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Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE mortalidade, graças a medidas sanitárias eficazes,


DISCIPLINA: GEOGRAFIA DO BRASIL campanhas de saúde pública e a cesso a medicamentos por
PROFESSORA: ANA PAULA boa parte da população. Taxas de natalidade permaneceram
altas. A partir da década de 1960, houve um declínio da
POPULAÇÃO natalidade. Este declínio está vinculado aos novos padrões
de comportamento da população quanto à procriação,
Taxa de natalidade: é a relação entre o nº de nascimentos derivados da urbanização ocorrida com o desenvolvimento
ocorridos num determinado ano e o total de habitantes industrial e o êxodo rural.
existentes nesse mesmo período num país.
Gravidez na adolescência e morte de homens pela
Taxa de mortalidade: é a relação entre o nº de pessoas violência.
que morrem num ano e o total da população existente nesse
mesmo período num país. DISTRIBUIÇÃO POPULACIONAL NO PAÍS
Crescimento natural ou vegetativo: é a diferença entre a
taxa de natalidade e a taxa de mortalidade de uma
população num certo período de tempo. A ocupação da faixa litorânea deve-se essencialmente a
fatores da nossa história, pelas ligações realizadas com
População Economicamente Ativa (PEA): é aquela que o exterior, face à dependência externa.
produz riqueza e é composta, em sua maioria, por adultos
(entre 15 e 64 anos) e que, através da renda com o seu A evolução econômica do país, especialmente a partir
trabalho, seja ele formal ou informal, sustenta a economia dos governos de Vargas, modificou bastante este
nacional. quadro.

Taxa de fecundidade: nº de filhos por mulher. Embora as grandes concentrações ainda correspondam
às áreas mais próximas ao litoral, importantes fluxos
Densidade demográfica: é a relação entre o nº de migratórios se dirigiram para o interior. Esta “marcha
habitantes que vivem num país (ou região) e a área para o oeste” refletiu a expansão econômica do Sudeste
territorial ocupada por esse país. em direção a aquela área. Também nos anos 70, a
Amazônia recebeu um grande fluxo migratório. A
Populoso X Povoado política governamental de atração para o norte era
através da concessão de terras e grandes projetos
Teoria Malthusiana: afirmava que a miséria e a pobreza agropecuários e minerais. Apesar de tudo, a área ainda
resultam do desequilíbrio entre a população excessiva e a pode ser considerada um grande vazio demográfico.
limitação dos meios de subsistência. A tecnologia agrícola
evoluiu e os métodos contraceptivos ajudaram a frear a DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NA ECONOMIA
natalidade.
Setor primário: agricultura, extrativismo vegetal/mineral
Teoria Neomalthusiana: via com pessimismo um alto nº e pecuária.
de nascimentos achando que isto representava um ônus Setor secundário: indústria, construção civil e
muito grande para a população ativa, dificultando o seu mineração.
desenvolvimento econômico. Setor terciário: comércio, serviços, transportes,
comunicações, administração pública.
Teoria Reformista: acha que a pobreza nos países Setor quaternário: biomedicina, biotecnologia,
subdesenvolvidos é causada pela má distribuição de renda. nanotecnologia e informática avançada.
Cabe ao Estado o papel de promover reformas que
permitam o planejamento familiar e a conseqüente redução
da natalidade.
BRASIL – DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DA
POPULAÇÃO ATIVA (%)
A DINÂMICA POPULACIONAL BRASILEIRA
SETOR 1940 1950 1960 1970 1980 1990
Primário 65,9 60,0 51,6 44,3 29,9 27,0
1872 – 1940: foi marcado por altas taxas de natalidade e Secundár 10,3 13,6 13,2 17,8 24,4 25,0
uma regularidade nas taxas de crescimento vegetativo. O io
Brasil agroexportador precisava de mão-de-obra no campo, Terciário 23,8 26,4 35,2 37,9 45,7 48,0
daí a idéia de uma prole numerosa. As altas taxas de
mortalidade refletem as condições sanitárias precárias que
havia no país.
1940 –1960: houve uma aceleração no crescimento
populacional causada por uma redução das taxas de
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c) Consumir, cada vez mais, produtos industrializados.

• A agricultura brasileira, nos últimos trinta anos, tem se


caracterizado por dar prioridade à produção voltada
para a exportação, aumento da tecnologia, expansão
das fronteiras agrícolas, concentração fundiária e
assalariamento do trabalhador rural.
• Todas as características que foram apontadas fazem
parte de um modelo que vê na agricultura a
fornecedora de matéria-prima e energia para a
indústria, a produtora de alimentos para a população e,
principalmente, contribuir, por meio das exportações,
pra abater o pagamento dos juros da dívida externa.

No Brasil, a concentração fundiária tem relação com o


processo histórico. Nas Capitanias Hereditárias, o capitão
donatário recebia enormes pedaços de terra para explorar.
Dessa situação para a criação de grandes latifúndios foi um
rápido passo. Uma vez obtida a independência, a população
cresce e avança para o oeste, o que determina as primeiras
invasões e conflitos. Para regulamentar essa situação, é
O ESPAÇO AGRÁRIO BRASLEIRO criada, em 1850, a Lei de Terras, que determina a posse
privada das terras que tenham sido devidamente registradas
e considera as demais como terras devolutas (pertencentes
• A agricultura tem a finalidade de produzir alimentos e ao Estado por não possuírem donos). Sendo assim, temos
matérias-primas. um conjunto de forças de contenção, oriundo do atraso da
economia rural brasileira, como os monopólios, oligopólios
• Na agricultura existem três fatores básicos: a terra, o e latifúndios priorizando a produção voltada para a
trabalho e o capital. exportação e mais atualmente, as agroindústrias que
formam o novo oligopólio do campo brasileiro, que
• Agricultura arcaica: quando há uso de métodos resultam, além do êxodo rural, em conflitos fundiários, e
ultrapassados, como a queimada e o aproveitamento do geração de movimentos em prol de uma reforma agrária
solo é reduzido. plena.

• Agricultura moderna: quando há uso de adubos, Modernização e industrialização da agricultura e formação


fertilizantes e máquinas com alta produtividade. dos Complexos Agroindustriais apresentam características
distintas. No processo de modernização, ocorreram
• Agricultura contemporânea: quando há intensa mudanças na base técnica da produção agrícola. No
mecanização, altíssima produtividade e processo de industrialização, a agricultura transformou-se
desenvolvimento da biotecnologia. em um ramo de produção semelhante à indústria e
conectada a outros ramos de produção. O processo de
modernização da agricultura (através da importação de
• Sistema agrícola extensivo: fator principal – a terra;
máquinas e insumos) resultou no de industrialização (já
mão-de-obra – pouco qualificada e em grande
com as máquinas e insumos produzidos no Brasil), e essas
quantidade; aplicação de capital – reduzida.
transformações, aliadas às mudanças nas relações de
trabalho, resultaram na constituição do Complexo
• Sistema agrícola intensivo: depende do volume de
Agroindustrial na década de setenta.
capital investido (mecanização, tecnologia, insumos
agrícolas) e da mão-de-obra qualificada e reduzida,
O processo de unificação entre a agricultura e a indústria
superando em importância a terra.
teve conseqüências sócio-espaciais tanto no rural como no
urbano. Entre elas, podemos destacar a perda da autonomia
• A agricultura deve: econômica do camponês para a indústria, tornando-se
caudatários da mesma. O camponês ainda é exteriormente,
a) Oferecer matérias-primas e alimentos para o setor proprietário de suas terras, porém não possuem mais a sua
urbano, com preços, relativamente, cada vez menos liberdade. A agricultura foi drenada nas duas pontas do
valorizados; processo produtivo: na do consumo produtivo, pelos altos
preços que teve e tem que pagar pelos produtos
b) Produzir excedentes exportáveis para a obtenção de industrializados (maquinaria e insumos) que é praticamente
divisas; obrigada a consumir, e na da circulação, onde é obrigada a
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vender a sua produção por preços vis. Nesse processo feijão subiu mesmo por causa de “boom” dos
temos o monopólio da produção, ou seja, a circulação está biocombustíveis? O mundo vai passar fome porque
dominada pela produção, aliás, dentro do mecanismo resolveram transformar comida em combustível?
lógico do capitalismo na indústria. A industrialização da
agricultura, que é uma evidência desse processo, gera a Analisando os fatos, é possível concluir que os EUA
agroindústria. É, portanto, o capital que solda novamente o produzem etanol de milho, que é a base da alimentação de
que ele mesmo separou: agricultura e indústria, cidade e
muitas pessoas. Sendo assim, verifica-se que o que antes
campo. Aqui, o capital sujeita o trabalho que se dá no
campo, sujeitando assim também, a renda da terra ao era usado como alimento está virando combustível para os
capital. Além disso, esse processo de unificação entre a carros dos americanos, e que, portanto, é possível que falte
agricultura e a indústria acaba gerando concentração alimentos.
fundiária no campo, pois o pequeno produtor não consegue
competir com o latifundiário, que se tornou capitalista e No Brasil, o etanol é produzido a partir da cana-de-açúcar,
detentor dos meios de produção.Sendo assim, acaba por se que não é usada como base na alimentação humana. Então
gerar o êxodo rural no campo, refletindo em miséria, sub- aqui no nosso caso não dá pra dizer que está faltando
emprego e aumento das áreas periféricas carentes no meio comida só porque a produção de alimentos está sendo
urbano. usada para produzir energia.

Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas Mas tanto no caso do Brasil quanto no caso dos EUA, a
produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia verdade é que essa febre dos biocombustíveis animou
haver prosperidade. É necessário uma “globalização da
vários agricultores que antes plantavam arroz, feijão,
agricultura”, nos moldes em que os países desenvolvidos
tanto se empenham em ter na produção industrial. A visão batata, tomate, laranja, etc, a plantar milho no primeiro
de segurança que prevalece no mundo de hoje está centrada caso e cana-de-açúcar no segundo. Sendo assim, os campos
no controle e na garantia do território, da oferta de que antes cultivavam feijão, agora cultivam cana. Desta
alimentos e da oferta de energia. Os subsídios à produção forma, estamos produzindo menos feijão e
agrícola e as barreiras comerciais, que tanto têm retardado conseqüentemente há menos deste produto disponível no
o crescimento da agricultura dos países mais pobres, são mercado, elevando-se assim, o seu preço.
também conseqüências dessa visão. É preciso reconhecer
que, se a agricultura dos países em desenvolvimento tivesse Então, em parte, o preço do feijão subiu sim por causa do
sido estimulada por um mercado livre, talvez não
aumento da produção de etanol. Mas, por outro lado,
estivéssemos vivendo essa crise de alimentos. A
globalização, que se instalou de maneira tão ampla na também tem que se levar em conta a elevação do preço do
indústria, precisa chegar à agricultura. A chamada crise petróleo. E com o petróleo caro, fica caro encher o tanque
mundial de alimentos é, acima de tudo, uma crise de dos tratores que fazem o plantio, ou que fazem a colheita.
distribuição causada pelos subsídios e pelo protecionismo Isso também eleva o custo da aplicação de fertilizantes e
relacionados à agricultura. agrotóxicos e do transporte do alimento do campo até o
local de consumo, ou seja, o petróleo caro também impacta
Importantes transformações ocorridas na agricultura no preço dos alimentos.
brasileira com a participação do capitalismo no campo:
Sendo assim, é possível concluir que se dependermos do
a) Mecanização da lavoura, implicando, petróleo, vamos ter que pagar caro; se usarmos
positivamente, num aumento do rendimento e biocombustíveis iremos pagar caro também.
negativamente na dispensa de mão-de-obra.
EXERCÍCIOS
b) Substituição das culturas alimentares por culturas
comerciais e de exportação, de maior rentabilidade.
1)A participação crescente do capitalismo no campo
c) Valorização da terra como mercadoria, implicando
brasileiro ocasionou relevantes transformações.
na concentração fundiária.
A) Cite um aspecto positivo e outro negativo da
BIOCOMBUSTÍVEIS E A CRISE NA PRODUÇÃO mecanização da lavoura:
DE ALIMENTOS
B) Explique como a inserção do capitalismo no campo
aumentou a concentração fundiária:
Ultimamente houve um aumento de notícias sobre a disputa
entre biocombustíveis e alimentos.Mas afinal, o preço do
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2)As
As duas figuras mostram a adoção de técnicas diferentes age no sentido de manter estruturas arcaicas de dominação,
domin
de aproveitamento de encostas para a produção
rodução agrícola. ao lado de “ilhas” dinâmicas e bolsões de pobreza. A
desertificação do solo começou nas matas devastadas no
Figura I final do século XIX para a plantação de café e cana-de-
cana
açúcar. Com a decadência econômica, o solo empobrecido
foi abandonado. Como as cidades da região ficam em vales
muito comprimidos e compartimentados, se tornou muito
difícil a recomposição natural. É importante destacar
também a relevância do recebimento dos royalties do
petróleo por parte da região. Mesmo recebendo um
montante bem inferior à região Norte (zona de produção
principal), ainda assim, tais cifras são fundamentais para os
orçamentos municipais da região.

Centro regional: Itaperuna


Figura II

REGIÃO NORTE FLUMINENSE

• Municípios: Campos dos Goytacazes, São Fidélis, Cardoso


Moreira, São Francisco do Itabapoana, São João da Barra,
Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu e Macaé.

• Passado: tradição no cultivo da cana-de-açúcar;
cana área
portuária no século XIX; indústria açucareira; ferrovias;
teve a primeira usina em funcionamento na América Latina
Na figura I, utiliza-se
se a técnica do plantio alinhado. Na que foi o Engenho Central de Quissamã, instalado pelo
governo imperial brasileiro em 1877.
figura II, o plantio é feito seguindo as curvas de nível.

• Presente: nas últimas décadas, as principais
Apresente as vantagens desta última técnica sobre a transformações que vêm ocorrendo no Norte Fluminense
primeira. podem ser associadas a três fatores: a exploração do
petróleo
eo na Bacia de Campos, a contínua crise do setor
REGIÃO NOROESTE FLUMINENSE sucro-alcooleiro
alcooleiro regional e a expansão da fruticultura. As
alterações na configuração territorial dos municípios da
Municípios: Itaperuna, Santo Antônio de Pádua, Bom
B região têm sido fruto de movimentos emancipatórios
Jesus do Itabapoana, Italva, Laje do Muriaé, Natividade, atrelados principalmente às novas oportunidades
oportu que, direta
Porciúncula, Varre-Sai,
Sai, Aperibé, Cambuci, Itaocara, ou indiretamente, surgem com a atividade petrolífera.
Miracema e São José do Ubá. Desde o final da década de 80, Macaé foi o centro urbano
de maior crescimento da região, justamente porque lá se
Passado: cana-de-açúcar;
açúcar; café; agricultura de subsidência encontram a sede regional da Petrobrás e grande parte das
nas fazendas de café; pecuária leiteira e indústrias de instalações necessárias ao refino e distribuição do petróleo.
laticínios. Esta atividade reverte capitais para as prefeituras por meio
do pagamento de impostos sobre o direito de exploração
Presente: é o maior produtor de leite do estado; indústria (royalties). A quebra do monopólio na exploração do
de laticínios; pecuária de corte e leiteira; cana-de-açúcar;
cana petróleo, combinada com a recente descoberta
des de novas
fruticultura; café (em escala estadual); vazio demográfico reservas petrolíferas no litoral da região, poderão
em algumas áreas por falta de perspectivas de transformar os municípios do Norte Fluminense em
desenvolvimento; extração de rochas ornamentais;
ornam localização privilegiada de novos investimentos associados
indústria de papel; turismo; agroindústria; metalurgia. O à operação industrial e a logística de exploração do
Noroeste Fluminense está sujeito a um período de inércia, petróleo, desde que haja ações
ções dirigidas nesse sentido. As
sem grandes mudanças, onde ações pontuais tentam alterar oportunidades de negócio são numerosas, pois os produtos
a falta de dinamismo sócio-econômico.
econômico. A falta de demandados pelas companhias de petróleo incluem desde o
perspectivas de melhora futura
tura e o quase total descaso do atendimento médico nas plataformas, passam pela
poder público (nas esferas municipal, estadual e nacional) produção de equipamentos e peças especiais, e chegam ao
contribuem para o grande êxodo populacional marcante na ensino à distância e às pesquisas tecnológicas de ponta.
região. A associação entre os atores hegemônicos também

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Agroindústria açucareira; Pólo de Fruticultura Irrigada; pousadas, construção civil. A Região Serrana caracteriza-se
favelização; especulação imobiliária; turismo. pela significativa diversificação da sua economia, com
destaque, sobretudo, pela existência do pólo de moda
Centros regionais: Campos dos Goytacazes e Macaé. íntima de Nova Friburgo, pelo crescimento da produção de
hortigranjeiros para o atendimento do mercado consumidor
da Região Metropolitana e pela intensificação das
REGIÃO DAS BAIXADAS LITORÂNEAS atividades ligadas ao turismo.

Municípios: Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Centros regionais: Petrópolis, Teresópolis e Nova
Cabo, Cabo Frio, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Friburgo.
Abreu, Iguaba Grande, Marica, Rio Bonito, Rio das Ostras,
São Pedro de Aldeia, Saquarema e Silva Jardim. REGIÃO METROPOLITANA

Passado: exploração de sal; produção de laranja; pesca; Municípios: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de
criação de gado; caminho para a penetração no Norte Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Magé, Mesquita,
Fluminense. Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados,
Presente: Turismo de veraneio; grande participação do São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá.
setor terciário; turismo; transporte; comunicações;
construção civil; maior urbanização; formação de sítios em Passado: área portuária; ferrovias; processo de ocupação
municípios mais interioranos (Casimiro de Abreu, Silva estreitamente ligado à expansão do município do Rio de
Jardim e Cachoeiras de Macacu); especulação imobiliária; Janeiro, já que este último constitui-se no ponto de partida
imobiliária; degradação ambiental; maior ligação à região para a expansão da região, que teve início nas
metropolitana depois da construção da BR101 em 1970; proximidades do Morro do Castelo e Praça XV, junto ao
pecuária leiteira; citricultura; vestuário de moda praia, primeiro porto da cidade; foi tanto a capital colonial quanto
fábrica da Schincariol em Cachoeiras de Macacu. a federal (administração pública); café; cana-de-açúcar; e
prestação de serviços.
Centro regional: Cabo Frio
Preente: turismo; uma das características principais da
região é a concentração. Concentração tanto do ponto de
REGIÃO SERRANA vista demográfico quanto econômico, assim como no que
tange aos serviços referentes aos setores financeiro,
Municípios: Bom Jesus, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, comercial, educacional e de saúde, bem como órgãos e
Duas Barras, Macuco, Nova Friburgo, Petrópolis; São José instituições públicas. Possui uma grande variedade de
do Vale do Rio Preto; São Sebastião do Alto; Santa Maria indústrias. Se destaca no contexto regional, no que tange
Madalena; Sumidouro; Teresópolis e Trajano de Morais. não somente à concentração populacional, mas
principalmente, no que diz respeito aos fluxos de
Passado: ouro (Cantagalo); agricultura de subsistência; investimentos, já que é para tal região que convergem a
área de fixação de imigrantes europeus; agricultura; maioria destes fluxos. Quanto ao peso do setor de serviços
pecuária. na economia regional, este é bastante evidente em
praticamente todos os municípios da região, mais
Presente: indústria têxtil; turismo; veraneio; comércio; especialmente na cidade do Rio de Janeiro, fruto das
prestação de serviços; metalurgia; indústrias mecânica, de funções administrativas exercidas pela mesma no período
matéria plástica e editorial e gráfica; horticultura; em que foi capital colonial e federal. Entretanto, apesar do
avicultura; agroindústria; pecuária leiteira; Cantagalo crescimento econômico e do dinamismo apresentado,
possui jazidas de calcário e, por conseguinte, apresenta constitui-se também um espaço marcado por acentuadas
indústrias cimenteiras de grande porte; floricultura. A disparidades e contradições sociais, evidenciados pela
família pluriativa é produto da expansão das atividades de distribuição desigual dos serviços e equipamentos urbanos,
turismo e veraneio que, juntamente com a presença de a crescente demanda por habitação, marcada pelo aumento
outros serviços e algumas indústrias, vêm oferecendo das submoradias e pela expansão das favelas, a intensa
outras alternativas de sobrevivência às famílias rurais, e degradação do meio ambiente, violência e o conseqüente
deve ser encarada antes de tudo como uma estratégia de esgotamento dos recursos naturais.
sobrevivência dos pequenos produtores com o objetivo de
garantirem a sua reprodução enquanto produtores rurais. Centro regional: Rio de janeiro
Ao invés de constituir-se em solução para os problemas do
campo, esta é antes de tudo, reflexo da condição de REGIÃO CENTRO-SUL FLUMINENSE
subordinação e exploração ao qual estes pequenos
produtores estão submetidos. Isto porque além de trabalhar
na própria produção, a família também atua em serviços Municípios: Três Rios, Areal, Comendador Levy
nas funções de jardineiros, caseiros, empregados de Gasparian, Paraíba do Sul, Sapucaia, Vassouras, Paty do
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Alferes, Mendes, Miguel Pereira e Engenheiro Paulo de história do país, já que durante 197 anos foi a capital
Frontin. federal (1763/1960) e, nesta condição, era o centro
repercussão da política nacional. A presença dos três
Passado: caminho para Minas na época do ouro; economia poderes e de toda a máquina administrativa deu à cidade
cafeeira; e comunicação entre diferentes regiões através do uma grandiosidade que a distanciou do interior. Esse
entroncamento rodo-ferroviário. distanciamento foi agravado com a transferência da capital
do país para Brasília, já que foi criado o Estado da
Presente: metalurgia; indústria de alimentos, de matérias Guanabara que, mais tarde, em 1975, seria unido ao Estado
plásticas, de máquinas e equipamentos e de bebidas; do Rio de Janeiro, dando origem ao atual estado.
pecuária de corte e leiteira; indústria química e
farmacêutica; construção civil; setor terciário; atividade O lugar escolhido para a fundação da cidade em 1565, por
turística e de veraneio; agricultura (tomate, chuchu, Estácio de Sá, foi o Morro Cara-de-Cão, junto ao Morro de
cenoura, alface, manga, maracujá, goiaba, e banana); sítios Pão-de-Açúcar, na entrada da Baía de Guanabara. Alguns
de fim de semana; turismo rural.
anos depois, a sede da cidade foi transferida para o Morro
Centro regional: Três Rios. do Descanso, mais tarde denominado Morro do Castelo.

