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Cultura Religiosa

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apostila de Cultura Religiosa do Prof Ademildo Kuhn CEULP/ULBRA
apostila de Cultura Religiosa do Prof Ademildo Kuhn CEULP/ULBRA

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7 - A EDUCAÇÃO LUTERANA E A ULBRA
1) Objetivos: A) Conhecer a historia e os princípios que regem a instituição em que o acadêmico busca a sua formação ; B) analisar criticamente a teoria e prática da filosofia luterana de educação; C) agir coerentemente na vida pessoal e profissional com base nos princípios que regeram sua formação. 2) Metodologia: Aula expositiva e dialógica 4 Base Bíblica: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” João 8.32

Para conhecer um pouco a história da Ulbra e a filosofia de educação luterana, apropriamo-nos de dois textos que tratam do Assunto. O primeiro foi escrito pelo professor Douglas Moacir Flor e extraído do livro o Homem e o Sagrado (editora Ulbra, 1998). O segundo, tratando da confessionalidade foi escrito Pelo Pastor Gehard Grasel e extraído da pagina Pastoral (www.ulbra.br/pastoral). 7.2 As Origens - Para entender esta preocupação pela educação, é necessário um retorno às origens. Vamos voltar mais uma vez ao século XVI e ver que Martinho Lutero teve uma preocupação constante com a educação do povo alemão, principalmente das crianças e dos jovens. O reformador não estava preocupado somente com a existência de escolas e boas universidades, mas também com a qualidade de ensino. Para entender bem este aspecto, é preciso reler alguns textos nessa área e tirar, em ordem cronológica, as principais idéias de Lutero quanto à educação. Por volta de 1500, a Igreja Cristã ainda se resumia em Católica Apostólica Romana e Igreja Ortodoxa, resultado do Cisma de 1054. A Reforma Luterana estava longe de acontecer. Martinho Lutero era um jovem de dezessete anos e nem sabia que um dia entraria para alguma ordem religiosa e seguiria a vida monástica. Ele estava concluindo a escola secundária e o desejo do pai era fazer de seu filho um grande doutor em Direito. Foi para isso que Lutero entrou na Universidade de Erfurt, uma das melhores da Alemanha, com aproximadamente dois mil alunos. Sua preparação foi suada, incluindo leituras dos escritos de romanos famosos e de grandes pensadores gregos. Mas valeu a pena, pois em setembro de 1502, Lutero recebeu o diploma de Bacharel em Artes. A Reforma, já vista em capítulo anterior, aconteceu em 1517. Mas já em 1501 Lutero teve o primeiro contato com a Bíblia. Em 1505, recebeu o título de mestre em Artes e, no mesmo ano, decidiu ser monge, entrando, assim, para a ordem dos agostinianos em Erfurt. Sua decisão é surpreendente, difícil de explicar. As razões estão em algumas crenças populares, no seu medo de Deus e em alguns fatos ocorridos anteriormente. Em 1507, como sacerdote, Lutero reza a primeira missa. Em 1508, torna-se pastor em Wittenberg e um ano depois inicia suas lições sobre a Bíblia. Em 1510, vai a Roma e se decepciona com o que vê. Em 1512, recebe o título de doutor em Teologia. Em 1513, expõe os livro de Salmos; em 1515, o livro de Romanos; e em 1516, o livro de Gálatas. Em 1517, Lutero dá início à Reforma, com a publicação das 95 teses. Lutero viveu num sistema de educação bem diferente do atual. Ele entrou na escola com quatro anos e meio. Os meninos aprendiam a ler e falar a língua latina. Os sacerdotes ou estudantes universitários que os ensinavam eram muito rigorosos. Se um menino se comportasse mal ou não soubesse a lição, seu nome era escrito numa lousa chamada de “lista do lobo”. Semanalmente o professor apagava a lista, depois de dar uma varada no aluno cujo nome constava na lousa. Certa vez, Martinho teve uma semana nada fácil – seu nome apareceu quinze vezes na “lista do lobo”. Outro fato interessante aconteceu em Eisenach, na Escola da Igreja de São Jorge, quando Lutero estava fazendo sua preparação para a universidade. Ele gostava especialmente do diretor, o Mestre João Trebonius, que tratava seus alunos com amor e respeito. Um escritor conta que sempre que Mestre Trebonius entrava na classe, esse tirava o chapéu e fazia uma inclinação de cabeça para os estudantes. Quando perguntaram-lhe por que fazia isso, respondeu: “Entre estes jovens discípulos, sentam-se alguns a quem Deus pode fazer nossos futuros líderes e homens eminentes. Ainda que não os conheçamos agora, é perfeitamente adequado que os honremos”. Histórias como estas fazem-nos pensar que esta convivência nas escolas e universidades tenha dado ao reformador um gosto saboroso pela educação. Para ele, aí estava o segredo para a liberdade do Homem. Sua preocupação com os jovens alemães sempre foi muito forte, e sua crítica ao modelo educacional de muitas instituições, principalmente universidades, era procedente. Vamos ver, em seguida, alguns de

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seus artigos publicados, os quais questionavam e chamavam a atenção dos governantes para a importância da educação. Em 1520, Lutero propõe a reforma nas universidades como parte de um programa de reforma geral e da sociedade política. Com o tema À nobreza cristã da nação alemã, acerca da melhoria do estamento cristão, o reformador coloca as Escrituras Sagradas em primeiro lugar como objeto de estudo, tanto nas escolas superiores, como nas inferiores. Para entendê-la, era preciso estudar as línguas e as artes liberais. Aproveitou para criticar os religiosos que pregavam a Palavra sem conhecer a língua original (o hebraico e o grego). Para ele, a partir do desconhecimento, muitos textos da Bíblia eram mal interpretados. Em 1522, acontece a publicação do Novo Testamento na língua alemã. Foi o resultado da preocupação didática de oferecer ao povo, na própria língua, os textos que fundamentavam os argumentos para que a Reforma continuasse. Em 1534, toda a Bíblia já havia sido traduzida e distribuída ao povo, graças ao conhecimento do Doutor Martinho Lutero. Podemos lembrar aqui que Lutero foi beneficiado com o surgimento da imprensa, pouco antes de 1500. Graças a isso, foi possível espalhar com rapidez entre o povo todo o seu trabalho. Em 1524, mostrando preocupação e zelo pela educação, Lutero escreve uma Carta aberta aos conselhos de todas as cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs. Também argumenta em favor dos estudos clássicos com vistas à formação de lideranças para a Igreja e o Estado. Caracteriza a educação como obra do amor cristão, que atende às necessidades individuais e coletivas dos seres humanos. Lutero constatou que em todas as partes da Alemanha as escolas estavam no abandono, as universidades eram pouco freqüentadas e os conventos estavam em declínio. Então convocou os pais e todas as autoridades para aconselhar a juventude (isso como solução para todos). O argumento principal foi o seguinte:
Se anualment e é preciso levantar grandes somas para armas, estradas, pont es, diqu es e inúmeras outras obras semelhantes para que uma cidade possa viver em paz e segurança temporal, por que não levantar igual soma para a pobre juventu de necessit ada, su stentando um ou dois homens compet ent es como prof essores?

O reformador põe mais lenha na fogueira e faz um desafio. Para ele, cada cidadão deveria pensar na quantidade de dinheiro que gastou com indulgências, missas, vigílias, doações, espólios testamentários, missas anuais por falecimento, ordens mendicantes, fraternidades, peregrinações e toda confusão de outras tantas práticas desse tipo. Para Lutero, agora que todos estavam livres dessa ladroeira e doações para o futuro, eles deveriam doar, por agradecimento e para a glória de Deus, parte disso para a escola, para educar as pobres crianças. Mas a maior crítica foi quanto à falta de escolas cristãs. Nelas é que os jovens encontrariam a verdadeira educação e os valores adequados para a vida. A tese era de que a universidade até então não colaborava praticamente em nada; pelo contrário, corrompia a nobre juventude. Lutero chega ao ponto de perguntar o que se aprendeu até o momento nas universidades e conventos, e afirma que houve quem estudasse vinte, quarenta anos e não soubesse nem latim nem alemão, quer dizer, muitos não dominavam nem a própria língua. O vergonhoso era a necessidade de estimular os pais a educar os filhos e a juventude, buscando o melhor para eles. Vergonhoso porque a própria natureza os deveria incentivar em vários sentidos. Para ilustração desse pensamento, Lutero falou o seguinte:
Não existe animal irracional que não cu ide de seus f ilhotes e não lhes ensine o que lhes convém, com exceção da avestruz, que é tão rigorosa com seus filhot es como se não fossem seus, deixando os ovos abandonados no chão. Em primeiro lugar, há pais que sequer são leais e conscientes para edu carem seus filhos, ainda que tivessem condições para tant o. Como as avestruzes, também eles endurecemse cont ra seus f ilhos, contentando-se com o fato de terem livrado-se dos ovos e de terem gerado f ilhos; além disso, nada mais fazem.

Mas se as crianças deveriam viver na cidade entre o povo, como poderia a razão, e em especial o amor cristão, tolerar que elas crescessem sem educação? Para Lutero, as crianças sem educação essencial seriam veneno para as outras crianças, de sorte que, por fim, se arruinaria uma cidade inteira.

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Também era de concordância do reformador que a maioria das pessoas mais velhas, por não terem sido ensinadas, não tinham aptidão e não sabiam educar crianças; isso porque para ensinar bem, era necessário gente especializada. E mesmo que os pais fossem aptos e quisessem assumir essa tarefa, não teriam tempo nem espaço, em face de outras atividades e dos serviços domésticos. Aí surgiu a necessidade de se manterem educadores comunitários para as crianças, a não ser que cada qual quisesse manter um em particular. Isso, porém, seria oneroso demais para um simples cidadão, e uma vez mais muitos excelentes alunos seriam prejudicados por serem pobres. Interessante é a visão futurista de Lutero. Ele afirma a importância da educação para o progresso de uma cidade, dizendo que esse progresso não depende apenas do acúmulo de grandes tesouros, da construção de muros, de casas bonitas, de muitos canhões e da fabricação de muitas armaduras. Antes de tudo isso, o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados. A partir disso, estes poderiam acumular, preservar e usar corretamente riquezas e todo tipo de bens. Para terminar, podemos ver ainda o modelo de educação proposto por Lutero. Ele cita a educação na cidade de Roma. Lá, os meninos eram educados de tal maneira que aos quinze, dezoito ou vinte anos dominavam perfeitamente o latim, o grego e toda sorte de artes liberais. As artes liberais eram o conjunto das sete disciplinas que constituíam pré-requisitos para a formação específica. Ao lado do estudo das línguas, que compreendia gramática, dialética e retórica, exigia-se aritmética, música, geometria e astronomia. A partir dessa educação, Roma tinha gente apta e preparada para todas as atividades. Depois dos estudos concluídos, os jovens passavam diretamente para o serviço militar e para o serviço público. Disso resultavam homens sensatos e ajuizados, com conhecimento e experiência. Por fim, Lutero tinha plena consciência de que Deus proveu o seu povo com riqueza de artes, pessoas doutas e livres, e que isso precisava ser aproveitado. Eis a responsabilidade da universidade, hoje. A seguir, veremos alguns pontos importantes sobre o luteranismo pós-reforma e sobre as igrejas luteranas hoje. Depois de falar sobre a Igreja Luterana, é importante ligar a primeira parte deste capítulo com a Universidade Luterana do Brasil.

7.3 - O Luteranismo pós-reforma - Muitos países aderiram ao movimento iniciado por Martinho Lutero: boa parte da Alemanha, a Finlândia, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, a Boêmia, a Morávia, hoje República Tcheca, com características próprias, a Inglaterra, a Escócia, a Holanda, a Suíça e, em parte, a França, a Áustria e a Hungria. Reforma Luterana provocou a Contra-Reforma, também chamada de Reforma Católica. O Concílio de Trento (1546–1563) procurou pôr ordem na casa. Há quem admita que, provocando a Contra-Reforma, Lutero tenha salvado a própria Igreja Católica. Em decorrência da Reforma, surgiu na Europa uma nova ordem social caracterizada pelo pluralismo confessional, respeito à consciência, ética, desenvolvimento social e progresso científico. A sociedade, vendo-se livre da tutela papal, avançou o sinal e emancipou-se de Deus, o Criador. Lutero contribuiu para a sociedade moderna, mas não imaginou nem quis uma sociedade como esta que se apresentava como ateísta, agnóstica, amoral, sem-vergonha, exploradora, corrupta e violenta. Mesmo assim, ainda existia esperança e tempo para lutar. O reformador acreditava, e isso é bom ser lembrado, que o Evangelho continuava eficaz para transformar homens egoístas em cristãos altruístas, e assim, a Igreja permaneceria para sempre. Porque o Homem acreditou nessas idéias é que a Igreja Luterana continua viva ainda hoje em todo o mundo, na tentativa de transformar o próprio Homem em nova criatura. Martinho Lutero, padre da Igreja Católica, doutor em Teologia e catedrático, não tinha nenhuma intenção de fundar uma nova Igreja. Sua preocupação era chamar a atenção de seus superiores para os erros doutrinários que eles vinham cometendo e reformar internamente a sua Igreja. Queria uma Igreja que voltasse à verdade Bíblica e seguisse os fundamentos da Igreja Cristã Primitiva e a mensagem salvadora de Jesus Cristo, pregando o amor e perdoando o próximo.

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Também não era sua intenção fundar uma Igreja com seu nome. Quanto a isso, ele mesmo diz em 1522, na exortação contra tumulto e rebelião:
Peço que deixem de lado o meu nome e não se chamem lut eranos, mas crist ãos. O que é Lut ero? P ois não é minha doutrina, tampouco fui crucif icado por quem quer que seja. São Paulo não admit ia que os crist ãos se chamassem pau linos ou petrinos, mas cristãos. Como poderia eu , miserável saco de vermes, encorajar os f ilhos de Cristo a chamarem-se pelo meu nome amaldiçoado? Não, meus amigos, vamos acabar com os nomes de part idos e chamar-nos crist ãos, pois é de Crist o a nossa dout rina. Os papist as, sim, têm nome de partido, com toda a razão, pois não se contentam com a dou trina e o nome de Crist o. Qu erem ser papist as também. P ois deixe-os serem do papa, que é mestre deles. Eu não sou nem pretendo ser mest re. Compart ilho, com a comunidade cristã, a única doutrina comu m de Cristo, que é somente ele – o Mestre.

Mesmo não querendo dividir a Igreja, isso acabou acontecendo. Os líderes da Igreja Católica Romana do século XVI achavam que ela nunca poderia errar. Por conseguinte, concluíram que Lutero devia ser um falso mestre e não lhe deram ouvidos. Seus inimigos espalharam mentiras acerca dele, o papa o excomungou e, pelo Edito de Worms, o imperador romano declarou-o proscrito. Fora da própria Igreja, Lutero só viu uma maneira de continuar com a Reforma: criar uma nova comunidade religiosa. Hoje, a Igreja Luterana encontra-se espalhada por todos os cinco continentes. Espalhou-se pela Europa, caminhou para os Estados Unidos e mais tarde para outros países, chegando à América Latina e ao Brasil no final do último século. No Brasil, encontramos duas denominações luteranas. A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). São igrejas com poucas diferenças teológicas. Estão separadas porque surgiram de missões diferentes. A IECLB é resultado da fusão de alguns sínodos e do trabalho de missionários vindos da Alemanha, em 1824, para atender às necessidades espirituais dos imigrantes. A IELB surgiu com o esforço de missionários mandados pelo Sínodo de Missúri, dos Estados Unidos, em 1900. Apesar de não terem a mesma administração, estas igrejas trabalham juntas em alguns setores, como é o caso da literatura.

