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Tecnologia e informação - O fim da era do livro

Tecnologia e informação - O fim da era do livro

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Autor: Marcel Carl Delatorre.

Monografia apresentada como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social - Habilitação em Publicidade e Propaganda - pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, 2010.


RESUMO:

A criação do meio livro permitiu à humanidade difundir e conservar a informação, que se multiplicou com o tempo. Isto impulsionou o desenvolvimento de tecnologia, levando ao surgimento de outros meios de comunicação. Redes telegráficas interligaram o mundo, telefones introduziram a fala à distância, rádio e televisão trouxeram o fascínio do som e do vídeo, enfim, os recursos se ampliaram com o advento de novos meios. Toda esta tecnologia transformou o cenário das comunicações, fazendo com que o livro deixasse de ser a maior fonte de informação, e o meio que mais influenciou nesta mudança foi a internet. Este estudo buscou discutir o livro e seu espaço na atualidade, relacionando com as novas tecnologias de informação.

ABSTRACT:

The introduction of the book as a media allowed humanity to disseminate and preserve information, even though the data continuously grew. It pushed forward the development of new technologies, giving rise to new types of media. Telegraphic networks interconnected the world, telephones were the prelude of long distance speaking and radio & TV brought to us the allure of sound and video. In short, the advent of new media broadened our resources. The influence of the Internet along with this new technology transformed the communications scenario, redefining the book as a place were you can no longer get the most amount of information. Making connections with the newest information technologies, this study discussed the book and it's space in today's world.

Autor: Marcel Carl Delatorre.

Monografia apresentada como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social - Habilitação em Publicidade e Propaganda - pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, 2010.


RESUMO:

A criação do meio livro permitiu à humanidade difundir e conservar a informação, que se multiplicou com o tempo. Isto impulsionou o desenvolvimento de tecnologia, levando ao surgimento de outros meios de comunicação. Redes telegráficas interligaram o mundo, telefones introduziram a fala à distância, rádio e televisão trouxeram o fascínio do som e do vídeo, enfim, os recursos se ampliaram com o advento de novos meios. Toda esta tecnologia transformou o cenário das comunicações, fazendo com que o livro deixasse de ser a maior fonte de informação, e o meio que mais influenciou nesta mudança foi a internet. Este estudo buscou discutir o livro e seu espaço na atualidade, relacionando com as novas tecnologias de informação.

ABSTRACT:

The introduction of the book as a media allowed humanity to disseminate and preserve information, even though the data continuously grew. It pushed forward the development of new technologies, giving rise to new types of media. Telegraphic networks interconnected the world, telephones were the prelude of long distance speaking and radio & TV brought to us the allure of sound and video. In short, the advent of new media broadened our resources. The influence of the Internet along with this new technology transformed the communications scenario, redefining the book as a place were you can no longer get the most amount of information. Making connections with the newest information technologies, this study discussed the book and it's space in today's world.

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL CURSO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA

MARCEL CARL DELATORRE

TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO O FIM DA ERA DO LIVRO

Porto Alegre 2010

MARCEL CARL DELATORRE

TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO O FIM DA ERA DO LIVRO

Monografia apresentada como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social - Habilitação em Publicidade e Propaganda - pela Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. .

Orientadora: Profa. Ma. Susana Gib Azevedo

Porto Alegre 2010

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao amigo Renan de Toledo Amaral Botelho, que me auxiliou na tradução e compreensão das fontes em língua inglesa, na pesquisa de referências, e na crítica deste trabalho. Agradeço a professora Susana Gib Azevedo pelo apoio ao tema proposto, e pela orientação desta monografia.

RESUMO

A criação do meio livro permitiu à humanidade difundir e conservar a informação, que se multiplicou com o tempo. Isto impulsionou o

desenvolvimento de tecnologia, levando ao surgimento de outros meios de comunicação. Redes telegráficas interligaram o mundo, telefones introduziram a fala à distância, rádio e televisão trouxeram o fascínio do som e do vídeo, enfim, os recursos se ampliaram com o advento de novos meios. Toda esta tecnologia transformou o cenário das comunicações, fazendo com que o livro deixasse de ser a maior fonte de informação, e o meio que mais influenciou nesta mudança foi a internet. Este estudo buscou discutir o livro e seu espaço na atualidade, relacionando com as novas tecnologias de informação.

Palavras-chave: comunicação - informação - tecnologia - livro - meio.

ABSTRACT

The introduction of the book as a media allowed humanity to disseminate and preserve information, even though the data continuously grew. It pushed forward the development of new technologies, giving rise to new types of media. Telegraphic networks interconnected the world, telephones were the prelude of long distance speaking and radio & TV brought to us the allure of sound and video. In short, the advent of new media broadened our resources. The influence of the Internet along with this new technology transformed the communications scenario, redefining the book as a place were you can no longer get the most amount of information. Making connections with the newest information technologies, this study discussed the book and it's space in today's world.

Keywords: communication - information - technology - book - media.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 06 2 O LIVRO ANTES DA TECNOLOGIA ATUAL ........................................................ 09 2.1 O COMEÇO ............................................................................................... 09 2.2 A DIFUSÃO ................................................................................................ 11 2.3 A CONSAGRAÇÃO ...................................................................................... 13 3 A TECNOLOGIA E A INFORMAÇÃO .................................................................. 16 3.1 AS NOVAS TECNOLOGIAS ........................................................................... 17 4 O FIM DA ERA DO LIVRO ................................................................................ 37 4.1 ESTRATÉGIA METODOLÓGICA ..................................................................... 37 4.2 COMPREENDENDO MEIO, CANAL E SUPORTE ............................................... 38 4.3 A INFLUÊNCIA E A FUNÇÃO DO MEIO ............................................................ 40 4.4 OS NÚMEROS DO DECLÍNIO ........................................................................ 41 4.5 O VOLUME E A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO .............................................. 43 4.6 A DIDÁTICA E O LIVRO ................................................................................ 47 4.7 CONSTRUÇÃO COLETIVA ............................................................................ 50 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 53 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 55

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1 INTRODUÇÃO

Neste estudo pretende-se lembrar que, no último século, fantásticas revoluções tecnológicas mudaram o modo como a humanidade percebe e se relaciona com a realidade. A revolução no campo das comunicações venceu o tempo e o espaço, tornando o acesso à informação mais prático e dinâmico. As idéias passaram a não ser apenas registradas, mas misturadas, armazenadas, modificadas, comercializadas e difundidas em massa. Os registros materiais foram substituídos por digitais, o real tornou-se virtual.

O livro já foi a forma mais eficiente para registrar e perpetuar a informação, mas gradualmente outros meios vêm ganhando espaços para informar. A produção de informação em livros já é inexpressiva frente ao atual ritmo da produção de informação, e a comercialização não tem crescimento significativo no Brasil desde 1995, o que pode ser confirmado nos dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro (2008), e no estudo "Quanta informação?", de Lyman e Varian (2003). Devido às vantagens tecnológicas dos novos meios de comunicação, os livros já não são a forma mais eficiente para armazenar, transmitir, pesquisar, ou proporcionar acesso à informação.

O objetivo deste estudo é discutir o livro e o seu espaço atual, uma demanda latente e inadiável. Os estudantes da atualidade vivenciam duas formas em seu aprendizado, uma delas baseada em livros e a segunda baseada em dados virtuais. As diferenças existentes entre estas ferramentas podem trazer alguns pontos significativos para o tema tecnologia e informação - o fim da era do livro, relendo crenças e paradigmas sociais.

Revendo os pontos fundamentais do tema, as raízes dos porquês aceitos na atualidade, será possível considerar novas possibilidades, gerar outras interpretações, romper as barreiras burocráticas comunicacionais. Em

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alguns nichos sociais ainda existe, atrelada ao apego aos livros, certa resistência aos meios de comunicação mais modernos, como se a escrita e o registro fossem divergentes. A finalidade dos suportes, a influência do meio sobre a informação, e a existência ou não de democracia nos livros, são questões adjacentes que apontam para uma nova fase no universo da comunicação.

É importante salientar que a abordagem será a respeito do fim da era do livro, e não do fim do livro. O livro, da mesma forma que o disco de vinil, a fita cassete, a fita VHS, entre outros exemplos, que já tiveram o seu apogeu e seu declínio, não deixou nem deixará de existir, apenas não é mais o meio de informação dominante. Também é necessário esclarecer que o livro ao qual esta pesquisa se refere é o tradicional, aquele que é feito de folhas impressas sobrepostas.

Diante desse cenário, esta monografia pretende verificar como as novas tecnologias da informação se relacionam ao fim da era do livro - como maior fonte de informação. O estudo abordará uma pesquisa exploratória de vertente qualitativa, sendo a primeira etapa através de pesquisa documental, e a segunda etapa a análise descritiva do tema em questão.

Esta monografia está constituída em 3 capítulos. No primeiro será abordada a trajetória que levou o livro a sua posição de destaque, no segundo será apresentada a história das novas tecnologias da informação, e no terceiro relacionaremos estas tecnologias ao fim da era do livro, comparando como os meios lidam com a informação em diferentes circunstâncias.

Como em todo pioneirismo, haverá dificuldades a serem superadas, como o fato de não serem utilizados livros para embasar esta pesquisa, a fim de mostrar explicitamente que existe conhecimento fora dos livros, de tamanha riqueza, a ponto de suprimir esta necessidade. As novidades freqüentemente geram oposição, são pré-julgadas e eventualmente até taxadas de errôneas,

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mas a relevância, originalidade e objetividade deste estudo não deixarão dúvidas sobre sua validade científica.

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2 O LIVRO ANTES DA TECNOLOGIA ATUAL

Este capítulo trata da evolução histórica do livro, desde os primórdios. Passará pela criação dos materiais empregados, pelas técnicas de impressão, e pela difusão mundial em massa, até a consagração do livro como maior fonte de informação.

Para este fim, serão utilizados dados oriundos das seguintes fontes: enciclopédia colaborativa Wikipédia; enciclopédia digital Microsoft Encarta; site da fabricante de papéis Canson; site da distribuidora de papéis KSR Votorantim; site da universidade de São Paulo (USP); site da gráfica Frei Galvão; e portal do governo do estado de São Paulo.

2.1 O COMEÇO

A humanidade sempre deixou suas marcas, desde os tempos mais remotos o homem já desenhava em folhas, cascos, conchas, cascas de árvores, mármore, paredes de cavernas, utilizando ossos e ainda muitos outros métodos, inclusive aqueles que o tempo apagou e nem ficamos sabendo. Esses desenhos foram se organizando e evoluindo junto com as civilizações, até o surgimento de sistemas de sinais.