O relevo e a hidrografia tiveram grande influência na


REGIÃO DO MÉDIO VALE DO PARAÍBA organização do espaço da cidade, já que o mar e o morro
determinavam a ocupação do espaço.

Municípios: Volta Redonda, Barra Mansa, Piraí, Itatiaia, Na fase inicial as pessoas preferiam morar nos morros,
Porto Real, Resende, Quatis, Rio Claro, Pinheiral, Barra do porque eram lugares mais seguros e arejados. As partes
Piraí, Valença e Rio das Flores. mais baixas eram, em geral, alagadiças, úmidas e abafadas.
O homem, para aumentar o espaço a ser ocupado, arrasou
Passado: área de passagem para Minas e São Paulo; café;
morros, aterrou lagoas, canalizou rios e abriu túneis. No
rede ferroviária; pecuária.
início do século XX, o centro do Rio passou por uma
Presente: metalurgia; siderurgia; 2ª maior bacia leiteira do grande reforma urbanística. O prefeito Pereira Passos criou
estado, CSN; indústria automobilística ( Volkswagem, a Avenida Central e a cidade ganhou ares parisienses. Mais
Peugeot e Citroen); setor de comércio e de serviços; tarde, o Morro do Castelo foi arrasado para aterrar parte do
indústria química, de alimentos e têxtil; região mais mar. Nesse aterro foi construído o Aeroporto Santos
dinâmica e industrializada do interior do estado; Dumont. O mesmo aconteceu com o Morro de Santo
Antônio, com o seu material foi feito o aterro do Flamengo.
Centro regional: eixo Resende-Volta Redonda-Barra
Mansa.
A maior parte do relevo do município é constituída por
REGIÃO DA BAÍA DA ILHA GRANDE (COSTA planícies com menos de 100 metros de altitude e maciços
VERDE/LITORAL SUL FLUMINENSE) que correspondem à divisão da Serra do Mar

Municípios: Angra dos Reis, Parati, Itaguaí e Mangaratiba. • Maciço do Gericinó no norte do município.
• Maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste.
Passado: área portuária de escoamento da produção • Maciço da Tijuca, que separa a Zona Norte da Zona
mineira de ouro e café do Vale do Paraíba; cultivo de Sul.
banana; atividade pesqueira.
Presente: turismo; usinas nucleares; prestação de serviços;
comércio; cultivo de banana, mandioca, palmito e cana-de- Devido ao processo de ocupação mais intenso, o Maciço da
açúcar; Terminal Marítimo de Petróleo da Petrobrás; a Tijuca deve ser mais bem estudado. Possui uma área de
abertura da Rodovia Rio-Santos favoreceu uma maior 119 km2 , é conhecido por abrigar a maior área de floresta
integração e desenvolvimento; especulação imobiliária; urbana no mundo. Ao longo dos anos, tem perdido boa
degradação ambiental.
parte de sua área verde e, as principais causas do
Centro regional: Angra dos Reis.
desmatamento são incêndios provocados por balões,
queima de lixo e queima para ocupação desordenada, não
MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO só pr favelas, mas também por condomínios d classe média
e alta. O desmatamento traz sérios riscos à população. O
Da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1565, até a deslizamento de encostas é o mais visível, mas há outros
fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em menos perceptíveis a curto prazo, como o empobrecimento
1975, o Rio de Janeiro teve um grande peso político na

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da biodiversidade, desestabilização do microclima e o Desta forma, o aumento da violência na cidade está


abastecimento de água. associado ao seu esvaziamento financeiro, à perda de
importância política e a falta de oportunidades de trabalho.
Desde o final do século XIX, a cidade expandiu-se em duas Passamos a assistir a expansão do trabalho informal, a
direções: a Zona Sul, que tornou-se atraente para as deterioração dos serviços públicos, o aumento do processo
camadas de maior poder aquisitivo devido às vantagens de favelização e o crescente poderio dos traficantes. Nos
locacionais que oferecia, e a Zona Norte, que, recebendo anos 80 e 90, a mídia divulgava, de forma insistente, os
menores investimentos, vai ser ocupada por populações de arrastões em nossas praias e o poder dos chefões do tráfico;
menor renda. No centro da cidade concentram-se as os camelôs vendiam mercadorias contrabandeadas sem
atividades comerciais e financeiras qualquer repressão. Andar de ônibus tornou-se uma
Com o objetivo de tornar o centro da cidade também um aventura. O medo da bala perdida passou a unir os cidadãos
de todas as classes sociais, bairros e idades.
pólo turístico, os órgãos municipais vêm pondo em prática
um projeto de revitalização do centro, e para isto, conta No início do século XX, o Rio de Janeiro passava por um
com parcerias do governo federal e da iniciativa privada. processo de modernização. A idéia dos governantes era
transformar o Rio em uma “cidade das luzes”, como Paris.
Assim, foram recuperados prédios históricos, igrejas,
Ruas foram alargadas, cortiços destruídos. O Centro da
monumentos, teatros e cinemas. Na Rua Primeiro de Março
foi criado um “corredor cultural” que inclui o Centro cidade deixou de ser um lugar de becos escuros e passou a
Cultural Banco do Brasil, a Casa França-Brasil, e o Paço ter o formato dos dias atuais. Só havia um “pequeno”
entrave: o povo!
Imperial. A Praça Tiradentes e a Cinelândia voltaram a
exibir peças teatrais e filmes capazes de atrair públicos de Modernizar era na visão dos governantes, impor medidas à
todas as idades. A Lapa recuperou o seu glamour. A Rua população da capital federal. Além de destruir moradias
do Lavradio atrai os interessados em mobiliários e peças de populares, o governo tornou obrigatória a vacinação contra
antiquários. doenças como febre amarela e varíola. Talvez você esteja
Nenhuma cidade do Brasil ou do mundo mantém tão pensando: “ora, vacinações em massa são importantes para
próximos os dois opostos da pirâmide social quanto o Rio. a erradicação de doenças”. Certamente, só que para aquelas
É o modelo carioca de segregação. Nos anos 90, o pessoas, a vacinação representava uma intervenção direta
no cotidiano, que se refletia em um controle do governo na
encarecimento dos imóveis expulsou da Zona Sul setores
moradia e no corpo dos indivíduos. Aceitar a vacinação
de classe média, o que acentuou a elitização desses bairros.
Ao mesmo tempo, as favelas da região não pararam de tinha o mesmo significado de aceitar a demolição de sua
crescer. De todas as partes da cidade, e de outros residência para passar uma avenida. Outro fator que
municípios e estados, novos moradores desembarcaram nos contribuiu para eclosão da revolta foi o desconhecimento a
respeito da vacinação. No início do século XX, poucos
morros em busca de melhores oportunidades de emprego e
sabiam o que era vacinação e para que servia.
salário na área nobre da cidade.

Diferentemente de outras cidades, onde os moradores A Revolta da Vacina, em si, não foi um movimento
organizado. As ações dos revoltosos baseavam-se no
pobres foram empurrados para a periferia, como guetos, o
quebra-quebra. O governo reprimiu as ações, que se
Rio descobriu um jeito de misturar asfalto e favela.
espalharam por toda a cidade do Rio de Janeiro.
O Rio de Janeiro foi capital do país por quase 200 anos.
O nome Revolta da Vacina, em si, não reflete o verdadeiro
Nos anos 70, o Brasil tinha dois centros financeiros: Rio e
conteúdo deste movimento: a resistência popular às
São Paulo. Nos anos 80, diversos grupos transferiram sedes
ou a tesouraria de suas empresas para São Paulo. O diversas intervenções do governo federal em remodelar o
mercado financeiro do Rio tornou-se apêndice das bolsas espaço urbano e adequá-lo aos padrões de modernização do
início do século XX.
paulistas. Afora todos esses itens, a fusão do Estado da
Guanabara com o antigo Estado do Rio foi tão ruim para a A partir dos anos 50, vários fatores contribuíram para a
cidade que o primeiro prefeito, Marcos Tamoio, chegou a degradação da Baía de Guanabara:
dizer: “Transformaram um estado rico em um município
pobre”. • Aterros, como o Aterro do Flamengo, a
ponte Rio-Niterói, a estrada Niterói-
Manilha e recentemente a Linha Vermelha,

Geografia do Brasil 7
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obras rodoviárias que resultaram em Uma confusão de coisas assim é a Avenida Brasil
prejuízo da baía;
• Instalação de indústrias poluidoras, Linha Vermelha vem cortando a Maré (...)
principalmente químicas, farmacêuticas e
refinarias; Do importado à carroça o contraste social
• Expansão urbana que leva ao despejo de
8,5 toneladas de lixo doméstico em suas Nesse rio de asfalto o dinheiro fala alto
margens, com a liberação de cerca de 800
litros/dia de chorume. É a filosofia nacional (...)

