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Paradigm As Apostila 1 Adm Publica

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Os Paradigmas da Administração Pública no Brasil

 Administração Pública Patrimonial  Administração Pública Burocrática  Administração Pública Gerencial

Administração Pública Patrimonial
No patrimonialismo, o aparelho do Estado funciona como uma extensão do poder do soberano, e os seus auxiliares, servidores, possuem status de nobreza real. Os cargos são considerados prendas em conseqüência, a corrupção e o nepotismo predominam e são inerentes a esse tipo de administração. No momento em que o capitalismo e a democracia se tornam dominantes, o mercado e a sociedade civil passam a se distinguir do Estado. Neste momento histórico, a administração patrimonialista torna-se uma excrescência inaceitável. A Patrimonialista aproxima-se muito do estilo de administração dos Estados Totalitários, onde não se sabe ao certo o que separa o patrimônio do ditador ou rei, do patrimônio do povo. A vontade do soberano, aí englobada a vontade do Estado, é que define e determina as regras da Administração Pública, sem qualquer preocupação com o bem estar social. Para Pereira (1997), Patrimonialista é exercido pela nobreza; fonte de corrupção, nepotismo; descaso com os pertences do Estado e com os governados.

Características da Administração Pública Patrimonial
• • • • • • • • • Onde a administração nada mais é do que uma mera extensão do poder do soberano. Ocorre o “endeusamento”do soberano, temos a supervalorização de seus auxiliares, servidores, que passam a usufruir de um status de nobreza real. Os cargos são considerados prebendas e sinecuras. A res publica não é diferenciadas da res princips. Proporciona a corrupção e o nepotismo. Relações de fidelidade pessoal com o príncipe. Apropriação do cargo pelo seu ocupante (interesse pessoal) A Administração é um amontoado de cargos Dominação tradicional.

Administração Pública Burocrática
Surge como forma de combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista, e tem como princípios orientadores do seu desenvolvimento a profissionalização, a idéia de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional legal.

• Perfeita na efetividade a partir do controle dos abusos. mas. impessoal além da medida. Caráter formal das comunicações 3. Competência técnica e mérito 8. Divisão do trabalho 4. Caráter legal das normas 2. Parte-se de uma desconfiança essencial nos administradores públicos e nos cidadãos que eles dirigem e o Estado torna-se fim em si mesmo Por isso são sempre necessários controle rígidos dos processos. • Foco no controle dos processos (meios). com uma clara ideia de carreira. ao passo que a administração pública gerencial está mais orientada para as necessidades do cidadão e para a obtenção de resultados.”Para ele a administração pública burocrática também é um apelo pela modernização. nas compras e no atendimento a demandas. Além disso ela passa a possuir uma previsibilidade no comportamento humano e padronização no desempenho dos participantes. • Ineficiente. • possuir controle rígidos. como na administração de pessoal. Porém esse tipo de administração burocrática tornou-se cheia de regras. sendo incapaz de voltar-se para o serviço dos cidadãos vistos como clientes. a função do aparelho de Estado é servir o interesse do cidadão para tanto precisa conhecer e pesquisar os desejos e anseios da sociedade. a associação entre o capitalismo e a democracia fez emergir uma administração pública burocrática. Hierarquização da autoridade 6. Cumprimento restrito das determinações legais e imposição de regras ao comportamento dos agentes públicos. a administração do Estado précapitalista era do tipo patrimonialista. Profissionalização 10. e a sociedade ficou em segundo plano. Rotinas e procedimentos 7. Impessoalidade no relacionamento 5. na medida em que a Administração Público assim constituída é auto-referente. A administração pública burocrática tem algumas características • ser formada por regras abstratas. o modelo racional-legal. A burocracia é baseada em: 1. Especialização da administração 9. relações de autoridade e corpo burocrático. A forma de ingresso segundo Bresser Pereira (1997) se dá a partir de Concurso. impessoalidade e regras de comportamento e de competência.No entendimento de Bresser Pereira. baseado em escolaridade e aptidão técnica.Previsibilidade no funcionamento` As disfunções da burocracia: .