Na região da Mesopotâmia (atualmente Iraque e terras arredores), o povo sumério constituiu as primeiras civilizações urbanas sobre as quais temos conhecimento. Eram pequenas comunidades sob a autoridade de reis. Como as cidades estavam em processo de organização, houve a necessidade de se contabilizar os bens, o que levou, no período em torno de 3200 a.C., à utilização de placas de barro para se fazer registros de quantidade (elas eram marcadas por objetos pontiagudos). Este foi o primeiro método de

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comunicação humana realizado por um sistema de sinais visuais, o primeiro registro escrito conhecido. E, é importante ressaltar que já apontavam estarem caminhando juntas a língua, a matemática e a lógica. (MESOPOTÂMIA, 2007).

O sistema de sinais visuais foi se desenvolvendo e se aprimorando paralelamente em diversas civilizações, mas os escritos eram registrados de diversas formas, como em placas de barro ou pedra (pelos sumérios), folhas de palmeiras (pelos indianos), madeira (pelos maias e astecas) e madeira com cera (pelos romanos). A evolução levou a escrita a representar partes cada vez menores da idéia: os objetos envolvidos, as palavras, as sílabas e finalmente as letras. Isto permitiu a existência de grupos maiores de registros com sentido interligado, surgiria então o texto. Com seu surgimento, e conseqüentemente o registro em mais de uma página de algum dos suportes, estava nascendo o livro. (TEXTO, 2000).

Em meados de 2200 a.C. os egípcios desenvolveram uma técnica capaz de transformar a Planta de Papiro em uma lâmina amarelada onde era possível escrever, o historicamente famoso papiro. Ele é proveniente de uma parte da planta que é liberada do restante dela (liberada - livrada - livre - e em latim “libere”), o que explica a origem da palavra liber ou libri, em latim, que em português significa livro. O papiro diminuía os problemas apresentados pelos outros materiais, era mais adequado à escrita e mais leve que a maioria dos outros suportes. Este conjunto de fatores deu enorme impulso à produção de livros, tanto em formato de rolo quanto em "quadrados", como pode ser confeccionado o papiro. Muito do que se conhece das civilizações antigas, como, por exemplo, boa parte da história do Egito, Grécia e Roma, é devido a este notável suporte da informação, utilizado até o século XI d.C.. (HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS..., [200-]).

Já em torno de 1500 a.C., possivelmente na cidade de Pérgamo, na Grécia, foi inventado o pergaminho, um material de suporte à escrita feito com pele de animais especialmente tratada. Aos poucos ele foi tomando o espaço

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do papiro, devido à sua maior durabilidade e qualidade. O pergaminho estava diretamente associado ao formato de códice (formato de registro das leis gregas que é similar aos livros atuais), pois era mais fácil costurar folhas de pergaminho do que de papiro. E como o códice também era mais fácil para manusear e encontrar informações, foi substituindo naturalmente o formato de rolo usado pelos romanos (de papiro). (HISTÓRIA DO PAPEL, [200-]).

A revolução viria definitivamente no início do século II d.C., quando um oficial da corte chinesa chamado T'sai Lun conseguiu, através do cozimento de fibras contidas em madeiras específicas e trapos de tecido, chegar a uma pasta que, quando secava, transformava-se em uma lâmina fina e resistente onde era possível escrever, e assim foi feito o papel. Seu nome é oriundo do papiro. (PAPEL, 2007).

2.2 A DIFUSÃO

O papel era mais barato de produzir do que o papiro e o pergaminho, fator que fez com que ele se disseminasse e começasse a se popularizar. A sua tecnologia de fabricação foi da China para a Coréia (em 610 d.C.) e depois para o Japão. Chegou a Bagdá em 795 d.C. e depois em Damasco (Síria) no século X d.C.. O papel acompanhou a expansão muçulmana no norte da África, e também na invasão da península Ibérica, entrando na Europa pela Espanha (1150 d.C.). Depois na Itália, França (1184 d.C.), e outros países europeus. A produção já era industrializada, a capacidade de produzir crescia e conseqüentemente o preço caía. (CALDEIRA, 2002).

Conforme demonstrado, os livros já existiam antes do invento do papel. Eles eram manualmente escritos e copiados pelos homens com maior conhecimento, os quais pertenciam à coroa, à nobreza, à religião, ou eram escravos alfabetizados. Os processos manuais eram lentos e trabalhosos, o

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que fazia com que os livros fossem poucos e caros, e obviamente o acesso a eles restrito a grupos pequenos de pessoas. Mas o livro evoluiu, ganhando margens, páginas em branco, sumários, índices e resumos. Depois foi enriquecido com o surgimento da pontuação no texto e o uso de letras maiúsculas. Na categoria de gêneros, além do didático (inicialmente para a formação dos religiosos), aparecem os florilégios (coletâneas de vários autores), os textos auxiliares e os textos eróticos. Progressivamente aparecem livros em língua vernácula (própria do país), rompendo o monopólio do latim na literatura. Mas ainda faltava um fator fundamental para a difusão massiva dos livros, o surgimento de sistemas de impressão. (LIVRO, 2007).

A utilização de pedras esculpidas em relevo e entintadas parece ter ocorrido de maneira independente em diferentes épocas e lugares, e talvez seja a mais antiga forma de impressão conhecida. Foi usada na Babilônia e em outros locais, aparentemente com símbolos religiosos e sinetes (uma forma de selo ou assinatura). (IMPRESSÃO, 2000).

Outros modos de impressão se desenvolveram. Na China, a prática budista de copiar muitas orações e textos sagrados levou ao desenvolvimento de matrizes de impressão baseadas em madeira e mármore esculpidos. Estes moldes eram entintados e aplicados como um carimbo sobre o papel. (HISTÓRIA DA IMPRESSÃO, [200-]).

O conhecimento da fabricação do papel na Europa, assim como na China, promoveu o uso da xilografia (matriz de impressão em madeira). Com o tempo se desenvolveu uma versão aprimorada da matriz de madeira, feita em metal (metalografia). Estas tecnologias estavam sendo impulsionadas pelo latente desenvolvimento científico e intelectual nos centros urbanos.

(XILOGRAVURA, 2007).

Cada

vez mais

as sociedades constituíam instituições políticas

centralizadas, se urbanizavam e desenvolviam seus mercados. O que levou,

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no século XIV d.C., ao começo de um período de mudança cultural na Itália, que posteriormente se espalharia pela Europa, o Renascimento. Era o homem tentando se entender e entender o mundo, vertente que impulsionou a pesquisa, a ciência, o desenvolvimento de tecnologia, a música e as artes, fazendo crescer a demanda de papel e de livros. (RENASCIMENTO, 2000).

Na Europa já havia relativa abundância de papel, mas ainda era necessário o desenvolvimento de um método de impressão mais eficiente para atender a demanda de cópias de livros. O chinês Pi Sheng já havia experimentado o uso de tipos móveis de madeira, que podiam ser reagrupados para imprimir textos diferentes, mas não houve êxito devido à baixa durabilidade do material e ao grande número de ideogramas do alfabeto chinês. Mas um inventor escreveria uma nova história. (LIVRO, 2007).

2.3 A CONSAGRAÇÃO

Em 1450 d.C., desenvolvendo tintas à base de óleo, aproveitando o princípio das prensas vinícolas existentes na sua região, e usando as técnicas de construção de moldes e fundição de metais aprendidas com a profissão de joalheiro, o alemão Johann Gutenberg conseguiu criar um método de impressão com tipos móveis de metal fundido (tipografia), obtendo a durabilidade necessária para o processo de impressão em larga escala. Entre 1450 d.C. e 1456 d.C. Gutenberg imprimiu o primeiro livro usando esta técnica. Era uma bíblia, que ficou conhecida como "Bíblia de Gutenberg", ou "Bíblia de 42 linhas" (42 linhas de texto por página). A sua prensa de tipos móveis deu origem ao termo imprensa (máquina com que se imprime). Gutenberg ainda foi considerado o "pai da imprensa", pois foi seu método de impressão que possibilitou o surgimento desta, com a impressão dos primeiros jornais. (HISTÓRIA DO PAPEL, [200-]).

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Os tipos móveis de metal revolucionaram a forma de produzir livros, aumentando consideravelmente o consumo de papel, e barateando os custos devido à produção em série. Também otimizaram a difusão dos ideais renascentistas (no período de 1300 d.C. à 1600 d.C.), e multiplicaram a troca de idéias em toda Europa (posteriormente na Ásia, e depois em todo o mundo). (DIAS, 2005).

A criação de Gutenberg foi progressivamente aperfeiçoada. Durante o século XIX d.C. foram feitas melhorias, que serviam principalmente para aumentar a velocidade do processo, como o desenvolvimento da prensa acionada por vapor, da prensa de cilindro (utiliza um rolo giratório para pressionar o papel contra uma superfície plana), da prensa rotativa (tanto o papel quanto a chapa com o texto a ser impresso estão montados sobre rolos) e da prensa rotativa de dupla impressão (imprime os dois lados do papel ao mesmo tempo). (IMPRESSÃO, 2000).

Em 1798 d.C., outro alemão, Aloys Senefelder, desenvolveu um processo de impressão sobre matriz de pedra calcária, baseado na repulsão entre as substâncias gordurosas e a água. Era a litografia, que deu um bom impulso na impressão de gravuras. (LITOGRAFIA, 2007).

Entre os anos de 1883 d.C. e 1886 d.C., um relojoeiro emigrante da Alemanha para os EUA, chamado Ottmar Mergenthaler, inventou uma máquina que fundia em blocos cada linha de caracteres tipográficos, o linotipo. Assim estava criada a linotipia. O sucesso desta técnica foi enorme, com larga utilização nos Estados Unidos da América. (LINÓTIPO, 2007).

Com o tempo foram surgindo e se desenvolvendo outros métodos de impressão, a tecnologia de fabricação de papel e as tintas para impressão. O papel evoluiu empregando outros materiais na sua composição, como dióxido de cloro, peróxidos, ozônio, gesso, sulfato, soda, ceras e derivados de petróleo (plásticos), ganhando diversas cores, texturas, tamanhos, espessuras,

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densidades, resistências e porosidades. As tintas receberam outros pigmentos e aumentaram as variações de tonalidade, além de novos solventes, com tempos de secagem mais precisos e mais adequados aos modernos sistemas de impressão. Surge a flexografia (entre 1800 d.C e 1860 d.C.), imprimindo com matriz de borracha em alto relevo, por pressão; a rotogravura (1860 d.C.), baseada num cilindro com minúsculas cavidades de tamanhos diferentes que se enchem de tinta e logo a depositam sobre o suporte de impressão; a serigrafia (meados de 1907 d.C.), onde as áreas permeáveis de uma tela tratada permitem a passagem da tinta pela pressão de um rodo ou puxador; e finalmente o offset (no começo do século XX d.C.), método com o mesmo princípio da litografia (repulsão entre a gordura e a água), mas usando impressão indireta por cilindro de borracha. Depois surgiriam diversos outros sistemas de impressão, como, a tampografia, o hotstamp e a impressão digital. (IMPRESSÃO, 2000; SISTEMAS..., 2007).