7.4 A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) - A Igreja Evangélica Luterana do Brasil é originária do trabalho missionário desenvolvido a partir de 1900 pelo Sínodo Evangélico Luterano de Missúri, Ohio e outros estados, conhecido, desde 1847, como The Lutheran Church - Missouri Synod. Este sínodo foi fundado em 1847. Formou-se sob a direção do pastor Carl Ferdinand Wilhelm Walther, que, em 1838, havia emigrado da Alemanha para os Estados Unidos por razões de consciência. Em 1817, o rei da Prússia, Frederico Guilherme III, no intuito de pôr fim ao que definia como querelas religiosas, decretara a união da Igreja Luterana com a Igreja Reformada, fundada por Zwinglio e Calvino, formando a Igreja Evangélica Unida. Muitos luteranos, revoltados com essa ingerência do trono na vida da Igreja e inconformados com a teologia racionalista que lhe dava sustentação, decidiram abandonar a pátria e emigrar para os Estados Unidos. Aí esperavam desfrutar da liberdade de consciência e culto, privilégios garantidos pela constituição democrática daquele país. Unidos, grupos de imigrantes luteranos formaram a Igreja Luterana – Sínodo de Missúri, com a qual a IELB hoje se identifica. O trabalho no Brasil começou com uma resolução em fins de abril de 1899, na convenção daquele sínodo. Uma das moções recomendava o início da missão daquele sínodo na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina. Alguns anos antes, um pastor que já estava no Brasil escreveu para os luteranos nos Estados Unidos, pedindo ajuda. Era o pastor Johann F. Brutschin, enviado ao Brasil em 1867. O navio em que estava naufragou na costa do Rio Grande do Sul. Os passageiros se salvaram, perdendo, no entanto, toda a bagagem. Brutschin primeiro serviu como pastor assistente em São Leopoldo/RS. Em 1868, tornou-se pastor da paróquia de Dois Irmãos/RS. Também chegou a ser membro da diretoria do Sínodo Rio-Grandense, que reunia imigrantes evangélicos alemães. Este sínodo, mais tarde, reuniu-se com outros grupos sinodais para formar a atual Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB). Mas o desejo de um sínodo levou Brutschin a desligar-se do Sínodo Rio-Grandense. Mais tarde, ele descobriu, através de correspondência à revista oficial do Sínodo de Missúri, Der Lutheraner, e gostou da posição doutrinária expressa nos textos, pedindo, assim, filiação àquela denominação.

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O primeiro missionário enviado ao Brasil foi o pastor C. J. Broders, com um bom currículo, inclusive com passagem como capelão do exército americano na guerra contra a Espanha, trabalhando em Cuba. No Brasil, depois de muita pesquisa, este pastor descobriu que na colônia de São Pedro, no Rio Grande do Sul, havia várias famílias desejosas de fundar uma congregação luterana. Broders rumou a São Pedro, fundando ali a primeira congregação missuriana no Brasil, denominada Comunidade Evangélica Luterana São João. O primeiro núcleo congregacional foi organizado em 1º de julho de 1900, com dezessete famílias. Aos poucos, foram surgindo novas congregações e pontos de missão. O trabalho foi crescendo graças à presença de imigrantes alemães, que solicitavam atendimento de pastores evangélicos – a mesma doutrina espiritual deixada para trás no país de origem. No dia 24 de junho de 1904, foi fundado oficialmente o 15º Distrito do Sínodo de Missúri, hoje Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Até aquela data, este sínodo já atuava em três áreas no Rio Grande do Sul: no sul, com as congregações de São Pedro, Santa Eulália, Santa Coleta, Bom Jesus e Morro Redondo; em Porto Alegre, com as congregações de Estância Velha, São Leopoldo e Dois Irmãos; no centro-oeste, com as congregações de Jaguari, Rincão dos Vales e Rincão São Pedro. Graças a este trabalho, hoje a Igreja Evangélica Luterana do Brasil tem comunidades espalhadas por todo o país e algumas missões no exterior. É uma Igreja independente administrativamente. Sua administração central fica em Porto Alegre. Possui dois seminários para a formação teológica de seus pastores: um em São Paulo e outro em São Leopoldo, hoje ligados à Universidade Luterana do Brasil. As decisões da Igreja são tomadas em convenção nacional com os seus pastores e os representantes das congregações. A IELB é um conjunto de cristãos que confessa o nome de Cristo conforme o claro ensino da Bíblia. Esta Igreja afirma que a Sagrada Escritura é a palavra de Deus. Palavra verdadeira e infalível; clara, simples e completa. Tudo o que Deus queria que os homens conhecessem para a sua salvação está escrito na Bíblia. Não há necessidade de novas revelações. Por isso, a Escritura é a única fonte e norma para todos os ensinos da Igreja Cristã.

7.5 A Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) - Em janeiro de 1988, o Presidente da República, senhor José Sarney, autorizou pelo Decreto 95.623 a criação da Universidade Luterana do Brasil, a partir das Faculdades Canoenses, pela via da autorização. A idéia de fundar uma universidade luterana era antiga. Na assembléia geral extraordinária de 13 de agosto de 1972, o então presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, pastor Elmer Reimnitz, que havia sido pastor da Comunidade Evangélica Luterana “São Paulo”, de Canoas, de 1954 a 1962, apresentou à Comunidade um plano de criação de diversas faculdades, que resultariam em uma universidade luterana. Este empreendimento seria uma ação conjunta entre a IELB e a CELSP. Só que a idéia não foi levada adiante. O pastor Ruben Becker, com muita luta, conseguiu levar o projeto adiante a partir das escolas de primeiro e segundo graus. A universidade é fruto da Reforma, das missões vindas ao Brasil e da Comunidade Evangélica Luterana “São Paulo”, de Canoas/RS, vinculada à Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Neste contexto todo, encontramo-nos hoje. O papel da universidade é de responsabilidade perante a sociedade. Foi possível observar que Lutero via a educação como serviço que pais e autoridades, pastores e mestres prestam a Deus. Educar as novas gerações é cooperar, voluntariamente ou não, com o regime ou governo secular de Deus sobre o mundo. Educá-los cristãmente é, ademais, participar voluntária e espontaneamente no governo espiritual de Deus, que visa à redenção da humanidade. A diferença da educação cristã é que nela existe a esperança de uma renovação da sociedade humana pelo amor decorrente da fé. A universidade luterana, de certa maneira, precisa recuperar a ética do amor e da solidariedade cristã. A filosofia de trabalho que tem orientado a atuação da comunidade se acha muito bem expressa nos estatutos da Fundação Luterana. De acordo com os artigos 8º e 9º, que tratam, respectivamente, do fundamento doutrinário e das finalidades, todo o trabalho é regido pela doutrina luterana, que se fundamenta nos livros canônicos da Escritura Sagrada e se acha exposta nos documentos confessionais da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro de Concórdia, de 1580. A Fundação tem por finalidade a educação em todos os níveis, graus e áreas, o aprimoramento e divulgação da cultura brasileira, a expansão da pesquisa nos domínios da ciência e da técnica, a

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comunicação social, a promoção do bem-estar social, a divulgação da mensagem cristã. A universidade deve ser o campo de ensaio de novas formas de convívio social em termos de liberdade, respeito mútuo e cooperação. Deve ser uma alavanca para o desenvolvimento, tanto da região como do país. Deve ser um mercado de soluções para problemas que afligem a sociedade em nosso tempo. Entre os objetivos da ULBRA, podemos citar, nos termos da Lei 5.540/68, a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, das letras e das artes, a formação de profissionais de nível universitário, bem como a difusão e a preservação da cultura. A universidade é, ela própria, expressão e repositório de cultura. Na formação cristã do aluno, ela procurará habilitá-lo à compreensão de si mesmo e do mundo, à atuação responsável na sociedade, ao trabalho como forma de realização pessoal e como meio de produção dos bens necessários à vida e ao lazer, como fruto da livre expressão do ser humano. Quanto ao saber científico, a universidade tem por alvo reunir, selecionar, organizar e testar todo o conhecimento que possa ter significado para a vida em sociedade. Visto ser o conhecimento relativo à experiência que lhe deu origem, a universidade procura relacionar o saber científico com as condições originárias, com vistas a revisá-lo, sempre que possível, mediante processos experimentais. Esta Universidade busca seguir a proposta educacional de Lutero e, com muita seriedade, quer encontrar alternativas para educar bem o cidadão. A disciplina de Cultura Religiosa cumpre a função de mostrar um caminho mais seguro para a vida em sociedade e de definir o perfil de comportamento ético àqueles que aqui se formam. A idéia é preparar educadores e líderes capazes de, futuramente, conduzir outros com a mesma segurança. Lutero sabia muito bem qual o ser humano que importa formar: o cristão que é livre de tudo e de todos pela fé em Deus, mas que, por isso mesmo, é servo de todos pelo amor. Tendo abraçado pela fé o Deus que é amor e como amor se revela em Jesus Cristo, o ser humano é transformado à imagem deste Deus e não pode senão tornar-se um ser amoroso, que ama, generosa e gratuitamente, assim como é amado. Da mesma forma, a educação se faz no contexto da ética do amor.

7.6 A ULBRA globalizada - Em 1997, a ULBRA comemorou 25 anos de existência. Até então, os números mostram 37 mil alunos matriculados do pré-primário ao quarto grau, com 17 escolas de primeiro e segundo graus e 12 campi em seis estados brasileiros. Para o ano de 2004 a projeção é aproximadamente 80 mil alunos matriculados em todo país. A Universidade oferece, ainda, 58 cursos de pós-graduação e outros 48 com a Fundação Luterana de Portugal e suas universidades conveniadas na França, Espanha, Estados Unidos, Argentina e Cuba, que atraem alunos de todo o Brasil e de países do Mercosul. Na área de saúde, são cinco hospitais, dois ambulatórios e uma Central de Diagnósticos e Exames Complementares, além de um plano de saúde próprio. A área de comunicação inclui uma emissora de rádio em Canoas, a 107.1 FM Pop Rock, editora e gráfica próprias. A área de tecnologia inclui uma fábrica de soros em Caxias do Sul/RS. Esta é a Universidade Luterana do Brasil, suas origens e desenvolvimento. O aluno vai, com o tempo, conhecê-la melhor e explorar tudo o que for possível para a aquisição do conhecimento, da boa formação profissional e da ética. Por fim, podemos dizer que o papel da Universidade é colaborar com a sociedade na formação de homens sensatos, ajuizados e excelentes, munidos de conhecimento e experiência. Como disse Lutero:
Deu s proveu o seu povo com riqueza de art es, pessoas doutas e livres. É hora de aproveitar tudo isso, ceif ar e recolher o melhor que pu dermos e de ajunt ar tesou ros, para preservar algo para o futuro dest es anos dourados.

7.7 Instituição Confessional - A Ulbra é uma universidade confessional. Você sabe o que isto significa? Abaixo apresentamos, resumidamente, alguns pontos sobre a Confessionalidade. O texto foi elaborado pelo Capelão geral da Ulbra, Pr Gehard Grasel. 1 - Ser confessional pressupõe ter uma ligação com uma confissão de fé religiosa; no caso da Ulbra, à cristã-luterana. 2 - A Ulbra quer evidenciar sua confessionalidade, entre outros, no próprio nome luterana, na cultura

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teológica nela presente, na valorização da postura ética e na busca de uma formação integral do profissional. 3 - Como toda Instituição Educacional Superior, a missão primeira é educar e produzir conhecimentos humanos. Contudo, como confessional, quer promover, em conformidade com a filosofia educacional luterana, a formação integral da pessoa como ser responsável eticamente, cuja existência se desenvolva na presença de Deus, o Criador. Há algumas concepções fundamentais: a) Concepção de mundo: o Universo não é fruto do acaso, mas foi criado por Deus e é regido por Ele. Sendo o universo criação de Deus, implica termos uma atitude de "amor comprometido" com este universo, levando-nos à luta pela preservação do mesmo e pelo bem-estar dos que nele habitam. O homem é administrador deste planeta. b) Concepção de homem: o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e repousa nele o mais alto valor da criação divina. Ele é um ser racional de grandes potenciais. É também um ser capaz de vida eterna. No entanto, não é perfeito, não está completo. É alguém que erra e tem culpas, sendo que necessita de graça divina. Pela graça de Deus ele recebe uma nova natureza na relação de fé em Cristo. O ser humano dimensiona sua relação com Deus, com o próximo, com a natureza e consigo mesmo. c) Concepção de sociedade: sendo o homem falho, imperfeito, nenhuma sociedade pode ser considerada perfeita. Toda a estrutura social precisa ser aperfeiçoada continuamente, a fim de favorecer o bemestar dos seres humanos e das criaturas de Deus em geral. Assim, há de se buscar as causas e fatores de desajustes, desenvolvendo novas formas de convivência social, modeladas sobre princípios de igualdade de oportunidades, direitos, deveres e justiça. Enfim, uma ordem social participativa, que promova a liberdade associada à responsabilidade ética. d) Concepção de educação: é um processo dinâmico que envolve relações entre sujeitos. Procura-se incorporar estruturas humanísticas-cristãs ao processo científico. Não aceita-se uma educação utilitária e imediatista, útil apenas à sobrevivência no momento e que está enraizada na natureza mais do que na ética. A educação ocupa-se com os significados da visão cristã no mundo, admitindo que uma educação completa reconhece a existência de Deus. O projeto fundamental de Deus é a vida: o direito à vida, a defesa da vida, a arte e a alegria de viver, o viver e ajudar os outros a viverem, tendo presente a perspectiva da eternidade. A educação serve a estes propósitos. A confessionalidade terá valor de fato quando se traduzir em conseqüências práticas refletidas nas posturas administrativa, funcional e acadêmica. Portanto: Do quadro funcional: não se requer apenas um bom currículo dos que fazem parte da Ulbra, mas que tenham uma postura centrada nos valores ético-cristãos, tais como amor, paz, justiça, honestidade, solidariedade, fraternidade, humildade e compaixão. Da postura ética: como já dito, recusa-se uma ética utilitarista e subjetiva. Quer-se a prática da ética do amor que requer: viver sensatamente em relação a si mesmo; viver justamente em relação ao próximo e viver confiantemente em relação a Deus. Espera-se que as pessoas percebam a dignidade da vida, e, vendo também as necessidades, tenham vontade de agir na promoção do bem. Que o ser humano não seja valorizado meramente pelo que sabe realizar e faz, mas como alguém que tem grande valor pelo fato de existir e ter sua própria história. Da formação oferecida: que a formação oferecida se volte para o integral, o que re-quer: que se ofereça aos alunos formação acadêmica, cultural, moral, espiritual, cristã e ética, considerando sua afetividade, autonomia, caráter e personalidade, favorecendo a integração com a sociedade; e que os profissionais em formação/formados saibam competir, mas também sejam gente honrada, sábia, humana, que respeita e vive os valores do amor, da solidariedade, de uma sociedade justa e de um indivíduo equilibrado, com vistas ao bem comum. Da relação com outras crenças: a Universidade respeita a liberdade religiosa, rejeitando a imposição religiosa e preconceitos de qualquer ordem. No entanto, como confessi-onal, a Universidade é vista como espaço para testemunho da mensagem do amor de Deus e da manifestação do amor cristão. A Universidade não é igreja, mantendo distinção entre programas acadêmicos e religiosos, não obstante em seu meio testemunhe, claramente a fé cristã-luterana.

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A afirmação da identidade: a Ulbra afirma sua identidade confessional, pública, clara e diretamente: na logomarca (Rosa de Lutero), no lema: Veritas vos Liberabit (A Verdade vos Libertará), na Pastoral Universitária, nas celebrações religiosas específicas e outros programas. Indiretamente afirma a confessionalidade quando testemunha a fé e seus valores nas ações e eventos acadêmicos e administrativos: formaturas, congressos, reuniões administrativas. Os programas acadêmicos deveriam confirmar, ao menos indiretamente, os princípios básicos da Confessionalidade da Instituição. No fazer Ciência: que sejam aceitas linhas de pesquisa ou premissas científicas que admitem a transcendência. Que os valores morais e éticos sejam determinantes no uso dos métodos que direcionam a pesquisa cientifica. “Fazer ciência com consciência ética”.

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8 – ESTUDO DA ÉTICA
1) Objetivos: a) Distinguir os conceitos fundamentais da ética social e religiosa; b) refletir sobre os valores e princípios positivos que devem reger a vida social e profissional; c) Desenvolver a capacidade de tomar decisões compatíveis com a ética cristã. 2) Metodologia: Aula expositiva e dialógica; leituras especiais para debate, dinâmica de grupo. 3) Base bíblica: “Façam aos outros a mesma coisa que queres que faça a você” Lc 6.31

Para melhor entendermos as “questões fundamentais de ética aplicada”, veremos algumas questões de fundo, ou seja, questões básicas que ajudarão a esclarecer e entender os temas de ética aplicada. Em síntese, veremos: as bases antropológicas da ética; definição e objetivos da ética; aspectos que distinguem a ética social da ética religiosa. Na segunda parte, veremos alguns temas de ética aplicada selecionados para atender às necessidades da formação acadêmica com vistas à prática do futuro profissional egresso desta universidade. O texto que segue foi escrito pelo Professor Nereu R. Haag extraído do livro “O homem e o Sagrado” (editora Ulbra,1998).

