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NEOPLASIAS
NEOPLASIAS

1. INTRODUÇÃO

• neo = novo e plasia = crescimento

• sinônimos = tumor (inicialmente utilizado nos processos inflamatórios → edema)


câncer (termo mais utilizado p/ tumores malignos)
neoplasmas

• oncologia = ciência que estuda os tumores

2. DEFINIÇÃO DE NEOPLASIA

• embora todos médicos saibam o que é neoplasia, o termo é de difícil definição


• várias definições ao longo do tempo, desde 1872.

• definição segundo Sir Rupert Willis

" neoplasia é uma massa tecidual anormal, cujo crescimento é excessivo,


descontrolado em relação ao tecido normal. O crescimento persiste da mesma
maneira excessiva após o término do estímulo que induziu a alteração. "

• a essa caracterização, podemos acrescentar que a massa anormal não apresenta função
alguma (inútil), parasita o hospedeiro (compete com o suprimento energético e
nutricional) e é virtualmente autônomo (massa cresce em pacientes caquéticos)

3. CLASSIFICAÇÃO DAS NEOPLASIAS

• 2 bases de classificação dos tumores

1. histogênese ⇒ tipo celular que originou e compõe o tumor


2. comportamento biológico ⇒ benignos
malignos
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• classificação histogenética

- baseada no tipo celular ou tecido específico que originou e compõe o tumor


- tumores podem se originar a partir de qualquer tipo celular
- importante identificar o tecido que originou o tumor, pois o comportamento
biológico, tratamento e prognóstico podem ser bastantes diferentes
- geralmente os tumores são classificados como tendo origem epitelial ou
mesenquimal

• classificação quanto ao comportamento biológico

- tumores benignos = menos inofensivos ao hospedeiro


malignos = oferecem risco à vida do hospedeiro
- importante a determinação do comportamento biológico do tumor para o
prognóstico e tratamento

4. NOMENCLATURA DOS TUMORES

• baseada no componente do parênquima que constitui a massa tumoral

• tumores benignos
- sufixo OMA ⇒ lipoma, fibroma, angioma

- arquitetura microscópica:
adenoma = neoplasia epitelial benigna que apresenta modelo glandular ou tumor
derivado de glândula (sem necessaria/e apresentar padrão glandular)
papiloma = projeções em forma de dedo (aspecto macro ou micro)

• tumores malignos
- sufixos ⇒ SARCOMA = origem mesenquimal
CARCINOMA = origem epitelial

- sarcoma : grego "sar"= mole (pouco tecido conectivo)


fibrossarcoma, lipossarcoma, rabdomiossarcoma, leiomiossarcoma
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- carcinoma:
espinocelular, mamário
adenocarcinoma = modelo de crescimento glandular
* VER QUADRO 4 ( Pág. 138 )

5. DIFERENCIAÇÃO ENTRE O TUMOR BENIGNO E MALIGNO

• 4 critérios básicos para diferenciação:

1. diferenciação e anaplasia
2. taxa de crescimento
3. invasão local
4. metástase

5.1 - Diferenciação e Anaplasia

- diferenciação = grau de semelhança das células parenquimais neoplásicas com as


células normais, tanto morfologicamente quanto funcionalmente.
- célula indiferenciada ⇒ proliferação ⇒ diferenciação ⇒ células especializada
- Ex: célula mesenquimal → diferenciação → osteoblastos → osteócitos (osso)
condroblastos → condrócitos (cartil.)
fibroblastos → fibrócitos (TC)

- tumor bem diferenciado ⇒ formado por células que se assemelham às células


normais maduras do tecido de origem da neoplasia e podem elaborar produtos
característicos das células normais
- tumor pouco diferenciado (indiferenciado) ⇒ possuem células não especializadas,
que parecem primitivas
- geralmente os tumores benignos ⇒ mais diferenciados
malignos ⇒ indiferenciados
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- anaplasia

- ausência de diferenciação das células tumorais (grau de desdiferenciação)


- literalmente significa "formar p/ trás"

- caracterizada por várias alterações morfológicas e funcionais:

1. pleomorfismo celular
células com tamanho e formas variadas
quanto maior grau de pleomorfismo ⇒ > anaplasia