Com toda essa tecnologia disponível, os livros se multiplicaram vertiginosamente pelo planeta, e foram durante séculos o principal meio de comunicação referente à perpetuação e difusão do conhecimento. O livro era o único capaz de conservar e propagar idéias de grande volume fielmente como foram registradas, e esta hegemonia o consagrou. Além disso, pelo fato do livro ter sido portador de conhecimento por longa data, houve a natural associação do seu conceito com o do saber.

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3 A TECNOLOGIA E A INFORMAÇÃO

Este capítulo trata do surgimento das novas tecnologias da informação, com atenção especial para os meios de comunicação rádio, televisão e internet. Será contada a história que conduziu à criação destes e de outros meios, descrevendo a jornada tecnológica da informação.

Para este fim, serão utilizadas as seguintes fontes: Alexandre Ferreira ([200-]), Brian Winston (1998), Carlos Alberto Ávila Araújo (2007), Circuito integrado (2010), Claude Chappe (2010), Color television (2010),

Communications satellite (2010), Computer and internet history (1999), Computers timeline ([200-]), Cronologia das telecomunicações (2010), Danah M. Boyd e Nicole B. Ellison (2007), Dave Marsh (2009), Ed Reitan (2006), Electrical telegraph (2010), First time in history (2010), George Mckeever (1998), História da internet (2010), História do hardware (2010), History of computing hardware (2010), History of the internet (2010), Iconoscope (2010), Internet timeline (2007), João Mello (2000), John Logie Baird (2010), Laurence Marcus (2007), Loran (2010), Marc Raboy e Marcelo Solervincens (2006), Mary Bellis ([200-a]), Mary Bellis ([200-b]), Milestones in AT&T network history ([200]), Mobile phone (2010), Rádio (comunicação) (2010), Robert Hobbes Zakon (2010), Telegraphy (2010), Television (2010), Timeline of computer history (2006), Timeline of radio (2010).

As citações não serão aplicadas na parte interna do texto devido aos seguintes motivos: uma mesma referência é utilizada em vários momentos, e em períodos espaçados, intercalados por outras referências; algumas referências compartilham a mesma informação; foi necessário o uso de um grande número de referências, o que gera muitas citações no texto, perturbando a leitura; o texto já está com uma taxa muito alta de informações por período, como datas, quantidades, nomes, marcas e localizações; todas as citações são indiretas e baseadas em fatos históricos.

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3.1 AS NOVAS TECNOLOGIAS

A idéia de comunicação à distância vem de tempos remotos, e seu desenvolvimento acompanhou os avanços técnicos e tecnológicos das diversas civilizações do planeta. Muito trabalho foi necessário para o surgimento de cada um dos meios de comunicação, e em alguns casos os inventos e descobertas ocorreram praticamente ao mesmo tempo, mas em locais diferentes.

Em 405 a.C. os exércitos gregos refletiam o sol em escudos polidos para emitir sinais nas batalhas. No século 4 a.C. os gregos desenvolveram outro sistema de comunicação à distância, que utilizava tochas e jarros com água. Em torno de 150 a.C. eles já telegrafavam através de sinais de fumaça, baseando-se em um sistema de conversão de letras em números.

Primordialmente, foi o conhecimento a impulsionar os meios de comunicação, mas no decorrer do tempo, o próprio avanço das comunicações passou a impulsionar o conhecimento. Formou-se então um ciclo autoalimentado entre conhecimento e meio, acelerando seus processos de desenvolvimento.

Em 1600 é realizado o primeiro estudo com bases científicas sobre eletricidade e magnetismo, por William Gilbert. O conhecimento sobre estes dois fenômenos vai permitir que mais tarde diversas invenções levem ao desenvolvimento do rádio, da televisão e da internet. Mas antes da aplicação da eletricidade e do magnetismo, outras engenhosidades deram início a esta jornada criativa.

Em 1792 Claude Chappe desenvolve o primeiro telégrafo visual. O equipamento utilizava braços móveis de madeira colocados no alto de torres, que ao mudarem de ângulo indicavam as letras do alfabeto, de uma torre à

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outra. Outro tipo de telegrafia visual, esta para uso naval, começou a ser aplicada no início do século XIX, sinalizando através de bandeiras.

Foi no ano de 1800 que a eletricidade deu um passo importante, com a criação da pilha voltaica, por Alessandro Volta. A pilha voltaica era uma versão primitiva do que hoje conhecemos como pilha ou bateria. A existência de uma fonte de energia elétrica tornou possível a sua manipulação, e isto gerou uma infinidade de aplicações.

Em 1820 Hans Christian Orsted demonstrou que uma corrente elétrica, ao passar por um fio, era capaz de desviar a agulha magnetizada de uma bússola. Baseado nesta descoberta, em 1825 o inglês William Sturgeon inventa o eletroímã, que é aperfeiçoado por Joseph Henry em 1828. Outro inspirado pela idéia de Orsted é Michael Faraday, que no ano de 1831 comprova a indução eletromagnética, e cria o primeiro gerador

eletromagnético. Os feitos de Faraday vão levar o francês Hippolyte Pixii a desenvolver outro gerador eletromagnético, chamado de dínamo, no ano de 1832. O dínamo serviu como fonte de energia elétrica do mesmo modo que a pilha voltaica, mas possuía a vantagem de produzir eletricidade

mecanicamente, sendo assim uma fonte mais abundante e barata.

Em 1832, baseado em diversas descobertas anteriores, Baron Schilling inventa o telégrafo eletromagnético, na Rússia. No ano seguinte Carl Friedrich Gauss e Wilhelm Weber criam um telégrafo similar, na Alemanha. Estes telégrafos foram marcos iniciais no desenvolvimento da comunicação, mas a distância ainda era um obstáculo na transmissão de sinais.

A situação muda a partir de 1835, quando Joseph Henry cria o relé elétrico, permitindo que uma baixa corrente possa operar um eletroímã a distâncias muito longas. No mesmo ano Carl August Steinheil constrói uma rede telegráfica na cidade de Munique, e instala uma linha telegráfica ao longo da primeira ferrovia alemã.

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Foi cada vez mais rápido o desenvolvimento da telegrafia, ocorrendo quase ao mesmo tempo em vários lugares do mundo. Em 1836 David Alter inventou o primeiro telégrafo elétrico dos Estados Unidos. Um ano depois William Fothergill Cooke e Charles Wheatstone criam o primeiro telégrafo elétrico comercial, na Inglaterra. No período de 1837 a 1844, o americano Samuel Morse dá um grande passo na direção da eficiência, desenvolvendo um telégrafo que utiliza apenas um fio na transmissão do sinal. Morse também trabalha com Alfred Vail, criando um sistema de códigos de transmissão para o telégrafo, batizado de "código Morse".

Outro feito importante ocorreu entre 1856 e 1860, quando Antônio Santi Giuseppe Meucci criou o primeiro telefone com fio. Meucci não efetuou o registro de sua patente, e o crédito pela invenção acabou ficando com Alexander Graham Bell, por ser o primeiro a registrar, em 1876.

As redes telegráficas estavam cada vez mais interligadas, e cobrindo distâncias cada vez maiores. Em 1866 foi concluído o primeiro cabo telegráfico transoceânico bem sucedido, conectando Europa e América do Norte. Menos de duas décadas depois, em 1872, a ligação com a Oceania completa a rede telegráfica mundial.

Enquanto isso, outras pesquisas estavam sendo realizadas. Ainda em 1872, Joseph May e Willoughby Smith descobriram que a resistência elétrica de certos metais varia de acordo com a exposição à luz. Isso possibilitou a conversão de luz em sinal elétrico, sendo então a semente das futuras câmeras filmadoras.

No ano de 1873 James Clerk Maxwell descreve as bases teóricas da propagação de ondas eletromagnéticas. A transmissão por ondas de rádio possibilitaria mais um salto tecnológico nas telecomunicações, e a descoberta de sua aplicação prática era iminente. Em 1874 Thomas Edison trabalhava

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para quadruplicar a capacidade de transmissão telegráfica a cabo. Conseguiu, e mesmo assim, continuou a realizar experimentos no telégrafo, até que um ano depois percebeu um novo fenômeno. Mais tarde se saberia que o fenômeno observado por Edison eram as ondas de rádio.

Em 1876 houve a estréia da telefonia por fio à distância, com uma ligação realizada entre as cidades de Cambridge e Boston, ambas no estado americano de Massachusetts. Outra estréia ocorreu no ano seguinte, em uma guerra, com o primeiro uso de um equipamento de comunicação à distância por reflexão solar, criado por Henry Mance. A transmissão de sinal na forma de luz será futuramente a base da fibra óptica.

No ano de 1878 ocorreu acidentalmente a primeira transmissão por rádio, quando a balança de indução de David Hughes causou ruídos em um telefone que ele próprio havia fabricado. A transmissão por rádio ganha força em 1884, com a invenção de um receptor mais eficiente, chamado coesor, por Temistocle Onesti. O coesor foi aperfeiçoado nos dois anos seguintes por Edouard Branly.

A aplicação prática da transmissão por rádio começou em 1885, com o registro da patente de um sistema de comunicação telegráfica entre barcos, por Thomas Edison. A patente foi posteriormente vendida para Guglielmo Marconi.

A transmissão por radiação de rádio era baseada em pulsos, por este motivo só era usada para telegrafia. Esta situação começa a mudar entre 1886 e 1888, quando Heinrich Hertz, baseado na teoria de Maxwell, demonstrou que a radiação de rádio tinha todas as propriedades de ondas. Isto significava que era possível transmitir sinais com muito mais informação do que simples pulsos, abrindo a possibilidade de se enviar áudio via rádio.

De 1885 a 1892 Nathan Stubblefield inventou um dispositivo que poderia

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ser o primeiro telefone por rádio, mas seu equipamento utilizava indução eletromagnética ao invés de ondas de rádio-freqüência. Nos anos de 1893 e 1894, o padre e cientista brasileiro Roberto Landell de Moura conduziu experimentos de transmissão por rádio, mas só fez demonstração pública em 1900. Ainda assim Moura foi o pioneiro na transmissão de voz humana por ondas de rádio-freqüência.

Em 1880 o engenheiro francês Maurice LeBlanc publicou um artigo explicando que o olho humano retém uma imagem por 1/10 de segundo, e com esta descoberta seria possível exibir uma imagem em partes fazendo com que pareça inteira. Essa é uma das bases teóricas que vai possibilitar a transmissão de imagens. Era preciso agora uma forma de fazer a captura.