• controle dos processos implica na subordinação à rotina. maior estabilidade e menor incerteza). exibição dos sinais de autoridade PER SE: uniformes. localização da sala. Excesso de formalismo e de papelório pelo excesso de documentação 3. resistência a pressões externas. melhores chances de sobrevivência. • os controles severos produzem subserviência. • a crescente disputa por espaço entre políticos e burocratas no Estado (a burocracia cria tensão entre profissionais que detém conhecimento versus profissionais que detém autoridade). 8. Internalização das regras e apego ao regulamento que passa a ser objetivo e não meio 2. estacionamento. Despersonalização do relacionamento onde pessoas são somente os ocupantes dos cargos 5. que prejudica as pessoas e atrasa os serviços públicos. Superconformidade às rotinas e procedimentos-trabalha-se em função dos regulamentos e rotinas e não em função dos objetivos organizacionais (esquecidos) 7. dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público em face do não enquadramento das novas demandas ante os regulamentos e normas Outras disfunções da burocracia: • tende a privilegiar os meios frente aos fins.1. Resistência a mudanças em face ao acomodamento pela rotina constante 4. As vantagens da burocracia • • • • • • • • Busca a racionalidade Precisão na definição do cargo e na operação Rapidez nas decisões Uniformidade nas rotinas e procedimentos Continuidade da organização Redução dos atritos entre as pessoas Constância Confiabilidade As características da burocracia segundo Max Weber Legalmente Formalmente Racionalmente Impessoalmente Hierarquizamente . • a tendência das organizações burocráticas a crescer além do necessário (porque o crescimento possibilita economia de escala. • a burocracia moderna está penetrando nas decisões da esfera política e é permeável a grupos de interesses e lobbies. Categorização e estereotipia como base do processo decisorial-“quem decide é quem ocupa a posição hierárquica mais alta ou quem tem mais conhecimento?” 6.. prejudicando iniciativas mais criativas. tipo de mobiliário.

como resposta. tornou se então essencial à eficiência da Administração Pública. fala-se muito em "Nova Administração Pública". A Administração Gerencial preocupa-se mais com a eficiência da Administração Pública.A burocracia é uma estrutura social Organizada Administração Pública Gerencial Emerge na Segunda metade do Século XX. de outro. à expansão das funções econômicas e sociais do Estado e. Desde a aprovação da Emenda Constitucional da "Reforma Administrativa" (EC nº 19. A partir da reforma do Estado Brasileiro ele passa.  Foco no cidadão – usuário. a ser entendido como uma espécie de amálgama das seguintes esferas ou setores de atuação: . Para Pereira (1997). a qualidade dos serviços prestados e as necessidades vitais da coletividade. e porque não dizer. de 4/6/1998). A eficiência da administração pública. Resposta rápida à necessidade de serviços.  Responsabilização e trabalho em equipe. uma vez que ambos deixaram à mostra os problemas associados à adoção do modelo anterior. Alguns princípios da administração gerencial  Orientação para resultados e disposição para obter resultados mesmo com recursos escassos. a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços. Nova concepção de administração pública voltada ao cidadão-cliente. numa flexibilização da administração. O dinamismo operacional desaguou numa inevitável descentralização administrativa. a terceirização e também oferecer incentivos mais fortes e concretos para o desempenho. do downsizing (redução da diferenciação vertical e de quadros) e finalmente. A reforma do aparelho do Estado passa a ser orientada pelos valores da eficiência e qualidade na prestação de serviços públicos e pelo desenvolvimento de uma cultura gerencial nas organizações. então.  Aumento da eficácia e eficiência. a introdução de regulamentos externos. o modelo gerencial surgiu a partir de demandas da sociedade. Constituição Federal de 1988. ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial. que também recebeu a alcunha de "Administração Gerencial". de um lado. Tem como pressupostos a eliminação do “desperdício” do governo. tendo o cidadão como beneficiário.  Transparência dos processos decisórios. mediante o desmantelamento dos sistemas de corrupção e cartelização.