2. relação núcleo/citoplasma (N/C)


célula normal ⇒ N/C = 1/4 a 1/6
célula neoplásica ⇒ N/C = 1/1

3. cromatina nuclear
célula normal ⇒ cromatina mais dispersa
célula neoplásica ⇒ hipercromatose (cromatina condensada e
distribuída junto ao envoltório nuclear)

4. nucléolos
revelam a atividade sintética da célula
células neoplásicas ⇒ nucléolos bem evidentes e acidófilos (1 ou +)

5. figuras de mitoses
geralmente as neoplasias malignas ⇒ mitoses elevadas
(atípicas/bizarras)

5.2 - Taxa de crescimento

• fatores que influenciam o crescimento do tumor:

- suprimento sanguíneo e nutrição


- resposta imune do hospedeiro
- fatores endócrinos

• neoplasias benignas ⇒ taxa crescimento mais lenta


malignas ⇒ taxa cresciemnto mais rápida
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5.3 - Invasão local

• neoplasias benignas ⇒ crescimento expansivo


malignas ⇒ crescimento infiltrativo, invasivo ("raízes")

• mecanismos
1. pressão física
2. maior motilidade das células tumorais
3. perda da inibição por contato das células
4. diminuição da adesão/coesão das células tumorais
5. liberação de enzimas destrutivas

5.4 - Metástases

• características de neoplasias malignas


• principais causas de morbidade e mortalidade
• definição ⇒ crescimento secundário da neoplasia num sítio distante do crescimento
primário

DIFERENCIAÇÃO ENTRE TUMOR BENIGNO E MALIGNO

CRITÉRIOS BENIGNO MALIGNO

1. Anaplasia pouco acentuado bem acentuado


2. Invasão < > (variável)
3. Metástases ausente presente ou não
4. Velocidade crescmento lenta rápida
5. Capacidade crescimento crescer, regredir ou estacionar sempre rápido
6. Modo crescimento expansivo infiltrativo, invasivo
7. Presença de cápsula geral/e presente não
8. Estroma abundante variável
9. Recidivas raras frequentes
10. Necroses + +++
11. Hemorragias + +++
12. Significado clínico perigoso devido perigoso
- posição - cresc. infiltrativo
- complicações acidentais - cresc. progressivo
- excesso prod. hormônios - metástases
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6. MECANISMOS DE INVASÃO E METÁSTASES DOS TUMORES

• invasão e metástases são características biológicas de tumores malignos


• principais causas de morbidade e mortalidade
• objetos de intensas pesquisas

• para a formação de um crescimento secundário de uma massa tumoral distante do foco


primário é necessário uma sequência de etapas:

1. desprendimento de células tumorais da massa primária


2. penetração em vasos sangüíneos e linfáticos
3. disseminação pela corrente circulatória
4. produção de crescimento secundário num sítio distante ( Figura 37)

6.1 - MECANISMOS ENVOLVIDOS NA METÁSTASE TUMORAL


(CASCATA METASTÁTICA)

1. célula transformada
2. expansão clonal (crescimento e diversificação) ⇒ tumor primário
3. tumor primário = população heterogênea de células tumorais → somente uma população
seleta tem a capacidade de se destacar do tumor primário (tumor = vários subclones
com graus variados de potencial metastático)
4. subclone metastático ⇒ adesão e invasão da membrana basal
5. atravessam a matriz extracelular (MEC) (Figura 38)
6. intravasão = invadem a parede do vaso
7. circulação ⇒ células tumorais interagem com células imunes do hospedeiro (linf.)
plaquetas aderem à massa tumoral
8. êmbolos tumorais
9. adesão das células tumorais à membrana basal do vaso
10. extravasão = saída do vaso ⇒ células tumorais no tecido
11. tumor metastático
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• transformação da célula ⇒ a maioria dos tumores é originada de um clone ou seja,


é derivada da proliferação de uma única célula transformada

• heterogenicidade das células tumorais:


- massa tumoral é constituída por células heterogêneas com potencial diferenciado
quanto a capacidade invasiva, taxa crescimento, resposta a hormônios e
susceptibilidade a drogas
- ocorre devido a mutações espontâneas (células instáveis geneticamente)
- muitas vezes quando o tumor primário é detectado, o paciente pode conter vários
subclones com potencial metastático

• células tumorais devem penetrar a MEC em vários estágios da cascata metastática

• células tumorais metastáticas ⇒ aderir


degradar
atravessar → MEC

➔ Composição da MEC
1. membranas basais
- colágeno tipo IV
- glicoprots. específicas ⇒ laminina
proteoglicana sulfato de heparan

2. tecido conectivo intersticial


- colágeno tipo I e tipo III (exceção da cartilagem : tipo II)
- proteoglicanas
- glicoproteínas (fibronectina)

 membrana basal ⇒ separa células endoteliais/epiteliais do tecido conectivo intersticial


 laminina ⇒ "cola"que mantém junto a membrana basal
alta afinidade com proteoglicanas e colágeno tipo IV
 fibronectina ⇒ principal proteína responsável pela adesão ao tecido intersticial
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6.2 - ETAPAS DA INVASÃO DAS CÉLULAS TUMORAIS :

1. Aderência das células tumorais aos componentes da MEC

a) mecanismos de adesão à laminina:

 células cancerosas apresentam ↑ n0 de receptores na superfície para laminina


 células tumorais secretam grandes quantidades de laminina que se ligam aos
receptores presentes nas células tumorais ⇒ formando uma ponte entre a célula
tumoral e a membrana basal

b) mecanismos de adesão à fibronectina:

 receptores na superfície das células tumorais reconhecem uma sequência de aa ⇒


RGD (Arg-Gly-Asp) ⇒ peptídeos sintéticos contendo essa sequência ⇒ bloqueiam a
adesão das células tumorais à fibronectina ⇒ inibindo as metástases pulmonares

2. Degradação da MEC

a) degradação das membranas basais


⇒ colagenases tipo IV, glicosidases, proteinases não específicas (elastase, catepsinas,
plasmina)
⇒ plasmina ⇒ importante papel na invasão tumoral
ativação da colagenase tipo IV

b) degradação dos colágenos intersticiais (tipo I e III)


⇒ colagenases intersticiais → degradação dos componentes da MEC → produtos da
clivagem → atividade quimiotática, angiogênicas e promotor de crescimento

3. Migração das células tumorais através da MEC

• células malignas são menos coesivas que as células normais (mais separadas) →
mais móveis

• locomoção ⇒ quimiotaxia (fragmentos da MEC)


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6.3 - DISSEMINAÇÃO VASCULAR E DEPOSIÇÃO DAS CÉLULAS TUMORAIS

• circulação ⇒ células tumorais são vulneráveis à resposta imune do hospedeiro


• células tumorais ⇒ aglomerados celulares (êmbolos)
• agregados de células tumorais e plaquetas ⇒ proteção ao ataque de células
linfóides ⇒ aumentando a sobrevivência e implantabilidade tumoral
• modelos experimentais: ↓ plaquetas → ↓ metástases pulmonares

• sítio de crescimento secundário

- células tumorais circulantes abandonam os capilares → depósitos secundários


- distribuição das metástases ⇒ vias naturais de drenagem e interação com receptores
- carcinomas ⇒ disseminação através vasos linfáticos
- sarcomas ⇒ disseminação através vasos sangüíneos
- pulmão e fígado ⇒ > frequência de metástases ⇒ sangue das vv. cavas → pulmão
da área portal → fígado

7. ETIOPATOGENIA DOS TUMORES

• grande número de agentes → transformação de células

• agentes indutores de tumores podem ser agrupados em 3 categorias:

1. carcinógenos químicos
2. energia radiante
3. vírus oncogênicos

• todos agentes etiológicos citados afetam a função de 2 classes de genes reguladores

1. proto-oncogenes
⇒ promovem o crescimento celular
⇒ precursores dos genes do câncer

2. anti-oncogenes
⇒ genes supressores ou inibidores do crescimento
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⇒ genes supressores dos cânceres

- esses genes são componentes normais do genoma celular e seus produtos têm
importante ação na regulação fisiológica do crescimento das células