A primeira solução veio em 1883, quando Paul Nipkow desenvolveu um sistema de escaneamento de imagens usando um disco de metal com furos em forma de espiral. Este sistema permitia a captura, atuando como uma câmera primitiva, e também possibilitava a exibição de imagens. Era o primeiro passo da jornada da televisão.

As tecnologias de comunicação à distância evoluíam paralelamente. Em 1893 Nikola Tesla faz uma demonstração pública de transmissão de sinais por ondas de rádio, nos Estados Unidos. Um ano depois, no Reino Unido, Oliver Lodge demonstra a recepção de sinais em código Morse utilizando um receptor de rádio. Neste mesmo ano, na Rússia, Alexander Popov também constrói um receptor de rádio.

Em 1897 ocorre mais um marco, com o lançamento do primeiro tubo de raios catódicos para uso comercial, por Karl Braun. Este tubo servia para monitorar o comportamento de sinais elétricos, exibindo gráficos em parte de sua superfície de vidro. A sua importância é devida ao fato de que o tubo de raios catódicos pode exibir imagens sem usar discos de Nipkow. Mas a aplicação do tubo para esta finalidade só virá mais tarde.

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Ainda em 1897, Guglielmo Marconi funda uma estação de transmissão telegráfica por rádio-freqüência na Inglaterra, e um ano depois abre a primeira fábrica. Na seqüência, a empresa de Marconi implantou diversas bases de comunicação telegráfica sem fio entre estações costeiras e barcos no mar, tanto na Inglaterra quanto nos Estado Unidos. As comunicações no mar dão mais um passo no final do século XIX d.C., quando a marinha real britânica inicia o uso de comunicação à distância por pulsos de luz.

Em 1899 Jagdish Bose inventa um receptor de rádio-freqüência com detector telefônico. Este dispositivo possibilitaria o envio de voz por ondas de rádio. Um ano depois Reginald Fessenden faz uma fraca transmissão de voz através das ondas, e em 1906 Fessenden realiza a primeira radiodifusão, transmitindo para navios.

No ano de 1904 John Fleming desenvolve a primeira válvula termiônica usual, que em 1906 é aprimorada por Lee De Forest. A válvula vai aprimorar a manipulação dos sinais elétricos, e por isso terá um papel fundamental no desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação.

Em 1907 a telegrafia cruza o atlântico novamente, mas desta vez sem usar cabos. É que neste ano Guglielmo Marconi realiza o primeiro serviço de transmissão telegráfica sem fio, entre a Irlanda e o Canadá.

Uma conclusão teórica importante deu-se em 1908, quando Alan Swinton sugeriu que o escaneamento de imagens, combinado ao uso dos tubos de raios catódicos, faria possível a transmissão de imagens à distância via sinal elétrico. A afirmação estava correta, só que a transmissão inicial e predominante virá a ser por ondas de rádio.

No ano de 1909 Charles Herrold constrói a primeira estação de rádio musical, com transmissões eventuais. Ele também se consagra por conceber

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os termos "narrowcasting" e "broadcasting", identificando as transmissões destinadas a um único receptor e a ampla audiência, respectivamente.

Em 1913 Marconi faz a linha transatlântica sem fio se comunicar em mão dupla, como a telegrafia a cabo, onde as bases tanto enviam quanto recebem sinal. Isto conduzia a um novo modo de troca de informação, eliminando o sujeito passivo - que apenas recebe. Dois anos depois é realizada a primeira ligação transcontinental telefônica, entre São Francisco e Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Um novo marco nas comunicações vai se dar em 1916, com o início da primeira transmissão regular para ampla audiência via rádio telégrafo, nos EUA, transmitindo a previsão do tempo para os barcos. E mais um marco em 1920, com o começo da transmissão regular de áudio via rádio, voltada ao entretenimento, na Argentina. No mesmo ano é transmitido o primeiro programa de notícias via rádio, nos EUA. A aplicação das comunicações estava se diversificando, o que acelerava o crescimento dos públicos.

Em meados de 1920 a implantação da válvula termiônica revoluciona os receptores e transmissores de rádio. Neste mesmo período Fessenden e Forest inventam o rádio de amplitude modulada, fazendo com que fosse possível haver várias estações transmitindo simultaneamente. Outro feito notável da época foi a primeira utilização da rádio-freqüência para a transmissão de figuras visíveis, por Yasujiro Niwa.

Em 1921 a telefonia começa a se espalhar pelo mundo. Neste ano a empresa AT&T executa a passagem do primeiro cabo telefônico transoceânico, ligando os Estados Unidos a Cuba.

Já no ano de 1923 o destaque é das tecnologias de imagem. Primeiro com Vladimir Zworykin patenteando o primeiro tubo de raios catódicos próprio para captura de imagem - chamado posteriormente de iconoscópio. Depois

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com Charles Jenkins

transmitindo

a primeira imagem silhuetada em

movimento. Dois anos mais tarde Jenkins demonstrou a transmissão sincronizada com som, que, apesar de ter imagem rudimentar, formulou a lógica de funcionamento da televisão até os dias atuais.

Em 1924 a empresa AT&T demonstra a telefotografia - um embrião do fax - transmitindo uma foto de Cleveland para Nova Iorque, no nordeste dos Estados Unidos. Este recurso foi usado principalmente pela imprensa.

No ano de 1925 John Baird fez a primeira transmissão de uma imagem em movimento usando graduações de luz e sombra. Isto introduziu o meio tom, aprimorando a qualidade de imagem. No mesmo ano Julius Lilienfeld registra a primeira patente do transistor. Este componente é uma tentativa de aprimoramento da válvula termiônica, e apresenta vantagens de custo, além de ser menor, mais simples, mais durável e ter menor consumo de energia.

No decorrer do tempo o telégrafo evoluiu para uma máquina com botões e outros recursos, chamada teleprinter, que possibilita enviar texto pela rede telegráfica. Depois o teleprinter usou uma rede própria, conhecida como rede de telex. O primeiro modelo de teleprinter funcional foi lançado pela empresa Morkrum-Kleinschmidt, entre 1925 e 1930, e registrado com o nome de teletype.

No ano de 1927 John Baird faz a primeira transmissão de imagens à longa distância, entre Washington DC e Nova Iorque, usando a rede telefônica. Todas as transmissões televisivas feitas até este momento foram baseadas no disco de Nipkow, mas isto começou a mudar ainda em 1927. É que neste ano Philo Farnsworth desenvolve o primeiro sistema eletrônico de televisão, pelo qual transmitiu a imagem de uma pessoa em baixa definição. Outro marco das comunicações deste ano é a realização da primeira ligação telefônica transatlântica via rádio, entre Long Island, nos EUA e Rugby, na Inglaterra.

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Em 1928 John Baird executa a primeira transmissão televisiva em cores - usando 3 discos de Nipkow. Ainda em 1928 Baird faz a primeira transmissão transatlântica de televisão, e transmite o primeiro programa, da BBC, de Londres, na Inglaterra, para Nova Iorque, nos EUA.

É na Inglaterra que começa a transmissão diária de programas de televisão, em 1929. Um ano depois, na Alemanha, é concluída a primeira cobertura de telex em grande escala, que é usada só pelo governo.

Em 1930 Vladimir Zworykin começa o aperfeiçoar seu equipamento de captura de imagem, finalmente batizado de iconoscópio em 1931. A seguir, em 1932, John Baird demonstra um transmissor de ondas em alta freqüência (VHF) que permite a difusão de imagens por centenas de quilômetros. Neste mesmo ano é lançado o primeiro audiolivro, em disco de vinil, destinado a portadores de deficiência visual.

No ano de 1933 é criado o rádio de freqüência modulada, por Edwin Armstrong. Porém, a primeira rádio experimental só vai iniciar em 1937, nos EUA. O rádio FM abriu espaço para mais estações, e aumentou

significativamente a qualidade do sinal de áudio.

Baseado nos estudos de Vladimir Zworykin, a empresa EMI começa a desenvolver uma câmera eletrônica de tubo ainda mais sofisticada. Em 1934 o projeto da EMI é concluído, e o tubo é chamado de emitron. Também em 1934, é implantada a primeira linha telefônica transpacífica via rádio, entre Estados Unidos e Japão.

Em 1935 a Alemanha começa a transmitir a televisão regularmente, usando câmeras mecânicas. Um ano depois a BBC decide abandonar o sistema de Baird (mecânico) em favor do da EMI (eletrônico), adotando-o como sistema padrão de transmissão.

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Em 1937 George Stibitz (trabalhando na Bell Labs) baseou-se na aplicação de relés, e inventou a primeira máquina de fazer cálculos que opera em modo binário - o modo usado até hoje. No mesmo ano Claude Shannon mostrou que através de chaves e relés eletrônicos era possível realizar expressões de álgebra booleana, construindo assim a base teórica para o desenvolvimento de circuitos digitais computacionais.

No ano de 1938 o inventor francês Georges Valensi cria um método de transmitir imagens televisivas coloridas que funciona também para receptores preto e branco. Isto permitia a implantação das transmissões em cores sem detrimento aos proprietários de televisões preto e branco.

Em 1939 a aplicação das válvulas termiônicas faz mais uma revolução. Com elas John Atanasoff e Clifford Berry desenvolvem o primeiro computador digital capaz de fazer cálculos eletronicamente.

A segunda guerra mundial alterou as estruturas de produção, levando à abrupta redução nas vendas e transmissões de televisão. O conflito também foi responsável por 90% das comunicações via telex no período - de 1939 a 1945.

Durante a guerra também foi projetado um sistema de navegação de longa distância, chamado LORAN, para determinação da posição geográfica de navios e aeronaves militares. Este sistema é o precursor do GPS.

No início da década de 1940 a empresa CBS começa a fazer testes com câmeras mecânicas coloridas. Em 1941 iniciam as transmissões de televisão comercial em preto e branco nos EUA. No mesmo ano é lançado o teleprinter M14, vendendo 50 mil unidades até o final da década de 50 - quando o modelo foi descontinuado.

Ainda em 1941, baseado no uso de relés, o alemão Konrad Zuse construiu o primeiro computador digital funcional que podia ser programado. A

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programação universalizaria a finalidade dos computadores, que ficariam apenas limitados pela sua capacidade de cálculo.

No ano de 1943 é construída a primeira central automatizada de telefonia de longa distância, na Filadélfia, Estados Unidos. A automatização dispensa o uso de um intermediário telefonista para realizar uma chamada, e isto torna as ligações mais rápidas e mais baratas.

