua obra Legislação Penal
Anotada, que, no caso de flagrância em que o acusado é perseguido (flagrância imprópria) e se
refugia em alguma casa, o procedimento policial mais adequado deve-se conformar com a lei, no que
não colida com o dispositivo Constitucional, observando-se
158

1º) A prisão em flagrante pode ser realizada a qualquer hora do dia ou da noite;
2º) O morador (preferentemente perante duas testemunhas) será intimado a entregar o
infrator;
3º) Se o morador não obedecer, o executor, perante, pelo menos duas testemunhas, entrará
a força, arrombando as portas se necessário.
Não encontra fundamento alguma crença popular de que é de 24 (vinte e quatro) horas o
prazo entre a hora do crime a prisão em flagrante, para permitir a captura do autor do crime. Não tendo
havido perseguição logo após o ilícito, não é legal a prisão em flagrante depois de vários dias, no dia
seguinte, ou mesmo algumas horas após o crime.

FLAGRANTE PRESUMIDO
Também permite a lei a prisão em flagrante na hipótese de ser o autor do fato "encontrado,
logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração"
(CPP, art. 302, IV), no que se tem denominado flagrante presumido ou ficto. Não é necessário no
caso que haja perseguição, mas sim que a pessoa seja encontrada logo depois da prática do ilícito com
coisas que traduzam um veemente indício da autoria ou participação no crime. A pessoa não é
"perseguida", mas "encontrada", pouco importando se por puro acaso, ou se foi procurado após
investigações. Para a configuração da flagrância presumida nada mais se exige do que estar o
presumível delinqüente na posse de coisas que o indigitem como autor de um delito acabado de
cometer. Não permite a lei que, fora dessa situação, se prenda o agente meramente por ter confessado
a prática do ilícito.
É necessário para a caracterização do flagrante presumido que a prisão ocorra "logo
depois" do crime. Embora essa expressão, no léxico, seja sinônima de "logo após", tem se admitido
que há uma situação de fato que admite um maior elastério ao juiz na apreciação da hipótese.
Considerando-se o interesse na repressão dos crimes, há maior margem na discricionariedade da
apreciação do elemento cronológico quando o agente é encontrado com objetos indicativos do crime, o
que permite estender o prazo a várias horas ou, considerando-se o problema do repouso noturno, até o
dia seguinte.

FLAGRANTE EM CRIME PERMANENTE E CRIME HABITUAL


Dispõe o artigo 303 do CPP que, nas infrações permanentes, entende-se o agente em
flagrante delito enquanto não cessar a permanência, o que, na verdade, é digno de desprezo, já que,
nessa espécie de ilícito, a consumação se prolonga no tempo, dependendo da vontade do agente, como
ocorre nos crimes de seqüestro ou de extorsão mediante seqüestro, ou ainda, nos crimes cuja conduta
é "guardar consigo", "ter em depósito", "transportar", etc.. Nessas hipóteses, o crime está sendo
cometido durante o tempo da consumação, havendo pois caso típico de flagrância.
CPP, art. 303 - "Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito
enquanto não cessar a permanência."

Evidentemente, tratando-se de prisão em flagrante, mesmo nas hipóteses em que se deva


invadir casa alheia, não se exige mandado judicial.
Jurisprudencialmente entende-se que "o direito constitucional domiciliar não se estende a
lares desvirtuados, como cassinos clandestinos, aparelhos subversivos, casas de tolerância, locais ou
pontos de comércio clandestino de drogas. A casa é asilo inviolável do cidadão enquanto respeitada
sua finalidade precípua de recesso do lar" - RT 527/383.
Não é idêntica a situação no caso da prática de crime habitual, uma vez que a prisão em
flagrante exigiria a prova de reiteração de atos que traduzem o comportamento criminoso, ou seja, a
habitualidade. Apesar de tudo, não é incabível a prisão em flagrante em ilícitos habituais se for
possível, no ato, comprovar-se a habitualidade. Não se negaria a situação de flagrância no caso de
prisão de responsável por bordel onde se encontram inúmeros casais para fim libidinoso, de pessoa
que exerce ilegalmente a medicina quando se encontra atendendo vários pacientes, etc.

FLAGRANTE EM CRIME DE AÇÃO PRIVADA


CPP, art. 301 - "Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes
deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito."
159

A legislação pátria não veda a prisão em flagrante em qualquer infração penal, seja dolosa
ou culposa. O dispositivo acima não distingue, referindo-se genericamente a todos que se encontram
em "flagrante delito". Assim, nada impede que a captura ocorra nos crimes que se apuram mediante
ação penal pública dependente de representação ou de ação privada.
Entretanto, embora a lei processual silencie a respeito, é pacífico na doutrina e na
jurisprudência que, capturado o autor da infração penal que se apure por essas espécies de ação, deve
ser ouvida a vítima ou seu representante legal para que ofereça a representação ou manifeste o desejo
de oferecer queixa oportunamente. A prisão deve ser ratificada pela vítima ou seu responsável dentro
do prazo para a expedição da nota de culpa (24 horas). Após esse prazo, como esclarece Tales Castelo
Branco, se "o flagrante não estiver lavrado, impõem-se a soltura do preso".
Tourinho Filho afirma que a manifestação da vítima deve ser anterior à captura do
ofensor. No que tange às ações públicas condicionadas, o raciocínio é o mesmo.

FLAGRANTE PREPARADO E ESPERADO


A Súmula 145 do STF reza que "Não há crime quando a preparação do flagrante torna
impossível a sua consumação".
A jurisprudência, com fundamento nesse enunciado, tem afirmado que não pode ser
autuado em flagrante o agente de crime provocado, ou seja, quando o agente é induzido à prática de
um crime pela "pseudovítima", por terceiro ou pela polícia, no caso chamado agente provocador. Não
há crime, pois, nesse caso.
Damásio E. de Jesus diferencia o Flagrante provocado do flagrante esperado, afirmando
que o primeiro é forma do delito putativo por obra de agente provocador, impunível, caso em que a
vítima ou policial provoca ou induz o sujeito à prática do fato, tomando cautelas que tornam
impossível a consumação do crime. Na hipótese do flagrante esperado, em que existe crime, o agente
da autoridade ou a vítima apenas deixam o sujeito agir, sem provocação ou induzimento, prendendo-o
na realização do fato.
Para maior compreensão, diz-se que o flagrante provocado necessita:
a) da indução à prática de um delito por um terceiro (mas não basta induzir, pois
com mais freqüência quem induz outrem é também partícipe do delito);
b) de que a indução objetive a prisão em flagrante;
c) de que haja cautelas para impedir a consumação do delito (se este ocorrer,
aquele que induziu pode responder pelo delito, na forma culposa).
Já o flagrante esperado, trata-se de flagrante perfeitamente legal; espera-se que um delito
se cometa (o qual não foi de forma alguma induzido, mantendo-se espontâneo na sua origem). Maior
incidência em supermercados e lojas; os advogados, nesses casos, costumam invocar o flagrante
provocado. Discorda-se já que o fato de haver vigilância ostensiva em nada descaracteriza o flagrante.
O flagrante preparado não se confunde com o flagrante forjado, em que policiais ou
particulares "criam" provas de um crime inexistente, colocando, por exemplo, no bolso de quem é
revistado, substância entorpecente. Nessa hipótese, evidentemente, não há crime consumado ou
tentado do preso, mas o delito de denunciação caluniosa, ou eventualmente concussão, abuso de
autoridade etc., pelas pessoas que efetuaram a prisão.

SUJEITOS DO FLAGRANTE
CPP, art. 301 - "Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes
deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito."

Nos termos da lei, qualquer do povo poderá e as autoridades e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. Assim, é dever da autoridade e seus
agentes efetuar a prisão (flagrante compulsório) daquele que se encontra em uma das situações
previstas no artigo 302 do CPP, respondendo pela omissão administrativa e criminalmente,
eventualmente até pelo resultado causado pelo agente se podiam evitar a consumação do crime.
Relação de causalidade
CPP, art. 13 - "O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
...
Relevância da omissão
160

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar
o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
..."
Pode, evidentemente, os agentes policiais fora de sua circunscrição territorial efetuarem a
prisão em flagrante delito, mesmo porque qualquer pessoa pode efetuar prisão em flagrante.
A nossa legislação, como outras, prevê a faculdade de qualquer pessoa capturar alguém
em flagrante delito (flagrante facultativo). Trata-se de um caso especial de exercício de função pública
transitória exercida por particular, em caráter facultativo e, portanto, de exercício regular de direito.
Embora a lei não seja expressa, admite-se que o particular, autor da prisão, que pode ser o ofendido,
possa apreender coisas em poder do preso desde que relacionadas com a prova do crime da autoria.
A regra geral de que qualquer pessoa possa ser presa e autuada em flagrante apresenta
algumas exceções. Não podem ser sujeitos passivos do flagrante os menores de 18 anos, que são
inimputáveis.
ECA, art. 106 - "Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante
de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.
Parágrafo único. O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua
apreensão, devendo ser informado acerca de seus direitos.

Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra recolhido serão
incontinente comunicados à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa
por ele indicada.
Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a
possibilidade de liberação imediata."
Não podem ser sujeitos passivos do flagrante, igualmente, os diplomatas estrangeiros, em
decorrência de tratados e convenções internacionais (CPP, Art. 1º, I).
CPP, art. 1º - "O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este
Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
..."
O Presidente da República também não pode ser sujeito passivo do flagrante delito (CF,
art. 86, § 3º).
CF, art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da
Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas
infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
...
§ 3º - Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente
da República não estará sujeito a prisão.
...
Podem ser autuados em flagrante delito apenas nos crimes inafiançáveis os magistrados
(Lei Complementar nº 35/79 – LOMN - art. 33, II), os membros do Ministério Público (Lei
Complementar nº 40/81 – LONMP - art. 20, VIII).
É lícita a prisão dos alienados mentais, embora inimputáveis, já que a eles pode ser
aplicada medida de segurança, cabendo no caso a instauração do incidente de insanidade mental.
Não pode ser autuado em flagrante quem presta pronto e integral socorro à vítima de
delito de trânsito.
CTB, Art. 301 - "Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que
resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e integral
socorro àquela."

Também não é autuado em flagrante delito o autor de fato considerado crime de menor
potencial ofensivo quando, após a lavratura do termo circunstanciado, for imediatamente encaminhado
ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer.
161

Lei nº 9.099/95, Art. 69 - "A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência
lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a
vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.
Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente
encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em
flagrante, nem se exigirá fiança."
Segundo orientação do STF, quem, logo após o delito, se apresenta espontaneamente à
autoridade, também não pode ser preso em flagrante; não há no direito brasileiro a "prisão por
apresentação". Por vezes, porém, tem se exigido que, nessa hipótese, seja o crime de autoria ignorada.
A impossibilidade da prisão por apresentação não impede, porém, que, presentes os requisitos
próprios, seja decretada a prisão preventiva do autor da infração.
Em regra, não configura flagrante, porquanto não se vislumbra hipótese no art. 302 que a
recepcione; nem mesmo o inciso IV é adequado invocar, visto que o "encontrado", ali, pressupõe
diligências prévias. A apresentação difere do "entregar-se", que ocorre quando o agente fica no local
do crime após praticá-lo, sem oferecer resistência alguma. Já a apresentação costuma se dar algum
tempo depois do delito (geralmente depois das 24 horas, prazo, aliás, sem fundamento legal), e aquele
que o assim faz não pode ser preso em flagrante.

AUTORIDADE COMPETENE
Efetuada a prisão em flagrante, o capturado deve ser apresentado à autoridade competente
para que seja procedida a autuação. Em regra, a autoridade competente é a autoridade policial, no
exercício de uma das funções primordiais da polícia judiciária, que não exclui a competência de outra
autoridade administrativa a quem, por lei, é cometida a mesma função.
CPP, Art. 4º - "A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território
de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.
Parágrafo único - A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função."
De acordo com o CPP, compete a lavratura do flagrante à autoridade da circunscrição
onde foi efetuada a prisão, e não a do local do crime. Por isso, não há ilegalidade quando a prisão é
feita por agentes de uma Delegacia e o auto é presidido por outra autoridade, quando se atende ao
dispositivo do artigo 290 do citado estatuto (CPP, art. 290).
Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, o capturado será logo
apresentado à do lugar mais próximo, sendo entendimento doutrinário que lugar mais próximo é
aquele a que mais rapidamente pode ser conduzido o capturado (CPP, art. 308).

PRAZO PARA A LAVRATURA DO AUTO


Não explicita o Código o prazo em que deverá ser lavrado o auto de prisão em flagrante
após a captura do autor da infração. Pelo artigo 304 do CPP, tem-se a impressão de que isso deve
ocorrer imediatamente após a apresentação do preso à autoridade.
Todavia, diante do disposto no artigo 306 do CPP, que determina o prazo de 24 horas para
que seja entregue ao preso a "nota de culpa", tem-se a conclusão, irretocavelmente, que é esse o prazo
máximo de que dispõe a autoridade para formalizar a autuação.
Pode ser o Auto de Prisão em Flagrante Delito lavrado, inclusive, no dia seguinte à
apresentação (RT 567/286).
É ilegal a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante vários dias depois da prisão (RT
554/420)
Diante da realidade de nossos meios, a imensidade territorial de alguns Estados, a
deficiência de vias de comunicação etc., é possível que não se possa lavrar o auto de prisão em
flagrante no prazo de 24 horas. Comprovadas tais circunstâncias deve-se ter como lícita a autuação
realizada a destempo, por impossibilidade material de se obedecer o referido prazo.

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE


Apresentado o preso capturado em situação de flagrância à autoridade competente deve
esta lavrar o auto respectivo. Não se trata, porém, de ato automático da autoridade policial pela
simples notícia do ilícito penal pelo condutor. A autuação em flagrante delito pressupõe a certeza
162

absoluta da materialidade do crime e indícios mínimos de autoria. Inexistente tais elementos, a


autuação em flagrante delito pode constituir-se em abuso de autoridade.
Diante do disposto no artigo 5º, LXIII, 2ª Parte da CF, previamente deve ser comunicada a
prisão à família do preso ou à pessoa por ele indicada, a fim de que se possibilite a estas que tomem
as providências que entenderem necessárias.
CF, Art. 5º - "...
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
..."

(RT 723/658) Na falta de regulamentação legal a respeito do assunto, que obrigue constar
dos autos ter se efetuado ou possibilitado tal comunicação, deve-se presumir que, mesmo no silêncio
do auto de prisão em flagrante, foi cumprida a formalidade constitucional.

(RT 657/317) Na falta de indicação do interessado da pessoa a ser comunicada a sua


prisão, não há como a autoridade policial cumprir a providência prevista no art. 5º, LVII, última parte,
da CF.

(RT 687/334) Por outro lado, o Tribunal de Alçada de Minas Gerais decretou a nulidade
do auto de prisão em flagrante pela falta de comunicação à família do preso ou pessoa por ele
indicada.
A possibilidade de comunicação da prisão à família do autuado ou à pessoa por ele
indicada não implica que possam estranhos acompanhar a lavratura do auto de prisão em flagrante ou
nele intervir, a não ser nas hipóteses legais (assistência do advogado, pedido de arbitramento de fiança,
etc.). O constante no art. 5º, LXIII, da CF, não significa que a prisão e a lavratura do flagrante exijam
que conte o preso, no momento desses atos, com a assistência ou presença destes ou de advogado.
Nos termos do artigo 304 do CPP, a primeira pessoa a ser ouvida no auto de prisão em
flagrante delito é o condutor, agente da autoridade, ofendido ou particular que conduziu o preso até a
autoridade, que tenha sido ele a efetuar a captura, que seja a pessoa quem foi o preso entregue. Não há
exigência alguma de que o condutor tenha sido testemunha da prática do ilícito ou de alguma
circunstância ligada a este ou mesmo que tenha presenciado a prisão.
CPP, Art. 304 - "Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor
e ..."

Em seguida, devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor, que, pelos
artigos 304, caput, e 304, § 2º do CPP, devem ser no mínimo duas (referem-se a testemunhas, no
plural).
Não há qualquer vedação a que sirvam como testemunhas agentes policiais. O condutor
também pode ser considerado como testemunha numérica, para integrar o mínimo legal, máxime
quando porta informações destinadas a estabelecer a participação do conduzido na ocorrência.
O número reduzido de testemunhas, ou mesmo sua falta absoluta, porém, não obsta a
lavratura do auto de prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor deverão assiná-lo pelo
menos duas testemunhas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade (CPP, art. 304,
§ 2º).
Assim, na inexistência de outra testemunha além do condutor, basta que o auto seja
assinado por essas testemunhas instrumentais (indiretas).
Ouvidas as testemunhas, a autoridade "interrogará o acusado sobre a imputação que lhe é
feita" (CPP, art. 304).
Nessa ocasião deve ser ele alertado para o direito de ficar calado, assegurado na
Constituição, sem ressalvas.
CF, Art. 5º - "...
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
A autoridade deve observar o disposto no artigos 6º, V, e 185 e ss do CPP, inclusive
163

quanto à nomeação de curador ao preso menor de 21 anos, sob pena de nulidade do auto no que diz
respeito à prisão.
CPP, Art. 6º - "Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade
policial deverá:
...
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III
do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que Ihe
tenham ouvido a leitura;
..."
Apesar de ser ato desejável, a omissão do interrogatório do capturado no auto de prisão
em flagrante não traduz necessariamente nulidade. Deve-se verificar, em cada caso, sua
imprescindibilidade e do prejuízo que sua falta possa causar à defesa. Não se torna nulo o auto de
prisão se o acusado não foi interrogado por estar embriagado, hospitalizado ou ferido, devendo o ato
ser realizado quando possível, mesmo no hospital. Também é permitida a interrupção do ato para, após
a realização da diligência, incluir mais um indiciado.
O auto deve ser lavrado pelo escrivão, ou escrevente, e também por eles encerrado, mas
na falta ou impedimento destes, a autoridade pode designar qualquer pessoa para tal ofício, desde que
previamente tome-lhe o compromisso legal (CPP, art. 305).
Assinam o laudo a autoridade, o condutor, o ofendido, as testemunhas, o preso, seu
curador ou defensor. Se a testemunha ou o ofendido não souber ou não puder assinar, aplica-se o
artigo 216, do CPP.
CPP, Art. 216 - "O depoimento da testemunha será reduzido a termo, assinado por ela,
pelo juiz e pelas partes. Se a testemunha não souber assinar, ou não puder fazê-lo, pedirá a alguém que
o faça por ela, depois de lido na presença de ambos".