7.1 - CARCINÓGENOS QUÍMICOS

• 200 anos atrás ⇒ cirurgião londrino, Sir Percival Pott relacionou o câncer da pele da
bolsa escrotal com os limpadores de chaminés, devido à exposição crônica à fuligem →
recomendou banhos diários aos limpadores de chaminés

• 1915 ⇒ Yamagiwa e Tchikawsa através da aplicação repetida de alcatrão da hulha


induziram o aparecimento de câncer na orelha de coelho

• Kimnaway e Cook ⇒ extraíram 50 g de 3,4-benzopireno de 2 toneladas de alcatrão cru


e comprovaram a carcinogenicidade dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos

• PATOGÊNESE DA CARCINOGÊNESE QUIMÍCA

- envolve uma sequência de múltiplas etapas

- 2 fases da carcinogênese química

a) iniciação
b) promoção

- iniciador ⇒ alteração permanente do DNA das células = transformação celular


sozinho não é suficiente para o desenvolvimento do tumor

- promotor ⇒ pode induzir a formação do tumor em células iniciadas


(transformadas)
não são tumorigênicas por si só
alterações reversíveis
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- tipos de carcinógenos químicos

1. carcinógenos completos ⇒ iniciação e promoção


2. carcinógenos incompletos ⇒ induz somente a iniciação

 exemplos de carcinógenos químicos:

- aditivos, preservantes e flavorizantes alimentares


- corantes para marcar carne e frutas
- grãos de alimentos contaminados por pesticidas e micotoxinas
- fungicidas em frutas
- corante de manteiga
- corante vermelho escarlate (cerejas marasquino)
- adoçantes artificiais: sacarina e ciclamatos em doses elevadas
- nitritos= preservação de alimentos
- hidrocarbonetos policíclicos ⇒ carnes e peixes defumados, carnes grelhadas,
combustão de tabaco
- aminas aromáticas e corantes azo → câncer de bexiga
- aflatoxina e carcinoma hepático ⇒ Aspergillus flavus → aflatoxina
rações mofadas, contaminação de grãos e amendoins
- dietilbestrol → tumores genitais em humanos
anos 40 → prescrito para mulheres ameaçadas de aborto → adenocarcinomas
utilizado engorda do gado → potencial carcinogênico = tumores mamários

7.2 - CARCINOGÊNESE POR RADIAÇÃO

• fonte ⇒ luz solar, R-X e fissão nuclear

• energia radiante é oncogênica ⇒ alterações cromossômicas, translocação, pontos de


mutação, alteração de proteínas e inativação de enzimas

• possíveis mecanismos:

1. radiação ioniza diretamente macromoléculas celulares essenciais


2. teoria indireta ⇒ produção de RL → lesão celular
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• mutação induzida pela radiação depende de vários fatores :

a) qualidade da radiação
b) dose
c) reparo do DNA
d) fatores do hospedeiro

• mutação induzida pela radiação → pode ativar proto-oncogenes

7.3 - ONCOGÊNESE VIRAL

• grande número de vírus oncogênicos para humanos e animais

• vírus oncogênicos ⇒ 2 classes ⇒ DNA vírus


RNA vírus

• ambos os tipos de vírus interagem com o DNA da célula → transformação → neoplasia

7.3.1 - RNA vírus

- vírus oncogênicos ⇒ família retroviridae (retrovírus)

- material genético = RNA

- enzima transcriptase reversa → transcrição do RNA viral → DNA específico viral


→ integra ao genoma celular → replicação junto com o ciclo celular

- transcrição = cópia da mensagem genética do DNA em RNA m (ocorre no


nucléolo)
- translação = leitura da mensagem no RNAm pelos polissomos → síntese de
polipeptídeos

- genoma dos retrovírus ⇒ 3 classes de genes

a) gag → síntese de virion


b) pol → síntese de transcriptase reversa
c) env → síntese de glicoproteínas do envelope ligadas em cada lado pela
LTR (repetição terminal longa) → síntese de RNA viral
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 retrovírus de transformação aguda