Em 1944 Tommy Flowers desenvolve um computador para o exército britânico usando válvulas termiônicas. Este computador foi o primeiro no mundo a ser simultaneamente digital, eletrônico e programável. Como a eletrônica gerencia energia dispensando componentes mecânicos, e a energia é quase tão rápida quanto a luz, esta tecnologia possui uma grande vantagem em matéria de velocidade de cálculo (processamento).

No ano de 1947 a televisão começa a se tornar popular em alguns lugares do mundo, como nos Estados Unidos. 1947 também é o ano em que a Bell Labs constrói o primeiro transistor funcional. A substituição da válvula termiônica pelo transistor possibilita que em 1954 seja lançado comercialmente o primeiro rádio portátil do mundo. Diversos outros feitos também serão decorrentes do transistor, o componente que vai revolucionar a eletrônica.

O transistor leva ao desenvolvimento de circuitos mais complexos, como o do engenheiro alemão Werner Jacobi, que em 1949 solicitou a patente de um dispositivo baseado no arranjo de transistores. Este ano também é marcado pela primeira utilização de um sistema eletrônico para gravação televisiva em cores, feita pela empresa CBS.

Em 1950 o sistema de navegação de longa distância (LORAN) é implantado para uso civil, tornando as embarcações e aeronaves mais seguras. No ano seguinte os usuários de telefone começaram a fazer suas próprias ligações interestaduais sem precisar da assistência de um operador.

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Em 1952 Geoffrey Dummer introduz o conceito de circuito integrado - um circuito miniaturizado composto essencialmente de transistores. Um ano depois a Bell Labs desenvolve o dataphone. Este equipamento convertia dados de fitas ou cartões perfurados gravados por computadores, e os transmitia para outro dataphone através da rede telefônica. É a primeira forma de comunicação entre computadores.

No ano de 1954 é realizada a primeira transmissão televisiva em cores para ampla audiência, nos EUA. Outro evento televisivo importante foi a introdução do primeiro sistema prático de fita de vídeo, executada pela empresa Ampex em 1956. Neste ano ocorre a conclusão da rede mundial de telex, e também a passagem do primeiro cabo transatlântico de telefonia entre o Canadá e a Escócia.

Em 1957 a União Soviética lança o primeiro satélite no espaço, o Sputnik, com finalidade militar espiã. Este evento foi a semente para o surgimento de mais um canal de comunicação, os satélites. Mais adiante eles serão usados pela telefonia, televisão, rádio, internet, entre outros.

No ano de 1958 Jack Kilby demonstra o primeiro circuito integrado operacional, à base de germânio. Menos de um ano depois Robert Noyce também produz um circuito integrado, mas à base de silício - material que veio a se tornar o padrão na fabricação destes componentes. O circuito integrado, também conhecido como microchip, vai levar o transistor ao seu apogeu, barateando progressivamente o custo de fabricação, e fazendo com que a capacidade de cálculo (processamento) dobre a cada ano.

Ainda em 1958, é realizada a primeira comunicação via modem. Este equipamento transmite informação de um computador diretamente ao outro através da linha telefônica. O modem abria a possibilidade de haver uma rede de computadores. 1958 também é o ano de início do primeiro sistema de

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televisão a cabo, nos Estados Unidos.

Em

1959

aconteceu

o

lançamento

do

primeiro

computador

transistorizado, pela empresa IBM. No ano seguinte a empresa Digital Equipment lançou o PDP-1, marcando o começo da redução de tamanho dos comuputadores.

Em 1960 foi lançado o primeiro satélite para comunicação civil (ECO-1), pelos Estados Unidos. Em seguida, no ano de 1962, a empresa AT&T lança o primeiro satélite destinado à transmissão de televisão, viabilizando as transmissões internacionais. Neste mesmo ano é realizada a primeira ligação telefônica via satélite, através do ECO-1.

Em 1963 a força aérea americana estuda o uso do espaço para finalidades militares, criando-se, entre outras coisas, o conceito do GPS sistema de posicionamento global. Com ele seria possível receber informações de localização em qualquer lugar do mundo.

No ano de 1964 é implementado o primeiro cabo submarino transpacífico de telefonia, ligando o Japão ao Havaí. Neste mesmo ano a empresa IBM lança o primeiro computador a utilizar circuitos integrados, e que também é o primeiro computador expansível. Esta composição de hardware foi a que vingou, mantendo-se até os dias atuais. Um ano depois é lançado o primeiro computador comercialmente bem sucedido, pela empresa Digital Equipament.

Em 1968 a maioria das transmissões de televisão no mundo já era em cores. Neste ano a espaçonave Apollo 7 marca o início do uso de computadores em missões espaciais. Esta evolução paralela da televisão e das espaçonaves possibilitou que em 1969 fosse realizada a primeira transmissão televisiva feita da lua, assistida por 600 milhões de pessoas. 1969 também foi o ano do surgimento do UNIX, o primeiro sistema operacional de

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grande abrangência.

Em 1970 os usuários de telefone começaram a fazer suas próprias ligações internacionais, sem precisar de assistência de um operador. Neste ano é criada a primeira rede de computadores, chamada ARPANET, para uso militar americano. Posteriormente, ao ingressar nas universidades, a

ARPANET ganharia mais força.

No início da década de 70, após o surgimento da fita cassete, os audiolivros deixaram de serem destinados apenas a deficientes visuais. É o começo do audiolivro voltado para o público em geral.

Os computadores até o momento eram para uso militar, governamental, coorporativo, ou científico, mas isto começou a mudar em 1971. É que neste ano a empresa Kenbak lançou o primeiro computador pessoal. Este computador também foi o primeiro a suportar um jogo. Em 1971 a internet ainda não existia de fato, mas, através da rede ARPANET, foi enviado o primeiro e-mail. Um ano depois houve o lançamento do primeiro jogo de computador a se tornar popular.

O primeiro computador pessoal a utilizar um microprocessador foi lançado em 1973. Mesmo ano em que Martin Cooper, da Motorola, construiu o primeiro telefone móvel possível de segurar na mão e de ser usado fora de um veículo, realizando a primeira ligação. 1973 também é o ano em que a força aérea e marinha dos Estados Unidos decidem implantar o GPS.

Ainda em 1973, a agência criadora da ARPANET inventou o protocolo de internet (IP), e a seguir desenvolveu o protocolo de controle de transmissão (TCP). Estes protocolos constituíam uma linguagem unificada de comunicação entre dispositivos, permitindo que pequenas redes de computadores se interliguem formando redes cada vez maiores, até haver uma grande rede unificada, a internet.

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Em 1974 é lançado o primeiro satélite de televisão aberta, pela NASA. Neste ano também é lançado o mouse, revolucionando a forma como o usuário manipula o computador.

No ano de 1975 surge o Altair 8800, que foi o primeiro computador a emplacar o título de computador pessoal. Neste ano também surge a rede TELENET, uma versão civil da ARPANET. Um outro passo importante para o desenvolvimento da internet foi a computadorização da telefonia mundial, processo que começa a partir de 1975.

Mais uma otimização do desempenho dos computadores ocorre em 1976, quando a empresa Intel lança um processador de dados 5 vezes mais rápido que os modelos anteriores. Neste mesmo ano Gary Kildall desenvolve o CP/M, que foi o primeiro sistema operacional capaz de funcionar em mais de um tipo de computador. Ainda em 1976, a Sony lança o Betamax - primeiro sistema doméstico de gravação de vídeo - e a JVC lança o VHS - sistema concorrente. Posteriormente o VHS triunfará sobre o Betamax, dominando o mercado até o surgimento do DVD.

No ano de 1978 iniciam os testes da primeira rede de telefonia celular, em Chicago, nos Estados Unidos. De 1978 a 1983 é desenvolvida a versão final do grupo de protocolos padrão para a internet, o TCP/IP. Quase no mesmo período, entre 1978 e 1985, são lançados 11 satélites para o início do sistema de informação de posicionamento global (GPS).

Em 1979 foi estabelecida a USENET. Era a primeira rede de computadores descentralizada que possibilitava a troca de arquivos entre usuários. Nascia o compartilhamento, uma forma voluntária de usuários se ajudarem mutuamente.

No ano de 1981 a empresa Microsoft lançou o DOS, que foi o principal

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sistema operacional até a metade da década de 90. Quem lançou o primeiro computador a utilizá-lo foi a empresa IBM, também em 1981. Este ainda foi o ano em que a empresa japonesa NHK demonstrou a televisão de alta definição (HDTV), com 1125 linhas de resolução de imagem.

Outra evolução televisiva proveniente do Japão foi a transmissão com som estéreo, realizada inicialmente pela televisão estatal japonesa em 1982. Este também foi o ano de lançamento do disco compacto (CD), por um esforço conjunto das empresas Philips e Sony. O audiolivro só vai emplacar no CD após a chegada dos rádios automotivos tocadores de CD.

As transmissões viajaram pelos fios e pelo ar, cruzaram os continentes e os oceanos, e chegaram ao espaço. Mesmo assim continuaram se desenvolvendo. A idéia de enviar sinais na forma de luz concretizou-se com a fibra óptica, que teve seu primeiro cabo de longa distância concluído em 1983, ligando Nova Iorque a Washington DC, nos EUA. Esta tecnologia possibilitou o aumento substancial da velocidade e o do tráfego de informações. Inicialmente os cabos de fibra óptica foram empregados em telefonia, sendo posteriormente utilizados para transmissões de internet.

No ano de 1983 a rede ARPANET se dividiu. Uma parte foi para uso exclusivo militar, chamada de MILNET, e outra para uso civil, mantendo o nome de ARPANET. Neste mesmo ano a empresa Apple produziu o primeiro computador com uma interface gráfica, facilitando o uso doméstico. Um ano depois a Apple lançou o primeiro computador com interface gráfica controlado por um mouse a ser bem sucedido no mercado, o Macintosh. 1984 também foi marcado pela cunhagem do termo ciberespaço, por William Gibson, ao se referir ao espaço virtual gerado pela cibernética.

Em 1985 o governo americano transfere o controle de partes da ARPANET para uma rede formada por grandes universidades, a NSFNET. Posteriormente esta rede vai incorporar outras redes, e abrir o acesso para fora

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das universidades, tornando-se responsável pela expansão da internet.

No ano de 1986 é lançado o Super VHS, uma versão do VHS com maior qualidade de vídeo. Um ano depois o conceito de ADSL é introduzido, abrindo a possibilidade de transmissão de dados em alta velocidade pelas linhas telefônicas convencionais.

Em 1988 é colocado o primeiro cabo de fibra óptica transatlântico, interligando EUA, Inglaterra e França. Neste mesmo ano as fitas VHS começam a fazer a audiência da televisão cair.