8.1. Questões Básicas
8.1.1 Bases antropológicas da ética - Ética é um problema exclusivamente antropológico porque somente o ser humano tem a necessidade de tomar decisões éticas, visto que suas ações, na relação com a natureza e a sociedade, não são neutras, mas sempre possuem reflexos que podem ser positivos ou negativos, benéficos ou maléficos, certos ou errados. Por isso, veremos algumas características principais do ser humano que têm vinculação direta com suas decisões e ações éticas: • Cada ser humano é uma pessoa, isto é, um indivíduo, um ser único, diferente de qualquer outro, e isso vem a ser uma grande dificuldade para entender o ser humano. Nisso está o problema central de todas as questões éticas. O ser humano é racional, pensa por si próprio e de maneira autônoma. Por isso, não pensa segundo padrões preestabelecidos, mas de acordo com suas próprias idéias. A estrutura racional da pessoa humana está subdividida em três aspectos básicos:

a) cognitivo, ou seja, ele realiza aprendizados; o Homem não nasce sabendo, mas precisa aprender tudo na vida, inclusive a viver de modo ético; b) volitivo, ou seja, cada ser humano tem uma vontade própria, pois há no íntimo de cada pessoa um núcleo exclusivamente seu que o determina a agir dessa ou daquela maneira, segundo suas próprias motivações ou interesses; c) afetivo, ou seja, há em cada ser humano sentimentos e sensibilidade próprios. O sentir é universal, mas a forma de sentir é única e especial em cada indivíduo. Os sentimentos humanos são muito complexos e variam de pessoa para pessoa, o que torna as questões éticas muito difíceis de serem entendidas e solucionadas.
• Há uma teleologia em todas as ações humanas; tudo é feito visando a um determinado fim, que pode ser consciente ou inconsciente. Mesmo podendo estar equivocado, cada ser humano, ao agir, pensa que está fazendo o melhor possível. O que vale para a ética é a consciência social, e não o que o indivíduo pensa ser bom apenas para si. O ser humano é egocêntrico; cada um tem o seu “eu”, que lhe dá as características pessoais. Contudo, cada ser humano, a partir do seu “eu”, torna-se um egoísta, ou seja, sempre pensa, em primeiro lugar, em si, buscando a satisfação de seus próprios interesses e necessidades, não abrindo mão de nada que julga ser seu e não dando a mínima importância às necessidades alheias. O egoísmo é a mola propulsora de todos os problemas éticos. O ser humano é também um ser social. Precisa de outros para viver e conviver. Ele é um ser de pluralidades. Ao mesmo tempo que é uma pessoa individual, é também um ser de relações sociais. Os problemas éticos surgem a partir do momento em que o indivíduo não supera seus egoísmos e vaidades, fazendo prevalecer os interesses pessoais em detrimento dos da coletividade.

Diante dessas características, o Homem é o único ser que tem a necessidade de equilibrar suas relações com o outro e com a natureza, determinando normas de convivência para dar parâmetros à conduta, o que se denomina moral.

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Aqui se parte do pressuposto de que o Homem é um ser surpreendente, extraordinário, porém, contraditório. Distingue-se dos animais por sua faculdade racional. Isto pode ser visto como uma vantagem, mas, por outro lado, apresenta uma grande desvantagem. Com a razão, o Homem está aberto para infinitas possibilidades, mas também está condicionado a limites muito estreitos. Com a razão, o Homem abre-se ao conhecimento de uma variedade muito grande de conteúdos, mas não pode conhecer todas as coisas e nem sempre conhece suficientemente a si mesmo e aos outros. Com a razão, busca o infinito, mas está rigorosamente limitado ao seu mundo finito. A ética parte dessas tensões humanas e busca uma solução para as mesmas. Contudo, por ser humana, a ética necessita conviver com as contingências e precariedades da vida humana, mas sempre se esforçando para superá-las e resolvê-las. 8.1.2 Conceito de ética - Tendo como ponto de partida as características anteriormente expostas, podemos dizer que: 1°) A ética pode ser definida como um saber íntimo e aprofundado dos princípios que orientam a conduta das pessoas de uma coletividade, de acordo com as normas morais vigentes, com o objetivo de alcançar o bem comum. 2°) A ética tem como objetivo despertar a consciência de cada ser humano para que suas ações visem ao bem comum. Ele deve buscar um convívio estável, equilibrado e de mútua aceitação, tendo como base os princípios sociais e o valores espirituais. Por isso, cada pessoa precisa saber quais são as ações que, de fato, são boas ou más, certas ou erradas. 3°) Para que isso se efetive, a pessoa precisa aprender a tomar decisões segundo uma consciência ética bem orientada, ou seja, precisa ter um conhecimento mais profundo das ações que são moralmente válidas e socialmente corretas. Por isso, a ética não é normativa, mas pedagógica ou educativa. A ética faz a avaliação teórica da moral dos indivíduos, ocupando-se com tudo o que é considerado moralmente bom. Ela estuda o modo como os indivíduos se relacionam moralmente na sociedade. Portanto, a ética se ocupa com o estudo dos fins da moral de um Homem no meio de seu contexto social. Ela analisa, por exemplo, se um homem, ao agir moralmente, agiu bem ou mal diante dos demais semelhantes, tendo como referência os valores do contexto social (religiosos, filosóficos, etc.). A ética tem o compromisso de ser, acima de tudo, humana. Eis, porque, via de regra, ela se identifica com o humanismo, que, como expressa o termo, centraliza-se no Homem e busca sua afirmação. O humanismo se subdivide em dois ramos principais: o natural e o cristão. O primeiro parte do pressuposto de que ele é um ser imanente à natureza e ao mundo, e por isso, sua afirmação se dará a partir do desenvolvimento de suas capacidades e potencialidades naturais, ou seja, humanas (racionais) e sociais (políticas). O segundo considera que ele é um ser que transcende ao mundo e, por isso, sua afirmação está na relação com Deus através de Cristo e seu Evangelho. A partir daí, o Homem deverá desenvolver seus dons espirituais mediante os quais efetivará os ideais éticos que se identificam com a esperança e a fé numa vida eterna após a morte. 8.1.3 Ética social e ética religiosa - A ética social distingue-se da ética religiosa em três aspectos fundamentais, quanto ao que cada uma delas coloca como pressuposto:

Os princípios: Na ética social, os princípios que fundamentam a ação do indivíduo são extraídos da própria convivência humana, a partir das idéias filosóficas que traduzem os anseios e as expectativas da sociedade. Por isso, diz-se que é uma ética situacionista, razão por que estes princípios são flexíveis e se adaptam às mudanças históricas. Na ética religiosa, os princípios que orientam a conduta da pessoa são extraídos das doutrinas que fundamentam a religião, sendo, portanto, uma ética perenealista e não-situacionista, razão por que seus princípios são mais rígidos e dificilmente admitem mudanças históricas. Os meios: Para efetivar seus princípios, os meios de que a ética social dispõe estão baseados no próprio sistema cultural, sobre o qual atuam as mais diversas instituições sociais, como as famílias, as escolas, as igrejas, as empresas, os meios de comunicação, os partidos políticos, etc., onde cada uma dessas instituições tem seus interesses e ideologias. Já a religião, para efetivar seus princípios doutrinários, dispõe do que está fundamentado na lei moral divina, buscando, a partir dela, determinar o que é o melhor para a sociedade humana.

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Os fins: A finalidade última da ética social é atingir o bem comum, ou seja, aquilo que é o melhor para toda a sociedade. Por isso, ela é uma ética imanente, ou seja, restrita aos limites humanos, temporais e sociais. A ética religiosa tem como fim último atingir o bem maior que existe, o bem supremo, Deus, que, para a religião, é princípio e fim de toda a existência do Homem e do mundo. Por isso, ela é uma ética transcendente, isto é, projeta o Homem para além deste mundo material, buscando um sentido eterno para sua vida.

8.1.4 O fundamento da ética religiosa - O princípio mais importante que fundamenta a ética social é a liberdade, e o princípio mais importante que fundamenta a ética cristã é o amor, que é uma das características mais importantes do ser humano. Como o amor é um termo muito mal-entendido e possui vários sentidos, queremos definir qual é o tipo de amor que fundamenta a ética cristã. De acordo com a língua grega, há três tipos de amor: • eros, do qual se derivou o termo português erótico (amor sexual). Essa forma de amor é marcada por atração e intimidade física, e está sujeita às instabilidades emotivas das pessoas, pois manifesta-se através de paixões, às vezes, incontroláveis. Por isso, o amor meramente erótico tem se tornado uma forma de amor bestial e desumana, na qual o parceiro sexual não passa de um objeto de prazer egoísta. O amor eros, sem dúvida nenhuma, nunca poderá ser o fundamento da ética cristã, mas infelizmente é tolerado na ética social; • filos, do qual temos em português a expressão filantropia (caridade). O amor de tipo filos é aquele que se dá entre pais e filhos, irmãos e irmãs, e entre parentes ou pessoas unidas por laços afetivos sem que entre elas exista relação sexual (amor eros). Contudo, o amor filos está sujeito ao egoísmo humano, pois “amamos” preferencialmente as pessoas que nos são afetivamente mais íntimas e excluímos as demais. Assim, este também não serve de fundamento para a ética cristã; • agape é uma forma toda especial de amor, que transcende aos dois tipos anteriores e aponta para o amor divino (amor de Deus), que naturalmente não se encontra no ser humano a não ser que tenha sido comunicado ao Homem da parte de Deus pelo vínculo da fé. Ao receber Dele esse amor, o Homem passa a estar apto a relacionar-se como seu semelhante. O amor agape tem como característica uma forma de amor onde as pessoas estabelecem entre si uma relação de intimidade espiritual, ou seja, amam-se sem qualquer busca de interesse ou vantagem pessoal, mas buscando o bem da pessoa amada. Por isso, o amor agape é aquela forma de amor em que o perdão está acima de tudo, e se é capaz de aceitar aqueles com quem não simpatizamos. Essa forma de amor foi magistralmente sintetizada por Cristo quando, na cruz, perdoou a seus algozes orando a Deus, dizendo: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem; ou quando Cristo ensinou uma prática ética na qual afirma: “se te baterem numa face, oferece também a outra”. Tudo isso Cristo sintetizou na expressão: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Por tudo isso, infelizmente, o amor agape não é fácil de ser entendido e, menos ainda, de ser praticado. Mas essa forma de amor é a única válida para a fundamentação da ética cristã. Será, pois, sob esse prisma do amor agape que analisaremos todas as questões de ética aplicada enfocadas a seguir.

Questões: 1) Vivemos uma crise ética ? Por que ? 2) Você concorda que o “ egoísmo é a mola propulsora de todos os problemas éticos” ?
3) 4) 5) Que outros exemplos podem ser dados que distingue a ética da moral ? Como podemos definir liberdade e amor ? É possível usar o “jeitinho” sem deixar de ser ético?

8. 2. ÉTICA APLICADA 8.2.1 A ordem da vida: a ética nas A ética e a ciência na origem da vida - A coisa mais valiosa e insubstituível que o ser humano possui é a vida. O que é vida? É muito difícil definir vida, devido à sua natureza abstrata. Vida não é o ar que respiramos, pois sob o ponto de vista biológico, respirar, comer e tantas outras coisas das quais necessitamos para viver são apenas meios ou condições de nos mantermos vivos. Mas o ser humano é composto por duas dimensões distintas, porém, unidas entre si, ou seja, ele é matéria e espírito. Sobre a vida material, física e biológica, já possuímos inúmeras informações. O mais difícil é definir o que é vida no sentido espiritual, porque pouco ou nada conhecemos sobre este aspecto de nossa natureza íntima. E o pouco que conhecemos sobre a dimensão abstrata e espiritual da vida sofre grandes restrições por parte da cultura moderna, muito positivista e empirista.

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O aspecto espiritual da vida envolve tudo o que não é estritamente material ou fisiológico. Entende-se por espiritual: a dimensão racional (cognitiva, volitiva e afetiva), psíquica (personalidade e comportamento) e religiosa (fé transcendente). Para que se possa ter uma compreensão mais clara do que é vida, teríamos que aprofundar questões sobre a ontologia da vida, cujo tempo e espaço não estão previstos neste escrito didático-pedagógico. Cumpre-nos salientar que, sob o ponto de vista da ética religiosa, a vida é um dom ou presente de Deus. Como todo presente que se recebe, a vida deve ser bem cuidada, porque, como se entende no senso comum, não se devolve e nem se joga fora um presente recebido, pelo simples fato de que isto indicaria menosprezo e ofensa à pessoa que deu o presente. Assim também se dá em relação à vida, que é um presente de Deus: ela não pode ser estragada ou jogada fora, porque tal atitude revela indiferença e menosprezo ao doador da vida. Uma vida posta fora não poderá mais ser restituída, é uma perda irreparável. Por isso, é muito importante ter uma correta consciência ética frente ao valor e significado da vida, tanto a minha como a do meu semelhante. A bioética - Um dos mais novos campos que está se abrindo para a filosofia e a teologia é a reflexão em torno da ética da vida (bioética), em virtude das mais recentes pesquisas da ciência genética. Enquanto a ciência se ocupa com um objeto específico, a ética preocupa-se com aspectos gerais que afetam o Homem e a sociedade, no que diz respeito aos aspectos positivos ou negativos das ações da ciência sobre a vida. E estas questões interessam tanto à filosofia quanto à teologia. À filosofia interessa em virtude de que se ocupa com a moral a partir do enfoque racional, e à teologia, porque aborda a mesma questão a partir da fé. Apesar das diferenças, ambos os enfoques convergem para o mesmo ponto: a defesa da vida como bem maior do Homem.Está claro que não poderemos impedir o progresso da ciência, mas temos que nos conscientizar para o uso ético de tais progressos, especialmente no que diz respeito à maior dádiva que Deus deu ao Homem, que é a vida. Por isso, a partir destes pressupostos, analisaremos outros temas. Eugenia - Este termo deriva da língua grega e é composto pelo prefixo eu, que significa “novo”, e pelo termo genos, que significa “vida”. Portanto, o termo “eugenia” significa “nova vida”. A eugenia está relacionada com as mais recentes pesquisas no campo da biologia e da genética. A ciência da genética está fazendo progressos gigantescos nas pesquisas que dizem respeito a melhorias e transformações nos genes humanos e animais que são responsáveis por doenças somáticas e defeitos físicos. Eliminandose tais genes causadores de problemas, teremos, como conseqüência, pessoas mais sadias, isto é, livres de doenças hereditárias e imunes a doenças maléficas que possam ser adquiridas posteriormente. Não há a mínima dúvida de que tais contribuições da ciência sempre são bem-vindas. Mas, infelizmente, sabese também que o uso e a aplicação de tais conhecimentos podem ser voltados não para o benefício do Homem e da sociedade, mas para interesses egoístas, como a dominação e a exploração econômica. Recentemente, a imprensa mundial divulgou com alarde as conquistas feitas no campo da genética com os resultados obtidos nas pesquisas com “clones” de células de animais, no caso, de ovelhas que eram, de fato, “gêmeas”. O fato em si não é inédito, mas o que chamou a atenção da opinião pública foi o fato de que a notícia aventou a possibilidade da clonagem humana, obtendo-se dois seres biologicamente iguais. A questão ética que se levanta é: tem a ciência esse direito de reproduzir em série os seres humanos? Quem será o modelo ou protótipo ideal? Do ponto de vista filosófico, levantam-se inúmeras interrogações, entre elas: poderá a clonagem reproduzir também as idéias e a moral da pessoa? Da mesma forma, surgem perguntas de caráter teológico: a clonagem reproduzirá também os pecados da pessoa? A fé e as virtudes são transmitidas junto com a clonagem? Não há, ainda, respostas definitivas para todas estas indagações, mas elas são indicativos de como são complexas. Nem sempre a ética tem respostas ou soluções prontas, mas há a necessidade de apontar e indicar alternativas, prevenindo, se possível, problemas graves que daí possam decorrer. Bebe de Proveta - O termo técnico mais adequado é inseminação artificial in vitro, ou seja, a fecundação (união do óvulo com o espermatozóide) é feita num tubo de ensaio em laboratório e depois o embrião é introduzido no útero da mulher. Esta é uma técnica que resolve os casos em que a gravidez não ocorre por problemas circunstanciais que impedem a fecundação. É relativamente simples e não envolve maiores problemas éticos. A questão mais importante é que a inseminação artificial não resolve