- vírus ⇒ indução rápida de tumores nos organismos afetados

- vírus que apresentam replicação defeituosa ⇒ perda de genes que foram substituídos
por nova sequência de genes ⇒ responsáveis pela capacidade de transformação
(genes causadores de tumores) ⇒ v-oncs

- origem do v-oncs

- sequência dos v-oncs são quase idênticos à sequência encontrada no DNA da


célula normal (proto-oncogenes) em quase todas as espécies

- v-oncs = representam cópias de proto-oncogenes da célula normal que foi


capturada pelo genoma viral durante o processo de replicação viral

- proto-oncogenes estão presentes em todas as espécies da escala evolutiva, sugerindo


um papel essencial provavelmente na diferenciação e regulação da
proliferação celular

- proto-oncogenes e oncogene celular são muitas vezes utilizados como sinônimos,


mas na realidade são 2 termos distintos:
proto-oncogene = sequência de gene celular que não são oncogênicos no seu
estado fisiológico, mas podem originar ou se transformarem genes
causadores de câncer → oncogenes

- mecanismos de transfomação maligna para v-oncs

- durante a transdução (proto-oncogene → v-onc) ⇒ podem ocorrer mutações ⇒


neoplasia

- transdução permite introdução de proto-oncogene na proximidade de potentes


promotores retrovirais → persistente expressão desse gene → crescimento
descontrolado
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 retrovírus de transformação lenta

- não apresentam oncogenes e apresentam replicação normal

- mecanismo de indução de neoplasia


mutagênese insercional ⇒ DNA proviral é quase sempre integrado próximo ao
proto-oncogene ⇒ promotor viral ⇒ alteração estrutural e expressão exacerbada dos
proto-oncogenes (c-onc)

7.3.2 - DNA vírus

• associado à vários tipos câncer

• mecanismos de ação

- células permissivas = replicação viral é completa → morte celular/liberação de


novos vírus → células não sofrem transformação

- células não permissivas = não permitem a replicação viral completa → podem


sofrer transformação neoplásica

- células não permissivas → DNA vírus oncogênicos geralmente formam associações


estáveis com o genoma do hospedeiro (integração do DNA viral nos cromossomos
da célula)

- maioria dos DNA vírus → somente as porções do genoma são transcritas


inicialmente no ciclo de vida viral : essenciais para transformação

PATOGÊNESE DO CÂNCER

Fatores ambientais e genéticos ⇒ alterações no genoma das células somáticas ⇒ ativação


de proto-oncogenes ou inativação de anti-oncogenes ⇒ expressão de produtos genéticos
alterados e perda de produtos genéticos regulatórios ⇒ expansão clonal, mutações
adicionais e heterogenicidade → neoplasia maligna.
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8 - EFEITOS CLÍNICOS DA NEOPLASIA

• Efeitos ⇒ locais
sistêmicos

• Efeitos locais

- neoplasias ⇒ expansão → pressão nos tecidos normais circunjacentes



dor, isquemia e bloqueio dos vasos linfáticos
obstrução de luzes e sistemas de ductos

• Efeitos sistêmicos

• Caquexia

- estágios terminais da doença neoplásica


- causas: anorexia (depressão dos centros de apetite no cérebro)
citocinas (macrófagos ativados → TNF-α ou caquexina → mobilizam TG
dos adipócitos)
- células neoplásicas → enzimas tumorais → células captadoras de aa essenciais

• Hipoglicemia

- característica dos tumores das células da ilhota pancreática → insulina


- outras neoplasias epiteliais, mesenquimatosas e hematopoéticas
- ocorre geralmente nos estágios finais de neoplasia disseminada, mas também nos
estágios inicias
- sinais clínicos ⇒ inquietação, fraqueza, tremores e episódios de colapso e
convulsões

• Anemia

- comum nas doenças neoplásicas metastáticas


- causas ⇒ invasão do tumor → hemorragia
- redução da eritropoese (invasão da medula óssea e destruição do tecido
hematopoético, supressão da eritropoetina nos rins)
- fragmentação eritrocítica (anemia hemolítica microangiopática =
hemólise em vasos anormais dos tumores)
- ativação do SMF ⇒ hiperesplenismo → remove excessivamente as
hemácias sangüíneas
- anemias ferroprivas associadas a doenças inflamatórias
- quimioterapia → anemia ñ regenerativa
- neoplasias linfoproliferativas → anemias auto-imune
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- contrastando com a supressão dos eritrócitos, as células tumorais → policitemia