A poluição por óleo é, talvez, uma das formas mais (Jefinho / Dico da Viola / Jorge Gannen – 1994)
freqüentes de contaminação das águas. São lançadas 1) Tanto a marcha do carnaval de 1959 quanto o samba-
diariamente, em média, 9 toneladas de óleo na baía, onde a enredo da Mocidade Independente de Padre
refinaria Duque de Caxias contribui com cerca de 30% do
total, os estaleiros e dois mil postos de gasolina com mais Miguel de 1994 fazem referência às condições da
2,5 toneladas/dia de óleo. Todos esses fatores levaram a circulação urbana na cidade do Rio de Janeiro.
uma mudança radical na qualidade das águas, flora, fauna,
balneabilidade das praias e declínio da pesca na baía. Uma característica associada aos meios de transporte
preservada durante o tempo decorrido entre os dois
A indústria naval que chegou a concentrar mais de 40 mil momentos retratados e sua conseqüência urbana são:
trabalhadores entrou num período de estagnação no fim da
década de 70 e, somente agora, o quadro começa a ser (A) estatização do sistema de transporte – intensificação da
revertido. A participação do capital estrangeiro foi a forma ocupação da periferia
encontrada para dar gás ao combalido setor naval
(B) longa duração dos movimentos pendulares – aceleração
brasileiro. A recuperação está trazendo cada vez mais
do processo de favelização
postos de trabalho ao setor.
(C) prioridade para o transporte de massa – incentivo ao
EXERCÍCIOS processo de segregação urbana
Trem da Central (D) custo elevado de tarifas – concentração espacial de
comércio e serviços na Área Central
Empurra pra entrar dez mil
2) O desmonte do Morro do Castelo, em 1922, e a
nesse trem da Central do Brasil reabilitação do Paço Imperial, a partir de 1985, são
exemplos de ações políticas que se baseiam em distintas
Eu já vou na porta pra saltar em Bangu concepções de preservação de sítios históricos.

sei que vou ser chutado e pisado pra chuchu Os fatores ideológicos que nortearam tais ações nesses
momentos históricos de mudança e de permanência,
No outro dia não saltei onde moro
respectivamente, são:
me chutaram do trem na estação de Deodoro (...)
(A) superação da ordem colonial e resgate da memória
(César Cruz / Silvinha Drumond – 1959) social

Avenida Brasil, tudo passa, quem não viu? (B) negação da origem européia e estruturação do poder
público

De lá pra cá, daqui pra lá eu vou (ah, como vou) (C) difusão dos princípios positivistas e construção da
cidadania ativa
Com meu amor vou viajando nessa Avenida
(D) substituição do ideário monárquico e emergência da
pela faixa seletiva no sufoco dessa vida cultura popular

tudo passa, quem não viu? 4) O mapa mostra a intensidade do processo de favelização
no município do Rio de Janeiro, ao longo da década de

Geografia do Brasil 8
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1990. O crescimento da população nessas comunidades e a B) A taxa de desemprego no Rio de Janeiro tem sido mais
distribuição das mesmas no espaço urbano podem ser significativa na região metropolitana.
explicados, respectivamente, por:
C) A indústria do petróleo, um dos sustentáculos
(A) estagnação dos níveis de escolaridade e oferta econômicos do Rio de Janeiro, é intensiva em mão-de-obra.
igualitária dos serviços públicos
D) Uma elevada parcela dos trabalhadores no Rio de
(B) redução do valor dos salários e concentração espacial Janeiro encontra-se na informalidade.
das atividades tecnológicas
E) O Rio de Janeiro é a metrópole com o menor percentual
(C) segregação de parte da classe trabalhadora e acesso de trabalhadores qualificados.
desigual à rede de transporte
O CLIMA NO BRASIL
(D) desaceleração dos fluxos migratórios e crescimento
acentuado da especulação fundiária
Tempo: é o estado momentâneo da atmosfera em
“Os limites de Vila Isabel são tão confusos que a estátua determinado lugar.
de Noel Rosa pode estar fora do bairro. O monumento fica
na Praça Maracanã, no início do Boulevard Vinte e Oito Clima: a sucessão dos estados de tempo de um determinado
de Setembro, no Maracanã. Estranho, não? Como Vila lugar, em um determinado período de tempo vão determinar o
Isabel está entrelaçada com Andaraí, Grajaú, Engenho seu tipo de clima.
Novo,Tijuca e Maracanã, essa geografia confunde a
Nossa principal fonte energética ou de calor é a radiação emitida
população.” pelo Sol. Entretanto, o aquecimento da atmosfera é feito de
maneira indireta. Em primeiro lugar ocorre o aquecimento da
(Adaptado de Notícias da Vila. Faculdade de Comunicação
superfície terrestre e, a seguir, a superfície emite o calor da
Social / UERJ. Rio de Janeiro, maio, 2002.) radiação solar para o ar atmosférico, aquecendo-o. Daí,
temperatura costuma ser definida como a quantidade de
5) O texto apresenta a dificuldade no reconhecimento de calor existente na atmosfera.
limites geográficos estabelecidos para determinado lugar. A
origem desta dificuldade está relacionada ao seguinte fator:
Fatores do clima:
(A) a dinâmica sócio-espacial que cria limites territoriais
difusos
a) Latitude: a temperatura diminui com o aumento da latitude,
(B) as tradições culturais que produzem espaços uma vez que a fonte de calor, isto é, a radiação
indiferenciados é mais intensa no Equador e diminui no sentido dos pólos.

(C) a ação dos interesses econômicos que impedem a b) Relevo/ Altitude: chuvas orográficas/ como a Terra é
delimitação dos espaços aquecida de forma indireta e por raios refletidos, a temperatura
diminui à medida que estamos em pontos
(D) os fluxos sociais que cristalizam a divisão político- mais elevados.
administrativa dos lugares
c) Correntes Marítimas: as correntes marítimas exercem
6) Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de grande influência sobre a temperatura e a umidade. As correntes
frias tornam o ar mais frio e seco, enquantoas correntes quentes
Domicílios (PNAD-2001), divulgados pelo IBGE,
tornam o ar mais quente e úmido.
mostraram que a taxa de desemprego no Estado do Rio de
Janeiro atingiu seu nível mais alto, chegando a 12,2% da d) Continentalidade e Maritimidade: as áreas próximas
força de trabalho. Com relação ao desemprego no Estado ao mar têm temperaturas mais amenas porque a água do mar
do Rio de Janeiro, são corretas as afirmativas abaixo, à se aquece mais lentamente que os continentes. Em compensação,
exceção de uma. Identifique-a: os mares se resfriam também de modo mais lento. As áreas
distantes do mar têm temperaturas mais acentuadas, porque as
A) O Rio de Janeiro vem perdendo empresas para outros rochas e o solo perdem calor muito rápido e o ar sobre elas
estados. logo se resfria. Amplitude térmica corresponde à diferença entre
temperaturas máximas e mínimas. Assim, tanto maior será a
amplitude térmica quanto mais nos afastarmos do mar.

Geografia do Brasil 9
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ELEMENTOS CLIMÁTICOS

a) Umidade Atmosférica: é a presença do vapor de água na


atmosfera.

b) Temperatura: é a quantidade de calor existente na atmosfera.

c) Pressão atmosférica: é a força que o ar exerce sobre a


Terra(peso do ar). Dois fatores provocam variações na
pressão atmosférica: altitude e temperatura. Quanto maior
a altitude, menor a pressão; quanto maior a temperatura,
menor a pressão. As diferenças entre as regiões de alta e
baixa pressão provocam a formação dos ventos.

VENTOS

É o ar em movimento, deslocando-se de uma área de alta BRISA TERRESTRE


pressão (anticiclone) para uma de baixa pressão (ciclone) e
pode ser quente ou frio, seco ou úmido, conforme as
características da atmosfera do local de origem. Há vários
tipos de ventos. Uns são constantes e outros periódicos. Os
ventos constantes são chamados alísios e contra-alísios.
Os ventos alísios sopram das zonas de alta pressão para as
de baixa pressão. Quando atingem o Equador, esses ventos
se aquecem e sobem, porém, nas maiores altitudes voltam a
se resfriar e retornam às zonas de origem, formando os
contra-alísios. Observe a figura abaixo:

MASSAS DE AR

São porções de ar que ao se deslocarem influenciam o


clima e o tempo em diversos lugares do planeta. Elas
podem ser, de acordo com o local de origem, frias ou
quentes, secas ou úmidas.

As brisas sopram do mar para a terra e ora sopram da terra


para o oceano, inversamente, devido à diferença de Massas de ar que atuam no Brasil:
aquecimento entre as terras e as águas do mar.
a) Equatorial Atlântica (MEA): é uma massa
BRISA MARÍTIMA quente e úmida que atua no litoral das regiões
Norte e Nordeste do país.
b) Equatorial Continental (MEC): é quente e
úmida, sendo responsável pelas chuvas de
verão em boa parte do país na época do verão.
No inverno ela recua, permitindo o avanço da
MPA.
c) Tropical Atlântica (MTA): é uma massa
quente e úmida que provoca chuvas orográficas
no Sudeste e chuvas frontais no Nordeste.
Geografia do Brasil 10
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d) Tropical Continental (MTC): é uma massa CHUVA OROGRÁFICA OU DE RELEVO


quente e seca, com isto provoca estabilidade no
tempo das áreas que alcança.
e) Polar Atlântica: é uma massa fria que toma
três trajetórias no Brasil. No litoral provoca as
chuvas frontais, no interior provoca geadas,
chuvas, neve nas áreas elevadas durante o
inverno e quando consegue chegar à Amazônia
Ocidental provoca uma queda na temperatura
conhecida por friagem.

Quando parcela do ar encontra um obstáculo, que pode ser


uma montanha, acaba por sofrer ascensão. Ao subir, o ar
esfria-se, condensa-se e forma uma nuvem. Como a
umidade torna-se muito elevada, ocorre a precipitação,
normalmente do lado onde houve o “ataque” da massa de
ar, ou seja, o lado barlavento da encosta. Quando essa
massa consegue atravessar o topo da montanha e passar
para o outro lado da mesma, já perdeu umidade fazendo
com que o clima do lado sotavento seja quente e seco.