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problemas congênitos de infecundidade, tendo-se, por isso, que utilizar outros meios, como a “barriga de aluguel”, na qual surgem vários problemas éticos. Barriga de Aluguel - Barriga de aluguel é um termo genérico para designar a figura da “mãe substituta” na gestação de um ser humano. Barriga de aluguel consiste na seguinte situação: por impossibilidade de uma mulher poder gerar seu próprio filho, ela “aluga” o útero de outra, que se dispõe a gerar o óvulo fecundado daquela que não pode ter seu próprio filho. Uma clínica especializada faz a fecundação in vitro e instala o embrião na mãe substituta. A mãe genética assiste e acompanha a mãe substituta, garantindo-lhe todos os recursos para que a criança se desenvolva dentro da normalidade e nasça sadia e forte. Do ponto de vista legal, esta é uma questão que oferece matéria de direito, visto que os Códigos Civil e Penal apenas permitem que bens materiais sejam objeto de compra e venda. Pessoas não podem ser alvo de valor comercial, como no caso de adoção de crianças, exploração de menores para a prostituição, emprego de mão-de-obra escrava, etc. Além do problema legal da barriga de aluguel, há o problema psicossomático que envolve a mãe geradora e a criança gerada. Não há mais dúvidas quanto ao fato de que as condições orgânicas (boa alimentação) e psíquicas (tranqüilidade) da gestante repercutem diretamente sobre a criança tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos. Mas o maior problema está no fato de que nove meses de gestação acabam determinando vínculos psicológicos entre a mãe substituta e a criança, criando vínculos afetivos entre elas. Isto faz com que muitas resolvam não mais honrar o acordo feito. A partir desse fato, criase um grave problema legal e moral: qual das mães tem o direito sobre a criança? Há muitas controvérsias e pairam grandes dúvidas sobre esta questão. A solução ética para o fato é que se evite ao máximo utilizar o recurso da barriga de aluguel para resolver o problema da infertilidade. Só há um caso em que a barriga de aluguel não deu maiores complicações: quando a mãe substituta é a própria mãe da mulher que não pode ter seu filho. Nesse caso, a mãe substituta é legal e moralmente a vó da criança. Esta solução nem sempre é possível, porque a vó, dependendo da idade, não tem mais as condições ideais para gerar uma criança. Há um outro grave problema envolvendo a barriga de aluguel. Durante a gestação, descobriu-se que a criança nasceria com defeitos físicos e mentais. Diante desse fato, nem a mãe substituta nem a mãe genética queriam a criança. Quem, nesse caso, deve assumir a responsabilidade? Quem, legal e moralmente, é a mãe da criança? Já houve casos em que isso aconteceu. Diante de tudo isso, é aconselhável não utilizar a barriga de aluguel como solução para a infertilidade. Há outros meios de resolver este problema. Por que não uma adoção? Só em último caso e com muita consciência e responsabilidade é que se recomendaria o uso deste recurso tecnológico da ciência genética. Eutanásia - O termo “eutanásia” deriva da língua grega e é composta pelo prefixo eu (boa) e do substantivo tánatos (morte), que, portanto, significa “boa morte”, ou uma morte sem sofrimento. Há dois tipos de eutanásia: a ativa e a passiva. A eutanásia ativa caracteriza-se pelo uso de meios diretos para interromper a vida e antecipar a morte. Essa forma é legalmente condenada. Nenhum médico poderá praticar tal intervenção, pois no juramento de Hipócrates (primeiro médico), há um compromisso de salvar vidas, e não de condenar à morte. A dúvida ética repousa sobre a eutanásia passiva, ou seja, a intervenção que se faz desligando os aparelhos que mantêm viva a pessoa que está clinicamente morta (morte cerebral), não havendo mais, neste caso, a mínima chance de vida. A questão é a seguinte: podese, nesse caso, como gesto de piedade, livrar a pessoa dessa situação, e, quem sabe, livrar também os familiares de uma situação deprimente? As opiniões estão divididas. Porém, a decisão nunca deverá ser tomada de forma isolada e arbitrária. De acordo com a ética religiosa, Deus é o doador da vida e só a ele pertence o direito de determinar o seu fim. Por isso, ninguém, nem mesmo um profissional da saúde pode decidir de forma arbitrária e praticar a eutanásia. Toda e qualquer decisão em termos de eutanásia passiva deverá passar por um conselho de ética, que a maioria dos hospitais possui, composta por uma equipe multidisciplinar. É muito importante que os familiares sejam ouvidos, e deverá sair daí uma decisão clara, transparente, convicta, unânime e consciente quanto ao que será feito em favor da pessoa clinicamente morta. Sempre que uma pessoa

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deliberar sozinha e assumir o ato da eutanásia isoladamente, por melhores que sejam suas intenções, chamará sobre si tal responsabilidade, pois se no futuro alguém levantar qualquer suspeita quanto às intenções que a pessoa teve ao praticar a eutanásia, não poderá justificar-se dizendo que sua ação foi motivada por piedade e que nunca pensou em matar a pessoa.

8.2.2 A ética da corporeidade Maturidade - Já vimos anteriormente que o ser humano tem como característica ser uma pessoa e ser racional. Isso faz dele um ser complexo. O ser humano necessita realizar inúmeros aprendizados e precisa tomar muitas decisões ao longo de sua vida. Também o ser humano tem, entre todos os seres vivos, o mais longo período de vida infantil. Nesse período, ele realiza inúmeros aprendizados que aos poucos irá estruturando e que utilizará especialmente na vida adulta. Do ponto de vista legal e moral, a criança não pode ser responsabilizada pelos seus atos e nem são levadas a sério suas decisões. Porém, a partir da idade adulta, passa a ser responsável moral e legalmente pelo que faz ou deixa de fazer, sendo cobrado pelas decisões que tomou ou deixou de tomar. É a partir da aí que somos considerados seres éticos, isto é, temos que agir com consciência em tudo o que fizermos ou deixarmos de fazer. A maturidade legal está determinada na Constituição. Alguns direitos e deveres civis iniciam aos 16 anos, como o voto, mas grande parte das responsabilidades civis, como no caso do Direito Penal, é definida aos 18 anos, idade em que o indivíduo exerce seus principais deveres cívicos e patrióticos. A maturidade plena, de acordo com o novo Código Civil, atinge-se aos 18 anos. A maior dificuldade, no entanto, é estabelecer critérios objetivos para definir a maturidade psíquica, moral e espiritual da pessoa humana. As perguntas que surgem são: Quando é que a pessoa adquire autonomia e independência sobre o seus atos? Quando é que deixa de ser criança e passa a ser adulta? Em outras palavras, quando é que não precisamos mais obedecer aos pais e podemos tomar conta do nosso próprio nariz, fazendo da nossa vida o que bem entendermos? Estas questões implicam a tomada de decisão sobre ações, sendo que mais tarde podemos nos arrepender de tê-las feito e nos lastimar por não termos dado ouvidos a pessoas mais experientes. O ser humano, a cada novo momento da vida, depara-se com situações que nunca viveu antes e sobre as quais não tem o mínimo conhecimento. Por isso, é importante que esteja aberto para aceitar o conhecimento daquelas pessoas que já passaram por experiências semelhantes, a fim de aprender as lições de vida que outros já tiveram. Por isso, maturidade tem muito mais a ver com bom senso do que com a capacidade intelectual e psíquica. Maturidade não se mede pelo QI de uma pessoa, mas por sua boa vontade em aprender e praticar aquilo que se traduz em consciência ética. Maturidade ética tem tudo a ver com as características da pessoa humana, tanto a dimensão racional (cognitiva, volitiva e afetiva) quanto a espiritual (moral e religiosa), sempre baseada numa teleologia, ou seja, suas ações sempre visam a um fim. Por isso, o ser humano deverá agir de forma ética, isto é, tendo consciência e responsabilidade sobre tudo o que faz ou deixa de fazer. A partir desses aspectos, pretendemos analisar temas que dizem respeito ao uso da maturidade no cuidado com o próprio corpo e a vida. A sexualidade Humana - O ser humano, tal qual os animais e as plantas, é um ser sexuado. A diferença é que o ser humano não age por instintos, porém seu comportamento sexual está submetido à dimensão racional (cognitiva, volitiva e afetiva) e espiritual (moral e religiosa). Os animais têm o comportamento sexual determinado pelos instintos para a preservação da espécie e não possuem a mínima consciência do que tal ato representa. O ser humano, mesmo tendo instintos muito elementares, não é determinado por eles, mas pela sua dimensão racional, e, por isso, pode e deve ter consciência do que o ato sexual representa para si, para seu parceiro e para a sociedade. O ser humano precisa ter consciência das múltiplas implicações, boas ou más, certas ou erradas, positivas ou negativas que tal ato tem sobre si, sobre a outra pessoa, sobre a sociedade e diante da vontade de Deus. Além disso, há que se considerar também que o ato sexual não é apenas uma relação de amor do tipo eros, mas envolve também o amor do tipo filos (afetivo) e do tipo agape (espiritual). Equivocadamente, há os que entendem que sexo é uma necessidade fisiológica. O ato sexual é um ato físico, mas nem por isso é uma necessidade fisiológica.

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Os aspectos mais significativos na relação sexual humana estão relacionados com os aspectos afetivos e espirituais que tal relação envolve. As pessoas não se unem por causa do sexo, mas porque querem ter um(a) companheiro(a), um(a) amigo(a), alguém em quem possam confiar e com quem possam compartilhar os bons e os maus momentos da vida. O sexo apenas complementa essa relação afetiva e espiritual. A vida sexual de uma pessoa não depende tanto da idade física, mas de sua maturidade. Os animais iniciam sua atividade sexual a partir do momento em que, biologicamente, os seus respectivos organismos “amadureceram”. Os animais passam direto da “infância” para a vida “adulta”. Mas o ser humano, mesmo que “amadureça” em suas funções sexuais na puberdade, tem um período de adaptação entre a infância e a vida adulta, que é a adolescência. É nesse período que o ser humano mais precisa do processo educativo, que envolve a estruturação dos aspectos cognitivo, volitivo, afetivo, moral e espiritual, para gradativamente atingir sua maturidade (razão pela qual não podemos concordar com o liberalismo sexual na adolescência). Embora a pessoa já esteja apta a usar seus órgãos sexuais do ponto de vista hormonal e fisiológico, isso não significa que do ponto de vista psíquico e moral ela já seja madura para assumir as responsabilidades deste ato. Educação sexual não significa conhecimentos da anatomia sexual e do sistema reprodutor humano. O adolescente deseja conhecer não apenas o uso e a função do sexo na vida, mas o que o sexo representa para a sua realização humana, com vistas a uma vida digna e plenamente realizada sob vários aspectos (afetivo, moral e espiritual). Vemos um problema sério na questão da sexualidade nos dias atuais: passamos muito rapidamente de um extremo ao outro, ou seja, de um período onde sexo era um tabu, algo proibido e condenado, para um período no qual, por causa do excesso de restrição, passou-se para o excesso de permissividade. Um erro não justifica o outro. É preciso encontrar o equilíbrio para o bem do próprio ser humano, que recebeu de Deus este maravilhoso presente: a sexualidade dentro da dimensão afetiva e espiritual, privilégio do qual plantas e animais não desfrutam. Prostituição - A partir da visão da ética social, entende-se que o ser humano tem plena liberdade de fazer as opções que melhor lhe aprouverem. Hoje pensa-se que se alguém escolheu a prostituição como modo de vida, ninguém tem nada a ver com isso, pois ninguém deve intrometer-se na vida alheia. Porém, a partir da visão da ética religiosa, o princípio que vigora não é a liberdade, mas o amor agape. Então, a pergunta que se faz a partir desse ponto de vista da ética religiosa é: as pessoas têm, de fato, liberdade de usar seu corpo como objeto econômico? É certo alguém “comprar” o corpo de uma outra pessoa para satisfazer suas necessidades sexuais? Pessoas ou partes do corpo das pessoas não são e nem podem ser objeto de compra e venda, porque o ser humano não é coisa, não é produto, não é mercadoria, mas tem alma, sentimentos e coração. Neste nível, o que deve falar mais alto e valer muito mais é o amor mútuo. Quando alguém chega ao ponto de “vender” o seu corpo é porque algo muito grave está acontecendo com ela e com a sociedade. Tal pessoa precisa ser tratada com amor e não ser explorada na sua necessidade ou fraqueza. As pesquisas revelam que a grande maioria das pessoas que vivem na prostituição está nesse meio não por opção livre, mas por questões econômicas, familiares, psíquicas, afetivas e educacionais. Assim, também, a grande maioria delas gostaria de mudar de vida e viver como pessoas normais, dentro de um ambiente familiar harmonioso. O que estas pessoas mais gostariam de ter na vida é o amor e uma chance que nunca tiveram: serem respeitadas. Muitas delas se sentem rejeitadas e inferiorizadas pelo fato de viverem em tais condições subumanas: sem carinho, sem afeto e sem dignidade, pois todos vêem nelas um objeto que se compra, e não uma pessoa que reclama por melhores oportunidades na vida, que reclama para ser alguém. Drogas - Um dos problemas humanos e sociais de maior gravidade é o problema que envolve o uso e a dependência de drogas, que traz conseqüências físicas e psíquicas a curtíssimo prazo e, geralmente, irreversíveis. A pergunta inquietante que surge é: o que faz com que pessoas optem pelas drogas, sabendo que se autodestruirão? Será que são livres para tomar uma decisão que implica renúncia à vida? Pesquisas revelam que, assim como no caso da prostituição e do homossexualismo, as pessoas não optam pelas drogas livremente. Há causas mais profundas de ordem psíquica e afetiva que as influenciam a entrar no “mundo” das drogas. A grande maioria delas busca nas drogas uma forma de se punir ou de

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fugir de algum problema que tem medo de enfrentar. Há o caso daqueles que querem chamar a atenção dos pais, como forma de reclamar atenção e afeto. Há casos em que a pessoa é levada às drogas pela curiosidade ou como forma de desafiar o perigo, tentando mostrar que é forte, mas isso também revela um tipo de insegurança e falta de afeto ou atenção. O que mais assusta na questão das drogas é que ela atinge todas as faixas etárias. Antigamente, atingia mais as pessoas de meia idade, que buscavam no alcoolismo uma forma de fuga de seus problemas. Hoje, com o advento da moderna ciência e, em conseqüência, a sofisticação dos produtos químicos, tem-se acesso a drogas mais pesadas e que atingem faixas etárias mais novas, como adolescentes e, infelizmente, até crianças, causando prejuízos irreparáveis à saúde e à vida. O que mais surpreende e preocupa é que há uma grande indiferença frente ao problema. Pelo liberalismo de hoje, tudo não passa de uma questão de escolha, de liberdade pessoal. O que falta é amor ao próximo. Há um vazio nas pessoas e falta de sentido para a vida. A crescente busca pelo materialismo e o hedonismo tornaram as pessoas frias e insensíveis umas com as outras, inclusive dentro do lar e da família. Isso tem sido causa para as pessoas, incluindo crianças e adolescentes, buscarem nas drogas um meio de fuga e de autopunição. As características fundamentais do ser humano (pessoa racional, teleológica, egocêntrica e social) e as características do amor (eros, filos, agape) são elementos fundamentais para a solução do problema das drogas, pelo fato de que exatamente essas características identificam as causas deste problema. Leis mais rigorosas contra traficantes e uma política de saúde mais favorável ao tratamento de drogados são medidas complementares importantes que ajudarão na solução do problema, e que atuarão sobre as conseqüências. Contudo, faz-se necessário uma ação firme e decidida sobre as causas de ordem comportamental e afetiva que atingem a pessoa e a sociedade humana. É preciso que haja uma mudança de mentalidade, e isso só se conseguirá através da educação. Educação não é apenas uma questão de escolaridade, de graduação ou pós-graduação acadêmica, mas sim um processo mais profundo de mudança de consciência e mentalidade frente aos problemas que atingem a todos. Esta mudança deve se dar a partir das características fundamentais mencionadas anteriormente, e é exatamente essa a tarefa da ética: provocar uma mudança de consciência frente aos problemas através de ação madura e responsável.