No caso de o acusado se recusar a assinar, ou não souber ou não puder fazê-lo, o auto de
prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que lhe tenham ouvido a leitura, na presença
do acusado.
CPP, Art. 304 - "...
§ 3º Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto de
prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham ouvido sua leitura na presença
deste ".
Não se confundem essas testemunhas instrumentárias da instrução (CPP, art. 304, § 3º)
das testemunhas da apresentação (CPP, art. 304, § 2º).
Encerrada a lavratura do flagrante, a prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz
competente (CF, art. 5º, LXII, 1ª Parte), que será, havendo mais de uma na circunscrição judiciária,
aquele a quem for destinada a comunicação por distribuição.
CF, Art. 5º - "...
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
...".
Havendo ilegalidade na autuação em flagrante (não havia situação de flagrância, houve
excesso de prazo para a lavratura etc.) a prisão deve ser relaxada pelo juiz, sem prejuízo do
desenvolvimento das investigações e do inquérito policial.
CF, Art. 5º - "...
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
..."
A prisão ilegal diminui o valor probatório dos atos praticados no inquérito policial mas
não anula o inquérito e muito menos a ação penal que dele redundar.
De outro lado, pequenos vícios formais, como a ausência de assinatura, de grafia errônea
do nome do acusado etc., não excluem a prisão nem viciam o inquérito ou a ação penal subseqüente.
Nulo o auto de prisão em flagrante por vício real, nada impede que, presentes os requisitos, a
autoridade judiciária ao anulá-lo decrete a prisão preventiva.

NOTA DE CULPA
164

Dentro de 24 (vinte e quatro) horas depois da prisão, será dada ao preso nota de culpa
assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das testemunhas.
CPP, Art. 306 - "Dentro em 24 (vinte e quatro) horas depois da prisão, será dada ao preso
nota de culpa assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das
testemunhas".

A finalidade da denominada nota de culpa é comunicar ao preso o motivo da prisão, bem


como a identidade de quem o prendeu, num breve relato do fato criminoso de que é acusado.
Art. 5º - "...
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu
interrogatório policial;
...

EMPREGO DE FORÇA
A lei permite o emprego de força se for necessária, ou seja, indispensável no caso de
resistência ou de tentativa de fuga do preso.
CPP, Art. 284 - "Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de
resistência ou de tentativa de fuga do preso".

Resiste o infrator quando se opõe com violência ou ameaça à prisão. A fuga, ou tentativa
de fuga, ocorre quando o infrator desobedece a ordem de prisão, negando-se a acompanhar quem o
prendeu, escapando ou procurando escapar.
O emprego da força não deve exceder o indispensável a prisão. O excesso, como violência
desnecessária, constitui ilícito penal (abuso de autoridade, homicídio, lesões corporais etc.).
O infrator que se opõe com violência ou ameaça ao executor ou terceiro que lhe esteja
prestando auxílio comete o crime de resistência.
Resistência
CP, Art. 329 - "Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a
funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
..."

O que não atende a ordem, passivamente, pratica o crime de desobediência


.
Desobediência
CP, Art. 330 - "Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
..."
Tem-se entendido que a fuga, sem violência, não caracteriza tal ilícito, porque tal atitude é
natural, inspirada não pela vontade de transgredir a ordem mas pela busca e impulso instintivo de
liberdade.
Efetuada a prisão, a evasão ou tentativa de evasão com violência contra pessoa constitui o
ilícito previsto no art. 352 do CP.

Evasão mediante violência contra a pessoa


CP, Art. 352 - "Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida
de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:
...".

Dispõe o Código de Processo Penal ainda a respeito de terceiros.


CPP, Art. 292 - "Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em
flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem
165

poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se
lavrará auto subscrito também por duas testemunhas".

PRISÃO PREVENTIVA

CONCEITO
Tem uma acepção ampla para designar a custódia verificada antes do trânsito em julgado da
sentença. É a prisão processual, cautelar, chamada também de provisória (CP. Art. 42).
Prisão em Flagrante
Prisão decorrente de pronúncia
Prisão Preventiva: Prisão resultante da sentença condenatória
(Lato Sensu) Prisão Temporária
Prisão Preventiva (Stricto Sensu)

PRISÃO PREVENTIVA STRICTO SENSU


Neste sentido restrito, é uma medida cautelar, constituída da privação de liberdade do
indigitado autor do crime e decretada pelo juiz durante o inquérito ou instrução criminal em face da
existência de pressupostos legais, para resguardar os interesses sociais de segurança.
Embora se façam críticas ao instituto da prisão preventiva, já que suprime a liberdade do
indivíduo antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, causando ao eventualmente inocente
a desmoralização e a depressão aos seus sentimentos de dignidade, é ele previsto tradicionalmente em
nossa ordem jurídica como em todos os países civilizados.
Como coação processual e, portanto, medida extremada de exceção, só se justifica em
situações específicas, em casos especiais onde a segregação preventiva, embora um mal, seja
indispensável.

PRESSUPOSTOS:
CPP, Art. 312 - "A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem
pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação
da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria."

A prisão preventiva só pode ser decretada "quando houver prova da existência do


crime e indícios suficientes de autoria". A primeira exigência refere-se à materialidade do crime, ou
seja, a existência do corpo de delito que prova a ocorrência do fato criminoso (laudos de exame de
corpo de delito, documentos, prova testemunhal etc.). Exigindo-se "prova" da existência do crime, não
se justifica a decretação da prisão preventiva diante de mera suspeita ou indícios da ocorrência de
ilícito penal.
Exige-se ainda para a decretação da prisão preventiva "indícios suficientes da
auroria". Contenta-se a lei, agora, com simples indícios, elementos probatórios menos robustos que os
necessários para a primeira exigência. Não é necessário que sejam indícios concludentes e unívocos,
como se exige para a condenação; não é preciso que gerem certeza da autoria. Nesse tema, a
suficiência dos indícios de autoria é verificação confiada ao prudente arbítrio do magistrado, não
exigindo regras gerais ou padrões específicos que a definam.
Inexistentes os indícios suficientes de autoria quanto à participação do acusado no
crime, não há que se decretar a prisão preventiva.

FUNDAMENTOS:
CPP, Art. 312 - 'A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem
pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação
da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.'

Refere-se a lei, em primeiro lugar, às providências de segurança necessárias para evitar


que o delinqüente pratique novos crimes contra a vítima e seus familiares ou qualquer outra pessoa,
quer porque é acentuadamente propenso às práticas delituosas, quer porque, em liberdade, encontrará
166

os mesmos estímulos relacionados com a infração cometida. Embora não se tenha firmado na
jurisprudência um conceito estratificado para a expressão "garantia da ordem pública", a
periculosidade do réu tem sido apontada como o fator preponderante para a custódia cautelar.
Por isso, aberrante a interpretação do dispositivo que possibilita a prisão sob o
argumento de proteger o agente de represálias da vítima ou da família desta (JTJ 153/321-2).
Em segundo lugar, permite-se a prisão preventiva para a garantia da ordem
econômica, ou seja, as que podem provocar os efeitos mencionados no art. 20 da Lei nº 8.884/94,
como os das Leis nº 8.137/90; 7.492/86; 1.521/52, etc..
Lei nº 8.884/94 - Art. 20. "Constituem infração da ordem econômica,
independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou
possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados:
I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre
iniciativa;
II - dominar mercado relevante de bens ou serviços;
III - aumentar arbitrariamente os lucros;
IV - exercer de forma abusiva posição dominante.
§ 1º A conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior
eficiência de agente econômico em relação a seus competidores não caracteriza o ilícito previsto no
inciso II.
§ 2º Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla
parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador
de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa.
§ 3º A posição dominante a que se refere o parágrafo anterior é presumida quando a
empresa ou grupo de empresas controla 20% (vinte por cento) de mercado relevante, podendo este
percentual ser alterado pelo Cade para setores específicos da economia. (Redação dada pela Lei nº
9.069, de 29/06/95)
Menciona a lei, em terceiro lugar, a garantia da execução da pena como fundamento
para a decretação da custódia. Com ela impede-se o desaparecimento do autor da infração que
pretenda se subtrair aos efeitos penais da eventual condenação. A fuga ou escusa em atender o
chamamento judicial, dificultando o andamento do processo, retarda e torna incerta a aplicação da lei
penal, justificando a custódia provisória.
Por fim, a custódia pode ser decretada para assegurar a prova testemunhal, obstando-
se a ação do criminoso, seja fazendo desaparecer provas do crime, seja apagando vestígios,
subornando, aliciando ou ameaçando testemunhas etc.
A medida excepcional de decretação da prisão preventiva não pode ser adotada se
ausentes os fundamentos legais, ou seja, quando estão presentes elementos que indiquem a sua
necessidade. Deve ela apoiar-se em fatos concretos que os embasem e não apenas em hipóteses ou
conjecturas, ou gravidade do crime. Não se justifica apenas porque o acusado é mau pagador, ou
desonesto, ou desempregado, ou possui maus antecedentes. Também não se pode invocar a medida
para garantir a incolumidade do acusado a pretexto da conveniência da instrução criminal, pois tal
constitui desvio de finalidade.
Como a prisão preventiva depende, principalmente, das condições pessoais do
acusado, pode não haver igualdade de tratamento entre os co-réus em caso de concurso de pessoas,
sendo admissível a medida com relação a um e não a outro co-réu.

CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE:
CPP, Art. 313 - "Em qualquer das circunstâncias, previstas no artigo anterior, será
admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos:
I - punidos com reclusão;
II - punidos com detenção, quando se apurar que o indiciado é vadio ou, havendo
dúvida sobre a sua identidade, não fornecer ou não indicar elementos para esclarecê-la;
III - se o réu tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em
julgado, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 46 do Código Penal;
IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos
da lei específica, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência (Redação dada pela Lei
11.340, de 07 de agosto de 2006)."
167

Obs.: Anote-se que ao parágrafo único do artigo 46 do Código Penal corresponde


agora o artigo 64, I, do mesmo Estatuto.
Assim, permite-se a prisão preventiva em todos os crimes dolosos punidos com
reclusão; nos crimes punidos com detenção nas hipóteses do réu vadio o que frustra a sua
identificação; nos crimes punidos com qualquer pena privativa de liberdade quando se tratar de
criminoso que será considerado reincidente em crime doloso se condenado e nos crimes que envolvam
violência doméstica e familiar contra a mulher. Não se impede, inclusive, a decretação da prisão
preventiva no caso de crime afiançável.
Utilizando-se a palavra "crime", não se permite a prisão preventiva em processo em
que se apura mera contravenção. Também não se permite a custódia, embora não haja dispositivo
expresso, nos casos em que o réu se livra solto, independentemente de fiança, já que nesse caso nem
mesmo se permite o recolhimento em caso de prisão em flagrante.
Por fim, nos termos do artigo 314 do CPP, a prisão preventiva em nenhum caso será
decretada se o juiz verificar pelas provas constantes nos autos ter o agente praticado o fato nas
condições previstas como excludentes de ilicitude, ou seja, o estado de necessidade, a legítima defesa,
o estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular do direito, previstas agora no artigo 23, I, II
e III do Código Penal.
CPP, Art. 314 - A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz
verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições do art. 19, I, II
ou III, do Código Penal.

PRISÃO TEMPORÁRIA

Por força da Medida Provisória nº 111, de 24 de novembro de 1989, depois substituída pela
Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, passou a figurar na legislação processual brasileira mais
uma espécie de prisão provisória ou cautelar; é a chamada prisão temporária.

CONCEITO:
A prisão temporária trata-se de medida acauteladora, de restrição da liberdade de
locomoção, por tempo determinado, destina a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves,
durante o inquérito policial.
Contrastando-se com a tendência doutrinária moderna, de que não se deve possibilitar
o recolhimento à prisão do autor da infração penal antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória, máxime se primário e de bons antecedentes, a lei prevê o encarceramento temporário do
indiciado no procedimento policial, a qualquer tempo, por razões de necessidade ou conveniência.
Como se diz na exposição de motivos da Lei nº 7.960/89, o clima de pânico que se estabelece em
nossas cidades, a certeza da impunidade que campeia célere na consciência de nosso povo, formando
novos criminosos, exigem medidas firmes e decididas, entre elas a da prisão temporária.
Naturalmente, a prisão temporária só pode ser decretada pela autoridade judiciária,
conforme imposição constitucional, tendo tempo limitado de duração, ou seja, de 5 (cinco) dias,
prorrogáveis por igual período, com exceção da prática de crimes hediondos e de outros delitos
graves, em que o prazo é mais dilatado.

FUNDAMENTOS:
Lei 7.960/89, Art. 1° - "Caberá prisão temporária:
I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;
II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários
ao esclarecimento de sua identidade;
III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na
legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°);
b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°);
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°);
e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
168

f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único);
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo
único);
h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único);
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art.
270, caput, combinado com art. 285);
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;
m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua formas
típicas;
n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976);
o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986)."
Em primeiro lugar, diz a Lei, que caberá prisão temporária "quando imprescindível
para as investigações do inquérito policial" (art.1º, inc. I). Refere-se a eventuais entraves que impedem
se possa esclarecer devidamente o fato criminoso e suas circunstâncias, bem como sua autoria. A lei,
nesse inciso, permite a prisão não só do indiciado, como de qualquer pessoa (uma testemunha, por
exemplo), já que, ao contrário dos demais incisos do artigo 1º, não se refere ela especificamente ao
"indiciado". Trata-se, portanto, de norma legal odiosa e contrária à tradição do processo penal
brasileiro. De outro lado, referindo-se no inciso I às investigações "do inquérito policial", impede a
prisão temporária do autor da infração penal quando não se tenha instaurado o procedimento policial
inquisitivo.
É permitida também a prisão temporária "quando o indicado não tiver residência fixa
ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade" (art.1º, inc. II). Destina-se
a norma, ainda, a possibilitar o bom andamento do inquérito policial, que ficaria prejudicado pelo
desaparecimento do indiciado, difícil de ser localizado por não ter residência determinada ou por não
se conhecer sua verdadeira identidade. Efetuada a prisão, as providências de identificação, inclusive
pelo processo datiloscópico, ficam asseguradas.
Por fim, cabe ainda a medida no caso da ocorrência dos crimes elencados no artigo 1º,
inc. III, da Lei 7.960/89. Entendeu-se que a gravidade e a repulsa social que provocam qualquer desses
ilícitos justificam a prisão temporária sem que, nessa hipótese, haja necessidade de ser ela
imprescindível para as investigações ou que o agente não tenha residência fixa ou não forneça
elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade. Ao contrário das demais hipóteses, porém,
diz a lei que é necessário que haja "fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida pela
legislação penal, de autoria ou de participação do indiciado". Também ao contrário dos demais incisos,
que embasam a prisão temporária, nessa última hipótese não é necessário demonstrar a necessidade da
prisão, bastando para ela a existência de indícios suficientes de autoria.
Diante da enumeração legal do inciso III, pode-se concluir que tal medida é destinada
a aplacar o clamor público e a indignação social diante dos crimes graves mencionados, mas a lei não
exige que tais situações estejam presentes no caso em particular.
O despacho em que se decretar a prisão temporária deve ser fundamentado, e como no
caso de prisão preventiva, não são suficientes meras expressões formais ou repetição dos dizeres da
lei. Deve a autoridade judiciária, apreciando os fundamentos de fato e de direito do pedido, motivar
convenientemente a decisão, referindo-se aos pressupostos exigidos em lei conforme a hipótese.

CRIMES HEDIONDOS:
Os crimes hediondos mereceram também dispositivo especial com relação à prisão
temporária, dispondo-se no art 2º, § 3º, da Lei nº 8.072, que "ela terá o prazo de trinta dias,
prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade".
Lei nº 8.072, art. 2º - "...
§ 3º - A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de
1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de trinta dias, prorrogável por igual período em
caso de extrema e comprovada necessidade."
Importante frisar que com exceção da tortura e do terrorismo, todos os delitos
considerados como crimes hediondos enquadram-se no inciso III do artigo 1º da Lei nº 7.960, que
possibilita a prisão temporária mesmo sem a demonstração da necessidade da medida, bastando para a
sua adoção que existam indícios suficientes de autoria.
169

PROCEDIMENTOS:
Em relação a Prisão Temporária, não se prevê a possibilidade de decretação de ofício,
pelo juiz, mesmo porque a medida só se justifica durante o Inquérito Policial.
Lei nº 7.960, art. 2° - "A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5
(cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade."
Apresentada a representação da autoridade policial, o juiz, antes de decidir, deve ouvir
o Ministério Público, que opina livremente, a favor ou não na representação, não vinculando seu
parecer a decisão do magistrado. Evidentemente, tanto a representação quanto o requerimento devem
conter as razões que indicam a necessidade ou conveniência da medida, expondo seu subscritor qual
ou quais os fundamentos em que se apóia o pedido.
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 1° - Na hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz, antes de decidir,
ouvirá o Ministério Público."
O juiz tem o prazo de 24 (vinte e quatro) horas contado a partir do recebimento da
representação ou do requerimento para decidir sobre a prisão, em despacho fundamentado, sob pena
de nulidade.
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 2° - O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser fundamentado e
prolatado dentro do prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contadas a partir do recebimento da
representação ou do requerimento."
Como a medida cautelar se justifica pela urgência no esclarecimento dos fatos, dispõe
a lei que, em todas as comarcas e seções judiciárias deverá haver um plantão permanente de vinte e
quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação da prisão temporária.
Lei nº 7.960, art. 5° - "Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um plantão
permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação dos
pedidos de prisão temporária."
O mandado deve ser expedido em duas vias, uma das quais deve ser entregue ao
indiciado, servindo de nota de culpa.
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 4° - Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas vias,
uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa."
Efetuada a prisão, a autoridade policial informará o preso dos direitos previstos no art.
5° da Constituição Federal (o de permanecer calado, o de ser assistido por um advogado e pela família,
etc.).
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 6° - Efetuada a prisão, a autoridade policial informará o preso dos direitos previstos
no art. 5° da Constituição Federal."
Prevê a Lei, ainda, providências facultativas em que o magistrado pode obter novos
esclarecimentos sobre os fatos, verificar a necessidade ou conveniência da medida, para mantê-la ou
não, e assegurar-se também de que não houve constrangimento ilegal contra o preso, determinando as
medidas cabíveis diante dos esclarecimentos obtidos e do resultado do exame de corpo de delito.
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 3° - O Juiz poderá, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público e do
Advogado, determinar que o preso lhe seja apresentado, solicitar informações e esclarecimentos da
autoridade policial e submetê-lo a exame de corpo de delito."
A prorrogação prevista no art. 2º, in fine da Lei 7.960, exige uma razão maior do que
o fundamento invocado para a prisão, ou seja, só pode ser determinada em casos extremos e não
simplesmente por conveniência das investigações o por se tratar de crime de maior gravidade.
170

Lei nº 7.960, art. 2° - "A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5
(cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade."
Decorrido o prazo de 5 dias (ou de dez, se foi prorrogada a prisão), o preso deve ser
posto imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva.
Lei nº 7.960, art. 2° - "...
§ 7° - Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto
imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva."
A desobediência ao dispositivo constitui ilícito penal. Acrescentando a alínea "i" ao
artigo 4º da Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965, a Lei 7.960 prevê como delito de abuso de
autoridade "prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança deixando
de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente a ordem de liberdade.
Lei 7.960, art. 4° - O art. 4° da Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965, fica acrescido
da alínea i, com a seguinte redação:
"Art. 4° .....
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança,
deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade;"

As mesma regras aplicam-se, evidentemente, na hipótese dos crimes hediondos,


prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e genocídio, em que o prazo é de trinta
dias, prorrogável por igual período.
Lei nº 8.072, art. 2º - "...
§ 3º A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de
1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de trinta dias, prorrogável por igual período em
caso de extrema e comprovada necessidade."
A pessoa sujeita à prisão temporária deve permanecer, obrigatoriamente, separada dos
demais detentos.
Lei nº 7.960, art. 3° - "Os presos temporários deverão permanecer, obrigatoriamente,
separados dos demais detentos."
É disposição que procura, de um lado, evitar a promiscuidade do preso temporário
com os condenados e demais presos provisórios, e, de outro, facilitar as investigações e o
esclarecimento dos fatos.