Um evento crucial ocorreu em 1990, quando Tim Berners-Lee, pesquisador do CERN, concluiu o desenvolvimento de um sistema de documentos interligados em rede, a World Wide Web. Para chegar a isto, Tim teve que criar o protocolo de transferência de hipertexto (HTTP) e a linguagem de marcação de hipertexto (HTML). Era o que faltava para a internet ser facilmente navegável, garantindo o acesso a qualquer usuário, e deixando de ser exclusiva para experts. 1990 também é o ano em que a Microsoft lança o Windows 3.0, mais um sistema operacional com interface e uso de mouse a se tornar popular. O Windows 3.0 era baseado no já bem sucedido sistema operacional DOS.

Em 1991 o estudante finlandês Linus Torvalds lança o sistema operacional Linux, uma forma evoluída do UNIX, disponibilizando-o pela rede USENET. Este será o primeiro sistema operacional gratuito a ter sucesso. O Linux também era um sistema operacional de código aberto, e isso permitiu que programadores voluntários contribuíssem com seu desenvolvimento ao passar do tempo. Ainda em 1991, na Finlândia, é implantada a primeira rede de telefonia celular GSM. Este sistema usa tecnologia digital e por isso corresponde a segunda geração da telefonia celular.

No ano de 1993 foi lançado o processador Pentium, o primeiro a

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conseguir administrar várias instruções ao mesmo tempo. Neste ano é lançado no CERN o primeiro site similar aos sites atuais. Outro lançamento de 1993 foi o do navegador de internet Mosaic, o primeiro a ter uma interface gráfica para acesso aos conteúdos on-line.

Em 1994 o Mosaic é relançado com o nome de Netscape, sendo o primeiro navegador a se popularizar, e mais uma ferramenta a facilitar o uso da internet. No mesmo ano o número de satélites de GPS em órbita sobe para 24, aumentando a precisão do sistema de informações de posicionamento global.

A empresa Microsoft tentou rivalizar com o navegador Netscape lançando o navegador Internet Explorer, em 1995. Neste ano a Microsoft também lançou o sistema operacional Windows 95.

Em 1996 a empresa Palm introduziu no mercado o primeiro computador de mão, chamado de Palm Pilot. Foi um marco das tecnologias móveis de computação. No mesmo ano ocorre o lançamento das antenas televisivas domésticas por satélite (mini parabólicas), que virão a ser o segundo item eletrônico televisivo mais vendido na história, só perdendo para o vídeo cassete. 1996 também é o ano em que a empresa Toshiba lança o DVD, vendido inicialmente no Japão.

No ano de 1998 os produtos de televisão digital de alta definição (digital HDTV) se tornam disponíveis aos consumidores. Neste ano é fundado o Google Search, que revolucionou o modo como se busca informação na internet. Entre os aprimoramentos realizados pelo Google estão o aumento na relevância dos resultados e a redução no tempo de pesquisa. Ainda em 1998 houve o lançamento do tocador de áudio em formato mp3. A sua portabilidade, combinada com a possibilidade de baixar conteúdo da internet, vem ganhando aos poucos o mercado de audiolivros em CD.

Em 1999 foi criado o primeiro sistema de troca de arquivos de áudio

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entre internautas a se tornar popular, o Napster. Neste ano vai ao ar o audible.com, que vai se tornar o mais famoso site de audiolivros. Um ano depois ocorre o início das transmissões televisivas digitais em alta definição.

Mais um marco vai se dar em 2001, com a fundação da Wikipedia, a primeira enciclopédia colaborativa on-line. O fato dos artigos da Wikipedia serem construídos e corrigidos voluntariamente por seus usuários, aliado ao acesso on-line e gratuito, fez com que ela se tornasse a maior enciclopédia do planeta.

No ano de 2002 foi criada a primeira rede social na internet, o Friendster. Dois anos depois surge o Google Books, primeiro serviço de digitalização de livros tradicionais para a internet. Este serviço vai contribuir significativamente para o aumento do volume de livros digitais (e-books), e facilitar o acesso às informações contidas nestes livros.

Em 2005 é inaugurado o YouTube, primeiro site que permite aos usuários exibirem seus próprios vídeos, e assistirem vídeos de outros usuários. O YouTube tornou-se o maior e mais acessado site de vídeos na internet, revolucionando o mercado de difusão audiovisual.

No ano de 2006 houve o lançamento do Blu-ray, um disco óptico digital de alta capacidade, que suporta vídeos em alta definição. Neste mesmo ano surgiu o Twitter, um sistema de mensagens instantâneas combinado com rede social.

Em 2007 foi ao ar o Scribd, um site para a visualização de documentos de texto, planilhas e slides, publicados pelos próprios usuários. Em um curto espaço de tempo o Scribd se tornou uma das maiores fontes de livros digitalizados na internet. Neste mesmo ano a empresa Amazon lançou o primeiro dispositivo computacional portátil próprio para a leitura de livros digitais, o Kindle. Posteriormente outros leitores de livros digitais foram

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introduzidos no mercado, concorrendo com o Kindle.

No ano de 2010 a empresa Apple lança o iPad, um computador de tamanho análogo a um livro, constituído de uma tela sensível ao toque que recobre sua face superior. Apesar de não ser um dispositivo criado especificamente para a leitura de livros, ele cumpre esta função com primazia, vindo a ser mais uma alternativa à leitura de livros digitais.

Cada vez mais práticas, dinâmicas, interligadas e eficientes, as tecnologias da informação estão reinventando a forma como a humanidade se comunica, administra o conhecimento, e lida com as informações em geral.

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4 O FIM DA ERA DO LIVRO

Este capítulo aborda o fim da era do livro. Se estabelece a relação entre o surgimento das novas tecnologias da informação e o fato do livro ter deixado de ser a maior fonte de informação.

4.1 ESTRATÉGIA METODOLÓGICA

Este estudo utiliza a pesquisa do tipo exploratória, que segundo Gil (1999), é a que tem como finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. O autor ainda coloca que a pesquisa exploratória é desenvolvida com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato, e que este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis.

Na primeira etapa desta monografia a técnica de pesquisa utilizada foi a documental. Conforme Gil (1999), pesquisa documental é aquela que se vale de materiais que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da investigação.

A segunda etapa desta monografia é uma análise descritiva da relação das novas tecnologias com o fim da era do livro. A análise descritiva envolve a vertente qualitativa de investigação. Na segunda etapa também foram empregadas as técnicas de pesquisa documental e de observação

assistemática. Na técnica de observação assistemática o pesquisador coleta informações em fatos da realidade sem a utilização de meios técnicos

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especiais (ALMEIDA, 2005). Com estas informações são estabelecidas conclusões no processo analítico.

O procedimento de análise se baseia na utilização de dados a respeito de como a tecnologia manipula a informação em cada um dos meios. Foram selecionados pontos relativos aos fins práticos da informação, para que sirvam de parâmetros na comparação entre as tecnologias dos meios. Nesta comparação pretende-se desvendar quais fatores respondem a questão de como o livro deixou de ser a maior fonte de informação.

4.2 COMPREENDENDO MEIO, CANAL E SUPORTE

É importante definir este tópico antes do prosseguimento da leitura em questão. O meio de comunicação é fundamental no debate acerca do fim da era do livro, porque influi diretamente no modo como os indivíduos vão receber, transmitir, construir, armazenar e interagir com a informação.

Um meio, em comunicação, é o ambiente tecnológico pelo qual a informação transita, como o livro, rádio, revista, jornal, televisão, internet, cinema, entre outros (ERBOLATO, 1986). Apesar de não haver uma convenção formal acerca do sentido exato do termo, o uso rotineiro por acadêmicos e profissionais de comunicação também aponta para esta mesma definição.

Uma questão relevante, é que uma mesma informação pode estar em vários meios, e muitas vezes habitar todos eles. Isso não a transforma, apenas a deixa suscetível ao efeito das diferentes formas de exibição de um registro, pois conforme McLuhan (1994), a natureza do meio influi sobre a mensagem. Na prática, isso significa que uma informação pode ser interpretada de uma forma quando observada em um meio, e de outra forma quando observada em

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um meio diferente. Por exemplo, um indivíduo ao ler uma informação nas páginas de um livro tradicional, e ao escutar a mesma informação em um audiolivro, está sujeito a inferir um sentido em cada.

A palavra suporte, segundo o dicionário digital Michaelis (SUPORTE, 2007), significa "a coisa que suporta ou sustenta outra" ou "aquilo em que alguma coisa assenta ou se firma; apoio, base de sustentação, sustentáculo". Logo, pode-se inferir que um suporte da informação é uma base de sustentação para a informação - a coisa em que ela está contida. Afirmação que também é compartilhada pelo professor David Rodrigues (2008), da faculdade Campos Elíseos. Rodrigues comenta que o suporte da informação pode ser o papel, o microfilme, as fitas magnéticas, disquetes, CD, DVD, discos rígidos, entre outros. Cada um possui formas de utilização, assim como limitações de uso. No caso do livro tradicional, o suporte é exclusivamente o papel.

O que há em comum entre todos os suportes, também explica a sua função: registro físico da informação. Isto permite que ela possa ser guardada, difundida, compartilhada, modificada, enfim, que se torne algo acessível e útil a humanidade.

O canal é a forma como é conduzido o sinal entre o equipamento transmissor e o equipamento receptor. Ele pode ser um fio elétrico, um cabo coaxial, uma banda de radiofreqüência, um feixe de luz, entre outros (SHANNON, 1948). O canal é a via da informação - conceito também de Erbolato (1986). Logo, a função do canal é fazer com que a informação contida no suporte chegue ao seu destino, um ponto onde o sujeito possa acessá-la. Por isso os livros não possuem canal, a informação contida neles é lida diretamente do suporte.

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4.3 A INFLUÊNCIA E A FUNÇÃO DO MEIO

O conceito de meio de comunicação é proveniente do conceito da palavra meio (MORAN et al., 2009). O caminho entre dois pontos passa por um ponto central, que está entre eles. Este ponto é a metade, o meio. Qualquer coisa que for enviada de um ponto ao outro vai passar pelo ponto do meio. Entre uma fonte de informação e um receptor também. Logo, emissor e receptor utilizam um meio para a comunicação. Tudo que é utilizado no processo é um meio, o que confere uma grande quantidade de possibilidades, como: som, luz, ar, gesto, imagem, tato, livro, rádio, papel, eletricidade, onda, etc. A semântica do termo é muito vasta e debatida há anos por autores da área da comunicação (ARAÚJO, 2007).

Uma definição formal mais específica resolveria o "impasse", porém a língua se forma a partir do entendimento dos falantes, nada formal nem controlável. A definição mais freqüente para meio de comunicação está associada ao emprego de tecnologia no processo. Daí a definição de meio como ambiente tecnológico onde a informação transita.