3.1. . Atividades Exclusivas. predominando o controle por parte dos soberanos e a corrupção colocando os cargos não como mérito dos funcionários que se destacam com sua eficiência. colocando o método acima do interesse da coletividade.  a burocracia . • Sistema estruturado e universal de remuneração.impondo resistência injustificada à tramitação. Esse modelo constitui um avanço.  e a administração pública gerencial . e até um certo ponto um rompimento com o modelo burocrático.”. acesso ao processo enquanto instrumento público e serviços públicos. entretanto. 4.Is. Descentralização da execução dos serviços estatais. 2.buscando reconhecer nas pessoas que buscam um serviço público como clientes. mas. como prendas dadas aos ”Q. • Carreira • Avaliação de desempenho • Treinamento sistemático Principais características do Gerencialismo: • • • • • Profissionalização da Alta Burocracia. É importante salientar que as três formas de administração pública continuam existindo e vigorando no decorrer do tempo.rígida no processo. Accountability. Núcleo Estratégico. embora flexibilização alguns dos princípios fundamentais: • Admissão segundo critérios rígidos de méritos. convém ao gestor optar pela que for mais coerente à sua pratica administrativa:  Patrimonialista . um cidadão que paga impostos gerando renda e divisas para o pais. Isso não significa. que negue todos os princípios do Modelo Anterior. Transparência. Desconcentração organizacional. Serviços Não-Exclusivos Produção de Bens e Serviços para o Mercado. da qual conserva.

. Referências Bibliográficas: GORDILLO. Explica-se. pois. pode ser explicada. considerados nos países de tradição romanística matéria do Direito Administrativo.o qual prioriza os precedentes jurisprudenciais: “A justiça norte-americana equiparou os atos jurídicos da Administração Pública aos atos privados. por sua vez. segundo Beatriz WARLICH (1978).Evolução da Administração Pública no Brasil O Paradigma da Administração Pública como Ciência Jurídica (1900-1929) Os primórdios do estudo de Administração Pública no Brasil a identificam “com as regras jurídicas. limitando seu problema à elaboração de leis e regulamentos de aplicação. como um limitante às inovações gerenciais. Buenos Aires. ou melhor. 1978). especialmente nas concepções ligadas à prática da Administração Pública. a grande influência exercida. Gordillo pode ilustrar o fato: “O enorme avanço dos estudos da Ciência da Administração nos Estados Unidos. Comparando. Fundação Getúlio Vargas. 1974). ”Introdução à Administração Pública”. especialmente a partir da emergência do estudo sistemático da Administração. que esta última resulta dependente do primeiro. WARLICH. esta questão foi considerada superada. “Tratado de Derecho Administrativo. verifica-se que Direito Administrativo e Administração Pública parecem ser equivalentes. MUÑOZ AMATO. Tomo 1. 12. Inglaterra etc. a cultura latina à anglo-saxônica. 1974. Cabe acrescentar que alguns aspectos da organização administrativa. pp. pelo enfoque jurídico. Macchi. e talvez. p. p.. 1958. “Evolución de las Ciências Administrativas em América Latina”. a autora refere-se de maneira especial ao sistema do “Common Law” . VI-18 a VI-20. pelo fato destes países terem sido colônias de Portugal e Espanha que. 70-92. P. carregavam doze séculos de legislação romana. posteriormente. Anos depois. fato que fez com que o Direito Administrativo não tenha a elaboração e a profundidade que teve nos países latinos. fortemente enraizada na América Latina. não a mais importante (GORDILLO. 19. apesar de não ser mais o paradigma dominante. com todos os pormenores necessários para o seu cumprimento”. a preocupação dos estudiosos da época. Esta postura legalista. e sua crescente difusão em nosso meio. n. assim. senão apenas uma de suas facetas. no Brasil. em grande parte dos casos. que. atuando. nos Estados Unidos são considerados como estranhos ao jurídico” (WARLICH. Revista Internacional de Ciencias Administrativas. continua bastante forte e influente. A. que passou a ser entendida como Ciência. está despertando a consciência de que a solução jurídica não é a solução do problema administrativo. Neste comentário de Muñoz Amato (1958). Diferenciar as duas disciplinas e caracterizar cada uma delas constitui. B. Este comentário de Agustin A. A.

EAESP/FGV/NPP . que lança as bases do Estado Administrativo no Brasil conforme NASCIMENTO (1978). permitindo que se equiparasse a Administração Pública à Administração de Empresas. Dada a vigência deste paradigma por um longo período de tempo.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 7/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995 O Paradigma da Administração Pública como Ciência Administrativa (1930-1979) Este período paradigmático é marcado pela grande influência dos chamados “princípios da administração” que traziam em si a idéia de neutralidade e aplicabilidade a qualquer contexto.1978. pode-se dividilo em três fases distintas (ver Quadro 2): a) 1ª Fase: O Estado Administrativo (1930-1945) Este período inicia-se com a Revolução de 30. dando início à .