V- POLICIA OSTENSIVA

SEGURANÇA PÚBLICA
É o estado indelitual que resulta da observância dos preceitos tutelados pelas leis comuns e pela lei
das contravenções penais.
ORDEM PÚBLICA
É o estado de paz social que experimenta a população, decorrente do grau de garantia individual ou
coletiva propiciado pelo Poder Público, que envolve, além das garantias de segurança, tranqüilidade e
salubridade, as noções de ordem moral, estética, política e econômica.
SALUBRIDADE PÚBLICA
Constitui-se no estado higiênico e de sanidade de um lugar, cujas condições se mostram favoráveis
ao atingimento de um nível satisfatório de qualidade de vida da coletividade, garantido através de
ações preventivas e repressivas da alçada do poder público.
POLICIAMENTO OSTENSIVO
É a atividade dinâmica de execução da Polícia ostensiva, que obedece a características, princípios e
variáveis próprias, visando satisfazer as necessidades básicas das comunidades e do cidadão.
É a polícia ostensiva em movimento.
POLÍCIA OSTENSIVA
Conjunto sistemático de conhecimentos, métodos e técnicas correlacionados com o campo jurídico-
administrativo do Estado, caracterizado pelo exercício do poder de polícia e realizado, exclusivamente
pela PM, através da presença ostensiva, na qual os seus agentes identificados de plano, na sua
171

autoridade pública, pelo fardamento, equipamento, armamento e viatura, cujo propósito é preservar a
vida, o patrimônio, enfim a ordem pública.
PODER DE POLÍCIA
É a faculdade de dispõe a administração pública ara condicionar e restringir o uso e gozo de bens,
atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado.
TRANQÜILIDADE PÚBLICA
É o estágio em que a comunidade se encontra num clima de convivência harmoniosa e pacífica,
representando assim uma situação de bem estar social.
PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA
É a manutenção ou o restabelecimento da ordem pública, impedindo atos individuais ou coletivos
que atentem contra a segurança pública, as atividades lícitas, os bens públicos ou particulares, a saúde
e o bem-estar das populações, e a vida dos cidadãos, preservando a situação de garantia e normalidade
que o Estado assegura, ou deva assegura, a todos os membros da sociedade.
ESTRATÉGIA POLICIAL-MILITAR
São escolhas, decisões que caracterizam um conjunto integrado de ações, destinadas a viabilizar os
objetivos institucionais.
TÁTICA POLICIAL- MILITAR
É a arte de empregar a tropa em ações e operações Policiais Militares.
TÉCNICA POLICIAL MILITAR
É o conjunto de métodos e procedimentos usados para a execução eficiente das atividades policiais
militares.
REGIÃO
É a circunscrição territorial atribuída à responsabilidade de um Comando Regional.
ÁREA
É o espaço físico atribuído à responsabilidade de um Batalhão de Polícia Militar (BPM) ou
Regimento de Polícia Montada (RPMon).
SUBÁREA
É o espaço físico atribuído à responsabilidade de uma Companhia PM (Cia PM) ou Esquadrão de
Polícia Montada (Esqd P Mon).
SETOR
É o espaço físico atribuído à responsabilidade de um Pelotão PM (Pel PM).
SUBSETOR
É o espaço físico atribuído à responsabilidade de um Grupo PM (GPM).
POSTO
É o espaço físico delimitado, atribuído à responsabilidade de fração elementar ou constituída,
atuando em permanência e/ou patrulhamento.
ITINERÁRIO
É o trajeto que interliga pontos-base no posto, percorrido obrigatoriamente pela fração.
LOCAL DE RISCO
É todo local que, por suas características, apresenta elevada probabilidade de ocorrência policial
militar.
OCORRÊNCIA POLICIAL MILITAR
É todo fato que exige intervenção policial militar, por intermédio de ações ou operações.
BOLETIM DE ATENDIMENTO - BA
Documento que se destina ao registro geral das intervenções do policial militar, por intermédio de
ações ou operações, em serviço de Polícia Ostensiva.
TERMO CIRCUNSTANCIADO - TC
Documento que se destina ao registro dos dados essenciais relativos às infrações penais de menor
potencial ofensivo, lavrado pelo policial militar ou civil, quando presentes as circunstâncias e
elementos que permitam a lavratura do auto de prisão em flagrante.
COMUNICAÇÃO DE OCORRÊNCIA POLICIAL - BO-COP
Documento que se destina ao registro das Comunicações de infrações penais, não enquadradas nas
circunstâncias do flagrante e/ou não comportem o registro na forma de Termo Circunstanciado.
AUTO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO - AIT (não constante na DGBM 02)
Documento que se destina ao registro dos dados essenciais relativos a infrações de trânsito,
constatada pelo policial, nas vias públicas abertas a livre circulação.
AÇÃO POLICIAL MILITAR
172

É o desempenho isolado de fração elementar ou constituída, com autonomia para cumprir missões
rotineiras.
OPERAÇÃO POLICIAL MILITAR
É a conjugação de ações, executadas por frações de tropa constituídas, que exige planejamento
específico.
AÇÃO DE PRESENÇA
É a manifestação que dá a comunidade a sensação de segurança, pela certeza de cobertura policial
militar.
Ação de presença real consiste na presença física do PM nos locais onde a probabilidade de
ocorrência seja grande.
Ação de presença potencial é a capacidade de o Policiamento Ostensivo, num espaço de tempo
mínimo, acorrer a local onde a ocorrência policial militar seja iminente ou já tenha surgido.
FRAÇÃO ELEMENTAR
Fração de tropa, de até cinco Policiais Militares (PM), que não constitua Grupo Policial Militar
(GPM), para emprego coordenado.
FRAÇÃO CONSTITUÍDA
É a tropa com efetivo mínimo de 01 (um) GPM.
ESTUDO DE SITUAÇÃO
É a ferramenta de coleta e análise de dados utilizada pelos OPM com objetivo de interpretar os
fatores intervenientes e fornecer subsídios para melhor instruir o processo decisório.
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Metodologia utilizada pelos Órgãos de Direção_Geral, que permite estabelecer a direção a ser
seguida pela Instituição, visando maior integração com o ambiente preservando o atingimento das
metas e objetivos organizacionais.
PLANEJAMENTO TÁTICO (GERENCIAL)
Metodologia utilizada pelos Departamentos e Órgãos de execução de serviço à comunidade (CRPO
e CRB), que tem por finalidade alcançar objetivos setorizados da Instituição.
PLANEJAMENTO OPERACIONAL
Metodologia de desenvolvimento e implementação de resultados específicos a serem alcançados
pelas áreas operacionais da Instituição.
PLANO
Conjunto de atividades que contém projetos, definindo caminhos e mostrando as possibilidades de
realização e de sucesso, formalizadas através de um documento.
PLANOS DE OPERAÇÕES
Documento elaborado a partir de um evento previsto ou presumido, que estabeleça a conduta PM
nas circunstâncias extraordinárias, tendo por abrangências, no mínimo, dois níveis de execução.
ORDEM DE POLÍCIA OSTENSIVA
Documento elaborado pelo Comando da Corporação e desdobrado pelos elementos de execução,
abrangendo as rotinas das áreas de inteligência, operações, instrução, administração, visando orientar
as frações subordinadas, garantindo a eficiência e eficácia nas ações de polícia ostensiva.
ORDEM DE OPERAÇÕES
Documento elaborado a partir de um evento previsto ou presumido, que estabeleça a conduta do
PM nas circunstâncias ordinárias e especiais, tendo por abrangências, no mínimo dois níveis de
execução.
AÇÃO DE POLÍCIA MILITAR
É o exercício diuturno das atividades de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública pelos
PM.
CONTROLE OPERACIONAL
É realizado em todos os níveis de execução das operações e tarefas, tomadas isoladamente.
Observa padrões de desempenho.
São instrumento de controle operacional: A presença pessoal dos diversos escalões de supervisão, o
quadro de produtividade individual e coletivo da Fração e o controle de qualidade sobre o serviço
prestado.

CARACTERÍSTICA DO POLICIAMENTO OSTENSIVO


são aspectos gerais que revestem a atividade Policial Militar, identificam o campo de atuação e as
razões de seu desencadeamento, e que são:
173

IDENTIFICAÇÃO
O Policiamento Ostensivo é a atividade de preservação da ordem pública em cujo emprego a fração
é identificada de relance pela farda. O armamento, equipamento, viatura e aprestos se constituem em
formas complementares de reconhecimento.
AÇÃO PÚBLICA
O Policiamento Ostensivo é exercido visando a preservar o interesse geral da segurança pública nas
comunidades, resguardando o bem comum em sua maior amplitude. Não se confunde com zeladoria,
atividade de vigilância particular de bens ou áreas privadas e públicas, nem com a segurança pessoal
de indivíduos sob ameaça. A atuação eventual nessas situações ocorre por conta das excepcionalidades
e não como regra de observância imperativa.
TOTALIDADE
O Policiamento Ostensivo é uma atividade essencialmente dinâmica e tem origem na necessidade
comum de segurança da comunidade, permitindo-lhe viver em tranqüilidade pública. É desenvolvida
sob os aspectos preventivo e repressivo, consoante seus elementos motivadores, assim considerados os
atos que possam se contrapor ou se contraponham à ordem pública. Consolida-se por uma sucessão de
iniciativas de planejamento e execução ou em razão de clamor público. Deve fazer frente a toda e
qualquer ocorrência, que por iniciativa própria, quer por solicitação, quer em razão de determinação.
Havendo envolvidos (pessoas, objetos), quando couber, serão encaminhados a órgãos competentes ou
estes cientificados para providências, se não implicar em prejuízo para o desenlace do atendimento.
DINÂMICA
O desempenho do sistema de Policiamento Ostensivo far-se-á, com prioridade, no cumprimento e
no aperfeiçoamento dos planos de rotina, com o fim de manter continuado e íntimo engajamento da
fração com sua circunscrição, para obter o conhecimento detalhado do terreno e dos hábitos da
população, a fim de melhor servi-la. O esforço é feito para a manutenção dos efetivos e dos meios na
execução daqueles planos que conterão o rol de prioridades pela presença continuada, objetivando
criar e manter na população a sensação de segurança que resulta na Tranqüilidade Pública, objetivo
final da Manutenção da Ordem Pública. As Operações Policiais Militares, destinadas a suprir
exigências não atendidas pelo Policiamento Ostensivo em determinados locais, poderão ser executadas
esporadicamente, em caráter supletivo, através da saturação/concentração maciça de pessoal e
material, para fazer frente a inquietante situação temporária, sem prejuízo para a Ordem de Polícia
Ostensiva.
LEGALIDADE (não incluído na DGBM 02)
As atividades de Policiamento Ostensivo desenvolvem-se dentro dos limites que a Lei estabelece.
O exercício do Poder de Polícia é discricionário, mas não arbitrário.
Seus parâmetros são a própria Lei.
PRINCÍPIOS DO POLICIAMENTO OSTENSIVO
são preceitos essenciais considerados no planejamento e na execução, visando a eficácia
operacional e compreendem:
UNIVERSALIDADE
O Policiamento Ostensivo se desenvolve para a preservação da Ordem Pública, tomada no seu
sentido amplo. A natural, e as vezes imposta, tendência à especialização, não constitui óbice à
preparação do PM capaz de dar tratamento adequado aos diversos tipos de ocorrências. Aos PM
especialmente preparados para determinado tipo de policiamento, caberá, a adoção de medidas, ainda
que preliminares, em qualquer ocorrência policial militar. O cometimento de tarefas policiais militares
específicas não desobriga o PM do atendimento a outras ocorrências que presencie ou para as quais
seja chamado ou determinado.
RESPONSABILIDADE TERRITORIAL
Os elementos em Comando, com tropa desdobrada no terreno, são responsáveis, perante o escalão
imediatamente superior, pela manutenção da Ordem Pública na circunscrição territorial que lhe estiver
afeta, especialmente pelo que decorre do Policiamento Ostensivo. Como dever, compete-lhe a
iniciativa de todas as providências legais e regulamentares, para ajustar os meios que a Corporação
aloca ao cumprimento da missão naquele espaço territorial considerado.
CONTINUIDADE
O Policiamento Ostensivo é atividade imprescindível, de caráter absolutamente operacional e será
exercido diuturnamente. A satisfação das necessidades de segurança da comunidade compreende um
nível tal de exigências que deve encontrar resposta na estrutura organizacional, nas rotinas de serviço
e na mentalidade do PM.
174

APLICAÇÃO
O Policiamento Ostensivo, por ser uma atividade facilmente identificada pela farda, exige atenções e
atuações ativas de seus executores, de forma a proporcionar o desestímulo ao cometimento de atos
antisociais, pela atuação preventiva e repressiva. A Omissão, o desinteresse e a apatia são fatores
geradores de descrédito e desconfiança por parte da comunidade e revelam falta de preparo individual
e de espírito de corpo.
ISENÇÃO
No exercício profissional, o PM através de condicionamento psicológico, atuará sem demonstrar
emoções ou concepções pessoais. Não deverá haver preconceito quanto a profissão, nível social, raça,
condição econômica ou posição política das partes envolvidas. Ao PM cabe observar a igualdade do
cidadão quanto ao gozo dos seus direitos e cumprimento de seus deveres perante a Lei, agindo com
imparcialidade e impessoalidade.
EMPREGO LÓGICO
A disposição dos meios, para a execução do Policiamento Ostensivo, deve ser o resultado de
julgamento criterioso das necessidades, escalonadas em prioridades de atendimento, da dosagem do
efetivo e do material, compreendendo o uso racional do que estiver disponível, bem como de um
conceito bem claro e definido, consolidado em esquemas exeqüíveis.
ANTECIPAÇÃO
A fim de ser estabelecido e alcançado o espírito predominantemente preventivo do Policiamento
Ostensivo, a iniciativa de providências estratégicas, táticas e técnicas, destina-se a minimizar a
surpresa, caracterizar um clima de segurança na comunidade e fazer face ao fenômeno da evolução da
criminalidade com maior presteza.
PROFUNDIDADE
A cobertura de locais de risco não ocupados e/ou o reforço pessoal empregado devem ser
efetivados ordenadamente, seja pelo judicioso emprego da reserva, seja pelo exercício da atividade. A
supervisão (fiscalização e controle) e a coordenação, realizadas por Oficiais e Graduados, também
integram este princípio, a medida que corrigem distorções e elevam o moral do executante.
UNIDADE DE COMANDO
Em eventos específicos, que exijam emprego de diferentes frações, a missão é melhor cumprida
quando se designa um só Comandante para a operação, o que possibilita a unidade de esforço, pela
aplicação coordenada de todos os meios.
OBJETIVO
O Policiamento Ostensivo visa a tranqüilidade pública pelo desencadeamento de ações e operações,
isoladas ou integradas, com propósitos particulares definidos.

VARIÁVEIS DE POLICIAMENTO OSTENSIVO - CONCEITUAÇÃO


São critérios identificadores e norteadores das ações e operações de Polícia Ostensiva.
b. Tipos:
São qualificadores de ações e operações de Policiamento Ostensivo:
1) Policiamento Geral
Tipo de Policiamento Ostensivo exercido, com exclusividade, pela Brigada Militar que visa
satisfazer as necessidades basilares de segurança, inerentes a qualquer comunidade ou a qualquer
cidadão.
2) Policiamento de Trânsito
Tipo específico de Policiamento Ostensivo exercido pela Brigada Militar, com o objetivo de
prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública e de garantir a obediência as normas
relativas a segurança de trânsito, assegurando a livre circulação e evitando acidentes.
3) Policiamento Rodoviário
Tipo específico de Policiamento Ostensivo exercido pela Brigada Militar, em rodovias
estaduais e, mediante convênio, em rodovias federais, visando prevenir e reprimir atos relacionados a
segurança pública.
4) Policiamento Ambiental
Tipo específico de Policiamento Ostensivo, exercido pela Brigada Militar, que visa preservar
através da Educação Ambiental e reprimir os crimes e infrações ambientais, buscando assim garantir a
proteção da fauna, recursos florestais, recursos hídricos, o combate a caça, pesca ilegal ou a poluição
em todas as suas formas.
5) Policiamento de Guarda
175

Tipo específico de Policiamento Ostensivo, exercido pela Brigada Militar, que visa a guarda
de aquartelamento, a segurança externa de estabelecimentos penais e sedes dos poderes estaduais.
c. Processos
São maneiras pelas quais utilizam-se os meios de locomoção.
Podem ser:
1) a pé;
2) motorizado;
3) montado;
4) aéreo;
5) em embarcações;
6) em bicicletas.
d. Modalidades
São modos peculiares de execução do Policiamento Ostensivo.
1) Patrulhamento
É a atividade móvel de observação, fiscalização, reconhecimento, proteção ou mesmo de
emprego de força desempenhada pelo PM no posto.
2) Permanência
É a atividade predominantemente estática de observação, fiscalização, reconhecimento,
proteção, emprego de força ou custódia, desempenhada pelo PM no posto.
3) Diligência
É a atividade que compreende busca de pessoas, animais ou coisas, captura de pessoas ou
animais, apreensão de animais, apreensão de animais ou coisas, resgate de vítimas.
4) Escolta
É a atividade destinada à custódia de pessoas ou bens, em deslocamento.
e. Circunstâncias
São condições que dizem respeito à freqüência com que se torna exigido o Policiamento
Ostensivo.
1) Ordinário
É o emprego rotineiro de meios operacionais em obediência a Ordem de Policia Ostensiva
(OPO), que contém a ordem de prioridades.
2) Extraordinário
É o emprego eventual e temporário de meios operacionais face a acontecimento imprevisto,
que exige manobra de recursos.
3) Especial
É o emprego temporário de meios operacionais, em eventos previsíveis que exijam esforço
específico.
f. Lugar
É o espaço geográfico em que se emprega o Policiamento Ostensivo:
1) Urbano
É o Policiamento exercido nas áreas de edificação intensiva dos municípios, caracterizado no
Plano Diretor do Município.
2) Rural
É o Policiamento exercido em áreas que se caracterizam pela ocupação extensiva, fora dos
limites urbanizados dos municípios, conforme o Plano Diretor do Município.
g. Efetivo
É a fração empenhada em uma ação ou operação:
1) Fração elementar
1 PM a 5 PM
2) Fração constituída
GPM, Pel PM, Cia PM - Esqd PM, Dest Esp, Regimento ou Batalhão.
h. Forma
É a disposição da tropa no terreno, com atribuições e responsabilidades, para execução do
Policiamento Ostensivo:
1) Desdobramento
Constitui a distribuição dos Comandos Regionais e OPM Especiais no terreno, devidamente
articuladas até nível de GPM, com limites de responsabilidade perfeitamente definidos.
2) Escalonamento
176

É o grau de responsabilidade dos sucessivos e distintos níveis da cadeia de comando, no seu


espaço geográfico.
i. Duração
É o tempo de empenho diário do PM no Policiamento Ostensivo.
1) Jornada
É o período de tempo, nas 24 horas do dia, em que o PM desenvolve a atividade Policial
Militar.
2) Turno
É o fracionamento da jornada por um período de tempo previamente determinado.
j. Suplementação
São recursos adicionais que aumentam a capacidade operacional em ações ou operações
rotineiras e/ou específicas:
1) cão;
2) rádio transceptor
3) telefone celular;
4) armamento e equipamento peculiares;
5) outros.
k. Desempenho
É a particularização do emprego do PM para cumprimento de atividade-fim no Policiamento
Ostensivo:
1) Atividade de linha
É o emprego diretamente relacionado com o público.
2) Atividade auxiliar
É o emprego em apoio imediato ao PM em atividade de linha. Não deve ser confundida com
o apoio mediato, próprio da atividade-meio.
l. Fatores intervenientes básicos
São os fatores que obrigatoriamente devem ser levados em consideração por ocasião dos
planejamentos operacionais, e dividem-se em:
1) Fatores determinantes:
Caracterizam-se pela tipicidade, gravidade e incidência de ocorrências Policiais Militares,
presumíveis ou existentes.
2) Fatores componentes:
Caracterizam-se pelos custos, espaços a serem cobertos; mobilidade, possibilidade de
contato direto, objetivando conhecimento do local de atuação e relacionamento; autonomia; facilidade
de supervisão e coordenação; flexibilidade; proteção ao PM;
3) Fatores condicionantes:
Caracterizam-se pelo local de atuação, características físicas e psicossociais; clima; dia da
semana; horário; disponibilidade de recursos.
3. PRESCRIÇÕES DIVERSAS
Nenhum critério em si pode ser tomado como a melhor indicação ou a mais eficaz, já que o pleno
rendimento operacional será obtido pela associação das variáveis.

