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Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE DISCIPLINA: LITERATURA PROFESSORA: MONIQUE DA SILVA

ARANHA DE ÁGUA Prendeu o corpo ao silêncio. Saltou. A aranha erra, às vezes, o alvo que sonhou. Todo se desfia. Mais que planta de prédio, era fria. Com mais patas que alma. E dedos de vento, seus fios. Com calma se arma de morte. Aranha escapa de si Por um fio. De cada desafio alimenta-se. se. Mas sua alma calculada É toda aérea. Ela, chuva no vidro E líquidas suas ligas. Águas lhe dão garras à vida. GUIMARAES, Edmar. Caderno. Poesia. Goiânia: Kelps, 2005. p. 37. Pode-se verificar no poema a interferência da forma se narrativa no gênero lírico. Dos efeitos poéticos construídos no texto, o que indica mais efi eficazmente essa interferência é a) a mudança de tempo e ação na 1ª estrofe. b) o verso livre e a pontuação regular. c) a visão das coisas sob um ponto de vista afastado. d) a unidade de espaço fragmentado na visão do poeta. (UERJ) Com base no texto aba ) abaixo, responda às questões de números 1 e 2. I "O GERENTE — Este hotel está na berra! Jamais houve nesta terra Um hotel assim mais tal! Toda a gente, meus senhores, Toda a gente ao vê-lo diz: Que os não há superiores Na cidade de Paris! Que belo hotel excepcional O Grande Hotel da Capital Federal! CORO — Que belo hotel excepcional, etc...." II "O GERENTE — Nesta casa não é raro Protestar algum freguês: Coisa é muito natural! Acha bom, mas acha caro Quando chega o fim do mês. Por ser bom precisamente, 1

GÊNEROS LITERÁRIOS
A literatura é arte que se manifesta pela palavra, seja ela falada ou escrita. Quanto à forma, o texto pode apresentar-se em prosa ou verso. Quanto ao conteúdo, estrutura e, segundo os clássicos, conforme a “maneira de imitação”, podemos enquadrar as obras literárias em três s gêneros: • Lírico – é certo tipo de texto no qual o eu lírico (a voz que fala no poema, que nem sempre é a do autor) exprime suas emoções, idéias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da ssoa linguagem. Nada ficou no lugar Eu quero quebrar essas chícaras Eu vou enganar o diabo Eu quero acordar sua família Eu vou escrever no seu muro E violentar o seu gosto (Adriana Calcanhoto) • Dramático – trata-se do texto escrito para se ser encenado no teatro. Corregedor – Ó arrais dos gloriosos, passai-nos neste batel! Anjo – Oh, pragas pera papel pera as almas odiosos! Como vindes preciosos, sendo filhos da ciência! Corregedor – Oh, habetatis, clemência e passai-nos como vossos! Parvo – Hou, homem dos breviários, rapinastis coelhorum et pernis perdigotorum e mijais nos campanários! (“Auto da barca do inferno” - Gil Vicente) • É pico – nesse gênero há a presença de um narrador que fundamentalmente conta a história ador passada de terceiros. Isso implica certo distanciamento entre o narrador e o assunto tratado. São geralmente losngos e narram histórias de um povo ou uma nação, envolvendo aventuras, guerras, viagens, gestos históricos, etc. Exemplos: ricos, Ilíada, de Homero; Os Lusíadas, de Luís de , Camões. EXERCÍCIOS 1. (UEG-2006) Literatura

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Se o freguês é do bom-tom Vai dizendo a toda a gente Que isto é caro mas é bom. Que belo hotel excepcional! O Grande Hotel da Capital Federal! CORO — Que belo hotel excepcional, etc...." “O GERENTE (Aos criados) — Vamos! Vamos! Aviem Aviemse! Tomem as malas e encaminhem estes senhores! Mexam-se! Mexam-se!... (Vozerio. Os hóspedes pedem quarto, banhos, etc.... Os criados respondem. Tomam as malas, saem todos, uns pela escadaria, outros pela direita direita.) Cena II "O GERENTE, depois, FIGUEIREDO O GERENTE (Só.) — Não há mãos a medir! Pudera! Se nunca houve no Rio de Janeiro um Hotel assim! Serviço elétrico de primeira ordem! Cozinha esplêndida, música de câmara durante as refeições da mesa redonda! Um reló relógio pneumático em cada aposento! Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e massagem! Grande salão com um plafond pintado pelos nossos primeiros artistas! Enfim, uma verdadeira novidade! — Antes de nos estabelecermos aqui, era uma vergonha! Havia hotéis em tabelecermos São Paulo superiores aos melhores do Rio de Janeiro! Mas em boa hora foi organizada a Companhia do Grande Hotel da Capital Federal, que dotou esta cidade com um melhoramento tão reclamado! E o caso é que a empresa está dando ótimos dividendos e as ações andam por empenhos! (Figueiredo aparece no topo da escada e começa a descer.) Ali vem o Figueiredo. Aquele é o verdadeiro tipo do carioca: nunca está satisfeito. Aposto que vem fazer alguma reclamação." AZEVEDO, Arthur. A Capital Federal . Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1972. 2. (Uerj) A Capital Federal, peça escrita por Arthur , Azevedo e encenada com sucesso até hoje, retrata o Rio de Janeiro no fim do século XIX. a) O texto demonstra como já circulavam amplamente no o Rio de Janeiro comparações com modelos estrangeiros de modernidade. Transcreva dois versos que confirmem esta afirmativa. b) Transcreva do texto duas frases completas em que o progresso técnico e o conforto são apresentados c como qualidades simultâneas do Grande Hotel. 3. (Uerj) O texto I faz parte de uma peça de teatro, forma de expressão que se destacou na captação das imagens de um Rio de Janeiro que se modernizava no início do século XX. Aponte o gênero de composição em que se enquadra esse texto e um aspecto característico desse gênero.

4. (PRISE/UEPA-2006) Assinale a alternativa que indica 2006) corretamente os gêneros literários dos textos abaixo relacionados, na seqüência em que estão dispostos: I- “O Dr. Mamede, o mais ilustre e o mais eminente dos alienistas, havia pedido a três de seus colegas e a quatro sábios que se ocupavam de ciências naturais, que viessem passar uma hora na casa de saúde por ele dirigida para que lhes pudesse mostrar um de seus pacientes.” (Guy de Maupassant) II- Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais E ficamos repousando no fundo do mar. O mar onde tudo recomeça... Onde tudo se refaz... Até que, um dia, nós criaremos asas. E andaremos no ar como se anda na terra. (Mário Quintana) III- Oh! Que famintos beijos na floresta! E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves, que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava! O que mais passam na manhã e na sesta, Que Vênus com prazeres inflamava, Melhor é experimentá-lo que julgá lo julgá-lo; Mas julgue-o quem não pode experimentá o experimentá-lo. (Luiz de Camões) IV- Velha: E o lavrar, Isabel? , Isabel: Faz a moça mui mal feita, corcovada, contrafeita, de feição de meio anel anel; e faz muito mau carão, e mau costume d’olhar. Velha: Hui! Pois jeita-te ao fiar te Estopa ou linho ou algodão; Ou tecer, se vem à mão. Isabel: Isso é pior que lavrar. (Mário Quintana) a) Narrativo – Épico – Lírico – Dramático. b) Dramático – Lírico – Épico – Narrativo c) Narrativo – Lírico – Épico – Dramático d) Dramático – Épico – Narrativo – Lírico e) Épico – Dramático – Narrativo – Lírico FIGURAS DE LINGUAGEM As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso. As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A 2

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palavra empregada em sentido figurado, não denotativo, nãopassa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo. Diz respeito às formas conotativas das palavras. Recria, altera e enfatiza o significado institucionalizado delas. A divisão das figuras de linguagem (em figuras de palavras, figuras de pensamentos, figuras de construção e ras, figuras sonoras) segue um critério didático e por isso pode haver classificações diferentes se procurado em vários autores. A expressão Figuras de Estilo foi criada para uni unilas num todo, sem divisão alguma. I. Figuras sonoras

presidem às relações de dependência ou interdependência e de ordem das palavras na frase. Ensina Ensina-nos, entretanto, que aqueles aspectos lógicos e gerais não são exclusivos; ocasionalmente, outros fatores podem influir e, em função deles, a concordância, a regência ou a colocação (planos egência em que se faz o estudo da estrutura da frase) apresentam apresentam-se, às vezes, alteradas. Tais alterações denominam figuras denominam-se de construção também chamadas de figuras sintáticas Elipse Omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos mais comuns: Ex: "No mar, tanta tormenta e tanto dano." Zeugma Omissão de um termo que já apareceu antes. Utilizada, sobretudo, nas orações comparativas. Ex: "O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buarque) Hipérbato Alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das orações no período. São determinadas por ênfase e podem até gerar anacolutos. rar Ex: Morreu o presidente. Pleonasmo Repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a idéia. Ex: Vi com meus próprios olhos. Ao pobre não lhe devo.

Aliteração Repetição de sons consonantais (consoantes). Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia. Ex: "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza) Assonância Repetição dos mesmos sons vocálicos. Ex: - "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral." (Caetano Veloso) - "O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser me deu." (Fernando Pessoa) Paranomásia É o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).

Assíndeto Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva leva-nos às primícias" (Padre Antonio Vieira) Onomatopéia Criação de uma palavra para imitar um som Ex: "Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa / A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhemm nhem-nhem-nhem-nhem..." (Cecília Meireles) ..." II. Figuras de sintaxe Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios." Polissíndeto Repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período. O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e Ex: maltrata. "E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a 3 Ausência de conectivos de ligação, assim atribu maior atribui rapidez ao texto. Ocorre muito nas orações coordenadas.

A gramática normativa, partindo de aspectos lógicos e gerais observados na língua culta, aponta princípios que Literatura

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gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de Andrade) Anacoluto Termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente, inicia-se uma determinada construção se sintática e depois se opta por outra. Ex: Minha vida, tudo não passa de alguns anos sem importância. Anáfora Repetição de uma mesma palavra no início de versos ou io frases. Ex: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta / Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque) Silepse É a concordância com a idéia, e não com a palavra escrita. Existem três tipos: a) de gênero: São Paulo continua poluída (= a cidade ro: de São Paulo). b) de número: O casal não veio, estavam ocupados. c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas. Antecipação Antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático. Pode gerar anacoluto. Ex.: Joana creio que veio aqui hoje. O tempo parece que vai piorar. III. Figuras de palavras

Catacrese Uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na ausência de termo específico. se Ex.: "Distrai-se um deles a enterrar o dedo no tornozelo inchado." Metonímia Substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associação de significado. Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) Ir ao barbeiro (o possuidor pelo possuído, ou vice viceversa - barbearia) Bebi dois copos de leite (continente pelo conteúdo e leite) Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos) Antonomásia, perífrase Substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma expressão que facilmente o identifique. Fusão entre nome e seu aposto. Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o leão Sinestesia Interpenetração sensorial, fundindo dois sentidos ou fundindo-se mais (olfato, visão, audição, gustação e tato). Ex.: "Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava ... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava." (Cruz e Souza) Anadiplose É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no começo de outro membro de frase. Ex: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos dados." "Pede-se aos senhores a aplicação da justiça. Justiça se que outra coisa não é senão a razão do Direito." IV. Figuras de pensamento

Comparação Consiste em aproximar dois seres pela sua semelhança, de modo que as características de uma sejam atribuídas a outro; usando conectivos. Ex.: Lívia é linda como sua mãe. Metáfora Emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. É um tipo de comparação implícita, sem termo comparativo. Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. "Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta." (Luís Gonzaga Junior) Literatura

Antítese u Aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.

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Ex: "Onde queres prazer sou o que dói, E onde queres tortura, mansidão Onde queres um lar, revolução E onde queres bandido sou herói.” (Caetano Veloso) Eu sou velho, você é moço. Paradoxo Ocorre na exposição contraditória de idéias É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Ex: “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa) "Eu sou um velho moço." “Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer” (Camões) Eufemismo Consiste em "suavizar" alguma idéia desagradável. izar" Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado) Hipérbole Exagero de uma idéia com finalidade expressiva expressiva. Ex: Estou morrendo de sede. Ela é louca pelos filhos. Ironia Utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico. Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta. Gradação

Nos exercícios de número 1 a 21, faça a associação de acordo com o seguinte código: a) elipse b) zeugma c) pleonasmo d) polissíndeto e) assíndeto f) hipérbato g) anacoluto h) silepse de gênero i) silepse de número j) silepse de pessoa l) anáfora

Apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax). Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não veja, que eu não conheça perfeitamente." Prosopopéia, personificação, animismo É a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados. Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..." (Jõao Bosco / Aldir Blanc) Exercícios

1. ( ) “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos.”(Machado de Assis) 2. ( ) “Aquela mina de ouro, ele não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.” (José Lins do Rego) 3. ( ) “Este prefácio apesar de interessante, prefácio, inútil.” (Mário Andrade) 4. ( ) “Era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de querer estar ao lado de lá-Dijina, em sua casa deles dois, da outra Dijina, banda, na Lapa-Laje.” (Guimarães Rosa) Laje.” 5. ( ) “Em volta: leões deitados, pombas voando, ramalhetes de flores com laços de fitas, o Zé-Povinho de chapéu erguido.” Povinho (Aníbal Machado) 6. ( ) “Sob os tetos abatidos e entre os esteios fumegantes, deslizavam melhor, a salvo, ou tinham mais invioláveis esconderijos, os sertanejos emboscados. “ (Euclides da Cunha) 7. ( ) V. Exa. está cansado? 8. ( ) “Caça, ninguém não pegava... (Mário de Andrade) 9. ( ) “Mas, me escute, a gente vamos chegar lá.”(Guimarães Rosa) 10. ( ) “Grande parte, porém, dos membros daquela assembléia estavam longe destas quela idéias.”(Alexandre Herculano) 11. ( ) “E brinquei, e dancei e fui Vestido de rei....”(Chico Buarque) 12. ( ) “Wilfredo foge. O horror vai com ele, inclemente. Foge, corre, e vacila, e tropeça e resvala, E levanta levanta-se, e foge alucinadamente....”(Olavo Bilac) 13. ( ) “Agachou “Agachou-se, atiçou o fogo, apanhou uma brasa com a colher, acendeu o cachimbo, pôs-se a chupar o canudo do taquari cheio de se sarro.” (Graciliano Ramos) 14. ( ) “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.” (Antônio Olavo Pereira) o 15. ( ) “Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal Machado) 16. ( ) “Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado.”(Martinho da Vila) 17. ( ) “Rubião fez um gesto. Palha outro; mas quão diferentes.”( Machado de Assis)

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18. ( ) “Estava certo de que nunca jamais rto ninguém saberia do meu crime.” (Aurélio Buarque de Holanda) 19. ( ) “Fulgem as velhas almas namoradas.... / - Almas tristes, severas, resignadas, / De guerreiros, de santos, de poetas. “ (Camilo Pessanha) 20. ( ) “Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.” (J. Simões Lopes Neto) 21. ( ) “Tende piedade de mulher no instante do parto. / Onde ela é como a água explodindo em convulsão/ Onde ela é como a terra vomitando cólera / Onde ela é como a lua parindo desilusão.” (Vinícius de Morais) Nos exercícios de números 22 a 27, faça a associação de acordo com o seguinte código: a) paradoxo c) hipérbole e) gradação b)eufemismo d) antítese

30. ( ) “Por uma única janela envidraçada, entravam claridades cinzentas e surdas, sem sombras.” (Clarice Lispector) Relacione as figuras de som: a) aliteração b) assonância c) paranomásia d) onomatopéia 31. ( ) “Leis perfeitos seus peitos direitos / me olham assim / fino menino me inclino / pro lado do sim / rapte-me adapte-me capte-me coração.” me (Caetano Veloso) 32. ( ) “Plunct, plact, zum, você não vai a lugar nenhum.” (Raul Seixas) 33. ( ) “Toda gente homenageia Januária na janela.” (Chico Buarque) 34. ( ) “Há um pinheiro estático e extático.” (Rubem Braga) você é duro, José!” (Drummond) 35. ( ) Rua torta, Lua morta. Tua porta.” (Cassiano Ricardo) 36. ( ) “Do amor morto motor da saudade (...) Divindade do duro totem futuro total” (Caetano Veloso) BARROCO Contexto histórico: • • • • Reformas protestantes; Contra-Reforma; Reforma; Inquisição; Ação jesuítica.