8.2.3 A ordem familiar: a ética na família Partiremos de uma pergunta fundamental: O que é família? Será que é um grupo de pessoas vivendo debaixo de um mesmo teto? É um casal legalmente unido com direito a ter e criar seus próprios filhos? É uma relação de pessoas que tem uma base econômica estável? É um casal que jurou ser fiel um ao outro até que a morte os separe? Para a ética social, a família é constituída a partir do momento em que duas pessoas decidem viver juntas. Mas, na maioria das vezes, a motivação dessa união está baseada na idéia de que o casamento dá a tão sonhada liberdade de praticar livremente o sexo sem as inconvenientes restrições morais e sociais. Percebe-se em tais situações que o que motivou essa união foram apenas os interesses egoístas de cada um, sem se considerar a pessoa humana do outro. Quando isso acontece, não se pode dizer que aí há uma família. O vínculo familiar pressupõe uma ligação honrosa e digna com a pessoa do outro, e não que o outro seja um objeto de uso que, quando não serve mais, torna-se descartável. Para a ética religiosa, a constituição da família não se dá a partir da vontade humana, mas a partir da vontade divina. Pois, para a religião, homem e mulher são criaturas de Deus e ele mesmo os uniu e abençoou para completarem-se física e psicologicamente na vida a dois. Por isso, na visão da religião, a família é constituída e fundamentada sob a vontade divina, que é expressa nas doutrinas que fundamentam a religião, na qual homem e mulher não são vistos como objetos de mero prazer sexual, mas como pessoas criadas conforme a imagem e semelhança de Deus, a fim de viverem de modo digno, fraterno e humano. A finalidade da existência da família é dar condições para o ser humano se desenvolver em um ambiente que lhe permita o pleno desenvolvimento como pessoa e ser social que é. A família é, como já diziam há

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vários séculos os latinos, “a célula-mãe da sociedade”. Neste sentido, a família cumpre, em relação à sociedade, uma finalidade análoga à de uma célula em relação ao corpo humano: o desenvolvimento sadio e harmônico do todo. Enquanto as células de um corpo forem sadias, todo o corpo será sadio, mas quando as células ficam doentes (como no caso das células cancerígenas ou afetadas pelo HIV), comprometem a existência de todo o organismo. Numa cultura onde não há possibilidade de um desenvolvimento pleno da família como célula básica da sociedade, sem dúvida, essa sociedade não será sadia, e seus dias estarão contados. O exemplo histórico mais eloqüente dessa tese é a queda do Império Romano, que começou com a degradação moral da família. O Homem é o único ser que vive em família, e ela cumpre uma finalidade vital para o pleno desenvolvimento da pessoa e da sociedade.

O lar e as bases de suas relações - O lar não é o espaço físico que as pessoas de uma família dividem entre si, mas é o modo como esse espaço é compartilhado. O lar é o ambiente, positivo ou negativo, que as pessoas de uma mesma família criam a partir do modo como se relacionam. Há lares onde predomina um clima muito difícil de convivência, com falta de respeito, agressões físicas e morais, sem carinho e afeto. É fundamental para o pleno desenvolvimento de todos os membros que compõem uma família (pais e filhos) que haja um clima e um ambiente no qual predomine o amor e a harmonia. A base das relações entre marido e mulher na vida do lar deve ser o amor. Mas qual tipo de amor? Como já vimos anteriormente, há três tipos de amor: o sexual, o afetivo e o espiritual. Na relação marido e mulher, os três tipos de amor devem estar presentes. Tanto na relação entre pais e filhos como na relação entre irmãos, não há o amor eros, pois este é restrito à privacidade do casal. É necessário que no lar haja um ambiente fraterno e humano, e que se solidifique cada vez mais o amor afetivo e espiritual. Afinal, na ausência desses tipos de amor, até o amor do tipo eros se degenera e passa a comprometer a harmonia da família. Hoje, infelizmente, cada vez mais levantam-se dados de pesquisa social nos quais é preocupante o caso de incestos, revelando a alarmante degradação a que está chegando a vida e o ambiente familiar.

Casamento, divórcio, recasamento - O casamento, bem como a família e o lar, atravessam juntos a mesma crise de valores éticos do mundo contemporâneo, marcado pelo individualismo, liberalismo e pragmatismo hedonista. A partir da visão da ética social, o casamento não passa de um contrato formal entre duas pessoas, que, “se não derem certo”, desfarão a “empresa” e tentarão novamente com um outro “sócio”, como se o casamento fosse uma S.A. (Sociedade Anônima). A ética religiosa, mesmo tendo sido taxada de arcaica, tem se posicionado como voz discordante das “novas tendências” do mundo moderno e tem insistido na visão de que o casamento é de origem divina e, portanto, deve fundamentarse sobre os princípios éticos do amor agape. Casamento não é loteria, mas um projeto de vida que assumimos perante Deus e a sociedade, devendo, por isso, ser encarado com responsabilidade, porque as pessoas não são objetos dos quais podemos dispor para fazer experiências temporárias. Casamento não é um contrato, mas um projeto de vida para o qual deve haver a bênção de Deus. A finalidade do matrimônio não é apenas a procriação, nem tampouco a legitimação do uso livre do sexo. O matrimônio pode preencher inúmeras finalidades e necessidades do ser humano, e entre elas, queremos destacar as seguintes: • a satisfação afetiva e sexual do casal; • a realização do anseio da maternidade e paternidade; • a integração e efetivação de um projeto social: a escola, a igreja, a empresa, a atividade política, etc. Fala-se muito, hoje, em crise do casamento e da família. A crise não está no casamento nem na família; essa crise é ética e moral, ou seja, houve a perda dos valores fundamentais pela pessoa, como por exemplo, o amor e o respeito ao próximo. O casamento só se manterá em pé se a mentalidade ao seu redor mudar, e ele deixar de ser mero contrato social ou uma união legitimadora do ato sexual para tornar-se um modo de vida ético no qual se viva integralmente os três tipos de amor: eros, filos e agape. O divórcio, conforme a ética protestante, não é uma regra, mas uma exceção. O princípio que a ética protestante defende é o da indissolubilidade do matrimônio, pois a Bíblia (norma de fé e vida) diz: “o que

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Deus uniu, não o separe o Homem”. Porém, como é inevitável que aconteçam problemas e desentendimentos entre casais, a ética protestante postula os seguintes procedimentos frente a tais problemas: • que o casal esgote todas as possibilidades na busca da solução para superarem seus problemas e permanecerem unidos; • mesmo que resolvam separar-se, façam a experiência por breve tempo, dando prioridade para a reconciliação; • só em último caso recorram ao rompimento definitivo e que, então, primeiro legalizem a situação anterior para só depois disso começarem vida nova, cumprindo as formalidades legais e o que determina a lei de Deus. O divórcio sempre é uma solução paliativa, pois ele não elimina completamente os vínculos já existentes, especialmente no caso em que o casal já tiver seus filhos. O divórcio apenas pode dissolver a união entre marido e mulher, mas não rompe a vinculação entre pais e filhos e os laços entre os irmãos. O homem e a mulher divorciados continuarão, de certa forma, atrelados um ao outro por causa dos filhos, que, via de regra, não aceitam a separação dos pais e ficam traumatizados com a separação. Por isso, o divórcio é mais um problema do que uma solução. O catolicismo não aceita o divórcio, por considerar o casamento um sacramento e, portanto, indissolúvel. O protestantismo considera o casamento um ato sagrado, sem, contudo, considerá-lo um sacramento. Nem por isso o protestantismo tem uma postura liberal frente ao divórcio. Só o admite como exceção à regra, quando houver: • abandono ou deserção do lar de uma das partes; • infidelidade conjugal deliberada e reiterada; • violência e maus tratos. Todos os demais casos, como, por exemplo, incompatibilidade de gênios, são, geralmente, meras desculpas egoístas, não aceitáveis do ponto de vista da ética religiosa como causa que justifique uma separação, devendo-se, portanto, com base no amor agape, buscar a reconciliação do casal e o resgate da vida familiar, não condenando os filhos a traumas que não pediram para ter ou jogando sobre eles o peso de uma culpa que não têm, mas que poderão pensar que lhes pertence, trazendo conseqüências maléficas para o futuro deles. Divórcio não é regra, mas uma exceção e, como tal, só é utilizado em último caso. Recasamento, ou seja, o recomeço de uma nova vida conjugal, mesmo sendo admitido pela ética protestante, deve ser feito com muito cuidado. O catolicismo, não admitindo o divórcio como forma legal de separação, também não admite haver uma forma legal para o recasamento. Já o protestantismo admite a legalização do divórcio nos casos previstos anteriormente e, por isso, também nestes casos, admite a legalização do novo casamento, bem como a bênção religiosa para uma nova união matrimonial (pois, caso contrário, condenar-se-ia ao adultério ou ao concubinato a parte inocente). É de direito e da natureza humana que pessoas jovens, mesmo divorciadas em situações legítimas, sejam amparadas (e não condenadas) pela religião, a fim de terem uma vida digna, honesta e cristã. Tanto o recasamento quanto o divórcio são considerados, pela ética protestante, não como regras a serem seguidas, dando o direito a qualquer um de fazer uso delas, mas como exceção, isto é, somente aplicáveis nos casos em que realmente seu uso se justifica e, de fato, concorrerá para uma solução. Afinal, nem sempre o recasamento é solução, especialmente nos casos em que a pessoa não superou os problemas advindos da primeira união. Muitas vezes separações acontecem por causa de egoísmos e vaidades pessoais, onde as partes não quiseram dar o braço a torcer e, nestes casos, tende a acontecer que tais problemas reaparecerão num novo casamento, pondo em risco essa nova relação. Também não se pode esquecer que pessoas divorciadas mantêm seus vínculos anteriores, especialmente com os filhos do primeiro casamento que, de alguma forma, colocam-se como obstáculos contra a nova união, pois vêem no(a) novo(a) parceiro(a) da mãe (ou pai) um elemento alienígena. Por todas estas questões e outras mais, o recasamento deve ser encarado como uma oportunidade de praticar os três tipos de amor (eros, filos e agape), que, de certa forma, não foram possíveis de concretizar por ocasião do primeiro casamento. Se isto não for colocado como um alvo a ser atingido,

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provavelmente o recasamento poderá ter as mesmas decepções e fracassos do primeiro casamento. Por isso, do ponto de vista da ética religiosa, é preciso agir sobre as causas, e não buscar soluções em efeitos meramente paliativos.

Planejamento familiar - Por planejamento familiar entende-se o direito que o casal tem de prever o número de filhos que deseja ter e o período em que quer tê-los. A vida moderna exige dos pais, cada vez mais, recursos econômicos para criar e educar os filhos com condições de garantir-lhes meios razoáveis de uma vida digna. Portanto, o planejamento familiar não significa, como alguns equivocadamente entendem, evitar o nascimento de filhos, mas, pelo contrário, racionalizar a prole, levando em conta as condições gerais da situação familiar e possibilitando uma vida digna a todos os filhos sem o sacrifício exagerado de uma vida de grandes privações. A ética religiosa não é favorável a que se impeça o nascimento de filhos por razões egoístas dos pais, como, por exemplo, a mulher não deseja ter filhos para não comprometer sua estética pessoal, ou porque o casal não quer abrir mão de sua vida social, vendo nos filhos um impedimento para usufruir os prazeres da vida. Egoísmos e vaidades pessoais sempre são repudiados, pois não são argumentos que justifiquem o não nascimento de um ser humano. Para o casal fazer seu planejamento familiar de modo consciente e responsável, terá que optar por um método de controle de natalidade, a fim de definir o número de filhos e o espaçamento entre eles. Há vários métodos possíveis, desde que não sejam abortivos ou ponham em risco a vida e a saúde de quem o usa. A ética protestante defende o direito do casal de definir e decidir sobre o método que lhe seja mais conveniente, respeitando seus princípios morais e suas condições culturais e econômicas. Ninguém pode, arbitrariamente, impor ao casal meios de controle que não sejam do agrado e do conhecimento do mesmo. Campanhas públicas, bem como dogmas religiosos, não podem ser impingidos indiscriminadamente aos casais de menores recursos econômicos e educacionais. Pobreza não é opção, mas é sempre resultado de condições sociais adversas. Todos querem ditar normas na vida de pais pobres, mas são poucos os que estão preocupados em mudar a situação dos pobres e dos filhos de pobres, agindo sobre as causas sociais e econômicas que geram o problema. Querer resolver o problema da pobreza limitando-lhes o número de filhos é querer tapar o sol com a peneira, pois não são os filhos a causa da pobreza dos pais, mas a má distribuição de renda, bem como o egoísmo social de uma minoria que é indiferente ao problema social. Por anticoncepcionais são denominados todos os métodos de controle de natalidade que evitam a fecundação e que, segundo a ética religiosa, são os meios válidos e admitidos para o planejamento familiar. A ética religiosa é contra os métodos pós-concepcionais, visto que, no modo de ver da religião, a vida é uma dádiva de Deus e, por isso, nenhum Homem tem o direito de interferir nesse processo. Uma vez que ocorreu a concepção, ou seja, a formação da vida de um novo ser humano, ninguém mais pode interferir, interrompendo um processo que não está na alçada do Homem, mas de Deus. Aqui vale o princípio bíblico: “o que Deus dá, só ele pode tirar”, ou, no sentido inverso: o que o Homem não pode dar, também não pode tirar. A vida de um novo ser se enquadra nesse princípio.

8.2.4 A ordem de justiça: a ética nas questões legais

A pena de morte - Pena de morte é a punição máxima aplicada a um infrator, eliminando a pessoa do convívio social e tirando-lhe a vida com a aplicação da pena capital. A primeira questão que se levanta é de ordem legal. No Brasil, no período do Império, havia a pena de morte, mas ela foi abolida por causa de um erro judiciário no qual se tirou a vida de um inocente. A partir de lá, não se tem mais na lei brasileira a prática legalizada da pena de morte. Já foram feitas várias tentativas para a reimplantação no Código Penal do artigo que faculta o uso de tal lei. Os debates em torno do assunto bipolarizam-se de tal maneira que há argumentos a favor e contra. Os principais argumentos a favor da pena de morte são: • diante do medo da punição com morte, haveria diminuição da violência e da criminalidade; • o Estado não teria tantos gastos com a manutenção de presídios (verdadeiras universidades do

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crime). Os que são contra a pena de morte usam os seguintes argumentos: • possibilidade de erro judiciário e, com ele, a condenação de um inocente; • uso político e ideológico da pena, sendo, nesse caso, uma arma na mão de maus governantes que se voltam contra o próprio cidadão; • estatísticas em países onde há a pena de morte revelam que ela foi aplicada, na maior parte das vezes, contra pobres, negros e índios. Foram raros os casos de ricos e/ou brancos a serem condenados; • a pena de morte não diminuiu a criminalidade, apenas a refreou num primeiro momento; • é falso o argumento econômico, porque os gastos para evitar erro judicial são muito altos e maiores do que os gastos com a manutenção dos presídios. Do ponto de vista da ética religiosa, o assunto também é controverso, pois há teólogos que, baseados em textos bíblicos, defendem a pena de morte, e outros que são contra ela, porque entendem que só Deus tem autoridade de punir com a morte, por ser ele o autor da vida. Entende-se que a Bíblia revela situações ideais que nem sempre são encontradas na realidade de hoje. Eis por que se deve ter muito cuidado para não fazer uma hermenêutica precipitada dos fatos bíblicos que eram válidos para o tempo e contexto em que foram escritos. Seria temerário, sem critérios cuidadosos, simplesmente aplicar aos tempos de hoje situações que não mais têm o mesmo significado. Pessoalmente, sou contra a pena de morte, visto que ela seria usada como um instrumento que apenas atingiria os efeitos, ficando as causas do problema sem serem atingidas. As ondas de corrupção que afetam governantes e autoridades no Brasil não lhes dão idoneidade moral para serem os depositários fiéis de uma lei tão severa e drástica. Num país no qual apenas “ladrões de galinha” vão para a cadeia e os criminosos de “colarinho branco” ficam impunes, fica desautorizada a validade da implantação da lei da pena de morte. Da mesma forma, entendo ser temerário tomar qualquer decisão a respeito da pena de morte usando-se o voto plebiscitário. Num país onde predomina o analfabetismo e no qual o povo é manipulado pela mídia eletrônica, as pessoas facilmente seriam, de forma sentimental, manobradas a votar em favor de qualquer um dos lados que melhor conviesse à classe dominante.

O aborto - Queremos deixar claro de início que o tema do aborto está corretamente colocado neste capítulo. Aborto não é uma questão que se enquadra no controle de natalidade ou meio anticoncepcional. Aborto é uma questão legal e moral. A lei brasileira considera crime a prática do aborto, sendo, portanto, sujeito a sanções penais. Mas há uma disseminação de clínicas que fazem a prática clandestina do aborto, sem a devida coibição das autoridades. A lei brasileira admite duas exceções: 1º) em caso de risco de vida para a mãe; 2º) se a gravidez foi proveniente de estupro. Em ambos os casos, o médico fica autorizado a fazer o aborto, desde que seja realizado até o terceiro mês de gravidez. Os problemas morais que provêm da prática do aborto, segundo a ética religiosa, dizem respeito a questões que envolvem a concepção teológica de vida. Como já vimos antes, a vida é considerada um presente de Deus e ninguém tem o direito de atentar contra a vida de quem quer que seja, especialmente de um ser indefeso dentro de um útero. Estudos mais recentes de parapsicologia revelam que, por processo de regressão de idade, pode-se fazer com que a pessoa consiga evocar pela memória até mesmo o dia da fecundação. Isto comprova o fato de que a vida inicia a partir daquele momento. A prática do aborto, portanto, é um crime contra uma vida indefesa. Mesmo que a ética social evoque o princípio da liberdade para que a mãe tenha direito de decidir quanto ao desejo de ter ou não um filho, a ética religiosa resgata o princípio do amor à vida, que é muito superior em termos de valor e respeito ao ser humano.