CHUVA FRONTAL

Massa de ar é uma parcela extensa e espessa da atmosfera,


com milhares de quilômetros quadrados de extensão, que O tipo chuva frontal é aquele em que o ar quente, com
apresenta características próprias de pressão, temperatura e
bastante umidade, recebe o ar frio que se desloca. A zona
umidade, determinadas pela região na qual se originam.
Conforme a zona em que se desenvolvem são classificadas de contato entre o ar quente e o ar frio chama-se frente.
como equatoriais (quentes e muito húmidas), tropicais Isso ocorre porque as massas de ar são deslocadas da área
(quentes) e polares (frias) ou massas de ar marítimas de pressão alta para as áreas de pressão baixa. Se você
(geralmente muito húmidas) e massas de ar continentais mora no Sul ou no Sudeste do Brasil, já deve ter ouvido
(geralmente secas). . Quando uma massa de ar se desloca,a algum comentário do tipo: "Está se aproximando uma
sua parte dianteira passa a ser conhecida por frente.
frente fria" . Como você viu, isso acontece porque as

Geografia do Brasil 11
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massas de ar frio tendem a se deslocar em direção às O Centro-Sul destaca-se como centro econômico do Brasil,
zonas mais quentes. Nesse caso, o que ocorre é um concentrando 70% da população nacional e a maior parte
choque de um ar de origem polar com a massa de ar da produção industrial e agropecuária do país. O Nordeste
individualiza-se pela estagnação econômica, pela repulsão
quente que na ocasião cobre o território em que você se
populacional e pela disseminação da pobreza, expressa nos
encontra. Quando se dá o avanço do ar frio, o ar quente, altos índices de mortalidade infantil, subnutrição e
por ser mais leve, é empurrado para cima, o que também analfabetismo. O Complexo Amazônico caracteriza-se pela
ocasiona um movimento de convecção. O ar quente sobe, presença da floresta equatorial, pelas baixas de densidades
perde temperatura, se condensa e se precipita. populacionais e ainda pelo processo de ocupação recente
,ligado aos grandes projetos agropecuários e minerais.
CHUVA CONVECTIVA

O forte calor, a vegetação florestal densa e a grande


quantidade de rios caudalosos provocam grande
evaporação de água, que se acumula no ar atmosférico. No
decorrer do dia, a temperatura vai se elevando e a
evaporação se intensifica, formando nuvens carregadas de
umidade. O vapor de água contido nessas nuvens se eleva
em conseqüência do aquecimento e, ao atingir maiores
altitudes, resfria-se e se precipita. Esse tipo de precipitação
é denominado chuva convectiva e sua ocorrência é comum
nos fins de tarde.

CENTRO-SUL E INDUSTRIALIZAÇÃO
BRASILEIRA

• É a região geoeconômica mais dinâmica do Brasil.


• Concentra a maior parte da produção industrial do
Brasil
• Desenvolve uma agropecuária moderna
• Pratica uma agricultura mais desenvolvida e
OS COMPLEXOS REGIONAIS BRASILEIROS mecanizada
• É a sede das principais empresas financeiras
• Apresenta a maior taxa de urbanização
Nas últimas décadas uma outra proposta de regionalização
• Nela se localizam as duas cidades mais populosas
vem ganhando espaço nas publicações geográficas e na do país: São Paulo e Rio de Janeiro
imprensa em geral. Trata-se da divisão do país em três • Nela se situa o centro político e administrativo do
grandes complexos regionais, individualizados segundo país: Brasília
critérios geoeconômicos. Essa delimitação não leva em • Milhões de brasileiros pobres e miseráveis
conta as fronteiras entre os estados: o norte semi-árido de • A maior concentração de favelas e cortiços
Minas Gerais, por exemplo, integra o Complexo Regional • Situação social de fome e desnutrição
Nordestino; metade do território do Maranhão integra o • Desemprego e subemprego
Complexo Amazônico, a outra metade pertence ao • Violência urbana
• Altos índices de poluição ambiental
Complexo Regional Nordestino.
• Climas: Tropical litorâneo úmido (sudeste);
Subtropical úmido (Sul); Tropical (Centro-Oeste)

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• Vegetação: Mata Atlântica ou Floresta Tropical;


Mata Subtropical, Araucária ou dos Pinhais;
Campos (Pampas Gaúchos); Cerrado e Pantanal. Industrialização clássica = países desenvolvidos

. Extrativas vegetais
minerais Industrialização tardia = países subdesenvolvidos

. Transformaçãobens de consumo Indústrias tradicionais


bens de capital duráveis
A INDÚSTRIA NO BRASIL não duraveis Indústrias de ponta

República Velha (oligarquias cafeeiras) = transição de uma TEXTO PARA REFLEXÃO:


economia agrário-exportadora para urbano-industrial
A EVOLUÇÃO DO HOMEM E A GÊNESE
Criação de infra-estrutura com a economia cafeeira INDUSTRIAL

Substituição de importações com Vargas a partir de 1930


(indústrias de base e de bens de consumo); capital estatal A evolução do macaco antropóide para o homem atual foi
de relevante importância para a gênese do processo
industrial, no qual, a nossa sociedade está inserida. O fato
Forte presença do Estado na industrialização (regulamentação de
do esses macacos começarem a perder o hábito de se
mercado de trabalho e criação de estatais) servirem das mãos para caminhar e foram se adaptando a
posição vertical, foi o passo decisivo para a transformação
JK = indústria automobilística (oligopólio) e de equipamentos do macaco em homem.
elétrico/eletrônicos; implementação de rodovias Já que as mãos ficaram livres da marcha quadrúpede, as
mesmas começaram a ganhar novas funções, sofreram
Segunda Guerra mundial = tecnologia própria; mercado adaptações, aprimorando cada vez mais o trabalho do
consumidor nacional; alavancada na industrialização brasileirahomem. E a parti de então, elas podiam adquirir
capacidades novas e a agilidade assim adquirida, foi
transmitida de geração em geração.
Governos militares = aumento da infra-estrutura; busca por
matéria-prima; incentivos fiscais para as multinacionais Sendo assim, como citou Friederich Engels em sua obra,
“A Dialética da Natureza”, “Portanto a mão não é apenas
o órgão do trabalho, ela é também o produto do trabalho.”
Anos 80 = crise; recessão; “década perdida para a América (Pág. 174). E o resultado desse trabalho constante se
Latina”
adaptando sempre à operações novas, juntamente com o
desenvolvimento anatômico relativo aos músculos e
Anos 90 = fim do “Estado empresário” com as privatizações e tendões que foram transmitidos hereditariamente, temos
fim do protecionismo e dos monopólios (Neoliberalismo) então o alcance da mão humana ao mais alto grau de
perfeição, criando afinamentos técnicos que possibilitaram
realizar operações cada vez mais complexas.
Desconcentração industrial
Mas é importante ressaltar que esse desenvolvimento
manual teve conseqüências sobre o resto do corpo, já que
Desemprego estrutural as mãos fazem parte de um organismo como um todo. Com
isso, o homem passou a ter domínio sobre a natureza,
melhorando a sua qualidade alimentícia, o que culminou
K num grande progresso em relação ao seu horizonte,
alargando-o, permitindo que ele percebesse nos elementos
naturais, propriedades novas que até então, haviam sido
ignoradas por ele.
ESTATAL ESTRANGEIRO NACIONAL O homem passou a criar ferramentas que lhe possibilitaram
caçar com mais facilidade, o que interferiu relevantemente

Geografia do Brasil 13
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na sua alimentação. O aumento da ingestão de carne, e Juntamente com a vida em sociedade, o sedentarismo, o
conseqüentemente, de proteínas, resultou num grande aprimoramento de suas técnicas, o domínio da natureza,
desenvolvimento de seu cérebro e lhe deu mais força física, veio a emancipação do homem, fazendo com que o mesmo
tornando-o mais independente e mais dominador da aprendesse a viver sob todos os climas, do mesmo modo
natureza, sobressaindo-se em relação às outras espécies. que aprendeu a comer tudo o que era comestível,
culminando então, na sua diáspora por toda a parte
Além disso, a alimentação carnívora possibilitou a habitável da terra, por todo o ecúmeno terrestre.
utilização do fogo e a dominação dos animais, fazendo com
que o mesmo se dispusesse cada vez mais sedentário e “ Graças à ação conjugada da mão, dos órgãos da palavra
assim, progrediu em relação à sua vida em sociedade, e do cérebro, não só em cada indivíduo, mas na sociedade
aprofundando cada vez mais os laços entre os membros da inteira, os homens foram podendo realizar operações cada
mesma. vez mais complexas e impor-se atingindo fins cada vez
mais elevados. De geração em geração, o próprio trabalho
Com isso, a vida em sociedade culminou na necessidade foi-se tornando diferente, mais perfeito, mais variado. A
latente de uma maior comunicação entre os membros, agricultura veio acrescentar-se à caça e à criação; à
fazendo com que a emissão de sons cada vez mais agricultura vieram acrescentar-se a fiação, a tecelagem, o
aprimorados gerasse um desenvolvimento da laringe, um trabalho dos metais, a olaria, a navegação. A arte e a
órgão novo que possibilitou a evolução de sons primários ciência apareceram, enfim, paralelamente ao comércio e à
em sílabas pronunciadas em seqüência, evoluindo assim, indústria, as tribos transformaram-se em nações e em
para a linguagem falada, que nasceu do trabalho e o estados, o direito e a política desenvolveram-se e com eles,
acompanha sempre. o reflexo fantástico das coisas humanas no cérebro dos
O trabalho e a especialização da linguagem falada foram homens: a religião. Perante todas estas formações que
importantes fatores que auxiliaram na evolução contínua do começaram por apresentar-se como produtos do cérebro e
cérebro do macaco até atingir o desenvolvimento e que pareciam dominar as sociedades humanas, os produtos
mais modestos do trabalho manual passaram para segundo
perfeição do cérebro do homem. E por esse mesmo
plano; e tanto mais, quanto a cabeça que estabelecia o
caminho, houve também o desenvolvimento dos órgãos dos
sentidos, que resultou num maior grau de aperfeiçoamento plano do tratamento da sociedade (por exemplo na família
do homem em relação às outras espécies animais. primitiva), permitir-se fazer executar por outras mãos que
não as suas, o trabalho projetado. Foi ao espírito, ao
“O desenvolvimento do cérebro e dos sentidos que lhe desenvolvimento e à atividade do cérebro que foi atribuído
estão subordinados, a clareza crescente da consciência, o todo o mérito do desenvolvimento rápido da sociedade; os
aperfeiçoamento da faculdade de abstração e do raciocínio homens habituaram-se a explicar a sua atividade pelo seu
atuaram sobre o trabalho e a linguagem e foram pouco a pensamento em vez de a explicarem pelas suas
pouco novas impulsões para o aperfeiçoamento destes. Tal necessidades (que no entanto se refletem no seu espírito,
aperfeiçoamento não terminou no momento em que o tornam-se conscientes), e foi assim que com o tempo se
homem ficou definitivamente separado do macaco; pelo assistiu ao nascimento da concepção idealista do mundo
contrário, de uma maneira geral ele foi prosseguindo. Com que, sobretudo depois do declínio da antiguidade, dominou
progressos diferentes em grau e em direção entre os os espíritos.” (ENGELS, Friederich - “A Dialética da
diversos povos e nas diferentes épocas, progressos Natureza”, página 180).
interrompidos aqui e além por uma regressão local ou
temporária, ele avançou de um passo vigoroso, recebendo Posteriormente a todo esse processo, veio o
por um lado uma nova e poderosa impulsão e por outro desenvolvimento do camponês-artesão durante o
feudalismo, porém, é importante ressaltar que a sociedade
lado uma direção maior definida de um novo elemento que
feudal não se apoiava no capital e sim, na transferência de
surgiu com o homem acabado: a sociedade.” (ENGELS,
Friederich - “A Dialética da Natureza”, páginas 176 e 177). parte da produção para o senhor feudal. No feudalismo não
há propriedade privada, o senhor feudal não era o dono da
Sendo assim, o trabalho se inicia quando o homem começa terra e sim do domínio; o feudalismo era um sistema em
a fabricar ferramentas e armas cada vez mais complexas, que se possuía a renda da terra; era um sistema de troca, de
sendo estas utilizadas tanto para a caça/pesca, quanto para a renda em trabalho em forma de proteção militar; era a terra
sua defesa pessoal, o que demonstra a evolução do mesmo o meio de produção principal; era um sistema de
e fomenta o aumento da ingestão de proteínas para que seu obrigações; o feudalismo possuía uma natureza militarista,
cérebro pudesse se desenvolver continuamente.
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caracterizada na fidelidade ao senhor, que é bem gênese do processo industrial, processo esse, que se estende
representada na relação soberania e vassalagem. até os dias atuais, já que o desenvolvimento das habilidades
do homem proporcionou um acúmulo de excedentes que
Mas o desenvolvimento latente do camponês-artesão posteriormente foram usados como mercadoria, gerando
resultou no artesanato como uma forma de indústria assim um acúmulo primitivo de capital. E esse capital
caracterizada por ser uma economia familiar autônoma e acumulado, juntamente com todo o organismo
integrada, fazendo com que da mercadoria “força de desenvolvido do homem, fomentou esse embrião industrial,
trabalho” (M – D – M) viessem todas as outras fomentou o embrião da gênese do capital industrial.
mercadorias.