22. ( ) “Nasce o sol, e não dura mais que um dia. / Depois de luz, se segue a noite escura, / Em tristes sombras morre a formosura/ Em contínuas tristezas, a alegria.” (Gregório de Matos) 23. ( ) “Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais era que todas as vertidas desde Adão e Eva” (Machado de Assis) 24. ( ) “Todo sorriso é feito de mil prantos, /toda vida se tece de mil mortes.”( Carlos de Laet) 25. ( ) “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro Lobato) 26. ( ) “Residem juntamente no teu peito / Um demônio que ruge e um deus que chora.” (Olavo Bilac) 27. ( ) “Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor.” (Mário de Andrade) Relacione as figuras de palavras: a) sinestesia b) metáfora c) comparação 28. ( ) “Deixe em paz meu coração Que ele é um pote até aqui de mágoa.” (Chico Buarque) 29. ( ) “... como um lustro de seda dentro de um confuso montão de trapos de chita.” (Raquel de Queirós)

Principais características: • Vocabulário selecionado; • gosto pelas inversões sintáticas; • figuração excessiva, com ênfase em certas figuras de linguagem, como a metáfora, a antítese, a hipérbole; • gosto por construções complexas e raras; • conflito espiritual; • consciência da efemeridade do tempo; • carpe diem; • morbidez; 6

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gosto por raciocínios complexos.

Principais autores: • • Exercícios Texto I Enquanto quis Fortuna que tivesse Luis Vaz de Camões Enquanto quis Fortuna que tivesse esperança de algum contentamento, o gosto de um suave pensamento me fez que seus efeitos escrevesse. Porém, temendo Amor que aviso desse minha escritura a algum juízo isento, escureceu-me o engenho co tormento, pera que seus enganos não dissesse. Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos a diversas vontades! Quando lerdes num breve livro casos tão diversos, Verdade puras são e não defeitos; e sabei que, segundo o amor tiverdes, tereis o entendimento de meus versos. Texto II A certa personagem desvanecida Gregório de Matos Guerra Um soneto começo em vosso gabo: Cantemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo; A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã canseira, E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Gabando-vos a vós, e eu fico um rei. Nesta vida um soneto já ditei; Se desta agora escapo, nunca mais Louvado seja Deus, que o acabei. 1. (UFRJ) a) Qual a função da linguagem que, ao lado da função poética, sobressai no texto II? Literatura Gregório de Matos; Padre Antônio Vieira.

b) O soneto de Gregório de Matos emprega níveis de contrastantes. Transcreva uma expreessão da segunda estrofe e outra da primeira que comprevem essa afirmativa. 2. No mundo barroco predominam os contrastes. Partindo das ideias no 1º e nos dois últimos versos do soneto de Gregório de Matos, explique a oposição básica que confere ao texto a feição satírica. 3. a) Os textos anteriores são representantes de qual gênero literário? Justifique sua resposta com um fragmento do texto I e um do texto II. b) Metalinguagem é a linguagem que fala da própria linguagem. Ela está presente também em textos que tratam de outros textos, como é o caso de análises literárias, interpretações e críticas divers Pode-se afirmar que o diversas. texto IV, "A certa personagem desvanecida de Gregório A desvanecida", de Matos, é um texto em que predomina a metalinguagem? Por quê? (FATEC) “...milhões de palavras ditas com esforço 4. de pensamento.” Essa passagem do texto faz referência a um traço da linguagem barroca presente na obra de Vieira; trata do trata-se a) gongorismo, caracterizado pelo jogo das idéias. cultismo, caracterizado pela exploração da b) sonoridade das palavras. c) cultismo, caracterizado pelo conflito entre fé e razão. d) conceptismo, caracterizado pelo vocabulário preciosista e pela exploração de aliterações. e) conceptismo, caracterizado pela exploração das relações lógicas, da argumentação. ARCADISMO No século XVIII, as formas artísticas do barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sociopolítico sociopolítico-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate Combate-se a mentalidade relig iosa criada pela Contra Contra-Reforma, negase a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza o valoriza-se estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. É a literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contraditória; a que objeta restaurar o equilíbrio por meio da razão. Os italianos criam a Arcádia em 1690, procurando imitar a Arcádia, lendária região da Grécia antiga, habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer. Características da linguagem árcade:

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1.

Quanto ao conteúdo:

• Fugere urbem (fuga da cidade) • Aurea mediocritas ( vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais) • Idéias iluministas • Convencionalismo amoroso • Carpe diem • Pastora lismo • Bucolismo • Idealização amorosa • Elementos da cultura greco greco-latina 2. Quanto à forma: • Vocabulário simples; • Frases na ordem direta; • Ausência quase total de figuras de linguagem; Manutenção do verso decassílabo, do • soneto e de outras formas clássicas. ras O Arcadismo no Brasil O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado por dois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dos escritores brasileiros do século XVIII, que, ao mesmo tempo, seguiam os modelos culturais europeus e se interessavam pela natureza e pelos problemas específicos nteressavam da colônia brasileira; de outro a influência das idéias iluministas sobre nossos escritores e intelectuais, que acarretou o movimento da Inconfidência Mineira e sua trágicas implicações: prisão, exílio, enforcamento, morte. io, O Arcadismo no Brasil iniciou-se oficialmente com se a publicação das Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. Dentre os autores árcades destacam-se: • Na lírica: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga; • Na épica: Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Cláudio Manuel da Costa; • Na sátira: Tomás Antônio Gonzaga. Exercícios

Que chega a ter mais preço, e mais valia, Que da cidade o lisonjeiro encanto; e Aqui descanse a louca fantasia; Eo que até agora se tornava em pranto, Se converta em afetos de alegria. 1. Faça uma oposição entre os dois espaços presentes no poema, apontando em que diferem: a) Quanto ao aspecto material; b) Quanto ao aspecto espiritual, na visão do eu lírico. 2. Com base no poema, compare a linguagem árcade à linguagem barroca e aponte as difer diferenças quanto: a) Ao vocabulário, às estruturas sintáticas, às figuras de linguagem, etc; b) À exposição de sentimentos; c) Ao tema; d) À visão de mundo. 3. Lira XI "Não toques, minha musa, não, não toques Na sonorosa lira, Que às almas, como a minha, namorada namoradas Doces canções inspira: Assopra no clarim que apenas soa, Enche de assombro a terra! Naquele, a cujo som cantou Homero, Cantou Virgílio a guerra." Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu Dirceu. Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, s/d. p. 30. Marília de Dirceu apresenta um dos principais traços do Arcadismo.A opção que aponta essa característica temática, presente no texto, é a) O bucolismo. b) A presença de valores ou elementos clássicos. c) O pessimismo e negatividade. d) A fixação do momento presente. ento e) A descrição sensual da mulher amada. 4. (Ufscar-SP) (UFRRJ)

LXII Torno a ver-vos, ó montes; ó destino Aqui me torna a pôr nestes oiteiros; Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico, e fino. Aqui estou entre Almendro, entre Corino, Os meus fiéis, os meus doces companheiros, Vendo correr os míseros vaqueiros Atrás de seu cansado desatino. Se o bem desta choupana pode tanto, Literatura "Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado; E em contemplá-lo tímido esmoreço. lo Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado. Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. 8

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Eu me engano: a região esta não era Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera!" Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI). In: Péricles Eugênio da Silva Ramos (Intr., sel. e notas). Poesia do outro - Antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p. 47. O estilo neoclássico, fundamento do Arcadismo co, brasileiro, de que fez parte Cláudio Manuel da Costa, caracteriza-se pela utilização das formas se clássicas convencionais, pelo enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível, pela delegação da fala poéti a um poética pastor culto e artista, pelo gosto das circunstâncias comuns, pelo vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a sensibilidade, a razão, a natureza e a beleza. Dadas estas informações: a) Indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema. b) Transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática. MG) fragmentos 5. (UFV-MG) Todos os fragment abaixo representam, pela linguagem ou pela temática, o movimento árcade brasileiro, EXCETO: a) “A mesma formosura/é dote que só goza a mocidade:/rugam-se as faces, o cabelo alveja/mal se chega a longa idade.” b) “Pastores que levais ao monte o gado,/Ved lá gado,/Vede como andais por essa serra,/Que para dar contágio a toda a terra,/Basta ver-se o meu rosto magoado.” se c) “Passam, prezado amigo, de quinhentos/Os presos que se ajuntam na cadeia./Uns dormem encolhidos sobre a terra,/Mal cobertos dos trapos, que molharam/de dia, no trabalho.” am/de d) “Que havemos de esperar, Marília bela?/que vão passando os florescentes dias?/as glórias que vêm tarde, já vêm frias,/e pode enfim mudar a nossa mudar-se estrela.” e) “Oh! Que saudades que eu tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!” ROMANTISMO O gosto pela cultura clássica que se inicia no século XVI, com o Renascimento, perdura até o século XVIII. Com o tempo ele foi se restringindo ao público aristocrático, formado pela nobreza e pelo alto clero. Com a ascensão da burguesia ao poder na França, em 1789, surge a Literatura

necessidade de uma arte sintonizada com aquele contexto social e com a sensibilidade do novo público que se formava. Essa arte é o Romantismo e caberia ao mesmo a tarefa de criar uma linguagem nova, identificada com os padrões mais simples de vida da classe média e da s burguesia. Assim, a arte romântica põe fim à uma tradição clássica de três séculos e dá início a uma nova etapa na literatura, voltada aos assuntos contemporâneos – efervescência social e política, esperança e paixão, luta e revolução – e ao cotidiano do homem burguês do século XIX. Características da linguagem romântica 1) Quanto ao conteúdo • Subjetivismo: trata de assuntos de uma forma pessoal (de acordo com o modo como se vê o mundo; faz um recorte subjetivo porque retrata a realidade de forma idealizada e parcial. • Idealização: essa extrema valorização da subjetividade leva muitas vezes à deformação. • Sentimentalismo: relação entre o artista e o mundo é sempre mediada pela emoção. • Egocentrismo: maior parte dos românticos volta-se predominantemente para o próprio eu, se numa postura tipicamente narcisista. • Medievalismo: na Europa, busca do mundo medieval e de seus valores; no Brasil, o índio cumpre esse papel. • Indianismo: o interesse pelo índio e sua idealização estão relacionado com o projeto relacionados nacionalista do Romantismo. • Religiosidade: mais comum entre os primeiros românticos, a vida espiritual é enfocada como ponto de apoio ou válvula de escape diante das frustrações do mundo real. • Byronismo: foi amplamente cultivado entre os românticos brasileiros da segunda geração (entre mânticos os anos 50 e 60 do século XIX). Traduz num Traduz-se estilo de vida boêmio, voltado para o vício e de uma forma particular de ver o mundo. • Condoreirismo: ganhou repercussão entre os poetas da terceira geração (anos 7 do século 70 XIX). Defende a justiça social e a liberdade. • Fusão do grotesco e do sublime: apesar de sua tendência idealizante, o Romantismo procura captar o homem em sua plenitude, enfocando também o lado feio e obscuro de cada ser humano. 2) Quanto à forma • Maior liberdade formal • Comparações, metáforas e adjetivações constantes Gosto por métricas populares • • Irregularidades estróficas • Vocabulário e sintaxe mais simples

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O Romantismo no Brasil O Romantismo, além de seu significado primeiro – o de ser uma reação à tradição clássica –, assumiu em nossa , literatura a conotação de movimento anticolonialista e antilusitano. Teve ampla aceitação entre os leitores de literatura no Brasil. Isso se deve principalmente a dois fatores: a identificação imediata do público com a poesia ico romântica e o aparecimento de um gênero literário novo em nosso país: o romance. Tradicionalmente são apontadas três gerações de escritores românticos. Essa divisão, contudo, engloba principalmente os autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito bem nessa divisão, uma vez que suas obras podem apresentar traços característicos de mais de uma geração. Poesia 1) Primeira geração: nacionalista, regionalista e religiosa. Principais poetas: Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. 2) Segunda geração: arcada pelo mal gunda mal-doséculo, apresenta egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração pela morte. Principais poetas: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. 3) Terceira geração: desenvolve uma poesia de cunho político e social. A maior expressão desse grupo é Castro Alves. Prosa As origens do romance

Tanto na Europa quanto no Brasil, o romance surgiu sob a forma de folhetim, publicação diária, em jornais, de capítulos de determinada obra literária. O romance, muito mais do que a poesia, assumiu o papel de principal instrumento de construção da cultur cultura brasileira. Assim, procurando “re “re-descobrir” o país, o romance brasileiro está radicalmente ligado ao reconhecimento dos espaços nacionais, identificados como a selva, o campo e a cidade, que deram origem, respectivamente, ao romance indianista e históri (a histórico vida primitiva), o romance regional (a vida rural) e o romance urbano (a vida citadina). Características da prosa romântica • • • • • • • trágico • Flash-back narrativo: O amor como redenção Idealização do herói Idealização da mulher Personagens planas Linguagem metafóric metafórica Impasse amoroso, com final feliz ou Oposição aos valores sociais

Romance indianista: celebra tanto o estado 1) de pureza e inocência do índio quanta a formação mestiça da raça brasileira. Principal autor: José de Alencar. 2) Romance regional: proporciona ao país uma visão de si mesmo (dos quatro cantos do Brasil); buscou compreender e valorizar as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e culturais que anda hoje marcam essas regiões do país. Principais autores: José de Alencar (região Sul), Franklin da Távora (Nordeste), Visconde de ranklin Taunay (Centro-oeste). oeste). 3) Romance urbano: trata as particularidades da vida cotidiana da burguesia e, por isso, conquistou um enorme prestígio entre o público dessa classe. Principais autores: Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar e Joaquim Manuel de da, Macedo. 4) Prosa gótica: contrapondo aos valores contrapondo-se racionalistas e materialistas da burguesia, certos escritores do Romantismo Cram uma literatura fantasiosa, identificada com o universo de satanismo. Principal autor Álvares de Azevedo. autor: Exercícios 1. (Cesgranrio-RJ) I. "Dei o nome de PRIMEIROS CANTOS às poesias que agora publico, porque espero que não serão as últimas." 10

Em meados do século XVIII, o romance tomou o sentido que tem hoje: o de texto em prosa, em meados do século XVIII, normalmente longo, que desenvolve vá vários núcleos narrativos, organizados em torno de um núcleo central; que narra fatos relacionados a personagens, numa seqüência de tempo relativamente ampla em determinado lugar ou lugares. Esse tipo de romance está diretamente vinculado à formação de um novo público consumidor, a burguesia. Apesar de ter marcado ideologicamente o Arcadismo, essa nova classe social ainda carecia de uma arte capaz de exprimir seu universo, tanto na forma quant no conteúdo. quanto O romance, por relatar acontecimentos da vida comum e cotidiana, e por dar vazão ao gosto burguês pela fantasia e pela aventura, veio a ser o mais legítimo veículo de expressão artística dessa classe.

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II. "Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir." III. "Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas – debaixo de céu diverso – e sob a influência de impressões momentâneas." (...) IV. "Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de sobre a nossa arena política para ler em minha alma, reduzindo à linguagem harmoniosa e cadente o pensamento que me vem de improviso, e as idéias que em mim desperta a vista de uma paisagem ou do oceano – o aspecto enfim da natureza. Casar assim o pensamento com o sentimento – o coração com o entendimento – a idéia com a paixão – colorir tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a vida e com a natureza, purificar tudo com o sentimento da ida religião e da divindade, eis a Poesia – a Poesia grande e santa – a Poesia como eu a compreendo sem a poder definir, como eu a sinto sem a poder traduzir." Gonçalves Dias. Prólogo aos primeiros cant cantos . Gonçalves Dias, em seu Prólogo aos primeiros cantos cantos, expõe sua concepção de Poesia, que reflete as características da estética romântica. Assinale o que contraria as idéias contidas nos três primeiros parágrafos, em relação a Gonçalves Dias. a) A poesia reflete os mais variados estados de espírito do oesia poeta, sendo fruto da emoção momentânea. b) As suas poesias não apresentam apego à rigidez métrica, apresentando ritmos variados. c) Apesar de terem sido escritas em épocas diversas, constata-se a unidade de pensamento em suas poesias. se d) Por serem fruto de criações sob influências locais distintas, suas poesias apresentam-se diferenciadas. se e) A força poética de seus versos realiza-se na perfeita se harmonia entre forma e conteúdo.