1) Abordagem
É o ato pelo qual o policial militar se aproxima é interpela qualquer pessoa, a pé ou em
veículo, a fim de identificá-la e/ou proceder à busca, de cujo ato poderá ou não resultar outras ações
decorrentes, como orientação, advertência, a prisão, a notificação por infração de trânsito, apreensão
de coisas ou outras que a situação determine. A abordagem ocorrerá, preferencialmente, em casos que
o policial suspeite fundamentadamente da pessoa e dela só decorrerá busca pessoal se, na abordagem,
forem verificadas razões para tal.
2) Suspeito fundado
É a pessoa que reúne determinadas características ou é encontrada em situação ou em
conduta ou com objetos que induzam o agente policial a visualizá-la como sendo, potencial ou
efetivamente, autor de delito, proporcionando uma coincidência de semelhanças ou uma relação de
quase-certeza entre a pessoa abordada e o presumindo ou certo infrator penal.
3) Suspeito Intuído
177

É aquela pessoa que, em razão das circunstâncias de conduta, tempo e/ou lugar desperta no
policial uma presunção de ameaça à tranqüilidade pública, embora tal desconfiança não possua
relação direta com determinado delito.
4) Identificação
Compreende os procedimentos necessários para obter uma descrição conclusiva do
abordado, através de uma coleta de dados rápida, a qual é efetuada junto a um sistema de
informações, testemunhas, vítima ou pessoa abordada, compreendendo os seguintes dados: aspectos
físicos gerais (sexo, cor, altura, peso, idade aparente, etc); aspectos físicos específicos (cabeça, nariz,
orelha, testa, cabelo, face, corpo, pescoço, etc); caracteres distintivos (vestuário, adornos, adereços,
pastas, sotaques, gírias, alcunhas, etc) e dados de qualificação (nome, idade, identidade civil,
identidade profissional, filiação, endereço residencial, endereço profissional, profissão, subemprego,
grau de instrução, data de nascimento, nacionalidade, naturalidade, etc).
5) Busca
É a diligência destinada a encontrar pessoa ou coisa a que se procura. Pode ocorrer a
qualquer momento, desde que a circunstâncias autorizem o policial a realizar tal procedimento.
6) Orientação
É o ato de transmitir instruções procedimentais em relação a determinada situação, com o
intuito de fazer com que determinada pessoa tenha condições de portar-se adequadamente em
ocasiões futuras.
7) Advertência
Consiste no ato de censurar pessoa encontrada em conduta inconveniente, buscando a
mudança de atitude, a fim de evitar o afloramento de infração. Constitui conduta inconveniente aquele
comportamento que ainda não se configura como infração penal.
8) Prisão
É o ato de privar da liberdade a pessoa encontrada em flagrante delito ou em virtude de
mandado judicial.
9) Condução Coercitiva
Consiste no ato de encaminhar, com base no Poder de Polícia, pessoa envolvida em
ocorrência policial ao órgão competente, para as devidas providências.
10) Criminoso
É aquela pessoa que tenha ocasionalmente cometido infração penal, sem revelar reiteração
de comportamento delitivo.
11) Delinqüente
É aquela pessoa que reiteradamente comete infrações penais, revelando contumácia ou
reiteração de comportamento delitivo.
b. Critérios Gerais determinantes da Abordagem Policial:
1) Critério Administrativo – Polícia Preventiva - Abordagem Genérica
a) Nesse contexto, a abordagem é executada pela Polícia Administrativa, visando a
preservar a Ordem Pública. A motivação da atenção do policial para a conduta da pessoa ocorre em
razão da efetiva ou potencial perturbação da tranqüilidade a que está sujeita uma comunidade.
b) Ao realizar a abordagem de pessoa segundo este critério, o policial age com base no
Poder de Polícia, cujos atributos são a discricionariedade, a coercibilidade e a auto-executoriedade.
Nesta atuação policial devem estar presentes os requisitos necessários à existência do ato
administrativo: competência: conferida pela Constituição Federal para o exercício da Polícia
Ostensiva e para a Preservação da ordem Pública; Finalidade: o bem- estar da coletividade; Forma:
atuação ostensiva e, portanto, preventiva; Motivo: caracterizado como a situação de fato
aparentemente anormal ou o dever legal de agir preventivamente e no caso de veículo, por ser o
procedimento precípuo para o exercício da sua função ; e Objeto: comprovação da situação jurídica
de uma pessoa.
c) Poder de Polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar
e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do
próprio Estado.
d) A aferição da conduta suspeita é fruto da conjugação das circunstâncias de tempo,
conduta ou modo e lugar, aliados à experiência profissional do agente policial. Trata-se de breve
exercício mental de análise das circunstâncias ou de uma ação de rápida vigilância antes da
abordagem.
e) Caracterização da Conduta Suspeita:
178

(1) Circunstância de Conduta ou Modo:


Consiste em uma ação ou omissão da pessoa que sejam caracterizadas como fora do
contexto da normalidade do ambiente em que se encontra. Tal comportamento pode resultar,
potencialmente, em ameaça à tranqüilidade pública ou no cometimento de infração penal. A
Legislação que rege a matéria não desceu ao detalhe do procedimento técnico do policial, quanto ao
modo de agir antes, durante e depois da busca pessoal, bem como da imobilização de pessoa
envolvida em atividade ilícita, limitando-se tão-somente a estabelecer a motivação da Ação Policial
Militar. Exemplo: abordar pessoa trafegando muitas vezes pelo mesmo local em um curto período;
abordar, em razão do clamor público, pessoa envolvida em infração penal, a qual está por cometer ou
está cometendo ou já a cometeu; pessoa transportando objeto de valor em horário e local, ou sob
condições de risco, em desconformidade com a normalidade social; pessoa transportando objetos
(especialmente que possam causar dano físico) utilizáveis para prática de crimes.
(2) Circunstância de Tempo:
Todo comportamento que esteja associado ao período considerado. Exemplo:
período considerado pelas estatísticas criminais; ação ou omissão praticada fora do horário habitual de
funcionamento das atividades; conduta praticada durante o horário de repouso noturno.
(3) Circunstância de Lugar:
Todo comportamento que esteja associado ao lugar e ao período considerado.
Exemplo: estabelecimento comercial que apresente anormalidade de conduta de seus funcionários ou
em relação a luzes, alarmes ou alterações no cercamento.
2) Critério Processual Penal – Polícia Repressiva – Abordagem de Criminoso ou Delinqüente
Neste contexto, o policial age repressivamente ao decidir abordar o cidadão que está
cometendo ou acaba de cometer um delito, ou é perseguido em situação que faça presumir ser autor
de infração penal, ou é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que se
façam presumir ser ele autor da infração penal (em flagrante delito, portanto), ou contra o qual haja
Mandado de Prisão a ser cumprido.
c. Princípios da Abordagem Policial
1) Legalidade
No ato de efetuar abordagem policial, o Policial-Militar deverá observar os princípios legais
que asseguram ao cidadão seus direitos e garantias individuais.
2) Planejamento Prévio
Consiste na elaboração mental de plano que defina o que fazer, como fazer, onde fazer,
quando fazer e por que fazer.
3) Segurança
Consiste na adoção de rotinas e cuidados destinados a reduzir ao máximo o perigo da reação
e violência por parte das pessoas abordadas. A ação deve ser segura para o cidadão abordado, para a
sociedade e, também, para o policial, que detém e emprega a força.
4) Surpresa
A surpresa da abordagem é elemento fundamental do êxito do procedimento porque, através
do inesperado, reduz a possibilidade da reação do abordado, principal óbice ao sucesso da ação
policial.
5) Rapidez
A rapidez está intimamente ligada ao fator surpresa: quanto mais rápida for desencadeada a
ação policial, maior a surpresa e menor a possibilidade de reação.
6) Ação Vigorosa
Conjugação da postura corporal, entonação da voz e atitude de decisão. Entonação da voz é
o emprego da voz pelo policial, de forma a suscitar a intimidação no grau necessário que a situação
requeira. Toda abordagem deve ser realizada com o número de policiais compatível com a situação
requerida na abordagem e, tratando-se de abordagem de suspeitos fundados, com policiais em número
no mínimo igual ou superior ao das pessoas abordadas.
7) Unidade de Comando
Toda a abordagem deve ser coordenada por um comando único, evitando múltiplas e
contraditórias ordens e procedimentos.
d. Fases da Abordagem Policial
1) Planejamento Tático Mental
Consiste na coleta de dados e análise dos fatos, verificando o tipo de infração praticada, o
local, o horário, o número de suspeitos, criminosos ou delinqüentes envolvidos, os meios utilizados, o
179

modus operandi, a possibilidade de reação ou resistência e, ainda, as condições de atuação do efetivo


policial. Após análise destes fatores, se decidirá quando e como realizar a abordagem. Tudo isso se
dará de forma rápida.
2) Plano de Ação
Consiste na adoção de um plano, escrito ou verbal, formulado para a prática da abordagem.
Definição prévia de tarefa ou missão que cada policial desempenhará no desencadeamento da ação,
considerando-se todos os quesitos já verificados no planejamento mental.
3) Procedimentos de Abordagem:
a) Comunicação à Sala de Operações:
É o primeiro procedimento, e tem por objetivo informar a exata situação do recurso
empenhado. O seu conteúdo deverá ser composto dos seguintes dados:
(1) Descrição do local da abordagem (rua, beco, vila, estabelecimento, ponto de referência, etc);
(2) Descrição do tipo de abordagem: uma pessoa, grupo de pessoas, edificação, veículo, etc;
(3) Características do que será abordado: características físicas de pessoa ou pessoas, placas, modelo e
cor de veículo, cor e tipo de edificação, etc;
(4) Descrição do motivo da abordagem: grupo de pessoas concentradas em local, tipo de delito,
veículo atravessado na pista de rolamento, disparos ouvidos em via pública ou em edificações, etc.
b) Tomada de Posições:
(1) Devem ser estabelecidas as funções de cada policial durante a prática de uma abordagem, seja por
uma prévia combinação ou pelo conhecimento mútuo da atuação de seu companheiro de
patrulhamento. A tomada de posição dependerá do tipo de abordagem que será efetuada.
(2) São funções básicas dos Policiais-Militares nas abordagens e, de acordo com a composição das
guarnições, podendo ser cumuladas por um mesmo policial:
(a) Comandante de abordagem;
(b) Responsável pela segurança;
(c) Responsável pela busca pessoal, veicular ou em edificação;
(d) Responsável pelas orientações finais.
c) Anunciação:
(1) É a comunicação ao cidadão abordado de que se está realizando uma abordagem policial. Deve ser
uma mensagem rápida, clara, precisa e concisa, a fim de que a pessoa entenda o que está ocorrendo,
bem como que de sua parte cesse qualquer ação ou reação. A anunciação verbal é feita pelo
comandante da abordagem, devendo evitar qualquer tipo de desrespeito ao abordado.
(2) A frase utilizada, atendendo ao transcrito acima e aos princípios da surpresa e da rapidez, deverá
permitir ao cidadão abordado identificar o agente policial e qual a conduta ou postura que deverá
adotar a partir daquele momento.
(3) As ordens ou comandos a seguir serão determinadas de acordo com o tipo de abordagem que está
sendo realizada: pessoas a pé, veículos ou recintos, bem como em relação às circunstâncias peculiares
de cada ocorrência.
d) Busca:
(1) A busca pode ser pessoal, veicular ou domiciliar, classificando-se em:
(a) Busca Ligeira;
(b) Busca Minuciosa;
(c) Busca em Delinqüente.
(2) A busca em mulheres: deverá ser realizada sempre por policial feminina, sendo que, nos casos em
que não houver disponibilidade de tal profissional e o aguardo da presença dela implicar em atraso
das diligências, os Policiais-Militares masculinos deverão apenas realizar a revista em bolsas,
agasalhos ou outras peças onde possam estar escondidas armas ou objetos ou produtos de crimes,
lavrando-se, de tudo, o devido termo pelo responsável, bem como arrolando-se testemunhas.
e) Identificação:
Tem por objetivo obter dados que singularizem o indivíduo, o veículo ou
estabelecimento, nos sistemas de registros sociais. A correta identidade é obtida através de breve
entrevista e pela observação e análise de documentos pessoais, ou pela consulta a bancos de dados
criminais.
f) Decisão decorrente da abordagem:
( 1 ) Constatada a infração Penal:
Adoção de conduta policial cabível ao caso.
( 2 ) Não constatada a Infração Penal:
180

(a) Advertência, solicitando ao cidadão que modifique seu comportamento,


informando que sua ação poderá conduzi-lo à pratica de infração penal. Simultaneamente, deve-se
orientar o abordado quanto a eventuais riscos que o acompanham naquela situação, bem como instruí-
lo para adotar conduta adequada.
(b) Agradecer a atenção dispensada quando da abordagem realizada. Esta atitude de
agradecimento transmite um espírito de valorização por parte do policial ao cidadão, ensejando um
sentido de preocupação com a Comunidade. Além disso, indica que, embora seja o PM um
profissional que no seu cotidiano de trabalho convive com muitas situações de violência, ele é capaz
de ser cortês e educado. Esta postura causa tranqüilidade e admiração nas pessoas, permitindo uma
melhor colaboração com o trabalho policial.
g) Encerramento:
(1) Comunicação da situação final da abordagem para a Sala de Operações: devem ser informados os
dados referentes ao desfecho da ocorrência, como descrição do ilícito e seus objetos relacionados,
dados da prisão, advertência e/ou orientação;
(2) Confecção de Boletim de Ocorrência: para toda e qualquer abordagem realizada deve ser
confeccionada um Boletim de Ocorrência, mesmo que esta não resulte em prisão ou outro
encaminhamento. Esta providência existe porque toda a abordagem, sendo uma intervenção, constitui-
se em uma ação policial e, como tal, deve possuir um registro. Seus dados podem ser reunidos em
Bancos de Dados, para caracterização de um delito específico, que terá desdobramentos futuros, bem
como de resguardo contra queixas que porventura venham a serem apresentadas contra o Policial
Militar.