Este ambiente estabelece o modo como a informação é apresentada. Isto quer dizer que no meio rádio está imposto que as informações sejam na forma de áudio, ou que no meio livro sejam na forma de escrita e gravura, entre outros exemplos. O mediador tecnológico condiciona a mensagem aos formatos suportados, mas não remove nem acrescenta partes a ela, não a altera. A mensagem é entregue do mesmo modo que foi coletada. Diante deste cenário, o meio é neutro, e sua influência sobre a mensagem é apenas dada pela restrição de forma.

Há diferenças entre os processos tecnológicos comunicacionais dos meios. Por exemplo, o livro, o jornal, a revista e a carta apenas registram a informação. Por outro lado, o rádio, o telefone e a televisão capturam,

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codificam, transmitem, decodificam e exibem a informação, podendo ou não registrá-la (SHANNON, 1948). Olhando deste ângulo os meios parecem ter funções diferentes, mas não têm. Os recursos e aplicações são variados, mas os meios possuem a mesma função: permitir a comunicação entre os indivíduos, sem que eles precisem estar no mesmo local geográfico e ao mesmo tempo.

Em suma o meio é a possibilidade de comunicar algo a uma ou mais pessoas que não estão aqui e agora. Utilizando o telefone, por exemplo, é possível falar neste momento com uma pessoa que está em outro país, ou, deixando um cartaz fixado na parede, dizer algo a uma pessoa que vai passar por aqui amanhã, entre outras possibilidades.

4.4 OS NÚMEROS DO DECLÍNIO

Nos tempos atuais, o montante de informação produzida em livros corresponde a uma parcela demasiadamente pequena do total de informação produzida. Isto é demonstrado no estudo de Lyman e Varian (2003). De acordo com o estudo, o total de informação produzida no mundo em 2002, se gravado digitalmente, ocuparia 5.421.221 terabytes. Deste montante, apenas 39 terabytes são relativos ao meio livro, o que é 139.006 vezes menos que o total. Se a informação pudesse ser disposta em área, e o total produzido no mundo em 2002 ocupasse o equivalente ao campo do estádio Maracanã, o que foi produzido em livro caberia em uma área do tamanho de uma folha A4.

Dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro (2008) apontam que a comercialização de livros no Brasil em 2008 está menor do que a de 1998, e que os períodos de crescimento estão apresentando taxas pouco expressivas desde 1995, conforme

demonstrado neste gráfico:

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Livros vendidos por ano no Brasil
450.000.000 400.000.000 350.000.000 Livros vendidos 300.000.000 250.000.000 200.000.000 150.000.000 100.000.000 50.000.000 0

Gráfico 1 - Livros vendidos por ano no Brasil. Fonte: Sindicato Nacional dos Editores de Livros e Câmara Brasileira do Livro (2008), adaptado pelo autor.

Se observarmos a comercialização de livros nos EUA, que possui um mercado mais desenvolvido, com maior consumo de bens e uma forte tradição literária, também percebemos o fenômeno da baixa taxa de crescimento. Albert Greco (2005) fornece dados para a confecção do gráfico abaixo:

2.600.000.000 2.500.000.000 Livros vendidos 2.400.000.000 2.300.000.000 2.200.000.000 2.100.000.000 2.000.000.000 1.900.000.000 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Gráfico 2 - Livros vendidos por ano nos EUA. Fonte: Greco (2005, p. 28), adaptado pelo autor.

Considerando que os EUA foram os pioneiros da internet, e que esta tecnologia começou a se popularizar a partir de 1994, com o surgimento dos

19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08

Livros vendidos por ano nos EUA

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programas navegadores, é possível vermos que o consumo de livros não foi afetado pelo crescimento da internet. Porém, a capacidade tecnológica da internet, somada a dos outros meios, está gerando uma quantidade muito maior de informação do que os livros.

4.5 O VOLUME E A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO

Conforme Lyman e Varian (2003), o que está sendo produzido de informação em livro atualmente corresponde a 0,0007 % do que está sendo produzido no total. Mas qual será o prognóstico deste quadro?

Para projetar o quadro futuro do volume de informação em livro comparado ao volume total, precisamos olhar para seus valores em um mesmo período e para suas taxas de crescimento. A quantidade de livros vendidos está associada ao volume de informação em livros, por isto utilizaremos a taxa média de crescimento de vendas de livros nos EUA como fator de crescimento para o volume de informação em livros (GRECO, 2005). A taxa usada no crescimento do volume geral de informação será a média de crescimento entre os anos 2000 e 2002 (LYMAN; VARIAN, 2003). Os fatores utilizados não são precisos, mas são suficientes para a demonstração da tendência, conforme se pode verificar no gráfico 3, a seguir.

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Evoluçao anual do volume de informação total x em livro (projeção)
1,00E+12
volume de informação em terabytes (escala logaritmica)

1,00E+11 1,00E+10 1,00E+09 1,00E+08 1,00E+07 1,00E+06 1,00E+05 1,00E+04 1,00E+03 1,00E+02 1,00E+01 1,00E+00 2002

total

em livro

1,07E+10

5,42E+06

3,90E+01

5,33E+01

2006

2010

2014

2018

2022

2026

2030

Gráfico 3 - Evolução anual do volume de informação total x em livro (projeção). Fonte: O autor (2010), baseado em dados de Greco (2005) e Lyman e Varian (2003).

De acordo com os dados do gráfico 3, é possível observar que o crescimento do volume de informação total é mais rápido que o crescimento do volume de informação em livro, gerando o aumento progressivo da diferença entre os dois. Com isto, o prognóstico da situação é que o volume de informação em livro será cada vez menos significativo no total.

Há outra questão importante acerca do volume de informação: a quantidade de informação disponível atualmente é tão grande que nenhum ser humano terá acesso a sua totalidade. Gerenciar toda esta informação é um desafio. Nos livros, a procura mais específica por uma informação se dá pelo índice, além disto é preciso saber em qual livro procurar e ainda onde encontrar este livro. É um longo caminho, e que pode dar em nada, pois a informação procurada pode não estar lá. Já na internet, utilizando um serviço de busca, pode-se encontrar a informação em segundos, disponível em diversas fontes, línguas e recursos.

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O fato é que a informação aumenta infinitamente, e os dias continuam com 24 horas, obrigando os indivíduos a serem cada vez mais seletivos. Para acompanhar a evolução da informação, e o conseqüente aumento de complexidade deste universo, são necessários sistemas que reduzam a complexidade para o usuário. Neste ponto entra a tecnologia, gerenciando a informação.

Em uma biblioteca com os livros completamente fora de ordem, seria muito difícil encontrar uma informação. Mas é possível ter os livros organizados nas estantes por assunto e ordem alfabética. O usuário terá que olhar diversos títulos até encontrar um que possa ter a informação desejada, e se a biblioteca for muito grande, o processo ainda pode levar algum tempo.

O sistema de organização dos livros possui uma limitação natural no tempo de busca. A partir de certo ponto só se consegue reduzir o tempo com o uso de equipamentos, como um computador na biblioteca, aplicado para a pesquisa de termos no catálogo e a localização de livros na estante.

O volume acumulado de informação expõe a limitação tecnológica dos livros para gerenciá-la. Grandes bibliotecas requerem sistemas informatizados para continuarem viáveis aos usuários, demonstrando que o livro não é mais um meio auto-suficiente.

Assim como a informação leva tempo para ser encontrada, também leva tempo para ser lida, escutada, assistida, ou observada de qualquer outro modo. Os formatos de exibição de informação são observados em velocidades diferentes. Em um espaço de tempo "x" uma pessoa pode assistir o tempo "x" de vídeo ou de áudio, pois estes formatos são discorridos em tempo real, independente da habilidade do usuário ou do volume de informação contido. Mas neste mesmo espaço de tempo "x" é possível ler um número "p" de palavras ou olhar um número "f" de figuras. Nestes casos a habilidade do

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usuário tem influência no processo, e o tempo de observação é relativo ao volume de informação.

A velocidade de observação dos formatos é um fator muito relevante na escolha do meio mais adequado para se obter uma informação. Se um indivíduo quer saber como se costura uma roupa, a forma mais rápida e eficiente para isto será o vídeo. Já para saber como soa um sino, a forma será o áudio. Para conhecer a aparência de uma mancha, uma fotografia. E para encontrar um número telefônico, a escrita. Cada uma destas informações pode ser obtida através de formatos diferentes, mas levarão mais tempo e exigirão mais trabalho.

Visto que para cada circunstância há um formato mais adequado, parece pouco provável que haja um meio mais eficiente que os demais. Além disso seria necessário um modo de mensurar para fazer esta comparação. Porém, alguns meios possuem mais que um formato de exibição de informação. Caso houvesse um que suportasse todos os formatos, este seria o mais adequado em qualquer circunstância e, logo, o mais eficiente. O fato é que este meio existe, e se chama internet. Este é o meio que reúne o maior aparato tecnológico, e que possui o maior leque de opções e aplicações, englobando recursos dos outros meios - multimídia.

Outra velocidade a ser considerada é a de atualização, expressa pelo tempo levado para se acrescentar uma nova informação, ou para se corrigir uma informação anterior. Em uma revista semanal é possível atualizar informações em cerca de uma semana, um jornal diário em um dia, o rádio, a televisão e a internet quase instantaneamente, e um livro em períodos mais longos, dependendo da demanda do mercado. A importância da velocidade de atualização fica mais clara no seguinte exemplo: uma enciclopédia é lançada em livro e outra em site na internet; enquanto a primeira só pode atualizar suas informações no próximo ano, a segunda pode ser atualizada agora.

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4.6 A DIDÁTICA E O LIVRO

O ser humano está continuamente aprendendo, seja executando uma tarefa cotidiana, observando um evento, experimentando situações, analisando fenômenos, interagindo com outro, sendo ensinado por alguém, ou de diversas outras maneiras. Ao utilizar um meio de comunicação o indivíduo também aprende. Portanto, os meios são recursos didáticos. Programas educativos no rádio, cursos por correspondência, documentários na televisão, folders informativos e outdoors com campanhas de advertência são algumas das ferramentas educativas disponíveis. Se olharmos especificamente para a didática escolar, e nos perguntarmos qual o meio de comunicação mais utilizado, imediatamente pensaremos no livro. Sua presença neste papel parece inquebrantável, mas não é.

Um livro convencional é um objeto simples, composto de folhas de papel sobrepostas, geralmente com grandes extensões de textos, impressos em preto, com poucas figuras e limitados recursos visuais. Dispõe de apenas dois formatos de exibição (escrita e figura), e que ainda costumam ser pouco explorados, o que acaba limitando a experiência do sujeito com a informação.