A combinação de atividades artesanais num mesmo espaço, PETITO, A. P. B./2008.


criando uma divisão interna de trabalho e fazendo com que
os artesãos se tornem empregados, culminou no surgimento Bibliografia: ENGELS, Friederich - “A Dialética da
do capital industrial manufatureiro, produzindo Natureza”
mercadorias ao invés de subsistência somente, tornando
assim, a manufatura uma propriedade de um comerciante REGIÃO NORDESTE
que conseguiu uma acumulação mercantil na forma
monetária, sendo o intermediador mercantil o dono da É formada por oito estados mais o centro-leste do
manufatura. Maranhão e o norte de Minas Gerais.

A crise no sistema feudal levou ao avanço da manufatura, Aspectos físicos ou naturais


que é uma forma de transição do artesanato para a
indústria, levando ao surgimento do capitalismo mercantil e
do Renascimento. Juntamente com a manufatura, surge o • É dividida em quatro sub-regiões:
relógio mecânico pra controlar o trabalhador e
a) Zona da Mata: faixa litorânea.
conseqüentemente a produção.
b) Agreste:área de transição entre a Zona da Mata
Lentamente as relações de troca vão aumentando e o
e o Sertão.
dinheiro surge como ponte dessa troca, mas a Europa não
tinha metais suficientes para manter o crescimento c) Sertão:área semi-árida do interior.
capitalista, daí a necessidade das Grandes Navegações, a
Expansão Marítima. E é o Brasil com o seu ouro que vai d) Meio-Norte ou Zona dos Cocais: área de
alimentar a Revolução Industrial. transição entre a caatinga e a Floresta
Amazônica.
No início da acumulação mercantil, não havia relação de
trabalho no campo, ou seja, o camponês tinha uma relação
AGROINDUSTRIA DA CANA-DE-AÇUCAR
mais subjetiva com a terra.

Mas com a expropriação fundiária, toda a família


• Cana: planta nativa da Ásia, aperfeiçoada pelos
camponesa foi expulsa do campo para as cidades buscando portugueses na ilha de Açores, Cabo Verde e
emprego nas manufaturas, porém, essa oferta de emprego Madeira.
não era suficiente, causando um aumento de camponeses
desempregados nas cidades, o que gerou um ambiente • Foi introduzida no século XVI em Pernambuco.
próprio para a exploração das indústrias/fábricas,
posteriormente, durante a Revolução Industrial, o que • Fatores favoráveis:
auxiliou no acúmulo de riquezas na forma de capital nas
a) Clima quente e úmido (clima tropical úmido)
mãos dos capitalistas. É um momento de grande miséria,
mas por mais que houvesse o êxodo rural, o campo não se b) Rios que correm do interior para o litoral
esvaziou, permitindo a produção de alimentos para atender facilitando o transporte do açúcar até os
a cidade. portos para ser exportado para a Europa

Desta forma, é possível perceber a relação que a evolução


do macaco antropóide para o homem completo tem com a

Geografia do Brasil 15
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c) Abundância de madeira na Mata Atlântica • Área de transição entre a Zona da Mata e o Sertão.
utilizada no transporte, combustível e em
habitações. • Possui os climas e a s vegetações das áreas em
volta.
d) Maior proximidade com Portugal – menor
custo com transporte • Área de planaltos (paredões rochosos) com a
e) Grande mercado europeu porque a produção ocorrência de chuvas orográficas ou de relevo, o
era escassa. que acaba intensificando a seca no sertão.

• Área de produção de gêneros de subsistência para a


• Desmatamento da Zona da Mata: Zona da Mata (agricultura,carne,leite), baseado em
pequenas e médias produções, sendo resultado da
1º) Desde o início da colonização com a extração de pau- repartição de grandes propriedades.
brasil.
• Área fornecedora de mão-de-obra para a Zona da
2º) Agroindústria açucareira Mata na época do corte da cana, como bóias-frias
ou trabalhadores temporários nas usinas.
• Com a introdução da agroindústria açucareira a
Zona da Mata tornou-se a área econômica mais Sertão
importante no Brasil nos séculos XVI e XVII,
atraindo um grande fluxo populacional.
• Clima tropical semi-árido: altas temperaturas e
• O capital comercial e o grande mercado europeu amplitude térmica elevada; chuvas irregulares e mais
incentivaram a plantação de cana-de-açúcar na concentradas no verão por causa da irregularidade das
colônia sob o regime da colonização por massas de ar.
exploração. • A seca ocorre quando não há chuva no período
previsto.
• O açúcar modificou o espaço em torno dele e
estruturou uma sociedade sob esse mesmo • Caatinga: vegetação xerófila.
comando.
• Criação de atividades acessórias: tabaco para a • Rios temporários e rios perenes.
troca por escravos, gado e agricultura de
subsistência. • Atividades econômicas: pecuária e agricultura
• Decadência do açúcar na segunda metade do século
XVII com a produção de açúcar nas Antilhas e a Meio-Norte ou Zona dos Cocais
descoberta do açúcar de beterraba. O Nordeste
tornou-se área de repulsão populacional e esse
fluxo se dirigiu posteriormente para a região das • Área de transição entre o sertão semi-árido e a
minas no século XVII com a descoberta da Amazônia úmida.
mineração.
• Vegetação: mata de transição – marca a
passagem da caatinga para a Floresta
SITUAÇÃO ECONOMICA DA ATUAL ZONA DA Amazônica.
MATA
• A vegetação é composta por palmeiras
(babaçu), também chamada de Mata dos
• Possui atividade açucareira e produção de álcool, Cocais de Babaçu.
porém quem lidera é São Paulo.
• Atividades econômicas: agricultura de arroz
• Extrativismo mineral: sal marinho nas áreas de várzeas, extrativismo vegetal e
cultura de algodão.
• Atividade industrial: bens de consumo duráveis,
não duráveis e intermediários. • Indústrias: beneficiamento de matéria –prima
oriunda do extrativismo vegetal, têxtil e
siderurgia que aproveita o minério de ferro
Agreste vindo da Serra dos Carajás, no Pará.

Geografia do Brasil 16
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• Aumento do polígono das secas e do processo estabelecidos projetos de energia elétrica, de rodovias, de
de desertificação. habitação popular, de abastecimento de água e de
construção de rede de esgoto para as cidades, de
agricultura, de industrialização e de irrigação de terras,
O ATUAL QUADRO SOCIAL ECONÔMICO DO
NORDESTE esta, inclusive, com a assistência de técnicos de Israel.

Com o Golpe de Estado de 64, o novo governo federal


• A seca não é responsável pela miséria e alterou objetivos iniciais da Sudene, que passou a ser um
pobreza – motivos órgão preocupado sobretudo com a industrialização do
Nordeste, principalmente com a implantação de complexos
a) As secas ocorrem no Sertão e não na Zona da Mata. industrias petroquímicos, cloroquímicos, alcooquímicos e
de outros ramos industriais.
b) Há grande concentração de propriedade de terra
Para atrair as indústrias para o Nordeste, a Sudene
c) Grande parte da população tem baixa renda. ofereceu vantagens, como pagamento de menos impostos,
empréstimos de dinheiro a juros baixos, facilidades para
d) A migração de nordestinos, principalmente para São comprar o terreno para instalar a indústria, etc.
Paulo e Rio de Janeiro, não é causada pela seca e sim, pelas
Por volta de 1975, a Sudene retomou, em parte, seus
péssimas condições de vida, pela miséria. Há migração
objetivos iniciais, passando a coordenar vários programas
oriunda do Agreste e da Zona da Mata.
para o Nordeste. Entretanto, apesar da atuação da Sudene e
do desenvolvimento industrial do Nordeste, os graves
problemas sociais dessa região não foram resolvidos. A
A “indústria da seca” miséria e a pobreza da sua população continuam ou até se
agravaram, pois ainda não foi resolvido o problema
fundamental, que é a questão da distribuição da riqueza ou
• Beneficiamento dos grandes proprietários, que
da renda.
muitas vezes são políticos, em relação às
ajudas governamentais.
Adas, Melhem. “O Brasil e suas regiões geoeconômicas”
• As obras de abertura de estradas e de construção Vol. 2 – págs 77 e78.
de açudes são feitas nas grandes propriedades, com
AMAZÔNIA
mão-de-obra barata (frente de trabalho).