Responde anojado, 'mas és Marabá: 'Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, 'Uns olhos fulgentes, 'Bem pretos, retintos, não cor d' anajá!' É alvo meu rosto da alvura dos lí lírios, Da cor das areias batidas do mar; As aves mais brancas, as conchas mais puras Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. Se ainda me escuta meus agros delírios: — ' És alva de lírios', Sorrindo responde, 'mas és Marabá: 'Quero antes um rosto de jambo corado, e 'Um rosto crestado 'Do sol do deserto, não flor de cajá.' Meu colo de leve se encurva engraçado, Como hástea pendente do cáctus em flor; Mimosa, indolente, resvalo no prado, Como um soluçado suspiro d amor! de — 'Eu amo a estatura flexível, ligeira, Qual duma palmeira', Então me respondem; 'tu és Marabá: Quero antes o colo da ema orgulhosa, Que pisa vaidosa, Que as flóreas campinas governa, onde está.' Meus loiros cabelos em ondas se anelam, O oiro mais puro não tem seu fulgor; o As brisas nos bosques de os ver se enamoram, De os ver tão formosos como um beija beija-flor! Mas eles respondem : — Teus longos cabelos, 'São loiros, são belos, Mas são anelados; tu és Marabá; Quero antes cabelos bem lisos, corridos, Cabelos compridos, Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá.' E as doces palavras que eu tinha cá dentro A quem nas direi? O ramo d'acácia na fronte de um homem Jamais cingirei: Jamais um guerreiro da minha arazóia Me desprenderá: Eu vivo sozinha, chorando mesquinha, zinha, Que sou Marabá!" 2. (UNIRIO/RJ) Após leitura, análise e interpretação do poema Marabá, algumas afirmações como as seguintes podem ser feitas, com exceção de uma Indique-a. uma. a) O poema se inicia com uma pergunta de ordem reli religiosa e termina com uma consideração de aspecto sensual. b) O poema é um profundo lamento construído com base na estrutura dialética, apresentando argumentação e apresentando-se contra argumentação. c) Ocorre interlocução registrada em discurso direto, estrutura que enfatiza assim o desprezo preconceituoso dado à Marabá. d) A ocorrência de figuras de linguagem e o emprego da primeira pessoa marcam, respectivamente, as funções da linguagem poética e emotiva. 11

Marabá (Gonçalves Dias) "Eu vivo sozinha; ninguém me procura! Acaso feitura Não sou de Tupá? Se algum dentre os homens de mim não se esconde — “Tu és”, me responde, “Tu és Marabá!” Meus olhos são garços, são cor das safiras, Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; Imitam as nuvens de um céu anilado, As cores imitam das vagas do mar! Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: — 'Teus olhos são garços', Literatura

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e) Marabá é poema representante da primeira fase que cultua o aspecto físico da mulher. 3. (UNIRIO/RJ) A unidade dramática vivenciada pelo eu eulírico no poema Marabá concentra-se em a) Tristeza e compreensão. b) Aflição e frustração. c) Amargura e comedimento. d) Indignação e passividade. e) Decepção e aceitação. 4. (UFRN) O romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay, é reconhecido pela crítica como uma das mais populares narrativas da Literatura Brasileira. Nessa obra, o leitor pode identificar valores do Romantismo regionalista por meio da : a) Caracterização do modo de vida urbano como sendo perverso. b) Assimilação dos costumes do homem branco pelo caboclo. c) Reprodução do linguajar típico do interior brasileiro. d) Intervenção reflexiva do narrador protagonista. 5. (PUC-Campinas-SP) "E fui... e fui... ergui-me no infinito, Lá onde o vôo d'águia não se eleva... Abaixo – via a terra – abismo em treva! Acima – o firmamento – abismo em luz!" Os versos anteriores pertencem aos poemas "O vôo do gênio", do livro Espumas flutuantes. Esses versos ilustram . a seguinte característica da poética de Castro Alves: a) Ênfase emocional, apoiada nos recursos retóricos das antíteses, das hipérboles e do paralelismo rítmico rítmico-sintático. b) Intimismo lírico, marcado pela hesitação das reticênc reticências e pelo temor do enfrentamento das adversidades. c) Sacrifício do tom pessoal em nome de ideais históricos, representados por símbolos épicos herdados do Classicismo. d) Emprego de paradoxos, com a intenção de satirizar a ambição de genialidade cultivada pelos ultra ada ultra-românticos. e) Contraste entre as fortes marcas retóricas do discurso e o sentimento da melancolia, que atenua o tom declamatório 6. (ITA/SP) O texto a seguir é a estrofe inicial do poema Meus oito anos, de Casimiro de Abreu: “[...] Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais! [...]” In CANDIDO, A.; CASTELLO, J.A. Presença da literatura brasileira, v. 2. São Paulo: Difel, 1979. Sobre o poema, não se pode afirmar que a) Se trata de um dos poemas mais populares da Literatura Brasileira. b) O poeta se vale do texto para manifestar a sua saudade da infância. c) A linguagem não é erudita, pois se aproxima da simplicidade da fala popular, o que é uma marca da poesia romântica. d) A memória da infância do poeta está intimamente ligada à natureza brasileira. e) O poeta é racional e contido ao mostrar a sua emoção no poema. 7. (Fuvest-SP) "Teu romantismo bebo, ó minha lua, A teus raios divinos me abandono, Torno-me vaporoso... e só de ver me ver-te Eu sinto os lábios meus se abrir de sono." Álvares de Azevedo, "Luar de verão", Lira dos vinte anos. Nesse excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade lírico aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a: lírico a) ironia romântica. b) tendência romântica ao misticismo. c) melancolia romântica. ) d) aversão dos românticos à natureza. e) fuga romântica para o sonho. REALISMO Realismo é a denominação genérica da reação aos ideais românticos que caracterizou a segunda metada do século XIX. De fato, as profundas transformações vividas pela sociedade européia exigiam uma nova postura diante da realidade; não havia mais espaço para as exageradas idealizações românticas. Contexto histórico: • Mecanismo social; • Industrialização; • Revolução científica; • Positivismo (Augusto Comte); • Evolucionismo (darwin); • Determinismo (Taine). terminismo • No Brasil: as bases da vida rural vão aos poucos, cedendo lugar à atividade urbana com o aparecimento da classe operária assalariada. A imigração também é um fato relevante. 12

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Principais características: • Objetivismo; • Narrativa lenta; • Descrição objetiva, precisa; • Casamento como arranjo conveniente; • Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades; Amor e outros sentimentos subordinados • aos interesses sociais; • Crítica aos valores e às instituições decadentes da sociedade burguesa; • Introspecção psicológica. O primeiro romance realista da literatura universal é Madame Bovary, de Gustave Flaubert, publicado em 1857. Já no Brasil, considera-se 1881 como o ano inaugural do se Realismo, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908). 1908). Principais romances: • • • • • Memórias Póstumas de Brás Cubas; Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).

e)

As três informações são incorretas.

3. Podemos verificar que o Realismo revela: I – senso do contemporâneo. Encara o presente do mesmo modo que romantismo se volta para o passado ou para o futuro. II – o retrato da vida pelo método da documentação, em que a seleção e a síntese operam buscando um sentido para o encadeamento dos fatos. III – técnica minuciosa, dando a imp impressão de lentidão, de marcha quieta e gradativa pelos meandros dos conflitos, dos êxitos e dos fracassos. Assinale: a) se as afirmativas II e III forem corretas; b) se as três afirmativas forem corretas; c) se apenas a afirmativa III for correta; d) se as afirmativas I e II forem corretas; e) se as três afirmativas forem incorretas. 4. Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo: a) b) c) d) e) Preocupação critica. Visão materialista da realidade. Ênfase nos problemas morais e sociais. Valorização da Igreja. Determinismo na atuação das personagens.

Principais contos: • • • • • Exercícios 1. O realismo foi um movimento de: a) b) c) d) e) volta ao passado; exacerbação ultra-romântica; maior preocupação com a objetividade; irracionalismo; moralismo. O alienista; A Carteira; A Cartomante; O espelho; Missa do galo.

5. Assinale a única alternativa incorreta: a) O Realismo não tem nenhuma ligação com o Romantismo. b) A atenção ao detalhe é característica do Realismo. c) Pode-se dizer que alguns autores românticos já se possuem certas características realistas. d) O cientificismo do século XIX forneceu a base da visão do mundo adotada, de um modo geral, pelo Naturalismo. e) O Realismo apresenta análise social. 6. No texto a seguir, Machado de Assis faz uma crítica ao Romantismo: Certo não lhe falta imaginação; mas esta tem suas regras, o astro, leis, e se há casos em que eles rompem as leis e as regras é porque as fazem novas, é porque se chama Shakespeare, Dante, Goethe, Camões. Com base nesse texto, notamos que o autor: a) Preocupa-se com princípios estéticos e acredita se que a criação literária deve decorrer de uma elaborada produção dos autores. b) Refuga o Romantismo, na medida em que os autores desse período reivindicaram uma estética oposta à clássica. c) Entende a arte como um conjunto de princípios estéticos consagrados, que não pode ser manipulado por movimentos literários específicos. 13

2. A respeito de Realismo, pode-se afirmar: se I – Busca o perene humano no drama da existência . II – Defende a documentação de fatos e a impessoalidade do autor perante a obra. III – Estética literária restritamente brasileira; seu criador é Machado de Assis. a) São corretas apenas II e III. b) Apenas III é correta. c) As três afirmações são corretas. d) São corretas I e III. Literatura

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d) Defende a idéia de que cada movimento literário deve ter um programa estético rígido e inviolável. e) Entende que Naturalismo e o Parnasianismo constituem soluções ideal para pôr termo à falta de invenção dos românticos. NATURALISMO O Realismo e o Naturalismo apresentam semelhanças (ambos voltados para a realidade) e diferenças entre si. O Realismo retrata o homem interagindo com seu meio social, enquanto o Naturalismo mostra o homem como produto de forças “naturais”; desenvolve temas v voltados para a análise do comportamento patológico do homem, de suas taras sexuais, de seu lado animalesco. Os naturalistas acreditavam que o indivíduo é mero produto da hereditariedade e seu comportamento é fruto do meio em que vive e sobre o qual age. A perspectiva evolucionista de Charles Darwin inspirava os naturalistas, esses acreditavam ser a seleção natural que impulsionava a transformação das espécies. Assim, predomina nesse tipo de romance o instinto, o fisiológico e o natural, retratando a agressividade, a violência, o sividade, erotismo como elementos que compõe a personalidade humana. Os escritores naturalistas brasileiros, com raras exceções, em vez de se dedicarem ao estudo de grupos humanos, que refletiam melhor a problemática social do Brasil de ent então, detiveram-se mais em casos individuais de temperamento se patológico. No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio, publicadas na década de 1870. Aluísio , de Azevedo com a obra O mulato, publicada em 1881, , marcou o início do Naturalismo brasileiro, a obra O cortiço, de 1890, também de sua autoria, marcou essa , tendência. Nesse mesmo ano, embora despercebido, aparece também o livro de Rodolfo Teófilo, A fome. No ano seguinte surge O missionário, de Inglês de Souza; , seguido de A normalista (1892) e O bom crioulo (1895), de Adolfo de Caminha. Principais autores brasileiros: 1) Aluísio de Azevedo (1857-1913) Com a publicação de O mulato, o autor consagrou como , consagrou-se escritor naturalista. A partir daí tentou viver exclusivamente como escritor. Para isso, recorreu, como outros, ao jornalismo, escreveu romances para publicação em folhetins, sujeitou-se muitas vezes às exigências de um se público heterogêneo, da pressa e da improvisação, produzindo uma obra diversificada e de qualidade desigual. De um lado, romances românticos (que o autor chamava de “comerciais”) seguindo perfeitamente a receita folhetinesca; de outro, romances naturalistas (cha (chamados Literatura

pelo autor de “artísticos”). Ao primeiro grupo pertencem os romances: “Uma Lágrima de Mulher”; “Memórias de Um Condenado”; “Mistérios da Tijuca”; “Filomena Borges”; “O Esqueleto”; e “A Mortalha de Alzira”. Ao segundo, pertencem os três maiores romanc de Aluísio: “Casa de romances Pensão”, “O Mulato” e “O Cortiço” (já citados). É importante citar que essa divisão não constitui fases, como no caso de Machado de Assis, os romances românticos eram alternados com os naturalistas. O cortiço representa uma conquis definitiva do nosso conquista romance, pois, pela primeira vez na literatura brasileira, um escritor dá vida e corpo a um agrupamento humano, uma habitação coletiva. 1895) 2) Raul Pompéia (1863-1895) Estreou muito cedo na literatura, em 1860, com uma novela romanesca, Uma tragédia no Amazonas. Dedicou-se ao jornalismo, foi colaborador da Gazeta de Notícias, publicando aí e em outros periódicos, a partir de 1881, crônicas e contos, além da novela As jóias da coroa, uma sátira agressiva feita à família imperial, sem valos literário. se Entretanto, notabilizou-se na literatura brasileira por causa de um único livro, O ateneu, publicado em 1888, no qual , assimilou e integrou todas as tendências literárias de seu tempo. Exercícios 1. Leia atentamente: I. "A segunda Revolução Industrial, o cientificismo, o progresso tecnológico, o socialismo utópico, a filosofia positivista de Augusto Comte, o evolucionismo formam o contexto sócio-político-econômico econômico-filosófico-científico em que se desenvolveu a estética realista". II. "O escritor realista acerca- dos objetos e das pessoas -se de um modo pessoal, apoiando na intuição e nos apoiando-se sentimentos". III. "Os maiores representantes da estética realista realistanaturalista no Brasil foram: Machado de Assis, Aluísio de il Azevedo e Raul Pompéia". IV. "Podemos citar como características da estética realista: o individualismo, a linguagem erudita e a visão fantasiosa da sociedade". Verificamos que em relação ao Realismo Realismo-Naturalismo está(estão) correta(s): a) Apenas a I e II. b) Apenas a I e III. c) Apenas a II e IV.

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d) Apenas a II e III. e) Apenas a III e IV. 2. Vários autores afirmam que a diferença entre Realismo e Naturalismo é muito sutil. Um dos trechos a seguir é o claramente naturalista. Assinale a alternativa em que ele aparece. a) "Desesperado, deixou o cravo, pegou do papel escrito e rasgou-o. Nesse momento, a moça, embebida no olhar do o. marido, começou a cantarolar à toa, inconscientemente, uma cousa nunca antes cantada nem sabida..." b) "Enfim chegou a hora da encomendação e d partida. da Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele se lance consternou a todos." c) "Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o se “Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas, imobilizando-se a repentes inesperados, gesticulando como se um tribuno de meetings, clamando como para um auditório de dez mil pessoas, majestoso sempre, alçando os padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas, o, desenrolou, com a memória de uma última conferência, a narrativa dos seus serviços à causa santa da instrução.Trinta anos de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas gerações agora influentes no destino do Paí E as País! reformas futuras? Não bastava a abolição dos castigos corporais, o que já dava uma benemerência passável. Era preciso a introdução de métodos novos, supressão absoluta dos vexames de punição, modalidades aperfeiçoadas no sistema das recompensas, ajeitação dos trabalhos, de eitação maneira que seja a escola um paraíso; adoção de normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia, perspicaz como as águias. Ele havia de criar... um horror, a transformação moral da sociedade!” Raul Pompéia. O Ateneu. O trecho descreve a personagem Aristarco, diretor do colégio Ateneu. Assinale a afirmação errônea errônea: a) Expressões como “terríveis passadas”, “repentes inesperados”, “majestoso” caracterizam o autoritarismo da personagem. b) Expressões como “leiloeiro” e “opulentas faturas” conotam o interesse comercial do diretor, preocupado com os lucros da escola. c) A expressão “transformação moral da sociedade” confirma a séria preocupação com um projeto pedagógico e social, apesar de seu autoritarismo. d) Expressões como “abolição dos castigos corporais” e “supressão absoluta dos vexames da punição” conferem ao diretor certo caráter de liberalismo. e) Depreende-se que expressões como “serviços à causa se santa da instrução” e “esclarecendo como um farol diversas endo gerações” são irônicas, pois incompatibilizam com a característica autoritária e interesseira do diretor. 4. Considere o fragmento final de O alienista "Mas o alienista: ilustre médico, com os olhos acesos da convicção Literatura

marulhar das ondas; pigarreava grosso por toda a parte; pigarreava-se começavam as xícaras a tilintar; o cheiro do café aquecia, suplantando todos os outros [...]" d) "Foi por esse tempo que eu me reconciliei outra vez com o Cotrim, sem chegar a saber a causa do dissentimento. Reconciliação oportuna, porque a solidão pesava-me, e a vida era para mim a pior das fadigas, que é a fadiga sem trabalho." e) "E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuiçã distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz o faz-se equilíbrio da vida." 3. Leia o texto: científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e ou brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os se cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve guns outro louco além dele em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao padre Lopes, que c com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara se solenidade." Assinale a proposição que NÃO condiz com o excerto citado. a) A referência a um "boato duvidoso" lembra um traço marcante da prosa de Machado de Assis e que se constitui rosa num dos pontos centrais de toda a sua obra: a elipse. A elipse, ao deixar “espaços de incerteza”, algo por dizer, como lembra todo leitor do Dom Casmurro possibilita ao Casmurro, escritor romper com o cientificismo dos na naturalistas na própria estrutura do texto. b) O fragmento citado demonstra a crítica e ironia de Machado de Assis contra aqueles que, a exemplo de “Simão Bacamarte”, erigem verdades fechadas e absolutas como modelos de ação e controle psíquico psíquico-social. c) O fragmento citado traz a linguagem direta e em muitos aspectos cotidiana da prosa de Machado de Assis, que participou ativamente dos ambientes de escrita de seu tempo, de revistas de moda a jornais, sem, contudo, abdicar de uma profunda consciência da lit literatura e do homem. d) O fragmento acima demonstra que, numa sociedade como a nossa, cheia de contradições e ainda pouco capaz de dar cidadania efetiva aos seus cidadãos, a atitude do intelectual, como “Simão Bacamarte” (e, por extensão, o próprio Machado de Assis), só pode ser a de primeiro resolver seus próprios problemas pessoais para só depois pensar na sociedade como um todo. Demonstra que os intelectuais do Realismo chegaram à conclusão de que os 15