(secreção de eritropoetina = neoplasias renais humana)

• Defeitos da coagulação

- trombocitopenia: comum nas leucemias virais e síndromes linfoproliferativas


causas: supressão da atividade da medula óssea
várias vezes → auto-imune

- trombose: ocorre em tumores grandes


local nos tumores sólidos
causas ⇒ - células neoplásicas → adesão/agregação plaquetária
→ liberação fatores procoagulantes
- endotelialização incompleta dos capilares dos tumores
- grande quantidade procoagulantes → CID → obstrução do
glomérulos → morte

• Hipercalcemia

- complicação de muitos tumores, sendo letal em alguns deles


- causas ⇒ metástases osteolíticas de tumores sólidos com excesso de reabsorção
óssea e liberação excessiva de Ca
- células tumorais → secretam peptídeos que imitam hormônios paratireoideanos →
aumentam atividade dos osteoclastos

• Pseudohiperparatireoidismo

- resulta da secreção de peptídeos com atividade semelhante à do hormônio


paratireoideano
- conseqüências ⇒ hipercalcemia persistente
hiperfosfatemia, hiperplasia das células C da tireóide e atrofia da
paratireóide
- associado a carcinomas da glândula mamária, fibrossarcomas, linfomas e
adenocarcinomas

• Síndromes dos hormônios ectópicos

- células neoplásica ⇒ sintetizam proteínas → espaços intercelulares


- secreção de peptídeos → imitam hormônios → síndromes de importância clínica
- exemplos: vasopressina
renina → hipertensão, hipercalemia e hiperaldosteronismo
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• Síndrome de Zollinger-Ellison

- associada a tumores do pâncreas que não são de células β


- células tumorais → secretam polipeptídeo com atividade semelhante à gastrina →
sinais clínicos → diarréias, vômito, perda de peso, hipersecreção de ácido gástrico
- ⇒ úlceras do estômago e esôfago, enterite com atrofia das vilosidades, hipertrofia
da mucosa gástrica e proliferação das células C da tireóide

• Diarréia

- neoplasia disseminada ⇒ diarréia prolongada que não responde à terapia de rotina


- câncer terminal está associado às infecções bacterianas e por protozoários
(tratamento imunossupressor)
- tumores do intestino → pode: diarréia (nãomuito comum)
- células tumorais → secretar peptídeos intestinais vasoativos → diarréia

• Febre

- algumas células tumorais → pirogênicos


- comum nos pacientes com neoplasias disseminadas avançadas
- mais comum como resultado de doença inflamatória ou bacteriana complicadora

9 - IMUNOLOGIA TUMORAL

• célula neoplásica ⇒ desenvolve proteínas novas nas membranas superficiais ⇒ atuam


como antígenos tumorais → evocam resposta imune

• antígenos tumorais

1. Antígenos fetais

- células tumorais em desdiferenciação → ativação de genes que controlam a


produção desses antígenos
- fetoproteína-alfa ⇒ produzida no fígado durante vida fetal → após nascimento
decai a níveis indetectáveis (inativação dos genes controladores) → transformação
neoplásica → hepatócitos podem produzir novamente esta proteína fetal →
detecção circulação → diagnóstico do câncer hepático

2. Antígenos de diferenciação

- apenas em células que seguem uma via particular de diferenciação celular


- todos linfócitos derivados do timo portam antígenos de diferenciação da mesma
forma que os tumores linfóides originados destas células
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3. Antígenos virais

-relacionado com vírus da leucemia, aparece nas células malignas linfóides


-expressão desses antígenos de superfície → única evidência da presença de vírus
(virions desaparecem quando o material genético é incorporado no DNA da
célula hospedeira)

• RESPOSTA IMUNE

• Inata

- primeira barreira de defesa


- resposta inespecífica e não apresenta memória
- representada pela ação de macrófagos, neutrófilos e natural killer (NK)