• Envio de cestas de alimentos do governo federal


• Relevo: Planície de Várzea, Platôs e Planaltos (das
que são distribuídas pelos coronéis.
Guianas e Central).

• Clima Equatorial: Quente e úmido com baixa


TEXTO PARA REFLEXÃO:
amplitude térmica.
A SUDENE E A INDUSTRIALIZAÇÃO DO
NORDESTE • Vegetação: Floresta Amazônica – floresta
equatorial latifoliada, densa, sem vegetação
rasteira, árvores de grande porte e heterogênea.
A SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do
a) Mata de Igapós: Área sempre
Nordeste), projetada pelo economista Celso Furtado, foi
inundada pelos rios (Vitória-Régia)
criada em 1959, durante o governo do presidente Juscelino b) Mata de Várzea: Área sujeita a
Kubitschek. Seu objetivo era promover o desenvolvimento inundações na época de cheias
social e econômico da Região Nordeste, através de (Seringueira)
planejamento regional e da coordenação dos órgãos c) Mata de Terra firme: Área livre das
federais que aí atuam, como é o caso do Dnocs inundações (Mogno)
(Departamento Nacional de Obras contra as Secas).
• Solo: Pobre, ácido, dependente da floresta; possui
Inicialmente, a Sudene elaborou o então chamado Plano fina camada de matéria-orgânica e sem a floresta
Diretor para o Desenvolvimento do Nordeste. Aí estavam fica sujeito à desertificação e lixiviação.

Geografia do Brasil 17
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• Hidrografia: Bacia Amazônica e Bacia do


Tocantins.

• Não é o “pulmão do mundo”.

• Agricultura: Policultura de subsistência e soja


para exportação (+atualmente).

• Extrativismo vegetal: Drogas do Sertão (cacau,


cravo, castanha-do-pará e urucum), madeira,
borracha.

• Extrativismo mineral: Ouro, diamante (garimpo),


minério de ferro, manganês e alumínio (bauxita).

• Construção de hidroelétricas.

• Zona Franca de Manaus: criada em 1967 –


multinacionais.

• Área pouco povoada

• Causas do desmatamento:

a) A prática da agricultura de
subsistência (agricultura itinerante) e Assinale a opção que apresenta a seqüência
extração de lenha.
b) A formação de pastagens para a correta da numeração.
criação de gado.
(A) 2, 3, 1, 4
c) A inundação de áreas da Floresta
Amazônica para a construção de
(B) 3, 1, 4, 2
barragens das hidroelétricas.
d) A exploração de madeira realizada por (C) 2, 3, 4, 1
empresas nacionais que destroem não
somente as espécies vegetais que lhes (D) 2, 4, 1, 3
interessam, mas também outros
vegetais. (E) 3, 2, 1, 4

2) UFF 1999 O controle e a distribuição da água, por meio


EXERCÍCIOS de obras de engenharia, tem sido a forma pela qual os
governos vêm enfrentando a questão da seca no Nordeste
01) UFF 2000 Sub-Regiões do Nordeste semi-árido. Seguindo este modelo histórico, a solução desta
questão refere-se, atualmente, à:

(A) canalização e perenização dos rios Jaguaribe e


Parnaíba;

Assinale a opção que apresenta a seqüência

correta da numeração.

(A) 2, 3, 1, 4

(B) 3, 1, 4, 2

(C) 2, 3, 4, 1

Geografia do Brasil 18
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(D) 2, 4, 1, 3 redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros e


torrados.”
(E) 3, 2, 1, 4
Ramos,Graciliano.Vidas Secas
2) UFF 1999 O controle e a distribuição da água, por meio
de obras de engenharia, tem sido a forma pela qual os Acerca do tipo de vegetação em destaque no texto acima, é
governos vêm enfrentando a questão da seca no Nordeste correto afirmar que:
semi-árido. Seguindo este modelo histórico, a solução desta
questão refere-se, atualmente, à:

(A) canalização e perenização dos rios Jaguaribe e (A) vem expandindo-se em todas as sub-regiões do
Nordeste, devido à ação das secas periódicas;
Parnaíba;
(B) está associado à ocorrência do clima semi-árido,
predominante no sertão nordestino;
(B) criação de grandes represas nos rios temporários da
(C) justifica a chamada “indústria da seca”, devido ao
região; mau aproveitamento dos seus recursos;
(D) é uma conseqüência biogeográfica do fenômeno
(C) transposição das águas do rio São Francisco para outras
“El Nino” que impede as chuvas no Nordeste;
áreas do semi-árido; (E) ocorre, predominantemente, no Agreste,
dificultando as atividades produtivas e provocando
(D) perfuração e multiplicação de poços artesianos pela migração.
zona semi-árida;

(E) irrigação das várzeas criadas pelo curso do rio São 5) A grandiosa área da Floresta Amazônica não é mais
Francisco. tão grandiosa assim. Atividades econômicas estão
sendo desenvolvidas na região sem tanta preocupação
03) UERJ 1999 Leia o trecho do roteiro do filme “Central com o meio ambiente. Cite 2 dessas atividades
do Brasil”, dirigido por Walter Salles: explicando como elas se relacionam com o crescente
desmatamento existente na região norte do Brasil:
“70 - Sertão – Externa - Noite

O caminhão está parado no meio do mato próximo da 6) Observando o climograma abaixo, cite qual clima ele
estrada. César e Dora estão sentados no chão junto a uma representa e em qual região ele ocorre, abordando as
suas características fundamentais:
fogueirinha. Josué ficou no caminhão.

César:

- É, no sertão também faz frio.”

A característica climática do sertão nordestino que se


relaciona ao frio referido no texto acima é:

(A) intensificação de secas no verão

(B) expressiva amplitude térmica diária

(C) regularidade na distribuição das chuvas


7) As hidrelétricas são consideradas formas “limpas” de
(D) permanente atuação da massa equatorial continental obtenção de eletricidade, porém, sua implementação
acarreta sérios danos sócio-ambientais. Descreva 2
desses problemas ocasionados pela construção das
hidrelétricas na Amazônia:
04) UNIFICADO “A vida na fazenda se tornara difícil.
Sinhá Vitória se benzia tremendo, manejava o rosário,
mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no 8) A Floresta Amazônica caracteriza-se por sua
banco do copiar, Fabiano espiava a caatinga amarela, vegetação densa, heterogênea, com árvores de grande
onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelo porte. Qual é a característica desse tipo de formação
vegetal que está relacionada ao seu processo de

Geografia do Brasil 19
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transpiração? Como se chama tal processo e qual a sua • Circulação de mercadorias e pessoas no espaço.
importância para a manutenção do clima da região?
• Fatores fundamentais: custo e tempo.

9) A exuberância da Amazônia esconde uma certa • O sistema de transporte brasileiro foi implantado
fragilidade em relação à manutenção da floresta. com base em uma economia determinada por um
Caracterize o componente desse ecossistema modelo exportador primário: riquezas minerais e
responsável por essa fragilidade: agrícolas transportadas do interior do país para os
portos litorâneos.
10) Cite quais os governos que foram fundamentais para o • Transporte rodoviário: grande incentivo com JK
desenvolvimento industrial brasileiro, explicando a atuação para atrair as indústrias automobilísticas; tornou-se
do Estado neles: o principal meio de transporte no país; é um
sistema frágil.
11) No Brasil, as queimadas consomem todos os anos
uma grande quantidade de biomassa. • Transporte hidroviário: o custo/km é 2X mais
baixo que a ferrovia e 5X menor que o da rodovia;
causa problemas ambientais devido às alterações
Considerando os desequilíbrios ambientais provocados pela feitas nos rios para torná-los navegáveis, o que
retirada da cobertura vegetal, analise as seguintes provoca modificações em suas características de
afirmativas: fluxo, afetando a biodiversidade das regiões por
onde passam.

I - O aumento do processo erosivo acarreta o • Transporte ferroviário: implantação e


empobrecimento dos solos. desenvolvimento associado ao ciclo do café;
II - O assoreamento dos rios compromete os ecossistemas prioridade ao transporte de cargas, mas o transporte
aquáticos. de pessoas vem aumentando gradativamente. É
III - A diminuição da evapotranspiração altera o regime de mais adequado para áreas com grandes extensões
chuvas. de terras.
IV - A ruptura das cadeias alimentares provoca o aumento
de pragas e doenças. • Transporte marítimo: iniciou-se com a
manutenção do pacto colonial e atualmente está
Assinale a opção que apresenta as afirmativas corretas. voltado para uma maior participação do país na
economia global.
(A) As afirmativas I e II estão corretas;
(B) As afirmativas III e IV estão corretas; • Transporte multimodal: é a combinação entre
(C) As afirmativas I e IV estão corretas; diferentes modalidades de transportes como
(D) As afirmativas II, III e IV estão corretas; alternativa para diminuir custos, estimular a
(E) Todas as afirmativas estão corretas. produção e integrar regiões isoladas.

12) “A guerra fiscal é, na verdade, uma guerra global entre


EXERCÍCIOS
os lugares”.

Milton Santos, Folha de São Paulo. 1. (UERJ) “SEM CAMINHÃO O BRASIL PÁRA.”