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Também não é justo querer validar a prática do aborto em nome da liberdade sexual (amor eros). Não há liberdade para praticar um crime e justificar o abuso de uma prática sexual equivocada, apenas para satisfazer prazeres egoístas. A ética cristã, mesmo que o aborto venha a ser legalizado, sempre orientaria o cristão a não se valer de tal lei, porque nem tudo o que é legal é, automaticamente, moral. A moral do cristão, em tudo, sempre será orientada pela vontade de Deus. Porque esse mundo, com suas paixões e concupiscências, passará, mas a vontade de Deus permanecerá para sempre.

7.2.5 A ordem civil: a ética na política A organização civil - O ser humano, entre todos os seres da natureza, é o único que desenvolve formas organizadas de vida social. Os animais, nas suas mais diferentes espécies, mesmo vivendo em grupos, não possuem uma forma organizada de vida. Nas espécies animais, as relações grupais são determinadas pelos instintos, a fim de garantir a reprodução e a sobrevivência da espécie. Por isso, cada espécie possui um padrão próprio de vida grupal. Há regras naturais que determinam a função e o comportamento de cada “membro” que compõe a espécie. No que diz respeito ao ser humano, há uma diferença fundamental na questão da organização da vida social. Os seres humanos não são regidos nem determinados por instintos naturais, porém possuem uma faculdade racional através da qual determinam e criam leis para a sua convivência social. Razão por que, na convivência humana, há leis morais, políticas, econômicas que regulam as relações e o comportamento de cada indivíduo dentro de sua coletividade. Tanto as funções como os comportamentos não são rígidos e padronizados. Contudo, são determinados por uma complexa inter-relação indivíduo/sociedade. Ao longo da história da humanidade, a organização civil das diferentes sociedades e culturas humanas tiveram diversas formas e modos de relação. Uma das formas ou modos mais antigos foi o sistema tribal; depois passou-se para o sistema monárquico; e só mais recentemente chegou-se ao modo democrático de organização civil. Em todos os modos ou sistemas de organização civil da sociedade humana, sempre nos deparamos com um elemento comum: o ser humano se relaciona através de leis que visam garantir, de forma harmônica, a convivência social dos indivíduos de uma mesma coletividade. Estas leis podem tanto ser adquiridas através da religião e/ou cultura como ser criadas a partir de necessidades existentes dentro de cada grupo civil organizado. Portanto, entende-se por civilização a forma racional de como o ser humano estabelece as suas múltiplas relações com o seu semelhante na vida em sociedade, através de leis que procuram normatizar, de forma equilibrada, o convívio social.

A política - Este é um termo muito desgastado hoje e, por isso, para muitos, tem um significado pejorativo. Porém, tanto o significado semântico como o filosófico do termo “política” é muito significativo. Ele provém da palavra pólis, que significa cidade-estado. Cada cidade da Grécia formava um estado independente que estava unido numa confederação de cidades, formando, assim, a nação grega. Cada cidade-estado era autônoma e, por isso, tinha vida e cultura próprias. Cada uma possuía suas próprias leis. E as leis de cada cidade eram feitas a partir da discussão pública dos problemas que a afetavam.

Todos os cidadãos livres tinham vez e voz nas assembléias públicas onde eram tomadas as decisões “políticas”, ou seja, aquilo que dizia respeito à pólis. Daí provém o termo política, ou seja, a discussão e administração das coisas públicas, cujo objetivo é a manutenção do bem comum. Não havia nada mais importante para o homem grego do que a pólis, pois era o lugar onde vivia. E este era o maior bem comum que todos possuíam. Por isso, na Grécia antiga, política era uma atividade que envolvia todos os cidadãos de uma cidade-estado. Hoje, o termo política, como já dissemos, está muito desgastado e está mais associado à idéia de ser a atividade de uma classe restrita da população, daqueles que se filiam a um partido e pretendem fazer carreira nesta atividade. Hoje, a atividade política é quase uma profissão, ou seja, um meio de vida, uma

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forma de ganhar dinheiro. São poucos os políticos que vêem na política uma atividade voltada ao bem comum. Mas a falta de consciência do que é, de fato, a política, não é culpa só dos ditos políticos, mas é um problema que afeta a todos os cidadãos. Os próprios cidadãos não possuem consciência “política”, ou seja, consciência de cuidar e preservar o lugar onde moram como sendo um bem comum. Na nossa falta de consciência e cultura “política”, achamos que o que é de todos não é de ninguém, e é essa a razão pela qual depredamos os bens públicos, como os telefones e as luminárias, escarramos no chão e jogamos pontas de cigarro em qualquer lugar, pisamos e jogamos na grama copos de plástico e de alumínio, sem contar as verdadeiras imundícies que são os “sanitários” públicos. Tudo isso e outras coisas mais revelam a nossa falta de consciência “política” (consciência do bem comum). Não é de se admirar, pois, a falta de ética dos nossos políticos oficiais, ou seja, daqueles que nos representam na administração dos bens públicos. De onde saíram esses políticos? Eles não caíram do céu, mas surgiram do nosso meio, são pessoas iguais a nós. Se nós não temos consciência e cultura do bem comum, igualmente não terão consciência política aqueles que saíram do nosso meio e nos representam. Diz um ditado: “cada povo tem o governo que merece”, e se poderia dizer: “cada sociedade tem os políticos que ela mesma produz, e são esses os políticos que ela merece ter”.

Religião e política - É, pois, um assunto muito vasto e profundo o tema ética na política. Num texto didático como esse, é impossível querer dissecar o assunto. Já nos daremos por satisfeitos se lograrmos êxito no sentido de despertar a consciência dos acadêmicos para a importância dessa temática. Sem dúvida, temos que cobrar posturas éticas de nossos representantes políticos, mas mais importante ainda é conseguir um meio eficaz de educar o interesse do cidadão para a correta participação e envolvimento no bem comum. Política é uma atividade que deve envolver a todos, e não apenas àqueles que vêem na “politicagem” um meio de obter vantagens em tudo, infelizmente às custas do bem comum. Mudar a consciência “política” (cidadania) de uma sociedade só é possível através da educação, e entendo como educação não apenas o ensino escolar. Educação começa na família, passa pela escola, atinge os meios de comunicação social, enfim, faz parte de todo o processo de formação cultural de um povo. Pessoalmente, estamos convencidos, embora haja os que não concordem, que a religião tem um papel fundamental e decisivo na formação da consciência “política” de um povo e de uma sociedade. É ela, a religião, que realmente se ocupa com a moral, no sentido de dar um embasamento firme para as ações humanas. É a religião que coloca os valores básicos da convivência e da conduta humana. A falta da religião implica a conseqüente falta de valores norteadores da conduta. Hoje se vê de forma muito clara que o problema ético no Brasil é a inversão de valores, ou seja, o errado passou a ser certo, e o que era certo virou piada. Idéias como: “por que ser honesto, se todo mundo quer tirar vantagem em tudo?”, ou “por que querer ser o joãozinho-do-passo-certo?”, ou “pegue para você, porque senão outro pega”, revelam de forma transparente a inversão de valores calcada no forte individualismo presente em nossa cultura. A religião sempre teve como característica preponderante a preservação dos valores coletivos. Esses valores coletivos sempre devem estar acima da vontade e do interesse meramente individual. Nas últimas décadas, assistimos de forma passiva a uma maciça investida contra a religião, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Propositadamente, fez-se questão de ridicularizar a religião e, com isso, conseguir afetar a moral e os valores fundamentais da cultura. Hoje, quem dita o que é certo ou errado não é mais a religião, mas a propaganda, com sua ideologia individualista e consumista, e o pior é que quase todo mundo acaba dizendo “amém”. A ética na política tem que passar por uma séria e sólida discussão a partir dos valores fundamentais da religião cristã. Sabemos antecipadamente que tal discussão não interessa aos politiqueiros, pois estes “se alimentam” exatamente da ignorância moral e espiritual do povo e, por isso, não têm o mínimo interesse de que o povo adquira cultura e consciência política. É nesse sentido que a religião tem um importante papel a cumprir: ensinar ao povo a verdadeira cidadania, com base nos valores e na moral cristã. A religião sempre teve compromisso com a verdade e, por isso, não pode silenciar diante da ignorância espiritual, sob pena de ser cúmplice e conivente com os falsos políticos.

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O luteranismo, a política e a economia - O reformador Martinho Lutero, em seus escritos, fez questão de distinguir a ordem política da ordem religiosa, ou seja, fez a separação entre Igreja e Estado. O poder eclesiástico é distinto e separado do poder civil. Ambos cumprem funções diferentes, embora devam ser convergentes para o mesmo fim: a realização da vontade de Deus na promoção do bem-estar espiritual e material do Homem. À Igreja cumpre a função de cuidar do bem-estar espiritual, e ao Estado cumpre a função de cuidar do bem-estar social e material do Homem. Igreja e Estado deveriam, segundo Lutero, ser independentes um do outro, ou seja, um não se metendo nos negócios do outro. Porém, por outro lado, Igreja e Estado não poderiam estar divorciados um do outro, por terem um objetivo comum: o bem-estar do Homem criado à semelhança de Deus. Nesse sentido, Igreja e Estado, tendo atuações específicas, teriam que atuar de forma harmônica para conciliar o interesse comum: o bem-estar do Homem. A Igreja não pode, segundo Lutero, intrometer-se em questões administrativas da ordem civil e política do Estado. E o mesmo se dá em relação ao Estado, não podendo ter ingerência sobre questões estritamente de cunho espiritual e, por isso, que dizem respeito à religião. Contudo, segundo Lutero, ambas instituições, Igreja e Estado, sempre estariam submissas à vontade de Deus expressa nas Escrituras Sagradas (única fonte de fé e vida), de tal maneira que, sob os fundamentos da Escritura, competiria à Igreja prevenir e advertir governantes e políticos todas as vezes que eles legislassem ou praticassem atos administrativos contrários à vontade de Deus e lesivos ao bem público. E o mesmo dever competiria ao Estado, advertir a Igreja quando esta estivesse se desviando dos seus fins (Lutero tinha em mente a Igreja do seu tempo, que vendia as indulgências e, com isso, defraudava e explorava o povo). Desta forma, vemos de forma clara que, se de um lado Lutero diferenciava e separava as competências da ação da Igreja e do Estado, por outro unia ambos no compromisso ético. Isso significa que no plano teórico e doutrinário, Igreja e Estado têm funções diferentes, mas no plano prático, na ação, na sociedade, ambos precisam estar unidos para alcançar a justiça e o bem comum. No que diz respeito ao pensamento econômico de Lutero, queremos fazer a seguinte ressalva: como muitas vezes Lutero é mal interpretado, não se pode enquadrá-lo na tese weberiana de que o capitalismo é oriundo do protestantismo. Num sentido genérico e superficial, o protestantismo é definido por sua oposição ao catolicismo. Contudo, o protestantismo contém inúmeras diferenças e divergências internas. Mesmo que possa ser viável, a tese weberiana não se aplica de forma genérica a todo protestantismo. Inclusive é possível sustentar a tese de que o capitalismo é anterior ao protestantismo, e que o dinheiro e os bens estavam concentrados nas mãos de poucos. O que Calvino teria conseguido com sua doutrina da predestinação é conseguir mudar a mentalidade do povo para fazer poupança e, com isso, aos poucos, o capital teria passado para mais mãos (ou bolsos). Se é, de fato, certa esta tese, acredito que Calvino tenha conseguido algo bom, pois distribuir de forma justa e equitativa a riqueza é o que mais se defende nos dias atuais. Lutero sempre combateu a usura, a ganância, a cobiça e o egoísmo no que diz respeito ao dinheiro e aos bens materiais. Basta ler o que ele escreveu nos seus comentários sobre o nono e décimo mandamentos que tratam da cobiça:
Sucede a mesma coisa em negócios comuns, onde u m, ardilosament e, arrebat a algo a outro, ficando a vít ima condenada a mamar no dedo, ou onde algu ém, percebendo vant agem e proveit o para si, su rpreende e def rauda out ro, de modo que esse, talvez em razão de penú ria ou endividament o, não possa mant er a propriedade nem vendê-la sem preju ízo, querendo, ent ão, o primeiro, a metade ou mais de graça, e t odavia se pret ende que isso não deve ser considerado aquisição injust a ou roubo, mas compra honest a. Como lá dizem: “O primeiro é o melhor”; e: “Cada qual atente por su a vantagem. O ou tro tenha o que pu der.” (Os catecismos, p.441)

Nem sempre uma citação extraída do seu contexto deixa transparecer com clareza e inteireza o pensamento do autor. Mas aqui fica evidente que Lutero condena práticas muito comuns no capitalismo moderno: empréstimos com juros extorsivos e a famosa Lei de Gerson: “tire vantagem de tudo, certo?!”. A ética luterana está longe de ter conseguido solução plena e perfeita para todos os problemas humanos e nem tem esta pretensão. Contudo, busca as soluções remetendo o cristão a refletir sobre os princípios, meios e fins que se encontram no Evangelho. A ética luterana parte do pressuposto de que o Homem é imperfeito e vive numa situação provisória em busca da perfeição e plenitude eterna. A ética, da mesma forma que o Homem, é provisória, mas se ilumina com a transcendência e se alimenta com o

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ideal de um mundo que está por vir, onde se dará a superação de todas as contradições e imperfeições humanas.
ATIVIDADES 1) Definição de termos: : ética – moral – amoral – imoral – virtude – vicio - suborno – nepotismo – falsidade ideológica – improbidade – trafico de influencia – Lei de Gerson – lei de Sena. 2) Pesquisa: SUGESTÕES 1) Leitura complementar: WARTH, Martin C. A ética de cada dia. Canoas: Ed.Ulbra,2002. 2) vídeos: 3) Sites de Pesquisa: 1) ética: www.etica.pro.br

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ANEXO I - textos
Texto A

Religiões em alta

Vivemos uma época de explosão religiosa.O que era tido por ópio do povo (Marx), ou neurose universal (Freud) e que passou por todo tipo de repressão agora voltou com força vertiginosa. A sedução do sagrado continua atraindo as pessoas. Os estudiosos do assunto opinam que a atual irrupção do sagrado se explica por um conjunto de causas.
ABERTURA E RESPOSTA Em primeiro lugar, a religião é fruto da abertura natural do ser humano à transcendência. Mesmo que para os racionalistas a religião pertença à área do mito, do infantilismo, da superstição, do atraso..., a racionalidade não conseguiu eliminar o sagrado. Por outro lado, a religião é resposta às grandes perguntas sobre a morte, o sofrimento, o além, a sentido da vida. O racionalismo não conseguiu decifrar tais respostas; pelo contrário, contribuiu para a queda das utopias sociais, provocou a crise ecológica, o desemprego, o avanço das drogas, a violência. Faltam alternativas e propostas convincentes no mundo de hoje. Dessa forma, o materialismo preparou a explosão do sagrado. PÓS-MODERNIDADE Outra causa da alta das religiões está na pós-modernidade, que se caracteriza pelo desejo da experiência, das emoções, do mistério, dos sentimentos. O medo, em múltiplas formas hoje presente na sociedade, impele à busca de segurança, de afeto..., e as religiões oferecem esses remédios. Há uma outra categoria de pessoas que encontram na religião o alívio para suas penúrias econômicas, ou seja: os pobres, os excluídos, os descartados, os “pequeninos” de Deus, por Ele escolhidos para serem ricos na fé (Tiago 2,5). Os pobres sustentam as religiões. NOVA RELIGIOSIDADE A crise das igrejas históricas faz desaparecer o monopólio de algumas religiões e contribui com a irrupção de novos movimentos. As igrejas tradicionais perdem muitos de seus fiéis por diferentes causas:

-

O subjetivismo religioso: muitas pessoas procuram a religião para seus interesses e necessidades, mas não querem se engajar na comunidade. O subjetivismo espiritual: as pessoas buscam suas consolações, curas, prosperidade. Vão à igreja para seus interesses, mas não se envolvem, não participam, não trabalham pela comunidade. Praticamente declaram com a vida: Deus sim, Igreja não. O relativismo ético: As pessoas querem receber graças, querem curas, pedem consolações e sucesso, mas não abandonam o pecado, não mudam de vida, não se convertem. Deus deve fazer a vontade delas e preencher seus desejos, mas elas continuam não observando os mandamentos divinos.