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românticos, que se preocupavam sobretudo com o indivíduo, tinham razão. e) O fragmento final d'O alienista revela o tom “decadente” e pessimista que está na maioria dos textos significativos de Machado de Assis e que o situam como um dos precursores do Simbolismo no Brasil. O decadentismo machadiano, a que diversos críticos literários chamaram iversos atenção, pode ser observado também nos fragmentos finais de Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba, e em contos como A causa secreta, Cantiga de esponsais e Pai contra mãe. TEXTO PARA A QUESTÃO 5. "Todavia, esses pequenos episódios da infância, tão insignificantes na aparência, decretaram a direção que devia tomar o caráter de Amâncio. Desde logo habituou habituou-se a fazer uma falsa idéia de seus semelhantes; julgou os homens por seu pai, seu professor e seus condiscípulos. (...) Amâncio emudecia e abaixava os olhos, mas logo que o perdiam de vista, ia escutar e espreitar pelas portas. Com semelhante esterco não podia desabrochar melhor no seu temperamento o leite, que lhe deu a mamar uma preta da casa. Diziam que era uma excelente escrava: tinha boas maneiras; não respingava aos brancos, não era respondona: aturava o maior castigo sem dizer uma palavra mais áspera, sem fazer um gesto mais desabrido. Enquanto o chicote lhe cantava nas costas, ela gemia apenas e deixava que as lágrimas lhe corressem silenciosamente pelas faces. Além disso – forte, rija para o trabalho. Poderia nesse tempo valer bem um conto de réis. Vasconcelos a comprara, todavia, muito em conta, “uma verdadeira pechincha!”, porque o demônio da negra estava ônio então que não valia duas patacas; mas o senhor a metera em casa, dera-lhe algumas garrafadas de laranja lhe laranja-da-terra, e a preta em breve começou a deitar corpo e a endireitar, que era aquilo que se podia ver! O médico, porém, não ia muito em que a deixassem amamentar o pequeno. – Esta mulher tem reuma no sangue, dizia ele – e o menino pode vir a sofrer para o futuro. Vasconcelos sacudiu os ombros e não quis outra ama. (...) Logo, porém, que [Amâncio] deixou a cama, apareceram apareceramlhe dores reumáticas na caixa do peito e nas articulações de uma das pernas. Era o sangue de sua ama-de de-leite que principiava a rabear. Bem dizia outrora o médico a seu pai, quando este a encarregou de amamentar o filho.” Aluísio Azevedo, Casa de pensão. 5. O fragmento transcrito revela, com bastante ento objetividade, uma das características do movimento literário no qual se inscreve Aluísio Azevedo. Identifique esse movimento e explicite a característica ressaltada, usando detalhes do texto. PARNASIANISMO Literatura 16 Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se nte voltavam para o exame da realidade, o Parnasianismo representou na poesia o retorno à orientação clássica, ao princípio do belo na arte, à busca do equilíbrio e da perfeição formal. Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não no mundo exterior; desejavam restaurar a poesia clássica, desprezada pelos românticos. Contudo a presença de elementos clássicos na poesia parnasiana não ia além de algumas referências a personagens da mitologia e de um onagens enorme esforço de equilíbrio formal. A origem da palavra Parnasianismo associa-se ao Parnaso grego, segundo a lenda, um monte da Fócida, na Grécia central, consagrado a Apolo e às musas. Características da linguagem parnasiana: • busca da perfeição formal; • vocabulário culto; • gosto pelo soneto; • rimas raras, chaves de ouro; • gosto pelas descrições; • objetivismo; • racionalismo, contenção das emoções; • universalismo; • apego à tradição clássica; • Presença da mitologia; • “arte pela arte”. Principais autores: 1) Olavo Bilac (1865-1918) A primeira obra publicada de Olavo Bilac foi Poesias (1888). Nela, o poeta já demonstrava estar plenamente identificado com as propostas do Parnasianismo, como comprova seu poema “Profissão d fé”. Mas a concepção poética excessivamente formalista defendida por esse poema nem o próprio Bilac seguiu à risca. Vez ou outra, pode-se depreender de seus textos certa valorização dos se sentimentos que lembra o Romantismo. Embora sua poesia nem sempre alcanças uma visão alcançasse profunda sobre o homem e sua condição, Bilac foi o mais jovem e o mais bem-acabado poeta parnasiano brasileiro. acabado Seus poemas, principalmente os sonetos, apresentam uma perfeita elaboração formal. 2) Raimundo Correia (1860-1911) 1911) É um dos poetas que, juntamente com Olavo Bilac e s Alberto de Oliveira, forma a chamada “tríade parnasiana”. Sua poesia, dentro do movimento parnasiano, representa um momento de descontração e investigação. Nela se verificam pelo menos três fases:

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• a romântica: com influências de Casimiro luências de Abreu e Fagundes Varela, representada por Primeiros sonhos (1879); : • a parnasiana: representada pelas obras Sinfonias (1883) e Versos e versões (1887) e marcada pelo pessimismo de Schopenhauer e por reflexões de ordem moral e social; • a pré-simbolista: nela, o pessimismo diante : da condição humana busca refúgio na metafísica e na religião, enquanto a linguagem apresenta ujma pesquisa em musicalidade e sinestesia. 3) Alberto de Oliveira (1875-1937) Foi o poeta que melhor se adequou aos princípios parnasianos e, ao mesmo tempo, uma espécie de líder do movimento. Sua poesia é fria e intelectualizada, com um gosto acentuado pelo preciosismo formal e lingüístico. Defendia a “arte pela arte” e, em vez de se interessar pela realidade brasileira, preferia buscar inspiração nos modelos eira, clássicos que perseguia: os poetas barrocos e árcades portugueses. Dentre suas obras destacam-se: Meridionais se: (1884) e Versos e rimas (1895). Exercícios Música brasileira "Tens, às vezes, o fogo soberano Do amor: encerras na cadência, acesa Em requebros e encantos de impureza, Todo o feitiço do pecado humano. Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza Dos desertos, das matas e do oceano: Bárbara poracé, banzo africano, E soluços de trova portuguesa. És samba e jongo, xiba e fado, cujos Acordes são desejos e orfandades De selvagens, cativos e marujos: E em nostalgias e paixões consistes, Lasciva dor, beijo de três saudades, Flor amorosa de três raças tristes." BILAC, Olavo. Obra reunida. Rio de Janeiro: N . Nova Aguilar, 1996. (II) "Música brasileira" é um exemplo de poema de forma fixa. (III) Em "o fogo soberano/Do amor" (v. 1 1-2), tem-se um exemplo de metáfora. (IV) O ritmo do verso 3 é binário, em uma alusão ao movimento dos quadris femininos. (V)A rima entre "cujos" (v. 9) e "marujos" (v. 11) classifica-se como rica. referem-se 2. As afirmações seguintes referem ao Parnasianismo no Brasil: I. Para bem definir como entendia o trabalho de um poeta, Olavo Bilac comparou-o ao de um joalheiro, ou seja: o escrever poesia assemelha-se à perfeita lapidação de uma se matéria preciosa. II. Pelas convicções que lhe são próprias, esse movimento se distancia da espontaneidade e do sentimentalismo que muitos românticos valorizavam. III. Por se identificarem com os ideais da antigüidade clássica, é comum que os poetas mais representativos de desse estilo aludam aos mitos daquela época. Está correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. O Arcadismo (no século XVIII) e o Parnasianismo (em fins do século XIX) apresentam, em sua caracterização, ntam, pontos em comum. São eles: a) Bucolismo e busca da simplicidade de expressão. b) Amor galante e temas pastoris. c) Ausência de subjetividade e presença da temática e da mitologia greco-latina. d) Preferência pelas formas p poéticas fixas, como o soneto, e pelas rimas ricas. e) A arte pela arte e o retorno à natureza. O poema a seguir, de Raimundo Correia, é a base para as questões de números 9 a 11. As pombas “Vai-se a primeira pomba despertada... se Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas ais De pombas vão-se dos pombais, apenas se Raia sangüínea e fresca a madrugada... E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada.. revoada... Também dos corações onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres voam, Como voam as pombas dos pombais; No azul da adolescência as asas soltam, 17

1. Com base na leitura do poema e sabendo que Olavo Bilac é um dos maiores expoentes da poesia parnasiana no Brasil, julgue os itens que se seguem. (I) São características do Parnasianismo, presentes no poema: a arte pela arte, a impassibilidade, a economia vocabular, a poesia descritiva, a revalorização da mitologia mitologia.

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Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles aos corações não voltam mais...” 4. (Unifesp/SP) O poema de Raimundo Correia ilustra o Parnasianismo brasileiro. Dele, podem-se depreender as se seguintes características desse movimento literário: a) Soneto em versos decassílabos, com predominância de descrição e vocabulário seleto. inância b) Versos livres, com predominância de narração e ênfase nos aspectos sonoros. c) Versos sem rima, liberdade na expressão dos sentimentos e recorrência às imagens. d) Soneto com versos livres, exploração do plano imagético e sonoro. e) Soneto com rimas raras, com descrição e prese presença da mitologia. 5. (Unifesp/SP) Há uma equivalência entre os dois quartetos e os dois tercetos do poema. Assim, é correto afirmar que pombas, metaforicamente, representa a) A adolescência. b) Os sonhos. c) Os corações. d) O envelhecimento. e) A desilusão. 6. (Unifesp/SP) Os dois últimos versos do poema revelam a) Um enobrecimento da velhice após a realização dos sonhos de juventude. b) Uma mentalidade conformista em relação ao amor e às desilusões vividas na juventude. c) Uma irritação com a dificuldade de se realizarem os sonhos. d) Um relativo menosprezo para com os sentimentos humanos vividos na juventude. e) Uma visão pessimista da condição humana em relação à vida e ao tempo. Simbolismo No final do século XIX, em reação ao espí espírito materialista e objetivo do Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, surge o movimento simbolista. Sua origem é francesa e a data de seu início no Brasil é 1893, quando Cruz e Sousa publica seus livros Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poesias). Embora ainda continue com o preciosismo vocabular bora parnasiano, o poeta simbolista caminha numa outra direção, pois não pretende descrever minuciosamente a realidade através de uma atitude impessoal, mas, ao contrário, consciente do mistério do Universo, proc procura antes sugeri-la, por meio de uma linguagem evocadora, la, plena de elementos sensoriais (cores, sons, perfumes, etc.). Os temas são: os mistérios do mundo, o fascínio da morte e do desconhecido, os contrastes entre o real e o irreal, o dualismo humano (espírito e matéria), envolvendo a poesia írito numa aura de espiritualismo em oposição oa materialismo Literatura da época. Essa preocupação provoca uma mudança na linguagem poética, que busca então novos ritmos, mais próximos às sugestões musicais, ao contrário dos parnasianos que relacionavam a poesia à escultura. os Principais características: linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir • a nomear; • presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paranomásias, sinestesias; • subjetivismo; • antimaterialismo, anti-racionalismo; • misticismo, dor de existir; • desejo de transcendência, de integração cósmica; • interesse pelo noturno, pelo istério e pela morte; • interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura. Principais autores: • • Exercícios As questões a seguir tomam por base um texto do poeta simbolista brasileiro Alphonsus de Guimaraens (1870 (18701921). Eras a sombra do poente "Eras a sombra do poente Em calmarias bem calmas; E no ermo agreste, silente, Palmeira cheia de palmas. Eras a canção de outrora, Por entre nuvens de prece; Palidez que ao longe cora E beijo que aos lábios desce. Eras a harmonia esparsa Em violas e violoncelos: E como um vôo de garça Em solitários castelos. Eras tudo, tudo quanto De suave esperança existe; Manto dos pobres e manto Com que as chagas me cobriste. Eras o Cordeiro, a Pomba, A crença que o amor renova... És agora a cruz que tomba À beira da tua cova.” Cruz e Sousa (1861 (1861-1898); Alphonsus de Guimaraens (1870 (1870-1921).

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Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte, 1923. , Em: GUIMARAENS, Alphonsus de. Poesias. Rio de Janeiro: Org. Simões, 1955. v. 1, p. 284. 1. O texto em pauta, de Alphonsus de Guimaraens, apresenta nítidas características do simbolismo literário brasileiro. Releia com Releia-o atenção e, a seguir: aponte duas características tipicamente a) simbolistas do poema; b) com base em elementos do texto, comprove sua resposta. 2. Assinale a alternativa em que se caracteriza a estética simbolista. a) Culto do contraste, que opõe elementos como amor e sofrimento, vida e morte, razão e fé, numa tentativa de conciliar pólos antagônicos. b) Busca do equilíbrio e da simplic simplicidade dos modelos greco-romanos, através, sobretudo, de romanos, uma linguagem simples, porém nobre. c) Culto do sentimento nativista, que faz do homem primitivo e sua civilização um símbolo de independência espiritual, política, social e literária. d) Exploração de ecos, assonâncias, os, aliterações, numa tentativa de valorizar a sonoridade da linguagem, aproximando da aproximando-a música. e) Preocupação com a perfeição formal, sobretudo com o vocabulário carregado de termos científicos, o que revela a objetividade do poeta. 3. Sobre o Parnasianismo e o Simbolismo, na Literatura Brasileira, é correto afirmar que: a) Os estilos são absolutamente distintos quanto à técnica da versificação. b) Os dois estilos se aproximam pelas preferências temáticas. se c) À metafísica do primeiro, juntou-se o realismo do segundo. d) Os dois estilos se aproximam quanto à técnica da versificação. e) Não há proximidade entre os dois. 4. O Simbolismo, estética que surgiu também no final do século XIX, reage contra _______ da época. Tal motivação justifica o subjetivismo ifica profundo, que alcança _______, expresso de diferentes formas, assim como pela _______, conforme se pode observar em versos tais como: “vozes veladas, veludosas vozes”; “ó formas alvas, brancas, Formas claras”. a) O racionalismo o pragmatismo ismo musicalidade. b) O impressionismo a percepção aliteração. c) O romantismo a percepção aliteração. Literatura d) O cientificismo o irracionalismo musicalidade. e) A espiritualização o irracionalismo clareza. Todas as afirmativas que seguem podem 5. ser relacionadas ao Simb Simbolismo, tendência a que se associa Eduardo Guimaraens, EXCETO a de que a) Contraria o pragmatismo de tendência parnasiana. b) Valoriza a expressão da subjetividade. c) Propõe o rigorismo formal. d) Retrata a realidade de maneira vaga, imprecisa. e) Expressa-se por imagens e não por se conceitos. Texto para a questão 6. Rebelado "Ri tua face um riso acerbo e doente, que fere, ao mesmo tempo que contrista [...] Riso de ateu e riso de budista. gelado no Nirvana impenitente. [...]" 6. Na estrofe do poema Rebelado, de Cruz e Sousa, é possível identificar características do Simbolismo. Assinale a alternativa que as identifica: a) Musicalidade marcada por aliterações e assonâncias, paradoxos, religiosidade, exotismo, uso de reticências. b) Musicalidade marcada por ritmo binário, antíteses, evocação de sentimentos atrozes, exotismo. c) Musicalidade marcada por aliterações e assonâncias, uso de maiúsculas, vagueza dos adjetivos, falsa religiosidade. d) Musicalidade marcada por aliterações, assonâncias e ritmo binário, uso de maiúsculas, cias vagueza dos adjetivos, falsa religiosidade. e) Paradoxos, religiosidade, exotismo, humor e sentimentos de exclusão. 7. Leia com atenção o seguinte poema de Cruz e Sousa: Sinfonias do Ocaso "Musselinosas como brumas d diurnas. Descem do ocaso as sombras harmoniosas, Sombras veladas e musselinosas. Para as profundas solidões noturnas. 19