Um cartaz com os dizeres acima está afixado na


maioria dos caminhões que circulam pelas nossas
De que forma os estados e municípios competem entre si estradas. Tendo como referência principal o modelo que
praticando a guerra fiscal? de desenvolvimento que criou o chamado “milagre
econômico brasileiro” da década de 70, podemos
13) O que se entende pela expressão “substituição de afirmar que o conteúdo explicado no cartaz torna
importações”? Qual foi a sua importância no governo em evidente a:
que foi adotada?
a) necessidade do uso do caminhão pelo seu menor
O TRANSPORTE E A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO custo, em contraste com o fracasso do transporte
BRASILEIRO ferroviário, mais oneroso;

Geografia do Brasil 20
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b) perversidade do modelo baseado no


“rodoviarismo”, que transforma o caminhão no
meio prioritário de transporte de carga no país;

c) terceirização da economia brasileira, com cargas


predominantes leves, adotando-se o caminhão pela
possibilidade de transporte porta-a-porta (mais
barato);

d) qualidade da malha rodoviária brasileira, o que


justifica a preferência pelo caminhão para o
transporte de cargas pesadas;

Identifique:
e) vantagem do uso do caminhão em relação a outros
tipos de transporte, representada pelo baixo custo A) duas mudanças na estrutura da população entre
de manutenção das estradas. os dois momentos;

B) uma conseqüência socioeconômica para cada


2. Dados estatísticos veiculados por várias fontes revelam
uma dessas mudanças.
que não foram as grandes metrópoles que mais cresceram
no Brasil na década de 90, mas sim as cidades médias.
2) Brasil – População por grupos de idade (1991-
Duas causas diretas para esse fenômeno são:
1996)

a) Sobrecarga das áreas metropolitanas, fixação dos Grupos de idade 1991 1996
trabalhadores rurais no campo.
até 14 anos 34,73% 31,62%

b) Redirecionamento dos fluxos migratórios de 15 a 64 anos 60,45% 63,01%


internos; dispersão espacial de diversos setores
produtivos. a partir de 65 anos 4,83% 5,37%

(Adaptação de dados do IBGE divulgados por O


c) Incentivos fiscais por parte das periferias locais; Globo,06/08/97)
melhoria da qualidade de vida nas grandes
metrópoles. A mudança no perfil demográfico brasileiro, expressa pelo
envelhecimento da população, reforçou o discurso
governamental para as reformas na Previdência Social, hoje
d) Desaceleração do crescimento populacional; já encaminhadas, com a proosta de aumento da idade
dinamização do setor agrário nas imediações das
mínima para a aposentadoria. Todavia, outros estudiosos,
médias cidades.
inclusive demógrafos do IBGE, vêm ressaltando a
PENGE 01 GEOGRAFIA DO BRASIL necessidade de reorientação da política econômica, para
priorizar o aspecto social no tratamento da questão.

1) Observe as pirâmides etárias do Estado do Rio de Se, por um lado, a mudança na estrutura etária favoreceu os
Janeiro nos anos de 1991 e 2000, que apresentam as os argumentos governamentais sobre a necessidade de
freqüências percentuais das classes de idade em intervalos reforma na Previdência, poderia também, por um outro
de cinco anos. lado, ter despertado a sensibilidade para um dos maiores
prblemas da atualidade: o desemprego.

a) Cite dois fatores que explicam a mudança ocorrida no


perfil demográfico brasileiro manifestada acima.

Geografia do Brasil 21
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de vigilância eletrônica. Nós vivemos em cidades


brutalmente divididas entre “células fortificadas” da
b) Explique como a geração de empregos seria uma opção sociedade afluente e “lugares de terror” onde a polícia
para o enfrentamento das mudanças recentes na estrutura guerreia contra o pobre criminalizado.”
etária da população brasileira, no que diz respeito à
situação da Previdência Social. (Adaptado de DAVIS, Mike. Cidade de Quartzo.
São Paulo: Página Aberta, 1993.)
3) Até outro dia, a empresa privada brasileira com maior
número de empregados era a Volkswagem, com 30775 1O texto acima descreve um processo socioespacial que
postos de trabalho. No momento, a montadora está também pode ser observado em metrópoles brasileiras,
passando a faixa de campeã de empregos para,
como o Rio de Janeiro. A partir dessa comparação,
imaginem, a Mc Donald’s. A rede de fast food terá
32000 empregados até dezembro – número que, em dois A) identifique esse processo e aponte o fator comum que o
anos, chegará a 51000.
desencadeou nas duas cidades;
(Revista Veja, Edição 1560,
19/08/98) B) cite duas ações do Estado que reforçam esse processo na
cidade do Rio de Janeiro.
a) Cite e explique um fator determinante para a redução de
empregos no setor industrial.

b)Exponha duas razões para a concentração maior de


empregos no setor terciário (comércio e prestação de
serviços) no país.

PENGE 02 GEOGRAFIA DO BRASIL

1) A devastação da vegetação original foi uma das marcas


mais expressivas do modelo econômico adotado em nosso
país. Atualmente, o desmatamento alcança quase 40% do
território nacional, promovendo diferentes problemas
sócio-ambientais. Relacione as atividades sócio-
econômicas predominantes na faixa litorânea do país com o
processo de desmatamento.
2 Correlacione as seguintes sub-regiões do Rio de Janeiro:
2) Como os complexos agroindustriais modificaram o tipo
de cultura existente no Brasil? 1- NORTE 2- NOROESTE 3- REGIÃO DOS
LAGOS 4- REGIÃO SERRANA 5- CENTRO-SUL
3) Sabendo-se como se encontra a estrutura fundiária no 6- METROPOLITANA 7- MÉDIO PARAÍBA 8-
Brasil, faça a co-relação da mesma com o modelo histórico LITORAL SUL
de ocupação das terras brasileiras:
( ) Área marcada por intenso processo de desertificação.

PENGE 03 GEOGRAFIA DO BRASIL ( ) Área tradicionalmente voltada para a produção de


cana-de-açúcar que vem perdendo em importância para o
petróleo.
“Florestas de pequenas e ameaçadoras plaquinhas que
avisam: “Resposta Armada!” crescem nos ( ) Possui a maior concentração populacional.

gramados cuidadosamente aparados do West Side de Los ( ) Área produtora de hortifrutigranjeiros e possui
Angeles. Até mesmo os bairros mais ricos indústrias têxtil e cimenteira.

se isolam atrás de muros guardados por polícia privada ( ) No passado a extração de sal era a sua base econômica
armada e por moderníssimos equipamentos e atualmente sofre com a poluição e a especulação
imobiliária.

Geografia do Brasil 22
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( ) Foi uma grande produtora de café e atualmente se b) Explique de que maneira as condições
destaca na siderurgia. climatológicas e ambientais influenciaram no
aumento das mortes e internações.
( ) O turismo rural tem sido importante para a sua
economia. 2) (UFF/2008) “O modelo de desenvolvimento adotado
pelos países centrais e por parte dos países periféricos
( ) Co-existem a beleza natural de suas praias e usinas gerou impactos ambientais que ultrapassam os limites
nucleares territoriais das unidades políticas, sem respeitar os limites
elaborados pela geografia e pela história dos lugares e de
3 (UFRJ/2008) “O espaço é a acumulação
quem os habita.” (RIBEIRO, W. C. A ordem ambiental
desigual de tempos”. (Milton Santos)
internacional. São Paulo: Contexto, 2001, p. 12.)

a) Mencione três eventos vinculados diretamente a


impactos ambientais, que exemplifiquem a
afirmativa do autor.
b) Explique um dos eventos mencionados no item
anterior.

3) (UERJ/2008) Como pode ser observado na figura, a


Indique como a imagem acima expressa o conteúdo da Terra possui uma inclinação de 23º27´em relação ao plano
afirmativa do importante geógrafo. de sua órbita em torno do Sol, o que gera vários fenômenos
PENGE 04 GEOGRAFIA DO BRASIL físicos. Aponte duas alterações, uma no clima e outra na
duração dos dias e das noites, que a ausência dessa
inclinação provocaria.
1) (UFF/2008) O gráfico abaixo apresenta dados obtidos
em uma pesquisa realizada entre 1993 e 1997, quando
foram registrados os números médios mensais de mortes
(maiores de 64 anos) e internações por problemas
respiratórios atribuíveis a poluentes atmosféricos (poeiras)
no Município de São Paulo.

PENGE 05 GEOGRAFIA DO BRASIL

1) Caracterize os governos Collor e FHC em relação a sua


política industrial:

2) Sabendo-se que, após 1930 o desenvolvimento industrial


a) Indique o período do ano em que as mortes e
internações se intensificaram, especificando os foi impulsionado, caracterize as formas industriais
meses em que as médias de internações atingiram presentes no território brasileiro apresentadas abaixo e suas
ou estiveram próximas dos valores máximos. subdivisões:

A) Indústrias extrativas

Geografia do Brasil 23
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B) Indústrias de transformação
3) Relacione a Segunda Guerra Mundial com o processo Identifique qual dos dois perfis é típico do semi-árido
de industrialização brasileiro: nordestino brasileiro. Justifique sua resposta com base
na noção de intemperismo.

PENGE 06 GEOGRAFIA DO BRASIL 3AAmazônia é, sobretudo, diversidade.” GONÇALVES,


Carlos Walter Porto – Amazônia, Amazônias, p.09, 2005.
Asa Branca

Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João,


A frase acima apresenta uma característica básica da
Eu perguntei a Deus do céu, ai! por que tamanha judiação. Amazônia, já que a floresta reúne diversidades em vários
campos. Apresente e explique 3 dessas diversidades
Que braseiro! Que fornalha! Nenhum pé de plantação.
encontradas nesses diferentes campos:
Por falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu
alazão.
PENGE 07 GEOGRAFIA DO BRASIL
Até mesmo a asa-branca bateu asas do sertão.
1. (UNICAMP) A situação dos transportes de carga
Então, eu disse: Adeus, Rosinha! Guarda contigo meu no Brasil é ilustrada na tabela abaixo:
coração.

Hoje longe, muitas léguas, numa triste solidão, RODOVIÁRIO 55%

Espero a chuva cair de novo pra eu voltar pro meu sertão. FERROVIÁRIO 23%

Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, HIDROVIÁRIO 01%

Eu te asseguro, não chores não, viu? Eu voltarei pro meu OUTROS 21%
sertão.(...)

Luiz Gonzaga
a) Explique porque, no Brasil, os transportes mais baratos
são o hidroviário e o ferroviário:
1) Retratado na canção Asa Branca, o sertão nordestino se b) Por que, apesar dos custos, a maior parte dos transportes
caracteriza como uma sub-região marcada por fortes de carga no Brasil é feita por rodovias?
conflitos.

Analise as condições sociais do sertão nordestino, tendo em


vista sua estrutura econômica e fundiária: 2. “O processo de urbanização, acelerado a partir de
1950, está associado ao processo de
industrialização. As migrações do campo para a
cidade passaram a ocorrer onde havia um forte
2 (UFRJ/2008) Analise os dois perfis de solo a seguir. fator de atração representado pela oferta de
empregos industriais urbanos.”

a) Cite e explique dois fatores que


impulsionaram o processo de urbanização
brasileiro:

b) Relacione o Estatuto do Trabalhador Rural


com a formação dos centros urbanos no
Brasil

Geografia do Brasil 24
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3. “A cidade é o lugar em que o mundo se move


mais; e os homens também. A co-presença ensina
aos homens a diferença. Quanto maior a cidade,
mais numeroso e significativo o movimento, mais
vasta e densa a co-presença e também maiores as
lições e o aprendizado.” (Santos, Milton –
Globalização e Meio)

a) Cite um exemplo de contraste social


existente no meio urbano explicando como
se dá a sua existência:

b) Explique o seguinte trecho do texto acima:


“... quanto maior a cidade, mais numeroso
e significativo o movimento, mais vasta e
densa a co-presença ...”

Geografia do Brasil 25