DGBM N.º 019/BM/DLP/2003-COMUNICAÇÕES

1) Comunicações: Atividades que visam possibilitar o estabelecimento das ligações entre os


integrantes dos diversos escalões da Brigada Militar.
2) Sistema de comunicações de dados via rádio: Constituído de equipamentos e acessórios
projetados e desenvolvidos para viabilizar o tráfego de dados via rádio.
3) Gerenciador de rede de comunicações: Equipamento destinado ao gerenciamento
automatizado das estações em uso na rede. Possibilita registro automático do tráfego, ativação ou
desativação remota, chamada seletiva, etc.
4) Estação de rádio: Conjunto de equipamentos: rádio, fontes conversoras, antenas, etc.
5) Transceptor: Equipamento composto de um transmissor e um receptor de comunicações.
6) Repetidores: Equipamentos utilizados para receber sinais de radiofreqüência de baixa
potência, amplificar e retransmitir, permitindo desta forma, alcance às demais estações da rede. Por
esta razão os repetidores devem estar localizados em pontos de comandamento sobre todas as estações
da rede.
7) Terminal telefônico de emergência: Equipamento que possibilita ao usuário efetuar
ligação telefônica através de um número padrão, “190 e 193” sem ocorrer a tarifação da ligação
efetuada.
8) Terminal de rede de dados: Periféricos que compõem a estação de rede de dados, ligados
através da linha física ou rádio, podendo ser fixo ou móvel.
9) Linha privada: Destinada ao enlace exclusivo entre dois pontos. Presta-se a atender as
necessidades de alta taxa de tráfego entre estes dois pontos ou a ligação de duas centrais telefônicas,
possibilitando acesso entre ambas. Devido ao alto custo, não é recomendado o uso para baixas taxas de
tráfego.
10) Serviço Limitado: Destinado a atender interesses individualizados de intercomunicação,
através de radiocomunicação, que por motivos reconhecidos pelo poder competente, não possam ser
atendidos por outra modalidade de serviço. É executado através de estações, não abertas à
correspondência pública e destinado ao uso de pessoas físicas e jurídicas nacionais. (Portaria do
Ministério das Comunicações 848 de 18/08/78).
11) Correspondência Oficial, categoria "L": Efetuada por órgãos dos Governos Estaduais,
dos Territórios, dos Municípios e do Distrito Federal. Inclui-se nesta definição a correspondência
oficial de órgão do Governo Federal que não seja caracterizada como segurança nacional.(Norma
05/78).
12) Correspondência Privada: Efetuada através de sistemas destinados a serem utilizados
por uma única ou por um grupo limitado de pessoas físicas ou jurídicas.
181

13) PCom: Conjunto de pessoal, equipamentos e instalações, com a finalidade de receber,


transmitir e processar mensagens.
14) Rede Rádio: Formado pelos PCom e estações de rádio, cujos equipamentos estão
sintonizados na mesma freqüência.
15) PDR: Posto Diretor de Rede posto que serve a mais alta autoridade da rede rádio, tem a
missão de controlar, instruir e manter a disciplina da rede.
16) MINICOM: Ministério das Comunicações.
17) ANATEL: Agencia Nacional de Telecomunicações, a qual tem um representação no
Estado através do Escritório Regional.
18) SITAR: Sistema de Informações Técnicas para Administração de Radiocomunicações.
19) UIT: União Internacional de Telecomunicações, que é sediada em Genebra.
20) Projeto técnico: Documentos confeccionados por engenheiro projetista, registrado no
CREA, que são encaminhados ao MINICOM, visando aprovar, alterar redes de comunicações,
devendo estar de acordo com as normas do SITAR.
21) Produto homologado e registrado: Equipamento de comunicações fabricado no país, é
homologado mediante certificado de homologação, quando de procedência estrangeira, é registrado
mediante certificado de registro.
22) Identificação de produto certificado: Realizada através da plaqueta de identificação,
que se destina a permitir ao usuário verificar se o produto está homologado ou registrado, bem como
todos os dados pertinentes.
23) Certificado de homologação e registro: Documento expedido pelo Ministério das
Comunicações autorizando o uso de equipamento. (Norma NGT 004/91 e portaria 10/92, do
MINICOM).
24) Manutenção: Conjunto das atividades destinadas a manter os suprimentos em condições
de emprego quer evitando o seu desgaste antecipado (manutenção preventiva), quer restabelecendo as
condições de uso (manutenção corretiva).
25) Manutenção orgânica: A cargo dos Órgãos Policiais Militares que utilizam o material.
Abrange os primeiro e segundo escalões de manutenção.
26) Manutenção de Campanha: A cargo das equipes de manutenção do CCom.
Compreende as atividades de terceiro escalão de manutenção.
27) Manutenção de Recuperação: A cargo do CCom em seus laboratórios ou através de
terceiros. Abrange os quarto e quinto Escalões de manutenção.
28) Manutenção de primeiro escalão: Manutenção preventiva orgânica que compreende as
operações de manutenção mais simples, realizada pelo próprio usuário.
29) Manutenção segundo escalão: Manutenção orgânica que compreende as Operações
realizadas nos OPM através dos elementos treinados pelo CCom, autorizados para execução destas
reparações mais simples.
30) Manutenção de terceiro escalão: Manutenção corretiva de campanha que compreende
as operações realizadas pelas equipes de manutenção do CCom, em apoio direto às unidades,
consistindo em reparações de certa complexidade.
31) Manutenção de quarto escalão: Manutenção corretiva realizada nos laboratórios do
CCom, consistindo em reparações mais complexas de equipamentos que deverão retornar às unidades
de origem.
32) Manutenção de quinto escalão: Manutenção de recuperação que compreende as
operações realizadas pelo CCom, Fabricantes ou Laboratórios Técnicos Credenciados.
33) Sistema de Manutenção: Conjunto integrado de pessoal, material, instalações,
princípios, normas, processos e técnicos destinado a manter o material em condições de uso.
34) Canibalização: Desmontagem de material descarregado, para aproveitamento de
componentes ou matéria prima.
35) Conservação: Conjunto de atividades de primeiro escalão que compreendem a limpeza,
a lubrificação e outros trabalhos, visando a manter o material em condições de uso e impedir que o
mesmo se deprecie prematuramente.
36) Estoque de manutenção: Material armazenado visando atender as necessidades de
manutenção.
37) Reparação: Conjunto de atividades de manutenção que consiste em remoção de falhas
apresentadas pelo material, para restabelecer as condições de uso de cada item. Compreende a
manutenção de 2º, 3º e 4º Escalão.
182

38) Recuperação: Conjunto de atividades de manutenção destinado a colocar materiais


usados em estado de novo. Consiste na manutenção de 5º escalão.
39) Depanagem: Operação de retirar a pane de equipamento de comunicações.
40) Mensagem: Documento originado de um expedidor, destinado à transmissão por um
meio de comunicação.
41) Expedidor: Autoridade que determina o envio da mensagem podendo ser o
Comandante, Chefe ou Diretor, ou seu representante legal;
42) Redator: Responsável pela redação da mensagem, pode ser o próprio expedidor, ou
aquele que a escreve;
43) Destinatário: Autoridade ou usuário a quem a mensagem é dirigida.
44) Mensagem Clara: Quando o texto é inteligível.
45) Mensagem Criptografada: Texto é ininteligível em qualquer idioma.
46) Mensagem de partida: Quando parte do PCom.
47) Mensagem de chegada: Quando chega ao PCom e destina-se ao OPM da local.
48) Mensagem de trânsito: Quando o PCom recebe a mensagem de outro PCom para
retransmiti-la a um terceiro.
49) Mensagem simples: Dirigida para um destinatário.
50) Mensagem circular: Quando é endereçada para mais de um destinatário.
51) Mensagem de serviço: Trocada entre o PCom e que se refere ao funcionamento destes.
52) Mensagem Confidencial: Cujo conhecimento de seu conteúdo por pessoas não
autorizadas pode ser prejudicial a um indivíduo ou organização, ou ainda, criar embaraços
operacionais e/ou administrativos.
53) Mensagem reservada: Cujo conhecimento não deva ser dado ao público em geral.
54) Mensagem ostensiva: Que pela natureza do assunto não mereçam qualquer
classificação.
55) Mensagem urgentíssima (UU): Quando o assunto for de extrema urgência, devendo ser
imediatamente transmitida pelo PCom, através do meio mais rápido.
56) Mensagem urgente (U): Quando o assunto referir-se a situações críticas, devendo ser
transmitida com prioridade pelo PCom.
57) Mensagem de prioridade (P): Quando o assunto for de importância que exija a pronta
transmissão pelo PCom. É a mais alta precedência dada à mensagem de caráter administrativo, as
mensagens que não forem classificadas quanto à precedência serão transmitidas nos horários previstos
pelo PCom, obedecendo a ord

DOS VEÍCULOS

Art. 96. Os veículos classificam-se em:

I - quanto à tração:

a) automotor;

b) elétrico;

c) de propulsão humana;

d) de tração animal;

e) reboque ou semi-reboque;

II - quanto à espécie:

a) de passageiros:

1 - bicicleta;
183

2 - ciclomotor;

3 - motoneta;

4 - motocicleta;

5 - triciclo;

6 - quadriciclo;

7 - automóvel;

8 - microônibus;

9 - ônibus;

10 - bonde;

11 - reboque ou semi-reboque;

12 - charrete;

b) de carga:

1 - motoneta;

2 - motocicleta;

3 - triciclo;

4 - quadriciclo;

5 - caminhonete;

6 - caminhão;

7 - reboque ou semi-reboque;

8 - carroça;

9 - carro-de-mão;

c) misto:

1 - camioneta;

2 - utilitário;

3 - outros;

d) de competição;

e) de tração:

1 - caminhão-trator;
184

2 - trator de rodas;

3 - trator de esteiras;

4 - trator misto;

f) especial;

g) de coleção;

III - quanto à categoria:

a) oficial;

b) de representação diplomática, de repartições consulares de carreira ou organismos


internacionais acreditados junto ao Governo brasileiro;

c) particular;

d) de aluguel;

e) de aprendizagem.

Art. 97. As características dos veículos, suas especificações básicas, configuração e condições
essenciais para registro, licenciamento e circulação serão estabelecidas pelo CONTRAN, em função
de suas aplicações.

Art. 98. Nenhum proprietário ou responsável poderá, sem prévia autorização da autoridade
competente, fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas características de
fábrica.

Parágrafo único. Os veículos e motores novos ou usados que sofrerem alterações ou conversões
são obrigados a atender aos mesmos limites e exigências de emissão de poluentes e ruído previstos
pelos órgãos ambientais competentes e pelo CONTRAN, cabendo à entidade executora das
modificações e ao proprietário do veículo a responsabilidade pelo cumprimento das exigências.

Art. 99. Somente poderá transitar pelas vias terrestres o veículo cujo peso e dimensões atenderem
aos limites estabelecidos pelo CONTRAN.

§ 1º O excesso de peso será aferido por equipamento de pesagem ou pela verificação de


documento fiscal, na forma estabelecida pelo CONTRAN.

§ 2º Será tolerado um percentual sobre os limites de peso bruto total e peso bruto transmitido por
eixo de veículos à superfície das vias, quando aferido por equipamento, na forma estabelecida pelo
CONTRAN.

§ 3º Os equipamentos fixos ou móveis utilizados na pesagem de veículos serão aferidos de acordo


com a metodologia e na periodicidade estabelecidas pelo CONTRAN, ouvido o órgão ou entidade de
metrologia legal.

Art. 100. Nenhum veículo ou combinação de veículos poderá transitar com lotação de
passageiros, com peso bruto total, ou com peso bruto total combinado com peso por eixo, superior ao
fixado pelo fabricante, nem ultrapassar a capacidade máxima de tração da unidade tratora.

Parágrafo único. O CONTRAN regulamentará o uso de pneus extralargos, definindo seus limites
de peso.
185

Art. 101. Ao veículo ou combinação de veículos utilizado no transporte de carga indivisível, que
não se enquadre nos limites de peso e dimensões estabelecidos pelo CONTRAN, poderá ser
concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo
certo, válida para cada viagem, atendidas as medidas de segurança consideradas necessárias.

§ 1º A autorização será concedida mediante requerimento que especificará as características do


veículo ou combinação de veículos e de carga, o percurso, a data e o horário do deslocamento inicial.

§ 2º A autorização não exime o beneficiário da responsabilidade por eventuais danos que o


veículo ou a combinação de veículos causar à via ou a terceiros.

§ 3º Aos guindastes autopropelidos ou sobre caminhões poderá ser concedida, pela autoridade
com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo de seis meses, atendidas as
medidas de segurança consideradas necessárias.

Art. 102. O veículo de carga deverá estar devidamente equipado quando transitar, de modo a
evitar o derramamento da carga sobre a via.

Parágrafo único. O CONTRAN fixará os requisitos mínimos e a forma de proteção das cargas de
que trata este artigo, de acordo com a sua natureza.

Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo
CONTRAN:

I - cinto de segurança, conforme regulamentação específica do CONTRAN, com exceção dos


veículos destinados ao transporte de passageiros em percursos em que seja permitido viajar em pé;

II - para os veículos de transporte e de condução escolar, os de transporte de passageiros com


mais de dez lugares e os de carga com peso bruto total superior a quatro mil, quinhentos e trinta e seis
quilogramas, equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo;

III - encosto de cabeça, para todos os tipos de veículos automotores, segundo normas
estabelecidas pelo CONTRAN;

V - dispositivo destinado ao controle de emissão de gases poluentes e de ruído, segundo normas


estabelecidas pelo CONTRAN.

VI - para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e
espelho retrovisor do lado esquerdo.

§ 1º O CONTRAN disciplinará o uso dos equipamentos obrigatórios dos veículos e determinará


suas especificações técnicas.

§ 2º Nenhum veículo poderá transitar com equipamento ou acessório proibido, sendo o infrator
sujeito às penalidades e medidas administrativas previstas neste Código.

§ 3º Os fabricantes, os importadores, os montadores, os encarroçadores de veículos e os


revendedores devem comercializar os seus veículos com os equipamentos obrigatórios definidos neste
artigo, e com os demais estabelecidos pelo CONTRAN.

§ 4º O CONTRAN estabelecerá o prazo para o atendimento do disposto neste artigo.

Art. 106. No caso de fabricação artesanal ou de modificação de veículo ou, ainda, quando ocorrer
substituição de equipamento de segurança especificado pelo fabricante, será exigido, para
licenciamento e registro, certificado de segurança expedido por instituição técnica credenciada por
órgão ou entidade de metrologia legal, conforme norma elaborada pelo CONTRAN.
186

Art. 107. Os veículos de aluguel, destinados ao transporte individual ou coletivo de passageiros,


deverão satisfazer, além das exigências previstas neste Código, às condições técnicas e aos requisitos
de segurança, higiene e conforto estabelecidos pelo poder competente para autorizar, permitir ou
conceder a exploração dessa atividade.

Art. 108. Onde não houver linha regular de ônibus, a autoridade com circunscrição sobre a via
poderá autorizar, a título precário, o transporte de passageiros em veículo de carga ou misto, desde que
obedecidas as condições de segurança estabelecidas neste Código e pelo CONTRAN.

Parágrafo único. A autorização citada no caput não poderá exceder a doze meses, prazo a partir do
qual a autoridade pública responsável deverá implantar o serviço regular de transporte coletivo de
passageiros, em conformidade com a legislação pertinente e com os dispositivos deste Código.

Art. 109. O transporte de carga em veículos destinados ao transporte de passageiros só pode ser
realizado de acordo com as normas estabelecidas pelo CONTRAN.

Art. 110. O veículo que tiver alterada qualquer de suas características para competição ou
finalidade análoga só poderá circular nas vias públicas com licença especial da autoridade de trânsito,
em itinerário e horário fixados.

Art. 111. É vedado, nas áreas envidraçadas do veículo:

II - o uso de cortinas, persianas fechadas ou similares nos veículos em movimento, salvo nos que
possuam espelhos retrovisores em ambos os lados.

III - aposição de inscrições, películas refletivas ou não, painéis decorativos ou pinturas, quando
comprometer a segurança do veículo, na forma de regulamentação do CONTRAN.

Parágrafo único. É proibido o uso de inscrição de caráter publicitário ou qualquer outra que possa
desviar a atenção dos condutores em toda a extensão do pára-brisa e da traseira dos

Art. 113. Os importadores, as montadoras, as encarroçadoras e fabricantes de veículos e


autopeças são responsáveis civil e criminalmente por danos causados aos usuários, a terceiros, e ao
meio ambiente, decorrentes de falhas oriundas de projetos e da qualidade dos materiais e
equipamentos utilizados na sua fabricação.

Da Identificação do Veículo

Art. 114. O veículo será identificado obrigatoriamente por caracteres gravados no chassi ou no
monobloco, reproduzidos em outras partes, conforme dispuser o CONTRAN.

§ 1º A gravação será realizada pelo fabricante ou montador, de modo a identificar o veículo, seu
fabricante e as suas características, além do ano de fabricação, que não poderá ser alterado.

§ 2º As regravações, quando necessárias, dependerão de prévia autorização da autoridade


executiva de trânsito e somente serão processadas por estabelecimento por ela credenciado, mediante a
comprovação de propriedade do veículo, mantida a mesma identificação anterior, inclusive o ano de
fabricação.

§ 3º Nenhum proprietário poderá, sem prévia permissão da autoridade executiva de trânsito,


fazer, ou ordenar que se faça, modificações da identificação de seu veículo.

Art. 115. O veículo será identificado externamente por meio de placas dianteira e traseira, sendo
esta lacrada em sua estrutura, obedecidas as especificações e modelos estabelecidos pelo CONTRAN.

§ 1º Os caracteres das placas serão individualizados para cada veículo e o acompanharão até a
baixa do registro, sendo vedado seu reaproveitamento.
187

§ 2º As placas com as cores verde e amarela da Bandeira Nacional serão usadas somente pelos
veículos de representação pessoal do Presidente e do Vice-Presidente da República, dos Presidentes do
Senado Federal e da Câmara dos Deputados, do Presidente e dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, dos Ministros de Estado, do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República.

§ 3º Os veículos de representação dos Presidentes dos Tribunais Federais, dos Governadores,


Prefeitos, Secretários Estaduais e Municipais, dos Presidentes das Assembléias Legislativas, das
Câmaras Municipais, dos Presidentes dos Tribunais Estaduais e do Distrito Federal, e do respectivo
chefe do Ministério Público e ainda dos Oficiais Generais das Forças Armadas terão placas especiais,
de acordo com os modelos estabelecidos pelo CONTRAN.

§ 4º Os aparelhos automotores destinados a puxar ou arrastar maquinaria de qualquer natureza ou


a executar trabalhos agrícolas e de construção ou de pavimentação são sujeitos, desde que lhes seja
facultado transitar nas vias, ao registro e licenciamento da repartição competente, devendo receber
numeração especial.

§ 5º O disposto neste artigo não se aplica aos veículos de uso bélico.

§ 6º Os veículos de duas ou três rodas são dispensados da placa dianteira.

Art. 116. Os veículos de propriedade da União, dos Estados e do Distrito Federal, devidamente
registrados e licenciados, somente quando estritamente usados em serviço reservado de caráter
policial, poderão usar placas particulares, obedecidos os critérios e limites estabelecidos pela
legislação que regulamenta o uso de veículo oficial.

Art. 117. Os veículos de transporte de carga e os coletivos de passageiros deverão conter, em


local facilmente visível, a inscrição indicativa de sua tara, do peso bruto total (PBT), do peso bruto
total combinado (PBTC) ou capacidade máxima de tração (CMT) e de sua lotação, vedado o uso em
desacordo com sua classificação.

DOS VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL

Art. 118. A circulação de veículo no território nacional, independentemente de sua origem, em


trânsito entre o Brasil e os países com os quais exista acordo ou tratado internacional, reger-se-á pelas
disposições deste Código, pelas convenções e acordos internacionais ratificados.

Art. 119. As repartições aduaneiras e os órgãos de controle de fronteira comunicarão diretamente


ao RENAVAM a entrada e saída temporária ou definitiva de veículos.

Parágrafo único. Os veículos licenciados no exterior não poderão sair do território nacional sem
prévia quitação de débitos de multa por infrações de trânsito e o ressarcimento de danos que tiverem
causado a bens do patrimônio público, respeitado o princípio da reciprocidade.

DO REGISTRO DE VEÍCULOS

Art. 120. Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou semi-reboque, deve ser
registrado perante o órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, no Município de
domicílio ou residência de seu proprietário, na forma da lei.

§ 1º Os órgãos executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal somente registrarão


veículos oficiais de propriedade da administração direta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, de qualquer um dos poderes, com indicação expressa, por pintura nas portas, do
nome, sigla ou logotipo do órgão ou entidade em cujo nome o veículo será registrado, excetuando-se
os veículos de representação e os previstos no art. 116.

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica ao veículo de uso bélico.


188

Art. 121. Registrado o veículo, expedir-se-á o Certificado de Registro de Veículo - CRV de


acordo com os modelos e especificações estabelecidos pelo CONTRAN, contendo as características e
condições de invulnerabilidade à falsificação e à adulteração.

Art. 122. Para a expedição do Certificado de Registro de Veículo o órgão executivo de trânsito
consultará o cadastro do RENAVAM e exigirá do proprietário os seguintes documentos:

I - nota fiscal fornecida pelo fabricante ou revendedor, ou documento equivalente expedido por
autoridade competente;

II - documento fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores, quando se tratar de veículo
importado por membro de missões diplomáticas, de repartições consulares de carreira, de
representações de organismos internacionais e de seus integrantes.

Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando:

I - for transferida a propriedade;

II - o proprietário mudar o Município de domicílio ou residência;

III - for alterada qualquer característica do veículo;

IV - houver mudança de categoria.