Já o livro didático preza pela metodologia de ensino, e leva em conta a importância da motivação para o aprendizado. Por isso busca ser atrativo, utiliza fotografias, infográficos, ilustrações e textos mais inteligíveis. Mesmo assim não responde às dúvidas paralelas, não interage com o sujeito, e não se flexiona a necessidade individual. São as limitações tecnológicas do meio livro.

A didática engloba muito mais do que o livro didático. Compreende o professor, o aluno, o conteúdo, o contexto da aprendizagem, e as estratégias metodológicas (DIDÁTICA, 2010). Dentro das estratégias está o uso de recursos, e dentre os recursos os meios. Didática pressupõe expansão do

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horizonte, uso de múltiplas ferramentas, participação ativa, interatividade, enriquecimento da experiência, aproximação do conhecimento à realidade (COMENIUS, 2001).

O meio que melhor responde a estes critérios é a internet. A variedade de formatos de exibição, a vastidão de informação, a facilidade de busca e acesso, a reunião de recursos de outros meios, entre tantos outros fatores, revelam a internet como um universo de possibilidades didáticas. Não é por acaso que seu espaço no âmbito escolar vem aumentando em todo o mundo (ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT, 2006). Este processo é mais visível em países desenvolvidos, onde o acesso à internet é maior (UNITED NATIONS STATISTICS DIVISION, 2009).

A informação nos livros é inflexível e hierarquizada, segue categorias, temas e seções. Já na internet a informação é dinâmica, disposta em rede, interligada, e passível de ser reorganizada. Enquanto um livro expõe seu tema de um modo, a internet agrupa informações acerca do tema, permitindo ao usuário a 'montagem do seu próprio livro', de acordo com sua necessidade. É como determinar ao autor qual será o assunto, de que modo será escrito, quais pontos serão abordados, e com qual extensão. Tudo isto feito em poucos minutos, podendo esclarecer dúvidas paralelas no decorrer da leitura, e ainda optando por outros formatos de exibição da informação.

O ensino a distância é mais uma questão a ser considerada. Meios como o livro, a televisão e a revista possibilitam educar a distância, mas não esclarecem as dúvidas secundárias do aprendiz. Na internet o aluno pode receber instrução por documentos de texto, livros digitais, audiolivros, artigos em sites, apresentações de slides, documentários, aulas gravadas em áudio ou vídeo, etc. Além disto, o aluno ainda pode solucionar questões adjacentes através de um sistema de busca, ou de um serviço de suporte por mensagens de texto. A internet também permite assistir uma aula em tempo real, através de áudio ou vídeo conferência. Assim o educando pode sanar suas dúvidas

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perguntando diretamente ao professor.

A acessibilidade é outro ponto importante correlato a didática. Parte da técnica de ensinar é garantir que o aprendizado chegue a toda classe. Porém, existem estudantes portadores de deficiências visuais, auditivas ou motoras, e estes fatores são limitadores no processo de aprendizagem. Há muitas formas de contornar estas dificuldades, inclusive através dos meios de comunicação.

Os livros comuns são acessíveis aos surdos porque são apenas visualizados. Já para os cegos existe a opção de livros em Braille, apesar da quantidade bem mais restrita de títulos. Porém, para um indivíduo sem os braços ou sem movimento nestes membros, o livro não oferece alternativa, tornando improvável seu uso, que requer o folhear das páginas.

A internet é diferente, possui ampla acessibilidade. É possível ampliar as fontes (para os usuários com visão reduzida), e usufruir de programas leitores de texto (para os cegos). Este público também conta com os audiolivros, os podcasts, etc. Os surdos dispõe da maior parte do conteúdo da internet (visual), incluindo recursos como as legendas de vídeo e as transcrições de áudio. Para usuários sem os braços, existe a opção do mouse de pé, e para tetraplégicos, o mouse de boca. Além dos monitores sensíveis ao toque, que podem ser usados com os pés, e dos comandos por voz.

Infelizmente, alguns educadores supervalorizam o livro, enxergando os outros meios como 'pobres' ou 'superficiais'. Talvez esta visão seja decorrente do entrelaçamento histórico dos conceitos de livro e saber, ou do fato dos meios modernos crescerem fortemente ligados ao entretenimento. Porém, a realidade atual nos mostra que educação e entretenimento podem andar juntos, havendo inclusive veículos de comunicação especializados nisto, como os canais televisivos National Geographic, The History e Discovery, as revistas Superinteressante e Mundo Estranho, entre tantos outros exemplos. A demanda é que dita quais os produtos e serviços que serão produzidos, e o

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livro não foge a regra. O presente momento revela que o livro não é mais um meio dominado por títulos educativos. Segundo a Associação dos Editores Americanos (2009), os livros mais vendidos atualmente estão na categoria ficção.

4.7 CONSTRUÇÃO COLETIVA

O modo de produção do livro é fixado nas figuras do autor e da editora, em um sistema restrito, onde as informações viajam em sentido único: do autor (emissor) para o público leitor (receptor). Neste modelo poucos participam da construção da informação. Na televisão e no rádio o processo é semelhante, e a informação também viaja em um só sentido. Porém, ações como entrevistas e participações ao vivo fazem com que haja alguma presença do público na produção da informação. Tudo muda quando se trata da internet, que interliga os sujeitos, possibilitando a comunicação em mão dupla. Deste modo todos são produtores e consumidores de informação, constituindo um sistema aberto e democrático.

O consumo de informação tem um custo. Nos livros este custo é repassado ao usuário, assim como na televisão fechada. Já no rádio AM e FM, na televisão aberta e na internet, o custo é pago por anunciantes. Ter um serviço gratuito é um fator decisivo para a universalização da informação. Outro fator importante para a universalização é o acesso. O livro desejado precisa estar disponível para venda ou empréstimo na região geográfica do usuário. Enquanto isso a internet está em todos os lugares ao mesmo tempo, porque a tecnologia da rede permite a comunicação entre quaisquer pontos.

Informação democratizada e universalizada possibilita a construção coletiva. Os benefícios deste modelo podem ser compreendidos através do exemplo da enciclopédia Wikipédia. Com apenas 9 anos de existência, ela se

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tornou a maior enciclopédia do planeta, com 3.314.663 artigos em língua inglesa e outros 12.589.091 artigos distribuídos entre os mais de 250 idiomas disponíveis (WIKIMEDIA, 2010). Tal volume de informação só se produz com abundante mão de obra, neste caso proveniente dos próprios usuários, os quais voluntariamente desenvolvem e atualizam os artigos.

Esta união de esforços também confere outra vantagem. Enquanto um livro possui alguns indivíduos no seu processo de revisão, a Wikipédia possui uma multidão de usuários lendo e revisando seus artigos a todo momento, em um processo contínuo. Além disto, a enciclopédia conta com ferramentas de controle adicionais: guarda cópia dos artigos para repor o conteúdo em caso de vandalismo; bloqueia assuntos polêmicos para evitar opiniões pessoais; sinaliza as páginas que carecem de fontes; mantém um espaço de discussão em cada artigo, para que os usuários debatam antes de efetuarem correções; restringe a edição de alguns artigos por usuários não registrados; etc. O produto final é informação de qualidade, ampla e confiável.

Podemos ter uma idéia objetiva desta questão através dos dados do estudo realizado pela revista científica Nature, e disponibilizados na

reportagem de Daniel Terdiman (2005). No estudo a enciclopédia Wikipédia foi comparada com a renomada enciclopédia Britannica, que era seguidamente citada como exemplo de referência precisa pelos críticos que menosprezavam a Wikipédia. O resultado foi que a Britannica possuía uma média de 2,92 erros por artigo, e a Wikipédia 3,86. Diferença de apenas 0,94 erro por artigo.

Os fóruns da internet também são exemplo do que a construção coletiva é capaz. Através destas ferramentas os indivíduos opinam, sanam suas dúvidas, trocam experiências, e geram informação. Além dos fóruns, a internet possui chats temáticos, comunidades em redes sociais, blogs e outras ferramentas análogas, que têm em comum um atributo precioso: permitir o exercício do debate. No meio livro isto é impraticável.

52

Com o debate os indivíduos colocam em prática o próprio conhecimento, desenvolvem seu potencial argumentativo, confrontam e criam idéias, exercitam o pensamento na busca de soluções, enfim, participam de forma ativa, aproximando o conhecimento à realidade.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As

novas

tecnologias

introduziram

recursos

no

processo

de

comunicação: o telefone permitiu que as pessoas se falassem a distância e em tempo real; o rádio e a televisão aumentaram a atratividade e abrangência no processo informativo, principalmente por causa do entretenimento; os computadores revolucionaram o modo de armazenar e processar a informação, se interligaram, e constituíram a internet; a internet agrupou recursos de todos os outros meios, e em pouco tempo conquistou o mundo.

Atualmente o livro está produzindo uma parte ínfima do total de geração de informação, e sua parcela está ficando cada vez menor. Além disto, a velocidade de acesso a informação no meio livro já não acompanha o ritmo acelerado da vida contemporânea. Outro fato relevante é que o volume acumulado de informação em livro demonstra o limite tecnológico do próprio meio para gerenciar sua informação, como uma espécie animal sucumbindo em função de sua superpopulação. Enfim, o livro deixou de ser o meio mais eficiente para guardar, organizar, e pesquisar informações.

A internet faz o que o livro faz, e ainda agrega outros recursos, ferramentas e formatos de exibição. Os dispositivos tecnológicos

computadorizados funcionam como um livro, porém adicionando mais praticidade e opções.

Quanto a didática, a internet possui alternativas muito mais amplas do que o livro, e permite ao aprendiz o desenvolvimento do seu próprio material de ensino. A internet ainda possui melhor acessibilidade que o livro. Ela também é mais inclusiva, pois suas informações são gratuitas e podem ser acessadas de qualquer ponto.

O caráter educacional não é mais hegemônico no livro, que hoje está

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inserido em ramos como entretenimento, autoajuda e religião. Além disto, os outros meios também possuem material educativo.

A internet mudou o sistema de construção de informação. Agora todo sujeito é parte da autoria, e quando todos constroem junto, muito mais é produzido. Este meio também possibilita o debate de idéias.

Não é exclusividade do livro ter confiabilidade. Os livros também possuem falhas, e o seu lento processo para atualização de informações retarda a correção de erros. Em contrapartida, meios como a internet, o rádio e a televisão podem retificar uma informação a qualquer instante. Pode-se mencionar ainda os sistemas de busca na internet, que permitem a checagem de uma informação na hora, através de inúmeras e variadas fontes.

Se tivesse que resumir os motivos do fim da era do livro em uma única causa, este estudo citaria a superação tecnológica. Os novos meios passaram a manipular a informação de modo mais dinâmico, atraente e eficiente, e estas vantagens naturalmente se traduziram na proliferação dos novos meios de comunicação.

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