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Sacrários virgens, sacrossantas urnas, Os céus resplendem de sidéreas rosas, Da Lua e das Estrelas majestosas. Iluminando a escuridão das furnas. Ah! Por estes sinfônicos ocasos. A terra exala aromas de áureos vasos, Incensos de turíbulos divinos. Os plenilúnios mórbidos vaporam [...] E como que no Azul plangem e choram. Cítaras, harpas, bandolins, violinos [...]" SOUSA, Cruz e. Obra completa. Org. Andrade Murici. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,1995. p. 86. Sobre o autor e o poema citados acima, é INCORRETA a afirmativa: a) O autor explora sensações impalpáveis, vagas; utilizando-se de linguagem hermética, se difícil, busca expressar o belo e o sublime de um cenário mais interiorizado do que real. b) Cruz e Sousa, autor simbolista, faz uso do verso decassílabo, freqüente também n poética na parnasiana. c) No poema são intensamente explorados os sentidos da audição, visão e olfato, buscando transmitir ao leitor as impressões do eu lírico diante do pôr-do-sol. d) O poema apresenta uma visão subjetiva da natureza, em que o fenômeno do ocas é mais ocaso sugerido que descrito. e) No poema, expressivo do ideal da “arte pela arte”, é evidente o repúdio ao subjetivismo e à emoção, pela utilização de vocabulário preciso e raro. Pré-Modernismo 4. Augusto dos Anjos (1884 (1884-1914) A literatura brasileira atravessa um período de transição nas primeiras décadas do século XX. De um as lado, ainda há ainfluência das tendências artísticas da segunda metade do século XIX; de outro, já começa a ser preparada a grande renovação modernista, que se inicia em 1922, com a Semana de Arte Moderna. A esse período de transição, que não chegou a constituir ríodo um movimento literário, chamou-se Pré se Pré-Modernismo. Principais autores do Pré-Modernismo 1. Euclides da Cunha (1866-1909) Nasceu no Rio de Janeiro e viveu durante algum tempo em São Paulo. Em 1897, foi enviado como correspondente ao sertão da Bahia pelo jornal O Estado de S. Paulo para Paulo, cobrir as três últimas semanas da guerra de Canudos. Seis anos depois, o autor lançou Os sertões, obra que narra e , analisa os acontecimentos de Canudos à luz das teorias científicas da época. Sua obra é de grande originalidade. Considerado por alguns como poeta simbolista, apresenta na verdade uma experiência única na literatura universal: a união do Simbolismo com o cientificismo naturalista. Os poemas de sua única obra, Eu (1912), chocam pela agressividade do vocabulário e pela visão dramaticamente angustiante da matéria, da vida e do cosmos. Sua poesia é marcada pela união de duas concepções de mundo distintas: de um lado, a objetividade do átomo; de outro, a dor cósmica, que busca o sentido da existência humana. 4. Graça Aranha (1868 (1868-1931) Escreveu uma única obra Canaã em 1902, romance de tese Canaã, que retrata a vida numa colônia de imigrantes europeus no Espírito Santo. Durante os 20 anos seguintes, José Pereira da Graça Aranha percorreu vários países europeus como diplomata, acompanhando, assim, os rumos da arte , moderna. Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna, proferindo seu discurso inaugural, no dia 13 de fevereiro. 20 Euclides deixou também vários outros escritos – tratados, cartas, artigos –, todos relacionados ao país, às suas , características regionais, geográficas e culturais. 1922) 2. Lima Barreto (1881-1922) Foi um escritor de seu tempo e de sua terra. Anotou, registrou, fixou e criticou asperamente quase todos os acontecimentos da República. Em sua obra, encontram encontram-se os episódios da insurreição antiflorianista, a camp campanha contra a febre amarela, a política de valorização do café, o governo do Marechal Hermes da Fonseca, a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, o advento do feminismo. Juntam-se a isso a paixão de Lima Barreto por se sua cidade, o Rio de Janeiro, com seus subúrbios, sua gente , pobre e seus dramas humildes, e a crítica a políticos da época. O escritor também foi um dos poucos em nossa literatura que lutaram contra o preconceito racial. Essa abordagem está presente, por exemplo, nos romances Clara dos Anjos, Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá e do quase autobiográfico Recordações do escrivão Isaías Caminha Caminha. Seu principal romance é Triste fim de Policarpo Quaresma Quaresma. 3. Monteiro Lobato (1882-1948) 1948) Foi um dos escritores brasileiros de maior prestígio, por causa da sua atuação como intelectual polêmico e autor de histórias infantis. Sua ação, além do circo literário, estende estendese também ao plano da luta política e social. Como escritor literário destaca no gênero conto. O destaca-se universo retratado geralmente é dos vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Principais obras: Urupês O Sítio do Picapau Urupês, Amarelo, Negrinha, Cidades mortas mortas.

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uma dimensão onde não existe qualq qualquer resquício de alma ou de espírito. II. O amoníaco, no soneto, é uma metáfora de alma, pois, segundo o eu lírico, o homem é composto de corpo (carbono) e alma (amoníaco) e, no fim da vida, o corpo (orgânico) acaba, apodrece, enquanto a alma (inorgânica) mantém-se intacta. III. O soneto principia descrevendo as origens da vida e termina descrevendo o destino final do ser humano; retrata o ciclo da vida e da morte, permeado de dor, de sofrimento e da presença constante e ameaçadora da morte inevitável. Está(ão) correta(s): a) Apenas II. b) Apenas III. c) Apenas I e II. d) Apenas I e III. e) Apenas II e III. 3. (UFU) Nos primeiros parágrafos de Urupês, Monteiro Lobato posiciona-se em relação às principais tendências da se literatura brasileira. Assinale a alternativa em que a posição de Lobato é ale apresentada incorretamente. a) Assim como os modernistas, Lobato critica a visão idealizada que os românticos tinham do índio; para ele, o romantismo brasileiro havia sido mera imitação da escola francesa, tendo apenas adaptado ao cenário dos trópicos as idéias de Rousseau. b) Para Lobato, o realismo naturalista irá acertar o tom da literatura brasileira, fugindo à caricatura para revelar outras deficiências do caboclo nacional, cuja índole ele investiga com apoio da ciência evolucionista; por isto, o naturalismo projeta-se como a literatura do futuro, por associar ao teratura cientificismo alta dosagem de qualidade poética. c) A fraqueza moral e muscular do selvagem brasileiro — que Lobato julgava capaz de "moquear a linda menina" Ceci "num bom braseiro", em vez de amá perdidamente, amá-la como fez Peri — corresponde à mesma visão que Mário de Andrade adota na construção do herói Macunaíma. d) Para Lobato, a substituição do selvagem pelo caboclo como tipo brasileiro, no período pré pré-modernista, dando a este atributos de integridade moral, repete o mesmo equívoco de idealização que marcou o indianismo romântico. 4. (PUC-RS) Para responder à questão, ler o texto que segue. Em Marcha para Canudos “Foi nestas condições desfavoráveis que partiram a 12 de janeiro de 1897. Tomaram pela Estrada de Cambaio. É a mais curta e a mais ambaio. acidentada. Ilude a princípio, perlongando o vale de Cariacá, numa cinta de terrenos férteis sombreados de cerradões que prefiguram verdadeiras matas. 21

Exercícios 1. (UFU-MG) "Pobre terra da Bruzundanga! Velha, na sua maior parte, como o planeta, toda a sua missão tem sido criar a vida, e a fecundidade para os outros, pois nunca os que nela nasceram, os que nela viveram, os que a amaram e sugaram-lhe o leite, tiveram sossego sobre o seu solo!" lhe BARRETO, Lima. Os bruzundangas. "Senhora Dona Bahia, nobre e opulenta cidade, madrasta dos Naturais, E dos Estrangeiros madre. Dizei-me por vida vossa, em que fundais o ditame de exaltar, os que aí vêm, e abater, os que ali nascem?" MATOS, Gregório de. Poesias selecionadas selecionadas. Lima Barreto e Gregório de Matos estão distantes, cronologicamente, na Literatura Brasileira. Mas os autores podem ser aproximados pelo teor satírico que imprimiram às suas obras. Tome os fragmentos citados para responder às questões seguintes: a) Fale sobre o tema que aproxima os dois textos. b) Destaque do texto de Gregório de Matos um par de versos que tenha “uma figura de oposição” muito comum ao Barroco, classificando-a. c) Aponte na prosa de Lima Barreto “uma figura de efeito sonoro” que seja comum ao gênero lírico, classificando classificando-a. 2. (UFSM-RS) Leia o soneto a seguir. Psicologia de um vencido "Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia me Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!” ANJOS, Augusto dos. Eu. Rio de Janeiro: Livr. São José, . 1965. A partir desse soneto, é correto afirmar: I. Ao se definir como filho do carbono e do amoníaco, o eu lírico desce ao limite inferior da materialidade biológica pois, pensando em termos de átomos (carbono) e moléculas (amoníaco), que são estudados pela Química, constata constata-se Literatura

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Transcorridos alguns quilômetros, porém, acidenta acidenta-se; perturba-se em trilhas pedregosas e torna-se menos se praticável à medida que se avizinha do sopé da serra do Acaru. [...] Tinha meio caminho andado. As estradas pioravam crivadas de veredas, serpeando em morros, alçando em alçando-se rampas, caindo em grotões, desabrigadas, sem somb sombras... [...] Entretanto era imprescindível a máxima celeridade. Tornava-se suspeita a paragem: restos de fogueira à se margem do caminho e vivendas incendiadas, davam sinais do inimigo.” Todas as afirmativas que seguem estão associadas ao trecho selecionado de Os sertões, em que os homens se , dirigem para o local do embate, EXCETO a) Atenção e rapidez são necessárias numa trajetória que leva os viajantes a uma experiência belicosa. b) A presença do inimigo é percebida pelo rastros de sua passagem ainda recente. c) Os obstáculos que se apresentam prenunciam os trágicos eventos que ocorrerão. d) Pelo assunto do trecho, é possível inferir que se trata de um episódio constante na segunda parte da obra . e) A estrada referida perturba a avaliação inicial do viajante dada a riqueza natural da área. A ARTE MODERNA Na Europa não houve uma arte moderna uniforme. Houve, sim, um conjunto de tendências artísticas, muitas vezes provenientes de países diferentes, com propostas específicas, embora as aproximassem certos traços mais ou rtos menos comuns, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado, a expressão da subjetividade e certo irracionalismo. As tendências, que surgiram na Europa antes, durante e depois da Primeira Guerra mundial, receberam o nome de correntes de vanguarda. São elas: Cubismo, Futurismo, . Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo. Pela diversidade e amplitude dos aspectos que compõem a arte e a literatura modernas, é muito difícil caracteriza caracteriza-las com a mesma objetividade adotada para caracterizar os movimentos anteriores. No Brasil, a todas essas tendências chamou-se Modernismo. Somente a partir da Semana de ente Arte Moderna, em 1922, é que o movimento de renovação, em nosso país, tomou rumos mais definidos, com propostas consistentes e conseqüentes. Principais características da linguajem modernista 1) Quanto à forma: • • • Literatura versos livres; liberdade na escolha de palavras; síntese na linguagem; • • • fragmentação, flashes cinematográficos; busca de uma língua brasileira; pontuação relativa.

2) Quanto ao conteúdo: • nacionalismo; • revisão do nosso passado histórico histórico-cultural; • ironia, humor, piada; • valorização de temas ligados ao cotidiano; orização • urbanismo. Semana de Arte Moderna Não se conhece ao certo de quem partiu a idéia de se realizar uma mostra de artes modernas em São Paulo. Contudo, sabe-se que, já em 1920, Oswald de Andrade se prometera para 1922 – ano do centenário da Independência no – uma ação dos artistas novos “que fizesse valer o Centenário!”. Talvez a realização de uma semana de Arte Moderna fosse a oportunidade esperada por ele. A Semana de Arte Moderna ocorreu entre 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, com , a participação de artistas do Rio e de São Paulo. Durante toda a semana o saguão do teatro esteve aberto ao público. Nele se encontrava uma exposição de artes plásticas. Na noite dos dias 13, 15 e 17 realizaram saraus realizaram-se com apresentação de conferências, leituras de poemas, dança e música. A primeira fase do Modernismo O movimento modernista no Brasil contou com duas fase: a primeira entre 1922 e 1930, a segunda entre 1930 e 1945. a primeira fase caracterizou-se p se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas. De modo geral, os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstruir a cultura brasileira sobre bases nacionais; promover uma revisão crítica de nosso passado histórico e ma de nossas tradições culturais; eliminar de vez o nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Muitos autores, participantes ou não da Semana de Arte Moderna, publicam nessa primeira fase d Modernismo do obras de alguma forma comprometidas ou relacionadas com as idéias defendidas em 1922. Dentre eles, destacam destacamse: Mário de Andrade, com Paulicéia desvairada (1922), Amar, verbo intransitivo (1927) e Macunaíma (1928); Oswald de Andrade, com Memór sentimentais de João Memórias Miramar (1923); Manuel bandeira, com Ritmo dissoluto (1924); Cassiano Ricardo, com Vamos caçar papagaios (1926) e Martim Cererê (1928); Plínio Salgado, com O estrangeiro (1926); Alcântara Machado, com Brás, Bexiga e Barra Funda (1927). Também são fundadas várias revistas por todo o país, como forma de divulgação das idéias modernistas. 22

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Talvez possa espantar As noites que eu não queria E anunciar o dia Vou voltar Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Que fiz tantos planos De me enganar Como fiz enganos De me encontrar Como fiz estradas De me perder Fiz de tudo e nada De te esquecer Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá (IBMEC/RJ-2007) A canção “Sabiá” é apenas uma das 2007) inúmeras releituras e citações que o poema de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio” recebeu a partir do Modernismo. Esse poeta pertenceu à 1a geração do romantismo brasileiro. Nas opções abaixo, assinale a única que não apresenta característica desse estilo de época: cterística a) Nacionalismo, onde a exaltação da pátria somente enaltece as qualidades b) Exaltação da natureza e) Sentimentalismo e religiosidade d) Indianismo, com a criação do herói nacional na figura do índio e) Conceptismo (“jogo de idéias”) e cultismo (“jogo de palavras”). 3. (UNIRIO-2007) Texto para as questões de 1 a 3 2007) LADAINHA Cassiano Ricardo Por que o raciocínio, os músculos, os ossos? A automação, ócio dourado. O cérebro eletrônico, o músculo mecânico mais fáceis que um sorriso. Por que o coração? O de metal não tornará o homem mais cordial, dando-lhe um ritmo extracorporal? Por que levantar o braço para colher o fruto? A máquina o fará por nós. Por que labutar no campo, na cidade? A máquina o fará por nós. Por que pensar, imaginar? 23

Simultaneamente à publicação de obras e à fundação de revistas literárias, são lançados vários manifestos e movimentos, os quais, além de divulgar as propostas gar modernistas,permitem a troca de experiências entre seus participantes e até mesmo explicam ou justificam as obras dadas a público, fomentando o debate de idéias. se Desses movimentos, destacam-se quatro, que representam, na verdade, duas tendências estético-ideológicas: de um ideológicas: lado os movimentos Pau-Brasil e Antropofagia; e, de outro, Brasil o Verde-Amarelismo e a Escola da Anta. Exercícios 1. (UFRJ/RJ) Meus sete anos “Papai vinha de tarde Da faina de labutar Eu esperava na calçada Papai era gerente Do Banco Popular Eu aprendia com ele Os nomes dos negócios Juros hipotecas Prazo amortização Papai era gerente Do Banco Popular Mas descontava cheques No guichê do coração” ANDRADE, Oswald de. Obras completas-VIl. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. p. 162. rasileira, Na literatura brasileira, a idade de oito anos é tomada como referência a uma infância harmoniosa. No poema de Oswald de Andrade, essa referência está considerada no título e recebe um tratamento que revela um traço característico do Modernismo brasileiro. Identifique esse traço, justificando sua resposta. 2. (IBMEC/RJ-2007) Sabiá Tom Jobim e Chico Buarque Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra De uma palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Literatura