§ 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências


necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias,
sendo que nos demais casos as providências deverão ser imediatas.

§ 2º No caso de transferência de domicílio ou residência no mesmo Município, o proprietário


comunicará o novo endereço num prazo de trinta dias e aguardará o novo licenciamento para alterar o
Certificado de Licenciamento Anual.

§ 3º A expedição do novo certificado será comunicada ao órgão executivo de trânsito que expediu
o anterior e ao RENAVAM.

Art. 124. Para a expedição do novo Certificado de Registro de Veículo serão exigidos os
seguintes documentos:

I - Certificado de Registro de Veículo anterior;

II - Certificado de Licenciamento Anual;

III - comprovante de transferência de propriedade, quando for o caso, conforme modelo e normas
estabelecidas pelo CONTRAN;

IV - Certificado de Segurança Veicular e de emissão de poluentes e ruído, quando houver


adaptação ou alteração de características do veículo;

V - comprovante de procedência e justificativa da propriedade dos componentes e agregados


adaptados ou montados no veículo, quando houver alteração das características originais de fábrica;

VI - autorização do Ministério das Relações Exteriores, no caso de veículo da categoria de


missões diplomáticas, de repartições consulares de carreira, de representações de organismos
internacionais e de seus integrantes;

VII - certidão negativa de roubo ou furto de veículo, expedida no Município do registro anterior,
que poderá ser substituída por informação do RENAVAM;
189

VIII - comprovante de quitação de débitos relativos a tributos, encargos e multas de trânsito


vinculados ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas;

X - comprovante relativo ao cumprimento do disposto no art. 98, quando houver alteração nas
características originais do veículo que afetem a emissão de poluentes e ruído;

XI - comprovante de aprovação de inspeção veicular e de poluentes e ruído, quando for o caso,


conforme regulamentações do CONTRAN e do CONAMA.

Art. 125. As informações sobre o chassi, o monobloco, os agregados e as características originais


do veículo deverão ser prestadas ao RENAVAM:

I - pelo fabricante ou montadora, antes da comercialização, no caso de veículo nacional;

II - pelo órgão alfandegário, no caso de veículo importado por pessoa física;

III - pelo importador, no caso de veículo importado por pessoa jurídica.

Parágrafo único. As informações recebidas pelo RENAVAM serão repassadas ao órgão executivo
de trânsito responsável pelo registro, devendo este comunicar ao RENAVAM, tão logo seja o veículo
registrado.

Art. 126. O proprietário de veículo irrecuperável, ou definitivamente desmontado, deverá


requerer a baixa do registro, no prazo e forma estabelecidos pelo CONTRAN, sendo vedada a
remontagem do veículo sobre o mesmo chassi, de forma a manter o registro anterior.

Parágrafo único. A obrigação de que trata este artigo é da companhia seguradora ou do adquirente
do veículo destinado à desmontagem, quando estes sucederem ao proprietário.

Art. 127. O órgão executivo de trânsito competente só efetuará a baixa do registro após prévia
consulta ao cadastro do RENAVAM.

Parágrafo único. Efetuada a baixa do registro, deverá ser esta comunicada, de imediato, ao
RENAVAM.

Art. 128. Não será expedido novo Certificado de Registro de Veículo enquanto houver débitos
fiscais e de multas de trânsito e ambientais, vinculadas ao veículo, independentemente da
responsabilidade pelas infrações cometidas.

Art. 129. O registro e o licenciamento dos veículos de propulsão humana, dos ciclomotores e dos
veículos de tração animal obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do
domicílio ou residência de seus proprietários.

DO LICENCIAMENTO

Art. 130. Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou semi-reboque, para transitar na
via, deverá ser licenciado anualmente pelo órgão executivo de trânsito do Estado, ou do Distrito
Federal, onde estiver registrado o veículo.

§ 1º O disposto neste artigo não se aplica a veículo de uso bélico.

§ 2º No caso de transferência de residência ou domicílio, é válido, durante o exercício, o


licenciamento de origem.

Art. 131. O Certificado de Licenciamento Anual será expedido ao veículo licenciado, vinculado
ao Certificado de Registro, no modelo e especificações estabelecidos pelo CONTRAN.
190

§ 1º O primeiro licenciamento será feito simultaneamente ao registro.

§ 2º O veículo somente será considerado licenciado estando quitados os débitos relativos a


tributos, encargos e multas de trânsito e ambientais, vinculados ao veículo, independentemente da
responsabilidade pelas infrações cometidas.

§ 3º Ao licenciar o veículo, o proprietário deverá comprovar sua aprovação nas inspeções de


segurança veicular e de controle de emissões de gases poluentes e de ruído, conforme disposto no art.
104.

Art. 132. Os veículos novos não estão sujeitos ao licenciamento e terão sua circulação regulada
pelo CONTRAN durante o trajeto entre a fábrica e o Município de destino.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, igualmente, aos veículos importados, durante o
trajeto entre a alfândega ou entreposto alfandegário e o Município de destino.

Art. 133. É obrigatório o porte do Certificado de Licenciamento Anual.

Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao


órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do
comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se
responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da
comunicação.

Art. 135. Os veículos de aluguel, destinados ao transporte individual ou coletivo de passageiros


de linhas regulares ou empregados em qualquer serviço remunerado, para registro, licenciamento e
respectivo emplacamento de característica comercial, deverão estar devidamente autorizados pelo
poder público concedente.

CAPÍTULO XIII
DA CONDUÇÃO DE ESCOLARES

Art. 136. Os veículos especialmente destinados à condução coletiva de escolares somente


poderão circular nas vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal, exigindo-se, para tanto:

I - registro como veículo de passageiros;

II - inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de segurança;

III - pintura de faixa horizontal na cor amarela, com quarenta centímetros de largura, à meia
altura, em toda a extensão das partes laterais e traseira da carroçaria, com o dístico ESCOLAR, em
preto, sendo que, em caso de veículo de carroçaria pintada na cor amarela, as cores aqui indicadas
devem ser invertidas;

IV - equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo;

V - lanternas de luz branca, fosca ou amarela dispostas nas extremidades da parte superior
dianteira e lanternas de luz vermelha dispostas na extremidade superior da parte traseira;

VI - cintos de segurança em número igual à lotação;

VII - outros requisitos e equipamentos obrigatórios estabelecidos pelo CONTRAN.

Art. 137. A autorização a que se refere o artigo anterior deverá ser afixada na parte interna do
veículo, em local visível, com inscrição da lotação permitida, sendo vedada a condução de escolares
em número superior à capacidade estabelecida pelo fabricante.
191

Art. 138. O condutor de veículo destinado à condução de escolares deve satisfazer os seguintes
requisitos:

I - ter idade superior a vinte e um anos;

II - ser habilitado na categoria D;

III - (VETADO)

IV - não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações
médias durante os doze últimos meses;

V - ser aprovado em curso especializado, nos termos da regulamentação do CONTRAN.

Art. 139. O disposto neste Capítulo não exclui a competência municipal de aplicar as exigências
previstas em seus regulamentos, para o transporte de escolares.

DA HABILITAÇÃO

Art. 140. A habilitação para conduzir veículo automotor e elétrico será apurada por meio de
exames que deverão ser realizados junto ao órgão ou entidade executivos do Estado ou do Distrito
Federal, do domicílio ou residência do candidato, ou na sede estadual ou distrital do próprio órgão,
devendo o condutor preencher os seguintes requisitos:

I - ser penalmente imputável;

II - saber ler e escrever;

III - possuir Carteira de Identidade ou equivalente.

Parágrafo único. As informações do candidato à habilitação serão cadastradas no RENACH.

Art. 141. O processo de habilitação, as normas relativas à aprendizagem para conduzir veículos
automotores e elétricos e à autorização para conduzir ciclomotores serão regulamentados pelo
CONTRAN.

§ 1º A autorização para conduzir veículos de propulsão humana e de tração animal ficará a cargo
dos Municípios.

Art. 142. O reconhecimento de habilitação obtida em outro país está subordinado às condições
estabelecidas em convenções e acordos internacionais e às normas do CONTRAN.

Art. 143. Os candidatos poderão habilitar-se nas categorias de A a E, obedecida a seguinte


gradação:

I - Categoria A - condutor de veículo motorizado de duas ou três rodas, com ou sem carro lateral;

II - Categoria B - condutor de veículo motorizado, não abrangido pela categoria A, cujo peso
bruto total não exceda a três mil e quinhentos quilogramas e cuja lotação não exceda a oito lugares,
excluído o do motorista;

III - Categoria C - condutor de veículo motorizado utilizado em transporte de carga, cujo peso
bruto total exceda a três mil e quinhentos quilogramas;

IV - Categoria D - condutor de veículo motorizado utilizado no transporte de passageiros, cuja


lotação exceda a oito lugares, excluído o do motorista;
192

V - Categoria E - condutor de combinação de veículos em que a unidade tratora se enquadre nas


Categorias B, C ou D e cuja unidade acoplada, reboque, semi-reboque ou articulada, tenha seis mil
quilogramas ou mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a oito lugares, ou, ainda, seja
enquadrado na categoria trailer.

§ 1º Para habilitar-se na categoria C, o condutor deverá estar habilitado no mínimo há um ano na


categoria B e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações
médias, durante os últimos doze meses.

§ 2º Aplica-se o disposto no inciso V ao condutor da combinação de veículos com mais de uma


unidade tracionada, independentemente da capacidade de tração ou do peso bruto total.

Art. 144. O trator de roda, o trator de esteira, o trator misto ou o equipamento automotor
destinado à movimentação de cargas ou execução de trabalho agrícola, de terraplenagem, de
construção ou de pavimentação só podem ser conduzidos na via pública por condutor habilitado nas
categorias C, D ou E.

Art. 145. Para habilitar-se nas categorias D e E ou para conduzir veículo de transporte coletivo de
passageiros, de escolares, de emergência ou de produto perigoso, o candidato deverá preencher os
seguintes requisitos:

I - ser maior de vinte e um anos;

II - estar habilitado:

a) no mínimo há dois anos na categoria B, ou no mínimo há um ano na categoria C, quando


pretender habilitar-se na categoria D; e

b) no mínimo há um ano na categoria C, quando pretender habilitar-se na categoria E;

III - não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima ou ser reincidente em infrações
médias durante os últimos doze meses;

IV - ser aprovado em curso especializado e em curso de treinamento de prática veicular em


situação de risco, nos termos da normatização do CONTRAN.

Art. 146. Para conduzir veículos de outra categoria o condutor deverá realizar exames
complementares exigidos para habilitação na categoria pretendida.

Art. 147. O candidato à habilitação deverá submeter-se a exames realizados pelo órgão executivo
de trânsito, na seguinte ordem:

I - de aptidão física e mental;

II - (VETADO)

III - escrito, sobre legislação de trânsito;

IV - de noções de primeiros socorros, conforme regulamentação do CONTRAN;

V - de direção veicular, realizado na via pública, em veículo da categoria para a qual estiver
habilitando-se.

§ 1º Os resultados dos exames e a identificação dos respectivos examinadores serão registrados


no RENACH. (Renumerado do parágrafo único, pela Lei nº 9.602, de 1998)
193

§ 2º O exame de aptidão física e mental será preliminar e renovável a cada cinco anos, ou a cada
três anos para condutores com mais de sessenta e cinco anos de idade, no local de residência ou
domicílio do examinado. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)

§ 3o O exame previsto no § 2o incluirá avaliação psicológica preliminar e complementar sempre


que a ele se submeter o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, incluindo-se esta
avaliação para os demais candidatos apenas no exame referente à primeira habilitação. (Redação dada
pela Lei nº 10.350, de 2001)

§ 4º Quando houver indícios de deficiência física, mental, ou de progressividade de doença que


possa diminuir a capacidade para conduzir o veículo, o prazo previsto no § 2º poderá ser diminuído
por proposta do perito examinador. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)

§ 5o O condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa informação incluída na sua
Carteira Nacional de Habilitação, conforme especificações do Conselho Nacional de Trânsito –
Contran. (Incluído pela Lei nº 10.350, de 2001)

Art. 148. Os exames de habilitação, exceto os de direção veicular, poderão ser aplicados por
entidades públicas ou privadas credenciadas pelo órgão executivo de trânsito dos Estados e do Distrito
Federal, de acordo com as normas estabelecidas pelo CONTRAN.

§ 1º A formação de condutores deverá incluir, obrigatoriamente, curso de direção defensiva e de


conceitos básicos de proteção ao meio ambiente relacionados com o trânsito.

§ 2º Ao candidato aprovado será conferida Permissão para Dirigir, com validade de um ano.

§ 3º A Carteira Nacional de Habilitação será conferida ao condutor no término de um ano, desde


que o mesmo não tenha cometido nenhuma infração de natureza grave ou gravíssima ou seja
reincidente em infração média.

§ 4º A não obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, tendo em vista a incapacidade de


atendimento do disposto no parágrafo anterior, obriga o candidato a reiniciar todo o processo de
habilitação.

§ 5º O Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN poderá dispensar os tripulantes de aeronaves


que apresentarem o cartão de saúde expedido pelas Forças Armadas ou pelo Departamento de
Aeronáutica Civil, respectivamente, da prestação do exame de aptidão física e mental. (Incluído pela
Lei nº 9.602, de 1998)

Art. 149. (VETADO)

Art. 150. Ao renovar os exames previstos no artigo anterior, o condutor que não tenha curso de
direção defensiva e primeiros socorros deverá a eles ser submetido, conforme normatização do
CONTRAN.

Parágrafo único. A empresa que utiliza condutores contratados para operar a sua frota de veículos
é obrigada a fornecer curso de direção defensiva, primeiros socorros e outros conforme normatização
do CONTRAN.

Art. 151. No caso de reprovação no exame escrito sobre legislação de trânsito ou de direção
veicular, o candidato só poderá repetir o exame depois de decorridos quinze dias da divulgação do
resultado.

Art. 152. O exame de direção veicular será realizado perante uma comissão integrada por três
membros designados pelo dirigente do órgão executivo local de trânsito, para o período de um ano,
permitida a recondução por mais um período de igual duração.
194

§ 1º Na comissão de exame de direção veicular, pelo menos um membro deverá ser habilitado na
categoria igual ou superior à pretendida pelo candidato.

§ 2º Os militares das Forças Armadas e Auxiliares que possuírem curso de formação de condutor,
ministrado em suas corporações, serão dispensados, para a concessão da Carteira Nacional de
Habilitação, dos exames a que se houverem submetido com aprovação naquele curso, desde que neles
sejam observadas as normas estabelecidas pelo CONTRAN.

§ 3º O militar interessado instruirá seu requerimento com ofício do Comandante, Chefe ou


Diretor da organização militar em que servir, do qual constarão: o número do registro de identificação,
naturalidade, nome, filiação, idade e categoria em que se habilitou a conduzir, acompanhado de cópias
das atas dos exames prestados.

Art. 153. O candidato habilitado terá em seu prontuário a identificação de seus instrutores e
examinadores, que serão passíveis de punição conforme regulamentação a ser estabelecida pelo
CONTRAN.

Parágrafo único. As penalidades aplicadas aos instrutores e examinadores serão de advertência,


suspensão e cancelamento da autorização para o exercício da atividade, conforme a falta cometida.

Art. 154. Os veículos destinados à formação de condutores serão identificados por uma faixa
amarela, de vinte centímetros de largura, pintada ao longo da carroçaria, à meia altura, com a inscrição
AUTO-ESCOLA na cor preta.

Parágrafo único. No veículo eventualmente utilizado para aprendizagem, quando autorizado para
servir a esse fim, deverá ser afixada ao longo de sua carroçaria, à meia altura, faixa branca removível,
de vinte centímetros de largura, com a inscrição AUTO-ESCOLA na cor preta.

Art. 155. A formação de condutor de veículo automotor e elétrico será realizada por instrutor
autorizado pelo órgão executivo de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal, pertencente ou não à
entidade credenciada.

Parágrafo único. Ao aprendiz será expedida autorização para aprendizagem, de acordo com a
regulamentação do CONTRAN, após aprovação nos exames de aptidão física, mental, de primeiros
socorros e sobre legislação de trânsito.(Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)

Art. 156. O CONTRAN regulamentará o credenciamento para prestação de serviço pelas auto-
escolas e outras entidades destinadas à formação de condutores e às exigências necessárias para o
exercício das atividades de instrutor e examinador.

Art. 158. A aprendizagem só poderá realizar-se:

I - nos termos, horários e locais estabelecidos pelo órgão executivo de trânsito;

II - acompanhado o aprendiz por instrutor autorizado.

Parágrafo único. Além do aprendiz e do instrutor, o veículo utilizado na aprendizagem poderá


conduzir apenas mais um acompanhante.

Art. 159. A Carteira Nacional de Habilitação, expedida em modelo único e de acordo com as
especificações do CONTRAN, atendidos os pré-requisitos estabelecidos neste Código, conterá
fotografia, identificação e CPF do condutor, terá fé pública e equivalerá a documento de identidade em
todo o território nacional.

§ 1º É obrigatório o porte da Permissão para Dirigir ou da Carteira Nacional de Habilitação


quando o condutor estiver à direção do veículo.
195

§ 3º A emissão de nova via da Carteira Nacional de Habilitação será regulamentada pelo


CONTRAN.

§ 5º A Carteira Nacional de Habilitação e a Permissão para Dirigir somente terão validade para a
condução de veículo quando apresentada em original.

§ 6º A identificação da Carteira Nacional de Habilitação expedida e a da autoridade expedidora


serão registradas no RENACH.

§ 7º A cada condutor corresponderá um único registro no RENACH, agregando-se neste todas as


informações.

§ 8º A renovação da validade da Carteira Nacional de Habilitação ou a emissão de uma nova via


somente será realizada após quitação de débitos constantes do prontuário do condutor.

§ 10. A validade da Carteira Nacional de Habilitação está condicionada ao prazo de vigência do


exame de aptidão física e mental. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)

§ 11. A Carteira Nacional de Habilitação, expedida na vigência do Código anterior, será


substituída por ocasião do vencimento do prazo para revalidação do exame de aptidão física e mental,
ressalvados os casos especiais previstos nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)

Art. 160. O condutor condenado por delito de trânsito deverá ser submetido a novos exames para
que possa voltar a dirigir, de acordo com as normas estabelecidas pelo CONTRAN,
independentemente do reconhecimento da prescrição, em face da pena concretizada na sentença.

§ 1º Em caso de acidente grave, o condutor nele envolvido poderá ser submetido aos exames
exigidos neste artigo, a juízo da autoridade executiva estadual de trânsito, assegurada ampla defesa ao
condutor.

§ 2º No caso do parágrafo anterior, a autoridade executiva estadual de trânsito poderá apreender o


documento de habilitação do condutor até a sua aprovação nos exames realizados.

DAS INFRAÇÕES

Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste Código, da
legislação complementar ou das resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e
medidas administrativas indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX.

Parágrafo único. As infrações cometidas em relação às resoluções do CONTRAN terão suas


penalidades e medidas administrativas definidas nas próprias resoluções.