Por isso, as pessoas escolhem as religiões que lhes dão consolo, mas que não exigem a prática da moralidade, nem a crítica à mazelas sociais. Busca-se no mercado religioso a Igreja que mais convém aos interesses e necessidades pessoais. Essas igrejas abençoam e mistificam situações injustas e desumanas. Falta-lhes o profetismo. Orlando Brandes Bispo de Joinville

62 Texto B
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Para aqueles que defendem a evolução e combatem o criacionismo cego, é fundamental responder das questões que seguem no texto.
1) como fica a questão do grande Big Bang para explicar a formação do Universo? Uma explosão dessas é
semelhante a explodir uma gráficatodas as letras ali, contidas em ferro, caiam e se encaixem formando um dicionário. Ou como numerar um saco de 60 kg de feijão e joga-lo para cima e todos os grãos caiam exatamente em ordem numérica. Matematicamente inviável. No entanto é aceita, por muitos, menosprezando o poder de da criação de Deus. 2) Como é possível explicar a formação da primeira matéria orgânica? Aquela substancia que inicialmente diziam, foi formada de matéria inorgânica, sob determinadas condições de temperatura e pressão. Isso é inviável quimicamente. No entanto, como explicar a incógnita? Alguns alegam que a primeira matéria orgânica foi trazida por um asteróide que caiu sobre a terra. Não há nenhuma documentação de vida em outros planetas e todas as histórias de contato com seres extraterrestres têm mostrado tratar-se de fraude ou alucinação. 3) temos ainda uma questão mais complexa: explicar a formação do código genético; que tem milhões de combinações em cada gem, para formar cada tecido de órgão de cada parte do corpo de cada espécie da terra. Isso é explicado apenas como coincidência evolutiva durante os bilhões de anos. Seriam milhões de coincidências provocadas por mutações benéficas para a evolução. Isso nunca foi comprovado cientificamente. Experimentos com vegetais e animais mostraram que as mutações têm sido prejudiciais, diminuindo a capacidade de sobrevivência das espécies experimentadas, ou simplesmente tornando-as incapazes de procriar. 4) Considerando tudo acima, essa teoria diz ainda que o homem evoluiu do macaco, numa escala que, para ser provada, necessita que se encontre os elos perdidos. No museu de História Natural de Nova Iorque, pude observar que, de fragmentos de osssos do crânio (osso parietal de um ou frontal de outros) foi desenhado todo o corpo de um homem, com detalhes, de cabeça aos pés, beirando a adivinhação. Comparando o homem de Neanderthal, como o homem cro-magnon, ou qualquer outro, lhe dão características próprias, inclusive atributos relacionados com a inteligência. Mas se compararmos crânios de aborígines da Austrália com crânios de ingleses e alemães, assim como os esquimós, percebemos diferenças importantes, mas segundo a espécie que é a humana. Para explicar melhor, é como comparar um cachorro pequinês com um pastor alemão. Não são todos cachorros ? cada um segundo a sua raça, mas todos cachorros. O elo perdido não foi encontrado, porque não existe. As fraudes a respeito só são cientificamente divulgadas, por vezes, mais de 20 anos depois de enunciada a teoria e essa divulgação costuma ficar restrita a um grupo seleto de cientistas. 5) Mas aceitando tudo acima, precisamos falar da própria evoulção, isto, é, se o morcego evoluiu do rato, já imaginou como ia sobreviver um rato quee tivesse asas do morcego ainda nõa tão bem desenvolvidas ? Seria morto por predadores, porque um rato não conseguiria voar com as asas mal-formadas. Ou então, se uma baleia não tivesse condições plenas de esguichar o seu leite na boca da baleinha, ela morreria afogada? Ou como uma gaivota ia descobrir o caminho para as ilhas onde desova ? Esses sistemas só funcionam se forem perfeitamente desenvolvidos, caso contrário, atrapalham a espécie e provocam sua extinção. É obvio. Ou o ser foi criado segundo a sua espécie ou haveria vários fosses mostrando as várias fases de evolução, de acordo com cada criatura. Isso nunca foi provado. 6) Então quantos anos teria o nosso planeta? Os bilhões que os evolucionistas ou apenas alguns milênios segundo a tradição judaico-cristã ? Ora, pense no fato de que alguns gases como o nitrogênio são produzidos e ficam estáveis dentro da atmosfera. Caso a quantidade dessa produção se estendesse por bilhões de anos, a atmosfera terrestre seria incompatível com a vida nos dias de hoje. Também considere que a lua tem pó que cai sobre a superfície, como comprovam os passos de Neil Armstrong. Caso esse pó caísse nos períodos de bilhões de anos, esse astro seria maior do que a terra. Considere, também, que o sol se retrai alguns centímetros por ano. Caso tivéssemos bilhões de anos, esse sol teria queimado tudo há apenas alguns milênios. Os testes com carbono 13 foram capazes de dar idade de

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milhões de anos a esqueletos de foca mortos há alguns meses. Adão, quando foi criado, tinha aparência de um homem, não de bebê; no entanto, havia sido recém-criado. Uma pedra por ter aparência de bilhões de anos, no entanto, foi criada por deus, segundo a sua palavra e vontade. 7) Um punhado de argila da terra, através da ação do fogo, transforma-a em formosa ametista de alto valor. Certa quantidade de carvão, dentro do solo, sob pressão, transforma-se em diamante. Oxigênio e hidrogênio, ambos sem cheiro, sem sabor e se cor, combinados com carvão, que é insolúvel, negro e sem gosto, formam o alvo, e doce de açúcar. Por que o canário nasce aos 14 dias, a galinha as 21, os patos e gansos aos 28, o ganso silvestre aos 35 e os papagaio e avestruzes aos 42 dias? A diferença é sempre de 7 dias. Por que as ondas do mar se quebram na praia à razão de 26 por minuto, tanto na calma quanto na tormenta? A melancia tem numero par de franjas. A laranja possui numero par de gomos. A espiga de milho tem numero par de fileiras de grãos. A bananeira tem, na ultima fila, numero par de bananas. Todos os grãos de espigas são em numero par. Teria sido tudo isso uma enorme coincidência? Fruto de milhões de mutações ao acaso ? “O temor do Senhor é o principio do conhecimento” (Pv. 1.7) Jorge luiz Vieira Trannin Médico em capitão L. das Marques, PR Fonte: Mensageiro Luterano 1997

Texto C

Os Originais
Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época. Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas. Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas. Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores. Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração. Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

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Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico - da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

O Novo Testamento Em Grego
Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado. A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação. A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular. O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento. Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração. Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e Crônicas. Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico - da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

65 Outros Manuscritos
Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído. Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião - o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego. Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos. Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 - 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

Historia das Traduções
A Bíblia - o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos. Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes. Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico. Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas. Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus. Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim - a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no ocidente. Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras. Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do

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cristianismo ocidental. Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa. Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo. Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós. Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

As Primeiras Escrituras Impressas
Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 - alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês. Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos. Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

Descobertas Arqueológicas
Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó. Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo. Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo

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Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas. Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó. As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos. Fonte: Site da Sociedade bíblica do Brasil (www.sbb.org.br)

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ANEXO II – Orientação trabalho
Trabalho A
I – TEMAS: 1. Hinduísmo 3. Budismo 5. Confucionismo 7. Islamismo 9 . Judaísmo II - ORIENTAÇÕES A - Pesquisa: o trabalho segue um padrão de pesquisa dividida em cinco partes: 1. Introdução - Elaborar no mínimo 5 questões em forma de questionamento enfocando a essência a religião e a forma como ela se apresenta na sociedade. Podem ser extraídas de informações históricas e doutrinarias, de comportamento ético e manifestação ritual ou de uma questão atual relacionada a mesma. 2. Histórico - Ter o domínio e sintetizar os principais elementos que envolvem o desenvolvimento da religião,como: origem, fundador, os motivos e o contexto que a mesma surgiu; descrever o processo de expansão, numero de seguidores e região em que é mais praticada. 3. Fundamentos - Ter o domínio e caracterizar os principais elementos que identificam a religião, como: símbolos, livros sagrados, crença ou doutrina (Deus, vida, salvação,etc), rituais e local de culto, ética e comportamento típico. 4. Aspectos Gerais - enfocar algum destaque ou esclarecimento ou então alguma curiosidade ou algo que chamou a sua atenção em relação a religião pesquisada. 5. Bibliografia - Destacar pelo menos 4 fontes de pesquisa e consulta elementares na composição da sua pesquisa. B – Apresentação escrita: Segue o padrão do roteiro da pesquisa, ou seja: introdução, histórico, fundamentos, aspectos gerais e bibliografia. Deve contemplar todas as informações do roteiro. Caso uma religião não tenha essa informação é necessário que o acadêmico exponha isso por escrito. Exemplo: 3.1 símbolo: Não tem nenhum tipo padrão. Deve conter no mínimo e no máximo 1 lauda frente e verso, digitado, letra Times New Roman, tamanho 14. Em caso de duvida, segue o modelo sugerido pelo professor. Serão analisadas para efeitos de avaliação, a pesquisa e produção própria do acadêmico, bem como a coerência de conteúdo, normas supracitadas e a data da entrega do trabalho. O trabalho escrito só terá valor pontual mediante apresentação escrita. Em caso de justificativa da ausência da apresentação oral, o trabalho escrito poderá valer até ¼ da pontuação total. C - apresentação Oral Para efeitos de avaliação será verificado o preparo e a desenvoltura individual do acadêmico, a postura e integração do grupo . A apresentação oral só terá valor pontual mediante apresentação escrita. Em caso de justificativa da ausência do trabalho escrito, a apresentação oral poderá valer até ½ da pontuação total. 2. Espiritismo 4. Taoísmo 6. Xintoísmo 8. Cultos Afro-brasileiros: Candomblé 10. a escolher

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D – Modelo:

CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE PALMAS
Curso: Nome: CRISTIANISMO 1. Introdução: Quem foi Jesus Cristo ? Ele é Deus ou filho de Deus ? O que é a Bíblia e qual a relação do Antigo Testamento com o Novo Testamento ? Quais são os principais grupos cristãos e por que ocorrem essas diferenças ? Quem é o papa dentro do catolicismo? O que os cristãos ensinam sobre a vida pós-morte? 2. Histórico: O cristianismo parte do principio que Deus é o criador do universo e de toda a humanidade. O ser humano criado a sua imagem e semelhança rompeu com Deus pela desobediência. Por causa do pecado Deus promete enviar um Salvador que um dia religaria a criatura ao seu criador novamente. Para isso, Deus escolhe Abraão que por vez dá origem ao povo de Israel através de quem Jesus vem ao mundo. Jesus, em sua natureza divina gerado pelo Espírito Santo assume a natureza humana e nasce de uma mulher na cidade de Belém, na região da Judéia. Por volta dos 30 anos de idade começa a difundir as idéias do cristianismo na região onde vivia.. Aos 33 anos, morreu na cruz e foi sepultado. Ressuscitou no terceiro dia e apareceu aos discípulos dando a eles a missão de continuar os ensinamentos. Os ideais de Jesus espalharam-se rapidamente pela Ásia, Europa e África, principalmente entre a população mais carente, pois eram mensagens de paz, amor e respeito. Os apóstolos se encarregaram de tal tarefa. A religião fez tantos seguidores que no ano de 313, da nossa era, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto. No ano de 392, o cristianismo é transformado na religião oficial do Império Romano. A primeira divisão ocorre no ano de 1054 entre aos católicos do Ocidente e os do Oriente, ocorrido por causa de um conflito sobre a autoridade suprema do papa. .No século 16 é a vez da Reforma que cria a igreja protestante liderada pelo monge alemão Martinho Lutero . As questões polêmicas na reforma foram o questionamento da autoridade do papa e sua infabilidade, a autoridade e acesso às escrituras e a venda de indulgências por parte da igreja. Desse movimento surgem os principais grupos protestantes, inicialmente os luteranos, e na seqüência, os calvinistas, anglicanos, adventistas, pentecostais e outros. Atualmente A Igreja Católica Apostólica Romana, com sede no Vaticano, se mantém como a maior das denominações cristãs, com aproximadamente 1,2 bilhão de fiéis enquanto os protestantes congregam aproximadamente 800 milhões de pessoas. No Brasil o censo do IBGE de 2000 indica a presença de 124 milhões de católicos e 30 milhões de evangélicos. Disciplina: Cultura Religiosa Prof.: Ademildo Kuhn

70 3. Fundamentos: De acordo com a fé cristã, Deus mandou ao mundo seu filho para ser o salvador (Messias) da humanidade. A principal idéia, ou mensagem, da religião cristã é a importância do amor divino sobre todas as coisas. Para os cristãos, Deus é uma trindade formada por : pai (Deus), filho (Jesus) e o Espírito Santo. Os cristãos acreditam que, durante sua vida, ele mostrou ao mundo como se reconciliar com Deus. Acredita-se ainda que se deve viver de acordo com o exemplo de Jesus Cristo: amar Deus, amar o próximo como a si mesmo e repartir a mensagem de Cristo com os outros. No cristianismo, acredita-se que ao morrer na cruz, Jesus trouxe o perdão de Deus a todo o que nele crê e ainda construiu uma ponte entre Deus e o ser humano. Essa ponte havia sido rompida com o advento do pecado de Adão e Eva, no início do mundo, que separou o ser humano de Deus. O cristão bíblico acredita em somente uma vida aqui na terra e outra que se chama vida eterna, após a morte. Caso tenha vivido de acordo com a vontade de Deus, o ser humano recebe a morada eterna no céu como recompensa, mas existe também a possibilidade de condenação a uma vida eterna no inferno em caso de desobediência à vontade de Deus. Cristãos evangélicos acreditam que a escolha entre o céu ou o inferno é feita ainda em vida: quem aceita Jesus como Salvador vai para o céu, quem o rejeita não. A figura de purgatório é inexistente para evangélicos, mas persiste em variadas correntes da igreja católica apostólica romana. Resumidamente, o principal fundamento doutrinário da fé crista, baseia-se no credo apostólico: Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Cristã , a comunhão dos santos , na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. A ética cristã está baseada nos 10 mandamentos: 1. Não terás outros deuses diante de mim; 2. Não farás para ti imagem de escultura, não te curvarás a elas e nem as servirás; 3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão; 4. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do seu Senhor teu Deus, não farás nenhuma obra; 5. Honra o teu pai e a tua mãe; 7. Não adulterarás; 8. Não furtarás; 9. Não dirás falso testemunho e nem mentirás; 10. Não cobiçarás a mulher do próximo, nem a sua casa e seus bens. O livro sagrado dos cristãos pode ser dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento. A primeira parte conta a criação do mundo, a história, as tradições judaicas, as leis, a vida dos profetas e a vinda do Messias. No Novo Testamento, escrito após a morte de Jesus, fala sobre a vida do Messias, principalmente. O símbolo mais comum é a cruz, que expressa a morte e ressurreição de Jesus, é usada pelos católicos e por algumas correntes protestantes mais tradicionais. Os principais ritos praticados entre os cristãos são: batismo, crisma ou confirmação,

71 eucaristia ou santa ceia . As festas religiosas mais celebradas são o Natal e a Páscoa. 4. Aspectos Gerais: a) O cristianismo é a religião com maior adeptos no universo; b) Os católicos crêem na primazia e autoridade do papa, que é tradicionalmente considerado representante de Cristo na Terra e sucessor de Pedro; c) A Bíblia é o livro mais lido e vendido no mundo; d) os pentecostais é o grupo entre os cristãos que mais cresce no Brasil; e) Palmas é considerada a capital dos evangélicos. 5. Bibliografia: KUCHENBECKER, Valter.(org). O Homem e o Sagrado. 5º Edição.Canoas: Ed. Da ULBRA, 1998 GAARDER, J. NOTAKER, H. HELLERN,V. O Livro das Religiões. São Paulo : Cia das Letras, 2000. NICHOLS, Robert H. História da Igreja Cristã. São Paulo, Ed Presbiteriana, 1981. FRANZ, Koning [org. por]. Léxico das religiões. Petrópolis, Vozes, 1998

Trabalho B:

Livros da Bíblia
1 - Temas: Livros do Antigo Testamento: • Gênesis • Exodo

Livros do Novo Testamento: João Atos Efesios Apocalipse

• • • Roteiro:

Rute Jó Provérbios Jonas

• • • •
1

Contexto: autor, data, destinatários, objetivo. Texto: fazer uma síntese abrangendo todo o conteúdo do livro. Mensagem: Relacionar a mensagem com realidade de hoje na vida pessoal, social, familiar, política , etc - que lições pode-se tirar do texto. Versículo-chave: relacionar apenas um versículo que mais chamou sua atenção, que o “tocou” ou que resume o livro. Obs : justificar a escolha na apresentação oral do trabalho.

- Normas

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• • • • Trabalho digitado e resumido em apenas 01 lauda; Cada acadêmico deverá providenciar 12 copias do seu trabalho que será distribuído aos colegas do grupo no dia da apresentação e mais uma um cópia original ao professor; Cada um deverá apresentar seu tema no mínimo em 15 e no máximo em 20 minutos;. Pontuação: 2,0 pontos: trabalho escrito, apresentação oral, presença e pontualidade.