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A máquina o fará por nós. Por que fazer um poema? A máquina o fará por nós. Por que subir a escada de Jacó? A máquina o fará por nós. Ó máquina, orai por nós. a) O movimento modernista se firma como doutrina estética, trazendo um questio questionamento, marcado, por vezes, pela ironia. Do poema de Cassiano Ricardo, transcreva uma seqüência de dois versos em que há a presença de traço sutil de ironia. b) No poema, o eu lírico se vale de um recurso característico da poesia concreta: a fragmentação de palavras. Que efeito de sentido ocorre na 2ª. estrofe devido à disposição da palavra “extracorporal” ? c) Explique por que a seqüência de orações interrogativas da 3a estrofe retoma, enfaticamente, o título do poema. Segunda fase do Modernismo Prosa Nas décadas de 30 e 40, o romance, mais do que a poesia e o conto, predominou na literatura brasileira, enveredando-se principalmente pelo regionalismo e se pela abordagem psicológica. Romance de 30 foi a denominação dada a essa ficção, cujo marco inicial é o romance A bagaceira, de José Américo de Almeida, , publicado em 1928. Ao contrário dos participantes da Semana de Arte Moderna, os integrantes da segunda geração do Modernismo não chegaram a produzir impacto, dado o releco social que a revolução ocorrida e outubro em daquele ano assumiu na vida brasileira. Os abalos sofridos pelo povo brasileiro em torno dos acontecimentos de 1930 condicionaram um novo estilo ficcional, notadamente mais adulto, mais amadurecido, mais moderno, que se marcaria pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, por uma retomada do naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental. O maior momento da ficção de 30 dá-se com o advento se do romance nordestino, que correspondeu como nenhum outro aos anseios de liberdade temática e rigor estilístico. O romance desenvolveu diversas linhas temáticas. O drama das secas, a crise dos engenhos, o cangaço, a luta pela terra, o coronelismo, são temas abordados na ficção de Graciliano Ramos (1892-1953), J 1953), José Lins do Rego (1901-1957), Jorge Amado (1912 1957), (1912-2001) e Rachel de Queiroz (1910-2003); os problemas do homem 2003); Literatura A poesia da segunda geração modernista foi, essencialmente, uma poesia de quesionamento em torno da existência humana, do sentimento de “estar “estarno-mundo”, das inquietações social, religiosa, mundo”, filosófica, amorosa, etc. Q a acompanham. Carlos Que Drummond de Andrade é o poeta que melhor representa o espírito dessa geração e um dos pontos mais altos de nossa literatura. A segunda geração, livre do compromisso de combater o passado, mantém muitas das conquistas da geração anterior, mas também se sente inteiramente à vontade erior, para voltar a cultivar certas formas antes desprezads, em razão do radicalismo da primeira geração. É o caso dos versos regulares (metrificados), daestrofação criteriosa e de formas fixas, como o soneto, et etc. Esses poetas levaram a diante o projeto de “liberdade de expressão” dos seus antecessores, a ponto até de incluírem nesse conceito de liberdade o emprego de formas utilizadas pelos clássicos. Por isso não é de causar espanto que grandes autores do verso livre desse peródo, como Manuel Bandeira (da primeira geração), Murilo Mendes, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes tenham sido também excelentes sonetistas. Principais autores: • • • • • Exercícios (ENEM/MEC) Leia estes poemas. Auto-retrato “Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado 24 Carlos drummond de Andrade; Jorge de Lima; Murilo Mendes; Cecília Meireles; Vinícius de Moraes. urbano estão na obra de Érico Veríssimo (1905 (1905-1975); a investigação psicológica das personagens e seus conflitos íntimos encontram na ficção de Dyonélio encontram-se Machado (1895-1985). Poesia

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Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico profissional.” BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395. Poema de sete faces “Quando eu nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. [...] Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração.” DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53. . 1. Esses poemas têm em comum o fato de a) descreverem aspectos físicos dos próprios autores. b) refletirem um sentimento pessimista. c) terem a doença como tema. d) narrarem a vida dos autores desde o nascimento. e) defenderem crenças religiosas. 2. (ITA/SP) O poema abaixo, de autoria de Cecília Meireles, faz parte do livro Viagem, de 1939. , Epigrama 11 "A ventania misteriosa passou na árvore cor-de-rosa, e sacudiu-a como um véu, um largo véu, na sua mão. Foram-se os pássaros para o céu. Mas as flores ficaram no chão.” MEIRELES, Cecília. Viagem/Vaga Música Música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. Esse poema I. Mostra uma certa herança romântica, tanto pelo teor sentimental do texto como pela referência à natureza. II. Mostra uma certa herança simbolista, pois não é um poema centrado no “eu”, nem apresenta excesso emocional. III. Expõe de forma metafórica uma reflexão sobre algumas experiências difíceis da vida humana. 2007/2) 3. (UNESP-2007/2) As questões de números 1 e 2 tomam por base o texto Os velhos, do poeta Carlos Drummon de , Drummond Andrade (1902-1987). Os velhos Todos nasceram velhos – desconfio. Em casas mais velhas que a velhice, em ruas que existiram sempre – sempre! assim como estão hoje soturnas e paradas e indeléveis mesmo no desmoronar do Juízo Final. Os mais velhos têm 100, 200 anos m e lá se perde a conta. Os mais novos dos novos, não menos de 50 – enorm’idade. Nenhum olha para mim. A velhice o proíbe. Quem autorizou existirem meninos neste largo municipal? Quem infringiu a lei da eternidade que não permite recomeçar a vida? Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade me. de ser também um velho desde sempre. Assim conversarão comigo sobre coisas seladas em cofre de subentendidos a conversa infindável de monossílabos, resmungos, tosse conclusiva. Nem me vêem passar. Não me dão confian confiança. Dádiva impensável nos semblantes fechados, nas felpudas redingotes, nos chapéus autoritários, nas barbas de milênios. Sigo, seco e só, atravessando a floresta de velhos. (Boitempo.) a) Usando as rimas com parcimônia, rompendo com os padrões acadêmicos e ignorando os compêndios de metrificação, Carlos Drummond de Andrade consegue produzir uma poesia vigorosa, reconhecida na literatura brasileira. Refletindo sobre tais observações, identifique as características do poema Os velhos, quanto ao emprego de rimas e ao esquema métrico dos as versos. A seguir, nomeie a figura de harmonia, ocorrente nos dois últimos versos do poema, explicando em que ela consiste. 25 IV. É um poema bastante melancólico por registrar de forma triste o sofrimento decorrente da perda de um ente ento querido. Estão corretas as afirmações a) I e III. b) I, III e IV. c) II e III. d) II, III e IV. e) II e IV.

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b) No poema, o isolamento dos velhos leva o eu-poemático a pintar um quadro invertido, se poemático considerada a habitual situação dos idosos, na tual realidade: não são eles os desprezados, os ignorados, os esquecidos, os abandonados – mas o menino, o não-velho. Com base nessa idéia, velho. comente a solução cogitada pelo eu eu-poemático para entrar no mundo dos velhos.

A poesia de 45 traz o cenário das discussões literárias a seguinte questão: a poesia é a arte da palavra. Esse princípio implicava a alteração de pontos de vista da poesia de 30, que já tinha sido social, política, religiosa, filosófica... O traço formalizante, portanto, é o que caracteriza essa geração de poetas. Alguns tenderam mais ao estilo culto e elevado; outros caminharam noutra direção, buscando a linguagem essencial, sintética, precisa, concreta e racional. Foram publicados na revista carioca Panorama dezenas de novos poetas, dentre eles Alphonsus de Guimaraes Filho, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Geir Campos, José Paulo Paes, Paulo Bonfim e João cabral de Melo Neto (1920 (19201999), o poeta de maior destaque dessa geração. , Prosa O período é muito rico para a prosa brasileira, que conta com a publicação de várias obras significativas, principalmente nos gêneros conto e romance. Parte dessa prosa retoma e aprofunda a sondagem psicológica que já vinha sendo desenvolvida por autores lógica anteriores. É o que se verifica, por exemplo, nos contos e romances de Clarice Lispector (1926 (1926-1977) e Lygia Fagundes Telles. O regionalismo, fartamente explorado pela geração de 30, também é retomado por autores como João Guimarães Rosa (1908-1967), Mário Palmério e outros, que procuram dar-lhe um tratamento renovado. O lhe espaço urbano também é representado pelas crônicas de Rubem Braga e pelos contos de Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispe Lispector e outros. Exercícios

4. (PUC-PR) “Continuemos. Tenciono contar a minha história. Difícil. Talvez deixe de mencionar particularidades úteis, que me pareçam acessórias e dispensáveis. Também pode ser que, habituado a tratar com matutos, não confie suficientemente na compreensão dos leitores e repita passagens es insignificantes. De resto isto vai arranjado sem nenhuma ordem, como se vê. Não importa. Na opinião dos caboclos que me servem, todo o caminho dá na venda.” O fragmento acima, retirado do segundo capítulo de São Bernardo, exemplifica: a) Um momento psicológico da narrativa; b) Uma reflexão sobre a voracidade latifundiária do protagonista; c) A desvalorização dos matutos, tema recorrente da literatura urbana do autor; d) Uma reflexão sobre a composição da narrativa; e) Um exemplo da literatura regionalista de 30. PR) 5. (PUC-PR) Manuel Bandeira escreveu vários poemas sobre a cidade do Recife. Graciliano Ramos tomou continuamente a natureza nordestina como paisagem. Assinale a alternativa que melhor expressa essa igualdade. a) São escritores regionalistas que exaltam sua terra natal. scritores b) O regionalismo é escolha apenas literária, porque foram escritores de temática urbana. c) O regionalismo era moda na época e eles seguiram o padrão literário. o d) A região explicava as personagens do romancista e a memória sentimental do poeta. e) Os dois escolheram o regionalismo como forma de se enquadrar no movimento modernista de 1930. A geração de 45 Em 1945, termina a Segunda Guerra Mundial e, no Brasil, a ditadura de Vargas. O mundo passa a viver a Guerra Fria, e o Brasil um período democrático e desenvolvimentista, que chegaria à euforia no governo de Juscelino Kubitschek 1956-1961). Os escritores, agora menos exigidos social e politicamente do que na década anterior, buscam uma renovação literária cuja preocupação principal é a própria linguagem. Poesia Literatura

(UFRJ) Texto I "Naquela terra querida, Que era sua e não era, Onde sonhara com a vida Mas nunca viver pudera, Ia morrer sem comida Aquele de cuja lida Tanta comida nascera." GULLAR, Ferreira. João Boa Boa-Morte, cabra marcado pra morrer. 1964. In: AGUIAR, F. (Org.). Com palmos medida: terra, trabalho e conflito na literatura brasileira brasileira. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999. p. 309. Texto II "Os moradores desta costa do Brasil todos têm terra de sesmarias dadas e repartidas pelos capitães da terra, e a primeira coisa que pretendem alcançar são escravos para lhe fazerem e granjearem suas roças e fazendas, porque sem eles não se podem sustentar na terra: e uma das coisas 26

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porque o Brasil não floresce muito mais, é pelos escravos que se alevantarão e fugirão para suas terras e fogem cada dia: e se esses índios não foram tão fugitivos e mutáveis, não tivera comparação a riqueza do Brasil." GANDAVO, Pero de Magalhães. 1576. Tratado das terras do Brasil. Lisboa. In: AGUIAR, F. (Org.). 1999. Com palmos medida: terra, trabalho e conflito na literatura brasileira. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999. p. . 35. 1. Qual o aspecto, na relação de trabalho, que une os Textos I e II, apesar de escritos em épocas tão distintas, séculos XX e XVI, respectivamente? 2. (Vunesp) Epitáfio para um banqueiro "n e g ó c i o ego ócio 0" José Paulo Paes. Anatomias. Este Epitáfio para um banqueiro enfoca um tema literário bastante atual: o egoísmo, a solidão do indivíduo, a falta de comunicação que o leva a fechar-se nos limites de sua própria existência e, se conseqüentemente, a ver o mundo sempre deformado por uma visão individualista. Tomando formado por base estas observações: a) Faça uma descrição do plano semântico semântico-visual do texto, de modo a revelar sua compreensão do poema como um "epitáfio"; b) Aponte a palavra que, numa das linhas do poema, demarca a característica do indivíduo como ser em si, exclusivista e isolado. (UFSCar/SP-2007) Texto para as questões de números 3 e 2007) 4. O sertanejo falando A fala a nível do sertanejo engana: as palavras dele vêm, como rebuçadas (palavras confeito, pílula), na glace de uma entonação lisa, de adocicada. Enquanto que sob ela, dura e endurece o caroço de pedra, a amêndoa pétrea, dessa árvore pedrenta (o sertanejo) incapaz de não se expressar em pedra. Daí porque o sertanejo fala pouco: as palavras de pedra ulceram a boca e no idioma pedra se fala doloroso; o natural desse idioma fala à força. Daí também porque ele fala devagar: tem de pegar as palavras com cuidado, confeitá-las na língua, rebuçá-las; pois toma tempo todo esse trabalho. João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra. Nova Fronteira, 1996, p. 16. Literatura 3. Esse poema consta na primeira parte de A educação pela pedra, considerada pelo autor sua obra máxima. Depois de uma leitura atenta, responda. a) Qual o contraste entre a busca da palavra e o resultado de sua execução na boca do sertanejo? b) A que se refere, no texto, a palavra ela, no primeiro verso da segunda estrofe? Justifique sua resposta. . 4. Em 27 de outubro de 1973, em entrevista ao jornal carioca O Globo, João Cabral disse: Eu tentei criar uma outra linguagem, não completamente nova, como os concretistas fizeram, mas uma linguagem que se afastasse um pouco da linguagem usual. Ora, desde o momento em que você se afasta da norma você se faz esta palavra antipática que é “hermético”. Quer dizer, v você se faz hermético numa leitura superficial. Agora, se o leitor ler e reler, estudar esse texto, ele verá que a coisa não é tão hermética assim. Apenas está escrito com um pequeno desvio da linguagem usual. a) Destaque, na terceira estrofe, desvios da li linguagem usual vinculados ao emprego das classes de palavra. b) No último verso da terceira estrofe, também é possível observar um artifício do poeta, que provoca uma releitura. Explique esse artifício. Tendências da literatura contemporânea Duas são as marcas principais da cultura principais da arcas cultura brasileira nas últimas décadas: a efemeridade e a mistura das tendências artístico artístico-culturais. Trata-se de um período fértil, com o lançamento de inúmeras revistas, manifestos e movimentos, mas de curta dura duração. Ao mesmo tempo, verifica-se uma mistura dessas tendências se com as antigas linhas de nossa tradição literária. Depois da implatanção da censura a todo tipo de atividade cultural, acentuou-se o caráter dispersivo dessa lietratura, que se passou a contar basicamente com produções individuais. icamente A cultura brasileira acompanha o ritmo das mudanças. Novas idéias surgem nos diferentes domínios da arte: a Bossa Nova, o Cinema Novo, o Teatro de Arena, as vanguardas concretas na poesia e nas artes plásticas, os festivais de música transmitidos pela televisão. ivais Após o golpe de 1964, a atividade cultural do país ainda se mantén dinâmica por mais alguns anos. Surge o Teatro Oficina, que encena o O rei da vela de Oswald de vela, Andrade; são criados os CPCs (Centros populares de Cultura), que visam levar cultura para aas ruas; a Tropicália ganha as rádios e a televisão. Esse período efervescente termina com a decretação do AI em 1968, o exílio de AI-5, políticos e artistas e a instituição de uma censura prévia a eventos culturais. Exercícios (Unicamp-SP)

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"Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;" Camões. Lírica. Seleção, prefácio e notas de Massaud . Moisés, São Paulo: Cultrix, 1963. "Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa." Andresen, Sophia de Mello Breyner. Terror de te amar. Antologia poética. 1. Dos dois textos transcritos o primeiro é de transcritos, Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo, de Sophia de Mello Breyner Andresen (século XX). Compare-os, discutindo, através de critérios os, formais e temáticos, aspectos em que ambos se aproximam e aspectos em que ambos se distanciam um do outro. 2. (Fuvest-SP) "CLESSI (choramingando) — O olhar daquele homem despe a gente! MÃE (com absoluta falta de compostura) — Você exagera, Scarlett! CLESSI — Rett é indigno de entrar numa casa de família! MÃE (cruzando as pernas; incrível falta de modos) — Em compensação, Ashley é espiritual demais. Demais! Assim também não gosto. CLESSI (chorando despeitada) — Ashley pediu a mão de Melânie! Vai-se casar com Melânie! se MÃE (saliente) — Se eu fosse você, pre preferia RETT (Noutro tom). Cem vezes melhor que o outro! CLESSI (chorosa) — Eu não acho! MÃE (sensual e descritiva) — Mas é, minha filha! Você viu como ele é forte? Assim! forte mesmo!" No trecho acima, as personagens de Vestido de noiva subitamente se põem a recitar os diálogos do filme E o em vento levou. No contexto dessa obra de Nelson . Rodrigues, esse recurso de composição configura configura-se como: a) Crítica à internacionalização da cultura, reivindicando o privilégio dos temas nacionais. b) Sátira do melodrama, o que dá dimensão autocrítica à ama, peça. c) Sátira do cinema, indicando a superioridade estética do teatro. d) Intertextualidade, visando a indicar o caráter universal das paixões humanas. e) Metalinguagem, visando a revelar o caráter ficcional da construção dramática. 3. (ITA/SP) Leia o texto abaixo e responda à questão seguinte: Literatura

Solar "Minha mãe cozinhava exatamente: arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. roxinho, Mas cantava.” PRADO, Adélia. O coração disparado disparado. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. Nesse pequeno poema, a escritora Adélia Prado consegue não só registrar um traço singular do cotidiano da própria mãe, como também constrói dessa mulher um retrato, que apresenta duas facetas: uma, relativa à posição social e outra, ao temperamento. Particularize essas duas facetas e aponte como a ularize estruturação sintática as instaura. 4. (Fuvest/SP) 5. “o Kramer apaixonou-se por uma corista que se se chamava Olga. por algum motivo nunca conseguiam encontrar-se. ele gritava passando pela casa de Olga, se. manhãzinha (ela dormia): Olga, Olga, hoje estou de a folga! mas nunca se viam e penso que ele sabia que se efetivamente se deitasse com ela o sonho terminaria. sábio Kramer. nunca mais o vi. há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. e por isso passíveis de serem sonhados a . vida inteira.” sido. Hilda Hilst, Estar sendo. Ter sido Observações: O emprego sistemático de minúscula na abertura de período é opção estilística da autora. Corista = atriz/bailarina que figura em espetáculo de t teatro musicado. Na perspectiva do narrador, o Kramer é considerado sábio porque, como um bom sonhador, a) anima-se com a possibilidade de uma feliz e se prolongada realização de seu sonho. b) percebe que a realização de seu sonho acabaria sendo uma forma de negá negá-lo. c) avalia objetivamente as circunstâncias de que depende a plena realização de seu sonho. d) sabe que os sucessivos adiamentos da realização de seu sonho acabarão por fazê desistir de fazê-lo sonhar. e) acredita que a impos impossibilidade de realização de um sonho leva a um mais rápido amadurecimento.