Para cumprir esta tarefa o DASP inicia um movimento de profissionalização do funcionalismo público implantando um sistema de ingresso competitivo e critérios de promoção por merecimento. por um lado. ainda. p. A. MARTINS. 2ª Fase: A Administração para o Desenvolvimento (1946-1964) Este período é marcado pela ideologia desenvolvimentista.tinha na racionalização e no treinamento técnico sua grande orientação. pré-condições para investimentos. de outro. 1994. Ver ”Administração Pública e Administração de Empresas”. agosto de 1938. ainda. p. 11-50. e. orçamento. 3. O conceito de governo predominante na época era o de que “governar é administrar” 1ignorando o componente político e reforçando a idéia de identidade de interesses. Artigos e editoriais da Revista do Serviço Público faziam referência constante a estes autores. criou condições para que se igualasse as necessidades da Administração Pública àquelas da Administração Empresarial. a própria criação das Escolas de Administração no Brasil é fruto 1 REVISTA DO SERVIÇO PÚBLICO. ”Reflexões sobre a Estratégia de Reforma Administrativa: a Experiência Federal Brasileira”. nos países pobres. materiais. Rio de Janeiro. no desejo dos países ricos criarem. 1978. pelo caráter prescritivo do emergente campo de administração. Fayol. “Editorial”. ainda mais. nas evidentes necessidades dos novos Estados transformarem suas burocracias de tipo colonial em instrumentos de mudança social (CAIDEN e CARAVANTES.2 A idéia desenvolvimentista fundamentou-se. vol. 2. também influência da Escola Clássica. Rio de Janeiro. Revista de Administração Pública. organização e métodos.EAESP/FGV/NPP . O próprio DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público) . Isto criou uma demanda por capacidade de gestão que. 1. 2. L.Taylor.estruturação e expansão estatal. baseada especialmente nos teóricos da chamada Escola Clássica . Revista de Administração Pública n. III. reforçando. no. 127 e 129. aliada ao grande fascínio exercido pela emergente Ciência da AdministraçÃo. Referências Bibliográficas: NASCIMENTO. A chamada ”Administração para o Desenvolvimento” implementada basicamente através dos projetos de cooperação internacional. . 1982). Willoughby e Gulick. neste período. influencia. as atividades relacionadas à pessoal. ano I. uma vez que. v. a idéia de que “dificilmente se poderá planejar o desenvolvimento enquanto o País não tiver estabelecido uma administração pública capaz de implementar (o grifo não consta do original) os planos”. A aplicação destes conceitos na Administração Pública era facilitada. v. de maneira decisiva as linhas norteadoras dos estudos de Administração Pública. Centraliza.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 8/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995 2 Aula inaugural do Curso de Graduação em Administração Pública da EAESP/FGV. proferida pelo então Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.criado em 1938 para ser ”o braço administrativo do governo” Getúlio Vargas . Esta primeira fase é marcada fortemente pela idéia de racionalização. RSP. K.

Assim. Como consequência. somados aos anteriores. p. n. e CARAVANTES. O paradigma do campo de conhecimento em Administração Pública continua baseando-se na gestão empresarial. 16. O país já dispõe de um corpo de técnicos e estudiosos capazes de gerar uma sofisticação na produção de conhecimento em administração. o que resultou na criação de Cursos de Administração a nível de graduação (UFRGS e UFBA) e no aperfeiçoamento dos vigentes (EBAP e EAESP. importações destinadas a auxiliar sua estruturação. reafirmou a importância do planejamento (entendido sob uma ótica tecnicista). isto é. n. T. ideológica e metodologicamente o ensino de Administração Pública e as proposições de reforma administrativa no Brasil.3 Referências Bibliográficas: CAIDEN. firmado em 1959.o que pode dar a idéia de descentralização -.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 9/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995 4 Apesar de ter havido uma expansão da administração indireta . vai demandar e absorver os quadros formados nestes moldes. v.4 O decreto-lei 200.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 10/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995 . neste período. G. 3ª Fase: O Intervencionismo Estatal (1965-1979) Nessa época o Estado começa a gerir grandes organizações. ”Administração Pública como área de Conhecimento e Ensino: a Trajetória Brasileira”. G. ambas da FGV). nesta área. centralização e controle. fundações e autarquias. No âmbito deste programa foram enviados professores e técnicos para a realização de cursos de mestrado e doutorado nos EUA. ainda. estatuto básico da reforma administrativa do governo militar. que foi o de sua maior expansão5. 24. p. uma vez que o Estado-Empresa. empresas estatais. Rio de Janeiro. 1. especialmente no período 1967-1978. Cabe salientar. desenvolvimentista e interventor.ocorrendo um crescimento da máquina governamental com vistas a aumentar sua capacidade de intervenção. e que se destinava a ”prover suficiente número de técnicos competentes 96 as repartições públicas e privadas”. EAESP/FGV/NPP . “Reconsideração do Conceito de Desenvolvimento”. v.EAESP/FGV/NPP . 4. a Administração começa a adquirir contornos de campo de conhecimento: ocorre um aumento na produção de textos de caráter teórico-conceitual e uma presença marcante de traduções.destes acordos. garantiu a expansão das empresas estatais e centralizou o controle na Secretaria de Planejamento (SEPLAN). 278-288. Estes convênios. Revista de Administração de Empresas. foi o Programa de Ensino em Administração Pública e de Empresas (PBA-1). direcionando. Revista de Administração Pública. Rio de Janeiro. 1982. 5 Ver FISCHER. 3 Um dos acordos mais importantes. como o que deu origem à FGV (1943/1944) tornaram a influência americana decisiva. 4-16. foram reforçados os sistemas de controle destas. especialmente a partir da Secretaria do Planejamento. a administração de empresas estatais no Brasil passou a ser dirigida pelo lema da competência e racionalidade técnicas. de 1967. 1984. que tinha unidades em cada ministério e em cada unidade da administração descentralizada. que é através destes convênios que se inicia o treinamento dos futuros professores destes cursos nos Estados Unidos.