• Adaptativa

- ativada quando o agente ultrapassa a barreira do sistema imune inato


- caracterizada pela especificidade e capacidade de memória
- representada pela ação de linfócitos T e B
- resposta imune ⇒ humoral → Anticorpos (linfócitos B → plasmócitos)
celular → células imunocompetentes (linfócitos T)

• macrófagos

- lise de células tumorais ⇒ liberação de fatores citolíticos


a) citocinas (TNF- α )
b) enzimas
c) metabólitos do oxigênio

• NK

- células assassinas, representa uma população de linfócitos imaturos que surgem no


fim do período neonatal e decaem com avanço da idade

- citotoxicidade ⇒ receptores para antígenos tumorais → lise células tumorais


dependente de anticorpos → receptores para fragmento Fc
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- atividade acentuada / aumentada nos pacientes deficientes de linfócitos T, estando


diminuída em algumas doenças linfoproliferativas

• resposta imune humoral

• Linfócitos B → receptores que se combinam com antígenos tumorais →


diferenciação → plasmócitos → Anticorpos ⇒ ativação do sistema C → lise tumoral

• resposta imune celular

• Linfócitos T ⇒ reconhecimento de antígenos tumorais (células apresentadoras de


antígenos) → liberação de linfocinas → estimulam a diferenciação de linfócitos B
em plasmóticos, estimulam a atividade de NK e
ativam macrófagos

• cooperação entre os 2 tipos de resposta imune

10 - GRADAÇÕES E ESTADIAMENTO

• Gradação : grau de diferenciação das células tumorais e número de mitoses dentro


do tumor como supostos correlatos da agressividade do neoplasma.
⇒ Classificados como de graus I a IV com aumento de anaplasia

• Estádio : tamanho, extensão e presença de metástases nos nódulos linfáticos e


presença ou ausência de metástases sistêmicas ou sangüíneas


UICC ( Union Internationale Contre Cancer )


Sistema TNM, onde :

T: tumor → tamanho ( T1 a T4 )
N: envolvimento de nódulo linfático regional ( N1 a N3 )
M: metástases ( M0 a M2 )
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ROTEIRO DE ESTUDO

1. Explique como é realizado a classificação das neoplasias.


2. Explique como é realizado a nomenclatura das neoplasias.
3. Quais critérios são utilizados na diferenciação das neoplasias ?
4. O que diferencia neoplasias diferenciadas e indiferenciadas ?
5. Defina anaplasia e cite as suas características celulares.
6. Cite os fatores envolvidos na taxa de crescimento das neoplasias.
7. Baseado em 10 critérios, diferencie neoplasias benignas de malignas.
8. Cite resumidamente as etapas envolvidas na disseminação de uma neoplasia.
9. Explique a heterogenicidade das células tumorais.
10. Qual o papel da matriz extracelular nas metástases ?
11. Explique a importância da laminina e fibronectina na cascata metastática.
12. Qual o papel desenvolvido pela plasmina na cascata metastática ?
13. Qual a influência das plaquetas na cascata metastática ?
14. Quais as grandes categorias de agentes etiológicos das neoplasias ?
15. Qual o papel desenvolvido pelos proto-oncogenes, no desenvolvimento da
neoplasia ?
16. O que são anti-oncogenes ?
17. Explique as duas fases da patogenia da carcinogênese química.
18. Cite os fatores envolvidos no desenvolvimento de uma neoplasia por
radiação.
19. Diferencie um proto-oncogene dos oncogenes.
20. Explique resumidamente a patogênese das neoplasias malignas.
21. Que efeitos clínicos locais uma neoplasia pode induzir ?
22. Cite os tipos de resposta imune, um paciente portador de neoplasia pode
apresentar e suas principais diferenças.
23. Qual a diferença da atuação de linfócitos T e linfócitos B, na resposta imune, em
pacientes portadores de neoplasias ?
24. Defina, em relação à histogênese e comportamento biológico, as seguintes
neoplasias : Sarcoma osteogênico, Carcinoma hepatocelular, Cistadenoma,
Coriocarcinoma, Seminoma, Fibroadenoma, Teratocarcinoma, Lipoma,
Rabdomioma e Leucemias.