Trabalho C: SEMINÁRIO SOBRE ÉTICA
Orientações: Leitura e analise critica e reflexão do capitulo 08 da apostila. Responder as questões abaixo ou resumir no caderno. - O acadêmico será abordado e argüido pelo professor em relação aos temas que deverão ser respondidas espontaneamente com base na leitura.

1. Questões básicas: 1.1 Características do ser humano 1.2 Conceito de Ética 1.3 Diferença entre ética social e ética religiosa 1.4 Fundamento da ética religiosa 2. Ética da vida: 2.1 Definição de vida 2.2 Quais os questionamentos em relação à : a) eugenia (clonagem); Eutanásia.

b) barriga de aluguel;

)

3. Ética do corpo: 3.1 O que determina a maturidade de uma pessoa 3.2 Sexualidade: a) em que aspectos o ser humano se diferencia do animal b) quais os aspectos mais importantes na sexualidade

73
3.4 O que é a prostituição e quais são suas implicações éticas 3.5 Quais as causas que levam as pessoas às drogas 4. Ética da família: 4.1 O que é família a partir da ética social e da ética religiosa 4.2 O que determina o bom e o mau ambiente do lar 4.3 Qual a finalidade do casamento 4.4 Que posicionamentos religiosos existem em relação ao divórcio 4.5 Que questionamentos éticos estão presentes no planejamento familiar 5. Ética em questões legais: 5.1 Quais os argumentos contra e a favor da pena de morte 5.2 Porque o aborto é uma questão legal e moral 5.3 Quais os argumentos contra e a favor ao aborto 5.4 Em que casos a legislação brasileira permite o aborto 5.5 Qual é a base de argumento da ética cristã contra o aborto 6 Ética e Política: 6.1 O que é política 6.2 O que é antiético na política 6.3 Como criar uma consciência de participação política na sociedade 6.4 Qual a relação da religião com a política 6.5 Posição ética luterana em relação a política e economia

Critérios de Avaliação • • • •
Coesão Didática Participação Pontualidade

ANEXO III – Textos bíblicos
Texto bíblico A:
HISTORIAS DO ANTIGO TESTAMENTO
Com o objetivo de conhecer e debater histórias, fatos e assuntos bíblicos do AT, com aplicações em nossa realidade, proponho essa atividade em grupo (1 ponto na nota de G1). Na primeira parte o grupo se reúne, faz a leitura bíblica e responde às questões. Num segundo momento faz-se o seminário sobre o tema, trazendo-o para a nossa realidade. 1 - História de Abraão, Sara e Hagar – Gênesis 16 e 21 a) Leiam a história do Antigo Testamento envolvendo Abraão, Sara, Hagar e Ismael que encontramos em Gênesis 16.1-16 e 21.1-21. Apresentem a história aos colegas. b) Que lições éticas podem ser tiradas dessa história? c) Analisam as atitudes de Sara nessa história dentro da ética? d) Quem, segundo o grupo, foi a grande “vítima” nessa história? Por que? e) Comentem o provérbio de Salomão em Provérbios 22.1 “O bom nome vale mais do que muita riqueza; ser estimado é melhor do que ter prata e ouro”. 2 - História de José – Gênesis 37 e 39.1-23 a) Leiam a história de José, com seus irmãos e depois no Egito como escravo, que encontramos em Gênesis 37.1-36 e 39.1-23. b) Relatem em poucas palavras a história para os colegas. c) O que na vossa opinião motivou a inveja dos irmãos e que os levou a vender José? Por que?

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d) Como vocês entendem e explicam a palavra“. o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José.” (39.5) e) Como vocês analisam a atitude de José recusando-se ser o amante da mulher de Potifar? f) Comentem o Provérbio de Salomão em Provérbios 22.6: “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” 3 - História de Davi com Bate-Seba – 2 Samuel 11.1 ate 12.25 a) Leiam e apresentem aos colegas a história de Davi, Bate-Seba, Urias e o profeta Natã que encontramos em 2 Samuel 11.1 até 12.25. b) Qual dos três primeiros personagens envolvidos na história teve atitudes éticas? Por que? c) Como vocês vêem a atitude do rei Davi com relação a Bate-Seba e seu marido Urias? d) Qual a importância da intervenção de Natã nessa história? e) Por que a Bíblia relata uma história tão chocante envolvendo o grande rei Davi? f) Comentem o provérbio de Salomão em Provérbios 21.9 e 19: “É melhor morar no fundo do quintal do que dentro de casa com uma mulher briguenta. É melhor morar no deserto do que com uma mulher que vive resmungando e se queixando. 4 – História de Absalão - 2 Samuel 13.1 ate 15.18 e 18.9-33 a) Leiam e falem aos colegas sobre a história de Absalão, filho do rei Davi em 2 Samuel 13.1-15,18; 18.933 b) Como vocês analisam a atitude de Absalão ao matar seu meio irmão Amnom? c) E sua atitude de ficar na entrada da cidade instigando o povo contra o rei, seu pai “e assim furtava o coração dos homens de Israel” (ver 15.2-6)? d) O 4º mandamento diz aos filhos: “Honra teu pai e tua mãe para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra”. Diante desse mandamento, o que acham do fim da vida de Absalão? e) Leiam e comentem o provérbio de Provérbios 13.24 “Quem não castiga o filho não o ama. Quem ama o filho castiga-o enquanto é tempo”. 5 - História de Jonas – ler o livro de Jonas a) Leiam e apresentem aos colegas da história de Jonas (ler Jonas 1-4) b) Quem era Jonas e qual a ordem que ele recebeu de Deus? c) O que levou Jonas a fugir do seu compromisso? d) Como vocês analisam o descontentamento de Jonas diante do arrependimento dos ninivitas? e) Leiam e comentem o provérbio de Provérbios 16.1 e 9 “As pessoas podem fazer os seus planos,porém, é o Deus Eterno quem dá a última palavra. A pessoa faz os seus planos, mas quem dirige a sua vida é o Deus Eterno” 6 - Sabedoria – ler Provérbios 2.1 ate 3.35 e 8.1 até 9.12 a) Leiam o texto de Provérbios 2.1-3.35 e 8.1-9-12 b) O que é “sabedoria” c) O que a sabedoria traz a quem a possui? d) Como vocês entendem e explicam o texto de Provérbios 3.9,10? e) O que implicam na nossa vida as palavras “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (9.10) f) Leiam e expliquem o sentido do provérbio de Provérbios 20.3 “Qualquer tolo pode começar um briga; quem fica fora dela é que merece elogios”. 7 - Tempo – ler sobre Eclesiastes 3.1 ate 5.7 a) Leiam e falem aos colegas dos assuntos abordados em Eclesiastes 3.1-5.7 b) O que o autor quer nos lembrar quando fala do “tempo”? c) O que vocês acham da frase “não ter tempo para Deus é viver perdendo o seu tempo”(anônimo)? d) O que querem nos ensinar nas palavras de 4.9-11? e) Qual o significado dos votos feitos a Deus? f) Leiam e comentem o provérbio de Provérbios 11.13 “O mexeriqueiro espalha segredos, mas a pessoa séria é discreta”. 8 - Vaidade ou Ilusão – Eclesiastes 1 e 2 Leiam com atenção o texto que fala de “vaidade ou ilusões” em Eclesiastes 1 e 2 e respondam as seguintes questões: a) O que a partir da leitura é “vaidade ou ilusão”? b) Como vocês acham que estava a vida do autor destas palavras?

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c) Expliquem o que o autor quer dizer com “vaidade ou ilusão das possessões”; “vaidade ou ilusão da sabedoria” e “vaidade ou ilusão do trabalho”. d) Leiam e comentem o provérbio de Provérbios 21.17 “Quem ama os prazeres passará necessidade; quem ama o vinho e a boa comida nunca ficará rico”.

Textos Bíblicos B:
HISTÓRIAS DO NOVO TESTAMENTO
1 – A parábola do fariseu e do publicano - ler Lucas 18.9-14 a. Representem ou encenem a parábola/comparação perante a turma b. Por que motivo Jesus contou essa parábola? c. Quais as lições éticas, morais e espirituais que ela nos ensina? d. Como vocês definem uma pessoa humilde. 2 – A parábola do bom samaritano - ler Lucas 10.25-37 a. Representem a parábola diante dos colegas b. Qual foi o principal motivo que levou Jesus a contar esta parábola? c. Quais as lições éticas e espirituais que a parábola nos ensina, dentro da nossa realidade diária? d. Como aplicar o “pois vá e faça a mesma coisa”(v,37) em nosso dia a dia? 3 – A parábola do rico e Lázaro - ler Lucas 16.14-31 a. Representem essa parábola diante dos colegas. b. Esta parábola tem como objetivo chamar a atenção dos fariseus(v.14), muito preocupados com as aparências. O que, segundo Jesus, é o mais importante para Deus? c. O que a parábola ensina sobre a vida após a morte? d. O que ela ensina sobre a Bíblia (Moisés e os Profetas – v.29,31) 4 – A parábola do filho pródigo – ler Lucas 15.1,2; 11-31 a. Representem as principais cenas da parábola. b. O que motivou Jesus a contar esta parábola? (v.1,2) c. Quais as lições éticas/espirituais que tiramos da atitude: 1) Do Pai; 2) Do filho mais moço; 3) Do filho mais velho 5 – A parábola das 10 Moças - ler Mateus 25.1-13 a. Representem a parábola diante dos colegas. b. Como a parábola usa como pano de fundo a festa de um casamento, qual o sentido ou importância das cerimônias civil e religiosa nos casamentos atuais? c. Quem são ou representam os personagens: 1)O noivo; 2) As 5 moças sem juízo; 3) As 5 moças ajuizadas. d. Que lições éticas/espirituais tiramos desta comparação, relacionados a necessidade de preparar-se para o encontro com Deus. 6 – A parábola do empregado mau - Mateus 18.21-35 a. Representem a parábola diante dos colegas b. Qual foi o motivo para Jesus contar esta parábola?(21,22) c. O que significa perdoar 70 x 7 (v.22) e o que Jesus quis ensinar através desta comparação? d. Quem representam os personagens: 1) Rei; 2) O empregado que devia milhões de moedas de prata; 3) O empregado que devia 100 moedas de prata. e. Que lições éticas e práticas podemos tirar desta comparação? 7 – A parábola do talentos – ler Mateus 25.14-28 a. Representem a parábola diante dos colegas. b. Na parábola o dono confiou a cada empregado um número diferente de talentos? Será que Deus faz o mesmo com as pessoas? Por que?

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c. Quando, na vossa opinião existe o “acerto de contas” do homem com Deus? O que Jesus quer ensinar quando fala dos dois primeiros empregados que ganharam o dobro do que receberam e foram elogiados pelo dono, enquanto o 3º escondeu o que ganhou, foi repreendido e ainda lhe tiraram o que recebeu? Que lições éticas podemos tirar dessa parábola no que diz respeito a dons, capacidades, responsabilidade, etc?

d.
e.

8. A parábola do homem rico sem juízo – ler Lucas 12.13-21 a. Representem a parábola diante dos colegas. b. Por que Jesus contou esta parábola? Qual foi a motivação? c. Quais sãos as lições éticas e espirituais que esta parábola ensina quanto ao uso e aquisição dos bens materiais? d. Qual é, segundo Jesus, o grande tesouro do ser humano?

e.

Como vocês vêem essa parábola diante de Mateus 6.33 “Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e as outras coisas vos serão acrescentadas”

9. A parábola do Juiz iníquo – Lucas 17.1-8 a. Conte a parábola para os seus colegas b. Qual a principal lição da parábola ? c. O que é a oração ? como devemos orar ? d. Podemos pedir tudo a Deus ? e. Procure outros versículos e frases que falam da importância da perseverança e da oração. f. você seria capaz de escrever uma oração modelo que diz respeito a vida na Universidade? (Se fizer, distribua aos colegas)

AVALIAÇÃO SEMESTRAL
Estimado(a) acadêmico(a): depois de um semestre juntos, é importante que avaliemos alguns aspectos da disciplina em relação ao conteúdo, ao professor e ao seu desempenho. Contamos com a sua colaboração. Curso: ___________________________________ 2008.1

C - Concordo ;

I - Indeciso ou sem opinião;

D - Discordo;
C I D

QUESTÕES 01. As aulas de Cultura Religiosa foram importantes para minha formação. 02. Sempre aprendi coisas interessantes na disciplina de Cultura Religiosa. 03. Nas aulas de Cultura Religiosa tive a oportunidade de refletir sobre aspectos da minha vida. 04. As aulas de Cultura Religiosa me ajudam a enfrentar alguns problemas do dia-a-dia. 05. O estudo sobre a cultura, religião e ética abordou temas de muita importância. 06. As aulas de CR são importantes para amadurecimento espiritual e a formação ética do acadêmico. 07. Não vejo utilidade e nem aplicação prática no que se ensina em Cultura Religiosa. 08. Observei a freqüência às aulas de Cultura Religiosa apenas para passar na disciplina. 09. Penso que Cultura Religiosa é uma disciplina tão importante quanto as outras. 10. Tinha uma impressão negativa antes de iniciar a disciplina e tenho agora uma visão positiva. 11. Participei das aulas de Cultura Religiosa apenas porque “fui obrigado”. 12. A disciplina de Cultura Religiosa não influiu, positivamente, no meu modo de pensar e viver. 13. Tive o prazer em estudar Cultura Religiosa. 14. O tempo que gastei com o estudo de CR poderia ser mais bem aproveitado no estudo de outra disciplina. 15. Tive a oportunidade de conhecer mais a Bíblia Sagrada nas aulas de Cultura Religiosa. 16. Penso que não faz muita diferença conhecer os ensinos da Bíblia Sagrada. 17. Quanto as aulas, o professor mostrou conhecimento e competência na área. 18. O professor da disciplina de Cultura Religiosa mostrou convicção naquilo que ensina.

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19. O professor explica com clareza, objetividade e coerência os conteúdos. 20. As técnicas de aprendizagem empregadas em sala nas aulas de Cultura Religiosas foram desmotivadoras. 21. O professor conduziu as aulas com disciplina e respeito aos alunos. 22. O professor manteve um bom relacionamento com todos os acadêmicos. 23. As avaliações (provas e trabalhos) tiveram critérios claros e corresponderam os conteúdos estudados. 24. Fiz a minha parte na disciplina através da freqüência e participação nas aulas.

Dê uma nota de 0 a 10:
A disciplina de CR Ao professor Sua participação Conteúdo aprendido

Considerações:____________________________________________________________

________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________

CONCLUSÃO

Estimado(a) acadêmico(a): assim chegamos ao final do semestre e o fechamento da disciplina de Cultura Religiosa. Esperamos que você tenha gostado e aproveitado bem o conteúdo e as aulas. Da nossa parte deixamos um forte abraço e colocamo-nos a sua disposição para conversar sobre qualquer um dos assuntos abordados e também sobre outras questões da sua vida pessoal e acadêmica.

Como colocamos no inicio do semestre, não há nenhum objetivo tendencioso ao se oferecer essa disciplina em um currículo universitário. Ela corresponde ao principio filosófico que a instituição deseja ver imprimido na formação e futuramente na atuação profissional do seu acadêmico. Isso resume-se na perspectiva de que o mesmo desperte para sua vida espiritual, conheça o verdadeiro Deus revelado em Jesus Cristo, tenha uma escala de valores que traga sentido a sua vida, e sob a ótica da fé ativa no amor, faça a diferença no exercício da sua cidadania.

A Pastoral Universitária e o professor da disciplina desejam que Deus o abençoe ricamente em toda a sua trajetória dentro e fora dessa instituição. Deixamos aqui uma oração que foi escrita no IV século conhecida como a Benção da Igreja Antiga com o intuito que ela seja estendida a você em toda a sua existência: “O senhor esteja diante de ti para mostrar-te o caminho certo; O senhor esteja ao teu lado para abençoar-te; O Senhor esteja atrás de ti para guardar-te das traições das pessoas más; O Senhor esteja debaixo de ti para segurar-te quando caíres, e para tirar-te da armadilha; O Senhor esteja dentro de ti para dar-te esperança quando estiveres triste; O senhor esteja em torno de ti

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para defender-te quando te atacarem; o Senhor esteja sobre ti para abençoar-te. Assim te abençoe o bondoso Deus (autor desconhecido).

Prof. Ademildo Kuhn

“buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas outras cousas vos serão acrescentadas” Mt 6.33

CONTATO PROF ADEMILDO KUHN Telefone: 99666579
Email: Kuhn@ulbra-to.br

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