pela neutralidade dos chamados princípios da administração. o paradigma da Administração Pública como Ciência Administrativa começa a mostrar sinais de esgotamento. um período marcado pelo tecnicismo. . desta forma. de desenvolvimento ou de competência (ver Quadro 2).Encerra-se. Expresso nas diversas fases como sinônimo de racionalização. e. pela separação dicotômica entre esta e a política. como decorrência.

embora fundamentado unicamente em uma visão “militante” da Administração Pública . na crise social. a noção de direitos e ocorre. conseqüentemente. Começa a delinear-se o novo paradigma. estudos relacionados à questão do poder estatal. dando menos ênfase à eficiência que à eqüidade e à adequação social. A noção de cidadania contrapõe-se à idéia de corrupção.) Administração Pública como A partir da mobilização social referida no período anterior consolida-se o conceito de cidadania. até então hegemônico. embora proposições como descentralização. O papel desenvolvimentista e interventor do Estado brasileiro revela-se esgotado e sua participação na economia decresce cada vez mais. parece renascer a velha dicotomia política-administração.. neste período. apontando para uma nova configuração do campo: da existência enquanto Ciência Administrativa a Administração Pública começa a utilizar-se de um instrumental teórico predominantemente oriundo das Ciências Políticas. condicionada aos primeiros. transformandose. na maior parte dos casos. envolvimento das associações da sociedade civil. Um novo conceito de desenvolvimento começa a emergir. Começa-se a identificar obstáculos políticos à própria eficiência.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 11/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995 entendida como o favorecimento do interesse privado em detrimento ao público. O novo .como as parcerias público-privado . o fortalecimento da cultura democrática.O Paradigma da Administração Pública como Ciência Política (1980-1989) O País vivencia. em matéria de ensino e pesquisa em Administração Pública. Em outras palavras. O modelo desenvolvimentistaexportador demonstra sua falência na crise econômica e. especialmente no sentido de se ampliar o controle da primeira.. O domínio do tecnicismo característico do paradigma anterior dá lugar agora a um politicismo que reedita a velha e criticada proposição taylorista da separação entre os que concebem e os que executam. especialmente. estando esta última. uma mudança de paradigma (ver Quadro 2). intensa mobilização político-social e um processo de reorganização institucional. travestida de administração política.que pregava a supremacia da política às possibilidades legais e técnicas de gestão . O Paradigma Emergente: A Administração Pública (1989. A produção teórica em Administração Pública recebe uma grande contribuição das análises baseadas na Ciência Política. agora. como conseqüência. no campo de Administração Pública. A vigência deste paradigma.abriu caminho para que novamente o campo se transformasse. Começam assim a predominar. Emerge a proposta de participação da sociedade civil na gestão pública. Inicia-se um movimento de redução do tamanho do Estado. especialmente a partir das privatizações. trazendo. enfoque este que começa a ganhar espaço em relação ao enfoque administrativo. gradativamente. sobre a segunda. fortalecimento da instância local e de formas alternativas de gestão . EAESP/FGV/NPP .estejam na ordem do dia..