PENGES PENGE I - LITERATURA 01. Reconheça nos textos a seguir, as funções da linguagem: 28

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a) "O risco maior que as instituições republicanas hoje correm não é o de se romperem, ou serem rompidas, mas o de não funcionarem e de desmoralizarem de vez, paralisadas pela sem-vergonhice, pelo hábito covarde de vergonhice, acomodação e da complacência. Diante do povo, diante do mundo e diante de nós mesmos, o que é preciso agora é fazer funcionar corajosamente as instituições para ncionar lhes devolver a credibilidade desgastada. O que é preciso (e já não há como voltar atrás sem avacalhar e emporcalhar ainda mais o conceito que o Brasil faz de si mesmo) é apurar tudo o que houver a ser apurado, do a quem doer." doa (O Estado de São Paulo) b) O verbo infinitivo Que é a Poesia? Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então ouvir E então sorrir para poder chorar. E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito E esquecer tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E ir conjugar o verbo no infinito... (Vinícius de Morais) c) "Para fins de linguagem a humanidade se serve, desde os tempos pré-históricos, de sons a históricos, que se dá o nome genérico de voz, determinados pela corrente de ar expelida dos pulmões no fenômeno vital da respiração, quando, de uma ou outra maneira, é modificada no seu neira, trajeto até a parte exterior da boca." (Matoso Câmara Jr.) d) " - Que coisa, né? - É. Puxa vida! - Ora, droga! - Bolas! - Que troço! - Coisa de louco! - É!" e) "Fique afinado com seu tempo. Mude para Col. Ultra Lights." f) "Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento extraordinário. Aquele silêncio, aqueles rumores comuns, espantavam avam-me. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa, ergui-me, desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata. Seria tudo ilusão?... Estava doente, ia piorar, e isto Literatura uma ilha cercada de palavras pro todos os lados. Que é o Poeta? um homem que trabalha com o suor do seu rosto. Um homem que tem fomec omo qualquer outro homem. 02. Quais as funções da linguagem predominantes no poema anterior? 03. Aponte os elementos que integram o processo de comunicação em Poética, de Cassiano Ricardo. 04. Leia atentamente: "A poesia, ao contrário da filosofia, não é um conhecimento teórico da natureza hu humana, mas imita, narrativa ou dramaticamente, ações e sentimentos, feitos e virtudes, situações e vícios dos seres humanos. No entanto, a poesia é diferente da história, embora esta também seja uma narrativa de feitos humanos e de situações, das virtudes e dos vícios dos humanos narrados. A diferença está no fato de que AQUELA visa, por meio de uma pessoa ou de um fato, a falar dos humanos em geral (cada pessoa [...] não é ela em sua individualidade, mas é ela como exemplo universal, positivo ou negativo, d um tipo de humano) e a falar de situações em geral (por meio, por exemplo, do relato dramático de uma guerra, fala sobre a guerra), enquanto ESTA se refere à individualidade concreta de cada pessoa e de cada situação. A poesia trágica não fala de Édipo ou d Eletra, mas de um destino de humano; a epopéia não fala de Helena, Ulisses ou Agamenon, mas de tipos humanos. A história, ao contrário, fala de pessoas singulares e situações particulares. Por isso, diz Aristóteles, a poesia está mais próxima da filosofia d do que da história, já que esta nunca se dirige ao universal." Marilena Chauí. Introdução à história da filosofia filosofia. 29 me alegrava. Deitar-me, dormir, o pensamento me, embaralhar-se longe daquelas porcarias Senti uma se porcarias. sede horrível... Quis ver ver-me no espelho. Tive preguiça, fiquei pregado à janela, olhando as pernas dos transeuntes." (Graciliano Ramos) g) " - Que quer dizer pitosga? - Pitosga significa míope. - E o que é míope? íope - Míope é o que vê pouco." TEXTO PARA QUESTÕES 2 E 3 Poética

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As palavras que estão em maiúsculas foram introduzidas no trecho acima em substituição a duas palavras palavras-chave para a exposição que faz Marilena Chauí das idéias de Aristóteles a referentes a distintas formas de conhecimento. Um leitor atento será capaz de identificar as palavras que estavam no texto original, a partir apenas da leitura do trecho aqui apresentado. a) Substitua as palavras em maiúsculas pelas palavras que culas estavam no texto original. b) De acordo com o texto, como podem ser caracterizadas as formas de conhecimento referidas por essas palavras? c) Com base neste texto, a que se dirige a filosofia, segundo Aristóteles? 05. O poema abaixo pertence ao Cancioneiro de Fernando Pessoa. "Ah, quanta vez, na hora suave Em que me esqueço, Vejo passar um vôo de ave E me entristeço! Por que é ligeiro, leve, certo No ar de amávio? Por que vai sob o céu aberto Sem um desvio? Por que ter asas simboliza A liberdade Que a vida nega e a alma precisa? Sei que me invade Um horror de me ter que cobre Como uma cheia Meu coração, e entorna sobre Minh'alma alheia Um desejo, não de ser ave, Mas de poder Ter não sei quê do vôo suave Dentro em meu ser." Fernando Pessoa. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. p. 138. a) Identifique o recurso lingüístico que representa a ave tanto no plano sonoro quanto no imagético. b) Que relação o eu lírico estabelece entre a tristeza e a ce liberdade? 06. “A tua saudade corta como aço de navaia... O coração fica aflito Bate uma, a outra faia... E os óio se enche d'água Que até a vista se atrapaia, ai, ai...” Fragmento de Cutelinho, canção folclórica. , a) Nos dois primeiros versos há uma comparação. imeiros Reconstrua esses versos numa frase iniciada por “Assim como (...)”, preservando os elementos comparados e o sentido da comparação. b) Se a forma do verbo atrapalhar estivesse flexionada de acordo com a norma padrão, haveria prejuízo para o efeito de sonoridade explorado no final do último verso? Por quê? Penge II – Literatura Dos Desenganos da Vida Humana, Metaforicamente Literatura

É a vaidade, Fábio, nesta vida , Rosa, que de manhã lisonjeada, , Púrpuras mil, com ambição dourada, Airosa rompe, arrasta presumida. É planta, que de abril favorecida, , Por mares de soberba desatada, da, Florida galeota empavesada, Sulca ufana, navega destemida. É nau enfim, que em breve ligeireza, Com presunção de Fênix generosa, Galhardias apresta, alentos preza: Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa De que importa, se aguarda sem defesa Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa? 1. O próprio título do poema alude ao emprego intensivo da metáfora. O poema se entretece de três metáforas principais. Quais são elas? 2. Quais as outras figuras de linguagem que podem ser identificadas no texto? 3. Reconheça as figuras de construção existentes nas frases abaixo: a) E fala, e repete, e reclama, e nada resolve. ______________________________ b) Aos rapazes, deu deu-lhes dinheiro. ______________________________________ _____________________________________ _ c) “ Acorda, Maria, é dia de matar formiga de matar cascavel de matar tempo...” (Carlos Drummond de Andrade) _____________________ d) Dizem que os cariocas somos pouco dados a aeroportos. ____________________ e) Eu tenho muitos livros; ele, poucos. __________________________ f) Respiramos fundo, demo demo-nos as mãos, subimos no barco, enfrentamos o rio, a correnteza, o medo. _____________________________ Instrução: As questões de números 4, 5 e 6 tomam por base um trecho de uma carta do Padre Antonio Vieira (1608-1697) e um soneto do poeta simbolista brasileiro 1697) Péthion de Villar (Egas Moniz Barreto de Aragão, 1870 18701924). Carta XIII — Ao Rei D. João IV — 4 de abril de 1654 "(...) Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga obriga-me a consciência a manifestar a V.M. os grandes pecados que por ocasião des deste serviço se cometem. Primeiramente nenhum destes índios vai senão violentado e por força, e o trabalho é excessivo, e em que todos os anos morrem muitos, por ser venenosíssimo o vapor do tabaco: o rigor com que são tratados é mais que de escravos; os s 30

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nomes que lhes chamam e que eles muito sentem, feiíssimos; o comer é quase nenhum; a paga tão limitada que não satisfaz a menor parte do tempo nem do trabalho; e como os tabacos se lavram sempre em terras fortes e novas, e muito distante das aldeias, estão os índios ausentes de o suas mulheres, e ordinariamente eles e elas em mau estado, e os filhos sem quem os sustente, porque não têm os pais tempo para fazer suas roças, com que as aldeias estão sempre em grandíssima fome e miséria. Também assim ausentes e divididos não podem os índios ser doutrinados, e vivem sem conhecimento da fé, nem ouvem missa nem a têm para a ouvir, nem se confessam pela Quaresma, nem recebem nenhum outro sacramento, ainda na morte; e assim morrem e se vão ao Inferno, sem o haver quem tenha cuidado de seus corpos nem de suas almas, sendo juntamente causa estas crueldades de que muitos índios já cristãos se ausentam de suas povoações, e se vão para a gentilidade, e de que os gentios do sertão não queiram vir para nós, temendo-se do trabalho a que os se obrigam, a que eles de nenhum modo são costumados, e assim se vêm a perder as conversões e os já convertidos; e os que governam são os primeiros que se perdem, e os segundos serão os que os consentem; e isto é o qu cá se que faz hoje e o que se fez até agora.” Padre Antonio Vieira. Carta XIII. 1949. O último pajé “Cheio de angústia e de rancor, calado, Solene e só, a fronte carrancuda, Morre o velho Pajé, crucificado Na sua dor, tragicamente muda. Vê-se-lhe aos pés, disperso e profanado, O troféu dos avós: a flecha aguda, O terrível tacape ensangüentado, Que outrora erguia aquela mão sanhuda. Vencida a sua raça tão valente, Errante, perseguida cruelmente, Ao estertor das matas derrubadas! 'Tupã mentiu!' e erguendo as mãos sagradas, Dobra o joelho e a calva sobranceira Para beijar a terra brasileira." Péthion de Villar. A morte do pajé 1978. pajé. 4. Embora separados por mais de dois séculos, os textos apresentados focalizam uma mesma questão social surgida no Brasil-Colônia, que tem repercussões até os dias atuais. lônia, Releia os dois textos com atenção e, a seguir: a) Identifique a questão social abordada por ambos os textos; b) Explique em que medida o poema de Péthion de Villar, escrito em 1900, simboliza, com certa dramaticidade, um maticidade, dos desfechos possíveis dos problemas apontados em 1654 por Vieira ao rei de Portugal. 5. (Vunesp) Podemos estranhar, por vezes, o emprego de certas palavras nos textos, seja por não serem muito comumente usadas, seja por manobras estilísti estilísticoexpressivas do escritor. O contexto em que tais palavras se encontram, todavia, permite percebermos o sentido sem que precisemos socorrer-nos do dicionário. Com base neste nos comentário: Literatura a) Aponte o que pretende significar Vieira, no terceiro parágrafo, sob o ponto de vista religioso, com a expressão ob “gentios do sertão”; b) Estabeleça, com base na leitura de todo o poema, o sentido que a palavra “crucificado” apresenta no terceiro verso do soneto de Péthion. 6. (Vunesp) Ao focalizar como tema a mesma questão histórico-social, Vieira e Péthion o fazem sob pontos de social, vista distintos. Lembrando que Vieira escreve uma carta ao rei e que Péthion escreve um poema, responda: a) O que quer enfatizar Vieira com a frase fi “... e isto é final o que cá se faz hoje e o que se fez até agora”? b) Por que, mesmo situando seu conteúdo num plano imaginário, idealizado, simbólico, o poema de Péthion não desfigura a realidade em que se baseia? PENGE III- LITERATURA Texto para as questões 1 e 2 A Maria dos povos, sua futura esposa Discreta, e formosíssima Maria, Enquanto estamos vendo a qualquer hora, Em tuas faces a rosada Aurora, Em teus olhos e boca o Sol, e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar, que fresco Adônis te namora namora, Te espalha a rica trança voadora, Quando vem passear-te pela fria: te Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trata a toda ligeireza, E imprime em toda flor sua pisada. Oh não aguardes, que a madura idade, Te converta essa flor, essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. m MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos - Seleção de José Miguel Wisnik. 2a ed. São Paulo: Cultrix, [s.d.] 1. O poema se constrói por meio da oposição entre dois campos semânticos, especialmente no contraste entre a primeira e a última estrofes. Explicite essa oposição e retire, dessas estrofes, dois vocábulos com valor substantivo – um de cada campo semântico –, identificando a que campo cada vocábulo pertence. 2. O primeiro verso da 3ª estrofe apresenta como apresenta-se conseqüência de um aspecto central da visão de mundo seqüência barroca. Justifique essa afirmativa com suas próprias palavras. Texto para a questão 3. "Ora, suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser, pois Deus o disse, perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distinguimos logo os vivos dos mortos? Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído, os v vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: Hic jacet. Estão essas praças no verão cobertas de pó: dá um pé pé-de-vento, levantase o pó no ar e que faz? O que fazem os vivos, e muito vivos. NÃO AQUIETA O PÓ, NEM PODE ESTA ESTAR 31

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QUEDO: ANDA, CORRE, VOA; ENTRA POR ESTA RUA, SAI POR AQUELA; JÁ VAI ADIANTE, JÁ TORNA ATRÁS; TUDO ENCHE, TUDO COBRE, TUDO ENVOLVE, TUDO PERTURBA, TUDO TOMA, TUDO CEGA, TUDO PENETRA, EM TUDO E POR TUDO SE METE, SEM AQUIETAR NEM SOSSEGAR UM MOMENTO, ENQUANTO O VENTO DURA. TO Acalmou o vento: cai o pó, e onde o vento parou, ali fica; ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no mar, ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não é assim? Assim é." Antônio Vieira. Trecho do Cap. V do Sermão da QuartaFeira de Cinza. Apud: Sermões de Padre Antônio Vieira Vieira. São Paulo: Núcleo, 1994, p.123-124. 3. Em Padre Vieira fundem-se a formação jesuítica e a se estética barroca, que se materializam em sermões considerados a expressão máxima do Barroco em prosa religiosa em língua portuguesa, e uma das mais importantes giosa expressões ideológicas e literárias da Contra Contra-Reforma. a) Comente os recursos de linguagem que conferem ao texto características do Barroco. b) Antes de iniciar sua pregação, Vieira fundamenta fundamenta-se num argumento que, do ponto de vista religioso, mostra mostra-se incontestável. Transcreva esse argumento. INSTRUÇÃO: As questões de números 4 e 5 tomam por base um trecho de uma carta do Padre Antonio Vieira (1608-1697) e um soneto do poeta simbolista brasileiro 1697) Péthion de Villar (Egas Moniz Barreto de Aragão, 1870 thion 18701924). Carta XIII – Ao Rei D. João IV – 4 de abril de 1654 (...) Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, upados principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a me manifestar a V.M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem. Primeiramente nenhum destes índios vai senão violentado e por força, e o trabalho é exces excessivo, e em que todos os anos morrem muitos, por ser venenosíssimo o vapor do tabaco: o rigor com que são tratados é mais que de escravos; os nomes que lhes chamam e que eles muito sentem, feiíssimos; o comer é quase nenhum; a paga tão limitada que não satisfaz a menor parte do tempo nem do sfaz trabalho; e como os tabacos se lavram sempre em terras fortes e novas, e muito distante das aldeias, estão os índios ausentes de suasmulheres, e ordinariamente eles e elas em mau estado, e os filhos sem quem os sustente, porque não têm os pais tempo para fazer suas roças, com que as aldeias estão sempre em grandíssima fome e miséria. Também assim ausentes e divididos não podem os índios ser doutrinados, e vivem sem conhecimento da fé, nem ouvem missa nem a têm para a ouvir, nem se confessam pela Quaresma, nem recebem nenhum outro sacramento, ainda na morte; e assim morrem e se vão ao Inferno, sem haver quem tenha cuidado de seus corpos nem de suas almas, sendo juntamente causa estas crueldades de que muitos índios já cristãos se ausentam de suas povoações, e Literatura se vão para a gentilidade, e de que os gentios do sertão não queiram vir para nós, temendo do trabalho a que os ra temendo-se obrigam, a que eles de nenhum modo são costumados, e assim se vêm a perder as conversões e os já convertidos; e os que governam são os primeiros que se perdem, e os segundos serão os que os consentem; e isto é o que cá se faz hoje e o que se fez até agora. (Padre Antonio Vieira. Carta XIII. 1949 1949). O Último Pajé Cheio de angústia e de rancor, calado, Solene e só, a fronte carrancuda, Morre o velho Pajé, crucificado Na sua dor, tragicamente muda. Vê-se-lhe aos pés, disperso e profanado, O troféu dos avós: a flecha aguda, O terrível tacape ensangüentado, Que outrora erguia aquela mão sanhuda. Vencida a sua raça tão valente, Errante, perseguida cruelmente, Ao estertor das matas derrubadas! “Tupã mentiu!” e erguendo as mãos sagradas, Dobra o joelho e a calva sobranceira Para beijar a terra brasileira. (Péthion de Villar. A morte do pajé. 1978.) Embora separados por mais de dois séculos, os textos apresentados focalizam uma mesma questão social surgida no Brasil-Colônia, que tem repercussões até os dias atuais. nia, Releia os dois textos com atenção e responda as questões 4 e 5. 4. Identifique a questão social abordada por ambos os textos; 5. Explique em que medida o poema de Péthion de Villar, escrito em 1900, simboliza, com certa dramaticidade, um dos desfechos possíveis dos problemas apontados em 1654 por Vieira ao rei de Portugal. 6. Leia os seguintes fragmentos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga. Texto I "Verás em cima de espaçosa mesa Altos volumes de enredados feitos; Ver-me-ás folhear os grandes livros, ás E decidir os pleitos." Texto II "Os Pastores, que habitam este monte, Respeitam o poder do meu cajado; Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja me tem o próprio Alceste." Responda: l a) Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado de acordo com a convenção arcádica? b) Explique. Penge IV (Literatura) 32