Art. 162. Dirigir veículo:

I - sem possuir Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (três vezes) e apreensão do veículo;

II - com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir cassada ou com suspensão
do direito de dirigir:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (cinco vezes) e apreensão do veículo;


196

III - com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir de categoria diferente da do
veículo que esteja conduzindo:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (três vezes) e apreensão do veículo;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação;

IV - (VETADO)

V - com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação e retenção do veículo


até a apresentação de condutor habilitado;

VI - sem usar lentes corretoras de visão, aparelho auxiliar de audição, de prótese física ou as
adaptações do veículo impostas por ocasião da concessão ou da renovação da licença para conduzir:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo até o saneamento da irregularidade ou apresentação


de condutor habilitado.

Art. 163. Entregar a direção do veículo a pessoa nas condições previstas no artigo anterior:

Infração - as mesmas previstas no artigo anterior;

Penalidade - as mesmas previstas no artigo anterior;

Medida administrativa - a mesma prevista no inciso III do artigo anterior.

Art. 164. Permitir que pessoa nas condições referidas nos incisos do art. 162 tome posse do
veículo automotor e passe a conduzi-lo na via:

Infração - as mesmas previstas nos incisos do art. 162;

Penalidade - as mesmas previstas no art. 162;

Medida administrativa - a mesma prevista no inciso III do art. 162.

Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que
determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)

Infração - gravíssima; (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)

Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses; (Redação
dada pela Lei nº 11.705, de 2008)
197

Medida Administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e


recolhimento do documento de habilitação. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)

Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277.

Art. 166. Confiar ou entregar a direção de veículo a pessoa que, mesmo habilitada, por seu estado
físico ou psíquico, não estiver em condições de dirigi-lo com segurança:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 167. Deixar o condutor ou passageiro de usar o cinto de segurança, conforme previsto no art.
65:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo até colocação do cinto pelo infrator.

Art. 168. Transportar crianças em veículo automotor sem observância das normas de segurança
especiais estabelecidas neste Código:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada.

Art. 169. Dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança:

Infração - leve;

Penalidade - multa.

Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais
veículos:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;

Medida administrativa - retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

Art. 171. Usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 172. Atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias:

Infração - média;

Penalidade - multa.
198

Art. 173. Disputar corrida por espírito de emulação:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (três vezes), suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e remoção do veículo.

Art. 174. Promover, na via, competição esportiva, eventos organizados, exibição e demonstração
de perícia em manobra de veículo, ou deles participar, como condutor, sem permissão da autoridade de
trânsito com circunscrição sobre a via:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (cinco vezes), suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e remoção do veículo.

Parágrafo único. As penalidades são aplicáveis aos promotores e aos condutores participantes.

Art. 175. Utilizar-se de veículo para, em via pública, demonstrar ou exibir manobra perigosa,
arrancada brusca, derrapagem ou frenagem com deslizamento ou arrastamento de pneus:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa, suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e remoção do veículo.

Art. 176. Deixar o condutor envolvido em acidente com vítima:

I - de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo;

II - de adotar providências, podendo fazê-lo, no sentido de evitar perigo para o trânsito no local;

III - de preservar o local, de forma a facilitar os trabalhos da polícia e da perícia;

IV - de adotar providências para remover o veículo do local, quando determinadas por policial ou
agente da autoridade de trânsito;

V - de identificar-se ao policial e de lhe prestar informações necessárias à confecção do boletim


de ocorrência:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação.

Art. 177. Deixar o condutor de prestar socorro à vítima de acidente de trânsito quando solicitado
pela autoridade e seus agentes:

Infração - grave;

Penalidade - multa.
199

Art. 178. Deixar o condutor, envolvido em acidente sem vítima, de adotar providências para
remover o veículo do local, quando necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do
trânsito:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 179. Fazer ou deixar que se faça reparo em veículo na via pública, salvo nos casos de
impedimento absoluto de sua remoção e em que o veículo esteja devidamente sinalizado:

I - em pista de rolamento de rodovias e vias de trânsito rápido:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

II - nas demais vias:

Infração - leve;

Penalidade - multa.

Art. 180. Ter seu veículo imobilizado na via por falta de combustível:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 181. Estacionar o veículo:

I - nas esquinas e a menos de cinco metros do bordo do alinhamento da via transversal:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

II - afastado da guia da calçada (meio-fio) de cinqüenta centímetros a um metro:

Infração - leve;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

III - afastado da guia da calçada (meio-fio) a mais de um metro:

Infração - grave;

Penalidade - multa;
200

Medida administrativa - remoção do veículo;

IV - em desacordo com as posições estabelecidas neste Código:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

V - na pista de rolamento das estradas, das rodovias, das vias de trânsito rápido e das vias dotadas
de acostamento:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

VI - junto ou sobre hidrantes de incêndio, registro de água ou tampas de poços de visita de


galerias subterrâneas, desde que devidamente identificados, conforme especificação do CONTRAN:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

VII - nos acostamentos, salvo motivo de força maior:

Infração - leve;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

VIII - no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas
ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de
canalização, gramados ou jardim público:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

IX - onde houver guia de calçada (meio-fio) rebaixada destinada à entrada ou saída de veículos:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

X - impedindo a movimentação de outro veículo:


201

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XI - ao lado de outro veículo em fila dupla:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XII - na área de cruzamento de vias, prejudicando a circulação de veículos e pedestres:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XIII - onde houver sinalização horizontal delimitadora de ponto de embarque ou desembarque de


passageiros de transporte coletivo ou, na inexistência desta sinalização, no intervalo compreendido
entre dez metros antes e depois do marco do ponto:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XIV - nos viadutos, pontes e túneis:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XV - na contramão de direção:

Infração - média;

Penalidade - multa;

XVI - em aclive ou declive, não estando devidamente freado e sem calço de segurança, quando se
tratar de veículo com peso bruto total superior a três mil e quinhentos quilogramas:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;


202

XVII - em desacordo com as condições regulamentadas especificamente pela sinalização (placa -


Estacionamento Regulamentado):

Infração - leve;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XVIII - em locais e horários proibidos especificamente pela sinalização (placa - Proibido


Estacionar):

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo;

XIX - em locais e horários de estacionamento e parada proibidos pela sinalização (placa -


Proibido Parar e Estacionar):

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção do veículo.

§ 1º Nos casos previstos neste artigo, a autoridade de trânsito aplicará a penalidade


preferencialmente após a remoção do veículo.

§ 2º No caso previsto no inciso XVI é proibido abandonar o calço de segurança na via.

Art. 182. Parar o veículo:

I - nas esquinas e a menos de cinco metros do bordo do alinhamento da via transversal:

Infração - média;

Penalidade - multa;

II - afastado da guia da calçada (meio-fio) de cinqüenta centímetros a um metro:

Infração - leve;

Penalidade - multa;

III - afastado da guia da calçada (meio-fio) a mais de um metro:

Infração - média;

Penalidade - multa;

IV - em desacordo com as posições estabelecidas neste Código:

Infração - leve;
203

Penalidade - multa;

V - na pista de rolamento das estradas, das rodovias, das vias de trânsito rápido e das demais vias
dotadas de acostamento:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

VI - no passeio ou sobre faixa destinada a pedestres, nas ilhas, refúgios, canteiros centrais e
divisores de pista de rolamento e marcas de canalização:

Infração - leve;

Penalidade - multa;

VII - na área de cruzamento de vias, prejudicando a circulação de veículos e pedestres:

Infração - média;

Penalidade - multa;

VIII - nos viadutos, pontes e túneis:

Infração - média;

Penalidade - multa;

IX - na contramão de direção:

Infração - média;

Penalidade - multa;

X - em local e horário proibidos especificamente pela sinalização (placa - Proibido Parar):

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 183. Parar o veículo sobre a faixa de pedestres na mudança de sinal luminoso:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 184. Transitar com o veículo:

I - na faixa ou pista da direita, regulamentada como de circulação exclusiva para determinado tipo
de veículo, exceto para acesso a imóveis lindeiros ou conversões à direita:

Infração - leve;

Penalidade - multa;
204

II - na faixa ou pista da esquerda regulamentada como de circulação exclusiva para determinado


tipo de veículo:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 185. Quando o veículo estiver em movimento, deixar de conservá-lo:

I - na faixa a ele destinada pela sinalização de regulamentação, exceto em situações de


emergência;

II - nas faixas da direita, os veículos lentos e de maior porte:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 186. Transitar pela contramão de direção em:

I - vias com duplo sentido de circulação, exceto para ultrapassar outro veículo e apenas pelo
tempo necessário, respeitada a preferência do veículo que transitar em sentido contrário:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

II - vias com sinalização de regulamentação de sentido único de circulação:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 187. Transitar em locais e horários não permitidos pela regulamentação estabelecida pela
autoridade competente:

I - para todos os tipos de veículos:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Art. 188. Transitar ao lado de outro veículo, interrompendo ou perturbando o trânsito:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 189. Deixar de dar passagem aos veículos precedidos de batedores, de socorro de incêndio e
salvamento, de polícia, de operação e fiscalização de trânsito e às ambulâncias, quando em serviço de
urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação
vermelha intermitentes:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.
205

Art. 190. Seguir veículo em serviço de urgência, estando este com prioridade de passagem
devidamente identificada por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha
intermitentes:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 191. Forçar passagem entre veículos que, transitando em sentidos opostos, estejam na
iminência de passar um pelo outro ao realizar operação de ultrapassagem:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os
demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as
condições climáticas do local da circulação e do veículo:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas,
refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de
canalização, gramados e jardins públicos:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (três vezes).

Art. 194. Transitar em marcha à ré, salvo na distância necessária a pequenas manobras e de forma
a não causar riscos à segurança:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 195. Desobedecer às ordens emanadas da autoridade competente de trânsito ou de seus


agentes:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 196. Deixar de indicar com antecedência, mediante gesto regulamentar de braço ou luz
indicadora de direção do veículo, o início da marcha, a realização da manobra de parar o veículo, a
mudança de direção ou de faixa de circulação:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 197. Deixar de deslocar, com antecedência, o veículo para a faixa mais à esquerda ou mais à
direita, dentro da respectiva mão de direção, quando for manobrar para um desses lados:

Infração - média;
206

Penalidade - multa.

Art. 198. Deixar de dar passagem pela esquerda, quando solicitado:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 199. Ultrapassar pela direita, salvo quando o veículo da frente estiver colocado na faixa
apropriada e der sinal de que vai entrar à esquerda:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 200. Ultrapassar pela direita veículo de transporte coletivo ou de escolares, parado para
embarque ou desembarque de passageiros, salvo quando houver refúgio de segurança para o pedestre:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou
ultrapassar bicicleta:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 202. Ultrapassar outro veículo:

I - pelo acostamento;

II - em interseções e passagens de nível;

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 203. Ultrapassar pela contramão outro veículo:

I - nas curvas, aclives e declives, sem visibilidade suficiente;

II - nas faixas de pedestre;

III - nas pontes, viadutos ou túneis;

IV - parado em fila junto a sinais luminosos, porteiras, cancelas, cruzamentos ou qualquer outro
impedimento à livre circulação;

V - onde houver marcação viária longitudinal de divisão de fluxos opostos do tipo linha dupla
contínua ou simples contínua amarela:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.
207

Art. 204. Deixar de parar o veículo no acostamento à direita, para aguardar a oportunidade de
cruzar a pista ou entrar à esquerda, onde não houver local apropriado para operação de retorno:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 205. Ultrapassar veículo em movimento que integre cortejo, préstito, desfile e formações
militares, salvo com autorização da autoridade de trânsito ou de seus agentes:

Infração - leve;

Penalidade - multa.

Art. 206. Executar operação de retorno:

I - em locais proibidos pela sinalização;

II - nas curvas, aclives, declives, pontes, viadutos e túneis;

III - passando por cima de calçada, passeio, ilhas, ajardinamento ou canteiros de divisões de pista
de rolamento, refúgios e faixas de pedestres e nas de veículos não motorizados;

IV - nas interseções, entrando na contramão de direção da via transversal;

V - com prejuízo da livre circulação ou da segurança, ainda que em locais permitidos:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 207. Executar operação de conversão à direita ou à esquerda em locais proibidos pela
sinalização:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 208. Avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 209. Transpor, sem autorização, bloqueio viário com ou sem sinalização ou dispositivos
auxiliares, deixar de adentrar às áreas destinadas à pesagem de veículos ou evadir-se para não efetuar
o pagamento do pedágio:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 210. Transpor, sem autorização, bloqueio viário policial:

Infração - gravíssima;
208

Penalidade - multa, apreensão do veículo e suspensão do direito de dirigir;

Medida administrativa - remoção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

Art. 211. Ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio
viário parcial ou qualquer outro obstáculo, com exceção dos veículos não motorizados:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 212. Deixar de parar o veículo antes de transpor linha férrea:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 213. Deixar de parar o veículo sempre que a respectiva marcha for interceptada:

I - por agrupamento de pessoas, como préstitos, passeatas, desfiles e outros:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

II - por agrupamento de veículos, como cortejos, formações militares e outros:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:

I - que se encontre na faixa a ele destinada;

II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;

III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

IV - quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;

V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 215. Deixar de dar preferência de passagem:

I - em interseção não sinalizada:

a) a veículo que estiver circulando por rodovia ou rotatória;


209

b) a veículo que vier da direita;

II - nas interseções com sinalização de regulamentação de Dê a Preferência:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 216. Entrar ou sair de áreas lindeiras sem estar adequadamente posicionado para ingresso na
via e sem as precauções com a segurança de pedestres e de outros veículos:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 217. Entrar ou sair de fila de veículos estacionados sem dar preferência de passagem a
pedestres e a outros veículos:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 218. Transitar em velocidade superior à máxima permitida para o local, medida por
instrumento ou equipamento hábil, em rodovias, vias de trânsito rápido, vias arteriais e demais vias:

I - quando a velocidade for superior à máxima em até 20% (vinte por cento):

Infração - média; (Redação dada pela Lei nº 11.334, de 2006)

Penalidade - multa; (Redação dada pela Lei nº 11.334, de 2006)

II - quando a velocidade for superior à máxima em mais de 20% (vinte por cento) até 50%
(cinqüenta por cento):

Infração - grave;

Penalidade - multa;

III - quando a velocidade for superior à máxima em mais de 50% (cinqüenta por cento):

Infração - gravíssima; Penalidade - multa [3 (três) vezes], suspensão imediata do direito de


dirigir e apreensão do documento de habilitação.

Art. 219. Transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima
estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e
meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do
trânsito:

I - quando se aproximar de passeatas, aglomerações, cortejos, préstitos e desfiles:


210

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

II - nos locais onde o trânsito esteja sendo controlado pelo agente da autoridade de trânsito,
mediante sinais sonoros ou gestos;

III - ao aproximar-se da guia da calçada (meio-fio) ou acostamento;

IV - ao aproximar-se de ou passar por interseção não sinalizada;

V - nas vias rurais cuja faixa de domínio não esteja cercada;

VI - nos trechos em curva de pequeno raio;

VII - ao aproximar-se de locais sinalizados com advertência de obras ou trabalhadores na pista;

VIII - sob chuva, neblina, cerração ou ventos fortes;

IX - quando houver má visibilidade;

X - quando o pavimento se apresentar escorregadio, defeituoso ou avariado;

XI - à aproximação de animais na pista;

XII - em declive;

XIII - ao ultrapassar ciclista:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

XIV - nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de


passageiros ou onde haja intensa movimentação de pedestres:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 221. Portar no veículo placas de identificação em desacordo com as especificações e


modelos estabelecidos pelo CONTRAN:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização e apreensão das placas


irregulares.

Parágrafo único. Incide na mesma penalidade aquele que confecciona, distribui ou coloca, em
veículo próprio ou de terceiros, placas de identificação não autorizadas pela regulamentação.

Art. 222. Deixar de manter ligado, nas situações de atendimento de emergência, o sistema de
iluminação vermelha intermitente dos veículos de polícia, de socorro de incêndio e salvamento, de
fiscalização de trânsito e das ambulâncias, ainda que parados:
211

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 223. Transitar com o farol desregulado ou com o facho de luz alta de forma a perturbar a
visão de outro condutor:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 224. Fazer uso do facho de luz alta dos faróis em vias providas de iluminação pública:

Infração - leve;

Penalidade - multa.

Art. 225. Deixar de sinalizar a via, de forma a prevenir os demais condutores e, à noite, não
manter acesas as luzes externas ou omitir-se quanto a providências necessárias para tornar visível o
local, quando:

I - tiver de remover o veículo da pista de rolamento ou permanecer no acostamento;

II - a carga for derramada sobre a via e não puder ser retirada imediatamente:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Art. 226. Deixar de retirar todo e qualquer objeto que tenha sido utilizado para sinalização
temporária da via:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 227. Usar buzina:

I - em situação que não a de simples toque breve como advertência ao pedestre ou a condutores
de outros veículos;

II - prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto;

III - entre as vinte e duas e as seis horas;

IV - em locais e horários proibidos pela sinalização;

V - em desacordo com os padrões e freqüências estabelecidas pelo CONTRAN:

Infração - leve;

Penalidade - multa.
212

Art. 228. Usar no veículo equipamento com som em volume ou freqüência que não sejam
autorizados pelo CONTRAN:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 229. Usar indevidamente no veículo aparelho de alarme ou que produza sons e ruído que
perturbem o sossego público, em desacordo com normas fixadas pelo CONTRAN:

Infração - média;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 230. Conduzir o veículo:

I - com o lacre, a inscrição do chassi, o selo, a placa ou qualquer outro elemento de identificação
do veículo violado ou falsificado;

II - transportando passageiros em compartimento de carga, salvo por motivo de força maior, com
permissão da autoridade competente e na forma estabelecida pelo CONTRAN;

III - com dispositivo anti-radar;

IV - sem qualquer uma das placas de identificação;

V - que não esteja registrado e devidamente licenciado;

VI - com qualquer uma das placas de identificação sem condições de legibilidade e visibilidade:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo;

VII - com a cor ou característica alterada;

VIII - sem ter sido submetido à inspeção de segurança veicular, quando obrigatória;

IX - sem equipamento obrigatório ou estando este ineficiente ou inoperante;

X - com equipamento obrigatório em desacordo com o estabelecido pelo CONTRAN;

XI - com descarga livre ou silenciador de motor de explosão defeituoso, deficiente ou inoperante;

XII - com equipamento ou acessório proibido;

XIII - com o equipamento do sistema de iluminação e de sinalização alterados;

XIV - com registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo viciado ou defeituoso,


quando houver exigência desse aparelho;
213

XV - com inscrições, adesivos, legendas e símbolos de caráter publicitário afixados ou pintados


no pára-brisa e em toda a extensão da parte traseira do veículo, excetuadas as hipóteses previstas neste
Código;

XVI - com vidros total ou parcialmente cobertos por películas refletivas ou não, painéis
decorativos ou pinturas;

XVII - com cortinas ou persianas fechadas, não autorizadas pela legislação;

XVIII - em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, ou reprovado na avaliação


de inspeção de segurança e de emissão de poluentes e ruído, prevista no art. 104;

XIX - sem acionar o limpador de pára-brisa sob chuva:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização;

XX - sem portar a autorização para condução de escolares, na forma estabelecida no art. 136:

Infração - grave;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

XXI - de carga, com falta de inscrição da tara e demais inscrições previstas neste Código;

XXII - com defeito no sistema de iluminação, de sinalização ou com lâmpadas queimadas:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 231. Transitar com o veículo:

I - danificando a via, suas instalações e equipamentos;

II - derramando, lançando ou arrastando sobre a via:

a) carga que esteja transportando;

b) combustível ou lubrificante que esteja utilizando;

c) qualquer objeto que possa acarretar risco de acidente:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização;

III - produzindo fumaça, gases ou partículas em níveis superiores aos fixados pelo CONTRAN;

IV - com suas dimensões ou de sua carga superiores aos limites estabelecidos legalmente ou pela
sinalização, sem autorização:
214

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização;

V - com excesso de peso, admitido percentual de tolerância quando aferido por equipamento, na
forma a ser estabelecida pelo CONTRAN:

Infração - média;

Penalidade - multa acrescida a cada duzentos quilogramas ou fração de excesso de peso apurado,
constante na seguinte tabela:

a) até seiscentos quilogramas - 5 (cinco) UFIR;

b) de seiscentos e um a oitocentos quilogramas - 10 (dez) UFIR;

c) de oitocentos e um a um mil quilogramas - 20 (vinte) UFIR;

d) de um mil e um a três mil quilogramas - 30 (trinta) UFIR;

e) de três mil e um a cinco mil quilogramas - 40 (quarenta) UFIR;

f) acima de cinco mil e um quilogramas - 50 (cinqüenta) UFIR;

Medida administrativa - retenção do veículo e transbordo da carga excedente;

VI - em desacordo com a autorização especial, expedida pela autoridade competente para


transitar com dimensões excedentes, ou quando a mesma estiver vencida:

Infração - grave;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo;

VII - com lotação excedente;

VIII - efetuando transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for licenciado para esse
fim, salvo casos de força maior ou com permissão da autoridade competente:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo;

IX - desligado ou desengrenado, em declive:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo;


215

X - excedendo a capacidade máxima de tração:

Infração - de média a gravíssima, a depender da relação entre o excesso de peso apurado e a


capacidade máxima de tração, a ser regulamentada pelo CONTRAN;

Penalidade - multa;

Medida Administrativa - retenção do veículo e transbordo de carga excedente.