para garantir a democratização das relações governo-funcionários públicos-sociedade certas condições operativas e organizacionais precisam ser asseguradas. a Administração Pública surge como uma disciplina híbrida. de análises do setor público para o estudo das questões públicas.7 Coloca-se. Costa Rica. A produção do período reflete estas transformações apresentando um reequilíbrio nos enfoques de Ciência Administrativa e Ciência Política. Public Administration Reviews. Gerald. seu ”locus” (objeto empírico de análise) das distinções tradicionais entre setor público e privado para abranger todas as questões que refiram-se a interesse coletivo.papel do Estado parece ser o de catalisador de energias e potencialidades governamentais e comunitárias. Surge assim. G. San Jose. ainda. 33(1):62-73 e METCALFE. da democratização da informação e do envolvimento da população. 1990. com ligações orgânicas com a Ciência Política e com a Análise Organizacional. a dicotomia público-privado. 8 Esta análise da Administração Pública pode ser aprofundada em WASLEY. um enfoque paradigmático na formulação. L. Brasília. público-privado. Les. especialmente a partir de critérios éticos. MP Comunicações/ENAP. Internacional Institute of . execução e avaliação de planos governamentais e no manejo de interesses (e pressões de organizações políticas e sociais) que se encontram em conflito. inovando e criando novas possibilidades.NÚCLEO DE PESQUISAS E PUBLICAÇÕES 12/59 RELATÓRIO DE PESQUISA Nº 10/1995. & ZALD. desta forma. “Como hacerle frente a la década de los noventa: retos para los gerentes del sector público”. David e Gaebler. a superação de velhas dicotomias tais como políticaadministração. A nova perspectiva enriquece e amplia os limites do campo. concepção e execução. 7 Para esta discussão ver CAIDEN. passando. ao mesmo tempo. formular estratégias e gerir recursos escassos. Entende-se assim que. Esta visão supera as proposições que consideravam ser o campo de Administração Pública aquele que realiza estudos “localizados” no setor público. Ted in “Reinventando o Governo”. O principal desafio colocado pelo paradigma emergente parece ser. A competência política para conciliar demandas sociais e conviver com as relações de poder entre Estado e Sociedade precisa ser aliada à capacidade técnica para definir prioridades e metas.6 Este novo contexto exige administradores públicos capazes de administrar democraticamente e gerenciar a participação das comunidades. à medida que supera. XXV Asamblea Anual de Cladea. Amplia.EAESP/FGV/NPP . Como consequüência. consolidando a trajetória anterior em um novo paradigma. 1994. The Political Economy of Public Organizations. e aperfeiçoe. dentre outras. Washington. aliando a Ciência Política à Administrativa (com especial ênfase na Análise Organizacional) corresponda às expectativas sociais de um estado democrático e eficiente. M. O paradigma emergente parece apontar para a necessidade de se pensar em uma Teoria de Governo que. a exigência que o paradigma emergente consolide estas mudanças adotando valores de uma cultura democrática. inclusive. efetivamente. Public Management: From Imitation to Innovation. os instrumentos de gestão.8 6 Esta proposição está contida no conceito de ”governo empreendedor” desenvolvido por Osborne.

1992. 1. Nicholas. ”Public Administration as a Developing Discipline. Sobre o Brasil ver MACHADO. Public Administration Review. n. Sobre a evolução do campo nos EUA ver HENRY. melhorar a qualidade dos serviços aos cidadãos e procurar o desenvolvimento humano ao mesmo tempo que o econômico. assim. Decker. Uma Gerência Pública para os Novos Tempos. July-August. capaz de fazer frente à complexidade e à incerteza. Paradigms of Public Administration. Revista do Serviço Público. Robert. 1988. 1994. Produção Acadêmica em Administração Pública: período 1983/1988.O desafio consiste. Anais da Anpad. Brasília. vol 118. . 1975. que possibilitem o surgimento de um Estado Inteligente. 9 Ver KLIKSBERG. Bernardo. 35. Bruxelas. 1975 e GOLEMBIEWSKI. na construção. 378386.9 Administrative • Sciences. Clovis et alli. New York. de modelos teóricos e práticas. 119-142.

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