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Vale todo um harém a minha bela, Em fazer-me ditoso ela capricha... me Vivo ao sol de seus olhos namorados, Como ao sol de verão a lagartixa." AZEVEDO, Álvares de. Poesias completas (ed. crítica de Péricles Eugênio da Silva Ramos/ org. Iumna Maria Simon). Campinas/SP: UNICAMP; São Paulo: Im Imprensa Oficial do Estado, 2002. 4. A poética da segunda geração romântica é freqüentemente associada ao melancólico, ao sombrio, ao fúnebre; a lírica amorosa, por sua vez, costuma ser caracterizada como lamentação de amores perdidos ou frustrados. Relacione essas duas afirmativas ao texto acima no que se refere à seleção vocabular relativa aos amantes e a seu tratamento poético. Texto para as questões 5 e 6. As estrofes apresentadas a seguir foram retiradas do poema Vozes d'África, de Castro Alves. Vozes d'África é um dos , textos em que o poeta expressa sua indignação diante da escravidão. Leia, com atenção, o fragmento selecionado para responder às questões propostas: Vozes d'África "Deus! ó Deus, onde estás que não respondes!? Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes, Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, Que embalde, desde então, corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?... (...) Mas eu, Senhor!... Eu triste, abandonada, Em meio dos desertos esgarrada, Perdida marcho em vão! Se choro... bebe o pranto a areia ardente! Talvez... pra que meu pranto, ó Deus clemente, Não descubras no chão!..." 5. Cite e explique a figura de linguagem através da qual o poeta estrutura todo o poema. 6. Identifique os elementos que representam, figuradamente, o abandono e o desespero advindos e, da escravidão. PENGE V Texto para as questões 1, 2 e 3. Navio Negreiro "Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! me Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus... Ó mar! por que não apagas Coa esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noite! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!... 33

Dirceu, Leia os seguintes fragmentos de Marília de Dirceu de Tomás Antônio Gonzaga. Texto I "Verás em cima de espaçosa mesa Altos volumes de enredados feitos; Ver-me-ás folhear os grandes livros, E decidir os pleitos." Texto II "Os Pastores, que habitam este monte, Respeitam o poder do meu cajado; Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja me tem o próprio Alceste." Responda: 1. Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado de acordo com a convenção arcádica? Explique. Texto para as questões 2 e 3. "Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado; E em contemplá-lo tímido esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado. Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera!" Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI). In: Péricles Eugênio da Silva Ramos (Intr., sel. e notas). Poesia do outro - Antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p. 47. 2. Indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema. 3. Transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática. Texto para a questão 4. A lagartixa A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa. Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu peito. Posso agora viver: para coroas Não preciso no prado colher flores; Engrinaldo melhor a minha fronte Nas rosas mais gentis de teus amores. Literatura

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Quem são estes desgraçados, Que não encontram em vós, Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem são?...Se a estrela se cala, Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz, Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa musa, Musa, libérrima, audaz! São os filhos do deserto Onde a terra esposa a luz. Onde voa em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados, Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão... Homens simples, fortes, bravos... Hoje míseros escravos Sem ar, sem luz, sem razão..." Castro Alves. In: Antonio Candido e J Aderaldo Castelo. Presença da literatura brasileira. Do Romantismo ao Simbolismo. São Paulo: Difel, 1976. p. 70. O fragmento acima foi retirado do canto V de Navio Negreiro, um dos poemas mais significativos do , romantismo brasileiro. 1. Estabeleça uma comparação entre a temática ab abordada por Castro Alves e os tópicos recorrentes na segunda fase da poesia romântica, o chamado "mal do século". 2. Determine dois recursos estilísticos utilizados por Castro Alves com o objetivo de persuadir e comover o leitor. 3. Especifique a que se refere a expressão "este borrão" no efere verso 7 da primeira estrofe do poema de Castro Alves. Para a questão 4: O trecho abaixo foi extraído de Iracema. Ele reproduz a reação e as últimas palavras de Batuiretê antes de morrer: "O velho soabriu as pesadas pálpebras, e passou do neto ao pebras, estrangeiro um olhar baço. Depois o peito arquejou e os lábios murmuraram: — Tupã quis que estes olhos vissem antes de se apagarem, o gavião branco junto da narceja*. O abaeté derrubou a fronte aos peitos, e não falou mais, nem mais se moveu." José de Alencar, Iracema: lenda do Ceará Rio de Janeiro: Ceará. MEC/INL, 1965, p. 171 171-172. *Narceja: espécie de ave típica do continente sulamericano. 4. Explique o sentido da metáfora empregada por Batuiretê em sua fala. Para a questão 5: O garimpeiro "Lúcia tinha dezoito anos, seus cabelos eram da cor do jacarandá brunido, seus olhos também eram assim, castanhos bem escuros. Este tipo, que não é muito comum, dá uma graça e suavidade indefinível à fisionomia. Literatura Sua tez era o meio termo entre o alvo e o moreno, que é, a re meu ver, a mais amável de todas as cores. Suas feições, ainda que não eram de irrepreensível regularidade, eram indicadas por linhas suaves e harmoniosas. Era bem feita, e de alta e garbosa estatura. azenda Retirada na solidão da fazenda paterna, desde que saíra da escola, Lúcia crescera como o arbusto do deserto, desenvolvendo em plena liberdade todas as suas graças naturais, e conservando ao lado dos encantos da puberdade toda a singeleza e inocência da infância. Lúcia não tinha uma dessas cinturas tão estreitas que se possam abranger entre os dedos das mãos; mas era fina e flexível. Suas mãos e pés não eram dessa pequenez e delicadeza hiperbólica, de que os romancistas fazem um dos principais méritos das suas heroínas; mas eram b bem feitos e proporcionados. Lúcia não era uma dessas fadas de formas aéreas e vaporosas, uma sílfide ou uma bayadère, dessas que fazem o encanto dos salões do luxo. Tomá Tomá-la-íeis antes por uma das companheiras de Diana a c caçadora, de formas esbeltas, mas vigorosas, de singelo mas gracioso gesto. Todavia era dotada de certa elegância natural, e de uma delicadeza de sentimentos que não se esperaria encontrar em uma roceira." Bernardo Guimarães. O garimpeiro – romance. Rio de Janeiro: B.L. Garnier Livreiro Livreiro-Editor do Instituto, 1872, p. 14-16. 5. Na descrição da beleza das mulheres, os escritores nem sempre se restringem à realidade, mesclando aspectos reais e ideais. Uma das características do Romantismo, a esse respeito, era a forte tendência para a idealização, embora a nem todos os ficcionistas a adotassem como regra dominante. Com base nestas informações, releia atentamente o quarto parágrafo do fragmento de O Garimpeiro e identifique na descrição da personagem Lúcia uma atitude crítica do narrador ao idealismo romântico. itude Para a questão 6: "Ao cabo, era um lindo garção, lindo e audaz, que entrava na vida de botas e esporas, chicote na mão e sangue nas veias, cavalgando um corcel nervoso, rijo, veloz, como o corcel das antigas baladas, que o Romantismo foi buscar ao as castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século. O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem, onde o Realismo o veio achar, comido lo de lazeira e vermes, e, por compaixão, o t transportou para os seus livros." 6. É possível considerar o texto como uma apologia do Realismo? Justifique sua resposta. PENGE VI

Questões de Literatura Penge 6 1. (UFV-MG) Considere as seguintes afirmativas: MG) a) "Esforço-me por entrar no espartilho e seguir uma linha me reta geométrica: nenhum lirismo, nada de reflexões, ausente a personalidade do autor." Gustav Flaubert Cf. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. p. 1 169. 34

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b) "Em Thérèse Raquin, eu quis estudar temperamentos e não caracteres. Aí está o livro todo. Escolhi personagens soberanamente dominadas pelos nervos e pelo sangue, desprovidas de livre-arbítrio, arrastadas a cada ato de sua arbítrio, vida pelas fatalidades da própria carne [...]." Émile Zola Cf. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. p. 169. Os princípios estéticos introduzidos por Flaubert e Zola, respectivamente, os mentores do Realismo e do Naturalismo, servem como parâmetro para que se possam vem estabelecer as diferenças básicas entre essas duas escolas literárias. Reflita sobre as afirmações dos referidos escritores franceses e destaque os pontos convergentes e divergentes entre as manifestações da prosa de ficção realista realistanaturalista no Brasil. 2. "O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, davalhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno." rno." O fragmento anterior pertence ao romance O cortiço, de Aluísio Azevedo. a) A descrição da personagem exemplifica um típico recurso do movimento literário a que se filiou o autor. Que movimento foi esse e qual o recurso aqui adotado? b) Exemplifique, com duas expressões retiradas do texto, a e, resposta que você deu ao item anterior. TEXTO PARA AS QUESTÕES 3 E 4. O cortiço “Daí a alguns meses, João Romão, depois de tentar um derradeiro esforço para conseguir algumas braças do quintal do vizinho, resolveu principiar as obras da solveu estalagem. — Deixa estar, conversava ele na cama com a Bertoleza; deixa estar que ainda lhe hei de entrar pelos fundos da casa, se é que não lhe entre pela frente! Mais cedo ou mais tarde como-lhe, não duas braças, mas seis, oito, todo o quintal e até o próprio sobrado talvez! E dizia isto com uma convicção de quem tudo pode e tudo espera da sua perseverança, do seu esforço inquebrantável e da fecundidade prodigiosa do seu dinheiro, dinheiro que só lhe saía das unhas para voltar multiplicado. tar Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todos os seus atos, todos, fosse o mais simples, visavam um interesse pecuniário. Só tinha uma preocupação: aumentar os bens. Das suas hortas recolhia para si e para a companheira os piores legumes, aqueles que, por maus, ninguém compraria; as suas galinhas produziam muito e ele não comia um ovo, do que no entanto gostava imenso; vendia-os todos e contentava-se com os restos da comida se dos trabalhadores. Aquilo já não era ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular; vosa, de reduzir tudo a moeda. E seu tipo baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer, ia e vinha da Literatura pedreira para a venda, da venda às hortas e ao capinzal, sempre em mangas de camisa, de tamanc sem meias, tamancos, olhando para todos os lados, com o seu eterno ar de cobiça, apoderando-se, com os olhos, de tudo aquilo de que ele não se, podia apoderar-se logo com as unhas.” se AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 25ed. São Paulo: Ática, 1992, pp. 23 23-24. No fragmento de O Cortiço, de Aluísio Azevedo (1857 to (18571913), há um trecho em que se observa uma das posturas cientificistas do Naturalismo, o psicofisiologismo. Tal postura consiste em fazer com que os traços físicos de um personagem estejam em estreita relação com su identidade sua psicológica, sua maneira de ser, no ambiente narrativo. Levando em consideração este comentário: 3. Indique um traço físico de João Romão que está de acordo com a personalidade que lhe confere o narrador. 4. Interprete esse traço físico, à lu do caráter naturalista da luz obra. se Os textos a seguir referem-se à próxima questão e à de número 6. Tercetos "Noite ainda, quando ela me pedia Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia: 'Espera ao menos que desponte a aurora! tua alcova é cheirosa como um ninho... e olha que escuridão há lá fora! Como queres que eu vá, triste e sozinho, Casando a treva e o frio de meu peito! Ao frio e à treva que há pelo caminho?! Ouves? é o vento! é um temporal desfeito! Não me arrojes à chuva e à tempestade! jes Não me exiles do vale do teu leito! Morrerei de aflição e de saudade... Espera! até que o dia resplandeça, Aquece-me com a tua mocidade! me Sobre o teu colo deixa-me a cabeça me Repousar, como há pouco repousava... Espera um pouco! deixa que amanheça!' — E ela abria-me os braços. E eu ficava." me Em Bilac, Olavo. Alma inquieta: poesias. 13. ed. São Paulo: Francisco Alvez, 1928, p. 171 171-172. Ela disse-me assim "Ela disse-me assim Tenha pena de mim, vá embora! Vais me prejudicar Ele pode chegar, está na hora! E eu não tinha motivo nenhum Para me recusar, Mas aos beijos caí em seus braços E pedi pra ficar. Sabe o que se passou Ele nos encontrou, e agora? Ela sofre somente porque foi fazer o que eu quis. E o remorso está me torturando Por ter feito a loucura que fiz. or 35

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Por um simples prazer, fui fazer Meu amor infeliz." Lupicínio Rodrigues Samba-canção gravado por José Bispo dos Santos, o canção Jamelão. Continental, 1959. 5. Separados pela distância do tempo, o texto do compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974) mantém 1974) relações de semelhança e de dessemelhança com o poema de Olvao Bilac (1865-1918). Releia-os com atenção e, a os seguir: a) Responda em que sentido o samba-canção de Lupicínio canção poderia representar uma continuidade ou mobilização do tema enfocado pelo poeta parnasiano. b) Do ponto de vista formal da versificação, aponte pelo menos um procedimento de Lupicínio que o distancia do poema de Bilac. 6. Embora seja considerado um dos mais típicos representantes do Parnasianismo brasileiro, cuja estética defendeu explicitamente no célebre poema Profissão de Fé, Olavo Bilac revela em boa parcela de seus poemas alguns ingredientes que o afastam da rigidez característica da escola parnasiana e o aproximam da romântica. Partindo desta consideração: a) Identifique duas características formais do poema de Bilac que sejam tipicamente parnasianas. b) Aponte um aspecto do mesmo poema que o aproxima da estética romântica. PENGE VII TEXTO PARA AS QUESTÕES DE LITERATURA Ismália Alphonsus de Guimaraens Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Literatura 36 Seu corpo desceu ao mar... 1. Todo o poema é construído com base em antíteses. As antíteses articulam em torno dos desejos articulam-se contraditórios de Ismália. Destaque dois pares de antíteses do texto. 2. O que deseja Ismália? 3. O Simbolismo, por ser um movimento antilógico e anti-racional, valoriza os aspectos interiores e iza pouco conhecidos da alma e da mente humana. Retire do texto palavras ou expressões que comprevem essa característica simbolista. Sobre as questões 4, 5 e 6: tal qual no Barroco e no Romantismo, o poema estabelece relações entre corpo e alma ou matéria e espírito. Com base no desfecho do poema: 4. Céu e mar relacionam ao universo material ou relacionam-se espiritual?Justifique. 5. Ismália conseguiu realizar o desejo simbolista de transcendência espiritual? Explique. 6. Pode-se afirmar que, para os s se simbolistas, sonho e loucura levam à libertação? Justifique.

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