Parágrafo único. Sem prejuízo das multas previstas nos incisos V e X, o veículo que transitar com
excesso de peso ou excedendo à capacidade máxima de tração, não computado o percentual tolerado
na forma do disposto na legislação, somente poderá continuar viagem após descarregar o que exceder,
segundo critérios estabelecidos na referida legislação complementar.

Art. 232. Conduzir veículo sem os documentos de porte obrigatório referidos neste Código:

Infração - leve;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo até a apresentação do documento.

Art. 233. Deixar de efetuar o registro de veículo no prazo de trinta dias, junto ao órgão executivo
de trânsito, ocorridas as hipóteses previstas no art. 123:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 234. Falsificar ou adulterar documento de habilitação e de identificação do veículo:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 235. Conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo, salvo nos casos
devidamente autorizados:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para transbordo.

Art. 236. Rebocar outro veículo com cabo flexível ou corda, salvo em casos de emergência:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 237. Transitar com o veículo em desacordo com as especificações, e com falta de inscrição e
simbologia necessárias à sua identificação, quando exigidas pela legislação:
216

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 238. Recusar-se a entregar à autoridade de trânsito ou a seus agentes, mediante recibo, os
documentos de habilitação, de registro, de licenciamento de veículo e outros exigidos por lei, para
averiguação de sua autenticidade:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 239. Retirar do local veículo legalmente retido para regularização, sem permissão da
autoridade competente ou de seus agentes:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 240. Deixar o responsável de promover a baixa do registro de veículo irrecuperável ou


definitivamente desmontado:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - Recolhimento do Certificado de Registro e do Certificado de


Licenciamento Anual.

Art. 241. Deixar de atualizar o cadastro de registro do veículo ou de habilitação do condutor:

Infração - leve;

Penalidade - multa.

Art. 242. Fazer falsa declaração de domicílio para fins de registro, licenciamento ou habilitação:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Art. 243. Deixar a empresa seguradora de comunicar ao órgão executivo de trânsito competente a
ocorrência de perda total do veículo e de lhe devolver as respectivas placas e documentos:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - Recolhimento das placas e dos documentos.


217

Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor:

I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com
as normas e especificações aprovadas pelo CONTRAN;

II - transportando passageiro sem o capacete de segurança, na forma estabelecida no inciso


anterior, ou fora do assento suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral;

III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda;

IV - com os faróis apagados;

V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de
cuidar de sua própria segurança:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;

Medida administrativa - Recolhimento do documento de habilitação;

VI - rebocando outro veículo;

VII - sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de
manobras;

VIII - transportando carga incompatível com suas especificações:

Infração - média;

Penalidade - multa.

§ 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:

a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado;

b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de
rolamento próprias;

c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria
segurança.

§ 2º Aplica-se aos ciclomotores o disposto na alínea b do parágrafo anterior:

Infração - média;

§ 3o A restrição imposta pelo inciso VI do caput deste artigo não se aplica às motocicletas e
motonetas que tracionem semi-reboques especialmente projetados para esse fim e devidamente
homologados pelo órgão competente.(Incluído pela Lei nº 10.517, de 2002)

Penalidade - multa.

Art. 245. Utilizar a via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização
do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via:

Infração - grave;
218

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção da mercadoria ou do material.

Parágrafo único. A penalidade e a medida administrativa incidirão sobre a pessoa física ou


jurídica responsável.

Art. 246. Deixar de sinalizar qualquer obstáculo à livre circulação, à segurança de veículo e
pedestres, tanto no leito da via terrestre como na calçada, ou obstaculizar a via indevidamente:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa, agravada em até cinco vezes, a critério da autoridade de trânsito, conforme o
risco à segurança.

Parágrafo único. A penalidade será aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela
obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de
emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.

Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de
tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles
destinados:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 248. Transportar em veículo destinado ao transporte de passageiros carga excedente em


desacordo com o estabelecido no art. 109:

Infração - grave;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - retenção para o transbordo.

Art. 249. Deixar de manter acesas, à noite, as luzes de posição, quando o veículo estiver parado,
para fins de embarque ou desembarque de passageiros e carga ou descarga de mercadorias:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 250. Quando o veículo estiver em movimento:

I - deixar de manter acesa a luz baixa:

a) durante a noite;

b) de dia, nos túneis providos de iluminação pública;

c) de dia e de noite, tratando-se de veículo de transporte coletivo de passageiros, circulando em


faixas ou pistas a eles destinadas;

d) de dia e de noite, tratando-se de ciclomotores;


219

II - deixar de manter acesas pelo menos as luzes de posição sob chuva forte, neblina ou cerração;

III - deixar de manter a placa traseira iluminada, à noite;

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 251. Utilizar as luzes do veículo:

I - o pisca-alerta, exceto em imobilizações ou situações de emergência;

II - baixa e alta de forma intermitente, exceto nas seguintes situações:

a) a curtos intervalos, quando for conveniente advertir a outro condutor que se tem o propósito de
ultrapassá-lo;

b) em imobilizações ou situação de emergência, como advertência, utilizando pisca-alerta;

c) quando a sinalização de regulamentação da via determinar o uso do pisca-alerta:

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 252. Dirigir o veículo:

I - com o braço do lado de fora;

II - transportando pessoas, animais ou volume à sua esquerda ou entre os braços e pernas;

III - com incapacidade física ou mental temporária que comprometa a segurança do trânsito;

IV - usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais;

V - com apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a
marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo;

VI - utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular;

Infração - média;

Penalidade - multa.

Art. 253. Bloquear a via com veículo:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

Art. 254. É proibido ao pedestre:

I - permanecer ou andar nas pistas de rolamento, exceto para cruzá-las onde for permitido;
220

II - cruzar pistas de rolamento nos viadutos, pontes, ou túneis, salvo onde exista permissão;

III - atravessar a via dentro das áreas de cruzamento, salvo quando houver sinalização para esse
fim;

IV - utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito, ou para a prática de


qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da
autoridade competente;

V - andar fora da faixa própria, passarela, passagem aérea ou subterrânea;

VI - desobedecer à sinalização de trânsito específica;

Infração - leve;

Penalidade - multa, em 50% (cinqüenta por cento) do valor da infração de natureza leve.

Art. 255. Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma
agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59:

Infração - média;

Penalidade - multa;

Medida administrativa - remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.

DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS

Art. 269. A autoridade de trânsito ou seus agentes, na esfera das competências estabelecidas neste
Código e dentro de sua circunscrição, deverá adotar as seguintes medidas administrativas:

I - retenção do veículo;

II - remoção do veículo;

III - recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação;

IV - recolhimento da Permissão para Dirigir;

V - recolhimento do Certificado de Registro;

VI - recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual;

VIII - transbordo do excesso de carga;

IX - realização de teste de dosagem de alcoolemia ou perícia de substância entorpecente ou que


determine dependência física ou psíquica;

X - recolhimento de animais que se encontrem soltos nas vias e na faixa de domínio das vias de
circulação, restituindo-os aos seus proprietários, após o pagamento de multas e encargos devidos.

XI - realização de exames de aptidão física, mental, de legislação, de prática de primeiros socorros


e de direção veicular. (Incluído pela Lei nº 9.602, de 1998)
221

§ 1º A ordem, o consentimento, a fiscalização, as medidas administrativas e coercitivas adotadas


pelas autoridades de trânsito e seus agentes terão por objetivo prioritário a proteção à vida e à
incolumidade física da pessoa.

§ 2º As medidas administrativas previstas neste artigo não elidem a aplicação das penalidades
impostas por infrações estabelecidas neste Código, possuindo caráter complementar a estas.

§ 3º São documentos de habilitação a Carteira Nacional de Habilitação e a Permissão para


Dirigir.

§ 4º Aplica-se aos animais recolhidos na forma do inciso X o disposto nos arts. 271 e 328, no que
couber.

Art. 270. O veículo poderá ser retido nos casos expressos neste Código.

§ 1º Quando a irregularidade puder ser sanada no local da infração, o veículo será liberado tão
logo seja regularizada a situação.

§ 2º Não sendo possível sanar a falha no local da infração, o veículo poderá ser retirado por
condutor regularmente habilitado, mediante recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual,
contra recibo, assinalando-se ao condutor prazo para sua regularização, para o que se considerará,
desde logo, notificado.

§ 3º O Certificado de Licenciamento Anual será devolvido ao condutor no órgão ou entidade


aplicadores das medidas administrativas, tão logo o veículo seja apresentado à autoridade devidamente
regularizado.

§ 4º Não se apresentando condutor habilitado no local da infração, o veículo será recolhido ao


depósito, aplicando-se neste caso o disposto nos parágrafos do art. 262.

§ 5º A critério do agente, não se dará a retenção imediata, quando se tratar de veículo de


transporte coletivo transportando passageiros ou veículo transportando produto perigoso ou perecível,
desde que ofereça condições de segurança para circulação em via pública.

Art. 271. O veículo será removido, nos casos previstos neste Código, para o depósito fixado pelo
órgão ou entidade competente, com circunscrição sobre a via.

Parágrafo único. A restituição dos veículos removidos só ocorrerá mediante o pagamento das
multas, taxas e despesas com remoção e estada, além de outros encargos previstos na legislação
específica.

Art. 272. O recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação e da Permissão para Dirigir dar-se-
á mediante recibo, além dos casos previstos neste Código, quando houver suspeita de sua
inautenticidade ou adulteração.

Art. 273. O recolhimento do Certificado de Registro dar-se-á mediante recibo, além dos casos
previstos neste Código, quando:

I - houver suspeita de inautenticidade ou adulteração;

II - se, alienado o veículo, não for transferida sua propriedade no prazo de trinta dias.

Art. 274. O recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual dar-se-á mediante recibo, além
dos casos previstos neste Código, quando:

I - houver suspeita de inautenticidade ou adulteração;


222

II - se o prazo de licenciamento estiver vencido;

III - no caso de retenção do veículo, se a irregularidade não puder ser sanada no local.

Art. 275. O transbordo da carga com peso excedente é condição para que o veículo possa
prosseguir viagem e será efetuado às expensas do proprietário do veículo, sem prejuízo da multa
aplicável.

Parágrafo único. Não sendo possível desde logo atender ao disposto neste artigo, o veículo será
recolhido ao depósito, sendo liberado após sanada a irregularidade e pagas as despesas de remoção e
estada.

Art. 276. Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades
previstas no art. 165 deste Código.

Parágrafo único. Órgão do Poder Executivo federal disciplinará as margens de tolerância para
casos específicos.

Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo
de fiscalização de trânsito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de
alcoolemia, exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos, em
aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado.

§ 1o Medida correspondente aplica-se no caso de suspeita de uso de substância entorpecente,


tóxica ou de efeitos análogos

§ 2o A infração prevista no art. 165 deste Código poderá ser caracterizada pelo agente de trânsito
mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios sinais de embriaguez,
excitação ou torpor apresentados pelo condutor.

§ 3o Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165 deste


Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput
deste artigo.

Art. 278. Ao condutor que se evadir da fiscalização, não submetendo veículo à pesagem
obrigatória nos pontos de pesagem, fixos ou móveis, será aplicada a penalidade prevista no art. 209,
além da obrigação de retornar ao ponto de evasão para fim de pesagem obrigatória.

Parágrafo único. No caso de fuga do condutor à ação policial, a apreensão do veículo dar-se-á tão
logo seja localizado, aplicando-se, além das penalidades em que incorre, as estabelecidas no art. 210.

Art. 279. Em caso de acidente com vítima, envolvendo veículo equipado com registrador
instantâneo de velocidade e tempo, somente o perito oficial encarregado do levantamento pericial
poderá retirar o disco ou unidade armazenadora do registro.

DOS CRIMES DE TRÂNSITO

Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código,
aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não
dispuser de modo diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber.

§ 1o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da
Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: (Renumerado do parágrafo único
pela Lei nº 11.705, de 2008)

I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine


dependência; (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)
223

II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição


ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade
competente; (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)

III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta
quilômetros por hora). (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)

§ 2o Nas hipóteses previstas no § 1 o deste artigo, deverá ser instaurado inquérito policial para a
investigação da infração penal. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)

Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor pode ser imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente com outras
penalidades.

Art. 293. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação,


para dirigir veículo automotor, tem a duração de dois meses a cinco anos.

§ 1º Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a entregar à autoridade


judiciária, em quarenta e oito horas, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.

§ 2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação para


dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver
recolhido a estabelecimento prisional.

Art. 294. Em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para a
garantia da ordem pública, poderá o juiz, como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do
Ministério Público ou ainda mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão
motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição
de sua obtenção.

Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que indeferir o
requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem efeito suspensivo.

Art. 295. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de se obter a permissão ou a
habilitação será sempre comunicada pela autoridade judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito -
CONTRAN, e ao órgão de trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou residente.

Art. 296. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código, o juiz aplicará a
penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das
demais sanções penais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)

Art. 297. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento, mediante depósito judicial
em favor da vítima, ou seus sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. 49
do Código Penal, sempre que houver prejuízo material resultante do crime.

§ 1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo.

§ 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do Código Penal.

§ 3º Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória será descontado.

Art. 298. São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito ter o
condutor do veículo cometido a infração:

I - com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano patrimonial
a terceiros;
224

II - utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;

III - sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

IV - com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do veículo;

V - quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de passageiros
ou de carga;

VI - utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou características que


afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade prescritos nas
especificações do fabricante;

VII - sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a pedestres.

5. AMBIENTAL LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998.

Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao


meio ambiente, e dá outras providências.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º (VETADO)

Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide
nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o
membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa
jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia
agir para evitá-la.

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme


o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal
ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas,
autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.

Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo
ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

DA APLICAÇÃO DA PENA

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:

I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde
pública e para o meio ambiente;

II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental;

III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade


quando:

I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos;
225

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como


os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de
reprovação e prevenção do crime.

Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração
da pena privativa de liberdade substituída.

Art. 8º As penas restritivas de direito são:

I - prestação de serviços à comunidade;

II - interdição temporária de direitos;

III - suspensão parcial ou total de atividades;

IV - prestação pecuniária;

V - recolhimento domiciliar.

Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas


gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa
particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível.

Art. 10. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar
com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de
participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de
crimes culposos.

Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às
prescrições legais.

Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública
ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem
superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual
reparação civil a que for condenado o infrator.

Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do


condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer atividade autorizada,
permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em qualquer local destinado a
sua moradia habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória.

Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:

I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação


significativa da degradação ambiental causada;

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;

IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:

I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;


226

II - ter o agente cometido a infração:

a) para obter vantagem pecuniária;

b) coagindo outrem para a execução material da infração;

c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;

d) concorrendo para danos à propriedade alheia;

e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a
regime especial de uso;

f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;

g) em período de defeso à fauna;

h) em domingos ou feriados;

i) à noite;

j) em épocas de seca ou inundações;

l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;

m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;

n) mediante fraude ou abuso de confiança;

o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;

p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou


beneficiada por incentivos fiscais;

q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes;

r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.

Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos
casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.

Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código Penal será feita
mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão
relacionar-se com a proteção ao meio ambiente.

Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz,
ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da
vantagem econômica auferida.

Art. 19. A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do
prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa.

Parágrafo único. A perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada
no processo penal, instaurando-se o contraditório.
227

Art. 20. A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor mínimo para
reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo
meio ambiente.

Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá efetuar-se


pelo valor fixado nos termos do caput, sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente
sofrido.

Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de


acordo com o disposto no art. 3º, são:

I - multa;

II - restritivas de direitos;

III - prestação de serviços à comunidade.

Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:

I - suspensão parcial ou total de atividades;

II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;

III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou
doações.

§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às


disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.

§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando


sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou
regulamentar.

§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações
não poderá exceder o prazo de dez anos.

Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá em:

I - custeio de programas e de projetos ambientais;

II - execução de obras de recuperação de áreas degradadas;

III - manutenção de espaços públicos;

IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.

Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir,
facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu
patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo
Penitenciário Nacional.

DA APREENSÃO DO PRODUTO E DO INSTRUMENTO DE INFRAÇÃO

ADMINISTRATIVA OU DE CRIME
228

Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os
respectivos autos.

§ 1º Os animais serão libertados em seu habitat ou entregues a jardins zoológicos, fundações ou


entidades assemelhadas, desde que fiquem sob a responsabilidade de técnicos habilitados.

§ 2º Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições


científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes.

§ 3° Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições


científicas, culturais ou educacionais.

§ 4º Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua


descaracterização por meio da reciclagem.

DA AÇÃO E DO PROCESSO PENAL

Art. 26.